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PROF. DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
PSICOLOGIA DA MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO
Doutor e Mestre em Cognição e Linguagem- UENF
Psicólogo e Administrador de Empresas
Formação em Psicanálise, Psicologia Analítica, TCC, Gestão de RH e Neuropsicologia
Professor de Pós graduação em Terapia Cognitivo Comportamental e Hipnose Clínica
Canal Psicologia Sem Segredos:
https://www.youtube.com/channel/UCG4GsAJ5mUyWdonh7WzobRg?view_as=subscriber
www.profjefferson.com.br
E-mail: jefpsi@gmail.com
JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Motivação
A palavra motivação vem de motivu, em latim, que significa - O que move ou o que pode fazer mover. Assim, podemos entender que a motivação humana é a forca impulsionadora que nos leva persistentemente em direção a um objetivo.
De modo geral, motivo, é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a um comportamento específico.
Esse impulso a ação pode ser provocado por um estímulo externo ( provindo do ambiente) e pode também ser gerado internamente nos processos mentais do indivíduo
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Etapas do ciclo motivacional.
Satisfação Necessidade
Equilíbrio
Estímulo
ou incentivo
Comportamento
ou ação
Tensão
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MOTIVAÇÃO
CICLO MOTIVACIONAL
Equilíbrio
interno
Estímulo
ou
incentivo
Necessidade
(desejo)
Tensão
Comport.
ou
ação
Satisfação
Uma necessidade ou desejo rompe o estado de equilíbrio do organismo, causando um estado de tensão, insatisfação, desconforto e desequilíbrio. Esse estado leva o indivíduo a um comportamento ou ação, capaz de descarregar a tensão ou desconforto. Se o comportamento for eficaz, o indivíduo encontrará satisfação da necessidade ou desejo e, portanto, a descarga da tensão provocada por ela. Satisfeita a necessidade o organismo volta ao estado inicial.
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Motivação
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
MOTIVAÇÃO
Equilíbrio
interno
Estímulo
ou
incentivo
Necessidade
(desejo)
Tensão
Barreira
Outro
Comport.
derivativo
Frustração
Compensação
Uma necessidade pode ser satisfeita, ou frustrada. Quando a satisfação é impedida ela pode ser transferida para outro objeto e assim compensada.
No ciclo motivacional, muitas vezes a tensão provocada pelo surgimento da necessidade ou desejo encontra barreiras ou obstáculos para sua liberação.
O estudo da motivação referem-se aos processos que fornecem ao comportamento sua energia e a sua direção (Reeve, 2011).
Energia – comportamento é dotado de força (forte, intenso e persistente).
Direção – O comportamento tem um propósito , ou seja, é direcionado ou orientado a alcançar um determinado objetivo ou resultado.
Motivação
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Importância do estudo da Motivação
O estudo da motivação nos proporciona tanto a compreensão teórica de como funcionam a motivação e a emoção quanto o conhecimento prático que nos permite conquistar objetivos considerados importantes.
Aplicar conhecimentos em como motivar empregados, atletas, clientes, alunos...
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O que causa o comportamento?
Por que o comportamento se inicia? Uma vez começado, porque o comportamento se mantém no tempo? Por que o comportamento se direciona para algumas metas, ao mesmo tempo que se afasta de outras?
Por que o comportamento muda de direção?
Por que o comportamento cessa?
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O que causa o comportamento?
Está relacionado ao estudo da maneira como a motivação afeta o início, a persistência, a mudança na direção de meta e a eventual cessação do comportamento.
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Por que o comportamento varia de intensidade?
“Por que às vezes a vontade é forte e persistente, enquanto que, outras vezes, diminui paulatinamente até desaparecer por completo?”
Em uma hora a pessoa pode estar bastante engajada em certa atividade, enquanto que, em outro momento, pode ficar passiva e desinteressada.
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Motivação pode variar com o tempo em um mesmo indivíduo.
Motivação varia de forma diferente nas pessoas.
Alguns motivos podem ser relativamente fortes para uma pessoa e relativamente fracos para outras.
Motivação
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HIERARQUIA DAS FONTES DE MOTIVAÇÃO
Motivos internos
Um motivo é um processo interno que energiza e direciona o comportamento.
Tipos de motivos:
Necessidades – Condições internas que são essenciais e necessárias à manutenção da sua vida e à promoção do seu crescimento e de seu bem estar. Exemplo:
Necessidades biológicas - fome e sede
Necessidades psicológicas – pertencimento e competência
Cognições – Eventos mentais, tais como as crenças, expectativas e o autoconceito.
Emoções – Fenômenos subjetivos, fisiológicos, funcionais, expressivos e de vida curta, que orquestram a maneira como reagimos adaptativamente aos eventos importantes de nossas vidas.
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Eventos externos
São incentivos ambientais que têm a capacidade de energizar e direcionar o comportamento.
Exemplos: oferecer dinheiro como incentivo a tomada de ação.
Odor desagradável costuma energizar um comportamento de evitação.
Os incentivos ambientais podem ser estímulos ambientais específicos, mas também situações mais gerais, tais como aquelas que surgem na sala de aula, na família e no local de trabalho.
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Expressões da Motivação
Como avaliar se a pessoa está ou não está motivada?
Como informar a intensidade da motivação de outra pessoa?
Formas de avaliar a motivação:
Observar as manifestações comportamentais da motivação.
É necessário inferir a motivação a partir de expressões do indivíduo:
Comportamento* (esforço, latência, persistência, escolha, probabilidade de resposta, as expressões faciais, gestos corporais).
Fisiologia
Auto-relato
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Comportamento
Esforço – quantidade de energia empregada na tentativa de execução de uma tarefa
Latência – Tempo durante o qual uma pessoa adia sua resposta após ter sido inicialmente exposta a um estímulo
Persistência – Tempo decorrido entre o início e o fim da resposta.
Escolha – Quando se está diante de duas ou mais probabilidades de ação, mostra-se preferência por uma delas, em detrimento dos demais.
Probabilidade de resposta – Número (ou porcentagem) de ocasiões em que se verifica uma resposta orientada para um determinado objetivo, quando ocorrem diversas oportunidades diferentes para o comportamento ocorrer.
Expressões faciais – Movimentos faciais.
Sinais corporais – Tais como a postura, mudanças de apoio do peso e do movimento das pernas, braços e mãos.
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Origem filosófica dos conceitos motivacionais
Raízes dos estudos da motivação nos filósofos gregos antigos (Platão e Aristóteles).
Platão – A motivação surgia de uma alma (mente,psiqué) disposta segundo uma hierarquia tripartida.
Apetitiva - Nível mais primitivo – Apetite da alma – apetites corporais e os desejos (ex: fome e sexo)
Competitiva - Segundo nível – Aspecto competitivo –Padrões socialmente referenciados como honra e vergonha
Calculista - Nível mais elevado – Aspecto calculista – Razão e escolha.
Cada aspecto superior tinha a capacidade de regular os motivos dos aspectos inferiores.
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Aristóteles
Endossou a idéia de alma tripartida de Platão, mas usou terminologia diferente:
Nutritiva – Aspecto mais impulsivo, irracional e animalesco – necessidades corporais mais urgentes relacionadas à manutenção da vida.
Sensível – Relacionava-se com o corpo, mas regulava prazer e dor.
Racional – Aspecto único dos seres humanos.
Relacionava-se com as idéias e o intelecto, caracterizando a vontade. Vontade funcionava como o nível mais elevado da alma.
Origem filosófica dos conceitos
motivacionais
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Dualismo – Corpo/Mente
Psique tripartida dos gregos reduziu-se a um dualismo (corpoe alma).
Tomás de Aquino – corpo fornecia os impulsos motivacionais irracionais e baseados no prazer, ao passo que a mente era a responsável pelas motivações racionais e baseadas na vontade.
Descartes – Distinção entre aspecto passivo e ativo da motivação.
Corpo – agente mecânico, semelhante a uma máquina. Respondia aos estímulos de maneira mecânica.
Mente – Entidade pensante e espiritual, possuidora de vontade. Governa os desejos corporais.
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Vontade - Descartes
Para Descartes, a principal força motivacional era a vontade. Vontade inicia e direciona a ação.
É uma faculdade (ou poder) que a mente, exercendo seu poder de escolha, tem para controlar os apetites corporais e as paixões.
Necessidades corporais – criam impulsos à ação, mas esses impulsos só excitam a vontade.
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Teoria do Instinto
Em 1870, pesquisadores da nova ciência psicologia viram-se em busca de um princípio motivacional menos misterioso – instinto.
Charles Darwin – Teoria da evolução das espécies.
Afastamento das teorias de conceitos motivacionais mais mentalísticos.
Aproximação dos conceitos mecanicistas e genéticos
Fim do dualismo homem-animal que predominava nos estudos motivacionais.
Para explicar comportamento adaptativo aparentemente pré-determinado, Darwin propôs o instinto.
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A força motivacional surge dos instintos.
Estudo da motivação saiu da filosofia, e entrou no campo das ciências naturais.
Os instintos surgem de uma dotação genética.
Expressam-se por meio de reflexos corporais herdados – o pássaro constrói o ninho, choca o ovo porque tem impulso geneticamente herdado e biologicamente excitado para realizar isso.
Pensadores retiraram a alma racional do dualismo e deixaram: impulsos e apetites biológicos.
Teoria do Instinto
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William James - Pragmatismo
Primeiro psicólogo a popularizar a teoria instintiva da motivação.
Atribuiu ao ser humano um grande número de instintos físicos (ato de sugar, locomoção) e mentais (imitação, brincar, sociabilidade).
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McDougall e a Teoria do Instinto
Propôs uma teoria dos instintos.
Instinto – força motivacional emocional e impulsiva
Instintos de proteção materna, de luta, de exploração.
Sem os instintos, os seres humanos seriam como massas inertes, sem quaisquer impulsos para a ação.
Lista de instintos – ex: instinto de manada (quando a pessoa sai com amigos); instinto antissocial (quando a pessoa não sai com amigos).
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Crítica a teoria dos instintos
Todos os comportamentos eram explicados por instintos.
Lógica circular da teoria de instintos
A causa explica o comportamento (instinto comportamento)
O comportamento é evidência da sua própria causa(comportamento instinto).
A Psicologia avançou em outras explicações motivacionais.
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Teoria do Impulso ou Teoria do Drive
Conceito motivacional para substituir o instinto.
Impulso surge da biologia, segundo a qual a função do comportamento está a serviço das necessidades corporais.
Quando ocorrem desequilibrios biológicos, os animais experimentam esses déficits de necessidade biológica psicologicamente como impulsos.
Duas teorias dos impulsos mais amplamente aceitas foram propostas por Sigmund Freud (1915) e Clarck Hull (1943).
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Todo comportamento é motivado e que o propósito do comportamento seria a satisfação de necessidades.
Exigências biológicas (ex: a fome) seriam constante e inevitavelmente condições recorrentes que produziriam acúmulos energéticos dentro de um sistema nervoso que funcionaria em torno de uma tendência herdada de manter um nível baixo e constante de energia.
A teoria do impulso(pulsão) de Freud
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Cada acúmulo de energia perturbaria a estabilidade do sistema nervoso e produziria um desconforto psicológico.
Acúmulo de energia poderia ameaçar saúde física e psicológica.
O comportamento continuaria até que o impulso (pulsão) ou a exigência que o motivou fossem satisfeitos.
O comportamento serviria às necessidades corporais.
A teoria do impulso(pulsão) de Freud
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Energia do sistema nervoso (ou seja a libido) aumenta continuamente.
À medida que os impulsos corporais tendem a acumular energia, a exigência ansiosa de descarregar essa energia, vai se tornando cada vez maior.
Quanto mais alta for a energia psíquica, maior será o impulso para agir.
O comportamento adaptativo acalma temporariamente o impulso, mas o constante acúmulo de energia do sistema nervoso sempre retorna.
A teoria do impulso(pulsão) de Freud
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A Teoria do Impulso segundo Hull
O impulso é uma fonte de energia agrupada e composta de todos os déficits/ distúrbios experimentados momentaneamente pelo corpo.
As necessidades de alimento, água, sexo, sono, e assim por diante, são concentradas para constituírem uma necessidade corporal total.
Se um animal é privado de água, sexo ou sono, o impulso irá inevitavelmente crescer proporcionalmente à necessidade corporal total.
Esta teoria permitiu manipular os estados motivacionais no laboratório.
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O impulso energiza o comportamento, mas não o direciona.
É o hábito, não o impulso, que direciona o comportamento.
Os hábitos provém da aprendizagem e a aprendizagem ocorre como consequência do reforço.
Qualquer resposta que diminua o impulso (comer, beber, etc.), provém um reforço. E o animal aprende qual resposta reduz a redução de um impulso nessa situação particular.
Teoria ganhou grande popularidade na época.
A Teoria do Impulso segundo Hull
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Declínio da teoria do impulso
Teoria do impulso baseava-se em três pressupostos:
O impulso emerge de necessidades corporais.
A redução do impulso é reforçada e produz a aprendizagem.
O impulso energiza o comportamento.
Alguns motivos existem com ou sem necessidades biológicas correspondentes. Ex: anorexia e a necessidade biológica de alimentação.
Aprendizagem ocorre sem a redução do impulso.
Exemplo: ratos em laboratório e a sacarina não-nutritiva.
Pesquisas reconhecem a importância de fontes externas (não fisiológicas) na motivação. Ex: Mesmo sem fome, pessoa pode experimentar um motivo bastante forte para comer, após ver ou sentir o cheiro de seu alimento favorito.
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Anos posteriores à teoria do impulso
Anos de 1950 e 1960 representaram uma transição no estudo da motivação.
Introdução de substitutos teóricos do impulso incentivo e excitação.
Incentivo - evento externo capaz de energizar ou direcionar um comportamento de aproximação ou evitação. Pessoas são incentivadas pelo valor incentivador presente em vários objetos presentes no ambiente.
Excitação - aspectos do ambiente (o grau que eles são não estimulantes, novos, estressantes) afetam o cérebro a ser excitado. Reinterpretação da teoria do impulso, que afasta as raízes biológicas.
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Miniteorias
A partir de 1970, os psicólogos começaram a adotar miniteorias da motivação.
Exemplos: Teoria motivacional da realização
(Atkinson, 1964); Teoria da auto-eficácia (Bandura,1977); etc.
Procuram explicar parte, e não todo o comportamento motivado.
Natureza ativa das pessoas – Pessoas são inerentemente ativas.
Anteriormente, a teoria do impulso considerava que os animais eram naturalmente inativos e o papel da motivação seria excitá-los.
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Revolução Cognitiva
A motivação tornou-se acentuadamente cognitiva, como todo campo da psicologia.
Tendência passou a ser conhecida como Revolução Cognitiva.
Alguns constructos motivacionais estudados: planos, metas, crenças, autoconceito.
Funcionamento humano – Visão humana, ao invés de mecânica.
Enfatizam os constructos cognitivos (ou seja, expectativas,metas) deixando de enfatizar constructos biológicos e ambientais.
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Associou-se às idéias da psicologia humanista.
Psicologia humanista – criticava as teorias motivacionais dominantes em 1960 como não humanas.
Resistiram a utilizar a metáfora da máquina.
Visão dos seres humanos como ativos, cognitivamente flexíveis e motivados para o crescimento.
Revolução Cognitiva
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Pesquisa Aplicada e a Relevância Social
Pesquisas sobre solução de problemas motivacionais enfrentados pelas pessoas em sua vida diária.
Concentração dos estudos nos problemas e questões aplicadas de relevância social.
A área tornou-se menos interessada em estudar, por exemplo, a fome como fonte do impulso, e mais interessada em estudar as motivações que se encontram por trás do comer, da dieta, da obesidade e da bulimia.
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Área de estudos sobre Motivação
Afastamento das ciências naturais.
Encontra-se em meio à era das miniteorias.
Motivação perdeu o trono que tinha como a disciplina mais importante da Psicologia.
Estudo da motivação não desapareceu.
Dispersou-se pelas diversas áreas da psicologia.
Psicologia social, psicologia educacional, psicologia industrial...
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Referência complementar
Reeve, J. Motivação e Emoção. A motivação segundo as perspectivas histórica e contemporânea. Rio de Janeiro: LTC, 2011.
Atkinson e outros. Introdução à psicologia de Hilgard. Porto Alegre. 13º Ed. 2002
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Motivação Humana
Abraham Maslow
Frederick Herzberg
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Motivação
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Abraham MASLOW
Psicólogo comportamental.
Concluiu o doutorado na Universidade de Wisconsin em 1934.
Publicou o conceito da “Hierarquia das Necessidades”, em 1943.
Nas décadas de 50 e 60 foi o líder da escola humanista de psicologia e, mais tarde, fundador da Quarta Força em psicologia.
Em 1954, publicou o livro “Motivação e Personalidade”.
Revolucionou a psicologia.
1908 – 1970
“... Em um empreendimento, se todos os envolvidos estiverem absolutamente seguros sobre as metas, objetivos e propósitos da organização, praticamente todos os demais temas se tornam então simples questões técnicas de como ajustar os meios aos fins”.
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O Trabalho de Maslow
No início de sua carreira desenvolveu um estudo com macacos que deu origem à teoria de que algumas necessidades prevalecem sobre as outras. Em parte, o trabalho foi baseado na experiência de Hawthorne.
Pirâmide das Necessidades de Maslow
Necessidades Fisiológicas
Necessidades de Segurança
Necessidades Sociais
Necessidades de Auto-estima
Necessidades de Auto-realização
2º
1º
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1º
Necessidades Fisiológicas:
- água, comida, sono, oxigênio, sexo.
Necessidades de Segurança:
- estrutura, ordem , limites.
Lado negativo: medos e ansiedades.
Necessidades Sociais e Afetivas:
- amigos, família, relacionamentos.
Lado negativo: solidão e ansiedades sociais.
Necessidades de Auto-estima:
- status, fama e reconhecimento (para com os demais);
- respeito próprio, independência e liberdade (consigo).
Lado negativo: baixa auto-estima e complexos de inferioridade.
Essenciais para sobrevivência.
Não produzem motivação quando cessadas.
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Pirâmide das Necessidades de Maslow
2º
Auto-realização:
- ser o que se quer; auto- satisfação.
Só aparece quando as outras necessidades estão satisfeitas.
Só acontece com aproximadamente 2% da população.
O estudo foi feito com 48 pessoas auto-realizadas, todas tinham características como: eram livres de estereótipos, centradas, independentes, necessitadas de privacidade, criativas, etc.
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Pirâmide das Necessidades de Maslow
Frederick HERZBERG
Psicólogo clínico.
Publicou, em 1959, o livro “A Motivação para o Trabalho”.
Em 1966 publicou “Work and the Nature of Man”.
Em 1968 publicou um importante artigo na Harvard Business Review intitulado “Mais um vez: como você motiva os empregados?”
“Minhas teorias tendem a enfatizar as estratégias para que os sensatos continuem sensatos”.
(1923-2000)
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Teoria dos Dois Fatores
Realizou uma pesquisa com 500 engenheiros e contadores (profissionais da média gerência) sobre as questões que lhes traziam satisfação e insatisfação no trabalho.
Questões propostas:
Pense em uma situação em que você se sentiu especialmente bem relativamente a seu trabalho. Por que você se sentiu assim?
Pense em uma situação em que você se sentiu especialmente ruim com relação a seu trabalho. Por que você se sentiu assim?
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Teoria dos Dois Fatores
FATORES MOTIVACIONAIS
Não-satisfação
Não-satisfação
Insatisfação
Satisfação
-
+
FATORES HIGIÊNICOS
FATORES HIGIÊNICOS
FATORES MOTIVACIONAIS
Fatores Intrínsecos
Relacionados ao trabalho em si
Fatores Extrínsecos
Relacionados ao ambiente do trabalho
Políticas e administração da empresa.
Supervisão.
Condições de trabalho.
Relações interpessoais.
Salário, status e segurança.
Conquistas.
Reconhecimento.
Trabalho em si.
Responsabilidade.
Crescimento profissional.
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Teoria dos Dois Fatores
Fatores Higiênicos: a sua ausência pode deixar o empregado dissatisfeito, mas sua presença não é capaz de satisfazê-lo ou motiva-lo.
Fatores Motivacionais: quando presentes trazem o desenvolvimento das motivações internas.
KITA: “ Kick in the ass” (chute no traseiro).
Existem três tipos de chutes:
Chute físico negativo
Chute psicológico negativo
- Os chutes negativos não levam à motivação, apenas ao movimento. A pessoa que chuta é que está motivada, a que é chutada apenas se move.
Chute psicológico positivo: conduz à motivação.
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Motivação e Job Enrichment
- Motivação:
É o resultado do crescimento pessoal, apoiado na necessidade inata das pessoas crescerem. Baseia-se na premissa de que as pessoas acham satisfação no trabalho.
- Job Enrichment:
Uma das maiores contribuições de Herzberg. Consiste em adicionar diferentes tarefas ao trabalho de uma pessoa de modo a torná-lo mais atraente e motivador.
- Pode ser:
Horizontal: não produz motivação
Vertical: produz motivação
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Motivação
Necessidades
Fisiológicas
Necessidades
De
Segurança
Necessidades
Do ego
Estima
Necessidades
Sociais
Necessidades de
Auto-realização
Higiênicos
Motivacionais
Salário – Vida Pessoal
Condições Físicas do
trabalho
Políticas Administrativas e
Empresariais
Relações interpessoais
Supervisão e colegas
Realização, reconhecimento
Status
O trabalho em Si
Responsabilidade
Progresso
Crescimento
Maslow
Herzberg
Comportamento Gerencial
Douglas McGregor
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Motivação
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Professor norte-americano.
Graduou-se, em 1932, pela atual Universidade de Wayne e obteve Ph.D em Harvard.
No início da década de 50, ajudou a projetar uma fábrica da Procter & Gamble, na Georgia, com base na Teoria Y.
Ficou conhecido por sua divisão da teoria motivacional em Teoria X e Y – peças centrais do seu clássico “O Lado Humano da Empresa”, publicado em 1960.
Douglas MCGREGOR
“ A motivação, o potencial para desenvolvimento, a capacidade para assumir responsabilidades (...) estão todos presentes nas pessoas. Não são os dirigentes que os incutem nelas”.
1906 - 1964
Teoria X e Y
O psicólogo Douglas McGregor, procurou demonstrar uma variedade de estilos de administrar que eram – ou são – utilizados nas organizações.
Utilizou as Teorias X e Y para apresentar algumas convicções sobre a maneira pela qual as pessoas se comportam dentro das organizações.
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Teoria X
A Teoria X caracteriza-se por ter um estilo autocrático e similar à AdministraçãoCientífica de Taylor, à Clássica de Fayol e à Burocrática de Weber.
Assumia que os trabalhadores eram inerentemente preguiçosos, necessitavam ser supervisionados e motivados, e consideravam o trabalho um mal necessário para conseguir dinheiro.
As pessoas:
Irão evitar o trabalho caso seja possível.
precisam ser forçadas, controladas, dirigidas e ameaçadas com punição para realizar o esforço adequado para atingir as metas da organização.
Preferem ser dirigidas, desejam evitar responsabilidades, possuem pouca ambição e querem, acima de tudo, segurança.
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Teoria Y
A Teoria Y desenvolve um estilo altamente democrático através do qual administrar é um processo de criar oportunidades e proporcionar orientação quanto aos objetivos.
As pessoas:
São esforçadas e gostam de ter o que fazer;
têm o trabalho como uma atividade tão natural como brincar ou descansar;
procuram e aceitam responsabilidades e desafios;
podem ser automotivadas e autodirigidas;
são criativas e competentes.
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Teoria Y
A administração das organizações se caracteriza pelos seguintes aspectos:
Caso necessário, é de responsabilidade da administração desenvolver o compromisso de cada indivíduo com os objetivos que possuam e permitir que as habilidades individuais sejam utilizadas para alcançar as metas da organização.
Proporcionar condições para que as pessoas reconheçam e desenvolvam características como motivação, potencial de desenvolvimento e responsabilidade.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Teoria Z
O conceito dessa teoria foi aproveitado por William Ouchi, que analisou os métodos de trabalho japonês e desenvolveu muitas ideias de McGregor:
Emprego vitalício.
Preocupação pelos empregados.
Preocupação com a qualidade.
Troca e transmissão de informações nos dois sentidos hierárquicos.
Antes de morrer, McGregor estava escrevendo a Teoria Z,
que havia surgido da necessidade de sintetizar os ditames
organizacionais e pessoais.
Modelo Contingencial
Victor H. Vroom
Teoria de Expectação
Lawler III
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Motivação
Modelo Contingencial - Vroom
Victor H. Vroom desenvolveu uma teoria da motivação que rejeita noções preconcebidas onde a motivação para produzir depende de três forças que atuam dentro do indivíduo:
Para Vroom, o nível de produtividade individual parece depender de três forças básicas que atuam dentro do indivíduo:
Os objetivos individuais, ou seja, a força do desejo de atingir objetivos,
A relação que o indivíduo percebe entre produtividade e alcance dos seus objetivos individuais,
A capacidade de o indivíduo influenciar seu próprio nível de produtividade, à medida que acredita poder influenciá-lo.
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Para Vroom, um indivíduo pode desejar aumentar a produtividade quando três condições se impõem:
a) Objetivos pessoais do indivíduo: que podem incluir dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento, trabalho interessante etc.
b) Relação percebida entre satisfação dos objetivos e a cota de produtividade: se para um operário o salário é percebido como importante, e recebe adicional por produtividade, esse fator o fará trabalhar mais, mas se o fator importante é o reconhecimento de um superior somente um elogio será suficiente para a sua motivação.
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Modelo Contingencial - Vroom
Modelo Contingencial
c) Percepção de sua capacidade de influenciar sua produtividade: se um empregado acredita que um grande volume de esforço despendido tem pouco efeito sobre o resultado, tenderá a não se esforçar muito, como é o caso de uma pessoa coloca em uma função sem treinamento.
Neste modelo a motivação é entendida com um processo que governa escolhas entre comportamentos, ou seja, as conseqüências de cada atitude são entendidas pelo indivíduo como possíveis resultados de seu comportamento particular.
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Pessoa que faz uma escolha ou opção entre várias alternativas.
Objetivos que se pretende alcançar.
Modelo Contingencial
Recompensas
percebidas
Motivação
(força das necessidades)
Existência/manutenção
Relacionamentos
Crescimento/mudança
Tarefas
percebidas
Atitudes
(mecanismos de
Direção)
Comportamentos:
Quantidades e
Qualidade do
desempenho
As atividades de um indivíduo constituem função de entradas, seja de tarefas ou de recompensas. O indivíduo avalia as entradas de acordo com sua motivação e força das necessidades no momento, o que resulta em uma atitude ou em um mecanismo de direção de seu comportamento. Esta atitude determina seu comportamento (saída) e a quantidade e qualidade de seu desempenho.
Entradas
Operações
Resultados
(saída)
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Modelo Contingencial
O modelo contingencial de Vroom se baseia em objetivos gradativos e na hipótese de que a motivação é um processo governando escolhas entre comportamentos. O indivíduo percebe as conseqüências de cada alternativa de ação como um conjunto de possíveis resultados decorrentes de seu comportamento. Esses resultados constituem uma cadeia entre meios e fins.
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Quando um indivíduo procura um resultado intermediário (como produtividade, por exemplo), ele está buscando meios para alcançar um resultado final (como dinheiro, benefícios sociais, apoio do supervisor, promoção ou aceitação do grupo).
Quando um indivíduo procura um resultado intermediário (como produtividade, por exemplo), ele está buscando
meios para alcançar um resultado final (como dinheiro, benefícios sociais, apoio do supervisor, promoção
ou aceitação do grupo).
Cada indivíduo tem preferências quanto a determinados resultados finais que ele pretende alcançar ou evitar.
Esse resultados adquirem valências.
Modelo Contingencial
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Teoria de Expectação – Lawer III
Lawer III encontrou evidências de que o dinheiro motiva não somente o desempenho excelente, mas também o companheirismo, relacionamento com colegas e dedicação ao trabalho. O dinheiro tem apresentado pouca potência motivacional face a sua incorreta aplicação pela maior parte das empresas. O dinheiro é o resultado intermediário com elevada expectância para o alcance de resultados finais.
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Teoria de Expectação – Lawer III
A relação não consistente entre o dinheiro e o desempenho, em muitas
organizações, é devida a várias razões, a saber:
a) O enorme lapso de tempo ocorrido entre desempenho da pessoa e o fraco
incentivo salarial decorrente. O reforço é fraco e demorado,
b) As avaliações de desempenho não produzem distinções salariais. Assim os
salários tendem a ser mantidos pela média e acabam não recompensando o
Desempenho excelente oferecido por algumas pessoas,
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Teoria de Expectação
c) A política de remuneração das organizações está geralmente, atrelada às políticas governamentais ou convenções sindicais, que são genéricas. Os salários tornam-se planos e não distinguem o bom e o mau desempenho,
d) O forte preconceito gerado pela teoria Humanista a respeito do salário em si e das limitações do modelo do homo economicus difundido pela teoria de Taylor. Esse preconceito transforma o dinheiro em algo vil e sórdido, quando na realidade, ele é uma das razões que levam as pessoas a trabalhar em uma organização.
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Teoria de Expectação
As pessoas desejam o dinheiro porque o dinheiro permite a satisfação de necessidades fisiológicas e de segurança (alimentação, conforto, padrão de vida, etc), como dá também plenas condições para a satisfação das necessidades sociais (relacionamentos, amizades, etc), de estima (status, prestígio) e de auto-realização (realização do potencial e dos talentos individuais).
Se as pessoas crêem que obtenção do dinheiro (resultado final) depende do desempenho (resultado intermediário), elas de dedicarão a esse desempenho. O desempenho terá valor de expectaçãoao alcance do resultado final.
Necessidades
não
satisfeitas
Crença de que o dinheiro
satisfará as necessidades
Crença de que a obtenção do
dinheiro requer desempenho
Motivação
ara
desempenhar
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Bases Biológicas da Motivação e Emoção
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Circuito de Papez
De acordo com Brandão (2012), o neuroanatomista Papez, através de suas experiências, demonstrou que a emoção não é função de centros cerebrais específicos, mas sim de um circuito interligado por feixes nervosos formado por quatro estruturas básicas: o hipotálamo e seus corpos mamilares, o núcleo anterior do tálamo, o giro cingulado e o hipocampo. Chamado de circuito de Papez, ele é responsável pelo mecanismo de elaboração das funções centrais das emoções e suas expressões periféricas, o que era inicialmente determinado pelo córtex cingulado, e depois por outras áreas corticais.
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Funções do cérebro
Executa as funções cognitivas e intelectuais, incluindo o pensamento, a memória, a tomada de decisões e a solução de problemas.
Centro da Motivação e Emoção, gerando ânsias, necessidades, desejos, prazer e responsável pelas emoções.
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Cérebro emocional e motivado
Cérebro motivacional – relacionado com o querer fazer as tarefas.
Cérebro emocional – relacionado ao modo como você se sente enquanto realiza as tarefas.
Todos os estados motivacionais e emocionais envolvem a participação do cérebro.
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Três Princípios sobre o papel do
cérebro na motivação e emoção
1. Estruturas cerebrais específicas geram estados motivacionais e emocionais específicos.
2. Agentes bioquímicos estimulam essas estruturas cerebrais.
3. Os eventos do dia-a-dia fazem os agentes bioquímicos entrarem em ação.
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Estruturas cerebrais específicas geram estados motivacionais e emocionais específicos
Estimulação de um ponto específico no cérebro gera a experiência de um estado motivacional específico. Pode ser a estimulação de uma área ou a estimulação de um circuito neural.• Ex: Estímulo ambiental (privação de alimento) agente bioquímico (lançado hormônio grelina na corrente sanguinea) estrutura cerebral ativada (grelina ativa o hipotálamo) estado motivacional excitado (o hipotálamo estimula a experiência de fome).
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Agentes bioquímicos estimulam
essas estruturas cerebrais
Estruturas cerebrais tem receptores bioquímicos no organismo neurotransmissores e hormônios.
Neurotransmissores Substâncias químicas produzidas pelos neurônios que servem como mensageiros de comunicação do sistema nervoso.
Hormônios Substâncias químicas de ação sistêmica, que produzem um efeito específico em um órgão específico do corpo.
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Os eventos do dia-a-dia fazem
os agentes bioquímicos entrarem em ação
Para conhecer a motivação e emoção é necessário conhecer como o cérebro funciona.
Também é necessário conhecer a conexão entre os eventos diários da vida e a ativação do cérebro.
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Investigações sobre o papel
do Cérebro na Motivação e Emoção.
Diversas maneiras de investigar o papel do cérebro na motivação:
Cirurgias no cérebro
Mapeamento por Ressonância Magnética Funcional produz uma imagem instantânea – uma fotografia eletrônica – da estrutura cerebral do paciente. A máquina vai detectando alterações na oxigenação do sangue, causadas pela atividade cerebral.
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Sistema Límbico
Área responsável pelas emoções.
Sistema Límbico – composto por diversas áreas cerebrais – amígdala, hipocampo, tálamo, hipotálamo, entre outras.
Estimulações sensoriais (visões, cheiros, gostos) que chegam ao sistema límbico ativam as reações emocionais de uma maneira um tanto automática.
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Sua principal função é a integração de informações sensitivo-sensoriais com o estado psíquico interno, onde é atribuído um conteúdo afetivo a esses estímulos, a informação é registrada e relacionada com as memórias pré-existentes, o que leva a uma resposta emocional adequada.
O Hipocampo pertence ao sistema límbico e é a principal sede da memória. Ele decifra os padrões da percepção em detrimento dos padrões emocionais. Atua em interação com a Amígdala e juntos garantem importante desempenho na mediação e controle das atividades emocionais de ordem maior: amor, amizade, afeição e as exteriorizações de humor, estados de medo, ira e agressividade. Ela é responsável pela formação da associação entre estímulo e recompensa.
Sistema Límbico
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Hipotálamo
Pequena estrutura cerebral que corresponde a menos de 1% do volume cerebral.
Constitui-se em uma coleção de 20 núcleos vizinhos e interconectados.
Responsável por funções biológicas, incluindo os atos de comer, beber e copular.
Estimulação do Hipotálamo gera desejo e prazer associado a água, alimento e parceiros íntimos.
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Hipotálamo
Responsável pela regulação do sistema endócrino e do sistema nervoso autônomo (SNA).
Capaz de regular o ambiente corporal interno, de modo a criar uma adaptação ótima do indivíduo ao ambiente.
Controla a glândula pituitária glândula mestra do sistema endócrino.
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Alterações na química e na estrutura cerebral envolvidas na busca de prazer servem de reforço aos comportamentos de dependência.
Todas as drogas que levam ao abuso e à dependência envolvem uma série de reações do sistema nervoso que ativam vias neurológicas de áreas específicas do cérebro, relacionadas com a motivação e recompensa, nomeadamente o sistema mesolímbico de recompensa.
Química Cerebral
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A via mesolímbica de recompensa é uma das vias dopaminérgicas do cérebro. A via inicia-se na área tegmental ventral do mesencéfalo e forma a conexão com o sistema límbico através do Núcleo Accumbens, a amígdala cerebral e o hipocampo, e também com o córtex pré frontal medial.
É sabido estar envolvida na modulação das respostas comportamentais, aos estímulos que ativam as sensações de recompensa através do neurotransmissor DOPAMINA.
Via Mesolímbica de Recompensa
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O núcleo accumbens é um local para onde convergem células nervosas de várias áreas cerebrais, desempenhando a função de regulação da emoção, motivação, prazer e cognição. É onde se concentra mais a dopamina.
A facilitação da neurotransmissão da dopamina neste núcleo parece ser essencial para as ações de recompensa das drogas e comportamento compulsivo.
Núcleo Accumbens
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Este sistema começa na área tegmentar ventral, de onde os impulsos nervosos atingem a região do núcleo accumbens, que é a área cerebral relacionada com a busca do prazer. Deste núcleo, o impulso nervoso segue para o córtex pré-frontal e sistema límbico. Diversas substâncias químicas são libertadas e ativadas no cérebro neste processo. Nomeadamente, a rede de conexões entre células nervosas liberta peptídeos endógenos, as encefalinas e endorfinas, tendo como resultado a regulação do teor final de dopamina, responsável pela sensação de bem-estar e recompensa (reforço positivo).
Sistema de Recompensa do SNC
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Percurso dos neurotransmissores
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A dopamina está contida em vesículas no axônio do neurônio superior.
No dendrito do neurônio inferior, há receptores de dopamina.
Entre ambos, está o espaço chamado fenda sináptica.
Sinapse
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Emoções
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Emoção: pode ser definida como aptidão de movimento aos sentimentos fundamentais. Morfologicamente, a palavra emoção diz respeito a movimento, do latim movere. motum, agitar-se, deslocar-se.
As emoções possuem componentes subjetivos,fisiológicos e comportamentais.
Há 4 emoções básicas e fundamentais que perpassam pelo grupo: (Bion).
Combatividade – luta pelo objetivo
Fuga - resistência
Dependência
Parceria
Emoções
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O que é uma emoção?
Emoções são fenômenos subjetivos, biológicos, sociais e com um propósito (Reeve, 2010).
São estados interiores caracterizados por pensamentos, reações fisiológicas e comportamentos expressivos específicos. Aparecem subitamente e parecem difíceis de controlar.
Possuem um componente fisiológico, um subjetivo e um comportamental.
A emoção é uma condição complexa que surge em resposta a determinadas experiências de caráter afetivo.
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Componente Fisiológico da Emoção
Quando experimentamos emoção intensa, como medo ou cólera, experimentamos diversas mudanças corporais.
A Excitação corporal envolve:
– Ativação fisiológica
– Preparação do Corpo para a Ação
– Respostas Motores
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O Sistema Nervoso Autônomo está envolvido nas respostas emocionais.
Sistema Nervoso Simpático – prepara o corpo para as situações de emergência. É responsável pelas seguintes mudanças:
– Aceleração da respiração e da frequência cardíaca;
– Tremores;
– Transpiração excessiva;
– Secura na boca e na garganta;
– Desconforto estomacal, etc.
Sistema Nervoso Parassimpático – assume o controle e
restitui o organismo a seu estado normal.
Componente Fisiológico da Emoção
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Excitação autônoma das Emoções
Estudos mostram que há associação entre a excitação fisiológica e a experiência subjetiva de uma emoção.
Pesquisas que mostram que quanto mais alta a lesão na medula espinhal, menor a emotividade após o dano.
Uma redução da excitação autônoma resultava em uma redução na intensidade da emoção experimentada.
A pesquisa mostrou que os indivíduos com tais lesões, podiam reagir emocionalmente a situações excitantes, mas não se sentiam realmente emocionados.
Estes estudos não são totalmente conclusivos.
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Teorias sobre Emoção
A teoria de James-Lang e Cannon Band
A teoria dos dois fatores da emoção de Schachter
Teoria diferencial das emoções
Hipótese do feedback facial
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Teoria James-Lange
William James (1884) formulou a primeira teoria moderna da emoção. Carl Lange chegou às mesmas conclusões.
Teoria James-Lange:
Os estímulos do ambiente provocam alterações físicas em nossos corpos e as emoções se originam dessas mudanças fisiológicas.
A percepção da excitação autônoma constitui a experiência de uma emoção, e como diversas emoções parecem diferentes, deve haver um padrão distinto de atividade autônoma para cada emoção.
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Estímulo → Reação corporal → emoção.
Críticas a esta teoria:
REVER
As reações corporais que James se referia eram, na verdade, parte da resposta mobilizadora de luta ou fuga, que não variava de uma emoção para a seguinte.
Críticos sustentavam que o papel da ativação fisiológica era aumentar a emoção e não causá-la.
Teoria James-Lange
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Teoria Diferencial das Emoções
Enfatiza as emoções básicas que servem de propósitos motivacionais exclusivos, ou diferentes.
Possui os seguintes postulados:
– Há dez emoções que constituem o sistema principal de motivação para os seres humanos.
– Sentimento único: cada emoção tem sua qualidade única subjetiva e fenomenológica.
– Expressão única: cada emoção tem seu padrão único de expressões faciais.
– Ativação neural única: cada emoção tem sua taxa específica de disparo neural que a ativa.
– Motivação exclusivo: propósito exclusivo: cada emoção gera propriedades motivacionais distintas e serve a funções adaptativas.
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Teoria Diferencial das Emoções
Emoções positivas Emoções neutras Emoções negativas
Interesse Surpresa Medo
Alegria Raiva
Repugnância
Angústia
Desprezo
Vergonha
Culpa
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Teoria Diferencial das Emoções
Cada emoção atua com um sistema que coordena componentes de sentimento, expressão, atividade neural e propósito/ motivação.
As emoções não-básicas são derivativos baseados numa experiência de uma emoção básica. Ex: ansiedade é derivada do medo.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Teoria Cannon Band
Teoria afirma que nós processamos mentalmente as emoções e, ao mesmo tempo, respondemos fisicamente.
Exemplo: Você vê o cão, você sente medo e seu coração acelera simultaneamente.
Teoria afirma que os impulsos são enviados simultaneamente ao córtex cerebral e ao sistema nervoso periférico.
Assim a resposta ao estímulo e o processamento da emoção ocorrem ao mesmo tempo, porém de maneira independente.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Teoria Cannon Band
A teoria dos dois fatores da
emoção de Schachter
Schachter propôs uma teoria dos dois fatores, em que as emoções possuem dois ingredientes: excitação física e um rótulo cognitivo.
Schachter presumiu que nossa experiência da emoção cresce a partir de nossa consciência da excitação do corpo.
Como Cannon e Bard, Schachter também achava que as emoções são fisiologicamente similares. Assim, em sua opinião, uma experiência emocional exige uma interpretação consciente da excitação.
Emoções produzem estados internos de excitação e nós procuramos no mundo exterior uma explicação para isso.
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Hipótese do Feedback Facial
Sorrir faz a gente ficar feliz?
Ainda se discute se a musculatura facial posada produz experiência emocional, mas a maioria dos estudos afirma que ela produz apenas um pequeno efeito.
Versão mais conservadora da teoria propõe que o feedback facial modifica a intensidade da emoção, mas não produz a emoção. Ex: Se você sorrir intencionalmente quando estiver alegre, sentirá uma alegria mais intensa.
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Hipótese do Feedback Facial
O aspecto subjetivo da emoção tem origem em sentimentos gerados por: movimentos da musculatura facial
Alterações na temperatura facial
Alterações na atividade glandular da pele da face.
Síntese: A emoção é a consciência do feedback proprioceptivo do comportamento facial.
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Hipótese do Feedback Facial
O feedback facial ativa a emoção. Uma vez ativada a emoção, é o programa da emoção, e não o feedback facial, que recruta a participação cognitiva e corporal para continuar mantendo a emoção.
Os movimentos faciais associados a uma emoção positiva melhoram a respiração, baixam a temperatura cerebral e produzem sensações positivas.
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Teorias Cognitivas sobre da emoção
Nossa experiência emocional depende da percepção que temos de uma situação.
As emoções não ocorrem sem uma avaliação antecedente (cognição do evento).
A avaliação, e não o evento em si, é a causa da emoção.
Ex: Criança vê um cachorro se aproximar. Faz uma avaliação do significado de aproximação do animal: bom/ agradável ou mau/ perigoso. Dependendo da avaliação da criança ela terá uma experiência emocional diferente.
Lazarus (1991) afirma que o processo gerador de uma emoção começa com a avaliação cognitiva do evento, e não com a reação biológica ao evento, nem com o evento em si.
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Expressão das Emoções
Darwin publicou “A expressão da emoção no homem e nos animais” (1872).
A comunicação das emoções tem uma função importante relacionada a um valor de sobrevivência das espécies.
A universalidade de algumas expressões emocionais apoia a ideia de Darwin de que elas são respostas inatas com uma história evolutiva.
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Utilidade das Emoções
Darwin argumentou que as emoçõesajudam os animais a se adaptarem a seus ambientes.
Ex: Quando o cão mostra os dentes para defender seu território, isso o ajuda a lidar com as situações hostis
(afastando os adversários).
Emoções servem para pelo menos oito propósitos distintos: proteção, destruição, reprodução, reunião, afiliação, exploração e orientação (Plutchik, 1970).
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Emoções Universais
Algumas expressões faciais parecem ter um significado universal, independente da cultura no qual o indivíduo é criado.
Robert Plutchik (1980) propôs a existência de oito emoções básicas:
Medo; surpresa; tristeza; repulsa; raiva; antecipação; alegria e aceitação.
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Oito categorias básicas de emoção de Plutchik
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Circuito de retroalimentação da emoção (Plutchik, 1985)
A causa da emoção não deveria ser conceituada nem como cognitiva nem como biológica.
A emoção é antes um processo, uma cadeia de eventos que se agregam em um sistema complexo de retroalimentação.
Mude-se a avaliação cognitiva de “isto é benéfico” para “isto é prejudicial” e a emoção mudará.
Mude-se a qualidade da ativação (através de exercício, um medicamento ou eletrodo no cérebro) e a emoção mudará.
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O que causa a emoção?
Polêmica: as emoções são fenômenos primariamente biológicos ou primariamente cognitivos?
Biologia versus cognição
Cognição – Primeiro se estabelece o significado e depois a emoção se segue como consequência. A avaliação cognitiva é primária
Biologia – As emoções podem ocorrer sem um evento cognitivo prévio, mas não podem ocorrer sem um evento biológico prévio. A biologia é primária.
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Utilidade das emoções
Funções de enfrentamento
Funções sociais:
– Comunicam aos outros os nossos sentimentos
– Influem no modo como os outros nos tratam
– Promovem e facilitam a interação social
– Criam, mantém e dissolvem relacionamentos
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Emoção e Gênero
Algumas emoções, na cultura ocidental, são relacionadas às mulheres: compaixão, tristeza, empatia e angústia.
Os meninos são ensinados desde cedo a ocultar tais emoções em público.
Mulheres são mais hábeis em expressões faciais e pistas corporais relacionadas às emoções.
Alguns estudos sugerem que estas diferenças são geneticamente programadas.
Profissões que exigem elevado trabalho emocional tendem a ser ocupadas por mulheres.
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Diferença entre Emoção e Humor
Emoções influenciam no comportamento e dirigem cursos específicos de ação.
Os estados de humor, porém, influem principalmente na cognição e dirigem o pensamento da pessoa.
As emoções derivam de eventos breves que duram segundos, ou talvez minutos, enquanto que os estados de humor emanam de estados mentais que duram horas, ou talvez dias.
Os estados de humor são mais duráveis do que as emoções.
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Perspectiva biológica
Grande parte do processamento emocional dos eventos da vida permanece não cognitiva – automática, inconsciente e mediada por estrutura subcorticais (Izard, 1989).
Estudo com bebês mostra que eles respondem emocionalmente a certos eventos, apesar de suas limitações cognitivas (Izard, 1989).
As emoções tem início muito rápido, duração curta, podendo ocorrer automaticamente.
Podem ocorrer mesmo sem ter consciência da emocionalidade (Ekman, 1992).
Existe um circuito cerebral para o medo, para a raiva, etc. (Panksepp, 1982).
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Perspectiva cognitiva
A atividade cognitiva é um pré-requisito necessário para que haja emoção.
Lazarus argumenta que a avaliação cognitiva que o indivíduo faz do significado de um evento cria condições da experiência emocional.
Avaliações cognitivas:
- Evento é bom ou mau?
- Consigo lidar com êxito desta situação?
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Visão dos dois sistemas
Segundo Buck (1984), os seres humanos tem dois sistemas sincrônicos que ativam e regulam a emoção.
Um dos sistemas é inato, espontâneo e fisiológico que reage involuntariamente a estímulos emocionais.
O outro é o sistema cognitivo com base na experiência que reage interpretativa e socialmente.
Juntos, o sistema biológico e o sistema cognitivo combinam-se para fornecer um mecanismo altamente adaptativo da emoção.
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Circuito de retroalimentação da emoção
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Emoções Universais
Ekman e colaboradores concluíram que pelo menos seis emoções são acompanhadas de expressões faciais universais:
Alegria
Tristeza
Raiva
Surpresa (espanto)
Medo
Repulsa (aversão – nojo)
Desprezo
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Emoções Básicas
Considera-se que existam emoções básicas e várias outras emoções relacionadas a uma emoção básica.
Ex: A raiva é uma emoção básica, mas também é uma família de emoções.
Raiva – família inclui hostilidade, fúria, ira, ultraje, aborrecimento, ressentimento, inveja e frustração
Alegria – família divertimento, alívio, satisfação, contentamento, orgulho;
Ekman (1992) considera que existem pelo menos cinco famílias de emoções: raiva, medo, repugnância, tristeza e contentamento.
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Emoções Básicas
São inatas, e não adquiridas ou aprendidas pela experiência ou socialização.
São expressas de maneira própria e distinta (tal como por meio de uma expressão facial universal).
Provocam um padrão de respostas fisiológicas distinto e altamente previsível.
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Medo
É uma reação emocional que surge a partir da interpretação da pessoa de que a situação que ela enfrenta é perigosa e uma ameaça ao seu próprio bem-estar.
Está relacionado a:
Antecipação de dano físico ou psicológico;
Vulnerabilidade a perigos ou expectativa de que a capacidade de lidar com problemas não seja suficiente.
Vulnerabilidade percebida de a pessoa ser vencida por uma ameaça ou perigo.
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O medo motiva a defesa.
Funciona como sinal de alívio para um dano físico ou psicológico iminente que se manifesta na ativação do sistema nervoso autônomo.
A manifestação de proteção se manifesta pela evitação ou afastamento do objeto.
O medo motiva estratégia de manejo (coping), como no caso de se ficar em silêncio e imóvel.
O medo pode fornecer a base motivacional para a aprendizagem de novas respostas de manejo que evitem a pessoa de encontrar antes o perigo.
Medo
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Raiva
A raiva surge da restrição, tal como na interpretação de que os planos da pessoa ou de seu bem-estar possam sofrer interferência de alguma força externa.
Também surge de uma traição de confiança, uma rejeição, uma crítica injustificada, uma falta de consideração dos outros e aborrecimentos acumulados.
A essência da raiva é a crença de que a situação não é o que deveria ser, ou seja:: nem a restrição, nem a interferência, ou a crítica são legítimas.
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A raiva pode esclarecer problemas de relacionamento, dar força a programas políticos, motivar a luta por direitos, etc.
Em casos que a raiva tem uma função positiva é quase sempre uma expressão assertiva e não violenta da raiva que traz bons resultados.
A raiva relacionada a violência pode estar ligada a desfechos negativos ou trágicos.
Raiva
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Repugnância – Nojo - Aversão
Implica em livrar-se ou afastar-se de um objeto contaminado, deteriorado ou estragado.
O que vem a ser o objeto depende do desenvolvimento e da cultura.
Primeira infância – sabores amargos ou azedos
Segunda infância – repulsas psicologicamente adquiridas a qualquer objeto tido como desagradável.
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Repugnância – Nojo - Aversão
Idade adulta – Surge diante de objetos que julgamos estarem contaminados.
Contaminações corporais (má higiene, sangue, morte)
Contaminações interpessoais (contato físico com pessoas indesejáveis)Contaminações morais (abuso de crianças, incesto, infidelidade)
Aprendizagem cultural – cultura determina muito do que o adulto considera contaminação corporal, interpessoal ou moral.
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Repugnância – Nojo - Aversão
Desenvolve um papel motivacional positivo pois o desejo de evitar objetos repugnantes nos motiva a aprender comportamentos de manejo necessários para evitar o confronto (ou criação) de condições que produzam repugnância.
Ex: Hábitos de higiene corporal e limpeza do ambiente, etc.
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Tristeza
É a emoção mais negativa ou desagradável.
Surge das experiências de separação ou fracasso.
Tristeza motiva o indivíduo a assumir qualquer comportamento necessário para suavizar as circunstâncias que provocam angústia antes que elas ocorram novamente.
Indiretamente facilita a coesão de grupos sociais.
Separação das pessoas importantes provoca tristeza.
A antecipação da tristeza motiva as pessoas a permanecerem em união com os entes amados.
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Tristeza diferentes faces
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Alegria
É um sentimento positivo que torna a vida agradável e equilibra as experiências de vida de frustração e decepção.
Os eventos que trazem alegria incluem resultados desejáveis.
Quando estamos alegres, sentimos entusiasmo e somos sociáveis.
Facilita a disposição para exercer atividades sociais.
Os sorrisos facilitam a interação social.
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Surpresa (Espanto)
É um sentimento é a mais breve de todas as emoções. Dura poucos segundos. Como é inesperada a experiência é breve. A surpresa só pode ocorrer diante de um evento súbito.
A surpresa paralise o indivíduo momentaneamente.
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Desprezo
É uma expressão social não é encontrado nos recém nascidos. Indica superioridade.
O desprezo só é vivenciado a respeito das pessoas.
Ou ações, mas não em relação a sabores, cheiros e toque.
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ANSIEDADE
De acordo com o DSM-V (2014) a ansiedade pode ser entendida como uma emoção de desconforto que os seres humanos experienciam em resposta a um perigo presente que os faz se preparar para uma situação que reduza ou previna a sua ocorrência: sensação de apreensão quanto a algum perigo futuro bem delineado.
Processo passageiro
Característica de personalidade
Processos transitórios e/ou predisposições ou traços duradouros de personalidade
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Por que ficamos ansiosos?
A ansiedade é uma reação emocional de defesa frente a sinais de perigo.
Ansiedade inata: existem situações nas quais todos nós reagimos com ansiedade (sinais de perigo universais)
Ansiedade aprendida: em outras situações, alguns aprenderam a reagir com ansiedade enquanto outros não.
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Aspectos cognitivos no processo de ansiedade?
Os pensamentos podem gerar reações emocionais que influenciam o modo, pelo qual, interpretamos as situações. Se interpretarmos uma situação como ameaçadora tendemos a ter reações emocionais de acordo com essa interpretação (Ansiedade), e não de acordo com o perigo “real” da situação Quando a ameaça é suscitada por uma “percepção equivocada”, a resposta do “programa de ansiedade” é também inadequada.
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Ciclo do processo de ansiedade
Situação (qualquer)
Pensamento (interpretação catastrófica)
Emoção (ansiedade)
Comportamento (fuga e esquiva)
Exemplo de pensamento do processo ansioso
São bandidos querendo arrombar a porta.
Ansiedade
Apenas seu filho chegando em casa.
Barulho na porta
Meu filho está chegando
Alegria, satisfação
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Valores adaptativos do Medo e da Ansiedade
A correlação das emoções humanas com as respostas comportamentais emitidas pelos animais tem sido feita com base na proposta evolutiva de Charles Darwin, publicada originalmente em 1872 em seu livro “A expressão da emoção no homem e nos animais” .
Valores adaptativos do Medo e da Ansiedade
O medo e a ansiedade são emoções que apresentam claro valor adaptativo, e que tem suas origens nas reações de defesa que os animais exibem em resposta a situações de ameaça à sobrevivência.
Segundo Darwin (1872), o homem, tendo os animais como seus ancestrais, compartilha com eles não só características físicas, mas também suas emoções básicas. De acordo com esta perspectiva, o medo e ansiedade são emoções que apresentam claro valor adaptativo, e que tem suas origens nas reações de defesa que os animais exibem em resposta a situações de ameaça que podem comprometer sua integridade física ou sobrevivência.
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Para Blanchard (1990) a diferença entre os dois estados emocionais pode ser caracterizada em relação aos estímulos e/ou situações que os desencadeiam, de forma que o medo surgiria diante de situações claras e evidentes de ameaça e perigo, enquanto a ansiedade seria desencadeada por situações onde o perigo é apenas potencial, vago e incerto.
Valores adaptativos do Medo e da Ansiedade
Lader (1981), entretanto, atribui como causa principal da ansiedade, a expectativa de um perigo iminente e indefinido, porém sem que uma ameaça real seja identificada ou, quando existente, é considerada pelos demais como desproporcional à intensidade da emoção. Graeff (1990) cita como uma das raízes principais da ansiedade o sentimento de medo, por ser encontrado praticamente em todas as espécies e que tem como função sinalizar e preparar o organismo para situações de ameaça ou perigo.
Valores adaptativos do Medo e da Ansiedade
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Investigações sobre o papel do Cérebro
nos processos emocionais
Mapeamento por Ressonância Magnética Funcional produz uma imagem instantânea – uma fotografia eletrônica – da estrutura cerebral do paciente.
A máquina vai detectando alterações na oxigenação do sangue, causadas pela atividade cerebral.
Os distúrbios da Ansiedade, em muitos estudos de imagens funcionais do cérebro, têm sido correlacionados a um acréscimo do metabolismo na região do cíngulo anterior, na área frontal direita e na área órbito-frontal.
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ESTRESSE
Conceito:
O estresse foi definido pelo médico Hans Selye como “uma resposta inespecífica do organismo a uma solicitação”, mas pode ainda ser definido como “conjunto de reações fisiológicas que prepara o indivíduo para lutar ou fugir”, ou “uma resposta adaptativa de sobrevivência”, ou “qualquer mudança à qual você precise se adaptar”.
Causas do Estresse:
O estresse não é apenas desejável como essencial a vida. O modo como você reage às experiências estressantes é que pode criar uma resposta de estresse inadequada. O estresse nos acompanha quase o tempo todo, desde que nascemos, sendo inerente a vida. Provém da atividade mental ou emocional ou ainda física.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
É exclusivo e individual para cada um de nós. É tão individual, que pode ser relaxante para uma pessoa, pode ser estressante para outra. Nem sempre o estresse é prejudicial, uma vez que pode ou não levar a um desgaste geral do organismo. Isso dependerá da intensidade, duração, vulnerabilidade do indivíduo e habilidade de administrá-lo.
Silva, M. Marchi, R. (1997), afirma que o estresse é um estado intermediário entre saúde e doença, um estado durante o corpo luta contra o agente causador da doença. Quando se confronte com um agressor ou estressor, o corpo reage. Essa reação desenvolve-se em três fases. Alerta, resistência e exaustão. Alguns autores introduzem a quase exaustão.
ESTRESSE
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FONTES de ESTRESSE
São três as fontes básicas do estresse: o meio ambiente, opróprio corpo e as construções inconsciente de pensamentos.
O meio ambiente requer constante adaptação, como mudanças de temperatura, barulho, exigências interpessoais, etc. Atender as demandas do corpo, desde a infância até a velhice, além das mudanças provocadas pela interação com o meio, são fontes inesgotáveis de estresse.
ESTÍMULOS DO ESTRESSE
Alguns estímulos estressores são classificados segundo o tempo necessário para produzirem estresse. Entre os estressores classificados de curto prazo temos a sensação de fracasso, a carga de trabalho, a pressão de tempo, as ameaças, o medo etc. Entre os estressores classificados de longo prazo, as situações de competição, ambientes de perigo e o trabalho monótono.
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Sintomas do estresse
O estresse afeta os vários aspectos da vida do indivíduo.
Cognitivo: ansiedade, expectativa ansiosa, baixa concentração, dificuldade de memória.
Emocionais: sensação de tensão, irritabilidade, angustia, incapacidade de relaxar, depressão.
Comportamentais: fugir das tarefas, falta ou excesso de sono, dificuldade de concluir tarefas, nervosismo e temores.
Sociais: desinteresse social, isolamento, queda na qualidade dos relacionamentos.
Fisiológicos: tensão motora, tiques, agitação e tremores, tensão muscular, dores, cãibras e fadiga, hiperatividade neurovegetativa, respiração artificial, sufocação, taquicardia, mãos frias e suadas, boca seca , vertigens, náuseas, diarreia, micção frequente, gases. Rubores, calafrios, dificuldade de engolir e mudança no tom da voz.
ESTRESSE
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Estresse Positivo:
O estresse positivo, também chamado de Eustresse, é considerado o estresse “bom” pois ele motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação.
O estresse pode ter até valor terapêutico, como é o caso no esporte e no trabalho, exercidos moderadamente. Assim, uma partida de futebol ou um beijo apaixonado podem produzir considerável estresse sem causar danos.
Estresse Negativo:
O estresse negativo, ao contrário do positivo, acovarda o indivíduo, fazendo com que ele se intimide e fuja da situação, ou ainda desenvolva doenças.
ESTRESSE
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Com o decorrer dos anos, o ambiente de trabalho vem se modificando e acompanhando o avanço das tecnologias ultrapassando cada vez mais o nível de capacidade de adaptação dos trabalhadores. Os profissionais vivem hoje sob contínua pressão, sendo o tempo todo cobrado não só no trabalho como também na vida de uma maneira geral. O desgaste profissional, que as pessoas estão submetidas diariamente, poderá gerar algum tipo de doença. Os modelos expostos são responsáveis pelos seguintes fatores: agentes estressantes de natureza diversas (física, biológica, mecânica, social, etc.), como conjunto de características pessoais temos (tipos de personalidade, modos de reação ao estresse etc.), um conjunto de consequências relacionados à saúde do indivíduo (doenças cardiovasculares, perturbações psicológicas etc.) e da organização (absenteísmo, acidentes, produtividade, performance etc.).
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Síndrome de Burnout
A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Enfim, a Síndrome de Burnout repressenta o quadro que poderíamos chamar “de saco cheio” ou “não agüento mais”.
O termo Burnout é uma composição de burn = queima e out = exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.
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O Burnout surgiu em 1974. Quem aplicou este termo foi o psicólogo Fregenbauer, que constatou esta Síndrome em um de seus pacientes que trazia consigo energias negativas, impotência relacionado ao desgaste profissional.
Com muita frequência este quadro está associado a outros transtornos emocionais, geralmente com a depressão e/ou ansiedade.
Esse transtorno tem importância na medida em que afeta a vida pessoal, seja através das repercussões físicas desse estresse psíquico, seja no comprometimento profissional quanto a eficiência e desempenho, seja social na desarmonia dos relacionamentos interpessoais.
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Como síndrome, o burnout seria o resultado da combinação entre as características individuais do paciente com as condições do ambiente ou do trabalho, o qual geraria excessivos e prolongados momentos de estresse no trabalho. Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).
Síndrome de Burnout
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O conceito de Burnout pode ser dividido em três dimensões que são:
Exaustão emocional - é a situação em que o trabalhador percebe que suas energias estão esgotadas e que não podem dar mais de si mesmo. Surge o aparecimento do cansaço, fica propenso a sofrer acidentes, ansiedade, abuso de álcool, cigarros e outras drogas ilícitas.
Despersonalização - desenvolvimento de imagens negativas de si mesmo, junto com um certo cinismo e ironia com as pessoas do seu ambiente de trabalho, com clientes e aparente perda da sensibilidade afetiva.
Falta de envolvimento pessoal no trabalho - diminuição da realização afetando a eficiência e a habilidade para a concretização das tarefas, prejudicando seu desempenho profissional
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Para Farber (1991),burnout é uma síndrome do trabalho, que se origina da discrepância da percepção individual entre esforço e consequência, percepção esta influenciada por fatores individuais, organizacionais e sociais.
A falta de perspectiva com relação a ascensão na carreira profissional, pode gerar sentimentos de ansiedade e frustração constante no cotidiano do trabalho. Quando o profissional está afetado pela Síndrome, as ideias pessimistas, o medo, predominam com uma certa influência no local de trabalho.
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Síndromes e transtornos
Uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que podem ser apresentados por um paciente em um determinado momento. Uma mesma síndrome pode estar presente em vários transtornos diferentes, como a síndrome delirante-alucinatória que caracteriza-se principalmente por delírios e alucinações, mas pode estar presente na esquizofrenia ou no transtorno bipolar do humor. Por outro lado uma pessoa com um determinado transtorno psiquiátrico pode apresentar diferentes síndromes ao longo do tempo, como um esquizofrênico que em um momento apresenta uma síndrome negativista e em outro apresenta uma síndrome delirante-alucinatória. A definição de transtorno inclui, além dos sinais e sintomas, outras informações como a evolução, prognóstico e resposta a tratamentos.
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Diagnóstico Multiaxial
Os compêndios de classificações de transtornos mentais, o DSM V e o CID 10, utilizam-se de agrupamentos classificatórios e de eixos de diagnóstico. As classificações seguem módulos por semelhança, baseados nos quadros sintomatológicos como transtorno esquizofrênico, transtornos de humor, transtornos de uso de substâncias, transtorno de ansiedade, transtornos de estresse pós-traumático, transtornos somatoformes, transtornos sexuais, transtornos de personalidade entre outros.
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Objetivamente, uma avaliação multiaxial requer que todo caso seja avaliado em cinco diferentes eixos, cada um dos quais se refere à classe diferente de informação. Os três primeiros eixos constituem a avaliação formal do diagnóstico. Os eixosquatro e cinco fornecem informações que complementam esse diagnóstico formal, e são de grande utilidade para o planejamento do tratamento e a previsão de resultados. Desse modo, multiaxialmente cada paciente é avaliado em cada um destes eixos.
Eixo I - Compreende as síndromes da clínica psiquiátrica;
Eixo II - Inclui os transtornos de personalidade e o retardo mental;
Eixo III - Permite a inclusão de perturbações orgânicas;
Eixo IV - Avaliação dos estressores psicossociais;
Eixo V - Indica o nível mais elevado do funcionamento adaptativo no período anterior ao diagnóstico.
Diagnóstico Multiaxial
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Critérios Diagnósticos para F41.1 - 300.02 Transtorno de Ansiedade Generalizada
A. Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva), ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses, nos diversos eventos ou atividades (tais como desempenho escolar ou profissional).
B. O indivíduo considera difícil controlar a preocupação.
C. A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes sintomas, presentes na maioria dos dias nos últimos 6 meses. Nota: Apenas um item é exigido para crianças.
(1) inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
(2) fatiga
(3) dificuldade em concentrar-se ou sensações de "branco" na mente
(4) irritabilidade
(5) tensão muscular
(6) perturbação do sono (dificuldades em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto).
D. O foco da ansiedade ou preocupação não se refere a ter um Ataque de Pânico,ou ficarr embaraçado em público (como na Fobia Social), ou ser contaminado (como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo).
E. A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
F. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipertiroidismo).
AUTONÔMICAS: taquicardia, sudorese, etc.
MUSCULARES: dores, tremores, etc.
RESPIRATÓRIAS: falta de ar, sufocamento, hiperventilação
COMPORTAMENTAIS: insegurança, apreensão, medo, mal-estar, dificuldade de concentração, etc.
Manifestações de Ansiedade:
Quadro Clínico da Ansiedade
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A ansiedade deve então ser caracterizada quanto à sua apresentação e ao contexto em que ocorre. Quanto à forma, a ansiedade pode ser paroxística, aguda (ataques de pânico); tônica, prevalente (apreensão ansiosa); ou caracterizada por ambos.
Quadro Clínico da Ansiedade
Definição: o que se entende
por ansiedade? Apresentação temporal:
episódica, tônica ou ambas?
Espontânea ou desencadeada?
Tempo de evolução.
Existe um tema preferencial para
as cognições relacionadas? Relação com consumo de
substâncias (lícitas ou não)
Correlação com comorbidade
clínica: sintomas podem advir
desta? Existem sintomas
atípicos? Correlação com comorbidade
psiquiátrica, especialmente
depressão.
Tabela: Dados de anamnese para a pesquisa de sintomas ansiosos
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É comum uma Perturbação da Ansiedade estar acompanhada de depressões, desordens alimentares, abuso de substâncias, ou de outra Perturbação da Ansiedade.
Segundo a classificação do DSM-V (2014), nas Perturbações da Ansiedade enquadram-se:
Perturbação de Pânico; Agorafobia; Perturbação de Pânico com Agorafobia; Agorafobia sem História de Perturbação de Pânico; Fobia Específica; Fobia Social; Perturbação Obsessivo-Compulsiva;
Perturbação de Stresse Pós-Traumático; Perturbação Aguda de Stresse; Perturbação da Ansiedade Generalizada; Perturbação da Ansiedade Secundária a um Estado Físico Geral; Perturbação da Ansiedade Induzida por Substâncias; e Perturbação da Ansiedade sem Outra Especificação.
Quadro Clínico da Ansiedade
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Ambivalência afetiva: descreve sentimentos opostos em relação a um mesmo estímulo ou objeto, sentimento que ocorrem de modo absolutamente simultâneo.
Neotimia: designação para sentimentos e experiências afetivas inteiramente novos vivenciados por pacientes em estado psicótico.
Medo: medo não é uma emoção patológica. Entretanto, quando vivida de forma progressiva pode ser tornar abundante e trazer comportamentos patológicos.
Fobias: São medos determinados psicopatologicamente, desproporcionais e incompatíveis com as possibilidades de perigo real.
Pânico: é uma reação de medo intenso, pavor relacionada geralmente ao perigo imaginário de morte iminente, descontrole ou desintegração.
ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E DOS SENTIMENTOS
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Transtorno de Ansiedade Generalizada F 41.2
A característica essencial do Transtorno de Ansiedade Generalizada, segundo o DSM.V, é uma expectativa apreensiva ou preocupação excessiva, ocorrendo na maioria dos dias e com duração de, pelo menos, 6 meses. a Ansiedade tem uma ocorrência duas vezes maior no sexo feminino e se estima que até 5% da população geral tenha um distúrbio generalizado de Ansiedade. As teorias psicossociais sobre a gênese da Ansiedade são exaustivamente estudadas, não só pela medicina como também pela psicologia, pela sociologia, pela antropologia e pela filosofia.
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A pessoa portadora de Transtorno de Ansiedade Generalizada considera difícil controlar essa preocupação excessiva, a qual é acompanhadas de pelo menos três dos seguintes sintomas adicionais:
Inquietação;
Irritabilidade;
Fatigabilidade;
Dificuldade de se concentrar;
Tensão muscular;
Perturbação do sono.
Transtorno de Ansiedade Generalizada F 41.2
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Apesar dos pacientes não perceberem que suas preocupações são excessivas, ainda assim, eles relatam sofrimento subjetivo derivado de preocupações. Apresentam também dificuldade de controlar as preocupações ou vivenciam prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outra área importante da vida.
Transtorno de Ansiedade Generalizada F 41.2
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A intensidade das preocupações, sua duração e frequência são desproporcionais aos eventos temidos. Preocupam-se com situações cotidianas e rotineiras.
Exemplo:
Saúde de familiares e pessoal;
Responsabilidade no emprego;
Finanças;
Questões menores.
Durante o transtorno pode mudar o foco da preocupação.
Transtorno de Ansiedade Generalizada F 41.2
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TAG divide-se em três áreas:
Tensão motora:: incapaz de relaxar, tremores, fadiga e cefaléia;
Hiperatividade Autonômica: dificuldade para respirar profundamente, palpitações, sudorese, tontura, ondas de frio e de calor e micção freqüente;
Hipervigilância: insônia, irritabilidade, sensação de que algo negativo irá acontecer, preocupações excessivas e dificuldade de concentração.
Transtorno de Ansiedade Generalizada F 41.2
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Prognóstico
Alguns pacientes, durante sua vida, negam o TAG. Estima-se que sem tratamento os sintomas não tenham remissão.
Na terceira Idade, o TAG apresenta uma menor incidência de sintomas.
O diagnóstico precoce de ausência de comorbidade, é essencial, além de tratamento psicoterápico acompanhado de tratamento farmacológico por dois anos são fatores importantes na evolução do tratamento.
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Transtornos fóbicos
Holmes (1997) Classifica os transtornos fóbicos em:
Fobia social
Agorafobia
Fobias específicas
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A origem da palavra Fobia
Na mitologia Grega Phobos é um Deus Grego, filho do deus do sangue e da guerra Aires (Marte) e Afrodite, deusa do amor (Vênus).
“Phobos" significa "medo" e serve de raiz para a palavra fobia.
Representa a personificação do medo e do horror. Durante as batalhas, os seguidores e adoradores de Apolo e de Marte injetavam nos corações dos inimigos a covardia e o medo que fazia-os fugir.
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Transtorno de Ansiedade Fóbico
As fobias específicas:
A fobia é um medo irracional, injustificado e desproporcional que modifica a cognição com pensamentos automáticos que geram sentimentos de medo e comportamento de evitação.
Este temor pode ser de um objeto ou situação específica.
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TRANSTORNO FÓBICO-ANSIOSO F40
Transtornos Fóbico-Ansiosos compõem um grupo de transtornos nos quais uma ansiedade intensa é desencadeada por situações determinadas e que não representam algum perigo real. Por esse motivo estas situações fóbicas são evitadas ou suportadas com muito temor ou angústia. As preocupações da pessoa podem se manifestar com sintomas como palpitações, falta de ar, tremores, extremidades frias, etc., ou uma impressão de desmaio. Frequentemente este tipo de ansiedade se associa com medo de morrer, de vir a passar muito mal, de perder o autocontrole ou de ficar louco.
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AGORAFOBIA F40.0
A característica essencial da Agorafobia é uma Ansiedade que aparece quando a pessoa se encontra em locais ou situações das quais sair dali (escapar) poderia ser difícil ou embaraçoso ou, na maioria das vezes, em situações nas quais um auxílio imediato pode ser difícil, caso a pessoa venha a passar mal. A Ansiedade agorafóbica pode ser, inclusive, antecipatória, ou seja, aparecer diante da simples possibilidade de ter que enfrentar determinadas situações. Essa Ansiedade antecipatória pode levar ao afastamento (fuga) dessas situações causadoras da fobia. Tais situações podem incluir:
a) - estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa;
b) - estar em meio a uma multidão;
c) - viajar de automóvel, ônibus ou avião;
d) - estar em uma ponte ou lugar alto.
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FOBIA SOCIAL F.40.1
A Fobia Social está centrada em torno de um medo de expor-se a outras pessoas e tem como consequência o afastamento e evitamento sociais. Esse tipo de fobia pode se referir a situações específicas, como comer ou falar em público, ou pode ser mais difusas, envolvendo quase todas as circunstâncias sociais fora do ambiente familiar. Entre as situações fóbicas sociais que resultam em evitação destaca-se o medo de humilhação e embaraço diante de outras pessoas, o medo de comer em público, falar em público, urinar em banheiro público e, muito frequentemente, de assinar cheques à vista de pessoas estranhas.
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Também chamada de timidez patológica, este transtorno caracteriza-se por medo, ansiedade e grande timidez ao se expor a situações sociais. No mundo acadêmico, isso pode ser verificado quando as pessoas se negam a apresentar trabalhos ou participar de grupos para qualquer atividade, comprometendo assim seu desempenho. Muitos alunos preferem o ônus da reprovação a se expor diante de professores e colegas. A pessoa com fobia social apresenta manifestações somáticas, ao se ver exposta, tais como rubor facial, sudorese, tremor, coração acelerado, nervosismo.
FOBIA SOCIAL F.40.1
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FOBIA ESPECÍFICA F40.2
O tipo Específico (ou não generalizado) de fobia, é o mais conhecido entre as fobias e usualmente é restrito a poucas situações sociais. Normalmente os objetos de fobia na Fobia Específica são animais, não necessariamente peçonhentos e as situações são aquelas que dizem respeito ao escuro, à altura, ao abafamento de ambientes fechados, à água dos rios e mares.
As fobias específicas frequentemente ocorrem concomitantemente a outros transtornos: de ansiedade, de humor e relacionados à substâncias. Fobias específicas são diagnósticos com comorbidades de muito comuns a outros transtornos.
Diretrizes e Critérios de Diagnóstico para Fobia Específica:
A. Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica (por ex., voar, alturas, animais, injeção, ver sangue).
B. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.
Nota: Em crianças, a ansiedade pode ser expressada por choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento aderente.
C. O indivíduo reconhece que o medo é excessivo ou irracional.
Nota: Em crianças, esta característica pode estar ausente.
D. A situação fóbica (ou situações) é evitada ou suportada com intensa ansiedade ou sofrimento.
Diretrizes e Critérios de Diagnóstico para Fobia Específica:
E. A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação temida (ou situações) interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, em seu funcionamento ocupacional (ou acadêmico) ou em atividades ou relacionamentos sociais, ou existe acentuado sofrimento acerca de ter a fobia.
F. Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração mínima é de 6 meses.
G. A ansiedade, os Ataques de Pânico ou a esquiva fóbica associados com o objeto ou situação específica não são melhor explicados por outro transtorno mental, como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., medo de sujeira em alguém com uma obsessão de contaminação), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., esquiva de estímulos associados a um estressor severo), Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., esquiva da escola), Fobia Social (por ex., esquiva de situações sociais em vista do medo do embaraço), Transtorno de Pânico Com Agorafobia ou Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico.
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Os critérios diagnósticos do DSM-5
A) Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica.
B) A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma imediata reação de ansiedade, que pode assumir a forma de um ataque de pânico, ligado à situação ou predisposto pela situação.
C) O indivíduo reconhece que o medo é excessivo e irracional.
D) A situação fóbica é evitada ou suportada com intensa ansiedade e sofrimento.
Diagnóstico
É apropriado apenas se a esquiva, o medo ou antecipação ansiosa do encontro com o estímulo fóbico interferem significativamente na rotina diária ou na vida social do indivíduo, ou se ele sofre acentuadamente por ter a fobia.
Ex: O indivíduo tem medo de cobra e mora em área residencial urbana e não restringe suas atividades em função do medo.
O diagnóstico também não se aplica a um medo razoável dado ao contexto de estímulos.
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Os subtipos segundo o DSM-5
Tipo Animal : causado por animais ou insetos. Início na infância.
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Tipo Ambiente Natural: causado por objetos do ambiente natural, tempestade, água, altura. Início na infância.
Os subtipos segundo o DSM-5
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Tipo Sangue - Injeção – Ferimento: causado por ver sangue ou ferimento, tomar injeção ou outros procedimentos médicos invasivos
Os subtipos segundo o DSM-5
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Tipo Situacional: causado por uma situação específica, como andar de avião, de transporte coletivo, de metrô, de barco, dirigir carro, túneis, pontes, elevadores e lugares fechados.
Os subtipos segundo o DSM-5
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Outro tipo: Medo causado por outros estímulos, como medo ou esquiva de situações que podem levar à asfixia, vômito ou contrair uma doença, fobia de espaço. O indivíduo teme cair se tiver afastado de paredes ou outros meios de apoio físico, e medo de sons altos ou personagens fantasiados.
Os subtipos segundo o DSM-5
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Sintomas Fisiológicos
O transtorno fóbico tem sintomas do sistema nervoso Autônomo (neurovegetativo), tais como:
Sudorese, palpitações, pânico, vertigem, parestesias, distúrbios gastrointestinais, perda de consciência.
Os sintomas aparecem sempre que a pessoa estiver na presença do objeto fóbico.
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Ciclo do medo
2 - Aproximação ou contato com o objeto fóbico aumenta a ansiedade
3 – Evitação ou fuga, diminuição da ansiedade
4 - desmoralização
1 - Ansiedade antecipatória
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Ciclo
do Sucesso
2 - Aproximação ou Contato com Objeto fóbico Aumenta ansiedade
3 – Enfrentamento
Aumenta ansiedade
4 -Orgulho
1 - Ansiedade antecipatória
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Etiologia
Em muitos casos, o acesso a origem da fobia, fica difícil devido a sua sutileza. Em alguns casos há uma incapacidade da evocação da memória infantil.
Diretrizes e Critérios de Diagnóstico para Fobia Específica:
A. Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica (por ex., voar, alturas, animais, injeção, ver sangue).
B. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.
Nota: Em crianças, a ansiedade pode ser expressada por choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento aderente.
C. O indivíduo reconhece que o medo é excessivo ou irracional.
Nota: Em crianças, esta característica pode estar ausente.
D. A situação fóbica (ou situações) é evitada ou suportada com intensa ansiedade ou sofrimento.
Diretrizes e Critérios de Diagnóstico para Fobia Específica:
E. A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação temida (ou situações) interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, em seu funcionamento ocupacional (ou acadêmico) ou em atividades ou relacionamentos sociais, ou existe acentuado sofrimento acerca de ter a fobia.
F. Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração mínima é de 6 meses.
G. A ansiedade, os Ataques de Pânico ou a esquiva fóbica associados com o objeto ou situação específica não são melhor explicados por outro transtorno mental, como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., medo de sujeira em alguém com uma obsessão de contaminação), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., esquiva de estímulos associados a um estressor severo), Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., esquiva da escola), Fobia Social (por ex., esquiva de situações sociais em vista do medo do embaraço), Transtorno de Pânico Com Agorafobia ou Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico.
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Transtorno de Pânico F41.0
Períodos de ataques de pânico inesperados e repetidos seguidos de sintomas somáticos como sudorese, falta de ar, palpitações, tremores nas mãos, medo de enlouquecer ou de morrer. Uma das características que pode acompanhar o transtorno do pânico é a presença de agorafobia – medo de estar em lugares abertos ou cheios de gente.
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O Transtorno do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos, é igualmente prevalente entre homens e mulheres, portanto, em sua maioria, as pessoas que tem o Pânico são jovens ou adultos jovens, na faixa etária dos 20 aos 40 anos, e se encontram na plenitude da vida profissional. Normalmente são pessoas extremamente produtivas, costumam assumir grandes responsabilidades e afazeres, são perfeccionistas, muito exigentes consigo mesmas e não costumam aceitar bem os erros ou imprevistos.
Transtorno de Pânico F41.0
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Os portadores de Pânico costumam ter tendência a preocupação excessiva com problemas do cotidianos, têm um bom nível de criatividade, excessiva necessidade de estar no controle da situação, têm expectativas altas, pensamento rígido, são competentes e confiáveis. Frequentemente esses pacientes têm tendência a subestimar suas necessidades físicas. Psicologicamente eles costumam reprimir alguns ou todos sentimentos negativos, sendo os mais comuns o orgulho, a irritação e, principalmente, os conflitos íntimos.
Transtorno de Pânico F41.0
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Essa maneira da pessoa ser acaba por predispor a situações de estresse acentuado e isso pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro, desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e consequentemente o aparecimento do Pânico.
Depois das primeiras crises de Pânico, durante muito tempo os pacientes se recusam aceitar tratar-se de um transtorno psicoemocional. Normalmente costumam ser pessoas que não se veem sensíveis aos problemas da emoção, julgam-se perfeitamente controladas, dizem que já passaram por momentos de vida mais difíceis sem que nada lhes acontecesse, enfim, são pessoas que até então subestimavam aqueles que sofriam problemas psíquicos.
Transtorno de Pânico F41.0
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Psicologia do Pânico
Psicologicamente constata-se, na expressiva maioria dos portadores de Transtorno de Pânico a existência de conflitos intrapsíquicos. Algumas vezes nem mesmo os pacientes têm a noção precisa de estarem vivenciando tais conflitos, os quais atuam, nestes casos, mais a nível inconsciente.
Se a Síndrome do Pânico é uma espécie de reação emocional ansiosa à determinados conflitos, vivências e/ou circunstâncias da vida, porque a pessoa reage apresentando sintomas de Pânico e não, por exemplo, de depressão franca ou de ansiedade típicas?
Transtorno de Pânico F41.0
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
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Acontece com as emoções o mesmo que ocorre com a alergia, fazendo uma analogia didática. Imagine 20 pessoas numa sala impregnada de fungos, mofo ou bolor. Destas 20 pessoas, pode ser que apenas 6 delas tenham uma reação alérgica aos fungos, ao cheiro de mofo. Dessas 6 pessoas, pode ser que 2 delas reajam com rinite alérgica e espirros, outras 2 com urticária e eczemas e as 2 restantes com asma brônquica. Como vimos, diante de um mesmo agente agressor (estressor), nem todos foram sensibilizados e, dos que foram sensíveis, tivemos três tipos de reação diferente.
Transtorno de Pânico F41.0
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Emocionalmente algo semelhante acontece. Diante da tensão, do estresse, da angústia, dos conflitos, ou da ansiedade exagerada as pessoas podem reagir diferentemente; algumas necessitam de muito mais estímulos para reagirem e, entre aquelas que reagem, cada qual reagirá à sua maneira. Algumas pessoas reagirão com Depressão Típica, outras com Fobias, outras ainda com Pânico, Obsessão-Compulsão, Ansiedade Generalizada e assim por diante.
Transtorno de Pânico F41.0
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
Quadro 2 - Ataque de Pânico (baseado no DSM-5)
A característica essencial de um Ataque de Pânico é um período distinto de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 dos 13 sintomas físicos citados abaixo.
O ataque tem um início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico em geral em 10 minutos e é acompanhado por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente. Os 13 sintomas físicos são os seguintes:
1 - palpitações,
2 - sudorese,
3 - tremores ou abalos,
4 - sensações de falta de ar ou sufocamento,
5 - sensação de asfixia,
6 - dor ou desconforto no tórax,
7 - náusea ou desconforto abdominal,
8 - tontura ou vertigem,
9 - sensação de não ser ela(e) mesma(o),
10 - medo de perder o controle ou de "enlouquecer",
11 - medo de morrer,
12 - formigamentos e
13 - calafrios ou ondas de calor.
Quadro 1 - Alguns traços de personalidade de pessoas propensas à Síndrome do Pânico
1. - Tendência a preocupação excessiva
2. - Necessidade de estar no controle da situação
3. - Expectativas altas
4. - Pensamento relativamente rígido (dificuldade em aceitar mudanças de opinião)
5. - Reprimem sentimentos pessoais negativos (não sabemos o que estão sentindo)
6. - Julgam-se perfeitamente controladas (duvidam tenham problemas emocionais)
7. - São extremamente produtivas (não relaxam, sempre estão fazendo algo)
8. - Assumem grandes responsabilidades (ocupacionais e familiares)
9. - Perfeccionistas
10.- Exigentes consigo mesmas (consequentemente, com osoutros também)
11.- Não aceitam bem os erros ou imprevistos
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Na determinação da diferença diagnóstica entre um Ataque de Pânico e outro quadro emocional é crucial considerar o contexto no qual ocorre o Ataque de Pânico. Existem três tipos característicos de Ataques de Pânico, com diferentes relacionamentos entre o início do ataque e a presença ou ausência de ativadores situacionais:
1 - Ataques de Pânico Inesperados (não evocados), nos quais o início do Ataque de Pânico não está associado com uma situação ativadora, isto é, ocorre espontaneamente, "vindo do nada";
Transtorno de Pânico F41.0
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2 - Ataques de Pânico Ligados a Situações (evocados), nos quais o Ataque de Pânico ocorre, quase invariavelmente, logo após à exposição ou antecipação a uma situação ativadora, como por ex., ver uma cobra ou um cão que sempre ativa um Ataque de Pânico imediato;
3 - Ataques de Pânico Predispostos pela Situação, que tendem mais a ocorrer na exposição a uma situação ativadora, mas não estão invariavelmente associados a ela e não ocorrem necessariamente após a exposição. Por ex., os ataques tendem a ocorrer mais quando o indivíduo está dirigindo, mas existem momentos em que a pessoa dirige e não tem um Ataque de Pânico ou momentos em que o Ataque de Pânico ocorre após dirigir por meia hora.
Transtorno de Pânico F41.0
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A importância dessa classificação quanto ao surgimento do ataque prende-se ao conhecimento de que:
a - A ocorrência de Ataques de Pânico inesperados é um requisito para o diagnóstico de Transtorno de Pânico (com ou sem Agorafobia).
b - Ataques de Pânico ligados a situações são mais característicos da Fobia Social e Fobia Específica.
c - Os Ataques de Pânico predispostos por situações são especialmente frequentes no Transtorno de Pânico, mas às vezes podem ocorrer na Fobia Específica ou Fobia Social.
Transtorno de Pânico F41.0
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CENÁRIO DO PÂNICO
GATILHO (percepção de fraqueza)
PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS (Tem algo errado comigo)
EMOÇÃO (ansiedade )
FALSA INTERPRETAÇÃO CATASTRÓFICA
(vou morrer)
FOCO SOBRE A SENSAÇÃO DE PÂNICO
REAÇÃO CORPORAL
(fraqueza, escurecimento da visão, tremor, falta de ar)
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Síndrome do Pânico
É um sinal de alerta, que existe muita pressão, cobrança e obrigações além dos limites. O paciente apresenta características comuns:
- perfeccionismo
- alto grau de exigência
- seriedade
- preocupação com o futuro
- sensação de pressão e opressão
Preciso ligar
para o meu
Psicólogo
214
Compulsão
A perda do controle sobre uma ação.
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215
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Espectro Obsessivo-compulsivo
Atualmente há uma tendência, na classificação dos transtornos emocionais, em agrupar os quadros onde está comprometido o controle dos impulsos. Um desses quadros é o próprio Transtorno Obsessivo-compulsivo. Os quadros onde está comprometido o controle dos impulsos podem ser agrupados no Espectro Obsessivo-compulsivo, ou seja, condições caracterizadas por sintomas impulsivos e/ou compulsivo.
Quadros incluídos dentro do
Espectro Obsessivo-Compulsivo
1.0- Transtorno Obsessivo-Compulsivo
2.0- Transtorno Dismórfico Corporal
3.0- Transtornos Alimentares
3.1- Vigorexia
3.2- Anorexia
3.3- Bulimia
3.4- Comer Compulsivo
4.0- Outros Transtorno do Controle dos Impulsos
4.1- Tricotilomania
4.2- Transtorno de Tique
4.3- Síndrome de Toureute
4.4- Sexo Compulsivo
4.5- Jogo Compulsivo
4.6- Piromania
4.7- Compulsão para Compras
4.8- Compulsão à Internet
Do ponto de vista genético, um mesmo gene poderia predispor a diversas condições desse espectro, seja para obsessões-compulsões, seja para compulsão em mentir, ou comprar, comer, jogar, roubar… etc, visto que até hoje não foi possível encontrar genes específicos para nenhum dos transtornos psiquiátricos classificados.
A genética transmite probabilidades para vulnerabilidades não específicas, como por exemplo, probabilidade da pessoa ser tão alérgica quanto os pais, mas não, exatamente, alérgica aos mesmos produtos. É universalmente aceito que haja uma interação da genética com fatores ambientais, resultando pessoas que manifestam determinados transtornos mentais, enquanto outros, não. Supõe-se haver transmissão da vulnerabilidade à falta de controle dos impulsos, mas não deste ou daquele impulso em particular, presente nos genitores.
Espectro Obsessivo-compulsivo
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De qualquer forma, reconhece-se existir uma heterogeneidade clínica, ou seja, diversos transtornos decorrerem de um mesmo perfil genético, como por exemplo, o pânico, fobia, ansiedade generalizada, TOC, todos decorrentes do mesmo tronco constitucional (biológico) de propensão à ansiedade. Dessa forma, algumas síndromes em psiquiatria podem, a partir de grupos de sintomas afins, serem classificadas como doenças com semelhantes características neurobiológicas e genéticas.
A ideia de comportamentos repetitivos, bem estudada por Eric Hollander, é de que os transtornos que acometem predominantemente a área da vontade (volição) e, especificamente em relação ao controle dos impulsos, se manifestam por alguns comportamentos compulsivos e que podem ser agrupados em um mesmo tronco patológico. Seriam os Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo.
Espectro Obsessivo-compulsivo
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Dentro dos comportamentos compulsivos e pensamentos obsessivos estão também aqueles relacionados a Alterações do Esquema Corporal (ou Transtorno Dismórfico Corporal), como por exemplo, a Anorexia Nervosa, a Bulimia, a Vigorexia e a Hipocondria. Essas pessoas teriam uma falsa imagem do próprio corpo, algumas achando que estão gordas (Anorexia e Bulimia), outras achando que não são fortes e perfeitos o suficiente (Vigorexia) e outros ainda achando que parte de seu corpo adoece (Hipocondria).
Em todos esses quadros onde há dificuldade no controle dos impulsos as pessoas acabam desenvolvendo comportamentos compulsivos, repetitivos, com o objetivo de aliviar pensamentos obsessivos desconfortáveis, como por exemplo, param de comer ou vomitam ao pensarem que estão gordos ou podem engordar, fazem exercícios excessivamente se acreditam que não estão esbeltas o suficiente, submetem-se à exames médicos constantes se vêm-lhes a ideia de doença e assim por diante.
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Compulsão
Uma força interna, intensa e coercitiva que leva o indivíduo a agir e pensar de determinada maneira, e mesmo que esteja consciente e contrário àquela conduta, se vê impelido a realizá-la, a despeito de suas intenções de inibi-las.
Esses comportamentos compulsivos ou adictivos, são hábitos aprendidos e seguidos em troca de alguma gratificação emocional.
Essa gratificação e alívio da ansiedade e da angústia, reforça a pessoa a repeti-lo.
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Compulsão
Os Comportamentos Compulsivos são também chamados de Comportamentos Aditivos. São hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente.
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Diz-se que esses Comportamentos Compulsivos são mal adaptativos porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental, ao conforto físico e à adaptação social. Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e excessiva.
A gratificação que segue ao ato, seja ela o prazer ou alívio do desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo mas, com otempo, depois desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter resistido ao impulso de realizá-lo. Mesmo assim, a gratificação inicial (o reforço positivo) permanece mais forte, levando a repetição.
Compulsão
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Por exemplo:
1 - Se a pessoa é acometida pela ideia (contra sua vontade) de que está se contaminando através de alguma sujeira nas mãos, terá pronto alívio em lavar as mãos. Entretanto, se tiver que lavar as mãos 40 vezes por dia, ao invés de adaptar essa atitude acaba por esgotar.
2 – Se a pessoa é acometida pela ideia de que seus pais sofrerão algum acidente fatal, poderá conseguir alívio da angústia gerada por esses pensamentos se, por exemplo, bater 3 vezes na madeira... Mas tiver que bater na madeira 40 vezes por dia, ao invés de aliviar, essa atitude acaba por constranger e frustrar.
3 – Se a pessoa tem um pensamento incômodo de que aquilo que acabou de comer poderá engordá-la, terá alívio dessa sensação provocando o vômito, ou tomando laxantes.
Compulsão
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DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
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As compulsões também denominadas “ reações compulsivas” ou “compulsões de repetição”, variam em números e gravidade desde contar os passos e as fendas da rua até os atos criminais como a cleptomania e a piromania.
Todas as “manias” são tecnicamente compulsões sendo mais comuns em combinação com reações fóbicas e obsessivas compulsivas do que em formas puras.
Dicionário Técnico de Psicologia - Álvaro Cabral
O desempenho do ato permite ao indivíduo certo alívio para sua ansiedade neurótica.
Compulsão
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Por que ocorrem Comportamentos Compulsivos?
Não há uma causa bem estabelecida para a ocorrência de Comportamentos Compulsivos. Pode-se falar em vulnerabilidades e predisposições, seja de elementos familiares, tais como os hábitos consequentes à extrema insegurança e aprendidos no seio familiar, seja por razões individuais e relacionados às vivências do passado e a ao dinamismo psicológico pessoal, seja por razões biológicas, de acordo com o funcionamento orgânico e mental.
Compulsão
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Como é possível detectar os pacientes com TOC no atendimento?
É pouco provável que os pacientes se apresentem ao médico queixando de suas obsessões ou de seus rituais. Normalmente eles se queixam dos sintomas somáticos relacionados com suas condutas rituais e referem a depressão ou ansiedade.
Alguns procuram ajuda médica em decorrência de temores pouco realistas sobre a sensação de estar ficando louco, ter câncer, AIDS ou outras doenças. Apesar de não apresentarem nenhuma evidência dessas doenças, não parecem nunca satisfeitos ou tranquilos, a não ser que estejam sendo submetidos à múltiplas avaliações.
Transtorno obsessivo compulsivo F.42
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Quais são os sintomas somáticos que podem sugerir a existência de um TOC?
Dermatite. Os pacientes com TOC podem aparecer à consulta com lesões nas mãos ou com erupções ocasionadas por lavagem repetida.
Ente os pacientes tratados por dermatite, cerca de 36% deles tinha TOC; nenhum deles havia referido sintomas obsessivos ao dermatologista.
Onicopatia (unhas). Infecções crônicas das unhas decorrentes de roer excessivamente ou morder compulsoriamente o canto dos dedos. Alopecia (falta de cabelos). Em pacientes com tricotilomania (arrancar cabelos). Gengivite ou infecção gengival por escovação dental excessiva. Sintomas somáticos de depressão.
A elevada concomitância do TOC com a depressão faz com que, em muitos casos, os pacientes procurem a consulta por qualquer dos sintomas frequentes de depressão (fadiga crônica, transtornos do apetite, transtornos do sono, redução de peso, constipação, diarreia, cefaleias…).
Transtorno obsessivo compulsivo F.42
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Transtorno obsessivo compulsivo F.42
Pensamentos repetitivos, intrusivos e sem sentido, que acometem a mente do indivíduo. Apresentam-se sob a forma de repetição de palavras e gestos, pensamentos, geralmente associados a ideias de limpeza, contaminação, segurança, agressão ou sexo. Estes comportamentos visam, na verdade, de forma inconsciente, evitar ou retardar um sofrimento ou situação temida.
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Transtorno Obsessivo-Compulsivo F42
As características essenciais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou causar sofrimento acentuado à pessoa. Leigamente, diz-se que a pessoa tem várias manias esquisitas ou estranhas mas, normalmente, o próprio portador de TOC sabe que suas manias, obsessões e/ou compulsões são excessivas ou irracionais.
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Predominantemente
pensamentos obsessivos F42.0
Obsessões são pensamentos ou ideias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, enfim, são atitudes mentais que invadem a consciência de forma involuntária, repetitiva, persistente e normalmente absurdas. Essas ideias obsessivas são ou não seguidas de rituais destinados a neutralizá-los, as compulsões.
Os pensamentos obsessivos são experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo próprio paciente, o que acaba causando mais ansiedade e desconforto emocional. A pessoa tenta resistir a esses pensamentos, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, mas sempre, o próprio paciente reconhece tudo isso como produto de sua mente e não como se fossem originados de fora (como ocorre na esquizofrenia).
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Predominantemente atos compulsivos F42.1
Compulsões são comportamentos repetitivos (ex. lavar as mãos, fazer verificações, fechar portas 4 vezes), ou atos mentais (rezar, contar, repetir palavras ou frases) que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras (auto impostas) que devem ser seguidas rigidamente.
Os comportamentos ou atitudes mentais compulsivas são destinadas a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, ou prevenir alguma situação ou evento temidos. Como dissemos, o próprio paciente percebe que essas atitudes não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou que são claramente excessivas, mas essa crítica não é suficiente para inibir a compulsão.
DISPOSOFOBIA ou ACUMULAÇÃO COMPULSIVA (Compulsive Hoarders) é uma doença que afeta 4% da população geral. Caracteriza-se por aquisição compulsiva e acúmulo de objetos inúteis para a maioria das pessoas, a incapacidade de usá-los e o medo de descartá-los.
As pessoas acometidas pela compulsão em acumular não enxergam a acumulação como um problema real. Não sabem como iniciou e vai evoluindo com o tempo. Guardam para alguma necessidade ou eventual emergência.
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DISPOSOFOBIA ou ACUMULAÇÃO COMPULSIVA
Acumulação compulsiva é diferente de colecionismo normal. Colecionar é um hobby, não interfere na sociabilidade. O colecionador escolhe o tema, procura e adquire os itens para sua coleção, organiza os objetos e procura mantê-los protegidos em local adequado. O acumulador não tem controle do que possui, não sabe porque adquire os objetos, não consegue organizar o espaço. No colecionismo patológico, os objetos não têm outro valor que não seja o de propiciar conforto, sensação de controle e segurança; tentativas de substituição de algo perdido.
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DISPOSOFOBIA ou ACUMULAÇÃO COMPULSIVA
Sinais de acúmulo compulsivo
Acúmulo de objetos sem organização, sem lógica ou utilidade como: jornais, revistas e livros velhos, roupas sem condição de uso, produtos estragados (remédios, alimentos), aparelhos elétricos/eletrônicos quebrados, embalagens e recipientes diversos, móveis velhos, produtos químicos, restos de material de construção, lixo, etc. A aquisição dos objetos se dá por compra compulsiva, coleta livreou até mesmo furto.
A moradia perde sua função. Os ambientes vão sendo adaptados conforme os objetos se acumulam. Começa, por exemplo, com um armário ou um canto do quarto para guardar os objetos e logo o quarto está todo tomado. Em seguida, a sala, o banheiro, etc. até que todas as dependências da casa estejam deterioradas, ocupadas pelo que foi acumulado. Estratégias vão sendo criadas e implementadas para que os moradores possam locomoverem-se entre as pilhas de quinquilharias.
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DISPOSOFOBIA ou ACUMULAÇÃO COMPULSIVA
Workaholic
Trabalhar Compulsivo (Workaholic)
Com o objetivo de vencer profissionalmente, ganhar dinheiro, sobressair-se socialmente, tem sido glorificado pelo sistema cultural que a pessoa procure dar o melhor de si trabalhando.
O trabalho pode ser utilizado como uma ocupação mental capaz de tomar o espaço de outros sentimentos ou pensamentos mais difíceis de serem vivenciados. Quando a atividade funciona como uma forma de esconder-se, fugir ou não ter que sentir ou pensar em outros problemas, enfim, quando alivia a angústia da vida de relação, o trabalhar pode tornar-se compulsivo, constante, enfim aditivo.
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Neste caso, o trabalhar perde sua função natural passando a ser prejudicial ao bem estar físico, familiar psicológico e social do indivíduo.
Na compulsão pelo trabalho a pessoa vai de casa para o trabalho, do trabalho para a casa, excluindo-se de sua vida as opções do lazer, as pausas nos finais de semana, o convívio descontraído com a família, etc.
A pessoa com compulsão pelo trabalho freqüentemente exige dos outros o mesmo ritmo que tem para si, costuma criticar demais esses outros, exige perfeição, dedicação e devoção ao trabalho, tal como elas próprias se comportam. E o próprio Compulsivo para o Trabalho sofre com sua situação.
Workaholic
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
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Normalmente são pessoas severas, isoladas, inflexíveis, perfeccionistas, amargas e exageradamente “realistas”. Por causa dessas características os workaholics racionalizam tudo na vida, ocultam seus próprios sentimentos, têm um contato mínimo com eles próprios e mantêm abafados seus conflitos íntimos.
Para essas pessoas o trabalho é seu escudo protetor e, melhor que isso, trata-se de uma atitude fortemente enaltecida pelos valores sociais. Mas, na realidade, o workaholic também sofre, normalmente é um insatisfeito consigo mesmo, alimenta a fantasia de ser potente e meritoso. Na verdade, toda essa voracidade para o trabalho pode estar aliviando sentimentos de angústia por se acreditar um pai omisso ou uma mãe ausente, um companheiro fugidio, etc.
Workaholic
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Comprar Compulsivo (Shopholic)
Assim como os demais Comportamentos Compulsivos ou Aditivos, o comprador compulsivo é, praticamente, um dependente do comportamento de comprar, precisando fazê-lo sem limites para se sentir bem, pelo menos bem naquele momento (para depois arrepender-se).
O(a) comprador(a) compulsivo(a) acaba por consumir coisas pelo fato de consumir e não mais pela necessidade do objeto que é consumido. Ir ao shopping sem realizar algumas compras parece tornar-se quase impossível. Muitas vezes sente-se culpado, porém, como em qualquer comportamento aditivo, o mais comum é perder o controle da situação.
Dependência de Internet
Dependência Digital
Toxicodependência
O termo dependência nas neurociências foi usado primeiramente no início do século XX para descrever o consumo compulsivo de substâncias químicas.
Na época o conceito de dependência abrangia apenas álcool e drogas, mas atualmente engloba uma grande variedade de vícios.
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Efeitos no Cérebro
Assim como as drogas, a compulsão no uso da Internet está relacionada à sensação de prazer físico e psicológico que ela produz.
Tais comportamentos compulsivos podem gerar, inicialmente, um alívio de tensão perante a ansiedade, a depressão, a falta de habilidade social em comunicação face a face. Porém, trazem efeitos significativos sobre o estado psicológico e fisiológico, como alterações do ciclo vigília/sono, problemas relacionados às relações interpessoais, profissionais, sexuais entre outras.
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Efeitos da dopamina nas dependências
Quando se entra num chat, ao abrir um
e-mail, um jogo virtual ou mesmo o barulho da conexão, produz no cérebro descargas elétricas entre os neurônios e a Dopamina é liberada.
Isso acontece apenas por alguns segundos, entretanto a sensação de prazer é de 30 minutos, pois ela continua a ser secretada após a parada da estimulação.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Numa pessoa dependente, que faz uso repetido de uma droga os receptores celulares se esgotam e também a capacidade natural de produzir dopamina.
Doses maiores e mais frequentes quebra a maquinaria do sistema de recompensa: o desejo do uso permanece apesar de não propiciar mais prazer. Daí a depressão que os usuários começam a sentir.
Da euforia a depressão
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Dependência Digital
Esses momentos de prazer se tornam um vício, pois mantém o mesmo padrão fisiológico e criam uma interação por causa da maior rapidez, assim aumentam as chances de dependência.
A nascente dopaminérgica diante de estímulos continuados esgota-se, e a pessoa não sente vontade de agir, paralisando em sua ação.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Do estímulo à emoção
A dopamina faz a ponte dos sinais de bem-estar ao córtex cerebral
1 - Substância negra; 2 - Cérebro; 3 - Córtex cerebral; 4 - Neurônios; 5 - Eixo de neurônios; 6- Moléculas de dopamina
Produção: Quando alguém passa por situações positivas ou desejadas, é estimulada a produção da dopamina na região do cérebro conhecida como substância negra. Armazenamento: Nos terminais de alguns neurônios, a dopamina é depositada em pequenas vesículas . Liberação: Para transportar sinais elétricos gerados pelo estímulo, as vesículas liberam a dopamina para outros neurônios, estabelecendo as sinapses .
Felicidade: Levados até o córtex cerebral, os impulsos elétricos transformam-se em sensação de bem-estar e prazer
Dependência Digital
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Transtorno de Dependência de Internet (Dependência Digital)
De acordo com Azevedo (2016) o transtorno de dependência digital apresenta duas características distintas: inabilidade social e ansiedade. A inabilidade social relaciona-se a dificuldades quanto a comunicação face a face, seja por prejuízos inerentes a verbalização e/ou a diminuição da capacidade do reconhecimento das emoções presentes na linguagem não verbal, levando a uma menor habilidade de interação e menor estabelecimento de vínculo nas relações presenciais.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
A ansiedade é marcada por uma preocupação constante e excessiva em que o sujeito considera que suas relações serão prejudicadas caso não esteja conectado, levando a uma apreensão ou medo constante, podendo desenvolver alterações fisiológicas como agitações motoras, irritabilidade, tensão muscular, sudorese, fadiga, insônia entre outras. As diretrizes diagnósticas devem levar em consideração a prevalência de sintomas específicos nos últimos 4 a 6 meses relacionados a prejuízos funcionais, sociais, trabalhistas, acadêmicos entre outros.
Transtorno de Dependência de Internet (Dependência Digital) DSM V Apêndice
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Processos Cognitivos
Bausseron, Luminet e Groote (2014) afirmam que algumas psicopatologias podem interferir no processo de avaliação das emoções dificultando assim os processos de adaptação nas interações sociais. As pesquisas realizadas por Damásio vão ao encontro das pesquisas de Bausseron, Luminet e Groote (2014) que relatam que ‘Um grande número de estudos demonstrou a existência de uma relação entre a alexitimia e diferentesperturbações psicológicas”. (p.319). Para os autores citados, pode-se dizer que: “A alexitimia é um traço de personalidade que se caracteriza por uma dificuldade de identificação das emoções e de as comunicar aos outros.” (p.313)
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Bausseron, Luminet e Groote (2014) ainda relatam que no que se refere às perturbações psiquiátricas, os estudos demostraram que a alexitimia estava associada às perturbações de ansiedade e, em particular, ao stress pós-traumático, aos ataques e pânico e as perturbações obsessivo-compulsivo. As investigações demonstram igualmente uma relação entre alexitimia e as perturbações de dependência (aditivas) como o abuso de álcool ou de outras substâncias psicoativas. A semelhança da depressão e de outros transtornos psicológicos associados à alexitimia, as perturbações aditivas resultam de uma incapacidade de enfrentar os estados emocionais sentidos e vividos como pouco diferenciados através de respostas adaptativas. Representam, então, uma tentativa de alívio temporário face a situações de angustia emocional.
Processos Cognitivos
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Critérios estabelecidos por Azevedo (2016) para o diagnóstico de Dependência Digital
1 – uso excessivo (considerando os aspectos trabalhistas e educacionais);
2 – comprometimento das atividades funcionais tais como alimentação, sono, higiene pessoal, entre outros;
3 – perda na capacidade de comunicação face a face;
4 – esquiva das atividades diárias (trabalho, atividades acadêmicas e de vínculos sociais);
5 – apreensão e irritabilidade quando desconectado;
6 – aparecimento de sintomas fisiológicos, tais como agitações motoras, sudorese, fadiga, tensão muscular;
7 – incapacidade de controlar impulsos de conectividade quando presentes estímulos que remetam a tecnologias digitais;
8 – perda da percepção do tempo quando conectado.
Transtorno de Dependência de Internet (Dependência Digital) DSM V Apêndice
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Fatores pessoais favorecedores à adição
Uma patologia que se desenvolve em pessoas de vocação solitária e não desejosas do convívio interpessoal.
Trata-se de uma opção de postura social, compensada e gratificada pela rede de computadores.
São comuns os traços de introversão na personalidade de informáticos compulsivos.
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251
Comportamento
Prioriza o uso da internet.
Preocupado quando desconectado.
Interrupção gera ansiedade e depressão.
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Vida comprometida em todas as áreas.
Uso crescente.
Descontrole do tempo.
Mente com frequência.
Usa como válvula de escape.
Comportamento
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Vulnerabilidade no ADOLESCENTE
Timidez
Baixa autoestima.
Busca de aceitação.
Fuga da realidade (época de sonhos e fantasias).
Adaptação ao mundo adulto gera ansiedade.
Conduta antissocial resulta numa sensação de solidão.
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Transtorno de Estresse
Pós-Traumático F43.1
O conceito do Transtorno do Estresse Pós-traumático foi desenvolvido a partir de 1980 através das classificações internacionais CID.10 e DSM.IV, as quais permitiram unificar uma série de categorias de transtornos emocionais reativos a acontecimentos traumáticos e anteriormente dispersos e vagos na classificação psiquiátrica. Por conceito o evento traumático ou trauma seria um estressor catastrófico diferente da experiência humana habitual. Esta distinção entre eventos traumáticos e outros estressores se baseou na suposição de que, embora a maioria dos indivíduos tenha a capacidade de enfrentar os estresses comuns, as capacidades adaptativas são insuficientes quando o agente estressor é demasiadamente traumáticos.
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
A força das lembranças traumáticas e persistentes
Após estupro, guerra, acidentes, catástrofes....
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) Pode acometer 1 em cada 10 pessoas.
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A força das lembranças traumáticas e persistentes
Características do TEPT
Pensamentos indesejáveis freqüentes e recorrentes relacionados ao trauma, incluindo pesadelos, pensamentos intrusivos e flashbacks.
Associação com hormônios liberados durante o estresse.
A memória fica superconsolidada.
Amígdala – memória emocional/ Hipervigilância
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Transtornos Alimentares
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Fome
O processo de ingestão alimentar é influenciado por diversos fatores, os quais podem ser provenientes do próprio organismo (genéticos, psicológicos e fisiológicos) ou do ambiente (culturais e sociais). Além disso, pesquisas têm evidenciado que o exercício físico pode promover alterações fisiológicas capazes modificar as sensações de saciedade e fome/apetite, favorecendo à uma alteração do comportamento alimentar.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Controle da fome: O hipotálamo regula a ingestão de alimentos através de dois centros: centro da fome [lateral, no núcleo do leito do feixe medial do cérebro anterior em sua junção com as fibras pálido-hipotalâmicas] e centro da saciedade [localizado no núcleo ventro-medial]. A estimulação do centro da fome induz à conduta de comer e sua destruição leva a severa desnutrição por anorexia. Estimulação do centro da saciedade leva à conduta de cessar o ato de alimentação e a destruição deste centro leva à hiperfagia e obesidade. Estes centros não trabalham alternadamente - na verdade, o centro da alimentação está sempre ativado e pode ser inibido pelo centro da saciedade.
Fome
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
O centro da saciedade é ativado quando os níveis de glicose em suas células [assim chamadas "glucostatos"] for elevado. Quando os níveis de glicose forem baixos, as células são inibidas e o centro da fome passa a exercer sua função. O sistema límbico também exerce um papel no controle da fome. Nos casos de lesão dos núcleos amigdalóides do sistema límbico, os animais apresentam hiperfagia [mais discreta do que em lesões do hipotálamo], porem perdem o critério da escolha de alimentos e ingerem alimentos deteriorados e diversos materiais e objetos. Animais hiperfágicos costumam apresentar tambem alterações de comportamento do tipo agressividade.
Fome
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Influência hormonal no controle da ingestão alimentar
Dois estados fisiológicos são componentes importantes para o comportamento alimentar, sendo muitas vezes confundidos entre si: o apetite e a fome. O primeiro significa desejo de comer, derivado não só de necessidade orgânica, mas de sensações agradáveis ligadas ao ato de comer, fazendo com que a pessoa continue a comer mesmo que não sinta fome, o que muitas vezes pode levar à obesidade. O apetite é, na verdade, rico de conteúdo comportamental e pode ser considerado como um mediador entre os impulsos e/ou sinais fisiológicos e os fatores ecológicos psicossociais. Já a fome é caracterizada por sensação orgânica, física, por urgência de alimentos e que leva a ingestão inespecífica.
Fome
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O início da sensação de fome ocorre por diversas razões, sendo a deficiência de energia após um período de jejum ou o aumento no gasto energético, a oferta de alimentos palatáveis e os aspectos sociais os possíveis responsáveis, cada um mediado por diferentes sinais e mecanismos que então regulam o consumo de alimentos. É possível observar dados na literatura afirmando que a grelina, a leptina, a termogênese induzida pelo alimento, os níveis de glicose plasmática e a insulina são fatores que podem participar no início da sensação de fome.
Fome
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Motivo mais complexo que a sede.
Apenas o modelo “falta-reposição” não explica totalmente a fome.
Privação de alimentos estimula a fome e o ato de comer.
Regulação da fome envolve processos que operam na regulação homeostática.
A Curto prazo – glicose no sangue está sendo continuamente
monitorada Hipóteseglicostática.
A Longo prazo – Gordura disponível é utilizada como um recurso para suplementar a regulação de energia Hipótese Glicostática.
Fome
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Hipotálamo
Pequena estrutura cerebral que corresponde a menos de 1% do volume cerebral.
Constitui-se em uma coleção de 20 núcleos vizinhos e interconectados.
Responsável por funções biológicas, incluindo os atos de comer, beber e copular.
Estimulação do Hipotálamo gera desejo e prazer associado a água, alimento e parceiros íntimos.
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Hipotálamo
Responsável pela regulação do sistema endócrino e do sistema nervoso autônomo (SNA).
Capaz de regular o ambiente corporal interno, de modo a criar uma adaptação ótima do indivíduo ao ambiente.
Controla a glândula pituitária glândula mestra do sistema endócrino.
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Este sistema começa na área tegmentar ventral, de onde os impulsos nervosos atingem a região do núcleo accumbens, que é a área cerebral relacionada com a busca do prazer. Deste núcleo, o impulso nervoso segue para o córtex pré-frontal e sistema límbico. Diversas substâncias químicas são libertadas e ativadas no cérebro neste processo. Nomeadamente, a rede de conexões entre células nervosas liberta peptídeos endógenos, as encefalinas e endorfinas, tendo como resultado a regulação do teor final de dopamina, responsável pela sensação de bem-estar e recompensa (reforço positivo).
Sistema de Recompensa do SNC
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Transtornos Alimentares
Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades. Os principais tipos de Transtornos Alimentares são a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa. Essas duas patologias são intimamente relacionadas por representarem alguns sintomas em comum: uma ideia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com o peso, uma representação alterada da forma corporal e um medo patológico de engordar. Em ambos os quadros os pacientes estabelecem um julgamento de si mesmos indevidamente baseado na forma física, a qual frequentemente percebem de forma distorcida.
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
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Anorexia X Bulimia
Esses comportamentos, porém, podem ser um sinal de alerta para um problema mundial que atinge 1% da população feminina entre 18 e 40 anos e pode levar à morte, mas que só agora começa a receber a atenção devida no Brasil.
Anorexia
As características essenciais da Anorexia são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma consequência dessa distorção doentia do esquema corporal.
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O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar. A Anorexia é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.
Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.
Anorexia
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Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.
Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.
Anorexia
Os sintomas mais frequentes da Anorexia Nervosa são:
1.Medo intenso a ganhar peso, mantendo-o abaixo do valor mínimo normal.
2. pouca ingestão de alimentos ou dietas severas;
imagem corporal distorcida .
3. Sensação de estar gorda quando se está magra;
grande perda de peso (frequentemente em um período breve de tempo)
4. Sentimento de culpa ou depreciação por ter comido
5. Hiperatividade e exercício físico excessivo
6. Perda da menstruação
7. Excessiva sensibilidade ao frio
8. Mudanças no caráter (irritabilidade, tristeza, insônia, etc.)
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Epidemiologia
A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbelteza com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidência de Anorexia Nervosa tem aumentado nas últimas décadas.
Curso
A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.
Anorexia
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Bulimia
As características essenciais da Bulimia consistem em compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia. Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses.
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Uma característica essencial da Bulimia Nervosa é o uso recorrente de comportamentos compensatórios inadequados para prevenir o aumento de peso. Muitos pacientes com Bulimia Nervosa empregam diversos métodos em suas tentativas de. compensarem a compulsão periódica. A técnica compensatória mais comum é a indução de vômito após um episódio de compulsão periódica. Este método purgativo é empregado por 80 a 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa que se apresentam para tratamento em clínicas de transtornos alimentares.
Os efeitos imediatos do vômito incluem alívio do desconforto físico e redução do medo de ganhar peso. Em alguns casos, o vômito torna-se um objetivo em si mesmo, de modo que a pessoa come em excesso para vomitar ou vomita após ingerir uma pequena quantidade de alimento. Os pacientes com Bulimia Nervosa podem usar uma variedade de métodos para a indução de vômitos, incluindo o uso dos dedos ou instrumentos para estimular o reflexo de vômito.
Bulimia
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Os pacientes com Bulimia podem jejuar por um dia ou mais ou exercitar-se excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo. Exercícios podem ser considerados excessivos quando interferem significativamente em atividades importantes, quando ocorrem em momentos ou contextos inadequados ou quando o paciente continua se exercitando apesar de lesionado ou de outras complicações médicas. Raramente, os pacientes com este transtorno podem tomar hormônio da tiroide na tentativa de prevenir o aumento de peso. Os pacientes com diabete melito e Bulimia podem omitir ou reduzir as doses de insulina, para reduzir o metabolismo dos alimentos consumidos durante os ataquesde hiperfagia.
Bulimia
Pouco se conhece a respeito das causas da Bulimia Nervosa. Possivelmente exista um modelo onde múltiplas causas devem interagir para o surgimento da doença, incluindo aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.
Influência cultural tem ido apontada, atualmente, como um forte desencadeante; o corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Desta forma a propaganda dos regimes convence o público de que o corpo pode ser moldado. Assim, a busca pelo corpo perfeito tem se manifestado em três áreas: nutrição/dieta, atividade física e cirurgia plástica.
Bulimia
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Tipos de Bulimia
Tipos: Os seguintes subtipos podem ser usados para especificar a presença ou ausência regular de métodos purgativos como meio de compensar uma compulsão periódica.
Tipo Purgativo. Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente se envolveu regularmente na auto-indução de vômito ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.
Tipo Sem Purgação. Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.
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Epidemiologia
A taxa de prevalência da Bulimia é de 2 a 4% entre mulheres adolescentes e adultas jovens. A grande maioria dos pacientes com bulimia nervosa é do sexo feminino, na proporção de 9:1. O início dos sintomas vai dos últimos anos da adolescência até os 40 anos com idade média de início por volta dos 20 anos.
Algumas profissões em particular parecem apresentar maior risco, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda em geral, onde o rigor com o controle do peso é maior do que na população geral. Semelhante à anorexia nervosa. Aspectos socioculturais são importantes na medida em que a doença parece também mais comum em classes econômicas mais elevadas.
Bulimia
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Os sintomas mais frequentes da Bulimia Nervosa são:
- Comer compulsivamente em forma ataques de fome e as escondidas,
- Preocupação constante em torno da comida e do peso,
- Condutas inapropiadas para compensar a ingestão excessiva com o fim de não ganhar peso, tais como o uso excessivo de fármacos, laxantes, diuréticos e vômitos auto-provocados.
- Manutenção do peso pode ser normal ou mesmo elevado,
- Erosão do esmalte dentário, podendo levar à perda dos dentes,
- Mudanças no estado emocional, tais como depressão, tristeza, sentimentos de culpa e ódio para si mesma.
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Transtorno Dismórfico Corporal
Segundo Mariangela Gentil Savoia, o Transtorno Dismórfico Corporal é um novo nome para uma velho transtorno. Segundo Warwick (1996), tem sido descrito nas literaturas europeia e japonesa por uma variedade de nomes, sendo o mais comum dismorfofobia, termo utilizado por Morselli pela primeira vez há 100 anos (1886). Embora esse termo seja usado de diferentes maneiras, é definido como um sentimento de feiúra ou defeito físico que o paciente percebe a despeito de sua aparência normal.
O termo dismorfia é uma palavra grega que significa feiúra, especialmente na face. A primeira referência aparece na história de Herodutus, no mito da garota feia de Esparta, que era levada por sua enfermeira, todos os dias, ao templo para se livrar da sua falta de beleza e atrativos.
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Kraeplin, em 1909, considerava a Dismorfia Corporal como uma neurose compulsiva. Janet, em 1903, como uma obsessão com vergonha do corpo, enfatizando a extrema vergonha dos indivíduos que se sentiam feios e ridículos. Jahrreiss, em 1930, chamava o mesmo quadro de hipocondria da beleza e Stekel, 1949, descreveu um grupo peculiar de idéias obsessivas que as pessoas apresentam a respeito de seu próprio corpo.
Embora sua presença seja clara na literatura européia, a dismorfofobia não apresenta na CID - Classificação Internacional de Doenças (1993), uma categoria nosológica a parte, estando inclusa na mesma classificação de hipocondria.
Transtorno Dismórfico Corporal
O Transtorno Dismórfico Corporal é caracterizado pela preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo"
Transtorno Dismórfico Corporal
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Vigorexia
A adição ou dependência ao exercício, chamada de Vigorexia ou Overtraining, em inglês, é um transtorno no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua, com uma valorização praticamente religiosa (fanatismo) ou a tal ponto de exigir constantemente seu corpo sem importar com eventuais consequências ou contra-indicações, mesmo medicamente orientadas. Uma outra patologia solidamente associada à Vigorexia e já presente nas classificações internacionais é o Transtorno Dismórfico Corporal .
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Dismorfia é um termo mais antigo e igualmente usado para designar a discrepância ou diferença entre aquilo que a pessoa acredita ser (em termos de imagem corporal) e aquilo que realmente é.
A comorbidade do Transtorno Dismórfico Corporal com Depressão e Ansiedade chega a 50% dos casos, especialmente com quadros de ansiedade tipo Pânico. De fato, alguns autores (Grant, 2002) acham que o Transtorno Dismórfico Corporal raramente aparece sem alguma comorbidade.
Vigorexia
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A Vigorexia está nascendo no seio de uma sociedade consumista, competitiva, frívola até certo ponto e onde o culto à imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião. A Vigorexia e, em geral os Transtornos Alimentares exemplificam bem a influência sociocultural na incidência de alguns transtornos emocionais.
Com toda certeza, a Vigorexia é uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, e nem foi ainda catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID.10 e DSM-V).
Vigorexia
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A Vigorexia, mais comum em homens, se caracteriza por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos e à fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento, como por exemplo os esteroides anabolizantes.
Vigorexia
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A Vigorexia, como vimos pode ser sinônimo de Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular) e não é casualidade que o nome Vigorexia rime com Anorexia.
As duas doenças promovem a distorção da imagem que os pacientes têm sobre si mesmos: os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os vigoréxicos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser consideradas como "patologias do narcisismo". Alguns autores já estão atribuindo o aparecimento da Vigorexia à moda de um estilo de vida tipo "vigilante da praia".
Vigorexia
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Epidemiologia
No caso da Vigorexia os exercícios excessivos são compulsivos, mas também a compulsão pode se manifestar através de freqüentes verificações diante do espelho, cansativos exames do suposto “defeito” que podem consumir várias horas do dia.
O Transtorno Dismórfico Corporal parece ser diagnosticado com freqüência aproximadamente igual em homens e mulheres, iniciando-se em geral na adolescência de forma gradual ou súbita e seu curso é flutuante e crônico. Porém, os portadores do tipo Vigorexia(Transtorno Dismórfico Muscular) são, em sua maioria, homens entre 18 e 35 anos, os quais começam a dedicar demasiado tempo (entre 3 e 4 horas diárias) as atividades de modelação físicas, resultando em algum tipo de prejuízo sócio-ocupacional.
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Síndrome do Gourmet
As pessoas que sofrem dessa síndrome vivem preocupadas (mais que o normal) com a preparação, compra, apresentação e ingestão de pratos especiais, diferentes e e/ou exóticos. Podem continuar com esse tipo de preocupação e atividade, muito embora tenham perdido o interesse nas suas relações sociais, familiares e ocupacionais.
Acredita-se que tal alteração possa ser conseqüência de lesões ou alterações funcionais no hemisfério cerebral direito, tais como tumores, traumatismos, hemiplegia, etc.
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Transtorno Alimentar Noturno
É grande a incidência - de 1 a 3% da população – das pessoas que se levantam a comer pela noite, ainda que continuam dormidos. Em grande número das vezes essas pessoas não são conscientes do que fazem e não lembram de nada ao despertar. Quando lhes contam o que fizeram, negam contundentemente. A despeito desse "assaltos" noturnos à cozinha, a maioria desses pacientes faz regime durante o dia. Também ocorre em alcoolistas, dependentes químicos e pessoas com transtornos do sono.
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Os pacientes com Síndrome do Comer Noturno geralmente comem mais de 55% das calorias totais de um dia entre 8h e 6h da manhã. Eles podem acordar várias vezes durante a noite só para comer e, concomitantemente, apresentam uma piora do humor durante a noite.
Normalmente a Síndrome do Comer Noturno não é uma patologia única, mas sim uma combinação de um transtorno alimentar, um transtorno do sono e um transtorno do humor. Embora não exista um tratamento específico, alguns medicamentos podem ser utilizados para ajudar no controle do comer noturno e nos sintomas depressivos que podem estar presentes.
Transtorno Alimentar Noturno
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Pica
As pessoas com este transtorno se sentem impulsionadas a ingerir sustâncias não comestíveis: sabonete, argila, gesso, casquinhas de pintura, alumínio, cera, tijolo, etc. Trata-se de uma condição rara onde existe apetite por coisas ou substâncias não alimentares, como por exemplo, terra, moedas, carvão, sabonete, giz, tecido, etc. ou uma vontade anormal de ingerir produtos considerados ingredientes de alimentos, como diferentes tipos de farinha, batatas cruas, milho, mandioca, etc.
Para o diagnóstico de Pica esse fenômeno precisa persistir pelo menos por um mês. O nome pica vem do latim e significa pega, um pássaro do hemisfério norte renomado por comer quase de tudo que encontrar por sua frente. Pica pode ser observada em todas as idades mas em particular em mulheres grávidas e em crianças, especialmente naquelas que sofrem dificuldades em seu desenvolvimento infantil normal.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
Transtorno do Comer Compulsivo
Atualmente acha-se em estudo uma terceira categoria comum de Transtorno Alimentar; o Transtorno do Comer Compulsivo ("binge-eating disorder"), na qual os pacientes apresentam episódios de voracidade fágica (episódios bulímicos) mas sem se utilizarem de métodos purgativos depois, como acontece na Bulimia Nervosa.
No Transtorno do Comer Compulsivo também não há preocupação mórbida e irracional com o peso e a forma do corpo, assim como acontece na Bulimia e na Anorexia. Estes pacientes são na maioria das vezes obesos e parecem se distinguir de obesos que não apresentam esses episódios de comer compulsivo por apresentarem mais comorbidade psiquiátrica e pelo fato da obesidade ser de maior gravidade.
DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
O transtorno do comer compulsivo acomete três mulheres para cada dois homens e tem uma prevalência de 2% na população geral e de 30% entre as pessoas obesas que procuram tratamento para emagrecer.
As pessoas com este transtorno apresentam frequentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa e às escondidas, ou não deixam de comer o dia todo. Apesar desses pacientes se sentirem culpados e envergonhados por sua falta de controle, eles não apresentam atitudes compensatórias e compulsivas (vômito, laxantes...) típicas dos pacientes com Bulimia. Normalmente eles têm um histórico completo de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento. Normalmente são pessoas depressivas e obesas.
Transtorno do Comer Compulsivo
Os sintomas mais frequentes do Transtorno do Comer Compulsivo são:
1 - Episódios repetidos de "binge eating" (ataques de comer)
2 - Durante os episódios, 3 dos indicadores abaixo devem estar presentes:
-Comer muito mais rápido do que o normal
-Comer até se sentir desconfortavelmente empanturrado
-Comer grandes quantidades de comida, mesmo sem fome.
-Comer sozinho, com vergonha da quantidade.
-Sentir-se culpado e/ou deprimido depois do episódio