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Aula 06 Direito Tributário p/ PC-MA (Delegado) Com videoaulas - Pós-Edital Professor: Fábio Dutra Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra AULA 06: Legislação Tributária; Obrigação Tributária; Fato Gerador; Sujeitos da Obrigação Tributária; Solidariedade; Domicílio Tributário SUMÁRIO PÁGINA Observações sobre a aula 01 Legislação Tributária 02 Obrigação Tributária 25 Fato Gerador da Obrigação Tributária 28 Elisão, Evasão e Elusão Fiscal 37 Sujeitos da Obrigação Tributária 46 Solidariedade em Direito Tributário 58 Domicílio Tributário 66 Lista das Questões Comentadas em Aula 75 Gabarito das Questões Comentadas em Aula 90 Resumo da Aula 91 Observações sobre a Aula Olá amigo(a)! Tudo tranquilo? Como está o andamento da leitura do CTN e da CF/88? Novamente eu ressalto a importância de se fazer a leitura para alcançar bom desempenho nas provas! Nesta aula, estudaremos diversos temas, a saber: Legislação Tributária, Obrigação Tributária, Fato Gerador da Obrigação Tributária, Sujeitos da Obrigação Tributária, Solidariedade em Direito Tributário e Domicílio Tributário. Vale ressaltar que, embora alguns assuntos não estejam expressos no edital, a sua inclusão no curso se deve ao fato de estarem ligados a outros temas que podem justificar a cobrança na prova! Portanto, precisamos estar prevenidos! Para enfrentar a banca CESPE, conhecer a literalidade da CF e do CTN são requisitos básicos. Você deve estar com tudo na “ponta da língua” no dia da prova. Bom, vamos começar nossa aula? Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 1 – LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA O Código Tributário Nacional inicia o seu Livro Segundo a partir do art. 96, tratando do tema “Legislação Tributária”. Mas o que vem a ser Legislação Tributária? Muitos candidatos desconhecem quais são as fontes do Direito Tributário. Tais fontes são divididas pelo ilustre Vittorio Cassone1 em materiais e formais. As fontes materiais (ou reais) representam os fatos que justificam a tributação, como, por exemplo, o patrimônio, os serviços, a importação, a exportação a transmissão de propriedade etc. Contudo, as fontes materiais por si só não são capazes de fazer surgir a obrigação tributária, pois é necessário que elas (as fontes materiais) tomem uma forma. Tal forma diz respeito ao processo de elaboração de atos normativos, como as leis ou medidas provisórias, capazes de estabelecer uma relação jurídico-tributária entre o sujeito ativo (União, por exemplo) e o contribuinte. Como consequência desse processo legislativo, por assim dizer, temos as denominadas fontes formais, que foram rotuladas no art. 96 do CTN como legislação tributária, nos seguintes termos: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. “Professor, então quer dizer que as fontes formais do Direito Tributário são as leis, tratados internacionais, decretos e as normas complementares? Exatamente! Guarde isso: todas as normas que versem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (matéria tributária de um modo geral) integram a legislação tributária! Até mesmo a CF/88 integra a legislação tributária (sendo fonte do Direito Tributário), sendo esta a base de todas as outras! Nesse contexto, é importante ter em mente o conceito de ato normativo. Trata-se de hipóteses normativas que são aplicadas às pessoas de 1 CASSONE, Vittorio. Direito tributário. 15ª Edição. 2003. Pág. 45. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra um modo geral e às diversas situações fáticas. Em síntese, são dotados de generalidade e abstração. Imaginemos, a título de exemplo, uma lei municipal que institui o IPTU em um determinado Município. Essa lei é dotada de generalidade, pois não possui um destinatário específico, incidindo sobre a todas as pessoas que praticarem o fato gerador do IPTU (possuir imóvel em território urbano). Além disso, o fato de a lei apenas estabelecer hipóteses de incidências abstratas (que podem vir ou não a ocorrer no mundo concreto), faz com que a doutrina caracterize tais atos normativos como dotados de abstração. Diferentemente do que foi visto acima, os atos concretos são de caráter individual, incidindo sobre pessoa determinada, bem como relativo a situações ocorridas no mundo concreto. Assim, por exemplo, quando um Auditor-Fiscal da Receita Federal, durante procedimento de fiscalização, detecta que o contribuinte auferiu rendimentos e deixou de pagar o IR devido, faz-se um lançamento de ofício, que é, por essência, um ato concreto. Observação: A generalidade e a abstração são características comuns a todos os atos normativos. No entanto, nem todos os atos normativos possuem a mesma “força” jurídica. Assim, podemos definir os atos normativos como primários e secundários. Os atos normativos primários, assim denominados por buscarem seus fundamentos diretamente da Constituição Federal, são capazes de inovar no ordenamento jurídico, criando novos direitos e obrigações. Por outro lado, os atos normativos secundários, quais sejam aqueles cujo fundamento de validade é uma norma infraconstitucional (leis, por exemplo), não têm o condão de inovar no ordenamento jurídico. Atos normativos primários em desacordo com o seu fundamento de validade são inconstitucionais. Atos normativos secundários em desacordo com o seu fundamento de validade são ilegais. Retornando nossos olhares ao art. 96 do CTN, podemos dizer que a são fontes formais principais do Direito Tributário: Constituição Federal e Emendas à Constituição, Leis Complementares e Ordinárias, Leis Delegadas, Medidas Provisórias, Decretos Legislativos e Resoluções. Quanto às fontes formais secundárias, são elas: os decretos e as normas complementares. Não se preocupe, pois tudo isso será visto a seguir. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Observação: A doutrina e a jurisprudência não são consideradas fontes formais do Direito Tributário. Em suma, o que eu quero que você entenda até o momento é quais são as fontes do Direito Tributário, bem como a diferença entre o grau hierárquico dos atos normativos primários e secundários, lembrando-se que ambos são abstratos. 1.1 - Constituição Federal e Emendas à Constituição A Constituição Federal é a base de todo o Sistema Tributário Nacional. Afinal de contas, é dela que os entes recebem a competência tributária para instituir tributos. Além disso, como Lei Maior, traz os princípios norteadores do Direito Tributário que, juntamente com as imunidades tributárias, constituem as limitações ao poder de tributar. A CF também é responsável por disciplinar o processo legislativo, isto é, o processo de criação das principais normas tributárias (leis complementares, leis ordinárias etc.). No que se refere à modificação da CF/88, há que se destacar que isso somente se faz possível, por meio das denominadas emendas à Constituição. Tal processo pode resultarna alteração das regras do jogo, ou melhor, das regras norteadoras do todo o sistema tributário, já que, após aprovadas, as normas das emendas à Constituição passam a ter a mesma hierarquia desta. No entanto, cabe relembrar o que foi dito na aula inicial a respeito das cláusulas pétreas. Tais normas são previstas como uma espécie de blindagem, para que a Constituição não sofra sucessivas emendas que a desvirtue dos princípios que foram nela consolidados quando houve sua promulgação. Portanto, a título de exemplo, uma emenda à Constituição que traga em seu texto regra que reduza a eficácia do princípio da anterioridade (já reconhecido pelo STF como cláusula pétrea), estará, na realidade, abolindo os direitos e garantias individuais, conforme art. 60, § 4º, IV, da CF/88. 1.2 – Leis Complementares A lei complementar é ato normativo cujo processo de aprovação é mais dificultoso do que o rito comum das leis ordinárias. Sendo assim, o legislador constituinte delegou a esse instrumento normativo importantes funções, tendo em vista seu maior grau de estabilidade (é mais difícil de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra alterar uma lei complementar, pois exige “maioria absoluta” para aprovação de uma LC). Em matéria tributária, vários aspectos foram submetidos à lei complementar, inclusive a instituição de alguns tributos. Os alunos sempre sentem necessidade de saber quais são os assuntos sujeitos à lei complementar. Eu diria que o contato com a disciplina (leitura do nosso curso + leitura da CF/88 + resolução de questões) fará com que você memorize naturalmente. De acordo com a jurisprudência do STF, não há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária! O que ocorre é a definição de temas específicos, reservados a lei complementar. Contudo, vamos citar abaixo os casos de lei complementar! Em relação à instituição de tributos, estão submetidos à lei complementar: Empréstimo Compulsório (EC); Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF); Impostos Residuais (I.Res.); Contribuições Sociais Residuais (CSR). Em regulação à regulamentação específica de alguns tributos, fica a lei complementar responsável pelas seguintes funções: ITCMD: em casos relacionados ao exterior (ler art. 155, § 1º, III, “a” e “b”); ICMS: como dito na aula anterior (se necessário, retorne e leia), temas que possam gerar conflitos entre os Estados, situações peculiares ao ICMS e base de cálculo e contribuintes (ler art. 155, § 2º, XII, “a” a “i”); ISS: define serviços tributáveis pelo ISS, fixa alíquotas mínimas e máximas, exclui sua incidência sobre as exportações de serviços e regula a forma como os benefícios fiscais são concedidos (ler art. 156, III, c/c art. 156, § 3º, I, II, e III); Contribuições Sociais: fixa limites para a concessão de isenção ou anistia de algumas contribuições sociais (art. 195, § 11). Além do que já foi visto, a CF/88 também concedeu três importantes funções para a lei complementar, quais sejam: Dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária; Regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; Estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Observação: As limitações ao poder de tributar, embora sejam reguladas por lei complementar, somente podem ser criadas pelo texto constitucional. No que se refere especificamente às normas gerais em Direito Tributário (ou legislação tributária, não faz diferença nesse momento), a CF/88 discriminou o que deve ser disciplinado nas leis complementares. Você vai perceber que alguns casos já foram estudados no nosso curso, outros, não: Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. A alínea “d” refere-se ao Simples Nacional. Sobre tal regime, é importante consideramos o seguinte (CF/88, art. 146, par. único): I - será opcional para o contribuinte; II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Dando continuidade ao estudo das funções da lei complementar, vejamos ainda a importante função deste diploma normativo, definida no art. 146-A, da CF/88: Art. 146-A. Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. Observação: Trata-se de previsão para a edição de lei complementar estabelecer critérios especiais de tributação (o que não se confunde com instituição de novos tributos), podendo a lei ordinária federal estabelecer outros critérios adicionais, além dos que tiverem sido definidos em lei complementar. Não se preocupe, por não conhecer alguns conceitos acima descritos. Como eu disse, é estudando que se vai consolidando o conhecimento e, ao final, tudo vai se encaixar! Então, a grosso modo, podemos resumir as atribuições da lei complementar em matéria tributária da seguinte forma: 1.3 – Leis Ordinárias Em nosso sistema tributário, as leis ordinárias são a regra, quando o assunto é instituição de tributos. Vimos no tópico anterior que há alguns tributos cuja instituição fica a cargo da lei complementar. Contudo, trata-se de exceções pontuais. Assim, é a lei ordinária municipal, estadual ou federal que institui, por exemplo, as taxas e as contribuições de melhoria. Observação: O fato de os entes federados gozarem de autonomia faz com que não haja hierarquia entre as leis federais, estaduais e municipais. Lei Complementar Instituição alguns tributos Regulamentação de alguns tributos Conflitos de Competência Limitações ao Poder de Tributar Normas Gerais em Matéria Tributária EC/IGF/I.Resid./CSR ITCMD/ICMS/ISS/CS Critérios especiais de tributação Prevenir desequilíbrios da concorrência Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra O art. 97 enumera situações que estão restritas ao princípio da legalidade (ou reserva legal). Senão, vejamos: Art. 97. Somente alei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Seguindo a linha de raciocínio desse dispositivo, somente a lei pode instituir os tributos, como também somente a lei pode extingui-los. Do mesmo modo, embora haja algumas exceções (exceções ao princípio da legalidade), somente as leis podem majorar ou reduzir os tributos. No que se refere à definição do fato gerador, da fixação da alíquota e da base de cálculo dos tributos, você deve saber que isso se refere ao momento de instituição dos tributos. Ou seja, quando se está instituindo um determinado tributo, a lei deve prever tais elementos! Essa regra não se confunde com a exigência de que a lei complementar defina os fatos geradores, base de cálculo e contribuintes dos impostos previstos na CF/88 (art. 146, III, a), já que, neste caso, a lei se refere apenas às normas gerais. Como exemplo, temos o fato gerador do IPI. No CTN, foi definido que o IPI poderia incidir sobre a arrematação de produtos apreendidos ou abandonados e levados em leilão. Correto? No entanto, no momento da instituição do IPI, o legislador optou por não incluir a referida situação como hipótese de incidência do tributo. Portanto, de um lado temos a lei complementar que disciplina os fatos que podem ser tributados pelos impostos; de outro, os fatos geradores definidos na lei instituidora. Lembre-se também que a restrição do art. 146, III, a, é aplicável apenas aos impostos. Logo, não é necessário que haja definição de fatos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra geradores, bases de cálculo e contribuintes de outras espécies tributárias em lei complementar. Observação: Por ora, guarde apenas que obrigação tributária principal tem por objeto o pagamento de tributos e multas. Por último, destacamos ainda a necessidade de que as multas (cominação de penalidades) sejam estabelecidas apenas mediante lei. Nesse sentido, atos infralegais (como os decretos, por exemplo) não possuem competência para criar penalidades. 1.4 – Medidas Provisórias Como esse assunto já foi estudado em aula anterior, cabe-nos apenas relembrar que as medidas provisórias são atos normativos temporários com força de lei, expedidos pelo Chefe do Poder Executivo, que podem vir ou não a ser convertidos em lei. Deve-se saber que as MPs podem tratar sim de matéria tributária bem como instituir tributos, inclusive isso consta na Magna Carta (art. 62, § 2°), quando esta dispõe sobre a instituição e majoração de impostos por meio de MP, e que, além disso, esse tem sido o entendimento do STF. 1.5 – Leis Delegadas Semelhantemente às medidas provisórias, as leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República e possuem a mesma força de uma lei ordinária. Contudo, como o próprio nome do instrumento normativo se apresenta, faz-se necessária uma delegação do Poder Legislativo, por meio de uma resolução do Congresso Nacional (e não do Senado!). Destaque-se que não há nada que impeça o Poder Executivo de introduzir normas tributárias por meio de leis delegadas, desde que não sejam temas reservados à lei complementar. Observação: As leis delegadas não são temporárias como as medidas provisórias. Tanto as medidas provisórias como as leis delegadas não podem tratar de assuntos reservados à lei complementar! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 1.6 – Resoluções As resoluções são atos normativos com força de lei, emanados pelo Poder Legislativo sem qualquer participação do Executivo, o que faz com que a doutrina as denomine “leis sem sanção”. Podem ser editadas pelo Congresso Nacional ou por suas casas, Câmara dos Deputados e Senado Federal. São as resoluções do Congresso Nacional que são utilizadas para aprovar a delegação ao Presidente de República para editar as leis delegadas. Em matéria especificamente tributária, toma relevância as resoluções do Senado Federal, Casa de representação dos Estados-Membros no Congresso Nacional, ao tratar de vários aspectos atinentes aos impostos de competência estadual. Como já vimos todos eles de forma detalhada na aula anterior, nesse momento julgo necessário apenas esquematizarmos o assunto: RESOLUÇÕES DO SENADO FEDERAL TRIBUTO ALÍQUOTA FACUL/OBRIG INICIATIVA APROVAÇÃO ITCMD Alíquota Máx. OBRIGATÓRIO - - IPVA Alíquota Mín. OBRIGATÓRIO - - ICMS Alíq. Máx. Oper. Internas FACULTATIVO MAIORIA ABSOLUTA 2/3 Senado ICMS Alíq. Mín. Oper. Internas FACULTATIVO 1/3 Senado MAIORIA ABSOLUTA ICMS Alíq. Interest. ou exportação OBRIGATÓRIO Pres. Rep. ou 1/3 Senado MAIORIA ABSOLUTA Observe as setas, pois elas indicam um “esquema” para memorizar. As alíquotas mínimas exigem quórum menor para iniciativa, aumentando para aprovação, elevando ainda mais na aprovação das alíquotas máximas, cujo quórum é o maior. Obs.: Os quóruns das alíquotas Interestaduais ou Exportação são iguais aos das mínimas, com o acréscimo do Presid. Rep. Amigo(a), decorando essa tabelinha que eu preparei, tenha certeza de que você vai acertar questões que a esmagadora maioria dos candidatos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra erra na hora da prova. Afinal de contas, não é nada fácil de decorar isso sem um esquema! 1.7 – Decretos Legislativos De forma análoga às resoluções, os decretos legislativos são atos normativos de competência exclusiva do Poder Legislativo, não estando sujeitos à sanção presidencial. Em matéria tributária, os decretos legislativos entram em cena em dois momentos, que consiste na aprovação de tratados internacionais firmados pelo Presidente da República, cujo procedimento será detalhado em tópico específico, bem como no disciplinamento das relações jurídicas decorrentes de medida provisória não convertida em lei (vimos isso na aula sobre o princípios constitucionais). 1.8 – Decretos-leis Durante os seus estudos, certamente você vai se deparar com a figura dos decretos-leis. São atos normativos com força de lei, editados pelo Presidente da República, e que foram substituídos pelas medidas provisórias na CF/88. Uma pergunta que se faz é: se foram substituídos pelas MPs, porque ainda existem decretos-leis em vigor? Foram recepcionados pela atual CF por conterem conteúdos com ela compatíveis. Não confunda decretos-leis com decretos! Decretos-leis possuem força de lei. Decretos, em matéria tributária, não possuem força de lei. 1.9 – Tratados e Convenções Internacionais Inicialmente, cabe destacar que “tratados” e “convenções” são expressões sinônimas e dizem respeito a acordos bilaterais (entre duas partes) ou multilaterais (entre diversas partes). De acordo com as lições de Bernardo Ribeiro de Moraes2: “Tratado (ou convenção) internacional vem a ser o ato jurídico firmado entre dois ou mais Estados, mediante seus respectivosórgãos 2 MORAES, Bernardo Ribeiro de. Compêndio de direito tributário. 3ª Edição. Pág. 26 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra competentes, com o objetivo de estabelecer normas comuns de direito internacional.” A fim de compreendermos melhor o assunto, vejamos as etapas do procedimento de celebração dos tratados internacionais: 1. Negociação e Assinatura: realizadas pelo Poder Executivo. 2. Aprovação ou Referendo: aprovação (ou homologação) do Legislativo, por meio de decreto legislativo. Este instrumento autoriza o Presidente da República a ratificar o tratado. 3. Ratificação: realizada pelo Chefe do Executivo, mediante depósito do respectivo instrumento (é nessa etapa que o Estado se compromete a cumprir o tratado a nível internacional). 4. Promulgação: edição de decreto do Presidente da República a fim de que o conteúdo do tratado internacional passe a ter vigência interna. 5. Publicação: essencial para que o tratado produza efeitos internamente. Observação: De acordo com o STF, os tratados e convenções internacionais só produzem efeitos internamente depois de percorrer TODAS as etapas acima previstas. É de se destacar que, para a Suprema Corte, não há exceções para os tratados realizados no âmbito do Mercosul. Como consequência dessa obrigatoriedade, o STF decidiu que a CF/88 não consagra o princípio do efeito direto nem o postulado da aplicação imediata dos tratados e convenções internacionais. Não obstante o fato de os internacionalistas entenderem que a incorporação dos tratados internacionais ao direito brasileiro se dá apenas decreto presidencial, isto é, após a ratificação do tratado no âmbito internacional, há doutrinadores, a exemplo do eminente jurista Paulo de Barros Carvalho3, que defendem a introdução ao sistema normativo brasileiro pelo decreto legislativo. Por conta disso, reiteradas vezes encontramos questões de provas afirmando que os tratados internacionais em matéria tributária ingressam ou se incorporam ao sistema tributário nacional por decreto legislativo. Caso você se depare com uma questão versando sobre tal assunto, tome cuidado! Se for o caso, analise as demais alternativas antes de definir a resposta. De posse dos conceitos básicos de tratados e convenções internacionais, podemos verificar como o CTN abordou o assunto: 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª Ed. Saraiva, 2013, p. 88 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. De acordo com a literalidade do dispositivo, os tratados internacionais revogam ou modificam a legislação tributária, devendo ser observados pela legislação superveniente. A expressão “revogam ou modificam” gerou forte discussão doutrinária e jurisprudencial, as quais veremos resumidamente a seguir. Na visão da doutrina, especialmente do professor Luciano Amaro4 o conflito entre a lei interna e o tratado deve ser resolvido em favor da norma especial, que é o tratado: “O conflito entre a lei interna e o tratado resolve-se, pois, a favor da norma especial (do tratado), que excepciona a norma geral (da lei interna), tornando-se indiferente que a norma interna seja anterior ou posterior ao tratado. Este prepondera em ambos os casos (abstraída a discussão sobre se ele é ou não superior à lei interna) porque traduz preceito especial, harmonizável com a norma geral.” Nesse sentido, diante desse conflito, resolvido em favor da norma especial, ocorreria, então, a revogação da lei interna? Não! Na verdade, segundo a doutrina, haveria suspensão da eficácia da norma nacional: “... não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado.” (TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 16ª Ed. Renovar, 2009, p.49) Portanto, se o tratado algum dia vier a ser denunciado, deixando de produzir efeitos internos, a lei interna readquire sua eficácia, isto é, volta a produzir efeitos normalmente. E o STF, qual o posicionamento da Suprema Corte sobre esse tema controverso? Vamos verificar! O STF já se posicionou no sentido da paridade normativa entre os tratados internacionais e as leis ordinárias: "(...) PARIDADE NORMATIVA ENTRE ATOS INTERNACIONAIS E NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS DE DIREITO INTERNO. - Os tratados ou convenções internacionais, uma vez regularmente incorporados ao direito interno, situam-se, no sistema jurídico brasileiro, nos mesmos planos de validade, de eficácia e de autoridade em que se posicionam as leis 4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 14ª Ed. Saraiva, 2008, p.181 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra ordinárias, havendo, em conseqüência, entre estas e os atos de direito internacional público, mera relação de paridade normativa. (...)" (STF, ADI 1.480-MC/DF, Plenário, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em 04/09/1997) Para o STF (ADI 1.480-MC/DF), tratados internacionais não podem tratar de matéria reservada a lei complementar. Nesse contexto, podemos admitir que os tratados internacionais possuem o mesmo status das leis ordinárias. Com efeito, se uma lei ordinária for editada posteriormente à internalização de um tratado internacional, e for com este incompatível, prevalece a lei interna, deixando de ser aplicado o tratado internacional. Essa é a visão atual do STF, que diverge do conceito de especialidade trazido pela doutrina. Observação: Existe a possibilidade de esse entendimento do STF mudar, quando do julgamento do RE 460.320. O Min. Gilmar Mendes já demonstrou o entendimento a respeito da prevalência dos tratados internacionais, em seu voto. Ainda sobre os tratados internacionais, cabe destacar que, muito embora o art. 111, II, do CTN, afirme que a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, o GATT (acordo internacional já citado em outra aula) prevê o princípio do tratamento nacional, que foi explicado pelo ilustre professor Ricardo Vale nos seguintes termos: “Em linhas gerais, o princípio do tratamento nacional (também chamado de princípio da paridade) proíbe os membros da OMC de conceder tratamento mais favorável aos produtos domésticos do que aos produtos de outros membros da OMC, uma vez que estes últimos tenham adentrado o território aduaneiro.” (Curso de Comércio Internacional, Prof. Ricardo Vale) Súmula STF 575 - À mercadoria importada de país signatário do (GATT), ou membro da (ALALC), estende-se a isenção do imposto de circulação de mercadorias concedida a similar nacional. Conforme a súmula acima citada, percebemos que este é o posicionamento da Suprema Corte (e do STJ também) no sentido da extensão do benefício fiscal. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Ressalte-se que o art. 152 da CF/88 também preceitua queé vedado aos Estados, Distrito Federal e Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. Por fim, não se pode esquecer do que aprendemos acerca das exceções ao princípio da vedação às isenções heterônomas. Na ocasião, vimos que, de acordo com o STF, agindo o Presidente da República como Chefe de Estado, seria possível conceder isenções de tributos estaduais e municipais, sem que se caracteriza isenção heterônoma. 1.10 - Decretos Os decretos são atos normativos de competência privativa do Chefe do Poder Executivo. Em Direito Constitucional, certamente você irá aprender que há o decreto autônomo e o decreto regulamentar– ou de execução. O decreto regulamentar se restringe – como o próprio nome diz – a regulamentar o conteúdo das leis. Trata-se, pois, de ato normativo secundário ou infralegal, já que retira seu fundamento das próprias leis. Observação: O decreto regulamentar não inova no ordenamento jurídico, criando deveres e obrigações. Apenas regulamenta assuntos já previstos em lei. Nesse ínterim, é relevante citarmos as palavras de Hely Lopes Meirelles5: "Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo" O decreto é um instrumento normativo amplamente utilizado pelo Presidente da República para regulamentar leis em matéria tributária. Cite-se, por exemplo, o Regulamento do IPI (Decreto 7.212/2010), que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do IPI. No mesmo sentido, tem-se o Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/2009), o qual regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Diferentemente do decreto regulamentar, o decreto autônomo é editado na ausência de previsão legal, o que faz com que inovem no ordenamento 5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 171. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra jurídico. Seu uso é muito restrito, não sendo possível disciplinar assuntos pertinentes à legislação tributária. Com efeito, sempre que você ler “decreto” em Direito Tributário, lembre- se apenas do decreto regulamentar. Na esteira desse raciocínio, vejamos o que diz o art. 99 do CTN: Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Por fim, cabe observar que, embora os decretos sejam normas secundárias, o CTN não as considera como normas complementares, pois no caput do art. 100 são apresentadas, na dicção do legislador, as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. Os decretos não foram considerados pelo CTN como normas complementares. Por falar em normas complementares, vamos estudá-las?! 1.11 – Normas Complementares Continuando nosso estudo, pergunta-se: se os decretos, atos normativos secundários, não são normas complementares, o que viriam a ser tais normas? O art. 100 do CTN estabelece o seguinte: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Vamos estudar a seguir cada um dos quatro tipos de normas complementares. 1.11.1 – Atos Normativos Expedidos pelas Autoridades Administrativas Os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas secundárias, de caráter geral e abstrato, com objetivo de orientar contribuintes ou instruir servidores públicos, na realização de atos e procedimentos administrativos relativos a tributos. Dessa forma, tais atos normativos são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. Destaque-se que pode haver hierarquia entre os atos normativos, a depender do grau hierárquico da autoridade que os expediu. Assim, por exemplo, no âmbito do Ministério da Fazenda, as portarias ministeriais são superiores às instruções normativas, pois o Ministro da Fazenda (edita portarias ministeriais) ocupa posição hierárquica superior ao Secretário da Receita Federal (edita instruções normativas). São exemplos desses atos normativos as portarias ministeriais e as instruções normativas (como acabamos de ver), as ordens de serviço, os pareceres normativos, atos declaratórios normativos etc. Os atos normativos não vinculam o Poder Judiciário. 1.11.2 – As Decisões dos Órgãos Singulares ou Coletivos de Jurisdição Administrativa, a que a Lei Atribua Eficácia Normativa Com base nos princípios do contraditório e da ampla defesa, na administração tributária existem órgãos administrativos, cuja função é julgar as impugnações dos contribuintes frente às imposições tributárias. As decisões desses órgãos produzem efeitos concretos (não são abstratas) em relação a contribuintes determinados (não são gerais). Essa é a regra. Contudo, o que se permite no art. 100, II, do CTN, é que a lei atribua eficácia normativa (caráter geral e abstrato) às decisões dos órgãos administrativos responsáveis pelo julgamento dos recursos apresentados pelos contribuintes. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra A regra é que as decisões dos órgãos de jurisdição administrativa não possuem eficácia normativa, salvo por expressa disposição legal! Guarde isso! Citemos, como exemplo, a atribuição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão julgador de segunda instância no Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, para editar súmulas com efeitos vinculantes para os demais órgãos da administração tributária federal. As referidas súmulas são editadas após reiteradas decisões no mesmo sentido, e, como se pode ver, possuem evidente eficácia normativa. 1.11.3 – As Práticas Reiteradamente Observadas pelas Autoridades Administrativas As práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes por ela adotados. Trata-se, então, da praxe administrativa. Diante do princípio da legalidade, somente lei pode instituir tributos. Podemos dizer também que as leis permanecem em vigor até que outra a modifique ou revogue (art. 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). Como consequência das restrições acima ditas, os usos e costumes somente podem ter finalidade interpretativa, não podendo introduzir novas normas nem revogar aquelas já existentes. Nesse sentido, os usos e costumes em matéria tributária ocorrem, por exemplo, quando determinada norma é interpretada pela autoridade administrativa num sentido, e os contribuintes seguem talentendimento como correto. 1.11.4 – Os Convênios que Entre si Celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios Os convênios (também denominados ajustes de cooperação ou de colaboração) são firmados pelas pessoas políticas, quais sejam a União, os Estados, o DF e os Municípios, na busca do aprimoramento das atividades de fiscalização e arrecadação tributária. São atos infralegais celebrados pelo Poder Executivo, não inovando, portanto, a ordem jurídica. Ademais, de acordo com a jurisprudência do STF (ADI 1.857/SC), não é exigida a aprovação do Poder Legislativo, diferentemente do que ocorre com os tratados internacionais. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Os convênios fiscais podem ser celebrados com os seguintes objetivos específicos: Permuta de informações entre os entes federados (ler art. 199 do CTN); Reconhecimento de extraterritorialidade da legislação tributária (ler art. 102 do CTN); Uniformização de procedimentos (obrigações acessórias). Não se preocupe em entender, apenas faça uma leitura atenta aos dispositivos acima mencionados. Todos os conceitos serão devidamente explicados em momento oportuno. “Professor, esses convênios são os mesmos que os Estados celebram no âmbito do CONFAZ, relativamente ao ICMS?” Não, não são os mesmos. Os convênios do ICMS, realizados no âmbito do CONFAZ são atos normativos primários, inovando a ordem jurídica. Essa é a típica diferença entre eles. Nesse ponto, cumpre-nos ressaltar que, embora os convênios do ICMS sejam atos normativos primários, não se confundem com as leis, pois não são editados pelo Poder Legislativo. Sendo assim, continua valendo aquela exceção ao princípio da legalidade em relação à fixação das alíquotas do ICMS-Combustíveis, estudada na aula sobre os princípios constitucionais. 1.11.5 – Observância das Normas Complementares A observância de qualquer das 4 normas complementares previstas no art. 100, do CTN, gera as seguintes “proteções” ao contribuinte, previstas no parágrafo único do mesmo artigo: Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Desse modo, se o contribuinte observar as normas complementares aplicáveis à sua situação, não é possível aplicar-lhe penalidades, nem cobrar juros de mora e nem mesmo atualizar o valor monetário da base de cálculo do tributo. A fim de ilustrar o que foi visto, segue abaixo uma decisão do STJ: Tributário. Práticas Administrativas. Se o contribuinte recolheu o tributo à base de prática administrativa adotada pelo fisco, eventuais diferenças devidas só podem ser exigidas sem juros de mora e sem atualização d Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra do valor monetário da respectiva base de cálculo (CTN, art. 100, III c/c par. único). Recurso Especial conhecido e provido, em parte. (STJ, Segunda Turma, REsp 98.703/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, Julgamento em 18/06/1998) Observação: Observe que o tributo continua sendo devido. Questão 01 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 As práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares consuetudinárias de direito tributário. Assim, na hipótese de a norma ser considerada ilegal, não é possível caracterizar como infracional a conduta do contribuinte que observa tal norma, em razão do princípio da proteção da confiança e da boa-fé objetiva. Comentário: De fato, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares de direito tributário, nos termos do art. 100, III, do CTN. Além disso, define o par. único desse artigo que a observância das normas complementares exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, caso a norma venha ser considerada ilegal. Em resumo, trata-se do princípio da proteção da confiança e da boa-fé objetiva. Questão correta. Questão 02 – CESPE/PC-PE-Delegado/2016 Lei complementar que estabelece normas gerais em matéria tributária não pode instituir um regime único de arrecadação dos impostos e das contribuições da União, dos estados, do DF e dos municípios. Comentário: Com o advento da EC 42/03, foi previsto na CF/88 a possibilidade de uma lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre a definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, podendo também instituir um regime único de arrecadação dos impostos e 7 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Questão errada. Questão 03 – CESPE/DPU-Defensor Público Federal/2015 Julgue o seguinte item com base nas normas gerais de direito tributário: os costumes, como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, não são expressamente citados entre as fontes destinadas a colmatar lacunas na legislação tributária; eles são, sim, considerados normas complementares das leis, dos tratados e convenções internacionais e dos decretos. Comentário: De acordo com o art. 100, III, do CTN, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são reconhecidas como normas complementares das leis, dos tratados e convenções internacionais e dos decretos. Não são métodos de integração da legislação tributária, cuja função é colmatar lacunas na legislação tributária, mas integram a própria legislação tributária, já que as normas complementares, nos termos do art. 96, do CTN, estão compreendidas na legislação tributária. Questão correta. Questão 04 – CESPE/ANATEL/Especialista em Regulação/2014 Os convênios celebrados entre as unidades federativas são considerados normas complementares. Comentário: De acordo com o art. 100, IV, do CTN, São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Questão correta. Questão 05 – CESPE/ANATEL/Especialista em Regulação/2014 É possível que lei delegada discipline matéria reservada a lei complementar, de acordo com a CF, como, por exemplo, para tratar de prescrição tributária como norma geral. Comentário: De acordo com o art. 68, § 1º, da CF/88, a lei delegada não pode dispor sobre matéria reservada á lei complementar. Questão errada. Questão 06 – CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 Os tratados e as convenções internacionais não são aptos a revogar ou modificar a legislação tributária interna, pois não fazem parte da chamada legislação tributária. 6 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: O candidato poderia até ficar na dúvida se a questão deseja a resposta com base no CTN (revogação da lei interna) ou na doutrina (suspensão da lei interna). De qualquer modo, os tratados internacionais fazem parte da legislação tributária (CTN, art. 96), o que torna a questão claramente incorreta. Questãoerrada. Questão 07 – CESPE/PGM-RR/2010 Em matéria de legislação tributária, a casa legislativa do município pode estabelecer norma dispondo sobre crédito, diferentemente do disposto em lei complementar. Comentário: Conforme estudamos, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre crédito. Nesse sentido, não é possível aos Municípios contrariar as normas gerais. Questão errada. Questão 08 – CESPE/DPE-ES/2009 Cabe a lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Comentário: A questão está em perfeita sintonia com o art. 146, III, b, da CF/88. Portanto, questão correta. Questão 09 – CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A legislação tributária estabelece hierarquia entre as leis instituidoras de tributos federais, estaduais e municipais. Comentário: Os entes federados são autônomos, logo não há hierarquia entre as leis instituidoras de tributos federais, estaduais e municipais. Questão errada. Questão 10 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. O tratado incorporado ao sistema tributário nacional por decreto legislativo tem prevalência sobre a lei ordinária. a Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: De fato, como vimos, o entendimento da doutrina e do CTN é no sentido de que o tratado internacional tem prevalência sobre a lei ordinária. Questão correta. Questão 11 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. Caso o Congresso Nacional venha a homologar o tratado mediante decreto legislativo, este gerará efeitos para a União, os estados e os municípios, inclusive no que diz respeito à matéria reservada à lei complementar. Comentário: Conforme entendimento do STF (ADI 1.480-MC/DF), os tratados internacionais não podem tratar de matéria reservada a lei complementar. Questão errada. Questão 12 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. Por se tratar de convenção internacional de integração regulando matéria tributária, o tratado gerará para os impostos de competência da União efeitos imediatos, por aplicação dos princípios do efeito direto e da aplicabilidade imediata. Comentário: A questão afirma que o tratado foi assinado pelo Presidente da República. Não se pode dizer que gerará efeitos imediatos, tendo em vista que há um rito a ser seguido, cujas etapas são as seguintes: assinatura, aprovação pelo Poder Legislativo, ratificação, promulgação e publicação. A questão está errada. Questão 13 – CESPE/Juiz-TJ-AL/2008 Para um tratado internacional ser incorporado ao direito iterno, deve ser submetido ao crivo do Congresso Nacional, ao qual compete aprová-lo por meio de resolução. Comentário: O erro da questão está em dizer que a aprovação do Congresso Nacional ocorre por meio de resolução, quando, na realidade, é por intermédio de decreto legislativo. Questão errada. d Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 14 – FCC/ISS-Teresina-Auditor-Fiscal/2016 O Código Tributário Nacional traz disciplina a respeito das normas da legislação tributária em geral, normas essas que incluem os tratados internacionais. De acordo com esse Código, os tratados internacionais a) modificam, mas não revogam, a legislação tributária interna. b) estabelecem a forma por meio da qual, mediante anuência do Senado Federal, as Fazendas Públicas da União, dos Estados e dos Municípios poderão disciplinar isenções de tributos federais, estaduais e municipais com Estados estrangeiros. c) podem versar sobre obrigações acessórias, mas, no tocante às obrigações principais, não podem versar sobre matérias atinentes a taxas e contribuições em geral, inclusive sobre contribuição de melhoria. d) admitem, como normas complementares a eles, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. e) estão compreendidos na expressão “legislação tributária”, definida no referido Código, enquanto as convenções internacionais não estão. Comentário: A questão deseja a resposta conforme o CTN. Portanto, muita atenção! Alternativa A: De acordo com o art. 98, do CTN, os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Portanto, a alternativa está errada. Alternativa B: O CTN não previu qualquer regra nesse sentido. Alternativa errada. Alternativa C: O CTN não faz qualquer advertência quanto à aplicação dos tratados internacionais a obrigações acessórias, nem mesmo sobre matérias atinentes a taxas e contribuições em geral, inclusive sobre contribuição de melhoria. Alternativa errada. Alternativa D: Deveras, o art. 100, I, do CTN, previu que são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Alternativa correta. Alternativa E: Tanto os tratados internacionais quanto as convenções internacionais estão compreendidos na expressão “legislação tributária”, definida no art. 96, do CTN. Alternativa errada. Gabarito: Letra D Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 2 – OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Muitos conceitos se entrelaçarão a partir desse momento. Embora tenhamos visto apenas superficialmente alguns aspectos relativos à obrigação tributária, você será capaz de perceber que “a coisa” está começando a fazer sentido. De início, é importante saber que a obrigação caracteriza-se por uma relação jurídica estabelecida entre dois indivíduos, credor e devedor, cujo objeto consiste em uma prestação de dar, fazer ou deixar de fazer algo. Assim, faz-se necessário conhecer os elementos subjetivos (sujeitos) e objetivos (prestações) da obrigação. No que concerne aos sujeitos envolvidos na relação obrigacional, cabe destacar que o devedor é denominado sujeito passivo, e o credor, sujeito ativo. Em direito tributário, o sujeito ativo é o ente instituidor do tributo (União, Estados, DF ou Municípios) ou a pessoa jurídica de direito público titular da capacidade tributária ativa, que, como já vimos, é responsável pela arrecadação e fiscalização do tributo. Em relação ao outro sujeito da obrigação tributária, isto é, o sujeito passivo, pode-se afirmar que este é o particular (pessoa física ou jurídica), que fica sujeito ao cumprimento das obrigações tributárias. No tocante aos elementos objetivos daobrigação, cabe observar que as prestações de dar e de fazer exigem uma ação do devedor, sendo, portanto, consideradas prestações positivas. Já a obrigação de deixar de fazer, caracteriza-se por uma abstenção do devedor, sendo considerada prestação negativa. Assim, retornando nossos olhares para o Direito Tributário, podemos ter a obrigação de dar representada pelo dever de entregar dinheiro ao Fisco, pagando tributos ou multas. É denominada de obrigação principal. No que se refere às obrigações de fazer ou deixar de fazer algo, pode-se definir como prestações acessórias, com o objetivo de auxiliar a arrecadação e fiscalização tributária. Assim, por exemplo, o particular pode ser obrigado a escriturar livros fiscais (obrigação de fazer algo) como também não impedir o acesso da fiscalização à sua empresa (obrigação de deixar de fazer algo). São as denominadas obrigações acessórias. Nesse contexto, estabelece o caput do art. 113 CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Estudaremos cada um delas a seguir. No entanto, antes disso, é bom que você guardar que, independentemente de a obrigação ser principal ou acessória, ela surge com a ocorrência do fato gerador. Ou seja, há uma hipótese de incidência prevista abstratamente que, ocorrida no mundo concreto, faz gerar o liame entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, isto é, a relação jurídico-tribtária. Observação: Vamos começar a adotar o conceito de sujeito ativo e sujeito passivo nesse momento. No que se refere ao sujeito passivo, veremos, nesta aula, que nem todo devedor é contribuinte. Nessa linha de raciocínio, só existe obrigação tributária se houver um fato gerador, já que é com a ocorrência deste que surge a obrigação tributária. Esse assunto será estudado ainda nesta aula. Portanto, na aula de hoje, nós também vamos estudar a hipótese de incidência e o fato gerador, as diferenças conceituais entre eles, mas antes é necessário entender melhor o que é uma obrigação tributária principal e acessória. Vamos lá! 2.1 – Obrigação Tributária Principal Vamos começar já dizendo o básico: para uma obrigação ser caracterizada como principal ela deve ter conteúdo pecuniário, isto é, deve haver “dinheiro” envolvido na obrigação. O sujeito passivo fica compelido a entregar dinheiro ao Fisco. Nós já vimos no nosso curso, que os tributos, pelo próprio conceito, distinguem-se das multas, pois aqueles não podem constituir sanção por ato ilícito, correto? Embora não se confundam, ambos têm algo em comum: possuem conteúdo pecuniário. Sendo assim, os tributos, os juros e as multas constituem obrigação tributária principal. A multa não se confunde com tributo, mas a obrigação de pagá-la é de natureza tributária, ou seja, uma obrigação tributária pode ter como conteúdo o pagamento de uma multa tributária. Repare que no § 1º do art. 113, do CTN, o legislador define que a obrigação tributária tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (multas). Ou seja, exatamente o que acabamos de estudar! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 2.2 – Obrigação Tributária Acessória Como decorrência do próprio nome, as obrigações acessórias possuem como finalidade auxiliar a arrecadação e fiscalização dos tributos. Isso significa que o objetivo é facilitar o cumprimento da obrigação tributária principal. São obrigações meramente instrumentais. No § 2º do art. 113, do CTN, foi previsto que o objeto das obrigações acessórias são as prestações positivas ou negativas. As primeiras dizem respeito ao “fazer algo”, as segundas, ao “deixar de fazer algo”. Não, há, portanto, qualquer movimentação no “bolso” do sujeito passivo. Guarde isso! Um detalhe que pode gerar dúvidas em muitas é se as obrigações acessórias dependem ou não da existência da obrigação principal. No Direito Civil, aprende-se a regra de que “o acessório segue o principal”. Portanto, se, por exemplo, um fazendeiro se compromete a entregar uma égua prenha ao vizinho, o futuro potro está inserido na obrigação. No Direito Tributário, por outro lado, as obrigações tributárias acessórias independem da existência de uma obrigação principal. Vamos ver um exemplo já estudado? As entidades de assistência social são imunes aos impostos incidentes sobre o seu patrimônio, por exemplo, conforme previsão no art. 150, VI, c, da CF/88. No entanto, nós vimos que tais entidades ficam sujeitas a algumas obrigações previstas no art. 14 do CTN (requisitos para fruição da imunidade). Elas devem, por exemplo, manter a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. O gozo de imunidade ou de benefício fiscal não dispensa o seu titular de cumprir as obrigações tributárias acessórias a que estão obrigados quaisquer contribuintes. Com a ilustração acima, fica fácil perceber a autonomia da obrigação acessória. Veja que a entidade é imune aos impostos (não há obrigação principal), mas ainda assim fica obrigada a cumprir os deveres burocráticos, para auxiliar o controle da atividade de fiscalização. Embora não haja uma relação de dependência entre a obrigação principal e a acessória, a inobservância desta pode ensejar a surgimento daquela, ou seja, o descumprimento da obrigação acessória gera uma obrigação principal, que são as multas. Observe a redação do § 2º do art. 113, do CTN: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Art. 113: (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Embora o CTN tenha mencionado que a obrigação acessória, se não cumprida, “converte-se” em obrigação principal, deve-se entender que a obrigação acessória não deixa de existir. Nesse caso, o sujeito passivo fica obrigado a cumprir a obrigação acessória e ainda assim pagar a multa (obrigação principal). Observação: Nas questões de prova em que for cobrada a literalidade do dispositivo, marque CORRETO! Em síntese, no Direito Tributário o entendimento que você deve gravar é o de que a obrigação acessória não segue o principal (é independente e autônomo), mas a sua inobservância pode fazer surgir uma obrigação principal. Nunca se esqueça que a dispensa do cumprimento das obrigações acessórias deve ser interpretada literalmente! 3 – FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Para entendermos melhor o que será explicado a seguir, é necessário relembrar a linha do tempo até que o tributo seja exigível do sujeito passivo: Instituição do Tributo por lei Ocorrência da situação prevista em lei Lançamento Hipótese de Incidência Fato Gerador (Surge Obrigação Tribut.) Crédito Tributário Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Não podemos confundir de forma alguma os conceitos de hipótese de incidência e fato gerador! A hipótese de incidência foi conceituada por Geraldo Ataliba da seguinte forma: “A hipótese de incidência é a descrição hipotética e abstrata de um fato. É parte da norma tributária. É o meio pelo qualo legislador institui um tributo. Está criado um tributo, desde que a lei descreva sua h.i., a ela associando o mandamento “pague”.” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. 2012. 13ª Edição. Pág. 66) Nessa esteira, quando o legislador institui o tributo, surge a hipótese de incidência, sendo esta a previsão abstrata do fato que dará causa à obrigação tributária. Quando o fato se concretizar, surge, então, o fato gerador, dando nascimento à obrigação tributária. É nesse momento que se cria a obrigação de pagar o tributo, sendo que a exigibilidade só poderá ser feita, em regra, após o lançamento, quando fica constituído o crédito tributário. Observação: É possível que o tributo seja pago antes de se concretizar o fato gerador. Trata-se do mecanismo da substituição tributária, que será estudado em momento oportuno. Frise-se: quando a hipótese de incidência se concretiza, dizemos que houve subsunção do fato à hipótese de incidência, ocorrendo, então o fato gerador. Quando um fato coincide com a hipótese de incidência descrita na norma, falamos em subsunção do fato à hipótese de incidência. É muito importante memorizar esses termos, pois quando o examinador quer surpreender o candidato ele normalmente traz esses termos inusitados. Isso a partir de agora não é mais novidade para você! Por falar em termos, vejamos os sinônimos de hipótese de incidência e fato gerador: Hipótese de incidência Fato gerador in abstrato, Hipótese Tributária, Pressuposto Legal do Tributo Fato Gerador Fato Imponível, Fato Gerador in concreto, Fato Jurígeno, Fato Jurídico Tributário Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Observação: Não é difícil de memorizar os termos. Como o fato gerador está relacionado, por óbvio, a um fato, todos os seus termos são iniciados por FATO. A única exceção é o fato in abstrato, que obviamente se refere à previsão abstrata da norma, sendo esta a hipótese de incidência. Para que tudo fique mais claro, vamos exemplificar: sabemos que a CF/88 conferiu aos Estados a competência tributária para instituir imposto sobre a propriedade de veículos automotores. Logo, quando o Estado do Acre institui o IPVA, na lei instituidora há a previsão de uma hipótese de incidência, que é possuir veículo automotor. No momento em que o sujeito passivo adquire um veículo automotor, o fato (possuir o veículo) subsume-se à hipótese de incidência, ocorrendo o fato gerador e surgindo a obrigação tributária. Aí eu te pergunto: qual é o momento exato da ocorrência desse fato gerador? Qual será o valor exato da obrigação tributária? Enfim, é de se destacar que a lei instituidora precisa definir, além do elemento material (possuir o veículo automotor, no exemplo fornecido), outros aspectos que vão definir com precisão a obrigação tributária. 3.1 – Aspectos da Hipótese de Incidência A doutrina majoritária conclui que, ao instituir determinado tributo, a lei deve prever vários aspectos, a fim de que a obrigação tributária seja exata, e que os seus elementos objetivos e subjetivos sejam precisos. Memorizar os aspectos do fato gerador é de extrema relevância para enfrentar as provas de concurso público. Por esse motivo, vou trazê-los em forma de tópico para facilitar a leitura e posterior revisão: 1. Aspecto Material (“o quê”) Trata-se do aspecto substancial da hipótese de incidência, caracterizando-se sobre “o quê” irá incidir o tributo. É a descrição do fato ensejador da obrigação tributária. Por exemplo: propriedade imobiliária (IPTU ou ITR) ou de veículo automotor (IPVA), atuação pública (taxas ou contribuições de melhoria) etc. 2. Aspecto Espacial (“onde”) Diz respeito aos limites territoriais da incidência do tributo ou ao local específico em que se considera ocorrido o fato gerador. É muito importante para se definir, no caso do IPTU, por exemplo, a qual Município cabe o referido imposto, quando ambos são limítrofes. 3. Aspecto Temporal (“quando”) É o aspecto que define o momento em que o fato gerador considera-se ocorrido, sendo este o marco para Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra se definir a lei vigente e as alíquotas aplicáveis. Serve de base para analisar a obediência ao princípio da irretroatividade tributária. 4. Aspecto Pessoal (“quem”) Define quem é o credor (sujeito ativo) da obrigação tributária, bem com os respectivos devedores (sujeito passivo). 5. Aspecto Quantitativo (“quanto”) Esse aspecto define o quantum debeatur, isto é, o quanto o devedor deve pagar de tributo. Resulta da multiplicação da base de cálculo pela alíquota vigente no momento da ocorrência do fato gerador. Observação: Na hora da prova, o examinador pode cobrar o tema como “aspectos ou elementos do fato gerador, hipótese de incidência ou norma tributária”, o que, para fins de prova, significa o mesmo! 3.2 – Fato Gerador da Obrigação Principal Nos arts. 114 e 115 do CTN, o legislador disciplina os fatos geradores da obrigação principal e da obrigação acessória. No que concerne à obrigação principal, o CTN dispôs da seguinte maneira: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. A doutrina critica a redação desse dispositivo, pois o legislador disse que o “fato gerador” é a “situação definida em lei”, sendo que esta, na verdade, é a hipótese de incidência, como estudamos. Logo, pode-se dizer que o CTN considerou os institutos como sinônimos. Ignorando a crítica feita, devemos saber que para se concretizar o fato gerador, deve ocorrer a situação que foi definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Isto é, devem estar presentes todos os requisitos previstos em lei para que ocorra o fato gerador da obrigação principal. Muito cuidado com questões que afirmam que o fato gerador é a situação definida em lei como suficiente (ou necessária à sua ocorrência. Isso está errado! Para que a assertiva seja considerada correta, deve-se conter as palavras “necessária” e “suficiente”! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Quando uma lei institui certo tributo (obrigação principal), é necessário prever os contribuintes, a base de cálculo, as alíquotas e, necessariamente, o fato gerador! Como não há exceções ao princípio da legalidade, no que se refere à instituição de tributos, o fato gerador da obrigação principal deve ser definido em lei ou medida provisória. Vale relembrar que, em relação aos impostos, cabe à lei complementar nacional definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF/88, art. 146, III, a). Observação: A definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos por lei complementar não se confunde com a instituição, tendo em vista que se trata do estabelecimento de normas gerais. 3.3 – Fato Gerador da Obrigação Acessória Vejamos como foi conceituado o fato gerador da obrigação acessória no CTN: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O legislador estabelece que o fato gerador da obrigação acessória é a situação definida na legislação aplicável, diferentemente do que foi previsto no fato gerador da obrigação principal, emque foi mencionada apenas “lei”. Como vimos, legislação tributária compreende tanto os atos normativos primários como os secundários (infralegais). É nessa linha que muito se discute acerca da permissão conferida pelo CTN para que a obrigação acessória seja instituída por normas infralegais. Os que argumentam em sentido contrário, alegam que, de acordo com o art. 5º, II,da CF/88, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Logo, somente lei poderia criar obrigações tributárias, sejam elas principais ou acessórias. Para o STJ (REsp 724.779/RJ), a regulação das obrigações acessórias “foi legada à "legislação tributária" em sentido lato, podendo ser disciplinados por meio de decretos e de normas complementares, sempre vinculados à lei da qual dependem”. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra O CESPE já se posicionou no sentido de que as obrigações acessórias podem ser instituídas por atos infralegais. Cabe destacar também que o art. 115 do CTN deixou claro que o fato gerador da obrigação acessória é aquela situação que impõe a prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Por conseguinte, como já estudamos, a legislação pode prever como obrigação acessória a entrega de declarações ao Fisco (prática de ato) bem como a obrigação de o contribuinte não impedir o acesso da fiscalização à sua empresa (abstenção de ato). 3.4 – O momento da Ocorrência do Fato Gerador Nós estudamos que o aspecto temporal da hipótese de incidência define o momento em que o fato gerador considera-se ocorrido. Correto? O CTN, como você deve se lembrar, foi recepcionado como lei de normas gerais em matéria tributária. Nesse sentido, o Código estabeleceu um “padrão” para definir o momento em que os fatos geradores serão tidos por ocorridos. Observação: A regra que veremos abaixo comporta exceções, ou seja, é aplicável “salvo disposição de lei em contrário”. Isso significa que os entes federados podem estipular outro momento como o de ocorrência do fato gerador. De acordo com esse “padrão” criado pelo CTN no art. 116 (faça uma leitura no dispositivo), os fatos geradores divididos em duas categorias, quais sejam: aqueles que tomam por base uma situação de fato e os que levam em consideração uma situação jurídica. “Mas o que vem a ser situação de fato e situação jurídica, professor?” Eu explico. Vamos lá! Em alguns casos, a situação definida em lei como o fato gerador do tributo já foi prevista em lei em outro ramo do direito (Civil ou Empresarial, por exemplo), havendo consequências jurídicas predeterminadas. Por exemplo, o ITCMD incide sobre uma situação jurídica, haja vista que a transmissão de propriedade já foi regulamentada no âmbito do Direito Civil. Nesse caso, como o fato gerador é baseado em uma situação jurídica, o art. 116, II, do CTN, dispõe que, salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido no momento em que a situação esteja definitivamente constituída (no caso, transferida a propriedade) nos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra termos de direito aplicável. Segue-se, portanto, o que já havia sido definido. Por outro lado, quando a situação definida em lei como o fato gerador do tributo não tenha sido definida em outro ramo do direito como capaz de gerar efeitos jurídicos, ou seja, somente produza efeitos econômicos, temos a situação de fato. Citemos, como exemplo, a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional não era, antes de ser instituído o II, situação jurídica, pois não produzia efeitos jurídicos em nenhum outro ramo do direito. Observação: É óbvio que depois que o II foi instituído, a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional passou a produzir efeitos, pois praticado esse ato, ocorre o fato gerador do II, acarretando o nascimento de uma obrigação tributária. Para os fatos geradores definidos com base em situação de fato, o CTN, no art. 116, I, estabeleceu que, salvo disposição de lei em contrário, o fato gerador ocorre desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, ou seja, com a entrada das mercadorias. Na prática, isso não é possível, pois é muito difícil precisar o momento em que as mercadorias entram no território nacional. Nesse caso, o legislador, no art. 23 do Decreto-lei 37/1966, valeu-se da exceção permitida pelo CTN para definir que, para fins de cálculo, o fato gerador do II considera-se ocorrido na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo. 3.4.1 – As Situações Jurídicas Condicionadas Vamos iniciar esse tópico transcrevendo o que foi disposto no art. 117 do CTN: Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior (referente às situações jurídicas estudadas no tópico anterior) e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Vamos entender tudo isso aí. Fique tranquilo(a)! Parece complicado, mas não é! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra O alvo do nosso estudo nesse momento é a condição, figura disciplinada no art. 121 do Código Civil, sendo aplicável, no Direito Tributário, aos negócios jurídicos, que podem ser exemplificados pelos contratos em geral. Consoante o Código Civil, a condição é uma cláusula que pode ser incluída em um contrato, subordinando o negócio jurídico a um evento futuro e incerto, ou seja, pode ou não vir a ocorrer. Ademais, destaque-se que a condição pode ser suspensiva ou resolutória (ou resolutiva). Como exemplo de condição suspensiva, imaginemos que o teu pai doa- lhe um apartamento caso você seja aprovado(a) em algum concurso da área fiscal. O negócio jurídico (a doação) está condicionado a um evento futuro e incerto, podendo vir ou não a ocorrer (eu torço para que você seja aprovado e ganhe o apartamento, ok?). Perceba que enquanto não se cumprir a condição (aprovação), os efeitos da doação permanecem suspensos. Aliás, com a celebração do negócio jurídico, os efeitos já estão suspensos (não há produção de efeitos). Por conseguinte, de acordo com o art. 117, I, do CTN, o fato gerador do ITCMD (imposto incidente sobre a doação), salvo disposição de lei em contrário, só ocorrerá quando (futuro) e se (incerto) você for aprovado(a) no concurso público. Imagine agora que você logrou a aprovação e tomou posse no cargo, mas ficou insatisfeito por ter que morar em uma cidade de fronteira, longe de casa. Decidiu que deveria pedir exoneração do cargo e voltar para a sua cidade. Sabendo da sua insatisfação, o teu pai doa-lhe um carro novo, com a condição de que, se você pedir exoneração do cargo, perderá o veículo. Note a diferença entre os dois exemplos: no primeiro, a doação irá ocorrer quando você passar no concurso; no segundo, você já recebe a doação com a condição de não pedir exoneração. Em ambos os casos, há um evento futuro e incerto, mas no segundo a doação já ocorreu. Em termos jurídicos, o negócio jurídico já produz efeitos. Caso você venha a pedir exoneração (implemento da condição resolutória),cessarão os efeitos do negócio jurídico, fazendo com que você perca o veículo. Ou seja, a ocorrência da condição resolve (desfaz) o negócio jurídico, sendo por isso denominada condição resolutória. Portanto, se o negócio estiver sujeito a uma condição resolutória, o art. 117, II, do CTN prevê que, salvo disposição de lei em contrário, o fato gerador do ITCMD ocorre desde a celebração do negócio jurídico, sendo irrelevante, para fins de incidência tributária, o cumprimento ou não da condição. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Se houver o cumprimento da condição resolutória, o veículo voltará a pertencer ao seu pai, mas o ITCMD pago não será devolvido, pois o implemento da condição resolutória é irrelevante ao Direito Tributário. Lembre-se de que o implemento da condição suspensiva é relevante, e é justamente o momento da ocorrência do fato gerador. 3.5 – O Fato Gerador e o Princípio do Pecunia non Olet Nós estudamos no início do nosso curso que incide imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de atividades ilícitas, com base no princípio do pecunia non olet (dinheiro não cheira). Logo, para o Fisco pouco importa se o negócio jurídico celebrado é válido sob a ótica do direito. Se a pessoa auferiu rendimentos, torna-se sujeito passivo da relação jurídico-tributária, devendo arcar com o imposto de renda. Nessa linha, veja o que diz o art. 118 do CTN: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo- se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Assim, a situação definida em lei como fato gerador do tributo (a hipótese de incidência tributária) deve ser interpretada desconsiderando-se a validade jurídica dos atos praticados, bem como os efeitos dos fatos ocorridos. Com efeito, a capacidade tributária independe da capacidade civil das pessoas naturais (físicas), ou seja, até mesmo o incapaz, como o menor de 16 anos, pode vir a ser sujeito passivo da obrigação tributária. Estudaremos a capacidade passiva mais adiante. Nesse momento, o que importa é entender e memorizar o art. 118 do CTN, e saber que ele ampara o princípio do pecúnia non olet. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Nessa linha, o STJ já decidiu: TRIBUTÁRIO – ICMS – SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL – INADIMPLÊNCIA DOS USUÁRIOS – FURTO DE SINAL (CLONAGEM) – INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. 1. O fato gerador do ICMS na telefonia é a disponibilização da linha em favor do usuário que contrata, onerosamente, os serviços de comunicação da operadora. A inadimplência e o furto por "clonagem" fazem parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. 2. Nos termos do art. 118 do Código Tributário Nacional, o descumprimento da operação de compra e venda mercantil não tem o condão de malferir a ocorrência do fato gerador do ICMS. (STJ, REsp 1.189.924/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, Julgamento em 25/05/2010) 4 - ELISÃO, EVASÃO e ELUSÃO FISCAL Esse tópico tem por objetivo estudar as formas de que os contribuintes podem se valer para escapar da tributação, que podem vir a ser lícitas ou ilícitas, a depender, em regra, da forma e do momento em que são praticadas. São elas: a elisão, a evasão e a elusão fiscal A elisão fiscal é a prática que visa reduzir ou eliminar o valor do tributo devido. São os atos praticados pelo sujeito passivo, em regra, antes da ocorrência do fato gerador, isto é, antes do nascimento da obrigação tributária. É, portanto, uma conduta lícita, sendo denominada planejamento tributário. Ora, ninguém é obrigado a fazer acontecer o fato gerador. Na elisão fiscal, o sujeito passivo se vale de meios lícitos para que a carga tributária a ele imposta seja minorada ou, a depender da situação, eliminada. A título de exemplo, uma empresa de pequeno porte, como ainda estudaremos no nosso curso, pode optar pela tributação pelo Simples Nacional, pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real. É por esse motivo que existem consultores especializados em planejamento tributário, que é a busca pela menor incidência tributária possível. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra De outra banda, temos a evasão fiscal, sendo caracterizada por condutas ilícitas, praticadas com o intento de ludibriar a fiscalização, ocultando parcial ou totalmente a ocorrência do fato gerador. Uma forma simples de entender as práticas evasivas é saber que, ocorrendo o fato gerador, surge a obrigação tributária. Sendo assim, já existe um montante de tributo a ser recolhido. Contudo, o sujeito passivo utiliza artifícios para aparentemente reduzir o valor da obrigação tributária. Dessa forma, percebe-se que a regra é que a evasão seja praticada após a ocorrência do fato gerador. Como exemplo de evasão fiscal, pode-se citar o preenchimento a maior das despesas médicas, na declaração anual de Imposto de Renda. Isso faz com que o montante do imposto seja aparentemente reduzido, na tentativa de iludir o Fisco. Por último, tem-se ainda a elusão fiscal, também denominada elisão ineficaz. Nessa situação, o contribuinte simula o negócio jurídico, dissimulando o fato gerador do tributo. O que se quer ocultar é a essência do negócio, alterando a sua forma. Os autores costumam denominá-la “abuso de forma jurídica”. Observação: Dissimular é o mesmo que ocultar, esconder. Vejamos um exemplo típico: João deseja vender um terreno, cujo valor é muito elevado, a Maria. Sabendo-se que o ITBI incidente sobre a operação de transmissão da propriedade (o negócio jurídico) seria muito alto, decidem simular outra situação, alterando a forma do negócio. Como o ITBI não incide sobre a transmissão dos bens incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica, nem sobre a extinção desta, a saída seria constituir uma empresa, em que João entraria com o seu terreno, e Maria, com o capital. Pouco tempo depois, ambos decidem extinguem a pessoa jurídica, sendo que João recebe suas quotas em dinheiro, e Maria recebe o terreno. Note que foi simulada a constituição e a extinção de uma pessoa jurídica, dissimulando a ocorrência do fato gerador, que a transmissão de propriedade de uma pessoa física para outra. Como forma de tentar combater tais práticas, o legislador, por meio da LC 104/2001, acrescentou o parágrafo único ao art. 116 do CTN, cuja redação é a seguinte: Art. 116. (...): Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Observação: O texto legal incluído pela LC 104/01 foi denominado “norma geral antielisão”, muito embora o objetivo seja evitar a elusão fiscal. Na realidade, se a elisão é uma conduta lícita, não seria necessário evitá-la. A inclusão do dispositivo se deveà influência da doutrina alemã, segundo a qual permite-se a interpretação econômica do fato gerador. Busca-se, assim, a essência do negócio jurídico e não a sua simples forma. Destaque-se que, para fins de prova, é necessário guardar que a autoridade desconsidera os negócios para fins tributários, mas não o desconstitui, ou seja, o que foi celebrado entre as partes continuam valendo para elas. Além disso, também é necessário lembrar que uma lei ordinária precisa regulamentar os procedimentos a serem observados pela autoridade administrativa, para que a “norma geral antielisão venha” ser aplicada na prática. Questão 15 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 O CTN qualifica como obrigação tributária principal aquela que tem por objeto uma prestação pecuniária, distinguindo-a da obrigação tributária acessória, cujo objeto abrange as condutas positivas e negativas exigidas do sujeito passivo em prol dos interesses da administração tributária e as penalidades decorrentes do descumprimento desses deveres instrumentais. Comentário: A obrigação tributária principal possui caráter pecuniário, tendo por objeto não só o pagamento de tributo mas também as penalidades (multas tributárias). Assim, não se pode classificar as penalidades decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais como obrigações acessórias. Questão errada. Questão 16 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 Os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados se suspensiva a condição desde o momento da prática do ato. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Os negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados se suspensiva a condição desde o momento do seu implemento. Questão errada. Questão 17 – CESPE/TCE-PA-Auditor de Controle Externo/2016 O descumprimento de obrigação de emissão de nota fiscal dá ensejo à realização, pelo poder público, do lançamento de ofício, para fins de aplicação da penalidade cabível. Nesse caso, a multa aplicada equipara-se ao crédito decorrente da obrigação principal, em virtude da sua natureza jurídica de obrigação de dar. Comentário: De acordo com o art. 113, § 3º, do CTN, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Dessa forma, ao descumprir a obrigação de emitir notas fiscais (obrigação acessória), a empresa fica sujeita ao lançamento de ofício de multa, constituindo o crédito tributário, já que a penalidade pecuniária também é uma obrigação tributária principal. Questão correta. Questão 18 – CESPE/PGE-AM-Procurador/2016 Para fins de cobrança, as penalidades pecuniárias impostas ao contribuinte em virtude do descumprimento de obrigações acessórias são equiparadas à obrigação tributária principal, visto que ambas constituem obrigação de dar. Comentário: De fato, as multas impostas ao contribuinte em virtude do descumprimento de obrigações acessórias são obrigações principais, pois possuem caráter pecuniário. Questão correta. Questão 19 – CESPE/FUB-Contador/2015 Constitui exemplo de obrigação tributária acessória a prestação pecuniária decorrente do imposto de renda. Comentário: Como se trata de prestação pecuniária, tal obrigação é necessariamente principal, uma vez que a obrigação tributária acessória não possui caráter pecuniário. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 20 – CESPE/MPU-Analista/2015 Se uma imobiliária deixar de informar ao fisco os aluguéis pagos aos seus clientes, tal obrigação não desaparecerá e a consequente infração tributária fará surgir a obrigação principal referente à multa. Comentário: A obrigação da imobiliária de informar ao fisco os aluguéis pagos aos seus clientes é uma obrigação acessória. O descumprimento dessa obrigação implica o surgimento de obrigação principal referente à multa, mas a obrigação acessória não deixa de existir. Questão correta. Questão 21 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 Fato gerador da obrigação acessória é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Comentário: O art. 115, do CTN, estabelece que o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Questão errada. Questão 22 – CESPE/AGU/2015 O princípio da isonomia tributária impõe que o tributo incida sobre as atividades lícitas e, igualmente, sobre as atividades ilícitas, de modo a se consagrar a regra da interpretação objetiva do fato gerador. Dessa forma, é legítima a cobrança de IPTU sobre imóvel construído irregularmente, em área non aedificandi, não significando tal cobrança de tributo concordância do poder público com a ocupação irregular. Comentário: O art. 118, do CTN, estabelece a interpretação objetiva do fato gerador, ao dizer que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Em decorrência do exposto, pouca importa se o imóvel foi construído irregularmente, se o fato gerador (propriedade imobiliária) ocorreu, o IPTU é devido, não significando tal cobrança de tributo concordância do poder público com a ocupação irregular. Questão correta. Questão 23 – CESPE/TRF 1ª Região-Juiz Federal Substituto/2015 A União celebrou negócio jurídico com uma sociedade empresarial. Tal operação configurou-se como um fato gerador, uma vez que era uma situação descrita, na norma tributária, como hipótese de incidência de um tributo. No Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra entanto, identificou-se, posteriormente, a irregularidade da constituição da sociedade empresarial, de modo que o negócio jurídico celebrado com a União foi declarado nulo, não tendo sido, portanto, adimplida a obrigação tributária, cujo termo ainda não havia transcorrido. Nessa situação hipotética, a) o negócio jurídico configurou fato gerador do tributo, dado o princípio da interpretação objetiva do fato gerador. b) a celebração do negócio jurídico não configurou fato gerador do tributo, por ser esse negócio inepto à produção de efeitos tributários. c) o negócio jurídico constituiu fato gerador do tributo. No entanto, admite-se aos contratantes o pedido de repetição do indébito após a declaração de nulidade. d) a obrigação tributária foi extinta porque a declaração de nulidade do negócio jurídico ocorreu antes do fim do prazo para o pagamento. e) a sociedade empresária não tem capacidade tributária passiva, haja vista ter sido constituída de forma irregular. Comentário: Alternativa A: De acordo com o que dispõe o art. 118, do CTN, a interpretação da definição legal do fato gerador deve ser objetiva. Portanto, ficou configurado o fato gerador. Alternativa correta. Alternativa B: Como foi dito, a interpretação da definição legal do fato gerador deve ser objetiva. Portanto, ficou configurado o fato gerador. Alternativa errada. Alternativa C: Não há que se falar no pedido de repetição do indébito, ou seja, não é possível solicitar restituição do que foi pago porque a obrigaçãotributária existe em virtude da configuração do fato gerador. Alternativa errada. Alternativa D: Não houve extinção da obrigação tributária, por conta do que se depreende do art. 118, do CTN. Alternativa errada. Alternativa E: Ainda que tenha sido constatada a irregularidade da constituição da sociedade empresarial, não se pode dizer que não há capacidade tributária passiva, haja vista que isso independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Alternativa correta. Gabarito: Letra A Questão 24 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 De acordo com o Código Civil, será válido o ato jurídico dissimulado que não apresentar vício de substância nem de forma, o que significa que a autoridade ==d76ad== Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra administrativa fiscal não poderá desconsiderar tal ato, ainda que praticado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. Comentário: Realmente, consta no art. 167, do Código Civil, que é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Contudo, o par. único do art. 116, do CTN, prevê que a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Logo, a questão está errada. Questão 25 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se um negócio for considerado juridicamente inválido, e se tal negócio configurar a ocorrência do fato gerador de um tributo, tal invalidez não afetará a validade tributária do negócio, devendo-se considerar, assim, ocorrido o fato gerador. Comentário: De acordo com as definições do art. 118, I, do CTN, ainda que o negócio jurídico tenha sido considerado inválido, se restou configurada a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, permanecem os efeitos tributários daí decorrentes. Vamos relembrar do que consta no referido dispositivo: a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Questão correta. Questão 26 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Considere que determinado médico tenha sido contratado particularmente e de forma incondicional para realizar uma cirurgia de alto risco em um paciente e que o paciente tenha falecido na cirurgia. Nessa situação, apesar do falecimento, ocorreu o fato gerador do imposto sobre serviços de qualquer natureza, já que, para a definição do fato gerador, não se devem levar em conta os efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Comentário: É exatamente o que consta no art. 118, II, do CTN. Se o serviço foi prestado pelo médico, o fato gerador ocorreu, independentemente dos efeitos dos fatos ocorridos (falecimento do paciente). Questão correta. Questão 27 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Diante da ocorrência de um fato gerador previsto na legislação tributária em qualquer de suas formas, surge a obrigação principal, ou seja, a obrigação de pagar. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: O fato gerador pode se referir não só a uma obrigação principal, mas também a uma obrigação acessória. Nessa linha, estabelece o art. 115, do CTN, que fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Questão errada. Questão 28 - CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se um indivíduo tiver a obrigação tributária de pagar uma multa, então essa obrigação será considerada principal. Comentário: De acordo com o art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. Questão correta. Questão 29 – CESPE/TJ-SE- Titular de Serviços de Notas e de Registros/2014 No que se refere a fato gerador e obrigação tributária, assinale a opção correta. a) O fato gerador da obrigação acessória deve estar previsto em lei específica. b) Fato gerador é a situação prevista em lei e cuja ocorrência faça surgir o crédito tributário. c) A transmissão de bem imóvel, por ato oneroso, configura fato gerador do ITBI, iniciando-se nesse momento a contagem do prazo prescricional da obrigação. d) A obrigação tributária origina-se com o lançamento. e) A obtenção de renda decorrente de negócio, ainda que ilícito, constitui fato gerador do imposto sobre a renda. Comentário: Alternativa A: Diferentemente do que ocorre com o fato gerador da obrigação principal, o fato gerador da obrigação acessória não precisa estar previsto em lei, podendo ser previsto em atos normativos infralegais. Alternativa errada. Alternativa B: O fato gerador faz surgir a obrigação tributária, e não o crédito tributário, o que ocorre, no caso da obrigação principal, apenas com o lançamento. Alternativa errada. Alternativa C: Realmente, a transmissão onerosa de bem imóvel configura fato gerador do ITBI, mas o prazo prescricional, isto é, o prazo para que a Fazenda Pública proponha a ação de execução fiscal para cobrar judicialmente o crédito tributário, conta-se a partir da constituição definitiva do crédito tributário, e não a partir do fato gerador, conforme art. 174, do CTN. Embora não tenhamos estudado este assunto, esta alternativa está errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa D: A obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, e não com o lançamento. Alternativa errada. Alternativa E: Pouco importa se o negócio que gerou a renda é ilícito, já que a definição legal do fato gerador (no caso, do imposto de renda) é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Alternativa correta. Gabarito: Letra E Questão 30 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A definição do fato gerador da obrigação principal e da obrigação acessória submete-se à reserva de lei em sentido formal: na primeira espécie obrigacional, a sua ocorrência dá ensejo a uma obrigação de dar; na segunda, há o surgimento de uma obrigação de fazer e não fazer. Comentário: O erro desta assertiva foi dizer que a definição do fato gerador tanto da obrigação principal como da obrigação acessória submete-se à reserva de lei em sentido formal, algo que só ocorre com aquela. Em relação ao objeto das obrigações, não há erros. Questão errada. Questão 31 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Não é possível que uma obrigação acessória se converta em principal, pois esta é vinculada à ocorrência do fato gerador. Comentário: Conforme o § 3º do art. 113, do CTN, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (multas tributárias). Questãoerrada. Questão 32 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo; o procedimento a ser adotado deve ser estabelecido por lei ordinária. Comentário: É isso mesmo! A autoridade administrativa pode desconsiderar tais negócios jurídicas. Contudo, o procedimento a ser adotado deve ser estabelecido em lei ordinária, conforme par. único do art. 116, do CTN. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 33 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 De acordo com o CTN, são apenas duas as espécies de obrigação tributária: a principal e a acessória. Comentário: Questão sem mistérios. Há duas espécies de obrigação tributária, quais sejam: principal e acessória. Questão correta. Questão 34 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009-Adaptada A respeito do ICMS e das obrigações tributárias a ele relativas, julgue a assertiva a seguir. Ao emitir nota fiscal, o responsável pelo recolhimento do ICMS pratica obrigação tributária principal. Comentário: A emissão de nota fiscal constitui exemplo de obrigação principal acessória. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributos ou multas. Questão errada. Questão 35 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009 Reputa-se acessória a obrigação tributária imposta ao contribuinte, no sentido de tolerar atividades de fiscalização do recolhimento do ICMS. Comentário: O objeto da obrigação acessória consiste em uma prestação de fazer ou deixar de fazer, sendo exemplo desta o fato de o contribuinte ter de tolerar atividades de fiscalização do recolhimento do ICMS. Questão correta. Questão 36 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A obrigação tributária consistente no dever de manter escrita contábil referente ao ICMS decorre sempre da lei stricto sensu. Comentário: Tal assertiva revela o posicionamento do CESPE, no sentido de que as obrigações acessórias não decorrem da lei em sentido estrito, podendo vir a ser estabelecida por atos normativos infralegais. Questão errada. 5 - SUJEITOS DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Nós vimos que a relação jurídico-tributária é constituída por dois sujeitos: ativo (credor) e passivo (devedor). Vamos estudar, a partir de agora, cada um separadamente. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 5.1 – Sujeito Ativo da Obrigação Tributária e Capacidade Ativa Nós já estudamos alguns aspectos atinentes ao sujeito ativo da obrigação tributária no decorrer do curso. Nesse momento, vamos aproveitar apenas para sintetizar o conteúdo já visto e acrescentar alguns detalhes. Certamente, você já está “afiado” em relação a quem pode ocupar o pólo ativo da relação jurídico-tributária. Trata-se da pessoa política titular da competência tributária para instituir o tributo (União, Estados, DF e Municípios) ou a pessoa jurídica de direito público titular da capacidade ativa, que, como já vimos, é responsável pela arrecadação e fiscalização do tributo. Nesse sentido, prescreve o art. 119 do CTN: Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. O professor Eduardo Sabbag (2013), em sua obra, ainda prevê a seguinte denominação: Sujeito ativo direto Pessoa política titular da competência tributária; Sujeito ativo indireto São aqueles que detêm apenas a capacidade tributária ativa. Lembre-se de que os territórios federais não possuem competência tributária, ou seja, não podem instituir tributos. São considerados apenas descentralizações administrativo-territoriais pertencentes à União. Quando estudamos a competência tributária, vimos também que o STJ (Súmula 396) já entendeu que a CNA – Confederação Nacional da Agricultura – possui legitimidade ativa para cobrança da contribuição sindical rural, que é considerada tributo. Contudo, vimos que, por ser exceção, devemos adotar a Súmula 396 somente se a questão mencionar expressamente. Ainda na sequência do nosso estudo sobre o sujeito ativo da obrigação tributária, você se lembra quando vimos que o CTN (art. 120) prevê uma hipótese de extraterritorialidade da legislação tributária em caso de desmembramento territorial? Naquela ocasião, nós aprendemos que o “ente novo” pode aplicar a legislação do município desmembrado até que a sua entre em vigor. Contudo, o que acontece com as obrigações tributárias surgidas até o momento naquele território que agora pertence ao novo ente federado? Ocorre a denominada sucessão ativa. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Nas palavras do CTN, a pessoa jurídica que se constituir (o novo ente) pelo desmembramento territorial de outra, sub-roga-se nos direitos desta (a antiga), isto é, há mudança do sujeito ativo, ou melhor, há inovação subjetiva. Observação: Sub-rogar significa transferir os direitos e funções de uma pessoa para outra. Assim, resta claro que há dois efeitos previstos no art. 120 do CTN: Mudança do sujeito ativo em relação às obrigações tributárias já constituídas; Recepção da legislação tributária até que a sua (do novo ente) entre em vigor. Até poderia surgir a seguinte dúvida: e as relações tributárias que vierem a ser constituída após o desmembramento? A resposta é simples: já pertencem ao novo ente, ou seja, não há transferência. 5.2 – Sujeito Passivo da Obrigação Tributária O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que integra a relação jurídico-tributária, estando obrigada a arcar com o pagamento do tributo devido (obrigação principal) ou com as prestações de fazer ou deixar de fazer algo (obrigações acessórias). Relativamente à obrigação principal, surgem as figuras do contribuinte e do responsável. Nesse contexto, o CTN assevera o seguinte: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O Sujeito passivo da obrigação tributária deve sempre ser estabelecido por lei. Afinal, é a própria lei instituidora do tributo que define quem é o sujeito passivo. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Percebe-se que para ser contribuinte, é necessário que o sujeito passivo tenha relação pessoa e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Do contrário, o sujeito passivo será considerado responsável. Sendo assim, o contribuinte é denominado pela doutrina de sujeito passivo direto, enquanto o responsável, sujeito passivo indireto. O responsável, então, não possui relação direta com o fato gerador, mas está obrigado a adimplir a obrigação tributária principal, por expressa disposição legal. Observação: Lembre-se de que o responsável não faz acontecer o fato gerador. Por esse motivo, somentea lei pode obrigá-lo a cumprir com a obrigação tributária. Afinal de contas, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei (CF/88, art. 5º, II). Destaque-se que o responsável deve possuir certa relação ou vínculo (embora não seja pessoal e direta) com a situação que deu origem ao fato gerador. Isso ocorre, como veremos ao estudar a responsabilidade tributária, por conta do disposto no art. 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Vamos a um exemplo prático! O art. 45 do CTN estabelece que são contribuintes do IR o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. No caso específico do imposto de renda das pessoas físicas, o contribuinte é aquele que recebe a renda e os proventos, mas o CTN permite que as fontes pagadoras sejam eleitas pela lei como responsáveis pela retenção e recolhimento do imposto. O conceito de contribuinte que vimos até o momento é o contribuinte de direito. Existe também o denominado contribuinte de fato. Lembra-se do que vimos na aula sobre imunidades? O contribuinte de fato é aquele que, embora chamado de “contribuinte”, não integra a relação jurídica, suportando apenas a incidência econômica do tributo. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Integra a relação jurídico-tributária Não integra a relação jurídico-tributária Essa figura surge nos denominados tributos indiretos, em que o ônus do tributo e repassado ao consumidor final. Assim, embora o consumidor não recolha os tributos, acaba arcando com esse encargo que foi embutido no valor das mercadorias. Vamos repetir o exemplo anteriormente fornecido: Imaginemos que determinado cidadão compra uma TV de LED em uma loja de eletrodomésticos. Sobre a incidência do ICMS nesta operação, a loja é eleita pela lei como contribuinte, e é ela quem vai recolher tal imposto, correto? No entanto, quem sofre o ônus do tributo não é a loja, mas sim a pessoa física que adquiriu a TV. Isso ocorre, porque a loja simplesmente acrescenta o custo daquele tributo no valor da TV. Esquematizando o que foi visto até o momento: Por fim, perceba que tanto o contribuinte como o responsável por determinada obrigação tributária devem ser estipulados em lei. No que se refere ao contribuinte, a previsão é feita na própria lei instituidora do tributo, por ser elemento subjetivo, essencial para que o tributo seja criado. Em relação ao responsável, como vimos, a sua obrigação deve decorrer de disposição expressa em lei. Sendo assim, o art. 123 do CTN assevera que, salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondente. Isso é bastante óbvio! Se a lei determina quem deve pagar o tributo, não pode um contrato particular definir algo em contrário, somente outra lei! Como exemplo, cite-se o caso do IPTU. Nós vimos que o locatário não pode ser considerado contribuinte do IPTU, por não exercer a posse do imóvel com animus definitivo. Logo, se você aluga um apartamento, assinando um contrato com o proprietário de que se compromete em pagar o IPTU relativo ao imóvel, isso não o torna contribuinte do IPTU. Se você deixar de pagar, quem será Sujeito Passivo Direto Contribuinte de Direito Responsável Sujeito Passivo Indireto Contribuinte de Fato Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra cobrado, a princípio, é o dono do imóvel, pois ele é o contribuinte. É claro que ele pode pagar e depois vir cobrar de você, mas isso não importa ao Direito Tributário. Um contrato particular não é capaz de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária. Guarde isso! Nesse contexto, a alienação fiduciária não afasta a pena de perdimento de veículo, quando houver previsão legal para aplicação de tal pena: CONVENÇÃO PARTICULAR NÃO OPONÍVEL À FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 123, DO CTN. PRINCÍPIOS DA ETICIDADE E DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. ARTS. 421 E 2035, DO CC/2002. JURISPRUDÊNCIA DO EXTINTO TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS. COMPATIBILIDADE COM A SÚMULA N. 138/TFR. É admitida a aplicação da pena de perdimento de veículo objeto de alienação fiduciária. (STJ, REsp 1.387.990/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julgamento em 17/09/2013) 5.2.1 – Capacidade Tributária Passiva Sabemos que a capacidade tributária ativa é a capacidade de figurar no pólo ativo da obrigação tributária. Por consequência lógica, a capacidade tributária passiva é a aptidão para se tornar sujeito passivo da obrigação tributária. Vamos ver o que o CTN diz acerca da capacidade tributária passiva: Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Em termos mais simples, a capacidade tributária passiva existe, ainda que a pessoa seja incapaz ou esteja privada do exercício de atividades civis, ou mesmo a pessoa jurídica que ainda não tenha sido regularmente constituída. Desse modo, se uma criança for proprietária de uma fazenda, deverá pagar ITR. No mesmo sentido, um interditado (incapaz de praticar os atos da vida civil) pode vir a contribuir com o IPTU, caso possua um imóvel localizado na zona urbana do Município. No que se refere às pessoas jurídicas, são consideradas pessoas jurídicas mesmo que não tenha CNPJ ou registro estadual. Logo, se o seu vizinho fabrica solas de sapato em larga escala, mas não se formaliza para não contribuir com o IPI, por exemplo, saiba que ele não deixa de ser considerado sujeito passivo dos tributos incidentes sobre a produção e circulação de mercadorias. Em termos jurídicos, é importante sabermos que uma sociedade só possui personalidade jurídica quando os seus atos constitutivos são inscritos no registro próprio. Esse é o momento do início da existência legal da pessoa jurídica. Antes do registro, a sociedade que assim operar é conhecida como sociedade em comum. Em questões de prova, se você vir o termo “capacidade passiva”, lembre-se de que todos podem vir a ser sujeito passivo, com exceção, é claro, dos mortos. Questão 37 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 O sujeito passivo da obrigação principal denomina-se contribuinte quando, dada sua vinculação ao fato gerador, sua sujeição decorre expressamente de determinação legal, ainda que não tenha relação pessoal e direta com a ocorrência de tal fato. Comentário:A definição de contribuinte disposta no art. 121, par. único, I, do CTN, prevê que este deve ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Caso contrário, será classificado como responsável, e não contribuinte. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 38 – CESPE/PC-GO-Delegado/2017 Ricardo, com quinze anos de idade, traficou entorpecentes por três meses, obtendo uma renda de R$ 20.000. Informado pela autoridade competente, um auditor da Receita Federal do Brasil efetuou lançamento contra o menor. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) O tráfico de entorpecente é ato ilícito, sendo responsáveis pelos prejuízos dele decorrentes, nos termos da lei civil, os pais de Ricardo, que deverão recolher o tributo a título de sanção cível. b) A capacidade tributária independe da capacidade civil, de modo que é correto o lançamento contra o menor que, no caso, percebeu remuneração que pode ser considerada renda. c) O tráfico de entorpecente é atividade que gera proveito econômico, o que justifica torná-lo fato gerador de tributo, não podendo, no entanto, Ricardo, por ser incapaz, sofrer lançamento, devendo a renda percebida ser imputada aos seus pais. d) O tráfico de entorpecente, por ser crime, não pode ser objeto de tributação, pois o pagamento de imposto em tal hipótese significaria que o Estado estaria chancelando uma atividade ilícita, sendo, portanto, insubsistente o lançamento. e) Ricardo, por ser incapaz, não pode sofrer lançamento, não constituindo renda eventuais ganhos econômicos que ele venha a ter. Comentário: Alternativa A: Para os efeitos tributários, pouco importa se Ricardo é menor de idade, civilmente incapaz. Assim sendo, Ricardo é contribuinte do Imposto de Renda, podendo o Auditor-Fiscal da Receita Federal lançar o imposto tendo- o como sujeito passivo. Alternativa errada. Alternativa B: De acordo com o art. 126, do CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais. Assim sendo, é correto o lançamento contra o menor. Alternativa correta. Alternativa C: O tráfico de entorpecente não pode ser propriamente o fato gerador do tributo, mas sim a renda dele proveniente. Ademais, Ricardo, mesmo incapaz, pode sofrer o lançamento, com base no art. 126, do CTN. Alternativa errada. Alternativa D: De acordo com o art. 118, I, do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Portanto, se Ricardo auferiu renda, está sujeito ao imposto de renda, já que o fato gerador desse imposto ocorreu e deve ser abstraído da validade jurídica dos atos práticos pelo contribuinte. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa E: De acordo com o art. 126, do CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais. Assim sendo, é correto o lançamento contra o menor. Alternativa correta. Gabarito: Letra B Questão 39 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 O sujeito ativo da obrigação tributária pode ser a pessoa jurídica de direito privado titular da competência para exigir o seu cumprimento. Comentário: O art. 119, do CTN, dispõe que sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. Assim, não pode ser pessoa jurídica de direito privado. Questão errada. Questão 40 – CESPE/PC-PE-Delegado/2016 Tendo como referência o disposto no CTN, assinale a opção correta. a) A capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil. b) Não haverá incidência tributária sobre atividades ilícitas. c) A obrigação tributária principal nasce com o lançamento do fato gerador. d) Fato gerador corresponde ao momento abstrato previsto em lei que habilita o início da relação jurídico-tributária. e) A denominação do tributo e a destinação legal do produto de sua arrecadação são essenciais para qualificá-lo. Comentário: Alternativa A: De acordo com o art. 126, I, do CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil. Assim sendo, o civilmente incapaz possui capacidade tributária passiva plena. Alternativa correta. Alternativa B: De acordo com o art. 118, I, do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Portanto, é possível que haja incidência tributária sobre atividades ilícitas, se na prática destas atividades restar caracterizado o fato gerador da obrigação tributária. Alternativa errada. Alternativa C: A obrigação tributária principal nasce com a ocorrência do fato gerador. Não há que se falar em “lançamento” do fato gerador. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa D: Na realidade, é a hipótese de incidência que corresponde ao momento abstrato previsto em lei que habilita o início da relação jurídico- tributária. O fato gerador é aquele ocorrido no mundo dos fatos que se amolda à hipótese de incidência. Alternativa errada. Alternativa E: De acordo com o art. 4º, a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo seu fato gerador, sendo irrelevantes para qualificá- la tanto a denominação e demais características formais adotadas pela lei como a destinação legal do produto da sua arrecadação. Alternativa errada. Gabarito: Letra A Questão 41 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Será denominado responsável o município que, como sujeito ativo da obrigação tributária, passar a ter obrigações em razão de disposição expressa em lei. Comentário: É importante entender que tanto o contribuinte como o responsável são sujeitos passivos da obrigação tributária. É considerado contribuinte quando tiver relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, e responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorrer de disposição expressa de lei. Questão errada. Questão 42 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A sociedade em comum detém capacidade tributária passiva, pois essa condição independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, tornando-se sujeito passivo da obrigação tributária principal, ainda que, por convenção particular, seja prevista a responsabilidade pessoal dos sócios pelo pagamento de tributos. Comentário: A sociedade em comum é um tipo de sociedade cujos atos constitutivos ainda não foram objetos de inscrição no registro próprio. Isso significa que ainda não há personalidade jurídica. Contudo, nada disso importa ao direito tributário para definição da capacidade tributária passiva. De acordo com o art. 126, III, do CTN, a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Questão correta. Questão 43 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. É possível que sujeito passivo de obrigação principal figure como responsável,ainda que a obrigação não decorra de disposição expressa em lei. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: O responsável é o sujeito passivo que não possui relação pessoa e direta com a situação que dá origem ao fato gerador. Portanto, para que possa vir a ser responsabilizado, é necessário que haja disposição expressa em lei. Questão errada. Questão 44 - CESPE/Procurador Federal/2004 Pessoas jurídicas de direito privado não podem ser sujeitos ativos da obrigação tributária, mas podem ser destinatárias do produto da arrecadação. Comentário: De fato, as pessoas jurídicas de direito privado não podem ser sujeitos ativos da obrigação tributária. As bancas normalmente costumam cobrar dessa forma o assunto. Questão correta. Questão 45 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Na hipótese de constituição de pessoa jurídica de direito público pelo desmembramento territorial de outra, não haverá sub-rogação em direitos. Comentário: Como vimos, o desmembramento territorial gera dois efeitos: mudança do sujeito ativo das obrigações tributárias já constituídas (sub- rogação em direitos) e recepção da legislação tributária até que a sua (a legislação do ente novo) entre em vigor. Portanto, a questão está errada. Questão 46 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 A capacidade tributária passiva depende da regular constituição da pessoa jurídica, a fim de se localizar o seu domicílio tributário. Comentário: Conforme o disposto no art. 126, III, a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Questão errada. Questão 47 - FCC/Pref. Teresina – Auditor-Fiscal/2016 Joãozinho, com seis anos de idade, recebeu doação de seus avós, a qual foi devidamente aceita pelos seus pais, em seu nome. Marcelo, empresário, perdeu o direito de administrar diretamente os seus bens, desde a decretação da falência de sua empresa, consoante o que determina o art. 103 da Lei Federal no 11.101/05. A empresa Serviços Gerais Ltda., prestadora de serviços previstos na Lista de Serviços anexa à Lei Complementar Federal no 116/03, funciona sem a devida Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra inscrição no Cadastro de Contribuintes do ISS do Município em que se localiza, mas atua comercialmente como se regular fosse. Por determinação judicial, Maria Luísa encontra-se internada em hospital para doentes mentais, por sofrer de moléstia que a impede de praticar os atos do dia-a-dia, em razão de profunda alienação mental. De acordo com as regras do Código Tributário Nacional, atinentes à capacidade tributária das pessoas para serem sujeitos passivos de obrigação tributária principal, a) a empresa Serviços Gerais Ltda. reveste a condição de sujeito passivo do IPTU relativo ao terreno que a referida sociedade adquiriu e no qual se localiza a sede da referida empresa. b) Maria Luisa, que perdeu suas faculdades mentais, não reveste, por causa disso, a condição de sujeito passivo do Imposto de Renda, embora aufira rendimentos tributáveis por esse imposto. c) Marcelo não pode ser identificado como sujeito passivo do IPVA de veículo de sua propriedade, em relação aos fatos geradores ocorridos após a perda do direito de administrar seus bens, justamente por causa dessa perda. d) a empresa Serviços Gerais Ltda. não reveste a condição de sujeito passivo do ISS em relação aos serviços que presta, porque não está regularmente constituída, ainda que configure, indubitavelmente, uma unidade econômica. e) Joãozinho, por ser menor de idade, não pode ser identificado como sujeito passivo do ITCMD incidente sobre a doação recebida, ainda que a lei ordinária competente preveja que o donatário é o contribuinte desse imposto. Comentário: De acordo com o art. 126, do CTN, a capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Diante do exposto, podemos concluir o seguinte: - Joãozinho pode ser sujeito passivo do ITCMD; - Marcelo pode ser sujeito passivo do IPVA; - A empresa Serviços Gerais Ltda. pode ser sujeito passivo tanto do IPTU quanto do ISS; - Maria Luísa pode ser sujeito passivo do IR. Gabarito: Letra A Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 48 – FGV/Agente Fazendário-Niterói/2015 De acordo com as normas gerais de Direito Tributário, uma criança de sete anos: a) possui capacidade tributária passiva parcial até completar dezoito anos de idade; b) não possui qualquer capacidade tributária passiva, porque é incapaz de discernir sobre a prática dos fatos geradores; c) possui total capacidade tributária passiva; d) possui capacidade tributária parcial até completar dez anos de idade; e) não possui capacidade tributária passiva, porque é menor de idade. Comentário: A criança de sete anos possui total capacidade tributária passiva, já que para o art. 126, I, do CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais. Gabarito: Letra C Questão 49 – FGV/Fiscal de Tributos-Niterói/2015 De acordo com as normas gerais de Direito Tributário, é correto afirmar que o fato gerador de obrigação tributária principal, praticado por juridicamente incapaz ou em que ele tenha provocado a sua ocorrência, não torna o tributo correspondente indevido; Comentário: Aquele que pratica o fato gerador da obrigação tributária é denominado contribuinte, que nada mais é do que o sujeito passivo da obrigação tributária. Quanto a este aspecto, o art. 126, I, do CTN, definiu que a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais. Questão correta. 6 – SOLIDARIEDADE EM DIREITO TRIBUTÁRIO O instituto da solidariedade foi definido no art. 264 do Código Civil da seguinte forma: Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Você não precisa memorizar nada do que foi acima transcrito, pois o objetivo é apenas demonstrar que a solidariedade ocorre quando há mais de um credor ou mais de um devedor em uma mesma obrigação. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra No Direito Tributário, o credor da obrigação tributária é o sujeito ativo, titular da competência para instituir o tributo ou a pessoa jurídica de direito público a quem tenha sido delegada a capacidade tributária ativa. Assim, ou o ente competente para instituir o tributo cobra ou delega a outra (e somente uma) pessoa jurídica de direito público para realizar a arrecadação. Diante disso, temos que, em matéria tributária, não há que se falar em solidariedade ativa. Vejamos, então, o que estabelece o art. 124 do CTN, ao tratar do tema: Art.124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O dispositivo legal apresenta duas situações em que ocorre a solidariedade. O primeiro caso de solidariedade, em que há interesse comum, denomina-se solidariedade de fato ou natural. O segundo caso, em que as pessoas se tornam solidariamente obrigadas por meio de previsão legal, denomina-se solidariedade de direito ou legal. Há que se destacar que, mesmo quando a solidariedade decorra do interesse comum das pessoas na situação que constitua o fato gerador, a solidariedade decorre de lei, tendo em vista que o CTN (norma geral que previu a solidariedade) não deixa de ser uma lei. Sendo assim, pode- se dizer que a solidariedade sempre decorre de lei. Não existe solidariedade ativa no Direito Tributário. A solidariedade sempre decorre de lei. Na solidariedade de fato, duas ou mais pessoas se tornam obrigadas ao cumprimento de uma mesma obrigação tributária, por terem interesse comum na situação. O interesse comum pode se dar, por exemplo, quando uma propriedade pertence a mais de uma pessoa. Nesse caso, a obrigação de pagar IPTU é solidária entre eles. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Observação: o mesmo raciocínio não se aplica ao IPTU devido por uma sociedade empresarial, que possua no contrato social dois sócios (A e B). O contribuinte é somente a sociedade, e não os seus sócios! Não confunda!!! Isso ocorre em função do princípio da entidade, segundo o qual as obrigações e o patrimônio dos sócios não se confundem com as obrigações e o patrimônio da sociedade. No que se refere a esse assunto, a jurisprudência do STJ tem entendido que o simples fato de as empresas pertencerem ao mesmo conglomerado financeiro não caracteriza por si só o interesse comum capaz de gerar solidariedade tributária: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressalte-se que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário.(...)" (STJ, REsp 834.044/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julgamento em 08/09/2010) Em relação à solidariedade de direito, como o próprio nome diz, decorre de lei que estabeleça a obrigação solidária. Nesse sentido, o legislador, por exemplo, encontra respaldo no art. 124, II, do CTN, se quiser obrigar diversas pessoas ao cumprimento de determinada obrigação tributária para dar maior garantia ao recebimento do crédito tributário. Uma característica comum tanto à solidariedade de fato como a de direito é que não há benefício de ordem (CTN, art. 124, par. único). Isso significa que o fisco pode exigir a dívida integralmente de qualquer um dos devedores solidários, sem seguir qualquer ordem. Vamos exemplificar para facilitar a compreensão: Carlos, José e Bruno são proprietários de um imóvel urbano, localizado no Município de São Paulo. Carlos detém 5% do imóvel, José, 70% e Bruno, 25%. Vamos supor, ainda, que o valor do IPTU no ano de 2013 foi de R$ 1.000,00. Pela lógica da solidariedade, o credor (Município) pode exigir o valor de R$ 1.000, integralmente, de Carlos, mesmo que este tenha a menor participação na propriedade. Após o pagamento, obviamente, Carlos poderá Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra ajuizar uma ação regressiva contra os demais devedores solidários, com o objetivo de recuperar 95% (70% de José e 25% de Bruno) do valor pago que não cabia a ele. Vamos ver agora os efeitos que a solidariedade produz, que foram previstos no art. 125 do CTN: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. O primeiro efeito é que o pagamento efetuado por qualquer dos obrigados aproveita os demais. O que isso quer dizer? No nosso exemplo, se Carlos pagou o valor de R$ 1.000,00, não cabe ao fisco exigir o valor em duplicidade dos demais devedores, pois a obrigação tributária já foi satisfeita em sua totalidade. Também há que se ressaltar que a isenção ou remissão exonera todos os obrigados, salvo se for outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo quanto aos demais pelo saldo restante. Observação: Nesse momento, importa apenas saber que tanto a isenção como a remissão são consideradas benefícios fiscais. Estudaremos isso em outra aula. Deve-se diferenciar o benefício fiscal objetivo e o subjetivo. Quando a isenção, por exemplo, é objetiva, isto é, relativa ao objeto, ela reduz a dívida como um todo. Logo, todos os obrigados deixam de ser devedores. Por outro lado, se a isenção é subjetiva, beneficiando apenas um dos obrigados, os demais continuam devedores do valor restante da dívida tributária. Mais uma vez vamos utilizar o exemplo dado. Se uma lei isenta determinados imóveis do pagamento do IPTU, e o imóvel de Carlos, José e Bruno se enquadra nas características legais, todos são beneficiados pela isenção. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Por outro lado, se José é portador de necessidades especiais, e a lei isenta tais pessoas do pagamento do IPTU, podemos dizer que a isenção foi outorgada pessoalmente a José. Nesse caso, ele deixa de pertencer à relação jurídico-tributária, juntamente com o valor do imposto que correspondia à sua quota (R$ 700,00). Destaque-se que a solidariedade continua a existir em relação a Carlos e Bruno, sendo que o valor total da dívida passa a ser de R$ 300,00. O terceiro e último efeito da solidariedade é um pouco mais complexo, e eu não vejo lógica em explicá-lo nesse momento. Por hora, é melhor que você decore. Para facilitar, lembre-se que prescrição se refere a dois tipos de prazos: 1. Prazo para o Estado promover a ação de execução fiscal, com o objetivo de receber o valor do crédito tributário não pago pelo contribuinte; 2. Refere-se ao contribuinte que pagou tributo a maior e deseja restituição da diferença, sendo que é o prazo para ajuizar a ação anulatória contra decisão administrativa que denegar a restituição. Em relação ao prazo prescricional, a sua interrupção a favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica todos os demais! Questão 50 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se dois contribuintes forem solidariamente responsáveis por uma obrigação tributária, o advento de uma remissão geral objetiva do crédito afetará igualmente aos dois devedores.Comentário: Conforme preceitua o art. 125, II, do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a solidariedade tem como efeito o fato de a isenção ou remissão do crédito exonerar todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, hipótese em que subsiste a solidariedade quanto aos demais pelo saldo. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 51 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se duas pessoas tiverem interesse comum em situação que constitua o fato gerador de uma obrigação tributária principal, essas pessoas serão solidariamente responsáveis, na exata ordem da dimensão do interesse econômico de cada uma delas. Comentário: Ao se falar em solidariedade, o candidato já deve estar com a seguinte afirmação memorizada: não há benefício de ordem! É o que foi estabelecido no par. único, do art. 124, do CTN. Questão errada. Questão 52 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A responsabilidade solidária em direito tributário pode ser classificada em natural — quando determinadas pessoas têm interesse comum na situação retratada no fato gerador da obrigação tributária — ou legal — quando expressamente determinada por lei —, sendo o benefício de ordem admitido para ambas as hipóteses. Comentário: Realmente, a duas formas de solidariedade em direito tributário: natural e legal. Contudo, em nenhuma delas há o denominado benefício de ordem, conforme prevê o art. 124, par. único. Questão errada. Questão 53 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. A solidariedade mencionada no CTN importa benefício de ordem quando as pessoas solidárias são expressamente designadas por lei. Comentário: Em qualquer caso, a solidariedade não comporta benefício de ordem. Grave isso! Questão errada. Questão 54- CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 Estabelece-se, como um dos efeitos da solidariedade, que a isenção ou remissão de crédito outorgada pessoalmente a qualquer dos coobrigados exonera todos os demais. Comentário: Se a isenção ou remissão tiver sido outorgada pessoalmente a um dos obrigados, subsiste a solidariedade quanto aos demais pelo saldo restante. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 55 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, podendo, entretanto, qualquer dos devedores alegar o benefício de ordem, conforme o grau de seu interesse. Comentário: Realmente, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária são solidariamente obrigadas. No entanto, a solidariedade não comporta benefício de ordem. Questão errada. Questão 56 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 Salvo disposição de lei em contrário, estão previstos os seguintes efeitos da solidariedade: a) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; b) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; c) a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Comentário: O dispositivo cita os incisos do art. 125, do CTN, que estabelece, salvo disposição de lei em contrário, os efeitos da solidariedade: I) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III) a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Questão correta. Questão 57 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 Na solidariedade tributária é permitida a observância de uma sequência preestabelecida para a execução, operando-se esta primeiramente contra um, e só depois contra o outro. Comentário: De acordo com o art. 124, par. único, do CTN, a solidariedade não comporta benefício de ordem. Questão errada. Questão 58 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 As pessoas expressamente designadas por lei e as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. Comentário: Realmente, o art. 124, do CTN, estabelece como solidariamente Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra obrigadas: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. Questão correta. Questão 59 – FGV/Sead-Fiscal-AP /2010 Havendo solidariedade tributária, e salvo disposição de lei em contrário, a isenção do crédito exonera a todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo do tributo. Comentário: Realmente, de acordo com o art. 125, II, do CTN, havendo solidariedade tributária, e salvo disposição de lei em contrário, a isenção do crédito exonera a todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo do tributo. Questão correta. Questão 60 – FGV/AFRE- RJ/2011 Flávia, Telma e beatriz constituíram a sociedade trio maravilha Ltda. Para operar no ramo de prestação de serviços de beleza, mas se abstiveram de inscrever o contrato social no registro competente. Mesmo assim, começaram a vender seus produtos na praça, sem o recolhimento do ISS. Diante dessa situação fática, é possível afirmar que a) Em matéria tributária, assim como em matéria cível, a solidariedade passiva pode ocorrer em virtude de lei ou de acordo de vontades. b) Caso o fisco exigisse o pagamento integral da dívida somente de beatriz, a sócia com menor patrimônio, esta poderia invocar o benefício de ordem para redirecionar a cobrança para Flávia, detentora da maioria das quotas da sociedade. c) Caso Telma fosse beneficiada com isenção pessoal concedida pelo fisco, esta seria extensível às demais sócias, por força da solidariedade tributária legal. d) Se Flávia fosse citada em execução fiscal, a interrupção da prescrição atingiria todas as sócias da empresa. e) O eventual pagamento total do tributo devido por Telma não aproveitaria nem a Flávia nem a beatriz, caso o contrato social assim determinasse. Comentário: Trata-se de questão que aborda o tema “solidariedade tributária”. Analisemos, pois, cada uma das assertivas. Alternativa A: Em matéria tributária, a solidariedade passiva pode ocorrer em virtude de acordo de vontades. Alternativa errada. Alternativa B: Por se tratar de solidariedade, não há que se falar em benefício de ordem. A exigência do fisco é legítima. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa C: A isenção concedida pessoalmente a uma das devedoras solidárias beneficia apenas esta pessoa, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo. Alternativaerrada. Alternativa D: De acordo com o art. 125, III, do CTN, a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Alternativa correta. Alternativa E: O art. 125, I, do CTN, prevê que o pagamento efetuado por um dos devedores solidários aproveita aos demais. Alternativa errada. Gabarito: Letra C Questão 61 – FGV/Fiscal de Rendas-RJ/2010 A solidariedade tributária instaura-se entre os sujeitos que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, nesta hipótese, não comporta benefício de ordem. Comentário: De fato, o art. 124, I, do CTN, prevê a instauração de solidariedade tributária entre os sujeitos que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, nesta hipótese, não comporta benefício de ordem. Questão correta. Questão 62- ESAF/ATRFB/2012 Os condôminos de um imóvel são solidariamente obrigados pelo imposto que tenha por fato gerador a respectiva propriedade. Comentário: Os condôminos de um imóvel possuem interesse comum no fato gerador do imposto incidente sobre a respectiva propriedade, sendo, por conseguinte, solidariamente responsáveis pelo imposto. Questão correta. 7 – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO O domicílio tributário é o local que o sujeito passivo (contribuinte ou responsável) elege para fins de cadastro e comunicação com o fisco, é o local onde ele é encontrado para que dele se exija o cumprimento das obrigações tributárias. É importante ressaltar as palavras do ilustre autor e professor Paulo de Barros Carvalho (grifamos): Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra “Vige a regra geral da eleição do domicílio que o sujeito passivo pode fazer a qualquer tempo, decidindo, espontaneamente, sobre o local de sua preferência. Todas as comunicações fiscais, de avisos e esclarecimentos, bem como os atos, propriamente, de intercâmbio procedimental – intimações e notificações – serão dirigidas àquele lugar escolhido, que consta dos cadastros das repartições tributárias, e onde o fisco espera encontrar a pessoa, para a satisfação dos mútuos interesses.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª Edição. 2013. Pág. 300) Diante do exposto, percebe-se que o domicílio é eleito pelo próprio sujeito passivo. É o local onde ele escolhe para que receba as comunicações fiscais, como intimações e notificações. Caso o sujeito passivo seja omisso quanto à escolha do domicílio, entre em cena o art. 127 do CTN, cuja redação é a seguinte: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior. Sendo assim, as pessoas naturais que não elejam o seu domicílio fiscal, será este o local da sua residência habitual. Caso o fisco não conheça este local, ou se o contribuinte não viver habitualmente em lugar nenhum, o domicílio tributário será o centro habitual de sua atividade. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Domicílio não se confunde com residência. Esta é o local de moradia da pessoa. Contudo, se a pessoa natural não elege o domicílio, pode ser que este seja o local da sua residência. Veja que nem sempre isso ocorre! Quanto às pessoas jurídicas de direito privado, o domicílio pode ser o lugar da sua sede ou o de cada estabelecimento, para os fatos geradores neles ocorridos. Acrescente-se que o STJ (REsp 23.371/SP) tem entendido como juridicamente possível as pessoas jurídicas ou firmas individuais possuírem mais de um domicílio tributário. Tratando-se de pessoa jurídica de direito público, o domicílio tributário pode ser o local de qualquer uma de suas repartições, estando, obviamente, dentro do território da entidade tributante. Se as regras acima explicitadas não puderem ser aplicadas (CTN, art. 127, § 1º), será considerado como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Observação: Embora as bancas cobrem a literalidade do CTN, em resumo, o que acaba de ser dito é: será o lugar dos bens ou da ocorrência do fato gerador. Outro ponto a ser ressaltado sobre a eleição pelo sujeito passivo do seu domicílio fiscal é: a autoridade administrativa pode recusá-lo? Sim! Conclui-se, portanto, que o direito de escolha do contribuinte não é absoluto. Destaque-se que a recusa por parte da autoridade administrativa só pode ser feita se for demonstrado que o domicílio eleito pelo sujeito passivo impossibilita ou, pelo menos, dificulta a arrecadação ou a fiscalização tributária. Logo, a recusa deve ser motivada. O direito de escolha do domicílio pelo sujeito passivo não é absoluto; A recusa por parte da autoridade deve ser motivada. Vale ressaltar que se o domicílio eleito for recusado pelo fisco, aplica-se a mesma regra do § 1º, que é o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Caso seja omisso Se for impossível Vamos esquematizar mais uma vez o conteúdo visto: Por fim, ainda no que se refere ao domicílio tributário do sujeito passivo, destaque-se que o STJ tem entendido que caracteriza cerceamento de defesa do sujeito passivo notificação fiscal enviada para endereço diferente do domicílio tributário, quando este é do conhecimento do fisco: TRIBUTARIO. DOMICILIO TRIBUTARIO. FIRMA INDIVIDUAL. C.T.N., ART.127, II. APLICAÇÃO. I - O acórdão recorrido, ao admitir como válida notificação fiscal enviada para local diverso do domicílio tributário do contribuinte, que era do conhecimento do fisco, ofendeu o art. 127, II, do C.T.N. II - Recurso Especial conhecido e provido. (STJ, 33.837/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, Julgamento em 04/03/1996) Regra: O sujeito passivo escolhe seu domicílio tributário Pessoa natural: residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade. PJ de direito privado: local da sede ou de cada estabelecimento, para FG nele ocorrido. PJ de direito público: qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. O domicílio será o local dos bens ou da ocorrência dos FG Autoridade administrativa recusa o domicílio eleito O domicílio impediu ou dificultoua fiscalização e arrecadação Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 63 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Em regra, é juridicamente válido o domicílio tributário eleito pelos contribuintes. Comentário: De fato, pelo que se extrai da redação do caput do art. 127, do CTN, a regra é que o domicílio tributário seja eleito pelo próprio sujeito passivo. Questão correta. Questão 64 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 A autoridade administrativa não pode recusar o domicílio eleito pelo contribuinte ou responsável, pois ambos possuem autonomia para elegê-lo. Comentário: A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito pelo contribuinte ou responsável, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Questão errada. Questão 65 - CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011-Adaptada No que concerne a obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, considera-se, na forma da legislação aplicável, como domicílio tributário, preferencialmente, o lugar da situação do bem ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Comentário: Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, considera-se, na forma da legislação aplicável, como domicílio tributário as regras fixadas nos incisos do art. 127 do CTN, que variam de acordo com o sujeito passivo. A regra prevista na questão somente é utilizada quando não couber as regras mencionadas ou quando o domicílio eleito tiver sido recusado pela autoridade administrativa. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 66 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 Em regra, é direito do contribuinte eleger o lugar do domicílio fiscal, o que não pode ser recusado pelo fisco, ainda que a eleição resulte em dificuldades para a arrecadação e fiscalização tributária. Comentário: Embora o contribuinte tenha direito de eleger o lugar do seu domicílio fiscal, a autoridade administrativa pode recusá-lo quando a eleição resulte em dificuldades para a arrecadação e fiscalização tributária. Questão errada. Questão 67 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 O domicílio tributário do proprietário de terreno não edificado, para fins de IPTU, deve estar situado na mesma cidade onde o terreno esteja localizado, o que constitui exceção à regra do domicílio de eleição. Comentário: A regra do domicílio fiscal não possui tal exceção. Em regra, cabe ao contribuinte eleger o seu domicílio fiscal, podendo a autoridade administrativa recusá-lo quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Questão errada. Questão 68 – FGV/Fiscal de Rendas-MS/2006 Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, não se considera como tal: a) a residência habitual, em se tratando de pessoa natural. b) o lugar da sede, em se tratando de pessoa jurídica. c) a residência do indivíduo, em se tratando de firma individual. d) o lugar de cada estabelecimento, em relação aos atos que deram origem à obrigação. e) local da repartição no território da entidade tributante, em se tratando de pessoa jurídica de direito público. Comentário: Alternativa A: Na falta de eleição, o domicílio tributário do sujeito passivo é o local de sua residência habitual, em se tratando de pessoa natural. Alternativa errada. Alternativa B: Na falta de eleição, o domicílio tributário do sujeito passivo é o local da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento, em se tratando de pessoa jurídica. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa C: Na falta de eleição, o domicílio tributário do sujeito passivo é o local da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento, em se tratando de firma individual. Alternativa correta. Alternativa D: De fato, Na falta de eleição, o domicílio tributário do sujeito passivo é o local de cada estabelecimento em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação. Alternativa errada Alternativa E: Na falta de eleição, o domicílio tributário do sujeito passivo é o local da repartição no território da entidade tributante, em se tratando de pessoa jurídica de direito público. Alternativa errada. Gabarito: Letra C Questão 69 – FGV/Sead-Fiscal-AP /2010 Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal o local em que tenha ocorrido o fato gerador do tributo. Comentário: Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, deve-se seguir as regras previstas no art. 127, do CTN, não sendo possível afirmar de imediato que este será o local em que tenha ocorrido o fato gerador do tributo. Questão errada. Questão 70 - ESAF/AFRFB/2009 Sobre a disciplina conferida ao domicílio tributário, pelo Código Tributário Nacional, assinale a opção correta. a) O domicílio do contribuinte ou responsável, em regra, será estabelecido por eleição. b) O domicílio da pessoa jurídica de direito privado será o lugar em que estiver localizada sua sede. c) O domicílio da pessoa jurídica de direito público será o lugar em que estiver localizada sua sede. d) O lugar eleito pelo contribuinte como domicílio tributário não poderá ser recusado pela autoridade tributária, sob a alegação de prejuízo à atividade fiscalizatória. e) Caso a autoridade fiscal não consiga notificar a pessoa jurídica de direito privado em sua sede, poderá fazê-lo em qualquer de suas unidades. Comentário: Alternativa A: Deveras, em regra, é o sujeito passivo quem elege o seu domicílio tributário. Item correto. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Alternativa B: Fique atento, pois, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o domicílio das pessoas jurídicas de direito privado será o de cada estabelecimento. Portanto, nem sempre será o lugar em que estiver localizada a sua sede. Item errado. Alternativa C: O domicílio tributário das pessoas jurídicas de direito público será qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. Item errado. Alternativa D: O art. 127, § 2º, do CTN, preceitua que a autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Item errado. Alternativa E: A autoridade fiscal só pode notificar a pessoa jurídica de direito privado em outra unidade diferente da sede, se nesta unidade ocorrerem atos ou fatos que deram origem à obrigação. Item errado. Gabarito: Letra A Questão 71 - FCC/ISS-SP/2012 Em uma situação hipotética, quatro irmãos adquiriram, em conjunto, no exercício de 2005, por meio de compra e venda, um imóvel localizado em município do Estado de São Paulo. Esses irmãos, todavia, deixaram de pagar o IPTU incidente sobre esse imóvel, nos exercícios de 2006 a 2011. No final do ano de 2011, o referido município editoulei ordinária, concedendo remissão do crédito tributário desse IPTU exclusivamente aos proprietários ou coproprietários, pessoas naturais, que comprovassem ter auferido rendimentos anuais em montante inferior a R$ 12.000,00, nos exercícios de 2006 a 2011. Considerando que o mais velho dos irmãos se encontra na situação prevista nessa lei, a remissão a) beneficiou a todos os quatro irmãos, pois, por força da solidariedade, ou todos se beneficiam, ou nenhum deles se beneficia. b) não beneficiou nenhum dos quatro irmãos, pois, por força da solidariedade, ou todos se beneficiam, ou nenhum deles se beneficia. c) só beneficiou o irmão mais velho, pois, tendo sido concedida em caráter pessoal, não se estende aos demais. d) só beneficiou o irmão mais velho, extinguindo, por outro lado, a solidariedade entre os demais irmãos não beneficiados pela isenção. e) não beneficiou os quatro irmãos porque não existe solidariedade entre os quatro irmãos em relação ao IPTU devido pelo bem imóvel adquirido. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Trata-se de uma excelente questão da FCC sobre a solidariedade tributária. Parece ser uma questão complicada, mas é muito fácil! A questão conta vários detalhes em seu início, mas o que importa de verdade é saber que há solidariedade entre os irmãos em relação aos tributos incidentes sobre o imóvel. Como a questão informa que a lei ordinária que concede remissão exclusivamente aos proprietários que se enquadrem naquelas características, pode-se dizer que a remissão foi outorgada em considerando as características de cada pessoa. Ou seja, não é uma remissão geral. A questão também informa que apenas o irmão mais velho se enquadrou na situação. Sendo assim, conforme art. 125, II, do CTN, como a isenção foi outorgada pessoalmente a um deles apenas, deve subsistir quanto aos demais pelo saldo restante. Assim, do total de IPTU devido, subtrai-se a parcela relativa ao irmão mais velho. Portanto, a única alternativa que está correta é a Letra C. Finalizamos mais uma aula do nosso curso! Um abraço, bons estudos e até a próxima! Prof. Fábio Dutra Email: fabiodutra08@gmail.com Facebook: http://www.facebook.com/ProfFabioDutra Periscope: @ProfFabioDutra Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 8 – LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA Questão 01 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 As práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares consuetudinárias de direito tributário. Assim, na hipótese de a norma ser considerada ilegal, não é possível caracterizar como infracional a conduta do contribuinte que observa tal norma, em razão do princípio da proteção da confiança e da boa-fé objetiva. Questão 02 – CESPE/PC-PE-Delegado/2016 Lei complementar que estabelece normas gerais em matéria tributária não pode instituir um regime único de arrecadação dos impostos e das contribuições da União, dos estados, do DF e dos municípios. Questão 03 – CESPE/DPU-Defensor Público Federal/2015 Julgue o seguinte item com base nas normas gerais de direito tributário: os costumes, como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, não são expressamente citados entre as fontes destinadas a colmatar lacunas na legislação tributária; eles são, sim, considerados normas complementares das leis, dos tratados e convenções internacionais e dos decretos. Questão 04 – CESPE/ANATEL/Especialista em Regulação/2014 Os convênios celebrados entre as unidades federativas são considerados normas complementares. Questão 05 – CESPE/ANATEL/Especialista em Regulação/2014 É possível que lei delegada discipline matéria reservada a lei complementar, de acordo com a CF, como, por exemplo, para tratar de prescrição tributária como norma geral. Questão 06 – CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 Os tratados e as convenções internacionais não são aptos a revogar ou modificar a legislação tributária interna, pois não fazem parte da chamada legislação tributária. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 07 – CESPE/PGM-RR/2010 Em matéria de legislação tributária, a casa legislativa do município pode estabelecer norma dispondo sobre crédito, diferentemente do disposto em lei complementar. Questão 08 – CESPE/DPE-ES/2009 Cabe a lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Questão 09 – CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A legislação tributária estabelece hierarquia entre as leis instituidoras de tributos federais, estaduais e municipais. Questão 10 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. O tratado incorporado ao sistema tributário nacional por decreto legislativo tem prevalência sobre a lei ordinária. Questão 11 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. Caso o Congresso Nacional venha a homologar o tratado mediante decreto legislativo, este gerará efeitos para a União, os estados e os municípios, inclusive no que diz respeito à matéria reservada à lei complementar. Questão 12 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2009-Adaptada Considerando que o presidente da República Federativa do Brasil tenha assinado tratado com três países da América do Sul, no qual ficou deliberado que os produtos originários de um gozarão, nos outros países, do mesmo tratamento tributário aplicado ao produto nacional, julgue a afirmação a seguir. Por se tratar de convenção internacional de integração regulando Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra matéria tributária, o tratado gerará para os impostos de competência da União efeitos imediatos, por aplicação dos princípios do efeito direto e da aplicabilidade imediata. Questão 13 – CESPE/Juiz-TJ-AL/2008 Para um tratado internacional ser incorporado ao direito iterno, deve ser submetido ao crivo do Congresso Nacional, ao qual compete aprová-lo por meio de resolução. Questão 14 – FCC/ISS-Teresina-Auditor-Fiscal/2016 O Código Tributário Nacional traz disciplina a respeito das normas da legislação tributária em geral, normas essas que incluem os tratados internacionais. De acordo com esse Código, os tratados internacionais a) modificam, mas não revogam, a legislação tributária interna. b) estabelecem a forma por meio da qual, mediante anuência do Senado Federal, as Fazendas Públicas da União, dos Estados e dos Municípios poderão disciplinar isenções de tributos federais, estaduais e municipaiscom Estados estrangeiros. c) podem versar sobre obrigações acessórias, mas, no tocante às obrigações principais, não podem versar sobre matérias atinentes a taxas e contribuições em geral, inclusive sobre contribuição de melhoria. d) admitem, como normas complementares a eles, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. e) estão compreendidos na expressão “legislação tributária”, definida no referido Código, enquanto as convenções internacionais não estão. Questão 15 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 O CTN qualifica como obrigação tributária principal aquela que tem por objeto uma prestação pecuniária, distinguindo-a da obrigação tributária acessória, cujo objeto abrange as condutas positivas e negativas exigidas do sujeito passivo em prol dos interesses da administração tributária e as penalidades decorrentes do descumprimento desses deveres instrumentais. Questão 16 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 Os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados se suspensiva a condição desde o momento da prática do ato. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 17 – CESPE/TCE-PA-Auditor de Controle Externo/2016 O descumprimento de obrigação de emissão de nota fiscal dá ensejo à realização, pelo poder público, do lançamento de ofício, para fins de aplicação da penalidade cabível. Nesse caso, a multa aplicada equipara-se ao crédito decorrente da obrigação principal, em virtude da sua natureza jurídica de obrigação de dar. Questão 18 – CESPE/PGE-AM-Procurador/2016 Para fins de cobrança, as penalidades pecuniárias impostas ao contribuinte em virtude do descumprimento de obrigações acessórias são equiparadas à obrigação tributária principal, visto que ambas constituem obrigação de dar. Questão 19 – CESPE/FUB-Contador/2015 Constitui exemplo de obrigação tributária acessória a prestação pecuniária decorrente do imposto de renda. Questão 20 – CESPE/MPU-Analista/2015 Se uma imobiliária deixar de informar ao fisco os aluguéis pagos aos seus clientes, tal obrigação não desaparecerá e a consequente infração tributária fará surgir a obrigação principal referente à multa. Questão 21 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 Fato gerador da obrigação acessória é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Questão 22 – CESPE/AGU/2015 O princípio da isonomia tributária impõe que o tributo incida sobre as atividades lícitas e, igualmente, sobre as atividades ilícitas, de modo a se consagrar a regra da interpretação objetiva do fato gerador. Dessa forma, é legítima a cobrança de IPTU sobre imóvel construído irregularmente, em área non aedificandi, não significando tal cobrança de tributo concordância do poder público com a ocupação irregular. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 23 – CESPE/TRF 1ª Região-Juiz Federal Substituto/2015 A União celebrou negócio jurídico com uma sociedade empresarial. Tal operação configurou-se como um fato gerador, uma vez que era uma situação descrita, na norma tributária, como hipótese de incidência de um tributo. No entanto, identificou-se, posteriormente, a irregularidade da constituição da sociedade empresarial, de modo que o negócio jurídico celebrado com a União foi declarado nulo, não tendo sido, portanto, adimplida a obrigação tributária, cujo termo ainda não havia transcorrido. Nessa situação hipotética, a) o negócio jurídico configurou fato gerador do tributo, dado o princípio da interpretação objetiva do fato gerador. b) a celebração do negócio jurídico não configurou fato gerador do tributo, por ser esse negócio inepto à produção de efeitos tributários. c) o negócio jurídico constituiu fato gerador do tributo. No entanto, admite-se aos contratantes o pedido de repetição do indébito após a declaração de nulidade. d) a obrigação tributária foi extinta porque a declaração de nulidade do negócio jurídico ocorreu antes do fim do prazo para o pagamento. e) a sociedade empresária não tem capacidade tributária passiva, haja vista ter sido constituída de forma irregular. Questão 24 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 De acordo com o Código Civil, será válido o ato jurídico dissimulado que não apresentar vício de substância nem de forma, o que significa que a autoridade administrativa fiscal não poderá desconsiderar tal ato, ainda que praticado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. Questão 25 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se um negócio for considerado juridicamente inválido, e se tal negócio configurar a ocorrência do fato gerador de um tributo, tal invalidez não afetará a validade tributária do negócio, devendo-se considerar, assim, ocorrido o fato gerador. Questão 26 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Considere que determinado médico tenha sido contratado particularmente e de forma incondicional para realizar uma cirurgia de alto risco em um paciente e que o paciente tenha falecido na cirurgia. Nessa situação, apesar do falecimento, ocorreu o fato gerador do imposto sobre serviços de qualquer natureza, já que, para a definição do fato gerador, não se devem levar em conta os efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 27 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Diante da ocorrência de um fato gerador previsto na legislação tributária em qualquer de suas formas, surge a obrigação principal, ou seja, a obrigação de pagar. Questão 28 - CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se um indivíduo tiver a obrigação tributária de pagar uma multa, então essa obrigação será considerada principal. Questão 29 – CESPE/TJ-SE- Titular de Serviços de Notas e de Registros/2014 No que se refere a fato gerador e obrigação tributária, assinale a opção correta. a) O fato gerador da obrigação acessória deve estar previsto em lei específica. b) Fato gerador é a situação prevista em lei e cuja ocorrência faça surgir o crédito tributário. c) A transmissão de bem imóvel, por ato oneroso, configura fato gerador do ITBI, iniciando-se nesse momento a contagem do prazo prescricional da obrigação. d) A obrigação tributária origina-se com o lançamento. e) A obtenção de renda decorrente de negócio, ainda que ilícito, constitui fato gerador do imposto sobre a renda. Questão 30 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A definição do fato gerador da obrigação principal e da obrigação acessória submete-se à reserva de lei em sentido formal: na primeira espécie obrigacional, a sua ocorrência dá ensejo a uma obrigação de dar; na segunda, há o surgimento de uma obrigação de fazer e não fazer. Questão 31 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Não é possível que uma obrigação acessória se converta em principal, pois esta é vinculada à ocorrência do fato gerador. Questão 32 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 94 DIREITOTRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo; o procedimento a ser adotado deve ser estabelecido por lei ordinária. Questão 33 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 De acordo com o CTN, são apenas duas as espécies de obrigação tributária: a principal e a acessória. Questão 34 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009-Adaptada A respeito do ICMS e das obrigações tributárias a ele relativas, julgue a assertiva a seguir. Ao emitir nota fiscal, o responsável pelo recolhimento do ICMS pratica obrigação tributária principal. Questão 35 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009 Reputa-se acessória a obrigação tributária imposta ao contribuinte, no sentido de tolerar atividades de fiscalização do recolhimento do ICMS. Questão 36 - CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A obrigação tributária consistente no dever de manter escrita contábil referente ao ICMS decorre sempre da lei stricto sensu. Questão 37 – CESPE/PGM-Fortaleza-Procurador/2017 O sujeito passivo da obrigação principal denomina-se contribuinte quando, dada sua vinculação ao fato gerador, sua sujeição decorre expressamente de determinação legal, ainda que não tenha relação pessoal e direta com a ocorrência de tal fato. Questão 38 – CESPE/PC-GO-Delegado/2017 Ricardo, com quinze anos de idade, traficou entorpecentes por três meses, obtendo uma renda de R$ 20.000. Informado pela autoridade competente, um auditor da Receita Federal do Brasil efetuou lançamento contra o menor. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) O tráfico de entorpecente é ato ilícito, sendo responsáveis pelos prejuízos dele decorrentes, nos termos da lei civil, os pais de Ricardo, que deverão recolher o tributo a título de sanção cível. b) A capacidade tributária independe da capacidade civil, de modo que é correto o lançamento contra o menor que, no caso, percebeu remuneração que pode ser considerada renda. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra c) O tráfico de entorpecente é atividade que gera proveito econômico, o que justifica torná-lo fato gerador de tributo, não podendo, no entanto, Ricardo, por ser incapaz, sofrer lançamento, devendo a renda percebida ser imputada aos seus pais. d) O tráfico de entorpecente, por ser crime, não pode ser objeto de tributação, pois o pagamento de imposto em tal hipótese significaria que o Estado estaria chancelando uma atividade ilícita, sendo, portanto, insubsistente o lançamento. e) Ricardo, por ser incapaz, não pode sofrer lançamento, não constituindo renda eventuais ganhos econômicos que ele venha a ter. Questão 39 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle/2016 O sujeito ativo da obrigação tributária pode ser a pessoa jurídica de direito privado titular da competência para exigir o seu cumprimento. Questão 40 – CESPE/PC-PE-Delegado/2016 Tendo como referência o disposto no CTN, assinale a opção correta. a) A capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil. b) Não haverá incidência tributária sobre atividades ilícitas. c) A obrigação tributária principal nasce com o lançamento do fato gerador. d) Fato gerador corresponde ao momento abstrato previsto em lei que habilita o início da relação jurídico-tributária. e) A denominação do tributo e a destinação legal do produto de sua arrecadação são essenciais para qualificá-lo. Questão 41 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Será denominado responsável o município que, como sujeito ativo da obrigação tributária, passar a ter obrigações em razão de disposição expressa em lei. Questão 42 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A sociedade em comum detém capacidade tributária passiva, pois essa condição independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, tornando-se sujeito passivo da obrigação tributária principal, ainda que, por convenção particular, seja prevista a responsabilidade pessoal dos sócios pelo pagamento de tributos. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 43 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. É possível que sujeito passivo de obrigação principal figure como responsável, ainda que a obrigação não decorra de disposição expressa em lei. Questão 44 - CESPE/Procurador Federal/2004 Pessoas jurídicas de direito privado não podem ser sujeitos ativos da obrigação tributária, mas podem ser destinatárias do produto da arrecadação. Questão 45 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Na hipótese de constituição de pessoa jurídica de direito público pelo desmembramento territorial de outra, não haverá sub-rogação em direitos. Questão 46 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 A capacidade tributária passiva depende da regular constituição da pessoa jurídica, a fim de se localizar o seu domicílio tributário. Questão 47 - FCC/Pref. Teresina – Auditor-Fiscal/2016 Joãozinho, com seis anos de idade, recebeu doação de seus avós, a qual foi devidamente aceita pelos seus pais, em seu nome. Marcelo, empresário, perdeu o direito de administrar diretamente os seus bens, desde a decretação da falência de sua empresa, consoante o que determina o art. 103 da Lei Federal no 11.101/05. A empresa Serviços Gerais Ltda., prestadora de serviços previstos na Lista de Serviços anexa à Lei Complementar Federal no 116/03, funciona sem a devida inscrição no Cadastro de Contribuintes do ISS do Município em que se localiza, mas atua comercialmente como se regular fosse. Por determinação judicial, Maria Luisa encontra-se internada em hospital para doentes mentais, por sofrer de moléstia que a impede de praticar os atos do dia-a-dia, em razão de profunda alienação mental. De acordo com as regras do Código Tributário Nacional, atinentes à capacidade tributária das pessoas para serem sujeitos passivos de obrigação tributária principal, a) a empresa Serviços Gerais Ltda. reveste a condição de sujeito passivo do IPTU relativo ao terreno que a referida sociedade adquiriu e no qual se localiza a sede da referida empresa. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra b) Maria Luisa, que perdeu suas faculdades mentais, não reveste, por causa disso, a condição de sujeito passivo do Imposto de Renda, embora aufira rendimentos tributáveis por esse imposto. c) Marcelo não pode ser identificado como sujeito passivo do IPVA de veículo de sua propriedade, em relação aos fatos geradores ocorridos após a perda do direito de administrar seus bens, justamente por causa dessa perda. d) a empresa Serviços Gerais Ltda. não reveste a condição de sujeito passivo do ISS em relação aos serviços que presta, porque não está regularmente constituída, ainda que configure, indubitavelmente, uma unidade econômica. e) Joãozinho, por ser menor de idade, não pode ser identificado como sujeito passivo do ITCMD incidente sobre a doação recebida, ainda que a lei ordinária competente preveja que o donatário é o contribuinte desse imposto. Questão 48 – FGV/Agente Fazendário-Niterói/2015 De acordo com as normas gerais de Direito Tributário, uma criança de sete anos: a) possui capacidade tributária passiva parcial até completar dezoito anos de idade; b) não possui qualquercapacidade tributária passiva, porque é incapaz de discernir sobre a prática dos fatos geradores; c) possui total capacidade tributária passiva; d) possui capacidade tributária parcial até completar dez anos de idade; e) não possui capacidade tributária passiva, porque é menor de idade. Questão 49 – FGV/Fiscal de Tributos-Niterói/2015 De acordo com as normas gerais de Direito Tributário, é correto afirmar que o fato gerador de obrigação tributária principal, praticado por juridicamente incapaz ou em que ele tenha provocado a sua ocorrência, não torna o tributo correspondente indevido; Questão 50 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se dois contribuintes forem solidariamente responsáveis por uma obrigação tributária, o advento de uma remissão geral objetiva do crédito afetará igualmente aos dois devedores. Questão 51 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Se duas pessoas tiverem interesse comum em situação que constitua o fato gerador de uma obrigação tributária principal, essas pessoas serão solidariamente responsáveis, na exata ordem da dimensão do interesse econômico de cada uma delas. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 52 – CESPE/PGE-PI-Procurador do Estado Substituto/2014 A responsabilidade solidária em direito tributário pode ser classificada em natural — quando determinadas pessoas têm interesse comum na situação retratada no fato gerador da obrigação tributária — ou legal — quando expressamente determinada por lei —, sendo o benefício de ordem admitido para ambas as hipóteses. Questão 53 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012-Adaptada No que tange à obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. A solidariedade mencionada no CTN importa benefício de ordem quando as pessoas solidárias são expressamente designadas por lei. Questão 54- CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 Estabelece-se, como um dos efeitos da solidariedade, que a isenção ou remissão de crédito outorgada pessoalmente a qualquer dos coobrigados exonera todos os demais. Questão 55 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, podendo, entretanto, qualquer dos devedores alegar o benefício de ordem, conforme o grau de seu interesse. Questão 56 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 Salvo disposição de lei em contrário, estão previstos os seguintes efeitos da solidariedade: a) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; b) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; c) a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Questão 57 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 Na solidariedade tributária é permitida a observância de uma sequência preestabelecida para a execução, operando-se esta primeiramente contra um, e só depois contra o outro. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 58 – FCC/SEFAZ-SP-Agente Fiscal de Rendas/2013 As pessoas expressamente designadas por lei e as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. Questão 59 – FGV/Sead-Fiscal-AP /2010 Havendo solidariedade tributária, e salvo disposição de lei em contrário, a isenção do crédito exonera a todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo do tributo. Questão 60 – FGV/AFRE- RJ/2011 Flávia, Telma e beatriz constituíram a sociedade trio maravilha Ltda. Para operar no ramo de prestação de serviços de beleza, mas se abstiveram de inscrever o contrato social no registro competente. Mesmo assim, começaram a vender seus produtos na praça, sem o recolhimento do ISS. Diante dessa situação fática, é possível afirmar que a) Em matéria tributária, assim como em matéria cível, a solidariedade passiva pode ocorrer em virtude de lei ou de acordo de vontades. b) Caso o fisco exigisse o pagamento integral da dívida somente de beatriz, a sócia com menor patrimônio, esta poderia invocar o benefício de ordem para redirecionar a cobrança para Flávia, detentora da maioria das quotas da sociedade. c) Caso Telma fosse beneficiada com isenção pessoal concedida pelo fisco, esta seria extensível às demais sócias, por força da solidariedade tributária legal. d) Se Flávia fosse citada em execução fiscal, a interrupção da prescrição atingiria todas as sócias da empresa. e) O eventual pagamento total do tributo devido por Telma não aproveitaria nem a Flávia nem a beatriz, caso o contrato social assim determinasse. Questão 61 – FGV/Fiscal de Rendas-RJ/2010 A solidariedade tributária instaura-se entre os sujeitos que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, nesta hipótese, não comporta benefício de ordem. Questão 62- ESAF/ATRFB/2012 Os condôminos de um imóvel são solidariamente obrigados pelo imposto que tenha por fato gerador a respectiva propriedade. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 63 – CESPE/ANATEL-Especialista em Regulação/2014 Em regra, é juridicamente válido o domicílio tributário eleito pelos contribuintes. Questão 64 - CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 A autoridade administrativa não pode recusar o domicílio eleito pelo contribuinte ou responsável, pois ambos possuem autonomia para elegê-lo. Questão 65 - CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011-Adaptada No que concerne a obrigação tributária, julgue a assertiva a seguir. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, considera-se, na forma da legislação aplicável, como domicílio tributário, preferencialmente, o lugar da situação do bem ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Questão 66 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 Em regra, é direito do contribuinte eleger o lugar do domicílio fiscal, o que não pode ser recusado pelo fisco, ainda que a eleição resulte em dificuldades para a arrecadação e fiscalização tributária. Questão 67 - CESPE/JUIZ-TJ-PB/2011 O domicílio tributário do proprietário de terreno não edificado, para fins de IPTU, deve estar situado na mesma cidade onde o terreno esteja localizado, o que constitui exceção à regra do domicílio de eleição. Questão 68 – FGV/Fiscal de Rendas-MS/2006 Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, não se considera como tal: a) a residência habitual, em se tratando de pessoa natural. b) o lugar da sede, em se tratando de pessoa jurídica. c) a residência do indivíduo, em se tratando de firma individual. d) o lugar de cada estabelecimento, em relação aos atos que deram origem à obrigação. e) local da repartição no território da entidade tributante, em se tratando de pessoa jurídica de direito público. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Questão 69 – FGV/Sead-Fiscal-AP /2010 Na faltade eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal o local em que tenha ocorrido o fato gerador do tributo. Questão 70 - ESAF/AFRFB/2009 Sobre a disciplina conferida ao domicílio tributário, pelo Código Tributário Nacional, assinale a opção correta. a) O domicílio do contribuinte ou responsável, em regra, será estabelecido por eleição. b) O domicílio da pessoa jurídica de direito privado será o lugar em que estiver localizada sua sede. c) O domicílio da pessoa jurídica de direito público será o lugar em que estiver localizada sua sede. d) O lugar eleito pelo contribuinte como domicílio tributário não poderá ser recusado pela autoridade tributária, sob a alegação de prejuízo à atividade fiscalizatória. e) Caso a autoridade fiscal não consiga notificar a pessoa jurídica de direito privado em sua sede, poderá fazê-lo em qualquer de suas unidades. Questão 71 - FCC/ISS-SP/2012 Em uma situação hipotética, quatro irmãos adquiriram, em conjunto, no exercício de 2005, por meio de compra e venda, um imóvel localizado em município do Estado de São Paulo. Esses irmãos, todavia, deixaram de pagar o IPTU incidente sobre esse imóvel, nos exercícios de 2006 a 2011. No final do ano de 2011, o referido município editou lei ordinária, concedendo remissão do crédito tributário desse IPTU exclusivamente aos proprietários ou coproprietários, pessoas naturais, que comprovassem ter auferido rendimentos anuais em montante inferior a R$ 12.000,00, nos exercícios de 2006 a 2011. Considerando que o mais velho dos irmãos se encontra na situação prevista nessa lei, a remissão a) beneficiou a todos os quatro irmãos, pois, por força da solidariedade, ou todos se beneficiam, ou nenhum deles se beneficia. b) não beneficiou nenhum dos quatro irmãos, pois, por força da solidariedade, ou todos se beneficiam, ou nenhum deles se beneficia. c) só beneficiou o irmão mais velho, pois, tendo sido concedida em caráter pessoal, não se estende aos demais. d) só beneficiou o irmão mais velho, extinguindo, por outro lado, a solidariedade entre os demais irmãos não beneficiados pela isenção. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 89 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra e) não beneficiou os quatro irmãos porque não existe solidariedade entre os quatro irmãos em relação ao IPTU devido pelo bem imóvel adquirido. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 90 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 9 – GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA 1 Correta 25 Correta 49 Correta 2 Errada 26 Correta 50 Correta 3 Correta 27 Errada 51 Errada 4 Correta 28 Correta 52 Errada 5 Errada 29 Letra E 53 Errada 6 Errada 30 Errada 54 Errada 7 Errada 31 Errada 55 Errada 8 Correta 32 Correta 56 Correta 9 Errada 33 Correta 57 Errada 10 Correta 34 Errada 58 Correta 11 Errada 35 Correta 59 Correta 12 Errada 36 Errada 60 Letra C 13 Errada 37 Errada 61 Correta 14 Letra D 38 Letra B 62 Correta 15 Errada 39 Errada 63 Correta 16 Errada 40 Letra A 64 Errada 17 Correta 41 Errada 65 Errada 18 Correta 42 Correta 66 Errada 19 Errada 43 Errada 67 Errada 20 Correta 44 Correta 68 Letra C 21 Errada 45 Errada 69 Errada 22 Correta 46 Errada 70 Letra A 23 Letra A 47 Letra A 71 Letra C 24 Errada 48 Letra C - - Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 91 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra 10 – RESUMO DA AULA 10.1 – Legislação Tributária A expressão legislação compreende não apenas atos normativos primários, mas também atos normativos secundários, infralegais, que dispõem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Estão compreendidas na legislação tributária as seguintes normas: Constituição Federal; Leis Complementares; Leis Ordinárias; Medidas Provisórias; Leis Delegadas; Resoluções; Decretos Legislativos; Decretos-Leis; Tratados e Convenções Internacionais; Decretos; Normas Complementares; São funções da lei complementar: Somente a lei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução; III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal e do seu sujeito passivo; IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo; Lei Complementar Instituição alguns tributos Regulamentação de alguns tributos Conflitos de Competência Limitações ao Poder de Tributar Normas Gerais em Matéria Tributária EC/IGF/I.Resid./CSR ITCMD/ICMS/ISS/CS Critérios especiais de tributação Prevenir desequilíbrios da concorrência Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 92 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Deve ser lembrado que a modificação da base de cálculo do tributo, que importe em torná-lo mais oneroso equipara-se à sua majoração. Por outro lado, não constitui majoração de tributo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 10.2 – OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA A obrigação tributária caracteriza-se por uma relação jurídica estabelecida entre dois indivíduos, credor e devedor, cujo objeto consiste em uma prestação de dar, fazer ou deixar de fazer algo. O devedor é denominado sujeito passivo, e o credor, sujeito ativo. O sujeito ativo é o ente instituidor do tributo (União, Estados, DF ou Municípios) ou a pessoa jurídica de direito público titular da capacidade tributária ativa O sujeito passivo é o particular (pessoa física ou jurídica), que fica sujeito ao cumprimento das obrigações tributárias. A obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal possui caráter pecuniário e se refere ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. A obrigação acessória não possui caráter pecuniário, tendo por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 10.3 – FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Hipótese de incidência Previsão abstrata do fato que fará surgir a obrigação tributária. Fato Gerador Ocorre quando um fato se enquadra na definição prevista em lei. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 93 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e dosefeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 10.4 - SUJEITOS DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O sujeito passivo da obrigação principal é aquele que está obrigado a pagar tributo ou penalidade pecuniária. O sujeito passivo da obrigação acessória é o que está obrigado a fazer ou deixar de fazer algo. O sujeito passivo da obrigação principal pode ser contribuinte ou responsável. Em relação aos tributos indiretos, surge a necessidade de se diferenciar contribuinte de fato (quem arca com o ônus do tributo, sem integrar a relação jurídico-tributária) de contribuinte de direito (eleito pela norma como contribuinte, obrigado ao pagamento do tributo). 10.5 – SOLIDARIEDADE EM DIREITO TRIBUTÁRIO A solidariedade ocorre quando duas ou mais pessoas possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou quando a lei assim o estabelece. A solidariedade não comporta benefício de ordem. A solidariedade possui diversos efeitos, os quais podem ser sintetizados no esquema abaixo: Sujeito Passivo Obrigação Principal Obrigação Acessória Obrigado a fazer/deixar de fazer algo Contribuinte Responsável Relação pessoal e direta com F.G. Obrigação decorrente da lei Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 94 de 94 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 06 - Prof. Fábio Dutra Caso seja omisso Se for impossível 10.6 – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO O CTN definiu como regra o domicílio por eleição. As regras previstas relativas ao domicílio tributário constam no art. 127, do CTN, e podem ser esquematizadas do seguinte modo: Efeitos da Solidariedade Pagamento Isenção/Remissão Interrupção da Prescrição Aproveita aos demais Exonera todos os demais devedores Contribuinte Exceto se pessoal a um deles Subsiste saldo p/demais Salvo disposição de lei em contrário... Regra: O sujeito passivo escolhe seu domicílio tributário Pessoa natural: residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade. PJ de direito privado: local da sede ou de cada estabelecimento, para FG nele ocorrido. PJ de direito público: qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. O domicílio será o local dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação Autoridade administrativa recusa o domicílio eleito O domicílio impediu ou dificultou a fiscalização e arrecadação Domicílio Tributário