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Seja bem Vindo! 
Curso de 
 Sustentabilidade de Práticas 
 Carga horári 60a: hs
 
 
3 
Conteúdo: 
 
Compreensão do conceito de sustentabilidade .................................................... Pág. 9 
O que é sustentabilidade? .................................................................................... Pág. 11 
Princípios da Sustentabilidade ............................................................................. Pág. 12 
O que são práticas de sustentabilidade? ............................................................. Pág. 14 
A cidadania e o pensamento ecológico ................................................................ Pág. 18 
A importância da educação ambiental nas escolas ............................................. Pág. 33 
Legislação ambiental ........................................................................................... Pág. 38 
A sustentabilidade através da reciclagem ............................................................ Pág. 48 
O que é reciclagem? ............................................................................................ Pág. 48 
A importância da coleta seletiva ........................................................................... Pág. 49 
Materiais que podem ser reciclados ..................................................................... Pág. 51 
Técnicas de reciclagem ........................................................................................ Pág. 56 
Dicas e curiosidades ............................................................................................ Pág. 62 
A sustentabilidade nas empresas ........................................................................ Pág. 64 
Por que a sustentabilidade e a responsabilidade social interessam para as 
empresas? ........................................................................................................... Pág. 64 
Exemplos de sustentabilidade: o que tem sido feito no Brasil e no mundo .......... Pág. 66 
Como desenvolver um programa de sustentabilidade em sua empresa .............. Pág. 70 
Princípios da governança corporativa .................................................................. Pág. 74 
No que consiste a política de redução da emissão de carbono? ......................... Pág. 75 
Como aumentar seus clientes e suas vendas utilizando-se das práticas de 
sustentabilidade? ................................................................................................. Pág. 82 
Práticas de sustentabilidades realizadas no dia a dia .......................................... Pág. 87 
Política dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar .................................................... Pág. 87 
A importância de diminuir o consumo de água .................................................... Pág. 89 
Por que economizar no consumo de energia elétrica? ........................................ Pág. 94 
Pilhas e baterias usadas: por que são tão perigosas e o que fazer com elas? .... Pág. 97 
Como preparar o lixo caseiro para a coleta seletiva ............................................ Pág. 101 
Como aproveitar melhor os resíduos orgânicos ................................................... Pág. 102 
Como se comportar na natureza para evitar danos ambientais ........................... Pág. 106 
 
 
9 
Unidade 1 – Compreensão do conceito de sustentabilidade 
 
 
Em primeiro lugar, devemos considerar que Sustentabilidade possui 
um conceito sistêmico, ou seja, a Sustentabilidade está relacionada com a 
manutenção dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da 
sociedade em todas as suas dimensões. 
 
A Sustentabilidade propõe um modo de vida no qual as pessoas 
possam satisfazer as suas necessidades de subsistência no presente 
preservando a biodiversidade e os ecossistemas para que as gerações 
futuras possam igualmente desfrutar desses recursos com qualidade de 
vida. 
 
Diversos níveis de organização estão envolvidos nessa proposta, a 
começar pelo seu bairro, com a vizinhança local empenhada em pensar e 
agir de forma sustentável. Os empreendimentos sustentáveis começam com 
ações como a separação do lixo em casa e vão até as ações globais com 
vistas à política de preservação do meio ambiente. 
 
Para ser sustentável, um empreendimento deve ter quatro princípios 
básicos: 
 
1) ser ecologicamente correto; 
2) ser economicamente viável; 
3) ser socialmente justo; 
4) ser aceito culturalmente. 
 
Para um melhor entendimento do conceito de Sustentabilidade, 
vejamos o exemplo das Ecovilas: 
 
 
 
Casa sustentável em Ecovila no interior paulista: o telhado ecológico capta 
água da chuva e reduz erosão 
 
 
 
10 
Em busca de alternativa ao trânsito intenso e à saturação urbana das 
metrópoles, muita gente está optando pelas Ecovilas, que podem ser 
definidas como condomínios urbanos ou rurais sustentáveis onde predomina 
o convívio com a natureza e a ordem é o equilíbrio e a preservação, com 
técnicas de reciclagem e reaproveitamento dos recursos naturais. 
 
Esses empreendimentos reconhecidos pela Organização das Nações 
Unidas (ONU) como modelo de sustentabilidade já somam mais de 15 mil no 
mundo, segundo informações da Rede Global de Ecovilas. Para funcionar de 
forma compatível com os ideais de vida social harmônica integrada a um 
estilo de vida sustentável, essas comunidades são organizadas a partir de 
princípios bem definidos: 
 
a) Os alimentos são produzidos de forma local e orgânica, sem 
utilização de agrotóxicos ou pesticidas. 
 
b) A energia é produzida a partir de sistemas renováveis. 
 
c) As casas são construídas com material de baixo impacto 
ambiental, técnicas conhecidas como bioconstrução ou arquitetura 
sustentável. 
d) São adotados esquemas de apoio social e familiar, com 
estímulo à diversidade cultural e espiritual. 
 
e) A governança é circular e o poder é exercido de forma mútua, 
com experiências inovadoras de tomada de decisões e consensos. 
 
f) Adoção de sistemas alternativos de compra e venda, como a 
Economia Solidária, Cooperativismo e Redes de Trocas. 
 
g) Prática de preservação e manejo dos ecossistemas presentes 
no local. 
 
h) Ativismo local e global em defesa do meio ambiente. 
 
Outro exemplo significativo de Sustentabilidade que mobiliza muitas 
comunidades é a Permacultura. Trata-se de um método holístico que visa o 
planejamento, atualização e manutenção de jardins, vilas, aldeias e 
comunidades ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e viáveis do 
ponto de vista financeiro. 
 
A Permacultura foi criada na década de 1970 pelos ecologistas 
australianos Bill Mollison e David Holmgren e seu nome deriva de permanent 
agriculture, agricultura permanente. O termo foi estendido para permanent 
culture, ou cultura permanente. Inicialmente, a ideia era de sustentabilidade 
ecológica, conceito que evoluiu para a sustentabilidade das comunidades. 
 
Os princípios da Permacultura estão baseados nas ideias de Mollison. 
Ele afirmava que a única decisão verdadeiramente ética é a 
 
 
11 
responsabilidade que cada um toma para si sobre sua própria existência e 
sobre a existência de seus filhos. 
 
O conceito enfatiza a aplicação de forma criativa dos princípios 
básicos da natureza, buscando a integração de plantas, animais, 
construções e pessoas para proporcionar um ambiente produtivo, estético e 
harmônico. Há nessa proposta um paralelo com a Agricultura Natural, cujos 
conceitos inspiraram os criadores da Permacultura. 
 
Agora que já descrevemos o conceito de Sustentabilidade e 
buscamos dois exemplos práticos sobre o tema, vamos concluir com um 
resumo essa conceituação antes de partir para o próximo passo do nosso 
curso. 
 
Lembre-se: Sustentabilidade é a exploração racional e equilibrada 
dos recursos naturais no desenvolvimento de qualquer atividade, seja 
utilizando os dois lados de uma folha de papel ou separando o lixo para a 
coleta seletiva, seja adotando medidasde menor impacto ambiental ao 
construir um edifício. 
 
Mesmo nas atividades com grande impacto ambiental, como o corte 
de árvores ou a construção de uma hidrelétrica, é possível adotar práticas 
sustentáveis, de redução de danos ou de reparação ao meio ambiente e às 
comunidades, sem que isso comprometa a viabilidade econômica do projeto. 
 
 
1.1 – O que é sustentabilidade? 
 
Vamos supor que o aluno ainda não esteja suficientemente com o que 
viu até agora sobre o conceito de Sustentabilidade. Nesse caso, podemos 
ser ainda mais diretos e específicos para embasar uma definição mais 
específica sobre o tema. 
 
Agir de forma sustentável, ou seja, promover a sustentabilidade, é agir 
buscando os melhores resultados para as pessoas, para a sociedade e para 
o meio ambiente da atualidade e também do futuro. 
 
Portanto, Sustentar é suprir as necessidades de agora de forma a que 
aqueles que virão depois de nós, as gerações futuras, possam suprir as 
suas necessidades contando com os mesmos ou melhores recursos naturais 
de que dispomos no presente. 
 
O termo Sustentável tem origem na palavra latina sustinere, ou seja, 
manter vivo, defender, preservar. No âmbito econômico, um projeto 
sustentável é aquele que defende ou restitui os recursos consumidos na sua 
execução, levando em conta que as ações praticadas no presente têm 
consequências sobre as futuras gerações. Ou seja, não basta devolver ao 
meio ambiente os recursos consumidos, mas é necessário relacionar o 
consumo com a manutenção dos recursos. 
 
 
12 
Como veremos no decorrer deste curso, a Sustentabilidade é um 
conceito que dialoga cada vez mais com as atividades humanas em todos os 
níveis, a começar pelas ações conscientes no cotidiano doméstico, 
passando por métodos e processos sustentáveis no ambiente corporativo e 
estende-se ao âmbito econômico. 
 
Veremos que a Gestão Sustentável de uma empresa, comunidade, ou 
país devem levar em conta a recuperação e valorização de capitais 
humanos, natural e monetário de forma a agregar valor aos resultados. 
 
Apenas para que possamos refletir acerca da importância da 
Sustentabilidade, lembremos que, de toda matéria-prima extraída da 
natureza, apenas um décimo se transforma efetivamente em produtos, 
sendo que 90% desses recursos se transformam em resíduos descartáveis 
ou recicláveis. 
 
Portanto, minimizar o desperdício e assegurar a preservação e a 
renovação das fontes de recursos do meio ambiente é um compromisso que 
a sociedade contemporânea vem assumindo de forma cada vez mais 
responsável, com ações, projetos e legislação com vistas à Sustentabilidade. 
 
 
1.2 – Princípios da Sustentabilidade 
 
Conforme vimos anteriormente, a Sustentabilidade está relacionada 
com a manutenção dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais 
da sociedade em todas as suas dimensões. A seguir, vamos contextualizar 
alguns princípios da Sustentabilidade. 
 
Prevenção – Você certamente já ouviu a afirmação de que é mais 
fácil prevenir do que remediar. Pois em se tratando de meio ambiente, essa 
é também uma verdade cristalina. Também custa muito menos prevenir a 
degradação ambiental e a poluição do que investir em processos de 
recuperação e limpeza. 
 
Nossa Legislação Ambiental tornou-se uma das mais rigorosas e 
aprimoradas do mundo e já não basta que uma empresa implante estações 
de tratamento de resíduos como solução permanente, pois esse tipo de 
investimento apenas transfere a poluição para outro meio ou ecossistema, 
além de envolverem altos custos. 
 
A melhor forma de prevenir é exercer o controle integrado de poluição 
por meio de um sistema regulatório que abranja todos os aspectos 
ambientais. Esses métodos de controle integrado não estão restritos às 
empresas, mas podem ser adotados por condomínios, ecovilas ou 
comunidades em geral. 
 
Através deles, é possível identificar as atividades que tenham 
impactos negativos na qualidade de vida local. Por exemplo, ao invés de 
 
 
13 
manter uma simples estação de tratamento de efluentes antes de despejá-
los no rio, uma indústria de calçados deve desenvolver todo o ciclo de 
despoluição, controlando a separação e a destinação de resíduos tóxicos 
para reciclagem. 
 
São cada vez mais comuns os condomínios residenciais dotados de 
sistemas de reuso de águas e aproveitamento de águas da chuva. Com 
ações como essas, previne-se o desperdício e a degradação ambiental e as 
suas consequências. 
 
Precaução – Podendo ser adotado de forma coordenada com a 
prevenção, esse princípio leva em conta a possibilidade de ocorrência de 
impactos negativos de grandes dimensões ou irreversíveis. Baseia-se em 
diagnósticos científicos sobre as consequências de determinada ação sobre 
o meio ambiente e a população. 
 
Podemos ilustrar esse princípio com os Estudos de Impacto Ambiental 
e Relatórios de Impacto no Meio Ambiente (EIA/RIMA), previamente 
elaborados pelos órgãos de licenciamento ambiental antes da liberação de 
obras de grande impacto socioambientais. 
 
Poluidor/Pagador – Princípio específico da Legislação Ambiental 
estabelece a obrigatoriedade de correção ou recuperação do ambiente pela 
pessoa ou empresa que provocou dano ao meio ambiente, a quem cabe 
também assumir os encargos resultantes (pagar) e se comprometer com a 
suspensão imediata da ação ou projeto. 
 
Cooperação – As soluções de problemas ambientais e a gestão dos 
recursos naturais devem ser empreendidas de forma cooperada entre 
pessoas ou autoridades locais e os atores nacionais ou internacionais, 
desde o processo de planejamento e implementação de políticas, até a 
execução de planos e projetos concretos. 
 
Integridade – Nos anos 1970, os ambientes construídos de forma 
artificial, a exemplo dos condomínios, passaram a ser avaliados como 
ecossistemas urbanos, ou seja, passa-se a administrar esses ambientes 
como se fossem um sistema natural. 
 
Como acontece na natureza, é necessário manter o equilíbrio, 
evitando a exploração de recursos de forma indefinida e mantendo o 
desenvolvimento dentro dos limites da capacidade do sistema. 
 
Assim, formula-se as políticas de modo a garantir a proteção à 
biodiversidade e à manutenção dos processos ambientais e sistemas vitais. 
É possível ilustrar esse princípio com um fenômeno que vem acontecendo 
em muitas cidades de pequeno porte. 
 
A construção de grandes edifícios em ruas estreitas podem provocar 
alagamentos pela falta de capacidade de escoamento do sistema de esgoto 
 
 
14 
dessas vias que, sendo estreitas, não foram projetadas nem possuem 
infraestrutura, como galerias, para suportar o volume de água necessário 
para a manutenção de um prédio de 20 andares. 
 
Melhoria contínua – As políticas, planos e projetos devem ser 
desenvolvidos de forma que sua execução possa ser dinâmica e flexível a 
alterações e adaptações em qualquer estágio com vistas à sustentabilidade. 
 
Equidade – Estabelece a necessidade de assegurar a melhoria da 
qualidade de vida da população tanto nas gerações contemporâneas quanto 
nas futuras. Vamos exercitar um exemplo para esse princípio de 
sustentabilidade. 
 
Com a proximidade da realização da Copa do Mundo no Brasil, em 
2014, estão proliferando as obras de infraestrutura e mobilidade no entorno 
dos estádios. São viadutos novos, passarelas, túneis e linhas de metrô e 
aeromóvel implantados com o objetivo único de melhorar o acesso aos 
estádios. Isso sem mencionar a reforma e a construção de novos estádios, 
todos com subsídios governamentais a fundo perdido, ou seja, são projetos 
financiados em grande parte por recursos públicos investidos sem a 
necessidade de ressarcimento. 
 
Não há dúvidas de que esses empreendimentos são necessários para 
a mobilidade, o conforto e qualidade de vida dos torcedores brasileiros e 
estrangeiros que irão aos estádios e algumas obras oferecem soluções 
efetivas para problemas de trânsito localizados. Terminada a Copa, no 
entanto, esses empreendimentos em poucoou nada contribuirão para a 
qualidade de vida da população. 
 
Integração – O crescimento econômico deve ter suas políticas 
associadas ao desenvolvimento social e a preservação dos recursos 
naturais, de forma sustentável. 
 
Participação e transparência – Sem o envolvimento de toda a 
comunidade, a sustentabilidade é inviável. A formulação e a execução de 
políticas ambientais devem ter a participação de amplos setores da 
sociedade, com as decisões sendo comunicadas de forma isenta e 
transparente. 
 
 
1.3 – O que são práticas de sustentabilidade? 
 
A Sustentabilidade na prática é muito simples e, em certos aspectos, 
já está incorporada nos hábitos de muitas pessoas. O desafio é ampliar os 
hábitos sustentáveis e ter consciência do quanto eles são importantes para a 
preservação do meio ambiente, com ganhos na qualidade de vida para 
todos. Vejamos alguns exemplos simples do cotidiano que fazem a 
diferença: 
 
 
 
15 
Vida longa – Congele as verduras e legumes pelo processo de 
branqueamento. Os vegetais devem ser mergulhados em água fervente. 
Quando a água voltar a ferver, retire do fogo e mergulhe os vegetais em 
água gelada. O choque térmico aumenta a vida útil, permitindo que as 
verduras e legumes possam ser guardados por um tempo mais longo, 
evitando o desperdício. 
 
Regionais – O consumo de alimentos típicos e ingredientes locais ou 
regionais significam economia, pois em seu preço não está embutido o custo 
de transporte. Além disso, os produtos regionais são mais íntegros porque 
foram menos manipulados no trajeto entre o produtor e o consumidor. 
 
Da estação – Prefira verduras, legumes e frutas da estação, que são 
mais saudáveis e custam menos. Assim como os regionais, são produzidos 
perto de você e, por isso, não dependem de transporte, o que representa 
custo menor e menos poluição. 
 
Recicle – As sobras de alimentos íntegros são a base de muitas 
receitas conhecidas de donas de casa há muitas gerações, desde bolinhos 
de arroz, passando pelas sopas e cozidos, até as compotas e geléias. 
Alguns talos, folhas e sementes têm grande valor nutritivo. 
 
Planejamento – Como em qualquer atividade, planeje antes de 
executar, definindo um cardápio para a semana. Isso evita o desperdício 
com frutas, legumes e verduras, permitindo comprar somente o que será 
utilizado para a preparação das refeições. 
 
Orgânicos – As feiras livres são comuns mesmo em grandes centros 
urbanos e oferecem produtos cultivados sem a utilização de agrotóxicos e 
pesticidas. 
 
Ao contrário das frutas e legumes cuidadosamente lustrados à 
exposição nas grandes redes de supermercados, os produtos das feiras 
podem não encher os olhos pela aparência, mas toda dona de casa conhece 
as vantagens que os orgânicos proporcionam. Alguns estabelecimentos 
dispõem de quiosques de produtos orgânicos ou cultivados dentro dos 
princípios de sustentabilidade e da permacultura. 
 
Reciclagem – Ao optar por alimentos com embalagens simples ou 
mesmo sem embalagens plásticas, você estará reduzindo a quantidade de 
lixo a ser gerada. Evite sucos e refrigerantes em embalagens descartáveis, 
optando por garrafas retornáveis. Procure adquirir as quantidades 
adequadas para o consumo para evitar as sobras e o desperdício. 
 
Corretos – Assim como os alimentos orgânicos, podemos optar por 
outros produtos ecológicos, cujos estágios de fabricação levaram em conta o 
impacto ambiental. Muitos fabricantes disponibilizam essas informações em 
catálogos ou na própria etiqueta, o que facilita a identificação desses 
procedimentos. 
 
 
16 
Outra dica de consumo sustentável é optar por materiais que possam 
ser reaproveitados ou que disponham de refis. Reduza o uso de pilhas, 
baterias e cartuchos que não sejam recarregáveis. Sempre que possível, 
opte pelos produtos feitos à base de material reciclável. 
 
Quando for ao supermercado, leve sua própria sacola e recuse as 
sacolas plásticas. Esse material leva até 450 anos para se decompor. Em 
São Paulo, as sacolas plásticas representam 40% das embalagens 
descartadas e ocupam 20% do volume de resíduos dos depósitos de lixo 
(lixões). 
 
Lixo – Nem todas as cidades ou bairros dispõem de coleta seletiva de 
lixo e mesmo aqueles locais onde a separação de resíduos já é uma política 
pública, é preciso fiscalizar e cobrar ações de aperfeiçoamento por parte do 
poder público. Assim como a coleta seletiva, a destinação do lixo é um 
assunto de interesse de todos. Portanto, é importante participar das 
instâncias que tratam dessas políticas ou mesmo cobrar das autoridades 
mais rigor em relação a essas políticas. 
 
Separação – A separação do lixo para a reciclagem é fonte de 
trabalho e renda para muitas famílias nos grandes centros urbanos. No 
entanto, o processo de reciclagem deve começar em casa, com a separação 
dos materiais. 
 
Basta separar o lixo seco (garrafas, embalagens plásticas, papeis, 
vidro, metais) do lixo orgânico (restos de alimentos, restos de poda de 
folhagens e árvores, de corte da grama). Confira a tabela dos materiais que 
não podem ser reciclados para evitar a contaminação. Compacte o lixo antes 
de descartar para que ele faça menos volume e seja mais fácil de coletar. 
 
Rascunho – A produção de papel é a atividade que mais consome 
energia e água. Portanto, sua economia é fundamental para a preservação 
ambiental. Há quem pense que não vale a pena, mas utilizar os dois lados 
de uma folha de papel representa, em escala, uma grande economia de 
água e energia elétrica. Evite impressões desnecessárias de documentos, 
prefira as ferramentas e documentos virtuais de comunicação e recicle 
envelopes sempre que possível. 
 
Consumo de energia – O pico do consumo de energia no Brasil vai 
das 18h às 21h, quando são ligadas a iluminação pública e as luzes das 
residências. Nessa faixa de horário, devemos evitar o uso de 
eletrodomésticos como máquinas de lavar e secar roupas, ferro, chuveiro. 
 
Automóveis – A gasolina que abastece os automóveis vem do 
petróleo, um recurso natural em vias de esgotamento. Além do consumo de 
combustível, o automóvel é responsável pela poluição nas cidades, inclusive 
a sonora, além da emissão de gases que aumentam o efeito estufa. 
 
 
 
17 
Frear o uso irracional do carro, portanto, é um exemplo de 
comportamento sustentável com grande repercussão quando adotado em 
escala pela população. 
 
Economia de combustível, menos emissão de agentes poluentes, 
menos impacto na saúde das pessoas e no ambiente são motivos de sobra 
para se utilizar o carro somente quando necessário. Para estimular o uso do 
transporte coletivo e formas alternativas de deslocamento, algumas grandes 
capitais estão adotando pedágios nas zonas centrais, onde o 
estacionamento de veículos é proibido. 
 
Outras cidades criaram vias preferenciais para veículos que 
transportam mais de duas pessoas. Essa medida busca reduzir o número de 
veículos no trânsito, pois, ao invés de quatro carros, cada um transportando 
uma pessoa, faz com que apenas um veículo circule transportando quatro 
pessoas. 
 
São medidas paliativas, de impacto que talvez signifique muito pouco 
diante das quantidades de carros colocados no mercado a todo o momento 
pela indústria automobilística. Mas, assim como as demais iniciativas com 
vistas à sustentabilidade, representa muito se um grande número de 
pessoas se conscientizarem de que é necessário racionalizar o uso do 
automóvel. 
 
O uso racional inclui medidas preventivas, como fazer a manutenção 
constante no automóvel para manter o motor bem regulado e, assim, emitir 
menos poluentes e gastar menos combustível. Incluindo a verificação regular 
dos filtros de ar e óleo e das velas, calibragem e alinhamento dos pneus, 
entre outras medidas, a manutenção é importante, também, para a 
segurança. 
 
O ar-condicionado do carro consome até 5% a mais e deve ser 
utilizado somente em caso de necessidade. Também é importante evitar o 
excesso de carga, que aumenta o consumo decombustível e o desgaste do 
veículo. 
 
A direção defensiva, além de contribuir com a economia de 
combustível e reduzir a poluição, é uma questão de segurança, pois 
combate a agressividade no trânsito e, assim, previne acidentes. Arrancadas 
bruscas, aceleração ou freadas bruscas, assim como as “esticadas” de 
marcha e aceleração constante, gastam mais gasolina. 
 
Considerando a realidade local e o modo de vida das pessoas, deixar 
o carro na garagem um dia por semana representa uma grande redução na 
emissão de poluentes e uma vida mais saudável e sustentável. Basta 
lembrar que, a cada quilômetro, o automóvel lança no ar, em média, 430 
gramas de dióxido de carbono, o CO2, que é um dos gases que aumentam o 
efeito estufa. 
 
 
18 
Também emite duas gramas de monóxido de carbono, substância que 
uma vez absorvida pelo organismo, reduz a capacidade de circulação de 
oxigênio no sangue, além de 0,6 gramas de óxidos de nitrogênio, que 
provoca irritação nos olhos e no sistema respiratório, além de provocar 
enfisema pulmonar se inalado em grandes quantidades. 
 
A conta que devemos fazer para chegar a uma conclusão sobre a 
necessidade de reduzir o número de veículos nas ruas é muito simples. 
Quando deixamos de circular com o carro por um trajeto de 40 quilômetros 
estamos evitando a emissão de 880 quilos de dióxido de carbono na 
atmosfera, por exemplo. 
 
 
1.4 – A cidadania e o pensamento ecológico 
 
 
Imagem: Ipea/Divulgação 
 
Para uma compreensão mais ampla de Cidadania e Ecologia, vamos 
agora estudar o significado desses conceitos, a começar pela sua 
etimologia. 
 
Eco é uma palavra derivada da expressão oîkos, que em grego 
significa casa, incluindo o significado daquilo que uma casa contém, ou seja, 
os bens, a família e as suas formas de interação. Logos significa estudo. 
Ecologia, portanto, é oîkos logos ou, literalmente, em português, o “estudo 
da casa”, que num sentido mais amplo deve ser entendida como o estudo do 
ambiente. 
 
Cidadania vem do latim Civitas. Expressa a condição de uma pessoa 
no exercício dos seus direitos e deveres em relação ao Estado. 
 
Quando estudamos a conjunção dos conceitos de Ecologia e 
Cidadania podemos entender melhor a Ecologia enquanto estudo das 
relações entre as pessoas e o seu meio social, político e cultural. Portanto, 
Ecologia não é um conceito restrito à defesa do meio ambiente contra a 
destruição imposta pelo ser humano, mas abrange toda forma de interação 
deste com seus semelhantes e com o ambiente, bem como as suas 
interrelações. 
 
 
19 
 Ou seja, por Ecologia devemos entender todas as questões 
envolvidas nas relações sociais e com o meio ambiente de forma local ou 
global. Assim como temos consciência hoje de que os combustíveis, a 
energia e os recursos hídricos são finitos e de sua manutenção depende a 
sobrevivência da humanidade e do meio ambiente, também podemos 
considerar que a igualdade de direitos, o respeito aos direitos humanos e a 
qualidade de vida são fundamentais para a subsistência. 
 
A preservação dos rios e da vegetação nativa, a reciclagem dos 
resíduos, os projetos e um modo de vida ambientalmente sustentáveis são 
responsabilidades que cabem a todos os cidadãos, assim como é sua 
obrigação participar do esforço por uma sociedade melhor do ponto de vista 
social, por democracia e cidadania. 
 
Portanto, constatamos que todas as bandeiras da Ecologia são 
também bandeiras da cidadania e que, atualmente, esses conceitos não 
estão dissociados. Negligenciar um é negligenciar o outro. Vejamos isso na 
prática. 
 
Quando uma indústria desrespeita o meio ambiente e despeja 
resíduos sem tratamento em um rio, está cometendo uma infração 
ambiental, mas sua ação também terá desdobramentos sociais, pois 
contribui com isso para comprometer a qualidade de vida das comunidades, 
provocando problemas de saúde, por exemplo. 
 
Na busca de uma relação mais harmônica entre as pessoas, dessas 
com as outras espécies e com o meio ambiente, não é suficiente apenas 
entender o que precisa ser mudado, mas ser ativista no sentido de mudar o 
comportamento e mobilizar a sociedade em busca de ações efetivas. 
 
E essa mobilização começa com moradores de uma mesma rua ou 
comunidade, evoluindo para instâncias organizadas da sociedade que 
amplificarão as reivindicações, ainda que elas não tenham a ver apenas com 
uma questão local, mas sejam de amplitude global. Ou seja, a preservação 
do planeta requer que pensemos de forma global e ajamos de forma local. 
 
E quando nos referimos às instâncias organizadas da sociedade, que 
têm um papel de amplificar as demandas em defesa do meio ambiente e da 
cidadania, estamos falando das diversas formas de organização da 
sociedade, como os sindicatos, as organizações não governamentais, a 
escola, os meios de comunicação, o poder público e os legisladores. É 
através dessas instituições que são encaminhadas as reivindicações da 
sociedade para que elas possam ser amplificadas e resultem em ações 
efetivas. 
 
A proposta que está colocada nos dias de hoje é a mudança de 
comportamento provocada pela conscientização de que cada ser humano 
deve fazer a sua parte por entender que os recursos naturais não são 
 
 
20 
inesgotáveis e deles dependem a continuidade da espécie humana e das 
demais formas de vida do planeta. 
 
A percepção da sociedade sobre a urgência das questões ambientais 
vem se deslocando para um plano mais consciente nas últimas décadas. Se 
num passado recente não fazia sentido afirmar que os recursos naturais são 
finitos, atualmente o tema da sustentabilidade é prioridade em toda atividade 
da sociedade e do Estado. 
 
Também o conceito de cidadania hoje já não se limita à nacionalidade 
ou ao território, uma vez que a defesa dos direitos humanos e do meio 
ambiente reveste o exercício da cidadania com um caráter global, 
transnacional. 
 
Portanto, podemos afirmar que a atuação política do cidadão vai além 
da sua nacionalidade, pois as questões de interesse da humanidade, as 
bandeiras universais, ultrapassam as fronteiras. São problemas globais que 
mobilizam cidadãos em qualquer parte do mundo. 
 
Temas como o processo de industrialização, o capital financeiro, os 
deslocamentos humanos, a miséria, os desmatamentos e queimadas, o 
mercado de trabalho, a inclusão digital, agrupadas em agendas econômicas, 
sociais, ambientais e políticas se universalizaram, transcenderam as 
fronteiras dos países. 
 
Em contraposição à força política do Estado e ao poderio econômico 
do mercado, surge a cidadania planetária, consciente da sua capacidade de 
mobilização em defesa da sustentabilidade e da justiça social. 
 
Podemos tomar como exemplo as campanhas humanitárias, de 
denúncia de violação dos direitos humanos e dos crimes de guerra, de 
abuso do poder econômico, de corrupção política e abuso do poder por 
chefes de estado, além, é claro, das iniciativas que denunciam a destruição 
do meio ambiente. Nesse contexto, a cidadania planetária, em conjunto com 
as ONGs, tem forçado conquistas em nível global. 
 
No plano ambiental, a pressão da opinião pública imbuída desse 
conceito de cidadania planetária tem colocado na agenda dos países ricos o 
debate sobre a destruição do meio ambiente e forçado a adoção de medidas 
para a redução da emissão de poluentes. 
 
O alerta sobre o esgotamento dos recursos não renováveis e as 
mudanças climáticas fez com que as Nações Unidas promovessem, no início 
dos anos 1970, em Estocolmo, a Conferência para o Meio Ambiente 
Humano. 
 
Esse evento foi considerado um dos primeiros foros de discussão 
sobre o futuro do planeta, pois a preocupação com o meio ambiente, até 
então, se restringia a iniciativa isoladas de ambientalistas e ONGs, e era por 
 
 
21 
muitos considerada coisa de fanáticos. Pela primeira vez na história da 
humanidade a degradação do meio ambiente passou a ser considerada 
como consequência do desenvolvimento econômico. 
 
Os desafios a serem enfrentadospara frear a destruição do planeta 
ganhariam maior destaque em 1992, com a realização da Conferência das 
Nações Unidas sobre o Meio ambiente e Desenvolvimento, a ECO 92. 
 
Temas como desarmamento e arsenal nuclear, fome, emissão de 
poluentes, conflitos armados, narcotráfico, inclusão e igualdade racial entram 
na agenda do evento junto com as questões ambientais, dando início à 
associação entre Ecologia e Cidadania. 
 
No mesmo ano, aconteceu de forma paralela o Fórum Global 92, que 
é concluído com a elaboração da Carta da Terra. O documento propõe o 
conceito de pensar de forma global e agir de forma local, além de 
estabelecer os princípios de cidadania planetária. A seguir, reproduzimos a 
íntegra do documento apenas para referência: 
 
 
“CARTA DA TERRA” 
 
PREÂMBULO 
 
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa 
época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o 
mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao 
mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, 
devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas 
e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre 
com um destino comum. 
 
Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global 
fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na 
justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é 
imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade 
uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras 
gerações. 
 
TERRA, NOSSO LAR 
 
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, 
nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da 
natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra 
providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. 
 
A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar 
da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com 
todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, 
 
 
22 
solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus 
recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção 
da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. 
 
A SITUAÇÃO GLOBAL 
 
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando 
devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção 
de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. 
 
Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos 
eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A 
injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e 
são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da 
população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As 
bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são 
perigosas, mas não inevitáveis. 
 
DESAFIOS FUTUROS 
 
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e 
uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. 
São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e 
modos de vida. 
 
Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem 
supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais 
e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para 
abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. 
 
O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas 
oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos 
desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão 
interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas. 
 
RESPONSABILIDADE UNIVERSAL 
 
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido 
de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre 
como um todo, bem como com nossas comunidades locais. 
 
Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um 
mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um 
compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da 
família humana e de todo o mundo dos seres vivos. 
 
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida 
é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com 
 
 
23 
gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser 
humano ocupa na natureza. 
 
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores 
básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial 
emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes 
princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como 
padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, 
organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida 
e avaliada. 
 
PRINCÍPIOS 
 
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA 
 
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. 
a. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma 
de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres 
humanos. 
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no 
potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade. 
 
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e 
amor. 
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos 
naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de 
proteger os direitos das pessoas. 
b. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do 
poder, vem a 
maior responsabilidade de promover o bem comum. 
 
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, 
sustentáveis e pacíficas. 
a. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os 
direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a 
cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial. 
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a 
obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja 
ecologicamente responsável. 
 
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às 
futuras gerações. 
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada 
pelas necessidades das gerações futuras. 
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que 
apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da 
Terra a longo prazo. 
 
 
 
 
24 
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 
 
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, 
com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais 
que sustentam a vida. 
a. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de 
desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a 
reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de 
desenvolvimento. 
b. Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, 
incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os 
sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e 
preservar nossa herança natural. 
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados. 
d. Controlar e erradicar organismos não nativos ou modificados 
geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio 
ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais. 
e. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos 
florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de 
regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas. 
f. Administrar a extração e o uso de recursos não renováveis, como 
minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o 
esgotamento e não causem dano ambiental grave. 
 
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção 
ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura 
de precaução.a. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou 
irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for 
incompleto ou não conclusivo. 
b. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade 
proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes 
interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental. 
c. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as consequências 
cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das 
atividades humanas. 
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir 
o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias 
perigosas. 
e. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente. 
 
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam 
as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-
estar comunitário. 
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de 
produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser 
assimilados pelos sistemas ecológicos. 
 
25 
b. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada 
vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e 
do vento. 
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa 
de tecnologias 
ambientais seguras. 
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços 
no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos 
que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais. 
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a 
saúde reprodutiva e a reprodução responsável. 
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e 
subsistência material num mundo finito. 
 
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o 
intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido. 
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à 
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações 
em desenvolvimento. 
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria 
espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção 
ambiental e o bem-estar humano. 
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e 
para a proteção ambiental, incluindo informação genética, 
permaneçam disponíveis ao domínio público. 
 
 
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 
 
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental. 
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, 
aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, 
alocando os recursos nacionais e internacionais demandados. 
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma 
condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e 
segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta 
própria. 
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que 
sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e 
alcançarem suas aspirações. 
 
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os 
níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e 
sustentável. 
a. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as 
nações. 
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais 
das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas 
internacionais onerosas. 
 
 
26 
c. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de 
recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas 
progressistas. 
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras 
internacionais atuem com transparência em benefício do bem 
comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas 
atividades. 
 
11. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos 
para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à 
educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas. 
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar 
com toda violência contra elas. 
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da 
vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras 
plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias. 
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os 
membros da família. 
 
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um 
ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a 
saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos 
direitos dos povos indígenas e minorias. 
a. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas 
em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem 
nacional, étnica ou social. 
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, 
conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas 
relacionadas com condições de vida sustentáveis. 
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a 
cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. 
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e 
espiritual. 
 
 
IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ 
 
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover 
transparência e responsabilização no exercício do governo, 
participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. 
a. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e 
oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de 
desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais 
tenham interesse. 
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a 
participação significativa de todos os indivíduos e organizações 
interessados na tomada de decisões. 
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião 
pacífica, de associação e de oposição. 
 
 
27 
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais 
administrativos e independentes, incluindo retificação e 
compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. 
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. 
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus 
próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos 
níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais 
efetivamente. 
 
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, 
os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de 
vida sustentável. 
a. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades 
educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o 
desenvolvimento sustentável. 
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das 
ciências, na educação para sustentabilidade. 
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento 
da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais. 
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma 
condição de vida sustentável. 
 
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. 
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e 
protegê-los de sofrimento. 
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca 
que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável. 
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de 
espécies não visadas. 
 
16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz. 
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a 
cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações. 
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e 
usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e 
resolver conflitos ambientais e outras disputas. 
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma 
postura defensiva não provocativae converter os recursos militares 
para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica. 
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de 
destruição em massa. 
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção 
ambiental e a paz. 
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas 
consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, 
com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte. 
 
 
 
 
 
28 
O CAMINHO ADIANTE 
 
Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a 
buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da 
Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a 
adotar e promover os valores e objetivos da Carta. 
 
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo 
sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. 
Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de 
vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. 
 
Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes 
culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. 
Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, 
porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento 
por verdade e sabedoria. 
 
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto 
pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar 
caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da 
liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo 
prazo. 
 
Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital 
a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições 
educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-
governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma 
liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é 
essencial para uma governabilidade efetiva. 
 
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do 
mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir 
com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e 
apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um 
instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o 
desenvolvimento. 
 
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova 
reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a 
sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a 
alegre celebração da vida. 
 
 
A consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável na ECO 
92 se deu a partir do consenso contra as práticas que agridem ao meio 
ambiente. 
 
 
 
29 
Essas ações foram identificadas em todo o planeta e, a partir da sua 
análise, foram aprovadas propostas de redução ou eliminação dos danos 
ambientais como, por exemplo, o reflorestamento em áreas desmatadas, 
entre outras ações compensatórias. 
 
Foram estabelecidos os conceitos de responsabilidade do 
contaminador nos planos econômico e financeiro, bem como de precaução, 
ou seja, a ação preventiva do dano. Na ECO 92, aprofunda-se o debate a 
partir do reconhecimento de que a deterioração ambiental decorre da 
atividade econômica. A urgência de cooperação, desenvolvimento e 
investimento em práticas sustentáveis em nível global surge como 
alternativa para frear a destruição do planeta. 
 
Outra iniciativa exemplar da indissociabilidade entre Ecologia e 
Cidadania é o Fórum Social Mundial, realizado de 2001 a 2003 e em 2005 
na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e em Mumbai, na índia, 
em 2004. 
 
Como define a Carta de Princípios, o Fórum Social Mundial é um 
espaço internacional para a reflexão e organização de todos os cidadãos 
que se contrapõem ao processo de globalização neoliberal e se propõem a 
construir alternativas que favoreçam o desenvolvimento humano e a busca 
da superação da dominação dos mercados em cada país e nas relações 
internacionais. 
 
“Um outro mundo é possível”, propõem o slogan do FSM, que a partir 
de 2006 foi realizado no continente africano e em outros países, inclusive 
retornando ao Brasil em 2010. 
 
Em contraposição ao Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, 
o Fórum Social Mundial é considerado a maior instância de debate e 
proposição de ações com vistas ao exercício da cidadania planetária, 
organizando o debate e as proposições em todos os níveis, inclusive no 
campo da Educação. 
 
Ele propõe uma globalização alicerçada na solidariedade e na 
sustentabilidade como alternativa à exclusão social e econômica, à 
desigualdade e à destruição ambiental, mobilizando cidadãos, organizações 
e entidades representativas da sociedade civil numa atuação local e global. 
 
 
A seguir, reproduzimos a íntegra da Carta de Princípios do FSM: 
 
“Carta de Princípios do Fórum Social Mundial” 
 
O Comitê de entidades brasileiras que idealizou e 
organizou o primeiro Fórum Social Mundial, realizado em Porto 
Alegre de 25 a 30 de janeiro de 2001, considera necessário e 
legítimo, após avaliar os resultados desse Fórum e as 
 
 
30 
expectativas que criou, estabelecer uma Carta de Princípios que 
oriente a continuidade dessa iniciativa. 
 
Os Princípios contidos na Carta, a ser respeitada por todos 
que queiram participar desse processo e organizar novas edições 
do Fórum Social Mundial, consolidam as decisões que presidiram 
a realização do Fórum de Porto Alegre e asseguraram seu êxito, e 
ampliam seu alcance, definindo orientações que decorrem da 
lógica dessas decisões. 
 
1. O Fórum Social Mundial é um espaço aberto de encontro 
para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de 
idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e 
a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da 
sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do 
mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão 
empenhadas na construção de uma sociedade planetária 
orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e 
destes com a Terra. 
 
2. O Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi um evento 
localizado no tempo e no espaço. A partir de agora, na certeza 
proclamada em Porto Alegre de que "um outro mundo é possível", 
ele se torna um processo permanente de busca e construção de 
alternativas, que não se reduz aos eventos em que se apóie. 
 
3. O Fórum Social Mundial é um processo de caráter 
mundial. Todos os encontros que se realizem como parte desse 
processo tem dimensão internacional. 
 
4. As alternativas propostas no Fórum Social Mundial 
contrapõem-se a um processo de globalização comandado pelas 
grandes corporações multinacionais e pelos governos e 
instituições internacionais a serviço de seus interesses, com a 
cumplicidade de governos nacionais. 
 
Elas visam fazer prevalecer, como uma nova etapa da 
história do mundo, uma globalização solidária que respeite os 
direitos humanos universais, bem como os de todos os cidadãos e 
cidadãs em todas as nações e o meio ambiente, apoiada em 
sistemas e instituições internacionais democráticos a serviço da 
justiça social, da igualdade e da soberania dos povos. 
 
5. O Fórum Social Mundial reúne e articula somente 
entidades e movimentos da sociedade civil de todos os países do 
mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da 
sociedade civil mundial. 
 
 
 
31 
6. Os encontros do Fórum Social Mundial não têm caráter 
deliberativo enquanto Fórum Social Mundial. Ninguém estará, 
portanto autorizado a exprimir, em nome do Fórum, em qualquer 
de suas edições, posições que pretenderiam ser de todos os 
seus/suas participantes. Os participantes não devem ser 
chamados a tomar decisões, por voto ou aclamação, enquanto 
conjunto de participantes do Fórum, sobre declarações ou 
propostas de ação que os engajem a todos ou à sua maioria e 
quese proponham a ser tomadas de posição do Fórum enquanto 
Fórum. 
 
Ele não se constitui, portanto, em instancia de poder, a ser 
disputado pelos participantes de seus encontros, nem pretende se 
constituir em única alternativa de articulação e ação das entidades 
e movimentos que dele participem. 
 
7. Deve ser, no entanto, assegurada, a entidades ou 
conjuntos de entidades que participem dos encontros do Fórum, a 
liberdade de deliberar, durante os mesmos, sobre declarações e 
ações que decidam desenvolver, isoladamente ou de forma 
articulada com outros participantes. 
 
O Fórum Social Mundial se compromete a difundir 
amplamente essas decisões, pelos meios ao seu alcance, sem 
direcionamentos, hierarquizações, censuras e restrições, mas 
como deliberações das entidades ou conjuntos de entidades que 
as tenham assumido. 
 
8. O Fórum Social Mundial é um espaço plural e 
diversificado, não confessional, não governamental e não 
partidário, que articula de forma descentralizada, em rede, 
entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível 
local ao internacional, pela construção de um outro mundo. 
 
9. O Fórum Social Mundial será sempre um espaço aberto 
ao pluralismo e à diversidade de engajamentos e atuações das 
entidades e movimentos que dele decidam participar, bem como à 
diversidade de gênero, etnias, culturas, gerações e capacidades 
físicas, desde que respeitem esta Carta de Princípios. 
 
Não deverão participar do Fórum representações 
partidárias nem organizações militares. Poderão ser convidados a 
participar, em caráter pessoal, governantes e parlamentares que 
assumam os compromissos desta Carta. 
 
 
10. O Fórum Social Mundial se opõe a toda visão totalitária 
e reducionista da economia, do desenvolvimento e da história e 
ao uso da violência como meio de controle social pelo Estado. 
 
 
32 
Propugna pelo respeito aos Direitos Humanos, pela prática de 
uma democracia verdadeira, participativa, por relações 
igualitárias, solidárias e pacíficas entre pessoas, etnias, gêneros e 
povos, condenando todas as formas de dominação assim como a 
sujeição de um ser humano pelo outro. 
 
11. O Fórum Social Mundial, como espaço de debates, é 
um movimento de idéias que estimula a reflexão, e a 
disseminação transparente dos resultados dessa reflexão, sobre 
os mecanismos e instrumentos da dominação do capital, sobre os 
meios e ações de resistência e superação dessa dominação, 
sobre as alternativas propostas para resolver os problemas de 
exclusão e desigualdade social que o processo de globalização 
capitalista, com suas dimensões racistas, sexistas e destruidoras 
do meio ambiente está criando, internacionalmente e no interior 
dos países. 
 
12. O Fórum Social Mundial, como espaço de troca de 
experiências, estimula o conhecimento e o reconhecimento mútuo 
das entidades e movimentos que dele participam, valorizando seu 
intercâmbio, especialmente o que a sociedade está construindo 
para centrar a atividade econômica e a ação política no 
atendimento das necessidades do ser humano e no respeito à 
natureza, no presente e para as futuras gerações. 
 
13. O Fórum Social Mundial, como espaço de articulação, 
procura fortalecer e criar novas articulações nacionais e 
internacionais entre entidades e movimentos da sociedade, que 
aumentem, tanto na esfera da vida pública como da vida privada, 
a capacidade de resistência social não violenta ao processo de 
desumanização que o mundo está vivendo e à violência usada 
pelo Estado, e reforcem as iniciativas humanizadoras em curso 
pela ação desses movimentos e entidades. 
 
14. O Fórum Social Mundial é um processo que estimula as 
entidades e movimentos que dele participam a situar suas ações, 
do nível local ao nacional e buscando uma participação ativa nas 
instâncias internacionais, como questões de cidadania planetária, 
introduzindo na agenda global as práticas transformadoras que 
estejam experimentando na construção de um mundo novo 
solidário. 
 
Aprovada e adotada em São Paulo, em 9 de abril de 2001, 
pelas entidades que constituem o Comitê de Organização do 
Fórum Social Mundial, aprovada com modificações pelo Conselho 
Internacional do Fórum Social Mundial no dia 10 de junho de 
2001. 
 
 
 
33 
1.5 – A importância da educação ambiental nas escolas 
 
 
 
 
Podemos definir Educação Ambiental como um processo fortemente 
marcado pela participação, no qual cabe ao aluno o protagonismo na relação 
ensino/aprendizagem. O educando assume uma participação ativa na 
identificação dos problemas relativos ao meio ambiente e propõe soluções, 
atuando como transformador da realidade. 
 
A Educação Ambiental busca o desenvolvimento das habilidades e 
competências com vistas à multiplicação do comportamento ético, voltado 
para o exercício da cidadania e da sustentabilidade. 
 
A meta é a identificação de valores fundamentais para que o cidadão 
e a sociedade convivam em harmonia com o meio ambiente e a sua 
diversidade. Induz o educando a uma análise criteriosa e critica do modelo 
de sociedade e do desenvolvimento econômico vigentes, que têm provocado 
à eliminação dos recursos naturais e dos ecossistemas. 
 
A Educação Ambiental parte de um processo de conscientização de 
que os recursos naturais como a água, os combustíveis e a madeira, não 
são inesgotáveis, pois suas reservas podem terminar, colocando em risco a 
sobrevivência da humanidade e do planeta. 
 
Portanto, esses recursos devem ser utilizados de forma racional, sem 
desperdício e com a adoção de práticas de reciclagem para um melhor 
aproveitamento dos materiais, como a reutilização, a reciclagem, a 
reposição, entre outras iniciativas. 
 
A continuidade da vida no planeta será inviável sem o respeito e a 
preservação de todas as espécies e formas de vida. Como única espécie 
capaz de destruir o meio ambiente em larga escala, cabe à humanidade 
adotar com urgência um modo de vida sustentável para a manutenção da 
biodiversidade e dos recursos naturais, pois destes dependem a 
sobrevivência de todos. 
 
 
34 
 
No âmbito dessa preocupação com a sobrevivência no planeta está 
incluído o planejamento do uso e da ocupação do solo rural e urbano, a 
concepção de projetos sustentáveis de moradia, trabalho, transporte e lazer 
para as populações, bem como reservas de terras para a agricultura e de 
preservação ambiental. 
 
 
Como incluir a Educação Ambiental no currículo escolar 
 
Local de aprendizado é na escola que ocorre a formação social dos 
alunos. É nesse espaço que se concretizam os valores para a vida, incluídos 
aí os conceitos de cidadania e, por consequência, das responsabilidades 
individuais frente à sociedade. 
 
A preservação do meio ambiente se insere nesse conjunto de 
responsabilidades, proporcionando aos alunos o desenvolvimento de 
comportamentos ambientalmente sustentáveis através da vivência de 
práticas de preservação do meio ambiente no cotidiano da escola. 
 
A importância do tema Meio Ambiente e um conceito de integração 
global sempre fez parte do currículo escolar, embora sua ênfase e 
efetividade sejam discutíveis através das décadas. Atualmente, essa 
abordagem se mostra mais consciente e presente nos projetos político-
pedagógicos de uma maneira geral, seja nas escolas públicas, seja nas 
instituições de ensino do setor privado. 
 
Trata-se de uma proposta que disponibiliza aos alunos os meios, as 
ferramentas e as informações necessárias para uma compreensão dos 
fenômenos da natureza e dos resultados que as ações humanas provocam 
ao meio ambiente como um todo. A Educação Ambiental nas escolas atua 
para que cada aluno possa desenvolver seus próprios potenciais. 
 
Quando afirmamos que a Educação Ambiental estimula nos alunos o 
protagonismo, isso quer dizer que ela os incentiva a atuar de forma 
consciente, adotar posturas próprias e um comportamento socialmente 
construtivo com vistas a uma sociedade mais justa e sustentável do ponto de 
vista ambiental. 
 
Os conteúdosambientais têm uma correlação com todas as 
disciplinas do currículo. Isso permite uma contextualização dos temas 
relativos ao meio ambiente com a realidade do aluno e proporciona uma 
visão integral do mundo no qual ele se insere e tem um papel muito 
importante a desempenhar na sua preservação. 
 
A Educação Ambiental, portanto, precisa ser um conteúdo a ser 
desenvolvido de forma transversal, interdiscplinar, abrangendo todos os 
níveis educacionais. Além de estar inserida nos currículos escolares das 
 
 
35 
demais disciplinas, deve ser vivenciada não apenas do ponto de vista 
teórico, mas amplamente alicerçada em atividades práticas. 
 
Visto que a Educação Ambiental pressupõe uma fundamentação 
teórica e prática, vamos elencar os temas e as atividades que podem 
proporcionar a reflexão, o aprendizado e também vivência prática dos alunos 
em elação à temática ambiental. 
 
As disciplinas do currículo escolar oferecem amplas oportunidades de 
aprendizado sob a ótica da Educação Ambiental. Os conteúdos de biologia, 
química, física, geografia, ciências sociais proporcionam um rico 
aprendizado no âmbito da Educação Ambiental, pois colocam o aluno a par 
do funcionamento da matéria e dos organismos da natureza, bem como das 
suas relações. 
 
Mesmo por meio da matemática e da língua portuguesa, entre outras 
disciplinas, é possível estabelecer relações para um aprendizado em relação 
ao meio ambiente e a sustentabilidade. Essa interdisciplinaridade é 
indissociável do currículo escolar a ponto de ser trabalhada de forma 
sistemática na preparação dos alunos para a universidade e muitas 
questões das provas de vestibulares evidenciam a correlação entre 
Educação Ambiental e as demais disciplinas. 
 
De forma específica, o ensino-aprendizagem engloba os fenômenos 
naturais, as mudanças climáticas, as reservas naturais, a interação do 
homem com a natureza e o futuro do planeta. 
 
Na prática, a Educação Ambiental dispõe dos trabalhos em sala de 
aula ou nos laboratórios da escola, a participação da turma em palestras, 
oficinas, feiras de ciências e trabalhos de campo que podem incluir a 
exploração de parques e jardins botânicos, museus, jardim zoológico, sítios 
arqueológicos e reservas naturais. 
 
Nessa gama de possibilidades de trabalho de campo que deverá levar 
em conta a realidade da escola e dos alunos, os professores terão à sua 
disposição os subsídios para uma atuação que valoriza e enriquece o 
processo de ensino-aprendizagem ambiental. 
 
E nesse trabalho, não apenas a comunidade escolar, mas a 
comunidade como um todo poderá ser envolvida se, por exemplo, 
pensarmos um projeto de resgate da história local, do seu ecossistema, das 
ações que estão provocando a degradação do meio ambiente ou de 
iniciativas sustentáveis que estão em desenvolvimento. 
 
Perceba que a Educação Ambiental proporciona o aprendizado 
teórico e prático dos temas com vistas à sustentabilidade e também formas 
de intervenção. Podemos entender melhor essa premissa se considerarmos 
que os conteúdos trabalhados levam ao entendimento das questões 
 
 
36 
envolvidas por meio da reflexão e da coleta de informações, mas também 
mobilizam os alunos para ações. 
 
Por exemplo, se no trabalho de campo a turma constatar que em 
determinada rua ou bairro não existe coleta seletiva ou os moradores não 
estão mobilizados na separação do lixo, esse estudo poderá ser 
transformado em um projeto de implantação do serviço pela prefeitura, 
acompanhado de consultoria ambiental às famílias. Os conteúdos 
trabalhados serão necessários para o entendimento dos problemas e, a 
partir da coleta de dados, à elaboração de pequenos projetos de 
intervenção. 
 
 
Educação Ambiental – Princípios 
 
Toda atividade curricular passa pelo planejamento da comunidade 
escolar e da gestão educacional. Portanto, tudo que vimos até agora sobre 
Educação Ambiental deve ser entendido como uma proposta vinculada à 
realidade da instituição e da comunidade com vistas à sua viabilidade e 
legitimação. 
 
Também a Educação Ambiental deve ser considerada no âmbito da 
formação pedagógica dos professores e estar alicerçada nos seus 
princípios. Quando falamos de Educação Ambiental, devemos ter por base 
uma série de princípios: sensibilização, compreensão, responsabilidade, 
competência e cidadania, conforme veremos a seguir: 
 
Sensibilização – O passo inicial com vistas a um pensamento 
sistêmico é a sensibilização para o tema ambiental. Devemos entender a 
urgência das questões ambientais e nos mobilizar para uma atuação cidadã, 
com vistas a uma sociedade sustentável. 
 
Compreensão – A mobilização em torno do tema passa pelo 
conhecimento dos elementos, dos mecanismos e das relações envolvidas 
nos sistemas naturais, os quais devemos compreender. 
 
Responsabilidade – Partindo da premissa de que somos 
protagonistas em relação ao meio ambiente, tanto do ponto de vista das 
ações que levam à sua degradação, quanto da nossa capacidade de atuar 
por um mundo sustentável, podemos entender a dimensão da nossa 
responsabilidade frente à questão ambiental. 
 
Competência – Devemos desenvolver habilidades e a capacidade de 
avaliação e de ações efetivas com relação ao equilíbrio ambiental. 
 
Cidadania – A participação ativa, o restabelecimento e a preservação 
de direitos, bem como a promoção de um modo de vida com base em 
princípios éticos devem nortear o esforço coletivo com vistas a uma 
conciliação entre meio ambiente e sociedade. 
 
 
37 
Finalidades da Educação Ambiental 
 
A Educação para o meio ambiente é um conceito relativamente novo 
na escola. A definição de Educação Ambiental surge pela primeira vez de 
forma clara em um documento oficial em 1974, com a publicação pela 
Unesco dos Princípios de Educação Ambiental, por ocasião do seminário 
realizado em Tammi, na Finlândia. No ano seguinte, na Conferência da 
Unesco em Belgrado, a finalidade da Educação Ambiental foi definida como: 
 
 
“Formar uma população mundial consciente e preocupada 
com o ambiente e com os problemas com ele relacionados, uma 
população que tenha conhecimento, competências, estado de 
espírito, motivações e sentido de empenhamento que lhe 
permitam trabalhar individualmente e coletivamente para resolver 
os problemas atuais, e para impedir que eles se repitam”. 
 
 
Antes disso, nas décadas de 1970 e 1980, foram realizadas diversas 
conferências internacionais, que deram origem a uma grande base de 
documentos com vistas à concepção dos princípios universais para uma 
educação voltada para a sustentabilidade. 
 
Foi um longo processo até a concepção da Educação Ambiental como 
campo específico do conhecimento. Foram mais de 20 anos de debates, que 
começaram com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente 
Humano, realizada em Estocolmo no ano de 1972 até a Conferência 
Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável 
realizada, no Rio de Janeiro, em 1992. 
 
A Agenda 21, resultante da Conferência do Rio 91, estabelece as 
diretrizes e objetivos de consenso em nível internacional sobre Educação 
Ambiental. 
 
Esse documento reúne os princípios que norteiam a Educação 
Ambiental na atualidade. Para ler a íntegra do relatório da Agenda 21, bem 
como outros documentos oficiais de interesse sobre o tema acesse 
http://www.ecolnews.com.br/agenda21/ 
 
O relatório da Agenda 21 destaca o papel da educação na promoção 
do desenvolvimento sustentável por meio de esforços dos países em torno 
da universalização da educação básica. 
 
Recomenda a promoção da educação ambiental a partir do ingresso 
das crianças na escola de forma a promover a integração dos conceitos de 
meio ambiente e desenvolvimento, com especial ênfase ao debate e 
enfrentamento dos problemas locais. 
 
 
 
38 
Conforme os princípios estabelecidos pela Agenda 21, as diretrizes 
básicas da Educação Ambiental a serem adotadas em nível mundial 
objetivam uma mudança de comportamento por meio do desenvolvimento apartir de práticas sociais ambientalmente responsáveis e menos danosas ao 
meio ambiente. 
 
Também estabelecem a adoção valores e concepções novas, com 
base na compreensão das relações entre sociedades humanas e o meio 
ambiente, dos problemas ambientais globais e locais. 
 
Essa Educação Ambiental abrange tanto a educação institucional 
como educação informal, dispensando uma atenção especial à educação 
promovida pelos organismos da sociedade civil organizada. 
 
Durante a Primeira Conferência Nacional de Educação Ambiental, em 
Brasília, no ano de 1997, foram definidos os papéis da sociedade civil na 
sistematização dos princípios da Educação ambiental no país, mas é a partir 
de 1999 que – a Educação Ambiental brasileira passa a ter uma legislação 
específica, a partir da lei de criação do Programa Nacional de Educação 
Ambiental (ProNEA), que iremos estudar a seguir no âmbito da Legislação 
Ambiental. 
 
 
 
1.6 – Legislação ambiental 
 
 
 
 
O Decreto Nº 4.281, de 25 de junho de 2002, regulamenta a Lei nº 
9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação 
Ambiental. Como vimos anteriormente, a Política Nacional de Educação 
Ambiental, na forma do Programa Nacional de Educação Ambiental 
(ProNEA), estabelece o marco legal sobre meio ambiente e educação no 
país. Antes do Brasil, os países que estabeleceram legislações e políticas 
específicas sobre meio ambiente foram Portugal (1976), Espanha (1978), 
Equador e Peru (1979) e Chile e Guiana (1980). 
 
 
O ProNEA tem como princípios: 
 
– uma visão humanista. 
– concepção do meio ambiente como um todo. 
– contempla a diversidade de idéias e concepções pedagógicas 
acerca do tema meio ambiente e educação. 
 
 
39 
– estabelece o respeito à pluralidade e à diversidade individual e 
cultural. 
– contempla os princípios de continuidade e avaliação do processo 
educativo. 
– cria os vínculos entre ética, educação, trabalho e práticas sociais. 
– aborda de forma articulada as questões ambientais locais, regionais, 
nacionais e mundiais. 
 
 
Histórico 
 
A Constituição de 1988 abordou, pela primeira vez na história do país, 
a temática do meio ambiente. Um capítulo foi destinado ao tema de forma a 
contemplar o seu conceito normativo, ou seja, relacionado ao aspecto da 
natureza, e também reconhecendo os desdobramentos de uma política 
ambiental, quais sejam: o meio ambiente artificial, o meio ambiente do 
trabalho, o meio ambiente cultural e o patrimônio genético que, por sua vez, 
são abordados em diversos da Constituição Federal. 
 
Destacamos o Artigo 225, que tem na Constituição um papel de 
articulação e orientação do meio ambiente, uma vez que engloba todos os 
direitos e obrigações do Estado e da sociedade no esforço de oferecer 
garantias para o equilíbrio do meio ambiente. Ressalta que os recursos 
naturais, assim como o meio ambiente como um todo, são um bem de uso 
comum da população e, por isso, deve ser preservado na sua integridade 
não somente para as gerações presentes, mas para as futuras gerações. 
 
A seguir, a íntegra do Artigo 225: 
 
“(...) 
 
Capítulo VI - Do meio ambiente 
 
Art.225 - Todos têm direito ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público 
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações. 
 
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe 
ao poder público: 
 
I - preservar e restaurar os processos ecológicos 
essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e 
ecossistemas; 
 
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio 
genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e 
manipulação de material genético; 
 
 
40 
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços 
territoriais e seus componentes a serem especialmente 
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente 
através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a 
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; 
 
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou 
atividade potencialmente causadora de significativa degradação 
do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se 
dará publicidade; 
 
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de 
técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a 
vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; 
 
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de 
ensino e a conscientização pública para a preservação do meio 
ambiente; 
 
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as 
práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem 
a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. 
 
§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado 
a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução 
técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. 
 
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao 
meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou 
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente 
da obrigação de reparar os danos causados. 
 
§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a 
Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são 
patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, 
dentro de condições que assegurem a preservação do meio 
ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. 
 
§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas 
pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção 
dos ecossistemas naturais. 
 
§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter 
sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão 
ser instaladas. 
(...)” 
 
 
 
 
41 
Embora delineada muito recentemente na comparação com outros 
países, a Legislação Ambiental brasileira é considerada uma das mais 
avançadas e bem fundamentadas do mundo no que se refere aos seus 
objetivos. Se, por um lado, os instrumentos jurídicos relativos ao meio 
ambiente no Brasil sejam uma referência global, inclusive do ponto de vista 
da sua efetividade, o mesmo não se pode dizer da sua aplicação. 
 
Ressaltamos este ponto para uma melhor compreensão: a Legislação 
Ambiental do país existe e é uma das mais avançadas no planeta. Se 
aplicadas e cumpridas corretamente, as 17 leis ambientais poderiam 
assegurar em grande escala a preservação da nossa fauna e flora e dos 
recursos naturais. 
 
No entanto, pelos mais diversos motivos que inviabilizam ou tornam 
falhas a sua execução, essas leis nem sempre são aplicadas de forma 
correta ou são sistematicamente descumpridas. 
 
A exploração criminosa da fauna brasileira, expressa na 
comercialização e exportação ilegal de animais vivos, peles, ovos e na caça, 
é apenas um exemplo do descumprimento da Legislação Ambiental. 
 
Essa exploração desordenada em grande escala, no entanto, se deve 
em grande parte às falhas na fiscalização ocasionadas pelo número 
insuficiente de fiscais, devido às extensas faixas de fronteira e pela 
corrupção, entre outros fatores. 
 
A expansão da agricultura e do desmatamento, a degradação das 
reservas florestais e dos rios se somam nas ameaças à extinção das 
espécies. 
 
A expansão desordenada das fronteiras da agricultura e da pecuária, 
a despeito da existência de um ordenamento jurídico específico, tem 
provocado a crescente destruição dos recursos naturais por meio da 
derrubada de florestas e invasão de reservas, das queimadas para plantio 
de pastagens, do uso indiscriminado de agrotóxicos e pesticidas que 
provocam a degradação do solo, das reservas hídricas e a extinção de 
espécies animais e vegetais. 
 
Devemos considerar também os avanços trazidos pela Legislação 
Ambiental, expressos na adoção de projetos de manejo sustentável como o 
replantio de árvores em áreas desmatadas e a exploração de madeira 
restritaa áreas cultivadas para esse fim, os subsídios dados aos produtores 
que adotam essas práticas. 
 
Também podemos citar o desenvolvimento de projetos sustentáveis 
que envolvem as populações locais, inclusive com a adesão de grandes 
empresas, na extração de matéria-prima de forma proporcional à reposição 
dos recursos naturais. 
 
 
42 
 
Lixo tecnológico terá reciclagem regulamentada em 2010 
 
 
 
Decorrente da popularização da tecnologia em todo o planeta, o lixo 
tecnológico tem grande potencial poluidor, pois possui materiais de alta 
toxidade como o chumbo, o mercúrio ou o cádmio, que não são 
biodegradáveis. 
 
A reciclagem deste contingente é regulamentada pela Política 
Nacional de Resíduos Sólidos, que entra em vigor no final de 2010 
 
No final do ano de 2010, deverá entrar em vigor a Política Nacional de 
Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em agosto pela Presidência da 
República. 
 
A PNRS contempla duas reivindicações básicas de especialistas em 
meio ambiente e organizações ambientais. 
 
A primeira delas é a logística reversa, prática pela qual cabe aos 
consumidores devolver, após o uso, os equipamentos, produtos e 
embalagens recicláveis. 
 
A devolução deverá ser feita aos estabelecimentos comerciais ou 
distribuidores da marca adquirida pelo consumidor. Os comerciantes e 
distribuidores, por sua vez, serão responsabilizados pela devolução aos 
fabricantes ou importadores para reciclagem. 
 
A responsabilidade compartilhada consiste na elaboração dos planos 
de gestão integrada de resíduos sólidos pelos estados e municípios no prazo 
de dois anos. A Legislação também estabelece o prazo de quatro anos para 
que estados e municípios possam adequar a disposição final dos resíduos. 
 
A PNRS deverá representar uma economia da ordem de R$ 4,6 
bilhões por ano ao país, cifra que corresponde ao desperdício provocado 
pela não reciclagem de todos os materiais sólidos descartados atualmente. 
 
 
 
43 
Na lista de produtos estão os eletroeletrônicos (lixo tecnológico), ou 
seja, computadores, impressoras, cartuchos de tinta, aparelhos de fax e 
telefone, monitores e telas, além das pilhas e baterias das mais diversas 
aplicações e aparelhos celulares, que representam um grande contingente 
de resíduos com alto potencial poluidor. 
 
 
O conjunto de leis ambientais brasileiras já em vigor consiste numa 
das fundamentações jurídicas mais completas e avançadas do mundo no 
que se refere à preservação e exploração sustentável dos recursos naturais. 
Sua efetiva aplicação é capaz de garantir a preservação do patrimônio 
ambiental do país. Confira a seguir o resumo do teor dessas leis: 
 
 
1 - Lei da Ação Civil Pública - número 7.347 de 24/07/1985. 
 
A Lei de Interesses Difusos dispõe sobre a ação civil pública de 
responsabilidades pelos danos provocados ao meio ambiente, ao 
consumidor e ao patrimônio artístico, turístico ou paisagístico. 
 
 
2 - Lei dos Agrotóxicos - número 7.802 de 10/07/1989. 
 
Regulamenta as pesquisas, a produção, a comercialização, a 
aplicação, o controle, a fiscalização e ainda o destino das embalagens de 
agrotóxicos. Essa Lei exige a obrigatoriedade do receituário agronômico 
para venda de agrotóxicos ao consumidor, o registro de produtos nos 
ministérios da Agricultura e da Saúde, nem como o registro no Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 
Prevê multas e reclusão aos responsáveis em caso de descumprimento. 
 
 
3 - Lei da Área de Proteção Ambiental - número 6.902 de 
27/04/1981. 
 
Essa Legislação promoveu a criação das Estações Ecológicas. 
Estabelece que 90% das áreas que representam os ecossistemas brasileiros 
devem permanecer intocadas, permitindo a interferência e alterações em 
10% dessas áreas para fins científicos. Também é responsável pela criação 
das Áreas de Proteção Ambiental (APAS), que são as áreas onde o poder 
público limita as atividades econômicas para fins de proteção ambiental, 
mesmo que estejam localizadas em áreas privadas ou contenham 
propriedades particulares dentro da sua área de abrangência. 
 
 
4 - Lei das Atividades Nucleares - número 6.453 de 17/10/1977. 
 
Essa Lei dispõe sobre a responsabilidade civil por danos nucleares e 
a responsabilidade criminal por atos relacionados com as atividades 
 
 
44 
nucleares. Se ocorrer um acidente nuclear, por exemplo, o operador da 
instalação será responsabilizado de forma civil pelo dano, independente da 
existência de culpa. 
 
Se o acidente nuclear não estiver relacionado a qualquer operador, os 
danos serão assumidos pela União. Estabelece como crime produzir, 
processar, fornecer, usar, importar ou exportar material sem autorização 
legal, extrair e comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir 
informações sigilosas sobre o setor ou deixar de cumprir as normas de 
segurança específicas da instalação nuclear. 
 
 
5 - Lei de Crimes Ambientais - número 9.605 de 12/02/1998. 
 
A legislação ambiental brasileira foi reordenada por essa Lei no que 
diz respeito às infrações e punições. Estabelece que a pessoa jurídica 
(empresa), autora ou coautora da infração ambiental, pode ser penalizada, 
podendo ocorrer a liquidação da empresa caso ela tenha sido criada ou 
utilizada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. As multas, a depender 
da extensão do dano, serão de R$ 50,00 a R$ 50 milhões. 
 
 
6 – Lei da Engenharia Genética – número 8.974 de 05/01/1995. 
 
Uma das grandes inovações da Legislação Ambiental do país, essa 
Lei estabelece as normas para o desenvolvimento da engenharia genética. 
O ordenamento vai desde o cultivo, manipulação e transporte de organismos 
modificados (OGM), até a comercialização, o consumo e o descarte de 
resíduos no meio ambiente. Atribui aos ministérios do Meio Ambiente, da 
Agricultura e da Saúde a responsabilidade por autorizar e fiscalizar o 
funcionamento das atividades do setor de engenharia genética, bem como o 
ingresso de todo e qualquer produto geneticamente modificado no Brasil. 
 
Para a aplicação de técnicas de engenharia genética, a empresa, 
entidade ou instituição deverá criar a Comissão Interna de Biossegurança, 
órgão responsável pelas informações aos públicos interno (trabalhadores e 
corpo técnico) e externo (a sociedade) sobre os riscos da atividade em 
relação à saúde e segurança. 
 
 
7 – Lei da Exploração Mineral – número 7.805 de 18/07/1989. 
 
Responsável pela regulamentação das atividades do garimpo, essa lei 
torna obrigatória a licença ambiental prévia, emitida pelo orgão ambiental. As 
atividades de pesquisa ou exploração que provocarem danos ambientais 
poderão ser suspensas e seus responsáveis responderão pelo crime 
correspondente. Estabelece que o garimpo sem permissão ou licenciamento 
ambiental é crime. 
 
 
 
45 
8 – Lei da Fauna Silvestre – número 5.197 de 03/01/1967. 
 
Tipifica como crime o uso, a perseguição, a captura de animais 
silvestres e a caça profissional, o comércio de espécies da fauna silvestre e 
dos produtos derivados de sua caça, assim como o ingresso de espécie 
exótica ou importada na fauna brasileira e a caça de caráter amador sem 
autorização do Ibama. A exploração de peles e couros de anfíbios e répteis 
em estado bruto também são caracterizados como crime ambiental por esta 
Lei. 
 
9 – Lei das Florestas – número 4.771 de 15/09/1965. 
 
Estabelece a proteção das florestas nativas e delimita as áreas de 
preservação permanente numa extensão de 30 a 500 metros nas margens 
dos rios, lagos e reservatórios, dos topos de morro, encostas com declive 
superior a 45 graus e áreas com mais de 1,8 mil metros de altitude. As 
propriedades rurais da região Sudeste, segundo esta Lei, devem preservar e 
averbar em cartório de registro de imóveis uma área de pelo menos 20% das 
suas extensões que tenham cobertura de árvores. 
 
 
10 – Lei do Gerenciamento Costeiro – número 7.661 de 
16/05/1988. 
 
As diretrizes para a criação do Plano Nacional de Gerenciamento 
Costeirosão estabelecidas nesta Lei, que define e conceitua a zona costeira 
como espaço geográfico da interação do ar, do mar e da terra, incluídos os 
recursos naturais, composta de uma faixa de mar e outra terrestre. Outorga 
aos estados e municípios localizados na costa marítima brasileira os seus 
planos de gerenciamento costeiro, desde que dentro das normas restritivas 
do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). 
 
 
11 – Lei da criação do Ibama – número 7.735 de 22/02/1989. 
 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Ibama) agregou a Secretaria Especial do Meio Ambiente e as 
agências federais dos setores de pesca, desenvolvimento florestal e 
borracha. O Ibama é responsável pela execução da política nacional do meio 
ambiente, pela conservação, fiscalização, controle e fomento ao uso racional 
dos recursos naturais. 
 
 
12 – Lei do Parcelamento do Solo Urbano – número 6.766 de 
19/12/1979. 
 
Cria o regramento para os loteamentos urbanos, vetando a sua 
construção em áreas de preservação ambiental, de risco à saúde da 
população e em áreas sujeitas a alagamentos. 
 
 
46 
13 – Lei Patrimônio Cultural - decreto-lei número 25 de 
30/11/1937. 
 
A proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é organizada 
nessa Legislação. Considera como patrimônio nacional os bens de valor 
etnográfico, arqueológico, os monumentos naturais, além dos sítios e 
paisagens de valor notável pela sua natureza ou a partir de intervenção do 
homem. 
 
No caso de bens tombados, fica veta a demolição, destruição ou 
supressão de partes, sem prévia autorização do Serviço de Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional (Sphan). 
 
 
14 – Lei da Política Agrícola - número 8.171 de 17/01/1991. 
 
Estabelece que o poder público é responsável por disciplinar e 
fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora, bem como 
realizar zoneamentos agroecológicos para ordenar a ocupação das mais 
variadas atividades produtivas, implementar programas de educação 
ambiental e estimular a produção de mudas de espécies nativas. 
 
 
15 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – número 6.938 de 
17/01/1981. 
 
Um dos dispositivos decisivos na Legislação Ambiental brasileira, esta 
Lei obriga o poluidor a indenizar a sociedade por danos ambientais, seja ele 
culpado ou não. Outorga ao Ministério Público propor ações de 
responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, obrigando o responsável 
pela ação poluidora a recuperar e indenizar pelos prejuízos causados. Torna 
obrigatória a emissão dos estudos e relatórios de impacto ambiental. 
 
 
16 – Lei de Recursos Hídricos – número 9.433 de 08/01/1997. 
 
Legislação que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos 
e criou o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. Tipifica que as reservas de 
água são fonte de recurso natural limitado, de valor econômico e de 
múltiplos usos como o consumo, a produção de energia, o transporte, o 
lançamento de esgotos. 
 
Outra inovação desta Lei é a criação do Sistema Nacional de 
Informação sobre Recursos Hídricos. O Sistema gerencia as informações 
sobre coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de dados acerca 
dos recursos hídricos, bem como as variáveis na gestão do setor. 
 
 
 
 
47 
17 – Lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição 
– número 6.803 de 02/07/1980. 
 
Outorga aos estados e municípios o poder de estabelecer os limites e 
os padrões ambientais no licenciamento e instalação de indústrias. Todo 
projeto deve ter o prévio Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de 
Impacto Ambiental (Eia/Rima). 
 
O Eia/Rima é elaborado pelo órgão ambiental. Ele avalia a extensão 
dos possíveis danos que o projeto provocará ao meio ambiente. Caso esses 
danos sejam incompatíveis com a preservação do meio ambiente, a 
atividade poderá não ser autorizada pelo poder público. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
Unidade 2 – A sustentabilidade através da reciclagem 
 
 
 
 
2.1 – O que é reciclagem? 
 
 
Alunos da Unicamp visitam central de reciclagem de resíduos 
Imagem: Unicamp/ Divulgação 
 
Reciclar significa reprocessar, reaproveitar materiais. É o retorno de 
materiais usados ao ciclo de produção para dar origem a novos materiais ou 
produtos. O conceito somente pode ser aplicado aos materiais que retornam 
ao seu estado original sem perder a sua integridade, podendo novamente 
ser transformados em novos produtos. 
 
Reciclagem é diferente de reuso ou reutilização, como no caso do 
papel, que sofre um encurtamento nas fibras de celulose, não permitindo 
que o novo produto seja igual ao original. Já o alumínio pode ser reciclado 
de forma indefinida, sem a perda da sua integridade. 
 
 O viés ecológico da reciclagem surgiu há cerca de três décadas 
como alternativa diante do excesso de lixo produzido no planeta e os 
 
 
49 
problemas decorrentes do seu acúmulo. A reciclagem surgiu para quebrar 
um paradigma histórico. 
 
Até o início dos anos 1970, acreditava-se que os resíduos produzidos 
em grande escala pela humanidade não serviam mais para qualquer uso, 
devendo ser descartados definitivamente na natureza. 
 
A proliferação dos lixões com grande produção de gases e incêndios 
como consequência, a crescente poluição dos rios, mares e do solo, o 
surgimento de novas tecnologias capazes de criar produtos e embalagens 
descartáveis em grande escala, e o esgotamento das práticas de 
incineração e aterramento do lixo impuseram à humanidade o desafio de 
encontrar uma alternativa sustentável. 
 
Essa mudança de conceito surgiu na esteira das novas propostas 
para enfrentar as consequências do primeiro choque do petróleo, quando as 
questões relacionadas ao meio ambiente passam a ser tratadas com mais 
atenção e rigor. 
 
A preservação ambiental com vistas à sobrevivência humana no 
presente e no futuro era um tema cada vez mais recorrente na pauta do 
debate planetário, alertando sobre o aumento crescente do volume de lixo 
produzido sem a contrapartida de soluções efetiva. 
 
Nesse contexto, surgiu a reciclagem de resíduos com a finalidade 
reprocessar os materiais descartados para reutilização. Esse processo 
envolve vários estágios, a começar pela separação do lixo na origem, ou 
seja, nas residências, selecionando e classificando os diversos tipos de 
materiais, a coleta seletiva e o processamento para utilização da matéria-
prima obtida para a produção de novos produtos. 
 
 
 
2.2 – A importância da coleta seletiva 
 
A coleta seletiva é fundamental para a reciclagem de materiais e tem 
grande impacto na conscientização e educação ambiental, pois coloca as 
pessoas a par dos problemas relacionados ao lixo, mobilizando-as contra o 
desperdício dos recursos naturais e a poluição decorrente do descarte. 
 
A coleta seletiva é a fase de seleção dos materiais. Consiste no 
recolhimento criterioso dos materiais recicláveis que foram descartados por 
pessoas ou pelas empresas. A separação é feita entre papéis, plásticos 
vidros, metais e orgânicos. 
 
A coleta seletiva está dividida em domiciliar, postos de entrega 
voluntária, postos de trocas, e por meio de catadores autônomos ou 
associados em cooperativas. 
 
 
 
50 
A coleta domiciliar mobiliza a própria população, a começar pela 
separação do lixo em casa e através do recolhimento. Muitos municípios 
organizaram essa coleta criando uma frota de veículos especiais que 
percorrem os bairros em horários alternativos para recolher o lixo reciclável. 
 
A coleta em postos de entrega voluntária se utiliza de cestos, 
contêineres ou depósitos localizados em determinados pontos da cidade 
para receber o lixo previamente separado. Esses recipientes são separados 
por cores que indicam onde descartar cada tipo de material. 
 
Os postos de troca recebem os materiais reciclados e premiam quem 
os entrega com brindes ou produtos produzidos a partir da reciclagem. É 
uma estratégia muito usadapelas empresas que desejam dar visibilidade a 
seus projetos ambientais. 
 
A coleta voluntária, feita por catadores autônomos ou agrupados em 
cooperativas de trabalho, tornou-se alternativa de trabalho e renda para 
milhares de pessoas, especialmente o recolhimento de latinhas de alumínio 
que são vendidas em centros de triagem. Essa atividade envolve 
trabalhadores informais e tem proliferado nos grandes centros urbanos. 
 
Cores da Coleta Seletiva 
 
Conforme mencionamos anteriormente, os materiais coletados são 
agrupados por classe. A padronização criada pelo Conselho Nacional do 
Meio Ambiente (Conama) para os recipientes é a seguinte: 
 
 
 
Fonte: Conama 
 
Principais: 
 
Azul – papel 
Vermelho – plástico 
Verde – vidro 
Amarelo – metal 
Cinza – resíduos gerais não recicláveis, misturados ou contaminados, 
não passíveis de separação. 
 
 
51 
Complementares: 
 
Preto – madeira 
Laranja – resíduos perigosos 
Branco – resíduos ambulatórios e de serviços de saúde 
Roxo – resíduos radioativos 
Marrom – resíduos orgânicos 
 
 
2.3 – Materiais que podem ser reciclados 
 
 
Imagem: Alcoa/Divulgação 
 
A poluição causada pelo lixo é provocada pela saturação do meio 
ambiente, que não dá conta de absorver os resíduos. A reabsorção dos 
resíduos pelo meio ambiente é um processo natural que, por si só daria 
conta da limpeza do planeta em condições normais. Mas com o aumento 
populacional, a produção de lixo passou a ocorrer em escala cada vez 
maior. 
 
O acúmulo cada vez maior de lixo na natureza compromete a 
decomposição natural, ocasionando a poluição. Como se isso não bastasse, 
a maior parte do lixo que produzimos é composta de embalagens e produtos 
industrializados produzidos em larga escala. 
 
Para termos uma noção da complexidade do processo de reabsorção 
dos materiais pelo meio ambiente, relacionamos a seguir os materiais e o 
tempo que cada um demora para se decompor: 
 
 
Resíduos Tempo de decomposição 
 
Papéis 3 a 6 meses 
Lixo Orgânico 6 a 12 meses 
Plásticos Mais de 100 anos 
Vidros Mais de 4 mil anos 
Metais Não se decompõem 
 
 
 
52 
Materiais não recicláveis 
 
Todos os materiais que podem ser transformados em um novo 
produto sem a perda da sua integridade são considerados recicláveis. 
 
Se esse material não retorna ao seu estado inicial após a reciclagem, 
ele não é reciclável. Por exemplo, o processamento do vidro devidamente 
limpo e livre de embalagens adesivas e outras impurezas resultará em vidro 
novamente. 
 
Portanto, o vidro é um material reciclável. Já uma pilha ou bateria não 
podem ser reciclados, pois seu processamento resultaria na liberação de 
diversas substâncias altamente poluentes e nocivas à saúde e impossíveis 
de serem reaproveitados. 
 
Outro aspecto importante quando abordamos a reciclagem é a 
tecnologia envolvida. As tecnologias aplicadas à reciclagem no Brasil são 
diferentes daquelas adotadas em outros países. Por isso, alguns materiais 
que não são passíveis de reciclagem no país podem perfeitamente ser 
reprocessados em outros países. 
 
Um exemplo são as fraldas descartáveis, que no Brasil ainda não 
podem ser recicladas por falta de tecnologia apropriada, diferente dos 
Estados Unidos e alguns países da Europa, onde são perfeitamente 
reprocessados. 
 
Confira na tabela abaixo os materiais que podem e que não podem 
ser reciclados no Brasil: 
 
Papéis 
Reciclável Não Reciclável 
 
Folhas e Aparas de papel Adesivos 
Jornais Etiquetas 
Revistas Fita Crepe 
Caixas Papel Carbono 
Papelão Fotografias 
Formulários de computador Papel Toalha 
Cartolinas Papel Higiênico 
Cartões Papéis engordurados 
Envelopes Papéis metalizados 
Rascunhos escritos Papéis parafinados 
Fotocópias Papéis plastificados 
Folhetos Papel de fax 
Impressos em geral 
Tetra Pak 
Cuidados: Para que a reciclagem seja viável, os papéis devem 
estar secos, limpos (sem gordura, restos de comida, graxa, entre 
 
 
53 
outras) e de preferência não amassados. As caixas devem estar 
desmontadas, apenas por uma questão de otimização de espaços em 
seu armazenamento. 
 
 
Metal 
Reciclável Não Reciclável 
 
Latas de alumínio Esponjas de aço 
Latas de aço em geral Latas de tinta ou veneno 
Ferragens Latas de combustível 
Canos Pilhas 
Esquadrias Baterias 
Arame 
 
Cuidados: Devem estar limpos e de preferência reduzidos de 
tamanho (amassadas) 
 
 
Plástico 
Reciclável Não Reciclável 
 
Tampas Cabo de panela 
Potes de alimentos Tomadas 
Garrafas PET Adesivos 
Garrafas de água mineral Espuma 
Recipientes de limpeza Teclado de computador 
Recipientes de higiene Acrílicos 
PVC Canetas 
Sacos plásticos Bijuterias 
Brinquedos Botões de rádio 
Baldes 
Observação: O isopor é um produto potencialmente reciclável, 
dependendo da localidade em que você se encontra. 
 
Cuidados: Os potes e frascos devem estar limpos e sem resíduos 
para evitar a proliferação de insetos e ratos no local de armazenamento. 
 
 
Vidros 
Reciclável Não Reciclável 
 
Potes de vidro Planos 
Copos Espelhos 
Garrafas Lâmpadas 
Embalagens de molho Cerâmicas 
Frascos de vidro Porcelanas 
 Cristal 
 
 
54 
 Ampolas de medicamentos 
Cuidados: Como os outros materiais, os vidros devem estar 
limpos e sem resíduos. Podem estar tanto inteiros quanto quebrados. 
Se quebrados devem ser embalados em papel grosso como jornal. 
 
 
- Impedimentos para a reciclagem de materiais 
 
Embora tenha surgido como alternativa para minimizar os impactos 
causados ao meio ambiente, a reciclagem tem um viés econômico. 
 
Portanto, além de auto-sustentável e ambientalmente correto, todo 
projeto de reciclagem precisa dar retorno financeiro para a subsistência do 
empreendedor e para que seja atrativo como alternativa de investimento 
para as empresas. 
 
Assim, o que impede determinados processos de reciclagem, em 
última análise, acaba sendo a viabilidade ou não do projeto do ponto de vista 
econômico. 
 
Os materiais com alto custo de reciclagem, que coincidentemente são 
os mais danosos ao meio ambiente, normalmente não são atrativos para 
quem investe em reciclagem. 
 
Por isso, a reciclagem de pilhas e baterias tem tão pouca adesão dos 
recicladores no Brasil. Esses materiais são um exemplo significativo de 
material cuja reciclagem demanda custo alto, a começar pelos investimentos 
necessários em tecnologias e emprego de mão de obra na sua 
desmontagem. 
 
Além disso, sua composição contém diversos elementos e 
substâncias químicas altamente tóxicas à saúde e danosas ao meio 
ambiente. 
 
Se nem todo lixo é passível de reciclagem, então qual a destinação 
correta para esses materiais? 
 
O censo do Saneamento Básico realizado pelo Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) demonstra que 76% do lixo nos municípios 
brasileiros vão parar nos lixões, 13% em aterros controlados, 10% em 
aterros sanitários e apenas 1% é destinado à compostagem, reciclagem ou 
incineração. 
 
A maior parte dos resíduos de um município, portanto, é despejada de 
forma indiscriminada nos lixões. Esses depósitos normalmente ficam 
distantes da zona urbana, a céu aberto, sem qualquer planejamento 
ambiental nem medidas preventivas à saúde pública. 
 
 
 
55 
Isso provoca a proliferação de vetores (ratos, baratas, aves), 
favorecendo a disseminação de doenças. São comuns as aglomerações 
urbanas improvisadas nas proximidades desses lixões, onde muitos 
trabalhadores informais atuam na separação e recolhimento de materiais 
para reciclagem de forma autônoma. 
 
São famílias inteiras vivendo do lixo, que ficam expostas a doenças, 
sem acesso às mínimas condições de saneamento, saúde e habitação. 
Acrescente-se a isso o fato de que esses depósitos também servem para a 
criação de porcos e frangos, o que consiste em uma fonte adicional de 
doenças transmissíveis. 
 
Do ponto de vista ambiental, os problemas se multiplicam, porque os 
lixões, sendo meros depósitos a céu aberto, não dispõem de nenhum 
sistema de drenagem dos líquidos decorrentes do acúmulo de resíduosdiversos, que acabam escoando para os mananciais de água e 
contaminando também o lençol freático. 
 
Os lixões também favorecem a formação de gases que contaminam a 
atmosfera e são passíveis de provocar a incineração dos materiais. 
 
Já os aterros sanitários consistem em uma estratégia limpa de 
destinação do lixo urbano, a começar pelo fato de que os resíduos são 
cobertos com aterros. Nesse caso, os resíduos sólidos urbanos, incluído o 
lixo recolhido das residências oferecem mais segurança em relação ao meio 
ambiente e à saúde pública. 
 
O sistema alterna uma camada de resíduos e uma camada de terra. 
Esse sistema, se conduzido de forma adequada, possui todo o planejamento 
que não existe nos lixões. 
 
O aterro sanitário conta com um bom planejamento prévio sobre o 
impacto ambiental. No espaço em que vai ser instalado, são feitos estudos 
do solo para verificar a sua composição e capacidade de impermeabilidade, 
pois o solo muito permeável favorece a infiltração de líquidos e a 
contaminação do mesmo e das águas subterrâneas. 
 
Ao ser projetado o aterro, o solo é impermeabilizado e são 
construídos reservatórios para captar os dejetos líquidos decorrentes do 
material acumulado para tratamento e correta destinação. O acúmulo de 
gases combustíveis são canalizados para a queima ou para a produção de 
energia. 
 
Ao contrário dos lixões, que ficam a céu aberto e em áreas de livre 
acesso, o aterro sanitário é uma área controlada, inclusive com pesagem 
prévia dos resíduos e acesso restrito aos profissionais envolvidos no projeto. 
 
O regramento existente sobre essa modalidade de depósito determina 
que eles devem ser instalados à distâncias mínimas de 200 metros de áreas 
 
 
56 
alagadiças, lagos, rios e banhados. O controle para que não ocorra a 
contaminação da água subterrânea é feito regularmente por meio de poços 
para monitoramento. 
 
O aterro controlado, por sua vez, não conta com impermeabilização 
prévia do solo, nem escoamento de líquidos ou dispersão de gases. Ainda 
que seja uma alternativa menos poluente do que os lixões, os aterros 
controlados estão longe de oferecer a segurança dos aterros sanitários. 
 
Trata-se de uma área dividida por setores onde o lixo é depositado e, 
depois que todas as divisões estiverem preenchidas pelos resíduos, o local é 
vedado e aterrado para a utilização como área de lazer, a exemplo de 
parques e praças. 
 
Outra alternativa de eliminação do lixo é a incineração dos resíduos 
para a redução em até 90% do seu volume e até 75% do peso. A chamada 
decomposição térmica também proporciona a eliminação do fator de 
contaminação do lixo, pois uma vez queimado, perde em grande parte suas 
propriedades de contaminação do solo e transmissão de doenças. 
 
Esse processo se assemelha ao aterro sanitário nos aspectos de 
controle de riscos, com procedimentos de segurança desde a coleta e o 
transporte por prestadores credenciados até o tratamento final. 
 
 
 
2.4 – Técnicas de reciclagem 
 
O progresso tecnológico vem sendo redefinido no mundo para dar 
conta da sustentabilidade, conceito que se coloca como alternativa eficiente 
para o crescimento econômico sem danos, ou com danos minimizados ao 
ambiente natural. 
 
Com isso, há novos conceitos industriais como a tecnologia limpa, a 
legislação verde, o consumidor consciente e, é claro, a cultura da reciclagem 
de materiais. 
 
É certo que a reciclagem por si só não representa a solução para 
todos os problemas ambientais nem dá conta do reaproveitamento de 
materiais diante do volume de lixo que produzimos diariamente. 
 
Se o reaproveitamento de materiais, ou seja, a reciclagem se 
apresenta como alternativa econômica sustentável por preservar as fontes 
de recursos naturais e minimizar a questão do lixo, por outro lado, essa 
atividade somente produz resultados significativos se desenvolvida de forma 
correta e em grande escala. 
 
 
 
57 
Também é decisiva a questão econômica, pois a exigência de 
tecnologias e de mudança de comportamento necessários em todos os seus 
estágios podem reduzir o interesse empresarial pela reciclagem. 
 
O desafio da sociedade contemporânea é viabilizar a reciclagem 
como atividade econômica lucrativa para atrair o interesse dos grupos 
econômicos e o setor industrial. Em pequena escala, a reciclagem já se 
mostra um grande negócio, assim como a temática da sustentabilidade tem 
sido adotada como marketing por muitas empresas. 
 
No caso de alguns materiais, a viabilidade econômica já é realidade 
em pequena e média escalas. Confira a seguir alguns materiais recicláveis 
cujo processo de reaproveitamento é fonte geradora de renda para milhares 
de famílias e alvo de investimentos em tecnologias e políticas públicas: 
 
 
- Reciclagem de papel 
 
A produção de uma tonelada de papel consome cerca de 20 árvores 
adultas e 100 mil litros de água. Além da preservação das florestas, o 
reaproveitamento do papel representa uma economia de até 70% no 
consumo de energia elétrica e um reduzido consumo de água. 
 
Depois de selecionado e acondicionado em fardos, o papel segue 
para a comercialização. É vendido para as indústrias de papel para ser 
utilizado como matéria-prima na produção de papel novo. O resultado da 
reciclagem é a produção de papel-toalha, guardanapos, lenços de papel, 
papel higiênico e papel para impressão. A indústria gráfica se utiliza de 
papeis reciclados para produzir cadernos, livros, caixas e embalagens. 
 
 
- Reciclagem de plástico 
 
A adoção de plásticos para embalagens começou a proliferar nos 
anos 1950. Até então, utilizava-se predominantemente o papel e o papelão 
para embalar materiais sólidos. Até as compras que as pessoas faziam 
diariamente eram acondicionadas em cartuchos de papel e o leite, ao invés 
de sacos ou garrafas plásticas, era acondicionado em garrafas de vidro. 
 
Com os avanços dos processos tecnológicos que proporcionaram a 
produção de novos materiais, com grande economia de recursos financeiros, 
passaram a predominar as embalagens plásticas e de outros materiais 
sintéticos. 
 
Os problemas ambientais ocasionados pelo descarte desses materiais 
na natureza, no entanto, estão forçando um caminho de volta. 
 
Em alguns grandes centros urbanos, rejeita-se o uso do plástico para 
embalagens com soluções domésticas como levar sua própria sacola ao ir 
 
 
58 
ao supermercado ou à feira ou preferir sacos de papel para embalar 
produtos secos. 
 
A reciclagem do plástico, no entanto, tem se apresentado com uma 
solução, evitando que boa parte desses materiais vá parar nos lixões e 
aterros sanitários. A reciclagem de plástico tem merecido investimentos da 
indústria e o seu processo é extremamente simples, embora exija 
investimentos em tecnologia apropriada. 
 
Primeiro o material plástico é separado de forma manual, passa pela 
moagem ou trituração até se transformar em massa. 
 
Depois de seco, o plástico passa pelos processos de extrusão e 
aglutinação para ser transformado em novos produtos como mangueiras, 
solados de calçados, tomadas e interruptores de eletricidade, baldes e 
acessórios. 
 
 
- Reciclagem de vidro 
 
A reciclagem de vidro em escala industrial está em atividade no Brasil 
desde meados da década de 1980, sendo que a coleta de vidros e garrafas 
para reprocessamento em escalas menores acontece no país desde os anos 
1960. 
 
O Brasil produz aproximadamente 900 mil toneladas de vidro por ano. 
Desse total, 25% são produzidos por meio da reciclagem e o vidro responde 
por 3% do total de resíduos urbanos. 
 
O vidro coletado é selecionado, passa pelos processos de 
descontaminação e moagem para depois ser reaproveitado na fabricação de 
novos vidros. 
 
Os fornos de fundição do vidro representam um gasto considerável 
com energia, já que o material depende de temperaturas constantes que 
podem chegar a 1,6 mil graus centígrados para se fundir. Esses fornos são 
mantidos à base de óleo combustível, gás natural ou mesmo energiaelétrica. 
 
O gasto de energia é maior na etapa de fusão dos minerais para a 
produção do vidro representa o maior gasto de energia do processo. Por 
isso, a reciclagem representa uma economia de até 80% de energia, entre 
outros benefícios. 
 
 
- Reciclagem de metais 
 
O reprocessamento dos metais por meio da fundição já era uma 
prática adotada bem antes da popularização dos conceitos de reciclagem de 
 
59 
materiais. A fundição permite o reaproveitamento de peças defeituosas ou 
impuras e os diversos tipos de sucatas metálicas como base para a 
produção de novas peças. 
 
A reciclagem de metais, assim como a do vidro, é altamente 
produtiva, resultando em economia, redução de custos operacionais e de 
energia, além de retorno significativo em termos de impacto ambiental. 
 
A maior vantagem é em relação ao consumo de energia que, na 
produção do metal, é alto devido à necessidade de partir os minérios 
metálicos para a fabricação de peças metálicas. Na reciclagem, as peças 
são obtidas a partir do metal já existente, não sendo necessário o alto gasto 
de energia para a produção a partir de minérios. 
 
As latas de alumínio são um exemplo representativo do alto custo-
benefício da reciclagem de metal. O Brasil recicla mais de 95% das latas de 
alumínio e o processo de reciclagem demora, em média dez dias. 
 
Para efeito de comparação, alguns países europeus obtiveram 
avanços na última década, mas mesmo assim conseguem reciclar até 60% 
das latas. A França recicla 40% e a Grécia recicla 36%. 
 
Mas há países com melhor desempenho que o Brasil na reciclagem 
de latinhas de alumínio como a Noruega, que obtém o reprocessamento de 
92% e da Suiça, com 90%. 
 
O maior consumidor de produtos embalados nessas latinhas são os 
Estados Unidos que, no entanto, recicla pouco mais da metade do lixo que 
produz, com uma média de 800 mil dessas embalagens por ano. 
 
Assim como o vidro, o metal pode ser integralmente reciclado e a 
variedade dos metais mobiliza as indústrias de grande porte pela demanda 
do aço dos automóveis fora de linha ou acidentados sem possibilidade de 
reparo. 
 
Os metais pesados, que na sua maioria, não possuem tecnologia para 
reciclagem, não se incluem nessa categoria dos metais recicláveis, sendo 
considerados substâncias químicas. 
 
 
- Reciclagem de borrachas 
 
A borracha natural é obtida a partir da extração da seiva da 
seringueira. O látex coagulado e seco é aquecido e misturado com outras 
substâncias químicas. 
 
A borracha também é produzida artificialmente, a partir do petróleo, 
para ser adicionada à borracha natural a fim de aumentar a resistência às 
mudanças de temperatura. 
 
 
60 
A borracha é utilizada em larga escala para a produção peças e 
acessórios, utilitários domésticos, materiais hospitalares e acessórios e 
peças para a indústria automotiva. A fabricação de pneus consome 70% da 
borracha produzida no Brasil e o descarte médio é de 17 milhões de pneus 
por ano. 
 
A recuperação de pneus exige a separação da borracha vulcanizada 
dos demais materiais utilizados na fabricação do pneus, como os metais e 
tecidos. Por isso, são cortados e passam pelo processo de separação dos 
componentes. 
 
Depois a borracha é triturada e desvulcanizada. O produto final é 
reprocessado para se transformar em massa uniforme que depois 
transformado em borracha granulada. 
 
Nesse processo, a borracha perde características físicas devido à 
dificuldade de remoção completa de todos os ingredientes e químicos 
fundidos na sua composição original (desvulcanização). 
 
A borracha reciclada é utilizada como massa asfáltica, pisos de 
quadras de esporte, fabricação de tapetes para automóveis, saltos e solados 
para calçados; colas e adesivos, câmeras de ar para pneus, utilidades 
domésticas e acessórios para a indústria automotiva. 
 
 
- Reciclagem de materiais orgânicos 
 
Os resíduos orgânicos são as sobras de alimentos e de outros 
materiais que podem se degradar com facilidade na natureza, sem provocar 
danos ambientais. São cascas, folhas, restos de frutos e vegetais, pó de 
café, restos e aparas de gramas, galhos, papéis-jornal, restos de 
jardinagem, entre outros. 
 
A reciclagem desses materiais por meio da compostagem resulta na 
produção de adubo para as plantas e reduz a quantidade de lixo depositada 
nos aterros sanitários. 
 
A primeira etapa desse processo de reciclagem é a coleta seletiva dos 
resíduos orgânicos. Consiste na separação dos resíduos orgânicos do resto 
do lixo direto na fonte, ou seja, na nossa própria casa, evitando misturar os 
materiais recicláveis com o resto do lixo para não prejudicar o 
reaproveitamento. 
 
A separação manual ou mecânica (com a ajuda de máquinas e 
equipamentos) seleciona os resíduos que podem ser reciclados e que 
tiveram origem na coleta seletiva. 
 
 
 
61 
Nessa triagem é feita a avaliação quantitativa e qualitativa dos 
resíduos orgânicos coletados antes de utilizá-los no processo de 
compostagem e/ou vermicompostagem. 
 
Como é feita a reciclagem dos resíduos orgânicos? 
 
A compostagem é a principal forma de reciclo dos resíduos orgânicos. 
Nesse processo estão envolvidas as transformações do material orgânico 
pela ação dos micro-organismos do solo, que encontram na matéria 
orgânica a sua fonte de energia, nutrientes minerais e carbono. Essa 
transformação chama-se decomposição biológica. 
 
O final do processo de decomposição é o material rico em nutrientes, 
com estrutura fofa, cheiro agradável e aparência de terra, que será utilizado 
como fertilizante orgânico no cultivo de jardins e hortas domésticas. 
 
 
Além disso: 
 
 O fertilizante orgânico aumenta quantidade de nutrientes no 
solo, eliminando o uso de adubos químicos. 
 
 Aumenta a capacidade de absorção dos nutrientes pelas 
plantas e fornece substâncias naturais que estimulam o seu 
crescimento de forma natural. 
 
 Favorece a aeração e a retenção de água no solo, reduzindo a 
erosão natural. 
 
 Estabiliza os níveis de acidez e a temperatura do solo, 
favorecendo a sua fertilidade. 
 
 Reduz a incidência de plantas daninhas. 
 
 Favorece a reprodução de micro-organismos essenciais para a 
manutenção da fertilidade do solo. 
 
 
 
2.5 – O que são produtos biodegradáveis? 
 
Produtos biodegradáveis são aqueles que podem ser decompostos 
pela natureza por meio da ação de micro-organismos. Essa decomposição 
resulta em substâncias mais simples na sua composição, que podem ser 
absorvidas facilmente pelo meio ambiente sem provocar danos. 
 
No meio ambiente existem micro-organismos que processam a 
sintetização de grande variedade das enzimas com potencial de degradação 
 
 
62 
dos compostos químicos. A propriedade biodegradável está relacionada com 
a estrutura química do produto. 
 
Os plásticos, os detergentes, inseticidas e os resíduos de 
medicamentos são compostos químicos com grande resistência à ação dos 
micro-organismos e, por isso, são de alta contaminação. 
 
Esses resíduos não são biodegradáveis e, portanto, devem passar 
por processos industriais de decomposição antes de serem descartados na 
natureza para favorecer a sua degradação. 
 
Assim, os biodegradáveis são todos os materiais que, depois de 
usados, podem ser decompostos naturalmente pela ação de micro-
organismos existentes no meio ambiente. 
 
Quando se decompõe, o material biodegradável perde as suas 
propriedades químicas que causam danos ao meio ambiente. 
 
Por isso, é cada vez mais rigorosa a fiscalização ambiental às 
indústrias de detergentes, de papel e embalagens para que adotem práticas 
de sustentabilidade produzindo seus materiais com matéria-prima 
biodegradável. 
 
 
 
2.6 – Dicas e curiosidades 
 
Aquecimento global – É o aumento da temperatura do planeta pelo 
aumento do efeito estufa ocasionado pela presença de gases na atmosfera 
que retêm a radiação infravermelha proveniente do sol. 
 
Pela ação dos gases de efeito estufa emitidos pela queima de 
combustíveisfósseis, entre outras fontes, a radiação não retorna ao espaço, 
permanecendo na superfície terrestre. O aquecimento aumenta à medida 
que a radiação é retida pela massa gasosa formada pela poluição. 
 
Chuvas ácidas – São provocadas pela contaminação da água por 
dióxido de enxofre e pelos óxidos de nitrogênio liberados pelas centrais 
elétricas e indústrias. Combinadas com a água produzem ácidos sulfúrico e 
nítrico. 
 
Ao atingir a superfície terrestre na forma de chuvas, a água ácida 
libera os minerais do magnésio, do potássio e do cálcio presentes no solo e 
altera a composição da água, provocando danos à agricultura e ao meio 
ambiente. 
 
O azul do céu – A camada de gases que envolve o planeta é a 
atmosfera. Ela é composta de gases como o nitrogênio e o oxigênio e 
quantidades menores de argônio, gás carbônico e vapor de água, entre 
 
63 
outros. O azul que percebemos no céu quando o tempo está bom é um 
efeito ótico produzido pela difusão da luz do sol através das moléculas do ar 
da atmosfera. 
 
A cor é provocada pelas ondas luminosas de baixas amplitudes e 
longitude. Ao amanhecer e nos finais de tarde, notamos que o céu fica 
avermelhado. Isso acontece porque as ondas de longitude curta 
responsáveis pela luz azul precisam percorrer uma distância muito maior e 
se perdem na atmosfera, permitindo a ação das ondas de maior longitude, 
que produzem tonalidades avermelhadas. 
 
Terremotos – A crosta terrestre está em constante processo de 
acomodação que provocam os terremotos ou sismos. Os tremores de terra 
estão sempre acontecendo, embora na sua maioria sejam de pequena 
monta e, por isso são imperceptíveis. 
 
Os terremotos são provocados pela movimentação das placas 
tectônicas ou por atividade vulcânica. O abalo sísmico libera energia que é 
transmitida ao solo na forma de ondas, povocando os terremotos, que são 
classificados de acordo com a profundidade em que ocorreram dentro da 
crosta terrestre. 
 
Furacões – O movimento de massas de ar, os ventos, é provocado 
pela diferença da pressão entre as regiões da terra. Os furacões ou ciclones 
se formam na região equatorial do oceano Atlântico e são provocados por 
ventos de até 118 quilômetros por hora. 
 
São provocados quando a água do mar aquece o ar úmido em 
elevação e também pelo choque entre os ventos alísios do nordeste e do 
sudeste, que provoca a formação de um funil gigante. 
 
Dentro dessa estrutura, o ar quente sobe e esfria, enquanto a 
umidade do ar é condensada, liberando calor. Isso provoca o aquecimento 
da massa de ar giratória que sobe à medida que consome mais ar frio. 
 
Alterações climáticas – Os fenômenos climáticos El Niño e La Niño 
são naturais do oceano Pacífico e se caracterizam pela mudança brusca de 
temperatura das correntes marinhas que provocam grandes alterações 
climáticas. 
 
O El Niño é formado por uma corrente de ar quente que ocorre entre a 
Nova Guiné e o Peru, provocando tanto as secas quanto chuvas em 
abundância. O La Niña é formado por uma corrente fria que percorre a 
direção oeste na altura do Equador e seus efeitos são longos períodos de 
estiagem em algumas áreas do planeta em contraposição a temporais em 
outras. 
 
 
 
 
64 
Unidade 3 – A sustentabilidade nas empresas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.1 – Por que a sustentabilidade e a responsabilidade social 
interessam para as empresas? 
 
A humanidade se depara atualmente com a emergência das questões 
ambientais que impõem mudanças de comportamento e uma cultura de 
sustentabilidade como estratégias para a salvação do planeta. 
 
São evidentes os sinais de que o meio ambiente está seriamente 
atingido pelo modo de produção e consumo em larga escala que por muito 
tempo foi adotado sem uma contrapartida de políticas de recuperação dos 
recursos naturais. 
 
Os resultados podem ser medidos nas variações climáticas 
ocasionadas pela poluição, também responsável pela degradação do solo, 
das reservas hídricas e da atmosfera, que transformaram regiões inteiras do 
planeta em desertos e tornaram os grandes centros urbanos em áreas de 
precárias condições de sobrevivência. 
 
O comprometimento da vida no planeta é visível não apenas sob o 
ponto de vista da degradação do meio ambiente, mas também dos 
resultados dessa produção e consumo desenfreados, que resultam em 
degradação constante da qualidade de vida da população, cada vez mais 
agravada pela explosão demográfica, pela ocupação desordenada do solo, a 
 
65 
má distribuição da renda e a ausência de projetos para o futuro da 
sociedade. 
 
Sabemos que toda ação do homem se reflete em consequências para 
o meio ambiente, o que permite entender as sucessivas catástrofes 
relacionadas ao clima e ao meio ambiente. Essa percepção vem provocando 
uma redefinição na forma como a humanidade se relaciona com a sua casa, 
ou seja, o planeta. 
 
Agora já não pensamos o meio ambiente como fonte inesgotável de 
recursos. A urgência imposta pela degradação da vida na terra ajuda a criar 
e se disseminar uma consciência planetária. Nem todos agem de forma 
sustentável, mas sabemos que precisamos mudar nosso modo de vida e de 
relacionamento com o mundo em que vivemos. 
 
Essa mudança de comportamento impôs às empresas novas formas 
de pensar os seus modos de produção e da prestação de serviços, bem 
como a forma como o mundo corporativo se relaciona com a sociedade e 
com o meio ambiente. 
 
A sustentabilidade empresarial define um conjunto de práticas que 
procuram demonstrar o respeito da empresa ou marca pelo meio ambiente, 
bem como as suas políticas socioambientais. 
 
A sustentabilidade empresarial se tornou um tema tão emergente que 
levou a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo a instituir um índice para 
aferir o grau de sustentabilidade das empresas com ações bolsa. 
 
O Índice de Sustentabilidade Empresarial tornou-se um importante 
indicador para despertar o interesse de investidores nas ações daquelas 
empresas que adotaram políticas bem definidas de respeito à 
responsabilidade social dos seus empreendimentos, produtos e serviços. 
 
Como podemos perceber ao analisar o perfil da maioria das 
empresas, a sustentabilidade e a responsabilidade social representam um 
grande capital a ser mobilizado não apenas como marketing corporativo, 
mas como ações efetivas para a melhoria das condições de vida e do meio 
ambiente, seja em escala planetária, seja nas comunidades onde atuam. 
 
Os exemplos vão desde pequenas empresas que adotaram práticas 
sustentáveis e de valorização do meio ambiente e do capital humano de que 
dispõem, até as grandes corporações que associam suas marcas e produtos 
à sustentabilidade socioambiental e desenvolvem políticas efetivas nesse 
sentido. Vejamos alguns casos a seguir. 
 
 
 
 
 
 
66 
3.2 – Exemplos de sustentabilidade: o que tem sido feito no 
Brasil e no mundo 
 
Para identificar uma empresa sustentável devemos avaliar se ela 
adotou, em primeiro lugar, práticas de gestão compatíveis com o seu 
crescimento e se seus serviços e produtos são ecologicamente corretos. 
 
Ainda que a empresa trabalhe com setores ou produtos de impacto 
ambiental, além de questionar se seus processos de produção não poderiam 
ser aprimorados de forma a eliminar os danos, devemos avaliar quais são as 
suas práticas de sustentabilidade, procurando saber como ela age para 
reduzir ou compensar os danos ambientais que produz e de que forma 
essas políticas compensatórias incluem as populações envolvidas. 
 
Devemos pesquisar o histórico dessa empresa para saber se ela é 
uma empresa poluidora reincidente e se evoluiu nas suas políticas de 
sustentabilidade ou as mantém apenas como estratégia de marketing. 
 
Outro indicador a ser avaliado na identificação de uma empresa 
sustentável é a forma como ela se relaciona com os seus funcionários e a 
comunidade do seu entorno, se oferece condições de trabalho adequadas, 
se promove atividades voltadas para a comunidade local, se desenvolve 
políticascentradas nos funcionários e consumidores e se estimula o 
consumo consciente e mantém programas de reciclagem dos seus produtos 
e embalagens. 
 
As empresas sustentáveis proliferaram especialmente a partir dos 
anos 90 e atualmente são inúmeros os projetos de sustentabilidade efetivos 
de corporações como a Nokia, Sony e Toshiba, citadas pelo Greenpeace 
como as empresas mais verdes do mundo (ver ranking no final deste 
subcapítulo). 
 
Além dos projetos isolados de empresas de todos os portes e 
atuações nas mais diversas áreas, podemos citar como marcas sustentáveis 
a Natura, que desenvolve programas de envolvimento das comunidades nos 
locais onde é realizada a extração da matéria-prima para os seus produtos. 
 
Os bancos Bradesco, Itaú, HSBC e Santander, cada um com suas 
políticas próprias, recentemente passaram a incorporar em seu marketing a 
proposta de contribuição para a melhoria das relações sociais, além de 
desenvolverem programas de sustentabilidade ambiental através de seus 
institutos de fundações. 
 
Recentemente, a rede varejista Wall Mart foi destaque no ranking de 
empresas sustentáveis publicado por uma revista de circulação nacional por 
liderar um acordo entre varejistas, o Greenpeace e grandes frigoríficos para 
deixar de adquirir carne produzida em fazendas da Amazônia. A decisão se 
baseou no fato de a pecuária ser a maior responsável pelo desmatamento 
na região. 
 
 
67 
Contraditoriamente, o ranking destaca empresas que mantêm um 
discurso de sustentabilidade meramente de fachada, como é o caso da 
Brasil Foods, que responde a inúmeros processos movidos pelo Ministério 
Público do Trabalho devido à imposição de condições desumanas de 
trabalho aos seus funcionários. 
 
Portanto, antes de afirmar que determinada empresa ou seu projeto é 
sustentável, devemos avaliar de forma crítica o seu comprometimento com a 
preservação dos recursos ambientais de maneira integrada com o bem-estar 
social, a começar pelos seus colaboradores e funcionários. 
 
 
Casas com consumo zero de energia 
 
 
Casa Arco é apenas uma das modalidades de construções do projeto 
Empreendimento de Energia Zero (BedZed), que desde 2002 promove a construção de 
conjuntos residenciais sustentáveis no Reino Unido, China, Portugal e França. 
Foto: RuralZed/Divulgação 
 
A ocupação dos espaços urbanos de forma sustentável e planejada é 
possível e isso não representa gastos astronômicos ou projetos 
incompatíveis com a praticidade. 
 
É o que ensina um projeto em desenvolvimento desde 2002 no Reino 
Unido na construção de residências e condomínios sustentáveis, com 
soluções simples e de baixo custo. Os resultados em termos ambientais e 
sociais são tão significativos que seus arquitetos já estão desenvolvendo 
projetos para outros países. 
 
Trata-se do Beddington Zero Energy Development (BedZed), que 
significa Empreendimento de Energia Zero. Os condomínios são pensados 
desde a sua construção para provocar menos impacto ao meio ambiente. 
 
 
 
68 
O BedZed é desenvolvido pela incorporadora inglesa Peabody Trust 
em parceria com o BioRegional, grupo especializado em meio ambiente, a 
partir do projeto do arquiteto Bill Dunster. Os projetos de moradia sustentável 
tem feito sucesso no Reino Unido e já estão em desenvolvimento na China, 
Portugal e França. 
 
As casas proporcionam zero ou baixa emissão de carbono e se 
destacam por colocar em prática o conceito de vida ecologicamente correta 
com conforto e de forma rentável em qualquer lugar do planeta. 
 
Os critérios de ocupação do bairro ecológico são bem definidos. O 
projeto-piloto do BedZed, localizado em Sutton, nas proximidades de 
Londres, começou a ser ocupado em 2002 com base na filosofia de 
composição heterogênea concebida pelos seus criadores. 
 
O bairro é ocupado à razão de um terço para cada classe social. Um 
terço dos habitantes pertence às classes mais desfavorecidas, outro terço à 
classe média e o outro terço à classe alta. Segundo seus idealizadores, isso 
promove a integração das populações mais carentes na vida social e à 
filosofia ecológica do bairro. 
 
A proposta de reduzir o gasto de energia já começa com a construção 
das casas, que é feita com materiais adquiridos nas proximidades do 
empreendimento para que não seja necessário gastar nem poluir com o 
transporte. Também são utilizados materiais reciclados e a mão de obra é 
local. 
 
O projeto leva em conta o rigoroso inverno da Inglaterra e utiliza 
técnicas simples e eficientes para reduzir o consumo de energia. Como 
clima é muito frio, todas as residências precisam de sistemas de 
aquecimento. Isso, num projeto não sustentável, representa alto consumo de 
energia e custos para sua manutenção. No BedZed, as casas são projetadas 
para permanecer a uma temperatura média de 18 graus centígrados. 
 
Para isso, são utilizados materiais térmicos na construção das casas, 
especialmente as paredes, que retêm e liberam calor de forma gradual. As 
paredes contêm isolantes térmicos entre as camadas de concreto. Toda 
fonte de calor dos equipamentos da casa e até mesmo a liberação de calor 
das pessoas são aproveitadas para manter o aquecimento da casa devido à 
eficiência do sistema de isolamento. 
 
No caso de elevação da temperatura durante o verão, a circulação do 
ar é favorecida pela simples abertura das janelas. Os telhados são 
equipados com ventiladores refrescam a residência durante o verão e, no 
inverno, utilizam a pressão do vento para aumentar o aquecimento do 
ambiente. 
 
Essas técnicas representam uma economia de 90% de energia em 
relação a uma casa convencional, pois tudo que é consumido vem de fontes 
 
 
69 
renováveis. A energia elétrica é produzida por uma usina que tem como 
combustível os restos de madeira. 
 
A água coletada das chuvas é utilizada para descarga nos sanitários, 
que são reguláveis. Essas medidas combinadas com outras estratégias 
proporcionais à redução do consumo de água de 150 litros para 60 litros por 
pessoa. 
 
 
Outras vantagens da Ecovila: 
 
Redução dos impactos ambientais, de consumo de água, energia 
elétrica e gás. 
 
Um cômodo da residência é subsidiado pelo governo para 
proporcionar moradia digna a quem não tem condições financeiras de 
bancar uma residência, e outro é destinado à ocupação, com custo reduzido, 
para os profissionais que são essenciais para o bem estar da comunidade: 
professores, médicos, hidráulicos, eletricistas. 
 
Como a Ecovila fica próxima à estação do metrô, quase metade dos 
moradores dispensa o carro e utiliza a bicicleta. Quando o uso do carro é 
inevitável, basta utilizar um dos veículos abastecidos com eletricidade. Os 
carros são liberados mediante inscrição prévia, agendamento e pagamento 
de uma taxa e ficam à disposição nos estacionamentos, onde são devolvidos 
depois do uso. 
 
 
Ranking das empresas verdes 
 
As empresas de tecnologia que mais se empenham em implementar 
políticas com vistas à preservação do meio ambiente são a Nokia, a Sony e 
a Toshiba, de acordo com o ranking Greener Electronics, mantido pelo 
Greenpeace. 
 
Apesar dos avanços demonstrados por algumas corporações, a 
maioria delas tem um baixo comprometimento com as questões 
socioambientais. 
 
Em uma escala de zero a dez, a ONG atribuiu valores às empresas 
analisadas no que se refere às ações para reduzir a eliminação de produtos 
químicos durante a fabricação dos seus produtos, descarte consciente e 
reciclagem de baterias e pilhas utilizadas nesses produtos. 
 
Confira a seguir, as empresas destacadas pela avaliação, que se 
utiliza das informações publicadas pelas próprias empresas, bem como a 
pontuação alcançada: 
 
 
 
70 
A Nokia, com nota 7,3, é a primeira colocada em razão das políticas 
adotadas para redução da emissão de resíduos tóxicos na fabricação dos 
seus produtos. A empresa perdeu pontos na avaliação do consumo de 
energia. 
 
Na Sony Ericsson, nota 6,9, ficou em segundo lugar porque, apesar 
de ter aprimorado os sistemasde eliminação dos resíduos tóxicos que utiliza 
na fabricação dos seus produtos, deixou a desejar no que se refere à 
reciclagem. 
 
A Toshiba obteve a pontuação de 5,3. Apesar de uma maior eficiência 
na eliminação de resíduos tóxicos nas suas fábricas, demonstrou 
comprometimento insuficiente em relação a práticas ambientalmente 
sustentáveis. 
 
A holandesa Philips (5,3 pontos) liderou um lobby contra a inclusão de 
substâncias tóxicas na legislação ambiental. 
 
A Apple, com nota 5.1, vem apresentando melhorias nas suas 
políticas ambientais, especialmente na eliminação de resíduos durante o 
processo de fabricação dos seus produtos. 
 
Com pontuação igual à Apple, a LG Electronics vem adiando suas 
políticas de eliminação de resíduos tóxicos, assim como a Sony, a Motorola 
e a Samsung – esta pouco comprometida com as políticas de regulação das 
substâncias tóxicas. 
 
A Microsoft (2,4), não apoiou qualquer mudança na legislação relativa 
às substâncias tóxicas e a Nintendo (a última do ranking, com nota 1,4) não 
mantém ações ou políticas de proteção ao meio ambiente. 
 
 
 
3.3 – Como desenvolver um programa de sustentabilidade em 
sua empresa 
 
 
 
 
O surgimento de novos modos de produção e inúmeras oportunidades 
de desenvolvimento econômico ao longo das últimas décadas, com o 
 
71 
advento das novas tecnologias e da globalização, mudaram definitivamente 
o mundo corporativo. 
 
A busca cada vez maior de oportunidades de investimento e lucro 
pelas empresas nesse universo de grande aceleração financeira levou, sem 
dúvida, ao desenvolvimento da economia em nível mundial. 
 
Esse crescimento econômico, no entanto, não contou com a 
contrapartida nos planos de desenvolvimento social e ambiental em nível 
planetário. 
 
Aumentou a concentração de renda e a diferença entre pobres e 
ricos, agravou-se o conflito pela terra e a concentração demográfica nos 
grandes centros urbanos, assim como cresceram os problemas de trânsito e 
transporte, de geração de energia e de acompanhamento da infraestrutura. 
 
No aspecto ambiental, a intensidade do consumo desenfreado dos 
recursos naturais, a geração de resíduos em grande escala e a poluição 
provocam desequilíbrios que já ameaçam a sobrevivência no planeta. 
 
Essa conjuntura forjou uma nova cultura corporativa, na qual as 
empresas devem desempenhar um papel que já não se restringe à sua 
atuação no mercado, mas é parte de uma sociedade global, com 
responsabilidades a serem assumidas em busca de um mundo melhor para 
as gerações atuais e futuras. 
 
A Sustentabilidade Corporativa é um movimento que busca o 
reposicionamento do setor empresarial e industrial, de comércio e de 
serviços frente a esse cenário. É necessário assumir um novo 
posicionamento em um mundo em transformação. 
 
A gestão como foco na Sustentabilidade Corporativa associa os 
objetivos do empreendimento com ações e políticas de defesa do meio 
ambiente e com a promoção da justiça social. Esses três objetivos passam a 
ter igual importância na atuação da empresa. 
 
O processo de inserção dos valores da Sustentabilidade Corporativa 
deve atingir todas as atividades da empresa, como veremos a seguir: 
 
A empresa deve consolidar uma visão de sustentabilidade 
corporativa. Na prática, essa visão passa pela discussão sobre qual o 
patamar de lucro é compatível com os objetivos do empreendimento e se 
essa meta está dentro de uma atuação sustentável, isto é, se esse lucro é 
condizente com a sustentabilidade ambiental e social. 
 
Essa visão depende do grau de inserção da empresa nessa nova 
ordem, da percepção dos seus gestores sobre a importância da 
sustentabilidade. 
 
 
 
72 
Uma cultura de Sustentabilidade Corporativa requer planejamento e 
execução de ações e políticas com vistas à preservação ambiental de forma 
efetiva e que inclua todos os públicos envolvidos nas atividades da empresa, 
quer seja o público interno (funcionários), quer sejam os consumidores e a 
comunidade da área ou áreas de atuação. 
 
O processo deve ter grande protagonismo das lideranças para obter 
êxito. Da sensibilização dos líderes e gestores depende a sensibilização de 
todos em relação à sustentabilidade. 
 
O planejamento pode recorrer às consultorias para a elaboração de 
um estudo sobre qual o melhor plano de Sustentabilidade Corporativa a ser 
adotado pela empresa e quais políticas mais adequadas ao seu perfil 
empresarial de forma a compatibilizar competitividade, sustentabilidade e 
justiça social. 
 
A promoção da responsabilidade em todos os procedimentos da 
empresa deve ter uma equipe responsável pela implementação dessas 
ações e políticas. 
 
A empresa poderá criar um núcleo de sustentabilidade, um instituto ou 
uma fundação para gerir a sustentabilidade, mas o sucesso do projeto, com 
a adesão de todos e a boa comunicação das realizações dependerá da 
equipe responsável. 
 
Por sustentabilidade, entendemos todas as ações ecologicamente 
corretas, mas também aquelas promotoras da justiça social, a começar pelo 
ambiente empresarial. Assim, a equipe de trabalho deverá investir nas 
iniciativas para melhorar o relacionamento interpessoal dos funcionários, 
aprimorar o relacionamento com fornecedores, clientes e consumidores. 
 
Essas ações poderão ser integradas com iniciativas como a avaliação 
do impacto ambiental e social das iniciativas empresariais, seja o 
lançamento de um novo produto ou a implantação de uma nova unidade, por 
exemplo. 
 
Ou ainda aliadas a projetos de sustentabilidade, como o plantio de 
árvores no bairro, o incentivo à reciclagem, campanhas de solidariedade, 
arrecadação de alimentos ou promoção de atividades integradoras dos 
funcionários, familiares e comunidade nas datas especiais. 
 
Independente da dimensão do projeto de sustentabilidade a ser 
desenvolvido, ele sempre posicionará a empresa de maneira positiva 
perante os públicos internos e externos desde que bem coordenados e 
executados pela equipe responsável. 
 
É importante a inclusão de funcionários de diferentes áreas da 
empresa nesta equipe para que as práticas de sustentabilidade sejam 
incorporadas no dia a dia da empresa. 
 
 
73 
 
O grupo de trabalho deverá atuar de forma sistemática e efetiva, 
evitando assumir postura burocrática ou estranha ao cotidiano da empresa. 
Suas atribuições são a articulação da sustentabilidade corporativa e isso 
requer a mobilização de todos os setores. 
 
Acrescente-se aos exemplos de práticas ambientalmente sustentáveis 
ainda a mudança de comportamento dos funcionários e gestores em relação 
à economia de água, energia, papéis, a substituição de materiais ou 
produtos poluentes ou não recicláveis por aqueles ecologicamente corretos 
e o reaproveitamento de resíduos, a depender da estrutura e do tamanho da 
empresa. 
 
O primeiro passo para a criação de um programa de sustentabilidade 
deve ser a avaliação do comportamento e das práticas adotadas atualmente. 
Essa avaliação pode ser feita por meio de indicadores próprios ou adotando 
os indicadores de sustentabilidade criados por instituições especializadas 
em meio ambiente. 
 
A partir desses referenciais será possível medir as mudanças obtidas 
e estabelecer metas de aprimoramento. A etapa inicial mobiliza a equipe de 
trabalho envolvida na sustentabilidade e também pode incluir fornecedores, 
pessoas da comunidade e consumidores. 
 
Assim, é possível ampliar o diagnóstico sobre qual imagem a empresa 
tem passado para os mais diversos públicos para então poder programar 
ações efetivas. 
 
Depois de definir o que queremos mudar, inclusive rompendo 
paradigmas e propondo novas formas de fazer, devemos investir nos rumos 
a serem tomados, estabelecendo a missão, os valores, os princípios e os 
códigos de conduta que irão nortear a empresa a partir de agora. 
 
Deverá ser elaborado um plano estratégico para a implantação e o 
aprimoramento da cultura sustentável na empresa. Nele são definidos os 
objetivos e metas a serem atingidosno curto, médio e longo prazos, os 
programas de qualificação e capacitação interna e externa, as formas de 
participação de todos os setores da empresa. 
 
O Plano Estratégico também deverá conter o projeto de comunicação 
permanente com todos os envolvidos e com os públicos a serem atingidos 
pelas ações de sustentabilidade, bem como indicadores que permitam o 
controle e a avaliação de todos os passos do programa. 
 
Em seguida, virá o estágio mais importante do processo de 
implantação de um programa de Sustentabilidade Corporativa, que consiste 
em colocar em prática o Planejamento Estratégico. As ações devem ser 
monitoradas constantemente de acordo com os critérios de avaliação 
adotados. 
 
 
74 
Os indicadores selecionados devem ser comparados com os da 
avaliação inicial e, dependendo dos resultados, a visão de sustentabilidade 
da empresa poderá ser redimensionada. 
 
Lembre-se que o conceito de sustentabilidade empresarial está 
sempre em atualização e readequação e as estratégias do projeto também 
precisam se readequar à realidade. 
 
Aqui é importante salientar que a equipe envolvida no projeto de 
sustentabilidade da empresa deverá estar sempre em constante atualização 
dos seus conhecimentos sobre o tema para propor estratégias ou rever 
metas em consonância com a realidade. 
 
 A atuação da empresa com vistas à sustentabilidade corporativa 
depende de ferramentas de comunicação apropriadas a cada um dos 
públicos que pretende atingir. Lembre-se que é importante desenvolver laços 
com o público externo e com outras empresas e instituições de interesse 
para firmar parcerias que assegurem a visibilidade do projeto. 
 
A comunicação também atua na prestação de contas à sociedade 
sobre a responsabilidade socioambiental da empresa, contribuindo para que 
sua marca seja cada vez mais associada a uma instituição que atua em 
defesa do meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas. 
 
 
 
3.4 – Princípios da governança corporativa 
 
Por governança corporativa, entendemos os processos necessários 
para a gestão e o controle de uma empresa. Quando conduzida de forma 
correta, a governança corporativa é uma importante ferramenta para o 
desenvolvimento econômico sustentável, pois assegura melhorias no 
desempenho corporativo e favorece o acesso aos investidores. 
 
A prática da boa governança corporativa favorece o acesso aos 
investimentos em todos os sentidos por ser uma política reconhecidamente 
bem sucedida na condução de uma empresa. 
 
Sua adoção é um indicativo de probidade, o que facilita o acesso a 
fontes de financiamento, seja investidores locais, nacionais ou 
internacionais, do setor público ou privado. 
 
Além disso, as empresas que adotam a boa governança obtêm uma 
melhor classificação no mercado na comparação com as que apresentam 
gestões deficitárias. 
 
O investimento em melhorias nas estruturas e nos métodos de 
governança processo de tomada de decisão e favorecem o crescimento no 
longo prazo. Essa é uma premissa que vale para toda e qualquer empresa. 
 
 
75 
As finalidades das boas práticas de governança corporativa consistem 
em manter e ampliar o valor das organizações, capacitá-la e credenciá-la 
para o acesso ao capital e criar as condições favoráveis à manutenção da 
longevidade da empresa, ou seja, mantê-la atuante no mercado por mais 
tempo. 
 
Os princípios básicos da boa governança corporativa são a 
transparência, a equidade, a prestação de contas, a responsabilidade 
corporativa. 
 
A diferença da boa governança corporativa em relação às outras 
formas de gestão no que se refere à prestação de contas está não apenas 
na obrigação de informar, mas no desenvolvimento de uma cultura 
empresarial que mantém a disposição disponibilizar as informações 
relevantes. 
 
Ou seja, a boa governança se caracteriza pela prestação de contas 
como ferramenta de gestão e não para o mero cumprimento de disposições, 
legislação ou regulamentos. 
 
A boa governança corporativa é caracterizada ainda pelo tratamento 
justo a todos os sócios e interessados, rejeitando toda e qualquer forma de 
discriminação. 
 
Todos os agentes da Governança, inclusive os integrantes dos 
conselhos Fiscal e Administrativo devem atuar em favor da transparência e 
se responsabilizar pelos resultados das suas ações no exercício dos seus 
mandatos. 
 
Aos conselheiros e executivos cabe a responsabilidade pela 
longevidade da organização e condução das políticas de ordem social e 
ambiental de longo prazo na sustentabilidade da empresa. 
 
 
 
3.5 – No que consiste a política de redução da emissão de 
carbono? 
 
O sistema de créditos de carbono foi criado como forma de 
compensar a emissão de gases que aumentam o efeito estufa. A proposta 
estimula as nações a revisarem suas políticas industriais de forma a reduzir 
a poluição atmosférica e desacelerar o aquecimento climático. 
 
O programa instituiu um certificado com emissão pelas agências de 
proteção ao meio ambiente para atestar que houve redução na emissão de 
gases do efeito estufa. A quantidade de emissão de carbono reduzida 
equivale à quantidade de créditos concedidos. 
 
 
76 
Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) é equivalente a um crédito 
de carbono. Conforme o que foi convencionado, outros gases que agravam 
o efeito estufa também são passíveis de conversão por créditos de carbono. 
Para isso, é utilizado o conceito de carbono correspondente. 
 
Os certificados são negociados como quaisquer outros papéis no 
mercado internacional. Mas como a redução na emissão de gases de efeito 
estufa passou a ser muito valorizada, esses certificados alcançam altos 
valores monetários. 
 
Existem muitas formas de uma empresa obter os certificados de redução na 
emissão de carbono como investir em reflorestamento, reduzir as emissões 
de gases provenientes do consumo de combustíveis fósseis, a troca de 
combustíveis fósseis (gasolina e óleo diesel) por fontes de energia limpa. 
 
As fontes de energia são a eólica, a solar, a biomassa, as pequenas 
centrais elétricas. Também conta o reaproveitamento das emissões que 
seriam liberadas na atmosfera, como o metano liberado por aterros 
sanitários para produzir energia. 
 
Os acordos internacionais convencionaram que os países 
desenvolvidos têm cotas maiores para a emissão de gases que aumentam o 
efeito estufa, mas devem instituir leis para reduzir internamente a emissão. 
 
Os países, incluindo suas indústrias, que romperem os limites de 
emissão de gases de efeito estufa estabelecidos nos acordos devem adquirir 
os certificados de crédito de carbono. 
 
Da mesma forma, os países ou empresas que obtiverem a redução 
das suas emissões de gases poderão vender o seu excedente de não 
emissão de carbono para os países e suas indústrias que excederam os 
limites de emissão. A transação é feita por meio das bolsas de valores. 
 
Entre os regramentos do mercado de carbono existe o critério de 
adicionalidade, que determina que, para obter um certificado, um projeto de 
reflorestamento deve capturar dióxido de carbono da atmosfera ou, no caso 
da eficiência energética, impedir que sejam lançados gases de efeito estufa 
na atmosfera. 
 
A proposta da emissão de certificados é instituir regras para 
neutralizar a emissão de gases poluentes e não o estímulo para que os 
países e suas indústrias provoquem mais poluição, como chegou a ser 
criticado. 
 
Ocorre que entre os objetivos do programa está a tentativa de fazer 
com que os países que mais poluem reduzam as suas emissões, além de 
fazer com que o mercado de carbono estimulasse os países em fase de 
desenvolvimento a preservar suas reservas florestais, acabando com as 
queimadas, mediante um ganho financeiro pelos esforços nesse sentido. 
 
77 
De fato, o mercado de carbono não impediu que algumas empresas 
seguissem destruindo suas florestas, apesar dos alertas sobre os riscos de 
superaquecimento do planeta pela emissão desenfreada de gases que 
aumentam o efeito estufa.A possibilidade de lucro com a venda de créditos de carbono 
decorrentes da redução das emissões também não foi suficiente para 
sensibilizar um grande contingente de indústrias. 
 
Os Estados Unidos, maior emissor de gases venenosos na atmosfera 
e o que mais contribui com a emissão de gases de efeito estufa no planeta, 
não ratificaram o Protocolo de Kyoto, que institui o programa de créditos de 
carbono por não aceitar os limites impostos para a emissão em seu território. 
 
Muitos outros países, mesmo os que assinaram o acordo, seguem 
violando os princípios relativos à emissão de carbono por permitirem ou se 
omitirem em relação à queima indiscriminada de suas reservas florestais e 
por não instituírem políticas de estímulo à redução na emissão de gases 
pela indústria. 
 
 
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 Os créditos de carbono ou Redução Certificada de 
Emissões (RCE) são certificados emitidos pelas agências 
reguladoras do meio ambiente para uma empresa ou país que 
reduziu a emissão de gases do efeito estufa (GEE) na 
atmosfera. 
 
 Cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) que a 
empresa deixa de emitir corresponde a um crédito de carbono. 
Os créditos de carbono podem ser negociados no mercado 
internacional. 
 
 Se a empresa reduzir a emissão de outros gases que 
provocam o aumento do efeito estufa, ela também pode 
converter essa emissão em créditos de carbono. Para isso, é 
utilizado o conceito de Carbono Equivalente. 
 
 Uma empresa ou país que compram créditos de carbono 
na bolsa de valores estão adquirindo o direito de emitir GEE na 
atmosfera, a um preço inferior ao valor da multa que deveria ser 
paga pelo emissor por ser um emissor de GEE. Podemos dizer 
que, ao comprar créditos de carbono, o emissor está reduzindo o 
valor da multa a ser paga ao poder público. 
 
78 
O mercado de carbono e o Protocolo de Kyoto 
 
O agravamento das questões ambientais por ocasião das primeiras 
manifestações de cientistas sobre os efeitos provocados pelos gases de 
efeito estufa, que provocam uma elevação artificial na temperatura do 
planeta, fez com que os países membros da Organização das Nações 
Unidas assinassem um acordo para o controle sobre as ações humanas que 
provocam alterações no clima. Assim nasceu o Protocolo de Kyoto, assinado 
em dezembro de 1999. 
 
Pelo Protocolo de Kyoto, os países desenvolvidos que o assinaram se 
obrigam a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2% na 
comparação com o ano de 1990. A meta deveria ser cumprida entre 2008 
até 2012. 
 
Os Estados Unidos, maior emissor de GEE do planeta, não assinaram 
o Protocolo, assim como se ausentaram ou impuseram seus interesses em 
outros acordos planetários referentes à preservação do meio ambiente. 
 
Esses quatro anos foram estipulados como primeiro período de 
compromisso, com medidas flexíveis para não comprometer as economias 
desses países. Assim, parte da redução pode ser obtida mediante 
negociações entre países utilizando-se de instrumentos de flexibilização 
previstos no acordo. 
 
Entre os dispositivos que flexibilizam as metas de redução das 
emissões está o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). A unidade 
de crédito de carbono do MDL chama-se Redução Certificada de Emissão 
(RCE) e cada RCE corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono. 
 
Os países da União Européia, além de assumirem as metas de 
redução das emissões de GEE entre 2008 e 2012, estabeleceram outro 
acordo para a redução, entre 2002 e 2007, criando o Regime Comunitário de 
Licenças de Emissão da União Européia. 
 
Pelo Regime, as permissões para a emissão das indústrias podem ser 
objeto de negociações entre os países da Comunidade Européia. Os 
créditos obtidos por meio de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo (MDL) podem também ser utilizados para reduzir parcialmente as 
emissões de GEE. 
 
Também houve a adesão de empresas e setores da economia que 
não tinham a necessidade de reduzir suas emissões com base no Protocolo 
de Kyoto, ou mesmo algumas empresas de países que não assinaram o 
Protocolo, algumas norte-americanas. 
 
Essas empresas podem comercializar as reduções de emissões nos 
mercados voluntários. Em Chicago, foi criada a Bolsa do Clima, exemplo 
desse mercado voluntário. 
 
79 
O que são gases de efeito estufa (GEE) 
 
 
 
Infografia: Gilson Camargo/ Agência Carta 
 
Em condições naturais, o efeito estufa é um fenômeno provocado pela 
concentração de gases na atmosfera que têm a propriedade de reter parte 
da radiação do Sol para manter a estabilidade da temperatura na Terra. 
 
Sem essa proteção, a temperatura no planeta sofreria uma redução 
de até 33 graus centígrados, inviabilizando a sobrevivência de qualquer 
espécie. 
 
Os gases de efeito estufa correspondem a 1% da atmosfera. A 
atividade humana, entretanto, vem interferindo de forma cada vez mais 
intensa na concentração desses gases. A emissão em larga escala desses 
gases intensifica o aumento do efeito estufa, ou seja, provoca um aumento 
artificial na retenção de calor. Com isso, ocorrem as mudanças climáticas e 
o aquecimento global de forma desordenada. 
 
 
 
80 
O efeito estufa é naturalmente causado pela concentração, em maior 
quantidade, de vapor de água na atmosfera. Mas a sua concentração não 
aumentou devido à atividade humana. 
 
Os seis principais gases cuja concentração na atmosfera ocorre de 
forma artificial, ou seja, é provocada pela atividade industrial e a agricultura, 
aumentando o efeito estufa, conforme estabelecido pelo Protocolo de Kyoto 
são o dióxido de carbono (CO2), o óxido nitroso (N2O), o metano (CH4), o 
hidrofluorcarboneto (HFC), o perfluorcarboneto (PFC) e o hexofluorsuforoso 
(HS6). 
 
Os principais países emissores de gases que aumentam o efeito 
estufa são os Estados Unidos, a China, Rússia, Brasil, Índia, Japão, 
Alemanha, Tanzânia, Canadá, Reino Unido, Austrália, França, Indonésia e 
México. 
 
O CO2 é o Dióxido de Carbono e o CO2 e é o Dióxido de Carbono 
Equivalente. O CO2 e é uma denominação que foi adotada para identificar a 
emissão que envolve vários gases causadores do efeito estufa. Quando há 
vários gases envolvidos no fenômeno, é necessário convertê-los a uma 
mesma base de cálculo, no caso, convencionada como CO2. 
 
Esse gás é provocado pela queima de petróleo, gás natural, carvão, e 
também pelas queimadas e pelo corte de florestas. O óleo diesel é o 
combustível que mais emite CO2, desde a extração até a combustão. 
 
 
Dióxido de Carbono (CO2) 
 
Responsável por 64% do efeito estufa. A emissão diária é de 6 
bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, onde o gás permanece de 50 a 
200 anos. Fonte: Queima de petróleo, gás natural e carvão, queimadas e 
cortes de árvores. 
 
Clorofluorcarbono (CFC) 
 
Responsável pela destruição da camada de ozônio, contribui com 
10% do efeito estufa. Origina-se de sprays, motores de aviões e de plásticos 
e solventes utilizados na indústria eletrônica. Permanece de 50 a 1.700 anos 
na atmosfera. 
 
Metano (CH4) 
 
Responde por 19% do efeito estufa. É produzido pelas plantações de 
arroz, pelo gado bovino e pelos lixões. Seu tempo de duração na atmosfera 
é de 15 anos. 
 
 
 
 
 
81 
Ácido nítrico (HNO3) 
 
É liberado pela combustão de madeira e de combustíveis fósseis, pela 
decomposição de fertilizantes químicos e por micróbios. Responde por 6% 
do efeito estufa. 
 
Os Gases de Efeito Estufa (GEE) e os créditos de carbono 
 
Para melhor entendimento da relação entre a emissão de GEE e os 
créditos de carbono, devemos considerar que cada tonelada de CO2 
equivalente corresponde a um crédito de carbono. O CO2 equivalente 
resulta da multiplicação das toneladas de emissão de GEE pelo seu 
potencial de aquecimento da atmosfera, que equivale a 1. 
 
Esse potencial de aquecimento global do gás metano corresponde a 
21 vezes o potencial do CO2. Assim, 21 é o CO2 equivalente do metano. 
Uma empresa que consiga reduzir uma tonelada de emissão do gás metano 
obtém 21 créditosde carbono, por exemplo. 
 
Para estender esse cálculo a outros Gases de Efeito Estufa, 
relacionamos a seguir o potencial de aquecimento global dessas 
substâncias: 
 
Óxido nitroso (N2O): 310 
 
Hidrofluorcarbonetos (HFCs): 140 a 11.700 
 
Perfluorcarbonetos (PFCs): 6.500 a 9.200 
 
Hexafluoreto de enxofre (SF6): 23.900 
 
 
Por que as empresas ‘compram’ os créditos de carbono 
 
Conforme salientamos no início deste subcapítulo, o sistema de 
créditos de carbono foi criado com a proposta de compensar a emissão de 
gases responsáveis pelo aumento artificial do efeito estufa por meio de uma 
iniciativa que despertasse nas nações a decisão política de mudar seus 
processos industriais de forma a reduzir a poluição na atmosfera e os 
impactos decorrentes no aquecimento global do clima. 
 
Assim, foi instituído um certificado que é emitido por agências de 
proteção ambiental reguladoras para comprovar a redução na emissão de 
gases de efeito estufa. Os créditos recebidos por uma empresa ou país 
equivalem à quantidade de emissão de carbono que foi reduzida. 
 
Para cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) que uma empresa 
deixar de emitir na atmosfera, ela terá direito a um crédito de carbono. 
 
 
 
82 
Os certificados passaram a ser negociados nas bolsas de valores e a 
redução das emissões de gases agrega valor financeiro para conter a 
poluição. Assim as empresas passam a investir em projetos que reduzam as 
emissões, para poder vender seus créditos de carbono no mercado 
internacional. 
 
Mas existem empresas e países que não conseguem atingir as metas 
de redução das emissões estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. Essas 
empresas são os compradores de créditos de carbono. 
 
Elas se apropriam dos certificados de créditos de carbono obtidos 
pelas empresas que conseguiram reduzir suas emissões e, mediante 
pagamento, comprovam uma não emissão de gases na atmosfera. Portanto, 
os créditos de carbono são certificados que autorizam a empresa a poluir. 
 
O mercado de carbono movimenta atualmente cerca de 1,5 bilhão de 
euros por ano. As atividades mais rentáveis são a substituição de óleo diesel 
ou carvão mineral em caldeiras por biomassa ou biodiesel, reflorestamento, 
captação do gás metano de aterros sanitários ou dos criatórios de suínos e a 
substituição total ou parcial do óleo diesel pelo biodiesel em geradores, 
ônibus, caminhões, tratores, trens e embarcações. 
 
As negociações são feitas por intermédio das bolsas de valores ou de 
forma direta entre as empresas. As empresas poluidoras adquirem dos 
empreendedores as toneladas de carbono sequestradas ou não emitidas por 
meio do Certificado de Redução de Emissões (CER). 
 
Uma tonelada de carbono é negociada entre 20 e 50 euros, mas até 
2012, quando a redução de 5,2% nas emissões se tornarem obrigatória, a 
tendência é de valorização crescente. A troca de uma tonelada de óleo 
diesel por biodiesel credencia a empresa a receber 3,5 toneladas de créditos 
de carbono. 
 
 
 
3.6 – Como aumentar seus clientes e suas vendas utilizando-se 
das práticas de sustentabilidade? 
 
 
A sustentabilidade é um conceito de fácil assimilação pelos mais 
diversos públicos, pois parte do princípio de que os recursos naturais devem 
ser explorados somente até um patamar que permita a sua rápida reposição. 
 
Essa premissa vem sendo considerada por inúmeras empresas como 
estratégia para o crescimento e a assimilação das suas marcas, ao mesmo 
tempo em que cresce o contingente de consumidores conscientes, que 
optam pelo consumo de produtos e serviços ecologicamente corretos. 
 
 
 
83 
Para ser bem sucedida, a estratégia empresarial focada na 
sustentabilidade deve propor a ir além de um mero apelo publicitário. 
Somente colocando em prática ações efetivas de preservação do meio 
ambiente e de envolvimento da comunidade onde atua, é que a empresa 
obterá êxito, o reconhecimento do mercado e a adesão dos consumidores 
cada vez mais atentos às empresas sustentáveis. 
 
O primeiro passo para criar uma identidade sustentável é adotar 
práticas coerentes com a preservação dos recursos no dia a dia da empresa. 
Comece pela substituição de materiais descartáveis ou com potencial 
poluente. Substitua os copos de plástico de café e água por aqueles feitos 
de materiais recicláveis amplamente ofertados no mercado e com grande 
apelo ecológico e baixo custo. 
 
O papel produzido por processos de branqueamento comumente 
utilizado nas copiadoras ou impressoras podem ser substituídos por papel 
ecológico sem prejuízo da qualidade e sem aumentar os custos. 
 
Os fornecedores de materiais de escritório estão se adaptando 
rapidamente a essa tendência ao adequar os custos para que, ao adquirir 
produtos ecológicos, as empresas não paguem mais por isso ou mesmo 
economizem pagando menos. 
 
A sustentabilidade é um tema amplo e, no ambiente corporativo, 
permite o planejamento de inúmeras possibilidades de ações com vistas ao 
crescimento econômico da empresa e ao bom posicionamento da sua marca 
frente à sociedade. 
 
Assim, além de proporcionar a economia real no dia a dia da empresa 
por meio da mudança dos hábitos de consumo no ambiente corporativo, a 
ideia de Sustentabilidade se estende a projetos sociais de grande impacto 
na comunicação da empresa com o seu mercado. 
 
 
Valor de sustentabilidade 
 
Associar a marca da empresa à sustentabilidade por meio de projetos 
próprios ou da associação ou patrocínio de iniciativas de outras empresas ou 
entidades são estratégias que proporcionam um excelente resultado para o 
empreendimento. 
 
Pode ser um pequeno projeto de caráter prático como acumular 
jornais e papeis e vendê-los aos depósitos de reciclagem ou o envolvimento 
em uma iniciativa em escala industrial como reduzir a emissão de gases de 
efeito estufa de uma indústria e ingressar no mercado de capitais para 
adquirir créditos de carbono. 
 
Independente da dimensão do projeto de sustentabilidade, sua 
empresa colherá bons resultados em todos os sentidos. 
 
 
84 
Vejamos exemplos de projetos que podem ser executados e que têm 
sido colocados em prática por inúmeras empresas, inclusive as de pequeno 
porte, com pequenos investimentos e resultados surpreendentes. 
 
 
Mutirão atua no recolhimento de lixo depositado nas margens de rios, uma 
iniciativa cada vez mais apoiada por empresas e instituições 
Fotos:Associação Brasileira para o Desenvolvimento De Lideranças (ABDL)/ 
Divulgação 
 
 
Adoção de espaços verdes 
 
Adotar jardins, praças e ruas arborizadas e providenciar a sua limpeza 
e conservação são projetos simples, que requerem um pequeno 
investimento e mantém a marca da empresa em evidência e associada a 
uma prática sustentável. 
 
É necessário firmar um termo de compromisso ou convênio com o 
poder público para colocar em prática essa idéia. Efetivada a adoção, basta 
providenciar placas a serem anexadas em locais estratégicos do local 
adotado e providenciar a sua limpeza e conservação periódica. 
 
A contratação de um jardineiro somente será necessário se o espaço 
for grande o suficiente para demandar um trabalho semanal. Do contrário, o 
serviço pode ser prestado de forma avulsa ou mesmo envolver o corpo de 
funcionários da empresa. 
 
Nesse caso, estaremos agregando um outro valor à iniciativa, que é a 
mobilização dos colaboradores para uma prática associada ao bem estar da 
comunidade. 
 
Para agregar mais valor à iniciativa, faça a sua divulgação 
internamente e também ao público externo. A adoção de espaços públicos 
costuma ter boa receptividade pelos meios de comunicação. Assim, 
proponha matérias sobre esse tema aos jornais locais partindo da 
experiência da sua empresa. 
 
 
85 
Ela certamente será identificada como incentivadora de boas práticas 
ambientais, o que proporcionará novas parcerias e se refletirá na adesão de 
clientes e consumidores aos serviços e produtos por ela oferecidos. Afinal, o 
consumidor está cada vez mais consciente da sua responsabilidadeem 
relação ao meio ambiente e isso faz com que a maioria das pessoas se 
identifique com as marcas ecologicamente corretas. 
 
 
Reciclagem de resíduos 
 
Uma oficina que atua na retificação de motores de automóveis, por 
exemplo, pode fazer um pequeno investimento e contribuir de forma efetiva 
com a preservação ambiental. Para isso, basta construir na própria empresa 
uma pequena central de reciclagem dos resíduos de óleo que resultam da 
lavagem dos motores desmontados. 
 
Essa prática deve ser orientada por procedimentos técnicos de 
conhecimento do ramo e que não serão detalhados nesse exemplo. A 
técnica é simples e se utiliza de tanques de reciclagem de resíduos. 
 
O primeiro passo é canalizar a água resultante da lavagem do motor 
para um tanque de concreto equipado com areia. Normalmente, o espaço 
reservado para a limpeza já possui uma canalização no concreto do piso 
para o direcionamento da água em direção ao esgoto. 
 
Para iniciar o processo de depuração dessa água, basta adaptar o 
escoamento e canalizá-lo para o reservatório. Este consiste em um tanque 
de concreto onde a água contaminada com óleo permanece depositada até 
que os sedimentos de gordura assentem no fundo, junto com a areia. 
 
No final do processo, a água livre de óleo pode ser reutilizada para a 
lavagem de outros motores. Os resíduos de óleo são depositados em tonéis 
para recolhimento pela empresa de reciclagem credenciada no órgão 
ambiental para a destinação final. 
 
Assim, com um pequeno investimento, a oficina estará provocando 
menos impacto ambiental, pois os seus resíduos chegarão ao destino final 
para reciclagem com um potencial menor de contaminação e ainda estará 
economizando água por meio da reutilização da água tratada. 
 
Assim como esses dois exemplos, são inúmeras as possibilidades 
que se apresentam quando a proposta é a sustentabilidade corporativa. 
 
Diariamente, os meios de comunicação abordam o tema com 
matérias sobre empresas que investem em iniciativas ambientais, obtendo 
ganhos institucionais e bons resultados financeiros. Se esse for o caso da 
sua empresa, pesquise a melhor alternativa e veja o que está sendo feito 
para planejar a sua ação de sustentabilidade. 
 
 
 
86 
A seguir, veremos alguns cases de empresas que obtém um ganho 
real frente à sociedade com o desenvolvimento de projetos sociais e de 
sustentabilidade ambiental. 
 
 
Resultados nos negócios 
 
Os projetos de sustentabilidade das empresas estão cada vez mais 
focados nos resultados. Avon, Bradesco Capitalização e Carrefour são 
exemplos de empresas bem sucedidas em suas iniciativas nesse setor. 
 
Conseguem aliar projetos voltados para a preservação do meio 
ambiente com a lucratividade. Em agosto deste ano, as três marcas foram 
destaque da premiação Top Social, realizada pela Associação dos 
Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) de São Paulo. 
 
Nos últimos quatro anos, a empresa de capitalização do Bradesco 
ampliou de 1 milhão para 2,1 milhões o total de crianças atendidas pela 
renda gerada com as vendas do título Pé Quente Bradesco Instituto Ayrton 
Senna. Esse projeto destina parte dos recursos arrecadados aos programas 
educacionais que o instituto desenvolve em todo o país. 
 
Já o Carrefour, que tem 75% dos seus negócios direcionado para a 
venda de alimentos, desenvolve ações de sustentabilidade e o acesso à 
alimentação, atingindo ganhos em distribuição e eficiência operacional com 
um programa de doações de alimentos sem valor comercial. 
 
O projeto é desenvolvido com a participação dos funcionários dos 34 
pontos de venda e um centro de distribuição. A rede mantém parceria com 
dez bancos de alimentos, totalizando a doação de 182 toneladas de 
alimentos. 
 
A rede de cosméticos Avon arrecada R$ 25 milhões somente com a 
comercialização de produtos relacionados às campanhas em favor do 
combate ao câncer de mama e à violência contra a mulher e destina parte 
da renda a hospitais e às ações de mídia para divulgar o projeto. 
 
A perspectiva dessa iniciativa é o aspecto social da sustentabilidade, 
sem uma vinculação direta com a preservação ambiental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
Unidade 4 – Práticas de sustentabilidades realizadas no dia a dia 
 
 
 .
 
 
 
4.1 – Política dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar 
 
A produção de lixo pela humanidade aumentou consideravelmente 
com a crescente modernização dos métodos e processos industriais e a 
predominância do consumo de alimentos industrializados nas regiões 
metropolitanas das grandes cidades. 
 
A coleta e a destinação de resíduos são um problema que mobiliza 
grande parte dos recursos e das iniciativas do poder público, sem com isso 
reduzir os danos ambientais. 
 
Os lixões proliferam e a reciclagem, apesar de ser uma prática cada 
vez mais recomendada e adotada, não faz parte da rotina de milhões de 
pessoas nos grandes centros urbanos, transformando o lixo num dos 
maiores problemas do mundo contemporâneo. 
 
Sabemos que toda atividade humana produz lixo, portanto, seria 
impossível eliminar completamente esse problema. É possível, no entanto, 
reduzir a quantidade de lixo produzido por meio da adoção de políticas e 
práticas sustentáveis. 
 
 
Vejamos a eficiente Política dos Três Erres. 
 
Trata-se de um conjunto de ações recomendadas pela Conferência da 
Terra e pelo 5° Programa Europeu para o Ambiente e Desenvolvimento, que 
consistem em três ações práticas com vistas à redução dos impactos 
provocados pela produção de resíduos pela humanidade: Reduzir, Reutilizar 
e Reciclar. 
 
 
88 
 
Reduzir – É a ação fundamental, em todas as instâncias da 
sociedade, na gestão de resíduos com vistas à sustentabilidade. A 
quantidade de lixo produzido deve ser reduzida ao máximo por meio da 
aquisição e consumo de produtos mais resistentes e de maior durabilidade, 
recusando-se categoricamente os descartáveis, e dando preferência aos 
alimentos in natura e aos que utilizam embalagens recicláveis ou 
biodegradáveis. 
 
É possível manter ou mesmo melhorar a qualidade de vida optando 
por embalagens de papel ao invés de sacolas plásticas, guardanapos de 
pano ao invés dos de papel, racionalizar o consumo de alimentos e reduzir o 
consumo de produtos cuja produção ou processamento degradam o meio 
ambiente. 
 
Reutilizar – O processo de industrialização criou a cultura de 
consumo dos produtos descartáveis, uma prática cada vez mais 
disseminada com o advento da migração para as novas tecnologias, com 
resultados desastrosos para o meio ambiente. Por isso, é necessário 
reutilizar, sempre que possível, produtos e embalagens que possam ser 
reutilizadas. 
 
Por exemplo, dar preferência às embalagens retornáveis em 
detrimento das descartáveis. Cada produto ou objeto deve ser avaliado a 
partir das suas possibilidades de reutilização. Ao invés de colocar no lixo os 
livros didáticos que seu filho utilizou no ano passado, doe para alguma 
criança que está entrando na série correspondente. 
 
Reciclar – Se não for possível reutilizar uma embalagem ou objeto, 
devemos verificar as possibilidades de transformá-los em novos produtos ou 
matérias-primas. Isso é reciclagem. A reciclagem depende de outra ação 
que requer um alto nível de conscientização, que é a coleta seletiva. 
 
Nela, acontece a separação dos resíduos que podem ser reciclados, 
dando a correta destinação para o lixo seco (que pode ser reciclado) e para 
o orgânico (que deve ir para a compostagem para se transformar em adubo 
orgânico). É possível reciclar o papel, o plástico, o vidro, o alumínio, entre 
 
 
89 
outros resíduos, para a produção de novos itens com esses materiais ao 
invés de retirar essa matéria-prima da natureza. 
 
 
4.2 – A importância de diminuir o consumo de água 
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu que o volume 
ideal de água potável a ser consumido por uma pessoa por dia é de, no 
máximo, 50 litros, sem comprometimento da sua qualidade de vida e da sua 
saúde.No entanto, estimativas apontam que os brasileiros e os canadenses 
consomem, respectivamente, 200 litros e 600 litros de água potável 
diariamente, ao passo que 1,5 bilhão de pessoas sobrevivem sem água 
potável em todo o planeta. 
 
 
Charge do cartunista israelense Yuri Ochakovsky 
 
A escassez cada vez maior dos recursos hídricos tem provocado o 
debate acerca de medidas para racionalizar o consumo, evitando a falta de 
água potável suficiente para suprir a humanidade em um futuro muito 
próximo. 
 
Não faltam seminários, congressos, estudos e levantamentos sobre o 
esgotamento das reservas de água potável num curto prazo, bem como as 
ONGs e estudiosos têm alertado que, em breve a água será causa principal 
de conflitos internacionais. 
 
Em áreas do planeta como a África e o Oriente Médio, são reais os 
conflitos e as tensões sociais pela posse da água. No Brasil, que detém 12% 
de toda a água doce superficial do planeta e onde, por isso, os recursos 
hídricos eram considerados inesgotáveis, são cotidianos os problemas de 
abastecimento. 
 
Além da desigualdade no abastecimento, outra razão para as tensões 
é a distância entre as fontes de água potável e os consumidores, como é o 
 
 
90 
caso de algumas cidades americanas onde o abastecimento depende até da 
neve derretida no estado do Colorado. 
 
Em outros locais, a degradação dos rios deixa grandes concentrações 
populacionais a mercê do abastecimento vindo de outras localidades. Este é 
o caso de São Paulo que, cidade que é banhada por vários rios de águas 
que não servem para o abastecimento, e é obrigada a buscar água em 
locais distantes ou a alterar trajetórias de rios pra suprir a distribuição de 
água. 
 
Nos últimos 10 anos, o volume de água distribuída aos brasileiros 
apresentou um crescimento de 30%. Em contrapartida, a totalidade de água 
sem tratamento praticamente dobrou, saltando de 4% para 7,5%. Mas o 
indicador que mais chama a atenção é o relativo ao desperdício: nada 
menos que 45% do volume de água distribuída pelos sistemas públicos de 
abastecimento. 
 
A poluição e o uso inadequado são os principais responsáveis pelo 
comprometimento dos recursos hídricos em todo o país, que é o maior 
reservatório hídrico em rios do planeta. 
 
Como já citamos anteriormente, o Brasil dispõe de cerca de 12% de 
toda a água doce do planeta em seus rios e em seu território está localizado 
o maior rio do globo em termos de extensão e volume de água, que é o rio 
Amazonas. 
 
Mais de 90% do território do país recebe grande volume de chuvas 
durante o ano e suas características climáticas e geológicas favorecem a 
formação de uma enorme cadeia de rios. O problema do país, portanto, não 
é a falta de recursos hídricos, mas a distribuição desses recursos. 
 
As regiões com reduzida taxa de concentração populacional como a 
Amazônia detêm quase 80% de toda a água de superfície do país. Em 
contrapartida, o Sudeste, que concentra população mais densa conta com 
apenas 6% desses recursos. 
 
De toda a água existente no planeta, somente 2,5% são de água 
doce. Esse estoque seria suficiente para suprir até sete vezes o mínimo 
necessário para o consumo de cada habitante, mas ocorre que somente 
0,3% desse percentual estão concentrados em rios e lagos com livre acesso 
para o consumo. 
 
O restante, 2,2%, estão nos lençóis freáticos e nos aquíferos 
subterrâneos, nas calotas polares, nas geleiras e na neve permanente 
existente no topo das montanhas de grande altitude, bem como nos 
pântanos. 
 
Na prática, a escassez ocorre pela distribuição de forma desigual, 
pelo aumento do consumo e do desperdício e ainda pela degradação da 
 
 
91 
qualidade da água, especialmente nas áreas de grande concentração 
populacional, industriais e também na agricultura. 
 
O uso de defensivos agrícolas e adubos químicos e orgânicos 
atingem os reservatórios de água doce, deteriorando a qualidade da água e 
comprometendo a saúde da população. 
 
VOLUME DA ÁGUA 
A quantidade total de água é distribuída da seguinte maneira no 
planeta: 
97,5% – Mares e oceanos. 
2,5% – Água doce. 
68,9% da água doce – Calotas polares, geleiras e neves eternas. 
29,9% da água doce – Águas subterrâneas. 
0,9% – Umidade do solo e pântanos. 
Fonte: Ministério do Meio Ambiente 
 
As campanhas de racionamento da água nas regiões metropolitanas 
das capitais brasileiras vêm sendo intensificadas e muitas vezes vêm 
acompanhadas de cortes intermitentes no abastecimento. São medidas para 
frear o consumo e conscientizar para a necessidade urgente de evitar o 
desperdício e utilizar a água de forma racional. 
 
Juntamente com o estímulo ao reuso da água em condomínios 
residenciais e industriais, as medidas de economia e contra o desperdício da 
água, assim como de racionamento da energia elétrica, podem surtir um 
grande efeito se estimuladas em larga escala. Para economizar água, é 
necessário mudar hábitos e combater o desperdício no dia a dia. A seguir, 
exemplos de desperdício de água: 
 
Torneira gotejando = 1.380 litros por mês 
Filete de um milímetro = 62.640 litros por mês 
Filete de dois milímetros = 135.350 litros por mês 
 
A seguir, alguns exemplos de atitudes que podem fazer a diferença e 
vêm sendo estimuladas pelas campanhas públicas e conferências sobre 
qualidade e futuro da água no planeta: 
 
 Reduzir a quantidade de água potável desperdiçada nos 
reservatórios sanitários para descarga e adotar mecanismos de reuso da 
água do banho ou das chuvas para as bacias sanitárias. A redução de 10 
para 12 litros por descarga pode representar uma economia diária de até 50 
litros de água. Essa proposta já está sendo assimiladas por algumas 
indústrias que colocaram no mercado reservatórios sanitários de seis litros 
 
 Eliminar os vazamentos. Uma fissura de apenas dois 
milímetros em um cano de abastecimento desperdiça em torno de 3,5 mil 
 
 
92 
litros de água por dia, quantidade suficiente para suprir uma família de 
quatro pessoas por um período superior a um ano. 
 
 
Uso racional da água 
 
O Programa de Uso Racional de Água da Companhia de Saneamento 
Básico de São Paulo (Sabesp), por exemplo, divulgou o passo a passo para 
que a população possa detectar vazamentos no sistema hidráulico das 
residências. Apenas para ilustrar o presente tópico do nosso curso, 
reproduzimos essas dicas a seguir: 
 
Confira o seu relógio de água (hidrômetro) 
 
Deixe os registros na parede abertos, feche bem todas as 
torneiras, desligue os aparelhos que usam água e não utilize os 
sanitários. Anote o número que aparece ou marque a posição do 
ponteiro maior do seu hidrômetro. Depois de uma hora, verifique 
se o número mudou ou o ponteiro se movimentou. Se isso 
aconteceu, há algum vazamento em sua casa. 
 
Verifique canos alimentados diretamente pela água da 
rua 
 
Feche o registro na parede. Abra uma torneira alimentada 
diretamente pela rede de água (pode ser a do tanque) e espere a 
água parar de sair. Coloque imediatamente um copo cheio de 
água na boca da torneira. Caso a torneira sugue a água que está 
no copo, é sinal que existe vazamento no cano alimentado 
diretamente pela rede. 
 
Verifique canos alimentados pela caixa d´água 
 
Feche todas as torneiras da casa, desligue os aparelhos 
que usam água e não utilize os sanitários. Feche bem a torneira 
de bóia da caixa, impedindo a entrada de água. Marque, na 
própria caixa, o nível da água e verifique, após uma hora, se ele 
baixou. Em caso afirmativo, há vazamento na canalização ou nos 
sanitários alimentados pela caixa d´água. 
 
Verifique reservatórios subterrâneos de edifícios 
 
Feche o registro de saída do reservatório do subsolo e a 
torneira da bóia. Marque no reservatório o nível da água e, após 
uma hora, veja se ele baixou. Se isso ocorreu, há vazamento nas 
paredes do reservatório ou nas tubulações de alimentação do 
reservatório superior ou na tubulação de limpeza. 
 
Não deixe uma torneira pingando 
 
 
93 
Esquecer uma torneira pingandoou adiar o conserto de um 
pinga-pinga são atitudes comuns. No entanto, uma torneira 
pingando pouco mais de uma gota por segundo, em média, pode 
desperdiçar em um dia 46 litros de água. Em um ano, esse 
desperdício chega a 16.500 litros. Se 10 mil famílias evitassem 
deixar uma torneira da casa pingando, a água economizada em 
um ano poderia abastecer toda a população de São Luís, capital 
do Maranhão, durante um dia. 
 
 
Por que economizar água: 
 
 Lavar o carro ou a calçadas utilizando a mangueira de água é 
um dos hábitos que mais desperdiça água e, inclusive, geram multas das 
companhias de saneamento em diversas cidades brasileiras. A cada 15 
minutos, uma mangueira comum despeja cerca de 280 litros de água 
tratada. 
 
 Economia de papel representa economia de água, pois, para 
produzir um quilo de papel são gastos 540 litros de água. Por isso, são 
recomendáveis a reutilização e a reciclagem sempre que possível. Utilizar os 
dois lados de uma folha de papel, por exemplo. 
 
 Utilizar torneiras e descargas com sensores que acionam o 
fluxo da água de forma automática e por tempos pré-determinados é outra 
medida já dotada em larga escala por edifícios de órgãos públicos, 
comerciais, em shoppings e aeroportos. 
 
 Lavar a louça em uma bacia ao invés de manter a torneira 
ligada. 
 
 Escovar os dentes com a torneira desligada. 
 
 Reduzir o tempo do banho. 
 
Fonte: Cartilha do Centro de Ensino Ambiental do Parque Villa Lobos 
 
 
94 
4.3 – Por que economizar no consumo de energia elétrica? 
 
Existem três maneiras de fazer o uso eficiente de energia elétrica: 
 
a) Adotar hábitos inteligentes, utilizando eletrodomésticos e 
equipamentos de forma correta; 
 
b) Utilizar somente equipamentos com certificação de eficiência e 
economia de energia; 
 
c) Adotar projetos inteligentes, com soluções para a redução do 
consumo. 
 
 
Para economizar energia elétrica 
 
É possível reduzir o consumo de energia elétrica apenas mudando ou 
aprimorando hábitos em casa. No caso da geladeira ou freezer, que ficam o 
tempo todo ligados e são os maiores consumidores de energia em uma 
casa, uma boa dica é instalar os equipamentos longe do fogão ou outras 
fontes de calor e em local ventilado. 
 
Além da vedação das portas, é importante observar se não há 
embalagens plásticas ou de vidros dificultando a circulação do ar no interior 
do aparelho, o que dificulta o funcionamento e provoca aumento no consumo 
de energia. Deixe espaço entre os alimentos para que o ar possa circular. 
 
Lembre-se que as bebidas e os alimentos ainda quentes fazem com 
que o motor tenha que aumentar sua potência para refrigerar, o que 
representa maior gasto de energia. 
 
Pelo mesmo motivo, a porta da geladeira deve permanecer aberta o 
menor tempo possível e, durante o inverno, é necessário regular o 
termostato para a opção mínima a fim de reduzir o consumo de energia. 
Sempre que for se ausentar de casa por um ou mais dias, esvazie e desligue 
os equipamentos. 
 
Na hora de adquirir uma geladeira ou freezer, opte por aqueles 
equipamentos que são certificados com o selo Procel. Essa referência indica 
que o equipamento é certificado por oferecer maior eficiência e menor 
consumo de energia. 
 
No topo da lista dos eletrodomésticos que mais consomem energia 
elétrica estão a máquina de lavar roupa, a secadora e o ferro de passar. A 
utilização racional e otimizada desses equipamentos proporciona uma 
grande economia. 
 
Por exemplo: lavar a quantidade máxima de roupa indicada pelo 
fabricante, assim como seguir as recomendações a respeito de quantidades 
 
 
95 
de sabão e amaciante para evitar mais de uma operação de enxágüe. 
Quanto às secadoras, sua utilização na capacidade máxima também 
proporciona um menor consumo de energia elétrica. 
 
Todos sabemos que o ferro de passar roupa, quando ligado, provoca 
sobrecarrega na rede elétrica. Por isso, devemos utilizá-lo quando outros 
aparelhos, a exemplo do ar-condicionado e a lavadora, não estiverem 
ligados. 
 
Outra estratégia para minimizar o consumo é, sempre que possível, 
acumular roupas e passá-las todas de uma única vez. Depois de desligado o 
ferro, é possível aproveitar o seu calor do ferro para passar meias e roupas 
leves. 
 
Na hora da compra, devemos ter em mente que as lâmpadas 
fluorescentes compactas são mais caras que as incandescentes, mas duram 
até dez vezes mais e gastam menos energia. Também faz a diferença a 
opção pelas lâmpadas certificadas pelo selo Procel, que são mais eficientes 
e consomem menos energia. 
 
Se possível, instale sensores que fazem com que a lâmpada se 
acenda toda vez que alguém se aproxima e apaga quando não há ninguém 
no recinto. 
 
Nos meses de verão, o ar-condicionado responde por nada menos 
que um terço do consumo doméstico de energia elétrica. 
 
Algumas medidas podem reduzir esses consumo, como instalar o 
aparelho onde ele não receba a luz solar de forma direta, fechar as portas e 
as janelas do ambiente a ser refrigerado, desligar o aparelho quando o 
ambiente não estiver sendo utilizado e manter os filtros limpos. 
 
Assim como devemos proceder com as geladeiras e lavadoras, na 
hora de comprar o aparelho de ar-condicionado, devemos exigir 
equipamentos com o selo Procel e observar que a sua potência seja 
adequada ao tamanho do ambiente que pretendemos refrigerar. 
 
Outro equipamento doméstico responsável pelo alto consumo de 
energia. Por isso, a recomendação mais importante é controlar o tempo de 
duração do banho. Imagine o quanto seria possível reduzir o consumo de 
energia se reduzíssemos o tempo do banho em cinco minutos? 
 
Além de manter o aparelho regulado na posição inverno somente 
quando o clima estiver frio, é possível reduzir o consumo de energia 
evitando o horário de pico do consumo, das 18h às 21h. 
 
 
 
 
 
 
96 
Selo Procel 
 
Afirmamos anteriormente que é recomendável, na hora da compra, 
dar preferência aos equipamentos certificados pelo Selo do Programa de 
Conservação de Energia Elétrica (Procel). 
 
Reiterando que as lâmpadas e eletrodomésticos que contêm esse 
selo oferecem maior desempenho com menor consumo de energia elétrica 
na comparação com aqueles que não são certificados, veremos agora 
algumas informações relevantes obre o Selo Procel. 
 
O Selo de certificação Procel foi criado pelo governo federal em 1985 
como uma das medidas para evitar que o país caminhasse para os apagões. 
É apontado como um dos responsáveis pela economia de 8,4 milhões de 
KWh do ano 2000 até 2003. 
 
Para se ter ideia do que isso representa, basta notar que seriam 
necessários investimentos de R$ 6 bilhões em geração, transmissão e 
distribuição para se obter esse montante de energia. 
 
Outro indicativo de economia obrigatório e de grande impacto na 
economia de energia elétrica é a etiqueta de eficiência energética do 
Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, que certifica refrigeradores 
e freezers, chuveiros e máquinas de lavar ou secar roupas. 
 
A etiqueta indica o consumo de eletricidade do eletrodoméstico e 
classifica a sua eficiência de Mais Eficiente (A) a Menos Eficiente (G). 
 
Reproduzimos a seguir o Selo Procel e a Etiqueta de Eficiência 
Energética do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. 
 
Selo Procel 
 
 
 
 
 
 
97 
Etiqueta de Eficiência Energética do Programa Brasileiro de Etiquetagem do 
Inmetro: 
 
 
 
 
 
4.4 – Pilhas e baterias usadas: por que são tão perigosas e o que 
fazer com elas? 
 
De formas cilíndrica, retangular ou circular, as pilhas estão divididas 
em classes primária e secundária. As primárias são aquelas que podem ser 
utilizadas somente uma vez, ou seja, quando descarregam, devem ser 
substituídas por uma nova, não permitindo a recarga. 
 
As pilhas secundárias são equipadas com sistemas eletroquímicos 
que, quando utilizadas, não provocam a dissolução dos materiais ativos no 
eletrólito alcalino. Como o processo é reversível, as pilhas da classe 
secundária podemser recarregadas. 
 
As pilhas comuns são dotadas de metais pesados altamente tóxicos e 
poluentes e contêm ainda substâncias químicas como o cloreto de amônia e 
o negro de acetileno. As alcalinas são ainda mais danosas ao meio ambiente 
e à saúde, pois contêm mercúrio. 
 
Essa substância tem a função de reter as impurezas da matéria-
prima, evitando a geração de gases que podem comprometer o desempenho 
e a segurança do dispositivo. 
 
Da mesma forma, as baterias de celulares são dotadas de metais 
tóxicos. Sem uma destinação correta as baterias podem ir parar no meio 
ambiente, provocando a degradação do solo e das águas. 
 
 
 
98 
Osteoporose, distúrbios da função renal e do aparelho digestivo, 
anemia, doenças cardíacas, problemas pulmonares são algumas doenças 
provocadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelas 
substâncias presentes nas pilhas e baterias. 
 
Um levantamento recente da Agência de Proteção Ambiental 
Americana, as pilhas e baterias são responsáveis por 88% do mercúrio 
encontrado no lixo doméstico. 
 
Para que tenhamos uma idéia dos materiais presentes nesses 
dispositivos, reproduzimos a seguir a composição química dos mais variados 
tipos de pilhas e baterias: 
 
Principais Componentes e Aplicações de Pilhas e Baterias 
 
TIPO COMPONENTES USOS BATERIAS 
SECUNDÁRIAS 
Níquel-cádmio Níquel, cádmio, 
hidróxido de 
potássio. 
Aparelhos 
eletrônicos, 
eletroportáteis sem 
fio, brinquedos, 
telefones celulares. 
Hidreto de níquel 
metálico 
Níquel Vários metais 
raros. 
Computadores, 
telefones celulares, 
filmadoras. 
Íon lítio 
Grafite Lítio, óxido de 
cobalto. 
Computadores, 
telefones celulares, 
filmadoras, relógios 
Chumbo-ácido 
(selada) 
Chumbo Ácido sulfúrico. Luz de emergência, 
fontes de energia, 
brinquedos, vídeos, 
eletroportáteis. 
Chumbo-ácido 
Chumbo Ácido sulfúrico. Partida automotiva Alcalina de 
manganês 
Zinco Dióxido de 
manganês, 
eletrólitos básicos. 
Rádios, flash 
luminoso, 
brinquedos, etc. 
Aerada de zinco 
Zinco Ainda em estudos. Baterias primárias Alcalina de 
manganês 
Zinco Dióxido de 
manganês, 
eletrólitos básicos. 
Rádios, flash 
luminoso, 
brinquedos. 
Zinco-carbono 
Zinco Dióxido de 
manganês, 
eletrólito ácido. 
Luz de flash, 
brinquedos, 
controle remoto, 
relógios. 
Lítio 
Dióxido de 
lítio e 
 Bips, trancas com 
cartão magnético, 
Óxido de mercúrio 
 
99 
manganês ou 
monofluoreto 
de 
policarbono 
etc. 
Zinco Óxido de mercúrio. Equipamentos 
médicos, militares e 
de emergência. 
Prata 
Zinco Óxido de prata. Relógios de pulso, 
calculadoras, 
aparelhos de 
audição. 
Aerada de zinco 
Fonte: Wolff et al, 2000. 
 
 
Anualmente, o país produz cerca de 670 milhões de unidades de 
pilhas e baterias, com predominância das do tipo alcalina que, como vimos 
anteriormente, contém mercúrio. 
 
Além disso, os produtos importados respondem por uma grande 
quantidade de ingresso de pilhas e baterias e a popularização dos telefones 
celulares potencializa a produção e a utilização de baterias. Em apenas 
cinco anos, de 1994 a 1999, houve uma expansão de 800 mil para 17 
milhões de aparelhos celulares no país. 
 
A estimativa das agências reguladoras é que 11 mil toneladas de 
baterias usadas foram descartadas nesse período. Como as políticas de 
reciclagem só começaram a ser implementadas recentemente, isso significa 
que a grande parte dessas baterias foram descartadas de forma incorreta, 
como lixo comum, provocando a contaminação do solo e da água. 
 
Outro dispositivo que contém substância de elevado impacto no meio 
ambiente são as baterias automotivas. Classificadas como de alto risco 
ambiental, contêm chumbo e ácido sulfúrico. 
 
O gerenciamento ambiental e descarte de pilhas e baterias foram 
regulamentos do somente em 1999 pela Portaria 257 do Conselho Nacional 
do Meio Ambiente (Conama). Passados mais de dez anos da instituição 
dessa Portaria, no entanto, ainda são restritas as iniciativas de coleta 
seletiva e destinação adequada de pilhas e baterias pelos fabricantes. 
 
Para que os materiais e substâncias presentes em uma pilha sejam 
completamente absorvidos pelo meio ambiente são necessários de cem a 
600 anos. Para se ter uma noção da gravidade desse problema, basta 
considerar a estimativa dos órgãos reguladores que consideram que cada 
brasileiro joga no lixo pelo menos dez pilhas por ano. 
 
 
 
 
 
 
100 
O que fazer: 
 
O processamento adequado das substâncias presentes nas pilhas e 
baterias evita que esses dispositivos entrem em contato com o meio 
ambiente e possam contaminar a água e o solo, acarretando problemas de 
saúde à população e a degradação do ecossistema. 
 
Portanto, ao invés de descartar como lixo comum, devemos 
encaminhá-las para o adequado processamento pelo fabricante. Pela 
Legislação brasileira, os revendedores e fabricantes são obrigados a manter 
programas de reciclagem dos seus produtos, sejam eles quais forem, o que 
inclui as indústrias de celulares, pilhas e baterias. 
 
Para ilustrar o presente trabalho com alguns exemplos, pesquisamos 
junto aos sites e serviços de atendimento ao consumidor de alguns 
fabricantes as orientações sobre políticas de reversão do lixo. Confira: 
 
A Nextel informa que mantém urnas em todas as suas lojas e 
revendedores para que o consumidor possa descartar baterias usadas 
desse tipo de aparelho. As baterias são encaminhadas para reciclagem. 
 
A Nokia mantém no seu site (www.nokia.com.br) uma relação das 
lojas e assistências técnicas que estão autorizadas pelo fabricante a receber 
as baterias usadas de celulares dessa marca, que são encaminhadas para 
reciclagem. 
 
A Motorola mantém postos de recolhimento em algumas cidades, mas 
os locais são informados somente pela central de atendimento ao 
consumidor, telefone 0800.7011244. A empresa informa que aceita remessa 
das suas baterias usadas via Correios. 
 
A Samsung informa que mantém caixas de coleta em suas lojas de 
assistência técnica. 
 
A Sony Ericssom orienta os consumidores a encaminhar as baterias à 
assistência técnica da marca ou à própria operadora. A fabricante informa 
que a reciclagem é feita por uma empresa terceirizada. 
 
Os fabricantes de pilhas comuns alegam em seus sites que seus 
produtos atendem às exigências relativas ao teor de metais pesados 
estabelecidas pela Resolução 257/99 e, por isso, não instituíram políticas de 
reversão do lixo. O site do Ibama (www.ibama.gov.br) relaciona os centros 
de descarte de pilhas de algumas indústrias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
4.5 – Como preparar o lixo caseiro para a coleta seletiva 
 
Conforme estudamos na Unidade 2 deste trabalho, a coleta seletiva é 
muito importante para a preservação do meio ambiente, pois além de 
proporcionar a correta destinação dos resíduos, evitando que eles sejam 
depositados diretamente no meio ambiente, provocando a degradação do 
solo e das reservas hídricas, também proporciona o reaproveitamento de 
grande parte do lixo por meio da reciclagem. 
 
O reaproveitamento e a transformação desses resíduos em novos 
produtos representam menos impacto ambiental, pois isso reduz a demanda 
por recursos naturais. 
 
Vamos considerar isso na prática. Para produzir uma tonelada de 
papel são necessárias 25 árvores. A reciclagem de uma tonelada de papel 
equivale, portanto, à preservação de 25 árvores. A reciclagem de uma 
tonelada de papel também consome 71% menos energia elétrica e polui 
74% menos em relação ao que seria necessário para produzir essa 
quantidade a partir da celulose. 
 
Além disso, se gasta menos água na reciclagem do que na 
fabricação. O processamento de uma tonelada de papel consome 2 mil litros 
de água contra 100 mil litros por tonelada na produção convencional. 
 
Essa economia mostra o quanto é importante reciclar. Mas a 
reciclagem depende de um estágio que começa em nossas residências, com 
um processo muito simples, que é a correta separação do lixo. 
 
A forma adequada de separar o lixo passapela identificação dos 
resíduos orgânicos e secos. O lixo orgânico, como já estudamos, pode ser 
compostado em casa para se transformar em adubo orgânico. Se isso não 
for possível, os resíduos orgânicos devem ser separados em um recipiente 
apropriado para que seja encaminhado a uma usina de compostagem. 
 
O lixo seco deve ser separado e classificado como papel, alumínio, 
plástico, metal, madeira, embalagens longa vida e, cada grupo, depositado 
em um recipiente apropriado para que seja coletado separadamente. 
 
É necessário tomar cuidado com os materiais não passíveis de 
reciclagem, que devem ser separados e identificados. Outro cuidado 
fundamental é com a contaminação. Papéis contaminados com óleo, tinta, 
solventes ou outros resíduos não servem para reciclagem. Portanto, a 
separação deve ser criteriosa. 
 
Os materiais devem ser identificados por cores (ver tabela a seguir). 
Para isso, basta adquirir sacos de lixo de cores diferentes ou identificar cada 
classe de resíduo com uma etiqueta em recipientes de mesma cor. 
 
 
 
 
102 
Padronização de cores por categoria para a separação de materiais 
recicláveis desde a origem: 
 
AZUL VERMELHO VERDE
 
AMAREL
O 
PRETO 
Papel/papelã
o 
Plástico Vidro Metal Madeira 
 
LARANJA BRANCO ROXO MARROM CINZA 
Perigosos Ambulatoriai
s e 
hospitalares 
Radioativo
s 
Orgânicos Não reciclável/ 
misto/contaminad
o 
 
 
 
4.6 – Como aproveitar melhor os resíduos orgânicos 
 
O aproveitamento dos restos de animais e vegetais para a produção 
de adubo orgânico na agricultura é uma prática adotada através dos tempos 
na agricultura. Seguindo essa prática, reaproveitar o lixo doméstico é uma 
das práticas mais sustentáveis e vem sendo adotada cada vez mais em 
escala mundial, embora essa cultura seja relativamente recente. 
 
Há um consenso sobre os benefícios que a reciclagem 
(aproveitamento) dos resíduos orgânicos representa para o meio ambiente, 
mas as pesquisas apontam que das 70 milhões de toneladas de resíduos 
produzidas todos os dias no Brasil, 24,5 milhões de toneladas de material 
orgânico vão para em aterros sanitários e nos lixões espalhados por todo o 
país. Com isso, se decompõem em meio aos demais resíduos, deixando de 
serem aproveitados. 
 
O desperdício chega a 490 mil toneladas de nutrientes, montante que 
seria suficiente para adubar 104 mil hectares de plantações. Para evitar esse 
desperdício, é necessário conscientizar a população para a importância de 
separação do lixo orgânico a partir das residências. 
 
Essa prática é o primeiro passo para o funcionamento efetivo de uma 
política de recolhimento e destinação correta do lixo orgânico, para que ele 
possa ser reaproveitado nas plantações, seja na agricultura, seja em hortas 
e jardins. 
 
A coleta seletiva domiciliar permite que os resíduos sólidos cheguem 
às unidade de tratamento já selecionados. Após uma triagem final, o material 
orgânico é depositado nas áreas de compostagem para entrar em 
fermentação, sendo revolvido periodicamente e tendo sua temperatura e 
umidade monitorados. 
 
Depois de um período que pode chegar até a 60 dias, dependendo do 
volume e das condições do processo de compostagem, esse processo 
 
103 
resultará no composto orgânico pronto para a aplicação nas plantações 
como adubo. 
 
No Rio Grande do Sul, por exemplo, um consórcio de sete municípios 
produz 56% de matéria orgânica na comparação com os resíduos 
inorgânicos. O composto orgânico é utilizado como adubo na horticultura e 
jardinagem. 
 
 
Compostagem doméstica 
 
A compostagem doméstica é uma solução eficiente no 
reaproveitamento do lixo orgânico, pois reduz em até 75% o total de 
resíduos orgânicos depositado nos aterros sanitários e permite a produção 
de adubo com alto teor nutritivo para jardins e hortas, além de ser um 
processo sem custo financeiro, que exige apenas conscientização, tempo e 
dedicação. 
 
Podemos considerar que a quase totalidade das sobras de alimentos 
pode se transformar em composto orgânico por meio da compostagem. Dos 
restos de alimentos, cascas de frutas, legumes e ovos, a borra de café, os 
saquinhos de chá, as podas de jardim, guardanapos de papel e até palitos 
de fósforo usados podem virar adubo. 
 
Considerando que são diferentes os tempos de decomposição de 
cada material, a qualidade do adubo orgânico obtido no final do processo 
depende do tipo de resíduo que depositamos na composteira, mas quanto 
mais diversos os tipos de lixo orgânico, melhor o resultado. 
 
Evite restos de carnes e gorduras, fezes de animais domésticos e 
sobras de alimentos cozidos ou fritos, pois esses resíduos provocam a 
contaminação do material, retardam o tempo de decomposição e produzem 
um adubo orgânico de baixo valor nutritivo. O ideal são os restos de vegetais 
crus, como as cascas e folhas de legumes, frutas e vegetais impróprios para 
o consumo. 
 
A compostagem doméstica pode ser feita em tanques construídos 
para esse fim em residências que possuam horta ou jardim e disponham de 
espaço suficiente. O tamanho do local da compostagem depende do espaço 
disponível. 
 
Pode ser um quadrado feito de tijolos e cimento onde se depositam 
camadas de lixo orgânico intercaladas por camadas de terra. O processo 
também pode ser feito em uma vala ou vaso, em pequena, média ou grande 
escala, como veremos a seguir. 
 
 
 
 
 
 
104 
É mais fácil do que parece 
 
Num primeiro momento, a ideia de criar uma miniestação de 
tratamento de resíduos orgânicos em casa pode parecer difícil, mas, na 
prática, é uma tarefa extremamente simples, na qual basta algum tempo de 
dedicação diária e disposição. De resto, o tempo e a natureza trabalham a 
nosso favor. 
 
O passo inicial é a criação de uma composteira. A composteira é o 
local, o recipiente onde serão armazenados os restos orgânicos. Pode ser 
uma caixa de madeira, um balde ou um tonel plásticos. Quem reside em 
casas com quintal ou mora em sítio, pode optar por composteiras maiores, 
no formato de uma caixa de concreto ou de tijolos. 
 
Nos condomínios fechados é possível criar um sistema coletivo que 
exigirá a criação de um projeto e o seu gerenciamento. 
 
Mas para quem não dispõe de muito espaço físico, já existem à venda 
recipientes próprios para esse fim. Alguns kits são compactos e vedado, 
dotados de minhocário, que ajuda na decomposição dos resíduos orgânicos. 
 
A técnica que se utiliza de minhocas é denominada 
vermicompostagem. A composteira deve ser instalada no quintal ou na área 
de serviço para fácil acesso, adaptando-se ao espaço disponível e à 
quantidade de restos que desejamos reaproveitar. 
 
Outra alternativa, além dos kits compactos que podem ser adaptados 
em apartamentos, são as composteiras eletrônicas, que proporcionam a 
deterioração controlada dos resíduos e reduzem o tempo de compostagem 
para até duas semanas, sendo que, pelo processo natural, pode durar até 
três meses. 
 
Definido o formato e o tipo de composteira, basta depositar no 
recipiente o material orgânico a ser decomposto, que dever ter sido 
separado do lixo seco com antecedência. Cubra a mistura com folhas, 
serragem ou terra. 
 
A miniestação de reciclagem de lixo orgânico deve ficar em um local 
arejado, pois a circulação do ar e a umidade são fundamentais para a 
decomposição. Periodicamente, revire o material com uma pá de jardim e 
regue novamente. 
 
Quando o composto estiver completamente com aparência e odor de 
terra é hora de utilizá-lo como adubo. Cada quilo de matéria orgânica 
depositada produz em média 500 gramas de composto. 
 
Ainda no processo de decomposição, causa repulsa a muita gente a 
falsa crença de que a compostagem provoca mau cheiro que pode 
 
 
105 
contaminar o ambiente da residência. Para evitar que isso aconteça, é 
necessário conduzir todo o processo de forma correta. 
 
A começar pela seleção dos materiais a serem reciclados. Além de 
evitar a mistura de alimentos cozidos e de restos que possam produzir mau 
cheiroexcessivo na sua decomposição, a mistura deve ser selada com a 
camada de terra, serragem ou mesmo folhas de jornal trituradas. 
 
A escolha do tipo de composteira também é determinante. O 
recipiente deve permitir a aeração do seu conteúdo e, ao mesmo tempo, 
possuir uma boa vedação. 
 
Alguns resíduos orgânicos que podem ser reciclados em casa 
 
• Restos de jardinagem (galhos, folhas e aparas da grama e dos 
arbustos). 
 
• Os jornais podem ser utilizados em pequenas quantidades, pois são 
fonte de carbono. 
 
• Exceto gordura animal, restos de carnes e ossos, todo o lixo 
orgânico produzido na cozinha pode ser decomposto. 
 
• As cinzas da lenha consumida na lareira ou fogão a lenha. 
 
• As penas frango e de outras aves abatidas em casa possuem alto 
teor de nitrogênio, elemento essencial na reação química do processo de 
compostagem. 
 
• Serragem: Deve ser alternada com esterco, pois apresenta 
degradação lenta. 
 
• Algas marinhas. 
 
 
Evite 
 
• Carvão mineral e vegetal. Esses materiais contêm enxofre e ferro, 
que substâncias tóxicas para as plantas, e que são resistentes à 
decomposição. 
 
• Restos de carnes, óleos e gordura animal. 
 
• Os papéis coloridos têm tintas tóxicas, não biodegradáveis. Por isso, 
devem ser reciclados como papel. 
 
• Resíduos plásticos, vidros, alumínios e roupas não são 
biodegradáveis. 
 
 
 
106 
• Plantas doentes, dejetos de animais domésticos, resíduos de esgoto 
e produtos químicos tóxicos também devem ser evitados na composteira. 
 
 
 
 
 
4.7 – Como se comportar na natureza para evitar danos 
ambientais. 
 
Como ressaltamos ao longo do presente trabalho, preservar o meio 
ambiente é uma tarefa que deve ser exercitada no dia a dia, por todos, 
através de uma mudança de comportamento a partir da nossa casa, no 
trabalho, na vida social e também estimulando nossos semelhantes a adotar 
uma vida sustentável, sem radicalismos, mas conscientes do papel que nos 
cabe na preservação do planeta. 
 
Assim como a separação do lixo para reciclagem, a recusa ao 
excesso de embalagens e aos produtos descartáveis, devemos adotar um 
comportamento sustentável em relação à natureza que nos cerca. 
 
Conscientes de que os resíduos que descartamos diretamente no solo 
demoram anos, décadas e até mesmo séculos para se decompor, 
certamente iremos pensar duas vezes antes de nos desfazer de objetos 
danosos à natureza e materiais não biodegradáveis. 
 
Dar a destinação correta para o lixo que produzimos diariamente, seja 
no ambiente doméstico, no carro, no trabalho ou ao passearmos por um 
parque ou praça deve ser um exercício diário e coletivo. Além de evitar 
agredir o meio ambiente, tal comportamento também contribui com a 
qualidade de vida e a saúde daqueles com quem convivemos. 
 
No trajeto para o trabalho ou em viagens de férias, evite jogar o lixo, 
especialmente plásticos pela janela do carro, guardando os materiais para 
 
 
107 
colocar em uma lixeira pública, de preferência separando plásticos, metais, 
papeis e restos de alimentos para favorecer o processo de reciclagem. 
 
Como uma atitude sustentável leva a outra, caso sua cidade ou bairro 
não disponha de coleta seletiva, mobilize seus vizinhos, e leve essa 
reivindicação à Câmara de Vereadores para que a medida possa ser 
apresentada na forma de projeto de lei, aprovada pelos parlamentares e 
transformada em Lei pelo Executivo. 
 
Em ambientes naturais, não danifique as plantas. A poda de árvores 
deve obedecer a Legislação e, se você mora em um sítio, corte os galhos 
inferiores das árvores ornamentais ou frutíferas somente nos meses que não 
contêm a letra erre, ou seja, de maio a agosto. 
 
Nesse período, normalmente, as árvores não contém nem frutos nem 
flores e podem ser podadas sem prejuízo do seu desenvolvimento. As 
árvores da calçada devem ser podadas regularmente para evitar contato 
com a rede elétrica e sua manutenção também é uma obrigação do poder 
público. Denuncie à prefeitura se você se depara com cortes de árvores ou 
poda indiscriminada. 
 
A crescente degradação de parques e praças públicas e o vandalismo 
são prejudiciais ao meio ambiente e à sociedade devido à destruição de 
reservas verdes que pertencem a todos. Preserve esses espaços não 
jogando lixo na grama ou em reservatórios naturais de água evite danos às 
plantas. 
 
Mobilize sua família e sua comunidade nesse sentido. Denuncie 
casos de vandalismo e reivindique ao órgão municipal competente a 
manutenção e a fiscalização das praças e parques do seu bairro ou de sua 
cidade. 
 
A prática de esportes ou caminhadas em meio à natureza também 
requer tais cuidados. Lembre-se de que aquela reserva natural será 
desfrutada por outras pessoas depois de você, inclusive por outras gerações 
se esse ambiente for bem preservado. 
 
Junto com o equipamento de segurança e água potável, leve 
embalagens para recolher o lixo que você produzir durante a caminhada ou 
acampamento e levá-lo até uma lixeira pública quando retornar. Pilhas e 
baterias jamais devem ser descartadas na natureza nem em lixeiras 
comuns, mas em caixas de coleta especiais para esse fim existentes nos 
pontos de venda e assistência técnica da marca correspondente. 
 
Ao acampar, não corte galhos e provoque o mínimo que puder de 
impacto por onde você passar. Lembre-se que todas as espécies de animais 
e plantas são interdependentes e, portanto, se um elo dessa cadeia for 
destruído haverá um desequilíbrio no ecossistema. 
 
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