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ASSESSORIA, CONSULTORIA E 
AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS, 
PROGRAMAS E PROJETOS 
SOCIAIS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Neiva Silvana Hack 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá, alunos! Nesta aula, vamos adentrar no conhecimento conceitual 
acerca de assessoria e consultoria. Temos como objetivo geral “compreender o 
significado e a aplicação dos conceitos de assessoria e consultoria”. Serão 
consideradas as especificidades que cabem a esses dois principais conceitos, 
abordando principalmente suas convergências. 
Nossa abordagem compreenderá aspectos teóricos e exemplos práticos, 
de modo a orientar de forma mais precisa a apreensão do conteúdo. 
Bons estudos! 
TEMA 1 – O QUE É ASSESSORIA? 
Quando falamos de assessoria, abordamos a prestação de um serviço 
profissional especializado em uma temática específica. Tal como podemos 
exemplificar: assessoria de imprensa; assessoria jurídica; assessoria contábil; 
dentre tantas outras modalidades. De qualquer modo, sempre que se busca um 
assessor, tem-se em vista que ele ofertará um saber qualificado para apoiar o 
assessorando na realização de suas atividades profissionais ou projetos 
pessoais. 
Podemos conceituar assessoria como “órgão ou conjunto de pessoas que 
assessoram um chefe ou uma instituição especializada na coleta de dados 
técnicos, estatísticos ou científicos sobre uma matéria” (Matos, 2010, p. 31). Ou, 
de uma forma mais complexa, “como uma ação que auxilia tecnicamente outras 
pessoas ou instituições, graças a conhecimentos especializados em 
determinado assunto, assim, o assessor é tido como um assistente, adjunto, 
auxiliar ou ajudante que detém conhecimentos que possam auxiliar a quem 
assessora” (Matos, 2010, p.31). 
Assim, temos que a assessoria é uma relação profissional entre um 
assessor e um assessorado. O assessorado pode ser uma única pessoa, um 
grupo de pessoas, uma equipe, um colegiado, entre outros. O assessor pode 
compor o quadro profissional da instituição em que atua, como também pode ser 
um membro externo. O grande diferencial é que traz possui conhecimentos 
específicos que podem contribuir com as lideranças nas tomadas de decisão, 
bem como com todo o conjunto, na operacionalização de suas atividades. 
 
 
3 
A Assessoria, por vezes é confundida com “consultoria” e com “supervisão 
profissional”. Cabe fazer algumas considerações. A assessoria desenvolve-se 
como um processo, com certa periodicidade, ao passo que a consultoria está 
mais relacionada à intervenção pontual de um profissional especializado, que 
possa analisar e emitir uma opinião acerca de uma situação específica. (Matos, 
2010). 
Vale ressaltar, contudo, que a maioria dos elementos que estudaremos 
acerca da assessoria cabem também para a consultoria. Ambas se diferenciam 
pela frequência/periodicidade da intervenção, mas estão alinhadas no que se 
refere às demandas que atendem, ao perfil do profissional e à necessidade de 
aprimoramento técnico e teórico constante. 
No que diz respeito à diferença entre assessoria e supervisão profissional, 
a grande distinção está no grau de promoção da autonomia pela assessoria, que 
se distingue da lógica de “mando/obediência”, que está implícita nas relações 
entre supervisores e supervisionados, tal como vemos na seguinte explicação: 
Conforme já afirmado, percebemos que há uma confusão na categoria 
profissional de se compreender a supervisão profissional como 
assessoria, sendo que Vieira (1981) já alertava que a diferença está no 
grau de autonomia que a assessoria pressupõe, pois a supervisão 
profissional, por mais democrática que seja, tem – pelo local que ocupa 
na organização – um poder de mando. (Matos, 2010, p. 36 e 37) 
Para compreender ainda melhor esse conceito, vamos abordar nos 
próximos tópicos o perfil do assessor e as demandas da assessoria. 
TEMA 2 – PERFIL DO ASSESSOR 
Seria todo profissional graduado um assessor? O que diferencia um 
assessor de outros profissionais da mesma área? Quais as habilidades 
necessárias para ser um assessor? 
Essas perguntas nos estimulam a pensar sobre o perfil desse profissional, 
que se denomina ou é reconhecido como assessor. Comecemos nossa reflexão 
com o seguinte conceito: 
O assessor tem, como uma de suas características, a capacidade de 
apresentar estratégias a serem empreendidas por uma equipe ou a um 
sujeito que assessora, para tanto, deve ser alguém com capacidade 
de, com base na análise da realidade, apresentar estratégias factíveis 
de serem implementadas. (Bravo; Matos, 2010, p. 20) 
 
 
4 
O assessor é, portanto, um profissional com conhecimento e experiência 
na área em que pretende assessorar, e apresenta, aliadas a essas 
características, habilidades como: criatividade, criticidade e comprometimento. 
Portanto, não basta a graduação em determinada área ou qualquer outra 
titulação, se o profissional não tiver também acumulado conhecimentos técnicos, 
teóricos e vivenciais, que permitam um olhar ampliado acerca das questões 
sobre as quais assessora. (Fonseca, 2010; Oliveira, 2010). 
Ao observarmos a seguinte elaboração acerca das exigências para 
praticar a assessoria, será possível compreender ainda mais sobre o perfil deste 
profissional: 
aspecto importante para a assessoria é a necessidade de adotar 
postura propositiva. É fundamental, mas insuficiente, a capacidade de 
elaborar boas avaliações da situação sobre a qual se debruça. 
Assessorar, portanto, requer o potencial de prever desdobramentos, 
apontando possíveis quadros, e não se furtando à tarefa de afirmar 
qual deles concentra a maior possibilidade de sucesso. Estes desafios 
implicam desenvolver capacidades argumentativa, crítica e autocrítica. 
Propor medidas, apresentar sugestões e desenvolver críticas 
construtivas devem fazer parte do cotidiano da assessoria. (Oliveira, 
2010, p. 95) 
Assim, observa-se que o assessor precisa ter habilidades para interpretar 
a realidade, bem como interagir com os diversos atores envolvidos. Com base 
em sua vivência e seu arsenal teórico e técnico, deverá avaliar a situação que 
assessora e ser capaz de apontar vias de solução para problemas; melhoria de 
processos; além de correção de equívocos éticos, legais e operacionais. 
Destaque-se, contudo, que tal habilidade deve compreender a capacidade de 
envolver os assessorados na solução dos problemas, promovendo sua 
autonomia e qualificação. (Fonseca, 2010; Oliveira, 2010). 
TEMA 3 – DEMANDAS PARA ASSESSORIA 
Quando pensamos em assessoria, é importante refletir sobre quem 
demanda o serviço. Quais são as pessoas, áreas e/ou situações que requerem 
a intervenção de um profissional especializado? 
As demandas por assessoria/consultoria surgem quando se percebe a 
necessidade de suporte profissional altamente qualificado em determinada 
temática. “O trabalho de um consultor se inicia quando uma determinada 
situação é julgada insatisfatória e capaz de ser melhorada; e se encerra 
 
 
5 
teoricamente, quando ocorreu uma mudança nessa situação. Mudança essa que 
deve ser encarada como uma melhoria”. (Kubr, 1980, p. 3) 
Como já vimos, as demandas por assessoria/consultoria estão 
relacionadas a diversas áreas, tais como: direito, imprensa e finanças. No que 
se refere a assessorias na área social, podemos tratar de três grandes frentes 
de trabalho: as políticas públicas; a mobilização; e os projetos sociais da 
iniciativa privada. 
3.1 Assessoria em políticas públicas 
No campo da operacionalização das atividades do Poder Executivo, por 
meio das políticas públicas, é recorrente a demanda por assessorias, tanto 
internas quanto externas. Gestores que se alteram à medida que muda o chefe 
do Poder Executivo; ou equipes que se renovam ou transitam entre setores 
distintos de uma mesma Secretaria – são realidades comuns no cotidiano das 
políticas públicas, gerando, assim, demandas por capacitação e suporte 
profissional especializado. Existem cargos/funções de assessor técnicoligados 
às chefias e para suporte de equipes; existem as atividades de assessoria 
próprias das equipes das gestões federal e estadual para suporte aos 
municípios; bem como há a possibilidade de contratação de assessores 
externos, tanto para apoio aos gestores quanto para os profissionais de campo. 
(Bravo; Matos, 2010; Matos, 2010) 
3.2 Assessoria em mobilização 
No campo da mobilização, são identificadas as demandas relacionadas 
aos movimentos sociais; à organização de usuários e/ou de profissionais; e à 
organização de estratégias para fortalecimento político de uma pauta. Muitas 
vezes os grupos sociais organizados demandam um assessor capaz de 
contribuir com conhecimento técnico específico, seja na interpretação crítica do 
cotidiano, na legislação e políticas sociais, ou com ferramentas que permitam a 
promoção da cidadania. Exemplo nesse campo é a assessoria prestada a 
conselheiros de políticas públicas ou de defesa de direitos. (Bravo; Matos, 2010; 
Matos, 2010) 
3.3 Assessoria em projetos sociais da iniciativa privada 
 
 
6 
Quando falamos de iniciativa privada, contemplamos tanto as demandas 
de empresas, que têm finalidade lucrativa e interesse em desenvolver projetos 
sociais voltados para seus públicos internos e/ou externos, como também as 
necessidades apresentadas por instituições sem finalidade econômica, que 
pretendem atuar no campo social. Os conhecimentos especializados 
demandados nessas áreas são diversos, tais como: benefícios previdenciários; 
prevenção ao abuso de álcool e drogas; gestão de projetos sociais; captação de 
recursos; diagnósticos participativos, entre outros. (Bravo; Matos, 2010) 
TEMA 4 – APRIMORAMENTO E CONHECIMENTO DA REALIDADE 
Uma exigência própria do trabalho do assessor é a dedicação constante 
voltada ao aprimoramento intelectual, bem como o conhecimento da realidade 
em que prestará assessoria. Trata-se de uma atividade que requisita um 
conjunto de conhecimentos amadurecidos pela experiência e pela análise crítica, 
que sejam atualizados ao máximo. Implica ainda saberes a serem construídos 
de forma personalizada acerca do município, empresa, grupo, política pública ou 
outra área que demanda intervenção. (Matos, 2010; Fonseca, 2010; Ruiz, 2010) 
Observemos o que Fonseca (2010, p. 53) aponta acerca da necessidade 
de conhecimento demandada para a realização de assessorias na área do 
Serviço Social: 
Como em todo trabalho de Serviço Social é necessário conhecermos 
a realidade em que estamos nos inserindo, isso significa: uma leitura 
profunda sobre a região geográfica, conhecimento sobre os assuntos 
com que trabalham a equipe ou a pessoa a ser assessorada, 
conhecimento da instituição e das condições de vida e de trabalho dos 
sujeitos a serem assessorados. É impossível começar um processo de 
assessoria sem saber em que pressupostos e em que condições 
objetivas os assessorados atuam. 
É possível afirmar que, sem dedicação em qualificação constante e 
conhecimento da realidade, a assessoria não será adequada. 
TEMA 5 – PROMOÇÃO DA AUTONOMIA 
Outro aspecto fundamental para a prática da assessoria é a compreensão 
clara de que seus processos devem ser promotores de autonomia e nunca de 
dependência. 
Deve-se ter em vista que o assessor problematizará a situação, 
contribuirá com novos saberes e apontará caminhos possíveis. O ideal é que tais 
 
 
7 
caminhos já sejam produção dos assessorados, em decorrência do processo de 
assessoria. Contudo, mesmo quando há a necessidade de o assessor 
estabelecer um posicionamento tomando como base seu ponto de vista, ele não 
será impositivo. Sendo assim, o assessorado tem autonomia para tomar uma 
decisão contrária ou diferente da que foi proposta pelo assessor, se assim 
considerar mais adequado. Inclusive, tal atitude não pode ser classificada como 
rebeldia do assessorado ou como incompetência do assessor, mas sim como o 
exercício da autonomia inerente ao processo. 
Essa autonomia deve, inclusive, ser estimulada, tal como se vê a seguir: 
Se é prerrogativa da assessoria uma relação de autonomia entre os 
sujeitos envolvidos neste processo – assessor e assessorado – torna-
se relevante se atentar que cabe ao profissional, ao oferecer o seu 
trabalho de assessoria, problematizar junto aos usuários a 
necessidade de sua organização política tanto dentro da instituição [...], 
como fora da instituição [...]. Mas nunca realizar uma relação de tutela 
ou empreender alguma ação em nome dos usuários. (Matos, 2010, 
p.48) 
Dessa forma, impõe-se também uma perspectiva de temporalidade aos 
processos de assessoria, construindo metas a serem alcançadas dentro de um 
período determinado de tempo, sem correr o risco de acarretar dependências. 
(Oliveira, 2010). 
NA PRÁTICA 
Faça uma pesquisa entre os seus contatos profissionais ou pessoais, 
acerca de alguém que desempenha atividade de assessor ou que já solicitou 
trabalhos de assessoria. Pode ser em qualquer área! Converse com a pessoa e 
peça-lhe para compartilhar sua opinião acerca das principais atividades e do 
perfil do assessor. Registre, em seu material de estudo, o resultado da pesquisa. 
FINALIZANDO 
Esta aula foi fundamental para aprofundar os conhecimentos acerca do 
conceito de assessoria e de sua aplicabilidade. Ao longo da aula, trabalhamos 
os diferentes conceitos que envolvem o termo assessoria; o perfil do assessor e 
as exigências para a prática; e as demandas institucionais e profissionais 
características da assessoria. Trabalhamos ainda a exigência que se faz ao 
assessor de que se mantenha sempre qualificado e atualizado teoricamente, 
bem como conheça com antecedência a realidade em que deverá atuar. Por fim, 
 
 
8 
discutimos a necessidade de se promover a autonomia do assessorando, 
evitando a dependência em relação ao assessor. 
REFERÊNCIAS 
BRAVO, M. I. S.; MATOS, M. C. de (Orgs.). Assessoria, Consultoria e Serviço 
Social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010. 
FONSECA, T. M. da. Análise da literatura profissional sobre a temática da 
assessoria. In BRAVO, M. I. S. MATOS, M. C de (Orgs.). Assessoria, 
Consultoria e Serviço Social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 58-82. 
KUBR, M. Consultoria: um guia para a profissão. Rio de Janeiro: 
Interamericana, 1980. 
MATOS, M. C. de. Assessoria e consultoria: reflexões para o Serviço Social. In: 
BRAVO, M. I. S. MATOS, M. C. de (Orgs.). Assessoria, Consultoria e Serviço 
Social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 29-57. 
OLIVEIRA, A. G. de. Assessoria e Serviço Social: a articulação entre ensino, 
pesquisa e extensão na Faculdade de Serviço Social da UERJ. In: BRAVO, M. 
I. S. MATOS, M. C. de (Orgs.). Assessoria, Consultoria e Serviço Social. 2. 
ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 109-140. 
RUIZ, J. L. de S. A experiência de assessoria política ao Conselho Regional de 
Serviço Social. In: BRAVO, M. I. S. MATOS, M. C. de (Orgs.). Assessoria, 
Consultoria e Serviço Social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 29-57. p. 83-
108.

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