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Centro Universitário de Patos de Minas
Patos de Minas, 2020
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Professores de
Linguagem e Comunicação
Centro Universitário de Patos de Minas
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Centro Universitário de Patos de Minas
PLANO DE ENSINO
ANO LETIVO PERÍODOS CARGA HORÁRIA
2020 1º e 2º Semestral: 80h – Semanal: 4h
Identificação da disciplina: Linguagem e Comunicação
EMENTA
A noção de linguagem como interação e o domínio de mecanismos linguísticos (gramaticais) e discursivos que
permitam ao usuário da língua não só a leitura eficiente de textos variados, mas também a produção deles, a
fim de que possa interagir e atuar sobre o(s) outro(s), social e profissionalmente.
OBJETIVO GERAL
Ler e produzir textos de maneira eficiente, considerando o interlocutor, o contexto de produção, a
circulação e o papel dos textos numa dada comunidade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Aplicar as etapas para uma leitura analítica em atividades de leituras acadêmicas e profissionais.
Reconhecer não só a diferença entre opinião e informação, mas também o processo intertextual na
produção e na recepção de textos.
Dominar mecanismos linguísticos que permitam a leitura e a produção de textos com coesão e
coerência e com progressão e articulação.
Detectar informações implícitas para desenvolver a leitura eficiente de textos diversos.
Compreender textos nos aspectos linguísticos, argumentativos e expressivos para desenvolver
habilidade de interação por meio da língua.
Produzir textos que possibilitem uma participação social e profissional efetiva.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1 ETAPAS PARA LEITURA ANÁLITICA
1.1 Análise textual
1.2 Análise temática
1.3 Análise interpretativa
2 PRODUÇÃO E RECEPÇÃO DE TEXTOS
2.1 Opinião e informação
2.2 Intertextualidade
03 TEXTO E SUA TEXTUALIDADE
3.1 Coerência textual
3.2 Coesão referencial
3.3 Coesão sequencial
4 INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS
4.1 Subentendidos
4.2 Pressupostos
5 ARGUMENTAÇÃO
5.1 Recursos argumentativos
5.2 Falácias da argumentação
6 GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS
6.1 Esquema
6.2 Resumo
6.3 Resenha
ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS
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Os discentes farão leituras de textos variados e de fontes diversas, selecionados pelo professor, voltados, direta
ou indiretamente, à área de atuação escolhida, com a finalidade de reconhecer, de interpretar e de analisar os
apontamentos teóricos feitos nas aulas. Será contemplada também a produção de textos a partir das leituras
recomendadas.
METODOLOGIA
Para que se alcancem os objetivos propostos nas aulas de Linguagem e Comunicação, serão adotados os
seguintes procedimentos didático-metodológicos: aulas expositivas, estudos de textos, debates, apresentação
de seminários, oficinas de leitura e produção de textos.
RECURSOS DIDÁTICOS
Coletânea de textos e atividades, quadro, giz, textos selecionados de revistas, jornais e livros, datashow, vídeo,
salas de computadores e outros recursos necessários ao desenvolvimento das aulas.
AVALIAÇÃO
Do discente: a avaliação, que consiste em um processo contínuo e permanente, será concebida e utilizada nesta
disciplina como elemento constitutivo do processo ensino-aprendizagem que permite identificar, qualitativa e
quantitativamente, os avanços e as dificuldades na concretização dos objetivos propostos. No decorrer do
semestre letivo, serão distribuídos 100 (cem) pontos, da seguinte forma:
1. Quarenta (40) pontos distribuídos pelo docente da disciplina, por meio da realização de provas e/ou outras
atividades de avaliação.
2. Vinte (20) pontos distribuídos pelo professor orientador do Projeto Integrador;
3. Vinte (20) pontos atribuídos na Avaliação Colegiada (AC), elaborada pelo professor da disciplina, sob
supervisão do Núcleo Docente Estruturante (NDE), considerando-se a ementa trabalhada durante o semestre;
4. Vinte (20) pontos atribuídos na Avaliação Integradora (AVIN), considerando-se as ementas de todas as
disciplinas trabalhadas durante o semestre.
Do docente: os alunos avaliarão o desempenho e a atuação do professor por meio de instrumento elaborado pela
CPA.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e coerência. 4. ed. São Paulo: Parábola, 2008.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 2007.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
DISCINI, Norma. Comunicação nos textos: leitura, produção, exercícios. São Paulo: Contexto, 2010.
GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprendendo a pensar. 27. ed. atual.
Rio de Janeiro: FGV, 2011.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A coesão textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2012.
KOCH, Ingedore Villaça; TRAVAGLIA, Luiz C. A coerência textual. 18 ed. São Paulo: Contexto, 2012.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 2. ed.São Paulo: Parábola, 2008.
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS
Elaborar sínteses; comunicar-se eficientemente nas formas escritas, oral e gráfica; ler e interpretar textos;
analisar e criticar informações; extrair conclusões por indução e/ou dedução; estabelecer relações,
comparações e contraste em diferentes situações; detectar contradições; argumentar coerentemente.
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Capítulo 1: Leitura analítica
Neste capítulo, você vai refletir sobre a
importância da leitura na formação de um
cidadão. Para isso, você vai ler textos que
abordam a temática da leitura.
Simultaneamente a isso, você irá conhecer as
etapas para uma leitura analítica, as quais
podem contribuir para o seu aprimoramento
como leitor. A seguir, é apresentado um
roteiro para efetivar uma leitura analítica.
ROTEIRO PARA UMA LEITURA ANALÍTICA
Faça uma leitura seguida e completa do texto. Assinale os pontos desconhecidos, como
vocabulários, fatos, entre outros, e busque esclarecimentos sobre eles.
Indique o tema do texto. Responda à seguinte pergunta: “De que o texto fala”?
Explicite como o assunto do texto foi problematizado.
Aponte a ideia principal do texto (tese). Ela constitui a resposta ao problema levantado.
Identifique os argumentos utilizados pelo autor para demonstrar a tese.
Avalie o texto (alcance dos objetivos propostos, logicidade na apresentação das ideias,
argumentação sólida, originalidade na abordagem do tema, contribuição do texto etc.).
Monte o esquema e faça o resumo do texto.
Uma ferramenta de estudo muito eficaz é o ESQUEMA. Ele contribui para um
estudo mais ativo, possibilita uma melhor compreensão do texto/conteúdo,
permite a organização das ideias, desenvolve o espírito crítico, favorece a
memorização, indica as relações de hierarquia entre as várias ideias, faculta o
estudo dos textos ou apontamentos com mais facilidade. Para elaborar um bom
esquema são necessários alguns cuidados: 1) ler bem o texto, fazendo, pelo menos,
duas leituras; 2) compreender o seu conteúdo; 3) identificar o tema, as ideias
principais e secundárias; 4) ordenar a informação de uma forma lógica; 5)
condensar as ideias em frases curtas; 6) não apresentar opiniões.
Na academia, um habilidade muito importante é a elaboração de RESUMO. Ele é
uma redução do texto original, procurando captar suas ideias essenciais, na
progressão e no encadeamento em que aparecem no texto. Não cabem, num
RESUMO, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado. Muitas
pessoas julgam que resumir é reproduzir frases ou partes de frases do texto
original, construindo uma espécie de "colagem". Essa "colagem" de fragmentos do
texto original não é um resumo. Resumir é apresentar, com as próprias palavras, os
pontos relevantes de um texto. A reprodução de frases do texto, em geral, atesta
que ele não foi compreendido. Para elaborarum bom resumo, é necessário
compreender antes o conteúdo global do texto. Não é possível ir resumindo à
medida que se vai fazendo a primeira leitura. Um RESUMO deve ainda apresentar:
1) correção gramatical e léxico adequado à situação escolar/acadêmica; 2)
indicação de dados sobre o texto resumido, no mínimo autor e título; 3) menção
do autor do texto original em diferentes partes do resumo e de formas diferentes;
4) menção de diferentes ações do autor do texto original (o autor questiona,
debate, explica...); 5) texto compreensível por si mesmo.
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1) Faça a leitura analítica de cada texto a seguir. Monte o esquema e elabore o resumo de cada texto.
Texto 1: Ler e escrever; pensar e existir
Muita gente escreve perguntando como
se faz para escrever bem. Parece que, além do
1% de inspiração que está no DNA de qualquer
aspirante a Shakespeare, o que é determinante
são os 99% de transpiração. O que, em matéria
de escrita, só significa uma coisa: ler.
Ler é fundamental. Não só por uma
série de razões práticas — aumenta o
vocabulário, o conhecimento geral, a capacidade
de expressão e a probabilidade de sucesso com
as mulheres —, mas especialmente por
despertar áreas adormecidas do cérebro. Ler a
boa literatura assim como entrar em contato
com artes plásticas ou música ativa a
imaginação, a capacidade de abstração. Mas,
mais importante, ler desenvolve a única
capacidade realmente importante nessa vida,
que é a de pensar.
Passando um certo ponto de leitura, a
estupidez fica impossível. Você não pode ler
Marx e Smith e concordar com ambos sem se
questionar sobre qual dos modelos econômicos
faz mais sentido. O mesmo vale para Platão e
Maquiavel quando se fala dos governantes; Sun
Tzu e Gandhi sobre a guerra; Hobbes e Thoreau
sobre obediência civil; Freud, Jung, Santo
Agostinho e Paulo Coelho no que diz respeito à
espiritualidade etc. A lista é infinita: para cada
aspecto mais ínfimo da vida humana, há uma
multidão de opiniões diferentes e, quando você
entra nelas, é impossível que o seu cérebro,
enferrujado por horas e horas de baboseira
televisiva, não pegue no tranco e comece a
trabalhar. Só há três dificuldades nesse
processo.
A primeira é gostar de ler. Quem lê por
obrigação não passa de algumas dezenas de
livros e nunca entende o prazer que é a leitura.
Essa ideia de que literatura é algo enfadonho é,
claro, herança de todos os professores limitados
que lhe mandaram ler porcaria no colégio e
depois fizeram provas ou pediram ―fichas de
leitura‖ em que você, como papagaio, teve de
repetir a história para provar que leu. Duas
dicas: primeiro, leia o que lhe interessa, não
espere o professor lhe pegar pela mão; segundo,
lute contra a mediocridade dos seus professores,
exija tratamento de ser pensante.
A segunda dificuldade é saber o que ler.
Lembro-me de ficar lendo as pessoas que eu
admirava ou tinha respeito na minha infância
para ver o que elas liam ou recomendavam e aí
tentava ler o mesmo. Acabei lendo ―O
Nascimento da Tragédia‖, de Nietszche, com
uns 14 anos, achando que a tragédia mencionada
era alguma hecatombe; nem ideia da tragédia
grega, Sofócles ou Ésquilo. Ou seja, não dá
certo. Outro caminho é ler os clássicos, aquilo
que todo mundo já disse que é bom, de Homero
a Proust.
Mas não adianta dar caviar para quem
nunca comeu lambari. Vai encher o saco.
Comece lendo coisas que lhe interessem e que
prendam a atenção, aos poucos você acaba
migrando para a boa literatura, por causa das
citações, referências e tal. Só não vá para aquela
areia movediça de esoterismo, autoajuda e
romance ―melacueca‖, que porcaria vicia.
Por último, ―há uma pedra no meio do
caminho‖. Acontece para muitos de, depois de
ler meia dúzia de livros, achar que o seu lado da
moeda é o único e rejeitar todo o resto como
mentira. É a arrogância típica do ―imbecil‖.
Cuidado para passar essa fase. Quanto mais se
lê, mais se nota que se sabe pouco, quase nada.
E que pouco na vida é imutável, definitivo,
inquestionável. O que importa é desenvolver a
capacidade de pensar e de julgar por si só. Até
para entender que tudo o que está escrito acima
pode não passar da mais absoluta idiotice.
(IOSCHPE. Gustavo Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de publicação: 1º março 1999. Com adaptações).
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Texto 2: Língua e poder
―A terapia teve um efeito idiossincrático
com prognóstico favorável em caso de pronta
supressão‖. Essa frase, enigmática para os não-
iniciados nas sendas médicas, não significa
muito mais do que ―o remédio teve efeito
contrário, mas não causará problemas se for
suspenso logo‖.
Esse é um dos exemplos de jargão que
consta da reportagem sobre linguagens técnicas
publicada na semana passada no caderno
Sinapse. O jargão é de fato inevitável, mas isso
não significa que ele deva ser empregado em
todas as ocasiões. Com efeito, toda profissão,
do telemarketing à física de partículas, acaba
por desenvolver um vocabulário específico,
muitas vezes impenetrável para o leigo. Não
apenas neologismos são criados como palavras
comuns podem ter sua significação alterada.
Em alguns casos, trata-se de uma
necessidade. O jargão, no mínimo, economiza
palavras, concentrando carga informativa em
termos específicos. Quando um médico fala em
―miocardiopatia idiopática‖, ele está na verdade
dizendo um pouco mais do que apenas
―problemas cardíacos de causa ignorada‖. No
subtexto, um outro médico compreenderá que
o paciente sofre de moléstia cardíaca de origem
desconhecida e para a qual já foram descartadas
as causas que mais comumente provocam
doenças do coração.
Em determinadas áreas científicas, os
próprios objetos de estudo não passam de
jargão. É o caso, por exemplo, da linguística,
com seus morfemas, sintagmas e lexemas, e da
física de partículas, com seus quarks, glúons e
léptons. limite, sem o jargão, os fenômenos
estudados não podem nem ser enunciados.
Reconhecer a importância e a
necessidade do jargão em certas situações não
significa chancelar seu uso indiscriminado. Um
médico ou um advogado que se dirijam a seus
clientes em linguagem técnica incompreensível
estão, na verdade, atendendo muito mal ao
consumidor, que deve ter, em todas as
ocasiões, acesso a uma explicação completa de
sua situação em linguagem acessível.
Infelizmente, as coisas nem sempre se
passam assim. Desde que o mundo é mundo,
profissionais de uma determinada área tendem
a unir-se para manter sua arte impenetrável
para o público em geral e, assim, aumentar seu
poder. Não foi por outra razão que os escribas
do antigo Egito complicaram
desnecessariamente a escrita hieroglífica: era
uma forma de conservarem e até de ampliarem
sua posição hierárquica. Os tempos e as ciências
mudaram, mas o princípio de complicar para
valorizar-se permanece em vigor.
Não devemos, é claro, ser ingênuos e
acreditar que poderemos promover a plena
igualdade através da língua. Democracia é,
antes de mais nada, a arte de negociar, de
aplicar o bom senso na solução de problemas.
Nesse sentido, o bom profissional é aquele
capaz de comunicar-se no melhor jargão com
seus colegas, mas que consegue, sem grandes
perdas, fazer-se entender pelo leigo. Os que
ostensivamente abusam da linguagem técnica
tendem a ser os menos capazes, os que mais
precisam afirmar-se para não perder poder.
(Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2906200302.htm>)
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Texto 3: Palavras e ideias
Há alguns anos, o Dr. Johnson
O‘Connor, do Laboratório de Engenharia
Humana, de Boston, e do Instituto de
Tecnologia, de Hoboken, Nova Jersey,
submeteu a um teste de vocabulário cem alunos
de um curso de formação de dirigentes de
empresas industriais (industrial executives), os
executivos. Cinco anos mais tarde, verificou
que os dez por cento que haviam revelado
maior conhecimento ocupavam cargos de
direção, ao passo que dos vinte e cinco porcento mais ―fracos‖ nenhum alcançara igual
posição.
Isso não prova, entretanto, que, para
vencer na vida, basta ter um bom vocabulário;
outras qualidades se fazem, evidentemente,
necessárias. Mas parece não restar dúvida de
que, dispondo de palavras suficientes e
adequadas à expressão do pensamento de
maneira clara, fiel e precisa, estamos em
melhores condições de assimilar conceitos, de
refletir, de escolher, de julgar, do que outros
cujo acervo léxico seja insuficiente ou
medíocre para a tarefa vital da comunidade.
Pensamento e expressão são
interdependentes, tanto é certo que as palavras
são o revestimento das ideias e que, sem elas, é
praticamente impossível pensar. Como pensar
que ―amanhã tenho uma aula às 8 horas‖, se não
prefiguro mentalmente essa atividade por meio
dessas ou de outras palavras equivalentes? Não
se pensa in vácuo. A própria clareza das ideias
(se é que as temos sem palavras) está
intimamente relacionada com a clareza e a
precisão das expressões que as traduzem. As
próprias impressões colhidas em contato com o
mundo físico, através da experiência sensível,
são tanto mais vivas quanto mais capazes de
serem traduzidas em palavras – e sem
impressões vivas não haverá expressão eficaz. É
um círculo vicioso, sem dúvida: ―... nossos
hábitos linguísticos afetam e são igualmente
afetados pelo nosso comportamento, pelos
nossos hábitos físicos e mentais normais, tais
como a observação, a percepção, os
sentimentos‖. De forma que um vocabulário
escasso e inadequado, incapaz de veicular
impressões e concepções, mina o próprio
desenvolvimento mental, tolhe a imaginação e
o poder criador, limitando a capacidade de
observar, compreender e até mesmo de sentir.
―Não se diz nenhuma novidade ao afirmar que
as palavras, ao mesmo tempo que veiculam o
pensamento, lhe condicionam a formação. Há
século e meio, Heder já proclamava que um
povo não podia ter uma ideia sem que para ela
possuísse uma palavra‖, testemunha Paulo
Rónai em artigo publicado no Diário de
Notícias, do Rio de Janeiro, e mais tarde
transcrito na 2ª edição de Enriqueça o seu
vocabulário (Rio, Civilização Brasileira, 1965),
de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
Portanto, quanto mais variado e ativo é
o vocabulário disponível, tanto mais claro,
tanto mais profundo e acurado é o processo
mental da reflexão. Reciprocamente, quanto
mais escasso e impreciso, tanto mais
dependentes estamos do grunhido, do grito ou
do gesto, formas rudimentares de comunicação
capazes de traduzir apenas expansões instintivas
dos primitivos, dos infantes e ... dos
irracionais.
(GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna. 8. ed. Rio de Janeiro, FGV, 1980. p. 155-6).
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Capítulo 2: Produção e recepção de textos
Neste capítulo, você irá refletir sobre
produção e recepção de textos. O texto é
determinado pela finalidade comunicativa.
Conforme Nicola, Florina e Ernani (2002), o
falante, ao realizar um ato de comunicação
verbal, escolhe, seleciona palavras para depois
organizá-las e combiná-las, conforme a sua
vontade. Esse trabalho de seleção e combinação
não é aleatório, mas está diretamente ligado à
intenção do produtor do texto, ou informar ou
opinar, por exemplo.
2.1 Opinião e informação
1) Leia os textos a seguir para responder ao que se pede.
Texto 1: Raquel Dodge defende que vaquejada vai contra a Constituição
A procuradora-geral da República,
Raquel Dodge, em parecer encaminhado
ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF),
afirmou que ―não é possível extrair da
Constituição autorização para impor
sofrimento intenso e para mutilar animais, com
fundamento no exercício de direitos culturais e
esportivos‖.
No entendimento da PGR, a Emenda
Constitucional 96/2017, que autoriza as
vaquejadas em território brasileiro, é
inconstitucional. A manifestação foi enviada ao
ministro Dias Toffoli, relator da Ação Direta
de Inconstitucionalidade (ADI 5728)
apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção
e Defesa Animal.
A PGR lembra que a emenda aprovada
pelo Congresso Nacional no ano passado
determina que práticas desportivas que utilizem
animais não são consideradas cruéis, desde que
sejam manifestações culturais. No entanto, a
procuradoria entende que ―trata-se de uma
―ilogicidade insuperável não definir como
cruéis essa práticas‖.
Raquel Dodge considera a vaquejada,
ainda que seja histórica em algumas regiões do
país, incompatível com os preceitos
constitucionais que obrigam a República a
preservar a fauna, a assegurar ambiente
equilibrado e, sobretudo, a evitar desnecessário
tratamento que causam dor e sofrimento aos
animais.
―Não há possibilidade de realizar
vaquejada sem maus-tratos e sofrimento
profundo dos animais‖, afirma a PGR. Na
opinião de Raquel Dodge, não há dúvida de
que animais envolvidos em vaquejadas são
submetidos a condições degradantes e
sistemáticas de lesões e maus-tratos, que
caracterizam tratamento cruel.
(Disponível em: <https://revistagloborural.globo.com/Noticias/noticia/2018/05/raquel-dodge-defende-que-vaquejada-vai-
contra-constituicao.html>. Com adaptações).
1. Com que intenção o texto foi produzido?
2. A que recursos linguísticos o autor recorreu para que predominasse a imparcialidade na transmissão
das informações?
Texto 2: Dor garantida por lei
Uma PEC (proposta de emenda
constitucional) aprovada há pouco pela Câmara
dos Deputados e prestes a ser confirmada pelo
Senado determina que, ao contrário do que
dispôs o STF (Supremo Tribunal Federal), o
Brasil considere legal que se obrigue um boi a
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correr numa arena entre dois cavalos montados
por vaqueiros que tentam jogá-lo ao chão,
puxando seu rabo. Em breve, traduzido para o
legalês castiço e sob o nome fantasia de
vaquejada, isso estará na Constituição.
Na prática, significa que será
constitucional encurralar — tornar indefeso —
um boi e submetê-lo à chibata, de modo a
infligir-lhe tal dor e pavor que, uma vez
liberto, ele contrarie a sua natureza de animal
lento e inofensivo e saia descontrolado pela
arena, tentando fugir dos que o maltratam e
dando ensejo a ser perseguido e derrubado
pelos dois homens a cavalo.
A Constituição garantirá que sua cauda,
ao ser agarrada, puxada e torcida e sofrer
brutal tração pelo vaqueiro, esteja sujeita ao
rompimento dos ossos que a compõem ou, no
mínimo, ao desenluvamento, que é a violenta
retirada de pele e tecidos. O texto
constitucional autorizará ainda que o boi sofra
fraturas nas patas, ruptura de vasos sanguíneos
e lesões nas vértebras, na medula espinal e nos
órgãos internos. Pelo mesmo artigo, a
Constituição propiciará aos cavalos o direito de
também serem açoitados ao mesmo tempo em
que o boi (para acompanhá-lo na velocidade) e
terem o ventre retalhado pelas esporas em
forma de estrela.
A Constituição, já vergada ao peso de
tantas emendas, acolherá tudo isso porque os
congressistas não podem ficar mal com os
eleitores das regiões em que a vaquejada é uma
manifestação "cultural".
A legalização da crueldade e da covardia
não ameniza o sofrimento das vítimas, mas
permite a seus algozes um sono bem pago e
sem culpa.
(CASTRO, Ruy. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2017/06/1893940-dor-garantida-por-
lei.shtml>).
1. Com que intenção o texto foi produzido?
2. Esse texto mantém relação intertextual com outro texto. Justifique.
Texto 3: Música de vaquejada
Sou um vaqueiro experiente
Filho de um nordestino
Vaqueiro de muitas glórias
Seguidor de um destino
De ir atrás de Vaquejada
Derrubando boi na faixa
Com alegria de um menino.
Solte o boi deixe correr
Solte o boi e não bezerro
Sou vaqueiro afamado
Que trabalha o dia inteiro
Pegar boi pelo cabo
Puxar jogar por lado
Fácil como um carneiro.
Quando eu vejo o animal
Saindo pelo portão
O corpo treme todo
Acelera o coração
Disparo o meu cavalo
Pego o bicho pelo rabo
E faço rolarpelo chão.
Minha vida é Vaquejada
Sou um homem do Sertão
Nasci comendo cobras
Cresci domando alazão
Tenho mulher, tenho filhos
Vivo sempre em perigo
Por honrar a profissão.
(CARDOSO, Luiz Carlos Marques. Disponível em: <http://www.luizcarlosbill.com.br/blog/cordel/musica-de-vaquejada/>).
1. Com que intenção o texto foi produzido? A que recursos o autor recorreu para concretizar sua
intenção?
http://www.luizcarlosbill.com.br/blog/cordel/musica-de-vaquejada/
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2.2 Intertextualidade
Pode-se dizer que textos são reuniões
de várias vozes: polifonia. Essas vozes podem
aparecer no texto de maneira explícita ou
implícita. Nenhum texto se produz no vazio ou
se origina do nada. Todo texto se alimenta, de
modo claro ou subentendido, de outros textos.
Um, ao retomar outro, tanto pode reiterar ou
subverter as ideias presentes no texto
―original‖. O autor utiliza-o com o objetivo de
apoiar ou de dizer algo totalmente diferente do
que foi dito em outro texto, de criticar um
ponto de vista, uma visão de mundo.
Para Nicola, Florina e Ernani (2002), o
conhecimento das relações entre os textos – e
os textos utilizados como intertexto – é um
poderoso recurso de produção e apreensão de
significados. Quando um determinado autor
recorre a outros textos para compor os
próprios, certamente tem um motivo muito
claro – a construção de significados específicos
(crítica, reflexão, releitura, entre outras
questões). Percorrer o caminho inverso, ou
seja, buscar esse motivo e reconstruir o
processo de produção leva a desvendar tais
significados, pois um texto completa outro,
lança luz sobre o outro. É o exercício da leitura
que irá garantir tudo isso.
1) Leia, com atenção, os textos seguintes para responder ao que se pede.
Texto 1: Sem adjetivos
―Eu sabia que estava com um cheiro de
suor, de sangue, de leite azedo. Ele [delegado
Fleury] ria, zombava do cheiro horrível e mexia
em seu sexo por cima da calça com olhar de
louco.‖
De Rose Nogueira, jornalista em São
Paulo. Da ALN, foi presa em 1969, semanas
depois de dar à luz.
―No quinto dia, depois de muito
choque, pau de arara, ameaça de estupro e
insultos, abortei. Quando melhorei, voltaram a
me torturar.‖
De Izabel Fávero, professora de
administração em Recife. Da VAR-Palmares,
foi presa em 1970.
―Eu passei muito mal, comecei a
vomitar, gritar. O torturador perguntou:
‗Como está?‘. E o médico: ‗Tá mais ou menos,
mas aguenta‘. E eles desceram comigo de
novo."
De Dulce Chaves Pandolfi, professora
da FGV-Rio. Da ALN, foi presa em 1970 e
serviu de ―cobaia‖ para aulas de tortura.
―Eu não conseguia ficar em pé nem
sentada. As baratas começaram a me roer. Só
pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos.‖
De Hecilda Fontelles Veiga, professora
da Universidade Federal do Pará. Da AP, foi
presa em 1971, no quinto mês de gravidez.
―Eu era jogada, nua e encapuzada, como
se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os
tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas
as minhas obturações.‖
De Marise Egger-Moellwald, socióloga,
mora em São Paulo. Do então PCB, foi presa
em 1975. Ainda amamentava seu filho.
―Eu estava arrebentada, o torturador
me tirou do pau de arara. Não me aguentava
em pé, caí no chão. Nesse momento, fui
estuprada.‖
De Gilze Cosenza, assistente social
aposentada de Belo Horizonte. Da AP, foi
presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.
Trechos de 27 depoimentos de
sobreviventes, intercalados às histórias de 45
mortas e desaparecidas no livro ―Luta,
Substantivo Feminino‖, da série ―Direito à
Verdade e à Memória‖. Será lançado na PUC-
SP hoje, a seis dias do 31 de março.
(Eliane Cantanhêde, Folha de S. Paulo, 25 março 2010, p. A2.
Opinião).
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1. Esse texto apresenta unidade temática. Qual? O que assegura essa unidade?
2. Como compreender o recurso da intertextualidade na produção do texto?
Texto 2: Nossa vida, mais amores
Um dos maiores poemas, e talvez o mais
célebre, da literatura brasileira diz em sua
segunda estrofe: ―Nosso céu tem mais estrelas/
Nossas várzeas têm mais flores/ Nossos bosques
têm mais vida/ Nossa vida, mais amores‖. Você
adivinhou: é a ―Canção do Exílio‖, de Gonçalves
Dias (1823-1864), que começa, claro, com
―Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o
sabiá‖.
Quando o poeta o escreveu, em 1843, o
Brasil, ainda com 90% de território a desbravar,
tinha de si próprio uma visão romântica e
idealizada. Hoje sabemos muito mais sobre o
país — e tanto que, se Gonçalves Dias fosse
reescrever seu poema, teria outras imagens a
escolher. Eis algumas.
Nossas barragens são criminosas e
inseguras — rompem-se e levam à morte o que
encontram pela frente. Nossos viadutos e
pontes vão abaixo ou racham, pela ação do
tempo ou por serem feitos com material de
quinta. Nossos museus se incendeiam e
destroem patrimônios que não nos pertencem,
mas à humanidade.
Nossos mares, baías e rios recebem
nossos abjetos dejetos naturais e industriais e só
têm o odor como protesto antes de morrer.
Nosso céu é, às vezes, uma hipótese — algo que
deve existir acima da camada de poluição. E
nossos sistemas de fiscalização, obedientes a
interesses maiores, não fiscalizam.
Nossos hospitais, escolas e transportes
públicos são carentes, insuficientes ou
inexistentes. Nossas estradas, ruas e calçadas são
crateras, impróprias para humanos e carros.
Nossas cidades têm vastos territórios vedados
aos cidadãos e outros em que, pela miséria, seus
habitantes podem praticar tudo, menos a
cidadania. E nossos administradores são
inoperantes, incompetentes ou corruptos.
Falando neles, nossos corruptos são,
estes, sim, dignos de poemas e rapsódias.
Penetraram por todas as brechas conhecidas da
vida pública — e, como não paramos de
descobrir, também pelas desconhecidas.
(CASTRO, Ruy. Disponível: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2019/01/nossa-vida-mais-amores.shtml>).
1. Com que intenção o texto foi produzido?
2. Quais são os dois ―Brasis‖ descritos no texto?
RESENHA é um trabalho de síntese, publicado logo após a edição de uma obra.
Tem por objetivo servir como veículo de crítica e avaliação. Podem-se fazer
resenhas de livros, artigos de periódicos, filmes e outros. As resenhas acadêmicas
devem vir precedidas da referência bibliográfica completa das obras a que se
referem – diferentemente das publicadas pela mídia sem intenção acadêmica. A
resenha deve ser elaborada com apreciação justa, clareza de exposição, precisão e
concisão, para cumprir sua finalidade de auxiliar na seleção de leituras. A resenha
contribui para desenvolver a mentalidade científica e levar o iniciante à pesquisa e
à elaboração de trabalhos monográficos. Lakatos e Marconi (1995, p. 245)
propõem um roteiro para elaboração de resenhas científicas e/ou acadêmica: 1.
Referência bibliográfica; 2. Credenciais do autor; 3. Resumo da obra; 4. Conclusões
da autoria; 5. Metodologia da autoria; 6. Quadro de referência do autor; 7. Crítica
do resenhista; 8. Indicações do resenhista.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/11/20/mais!/13.html
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/11/20/mais!/13.html
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/sem-brumadinho-e-mariana-vale-acumula-acoes-ambientais-de-r-8-bilhoes.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/parte-de-viaduto-da-marginal-pinheiros-cede-e-bloqueia-pista-expressa.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/apos-mais-6-h-bombeiros-controlam-incendio-no-museu-nacional-no-rio.shtml
13
2) Preencha as lacunas com diferentes formas de menção ao dizer do autor do texto resenhado e de
outros autores. Note que se trata de um livro contendo vários artigos e
―organizado‖ por duas autoras.
Informação e globalização na era do conhecimento
Helena M. M. Lastres e Sarita Albagali (organizadoras)
Rio de Janeiro. Editora Campus. 1999. 318 p.
Por André Gardini
"O tomate é um produtohigh tech!"
Essa afirmação fora de contexto pode parecer
um tanto maluca, mas o
___________________ Informação e
globalização na era do conhecimento mostra como
um sistema de inovações tecnológicas pode ser
responsável por transformações na relação da
sociedade com o espaço e entre as próprias
sociedades. A frase está no capítulo
"Desmaterialização e trabalho", escrito por
Ivan da Costa Marques, da UFRJ. O
________________ descreve uma pesquisa
realizada na Universidade da Califórnia que,
visando [...].
Discussões como essas estão no
____________________ organizado por
Helena M. M. Lastres, economista e mestre em
Engenharia da Produção da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Sarita
Albagli, socióloga e doutora em geografia
(UFRJ). O _________________ está
dividido em 11 capítulos escritos por autores
de diferentes formações, como ciência da
informação, ciência política, geografia,
economia e sociologia. Os _______________
discorrem sobre temas marcantes e
responsáveis por profundas transformações no
início deste novo milênio.
Nesse sentido, Lastres, no
_________________ "A economia da
informação, do conhecimento e do
aprendizado", corrobora a idéia de Marques,
pois diferencia dois tipos de inovação, as
tecnológicas e as organizacionais, entendidas
como complementares. [...] A
________________ faz uma análise do papel
da informação e do conhecimento na área da
economia da inovação [...].
Portanto, a ________________
sugere que os sistemas nacionais, regionais ou
locais de informação sejam tratados como uma
rede de instituições dos setores públicos e
privados, tendo a inovação e o aprendizado
como seus principais aspectos. [...]
14
Capítulo 3
03 Texto e sua textualidade
Não adianta saber que escrever é
diferente de falar. É necessário preocupar-se
com o sucesso dos objetivos da produção
textual, como a interação entre o produtor do
texto e o seu receptor. Para que se tenha êxito
nesse processo, deve-se construir um todo
significativo. É preciso, portanto, recorrer a
elementos que auxiliem na ligação das partes,
na construção da coerência, entre outros.
Neste capítulo, você terá acesso, num
primeiro momento, a uma questão
fundamental quando se fala de textos, que é a
coerência. Num segundo momento, será
abordado outro fator que contribui para o
sucesso da produção de textos, que é a coesão.
Por último, será vista a construção do
parágrafo e sua articulação no texto.
3.1 Coerência e coesão textual
Como vimos anteriormente, os textos
são veiculadores de intenções. Essas intenções
ou propósitos do autor de um texto somente
terão sentido se houver uma organização
harmônica das ideias apresentadas. Podemos
dizer, portanto, que um texto não é um
aglomerado de frases, mas um todo organizado
capaz de manter contato com seus leitores,
agindo sobre eles. Dizer que um texto é uma
organização de sentido é dizer que ele é
coerente.
A coerência é resultante da não-
contradição entre os segmentos textuais e da
adequação entre o que está na materialidade
textual e o contexto extraverbal. No primeiro
caso, um segmento é pressuposto para o
seguinte e assim sucessivamente. No segundo,
o que é dito no texto deve estar em harmonia
com o nosso conhecimento de mundo, sobre o
que é permitido ou não em determinadas
situações – que inclui nosso conhecimento
sobre tipo e gêneros textuais. Assim, há uma
transmissão e uma recepção de uma linha de
pensamento.
Fiorin e Savioli (2007) identificam três
níveis em que a coerência deve ser observada:
narrativo, figurativo e argumentativo. No
primeiro, a coerência está na decorrência lógica
das ações e de suas relações com os
personagens que as praticam. No segundo, a
coerência está na articulação harmônica entre o
que é descrito (as figuras), com base na relação
de significado que mantém entre si. No
terceiro, a coerência está na apresentação
concatenada de uma ideia que será defendida,
de argumentos que sustentam essa ideia e do
remate dado pela conclusão.
Seria incoerente uma fala de um
conferencista como esta:
As empresas brasileiras têm produzido muito
e gerado postos de trabalho. Os empresários apostam
numa nova forma de garantir a fidelidade de seus
colaboradores por meio da divisão dos lucros. Os
colaboradores da base da hierarquia, em virtude de
suas ocupações, não puderam participar dessa
divisão.
Além de um preconceito com alguns
trabalhadores, o raciocínio lógico instaurado
inicialmente nos leva a pensar que todos os
trabalhadores teriam parte nos lucros, o que
não ocorre. A fala do conferencista é, pois,
incoerente.
Há certa confusão entre os termos
coerência e coesão. Enquanto a coerência se
refere à unidade de sentido e, por isso, é de um
nível profundo, a coesão é a ligação, a relação,
a conexão entre as palavras, expressões, frases
ou parágrafos do texto. Os elementos coesivos
assinalam a conexão entre partes do texto.
15
A palavra texto, na sua etimologia, vem
do latim textum, que significa tecido,
entrelaçamento. Produzir um texto é o mesmo
que praticar a ação de tecer, entrelaçar
unidades e partes com a finalidade de formar
um todo. Desse modo, podemos falar em
textura de um texto, que é a rede de relações
coesivas.
São muitos os mecanismos de coesão
textual. Nesta seção, vamos estudar alguns.
Esperamos que, a partir desse estudo, você
esteja apto a não só perceber outros em suas
leituras, mas também a recorrer a outros em
sua produção textual. Escolhemos um editorial
da revista Veja (27 abril 2006, p. 9) para
demonstração do que consideramos um texto
bem tecido. Destacamos apenas alguns recursos
coesivos para estudo e para demonstração da
continuidade textual.
O Brasil tem jeito
Desde a volta da democracia, em 1985,
o país tem passado por uma série de escândalos na
esfera institucional. No Poder Executivo, houve o
impeachment de um presidente e,
recentemente, a demissão de ministros
envolvidos em esquemas ilícitos. No Legislativo,
por seu turno, ainda se escutam os ecos do
mensalão e não empalideceram as imagens dos
―anões‖ da Máfia do Orçamento sendo banidos
da vida pública. Agora, com a Operação
Hurricane (furacão, em inglês), deflagrada pela
Polícia Federal para prender os integrantes de
uma quadrilha que explorava o jogo de caça-
níqueis, chegou a vez de o Judiciário ter exposta a
sua banda podre. Três desembargadores foram
presos e um ministro do Superior Tribunal de
Justiça (8) está afastado das suas funções. Pesa
sobre esses togados a acusação de venda de
liminares. Com tais instrumentos jurídicos, os
exploradores do jogo conseguiam manter em
funcionamento milhares de casas ilegais de
jogatina, dotadas de máquinas manipuladas para
lesar o jogador. Há indícios de que pode haver
ainda outros altos integrantes do Judiciário
comparsas dessa máfia.
A sucessão de escândalos de corrupção no
Brasil costuma provocar nos cidadãos a impressão de
que o país não tem jeito. É como se a
desonestidade fosse parte inextirpável do
caráter nacional. Compreende-se que os
ânimos se arrefeçam, mas é preciso enxergar o
fenômeno de um ângulo mais amplo. Em primeiro
lugar (18), os escândalos só vêm à tona graças
ao bom funcionamento das instâncias responsáveis
pela fiscalização do poder – entre as quais a
imprensa livre, a polícia e, ressalte-se, a imensa
maioria dos integrantes do Poder Judiciário. Em
segundo lugar, a cada quadrilha estourada, a cada
esquema desvendado, dá-se um passo a mais
para a depuração das instituições. Por isso,
pode-se analisar a operação da Polícia Federal ora
em curso (24) como uma contribuição ao
aprimoramento da Justiça, cuja distribuição
igualitária e eficiente é um dos pilares das
sociedades abertas e modernas. A continuar por
esse caminho, o Brasil tem jeito, sim.
No quadro abaixo, encontram-se os comentários acerca dos elementos de coesão destacados no texto.
(1)Embora essa “série de escândalos‖ esteja indefinida, é a expressão desencadeadora da organização
do texto.
(2) O autor apresenta, sem comentários, o primeiro dos três poderes institucionais e, a partir daí,
dois escândalos aí ocorridos.
(3) O autor apresenta, sem comentários, o segundo dos três poderes institucionais.
(4) Essa expressão marca a passagem para a apresentação dos escândalos no Legislativo. Não há
comentários acerca desses escândalos.
(5) Essa expressão marca a passagem para a apresentação do escândalo no Judiciário. No meio da
16
expressão é apresentado o escândalo aí ocorrido.
(6) Essa expressão apresenta o terceiro dos três poderes, que é o Judiciário.
(7) Refere-se ―quadrilha que explorava o jogo de caça-níqueis‖, que, por sua vez, antecipa a ―banda
podre‖ do Judiciário.
(8) Refere-se a ―banda podre‖, identificando-a.
(9) Refere-se a ―três desembargadores‖ e a ―um ministro‖.
(10) Refere-se a ―liminares‖.
(11) Refere-se aos envolvidos no escândalo que pagaram pelas liminares.
(12) Elemento que mostra a inclusão de membros do Judiciário no escândalo.
(13) Refere-se aos desembargadores e ao ministro, além de deixar marcado o envolvimento de outros
integrantes do Judiciário.
(14) Refere-se a ―banda podre‖, já detalhada anteriormente.
(15) Recupera ―uma série de escândalos na esfera institucional‖ do primeiro parágrafo para o articular
com o segundo e para acrescentar que o Brasil não tem jeito.
(16) Conector que opõe a impressão de que o Brasil não tem jeito a um novo modo de ―ver‖ os
escândalos, anunciando-se um otimismo.
(17) Refere-se aos escândalos na esfera institucional.
(18) Expressão que fragmenta, num primeiro momento, a noção ―amplo‖, anteriormente
apresentada.
(19) Essas ―instâncias‖ são apresentadas a seguir, após um travessão, destacando-se o Judiciário.
(20) Operador que enfatiza a ideia seguinte.
(21) Opõe-se a ―banda podre‖ do primeiro parágrafo, assinalando o otimismo do autor.
(22) Expressão que fragmenta, num segundo momento, a noção ―amplo‖, anteriormente apresentada.
(23) Conector responsável por encaminhar o fechamento da questão de que o Brasil tem jeito.
(24) Refere-se a ―Operação Hurricane‖, no primeiro parágrafo.
(25) Refere-se ao Poder Judiciário.
(26) Refere-se a ―Justiça‖.
(27) Expressão que abre a conclusão subjetiva do autor. ―Esse caminho‖ refere-se ao fato de que, se os
esquemas são desvendados, há depuração das instituições.
(28) Recupera o título do título do texto, deixando explícito o otimismo do autor.
Você percebeu que um texto não é
simplesmente um conjunto de frases aleatório.
A nossa experiência como falante não é a de
formar frases; a nossa experiência é a de
produzir textos a todo momento. A análise e a
leitura do texto O Brasil tem jeito mostraram o
papel dos mecanismos de coesão, que é, de
acordo com Antunes (2005, p. 47), criar,
estabelecer e sinalizar os laços que deixam os
vários segmentos do texto ligados, articulados,
encadeados. Portanto, a função da coesão é a
de promover a continuidade do texto, a
sequência interligada de suas partes, para que
não se perca o fio de unidade que garante sua
interpretabilidade.
Quando lemos o primeiro parágrafo do
texto O Brasil tem jeito, temos a impressão – ou
somos levados a isso – de que o Brasil não tem
jeito. São mencionados vários escândalos nos
poderes constitutivos de nosso país. Na
transição para o segundo parágrafo, o autor
retoma a ―série de escândalos‖ do primeiro
parágrafo para, além de dar continuidade ao
seu texto, fazê-lo progredir noutra direção,
que é a de nos levar a acreditar que o Brasil tem
jeito. No interior de cada parágrafo, são feitas
retomadas e antecipações, além de se deixarem
explícitas algumas conexões. Tudo isso para
garantir não só a continuidade do texto, mas
também o sucesso de sua interpretabilidade.
17
Há dois tipos de coesão: a referencial e
a sequencial. O primeiro tipo se caracteriza por
substituições de um elemento por outro e por
reiterações de elemento do texto. O segundo
tipo se refere ao desenvolvimento
propriamente dito, ora por procedimentos de
manutenção temática, como emprego de
termos pertencentes ao mesmo campo
semântico, ora por meio de processos de
progressão temática, que podem realizar-se por
meio da satisfação de compromissos textuais
anteriores ou por meio de novos acréscimos ao
texto.
Quando vamos escrever um texto nos
baseamos em quatro elementos centrais: a
repetição, a progressão, a não-contradição e a
relação. Todas essas partes compõem o texto,
relacionando-se com o que já foi dito ou com o
que se vai dizer. Vejamos o que quer dizer cada
um desses elementos.
Repetição – Ao longo de um texto coerente, ocorrem repetições, retomadas de
elementos. Essa retomada é normalmente feita por pronomes ou por palavras e expressões
equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o
que deve ser feito com cuidado, a fim de que não seja prejudicado.
Progressão – Num texto coerente, devemos sempre acrescentar novas informações ao
que já foi dito. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de
elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o
que já foi colocado. Dessa forma, equilibramos o que já foi dito com o que se vai dizer,
garantindo a continuidade do tema e a progressão do sentido.
Não-contradição – Num texto coerente, não devem surgir elementos que contradigam
aquilo que já foi considerado falso, ou vice-versa. Esse tipo de contradição só é tolerado se
for intencional. Não se deve confundir a não-contradição com o contraste, pois a
aproximação de idéias e fatos contrastantes é um recurso muito freqüente no
desenvolvimento da argumentação.
Relação – Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados. Essa
relação deve ser suficiente para justificar sua inclusão num mesmo texto. Para que se avalie
o grau de relação dos elementos que vão construir o texto, é importante organizá-lo
esquematicamente antes de escrever. Feito o esquema, é importante observar se a
aproximação das idéias é realmente eficaz.
Esses quatro itens (repetição,
progressão, não-contradição e relação) podem
ajudar a avaliar o grau de coesão dos textos. A
configuração final do texto depende ainda de
outros fatores, como o canal de comunicação,
o perfil do receptor e as finalidades pretendidas
pelo emissor. Todos esses fatores afetam
diretamente as feições do texto que se pretende
bem-sucedido.
Alguns elementos linguísticos são
importantes na produção do texto. O sentido
deles deve ser captado pelos leitores. Esses
elementos linguísticos são os operadores
argumentativos. Eles servem para orientar a
sequência discursiva, estabelecendo relações
entre os segmentos do texto: orações de um
mesmo período, períodos, sequências textuais,
parágrafos ou partes de um texto. É importante
lembrar que num texto, principalmente de
natureza argumentativa, o uso de operadores
mostra a capacidade do produtor de
apresentar, de defender e de refutar
argumentos. Os principais valores dos
operadores argumentativos são: adição,
oposição ou contraste, alternância,
conclusão, explicação, causa,
comparação, condição, conformidade,
consequência, finalidade, proporção,
tempo, inclusão e exclusão, enumeração
e distribuição, retificação, entre outros.
18
1) Identifique pelo menos uma incoerência no texto a seguir.
Durante sua carreira de goleiro,
iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua
terra natal, Leão, de 51 anos, sempre impôs
seu estilo ao mesmo tempo arredio e
disciplinado. Por outro lado, costumava ficar
horas aprimorando seus defeitos após os
treinos. Ao chegar à seleção brasileira em
1970, quando fez parte do grupo que
conquistou o tricampeonato mundial, Leão não
dava um passo em falso. Cada atitude e cada
declaração eram pensadas com uma
racionalidade típica de sua família, jáque seus
outros dois irmãos, Edmílson, 53 anos, e
Édson, 58, são médicos. (Correio Popular, Campinas,
20 out. 2000 - com adaptações)
2) Por que as frases abaixo são ambíguas?
a) A cantora deixou a plateia emocionada.
b) O pai proibiu o filho de sair de seu carro.
c) O médico examinou o paciente preocupado.
d) A mãe procurou o brinquedo do filho em seu quarto.
e) Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais sadias.
f) No site ―namoro‖ é possível conhecer muitas pessoas sem nenhum compromisso.
g) Polícia prende acusado de matar a namorada no velório dela.
h) Andando pela zona rural do litoral norte, facilmente se encontram casas de veraneio e moradores de
alto padrão.
i) Atendimento preferencial para idosos, gestantes, deficientes, crianças de colo (Placa sobre um dos
caixas de um banco).
j) Uma pesquisa com 600 crianças e adolescentes mostra que a publicidade tem função pedagógica – e
prova que a garotada vê comerciais com um inteligente ceticismo.
3) O texto a seguir é uma reprodução de uma placa de aviso afixada nas bombas de etanol dos postos
de combustíveis. Identifique a incoerência presente nesse aviso.
4) Leia os textos a seguir para preencher os quadros. Na coluna de coesão referencial, escreva o
referente ao qual o termo ou expressão destacada faz alusão. Na coluna da coesão sequencial, diga o
valor semântico do conector destacado.
19
Texto 1: [Glicose como fonte de energia]
A glicose é constantemente aproveitada
pelas células do corpo como fonte de energia,
por isso é necessário manter sua concentração
no sangue em equilíbrio. Níveis glicêmicos
alterados (elevação ou redução) trazem
consequências negativas para o corpo, e a
maneira mais adequada de reduzir essas
complicações é tentando manter o equilíbrio.
Para isso se faz necessário realizar medições da
glicemia.
As diferentes técnicas de
monitoramento da glicose no sangue podem
ser classificadas em laboratorial e portátil. A
primeira é mais confiável, entretanto, como
gera maiores custos, seu uso fica restrito aos
laboratórios de análises clínicas e hospitais.
Outra desvantagem observada é a necessidade
de maiores volumes de sangue (três mililitros)
para realizar o teste.
Além disso, é preciso muito cuidado e
agilidade ao manipular uma amostra que será
submetida à dosagem de glicose no laboratório,
pois o consumo desse carboidrato pelos
eritrócitos no sangue ocorre na taxa de
aproximadamente 10% por hora em
temperatura ambiente. Esse consumo pode ser
ainda mais acelerado se a amostra estiver
contaminada. (Texto adaptado).
COESÃO REFERENCIAL COESÃO SEQUENCIAL
sua – por isso –
essas complicações – Para –
isso – entretanto –
A primeira – como –
o teste – Além disso –
desse carboidrato – pois –
Esse consumo –icose) se –
Texto 2: A maçã não tem culpa
Pela lenda judaico-cristã, o homem
nasceu em inocência. Mas a perdeu quando
quis conhecer o bem e o mal. Há uma distorção
generalizada considerando que o pecado
original foi um ato sexual, e a maçã ficou sendo
um símbolo de sexo.
Quando ocorreu o episódio narrado na
bíblia, Adão e Eva já tinham filhos pelos
métodos que adotamos até hoje. Não usaram
proveta nem recorreram à sapiência técnica e
científica do ex-doutor Abdelmassih. Numa
palavra, procederam dentro do princípio
estabelecido pelo próprio Senhor: "Crescei e
multiplicai-vos". O pecado foi cometido
quando não se submeteram à condição humana
e tentaram ser iguais a Deus, conhecendo o
bem e o mal. A folha de parreira foi a primeira
escamoteação da raça humana.
Criado diretamente por Deus ou
evoluído do macaco, como Darwin sugeriu, o
homem teria sido feito para viver num paraíso,
em permanente estado de graça. Nas religiões
orientais, o homem, criado ou evoluído, ainda
vive numa fase anterior ao pecado dito original.
O homem se interioriza pela
meditação, deixando a barba crescer ou
tomando banho no Ganges, já que busca a si
mesmo dentro do universo físico e espiritual.
Quando atinge o nirvana, ele vive uma situação
de felicidade, num paraíso possível. Adão e
Eva, com sua imensa prole, poderiam ter
continuado no Éden se não tivessem cometido
o pecado. A maçã de Steve Jobs não tem nada a
ver com isso.
Repito: o pecado original não foi o
sexo, o ato do sexo, prescrito pelo próprio
latifundiário, dono de todas as terras e de todos
os mares. A responsabilidade pelo pecado foi a
soberba do homem em ter uma sabedoria igual
à de seu Criador.
(Adaptado de CONY, Carlos Heitor. A maçã não tem culpa.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>).
20
COESÃO REFERENCIAL COESÃO SEQUENCIAL
a – Mas –
princípio estabelecido pelo próprio Senhor – nem –
ele – como –
sua (imensa prole) – já que –
isso – se –
5) Leia este texto para responder ao que se pede.
Comissária da EgyptAir “previu” desastre no Facebook
Samar Ezz Eldin, aeromoça que estava no avião da EgyptAir que
caiu no mar Mediterrâneo na última quinta-feira (19), “previu” que seria
vítima de um acidente aéreo por meio de uma montagem postada no
Facebook há mais de dois anos.
Publicada em 26 de setembro de 2014, a imagem mostra Eldin
saindo da água, puxando uma mala e com a roupa molhada e ao fundo
a cauda de um avião afundando. A foto já foi compartilhada mais de 5
mil vezes na rede social.
Uma parente da aeromoça, Mervat Mohamed, disse ao jornal Al
Watan que Eldin tinha 26 anos, trabalhava havia dois na EgyptAir e
tinha se casado seis meses antes da tragédia. Ao todo, 66 pessoas
estavam a bordo do voo MS804, que seguia de Paris, na França, para o
Cairo, no Egito, mas desapareceu dos radares no sul do Mediterrâneo.
Ainda não se sabe o que teria causado o desastre, mas especula-
se que a aeronave tenha sido derrubada por um atentado terrorista.
(Disponível em: <http://noticias.terra.com.br>. Acesso: 22 maio de 2016. Data de
publicação: 21 maio 2016).
a) A leitura do título leva a que interpretação? Depois de ler o texto, que interpretação deve ser dada
ao título? Reescreva o título de modo que fique clara a intenção comunicativa.
b) Neste fragmento, transcrito com adaptações do texto, há uma ambiguidade sintática. Identifique-a
e reescreva o fragmento de modo que seja dada a ele a interpretação desejada pelo jornalista.
Samar Ezz Eldin “previu” que seria vítima de um acidente aéreo por meio de uma montagem postada no Facebook.
6) Leia o fragmento de matéria jornalística reproduzido a seguir para responder ao que se pede.
Teste evita biópsia de próstata desnecessária
Aparelho usa onda eletromagnética para examinar a glândula de forma
não invasiva em caso de suspeita de câncer
Homens que passam por biópsia podem sofrer efeitos colaterais
e ansiedade; nova tecnologia está em teste
MARIANA VERSOLATO
EDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE"
Um aparelho cilíndrico que é posicionado entre as pernas do
paciente pode evitar biópsias desnecessárias na próstata, segundo um
estudo do A.C. Camargo Cancer Center.
O hospital em São Paulo é o primeiro do país a usar esse exame na
prática clínica.
O teste com o equipamento pode ser feito por homens com
suspeita de câncer de próstata que já se submeteram aos exames de
toque e de sangue (PSA) e têm indicação para fazer uma biópsia.
21
O objetivo é definir quem realmente deve ser submetido à biópsia,
um procedimento invasivo que pode causar ansiedade e efeitos como
dores e sangramento na urina e na ejaculação.
Na biópsia, uma agulha inserida no reto colhe fragmentos da
próstata do paciente. A anestesia pode ser local (com sedação) ou geral.
[...].
(Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso: 20 maio 2016. Data de
publicação: 01 nov. 2013).
a) O título da matéria pode gerar um estranhamento no leitor. Por quê? Reescreva o título demodo
que fique clara a intenção comunicativa.
b) Em muitas situações textuais, o leitor, em virtude de seu conhecimento de mundo, faz uma
interpretação que não corresponde literalmente ao que foi dito ou escrito. Qual é a informação que
está explícita na passagem destacada a seguir? Como deve ser interpretada?
O objetivo é definir quem realmente deve ser submetido à biópsia, um procedimento invasivo que pode causar
ansiedade e efeitos como dores e sangramento na urina e na ejaculação.
7) Leia esta notícia, para responder ao que se pede.
Morre bebê de brasileira que foi abusada e atirada da janela
Menina de 17 meses também havia sofrido abusos sexuais
Morreu na noite da última terça-feira (26) a pequena Alicia, filha de
17 meses de uma jovem brasileira que foi jogada da janela de um
apartamento por um espanhol em Vitoria, no País Basco. A informação é
do jornal El Mundo .
O episódio ocorreu na madrugada da segunda passada (25),
quando a mãe entrou em casa e surpreendeu o homem, que tem 30
anos, abusando sexualmente da menina. Os dois então começaram a
discutir, até que ele atirou Alicia pela janela da residência, que fica no
primeiro andar de um prédio.
A criança ainda ficou internada por quase dois dias com
politraumatismos graves, mas não resistiu aos ferimentos. A brasileira,
que tem cerca de 18 anos, segue internada, mas não corre risco de
morrer, enquanto o espanhol está sob custódia da polícia na unidade de
psiquiatria de um hospital de Vitoria.
(Disponível em:<http://noticias.terra.com.br>. Acesso: 20 maio 2016. Data de publicação:
27 jan. 2016).
a) O produtor dessa notícia foi eficiente na sua elaboração? Por quê?
b) No último parágrafo, as proposições introduzidas pelo ―mas‖ contrapõem-se às proposições
anteriores que giram em torno do verbo ―internar‖. Que informações implícitas podem ser detectadas
a respeito da internação da ―criança‖ e da ―brasileira‖?
8) Leia, com atenção, o fragmento de texto a seguir para responder ao que se pede.
Vaticano admite abuso de freiras por padres
O Vaticano admitiu ontem a validade de um relatório segundo o
qual alguns missionários e padres obrigam freiras a fazer sexo com
eles, chegando, em alguns casos, a cometer estupro e forçar as vítimas
a fazerem abortos. Segundo o relatório, citado pelo jornal romano "La
Repubblica", algumas freiras são forçadas a tomar pílulas
22
anticoncepcionais.
De acordo com o Vaticano, o problema se restringe a
determinada área geográfica, mas o relatório citou casos ocorridos em
23 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Irlanda e
Itália. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil evitou pronunciar-se
– sua assessoria disse que a entidade tomou conhecimento das
informações por meio da imprensa. [...]
(PAGANI, Steve. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de postagem: 21
março 2001. ).
a) Nesse fragmento de texto, há duas ocorrências do verbo ―admitir‖: uma no título e outra na
primeira linha. Essas duas ocorrências geram o mesmo efeito de sentido? Por quê?
b) O conector ―mas‖ é empregado, geralmente, para estabelecer uma relação semântica de contraste
ou de oposição entre termos ou ideias. Como você avalia o emprego desse conector no primeiro
período do segundo parágrafo?
9) Complete as lacunas com elementos de coesão sequenciais.
a) Os aterros sanitários diferem de lixões (em que o lixo é despejado no solo a céu aberto)
_________________ têm dispositivos para minimizar efeitos nocivos ao ambiente,
_________________ impermeabilização do solo, drenagem e tratamento de efluentes líquidos e
gasosos e cobertura dos resíduos. Há ainda uma categoria intermediária, os aterros controlados, que
usam princípios de engenharia para confinar os resíduos e fazem sua cobertura após cada jornada de
trabalho (evitando danos à saúde pública), _________________ não dispõem de outros mecanismos
para impedir a poluição local. _________________ importância da adoção de medidas para a
preservação ambiental, não é raro o uso de lixões no Brasil. _________________ dados da Pesquisa
Nacional de Saneamento Básico realizada em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o lixo produzido diariamente no país naquele ano chegava a cerca de 125 mil toneladas. Desse
volume total, 47,1% era destinado a aterros sanitários, 22,3% a aterros controlados e 30,5% a lixões.
Mas, em relação ao número de municípios que dava ao lixo um destino final adequado, a situação não
era favorável: 63,6% utilizavam lixões, 18,4%, aterros controlados e 13,8%, aterros sanitários; 5%
não informaram para onde vão seus resíduos.
b) A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) estima que há 880
milhões de analfabetos adultos e 115 milhões de jovens em idade escolar fora da escola, entre a
população mundial. A Unesco, _________________, não divulgou os números para cada país
pesquisado. Em setembro do ano passado, o Ministério da Educação divulgou os dados mais recentes
sobre o Brasil, onde 14,7% da população entre 14 e 49 anos de idade continua analfabeta. Houve uma
grande redução do problema, _________________, há 20 anos, mais de 30% da população naquela
faixa etária não sabia ler e escrever. O Ministério relacionou a queda dos índices de analfabetismo com
o aumento da escolaridade: em 1980, apenas 49% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola,
percentual que subiu para 96% no ano passado. O Brasil reduziu pela metade o percentual de
analfabetos na população, _________________ dobrou o número de crianças em idade escolar nas
salas de aula. Esse avanço é relevante, _________________ a simples alfabetização já não é mais
suficiente para a conquista de emprego num mercado de trabalho competitivo.
23
c) O mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)prevê que a
produção de alimentos em todo o mundo pode sofrer um impacto dramático nas próximas décadas por
conta das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. _________________ os
cientistas do painel, o aumento da temperatura ameaça o cultivo de várias plantas agrícolas
_________________ pode piorar o já grave problema da fome em partes mais vulneráveis do
planeta. Países pobres da África e da Ásia seriam os mais afetados, _________________ grandes
produtores agrícolas, _________________ o Brasil, _________________ sentiriam os efeitos, já
na próxima década.
10) Numere os períodos na ordem em que formem um texto coeso e coerente.
( ) Essa invenção permitiu o sofisticado gosto dos reis franceses de colecionar livros, e a mesma
revolução que os degolou foi responsável por abrir suas coleções ao povo.
( ) Há cerca de 2.300 anos, os homens encontraram uma maneira peculiar de guardar o
conhecimento escrito juntando-o num mesmo espaço. A biblioteca foi uma entre outras das brilhantes
idéias dos gregos, que permanecem até hoje.
( ) Apesar da resistência da Igreja, a informação começou a girar mais rápido com a invenção da
imprensa de Gutemberg.
( ) Assim, as bibliotecas passaram a ser "serviço de todos", como está escrito nos anais da maior
biblioteca do mundo, a do Congresso, em Washington, que tem 85 milhões de documentos em 400
idiomas diferentes.
( ) Depois deles, a Idade Média trancou nos mosteiros os escritos da antiguidade clássica e os
monges copistas passavam o tempo produzindo obras de arte.
11) Numere os períodos na ordem em que formem um texto coeso e coerente.ponto)
( ) A geolocalização indica, por rastreamento de dados do IP do computador ou do GPS do celular,
exatamente onde uma pessoa está.
( ) As empresas sabem disso e estão criando formas para fazer com que a distância entre a casa e o
emprego diminua.
( ) Com essa informação, é possível rastrear um candidato mais próximo a uma companhia.
( ) Uma das maisrecentes é usar recursos de geolocalização na hora do recrutamento.
( ) Hoje, um dos grandes anseios dos profissionais é morar perto do trabalho.
12) Os sinais de pontuação foram retirados dos textos a seguir. Pontue-os adequadamente.
Texto 1: O que acontece com a comida que sobra do restaurante
Ela até pode ser doada mas geralmente
é descartada se a comida foi exposta como em
um bufê de restaurante por quilo ela
necessariamente precisa ser jogada fora se foi
preparada e armazenada na cozinha seguindo as
normas da resolução RDC nº 275 da Anvisa
pode ser doada em até um dia porém por causa
da Lei n° 8.137 de 1990 quem responde por
qualquer problema que essa comida possa
causar na saúde de alguém é o restaurante se
um estabelecimento qualquer doar as sobras a
uma instituição e depois esse alimento causar
alguma doença, é o próprio doador que será
responsabilizado por isso a maioria dos
restaurantes prefere jogar a comida fora
24
Texto 2: Carne branca ou carne escura
Famoso na ceia de Natal o peru começa
a tomar conta dos supermercados mas o que é
melhor comer a carne branca do peito ou a
carne escura das coxas as diferenças
nutricionais entre as duas não são tantas em
geral o que faz um corte de peru ou qualquer
outro tipo de ave mais escuro do que outro é o
tipo e músculo que contém a carne é mais
escura se tem níveis mais altos de mioglobina
um composto que permite que os músculos
transportem oxigênio necessário para
atividades que gastem energia como perus e
galinhas não voam e andam bastante a carne das
pernas deles é mais escura enquanto suas asas e
peitos são brancos muitas pessoas escolhem
carne branca por causa do seu conteúdo
calórico comparada com a branca a carne
escura contém mais ferro zinco riboflavina
tiamina e vitaminas B6 e B12 ambas têm menos
gordura do que a maioria dos cortes de carne
vermelha então não tem como escolher errado
Texto 3: Vacas mugem com sotaque regional diz estudioso
Um estudo recente da Universidade de
Londres afirma que as vacas como as pessoas ao
falarem apresentam sotaques regionais distintos
ao mugir o professor John Wells especialista
em fonética da Instituição foi investigar o
assunto depois que criadores de vacas leiteiras
perceberam ligeiras diferenças nos "muuuus"
das vacas de diferentes regiões em seu rebanho
eu passo muito tempo com as minhas vacas e
definitivamente elas mugem com um sotaque
de Somerset disse Lloyd Green que tem uma
fazenda em Glastonbury no oeste da Inglaterra
conversei com outros fazendeiros na região e
eles também perceberam fatos semelhantes em
suas vacarias com cachorros também é assim
quanto mais próxima a relação do dono com os
animais mais fácil é pegarem o sotaque Wells
afirma que também já foram identificados
sotaques diferentes em passarinhos para o
estudioso entretanto o fenômeno pode ser
resultado do contato com outros animais da
região não com humanos
13) Uma leitura atenta do texto abaixo mostra que foram retiradas as vírgulas.
Ao anular uma norma catarinense que negava autorização para impressão de notas fiscais a empresas
devedoras de ICMS o STF determinou que o poder público em todas as esferas deixe de aplicar
sanções arbitrárias a contribuintes inadimplentes. Esse tipo de punição está previsto em legislações
municipais e estaduais em todo o país. Com base no parágrafo único do artigo nº 170 da Constituição
dez dos 11 ministros definiram que a cobrança de tributos deve ser executada por seus meios típicos.
O número de vírgulas suprimidas é: ________________________________.
14) Esquematize as frases a seguir, pondo em evidência os paralelismos.
a) Governo ou se torna racional ou se destrói de vez.
b) Não estou descontente com seu desempenho, mas sim com sua arrogância.
c) Falava-se da chamada dos conservadores ao poder e da dissolução da Câmara.
d) O projeto não só será aprovado, mas também posto em prática imediatamente.
e) Estamos questionando tanto seu modo de ver os problemas quanto sua forma de solucioná-los.
15) Reescreva as frases abaixo, estabelecendo os paralelismos.
25
a) Ele não só trabalha mas também é estudante.
b) Mentir tornou-se mais conveniente do que a verdade.
c) Para vencer, é preciso esforço e que sejamos compenetrados.
d) Trata-se de um argumento forte e que pode encerrar o debate.
e) Faríamos a pesquisa na biblioteca, mas, à última hora, desistiu-se.
f) Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda.
g) É enorme a discrepância entre os candidatos e as vagas nos concursos.
h) Tanto os países da América do Sul e os da América Central estão enfrentando dificuldades políticas.
i) A preservação do meio ambiente representa não só um dever de cidadania e para que o planeta
sobreviva.
j) Preparo profissional e estimular senso crítico são metas essenciais para sobressair-se no mercado de
trabalho.
k) Muitos brasileiros vivem abaixo da linha da miséria, enquanto os Estados Unidos são famosos pelo
seu alto padrão de vida.
16) Indique as alternativas nas quais ocorre a quebra do paralelismo. Em seguida, faça a correção.
a) Gosto de dançar e comer bolos de chocolate.
b) Ora jogava videogame, ora fazia a lição de casa.
c) Acordou, tomou banho, foi pra aula e estudou o dia inteiro.
d) Após lavar o carro, Joana sentiu-se cansada e dormiu a tarde inteira.
e) O presidente da Rússia negocia com a Ucrânia sobre a crise na Crimeia.
f) Quanto mais estudamos, as chances de passarmos no vestibular aumentam.
g) A diferença entre computadores disponíveis e crianças no laboratório de informática é grande.
17) Leia os trechos a seguir e proponha uma redação adequada para as quebras de paralelismo
presentes neles.
a) Austrália é uma nação construída sobre a cerveja. Quando Port Jackson — o local em torno do qual
a cidade de Sydney surgiu — foi colonizado no final do século 18, seus poucos habitantes estavam
famintos não apenas por comida, mas se ressentiam também da falta de um suprimento constante de
cerveja e outros tipos de bebidas alcoólicas. (Disponível em: <https://www.terra.com.br>).
b) Haydon Morgan, cervejeiro da empresa, ficou encarregado da fermentação da levedura secular e
descobriu que ela tinha propriedades bem diferentes de suas semelhantes comerciais modernas.
(Disponível em: <https://www.terra.com.br>).
c) Após testar pequenos fermentos de 120 litros, eles aumentaram a produção para 5 mil litros, o que
gerou um resultado ligeiramente diferente, uma cerveja com um perfil de sabor diferente da
fermentação, ganhando a etiqueta de "temperamental" da equipe cervejeira. (Disponível em:
<https://www.terra.com.br>).
d) Não é raro, no atual momento, um mesmo profissional fazer trabalhos para rádio, TV e imprensa
escrita. Mas é fundamental que cada um desses meios seja abordado com uma perspectiva característica
e condizente com as necessidades de seu público. Esse contato com os espectadores vai se intensificar
ainda mais a partir dos próximos anos, seja na televisão, na internet ou mesmo em veículos grandes, a
tendência é que cada vez mais a mídia trabalhe para proporcionar diferentes sensações ao público,
usando sons, imagem e textos para informar.(Disponível em: <https://g37.com.br>).
https://g37.com.br/
26
e) O país se prepara para ter um novo ‗mapa‘ dos solos brasileiros. O mapeamento, com diferentes
graus de detalhamento, permitirá gerar dados para o subsídio de políticas públicas, assim como para
orientar a agricultura e apoiar decisões de crédito agrícola, entre outras ações. Coordenado pela
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Programa Nacional de Solos do Brasil
(PronaSolos) envolverá diversos ministérios e órgãos federais e deve mapear todos os solos do país em
até 30 anos. (Disponível em: <http://cienciahoje.org.br>)
18) Indique os paralelismos sintáticos da publicidade a seguir.
EM 28 ANOS, O BNB CONSEGUIU DEIXAR AS
COISAS BEM MELHORES.PARA TODOS OS SANTOS
Até 1952, Padre Cícero era, praticamente, o único agente de
desenvolvimento do Nordeste.
A ele se recorria para arranjar emprego, casar a filha, garantir o inverno, curar
doenças, erradicar endemias, abrir caminhos, mostrar soluções.
Hoje, as coisas mudaram. Pede-se aos santos, mas espera-se que as soluções
venham pelo esforço e ação das instituições humanas.
Como, por exemplo, o BNB, que responde ao desemprego com crédito
industrial; ao drama da seca com pesquisa técnica cientifica e financiamento de
projetos de açudagem e irrigação; à baixa produtividade agrícola com apoio
técnico e crédito rural; aos problemas das áreas metropolitanas com
investimentos em infraestrutura urbana.
Com o apoio e a participação, é claro, de toda a comunidade nordestina.
Pois os milagres, hoje, nascem sempre das mãos, do coração e da mente de
todos os santos de casa.
Banco do Nordeste do Brasil S.A.
O banco de 35 milhões de brasileiros.
19) Considere este artigo do CC:
A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário ou por inexecução do cargo.
A = A doação
B = pode ser revogada
C = por ingratidão
D = por inexecução do cargo
Considerando que as setas representam relações sintáticas entre expressões linguísticas, assinale a
opção que corresponde à estrutura do período.
a)
b)
c)
d)
e)
http://cienciahoje.org.br/
27
20) Este anúncio publicitário é marcado por quebra de paralelismo. Identifique essa quebra e
proponha uma solução.
80% dos professores são mestres e doutores – índice similar às melhores faculdades públicas
brasileiras.
3.2 Parágrafo isolado e no texto
O parágrafo é, segundo Garcia (1978, p.
203), ―uma unidade de composição, constituída
por um ou mais de um período, em que se
desenvolve determinada idéia central, ou
nuclear, a que se agregam outras secundárias,
intimamente relacionadas pelo sentido e
logicamente decorrentes dela.‖ A definição desse
autor não se aplica a todo tipo de parágrafo;
aplica-se a apenas ao parágrafo-padrão.
O parágrafo-padrão é bastante
recorrente nos textos de natureza dissertativa, já
que trabalham com ideias e exigem rigor e
objetividade na composição. Apresenta a
seguinte estrutura: a) introdução ou tópico
frasal: expressa a ideia principal do parágrafo,
definindo seu objetivo; b) desenvolvimento:
corresponde a ampliação do tópico frasal, com
apresentação de ideias secundárias que o
fundamentam ou esclarecem; c) conclusão: nem
sempre presente, especialmente nos parágrafos
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia
central, levando em consideração os diversos
aspectos no desenvolvimento.
O texto a seguir, que é uma resenha,
ilustra essa concepção de parágrafo-padrão.
Os descobridores, de Daniel J. Boorstin; Civilização Brasileira; 646 páginas
O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para
escrever essa história* compacta da ciência é duplamente inovador. Em primeiro
lugar, ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de
experimentos que costumam rechear as obras de referência, entediando o leitor
não especializado. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou
entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável
realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. A
segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não
burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de
alguns instrumentos, como o relógio, a bússola e o microscópio. Com isso,
algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. É o caso da história dos
despertadores digitais, que o leitor aprenderá, deliciosamente, ter sua origem
numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar
os monges para as orações noturnas. Longe da sisudez dos textos
técnicos, Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e
leitura acessível.
Assunto: a obra Os descobridores, de Daniel J. Boorstin, editada pela Civilização Brasileira.
Delimitação do assunto: resenha crítica da obra.
Objetivo fixado: mostrar a dupla inovação pelo escritor Boorstin ao escrever a história da ciência.
Tópico frasal: Boorstin, ao escrever uma história compacta da ciência, procede a duas inovações.
Plano de desenvolvimento das ideias:
1 Apresentação das duas novidades:
1.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica.
1.2 Opção por uma narrativa romanceada.
Conclusão: o autor une precisão científica e leitura acessível.
28
1) Para cada conjunto de informações esquemáticas a seguir, produza um parágrafo dissertativo-
argumentativo completo. Observe a delimitação de cada um deles e fixe um objetivo. Para a
elaboração do tópico frasal e do desenvolvimento, seja fiel às informações dos quadros; não faça
comentários, apenas descreva. Na conclusão, apresente sua opinião. Na redação, leve em
consideração o emprego do paralelismo.
a) Como empresários de sucesso começam o dia
(Disponível em: <https://www.nibo.com.br/blog/como-empresarios-de-sucesso-comecam-o-dia/>)
29
b) Complicações causadas pela insônia
(Disponível em: <http://osteocarlapestana.blogspot.com/2016/02/insonia.html>)
c) Abandono da prática de esportes
(Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/diesporte/2.html>)
30
d) Consuma sem consumir o mundo em que você vive
(Disponível em: <https://bunifeitabira.blogspot.com/2011/11/consuma-sem-consumir-o-mundo-que-vive.html>)
31
2) Mostre como o autor, no texto a seguir, garantiu a progressão e a articulação das ideias por meio de
parágrafos bem concatenados.
Vivendo com o lixo
Há dez anos, dei-me conta de que o
aparelho de fax em minha bancada de trabalho
só estava servindo para ocupar espaço –
suficiente para acomodar os quatro volumes do
"Lello Universal", os três do "Webster's
Dictionary" e os nove da "História da
Literatura Ocidental", de Otto Maria
Carpeaux. Sei disso porque foi o que botei no
lugar quando me livrei do bicho.
Custei a perceber que há muito
ninguém me mandava mensagens por fax nem
eu para ninguém. Não havia motivo para
conservar o objeto que, apesar de meio úmido
de maresia, ainda funcionava bem. Assim, dei-o
para minha faxineira, que o aceitou empolgada
– até concluir que, também para ela, aquele
aparelho já era inútil, derrotado pelo e-mail.
Perguntei-lhe outro dia o que tinha feito com o
fax. Não se lembrava.
É o que vivo me perguntando: para
onde vão esses aparelhos depois que morrem?
Com os eletrodomésticos, é diferente: antes de
ir para o ferro-velho, um liquidificador pode
atravessar gerações, mesmo que bata abacate,
amendoim e gelo de hora em hora. mas
celulares, torres, teclados, monitores,
notebooks, mouses, baterias, pilhas têm de ser
regularmente jogados fora, destino que
também já atinge iPods, Kindles, Nooks etc. –
esses, não por desgaste, mas por já superados.
E para onde vão as embalagens de plástico disso
tudo?
Por mais que os órgãos do ambiente
lutem para que as empresas que produzem ou
vendem lixo eletrônico o recebam de volta e
lhe deem um fim adequado – chama-se a isso
de "logística reversa" –, parte de seus
componentes tóxicos continua entre nós, no ar
ou na água. Donde não se espante se, numa
dessas, seu café ou suco vier temperado com
mercúrio, chumbo, berílio, cádmio ou
arsênico.
Afinal, para onde quer que se mande
esse veneno – reciclado ou não –, ele não tem
como deixar o planeta.
(CASTRO, Ruy. Vivendo com o lixo. Disponível em:
<www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/78830-vivendo-
com-o-lixo.shtml>. Acesso em: 18 abril 2015 – com
adaptações).
3) O objetivo do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é avaliar o desempenho dos
estudantes com relação aos conteúdos programáticos previstos nasdiretrizes curriculares dos cursos de
graduação, o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias ao aprofundamento da
formação geral e profissional e o nível de atualização dos estudantes com relação à realidade brasileira e
mundial, integrando o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Constam da
prova do Enade questões discursivas e fechadas. A seguir, foram reproduzidas integralmente quatro
questões discursivas do Enade (uma de 2014, uma de 2015 e duas de 2016), da parte de Formação
Geral. Com orientação do(a) professor(a), resolva essas questões.
32
33
34
Capítulo 4
04 Informações implícitas
Para Marcuschi (2008), a atividade
inferencial, quando vista na sua complexidade,
não pode ser considerada um mecanismo
espontâneo e natural. Pode ocorrer que, em
dado momento, determinada seja mais eficaz
do que outra para dada operação inferencial. O
autor apresenta, para discussão, a seguinte
situação: suponhamos que na porta de certo
estabelecimento comercial esteja escrito:
―Aberto aos domingos‖. Podemos entender,
por exemplo, a) que o estabelecimento só abre
aos domingos; b) que o estabelecimento abre
também aos domingos e c) que o
estabelecimento abre todos os dias da semana.
Qual seria, portanto, a interpretação mais
provável? Seguramente, todos diriam que a
intenção do autor desse aviso foi dizer que o
estabelecimento abre todos os dias, inclusive
aos domingos. Assim, parece que (c) seria a
interpretação preferencial e impliciaria (b).
Mas (a) também não estaria errada; só não seria
usual, porque o normal é abrir durante os dias
não-feriados.
Os textos podem transmitir tanto
informações explícitas quanto implícitas. Uma
leitura eficiente deve captar esses dois tipos de
informações. Portanto, leitor perspicaz é
aquele que lê as entrelinhas. Caso não tenha
essa habilidade, deixará de perceber
significados importantes ou concordará com
ideias e opiniões que rejeitaria se as percebesse.
Há dois tipos de informações implícitas:
os pressupostos e os subentendidos. Quanto
aos pressupostos, podemos dizer que são ideias
não expressas de maneira explícita, que são
resultantes logicamente do sentido de certas
palavras ou expressões contidas na frase.
Quanto aos subentendidos, são insinuações
contidas em uma frase ou um grupo de frases.
4.1 Pressupostos e subentendidos
Qual seria então a diferença entre os
pressupostos e os subentendidos? Os
pressupostos são informações estabelecidas
como indiscutíveis tanto para o falante quanto
o ouvinte, uma vez eles decorrem do sentido
de algum elemento linguístico colocado na
frase. Eles podem ser negados, mas o falante o
coloca implicitamente para não o ser. Já os
subentendidos são de responsabilidade do
ouvinte. O falante pode esconder-se atrás do
sentido literal das palavras e negar que tenha
dito o que o ouvinte depreender de suas
palavras.
Em ―Pedro tornou-se fumante‖, a
informação explícita é a de que hoje Pedro é
um fumante. Do sentido do verbo ―tornar-se‖,
que significa vir a ser, decorre logicamente que
anteriormente Pedro não era fumante. Temos,
nessa situação, uma pressuposição. Suponha
que, numa sala de aula, na época do inverno,
um aluno, ao dizer que estivesse sentindo frio,
talvez sugerisse que um outra pessoa fechasse a
porta, já que rajadas de vento estariam
entrando na sala. Temos, nessa situação, um
caso de subentendidos.
De um único texto muitas informações
implícitas ou inferenciais podem ser feitas.
Apontaremos no texto a seguir algumas delas.
35
O que vai ser quando crescer?
O grupo de jovens que agrediu pelo
menos três rapazes por volta das 6h30 de
anteontem, na avenida Paulista, estuda num
colégio particular. Menos de 15% dos
adolescentes nessa faixa etária frequentam
escolas privadas em São Paulo; o resto está na
escola pública ou fora da escola.
Além disso, desde o primeiro instante
os agressores contaram com a proteção de pelo
menos um advogado. É, em tese, um direito de
todos, embora, na prática, seja mais um
indicador de privilégio social.
Os jovens já estão em casa. Foram
liberados ontem – quatro deles, entre 16 e 17
anos, da Fundação Casa; Jonathan Lauton
Domingues, 19, o único universitário, de um
centro de detenção provisório.
Não sei se deveriam permanecer
detidos. Mas seria bom que não ficassem
impunes. É possível, porém, que a maior
punição seja a repercussão pública do caso,
com os constrangimentos, para os jovens e
familiares, daí decorrentes.
Não se pode compactuar com o
linchamento sumário dos agressores, não há
dúvida; mas também não é possível tolerar ou
ser conivente com esse tipo de delinquência
juvenil. As vítimas, talvez não seja demais
lembrar, são os que foram espancados
covardemente.
Há fortes indicações de que os garotos
agiram movidos por homofobia. Isso apesar dos
esforços do advogado – que está ali para
reduzir danos dos clientes e não para dizer a
verdade – para caracterizar o episódio como
mera ―confusão‖.
Quase todos já fizemos porcaria quando
jovens. É a fase da explosão hormonal e da
vitalidade física, dos exageros e da insensatez,
dos impulsos para desafiar o perigo, das
transgressões e dos ritos de afirmação diante
dos (e com os) colegas. Mas a juventude
também é o período em que fixamos os valores
que vão nos servir de norte na vida adulta. O
que pretendem ser quando crescer os meninos
bem nascidos que se divertiam distribuindo
pauladas em inocentes em plena Paulista no
feriadão escolar?
(SILVA, Fernando de Barros e. O que vai ser quando crescer?
Folha de S. Paulo, 16 nov. 2010)
Muitos leitores concordaram com as
colocações e questionamentos do autor acerca
do casa noticiado e comentado. Aceitar ou
refutar as ideias do autor faz parte da
capacidade inferencial do leitor: ou é capaz de
uma compreensão aprofundada ou apenas uma
compreensão literal do texto. A inferência é
que irá permitir que se dê coerência ao texto,
que se extraiam informações não ditas, que se
evoquem informações que devem ser
adicionadas ao texto para completá-lo.
Nos primeiros parágrafos, o autor
identifica os jovens que praticaram os
atentados: estudantes de escola particular, com
residência fixa e com condições de pagar um
advogado. A seguir, emite alguns juízos de
valar quanto ao andamento do caso. No último
parágrafo, faz um contraponto sobre o que ser
jovem: fase hormonal e fase de fixação de
valores. Em seguida, faz um questionamento
acerca do futuro dos jovens agressores. O
leitor, de acordo com suas crenças e com seu
conhecimento de mundo, fará suas inferências,
as quais, acreditamos, se darão, sobretudo,
acerca dos valores sociais na formação moral
dos jovens de classe média. O que sabemos
sobre o autor, o jornal e o tema abordado é
decisivo para a nossa atividade inferencial.
O nosso conhecimento é filtrado pelos
valores, opiniões e emoções. Ao ler o texto O
que vai ser quando crescer?, podemos nos sentir
irritados, revoltados, divertidos, comovidos ou
até apaziguados. Para alguns estudiosos, os
bons leitores avaliam o que leem e respondem
de um modo tanto mais intenso quanto maior o
seu interesse sobre o assunto lido.
36
1) Leia, com atenção, as passagens abaixo e aponte alguns pressupostos nelas contidos.
a) É preciso que os sindicalistas encaminhem as negociações com responsabilidade, com senso de
patriotismo, sem induzir os trabalhadores a radicalismos inaceitáveis.
b) A Rússia continuará financiando o deficit econômico cubano.
c) Será que o povo soviético, no plebiscito, vai preferir continuar na miséria do comunismo ou vai
arriscar a prosperidade do capitalismo?
2) Suponha que dois jornais publiquem, num determinado dia, o seguinte:
Jornal A: Os índios que estavam nus não puderam entrar no Congresso.
Jornal B: Os índios, que estavam nus, não puderam entrar no Congresso.
Pergunta-se:os dois jornais publicaram a mesma notícia? Explique.
3) Leia, com atenção, os enunciados abaixo para responder ao que se pede.
a) Nesta última eleição, os políticos, que foram derrotados, estão analisando as causas do seu fracasso.
b) Nesta última eleição, os políticos que foram derrotados estão analisando as causas do seu fracasso.
A oração adjetiva (que foram derrotados) instaura os mesmos pressupostos em ambos os enunciados?
Explique sua resposta.
4) O texto abaixo é uma sequência de perguntas de um juiz e respostas de um acusado durante
uma audiência no tribunal. Estude o texto com base na seguinte concepção: ―Em todo dizer há
uma mensagem de não-ditos que significam‖.
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em N. Iorque?
Resposta: Eu me recuso a responder a essa pergunta!
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em Chicago?
Resposta: Eu me recuso a responder a essa pergunta!
Pergunta: A senhora passou alguma vez a noite com este homem em Miami?
Resposta: Não!
5) Leia com atenção as frases abaixo. Responda ao que se pede.
1. A meteorologia previu chuva ou frio para hoje. Ela acertou! O que se podemos afirmar sobre o
tempo lá fora?
2. A meteorologia previu chuva ou frio para hoje. Ela errou! O que podemos afirmar sobre o tempo lá
fora?
3. A meteorologia previu chuva e frio para hoje. Ela errou! O que podemos afirmar sobre o tempo lá
fora?
6) Na Veja (26 jan. 2011), nas Páginas Amarelas, o cantor Ricky Matin concedeu uma entrevista a
Bruno Meier. Leia um fragmento da entrevista e responda ao que se pede.
Por que você decidiu falar publicamente sobre sua
sexualidade? Eu não aguentava mais me
esconder e fingir ser quem não era. Sou uma
boa pessoa e tento fazer o bem ao próximo,
mas algo me faltava. O que virou a mesa foi a
paternidade. Um dia, olhei nos olhos dos meus
filhos e pensei: ―Se quero que eles sejam
felizes, eu tenho de viver com transparência‖'.
Nesse mesmo dia, coloquei no meu site uma
carta revelando que sou gay. Se não fizesse isso,
poderia dizer quem sou na minha casa? Ou será
que eu iria mandar meus filhos mentir a meu
respeito na escola? Nada disso. Quero mais é
que eles falem aos seus amigos: ―Meu pai é gay
e ele é muito legal. Seu pai não é gay. Triste o
seu caso‖. Quero que eles sintam orgulho em
fazer parte de uma família moderna.
37
Na semana seguinte, Veja publicou várias cartas de leitores sobre entrevista, mais especificamente
sobre essa parte transcrita. Uma das cartas é a seguinte:
Sou pai há menos de um ano e fiquei
decepcionado com Ricky Martin. Ele afirma
que quer que seus filhos digam: ―Meu pai é gay
e ele é muito legal. Seu pai não é gay. Triste o
seu caso‖. Ora, quer dizer que, pelo fato de eu
não ser gay, sou um pai menos legal que ele?
Gostaria de mostrar a ele quanta felicidade e
amor existe em uma família simples aqui do
interior de Minas Gerais, um casal normal
(homem e mulher) que tem uma filhinha
maravilhosa cheia de saúde e sem os milhões de
dólares que esse senhor tem. (Eduardo Fernandes
Silva, Nova Lima, MG)
1. Você diria que o autor da carta é um leitor de informações implícitas? Por quê?
2. Que inferências você faz do emprego dos parênteses em (homem e mulher)?
7) Leia estas manchetes da Folha de S. Paulo. Identifique nelas informações pressupostas.
a) Ao tornar Irmã Dulce santa, papa reforça ideal para novo catolicismo
b) Israel pede que Brasil tome partido contra o Irã em reunião sigilosa em Brasília
c) Bolsonaro terá agenda esvaziada em viagem ao Texas
d) Governo quer mais recursos do FGTS para fechar conta do Minha Casa Minha Vida
e) Gestão Covas vai instalar mais de 500 novos pontos de wifi em São Paulo
f) MEC abandona pacto de direitos humanos que envolve 333 instituições de ensino superior
g) Corinthians e Flamengo não transformam dinheiro de TV em hegemonia
8) Sobre a frase ―isso é tão simples que até uma mulher faz‖ responda:
a) Qual a palavra que dá sentido machista à frase?
b) É possível ter certeza de que a direção argumentativa do enunciador dessa frase é desfavorável às
mulheres?
9) ―Beber é mal, mas é muito bom.‖ (FERNANDES, M. Folha de S. Paulo, 5 ago. 2001, p. 28.)
a) O ponto de vista do autor sobre o ato de beber (álcool) está implícito no texto. Explique qual é esse
ponto de vista.
b) O ponto de vista do autor é expresso por um pressuposto ou por um subentendido? Explique.
10) ―Fotografe os bons momentos agora, porque depois vem o casamento.‖ Qual é o implícito?
11) Leia a anedota abaixo transcrita:
Dois turistas encontram um cemitério. Veem uma lápide na qual se lê: ―Aqui jaz um político e um
homem honesto‖. E um dos turistas comenta:
— Que estranho. O povo deste país enterra duas pessoas no mesmo túmulo.
a) Uma palavra presente na lápide é responsável pela produção do estranhamento nos turistas. Qual é
essa palavra?
b) Qual é a inferência feita pelos turistas?
c) A frase da lápide, gramaticalmente correta, a rigor, não produz esse sentido externado pelos
turistas. Por quê?
38
12) Leia o texto jornalístico abaixo transcrito:
Furto é a principal causa de perdas no varejo, com 47%
Furtos representam 47% das perdas no
varejo, seguidos de quebra de mercadorias
(25%), erros administrativos (14%) como
contagem errada de produtos, fraudes por
fornecedores (7%) e outros (7%). Os dados
são do Programa de Administração de Varejo
(Provar). No total, varejistas perderam 1,7%
do faturamento – parece pouco, mas em
números absolutos significa milhões. Por isso,
toda lojinha hoje tem reforçado o sistema de
segurança – câmeras, alarmes presos às roupas,
vigias. O setor de luxo, no entanto, é muito
discreto. A Louis Vuitton no Brasil (...)
informou que seus alarmes são disfarçados em
discretas etiquetas com código de barras, os
seguranças (apenas um por loja) são treinados
para abordar suspeitos de forma ―muito
delicada‖ e itens pequenos, fáceis de roubar,
são guardados em prateleiras altas e gavetas,
com acesso exclusivo a vendedores. ―Há até
espelhos falsos em provadores‖, diz o professor
Marcelo Felippe Figueira Júnior, do Programa
de Administração de Varejo (Provar). A Zara,
segundo ele, implantou sensores dentro das
solas de sapatos. Já o grupo Limited Brand, da
marca Victoria Secret, treinou funcionários
para abordar suspeitos discretamente, antes do
furto: ―Não que rico não roube, mas tem bons
advogados‖ (O Estado de São Paulo).
a) A conjunção adversativa ―no entanto‖, destacada, permite a interpretação de que o setor de luxo não
tem reforçado o seu sistema de segurança contra furtos?
b) A que ideia se opõe a introduzida por essa conjunção?
c) A conjunção adversativa ―mas‖, presente na última frase introduz uma oposição ou um desvio de
argumentação? A que argumentação se opõe ou de que direção argumentativa se desvia o enunciado
introduzido por ―mas‖?
d) Esse enunciado traz uma ideia preconcebida. Qual é essa ideia?
13) Dois adesivos foram colocados no vidro traseiro de um carro:
Em cima:
DEUS É FIEL
[
E bem embaixo:
PORQUE PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL
É possível ler os dois adesivos em sequência, constituindo um único período. Neste caso,
a) o que se estaria afirmando sobre a fidelidade?
b) o que o dono do carro poderia estar querendo afirmar sobre si mesmo?
14) Num documento obtido na INTERNET, cujo título é "Como escrever legal", encontram-se, entre
outras, as seguintes recomendações:
1. Evite lugares comuns como o diabo foge da cruz.
2. Nunca generalize: generalizar é sempre um erro.
3. A voz passiva deve ser evitada.
Todas essas recomendações seguem a mesma estratégia para produzir um efeito cômico.
a) Qual é a estratégia geral utilizada nessas recomendações?
b) Explicite como a estratégia geral se realiza em cada uma das recomendações acima transcritas.
39
15) Identifique informações pressupostas na manchete principal decada uma das capas reproduzidas
abaixo.
16) Leia, com atenção, o texto a seguir, para responder ao que se pede.
“Direitos das minorias” nem sempre respeitam os “direitos das maiorias”
E pronto: acabou o tratamento "ladies
and gentlemen" no metrô de Londres. Razões?
A comunidade LGBT não se encontra
representada na formulação e protestou. Com
sucesso. A partir de agora, haverá anúncios
sonoros devidamente neutros –"Olá a todos!"–
para não ofender ninguém. Ninguém?
Eu pasmo. Para começar, nunca pensei
que um homem (gay) se sentisse ofendido pela
palavra "cavalheiro". Pelo contrário: sempre vi
no termo uma altíssima distinção de caráter,
independentemente do sexo ou das
preferências sexuais. Um cavalheiro é um
"gentil homem", ponto final.
O mesmo vale para "senhora". É
indiferente o que ela faz na alcova, com quem,
quantas vezes por dia e em que posições: ela
será uma "senhora" pelas mesmas razões de
educação e caráter.
Quando as patrulhas LGBT eliminam
"ladies and gentlemen" por alegadas ofensas aos
membros do clube, elas afirmam que gays,
lésbicas, bissexuais ou transexuais não possuem
certas propriedades morais. Francamente, não
conheço maior insulto.
Mas existe outro. Nos últimos 20 ou 30
anos, os "direitos das minorias" passaram a
ocupar todo o espaço da teoria liberal ("liberal"
no sentido "progressista" do termo). Nada
contra – até certo ponto.
Sou um pluralista por formação e
convicção. Diferentes concepções de vida
fazem parte da própria natureza humana. Uma
ordem política será tão mais civilizada quanto
maior for o espaço para que diferentes culturas
ou sensibilidades possam coexistir em paz.
Quem quer uma Arábia Saudita no Ocidente?
Eu não.
O problema é que os "direitos das
minorias" nem sempre respeitam os "direitos
das maiorias". A noção pode soar bizarra: as
maiorias, por definição, não precisam de
defesa. Argumentar o contrário é um insulto à
lógica comum.
40
Infelizmente, não é. E, para ficarmos no
caso anedótico do metrô de Londres, alguém
pensou nas maiorias que se reconhecem
naquele tratamento clássico? Que lhe atribuem
valor social, cultural, histórico, simbólico? Que
direito assiste a uma minoria para determinar a
forma como toda a comunidade será tratada no
futuro?
A reflexão filosófica tem sido omissa
nessa matéria. Existem exceções, como
sempre. Uma delas é o cientista político Liav
Orgad e o seu magistral "The Cultural Defense
of Nations: A Liberal Theory of Majority
Rights" (Oxford University Press).
Recomendo.
O livro trata uma questão específica: a
imigração. Defende Orgad que, nos debates
contemporâneos, concede-se uma espécie de
prioridade instintiva aos "direitos das
minorias". Mas quem escuta as maiorias?
Quem as defende? Quem leva a sério as suas
preocupações? Quem reconhece, pelo menos,
que a imigração incontrolável pode ter
consequências dramáticas na vida de milhões de
seres humanos nativos?
Dito de outra forma: por que motivo
partimos sempre do pressuposto de que os
"direitos das minorias" devem ter precedência
sobre os valores de quem vive e sempre viveu
em determinadas sociedades, nações ou
culturas?
Não se trata de excluir o Outro, como
defendem autoritários e boçais. Muito menos
ignorar, ou desprezar, interesses legítimos de
quem é diferente da maioria. Trata-se de saber
por que razão o Outro tem sempre mais
importância do que a primeira pessoa do
plural.
Em dezembro, o Ocidente festeja o
Natal: por que motivo devemos omitir a
palavra "Natal" para respeitar certas religiões?
Por que motivo devemos eliminar a carne de
porco do cardápio por razões similares? E que
legitimidade tem uma minoria qualquer para
determinar o que os professores podem
ensinar, os alunos aprender, as editoras
publicar etc. etc.?
As questões podem ser aplicadas ao
próprio processo democrático. Basta imaginar
uma eleição. E basta imaginar um pequeno
partido que exige governar contra o voto
majoritário. Devemos tolerar esse desejo para
não frustrar o pequeno partido?
Uma sociedade democrática e pluralista
reconhece a variedade de culturas e formas de
vida que existem no seu seio. Não garante que
a vida em comum será determinada pela
vontade exclusiva de uma minoria, ou de várias
minorias, contra os direitos da maioria.
No fundo, só concebo um cenário em
que "ladies and gentlemen" seria abolido do
espaço público: pela conclusão melancólica de
que "senhoras" e "cavalheiros" são artigos cada
vez mais raros em qualquer cidade.
(COUTINHO, João Pereira. 'Direitos das minorias' nem
sempre respeitam os 'direitos das maiorias'.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Data de
postagem: 18 julho 2017 ).
1. No título do texto, a expressão ―nem sempre‖ marca uma pressuposição. Que pressuposição é essa?
2. Para a comunidade LGBT, há uma informação implícita na expressão ―ladies and gentlemen‖. Qual
é essa informação implícita que foi a causa de um protesto em favor de uma expressão neutra?
3. O autor do texto recusa a aceitar a informação implícita depreendida, pela comunidade LGBT, da
expressão ―ladies and gentlemen‖. Por quê?
4. As locuções adjetivas restringem os substantivos a que se referem. Em decorrência disso, elas são
marcas de pressupostos. Quais são os pressupostos instaurados pelas locuções adjetivas nas expressões
―direitos das maiorias‖ e ―direitos das minorias‖?
5. Para o autor, numa sociedade democrática, o que deve prevalecer: o direitos das maiorias ou o
direito das minorias? Por quê?
f) Da ―conclusão melancólica do autor‖ pode-se depreender uma informação implícita acerca do
comportamento dos cidadãos no espaço público. Que informação é essa?
41
Capítulo 5
5 Argumentação
Há uma confusão sobre o que seja texto
dissertativo e texto argumentativo. Emdiato
(2008) procura esclarecer essa questão.
Segundo esse autor, considera-se, de modo
geral, o texto dissertativo como um tipo de
discurso explicativo, cujo objetivo é explorar
um certo assunto sem, no entanto, incluir um
posicionamento ou uma opinião. A
argumentação visa a persuadir ou convencer
um auditório da validade de uma tese ou
proposição, cujo objetivo é construir uma
comunicação persuasiva.
Atualmente, somos bombardeados pelo
discurso persuasivo. A noção de
argumentatividade está presente nos mais
diversos gêneros. Segundo Ernani e Nicola
(2002), a maneira como o falante organiza seu
discurso para chegar a determinadas conclusões
(ato de argumentar) está intimamente ligada à
persuasão. A argumentação é a base da
persuasão e, assim, podemos ver a
argumentação como uma estrutura criada que
pressupõe o uso de estratégias linguísticas e
racionais. Para que a argumentação seja válida,
deve surgir de um raciocínio lógico, que
comprove e justifique um ponto de vista, mas
deve também estar adequada ao interesse ou à
expectativa o interlocutor. Sem a noção do
outro como alvo, a argumentação perde a
força.
Segundo Emidiato (2008), a estrutura
básica do discurso argumentativo deve
pressupor a existência de atitudes antiéticas
(posições contra e a favor) explícitas ou
implícitas, o que nos permite propor a seguinte
estrutura o discurso argumentativo:
Afirmação (tese, proposição): afirmação feita pelo falante sobre a verdade de algum
fenômeno, seguida da análise de seus termos essenciais, que se contrapõe, explícita ou
implicitamente, a uma outra concepção sobre o mesmo fenômeno;
Posicionamento: o falante explicita sua posição sobre o fenômeno posto em discussão, posição
que pode demonstrar uma concordância, parcial ou total, com uma tese já existente, ou uma
discordância,parcial ou total, com a mesma – o posicionamento pode ser acompanhado, ainda, de
uma avaliação que o falante faz;
Quadro de problematização: insere a argumentação numa perspectiva social, econômica,
política, ideológica, religiosa, científica, moral, ética – as possibilidades de problematizaçãosão
bem diversificadas e dependem, basicamente, do tipo de público ao qual é a argumentação é
dirigida;
Formulação dos argumentos: não se pode argumentar bem sem apresentar, em determinado
momento, argumentos que possam ser aceitos como plausíveis e aceitáveis pelo interlocutor ou
pelo público – a formulação dos argumentos será, portanto, a parte da argumentação relativa aos
tipos de provas, à lógica dos raciocínios e princípios de explicação e justificação que fundamentam
a tese;
Conclusão: dedução ou inferência a que se quer chegar a partir dos argumentos apresentados e
sua pertinência e adequação ao quadro de problematização apresentado.
Tomasi e Medeiros (2010) fazem a análise da
montagem do esquema argumentativo do texto
a seguir. Leia, com atenção, o texto e, depois,
a análise dos autores.
42
A revolução da brevidade
Toda área do conhecimento humano
tem a sua beleza, as suas circunstâncias e as suas
dificuldades. O mundo jurídico,
tradicionalmente, debate-se com duas
vicissitudes: (a) a linguagem empolada e
inacessível; e (b) os oradores ou escribas
prolixos, que consomem sem dó o tempo
alheio. Verdade seja dita, no entanto, o
primeiro problema vem sendo superado
bravamente: as novas gerações já não falam
nem escrevem com a obscuridade de
antigamente.
De fato, em outra época, falar difícil era
tido como expressão de sabedoria. Chamar
autorização do cônjuge de "outorga uxória" ou
recurso extraordinário de ―irresignação
derradeira‖ era sinal de elevada erudição. Hoje
em dia, quem se expressa assim é uma
reminiscência jurássica.
Nos dias atuais, a virtude está na
capacidade de se comunicar com clareza e
simplicidade, conquistando o maior número
possível de interlocutores. A linguagem não
deve ser um instrumento autoritário de poder,
que afaste do debate quem não tenha a chave de
acesso a um vocabulário desnecessariamente
difícil.
Essa visão mais aberta e democrática do
direito ampliou, significativamente, a
interlocução entre juristas e tribunais, de um
lado, e a sociedade e os meios de comunicação,
de outro. Não se passam dois dias sem que
algum julgado importante seja notícia nas
primeiras páginas dos jornais.
Pois agora que finalmente conseguimos
nos comunicar com o mundo, depois de
séculos falando para nós mesmos, está na hora
de fazermos outra revolução: a da brevidade,
da concisão, da objetividade. Precisamos deixar
de escrever e de falar além da conta. Temos de
ser menos chatos.
Conta-se que George Washington fez o
menor discurso de posse na Presidência dos
Estados Unidos, com 133 palavras. William
Harrison fez o maior, com 8.433, num dia frio
e tempestuoso em Washington. Harrison
morreu um mês depois, de uma gripe
severíssima que contraiu naquela noite. Se não
foi uma maldição, serve ao menos como
advertência aos expositores que se alongam
demais.
Tenho duas sugestões na matéria.
A primeira importa em cortar na
própria carne. Petições de advogados devem
ter um limite máximo de páginas. Pelo menos
as idéias centrais e o pedido têm que caber em
algo assim como 20 laudas. Se houver mais a
ser dito, deve ser junto como anexo, e não no
corpo principal da peça. Aliás, postulação que
não possa ser formulada nesse número de
páginas dificilmente será portadora de bom
direito.
Einstein gastou uma página para expor a
teoria da relatividade. É a qualidade do
argumento, e não o volume de palavras, que
faz a diferença.
A segunda sugestão corta em carne
alheia. A leitura de votos extremamente
longos, ainda quando possa trazer grande
proveito intelectual para quem os ouve, torna
os tribunais disfuncionais. Com o respeito e o
apreço devidos e merecidos – e a declaração é
sincera, e não retórica –, isso é especialmente
verdadeiro em relação ao Supremo Tribunal
Federal.
Registro, para espantar qualquer
intriga, que o tribunal, sob a Constituição de
1988, vive um momento de virtuosa ascensão
institucional, com sua composição marcada
pela elevada qualificação técnica e pelo
pluralismo. Todos os meus sentimentos,
portanto, são bons, e o comentário tem
natureza construtiva.
O fato é que, nas sessões plenárias,
muitas vezes o dia de trabalho é inteiramente
consumido com a leitura de um único voto. E a
pauta se acumula. E o pior: como qualquer
neurocientista poderá confirmar, depois de
certo tempo de exposição, os interlocutores
perdem a capacidade de concentração e a
leitura acaba sendo para si próprio.
43
Não há problema em que a versão
escrita do voto seja analítica. A complexidade
das questões decididas pode exigir tal
aprofundamento. Mas a leitura em sessão
deveria resumir-se a 20 ou 30 minutos, com
uma síntese dos principais argumentos. Ou, em
linguagem futebolística, um compacto com os
melhores momentos.
A revolução da brevidade tornará o
mundo jurídico mais interessante, e a vida de
todos nós, muito melhor.
Quem sabe um dia chegaremos à
capacidade de síntese do aluno a quem a
professora determinou que escrevesse uma
redação sobre ―religião, sexo e nobreza‖, mas
que fosse breve. Seguindo a orientação, o
jovem produziu o seguinte primor de concisão:
―Ai, meu Deus, como é bom, disse a princesa
ainda ofegante‖.
(BARROSO, Luís Roberto. A revolução da brevidade. Folha
de S. Paulo, 17 julho 2008, p. A3. Caderno Tendências e
Debates)
Quem é o autor do texto? Luís Roberto
Barroso tem 50 anos é advogado, é professor
titular de direito constitucional da Uerj
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e
autor de ―O Controle de Constitucionalidade
no Direito Brasileiro‖, entre outras obras. Essa
identificação gera credibilidade.
A variante de linguagem utilizada que
dá apoio aos argumentos é a gramatical. O
mesmo artigo, se escrito numa variante não
gramatical, poderia perder sua força
persuasiva. Portanto, a primeira estratégia
utilizada pelo autor, consciente ou
inconscientemente, foi a escolha de uma
variante de linguagem adequada a seus
interlocutores e ao próprio assunto de que
trata.
O texto é contrário aos que entendem
que o Direito se deve fazer com linguagem
empolada e prolixa. As ideias do texto se
opõem à ideologia de que a redação forense é
para entendidos, juristas, pessoas dedicadas ao
saber jurídico. Trata-se, pois, de ideias que
tendem a tornar o direito mais compreensível
ao cidadão comum, bem como a leitura do
voto mais breve.
O leitor pode notar já no primeiro
parágrafo o gerenciamento da relação: ―Toda
área do conhecimento humano tem a sua
beleza, as suas circunstâncias e as suas
dificuldades.‖
Enumera em seguida dois problemas
comuns nos meios jurídicos: a linguagem
empolada e inacessível e os oradores ou
escribas prolixos, que ―consomem sem dó o
tempo alheio‖. Em seguida, novamente o autor
do artigo gerencia a relação: ―Verdade seja dita,
no entanto, o primeiro problema vem sendo
superado bravamente: as novas gerações já não
falam nem escrevem com a obscuridade de
antigamente.‖
Para defender seu ponto de vista sobre
a necessidade da brevidade e sobre a
dificuldade de linguagem dos textos jurídicos,
faz imediatamente referência a ―outra época‖,
em que falar difícil ―era tido como expressão de
sabedoria‖. E o faz exemplificando,
apresentando duas expressões (―outorga
uxória‖ e ―irresignação derradeira‖) que eram
utilizadas. E conclui o parágrafo: ―Hoje em dia,
quem se expressa assim é uma reminiscência
jurássica.‖
A tese da necessidade de alterar a
linguagem forense é paulatinamente defendida.
Afirma:
Nos dias atuais, a virtude está na capacidade de
se comunicar com clareza e simplicidade, conquistando
o maior número possível de interlocutores. A
linguagem não deve ser um instrumento autoritário de
poder, que afaste do debate quem não tenha a chave de
acesso a um vocabulário desnecessariamente difícil.
Para o autor do artigo a mudança de
postura em relação à linguagem traz benefícios
à sociedade, visto que ―essa visão mais abertae
democrática do direito‖ amplia significamente a
interlocução entre juristas, tribunais e os meios
de comunicação.
Os argumentos sucedem-se, agora
endereçando-os para o combate à prolixidade:
Pois agora que finalmente conseguimos nos
comunicar com o mundo, depois de séculos falando
44
para nós mesmos, está na hora de fazermos outra
revolução: a da brevidade, da concisão, da objetividade.
Precisamos deixar de escrever e de falar além da conta.
Temos de ser menos chatos.
Para ilustrar a defesa de sua tese,
apresenta dois exemplos deoradores: George
Washignton, que teria usado 133 palavras em
seu discurso de posse na Presidência dos
Estados Unidos, e de William Harrison, que
teria feito um discurso com 8.433 palavras,
num dia frio e tempestuoso em Washington:
Harrison morreu um mês depois, de uma gripe
severíssima que contraiu naquela noite. Se não foi uma
maldição, serve ao menos como advertência aos
expositores que se alongam demais.
Apresenta em seguida sugestões para a
prática nos tribunais: cortar na própria carne e
cortar em carne alheia. Para a primeira
sugestão, ilustra-a com uma referência a
Einstein que teria gasto uma página para expor
a teoria da relatividade: ― É a qualidade do
argumento, e não o volume de palavras, que
faz a diferença.‖ Para o argumento de cortar
em carne alheia, vale-se da neurociência:
―depois de certo tempo de exposição, os
interlocutores perdem a capacidade de
concentração e a leitura acaba sendo pra si
próprio‖.
Como podemos verificar, a tese do
autor vai progressivamente sendo elucidada.
Finalmente, um argumento para tocar o
leitor, porque o remete à própria vida: ―A
revolução da brevidade tornará o mundo
jurídico mais interessante, e a vida de todos
nós, muito melhor.‖
E para fechar o artigo, mantendo o tom
bem-humorado do texto, conta a história do
estudante que deveria escrever sobre religião,
sexo e nobreza.
Um texto argumentativo vale-se,
portanto, de vários expedientes de
argumentação, como referência a outras
citações. No caso, Luís Roberto Barroso,
advogado e professor titular de Direito
Constitucional da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, para expor sua tese, ilustra-a com
exemplos da história e uma anedota. A
constituição de um ponto de vista (essência da
argumentação) resulta da observação criteriosa
da realidade, de leituras, da capacidade de
compreensão dos fatos do dia a dia.
5.1 Recursos da argumentação
Com base no que já foi visto, pode-se
reafirmar que a argumentação é um conjunto
de recursos de natureza linguística destinados a
persuadir a pessoa a quem a comunicação se
destina. A argumentação está presente em todo
tipo de texto e visa a promover adesão à tese e
pontos de vista defendidos no texto. Os
recursos argumentativos são inúmeros. Fiorin e
Savioli (1990) comentam alguns desses
recursos.
Argumento de autoridade: é a citação , no texto, de autores reconhecidos como autoridade
em certo domínio do saber. Esse recurso produz efeitos distintos: revela o conhecimento do
produtor do texto a respeito do assunto tratado; dá ao texto a garantia do autor citado. É preciso,
no entanto, não fazer do texto um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e
verdadeira.
Argumento baseado no consenso: são aquelas afirmações que, numa determinada época, são
aceitas como verdadeiras e que, portanto, dispensam comprovações, a menos que o objetivo o
texto que está sendo elaborado seja comprovar alguma delas. Em nossa época, são consensuais as
afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições de vida são piores
nos países subdesenvolvidos. Não se pode, no entanto, deixar de notar que, nesse tipo de
argumento, corre-se o risco de passar dos argumentos válidos para os lugares-comuns e as frases
carentes de qualquer base científica.
45
Argumento por meio de provas concretas: é aquele em que se comprova a veracidade de
uma afirmação como dados estatísticos, com fatos históricos, com experiências da vida cotidiana.
Argumento com base nas relações lógicas: é a utilização correta e adequada das relações
como causa e efeito, analogia, implicação, identidade etc. Um texto coerente do ponto de vista
lógico é mais facilmente aceito do que um texto incoerente.
Vários são os defeitos que concorrem
para desqualificar o texto do ponto de vista
lógico: fugir do tema proposto, cair em
contradição, tirar conclusões que não se
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar
afirmações gerais com fatos inadequados,
narrar um fato e dele extrair generalizações.
Uso de norma linguística culta: a utilização da variante culta e formal da língua (em geral, é o
texto dissertativo que exige esse tipo de linguagem) mostra que o produtor do texto conhece a
norma linguística socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto em que
se pode confiar. Nesse sentido, é que se diz que o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz.
5.2 Falácias da argumentação
Os recursos argumentativos são
indefinidos. Vão dos modos de citação do
discurso alheio (discurso direto, indireto e
indireto livre) aos recursos retóricos (metáfora,
hipérbole, ironia etc), da seleção de palavras
adequadas, às informações implícitas. Além dos
defeitos de argumentação mencionados,
quando tratamos dos recursos argumentativos,
vamos citar algumas falácias.
Uso sem delimitação adequada de palavras de sentido tão amplo: servem de argumento
para um ponto de vista e seu contrário. São noções confusas, como ―paz‖, que hoje está na boca
dos norte-americanos e de seus inimigos, os iraquianos. Essas palavras podem ter valor positivo
(paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregada de valor negativo (autoritarismo,
depredação do meio ambiente, injustiça, corrupção).
Uso de afirmações tão amplas: podem ser derrubadas por um único contra-exemplo. Quando
se diz ―Os políticos são ladrões‖, basta um único exemplo de político honesto para destruir o
argumento.
Emprego de noções científicas sem nenhum rigor: é o uso de termos fora do contexto
adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-os e atribuindo-lhes uma significação
subjetiva e grosseria. É o caso da frase ―O imperialismo de certas indústrias não permitem que
outras cresçam‖, me que o termo ―imperialismo‖ é descabido, uma vez que essa palavra, a rigor,
significa ―ação de um Estado visando a reduzir outros à sua dependência política e econômica‖ ou
―estágio superior do capitalismo‖.
A boa argumentação é aquela que está
de acordo com a situação concreta do texto,
que leva em consideração os componentes
envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a
quem se dirige a comunicação, o assunto etc).
Convém alertar que não se convence ninguém
com manifestações de sinceridade do autor
(como ―Eu, que não costumo mentir‖...) ou
com declarações de certeza expressas em
fórmulas feitas (como ―estou certo‖, ―creio
firmemente‖, ―é claro‖, ―é óbvio‖, ―é evidente‖,
―afirmo com toda a certeza‖ etc).
O autor não promete, em seu texto,
sinceridade e certeza, autenticidade e verdade;
ele constrói um texto que revela isso. Essas
qualidades não se prometem, age-se com
sinceridade e com certeza. A argumentação é a
exploração de recursos para fazer parecer
verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com
isso, levar a pessoa a quem o texto é
endereçado a crer naquilo que ele diz.
46
1) Para cada grupo de palavras formule uma tese, dois argumentos e uma conclusão.
a) Juventude e mercado de trabalho
b) Empresas e meio ambiente
c) Sociedade e crimes pela Internet
d) Consumo de bebidas alcoólicas e direção
e) Mulheres e violência doméstica
2) Leia, com atenção, o texto a seguir para responder ao que se pede.
Um caso de fracasso
O Ipea divulgou anteontem um
pequeno estudo em que mostra que foi
praticamente nulo o impacto da Lei Maria da
Penha (11.340/06) sobreos feminicídios. De
2001 a 2006, os cinco anos que antecederam a
introdução do diploma, a taxa de homicídios
cometidos contra mulheres foi de 5,28 por 100
mil; no quinquênio subsequente, ficou em
5,22, decréscimo de 1,14%, sem maior
significado estatístico.
Tal desempenho não chega a ser uma
surpresa. O famoso endurecimento de leis, do
qual a Maria da Penha é um caso emblemático,
funciona bem para políticos marcarem pontos
com suas bases. Serve também para nos deixar
com a sensação de dever cumprido, de que
estamos fazendo algo para resolver o grave
problema da violência doméstica.
Infelizmente, o expediente não
apresenta tanta eficácia na redução dos crimes
propriamente ditos, especialmente quando o
delito a ser coibido é daqueles que se cometem
por impulso, como é o caso de agressões e
homicídios não premeditados.
Minhas amigas feministas não gostam
muito, mas trabalhos de sociólogos sérios,
como Murray Straus e John Archer, pintam um
quadro da violência doméstica mais nuançado
que a costumeira narrativa do perpetrador
desequilibrado que ataca a mulher inocente.
Em suas pesquisas, eles revelam que os papéis
de agressor e vítima são tudo menos
inequívocos e que boa parte dos conflitos é
resultado de uma escalada em que as duas
partes trocam agressões verbais e, depois,
físicas. O homem provoca mais estragos
porque é mais forte.
Daí não decorre, é claro, que devamos
desistir de combater a violência e deixar que
mulheres continuem a ser mortas por seus
companheiros. É preciso, contudo, adotar uma
estratégia coerente, que só excepcionalmente
deve incluir leis mais duras. O problema de
seguir a trilha mais ponderada é que os
resultados demoram a aparecer e dificilmente
podem ser capitalizados numa eleição.
(SCHWARTSMAN, Hélio. Um caso de fracasso. Disponível
em: <http://www1.folha.uol.com.br>).
1. Com que intenção o texto foi escrito?
2. Identifique pelos menos três recursos argumentativos presentes no texto.
3. Indique pelos menos duas passagens em que há marca de pressupostos.
4. Você diria que, no texto, o autor deixa subentendida sua visão acerca das leis brasileiras? Por quê?
3) Por que as afirmações abaixo são falaciosas?
—―É muito articulado, para um ex-torneiro mecânico.‖
—―É muito discreto para um descendente de italianos.‖
—―É muito inteligente para um preto.‖
—―É esperta para uma loira.‖
47
4) Identifique a(s) falácia(s) presentes nas situações a seguir.
a. Diálogo:
Matheus: ―Você sabe, aquelas feministas odeiam todos os homens.‖
Pedro: ―Sério?‖
Mateus: ―Sim, eu estava na minha aula de filosofia no outro dia em que Raquel fez uma apresentação.‖
Pedro: ―O que Raquel disse?‖
Mateus: ―Você sabe que ela é a única da turma que faz parte desse grupo feminista, o Centro da
Mulher. Ela disse que os homens são todos os porcos sexistas. Eu perguntei por que ela acreditava
nisso e ela disse que seus últimos namorados eram reais porcos sexistas …. ‖
Pedro: ―Isso não soa como um bom motivo para acreditar que todos nós somos porcos‖.
Mateus: ―Isso foi o que eu disse‖.
Pedro: ―O que ela disse?‖
Mateus: ―Ela disse que tinha visto o suficiente de homens para saber que somos todos suínos. Ela,
obviamente, odeia todos os homens.‖
Pedro: ―Então você acha que todas as feministas são como ela?‖
Mateus: ―Tenho certeza que todas elas odeiam os homens.‖
b. ―O meu professor está sempre a dizer que devemos fazer os trabalhos de casa. Mas, no seu tempo de
estudante, ele era o maior ―baldas‖ da escola: nunca fazia o que lhe mandavam e reprovou pelo menos
três anos por faltas. Portanto, não faço os trabalhos de casa e não vou à aula.‖
c. Aquilo que os defensores da eutanásia querem é muito claro. Querem poder matar quem esteja
muito doente. É essa a razão pela qual me oponho à prática da eutanásia.
d. – A sua decisão viola claramente a lei.
– O quê, não me diga que cumpre sempre a lei? É daqueles que nunca anda a mais de 120 na
autoestrada? Não me diga que nunca andou a mais de 120 na autoestrada!
e. Não há uma ligação clara entre fumar e cancro de pulmão, apesar do que os médicos dizem e de
anos de estudos científicos. Portanto, fumar não faz mal aos seus pulmões.
f. Diálogo:
– Obrigada por ter guardado lugar – diz Joana ao seu amigo Francisco, quando com a sua amiga Luísa
se senta numa esplanada cheia de gente.
– Tudo bem – diz Francisco.
– Demoramos por causa da aula do professor Lúcio acerca dos problemas sociais ‒ diz Joana com ar
enfastiado. ‒ É um esnobe arrogante como nunca conheci.
– De que tratou a aula?
– De assédio sexual no local de trabalho, o que, sem dúvida, é um grave problema hoje em dia.
– Não me diga.
– Olha, a minha amiga Amélia é despachante numa empresa de caminhões e me disse que já foi objeto
de assédio sexual dezenas de vezes. Os caminhoneiros têm posters da Playboy colados por todo o lado
e estão sempre a meter-se com ela, a convidá-la para aquilo que sabe. Um deles lhe deu umas palmadas
no traseiro.
48
– Olha, há uma coisa chamada liberdade de expressão, disse Francisco rindo. Quer negar a esses tipos
liberdade de expressão?
– Liberdade de expressão, uma ova! – responde Joana, furiosa. – Palmadinhas no traseiro não é
liberdade de expressão, é contato físico abusivo! Homens! O seu problema, Francisco, é que é
homem! Se fosse mulher veria as coisas como elas realmente são.
g. O presidente Lula aumentou os impostos, e então as taxas de crimes violentos aumentou. O
presidente Lula é responsável pelo aumento da criminalidade.
h. ―Para a imprensa, que quer saber se eu mantenho contas bancárias em paraísos fiscais, eu lembro as
obras mais importantes da minha administração, entre elas um hospital, e que estive de férias na Suíça
quando me acusaram injustamente‖.
i. "Senhores juízes, defendo o direito a tratamento médico fora da detenção (em cadeias e prisões) para
portadores de diploma de curso superior e acho desnecessário ter que enumerar as muitas justificativas
inerentes ao assunto".
j. (Do mundo político): "Vamos enfiar esta mensagem do nosso candidato goela abaixo do povão com
'spots' de trinta segundos a cada quinze minutos o dia inteiro, em todas as rádios do país. Vamos
saturar o eleitorado com a nossa visibilidade. Vamos vencer a oposição pela saturação da praça".
k. "João estava atrasado para o serviço na segunda-feira. Suzana e José estavam atrasados na terça-feira.
João, Suzana e José fazem parte do mesmo departamento, que tem vinte funcionários. Evidentemente,
os funcionários daquele departamento sempre chegam atrasados ao serviço".
l. Um viajante afirma a seus amigos "Há elefantes na Tailândia tão inteligentes que aprendem a se
esconder em árvores". Um amigo protesta, dizendo que passou um ano na Tailândia e nunca os viu. O
primeiro responde, com óbvia satisfação, "Não te falei? Aqueles danados são inteligentes demais!"
m. "Brasil: Ame-o ou deixe-o". (Slogan usado pelo governo militar brasileiro na década de 1970).
n. "É claro que foi Deus quem criou o mundo e todas as coisas nele. Se você não acredita nisso, então
como você explica a beleza do mundo natural e a perfeição do corpo humano?"
o. "Ah, você sabe como é.... meninos são sempre desorganizados!" Ou: "Ora, que mais você poderia
ter esperado de um norte-americano...você sabe como eles são...."
p. "Maradona é um jogador melhor que Pelé. Acredito nisso porque o chefe do meu pai disse que é".
q. "Membros do júri, o réu nunca poderia ter cometido esse crime. Afinal de contas, ele tem esposa e
seis filhos".
r. "O meu candidato a prefeito não precisa roubar. Ele já é muito rico".
s. "Eu sou o melhor candidato a prefeito, porque não sou nem doutor, nem madame".
t. "A automação da indústria desemprega muitas pessoas; assim, é economicamente desaconselhável".
49
u. Leia, com atenção, o fragmento de texto a seguir para responder ao que se pede.
Pessoas ruins podem fazer coisas boas? O "Zeitgeist"parece indicar que não. Kevin Spacey,
protagonista da série "House of Cards", acaba de ficar sem emprego, porque a Netflix resolveu
suspender suas aparições depois que ator foi acusado de ser uma espécie de predador sexual gay. Na
mesma semana, feministas organizaram em Paris uma manifestação em que pediam que a Cinemateca
desistisse de exibir uma mostra de filmes do diretor Roman Polanski. Motivo? Polanski é acusado de
estupros de menores nos EUA (onde ele é considerado foragido da Justiça) e também na França.
Assédio sexual e estupro são não só atos imorais como também crimes, mas a pergunta que proponho
é outra: a vida pessoal de um artista ou pensador afeta sua obra? (SCHWARTSMAN, H.. Autores e
obras. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 23 nov. 2017. Data de
postagem: 10 nov. 2017. Com adaptações).
Suponha que um colega seu, depois de ler esse fragmento, responda ―Sim‖ à pergunta feita no final do
texto, mas não apresenta argumentos sólidos. Baseando nas aulas sobre falácias, procure justificar para
seu colega que, ao responder ―sim‖ à pergunta do texto, sem apresentar argumentos lógicos, ele estaria
cometendo uma falácia.
5) Compare a argumentação dos textos a seguir.
A proposta de redução da maioridade penal é acertada? SIM
Chega de impunidade
Não é de hoje que defendo a redução da
maioridade penal. Tal tema já era defendido
por meu pai nos anos 60, inclusive foi incluído
no Código Penal de 70. Infelizmente esse
Código não entrou em vigor, e até hoje nossa
maioridade é aos 18 anos.
Há pesquisas, como a do Datafolha,
apontando que 84% da sociedade defendem
essa redução. Quem pensa diferente sustenta
que: não acabará com a criminalidade;
aumentará a superlotação carcerária; a prisão
não ressocializa; e o ECA já pune este infrator.
O que muitos desconhecem é o
fundamento legal da "maioridade penal".
Trata-se da responsabilidade do agente, da
compreensão de saber o que é certo ou errado
e, por isso, responder por seus erros. A
questão é que em 1940, data de sua criação,
entendia-se que um adolescente não tinha esse
amadurecimento e, por isso, não poderia ser
punido se cometesse um delito.
Hoje, sustentar que alguém de 16 e 17
anos não sabe que matar é errado e, sob tal
presunção absoluta de inimputabilidade, não
pode responder criminalmente por seus atos é,
no mínimo, irracional.
A redução dessa maioridade não vai
acabar com a criminalidade, mas certamente
vai reduzi-la. Isso porque a pena tem, dentre
suas funções, a de intimidar o pretenso
infrator, ou seja, "se roubar, será punido";
igualmente preencherá a finalidade retributiva
da pena, qual seja, "a aplicação do mal justo ao
mal injusto".
Esse princípio serve para que a
sociedade e as vítimas sintam que a justiça
existe, que o infrator foi punido. Questões
como superlotação carcerária e a não
ressocialização do preso não podem justificar
essa impunidade; caso contrário, não
poderíamos punir nem os maiores de idade.
Quem defende a punição desse infrator
pelo ECA desconhece a lei. Ela não pune o
menor, ela o reeduca e, caso advertências e
medidas socioeducativas não surtam efeito,
deve interná-lo por até 3 anos. Portanto,
aumentar a internação – diga-se, medida
excepcional-- continua não sendo punição.
50
Da mesma forma, querer reduzir a
maioridade para crimes graves é desconhecer
seu fundamento legal. Como pode alguém ser
maduro e responder pelos seus atos se praticar
crime grave como homicídio e, ao mesmo
tempo, ser imaturo e inimputável se praticar
crime de furto? Isso é uma aberração jurídica.
É impossível hoje sustentar que um
adolescente de ao menos 16 ou 17 anos não
tem discernimento para saber o que é certo ou
errado. Ele sabe o que faz e deve responder
criminalmente quando pratica um crime.
Todavia, para aqueles que têm um problema
mental e não possuem tal amadurecimento,
menor ou maior de idade, eles serão
considerados inimputáveis.
Como alguém de 16 é maduro para
votar e imaturo se praticar um crime? O que
podemos e devemos discutir é a punição que
este adolescente deve sofrer; no crime de uso
de drogas, por exemplo, houve uma
"desprisionalização".
Na campanha ao governo de São Paulo
tive a honra de advogar para João Doria e
testemunhar sua posição favorável à redução da
maioridade penal. O presidente Bolsonaro
também defende essa redução.
Com Sergio Moro ministro da Justiça,
talvez tenhamos o melhor cenário para reduzir
a maioridade em nossa Constituição e em nosso
Código Penal e incluir um aumento especial de
pena aos crimes praticados em concurso de
agentes havendo um menor.
Fernando José da Costa
FERNANDO JOSÉ DA COSTA. Advogado criminalista,
professor, mestre e doutor em direito penal (USP).
(Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/opiniao>).
A proposta de redução da maioridade penal é acertada? NÃO
Discursos vazios exploram o medo e a boa-fé
O amplo apoio da população à redução
da maioridade penal reflete a dura realidade da
insegurança pública no Brasil, retratada, por
exemplo, nos números assustadores de violência
letal. Em 2017, segundo dados do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, foram cerca de
64 mil homicídios no país.
A insegurança pública e o medo da
violência que nos assolam levam muitos a
acreditar que medidas mais duras contra quem
comete crimes diminuirão a criminalidade, e que
seria preciso, por exemplo, ser mais severo na
punição dos adolescentes. Contudo, o
endurecimento penal e, especialmente, a
redução da maioridade penal não são capazes de
promover a tão esperada pacificação da
sociedade brasileira.
Por um lado, não há comprovação
científica de que o aumento das taxas de
encarceramento diminua as taxas de
criminalidade. Exemplo disso é o fato de termos
uma população carcerária que cresce ano a ano,
sem que isso se reverta em uma redução dos
índices de criminalidade. Já somos a terceira
maior população carcerária do mundo e
seguimos recordistas mundiais em homicídios.
Por outro lado, há casos emblemáticos
de outros países, como Holanda e Suécia, que
investiram em reabilitação e alternativas ao
endurecimento penal e tiveram melhores
resultados, chegando a fechar prisões por falta de
presos.
A experiência brasileira mais próxima de
investimento em reabilitação e alternativas
penais encontra-se, justamente, na Justiça
juvenil, isto é, no sistema destinado aos
adolescentes infratores.
É importante deixar claro que, no Brasil,
qualquer pessoa acima de 12 anos de idade que
cometa uma infração pode ser punida. O que a
legislação brasileira estabelece é que
adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos
recebam um tratamento penal especial,
justamente porque não são adultos.
Há, nesse sentido, uma responsabilização
dos inimputáveis e, de maneira alguma, pode-se
falar em impunidade. Aos adolescentes que
cometem crimes podem ser aplicados seis tipos
51
de sanções, inclusive a privação de liberdade --
aplicada cotidianamente aos crimes mais graves.
Medidas socioeducativas bem
executadas, isto é, que conseguem equilibrar
responsabilização penal e reabilitação,
contribuem para diminuir o número de
adolescentes que reincidem no crime e que se
tornam criminosos adultos, conforme
demonstram recentes pesquisas desenvolvidas
em Minas Gerais e no Rio.
É evidente que o sistema socioeducativo
tem falhas e precisa de melhoras. Porém, é
evidente, também, que ele funciona melhor que
o sistema prisional adulto.
A redução da maioridade penal significa
retirar uma parcela dos adolescentes de um
sistema comparativamente melhor para colocá-
los em um sistema comparativamente pior,
aumentando a reincidência e, portanto, a
criminalidade.
Em suma, precisamos investir no que
funciona para adolescentes não cometerem
crimes e parar com discursos vazios que
exploram o medo e a boa-fé da população.
Afinal, o que todas e todos queremos é poder
andar na rua tranquilamentee não vivermos com
medo constante.
Reduzir a maioridade penal é uma
proposta oportunista e rasa, que pode saciar
momentaneamente a sede de vingança de um ou
outro. Mas, além de não contribuir para tornar
nossa sociedade mais segura --vale destacar que
os adolescentes são responsáveis por menos de
10% dos crimes graves do país--, representará o
aprofundamento da nossa política criminal, que
tem insistido no encarceramento de jovens
negros e pobres, na vulnerabilização dos
segmentos sociais menos favorecidos e na
violação de direitos.
LIANA DE PAULA. Professora da Unifesp e autora do livro
"Punição e Cidadania: Adolescentes e Liberdade Assistida na
Cidade de São Paulo" (Alameda Editorial).
MARIANA CHIES SANTIAGO SANTOS. Pesquisadora
associada do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e
coordenadora-chefe do Departamento de Infância e Juventude
do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.
(Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/opiniao>).
52
Textos diversos
Texto 1: Garimpo Brasil
Nada mais apropriado para sintetizar o
desrespeito à Nação, aos seus recursos naturais
e à sua força produtiva do que a imagem que o
agroquímico Sebastião Pinheiro cunhou para o
país, assim batizado de Garimpo Brasil. É só
recorrermos à História e encontraremos, no
início da Idade Moderna, as origens desta
garimpagem. Há cinco séculos ela alimenta
tudo o que tem corroído nosso conceito de
cidadania e nossas tentativas de erigirmos uma
sociedade justa – que, em suma, dê certo. Os
primeiros garimpeiros apareceram aqui através
dos grandes descobrimentos marítimos. As
empreitadas oceânicas, iniciados por
portugueses, vislumbraram a descoberta de
novas terras, exatamente para a exploração de
suas riquezas, que depois seriam
comercializadas na Europa. Portanto, foi em
1500 que o Brasil começou a ser tratado como
zona de garimpo.
A primeira grande pepita lavrada pelos
portugueses foi o pau-brasil. Depois veio a
cana-de-açúcar, o diamante, o ouro, a madeira,
o tabaco e o algodão. Deste mesmo período
extrativista também podemos citar o filão
composto pelos índios e pelos negros africanos,
que foram subjugados no primeiro caso e
escravizados no segundo, como prova de que o
garimpo estende-se impiedosamente também
aos seres humanos. Os garimpeiros, enfim,
aqui sempre se sucederam, ora rapinando e
pilhando nossos bens naturais, ora nossa força
de trabalho.
A garimpagem acabou virando prática
corriqueira no Brasil e, de certo modo, algo
metabolizado no funcionamento de nossa
sociedade como um todo. Ela acontece em
todas as áreas e permeia até mesmo as
atividades profissionais. Revela-se
frequentemente em quem avidamente acumula
capital, mas também está entre os empregados,
nas relações de trabalho. O traço mais cruel do
garimpeiro é o seu descompromisso com a
pessoa e com o local que achou propício à sua
lavra. A desumanização das grandes cidades é
um exemplo disso. Muitos dos que nelas
moram ali estão para garimpar, não para
preservar a história, a cultura e as boas e
primeiras intenções que fundaram estas
cidades.
A história brasileira é uma exaustiva
repetição dessa insanidade. Assim como aos
colonizadores portugueses não importava que a
monocultura da cana-de-açúcar destruísse o
solo do nordeste, aos garimpeiros, no Acre,
hoje, não significa nada que o mercúrio lançado
no rio Madeira mate a nação Ianomani. Esse
desdém, ainda, encarna-se com todos os seus
vícios na ideologia da sociedade industrial, que
não se incomoda frente ao número de
mutilados, invalidados ou mortos dos seus
processos produtivos. O descaso, que polui e
consequentemente desestabiliza o ambiente
natural, não difere do desrespeito costumeiro
como os meios de produção do Brasil. A
embalagem pode ser outra, mas o conteúdo é
idêntico. Os garimpeiros só mudam os
processos de exploração. Se os ecologistas e os
militantes da segurança e da saúde no trabalho
percebessem que são bem mais parecidos do
que pensam, talvez a luta pela qualidade de vida
fosse mais efetiva e tivesse mais adeptos. E,
enfim, seguramente o corpo da sociedade
brasileira ganharia uma boa dosagem de
anticorpos para se defender do histórico
garimpo que, como acontece nas mais vastas e
ricas minas, um dia não dá mais pepita a
ninguém. (Revista Proteção, n. 11, p.7).
53
Texto 2: Sem medo dos transgênicos
A maioria das pessoas está preocupada com
a segurança dos alimentos transgênicos. Toda
inovação tecnológica, ainda mais quando presente
nos alimentos, provoca uma série de inquietações.
Na Europa, por exemplo, uma grande parcela da
população não está convencida de que os produtos
derivados da biotecnologia são seguros. Mas será
que existem motivos reais para que se tenha tanto
medo de ingerir esses alimentos?
Como pesquisadora em genética (de uma
instituição pública, não vinculada a grupos
multinacionais), posso garantir que não. Na
Europa, esse medo surgiu de problemas que não
têm ligação nenhuma com os alimentos
geneticamente modificados. As crises de segurança
alimentar desencadeadas pela desastrada condução
do caso da vaca louca (uma doença), no Reino
Unido, e a contaminação de carne de frango e ovos
com dioxina (uma toxina), na Bélgica, geraram um
clima de desconfiança diante dos transgênicos que
vem deixando as pessoas confusas e, o pior, mal-
informadas.
Antes de criticar esses alimentos, é preciso
saber que há mais de 70 anos os pesquisadores vêm
realizando cruzamentos entre plantas com o
objetivo de transferir genes de uma espécie para
outra. Durante todo esse tempo, o tomate, a
batata, o milho, o trigo, a aveia e outros vegetais
que você come diariamente já possuem genes que
eram, originalmente, de outras espécies. Ou seja:
os transgênicos não são nenhuma novidade. O que
mudou, recentemente, foi o surgimento de novas
técnicas de modificação genética.
A mais importante delas é a chamada
―técnica de DNA recombinante‖. Ela permite que
se possa isolar um gene de uma espécie para que ele
seja colocado em outra planta, sem a necessidade
de compatibilidade sexual. Uma vez inserido, a
planta que surge daí vai conter uma cópia do novo
gene que, então, poderá ser reproduzida como
qualquer outra. A escolha de um ou mais genes
para serem adicionados, após cuidadosa análise de
suas características e funções, é certamente bem
mais segura que a introdução de milhares de genes
de uma só vez, como nos cruzamentos de espécies
que vêm sendo feitos nos últimos anos.
Desde 1995, produtos geneticamente
modificados estão sendo comercializados nos
estados. Ao todo, 13 países cultivam essas plantas,
que têm sido consumidas por milhares de pessoas
sem nenhuma evidência de efeito negativo. O que
pouca gente sabe é que os transgênicos estão
presentes em nossas vidas há vários anos. A maior
parte da insulina utilizada no mundo para o
tratamento de diabéticos, por exemplo, é obtida
por engenharia genética: um gene humano
sintético, inserido em uma bactéria, produz uma
réplica exata da insulina humana. O curioso é que o
cidadão que entra numa manifestação contra esses
alimentos sem nenhum conhecimento sobre o tema
é o mesmo que consome com entusiasmo, sem
saber, diversos desses produtos: da vacina contra a
gripe até o hormônio de crescimento para crianças
com nanismo.
Isso não significa, é claro, que a avaliação
particular de cada planta transgênica deva ser
negligenciada. O que não se pode ter é uma espécie
de medo irracional diante desses alimentos mesmo
depois que eles são submetidos a testes rigorosos –
sem apresentar nenhum problema à saúde humana
ou ao meio ambiente. Afinal, não se pode
desperdiçar o potencial da engenharia genética pela
falta de informação ou pelo uso político de grupos
que, em vez de debater seriamente o assunto,
fazem manifestações ingênuas contra o avanço
dessa tecnologia sem ao menos conhecer seus
métodos. Não é a população que deve temer
cegamente os alimentosgeneticamente
modificados. Quem tem razões para atacá-los são
os produtores de inseticidas e agroquímicos, já que
a biotecnologia deve criar plantas cada vez mais
resistentes a pragas, diminuindo a necessidade do
uso desses insumos.
Em meio a tanta falta de informação, o
debate em torno desse tema fez com que, pelo
menos, boa parte da população passasse a prestar
mais atenção na segurança dos alimentos. Com o
passar do tempo, elas vão descobrir que a principal
ameaça não vem dos transgênicos, mas dos
alimentos que já estão nas prateleiras dos
supermercados repletos de resíduos químicos
danosos à saúde que, com o avanço da
biotecnologia, poderão em breve ser eliminados.
(ZANETTINI, Maria Helena. Disponível em:
<http://super.abril.com.br>).
54
Texto 3: Baleias não me emocionam
Hoje quero falar de gente e bichos. De
notícias que freqüentemente aparecem sobre
baleias encalhadas e pingüins perdidos em
alguma praia. Não sei se me aborrece ou me
inquieta ver tantas pessoas acorrendo,
torcendo, chorando, porque uma baleia morre
encalhada. Mas certamente não me emociona.
Sei que não vão me achar muito
simpática, mas eu não sou sempre simpática.
Aliás, se não gosto de grosseria nem de
vulgaridade, também desconfio dos eternos
bonzinhos, dos politicamente corretos, dos
sempre sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no
olho, a clareza e a sinceridade – desde que não
machuque só pelo prazer de magoar ou por
ressentimento.
Não gosto de ver bicho sofrendo:
sempre curti animais, fui criada com eles. Na
casa onde nasci e cresci, tive até uma coruja,
chamada, sabe Deus por quê, Sebastião. Era
branca, enorme, com aqueles olhos que
reviravam. Fugiu da gaiola especialmente
construída para ela, quase do tamanho de um
pequeno quarto, e por muitos dias eu a
procurei no topo das árvores, doída de
saudade.
Na ilha improvável que havia no
mínimo lago do jardim que se estendia atrás da
casa, viveu a certa altura da minha infância um
casal de veadinhos, dos quais um também
fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo
o jardineiro, morreu de saudade do fujão –
minha primeira visão infantil de um amor
romeu-e-julieta. Tive uma gata chamada
Adelaide, nome da personagem sofredora de
uma novela de rádio que fazia suspirar minha
avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata),
nunca entendi como – uma das primeiras
tragédias de que tive conhecimento. De modo
que animais fazem parte de minha história, com
muitas aventuras, divertimento e alguma
emoção.
Mas voltemos às baleias encalhadas:
pessoas torcem as mãos, chegam máquinas
variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis
molhados, abrem-se manchetes em jornais e as
televisões mostram tudo em horário nobre. O
público, presente ou em casa, acompanha
como se fosse alguém da família e, quando o
fim chega, é lamentado quase com pêsames e
oração.
Confesso que não consigo me comover
da mesma forma: pouca sensibilidade, uma
alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os
que não me apreciam, não creiam nisso. Não é
que eu ache que sofrimento de animal não valha
a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu
preferia que tudo isso fosse gasto com eles
depois de não haver mais crianças enfiando a
cara no vidro de meu carro para pedir
trocados, adultos famintos dormindo em
bancos de praça, famílias morando embaixo de
pontes ou adolescentes morrendo drogados nas
calçadas.
Tenho certeza de que um mendigo
morto na beira da praia causaria menos
comoção do que uma baleia. Nenhum
Greenpeace defensor de seres humanos se
moveria. Nenhuma manchete seria estampada.
Uma ambulância talvez levasse horas para
chegar, o corpo coberto por um jornal, quem
sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos
virados, um sentimentozinho de culpa,
possivelmente irritação: cadê as autoridades,
ninguém toma providência?
Diante de um morto humano, ou de
um candidato a morto na calçada, a gente se
protege com uma armadura. De modo que
(perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em
favor dos animais – pelo menos enquanto se
deletarem tão facilmente homens e mulheres.
(LUFT, Lya. Baleias não me emocionam. Disponível em:
<http://veja.abril.com.br/250804/ponto_de_vista.html>.
Acesso em: 15 jan. 2015).
55
Texto 4: A chacina silenciosa
Ao saber de uma chacina, a imprensa
corre para dar manchetes. Por que então a
opinião pública não é avisada sobre o massacre
de 120 pessoas todos os dias no Brasil?
O Estado de São Paulo, o mais rico do
país, assiste inerte diariamente à perda de 12
vidas; na capital, três paulistanos morrem todo
dia, sem chocar ninguém.
O trânsito é a nossa chacina silenciosa
de cada dia. Ele assassina por ano mais gente do
que os americanos mortos no Vietnã em toda a
guerra, de mais de uma década; mais do que as
vítimas de conflitos entre israelenses e
palestinos desde o início da Intifada no final dos
anos 1970...
Não há no mundo paradigma para a
violência dos carros brasileiros, ainda que
ocorrências menos dramáticas frequentem a
capa da Folha ou o "Jornal Nacional", com
maior destaque.
Pior: a cada morte no trânsito, o
Denatran registra 20 outros acidentes com
vítimas não fatais, frequentemente com
sequelas importantes.
São 900 mil ocorrências com vítimas
por ano. Você pode ter certeza que do início da
coluna alguém foi atropelado e, até o final, será
a vez de outra. Alguém pode morrer, outro
ficar paralisado para sempre.
Para comparar os países,
independentemente do tamanho de suas
populações, as estatísticas comparam acidentes
a cada 100 mil habitantes. A Suécia, com 2
mortos no trânsito a cada 100 mil habitantes
por ano, tem o menor índice mundial. O
Brasil, com 22 mortos por 100 mil/ano, é um
campeão mundial.
A Alemanha pode achar que é legal ter
feito 7x1 no futebol, mas não está nem perto
da liderança: no trânsito, a taça de morte é
nossa!
Desde o início da década, a ONU
mantém campanha para reduzir os mortos no
trânsito, até 2020, à metade dos números de
2011. Vários países fizeram a lição de casa: a
Suécia achou vergonhoso tentar matar "só"
uma pessoa a cada cem mil e quer zerar o
número. A Espanha atingiu a meta em 2015;
quer chegar a 2020 com metade da metade.
E nós? Desde 2011, estamos estáveis. A
cidade de São Paulo teve uma redução
importante nos últimos anos, chegando em
2015 a 992 mortos no trânsito no ano, contra
1.249 em 2014 (queda de 20%). Em relação a
2011, a redução foi de 28% em cinco anos. Ou
seja, fizemos em cinco anos metade da lição de
casa...
Por que o Brasil não avança? Segundo o
estudioso Osias Baptista, fundador da BHTrans
(a CET de Belo Horizonte), todos os países que
obtiveram bons resultados atuaram em duas
frentes que patinam em nosso país: redução da
velocidade dos automóveis a 50 km/h ou
menos; e combate ao consumo de álcool por
motoristas.
"Na França, cada carro tem que ter um
bafômetro. Se o motorista não tiver, na hora da
blitz é preso; se não quiser soprar, é preso; se
soprar e der positivo, é preso", diz. A pessoa
só não é detida se der negativo. A medida foi
implantada pelo conservador Nicolas Sarkozy.
O Brasil foge das medidas
fundamentais. São Paulo reduziu a velocidade
máxima a 50 km/h e o prefeito quase sofreu
impeachment; o país trata as blitze de lei seca
como afronta à fluidez do trânsito (indicar
locais de fiscalização nas redes sociais é
considerado simpático).
Não há como aceitar a chacina
silenciosa. Direta ou indiretamente, um dia nos
atinge. E a imprensa deveria publicar todo dia
em manchete a chacina de nosso trânsito.
(SERVA, Leão. A chacina silenciosa. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/leaoserva/2016/
06/1778559-a-chacina-silenciosa.shtml>. Data de
publicação: 6 junho 2016).
56
Texto 5: Carta do Cacique Seattle a Franklin Pierce
Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos
Estados Unidos (Francis Pierce),depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o
território o cupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas
o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade.
O grande chefe de Washington mandou
dizer que quer comprar a nossa terra. O
grande chefe asseguro-nos também da sua
amizade e benevolência. Isto é gentil de
sua parte, pois sabemos que ele não necessita
da nossa amizade. Porém vamos pensar na sua
oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o
homem branco virá com armas e tomará a
nossa terra. O grande chefe de Washington
pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a
mesma certeza com que nossos irmãos brancos
podem confiar na mudança das estações do
ano. Minha palavra é como as estrelas, elas
não empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu – o
calor da terra? Tal ideia é-nos estranha. Nós
não somos donos da pureza do ar ou do
brilho da água. Como podes então comprá-
los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas
do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para
o meu povo. Cada folha reluzente, todas as
praias, cada véu de neblina nas florestas
escuras, cada clareira e todos os insetos a
zumbir são sagrados nas tradições e na crença
do meu povo.
Sabemos que o homem branco não
compreende o nosso modo de viver. Para ele
um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele
é um estranho, que vem de noite e rouba da
terra tudo quanto necessita. A terra não é
sua irmã, mas sim sua inimiga, e, depois de
exauri-la, ele vai embora. Deixa para trás o
túmulo de seu pai, sem remorsos. Rouba a
terra de seus filhos. Nada respeita. Esquece a
sepultura dos antepassados e o direito dos
filhos. Sua ganância empobrece a terra e
deixa atrás de si os desertos.
A vista de tuas cidades é um tormento para
os olhos do homem vermelho. Mas talvez
isto seja assim por ser o homem vermelho um
selvagem que nada compreende. Não se pode
encontrar paz nas cidades do homem
branco. Nem lugar onde se possa ouvir o
desabrochar da folhagem na primavera ou o
zunir das asas dos insetos. Talvez por ser
um selvagem que nada compreende, o
barulho das cidades é para mim uma afronta
para os ouvidos. E que espécie de vida é
aquela em que o homem não pode ouvir a voz
do corvo noturno ou a conversa dos sapos no
brejo à noite? Um índio prefere o suave
sussurro do vento sobre o espelho d'água e o
próprio cheiro do vento, purificado pela
chuva do meio-dia e com aroma de pinho.
O ar é precioso para o homem vermelho.
Porque todos os seres vivos respiram o
mesmo ar – animais, árvores, homens. Não
parece que o homem branco se importe com o
ar que respira. Como um moribundo, ele é
insensível ao ar fétido.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma
condição: o homem branco deve tratar os
animais como se fossem seus irmãos. Sou
um selvagem e não compreendo que possa
ser de outra forma. Vi milhares de bisões
apodrecendo nas pradarias abandonados pelo
homem branco que os abatia a tiros disparados
do trem. Sou um selvagem e não
compreendo como um fumegante cavalo de
ferro possa ser mais valioso que um bisão
que nós, os índios, matamos apenas para
sustentar a nossa própria vida. O que é o
homem sem os animais? Se todos os
animais acabassem, os homens morreriam de
solidão espiritual, porque tudo quanto acontece
aos animais pode também afetar os homens.
57
Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto
fere a terra, fere também os filhos da terra.
Os nossos filhos viram seus pais humilhados
na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem
sob o peso da vergonha. E depois da
derrota passam o tempo em ócio e
envenenam seu corpo com alimentos doces
e bebidas ardentes. Não tem grande
importância onde passaremos os nossos
últimos dias, eles não são muitos. Mais algumas
horas, até mesmo alguns invernos, e nenhum
dos filhos das grandes tribos que viveram
nesta terra ou que têm vagueado em
pequenos bandos pelos bosques sobrará para
chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia
foi tão poderoso e cheio de confiança como o
nosso.
O homem branco também vai desaparecer,
talvez mais depressa do que as outras raças.
Continua sujando a sua própria cama e hás
de morrer uma noite, sufocado nos seus
próprios dejetos! Depois de abatido o
último bisão e domados todos os cavalos
silvestres, e quando as matas misteriosas
federem à gente, e quando as colinas escarpadas
se encherem de fios que falam – onde ficarão
então os sertões? Terão acabado. E as
águias? Terão ido embora. Restará dar adeus
à andorinha da torre e à caça, o fim da
vida e o começo da luta para sobreviver.
De uma coisa sabemos, que o homem branco
talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus
é o mesmo Deus. Julgas, talvez, que o podes
possuir da mesma maneira como deseja
possuir a nossa terra. Mas não podes. Ele é
Deus da humanidade inteira. E quer bem
igualmente ao homem vermelho como ao
branco. A terra é amada por Ele. E causar dano
à terra é demonstrar desprezo pelo Criador.
Talvez compreenderíamos se conhecêssemos
com que sonha o homem branco , se
soubéssemos quais as esperanças que transmite
a seus filhos nas longas noites de inverno, quais
as visões do futuro oferece às suas mentes para
que possam formar os desejos do dia de
amanhã. Mas nós somos selvagens. Os
sonhos do homem branco são ocultos para nós.
E por serem ocultos, temos que escolher o
nosso próprio caminho. Se consentirmos, é
para garantir as reservas que nos prometeste.
Lá talvez possamos viver os nossos últimos
dias como desejamos. Depois que o último
homem vermelho tiver partido e a sua
lembrança não passar da sombra de uma
nuvem a pairar acima das pradarias, a alma
do meu povo continuará a viver nestas
florestas e praias, porque nós as amamos
como um recém-nascido ama o bater do
coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa
terra, ama-a como nós a amávamos.
Protege-a como nós a protegíamos. Nunca
esqueças como era a terra quando dela tomou
posse. E com toda a tua força, o teu poder, e
todo o teu coração – conserva-a para os teus
filhos, e ama-a como Deus nos ama a
todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o
mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele.
Nem mesmo o homem branco pode evitar o
nosso destino comum.
(Disponível em: <http://www.aabbcomunidade.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Carta-do-Cacique-Seattle.pdf>)
58
Resenhas
LENT, Roberto. Sobre neurônios, cérebros e pessoas. São Paulo: Ed. Atheneu, 2011.
Divulgar ciência a leitores que
desconhecem os jargões técnicos e não possuem
conhecimento específico em neurociência e áreas
afins, eis o desafio proposto pelo professor de
medicina da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) Roberto Lent, em seu livro Sobre
neurônios, cérebros e pessoas (Editora Atheneu). Lent
faz pesquisas sobre desenvolvimento e
neuroplasticidade do sistema nervoso. Essa obra,
lançada em 2011, reúne os textos publicados pelo
autor na coluna ―Bilhões de neurônios‖ da versão
eletrônica da revista eletrônica Ciência Hoje entre
2006 e 2010.
Os textos estão organizados nos três eixos
que dão título ao livro e referem-se aos principais
objetos de estudo da neurociência. No primeiro
deles, ―Neurônios‖, o autor tenta explicar como
pesquisas que parecem não ter sentido algum
podem na verdade esconder perguntas cruciais
para a comunidade científica. Ao mostrar esse
recorrente erro de avaliação pelos leigos – quando
escutam falar, por exemplo, de uma pesquisa
sobre se os canários machos cantam mais ou não na
primavera–, ele convida o leitor a deixar um
pouco de lado a visão de que cientistas são todos
―desequilibrados‖ e a entender um pouco mais
sobre seu trabalho.
Com o intuito de mostrar que a ciência é
algo mais presente no nosso cotidiano do que
poderíamos imaginar, Lent opta por começar cada
capítulo desse eixo com comentários
despretensiosos sobre seu próprio dia a dia,
lembranças pessoais ou referências à filosofia. E,
sem querer, aquele que decidiu avançar a leitura,
curioso em saber um pouco mais sobre os embates
de ideais da juventude de Lent na década de 1960,
esbarra no pensamento de Friedrich Engels em sua
Dialética da natureza e acaba tentando entender
sobre a neuroplasticidade homeostática dos
neurônios.
Como isso acontece? Parte dessa ―sedução‖
começa pelos títulos de cada capítulo. Lent deixou
de lado o cientificismo e, para capturar o leitor,
optou por expressões como ―O cérebro fabrica
maconha‖; ‗Trair e coçar, é só começar'; ―Nosso
grande paradoxo‖; entre outras. Quando
necessário, Lent também usa termos conhecidos
pelo público leigo para substituir denominações
mais científicas, como tutano no lugar de medula
óssea.
No segundo eixo do livro, ―Cérebros‖,
Lent não deixa de lado os recursos anteriores, no
entanto, é mais direto. O intuito aqui é explicar
como uma inquietação qualquer sobre
comportamentos rotineiros como, por exemplo, a
linguagem gestual, a divagação ou o
funcionamento do cérebro dos músicos produz
questionamentos que levam a experimentos e
conclusões – provisórias ou não.
O autor comenta igualmente acerca de
temas delicados, como a religiosidade do ponto de
vista da ciência, o debate sobre se o fóssil da
mulher de Flores encontrado em 2003 é de um
ancestral humano e como a teoria da mente
comprova que, embora a organização cerebral seja
a mesma em todos os indivíduos, a cultura modula
seu funcionamento.
A discussão continua no terceiro eixo do
livro, ―Pessoas‖, mostrando como pesquisas têm
tentado explicar comportamentos humanos como
o choro, o uso de drogas, a inspiração etc, ou
avanços da neurociência como os neurorrobôs,
além de comentar o uso da disciplina em decisões
judiciais ou para explicar a noção de inteligência
cultural.
Com capítulos curtos – entre três e seis
páginas – e linguagem simples (dentro do
possível), Roberto Lent consegue expor um pouco
do mundo da neurociência e, portanto, alcança seu
objetivo de divulgar esse campo do conhecimento
entre leigos. No entanto, por mais que o texto seja
leve, com bastante uso de imagens e de ricas
referências à literatura, à filosofia e ao cinema; e
que existam sugestões de leitura ao fim de cada
capítulo, é preciso que o leitor já tenha tido
contato –mesmo que mínimo – com o tema para
um melhor aproveitamento do conteúdo.
Entretanto, não se pode negar que é um convite
sedutor para se aprofundar no conhecimento sobre
neurociência, mesmo sem pretensões acadêmicas.
(Por Romina Cácia. Disponível em:
<http://www.comciencia.br>. Acesso em 31 jan. 2013)
59
MACHADO, I. F.; RIBAS, O. T.; OLIVEIRA, T. A. Cartilha: procedimentos básicos para uma
arquitetura no trópico úmido. São Paulo: Editora Pini, 1986.
Trata-se de um pequeno manual para
iniciantes nos problemas do projeto de
habitações nas regiões do Brasil, situadas
basicamente na bacia do Amazonas. O livro
inicia-se com uma visão geral do que se deve
obter com uma casa, propondo também uma
teoria de como se deve ―construir
corretamente‖. Esta primeira parte critica o
atual panorama das atividades construtivas,
mais voltadas para objetivos de ―representação
de status‖ do usuário que para o conforto
físico e psicológico, e para a economia dos
recursos disponíveis.
Em contraposição a essa postura, o livro
enumera os condicionantes ―corretos‖, o clima,
o solo, a paisagem e os cuidados que devem ser
tomados para obter-se o máximo desfrute
desses fatores, sugerindo inclusive algumas
providências para que a intervenção humana
seja a menos predatória possível. Sabe-se que a
região em apreço é de extrema fragilidade, e o
risco de desertificação da região é um perigo
presente, como já alertaram biólogos e outros
estudiosos da Amazônia.
Quanto aos recursos econômicos, o
trabalho enfatiza a utilização de soluções já
consagradas pelo uso, descrevendo cada
elemento construído da habitação, desde os
alicerces, estruturas portantes, coberturas,
vedações, aberturas (portas e janelas) bem
como os equipamentos sanitários. Aqui nota-se
um pequeno senão no trabalho, ou seja, as
recomendações não atingem o nível
quantitativo. Por exemplo, ao propor fossas
sépticas para o tratamento de esgotos
sanitários, em residências situadas em áreas
pouco urbanizadas, os autores deveriam dar um
dimensionamento dessas fossas em relação ao
número de usuários. Ou, quando propõem a
utilização de madeira para estruturas de
coberturas, sugerem sua impermeabilização,
mas não dão nenhuma regra prática de como
proceder a essa impermeabilização (e proteção
contra xilófagos, de uma maneira geral).
Uma outra crítica mais grave pode ser,
entretanto, feita: todo o manual está montado
em tomo de considerações sobre a casa isolada,
de acordo com a tradicional ocupação rural da
região amazônica. De fato a população dessa
área do país sempre foi muito rarefeita.
Entretanto, não é essa tendência que se verifica
atualmente, nem é o que se pode prever para o
futuro. Nesse sentido, o manual não orienta,
nem faz menção de agrupamentos
concentrados de habitações, seja sobre o solo,
seja em altura.
Considerada a pobreza de manuais no
país, não podemos deixar de registrar o
meritório esforço dos autores e da editora, que
se dispôs a editá-lo.
Pela correção do método empregado e
pela segurança das informações nele contidas,
julgamos que esse manual será útil para
estudantes de arquitetura, no sentido de
introduzi-los em problemas de conforto
ambientar e conservação da natureza, qualquer
que seja a latitude onde um dia irão atuar.
(Júlio Roberto Katinsky Faculdade de Arquitetura,
Urbanismo, USP, São Paulo)
60
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