Prévia do material em texto
AULA 3 GESTÃO DE PESSOAS E PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL: JOGOS, DINÂMICAS E TÉCNICAS VIVENCIADAS EM EMPRESA Profª Ana Paula Escorsin 02 CONVERSA INICIAL Para melhor compreendermos os métodos vivenciais para desenvolver as competências de pessoas e de equipes, faz-se necessário analisarmos o que é um grupo, o que é uma equipe de trabalho e como diferenciá-los. Tivemos a oportunidade de analisar o indivíduo e vimos que cada pessoa sente, percebe e se comporta de forma diferente. Quando estamos trabalhando em grupo ou em equipe essas diferenças podem ser benéficas, mas podem trazer dificuldades e comprometer resultados quando não administradas. Torna-se papel da área de gestão de pessoas implementar ações que contribuam para que pessoas aprendam a se relacionar e desenvolvam suas competências interpessoais. Os grupos, por serem um processo de construção coletiva, apresentam uma forma particular de funcionamento. Viver e trabalhar em grupo requer constante aprendizagem. A principal aprendizagem é a dinâmica da vida coletiva, conforme aponta Minicucci (2002). Nos grupos existem forças psicológicas e sociais; essas forças atuam no grupo e são sentidas por meio de atração, rejeição, resistência à mudança, interdependência e equilíbrio entre os indivíduos que compõem um determinado grupo, diz Minicucci (2002). Em um grupo, quando as diferenças são aceitas e tratadas com uma comunicação clara, na qual as pessoas falam o que sentem e têm a possibilidade de dar e receber feedbacks, estabelece-se adequado relacionamento interpessoal, conforme menciona Pessoa (2012), citando Moscovici (2003). Manter relacionamentos harmoniosos no ambiente de trabalho permite que as atividades sejam realizadas com cooperação, havendo integração de esforços e um ambiente agradável. Para compor esta aula, vamos analisar os seguintes temas: Conceitos de grupos; Estágios de desenvolvimento dos grupos; Estrutura dos grupos; Dinâmica de funcionamento dos grupos; Equipes de trabalho. Espero que vocês tenham um excelente aproveitamento dos assuntos que abordaremos nesta aula. Bons estudos a todos! 03 CONTEXTUALIZANDO Como nesta aula vamos trabalhar com os primeiros conceitos que envolvem os grupos e as equipes de trabalho, sugiro que observe e analise uma área de sua empresa. Nessa análise procure identificar: Como essa área está estruturada; Quais são os papéis desempenhados pelos membros; Como as normas foram estabelecidas e se são seguidas; Como é a coesão entre os funcionários da área. Após suas observações, troque ideias com os seus colegas para que vocês possam identificar como diferentes empresas estruturam as suas áreas. Saiba mais Para embasar suas reflexões sobre grupos e equipes, leia: ESCORSIN, Ana Paula; WALGER, Carolina. Liderança e desenvolvimento de equipes. Curitiba: Intersaberes, 2017. Veja o capítulo IV – "Grupos e equipes: o que o líder precisa saber sobre seus liderados?". O livro está disponível na Biblioteca Virtual. Acesse o link: <http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788559723236/pages /129>. TEMA 1 – CONCEITOS DE GRUPOS O grupo surge a partir da necessidade humana de sobrevivência, portanto, o ambiente em que o grupo se desenvolve é um produto do ser humano. O grupo nos ajuda a entendermos quem somos e onde nos encaixamos nas relações com os outros. O senso comum tende a se referir a grupo como sinônimo de equipe, mas eles são diferentes. Um primeiro aspecto a consideramos é que, para a psicologia, grupo é o nome genérico para designar o agrupamento de pessoas, por isso chamamos de dinâmica de grupos e não de dinâmica de equipe. O ambiente corporativo passou a utilizar de forma diferente os termos grupo e equipe. No mundo empresarial a equipe é entendida como um conjunto harmônico de pessoas conscientes umas das outras, de suas habilidades e de suas 04 competências, que se unem para atingir objetivos comuns e demonstram sinergia entre si. Nesse cenário corporativo, o grupo é considerado um estágio anterior de desenvolvimento do trabalho em conjunto. Vamos analisar essas diferenças mais detalhadamente no tema 5. Vejamos agora os conceitos de grupo de forma genérica, conforme compreendidos pela psicologia. 1.1 Conceito Para Pasetto e Mesadri (2012, p. 67), "grupo é definido como dois ou mais indivíduos, interagindo e interdependentes, que se juntam para atingir objetivos particulares". Robbins (2010, p. 262) diz que "grupo é definido como dois ou mais indivíduos, interdependentes e interativos, que se reúnem visando à obtenção de determinado objetivo". Carlos (2013, p. 200 citando Lewin, 1973) diz que a essência de um grupo não está na semelhança ou diferença de seus membros, mas sim em sua interdependência. Escorsin e Walger (2017, p. 129) apresentam uma síntese dessas ideias: "para que um conjunto de pessoas possa ser chamado de grupo, é importante levar em conta quatro critérios: 1. Conjunto de pessoas; 2. Em interação; 3. Interdependente; 4. Objetivo comum. Um grupo pode ser caracterizado como um todo dinâmico, ou seja, caso haja alguma mudança em uma das partes, isso pode modificar as outras partes também. O grau de interdependência de um grupo também pode se modificar: alguns grupos podem ser mais unidos, enquanto outros não o são. Pertencer a um grupo pode trazer segurança a uma pessoa, pois o desempenho do grupo pode favorecer ou desfavorecer a sua autoimagem. As características e os valores das pessoas que formam um grupo podem ser semelhantes, o que contribui para a identificação entre os membros, mas podem ser diferentes ou contrários, o que pode gerar conflitos. Nos grupos, podem surgir diferenças de pensamentos, de forma de tomar decisões, de opiniões e de valores, pois cada pessoa traz para o grupo sua história pessoal, sua personalidade, seus afetos, suas percepções. A pluralidade e a diversidade 05 formam a riqueza de um grupo, mas, também, os problemas, e quando não administrados, esses problemas geram conflitos (Escorsin, 2016, p. 114). Para contribuir com a performance do grupo é que são organizadas técnicas vivenciais. 1.2 Tipos de grupos Robbins (2010, p. 262) apresenta dois tipos de grupos: Formais: "são aqueles definidos pela estrutura de uma organização, com atribuições específicas que estabelecem tarefas necessárias para a realização de um trabalho" (Robbins, 2010, p. 262). Informais: é um tipo de interação entre os indivíduos que ocorre de forma não estruturada formalmente nem determinada por uma organização, mas surge em resposta à necessidade de interação social. Os grupos informais são constituídos por pessoas com interesses similares ou por amigos, os quais não estão relacionados à execução de tarefas formais, determinadas por uma organização, por exemplo: amigos que vão organizar uma viagem, reivindicar algo, a torcida de um time de futebol ou ainda pessoas que têm gostos similares por um tipo de música e se organizam para tocarem juntos (Robbins, 2010, p. 262). Os grupos formais estão relacionados ao ambiente de trabalho, ao ambiente acadêmico, envolvem a execução de tarefas e tendem a ser mais duradouros. Já os informais estão relacionados aos círculos de amizade. Escorsin (2016, p. 112), citando Robbins (2010), menciona que os grupos podem ser classificados em: Grupo de comando: é considerado como grupo formal, está constituído por indivíduos que compõem o conjunto de liderança de uma determinada organização. Esses indivíduos tomam decisões e lideram os grupos. Exemplo: os gerentes de uma empresa, o coordenador de curso de uma faculdade, o presidente de um país, entre outros. Grupo de tarefa: é considerado como grupo formal, está constituído pelos indivíduos que se reúnem para desenvolver uma determinada tarefa, como oscolaboradores de um setor, os alunos em sala de aula. Grupo de interesse: pode ser considerado tanto grupo formal como informal; caracteriza-se pelo conjunto de indivíduos que atuam em conjunto para atingir um objetivo comum. Por exemplo: um grupo de funcionários 06 que se reúnem para realizar um novo projeto ou um grupo de amigos que se reúnem para estudar um determinado conteúdo. Grupo de amizade: é considerado como grupo informal; está constituído por indivíduos que apresentam algumas características semelhantes e que se unem para compartilhá-las. Esse tipo de grupo constitui as relações sociais. Por exemplo: pessoas que praticam um esporte ou têm hobbies similares. Um profissional que atua com gestão de pessoas ou em educação corporativa, ao organizar vivências, dinâmicas ou oficinas, considera que esses grupos se caracterizam por serem grupos formais de tarefa e de interesse, pois são grupos constituídos formalmente, ou seja, os indivíduos que os compõem têm tarefas a serem desenvolvidas e os interesses são semelhantes. Esses interesses são: adquirir novos conhecimentos, ampliar suas habilidades ou aprimorar algumas atitudes. TEMA 2 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DOS GRUPOS Todo grupo, ao se estruturar, passa por um processo evolutivo, pois as pessoas que se reúnem não se conhecem, podem até ser amigos ou trabalharem juntos, mas nunca funcionaram naquele determinado grupo. Esses estágios de desenvolvimento também se aplicam às equipes. Todo conjunto de pessoas unidas tende a seguir esse ciclo, até mesmo um casal os vivencia. Em um programa de treinamento, ao se estruturar uma dinâmica de grupo, esses estágios estarão presentes e precisam ser reconhecidos pelo profissional que conduz a dinâmica. Robbins (2010), citado por Escorsin (2016, p. 115), aponta que esse processo evolutivo está constituído por cinco estágios de desenvolvimento. A seguir, vamos apresentar cada um deles, tudo de acordo com Escorsin (2016, p. 115) citando Robbins (2010). O primeiro é o de formação. Esse estágio se caracteriza pelas incertezas próprias de um grupo em fase inicial. O propósito, a estrutura, os papéis dos membros e a liderança ainda não foram definidos. Os indivíduos não se conhecem o suficiente para saber quais comportamentos são aceitos, os indivíduos estão se reconhecendo. Esse estágio tende a terminar quando os indivíduos começam a pensar em si mesmos como parte do grupo. 07 A tormenta é o segundo estágio. Nessa etapa, os conflitos começam a aparecer. Os membros já aceitam a existência do grupo, mas resistem aos limites impostos à individualidade. Um dos conflitos principais neste estágio é sobre quem fará o controle do grupo. Tão logo a estrutura de liderança esteja concluída, esta fase tende a se concluir. A normatização é o terceiro estágio, no qual se desenvolvem os relacionamentos, o grupo começa a demonstrar coesão, passa a existir identidade coletiva. Os membros assimilam as expectativas em comum, o que gera a definição de comportamentos a serem seguidos pelos membros. Esta fase tende a terminar quando a estrutura do grupo está mais constituída. O desempenho é o quarto estágio, no qual a estrutura do grupo está funcionando e é aceita pelos indivíduos. O foco passa a ser o desenvolvimento da tarefa. O grupo pode transferir as energias que estavam direcionadas para se reconhecerem e se estruturarem para o cumprimento do verdadeiro objetivo do grupo. Quando o grupo é formal, ou seja, quando o foco está direcionado para atividades em organizações, esse estágio tende a ser o último, e a partir dessa fase o grupo se desenvolverá. Quando o grupo é informal, pode haver o quinto estágio, que é o da interrupção. Quando um grupo é formado com o objetivo de técnicas vivenciais, haverá o quinto estágio, pois o grupo será interrompido. O desfecho do grupo precisa ser bem trabalhado, veremos mais sobre isso nos próximos temas. A interrupção é o último estágio. A tarefa para a qual o grupo foi constituído está concluída, o grupo se prepara para a sua dissolução e as atenções se voltam para a conclusão das atividades. Esta fase pode gerar diferentes sentimentos entre os membros, alguns otimistas e confiantes, pois as atividades foram realizadas, outros, porém, podem demonstrar sentimento de perda da amizade ou do convívio. Para Escorsin (2017, p. 116) os conflitos, quando mal resolvidos, podem levar o grupo a regredir a fases anteriores. Por outro lado, é preciso compreender que os conflitos são inevitáveis, e a forma de administrá-los é que faz diferença para melhorar o desempenho do grupo. Uma das aplicações de técnicas vivenciais se dá quando um grupo passa por dificuldades ou tem alguma necessidade em um desses estágios. Por exemplo: ao ser contratado um novo gestor para uma área, essa área terá uma nova estrutura, portanto passará pelos estágios de formação, tormenta e normatização para seguir com o seu desenvolvimento. Assim, os papéis terão que 08 ser reorganizados com a vinda do novo gestor. A área de gestão de pessoas pode e deve organizar um programa vivencial com essa equipe, para que se conheçam e redefinam suas atuações. Isso certamente contribuirá com o desempenho da equipe e com seus resultados. Um outro exemplo: para uma área que está desenvolvendo as suas atividades, mas entra em conflito por alguma coisa, técnicas vivenciais poderão ser organizadas para administrar o conflito gerado e para que a área retome o desenvolvimento de seu trabalho. Ao organizar técnicas vivenciais se torna imprescindível diagnosticar em quais desses estágios o grupo que será trabalhado se encontra, pois a partir de uma análise do grupo pode-se elaborar técnicas que contribuam, efetivamente, para o seu desenvolvimento. Quando formos abordar essa temática, vamos detalhar como fazer tal diagnóstico. TEMA 3 – ESTRUTURAS DOS GRUPOS Todo grupo apresenta uma estrutura, a qual possibilita que os seus integrantes modelem e ajustem os seus comportamentos e o seu desempenho. A estrutura do grupo é formada por cinco variáveis, as quais são: os papéis, as normas, o status, o tamanho e a coesão (Escorsin, 2016, p. 118, citando Robbins, 2010). Vamos, a seguir, analisar cada uma dessas variáveis seguindo Robbins (2010, citado por Escorsin, 2016, p. 118). A primeira variável que vamos analisar é o papel. Este se refere ao conjunto de padrões comportamentais esperados e atribuídos a alguém que ocupa uma determinada posição em um grupo. Cada indivíduo precisa perceber o papel que desempenha ou que precisa desempenhar. Torna-se importante perceber, também, as expectativas associadas a esse papel. As expectativas são as formas de visões que os outros têm de como se deve agir em uma determinada situação. Em um grupo, pode haver conflitos de papéis, pois uma pessoa pode ter a expectativa de desempenhar um tipo de papel, mas os demais integrantes podem esperar que essa pessoa desempenhe outro papel ou ainda, para o grupo atingir seu objetivo, a pessoa precisa desempenha um papel um pouco diferente, mas a própria pessoa pode não perceber (Escorsin, 2016, p. 118, citando Robbins, 2010). A próxima variável se refere às normas. Todo grupo precisa estabelecer as suas regras de convivência e de funcionamento. As normas são os padrões de 09 comportamento compartilhados pelos membros dos grupos. Quando as pessoas concordam e aceitam as normas, estas as influenciam positivamente, havendo menos necessidade de controle. As normas diferem para cada grupo, organização ou sociedade. Em relação às normas, podem haver duas reações entre as pessoas. Uma reação é a de conformidade, ou seja, o acordo entre os membros do grupo e o ajuste dos comportamentos, o que pode ser positivo ao grupo. A outra reação é a de desvio de comportamento, ou seja, o indivíduo pode demonstrar comportamentoinadequado em relação ao acordado, o que tende a ser negativo ao desempenho do grupo (Robbins, 2010, citado por Escorsin, 2016, p. 118). Uma terceira variável é o status. Este se refere à posição ocupada ou atribuída a uma pessoa em um determinado grupo. Surge de três fontes: a) do poder que uma pessoa exerce sobre as outras; b) da capacidade de cada indivíduo contribuir para as metas do grupo; e c) das características pessoais dos indivíduos. Vejamos um exemplo: a uma pessoa pode ser atribuído o status de coordenar o grupo, pois essa pessoa tem competência, habilidade e atitude para liderar. Uma outra pessoa pode ter o status de contribuir com inovações, pois é uma pessoa criativa. Já uma terceira pode ter o status de articulador, pois tem habilidade para se relacionar com diversos conjuntos de pessoas, empresas ou associações. Um outro exemplo: em uma faculdade, há um profissional que coordena o curso, há o professor que ministra aulas e há os alunos. Cada um desses personagens ocupa um status nesse grupo. O status pode ser um fator motivador, mas pode gerar conflitos, principalmente quando ocorre diferença entre o status que um indivíduo imagina ter e o que realmente tem ou precisa ter (Robbins, 2010, citado por Escorsin, 2016, p. 118). A quarta variável é o tamanho do grupo. Este se refere ao número de pessoas que compõem um grupo. O tamanho do grupo pode afetar o seu desempenho. Grupos menores tendem a ser mais rápidos na execução de tarefas, seus membros podem encontrar mais facilidade para realizar as tarefas e as decisões tendem a ser mais rápidas em razão do menor número de ideias. Por outro lado, grupos maiores tendem a ser mais eficazes para a resolução de problemas, justamente pela quantidade de novas ideias. Ao se estruturar um grupo, seja para uma área em uma empresa, seja para um curso ou para uma vivência, é importante definir adequadamente o número de pessoas para que os objetivos do grupo sejam atingidos (Robbins, 2010, citado por Escorsin, 2016, p. 118). 010 A última variável é a coesão. Esta se refere ao nível de envolvimento e a interação entre as pessoas. Representa o grau em que os membros se sentem atraídos entre si e motivados a permanecer no grupo. Um grupo coeso tende a ser mais produtivo e harmonioso, pois há sintonia entre os membros e alinhamento destes com os objetivos do grupo. O desempenho costuma estar atrelado à coesão, ou seja, quanto melhor for a produtividade de um grupo, mais adequada é sua coesão. Grupos com baixa produtividade tendem a ser grupos com dificuldade em suas interações (Robbins, 2010, citado por Escorsin, 2016, p. 118). Quando ocorre algum problema em alguma dessas variáveis, o grupo passa a ter dificuldade. Tal dificuldade pode gerar conflito e comprometer o seu desempenho. Técnicas vivenciais podem ser conduzidas para contribuir com o grupo, para que busque melhorar a sua estrutura. Quando um grupo se inicia, também, pode-se organizar técnicas vivenciais para que a estrutura seja elaborada com a participação de todos. Ao trabalhar com o desenvolvimento de um grupo, torna-se necessário analisar a sua estrutura e estabelecer um diagnóstico coerente para que sejam conduzidas técnicas adequadas à sua melhoria. TEMA 4 – DINÂMICA DE FUNCIONAMENTO DOS GRUPOS A dinâmica de funcionamento de um grupo corresponde aos componentes que constituem a força de ação do grupo, determina os estágios de seu desenvolvimento e os seus processos (Moscovici, 2004, p. 97). Para Escorsin (2017) a dinâmica de funcionamento "tem como finalidade entender como funciona a estrutura de um grupo e como corre a comunicação entre os indivíduos que interagem no processo grupo". Processe a autora, "um grupo representa um campo de forças. Algumas forças levam ao desenvolvimento do grupo e outras, acarretam dificuldades e até o retrocessos para estágios anteriores ". 4.1 Componentes da dinâmica de funcionamento dos grupos Para Escorsin (2017) citando Moscovici (2004, p. 97), os componentes da dinâmica de funcionamento dos grupos são: 011 Objetivo: é preciso que haja objetivo comum entre os membros. Ele precisa ser claro e compreendido e aceito por todos. É preciso que haja compatibilidade entre os objetivos dos indivíduos e os do coletivo. Motivação: é preciso que exista interesse e entusiasmo pelas atividades do grupo. A energia, o envolvimento e o tempo canalizados ao grupo precisam ser semelhantes entre seus intergrantes. A participação e a dedicação precisam ser espontâneas. Comunicação: é importante que todos falem livremente, que não existam bloqueios ou receios. A espontaneidade nas colocações precisa estar presente. O feedback precisa ser direto e aberto. Processo decisório: é necessário identificar como são tomadas as decisões no grupo. É importante verificar se são unilaterias, por imposição ou se a decisão é conduzida pela vontade da maioria e de forma democrática. Relacionamento: é importante verificar se as relações são harmoniosas e se há cooperação entre os indivíduos. É necessário que as relações permitam a real integração de esforços e levem à coesão do grupo. Liderança: é importante identificar como é exercida a liderança do grupo. A distribuição de poder precisa ser clara e coerente. As relações entre líder e liderados precisam ser baseadas em confiança. Inovação: é importante entender como as ideias novas e as sugestões de mudanças são recebidas pelo grupo, como também até que ponto a criatividade é estimulada e exercida num contexto grupal. Esses componentes influenciam a definição das normas de funcionamento e determinam o clima do grupo. Os indivíduos que compõem um grupo trazem consigo seus valores, a interação permite que os membros se conheçam mutuamente e identifiquem pontos em comum e pontos divergentes. Conhecer e clarificar esses pontos é a base para a elaboração das normas da dinâmica de funcionamento do grupo, segundo Escorsin (2017). Na dinâmica de funcionamento dos grupos ocorrem três processos (Escorsin, 2016, p. 124, citando Minicucci, 2007): a operação, a cooperação e a reciprocidade. Quando um grupo está em funcionamento há uma operação, ou seja, há uma ação acontecendo, que é a realização do próprio trabalho do grupo. Porém, é preciso que haja também a cooperação, ou seja, a ação do grupo precisa ser em conjunto e não isolada. A reciprocidade se refere à ajuda mútua entre os 012 membros do grupo. As pessoas precisam ser capazes de compreender os pontos de vista uns dos outros para adaptarem suas participações. 4.2 O termo dinâmica de grupo A partir do conceito da dinâmica de funcionamento dos grupos, o psicólogo alemão Kurt Lewin ampliou a sua utilização. Atividades e jogos cooperativos foram estrutrados e passaram a fazer parte do universo das organizações (como as empresas e as escolas), como meio de treinar e preparar as pessoas para trabalharem melhor em grupo. Surge, assim, o termo dinâmica de grupo (Escorsin, 2017). As dinâmicas de grupo, segundo Escorsin (2017), são técnicas utilizadas para passar ensinamentos sobre como integrar e reunir os indivíduos que compõem um determinado grupo para que compreendam o seu funcionamento e possam trabalhar melhor em prol do atingimento de seus objetivos. Aponta Escorsin (2017) que existem inúmeras técnicas de dinâmica de grupo, as quais são aplicadas por profissionais qualificados e podem ser utilizadas em diversas situações nas organizações, como processo seletivo, treinamento e desenvolvimento, reuniões de trabalho, entre outras. Teremos uma aula específica para abordar o tema dinâmica de grupo como técnica para trabalhar o desenvolvimento de indivíduos que atuam em grupos. TEMA 5 – EQUIPES DE TRABALHO Neste tema, vamos analisar as equipes de trabalho. Estudamos detalhadamente os grupos e verificamos que há algumasdiferenças entre um e outro, porém as equipes passam pelo mesmo processo de estruturação e estágios de desenvolvimento. Para Escorsin e Walger (2017, p. 134), e como vimos no primeiro tema desta aula, grupo é definido como "um conjunto de indivíduos em interação e interdependência com um objetivo comum". Essa definição de grupo pode ser usada para qualquer tipo de grupo: de amigos, da faculdade, para os trabalhos com vivência em grupo. No ambiente corporativo, "um grupo de trabalho interage para compartilhar informações e tomar decisões para ajudar cada membro em seu desempenho na sua área de responsabilidade. Assim o desempenho do grupo é o somatório das contribuições individuais", apontam Escorsin e Walger (2017, p. 134). A chave da 013 definição para uma área que funciona como grupo de trabalho está em "o desempenho como o somatório das contribuições individuais". Agora vejamos como definir equipe de trabalho. Escorsin (2017), citando Robbins (2010), comenta que "uma equipe de trabalho, por sua vez, gera sinergia positiva por meio do esforço coordenado e os esforços individuais resultam em um nível de desempenho maior do que soma de suas contribuições individuais". Prossegue a autora: Em uma equipe o objetivo é atingido através do desempenho coletivo, a interação é resultante da sinergia positiva entre os indivíduos, a responsabilidade é tanto do indivíduo como da coletividade que compõe a equipe e as habilidades são complementares, pois a equipe trabalha com a diversidade entre os indivíduos e entre as competências desses indivíduos. (Escorsin, 2017) Escorsin e Walger (2017, p. 135) cintado Robbins (2005), argumentam que "uma equipe de trabalho gera sinergia positiva por meio do esforço coordenado". Para as autoras, "as equipes permitem que as organizações potencializem seus resultados, porque as pessoas atuam com responsabilidade mútua e têm habilidades complementares". 5.1 Tipos de equipes O atual ambiente corporativo está permeado por uma diversidade de tipos de equipes. Para Robbins (2010, p. 300, citado por Escorsin, 2017) existem diferentes tipos de equipes. A seguir vamos ver cada um desses tipos: Equipe de resolução de problemas: neste tipo de equipe, os membros trocam ideias sobre processos ou métodos de trabalho para que estes possam ser melhorados. A equipe fica junta durante o tempo de solucionar a situação, após isso cada um retorna às suas atividades. Equipes autogerenciadas: neste tipo, os membros realizam trabalhos com um grau elevado de relacionamento e interdependência, assumem responsabilidades com o planejamento e o cronograma de trabalho. O líder da equipe delega tarefas aos membros e estes podem tomar decisões. Equipes multifuncionais: este tipo de equipe é formado por colaboradores de diferentes setores da organização, que se juntam para realizar uma determinada atividade ou criar novas soluções. Equipes virtuais: neste tipo, os membros não se encontram pessoalmente, usando as tecnologias de informática para se reunirem e 014 colaborando on-line para a realização de atividades. Este tipo é muito utilizado quando a organização atua em cidades, estados ou países diferentes. A Figura 1 ilustra graficamente os quatro tipos de equipe de trabalho. Figura 2 – Tipos de equipes Fonte: baseada em Robbins (2010, p. 300) citado por Escorsin (s.d.) Esses tipos de equipes podem acontecer simultaneamente, por exemplo: em uma área, o gestor identifica um problema em um processo; para solucioná-lo envolve funcionários de outras áreas; a equipe tem autonomia para tomar determinadas resoluções e muitas coisas podem ser feitas à distância, por meio de reuniões por Skype, troca de e-mails e videoconferências. Os tipos de equipes apontados por Robbins podem coexistir em uma empresa. Pense no seguinte exemplo: você trabalha na área de RH de uma empresa e vão implantar um programa de desenvolvimento para os líderes, pois detectam que os gestores estão com dificuldade para tomar decisões. Para estruturar esse programa, a direção da empresa organiza um comitê formado por você (profissional de RH), pelo próprio diretor e por alguns gerentes. Essa equipe foi formada para resolver um problema: programa de formação de líderes. Ela será autogerenciável, pois terá a autonomia para definir como o programa ocorrerá, é multifuncional, pois dela participam pessoas de diversas área da empresa, e como a empresa tem filiais em outros estados e alguns gestores desses estados fazem parte da equipe, as reuniões ocorrem via Skype. Assim que o programa de 015 desenvolvimento for estruturado, cada integrante dessa equipe retorna em tempo integral às suas atividades. 5.2 Criando equipes eficazes O gestor tem um papel determinante para que pessoas aprendam a trabalhar em equipe. Para isso, existem programas de desenvolvimento de equipes, com vivências e dinâmicas de grupos. Escorsin e Walger (2017, p. 136), citando Pati (2003) da Revista Exame.com, apontam "os principais erros que os profissionais cometem e que podem comprometer todo o trabalho em equipe". Esses erros, acrescentam as autoras, são: Ser inflexível e não transparente na comunicação; não alinhar o objetivo; comprometimento zero; falta de planejamento e de respeito a prazos; criticar um participante na ausência dele; desvalorizar o trabalho do outro; não assumir erros; ignorar as regras estabelecidas pela equipe; desequilíbrio emocional; não aceitar as diferenças. (Escorsin; Walger, 2017, p. 136, citando Pati, 2003) Vimos alguns erros que comprometem as equipes. Mas então como criar uma equipe eficaz? Robbins (2010, p. 34) nos traz primeiro um questionamento: "o que significa a equipe eficaz?". Para responder a essa indagação, o autor nos remete a três aspectos. Diz o autor que a produtividade da equipe precisa ser medida de forma objetiva; é necessário que o gestor faça a avaliação de desempenho da equipe e que a satisfação dos funcionários seja acompanhada. Para uma equipe eficaz, é preciso que haja atenção do gestor com a organização da área e é necessário atentar para a seleção dos componentes da equipe. Treinar e desenvolver as pessoas e a equipe é um outro fator crítico para que haja sinergia para que se atinjam os objetivos. Avaliar desempenho e recompensar de forma adequada os funcionários são fatores que contribuem para o engajamento deles. Por outro lado, é necessário que as diretrizes para a equipe estejam claramente estabelecidas. Assim sendo, para que haja uma equipe eficaz, vimos que é necessária uma somatória de coisas, as quais precisam acontecer de forma sistêmica. Robbins (2010, p. 304), citado por Escorsi (2017), apresenta três aspectos referentes à estruturação da equipe que contribuem para sua eficácia. São eles: Contexto: este aspecto está relacionado ao desempenho da equipe. Para que apresente resultados, é preciso que a equipe tenha recursos 016 adequados, liderança, estrutura, clima de confiança e um sistema de avaliação de desempenho e de recompensa. Composição: este aspecto está relacionado aos integrantes da equipe, referindo-se à capacidade, a personalidade e a diversidade entre os membros. Processos da equipe: este aspecto está relacionado à variedade de processos e atividades, ao estabelecimento de metas possíveis de serem alcançadas, à autoconfiança da equipe e ao nível de conflito. Para concluirmos este tema, cabe uma indagação. O que é melhor: um grupo ou uma equipe de trabalho? Podemos concluir que tanto o grupo de trabalho como a equipe de trabalho devem apresentar resultados e atuar bem em conjunto. Porém, nem sempre uma área de uma empresa consegue ou pode funcionar no formato de equipe de trabalho. Por exemplo: uma área de vendas na qual cada vendedor atua em uma região do país. Nesse caso, pode-se dizer que essa área funcionamais no formato de grupo de trabalho, pois cada vendedor tem suas atividades, está ciente de seus papéis, tem objetivos claros, atinge resultados; no entanto, os funcionários têm pouco contato entre si. Assim, pode-se dizer que essa área de vendas atua no formato de grupo e não no formato de equipe. Apesar de essa área de vendas requerer esse formato de funcionamento, as pessoas podem ser desenvolvidas como grupo e, com isso, trabalharem melhor como conjunto. FINALIZANDO Nesta terceira aula, abordamos os grupos e tivemos a oportunidade de analisar os diversos fatores que compõem um grupo, como: o seu estágio de desenvolvimento, a sua estrutura e a sua dinâmica de funcionamento. Vimos que o termo grupo é utilizado pela psicologia de forma genérica para se referir a um conjunto de pessoas que se unem em prol de um objetivo comum. A partir desse conceito, as organizações passaram a adotar o termo equipe de trabalho. Compreendemos que nem sempre o funcionamento de uma área no formato de equipe de trabalho é a solução, pois existem áreas que precisam funcionar como grupo de trabalho. O importante é que tanto a equipe como o grupo tenham coesão para que os resultados sejam alcançados. 017 Entender a estrutura e o funcionamento de grupo (seja atuando com grupo de trabalho, seja como equipe de trabalho) é de fundamental importância para profissionais que atuam na área de gestão de pessoas e com educação corporativa, pois desenvolver as competências dos indivíduos para que a convivência possibilite interações positivas, que levem à melhoria de resultados e contribuam para que haja qualidade de vida no ambiente corporativo torna-se o objetivo principal das técnicas vivenciais que veremos nas próximas aulas. 018 REFERÊNCIAS CARLOS, Sergio A. O processo grupal. In: STREY, Marlene N. et al. (Org). Psicologia social contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2013. ESCORSIN, Ana Paula. Psicologia e desenvolvimento humano. Curitiba: InterSaberes, 2016. _______. Psicologia organizacional – Aula 5. Curitiba: Centro Universitário Uninter. Disponível em: <https://www.scribd.com/document/328421132/Aula-5- Psicologia-Organizacional>. Acesso em: 12 out. 2017. ESCORSIN, Ana Paula; WALGER, Carolina. Liderança e desenvolvimento de equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. LOTZ, Erika Gisele; GRAMMS, Lorena Carmen. Gestão de talento. Curitiba: InterSaberes, 2012. MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de grupo: teorias e sistemas. São Paulo: Atlas, 2002. MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 14. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004. PASETTO, Neusa S. Vítola; MESADRI, Fernando E. Comportamento organizacional: integrando os conceitos da administração e da psicologia. Curitiba: InterSaberes, 2012. PESSOA, Juliana. Relacionamento interpessoal: desenvolvimento pessoal e profissional. Portal Educação, 28 nov. 2012. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/recursos- humanos/relacionamento-interpessoal-desenvolvimento-pessoal-e- profissional/22372>. Acesso em: 12 out. 2017. ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.