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AULA 5 TECNOLOGIAS, SISTEMAS E MATERIAIS ECOEFICIENTES Profª Marcia Luiza de Carvalho Klingelfus 2 CONVERSA INICIAL As certificações são processos que ajudam a garantir a viabilidade de produtos e serviços nos variados setores comerciais. Além de agregar valor, são balizadores de materiais, sistemas, produtos etc., e contribuem para a competitividade saudável no mercado. Como sabemos, existem diversas finalidades para obter uma certificação; podem ser técnicas, de gerenciamento, de qualidade, de origem e de sustentabilidade, entre outras. Com grande abrangência, ajudam também no desenvolvimento de pesquisas e da ciência, na obediência às normas técnicas e no equilíbrio dos resultados do que se está certificando. São, a meu ver, impulsoras de educação ambiental no que diz respeito à construção. Além disso, determinam uma rede de confiança, tanto entre profissionais como entre usuários. No âmbito das construções, existem há dezenas de anos, sendo inicialmente desenvolvidas na década de 1970 e mais utilizadas na Europa e depois na América do Norte. Atualmente, representam entidades com exigências globais e adaptadas ao local de implantação; contribuem de maneira eficaz na determinação de melhores práticas na intenção de nivelar questões sustentáveis da construção em quase todo o mundo. Podem exigir critérios com relação a todo o ciclo de vida da edificação, colocando em evidência a qualidade e o desempenho da construção em médio e longo términos, começando pelo projeto e planejamento, construção, gestão da construção ou dos materiais, estruturas, instalações, partes isoladas, até o uso, ocupação, manutenção e desmonte. Nesta aula, faremos um breve repasse sobre alguns dos processos de certificação mais conhecidos e que considero importantes estudar. Também veremos como ele podem auxiliar em nossos trabalhos. TEMA 1 – CERTIFICAÇÕES No Brasil temos a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como foro nacional de normalização e representante da ISO no Brasil desde 1940, sendo responsável pela elaboração das normas brasileiras, atuando também na avaliação destas e dispondo sobre programas para certificação de produtos, sistemas e rotulagem ambiental. A ABNT tem seu próprio sistema de certificação para serviços, sistemas e produtos. Segundo a entidade, 3 certificação é um processo no qual uma entidade independente (3ª parte) avalia se determinado produto atende às normas técnicas. Esta avaliação se baseia em auditorias no processo produtivo, na coleta e em ensaios de amostras. O resultado satisfatório destas atividades leva à concessão da certificação e ao direito ao uso da Marca de Conformidade ABNT em seus produtos. Isso refere-se à certificação de produtos, e continua dizendo que “[...] a Certificação serve para garantir que a produção é controlada e que os produtos estão atendendo as normas técnicas continuamente”. Para garantir que esse processo seja imparcial e confiável, convém verificar a idoneidade dos agentes envolvidos e sua capacidade para avaliar com qualidade, independência e segurança. Segundo a ABNT, os principais benefícios da certificação são: • Promover o comprometimento com a qualidade; • Medir a melhoria contínua do desenvolvimento do negócio; • Assegurar eficiência e eficácia do produto, serviço ou sistema; • Introduzir novos produtos e marcas no mercado; • Reduzir perdas no processo produtivo e melhorar a sua gestão; • Diminuir controles e avaliações por parte dos clientes; • Fazer frente à concorrência desleal; • Melhorar a imagem da organização e de seus produtos ou atividades junto aos seus clientes; • Assegurar que o produto, serviço ou sistema atende às normas; • Tornar a organização altamente competitiva com produtos em conformidade às normas técnicas. 1.1 Certificações voluntárias na área da construção No âmbito da construção civil, sabemos da complexidade do processo construtivo e de como o setor ainda tem bastante a desenvolver. Muitos dos processos ainda são complicados e bem manuais, começando pelas exigências legais em fase de projeto que, muitas vezes, atentam-se a temas burocráticos e deixam de lado condições técnicas importantes, passando pelos cronogramas que sempre são ajustados ou estendidos, orçamentos que não se cumprem e canteiros de obras desorganizados, além de obras finalizadas com muito a desejar, deixando clientes e usuários insatisfeitos, com baixa eficiência e desempenho. Os marcos legais estabelecem parâmetros mínimos de qualidade, como vimos anteriormente sobre a normativa brasileira de desempenho, e cabe à 4 administração pública ou aos agentes provados, delimitarem seus padrões mais elevados. A grande oferta de produtos no mercado, a questão econômica – pois os processos e sistemas ainda são caros – e um mercado ilegal em paralelo em que a qualidade não é o mais importante, além da falta de consciência por parte de uma parcela tanto de produtores como de consumidores, contribuem para que andemos a passos lentos rumo à excelência e sustentabilidade, ainda e apesar de todas as evidências de sua necessidade e da existência cada vez maior de boas práticas. A iniciativa por edifícios mais sustentáveis começou a partir da metade dos anos 1980, e nos anos 1990 as certificações ambientais para a construção desenvolveram-se mais rapidamente como resposta aos alertas em torno da crescente preocupação pelo impacto que essa indústria é responsável. Desde então, o setor vem aprimorando-se por meio de selos verdes, obrigatoriedade de certificados de origem, transparência de processos e ferramentas de gestão. No início, as certificações centravam-se muito mais na eficiência energética e no impacto de alguns produtos como a madeira. Com o tempo, percebeu-se que as certificações não só são uma maneira de estabelecer consenso sobre o desempenho desses edifícios, mas também um chamado comercial. Hoje existe certificado ambiental para grande parte do que envolve o processo construtivo e também para diferentes tipos de intervenções (edifícios de diferentes tipologias, reformas, urbanismo etc.). Mas essas certificações não são obrigatórias, são voluntárias. Para que sejam validadas com critério e confiança, é necessário que todo sistema de avaliação e comprovação seja realizado por instituições creditadas para isso, como centros universitários com laboratórios de excelência e organismos de medição, ensaio e verificação reconhecidos. Mas a melhor forma de controle e regulação seria que os usuários passassem a conhecer e exigir os certificados em cada produto adquirido e retornassem com sua avaliação relativa às prestações e impactos de cada espaço construído. 1.2 PBQP-H Uma iniciativa interessante do governo federal nesse sentido é o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Hábitat (PBQP-H), ferramenta voluntária para a construção de habitações sociais que procura maior qualidade no setor reforçando questões como segurança e durabilidade, assim 5 como produtividade da construção e sua modernização. Para alcançar esse objetivo, fazem parte do programa uma certificação de sistemas de gestão da qualidade de construtoras, o monitoramento da conformidade na fabricação, importação e distribuição de materiais, componentes e sistemas construtivos utilizados na construção civil e a avaliação de tecnologias inovadoras e de sistemas convencionais na construção civil. Alguns dos critérios verificados são: • Gestão estratégica e abordagem de processos. • Documentos gerais e estrutura da informação; • Concepção e status dos empreendimentos. • Método de planejamento da obra. • Critérios para comprar, contratar, homologar e armazenar materiais. • Métodos e gestão de treinamentos. • Gestão administrativa e processos internos.• Auditoria interna para manter a conformidade. Considerando um histórico de baixa qualidade em habitação social no país, iniciativas como essa, em minha opinião, são necessárias. Resta fazer a verificação quantitativa quanto ao seu real produto, ou seja, um comparativo entre o antes e o depois. 1.3 Certificações e sua origem Veremos adiante as certificações BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental) e AQUA-HQE (Haute Qualité Environnementale). LEED, BREEAM e AQUA-HQE são mais conhecidas no Brasil, e CASBEE é uma excelente certificação japonesa que vale a pena conhecer. Na Tabela 1, temos as certificações internacionais e seu ano de criação e país de origem: Tabela 1 – Principais certificações NOME PAÍS DE ORIGEM ANO Ángel Azul (Blue Ángel) Alemanha 1978 Environmental Choice Canadá 1988 White Swan (Cisne Branco) ou Nordic Ecolabelling Países Nórdicos 1989 Green Seal EUA 1989 PassiveHauss Alemanha 1990 6 BREEAM Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method Reino Unido 1990 NF Environmental França 1991 Energy Star EUA 1992 Euromargarita ou EU Ecolabelling União Europeia (EU) 1992 FSC - Forest Stwardship Council / Conselho de Manipulação Florestal Canadá 1993 Emas União Europeia (EU) 1995 SBTool Internacional 1996 LEED EUA 1998 CASBEE Comprehensive Assessment System for Building Environmental Japão 2001 PHAROS EUA 2008 Fonte: Klingelfus, 2021. TEMA 2 – BREEAM O sistema de certificação Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM) foi desenvolvido pela organização britânica BRE em 1990, no Reino Unido, e é um sistema de certificação para projeto, construção e operação de edifícios verdes. Não faz parte do código de construção, portanto não é obrigatório. No início era utilizado em novos edifícios (residenciais e comerciais), e atualmente atende a diversos tipos e utilizações, sendo adaptado e utilizado no mundo todo. Confere seis níveis de conformidade: • Aceitável (só para uso) • Aprovado – de 30 pontos • Bom – de 45 a 54 pontos • Muito bom – de 55 a 69 pontos • Excelente – de 70 a 84 pontos • Superior – igual ou maior que 85 pontos O sistema de avaliação e certificação está organizado em dez categorias ou áreas temáticas: gestão de edifícios; saúde e bem-estar; energia; transporte; água; materiais; resíduos; uso da terra e ecologia, qualidade do ar e inovação. Estes, por sua vez, dividem-se em questões avaliativas que concedem créditos se alcançados seus objetivos, baseando-se em evidências. É composto por categorias específicas para cada tipo de uso: • BREEAM Home – Edificações residenciais • BREEAM Healthcare – Hospitais e centros de saúde 7 • BREEAM Industrial – Edifícios industriais • BREEAM Residential – Edifícios multiresidenciais • BREEAM Offices – Edifícios de escritórios • BREEAM School – Escolas • BREEAM internacional – Aplicação fora do Reino Unido • BREEAM Communities – Comunidades 2.1 Processo de certificação Esse processo é realizado por um assessor treinado e autorizado pela organização. Recomenda-se que seja iniciado com o projeto ou a intervenção no edifício, para que, dessa forma, já seja norteado pelos princípios do BREEAM. A emissão do certificado final ocorrerá ao final da obra, sendo a pontuação final baseada nos resultados. 2.2 BREEAM Habitação Residencial Baseia-se na atribuição de pontos agrupados em categorias, em que se enquadram os diferentes requisitos disponíveis, os quais podem ser cumpridos de acordo com a estratégia seguida em cada edifício. Os pontos são concedidos para cada requisito com base na evidência fornecida pelo avaliador. Os pontos obtidos em cada categoria passam por um fator de ponderação ambiental que leva em consideração a importância relativa de cada área de impacto. Os resultados de cada categoria são somados para produzir uma única pontuação geral. Existem alguns pontos diretos que podem ser um desempenho exemplar em um requisito ou um ponto de inovação que pode ser reconhecido pela BREEAM após relatório – esses pontos aplicam-se diretamente. Uma vez que a pontuação geral do edifício é conhecida, ela é traduzida em uma escala de cinco faixas, dentro dos cinco níveis de conformidade. 2.3 Exemplo de edifício certificado • Bloomberg London (.) • BREEAM UK Nova Construção 2014 • Classificação: Excelente – Estágio final 99,1% (Estágio de design 98,5%) • Certificado n: BREEAM-0075-7229 • Área: 103.690 m² 8 • Cliente: Bloomberg L.P. • Projeto: Fosters + Partners/Sweco/AKTII/SBA Blomberg London é um conjunto de escritórios em Londres distribuídos em dois edifícios, que obteve a máxima avaliação. Sua principal característica de eficiência é relativa à energia, com soluções inovadoras e gestão de águas. Também é exemplo da limitação das certificações acerca da sustentabilidade e visão integral do edifício, pois apesar das estratégias descritas a seguir, apresenta um alto impacto ambiental pela grande quantidade de materiais utilizados nas proteções da fachada, em bronze japonês, e do revestimento de granito indiano. Figura 1 – Bloomberg London Algumas de suas estratégias sustentáveis são: sistema especial de teto desenhado para economizar energia, com várias funções, como acústica, iluminação, fornecimento de ar e resfriamento. “O sistema, que incorpora 500.000 lâmpadas LED, usa 40% menos energia do que um sistema de iluminação fluorescente típico de escritório” (BREEAM, 2020). O desenho inclui combinação estética funcional e incentiva a criatividade e as possibilidades de um bom projeto. Possui também um sistema de captação e reuso de águas e vasos sanitários com descarga a vácuo. A fachada foi desenhada para permitir ventilação natural e reduzir a necessidade de ventilação mecânica (lâminas de bronze) como uma espécie de brises. Com relação ao fluxo de ar, “os controles inteligentes de detecção de CO2 permitem que o ar seja distribuído de acordo com o 9 número aproximado de pessoas ocupando cada zona do edifício a qualquer momento, reduzindo as emissões de CO2 em aproximadamente 300 toneladas métricas a cada ano” (BREEAM, 2020). Calor e energia são produzidos no edifício em um sistema combinado, e que reduz as emissões de CO2. “O calor residual gerado a partir desse processo é reciclado para resfriamento e aquecimento e, em uso, espera-se uma economia de 500-750 toneladas métricas de CO2 a cada ano” (BREEAM, 2020) Outras informações encontram-se no site , no qual recomendo assistir aos vídeos e observas as imagens de seu interior a fim de entender por que esse conjunto de edifícios conseguiu um índice tão alto em sustentabilidade e é tido como um dos mais sustentáveis do mundo (apesar dos impactos já comentados). Vários outros critérios foram adotados, incluindo bicicletários, espaços para estimular as pessoas para a caminhar em seu interior, diminuição de resíduos, muros e espaços verdes, ventilação natural etc. TEMA 3 – LEED O sistema de certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) foi desenvolvido pelo United States Green Building Council (USGBC) nos Estados Unidos, em 1998 (programa piloto). Em 2000 foi lançado o programa definitivo, que vem adaptando-se e ficando cada vez mais completo. P sistema foi criado para definir a construção verde estabelecendo um padrão de medição comum, promover o design holístico, reconhecer a liderança ambiental na indústria da construção, estimular a competição verde, informar o consumidor sobre benefícios da construção verde e transformar o mercado da construção. Baseia-se em regulamentaçõescomo ASHRAE, ANSI e ASTM, sendo um sistema de certificação para estratégias sustentáveis a serem desenvolvidas em edifícios, dentro das seguintes tipologias. • Novas construções e grandes reformas: tem como objetivo orientar e distinguir projetos comerciais e institucionais de alto desempenho. • Escritórios comerciais e lojas de varejo: fornece um guia para designers e lojistas escolherem e especificarem de forma sustentável. • Edifícios existentes: fornece um guia para a operação e manutenção de edifícios existentes. 10 • Desenvolvimentos de bairros: integra princípios de crescimento, planejamento urbano e construção sustentável para desenvolvimento de novos bairros. Dentro dessas tipologias estão as áreas a serem avaliadas. • Localização e sua influência no transporte e deslocamento. • Espaço sustentável. • Eficiência hídrica. • Energia e atmosfera. • Materiais e recursos utilizados. • Qualidade do ambiente interno do empreendimento. • Inovação e processos. • Créditos de prioridade regional. Existem quatro níveis de certificação obtidos, cujas pontuações estão dentro de um máximo de 100 pontos mais seis pontos adicionais para inovação em design e quatro pontos para prioridade regional. • Certificado Leed – de 40 a 49 pontos. • Prata – de 50 a 59 pontos. • Ouro – de 60 a 79 pontos. • Platina – de 80 pontos. ou mais Para maior detalhamento de todos os critérios e processo de certificação, utilize a informação do GBC Brasil, uma das certificações mais utilizadas no país, com mais de 530 projetos certificados (informação de 2018). Há também a Certificação GBC Brasil Casa, específica para residências unifamiliares, e GBC Brasil Condomínios, para novas construções de condomínios. 3.1 Zero Energy Building Voltada especificamente para a questão energética, essa ferramenta tem por objetivo o “Zero Energy Building, edifício que comprova que o consumo de energia local da operação anual é zerado por uma combinação de alta eficiência energética e geração de energia por fontes renováveis” (LEED, 2020). Segundo o GBC Brasil, os objetivos da certificação são: 1. Garantir o cumprimento das metas da COP Paris. 2. Acelerar a transformação do mercado nacional de eficiência energética e a geração de fontes de energia renováveis. 11 3. Gerar novos empregos. 4. Desenvolver novas tecnologias. 5. Reconhecer a iniciativa dos empreendedores. 6. Promover ambientes mais saudáveis, capazes de propiciar a melhoria do bem-estar dos ocupantes. Os critérios baseiam-se basicamente na eficiência do edifício com relação ao uso de energias renováveis. 3.2 Exemplo de edifício certificado • São Paulo Corporate Towers, São Paulo • Arquitetos: Pelli Clarke Pelli Architects, Aflalo/Gasperini Arquitetos • Área: 257799 m² • Ano: 2016 • Última certificação: 10 de abril de 2017 • Nível de certificação: Platina O exemplo escolhido foi de tipologia torre de escritórios, em São Paulo. São duas torres empresariais dispostas em uma área de 38.000 m², dos quais 9.600 m² são de área permeável, somando 18.000 m² de área ajardinada. “Desde a concepção até sua construção o projeto está alinhado com os requisitos do U.S. Green Building Council, apresentando os mais altos índices de eficiência energética e sustentabilidade” (CTE, 2020). Uma de suas estratégias sustentáveis é o sistema de ar-condicionado, que funciona “por meio de expansão indireta (água gelada) com condensação a água e distribuição de ar variável (VAV) pelo teto, prevendo a divisão por zonas térmicas (fachadas e internas), com sensor de controle da qualidade do ar (CO²) no retorno” (CTE, 2020). O edifício foi construído investindo em modernas tecnologias para conseguir reduções significativas no consumo de água e energia. A água da chuva e a água cinza são reutilizadas na limpeza, na irrigação da área verde, no sistema de condensação do ar-condicionado e nas bacias e mictórios dos sanitários. Foi considerada a mobilidade dos usuários e funcionários incentivando o uso de bicicletas e transporte público, reservando vagas para veículos de baixa emissão de poluentes e baixo consumo de energia. 12 Figura 2 – São Paulo Corporate Towers Essas são algumas das características observadas na certificação do edifício, mas outros critérios em suas instalações, paisagismo etc. foram considerados em seu projeto e construção. É interessante observar que um empreendimento dessa proporção precisa contar com planejamento sustentável, atuando nos muitos setores exigidos para conseguir certificação máxima. Como é um edifício emblemático de São Paulo, há muita informação sobre ele nos meios virtuais, como no site do CTE: . TEMA 4 – CASBEE O sistema de certificação Comprehensive Assessment System For Building Environmental Efficiency (CASBEE) foi desenvolvido em 2001pelo Instituto IBEC para Meio Ambiente de Construção e Conservação de Energia do Japão, sob a iniciativa do Ministério de Terras, Infraestrutura e Transporte (MLIT). Desde 2002, várias categorias foram desenvolvidas para CASBEE, tais como: novas construções, edifícios, reabilitação, desenvolvimento urbano, e também para habitação. Trata-se de um sistema de certificação para o projeto, construção e gestão de edifícios, desenvolvido com o objetivo de estabelecer um sistema que incorpore a perspectiva da sustentabilidade no setor da construção, permitindo avaliação integrada dos fatores, tanto no interior do edifício (qualidade e 13 comportamento dos sistemas e serviços) como no exterior do limite da construção (a carga ambiental ou impacto no ambiente externo). Especificamente CASBEE para habitação, visa promover a alta qualidade da construção no Japão, abrangendo aspectos individuais e sociais da edificação, e permitindo sua avaliação na fase de projeto ou na pós-ocupação. Avalia não só o edifício em si, mas também áreas externas, equipamentos utilizados pelos usuários, informações disponíveis e ações realizadas durante a sua construção e no local onde está localizado. São dois fatores considerados na avaliação geral da edificação e a relação entre eles define um índice: a Eficiência Ambiental da Construção (BEE). Os fatores são: • Q (qualidade), que avalia qualidade ambiental e funcionamento do espaço interior. • L (cargas), que avalia impactos negativos do edifício no espaço exterior. Cada um desses fatores contém três categorias com pontos específicos a serem avaliados. Existem cinco níveis de conformidade e concedidos: C (ruim), B-, B +, A, S (excelente), e cada um deles também é representado por um número de estrelas; quanto mais estrelas, maior o nível de eficiência ambiental. 4.1 Política de pontuação Os pesos dos coeficientes são utilizados considerando sua importância relativa nos critérios de certificação. Os coeficientes de ponderação entre os elementos mais importantes são determinados com base nos resultados dos cálculos usando o processo analítico hierárquico, uma técnica estatística. Por outro lado, os coeficientes de ponderação para itens de nível médio, menores e a pontuação em cada ponto principal foram determinados com base nos resultados das discussões dos especialistas. Os pesos irão incorporar descobertas científicas, bem como julgamentos de várias partes interessadas, incluindo proprietários, fornecedores e autoridades administrativas com base em seu senso de valores. Uma vez que esses significados de valores podem mudar de acordo com a situação, é necessário reexaminar os pesos quando for considerado apropriado. Os pesos foram determinados com base nos resultados estatisticamente processados de questionários enviados às partes interessadas da CASBEE Housing, incluindo 14 proprietários, fornecedores, funcionários administrativos e acadêmicos, emrelação à importância relativa dos conceitos mais importantes (Klingelfus, 2016). 4.2 Exemplo de edifício certificado • Toranomon Hills Mori Tower, Minato, Tóquio • Área total 244.360 m² • 52 andares acima do solo e 5 andares abaixo do solo – escritórios, residências, hotéis, lojas, conferências • Construção: abril de 2011 a maio de 2014 • Projeto: Japan Design Co., Ltd. • Empreendimento: Mori Building Co., Ltd. • Construtor: Obayashi Gumi Co., Ltd. • Certificação S (mais elevada) no CASBEE para Edifícios (nova construção) Figura 3 – Toranomon Hills Mori Tower Algumas de suas estratégias sustentáveis são: sistema de ar- condicionado de alta eficiência Low-carbon Building and Area Sustainability (LOBAS), que separa o tratamento de calor sensível e latente usando água gelada de temperatura média a 13 °C e água quente a temperatura baixa a 37 °C, e coleta de calor usando bombas de calor; redução de cargas próximo às janelas, com a utilização de vidros duplos de baixa emissividade e instalação de proteções verticais nas paredes externas; conservação de Energia Estável com Sistema de Gerenciamento de Energia de Prédios (BEMS) que, além das funções existentes, esclarece critérios para determinar valores medidos normais 15 e anormais aumentando ainda mais a eficiência da análise de dados; e iluminação LED em áreas de escritório, sensores de iluminação, configurações de iluminação específicas para o usuário, além de beirais com placas solares para produção de energia solar. Outras informações sobre certificações CASBEE podem ser encontradas em: . TEMA 5 – AQUA-HQE A certificação AQUA-HQE tem origem no selo HQE (Haute Qualité Environnementale) francês e é aplicada no Brasil pela Fundação Vanzolini desde 2008. Segundo Herzer e Ferreira (2016), com a certificação LEED estão as certificações de edifícios mais conhecidas e aplicadas no Brasil. Os critérios adotados foram contextualizados e desenvolvidos para a situação do país, buscando a melhora do desempenho dos edifícios. A partir da implantação de um sistema de gestão específico são realizados planejamento, controle e administração de todas as etapas da obra. A avaliação deve ser realizada em três fases, com o mínimo: pré-projeto, projeto e execução. São 14 categorias de avaliação que podem ser classificadas nos níveis base, boas práticas ou melhores práticas, conforme perfil ambiental definido pelo empreendedor na fase pré-projeto. Para a certificação em uso e operação são monitoradas as rotinas do edifício. As categorias avaliadas são: • Relação do edifício com o seu entorno. • Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos. • Canteiro de obras de baixo impacto ambiental. • Gestão da energia. • Gestão da água. • Gestão de resíduos de uso e operação do edifício. • Manutenção – permanência do desempenho ambiental. • Conforto higrotérmico. • Conforto acústico. • Conforto visual. • Conforto olfativo. • Qualidade sanitária dos ambientes. • Qualidade sanitária do ar. 16 • Qualidade sanitária da água. 5.1 Exemplo de edifício certificado • Lojas Leroy Merlin/Brasil A primeira loja certificada e um dos primeiros edifícios na certificação no Brasil faz parte da rede Leroy Merlin, que continuou certificando as demais lojas. Segundo a Inovatech (2020), responsável pela assessoria, são estudados critérios para cada edifício, mas algumas das estratégias gerais adotadas são: • O sistema de condicionamento de ar utiliza gás ecológico que, segundo eles, não impacta o meio ambiente e permite economia de 30% no consumo de energia elétrica. • Incentivo à mobilidade de menos impacto (veículo, flex, carona solidária). • Isolamento térmico na cobertura. • Mecanismos de economia de água nos sanitários. • Pintura à base de água em todas as instalações internas e externas para diminuir a agressão dos solventes à natureza. • Sistema sustentável de uso de águas, com reutilização de água de chuva, águas cinzas e águas negras. • Hidrômetros setorizados para identificação de eventuais vazamentos. • Água aquecida por painéis solares. • Medidas sustentáveis em canteiro de obras. • Espaços de convivência para os funcionários. 17 REFERÊNCIAS ARCHDAILY. SÃO PAULO CORPORATE TOWERS. 2016. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. BREEAM. Bloomberg London. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. BREEAM. Building Research Establishment Environmental Assessment Method. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. CTE. São Paulo Corporate Towers. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. FUNDAÇÃO VANZOLINI. Certificação AQUA-HQE em detalhes. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. GBC BR. Green Building Council Brasil. LEED – Leadership in Energy and Environmental Design. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. HERZER, A. E FERREIRA, R. Construções sustentáveis no Brasil: um panorama referente às certificações ambientais para edificações LEED E AQUA- HQE. Caderno Meio Ambiente e Sustentabilidade. v. 8, n. 5, 2016. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. IBEC. Institute for Building Environment and Energy Conservation (IBEC). Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency (CASBEE). Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. INOVATECH. Lojas Leroy Merlin. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. KLINGELFUS, M. Ferramenta de certificação para a Bioconstrução. 765F. Tese (Doutorado em Construção e Tecnologias Arquitetônicas) – Universidad Politécnica De Madrid. Madrid, ES. 2016. MDR. Ministério do Desenvolvimento Regional do Brasil. Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. MDR. Ministério do Desenvolvimento Regional do Brasil. Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Disponível em: