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AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TECNOLOGIAS, SISTEMAS E 
MATERIAIS ECOEFICIENTES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Marcia Luiza de Carvalho Klingelfus 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
As certificações são processos que ajudam a garantir a viabilidade de 
produtos e serviços nos variados setores comerciais. Além de agregar valor, são 
balizadores de materiais, sistemas, produtos etc., e contribuem para a 
competitividade saudável no mercado. Como sabemos, existem diversas 
finalidades para obter uma certificação; podem ser técnicas, de gerenciamento, 
de qualidade, de origem e de sustentabilidade, entre outras. Com grande 
abrangência, ajudam também no desenvolvimento de pesquisas e da ciência, na 
obediência às normas técnicas e no equilíbrio dos resultados do que se está 
certificando. São, a meu ver, impulsoras de educação ambiental no que diz 
respeito à construção. Além disso, determinam uma rede de confiança, tanto 
entre profissionais como entre usuários. 
No âmbito das construções, existem há dezenas de anos, sendo 
inicialmente desenvolvidas na década de 1970 e mais utilizadas na Europa e 
depois na América do Norte. Atualmente, representam entidades com exigências 
globais e adaptadas ao local de implantação; contribuem de maneira eficaz na 
determinação de melhores práticas na intenção de nivelar questões sustentáveis 
da construção em quase todo o mundo. Podem exigir critérios com relação a 
todo o ciclo de vida da edificação, colocando em evidência a qualidade e o 
desempenho da construção em médio e longo términos, começando pelo projeto 
e planejamento, construção, gestão da construção ou dos materiais, estruturas, 
instalações, partes isoladas, até o uso, ocupação, manutenção e desmonte. 
Nesta aula, faremos um breve repasse sobre alguns dos processos de 
certificação mais conhecidos e que considero importantes estudar. Também 
veremos como ele podem auxiliar em nossos trabalhos. 
TEMA 1 – CERTIFICAÇÕES 
No Brasil temos a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 
como foro nacional de normalização e representante da ISO no Brasil desde 
1940, sendo responsável pela elaboração das normas brasileiras, atuando 
também na avaliação destas e dispondo sobre programas para certificação de 
produtos, sistemas e rotulagem ambiental. 
A ABNT tem seu próprio sistema de certificação para serviços, sistemas e 
produtos. Segundo a entidade, 
 
 
3 
certificação é um processo no qual uma entidade independente (3ª 
parte) avalia se determinado produto atende às normas técnicas. Esta 
avaliação se baseia em auditorias no processo produtivo, na coleta e 
em ensaios de amostras. O resultado satisfatório destas atividades leva 
à concessão da certificação e ao direito ao uso da Marca de 
Conformidade ABNT em seus produtos. 
Isso refere-se à certificação de produtos, e continua dizendo que “[...] a 
Certificação serve para garantir que a produção é controlada e que os produtos 
estão atendendo as normas técnicas continuamente”. Para garantir que esse 
processo seja imparcial e confiável, convém verificar a idoneidade dos agentes 
envolvidos e sua capacidade para avaliar com qualidade, independência e 
segurança. Segundo a ABNT, os principais benefícios da certificação são: 
• Promover o comprometimento com a qualidade; 
• Medir a melhoria contínua do desenvolvimento do negócio; 
• Assegurar eficiência e eficácia do produto, serviço ou sistema; 
• Introduzir novos produtos e marcas no mercado; 
• Reduzir perdas no processo produtivo e melhorar a sua gestão; 
• Diminuir controles e avaliações por parte dos clientes; 
• Fazer frente à concorrência desleal; 
• Melhorar a imagem da organização e de seus produtos ou atividades 
junto aos seus clientes; 
• Assegurar que o produto, serviço ou sistema atende às normas; 
• Tornar a organização altamente competitiva com produtos em 
conformidade às normas técnicas. 
1.1 Certificações voluntárias na área da construção 
No âmbito da construção civil, sabemos da complexidade do processo 
construtivo e de como o setor ainda tem bastante a desenvolver. Muitos dos processos 
ainda são complicados e bem manuais, começando pelas exigências legais em fase 
de projeto que, muitas vezes, atentam-se a temas burocráticos e deixam de lado 
condições técnicas importantes, passando pelos cronogramas que sempre são 
ajustados ou estendidos, orçamentos que não se cumprem e canteiros de obras 
desorganizados, além de obras finalizadas com muito a desejar, deixando clientes e 
usuários insatisfeitos, com baixa eficiência e desempenho. 
Os marcos legais estabelecem parâmetros mínimos de qualidade, como 
vimos anteriormente sobre a normativa brasileira de desempenho, e cabe à 
 
 
4 
administração pública ou aos agentes provados, delimitarem seus padrões mais 
elevados. A grande oferta de produtos no mercado, a questão econômica – pois 
os processos e sistemas ainda são caros – e um mercado ilegal em paralelo em 
que a qualidade não é o mais importante, além da falta de consciência por parte 
de uma parcela tanto de produtores como de consumidores, contribuem para 
que andemos a passos lentos rumo à excelência e sustentabilidade, ainda e 
apesar de todas as evidências de sua necessidade e da existência cada vez 
maior de boas práticas. 
A iniciativa por edifícios mais sustentáveis começou a partir da metade 
dos anos 1980, e nos anos 1990 as certificações ambientais para a construção 
desenvolveram-se mais rapidamente como resposta aos alertas em torno da 
crescente preocupação pelo impacto que essa indústria é responsável. Desde 
então, o setor vem aprimorando-se por meio de selos verdes, obrigatoriedade de 
certificados de origem, transparência de processos e ferramentas de gestão. No 
início, as certificações centravam-se muito mais na eficiência energética e no 
impacto de alguns produtos como a madeira. Com o tempo, percebeu-se que as 
certificações não só são uma maneira de estabelecer consenso sobre o 
desempenho desses edifícios, mas também um chamado comercial. Hoje existe 
certificado ambiental para grande parte do que envolve o processo construtivo e 
também para diferentes tipos de intervenções (edifícios de diferentes tipologias, 
reformas, urbanismo etc.). 
Mas essas certificações não são obrigatórias, são voluntárias. Para que 
sejam validadas com critério e confiança, é necessário que todo sistema de 
avaliação e comprovação seja realizado por instituições creditadas para isso, 
como centros universitários com laboratórios de excelência e organismos de 
medição, ensaio e verificação reconhecidos. Mas a melhor forma de controle e 
regulação seria que os usuários passassem a conhecer e exigir os certificados 
em cada produto adquirido e retornassem com sua avaliação relativa às 
prestações e impactos de cada espaço construído. 
1.2 PBQP-H 
Uma iniciativa interessante do governo federal nesse sentido é o 
Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Hábitat (PBQP-H), 
ferramenta voluntária para a construção de habitações sociais que procura maior 
qualidade no setor reforçando questões como segurança e durabilidade, assim 
 
 
5 
como produtividade da construção e sua modernização. Para alcançar esse 
objetivo, fazem parte do programa uma certificação de sistemas de gestão da 
qualidade de construtoras, o monitoramento da conformidade na fabricação, 
importação e distribuição de materiais, componentes e sistemas construtivos 
utilizados na construção civil e a avaliação de tecnologias inovadoras e de 
sistemas convencionais na construção civil. Alguns dos critérios verificados são: 
• Gestão estratégica e abordagem de processos. 
• Documentos gerais e estrutura da informação; 
• Concepção e status dos empreendimentos. 
• Método de planejamento da obra. 
• Critérios para comprar, contratar, homologar e armazenar materiais. 
• Métodos e gestão de treinamentos. 
• Gestão administrativa e processos internos.• Auditoria interna para manter a conformidade. 
Considerando um histórico de baixa qualidade em habitação social no 
país, iniciativas como essa, em minha opinião, são necessárias. Resta fazer a 
verificação quantitativa quanto ao seu real produto, ou seja, um comparativo 
entre o antes e o depois. 
1.3 Certificações e sua origem 
Veremos adiante as certificações BREEAM (Building Research 
Establishment Environmental Assessment Method), LEED (Leadership in Energy 
and Environmental Design), CASBEE (Comprehensive Assessment System for 
Building Environmental) e AQUA-HQE (Haute Qualité Environnementale). LEED, 
BREEAM e AQUA-HQE são mais conhecidas no Brasil, e CASBEE é uma 
excelente certificação japonesa que vale a pena conhecer. Na Tabela 1, temos 
as certificações internacionais e seu ano de criação e país de origem: 
Tabela 1 – Principais certificações 
NOME PAÍS DE ORIGEM ANO 
Ángel Azul (Blue Ángel) Alemanha 1978 
Environmental Choice Canadá 1988 
White Swan (Cisne Branco) ou Nordic Ecolabelling Países Nórdicos 1989 
Green Seal EUA 1989 
PassiveHauss Alemanha 1990 
 
 
6 
BREEAM Building Research Establishment’s 
Environmental Assessment Method Reino Unido 1990 
NF Environmental França 1991 
Energy Star EUA 1992 
Euromargarita ou EU Ecolabelling União Europeia (EU) 1992 
FSC - Forest Stwardship Council / Conselho de 
Manipulação Florestal Canadá 1993 
Emas União Europeia (EU) 1995 
SBTool Internacional 1996 
LEED EUA 1998 
CASBEE Comprehensive Assessment System for 
Building Environmental Japão 2001 
PHAROS EUA 2008 
Fonte: Klingelfus, 2021. 
TEMA 2 – BREEAM 
O sistema de certificação Building Research Establishment Environmental 
Assessment Method (BREEAM) foi desenvolvido pela organização britânica BRE 
em 1990, no Reino Unido, e é um sistema de certificação para projeto, 
construção e operação de edifícios verdes. Não faz parte do código de 
construção, portanto não é obrigatório. No início era utilizado em novos edifícios 
(residenciais e comerciais), e atualmente atende a diversos tipos e utilizações, 
sendo adaptado e utilizado no mundo todo. Confere seis níveis de conformidade: 
• Aceitável (só para uso) 
• Aprovado – de 30 pontos 
• Bom – de 45 a 54 pontos 
• Muito bom – de 55 a 69 pontos 
• Excelente – de 70 a 84 pontos 
• Superior – igual ou maior que 85 pontos 
O sistema de avaliação e certificação está organizado em dez categorias 
ou áreas temáticas: gestão de edifícios; saúde e bem-estar; energia; transporte; 
água; materiais; resíduos; uso da terra e ecologia, qualidade do ar e inovação. 
Estes, por sua vez, dividem-se em questões avaliativas que concedem créditos 
se alcançados seus objetivos, baseando-se em evidências. É composto por 
categorias específicas para cada tipo de uso: 
• BREEAM Home – Edificações residenciais 
• BREEAM Healthcare – Hospitais e centros de saúde 
 
 
7 
• BREEAM Industrial – Edifícios industriais 
• BREEAM Residential – Edifícios multiresidenciais 
• BREEAM Offices – Edifícios de escritórios 
• BREEAM School – Escolas 
• BREEAM internacional – Aplicação fora do Reino Unido 
• BREEAM Communities – Comunidades 
2.1 Processo de certificação 
Esse processo é realizado por um assessor treinado e autorizado pela 
organização. Recomenda-se que seja iniciado com o projeto ou a intervenção no 
edifício, para que, dessa forma, já seja norteado pelos princípios do BREEAM. A 
emissão do certificado final ocorrerá ao final da obra, sendo a pontuação final 
baseada nos resultados. 
2.2 BREEAM Habitação Residencial 
Baseia-se na atribuição de pontos agrupados em categorias, em que se 
enquadram os diferentes requisitos disponíveis, os quais podem ser cumpridos 
de acordo com a estratégia seguida em cada edifício. Os pontos são concedidos 
para cada requisito com base na evidência fornecida pelo avaliador. 
Os pontos obtidos em cada categoria passam por um fator de ponderação 
ambiental que leva em consideração a importância relativa de cada área de 
impacto. Os resultados de cada categoria são somados para produzir uma única 
pontuação geral. Existem alguns pontos diretos que podem ser um desempenho 
exemplar em um requisito ou um ponto de inovação que pode ser reconhecido 
pela BREEAM após relatório – esses pontos aplicam-se diretamente. Uma vez 
que a pontuação geral do edifício é conhecida, ela é traduzida em uma escala de 
cinco faixas, dentro dos cinco níveis de conformidade. 
2.3 Exemplo de edifício certificado 
• Bloomberg London (.) 
• BREEAM UK Nova Construção 2014 
• Classificação: Excelente – Estágio final 99,1% (Estágio de design 98,5%) 
• Certificado n: BREEAM-0075-7229 
• Área: 103.690 m² 
 
 
8 
• Cliente: Bloomberg L.P. 
• Projeto: Fosters + Partners/Sweco/AKTII/SBA 
Blomberg London é um conjunto de escritórios em Londres distribuídos em dois 
edifícios, que obteve a máxima avaliação. Sua principal característica de eficiência é 
relativa à energia, com soluções inovadoras e gestão de águas. Também é exemplo 
da limitação das certificações acerca da sustentabilidade e visão integral do edifício, 
pois apesar das estratégias descritas a seguir, apresenta um alto impacto ambiental 
pela grande quantidade de materiais utilizados nas proteções da fachada, em bronze 
japonês, e do revestimento de granito indiano. 
Figura 1 – Bloomberg London 
 
Algumas de suas estratégias sustentáveis são: sistema especial de teto 
desenhado para economizar energia, com várias funções, como acústica, iluminação, 
fornecimento de ar e resfriamento. “O sistema, que incorpora 500.000 lâmpadas LED, 
usa 40% menos energia do que um sistema de iluminação fluorescente típico de 
escritório” (BREEAM, 2020). 
O desenho inclui combinação estética funcional e incentiva a criatividade e as 
possibilidades de um bom projeto. Possui também um sistema de captação e reuso de 
águas e vasos sanitários com descarga a vácuo. A fachada foi desenhada para 
permitir ventilação natural e reduzir a necessidade de ventilação mecânica (lâminas de 
bronze) como uma espécie de brises. Com relação ao fluxo de ar, “os controles 
inteligentes de detecção de CO2 permitem que o ar seja distribuído de acordo com o 
 
 
9 
número aproximado de pessoas ocupando cada zona do edifício a qualquer momento, 
reduzindo as emissões de CO2 em aproximadamente 300 toneladas métricas a cada 
ano” (BREEAM, 2020). Calor e energia são produzidos no edifício em um sistema 
combinado, e que reduz as emissões de CO2. “O calor residual gerado a partir desse 
processo é reciclado para resfriamento e aquecimento e, em uso, espera-se uma 
economia de 500-750 toneladas métricas de CO2 a cada ano” (BREEAM, 2020) 
Outras informações encontram-se no site , no qual recomendo assistir aos vídeos e observas 
as imagens de seu interior a fim de entender por que esse conjunto de edifícios 
conseguiu um índice tão alto em sustentabilidade e é tido como um dos mais 
sustentáveis do mundo (apesar dos impactos já comentados). Vários outros critérios 
foram adotados, incluindo bicicletários, espaços para estimular as pessoas para a 
caminhar em seu interior, diminuição de resíduos, muros e espaços verdes, ventilação 
natural etc. 
TEMA 3 – LEED 
O sistema de certificação Leadership in Energy and Environmental Design 
(LEED) foi desenvolvido pelo United States Green Building Council (USGBC) 
nos Estados Unidos, em 1998 (programa piloto). Em 2000 foi lançado o 
programa definitivo, que vem adaptando-se e ficando cada vez mais completo. P 
sistema foi criado para definir a construção verde estabelecendo um padrão de 
medição comum, promover o design holístico, reconhecer a liderança ambiental 
na indústria da construção, estimular a competição verde, informar o consumidor 
sobre benefícios da construção verde e transformar o mercado da construção. 
Baseia-se em regulamentaçõescomo ASHRAE, ANSI e ASTM, sendo um 
sistema de certificação para estratégias sustentáveis a serem desenvolvidas em 
edifícios, dentro das seguintes tipologias. 
• Novas construções e grandes reformas: tem como objetivo orientar e 
distinguir projetos comerciais e institucionais de alto desempenho. 
• Escritórios comerciais e lojas de varejo: fornece um guia para designers e 
lojistas escolherem e especificarem de forma sustentável. 
• Edifícios existentes: fornece um guia para a operação e manutenção de 
edifícios existentes. 
 
 
10 
• Desenvolvimentos de bairros: integra princípios de crescimento, planejamento 
urbano e construção sustentável para desenvolvimento de novos bairros. 
Dentro dessas tipologias estão as áreas a serem avaliadas. 
• Localização e sua influência no transporte e deslocamento. 
• Espaço sustentável. 
• Eficiência hídrica. 
• Energia e atmosfera. 
• Materiais e recursos utilizados. 
• Qualidade do ambiente interno do empreendimento. 
• Inovação e processos. 
• Créditos de prioridade regional. 
Existem quatro níveis de certificação obtidos, cujas pontuações estão 
dentro de um máximo de 100 pontos mais seis pontos adicionais para inovação 
em design e quatro pontos para prioridade regional. 
• Certificado Leed – de 40 a 49 pontos. 
• Prata – de 50 a 59 pontos. 
• Ouro – de 60 a 79 pontos. 
• Platina – de 80 pontos. ou mais 
Para maior detalhamento de todos os critérios e processo de certificação, 
utilize a informação do GBC Brasil, uma das certificações mais utilizadas no 
país, com mais de 530 projetos certificados (informação de 2018). Há também a 
Certificação GBC Brasil Casa, específica para residências unifamiliares, e GBC 
Brasil Condomínios, para novas construções de condomínios. 
3.1 Zero Energy Building 
Voltada especificamente para a questão energética, essa ferramenta tem 
por objetivo o “Zero Energy Building, edifício que comprova que o consumo de 
energia local da operação anual é zerado por uma combinação de alta eficiência 
energética e geração de energia por fontes renováveis” (LEED, 2020). Segundo 
o GBC Brasil, os objetivos da certificação são: 
1. Garantir o cumprimento das metas da COP Paris. 
2. Acelerar a transformação do mercado nacional de eficiência energética e 
a geração de fontes de energia renováveis. 
 
 
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3. Gerar novos empregos. 
4. Desenvolver novas tecnologias. 
5. Reconhecer a iniciativa dos empreendedores. 
6. Promover ambientes mais saudáveis, capazes de propiciar a melhoria do 
bem-estar dos ocupantes. 
Os critérios baseiam-se basicamente na eficiência do edifício com relação 
ao uso de energias renováveis. 
3.2 Exemplo de edifício certificado 
• São Paulo Corporate Towers, São Paulo 
• Arquitetos: Pelli Clarke Pelli Architects, Aflalo/Gasperini Arquitetos 
• Área: 257799 m² 
• Ano: 2016 
• Última certificação: 10 de abril de 2017 
• Nível de certificação: Platina 
O exemplo escolhido foi de tipologia torre de escritórios, em São Paulo. 
São duas torres empresariais dispostas em uma área de 38.000 m², dos quais 
9.600 m² são de área permeável, somando 18.000 m² de área ajardinada. 
“Desde a concepção até sua construção o projeto está alinhado com os 
requisitos do U.S. Green Building Council, apresentando os mais altos índices de 
eficiência energética e sustentabilidade” (CTE, 2020). 
Uma de suas estratégias sustentáveis é o sistema de ar-condicionado, que 
funciona “por meio de expansão indireta (água gelada) com condensação a água e 
distribuição de ar variável (VAV) pelo teto, prevendo a divisão por zonas térmicas 
(fachadas e internas), com sensor de controle da qualidade do ar (CO²) no retorno” 
(CTE, 2020). O edifício foi construído investindo em modernas tecnologias para 
conseguir reduções significativas no consumo de água e energia. A água da chuva e a 
água cinza são reutilizadas na limpeza, na irrigação da área verde, no sistema de 
condensação do ar-condicionado e nas bacias e mictórios dos sanitários. Foi 
considerada a mobilidade dos usuários e funcionários incentivando o uso de bicicletas 
e transporte público, reservando vagas para veículos de baixa emissão de poluentes e 
baixo consumo de energia. 
 
 
 
12 
Figura 2 – São Paulo Corporate Towers 
 
Essas são algumas das características observadas na certificação do 
edifício, mas outros critérios em suas instalações, paisagismo etc. foram 
considerados em seu projeto e construção. É interessante observar que um 
empreendimento dessa proporção precisa contar com planejamento sustentável, 
atuando nos muitos setores exigidos para conseguir certificação máxima. Como 
é um edifício emblemático de São Paulo, há muita informação sobre ele nos 
meios virtuais, como no site do CTE: . 
TEMA 4 – CASBEE 
O sistema de certificação Comprehensive Assessment System For 
Building Environmental Efficiency (CASBEE) foi desenvolvido em 2001pelo 
Instituto IBEC para Meio Ambiente de Construção e Conservação de Energia do 
Japão, sob a iniciativa do Ministério de Terras, Infraestrutura e Transporte 
(MLIT). Desde 2002, várias categorias foram desenvolvidas para CASBEE, tais 
como: novas construções, edifícios, reabilitação, desenvolvimento urbano, e 
também para habitação. 
Trata-se de um sistema de certificação para o projeto, construção e 
gestão de edifícios, desenvolvido com o objetivo de estabelecer um sistema que 
incorpore a perspectiva da sustentabilidade no setor da construção, permitindo 
avaliação integrada dos fatores, tanto no interior do edifício (qualidade e 
 
 
13 
comportamento dos sistemas e serviços) como no exterior do limite da 
construção (a carga ambiental ou impacto no ambiente externo). 
Especificamente CASBEE para habitação, visa promover a alta qualidade 
da construção no Japão, abrangendo aspectos individuais e sociais da 
edificação, e permitindo sua avaliação na fase de projeto ou na pós-ocupação. 
Avalia não só o edifício em si, mas também áreas externas, equipamentos 
utilizados pelos usuários, informações disponíveis e ações realizadas durante a 
sua construção e no local onde está localizado. 
São dois fatores considerados na avaliação geral da edificação e a 
relação entre eles define um índice: a Eficiência Ambiental da Construção (BEE). 
Os fatores são: 
• Q (qualidade), que avalia qualidade ambiental e funcionamento do espaço 
interior. 
• L (cargas), que avalia impactos negativos do edifício no espaço exterior. 
Cada um desses fatores contém três categorias com pontos específicos a 
serem avaliados. Existem cinco níveis de conformidade e concedidos: C (ruim), 
B-, B +, A, S (excelente), e cada um deles também é representado por um 
número de estrelas; quanto mais estrelas, maior o nível de eficiência ambiental. 
4.1 Política de pontuação 
Os pesos dos coeficientes são utilizados considerando sua importância 
relativa nos critérios de certificação. Os coeficientes de ponderação entre os 
elementos mais importantes são determinados com base nos resultados dos 
cálculos usando o processo analítico hierárquico, uma técnica estatística. Por 
outro lado, os coeficientes de ponderação para itens de nível médio, menores e 
a pontuação em cada ponto principal foram determinados com base nos 
resultados das discussões dos especialistas. 
Os pesos irão incorporar descobertas científicas, bem como julgamentos 
de várias partes interessadas, incluindo proprietários, fornecedores e 
autoridades administrativas com base em seu senso de valores. Uma vez que 
esses significados de valores podem mudar de acordo com a situação, é 
necessário reexaminar os pesos quando for considerado apropriado. Os pesos 
foram determinados com base nos resultados estatisticamente processados de 
questionários enviados às partes interessadas da CASBEE Housing, incluindo 
 
 
14 
proprietários, fornecedores, funcionários administrativos e acadêmicos, emrelação à importância relativa dos conceitos mais importantes (Klingelfus, 2016). 
4.2 Exemplo de edifício certificado 
• Toranomon Hills Mori Tower, Minato, Tóquio 
• Área total 244.360 m² 
• 52 andares acima do solo e 5 andares abaixo do solo – escritórios, 
residências, hotéis, lojas, conferências 
• Construção: abril de 2011 a maio de 2014 
• Projeto: Japan Design Co., Ltd. 
• Empreendimento: Mori Building Co., Ltd. 
• Construtor: Obayashi Gumi Co., Ltd. 
• Certificação S (mais elevada) no CASBEE para Edifícios (nova construção) 
Figura 3 – Toranomon Hills Mori Tower 
 
Algumas de suas estratégias sustentáveis são: sistema de ar-
condicionado de alta eficiência Low-carbon Building and Area Sustainability 
(LOBAS), que separa o tratamento de calor sensível e latente usando água 
gelada de temperatura média a 13 °C e água quente a temperatura baixa a 
37 °C, e coleta de calor usando bombas de calor; redução de cargas próximo às 
janelas, com a utilização de vidros duplos de baixa emissividade e instalação de 
proteções verticais nas paredes externas; conservação de Energia Estável com 
Sistema de Gerenciamento de Energia de Prédios (BEMS) que, além das 
funções existentes, esclarece critérios para determinar valores medidos normais 
 
 
15 
e anormais aumentando ainda mais a eficiência da análise de dados; e 
iluminação LED em áreas de escritório, sensores de iluminação, configurações 
de iluminação específicas para o usuário, além de beirais com placas solares 
para produção de energia solar. 
Outras informações sobre certificações CASBEE podem ser encontradas 
em: . 
TEMA 5 – AQUA-HQE 
A certificação AQUA-HQE tem origem no selo HQE (Haute Qualité 
Environnementale) francês e é aplicada no Brasil pela Fundação Vanzolini desde 
2008. Segundo Herzer e Ferreira (2016), com a certificação LEED estão as 
certificações de edifícios mais conhecidas e aplicadas no Brasil. Os critérios 
adotados foram contextualizados e desenvolvidos para a situação do país, 
buscando a melhora do desempenho dos edifícios. 
A partir da implantação de um sistema de gestão específico são 
realizados planejamento, controle e administração de todas as etapas da obra. A 
avaliação deve ser realizada em três fases, com o mínimo: pré-projeto, projeto e 
execução. São 14 categorias de avaliação que podem ser classificadas nos 
níveis base, boas práticas ou melhores práticas, conforme perfil ambiental 
definido pelo empreendedor na fase pré-projeto. Para a certificação em uso e 
operação são monitoradas as rotinas do edifício. As categorias avaliadas são: 
• Relação do edifício com o seu entorno. 
• Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos. 
• Canteiro de obras de baixo impacto ambiental. 
• Gestão da energia. 
• Gestão da água. 
• Gestão de resíduos de uso e operação do edifício. 
• Manutenção – permanência do desempenho ambiental. 
• Conforto higrotérmico. 
• Conforto acústico. 
• Conforto visual. 
• Conforto olfativo. 
• Qualidade sanitária dos ambientes. 
• Qualidade sanitária do ar. 
 
 
16 
• Qualidade sanitária da água. 
5.1 Exemplo de edifício certificado 
• Lojas Leroy Merlin/Brasil 
A primeira loja certificada e um dos primeiros edifícios na certificação no 
Brasil faz parte da rede Leroy Merlin, que continuou certificando as demais lojas. 
Segundo a Inovatech (2020), responsável pela assessoria, são estudados 
critérios para cada edifício, mas algumas das estratégias gerais adotadas são: 
• O sistema de condicionamento de ar utiliza gás ecológico que, segundo 
eles, não impacta o meio ambiente e permite economia de 30% no 
consumo de energia elétrica. 
• Incentivo à mobilidade de menos impacto (veículo, flex, carona solidária). 
• Isolamento térmico na cobertura. 
• Mecanismos de economia de água nos sanitários. 
• Pintura à base de água em todas as instalações internas e externas para 
diminuir a agressão dos solventes à natureza. 
• Sistema sustentável de uso de águas, com reutilização de água de chuva, 
águas cinzas e águas negras. 
• Hidrômetros setorizados para identificação de eventuais vazamentos. 
• Água aquecida por painéis solares. 
• Medidas sustentáveis em canteiro de obras. 
• Espaços de convivência para os funcionários. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ARCHDAILY. SÃO PAULO CORPORATE TOWERS. 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 27 fev. 2021. 
BREEAM. Bloomberg London. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
BREEAM. Building Research Establishment Environmental Assessment Method. 
Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
CTE. São Paulo Corporate Towers. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
FUNDAÇÃO VANZOLINI. Certificação AQUA-HQE em detalhes. Disponível em: 
. Acesso em: 27 fev. 2021. 
GBC BR. Green Building Council Brasil. LEED – Leadership in Energy and 
Environmental Design. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
HERZER, A. E FERREIRA, R. Construções sustentáveis no Brasil: um 
panorama referente às certificações ambientais para edificações LEED E AQUA-
HQE. Caderno Meio Ambiente e Sustentabilidade. v. 8, n. 5, 2016. Disponível 
em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
IBEC. Institute for Building Environment and Energy Conservation (IBEC). Comprehensive 
Assessment System for Built Environment Efficiency (CASBEE). Disponível em: 
. Acesso em: 27 fev. 2021. 
INOVATECH. Lojas Leroy Merlin. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
KLINGELFUS, M. Ferramenta de certificação para a Bioconstrução. 765F. 
Tese (Doutorado em Construção e Tecnologias Arquitetônicas) – Universidad 
Politécnica De Madrid. Madrid, ES. 2016. 
MDR. Ministério do Desenvolvimento Regional do Brasil. Programa 
Brasileiro 
da Qualidade e Produtividade do Habitat. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. 
	MDR. Ministério do Desenvolvimento Regional do Brasil. Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Disponível em:

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