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Hamartiologia (do grego[1] transliterado hamartia = erro ou pecado + logia = estudo), como sugere o próprio nome, é a ciência que estuda o pecado e as suas origens e consequências, ou — se preferível — o estudo sistematizado daquele tema (pecado). Nenhuma doutrina há mais importante para o crente do que a do pecado. É verdade que as doutrinas fundamentais do cristianismo se relacionam intimamente; porém a do pecado é uma daquelas cujo conhecimento se impõe como grande necessidade. A boa compreensão desta doutrina derrama muita luz sobre as demais. Ela influi sobre todas as outras, tais como a doutrina de Deus, a doutrina do homem, a doutrina da salvação, e assim por diante. A idéia que temos de pecado determina, mais ou menos, a nossa idéia de salvação. Errar, portanto, na doutrina do pecado, é errar também na salvação. Um exemplo: Pessoas há que julgam que o pecado é devido ao meio em que o homem vive; logo, melhorando o meio, o pecado desaparecerá. Se assim fosse, os homens necessitariam não de um salvador, mas de um benfeitor. Dinheiro e boa vontade poderiam salvar a humanidade, neste caso. Sabemos, porém, que não é assim, porque infelizmente os ricos não são, em geral, os santos da terra. Outras há que julguem que o pecado é oriundo da ignorância. Os homens pecam, dizem, porque não conhecem coisa melhor. Ora, se assim fora, a educação seria a salvação da raça; o combate ao analfabetismo seria a melhor pregação do evangelho; e naturalmente os homens mais instruídos e mais cultos seriam os mais santos. Sabemos que essa idéia também não é verdadeira. Os que assim pensam estão longe da verdade. Todos pecaram. [...] É mister que estudemos bem o que as Escrituras nos ensinam sobre este assunto, porque a doutrina que se encontra na Bíblia não só faz justiça a Deus como também deixa ao pecador uma firme esperança de salvação. (LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Ed. Juerp) REFLEXÃO 1 (Aula introdutória) O que é o pecado? Assim responde o Catecismo Maior de Westminster, pergunta 24 (1): “Pecado é qualquer carência de conformidade com, ou transgressão de qualquer lei de Deus, dada como regra para a criatura racional”. Em meio à efervescência da Reforma Protestante, que veio combater as imoralidades existentes dentro da Igreja Católica, este catecismo procurou dar uma resposta simples a uma antiga preocupação do homem. Ainda assim, esta “qualquer carência”, bem sabemos, ficou sujeita às mais variadas interpretações do homem. Por isso, para um protestante no século XVI era pecado gravíssimo fazer qualquer tipo de acordo com um católico, e vice-versa. O pentecostalismo veio dar uma visão ainda mais fechada de pecado. Embora já pertencente ao século passado, na recente história das Assembléias de Deus poderia ser considerado pecado: beber Coca-cola, estudar Teologia, a mulher cortar o cabelo ... Tudo parecia pecado: o homem estava reduzido a uma criatura prisioneira de si mesma. Banalizou-se o pecado, ao caracterizar coisas sem importância como pecado. De uma hora para outra, estava sendo repetido o mesmo erro dos fariseus: valorizava-se mais o exterior do que o interior, colocando um jugo pesadíssimo sobre o homem. Estimulava-se a formação de autênticos “sepulcros caiados”: vistosos, bonitos por fora, mas por dentro cheios de podridão de ossos (Mt 23.27). É necessário retomar o conceito bíblico de pecado. Além disso, torna-se necessário esclarecer quem é o autor do pecado. A Confissão de Fé de Westminster 3:1 (2) enfatiza que Deus não é o autor do pecado. O que diz o Antigo Testamento acerca desse assunto? O que nos ensina o Novo Testamento acerca do pecado? Vamos analisar gramaticalmente a palavra a`marti,a (hamartia), a palavra grega que no Novo Testamento é traduzida como pecado; vamos também analisar o pecado no ambiente judaico. 1) O que é hamartiologia? 2) O que é o pecado? 3) Quem é o autor do pecado? 4) A quem foi ordenado diretamente sobre não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal? 5) Qual foi o pecado cometido por Adão? 6)