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1 uni ms 2 Curso de Extensão em Asas Rotativas - Helicóptero Sumário Parte 1 1 Introdução....................................................................................... - 2 Histórico do helicóptero.................................................................. - 3 Princípios de Física e Aerodinâmica................................................ - 4 Seções do helicóptero..................................................................... - 5 Rotores............................................................................................ - 6 Performance de voo........................................................................ - 7 Comandos de voo............................................................................ - Parte 2 8 Efeitos e princípios de voo............................................................. 3 9 Emergência e Limitações............................................................... 13 10 Manutenção.................................................................................. 18 3 Curso de Extensão em Asas Rotativas - Helicóptero Parte 2 8 – Efeitos e Princípios de Voo O voo do helicóptero envolve uma diversidade de fenômenos que se refletem no comportamento da aeronave. Muitas das características desse comportamento podem ser catalogadas como efeitos de voo. O conhecimento desses efeitos permite que o piloto possa prever o comportamento da aeronave quando nas condições determinadas e então atuar nos comandos de voo para que o controle possa ser exercido de forma plena. Efeito Solo Quando em voo pairado próximo ao solo, o helicóptero produz um fluxo de ar para baixo que após atingir a superfície, tende a se espalhar e a subir novamente. Isso cria uma espécie de colchão de ar, ou seja, uma região sob o helicóptero com ar em densidade mais alta que nos arredores. O ar em densidade mais alta ajuda na sustentação e o resultado disso é um menor esforço do motor para manter o helicóptero voando. Este efeito é chamado de efeito solo e ajuda, não apenas nas decolagens verticais, mas também em voos pairados em altitude, próximos a uma superfície. Em grandes altitudes, a densidade do ar é mais baixa e por vezes é impossível manter o voo pairado caso não haja uma superfície abaixo que proporcione o efeito solo. O efeito solo perde sua efetividade à medida que o helicóptero se afasta da superfície. Segundo Rocha (2008), este efeito ocorre até a altura de ½ disco do rotor, o que é a distância correspondente ao comprimento de uma pá. Dentro do Efeito Solo Fora do Efeito Solo 20 15 10 5 0 1/4 1/2 1 1 1/4 1 1/2 Altura do rotor acima do solo em diâmetro FIg. 58 – Efeito Solo Fonte: Adaptada de Rocha (2008 ) e FAA (2012) 4 Efeito Translacional O efeito translacional, também conhecido por dissimetria de sustentação, é causado pela diferença de velocidade do vento relativo que passa pelas pás dos rotores quando o helicóptero se desloca. No voo pairado sem vento, a velocidade das pás em relação ao vento é a mesma, no entanto, quando há deslocamento, as pás de um lado avançam em relação ao deslocamento ao mesmo tempo em que as do outro lado avançam em sentido oposto. Sabemos que a sustentação é influenciada com o quadrado da velocidade do vento relativo, assim, quando a velocidade dobra, por exemplo, a sustentação quadruplica. Percebemos que essa diferença de velocidade entre as pás de uma região e de outra do disco poderiam ser um grande problema, caso não fosse compensada. O efeito translacional é resolvido com o movimento de batimento livre das pás. A pá que avança contra o deslocamento, tendo mais velocidade, terá maior sustentação, mas como seu batimento é livre, irá subir. Ao subir, aparece uma componente do vento relativo de cima para baixo, que em composição com a componente horizontal causa a redução do ângulo de ataque. Da mesma forma, a pá que se move no sentido oposto terá seu ângulo de ataque aumentado, aumentando a sustentação. Efeito Coriólis O efeito Coriólis está associado à conservação do momento angular. Quando um objeto girante reduz o raio da curva, tende a aumentar a velocidade para conservar o momento angular. Da mesma forma, se aumentar o raio da curva, a tendência é diminuir a velocidade. Com o batimento, o centro de gravidade de cada pá aproxima-se ou afasta-se do centro de rotação (eixo), à medida que sobe ou desce, respectivamente. Isso provoca uma tendência da pá que bate para cima, de avançar mais rápido, ao mesmo tempo em que a pá do lado oposto, que bate para baixo, tende a retardar o movimento. FIg. 59 – Efeito Translacional Fonte: Adaptada de FAA (2012) 5 Nos rotores rígidos e semirrígidos a tendência de movimento se reflete em esforço na estrutura do rotor, o que reduz a sua vida útil devido à fadiga do material. Nos rotores articulados existe o movimento de avanço e recuo com amortecedores de arrasto que preservam o esforço estrutural. Rotores semirrígidos são menos susceptíveis aos esforços causados pelo efeito Coriólis quando as pás são fixadas em gangorra, pois a variação da distância do CG ao eixo é menor. Sustentação de Deslocamento À medida que o helicóptero passa de um voo pairado sem vento para um voo em deslocamento, os vórtices e turbulências vão sendo deixados para trás e o fluxo de ar se torna mais horizontal. Nessas condições o desempenho dos rotores melhora significativamente, criando uma sustentação adicional. Esse efeito é bem explorado nas decolagens corridas. Com o deslocamento horizontal, o esforço requerido para elevar o helicóptero é menor do que aquele necessário para uma decolagem na vertical. Fig. 61 – Efeito da Sustentação de Deslocamento em velocidade de 1 a 5 Kt e de 10-15 Kt Fonte: FAA (2012). Ressonância com o Solo FIg. 60 – Efeito Coriólis Fonte: Adaptada de FAA (2012) Vista lateral Vista superior 6 A ressonância ocorre quando duas ou mais oscilações de mesma frequência, ou de frequências que sejam múltiplas, são aplicadas a um corpo e se somam, aumentando consideravelmente a amplitude da oscilação. Na operação com helicóptero próximo ao solo, este fenômeno pode ocorrer de forma violenta chegando a causar sérios danos estruturais. O piloto deve estar atento para os primeiros sinais de ressonância e procurar sair dessa condição, tirando o helicóptero do efeito solo para uma nova aproximação, se tiver potência, ou finalizando logo o pouso. Efeito de Fluxo Transverso Logo no início da transição do voo pairado para o voo em deslocamento, a diferença na incidência do vento relativo sobre a região frontal e traseira do rotor principal provoca uma diferença na sustentação. Essa diferença pode causar vibrações que são consequência do chamado efeito de fluxo transverso. Assim que a aeronave adquire maior velocidade e adquire sustentação de deslocamento. Fig. 62 – Efeito de Fluxo Transverso Fonte: Adaptado de FAA (2012). Efeito Pendular A sustentação produzida pelo disco do rotor é aplicada ao restante da aeronave praticamente em um ponto, o ponto de fixação do rotor ao mastro. Assim, temos um sistema que se assemelha a um pêndulo cuja tendência é fazer com que a massa pendente retorne ao eixo vertical que passa pelo ponto de fixação. Toda vez que a inclinação do plano do rotor é alterada para executar uma manobra, essa tendência se manifesta e pode ser intensificada caso os comandos não sejam atuados com a suavidade requerida. 7 Efeito Cone Em que pese que sejam atribuídas à construção dos rotores características de formato e torção das pás que procurem minimizara diferença de sustentação nas suas diversas regiões, a própria estrutura de fixação das pás pela raiz, tendo a ponta livre, faz com que a sustentação tenda a elevar mais essa parte do disco do rotor. Por outro lado, todo o peso do helicóptero é sustentado pelo mastro, que se situa no centro do disco. A rotação das pás gera a força centrífuga que tende a puxar as pontas para fora, levando-as à manutenção da posição horizontal, mas a sustentação tende a levar as pontas para cima, tendendo à uma posição inclinada. O posicionamento inclinado das pás, associado ao giro das mesmas, produz a figura tridimensional que se aproxima de um cone, e por isso esse efeito é chamado de efeito cone. O efeito cone é caracterizado pela ação da força centrífuga, que depende da rotação, e da relação entre a força de sustentação e o peso. Um grande peso do helicóptero, bem como uma manobra executada que aumente a razão de carga tendem a aumentar o efeito cone. O aumento da rotação tende a reduzir esse efeito. Fig. 63 – Efeito Cone Fonte: Adaptado de FAA (2012). Voo pairado em vento calmo Início do voo para trás Início do voo para frente Fig. 62 – Efeito Pendular Fonte: Adaptado de FAA (2012). Ângulo resultante da pá Ângulo resultante da pá Sustentação Força Centrífuga Antes de decolar Após a decolagem 8 Estóis Quando tratamos de aerofólios, verificamos que existe um ângulo específico a partir do qual o fluxo de ar no extradorso se torna turbulento e a sustentação é perdida. Para uma aeronave de asa fixa, geralmente essa condição está associada à velocidade de deslocamento e a atitude. Nos helicópteros, o ângulo de ataque não está relacionado diretamente com a posição da aeronave ou com sua velocidade, visto que o ângulo de incidência pode ser variado e que a velocidade do vento relativo é obtida pelo giro do rotor. Podem existir vários tipos de estóis associados à perda de sustentação nas pás do rotor. Estol de Potência O estol de potência ocorre em uma situação de baixa densidade do ar, quando o elevado ângulo de ataque requer uma potência também elevada para manter a sustentação. Nessa situação crítica, pode ocorrer o estol com perda de altura e afundamento. A recuperação é semelhante à recuperação do estol em asa fixa, ou seja, reduzindo o ângulo de ataque para restabelecer o fluxo de ar. No caso do helicóptero, isto é feito baixando-se o coletivo e inclinando o cíclico à frente. Fig. 64 – Estol de Potência Fonte: Adaptado de FAA (2012). Estol de Turbilhonamento Numa descida em autorrotação, aquela feita sem potência, o fluxo de ar escoa de baixo para cima, fazendo girar o rotor que produz uma sustentação suficiente para evitar os danos de uma queda brusca. Se esta situação ocorrer em uma descida vertical, o fluxo de ar que sobe pode retornar gerando um turbilhonamento que produz estol. O piloto deve imediatamente aplicar o cíclico para frente adquirindo uma velocidade de deslocamento que deixará o ar turbilhonado para trás. Fig. 65 – Estol de Turbilhonamento Fonte: Adaptado de FAA (2012). 9 Anéis de Vorticidade Se uma descida vertical ou em grande ângulo for feita, mesmo com potência, o fluxo de ar para baixo pode subir pelas bordas do disco provocando turbilhonamento e estol. Para evitar esse tipo de estol é recomendado que as aproximações em ângulos acentuados sejam evitadas. Efeito de Compressibilidade O efeito de compressibilidade está relacionado com as altas velocidades que podem ser alcançadas próximo à ponta da pá que avança quando o deslocamento se dá em alta velocidade. O comportamento do ar quando em velocidade próxima à do som deixa de ser o mesmo que a velocidades baixas. O ar nessa situação não é mais incompressível e são formadas ondas de choque que causam turbilhonamento. A solução para este problema é a redução da velocidade. Alguns modelos de pás possuem perfis que retardam esse fenômeno Onda de Choque Fig.67 – Efeito de Compressibilidade Fonte: Elaborada pelo autor. Estol de Pá Também conhecido como estol de ponta de pá, está relacionado com o batimento das pás para compensar a dissimetria de sustentação. O batimento da pá que avança reduz o seu ângulo de ataque, mas o da pá que recua provoca o aumento desse ângulo. Se a velocidade for crítica, um aumento do ângulo de ataque pode causar o estol. A perda de sustentação na ponta da pá que recua provocará uma cabrada brusca, devido à precessão giroscópica que manifestará o efeito da força com 90⁰ de avanço. 90⁰ 80⁰ 70⁰ 60⁰ 50⁰ 40⁰ 30⁰ 20⁰ Velocidade Ângulo de Descida 0 10 20 30 Fig. 66 – Região de risco de anéis de vorticidade. Fonte: Adaptado de Rocha (2008) 0 500 1000 1500 2000 Turbulência Leve Turbulência Severa 10 Princípios de Voo Conhecidos os efeitos e os tipos de estóis possíveis em um voo de helicóptero, os princípios de voo serão a observação desses fenômenos na decolagem, voo em velocidade e pouso. Decolagem Segundo o Cmte Rocha (2008), a decolagem é feita comandando-se o coletivo para cima, o que vai aumentar o passo das pás através de hastes de comando. O aumento do ângulo de ataque aumentará o arrasto e, consequentemente a redução da RPM. Assim, o piloto deverá abrir a manete enquanto ergue o coletivo para manter a rotação. Inicialmente o piloto deverá manter a aeronave voando próximo ao solo em voo pairado. Nessa situação, a aeronave estará sujeita a uma força lateral, devida a resultante das forças do rotor principal e rotor de cauda. O rotor principal gera forças em binário, ou seja, forças de mesma direção e sentidos opostos aplicadas a certa distância do eixo de rotação. Isso provoca o torque, que é contraposto pela força gerada pelo rotor de cauda. Mas a força do rotor de cauda, ao mesmo tempo em que neutraliza o torque, desbalanceia o equilíbrio horizontal de forças. A deriva pode ser corrigida inclinando-se o cíclico levemente. Depois da deriva ser corrigida, a diferença de altura na atuação das forças do rotor principal e de cauda provocará uma tendência de rolamento. Essa tendência pode ser corrigida por dispositivos de construção do helicóptero, como a posição do rotor de cauda ou o deslocamento do mastro. A partir da correção da deriva, o piloto pode optar por uma decolagem vertical ou uma decolagem corrida, que é mais segura, pois aproveita o efeito de sustentação de deslocamento e o efeito solo por mais tempo. Voo em Velocidade O voo em velocidade é obtido com a inclinação do cíclico para frente, o que exigirá um aumento da potência, pois uma componente horizontal da sustentação será usada como tração. Aproximação e Pouso Da mesma forma que a decolagem, a aproximação para pouso será mais segura se efetuada com um pequeno deslocamento horizontal ao invés de uma trajetória vertical. Mais adiante veremos o voo em autorrotação, que para ter sucesso deve se iniciar em determinadas condições. O piloto deve procurar manter seu helicóptero sempre dentro dessas condições, pois a falha do motor pode ocorrer a qualquer momento. 11 Estabilidade De uma maneira geral, equilíbrio de um corpo é a condição de permanecer em seu estado de movimento. Um equilíbrio pode ser considerado estável, instável ou indiferente, caso o objeto tenha a tendência de retornar à posição ao ser afastado, aumentar o afastamento ou mantê-lo, quando perturbado por uma força externa. Um cone sobre uma superfície plana, por exemplo, pode ser colocado em qualquer dos trêsequilíbrios. O cone apoiado sobre sua base está em equilíbrio estável. Caso seja afastado de sua posição (até certo limite) tenderá a voltar. Se o cone estiver equilibrado sobre seu vértice (ponta) estará em equilíbrio instável, qualquer perturbação o fará cair, ou seja, afastar-se da posição original. Finalmente, se o cone estiver deitado, estará em equilíbrio indiferente, pois se for afastado da posição não tenderá a se afastar mais nem a retornar. Fig. 68 – Cone em equilíbrio estável, instável e indiferente. Fonte: http://iconbug.com/detail/icon/1971/blue-cone/ No voo de aeronaves, o conceito de equilíbrio é visto como estabilidade. Dizemos que uma aeronave tem estabilidade quando ela tende a manter sua atitude ante a perturbações externas como turbulências, rajadas de vento, etc. Nesse sentido, a estabilidade pode ser de dois tipos: Estabilidade Estática é a tendência da aeronave a retornar para a condição inicial. A estabilidade estática será instável, caso a aeronave tenda a se afastar cada vez mais da situação inicial após a perturbação. A estabilidade estática será indiferente, caso a aeronave tenha tendência a permanecer com o desvio causado pela perturbação. A estabilidade será estável se a aeronave tiver a tendência a retornar para a situação inicial após a perturbação tê-la desviado. Estabilidade Dinâmica está relacionada à maneira pela qual a aeronave tende a retornar à posição inicial quando perturbada na condição de estaticamente estável. Em outras palavras, se a aeronave é estaticamente estável, tenderá a voltar para a posição inicial e, neste caso, a forma como ela realiza esse retorno é chamada de estabilidade dinâmica, que pode ser também instável, indiferente ou estável. o Ao retornar para a posição inicial, a aeronave começa um movimento oscilatório, pois o próprio retorno é considerado com uma perturbação. 12 o A estabilidade dinâmica é instável se o movimento oscilatório aumentar cada vez mais a amplitude, sem conseguir voltar ao equilíbrio e afastando-se cada vez mais deste. o A estabilidade dinâmica é indiferente se o movimento oscilatório tende a permanecer indefinidamente com a mesma amplitude, sem conseguir voltar ao equilíbrio, mas também sem se afastar mais do que um limite. o A estabilidade dinâmica é estável quando o movimento oscilatório se realiza com amplitude cada vez menor até retornar ao equilíbrio. Instável Instável Indiferente Indiferente Interferência Estabilidade Estabilidade Estática Dinâmica Fig. 69 – Estabilidade Estática e Dinâmica Fonte: Elaborada pelo autor. Como temos três eixos referenciais de movimento, teremos também três tipos de estabilidade: Longitudinal, se referindo ao movimento de arfagem; Lateral, se referindo ao movimento de rolagem; Direcional, se referindo ao movimento de guinada. As características de performance e de construção de cada aeronave irão determinar qual o seu comportamento, no entanto, podemos classificar os helicópteros, de uma maneira geral em relação à estabilidade. Estabilidade Longitudinal Estabilidade Lateral Estabilidade Direcional Pairado Estaticamente Estável Dinamicamente Instável Estaticamente Estável Dinamicamente Instável Estaticamente Estável Dinamicamente Instável Deslocamento Estaticamente Estável Dinamicamente Estável Estaticamente Estável Dinamicamente Instável Estaticamente Estável Dinamicamente Estável Estável Estável 13 9 – Limitações e Emergências Sendo uma aeronave de alta complexidade, é importante que a operação dos helicópteros seja realizada respeitando suas limitações para que seja garantida a segurança. Tetos de Operação Considerando-se que o helicóptero é influenciado pelo efeito solo e pelo efeito de sustentação de deslocamento, podemos definir três tetos de operação para essas aeronaves: Fig. 70 – Tetos de operação. Fonte: Elaboração do autor. Velocidades Assim como existem limitações de altitude, existem também limitações de velocidade a serem observadas no voo do helicóptero, dentre elas citamos a VNE (Velocidade Nunca Exceder), que é a velocidade limite estabelecida pelo fabricante, a Velocidade Máxima Horizontal, Velocidade de Máximo Alcance e Velocidade de Máxima autonomia. Teto absoluto é aquele no qual o helicóptero só consegue efetuar voo em translação. O segundo teto operacional é aquele no qual o helicóptero só consegue fazer o voo pairado dentro do efeito solo. O primeiro teto operacional é o limite no qual o helicóptero consegue fazer um voo pairado fora do efeito solo. 14 Vibrações Vibrações são oscilações que ocorrem em um corpo. A própria característica de ter asas rotativas faz com que haja vibrações em diversas frequências na operação de um helicóptero. A frequência de uma vibração é o número de oscilações por período de tempo. Na operação do helicóptero, segundo Rocha (2008), a frequência de rotação do rotor principal é tomada como referência para se classificar as vibrações: Vibrações de baixa frequência são vibrações que se manifestam com uma oscilação a cada volta do rotor (1:1). Normalmente essas oscilações ocorrem no rotor principal ocasionadas por pás fora do plano de rotação que vibram no sentido vertical. Para resolver o problema de oscilações desse tipo, o mecânico deverá fazer o ajuste dos compensadores das pás, de acordo com as orientações do fabricante. Também podem ocorrer vibrações desse tipo por desbalanceamento das pás, o que é resolvido pelo ajuste de peso das mesmas. Vibrações de frequência intermediária ou média são as que ocorrem duas vezes a cada volta do rotor principal, sua frequência é de 1000 a 2000 Hz. Esse tipo de oscilação é normal na transição do voo pairado para o deslocamento ou na redução de velocidade. Mas também podem existir oscilações anormais nessa faixa. Vibrações de alta frequência apresentam-se como zumbidos agudos com frequências acima de 2000 Hz. O piloto deve conhecer bem as vibrações normais do helicóptero que voa para poder identificar o aparecimento de vibrações anormais, as quais devem ser solucionadas, pois vibrações sempre acabam afetando não apenas a fisiologia dos tripulantes como a estrutura da aeronave. Ruídos Assim como as vibrações, o ruído deve ser tratado com seriedade na operação dos helicópteros. É interessante que o ruído, além de afetar os tripulantes e passageiros, também afeta o ambiente externo. Leve-se em consideração que as características de operação dos helicópteros permitem decolagens e pousos em localidades não propriamente destinadas a essas atividades, tal como é um aeroporto. Sendo assim, é necessário que os projetos de helicópteros sejam voltados para a redução do ruído e que a manutenção seja feita de forma a que as características de projeto sejam preservadas. 15 As principais fontes de ruído em um helicóptero são, de acordo com Machado e Reisdorfer (2013), as fontes mecânicas e as fontes aerodinâmicas. As fontes mecânicas envolvem o funcionamento das caixas de transmissão e redução e as vibrações da estrutura. Para amenizar o ruído dessas fontes, usam-se materiais isolantes. As fontes aerodinâmicas se relacionam ao ruído do rotor e o ruído do motor, principalmente quando o helicóptero for propulsionado por motor turbo-eixo. Peso e Balanceamento Em qualquer aeronave, o controle de peso e balanceamento é essencial para a operação com segurança. Não só os limites de peso máximo em cada condição de voo devem ser respeitados, mas também a distribuição do peso nas seções de passageiros e carga, o que vai alterar a posição do centro de gravidade (CG). O CG de uma aeronave pode variar de posição dentro de certos limites estabelecidos pelofabricante. A região permitida para o posicionamento do CG é chamada de passeio do CG. Um desvio do CG além do limite permitido poderá causar sérios efeitos no controle da aeronave e afetar significativamente a operação segura. Enquanto no avião de asa fixa a preocupação principal em relação ao passeio do CG se dá na distribuição longitudinal da carga, pois normalmente esta se aloja na fuselagem, que por sua vez está centrada lateralmente, nos helicópteros a preocupação se dá tanto lateral quanto longitudinalmente. Tanto pilotos quanto mecânicos devem conhecer bem as cartas de peso e balanceamento de sua aeronave para evitar riscos decorrentes de distribuições errôneas de passageiros e carga, além do abastecimento, que também afeta a posição do CG. Autorrotação A autorrotação é uma manobra executada em caso de perda da potência do motor que move o rotor principal com a finalidade de proporcionar a sustentação. Com a perda da potência do motor, o rotor deve ser mantido em rotação com o aproveitamento da energia cinética do giro e da energia potencial gravitacional inerente à altitude na qual ocorreu a pane. Em uma aeronave de asas fixas, quando ocorre a pane de motor, o piloto usa de uma atitude levemente picada, de forma que uma componente da força peso atue como tração, mantendo a aeronave em movimento para frente, o que garante o vento relativo necessário para gerar a sustentação. No helicóptero, a descida provocará um fluxo de ar de baixo para cima que deverá ser aproveitado para garantir o giro das pás, o que por consequência irá manter uma sustentação necessária para que o aparelho não perca altitude em uma razão perigosa, ou seja, que a descida seja feita em uma razão segura. 16 Para que a manobra seja executada com sucesso, é necessário treinamento por parte do piloto que, assim que perceber a pane, utilizará os comandos cíclico e coletivo para aproveitar a energia disponível. Fig. 71 – Autorrotação. Fonte: FAA (2012). A autorrotação é possível devido a um sistema de giro livre que permite que o rotor continue a girar mesmo que o motor esteja parado. Durante a autorrotação, cada pá do rotor principal terá regiões com funções distintas em virtude de sua torção, que proporcionará diferentes ângulos de ataque, e da diferença de velocidade tangencial. Fig.72 – Regiões de autorrotação da pá. Fonte: FAA (20112). Região antiautorrotativa – Localizada no terço mais externo da pá, é uma região na qual o arrasto é maior que a componente da sustentação que tende a manter o giro. É gerada sustentação, mas essa região tende a retardar o giro. Região autorrotativa – Localizada na região central da pá, é uma região na qual a componente horizontal da resultante aerodinâmica produz uma força que tende a aumentar o giro do rotor, sustentando a autorrotação Região de estol – A baixa velocidade e o grande ângulo de ataque faz com que essa região não produza sustentação, apenas arrasto. Voo com Potência Autorrotação Direção do voo Direção do voo Região antiautorrotativa Ponto de equilíbrio Região autorrotativa Região de estol Ponto de equilíbrio Arrasto Arrasto 17 Para que seja possível efetuar uma autorrotação com sucesso, é necessário que o helicóptero tenha um mínimo de energia a ser transformada em sustentação. A energia que o helicóptero dispõe está distribuída em energia potencial gravitacional (sua altura) e energia cinética (sua velocidade). A combinação de ambas descreverá possibilidades de sucesso no caso de pane do motor. Por exemplo, se a aeronave não estiver com muita velocidade, mas tiver altura suficiente para adquiri-la, é possível o sucesso. Da mesma forma, se estiver à baixa altura, mas com velocidade suficiente, é possível se realizar a manobra com sucesso. Assim, para cada aeronave e condições externas, como altitude e densidade do ar, pode-se traçar um gráfico que descreve as situações nas quais a autorrotação poderá ser efetuada com sucesso. Esse gráfico é chamado de “curva do homem morto”. Fig. 73 – Curva do Homem Morto Fonte: Elaborada pelo autor. 600 500 400 300 200 100 50 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Velocidade (KT) Curva do Homem Morto Perfil recomendado de decolagem 18 10 – Manutenção No decorrer do nosso curso, verificamos que o helicóptero é uma aeronave bastante complexa e que exige uma série de cuidados em sua operação. O bom funcionamento de todos os seus sistemas é de fundamental importância para a sua operação segura. A manutenção dos helicópteros deverá ser feita de acordo com as recomendações do fabricante da aeronave e de cada um de seus componentes, tais como motores e trens de pouso. Normalmente, o fabricante determina as revisões ou manutenções preventivas. Manutenção Preventiva – É aquela realizada após um determinado número de horas de voo, de operações ou de um período de tempo. Pode ser simples como a verificação de um determinado parâmetro ou mais complexa, como a substituição de um componente inteiro. É muito importante que a manutenção preventiva seja devidamente realizada visando, principalmente, que não seja necessário se fazer uma manutenção corretiva. Manutenção Corretiva – Esta manutenção é feita motivada por panes relatadas ou informações de mau funcionamento manifestadas pelo operador. Ruídos ou vibrações anormais, comportamentos fora do previsto ou sinais visuais de falha devem ser verificados antes da próxima utilização da aeronave. É importante que o mecânico de aeronaves conheça muito bem todos os procedimentos recomendados e exigidos pelo fabricante, bem como os procedimentos específicos determinados pelas autoridades aeronáuticas e pelo operador, em função do uso particular de sua aeronave, para que a manutenção esteja sempre em dia. 19 Conclusão Nessa segunda parte de nosso estudo procuramos descrever o voo do helicóptero em si, com suas características e efeitos que devem ser conhecidos tanto pelos pilotos quanto pelos técnicos de manutenção. O entendimento de como o helicóptero se comporta é fundamental para que os procedimentos de manutenção, tanto preventiva quanto corretiva, sejam executados de forma segura e eficiente. Vimos que mesmo com todos os cuidados tomados, ainda existe o risco de panes e emergências e para tanto, a tripulação deverá estar muito bem preparada para executar as manobras necessárias. Além da preparação dos pilotos, é importante que os sistemas não afetados pela pane propriamente dita continuem funcionando perfeitamente. Isso só será garantido com um serviço de manutenção adequado. Esperamos que este trabalho tenha contribuído para o seu conhecimento a respeito dos helicópteros e que os conceitos generalizados aqui apresentados facilitem o seu estudo futuro de uma máquina específica. Evidenciamos a importância da preparação, do conhecimento e da constante atualização para que os serviços de manutenção de helicópteros sejam realizados de forma segura garantindo a conservação dos bens materiais envolvidos, a economia das operações, mas principalmente as vidas humanas que operam essas máquinas. Finalizamos desejando sucesso na carreira! Bons voos! “Se voar é sobre-humano, pairar é divino.” Autor desconhecido.