Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
Centro Universitário de Patos de Minas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Patos de Minas, 2020 
 
 
 
2 
 
Professores de 
Linguagem e Comunicação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Centro Universitário de Patos de Minas 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Centro Universitário de Patos de Minas 
 
 
PLANO DE ENSINO 
ANO LETIVO PERÍODOS CARGA HORÁRIA 
2020 1º e 2º Semestral: 80h – Semanal: 4h 
Identificação da disciplina: Linguagem e Comunicação 
 
 
EMENTA 
 
A noção de linguagem como interação e o domínio de mecanismos linguísticos (gramaticais) e discursivos que 
permitam ao usuário da língua não só a leitura eficiente de textos variados, mas também a produção deles, a 
fim de que possa interagir e atuar sobre o(s) outro(s), social e profissionalmente. 
 
OBJETIVO GERAL 
 
 Ler e produzir textos de maneira eficiente, considerando o interlocutor, o contexto de produção, a 
circulação e o papel dos textos numa dada comunidade. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
 
 Aplicar as etapas para uma leitura analítica em atividades de leituras acadêmicas e profissionais. 
 Reconhecer não só a diferença entre opinião e informação, mas também o processo intertextual na 
produção e na recepção de textos. 
 Dominar mecanismos linguísticos que permitam a leitura e a produção de textos com coesão e 
coerência e com progressão e articulação. 
 Detectar informações implícitas para desenvolver a leitura eficiente de textos diversos. 
 Compreender textos nos aspectos linguísticos, argumentativos e expressivos para desenvolver 
habilidade de interação por meio da língua. 
 Produzir textos que possibilitem uma participação social e profissional efetiva. 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
 
1 ETAPAS PARA LEITURA ANÁLITICA 
1.1 Análise textual 
1.2 Análise temática 
1.3 Análise interpretativa 
 
2 PRODUÇÃO E RECEPÇÃO DE TEXTOS 
2.1 Opinião e informação 
2.2 Intertextualidade 
 
03 TEXTO E SUA TEXTUALIDADE 
3.1 Coerência textual 
3.2 Coesão referencial 
3.3 Coesão sequencial 
 
4 INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS 
4.1 Subentendidos 
4.2 Pressupostos 
 
5 ARGUMENTAÇÃO 
5.1 Recursos argumentativos 
5.2 Falácias da argumentação 
 
6 GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS 
6.1 Esquema 
6.2 Resumo 
6.3 Resenha 
 
ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS 
 
 
4 
 
Os discentes farão leituras de textos variados e de fontes diversas, selecionados pelo professor, voltados, direta 
ou indiretamente, à área de atuação escolhida, com a finalidade de reconhecer, de interpretar e de analisar os 
apontamentos teóricos feitos nas aulas. Será contemplada também a produção de textos a partir das leituras 
recomendadas. 
 
METODOLOGIA 
 
Para que se alcancem os objetivos propostos nas aulas de Linguagem e Comunicação, serão adotados os 
seguintes procedimentos didático-metodológicos: aulas expositivas, estudos de textos, debates, apresentação 
de seminários, oficinas de leitura e produção de textos. 
 
RECURSOS DIDÁTICOS 
 
Coletânea de textos e atividades, quadro, giz, textos selecionados de revistas, jornais e livros, datashow, vídeo, 
salas de computadores e outros recursos necessários ao desenvolvimento das aulas. 
 
AVALIAÇÃO 
 
Do discente: a avaliação, que consiste em um processo contínuo e permanente, será concebida e utilizada nesta 
disciplina como elemento constitutivo do processo ensino-aprendizagem que permite identificar, qualitativa e 
quantitativamente, os avanços e as dificuldades na concretização dos objetivos propostos. No decorrer do 
semestre letivo, serão distribuídos 100 (cem) pontos, da seguinte forma: 
 
1. Quarenta (40) pontos distribuídos pelo docente da disciplina, por meio da realização de provas e/ou outras 
atividades de avaliação. 
2. Vinte (20) pontos distribuídos pelo professor orientador do Projeto Integrador; 
3. Vinte (20) pontos atribuídos na Avaliação Colegiada (AC), elaborada pelo professor da disciplina, sob 
supervisão do Núcleo Docente Estruturante (NDE), considerando-se a ementa trabalhada durante o semestre; 
4. Vinte (20) pontos atribuídos na Avaliação Integradora (AVIN), considerando-se as ementas de todas as 
disciplinas trabalhadas durante o semestre. 
 
Do docente: os alunos avaliarão o desempenho e a atuação do professor por meio de instrumento elaborado pela 
CPA. 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
 
ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e coerência. 4. ed. São Paulo: Parábola, 2008. 
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2011. 
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 2007. 
 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 
 
DISCINI, Norma. Comunicação nos textos: leitura, produção, exercícios. São Paulo: Contexto, 2010. 
GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprendendo a pensar. 27. ed. atual. 
Rio de Janeiro: FGV, 2011. 
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A coesão textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2012. 
KOCH, Ingedore Villaça; TRAVAGLIA, Luiz C. A coerência textual. 18 ed. São Paulo: Contexto, 2012. 
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 2. ed.São Paulo: Parábola, 2008. 
 
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS 
 
Elaborar sínteses; comunicar-se eficientemente nas formas escritas, oral e gráfica; ler e interpretar textos; 
analisar e criticar informações; extrair conclusões por indução e/ou dedução; estabelecer relações, 
comparações e contraste em diferentes situações; detectar contradições; argumentar coerentemente.
 
5 
 
Capítulo 1: Leitura analítica 
 
 
Neste capítulo, você vai refletir sobre a 
importância da leitura na formação de um 
cidadão. Para isso, você vai ler textos que 
abordam a temática da leitura. 
Simultaneamente a isso, você irá conhecer as 
etapas para uma leitura analítica, as quais 
podem contribuir para o seu aprimoramento 
como leitor. A seguir, é apresentado um 
roteiro para efetivar uma leitura analítica. 
 
ROTEIRO PARA UMA LEITURA ANALÍTICA 
 
 Faça uma leitura seguida e completa do texto. Assinale os pontos desconhecidos, como 
vocabulários, fatos, entre outros, e busque esclarecimentos sobre eles. 
 
 Indique o tema do texto. Responda à seguinte pergunta: “De que o texto fala”? 
 
 Explicite como o assunto do texto foi problematizado. 
 
 Aponte a ideia principal do texto (tese). Ela constitui a resposta ao problema levantado. 
 
 Identifique os argumentos utilizados pelo autor para demonstrar a tese. 
 
 Avalie o texto (alcance dos objetivos propostos, logicidade na apresentação das ideias, 
argumentação sólida, originalidade na abordagem do tema, contribuição do texto etc.). 
 Monte o esquema e faça o resumo do texto. 
 
Uma ferramenta de estudo muito eficaz é o ESQUEMA. Ele contribui para um 
estudo mais ativo, possibilita uma melhor compreensão do texto/conteúdo, 
permite a organização das ideias, desenvolve o espírito crítico, favorece a 
memorização, indica as relações de hierarquia entre as várias ideias, faculta o 
estudo dos textos ou apontamentos com mais facilidade. Para elaborar um bom 
esquema são necessários alguns cuidados: 1) ler bem o texto, fazendo, pelo menos, 
duas leituras; 2) compreender o seu conteúdo; 3) identificar o tema, as ideias 
principais e secundárias; 4) ordenar a informação de uma forma lógica; 5) 
condensar as ideias em frases curtas; 6) não apresentar opiniões. 
 
 
Na academia, um habilidade muito importante é a elaboração de RESUMO. Ele é 
uma redução do texto original, procurando captar suas ideias essenciais, na 
progressão e no encadeamento em que aparecem no texto. Não cabem, num 
RESUMO, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado. Muitas 
pessoas julgam que resumir é reproduzir frases ou partes de frases do texto 
original, construindo uma espécie de "colagem". Essa "colagem" de fragmentos do 
texto original não é um resumo. Resumir é apresentar, com as próprias palavras, os 
pontos relevantes de um texto. A reprodução de frases do texto, em geral, atesta 
que ele não foi compreendido. Para elaborarum bom resumo, é necessário 
compreender antes o conteúdo global do texto. Não é possível ir resumindo à 
medida que se vai fazendo a primeira leitura. Um RESUMO deve ainda apresentar: 
1) correção gramatical e léxico adequado à situação escolar/acadêmica; 2) 
indicação de dados sobre o texto resumido, no mínimo autor e título; 3) menção 
do autor do texto original em diferentes partes do resumo e de formas diferentes; 
4) menção de diferentes ações do autor do texto original (o autor questiona, 
debate, explica...); 5) texto compreensível por si mesmo. 
 
 
6 
 
1) Faça a leitura analítica de cada texto a seguir. Monte o esquema e elabore o resumo de cada texto. 
 
Texto 1: Ler e escrever; pensar e existir 
 
Muita gente escreve perguntando como 
se faz para escrever bem. Parece que, além do 
1% de inspiração que está no DNA de qualquer 
aspirante a Shakespeare, o que é determinante 
são os 99% de transpiração. O que, em matéria 
de escrita, só significa uma coisa: ler. 
Ler é fundamental. Não só por uma 
série de razões práticas — aumenta o 
vocabulário, o conhecimento geral, a capacidade 
de expressão e a probabilidade de sucesso com 
as mulheres —, mas especialmente por 
despertar áreas adormecidas do cérebro. Ler a 
boa literatura assim como entrar em contato 
com artes plásticas ou música ativa a 
imaginação, a capacidade de abstração. Mas, 
mais importante, ler desenvolve a única 
capacidade realmente importante nessa vida, 
que é a de pensar. 
Passando um certo ponto de leitura, a 
estupidez fica impossível. Você não pode ler 
Marx e Smith e concordar com ambos sem se 
questionar sobre qual dos modelos econômicos 
faz mais sentido. O mesmo vale para Platão e 
Maquiavel quando se fala dos governantes; Sun 
Tzu e Gandhi sobre a guerra; Hobbes e Thoreau 
sobre obediência civil; Freud, Jung, Santo 
Agostinho e Paulo Coelho no que diz respeito à 
espiritualidade etc. A lista é infinita: para cada 
aspecto mais ínfimo da vida humana, há uma 
multidão de opiniões diferentes e, quando você 
entra nelas, é impossível que o seu cérebro, 
enferrujado por horas e horas de baboseira 
televisiva, não pegue no tranco e comece a 
trabalhar. Só há três dificuldades nesse 
processo. 
A primeira é gostar de ler. Quem lê por 
obrigação não passa de algumas dezenas de 
livros e nunca entende o prazer que é a leitura. 
Essa ideia de que literatura é algo enfadonho é, 
claro, herança de todos os professores limitados 
que lhe mandaram ler porcaria no colégio e 
depois fizeram provas ou pediram ―fichas de 
leitura‖ em que você, como papagaio, teve de 
repetir a história para provar que leu. Duas 
dicas: primeiro, leia o que lhe interessa, não 
espere o professor lhe pegar pela mão; segundo, 
lute contra a mediocridade dos seus professores, 
exija tratamento de ser pensante. 
A segunda dificuldade é saber o que ler. 
Lembro-me de ficar lendo as pessoas que eu 
admirava ou tinha respeito na minha infância 
para ver o que elas liam ou recomendavam e aí 
tentava ler o mesmo. Acabei lendo ―O 
Nascimento da Tragédia‖, de Nietszche, com 
uns 14 anos, achando que a tragédia mencionada 
era alguma hecatombe; nem ideia da tragédia 
grega, Sofócles ou Ésquilo. Ou seja, não dá 
certo. Outro caminho é ler os clássicos, aquilo 
que todo mundo já disse que é bom, de Homero 
a Proust. 
Mas não adianta dar caviar para quem 
nunca comeu lambari. Vai encher o saco. 
Comece lendo coisas que lhe interessem e que 
prendam a atenção, aos poucos você acaba 
migrando para a boa literatura, por causa das 
citações, referências e tal. Só não vá para aquela 
areia movediça de esoterismo, autoajuda e 
romance ―melacueca‖, que porcaria vicia. 
Por último, ―há uma pedra no meio do 
caminho‖. Acontece para muitos de, depois de 
ler meia dúzia de livros, achar que o seu lado da 
moeda é o único e rejeitar todo o resto como 
mentira. É a arrogância típica do ―imbecil‖. 
Cuidado para passar essa fase. Quanto mais se 
lê, mais se nota que se sabe pouco, quase nada. 
E que pouco na vida é imutável, definitivo, 
inquestionável. O que importa é desenvolver a 
capacidade de pensar e de julgar por si só. Até 
para entender que tudo o que está escrito acima 
pode não passar da mais absoluta idiotice. 
 
(IOSCHPE. Gustavo Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de publicação: 1º março 1999. Com adaptações). 
 
 
 
7 
 
Texto 2: Língua e poder 
 
―A terapia teve um efeito idiossincrático 
com prognóstico favorável em caso de pronta 
supressão‖. Essa frase, enigmática para os não-
iniciados nas sendas médicas, não significa 
muito mais do que ―o remédio teve efeito 
contrário, mas não causará problemas se for 
suspenso logo‖. 
Esse é um dos exemplos de jargão que 
consta da reportagem sobre linguagens técnicas 
publicada na semana passada no caderno 
Sinapse. O jargão é de fato inevitável, mas isso 
não significa que ele deva ser empregado em 
todas as ocasiões. Com efeito, toda profissão, 
do telemarketing à física de partículas, acaba 
por desenvolver um vocabulário específico, 
muitas vezes impenetrável para o leigo. Não 
apenas neologismos são criados como palavras 
comuns podem ter sua significação alterada. 
Em alguns casos, trata-se de uma 
necessidade. O jargão, no mínimo, economiza 
palavras, concentrando carga informativa em 
termos específicos. Quando um médico fala em 
―miocardiopatia idiopática‖, ele está na verdade 
dizendo um pouco mais do que apenas 
―problemas cardíacos de causa ignorada‖. No 
subtexto, um outro médico compreenderá que 
o paciente sofre de moléstia cardíaca de origem 
desconhecida e para a qual já foram descartadas 
as causas que mais comumente provocam 
doenças do coração. 
Em determinadas áreas científicas, os 
próprios objetos de estudo não passam de 
jargão. É o caso, por exemplo, da linguística, 
com seus morfemas, sintagmas e lexemas, e da 
física de partículas, com seus quarks, glúons e 
léptons. limite, sem o jargão, os fenômenos 
estudados não podem nem ser enunciados. 
Reconhecer a importância e a 
necessidade do jargão em certas situações não 
significa chancelar seu uso indiscriminado. Um 
médico ou um advogado que se dirijam a seus 
clientes em linguagem técnica incompreensível 
estão, na verdade, atendendo muito mal ao 
consumidor, que deve ter, em todas as 
ocasiões, acesso a uma explicação completa de 
sua situação em linguagem acessível. 
Infelizmente, as coisas nem sempre se 
passam assim. Desde que o mundo é mundo, 
profissionais de uma determinada área tendem 
a unir-se para manter sua arte impenetrável 
para o público em geral e, assim, aumentar seu 
poder. Não foi por outra razão que os escribas 
do antigo Egito complicaram 
desnecessariamente a escrita hieroglífica: era 
uma forma de conservarem e até de ampliarem 
sua posição hierárquica. Os tempos e as ciências 
mudaram, mas o princípio de complicar para 
valorizar-se permanece em vigor. 
Não devemos, é claro, ser ingênuos e 
acreditar que poderemos promover a plena 
igualdade através da língua. Democracia é, 
antes de mais nada, a arte de negociar, de 
aplicar o bom senso na solução de problemas. 
Nesse sentido, o bom profissional é aquele 
capaz de comunicar-se no melhor jargão com 
seus colegas, mas que consegue, sem grandes 
perdas, fazer-se entender pelo leigo. Os que 
ostensivamente abusam da linguagem técnica 
tendem a ser os menos capazes, os que mais 
precisam afirmar-se para não perder poder. 
 
(Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2906200302.htm>) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Texto 3: Palavras e ideias 
 
Há alguns anos, o Dr. Johnson 
O‘Connor, do Laboratório de Engenharia 
Humana, de Boston, e do Instituto de 
Tecnologia, de Hoboken, Nova Jersey, 
submeteu a um teste de vocabulário cem alunos 
de um curso de formação de dirigentes de 
empresas industriais (industrial executives), os 
executivos. Cinco anos mais tarde, verificou 
que os dez por cento que haviam revelado 
maior conhecimento ocupavam cargos de 
direção, ao passo que dos vinte e cinco porcento mais ―fracos‖ nenhum alcançara igual 
posição. 
Isso não prova, entretanto, que, para 
vencer na vida, basta ter um bom vocabulário; 
outras qualidades se fazem, evidentemente, 
necessárias. Mas parece não restar dúvida de 
que, dispondo de palavras suficientes e 
adequadas à expressão do pensamento de 
maneira clara, fiel e precisa, estamos em 
melhores condições de assimilar conceitos, de 
refletir, de escolher, de julgar, do que outros 
cujo acervo léxico seja insuficiente ou 
medíocre para a tarefa vital da comunidade. 
Pensamento e expressão são 
interdependentes, tanto é certo que as palavras 
são o revestimento das ideias e que, sem elas, é 
praticamente impossível pensar. Como pensar 
que ―amanhã tenho uma aula às 8 horas‖, se não 
prefiguro mentalmente essa atividade por meio 
dessas ou de outras palavras equivalentes? Não 
se pensa in vácuo. A própria clareza das ideias 
(se é que as temos sem palavras) está 
intimamente relacionada com a clareza e a 
precisão das expressões que as traduzem. As 
próprias impressões colhidas em contato com o 
mundo físico, através da experiência sensível, 
são tanto mais vivas quanto mais capazes de 
serem traduzidas em palavras – e sem 
impressões vivas não haverá expressão eficaz. É 
um círculo vicioso, sem dúvida: ―... nossos 
hábitos linguísticos afetam e são igualmente 
afetados pelo nosso comportamento, pelos 
nossos hábitos físicos e mentais normais, tais 
como a observação, a percepção, os 
sentimentos‖. De forma que um vocabulário 
escasso e inadequado, incapaz de veicular 
impressões e concepções, mina o próprio 
desenvolvimento mental, tolhe a imaginação e 
o poder criador, limitando a capacidade de 
observar, compreender e até mesmo de sentir. 
―Não se diz nenhuma novidade ao afirmar que 
as palavras, ao mesmo tempo que veiculam o 
pensamento, lhe condicionam a formação. Há 
século e meio, Heder já proclamava que um 
povo não podia ter uma ideia sem que para ela 
possuísse uma palavra‖, testemunha Paulo 
Rónai em artigo publicado no Diário de 
Notícias, do Rio de Janeiro, e mais tarde 
transcrito na 2ª edição de Enriqueça o seu 
vocabulário (Rio, Civilização Brasileira, 1965), 
de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. 
Portanto, quanto mais variado e ativo é 
o vocabulário disponível, tanto mais claro, 
tanto mais profundo e acurado é o processo 
mental da reflexão. Reciprocamente, quanto 
mais escasso e impreciso, tanto mais 
dependentes estamos do grunhido, do grito ou 
do gesto, formas rudimentares de comunicação 
capazes de traduzir apenas expansões instintivas 
dos primitivos, dos infantes e ... dos 
irracionais. 
 
(GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna. 8. ed. Rio de Janeiro, FGV, 1980. p. 155-6). 
 
9 
 
Capítulo 2: Produção e recepção de textos 
 
 
Neste capítulo, você irá refletir sobre 
produção e recepção de textos. O texto é 
determinado pela finalidade comunicativa. 
Conforme Nicola, Florina e Ernani (2002), o 
falante, ao realizar um ato de comunicação 
verbal, escolhe, seleciona palavras para depois 
organizá-las e combiná-las, conforme a sua 
vontade. Esse trabalho de seleção e combinação 
não é aleatório, mas está diretamente ligado à 
intenção do produtor do texto, ou informar ou 
opinar, por exemplo. 
 
2.1 Opinião e informação 
 
1) Leia os textos a seguir para responder ao que se pede. 
 
Texto 1: Raquel Dodge defende que vaquejada vai contra a Constituição 
 
A procuradora-geral da República, 
Raquel Dodge, em parecer encaminhado 
ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), 
afirmou que ―não é possível extrair da 
Constituição autorização para impor 
sofrimento intenso e para mutilar animais, com 
fundamento no exercício de direitos culturais e 
esportivos‖. 
No entendimento da PGR, a Emenda 
Constitucional 96/2017, que autoriza as 
vaquejadas em território brasileiro, é 
inconstitucional. A manifestação foi enviada ao 
ministro Dias Toffoli, relator da Ação Direta 
de Inconstitucionalidade (ADI 5728) 
apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção 
e Defesa Animal. 
A PGR lembra que a emenda aprovada 
pelo Congresso Nacional no ano passado 
determina que práticas desportivas que utilizem 
animais não são consideradas cruéis, desde que 
sejam manifestações culturais. No entanto, a 
procuradoria entende que ―trata-se de uma 
―ilogicidade insuperável não definir como 
cruéis essa práticas‖. 
Raquel Dodge considera a vaquejada, 
ainda que seja histórica em algumas regiões do 
país, incompatível com os preceitos 
constitucionais que obrigam a República a 
preservar a fauna, a assegurar ambiente 
equilibrado e, sobretudo, a evitar desnecessário 
tratamento que causam dor e sofrimento aos 
animais. 
―Não há possibilidade de realizar 
vaquejada sem maus-tratos e sofrimento 
profundo dos animais‖, afirma a PGR. Na 
opinião de Raquel Dodge, não há dúvida de 
que animais envolvidos em vaquejadas são 
submetidos a condições degradantes e 
sistemáticas de lesões e maus-tratos, que 
caracterizam tratamento cruel. 
 
(Disponível em: <https://revistagloborural.globo.com/Noticias/noticia/2018/05/raquel-dodge-defende-que-vaquejada-vai-
contra-constituicao.html>. Com adaptações). 
 
 
1. Com que intenção o texto foi produzido? 
2. A que recursos linguísticos o autor recorreu para que predominasse a imparcialidade na transmissão 
das informações? 
 
 
Texto 2: Dor garantida por lei 
 
Uma PEC (proposta de emenda 
constitucional) aprovada há pouco pela Câmara 
dos Deputados e prestes a ser confirmada pelo 
Senado determina que, ao contrário do que 
dispôs o STF (Supremo Tribunal Federal), o 
Brasil considere legal que se obrigue um boi a 
 
10 
 
correr numa arena entre dois cavalos montados 
por vaqueiros que tentam jogá-lo ao chão, 
puxando seu rabo. Em breve, traduzido para o 
legalês castiço e sob o nome fantasia de 
vaquejada, isso estará na Constituição. 
Na prática, significa que será 
constitucional encurralar — tornar indefeso — 
um boi e submetê-lo à chibata, de modo a 
infligir-lhe tal dor e pavor que, uma vez 
liberto, ele contrarie a sua natureza de animal 
lento e inofensivo e saia descontrolado pela 
arena, tentando fugir dos que o maltratam e 
dando ensejo a ser perseguido e derrubado 
pelos dois homens a cavalo. 
A Constituição garantirá que sua cauda, 
ao ser agarrada, puxada e torcida e sofrer 
brutal tração pelo vaqueiro, esteja sujeita ao 
rompimento dos ossos que a compõem ou, no 
mínimo, ao desenluvamento, que é a violenta 
retirada de pele e tecidos. O texto 
constitucional autorizará ainda que o boi sofra 
fraturas nas patas, ruptura de vasos sanguíneos 
e lesões nas vértebras, na medula espinal e nos 
órgãos internos. Pelo mesmo artigo, a 
Constituição propiciará aos cavalos o direito de 
também serem açoitados ao mesmo tempo em 
que o boi (para acompanhá-lo na velocidade) e 
terem o ventre retalhado pelas esporas em 
forma de estrela. 
A Constituição, já vergada ao peso de 
tantas emendas, acolherá tudo isso porque os 
congressistas não podem ficar mal com os 
eleitores das regiões em que a vaquejada é uma 
manifestação "cultural". 
A legalização da crueldade e da covardia 
não ameniza o sofrimento das vítimas, mas 
permite a seus algozes um sono bem pago e 
sem culpa. 
 
(CASTRO, Ruy. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2017/06/1893940-dor-garantida-por-
lei.shtml>). 
 
 
 
1. Com que intenção o texto foi produzido? 
2. Esse texto mantém relação intertextual com outro texto. Justifique. 
 
 
Texto 3: Música de vaquejada 
 
Sou um vaqueiro experiente 
Filho de um nordestino 
Vaqueiro de muitas glórias 
Seguidor de um destino 
De ir atrás de Vaquejada 
Derrubando boi na faixa 
Com alegria de um menino. 
 
Solte o boi deixe correr 
Solte o boi e não bezerro 
Sou vaqueiro afamado 
Que trabalha o dia inteiro 
Pegar boi pelo cabo 
Puxar jogar por lado 
Fácil como um carneiro. 
 
Quando eu vejo o animal 
Saindo pelo portão 
O corpo treme todo 
Acelera o coração 
Disparo o meu cavalo 
Pego o bicho pelo rabo 
E faço rolarpelo chão. 
 
Minha vida é Vaquejada 
Sou um homem do Sertão 
Nasci comendo cobras 
Cresci domando alazão 
Tenho mulher, tenho filhos 
Vivo sempre em perigo 
Por honrar a profissão. 
(CARDOSO, Luiz Carlos Marques. Disponível em: <http://www.luizcarlosbill.com.br/blog/cordel/musica-de-vaquejada/>). 
 
 
1. Com que intenção o texto foi produzido? A que recursos o autor recorreu para concretizar sua 
intenção? 
 
 
http://www.luizcarlosbill.com.br/blog/cordel/musica-de-vaquejada/
 
11 
 
2.2 Intertextualidade 
 
 Pode-se dizer que textos são reuniões 
de várias vozes: polifonia. Essas vozes podem 
aparecer no texto de maneira explícita ou 
implícita. Nenhum texto se produz no vazio ou 
se origina do nada. Todo texto se alimenta, de 
modo claro ou subentendido, de outros textos. 
Um, ao retomar outro, tanto pode reiterar ou 
subverter as ideias presentes no texto 
―original‖. O autor utiliza-o com o objetivo de 
apoiar ou de dizer algo totalmente diferente do 
que foi dito em outro texto, de criticar um 
ponto de vista, uma visão de mundo. 
 Para Nicola, Florina e Ernani (2002), o 
conhecimento das relações entre os textos – e 
os textos utilizados como intertexto – é um 
poderoso recurso de produção e apreensão de 
significados. Quando um determinado autor 
recorre a outros textos para compor os 
próprios, certamente tem um motivo muito 
claro – a construção de significados específicos 
(crítica, reflexão, releitura, entre outras 
questões). Percorrer o caminho inverso, ou 
seja, buscar esse motivo e reconstruir o 
processo de produção leva a desvendar tais 
significados, pois um texto completa outro, 
lança luz sobre o outro. É o exercício da leitura 
que irá garantir tudo isso. 
 
1) Leia, com atenção, os textos seguintes para responder ao que se pede. 
 
Texto 1: Sem adjetivos 
 
―Eu sabia que estava com um cheiro de 
suor, de sangue, de leite azedo. Ele [delegado 
Fleury] ria, zombava do cheiro horrível e mexia 
em seu sexo por cima da calça com olhar de 
louco.‖ 
De Rose Nogueira, jornalista em São 
Paulo. Da ALN, foi presa em 1969, semanas 
depois de dar à luz. 
―No quinto dia, depois de muito 
choque, pau de arara, ameaça de estupro e 
insultos, abortei. Quando melhorei, voltaram a 
me torturar.‖ 
De Izabel Fávero, professora de 
administração em Recife. Da VAR-Palmares, 
foi presa em 1970. 
―Eu passei muito mal, comecei a 
vomitar, gritar. O torturador perguntou: 
‗Como está?‘. E o médico: ‗Tá mais ou menos, 
mas aguenta‘. E eles desceram comigo de 
novo." 
De Dulce Chaves Pandolfi, professora 
da FGV-Rio. Da ALN, foi presa em 1970 e 
serviu de ―cobaia‖ para aulas de tortura. 
―Eu não conseguia ficar em pé nem 
sentada. As baratas começaram a me roer. Só 
pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos.‖ 
De Hecilda Fontelles Veiga, professora 
da Universidade Federal do Pará. Da AP, foi 
presa em 1971, no quinto mês de gravidez. 
―Eu era jogada, nua e encapuzada, como 
se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os 
tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas 
as minhas obturações.‖ 
De Marise Egger-Moellwald, socióloga, 
mora em São Paulo. Do então PCB, foi presa 
em 1975. Ainda amamentava seu filho. 
―Eu estava arrebentada, o torturador 
me tirou do pau de arara. Não me aguentava 
em pé, caí no chão. Nesse momento, fui 
estuprada.‖ 
De Gilze Cosenza, assistente social 
aposentada de Belo Horizonte. Da AP, foi 
presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses. 
Trechos de 27 depoimentos de 
sobreviventes, intercalados às histórias de 45 
mortas e desaparecidas no livro ―Luta, 
Substantivo Feminino‖, da série ―Direito à 
Verdade e à Memória‖. Será lançado na PUC-
SP hoje, a seis dias do 31 de março. 
 
(Eliane Cantanhêde, Folha de S. Paulo, 25 março 2010, p. A2. 
Opinião). 
 
 
 
 
 
12 
 
 
1. Esse texto apresenta unidade temática. Qual? O que assegura essa unidade? 
2. Como compreender o recurso da intertextualidade na produção do texto? 
 
 
Texto 2: Nossa vida, mais amores 
Um dos maiores poemas, e talvez o mais 
célebre, da literatura brasileira diz em sua 
segunda estrofe: ―Nosso céu tem mais estrelas/ 
Nossas várzeas têm mais flores/ Nossos bosques 
têm mais vida/ Nossa vida, mais amores‖. Você 
adivinhou: é a ―Canção do Exílio‖, de Gonçalves 
Dias (1823-1864), que começa, claro, com 
―Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o 
sabiá‖. 
Quando o poeta o escreveu, em 1843, o 
Brasil, ainda com 90% de território a desbravar, 
tinha de si próprio uma visão romântica e 
idealizada. Hoje sabemos muito mais sobre o 
país — e tanto que, se Gonçalves Dias fosse 
reescrever seu poema, teria outras imagens a 
escolher. Eis algumas. 
Nossas barragens são criminosas e 
inseguras — rompem-se e levam à morte o que 
encontram pela frente. Nossos viadutos e 
pontes vão abaixo ou racham, pela ação do 
tempo ou por serem feitos com material de 
quinta. Nossos museus se incendeiam e 
destroem patrimônios que não nos pertencem, 
mas à humanidade. 
Nossos mares, baías e rios recebem 
nossos abjetos dejetos naturais e industriais e só 
têm o odor como protesto antes de morrer. 
Nosso céu é, às vezes, uma hipótese — algo que 
deve existir acima da camada de poluição. E 
nossos sistemas de fiscalização, obedientes a 
interesses maiores, não fiscalizam. 
Nossos hospitais, escolas e transportes 
públicos são carentes, insuficientes ou 
inexistentes. Nossas estradas, ruas e calçadas são 
crateras, impróprias para humanos e carros. 
Nossas cidades têm vastos territórios vedados 
aos cidadãos e outros em que, pela miséria, seus 
habitantes podem praticar tudo, menos a 
cidadania. E nossos administradores são 
inoperantes, incompetentes ou corruptos. 
Falando neles, nossos corruptos são, 
estes, sim, dignos de poemas e rapsódias. 
Penetraram por todas as brechas conhecidas da 
vida pública — e, como não paramos de 
descobrir, também pelas desconhecidas. 
 
(CASTRO, Ruy. Disponível: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2019/01/nossa-vida-mais-amores.shtml>). 
 
1. Com que intenção o texto foi produzido? 
2. Quais são os dois ―Brasis‖ descritos no texto? 
 
RESENHA é um trabalho de síntese, publicado logo após a edição de uma obra. 
Tem por objetivo servir como veículo de crítica e avaliação. Podem-se fazer 
resenhas de livros, artigos de periódicos, filmes e outros. As resenhas acadêmicas 
devem vir precedidas da referência bibliográfica completa das obras a que se 
referem – diferentemente das publicadas pela mídia sem intenção acadêmica. A 
resenha deve ser elaborada com apreciação justa, clareza de exposição, precisão e 
concisão, para cumprir sua finalidade de auxiliar na seleção de leituras. A resenha 
contribui para desenvolver a mentalidade científica e levar o iniciante à pesquisa e 
à elaboração de trabalhos monográficos. Lakatos e Marconi (1995, p. 245) 
propõem um roteiro para elaboração de resenhas científicas e/ou acadêmica: 1. 
Referência bibliográfica; 2. Credenciais do autor; 3. Resumo da obra; 4. Conclusões 
da autoria; 5. Metodologia da autoria; 6. Quadro de referência do autor; 7. Crítica 
do resenhista; 8. Indicações do resenhista. 
 
 
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/11/20/mais!/13.html
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/11/20/mais!/13.html
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/sem-brumadinho-e-mariana-vale-acumula-acoes-ambientais-de-r-8-bilhoes.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/parte-de-viaduto-da-marginal-pinheiros-cede-e-bloqueia-pista-expressa.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/apos-mais-6-h-bombeiros-controlam-incendio-no-museu-nacional-no-rio.shtml
 
13 
 
2) Preencha as lacunas com diferentes formas de menção ao dizer do autor do texto resenhado e de 
outros autores. Note que se trata de um livro contendo vários artigos e 
―organizado‖ por duas autoras. 
 
Informação e globalização na era do conhecimento 
 
Helena M. M. Lastres e Sarita Albagali (organizadoras) 
Rio de Janeiro. Editora Campus. 1999. 318 p. 
Por André Gardini 
 
"O tomate é um produtohigh tech!" 
Essa afirmação fora de contexto pode parecer 
um tanto maluca, mas o 
___________________ Informação e 
globalização na era do conhecimento mostra como 
um sistema de inovações tecnológicas pode ser 
responsável por transformações na relação da 
sociedade com o espaço e entre as próprias 
sociedades. A frase está no capítulo 
"Desmaterialização e trabalho", escrito por 
Ivan da Costa Marques, da UFRJ. O 
________________ descreve uma pesquisa 
realizada na Universidade da Califórnia que, 
visando [...]. 
Discussões como essas estão no 
____________________ organizado por 
Helena M. M. Lastres, economista e mestre em 
Engenharia da Produção da Universidade 
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Sarita 
Albagli, socióloga e doutora em geografia 
(UFRJ). O _________________ está 
dividido em 11 capítulos escritos por autores 
de diferentes formações, como ciência da 
informação, ciência política, geografia, 
economia e sociologia. Os _______________ 
discorrem sobre temas marcantes e 
responsáveis por profundas transformações no 
início deste novo milênio. 
Nesse sentido, Lastres, no 
_________________ "A economia da 
informação, do conhecimento e do 
aprendizado", corrobora a idéia de Marques, 
pois diferencia dois tipos de inovação, as 
tecnológicas e as organizacionais, entendidas 
como complementares. [...] A 
________________ faz uma análise do papel 
da informação e do conhecimento na área da 
economia da inovação [...]. 
Portanto, a ________________ 
sugere que os sistemas nacionais, regionais ou 
locais de informação sejam tratados como uma 
rede de instituições dos setores públicos e 
privados, tendo a inovação e o aprendizado 
como seus principais aspectos. [...] 
 
 
14 
 
Capítulo 3 
 
03 Texto e sua textualidade 
 
Não adianta saber que escrever é 
diferente de falar. É necessário preocupar-se 
com o sucesso dos objetivos da produção 
textual, como a interação entre o produtor do 
texto e o seu receptor. Para que se tenha êxito 
nesse processo, deve-se construir um todo 
significativo. É preciso, portanto, recorrer a 
elementos que auxiliem na ligação das partes, 
na construção da coerência, entre outros. 
Neste capítulo, você terá acesso, num 
primeiro momento, a uma questão 
fundamental quando se fala de textos, que é a 
coerência. Num segundo momento, será 
abordado outro fator que contribui para o 
sucesso da produção de textos, que é a coesão. 
Por último, será vista a construção do 
parágrafo e sua articulação no texto. 
 
 
3.1 Coerência e coesão textual 
 
Como vimos anteriormente, os textos 
são veiculadores de intenções. Essas intenções 
ou propósitos do autor de um texto somente 
terão sentido se houver uma organização 
harmônica das ideias apresentadas. Podemos 
dizer, portanto, que um texto não é um 
aglomerado de frases, mas um todo organizado 
capaz de manter contato com seus leitores, 
agindo sobre eles. Dizer que um texto é uma 
organização de sentido é dizer que ele é 
coerente. 
A coerência é resultante da não-
contradição entre os segmentos textuais e da 
adequação entre o que está na materialidade 
textual e o contexto extraverbal. No primeiro 
caso, um segmento é pressuposto para o 
seguinte e assim sucessivamente. No segundo, 
o que é dito no texto deve estar em harmonia 
com o nosso conhecimento de mundo, sobre o 
que é permitido ou não em determinadas 
situações – que inclui nosso conhecimento 
sobre tipo e gêneros textuais. Assim, há uma 
transmissão e uma recepção de uma linha de 
pensamento. 
Fiorin e Savioli (2007) identificam três 
níveis em que a coerência deve ser observada: 
narrativo, figurativo e argumentativo. No 
primeiro, a coerência está na decorrência lógica 
das ações e de suas relações com os 
personagens que as praticam. No segundo, a 
coerência está na articulação harmônica entre o 
que é descrito (as figuras), com base na relação 
de significado que mantém entre si. No 
terceiro, a coerência está na apresentação 
concatenada de uma ideia que será defendida, 
de argumentos que sustentam essa ideia e do 
remate dado pela conclusão. 
Seria incoerente uma fala de um 
conferencista como esta: 
 
As empresas brasileiras têm produzido muito 
e gerado postos de trabalho. Os empresários apostam 
numa nova forma de garantir a fidelidade de seus 
colaboradores por meio da divisão dos lucros. Os 
colaboradores da base da hierarquia, em virtude de 
suas ocupações, não puderam participar dessa 
divisão. 
 
Além de um preconceito com alguns 
trabalhadores, o raciocínio lógico instaurado 
inicialmente nos leva a pensar que todos os 
trabalhadores teriam parte nos lucros, o que 
não ocorre. A fala do conferencista é, pois, 
incoerente. 
Há certa confusão entre os termos 
coerência e coesão. Enquanto a coerência se 
refere à unidade de sentido e, por isso, é de um 
nível profundo, a coesão é a ligação, a relação, 
a conexão entre as palavras, expressões, frases 
ou parágrafos do texto. Os elementos coesivos 
assinalam a conexão entre partes do texto. 
 
15 
 
A palavra texto, na sua etimologia, vem 
do latim textum, que significa tecido, 
entrelaçamento. Produzir um texto é o mesmo 
que praticar a ação de tecer, entrelaçar 
unidades e partes com a finalidade de formar 
um todo. Desse modo, podemos falar em 
textura de um texto, que é a rede de relações 
coesivas. 
São muitos os mecanismos de coesão 
textual. Nesta seção, vamos estudar alguns. 
Esperamos que, a partir desse estudo, você 
esteja apto a não só perceber outros em suas 
leituras, mas também a recorrer a outros em 
sua produção textual. Escolhemos um editorial 
da revista Veja (27 abril 2006, p. 9) para 
demonstração do que consideramos um texto 
bem tecido. Destacamos apenas alguns recursos 
coesivos para estudo e para demonstração da 
continuidade textual. 
 
O Brasil tem jeito 
 
Desde a volta da democracia, em 1985, 
o país tem passado por uma série de escândalos na 
esfera institucional. No Poder Executivo, houve o 
impeachment de um presidente e, 
recentemente, a demissão de ministros 
envolvidos em esquemas ilícitos. No Legislativo, 
por seu turno, ainda se escutam os ecos do 
mensalão e não empalideceram as imagens dos 
―anões‖ da Máfia do Orçamento sendo banidos 
da vida pública. Agora, com a Operação 
Hurricane (furacão, em inglês), deflagrada pela 
Polícia Federal para prender os integrantes de 
uma quadrilha que explorava o jogo de caça-
níqueis, chegou a vez de o Judiciário ter exposta a 
sua banda podre. Três desembargadores foram 
presos e um ministro do Superior Tribunal de 
Justiça (8) está afastado das suas funções. Pesa 
sobre esses togados a acusação de venda de 
liminares. Com tais instrumentos jurídicos, os 
exploradores do jogo conseguiam manter em 
funcionamento milhares de casas ilegais de 
jogatina, dotadas de máquinas manipuladas para 
lesar o jogador. Há indícios de que pode haver 
ainda outros altos integrantes do Judiciário 
comparsas dessa máfia. 
A sucessão de escândalos de corrupção no 
Brasil costuma provocar nos cidadãos a impressão de 
que o país não tem jeito. É como se a 
desonestidade fosse parte inextirpável do 
caráter nacional. Compreende-se que os 
ânimos se arrefeçam, mas é preciso enxergar o 
fenômeno de um ângulo mais amplo. Em primeiro 
lugar (18), os escândalos só vêm à tona graças 
ao bom funcionamento das instâncias responsáveis 
pela fiscalização do poder – entre as quais a 
imprensa livre, a polícia e, ressalte-se, a imensa 
maioria dos integrantes do Poder Judiciário. Em 
segundo lugar, a cada quadrilha estourada, a cada 
esquema desvendado, dá-se um passo a mais 
para a depuração das instituições. Por isso, 
pode-se analisar a operação da Polícia Federal ora 
em curso (24) como uma contribuição ao 
aprimoramento da Justiça, cuja distribuição 
igualitária e eficiente é um dos pilares das 
sociedades abertas e modernas. A continuar por 
esse caminho, o Brasil tem jeito, sim. 
 
No quadro abaixo, encontram-se os comentários acerca dos elementos de coesão destacados no texto. 
 
 
(1)Embora essa “série de escândalos‖ esteja indefinida, é a expressão desencadeadora da organização 
do texto. 
(2) O autor apresenta, sem comentários, o primeiro dos três poderes institucionais e, a partir daí, 
dois escândalos aí ocorridos. 
(3) O autor apresenta, sem comentários, o segundo dos três poderes institucionais. 
(4) Essa expressão marca a passagem para a apresentação dos escândalos no Legislativo. Não há 
comentários acerca desses escândalos. 
(5) Essa expressão marca a passagem para a apresentação do escândalo no Judiciário. No meio da 
 
16 
 
expressão é apresentado o escândalo aí ocorrido. 
(6) Essa expressão apresenta o terceiro dos três poderes, que é o Judiciário. 
(7) Refere-se ―quadrilha que explorava o jogo de caça-níqueis‖, que, por sua vez, antecipa a ―banda 
podre‖ do Judiciário. 
(8) Refere-se a ―banda podre‖, identificando-a. 
(9) Refere-se a ―três desembargadores‖ e a ―um ministro‖. 
(10) Refere-se a ―liminares‖. 
(11) Refere-se aos envolvidos no escândalo que pagaram pelas liminares. 
(12) Elemento que mostra a inclusão de membros do Judiciário no escândalo. 
(13) Refere-se aos desembargadores e ao ministro, além de deixar marcado o envolvimento de outros 
integrantes do Judiciário. 
(14) Refere-se a ―banda podre‖, já detalhada anteriormente. 
(15) Recupera ―uma série de escândalos na esfera institucional‖ do primeiro parágrafo para o articular 
com o segundo e para acrescentar que o Brasil não tem jeito. 
(16) Conector que opõe a impressão de que o Brasil não tem jeito a um novo modo de ―ver‖ os 
escândalos, anunciando-se um otimismo. 
(17) Refere-se aos escândalos na esfera institucional. 
(18) Expressão que fragmenta, num primeiro momento, a noção ―amplo‖, anteriormente 
apresentada. 
(19) Essas ―instâncias‖ são apresentadas a seguir, após um travessão, destacando-se o Judiciário. 
(20) Operador que enfatiza a ideia seguinte. 
(21) Opõe-se a ―banda podre‖ do primeiro parágrafo, assinalando o otimismo do autor. 
(22) Expressão que fragmenta, num segundo momento, a noção ―amplo‖, anteriormente apresentada. 
(23) Conector responsável por encaminhar o fechamento da questão de que o Brasil tem jeito. 
(24) Refere-se a ―Operação Hurricane‖, no primeiro parágrafo. 
(25) Refere-se ao Poder Judiciário. 
(26) Refere-se a ―Justiça‖. 
(27) Expressão que abre a conclusão subjetiva do autor. ―Esse caminho‖ refere-se ao fato de que, se os 
esquemas são desvendados, há depuração das instituições. 
(28) Recupera o título do título do texto, deixando explícito o otimismo do autor. 
 
 
 Você percebeu que um texto não é 
simplesmente um conjunto de frases aleatório. 
A nossa experiência como falante não é a de 
formar frases; a nossa experiência é a de 
produzir textos a todo momento. A análise e a 
leitura do texto O Brasil tem jeito mostraram o 
papel dos mecanismos de coesão, que é, de 
acordo com Antunes (2005, p. 47), criar, 
estabelecer e sinalizar os laços que deixam os 
vários segmentos do texto ligados, articulados, 
encadeados. Portanto, a função da coesão é a 
de promover a continuidade do texto, a 
sequência interligada de suas partes, para que 
não se perca o fio de unidade que garante sua 
interpretabilidade. 
Quando lemos o primeiro parágrafo do 
texto O Brasil tem jeito, temos a impressão – ou 
somos levados a isso – de que o Brasil não tem 
jeito. São mencionados vários escândalos nos 
poderes constitutivos de nosso país. Na 
transição para o segundo parágrafo, o autor 
retoma a ―série de escândalos‖ do primeiro 
parágrafo para, além de dar continuidade ao 
seu texto, fazê-lo progredir noutra direção, 
que é a de nos levar a acreditar que o Brasil tem 
jeito. No interior de cada parágrafo, são feitas 
retomadas e antecipações, além de se deixarem 
explícitas algumas conexões. Tudo isso para 
garantir não só a continuidade do texto, mas 
também o sucesso de sua interpretabilidade. 
 
17 
 
Há dois tipos de coesão: a referencial e 
a sequencial. O primeiro tipo se caracteriza por 
substituições de um elemento por outro e por 
reiterações de elemento do texto. O segundo 
tipo se refere ao desenvolvimento 
propriamente dito, ora por procedimentos de 
manutenção temática, como emprego de 
termos pertencentes ao mesmo campo 
semântico, ora por meio de processos de 
progressão temática, que podem realizar-se por 
meio da satisfação de compromissos textuais 
anteriores ou por meio de novos acréscimos ao 
texto. 
Quando vamos escrever um texto nos 
baseamos em quatro elementos centrais: a 
repetição, a progressão, a não-contradição e a 
relação. Todas essas partes compõem o texto, 
relacionando-se com o que já foi dito ou com o 
que se vai dizer. Vejamos o que quer dizer cada 
um desses elementos. 
 
Repetição – Ao longo de um texto coerente, ocorrem repetições, retomadas de 
elementos. Essa retomada é normalmente feita por pronomes ou por palavras e expressões 
equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o 
que deve ser feito com cuidado, a fim de que não seja prejudicado. 
 
Progressão – Num texto coerente, devemos sempre acrescentar novas informações ao 
que já foi dito. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de 
elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o 
que já foi colocado. Dessa forma, equilibramos o que já foi dito com o que se vai dizer, 
garantindo a continuidade do tema e a progressão do sentido. 
 
Não-contradição – Num texto coerente, não devem surgir elementos que contradigam 
aquilo que já foi considerado falso, ou vice-versa. Esse tipo de contradição só é tolerado se 
for intencional. Não se deve confundir a não-contradição com o contraste, pois a 
aproximação de idéias e fatos contrastantes é um recurso muito freqüente no 
desenvolvimento da argumentação. 
 
Relação – Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados. Essa 
relação deve ser suficiente para justificar sua inclusão num mesmo texto. Para que se avalie 
o grau de relação dos elementos que vão construir o texto, é importante organizá-lo 
esquematicamente antes de escrever. Feito o esquema, é importante observar se a 
aproximação das idéias é realmente eficaz. 
 
Esses quatro itens (repetição, 
progressão, não-contradição e relação) podem 
ajudar a avaliar o grau de coesão dos textos. A 
configuração final do texto depende ainda de 
outros fatores, como o canal de comunicação, 
o perfil do receptor e as finalidades pretendidas 
pelo emissor. Todos esses fatores afetam 
diretamente as feições do texto que se pretende 
bem-sucedido. 
Alguns elementos linguísticos são 
importantes na produção do texto. O sentido 
deles deve ser captado pelos leitores. Esses 
elementos linguísticos são os operadores 
argumentativos. Eles servem para orientar a 
sequência discursiva, estabelecendo relações 
entre os segmentos do texto: orações de um 
mesmo período, períodos, sequências textuais, 
parágrafos ou partes de um texto. É importante 
lembrar que num texto, principalmente de 
natureza argumentativa, o uso de operadores 
mostra a capacidade do produtor de 
apresentar, de defender e de refutar 
argumentos. Os principais valores dos 
operadores argumentativos são: adição, 
oposição ou contraste, alternância, 
conclusão, explicação, causa, 
comparação, condição, conformidade, 
consequência, finalidade, proporção, 
tempo, inclusão e exclusão, enumeração 
e distribuição, retificação, entre outros. 
 
 
18 
 
1) Identifique pelo menos uma incoerência no texto a seguir. 
 
Durante sua carreira de goleiro, 
iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua 
terra natal, Leão, de 51 anos, sempre impôs 
seu estilo ao mesmo tempo arredio e 
disciplinado. Por outro lado, costumava ficar 
horas aprimorando seus defeitos após os 
treinos. Ao chegar à seleção brasileira em 
1970, quando fez parte do grupo que 
conquistou o tricampeonato mundial, Leão não 
dava um passo em falso. Cada atitude e cada 
declaração eram pensadas com uma 
racionalidade típica de sua família, jáque seus 
outros dois irmãos, Edmílson, 53 anos, e 
Édson, 58, são médicos. (Correio Popular, Campinas, 
20 out. 2000 - com adaptações) 
2) Por que as frases abaixo são ambíguas? 
 
a) A cantora deixou a plateia emocionada. 
b) O pai proibiu o filho de sair de seu carro. 
c) O médico examinou o paciente preocupado. 
d) A mãe procurou o brinquedo do filho em seu quarto. 
e) Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais sadias. 
f) No site ―namoro‖ é possível conhecer muitas pessoas sem nenhum compromisso. 
g) Polícia prende acusado de matar a namorada no velório dela. 
h) Andando pela zona rural do litoral norte, facilmente se encontram casas de veraneio e moradores de 
alto padrão. 
i) Atendimento preferencial para idosos, gestantes, deficientes, crianças de colo (Placa sobre um dos 
caixas de um banco). 
j) Uma pesquisa com 600 crianças e adolescentes mostra que a publicidade tem função pedagógica – e 
prova que a garotada vê comerciais com um inteligente ceticismo. 
 
3) O texto a seguir é uma reprodução de uma placa de aviso afixada nas bombas de etanol dos postos 
de combustíveis. Identifique a incoerência presente nesse aviso. 
 
 
 
 
4) Leia os textos a seguir para preencher os quadros. Na coluna de coesão referencial, escreva o 
referente ao qual o termo ou expressão destacada faz alusão. Na coluna da coesão sequencial, diga o 
valor semântico do conector destacado. 
 
 
19 
 
Texto 1: [Glicose como fonte de energia] 
 
A glicose é constantemente aproveitada 
pelas células do corpo como fonte de energia, 
por isso é necessário manter sua concentração 
no sangue em equilíbrio. Níveis glicêmicos 
alterados (elevação ou redução) trazem 
consequências negativas para o corpo, e a 
maneira mais adequada de reduzir essas 
complicações é tentando manter o equilíbrio. 
Para isso se faz necessário realizar medições da 
glicemia. 
As diferentes técnicas de 
monitoramento da glicose no sangue podem 
ser classificadas em laboratorial e portátil. A 
primeira é mais confiável, entretanto, como 
gera maiores custos, seu uso fica restrito aos 
laboratórios de análises clínicas e hospitais. 
Outra desvantagem observada é a necessidade 
de maiores volumes de sangue (três mililitros) 
para realizar o teste. 
Além disso, é preciso muito cuidado e 
agilidade ao manipular uma amostra que será 
submetida à dosagem de glicose no laboratório, 
pois o consumo desse carboidrato pelos 
eritrócitos no sangue ocorre na taxa de 
aproximadamente 10% por hora em 
temperatura ambiente. Esse consumo pode ser 
ainda mais acelerado se a amostra estiver 
contaminada. (Texto adaptado). 
 
 COESÃO REFERENCIAL COESÃO SEQUENCIAL 
sua – por isso – 
essas complicações – Para – 
isso – entretanto – 
A primeira – como – 
o teste – Além disso – 
desse carboidrato – pois – 
Esse consumo –icose) se – 
 
Texto 2: A maçã não tem culpa 
 
Pela lenda judaico-cristã, o homem 
nasceu em inocência. Mas a perdeu quando 
quis conhecer o bem e o mal. Há uma distorção 
generalizada considerando que o pecado 
original foi um ato sexual, e a maçã ficou sendo 
um símbolo de sexo. 
Quando ocorreu o episódio narrado na 
bíblia, Adão e Eva já tinham filhos pelos 
métodos que adotamos até hoje. Não usaram 
proveta nem recorreram à sapiência técnica e 
científica do ex-doutor Abdelmassih. Numa 
palavra, procederam dentro do princípio 
estabelecido pelo próprio Senhor: "Crescei e 
multiplicai-vos". O pecado foi cometido 
quando não se submeteram à condição humana 
e tentaram ser iguais a Deus, conhecendo o 
bem e o mal. A folha de parreira foi a primeira 
escamoteação da raça humana. 
Criado diretamente por Deus ou 
evoluído do macaco, como Darwin sugeriu, o 
homem teria sido feito para viver num paraíso, 
em permanente estado de graça. Nas religiões 
orientais, o homem, criado ou evoluído, ainda 
vive numa fase anterior ao pecado dito original. 
O homem se interioriza pela 
meditação, deixando a barba crescer ou 
tomando banho no Ganges, já que busca a si 
mesmo dentro do universo físico e espiritual. 
Quando atinge o nirvana, ele vive uma situação 
de felicidade, num paraíso possível. Adão e 
Eva, com sua imensa prole, poderiam ter 
continuado no Éden se não tivessem cometido 
o pecado. A maçã de Steve Jobs não tem nada a 
ver com isso. 
Repito: o pecado original não foi o 
sexo, o ato do sexo, prescrito pelo próprio 
latifundiário, dono de todas as terras e de todos 
os mares. A responsabilidade pelo pecado foi a 
soberba do homem em ter uma sabedoria igual 
à de seu Criador. 
 
(Adaptado de CONY, Carlos Heitor. A maçã não tem culpa. 
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>). 
 
20 
 
COESÃO REFERENCIAL COESÃO SEQUENCIAL 
a – Mas – 
princípio estabelecido pelo próprio Senhor – nem – 
ele – como – 
sua (imensa prole) – já que – 
isso – se – 
 
5) Leia este texto para responder ao que se pede. 
 
Comissária da EgyptAir “previu” desastre no Facebook 
 
 
Samar Ezz Eldin, aeromoça que estava no avião da EgyptAir que 
caiu no mar Mediterrâneo na última quinta-feira (19), “previu” que seria 
vítima de um acidente aéreo por meio de uma montagem postada no 
Facebook há mais de dois anos. 
Publicada em 26 de setembro de 2014, a imagem mostra Eldin 
saindo da água, puxando uma mala e com a roupa molhada e ao fundo 
a cauda de um avião afundando. A foto já foi compartilhada mais de 5 
mil vezes na rede social. 
Uma parente da aeromoça, Mervat Mohamed, disse ao jornal Al 
Watan que Eldin tinha 26 anos, trabalhava havia dois na EgyptAir e 
tinha se casado seis meses antes da tragédia. Ao todo, 66 pessoas 
estavam a bordo do voo MS804, que seguia de Paris, na França, para o 
Cairo, no Egito, mas desapareceu dos radares no sul do Mediterrâneo. 
Ainda não se sabe o que teria causado o desastre, mas especula-
se que a aeronave tenha sido derrubada por um atentado terrorista. 
 
(Disponível em: <http://noticias.terra.com.br>. Acesso: 22 maio de 2016. Data de 
publicação: 21 maio 2016). 
 
 
a) A leitura do título leva a que interpretação? Depois de ler o texto, que interpretação deve ser dada 
ao título? Reescreva o título de modo que fique clara a intenção comunicativa. 
b) Neste fragmento, transcrito com adaptações do texto, há uma ambiguidade sintática. Identifique-a 
e reescreva o fragmento de modo que seja dada a ele a interpretação desejada pelo jornalista. 
 
Samar Ezz Eldin “previu” que seria vítima de um acidente aéreo por meio de uma montagem postada no Facebook. 
 
 
6) Leia o fragmento de matéria jornalística reproduzido a seguir para responder ao que se pede. 
 
Teste evita biópsia de próstata desnecessária 
 
Aparelho usa onda eletromagnética para examinar a glândula de forma 
não invasiva em caso de suspeita de câncer 
 
 
Homens que passam por biópsia podem sofrer efeitos colaterais 
e ansiedade; nova tecnologia está em teste 
 
 
MARIANA VERSOLATO 
EDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE" 
 
 
 Um aparelho cilíndrico que é posicionado entre as pernas do 
paciente pode evitar biópsias desnecessárias na próstata, segundo um 
estudo do A.C. Camargo Cancer Center. 
 O hospital em São Paulo é o primeiro do país a usar esse exame na 
prática clínica. 
 O teste com o equipamento pode ser feito por homens com 
suspeita de câncer de próstata que já se submeteram aos exames de 
toque e de sangue (PSA) e têm indicação para fazer uma biópsia. 
 
21 
 
 O objetivo é definir quem realmente deve ser submetido à biópsia, 
um procedimento invasivo que pode causar ansiedade e efeitos como 
dores e sangramento na urina e na ejaculação. 
 Na biópsia, uma agulha inserida no reto colhe fragmentos da 
próstata do paciente. A anestesia pode ser local (com sedação) ou geral. 
[...]. 
 
 
(Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso: 20 maio 2016. Data de 
publicação: 01 nov. 2013). 
 
 
a) O título da matéria pode gerar um estranhamento no leitor. Por quê? Reescreva o título demodo 
que fique clara a intenção comunicativa. 
b) Em muitas situações textuais, o leitor, em virtude de seu conhecimento de mundo, faz uma 
interpretação que não corresponde literalmente ao que foi dito ou escrito. Qual é a informação que 
está explícita na passagem destacada a seguir? Como deve ser interpretada? 
 
O objetivo é definir quem realmente deve ser submetido à biópsia, um procedimento invasivo que pode causar 
ansiedade e efeitos como dores e sangramento na urina e na ejaculação. 
 
 
7) Leia esta notícia, para responder ao que se pede. 
 
Morre bebê de brasileira que foi abusada e atirada da janela 
 
Menina de 17 meses também havia sofrido abusos sexuais 
 
 Morreu na noite da última terça-feira (26) a pequena Alicia, filha de 
17 meses de uma jovem brasileira que foi jogada da janela de um 
apartamento por um espanhol em Vitoria, no País Basco. A informação é 
do jornal El Mundo . 
 O episódio ocorreu na madrugada da segunda passada (25), 
quando a mãe entrou em casa e surpreendeu o homem, que tem 30 
anos, abusando sexualmente da menina. Os dois então começaram a 
discutir, até que ele atirou Alicia pela janela da residência, que fica no 
primeiro andar de um prédio. 
 A criança ainda ficou internada por quase dois dias com 
politraumatismos graves, mas não resistiu aos ferimentos. A brasileira, 
que tem cerca de 18 anos, segue internada, mas não corre risco de 
morrer, enquanto o espanhol está sob custódia da polícia na unidade de 
psiquiatria de um hospital de Vitoria. 
 
(Disponível em:<http://noticias.terra.com.br>. Acesso: 20 maio 2016. Data de publicação: 
27 jan. 2016). 
 
 
a) O produtor dessa notícia foi eficiente na sua elaboração? Por quê? 
b) No último parágrafo, as proposições introduzidas pelo ―mas‖ contrapõem-se às proposições 
anteriores que giram em torno do verbo ―internar‖. Que informações implícitas podem ser detectadas 
a respeito da internação da ―criança‖ e da ―brasileira‖? 
 
 
8) Leia, com atenção, o fragmento de texto a seguir para responder ao que se pede. 
 
 
Vaticano admite abuso de freiras por padres 
 
O Vaticano admitiu ontem a validade de um relatório segundo o 
qual alguns missionários e padres obrigam freiras a fazer sexo com 
eles, chegando, em alguns casos, a cometer estupro e forçar as vítimas 
a fazerem abortos. Segundo o relatório, citado pelo jornal romano "La 
Repubblica", algumas freiras são forçadas a tomar pílulas 
 
22 
 
anticoncepcionais. 
De acordo com o Vaticano, o problema se restringe a 
determinada área geográfica, mas o relatório citou casos ocorridos em 
23 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Irlanda e 
Itália. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil evitou pronunciar-se 
– sua assessoria disse que a entidade tomou conhecimento das 
informações por meio da imprensa. [...] 
 
 
(PAGANI, Steve. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de postagem: 21 
março 2001. ). 
 
 
 
a) Nesse fragmento de texto, há duas ocorrências do verbo ―admitir‖: uma no título e outra na 
primeira linha. Essas duas ocorrências geram o mesmo efeito de sentido? Por quê? 
b) O conector ―mas‖ é empregado, geralmente, para estabelecer uma relação semântica de contraste 
ou de oposição entre termos ou ideias. Como você avalia o emprego desse conector no primeiro 
período do segundo parágrafo? 
 
 
 
9) Complete as lacunas com elementos de coesão sequenciais. 
 
a) Os aterros sanitários diferem de lixões (em que o lixo é despejado no solo a céu aberto) 
_________________ têm dispositivos para minimizar efeitos nocivos ao ambiente, 
_________________ impermeabilização do solo, drenagem e tratamento de efluentes líquidos e 
gasosos e cobertura dos resíduos. Há ainda uma categoria intermediária, os aterros controlados, que 
usam princípios de engenharia para confinar os resíduos e fazem sua cobertura após cada jornada de 
trabalho (evitando danos à saúde pública), _________________ não dispõem de outros mecanismos 
para impedir a poluição local. _________________ importância da adoção de medidas para a 
preservação ambiental, não é raro o uso de lixões no Brasil. _________________ dados da Pesquisa 
Nacional de Saneamento Básico realizada em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), o lixo produzido diariamente no país naquele ano chegava a cerca de 125 mil toneladas. Desse 
volume total, 47,1% era destinado a aterros sanitários, 22,3% a aterros controlados e 30,5% a lixões. 
Mas, em relação ao número de municípios que dava ao lixo um destino final adequado, a situação não 
era favorável: 63,6% utilizavam lixões, 18,4%, aterros controlados e 13,8%, aterros sanitários; 5% 
não informaram para onde vão seus resíduos. 
 
b) A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) estima que há 880 
milhões de analfabetos adultos e 115 milhões de jovens em idade escolar fora da escola, entre a 
população mundial. A Unesco, _________________, não divulgou os números para cada país 
pesquisado. Em setembro do ano passado, o Ministério da Educação divulgou os dados mais recentes 
sobre o Brasil, onde 14,7% da população entre 14 e 49 anos de idade continua analfabeta. Houve uma 
grande redução do problema, _________________, há 20 anos, mais de 30% da população naquela 
faixa etária não sabia ler e escrever. O Ministério relacionou a queda dos índices de analfabetismo com 
o aumento da escolaridade: em 1980, apenas 49% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola, 
percentual que subiu para 96% no ano passado. O Brasil reduziu pela metade o percentual de 
analfabetos na população, _________________ dobrou o número de crianças em idade escolar nas 
salas de aula. Esse avanço é relevante, _________________ a simples alfabetização já não é mais 
suficiente para a conquista de emprego num mercado de trabalho competitivo. 
 
 
 
23 
 
c) O mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)prevê que a 
produção de alimentos em todo o mundo pode sofrer um impacto dramático nas próximas décadas por 
conta das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. _________________ os 
cientistas do painel, o aumento da temperatura ameaça o cultivo de várias plantas agrícolas 
_________________ pode piorar o já grave problema da fome em partes mais vulneráveis do 
planeta. Países pobres da África e da Ásia seriam os mais afetados, _________________ grandes 
produtores agrícolas, _________________ o Brasil, _________________ sentiriam os efeitos, já 
na próxima década. 
 
10) Numere os períodos na ordem em que formem um texto coeso e coerente. 
 
( ) Essa invenção permitiu o sofisticado gosto dos reis franceses de colecionar livros, e a mesma 
revolução que os degolou foi responsável por abrir suas coleções ao povo. 
( ) Há cerca de 2.300 anos, os homens encontraram uma maneira peculiar de guardar o 
conhecimento escrito juntando-o num mesmo espaço. A biblioteca foi uma entre outras das brilhantes 
idéias dos gregos, que permanecem até hoje. 
( ) Apesar da resistência da Igreja, a informação começou a girar mais rápido com a invenção da 
imprensa de Gutemberg. 
( ) Assim, as bibliotecas passaram a ser "serviço de todos", como está escrito nos anais da maior 
biblioteca do mundo, a do Congresso, em Washington, que tem 85 milhões de documentos em 400 
idiomas diferentes. 
( ) Depois deles, a Idade Média trancou nos mosteiros os escritos da antiguidade clássica e os 
monges copistas passavam o tempo produzindo obras de arte. 
 
11) Numere os períodos na ordem em que formem um texto coeso e coerente.ponto) 
 
( ) A geolocalização indica, por rastreamento de dados do IP do computador ou do GPS do celular, 
exatamente onde uma pessoa está. 
( ) As empresas sabem disso e estão criando formas para fazer com que a distância entre a casa e o 
emprego diminua. 
( ) Com essa informação, é possível rastrear um candidato mais próximo a uma companhia. 
( ) Uma das maisrecentes é usar recursos de geolocalização na hora do recrutamento. 
( ) Hoje, um dos grandes anseios dos profissionais é morar perto do trabalho. 
 
12) Os sinais de pontuação foram retirados dos textos a seguir. Pontue-os adequadamente. 
 
Texto 1: O que acontece com a comida que sobra do restaurante 
 
Ela até pode ser doada mas geralmente 
é descartada se a comida foi exposta como em 
um bufê de restaurante por quilo ela 
necessariamente precisa ser jogada fora se foi 
preparada e armazenada na cozinha seguindo as 
normas da resolução RDC nº 275 da Anvisa 
pode ser doada em até um dia porém por causa 
da Lei n° 8.137 de 1990 quem responde por 
qualquer problema que essa comida possa 
causar na saúde de alguém é o restaurante se 
um estabelecimento qualquer doar as sobras a 
uma instituição e depois esse alimento causar 
alguma doença, é o próprio doador que será 
responsabilizado por isso a maioria dos 
restaurantes prefere jogar a comida fora 
 
 
 
24 
 
Texto 2: Carne branca ou carne escura 
 
Famoso na ceia de Natal o peru começa 
a tomar conta dos supermercados mas o que é 
melhor comer a carne branca do peito ou a 
carne escura das coxas as diferenças 
nutricionais entre as duas não são tantas em 
geral o que faz um corte de peru ou qualquer 
outro tipo de ave mais escuro do que outro é o 
tipo e músculo que contém a carne é mais 
escura se tem níveis mais altos de mioglobina 
um composto que permite que os músculos 
transportem oxigênio necessário para 
atividades que gastem energia como perus e 
galinhas não voam e andam bastante a carne das 
pernas deles é mais escura enquanto suas asas e 
peitos são brancos muitas pessoas escolhem 
carne branca por causa do seu conteúdo 
calórico comparada com a branca a carne 
escura contém mais ferro zinco riboflavina 
tiamina e vitaminas B6 e B12 ambas têm menos 
gordura do que a maioria dos cortes de carne 
vermelha então não tem como escolher errado 
 
Texto 3: Vacas mugem com sotaque regional diz estudioso 
 
Um estudo recente da Universidade de 
Londres afirma que as vacas como as pessoas ao 
falarem apresentam sotaques regionais distintos 
ao mugir o professor John Wells especialista 
em fonética da Instituição foi investigar o 
assunto depois que criadores de vacas leiteiras 
perceberam ligeiras diferenças nos "muuuus" 
das vacas de diferentes regiões em seu rebanho 
eu passo muito tempo com as minhas vacas e 
definitivamente elas mugem com um sotaque 
de Somerset disse Lloyd Green que tem uma 
fazenda em Glastonbury no oeste da Inglaterra 
conversei com outros fazendeiros na região e 
eles também perceberam fatos semelhantes em 
suas vacarias com cachorros também é assim 
quanto mais próxima a relação do dono com os 
animais mais fácil é pegarem o sotaque Wells 
afirma que também já foram identificados 
sotaques diferentes em passarinhos para o 
estudioso entretanto o fenômeno pode ser 
resultado do contato com outros animais da 
região não com humanos 
 
13) Uma leitura atenta do texto abaixo mostra que foram retiradas as vírgulas. 
 
Ao anular uma norma catarinense que negava autorização para impressão de notas fiscais a empresas 
devedoras de ICMS o STF determinou que o poder público em todas as esferas deixe de aplicar 
sanções arbitrárias a contribuintes inadimplentes. Esse tipo de punição está previsto em legislações 
municipais e estaduais em todo o país. Com base no parágrafo único do artigo nº 170 da Constituição 
dez dos 11 ministros definiram que a cobrança de tributos deve ser executada por seus meios típicos. 
 
O número de vírgulas suprimidas é: ________________________________. 
 
14) Esquematize as frases a seguir, pondo em evidência os paralelismos. 
 
a) Governo ou se torna racional ou se destrói de vez. 
b) Não estou descontente com seu desempenho, mas sim com sua arrogância. 
c) Falava-se da chamada dos conservadores ao poder e da dissolução da Câmara. 
d) O projeto não só será aprovado, mas também posto em prática imediatamente. 
e) Estamos questionando tanto seu modo de ver os problemas quanto sua forma de solucioná-los. 
 
15) Reescreva as frases abaixo, estabelecendo os paralelismos. 
 
 
25 
 
a) Ele não só trabalha mas também é estudante. 
b) Mentir tornou-se mais conveniente do que a verdade. 
c) Para vencer, é preciso esforço e que sejamos compenetrados. 
d) Trata-se de um argumento forte e que pode encerrar o debate. 
e) Faríamos a pesquisa na biblioteca, mas, à última hora, desistiu-se. 
f) Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda. 
g) É enorme a discrepância entre os candidatos e as vagas nos concursos. 
h) Tanto os países da América do Sul e os da América Central estão enfrentando dificuldades políticas. 
i) A preservação do meio ambiente representa não só um dever de cidadania e para que o planeta 
sobreviva. 
j) Preparo profissional e estimular senso crítico são metas essenciais para sobressair-se no mercado de 
trabalho. 
k) Muitos brasileiros vivem abaixo da linha da miséria, enquanto os Estados Unidos são famosos pelo 
seu alto padrão de vida. 
 
16) Indique as alternativas nas quais ocorre a quebra do paralelismo. Em seguida, faça a correção. 
 
a) Gosto de dançar e comer bolos de chocolate. 
b) Ora jogava videogame, ora fazia a lição de casa. 
c) Acordou, tomou banho, foi pra aula e estudou o dia inteiro. 
d) Após lavar o carro, Joana sentiu-se cansada e dormiu a tarde inteira. 
e) O presidente da Rússia negocia com a Ucrânia sobre a crise na Crimeia. 
f) Quanto mais estudamos, as chances de passarmos no vestibular aumentam. 
g) A diferença entre computadores disponíveis e crianças no laboratório de informática é grande. 
 
17) Leia os trechos a seguir e proponha uma redação adequada para as quebras de paralelismo 
presentes neles. 
 
a) Austrália é uma nação construída sobre a cerveja. Quando Port Jackson — o local em torno do qual 
a cidade de Sydney surgiu — foi colonizado no final do século 18, seus poucos habitantes estavam 
famintos não apenas por comida, mas se ressentiam também da falta de um suprimento constante de 
cerveja e outros tipos de bebidas alcoólicas. (Disponível em: <https://www.terra.com.br>). 
 
b) Haydon Morgan, cervejeiro da empresa, ficou encarregado da fermentação da levedura secular e 
descobriu que ela tinha propriedades bem diferentes de suas semelhantes comerciais modernas. 
(Disponível em: <https://www.terra.com.br>). 
 
c) Após testar pequenos fermentos de 120 litros, eles aumentaram a produção para 5 mil litros, o que 
gerou um resultado ligeiramente diferente, uma cerveja com um perfil de sabor diferente da 
fermentação, ganhando a etiqueta de "temperamental" da equipe cervejeira. (Disponível em: 
<https://www.terra.com.br>). 
 
d) Não é raro, no atual momento, um mesmo profissional fazer trabalhos para rádio, TV e imprensa 
escrita. Mas é fundamental que cada um desses meios seja abordado com uma perspectiva característica 
e condizente com as necessidades de seu público. Esse contato com os espectadores vai se intensificar 
ainda mais a partir dos próximos anos, seja na televisão, na internet ou mesmo em veículos grandes, a 
tendência é que cada vez mais a mídia trabalhe para proporcionar diferentes sensações ao público, 
usando sons, imagem e textos para informar.(Disponível em: <https://g37.com.br>). 
https://g37.com.br/
 
26 
 
e) O país se prepara para ter um novo ‗mapa‘ dos solos brasileiros. O mapeamento, com diferentes 
graus de detalhamento, permitirá gerar dados para o subsídio de políticas públicas, assim como para 
orientar a agricultura e apoiar decisões de crédito agrícola, entre outras ações. Coordenado pela 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Programa Nacional de Solos do Brasil 
(PronaSolos) envolverá diversos ministérios e órgãos federais e deve mapear todos os solos do país em 
até 30 anos. (Disponível em: <http://cienciahoje.org.br>) 
 
18) Indique os paralelismos sintáticos da publicidade a seguir. 
 
EM 28 ANOS, O BNB CONSEGUIU DEIXAR AS 
COISAS BEM MELHORES.PARA TODOS OS SANTOS 
 
Até 1952, Padre Cícero era, praticamente, o único agente de 
desenvolvimento do Nordeste. 
 
A ele se recorria para arranjar emprego, casar a filha, garantir o inverno, curar 
doenças, erradicar endemias, abrir caminhos, mostrar soluções. 
 
Hoje, as coisas mudaram. Pede-se aos santos, mas espera-se que as soluções 
venham pelo esforço e ação das instituições humanas. 
 
Como, por exemplo, o BNB, que responde ao desemprego com crédito 
industrial; ao drama da seca com pesquisa técnica cientifica e financiamento de 
projetos de açudagem e irrigação; à baixa produtividade agrícola com apoio 
técnico e crédito rural; aos problemas das áreas metropolitanas com 
investimentos em infraestrutura urbana. 
 
Com o apoio e a participação, é claro, de toda a comunidade nordestina. 
 
Pois os milagres, hoje, nascem sempre das mãos, do coração e da mente de 
todos os santos de casa. 
 
Banco do Nordeste do Brasil S.A. 
O banco de 35 milhões de brasileiros. 
 
19) Considere este artigo do CC: 
 
A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário ou por inexecução do cargo. 
 
A = A doação 
B = pode ser revogada 
C = por ingratidão 
D = por inexecução do cargo 
Considerando que as setas representam relações sintáticas entre expressões linguísticas, assinale a 
opção que corresponde à estrutura do período. 
 
 
a) 
 
 
b) 
 
 
c) 
 
 
d) 
 
 
e) 
 
http://cienciahoje.org.br/
 
27 
 
20) Este anúncio publicitário é marcado por quebra de paralelismo. Identifique essa quebra e 
proponha uma solução. 
 
80% dos professores são mestres e doutores – índice similar às melhores faculdades públicas 
brasileiras. 
 
3.2 Parágrafo isolado e no texto 
 
O parágrafo é, segundo Garcia (1978, p. 
203), ―uma unidade de composição, constituída 
por um ou mais de um período, em que se 
desenvolve determinada idéia central, ou 
nuclear, a que se agregam outras secundárias, 
intimamente relacionadas pelo sentido e 
logicamente decorrentes dela.‖ A definição desse 
autor não se aplica a todo tipo de parágrafo; 
aplica-se a apenas ao parágrafo-padrão. 
O parágrafo-padrão é bastante 
recorrente nos textos de natureza dissertativa, já 
que trabalham com ideias e exigem rigor e 
objetividade na composição. Apresenta a 
seguinte estrutura: a) introdução ou tópico 
frasal: expressa a ideia principal do parágrafo, 
definindo seu objetivo; b) desenvolvimento: 
corresponde a ampliação do tópico frasal, com 
apresentação de ideias secundárias que o 
fundamentam ou esclarecem; c) conclusão: nem 
sempre presente, especialmente nos parágrafos 
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia 
central, levando em consideração os diversos 
aspectos no desenvolvimento. 
O texto a seguir, que é uma resenha, 
ilustra essa concepção de parágrafo-padrão.
 
Os descobridores, de Daniel J. Boorstin; Civilização Brasileira; 646 páginas 
 
O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para 
escrever essa história* compacta da ciência é duplamente inovador. Em primeiro 
lugar, ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de 
experimentos que costumam rechear as obras de referência, entediando o leitor 
não especializado. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou 
entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável 
realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. A 
segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não 
burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de 
alguns instrumentos, como o relógio, a bússola e o microscópio. Com isso, 
algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. É o caso da história dos 
despertadores digitais, que o leitor aprenderá, deliciosamente, ter sua origem 
numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar 
os monges para as orações noturnas. Longe da sisudez dos textos 
técnicos, Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e 
leitura acessível. 
 
 
Assunto: a obra Os descobridores, de Daniel J. Boorstin, editada pela Civilização Brasileira. 
Delimitação do assunto: resenha crítica da obra. 
Objetivo fixado: mostrar a dupla inovação pelo escritor Boorstin ao escrever a história da ciência. 
Tópico frasal: Boorstin, ao escrever uma história compacta da ciência, procede a duas inovações. 
 
Plano de desenvolvimento das ideias: 
1 Apresentação das duas novidades: 
1.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. 
1.2 Opção por uma narrativa romanceada. 
Conclusão: o autor une precisão científica e leitura acessível. 
 
28 
 
1) Para cada conjunto de informações esquemáticas a seguir, produza um parágrafo dissertativo-
argumentativo completo. Observe a delimitação de cada um deles e fixe um objetivo. Para a 
elaboração do tópico frasal e do desenvolvimento, seja fiel às informações dos quadros; não faça 
comentários, apenas descreva. Na conclusão, apresente sua opinião. Na redação, leve em 
consideração o emprego do paralelismo. 
 
a) Como empresários de sucesso começam o dia 
 
 
 
(Disponível em: <https://www.nibo.com.br/blog/como-empresarios-de-sucesso-comecam-o-dia/>) 
 
 
29 
 
b) Complicações causadas pela insônia 
 
 
 
(Disponível em: <http://osteocarlapestana.blogspot.com/2016/02/insonia.html>) 
 
 
 
 
c) Abandono da prática de esportes 
 
 
 
(Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/diesporte/2.html>) 
 
 
 
 
30 
 
d) Consuma sem consumir o mundo em que você vive 
 
 
 
(Disponível em: <https://bunifeitabira.blogspot.com/2011/11/consuma-sem-consumir-o-mundo-que-vive.html>) 
 
 
31 
 
2) Mostre como o autor, no texto a seguir, garantiu a progressão e a articulação das ideias por meio de 
parágrafos bem concatenados. 
 
Vivendo com o lixo 
 
Há dez anos, dei-me conta de que o 
aparelho de fax em minha bancada de trabalho 
só estava servindo para ocupar espaço – 
suficiente para acomodar os quatro volumes do 
"Lello Universal", os três do "Webster's 
Dictionary" e os nove da "História da 
Literatura Ocidental", de Otto Maria 
Carpeaux. Sei disso porque foi o que botei no 
lugar quando me livrei do bicho. 
Custei a perceber que há muito 
ninguém me mandava mensagens por fax nem 
eu para ninguém. Não havia motivo para 
conservar o objeto que, apesar de meio úmido 
de maresia, ainda funcionava bem. Assim, dei-o 
para minha faxineira, que o aceitou empolgada 
– até concluir que, também para ela, aquele 
aparelho já era inútil, derrotado pelo e-mail. 
Perguntei-lhe outro dia o que tinha feito com o 
fax. Não se lembrava. 
É o que vivo me perguntando: para 
onde vão esses aparelhos depois que morrem? 
Com os eletrodomésticos, é diferente: antes de 
ir para o ferro-velho, um liquidificador pode 
atravessar gerações, mesmo que bata abacate, 
amendoim e gelo de hora em hora. mas 
celulares, torres, teclados, monitores, 
notebooks, mouses, baterias, pilhas têm de ser 
regularmente jogados fora, destino que 
também já atinge iPods, Kindles, Nooks etc. – 
esses, não por desgaste, mas por já superados. 
E para onde vão as embalagens de plástico disso 
tudo? 
Por mais que os órgãos do ambiente 
lutem para que as empresas que produzem ou 
vendem lixo eletrônico o recebam de volta e 
lhe deem um fim adequado – chama-se a isso 
de "logística reversa" –, parte de seus 
componentes tóxicos continua entre nós, no ar 
ou na água. Donde não se espante se, numa 
dessas, seu café ou suco vier temperado com 
mercúrio, chumbo, berílio, cádmio ou 
arsênico. 
Afinal, para onde quer que se mande 
esse veneno – reciclado ou não –, ele não tem 
como deixar o planeta. 
 
(CASTRO, Ruy. Vivendo com o lixo. Disponível em: 
<www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/78830-vivendo-
com-o-lixo.shtml>. Acesso em: 18 abril 2015 – com 
adaptações). 
 
 
3) O objetivo do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é avaliar o desempenho dos 
estudantes com relação aos conteúdos programáticos previstos nasdiretrizes curriculares dos cursos de 
graduação, o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias ao aprofundamento da 
formação geral e profissional e o nível de atualização dos estudantes com relação à realidade brasileira e 
mundial, integrando o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Constam da 
prova do Enade questões discursivas e fechadas. A seguir, foram reproduzidas integralmente quatro 
questões discursivas do Enade (uma de 2014, uma de 2015 e duas de 2016), da parte de Formação 
Geral. Com orientação do(a) professor(a), resolva essas questões. 
 
 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 33 
 
 
 
 
 
 
 
 34 
Capítulo 4 
 
04 Informações implícitas 
 
Para Marcuschi (2008), a atividade 
inferencial, quando vista na sua complexidade, 
não pode ser considerada um mecanismo 
espontâneo e natural. Pode ocorrer que, em 
dado momento, determinada seja mais eficaz 
do que outra para dada operação inferencial. O 
autor apresenta, para discussão, a seguinte 
situação: suponhamos que na porta de certo 
estabelecimento comercial esteja escrito: 
―Aberto aos domingos‖. Podemos entender, 
por exemplo, a) que o estabelecimento só abre 
aos domingos; b) que o estabelecimento abre 
também aos domingos e c) que o 
estabelecimento abre todos os dias da semana. 
Qual seria, portanto, a interpretação mais 
provável? Seguramente, todos diriam que a 
intenção do autor desse aviso foi dizer que o 
estabelecimento abre todos os dias, inclusive 
aos domingos. Assim, parece que (c) seria a 
interpretação preferencial e impliciaria (b). 
Mas (a) também não estaria errada; só não seria 
usual, porque o normal é abrir durante os dias 
não-feriados. 
Os textos podem transmitir tanto 
informações explícitas quanto implícitas. Uma 
leitura eficiente deve captar esses dois tipos de 
informações. Portanto, leitor perspicaz é 
aquele que lê as entrelinhas. Caso não tenha 
essa habilidade, deixará de perceber 
significados importantes ou concordará com 
ideias e opiniões que rejeitaria se as percebesse. 
 Há dois tipos de informações implícitas: 
os pressupostos e os subentendidos. Quanto 
aos pressupostos, podemos dizer que são ideias 
não expressas de maneira explícita, que são 
resultantes logicamente do sentido de certas 
palavras ou expressões contidas na frase. 
Quanto aos subentendidos, são insinuações 
contidas em uma frase ou um grupo de frases. 
4.1 Pressupostos e subentendidos 
 
 Qual seria então a diferença entre os 
pressupostos e os subentendidos? Os 
pressupostos são informações estabelecidas 
como indiscutíveis tanto para o falante quanto 
o ouvinte, uma vez eles decorrem do sentido 
de algum elemento linguístico colocado na 
frase. Eles podem ser negados, mas o falante o 
coloca implicitamente para não o ser. Já os 
subentendidos são de responsabilidade do 
ouvinte. O falante pode esconder-se atrás do 
sentido literal das palavras e negar que tenha 
dito o que o ouvinte depreender de suas 
palavras. 
 Em ―Pedro tornou-se fumante‖, a 
informação explícita é a de que hoje Pedro é 
um fumante. Do sentido do verbo ―tornar-se‖, 
que significa vir a ser, decorre logicamente que 
anteriormente Pedro não era fumante. Temos, 
nessa situação, uma pressuposição. Suponha 
que, numa sala de aula, na época do inverno, 
um aluno, ao dizer que estivesse sentindo frio, 
talvez sugerisse que um outra pessoa fechasse a 
porta, já que rajadas de vento estariam 
entrando na sala. Temos, nessa situação, um 
caso de subentendidos. 
 De um único texto muitas informações 
implícitas ou inferenciais podem ser feitas. 
Apontaremos no texto a seguir algumas delas.
 
 
 35 
O que vai ser quando crescer? 
 
O grupo de jovens que agrediu pelo 
menos três rapazes por volta das 6h30 de 
anteontem, na avenida Paulista, estuda num 
colégio particular. Menos de 15% dos 
adolescentes nessa faixa etária frequentam 
escolas privadas em São Paulo; o resto está na 
escola pública ou fora da escola. 
Além disso, desde o primeiro instante 
os agressores contaram com a proteção de pelo 
menos um advogado. É, em tese, um direito de 
todos, embora, na prática, seja mais um 
indicador de privilégio social. 
Os jovens já estão em casa. Foram 
liberados ontem – quatro deles, entre 16 e 17 
anos, da Fundação Casa; Jonathan Lauton 
Domingues, 19, o único universitário, de um 
centro de detenção provisório. 
Não sei se deveriam permanecer 
detidos. Mas seria bom que não ficassem 
impunes. É possível, porém, que a maior 
punição seja a repercussão pública do caso, 
com os constrangimentos, para os jovens e 
familiares, daí decorrentes. 
Não se pode compactuar com o 
linchamento sumário dos agressores, não há 
dúvida; mas também não é possível tolerar ou 
ser conivente com esse tipo de delinquência 
juvenil. As vítimas, talvez não seja demais 
lembrar, são os que foram espancados 
covardemente. 
Há fortes indicações de que os garotos 
agiram movidos por homofobia. Isso apesar dos 
esforços do advogado – que está ali para 
reduzir danos dos clientes e não para dizer a 
verdade – para caracterizar o episódio como 
mera ―confusão‖. 
Quase todos já fizemos porcaria quando 
jovens. É a fase da explosão hormonal e da 
vitalidade física, dos exageros e da insensatez, 
dos impulsos para desafiar o perigo, das 
transgressões e dos ritos de afirmação diante 
dos (e com os) colegas. Mas a juventude 
também é o período em que fixamos os valores 
que vão nos servir de norte na vida adulta. O 
que pretendem ser quando crescer os meninos 
bem nascidos que se divertiam distribuindo 
pauladas em inocentes em plena Paulista no 
feriadão escolar? 
 
(SILVA, Fernando de Barros e. O que vai ser quando crescer? 
Folha de S. Paulo, 16 nov. 2010) 
 
 
Muitos leitores concordaram com as 
colocações e questionamentos do autor acerca 
do casa noticiado e comentado. Aceitar ou 
refutar as ideias do autor faz parte da 
capacidade inferencial do leitor: ou é capaz de 
uma compreensão aprofundada ou apenas uma 
compreensão literal do texto. A inferência é 
que irá permitir que se dê coerência ao texto, 
que se extraiam informações não ditas, que se 
evoquem informações que devem ser 
adicionadas ao texto para completá-lo. 
Nos primeiros parágrafos, o autor 
identifica os jovens que praticaram os 
atentados: estudantes de escola particular, com 
residência fixa e com condições de pagar um 
advogado. A seguir, emite alguns juízos de 
valar quanto ao andamento do caso. No último 
parágrafo, faz um contraponto sobre o que ser 
jovem: fase hormonal e fase de fixação de 
valores. Em seguida, faz um questionamento 
acerca do futuro dos jovens agressores. O 
leitor, de acordo com suas crenças e com seu 
conhecimento de mundo, fará suas inferências, 
as quais, acreditamos, se darão, sobretudo, 
acerca dos valores sociais na formação moral 
dos jovens de classe média. O que sabemos 
sobre o autor, o jornal e o tema abordado é 
decisivo para a nossa atividade inferencial. 
O nosso conhecimento é filtrado pelos 
valores, opiniões e emoções. Ao ler o texto O 
que vai ser quando crescer?, podemos nos sentir 
irritados, revoltados, divertidos, comovidos ou 
até apaziguados. Para alguns estudiosos, os 
bons leitores avaliam o que leem e respondem 
de um modo tanto mais intenso quanto maior o 
seu interesse sobre o assunto lido. 
 
 
 36 
1) Leia, com atenção, as passagens abaixo e aponte alguns pressupostos nelas contidos. 
 
a) É preciso que os sindicalistas encaminhem as negociações com responsabilidade, com senso de 
patriotismo, sem induzir os trabalhadores a radicalismos inaceitáveis. 
b) A Rússia continuará financiando o deficit econômico cubano. 
c) Será que o povo soviético, no plebiscito, vai preferir continuar na miséria do comunismo ou vai 
arriscar a prosperidade do capitalismo? 
 
2) Suponha que dois jornais publiquem, num determinado dia, o seguinte: 
 
Jornal A: Os índios que estavam nus não puderam entrar no Congresso. 
Jornal B: Os índios, que estavam nus, não puderam entrar no Congresso. 
 
Pergunta-se:os dois jornais publicaram a mesma notícia? Explique. 
 
3) Leia, com atenção, os enunciados abaixo para responder ao que se pede. 
 
a) Nesta última eleição, os políticos, que foram derrotados, estão analisando as causas do seu fracasso. 
b) Nesta última eleição, os políticos que foram derrotados estão analisando as causas do seu fracasso. 
 
A oração adjetiva (que foram derrotados) instaura os mesmos pressupostos em ambos os enunciados? 
Explique sua resposta. 
 
4) O texto abaixo é uma sequência de perguntas de um juiz e respostas de um acusado durante 
uma audiência no tribunal. Estude o texto com base na seguinte concepção: ―Em todo dizer há 
uma mensagem de não-ditos que significam‖. 
 
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em N. Iorque? 
Resposta: Eu me recuso a responder a essa pergunta! 
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em Chicago? 
Resposta: Eu me recuso a responder a essa pergunta! 
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em Miami? 
Resposta: Não! 
 
5) Leia com atenção as frases abaixo. Responda ao que se pede. 
 
1. A meteorologia previu chuva ou frio para hoje. Ela acertou! O que se podemos afirmar sobre o 
tempo lá fora? 
2. A meteorologia previu chuva ou frio para hoje. Ela errou! O que podemos afirmar sobre o tempo lá 
fora? 
3. A meteorologia previu chuva e frio para hoje. Ela errou! O que podemos afirmar sobre o tempo lá 
fora? 
 
6) Na Veja (26 jan. 2011), nas Páginas Amarelas, o cantor Ricky Matin concedeu uma entrevista a 
Bruno Meier. Leia um fragmento da entrevista e responda ao que se pede. 
 
Por que você decidiu falar publicamente sobre sua 
sexualidade? Eu não aguentava mais me 
esconder e fingir ser quem não era. Sou uma 
boa pessoa e tento fazer o bem ao próximo, 
mas algo me faltava. O que virou a mesa foi a 
paternidade. Um dia, olhei nos olhos dos meus 
filhos e pensei: ―Se quero que eles sejam 
felizes, eu tenho de viver com transparência‖'. 
Nesse mesmo dia, coloquei no meu site uma 
carta revelando que sou gay. Se não fizesse isso, 
poderia dizer quem sou na minha casa? Ou será 
que eu iria mandar meus filhos mentir a meu 
respeito na escola? Nada disso. Quero mais é 
que eles falem aos seus amigos: ―Meu pai é gay 
e ele é muito legal. Seu pai não é gay. Triste o 
seu caso‖. Quero que eles sintam orgulho em 
fazer parte de uma família moderna. 
 
 37 
 
Na semana seguinte, Veja publicou várias cartas de leitores sobre entrevista, mais especificamente 
sobre essa parte transcrita. Uma das cartas é a seguinte: 
 
Sou pai há menos de um ano e fiquei 
decepcionado com Ricky Martin. Ele afirma 
que quer que seus filhos digam: ―Meu pai é gay 
e ele é muito legal. Seu pai não é gay. Triste o 
seu caso‖. Ora, quer dizer que, pelo fato de eu 
não ser gay, sou um pai menos legal que ele? 
Gostaria de mostrar a ele quanta felicidade e 
amor existe em uma família simples aqui do 
interior de Minas Gerais, um casal normal 
(homem e mulher) que tem uma filhinha 
maravilhosa cheia de saúde e sem os milhões de 
dólares que esse senhor tem. (Eduardo Fernandes 
Silva, Nova Lima, MG) 
 
 
1. Você diria que o autor da carta é um leitor de informações implícitas? Por quê? 
2. Que inferências você faz do emprego dos parênteses em (homem e mulher)? 
 
 
7) Leia estas manchetes da Folha de S. Paulo. Identifique nelas informações pressupostas. 
 
a) Ao tornar Irmã Dulce santa, papa reforça ideal para novo catolicismo 
b) Israel pede que Brasil tome partido contra o Irã em reunião sigilosa em Brasília 
c) Bolsonaro terá agenda esvaziada em viagem ao Texas 
d) Governo quer mais recursos do FGTS para fechar conta do Minha Casa Minha Vida 
e) Gestão Covas vai instalar mais de 500 novos pontos de wifi em São Paulo 
f) MEC abandona pacto de direitos humanos que envolve 333 instituições de ensino superior 
g) Corinthians e Flamengo não transformam dinheiro de TV em hegemonia 
 
8) Sobre a frase ―isso é tão simples que até uma mulher faz‖ responda: 
 
a) Qual a palavra que dá sentido machista à frase? 
b) É possível ter certeza de que a direção argumentativa do enunciador dessa frase é desfavorável às 
mulheres? 
 
9) ―Beber é mal, mas é muito bom.‖ (FERNANDES, M. Folha de S. Paulo, 5 ago. 2001, p. 28.) 
 
a) O ponto de vista do autor sobre o ato de beber (álcool) está implícito no texto. Explique qual é esse 
ponto de vista. 
b) O ponto de vista do autor é expresso por um pressuposto ou por um subentendido? Explique. 
 
10) ―Fotografe os bons momentos agora, porque depois vem o casamento.‖ Qual é o implícito? 
 
11) Leia a anedota abaixo transcrita: 
 
Dois turistas encontram um cemitério. Veem uma lápide na qual se lê: ―Aqui jaz um político e um 
homem honesto‖. E um dos turistas comenta: 
— Que estranho. O povo deste país enterra duas pessoas no mesmo túmulo. 
 
a) Uma palavra presente na lápide é responsável pela produção do estranhamento nos turistas. Qual é 
essa palavra? 
b) Qual é a inferência feita pelos turistas? 
c) A frase da lápide, gramaticalmente correta, a rigor, não produz esse sentido externado pelos 
turistas. Por quê? 
 
 
 38 
12) Leia o texto jornalístico abaixo transcrito: 
 
Furto é a principal causa de perdas no varejo, com 47% 
 
Furtos representam 47% das perdas no 
varejo, seguidos de quebra de mercadorias 
(25%), erros administrativos (14%) como 
contagem errada de produtos, fraudes por 
fornecedores (7%) e outros (7%). Os dados 
são do Programa de Administração de Varejo 
(Provar). No total, varejistas perderam 1,7% 
do faturamento – parece pouco, mas em 
números absolutos significa milhões. Por isso, 
toda lojinha hoje tem reforçado o sistema de 
segurança – câmeras, alarmes presos às roupas, 
vigias. O setor de luxo, no entanto, é muito 
discreto. A Louis Vuitton no Brasil (...) 
informou que seus alarmes são disfarçados em 
discretas etiquetas com código de barras, os 
seguranças (apenas um por loja) são treinados 
para abordar suspeitos de forma ―muito 
delicada‖ e itens pequenos, fáceis de roubar, 
são guardados em prateleiras altas e gavetas, 
com acesso exclusivo a vendedores. ―Há até 
espelhos falsos em provadores‖, diz o professor 
Marcelo Felippe Figueira Júnior, do Programa 
de Administração de Varejo (Provar). A Zara, 
segundo ele, implantou sensores dentro das 
solas de sapatos. Já o grupo Limited Brand, da 
marca Victoria Secret, treinou funcionários 
para abordar suspeitos discretamente, antes do 
furto: ―Não que rico não roube, mas tem bons 
advogados‖ (O Estado de São Paulo). 
 
a) A conjunção adversativa ―no entanto‖, destacada, permite a interpretação de que o setor de luxo não 
tem reforçado o seu sistema de segurança contra furtos? 
b) A que ideia se opõe a introduzida por essa conjunção? 
c) A conjunção adversativa ―mas‖, presente na última frase introduz uma oposição ou um desvio de 
argumentação? A que argumentação se opõe ou de que direção argumentativa se desvia o enunciado 
introduzido por ―mas‖? 
d) Esse enunciado traz uma ideia preconcebida. Qual é essa ideia? 
 
13) Dois adesivos foram colocados no vidro traseiro de um carro: 
 
Em cima: 
DEUS É FIEL 
[ 
E bem embaixo: 
PORQUE PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL 
 
É possível ler os dois adesivos em sequência, constituindo um único período. Neste caso, 
 
a) o que se estaria afirmando sobre a fidelidade? 
b) o que o dono do carro poderia estar querendo afirmar sobre si mesmo? 
 
14) Num documento obtido na INTERNET, cujo título é "Como escrever legal", encontram-se, entre 
outras, as seguintes recomendações: 
 
1. Evite lugares comuns como o diabo foge da cruz. 
2. Nunca generalize: generalizar é sempre um erro. 
3. A voz passiva deve ser evitada. 
 
Todas essas recomendações seguem a mesma estratégia para produzir um efeito cômico. 
 
a) Qual é a estratégia geral utilizada nessas recomendações? 
b) Explicite como a estratégia geral se realiza em cada uma das recomendações acima transcritas. 
 
 39 
15) Identifique informações pressupostas na manchete principal decada uma das capas reproduzidas 
abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16) Leia, com atenção, o texto a seguir, para responder ao que se pede. 
 
“Direitos das minorias” nem sempre respeitam os “direitos das maiorias” 
 
E pronto: acabou o tratamento "ladies 
and gentlemen" no metrô de Londres. Razões? 
A comunidade LGBT não se encontra 
representada na formulação e protestou. Com 
sucesso. A partir de agora, haverá anúncios 
sonoros devidamente neutros –"Olá a todos!"– 
para não ofender ninguém. Ninguém? 
Eu pasmo. Para começar, nunca pensei 
que um homem (gay) se sentisse ofendido pela 
palavra "cavalheiro". Pelo contrário: sempre vi 
no termo uma altíssima distinção de caráter, 
independentemente do sexo ou das 
preferências sexuais. Um cavalheiro é um 
"gentil homem", ponto final. 
O mesmo vale para "senhora". É 
indiferente o que ela faz na alcova, com quem, 
quantas vezes por dia e em que posições: ela 
será uma "senhora" pelas mesmas razões de 
educação e caráter. 
Quando as patrulhas LGBT eliminam 
"ladies and gentlemen" por alegadas ofensas aos 
membros do clube, elas afirmam que gays, 
lésbicas, bissexuais ou transexuais não possuem 
certas propriedades morais. Francamente, não 
conheço maior insulto. 
Mas existe outro. Nos últimos 20 ou 30 
anos, os "direitos das minorias" passaram a 
ocupar todo o espaço da teoria liberal ("liberal" 
no sentido "progressista" do termo). Nada 
contra – até certo ponto. 
Sou um pluralista por formação e 
convicção. Diferentes concepções de vida 
fazem parte da própria natureza humana. Uma 
ordem política será tão mais civilizada quanto 
maior for o espaço para que diferentes culturas 
ou sensibilidades possam coexistir em paz. 
Quem quer uma Arábia Saudita no Ocidente? 
Eu não. 
O problema é que os "direitos das 
minorias" nem sempre respeitam os "direitos 
das maiorias". A noção pode soar bizarra: as 
maiorias, por definição, não precisam de 
defesa. Argumentar o contrário é um insulto à 
lógica comum. 
 
 40 
Infelizmente, não é. E, para ficarmos no 
caso anedótico do metrô de Londres, alguém 
pensou nas maiorias que se reconhecem 
naquele tratamento clássico? Que lhe atribuem 
valor social, cultural, histórico, simbólico? Que 
direito assiste a uma minoria para determinar a 
forma como toda a comunidade será tratada no 
futuro? 
A reflexão filosófica tem sido omissa 
nessa matéria. Existem exceções, como 
sempre. Uma delas é o cientista político Liav 
Orgad e o seu magistral "The Cultural Defense 
of Nations: A Liberal Theory of Majority 
Rights" (Oxford University Press). 
Recomendo. 
O livro trata uma questão específica: a 
imigração. Defende Orgad que, nos debates 
contemporâneos, concede-se uma espécie de 
prioridade instintiva aos "direitos das 
minorias". Mas quem escuta as maiorias? 
Quem as defende? Quem leva a sério as suas 
preocupações? Quem reconhece, pelo menos, 
que a imigração incontrolável pode ter 
consequências dramáticas na vida de milhões de 
seres humanos nativos? 
Dito de outra forma: por que motivo 
partimos sempre do pressuposto de que os 
"direitos das minorias" devem ter precedência 
sobre os valores de quem vive e sempre viveu 
em determinadas sociedades, nações ou 
culturas? 
Não se trata de excluir o Outro, como 
defendem autoritários e boçais. Muito menos 
ignorar, ou desprezar, interesses legítimos de 
quem é diferente da maioria. Trata-se de saber 
por que razão o Outro tem sempre mais 
importância do que a primeira pessoa do 
plural. 
Em dezembro, o Ocidente festeja o 
Natal: por que motivo devemos omitir a 
palavra "Natal" para respeitar certas religiões? 
Por que motivo devemos eliminar a carne de 
porco do cardápio por razões similares? E que 
legitimidade tem uma minoria qualquer para 
determinar o que os professores podem 
ensinar, os alunos aprender, as editoras 
publicar etc. etc.? 
As questões podem ser aplicadas ao 
próprio processo democrático. Basta imaginar 
uma eleição. E basta imaginar um pequeno 
partido que exige governar contra o voto 
majoritário. Devemos tolerar esse desejo para 
não frustrar o pequeno partido? 
Uma sociedade democrática e pluralista 
reconhece a variedade de culturas e formas de 
vida que existem no seu seio. Não garante que 
a vida em comum será determinada pela 
vontade exclusiva de uma minoria, ou de várias 
minorias, contra os direitos da maioria. 
No fundo, só concebo um cenário em 
que "ladies and gentlemen" seria abolido do 
espaço público: pela conclusão melancólica de 
que "senhoras" e "cavalheiros" são artigos cada 
vez mais raros em qualquer cidade. 
 
(COUTINHO, João Pereira. 'Direitos das minorias' nem 
sempre respeitam os 'direitos das maiorias'. 
 Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de 
postagem: 18 julho 2017 ). 
 
1. No título do texto, a expressão ―nem sempre‖ marca uma pressuposição. Que pressuposição é essa? 
2. Para a comunidade LGBT, há uma informação implícita na expressão ―ladies and gentlemen‖. Qual 
é essa informação implícita que foi a causa de um protesto em favor de uma expressão neutra? 
3. O autor do texto recusa a aceitar a informação implícita depreendida, pela comunidade LGBT, da 
expressão ―ladies and gentlemen‖. Por quê? 
4. As locuções adjetivas restringem os substantivos a que se referem. Em decorrência disso, elas são 
marcas de pressupostos. Quais são os pressupostos instaurados pelas locuções adjetivas nas expressões 
―direitos das maiorias‖ e ―direitos das minorias‖? 
5. Para o autor, numa sociedade democrática, o que deve prevalecer: o direitos das maiorias ou o 
direito das minorias? Por quê? 
f) Da ―conclusão melancólica do autor‖ pode-se depreender uma informação implícita acerca do 
comportamento dos cidadãos no espaço público. Que informação é essa? 
 
 41 
Capítulo 5 
 
5 Argumentação 
 
Há uma confusão sobre o que seja texto 
dissertativo e texto argumentativo. Emdiato 
(2008) procura esclarecer essa questão. 
Segundo esse autor, considera-se, de modo 
geral, o texto dissertativo como um tipo de 
discurso explicativo, cujo objetivo é explorar 
um certo assunto sem, no entanto, incluir um 
posicionamento ou uma opinião. A 
argumentação visa a persuadir ou convencer 
um auditório da validade de uma tese ou 
proposição, cujo objetivo é construir uma 
comunicação persuasiva. 
Atualmente, somos bombardeados pelo 
discurso persuasivo. A noção de 
argumentatividade está presente nos mais 
diversos gêneros. Segundo Ernani e Nicola 
(2002), a maneira como o falante organiza seu 
discurso para chegar a determinadas conclusões 
(ato de argumentar) está intimamente ligada à 
persuasão. A argumentação é a base da 
persuasão e, assim, podemos ver a 
argumentação como uma estrutura criada que 
pressupõe o uso de estratégias linguísticas e 
racionais. Para que a argumentação seja válida, 
deve surgir de um raciocínio lógico, que 
comprove e justifique um ponto de vista, mas 
deve também estar adequada ao interesse ou à 
expectativa o interlocutor. Sem a noção do 
outro como alvo, a argumentação perde a 
força. 
Segundo Emidiato (2008), a estrutura 
básica do discurso argumentativo deve 
pressupor a existência de atitudes antiéticas 
(posições contra e a favor) explícitas ou 
implícitas, o que nos permite propor a seguinte 
estrutura o discurso argumentativo: 
 
Afirmação (tese, proposição): afirmação feita pelo falante sobre a verdade de algum 
fenômeno, seguida da análise de seus termos essenciais, que se contrapõe, explícita ou 
implicitamente, a uma outra concepção sobre o mesmo fenômeno; 
 
Posicionamento: o falante explicita sua posição sobre o fenômeno posto em discussão, posição 
que pode demonstrar uma concordância, parcial ou total, com uma tese já existente, ou uma 
discordância,parcial ou total, com a mesma – o posicionamento pode ser acompanhado, ainda, de 
uma avaliação que o falante faz; 
 
Quadro de problematização: insere a argumentação numa perspectiva social, econômica, 
política, ideológica, religiosa, científica, moral, ética – as possibilidades de problematizaçãosão 
bem diversificadas e dependem, basicamente, do tipo de público ao qual é a argumentação é 
dirigida; 
 
Formulação dos argumentos: não se pode argumentar bem sem apresentar, em determinado 
momento, argumentos que possam ser aceitos como plausíveis e aceitáveis pelo interlocutor ou 
pelo público – a formulação dos argumentos será, portanto, a parte da argumentação relativa aos 
tipos de provas, à lógica dos raciocínios e princípios de explicação e justificação que fundamentam 
a tese; 
 
Conclusão: dedução ou inferência a que se quer chegar a partir dos argumentos apresentados e 
sua pertinência e adequação ao quadro de problematização apresentado. 
 
 
Tomasi e Medeiros (2010) fazem a análise da 
montagem do esquema argumentativo do texto 
a seguir. Leia, com atenção, o texto e, depois, 
a análise dos autores. 
 
 
 
 42 
A revolução da brevidade 
 
Toda área do conhecimento humano 
tem a sua beleza, as suas circunstâncias e as suas 
dificuldades. O mundo jurídico, 
tradicionalmente, debate-se com duas 
vicissitudes: (a) a linguagem empolada e 
inacessível; e (b) os oradores ou escribas 
prolixos, que consomem sem dó o tempo 
alheio. Verdade seja dita, no entanto, o 
primeiro problema vem sendo superado 
bravamente: as novas gerações já não falam 
nem escrevem com a obscuridade de 
antigamente. 
De fato, em outra época, falar difícil era 
tido como expressão de sabedoria. Chamar 
autorização do cônjuge de "outorga uxória" ou 
recurso extraordinário de ―irresignação 
derradeira‖ era sinal de elevada erudição. Hoje 
em dia, quem se expressa assim é uma 
reminiscência jurássica. 
Nos dias atuais, a virtude está na 
capacidade de se comunicar com clareza e 
simplicidade, conquistando o maior número 
possível de interlocutores. A linguagem não 
deve ser um instrumento autoritário de poder, 
que afaste do debate quem não tenha a chave de 
acesso a um vocabulário desnecessariamente 
difícil. 
Essa visão mais aberta e democrática do 
direito ampliou, significativamente, a 
interlocução entre juristas e tribunais, de um 
lado, e a sociedade e os meios de comunicação, 
de outro. Não se passam dois dias sem que 
algum julgado importante seja notícia nas 
primeiras páginas dos jornais. 
Pois agora que finalmente conseguimos 
nos comunicar com o mundo, depois de 
séculos falando para nós mesmos, está na hora 
de fazermos outra revolução: a da brevidade, 
da concisão, da objetividade. Precisamos deixar 
de escrever e de falar além da conta. Temos de 
ser menos chatos. 
Conta-se que George Washington fez o 
menor discurso de posse na Presidência dos 
Estados Unidos, com 133 palavras. William 
Harrison fez o maior, com 8.433, num dia frio 
e tempestuoso em Washington. Harrison 
morreu um mês depois, de uma gripe 
severíssima que contraiu naquela noite. Se não 
foi uma maldição, serve ao menos como 
advertência aos expositores que se alongam 
demais. 
Tenho duas sugestões na matéria. 
A primeira importa em cortar na 
própria carne. Petições de advogados devem 
ter um limite máximo de páginas. Pelo menos 
as idéias centrais e o pedido têm que caber em 
algo assim como 20 laudas. Se houver mais a 
ser dito, deve ser junto como anexo, e não no 
corpo principal da peça. Aliás, postulação que 
não possa ser formulada nesse número de 
páginas dificilmente será portadora de bom 
direito. 
Einstein gastou uma página para expor a 
teoria da relatividade. É a qualidade do 
argumento, e não o volume de palavras, que 
faz a diferença. 
A segunda sugestão corta em carne 
alheia. A leitura de votos extremamente 
longos, ainda quando possa trazer grande 
proveito intelectual para quem os ouve, torna 
os tribunais disfuncionais. Com o respeito e o 
apreço devidos e merecidos – e a declaração é 
sincera, e não retórica –, isso é especialmente 
verdadeiro em relação ao Supremo Tribunal 
Federal. 
Registro, para espantar qualquer 
intriga, que o tribunal, sob a Constituição de 
1988, vive um momento de virtuosa ascensão 
institucional, com sua composição marcada 
pela elevada qualificação técnica e pelo 
pluralismo. Todos os meus sentimentos, 
portanto, são bons, e o comentário tem 
natureza construtiva. 
O fato é que, nas sessões plenárias, 
muitas vezes o dia de trabalho é inteiramente 
consumido com a leitura de um único voto. E a 
pauta se acumula. E o pior: como qualquer 
neurocientista poderá confirmar, depois de 
certo tempo de exposição, os interlocutores 
perdem a capacidade de concentração e a 
leitura acaba sendo para si próprio. 
 
 43 
Não há problema em que a versão 
escrita do voto seja analítica. A complexidade 
das questões decididas pode exigir tal 
aprofundamento. Mas a leitura em sessão 
deveria resumir-se a 20 ou 30 minutos, com 
uma síntese dos principais argumentos. Ou, em 
linguagem futebolística, um compacto com os 
melhores momentos. 
A revolução da brevidade tornará o 
mundo jurídico mais interessante, e a vida de 
todos nós, muito melhor. 
Quem sabe um dia chegaremos à 
capacidade de síntese do aluno a quem a 
professora determinou que escrevesse uma 
redação sobre ―religião, sexo e nobreza‖, mas 
que fosse breve. Seguindo a orientação, o 
jovem produziu o seguinte primor de concisão: 
―Ai, meu Deus, como é bom, disse a princesa 
ainda ofegante‖. 
 
(BARROSO, Luís Roberto. A revolução da brevidade. Folha 
de S. Paulo, 17 julho 2008, p. A3. Caderno Tendências e 
Debates) 
 
 
Quem é o autor do texto? Luís Roberto 
Barroso tem 50 anos é advogado, é professor 
titular de direito constitucional da Uerj 
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e 
autor de ―O Controle de Constitucionalidade 
no Direito Brasileiro‖, entre outras obras. Essa 
identificação gera credibilidade. 
A variante de linguagem utilizada que 
dá apoio aos argumentos é a gramatical. O 
mesmo artigo, se escrito numa variante não 
gramatical, poderia perder sua força 
persuasiva. Portanto, a primeira estratégia 
utilizada pelo autor, consciente ou 
inconscientemente, foi a escolha de uma 
variante de linguagem adequada a seus 
interlocutores e ao próprio assunto de que 
trata. 
O texto é contrário aos que entendem 
que o Direito se deve fazer com linguagem 
empolada e prolixa. As ideias do texto se 
opõem à ideologia de que a redação forense é 
para entendidos, juristas, pessoas dedicadas ao 
saber jurídico. Trata-se, pois, de ideias que 
tendem a tornar o direito mais compreensível 
ao cidadão comum, bem como a leitura do 
voto mais breve. 
O leitor pode notar já no primeiro 
parágrafo o gerenciamento da relação: ―Toda 
área do conhecimento humano tem a sua 
beleza, as suas circunstâncias e as suas 
dificuldades.‖ 
Enumera em seguida dois problemas 
comuns nos meios jurídicos: a linguagem 
empolada e inacessível e os oradores ou 
escribas prolixos, que ―consomem sem dó o 
tempo alheio‖. Em seguida, novamente o autor 
do artigo gerencia a relação: ―Verdade seja dita, 
no entanto, o primeiro problema vem sendo 
superado bravamente: as novas gerações já não 
falam nem escrevem com a obscuridade de 
antigamente.‖ 
Para defender seu ponto de vista sobre 
a necessidade da brevidade e sobre a 
dificuldade de linguagem dos textos jurídicos, 
faz imediatamente referência a ―outra época‖, 
em que falar difícil ―era tido como expressão de 
sabedoria‖. E o faz exemplificando, 
apresentando duas expressões (―outorga 
uxória‖ e ―irresignação derradeira‖) que eram 
utilizadas. E conclui o parágrafo: ―Hoje em dia, 
quem se expressa assim é uma reminiscência 
jurássica.‖ 
A tese da necessidade de alterar a 
linguagem forense é paulatinamente defendida. 
Afirma: 
 
Nos dias atuais, a virtude está na capacidade de 
se comunicar com clareza e simplicidade, conquistando 
o maior número possível de interlocutores. A 
linguagem não deve ser um instrumento autoritário de 
poder, que afaste do debate quem não tenha a chave de 
acesso a um vocabulário desnecessariamente difícil. 
 
Para o autor do artigo a mudança de 
postura em relação à linguagem traz benefícios 
à sociedade, visto que ―essa visão mais abertae 
democrática do direito‖ amplia significamente a 
interlocução entre juristas, tribunais e os meios 
de comunicação. 
Os argumentos sucedem-se, agora 
endereçando-os para o combate à prolixidade: 
 
 
Pois agora que finalmente conseguimos nos 
comunicar com o mundo, depois de séculos falando 
 
 44 
para nós mesmos, está na hora de fazermos outra 
revolução: a da brevidade, da concisão, da objetividade. 
Precisamos deixar de escrever e de falar além da conta. 
Temos de ser menos chatos. 
 
 
Para ilustrar a defesa de sua tese, 
apresenta dois exemplos deoradores: George 
Washignton, que teria usado 133 palavras em 
seu discurso de posse na Presidência dos 
Estados Unidos, e de William Harrison, que 
teria feito um discurso com 8.433 palavras, 
num dia frio e tempestuoso em Washington: 
 
 
Harrison morreu um mês depois, de uma gripe 
severíssima que contraiu naquela noite. Se não foi uma 
maldição, serve ao menos como advertência aos 
expositores que se alongam demais. 
 
 
Apresenta em seguida sugestões para a 
prática nos tribunais: cortar na própria carne e 
cortar em carne alheia. Para a primeira 
sugestão, ilustra-a com uma referência a 
Einstein que teria gasto uma página para expor 
a teoria da relatividade: ― É a qualidade do 
argumento, e não o volume de palavras, que 
faz a diferença.‖ Para o argumento de cortar 
em carne alheia, vale-se da neurociência: 
―depois de certo tempo de exposição, os 
interlocutores perdem a capacidade de 
concentração e a leitura acaba sendo pra si 
próprio‖. 
Como podemos verificar, a tese do 
autor vai progressivamente sendo elucidada. 
Finalmente, um argumento para tocar o 
leitor, porque o remete à própria vida: ―A 
revolução da brevidade tornará o mundo 
jurídico mais interessante, e a vida de todos 
nós, muito melhor.‖ 
E para fechar o artigo, mantendo o tom 
bem-humorado do texto, conta a história do 
estudante que deveria escrever sobre religião, 
sexo e nobreza. 
Um texto argumentativo vale-se, 
portanto, de vários expedientes de 
argumentação, como referência a outras 
citações. No caso, Luís Roberto Barroso, 
advogado e professor titular de Direito 
Constitucional da Universidade Federal do Rio 
de Janeiro, para expor sua tese, ilustra-a com 
exemplos da história e uma anedota. A 
constituição de um ponto de vista (essência da 
argumentação) resulta da observação criteriosa 
da realidade, de leituras, da capacidade de 
compreensão dos fatos do dia a dia. 
 
5.1 Recursos da argumentação 
 
 
Com base no que já foi visto, pode-se 
reafirmar que a argumentação é um conjunto 
de recursos de natureza linguística destinados a 
persuadir a pessoa a quem a comunicação se 
destina. A argumentação está presente em todo 
tipo de texto e visa a promover adesão à tese e 
pontos de vista defendidos no texto. Os 
recursos argumentativos são inúmeros. Fiorin e 
Savioli (1990) comentam alguns desses 
recursos. 
 
 
 
Argumento de autoridade: é a citação , no texto, de autores reconhecidos como autoridade 
em certo domínio do saber. Esse recurso produz efeitos distintos: revela o conhecimento do 
produtor do texto a respeito do assunto tratado; dá ao texto a garantia do autor citado. É preciso, 
no entanto, não fazer do texto um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e 
verdadeira. 
 
 
Argumento baseado no consenso: são aquelas afirmações que, numa determinada época, são 
aceitas como verdadeiras e que, portanto, dispensam comprovações, a menos que o objetivo o 
texto que está sendo elaborado seja comprovar alguma delas. Em nossa época, são consensuais as 
afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições de vida são piores 
nos países subdesenvolvidos. Não se pode, no entanto, deixar de notar que, nesse tipo de 
argumento, corre-se o risco de passar dos argumentos válidos para os lugares-comuns e as frases 
carentes de qualquer base científica. 
 
 45 
Argumento por meio de provas concretas: é aquele em que se comprova a veracidade de 
uma afirmação como dados estatísticos, com fatos históricos, com experiências da vida cotidiana. 
 
Argumento com base nas relações lógicas: é a utilização correta e adequada das relações 
como causa e efeito, analogia, implicação, identidade etc. Um texto coerente do ponto de vista 
lógico é mais facilmente aceito do que um texto incoerente. 
 
Vários são os defeitos que concorrem 
para desqualificar o texto do ponto de vista 
lógico: fugir do tema proposto, cair em 
contradição, tirar conclusões que não se 
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar 
afirmações gerais com fatos inadequados, 
narrar um fato e dele extrair generalizações. 
 
Uso de norma linguística culta: a utilização da variante culta e formal da língua (em geral, é o 
texto dissertativo que exige esse tipo de linguagem) mostra que o produtor do texto conhece a 
norma linguística socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto em que 
se pode confiar. Nesse sentido, é que se diz que o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz. 
 
5.2 Falácias da argumentação 
 
Os recursos argumentativos são 
indefinidos. Vão dos modos de citação do 
discurso alheio (discurso direto, indireto e 
indireto livre) aos recursos retóricos (metáfora, 
hipérbole, ironia etc), da seleção de palavras 
adequadas, às informações implícitas. Além dos 
defeitos de argumentação mencionados, 
quando tratamos dos recursos argumentativos, 
vamos citar algumas falácias. 
 
Uso sem delimitação adequada de palavras de sentido tão amplo: servem de argumento 
para um ponto de vista e seu contrário. São noções confusas, como ―paz‖, que hoje está na boca 
dos norte-americanos e de seus inimigos, os iraquianos. Essas palavras podem ter valor positivo 
(paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregada de valor negativo (autoritarismo, 
depredação do meio ambiente, injustiça, corrupção). 
 
Uso de afirmações tão amplas: podem ser derrubadas por um único contra-exemplo. Quando 
se diz ―Os políticos são ladrões‖, basta um único exemplo de político honesto para destruir o 
argumento. 
 
Emprego de noções científicas sem nenhum rigor: é o uso de termos fora do contexto 
adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-os e atribuindo-lhes uma significação 
subjetiva e grosseria. É o caso da frase ―O imperialismo de certas indústrias não permitem que 
outras cresçam‖, me que o termo ―imperialismo‖ é descabido, uma vez que essa palavra, a rigor, 
significa ―ação de um Estado visando a reduzir outros à sua dependência política e econômica‖ ou 
―estágio superior do capitalismo‖. 
 
A boa argumentação é aquela que está 
de acordo com a situação concreta do texto, 
que leva em consideração os componentes 
envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a 
quem se dirige a comunicação, o assunto etc). 
Convém alertar que não se convence ninguém 
com manifestações de sinceridade do autor 
(como ―Eu, que não costumo mentir‖...) ou 
com declarações de certeza expressas em 
fórmulas feitas (como ―estou certo‖, ―creio 
firmemente‖, ―é claro‖, ―é óbvio‖, ―é evidente‖, 
―afirmo com toda a certeza‖ etc). 
O autor não promete, em seu texto, 
sinceridade e certeza, autenticidade e verdade; 
ele constrói um texto que revela isso. Essas 
qualidades não se prometem, age-se com 
sinceridade e com certeza. A argumentação é a 
exploração de recursos para fazer parecer 
verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com 
isso, levar a pessoa a quem o texto é 
endereçado a crer naquilo que ele diz.
 
 46 
1) Para cada grupo de palavras formule uma tese, dois argumentos e uma conclusão. 
 
a) Juventude e mercado de trabalho 
b) Empresas e meio ambiente 
c) Sociedade e crimes pela Internet 
d) Consumo de bebidas alcoólicas e direção 
e) Mulheres e violência doméstica 
 
2) Leia, com atenção, o texto a seguir para responder ao que se pede. 
 
Um caso de fracasso 
 
O Ipea divulgou anteontem um 
pequeno estudo em que mostra que foi 
praticamente nulo o impacto da Lei Maria da 
Penha (11.340/06) sobreos feminicídios. De 
2001 a 2006, os cinco anos que antecederam a 
introdução do diploma, a taxa de homicídios 
cometidos contra mulheres foi de 5,28 por 100 
mil; no quinquênio subsequente, ficou em 
5,22, decréscimo de 1,14%, sem maior 
significado estatístico. 
Tal desempenho não chega a ser uma 
surpresa. O famoso endurecimento de leis, do 
qual a Maria da Penha é um caso emblemático, 
funciona bem para políticos marcarem pontos 
com suas bases. Serve também para nos deixar 
com a sensação de dever cumprido, de que 
estamos fazendo algo para resolver o grave 
problema da violência doméstica. 
Infelizmente, o expediente não 
apresenta tanta eficácia na redução dos crimes 
propriamente ditos, especialmente quando o 
delito a ser coibido é daqueles que se cometem 
por impulso, como é o caso de agressões e 
homicídios não premeditados. 
Minhas amigas feministas não gostam 
muito, mas trabalhos de sociólogos sérios, 
como Murray Straus e John Archer, pintam um 
quadro da violência doméstica mais nuançado 
que a costumeira narrativa do perpetrador 
desequilibrado que ataca a mulher inocente. 
Em suas pesquisas, eles revelam que os papéis 
de agressor e vítima são tudo menos 
inequívocos e que boa parte dos conflitos é 
resultado de uma escalada em que as duas 
partes trocam agressões verbais e, depois, 
físicas. O homem provoca mais estragos 
porque é mais forte. 
Daí não decorre, é claro, que devamos 
desistir de combater a violência e deixar que 
mulheres continuem a ser mortas por seus 
companheiros. É preciso, contudo, adotar uma 
estratégia coerente, que só excepcionalmente 
deve incluir leis mais duras. O problema de 
seguir a trilha mais ponderada é que os 
resultados demoram a aparecer e dificilmente 
podem ser capitalizados numa eleição. 
 
(SCHWARTSMAN, Hélio. Um caso de fracasso. Disponível 
em: <http://www1.folha.uol.com.br>). 
 
 
1. Com que intenção o texto foi escrito? 
2. Identifique pelos menos três recursos argumentativos presentes no texto. 
3. Indique pelos menos duas passagens em que há marca de pressupostos. 
4. Você diria que, no texto, o autor deixa subentendida sua visão acerca das leis brasileiras? Por quê? 
 
 
3) Por que as afirmações abaixo são falaciosas? 
 
—―É muito articulado, para um ex-torneiro mecânico.‖ 
—―É muito discreto para um descendente de italianos.‖ 
—―É muito inteligente para um preto.‖ 
—―É esperta para uma loira.‖ 
 
 
 
 
 47 
4) Identifique a(s) falácia(s) presentes nas situações a seguir. 
 
a. Diálogo: 
 
Matheus: ―Você sabe, aquelas feministas odeiam todos os homens.‖ 
Pedro: ―Sério?‖ 
Mateus: ―Sim, eu estava na minha aula de filosofia no outro dia em que Raquel fez uma apresentação.‖ 
Pedro: ―O que Raquel disse?‖ 
Mateus: ―Você sabe que ela é a única da turma que faz parte desse grupo feminista, o Centro da 
Mulher. Ela disse que os homens são todos os porcos sexistas. Eu perguntei por que ela acreditava 
nisso e ela disse que seus últimos namorados eram reais porcos sexistas …. ‖ 
Pedro: ―Isso não soa como um bom motivo para acreditar que todos nós somos porcos‖. 
Mateus: ―Isso foi o que eu disse‖. 
Pedro: ―O que ela disse?‖ 
Mateus: ―Ela disse que tinha visto o suficiente de homens para saber que somos todos suínos. Ela, 
obviamente, odeia todos os homens.‖ 
Pedro: ―Então você acha que todas as feministas são como ela?‖ 
Mateus: ―Tenho certeza que todas elas odeiam os homens.‖ 
 
b. ―O meu professor está sempre a dizer que devemos fazer os trabalhos de casa. Mas, no seu tempo de 
estudante, ele era o maior ―baldas‖ da escola: nunca fazia o que lhe mandavam e reprovou pelo menos 
três anos por faltas. Portanto, não faço os trabalhos de casa e não vou à aula.‖ 
 
c. Aquilo que os defensores da eutanásia querem é muito claro. Querem poder matar quem esteja 
muito doente. É essa a razão pela qual me oponho à prática da eutanásia. 
 
d. – A sua decisão viola claramente a lei. 
 – O quê, não me diga que cumpre sempre a lei? É daqueles que nunca anda a mais de 120 na 
autoestrada? Não me diga que nunca andou a mais de 120 na autoestrada! 
 
e. Não há uma ligação clara entre fumar e cancro de pulmão, apesar do que os médicos dizem e de 
anos de estudos científicos. Portanto, fumar não faz mal aos seus pulmões. 
 
f. Diálogo: 
 
– Obrigada por ter guardado lugar – diz Joana ao seu amigo Francisco, quando com a sua amiga Luísa 
se senta numa esplanada cheia de gente. 
– Tudo bem – diz Francisco. 
– Demoramos por causa da aula do professor Lúcio acerca dos problemas sociais ‒ diz Joana com ar 
enfastiado. ‒ É um esnobe arrogante como nunca conheci. 
– De que tratou a aula? 
– De assédio sexual no local de trabalho, o que, sem dúvida, é um grave problema hoje em dia. 
– Não me diga. 
– Olha, a minha amiga Amélia é despachante numa empresa de caminhões e me disse que já foi objeto 
de assédio sexual dezenas de vezes. Os caminhoneiros têm posters da Playboy colados por todo o lado 
e estão sempre a meter-se com ela, a convidá-la para aquilo que sabe. Um deles lhe deu umas palmadas 
no traseiro. 
 
 
 48 
– Olha, há uma coisa chamada liberdade de expressão, disse Francisco rindo. Quer negar a esses tipos 
liberdade de expressão? 
– Liberdade de expressão, uma ova! – responde Joana, furiosa. – Palmadinhas no traseiro não é 
liberdade de expressão, é contato físico abusivo! Homens! O seu problema, Francisco, é que é 
homem! Se fosse mulher veria as coisas como elas realmente são. 
 
g. O presidente Lula aumentou os impostos, e então as taxas de crimes violentos aumentou. O 
presidente Lula é responsável pelo aumento da criminalidade. 
 
h. ―Para a imprensa, que quer saber se eu mantenho contas bancárias em paraísos fiscais, eu lembro as 
obras mais importantes da minha administração, entre elas um hospital, e que estive de férias na Suíça 
quando me acusaram injustamente‖. 
 
i. "Senhores juízes, defendo o direito a tratamento médico fora da detenção (em cadeias e prisões) para 
portadores de diploma de curso superior e acho desnecessário ter que enumerar as muitas justificativas 
inerentes ao assunto". 
 
j. (Do mundo político): "Vamos enfiar esta mensagem do nosso candidato goela abaixo do povão com 
'spots' de trinta segundos a cada quinze minutos o dia inteiro, em todas as rádios do país. Vamos 
saturar o eleitorado com a nossa visibilidade. Vamos vencer a oposição pela saturação da praça". 
 
k. "João estava atrasado para o serviço na segunda-feira. Suzana e José estavam atrasados na terça-feira. 
João, Suzana e José fazem parte do mesmo departamento, que tem vinte funcionários. Evidentemente, 
os funcionários daquele departamento sempre chegam atrasados ao serviço". 
 
l. Um viajante afirma a seus amigos "Há elefantes na Tailândia tão inteligentes que aprendem a se 
esconder em árvores". Um amigo protesta, dizendo que passou um ano na Tailândia e nunca os viu. O 
primeiro responde, com óbvia satisfação, "Não te falei? Aqueles danados são inteligentes demais!" 
 
m. "Brasil: Ame-o ou deixe-o". (Slogan usado pelo governo militar brasileiro na década de 1970). 
 
n. "É claro que foi Deus quem criou o mundo e todas as coisas nele. Se você não acredita nisso, então 
como você explica a beleza do mundo natural e a perfeição do corpo humano?" 
 
o. "Ah, você sabe como é.... meninos são sempre desorganizados!" Ou: "Ora, que mais você poderia 
ter esperado de um norte-americano...você sabe como eles são...." 
 
p. "Maradona é um jogador melhor que Pelé. Acredito nisso porque o chefe do meu pai disse que é". 
 
q. "Membros do júri, o réu nunca poderia ter cometido esse crime. Afinal de contas, ele tem esposa e 
seis filhos". 
 
r. "O meu candidato a prefeito não precisa roubar. Ele já é muito rico". 
 
s. "Eu sou o melhor candidato a prefeito, porque não sou nem doutor, nem madame". 
 
t. "A automação da indústria desemprega muitas pessoas; assim, é economicamente desaconselhável". 
 
 
 
 49 
u. Leia, com atenção, o fragmento de texto a seguir para responder ao que se pede. 
 
Pessoas ruins podem fazer coisas boas? O "Zeitgeist"parece indicar que não. Kevin Spacey, 
protagonista da série "House of Cards", acaba de ficar sem emprego, porque a Netflix resolveu 
suspender suas aparições depois que ator foi acusado de ser uma espécie de predador sexual gay. Na 
mesma semana, feministas organizaram em Paris uma manifestação em que pediam que a Cinemateca 
desistisse de exibir uma mostra de filmes do diretor Roman Polanski. Motivo? Polanski é acusado de 
estupros de menores nos EUA (onde ele é considerado foragido da Justiça) e também na França. 
Assédio sexual e estupro são não só atos imorais como também crimes, mas a pergunta que proponho 
é outra: a vida pessoal de um artista ou pensador afeta sua obra? (SCHWARTSMAN, H.. Autores e 
obras. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 23 nov. 2017. Data de 
postagem: 10 nov. 2017. Com adaptações). 
 
Suponha que um colega seu, depois de ler esse fragmento, responda ―Sim‖ à pergunta feita no final do 
texto, mas não apresenta argumentos sólidos. Baseando nas aulas sobre falácias, procure justificar para 
seu colega que, ao responder ―sim‖ à pergunta do texto, sem apresentar argumentos lógicos, ele estaria 
cometendo uma falácia. 
 
5) Compare a argumentação dos textos a seguir. 
 
A proposta de redução da maioridade penal é acertada? SIM 
 
Chega de impunidade 
 
Não é de hoje que defendo a redução da 
maioridade penal. Tal tema já era defendido 
por meu pai nos anos 60, inclusive foi incluído 
no Código Penal de 70. Infelizmente esse 
Código não entrou em vigor, e até hoje nossa 
maioridade é aos 18 anos. 
Há pesquisas, como a do Datafolha, 
apontando que 84% da sociedade defendem 
essa redução. Quem pensa diferente sustenta 
que: não acabará com a criminalidade; 
aumentará a superlotação carcerária; a prisão 
não ressocializa; e o ECA já pune este infrator. 
O que muitos desconhecem é o 
fundamento legal da "maioridade penal". 
Trata-se da responsabilidade do agente, da 
compreensão de saber o que é certo ou errado 
e, por isso, responder por seus erros. A 
questão é que em 1940, data de sua criação, 
entendia-se que um adolescente não tinha esse 
amadurecimento e, por isso, não poderia ser 
punido se cometesse um delito. 
Hoje, sustentar que alguém de 16 e 17 
anos não sabe que matar é errado e, sob tal 
presunção absoluta de inimputabilidade, não 
pode responder criminalmente por seus atos é, 
no mínimo, irracional. 
A redução dessa maioridade não vai 
acabar com a criminalidade, mas certamente 
vai reduzi-la. Isso porque a pena tem, dentre 
suas funções, a de intimidar o pretenso 
infrator, ou seja, "se roubar, será punido"; 
igualmente preencherá a finalidade retributiva 
da pena, qual seja, "a aplicação do mal justo ao 
mal injusto". 
Esse princípio serve para que a 
sociedade e as vítimas sintam que a justiça 
existe, que o infrator foi punido. Questões 
como superlotação carcerária e a não 
ressocialização do preso não podem justificar 
essa impunidade; caso contrário, não 
poderíamos punir nem os maiores de idade. 
Quem defende a punição desse infrator 
pelo ECA desconhece a lei. Ela não pune o 
menor, ela o reeduca e, caso advertências e 
medidas socioeducativas não surtam efeito, 
deve interná-lo por até 3 anos. Portanto, 
aumentar a internação – diga-se, medida 
excepcional-- continua não sendo punição. 
 
 
 50 
Da mesma forma, querer reduzir a 
maioridade para crimes graves é desconhecer 
seu fundamento legal. Como pode alguém ser 
maduro e responder pelos seus atos se praticar 
crime grave como homicídio e, ao mesmo 
tempo, ser imaturo e inimputável se praticar 
crime de furto? Isso é uma aberração jurídica. 
É impossível hoje sustentar que um 
adolescente de ao menos 16 ou 17 anos não 
tem discernimento para saber o que é certo ou 
errado. Ele sabe o que faz e deve responder 
criminalmente quando pratica um crime. 
Todavia, para aqueles que têm um problema 
mental e não possuem tal amadurecimento, 
menor ou maior de idade, eles serão 
considerados inimputáveis. 
Como alguém de 16 é maduro para 
votar e imaturo se praticar um crime? O que 
podemos e devemos discutir é a punição que 
este adolescente deve sofrer; no crime de uso 
de drogas, por exemplo, houve uma 
"desprisionalização". 
Na campanha ao governo de São Paulo 
tive a honra de advogar para João Doria e 
testemunhar sua posição favorável à redução da 
maioridade penal. O presidente Bolsonaro 
também defende essa redução. 
Com Sergio Moro ministro da Justiça, 
talvez tenhamos o melhor cenário para reduzir 
a maioridade em nossa Constituição e em nosso 
Código Penal e incluir um aumento especial de 
pena aos crimes praticados em concurso de 
agentes havendo um menor. 
Fernando José da Costa 
 
FERNANDO JOSÉ DA COSTA. Advogado criminalista, 
professor, mestre e doutor em direito penal (USP). 
 
(Disponível em: 
<https://www1.folha.uol.com.br/opiniao>). 
A proposta de redução da maioridade penal é acertada? NÃO 
 
Discursos vazios exploram o medo e a boa-fé 
 
O amplo apoio da população à redução 
da maioridade penal reflete a dura realidade da 
insegurança pública no Brasil, retratada, por 
exemplo, nos números assustadores de violência 
letal. Em 2017, segundo dados do Fórum 
Brasileiro de Segurança Pública, foram cerca de 
64 mil homicídios no país. 
A insegurança pública e o medo da 
violência que nos assolam levam muitos a 
acreditar que medidas mais duras contra quem 
comete crimes diminuirão a criminalidade, e que 
seria preciso, por exemplo, ser mais severo na 
punição dos adolescentes. Contudo, o 
endurecimento penal e, especialmente, a 
redução da maioridade penal não são capazes de 
promover a tão esperada pacificação da 
sociedade brasileira. 
Por um lado, não há comprovação 
científica de que o aumento das taxas de 
encarceramento diminua as taxas de 
criminalidade. Exemplo disso é o fato de termos 
uma população carcerária que cresce ano a ano, 
sem que isso se reverta em uma redução dos 
índices de criminalidade. Já somos a terceira 
maior população carcerária do mundo e 
seguimos recordistas mundiais em homicídios. 
Por outro lado, há casos emblemáticos 
de outros países, como Holanda e Suécia, que 
investiram em reabilitação e alternativas ao 
endurecimento penal e tiveram melhores 
resultados, chegando a fechar prisões por falta de 
presos. 
A experiência brasileira mais próxima de 
investimento em reabilitação e alternativas 
penais encontra-se, justamente, na Justiça 
juvenil, isto é, no sistema destinado aos 
adolescentes infratores. 
É importante deixar claro que, no Brasil, 
qualquer pessoa acima de 12 anos de idade que 
cometa uma infração pode ser punida. O que a 
legislação brasileira estabelece é que 
adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos 
recebam um tratamento penal especial, 
justamente porque não são adultos. 
Há, nesse sentido, uma responsabilização 
dos inimputáveis e, de maneira alguma, pode-se 
falar em impunidade. Aos adolescentes que 
cometem crimes podem ser aplicados seis tipos 
 
 
 51 
de sanções, inclusive a privação de liberdade --
aplicada cotidianamente aos crimes mais graves. 
Medidas socioeducativas bem 
executadas, isto é, que conseguem equilibrar 
responsabilização penal e reabilitação, 
contribuem para diminuir o número de 
adolescentes que reincidem no crime e que se 
tornam criminosos adultos, conforme 
demonstram recentes pesquisas desenvolvidas 
em Minas Gerais e no Rio. 
É evidente que o sistema socioeducativo 
tem falhas e precisa de melhoras. Porém, é 
evidente, também, que ele funciona melhor que 
o sistema prisional adulto. 
A redução da maioridade penal significa 
retirar uma parcela dos adolescentes de um 
sistema comparativamente melhor para colocá-
los em um sistema comparativamente pior, 
aumentando a reincidência e, portanto, a 
criminalidade. 
Em suma, precisamos investir no que 
funciona para adolescentes não cometerem 
crimes e parar com discursos vazios que 
exploram o medo e a boa-fé da população. 
Afinal, o que todas e todos queremos é poder 
andar na rua tranquilamentee não vivermos com 
medo constante. 
Reduzir a maioridade penal é uma 
proposta oportunista e rasa, que pode saciar 
momentaneamente a sede de vingança de um ou 
outro. Mas, além de não contribuir para tornar 
nossa sociedade mais segura --vale destacar que 
os adolescentes são responsáveis por menos de 
10% dos crimes graves do país--, representará o 
aprofundamento da nossa política criminal, que 
tem insistido no encarceramento de jovens 
negros e pobres, na vulnerabilização dos 
segmentos sociais menos favorecidos e na 
violação de direitos. 
 
LIANA DE PAULA. Professora da Unifesp e autora do livro 
"Punição e Cidadania: Adolescentes e Liberdade Assistida na 
Cidade de São Paulo" (Alameda Editorial). 
 
MARIANA CHIES SANTIAGO SANTOS. Pesquisadora 
associada do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e 
coordenadora-chefe do Departamento de Infância e Juventude 
do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. 
 
(Disponível em: 
<https://www1.folha.uol.com.br/opiniao>). 
 
 
 52 
Textos diversos 
 
Texto 1: Garimpo Brasil 
 
 Nada mais apropriado para sintetizar o 
desrespeito à Nação, aos seus recursos naturais 
e à sua força produtiva do que a imagem que o 
agroquímico Sebastião Pinheiro cunhou para o 
país, assim batizado de Garimpo Brasil. É só 
recorrermos à História e encontraremos, no 
início da Idade Moderna, as origens desta 
garimpagem. Há cinco séculos ela alimenta 
tudo o que tem corroído nosso conceito de 
cidadania e nossas tentativas de erigirmos uma 
sociedade justa – que, em suma, dê certo. Os 
primeiros garimpeiros apareceram aqui através 
dos grandes descobrimentos marítimos. As 
empreitadas oceânicas, iniciados por 
portugueses, vislumbraram a descoberta de 
novas terras, exatamente para a exploração de 
suas riquezas, que depois seriam 
comercializadas na Europa. Portanto, foi em 
1500 que o Brasil começou a ser tratado como 
zona de garimpo. 
 A primeira grande pepita lavrada pelos 
portugueses foi o pau-brasil. Depois veio a 
cana-de-açúcar, o diamante, o ouro, a madeira, 
o tabaco e o algodão. Deste mesmo período 
extrativista também podemos citar o filão 
composto pelos índios e pelos negros africanos, 
que foram subjugados no primeiro caso e 
escravizados no segundo, como prova de que o 
garimpo estende-se impiedosamente também 
aos seres humanos. Os garimpeiros, enfim, 
aqui sempre se sucederam, ora rapinando e 
pilhando nossos bens naturais, ora nossa força 
de trabalho. 
 A garimpagem acabou virando prática 
corriqueira no Brasil e, de certo modo, algo 
metabolizado no funcionamento de nossa 
sociedade como um todo. Ela acontece em 
todas as áreas e permeia até mesmo as 
atividades profissionais. Revela-se 
frequentemente em quem avidamente acumula 
capital, mas também está entre os empregados, 
nas relações de trabalho. O traço mais cruel do 
garimpeiro é o seu descompromisso com a 
pessoa e com o local que achou propício à sua 
lavra. A desumanização das grandes cidades é 
um exemplo disso. Muitos dos que nelas 
moram ali estão para garimpar, não para 
preservar a história, a cultura e as boas e 
primeiras intenções que fundaram estas 
cidades. 
 A história brasileira é uma exaustiva 
repetição dessa insanidade. Assim como aos 
colonizadores portugueses não importava que a 
monocultura da cana-de-açúcar destruísse o 
solo do nordeste, aos garimpeiros, no Acre, 
hoje, não significa nada que o mercúrio lançado 
no rio Madeira mate a nação Ianomani. Esse 
desdém, ainda, encarna-se com todos os seus 
vícios na ideologia da sociedade industrial, que 
não se incomoda frente ao número de 
mutilados, invalidados ou mortos dos seus 
processos produtivos. O descaso, que polui e 
consequentemente desestabiliza o ambiente 
natural, não difere do desrespeito costumeiro 
como os meios de produção do Brasil. A 
embalagem pode ser outra, mas o conteúdo é 
idêntico. Os garimpeiros só mudam os 
processos de exploração. Se os ecologistas e os 
militantes da segurança e da saúde no trabalho 
percebessem que são bem mais parecidos do 
que pensam, talvez a luta pela qualidade de vida 
fosse mais efetiva e tivesse mais adeptos. E, 
enfim, seguramente o corpo da sociedade 
brasileira ganharia uma boa dosagem de 
anticorpos para se defender do histórico 
garimpo que, como acontece nas mais vastas e 
ricas minas, um dia não dá mais pepita a 
ninguém. (Revista Proteção, n. 11, p.7). 
 
 
 
 
 
 53 
Texto 2: Sem medo dos transgênicos 
A maioria das pessoas está preocupada com 
a segurança dos alimentos transgênicos. Toda 
inovação tecnológica, ainda mais quando presente 
nos alimentos, provoca uma série de inquietações. 
Na Europa, por exemplo, uma grande parcela da 
população não está convencida de que os produtos 
derivados da biotecnologia são seguros. Mas será 
que existem motivos reais para que se tenha tanto 
medo de ingerir esses alimentos? 
Como pesquisadora em genética (de uma 
instituição pública, não vinculada a grupos 
multinacionais), posso garantir que não. Na 
Europa, esse medo surgiu de problemas que não 
têm ligação nenhuma com os alimentos 
geneticamente modificados. As crises de segurança 
alimentar desencadeadas pela desastrada condução 
do caso da vaca louca (uma doença), no Reino 
Unido, e a contaminação de carne de frango e ovos 
com dioxina (uma toxina), na Bélgica, geraram um 
clima de desconfiança diante dos transgênicos que 
vem deixando as pessoas confusas e, o pior, mal-
informadas. 
Antes de criticar esses alimentos, é preciso 
saber que há mais de 70 anos os pesquisadores vêm 
realizando cruzamentos entre plantas com o 
objetivo de transferir genes de uma espécie para 
outra. Durante todo esse tempo, o tomate, a 
batata, o milho, o trigo, a aveia e outros vegetais 
que você come diariamente já possuem genes que 
eram, originalmente, de outras espécies. Ou seja: 
os transgênicos não são nenhuma novidade. O que 
mudou, recentemente, foi o surgimento de novas 
técnicas de modificação genética. 
A mais importante delas é a chamada 
―técnica de DNA recombinante‖. Ela permite que 
se possa isolar um gene de uma espécie para que ele 
seja colocado em outra planta, sem a necessidade 
de compatibilidade sexual. Uma vez inserido, a 
planta que surge daí vai conter uma cópia do novo 
gene que, então, poderá ser reproduzida como 
qualquer outra. A escolha de um ou mais genes 
para serem adicionados, após cuidadosa análise de 
suas características e funções, é certamente bem 
mais segura que a introdução de milhares de genes 
de uma só vez, como nos cruzamentos de espécies 
que vêm sendo feitos nos últimos anos. 
Desde 1995, produtos geneticamente 
modificados estão sendo comercializados nos 
estados. Ao todo, 13 países cultivam essas plantas, 
que têm sido consumidas por milhares de pessoas 
sem nenhuma evidência de efeito negativo. O que 
pouca gente sabe é que os transgênicos estão 
presentes em nossas vidas há vários anos. A maior 
parte da insulina utilizada no mundo para o 
tratamento de diabéticos, por exemplo, é obtida 
por engenharia genética: um gene humano 
sintético, inserido em uma bactéria, produz uma 
réplica exata da insulina humana. O curioso é que o 
cidadão que entra numa manifestação contra esses 
alimentos sem nenhum conhecimento sobre o tema 
é o mesmo que consome com entusiasmo, sem 
saber, diversos desses produtos: da vacina contra a 
gripe até o hormônio de crescimento para crianças 
com nanismo. 
Isso não significa, é claro, que a avaliação 
particular de cada planta transgênica deva ser 
negligenciada. O que não se pode ter é uma espécie 
de medo irracional diante desses alimentos mesmo 
depois que eles são submetidos a testes rigorosos – 
sem apresentar nenhum problema à saúde humana 
ou ao meio ambiente. Afinal, não se pode 
desperdiçar o potencial da engenharia genética pela 
falta de informação ou pelo uso político de grupos 
que, em vez de debater seriamente o assunto, 
fazem manifestações ingênuas contra o avanço 
dessa tecnologia sem ao menos conhecer seus 
métodos. Não é a população que deve temer 
cegamente os alimentosgeneticamente 
modificados. Quem tem razões para atacá-los são 
os produtores de inseticidas e agroquímicos, já que 
a biotecnologia deve criar plantas cada vez mais 
resistentes a pragas, diminuindo a necessidade do 
uso desses insumos. 
Em meio a tanta falta de informação, o 
debate em torno desse tema fez com que, pelo 
menos, boa parte da população passasse a prestar 
mais atenção na segurança dos alimentos. Com o 
passar do tempo, elas vão descobrir que a principal 
ameaça não vem dos transgênicos, mas dos 
alimentos que já estão nas prateleiras dos 
supermercados repletos de resíduos químicos 
danosos à saúde que, com o avanço da 
biotecnologia, poderão em breve ser eliminados. 
 
(ZANETTINI, Maria Helena. Disponível em: 
<http://super.abril.com.br>). 
 
 
 54 
Texto 3: Baleias não me emocionam 
 
Hoje quero falar de gente e bichos. De 
notícias que freqüentemente aparecem sobre 
baleias encalhadas e pingüins perdidos em 
alguma praia. Não sei se me aborrece ou me 
inquieta ver tantas pessoas acorrendo, 
torcendo, chorando, porque uma baleia morre 
encalhada. Mas certamente não me emociona. 
Sei que não vão me achar muito 
simpática, mas eu não sou sempre simpática. 
Aliás, se não gosto de grosseria nem de 
vulgaridade, também desconfio dos eternos 
bonzinhos, dos politicamente corretos, dos 
sempre sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no 
olho, a clareza e a sinceridade – desde que não 
machuque só pelo prazer de magoar ou por 
ressentimento. 
Não gosto de ver bicho sofrendo: 
sempre curti animais, fui criada com eles. Na 
casa onde nasci e cresci, tive até uma coruja, 
chamada, sabe Deus por quê, Sebastião. Era 
branca, enorme, com aqueles olhos que 
reviravam. Fugiu da gaiola especialmente 
construída para ela, quase do tamanho de um 
pequeno quarto, e por muitos dias eu a 
procurei no topo das árvores, doída de 
saudade. 
Na ilha improvável que havia no 
mínimo lago do jardim que se estendia atrás da 
casa, viveu a certa altura da minha infância um 
casal de veadinhos, dos quais um também 
fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo 
o jardineiro, morreu de saudade do fujão – 
minha primeira visão infantil de um amor 
romeu-e-julieta. Tive uma gata chamada 
Adelaide, nome da personagem sofredora de 
uma novela de rádio que fazia suspirar minha 
avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), 
nunca entendi como – uma das primeiras 
tragédias de que tive conhecimento. De modo 
que animais fazem parte de minha história, com 
muitas aventuras, divertimento e alguma 
emoção. 
Mas voltemos às baleias encalhadas: 
pessoas torcem as mãos, chegam máquinas 
variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis 
molhados, abrem-se manchetes em jornais e as 
televisões mostram tudo em horário nobre. O 
público, presente ou em casa, acompanha 
como se fosse alguém da família e, quando o 
fim chega, é lamentado quase com pêsames e 
oração. 
Confesso que não consigo me comover 
da mesma forma: pouca sensibilidade, uma 
alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os 
que não me apreciam, não creiam nisso. Não é 
que eu ache que sofrimento de animal não valha 
a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu 
preferia que tudo isso fosse gasto com eles 
depois de não haver mais crianças enfiando a 
cara no vidro de meu carro para pedir 
trocados, adultos famintos dormindo em 
bancos de praça, famílias morando embaixo de 
pontes ou adolescentes morrendo drogados nas 
calçadas. 
Tenho certeza de que um mendigo 
morto na beira da praia causaria menos 
comoção do que uma baleia. Nenhum 
Greenpeace defensor de seres humanos se 
moveria. Nenhuma manchete seria estampada. 
Uma ambulância talvez levasse horas para 
chegar, o corpo coberto por um jornal, quem 
sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos 
virados, um sentimentozinho de culpa, 
possivelmente irritação: cadê as autoridades, 
ninguém toma providência? 
Diante de um morto humano, ou de 
um candidato a morto na calçada, a gente se 
protege com uma armadura. De modo que 
(perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em 
favor dos animais – pelo menos enquanto se 
deletarem tão facilmente homens e mulheres. 
 
(LUFT, Lya. Baleias não me emocionam. Disponível em: 
<http://veja.abril.com.br/250804/ponto_de_vista.html>. 
Acesso em: 15 jan. 2015). 
 
 
 55 
Texto 4: A chacina silenciosa 
 
Ao saber de uma chacina, a imprensa 
corre para dar manchetes. Por que então a 
opinião pública não é avisada sobre o massacre 
de 120 pessoas todos os dias no Brasil? 
O Estado de São Paulo, o mais rico do 
país, assiste inerte diariamente à perda de 12 
vidas; na capital, três paulistanos morrem todo 
dia, sem chocar ninguém. 
O trânsito é a nossa chacina silenciosa 
de cada dia. Ele assassina por ano mais gente do 
que os americanos mortos no Vietnã em toda a 
guerra, de mais de uma década; mais do que as 
vítimas de conflitos entre israelenses e 
palestinos desde o início da Intifada no final dos 
anos 1970... 
Não há no mundo paradigma para a 
violência dos carros brasileiros, ainda que 
ocorrências menos dramáticas frequentem a 
capa da Folha ou o "Jornal Nacional", com 
maior destaque. 
Pior: a cada morte no trânsito, o 
Denatran registra 20 outros acidentes com 
vítimas não fatais, frequentemente com 
sequelas importantes. 
São 900 mil ocorrências com vítimas 
por ano. Você pode ter certeza que do início da 
coluna alguém foi atropelado e, até o final, será 
a vez de outra. Alguém pode morrer, outro 
ficar paralisado para sempre. 
Para comparar os países, 
independentemente do tamanho de suas 
populações, as estatísticas comparam acidentes 
a cada 100 mil habitantes. A Suécia, com 2 
mortos no trânsito a cada 100 mil habitantes 
por ano, tem o menor índice mundial. O 
Brasil, com 22 mortos por 100 mil/ano, é um 
campeão mundial. 
A Alemanha pode achar que é legal ter 
feito 7x1 no futebol, mas não está nem perto 
da liderança: no trânsito, a taça de morte é 
nossa! 
Desde o início da década, a ONU 
mantém campanha para reduzir os mortos no 
trânsito, até 2020, à metade dos números de 
2011. Vários países fizeram a lição de casa: a 
Suécia achou vergonhoso tentar matar "só" 
uma pessoa a cada cem mil e quer zerar o 
número. A Espanha atingiu a meta em 2015; 
quer chegar a 2020 com metade da metade. 
E nós? Desde 2011, estamos estáveis. A 
cidade de São Paulo teve uma redução 
importante nos últimos anos, chegando em 
2015 a 992 mortos no trânsito no ano, contra 
1.249 em 2014 (queda de 20%). Em relação a 
2011, a redução foi de 28% em cinco anos. Ou 
seja, fizemos em cinco anos metade da lição de 
casa... 
Por que o Brasil não avança? Segundo o 
estudioso Osias Baptista, fundador da BHTrans 
(a CET de Belo Horizonte), todos os países que 
obtiveram bons resultados atuaram em duas 
frentes que patinam em nosso país: redução da 
velocidade dos automóveis a 50 km/h ou 
menos; e combate ao consumo de álcool por 
motoristas. 
"Na França, cada carro tem que ter um 
bafômetro. Se o motorista não tiver, na hora da 
blitz é preso; se não quiser soprar, é preso; se 
soprar e der positivo, é preso", diz. A pessoa 
só não é detida se der negativo. A medida foi 
implantada pelo conservador Nicolas Sarkozy. 
O Brasil foge das medidas 
fundamentais. São Paulo reduziu a velocidade 
máxima a 50 km/h e o prefeito quase sofreu 
impeachment; o país trata as blitze de lei seca 
como afronta à fluidez do trânsito (indicar 
locais de fiscalização nas redes sociais é 
considerado simpático). 
Não há como aceitar a chacina 
silenciosa. Direta ou indiretamente, um dia nos 
atinge. E a imprensa deveria publicar todo dia 
em manchete a chacina de nosso trânsito. 
 
(SERVA, Leão. A chacina silenciosa. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/leaoserva/2016/
06/1778559-a-chacina-silenciosa.shtml>. Data de 
publicação: 6 junho 2016). 
 
 
 
 56 
Texto 5: Carta do Cacique Seattle a Franklin Pierce 
 
Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos 
Estados Unidos (Francis Pierce),depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o 
território o cupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas 
o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. 
 
O grande chefe de Washington mandou 
dizer que quer comprar a nossa terra. O 
grande chefe asseguro-nos também da sua 
amizade e benevolência. Isto é gentil de 
sua parte, pois sabemos que ele não necessita 
da nossa amizade. Porém vamos pensar na sua 
oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o 
homem branco virá com armas e tomará a 
nossa terra. O grande chefe de Washington 
pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a 
mesma certeza com que nossos irmãos brancos 
podem confiar na mudança das estações do 
ano. Minha palavra é como as estrelas, elas 
não empalidecem. 
 
Como podes comprar ou vender o céu – o 
calor da terra? Tal ideia é-nos estranha. Nós 
não somos donos da pureza do ar ou do 
brilho da água. Como podes então comprá-
los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas 
do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para 
o meu povo. Cada folha reluzente, todas as 
praias, cada véu de neblina nas florestas 
escuras, cada clareira e todos os insetos a 
zumbir são sagrados nas tradições e na crença 
do meu povo. 
 
Sabemos que o homem branco não 
compreende o nosso modo de viver. Para ele 
um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele 
é um estranho, que vem de noite e rouba da 
terra tudo quanto necessita. A terra não é 
sua irmã, mas sim sua inimiga, e, depois de 
exauri-la, ele vai embora. Deixa para trás o 
túmulo de seu pai, sem remorsos. Rouba a 
terra de seus filhos. Nada respeita. Esquece a 
sepultura dos antepassados e o direito dos 
filhos. Sua ganância empobrece a terra e 
deixa atrás de si os desertos. 
 
A vista de tuas cidades é um tormento para 
os olhos do homem vermelho. Mas talvez 
isto seja assim por ser o homem vermelho um 
selvagem que nada compreende. Não se pode 
encontrar paz nas cidades do homem 
branco. Nem lugar onde se possa ouvir o 
desabrochar da folhagem na primavera ou o 
zunir das asas dos insetos. Talvez por ser 
um selvagem que nada compreende, o 
barulho das cidades é para mim uma afronta 
para os ouvidos. E que espécie de vida é 
aquela em que o homem não pode ouvir a voz 
do corvo noturno ou a conversa dos sapos no 
brejo à noite? Um índio prefere o suave 
sussurro do vento sobre o espelho d'água e o 
próprio cheiro do vento, purificado pela 
chuva do meio-dia e com aroma de pinho. 
O ar é precioso para o homem vermelho. 
Porque todos os seres vivos respiram o 
mesmo ar – animais, árvores, homens. Não 
parece que o homem branco se importe com o 
ar que respira. Como um moribundo, ele é 
insensível ao ar fétido. 
 
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma 
condição: o homem branco deve tratar os 
animais como se fossem seus irmãos. Sou 
um selvagem e não compreendo que possa 
ser de outra forma. Vi milhares de bisões 
apodrecendo nas pradarias abandonados pelo 
homem branco que os abatia a tiros disparados 
do trem. Sou um selvagem e não 
compreendo como um fumegante cavalo de 
ferro possa ser mais valioso que um bisão 
que nós, os índios, matamos apenas para 
sustentar a nossa própria vida. O que é o 
homem sem os animais? Se todos os 
animais acabassem, os homens morreriam de 
solidão espiritual, porque tudo quanto acontece 
aos animais pode também afetar os homens. 
 
 
 57 
Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto 
fere a terra, fere também os filhos da terra. 
 
Os nossos filhos viram seus pais humilhados 
na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem 
sob o peso da vergonha. E depois da 
derrota passam o tempo em ócio e 
envenenam seu corpo com alimentos doces 
e bebidas ardentes. Não tem grande 
importância onde passaremos os nossos 
últimos dias, eles não são muitos. Mais algumas 
horas, até mesmo alguns invernos, e nenhum 
dos filhos das grandes tribos que viveram 
nesta terra ou que têm vagueado em 
pequenos bandos pelos bosques sobrará para 
chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia 
foi tão poderoso e cheio de confiança como o 
nosso. 
 
O homem branco também vai desaparecer, 
talvez mais depressa do que as outras raças. 
Continua sujando a sua própria cama e hás 
de morrer uma noite, sufocado nos seus 
próprios dejetos! Depois de abatido o 
último bisão e domados todos os cavalos 
silvestres, e quando as matas misteriosas 
federem à gente, e quando as colinas escarpadas 
se encherem de fios que falam – onde ficarão 
então os sertões? Terão acabado. E as 
águias? Terão ido embora. Restará dar adeus 
à andorinha da torre e à caça, o fim da 
vida e o começo da luta para sobreviver. 
 
De uma coisa sabemos, que o homem branco 
talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus 
é o mesmo Deus. Julgas, talvez, que o podes 
possuir da mesma maneira como deseja 
possuir a nossa terra. Mas não podes. Ele é 
Deus da humanidade inteira. E quer bem 
igualmente ao homem vermelho como ao 
branco. A terra é amada por Ele. E causar dano 
à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. 
 
Talvez compreenderíamos se conhecêssemos 
com que sonha o homem branco , se 
soubéssemos quais as esperanças que transmite 
a seus filhos nas longas noites de inverno, quais 
as visões do futuro oferece às suas mentes para 
que possam formar os desejos do dia de 
amanhã. Mas nós somos selvagens. Os 
sonhos do homem branco são ocultos para nós. 
E por serem ocultos, temos que escolher o 
nosso próprio caminho. Se consentirmos, é 
para garantir as reservas que nos prometeste. 
Lá talvez possamos viver os nossos últimos 
dias como desejamos. Depois que o último 
homem vermelho tiver partido e a sua 
lembrança não passar da sombra de uma 
nuvem a pairar acima das pradarias, a alma 
do meu povo continuará a viver nestas 
florestas e praias, porque nós as amamos 
como um recém-nascido ama o bater do 
coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa 
terra, ama-a como nós a amávamos. 
Protege-a como nós a protegíamos. Nunca 
esqueças como era a terra quando dela tomou 
posse. E com toda a tua força, o teu poder, e 
todo o teu coração – conserva-a para os teus 
filhos, e ama-a como Deus nos ama a 
todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o 
mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. 
Nem mesmo o homem branco pode evitar o 
nosso destino comum. 
 
(Disponível em: <http://www.aabbcomunidade.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Carta-do-Cacique-Seattle.pdf>)
 
 
 58 
Resenhas 
 
LENT, Roberto. Sobre neurônios, cérebros e pessoas. São Paulo: Ed. Atheneu, 2011. 
 
Divulgar ciência a leitores que 
desconhecem os jargões técnicos e não possuem 
conhecimento específico em neurociência e áreas 
afins, eis o desafio proposto pelo professor de 
medicina da Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (UFRJ) Roberto Lent, em seu livro Sobre 
neurônios, cérebros e pessoas (Editora Atheneu). Lent 
faz pesquisas sobre desenvolvimento e 
neuroplasticidade do sistema nervoso. Essa obra, 
lançada em 2011, reúne os textos publicados pelo 
autor na coluna ―Bilhões de neurônios‖ da versão 
eletrônica da revista eletrônica Ciência Hoje entre 
2006 e 2010. 
Os textos estão organizados nos três eixos 
que dão título ao livro e referem-se aos principais 
objetos de estudo da neurociência. No primeiro 
deles, ―Neurônios‖, o autor tenta explicar como 
pesquisas que parecem não ter sentido algum 
podem na verdade esconder perguntas cruciais 
para a comunidade científica. Ao mostrar esse 
recorrente erro de avaliação pelos leigos – quando 
escutam falar, por exemplo, de uma pesquisa 
sobre se os canários machos cantam mais ou não na 
primavera–, ele convida o leitor a deixar um 
pouco de lado a visão de que cientistas são todos 
―desequilibrados‖ e a entender um pouco mais 
sobre seu trabalho. 
Com o intuito de mostrar que a ciência é 
algo mais presente no nosso cotidiano do que 
poderíamos imaginar, Lent opta por começar cada 
capítulo desse eixo com comentários 
despretensiosos sobre seu próprio dia a dia, 
lembranças pessoais ou referências à filosofia. E, 
sem querer, aquele que decidiu avançar a leitura, 
curioso em saber um pouco mais sobre os embates 
de ideais da juventude de Lent na década de 1960, 
esbarra no pensamento de Friedrich Engels em sua 
Dialética da natureza e acaba tentando entender 
sobre a neuroplasticidade homeostática dos 
neurônios. 
Como isso acontece? Parte dessa ―sedução‖ 
começa pelos títulos de cada capítulo. Lent deixou 
de lado o cientificismo e, para capturar o leitor, 
optou por expressões como ―O cérebro fabrica 
maconha‖; ‗Trair e coçar, é só começar'; ―Nosso 
grande paradoxo‖; entre outras. Quando 
necessário, Lent também usa termos conhecidos 
pelo público leigo para substituir denominações 
mais científicas, como tutano no lugar de medula 
óssea. 
No segundo eixo do livro, ―Cérebros‖, 
Lent não deixa de lado os recursos anteriores, no 
entanto, é mais direto. O intuito aqui é explicar 
como uma inquietação qualquer sobre 
comportamentos rotineiros como, por exemplo, a 
linguagem gestual, a divagação ou o 
funcionamento do cérebro dos músicos produz 
questionamentos que levam a experimentos e 
conclusões – provisórias ou não. 
O autor comenta igualmente acerca de 
temas delicados, como a religiosidade do ponto de 
vista da ciência, o debate sobre se o fóssil da 
mulher de Flores encontrado em 2003 é de um 
ancestral humano e como a teoria da mente 
comprova que, embora a organização cerebral seja 
a mesma em todos os indivíduos, a cultura modula 
seu funcionamento. 
A discussão continua no terceiro eixo do 
livro, ―Pessoas‖, mostrando como pesquisas têm 
tentado explicar comportamentos humanos como 
o choro, o uso de drogas, a inspiração etc, ou 
avanços da neurociência como os neurorrobôs, 
além de comentar o uso da disciplina em decisões 
judiciais ou para explicar a noção de inteligência 
cultural. 
Com capítulos curtos – entre três e seis 
páginas – e linguagem simples (dentro do 
possível), Roberto Lent consegue expor um pouco 
do mundo da neurociência e, portanto, alcança seu 
objetivo de divulgar esse campo do conhecimento 
entre leigos. No entanto, por mais que o texto seja 
leve, com bastante uso de imagens e de ricas 
referências à literatura, à filosofia e ao cinema; e 
que existam sugestões de leitura ao fim de cada 
capítulo, é preciso que o leitor já tenha tido 
contato –mesmo que mínimo – com o tema para 
um melhor aproveitamento do conteúdo. 
Entretanto, não se pode negar que é um convite 
sedutor para se aprofundar no conhecimento sobre 
neurociência, mesmo sem pretensões acadêmicas. 
 
(Por Romina Cácia. Disponível em: 
<http://www.comciencia.br>. Acesso em 31 jan. 2013) 
 
 
 59 
MACHADO, I. F.; RIBAS, O. T.; OLIVEIRA, T. A. Cartilha: procedimentos básicos para uma 
arquitetura no trópico úmido. São Paulo: Editora Pini, 1986. 
 
Trata-se de um pequeno manual para 
iniciantes nos problemas do projeto de 
habitações nas regiões do Brasil, situadas 
basicamente na bacia do Amazonas. O livro 
inicia-se com uma visão geral do que se deve 
obter com uma casa, propondo também uma 
teoria de como se deve ―construir 
corretamente‖. Esta primeira parte critica o 
atual panorama das atividades construtivas, 
mais voltadas para objetivos de ―representação 
de status‖ do usuário que para o conforto 
físico e psicológico, e para a economia dos 
recursos disponíveis. 
Em contraposição a essa postura, o livro 
enumera os condicionantes ―corretos‖, o clima, 
o solo, a paisagem e os cuidados que devem ser 
tomados para obter-se o máximo desfrute 
desses fatores, sugerindo inclusive algumas 
providências para que a intervenção humana 
seja a menos predatória possível. Sabe-se que a 
região em apreço é de extrema fragilidade, e o 
risco de desertificação da região é um perigo 
presente, como já alertaram biólogos e outros 
estudiosos da Amazônia. 
Quanto aos recursos econômicos, o 
trabalho enfatiza a utilização de soluções já 
consagradas pelo uso, descrevendo cada 
elemento construído da habitação, desde os 
alicerces, estruturas portantes, coberturas, 
vedações, aberturas (portas e janelas) bem 
como os equipamentos sanitários. Aqui nota-se 
um pequeno senão no trabalho, ou seja, as 
recomendações não atingem o nível 
quantitativo. Por exemplo, ao propor fossas 
sépticas para o tratamento de esgotos 
sanitários, em residências situadas em áreas 
pouco urbanizadas, os autores deveriam dar um 
dimensionamento dessas fossas em relação ao 
número de usuários. Ou, quando propõem a 
utilização de madeira para estruturas de 
coberturas, sugerem sua impermeabilização, 
mas não dão nenhuma regra prática de como 
proceder a essa impermeabilização (e proteção 
contra xilófagos, de uma maneira geral). 
Uma outra crítica mais grave pode ser, 
entretanto, feita: todo o manual está montado 
em tomo de considerações sobre a casa isolada, 
de acordo com a tradicional ocupação rural da 
região amazônica. De fato a população dessa 
área do país sempre foi muito rarefeita. 
Entretanto, não é essa tendência que se verifica 
atualmente, nem é o que se pode prever para o 
futuro. Nesse sentido, o manual não orienta, 
nem faz menção de agrupamentos 
concentrados de habitações, seja sobre o solo, 
seja em altura. 
Considerada a pobreza de manuais no 
país, não podemos deixar de registrar o 
meritório esforço dos autores e da editora, que 
se dispôs a editá-lo. 
Pela correção do método empregado e 
pela segurança das informações nele contidas, 
julgamos que esse manual será útil para 
estudantes de arquitetura, no sentido de 
introduzi-los em problemas de conforto 
ambientar e conservação da natureza, qualquer 
que seja a latitude onde um dia irão atuar. 
 
(Júlio Roberto Katinsky Faculdade de Arquitetura, 
Urbanismo, USP, São Paulo) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 60 
Referências 
 
ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e coerência. 4. ed. São Paulo: Parábola, 2008. 
 
DISCINI, Norma. A comunicação nos textos: leitura, produção e exercícios. São Paulo: Contexto, 2005. 
 
EMEDIATO, Wander. A fórmula do texto: redação, argumentação e leitura: técnicas inéditas de redação 
para alunos de graduação e ensino médio. São Paulo: Geração Editorial, 2008. 
 
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. 
 
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. 16. ed. São 
Paulo: Ática, 2006. 
 
FRANÇA, Junia Lessa; VASCONCELLOS, Ana Cristina de. Manual para normalização de publicações 
técnico-científicas. Colaboração de Maria Helena de Andrade Magalhães e Stela Maris Borges. 8. ed. rev. 
e ampl. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007. 
 
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprendendo a pensar. 12. ed. 
São Paulo: FGV, 1985. 
 
KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. 15. ed. São Paulo: Contexto, 2001. 
 
KOCH, I.V.; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. 17. ed. São Paulo: Contexto, 2007. 
 
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 2. ed. São Paulo: Parábola, 2008. 
 
SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Português: livro 2: interpretação de textos. São Paulo: 
Anglo, 1990. Apostila. 
 
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia dotrabalho científico. São Paulo: Cortez, 2000. 
 
SILVA, A. C. R. da. Metodologia da pesquisa aplicada à Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2003. 
 
TERRA, E.; NICOLA, J. de. Práticas de linguagem: leitura e produção de textos. São Paulo: Scipione, 
2001. 
 
TERRA, Ernani; NICOLA, José de; CAVALLETE, Floriana Toscano. Português para ensino médio: 
língua, literatura e produção de textos: volume único. São Paulo: Scipione, 2002.TOMASI, Carolina; MEDEIROS, João Bosco. Português jurídico. São Paulo: Atlas, 2010. 
 
VIANA, A. C. (Coord.) Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998. 
 
VOTRE, Sebastião Josué; PEREIRA, Vinícius Carvalho; GONÇALVES, José Carlos. Desenvolvendo a 
competência comunicativa em gêneros da escrita acadêmica. Niterói: EdUFF, 2010.

Mais conteúdos dessa disciplina