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Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma 
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL - 
PROCESSO E PROCEDIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
RESUMO DA UNIDADE 
 
Esta unidade analisará os principais aspectos atinentes ao processo e o 
procedimento na seara penal. Especificamente, foram enfocados os aspectos gerais 
do processo e do procedimento partindo de sua necessária distinção, dos 
instrumentos hábeis a romper a inércia da jurisdição e o necessário respeito ao 
devido processo legal enquanto supraprincípio que reclama a necessária 
observância aos procedimentos fixados em lei. No âmago da técnica, percorremos 
as disposições legais e posições doutrinárias atinentes ao procedimento comum 
ordinário, sumário e sumaríssimo e aos procedimentos especiais a fim de 
demonstrar os pontos de aproximação e distanciamento entre os mais diversos 
procedimentos penais. O estudo é salutar para a compreensão lógica dos 
procedimentos nos âmbitos abstrato e prático. 
 
Palavras-chave: processo; penal; procedimento; rito; atos; audiência; instrução; 
julgamento; debates. 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO ............................................................................... 4 
CAPÍTULO 1 – NOTAS INICIAIS SOBRE O PROCESSO E O PRECEDIMENTOS . 5 
1.1 Diferença entre processo e procedimento ......................................................... 5 
1.2 Ne procedat judex ex officio ............................................................................... 6 
1.3 Respeito ao devido processo legal .................................................................... 9 
1.4 Nulidades ......................................................................................................... 11 
1.5 Processo e procedimento: entendimentos do STF .......................................... 18 
CAPÍTULO 2 – PROCEDIMENTO COMUM ............................................................. 25 
2.1 Rito ordinário ................................................................................................... 25 
2.1.1 Citação ...................................................................................................... 27 
2.1.2 Resposta à acusação ................................................................................ 29 
2.1.3 Conflito de Jurisdição ................................................................................ 33 
2.1.4 Restituição Das Coisas Apreendidas ........................................................ 36 
2.1.5 Incidente de Falsidade .............................................................................. 38 
2.1.6 Incidente de Insanidade Mental do Acusado ............................................. 40 
2.1.7 Audiência de Instrução, Debates e Julgamento ........................................ 43 
2.2 Rito sumário ..................................................................................................... 51 
2.3 Rito sumaríssimo ............................................................................................. 53 
CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTO ESPECIAL ......................................................... 57 
3.1 Rito do Júri ....................................................................................................... 57 
3.2 Rito dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos ...................... 63 
3.3 Rito dos crimes contra a honra ........................................................................ 66 
3.4 Rito dos crimes contra a propriedade imaterial ................................................ 68 
3.5 Rito da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) ......................................................... 70 
3.6 Suspensão condicional do processo ............................................................... 73 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 77 
 
4 
 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
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APRESENTAÇÃO DO MÓDULO 
 
O estudo do processo e do procedimento é essencial para a compreensão 
global e adequada das diversas nuances do direito processual penal. 
O direito penal versa sobre o comportamento e a pena, enquanto o processo 
penal visa à efetivação do direito penal, pois entre o crime e a pena há um 
procedimento, isto é, a pena deve ser aplicada por meio de um processo. Assim, o 
processo penal é meio constitucionalmente adequado para a efetivação do direito 
penal. 
Diante da ocorrência de um crime, o Estado, enquanto detentor do 
monopólio do direito de punir, deverá aplicar uma pena previamente prevista na 
legislação penal. Para tanto, deve-se seguir um procedimento que consagre, entre 
outros princípios e garantias, o necessário contraditório, a ampla defesa, a 
publicidade, a imparcialidade. 
Nesse sentido, o processo penal é um conjunto de atos concatenados e 
lógicos que cuidam desde a ocorrência do crime à aplicação da pena. Os princípios 
e garantias são as bases na qual o processo penal se sustenta, tendo como principal 
fonte a Constituição Federal. Os princípios são valores que norteiam a criação, a 
interpretação e a aplicação da norma, enquanto as garantias permitem um processo 
justa, sem arbitrariedades por parte do Estado. 
Dentro desse panorama, a observância dos procedimentos é essencial para 
um processo válido e justo dentro do sistema processual penal acusatório que se 
consagrou no Brasil. 
Nesse norte, a compreensão dos diversos ritos consagrados na legislação 
processual penal pátria é essencial ao estudioso do Direito. 
 
 
5 
 
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CAPÍTULO 1 – NOTAS INICIAIS SOBRE O PROCESSO E O PRECEDIMENTOS 
 
1.1 Diferença entre processo e procedimento 
 
Inicialmente é preciso diferenciar processo de procedimento, sendo o processo 
segundo Tourinho Filho “aquela atividade desenvolvida pelo Juiz com o concurso 
dos demais sujeitos processuais - partes e auxiliares da Justiça - visando a solução 
do litígio” e “conjunto de atos processuais que se sucedem, de forma coordenada, 
com a finalidade de resolver, jurisdicionalmente, o litígio,denomina-se processo”. E 
quanto ao procedimento, ensina ainda que é a “coordenação e ordem dos atos 
processuais” (2010, p. 703). 
 É possível vislumbrar que, no processo penal, o procedimento se divide em 
comum e especial (art. 394 do CPP1). O procedimento comum por sua vez se 
subdivide em ordinário, sumário e sumaríssimo. Quanto aos procedimentos 
especiais, suas regras são colacionadas no Código de Processo Penal, bem como 
pela Legislação Penal Especial e serão objetos de estudo, os crimes de 
competência do júri, os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, os 
crimes contra a honra, os crimes contra a propriedade imaterial e os crimes na lei de 
drogas (Lei 11.343/2006). 
 
 
IMPORTANTE 
Ação direta de inconstitucionalidade. Arts. 39 e 94 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do 
Idoso). (...) Aplicabilidade dos procedimentos previstos na Lei 9.099/1995 aos crimes 
cometidos contra idosos. (...) Art. 94 da Lei 10.741/2003: interpretação conforme à 
CB, com redução de texto, para suprimir a expressão “do Código Penal e”. Aplicação 
apenas do procedimento sumaríssimo previsto na Lei 9.099/1995: benefício do idoso 
com a celeridade processual. Impossibilidade de aplicação de quaisquer medidas 
despenalizadoras e de interpretação benéfica ao autor do crime. [ADI 3.096, rel. min. 
Cármen Lúcia, j. 16-6-2010, P, DJE de 3-9-2010.] 
 
1 Art. 394, CPP. O procedimento será comum ou especial. 
6 
 
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1.2 Ne procedat judex ex officio 
 
Independentemente do procedimento a ser adotado, é certo que o processo 
se inicia com a apresentação de uma petição inicial, hábil a romper a inércia da 
jurisdição, dando início à ação penal. 
THEODORO JR. recomenda que conceituemos a jurisdição não somente 
como um poder, mas sim como uma função estatal, função esta de “declarar e 
realizar, de forma prática, a vontade da lei diante de uma situação jurídica 
controvertida”. 
Diz-se ser tal ofício estatal, instrumental, pois é tão-somente um 
“instrumento de que o próprio direito dispõe para impor-se à obediência dos 
cidadãos”, a fim de executar ou declarar existente ou não a pretensão de alguém 
com legitimidade e interesse em agir que se dispôs a tirar a jurisdição de sua inércia 
natural. 
Em suma, podemos dizer que a jurisdição é a função exclusiva e legítima do 
Estado, quando provocado, de dirimir litígios trocando a vontade das partes pela 
vontade da lei de forma definitiva2. 
Por seu turno, a ação penal é o direito público subjetivo de pleitear ao 
Estado a aplicação do direito penal objetivo, através do exercício da tutela 
jurisdicional. Para tanto, será necessária a provocação da jurisdição por aquele que 
detiver a titularidade da ação penal, uma vez que a jurisdição é inerte, de modo que 
não haverá procedimento de ofício. A afirmativa é expressão do princípio do ne 
procedat judex ex officio. Interessante mencionar que, no caso de inércia do 
Ministério Público, poderá o próprio ofendido propor ação penal privada subsidiária 
da pública a fim de tirar a jurisdição da inércia. 
São exceções ao princípio do ne procedat judex ex officio o habeas corpus, 
uma vez que pode ser concedido de ofício desde que se verifique que alguém está 
sofrendo ou na ameaça de sofrer coação à liberdade de locomoção e a decretação 
de prisão preventiva, no curso da ação penal. 
 
2 THEODORO JR. Pág. 36 a 38. 
 
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Nesse sentido, o início da ação penal, aplicando-se os procedimentos 
aplicáveis à espécie, depende do oferecimento de uma denúncia ou de uma queixa-
crime. 
A denúncia é a petição inicial utilizada, exclusivamente, pelo Ministério 
Público para provocar a jurisdição a fim de se iniciar uma ação penal pública 
condicionada ou incondicionada, enquanto a queixa-crime é a petição inicial utilizada 
pelo ofendido/vítima ou seu representante legal para provocar a jurisdição a fim de 
se iniciar uma ação penal privada. 
 
 
IMPORTANTE 
O sistema processual penal acusatório, mormente na fase pré-processual, 
reclama deva ser o juiz apenas um “magistrado de garantias”, mercê da inércia 
que se exige do Judiciário enquanto ainda não formada a opinio delicti do 
Ministério Público. (...) 
mesmo nos inquéritos relativos a autoridades com foro por prerrogativa de 
função, é do Ministério Público o mister de conduzir o procedimento 
preliminar, de modo a formar adequadamente o seu convencimento a respeito 
da autoria e materialidade do delito, atuando o Judiciário apenas quando 
provocado e limitando-se a coibir ilegalidades manifestas. In casu: inquérito 
destinado a apurar a conduta de parlamentar, supostamente delituosa, foi 
arquivado de ofício pelo i. relator, sem prévia audiência do Ministério Público; 
não se afigura atípica, em tese, a conduta de deputado federal que nomeia 
funcionário para cargo em comissão de natureza absolutamente distinta das 
funções efetivamente exercidas, havendo juízo de possibilidade da 
configuração do crime de peculato-desvio (art. 312, caput, do CP). [Inq 2.913 
AgR, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, j. 1º-3-2012, P, DJE de 21-6-2012.] 
 
 
 
 
 
 
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IMPORTANTE 
Direito a mover ação penal privada subsidiária da pública. Art. 5º, LIX, da CF. 
Direito da vítima e sua família à aplicação da lei penal, inclusive tomando as 
rédeas da ação criminal, se o Ministério Público não agir em tempo. Relevância 
jurídica. Repercussão geral reconhecida. Inquérito policial relatado remetido 
ao Ministério Público. Ausência de movimentação externa ao Parquet por 
prazo superior ao legal (art. 46 do CPP). Surgimento do direito potestativo a 
propor ação penal privada. Questão constitucional resolvida no sentido de 
que: (i) o ajuizamento da ação penal privada pode ocorrer após o decurso do 
prazo legal, sem que seja oferecida denúncia, ou promovido o arquivamento, 
ou requisitadas diligências externas ao Ministério Público. Diligências internas 
à instituição são irrelevantes; (ii) a conduta do Ministério Público posterior ao 
surgimento do direito de queixa não prejudica sua propositura. Assim, o 
oferecimento de denúncia, a promoção do arquivamento ou a requisição de 
diligências externas ao Ministério Público, posterior ao decurso do prazo legal 
para a propositura da ação penal, não afastam o direito de queixa. Nem mesmo 
a ciência da vítima ou da família quanto a tais diligências afasta esse direito, 
por não representar concordância com a falta de iniciativa da ação penal 
pública. [ARE 859.251 RG, rel. min. Gilmar Mendes, j. 16-4-2015, P, DJE de 21-5-
2015, repercussão geral, Tema 811.] 
 
 
 
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1.3 Respeito ao devido processo legal 
 
Nesse elastério, a denúncia e a queixa-crime são instrumentos essenciais ao 
jus persequendi, isto é, ao direito de perseguir em juízo a aplicação da lei penal, por 
meio do processo. O jus persequendi se dá, basicamente, em três etapas: o 
inquérito policial; a ação penal em primeira, segunda e instâncias superiores e a 
execução penal. Nossos estudos se voltam à segunda etapa do jus persequendi, 
mais especificamente aos procedimentos que compõem o processo penal. 
É certo que o processo penal, enquanto expressão do jus puniendi, deve 
obediência ao devido processo legal, eis que uma decisão válida deve ser 
construída em respeito aos seus procedimentos, é importante ressaltar que em toda 
a persecução penal deve estar presente o respeito ao devido processo legal, porque 
toda dinâmica processual deve estar em consonância a ele para falarmos em um 
processo válido e justo. 
Pois este, segundo NEVES, é o princípio base, norteador de todos os 
demais princípios a serem observados no processo judicial, trazendo conceito 
indeterminado de forma que tão-somente a previsão do devido processo legal pelo 
legislador, seria capaz de suprir a previsão dos demais princípios processuais 
(perigosamente, entretanto), visto que a partir dele seria capaz o juiz prever, no caso 
concreto, os outros princípios dele derivados3. 
No mesmo sentido, THEODORO JR. afirma que o due process of law traz, 
hodiernamente, a garantia a um processo justo, funcionando, dentre outras coisas, 
como um superprincípio, no qual se busca a razoabilidade e formas que 
proporcionem a celeridade de sua tramitação. 
Como, abaixo, assinala: 
Nesse âmbito de comprometimento com o “justo”, com a 
“correção”, com a “efetividade” e a “presteza” da prestação 
jurisdicional, o due process of law realiza, entre outras, a 
função de superprincípio, coordenando e delimitando todos os 
demais princípios que informam tanto o processo como o 
procedimento. Inspira e torna realizável a proporcionalidade e 
 
3 NEVES. Pág. 62 e 63. 
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razoabilidade que deve prevalecer na vigência e harmonização 
de todos os princípios do direito processual de nosso tempo4. 
 
Vale-se, aqui, dizer que o devido processo legal traz consigo dois aspectos: 
um substancial, no qual a decisão oriunda do provimento jurisdicional deve fazer 
prevalecer, sempre, a supremacia das normas, dos princípios e dos valores 
constitucionais. E outro procedimental em que se impõe fiel respeito ao contraditório 
e à ampla defesa, decorrência do princípio constitucional da igualdade5. 
Desse modo, é importante se falar em substantive due process – devido 
processo legal em sentido material – pois não basta à prestação judicial a mera 
regularidade formal – respeito ao procedimento fixado em lei -, é-se necessário que 
esta seja substancialmente razoável e correta. Daqui, então, emergem os princípios 
da proporcionalidade e da razoabilidade, nos quais se ponderam os interesses em 
jogo, visando à justiça do caso concreto. 
Como afirma CÂMARA: 
O devido processo legal substancial deve ser entendido como 
uma garantia do trinômio ‘vida-liberdade-propriedade’. Através 
da qual se assegura que a sociedade só seja submetida a leis 
razoáveis, as quais devem atender aos anseios da sociedade, 
demonstrando assim sua finalidade social. Tal garantia 
substancial do devido processo legal pode ser considerada 
como o próprio princípio da razoabilidade das leis6. 
 
Mas, outrossim, não se pode afastar, jamais, o seu sentido formal, que nada 
mais é que o direito de processar e de ser processado, de acordo com as normas 
processuais e princípios, devendo aquelas serem produzidas de forma válida, 
respeitando, também, um devido processo legal em âmbito legislativo. 
 
 
 
4 THEODORO. Pág. 24. 
5 THEODORO. Pág. 25. 
6 CÂMARA. Pág. 35 
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1.4 Nulidades 
O não respeito ao procedimento estabelecido em lei para determinada 
persecução penal pode acarretar na nulidade do ato, contaminando, inclusive, os 
atos dele derivado. 
O artigo 563 do Código de Processo Penal, entretanto, afirma que 
 Nesse sentido, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, 
não deverá ser declarada sua nulidade por mera irregularidade formal. Essa é 
expresso do princípio da instrumentalidade das formas. 
 
IMPORTANTE 
PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. 
ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 563 E 593, III, A, DO CPP. INDEFERIMENTO 
DO PEDIDO DE TRANSMISSÃO DO CONTEÚDO DA MÍDIA DA AUDIÊNCIA DE 
CUSTÓDIA EM SESSÃO PLENÁRIA. DECISÃO MOTIVADA. NULIDADE NÃO 
CONFIGURADA. RESOLUÇÃO N. 213/CNJ. DESCABIMENTO DA ANÁLISE DE 
ATO NORMATIVO QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE LEI 
FEDERAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFETIVO PREJUÍZO. 
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 
7/STJ. 1. Consoante orientação desta Corte Superior de Justiça, não 
caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de requerimento de 
produção de provas, quando o magistrado o faz, fundamentadamente, por 
considerá-las infundadas, desnecessárias ou protelatórias, como na 
hipótese em tela, em que ficou reconhecida a prescindibilidade, naquele 
momento processual, da reprodução da mídia contendo o interrogatório do 
recorrente realizado por ocasião da audiência de custódia, tal como 
solicitada pela defesa, motivação legítima, fundamentada na Resolução n. 
213 do Conselho Nacional de Justiça. 2. Não cabe a esta Corte Superior 
avaliar se foi ou não equivocada a adoção da citada resolução pelas 
instâncias ordinárias, porquanto inviável em sede de recurso especial a 
interpretação ou exame de ato normativo que não se enquadra no conceito 
de lei federal. Precedentes. 3. O reconhecimento de nulidades, no processo 
penal, com a consequente anulação do ato processual, reclama uma efetiva 
12 
 
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demonstração do prejuízo à parte, sem a qual prevalecerá o princípio da 
instrumentalidade das formas positivado pelo art. 563 do Código de 
Processo Penal. 4. Na hipótese dos autos, o recorrente não demonstrou, 
concretamente, a imprescindibilidade da prova requerida, tendo suscitado 
genericamente a questão. Assim, inviável o reconhecimento de qualquer 
nulidade processual, em atenção ao princípio do pas de nullité sans grief. 5. 
Para se determinar se a atitude da Juíza Presidente do Tribunal do Júri 
causou prejuízo concreto ao réu, seria necessário profunda análise dos 
elementos fáticos constantes dos autos, o que é vedado, em recurso 
especial, pelo disposto na Súmula 7/STJ. 6. Recurso especial improvido. 
(STJ - REsp: 1717508 MT 2018/0001712-3,Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS 
JÚNIOR, Data de Julgamento: 26/02/2019, T6 - SEXTA TURMA, Data de 
Publicação: DJe 14/03/2019) 
 
 
Nesse sentido, a falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação 
estará sanada, desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se, 
embora declare que o faz para o único fim de argui-la. O juiz ordenará, todavia, a 
suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a irregularidade poderá 
prejudicar direito da parte (art. 570, CPP). 
No âmbito do processo penal, o artigo 564 traz interessante rol 
exemplificativo segundo o qual a nulidade ocorrerá: 
- Por incompetência, suspeição ou suborno do juiz. Ao tratarmos do procedimento 
comum ordinário, destinaremos algumas linhas para tratar do procedimento das 
exceções de incompetência e de suspeição. 
- Por ilegitimidade de parte. 
- Por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. 
- Por falta das fórmulas ou dos termos seguintes: 
a) a denúncia ou a queixa e a representação e, nos processos de contravenções 
penais, a portaria ou o auto de prisão em flagrante; 
b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o 
disposto no Art. 167; 
13 
 
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c) a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver, ou ao ausente, e de 
curador ao menor de 21 anos; 
d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada 
e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de ação pública; 
e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando presente, e 
os prazos concedidos à acusação e à defesa; 
f) a sentença de pronúncia, o libelo e a entrega da respectiva cópia, com o rol de 
testemunhas, nos processos perante o Tribunal do Júri; 
g) a intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri, quando a 
lei não permitir o julgamento à revelia; 
h) a intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos termos 
estabelecidos pela lei; 
i) a presença pelo menos de 15 jurados para a constituição do júri; 
j) o sorteio dos jurados do conselho de sentença em número legal e sua 
incomunicabilidade; 
k) os quesitos e as respectivas respostas; 
l) a acusação e a defesa, na sessão de julgamento; 
m) a sentença; 
n) o recurso de oficio, nos casos em que a lei o tenha estabelecido; 
o) a intimação, nas condições estabelecidas pela lei, para ciência de sentenças e 
despachos de que caiba recurso; 
p) no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o quorum legal para o 
julgamento; 
Demais a mais, ocorrerá ainda a nulidade, por deficiência dos quesitos ou 
das suas respostas, e contradição entre estas. 
Cumpre mencionar, nos termos do art. 572 do Código de Processo Penal, 
que a ausência de intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por 
ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de 
ação pública, a falta de intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal 
do Júri, quando a lei não permitir o julgamento à revelia e a falta de intimação das 
testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos termos estabelecidos pela 
lei considerar-se-ão sanadas: (a) se não forem arguidas, em tempo oportuno; (b) se, 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
praticado por outra forma, o ato tiver atingido o seu fim e (c) se a parte, ainda que 
tacitamente, tiver aceito os seus efeitos. 
Quanto ao momento de arguição da nulidade, exemplificativamente, temos 
que as nulidades: 
a) Da instrução criminal dos processos da competência do júri, nos prazos a que 
se refere o art. 406, CPP7. 
b) Ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois de anunciado o julgamento 
e apregoadas as partes (art. 447, CPP8); 
c) Verificadas após a decisão da primeira instância, nas razões de recurso ou 
logo depois de anunciado o julgamento do recurso e apregoadas as partes; 
d) Do julgamento em plenário, em audiência ou em sessão do tribunal, logo 
depois de ocorrerem. 
Note-se, entretanto, que pelo princípio do venire contra factum proprium9 e 
do nemo auditur propriam turpitudinem allegans10, nenhuma das partes poderá 
arguir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a 
formalidade cuja observância só à parte contrária interesse (art. 565, CPP). Além 
disso, não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na 
apuração da verdade substancial ou na decisão da causa (art. 566, CPP). 
Sobre o nemo auditur propriam turpitudinem allegans, interessante trazer à 
luz deste ensaio a jurisprudência abaixo, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, 
que embora trate de direito processual civil, é pertinente ao entendimento do tema: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. 
NULIDADE DE CITAÇÃO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. 
NULIDADE DE BOLSO. NEMO AUDITUR PROPRIAM 
TURPITUDINEM ALLEGANS. DECISÃO MANTIDA. 1. Trata-se 
de Agravo de Instrumento contra decisão a qual rejeitou a 
declaração de nulidade do ato citatório, sob o argumento de 
que o causídico constituído não possuía poderes para receber 
 
7 Art. 460, CPP. Antes de constituído o Conselho de Sentença, as testemunhas serão recolhidas a 
lugar onde umas não possam ouvir os depoimentos das outras. 
8 Art. 447, CPP. O Tribunal do Júri é composto por 1 (um) juiz togado, seu presidente e por 25 (vinte 
e cinco) jurados que serão sorteados dentre os alistados, 7 (sete) dos quais constituirão o Conselho 
de Sentença em cada sessão de julgamento. 
9 Vedação do comportamento contraditório 
10 Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza 
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a citação em nome da devedora. 2. Na espécie, cabível a 
aplicação da máxima latina nemo auditur propriam 
turpitudinem allegans, ou seja, ninguém pode se beneficiar 
da própria torpeza, uma vez que evidenciada tentativa de 
declaração de nulidade de algibeira, em clara oposição aos 
Princípios Colaborativos e de Boa-Fé que norteiam o Processo 
Civil atual. 3. Guardar a nulidade no bolso e querer 
apresentá-la tão somente em momento que lhe convém é 
comportamento altamente rechaçado pela Doutrina e 
Jurisprudência pátrias e atenta contra os Princípios Gerais 
do Direito. 4. Agravo de Instrumento conhecido, mas 
desprovido. (TJ-DF 07006377420188079000 DF 0700637-
74.2018.8.07.9000, Relator: EUSTÁQUIO DE CASTRO, Data 
de Julgamento: 22/08/2018, 8ª Turma Cível, Data de 
Publicação: Publicado no DJE:27/08/2018 . Pág.: Sem Página 
Cadastrada.) 
Quanto ao venire contra factum proprium, vejamos: 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 155, CAPUT, 
DO CÓDIGO PENAL. (1) IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE 
RECURSO ESPECIAL. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. (2) 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE 
PROPOSTA. JUSTIFICATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM 
ALEGAÇÕES FINAIS. CONDUTA SOCIAL E 
CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME.JUÍZO NÃO DISCORDOU. 
MANTEVE-SE SILENTE. DEFESA EM ALEGAÇÕES FINAIS 
NÃO SE OPÔS. APÓS A SENTENÇA NÃO MANEJOU 
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EXPECTATIVA DE 
CONDUTA CONTRÁRIA À JÁ ASSUMIDA. BOA-FÉ OBJETIVA. 
VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. NULIDADE. NÃO 
RECONHECIMENTO. (3) PENA-BASE. ACRÉSCIMO. (A) 
CIRCUNSTÂNCIAS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. 
INCREMENTO JUSTIFICADO. (B) ANTECEDENTES. FEITOS 
EM CURSO. SÚMULA 444 DO STJ. ILEGALIDADE. 
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RECONHECIMENTO. (4) WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM 
CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. É imperiosa a necessidade de 
racionalização do emprego do habeas corpus, em prestígio ao 
âmbito de cognição da garantia constitucional, e, em louvor à 
lógica do sistema recursal. In casu, foi impetrada indevidamente 
a ordem como substitutiva de recurso especial. 2. Não há 
manifesta ilegalidade a ser reconhecida. A relação processual é 
pautada pelo princípio da boa-fé objetiva, da qual deriva o 
subprincípio da vedação do venire contra factum proprium 
(proibição de comportamentos contraditórios). Na espécie, 
depreende-se que, em sede de apelação, a defesa pleiteou a 
nulidade, tendo em vista a ausência de proposta pelo Parquet de 
suspensão condicional do processo, aduzindo que o Juízo de 
primeiro grau não se manifestou. Todavia, verifica-se que o 
Ministério Público, em alegações finais, asseverou que não 
ofertaria o sursis processual, em razão da conduta social do 
paciente e das circunstâncias do crime. A Defesa, na mesma 
ocasião, não se opôs. Proferida a sentença, a Defesa não 
manejou embargos declaratórios. Ademais, é de ver que a pena 
do paciente é superior a 1 (um) ano de reclusão, bem como é 
idônea a justificativa apresentada pelo Parquet para não propor 
a suspensão condicional do processo. 3. A dosimetria é uma 
operação lógica, formalmente estruturada, de acordo com o 
princípio da individualização da pena. Tal procedimento envolve 
profundo exame das condicionantes fáticas, sendo, em regra, 
vedado revê-lo em sede de habeas corpus (STF: HC 97677/PR, 
1.ª Turma, rel. Min. Cármen Lúcia, 29.9.2009 - Informativo 561, 7 
de outubro de 2009. Na espécie, constitui fundamentação 
adequada para o acréscimo da pena-base, em 1/6 (um sexto), 
considerar como negativas as circunstâncias e consequências 
do crime (praticado contra uma irmã, com consequências graves 
para o patrimônio dela, o que autoriza a fixação da pena pouco 
acima do mínimo legal). Todavia, notabiliza-se que não há como 
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persistir o acréscimo com relação ao antecedentes, uma vez que 
feitos em cursos não podem ser utilizados para elevar a pena-
base (Súmula 444 do STJ), sendo imprescindível o decote do 
incremento sancionatório. 4. Habeas corpus não conhecido. 
Ordem concedida, de ofício, a fim de reduzir a pena do paciente 
para 1 (um) ano, 1 (mês) e 15 (quinze) dias de reclusão, mais 11 
(onze) dias-multa, mantidos os demais termos do acórdão. (STJ 
- HC: 223432 RJ 2011/0259891-2, Relator: Ministra MARIA 
THEREZA DE ASSIS MOURA, Data de Julgamento: 29/08/2013, 
T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/09/2013) 
No que tange a incompetência, reza o artigo 567 do Código de Processo 
Penal que a incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o 
processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. 
Enquanto a nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser a todo 
tempo sanada, mediante ratificação dos atos processuais (Art. 568, CPP). 
No mesmo sentido, as omissões da denúncia ou da queixa, da 
representação, ou, nos processos das contravenções penais, da portaria ou do auto 
de prisão em flagrante, poderão ser supridas a todo o tempo, antes da sentença final 
(art. 569, CPP). 
De mais a mais, a exegese do art. 573 do Código Processo Penal 
recomenda que os atos, cuja nulidade não tiver sido sanada serão renovados ou 
retificados. Mas, conforme dito alhures, a nulidade de um ato, uma vez declarada, 
causará a dos atos que dele diretamente dependam ou sejam consequência, 
devendo o juiz que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende. 
 
 
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1.5 Processo e procedimento: entendimentos do STF 
 
Percorridas temáticas como a necessária distinção entre processo e 
procedimento e o imprescindível respeito aos procedimentos legais, importa - a nós 
– adentrarmos, a título de elucidação prática, em alguns entendimentos do Supremo 
Tribunal Federal sedimentados em súmulas. 
Nesse sentido, a súmula vinculante 11 prescreve que somente será lícito o 
uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à 
integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a 
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal 
do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se 
refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. 
Note-se da simples exegese do enunciado a necessidade de justificativa por 
escrito pelo magistrado para o uso de algema em réu preso, conforme ponderado 
pelo Ministro Luiz Fux: 
No caso em comento, o enunciado da Súmula Vinculante 11 
assentou o entendimento de que a utilização de algemas se 
revela medida excepcional, notadamente quando envolver 
processos perante o Tribunal do Júri em que jurados poderiam 
ser influenciados pelo fato de o acusado ter permanecido 
algemado no transcurso do julgamento. Com efeito, a utilização 
das algemas somente se legitima em três situações, a saber: (i) 
quando há fundado receio de fuga, (ii) quando há resistência à 
prisão ou (iii) quando há risco à integridade física do próprio 
acusado ou de terceiros (e.g., magistrados ou autoridades 
policiais). Mais que isso, é dever do agente apresentar, 
posteriormente, por escrito, as razões que o levaram a 
proceder à utilização das algemas. Do contrário, haverá a 
responsabilização tanto do agente que efetuou a prisão 
(criminal, cível e disciplinar) quanto do Estado, bem como a 
decretação de nulidade da prisão e/ou dos atos processuais 
referentes à constrição ilegal da liberdade ambulatorial do 
indivíduo. Ocorre que, in casu, a autoridade reclamada (Juízo 
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da 2ª Vara Criminal da Comarca de Americana/SP) apresentou 
extensa fundamentação ao indeferir o pedido de relaxamento 
da prisão. Daí por que se mostra infundada a pretensão dos 
reclamantes. [Rcl 12.511 MC, rel. min. Luiz Fux, dec. 
monocrática, j. 16-10-2012, DJE 204 de 18-10-2012.] 
De maisa mais, cumpre asseverar, conforme vimos ao tratarmos de 
nulidades, que, sendo relativa, faz-se necessária a comprovação de efetivo prejuízo 
à defesa em razão do uso injustificado de algema. Veja-se: 
(...) é de registrar-se, tal como assinalado pelo Ministério 
Público Federal em seu douto parecer, que o uso injustificado 
de algemas em audiência, ainda que impugnado em momento 
procedimentalmente adequado, traduziria causa de nulidade 
meramente relativa, de modo que o seu eventual 
reconhecimento exigiria a demonstração inequívoca, pelo 
interessado, de efetivo prejuízo à defesa — o que não se 
evidenciou no caso —, pois não se declaram nulidades 
processuais por mera presunção, consoante tem proclamado a 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (...). O 
entendimento ora referido reafirma a doutrina segundo a qual a 
disciplina normativa das nulidades no sistema jurídico brasileiro 
rege-se pelo princípio de que “Nenhum ato será declarado 
nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou 
para a defesa” (CPP, art. 563 (...)). Esse postulado básico — 
pas de nullité sans grief — tem por finalidade rejeitar o excesso 
de formalismo, desde que a eventual preterição de 
determinada providência legal não tenha causado prejuízo para 
qualquer das partes (...). [Rcl 16.292 AgR, rel. min. Celso de 
Mello, 2ª T, j. 15-3-2016, DJE 80 de 26-4-2016.]. 
Outro súmula vinculante, cuja observância interessa ao objeto deste ensaio 
é a de súmula vinculante 14 ao rezar que é direito do defensor, no interesse do 
representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em 
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia 
judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. 
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A referida súmula foi aprovada em 02 de fevereiro de 2009 e teve como 
referências legislativas os artigos 1º, III; e art. 5º, XXXIII, LIV e LV, CF/1988; 9º e 10, 
CPP/1941; 6º, parágrafo único; e 7º, XIII e XIV, Lei 8.906/1994. 
Importa-nos trazer à baila o voto do Ministro Cezar Peluso, no Habeas 
Corpus 88.190, cujo brilhantismo serviu de precedente representativo para sua 
edição. Vejamos: 
Há, é verdade, diligências que devem ser sigilosas, sob risco 
de comprometimento do seu bom sucesso. Mas, se o sigilo é aí 
necessário à apuração e à atividade instrutória, a formalização 
documental de seu resultado já não pode ser subtraída ao 
indiciado nem ao defensor, porque, é óbvio, cessou a causa 
mesma do sigilo. (...) Os atos de instrução, enquanto 
documentação dos elementos retóricos colhidos na 
investigação, esses devem estar acessíveis ao indiciado e ao 
defensor, à luz da Constituição da República, que garante à 
classe dos acusados, na qual não deixam de situar-se o 
indiciado e o investigado mesmo, o direito de defesa. O sigilo 
aqui, atingindo a defesa, frustra-lhe, por conseguinte, o 
exercício. (...) 5. Por outro lado, o instrumento disponível para 
assegurar a intimidade dos investigados (...) não figura título 
jurídico para limitar a defesa nem a publicidade, enquanto 
direitos do acusado. E invocar a intimidade dos demais 
investigados, para impedir o acesso aos autos, importa 
restrição ao direito de cada um dos envolvidos, pela razão 
manifesta de que os impede a todos de conhecer o que, 
documentalmente, lhes seja contrário. Por isso, a autoridade 
que investiga deve, mediante expedientes adequados, 
aparelhar-se para permitir que a defesa de cada paciente tenha 
acesso, pelo menos, ao que diga respeito a seu constituinte. 
[HC 88.190, voto do rel. min. Cezar Peluso, 2ª T, j. 29-8-2006, 
DJ de 6-10-2006.] 
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Alheio à vinculação em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à 
administração pública, importa-nos, igualmente, trazer à luz outros entendimentos 
sumulados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme passaremos a listar. 
• Conforme estudado, o desrespeito procedimental pode ensejar na nulidade 
do procedimento, nesse sentido o STF tem entendido que: 
Súmula 155 - É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da 
expedição de precatória para inquirição de testemunha. 
Súmula 156 - É absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito 
obrigatório 
Súmula 160 - É nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não 
arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício. 
Súmula 162 - É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, quando os quesitos da 
defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes. 
Súmula 206 - É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que 
funcionou em julgamento anterior do mesmo processo. 
Súmula 351 - É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da 
Federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. 
Súmula 352 - Não é nulo o processo penal por falta de nomeação de curador ao réu 
menor que teve a assistência de defensor dativo. 
Súmula 361 - No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito, 
considerando-se impedido o que tiver funcionado, anteriormente, na diligência de 
apreensão. 
Súmula 366 - Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, 
embora não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se 
baseia. 
Súmula 431 - É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem 
prévia intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus 
Súmula 523 - No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas 
a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. 
Súmula 706 - É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência 
penal por prevenção. 
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Súmula 707 - Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer 
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a 
nomeação de defensor dativo. 
Súmula 708 - É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos 
da renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir 
outro. 
Súmula 712 - É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da 
competência do júri sem audiência da defesa. 
• O princípio do impulso oficial prescreve que, uma vez iniciado o 
procedimento, a relação processual desenvolver-se-á por impulso oficial, 
seguindo a ordem procedimental. Nesse sentido, as partes devem observar 
os prazos prescritos em lei. Sobre os prazos, o Supremo Tribunal Federal 
sedimentou entendimento que: 
 
� Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com 
efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na 
segunda-feira imediata, salvo se não houver expediente, caso em que 
começará no primeiro dia útil que se seguir (súmula 310). 
� O prazo do recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, em 
habeascorpus ou mandado de segurança, é de cinco dias (súmula 
319). 
� O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr 
imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público 
(súmula 448). 
� Não exige a lei que, para requerer o exame a que se refere o art. 777 
do Código de Processo Penal, tenha o sentenciado cumprido mais de 
metade do prazo da medida de segurança imposta (súmula 520). 
� É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do 
juiz da execução penal (súmula 700). 
� No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não 
da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem 
(súmula 710). 
 
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• Veremos, em momento oportuno, ao tratarmos da fase de decisão no rito 
comum ordinário, que encerrada a instrução probatória, se entender cabível 
nova definição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos 
de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o 
Ministério Público deverá aditar a denúncia ou a queixa. Todavia, adianta-se 
que a súmula 453 adverte que não se aplica à segunda instância o referido 
instituto da mutatio libelli disposto no art. 384 Código de Processo Penal. 
 
• No que diz respeito à fixação da competência, cumpre a observância das 
súmulas: 
 
� Súmula 603 - A competência para o processo e julgamento de 
latrocínio é do Juiz singular e não do Tribunal do Júri. 
� Súmula 611 - Transitada em julgado a sentença condenatória, 
compete ao Juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. 
� Súmula 704 - Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e 
do devido processo legal a atração por continência ou conexão do 
processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos 
denunciados. 
A suspensão condicional do processo, a ser melhor estudada mais adiante, 
está prevista no artigo 89 da Lei 9.099/95, de sorte que nos crimes em que a pena 
mínima cominada for igual ou inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a 
denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde 
que o acusado cumpra determinados requisitos. Nesse elastério, segundo o STF, 
reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, 
mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a 
questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de 
Processo Penal11 (súmula 696), para que este proponha a suspensão condicional 
 
11 Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito 
policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, 
fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará 
outro órgão do Ministério Público para oferece-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então 
estará o juiz obrigado a atender. 
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do processo, designe outro órgão do Ministério Público para propô-la, ou insista na 
não propositura. 
Feitas as devidas considerações, passaremos no próximo capítulo ao estudo 
procedimento comum, disposto no Código de Processo Penal. 
 
 
SAIBA MAIS: 
A TRAJETÓRIA DO DIREITO PENAL: MODERNIDADE; GARANTISMO E 
CONSTITUIÇÃO 
Acesse: CONPEDI 
 
 
 
INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 
 
OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 11ª ed. Rio de Janeiro: 
2009. 
 
PEREIRA E SILVA, Igor Luis. Princípios Penais. 1ª Ed. Editora Juspodivm, 2012. 
 
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 21ª Ed. São Paulo: Atlas, 2013. 
 
REIS, Alexandre Cebrian Araújo; GONÇALVES, Victor Eduardo Rios. Direito 
Processual Penal Esquematizado. 3ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual 
Penal. 8ª Ed. Editora Juspodivm, 2013. 
 
TOURINHO FILHO. Fernando da Costa. Manual de Processo Penal. 13ª Ed. São 
Paulo: Saraiva, 2010. 
 
TUCCI, Rogério Lauria. Do Corpo de Delito no Direito Processual Penal Brasileiro. 
São Paulo: Saraiva, 1978. 
25 
 
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CAPÍTULO 2 – PROCEDIMENTO COMUM 
 
Conforme dito alhures, o procedimento comum se subdivide em ordinário, 
sumário e sumaríssimo. O artigo 394, §1º do Código de Processo Penal bem dispõe 
que o procedimento será: (a) ordinário quando tiver por objeto crime cuja sanção 
máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de 
liberdade; (b) sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada 
seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade e (c) sumaríssimo, para 
as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei. 
 
 
2.1 Rito ordinário 
 
O processamento do rito ordinário está estabelecido nos artigos 394 a 405 
do Código de Processo Penal e está direcionado às infrações penais cuja pena 
máxima prevista seja igual ou superior a 4 anos de pena privativa de liberdade. 
O rito ordinário possui as seguintes fases: 
 
 
 
Oferecimento 
da denúncia ou 
queixa-crime
Recebimento Citação 
Audiência de 
instrução e 
julgamento
Despacho do 
juiz 
Resposta à 
acusação 
Alegações finais Sentença
26 
 
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ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
Em suma, havendo o oferecimento da denúncia ou a queixa, o juiz poderá 
recebe-la ou rejeita-la. Havendo o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, 
deverá haver a citação do réu para apresentação de sua resposta à acusação. 
Apresentada a defesa, o juiz deverá despachar reconhecendo a hipótese de 
absolvição sumária ou afastando-a, ocasião em que designará audiência de 
instrução, interrogatório e julgamento, em 60 dias, cuja dinâmica contempla a oitiva 
da vítima, oitiva das testemunhas de acusação e das testemunhas de defesa (8 
testemunhas para cada um12), esclarecimentos do peritos, reconhecimento e 
acareações e interrogatório do réu. Finalizada a instrução, não havendo o 
requerimento de diligências, deverá as partes apresentar suas alegações finais orais 
ou seus memoriais para, por fim, o magistrado proferir a competente sentença, 
encerrando, em regra, o primeiro grau de jurisdição. Vejamos com mais afinco a 
dinâmica processual. 
Note que com o oferecimento da denúncia ou queixa-crime, o juiz poderá 
rejeitar a exordial acusatória liminarmente se verificar a ocorrência das hipóteses 
constantes no rol do artigo 395 do CPP, in verbis: 
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
I - for manifestamenteinepta; 
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício 
da ação penal; 
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. 
 
Não sendo o caso de rejeição liminar, a inicial será recebida, o juiz ordenará 
a citação do acusado para responder aos termos da acusação. 
 
 
 
 
 
 
12 Art. 401, CPP. Na instrução poderão ser inquiridas até 8 (oito) testemunhas arroladas pela 
acusação e 8 (oito) pela defesa. §1º Nesse número não se compreendem as que não prestem 
compromisso e as referidas. §2º A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas 
arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 deste Código. 
27 
 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
 
 
IMPORTANTE 
Aplicam-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposição 
legal em contrário, bem como se aplicam subsidiariamente aos 
procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições do 
procedimento ordinário 
 
 
2.1.1 Citação 
No processo penal, a citação é o ato essencial para a validade do processo, 
conforme expressamente dispõe o artigo 363 do Código de Processo Penal e é o 
momento em que o réu é cientificado acerca da existência da ação penal, para que 
possa vir a juízo para se ver processar e realizar a sua defesa. A finalidade da 
citação é dar ciência do inteiro teor da imputação e para o chamamento do acusado 
para que possa exercer o seu direito de defesa. 
A citação pode ser real (pessoal) quando feita diretamente ao acusado, por 
mandado: através de oficial de justiça, quando o réu encontra-se em local certo e 
sabido dentro da jurisdição do juízo processante (art. 351 CPP); por carta 
precatória: quando está em local conhecido, mas fora da jurisdição do juízo 
processante (art. 353 CPP); por carta rogatória: o réu está no exterior em local 
conhecido (art. 368 CPP), e o prazo prescricional ficará suspenso até o 
cumprimento. 
Já a citação ficta será feita por edital: quando o acusado foi procurado mas 
não foi encontrado, encontrando-se em local incerto e não sabido. 
Existe também no ordenamento processual pátrio a citação por hora certa, 
e ocorre o oficial de justiça verifica que o réu está se ocultando para não ser citado 
(art. 362 CPP). 
O artigo 366 do CPP determina que se o réu for citado por edital e não 
comparecer e não constituir defensor, os prazos do curso do processo e da 
prescrição ficarão suspensos. E nesse sentido a súmula 415 do STJ define o prazo 
que deve durar a suspensão em referência: “O período de suspensão do prazo 
prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada". Ao determinar a 
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suspensão, o juiz pode verificar se é caso da decretação da prisão preventiva do 
acusado, ou se existe a necessidade de produção antecipada de alguma prova 
considerada urgente, cuja decisão deverá ser motiva, consoante determina a súmula 
455 do STJ: “A decisão que determina a produção antecipada de provas com base 
no artigo 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando 
unicamente o mero decurso do tempo”. 
 
 
FIQUE LIGADO 
A essência do processo penal consiste em permitir ao acusado o direito de 
defesa. 
O julgamento in absentia fere esse direito básico e constitui uma fonte 
potencial de erros judiciários, uma vez que o acusado é julgado sem que se 
conheça a sua versão. Julgamento in absentia propriamente dito ocorre 
somente quando o acusado não é, em nenhum momento processual, 
encontrado para citação, sendo esta então realizada por edital, fictamente, e 
não quando o acusado, citado pessoalmente, escolhe tornar-se revel. O art. 
420 do CPP, com a redação determinada pela Lei 11.689/2008, não viola a 
ampla defesa; pois, ainda que procedida a intimação ficta por não ser o 
acusado encontrado para ciência pessoal da pronúncia, o ato foi precedido 
por anterior citação pessoal após o recebimento da denúncia, ainda na fase 
inicial do processo. A norma processual penal aplica-se de imediato, 
incidindo sobre os processos futuros e em curso, mesmo que tenham por 
objeto crimes pretéritos. O art. 420 do CPP, com a redação determinada pela 
Lei 11.689/2008, como norma processual, aplica-se de imediato, inclusive 
aos processos em curso, e não viola a ampla defesa. [RHC 108.070, rel. min. 
Rosa Weber, j. 4-9-2012, 1ª T, DJE de 5-10-2012.] 
 
 
 
29 
 
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2.1.2 Resposta à acusação 
 
Em todos os procedimentos, comuns e especiais, ressalvados o 
procedimento do júri e dos juizados especiais, haverá resposta escrita da defesa, 
após a citação do réu. O acusado terá o prazo de 10 dias para apresentar a defesa 
escrita (art. 396, CPP). Na resposta à acusação, o réu deverá arguir preliminares, 
alegar tudo que interesse à defesa do acusado, apresentar documentos e 
justificações, requerer a produção das provas que entenda relevantes e arrolar as 
testemunhas de no máximo 8, sob pena de preclusão. 
Apresentada a resposta à acusação, o juiz verificará se é caso de absolvição 
sumária, estampada no artigo 397 do Código de Processo Penal13, podendo 
entender: 
a) Pela existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato: trata-se 
do reconhecimento do estado de necessidade, da legítima defesa, do 
estrito cumprimento do dever legal e ou do exercício regular de direito, 
dispostos nos artigos 23, 24 e 25 do Código Penal. De mais a mais, faz-se 
possível a exclusão da ilicitude do fato pelo consentimento do ofendido, 
nos crimes cujo bem jurídico é disponível. 
b) Pela existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, 
salvo inimputabilidade: trata-se das hipóteses de coação moral irresistível 
e obediência hierárquica, previstas no artigo 22 do Código Penal. 
Ademais, também pode haver a exclusão da culpabilidade pelo erro de 
proibição (art. 21 do Código Penal) e pela embriaguez completa acidental 
(art. 28, II, § 1º, Código Penal). Note-se que, pelo fato de a doença mental 
depender de prova pericial, a inimputabilidade não pode ser alegada por 
ocasião da resposta à acusação. 
 
13 Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá 
absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existência manifesta de causa excludente da 
ilicitude do fato; II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo 
inimputabilidade; III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV - extinta a 
punibilidade do agente. 
30 
 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.c) Que o fato narrado evidentemente não constitui crime: em tal hipótese, a 
denúncia ou a queixa-crime traz para apreciação uma conduta atípica. A 
descrição fática não pode ser subsumida a qualquer figura penal. 
d) Pela extinção da punibilidade do agente: trata-se da chamada preliminar 
de 
mérito posto que, alegada uma das causas do artigo 107 do Código Penal, 
induz à análise meritória. 
 
Ainda que o artigo 396-A do Código de Processo Penal expresse que a 
resposta à acusação é momento oportuno para o oferecimento de documentos e 
justificações, é certo que, a teor do artigo art. 231 do mesmo diploma legal, salvo os 
casos expressos em lei, as partes poderão apresentar documentos em qualquer 
fase do processo. Trata-se da homenagem ao princípio da verdade real, tal regra 
visa à eficácia da prova em detrimento do excesso de formalismo. Uma vez 
apresentado o documento, deve ser garantido o contraditório à parte contrária. 
Ressalta-se que documento é o objeto material em que se insere uma 
expressão de cunho intelectual por meio de escritos, sinais ou imagens. Nesse 
sentido, o art. 232 do Código de Processo Penal bem dispõe que se consideram 
documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. 
Além disso, à fotografia do documento, devidamente autenticada, deve ser dado 
mesmo valor do original. 
Note-se, por oportuno, que as cartas particulares interceptadas ou obtidas 
por meios criminosos não serão admitidas em juízo, em homenagem à vedação à 
utilização de provas ilícitas. Ademais, a interceptação de correspondência constitui 
crime contra a liberdade individual (crime de violação de correspondência). Todavia, 
o destinatário da correspondência poderá utilizá-la como defesa, ainda que sem o 
consentimento do signatário. 
Cumpre salientar que, não sendo caso de absolvição sumária, por não estar 
presente qualquer das hipóteses do artigo 397 do Código de Processo Penal, o 
advogado não deve na resposta à acusação tratar-se do mérito da causa, isso 
porque nessa fase do processo é impossível a absolvição arrimada no artigo 386 do 
Código de Processo Penal. Nesse sentido, a resposta à acusação deve apenas 
promover o requerimento de provas e juntar os documentos pertinentes, ocasião em 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
que o juiz determinará o prosseguimento do feito, ordenará a intimação das partes, 
do defensor e, se for o caso, do querelante e do assistente (arts. 39914 e 40015 do 
CPP), e marcará a audiência de instrução debates e julgamento que deverá ocorrer 
no prazo de 60 dias. 
De mais a mais, o manejo de alguma das exceções dispostas no artigo 95 
do Código de Processo Penal deve ser feito em petição apartada no mesmo 
momento do oferecimento da resposta à acusação, mas, em regra, não 
suspenderão o regular andamento da ação penal16. 
 
2.1.2.1 Exceções 
Conforme dito alhures, no mesmo prazo da apresentação da resposta à 
acusação, poderá o réu opor as seguintes exceções: (a) suspeição; 
(b) incompetência de juízo; (c) litispendência; (d) ilegitimidade de parte; (e) coisa 
julgada. 
É certo que o juiz deverá espontaneamente afirmar suspeição por escrito, 
declarando o motivo legal e remetendo de imediato o processo ao seu substituto, 
intimadas as partes (art. 97, CPP). 
Não o fazendo, a parte interessa deverá fazê-lo em petição assinada por ela 
própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo as suas razões 
acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas (art. 98, CPP). 
 
14 Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando 
a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do 
assistente. §1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder 
público providenciar sua apresentação. §2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. 
15 Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 
(sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas 
arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, 
bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e 
coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado. §1º As provas serão produzidas numa só audiência, 
podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. §2º Os 
esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das partes. 
16 Art. 111, CPP. As exceções serão processadas em autos apartados e não suspenderão, em regra, 
o andamento da ação penal. 
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Frisa-se que a arguição de suspeição deverá ser analisada antes de 
qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente (art. 96, CPP). 
Apresentada a exceção de suspeição o juiz poderá reconhecê-la ou não a aceitar. 
Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará 
juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por 
despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto 
(art. 99, CPP). Caso não aceite, todavia, o juiz mandará autuar em apartado a 
petição, dará sua resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer 
testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, 
dentro em 24 vinte e quatro horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento 
(art. 100, CPP). 
Nessa hipótese, se reconhecida, preliminarmente, a relevância da arguição, 
o juiz ou tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das 
testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações 
(§1º, artigo 100, CPP). De outro lado, se a suspeição for de manifesta 
improcedência, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente (§1º, artigo 100, CPP). 
A consequência lógica para a decisão de procedência da exceção de 
suspeição é o reconhecimento da nulidade de todos os atos do processo principal. 
Além disso, deverá o juiz pagar as custas, no caso de erro inescusável. Caso, 
entretanto, a exceção for rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este 
será imposta multa (Art. 101, CPP). 
Importante ressaltar que se for arguida a suspeição do órgão do Ministério 
Público, o juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a 
produção de provas no prazo de três dias (art. 104, CPP). No mesmo sentido, 
também poderão ser objeto da exceção de suspeição os peritos, os intérpretes e os 
serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem recurso, à 
vista da matéria alegada e prova imediata (art. 105, CPP). 
Alheio ao processo penal, no âmbito do inquérito policial, o Código de 
Processo Penal, em seu art. 107, fixa a impossibilidade de opor suspeição às 
autoridades policiais nos atos do inquérito, mas ressaltar que estas deverão se 
declarar suspeitas, quando ocorrer motivo legal. 
Por seu turno, a exceção de incompetência do juízo poderá ser oposta, 
verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa, ocasião em que, se, ouvido o 
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Ministério Público, for aceita a declinatória, o feito será remetido ao juízo 
competente, onde, ratificados os atos anteriores, o processo prosseguirá. Mas caso 
seja recusada a incompetência, o juiz continuará no feito, fazendo tomar por termo a 
declinatória, se formulada verbalmente (art. 108, CPP). Ademais, é obrigação do 
magistrado se declarar, nos autos, incompetente se em qualquer fase do processo 
sobrevier motivo para tanto, independentemente de alegação da parte interessada 
(art. 109, CPP). 
O mesmo procedimento, no que for compatível, deverá ser observado no 
caso das exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada (art. 110, 
CPP). Certo que se a parte houver de opor mais de uma dessas exceções, deverá 
fazê-lo numa só petição ou articulado (art. 110, §1º CPP). Urge salientar que a 
exceção de coisa julgada somente poderá ser oposta em relação ao fato principal, 
que tiver sido objeto da sentença (art. 110, §2º CPP). 
 
2.1.3 Conflito de Jurisdição 
O artigo 113 do Código de Penal bem observa que as questões atinentes à 
competência se resolverão não só pela exceção própria, como também pelo conflito 
positivo ou negativo de jurisdição. Nesse sentido, cumpre ressaltar que haverá 
conflito de jurisdição quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem 
competentes (conflito positivo), ou incompetentes (conflito negativo), para conhecer 
do mesmo fato criminoso ou quando entre elas surgir controvérsia sobre unidade de 
juízo, junção ou separação de processos.17 
Nesse diapasão, tem-se o presente exemplo de conflito negativo de 
competência: 
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. 
PROCESSO PENAL. CRIMES DE TRÁFICO ILÍCITO DE 
ENTORPECENTES. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. 
TRANSNACIONALIDADE DE UMA DAS CONDUTAS. 
CONEXÃO (CPP, ART. 76). APREENSÃO DE 3 KG DE 
CRACK REALIZADA EM FOZ DO IGUAÇU - PR (PONTE DA 
AMIZADE). FATO ISOLADO NOS AUTOS. CONDUTAS DE 
 
17 Art. 114 do Código de Processo Penal 
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ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
TRÁFICO DE ENTORPECENTES E POSSE ILEGAL DE 
ARMAS E MUNIÇÃO NA CIDADE DE RIO GRANDE - RS. 
AUSÊNCIA DE LIAME ENTRE AS CONDUTAS. 
INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 122 DO STJ. 
DESMEMBRAMENTO DO INQUÉRITO. 1. A conexão exigida 
pela doutrina e pela jurisprudência, para atrair a competência 
da Justiça Federal em relação às outras condutas praticadas 
pelo (s) réu (s), deve atender a uma das circunstâncias dos 
incisos do art. 76 do Código de Processo Penal, de modo a 
permitir a alteração da competência material taxativamente 
prevista na Constituição Federal. 2. Na espécie, a 
transnacionalidade de uma das condutas de tráfico ilícito de 
entorpecentes, relativa a quatro membros da organização 
criminosa, restou isolada na investigação conduzida pela 
Polícia Federal, cujos elementos colhidos não apontam liame 
daquele flagrante, realizado em Foz do Iguaçu - PR, na Ponte 
da Amizade, com a posterior descoberta de armas de fogo, 
munição e outras substâncias entorpecentes - que não 
carregam indícios de origem externa -, em poder dos demais 
componentes da quadrilha, na Cidade de Rio Grande - RS, e, 
tampouco, com novas operações da organização criminosa em 
solo estrangeiro. 3. Salvo essa conduta de comprovada 
transnacionalidade de quatro dos investigados, os demais 
crimes (arts. 33, caput, e 35 da Lei n. 11.343/06 e art. 12 da Lei 
n. 10.826/03) devem ser processados e julgados perante a 
Justiça Estadual, à míngua de circunstâncias fáticas que 
evidenciam as hipóteses de modificação de competência 
disciplinadas no art. 76 do CPP, o que impõe o 
desmembramento do inquérito policial e afasta a aplicação da 
Súmula n. 122 do STJ. 4. Conflito conhecido para declarar 
competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Criminal de Rio 
Grande - RS, restando a competência do Juízo Federal da 2ª 
Vara e Juizado Criminal de Rio Grande - SJ/RS apenas em 
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relação ao suposto delito de tráfico internacional de 
entorpecentes, determinando-se o desmembramento do 
inquérito policial, na forma decidida pelo Juízo suscitado. (STJ - 
CC: 125826 RS 2012/0252372-4, Relator: Ministro ROGERIO 
SCHIETTI CRUZ, Data de Julgamento: 27/08/2014, S3 - 
TERCEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/09/2014). 
 
Verificado o conflito, este poderá, nos termos do art. 115 do CPP, ser 
suscitado pela parte interessada, pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer 
dos juízos em dissídio ou por qualquer dos juízes ou tribunais em causa. 
Importante ressaltar a necessária observância do artigo 116 do diploma legal 
em comento que impõe que os juízes e tribunais, sob a forma de representação, e a 
parte interessada, sob a de requerimento, darão parte escrita e circunstanciada do 
conflito, perante o tribunal competente, expondo os fundamentos e juntando os 
documentos comprobatórios. 
Quanto ao procedimento, é certo que quando negativo o conflito, os juízes e 
tribunais poderão suscitá-lo nos próprios autos do processo. 
Já no caso de conflito positivo, uma vez distribuído o feito, o relator poderá 
determinar imediatamente que se suspenda o andamento do processo. Note-se que 
a suspensão imediata se trata de uma faculdade do relator, assim expedida ou não a 
ordem de suspensão, o relator requisitará, em prazo determinado, informações às 
autoridades em conflito, remetendo-lhes cópia do requerimento ou representação. 
Recebidas as informações requisitadas, e depois de ouvido o procurador-geral, o 
conflito será decidido na primeira sessão, salvo se a instrução do feito depender de 
diligência. 
Proferida a decisão, as cópias necessárias serão remetidas, para a sua 
execução, às autoridades contra as quais tiver sido levantado o conflito ou que o 
houverem suscitado. 
Cumpre salientar que, nos termos do art. 117 do Código de Processo Penal, 
o Supremo Tribunal Federal, mediante avocatória, restabelecerá a sua jurisdição, 
sempre que exercida por qualquer dos juízes ou tribunais inferiores. 
 
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2.1.4 Restituição Das Coisas Apreendidas 
O artigo 6º do Código de Processo Penal ao estabelecer a dinâmica do 
inquérito policial prescreve que logo que tiver conhecimento da prática da infração 
penal, a autoridade policial deverá, entre outras providências, apreender os objetos 
que tiverem relação com o fato. 
No entanto, as coisas apreendidas poderão ser restituídas. Salvo os 
instrumentos e produtos do crime, cuja perda é efeito da condenação criminal, 
ressalvada a hipótese de pertencerem ao lesado ou a terceiro de boa-fé. Verificada 
a impossibilidadede restituição dos instrumentos do crime, cuja perda em favor da 
União for decretada, estas serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se 
houver interesse na sua conservação, nos termos do art. 124 do Código de 
Processo Penal. 
Nesse sentido, o artigo 118 do CPP orienta que antes de transitar em 
julgado a sentença final, as coisas apreendidas não poderão ser restituídas 
enquanto interessarem ao processo. 
Conforme podemos observar: 
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NA 
RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS. ART. 118, DO 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. HIPÓTESE EM QUE O 
TITULAR DA AÇÃO PENAL AFIRMOU QUE O MATERIAL 
APREENDIDO POSSUI RELEVÂNCIA PARA A 
INVESTIGAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. 1 - 
Conforme estabelece o art. 118 do Código de Processo Penal 
"antes de transitar em julgado a sentença final, as coisas 
apreendidas não poderão ser restituídos enquanto 
interessarem ao processo." 2 - No caso em concreto, salientou 
o Ministério Público Federal que os bens e documentos 
apontados pelo Agravante foram regularmente apreendidos, 
mediante cumprimento de mandado expedido para o local onde 
se encontravam, tudo devidamente fundamentado em decisão 
proferida nos autos do Inquérito 1086. 3 - O órgão ministerial 
afirmou também que o material apreendido é de interesse da 
investigação. Assim, não há fundamento legal para acolher o 
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pedido sub examine. 4 - Agravo regimental não provido. (STJ - 
AgRg na ReCoAp: 12 DF 2016/0325517-7, Relator: Ministro 
MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 
21/06/2017, CE - CORTE ESPECIAL, Data de Publicação: DJe 
29/06/2017) 
 
Logo, sendo a coisa restituível e finalizado o processo ou não mais 
interessante a este, a restituição da coisa poderá ser ordenada, após ouvido o 
Ministério Público, pela autoridade policial ou juiz, mediante termo nos autos, desde 
que não exista dúvida quanto ao direito do reclamante (art. 120, CPP). 
Caso paire dúvidas quanto ao direito à restituição da coisa, o pedido será 
autuado em apartado, assinando-se ao requerente o prazo de 5 dias para a provar o 
direito. Em tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente (art. 120, §1º, CPP). 
O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, 
se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado 
para alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, 
tendo um e outro dois dias para arrazoar (art. 120, §2º, CPP). 
Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz remeterá as 
partes para o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário 
ou do próprio terceiro que as detinha, se for pessoa idônea (art. 120, §4º do CPP). 
Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis, serão avaliadas e levadas a 
leilão público, depositando-se o dinheiro apurado, ou entregues ao terceiro que as 
detinha, se este for pessoa idônea e assinar termo de responsabilidade (art. 120, 
§5º, CPP). 
Cumpre, por fim, mencionar que sendo a coisa restituível, se dentro no prazo 
de 90 dias, a contar da data em que transitar em julgado a sentença final, 
condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos não forem reclamados ou não 
pertencerem ao réu, serão vendidos em leilão, depositando-se o saldo à disposição 
do juízo de ausentes (art. 123, CPP). 
 
 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
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2.1.5 Incidente de Falsidade 
O procedimento de verificação de falsidade documental está estipulado no 
artigo 145 do Código de Processo Penal que orienta: arguida, por escrito, a falsidade 
de documento constante dos autos, o juiz observará o seguinte processo: 
I. Mandará autuar em apartado a impugnação, e em seguida ouvirá a parte contrária, 
que, no prazo de 48 horas, oferecerá resposta. 
II. Assinará o prazo de três dias, sucessivamente, a cada uma das partes, para 
prova de suas alegações. A respeito: 
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. INCIDENTE DE 
FALSIDADE. ART. 145 DO CPP. ORDEM SUCESSIVA DE 
MANIFESTAÇÃO DAS PARTES. PRAZO DE TRÊS DIAS. 
NULIDADE DA DECISÃO. Para a produção de provas, no 
prazo de 03 dias, previsto no art. 145, inciso II, do CPP, 
primeiro deve ser intimada a parte que provocou o incidente, 
depois a outra. Ordem sucessiva para manifestação das 
partes. Decretada a nulidade da decisão que determinou a 
intimação para atuação em ordem sucessiva, sem indicar qual 
das partes aproveitaria o prazo em primeiro lugar. Recurso em 
sentido estrito, provido, por maioria. (Recurso em Sentido 
Estrito Nº 70059093344, Quarta Câmara Criminal, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Gaspar Marques Batista, Julgado em 
15/05/2014) (TJ-RS - RSE: 70059093344 RS, Relator: Gaspar 
Marques Batista, Data de Julgamento: 15/05/2014, Quarta 
Câmara Criminal, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 
01/07/2014) 
 
III. Conclusos os autos, poderá ordenar as diligências que entender necessárias. 
IV. Se reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível, mandará desentranhar o 
documento e remetê-lo, com os autos do processo incidente, ao Ministério Público. 
É certo que a arguição de falsidade, feita por procurador, exige poderes 
especiais (art. 146, CPP) e que o juiz poderá, de ofício, proceder à verificação da 
falsidade (art. 147, CPP). 
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No que diz respeito ao prazo para arguição do incidente de falsidade, mister 
a análise da presente decisão de relatoria do Ministro Felix Fischer: 
PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS 
CORPUS. CORRUPÇÃO ATIVA. DESCAMINHO TENTADO. 
LAVAGEM DE CAPITAIS. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO 
DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DE 
PEDIDO DE INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DE FALSIDADE. 
DOCUMENTO JUNTADO NOS AUTOS HÁ MAIS DE DEZ 
ANOS. IMPUGNAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DA SENTENÇA. 
PRECLUSÃO. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA 
LEALDADE PROCESSUAL E DA BOA-FÉ OBJETIVA. EXAME 
PERICIAL. DISCRICIONARIEDADE REGRADA DO 
MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE 
PREJUÍZO. RECURSO NÃO PROVIDO. I - As instâncias 
ordinárias concluíram, acertadamente, que o requerimento de 
instauração de incidente de falsidade seria manifestamente 
intempestivo, notadamente porque o documento a ser periciado 
constava dos autos há mais de dez anos, e o pedido foi 
apresentado após a prolação da sentença, tratando-se de 
questão preclusa. II - Embora não exista prazo definido em lei 
para que se possa requerer a instauração de incidente de 
falsidade documental previsto no artigo 145 e seguintes do 
Código de Processo Penal, os recorrentes permaneceram 
inertes por longo período, mesmo tendo amplo acesso às 
informações necessárias para instruir o incidente de falsidade, 
deixando para impugnar o documento somente após encerrada 
a instrução processual. Permitir o comportamento em análise, 
representaria violação aos princípios da segurança jurídica, da 
razoabilidade, da lealdade processual e da boa-fé objetiva,diante da reabertura da fase de produção de provas mesmo 
diante da inércia dos recorrentes. III - O deferimento de 
diligências é ato que se inclui na esfera de discricionariedade 
regrada do Magistrado processante, que poderá indeferi-las de 
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forma fundamentada, quando as julgar protelatórias ou 
desnecessárias e sem pertinência com a instrução do 
processo, não caracterizando, tal ato, cerceamento de defesa. 
IV - A jurisprudência desta Corte de Justiça, há muito já se 
firmou no sentido de que a declaração de nulidade exige a 
comprovação de prejuízo, em consonância com o princípio pas 
de nullite sans grief, consagrado no art. 563 do CPP, o que não 
ocorreu na hipótese concreta. Recurso conhecido e não 
provido. (STJ - RHC: 79834 RJ 2016/0337507-7, Relator: 
Ministro FELIX FISCHER, Data de Julgamento: 07/11/2017, T5 
- QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/11/2017) 
 
Por fim, importante salientar que reconhecida ao não a falsidade, a decisão 
não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil (art. 148, CPP). 
 
2.1.6 Incidente de Insanidade Mental do Acusado 
Dispõe o artigo 149 do Código de Processo Penal que quando houver 
dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício ou a 
requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, 
descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a exame médico-
legal. 
Nesse sentido, o exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, 
mediante representação da autoridade policial ao juiz competente (artigo 149, §1º, 
CPP). 
Sobre a temática: 
CRIMINAL – INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL – 
ARTIGO 149, CPP – DÚVIDA QUANTO À HIGIDEZ MENTAL 
DA REQUERENTE – COMPROVAÇÃO POR MEIO DE 
RELATÓRIO MÉDICO – DEFERIMENTO DO PEDIDO. 1.A 
instauração do incidente de insanidade mental é decisão 
adstrita ao convencimento do julgador quando houver dúvida 
sobre a sanidade mental do acusado, cabendo àquele, com 
exclusividade, decidir sobre a necessidade ou não desta prova 
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para apurar a inimputabilidade ou semi-imputabilidade do 
acusado, levando-se em conta a sua capacidade de 
compreensão do ilícito à época da infração penal. 2. Ao caso 
voga, a Requerente apresentou às fls. 7/8, relatório médico 
atestando alterações em sua higidez mental. Com efeito, tenho 
que o referido relatório mostra-se suficiente a evidenciar a 
necessidade de instauração do incidente de insanidade mental. 
3.Ante todo o exposto, em dissonância ao parecer do Ministério 
Público, defiro o pleito autoral para instaurar o incidente de 
insanidade mental, devendo a Requerente ser submetida a 
exame médico-legal, nos termos do que dispõe o artigo 149, do 
Código de Processo Penal e ainda, sejam respondidos os 
quesitos formulados à fl. 5. 4.DEFERIMENTO DO PEDIDO. 
(TJ-AM 02318261620168040001 AM 0231826-
16.2016.8.04.0001, Relator: Jorge Manoel Lopes Lins, Data de 
Julgamento: 12/03/2017, Segunda Câmara Criminal) 
 
Bem como: 
[...] Acarreta nulidade, por cerceamento de defesa, a negativa 
de realização de exame de insanidade mental, se há fundada 
dúvida acerca da higidez psíquica do acusado que, em seu 
interrogatório, aparenta não gozar da plenitude de suas 
faculdades mentais, e que foi comprovadamente vítima de 
traumatismo cranioencefálico ocorrido em data anterior aos 
fatos, apresentando períodos de delírio e confusão mental 
como sequelas do trauma. [...] (TJ-SC - APR: 
00004328020188240119 Garuva 0000432-80.2018.8.24.0119, 
Relator: Sérgio Rizelo, Data de Julgamento: 19/03/2019, 
Segunda Câmara Criminal) 
 
No que tange o procedimento relativo ao incidente de insanidade mental do 
acusado, é certo que o incidente se processará em auto apartado, que só depois da 
apresentação do laudo, será apenso ao processo principal (art. 153, CPP). 
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Arguido, o juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, 
ficando suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo quanto às 
diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento (artigo 149, §2º, CPP). 
Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em 
manicômio judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, 
em estabelecimento adequado que o juiz designar. O exame não durará mais de 
quarenta e cinco dias, salvo se os peritos demonstrarem a necessidade de maior 
prazo. Ademais, se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá 
autorizar sejam os autos entregues aos peritos, para facilitar o exame (art. 150, 
CPP). 
Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração, 
inimputável nos termos do art. 26 do Código Penal18, o processo prosseguirá, com a 
presença do curador (art. 151, CPP). 
Mas, caso se verificar que a doença mental sobreveio à infração, o processo 
continuará suspenso até que o acusado se restabeleça, podendo o juiz ordenar a 
internação do acusado em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento 
adequado (art. 152, CPP). 
Reestabelecido, o processo retomará o seu curso, ficando assegurada ao 
acusado a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado 
depoimento sem a sua presença (art. 152, §2º, CPP). 
Por derradeiro, caso a insanidade mental sobrevier no curso da execução da 
pena, o sentenciado deverá ser internado em manicômio judiciário, ou, à falta, em 
outro estabelecimento adequado, onde Ihe seja assegurada a custódia (art. 154 c/c 
art. 682, CPP). 
 
 
 
18 Art. 26, CP - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de 
determinar-se de acordo com esse entendimento. 
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2.1.7 Audiência de Instrução, Debates e Julgamento 
 
2.1.7.1 Instrução processual 
 
Nessa audiência, os atos instrutórios são concentrados em apenas uma 
audiência, na qual também será proferida a sentença, salvo quando houver a 
necessidade probatória complexa ou a quantidade excessiva de acusados demande 
exame mais cuidadoso, quando, então, será permitida a apresentação de memoriais 
pelas partes (acusação e defesa) no prazo de 5 dias sucessivamente para cada um, 
e se fixará novo prazo para a sentença (art. 403, § 3º, CPP). 
Na audiência de instrução debates e julgamento, o juiz examinará todas as 
provas trazidas pela acusação e pela defesa. Isso porque a prova é o meio de 
demonstraçãode um fato. É a forma legal de convencimento do juiz a uma 
determinada alegação, não pode haver condenação sem provas. 
Para a condenação deve haver um conjunto probatório capaz de indicar 
indiscutivelmente a ocorrência e autoria do crime. O processo deve se ocupar à 
busca da verdade real, em que qualquer dúvida deverá beneficiar o réu (in dubio pro 
reo). 
Cumpre ressaltar que a prova é aquela produzida, via de regra, sob o crivo 
do necessário e suficiente contraditório e da ampla defesa, de modo a ser 
necessário o respeito ao procedimento disposta no Código de Processo Penal ou na 
legislação penal especial. 
O conjunto probatório permite ao juiz o firmamento de sua convicção. Note-
se que não há hierarquia entre as provas, o juiz é livre para formar seu 
convencimento, desde que motivando a decisão. 
Nesse sentido, o Código de Processo Penal, em seu artigo 155, proíbe a 
decisão condenatória com base exclusiva em indícios, ao dispor que o juiz formará 
sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não 
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas. 
Assim, em regra, ninguém poderá ser condenado com base exclusiva nos 
elementos indiciários colhidos na fase de inquérito, pois, nesta, inexiste o regular 
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exercício do contraditório e da ampla defesa. Os elementos do inquérito são 
importantes, pois servem de base para a denúncia, para o rol de testemunhas, para 
indicar a posterior produção da prova, mas não bastam por si só à condenação. 
 
 
FIQUE LIGADO 
Processo penal. Presunção hominis. Possibilidade. Indícios. Aptidão para 
lastrear decreto condenatório. Sistema do livre convencimento motivado. (...) 
O julgador pode, através de um fato devidamente provado que não constitui 
elemento do tipo penal, mediante raciocínio engendrado com supedâneo nas 
suas experiências empíricas, concluir pela ocorrência de circunstância 
relevante para a qualificação penal da conduta. [HC 103.118, rel. min. Luiz 
Fux, j. 20-3-2012, 1ª T, DJE de 16-4-2012.] 
 
 
A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao 
juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção 
antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a 
necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; determinar, no curso da 
instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir 
dúvida sobre ponto relevante. 
Em regra, o ônus recai sobre o autor da ação penal, devendo provar a 
existência do crime, a autoria deste e a presença de dolo ou culpa. Mas, o ônus de 
provar não é obrigação, mas sim uma necessidade. O ônus é a atitude que se 
espera da parte. De tal modo, quem alega deve provar o alegado por qualquer meio 
de prova admitida em direito, respeitado o procedimento para sua produção. 
O procedimento probatório é o procedimento pelo qual se produz a prova. 
Este tem dinâmica dividida em três fases, quais sejam: 
(a) Proposição, ocasião em que as provas a serem produzidas devem ser 
propostas pelas partes. É o momento de indicação das provas. Basicamente, a 
única prova que tem momento de proposição previamente determinado é a prova 
testemunhal; 
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(b) Admissibilidade, momento em que o juiz deve admitir ou não a produção 
da prova. Ressalta-se que, no processo penal, se dentro do prazo, o magistrado 
deve admitir a produção da prova, sob pena de cerceamento de defesa. 
(c) Execução, consiste na fase de produção efetiva da prova. Importante 
rememorar que a prova testemunhal deve ser indicada em momentos específicos, 
sob pena de o deferimento ficar a critério do juiz, devendo o autor indicar as pessoas 
que pretende ouvir na denúncia e o réu na defesa preliminar. No rito especial do 
Júri, as testemunhas devem ser indicadas após o trânsito em julgado da pronúncia. 
Em razão do princípio da verdade real, nada impede a indicação de 
testemunha fora do prazo, mas, nesta hipótese, restará à critério do juiz o 
deferimento. Caso não seja aceita, não há recurso manejável, sendo possível a 
impetração de Habeas Corpus sob alegação de cerceamento de defesa. 
 
 
FIQUE LIGADO 
A expedição de cartas rogatórias para oitiva de testemunhas residentes no 
exterior condiciona-se à demonstração da imprescindibilidade da diligência 
e ao pagamento prévio das respectivas custas, pela parte requerente, nos 
termos do art. 222-A do CPP, ressalvada a possibilidade de concessão de 
assistência judiciária aos economicamente necessitados. A norma que 
impõe à parte no processo penal a obrigatoriedade de demonstrar a 
imprescindibilidade da oitiva da testemunha por ela arrolada, e que vive no 
exterior, guarda perfeita harmonia com o inciso LXXVIII do art. 5º da CF. [AP 
470 QO-quarta, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 10-6-2009, P, DJE de 2-10-2009.] 
 
 
2.1.7.2 Debates 
Encerrada a fase de instrução processual, não havendo requerimento de 
diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 
minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 
minutos (art. 403, CPP). 
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Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um 
será individual (art. 403, §1º, CPP). Ao assistente do Ministério Público, após a 
manifestação desse, serão concedidos 10 minutos, prorrogando-se por igual período 
o tempo de manifestação da defesa (art. 403, §2º, CPP). 
Todavia, faz-se possível a apresentação das alegações finais de forme 
escrita, de modo que o juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o 
número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 dias sucessivamente para a 
apresentação de memoriais (art. 403, §3º, CPP) 
Cumpre ressaltar, outrossim, que, ordenada diligência considerada 
imprescindível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será concluída sem 
as alegações finais, ocasião em que realizada a diligência determinada, as partes 
apresentarão, em seguida, no prazo sucessivo de 5 dias, suas alegações finais, por 
memoriais (art. 404, CPP). 
Logo, pode-se consignar que as alegações finais poderão ser feitas de forma 
escrita quando: (a) for ordenada diligência imprescindível; (b) for reconhecida 
considerável complexidade do caso; (c) houver considerável número de acusados. 
Nos memoriais, o advogado de defesa poderá ventilar preliminares, como 
incompetência do juízo, inépcia da inicial, nulidade, cerceamento de defesa e 
extinção de punibilidade, e tratar no mérito de toda as teses defensivas possíveis, 
como absolvição, desclassificação, afastamento de qualificadoras, causas de 
aumento de pena e agravantes, reconhecimento de causas de diminuição de pena, 
privilégio ou atenuante, fixação da pena no mínimolegal, baseado nas 
circunstâncias do art. 59 do Código Penal, regime de cumprimento de pena mais 
brando e substituição da pena. 
Finalizados os debates orais ou concluída a audiência sem estes, esta será 
registrada em livro próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, contendo breve resumo 
dos fatos relevantes nela ocorridos. Sempre que possível, o registro dos 
depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos 
meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, 
inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações. 
A sentença será proferida logo após ser encerradas as alegações finais orais 
ou em 10 dias em caso de memoriais. 
 
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2.1.7.3 Emendatio Libelli 
Encerrada a instrução processual, o juiz, sem modificar a descrição do fato 
contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda 
que, em consequência, tenha de, no momento do julgamento, aplicar pena mais 
grave. 
Ademais, Se, em consequência de definição jurídica diversa, houver 
possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz procederá 
de acordo com o disposto na lei. Tratando-se de infração da competência de outro 
juízo, a este serão encaminhados os autos (Art. 383, CPP). 
 
2.1.7.4 Mutatio Libelli 
Além da emendatio libelli, encerrada a instrução probatória, se entender 
cabível nova definição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos 
autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o 
Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 dias, se em 
virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, 
reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. 
Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, o juiz fará 
remessa dos autos ao procurador-geral, e este realizará o aditamento, designará 
outro órgão do Ministério Público para oferecê-lo, ou não tomará providências, 
ocasião em que o processo prosseguirá no estado em que se encontra (artigo 384, 
§§1º e 5º). 
Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 dias e admitido o aditamento, o 
juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora para continuação 
da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, 
realização de debates e julgamento (artigo 384, §2º). 
Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 testemunhas, no prazo 
de 5 dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento (artigo 384, 
§§4º). 
 
 
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2.1.7.5 Julgamento 
Finalizada a instrução processual e oferecidas as alegações finais orais ou 
escritas, observadas as hipóteses de emendatio libelli e de mutatio libelli, o juiz, 
valendo-se de seu livre convencimento motivado, proferirá a competente sentença, 
absolvendo ou condenando o réu. 
O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que 
reconheça: (a) estar provada a inexistência do fato; (b) não haver prova da 
existência do fato; (c) não constituir o fato infração penal; (d) estar provado que o réu 
não concorreu para a infração penal; (e) não existir prova de ter o réu concorrido 
para a infração penal; (f) existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o 
réu de pena ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; (g) não 
existir prova suficiente para a condenação. 
Decidindo pela absolvição, o juiz, na sentença, mandará, se for o caso, por o 
réu em liberdade e ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente 
aplicadas. Além disso, há a possibilidade de aplicação de medida de segurança, se 
cabível, hipótese em que estaremos diante da absolvição imprópria aplicável aos 
inimputáveis com periculosidade demonstrada. 
 
 
FIQUE ATENTO 
A circunstância de o agente apresentar doença mental ou desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado (critério biológico) pode até justificar a 
incapacidade civil, mas não é suficiente para que ele seja considerado 
penalmente inimputável. É indispensável que seja verificado se o réu, ao 
tempo da ação ou da omissão, era inteiramente incapaz de entender o caráter 
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (critério 
psicológico). (...) A marcha processual deve seguir normalmente em caso de 
dúvida sobre a integridade mental do acusado, para que, durante a instrução 
dos autos, seja instaurado o incidente de insanidade mental, que irá subsidiar 
o juiz na decisão sobre a culpabilidade ou não do réu. [HC 101.930, rel. min. 
Cármen Lúcia, j. 27-4-2010, 1ª T, DJE de 14-5-2010.] 
 
 
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De outro lado, não sendo caso de absolvição por restar, sem dúvida, 
comprovada a existência do crime, a autoria e a culpabilidade, o juiz proferirá 
sentença condenatória na qual: (a) mencionará as circunstâncias agravantes ou 
atenuantes definidas no Código Penal, e cuja existência reconhecer; (b) mencionará 
as outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na 
aplicação da pena, de acordo com o disposto nos arts. 59 e 60 do Código Penal; (c) 
aplicará as penas de acordo com essas conclusões; (d) fixará valor mínimo para 
reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos 
pelo ofendido; (e) atenderá, quanto à aplicação provisória de interdições de direitos 
e medidas de segurança; (f) determinará se a sentença deverá ser publicada na 
íntegra ou em resumo e designará o jornal em que será feita a publicação. 
De mais a mais, o juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção 
ou, se for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem 
prejuízo do conhecimento de apelação que vier a ser interposta (art. 387, CPP). 
Ressalta-se que nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença 
condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem 
como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada (art. 385). 
Na hipótese de absolvição ou condenação, a intimação será feita: (a) ao 
réu, pessoalmente, se estiver preso; (b) ao réu, pessoalmente, ou ao defensor por 
ele constituído, quando se livrar solto, ou, sendo afiançável a infração, tiver prestado 
fiança; (c) ao defensor constituído pelo réu, se este, afiançável, ou não, a infração, 
expedido o mandado de prisão, não tiver sido encontrado, e assim o certificar o 
oficial de justiça; (d) mediante edital , se o réu e o defensor que houver constituído 
não forem encontrados, e assim o certificar o oficial de justiça; (e) mediante edital, 
se o réu, não tendo constituído defensor, não for encontrado, e assim o certificar o 
oficial de justiça. 
Importante mencionar que o prazo do edital será de 90 dias, se tiver sido 
imposta pena privativa de liberdade por tempo igual ou superiora um ano, e de 60 
dias, nos outros casos. Nessa hipótese, o prazo para apelação correrá após o 
término do fixado no edital, salvo se, no curso deste, for feita a intimação por 
qualquer das outras formas (art. 392, CPP). 
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Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma 
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, 
ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
Tendo ciência da sentença, qualquer das partes poderá, no prazo de 2 dias, 
pedir ao juiz que declare a sentença, sempre que nela houver obscuridade, 
ambiguidade, contradição ou omissão (art. 382, CPP). 
 
 
IMPORTANTE 
A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui 
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido 
segundo a pena aplicada [Súmula 718, STF]. 
 
 
 
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2.2 Rito sumário 
 
O rito sumário está preceituado nos artigos 531 a 538 do CPP e é destinado 
às infrações penais cuja pena máxima abstrata cominada ao delito seja inferior a 04 
anos e superior a 2 anos de pena privativa de liberdade (art. 394, §1º, inciso II, do 
CPP). Os atos processuais no rito em comento, serão realizados na seguinte ordem: 
 
 
 
 
Em suma o procedimento do procedimento comum sumário se iniciará com 
oferecimento da denúncia ou queixa. Não sendo caso de rejeição, o magistrado a 
receberá, determinando a citação do réu para que apresente resposta à acusação. 
Apresentada defesa técnica, o magistrado acolherá a tese defensiva, absolvendo 
sumariamente o réu ou intimará as partes para audiência de instrução em 30 dias, 
ocasião em que ocorrerá a oitiva do ofendido, a oitiva das testemunhas de acusação 
e das testemunhas de defesa, os esclarecimentos dos peritos, o reconhecimento de 
pessoas e coisas e as acareações necessárias, o interrogatório do réu. Finalizada a 
instrução processual, as partes apresentarão suas alegações finais orais, deixando o 
processo em termos para o magistrado proferir sentença. 
Oferecimento 
da denúncia 
ou queixa
Recebimento Citação 
Resposta à 
acusação
Audiência de 
instrução
Alegações 
finais orais
Sentença
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Assim, destaca-se que o rito sumário se processa de maneira muito parecida 
com rito ordinário, e as principais diferenças estão relacionadas com o prazo para 
audiência, o número de testemunhas e a possibilidade de se requerer diligências ao 
final da instrução. 
No rito sumário o prazo para a designação de audiência em caso de 
recebimento da denúncia ou queixa-crime será de 30 dias, consoante preconiza o 
artigo 530 do Código de processo penal. As partes poderão arrolar cada uma no 
máximo 5 testemunhas, consoante autoriza o artigo 532 do CPP. 
Não há previsão de requerimento de diligências e todas as provas deverão 
ser produzidas nessa audiência, pois nenhum ato será adiado, salvo quando 
imprescindível a prova faltante e o juiz a considerar relevante, segundo artigo 535 do 
CPP. 
 
 
IMPORTANTE 
Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado especial 
criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de 
outro procedimento, observar-se-á o procedimento sumário (art. 538, CPP). 
 
 
 
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2.3 Rito sumaríssimo 
 
Segundo a Lei 9.99/95, o rito sumaríssimo aplica-se as infrações de menor 
potencial ofensivo, que nos termos do art. 61 da Lei, são todas as contravenções 
penais e os crimes cuja pena máxima não seja superior a 2 anos, cumulada ou não 
com multa, possuindo as seguintes fases. 
 
 
Conforme se vislumbra do esquema acima, o procedimento comum 
sumaríssimo possui duas fases. A fase preliminar se inicia com o termo 
circunstanciado e o posterior encaminhamento para a audiência de conciliação. Na 
referida audiência, será proposta a composição civil dos danos. Caso seja aceita, a 
composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz 
mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil 
competente (art. 74, Lei 9.099/95), caso não seja aceita o Ministério Público poderá 
propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser 
especificada na proposta (transação penal) (art. 76, Lei 9.099/95). 
 
 
 
 
Fase Preliminar
Termo 
Circunstanciado
Audiência de 
conciliação
Composição 
Civil dos Danos
Transação Penal
Oferecimento 
da denúncia ou 
queixa
Audiência de 
instrução e 
julgamento
Defesa 
preliminar (oral)
Recebimento Instrução Debates Julgamento
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ATENÇÃO 
Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, 
decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão 
os institutos da transação penal e da composição dos danos civis (art. 60, 
parágrafo único da Lei 9.099/95). 
 
 
Caso o autor da infração aceite, o juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou 
multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir 
novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos. 
Não havendo a transação penal, entretanto, haverá o oferecimento da 
denúncia ou da queixa-crime, encerrando a fase preliminar. 
Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia 
ao acusado, que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação 
de dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, da qual também tomarão 
ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável civil e seus advogados (art. 
78, Lei 9.099/95). 
Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à 
acusação, após o que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou queixa. Havendo 
recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, 
interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos 
debates orais e à prolação da sentença (art. 81, Lei 9.099/95). 
Nesse sentido, é de se notar que o rito sumaríssimo está intimamente ligado 
aos princípios que o regem, quais sejam: celeridade, oralidade e informalidade e da 
não aplicação de pena privativa de liberdade. 
 É um rito peculiar e sua diferença com os outros ritos inicia-se já em 
sede policial, pois, no procedimento sumaríssimo, em regra, não há inquérito policial 
e sim o termo circunstanciado (art. 69 lei 9099/95). Elaborado o termo 
circunstanciado(descrição do fato criminoso, a qualificação da vítima) a autoridade 
encaminhará este termo ao juizado especial criminal onde será marcada audiência 
preliminar, ocasião em que o juiz explicará sobre a possibilidade de composição civil 
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dos danos e da aceitação da proposta de transação penal (aplicação de uma pena 
de imediato que não seja a restritiva de liberdade oferecida pelo Ministério Público- 
art. 76 da Lei 9.099/95). Feita a proposta de transação penal o autor do fato poderá 
aceita-la ou não. Se esta não for aceita, então, será oferecida a denúncia ou queixa-
crime e marcada data para audiência de instrução e julgamento, ocasião em que as 
partes sairão intimadas (art. 78 da Lei 9.099/95) 
Na referida audiência, se na audiência preliminar já tiver sido oportunizada a 
tentativa de conciliação, será apresentada defesa preliminar de forma oral, momento 
em que o juiz decidirá se rejeita a inicial acusatória ou a recebe. Não sendo o caso 
de rejeição, ato contínuo, o juiz de imediato procederá a oitiva das testemunhas de 
no máximo de 3 para cada parte, logo após, procederá o interrogatório do réu, 
passando aos debates orais da acusação e defesa nessa ordem, por 20 minutos 
prorrogáveis por mais 10 minutos, e após será proferida a sentença (art. 81 da Lei 
9.099/95). 
 
De acordo com o artigo 82 da Lei 9.099/95, da decisão que rejeita a 
denúncia ou queixa-crime, bem como da sentença, caberá apelação, no prazo de 10 
dias. 
 
 
SAIBA MAIS: 
A CONDUÇÃO COERCITIVA DA TESTEMUNHA NO PROCESSO PENAL E AS 
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS. 
Acesse: CONPEDI 
 
 
 
 
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INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 
 
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. Niterói, RJ: Impetus, 2012. 
 
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. Volume único. 2ª Ed. 
Salvador: JusPodvm, 2014. 
 
MARCÃO, Renato. Curso de Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2006. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Princípios Constitucionais Penais e Processuais 
Penais. 2ª Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 11ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2012. 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTO ESPECIAL 
 
3.1 Rito do Júri 
 
O júri possui sua competência estabelecida expressamente na Constituição 
Federal (art. 5º XXXVIII), sendo designado para a apuração e julgamento dos crimes 
dolosos contra a vida, tentados ou consumados e possuindo como princípios que 
norteiam o rito do Júri, estão também a plenitude de defesa, o sigilo das votações e 
a soberania dos veredictos. O processamento dos crimes de competência do júri 
está preceituado nos artigos 406 a 497 do CPP. 
O rito do Júri é tem a formatação bifásica ou escalonada, e se divide em 
duas fases: na primeira, estão abrangidos os atos praticados do oferecimento da 
denúncia até a decisão de pronúncia; e na segunda, estão contemplados os atos 
praticados entre a pronúncia e o julgamento pelo Tribunal do Júri. Confira-se: 
Na fase de instrução preliminar, o procedimento inicia-se com o 
oferecimento da denúncia ou queixa-crime na Vara do Júri. Em caso de 
recebimento, haverá a citação do réu para apresentar resposta à acusação. 
Recebida a defesa, o Ministério Público terá vista dos autos para manifestação 
sobre documentos e preliminares. Ato contínuo, deverá ser realizada a audiência de 
instrução, na qual ocorrerá a oitiva do ofendido, a oitiva das testemunhas de 
acusação, a oitiva das testemunhas de defesa, a oitiva do perito, a acareação e o 
reconhecimento de pessoas e coisas, o interrogatório do réu, as alegações finais 
orais, e posterior prolação de sentença de absolvição sumária, impronúncia, 
desclassificação de delito ou pronúncia. 
Caso o réu seja pronunciado, iniciar-se-á a fase do juízo da causa (judicium 
causae), ocasião em que as partes deverão arrolar testemunhas, juntar documento e 
requer diligências. Ato contínuo, será elaborado relatório sucinto dos autos, 
determinando data para o julgamento, convocação dos Jurados, formação do 
conselho de sentença, estabelecimento da incomunicabilidade, entrega do relatório, 
exortação, oitiva do ofendido, oitiva das testemunhas de acusação (5 testemunhas), 
oitiva das testemunhas de defesa (5 testemunhas), oitiva dos peritos, interrogatório 
do réu, debates orais (1h30min+1h), réplica (1h +1h), tréplica (1h+1h), formulação 
dos quesitos, votação dos jurados e sentença (absolvição ou condenação). 
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A primeira fase do júri, também denominada instrução preliminar, possui 
basicamente a mesma estrutura do procedimento comum ordinário. Há o 
oferecimento da denúncia (ou queixa-crime subsidiária), que pode ser rejeitada 
liminarmente nos casos de inépcia, falta de pressuposto processual, de condição da 
ação ou de justa causa. Se o juiz receber determina a citação do acusado para 
responder à acusação por escrito no prazo de 10 dias (art. 406 CPP). Não o fazendo 
no prazo designado, o juiz deverá nomear defensor dativo para apresentar defesa, 
no mesmo prazo de 10 dias (art. 407 CPP). Na resposta à acusação, o acusado 
poderá alegar tudo que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, 
especificar as provas que serão produzidas e arrolar no máximo 8 testemunhas. (art. 
406, § 2º, 3º CPP). 
Após a defesa, o juiz deverá notificar o órgão de acusação para que se 
manifeste sobre a defesa apresentada no prazo de 05 dias (art. 409 CPP). Depois 
desta resposta, a audiência de instrução deverá ser designada em até 10 dias (art. 
410 CPP), visando que, em audiência una sejam ouvidos, o ofendido (se possível), 
as testemunhas, peritos, acareações e, por fim, o interrogatório do acusado (art. 411 
CPP). 
Na mesma audiência, após a conclusão da instrução probatória, devem ter 
início os debates orais, por 20 minutos para acusação e defesa, respectivamente, 
prorrogáveis por mais 10 minutos. A seguir, deverá o juiz exarar a decisão que 
poderá ser a de pronunciar o réu, impronunciá-lo, absolvê-lo sumariamente ou 
desclassificar o a infração penal. Vejamos cada uma das possíveis decisões nessa 
fase do júri: 
Pronúncia (art. 413 CPP): a sentença será de pronúncia quando o 
magistrado ficar convencido da possibilidade de ter havido crime doloso contra a 
vida e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação do acusado; 
entretanto, como bem estabelece o art 413, §1º do CPP, “a fundamentaçãoda 
pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e da existência de 
indícios suficientes de autoria ou de participação”, e ainda, sob pena das mesmas 
não poderem ser arguidas no plenário, deverá o magistrado “especificar as 
circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena”; 
Impronúncia (art. 414 CPP): a sentença será de impronúncia quando, o 
magistrado se convencer que não existam indícios suficientes que atribuam a autoria 
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ao acusado. Entretanto, a impronúncia não forma coisa julgada, e não impede, no 
entanto, que enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade, possa ser formulada 
nova denúncia ou queixa se houver prova nova (art. segundo o art. 414, parágrafo 
único). 
Absolvição sumária (art. 415 CPP): é sentença absolutória terminativa 
oriunda da inexistência do fato, ou por não ser o acusado autor ou partícipe do 
delito, ou o fato não constituir infração penal ou ainda ficar demonstrada causa de 
isenção de pena ou de exclusão de crime, afastada desse grupo a indagação de 
inimputabilidade por deficiência mental, como bem coloca o art. 415 do CPP. 
Desclassificação (art. 419 CPP): quando o juiz se convencer, em 
discordância com a acusação, da existência de crime diverso dos da competência 
do Tribunal do Júri, e não for competente para o julgamento, remeterá os autos a 
outro que o seja. 
Nesse sentido, a primeira fase do júri deverá ser encerrada no prazo máximo 
de 90 dias, consoante determina o artigo (412 CPP). 
A segunda fase, também denominada judicium causae (juízo da causa) tem 
início a partir do momento em que ocorre a preclusão da decisão de pronúncia. 
Deve se atentar para o fato de que não se fala em trânsito em julgado, mas tão 
somente de preclusão, uma vez que a pronúncia não põe fim ao processo nem faz 
coisa julgada material, devendo o processo ser remetido ao juiz presidente do 
Tribunal do Júri (art. 421 CPP). 
Esta fase tem, como objetivo, a preparação do processo para que seja 
julgado perante o Tribunal do Júri. O juiz deve então notificar o Ministério Público e 
depois o advogado do réu para que, em 05 dias, apresentem o rol de testemunhas 
que deverão ser ouvidas em plenário (máximo de 05). É possível também juntar 
documentos e requerer diligências (art. 422 CPP). O juiz então deverá deliberar 
sobre os requerimentos e eventualmente conduzir a realização das diligências 
solicitadas. Ao fim, deverá realizar um relatório do processo, fixando uma data para 
a realização da sessão de julgamento. 
Existe uma possibilidade, nesta segunda fase, de que qualquer das partes, 
inclusive o juiz, requeiram ao Tribunal o desaforamento, que permite que o 
julgamento pelo júri seja feito em uma comarca diferente daquela em que correu o 
processo criminal (art. 424, 427 e 428 CPP). 
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Algumas situações indicam o desaforamento, são elas: interesse público; 
dúvida sobre a imparcialidade dos jurados; segurança pessoal do réu; e 
comprovação de que, por excesso de serviço, o julgamento não pode ser realizado 
após seis meses da preclusão da pronúncia. 
Do julgamento no plenário propriamente dito, é importante destacar que há 
uma ordem de prioridade para a organização da pauta de julgamentos, prevista no 
artigo 429 do CPP. Primeiro, devem ser julgados os processos de acusados presos, 
devendo se conferir prioridade aos que mais tempos estiverem na prisão. Depois a 
ordem a ser respeitada é a data da pronúncia, julgando primeiro, por lógica, aqueles 
há mais tempo pronunciados. Insta declinar que qualquer documento só poderá ser 
juntado aos autos com o mínimo de 03 dias úteis, única restrição experimentada à 
possibilidade de se juntar documento em qualquer momento do processo. 
Segundo o artigo 447 do CPP, O Tribunal do Júri será composto por um juiz-
presidente mais vinte e cinco jurados, sorteados aleatoriamente pelo juiz entre todos 
os candidatos alistados, sendo sete desses designados a participar do Conselho de 
Sentença, como bem informa o art. 433 do CPP. No dia do julgamento, o juiz 
presidente, antes de iniciar os trabalhos, deve verificar a presença de no mínimo 15 
jurados. Então irá anunciar o processo que deve ser julgado. Logo depois, serão 
sorteados os jurados, facultadas às partes a recusa imotivada de três jurados cada. 
Outras recusas podem ocorrer, desde que motivadas pelas partes. 
Após o sorteio e formação do Conselho de Sentença, com 07 jurados, o juiz 
presidente deve fazer aos jurados uma exortação de julgar com imparcialidade e 
justiça (art. 472). Depois devem ser entregues aos jurados cópias da pronúncia, de 
decisões posteriores que julgaram admissível a acusação e do relatório feito pelo 
juiz presidente na segunda fase. Aqui há críticas a essa entrega da decisão de 
pronúncia aos jurados, ante o sério risco que tenha laborado em excesso de 
linguagem e possa afetar o julgamento dos jurados. 
Após este procedimento, serão inquiridas as testemunhas, ocorrendo a 
inquirição de modo diverso daquela prevista no procedimento ordinário. Aqui não as 
partes, mas o juiz presidente começa a inquirição, facultando às partes, depois, a 
apresentação de questionamentos. O mesmo ocorre no interrogatório do acusado. 
Os jurados também podem formular perguntas, que serão intermediadas pelo juiz 
presidente. 
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Após estas providências que devem ser tomadas em plenário, serão 
iniciados os debates pelo Ministério Público, que tem uma hora e meia, e depois a 
defesa pelo mesmo tempo. Se for mais de um acusado, este tempo será de duas 
horas e meia para cada parte. O assistente falará sempre depois do Ministério 
Público, e este depois do querelante se for o caso de ação penal privada subsidiária 
da pública. 
A acusação tem ainda a possibilidade de réplica, pelo prazo de uma hora, ao 
que se sucede a tréplica da defesa por igual período de tempo. Em caso de 
múltiplos réus, réplica e tréplica poderão durar até duas horas. 
Durante as alegações em plenário, as partes não poderão fazer referência à 
decisão de pronúncia ou qualquer outra que a confirme, nem ao silêncio do acusado 
ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento. Se qualquer menção for 
feita, cabe o registro em ata para, em caso de prejuízo, alegação da nulidade em 
recurso para o Tribunal (art. 478 CPP). 
Concluídos os debates, o juiz pergunta aos jurados se estão em condições 
de julgar ou se necessitam de algum esclarecimento. Os jurados podem ter acesso 
aos autos ou mesmo aos instrumentos do crime se assim solicitarem ao juiz. A partir 
da dúvida de algum jurado, inclusive, pode se originar a necessidade de proceder a 
alguma diligência, o que levará à dissolução do Conselho de Sentença para a 
realização das diligências. 
O juiz então lerá os quesitos (art. 483 CPP) e os explicará (art. 484CPP), 
conduzindo depois a votação. Os votos deverão ser,em sigilo, apurados, parando a 
contagem quando qualquer quesito receber 04 votos em um determinado sentido. 
Após a votação e vinculado ao seu resultado, o juiz presidente proferirá sentença, 
consoante determina o artigo 492 do CPP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIQUE ATENTO 
Pode o juiz presidente do tribunal do júri reconhecer a atenuante genérica 
atinente à confissão espontânea, ainda que não tenha sido debatida no 
plenário, quer em razão da sua natureza objetiva, quer em homenagem ao 
predicado da amplitude de defesa, consagrado no art. 5º, XXXVIII, a, da CR. É 
direito público subjetivo do réu ter a pena reduzida, quando confessa 
espontaneamente o envolvimento no crime. A regra contida no art. 492, I, do 
CPP deve ser interpretada em harmonia aos princípios constitucionais da 
individualização da pena e da proporcionalidade. [HC 106.376, rel. min. Cármen 
Lúcia, j. 1º-3-2011, 1ª T, DJE de 1º-6-2011.] 
 
 
 
 
IMPORTANTE 
A Constituição Federal da República elenca em seu artigo 5º, inciso XXXVIII a 
instituição do Júri como direito fundamental, estabelecendo que é reconhecida 
a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a 
plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; e 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. 
 
 
 
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3.2 Rito dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos 
 
O procedimento especial dos crimes de responsabilidade dos funcionários 
públicos está previsto no art. 514 ao 518 do CPP e aplica-se a todos os funcionários 
públicos. 
Incialmente impende esclarecer que os crimes funcionais são aqueles 
cometidos pelo funcionário público no exercício das suas funções contra a 
administração pública e estão capitulados nos artigos 312 a 327 do Código Penal e 
artigo 3º da Lei 8.137/1990. Dentre estes estão: 
-Crimes funcionais próprios; só podem ser praticados por funcionários 
públicos, ou seja, a ausência da condição de funcionário público leva a atipicidade 
da conduta. 
-Crimes funcionais impróprios: são aqueles que podem ser praticados 
também por particulares, ocorrendo tão somente uma nova tipificação. A inexistência 
da condição de funcionário público leva a desclassificação para outra infração. 
Tanto os crimes funcionais próprios como os impróprios submetem-se ao 
procedimento especial, bastando apenas que sejam afiançáveis. 
De acordo como o artigo 327 do Código penal, “considera-se funcionário 
público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem 
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a 
funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, 
e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para 
a execução de atividade típica da Administração Pública.” 
O diferencial do rito em questão é que oferecida a denúncia ou queixa-crime, 
o juiz, antes de recebê-la, determinará não só a sua autuação, mas também 
mandará notificar o agente para apresentar a sua defesa preliminar no prazo de 15 
dias, consoante determina o artigo 514 do CPP. A matéria da resposta preliminar 
deve dizer respeito à existência do fato; à autoria; à tipicidade; à licitude; e à 
subsistência da punibilidade. 
Um ponto de discussão jurisprudencial e doutrinária que merece destaque é 
a ausência de notificação para apresentação da resposta preliminar prevista no art. 
514 do CPP quando o crime funcional em questão for afiançável. O entendimento 
consagrado é de que tal notificação é obrigatória, sob pena de nulidade. Nessa 
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ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
 
seara, o Superior Tribunal de Justiça vem adotando a Súmula 330 (STJ), que dispõe 
ser desnecessária essa resposta preliminar na ação penal instruída por inquérito 
policial, banalizando a aplicação desse verbete nos julgados de sua competência. 
Mas de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a 
falta de notificação do acusado para apresentar a defesa preliminar estampada no 
artigo acima acarretará na nulidade do processo, conforme RT 572/412, in verbis: 
"Artigo 514 do CPP. Falta de notificação do acusado para responder, por escrito, em 
caso de crime afiançável, apresentada a denúncia. Relevância da falta, importando 
nulidade do processo, porque atinge o princípio fundamental da ampla defesa. 
Evidência do prejuízo." 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), embora possua preceito sumulado, 
vem adotando o mesmo entendimento, conforme se verifica no RSTJ 34/64-5: 
"Recurso de habeas corpus Crime de responsabilidade de 
funcionário público. Sua notificação para apresentar defesa 
preliminar (art. 514, CPP). Omissão. Causa de nulidade absoluta 
e insanável do processo. Ofensa à Constituição Federal (art. 5º., 
LV). Nos presentes autos, conheceu-se do recurso e deu-se-lhe 
provimento, para se anular o processo criminal a que respondeu 
o paciente, pelo crime do artigo 317 do CP, a partir do 
recebimento da denúncia (inclusive), a fim de que se cumpra o 
estabelecido no artigo 514 do CPP." 
Se o juiz se convencer da inexistência do crime ou da improcedência da 
ação, rejeitará a denúncia ou queixa-crime, conforme artigo 516 do CPP. Caso haja 
o recebimento da denúncia ou queixa, o procedimento passa a seguir o rito ordinário 
(art. 517 CPP). É importante esclarecer que a defesa preliminar não exclui o 
oferecimento de resposta à acusação (art. 396 CPP), a qual deverá ser apresentada 
seguindo-se os demais atos processuais do rito ordinário (art. 518 CPP). 
Assim, não sendo o caso de absolvição sumária, o juiz designará audiência 
de instrução e julgamento que deverá ocorrer no prazo de 60 dias. Na audiência de 
instrução, debates e julgamento, seguirá a ordem estabelecida no art. 400 do CPP, 
ocasião em que o Juiz e as partes poderão requerer ou não diligências. 
Caso não sendo requerida diligência ou se essas forem indeferidas pelo 
magistrado, as partes apresentarão alegações finais orais e em seguida será 
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proferida a decisão. Diante da complexidade dos fatos ou diante do número de 
acusados, o magistrado aplicar o disposto no art. 403 § 3º, que se refere à 
substituição das alegações mencionadas por memoriais escritos e, após, proferirá a 
sentença em 10 (dez) dias. E, nos casos em que forem deferidas diligências, após 
essas serem realizadas, o juiz mandará notificar as partes para apresentarem 
memoriais escritos e, posteriormente, será proferida a sentença, conformeo art. 404, 
parágrafo único. (AVENA, 2009, p. 688) 
 
 
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3.3 Rito dos crimes contra a honra 
 
Os crimes contra a honra são definidos como calúnia, injúria e difamação, 
tipificados nos artigos 138 a 145 do Código Penal. O rito que deverá ser seguido 
para o processamento de referidos crimes está disposto nos artigos 519 a 523 do 
Código de Processo Penal. 
Trata-se de um rito especial, e inicia-se com o oferecimento da queixa-crime, 
conforme estabelece o art. 394, do CPP. O juiz antes de receber a queixa, 
determinará o cumprimento do disposto no art. 520: deverão ser notificado 
querelante e querelado a comparecer, desacompanhados de seus advogados, à 
audiência de reconciliação. 
Os atos que compõem esse rito são iguais ao do procedimento ordinário, 
trazendo dois aspectos distintos, quais sejam: 1. É prevista audiência de conciliação; 
e 2. É admitida a exceção da verdade nos crimes de calúnia e difamação. Assim, a 
ordem desse procedimento envolve os seguintes atos: a) ajuizamento da ação penal 
e audiência de reconciliação – antes que o magistrado receba a queixa-crime e se 
não for o caso de queixa manifestamente inepta, ele ordenará o comparecimento do 
querelante e do querelado para comparecerem à audiência de tentativa de 
reconciliação (art. 520 CPP). 
Na audiência de reconciliação (art. 520, CPP), as partes serão ouvidas 
separadamente pelo Juiz. Primeiro o querelante; depois o querelado. Caso não haja 
conciliação, segue-se, então o procedimento comum sumário ou sumaríssimo, 
conforme a pena máxima cominada ao fato criminoso, com o recebimento da 
queixa-crime, citação e resposta à acusação – não sendo situação para rejeição da 
inicial (art. 395 CPP), o juiz receberá a queixa e concederá o prazo de dez dias para 
que o querelado responda ao petitório inaugural. 
Se o procedimento prosseguir segundo o rito ordinário – após a resposta do 
acusado, seja ou não também apresentada exceção da verdade, o Juiz verificará se 
é cabível alguma das hipóteses previstas no 397 do CPP. Não sendo caso de 
absolvição sumária, segue o rito com designação de audiência de instrução e 
julgamento nos mesmos moldes do rito ordinário (art. 400 e seguintes do CPP). 
 
 
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FIQUE LIGADO 
O Ministério Público tem legitimidade ativa concorrente para propor ação penal 
pública condicionada à representação quando o crime contra a honra é 
praticado contra funcionário público em razão de suas funções. Nessa 
hipótese, para que se reconheça a legitimação do Ministério Público, exige-se 
contemporaneidade entre as ofensas irrogadas e o exercício das funções, mas 
não contemporaneidade entre o exercício do cargo e a propositura da ação 
penal. [Inq 3.438, rel. min. Rosa Weber, j. 11-11-2014, 1ª T, DJE de 10-2-2015.] 
 
 
 
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3.4 Rito dos crimes contra a propriedade imaterial 
 
O rito dos crimes contra a propriedade imaterial está tipificado nos artigos 
524 a 530-I do CPP. 
Os crimes contra a propriedade imaterial estão elencados nos artigos 184 do 
Código Penal, artigos 183 a 195 da Lei n. 9.279/96. 
Os crimes contra a propriedade imaterial seguem o procedimento comum, 
previsto para os crimes apenados com reclusão (rito ordinário), consoante determina 
o artigo 524 do CPP, e como todo crime que deixa vestígios, o exame de corpo de 
delito é condição de procedibilidade para o exercício da ação penal. Conforme 
exigência do artigo 525 do CPP. 
As providências preliminares se diferenciam, pois os crimes contra a 
propriedade imaterial se a titularidade da ação for privada ou pública, devendo ser 
observadas referidos procedimentos sob pena de rejeição liminar da denúncia ou 
queixa. 
No caso de crime de ação penal privada se procede na forma dos artigos 
524 a 530 do CPP (artigo 530-A do CPP): Seguindo o artigo 525 do CPP, é 
necessário um laudo para ter a certeza de que o objeto foi falsificado. Antes do 
querelante oferecer a queixa-crime, exige-se a busca e apreensão e perícia dos 
objetos ilicitamente produzidos. Sem essa providência preliminar, a ação penal será 
rejeitada. Havendo ou não apreensão, o laudo pericial será elaborado no prazo de 3 
dias contados a partir do encerramento da diligência, e depois encaminhado ao juiz 
para homologação (art. 528 CPP).Se o laudo atestar a falsificação, após a 
homologação, a vítima dará início à ação penal com o oferecimento da queixa-crime, 
seguindo as demais fases pelo rito ordinário. 
No caso de crime de ação penal pública se procede na forma dos artigos 
530-B até 530-H (artigo 530 I do CPP): a Autoridade Policial procederá à apreensão 
dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos, em sua totalidade, juntamente 
com os equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua existência, 
desde que estes se destinem precipuamente à prática do ilícito (art. 530-B); 
Na ocasião da apreensão será lavrado termo, assinado por duas ou mais 
testemunhas, com a descrição de todos os bens apreendidos e informações sobre 
suas origens, o qual deverá integrar o inquérito policial ou o processo (art. 530-C); e 
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subsequente à apreensão, será realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por 
pessoa tecnicamente habilitada, perícia sobre todos os bens apreendidos e 
elaborado o laudo que deverá integrar o inquérito policial ou o processo (art. 530-D). 
Efetuada a apreensão, após os exames periciais necessários, a Autoridade 
Policial poderá nomear fiéis depositários de todos os bens apreendidos os titulares 
de direito de autor e os que lhe são conexos conforme dispões o art. 530-E do CPP. 
o juiz poderá determinar a requerimento da vítima, ressalvada a possibilidade de se 
preservar o corpo de delito, a destruição da produção ou reprodução apreendida 
quando não houver impugnação quanto à sua ilicitude ou quando a ação penal não 
puder ser iniciada por falta de determinação de quem seja o autor do ilícito (art. 530-
F, CPP). Após os procedimentos preliminares segue-se o rito ordinário, e em caso 
de condenação por crime de violação de direito autoral, nos termos do art. 530-G do 
CPP, o juiz poderá determinar a destruição dos bens ilicitamente produzidos ou 
reproduzidos e o perdimento dos equipamentos apreendidos. 
 
 
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3.5 Rito da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) 
 
Os procedimentos a serem observados na Lei drogas encontram-se 
disciplinados nos artigos 48 a 59 da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas). Insta declinar 
que os crimes que serão processados perante esse rito estão declinados nos artigos 
33 ao 39 da Lei 11.343/06, não se aplicando, portanto ao artigo 28 da referida Lei 
(porte para consumo pessoal), o qual deverá ser processado pelo rito sumaríssimo. 
 
 
ATENÇÃO 
O rito para o crime do artigo 28 é diverso do rito para o crime de tráfico. Nesse 
sentido, 
quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para 
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar e quem, para seu consumo pessoal, 
semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena 
quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou 
psíquica serão submetidos às seguintes penas: (a) advertência sobre os 
efeitos das drogas; (b) prestação de serviços à comunidade; (c) medida 
educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
Para determinar se a droga se destinava a consumo pessoal, o juiz atenderá à 
natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em 
que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à 
conduta e aos antecedentes do agente. 
 
 
Assim, o processamento do feito dos crimes em questão, será organizado da 
seguinte forma: oferecimento da denúncia, notificação da parte, defesa preliminar 
(art. 55 da lei, prazo de 10 dias), recebimento da denúncia, citação pessoal do 
acusado, Audiência de instrução (interrogatório do réu, oitiva das testemunhas de 
acusação, oitiva de testemunha de defesa) debates orais e sentença. 
De acordo com o determinado no art. 55 da Lei de Drogas, oferecida a 
denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por 
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escrito, no prazo de 10 (dez) dias. Na resposta, consistente em defesa preliminar e 
exceções, o acusado poderá arguir preliminares e invocar todas as razões de 
defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas que pretende 
produzir e, até o número de 5 (cinco), arrolar testemunhas (§ 1º do art. 55). As 
exceções serão processadas em apartado, nos termos dos arts. 95 a 113 do Código 
de Processo Penal (§ 2º do art. 55). 
Se a resposta não for apresentada no prazo, o juiz nomeará defensor para 
oferecê-la em 10 (dez) dias, concedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação (§ 
3º do art. 55). Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cinco) dias (§ 4º do art. 
55). Se entender imprescindível, o juiz, no prazo máximo de 10 (dez) dias, 
determinará a apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias 
(§ 5º do art. 55). 
Ao invés de receber a denúncia de plano (art. 396, caput, do CPP), caso não 
seja hipótese de rejeição, e desde logo mandar citar o réu para apresentar resposta 
escrita, no procedimento da Lei de Drogas o juiz, não sendo caso de rejeição liminar 
da peça acusatória, mandará notificar o denunciado para apresentação de resposta 
escrita, cujo ato antecede o recebimento da denúncia, ao contrário do que ocorre no 
procedimento comum. 
No âmbito da Lei de Drogas, somente após a efetiva apresentação da 
resposta é que o juiz, não sendo caso de rejeição, avaliação mais uma vez 
pertinente após a resposta escrita, irá receber a acusação, designar audiência de 
instrução e julgamento, que será realizada dentro de 30 dias após o recebimento da 
denúncia, salvo se for determinada a realização de avaliação para atestar a 
dependência de drogas, ocasião em que ocorrerá em 90 dias (art. 56, § 2º da lei 
11.343/2006). 
Na audiência de instrução e julgamento, primeiro procederá ao interrogatório 
do acusado, seguindo da inquirição das testemunhas de defesa e acusação, e após 
será dada a palavra à acusação e depois à defesa para alegações orais pelo prazo 
de 20 minutos cada um, prorrogáveis por 10 minutos a critério do juiz (art. 57 da Lei 
11.343/06). Encerrados os debates, o magistrado proferirá a sentença no ato ou o 
fará no prazo de 10 dias (art. 58 da Lei 11.343/06). 
 
 
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FIQUE LIGADO 
O óbice, previsto no art. 44 da Lei 11.343/2006, à suspensão condicional da 
pena imposta ante tráfico de drogas mostra-se afinado com a Lei 8.072/1990 e 
com o disposto no inciso XLIII do art. 5º da CF. [HC 101.919, rel. min. Marco 
Aurélio, j. 6-9-2011, 1ª T, DJE de 26-10-2011.] 
 
 
 
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3.6 Suspensão condicional do processo 
 
A suspensão condicional do processo está estampada no artigo 89 da Lei 
9.099/95 e é aplicável tanto para as infrações penais de menor potencial ofensivo 
(art. 61 da Lie 9.099/95) quanto para os crimes cuja pena mínima abstrata não seja 
superior a um ano. Nesse sentido, vale esclarecer que, embora previsto na Lei dos 
Juizados Especiais, a suspensão condicional do processo figura como norma 
genérica, razão pela qual também é aplicável aos delitos que reclamam outros 
procedimentos, ressalvados os crimes militares que preveem expressa vedação 
quanto à aplicação da lei 9.099/95 no artigo 90-A. 
Portanto, a suspensão condicional do processo é uma medida alternativa 
que tem por objetivo principal evitar a aplicação da pena, desde que presentes as 
condições delineadas pelo caput do art. 89 da Lei n.º 9.099/95. 
Para a concessão do benefício, a lei exige os seguintes requisitos: que o 
crime tenha pena mínima cominada igual ou inferior a um ano; que o acusado não 
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime; que estejam 
presentes os requisitos para a suspensão condicional da pena (art. 77, CP) – a 
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem 
como os motivos e circunstâncias, autorizem a concessão do benefício; que tenha 
ocorrido a reparação do dano. 
 
 
IMPORTANTE 
Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, 
se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de 
um sexto for superior a um ano. [Súmula 723, STF] 
 
 
 Vale lembrar que a suspensão condicional do processo não se 
confunde com a suspensão condicional da pena (sursis-art. 77 a 82 do Código 
Penal), uma vez que a última subordina-se a existência de uma sentença 
condenatória, ao contrário da primeira que tem por finalidade evitar a prolação de 
uma sentença, por meio do sobrestamento da ação penal. 
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 A suspensão condicional da pena é também chamada de “”. Impende 
esclarecer que, quando não houver especificação de que se trata de sursis 
processual, tratar-se-á de suspensão da pena. O instituto da suspensão condicional 
da pena está tipificado no Código Penal, em seu artigo 77, cujo caput dispõe que: “A 
execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser 
suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos.” 
A pena também poderá ser suspensa por “quatro a seis anos, desde que o 
condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a 
suspensão“, conforme o § 2º do art. 77, CP. 
A principal diferença entre os dois institutos está consubstanciado no fato de 
que, em uma, a sentença já foi prolatada, e a pena já foi estabelecida. O que se 
suspende, portanto, é a execução da pena, mas não extingue integralmente a 
punibilidade. Já no final da suspensão condicional do processo, o beneficiado 
permanece sem antecedentes, e na suspensão condicional da pena, sobre o 
beneficiado continuam a incidir os efeitos secundários da condenação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIQUE LIGADO 
O instituto da suspensão condicional do processo constitui importante medida 
despenalizadora, estabelecida por motivos de política criminal, com o objetivo 
de possibilitar, em casos previamente especificados, que o processo nem 
chegue a se iniciar. (...) Em se tratando de instrumento de política criminal 
despenalizadora, o instituto da suspensão condicional do processo exige mais 
do que a aplicação das condições objetivamente consideradas. Vai além: para 
efeito de revogação da suspensão do processo, confere ao julgador 
importante função de sopesar a gravidade de eventual falta no cumprimento 
das condições fixadas, diante da conduta do acusado frente ao benefício. O 
acusado não soube se valer do favor legal que lhe foi conferido, não 
demonstrando o necessário comprometimento com a situação de suspensão 
condicional do processo, em claro menoscabo da Justiça Criminal do Estado. 
Na situação em concreto, deixou o acusado de cumprir uma das condições 
com as quais se comprometeu, respeitante ao comparecimento mensal em 
juízo eleitoral para informar e justificar as suas atividades. O comparecimento 
a juízo constitui obrigação distinta daquela alusiva às justificações para 
viagem, motivo pelo qual não podem as diversas comunicações de viagem 
juntadas aos autos ser encaradas como justificadoras do não comparecimento 
do acusado. [AP 512 AgR, rel. min. Ayres Britto, j. 15-3-2012, P, DJE de 20-4-
2012.] 
 
 
A suspensão condicional do processo é oferecida após a apresentação da 
exordial acusatória, e submete o acusado a um período de prova que pode variar 
entre dois a quatro anos, lapso temporal em que deverá cumprir as condições legais, 
ou outras que o Magistrado reputar convenientes (art. 89, § 1.º, incisos I, II, III, IV, 
Lei 9.099/95), sendo que após o cumprimento integral sem qualquer revogação, será 
decretada a extinção da punibilidade do agente. 
 
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SAIBA MAIS: 
TRIBUNAL DO JÚRI: A INFLUÊNCIA DO PERFIL DO RÉU E DA VÍTIMA NAS 
DECISÕES DO CONSELHO DE SENTENÇA 
Acesse: CONPEDI 
 
 
 
INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 
 
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Forense; São Paulo: Método, 2009. 
 
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BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 16. ed. rev. e 
ampl. São Paulo: Malheiros, 2003. 
 
FERNANDES, Antônio Scarance. Processo Penal Constitucional. 5ª ed. rev. São 
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GRINOVER, Ada Pellegrini; ARAÚJO CINTRA, Antônio Carlos de; DINAMARCO, 
Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo.15ª Ed. Editora Malheiros,1999. 
 
JESUS, Damásio. Código de processo Penal anotado. 22.ed. atual. São Paulo: 
Saraiva, 2006. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
BADARÓ, Gustavo Henrique. Direito Processual Penal: tomo I, Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2008. 
 
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 16. ed. rev. e 
ampl. São Paulo: Malheiros, 2003. 
 
FERNANDES, Antônio Scarance. Processo Penal Constitucional. 5ª ed. rev. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 
 
GRINOVER, Ada Pellegrini; ARAÚJO CINTRA, Antônio Carlos de; DINAMARCO, 
Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo.15ª Ed. Editora Malheiros,1999. 
 
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LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. Niterói, RJ: Impetus, 2012. 
 
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. Volume único. 2ª Ed. 
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MARCÃO, Renato. Curso de Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2006. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Princípios Constitucionais Penais e Processuais 
Penais. 2ª Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 11ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2012. 
 
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