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<p><</p><p>DESCRIÇÃO</p><p>Principais protozoários parasitas do homem: epidemiologia, formas de transmissão, sintomatologia e controle da doença.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Conhecer os principais protozoários de importância médica inseridos na parasitologia, bem como a transmissão de doenças, a epidemiologia</p><p>e a forma de controle para que o profissional da área da saúde tenha uma visão mais ampla sobre as principais parasitoses, auxiliando no</p><p>diagnóstico e tratamento de tais doenças.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Identificar as formas de transmissão e prevenção das amebas e apicomplexos</p><p>MÓDULO 2</p><p>Descrever as formas de transmissão e prevenção dos flagelados parasitas do sangue e tecidos</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Parasitas (principalmente parasitas intestinais) são antigos na evolução. Embora os parasitas tenham evoluído com o hospedeiro humano,</p><p>existe um número relativamente pequeno ao qual somos expostos. As doenças parasitárias protozoárias são endêmicas em muitas áreas do</p><p>mundo, especialmente nos países em desenvolvimento devido às precárias condições de saneamento básico. Vamos aprender ao longo</p><p>deste tema alguns protozoários que parasitam o homem, sua epidemiologia, sintomatologia e forma de controle e prevenção. Vamos juntos?</p><p>MÓDULO 1</p><p> Identificar as formas de transmissão e prevenção das amebas e apicomplexos</p><p>INTRODUÇÃO AOS PROTOZOÁRIOS PARASITOS DO HOMEM</p><p>Existem diversos protozoários que colonizam o trato gastrointestinal humano que podem ou não provocar doenças parasitárias. Os</p><p>protozoários não formam um grupo homogêneo e sua fisiologia e bioquímica são amplamente voltados para o habitat em que ele se</p><p>encontra. Além disso, existem diferentes mecanismos de entrada no hospedeiro, que varia se os parasitas são intracelulares ou</p><p>extracelulares, podendo ser protozoários especializados no hospedeiro (por exemplo, Entamoeba histolytica ) ou adaptados a mais de um</p><p>hospedeiro (como a Giardia duodenalis ).</p><p>Antes de começarmos a falar especificamente de cada parasito, vamos relembrar uma parte da classificação taxonômica.</p><p>Na classificação dos grupos de protozoários, são considerados aspectos morfológicos, métodos bioquímicos e métodos moleculares</p><p>referentes ao material genético do parasito.</p><p>Essas características são levadas em consideração quando são feitas as classificações taxonômicas.</p><p>Você se lembra da sigla “ReFiCOFaGE”?</p><p>Essa sigla se refere à hierarquia de classificação biológica dos seres vivos, onde:</p><p>Re = Reino</p><p>Fi = Filo</p><p>C = Classe</p><p>O = Ordem</p><p>Fa = Família</p><p>G = Gênero</p><p>E = Espécie</p><p>Imagem: Shuttertock.com.</p><p> Hierarquia de classificação biológica.</p><p>Existem sete filos dentro do reino Protozoa, mas os filos com maior importância médica, que iremos estudar ao longo deste tema, são:</p><p>Apicomplexa, Sarcomastigophora e Cilliophora, conforme demostrado a seguir.</p><p> Taxonomia do reino Protozoa.</p><p>Esses filos são responsáveis por uma série de doenças de importância médica, são elas:</p><p>APICOMPLEXA</p><p>CILIOPHORA</p><p>SARCOMASTIGOPHORA</p><p>APICOMPLEXA</p><p>Compreende os agentes causadores da malária e da toxoplasmose.</p><p>CILIOPHORA</p><p>Tem como representante o agente causador da balantidíase.</p><p>SARCOMASTIGOPHORA</p><p>Filo grande e diverso, no qual encontramos muitos parasitos de importância médica. Apresenta dois grandes subfilos: Sarcodina e</p><p>Mastigophora.</p><p>Mas você sabe quem é o principal representante dos protozoários de importância médica do subfilo Sarcodina? Isso mesmo, o agente</p><p>causador da amebíase.</p><p>Vamos então iniciar nosso estudo pelo filo Sarcomastigophora subfilo Sarcodina, e, no módulo seguinte, conheceremos o subfilo</p><p>Mastigophora. Além disso, visitaremos o filo Apicomplexo e Ciliophora.</p><p>FILO SARCOMASTIGOPHORA: SUBFILO SARCODINA – AMEBAS</p><p>QUE PARASITAM O HOMEM</p><p>Os protozoários pertencentes ao subfilo Sarcodina apresentam cílios, flagelos (em determinadas fases do ciclo reprodutivo) ou pseudópodes</p><p>e se movem por movimentos ameboides mediante fluxo de citoplasma ou por meio de pseudópodes evidentes.</p><p>DIVISÃO OU FISSÃO BINÁRIA</p><p>Divisão binária: Processo de reprodução assexuada dos organismos unicelulares que consiste na divisão de uma célula em duas, cada</p><p>uma com o mesmo genoma da "célula-mãe"</p><p>De modo geral, a reprodução se dá por divisão ou fissão binária, mas quando ocorre reprodução sexuada ela se dá por meio da produção</p><p>de gametas flagelados ou ameboides.</p><p>ENTAMOEBA HISTOLYSTICA</p><p>Importante parasita entre os humanos, causador da amebíase. Esse parasita foi descoberto por Loesch (em 1875), pela visualização de</p><p>trofozoítas nas fezes de pacientes com disenteria.</p><p>Esse subfilo apresenta uma grande diversidade no quesito forma de vida. Eles podem ser de vida livre, ou seja, vivem na natureza</p><p>geralmente em ambientes aquáticos e úmidos. Alguns protozoários de vida livre podem se tornar parasitos ocasionais, como a Naegleria</p><p>fowleri , uma ameba encontrada em algumas coleções de águas naturais e que pode infectar banhistas penetrando a mucosa nasal,</p><p>podendo chegar até o sistema nervoso central.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Além disso, podem ser parasitos obrigatórios, como a Entamoeba histolytica presente na família Endamoebidae, na ordem Amoebida e ao</p><p>gênero Endamoeba .</p><p>O ciclo de vida desse parasita é monóxeno (inclui parasitas que realizam seu ciclo de vida em um único hospedeiro) e apresenta quatro</p><p>estágios evolutivos:</p><p>TROFOZOÍTOS</p><p>Forma móvel que apresenta um único núcleo, com cariossoma central, membrana nuclear delgada e cromatina uniforme. Fazem rápida</p><p>emissão de pseudópodes responsáveis pela sua locomoção. A multiplicação do parasito ocorre por meio de divisão binária.</p><p>PRÉ-CISTO</p><p>Forma de transição entre trofozoíto e cistos. Há redução da motilidade e emissão de pseudópodes, sua forma se torna esférica ou ovoide e</p><p>se inicia a formação da parede cística.</p><p>CISTOS</p><p>Forma de resistência ao ambiente externo. São esféricos ou ovoides, com cerca de 12 μm de diâmetro. A parede do cisto é delgada com</p><p>duplo contorno. Cistos jovens apresentam somente um núcleo e, com o tempo, amadurecem e passam a apresentar até 4 núcleos.</p><p>METACISTO</p><p>Forma intermediária multinucleada que, por ter sofrido várias divisões nucleares e citoplasmáticas, dá origem a oito trofozoítos.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Shuttertock.com.</p><p> Ciclo biológico da Entamoeba histolytica .</p><p>Agora, vamos entender como esse parasita se comporta no organismo humano, a partir da figura a seguir:</p><p>A</p><p>B</p><p>C</p><p>D</p><p>E-F</p><p>G</p><p>A</p><p>Após a ingestão dos cistos presentes na água e/ou em alimentos contaminados, eles chegam ao estômago e mesmo com a ação do suco</p><p>gástrico não ocorre o desencistamento.</p><p>B</p><p>No entanto, ao chegarem ao intestino delgado, mais precisamente à porção terminal do íleo, passam pelo processo de desencistamento, o</p><p>qual leva à liberação do metacisto, a partir de uma pequena fenda na parede cística.</p><p>C</p><p>Essa forma sofre várias divisões nucleares e citoplasmáticas que originam oito trofozoítos. Os trofozoítos liberados migrarão para o intestino</p><p>grosso onde se aderem à parede da mucosa e se alimentam por pinocitose e fagocitose de bactérias e restos celulares.</p><p>Os trofozoítos se multiplicam por fissão binária e podem se desprender do intestino e sofrer o processo de encistamento que leva à formação</p><p>do pré-cisto e, posteriormente, do cisto.</p><p>D</p><p>Os cistos, por sua vez, são liberados nas fezes fechando assim o ciclo biológico. Devido às características morfológicas e metabólicas dos</p><p>cistos, eles conseguem sobrevivência por várias semanas no ambiente externo. Naturalmente, você deve ter concluído que a infecção por E.</p><p>histolytica no homem é sempre patogênica. Na verdade, nem sempre a infecção causa sintomas exacerbados. A forma mais usual é a</p><p>ocorrência dos trofozoítos na luz intestinal, chamada de amebíase não invasiva, em que a pessoa elimina os cistos nas fezes e é</p><p>assintomática.</p><p>E-F</p><p>Na invasão tecidual do intestino pelo parasito, ocorre a chamada amebíase invasiva.</p><p>G</p><p>Os trofozoítos, por meio da corrente sanguínea, conseguem atingir outros órgãos como fígado, cérebro e pulmões.</p><p>Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, pág. 99.</p><p> Entamoeba histolytica</p><p>Shutterstock.com.</p><p> Tricomonas no esfregaço de Papanicolau.</p><p>Estima-se que a cada ano, no mundo, mais de 200 milhões de casos novos sejam reportados e, no Brasil, 4 milhões de novos casos. Por não</p><p>ser uma doença de notificação obrigatória e/ou compulsória, os números de infectados são ainda maiores, sem que se consiga ter um</p><p>panorama real da epidemiologia da doença. Outro fator que contribui para altos números de casos sem termos um real panorama é a</p><p>ausência de exames preventivos que poderiam diagnosticar infecções assintomáticas ou casos brandos.</p><p>A melhor forma de prevenção da tricomoníase é utilizando preservativo em todas as relações sexuais. Desse modo, além dessa IST, você se</p><p>protegerá de tantas outras doenças sexualmente transmissíveis. Mesmo que as chances sejam pequenas de se infectar a partir de contato</p><p>com superfícies contaminadas, como os assentos de vasos sanitários, é sempre bom ter cautela em ambientes públicos e nunca compartilhar</p><p>objetos pessoais como calcinhas e toalhas de banho.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. (ADAPTADO DE FUNRIO - 2016 - IF-BA - TÉCNICO DE LABORATÓRIO – BIOLOGIA)</p><p>A DOENÇA DE CHAGAS FOI DESCOBERTA POR CARLOS CHAGAS, EM 1909, E É CAUSADA PELA INFECÇÃO</p><p>DO PROTOZOÁRIO TRYPANOSOMA CRUZI . SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS, ANALISE AS</p><p>CONSIDERAÇÕES ABAIXO:</p><p>I – AGENTE ETIOLÓGICO É UM PROTOZOÁRIO PORTADOR DE CÍLIOS.</p><p>II - CICLO DE VIDA DO AGENTE ETIOLÓGICO É HETEROXÊNO.</p><p>III – HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO É UM INSETO HEMÍPTERO, TRIATOMA INFESTANS .</p><p>IV – ESSA DOENÇA PROVOCA ULCERAÇÕES GRAVES NA PELE EM HUMANOS (HOSPEDEIRO DEFINITIVO).</p><p>V – IMPEDIR A PROLIFERAÇÃO DOS INSETOS É UMA MEDIDA PROFILÁTICA.</p><p>E CORRETO O QUE SE AFIRMA EM:</p><p>A) I, II e III</p><p>B) I, III e IV</p><p>C) II, III e V</p><p>D) II, IV e V</p><p>E) I, IV e V</p><p>2. (ADAPTADOS DE FIOCRUZ – CONCURSO PÚBLICO 2010)</p><p>A ESPÉCIE GIARDIA LAMBLIA PODE SER RESPONSÁVEL POR UM QUADRO DE ENTERITE, GERALMENTE</p><p>BENIGNO, QUE RECEBE MAIS COMUMENTE O NOME DE GIARDÍASE. SOBRE ESSE PARASITO INTESTINAL,</p><p>PODE-SE DIZER QUE:</p><p>A) É um protozoário ciliado, que durante o seu ciclo de vida apresenta duas formas: epimastigota e cisto.</p><p>B) Quando infectam o ser humano, os trofozoítas vivem somente no sangue, infectando as células do sistema fagocítico mononuclear.</p><p>C) G. lamblia é encontrada apenas na Europa, não estando difundido nos países subdesenvolvidos.</p><p>D) A pessoa com giardíase apresenta tosse, dor de cabeça e exantema, diarreia sanguinolenta e dor abdominal.</p><p>E) A reprodução é assexuada existindo somente a forma trofozoítas e cisto no ciclo biológico.</p><p>GABARITO</p><p>1. (Adaptado de FUNRIO - 2016 - IF-BA - Técnico de Laboratório – Biologia)</p><p>A doença de Chagas foi descoberta por Carlos Chagas, em 1909, e é causada pela infecção do protozoário Trypanosoma cruzi .</p><p>Sobre a doença de Chagas, analise as considerações abaixo:</p><p>I – Agente etiológico é um protozoário portador de cílios.</p><p>II - Ciclo de vida do agente etiológico é heteroxêno.</p><p>III – Hospedeiro intermediário é um inseto hemíptero, Triatoma infestans .</p><p>IV – Essa doença provoca ulcerações graves na pele em humanos (hospedeiro definitivo).</p><p>V – Impedir a proliferação dos insetos é uma medida profilática.</p><p>E correto o que se afirma em:</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>A doença de chagas apresenta dois hospedeiros, um vertebrado e um invertebrado, assim o ciclo é heteroxêno. Os vetores dessa doença</p><p>são insetos hemípteros do gênero Panstrongylus , Rhodnius e Triatoma , sendo a principal espécie encontrada no Brasil o Triatoma</p><p>infestans . A prevenção ocorre pelo controle dos vetores, os triatomíneos, pela melhoria na moradia, pelo uso de telas nas portas e janelas,</p><p>de repelentes e de roupas compridas, entre outras medidas.</p><p>2. (Adaptados de FIOCRUZ – Concurso Público 2010)</p><p>A espécie Giardia lamblia pode ser responsável por um quadro de enterite, geralmente benigno, que recebe mais comumente o</p><p>nome de Giardíase. Sobre esse parasito intestinal, pode-se dizer que:</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>No ciclo de vida da Giardia lamblia estão presentes apenas os trofozoítos e cistos. No hospedeiro definitivo, ocorre apenas a reprodução</p><p>assexuada por divisão binária longitudinal, não existindo uma fase de reprodução sexuada. .</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Ao longo desse tema, visitamos as principais doenças parasitárias causadas por protozoários presentes no Brasil. Vimos as amebas e os</p><p>apicomplexos sanguíneos, assim como os principais parasitas flagelados de sangue e tecido. Aprendemos sobre a amebíase, a</p><p>toxoplasmose, malária, balantidíase, doença de chagas, doença do sono, leishmaniose, tricomoníase e giardíase.</p><p>Vimos que essas doenças apresentam grande impacto na saúde pública, são responsáveis por grande morbimortalidade e de fácil combate,</p><p>muitas vezes apenas por medidas socioeducativas. Você, como profissional da saúde, irá se tornar propagador de informações verdadeiras</p><p>baseadas em fatos comprovados cientificamente, contribuindo para prevenção e o tratamento adequado dessas doenças.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar. 2017. In: Biblioteca virtual em saúde. Consultado em</p><p>meio eletrônico em: 01 mar. 2021.</p><p>BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim eletrônico Epidemiológico. Número 08. 2007. In: Biblioteca virtual em saúde.</p><p>Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.</p><p>BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim Epidemiológico. Número 21. Volume 46. 2015. Doença de Chagas aguda no Brasil:</p><p>série histórica de 2000 a 2013. In: Biblioteca virtual em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.</p><p>BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim Epidemiológico. Número especial. Nov. 2020a. In: Biblioteca virtual em saúde.</p><p>Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Doença de Chagas. 2020b. In: Biblioteca virtual em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.</p><p>CARMO, E. L. et al . Soroepidemiologia da infecção pelo Toxoplasma gondii no Município de Novo Repartimento, Estado do Pará,</p><p>Brasil. Rev Pan-Amaz Saude. v.7, n.4, p.;79-87, 2016. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>CUNHA, C. R, et al. Tipificação Epidemiológica dos casos de Leishmaniose Visceral Humana no Brasil, no período de 2013 A 2017.</p><p>Revista Eletrônica Acervo Saúde. v.sup., n.41., p.1:10, 2020. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>FLEGR, J. et al. Toxoplasmosis – A Global Threat. Correlation of Latent Toxoplasmosis with Specific Disease Burden in a Set of 88</p><p>Countries. PLOS ONE. v.9, n.3, p.1-22, 2014. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>MORAIS, R.A.P.B. et al. Surto de toxoplasmose aguda no Município de Ponta de Pedras, Arquipélago do Marajó, Estado do Pará,</p><p>Brasil: características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas. Rev Pan-Amaz Saude. v.7, n. especial, p. 143-152, 2016. Consultado em</p><p>meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - OPAS/OMS. Leishmaniose: Informe Epidemiológico das Américas. Informe de</p><p>Leishmanioses. Número 07.2019. In: PAHO. Consultado em meio eletrônico em: 02 mar. 2021.</p><p>REY, L. Bases da parasitologia médica. 3.ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.</p><p>SANTOS, E. F et al. Acute Chagas disease in Brazil from 2001 to 2018: A nationwide spatiotemporal analysis. PLOS Neglected Tropical</p><p>Diseases v.14; n.8, 2020. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>SOUZA, C. S. et al . Amebíase no contexto da emergência: análise do perfil de internações e morbimortalidade nos Estados brasileiros em</p><p>5 anos. Rev Soc Bras Clin Med. v. 17, n.2, p.:66-70, 2019. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para aprimorar os seus conhecimentos no assunto estudado neste tema:</p><p>Visite o portal da Encyclopaedia Britannica e aprenda mais sobre a história, classificação e evolução dos protozoários.</p><p>Leia o livro Toxoplasmose & Toxoplasma gondii, de Wanderley de Souza e Rubens Belfort Jr, publicado pela Editora Fiocruz e aprenda</p><p>mais sobre toxoplasmose.</p><p>Visite os sites da Organização</p><p>mundial da saúde e do CDC e encontre informações confiáveis e sempre atualizadas sobre</p><p>Trypanosoma .</p><p>Leia o artigo Trypanosoma cruzi transmission in the wild and its most important reservoir hosts in Brazil , de Jansen, Xavier e Roque</p><p>(2018), encontrado no site Bio Med Central, para ver mais informações sobre Trypanosoma no Brasil.</p><p>Leia o artigo Current world status of Balantidium coli , de Schuster e Ramirez-Avila (2008), encontrado no site da PubMed, para saber</p><p>mais informações sobre Balantidium coli .</p><p>Leia o artigo Amebíase no contexto da emergência: análise do perfil de internações e morbimortalidade nos Estados brasileiros em 5</p><p>anos, de Camylla Santos de Souza e colaboradores (2019), encontrado no site da SBCM, para conhecer mais sobre amebíase no</p><p>Brasil.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Débora Familiar Rodrigues Macedo</p><p> CURRÍCULO LATTES</p><p>javascript:void(0);</p><p>javascript:void(0);</p><p>no organismo do homem.</p><p>A invasão da mucosa intestinal leva a uma inflamação local. A doença também é conhecida como colite amebiana aguda ou como disenteria</p><p>amebiana. Os sintomas mais comuns são: dor abdominal, febre, diarreia com possível aparecimento de muco, pus ou sangue nas fezes,</p><p>distensão abdominal e leucocitose.</p><p> Trofozoítos no intestino delgado.</p><p>Como você pode perceber, existem outras doenças intestinais, como infecções causadas por bactérias, que podem levar a sintomas muito</p><p>parecidos com a da amebíase.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Podem também ocorrer formas mais graves, em que o paciente apresenta anemia severa e necrose extensa da mucosa intestinal. No caso</p><p>de o trofozoíto chegar a órgãos como o fígado, pode ocorrer até mesmo a formação de abcessos, desenvolvendo um quadro que pode ser</p><p>fatal.</p><p>A amebíase é uma doença de importante morbimortalidade que apresenta uma maior prevalência nos países em desenvolvimento e</p><p>subdesenvolvidos, devido às péssimas condições socioeconômicas e de saneamento básico.</p><p>SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS), CERCA DE 45 MILHÕES</p><p>DE INDIVÍDUOS ESTÃO INFECTADOS DOS QUAIS 100 MIL VÃO A ÓBITO</p><p>ANUALMENTE, O QUE A TORNA A SEGUNDA PRINCIPAL CAUSA DE MORTES</p><p>POR INFECÇÃO PROVOCADA POR PROTOZOÁRIOS/PARASITAS”.</p><p>(SOUZA et al ., 2019)</p><p>No Brasil, não existem muitos dados em relação à epidemiologia desse protozoário, mas é observada uma diferença entre cada região no</p><p>país, com predomínio na região norte e nordeste. Souza e colaboradores (2019) observaram que entre os anos de 2012-2016 ocorreram</p><p>14.268 internações por amebíase, com maior prevalência nas cidades do Pará e Roraima (Norte), seguida do Maranhão (Nordeste).</p><p>Atualmente, a prevalência da E. histolytica é superestimada devido à sua semelhança com outras espécies do mesmo gênero que</p><p>apresentam formas muito semelhantes e muitas vezes são confundidas nos exames diagnósticos (exame parasitológicos de fezes - EPF).</p><p>Esse é o caso da Entamoeba dispar e da Entamoeba moshkovskii , formando o complexo E. histolytica/ E. díspar /E. moshkovskii . Para</p><p>identificação correta dessa espécie, são necessários exames de biologia molecular que não são empregados nas rotinas dos laboratórios de</p><p>análises clínicas.</p><p>Imagem: Shuttertock.com.</p><p> Cisto de Entamoeba histolytica.</p><p>Mas qual é a diferença entre esses protozoários?</p><p>Como abordado anteriormente, nem todo protozoário causa doença. Alguns vivem com a relação de comensalismo com o homem, não sendo</p><p>assim patogênico, como é no caso da E. díspar, E. Hartmanni, Iodamoeba butschlii e Endolimax nana . Portanto, ao serem confundidos</p><p>devido à semelhança morfológica nos exames empregados, pode ocorrer um diagnóstico falso indicando uma infecção por E. histolytica</p><p>quando na verdade é uma relação de comensalismo com E. díspar. O aumento da notificação de alguma doença pode alarmar sobre uma</p><p>possível epidemia em dado local enquanto na verdade não se trata disso.</p><p>O COMENSALISMO DAS AMEBAS COM O HOMEM</p><p>Neste vídeo, a especialista Raquel de Lima explica as relações ecológicas interespecíficas (harmônicas e desarmônicas) especificamente o</p><p>comensalismo e o parasitismo e os principais protozoários ameboides que vivem em relação de comensalismo com o homem.</p><p>Como podemos prevenir essa doença?</p><p>A prevenção da amebíase se faz principalmente por meio da higiene pessoal e alimentar, já que sua transmissão ocorre por via fecal-oral. É</p><p>de extrema importância que todos tenham acesso a boas condições sanitárias e à educação correta da higiene pessoal. O hábito e a forma</p><p>de lavar as mãos é uma das medidas mais importantes para evitar a transmissão da doença, assim como a higienização correta dos</p><p>alimentos e da água que será consumida. Vale lembrar que os cistos apresentam grande resistência e que, por muitas vezes, não são</p><p>inativados com a adição de cloro na água, sendo necessário que a água seja fervida ou filtrada antes do consumo.</p><p>Foto: Shuttertock.com.</p><p>FILO APICOMPLEXA: OS ESPOROZOÁRIOS OU APICOMPLEXA</p><p>O filo Apicomplexa é composto por diversos parasitas que se replicam exclusivamente em hospedeiros animais. Nesse filo, temos os agentes</p><p>etiológicos de várias doenças humanas importantes, como a malária, causada por Plasmodium spp., e a toxoplasmose causada por</p><p>Toxoplasma gondii.</p><p>Os integrantes desse filo apresentam locomoção por deslizamento , ciclo intracelular, reprodução assexuada e sexuada e não possuem cílios.</p><p>A sua característica principal é a presença do complexo apical, que não se encontra em todas as fases do ciclo evolutivo do parasita, estando</p><p>restrito às fases de esporozoíto e de merozoíto. Ele apresenta organelas secretoras características (micronemas (Suas proteínas têm papel</p><p>na adesão e invasão. ) e roptrias (Têm papel na invasão e formação do vacúolo parasitóforo. ) ) e estruturas citoesqueléticas (anel polar</p><p>apical e cilindro de microtúbulos) que auxiliam na fixação e penetração do parasita na célula hospedeira.</p><p>Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 109.</p><p> O aparelho apical de um esporozoário.</p><p>O ciclo biológico dos protozoários pertencentes a esse filo apresenta tanto uma fase de reprodução sexuada quanto uma fase de reprodução</p><p>assexuada.</p><p>Você deve estar se perguntando qual a ligação entre a forma evolutiva e a fase do ciclo biológico. Em cada fase do ciclo, encontramos</p><p>diferentes formas dos parasitos desse filo. Essas formas podem variar de acordo com o gênero em questão, mas algumas delas se mantêm</p><p>independentemente do gênero, e outras são exclusivas do gênero.</p><p>MICROGAMETÓCITOS</p><p>São os Gametas masculinos. Apresentam aparência delgada. São flagelados, portanto se movem.</p><p>MACROGAMETÓCITOS</p><p>São os gametas femininos. São maiores que os gametas masculinos e imóveis.</p><p>Encontramos nas fases:</p><p>ASSEXUADA</p><p>TROFOZOÍTO</p><p>Estágio intracelular no qual o parasita se alimenta de partículas presentes na célula hospedeiro, ele pode sofrer esquizogonia (reprodução</p><p>assexuada) e gera o esquizonte.</p><p>ESQUIZONTES</p><p>Forma multinucleada do esporozoíto que multiplica seu núcleo de forma assexuada, processo chamado de esquizonia.</p><p>MEROZOÍTAS</p><p>Forma uninucleada resultante da divisão do citoplasma dos esquizontes gerados por esquizogonia. Os merozoítas também possuem um</p><p>complexo apical que lhes permitirá invadir novas células do mesmo hospedeiro, mantendo o ciclo assexuado no hospedeiro.</p><p>ESPOROZOÍTOS</p><p>Apresenta forma alongada com complexo apical. É a fase móvel do parasito. Essa fase é formada no interior do esporocisto.</p><p>TAQUIZÓITOS</p><p>Forma infectante de proliferação rápida presente no ciclo de Toxoplasma gondii na fase aguda.</p><p>BRADIZOÍTOS</p><p>São encontrados dentro de cistos que vão se alojar nos tecidos do hospedeiro na fase crônica da doença, como a toxoplasmose.</p><p>CISTO</p><p>contêm em seu interior os bradizoítos e se alojam no tecido do hospedeiro na fase crônica.</p><p>SEXUADA</p><p>GAMETÓCITOS (CÉLULAS CAPAZES DE FORMAR GAMETAS)</p><p>Microgametócitos e macrogametócitos</p><p>OOCINETO</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Formado quando os gametas (feminino e masculino) se unem formando um zigoto. É capaz de se mover e de penetrar em células do</p><p>intestino dos hospedeiros.</p><p>OOCISTOS</p><p>É formado quando os gametas (feminino e masculino) se unem formando um zigoto e depois se encista.</p><p>A seguir, aprenderemos um pouco mais sobre duas ordens (Eucoccidiida e Hemosporidiida) desse filo que despertam bastante interesse na</p><p>parasitologia médica.</p><p>ORDEM EUCOCCIDIIDA – GÊNERO TOXOPLASMA</p><p>O gênero Toxoplasma foi criado em 1909 ao observarem um novo protozoário que não havia sido descrito em gundi, roedores africanos.</p><p>Nicolle e Manceaux propuseram o termo toxoplasma (toxon = arco e plasma = corpo em grego) devido à sua morfologia característica.</p><p>Foto: Shuttertock.com.</p><p> Roedores africanos gundi.</p><p>HETERÓXENO</p><p>É aquele parasito que precisa de mais de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida.</p><p>A toxoplasmose é uma zoonose que tem como agente etiológico o protozoário Toxoplasma gondii , um parasito intracelular obrigatório, que</p><p>infecta principalmente</p><p>células mononucleares do sistema fagocítico. Essa espécie apresenta um ciclo heteróxeno o qual é composto de</p><p>hospedeiro definitivo (apenas felinos, como os gatos) e intermediários, espécies de mamíferos (carneiro, cabra, porco, homem, camundongo</p><p>etc.) e aves. Nos hospedeiros intermediários, ocorre a esquizogonia; nos hospedeiros definitivos, pode ocorrer tanto a reprodução assexuada</p><p>como a sexuada (gametogonia).</p><p>Imagem: Shuttertock.com.</p><p> Hospedeiros do T.gondii .</p><p>Existem três formas do T. gondii que podem iniciar a infecção nos vertebrados: os oocistos, taquizoítos e bradizoítos. A transmissão pode</p><p>ocorrer após a ingestão dos oocistos esporulados expelidos nas fezes de gatos suscetíveis, do bradizoíto presentes em cistos, em carne crua</p><p>javascript:void(0)</p><p>ou malcozida, especialmente de porco e carneiro, e a partir do taquizoíto presente nos fluídos corporais, como o leite. Além disso, pode</p><p>ocorrer a transmissão pela via vertical, por transmissão transplacentária dos taquizoítas da mãe para o feto em desenvolvimento.</p><p> VOCÊ SABIA</p><p>O homem pode se infectar por causa do contato direto com as fezes dos gatos, limpando as caixinhas de areia, por exemplo. Gatos</p><p>domésticos podem excretar milhões de oocistos imaturos após ingerirem apenas um bradizoíta ou um cisto tecidual. Mas fique calmo, menos</p><p>1% da população de gatos pode ser encontrada liberando oocistos.</p><p>O ciclo pode ser dividido didaticamente em duas partes, conforme ilustra a figura a seguir:</p><p>Imagem: LadyofHats / Wikimedia Commons / Livre de Direitos Autorais.</p><p> Ciclo biológico do T. gondii.</p><p>Vamos entender melhor cada uma dessas partes:</p><p>O PRIMEIRO CICLO (ESQUERDA)</p><p>Inicia quando os hospedeiros intermediários ingerem os oocistos esporulados, os cistos contendo os bradizoítos ou diretamente os</p><p>taquizoítos.</p><p>No estômago, o oocisto sofre ação do pH ácido e das enzimas digestivas, auxiliando a desmontagem da parede do oocisto e do cisto,</p><p>liberando respectivamente os esporozoítos e os bradizoítos.</p><p>As duas formas parasitárias invadem os enterócitos, multiplicam-se rapidamente (reprodução assexuada) e transformam-se em taquizoítos</p><p>(fase aguda ou proliferativa doença). Os taquizoítos, quando ingeridos, invadem diretamente a mucosa intestinal.</p><p>As células nucleadas, cheias de parasitos, rompem-se, e os taquizoítos, levados pela circulação sanguínea e linfática, penetram novas</p><p>células dos tecidos musculares, nervoso etc. A formação de bradizoítos dentro dos cistos (fase crônica da doença, com a reprodução mais</p><p>lenta) ocorre quando o hospedeiro intermediário começa a desenvolver uma resposta imunológica inflamatória na tentativa de eliminar os</p><p>taquizoítos, pois os cistos não provocam reações inflamatórias no hospedeiro e, assim, podem persistir viáveis por longo tempo. Qualquer</p><p>depressão no sistema imunológico pode liberar os bradizoítos do cisto que vão penetrar em outras células, dando origem a novos grupos de</p><p>taquizoítas e eventualmente a novos cistos.</p><p>O SEGUNDO CICLO (DIREITA)</p><p>Os hospedeiros definitivos (ciclo da direita) são contaminados quando ingerem os cistos presentes no tecido de camundongo ou rato ou ainda</p><p>quando ingerem oocistos esporulados de ambientes contaminados. No estômago, acontece o desencistamento, assim como ocorre nos</p><p>hospedeiros intermediários, liberando as formas parasitárias que penetram as células intestinais dentro de um vacúolo citoplasmático,</p><p>transformam-se em taquizoítos. Esses, por sua vez, podem multiplicar e formar mais taquizoítos ou se diferenciarem em bradizoítos,</p><p>originando os cistos teciduais (reprodução assexuada), ou podem ainda se diferenciar em gametócitos (microgametócitos ou</p><p>macrogametócitos – reprodução sexuada). Os gametócitos se unem e formam o zigoto, que posteriormente amadurece e gera o oocisto, o</p><p>qual é liberado junto com as fezes do animal de forma imatura.</p><p>No ambiente, com a presença de oxigênio e temperaturas entre 20°C e 30°C, os cistos amadurecem e esporulam, apresentando em seu</p><p>interior 2 esporocistos com 4 esporozoítos cada. Os oocistos começam a ser eliminados com as fezes dos gatos 5 a 10 dias após a infecção.</p><p>Agora você pode estar preocupado se seu gato tem T. gondii ou não e se vai o infectar. Fique tranquilo! Os oocistos são liberados por</p><p>apenas um curto intervalo de tempo (de uma a duas semanas) na vida do felino e, geralmente, essa liberação ocorre em gatos jovens.</p><p>Raramente, gatos domésticos que comem ração e que não têm acesso à rua estão infectados com T. gondii e seriam capazes de transmitir</p><p>o parasito.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Oocisto de Toxoplasma gondii .</p><p>A toxoplasmose causa uma infecção aguda em criança e adultos, mas na maior parte das vezes é assintomática. Quando sintomática, os</p><p>indivíduos infectados podem apresentar um quadro febril, acompanhado de cansaço, mal-estar, dor de cabeça, garganta, mialgia e</p><p>adenopatia (-1% dos casos). Algumas pessoas apresentam o quadro grave, principalmente pacientes imunocomprometidos, caracterizados</p><p>por retinocoroidite (Inflamação da retina e da coroide.) , encefalite (Inflamação e infecção do cérebro desencadeada por algum patógeno.) ,</p><p>miocardite (Inflamação do músculo do coração, chamado de miocárdio.) e hepatite (Inflamação do fígado.) .</p><p>O quadro assintomático e o sintomático podem evoluir para a forma crônica da doença, na qual o parasita pode permanecer inativo em</p><p>diversos tecidos do corpo hospedeiro por toda a vida, sem que ocorra nenhuma reativação.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>A transmissão vertical (congênita) da toxoplasmose é resultante da infecção primária materna durante a gravidez. Por isso, é incluído no pré-</p><p>natal de toda mulher um exame sorológico para saber se a grávida já teve contato com Toxoplasma gondii . Quando ocorre a infecção, suas</p><p>consequências podem variar de acordo com a idade gestacional no momento da infecção, podendo ir desde o aborto a lesões neurológicas</p><p>ou oculares no nascimento.</p><p>A toxoplasmose congênita e gestacional é uma doença de notificação compulsória ao Ministério da Saúde. Além disso, casos de suspeitas de</p><p>surtos também devem ser notificados.</p><p>Cerca de 30 a 50% da população mundial é cronicamente infectada por T. gondii fazendo assim da toxoplasmose uma das zoonoses mais</p><p>prevalentes no mundo. No Brasil, a soroprevalência varia com a região. Na cidade de Belém, ela é alta e chega a 70%. A alta prevalência</p><p>está diretamente relacionada aos hábitos alimentares e comportamentais da população. Além disso, nos últimos anos, surtos de</p><p>toxoplasmose aguda têm sido relatados no Brasil. Esses casos são associados à transmissão pela contaminação do sistema hídrico e de</p><p>alimentos, muitas vezes em restaurantes. (BRASIL, 2007; FLEGR et al ., 2014; CARMO, et al ., 2016; MORAIS, et al ., 2016.)</p><p>Vejamos as formas mais eficientes de prevenção:</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>Uma das formas mais eficientes de prevenção é alimentar os gatos com ração ou outros produtos comerciais de qualidade. A carne oferecida</p><p>ao animal deve sempre estar bem cozida.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>As fezes dos animais devem ser coletadas diariamente e seu ambiente higienizado. É importante sempre ter cuidado ao manusear as fezes</p><p>(usar luvas, pás e lavar as mãos após a manipulação) e dar-lhes o destino adequado.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>Outra forma de prevenção é evitar carne malcozida ou crua. É muito importante não se esquecer de lavar as mãos com água e sabão depois</p><p>de manusear carnes cruas. As gestantes devem evitar o contato com as fezes dos animais e evitar ingerir carne malcozida ou crua.</p><p>DOENÇA NEGLIGENCIADA</p><p>São doenças endêmicas em regiões de baixa renda que são causadas por agentes infecciosos e não apresentam investimento no</p><p>atendimento das pessoas e em pesquisa para produção de medicamentos, controle da doença e sua prevenção.</p><p>ORDEM HEMOSPORIDIIDA – GÊNERO PLASMODIUM</p><p>Doenças causada pelas espécies do gênero Plasmodium apareciam em descrições encontradas em textos antigos da China, Índia, Oriente</p><p>Médio, África e Europa, indicando que os humanos têm lutado contra infecções</p><p>por esse parasita ao longo de grande parte de nossa história.</p><p>Mais conhecida como malária, a infecção por Plasmodium spp. é um dos problemas de saúde pública mais sérios no mundo e, mesmo</p><p>gerando grande números de mortes na África e de casos em diversos países devido à globalização, ainda é classificada como uma doença</p><p>negligenciada.</p><p>Depois de muitos anos, a malária ainda é umas das doenças parasitárias mais importantes, apesar do estabelecimento de medidas de</p><p>controle e do surgimento de medicamentos para o tratamento, que reduziram sua extensão geográfica ou sua incidência em muitas áreas.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Dentro do gênero Plasmodium , são encontradas mais de 100 espécies e, dessas, pelo menos 5 são de importância médica, são elas:</p><p>Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae, Plasmodium ovale e Plasmodium knowllesi .</p><p>A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles sp. No Brasil, o principal vetor é Anopheles darlingi e</p><p>a doença é endêmica principalmente na região Amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e</p><p>Tocantins). No entanto, não pode ser afastada a possibilidade de ocorrência em outras áreas do país.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Outras formas de transmissão são a transfusão sanguínea, o uso de seringas e agulhas contaminadas e até mesmo a transmissão vertical,</p><p>levando à malária congênita.</p><p>REPASTO SANGUÍNEO</p><p>Nome dado ao ato de se alimentar de sangue de outros animais, comum em insetos hematófogos.</p><p>Vamos entender como acontece o ciclo desse parasita:</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>1</p><p>O ciclo do parasita se inicia quando as fêmeas do gênero Anopheles fazem o repasto sanguíneo e inoculam esporozoítos que estavam</p><p>presentes na glândula salivar na corrente sanguínea do hospedeiro.</p><p>2</p><p>Esses esporozoítos migram até o hepatócito, e lá há formação do vacúolo parasitóforo, onde ocorre a transformação em esquizonte teciduais</p><p>e depois em merozoítos.</p><p>3</p><p>Há o rompimento dos hepatócitos e libração dos merozoítos que atingem a corrente sanguínea e interagem com proteínas presentes na</p><p>superfície dos eritrócitos e consegue assim invadir ativamente as hemácias.</p><p>javascript:void(0)</p><p>4</p><p>Dentro das hemácias, ocorre o ciclo assexuado, em que os merozoítos geram novos trofozoítos que por sua vez dão origem a esquizontes e,</p><p>posteriormente, a novos merozoítos, que são liberados após a ruptura das hemácias. Alguns trofozoítos darão origem aos gametócitos.</p><p>5</p><p>Quando um homem infectado é novamente picado pela fêmea do gênero Anopheles , esses gametócitos presentes na circulação sanguínea</p><p>são ingeridos e chegam ao intestino do inseto.</p><p>6</p><p>No intestino, ocorre a diferenciação em microgametócito e macrogametócito e, após a fecundação, formam um zigoto diploide. O zigoto, por</p><p>sua vez, se diferencia em oocineto, uma forma móvel do parasito que, ao migrar na parede do intestino do mosquito, leva à sua diferenciação</p><p>em oocisto. O oocisto leva em torno de 15 dias para se tornar maduro. Quando esse momento chega, o oocisto libera esporozoítos na</p><p>hemolinfa que seguem até a glândula salivar, onde eles permanecem e tornam esse mosquito apto a infectar ao realizar o repasto sanguíneo.</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Ciclo biológico do Plasmodium spp.</p><p>Os ciclos em que ocorrem a replicação nas hemácias e que levam à sua ruptura, de acordo com a espécie do Plasmodium , são</p><p>relacionados com o ritmo de crises febris que a pessoa apresenta.</p><p>Por exemplo, o P. falciparum produz a febre terçã maligna com quadros clínicos em que os episódios de febre se repetem com intervalo de</p><p>36 a 48 horas. O P. malarie , responsável pela febre quartã, manifesta os ciclos a cada 72 horas. O P. vivax , que provoca a terçã benigna,</p><p>apresenta ataques febris de 48 horas. Plasmodium ovale , com distribuição limitada ao continente africano e responsável por outra forma de</p><p>febre terçã benigna, tem ciclo de 48 horas.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Esquizonte de Plasmodium vivax no sangue.</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Representação 3D do P. falciparum .</p><p>Outros sintomas comuns na infecção por Plasmodium spp. são cefaleia, calafrios, mialgia, vômitos e náuseas. Após a fase sintomática</p><p>inicial, podem aparecer outros sintomas mais graves como anemia severa, disfunção hepática, esplenomegalia, edema pulmonar agudo,</p><p>hipoglicemia, disfunção cardíaca e insuficiência renal aguda chegando até a casos de malária cerebral.</p><p>No Brasil, cerca de 90% dos casos ocorrem na região amazônica. No entanto, devido ao crescimento do número de casos diagnosticados em</p><p>outros estados, foi criado o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM) para facilitar o sistema de vigilância sobre a área</p><p>extra-amazônica, como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Ceará, Piauí e Espírito Santo,</p><p>Pernambuco, entre outros. É importante ressaltar que a malária é uma doença de notificação compulsória, sendo na área não endêmica de</p><p>investigação obrigatória (BRASIL, 2020a).</p><p>O gráfico a seguir mostra um panorama geral do número de casos notificados de malária ao ministério da saúde.</p><p>Imagem: Boletim epidemiológico, Brasil, 2020a, p. 12.</p><p> Casos de malária notificados no Brasil entre 1959 a 2019.</p><p>A partir do gráfico, vemos que o P. vivax é a espécie predominante no Brasil, mas existem casos causados pela espécie P. falciparum.</p><p>Além disso, notamos uma queda do número de casos a partir de 2009, que pode ser atribuído aos seguintes motivos:</p><p>1)</p><p>Os programas de prevenção e controle da malária estão sendo seguidos e mostrando assim seu efeito no número de casos notificados.</p><p>2)</p><p>Muitas regiões estão notificando devidamente o número de casos. Em 2018, foram notificados 187.736, em 2019 foram notificados 153.270</p><p>casos, e em 2020 (de janeiro a junho) tivemos 59.651 casos notificados.</p><p>Apesar dessa queda gradual, é necessário que o número de casos seja reduzido ainda mais não só no Brasil, mas também nos outros países</p><p>que sofrem com a negligência dessa doença. A malária é uma doença séria, que pode ser fatal e de difícil tratamento!</p><p>No entanto, mesmo com tantos estudos mostrando a importância e as problemáticas do ciclo da malária, até hoje enfrentamos grandes</p><p>dificuldades no controle dessa doença. Mas por que isso acontece?</p><p>A malária é endêmica em regiões que sofrem com a falta de informação em relação ao parasito e à doença e com problemas de infraestrutura</p><p>e socioeconômicos. Além disso, o complexo ciclo biológico do parasita implica no diagnóstico rápido e preciso, que demora o início do</p><p>tratamento específico, e os parasitas apresentam resistência às drogas disponíveis para o tratamento.</p><p>Qual a melhor forma de prevenir uma infecção por Plasmodium spp.?</p><p>Segundo a Organização Mundial da Saúde, o melhor modo de prevenção é o controle vetorial. O uso de repelentes, de telas em portas e</p><p>janelas e o uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas de longa duração são boas formas de se prevenir.</p><p>Com a malária, fechamos os parasitos que apresentam flagelos para locomoção.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>O próximo filo que será abordado é composto de protozoários que apresentam cílios em suas formas evolutivas.</p><p>FILO CILIOPHORA – ORDEM TRICHOSTOMATIDA</p><p>O filo Ciliophora tem em sua maioria espécies de vida livre, porém podem ser parasitas ou simbiontes de diferentes tipos de hospedeiros. Os</p><p>protozoários pertencentes a esse filo apresentam dois tipos de núcleo (micronúcleo e macronúcleo), são organismos com cílios simples ou</p><p>compostos, presentes em pelo menos uma fase evolutiva. A reprodução se dá por divisão binária, divisão múltipla ou por brotamento, mas</p><p>pode haver reprodução sexuada envolvendo conjugação.</p><p>Somente a ordem Trichostomatida apresenta um protozoário, o Balantidium coli , que é capaz de infectar o homem e primatas não humanos.</p><p>Esse parasita apresenta duas formas de vida: Trofozoítos e Cisto.</p><p>Os trofozoítos apresentam forma ovoide, sendo a extremidade anterior a mais fina. Na extremidade</p><p>anterior, encontramos o citóstoma, que é</p><p>por onde o parasito se alimenta. Ele apresenta cílios em toda a sua superfície cujo batimento coordenado faz com que o protozoário se</p><p>movimente e se alimente. Além disso, apresenta dois vacúolos pulsáteis, um na região anterior e outro na região posterior com função</p><p>osmorreguladora, ou seja, regula a quantidade de água e de substâncias tóxicas dentro dos protozoários, fazendo a excreção quando</p><p>necessário. E por último e não menos importante, temos o macronúcleo e o micronúcleo, responsáveis pela reprodução.</p><p>Os cistos apresentam duas paredes (interior e exterior) que conferem resistência ao ambiente, micro e macronúcleo e vacúolo pulsátil.</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Balantidium coli: Cisto x trofozoíto.</p><p>Qual é a via de transmissão desse parasito?</p><p>A balantidíase é uma doença zoonótica causada por Balantidium coli , que causa infecção no intestino grosso dos hospedeiros habituais, os</p><p>porcos. No entanto, os humanos podem ser contaminados, pela via fecal-oral, a partir da água ou alimentos contaminados com cistos</p><p>provenientes das fezes de humanos ou dos animais contaminados. Após a ingestão dos cistos, ocorre o processo de desencistamento ao</p><p>passar pelo estômago e chegar ao intestino, tornando-se trofozoíto. No intestino grosso, os trofozoítos se reproduzem por fissão binária,</p><p>gerando mais trofozoítos; e podem ainda realizar reprodução sexuada por conjugação originando os cistos. Os cistos são liberados nas fezes</p><p>e assim o ciclo se mantém.</p><p>Imagem: Alexander J. da Silva, PhD; Melanie Moser / CDC / Domínio público</p><p> Ciclo biológico do Balantidium coli.</p><p>Grande parte das pessoas quando infectadas são assintomáticas. Entretanto, quando sintomáticas, apresentam diarreia persistente,</p><p>disenteria, dor abdominal, náuseas e vômito. Casos mais graves geralmente estão ligados a pessoas com algum comprometimento</p><p>imunológico.</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Balantidium coli infeta o intestino grosso do homem.</p><p>B.coli tem uma distribuição mundial (cosmopolita), com maior número de casos nos trópicos, porém não há muita informação sobre sua</p><p>epidemiologia.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Em regiões de criação de porcos, mesmo sendo detectada a infecção de B. coli nos animais, é raro observar a infecção em seus tratadores.</p><p>Acredita-se que isso se deve aos cuidados de higiene. A taxa de parasitismo foi sempre muito baixa, menos de 1%.</p><p>Mesmo a balantidíase não sendo uma doença muito comum, é importante saber as medidas de prevenção. Por ser transmitida pela via fecal-</p><p>oral, devemos manter as boas práticas de higiene, lavando sempre as mãos com água e sabão após ir ao banheiro, trocar fraldas, chegar da</p><p>rua e antes de manusear alimentos. Sempre lave todas as frutas e vegetais antes de prepará-los e/ou de comer. É também importante</p><p>ensinar e tornar sempre um hábito as práticas de higiene para as crianças. Com esses cuidados você não vai prevenir somente a</p><p>balantidíase, mas muitas e muitas outras doenças que apresentam a mesma via de transmissão.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Higiene pessoal é a melhor forma de prevenir inúmeras doenças.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. (ADAPTADO DE FIOCRUZ - CONCURSO PÚBLICO 2010)</p><p>NAS ALTERNATIVAS ABAIXO, VOCÊ IRÁ ENCONTRAR MEDIDAS DE HIGIENE NORMALMENTE UTILIZADAS</p><p>NA PREVENÇÃO DA DISSEMINAÇÃO DE DOENÇAS, ASSINALE A MEDIDA INEFICAZ PARA O CONTROLE DA</p><p>AMEBÍASE.</p><p>A) Lavar as mãos com água e sabão.</p><p>B) Lavar alimentos que serão consumidos crus.</p><p>C) Educação sobre higiene pessoal e da comunidade.</p><p>D) Cloração da água potável.</p><p>E) Saneamento básico adequado.</p><p>2. (ADAPTADO DE FURMAC-2015)</p><p>EM INQUÉRITOS SOROLÓGICOS REALIZADOS NO PAÍS COM DIFERENTES ESPÉCIES ANIMAIS,</p><p>OBSERVAMOS QUE 19% DE GATOS TINHAM ANTICORPOS PARA TOXOPLASMA GONDII , PRINCIPALMENTE</p><p>OS JOVENS. EM BOVINOS, A PREVALÊNCIA VARIOU ENTRE 32%, EM CAPRINOS 56%, EM EQUINOS 20% E</p><p>EM SUÍNOS 23%. NA POPULAÇÃO HUMANA, OS ÍNDICES VARIARAM EM ADULTOS ENTRE 50 A 70%. ESSES</p><p>DADOS SÃO IMPORTANTES PARA O CONTROLE DA DOENÇA.</p><p>ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE À PRINCIPAL FORMA DE TRANSMISSÃO DESSA DOENÇA:</p><p>A) Ingestão de carne suína e bovina contendo os oocistos.</p><p>B) Picada de insetos do gênero Anopheles contendo bradizoítos.</p><p>C) Inalação de taquizoítos presentes nas secreções e excreções de animais.</p><p>D) Ingestão de oocistos eliminados nas fezes dos gatos.</p><p>E) Picada de insetos do gênero Anopheles contendo trofozoítos</p><p>GABARITO</p><p>1. (Adaptado de FIOCRUZ - Concurso Público 2010)</p><p>Nas alternativas abaixo, você irá encontrar medidas de higiene normalmente utilizadas na prevenção da disseminação de doenças,</p><p>assinale a medida ineficaz para o controle da amebíase.</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A principal forma de transmissão é a fecal-oral por ingestão de água e alimentos contaminados, portanto devemos sempre lavar as mãos e os</p><p>alimentos que serão consumidos. Porém, os cistos da Entamoeba histolytica são resistentes à cloração, sendo o ideal que a água seja</p><p>fervida e filtrada.</p><p>2. (Adaptado de Furmac-2015)</p><p>Em inquéritos sorológicos realizados no país com diferentes espécies animais, observamos que 19% de gatos tinham anticorpos</p><p>para Toxoplasma gondii , principalmente os jovens. Em bovinos, a prevalência variou entre 32%, em caprinos 56%, em equinos</p><p>20% e em suínos 23%. Na população humana, os índices variaram em adultos entre 50 a 70%. Esses dados são importantes para o</p><p>controle da doença.</p><p>Assinale a alternativa que corresponde à principal forma de transmissão dessa doença:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A principal forma de transmissão da toxoplasmose é pela ingestão de água e alimentos contaminados com oocistos eliminados nas fezes dos</p><p>gatos. Existem outras formas de infecção como a ingestão de cistos com bradizoítos presentes em carne ou malcozida, ou até mesmo a</p><p>infecção fetal em razão da passagem de taquizoítas pela barreira placentária e a partir de fluidos corporais, como o leite.</p><p>MÓDULO 2</p><p> Descrever as formas de transmissão e prevenção dos flagelados parasitas do sangue e tecidos</p><p>INTRODUÇÃO AOS FLAGELADOS E PARASITOS DO SANGUE E</p><p>TECIDOS</p><p>Como mencionado anteriormente, o filo Sarcomastigophora, apresenta dois subfilos, o Sarcodina e o Mastigophora, o qual estudaremos ao</p><p>longo deste módulo.</p><p>Esse subfilo reúne os protozoários que chamamos de flagelados que se locomoverem por propulsão flagelar. Eles podem apresentar</p><p>morfologia simples com o formato mais ovalado ou alongado, com um ou mais flagelos.</p><p>Dentro do subfilo Mastigophora e da classe Zoomastigophora, existem três ordens, Kinetoplastida, Diplomonadida e Trichomonadida, com</p><p>importantes parasitas capazes de infectar o homem. Vamos conhecê-los?</p><p>FILO SARCOMASTIGOPHORA – ORDEM KINETOPLASTIDA</p><p>Dentro dessa ordem, temos a família Trypanosomatidae que compreende dois gêneros: Trypanosoma e Leishmania .</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Esses dois gêneros compreendem parasitos capazes de causar doenças em humanos e em animais, causando a doença de Chagas</p><p>(Trypanosoma cruzi ), a doença do sono (T. brucei gambiense ou Trypanosoma brucei rhodesiense ), Leishmania tegumentar (Leishmania</p><p>braziliensis, L. mexicana, L. peruviana, L. tropica ) e o calazar (L. donovani e L. infantum ).</p><p>A principal característica morfológica encontrada nesse grupo é a presença do cinetoplasto. Essa organela típica encontrada na parte</p><p>posterior do parasito contém DNA mitocondrial condensado e se localiza sempre próximo ao flagelo nos tripanosomatídeos. O corpo é</p><p>geralmente alongado e pode apresentar dois flagelos que saem do fundo do bolso flagelar. Dependendo do parasito, o flagelo se adere a todo</p><p>o corpo na membrana ondulante ficando livre na região anterior.</p><p>Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 38.</p><p> Representação esquemática de um tripanossoma.</p><p>Nessa ordem, cada gênero pode apresentar morfologia diferente que varia não só pelo gênero em questão ou a espécie, mas também pelo</p><p>ciclo biológico. Essas mudanças vão do tipo de hospedeiro que o parasito se encontra ao tecido que esteja parasitando. O gênero</p><p>Trypanosoma</p><p>pode apresentar as seguintes formas no ciclo biológico:</p><p>Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 38.</p><p> Principais formas evolutivas encontradas em Trypanosoma .</p><p>AMASTIGOTA</p><p>PROMASTIGOTA</p><p>EPIMASTIGOTA</p><p>TRIPOMASTIGOTA</p><p>AMASTIGOTA</p><p>Forma ovoide, de corpo achatado, com pouco citoplasma e núcleo grande. Apresenta cinetoplasmo. O flagelo é pequeno, e por isso</p><p>apresenta pouca mobilidade.</p><p>PROMASTIGOTA</p><p>Forma alongada, com a inserção do flagelo na região anterior, sendo ele livre. O cinetoplasto também se encontra na região anterior, próximo</p><p>ao bolso flagelar. Núcleo centralizado.</p><p>EPIMASTIGOTA</p><p>Forma alongada (fusiforme), com inserção do flagelo longe da extremidade já que a bolso flagelar abre-se lateralmente mais próximo ao</p><p>centro do parasito. O flagelo está preso à membrana ondulante até chegar à extremidade anterior, onde se torna livre.</p><p>TRIPOMASTIGOTA</p><p>Forma longa e achatada, semelhante ao epimastigota, porém com o cinetoplasto e bolso flagelar presentes na região posterior. O flagelo sai</p><p>dessa região posterior e segue preso pela membrana ondulatória por todo o corpo do parasito até se tornar livre na região anterior. Existem a</p><p>forma metacíclica, que é infectante e não replicativa, e a forma procíclica, que também é não infectante, mas replica.</p><p>GÊNERO TRYPANOSOMA</p><p>As espécies presentes no gênero Trypanosoma apresentam ciclos heteróxenos em que infectam hospedeiros vertebrados e invertebrados</p><p>hematófagos (Aqueles que se alimentam de sangue) . Uma das formas de classificar as diferentes espécies é levando em consideração um</p><p>conjunto de informações como: hospedeiros (vertebrados ou invertebrado), origem, morfologia, ciclo de vida, patogenia entre outras</p><p>características. Se considerarmos, por exemplo, seu desenvolvimento no hospedeiro invertebrado (seu vetor) podemos dividir em dois</p><p>grupos: Stercoraria e Salivaria.</p><p>Vamos conhecê-los mais detalhadamente.</p><p>GRUPO STERCORARIA</p><p>Nesse grupo, o desenvolvimento do parasita no vetor ocorre no intestino e as formas infectantes são eliminadas pelas fezes no momento do</p><p>repasto sanguíneo. São constituintes desse grupo as espécies Trypanosoma cruzi , Trypanosoma lewis e Trypanosoma theileri . Dentre</p><p>elas, destaca-se o T. cruzi , protozoário que causa a doença de Chagas. Esse parasito foi descrito por Carlos Chagas em Minas Gerais, em</p><p>1909. Sua transmissão ocorre pelos hemípteros dos gêneros Panstrongylus , Rhodnius e Triatoma .</p><p> VOCÊ SABIA</p><p>No Brasil, Triatoma infestans é o principal vetor da doença de chagas. Ele é conhecido popularmente por Barbeiro, que apresenta hábitos</p><p>noturnos. Muitas vezes, as pessoas ao dormir se cobrem, deixando somente o rosto de fora, sendo esse o principal local onde o inseto pica,</p><p>por isso o nome barbeiro.</p><p>PAU A PIQUE</p><p>A casa de pau a pique consiste em casa construídas com madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de</p><p>bambu, amarradas entre si por cipós, e a parede feita de barro.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>O barbeiro costuma ser encontrado em frestas e pequenos buracos dentro das residências, principalmente em construções conhecidas como</p><p>pau a pique. Com a melhoria das construções e o uso de inseticidas específicos, hoje, a região peridomicílio se tornou a região de maior</p><p>risco para o contato com o barbeiro. Outras formas de transmissão são a transfusão sanguínea, o transplante de órgãos, a ingestão acidental</p><p>de alimentos contaminados com triatomíneos infectados ou suas excretas (transmissão contaminativa).</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Triatoma Infestans.</p><p>A figura a seguir ilustra o ciclo biológico do T. cruzi , vamos conhecer?</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.</p><p> Ciclo biológico do Trypanosoma cruzi .</p><p>Ao picar uma pessoa infectada, o barbeiro ingere, juntamente com o sangue, a forma tripomastigota. Essa por sua vez, migra até o intestino</p><p>onde se transformará em epimastigotas. Ainda no intestino, os epimastigotas sofrem divisão binária, aumentando assim a quantidade de</p><p>parasitos no vetor. A caminho da porção final do intestino, há uma nova transformação, gerando tripomastigotas metacíclicas que serão</p><p>eliminadas nas fezes do barbeiro quando ele for novamente se alimentar.</p><p>Ao realizar um novo repasto sanguíneo, o vetor defeca, e junto às fezes é liberada a forma infectante (tripomastigotas metacíclicas) na pele</p><p>lesionada pela coceira, ocasionada pela picada ou pela mucosa. Essas formas conseguem atingir a corrente sanguínea e penetrar</p><p>ativamente nas células do Sistema Fagocítico Mononuclear. Ao infectar essas células, é formado o vacúolo parasitóforo, onde ocorre a</p><p>multiplicação do parasita até o rompimento do vacúolo e a liberação de inúmeros tripomastigotas metacíclicos no citoplasma celular. No</p><p>citoplasma, elas se transformam em amastigotas, que também realizam replicação assexuada e se diferenciam em tripomastigotas. Como o</p><p>ciclo replicativo leva ao excesso de parasito dentro das células do sistema fagocítico mononuclear, como os macrófagos, essas células então</p><p>se rompem e liberam todas as formas parasitárias presentes dentro dela na corrente sanguínea, o que possibilita a contaminação de novas</p><p>células. A parasitemia frequente começa a ser mais intensa em torno do dia 10 a 15 após a contaminação e corresponde à fase aguda da</p><p>doença.</p><p>O ciclo se completa quando o barbeiro realizar um novo repasto sanguíneo em uma pessoa infectada.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Na maior parte das vezes, a infecção por T. cruzi é assintomática, mas quando sintomático, os sinais clínicos começam de 6 a 10 dias após</p><p>a infecção, apresentando quadro febril passageiro e inespecífico, linfadenopatia e esplenomegalia branda. Essa fase pode se resolver entre 4</p><p>e 8 semanas. Porém, alguns pacientes podem evoluir para formas crônicas ou graves, apresentando quadros de meningites graves e</p><p>insuficiência cardíaca que podem levar ao óbito.</p><p>O coração é o órgão normalmente mais afetado. Quando caem na corrente sanguínea, os parasitos podem formar "ninhos de amastigotas"</p><p>no coração, desencadeando uma resposta inflamatória local, que pode levar à disfunção cardíaca, ao aumento dos cardiomiócitos (aumento</p><p>do volume ou tamanho celular), causando a formação do coração chagásico, também chamado de “coração grande”.</p><p>Imagem: Patrick J. Lynch, medical illustrator / Wikimedia Commons / CC BY 2.5</p><p> Corte transversal de um coração chagásico, evidenciando a hipertrofia do ventrículo esquerdo.</p><p>A doença de Chagas está presente em 21 países da América Latina, tendo relatos de casos na Europa e na América do Norte. No Brasil,</p><p>entre os anos de 2001-2018, ocorreram 5.184 casos com distribuição heterogênea pelo país. A maior parte dos casos notificados ocorreram</p><p>em menores de 18 anos e em idosos na região Norte do país (SANTOS, 2020; BRASIL, 2020b).</p><p>É importante destacar que a doença de chagas aguda é uma doença de notificação compulsória. Além disso, a partir da Portaria n° 264, de</p><p>17 de fevereiro de 2020, a doença de chagas crônica foi incluída na lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos</p><p>de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional.</p><p>Muitas vezes, imaginamos que a maior parte das infecções ocorre por meio da transmissão vetorial. No entanto, a partir de 2005, foi</p><p>verificado um aumento significativo da transmissão via oral, sendo o Pará responsável por 81% dos casos, ligado à safra de açaí e bacaba (A</p><p>bacaba, bacaba-açu ou bacaba-verdadeira é uma palmeira nativa da Amazônia.) que estavam contaminadas com as fezes do inseto</p><p>(BRASIL, 2015).</p><p>Nos últimos anos, foi verificada uma redução no número dos casos da doença de Chagas no Brasil. No entanto, devemos manter e reforçar</p><p>todas as medidas de prevenção para evitarmos que ocorra um novo aumento do número de casos.</p><p>Mas quais medidas seriam necessárias para combater a doença de Chagas?</p><p>Pensando na transmissão vetorial, deve-se evitar com o uso de inseticidas específicos e que o triatomíneo faça ninhos dentro da residência.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Caso veja algum triatomíneo, não o mate esmagando, lembre-se de que as fezes deles contém o parasito na sua forma infectante. O ideal é</p><p>que consiga capturar o inseto com um pote com tampa de rosca ou um saco plástico.</p><p>Em casas próximas a regiões de risco, devem-se colocar telas nas portas e janelas, evitando a sua entrada voando. O uso de repelentes e</p><p>roupas compridas é sempre indicado em locais endêmicos para a doença, principalmente à noite. Além disso, devem ser criados programas</p><p>para melhorias de moradias rurais para que não existam mais construções em que o inseto possa colonizar.</p><p>E em relação à transmissão oral e transfusão sanguínea?</p><p>Devem ser intensificadas medidas sanitárias e de inspeção em todas as etapas da produção de alimentos susceptíveis a contaminação. O</p><p>resfriamento ou congelamento de alimentos não previne a transmissão oral por T. cruzi , mas, sim, o cozimento acima de 45°C, a</p><p>pasteurização e a liofilização. Portanto, sempre que possível, ferva o alimento. Para transfusão de sangue, durante a triagem clínica, os</p><p>médicos pesquisam se o doador esteve em áreas endêmicas e todas as bolsas devem ser testadas antes de serem transfundidas em</p><p>qualquer paciente.</p><p>GRUPO SALIVARIA</p><p>De forma diferente, no grupo Salivaria, o parasita se multiplica na probóscide da mosca e fica armazenado na glândula salivar, sendo</p><p>inoculado quando o vetor pica o hospedeiro vertebrado. Fazem parte desse grupo as espécies: Trypanosoma brucei, Trypanosoma vivax,</p><p>Trypanosoma congolese e Trypanosoma suis . Essas espécies são amplamente distribuídas na África.</p><p>Dentre elas, destaca-se o Trypanosoma brucei , responsável pela doença do sono. Essa doença conhecida é popularmente como</p><p>Tripanossomíase Africana Humana (TAH). A TAH pode ser crônica, causada pelo Trypanosoma brucei gambiense , ou aguda, causada pelo</p><p>T. brucei rhodesiiense . Existe outra subespécie, T. brucei , que infecta apenas os animais domésticos e de reprodução, como equídeos,</p><p>ovinos, bovinos, causando uma doença chamada Nagana. Essa infecção causa impacto econômico negativo na produção de leite e carne.</p><p>A transmissão da TAH e Nagana é vetorial a partir da mosca Tsé-tsé, da família Muscidea, do gênero Glossina spp. Os humanos são</p><p>considerados os principais reservatórios do Trypanosoma brucei gambiense, mas essa espécie também pode ser encontrada em animais.</p><p>Já para T. brucei rhodesiense , ao que tudo indica, o gado parece ser o reservatório animal de maior importância.</p><p>Foto: Judy Gallagher / Wikimedia Commons / CC BY 2.0</p><p> Mosca Tsé-tsé.</p><p>O ciclo biológico de T. brucei difere em alguns pontos do ciclo de T. cruzi. Na figura a seguir, temos um resumo do ciclo biológico.</p><p>Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.</p><p> Ciclo Biológico do Trypanosoma brucei gambiense e T. brucei rhodesiense.</p><p>A mosca tsé-tsé, ao se alimentar em um indivíduo que esteja infectado, ingere juntamente com o sangue os parasitos na forma de</p><p>tripomastigotas. Após a ingestão, no intestino, ela se transforma em tripomastigota procíclica e sofre divisão binária aumentando a quantidade</p><p>de parasitos no inseto. As tripomastigotas procíclicas migram até a glândula salivar onde se transformam em epimastigotas e, em seguida,</p><p>sofrem nova divisão binária. Posteriormente, transformam-se em tripomastigotas metacíclicas, a forma infectante.</p><p>Ao realizar um novo repasto sanguíneo em um hospedeiro mamífero, como o homem, a mosca libera junto com a saliva as tripomastigotas</p><p>metacíclicos. No sangue, elas se transformam em tripomastigotas que se multiplicam, aumentando a carga parasitária, e alcançam outros</p><p>fluidos corporais (como a linfa e o fluido espinhal). Nesses locais, essa forma continua a sua replicação por divisões binária (fase</p><p>hemolinfática). Todo o ciclo de vida dos tripanossomas africanos é representado por estágios extracelulares, diferentemente do que ocorre</p><p>com o T.cruzi .</p><p>A mosca tsé-tsé é infectada com tripomastigotas da corrente sanguínea ao fazer um novo repasto sanguíneo em um hospedeiro mamífero</p><p>infectado.</p><p>A sintomatologia da doença do sono pode ser dividida em dois estágios. O primeiro envolve sinais e sintomas inespecíficos relacionados com</p><p>fase hemolinfática em que há o aparecimento de febre intermitente, prurido e linfadenopatia. O sinal de Winterbottom (Inchaço dos linfonodos</p><p>cervicais posteriores.) costuma ser observado em T. b. gambiense e a linfadenopatia de linfonodos submandibulares, axilares e inguinais</p><p>em T. b. rhodesiense . O segundo estágio ocorre após a invasão do sistema nervoso central que leva a manifestações neuropsiquiátricas,</p><p>como distúrbio do sono. O envolvimento cardíaco grave também ocorre.</p><p>As duas espécies de T. brucei (T. brucei gambiense e T. brucei rhodesiense ) são endêmicas na África, sendo a T. b. gambiense mais</p><p>presente na África Ocidental e Central enquanto o T. b. rhodesiense está mais presente na África Oriental e Sudeste. Estima-se que 60</p><p>milhões de pessoas estão sob risco para a doença do sono, ocorrendo trinta mil novos casos a cada ano.</p><p> DICA</p><p>Assim como para Trypanosoma cruzi , algumas formas de prevenção estão relacionadas com os hábitos do vetor. Então, durante os</p><p>períodos mais quentes do dia, quando a mosca é menos ativa, devemos evitar ficar próximo a arbustos, onde esse inseto pousa. Deve-se</p><p>usar sempre calças e camisas de manga comprida nas regiões endêmicas do vetor, e o ideal é que sejam roupas que tenham tecido mais</p><p>grosso para impedir que a mosca seja capaz de picar. Ainda, é sempre bom usar roupas de cores neutras e claras, pois esse inseto é atraído</p><p>por cores brilhantes e muito escuras. O uso de repelente não tem se mostrado eficaz contra o vetor, mas é uma forma de prevenção para</p><p>outras doenças.</p><p>GÊNERO LEISHMANIA</p><p>A leishmaniose é uma infecção crônica, não contagiosa, causada por diversas espécies de protozoários do gênero Leishmania e transmitida</p><p>de animais para o homem por fêmeas de flebotomíneos infectadas. Esse gênero compreende os protozoários parasitas da ordem</p><p>Kinetoplastida e a família Trypanosomatidae, capazes de infectar animais selvagens e domésticos, humanos e insetos.</p><p>O ciclo da leishmaniose apresenta um hospedeiro vertebrado e um invertebrado. Você lembra o nome desse tipo de ciclo? Isso mesmo, é o</p><p>ciclo heteroxêno.</p><p>O hospedeiro invertebrado é um flebotomíneo do gênero Lutzomyia (Novo mundo (Termo utilizado para descrever as Américas, que foram</p><p>descobertas no final do século XV. ) ) e Phlebotomus (Velho mundo (Termo utilizado para a definição de mundo conhecida pelos europeus</p><p>do século XV. Compreende a Europa, África e Ásia.) ). Entre os nomes populares estão mosquito-palha e birigui.</p><p>Foto: Luis Fernández García / Wikimedia Commons / CC BY-AS 3.0</p><p> Lutzomyia longipalpis .</p><p>A Leishmania apresenta duas formas principais:</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Leishmania spp. na forma amastigota – Microscopia.</p><p>AMASTIGOTAS</p><p>Forma intracelular, ovoide, imóvel e sem flagelo.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Abanima / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-3.0,2.5,2.0,1.0</p><p> Forma promastigota.</p><p>PROMASTIGOTAS</p><p>Forma alongada, flagelada e com grande mobilidade.</p><p>Os flebotomíneos, ao fazer o repasto sanguíneo, são infectados pela ingestão de células fagocíticas infectadas, como macrófagos, com a</p><p>forma amastigota. Ao chegar ao intestino, as formas amastigotas se transformam em promastigotas. Se o parasito em questão for do</p><p>subgênero Vianna, essa transformação ocorre no intestino posterior; se for do subgênero Leishmania , transforma-se no intestino médio.</p><p>Depois dessa transformação, as formas promastigotas migram para a probóscide do flebotomíneo.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Caso o vetor, pique uma pessoa ou um animal, sendo ele doméstico (considerado hospedeiro acidental) ou não, ele transmitirá a</p><p>Leishmania spp. No homem, por exemplo, a forma promastigota injetada junto com a saliva do vetor vai ser fagocitada por células</p><p>fagocíticas, como os macrófagos, e dentro dele vai se transformar em amastigotas,</p><p>que se multiplicam. Caso o homem infectado seja picado</p><p>novamente por outro flebotomíneo, ele será capaz de dar continuidade ao ciclo, pela ingestão da forma amastigotas.</p><p>As características intrínsecas do parasita, do hospedeiro e outros fatores afetam o tipo de doença no hospedeiro, que pode ser leishmaniose</p><p>cutânea ou visceral.</p><p>Vamos conhecer a seguir o ciclo de vida resumido?</p><p>Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.</p><p> Ciclo Biológico da Leishmania spp.</p><p>Durante muito tempo, a taxonomia do gênero Leishmania era baseada em parâmetros extrínsecos como distribuição geográfica, vetores,</p><p>trofismo, propriedades antigênicas, entre outros fatores. Mas muitas vezes os critérios pareciam inadequados. Com o avanço da tecnologia e</p><p>o crescimento dos testes moleculares, foi possível cada vez mais fazer a classificação dos integrantes desse gênero da forma mais</p><p>adequada. Recentemente, subdividiram o gênero Leishmania em dois subgrupos:</p><p>Paraleishmania</p><p>O grupo Paraleishmania , ainda pouco estudado, é composto por L. hertigi, L. deanei, L. herreri, L. equatorensis e L. colombiensis .</p><p></p><p>Euleishmania</p><p>Já o grupo Euleishmania engloba os subgêneros Leishmania, Viannia , Sauroleishmania.</p><p>Para nosso estudo, são de grande importância o subgênero Leishmania e Viannia . Dentro de cada subgênero, encontramos espécies de</p><p>importância médica e veterinária.</p><p>A classificação desse grupo de parasitas sempre foi motivo de confusão. Com o intuito de melhorar a classificação de acordo com as</p><p>espécies, foram criados o que chamamos de “complexos”, ou "complexos de espécies".</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Cada complexo é nomeado de acordo com uma das espécies constituintes. A razão por trás disso é que as espécies pertencentes ao mesmo</p><p>complexo muitas vezes estão intimamente relacionadas, o que não só complica sua identificação, mas também dificulta uma inequívoca</p><p>definição de espécie.</p><p>No subgênero Leishmania , temos quatro complexos: Leishmania major, Leishmania tropica, Leishmania donovani , Leishmania mexicana.</p><p>Já no subgênero Viannia , temos dois complexos: Leishmania braziliensis e Leishmania guyanensis .</p><p>Outra forma clássica de dividir a leishmaniose é de acordo com o tipo de doença que causa. Sendo então dividida em dois grupos:</p><p>leishmaniose cutânea ou tegumentar (LC ou LT) e leishmaniose visceral (LV).</p><p>A leishmaniose tegumentar (LT) é uma das principais manifestações clínicas da infecção humana. Em contraste com a leishmaniose visceral</p><p>(LV), não é letal, mas frequentemente traumática e associada à estigmatização social.</p><p>Todas as espécies de Leishmania que são patogênicas para humanos podem causar doenças cutâneas, embora com várias gravidades.</p><p>Existem outras duas formas leishmaniose mucocutânea e a leishmaniose cutâneo-difusa, mas essas duas últimas formas não estudaremos</p><p>aqui.</p><p>A seguir vamos conhecer mais a LT e a LV.</p><p>LEISHMANIOSE TEGUMENTAR</p><p>A leishmaniose tegumentar, no Brasil conhecida como leishmaniose tegumentar americana (LTA), por muito tempo foi considerada uma</p><p>zoonose de animais silvestres que acometia ocasionalmente humanos que tivessem contato com as regiões de matas. Depois de algum</p><p>tempo, a doença começou a se expandir e ganhar regiões rurais e regiões periurbanas.</p><p>Ainda hoje, observamos esses dois perfis de transmissão silvestre que ocorrem em áreas de vegetação primária (zoonose silvestre) e rural</p><p>ou periurbano, que são locais de desmatamento ou em que houve adaptação do vetor ao peridomicílio (zona de mata residuais e/ou</p><p>antropozoonose). Além disso, observamos um terceiro perfil de transmissão que seria o perfil ocupacional ou de lazer, em que a transmissão</p><p>está associada à exploração da floresta, ao crescimento da urbanização e à invasão de habitat natural dos vetores e reservatórios da</p><p>doença.</p><p>Os roedores e marsupiais silvestres são descritos como reservatórios da doença. Ainda não foi comprovado cientificamente que os animais</p><p>domésticos, como cães e gatos, sejam um reservatório da doença, sendo considerado por enquanto um hospedeiro acidental.</p><p>Os parasitas causadores da leishmaniose tegumentar parasitam principalmente a pele. As lesões geralmente se desenvolvem algumas</p><p>semanas ou meses após a picada do flebotomíneo, sendo elas simples ou múltiplas, regional ou com focos espalhados pelo corpo podendo</p><p>atingir mucosa nasal ou orofaríngea. A aparência pode ser alterar com o tempo assim como seu tamanho. Muitas vezes as lesões começam</p><p>como pápulas ou nódulos e podem terminar como úlceras.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p> Lesões na pele na LT.</p><p>Para LT, foram descritas mais de 11 espécies, sendo 7 identificadas no Brasil. Dessas, seis espécies são do subgênero Viannia e uma do</p><p>subgênero Leishmania . As três principais espécies circulantes no Brasil são: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Viannia)</p><p>guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis .</p><p> SAIBA MAIS</p><p>A leishmaniose tegumentar é um problema de saúde pública em 85 países em diferentes continentes como nas Américas, Europa, África e</p><p>Ásia. Mundialmente há o registro anual de 0,7 a 1,3 milhões de casos. A LT chega a ser considerada pela OMS, como uma das seis mais</p><p>importantes doenças infecciosas, por causa dos elevados número de casos e pela capacidade de produzir deformidades (BRASIL, 2017).</p><p>No Brasil, a LT apresenta ampla distribuição com registro de casos em todas as regiões brasileiras, com maior incidência na região Norte e</p><p>Centro Oeste, mas com casos no Nordeste, Sudeste e Sul do país. Em 1985, foi observada uma tendência ao aumento do número de casos,</p><p>e, assim, houve a implantação de ações de vigilância e controle da LTA no país colocando essa doença como uma doença de notificação</p><p>obrigatória.</p><p>LEISHMANIOSE VISCERAL (LV)</p><p>A leishmaniose visceral é descrita desde a antiguidade. Foi na Índia que surgiu o nome Kala-azar (Calazar), que significa doença negra</p><p>devido à aparência escurecida da pele nos acometidos. A doença geralmente se desenvolve dentro de meses (às vezes até anos) após a</p><p>picada do flebotomíneo. A leishmaniose visceral afeta órgãos, por isso é considerada mais grave que a LT, necessitando de tratamento</p><p>rápido. Normalmente, 90% das pessoas morrem por causa dessa doença e as crianças menores de 10 anos costumam ser as mais afetadas.</p><p>Os parasitos desse grupo infectam também células fagocíticas do sistema imune como os macrófagos, mas, ao invés de ficar restrito a pele,</p><p>esses parasitos apresentam tendência de invadir órgãos como baço, fígado, medula óssea e órgãos linfoides. As espécies que causam</p><p>leishmaniose visceral pertencem ao complexo Leishmania donovani , que compreende Leishmania donovani , Leishmania infantum e</p><p>Leishmania chagasi . No Brasil, é causado por Leishmania chagasi .</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Ilustração 3D de macrófagos infectados por Leishmania spp.</p><p>Apesar de grave, algumas pessoas não apresentam sintomas quando infectadas. As pessoas que desenvolvem sinais e sintomas geralmente</p><p>apresentam febre, perda de peso, inchaço do fígado e baço, anemia e leucopenia assim como trombocitopenia.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Em relação aos cães, quando adoecem, apresentam principalmente apatia, lesões de pele, queda de pelos, inicialmente ao redor dos olhos e</p><p>nas orelhas e emagrecimento.</p><p>Estima-se que cerca de 182 milhões de pessoas no mundo estão em risco de serem acometidas pela doença. A LV é endêmica em 47</p><p>países, sendo o Brasil o país com mais endemicidade da doença nas Américas. Você nunca ia imaginar que cerca 96% dos casos de</p><p>leishmaniose visceral americana ocorrem no Brasil, com 90% das notificações vindas do Nordeste (CUNHA et al. , 2020; OPAS/OMS, 2019).</p><p>A leishmaniose visceral apresenta o mesmo perfil de transmissão da leishmaniose tegumentar. Inicialmente o maior foco de transmissão era</p><p>em regiões de matas, que foi se expandindo para regiões rurais desmatadas. Após os anos 1980, atingiu as regiões periurbanas de grandes</p><p>cidades.</p><p>PREVENÇÃO E CONTROLE DA LEISHMANIOSE</p><p>Você vai notar que prevenção de doenças transmitidas por vetores é sempre muito parecida,</p><p>principalmente daqueles que apresentam</p><p>hábitos semelhantes.</p><p>A melhor forma de evitar a infecção por Leishmania spp. é o uso de repelente, principalmente onde o vetor costuma ser encontrado, além de</p><p>evitar exposição ao vetor no seu horário de maior atividade, sendo o entardecer e a noite no caso dos flebotomíneos. O uso de telas em</p><p>portas e janelas e do uso de mosquiteiros também é recomendado. É preciso evitar possíveis criadouros para os flebotomíneos no quintal,</p><p>mantendo-o sempre limpo e com as árvores podadas e evitando, assim, o aparecimento de outros animais que possam ser reservatórios do</p><p>parasito. Se você mora em área com casos de leishmaniose, faça sempre exames periódicos em seu gato ou cachorro, pois muitas vezes os</p><p>animais levam anos para desenvolver algum sintoma.</p><p>Foto: Shutterstock.com.</p><p>FILO SARCOMASTIGOPHORA – ORDEM DIPLOMONADIDA E</p><p>ORDEM TRICHOMONADIDA</p><p>São parasitas flagelados encontrados nas vias digestivas e geniturinárias e que causam doenças parasitárias importantes como a Giardíase e</p><p>a tricomoníase.</p><p>ORDEM DIPLOMONADIDA – FAMÍLIA HEXAMITIDAE</p><p>Os parasitos dessa ordem apresentam um complexo flagelar junto ao núcleo chamado de cariomastigonte e dele partem de 1 a 4 flagelos. A</p><p>família Hexamitidae apresenta membros importantes como Giardia lamblia também chamada de Giardia duodenalis ou Giardia</p><p>intestinalis , um protozoário flagelado que parasita o intestino do homem e de vários animais.</p><p>Imagem: Public Domain Images.</p><p> Trofozoíto de G. Lamblia.</p><p>TROFOZOÍTOS</p><p>Além disso, apresentam um achatamento dorsoventral. Na superfície ventral, encontramos o disco adesivo ou disco suctorial que</p><p>apresenta grande importância na adesão e alimentação do parasito. Essa forma vive no intestino, no duodeno e nas primeiras porções</p><p>do jejuno, alimentando-se a partir da absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis por pinocitose tanto na parte ventral quanto na</p><p>parte dorsal. A reprodução dos trofozoítos se dá por divisão binária longitudinal.</p><p>CISTOS</p><p>Têm uma membrana externa fina e bem destacada do citoplasma, 4 núcleos pequenos e com cariossomo central e representam as</p><p>formas de resistência no ambiente, sobrevivendo na água por aproximadamente 2 meses ou mais. O desencistamento ocorre na</p><p>exposição a pH ácido e a temperatura de 37°C.</p><p>Durante seu ciclo biológico apresenta duas formas evolutivas:</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p>TROFOZOÍTOS</p><p>Apresentam de 10-20 μm de comprimento por 5 a 15 μm de largura, têm simetria bilateral e contorno piriforme.</p><p>Trofozoítos</p><p></p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p>CISTOS</p><p>São geralmente ovoides medindo cerca de 12 μm de comprimento.</p><p>Cistos</p><p>A pessoa se infecta após a ingestão de água e alimentos contaminados com cistos. Após a ingestão, o cisto passa pelo processo de</p><p>desencistamento no intestino se tornando trofozoíto. O trofozoíto, por sua vez, multiplica-se por divisão binária gerando novos trofozoítos.</p><p>Parte deles darão origem a novos cistos. Tanto cistos como trofozoítos são liberados nas fezes, principalmente durante episódios de diarreia.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p> Ciclo biológico da Giardia lamblia .</p><p>Alguns indivíduos não desenvolvem sintomas, mas, na maior parte das pessoas, após o período de incubação (1-3 semanas), pode ocorrer</p><p>um quadro de enterite benigna chamado de Giardíase. Os principais sintomas são: diarreia líquida ou pastosa, mal-estar, cólicas abdominais,</p><p>fraqueza e perda de peso. A diarreia pode ocorrer em episódios agudos, ou intermitentes ou de forma crônica e persistente e apresentam</p><p>mau odor, aspecto claro, às vezes com presença de muco ou sangue.</p><p>Outros sintomas observados com menos frequência são: a diminuição do apetite, náuseas, vômito, flatulência, distensão abdominal, ligeira</p><p>febre e cefaleia.</p><p>GIARDÍASE: EPIDEMIOLOGIA E PREVENÇÃO</p><p>Neste vídeo, veremos os cuidados necessários para não contrair a doença e vamos entender um pouco sobre a sua distribuição no Brasil</p><p>ORDEM TRICHOMONADIDA – FAMÍLIA TRICHOMONADIDAE</p><p>Essa ordem tem como integrantes protozoários anaeróbicos. Alguns dos organismos nessa ordem incluem: Trichomonas vaginalis ,</p><p>Dientamoeba fragilis , Histomonas meleagridis (parasito de aves) e Mixotricha paradoxa (simbionte com cupins). Aqui, vamos aprender</p><p>sobre Trichomonas vaginalis , responsável pela tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível (IST) e pertencente à família</p><p>Trichomonadidae.</p><p>COSTA</p><p>Faixa que percorre o citoplasma nas proximidades do flagelo que sai do mesmo blefaroplasto.</p><p>HIDROGENOSSOMOS</p><p>Organela que representaria a mitocôndria, porém sem DNA e citocromos.</p><p>CORPO PARABASAL</p><p>Conjunto de fibras, uma mais longa que a outra, juntamente com o aparelho de Golgi, com suas membranas paralelas e suas vesículas.</p><p>Morfologicamente, o T. vaginalis apresenta de 3 a 6 flagelos que servem tanto para locomoção quanto para a nutrição. Um dos flagelos se</p><p>dirige para trás, formando uma membrana ondulante quando se move. Outra estrutura característica é a estrutura em forma de bastonete que</p><p>percorre o corpo do protozoário chamado de axóstilo. Além disso, apresenta um citóstoma que é uma abertura situada na origem do flagelo,</p><p>um periplasto que é a membrana que recobre o parasito, e um blefaroplasto que está presente no citoplasma, de onde se origina o flagelo.</p><p>Ainda temos a costa, os hidrogenossomos e o corpo parabasal.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 86.</p><p> Ultraestrutura de Trichomonas .</p><p>PSEUDOCISTOS</p><p>Forma arredondada, sem motilidade e que apresenta todos os flagelos internalizados.</p><p>T. vaginalis é um parasito encontrado na mucosa vaginal da mulher, mas que pode ser observado até mesmo em outros lugares do aparelho</p><p>urinário feminino. No homem, já foi isolado na uretra, próstata e no prepúcio. Para esse parasito, existe basicamente somente uma forma,</p><p>trofozoítos, embora recentemente venha se discutindo a sua importância e o papel dos pseudocistos no ciclo.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Algumas espécies de tricomonadídeos (Trichomitus batrachorum , Trichomitus sanguisuga e Ditrichomonas honigbergii ) possuem cistos</p><p>verdadeiros.</p><p>A reprodução de T. vaginalis é exclusivamente por divisão binária longitudinal, não havendo assim reprodução sexuada, bem como não há a</p><p>formação de cistos para a propagação. Mesmo não havendo formas resistentes ao ambiente, os trofozoítas de T. vaginalis são capazes de</p><p>sobreviver várias horas em uma gota de secreção vaginal e, na água, resiste 2 horas a 40°C.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.</p><p> Ciclo biológico do T. vaginalis .</p><p>A forma de transmissão ocorre por meio do contato sexual ou por contato íntimo com secreções contaminadas. Pode haver transmissão de</p><p>mulher para mulher, de mulher para homens e de homens para mulher. Além disso, pode ocorrer infecção do bebê durante o parto normal,</p><p>caso a mãe esteja contaminada.</p><p>Após o contato com o trofozoíto, a mulher passa por um período de incubação que dura entre 4 a 28 dias. Passado o período de incubação,</p><p>aparecem os sintomas que normalmente são: um corrimento espumoso e de odor forte, prurido intenso, aumento do pH vaginal e o</p><p>aparecimento de pontos hemorrágicos no colo uterino que apresentam a aparência chamada de “Cérvix em morango”.</p><p>Imagem: Shutterstock.com.</p><p>Quando não tratada, pode haver algumas complicações, como a ruptura prematura das membranas placentárias. Pode ainda facilitar a</p><p>transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) por conta do processo inflamatório que leva ao rompimento da barreira mecânica e</p><p>ao comprometimento da resposta imune. Além disso, pode favorecer o aparecimento do câncer de próstata ou câncer cervical. Nos homens</p><p>normalmente, essa doença é assintomática.</p><p>O diagnóstico nas mulheres é feito a partir da análise de secreções coletadas durante o exame papanicolau e nos homens pela cultura de</p><p>urina ou cultura após a coleta do swab uretral. Além disso, pode ser feito a partir de testes moleculares.</p><p>Foto:</p>