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1 TRIBUTÁRIO PONTO A PONTO 2 SUMÁRIO 1. TRIBUTO CONCEITOS E ESPÉCIES ................................................................................................ 3 2. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR ........................................................................................ 27 3. COMPETÊNCIA E NORMA TRIBUTÁRIAS .................................................................................... 71 4. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA .......................................................................................................... 82 5. CRÉDITO TRIBUTÁRIO ............................................................................................................... 97 6. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ............................................................................................ 104 7. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .................................................................................... 126 8. EXTINÇÃO E EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .................................................................. 140 9. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E GARANTIAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .................................. 174 3 TRIBUTÁRIO PONTO A PONTO 1. TRIBUTO CONCEITOS E ESPÉCIES Conceito de Tributo (art. 3º do CTN): TRIBUTO É... TODA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA EM MOEDA OU CUJO VALOR NELA POSSA SE EXPRIMIR É o objeto principal que, no direito tributário é em pecúnia (expressa em moeda, dinheiro), como regra. O que isso quer dizer? Que não pode haver quitação com pagamento in natura, por exemplo. Não pode ser em algo que não seja economicamente apreciável ou que não possa ser transformado em pecúnia. Não há tributo in labore. Isso é absoluto? NÃO. O CTN permite a quitação de créditos tributários mediante a entrega de outras utilidades que possam ser expressas em moedas, desde que tais hipóteses estejam previstas no próprio texto do código (art. 141 do CTN). Dação em pagamento de bens imóveis: O art. 156, XI, do CTN permite o pagamento de tributo mediante entrega de bens imóveis, hipótese plenamente compatível com o art. 3º do CTN. COMPULSÓRIA O tributo é receita derivada, porque é auferida por meio do poder de império estatal. O tributo deriva do patrimônio do contribuinte. Risco de Pegadinha: As bancas costumam dizer que os tributos são receitas originárias. Todavia, as receitas originárias originam-se do patrimônio do Estado. Exemplo: aluguel de imóvel de propriedade municipal para particular. 4 QUE NÃO CONSTITUA SANÇÃO DE ATO ILÍCITO Tributo é diferente de multa. Tributo não pode ser punição. O fato gerador é previsto sempre em lei. Se ocorre o fato gerador, o tributo é devido. Sendo assim, sua cobrança pode derivar de uma causa ilícita (“pecunia non olet”). Em que consiste a “pecúnia non olet”? Como visto acima, embora o fato gerador não possa ser um ilícito (mesmo porque matar, roubar, sonegar, não constituem hipótese de incidência), se seus efeitos ou objeto corresponderem a fatos geradores, serão tributados. CRIADA POR LEI Criado por lei ou por Medida Provisória. COBRADA MEDIANTE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE VINCULADA A atividade de imposição de tributos é vinculada, não havendo espaço para a discricionariedade administrativa. É possível novas hipóteses de extinção do crédito tributário por lei ordinária local? SIM. O STF, no recente julgamento da ADI 2.405-MC, afirmou ser possível a criação de novas hipóteses de extinção do crédito tributário na via de lei ordinária local. Fundamentos do julgado: O pacto federativo, que permite ao ente estipular a possibilidade de receber algo de seu interesse para quitar o crédito de que é titular; A diretriz interpretativa segundo a qual “quem pode o mais pode o menos”. Assim, partindo dessa ideia, e considerando também que as modalidades de extinção do crédito tributário estabelecidas pelo CTN (art. 156) NÃO formam um rol exaustivo, o STF firmou a possibilidade de previsão em lei estadual de outra espécie de extinção do crédito tributário, não havendo reserva de lei complementar. (...) a Constituição Federal não reservou à lei complementar o tratamento das modalidades de extinção e suspensão dos créditos tributários, a exceção da prescrição e decadência, previstos no art. 146, III, b, da CF. (...) A partir dessa ideia, e considerando também que as modalidades de extinção de crédito tributário, estabelecidas pelo CTN (art. 156), não formam um rol exaustivo, tem-se a possibilidade de previsão em lei 5 estadual de extinção do credito por dação em pagamento de bens moveis. (STF, ADI 2.405, voto do rel. min. Alexandre de Moraes, j. 20.9.2019, P, DJE de 3.10.2019.) IMPORTANTE! Já houve posicionamento do STF (ADI 1.917 DF) que suspendeu a eficácia de lei ordinária que autorizava a dação em pagamento de bens móveis. No entanto, no próprio julgamento da ADI 2405 RS o Min. Rel. Alexandre de Moraes fez um “distinguishing” em relação à ADI 1.917 DF. Nesta ação, o STF entendeu que a dação em pagamento de bens móveis acabaria por desrespeitar o procedimento licitatório e as regras para aquisição de bens pela Administração Pública pelas especificidades do caso apresentado. Isso porque a lei distrital impugnada tratava sobre pagamento de débitos das microempresas, das empresas de médio e pequeno porte, mediante dação em pagamento em materiais destinados a atender programas do Governo do Distrito Federal. Quer dizer, não se trata de uma disciplina da dação em pagamento no âmbito de uma dada unidade federada, mas de uma lei com forte caráter casuístico. Portanto, não há incongruência entre o entendimento lançado na ADI 2405 RS com o firmado no julgamento definitivo da ADI 1.917 DF. Resumindo as informações: a) O rol de causas de extinção do crédito do CTN é NÃO exaustivo; b) Os entes federados podem sim criar por lei local novas hipóteses extintivas do crédito tributário; c) Assim, é válida previsão em lei estadual de extinção do credito por dação em pagamento de bens moveis; d) A Constituição Federal não reservou à lei complementar o tratamento das modalidades de extinção e suspensão dos créditos tributários Teoria da Tripartição e da Pentapartição: • Teoria da Tripartição: Corrente tradicional. É a corrente legalista, pois a tripartição é extraída do CTN, que previu, em seu artigo 5º, três tributos expressamente: imposto, taxa e contribuição de melhoria. • Teoria da Pentapartição: Visão mais moderna do Direito Tributário. É a corrente jurisprudencial adotada pelo STF, que reconhece a existência de cinco tributos. São eles: imposto, taxa, contribuição de melhoria, empréstimo compulsório e contribuições. TRIPARTIÇÃO PENTAPARTIÇÃO IMPOSTOS IMPOSTOS TAXAS TAXAS 6 CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O artigo 4º do CTN diz que a denominação e a destinação legal não qualificam o tributo. Todavia, há contribuição que apenas se diferencia do imposto por causa da denominação legal. Ademais, o empréstimo compulsório se diferencia das demais espécies tributárias pelo destino da arrecadação. CESPE/CEBRASPE, PGE-PB, 2021 (Adaptada): Consoante as regras do Código Tributário Nacional (CTN), a natureza jurídica específica dos tributos leva em consideração o fato gerador da obrigação tributária. Esse dispositivo do Código distingue os impostos das taxas e das contribuições de melhoria. Certo. Recepção do art. 4º do CTN pela CF/88: Prevalece na doutrina, que a normatividade do art. 4º foi parcialmente não recepcionada pela CF, não sendo mais aplicável às CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS. Por quê? PorqueArt. 177, § 4º, I, 'b', CF. 40 Exceções à noventena (não precisam respeitar a noventena): EXCEÇÃO À NOVENTENA II, IE e IOF Imposto Extraordinário de Guerra Empréstimos compulsórios: a) de guerra b) de calamidade Imposto de Renda Base de cálculo do IPTU Base de cálculo do IPVA Quadro comparativo das exceções à anterioridade anual e à noventena: ANTERIORIDADE ANUAL NOVENTENA II II IE IE IPI IR IOF IOF IEG IEG Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Restabelecimento de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE-Combustíveis Base de cálculo do IPTU Contribuições para a seguridade social Base de cálculo do IPVA Diferença entre imunidades e isenções: As imunidades são efetivadas por meio de normas constitucionais que limitam a competência tributária, impedindo a atuação do legislador. IMUNIDADE ISENÇÃO Prevista na Constituição Federal. Prevista nas leis de cada ente da Federação. 41 É vedação ao poder de legislar sobre o tributo em determinados casos e/ou em relação a determinadas pessoas. É a dispensa legal do pagamento do tributo. É causa de exclusão do crédito tributário. Limita a competência tributária. Há competência tributária, mas ela não é exercida. Interpretação ampliativa. Interpretação literal (art. 111 do CTN). Restringe-se, em regra, aos impostos. Há imunidades de taxas previstas na CF também. Todavia, a regra é a imunidade atinja os impostos, porque o principal dispositivo que trata sobre imunidades é o art. 150, VI, da CF. Em tese, pode abranger quaisquer tributos. Súmula Vinculante n. 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias. Súmula Vinculante n. 50: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Súmula Vinculante n. 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Embora a imunidade e a isenção sejam os institutos mais confundidos. Há quatro hipóteses que acarretam o não pagamento do tributo. Ricardo Alexandre1 explica essa diferença através do seguinte quadro: 1 Alexandre, Ricardo Direito tributário esquematizado / Ricardo Alexandre. – 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2016. 42 CLASSIFICAÇÃO DAS IMUNIDADES OBJETIVAS SUBJETIVAS MISTAS As imunidades podem levar em consideração as pessoas beneficiadas pela (imunidades subjetivas), os objetos cuja tributação é impedida (objetivas) e as duas coisas ao mesmo tempo (mistas). GERAIS ESPECIAIS As imunidades gerais são aquelas estabelecidas para todos os entes tributantes, abrangendo diversos tributos. As imunidades específicas restringem a imunidade a um determinado tributo de uma determinada pessoa política (Exemplo: imunidade do ICMS nas operações de exportação). EXPLÍCITAS IMPLÍCITAS As imunidades que estejam expressamente previstas na Constituição Federal são imunidades explícitas. Ao contrário, as imunidades que não estejam previstas são consideradas implícitas. No Brasil, a regra é que as imunidades sejam explícitas. CONDICIONADAS INCONDICIONADAS A classificação diz respeito à necessidade ou não de regulamentação infraconstitucional. As imunidades condicionadas precisam de tal regulamentação infraconstitucional. Observe: a delimitação da competência advém do texto constitucional. Todavia, é necessário que lei infraconstitucional regulamente o benefício fiscal para a imunidade ter aplicabilidade. As imunidades incondicionadas produzem efeitos independentemente dessa regulamentação. 43 ONTOLÓGICAS POLÍTICAS As imunidades ontológicas são aquelas que existiriam ainda que não estivessem previstas no Texto Constitucional, vez que são fundamentais para a observância dos princípios constitucionais. Exemplo: Isonomia. As imunidades políticas são aquelas que se destinam a proteger princípios, mas são decorrentes da vontade política do legislador constitucional. Exemplo: imunidade religiosa. Imunidades em espécies: Na atual CF, existem imunidades relativas a taxas, impostos e contribuições para a seguridade social. As mais importantes imunidades são aquelas do art. 150 VI da CF, que são aplicáveis exclusivamente aos impostos. Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir IMPOSTOS sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013) As imunidades previstas no texto constitucional são as seguintes: IMUNIDADES É vedado instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. É cláusula pétrea, pois protege o pacto federativo. 44 RECÍPROCA (art. 150, VI, “a”, da CF) CUIDADO! Pegadinha muito comum em prova, essa imunidade refere-se somente aos IMPOSTOS! O objetivo dessa imunidade é garantir o princípio federativo, o equilíbrio na federação porque, dessa forma, os entes não estabelecem disputas tributárias entre si. Os Estados-membros, mesmo gozando de imunidade tributária recíproca, devem cumprir as obrigações tributárias acessórias? SIM. O dispositivo não afasta a possibilidade de obrigações acessórias serem impostas por atos normativos infralegais STF. Plenário. ACO 1098, j. em 11.05.2020). Essa imunidade se aplica aos entes da Administração Indireta? SIM. Art. 150, § 2º - A vedação do inciso VI, (a), é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. A OAB tem direito à imunidade tributária específica? SIM. É pacífico o entendimento de que a imunidade tributária gozada pela Ordem dos Advogados do Brasil é da espécie recíproca (CF, 150, VI, “a”), na medida em que a OAB desempenha atividade própria de Estado. (RE 405267, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 06.09.2018) Até aí tudo bem. Agora, essa imunidade aplica-se inclusive às Empresas Públicas e Sociedade de economia mista? Primeiramente, a análise vem do art. 150, § 3º, da CF: § 3º - As vedações do inciso VI, (a), e do parágrafo anterior (autarquias e fundações) NÃO se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentosprivados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem 45 exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Sendo assim, caso se trata de uma empresa estatal que atue na seara de exploração de atividades econômicas, não se aplica a imunidade recíproca, pois elas devem atuar em pé de igualdade com as demais empresas privadas. Mas e se for uma Empresa Pública, por exemplo, que realize um serviço público? Se for uma Empresa Pública que - NÃO vise ao lucro, - que esteja fora deste ambiente do mercado privado, - nesse caso, diz o STF que a empresa pública é imune (RE 407.099/RS - ECT e AC 1.550-2 - Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia). Requisitos para a concessão de imunidade recíproca às empresas estatais: O STF diz que a aplicabilidade da imunidade às EP e SEM devem observar os seguintes requisitos: a) Restringir-se a propriedade, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais imanentes do ente federado; b) Não beneficiar atividades de exploração econômica, destinada primordialmente a aumentar o patrimônio do Estado ou de particulares; c) Não deve ter como efeito colateral relevante a quebra dos princípios da livre concorrência e do exercício da atividade profissional ou econômica lícita. De olho na jurisprudência: “Visualizada a questão do modo acima – fazendo-se a distinção entre empresa pública como instrumento da participação do Estado na economia e empresa pública prestadora de serviço público – não tenho dúvida em afirmar que a ECT está abrangida pela imunidade tributária recíproca (CF, art. 150, VI, a), ainda mais se considerarmos que presta ela serviço público 46 de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, que é o SERVIÇO POSTAL, CF, art. 21, X (Celso Antônio Bandeira de Mello, ob. cit., p. 636). Correios gozam de imunidade tributária mesmo quando atuam em serviços que concorrem com a iniciativa privada? SIM. De acordo com o STF “a imunidade deve alcançar todas as atividades desempenhadas pela ECT, inclusive as atividades afins autorizadas pelo Ministério das Comunicações, independentemente da sua natureza”. O STF decidiu que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT goza de imunidade tributária recíproca mesmo quando realiza o transporte de bens e mercadorias. Assim, não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de bens e mercadorias realizado pelos Correios. (STF. Plenário. RE 627051/PE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 12.11.2014) (...) 2. A Corte já firmou o entendimento de que é possível a extensão da imunidade tributária recíproca às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público, observados os seguintes parâmetros: a) a imunidade tributária recíproca se aplica apenas à propriedade, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais imanentes do ente federado; b) atividades de exploração econômica, destinadas primordialmente a aumentar o patrimônio do Estado ou de particulares, devem ser submetidas à tributação, por apresentarem-se como manifestações de riqueza e deixarem a salvo a autonomia política; e c) a desoneração não deve ter como efeito colateral relevante a quebra dos princípios da livre-concorrência e do livre exercício de atividade profissional ou econômica lícita”. Precedentes: RE n.º 253.472/SP, Tribunal Pleno. Relator para o acórdão: Min. Joaquim Barbosa, DJe de 1.º.2.11 e ACO 2243/DF, decisão monocrática, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 25.10.13. Sociedade de economia mista, cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores, e que, inequivocamente, está voltada à remuneração do capital de seus controladores ou acionistas, não está abrangida pela regra 47 de imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição, unicamente em razão das atividades desempenhadas (STF. Plenário. RE 600867, Rel. Joaquim Barbosa, Relator p/ Acórdão Luiz Fux, julgado em 29.06.2020 - Repercussão Geral – Tema 508). Sociedade de economia mista estadual prestadora exclusiva do serviço público de abastecimento de água potável e coleta e tratamento de esgotos sanitários faz jus à imunidade tributária recíproca sobre impostos federais incidentes sobre patrimônio, renda e serviços. Vale ressaltar, contudo, que, para a extensão da imunidade tributária recíproca da Fazenda Pública em favor das sociedades de economia mista e empresas públicas, é necessário preencher 3 (três) requisitos: (i) a prestação de um serviço público; (ii) a ausência do intuito de lucro e (iii) a atuação em regime de exclusividade, ou seja, sem concorrência. STF. Plenário. ACO 3410/SE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 20/4/2022 (Info 1051). CESPE/CEBRASPE, PGE-AM, 2016: A imunidade recíproca beneficia sociedades de economia mista que prestem serviços públicos estatais essenciais e exclusivos, como, por exemplo, o serviço de saneamento básico, ainda que tais serviços sejam remunerados por tarifas. Certo. O STF entende que a imunidade tributária recíproca NÃO afasta a responsabilidade tributária por sucessão, na hipótese em que o sujeito passivo era contribuinte regular do tributo devido. Assim, o sucessor, ainda que se tratasse de um ente federado, deveria arcar com a dívida. (STF. 1ª Turma. RE 599.176/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 5.6.2014) NÃO se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade estatal. STF. Plenário. RE 434251/RJ, rel. orig. 48 Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19.4.2017 (Info 861). Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido à pessoa jurídica de direito privado, devedora do tributo. Ex: a União celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma empresa privada por meio da qual esta última poderia explorar comercialmente determinado imóvel pertencente ao patrimônio público federal. A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de imunidade tributária. O STF não aceitou a tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso. STF. Plenário. RE 601720/RJ, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 6.4.2017 (repercussão geral) (Infos 860 e 861). A imunidade tributária subjetiva é aplicada se a entidade imune for contribuinte de fato?2 A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus beneficiários na posição de contribuinte de direito, mas não na de simples contribuinte de fato, sendo irrelevante, para a verificação da existência do beneplácito constitucional, a repercussão econômica do tributo envolvido. • Se a entidade imune for contribuinte de direito: incide a imunidade subjetiva. • Se a entidade imune for contribuinte de fato: não incide a imunidade subjetiva. STF. Plenário. RE 608872/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22 e 23.2.2017 (repercussão geral) (Info 855). Promitente comprador e a imunidade recíproca A CF afirma que a regra imunizante não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. 2 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A imunidade tributária subjetiva é aplicada se a entidade imune for contribuinte de fato?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2018 49 RELIGIOSA (art. 150, VI, “b”, da CF) É vedado instituir impostos sobre templos de qualquer culto, regra que abrange apenas o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as atividades essenciais das entidades. Fundada na liberdade religiosa, é cláusulapétrea. Obs. Imunidade abrange somente os impostos. Jurisprudências sobre o tema: O STF entende que se um imóvel que pertence ao ente imune é alugado, não deixa de estar vinculado as finalidades essenciais do ente, não perdendo a imunidade. A suprema corte exige apenas que os rendimentos obtidos com o aluguel do imóvel se revertam para as finalidades essenciais da instituição Súmula n. 724 do STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Obs.: apesar da súmula referir-se à imunidade do art. 150, VI, c, seu enunciado também se aplica à imunidade religiosa prevista no art. 150, VI, b. Agora, imagine outra hipótese, se o imóvel é de terceiro e é alugado para uma entidade religiosa, ele será imune ao IPTU? SIM. É o que diz o recente texto constitucional acrescido pela EC 116/2022, vide: CF, art. 156, § 1º-A O imposto previsto no inciso I do caput deste artigo (IPTU) não incide sobre templos de qualquer culto, ainda que as entidades abrangidas pela imunidade de que trata a alínea "b" do inciso VI do caput do art. 150 desta Constituição sejam apenas locatárias do bem imóvel. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 116, de 2022) Em relação ao IPTU, ele é um imposto de competência municipal, cujo fato gerador é a propriedade de bens imóveis urbanos. 50 Entendia-se que, para que a isenção de IPTU fosse verificada, exigia-se que o imóvel beneficiado fosse de propriedade da igreja, sendo ela a contribuinte formal do tributo. Dessa forma, imóveis alugados com a finalidade de servir de espaço para cultos não eram alcançados pela imunidade, pois a locação não faz o bem integrar o patrimônio da pessoa. Porém, como sabemos, existe uma praxe no mercado imobiliário de transferir ao locatário, junto à celebração de contrato de aluguel, a responsabilidade de arcar com o ônus do pagamento do IPTU do imóvel. E isso, na prática, passava para as entidades religiosas, que optassem por locar imóveis para exercer suas atividades religiosas, o dever de pagar o IPTU, o que contrariava o intento constitucional de proteção à liberdade religiosa. E o que o Congresso fez? Promulgou a EC 116/2022 que resolveu a problemática, deixando bem claro que NÃO incide o IPTU mesmo que a entidade religiosa figure somente como locatária do bem imóvel. A entidade religiosa goza de imunidade tributária sobre o cemitério utilizado em suas celebrações? Sim, desde que este cemitério seja uma extensão da entidade religiosa (STF. Plenário. RE 578.562, Rel. Min. Eros Grau, julgado em 21.5.2008). Maçonaria: Maçonaria não goza de impunidade religiosa, por não ser uma religião e sim uma ideologia de vida (STF. 1ª Turma. RE 562351/RS). Em suma, para fins de cobrança de ITBI, é do município o ônus da prova de que imóvel pertencente a entidade religiosa está desvinculado de sua destinação institucional. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 444.193-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 4.2.2014 (Info 534). 51 As entidades religiosas podem se caracterizar como instituições de assistência social a fim de se beneficiarem da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, ‘c’, da Constituição, que abrangerá não só os impostos sobre o seu patrimônio, renda e serviços, mas também os impostos sobre a importação de bens a serem utilizados na consecução de seus objetivos estatutários. STF. Plenário. RE 630790/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18.3.2022 (Repercussão Geral – Tema 336) (Info 1047). PARTIDOS POLÍTICOS E SINDICATO DOS TRABALHADORES E INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (art. 150, VI, “c”, da CF) É vedado instituir impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as - atividades essenciais dos partidos políticos, inclusive suas fundações; - das entidades sindicais dos TRABALHADORES; - das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos Observe que não abrange sindicatos patronais. Mesma ressalva, imunidade só para IMPOSTOS. Abrange o sindicado dos empregadores? NÃO. Um primeiro ponto de destaque é que a imunidade somente beneficia os sindicatos dos TRABALHADORES. Entidades educacionais e assistenciais sem fins lucrativos: As entidades educacionais e assistências sem fins lucrativos também estão protegidas desde que atendam aos requisitos estipulados em lei. Essa lei deve ser lei complementar. CF, Art. 146. Cabe à lei complementar: II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; É defeso que lei ordinária regule as limitações constitucionais ao poder de tributar, como o fez a Lei nº 9.532/97, tida por inconstitucional (ADIN nº 1802-3; STF). Quem faz o papel da lei complementar reguladora da imunidade é o art. 14 do CTN: 52 Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a QUALQUER TÍTULO; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. ATENÇÃO! Os aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade, tais como os referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo, continuam passíveis de definição por lei ordinária Imunidade a escolas de ensino mantidas pelos serviços sociais autônomos: O STF reconhece como protegidas pela imunidade as escolas de ensino profissionalizantes mantidas pelos serviços sociais autônomos, como são os casos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (RE 235.737). Manutenção do patrimônio, renda e serviços das instituições imunes vinculados às suas finalidades essenciais: Segundo a jurisprudência pacífica da Corte, o fato de a entidade utilizar seu patrimônio em atividade que gere renda e, a rigor, não se enquadrar nas suas finalidades essenciais, não afasta a imunidade, desde que os recursos obtidos sejam destinados a tais finalidades essenciais. Súmula vinculante n. 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Outrossim, devem ser diferenciadas as seguintes situações: 53 a) Se o CONTRIBUINTE DE DIREITO GOZA DE IMUNIDADE PESSOAL, tem-se por aplicável o benefício constitucional mesmo nos casos em que o encargo econômico do tributo iria naturalmente recair sobre outra pessoa (contribuinte de fato). Ver STF, Tribunal Pleno, RE 186.175-Edv-ED, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 23.08.2006, DJ 17.11.2006, p. 48. b) Mesmo que o CONTRIBUINTE DE FATO GOZE DE IMUNIDADE PESSOAL, o benefício não será aplicável no que concerne às hipóteses em que o tributo tenha como contribuinte de direito uma pessoa não imune. Nestes casos, não há qualquer vedação a que o ente imune seja nomeado responsável pelo pagamento do tributo devido, podendo até mesmo vir a assumir o encargo econômico da exação. Ver STF, 2.ª Turma, RE 202.987/SP, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 30.06.2009, DJe 25.09.2009, p. 1.021. Resumindo: Quando o ente imune vende (contribuinte de direito), ele não está sujeito ao ICMS; quando o ente imune compra (contribuinte de fato), ele está sujeito ao ICMS.De olho na jurisprudência: Súmula n. 730 do STF: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. E se o imóvel da instituição de ensino estiver VAGO ou não edificado, ele, mesmo assim, gozará da imunidade? SIM. O fato de o imóvel estar vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para retirar a garantia constitucional da imunidade tributária. Em suma, essa imunidade tributária é aplicada aos bens imóveis, temporariamente ociosos, de propriedade das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos que atendam os requisitos legais. STF. 1ª Turma. RE 385091/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/8/2013 (Info 714). STF. Plenário. RE 767332/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31.10.2013 (não divulgado em Info). 54 SENAC goza de imunidade tributária no ITBI na aquisição de imóvel onde funcionará a sua sede3 As entidades do chamado “Sistema S”, tais como SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE, também gozam de imunidade porque promovem cursos para a inserção de profissionais no mercado de trabalho, sendo consideradas instituições de educação e assistência social. Se o SENAC adquire um terreno para a construção de sua sede, já havendo inclusive um projeto nesse sentido, deverá incidir a imunidade nesse caso considerando que o imóvel será destinado às suas finalidades essenciais. STF. 1ª Turma. RE 470520/SP, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17.9.2013 (Info 720). Entidade de assistência social que exerce atividade econômica não relacionada com suas finalidade institucionais4 Determinada entidade de assistência social sem fins lucrativos que atende pessoas com deficiência explora uma agência franqueada dos Correios. Em outras palavras, ela é proprietária de uma agência franqueada dos Correios. A renda obtida com essa atividade é revertida integralmente aos fins institucionais dessa entidade. A venda das mercadorias nessa agência franqueada será imune de ICMS? NÃO. O STJ decidiu que não há imunidade nesse caso. Isso porque a atividade econômica fraqueada dos Correios não está relacionada com as finalidades institucionais da entidade de assistência social, ou seja, o serviço prestado não possui relação com seus trabalhos na área de assistência social, ainda que o resultado das vendas seja revertido em prol das suas atividades essenciais. Logo, não se pode conceder a imunidade porque não está preenchido o requisito exposto no ar. 150, § 4º da CF/88 e 3 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. SENAC goza de imunidade tributária do ITBI na aquisição de imóvel onde funcionará a sua sede. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 25/08/2018 4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Entidade de assistência social que exerce atividade econômica. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 25/08/2018 55 art. 14, § 2º do CTN. STJ. 2ª Turma. RMS 46.170-MS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 23.10.2014 (Info 551). Instituição de assistência social conseguiu, por meio de uma perícia, provar os requisitos do art. 14 do CTN5 Se a instituição de assistência social conseguiu, por meio de uma perícia contábil, provar que atende os requisitos do art. 150, VI, “c”, da CF/88 e do art. 14, do CTN, ela terá direito à imunidade tributária, mesmo que não apresente certificado de entidade de assistência social, documento emitido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Não é possível condicionar a concessão de imunidade tributária prevista para as instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos à apresentação de certificado de entidade de assistência social na hipótese em que prova pericial tenha demonstrado o preenchimento dos requisitos para a incidência da norma imunizante. STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 187172-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 18.2.2014 (Info 535). A presente imunidade do art. 150, inc.VI, “c”, da CF abrange o IOF incidente sobre operações financeiras praticadas pelas entidades mencionadas no dispositivo constitucional? SIM, desde que vinculadas às finalidades essenciais dessas instituições. Esse é o entendimento firmado no julgamento do RE 611510/SP (com repercussão geral), em 12.04.2021. A União defendia, no referido recurso, que o IOF estaria fora do alcance da imunidade, ao argumento de que o referido imposto recai sobre operações financeiras, e não sobre patrimônio, renda ou serviços das instituições, estando, assim, fora do alcance da citada norma de imunidade constitucional. 5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Instituição de assistência social conseguiu provar os requisitos do art. 14 do CTN. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 25/08/2018 56 Contudo, o STF entendeu que “os objetivos e valores perseguidos pela imunidade em foco sustentam o afastamento da incidência do IOF, pois a tributação das operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários das entidades ali referidas, terminaria por atingir seu patrimônio ou sua renda”. A exigência de vinculação do patrimônio, da renda e dos serviços com as finalidades essenciais da entidade imune, prevista no § 4º do artigo 150 da CF, não se confunde com afetação direta e exclusiva a tais finalidades. Entendimento subjacente à Súmula Vinculante 52. Presume-se a vinculação, tendo em vista que impedidas, as entidades arroladas no art. 150, VI, “c”, da CF, de distribuir qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, sob pena de suspensão ou cancelamento do direito à imunidade (artigo 14, I, e § 1º, do CTN). Para o reconhecimento da imunidade, basta que não seja provado desvio de finalidade, ônus que incumbe ao sujeito ativo da obrigação tributária. Tese firmada: A imunidade assegurada pelo art. 150, VI, ‘c’, da Constituição da República aos partidos políticos, inclusive suas fundações, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, que atendam aos requisitos da lei, alcança o IOF, inclusive o incidente sobre aplicações financeiras (STF. Plenário. RE 611510/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12.4.2021 - Repercussão Geral – Tema 328) É vedado instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (“d” inc. VI art. 150 da CF). Das imunidades previstas no inciso VI do art. 150, é única puramente objetiva, ou seja, incide tão somente nos impostos incidentes diretamente sobre os livros, jornais, periódicos e sobre o papel destinado a impressão. Não é possível condicionar a imunidade à análise do valor cultural das publicações (STF, 2.a T., RE 221.239/SP) Outros entendimentos: 57 CULTURAL (art. 150, VI, “d”, da CF) A imunidade cultural abrange as apostilas (RE 183.103 SP). Por não poderem ser considerados como destinados à cultura e à educação, os encartes com exclusiva finalidade comercial, mesmo que inseridos dentro de jornais, não estão protegidos pela imunidade (RE 213.094/ES). A imunidade cultural abrange as listas telefônicas, mesmo que veiculem anúncios e publicidade (RE 199.183 SP). A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange osfilmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos (Súmula n. 657 do STF). A imunidade cultural é extensível a qualquer material assimilável a papel utilizado no processo de impressão e à própria tinta especial para jornal (STF, ARE 1100204 SP). A imunidade cultural deve ser interpretada finalisticamente à promoção da cultura e restritivamente no tocante ao objeto, na medida em que alcança somente os insumos assimiláveis ao papel. Assim as chapas de impressão não são beneficiadas com essa imunidade (STF, ARE 930133). A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não abarca o maquinário utilizado no processo de produção de livros, jornais e periódicos. (STF, ARE 1100204/SP). A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF), aplica-se ao livro eletrônico (“e-book”), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo (RE 330817/RJ). A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e- book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias. (SV 57). Imunidade tributária da música nacional (art. 150, VI, “e”, da CF) É vedado instituir impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem 58 como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. OUTRAS IMUNIDADES De custas judiciais, na ação popular, salvo comprovada má-fé (art. 5º, LXXIII) Imunidade de emolumentos referentes ao registro civil de nascimento e certidão de óbito, para os reconhecidamente pobres (art. 5º LXXVI, CF) Imunidade ao ITR das pequenas glebas rurais definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º, II, CF). Imunidade ao IPI das exportações de produtos industrializados (art. 153, § 3º, III, CF) Imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, que se sujeita apenas ao IOF e à extinta CPMF (art. 153, § 5º, CF). Imunidade ao ICMS de operações que destinem mercadorias para o exterior e sobre serviços prestados a destinatários no exterior (art. 155, § 2º, X). Imunidade ao ICMS nas prestações de serviços de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita (art. 155, § 2º, X). Imunidade a todos os impostos nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, § 5º). Imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições para financiamento da seguridade social (art. 195, § 7º, CF). Taxas (XXXIV, art. 5º da CF): “são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal”. Súmula 69 do STF: A Constituição Estadual não pode estabelecer limite para o aumento de tributos municipais. Súmula 503 do STF: A dúvida, suscitada por particular, sobre o direito de tributar, manifestado por dois Estados, não configura litígio da competência originária do Supremo Tribunal Federal. Súmula 657 do STF: A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da Constituição Federal abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. 59 Súmula 730 do STF: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Súmula 160 do STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. Imunidade tributária do art. 149, § 2º, I: O art. 149, § 2º, I, da CF/88 prevê que não poderão incidir contribuições sociais nem contribuições de intervenção no domínio econômico sobre receitas decorrentes de exportação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Trata-se, portanto, de uma espécie de imunidade tributária. Exportação direta e exportação indireta: Conforme explica Vittorio Cassone: “A exportação é direta quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior, com base em contrato. Considera-se exportação indireta quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda (com o fim específico de exportação) para destinatário comprador no Brasil, que funciona como interveniente comercial, que por sua vez emitirá nota fiscal de venda endereçada ao comprador estrangeiro. Nessa hipótese, a exportação será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador.” (Direito Tributário. 28ª ed., São Paulo: GEN/Atlas, 2018, p. 308-309) Se uma empresa brasileira faz a exportação de seus produtos por intermédio de uma Empresa Comercial Exportadora, dizemos que houve uma operação indireta de exportação. 60 Exportação indireta e imunidade. E se este fabricante brasileiro faz essa exportação por intermédio de uma trading company ou de uma Empresa Comercial Exportadora, incide igualmente a imunidade tributária? Incide a imunidade tributária no caso de operações indiretas de exportação? SIM. É o mesmo tratamento. A imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88 abrange também as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação, ou seja, realizadas com a participação sociedade exportadora intermediária (trading companies ou ECEs). Em suma, a tese fixada pelo STF foi a seguinte: A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade exportadora intermediária. STF. Plenário. ADI 4735/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12.2.2020 (Info 966). STF. Plenário. RE 759244/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12.2.2020 (Repercussão Geral – Tema 674). A imunidade tributária do art. 149, § 2º, I, da CF/88 abrange o PIS/Cofins que incidiria sobre o frete contratado por trading companies: Não incide a contribuição para o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas pelo operador de transporte com o serviço de frete contratado por trading companies. STF. Plenário. RE 1367071 AgR-EDv/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17.02.2023 (Info 1083). Imunidades para entidades beneficentes de assistência social: A CF/88 concedeu imunidade para as entidades beneficentes de assistência social afirmando que elas estão dispensadas de pagar contribuições para a seguridade social. Veja: Art. 195 (...) § 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentesde assistência social Apesar de a redação do parágrafo falar em “isentas”, a doutrina afirma que se trata, efetivamente, de uma hipótese de imunidade, pois se trata de uma dispensa constitucional de tributos. O § 7º do art. 195 da CF/88 traz dois requisitos para o gozo desta imunidade: 1) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes de assistência social. 2) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei. 61 Extensão do termo “assistência social”: A assistência social é tratada no art. 203 da CF/88. O STF, contudo, confere um sentido mais amplo ao e afirma que os objetivos da assistência social elencados nos incisos do art. 203 podem ser conseguidos também por meio de serviços de saúde e educação. Assim, se a entidade prestar serviços de saúde ou educação também poderá, em tese, ser classificada como de “assistência social”. A lei a que se refere o § 7º é lei complementar ou ordinária? Lei complementar. Isso já está pacificado no âmbito do STF após o julgamento do Tema 32 (RE 566622), que definiu que a lei complementar é a forma exigível para a definição do que se amolda como entidade de assistência social. Por mais que a constituição não tenha deixado expresso no § 7º do art. 195 que a lei é a complementar, o STF fez uma interpretação em conjunto com o art. 146, inc. II, da CF. Isso porque, pelo fato de uma imunidade se tratar de uma limitação constitucional ao poder de tributar, somente pode ser regulada por lei complementar. Veja o texto constitucional: Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; (...) 1. Aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo são passíveis de definição em lei ordinária, somente exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. 2. É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. 3. Reformulada a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” 4. Embargos de declaração acolhidos em parte, com efeito modificativo. STF. Plenário. RE 566622 ED/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 18.12.2019 (Info 964). ATENÇÃO! Este entendimento do acima explicado (RE 566622) vale também para a imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da CF/88: 62 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Assim, a lei de que trata o art. 150, VI, "c", da CF/88 é uma lei complementar (atualmente, é o art. 14 do CTN). Procedimento de habilitação das entidades pode ser estabelecido em lei ordinária: Vale ressaltar que o STF fez a seguinte distinção: • Os requisitos (exigências, normas de regulação) para que a entidade goze da imunidade devem estar previstos em lei complementar, com base no art. 195, § 7º c/c art. 146, II, da CF/88. Ex: como as entidades deverão atuar para serem consideradas beneficentes, as contrapartidas que deverão oferecer etc. • Por outro lado, as regras sobre o procedimento de habilitação dessas entidades nos órgãos da Administração Pública poderão ser disciplinadas por meio de lei ordinária. Ex: previsão de que a entidade deverá obter, junto ao Conselho Nacional de Assistência Social, o Certificado e o Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, renovado a cada três anos. Para o STF, esta norma trata de meros aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade. Nas palavras do saudoso Min. Teori Zavascki, “a reserva de lei complementar aplicada à regulamentação da imunidade tributária, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF), limita-se à definição de contrapartidas a serem observadas para garantir a finalidade beneficente dos serviços prestados pelas entidades de assistência social, o que não impede seja o procedimento de habilitação dessas entidades positivado em lei ordinária.” Vale ressaltar que a lei ordinária somente poderá prever regras que não extrapolem as exigências estabelecidas na lei complementar (atualmente, o art. 14 do CTN). Qual lei trata desse tema? Recentemente foi promulgada a LC 187/2021, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes e regula os procedimentos referentes à imunidade de contribuições à seguridade social de que trata o § 7º do 63 art. 195 da CF/88, de modo que fazem jus à isenção as entidades que atendam aos requisitos instituídos por aquela lei para o seu gozo. Antes dessa lei, utilizava-se o art. 14 do CTN como norma aplicável ao caso em voga. LC 187/2021 Art. 2º Entidade beneficente, para os fins de cumprimento desta Lei Complementar, é a pessoa jurídica de direito privado, SEM fins lucrativos, que presta serviço nas áreas de assistência social, de saúde e de educação, assim certificada na forma desta Lei Complementar. Art. 3º Farão jus à imunidade de que trata o § 7º do art. 195 da Constituição Federal as entidades beneficentes que atuem nas áreas da saúde, da educação e da assistência social, certificadas nos termos desta Lei Complementar, e que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I - não percebam seus dirigentes estatutários, conselheiros, associados, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, das funções ou das atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II - apliquem suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III - apresentem certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, bem como comprovação de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); IV - mantenham escrituração contábil regular que registre as receitas e as despesas, bem como o registro em gratuidade, de forma segregada, em consonância com as normas do Conselho Federal de Contabilidade e com a legislação fiscal em vigor; V - não distribuam a seus conselheiros, associados, instituidores ou benfeitores seus resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto, e, na hipótese de prestação de serviços a terceiros, públicos ou privados, com ou sem cessão de mão de obra, não transfiram a esses terceiros os benefícios relativos à imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal; VI - conservem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data de emissão, os documentos que comprovem a origem e o registro de seus recursos e os relativos a atos ou a operações realizadas que impliquem modificação da situação patrimonial; VII - apresentem as demonstrações contábeis e financeiras devidamenteauditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade, quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pelo inciso II do caput do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; e 64 VIII – prevejam, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades beneficentes certificadas ou a entidades públicas. § 1º A exigência a que se refere o inciso I do caput deste artigo não impede: I - a remuneração aos dirigentes NÃO estatutários; e II - a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal, obedecidas as seguintes condições: a) nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até o terceiro grau, inclusive afim, de instituidores, de associados, de dirigentes, de conselheiros, de benfeitores ou equivalentes da entidade de que trata o caput deste artigo; e b) o total pago a título de remuneração para dirigentes pelo exercício das atribuições estatutárias deverá ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido para a remuneração dos servidores do Poder Executivo federal. § 2º O valor das remunerações de que trata o § 1º deste artigo deverá respeitar como limite máximo os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação e deverá ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações. § 3º Os dirigentes, estatutários ou não, NÃO respondem, direta ou subsidiariamente, pelas obrigações fiscais da entidade, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 4º A imunidade de que trata esta Lei Complementar abrange as contribuições sociais previstas nos incisos I, III e IV do caput do art. 195 e no art. 239 da Constituição Federal, relativas a entidade beneficente, a todas as suas atividades e aos empregados e demais segurados da previdência social, mas não se estende a outra pessoa jurídica, ainda que constituída e mantida pela entidade à qual a certificação foi concedida. Art. 5º As entidades beneficentes deverão obedecer ao princípio da universalidade do atendimento, vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou categoria profissional. ATENÇÃO! A regra é que a certificação somente será concedida à entidade beneficente que demonstre no exercício fiscal anterior ao do requerimento, o período mínimo de 12 meses de sua constituição, observando o cumprimento legal dos requisitos e da respectiva área de atuação. LC 187/2021 Art. 6º A certificação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento a que se refere o art. 34 desta Lei Complementar, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, sem prejuízo do disposto no art. 3º desta Lei. 65 Excepcionalmente o período mínimo de 12 meses poderá ser reduzido, caso a entidade seja prestadora de serviço por meio de contrato, convênio ou outro instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde (SUS), com o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), ou com o Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas (SISNAD), em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema. (§2º art. 6º da LC 187/2021) Os requerimentos de certificação serão apreciados pela autoridade executiva federal da respectiva área, seja da saúde, educação ou assistência social. O prazo de validade da concessão do certificado será de 3 anos, contado da publicação da decisão de deferimento no Diário Oficial da União, e seus efeitos retroagem à data de protocolo do requerimento para fins tributários (art. 36) Na hipótese de renovação da certificação, o requerimento será tempestivo caso decorra 360 dias que antecedem o prazo final da validação. Os efeitos da renovação serão contados do término da validação anterior, e terão como novo prazo de validade de 03 ou 05 anos na forma do regulamento (art. 37). A seguir, será realizada uma breve análise quantos aos requisitos intrínsecos à lei para a certificação de tais entidades, com base na LC nº 187/2021. A referida Lei, trata do “Requisitos para a Certificação da Entendida Beneficente” no Capítulo II, cuja leitura é recomendável em caso de exigência do edital de concurso. Da entidade de saúde: Para fazer a entidade de saúde deverá, alternativamente (art. 7, da LC nº 187/2021): I - prestar serviços ao SUS; II - prestar serviços gratuitos; III - atuar na promoção à saúde; IV - ser de reconhecida excelência e realizar projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS; ou Para ser certificada pela prestação de serviços ao SUS, a entidade de saúde ainda deverá (art. 9º): I - celebrar contrato, convênio ou instrumento congênere com o gestor do SUS; e II - comprovar, anualmente, a prestação de seus serviços ao SUS no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento), com base nas internações e nos atendimentos ambulatoriais realizados. Para ser certificada conforme o percentual de sua receita em gratuidade na área da saúde, a entidade deve comprovar (Art. 12): I - 20% (vinte por cento), quando não houver interesse de contratação pelo gestor local do SUS ou se o percentual de prestação de serviços ao SUS for inferior a 30% (trinta por cento); 66 II - 10% (dez por cento), se o percentual de prestação de serviços ao SUS for igual ou superior a 30% (trinta por cento) e inferior a 50% (cinquenta por cento); ou III - 5% (cinco por cento), se o percentual de prestação de serviços ao SUS for igual ou superior a 50% (cinquenta por cento). De acordo com o art. 13, §2º da LC nº 187/2021, as entidades de saúde podem ainda serem admitidas sem a exigência da contraprestação em tais hipóteses: I - nutrição II - prática corporal ou atividade física; III - prevenção e controle do tabagismo; IV - prevenção ao câncer; V - prevenção ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) e às hepatites virais; VI - prevenção e controle da dengue; VII - prevenção à malária; VIII - ações de promoção à saúde relacionadas à tuberculose e à hanseníase; IX - redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e de outras drogas; X - redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito; XI - redução da morbimortalidade nos diversos ciclos de vida; XII - prevenção da violência; Da entidade de educação (art. 18): Requisitos para certificação: § 1º As instituições de ensino deverão: I - obter autorização de funcionamento expedida pela autoridade executiva competente; II - informar anualmente os dados referentes à instituição ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); e III - atender a padrões mínimos de qualidade aferidos pelos processos de avaliação conduzidos pela autoridade executiva federal competente. 67 Tais instituições que prestem serviços gratuitos e as que prestam serviços mediante convênio, devem proporcionar bolsas, segundo o perfil socioeconômico definido na lei. Assim tais entidades devem comprovar a oferta de gratuidade na forma de bolsas de estudos e benefícios nos seguintes termos (art. 19): I - bolsa de estudo integral a aluno cuja renda familiar bruta mensal per capita não exceda o valor de 1,5 (um inteiro e cinco décimos) salário mínimo; II - bolsa de estudo parcial com 50% (cinquenta por cento) de gratuidade a aluno cuja renda familiar bruta mensal per capita não exceda o valor de 3 (três) salários mínimos. Anualmente deverá ser concedidaa proporção de 01 bolsa de estudo integral para cada 05 alunos pagantes. Os benefícios consistem em três tipificações: sejam ações destinadas exclusivamente ao aluno, como transporte escolar, uniforme e material (1), ações destinadas à participação do grupo familiar que vise a permanência do aluno na instituição (2), ampliação da jornada escolar com projetos e atividades em tempo integral (3). Da entidade de assistência social: Serão enquadradas as entidades quando prestarem serviços ou realizarem ações socioassistenciais, de forma gratuita, continuada e planejada, para os usuários e a quem delas necessitar, sem qualquer discriminação. Tais entidades poderão desenvolver suas atividades, inclusive por filiais, com ou sem cessão da mão de obra, de modo a contribuir com as finalidades da LC nº 187/2021. Os requisitos para a certificação de entidade de assistência social estão estabelecidos no art. 31: I - ser constituída como pessoa jurídica de natureza privada e ter objetivos e públicos-alvo compatíveis com a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; II - comprovar inscrição no conselho municipal ou distrital de assistência social, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; III - prestar e manter atualizado o cadastro de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do caput do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; IV - manter escrituração contábil regular que registre os custos e as despesas em atendimento às Normas Brasileiras de Contabilidade; V - comprovar, cumulativamente, que, no ano anterior ao requerimento: a) destinou a maior parte de seus custos e despesas a serviços, a programas ou a projetos no âmbito da assistência social e a atividades certificáveis nas áreas de educação, de saúde ou em ambas, caso a entidade também atue nessas áreas; 68 b) remunerou seus dirigentes de modo compatível com o seu resultado financeiro do exercício, na forma a ser definida em regulamento, observados os limites referidos nos §§ 1º e 2º do art. 3º desta Lei Complementar. Obs.: as certificação e renovação serão concedidas às entidades beneficentes com atuação na área de assistência social, nos termos da Lei 8.742/1993, nos termos da execução de serviços elencados na LC n. 187/2021, art. 29. I - serviços, programas ou projetos socioassistenciais de atendimento ou de assessoramento ou que atuem na defesa e na garantia dos direitos dos beneficiários da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; II - serviços, programas ou projetos socioassistenciais com o objetivo de habilitação e de reabilitação da pessoa com deficiência e de promoção da sua inclusão à vida comunitária, no enfrentamento dos limites existentes para as pessoas com deficiência, de forma articulada ou não com ações educacionais ou de saúde; III - programas de aprendizagem de adolescentes, de jovens ou de pessoas com deficiência, prestados com a finalidade de promover a sua integração ao mundo do trabalho nos termos da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e do inciso II do caput do art. 430 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto- Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, ou da legislação que lhe for superveniente, observadas as ações protetivas previstas na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); IV - serviço de acolhimento institucional provisório de pessoas e de seus acompanhantes que estejam em trânsito e sem condições de autossustento durante o tratamento de doenças graves fora da localidade de residência. Por fim, as entidades de atendimento ao idoso de longa permanência, entidades que atuem na redução da demanda de drogas, assim considerada comunidade terapêutica ou outra entidade de cuidado, como: prevenção, apoio, mútua ajuda, atendimento psicossocial, de ressocialização de dependentes do álcool e outras drogas farão jus a imunidade como beneficente de assistência social, desde que cumprido os requisitos legais. Jurisprudências sobre o tema: Não é possível que o CEBAS seja negado em razão do descumprimento de requisitos que não estejam previstos em lei complementar. O certificado de entidade beneficente de assistência social é submetido à renovação periódica a partir da demonstração dos requisitos previstos em legislação complementar vigente em cada época. O art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993 (atualmente revogado), que fazia exigências para a concessão ou renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, é inconstitucional porque os requisitos para o 69 gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar (STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e 2/3/2017). Assim, o ato que negou a renovação de CEBAS com base no art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993 violou direito líquido e certo da entidade. STF. 1ª Turma. RMS 24065/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.3.2019 (Info 933). O que é o CEBAS? Cuida-se de um certificado concedido pelo Governo Federal, por intermédio dos Ministérios da Educação, do Desenvolvimento Social e Agrário e da Saúde, às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social que prestem serviços nas áreas de educação assistência social ou saúde. Têm direito ao CEBAS as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social e que prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação e que atendam às regras previstas na Lei. Súmula n. 352 do STJ: A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes. Súmula n.º 612 do STJ: O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018. CESPE/CEBRASPE, TC-DF, 2021: Segundo a jurisprudência sumulada pelo STJ, a entidade que recebe o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS) passa a usufruir de tais efeitos de forma retroativa à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Certo. Art. 55 da Lei nº 8.212/91: O art. 55 da Lei nº 8.212/91 previa requisitos para que as entidades beneficentes de assistência social pudessem gozar da imunidade tributária do § 7º do art. 195 da CF/88. A segunda parte do inciso V do art. 55 exigia, como requisito para a imunidade, que a entidade beneficente apresentasse, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades. 70 Vale ressaltar que, posteriormente, esse art. 55 foi revogado pela Lei n. 12.101/2009. A segunda parte do art. 55, V, da Lei n. 8.212/91 extrapolou os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN (que regia a imunidade antes da LC n. 187/2021. A pergunta que se faz, no entanto, é a seguinte: essa exigência presente na segunda parte do inciso V do art. 55 podia ser considerada como uma exigência válida para que as entidades beneficentes gozassem de imunidade tributária? A apresentação anual de relatório circunstanciado de atividades era uma exigência válida para que as entidades beneficentes pudessem gozar da imunidade tributária? NÃO. Como já explicado, os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar. A segunda parte do art. 55, V, da Lei nº 8.212/91 extrapolou os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN. Esse foi o entendimento lançado pelo STJ no seguinte julgado: A apresentaçãoanual de relatório circunstanciado das atividades exercidas por entidades beneficentes de assistência social ao INSS, prevista na segunda parte do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não configurava requisito legal válido para a fruição da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF/88. A segunda parte do inciso V do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 não era requisito legal para a fruição da imunidade, mas sim uma mera obrigação acessória com o fim de permitir a fiscalização do cumprimento da obrigação principal de aplicação integral dos recursos da entidade beneficente nos objetivos institucionais (art. 14, II, do CTN). STJ. 1ª Turma.REsp 1345462-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 07.12.2017 (Info 619). 71 3. COMPETÊNCIA E NORMA TRIBUTÁRIAS “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico” (art. 24, I, CF). No que concerne a matéria tributária, compete a União editar normas gerais de observância obrigatória para todos os entes tributantes, restando aos Estados e ao DF a competência suplementar (COMPETÊNCIA CONCORRENTE: art. 24, inc. I, da CF). IMPORTANTE! Se a União não editar normas gerais, os Estados e o DF exercerão a competência legislativa plena para atender as suas peculiaridades. Ex.: IPVA. E em relação aos municípios? Possuem a competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, inc. I, da CF). Natureza do CTN: O CTN não nasceu com status de lei complementar. Todavia, o CTN tem força de lei complementar desde 15 de março de 1967 (CF de 1967) e não a partir da CF de 1988. As normas gerais em matéria tributária constantes do CTN têm, hoje, status de lei complementar, só podendo ser alteradas por lei complementar. Hipóteses que exigem regulação por LEI COMPLEMENTAR: Art. 146 da CF. Veja, não cabe à LC inovar, mas tão somente regulamentar. Portanto, tratando-se de imunidade, sua regulamentação deve ser feita por LC. Tributos que exigem lei complementar: IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES RESIDUAIS DECORE: Quem tem GRANDE FORTUNA não pede EMPRÉSTIMO e não paga IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES RESIDUAIS. A CF cria tributos? NÃO. Apenas outorga a competência para que os entes políticos o façam por meio de leis próprias. 72 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA Conceito de competência tributária: Como visto, trata-se do poder atribuído pela Constituição de editar leis que instituam tributos. Competência tributária e a indelegabilidade: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de ARRECADAR ou FISCALIZAR tributos (capacidade tributaria ativa), ou de EXECUTAR leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. § 1º A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. § 2º A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. § 3º Não constitui delegação de competência o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos. - A competência tributária é indelegável, intransferível, inalterável e irrenunciável, pois é traçada pela CF. Desse modo, admitir a delegação de competência para instituir um tributo é o mesmo que admitir que a Constituição seja alterada por norma infraconstitucional. A EXCEÇÃO prevista no art. 7º não se refere a todos os aspectos da competência tributária, mas tão somente a capacidade tributária ativa, denominação dada pela doutrina a parcela meramente administrativa da competência tributária. CESPE/CEBRASPE, TCE-PR, 2016: Ao contrário da capacidade tributária ativa, a competência tributária é delegável apenas às pessoas jurídicas de direito público. Errado. Capacidade tributária ativa é delegável, a competência tributária não. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. - Esse dispositivo trata da capacidade tributária ativa, que é delegável de uma pessoa jurídica de direito público para outra. A capacidade tributária ativa é diferente de competência tributária. 73 Qual é a diferença entre competência tributária e capacidade ativa? Em sentido estrito, a competência tributária é política e se refere a possibilidade de editar lei instituindo o tributo, definindo seus elementos essenciais. A capacidade ativa, por sua vez, decorre da competência tributária, mas possui natureza administrativa, referindo-se as funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária. Esquematizando: Competência Legislativa para instituir tributos: indelegável Capacidade para arrecadar tributos: delegável. Competência tributária em sentido amplo: Instituição: indelegável Arrecadação: delegável Fiscalização: delegável Execução: delegável CESPE/CEBRASPE, TCE-ES, 2013 (Adaptada): A competência tributária é indelegável, mas a fiscalização da cobrança de um tributo constitucionalmente criado pode ser atribuída a outro ente da Federação. Certo. CESPE/CEBRASPE, TRF2/JUIZ, 2013 (Adaptada): Pode ser objeto de delegação a capacidade tributária ativa. Certo. Características da competência tributária: FACULTATIVIDADE INDELEGABILIDADE INALTERABILIDADE INCADUCABILIDADE PRIVATIVIDADE 74 Repartição da competência: UNIÃO – Art. 153, da CF. Trata-se de competência privativa. II – Imposto de Importação; IE – Imposto de Exportação; IPI – Imposto de Produto Industrializado; IOF – Imposto sobre Operação Financeira; São os impostos que conhecemos como os impostos extrafiscais. Ainda temos: IR – Imposto de Renda; ITR – Imposto Territorial Rural; IGF – Imposto Sobre Grandes Fortunas (que nunca foi criado e se um dia for, terá que ser por lei complementar). A União ainda pode criar: Impostos Residuais (são os impostos novos cujos fatos geradores e respectivas bases de cálculo não estão previstas na Constituição - LC); Imposto Extraordinário de Guerra (LC ou LO). Obs.: Só a União pode criar esses impostos. Os Estados não podem e nem os Municípios. ESTADOS – Art. 155, da CF Os Estados só podem criar os seguintes impostos: ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores IMPORTANTE! Os Estados não têm competência para criar impostos residuais. É uma pegadinha frequente e relativamente fácil nas provas de primeira fase, dizer que os Estados têm competência residual. Não têm! 75 MUNICÍPIOS – Art. 156, da CF Os Municípios só podem criar os seguintes impostos: ISS – Imposto Sobre Serviços ITBI – Imposto sobre Transmissão Onerosa e por ato Inter Vivos de Bens Imóveis. IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano Os Municípios também não podem criar impostos residuais. Competência tributária residual Trata-se da competência atribuída à União para instituir novos impostos ou novas contribuições, não especificamente previstos na Constituição. A União pode instituir, mediante lei complementar, novos impostos, desde que sejam: - NÃO cumulativos e; - NÃO tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na CF. Art. 154: A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior,desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; CESPE/CEBRASPE, IBAMA, 2013: No que diz respeito à instituição de impostos, apenas a União dispõe da denominada competência tributária residual. Certo. Esse art. 154, inc. I, da CF, aplica-se, também, ao constituinte derivado? Em outras palavras pode-se criar tributos por emenda constitucional sem a observância do disposto no referido artigo constitucional? Não se aplica o art. 154, inc. I, da CF. No julgamento da ADI 939/DF, o STF firmou posicionamento no sentido de que a “técnica da competência residual é para o legislador ordinário e não para o constituinte derivado e a não cumulatividade e o não bis in idem NÃO PRECISAM SER OBSERVADOS quando da criação de um novo imposto através de EMENDA CONSTITUCIONAL”. Além disso, a União pode instituir novas contribuições sociais de financiamento da seguridade social (§4º art. 195 da CF). Assim, é possível dizer que a União possui duas espécies de competência residual: 76 a) Para instituir novos impostos; e b) Para instituir novas contribuições sociais de financiamento da seguridade social. Em ambos os casos, são necessárias: - a instituição via lei complementar; - a obediência à técnica da não cumulatividade e; - a inovação quanto às bases de cálculo e fatos geradores. Quanto ao último aspecto, o STF entende que a exigência de inovação só existe dentro da própria espécie tributária. IMPORTANTE! A exigência de utilização de lei complementar só é aplicável para a criação de novas contribuições (residuais). Para a criação daquelas cujas fontes já constam da constituição, vale a regra geral: a utilização de LEI ORDINÁRIA. Então, para regulamentar o PIS/PASEP, COFINS, CSLL, basta LEI ORDINÁRIA. Competência extraordinária Além da competência residual, a União detém as competências para criar, na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários de guerra (NÃO necessariamente por lei complementar, ISSO PEGA MUITO EM PROVA), compreendidos ou não em sua competência tributária. CF: Art. 154 (…) II - na iminência ou no caso de guerra externa, IMPOSTOS EXTRAORDINÁRIOS, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação. CTN: Art. 76. Na iminência ou no caso de guerra externa, a União pode instituir, temporariamente, impostos extraordinários compreendidos ou não entre os referidos nesta Lei, suprimidos, gradativamente, no prazo máximo de cinco anos, contados da celebração da paz. No uso dessa competência, denominada extraordinária, a União poderá delinear como fato gerador dos Impostos Extraordinários de Guerra/IEG – praticamente qualquer base econômica não imune, inclusive as atribuídas constitucionalmente aos Estados e Municípios e DF. Não seria um caso de invasão de competência estadual ou municipal, pois a União estaria usando competência própria, expressamente atribuída pela CF. IMPORTANTE! Trata-se de uma exceção ao bis in idem e à bitributação! Trata-se de uma hipótese de bitributação (cobrança do mesmo tributo por dois entes tributantes diversos) constitucionalmente autorizada (IEG), caso a União adote hipótese de incidência do IEG própria de tributo de outro ente. 77 Dessa forma, é possível afirmar que, no tocante a impostos, somente a União possui competência privativa absoluta, pois, no caso de guerra externa ou sua iminência, está autorizada a tributar as mesmas bases econômicas atribuídas aos demais entes políticos. IMPORTANTE! Esses impostos em comento são: TEMPORÁRIOS; e VINCULADOS às causas de sua criação; Bitributação x Bis in idem: BITRIBUTAÇÃO ocorre quando entes tributantes diversos exigem do mesmo sujeito passivo tributos decorrentes do mesmo fato gerador. (BI vem de dois: dois entes cobrando). Em regra, é vedada. BIS IN IDEM ocorre quanto o mesmo ente edita leis exigindo tributos diversos sobre o mesmo fato gerador. Não há proibição expressa. Assim, a União está autorizada a criar contribuição social para financiamento da seguridade social incidente sobre a receita ou faturamento (CF, art. 195, I, b). No exercício de tal competência, a União Federal instituiu não somente uma, mas duas contribuições (COFINS e PIS), num cristalino exemplo de bis in idem. Existem, contudo, duas situações em que a bitributação é legitima (exceções): A primeira decorre da possibilidade de que a União institua, na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária. A segunda situação ocorre nos casos envolvendo Estados-nações diversos, principalmente no que concerne à tributação da renda. A título de exemplo, quando um residente no Brasil recebe rendimentos de trabalho realizado no Uruguai, os dois Estados podem cobrar imposto sobre a renda, sendo a bitributação legítima. A única maneira de evitar a dupla incidência é a celebração de tratado internacional, o que não ocorre nos casos envolvendo Brasil e Uruguai. Impossibilidade de o CTN alterar conceitos de direito privado que estejam consagrados na CF/88. Legislação tributária: Art. 96. A expressão "LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 78 Normas complementares: Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas: Os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas visam detalhar a aplicação das normas (superiores) que complementam. Decisões dos órgãos coletivos e singulares de jurisdição administrativa a que a Lei atribua eficácia normativa: Estes órgãos ditos “julgadores” realizam mero controle de legalidade dos atos praticados pela administração tributária. No entanto, o CTN qualificou tais repartições administrativas como “órgãos coletivos ou singulares de jurisdição administrativa” Práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas: Na prática, o entendimento leva a impossibilidade de punição de todos os contribuintes que, seguindo as práticas administrativas, cometeram atos que, em tese, configurariam descumprimento da legislação tributária. O fundamento é a isonomia. Se alguns não são punidos, todos os que praticaram os mesmos atos tem a garantia de não serem punidos. Convênios que entre si venham a celebrar a União, os Estados e o DF e os municípios: Observação: No que concerne ao ICMS, alguns convênios têm previsão constitucional, sendo, portanto, normas primárias, de hierarquia legal, não podendo ser classificados como atos meramente complementares. Vigência e aplicação da legislação tributária: A regra fundamental aqui é a da TERRITORIALIDADE. As normas expedidas por um ente só têm vigência dentro do seu respectivo território, não sendo aplicáveis aos fatos ocorridos nos territórios dos demais entes. Art. 102. A legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos respectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas pela União. Extraterritorialidade prevista em convênio de cooperação: Segundo o art. 102 do CTN, a extraterritorialidade é admitida nos limites em que reconhecida nos convênios de que participem os municípios, os Estados e o DF. 79 Extraterritorialidade prevista em norma geral nacional: Haverá também extraterritorialidade nos limites que dispunham o próprio CTN ou outras normas gerais expedidas pela União. Vigência temporal: Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I - os ATOS ADMINISTRATIVOSas contribuições especiais só se distinguem dos impostos pelo nome e produto da arrecadação, que segundo o art. 4º são critérios irrelevantes. Exemplo IRPJ e CSLL. Também não se aplica o art. 4º aos empréstimos compulsórios, quanto estes só de distinguem das demais espécies pelo fato de serem restituíveis. CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA, 2017: A identificação do fato gerador é elemento suficiente para a classificação do tributo nas espécies tributárias existentes no ordenamento jurídico: impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições e empréstimos compulsórios. Errado. Importância da base de cálculo na definição do tributo: Em virtude de a CF, no art. 145, § 2º, proibir que as taxas tenham base de cálculo própria de imposto, pode- se concluir que, além do fato gerador, torna-se necessário, também, avaliar a base de cálculo para decifrar sua natureza jurídica. Dessa forma, um cotejo entre a base de cálculo e fato gerador é o melhor método para o deslinde da questão. 7 Súmula Vinculante n. 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. CESPE/CEBRASPE, DPU, 2017: No cálculo do valor de determinada taxa, pode haver elementos da base de cálculo de algum imposto, desde que não haja total identidade entre uma base e outra. Certo. FGTS é tributo? NÃO. O STF possui entendimento no sentido de que as contribuições para o FGTS não são tributos. Súmula n. 353 do STJ: As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições para o FGTS. Se existir simultaneamente vários débitos vencidos do mesmo sujeito para com a mesma pessoa de direito público, a ordem de quitação é pelo caráter contraprestacional do tributo: contribuição de melhoria, taxas e impostos (art. 163, II, do CTN). Classificação doutrinária dos tributos: Quanto à discriminação das rendas Federais, estaduais ou municipais. Quanto ao exercício da competência impositiva Privativos: aqueles em que a CF destina competência exclusiva a um ente político para instituição de tributo. Comuns: a CF defere competência para instituição de um tributo de forma indiscriminada a todos os entes políticos. Residuais: competência atribuída à União para criar novos impostos e novas contribuições sociais para a seguridade social. Quanto à finalidade Fiscal: visa precipuamente a arrecadar, carrear recursos para os cofres públicos (ICMS, ISS, por exemplo). Extrafiscal: objetiva fundamentalmente intervir numa situação social ou econômica (II, IE, por exemplo). 8 Para fiscal: quando a lei nomeia sujeito ativo diverso da pessoa que a expediu, atribuindo-lhe a disponibilidade dos recursos para o implemento de seus objetivos. Quanto à hipótese de incidência Vinculados (retributivos): os tributos cujo fato gerador decorrem de uma atividade estatal (exemplo taxa). Não vinculados (contributivos): os tributos cujo fato gerador não tenha como necessidade que o estado desempenhe qualquer atividade específica voltada para o sujeito passivo para legitimar a cobrança (ex.: impostos). Quando ao destino da arrecadação: Tributos de arrecadação vinculada: aqueles em que a receita obtida deve ser destinada exclusivamente a determinadas atividades (ex.: CSLL). Tributos de arrecadação não vinculada: o Estado tem liberdade para aplicar suas receitas em qualquer despesa autorizada no orçamento (ex.: impostos). IMPORTANTE! As taxas e contribuições de melhoria são tributos de arrecadação NÃO vinculada, salvo as custas e emolumentos. Quando à possibilidade de repercussão do encargo econômico-financeiro: Diretos: são os tributos que NÃO permitem translação do seu encargo econômico-financeiro (Ex.: IR). Indireto: os tributos que, em virtude de sua configuração jurídica, permite translação do seu encargo econômico-financeiro para uma pessoa diferente daquela definida em lei como sujeito passivo (ex.: ICMS). Quando aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência: Reais: os tributos que, em sua incidência, não levam em consideração aspectos pessoais, subjetivos. Eles incidem objetivamente sobre coisas. Ex.: IPVA. Pessoais: os tributos que incidem de forma subjetiva, considerando os aspectos pessoais do contribuinte. Ex.: IR. 9 Todos os impostos são não vinculados. O imposto é um tributo que não goza de referibilidade. Já as taxas e contribuição de melhorias são, claramente, tributos vinculados. Em relação à vinculação do fato gerador a prestações estatais VINCULADO NÃO VINCULADO Taxas; Contribuições de melhoria; Contribuições previdenciárias. Impostos. Impostos: Os impostos são tributos NÃO VINCULADOS e de ARRECADAÇÃO NÃO VINCULADA. Sua receita presta-se ao financiamento de SERVIÇOS UNIVERSAIS, ou seja, atividades gerais do Estado. O que isso significa? Significa que o fato gerador dos impostos não está vinculado a nenhuma atuação estatal. Sua receita presta-se ao financiamento de atividades gerais do Estado, remunerando os serviços universais (uti universi) que, por não gozarem de referibilidade (especificidade e divisibilidade), não podem ser custeadas por intermédio de taxas. CESPE/CEBRASPE, STJ, 2018: O imposto se distingue das demais espécies de tributos porque tem como fato gerador uma situação que independe de atividades estatais específicas. Certo. A CF atribui competência aos entes federativos para instituição dos impostos. Todavia, a CF não cria imposto algum. 10 UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS II - Imposto de Importação IE – Imposto de Exportação IR – Imposto de Renda IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados IOF - Imposto sobre operações financeiras ITR – Imposto Territorial Rural IGF – Imposto sobre Grandes Fortunas ITCMD - Imposto por Transmissão por Causa Mortis e Doação ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços interestadual, intermunicipal e de comunicação IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano A União detém a COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA RESIDUAL. Ela pode criar novos impostos, desde que: não-cumulativos; não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados na CF. Para isso, é necessário lei complementar. A União detém COMPETÊNCIA EXTRAORDINÁRIA (IEG) para instituir impostos extraordinários de iminência ou de guerra externa. O IEG pode ter fato gerador próprio de tributos de competência das demais pessoas políticas. A cessação do imposto extraordinário é GRADATIVA. Nesse, NÃO é necessário lei complementar. 11 Risco de Pegadinha: As bancas trocam qual hipótese -exige lei complementar. Portanto, decore que a competência extraordinária demanda lei ordinária (ou seja, não complementar). Bitributação é o mesmo que bis in idem? NÃO. No direito tributário de feição interna, a bitributação consiste na dupla tributação sobre o mesmo fato gerador, imposta por duas pessoas jurídicas de direito público distintas. Já o bis in idem, se dá quando sobre o mesmo fato gerador há dupla incidência, imposta pela mesma pessoa de direito público. Não há proibição genérica no ordenamento pátrio, quanto ao bis in idem, mas devem ser observadas as restrições do art. 154, I e 195, §4º, da CF (fatos geradores e bases de cálculo diferentes das já existentes no caso da competência residual). Esse art. 154, inc. I, da CF, aplica-se, também, ao constituinte derivado? Em outras palavras pode-se criar tributos por emendaa que se refere o inciso I do artigo 100, NA DATA DA SUA PUBLICAÇÃO; II - as DECISÕES A QUE SE REFERE O INCISO II DO ARTIGO 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (TRINTA) DIAS APÓS A DATA DA SUA PUBLICAÇÃO; III - os CONVÊNIOS a que se refere o inciso IV do artigo 100, NA DATA NELES PREVISTA. Art. 104 do CTN e a anterioridade: O princípio da anterioridade se trata de uma regra relativa à produção de efeitos, não disciplinando a vigência das leis que criam ou majoram tributos. Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a IMPOSTOS sobre o PATRIMÔNIO OU A RENDA: I - que instituem ou majoram tais impostos; II - que definem novas hipóteses de incidência; III - que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da irretroatividade no CTN: Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Exceções legais à irretroatividade: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado (em aberto, na esfera judicial): a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 80 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Interpretação no CTN: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpreta-se LITERALMENTE a legislação tributária que disponha sobre: I - SUSPENSÃO OU EXCLUSÃO do crédito tributário; II - outorga de ISENÇÃO; III - dispensa do cumprimento de OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. Art. 112. A lei tributária que DEFINE INFRAÇÕES, OU LHE COMINA PENALIDADES, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, EM CASO DE DÚVIDA quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Princípio do “pecúnia non olet” no CTN: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Sendo assim, os requisitos para que se considere válido um negócio jurídico sob a ótica do direito civil (agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, forma prescrita ou não defesa em lei) são irrelevantes para se interpretar a definição legal de fato gerador. Por isso, o próprio CTN (art. 126) prevê que a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; 81 III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Integração da legislação tributária: Tratando-se de matéria tributária a solução dos problemas das lacunas tem por base a regra específica – portanto prevalente – constante do art. 108 do CTN, abaixo transcrito: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ORDEM INDICADA (ordem hierárquica): I - a ANALOGIA; II - os princípios gerais de DIREITO TRIBUTÁRIO; III - os princípios gerais de DIREITO PÚBLICO; IV - a EQUIDADE. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido . Analogia não pode resultar em Exigência. Equidade não pode resultar em Dispensa de tributo. (AE-ED). 82 4. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Conceito de obrigação tributária: A obrigação tributária consiste num: - vínculo jurídico transitório - entre o sujeito ativo (credor) e o sujeito passivo (devedor) e - tem por objeto uma prestação em dinheiro. Tipos de obrigação (art. 113 do CTN)6: OBRIGAÇÃO ORIGEM OBJETO PRINCIPAL LEI Pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (obrigação de dar) ACESSÓRIA LEGISLAÇÃO Prestações positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (obrigação de fazer, não fazer, tolerar). Então, a obrigação de pagar multa é tida como principal? SIM. A obrigação de pagar a multa tributária foi tratada pelo CTN como obrigação tributária principal. Mas, CUIDADO! Embora seja uma obrigação principal, a multa tributária NÃO é tributo. Diferença entre Obrigação Tributária e Crédito Tributário: 1. Conceito de Obrigação Tributária: A obrigação tributária é a soma da hipótese de incidência e do fato gerador em sentido estrito. Ocorrendo no mundo dos fatos (fato gerador em sentido estrito) situação que se enquadre na lei como apta a deflagrar a relação jurídico-tributária (hipótese de incidência), nasce a obrigação tributária. 6 Extraído da sinopse de Roberval Rocha. 83 2. Conceito de Crédito Tributário: Após o surgimento da obrigação tributária, é preciso quantificar o tributo e identificar o sujeito passivo, o que é feito através de um procedimento administrativo chamado de lançamento. Após esse procedimento administrativo, surge o crédito tributário. Em resumo, temos os seguintes estágios: ESTÁGIOS PARA FORMAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 1º) HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA O legislador prevê uma situação apta a deflagrar a origem de uma obrigação tributária. Trata-se de uma situação abstrata, prevista em lei. 2º) FATO GERADOR Ocorre no mundo dos fatos uma situação que se enquadra perfeitamente na hipótese de incidência. 3º) OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Surge a obrigação tributária após a subsunção do fato gerador à hipótese de incidência. Isso gera um vínculo jurídico entre Estado e sujeito passivo. 4º) LANÇAMENTO É preciso quantificar e precisar o sujeito passivo do tributo, por meio de um procedimento administrativo chamando pelo CTN de lançamento. 5º) CRÉDITO TRIBUTÁRIO Finalizado o lançamento, surge o crédito tributário. Obrigação Tributária Principal e Obrigação Tributária Acessória: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Conteúdo ·É obrigação de pagar. Logo, necessariamente, tem conteúdo pecuniário. · É obrigação de fazer ou não fazer. Não tem conteúdo pecuniário. É um dever instrumental. Curiosidade · Como visto, embora a multa não seja tributo, a obrigação de pagá-la é obrigação principal tributária. · Não depende da obrigação principal para existir. Logo, pode existir obrigação acessória sem que exista obrigação principal. Exemplo: art. 14, inciso III, do CTN diz que as entidadesde assistência social devem escriturar livros para gozar da imunidade que lhes é conferida. Conclusão: ainda que as entidades de assistência social imunes não paguem tributos, elas têm que cumprir as obrigações acessórias. Muitas vezes, o cumprimento dessas obrigações acessórias é necessário justamente para comprovar o 84 preenchimento de requisitos para o gozo de imunidades/isenções. Instituição ·Mediante LEI. ·Mediante LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA, que é termo mais amplo do que a lei. Em suma, no direito tributário, tanto um crédito quanto os respectivos juros e multas são considerados obrigação tributária principal, pois o enquadramento de uma obrigação tributária como principal depende exclusivamente do seu conteúdo pecuniário. Inobservância da obrigação acessória: conversão em obrigação principal (alta incidência em prova) CTN, Art. 113, § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos do art. 113, §§ 2º e 3º, do CTN, a obrigação acessória prevista em "legislação tributária" vincula o contribuinte, bem como terceiro, no objetivo de obrigá-lo a fazer, não fazer ou tolerar que se faça, de modo que a não observância do dever legalmente imputado conduz à aplicação de penalidade pecuniária (multa), que se transmuta em obrigação principal. CESPE/CEBRASPE, EBSERH Advogado, 2018: Quando não cumprida, a obrigação acessória se converte em principal no tocante à penalidade pecuniária. Certo. CESPE/CEBRASPE, PGE-PE, 2018: A obrigação acessória é convertida em obrigação principal na hipótese de sua inobservância. Certo. A inobservância da obrigação acessória legitima a imposição de multa, o que transforma a obrigação acessória em principal quanto à penalidade aplicada, cujo "sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto" (art. 122 do CTN). CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA, 2017: O CTN qualifica como obrigação tributária principal aquela que tem por objeto uma prestação pecuniária, distinguindo-a da obrigação tributária acessória, cujo objeto abrange as condutas positivas e negativas exigidas do sujeito passivo em prol dos interesses da administração tributária e as penalidades decorrentes do descumprimento desses deveres instrumentais. Errado. 85 CESPE/CEBRASPE, PGE-AM, 2016. Para fins de cobrança, as penalidades pecuniárias impostas ao contribuinte em virtude do descumprimento de obrigações acessórias são equiparadas à obrigação tributária principal, visto que ambas constituem obrigação de dar. Certo. A obrigação acessória possui caráter autônomo em relação à principal, pois mesmo não existindo obrigação principal a ser adimplida, pode haver obrigação acessória a ser cumprida, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. "O STJ possui o entendimento de que 'a obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, e subsiste, ainda que o tributo seja declarado inconstitucional, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária'. Precedente: REsp 1583022 Risco de Pegadinha: Obrigação principal e acessória 1. As bancas costumam inverter a forma de instituição da obrigação principal e acessória. Dizem que a instituição da obrigação tributária principal deve ser feita por meio de legislação e que a da acessória deve ser feita por meio de lei, o que está errado. 2. As bancas costumam dizer que o pagamento de multa é obrigação tributária acessória, misturando lições do Direito Civil com lições do Direito Tributário. Ora, no Direito Civil, a multa é obrigação acessória. No Direito Tributário, é obrigação principal. 3. As bancas costumam dizer que a obrigação acessória depende da principal, fazendo novamente uma referência ao ensinamento do Direito Civil de que o acessório deve seguir o principal (princípio da gravitação jurídica). Contudo, no Direito Tributário, a obrigação acessória existe independentemente da obrigação principal. 4. O CTN preceitua que a inobservância da obrigação acessória a converte em obrigação principal, referente à penalidade pecuniária. Diante da palavra “conversão”, as bancas costumam dizer que a obrigação acessória deixa de existir para dar surgimento à obrigação principal (penalidade pecuniária). Todavia, isso não é verdade. A obrigação acessória continuará existindo ao lado da obrigação na qual foi “convertida” (principal de pagamento de penalidade pecuniária). As entidades imunes à obrigação tributária principal também o é em relação a obrigação tributária acessória? NÃO. Mesmo no que concerne às entidades imunes, as obrigações acessórias EXISTEM no interesse da fiscalização e arrecadação de tributos, visto que são obrigadas a escriturar livros fiscais para que a 86 Administração Tributária tenha como fiscalizá-las e verificar se as condições para a fruição da imunidade permanecem presentes. A entidade que goza de imunidade tributária tem o dever de cumprir as obrigações acessórias, dentre elas a de manter os livros fiscais. STF. 1ª Turma. RE 250844/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 29/5/2012. CESPE/CEBRASPE, EBSERH Advogado, 2018: Dispensada a obrigação principal ao contribuinte, também se dispensará a obrigação acessória. Errado. Diferença entre Hipótese de Incidência e Fato gerador em sentido estrito: O fato gerador em sentido amplo corresponde à hipótese de incidência e ao fato gerador em sentido estrito. Fato gerado em sentido amplo é gênero. Essas duas outras modalidades são espécies. FATO GERADOR HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA FATO GERADOR EM SENTIDO ESTRITO FATO IMPONÍVEL Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é: · a situação definida em lei · como necessária e · suficiente à sua ocorrência. Art. 113. (...) §1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. · Nesse dispositivo, o CTN refere-se à hipótese de incidência, que é uma das espécies do gênero fato gerador em sentido amplo. · Nesse dispositivo, o CTN refere-se ao fato gerador em sentido estrito, que é também chamado de fato imponível. · Previsão abstrata: É a situação prevista em lei apta a deflagrar a relação jurídico-tributária. · Situação concreta: É a ocorrência no mundo dos fatos da situação prevista na hipótese de incidência. É a materialização da hipótese de incidência. Recorde-se, porém, que para o surgimento do vínculo obrigacional, é necessário que a lei defina certa situação (hipótese de incidência), que verificada no mundo concreto (fato gerador), dará origem à OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. 87 HI + FG = OT. A doutrina de Paulo de Barros Carvalho fala sobre regra-matriz de incidência tributária (RMIT). A RMIT é composta por uma hipótese (critério material, especial e temporal) e por uma consequência (critério pessoal e quantitativo). Ocorrência do Fato Gerador: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivosda obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. SITUAÇÃO DE FATO SITUAÇÃO JURÍDICA Desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. Desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Segundo o artigo 117 do CTN, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: CONDIÇÃO SUSPENSIVA desde o momento de seu implemento. Exemplo: doação de casa se namorados se casarem. Só receberão a casa após celebração do casamento. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Exemplo: doação de casa enquanto marido e mulher continuarem juntos. Se resolverem se separar, perdem a casa. 88 Risco de Pegadinha: 1.As bancas costumam confundir o aluno trocando os conceitos de situação fática e situação jurídica. Como decorar? Situação de fato é uma circunstância material. 2. As bancas costumam trocar o momento da ocorrência do fato gerador dos negócios condicionais, confundindo o aluno entre a condição suspensiva e resolutória. Como decorar? Suspensiva: SUSPENDE o negócio. O negócio fica com eficácia suspensa até o implemento da condição. Condição dá EFICÁCIA. Resolutória: RESOLVE o negócio. O negócio tem sua eficácia desde o início, de modo que o implemento da condição resolve o negócio. Condição dá INEFICÁCIA. As situações jurídicas condicionadas Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Espécies de Fato Gerador: Quanto ao momento da sua ocorrência: Instantâneo Periódico complexo ou complexivo Periódico simples Fato isolado que ocorre num determinado momento plenamente identificável É a situação composta por diversos fatos considerados em conjunto, podendo ser composto por um conjunto de atos simples, e não necessariamente atos complexos, considerados como uma unidade por questões de política tributária É a situação jurídica que se perpetua no tempo Ex.: Saída de uma mercadoria de estabelecimento (ICMS) Ex.: Imposto de Renda Ex.: ITR 89 Conforme estejam ligados ou não à atividade do Estado: Vinculado Não vinculado É aquele cujo fato gerador relaciona-se (vincula-se) a algum tipo de atividade estatal em prol do contribuinte. É aquele cujo fato gerador em nada se relaciona com qualquer atividade estatal em direção ao contribuinte. Ex.: taxas Ex.: impostos Evasão, elisão e elusão fiscal: EVASÃO ELISÃO ELUSÃO (ELISÃO INEFICAZ) Conduta ilícita em que o contribuinte após o fato gerador pratica atos que visam a evitar o nascimento da obrigação tributária. Lembrar do crime de evasão de divisas, conduta ilícita, tipificada criminalmente. Planejamento tributário. A elisão é lícita. Lembrar que eLIsão é LÍcita. É formalmente lícita, mas há um abuso de forma jurídica. Lembrar que a elusão é uma ilusão. Em regra, é posterior ao fato gerador, porque o sujeito passivo esconde o que já ocorreu. Exceção: emissão de notas fraudulentas de ICMS antes da saída da mercadoria do estabelecimento. Em regra, é anterior ao fato gerador, porque é planejada. Exceção: a escolha da modalidade de declaração do Imposto de Renda mais favorável é um exemplo de elisão que ocorre após o fato gerador. Anterior ou posterior. Licitude do comportamento Momento da Ocorrência Elisão Lícita (planejamento tributário). Em regra, antes do FG. Exceção: declaração de IR. Evasão Ilícita (evita o conhecimento da ocorrência do FG pela autoridade) Em regra, após o FG. Exceção: notas fiscais fraudulentas. Elusão (Elisão ineficaz) Formalmente lícita, mas com abuso de forma jurídica. Antes ou após o FG. 90 Norma geral antielisão fiscal: A norma deveria ser chamada de norma antielusão fiscal, porque ela trata da elusão. Todavia, ela é chamada de norma antielisão, porque ela trata da elisão ineficaz. CLT, Art. 116. [...] Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá DESCONSIDERAR atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Requisitos: O ato tenha efeito de ocultar a ocorrência do fato gerador; ou a natureza dos elementos que configuram a hipótese de incidência; e que o ato tenha sido praticado com tal finalidade. Qual foi a interpretação do STF sobre a validade da norma? O STF a declarou constitucional no julgamento da ADI 2446, em 08.04.2022 (info 1050). Vamos analisar o inteiro teor de forma esquematizada. Relação da norma com o princípio da Legalidade: Entendeu o STF que a alegação de ofensa aos princípios da legalidade e legalidade tributária não se sustenta. O fato gerador a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN é o previsto em lei. A desconsideração autorizada pelo referido dispositivo está limitada aos atos ou negócios jurídicos praticados com intenção de dissimulação ou ocultação desse fato gerador. Em outras palavras, o parágrafo único do art. 116 do CTN tem por objetivo, primordialmente, combater a evasão fiscal, sem que isso represente permissão para a autoridade fiscal cobrar tributo por analogia ou fora das hipóteses descritas em lei, mediante interpretação econômica. Ou seja, a autoridade fiscal estará autorizada apenas a aplicar base de cálculo e alíquota a uma hipótese de incidência estabelecida em lei e que tenha se realizado. Princípio da lealdade tributária: No julgamento um destaque importante para prova é o fato de que o relator entendeu que a norma impugnada visa conferir máxima efetividade não apenas ao princípio da legalidade tributária, mas também ao princípio da lealdade tributária. Viola o planejamento tributário? 91 NÃO. A Ministra relatora, Carmem Lúcia, reconhece expressamente que a norma do parágrafo único do art. 116 do CTN NÃO retira incentivo ou estabelece proibição ao planejamento tributário das pessoas físicas ou jurídicas, nem proíbe o contribuinte de buscar, pelas vias legítimas e comportamentos coerentes com a ordem jurídica, economia fiscal, realizando suas atividades de forma menos onerosa, e, assim, deixando de pagar tributos quando não configurado fato gerador cuja ocorrência tenha sido licitamente evitada. O que não se aceita são ações que objetivem dissimular, encobrir, falsear ou ocultar a prática de fatos geradores tributários efetivamente já praticados, autorizando a autoridade fiscal a exigir tributos sobre os fatos jurídicos dissimulados, encobertos, falseados ou ocultados pela ação ilícita. Ausência de ofensa ao princípio da separação de poderes: A autora da ADI alegou afronta ao princípio da separação dos poderes, afirmando que o parágrafo único do art. 116 permite que a autoridade fiscal (executiva) atue como legislador, preenchendo as lacunas legais com a interpretação analógica. Porém, o STF afastou essa interpretação também. Explicou a relatora, que o emprego da analogia no direito tributário está autorizado pelo art. 108 do CTN, desde que não resulte em exigência de tributo não previsto em lei. Essa norma mantém-se vigente, não sendo possível ao agente fiscal valer-se da analogia para definir fato gerador. Foi diferenciada a situação da norma impugnada em relação a hipótese de resultar exigência de tributo não previsto em lei.Isso porque nada há na norma questionada a autorizar tal interpretação inteiramente criada pelo intérprete e sem qualquer respaldo normativo ou fático Ao contrário do que foi afirmado pela parte autora, foi afastada qualquer possibilidade de adoção, pelo legislador do parágrafo único do art. 116 do CTN, da teoria da interpretação econômica do fato gerador , porque esta norma não trata de critério de interpretação de lei. Combate à evasão fiscal: Como visto em tópico anterior, elisão fiscal difere da evasão fiscal. Enquanto na primeira há diminuição lícita dos valores tributários devidos pois o contribuinte evita relação jurídica que faria nascer obrigação tributária, na segunda, o contribuinte atua de forma a ocultar fato gerador materializado para omitir-se ao pagamento da obrigação tributária devida. A despeito dos alegados motivos que resultaram na inclusão do parágrafo único ao art. 116 do CTN, a denominação “norma antielisão” é de ser tida como inapropriada, cuidando o dispositivo de questão de norma de combate à evasão fiscal. Resumindo os pontos do julgado: 92 o parágrafo único do art. 116 é constitucional; ele visa a combater a evasão fiscal; ainda continua possível o planejamento tributário lícito das pessoas físicas e jurídicas; a norma em destaque não viola o princípio da legalidade e nem a separação de poderes, mas tão somente combater a evasão fiscal, sem que isso represente permissão para a autoridade cobrar tributo por analogia ou fora das hipóteses descritas em lei, mediante interpretação econômica; a desconsideração autorizada pelo dispositivo está limitada aos atos ou negócios jurídicos praticados com intenção de dissimulação ou ocultação desse fato gerador, não autorizando a tributação com base na intenção do que poderia estar sendo supostamente encoberto por uma forma jurídica. o dispositivo busca aplicar uma base de cálculo e alíquota a uma hipótese de incidência estabelecida em lei e que tenha efetivamente se realizado; a norma impugnada visa conferir máxima efetividade não apenas ao princípio da legalidade tributária, mas também ao princípio da lealdade tributária. Elemento subjetivo da obrigação tributária: sujeito ativo e passivo O elemento subjetivo da obrigação tributária é composto pelo sujeito ativo e pelo sujeito passivo. Em relação ao sujeito ativo, que é o Fisco, o CTN expõe: SUJEITO ATIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA CAPACIDADE TRIBUTÁRIA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ·Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. ·Esse dispositivo trata da capacidade tributária ativa, que é delegável de uma pessoa jurídica de direito público para outra. ·A capacidade tributária ativa é diferente de competência tributária, que é indelegável. ·Art. 7º. A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do §3º do artigo 18 da Constituição. ·A competência tributária é indelegável, intransferível, inalterável e irrenunciável, pois é traçada pela CF. Desse modo, admitir a delegação de competência para instituir um tributo é o mesmo que admitir que a Constituição seja alterada por norma infraconstitucional. 93 Art. 120. Salvo disposição de lei em contrário, a pessoa jurídica de direito público, que se constituir pelo desmembramento territorial de outra, subroga-se nos direitos desta, cuja legislação tributária aplicará até que entre em vigor a sua própria. (É fenômeno denominado inovação subjetiva). Delegação capacidade tributária ativa: É possível a delegação da capacidade tributária ativa à outra pessoa jurídica de direito público, a quem caberá à incumbência de arrecadar/fiscalizar determinado tributo (PARAFISCALIDADE). Muda o polo ativo? NÃO. No julgamento do EREsp n. 1.619.954/SC, a Primeira Seção do STJ declarou a ilegitimidade passiva do SEBRAE, da APEX e da ABDI, nas ações nas quais se questionam as contribuições sociais a eles destinadas, vide: As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas. No mesmo sentido: (...) III – O Superior Tribunal de Justiça vinha entendendo que o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) deve integrar a lide que tem como objeto a contribuição ao salário-educação, conforme decidido nos REsp n. 1.658.038/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 30/6/2017 e AgInt no REsp n. 1.629.301/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 13/3/2017. Entretanto, em recente julgamento, no EREsp n. 1.619.954/SC, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça declarou a ilegitimidade passiva do SEBRAE, da APEX e da ABDI, nas ações nas quais se questionam as contribuições sociais a eles destinadas. Tal entendimento foi fundamentado na constatação de que a legitimidade passiva em tais demandas está vinculada à capacidade tributária ativa. Assim, sendo as entidades referidas meras destinatárias da referida contribuição, são ilegítimas para figurar no polo passivo ao lado da União. O mesmo raciocínio se aplica na hipótese dos autos, apontando a ilegitimidade passiva do FNDE, porquanto a arrecadação da denominada contribuição salário-educação tem sua destinação para a autarquia, com os valores, entretanto, sendo recolhidos pela União, por meio da Secretaria da Receita Federal. IV – Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Recurso Especial do FNDE provido para declarar sua ilegitimidade passiva. RECURSO ESPECIAL Nº 1.743.901 – SP, DJ 03.06.2019. Em relação ao sujeito passivo, que é o contribuinte ou responsável, o CTN vaticina: 94 SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL Relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador. Não tem relação direta e pessoal, mas a lei imputou a responsabilidade. Capacidade Tributária Passiva É a aptidão para ser sujeito passivo da relação jurídico-tributária, que independe: · da capacidade civil das pessoas naturais · de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios · de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Solidariedade: SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA ATIVA Não existe, devido à rígida repartição de competência tributária estabelecida pela Constituição Federal. PASSIVA Hipóteses Pessoas com interesse comum na situação que constitua fato gerador. Pessoas expressamente designadas pela lei. Inexistência de benefício de ordem A solidariedade não comporta benefício de ordem. Melhor forma de entender isso é imaginar que, sendo o Direito Tributário uma expressão da força estatal, suas normas são, em regra, bem favoráveis ao Fisco. O que é melhor para o Fisco? Poder escolher qualquer um dos devedores solidários. Logo, não há benefício de ordem. Efeitos Salvo disposição legal em contrário, os efeitos são os seguintes: · o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. · a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo. · a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. 95 Capacidade tributária passiva: Art. 126. A capacidade tributária passiva independe:I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Domicílio Tributário Conceito de domicílio tributário: Trata-se do local onde o contribuinte deve responder por suas obrigações tributárias. Em regra, esse local será o domicílio de eleição, ou seja, o próprio contribuinte escolhe onde deseja pagar seus tributos. Art. 127. Na falta de eleição (1ª regra: foro de eleição), pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal (2ª regra, no caso da ausência de fixação do foro, segue as seguintes hipóteses): I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável (3ª hipótese de fixação do domicílio) o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior. 1. Regra: O domicílio tributário é escolha do sujeito passivo. As regras do art. 127 somente se aplicam na falta de eleição. 96 2. Embora a escolha seja livre do sujeito passivo, o Fisco pode recusar, de forma motivada, caso constate que o domicílio escolhido impossibilita ou dificulta a arrecadação ou a fiscalização do tributo (art. 127, § 2º, do CTN). É possível que um estabelecimento individualizado, com CNPJ próprio, obtenha certidão negativa de débito, mesmo que a matriz ou outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica possuam débitos em aberto? Atualmente não. Até pouco tempo atrás, o STJ adotava o princípio da autonomia dos estabelecimentos, ou seja, entendia ser possível que um estabelecimento individualizado, com CNPJ próprio, obtivesse certidão negativa de débito, mesmo que a matriz ou outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica possuísse débitos em aberto. (AgRg no AREsp 192.658-AM). Porém, em agosto de 2019 a Primeira Turma do STJ alterou esse entendimento há muito consagrado, para que somente passe a ser possível a emissão de certidão de regularidade fiscal para matriz e filiais se todos os estabelecimentos da empresa estiverem em situação regular (AREsp 1.286.122, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 27.08.2019) Assim, se qualquer estabelecimento de um grupo possuir algum débito em aberto, toda a empresa será impedida de renovar a sua certidão de regularidade fiscal, ou seja, obter certidão negativa de débitos ou positiva com efeitos de negativa. 97 5. CRÉDITO TRIBUTÁRIO Conceito de obrigação tributária: Como visto no tópico anterior, obrigação tributária consiste num - vínculo jurídico transitório - entre o sujeito ativo (credor) e o sujeito passivo (devedor) e - tem por objeto uma prestação em dinheiro. Crédito Tributário: após ocorrido o fato gerador e antes do lançamento, o que existe é a obrigação tributária. O crédito tributário só passa a existir após o lançamento. O lançamento é o procedimento que transforma a obrigação tributária em crédito tributário. CTN, Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Qual a natureza jurídica do lançamento? Natureza jurídica mista (Ricardo Alexandre). Constitutiva do crédito tributário e declaratória quanto à obrigação, a teor do art. 142 do CTN e entendimento do STJ que já afirmou que o crédito tributário não surge com o fato gerador. Ele é constituído com o lançamento. Aplicação das normas tributárias ao lançamento: APLICAÇÃO DAS NORMAS LEI VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 98 LEGISLAÇÃO MATERIAL Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. LEGISLAÇÃO FORMAL LEI VIGENTE NA DATA DO LANÇAMENTO. Art. 144. (...) §1º. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Quando o valor do tributo for em moeda estrangeira, far-se-á a conversão para moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador, SALVO DISPOSIÇÃO DE LEI EM SENTIDO CONTRÁRIO. Competência para lançar: Competência exclusiva do auditor fiscal. A exclusividade da competência para a realização do lançamento vincula até mesmo o juiz, que NÃO PODE LANÇAR, e tampouco corrigir, lançamento realizado pela autoridade administrativa. Nesse sentido, imagine que o auditor faça um lançamento fiscal. Após, o contribuinte queira impugnar ato judicialmente pela via do mandado de segurança. Nesse caso, o Secretário de Estado da Fazenda pode ser arrolado com autoridade coatora? NÃO. O Secretário de Estado da Fazenda não está legitimado a figurar, como autoridade coatora, em mandados de segurança que visa evitar a prática de lançamento fiscal. A autoridade coatora desempenha duas funções no mandado de segurança: a) uma, internamente, de natureza processual, consistente em defender o ato impugnado pela impetração; trata-se de hipótese excepcional de legitimidade ad processum, em que o órgão da pessoa jurídica, não o representante judicial desta, responde ao pedido inicial; b) outra, externamente, de natureza executiva, vinculada à sua competência administrativa; ela é quem cumpre a ordem judicial. (...) VII. A jurisprudência da Segunda Turma do STJ orienta-se no sentido de que o Secretário de Estado da Fazenda não possui legitimidade para figurar, como autoridade coatora, em mandado de segurança que visa 99 afastar exigência fiscal supostamente ilegítima (STJ. 2ª Turma. RMS 54823-PB, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 26.05.2020 - Info 673). Lançamento como atividade vinculada: Como o tributo é cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada, e o lançamento é o ato que formaliza o valor do crédito, dando-lhe certeza, liquidez e exigibilidade, há de se concluir que a atividade de lançar é VINCULADA. Princípio da irreversibilidade do lançamento: Uma vez concluído o lançamento e noticiado o sujeito passivo, a regra é a de que o lançamento não pode ser alterado. É o que se chama de princípio da irreversibilidade do lançamento. Contudo, há exceções. Veja: CTN, Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine;II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. 100 Espécies de lançamento: ESPÉCIES DE LANÇAMENTO DIRETO OU DE OFÍCIO Dispensa auxílio do contribuinte. Além dos tributos que a lei determina como hipótese de lançamento de ofício, esta modalidade de lançamento dar-se-á quando feito em substituição ou para a correção de lançamento não feito ou feito incorretamente em outra modalidade. Lançamento e revisão ex ofício: Dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, ou de terceiro em seu benefício; Fato não conhecido ou não provado no lançamento anterior; Fraude, omissão ou falta funcional da autoridade que efetuou lançamento anterior. MISTO OU POR DECLARAÇÃO Realizado com base na declaração do sujeito passivo. O contribuinte dá informações sobre a matéria de fato. POR HOMOLOGAÇÃO OU AUTOLANÇAMENTO O contribuinte recolhe as informações sobre matéria de fato e enquadra na legislação. Após isso, paga o tributo. A atividade administrativa concentra-se na homologação. Há quem diga que o arbitramento é uma espécie de lançamento de ofício. A doutrina majoritária defende o arbitramento não é uma espécie de lançamento, mas sim uma técnica, também chamada de aferição indireta. O arbitramento apura a base de cálculo mediante elementos indiciários ou presunções legais. Trata-se de modalidade excepcional e subsidiária. Prazo para rever o lançamento: Enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Especificidades do lançamento por homologação: Por meio dessa modalidade de lançamento o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo, sem prévia anuência da autoridade administrativa, que manifestará sua concordância a posteriori com a atividade do sujeito passivo, atestando sua correção. Vejamos o que orienta o art. 150 do CTN: 101 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de ANTECIPAR O PAGAMENTO sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de CINCO ANOS, a contar da OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Da norma retro, extraem-se duas observações: A lei ordinária que rege o tributo pode estabelecer outro prazo para que o fisco homologue o pagamento antecipado. Prevalece na doutrina que essa fixação de outro prazo não pode ser superior a cinco anos, previstos na regra geral do CTN. Na ausência de prazo específico distinto, fica valendo o limite de 5 anos trazidos no §4º do art. 150. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta-se o marco inicial da contagem do prazo quinquenal e aplica-se a regra geral do art. 173, I, do CTN, tendo como marco substitutivo “o do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. A homologação poderá ser expressa ou tácita. Guardem isso: O pagamento antecipado pelo contribuinte EXTINGUE o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Qual o prazo para a homologação tácita do pagamento, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação? Cinco anos, a contar da ocorrência do FATO GERADOR, se a lei não fixar outro prazo. ATENÇÃO! É cinco anos do FATO GERADOR e não do pagamento. 102 O pagamento parcial tem o condão de fulminar a obrigação em sua totalidade? Obviamente que NÃO. No caso de pagamento parcial, a homologação é recusada e a diferença devida é lançada de ofício, deduzindo a parte já carreada aos cofres públicos, incidindo a penalidade a ser porventura aplicada somente sobre o saldo restante. De olho na jurisprudência: Na hipótese de lançamento suplementar de ICMS, em decorrência de dimensionamento incorreto do crédito tributário pelo sujeito passivo (creditamento a maior e diferencial de alíquotas), deve ser aplicado o prazo decadencial do art. 150, § 4º, CTN, e não o art. 173, I, para o Fisco constituir o crédito: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. STJ. 2ª Turma. AREsp 1.471.958-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 18.05.2021 (Info 698). Ausência de declaração do débito: Partindo do pressuposto de que a homologação não pode incidir sobre o nada, o STJ tem entendimento firmado no sentido de que “se não houver antecipação de pagamento, não há falar-se em lançamento por homologação, mas em lançamento de ofício” (STJ, 2.a T., REsp 23.706/RS, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, j. 08.08.1996, DJ 14.10.1996, p. 38.978); de forma que, também neste caso, a contagem dos prazos seguirá as regras estipuladas para o lançamento de ofício. Súmula n. 555 do STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN (lançamento de ofício), nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Declaração sem pagamento: Para fins de constituição do lançamento, o que acontece se houver a declaração, porém, sem a antecipação do pagamento pelo contribuinte? Como já vimos, nos casos em que o tributo foi DECLARADO e NÃO PAGO, há a constituição do crédito tributário sendo possível a imediata inscrição em dívida ativa e posterior ajuizamento da ação de execução fiscal. 103 Esse é o entendimento do STJ, que entendeu que se o contribuinte elabora as declarações informando débitos não pagos, a lei prevêtal situação como confissão de débito, com efeito constitutivo do crédito tributário, NÃO havendo que se falar em decadência. Nas decisões mais recentes o STJ acabou por estender tal raciocínio para todas as declarações tributárias existentes na sistemática do lançamento por homologação. Observe a súmula 436 do STJ: Súmula n. 436 do STJ: A entrega de DECLARAÇÃO pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal CONSTITUI O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. O STF está alinhado a essa posição: (AI 838302 AgR). Resumindo: Se o tributo NÃO foi declarado e NEM PAGO, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte (aplicação do art. 173 I do CTN). A homologação incide sobre o pagamento. Não havendo pagamento nem declaração de débito, não há o que homologar, devendo, por conseguinte, ser utilizada a regra geral de contagem do prazo decadencial para efeito de realização de lançamento de ofício. Se foi declarado e realizado um pagamento a menor, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, para homologar tal pagamento expressamente ou realizar eventual lançamento suplementar (de ofício), caso contrário, ocorrerá homologação tácita e o crédito estará definitivamente extinto (aplicação pura e simples do art. 150 § 4º do CTN7). Se o tributo foi declarado e NÃO PAGO, não há que se falar em decadência, pois o crédito tributário estará constituído pela própria declaração de débito do contribuinte, sendo possível a imediata inscrição em dívida ativa e posterior ajuizamento da ação de execução fiscal (a preocupação passa, portanto, a ser com o prazo prescricional, contado a partir do vencimento do prazo para pagamento). Por fim, quando verificado a presença de dolo, fraude ou simulação sedimentou-se em sede doutrinaria o entendimento no sentido de que, na ausência de regra expressa, a contagem deve ser feita de acordo com a regra geral. 7 CTN, Art. 150, § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação 104 6. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Sujeitos passivos Nos termos do art. 121 do CTN, sujeito passivo “é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária” e que pode ser: contribuinte ou responsável. Diferença entre Contribuinte e Responsável: CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL Tem relação PESSOAL E DIRETA com a situação que constitui fato gerador. NÃO TEM RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA, mas a lei imputou a responsabilidade. Art. 121. I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Art. 121. II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O responsável tributário é aquele que integra a relação jurídico-tributária como devedor de um tributo sem possuir relação pessoal e direta com o fato gerador sendo, pois, um sujeito passivo indireto, devendo ter liame com o fato gerador e ser indicado expressamente na lei. CTN, Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O responsável integra a relação jurídico-tributária? SIM, como devedor, porém, sem possuir relação pessoal e direta com o fato gerador. SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA INDIRETA CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL 105 Substituto tributário x responsável tributário: Substituto tributário é o terceiro obrigado diretamente ao pagamento do tributo em lugar do contribuinte e com recursos que possa exigir ou reter deste. Em outras palavras, a lei obriga um terceiro a apurar o montante devido e cumprir a obrigação de pagamento do tributo no lugar do contribuinte. Responsável tributário, por sua vez, é o terceiro obrigado subsidiariamente ao pagamento do tributo forte no inadimplemento por parte do contribuinte e do descumprimento, pelo responsável, de um dever seu de colaboração para com a Administração que tenha favorecido aquele inadimplemento. Súmula n. 399 do STJ: Cabe à legislação municipal estabelecer o sujeito passivo do IPTU. Súmula n. 585 do STJ: A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação. Súmula n. 431 do STJ: É ilegal a cobrança de ICMS com base no valor da mercadoria submetido ao regime de pauta fiscal. O dispositivo abaixo despenca em provas: CTN, Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a DEFINIÇÃO LEGAL DO SUJEITO PASSIVO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS correspondentes. O CTN retira a eficácia das convenções particulares no ponto em que alteram o sujeito passivo da obrigação tributária. Isso porque sujeito passivo de obrigação tributária deve ser indicado por lei e não por meio de contrato particular. Exemplo: locação de imóvel. Quase todos os contratos de locação atribuem ao locatário o dever de pagar IPTU. Contudo, continua a ser do proprietário a obrigação legal de pagar o IPTU e, portanto, é ele quem possui legitimidade ativa para pedir restituição do tributo em caso de pagamento indevido. Súmula n. 614 do STJ: O locatário não possui legitimidade ativa para discutir a relação jurídico-tributária de IPTU e de taxas referentes ao imóvel alugado nem para repetir indébito desses tributos. Responsabilidade pessoal, solidária ou subsidiária: O artigo que distingue a responsabilidade pessoal da responsabilidade subsidiária é o seguinte: 106 CTN, Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A expressão “Sem prejuízo do disposto neste capítulo” indica que a responsabilidade tributária pode ser tratada pela legislação local dos entes tributantes. As normas gerais estão dispostas no CTN, lei complementar (art. 146, III, b, da CF). Contudo, os entes tributantes podem também legislar sobre responsabilidade tributária, desde que obedeça aos limites traçados pela norma geral. Veja o seguinte entendimento: Súmula n. 399 do STJ: Cabe à legislação municipal estabelecer o sujeito passivo do IPTU. Se violar os termos do CTN, a norma estadual ou municipal será inconstitucional. Veja o precedente do Info 966 do STF (compilado abaixo). A expressão “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte” trata sobre a responsabilidade por substituição tributária, na qual a obrigação tributária já surge para o responsável e não para o contribuinte, que é excluído da relação. O caso é de responsabilidade pessoal. Exemplo: artigo 131 do CTN. CTN, Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aosbens adquiridos ou remidos; II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. A expressão “excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação” trata da responsabilidade subsidiária ou solidária. 107 Responsabilidade por substituição e responsabilidade por transferência: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSTITUIÇÃO, ORIGINÁRIA, DE 1º GRAU TRANSFERÊNCIA, SECUNDÁRIA, DE 2º GRAU A sujeição passiva nasce no mesmo momento da ocorrência do fato gerador. É, por isso, um sujeito passivo direto. A sujeição passiva nasce em momento posterior à ocorrência do fato gerador. É, por isso, um sujeito passivo indireto. A obrigação tributária surge para o responsável e não para o contribuinte, que é excluído da relação. A lei substituiu o contribuinte pelo responsável desde o surgimento da obrigação tributária. A obrigação tributária surge para o contribuinte ou para o responsável. A lei, contudo, transfere a obrigação tributária para algum responsável. Exemplos: Substituição tributária regressiva e progressiva do ICMS. Retenção do IRPF na fonte. Exemplos: Transferência por sucessão. Transferência de terceiros. Substituição tributária e o princípio da praticidade: A responsabilidade por substituição atende ao princípio da praticidade ou praticabilidade tributária, pois tem o fito de simplificar a arrecadação, a redução dos custos despendidos pelo poder público em prol da fiscalização, diminuir os custos suportados pelo contribuinte e evitar as fraudes no recolhimento do tributo. A substituição tributária e a lei complementar: No caso de substituição tributária exige-se o seguinte requisito: previsão em lei complementar federal Para as hipóteses de antecipação do fato gerador do ICMS COM substituição tributária a CF/88 exige, por força do art. 155, § 2º, XII, “b”, da CF/88, a previsão em lei complementar: Art. 155 (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII - cabe à lei complementar: (...) b) dispor sobre substituição tributária; A substituição tributária progressiva do ICMS reclama previsão em lei complementar federal. STF. Plenário. RE 598677/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26.3.2021 (Repercussão Geral – Tema 456) (Info 1011). 108 Reunindo as duas conclusões, o STF fixou a seguinte tese: A antecipação, sem substituição tributária, do pagamento do ICMS para momento anterior à ocorrência do fato gerador necessita de lei em sentido estrito. A substituição tributária progressiva do ICMS reclama previsão em lei complementar federal. STF. Plenário. RE 598677/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26.3.2021 (Repercussão Geral – Tema 456) (Info 1011). Mas cuidado! A lei complementar a que se faz referência na mencionada tese de julgamento é a Lei Complementar nº 87/96, satisfazendo assim o comando do art. 155, § 2º, XII, “b”, da Constituição. Por outro lado, exige-se, por parte de cada um dos entes competentes para instituir o ICMS, lei própria no sentido de operacionalizar o que previsto em norma geral da legislação tributária. É o que se depreende do art. 150, § 7º, do Texto Constitucional, assim redigido: “A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.” No caso dos autos, fica claro que a expressão “lei”, presente no art. 150, § 7º, da Constituição da República, diz respeito à espécie legislativa “lei ordinária” (art. 59, III, CF/88). A instituição de hipótese de substituição tributária do ICMS, imputando-se a estabelecimento atacadista o dever de recolhimento do tributo em relação às operações subsequentes, pode ser feita por meio de lei ordinária estadual, devidamente regulamentada por decreto. STF. Plenário. ADI 5702/RS, Rel. Min. André Mendonça, julgado em 21.10.2022 (Info 1073). Responsabilidade por substituição, originária ou de 1º grau: As duas formas de substituição tributária que mais merecem atenção para concursos da Advocacia Pública são as seguintes: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA REGRESSIVA OU PARA TRÁS PROGRESSIVA OU PARA FRENTE As pessoas das posições anteriores da cadeia de consumo são substituídas por pessoas que ocupam posições posteriores. As pessoas das posições posteriores da cadeia de consumo são substituídas por pessoas que ocupam posições anteriores. Há um diferimento, um adiamento no pagamento do tributo, porque quem paga está em posição Há uma antecipação no pagamento do tributo, porque quem paga está em posição anterior, substituindo quem está em posição posterior. 109 posterior, substituindo quem está em posição anterior. Por qual razão o Fisco optará por receber o imposto de forma adiada? Por uma questão de fiscalização na arrecadação. CF, Art. 150. (…) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Como calcular o imposto de um fato gerador que ainda não ocorreu? De fato, o fato gerador é presumido. O montante do tributo é calculado na forma do art. 8º, inciso II, da Lei Complementar n. 87/96 – Lei Kandir. Art. 8º. A base de cálculo, para fins de substituição tributária, será: (...) II - em relação às operações ou prestações subseqüentes, obtida pelo somatório das parcelas seguintes: a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo substituto tributário ou pelo substituído intermediário; b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou tomadores de serviço; c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa às operações ou prestações subseqüentes. (...) § 4º A margem a que se refere a alínea c do inciso II do caput será estabelecida com base em preços usualmente praticados no mercado considerado, obtidos por levantamento, ainda que por amostragem ou através de informações e outros elementos fornecidos por entidades representativas dos respectivos setores, adotando-se a média ponderada dos preços coletados, devendo os critérios para sua fixação ser previstos em lei. A técnica é usada nos casos em que há muitos fornecedores. A cadeia de consumo vai se afunilando, porque sai de muitos fornecedores e se concentra em poucos distribuidores. A técnica é usada para casos em que há poucos fornecedores. A cadeia de consumo vai se alargando, porque sai de poucos fornecedores para muitos distribuidores. Essa modalidade de substituição é constitucional? SIM. Segundo entendimento do STJ e do STF, é plenamente 110 constitucional a substituição para frente (RE 213396). Nestes casos, não ocorre o recolhimento do tributo antes da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação, mas apenas o pagamento antecipado (não há antecipação da incidência, pois esta somente se verifica com a concretização do fato gerador). Possibilidade de restituição: É assegurada imediata e preferencial restituição da quantia pago, caso não se realize o fato gerador presumido, ou não se realize da forma como presumido. Foi concluído pelo STF o julgamento do RE 593849, com repercussão geral reconhecida,no qual foi alterado entendimento do STF sobre o regime de substituição tributária do ICMS. O Tribunal entendeu que o contribuinte tem direito à diferença entre o valor do tributo recolhido previamente e aquele realmente devido no momento da venda. O tributo só se torna efetivamente devido com a ocorrência do fato gerador, e a inocorrência total ou parcial exige a devolução, sob pena de ocorrência de confisco ou enriquecimento sem causa do Estado. CUIDADO! As bancas podem tratar o tema sobre o aspecto do momento do PAGAMENTO DO TRIBUTO usando o termo “posterior”, nesses casos de transferência para um momento posterior do pagamento de tributo, numa cadeia, trata-se de SUBSTITUIÇÃO REGRESSIVA mesmo assim. Os termos podem levar o candidato a confusão, mas é que, como dito acima, o termo substituição regressiva leva em conta a ótica do substituído. Responsabilidade do adquirente de imóvel: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, SALVO QUANDO CONSTE DO TÍTULO A PROVA DE SUA QUITAÇÃO. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a SUB-ROGAÇÃO ocorre sobre o respectivo preço. ATENÇÃO! Essa regra da sub-rogação pessoal do adquirente comporta EXCEÇÕES, cite-se: 111 a) Não haverá sub-rogação quando constar do título de aquisição da imóvel prova de quitação do tributo: Ocorre quando o adquirente obtém certidão negativa de crédito tributário vencido e não quitado relativo ao imóvel objeto de transferência. b) Haverá sub-rogação real (e não pessoal) do adquirente nos casos de aquisição do imóvel em hasta pública: Nestes casos, a sub-rogação ocorre sob o respectivo preço. O alienante possui legitimidade passiva para figurar em ação de execução fiscal de débitos constituídos em momento anterior à alienação voluntária de imóvel. A responsabilidade é solidária entre alienante e adquirente. Precedente: Info 610 do STJ Em se tratando de adjudicação de bens a jurisprudência do STJ, restou pacificada no sentido de que a obrigação tributária, quanto ao IPTU, acompanha o imóvel em todas as suas mutações subjetivas, ainda que se refira a fatos imponíveis anteriores à alteração da titularidade do imóvel, exegese que encontra reforço na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão prevista nos artigos 130 e 131, I, do CTN. (AgInt no REsp 1898562/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021) Responsabilidade do adquirente de móvel: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos. A responsabilidade na sucessão causa mortis Art. 131. São pessoalmente responsáveis: II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. ATENÇÃO! O art. 131, II e III, do CTN dispõe, literalmente, que a responsabilidade existente abrange somente os tributos. Para fins de concursos, deve ser sustentado que também estão abrangidas as multas moratórias (STJ, REsp 292222), mas NÃO as sancionatórias/punitivas (multa de ofício). - Para efeitos de responsabilidade tributária por sucessão causa mortis, devem ser entendidas, dentro do conceito de tributos, as multas moratórias, conforme já decidiu o STJ; 112 - Nos casos de multa “de ofício”, cuja responsabilidade seja pessoal do infrator (art. 137 do CTN), a responsabilidade, nos exatos termos legais, não é transferida aos sucessores (a FCC inclusive adota esse entendimento em provas objetivas); ATENÇÃO: não confundir com o caso da súmula n. 554, que se aplica à responsabilidade por sucessão empresarial. Sumula n. 554 do STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas MORATORIAS ou PUNITIVAS referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Responsabilidade na sucessão empresarial: A sucessão empresarial é vista de forma ampla, englobando quaisquer operações entre empresas, com exceção da cisão, pois esse instituto somente passou a existir bem após a edição do CTN. Como o CTN não tratou da cisão entre empresas, a cisão é regulada pelo caput do art. 233 da Lei de Sociedades Anônimas: Art. 233. Na cisão com extinção da companhia cindida, as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da companhia extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da primeira anteriores à cisão. A sucessão empresarial importa não só a sucessão de tributos como também de multas, sejam elas moratórias ou punitivas. Veja Súmula do STJ nesse sentido: Súmula n. 554 do STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Esse entendimento vale no caso de cisão empresarial? SIM. (...) Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (...) (STJ. 1ª Turma. REsp 852.972/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2010) É importante decorar a literalidade do art. 133 do CTN. 113 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. ARTIGO 133 DO CTN DESTRINCHADO A pessoa NATURAL OU JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO, que adquirir de outra, por qualquer título, FUNDO DE COMÉRCIO OU ESTABELECIMENTO COMERCIAL, INDUSTRIAL OU PROFISSIONAL O adquirente pode ser pessoa natural ou jurídica de direito privado. Não há previsão de pessoa jurídica de direito público. Afinal, as pessoas de direito público não exercem atividade econômica. E CONTINUAR A RESPECTIVA EXPLORAÇÃO, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual O adquirente tem que continuar a exploração da atividade econômica. responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, DEVIDOS ATÉ À DATA DO ATO: Os tributos que serão repassados têm relação com a atividade econômica. Exemplos: ISS e ICMS. I - INTEGRALMENTE, se o alienante CESSAR a exploração do comércio, indústria ou atividade; Se o alienante cessar a exploração da atividade econômica, o adquirente responde sozinho pelos débitos devidos até a alienação. II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de SEIS MESES A CONTAR DA DATA DA ALIENAÇÃO, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. O CTNdeu um parâmetro objetivo do que significa o alienante continuar a exploração da atividade econômica: 6 meses. Ainda que a exploração da atividade econômica pelo alienante se dê em outro ramo, ele responde primariamente pelos débitos tributários. A extensão da responsabilidade do adquirente, contudo, depende da postura que o alienante adota após a venda. Vejamos as possibilidades: 114 Alienante não mais realiza nenhuma atividade econômica = responsabilidade INTEGRAL do adquirente. Alienante dá continuidade à exploração econômica ou inicia nova atividade no prazo de 06 meses, a contar da alienação = responsabilidade SUBSIDIÁRIA do adquirente (em primeiro lugar, responde o alienante; na falta de recursos, responde o adquirente, com benefício de ordem). Esquema para revisão: Fusão, Transformação e Incorporação Torna-se responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas fusionadas, transformadas ou incorporadas (responsabilidade integral). Cisão Como o CTN não tratou dos casos de cisão (instituto posterior ao CTN - Lei 6.404/1976, art. 220), mas doutrina majoritária entende aplicável as regras do art. 233 da Lei 6.404/76 que define responsabilidade solidária entre companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio. O lastro seria o art. 132 do CTN (“salvo disposição em contrário”). Posicionamento do STJ. Extinção da pessoa jurídica As regras sobre fusão, incorporação e transformação aplicam-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, APENAS quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual (art. 132, parágrafo único, CTN). Aquisição de Fundo de comércio ou estabelecimento O dispositivo trata da hipótese de alienação de um conjunto de bens materiais (imóvel, mercadorias) ou imateriais (ponto). Não é a própria empresa que é alienada, mas apenas o conjunto de bens. Tem-se entendido que a alienação apenas da razão social não gera a sucessão tributária prevista no dispositivo. Pelo texto legal, percebe-se que o adquirente sempre responderá pelos tributos devidos até a data do ato. Haverá diferença, contudo, na qualificação da responsabilidade do adquirente, sendo em certos casos subsidiária e, em outros, integral. O adquirente terá responsabilidade subsidiária, gozando do benefício de ordem, se o alienante prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Por sua vez, sua responsabilidade será integral se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. 115 Falência e recuperação judicial Com a finalidade de facilitar a quitação de débitos nos processos falimentares, o legislador trouxe exceções na venda de estabelecimentos ou fundos de comércio, não se atribuindo responsabilidade ao adquirente: a) desses bens em processo de falência; b) de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial. Essas exceções não se aplicam (retornando a regra já estudada): se o adquirente for: 1. Sócio ou sociedade controlada; 2. Parente, linha reta ou colateral, até o 4º grau, consanguíneo ou afim, do devedor ou de seus sócios; 3. Agente do devedor (“laranja”) CESPE/CEBRASPE, TCE-SC, 2016: A alienação de filial ou unidade produtiva isolada de uma empresa que sofre processos de execução fiscal — no caso de a sociedade empresária não estar submetida à falência ou processo de recuperação judicial — ensejará a responsabilidade, por sucessão, do adquirente em relação à integridade do crédito tributário se o alienante cessar o exercício de qualquer atividade mercantil. Certo. Responsabilidade de terceiros: É possível lei estadual disciplinar a responsabilidade de terceiros de forma diversa da matriz geral estabelecida pelo CTN? NÃO. Há, neste caso, uma inconstitucionalidade formal. Tese fixada pelo STF: “É inconstitucional lei estadual que verse sobre a responsabilidade de terceiros por infrações de forma diversa das regras gerais estabelecidas pelo Código Tributário Nacional”. STF. Plenário. ADI 6284/GO, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14.9.2021 (Info 1029). Responsabilidade de terceiros decorrente de atuação regular: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I – os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II – os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; 116 IV – o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V – o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário (o administrador judicial pelos tributos devidos pela massa falida ou pela empresa em processo de recuperação judicial); VI – os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII – os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Como é possível ao sócio de uma micro e pequena empresa promover a baixa desta sem a comprovação da regularidade fiscal? Não seria uma hipótese de dissolução irregular da empresa, atraindo os dizeres da súmula n. 430 do STJ? Não se trata de dissolução irregular da empresa. Isso porque há, na LC 123/2006 (Estatuto da Micro e Pequena Empresa), um permissivo legal de baixa do ato constitutivo da sociedade sem a apresentação da certidão de regularidade fiscal. Nesse sentido, o STJ possui a interpretação de que no caso de micro e pequenas empresas é possível a responsabilização dos sócios pelo inadimplemento do tributo, porém, com base no art. 134, VII, do CTN. Os sócios podem se exonerar dessa responsabilidade? SIM. O STJ possui assente o entendimento de que os sócios podem sim se exonerar dessa responsabilidade acima apontada, caso consigam demonstrar a insuficiência do patrimônio quando da liquidação para exonerar-se da responsabilidade pelos débitos. Lembre-se que, mesmo com a impossibilidade do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, somente haverá responsabilidade dos “terceiros”, no caso os sócios, se estes tiverem participado ativamente da situação que configura fato gerador do tributo ou tenham indevidamente se omitido. 2ª Turma: (...) 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que tanto a redação do art. 9º da LC 123/2006 como da LC 147/2014, apresentam interpretação de que no caso de micro e pequenas empresas é possível a responsabilização dos sócios pelo inadimplemento do tributo, com base no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhe demonstrar a insuficiência do patrimônio quando da liquidação para exonerar-se da responsabilidade pelos débitos. Precedentes. 2. Recurso especial provido (STJ, REsp 1876549-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03.05.2022 (Info 735). 1ª Turma: 117 (...) II - Esta Corte adota o entendimento segundo o qual, em execução fiscal proposta em desfavor de micro ou pequena empresa regularmente extinta, é possível o redirecionamento do feito contra o sócio-gerente, com base na responsabilidade prevista no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhe demonstrar a eventual insuficiência do patrimônio recebido por ocasião da liquidação para, em tese, poder se exonerar da responsabilidade pelos débitos exequendos. III - Os Agravantes não apresentam argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida (STJ, AgInt no REsp 1737621/SP, Rel. Ministraconstitucional sem a observância do disposto no referido artigo constitucional? Não se aplica o art. 154, inc. I, da CF. No julgamento da ADI 939/DF, o STF firmou posicionamento no sentido de que a “técnica da competência residual é para o legislador ordinário e não para o constituinte derivado e a não cumulatividade e o não bis in idem NÃO PRECISAM SER OBSERVADOS quando da criação de um novo imposto através de EMENDA CONSTITUCIONAL”. A União nunca criou o IGF. Logo, em tese, poderia sofrer a sanção do parágrafo único do art. 11 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Veja: Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação. Parágrafo único. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não observe o disposto no caput, no que se refere aos impostos. IMPORTANTE! No tocante aos IMPOSTOS, todavia, a CF exige que lei complementar de caráter nacional defina os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Todavia, para criação do imposto, NÃO É NECESSÁRIO LEI COMPLEMENTAR. Quando a União deixa de criar norma geral, os Estados podem exercer sua competência legislativa plena. Tal entendimento é do STF e referiu-se ao IPVA (RE 191.703). 12 Imposto e a capacidade contributiva: O princípio da capacidade contributiva determina que “sempre que for possível, os impostos terão caráter pessoal, facultado à administração tributária identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. As conclusões são as seguintes: Os impostos terão caráter pessoal (sempre que possível); Os impostos serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte (sempre). IMPORTANTE! O STF decidiu que todos os impostos, independentemente de sua classificação como de caráter real ou pessoal, podem e devem guardar relação com a capacidade contributiva do sujeito passivo (RE 562045/RS). Obs.: O princípio da capacidade contributiva também pode ser aplicado às taxas. Taxas: Art. 145: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; As taxas, diferentemente dos impostos, são tributos vinculados, é dizer, são vinculados a uma atuação estatal específica. Tratam-se, em outros termos, de tributos retributivos ou contraprestacionais, uma vez que não podem ser cobradas sem que o Estado exerça o poder de polícia ou preste ao contribuinte, ou coloque a sua disposição, um serviço público específico e divisível. ATENÇÃO! Isso não quer dizer, contudo, que sua arrecadação seja vinculada. A taxa trata-se de um tributo de arrecadação NÃO vinculada, em outros termos, a utilização do produto de sua arrecadação é discricionária para o Poder Executivo. Fatos geradores da taxa: São dois, portanto, os “fatos do Estado” que podem ensejar a cobrança de taxa: 1. O EXERCÍCIO REGULAR DO PODER DE POLÍCIA que legitima a cobrança de taxas de polícia; e 2. A utilização, EFETIVA ou POTENCIAL, de serviços públicos ESPECÍFICOS E DIVISÍVEIS, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição, que possibilita a cobrança de taxas de serviço. 13 Art. 145: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; TAXAS TAXA DE POLÍCIA TAXA DE SERVIÇOS Exercício regular do poder de polícia. Utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível. Conceito do Poder de Polícia: Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. ESPECÍFICOS: ocorre quando destacados em unidades autônomas de intervenção, de utilidade ou de necessidades públicas. O contribuinte vê o Estado e sabe por qual serviço está pagando. DIVISÍVEIS: ocorre quando suscetíveis de utilização, separadamente, por cada um dos seus usuários. O Estado vê o contribuinte e consegue identificar quem é o usuário. IMPORTANTE! A possibilidade de cobrança de taxa por atividade estatal potencial ou efetiva refere-se apenas as TAXAS DE SERVIÇO, de forma que só se pode cobrar taxa de polícia pelo efetivo exercício desse poder. Em resumo, o Poder de Polícia não pode ser potencial. UTILIZAÇÃO EFETIVA: ocorre quando há fruição de qualquer natureza. UTILIZAÇÃO POTENCIAL: ocorre quando a lei determina que o serviço é de utilização compulsória. Nesse caso, o serviço tem que ser posto à disposição do contribuinte mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento. Para cobrança da taxa, entretanto, não é necessário que haja fruição. 14 Admite-se a presunção de exercício do Poder de Polícia. Segundo o STF presume-se o exercício do poder de polícia quando existente: - o órgão fiscalizador, - mesmo que este não comprove haver realizado fiscalizações individualizadas no estabelecimento de cada contribuinte (RE 416.601). De olho na jurisprudência: Supremo valida criação de taxas de fiscalização da mineração por leis estaduais: Em 1º.08.2022, o STF, ao julgar as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 4785, 4786 e 4787, julgou válidas leis estaduais de Minas Gerais, do Pará e do Amapá que instituíram taxas de controle, monitoramento e fiscalização das atividades de pesquisa, lavra, exploração e aproveitamento de recursos minerários (TFRM). Firmou-se o entendimento de que a taxa seja baseada na presunção do custo da fiscalização, porque o ônus tributário ao patrimônio do contribuinte está graduado de acordo com o faturamento do estabelecimento, com grau de poluição potencial ou com utilização de recursos. Essa taxa possui natureza extrafiscal, pois desestimular atividades degradantes e permite ao estado que se planeje para evitar desastres ambientais. Utilização do serviço público Efetiva Potencial Quando usufruído a qualquer título. Quando, sendo de utilização compulsória, seja posto à disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento. Tipos de serviço público Específico Divisível Quando pode ser destacado em unidades autônomas de intervenção, de unidade ou de necessidade pública Quando suscetível de utilização, separadamente, por cada um dos seus usuários. 15 Súmula Vinculante n. 12: A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 12 1. A garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades públicas de mensalidade em cursos de especialização. Precedente: RE 597.854 2. É possível a cobrança de taxa de matrícula em curso de língua estrangeira. Precedente: Rcl 8.596 As taxas NÃO: 1. Poderão ter base de cálculo própria de impostos (art. 145, § 2º, da CF). 2. Podem ter fato gerador idêntico aos dos impostos (art.77, parágrafo único, CTN). Súmula n. 595 do STF: É inconstitucional a taxa municipal de conservaçãoRegina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 25.02.2019). Perceba que o teto a ser cobrado do sócio-gerente é o que ele recebeu por ocasião da liquidação. Responsabilidade de terceiros decorrente de atuação irregular: Quando o “terceiro” responsável atua de maneira irregular, violando a lei, o contrato social ou o estatuto, sua responsabilidade será pessoal e não apenas solidária. Art. 135. São PESSOALMENTE responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como o surgimento da responsabilidade é contemporâneo ao fato gerador do tributo, não decorrendo de transferência da sujeição passiva surgida em momento anterior, trata-se de hipótese de responsabilidade por substituição. A mera condição de sócio pode atrair essa responsabilidade? NÃO. A pessoa jurídica possui personalidade e patrimônio autônomos, que não se confundem com a personalidade e patrimônio de seus sócios. O mero inadimplemento ocasiona o redirecionamento da execução fiscal? NÃO. Súmula n. 430 do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Dissolução irregular da empresa: 118 Súmula n. 435 do STJ: Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. A falência configura modo irregular de dissolução da sociedade? NÃO. Essa é a orientação do Superior Tribunal de Justiça (REsp 697115, Min. Eliana Calmon). É permitido o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente que, no momento da dissolução, exercia a gerência, mas que não era o gerente no momento do fato gerador do tributo? SIM. O STJ julgou o TEMA 981 no sentido de que apenas o sócio ou administrador que participou do fechamento irregular da empresa pode responder pessoalmente pela dívida tributária da pessoa jurídica com a Fazenda Pública. Por maioria de votos, a 1ª Seção do STJ entendeu que a Fazenda Pública pode responsabilizar quem fechou uma empresa devedora de tributos de forma irregular, ainda que este NÃO seja diretamente responsável pela formação da dívida. Isso ocorre porque o fato de alguém ser sócio ou exercer a gerência da empresa não caracteriza no momento do fato gerador do tributo, por si só, não constitui ato de infração à lei ou ao contrato social. A dissolução irregular da empresa, por outro lado, inviabiliza em definitivo a recuperação do crédito fiscal pela Fazenda. Esse ato ignora o procedimento imposto pela legislação civil-empresarial, que prevê a realização do ativo da empresa e a quitação do passivo antes de seu encerramento. O pressuposto da responsabilidade é a prática de ato de infração à lei — no caso, a dissolução irregular, a qual inexiste modalidade culposa. A tese aprovada no Tema 981 é: O redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência pode ser autorizado contra os sócios ou terceiro não sócio com poderes de administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido, conforme artigo 135, inciso III, do CTN. Lado outro, pode o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente que se retirou da empresa regularmente antes da ocorrência da dissolução irregular? NÃO. Esse era o tema pendente do repetitivo 962 do STJ, que foi julgado em 07.12.2021. Sobre o tema, aa Primeira Seção do STJ definiu que: 119 O redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência, NÃO pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio que, embora exercesse poderes de gerência ao tempo do fato gerador, sem incorrer em prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, dela REGULARMENTE se retirou e não deu causa à sua posterior dissolução irregular, conforme o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN)" (STJ. Primeira Seção, Rel. Assusete Magalhães, TEMA 962, julgado em 07.12.2021). Algumas observações ainda sobre o tema do redirecionamento: 1) O redirecionamento NÃO EXCLUI a responsabilidade da pessoa jurídica respectiva: apesar de o art. 135 do CTN falar em “responsabilidade pessoal”, o STJ consolidou o entendimento de que essa responsabilidade do sócio-gerente, por atos de infração à lei, é solidária (não excluindo a responsabilidade da empresa). Logo, responderão pelo débito o sócio-gerente e a pessoa jurídica, figurando ambos na execução fiscal, em litisconsórcio passivo - STJ. 2ª Turma. REsp 1455490-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26/8/2014 (Info 550). 2) O STJ decidiu que é possível o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente da pessoa jurídica executada mesmo que se trate de dívida ativa NÃO-TRIBUTÁRIA, sendo DESNECESSÁRIO provar a existência de dolo por parte do sócio. Assim, por exemplo, a Súmula 435 do STJ pode ser aplicada tanto para execução fiscal de dívida ativa tributária como também na cobrança de dívida ativa NÃO-TRIBUTÁRIA - STJ. 1ª Seção. REsp 1.371.128-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/9/2014 (recurso repetitivo) (Info 547). 3) A pessoa jurídica não terá legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio (REsp 1347627/SP). Ou seja, caberá à pessoa física (sócio-gerente ou administrador da sociedade) recorrer da decisão de redirecionamento, não tendo a pessoa jurídica legitimidade recursal para tanto. O redirecionamento para o sócio é prescritível? SIM. O STJ entende que o redirecionamento não pode ser imprescritível. E qual é o prazo que o STJ aplica? Entende o STJ que o mesmo prazo de 5 anos trazido no art. 174 do CTN deve ser aplicado aos casos de redirecionamento da execução fiscal. A partir de quando é contado esse prazo? Depende: 120 1) Se a dissolução irregular (ato ilícito previsto no art. 135, III, do CTN) ocorreu antes da citação da pessoa jurídica: o prazo de 5 anos para redirecionamento será contado da diligência de citação da pessoa jurídica. 2) Se a dissolução irregular ocorreu após a citação da pessoa jurídica (ou seja, no curso da execução fiscal): o prazo de 5 anos para redirecionamento será contado da data em que foi praticado o ato inequívoco indicador do intuito de inviabilizar a satisfação do crédito tributário já em curso. As teses fixadas pelo STJ foram as seguintes: i) o prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da diligência de citação da pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto no art. 135, III, do CTN, for precedente a esse ato processual; ii) a citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação tributária, por si só, não provoca o início do prazo prescricional quando o ato de dissolução irregular for a ela subsequente, uma vez que, em tal circunstância, inexistirá, na aludida data (da citação), pretensão contra os sócios-gerentes (conforme decidido no REsp 1.101.728/SP, no rito do art. 543-C do CPC/1973, o mero inadimplemento da exação não configura ilícito atribuível aos sujeitos de direito descritos no art. 135 do CTN). O termo inicial do prazo prescricional para a cobrança do crédito dos sócios-gerentes infratores, nesse contexto, é a data da prática de ato inequívoco indicador do intuito de inviabilizar a satisfaçãodo crédito tributário já em curso de cobrança executiva promovida contra a empresa contribuinte, a ser demonstrado pelo Fisco, nos termos do art. 593 do CPC/1973 (art. 792 do novo CPC - fraude à execução), combinado com o art. 185 do CTN (presunção de fraude contra a Fazenda Pública); e, iii) em qualquer hipótese, a decretação da prescrição para o redirecionamento impõe seja demonstrada a inércia da Fazenda Pública, no lustro que se seguiu à citação da empresa originalmente devedora (REsp 1.222.444/RS) ou ao ato inequívoco mencionado no item anterior (respectivamente, nos casos de dissolução irregular precedente ou superveniente à citação da empresa), cabendo às instâncias ordinárias o exame dos fatos e provas atinentes à demonstração da prática de atos concretos na direção da cobrança do crédito tributário no decurso do prazo prescricional. STJ. 1ª Seção. REsp 1.201.993-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 08.05.2019 (recurso repetitivo - Tema 444) (Info 662). Responsabilidade por infrações: CTN, Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 121 Assim, em se tratando de infrações à legislação tributária, o CTN, ao afirmar que a responsabilidade independe da intenção do agente, acabou por permitir sua punição independentemente da perquirição da presença de elementos subjetivos (dolo ou culpa) na conduta. Responsabilidade pessoal do agente: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. Denúncia espontânea: é um permissivo legal para que o infrator possa retornar à legalidade, por meio da confissão da dívida. Segundo a doutrina, o instituto se assemelha com o da desistência voluntária e do arrependimento eficaz do Direito Penal. CTN, Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. NÃO SE CONSIDERA ESPONTÂNEA A DENÚNCIA APRESENTADA APÓS O INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO OU MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO, relacionados com a infração. O afastamento da espontaneidade depende da: - formal comunicação ao sujeito passivo do início do procedimento administrativo ou - medida de fiscalização relacionados com a infração. A vantagem da denúncia espontânea é afastar a multa. Não se afastam os juros nem a correção monetária. Logo, para a utilização do instituto, é imprescindível a realização do pagamento do tributo devido, acrescido de juros e correção monetária. 122 Embora a denúncia espontânea afaste a multa da obrigação principal, o instituto não afasta a multa decorrente do descumprimento das obrigações acessórias. O sentido disso é incentivar o cumprimento das obrigações acessórias, pois elas facilitam a fiscalização e controle pelo Fisco. Exclui tanto as multas punitivas (de ofício) como as moratórias SIM. A denúncia espontânea libera o pagamento das multas punitivas e moratórias. O parcelamento e o depósito judicial não permitem o contribuinte gozar das benesses da denúncia espontânea. (...) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que a denúncia espontânea do art. 138 do CTN tem o condão de elidir a multa moratória. Nesse sentido: AgRg no AREsp 852.024/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/08/2016, DJe 09/09/2016; AgRg no REsp 1414966/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 11/03/2015. (STJ, AgInt no REsp 1687145 / DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, segunda turma, julgado em 17.04.2018. “A expressão ‘multa punitiva’ é até pleonástica, já que toda multa tem por objetivo punir, seja em razão da mora, seja por outra circunstância, desde que prevista em lei. Daí a jurisprudência deste Superior Tribunal ter- se alinhado no sentido de que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer espécie de multa, e não só a ‘punitiva’, como quer o recorrente”. Também no âmbito da 1.ª Turma do STJ, existem julgados esposando a mesma tese (como, por exemplo, o AgRg nos EDcl no Ag 755.008/SC). Requisitos a) "denúncia" (confissão) da infração; b) pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros moratórios; e c) espontaneidade (confissão e pagamento devem ocorrer antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte do Fisco relacionado com aquela determinada infração). Na denúncia espontânea o pagamento deve ser feito à vista; não vale parcelar Para ter direito ao benefício da denúncia espontânea, o devedor deverá efetuar o pagamento integral de uma só vez. Se o contribuinte parcelar o pagamento, isso não configura denúncia espontânea e ele não estará isento da multa. Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. § 1º Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. 123 Denúncia espontânea e tributo sujeito a lançamento por homologação Súmula n. 360 do STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Risco de Pegadinha: A Súmula 360 do STJ prevê a hipótese do sujeito que declara um tributo, mas não recolhe o tributo. O que acontece nesse caso? O contribuinte declara o tributo e, dessa forma, constitui o crédito tributário (Súmula n. 436: A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco.). Uma vez constituído o crédito tributário, não tem como o Fisco não saber o que o contribuinte deve. Logo, não há proveito algum para o Fisco em conceder denúncia espontânea nesses casos, porque ele já sabe o que é devido. É o caso do contribuinte que deve 100, declara 100 e não paga nada ou paga um valor menor que 100. O Fisco já sabe que ele deve 100. Logo, não há benefício para o Fisco em conceder denúncia espontânea ao contribuinte. Veja: a denúncia espontânea tem que ser boa para o Fisco e para o contribuinte. Não confunda tal situação com as seguintes situações: O contribuinte declara parcialmente o tributo e paga o que fora declarado parcialmente. Exemplo: ele deve 100, declara 50 e paga 50. Observe que o contribuinte pagou o que foi declarado. Ele pode gozar do benefício da denúncia espontânea? Nesse caso, sim. Observe que ele declarou metade e pagou metade. Logo, ele deixou de constituir a outra metade do crédito tributário. Para conseguir descobrir essa dívida não declarada, o Fisco vai ter que envidar esforços. Logo, é vantajoso para o Fisco conceder a denúncia espontânea nesse caso. E se o contribuinte não declarar nada? Da mesma forma, o contribuinte pode se beneficiar da denúncia espontânea, pois não incidirá a Súmula 360 do STJ. Veja que a Súmula tem uma redação que prevênecessariamente a declaração regular do tributo. E se o contribuinte declarar metade do que deve e não pagar essa metade? Nesse caso, aplica-se a Súmula 360 do STJ para o que foi declarado e não pago, não podendo o contribuinte gozar da denúncia espontânea. E, para outra metade do tributo não declarada, ele pode gozar da denúncia espontânea. 124 Ausência de denúncia espontânea em caso de depósito judicial integral dos tributos devidos: O depósito judicial integral do débito tributário e dos respectivos juros de mora, mesmo antes de qualquer procedimento do Fisco tendente à sua exigência, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN). O depósito judicial integral não trouxe qualquer vantagem ou redução de custos para a Administração Tributária. Não houve a chamada "relação de troca entre custo de conformidade e custo administrativo" a atrair caracterização da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Obs.: para que a denúncia espontânea seja eficaz e afaste a incidência da multa, é necessário o preenchimento de três requisitos: a) "denúncia" (confissão) da infração; b) pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros moratórios; e c) espontaneidade (confissão e pagamento devem ocorrer antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte do Fisco relacionado com aquela determinada infração). STJ. 1ª Seção. EREsp 1131090-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28.10.2015 (Info 576). Entendimentos relevantes: A antecipação, sem substituição tributária, do pagamento do ICMS para momento anterior à ocorrência do fato gerador necessita de lei em sentido estrito. A substituição tributária progressiva do ICMS reclama previsão em lei complementar federal. STF. Plenário. RE 598677/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/3/2021 (Repercussão Geral – Tema 456) (Info 1011). Em se tratando de adjudicação de bens a jurisprudência do STJ, restou pacificada no sentido de que a obrigação tributária, quanto ao IPTU, acompanha o imóvel em todas as suas mutações subjetivas, ainda que se refira a fatos imponíveis anteriores à alteração da titularidade do imóvel, exegese que encontra reforço na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão prevista nos artigos 130 e 131, I, do CTN. (AgInt no REsp 1898562/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021) A inadimplência do usuário não afasta a incidência ou a exigibilidade do ICMS sobre serviços de telecomunicações. Isso porque a inadimplência do consumidor final não obsta a ocorrência do fato gerador. STF. Plenário. RE 1003758-RO, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/05/2021 (Repercussão Geral – Tema 705). 125 A execução fiscal pode ser redirecionada em desfavor da empresa sucessora para cobrança de crédito tributário relativo a fato gerador ocorrido posteriormente à incorporação empresarial e ainda lançado em nome da sucedida, sem a necessidade de modificação da Certidão de Dívida Ativa, quando verificado que esse negócio jurídico não foi informado oportunamente ao fisco. STJ. 1ª Seção. REsp 1848993-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/08/2020 (Recurso Repetitivo – Tema 1049) (Info 678). É possível o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente da pessoa jurídica originalmente executada pela suposta prática de crime falimentar mesmo que não tenha havido ainda o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. STJ. 2ª Turma. REsp 1792310-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04/02/2020 (Info 678). É inconstitucional lei estadual que disciplina a responsabilidade de terceiros por infrações de forma diversa do Código Tributário Nacional, tendo em vista sua inconstitucionalidade formal. Ao legislar infringindo os preceitos da norma geral do CTN, a lei estadual viola o art. 146, III, “b”, da CF. Precedente: Info 966 do STF. A declaração conjunta de IRPF não torna o cônjuge corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos pelo outro caso não tenha participado do fato gerador. Precedente: Info 662 do STJ. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que, havendo previsão expressa no edital de hasta pública, o arrematante fica responsável pelos débitos tributários pretéritos do bem arrematado. (AgInt nos EDcl no REsp 1827090/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 29/03/2021, DJe 08/04/2021) Na hipótese de lançamento suplementar de ICMS, em decorrência de dimensionamento incorreto do crédito tributário pelo sujeito passivo (creditamento a maior e diferencial de alíquotas), deve ser aplicado o prazo decadencial do art. 150, § 4º, CTN, e não o art. 173, I, para o Fisco constituir o crédito: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. STJ. 2ª Turma. AREsp 1.471.958-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 18.05.2021 (Info 698). 126 7. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Suspendem a exigibilidade do crédito tributário (ROL EXAUSTIVO NO CTN): Moratória; O depósito do seu montante integral; As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (somente após o lançamento); A concessão de medida liminar em mandado de segurança; A concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Parcelamento (somente após o lançamento). Pode haver suspensão em relação a crédito ainda não constituído? Em tese sim. Segundo ensina Ricardo Alexandre, a suspensão não se opera apenas nos casos em que o lançamento já fora efetuado, podendo ocorrer quando o crédito ainda NÃO FORA CONSTITUÍDO, como no caso de concessão de liminar em MS. Nessa hipótese, pode a Fazenda lançar o crédito tributário? SIM. No caso de suspensão de crédito ainda não constituído, a Fazenda não está impossibilitada de constituir o crédito, APENAS NÃO PODERÁ EXIGI-LO, por conseguinte também não poderá estipular prazo para pagamento, tampouco impor penalidade. Isso porque, se o fisco não constituir o crédito no prazo legal este decairá (prazo de decadência para lançamento). IMPORTANTE! Todas as hipóteses legais impedem a propositura da Execução Fiscal, entretanto, algumas das hipóteses poderão ocorrer no curso de Executivo Fiscal já ajuizado, como a hipótese de PARCELAMENTO, por exemplo. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário implica a suspensão do cumprimento das obrigações acessórias? NÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito NÃO implica a suspensão do cumprimento das obrigações acessórias, devendo, o sujeito passivo, cumpri-las independentemente da realização da obrigação principal, em consonância com o parágrafo único do art. 151 do CTN. CESPE/CEBRASPE, DPU, 2017: Nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fica dispensado o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal que for suspensa. 127 Errado. A suspensão da exigibilidade, pois, afasta a situação de pura e simples inadimplência, devendo o contribuinte ser considerado em situação regular. Assim, impede a execução fiscal, que a pressupõe. Além disso, enseja a obtenção de certidão de regularidade fiscal (art. 206 do CTN) e implica suspensão da inscrição no CADIN. O rol das hipóteses de suspensão do crédito tributário é taxativo (artigos 141 e 111, I, do CTN). Você tem que decorar as hipóteses, porque elas incidem bastante em concursos. As causas de suspensão do crédito tributário suspendem o prazo prescricional.Todavia, as causas de suspensão do crédito tributário não suspendem o prazo decadencial, de modo que o Fisco deve fazer o lançamento ainda que o crédito tributário esteja suspenso. Veja: SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO LANÇAMENTO APÓS O LANÇAMENTO Se a suspensão ocorrer antes do lançamento, o Fisco deve fazer o lançamento, sob pena de decadência. O Fisco só não pode cobrar o crédito tributário, porque está suspenso. Se a suspensão ocorrer depois do lançamento, o Fisco não pode cobrar o crédito tributário, porque ele está suspenso. Impede a exigibilidade do crédito tributário. Suspende a exigibilidade do crédito tributário. As hipóteses de suspensão do crédito tributário são: CTN, Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Moratória: O que é moratória? Explica Kiyoshi Harada que “a moratória não é senão a dilatação do prazo de pagamento de tributo com base 128 na LEI”. Em outras palavras, é a prorrogação do prazo de vencimento do tributo. Art. 152. A MORATÓRIA somente pode ser concedida: I - em caráter geral: a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se refira; b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência federal e às obrigações de direito privado; II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada por lei nas condições do inciso anterior. Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. A moratória pode ser: AUTÔNOMA HETERÔNOMA Ocorre quando concedida pelo próprio ente competente para instituir e cobrar o tributo. Ocorre quando concedida pela União em relação a tributos estaduais e municipais. Há discussões sobre a constitucionalidade dessa modalidade. Todavia, para fins de concursos, o aluno deve ir pela literalidade do CTN. A moratória também pode ser: GERAL INDIVIDUAL Abrange todos os contribuintes. Abrange somente os contribuintes que comprovarem o preenchimento dos requisitos legais. Gera direito adquirido. Decore: Geral gera direito adquirido. NÃO gera direito adquirido. Dispensa garantias. Pode depender de garantias. A moratória pode ser concedida apenas para uma determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir? SIM. Do CTN: 129 Art. 152 [...] Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. CESPE/CEBRASPE, ANATEL, 2014: Se a União conceder moratória, poderá definir, por lei, que essa moratória se aplique apenas a determinada região do país. Certo. Moratória x parcelamento: A moratória parcelada é distinta de parcelamento. A moratória é medida EXCEPCIONAL, que somente deve ter lugar em casos de situações naturais, econômicas ou sociais que dificultem o normal adimplemento das obrigações tributárias. Já o parcelamento é medida comum de política fiscal, que visa recuperar créditos e permitir que contribuintes inadimplentes voltem à situação de regularidade. 130 Depósito do montante integral: Caso o sujeito passivo não concorde com o lançamento realizado, poderá impugná-lo administrativa ou judicialmente. Com a finalidade de evitar a fluência de juros e multa, poderá depositar o montante integral do que a Fazenda entende devido (incluídos juros e multas). É um direito subjetivo do contribuinte, de modo que não pode ter seu exercício impedido pela Fazenda Pública. O depósito deve ser integral e em dinheiro. Nesse sentido, a Súmula n. 112 do STJ: Súmula n. 112 do STJ: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito se for integral e em dinheiro. O que quer dizer integral e em dinheiro? Integral quer dizer que o contribuinte deve depositar tudo que o Fisco está exigindo, incluindo juros e multas que estão sendo cobrados. O contribuinte exime-se do pagamento de juros de mora do depósito a partir e em relação ao valor depositado. Logo, é necessário depositar tudo que o Fisco está cobrando. 131 Em dinheiro quer dizer que fiança bancária, seguro garantia ou quaisquer outras formas de depósito não suspendem o crédito tributário. A carta de fiança bancária NÃO é equiparável ao depósito integral do débito: É inviável a equiparação do seguro-garantia ou da fiança bancária ao depósito judicial em dinheiro e pelo montante integral, para efeito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob pena de afronta ao artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN) (STJ, 1.737.209 – RO, Min. Herman Benjamin, julgado em 01.06.2021). O depósito é o montante que o contribuinte entende dever ou o exigido pela Fazenda Pública? O depósito deve ser o MONTANTE EXIGIDO PELA FAZENDA PÚBLICA (incluído juros e multas). O devedor pode discutir a cobrança sem efetuar o depósito integral? Olhando o rol do art. 151 do CTN percebe-se que a simples instauração do processo administrativo fiscal (inc. III: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo) tem por efeito a SUSPENSÃO da exigibilidade do crédito, então, qual a vantagem de fazer o depósito integral no processo administrativo fiscal? O contribuinte pode discutir a cobrança sem efetuar o depósito integral, porém, nessa hipótese vai arcar com o risco da demora da solução da lide, o que pode ensejar a fluência de juros de mora, por exemplo. Lado outro, se o contribuinte optar por depositar o montante integral no processo administrativo fiscal ele se livra da fluência dos juros de mora. A única hipótese em que o contribuinte levantará o dinheiro depositado ocorre quando o mérito é julgado de forma favorável ao contribuinte. Se for julgado de forma desfavorável ou não houver resolução de mérito, o valor é convertido em renda e o crédito tributário é extinto. DEPÓSITO MONTANTE INTEGAL X RESULTADO DO PROCESSO MÉRITO JULGADO DE FORMA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE MÉRITO JULGADO DE FORMA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE SEM MÉRITO JULGADO Contribuinte pode levantar o valor depositado. Contribuinte não pode levantar o valor depositado, porque haverá conversão do depósito em renda. Contribuinte não pode levantar o valor depositado (EREsp 215.589). 132 O levantamento é possível ainda que o contribuinte tenha outros débitos com o mesmo sujeito ativo (REsp 297.115) A conversão do depósito em renda extinguirá o crédito tributário. O valor depositado será convertido em renda. A conversão do depósito em renda extinguirá o crédito tributário. Há duas formas de fazer o depósito do montante integral: administrativa ou judicialmente. O depósito administrativo seguirá o procedimento administrativo tributário do Fisco. O depósito judicial será feito no bojo de qualquer ação, na qual se discute o crédito tributário, ou à disposição do juízo. Não é necessário ajuizamento de ação para esse fim, basta simples petição. Ademais, não é caso de consignatória. A garantia antecipada da execução fiscal, pormeio de fiança bancária ou qualquer um dos bens do rol do artigo 11 da Lei de Execução Fiscal, não tem o condão de suspender o crédito tributário se não for em dinheiro e integral. Desse modo, essa garantia antecipada servirá apenas para obtenção de certidão positiva com efeitos de negativa. Contudo, não suspenderá o crédito tributário. Súmula Vinculante n. 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Súmula 436 do STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Súmula n. 446 do STJ: Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa. Recursos e Reclamações: A reclamação e o recurso administrativo, ainda que intempestivos, têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário e, por consequência, o curso do prazo prescricional enquanto perdurar o contencioso administrativo. 1. O Superior Tribunal de Justiça, atualmente, tem entendimento firme no sentido de que o recurso administrativo, mesmo quando interposto intempestivamente, suspende a exigibilidade do crédito tributário, bem como o curso do prazo prescricional, que somente volta a fluir da notificação do contribuinte acerca do trânsito em julgado da decisão administrativa. Precedentes. (AgInt nos EDcl no REsp 1394912/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02.04.2019) 133 Se o contribuinte não discute o lançamento, mas sim o ato que o excluiu do programa de parcelamento, o recurso ou a reclamação não têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Isso porque a suspensão do crédito se dá quando há recurso ou reclamação que conteste o lançamento. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE8 Tipo de processo Administrativo (Recursos e reclamações) Judicial Suspende a exigibilidade do crédito. Só suspende a exigibilidade do crédito tributário se acompanhado de medida liminar requerendo tal fim, acatada pelo juízo. Para recorrer administrativamente é possível a exigência, por parte do Ente Público, de depósito recursal? NÃO. Não se pode exigir depósito para admissibilidade de recurso administrativo. Veja: Súmula Vinculante n. 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. O pedido de compensação tributária suspende a exigibilidade do crédito tributário. A jurisprudência da Primeira Seção do STJ no julgamento do REsp 774.179/SC, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, firmou-se no sentido de que, enquanto pendente de análise pedido administrativo de compensação, suspende-se a exigibilidade do tributo, nos termos do art. 151, III, do CTN. (AgInt no REsp 1646480/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.09.2019, DJe 11.10.2019) OBS.: Aqui é o PEDIDO, pois a compensação em si é forma de extinção do crédito tributário. Agora, caso não exista lei que autorize a compensação tributária, a compensação será indevida e, assim, o pedido que pede tal compensação também não suspende o crédito tributário. Veja: O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que o pedido administrativo de compensação não autorizada pela legislação de regência (art. 170 do CTN) não suspende a exigibilidade do crédito tributário que se busca liquidar. Isso porque, se a própria compensação não é possível, tampouco a suspensão da exigibilidade amparada em pedido administrativo que busque implementá-la. 8 Quadro Extraído da obra de Roberval Rocha. Coleção sinopses para concursos: Direito Tributário 2015. Editora Juspodivm: p. 315. 134 (AgRg no REsp 1404898/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 18/05/2018) Esta Corte de justiça possui o entendimento firmado de que, inexistindo específica lei autorizativa, o pedido de compensação de tributo com precatório não suspende a exigibilidade do crédito tributário. (REsp 1564011/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2018, DJe 09/04/2018) Súmula n. 625 do STJ: O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o prazo prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda Pública. Parcelamento: O parcelamento é medida de política fiscal com a qual o Estado procura recuperar créditos e criar condições práticas para que os contribuintes inadimplentes possam regular a sua situação com o Fisco. Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário NÃO EXCLUI A INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTAS. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Como visto, o parcelamento não gera o benefício da denúncia espontânea. Isso porque, para denúncia espontânea, é necessário o depósito do montante integral e em dinheiro. O parcelamento requerido pelo contribuinte depois de transcorrido o prazo prescricional não reaviva a exigibilidade do crédito tributário. Isso quer dizer que, caso o devedor tributário peça o parcelamento de débito já prescrito, o Fisco terá que devolver o dinheiro na hipótese de requerimento do contribuinte. O parcelamento não gera novação da dívida. É apenas uma forma de adimplemento da dívida. 135 Reserva de lei: Conforme orienta o art. 155-A do CTN, o parcelamento será concedido mediante lei específica que determinará as formas e condições do mesmo. Nesse sentido, o STJ entende que “a concessão do parcelamento deve estrita observância ao princípio da legalidade, não havendo autorização para que atos infralegais, como portarias, tratem de requisitos não previstos na lei de regência do benefício” (STJ, Primeira Turma, REsp 1.739.641/RS, rel. Min. GURGEL DE FARIA, j. em jun. 2018). É relevante saber: 1. O parcelamento de ofício da dívida tributária NÃO configura causa interruptiva da contagem da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu. STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14.11.2018 (recurso repetitivo) (Info 638). 2. O parcelamento não exclui a incidência de juros e multas. 3. A prática de fraude impede a concessão de parcelamento. 4. Ao parcelamento, aplicam-se subsidiariamente as disposições da moratória. Entendimento do STJ: Conforme o disposto no art. 151, VI, do CTN, o parcelamento fiscal, concedido na forma e condições estabelecidas em lei específica, é causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, condicionando os efeitos dessa suspensão à homologação expressa ou tácita do pedido formulado. (REsp. 957509, Recurso repetitivo) Veja, o pedido de parcelamento, importa em confissão, o que acarreta, também, a interrupção do prazo prescricional. Agora, a partir do momento em que é homologado o pedido de parcelamento, ocorre a suspensãoda exigibilidade do crédito. Portanto, se uma empresa adere a um parcelamento, ocorre interrupção do prazo de prescrição tributária e, enquanto o pacto estiver vigente, há, também, a suspensão da contagem, já que a exigibilidade encontra-se suspensa. Nesse sentido: Súmula n. 653 do STJ: O pedido de parcelamento fiscal, ainda que indeferido, interrompe o prazo prescricional, pois caracteriza confissão extrajudicial do débito. A adesão a programa de parcelamento tributário é causa de suspensão da exigibilidade do crédito e interrompe o prazo prescricional, por constituir reconhecimento inequívoco do débito, nos termos do art. 136 174, IV do CTN, voltando a correr o prazo, por inteiro, a partir do inadimplemento da última parcela pelo contribuinte. STJ. 2ª Turma. REsp 1922063-PR, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.10.2022 (Info 754). IMPORTANTE! A concessão de parcelamento impede o encaminhamento ao Ministério Público de representação fiscal para fins penais relativas aos crimes contra a ordem tributária, previstos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90, entretanto, o pedido de parcelamento deve ter sido formalizado antes do recebimento na denúncia criminal. Se o contribuinte aderir a um parcelamento após ter havido penhora de bens em execução fiscal, deve ser baixada a constrição? NÃO. (...) É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que o parcelamento da dívida tributária, por não extinguir a obrigação, implica a suspensão dos embargos à execução fiscal, e não sua extinção, que só se verifica após quitado o débito, motivo pelo qual a penhora realizada em garantia do crédito tributário deve ser mantida até o cumprimento integral do acordo. Precedentes: AgRg no REsp 1263641/PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21.11.2013, DJe 06.12.2013 e REsp 1240273/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.09.2013, DJe 18.09.2013. Com esse entendimento, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça definiu a seguinte tese: O bloqueio de ativos financeiros do executado via sistema BACENJUD, em caso de concessão de parcelamento fiscal, seguirá a seguinte orientação: (i) será levantado o bloqueio se a concessão é ANTERIOR à constrição; (ii) fica mantido o bloqueio se a concessão ocorre em momento POSTERIOR à constrição, ressalvada, nessa hipótese, a possibilidade excepcional de substituição da penhora online por fiança bancária ou seguro garantia, diante das peculiaridades do caso concreto, mediante comprovação irrefutável, a cargo do executado, da necessidade de aplicação do princípio da menor onerosidade. STJ, REsp 1.696.270, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 08.06.2022. ATENÇÃO! A substituição só é possível quando o contribuinte comprovar de maneira irrefutável a necessidade de aplicação do princípio da menor onerosidade. CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2014: Em conformidade com a jurisprudência do STJ, o contribuinte que adere ao parcelamento tributário obtém a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, porém sem que seja desconstituída a garantia dada em juízo. 137 Certo. O parcelamento de um dos devedores solidários do crédito tributário importa em renúncia à solidariedade? NÃO. Esse foi o entendimento lançado pelo STF no julgamento do REsp n. 1.978.780 SP. O parcelamento tributário requerido por um dos devedores solidários não importa em renúncia à solidariedade em relação aos demais coobrigados. STJ. 2ª Turma. REsp 1.978.780-SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 05.04.2022 (Info 732). Outro julgado: Na ausência de legislação estadual específica que conceda o direito à postergação do vencimento ou à suspensão da exigibilidade das prestações dos parcelamentos de tributos estaduais, não há como se estender os efeitos de normas aplicáveis no âmbito dos tributos federais ou do Simples Nacional, ou mesmo benefícios concedidos por outro Estado da Federação, aos tributos devidos em razão da pandemia (Covid-19). STJ. 2ª Turma. RMS 67443-ES, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 15.03.2022 (Info 729). Parcelamento pago regularmente e o direito a certidão positiva de débitos com efeito de negativa: Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de parcelamento, o contribuinte tem direito a uma certidão positiva com os mesmos efeitos da certidão negativa (CTN, art. 206). Não pode, por exemplo, o ente público exigir garantias para o oferecimento da certidão. Nesse sentido: “não tendo sido exigidas quaisquer garantias quando do parcelamento da dívida junto ao órgão previdenciário, não se pode condicionar o fornecimento da referida certidão ao oferecimento de garantia do débito” (STJ, Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. 333.133 – SP, Ministra Laurita Vaz, julgamento em 05.09.2002) Sobre o tema, ainda tem a seguinte súmula da AGU: Súmula n. 17 da AGU: Suspensa a exigibilidade do crédito pelo parcelamento concedido, sem a exigência de garantia, esta não pode ser imposta como condição para o fornecimento da certidão positiva de débito com efeito de negativa, estando regular o parcelamento da dívida, com o cumprimento, no prazo, das obrigações assumidas pelo contribuinte. 138 Julgados relevantes: • Enquanto pendente de análise pedido administrativo de compensação, suspende-se a exigibilidade do tributo, nos termos do art. 151, III, do CTN. O próprio pedido de compensação tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, porquanto afastada a certeza e a liquidez da dívida. Precedente: AgInt no REsp 1646480 • O contribuinte pode, após o vencimento de sua obrigação e antes da execução fiscal, garantir o juízo de forma antecipada mediante o oferecimento de fiança bancária, a fim de obter certidão positiva com efeitos de negativa. De fato, a prestação de caução mediante o oferecimento de fiança bancária, ainda que no montante integral do valor devido, não se encontra encartada nas hipóteses elencadas no art. 151 do CTN, não suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Entretanto, tem o efeito de garantir o débito exequendo em equiparação ou antecipação à penhora, permitindo-se, neste caso, a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa. Precedente: AgRg no Ag 1.185.481-DF • Incidem juros moratórios no período entre o requerimento de adesão e a consolidação do débito a ser objeto do parcelamento tributário instituído pela Lei n. 11.941/2009. Precedente: REsp 1.523.555-PE. • É cabível a suspensão da exigibilidade do crédito não tributário a partir da apresentação da fiança bancária ou do seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. Precedente: Info 652 e REsp 1.381.254-PR. • O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva da contagem da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu. Precedente: REsp 1.658.517-PA. • O contribuinte pode optar pelo parcelamento de débitos considerados isoladamente, nos termos do art. 1º, § 2º, da Lei n. 11.941/2009, ainda que relativos a uma mesma Certidão da Dívida Ativa, não sendo possível o parcelamento de uma fração de competência ou período de apuração. Precedente: REsp 1.382.317-PR. • A revogação de liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário ocasiona a retomada do lapso prescricional para o Fisco, desde que inexistente qualquer outra medida constante do art. 151 do CTN ou recurso especial/extraordinário dotado de efeito suspensivo. Precedente: EAREsp 407.940-RS. • Não suspende a exigibilidade do crédito tributário a reclamação administrativa que questione a legalidade do ato de exclusão do contribuinte de programa de parcelamento. As reclamações e recursos previstos no 139 artigo 151 do CTN são aqueles que discutemo próprio lançamento tributário, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário. No caso, a reclamação administrativa que apenas questiona a legalidade do ato de exclusão do parcelamento não suspende a exigibilidade do crédito. Precedente: Info 561 do STJ. • Não é possível a expedição de certidão positiva com efeito de negativa em favor de sócio que tenha figurado como fiador em Termo de Confissão de Dívida Tributária na hipótese em que o parcelamento dele decorrente não tenha sido adimplido. De fato, o art. 4º, II, da Lei 6.830/1980 dispõe que a execução fiscal poderá ser promovida contra o fiador. Assim sendo, a responsabilidade do sócio fiador, na hipótese, decorre da sua presença como fiador do parcelamento não adimplido. Precedente: Info 543 do STJ. • Ocorre a prescrição da pretensão executória do crédito tributário objeto de pedido de parcelamento após cinco anos de inércia da Fazenda Pública em examinar esse requerimento, ainda que a norma autorizadora do parcelamento tenha tido sua eficácia suspensa por medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade. De fato, em caso análogo, a Primeira Turma do STJ já decidiu que a concessão de medida cautelar em ADI que suspende a lei ensejadora do pedido de parcelamento não suspende a exigibilidade do crédito tributário, na medida em que esse provimento judicial não impede o fisco de indeferir, desde logo, o pedido de administrativo e, ato contínuo, promover a respectiva execução. Isso porque o deferimento de cautelar com eficácia ex nunc em ação direta de inconstitucionalidade constitui determinação dirigida aos aplicadores da norma contestada para que, nas suas futuras decisões, (a) deixem de aplicar o preceito normativo objeto da ação direta de inconstitucionalidade e (b) apliquem a legislação anterior sobre a matéria, mantidas, no entanto, as decisões anteriores em outro sentido (salvo se houver expressa previsão de eficácia ex tunc). Precedente: Info 534 do STJ. • O simples requerimento de inclusão no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, sem demonstração da correspondência dos débitos tributários sonegados com os débitos objeto do requerimento, não acarreta a suspensão da execução de pena aplicada por crime contra a ordem tributária. O fato de já ter havido trânsito em julgado da condenação não impede que haja a suspensão do feito em caso de concessão do parcelamento. Precedente: Info 533 do STJ. 140 8. EXTINÇÃO E EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Extinção do crédito tributário: Art. 156. EXTINGUEM o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI - a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. A lista de causas extintivas do crédito tributário do CTN é exaustiva ou exemplificativa? Embora parte da doutrina faça uma interpretação literal do art. 141 do CTN (o crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta LEI), o que pode apontar uma possível taxatividade, prevalece na jurisprudência que as causas de extinção do CTN são NÃO são exaustivas. Nesse sentido, o STF entende ser possível à lei local estipular novas formas de extinção do crédito tributário. É o que restou decidido no julgamento da medida cautelar da ADI 2405-MC/RS, posteriormente confirmado no mérito. Resumindo as informações: a) O rol de causas de extinção do crédito do CTN é NÃO exaustivo; b) Os entes federados podem sim criar por lei local novas hipóteses extintivas do crédito tributário; c) Assim, é válida previsão em lei estadual de extinção do crédito por dação em pagamento de bens móveis; d) A Constituição Federal não reservou à lei complementar o tratamento das modalidades de extinção e suspensão dos créditos tributários 141 Pagamento: O art. 157 do Código Tributário Nacional estabelece que a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. Por conta disso, a multa é sempre cumulativa ao tributo, jamais substituindo o pagamento do respectivo tributo. Dispõe o art. 158 do CTN: O pagamento de um crédito NÃO importa em presunção de pagamento: I - quando parcial, das prestações em que se decomponha; II - quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos. Para o STJ, a expedição de certificado de registro e licenciamento de veículo, embora condicionada à quitação de tributos incidentes sobre a propriedade de veículo automotor, não é dotada de qualquer eficácia liberatória de obrigação fiscal (STJ, 1.ª T., REsp 511.480/RS, Rel. Min. Luiz Fux, j. 24.06.2003, DJ 04.08.2003, p. 244). É possível desconto pela antecipação do pagamento? SIM. O CTN possibilitou que a LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA conceda DESCONTO pela antecipação do pagamento (art. 160, §único). Outrossim, como visto, não havendo regra específica, o vencimento do crédito ocorre 30 dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento (art. 160 do CTN). CTN, Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento . Essa regra, entretanto, não é aplicável ao lançamento por homologação, pois, nesta modalidade de constituição do crédito, o pagamento deve ser feito antecipadamente, não havendo que se falar em notificação do lançamento. Se o contribuinte apresentar impugnação, ou recurso administrativo, esse vencimento deve ser contado da data em que ocorrer a intimação da decisão que eventualmente mantiver a exigência. Efeitos da mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 142 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Juros de mora, multa de mora e correção monetária – DIFERENÇAS Correção monetária: atualização de um montante em dinheiro tendo em vista o fenômeno inflacionário. Em outras palavras, compensa a perda do poder aquisitivo. Juro: preço pelo uso do dinheiro alheio. Multa de mora: sanção pelo atraso no adimplemento da obrigação. A regra do art. 161, §1º do CTN é supletiva, de modo que somente se aplica a taxa de juros de 1% ao mês caso inexista regra específica. No âmbito federal, a correção monetária e os juros de mora estão reunidos em um único índice, qual seja, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC. A possibilidade da utilização da taxa se encontrava pacificada no âmbito do STJ, que entende ser impossível a cumulação da SELIC com qualquer outro índice de correção (REsp 447.690). Também na restituição de valor pago a maior ou inteiramente indevido, a correção monetária e os juros de mora estarão reunidos na taxa SELIC. O STF, também, no julgamento da ADI RE 870947/SE (STF. Plenário. RE 870947/SE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20.9.2017, com repercussão geral), deixou claro que, caso o contribuintenão pague um imposto federal, o fisco irá cobrar dele exigindo, além da quantia principal, juros e correção monetária calculados com base na SELIC. Em suma, em ações de indébito tributário, a Fazenda Pública deverá pagar suas dívidas segundo o mesmo índice de juros que utiliza para receber os créditos tributários (SELIC). Isso se justifica em razão do princípio da equidade (isonomia). Não seria isonômico a Fazenda Pública cobrar os créditos tributários utilizando a SELIC e no momento em que tivesse que pagar alguma quantia ao contribuinte utilizasse os índices da caderneta de poupança (que são bem menores que a SELIC). ATENÇÃO! A respeito de atualização dos débitos fazendários, foi promulgada a EC n. 113/2021, cujo art. 3º trata justamente da metodologia a ser aplicada. Estipula o referido dispositivo o seguinte: EC 113/2021 (...) Art. 3º Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda Pública, independentemente de sua natureza e para fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, inclusive do precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, 143 do índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente. Como mesmo antes da EC 113/2021, já se entendia a aplicação da SELIC para créditos em discussão de natureza tributária, somente reforçou o entendimento de sua aplicação. Imputação em pagamento: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a AUTORIDADE ADMINISTRATIVA competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria (contribuinte), e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária (responsável); II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos (grau de retributividade); III - na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV - na ordem decrescente dos montantes. CESPE/CEBRASPE, PROCURADOR FEDERAL, 2010: Considere que determinada revendedora de automóveis, em débito quanto ao pagamento de diversos tributos, decida quitá-los e que haja a imputação do pagamento, pela autoridade administrativa. Nessa situação, a referida imputação deve-se dar, primeiramente, quanto aos débitos oriundos de obrigação própria e, em segundo lugar, aos decorrentes de responsabilidade tributária. Certo. CESPE/CEBRASPE, AGU, 2009: Considere que Gustavo possua débitos vencidos relativos ao imposto sobre a renda correspondente aos períodos de 2003 e de 2005, que, juntos, totalizem R$ 9.000,00. Considere, ainda, que, intencionando regularizar sua situação perante o fisco, Gustavo efetue o pagamento de parte desse valor. Nessa situação hipotética, a autoridade tributária, ao receber o pagamento, deverá determinar a respectiva imputação, na ordem crescente dos prazos de prescrição. Certo. Consignação em pagamento: O art. 164 do CTN estabelece as regras para a ação de consignação: 144 Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. § 2º Julgada PROCEDENTE a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. HIPÓTESES DE CONSIGNAÇÃO I. Recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória. II. Subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal. III. Exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre o mesmo fato gerador. Esse dispositivo trata de tentativa de bitributação. Repetição de indébito: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação (identificação) do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. IMPORTANTE! Além esses casos do CTN, a doutrina aponta mais uma hipótese prática: a do tributo declarado inconstitucional pelo STF. 145 Entendimentos do STJ: O regime de repetição de indébito previsto no art. 167, parágrafo único, do CTN e na súmula 188 do STJ é aplicável às contribuições previdenciárias, que também têm natureza tributária (REsp 1086935, recurso repetitivo). Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Em resumo, temos que: Em se tratando de tributo DIRETO, o legitimado a requerer a repetição do indébito será a pessoa que se encaixaria no polo passivo da relação obrigacional correspondente, caso a tributação tivesse ocorrido de forma regular; Em se tratando de tributo INDIRETO, o legitimado a requerer a repetição do indébito será a pessoa que se encaixaria no polo passivo da relação obrigacional correspondente caso a tributação tivesse ocorrido de forma regular (CONTRIBUINTE DE DIREITO), desde que prove Não haver transferido o encargo a terceiro (CONTRIBUINTE DE FATO) ou, do contrário, Estando por este expressamente autorizada; O contribuinte de FATO ou qualquer outro que não integre, em tese, a relação JURÍDICA-TRIBUTÁRIA discutida, EM REGRA, NÃO têm legitimidade para propor ação de repetição do indébito tributário, mesmo tendo tido prejuízo financeiro com a exação. Súmula n. 614 do STJ: O locatário não possui legitimidade ativa para discutir a relação jurídico-tributária de IPTU e de taxas referentes ao imóvel alugado nem para repetir indébito desses tributos. EXCEÇÃO: O STJ reconhece a legitimidade do contribuinte de fato quando consumidor de serviços prestados por concessionárias. Assim, o contribuinte de fato, mesmo na hipótese do art. 166 do CTN, não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito (STJ, REsp 903.394 AL). Em resumo, o entendimento do STJ é no sentido de que a legitimidade é apenas do contribuinte de direito, isso se comprovar que suportou o ônus ou que esteja autorizado pelo contribuinte de fato a receber a 146 restituição. Qual o entendimento do STF? Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte “de jure” não recuperou do contribuinte “de facto” o “quantum” respectivo (Súmula 546 do STF). Restituição de tributosindiretos quando se trate de consumidor de serviços públicos concedidos: IMPORTANTE! Aqui temos um caso que excepciona a regra de que o contribuinte de fato não possui legitimidade para buscar restituição. Diante do que dispõe a legislação que discute a matéria de concessões de serviço público e da peculiar relação envolvendo o Estado (Poder Concedente), a CONCESSIONÁRIA e o CONSUMIDOR, esse último (CONTRIBUINTE DE FATO) tem legitimidade para propor ação declaratória de repetição de indébito tributário na qual se busca afastar, no tocante AO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA, a incidência do ICMS sobre a demanda contratada e não utilizada (RESP 1.299.303 – 14.08.2012 – STJ). Em se tratando de concessionária de serviço público, a legislação especial prevê expressamente o repasse do ônus tributário (art. 9º, §3º, da Lei 8.987/95). Assim, temos que: 1) O consumidor final de energia elétrica tem legitimidade ativa para propor ação declaratória cumulada com repetição de indébito que tenha por escopo afastar a incidência de ICMS sobre a demanda contratada e não utilizada de energia elétrica. 2) O usuário do serviço de energia elétrica (consumidor em operação interna), na condição de contribuinte de fato, é parte legítima para discutir pedido de compensação do ICMS supostamente pago a maior no regime de substituição tributária. STJ. 1ª Turma. AgRg nos EDcl no REsp 1.269.424-SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 23.10.2012. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 28.044-ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13.11.2012. Juros sobre o indébito: ATENÇÃO! Não se deve confundir a restituição do valor recolhido a título de juros (restituição de juros), com o direito de receber juros sobre o valor da restituição (juros sobre a restituição). Isso porque, na repetição do indébito, o contribuinte tem o direito de receber de volta o valor principal que foi pago, acrescido de juros moratórios e correção monetária pelo tempo que ficou sem o dinheiro. Art. 167 do CTN Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão 147 definitiva que a determinar. A taxa de juros: A taxa de juros a ser aplicada é definida por cada ente tributante na legislação ordinária. No âmbito federal, por exemplo, utiliza-se a SELIC (Lei 9.250/995), que não pode ser cumulada com quaisquer outros índices. Nas esferas estaduais e municipais, o STJ tem o seguinte entendimento sobre a taxa de juros adota: Relativamente a tributos estaduais ou municipais, a matéria continua submetida ao princípio geral, segundo o qual, em face da lacuna do art. 167, parágrafo único, do CTN, a taxa dos juros de mora na repetição de indébito deve, por analogia e isonomia, ser igual à que incide sobre os correspondentes débitos tributários estaduais ou municipais pagos com atraso; e a taxa de juros incidente sobre esses débitos deve ser de 1% ao mês, a não ser que o legislador, utilizando a reserva de competência prevista no §1º do art. 61 do CTN, disponha de modo diverso. (REsp 1111189, recurso repetitivo) Entendia-se que, desde que a hipótese estivesse prevista em legislação local, o Estado-membro poderia adotar a SELIC. Veja: Súmula n. 523 do STJ: A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. E o que prevalece agora? Bem, como visto acima a EC n. 113/2021 determinou que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) é o índice a ser utilizado para cálculo dos juros de mora e correção monetária nas discussões e nas condenações, inclusive precatórios, que envolvam a Fazenda Pública em geral (art. 3º, EC 113/2021). Impende destacar que, consoante o artigo 3º da EC n. 113/2021, não importa a natureza da ação, ou seja, aplica-se a Selic às demandas que envolvam a Fazenda Pública, sejam elas cíveis, tributárias, previdenciárias etc. A referida EC n. 113/2021, conforme o seu artigo 7º, entrou em vigor desde a data da sua publicação, qual seja, 09.12.2021. Assim, desde 9 de dezembro a Selic é o índice a ser utilizado para o cálculo de juros e correção monetária em qualquer ação que envolva a Fazenda Pública. Dessa forma, não há mais a necessidade de os Estados terem que aprovar legislação local adotando a SELIC, pois a emenda em referência determinou já garante sua aplicação. 148 Termo inicial dos juros: Como visto, o CTN, em seu art. 167, prevê que os juros serão devidos a partir da data em que houve o trânsito em julgado da decisão que determinou a devolução dos valores pagos indevidamente. Nessa linha caminhou o STJ: Súmula n. 188 STJ: Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Com o advento da SV 17, começou-se um debate sobre sua interferência em relação à Súmula 188 do STJ. Súmula vinculante n. 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. Em resumo: desde o trânsito em julgado da decisão, já fluem os juros de mora, tendo em vista o parágrafo único do art. 167 do CTN e a súmula 188 do STJ. Só que, inscrito o precatório até 2 de abril e encaminhada a lista para o Poder Executivo para efeito de inclusão da dotação no orçamento, entra em cena a súmula vinculante 17, cessando a fluência dos juros. Assim, pago o precatório até o último dia do exercício seguinte ao da inclusão no orçamento, não são acrescidos novos juros. Lado outro, vencido tal prazo e não pago o precatório, voltam a ser computados os juros de mora. Repetição e a correção monetária: A correção monetária compensa a desvalorização da moeda, por isso entende-se incidir desde o pagamento indevido. A respeito da correção monetária, o STJ aplica a seguinte regra: Súmula n. 162 STJ: Na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido. Pois bem, vimos que a respeito da incidência dos juros, a Súmula Vinculante 17 prevê que “durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos”. Mas, e a correção monetária, incide nesse período constitucional de pagamento do precatório? SIM, perfeitamente. Incide a atualização monetária. Analisando o entendimento, o STF dispõe que, se a entidade devedora realiza o pagamento no prazo constitucional, não há que se falar em mora, não sendo possível a cobrança dos juros de mora, mas tão somente da atualização monetária, conforme previsto no 149 próprio texto constitucional. Ora, o STF entende que, no que concerne a correção monetária, o raciocínio é diferente, pois os efeitos da desvalorização da moeda são perenes, devendo ser compensados desde o momento do pagamento indevido. Prazo para a repetição: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. III - data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória O legislador optou por atribuir natureza decadencial aos direitos potestativos de lançar e de pleitear restituição. Há de se atentar para o termo inicial legalmente estabelecidopara a contagem do prazo de cinco anos disponibilizado para que o contribuinte pleiteie a restituição: a data da extinção do crédito tributário. Nos lançamentos de ofício e por declaração, quem calcula o valor do tributo a ser recolhido pelo sujeito passivo é a autoridade fiscal competente, de forma a se presumir que tal valor esteja correto e que o pagamento extingue imediatamente o crédito tributário, não havendo que se falar em qualquer providência posterior da administração tributária. E no caso de lançamento por homologação? No caso do lançamento por homologação, é o sujeito passivo quem calcula o montante do tributo devido e antecipa o respectivo pagamento, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. A extinção somente é definitiva com a homologação, que poderá ser expressa ou tácita. Prazo para a restituição do valor pago indevidamente e tributo lançado por homologação. Qual é o prazo prescricional para obter a restituição do valor pago indevidamente no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação? • Para ações de repetição de indébito ajuizadas até 8/6/2005: 10 anos. • Para ações de repetição de indébito ajuizadas a partir de 9/6/2005: 5 anos. No dia 09/06/2005 entrou em vigor a LC 118/2005, que estabeleceu que, para efeito de repetição de indébito, 150 a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado. Obs: não importa se o pagamento indevido foi feito antes da LC 118/2005 (09/06/2005). O que interessa saber é se a ação foi ajuizada antes da LC 118/2005 entrar em vigor. STJ. 1ª Seção. REsp 1.269.570-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23/5/2012. O STJ pacificou o entendimento no sentido de que a extinção do crédito tributário ocorre: Nos casos de lançamento de oficio ou por declaração, na data do pagamento; Nos casos de lançamento por homologação, o crédito é considerado extinto desde o momento do pagamento antecipado pelo contribuinte, sendo este o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição. Dispõe o art. 168, III, do CTN, que o prazo para pleitear a restituição será de cinco anos da “data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. Para submeter a matéria diretamente ao judiciário, o contribuinte possui o prazo de 5 anos, o mesmo disponível para formular o pleito administrativamente. Todavia, se optar por formular o pleito incialmente na via administrativa e o mesmo vier a ser indeferido, haverá a incidência do art. 169 do CTN, de forma que o prazo para buscar, no judiciário, a anulação da decisão administrativa será de APENAS DOIS ANOS. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Compensação: Art. 170. A LEI pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Requisitos para a compensação: Fungibilidade: significando que as obrigações não podem possuir natureza personalíssima, sendo fungível 151 o bem que pode ser trocado ou substituído por outro da mesma espécie e vlor, como o dinheiro; Créditos líquidos e certos, vendidos ou vincendos; Reciprocidade das obrigações; Lei autorizativa. Súmula n. 464 do STJ: A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. Súmula n. 461 do STJ: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Pressupostos para a compensação: Existência de lei e trânsito em julgado. IMPORTANTE! É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (art. 170-A, do CTN). CTN, Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ao contrário da compensação, a suspensão da exigibilidade do crédito mediante ato jurisdicional não depende do trânsito em julgado, podendo ser concedida mediante medida liminar ou antecipação de tutela. O mandado de segurança pode ser manejado para veicular a pretensão de declaração do direito à compensação tributária? SIM. Suponha que um contribuinte tenha formulado um requerimento administrativo pedindo a compensação do crédito tributário com o um débito que possua com o fisco, e esse pedido venha a ser indeferido. Nessa hipótese, o contribuinte pode manejar MS buscando a declaração do direito à compensação tributária. É o que o diz o seguinte enunciado de súmula do STJ: Súmula n. 213 do STJ: O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. 152 Agora surge outro questionamento. É possível que essa compensação possa ser deferida por meio de liminar em mandado de segurança? Aqui o aluno deve ter atenção ao julgamento recente da ADI 4296 (09.06.2021). Antes do decidido pela referida ação, não era possível que a compensação de créditos tributários fosse feita por medida liminar. A base era o §2º art. 7º da Lei n. 12.016/2009 (LMS), vide: Art. 7º (...) § 2º Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. Inclusive, vigorava o teor da seguinte súmula (súmula já cancelada em 14.09.2022): Súmula n. 212 do STJ: A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória. Contudo, como se verá no tópico específico sobre o julgamento da ADI 4296, o STF, por maioria dos votos do Plenário, julgou inconstitucional o referido dispositivo legal que restringia as hipóteses de concessão de medida liminar (§2º art. 7º da LMS). É inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida liminar na via mandamental. Impedir ou condicionar a concessão de medida liminar caracteriza verdadeiro obstáculo à efetiva prestação jurisdicional e à defesa do direito líquido e certo do impetrante. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 09.06.2021. Dessa forma, a súmula n. 212 do STJ, foi cancelada em 14.09.2022 (INFO 7419 do STJ) Curiosamente, apesar de admitir a utilização do MS com o objetivo de declarar o direito de compensação tributária, o STJ não aceita a utilização da mesma ação para convalidar (entende o STJ que demanda dilação probatória) a compensação já realizada pelo contribuinte (súmula n. 460 do STJ). Súmula n. 460 do STJ: É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte. Existem doisde estradas de rodagem cuja base de cálculo seja idêntica à do imposto territorial rural. Súmula Vinculante n. 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 29 1. Ilegitimidade de taxa cobrada em razão de número de empregados. Precedente: RE 554.951. É inconstitucional a criação de taxa de combate a incêndios. A atividade desenvolvida pelo Estado no âmbito da segurança pública é mantida ante impostos, sendo imprópria a substituição, para tal fim, de taxa. Precedente: ADI 4411, julgado em 18.08.2020 (Info 992). 16 É possível a cobrança de taxa de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis calculada sobre a metragem do imóvel, não havendo ofensa ao princípio que veda a instituição de taxa com base de cálculo própria de imposto. Súmula Vinculante n. 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 19 1. A taxa cobrada em razão dos serviços de conservação e limpeza de logradouros e bens públicos ofende o art. 145, II, da Constituição Federal. Precedente: RE 576.321 QO-RG. 2. Súmula Vinculante n. 29 do STF: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. 3. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento no sentido da constitucionalidade da utilização da área do imóvel como base de cálculo da taxa de coleta de lixo domiciliar. Precedente: RE 1.165.562. Risco de pegadinha: O art. 150, VI, da CF (imunidade recíproca) NÃO autoriza imunidade para taxas. A imunidade recíproca é somente para IMPOSTOS. Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato normativo infralegal fixar o valor de taxa em proporção razoável com as custas da atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária legalmente previstos. O STF considera que as custas judiciais e as taxas judiciárias possuem natureza jurídica de tributo, sendo uma taxa. Ofende a CF a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa. Súmula n. 667 do STF: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa. 17 No mesmo sentido: É legítima a cobrança das custas judiciais e das taxas judiciárias tendo por parâmetro o valor da causa, desde que fixados valores mínimos e máximos. STF. Plenário. ADI 5688/PB, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 22.10.2021 (Info 1035). É válida a cobrança das custas judiciais e emolumentos tendo por parâmetro o valor da causa ou do bem ou negócio objeto dos atos judiciais e extrajudiciais, desde que definidos limites mínimo e máximo e mantida uma razoável e proporcional correlação com o custo da atividade. STF. Plenário. ADI 2846/TO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.9.2022 (Info 1067). A taxa não pode ter função extrafiscal (STF RE 114.069). É imperioso que a base de cálculo seja exatamente igual ao custo do serviço público prestado? NÃO. Segundo afirma a doutrina, não é necessário que a base de cálculo seja exatamente igual ao custo do serviço público prestado. A base de cálculo da taxa deve estar relacionada com o custo. Deve haver uma “equivalência razoável entre o custo real dos serviços e o montante a que pode ser compelido o contribuinte a pagar”. (Min. Moreira Alves, STF Rp 1077/RJ) Taxa x Preço Público: TAXA PREÇO PÚBLICO (TARIFA) Regime Jurídico de Direito Público. Regime Jurídico de Direito Privado. O vínculo obrigacional é de natureza tributária, não admitindo rescisão. O vínculo obrigacional é de natureza contratual, admitindo rescisão. O sujeito ativo é uma pessoa jurídica de direito público. O sujeito ativo pode ser uma pessoa jurídica de direito público ou de direito privado. O vínculo nasce independentemente de manifestação de vontade. Necessidade de manifestação de vontade. Cobrada em virtude de utilização efetiva ou potencial do serviço público. Só cobrada em virtude de utilização efetiva do serviço público. A receita arrecadada é derivada. A receita arrecadada é originária. 18 Sujeita-se aos princípios tributários (legalidade, anterioridade, noventena). Não se sujeita a tais princípios. Súmula n. 545 do STF: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e tem sua cobrança condicionada a prévia autorização orçamentária, em relação a lei que as instituiu. Observação: A parte riscada é o princípio da anualidade tributária, que não vigora no Brasil. Taxa x iluminação pública: Súmula Vinculante n. 41: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 41 1. Conversão da seguinte súmula: Súmula 670 do STF: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. 2. Para isso, foi criada a COSIP. 3. É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede. Precedente: RE 666404, julgado em 18/08/2020. Súmula n. 595 do STF: É inconstitucional a taxa municipal de conservação de estradas de rodagem cuja base de cálculo seja idêntica a do imposto territorial rural. Súmula n. 665 do STF: É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários instituída pela Lei 7.940/1989. Súmula n. 667 do STF: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa. De olho na jurisprudência: É inconstitucional lei estadual que cria taxa de fiscalização da exploração de recursos hídricos na qual o valor cobrado é muito superior em relação ao custo da atividade estatal relacionada. Precedente: ADI 6211/AP - Info 962. 19 É inconstitucional a criação de taxa de combate a incêndios. A atividade desenvolvida pelo Estado no âmbito da segurança pública é mantida ante impostos, sendo imprópria a substituição, para tal fim, de taxa. Precedente: ADI 4411 - Info 992. É inconstitucional taxa de combate a sinistros instituída por lei municipal. A prevenção e o combate a incêndios são atividades desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros, sendo consideradas atividades de segurança pública, nos termos do art. 144, V e § 5º da CF/88. Precedente: Info 871 do STF. As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem ter como base de cálculo o número de empregados ou ramo de atividade exercida pelo contribuinte. Precedente: Info 870 do STF. A taxa de fiscalização e funcionamento pode ter como base de cálculo a área de fiscalização, na medida em que traduz o custo da atividade estatal de fiscalização. Precedente: RE 856185. Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato normativo infralegal fixar o valor de taxa em proporção razoável com os custos da atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária legalmente previstos. Precedente: Info 842 e 844 do STF. Na desapropriação indireta, quando há valorização geral e ordinária da área remanescente ao bem esbulhado em decorrência de obra ou serviçofundamentos jurídicos para respaldar o entendimento desta súmula: 153 a) para convalidar a compensação, seria necessária dilação probatória, o que é inviável em mandado de segurança; b) a tarefa de realizar a compensação tributária é da Administração Tributária, não podendo o contribuinte assumir o papel do Fisco. Isso porque compete à Administração fiscalizar a existência ou não de créditos a serem compensados, a exatidão dos números e documentos, do quantum a compensar e da conformidade do procedimento adotado com os termos da legislação pertinente. Transação: Art. 171. A LEI pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação (terminação) de litígio e consequente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso. A transação é modalidade extintiva do crédito tributário. Depende de lei, que pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação a possibilidade de concessões mútuas, que resulte no fim do litígio e consequente extinção de crédito tributário. É a lei quem deve indicar a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso. É a lei que fixa os limites da transação. Inclusive é a legislação de regência que pode vedar a transação, em algumas hipóteses. CESPE/CEBRASPE, PGE-SE, 2017 (Adaptada): Uma lei estadual indicou autoridade competente para estabelecer condições que possibilitassem ao contribuinte e à fazenda pública estadual negociar o encerramento de litígios judiciais e administrativos acerca de determinada questão tributária. A referida norma estabeleceu que as partes deveriam fazer determinadas concessões mútuas com o objetivo de alcançar a extinção do crédito tributário. A negociação objeto da situação hipotética apresentada é um exemplo de transação. Certo. 154 Um exemplo de transação foi o que ocorreu na esfera federal com o advento da Lei n. 13.988/2020, que dispõe sobre a transação nas hipóteses que especifica; e altera as Leis nºs 13.464, de 10 de julho de 2017, e 10.522, de 19 de julho de 2002. Art. 1º Esta Lei estabelece os requisitos e as condições para que a União, as suas autarquias e fundações, e os devedores ou as partes adversas realizem transação resolutiva de litígio relativo à cobrança de créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária. § 1º A União, em juízo de oportunidade e conveniência, poderá celebrar transação em quaisquer das modalidades de que trata esta Lei, sempre que, motivadamente, entender que a medida atende ao interesse público. § 2º Para fins de aplicação e regulamentação desta Lei, serão observados, entre outros, os princípios da isonomia, da capacidade contributiva, da transparência, da moralidade, da razoável duração dos processos e da eficiência e, resguardadas as informações protegidas por sigilo, o princípio da publicidade. § 3º A observância do princípio da transparência será efetivada, entre outras ações, pela divulgação em meio eletrônico de todos os termos de transação celebrados, com informações que viabilizem o atendimento do princípio da isonomia, resguardadas as legalmente protegidas por sigilo. § 4º Aplica-se o disposto nesta Lei: I - aos créditos tributários sob a administração da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia; (Redação dada pela Lei nº 14.375, de 2022) II - à dívida ativa e aos tributos da União, cujas inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, nos termos do art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e III - no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais, cujas inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal, e aos créditos cuja cobrança seja competência da Procuradoria-Geral da União, nos termos de ato do Advogado-Geral da União e sem prejuízo do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997 . § 5º A transação de créditos de natureza tributária será realizada nos termos do art. 171 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Referida Lei estabelece os requisitos e as condições para que União e devedores ou partes adversas realizem transação resolutiva de litígio. Como ponto de partida, dispôs-se que a União, em juízo de oportunidade e conveniência, poderá celebrar transação em quaisquer das modalidades previstas na Lei, sempre que, motivadamente, entender que a medida atenda ao interesse público. O interesse público é o ponto de partida de qualquer operacionalização de transação. 155 Modalidades de transação, segundo a Lei n. 13.988/2020: Lei n. 13.988/2020, Art. 2º Para fins desta Lei, são modalidades de transação as realizadas: I - por proposta individual ou por adesão, na cobrança de créditos inscritos na dívida ativa da União, de suas autarquias e fundações públicas, na cobrança de créditos que seja da competência da Procuradoria-Geral da União, ou em contencioso administrativo fiscal; (Redação dada pela Lei nº 14.375, de 2022) II - por adesão, nos demais casos de contencioso judicial ou administrativo tributário; e III - por adesão, no contencioso tributário de pequeno valor. Parágrafo único. A transação por adesão implica aceitação pelo devedor de todas as condições fixadas no edital que a propõe. Compromissos: Art. 3º A proposta de transação deverá expor os meios para a extinção dos créditos nela contemplados e estará condicionada, no mínimo, à assunção pelo devedor dos compromissos de: I - NÃO utilizar a transação de forma abusiva, com a finalidade de limitar, de falsear ou de prejudicar, de qualquer forma, a livre concorrência ou a livre iniciativa econômica; II - NÃO utilizar pessoa natural ou jurídica interposta para ocultar ou dissimular a origem ou a destinação de bens, de direitos e de valores, os seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários de seus atos, em prejuízo da Fazenda Pública federal; III - NÃO alienar nem onerar bens ou direitos sem a devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando exigido em lei; IV - desistir das impugnações ou dos recursos administrativos que tenham por objeto os créditos incluídos na transação e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações ou recursos; e V - renunciar a quaisquer alegações de direito, atuais ou futuras, sobre as quais se fundem ações judiciais, inclusive as coletivas, ou recursos que tenham por objeto os créditos incluídos na transação , por meio de requerimento de extinção do respectivo processo com resolução de mérito, nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 1º A proposta de transação deferida importa em aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei e em sua regulamentação, de modo a constituir confissão irrevogável e irretratável dos créditos abrangidos pela transação, nos termos dos arts. 389 a 395 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 2º Quando a transação envolver moratória ou parcelamento, aplica-se, para todos os fins, o disposto nos incisos I e VI do caput do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 156 § 3º Os créditos abrangidos pela transação somente serão extintos quando integralmente cumpridas as condições previstas no respectivo termo. ATENÇÃO! Esse trecho é muito importante, pois, diversos devedores, na prática, aderem à proposta de transação e, mesmo assim, permanecem com ações ordinárias discutindo a nulidade do débito ou ajuízam novas anulatórias. Como representanteda Fazenda Pública Nacional, o PFN deve fundamentar um pedido para que a parte desista das ações, com base nos incisos IV e V c.c. §1, todos do art. 3º. Vedações: Art. 5º É vedada a transação que: I - reduza multas de natureza penal; II - conceda descontos a créditos relativos ao: a) Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), enquanto não editada lei complementar autorizativa; b) Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), enquanto não autorizado pelo seu Conselho Curador; III - envolva devedor contumaz, conforme definido em lei específica. Obs.: Em relação ao item “b” do inciso II art. 5º, tem-se que a Portaria n. 6.757/2022 prevê a transação na cobrança da dívida do FGTS, como veremos abaixo. Não suspensão da exigibilidade: Ainda que as partes possam convencionar de outro modo a proposta de transação não suspende a exigibilidade dos créditos por ela abrangidos nem o andamento das respectivas execuções fiscais. Lei n. 13.988/2020, Art. 12. A proposta de transação NÃO suspende a exigibilidade dos créditos por ela abrangidos nem o andamento das respectivas execuções fiscais. § 1º O disposto no caput deste artigo NÃO afasta a possibilidade de suspensão do processo por convenção das partes, conforme o disposto no inciso II do caput do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 2º O termo de transação preverá, quando cabível, a anuência das partes para fins da suspensão convencional do processo de que trata o inciso II do caput do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), até a extinção dos créditos nos termos do § 3º do art. 3º desta Lei ou eventual rescisão. § 3º A proposta de transação aceita não implica novação dos créditos por ela abrangidos. 157 Portaria 6.757/2022, Art. 10. Enquanto NÃO CONCRETIZADA pelo devedor e ACEITA pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a proposta de transação, em quaisquer das modalidades previstas nesta Portaria, não suspende a exigibilidade dos créditos nela abrangidos nem o andamento das respectivas execuções fiscais. Parágrafo único. Nas modalidades previstas nos incisos II e III do art. 4º desta Portaria, as partes poderão convencionar pela suspensão do processo, conforme disposto no inciso II do caput do art. 313 do Código de Processo Civil enquanto não assinado o respectivo termo e cumpridos os requisitos para sua aceitação. Rescisão da transação: Lei n. 13.988/2020, Art. 4º Implica a rescisão da transação: I - o descumprimento das condições, das cláusulas ou dos compromissos assumidos; II - a constatação, pelo credor, de ato tendente ao esvaziamento patrimonial do devedor como forma de fraudar o cumprimento da transação, ainda que realizado anteriormente à sua celebração; III - a decretação de falência ou de extinção, pela liquidação, da pessoa jurídica transigente; IV - a comprovação de prevaricação, de concussão ou de corrupção passiva na sua formação; V - a ocorrência de dolo, de fraude, de simulação ou de erro essencial quanto à pessoa ou quanto ao objeto do conflito; VI - a ocorrência de alguma das hipóteses rescisórias adicionalmente previstas no respectivo termo de transação; ou VII - a inobservância de quaisquer disposições desta Lei ou do edital. § 1º O devedor será notificado sobre a incidência de alguma das hipóteses de rescisão da transação e poderá impugnar o ato, na forma da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, no prazo de 30 (trinta) dias. § 2º Quando sanável, é admitida a regularização do vício que ensejaria a rescisão durante o prazo concedido para a impugnação, preservada a transação em todos os seus termos. § 3º A rescisão da transação implicará o afastamento dos benefícios concedidos e a cobrança integral das dívidas, deduzidos os valores já pagos, sem prejuízo de outras consequências previstas no edital. § 4º Aos contribuintes com transação rescindida é vedada, pelo prazo de 2 (dois) anos, contado da data de rescisão, a formalização de nova transação, ainda que relativa a débitos distintos. Uma vez rescindida a transação a dívida será cobrada integralmente com a dedução dos valores pagos. Na hipótese de recuperação judicial a Fazenda Pública pode requerer a convolação em falência. Em transações que envolvam valores de alçada fixados por ato do Ministro da Economia há necessidade de autorização do titular da pasta, que poderá delegar tal prerrogativa. 158 No caso da transação por adesão no contencioso de relevante e disseminada controvérsia jurídica a proposta de acordo é do Ministro da Economia. Há necessidade de manifestação da PGFN e da Secretaria Especial da Receita Federal. Importante ressaltar que, nesse caso, a proposta não pode ser invocada pelo contribuinte como fundamento jurídico ou prognose de sucesso da tese sustentada por qualquer das partes. A proposta deverá ser divulgada na imprensa oficial e sítios dos respectivos órgãos na internet. Nesse caso, a legislação de regência exige edital que especifique, de maneira objetiva, as hipóteses fáticas e jurídicas nas quais a Fazenda Nacional propõe a transação. A adesão é aberta a quem se encontre na mesma situação fática e jurídica. Por fim, dispõe-se que os agentes públicos que participarem do processo de composição do conflito, judicial ou extrajudicialmente, somente poderão ser responsabilizados, civil, administrativa ou penalmente, inclusive perante os órgãos públicos de controle interno e externo, quando agirem com dolo ou fraude para obter vantagem indevida para si ou para outrem. Nos termos da legislação de regência ao Procurador-Geral da Fazenda Nacional compete disciplinar os procedimentos necessários à aplicação das regras de transação tributária, inclusive quanto à sua rescisão. Pode, inclusive, condicionar a transação ao pagamento de entrada, apresentação de garantia, bem como à manutenção das garantias existentes. Fixa também o formato e os requisitos da proposta, a par dos documentos que o contribuinte deve apresentar. Lei n. 13.988/2020, Art. 27. Caberá ao Procurador-Geral da Fazenda Nacional e ao Secretário Especial da Receita Federal do Brasil, em seu âmbito de atuação, disciplinar a aplicação do disposto neste Capítulo. Art. 27-A. O disposto neste Capítulo também se aplica: (Incluído pela Lei nº 14.375, de 2022) I - à dívida ativa da União de natureza NÃO tributária cujas inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos do art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; (Incluído pela Lei nº 14.375, de 2022) II - aos créditos inscritos em dívida ativa do FGTS, vedada a redução de valores devidos aos trabalhadores e desde que autorizado pelo seu Conselho Curador; e (Incluído pela Lei nº 14.375, de 2022) III - no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais cujas inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal, e aos créditos cuja cobrança seja competência da Procuradoria-Geral da União, sem prejuízo do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997. (Incluído pela Lei nº 14.375, de 2022) Parágrafo único. Ato do Advogado-Geral da União disciplinará a transação dos créditos referidos no inciso III do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.375, de 2022) 159 Regulamentações pela PGFN: A transação tributária foi, inicialmente, regulamentada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos termos da Portaria nº 9.917, de 14 de abril de 2020. Contudo, posteriormente foi revoada pela Portaria n. 6.757/2022. Os acordos de transação deverão observar os princípios da isonomia, da capacidade contributiva, da transparência, da moralidade, da razoável duração dos processos e da eficiência e, resguardadas as informaçõesprotegidas por sigilo, o princípio da publicidade. E devem seguir as disposições legais. É hipótese de interpretação literal das regras, em virtude mesmo do interesse e do crédito público que se deve tutelar. Nos termos da Portaria n. 6.757/2022, a União pode transacionar: Art. 4º São modalidades de transação na cobrança da dívida ativa da União e do FGTS: I - transação por adesão à proposta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; II - transação individual proposta pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; e III - transação individual proposta pelo devedor inscrito em dívida ativa da União e do FGTS, inclusive a simplificada. Das obrigações: Art. 5º Sem prejuízo dos demais compromissos exigidos em Edital ou na proposta individual, em quaisquer das modalidades de transação de que trata esta Portaria, o devedor obriga-se a: I - fornecer, sempre que solicitado, informações sobre bens, direitos, valores, transações, operações e demais atos que permitam à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional conhecer sua situação econômica ou eventuais fatos que impliquem a rescisão do acordo; II - não utilizar a transação de forma abusiva ou com a finalidade de limitar, falsear ou prejudicar de qualquer forma a livre concorrência ou a livre iniciativa econômica; III - declarar que não utiliza pessoa natural ou jurídica interposta para ocultar ou dissimular a origem ou a destinação de bens, de direitos e de valores, seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários de seus atos, em prejuízo da Fazenda Pública Federal; IV - declarar que não alienou ou onerou bens ou direitos com o propósito de frustrar a recuperação dos créditos inscritos; V - efetuar o compromisso de cumprir as exigências e obrigações adicionais previstas nesta Portaria, no Edital ou na proposta; VI - autorizar a compensação, no momento da efetiva disponibilização financeira, de valores relativos a restituições, ressarcimentos ou reembolsos reconhecidos pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, com prestações do acordo firmado, vencidas ou vincendas; 160 VII - autorizar a compensação, no momento da efetiva disponibilização financeira, de valores relativos a precatórios federais de que seja credor; VIII - declarar, quando a transação envolver a capacidade de pagamento, que as informações cadastrais, patrimoniais e econômico-fiscais prestadas à administração tributária são verdadeiras e que não omitiu informações quanto à propriedade de bens, direitos e valores; IX - renunciar, quando for o caso, a quaisquer alegações de direito, atuais ou futuras, sobre as quais se fundem ações judiciais, incluídas as coletivas, ou recursos que tenham por objeto os créditos incluídos na transação, por meio de requerimento de extinção do respectivo processo com resolução de mérito, nos termos da alínea "c" do inciso III do caput do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil; X - manter regularidade perante o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; XI - regularizar, no prazo de 90 (noventa) dias, os débitos que vierem a ser inscritos em dívida ativa ou que se tornarem exigíveis após a formalização do acordo de transação; e XII - a proceder à individualização dos valores recolhidos nas contas vinculadas dos respectivos trabalhadores, quando for o caso. Parágrafo único. Nas transações firmadas com Estados e Municípios é obrigatória a inserção de cláusula autorizativa da dedução dos valores devidos dos montantes a serem repassados relacionados às respectivas cotas nos Fundos de Participação. Art. 6º São obrigações da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional: I - prestar todos os esclarecimentos acerca da situação econômica do devedor, inclusive os critérios para definição de sua capacidade de pagamento e do grau de recuperabilidade de seus débitos, bem como das situações impeditivas à transação e demais circunstâncias relativas à sua condição perante a dívida ativa da União e do FGTS; II - presumir a boa-fé do contribuinte em relação às declarações prestadas no momento da adesão à transação proposta pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; III - notificar o contribuinte sempre que verificada hipótese de rescisão da transação, com concessão de prazo para regularização do vício; e IV - tornar públicas todas as transações firmadas com os sujeitos passivos, bem como as respectivas obrigações, exigências e concessões, ressalvadas as informações protegidas por sigilo. Das exigências: Art. 7º As modalidades de transação previstas nesta Portaria poderão envolver, a exclusivo critério da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, as seguintes exigências: I - pagamento de entrada mínima como condição à adesão; 161 II - manutenção das garantias associadas aos débitos transacionados, quando a transação envolver parcelamento, moratória ou diferimento; e III - apresentação de garantias reais ou fidejussórias, inclusive alienação fiduciária sobre bens móveis ou imóveis e a cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis, títulos de crédito, direitos creditórios ou recebíveis futuros, observado o disposto no art. 66-B da Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965. Das concessões Art. 8º As modalidades de transação previstas nesta Portaria poderão envolver, a exclusivo critério da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, as seguintes concessões, observados os limites previstos na legislação de regência da transação: I - oferecimento de descontos e a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) aos débitos considerados irrecuperáveis ou de difícil recuperação pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; II - possibilidade de parcelamento; III - possibilidade de diferimento ou moratória, ressalvados os débitos de FGTS inscritos em dívida ativa; IV - flexibilização das regras para aceitação, avaliação, substituição e liberação de garantias; V - flexibilização das regras para constrição ou alienação de bens; e VI - possibilidade de utilização de créditos líquidos e certos do contribuinte em desfavor da União, reconhecidos em decisão transitada em julgado, ou de precatórios federais próprios ou de terceiros, para fins de amortização ou liquidação de saldo devedor transacionado, observado o procedimento previsto nesta Portaria. Parágrafo único. Nas propostas de transação que envolvam redução do valor do crédito, os encargos legais acrescidos aos débitos inscritos em dívida ativa da União de que trata o art. 1º do Decreto-Lei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, serão obrigatoriamente reduzidos em percentual não inferior ao aplicado às multas e aos juros de mora relativos aos créditos a serem transacionados. Art. 9º Quando a transação envolver créditos negociados em parcelamento ativo e em situação regular, serão mantidos os benefícios concedidos relativamente às parcelas vencidas e liquidadas, vedada a acumulação de descontos entre a transação e o programa de parcelamento. § 1º A desistência dos parcelamentos anteriormente concedidos, nos termos deste artigo, é feita de forma irretratável e irrevogável e implica sua imediata rescisão, considerando-se o sujeito passivo optante notificado das respectivas extinções, dispensada qualquer outra formalidade. § 2º Nas hipóteses em que a transação pretendida seja cancelada, rescindida ou não produza efeitos, os parcelamentos para os quais houver desistência não serão restabelecidos. 162 § 3º A desistência, cancelamento ou rescisão da transação implica a perda dos benefícios assegurados na forma deste artigo, salvo disposição em contrário na norma de regência do parcelamento original. Das vedações Art. 15. Sem prejuízo da possibilidade de celebração de Negócio Jurídico Processual para equacionamento de débitos inscritos em dívida ativa da União e do FGTS, nos termos de regramentopróprio, é vedada a transação que: I - reduza o montante principal do crédito ou conceda descontos sobre quaisquer valores devidos aos trabalhadores, conforme critérios estabelecidos pela Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990; II - reduza multas de natureza penal; III - implique redução superior a 65% (sessenta e cinco por cento) do valor total dos créditos a serem transacionados; IV - utilize créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em valor superior a 70% (setenta por cento) do saldo a ser pago pelo contribuinte; V - conceda prazo de quitação dos créditos superior a 120 (cento e vinte) meses; VI - envolva créditos não inscritos em dívida ativa da União ou do FGTS; e VII - envolva devedor contumaz. § 1º A redução máxima de que trata o inciso III do caput deste artigo será de até 70% (setenta por cento), ampliando-se o prazo máximo de quitação para até 145 (cento e quarenta e cinco) meses, respeitado o disposto no § 11 do art. 195 da Constituição, quando a transação envolver: I - pessoa natural, inclusive microempreendedor individual; II - microempresa ou empresa de pequeno porte; III - Santas Casas de Misericórdia; IV - sociedades cooperativas; V - demais organizações da sociedade civil de que trata a Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014; ou VI - instituições de ensino. § 2º É vedada a acumulação das reduções oferecidas na transação com quaisquer outras asseguradas na legislação em relação aos créditos abrangidos na negociação. § 3º O impedimento de que trata do inciso VII do caput do presente artigo depende de lei específica que estabeleça o conceito de devedor contumaz. Art. 16. A transação deverá abranger TODAS as inscrições elegíveis do sujeito passivo, sendo vedada a adesão parcial. § 1º Na transação por adesão à proposta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o sujeito passivo poderá combinar uma ou mais modalidades disponíveis, de forma a equacionar todo o passivo fiscal elegível. 163 § 2º Em quaisquer das modalidades de transação previstas nesta Portaria, é lícito ao sujeito passivo deixar de incluir uma ou mais inscrições no acordo, desde que garantidas, parceladas ou suspensas por decisão judicial. § 3º Na transação individual é lícito ao sujeito passivo deixar de incluir uma ou mais inscrições no acordo, caso demonstre que sua situação econômica impede o equacionamento de todo o passivo elegível. § 4º Na transação que envolva parcelamento de créditos inscritos na dívida ativa do FGTS, o pagamento da totalidade dos débitos de contribuição de FGTS rescisório deverá ser realizado na primeira prestação, assim como os débitos de contribuições mensais devidas a trabalhadores com vínculos rescindidos à época da contratação e que reúnam as condições legais para a utilização de valores de sua conta vinculada. Art. 17. Às contribuições sociais de que tratam a alínea "a" do inciso I e o inciso II do caput do art. 195 da Constituição são vedados a moratória e o parcelamento em PRAZO SUPERIOR a 60 (sessenta) meses. Art. 18. Aos devedores com transação rescindida é vedada, pelo prazo de 2 (dois) anos contados da data de rescisão, a formalização de nova transação, ainda que relativa a débitos distintos. Responsabilização pelo Procurador atuante: Art. 84. Os Procuradores da Fazenda Nacional que participarem do processo de transação de que trata esta Portaria SOMENTE poderão ser responsabilizados civil, administrativa ou penalmente, inclusive perante os órgãos públicos de controle interno e externo, quando agirem com dolo ou fraude para obter vantagem indevida para si ou para outrem. Remissão: Remissão é a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do devedor. Tratando-se de crédito tributário, devido ao princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a remissão somente pode ser concedida com fundamento em lei específica. Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário (tributos e multas), atendendo: I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de equidade (deve estar prevista em lei), em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. 164 Parágrafo único: O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Decadência: Com a ocorrência do fato gerador, nasce a obrigação tributária. Com o lançamento, a obrigação é tornada liquida e certa, surgindo o crédito tributário. O prazo para que a administração tributária, por meio da autoridade competente, promova o lançamento é decadencial. O prazo para que se ajuíze a ação de execução fiscal é prescricional. Operada a decadência, tem-se por extinto o direito de lançar. Prazo: Cinco anos. Entretanto, a definição precisa do termo inicial da decadência é o ponto mais controverso da matéria, existindo quatro regras diferentes no CTN: Regra geral – primeiro dia do exercício seguinte. CTN, Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; o Antecipação de contagem – data do ato tendente a lançar o tributo. Art. 173 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. o Interrupção da decadência – cinco anos da data da anulação do lançamento por vício formal. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício FORMAL, o lançamento anteriormente efetuado. Lançamento por homologação (três hipóteses): o 1ª) Regra geral: dia do fato gerador. o 2ª) Dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte. 165 o 3ª) Quando não houver pagamento: primeiro dia do exercício seguinte. CTN, Art. 150 [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do FATO GERADOR; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Da norma retro, extraem-se duas observações: A lei ordinária que rege o tributo pode estabelecer outro prazo para que o fisco homologue o pagamento antecipado. Na ausência de prazo específico distinto, fica valendo o limite de 5 anos trazidos no §4º do art. 150. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta-se o marco inicial da contagem do prazo quinquenal e aplica-se a regra geral do art. 173, I, do CTN, tendo como marco substitutivo “o do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Qual o prazo para a homologação tácita do pagamento, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação? Cinco anos, a contar da ocorrência do FATO GERADOR, se a lei não fixar outro prazo. O pagamento parcial tem o condão de fulminar a obrigação em sua totalidade? Obviamente que NÃO. No caso de pagamento parcial, a homologação é recusada e a diferença devida é lançada de ofício, deduzindo a parte já carreada aos cofres públicos, incidindo a penalidade a ser porventura aplicada somente sobre o saldo restante. Lembrem-se,aqui, há a declaração e o pagamento, porém, a menor do que o devido. Ausência de declaração do débito: Partindo do pressuposto de que a homologação não pode incidir sobre o nada, o STJ tem entendimento firmado no sentido de que “se não houver antecipação de pagamento, não há falar-se em lançamento por homologação, mas em lançamento de ofício” (STJ, 2.a T., REsp 23.706/RS, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, j. 08.08.1996, DJ 14.10.1996, p. 38.978); de forma que, também neste caso, a contagem dos prazos seguirá as regras estipuladas para o lançamento de ofício. 166 Súmula n. 555 do STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN (lançamento de ofício), nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para fins de constituição do lançamento, o que acontece se houver a declaração, porém, sem a antecipação do pagamento pelo contribuinte? Súmula n. 436 do STJ: A entrega de DECLARAÇÃO pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal CONSTITUI O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Resumindo: Se o tributo NÃO foi declarado e NEM PAGO, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte (aplicação do art. 173 I do CTN). A homologação incide sobre o pagamento. Não havendo pagamento nem declaração de débito, não há o que homologar, devendo, por conseguinte, ser utilizada a regra geral de contagem do prazo decadencial para efeito de realização de lançamento de ofício. Se foi declarado e realizado um pagamento a menor, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, para homologar tal pagamento expressamente ou realizar eventual lançamento suplementar (de ofício), caso contrário, ocorrerá homologação tácita e o crédito estará definitivamente extinto (aplicação pura e simples do art. 150 § 4º do CTN9). Se o tributo foi declarado e NÃO PAGO, não há que se falar em decadência, pois o crédito tributário estará constituído pela própria declaração de débito do contribuinte, sendo possível a imediata inscrição em dívida ativa e posterior ajuizamento da ação de execução fiscal (a preocupação passa, portanto, a ser com o prazo prescricional, contado a partir do vencimento do prazo para pagamento). Prescrição: Opera-se a prescrição quando a Fazenda Pública não propõe, no prazo legalmente estipulado, a ação de execução fiscal para obter a satisfação coativa do crédito tributário. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. 9 CTN, Art. 150, § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação 167 Interrupção do prazo prescricional: Art. 174 Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. ATENÇÃO! A prescrição é interrompida pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal. A quarta hipótese do prazo prescricional dá-se “por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor”. Essa hipótese possui duas peculiaridades importantes: é a única que pode ocorrer extrajudicialmente e é a única que se pode verificar por iniciativa do devedor. Ex. pedido de parcelamento e de compensação do débito. DEVO LEMBRAR! Como a formulação do pedido de parcelamento do débito, ocorre a interrupção do prazo prescricional; com o deferimento do pedido, a exigibilidade do crédito estará suspensa (o que também suspenderá o prazo prescricional). A inscrição em Dívida Ativa suspende o curso da prescrição? A Lei de Execuções Fiscais prevê que a inscrição do crédito tributário em dívida ativa “suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo”. O STJ tem entendido que a LEF não poderia estipular causa de suspensão do prazo prescricional não prevista no CTN (que tem status de LC), POR ISSO ENTENDE SER APLICÁVEL ESSE DISPOSITIVO TÃO SOMENTE AOS CRÉDITOS NÃO TRIBUÁRIOS. Exclusão do crédito Tributário: Excluir o crédito tributário significa impedir a sua constituição (IMPEDIR O LANÇAMENTO). Quando se tem a exclusão do crédito tributário, ocorre o fato gerador e nasce a obrigação tributária. Mas, não obstante isso, não se pode lançar. Sem o lançamento não se constitui o crédito Segundo o art. 175 do CTN somente existem duas hipóteses de exclusão do crédito: a isenção e a anistia. A diferença básica entre os dois institutos é que a isenção exclui o crédito relativo a tributo e a anistia exclui o crédito relativo a penalidade pecuniária. 168 ISENÇÃO ANISTIA Exclui o TRIBUTO Exclui a PENALIDADE A exclusão do crédito tributário dispensa o cumprimento da obrigação acessória? NÃO. A exclusão do crédito tributário acarreta a dispensa no pagamento de tributo/multa, mas NÃO dispensa o cumprimento de obrigações acessórias (art. 175, parágrafo único, do CTN). CTN, Art. 175. [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Exclusão e a reserva legal: O Art. 97 do CTN condiciona à reserva legal a disciplina das hipóteses de exclusão do crédito tributário. O art. 150, § 6º, da CF, por sua vez, exige de lei específica para a concessão de isenção ou anistia. Observe o comando constitucional: Art. 150, CF. [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Interpretação literal: CTN, Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-RR, 2021: Deve-se aplicar o método de interpretação literal ao se interpretar a legislação tributária que disponha sobre casos que envolvam a anistia e a isenção tributárias. Certo. Isenção: Isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo devido. 169 Segundo prevalece no judiciário, a isenção NÃO é causa de não incidência tributária, pois, mesmo com a isenção, os fatos geradores continuam a ocorrer. O que ocorre é a mera exclusão da etapa do lançamento e, consequentemente, da constituição do crédito tributário. DEVO LEMBRAR: A principal distinção entre imunidade tributária e isenção tributária é que as imunidades estão previstas na CF; e as isenções, no texto infraconstitucional. Segundo o art. 176 do CTN, é possível que a isenção abarque apenas parte do território da entidade tributante, em decorrência de peculiaridades locais. Entretanto, caso a isenção seja concedida pela União, deve ser observado o princípio da uniformidade geográfica. Ex.: A União isenta determinadas áreas do sertão do nordeste de ITRpara incentivar o desenvolvimento. O art. 177 assevera que, salvo disposição em sentido contrário, a isenção não é extensível às taxas e contribuições de melhoria nem aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. O art. 178 do CTN disciplina as restrições à revogação das denominadas isenções onerosas. Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Temos que estabelecer distinção entre as isenções onerosas e as isenções não onerosas. Isenções não onerosas: Aquelas que somente impedem o lançamento e a constituição do crédito tributário, sem exigir nada do contribuinte. Essas gozam de revogabilidade plena (podem ser revogadas independentemente de qualquer circunstância), observadas as garantias de anterioridade de exercício e nonagesimal, com base no art. 104, III, do CTN, e no entendimento do STF (RE 564.225 AgR). Revogação de lei que concede isenção: O STF entende que se aplica o princípio da anterioridade tributária, geral e nonagesimal, nas hipóteses de redução ou de supressão de benefícios ou de incentivos fiscais. Isso porque tais situações configuram majoração indireta de tributos. Precedente: Plenário. RE 564225, julgado em 20.11.2019. Não faça confusão entre as seguintes hipóteses: Aplica-se o princípio da anterioridade? Revogação de lei que concedia isenção ou benefício fiscal Aplica anterioridade Redução ou extinção de desconto Não aplica anterioridade Alteração do prazo de recolhimento do tributo Não aplica anterioridade 170 Súmula vinculante n. 50 do STF: Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Isenções onerosas: São aquelas que NÃO trazem apenas o bônus da dispensa legal do pagamento, mas também trazem algum ônus como condição para o seu gozo. São onerosas as isenções concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo (são necessários ambos os requisitos para ser isenção onerosa). Trata-se de exceção à revogabilidade plena. Ex.: Determinada empresa que tenha cumprido os requisitos da lei que concedeu isenção durante o prazo de vigência, tem direito adquirido à isenção, que não pode ser revogada. Súmula n. 544 do STF. Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, NÃO podem ser livremente suprimidas. Art. 179. A isenção, quando NÃO concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Isenção geral: Quando o benefício atingir a GENERALIDADE de sujeitos passivos, sem a necessidade de demonstrar o atendimento de nenhum requisito pessoal especial. Isenção individual: Quando a lei restringe a isenção a determinadas pessoas que preencham requisitos específicos. O gozo da isenção dependerá, nesse caso, de requerimento formulado à administração tributária para a comprovação do preenchimento dos requisitos exigidos. Anistia: Anistia é o perdão legal das infrações, tendo como consequência a impossibilidade de se lançar as respectivas penalidades pecuniárias. Assim como a isenção, a anistia funciona como um impeditivo do procedimento de lançamento. Há a dispensa do pagamento da multa. Só pode ser concedida mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule com exclusividade ou que cuide do respectivo tributo (art. 150, § 6º, da CF). O benefício somente pode abranger infrações já cometidas ANTES DA LEI ANISTIADORA (só pode se referir ao passado). 171 Está PROIBIDA a anistia nos seguintes casos (art. 180): Atos qualificados como crime ou contravenção; Atos cometidos com dolo, fraude ou simulação (mesmo sem ser crime ou contravenção); Salvo disposição em contrário, infrações cometidas em conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas. De acordo com o art. 181 do CTN, a anistia pode ser concedida em caráter geral ou limitado. Art. 181. A anistia pode ser concedida: I - em caráter geral; II - limitadamente: a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo; b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas ou não com penalidades de outra natureza; c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares; d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa. Julgados relevantes: É possível que lei local preveja novas formas de extinção do crédito tributário, com base no raciocínio de que o ente federativo pode até não criar tributo. Logo, pode criar outra forma de extinção, porque quem pode o mais pode o menos. Outrossim, não há reserva de lei complementar federal para criar hipóteses de suspensão e extinção de créditos tributários. Precedente: ADI 2405/RS Tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o direito à compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação de que o impetrante ocupa a posição de credor tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na esfera administrativa, quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco; de outro lado, tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico sobre as parcelas a serem compensadas, com efetiva investigação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda, na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser realizada, o crédito do contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de comprovação cabal dos 172 valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à propositura da ação. Precedente: REsp 1.715.256-SP. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário conta-se da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, ficou inadimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional. Precedente: AgInt no REsp 1577826/RJ. As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas. Precedente: EREsp 1.619.954-SC. Não é possível a constituição de crédito tributário com base em documento de confissão de dívida tributária apresentado, para fins de parcelamento, após o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. A decadência, consoante disposto no art. 156, V, do referido diploma legal, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento seja de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP etc.). Precedente: REsp 1.355.947-SP. O Fisco não pode proceder à inscrição do débito em dívida ativa e negar a CND ao contribuinte,desconsiderando a declaração e a compensação tributárias, efetuadas por ele via Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF), sem notificá-lo do indeferimento da compensação. Ao promover a compensação (CTN, art. 156, II), o contribuinte deve informá-la ao Fisco para que averigue a regularidade do procedimento e, então, homologue, ainda que tacitamente, a compensação efetuada, a partir da qual não se poderá recusar a expedição de Certidão Negativa de Débito (CND). Caso a autoridade administrativa discorde da extinção - por considerar inexistente ou insuficiente o crédito devido ao contribuinte, ou ainda por considerar inexistente o direito à compensação - deverá praticar ato manifestando essa discordância por meio de processo administrativo tributário (que suspenderá o crédito tributário), antes de propor ação fiscal contra o contribuinte. Precedente: AgRg no REsp 1.126.548-RS. 173 O disposto no art. 170-A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC 104/2001. Precedente: Info 541 do STJ. A suspensão da lei que autoriza o pagamento em prestações do débito tributário, por força de medida liminar deferida em ação direta de inconstitucionalidade, implica o imediato indeferimento do pedido de parcelamento. Isso porque a inércia da Fazenda Pública em examinar esse requerimento, por mais de cinco anos, acarreta a prescrição do crédito tributário. Precedente: Info 534 do STJ. 174 9. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E GARANTIAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a que se refiram. Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que corresponda. Veja que o art. 183 deixa claro que as garantias do crédito tributário previstas no CTN NÃO impedem que leis ordinárias dos entes políticos tributantes criem outras em função da natureza ou das características do tributo a que se refiram. O que isso significa? Que as garantias trazidas pelo CTN são exemplificativas, é dizer, NÃO é um rol taxativo. CESPE/CEBRASPE, STJ, 2018: As garantias do crédito tributário estão taxativamente previstas no CTN. Errado. Obs.: As preferências do crédito, no entanto, por contraporem interesses do fisco de diferentes esferas, só podem ser previstas em lei complementar. Responsabilidade patrimonial: Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a TOTALIDADE DOS BENS E DAS RENDAS, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, EXCETUADOS unicamente os bens e rendas que A LEI DECLARE ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS. ATENÇÃO! O art. 30 da LEF estende a responsabilidade patrimonial do devedor também às dívidas NÃO tributárias inscritas em dívida ativa. Existem duas EXCEÇÕES à regra de que todo o patrimônio do devedor responde pelas dívidas tributárias: 175 A execução fiscal NÃO pode recair sobre bens/rendas que a LEI (somente os bens e rendas que são declarados inalienáveis e impenhoráveis pela lei, NÃO por vontade particular) considere absolutamente impenhoráveis. 1. Na falência, os créditos tributários NÃO preferem aos créditos gravados com direito real de garantia, no limite do bem gravado, além de não preferirem ao crédito trabalhista, limitado a 150 salários-mínimos por credor e aqueles decorrentes de acidente do trabalho. CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-AL, 2020: Independentemente da natureza ou do tempo de sua constituição, o crédito tributário tem preferência sobre qualquer outro, inclusive sobre os créditos decorrentes da legislação trabalhista ou de acidentes de trabalho. Errado. Nesse último ponto uma dúvida, a multa tributária possui o mesmo privilégio do crédito tributário? NÃO. A multa tributária, na atual lei de falência, não tem o mesmo privilégio do crédito tributário, entrando na ordem após os créditos quirografários (Lei 11.101/2005, Art. 83, VII). Presunção de fraude na alienação ou oneração de bens ou rendas: Primeiramente, vamos ver o conceito de fraude à execução geral: A fraude à execução geral, prevista no CPC, é um pouco mais complexa do que a fraude à execução especial das execuções fiscais. Vejamos que diz o CPC: Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; II - quando tiver sido averbada, no registro do bem a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi- lo à insolvência; V - nos demais casos expressos em lei. Fraude à execução geral e a necessidade de citação 176 • Regra geral: para que haja fraude à execução, é indispensável que tenha havido a citação válida do devedor. • Exceção: mesmo sem citação válida, haverá fraude à execução se, quando o devedor alienou ou onerou o bem, o credor já havia realizado a averbação da execução nos registros públicos (art. 828 do CPC). Presume- se em fraude de execução a alienação ou oneração de bens realizada após essa averbação (§ 4º do art. 828) (art. 792, II). Posição do STJ sobre a fraude à execução geral: O STJ possui um entendimento firme de que somente será possível reconhecer a fraude à execução se: • ficar provada a má-fé do terceiro adquirente; ou • se, no momento da alienação, o bem vendido já estava penhorado na execução e essa penhora estava registrada no cartório de imóveis (art. 844 do CPC). Essa posição foi transformada em uma súmula: Súmula n. 375 do STJ: O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. Veja, portanto, que em termos gerais para levantar possível fraude à execução deve-se comprovar a má-fé do terceiro adquirente na alienação procedida pelo devedor da execução. À execução fiscal de dívida ativa tributária são aplicáveis as regras do CPC? Atualmente NÃO. Na execução fiscal para cobrança de dívida ativa tributária, aplica-se a norma do art. 185 do CTN (com a alteração promovida pela LC 118/2005). CTN, Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. Veja-se que o CTN dita dois requisitos: - alienação ou oneração de bens ou rendas por sujeito com crédito tributário já inscrito em dívida ativa; - e que o devedor não tenha reservados bens ou rendas suficientes para o pagamento TOTAL da dívida inscrita em dívida ativa. 177 Esse entendimento sempre prevaleceu, em relação aos débitos tributários? NÃO. Na redação original do art. 185 do CTN, que vigorou até que implementada a alteração promovida pela LC 118/2005, exigia-se, para a caracterizaçãoda fraude em questão, que o débito estivesse “em fase de execução” (execução fiscal proposta e citação realizada). Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em fase de execução. Assim, na época da redação antiga do art. 185 do CTN, a jurisprudência do STJ era no sentido de só ser possível presumir-se em fraude à execução a alienação de bem de devedor JÁ CITADO NA EXECUÇÃO FISCAL. Contudo, como visto, atualmente, basta que o débito já esteja inscrito em dívida ativa. São requisitos objetivos, ou seja, não se adentra no mérito subjetivo nem do devedor e nem do terceiro adquirente. O que isso significa? Isso significa dizer que, na execução de débitos tributários NÃO se perquire a subjetividade (ma-fé) da alienação de bens do devedor-contribuinte. A presunção de fraude à execução é ABSOLUTA (juris et de jure), sendo dispensável a prova do conluio entre as partes, da fraude, para sua caracterização. Então posso dizer que em execução fiscal de débito tributário não se aplica o teor da Súmula n. 375 do STJ? SIM. No caso de execução fiscal de débito tributário a Súmula 375 do STJ NÃO tem aplicabilidade . É dizer, não há que se falar em necessidade de registro da penhora do bem alienado ou de concilium fraudis. Esses dados são absolutamente irrelevantes para fins da configuração da fraude à execução fiscal. De acordo com o STJ, no caso de execução fiscal, incide a regra do art. 185 do CTN, que é mais específica e não exige a prova de má-fé do terceiro adquirente. Para que se presuma a fraude, basta que: O devedor tenha alienado ou onerado os bens ou rendas APÓS o débito ter sido inscrito na dívida ativa, e Fique sem ter patrimônio para pagar a Fazenda. Trata-se de uma presunção absoluta, iure et de iure. CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-AL, 2020: Não há presunção de fraude na alienação de bens feita por sujeito passivo se o devedor reservar bens ou rendas suficientes ao pagamento da dívida regularmente inscrita. 178 Certo. Do STJ, em sede de recurso repetitivo: (...) 9. Conclusivamente: (a) a natureza jurídica tributária do crédito conduz a que a simples alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, pelo sujeito passivo por quantia inscrita em dívida ativa, sem a reserva de meios para quitação do débito, gera PRESUNÇÃO ABSOLUTA (jure et de jure) de fraude à execução (lei especial que se sobrepõe ao regime do direito processual civil); (b) a alienação engendrada até 08.06.2005 exige que tenha havido prévia citação no processo judicial para caracterizar a fraude de execução; se o ato translativo foi praticado a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, basta a efetivação da inscrição em dívida ativa para a configuração da figura da fraude; (c) a fraude de execução prevista no artigo 185 do CTN encerra presunção jure et de jure, conquanto componente do elenco das "garantias do crédito tributário"; (d) a inaplicação do artigo 185 do CTN, dispositivo que não condiciona a ocorrência de fraude a qualquer registro público, importa violação da Cláusula Reserva de Plenário e afronta à Súmula Vinculante n.º 10, do STF. (....) STJ, REsp 1141990/PR. Primeira Seção. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 19/11/2010. Votação Unânime. Recurso Repetitivo. CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA-CE, 2017: A inscrição do crédito tributário em dívida ativa é condição para a extração de título executivo extrajudicial que viabilize a propositura da ação de execução fiscal, bem como se revela como marco temporal para a presunção de fraude à execução. Certo. CESPE/CEBRASPE, AGU, 2004: Presume-se como fraude o fato de um contribuinte em débito com a fazenda pública em fase de execução fiscal iniciar um processo de alienação de bens, caso não tenha reservado bens ou rendas suficientes para o pagamento do débito. Certo. CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-AL, 2020: Independentemente da inscrição em dívida ativa, pode-se presumir como fraudulenta a alienação de bens realizada pelo sujeito passivo que esteja em débito com a fazenda pública, desde que exista o crédito tributário. Errado. E na execução fiscal para cobrança de dívida ativa não tributária? Daí aplica-se as normas gerais da fraude à execução do CPC. 179 Indisponibilidade de bens e direitos: Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial. § 1º A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite. § 2º Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido. Não se trata de uma nova modalidade de penhora! IMPORTANTE! A penhora só pode recair exclusivamente em valores suficientes para garantir o crédito tributário. O STJ considera a específica sistemática prevista no art. 185-A do CTN aplicável apenas para a execução fiscal da dívida ativa tributária, não sendo possível a extensão para a de natureza não tributária, como uma execução de multa trabalhista. É necessário o exaurimento de diligências antes do pedido? SIM. Nos termos do seguinte enunciado: Súmula n. 560 do STJ: A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN, pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou Detran". Prova de quitação dos tributos: Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova de quitação de todos os tributos. Não de outra forma, o art. 191-A do CTN prevê que a concessão de recuperação judicial requer prova da 180 quitação de todos os tributos (observado os arts. 151, 205 e 206 do CTN – dando a entender que a suspensão da exigibilidade do crédito, com a consequente obtenção de certidão que atesta o fato, é prova de quitação, autorizando o gozo legal da recuperação judicial). O art. 192 afirma que para a partilha ou adjudicação é necessária a quitação de todos os tributos, relativos aos bens do espólio ou suas rendas. O art. 193 do CTN foi suplantado pelas regras mais rígidas da lei de licitação, que exigem para a contratação com o poder público prova da quitação de todos os tributos a todos os entes federados. Privilégios: Os créditos tributários preferem a qualquer outro, ressalvado: os TRABALHISTAS; e os de ACIDENTE DE TRABALHO. Art. 186.O crédito tributário prefere a QUALQUER OUTRO, seja qual for sua natureza ou o tempo de sua constituição, RESSALVADOS os créditos decorrentes da legislação do TRABALHO ou do ACIDENTE DE TRABALHO. Esse privilégio se aplica à falência? NÃO. Tal regra NÃO se aplica no caso de falência. CTN, Art. 186. (...) Parágrafo único. Na falência: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias passíveis de restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditoscom garantia real, no limite do valor do bem gravado; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da legislação do trabalho; e (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Esquematizando, na falência, o crédito tributário NÃO PREFERE (vem depois): Aos CRÉDITOS EXTRACONCURSAIS: São, basicamente, aqueles que surgem como decorrência da administração da própria massa falida, APÓS a decretação da falência. Assim, justamente por sere extraconcursais é que NÃO se submetem ao concurso. 181 As IMPORTÂNCIAS PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO: São os bens pertencentes a terceiros, mas que sejam arrecadados no processo de falência ou que se encontrem em poder do devedor na data da decretação da falência. O CTN (art. 188, caput, e §2º) tipifica como extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos NO CURSO dos processos de falência e recuperação judicial (antiga concordata). Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos no curso do processo de falência. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) § 1º Contestado o crédito tributário, o juiz remeterá as partes ao processo competente, mandando reservar bens suficientes à extinção total do crédito e seus acrescidos, se a massa não puder efetuar a garantia da instância por outra forma, ouvido, quanto à natureza e valor dos bens reservados, o representante da Fazenda Pública interessada. § 2º O disposto neste artigo aplica-se aos processos de concordata. Continuando, o crédito tributário NÃO PREFERE, ainda: Aos créditos trabalhistas até 150 salários mínimos; Aos créditos decorrentes de acidente de trabalho (qualquer valor); Aos créditos gravados com direito real de garantia, nos limites do bem gravado (na FALÊNCIA). Ordem de classificação dos créditos na falência: 1) Trabalhista, limitados a 150 salários-mínimos por credor, e acidentários; 2) Com garantia real até o valor do bem gravado; 3) Tributários, excetuadas as multas tributárias; 4) Com privilégio especial; 5) Com privilégio geral; 6) Quirografários; 7) Multas contratuais e penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; 8) Créditos subordinados. Autonomia do executivo fiscal: De acordo com o art. 187 do CTN, a cobrança judicial de crédito tributário é feita por execução fiscal, 182 não se sujeitando a habilitação em falência, recuperação judicial, inventário ou arrolamento. É possível que a Fazenda Pública habilite na falência o crédito tributário que já está sendo cobrado em uma execução fiscal em curso? SIM. Embora não caiba o pedido de falência, é necessário saber que se a falência já tiver sido instaurada por pedido de outro credor, é facultado/permitido à Fazenda Pública habilitar o crédito tributário na falência. Havia uma dúvida sobre essa possiblidade, ante as prerrogativas do art. 187 do CTN e do art. 29 da Le n. 6.830/80. Vejam os textos legais: Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento. Art. 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento O STJ entende, contudo, que esses dois dispositivos não proíbem que a Fazenda Pública faça a habilitação dos créditos tributários na falência. Esse já era o entendimento consolidado do STJ mesmo antes da Lei n. 14.112/2020. Veja: O ajuizamento de execução fiscal em momento anterior à decretação da quebra do devedor não enseja o reconhecimento da ausência de interesse processual do ente federado para pleitear a habilitação do crédito correspondente no processo de falência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.857.055-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12.05.2020 (Info 672). Se a Fazenda Pública optar por habilitar o crédito na falência, ela deverá renunciar ao rito da execução? NÃO. A tramitação da ação executiva fiscal não representa, por si só, uma garantia para o credor. Diante do pedido de habilitação do crédito na falência, não haverá obrigatoriedade de a Fazenda Pública renunciar a execução fiscal se, no processo executivo, não há constrição de bens. Logo, é cabível a coexistência da habilitação de crédito na falência com a execução fiscal desprovida de garantia, desde que a Fazenda Pública se abstenha de requerer a constrição de bens em relação ao executado que também figure no polo passivo da ação falimentar. STJ. 1ª Turma. REsp 1.831.186-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26.05.2020 (Info 674). 183 STJ. 2ª Turma REsp 1866843-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado 22.09.2020. Vale ressaltar, contudo, que o processo de execução fiscal fica suspenso. Nesse sentido: É cabível o pedido de habilitação de crédito da Fazenda Pública na falência desde que suspensa a execução fiscal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.872.153-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09.11.2021. Portanto, a execução fiscal e o pedido de habilitação de crédito no juízo falimentar coexistem a fim de preservar o interesse maior, que é a satisfação do crédito tributário, não podendo a prejudicialidade do processo falimentar ser confundida com falta de interesse de agir do ente público. Vale ressaltar, mais uma vez, que a Fazenda Pública não pode pleitear a constrição de bens no processo executivo. Depois da Lei nº 14.112/2020, o entendimento do STJ continua o mesmo? Continua sendo possível a habilitação do crédito tributário na falência, mesmo que ele já esteja sendo objeto de execução fiscal em curso? SIM. A Lei nº 14.112/2020 acrescentou o art. 7º-A corroborando o entendimento do STJ acima explicado. Confira: Art. 7º-A. Na falência, após realizadas as intimações e publicado o edital, conforme previsto, respectivamente, no inciso XIII do caput e no § 1º do art. 99 desta Lei, o juiz instaurará, de ofício, para cada Fazenda Pública credora, incidente de classificação de crédito público e determinará a sua intimação eletrônica para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente diretamente ao administrador judicial ou em juízo, a depender do momento processual, a relação completa de seus créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos cálculos, da classificação e das informações sobre a situação atual. (...) § 4º Com relação à aplicação do disposto neste artigo, serão observadas as seguintes disposições: (...) V - as execuções fiscais permanecerão suspensas até o encerramento da falência, sem prejuízo da possibilidade de prosseguimento contra os corresponsáveis; É possível a Fazenda Pública habilitar em processo de falência crédito tributário objeto de execução fiscal em curso, mesmo antes da vigência da Lei nº 14.112/2020, e desde que não haja pedido de constrição de bens no feito executivo. 184 STJ. 1ª Seção. REsp 1.872.759-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 18.11.2021 (Recurso Repetitivo - Tema 1092) (Info 718). CESPE/CEBRASPE, TJ-RN/JUIZ, 2013 (Adaptada): A competência para processar e julgar a execução da dívida ativa não se desloca para o juízo universal da sucessão em caso de morte do executado no curso da execução fiscal, sujeitando- se, contudo, a cobrança judicial do crédito tributário a concurso de credores nas hipóteses de falência e recuperação judicial. Errado. A execução fiscal poderá seguir o trâmite durante a falência? Nos termos da nova redação do inc. V § 4º art. 7-A da lei 11.101/05, dada pela Lei 14.112/2020, decretada a falência, ficarão suspensasas execuções fiscais contra o devedor, sem prejuízo de seu prosseguimento contra os corresponsáveis. Cite-se: Art. 7-A, §4º, V - as execuções fiscais permanecerão suspensas até o encerramento da falência, sem prejuízo da possibilidade de prosseguimento contra os corresponsáveis; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) IMPORTANTE! Se, no momento em que decretada a quebra, já havia penhora na execução fiscal, o bem constrito será levado a leilão na própria execução fiscal, devendo o seu produto ser repassado ao juízo da falência para apuração das preferências. E no caso de recuperação judicial da empresa? Continua a ser excepcionada da suspensão das execuções contra a empresa em processo de recuperação judicial, as execuções ficais, como se extrai do §7º-B inserido ao art. 6º da Lei n. 11.101/05. Veja o que diz o art. 6º, da Lei 11.101/05: Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos 185 créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação judicial ou à falência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) Lei 11.101/05, Art. 6º, § 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter excepcional, desde que o devedor não haja concorrido com a superação do lapso temporal. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) O período de stay aplica-se às execuções ficais? NÃO. O §7º-B do art. 6º da Lei 11.101/05 informa que os dispositivos acima citados (incisos I a III do caput do art. 6º) não se aplicam às execuções fiscais, veja: § 7º-B. O disposto nos incisos I, II e III do caput deste artigo NÃO se aplica às execuções fiscais, admitida, todavia, a competência do juízo da recuperação judicial para determinar a substituição dos atos de constrição que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento da recuperação judicial, a qual será implementada mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), observado o disposto no art. 805 do referido Código. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) Mas atentem que restou admitida, no entanto, a competência do juízo da recuperação judicial para determinar a substituição, para o caso das execuções fiscais, dos atos de constrição que recaiam sobre os bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial, que poderá ser implementada mediante cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC. Em outras palavras, eventuais atos de constrição em execuções fiscais poderão ser suspensos, desde que dentro do prazo de 180 dias10 (prorrogável por igual período) do deferimento do processo, ou substituídos pelo Juízo da Recuperação. Para isso, os bens constritos terão que ser considerados essenciais à manutenção da atividade da empresa em recuperação judicial. Sobre o tema, o FNPP editou os seguintes Enunciados: 10 Lei 11.101/05, Art. 6º, § 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter excepcional, desde que o devedor não haja concorrido com a superação do lapso temporal. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) 186 Enunciado n. 73. O deferimento do processamento da recuperação judicial ou sua concessão não impede o regular prosseguimento das execuções fiscais, tampouco obsta a realização dos atos expropriatórios necessários à plena satisfação do crédito público. Enunciado n. 76. O juízo da recuperação judicial é absolutamente incompetente para proferir decisões acerca da cobrança dos créditos fiscais, sem prejuízo da possibilidade de o juízo da execução fiscal deliberar sobre os impactos do princípio da menor onerosidade, cuja comprovação é ônus do devedor. A Fazenda Pública pode requerer a falência do devedor? Não obstante exista controvérsia doutrinária sobre o tema, o STJ tem diversos precedentes no sentido de que a Fazenda Pública NÃO tem legitimidade, nem interesse de agir, para pedir a falência do devedor (REsp 164.389/MG, REsp 287.824/MG, REsp 363.206/MG, REsp 138.868/MG, REsp 1.103.405/MG, REsp 287.824/MG). Entende o STJ que, uma vez que a Fazenda Pública dispõe de instrumento específico para cobrança do crédito tributário, a Lei n. 6.380/1980 (Lei de Execuções Fiscais), falta-lhe interesse de agir para o pedido de falência. No mesmo sentido, foi aprovado o seguinte enunciado doutrinário: Enunciado n. 56 da I Jornada de Direito Comercial do CJF: A Fazenda Pública NÃO possui legitimidade ou interesse de agir para requerer a falência do devedor empresário. Além disso, é sabido que o crédito tributário NÃO se sujeita ao juízo da falência (art. 187, do CTN), tanto que a execução fiscal sequer é suspensa em razão da falência (art. 6º, § 7º, da LEF). Por esta razão, entende-se que não cabe o pedido de falência feito pela Fazenda Pública. ATENÇÃO! A Lei n. 14.112/2020 incluiu no art. 73 da LREF duas hipóteses em que o juiz decretará a falência durante o processo de recuperação judicial: V - por descumprimento dos parcelamentos referidos no art. 6811 desta Lei ou da transação prevista no art. 10-C da Lei nº 10.52212, de 19 de julho de 2002; e (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 11 Art. 68. As Fazendas Públicas e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS poderão deferir, nos termos da legislação específica, parcelamento de seus créditos, em sede de recuperação judicial, de acordo com os parâmetros estabelecidos na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. 12 Art. 10-C. Alternativamente ao parcelamento de que trata o art. 10-A desta Lei e às demais modalidades de parcelamento instituídas por lei federal porventura aplicáveis, o empresário ou a sociedade empresária que tiver o processamento da recuperação judicial deferido poderá, até o momento referido no art. 57 da Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, submeter à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional proposta de transação relativa a créditos inscritos em dívida ativa da União, nos termos da Lei nº 13.988, de 14 de abril de 2020, observado que: (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 187 VI - quando identificado o esvaziamento patrimonial da devedora que implique liquidação substancial da empresa, em prejuízo de credores não sujeitos à recuperação judicial, inclusive as Fazendas Públicas. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) Então, excepcionalmente, há a possibilidade de a fazenda pública requerer a falência de empresas que NÃO cumprirem os parcelamentos extraordinários concedidos durante o procedimento de recuperação judicial ou quando ela constatar eventual esvaziamento patrimonial do devedor. IMPORTANTE! A alteração dada na Lei de Falência pela Lei n. 14.112/2020 previupúblico, não é possível o abatimento no valor da indenização devida ao antigo proprietário. Cabe ao Poder Público, em tese, a utilização da contribuição de melhoria como instrumento legal capaz de fazer face ao custo da obra, devida proporcionalmente pelos proprietários de imóveis beneficiados com a valorização do bem. Precedente: Info 507 do STJ. In casu, a cobrança da contribuição de melhoria estabelecida em virtude da pavimentação asfáltica de via pública considerou apenas o valor total da obra sem atentar para a valorização imobiliária . É uníssono o entendimento jurisprudencial neste Superior Tribunal de que a base de cálculo da contribuição de melhoria é a efetiva valorização imobiliária, a qual é aferida mediante a diferença entre o valor do imóvel antes do início da obra e após a sua conclusão, sendo inadmissível a sua cobrança com base somente no custo da obra pública realizada. Precedente: Info 454 do STJ. É inconstitucional portaria de TJ que institui taxa para desarquivamento de autos de processo. As taxas devem obedecer ao princípio da legalidade tributária. Precedente: AI no RMS 31.170. É constitucional a lei que extinguiu a contribuição sindical obrigatória. Do ponto de vista formal, O STF entendeu que não era necessária a edição de lei complementar para tratar sobre matéria relativa a contribuições, porque não são normas gerais de direito tributário. Além disso, não há necessidade de lei específica. Do ponto de vista material, a liberdade sindical impões a facultatividade de contribuições. Precedente: Info 908 do STF. 20 É inconstitucional a criação de taxa de combate a incêndios. A atividade desenvolvida pelo Estado no âmbito da segurança pública é mantida ante impostos, sendo imprópria a substituição, para tal fim, de taxa. Precedente: ADI 4411, julgado em 18.08.2020 (Info 992). Contribuição de melhoria: Art. 145: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. Vinculado: Assim como as taxas, é um tributo vinculado (sempre vinculado a uma atuação estatal). Competência: Trata-se de competência COMUM da União, Estados, DF e Municípios. Decorre da obra pública? NÃO. A contribuição de melhoria é exigida em virtude da VALORIZAÇÃO de imóvel decorrente de OBRAS PÚBLICAS, e não em decorrência de obra pública. Isso é diferente de dizer que a contribuição de melhoria é instituída para arrecadar recursos para fazer a obra. Nesse sentido o STF entende: A realização de nova pavimentação de rua pode gerar a cobrança de contribuição de melhoria. Todavia, o recapeamento de via já asfaltada não pode gerar a cobrança de contribuição de melhoria, vez que é mero serviço de manutenção e conservação. Valorização presumida: Não obstante a necessidade de valorização para que reste verificado o fato gerador da contribuição, o STJ tem entendido ser legítima a fixação da base de cálculo do tributo mediante a utilização de montantes presumidos de valorização, indicados pela administração pública, DESDE QUE FACULTADA A APRESENTAÇÃO, PELO SUJEITO PASSIVO, DE PROVA EM SENTIDO CONTRÁRIO. (AgRg no REsp 613.244/RS). A quem cabe o ônus de provar a existência de valorização da obra? PODER PÚBLICO. Segundo entendimento do STJ é imprescindível para a instituição da contribuição de melhoria lei prévia e específica; e valorização imobiliária decorrente da obra pública, sendo da administração pública o ônus da referida prova. (AgRg no AREsp 539.760/PR) 21 Limitação à base de cálculo da contribuição de melhoria: 1. O limite global da cobrança da contribuição de melhoria é o que o Estado gastou com a obra (custo da obra). 2. O limite individual da cobrança da contribuição de melhoria é o acréscimo de valor gerado para cada imóvel beneficiado (montante de valorização). IMPORTANTE! Esses limites não estão na Constituição. Estão na legislação infraconstitucional, mais especificamente no art. 81, do CTN e no art. 4.º, do DL 195/67 (que disciplina a cobrança de contribuição de melhoria). CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-RR, 2021 (Adaptada): Acerca da contribuição de melhoria, é correto afirmar que o valor de sua cobrança possui como limite total a despesa realizada para a obra pública, conforme previsão do Código Tributário Nacional. Certo. Classificação quanto à vinculação da receita: Trata-se de tributo de arrecadação NÃO vinculada. A contribuição é decorrente de obra pública e não para a realização de obra pública. CESPE/CEBRASPE, TRT10, 2013: A União tem competência para instituir impostos com vistas a custear obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada. Errado. Empréstimo Compulsório: Art. 148: A UNIÃO (competência exclusiva), mediante lei complementar, poderá instituir EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b". Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será VINCULADA à despesa que fundamentou sua instituição. A competência para a criação de empréstimos compulsórios é EXCLUSIVA DA UNIÃO. 22 Os empréstimos compulsórios são instituídos pela União por meio de lei complementar. É tributo de arrecadação vinculada, pois o que for arrecadado tem que ser utilizado com as despesas que fundamentaram sua instituição. 1. Leis ordinárias e MP não podem instituir empréstimos compulsórios. 2. A devolução do empréstimo compulsório tem que ser na mesma espécie. Risco de Pegadinha: O fato gerador do empréstimo compulsório pode ser qualquer um. O fato gerador do empréstimo compulsório não é a calamidade pública, a guerra, etc. Esses são os pressupostos necessários à instituição. Empréstimos compulsórios e a anterioridade: Nas situações que autorizam os ECs, sempre estão presentes a relevância e urgência. Entretanto, nos casos de guerra externa e sua iminência e de calamidade pública, há uma necessidade bem maior de celeridade, assim, nesses casos a exação pode ser criada de imediato, SEM NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA NOVENTENTA. Súmula n. 553 do STJ: Nos casos de empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, é competente a Justiça estadual para o julgamento de demanda proposta exclusivamente contra a Eletrobrás. Requerida a intervenção da União no feito após a prolação de sentença pelo juízo estadual, os autos devem ser remetidos ao Tribunal Regional Federal competente para o julgamento da apelação se deferida a intervenção. ATENÇÃO! O STF tem entendimento firmado no sentido de que a restituição do valor arrecadado a título de empréstimo compulsório deve ser efetuada na mesma espécie em que recolhido. Em resumo: Empréstimos compulsórios (art. 148, I e II, da CF) são decretados privativamente pela União e só podem ser instituídos por lei complementar para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, guerra externa ou sua iminência, ou, no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, hipótese em que deverá ser obedecido o princípio da anterioridade. A aplicação dos recursos arrecadados a título de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição, cujas hipóteses se encontram taxativamente enumeradas na Carta Política. 23 Contribuições especiais: Art. 149: Compete EXCLUSIVAMENTE À UNIÃO instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivasa possibilidade de o devedor em recuperação judicial parcelar seus débitos perante à Fazenda Nacional (Art. 10-A da Lei n. 10.522/2002). De acordo com o parcelamento disciplinado na reforma, o crédito poderá ser parcelado em até 120 prestações mensais e sucessivas, correspondentes a um percentual mínimo previsto em lei (inciso V do art. 10-A da Lei n. 10.522/2002). Dentre as causas de exclusão da recuperanda do parcelamento, todas elencadas no §4º do art. 10-A da Lei n. 10.522/2002 (redação dada pela Lei 14112/2020), destacam-se: (i) a falta de pagamento de seis parcelas consecutivas ou de nove parcelas alternadas; (ii) a falta de pagamento de uma até cinco parcelas, se toda as demais estiverem pagas; (iii) a constatação, pela Receita Federal ou pela PGFN de eventual ato tendente ao esvaziamento patrimonial do sujeito passivo como forma de fraudar o cumprimento do parcelamento; (iv) a decretação de falência ou extinção, pela liquidação, da pessoa jurídica optante; (v) a declaração de inaptidão da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; e (vii) a extinção sem resolução do mérito ou a não concessão da recuperação judicial, bem como a convolação desta em falência. Com o advento de qualquer das causas de exclusão da recuperanda do parcelamento (com exceção daquelas descritas nos incisos IV e VII), nasce, para a Fazenda Pública, a faculdade de requerer a convolação da recuperação judicial em falência, conforme preceitua o §4º, IV, do art. 10-A da Lei n. 10.522/2002 (redação dada pela Lei 14112/2020). Trata-se de relevante modificação do sistema atual, a qual contraria a atual jurisprudência do STJ no sentido da ilegitimidade da Fazenda Pública para o requerimento da falência da empresa (REsp 164.389/MG). Concurso de preferência entre pessoas jurídicas de direito público Nos termos do CTN e da LEF o concurso de penhoras somente ocorre entre Pessoas Jurídicas de Direito Público: 188 Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento. Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I - União; II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata; III - Municípios, conjuntamente e pró rata. (...) Art. 29, Parágrafo Único - O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I - União e suas autarquias; II - Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata; III - Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata. É possível que concorram no patrimônio do devedor diferentes pessoas jurídicas de direito público, cada uma com seu crédito tributário. Nessa hipótese, é constitucional a ordem de preferência trazida pelas normas acima citadas? NÃO. O STF, no dia 24.06.2021, julgou inconstitucional o parágrafo art. 187 do CTN (APDF 357 DF). Agora, não é mais compatível com a Constituição Federal de 1988 a preferência da União em relação a Estados, municípios e ao DF na cobrança judicial de créditos da dívida ativa. A ação foi proposta em 2015 pelo governo do DF contra o art. 187 do CTN e contra o art. 29 da lei 6.830/80, que estabelecem uma "hierarquia" na ordem de recebimento de créditos, tendo a União a precedência no recebimento de valores em relação aos Estados e ao DF, e estes precedência em relação aos municípios. Qual motivo? Violação do princípio da paridade federativa, pois a norma põe a União em nível superior aos Estados e DF, e, estes, superiores aos Municípios. O STF entendeu que, só é válido um critério distintivo para a execução fiscal quando previsto e justificado constitucionalmente. Ademais, a relatora frisou que não se comprova a finalidade constitucional e legítima buscada para distinção nas execuções. Portanto, o Plenário do STF decidiu que essa preferência não foi recepcionada pela CF/88. E como fica a Súmula n. 563 do STF? 189 A referida súmula previa que: “o concurso de preferência a que se refere o parágrafo único do art. 187 do Código Tributário Nacional é compatível com o disposto no art. 9º, I, da Constituição Federal”. Contudo, esse entendimento não pode ser mais levado adiante, pois é incompatível com o pacto federativo trazido pela CF/88. Desta forma, no julgamento da ADPF 357, foi promovido o cancelamento da súmula 563 do STF. ATENÇÃO! A súmula n. 497 do STJ foi cancelada em 14.09.2022. Súmula n. 497 do STJ: Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da fazenda estadual desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem. (cancelada) Administração tributária: Administração tributária é a atividade do poder público voltada para a fiscalização e arrecadação tributária. Súmula n. 439 do STF: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitando o exame aos pontos objetos da investigação. Em havendo recusa por parte do contribuinte à exibição de seus livros e papéis à autoridade fiscal, será possível ensejar o lançamento por arbitramento (art. 148 do CTN). O CTN também atribui às autoridades fiscais o poder de requisitar de determinadas pessoas todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros (CTN, art. 197). Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III - as empresas de administração de bens; IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V - os inventariantes; VI - os síndicos, comissários e liquidatários; VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. 190 Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Poder de fiscalização e constrição oblíqua para pagamento de tributos: Os meios pelos quais a Fazenda Pública tem para cobrar créditos não pagos são: cobrança administrativa ou execução fiscal. Assim, são vedadas cobranças indiretas de tributos, como, por exemplo, apreensão de mercadorias em trânsito. Nesse sentido, o STF tem uma visão protetiva do contribuinte frente ao poder fiscalizatório da administração. Vejamos alguns entendimentos do STF: Súmula n. 70 do STF: É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula n. 323 do STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. Súmula n. 547 do STF: Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais. É inconstitucional o uso de meio indireto coercitivo para pagamento de tributo (sanção política), tal qual ocorre com a exigência de fiança, garantia real ou fidejussória como condição para impressão de notas fiscais de contribuintes com débitos tributários (RE 565048 – repercussão geral). Do STJ: Súmula n. 127 do STJ: É ilegal condicionar a renovação da licença de veículo ao pagamento de multa, da qual o infrator não foi notificado. O Decreto-Lei n. 37/66 (que tem força de lei) prevê a possibilidade de ser decretado o perdimento do veículo utilizado para iludir o pagamento do imposto de importação: Art. 96. As infrações estão sujeitasáreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no Art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Perceba-se que o legislador constituinte previu a possibilidade de a União instituir três espécies de contribuições, quais sejam: Contribuições sociais (seguridade social, outras contribuições sociais e contribuições sociais gerais). CIDE. Contribuições Corporativas ou Profissionais (Ex: contribuição-anuidade cobrada pelas autarquias fiscalizadoras das profissões regulamentadas). A competência para a criação das contribuições do art. 149 é destinada EXCLUSIVAMENTE A UNIÃO. Entretanto, o § 1º do mesmo artigo traz uma exceção. Regramento do art. 149, §1º, da CF: § 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, contribuições para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da base de contribuição ou dos proventos de aposentadoria e de pensões. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) Imunidade sobre receitas decorrentes de exportação § 2º: As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as RECEITAS decorrentes de exportação Pode haver a tributação sobre o lucro decorrente de exportação? SIM. A CF apenas concedeu imunidade no tocante às RECEITAS decorrentes de exportação. Ao se pronunciar sobre o tema, o STF entendeu que o legislador constituinte claramente diferenciou a RECEITA do LUCRO, tanto é que autorizou a criação de tributos distintos para gravar tais bases econômicas (PIS/COFINS e CSLL, respectivamente). Nessa linha, ao imunizar as RECEITAS decorrentes da exportação, a CF não desejou proibir a tributação do lucro. (RE 474.132, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 12.08.2010). 24 IMPORTANTE! Não obstante a imunidade nas operações de exportação, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico INCIDEM sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços. Art. 149, (...) § 2º: As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; Outros pontos importantes: Súmula Vinculante n. 40: A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 40 1. Lembrar que essa contribuição confederativa deixou de ser compulsória com a Reforma Trabalhista. Agora, é necessária autorização prévia e expressa dos filiados. O STF entendeu que a Reforma Trabalhista neste ponto é constitucional. Precedente: ADI 5794. Contribuição de iluminação pública – COSIP: O serviço de iluminação pública pode ser remunerado por taxa? NÃO. O STF entende que NÃO é possível instituir taxa para custear os serviços prestados pelo Município com a iluminação pública.O serviço de iluminação pública é geral (beneficia todos) e indivisível (não é possível mensurar cada um dos seus usuários). Nesse sentido: Súmula vinculante n. 41 do STF: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. EC 39/2002 e a criação da COSIP: Art. 149-A: Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública (vinculado), observado o disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. 25 A COSIP não se confunde com um imposto, porque sua receita se destina a finalidade específica, nem com uma taxa, por não exigir a contraprestação individualizada de um serviço ao contribuinte. Trata-se de um tributo sui generis (RE 573.675/SC). Competência: A competência constitucional foi deferida aos Municípios e ao DF, que podem exercê-la por intermédio de lei própria. IMPORTANTE! O dispositivo deixa claro que a arrecadação da contribuição é VINCULADA ao custeio do serviço de iluminação pública, sendo, portanto, ilegítima qualquer espécie de tredestinação. Princípios da isonomia e da capacidade contributiva A lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do município não ofende o princípio da isonomia, ante a impossibilidade de se identificar e tributar todos os beneficiários do serviço de iluminação pública. Além disso, a progressividade da alíquota, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva. É possível eleger como contribuintes da contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública os consumidores de energia elétrica, bem como de se calcular a base de cálculo conforme o consumo e de se variar a alíquota de forma progressiva, consideradas a quantidade de consumo e as características dos diversos tipos de consumidor. STF. 2ª Turma. AgR no RE 724.104/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 12.03.2013. É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede ou ele somente pode ser destinado para despesas de execução e manutenção? Segundo o STF, em julgamento do tema 696 (RE 666404), pode ser usada para a expansão e aprimoramento da rede. Foi firmada a seguinte tese: É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede (STF. Plenário. RE 666404, Rel. Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de Moras, julgado em 18.08.2020). 26 CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2014: Segundo o STF, o custeio do serviço de iluminação pública constitui um tipo de contribuição de caráter sui generis, em que podem ser eleitos contribuintes os consumidores de energia elétrica, a base de cálculo pode ser definida conforme o consumo e, ainda, podem ser impostas alíquotas progressivas que consideram a quantidade de consumo e as características dos diversos tipos de consumidor. Certo. CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA, 2017: O fato gerador da contribuição de iluminação pública é a prestação de serviço público, específico e divisível, colocado à disposição do contribuinte mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento. Errado 27 2. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS COMENTÁRIOS LEGALIDADE O tributo só pode ser criado por lei, seja ordinária (casos em que pode haver a utilização de Medida Provisória) ou complementar (somente no caso de Empréstimos Compulsórios, do Imposto sobre Grandes Fortunas – IGF e dos Impostos ou Contribuições Residuais). As matérias submetidas à reserva legal estão no rol do art. 97 do CTN: Art. 97. Somente a LEI pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI -as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso (diferente da hipótese abaixo). § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. A CF diz ser necessário lei para exigir ou aumentar. O paralelismo das formas, então, exige lei para extinguir ou reduzir os tributos. Veja: CF, Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. 28 CTN: Art. 97. (...) I – A instituição de tributos ou a sua extinção. II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65. E em relação às multas? A multa tributária (não é elemento do tributo), por gerar uma obrigação a ser adimplida pelo infrator, somente pode ser estatuída por lei. EXCEÇÕES PARA MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTAS: CF, art. 153, § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. II, IE, IOF, IPI, que têm alíquotas fixadas por decreto, dentro dos limites fixados em lei (são impostos extrafiscais). CIDE-combustíveis, cujas alíquotas o Poder Executivo pode reduzir e restabelecer. ICMS monofásico sobre combustíveis, cujas alíquotas são fixadas por convênio celebrado entre Estados/DF – CONFAZ. CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA, 2017: A alteração de alíquotas do imposto de exportação não se submete à reserva constitucional de lei tributária, tornando-se admissível a atribuição dessa prerrogativa a órgão integrante do Poder Executivo. Certo. CESPE/CEBRASPE, TCE-PR, 2016: É facultado ao Poder Executivo, respeitados as condições e os limites legais, alterar as alíquotas do imposto sobre produtos industrializados. Certo. Na prática, as alíquotas dos tributos aduaneiros (II e IE) têm sido alteradas por Resolução da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX, enquanto o IPI e o IOF têm suas alíquotas alteradas diretamente por decreto. Isso é válido? 29 Segundo o STF sim. Em ambos os casos, a alteração tem sido feita por ato do Poder Executivo, não havendo desobediência ao texto constitucional, conforme já decidido pelo STF (Pleno, RE 570680/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 28.10.2009, DJ 04.12.2009, p. 1.024). CESPE/CEBRASPE, DPU, 2010: A competência para a fixação das alíquotas do imposto de exportação de produtos nacionais ou nacionalizados não é exclusiva do presidente da República; pode ser exercida por órgão que integre a estrutura do Poder Executivo. Certo. É constitucional a flexibilização da legalidade tributária constante do § 2º do art. 27 da Lei nº 10.865/2004, no que permitiu ao Poder Executivo, prevendo as condições e fixando os tetos, reduzir e restabelecer as alíquotas da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas financeiras auferidas por pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo, estando presente o desenvolvimento de função extrafiscal (STF. Plenário. RE 1043313/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10.12.2020 - Repercussão Geral – Tema 939). Quanto a CIDE-Combustíveis, a REDUÇÃO e RESTABELECIMENTO das alíquotas podem ser feitos por decreto, sem obediência a LEGALIDADE nem a ANTERIORIDADE. Já quanto ao ICMS-Monofásico, incidente sobre combustíveis definidos em Lei Complementar, a DEFINIÇÃO (inclusive redução e aumento) de alíquotas pode ser feita por convênio, sem obediência a legalidade, mas se o aumento ultrapassar o mero restabelecimento de patamar anteriormente fixado, DEVE-SE OBEDECER À ANTERIORIDADE. NÃO SE SUJEITAM AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: O STF entende que o art. 97 do CTN foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 e, interpretando o dispositivo a contrario sensu, conclui que as matérias ali não constantes não estão abrangidas pelo princípio da legalidade. Correção monetária da base de cálculo. Súmula n. 160 do STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. 30 Obrigações acessórias. Prazo para pagamento de tributos: O STF entende que a definição do vencimento das obrigações tributárias (data do pagamento) não está no campo reservado à lei, podendo ser alvo de decreto do Poder Executivo TRIBUTOS QUE EXIGEM LEI COMPLEMENTAR: Imposto sobre Grandes Fortunas. Empréstimo Compulsório. Impostos e Contribuições residuais. DECORE: Quem tem GRANDE FORTUNA não pede EMPRÉSTIMO e não paga IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES RESIDUAIS. Medida provisória em matéria tributária: A EC 32/2001 permitiu que medida provisória crie ou aumente tributo. Há expressa previsão constitucional no sentido de que MP que implique instituição ou majoração de IMPOSTOS só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se for convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada (art. 62, §2º). MP e peculiaridade dos impostos: A restrição relativa à necessidade da conversão em lei no exercício da edição da medida provisória aplica-se exclusivamente aos IMPOSTOS, de forma que, no tocante às demais espécies tributárias, a regra da anterioridade deve ser observada, tomando como referência a data da publicação da MP e não de sua conversão em lei. CESPE/CEBRASPE, SEFAZ-DF, 2020: A majoração de qualquer tributo por medida provisória somente produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se for convertida em lei até o último dia do exercício em que tiver sido editada. Errado. Regra da anterioridade nonagesimal e lei de conversão da MP: Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem é a data da conversão da medida provisória 31 em lei. STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/2/2014 (Info 735). ISONOMIA Base do princípio: a lei tributária não pode instituir tratamento desigual ou discriminatório entre contribuintes que estejam na mesma situação. A ocupação profissional ou função exercida pelo contribuinte não pode ser de parâmetro para diferenciações. É considerado constitucional pelo STF a possibilidade de cobrança de contribuição previdenciária dos servidores inativos e dos pensionistas (ADI 3.105) O princípio da capacidade contributiva é desdobramento da isonomia: Art. 145, §1º, da CF: “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte (...)”. Jurisprudência do STF é pela possibilidade de a lei aplicar a técnica da progressividade tanto para os impostos pessoais quanto para os reais (caso do ITCMD). A interpretação da progressividade tem maior afinidade com tributos cuja característica é pessoal. Todavia, a CF e o STF têm entendimentos que, em casos excepcionais, haverá progressividade em impostos REAIS. São eles: ITR: manutenção de propriedades improdutivas; IPTU: Função social da propriedade; ITCMD: STF 562.045/RS A isonomia deve ser vista também em seu aspecto material. Daí, temos as seguintes possibilidades: 1.É possível a concessão, por meio de lei complementar, de tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, oupela eliminação ou redução destas por meio de lei (art. 146, III, “d” da CF). 2.As contribuições sociais previstas no inciso I do caput do art. 195 poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. 32 3.É admitida a concessão de incentivos fiscais para promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País (art. 151, I). Princípio da isonomia e a pecunia non olet: Embora o fato gerador não possa ser um ilícito (mesmo porque matar, roubar, sonegar, não constituem hipótese de incidência), se seus efeitos ou objeto corresponderem a fatos geradores, serão tributados. O STF, ao julgar um caso sobre tráfico ilícito de entorpecentes, entendeu que, antes de ser agressiva à moralidade, a tributação do resultado econômico de tais atividades é decorrência da isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética. Essa possibilidade é conhecida na doutrina como princípio do pecunia non olet (dinheiro não cheira). LIBERDADE DE TRÁFEGO O trânsito de pessoas e mercadorias não pode ser restringido por meio da imposição de tributos, ressalvada a cobrança de pedágio. Exceções: a) ICMS interestadual (exceção feita pela própria CF). b) Pedágio: A ressalva feita ao pedágio parece indicar que o pedágio se afigura como tributo. Todavia, o STF entendeu que o pedágio cobrado pela efetiva utilização de rodovias NÃO tem natureza tributária, mas de preço público, consequentemente, não está sujeito ao princípio da legalidade estrita. ADI 800/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 11/6/2014 (Info 750). VEDAÇÃO AO CONFISCO Art. 150, IV, da CF: IV – utilizar tributo com efeito de confisco. Está intimamente ligado ao princípio da capacidade contributiva e ao direito de propriedade. O princípio se aplica aos impostos, às taxas e às multas, sejam elas moratórias ou punitivas. Qual parâmetro para análise do confisco? Segundo o STF (ADC 8-MC), “a identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária (todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesma pessoa política que os houver instituído), 33 mediante verificação da capacidade de que dispõe o contribuinte considerado o montante de sua riqueza (renda e capital)”. CESPE/CEBRASPE, TRF5, 2013: Configura-se o caráter confiscatório de determinado tributo sempre que o efeito cumulativo, resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal, afetar, substancialmente e de maneira irrazoável, o patrimônio ou os rendimentos do contribuinte. Certo. O STF entende que: Se o valor da taxa, no entanto, ultrapassar o custo do serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte, dando causa, assim, a uma situação de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relação de equivalência entre os fatores referidos (o custo real do serviço, de um lado, e o valor exigido do contribuinte, de outro), configurar-se-á, então, quanto a essa modalidade de tributo, hipótese de ofensa à cláusula vedatória inscrita no art. 150, IV, da Constituição da República. Precedente: ADI 2551. É o princípio da proporcionalidade e razoabilidade da carga tributária. DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DA PROCEDÊNCIA É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino (Art. 152 da CF). NÃO SURPRESA Irretroatividade, anterioridade geral e nonagesimal. Art. 150 da CF - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; • Irretroatividade: a lei tributária não pode retroagir para alcançar fatos passados, para que a cobrança do tributo se dê sobre fatos passados. Eu tenho a lei tributária que define ou altera os elementos do tributo e essa lei só pode ter aplicação futura, ou seja, como regra, ela só pode ter aplicação prospectiva (art. 105 do CTN). 34 Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Irretroatividade e o imposto de renda: O IR é tributo sujeito ao princípio da anterioridade do exercício financeiro e, por conseguinte, as leis que o tornem mais gravoso somente poderiam gerar efeitos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao de sua publicação (não obedece a anterioridade nonagesimal). Não obstante tal entendimento, o STF possuía o seguinte entendimento sumulado: Súmula n. 584 do STF: Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano- base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. Vale ressaltar que esse entendimento do STF, da Súmula 584 acima transcrita, foi construído e vale para as hipóteses em que o imposto de renda tenha função meramente fiscal (arrecadatória), o que é a regra geral. Porém, esse enunciado já não se aplicava para as hipóteses em que o tributo tinha função extrafiscal. (STF. Plenário. RE 592396/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3.12.2015) (repercussão geral) (Info 810). Tratava de um enunciado de súmula bastante criticado no âmbito doutrinário. Isso porque o IR está sujeito ao princípio da anterioridade anual. Logo, se uma lei majora o IR, ela somente poderia ser exigida no exercício financeiro seguinte ao da sua publicação. Em outras palavras, a lei aplicável ao IR tem que ser aquela que estiver em vigor e eficaz no primeiro dia do exercício financeiro (ano-base) no qual esses acréscimos patrimoniais serão produzidos. Assim, se a lei majoradora do IR for publicada no curso do exercício financeiro, não será hábil a qualificar os fatos senão antes do próximo exercício. O problema é que o ano-base do IR é sempre anterior ao ano em que se apresenta a declaração. Por exemplo, o ano base de 2019 só deve ser declarado em 2020. Agora, imagine uma lei publicada em 2020 (ano da declaração de renda), será que ela pode ser aplicada ao imposto de renda já consolidado em 2019? Qual a posição do STJ? 35 O STJ possui precedentes afastando a Súmula 584 (ex: STJ. 2ª Turma. AgRg no Ag 1363478/MS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 15.03.2011). O Tribunal da Cidadania considera que o fato gerador do imposto de renda pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento (art. 116, do CTN), algo que a súmula 584, do STF desconsiderava, até porque sua redação era anterior à edição do CTN. Assim, o entendimento de admitir a aplicação de uma nova lei vigente após a prática do fato gerador maculava os princípios da irretroatividade e anterioridade. Acima foi dito que o STF “possuía” o entendimento lançado na súmula 584. O que isso significa? Significa que a súmula não vigora mais, pois foi cancelada em junho de 2020. Ao julgar o RE 159.180, em 19.06.2020, o plenário do STF declarou inconstitucional a aplicação do adicional instituído pelo Decreto-Lei 2.462/88 aos fatos ocorridos naquele ano-base, justamente para não macular os princípios da irretroatividade e anterioridade. Por conta disso, o relator do processo Min. Marco Aurélio, propôs o cancelamento da Súmula 584. O que o aluno precisar entender com o cancelamento da Súmula 584 é que não pode a lei publicada no ano em que deva ser apresentada a declaração retroagir para contemplar os rendimentos e proventos auferidosaté a data de 31 de dezembro do ano anterior, ou seja, deve-se levar em consideração a lei vigente no ano-base, uma vez que o contribuinte não poderá ser surpreendido diante de mudanças referentes às alíquotas, principalmente, do imposto de renda, no ano do exercício da entrega da declaração. Em outras palavras, no exemplo acima, caso a lei tenha sido editada em 31.12.2019, ela só terá vigência a partir de 1º de janeiro de 2020, não podendo atingir retroativamente os acréscimos patrimoniais verificados entre 1º de janeiro de 2019 e 31.12 do mesmo ano. A irretroatividade no Direito Tributário é absoluta? NÃO. Em matéria tributária a irretroatividade não é absoluta, podendo, por exemplo, as leis interpretativas e as multas menos severas retroagirem para atingirem situações passadas. 36 Leis com possibilidade de efeitos retroativos: 1ª Situação: Art. 106, do CTN Art. 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito (fala verbalmente da retroatividade): I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado (em aberto): a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CESPE/CEBRASPE, ANATEL, 2014: É possível a retroatividade de lei tributária, desde que a norma seja interpretativa e não ocasione a aplicação de penalidade ao dispositivo interpretado. Certo. 2ª Situação: O art. 144, § 1º, do CTN Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, POSTERIORMENTE à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Anterioridade: É vedado cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. Para o STF, o princípio em tela é cláusula pétrea. CF, Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 37 (...) III - cobrar tributos: (...) b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Anterioridade nonagesimal: CF, art. 195, § 6º - As contribuições sociais de que trata este artigo (PREVIDENCIÁRIAS) só poderão ser exigidas após decorridos NOVENTA DIAS da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no Art. 150, III, (b). Resumindo: Regra: Lei produz efeitos no exercício seguinte (primeiro passo a ser observado) Somada a essa regra: Entre a publicação e a data da produção de efeitos, deve haver um intervalo mínimo de 90 dias. O prazo nonagesimal somente deve ser utilizado nos casos de criação ou majoração de tributos, não na hipótese de simples prorrogação de alíquota já aplicada anteriormente. (RE 584100, repercussão geral) Regra da anterioridade nonagesimal e lei de conversão da MP: Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem é a DATA DA CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI. STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Carmen Lúcia, julgado em 12.2.2014 (Info 735). Essa regra se aplica nos casos de alteração legislativa mais benéfica? NÃO. Esse princípio é válido para resguardar o contribuinte do ônus tributário previsto em lei, de forma que seja permitido um prazo para que ele possa se planejar. 38 Entretanto, caso a lei não cause um agravamento na situação do contribuinte não há a que se aplicar a anterioridade. STJ: “Não se estando diante da criação ou majoração de tributos, mas de um regime mais benéfico de tributação, não incide a norma do 150, III, b e c, da CF, pertinente ao princípio da anterioridade.” (RMS 29568, DJe 30.8.2013) CESPE/CEBRASPE, AGU, 2015: Pela aplicação do princípio da anterioridade tributária, quaisquer modificações na base de cálculo ou na alíquota dos tributos terão sua eficácia suspensa até o primeiro dia do exercício financeiro seguinte à publicação da lei que promoveu a alteração. Errado. Casos de não aplicação do princípio da anterioridade: Norma que se restringe a mudar o prazo para o pagamento do tributo: Súmula vinculante n. 50 STF: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Mera atualização monetária do valor do tributo ou de sua base de cálculo, por não significar majoração do mesmo, não se sujeita a anterioridade. E a revogação ou redução de benefício fiscal? Atrai o respeito às regras de anterioridade tributária? SIM. O STF fixou entendimento no sentido de que não só a majoração direta de tributos atrai a aplicação do princípio da anterioridade, mas, também, a majoração indireta decorrente de revogação de benefícios fiscais. Entendimento do STF que prevalece atualmente. Precedente: RE 564225 AgR-EDv-AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20.11.2019. Ressalva a respeito da majoração e extinção de desconto para pagamento de tributo sob determinadas condições em lei: No julgamento do AG.REG. nos EMB.DIV. no AG.REG. no RE 564.225 (J. 20.11.2019), o relator Min. Alexandre de Moraes ressaltou em seu voto na ementa o seu ponto de 39 vista, na linha do decidido na ADI 4016 MC, que entendeu ser um contexto ligeiramente diverso, no sentido de “a redução ou a extinção de desconto para pagamento de tributo sob determinadas condições previstas em lei, como o pagamento antecipado em parcela única, não pode ser equiparada à majoração do tributo em questão”. A LC que prorrogou o prazo para a compensação de crédito do tributo não subsumiu à normal constitucional. Não viola o princípio da não cumulatividade (art. 155, §2º, incisos I e XII, alínea c, da CF/88) lei complementar que prorroga a compensação de créditos de ICMS relativos a bens adquiridos para uso e consumo no próprio estabelecimento do contribuinte. Conforme o art. 150, III, "c", da CF/88, o princípio da anterioridade nonagesimal aplica-se somente para leis que instituem ou majoram tributos, não incidindo relativamente às normas que prorrogam a data de início da compensação de crédito tributário. (STF. Plenário. RE 601967, Rel. Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, julgado em 18.08.2020 - Repercussão Geral - Tema 346). Exceções ao princípio da anterioridade (não precisam respeitar à anterioridade do exercício): EXCEÇÃO À ANTERIORIDADE DO EXERCÍCIO II, IE, IPI, e IOF Imposto Extraordinário de Guerra Empréstimos compulsórios: a) de guerra b) de calamidade Contribuição para financiamento da Seg. Social ICMS monofásico sobre combustíveis (Exceção parcial, porque só vale para redução e restabelecimento, se aumentar além do restabelecimento TEM QUE RESPEITAR A ANTERIORIDADE) - Art. 155, §4º, IV, CF. CIDE combustível (Exceção parcial, porque só vale para redução e restabelecimento)