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Virtudes & Defeitos
Quantas vezes o ser humano, na essência de seu ser, se sente defeituoso, fora dos padrões, não conseguindo alcançar as expectativas do que é considerado “aceitável” na sociedade na qual vivemos?
A realidade é que o ser humano é em si defeituoso, e do próprio defeito humano nasce a necessidade de corrigi-los. Todas as legislações, códigos de conduta, ética e moral nascem com o único objetivo de suprimir instintos (defeituosos ou não) humanos.
Extremamente necessários são, devo eu admitir, todos os citados acima. Não é possível viver e conviver em sociedade sem nenhum conjunto de regras ou qualquer coisa que regulamente e guie o convívio humano, explícitas ou não.
O que quero dizer com “explícitas ou não”? Observa-se que, desde os tempos mais primórdios até o mundo contemporâneo, a sociedade se guia instintivamente através de um conjunto de regras muito mais eficaz e poderoso que quaisquer outros: o senso comum.
Porém, nada mais é o senso comum que um defeito humano, pois, como um conjunto de tentativas de corrigir defeitos e falhas alheias através de uma lente própria e subjetiva do julgamento pode não ser também um defeito?
Entretanto, como dito anteriormente, é impossível viver sem o senso comum, sem o padrão do que é “certo” ou “errado”, pois dessa forma nos encontraríamos instaurados em total caos. Então é o senso comum uma virtude humana? Ou um defeito? Ou ambos?
Ambos seria a resposta mais aceitável ao questionamento feito. Defeitos e virtudes são conceitos que, apesar de parecerem o completo oposto um do outro, são separados apenas por uma tênue linha, senão a mesma coisa. Não convencido? Vamos a exemplos:
Quando se fala o termo “egoísmo”, qualquer que seja o interlocutor pensará na palavra como um defeito. Sim, o egoísmo é um defeito, de fato. Porém, é o egoísmo um defeito presente em todos nós, certo que de variadas intensidades, mas sim presente em todo e qualquer humano. Não entrando em profundidade de exemplos, mas olhe em sua volta e perceba toda a comodidade do mundo atual, todas as tecnologias presentes em sua vida e pense: o egoísmo não toma parte em tudo isso? O objetivo de quem desenvolve novas tecnologias é somente ser útil à sociedade? Não, obviamente também existe a busca pela satisfação de interesses próprios, uma das definições de “egoísmo”.
Como citado antes, pode-se estabelecer também uma relação de defeito/virtude na forma em que a sociedade se “corrige” e impõe valores morais à sua vontade. Exemplificando, é notório que, em nosso mundo atual há uma necessidade maior do que nunca de que o próximo seja “perfeito” e não suscetível a erros: um exemplo perfeito disso são as redes sociais. Quantas vezes você já não presenciou o “linchamento virtual” de uma pessoa de acordo com alguma atitude ou pensamento “errôneo” (entre aspas levando-se em conta a subjetividade do termo)? Talvez a capacidade humana de corrigir e guiar o próximo para o que é considerado correto seja uma de nossas maiores virtudes. Mas, e se essa virtude for empregada da maneira acima, não se torna ela um defeito? Tente refletir um pouco sobre esses exemplos, talvez crie alguns, e logo se veja convencido da relação mútua estabelecida entre os dois conceitos. Chega de exemplos...
Entrando em outros tópicos, mas que dialogam bem com o tema discutido, é nítido que, em nossa sociedade, somos regidos por uma moral que estabelece e define o “bem” e o “mal”, o “adequado” e o “inadequado”.
De acordo com a moral a qual somos submissos, pode-se classificar o “bem” como sendo o que conserva a espécie humana como um todo, e o “mal” como o que a destrói. Isso parece bem estabelecido em nossas mentes, não?
Mas, os maus instintos possuem o mesmo valor na manutenção de uma sociedade e no estabelecimento de seu perfeito equilíbrio quanto os bons instintos: são indispensáveis e apenas diferem em suas funções. Isso é inegável.
Estabelecendo uma conexão entre as duas ideias apresentadas no texto: defeitos nada mais são que virtudes que diferem em suas funções de outras virtudes, e absolutamente fundamentais e indispensáveis para a vida humana.
Devemos nos reconhecer como seres defeituosos e valorizar nossos defeitos como se fossem a melhor de nossas virtudes.

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