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Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
PSIQUIATRIA 
Aula 01: Introdução a Semiologia psiquiátrica, funções psíquicos e exame do estado mental. 
- Estudar os sinais e sintomas para o raciocínio das doenças psíquicas. 
- Psicopatologia (psiquê humana) 
- Elementos subjetivos (anamnese psiquiátrica) X objetivos (exame do estado mental)
- Entrevista psiquiátrica => entrevistador (juízo de valor, crença, estado emocional, postura); entrevistado (paciente, 
familiar ou informante); interação entre eles; ambiente. 
Anamnese 
- Principal instrumento de conhecimento da psicopatologia. 
- Descrição detalhada dos sintomas; identificação dos fatores predisponentes, precipitantes e perpetuantes da 
doença; caracterização da personalidade, incluindo aspectos relativos ao desenvolvimento, potenciais e fraquezas. 
Obs: a anamnese direciona o pct para coleta de suas queixas ao passo que avalia objetivamente seu estado mental. 
#Tipos de Entrevistas psiquiátricas 
A) Aberta 
-> Não segue um roteiro rígido e pré-determinado
-> Acesso mais fácil ao material inconsciente
-> "Variabilidade" como limitação 
Obs: torna-se muito “operador dependente”. 
B) Semi-estruturada 
C) Estruturada 
-> Sequência das perguntas e registros pré-determinados
-> Maior concordância e confiabilidade
#Identificação 
-> Nome/Apelido; gênero e orientação (abordagem inclusiva); idade; estado civil; grupo étnico; procedência; religião; 
profissão. 
#Queixa Principal e Tempo dos Sintomas 
-> Utilizar a terminologia do pct e atentar p/ variações da psiquiatria (“surtei" / “ansiedade”/ “depressão”) 
-> Breve descrição sobre o problema atual
#História da Doença Atual 
"Além de descrever o problema atual…" 
-> Motivo e contexto do encaminhamento 
-> Observar quem encaminhou, de quem foi a iniciativa de buscar ajuda. 
-> Considerar descrição detalhada dos sintomas (sequencia cronológica; frequência, duração e flutuações; como a 
doença começou e evoluiu; fatores precipitantes; qual a gravidade e impacto da doença sobre a vida da pessoa). 
ATENÇÃO: Parâmetros importantes para se considerar transtorno => intensidade + frequência + prejuízo funcional. 
#Antecedentes pessoais fisiológicos - História Pessoal 
-> História pré-natal/ nascimento (gestação; parto e condições do nascimento, incluindo peso, anoxia, icterícia e 
distúrbio metabólico) 
-> Infância e desenvolvimento (condições de saude; comportamentos e hábitos com relação ao sono e alimentação; 
desenvolvimento neuropsicomotor, linguagem e controle esfincteriano; vida escolar; ajustamento; temperamento; 
medos; relacionamento e interação social) 
-> Adolescência (interesses e aquisições quanto a vida escolar, profissionalização ou trabalho; interações e 
relacionamento com familiares e colegas; sexualidade). 
-> Adultos (relacionamentos; rotinas; vida familiar e conjugal atual x prévias -> sexualidade; gestação; características 
do cônjuge e filhos; trabalho e situação sócio-econômica; níveis de satisfação; condições de moradia; planos e 
projetos futuros). 
#Antecedentes pessoais patológicas - História médica e psiquiátrica 
-> Doenças, cirurgias e internações hospitalares ou psiquiátricas
-> Medicamentos psicofármacos ou não (abuso?)
-> Drogas e álcool como transtorno? 
-> Eventos vitais ou potencialmente traumáticos 
-> Personalidade pré-mórbida: compreende o conjunto de atitudes e padrões habituais de pensamento e 
comportamento do individuo (abarcar o modo de ser habitual do pct independente da sua situação de doença; 
observar as mudanças de personalidade com a doença) *trata-se de uma tarefa complexa e difícil. 
ATENÇÃO: É importante estar atento ao significado e aos sentimentos do pct frente a sua historia de doença, o 
impacto sobre sua vida, os sistemas de apoio com quem conta e as expectativas de recuperação. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Funções Psíquicas 
- Estratégia de abordagem da vida mental (útil, mas limitada). 
- Permite o estudo mais detalhado e aprofundado da vida psíquica normal e patológica. (Não existem funções 
psíquicos isoladas) 
- Consciência; inteligência; atenção; orientação; memória; afetividade; pensamento; senso-percepção. 
ATENÇÃO: é sempre a pessoa na sua totalidade que adoece. 
1. Consciência 
-> Definição neuropsicológica (nível de consciência): estado Vigil => grau de clareza do sensório; estar desperto, 
acordado, lúcido. 
-> Definição psicológica (dimensão subjetiva): soma das experiencias conscientes de um individuo em determinado 
momento; capacidade do individuo entrar em contato com a realidade, perceber e conhecer os seus objetos. 
2. Atenção 
-> “Direção da consciência”, o estado de concentração e da atividade mental sobre determinado objeto. 
-> Capacidade de selecionar, filtrar e organizar as informações em unidades controláveis e significativas. 
3. Orientação 
-> Capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da atividade mental 
-> Auto-psíquica (quanto a si mesmo) X Alo-psíquica (quanto ao meio)
4. Memória 
-> Capacidade de registrar, manter e evocar as experiências e os fatos já ocorridos.
-> Relaciona-se intimamente com a consciência, a atenção e com o interesse afetivo e volição. 
5. Afetividade 
-> Compreende modalidade de vivencia e experiencias (humor, emoções, sentimentos, cor, brilho, prazer) 
6. Vontade/Volição 
-> Relacionada com as esferas instintivas, afetiva e intelectivo. 
-> Envolve avaliar, julgar, analisar, decidir, bem como com o conjunto de valores, princípios, hábitos e normas 
socioculturais do individuo para a ação. 
7. Sensopercepção 
-> Sensação: fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados que produzem 
alterações nos órgãos receptores, estimulando-os. 
-> Percepção, entende-se a tomada de consciência, pelo individuo, do estimulo sensorial (dimensão subjetiva 
psicológica). 
8. Inteligência 
-> Conjunto de habilidades cognitivas do individuo, a resultante dos diferentes processos intelectivos. 
-> Capacidade de identificar e resolver problemas novos, de reconhecer e encontrar soluções. 
9. Pensamento 
-> Trata-se de um elemento puramente cognitivo, intelectivo. 
-> Elementos constitutivos do pensamento (conceito, juízo e o raciocínio, curso, forma e conteúdo do pensamento)
10. Linguagem 
-> Instrumento de comunicação dos seres humanos => Tradução do pensamento
Exame Físico 
- Deve ser feito de rotina, visando verificar se os sinais e sintomas estão associados a condições orgânicas ou 
psiquiátricas. 
- Interfaces clínicas
- Fatores de risco
Exame do Estado Mental (EEM) 
- Avaliação do funcionamento mental do pct, no momento do exame, com base nas observações que foram feitas 
durante a entrevista. 
- Processo concomitante e dinâmico (pode variar de um momento para o outro -> entrevistador; ambiente; paciente).
1- Como seu paciente se apresenta para você? 
2- Qual o seu nível de alerta?
3- Como fala?
4- Como descreve suas sensações? 
5- Como demonstra a afetividade?
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Aula 02: Aparência, atitude e consciência. 
APARÊNCIA 
- O que não está oculto
- Descrição sem precipitações ou inferências indevidas.
- Cuidados higiênicos e estéticos (cabelo, barba, unhas, dentes). 
- Vestimentas (roupas, maquiagem e adereços - brincos; colares; pulseiras). 
 
#Exemplos 
-> Higiene preservada. Aparência cuidada, com cabelos 
soltos e alinhados, maquiagem moderada, com batom 
vermelho e adereço de tamanho grande. 
-> Higiene preservada. Aparência descuidada, com 
cabelos presos, mas desalinhados, sem maquiagem ou 
adereços, exibindo palidez e orelhas evidentes. 
-> Higiene preservada e aparência cuidada com dentes 
em bom estado de conservação. Cabelos presos sob uso 
de turbante amarelo e colar de tecido claro, sem outros 
adereços. Pele íntegra, normocorada, sem maquiagem. 
Blusa branca sem estampas. 
-> Higiene preservada. Idade cronológica congruente com 
idade aparente. Cabelos desalinhados, vestes de cores 
alegres,das demais funções psíquicas: 
1) Alterações de autovaloração 
2) Alterações ideativas e cognitivas 
3) Sintomas psicóticos
4) Alterações da esfera instintiva, neurovegetativa, da volição e da psicomotricidade. 
Fatores causais e desencadeante 
A) Biológico, genético e neuroquímicos: Inversão cronobiológica da arquitetura do sono (causa e consequência); 
Alterações no cortisol; Alterações no metabolismo cerebral demonstrada em neuroimagem funcional; Alterações 
de hipocampo em casos graves constatadas a neuroimagem -> sintomas de humor relacionados a Síndromes 
demenciais; Herdabilidade de 37%. 
B) Psicossociais: Fatores ambientais modulam a genética manifesta; Estrutura familiar (perda parental e baixo 
suporte) 
*Consequências => Maior risco de declínio cognitivo, atrofia cerebral, doenças relacionadas ao envelhecimento, maior 
mortalidade, ativação de estresse oxidativo e alterações inflamatórias.
Sintomas Afetivos: 
- Tristeza de forma mantida
- Choro fácil e/ou frequente
- Tédio e aborrecimento 
- Falta de sentimento
- Auto-estima diminuida 
- Insuficiência 
- Incapacidade. 
- Vergonha
- Autodepreciação. 
- Irritabilidade aumentada 
- Angústia ou ansiedade
- Desespero 
- Desesperança 
- Hipomodulação afetiva 
(apatia) 
=> Como seu paciente se apresenta para você? 
(Aparência e Atitude) 
- Ás vezes, roupas desalinhadas ou sujas, cabelos despenteados, higiene descuidada, sem maquiagem, preferência 
por roupas escuras. Na depressão, é comum uma atitude lamuriosa. Todavia, o desinteresse pode levar a uma 
atitude de indiferença. 
=> Qual seu nível de alerta? 
(Consciência) 
- Obnubilação: lentidão da compreensão e dificuldade de concentração 
- Torpor: evidentemente sonolento, despertado apenas por estimulo enérgico, sobretudo de natureza dolorosa. 
- Coma: não é possível qualquer atividade voluntaria consciente. 
(Atenção, Memória e Orientação) 
- Hipoprosexia -> falta de concentração para questões cotidianas e dificuldades em reter informações. 
- Déficit de atenção involuntária (hipovigil) e foco exacerbado nos sentimentos e pensamentos ruins. 
- Déficit de memória de trabalho e episódica. 
- Orientação prejudicada em casos graves. 
=> Como fala e se expressa? 
(Pensamento)
- Curso: normal; alentecido. 
- Forma: normal; associação frouxa de idéias => desagregação 
- Conteúdo* 
(Linguagem) 
- Quantitativas => latência de resposta; bradifasia; hipoprosódia; hipotonia. 
- Qualitativas => ecolalia; coprolalia; mussitação. 
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Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
=> Como descreve suas sensações? 
(Sensopercepção) 
- Alucinações, geralmente auditivas, com conteúdos depressivos. 
- Ilusões auditivas ou visuais 
=> Como demonstra a afetividade e vontade? 
(Conação e psicomotricidade) 
- Hipobulia
- Fadiga, cansaço fácil e constante (sente o corpo pesado) 
- Anedonia (incapacidade de sentir prazer em varias esferas da vida) 
- Diminuição da libido (desejo sexual) 
- Tendência a permanecer na cama 
- Lentificação psicomotora / bradicinesia 
- Estupor hipertônico ou hipotônico 
- Negativismo 
#Síndrome afetiva maníaca 
- Alterações de afetividade em um polo oposto ao da depressão (positivo) 
Sintomas de acometimento das demais funções psíquicas: 
1) Alterações da autovaloração 
2) Alterações idealizas e cognitivas 
3) Sintomas psicóticos 
4) Alterações da esfera instintiva, neurovegetativa, da volição e da psicomotricidade. 
Diagnósticos 
- Transtorno bipolar 
- Espectros da esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo 
- Dificuldades cognitivas mesmo após remissão e comorbidades clínico-psiquiátricas 
Sintomas afetivos
- Aumento da auto-estima. O pct sente-se superior, melhor, mais potente, etc. 
- Elação. Sentimento de expansão e engrandecimento do eu. 
- Tendência exagerada a comprar objetos ou a dar seus pertences indiscriminadamente. 
- Irritabilidade. Pode ocorrer em graus variados, desde leve até franca agressividade. 
Afeto e modulação afetiva
A) Hipermodulação, habilidade, instabilidade, volubilidade: Dificuldade no controle dos afetos. Caracteriza-se por 
mudanças do humor frequentes e bruscas, que são desproporcionais. Os afetos atingem grande intensidade 
(exaltação afetiva), mas são de curta duração. O estado afetivo está continuamente oscilando e dá verdadeiros 
saltos.
B) Incontinência: distúrbio da regulação afetiva mais grave que a labilidade.
=> Como seu paciente se apresenta para você? 
(Aparência e Atitude) 
- Roupas coloridas, chamativas, muita maquiagem, perfume em excesso, roupas muito curtas e decotadas. Pode 
apresentar uma atitude expansiva, desinibida, jocosa; ou então irônica, arrogante, hostil. 	 Desinibição social e 
sexual. Leva o indivíduo a comportamentos inadequados em seu meio sociocultural; comportamentos que o 
paciente não realizaria fora da fase maníaca.
=> Qual seu nível de alerta? 
(Consciência)
- Obnubilação: lentidão da compreensão e dificuldade de concentração 
- Torpor: evidentemente sonolento, despertado apenas por estimulo enérgico, sobretudo de natureza dolorosa. 
- Coma: não é possível qualquer atividade voluntaria consciente.
(Atenção, Memória e Orientação) 
- Distraibilidade (hipervigil e hipotenaz): atenção voluntária diminuida e espontânea aumentada. 
=> Como fala e se expressa? 
(Pensamento)
- Curso: acelerado / taquipsiquismo (insônia por redução da necessidade do sono) 
- Forma: normal, fuga de idéias (dificuldades de entendimento no discurso) -> desagregação 
- Conteúdo: ideias de grandeza, poder, importância social. Podem chegar a configurar verdadeiros delírios. 
(Linguagem) 
Quantitativas => Taquilalia (produção verbal rápida); Loquacidade, fluente e persistente; logorréia (produção verbal 
muito rápida, fluente, com perda das concatenações lógicas); pressão para falar; tendencia irresistível de falar sem 
parar. 
Qualitativas => Ecolalia; coprolalia; mussitação. 
=> Como descreve suas sensações? 
(Sensopercepção) 
- Alucinações, geralmente auditivas, com conteúdos de grandeza. 
- Ilusões auditivas ou visuais. 
=> Como demonstra a afetividade e vontade? 
(Conação e psicomotricidade) 
- Hiperbulia 
- Agitação psicomotora
- Aumento de atividades voltadas a objetivos 
(aumento da carga e do volume de treinos até se 
lesionar) 
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4e estampas florais marcantes. Múltiplos 
acessórios de cores fortes. Maquiagem moderada. Batom 
vermelho, sobra azul. 
-> Higiene preservada. Idade cronológica congruente com 
idade aparente. Cabelos alinhados, vestes de cores 
neutras com casaco em estampa de animal e figura 
religiosa. Múltiplos acessórios de tamanho grande óculos 
escuros e chapéu também com pelos. Esmalte vermelho. 
ATITUDE 
- Como o paciente se porta na entrevista. 
- Engloba a fala, os gestos, a mímica e os demais movimentos corporais. 
- O examinador não deve provocar ativamente qualquer atitude no paciente => deve ser espontânea, para uma 
avaliação fidedigna. (Dinâmica; Contra-transferência) 
A) Atitude indiferente 
-> o pct não se sente incomodado pela entrevista ou presença do medico. 
B) Atitude manipuladora 
-> o pct tenta obrigas o medico a fazer o que ele, paciente, quer, muitas vezes por meio de ameaças ou chantagem 
emocional. 
C) Atitude submissa 
-> o pct, passivamente, atende a todas as solicitações do examinador. 
D) Atitude expansiva 
-> o pct deseja intensamente o contato social, e trata o medico como se fosse intimo dele
Anorexia nervosa Roupas largas e escuras
Demência Pode apresentar higiene e roupas descuidadas, dentes 
sujos, ausência de senso critico em relação à aparência. 
Depressão As vezes, roupas desalinhadas ou sujas, cabelos 
despenteados, higiene descuidada, sem maquiagem, 
preferência por roupas escuras. 
Esquizofrenia Nos pcts crônicos, pode-se notar higiene e roupas 
descuidadas e sujas, indiferença pela vestimenta; pode 
apresentar roupas e acessórios bizarros que expressam 
delírios (medalhas, colares e tiaras que podem ter 
s i g n i fi c a d o n o d e l í r i o ) o u d e s o r g a n i z a ç ã o 
comportamental. 
Mania Roupas coloridas, chamativas, muita maquiagem, 
perfume em excesso, roupas muito curtas e decotadas. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
E) Atitude amaneirada 
-> o comportamento é caricatural. Por exemplo: tratar o médico de “vossa excelência”, ou curvar-se. 
F) Atitude de oposição (ou negativista) 
-> o pct se recusa a participar da entrevista 
G) Atitude hostil 
-> o pct ofende, ameaça ou agride fisicamente o examinador. 
H) Atitude suspicaz (ou de desconfiança) 
-> “voce é mesmo medico?” / “ha microfones escondidos aqui?” / “porque o sr esta perguntando isso?"
I) Atitude reivindicativa 
-> o pct exige, de forma insistente, que aquilo que julga ser seu direito seja atendido. 
J) Atitude arrogante 
-> o pct sente-se superior e trata com desdém o medico 
K) Atitude evasiva 
-> o pct evita responder certas perguntas, sem se recusar explicitamente.
L) Atitude invasiva 
-> o pct deseja saber sobre a vida pessoal do examinador; mexe, sem pedir autorização nos objetos do consultório. 
M) Atitude de esquiva 
-> o pct não deseja ter contato social 
N) Atitude inibida (ou contida) 
-> o pct não encara o examinador, e demonstra estar pouco à vontade. 
O) Atitude desinibida 
-> o pct apresenta grande facilidade quanto ao contato social, não se sente constrangido ao falar até mesmo de sua 
vida sexual, podendo violar normas sociais e torna-se inconveniente. 
P) Atitude jocosa 
-> o pct esta frequentemente fazendo piadas ou brincadeiras com os outros 
Q) Atitude lamuriosa 
-> o pct queixa-se o tempo todo de seu sofrimento e demonstra autopiedade
R) Atitude gliscroide (ou viscosa) 
-> o cpt tem postura de grande e inadequado apego. 
Mania O pct maniaco pode apresentar uma atitude expansiva, 
desinibida, jocosa; ou então irônica, arrogante e hostil. 
Depressão É comum atitude lamuriosa. Todavia, o desinteresse 
pode levar a uma atitude de indiferença. 
Esquizofrenia Nos quadros em que predominam os sintomas negativos 
ou na catatonia, pode haver indiferença em relação ao 
exame. Nos quadros paranóias, observa-se uma atitude 
suspicaz, hostil, querelante, ou de fuga. É típica da 
hebefrenia uma atitude pueril. 
Delirium, demência. No delirium e quadros de demencia avançada, pode 
haver indiferença em relação ao exame, em função da 
não compreensão do significado deste. 
Retardo mental No retardo mental é muito caracter íst ico um 
comportamento pueril
Epilepsia Na epilepsia do lobo temporal, assim como em outros 
distúrbios cerebrais relacionados a essa região do 
cérebro, observa-se um comportamento gliscroide. 
Transtorno de personalidade Teatralidade. Costumam ser presentes também sedução, 
dramaticidade, simulação, puerilidade e manipulação. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
CONSCIÊNCIA 
Definição Neuropsicológica: 
- Grau de clareza do sensório (nível de consciência) 
- Estado de estar desperto, acordado, vígil, lúcido. 
Neuroanatomia
- Sistema ativador reticular ascendente; Lobo parietal; Áreas pré-frontais.
Alterações fisiológicas da consciência
#Sono 
- Estado especial da consciência, que ocorre de forma recorrente e cíclica nos organismos superiores. 
- Estado comportamental e uma fase fisiológica normal e necessária do organismo. 
- Núcleo supra-quiasmático
- Dividem-se as fases do sono em: 
a) Sono NREM -> sono sincronizado, sem movimentos oculares rápidos. 
b) Sono REM -> sono sincronizado, com movimentos oculares rápidos. 
Obs: Em uma noite normal de sono, as fases NREM e REM se repetem de forma cíclica a cada 70-110 minutos, com 4 
a 6 ciclos completos por noite. O sono se inicia com o tipo NREM, havendo a sucessão dos estágios de 1 a 4. 
#Sonho 
- Fenômeno associado ao sono, pode ser considerado uma alteração normal da consciência. 
- A maioria das pessoas sonha varias vezes durante uma noite, apenas nao lembra. São vivências principalmente 
visuais, sendo rara a ocorrência de percepções auditivas, olfativas ou táteis. 
“O sonho é um fenômeno psicológico extremamente rico e revelador de desejos e temores, ainda que de forma indireta 
e disfarçada.” - FREUD. 
Alterações patológicas da consciência
#Quantitativas 
A) Obnubilação 
- Rebaixamento de grau leve a moderado
- O pct pode ja estar claramente sonolento ou parecer desperto
- Há sempre lentidão da compreensão e dificuldade de concentração 
- Dificuldade para integrar as informações sensoriais do ambiente, confusão de pensamento. 
B) Torpor 
- Marcante turvação da consciência, no qual o paciente pode ser despertado apenas por estímulo enérgico, sobretudo 
de natureza dolorosa. 
- Evidentemente sonolento
- Embora ainda possa apresentar reações de defesa, é incapaz ação espontânea. 
- Psicomotricidade inibida 
C) Coma 
- Grau mais profundo de rebaixamento do nível de consciência 
- Não é possível qualquer atividade voluntária consciente 
- Sinais neurológicos podem ser verificados => movimentos oculares errantes, com desvios lentos e aleatórios, 
nistagmo; anormalidades dos reflexos oculocefálicos; ausência do reflexo de acomodação; rigidez de decorticação e 
descerebração. 
#Qualitativas 
A) Estados Crepusculares 
- Estado patológico transitório no qual uma obnubilação da consciência (mais ou menos perceptível) 
- Relativa conservação da atividade motora (atos automáticos) 
- Atos explosivos violentos e episódios de descontrole emocional grave (implicações legais de interesse à psicologia e 
à psiquiatria forense) 
- Geralmente ocorre amnésia lacunar para o episódio inteiro 
- Descrito em várias condições etiológicos (epilepsia, intoxicação por álcool ou outras substâncias, traumatismo 
craniano) 
B) Estado segundo 
- Considerado por alguns psicopatólogos como intercambiável/semelhante ao estado crepuscular
- Diferencia-se pela atividade estranha à personalidade do sujeito acometido => incongruentes, extravagantes, em 
contradição com a educação, as opiniões ou a conduta habitual do sujeito acometido, mas quase nunca são 
realmente graves ou perigosos. 
- Choques emocionais => aproximação com dissociação 
C) Dissociação da consciência 
- Fragmentação da consciencia 
- Estado semelhante ao sono (ganhando o caráter de estado onírico), geralmente desencadeada por acometimentos 
psicologicamente significativos (conscientesou inconscientes) que geram grande ansiedade para o paciente. 
- Essas crises duram de minutos a horas, raramente permanecendo por dias. (Alguns classificam aqui as crises 
epilépticas conversivas) 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
#Síndromes e transtornos psiquiátricos 
1. Transtorno de estresse pós traumático - DSM 5 
-> Senso de realidade alterado acerca de si mesmo ou do ambiente ao redor. 
-> Ver-se a partir da perspectiva de outra pessoa, estar entorpecido, sentir como se tivesse em câmera lenta. 
-> Incapacidade de recordar um aspecto importante do evento traumático. 
2.Delirium 
-> Distúrbio da consciência, atenção, cognição e percepção. 
-> Reversível e pode ser consequência direta de uma condição médica
-> Síndrome de intoxicação ou abstinência, causada por uso de drogas mesmo em concentração terapêutica, 
exposição a toxinas ou a combinação destes fatores. 
*Confusion Assessment Method in a Intensive Care Unit* 
ATENÇÃO: não se deve confundir DELIRIUM (quadro ãsindromico por alteração do nível de consciência, em pct com 
distúrbios cerebrais agudos) com o termo “DELIRIO” (ideia delirante; alteração do juízo da realidade encontrada 
principalmente em psicóticos). 
3. Narcolepsia 
-> Transtorno neurodegenerativo crônico caracterizado por sonolência excessiva (SE) e manifestações dissociativos do 
sono REM, como cataplexia, paralisia do sono, alucinações hipnagógicas e sono REM precoce. 
-> Plataforma genética autoimune específica com perda neuronal. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Aula 03: Atenção, memória e orientação. 
#Atenção 
- Conjunto de processos psicológicos que torna o ser humano capaz de selecionar, filtrar e organizar as informações 
em unidades controláveis e significativas.
- Função responsável pelo direcionamento da consciência, estando as duas estreitamente relacionadas!consciência 
essencial para a avaliação da atenção 
Obs: A atenção não é constante, e influencia o grau de clareza com que conseguimos perceber as coisas 
Divisões
A) Interna -> direcionada para o próprio eu 
B) Externa -> fora do mundo subjetivo do sujeito
C) Espontânea -> passiva / incidental
D) Voluntária -> ativa e requer esforço
E) Tenacidade -> capacidade do individuo de fixar sua atenção sobre determinada área ou objeto (Prende-se a 
estímulo, fixando-se sobre ele; REFERÊNCIA VOLUNTÁRIA; hipo x hipertenaz) 
F) Vigilância -> qualidade da atenção que permite ao indivíduo mudar seu foco de um objeto para outro 
(REFERÊNCIA ESPONTÂNEA; hipo x hipervigil) 
Capacidade de foco de atenção
- Experiência subjetiva de concentração 
- Flutuando em função de: Fatores extrínsecos (valor dos estímulos, demandas de respostas predominantes) / 	
Fatores intrínsecos (estado afetivo e grau de motivação) / Fatores estruturais (velocidade de processamento e 
capacidade de memória).
- A capacidade de focalizar a atenção relaciona-se diretamente com o número de operações mentais que precisam 
ser realizadas ao mesmo tempo e com a dificuldade das tarefas. 
Hábito e sensibilização 
- Fisiológico: Padrão de respostas motoras, do sistema nervoso autônomo (excitação fisiológica) e da atividade 
elétrica cerebral, que indica que o organismo entrou em certo estado de alerta, de prontidão, pronto para captar o 
estímulo e a ele responder.
- "Hábito": Se tal estímulo se dá de forma contínua ou repetitiva, ele deixa de desencadear a resposta de orientação.
- “Sensibilização”: ocorre quando, devido à natureza ou ao contexto do estímulo, o organismo passa a se excitar mais 
com a repetição do estímulo, aumentando a prontidão geral de resposta.!TEPT 
Neuropsiquiatria da atenção (principais estruturas do SN relacionadas) 
- Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA: nível de consciência básico para manter a vigilância necessária aos 
processos de atenção). 
- Tálamo: filtram os sinais enviados pelo SRAA e os projetam para o córtex (exceto as áreas sensoriais primárias)
- Córtex (parietal posterior direito (não-dominante), pré-frontal, o giro cingulado anterior, lobo temporal medial do 
sistema límbico. 
Alterações quantitativas 

A) Hiprosexia (diminuição global da atenção) 
- Perda básica da capacidade de concentração com fatigabilidade aumentada, Dificulta a percepção dos estímulos 
ambientais e a compreensão, Lembranças tornam-se mais difíceis e imprecisas, Dificuldade crescente em todas as 
atividades psíquicas complexas, como o pensar, o raciocinar, a integração de informações, etc. 
B) Aprosexia (total abolição da capacidade de atenção, por mais fortes e variados que sejam os estímulos utilizados) 
C) Hiperprosexia (estado da atenção exacerbada, no qual ha uma tendencia incoercível a obstinar-se, a deter-se 
indefinidamente sobre certos objetos com surpreendente infatigabilidade. 
Alterações qualitativa
Mobilidade da atenção: 
A) Distração / rigidez da atenção => atenção espontânea reduzida (hipovigil / hipertenaz) 
B) Distraibilidade / labilidade da atenção => atenção espontânea aumentada (hipervigil / hipotenaz) 
Distúrbios neurológicos e neuropsicológicos
- Encefalopatias metabólicas (por alteração de 
níveis de oxigênio, glicose e do equilíbrio 
eletrol í t ico, acúmulo de cataból itos), 
Meningoencefalites, Acidentes vasculares 
cerebrais, Demências (deterioração cognitiva 
progressiva), Delirium (Síndrome na qual há 
alteração da consciência e da atenção). 

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#Memória 
- Coleção de habilidades mentais produzidas por uma série de subsistemas dentro do SNC. 
 (Recepção => Manejo => Armazenamento => Recuperação) 
Codificação - 	processo em que o SNC adquire e produz uma representação mental a ser posteriormente 
armazenada. 	 Baseia-se em estabelecer relações entre novas e antigas informações. 
Retenção - processo pelos quais as informações já codificadas são mantidas disponíveis no SNC ao longo do 
tempo. 
Recuperação - Quando elas são recuperadas, para que sejam úteis. 

Processo temporal de aquisição e evocação 
Imediata (poucos segundos até 1-3 minutos) -> Capacidade de reter o material (palavras, números, imagens, etc.) 
imediatamente após ser percebido. Capacidade limitada e depende da concentração, da fatigabilidade e treino. 	
Integridade das áreas pré-frontais. 
Recente ou de curto prazo (de poucos minutos até 3-6 horas) -> Capacidade de reter a informação por curto 
período. Depende de estruturas cerebrais das partes mediais dos lobos temporais, do hipocampo. 
Remota ou de longo prazo (de meses até muitos anos) -> Capacidade de evocação de informações e 
acontecimentos ocorridos no passado, geralmente após muito tempo do evento (pode durar por toda a vida). Bem 
mais ampla que a imediata e a recente. Potencialização neuronal. 

Recuperação em relação a evento temporalmente específico 
Anterógrada -> incapacidade de formar memórias a partir de um evento lesional em diante. 
Retrógrada -> incapacidade de recordar memórias de eventos anteriores ao evento lesional (em geral, poucos dias). 
-> Útil ao se analisar lesões cerebrais
-> Amnésias retrógrada isolada, sem componente anterógrado normalmente sugere hipótese diagnóstica não orgânica 
(Dissociativa).
-> É comum, após trauma cranioencefálico, a ocorrência de amnésias retroanterógradas, ou seja, déficits de fixação 
para o que ocorreu dias, semanas ou meses antes e depois do evento patógeno. 
Caráter consciente ou não-consciente do processo mnênmico 
Memória declarativa -> fatos, eventos e conhecimentos que são memorizados, sendo possível, inclusive, declarar 
verbalmente de que forma foram memorizados. Sempre explícita (plenamente consciente). Eventos autobiográficos e 
conhecimentos gerais. 
Memória não-declarativa -> hábitos e capacidades, em geral motores, sensoriais, sensório-motores ou 
eventualmente lingüísticos, sobre os quais é difícil declarar como são lembrados. deve-se agir, nadar um pouco, 
pegar o violão e tocar uma música para demonstrar (inclusive para si mesmo) que tais coisas são lembradas.Segundo a estrutura cerebral envolvida 
 Memória de trabalho -> Combinação de habilidades de atenção (capacidade de atenção e 

de concentração) e da memória imediata. Explícita e declarativa. Curto período de tempo (poucos segundos até, no 
máximo, 1 a 3 minutos), a fim de serem manipuladas, com o objetivo de selecionar um plano de ação e realizar 
determinada tarefa. Gerenciador da memória. Requer mecanismos neurais adequados à seleção de informações 
pertinentes para a tomada de resposta adequada. Regiões corticais pré-frontais e zonas visuais de associação; 
Broca e Wernicke. 
Memória episódica -> Relacionada a eventos específicos da experiência pessoal do indivíduo, ocorridos em 
determinado contexto. Memória explícita e declarativa. Eventos concretos, comumente autobiográficos, bem-
circunscritos em determinado momento e local. Regiões da face medial dos lobos temporais, particularmente o 
hipocampo e os córtices entorrinal e perirrinal. 
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Memória semântica -> Diz respeito ao registro e à retenção de conteúdos em função do significado que têm. 
Explícita/ Declarativa. Memória de longo prazo. Conhecimento de objetos, fatos, operações matemáticas, assim 
como das palavras e seu uso. Regiões inferiores e laterais dos lobos temporais, sobretudo no hemisfério esquerdo. 
Memória de procedimento -> Manifesta-se tipicamente por ações motoras e desempenho de atividades e não 
pode ser expressa por palavras (tornando-se consciente apenas com esforço). Protótipo do tipo de memória 
Implícita e não-declarativa, relacionada a habilidades, mas, durante a aquisição da habilidade, pode ser explícita ou 
implícita, sem que se perceba o que está fazendo). Aqui a memorização ocorre de forma lenta, por meio de 
repetições e múltiplas tentativas. Relacionada com o sistema motor e/ou sensorial específico envolvido na tarefa. As 
principais áreas envolvidas são a área motora suplementar (lobos frontais), os gânglios da base e o cerebelo. 
Alterações QUANTITATIVAS 
1. Amnésia/Hipomnésia -> capacidade de fixar ou manter e evocar antigos conteúdos mnêmicos. 
2. Hipermnésia -> as representações (elementos mnêmicos) afluem rapidamente, em tropel, ganhando em número, 
perdendo, porém, em clareza e precisão. 
Alterações QUALITATIVAS: 
1. Paramnésias ou ilusões mnêmicas -> Neste caso, há o acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro 
de memória. Por isso, a lembrança adquire caráter fictício. 
2. Confabulações -> elementos da imaginação do doente ou mesmo lembranças isoladas completam artificialmente 
as lacunas de memória. Podem ser induzidas ou direcionadas pelo examinador. 
3. Criptomnésias -> Trata-se de um falseamento da memória, em que as lembranças aparecem como fatos novos ao 
paciente, que não as reconhece como lembranças, vivendo-as como uma descoberta. 
4. Déjà-vu -> O indivíduo tem a nítida impressão de que o que está vendo, ouvindo, pensando ou vivenciando no 
momento já foi experimentado no passado. 
5. Jamais-vu -> O doente, apesar de já ter passado por determinada experiência, tem a nítida sensação de que 
nunca a viu, ouviu, pensou ou viveu. 
#Orientação 
- A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente (tempo e espaço) 
- Integração das capacidades de atenção, sensopercepção e memória. 
- Excepcionalmente vulnerável aos efeitos da disfunção ou do dano cerebral. 
Obs: A “desorientação" é um dos sintomas mais frequentes das doenças cerebrais. 
Autopsiquica
=> Orientação do indivíduo em relação a si mesmo. Revela se o sujeito sabe quem é: nome, idade, data de 
nascimento, profissão, estado civil, etc. 
Alopsíquica
=> Diz respeito à capacidade de orientar-se em relação ao mundo, isto é, quanto ao espaço (orientação espacial) e 
quanto ao tempo (orientação temporal). 
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Aula 04: Pensamento, linguagem e juízo crítico de realidade. 
#Pensamento 
- Antecipação de acontecimentos, construção de modelos da realidade e simulação do seu funcionamento. 
Atividades fundamentais do pensamento: 
A) Conceito -> identifica os atributos ou qualidades mais gerais e essenciais de um objeto ou fenômeno. É expresso 
por uma palavra. Está relacionado a abstração e generalização. 
B) Juízo -> estabelece uma relação entre dois ou mais conceitos. Consiste no ato da consciência de afirmar ou negar 
algum atributo ou qualidade a um objeto ou fenômeno. 
C) Raciocínio -> Representa uma operação mental que relaciona juízos, levando à formação de novos juízos (ou 
conclusões). Por exemplo: “Todo homem é mortal”; “Sócrates é um homem”, portanto “Sócrates é mortal”. 
Aspectos do pensamento:
A) Curso (quantitativa) -> Refere-se à velocidade e ritmo do pensamento, à quantidade de ideias ao longo do tempo. 
B) Forma (qualitativa) -> Estrutura do pensamento, à relação entre as ideias. 
C) Conteúdo (qualitativa) -> Diz respeito à temática do pensamento, às qualidades ou características das ideias. 
=> CURSO (Quantitativa) 
1. Aceleração do curso do pensamento (taquipsiquismo) 
- Pct fala mais rápido; há uma maior produtividade ideativa; maior velocidade no processo associativo. 
- Mania; ansiedade; TDAH; intoxicação por anfetaminas. 
2. Alentecimento do curso do pensamento (retardo, inibição do pensamento ou bradipsiquismo) 
- Pct fala mais devagar; redução do número de idéias e representações; inibição do processo associativo. 
- Depressão; demencia; delirium; esquizofrenia catatônica. 
3. Interrupção do curso (bloqueio do pensamento) 
- Abruptamente, e sem qualquer motivo aparente, o pct interrompe sua fala, deixando de completar uma ideia. Apos 
um intervalo, que varia entre poucos minutos-horas, o pct pode completar o pensamento interrompido ou, o que é 
mais frequente, inicia um outro ciclo de pensamento, inteiramente diverso do anterior. A vivencia do pct é a de que o 
fluxo do seu pensamento cessou ou rompeu-se, resultando num branco, num vazio em sua mente. 
- Esquizofrenia e demência. 
=> FORMA (Qualitativa) 
1. Associação frouxa de idéias 
- Dificuldade na concatenação ou encadeamento do discurso, sendo ainda possível, porém, o seu entendimento. 
- Embriaguez alcoólica, demência. 
2. Fuga de idéias 
- Variação rápida e incessante de tema, com preservação da coerência do relato e da lógica na associação de ideias. 
Progressivo afastamento da ideia-alvo. (Mas diversas ideias-alvo se sucedem em um pequeno espaço de tempo). 
Facilmente desviado por estímulos externos. Associação por assonância (rimas) ou aliteração (repetição de 
consoantes) das palavras. Quase sempre associada a lagarteia e aceleração do curso do pensamento. 
- Típica da síndrome maníaca primaria, intoxicação por cocaína ou anfetamina, na embriaguez alcoólica, neurosífilis. 
Ex: “Você foi o médico do meu marido. Ele voou pela janela. Minha irmã também se matou. Também pulou pela janela. 
Ela se tratava com o doutor Pitta. Ele devia se chamar doutor ‘Apita’. Aí ele apitava, e todos os doentes pulavam pela 
janela.
Ex: “Vou para a Igreja, sou adventista, não uso brinco, mas brinco com meu filho, meu cabelo é curto, não uso batom 
vou ficar orando e vou ver meu filho. Sou muito mais normal que muitos.” 
3. Desagregação do pensamento 
- Perda do sentido lógico na associação de ideias. Há a formação de associações novas, que são incompreensíveis, 
irracionais e extravagantes. (altera-se a sintaxe do discurso, que se torna incoerente, fragmentado e, muitas vezes, 
ininteligível.). Sobram apenas “pedaços” de pensamentos, conceitos e idéias fragmentadas, muitas vezes 
irreconhecíveis, sem qualquer articulação racional. 
- Esquizofrenia e demência
4. Prolixidade 
- Discurso repleto de detalhes irrelevantes, o que o torna tedioso; O paciente apresenta dificuldades em responder de 
forma direta e objetiva a uma pergunta. Decorre de uma incapacidade de síntese, de distinguir o essencial do 
acessório. 
- Transtornos de personalidade

=> CONTEÚDO 
1. Concretismo (pensamento empobrecido) 
- Caracteriza-sepor um discurso pobre em conceitos abstratos, em metáforas e analogias. Intensa adesão ao nível 
sensorial e imediato da experiência. Dificuldades em entender ou interpretar além do literal. 
- Demencia, delirium, no retardo mental e na esquizofrenia. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
*Ideias delirantes e o juízo critico da realidade* 
-> Juízos patologicamente falsos 
-> “Através dos juízos, discernimos a verdade do erro. Através do juízo de realidade, 

distinguimos o que é real do que é fruto de nossa imaginação”. Pode-se afirmar que um juízo que coincide com a 
realidade é delirante quando há uma incoerência entre a crença e as evidências apresentadas para justificá-la. Por 
exemplo: o indivíduo que realmente está sendo traído descobre que a mulher lhe é infiel ao ouvir um cachorro latindo. 
(mas isso não é obrigatório para se considerar um delírio. 
Definição clássica de delírio Karl Jaspers por características externas:
#Convicção extraordinária + Não susceptibilidade à influência 
- Certeza subjetiva absoluta
- Impossibilidade de modificação diante do desmentir dos fatos ou da refutação rigorosa (é incorrigível) 
- Na pratica clinica, contudo, em contradição com a definição clássica, observa-se que a intensidade da crença 
delirante pode flutuar, e que certos pacientes expressam dúvida em relação à sua veracidade (afrouxamento). 
#Conteúdo impossível 
- Critério bastante criticado mas que permaneceu definitivo. 
- O juízo falso é impossível e irracional quando está relacionado a um erro lógico (tornar existente o que não existe e 
não pode existir). Ex: Acreditar estar na Terra e na Lua ao mesmo tempo. Trata-se de uma impossibilidade. 
- Mas nem todo juízo falso é impossível, somente improvável. “A maior parte dos delírios tem um conteúdo possível, 
embora improvável; e, em alguns casos, o conteúdo ou ideia central do delírio é, por mero acaso, verdadeiro.” 
DELÍRIO 
Exemplo 1:
-> Adolescente de 17 anos, após largar as aulas, recusa-se a se alimentar, relatando que é observada e manipulada por extra- terrestres 
através de um chip em sua garganta, e que, por isso, não consegue engolir. Diz que eles a visitam a noite e que tem medo deles, pois 
algumas vezes eles tem sucesso em manipulá-la induzindo a fugir de casa e enforcar-se. 
Obs: A paciente era evangélica antes do início do quadro, afastando-se também da igreja. Apresentava outras alterações 
comportamentais e afetivas. 
Exemplo 2:
-> Senhora de mais de 50 anos morava sozinha desde sua separação conjugal. Havia alguns anos que ela não tinha mais contato com 
o ex marido, que estava agora casado com uma mulher bem mais jovem que ela. A paciente, quando chegava em casa do trabalho, 
notava que alguns objetos estavam fora de lugar. Ela acreditava que, quando saía de casa, o ex-marido entrava em seu apartamento 
(sem ser visto por ela) e tirava de lugar tais objetos, para que ela pensasse que estava perdendo a memória e ficando “maluca”. 
Segundo ela, o porteiro estava envolvido nesse plano, pois ele avisava a seu ex-marido quando ela saía, assim como um chaveiro, que 
tinha feito uma cópia da chave de seu apartamento para o invasor. Também faziam parte da trama o síndico do edifício e diversas 
outras pessoas, todos judeus. O objetivo deles era fazer com que ela ficasse nervosa e desesperada, e, assim, vendesse seu 
apartamento por um baixo preço para um dos conspiradores, que então teria um grande lucro financeiro. Nenhuma das ideias 
formuladas pela paciente era absurda, todavia as chances de todas elas terem sido verdadeiras eram, na prática, desprezíveis. 
Exemplo 3: 
-> “No romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, o personagem Bentinho apresentava um típico delírio de ciúmes. A estória é 
narrada pelo próprio Bentinho, que julgava ter sido traído por sua esposa, Capitu, com o melhor amigo dele, Escobar. No relato, 
aparecem alguns indícios dessa infidelidade: uma vez, chegando na casa onde vivia com Capitu, Bentinho encontra Escobar saindo 
de lá; Capitu chora muito no velório de Escobar, que morrera afogado; e o filho de Bentinho e Capitu era supostamente muito 
parecido com Escobar. Com base em evidências meramente circunstanciais – há mais de um século os leitores vêm discutindo se 
Capitu era culpada ou não. -> Bentinho tinha uma crença inabalável quanto a ter ocorrido a traição, ou seja, há uma 
desproporção entre os fatos relatados pelo próprio acusador e o nível de convicção que este apresenta. Dessa forma, fica bem 
caracterizado o delírio, não importando se houve mesmo o adultério ou não.” 
Classificações
A) Primário 
- Ideia delirante autêntica., isto é, não deriva de nenhuma outra manifestação psíquica patológica. Está relacionado a uma profunda 
transformação da personalidade. Classicamente, seria exclusivo da esquizofrenia 
B) Secundário 
- Origina-se psicologicamente de outras manifestações psíquicas patológicas, tais como alterações do humor, da sensopercepção e da 
consciência. São exemplos de delírios secundários: as ideias de culpa na depressão – a tristeza vital é considerada primária, as ideias 
de grandeza na mania, as ideias de perseguição no delirium tremens etc. 
C) Sistematizados
- Há uma maior coerência interna entre as ideias, uma maior organização e consistência. Encontra-se uma rede de argumentações 
lógicas e compreensíveis. Esse tipo é característico do transtorno delirante. 
D) Não sistematizados 
- Fragmentários, caóticos, desarticulados e sem concatenação. Por exemplo, o indivíduo afirma que querem matá-lo, mas não é capaz 
de dizer como descobriu isso, nem consegue dar qualquer informação sobre os autores, meios e motivos do crime. Os delírios desse 
tipo são característicos da esquizofrenia. 
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Temas
- No delírio de negação (ou niilista), o paciente afirma que já morreu; seus órgãos apodreceram, pararam de funcionar ou não 
existem mais; que o coração não está batendo; ou que o mundo acabou. Isso pode ocorrer na depressão e na esquizofrenia. 
Especialmente quando associado a ideias de imortalidade e de enormidade, esse quadro é denominado síndrome de Cotard. 
- O delírio místico envolve temas religiosos, espíritos etc. O indivíduo diz que é Jesus Cristo, que pode fazer milagres, que Deus lhe 
deu uma missão, ou que vai fundar uma nova religião. No delírio de possessão, que pode ser aqui incluído, o doente julga que um 
espírito entrou em seu corpo e assumiu o controle de seus atos. 
- O delírio fantástico envolve temas extraordinários, ou de extrema grandiosidade. Por exemplo: uma paciente que afirma ter parido 
todas as pessoas que existem no mundo.
- No delírio de culpa (ou autoacusação), característico da depressão, o paciente acredita que cometeu pecados terríveis, ou mesmo 
crimes, em seu passado, e que merece ser punido. Ele supervaloriza pequenas falhas que cometeu, ou pensa ter influenciado o 
acontecimento de grandes catástrofes. 
- No delírio de grandeza, o doente acredita ser muito rico e poderoso, ou possuir habilidades e talentos especiais. Tal conteúdo de 
delírio é típico da mania – primária ou secundária –, mas pode ocorrer também em outros quadros psicóticos, como a 
esquizofrenia. 
Linguagem e Pensamento: 
- Intimamente relacionados, mas distintos. Podem ocorrer perturbações do pensamento não associados a perturbações da fala, e vice-
versa. Podem existir pensamentos sem linguagem, assim como palavras não associadas a pensamentos. Molda o pensamento e é 
fundamental para sua elaboração e expressão. Não faz parte da psicopatologia o estudo dos distúrbios restritos ao aparelho fonador, 
isto é, as perturbações no processo mecânico da fala. (Disartrias, dislalias) 
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Aula 05: Sensopercepção
Introdução
- Autorregulação de informações vindas do ambiente e organização de ações voltadas à sobrevivência ou à interação social. 
- Sensação (Passivo): fenômeno elementar gerado por estímulos originados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações 
nos órgãos receptores- Percepção (Ativo): tomada de consciência, pelo indivíduo, do estímulo sensorial. identificação, reconhecimento e discriminação 
dos objetos. É o que dá significação às sensações. 
#Imagem Perceptiva Real
1. Nitidez -> A imagem é nítida, seus contornos são precisos 
2. Corporeidade -> A imagem é viva, corpórea, tem luz, brilho e cores vivas 
3. Estabilidade -> A imagem percebida é estável, não muda de um momento para outro 
4. Extrojeção -> A imagem, provinda do espaço exterior, também é percebida neste espaço) 
5. Ininfluenciabilidade voluntária -> O indivíduo não consegue alterar voluntariamente a imagem percebida 
6. Completitude -> A imagem apresenta desenho completo e determinado, com todos os detalhes diante do observador. 
#Imagem Representativa / Mnémica
1. Pouca nitidez -> Contornos, geralmente, são borrados 
2. Pouca corporeidade -> A representação não tem a vida de uma imagem real 
3. Instabilidade -> A representação aparece e desaparece facilmente do campo de consciência) 
4. Introjeção -> A representação é percebida no espaço interno 
5. Incompletude -> A representação demonstra um desenho indeterminado, apresentando-se geralmente incompleta e apenas com 
alguns detalhes. 
VARIAÇÕES E ALTERAÇÕES:
=> Pareidolias; Agnosia; Hiperestesias; Hipoestesias; Disestesias; Ilusões; Dismegalopsias; Alucinações. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
#Semiotécnica
- Perguntas diretas ao paciente quanto a ouvir vozes ou ter visões têm valor limitado!Angústia, dissimulação, simulação. 
Como abordar (Dalgalarrondo)
A) Alucinações auditivas: Tem observado coisas que não consegue explicar? Ouvido coisas que só você escuta? Tem ouvido vozes 
de pessoas estranhas ou desconhecidas? Ouve vozes sem saber de onde vêm? São ruídos, murmúrios ou vozes? Entende o que 
dizem as vozes? Elas vêm de perto ou de longe? O volume é alto ou baixo? São pessoas conhecidas ou desconhecidas? São 
vozes de homens, de mulheres ou de crianças? As vozes vêm de dentro da cabeça ou de fora do corpo? Por qual dos dois ouvidos 
ouve as vozes? Tem medo? Por quê? 
B) Alucinações visuais: Tem visto algo estranho, que lhe chamou a atenção? Descreva pra mim. O que acha que é? 
C) Gustativas ou olfativas: Tem notado sabor ou cheiro ruim na comida? O que acha que pode estar havendo? 
D) Táteis e cenestésicas: Sente algo estranho em seu corpo? 
Observação da atitude do paciente
=> São indícios de atividade alucinatória:
- Atenção comprometida (o paciente parece estar prestando atenção em outra coisa que não as perguntas do examinador); 
- Mudanças súbitas da posição da cabeça; fisionomia de terror ou de beatitude; proteção dos ouvidos, olhos, narinas ou órgãos 
genitais com as mãos, algodão ou outro material 
- Solilóquios e risos imotivados 
- O olhar fixo em determinada direção, desvios súbitos do olhar, movimentos defensivos 
com as mãos (visuais) 
- A recusa sistemática de alimentos (gustativas e olfativas) 
- Movimentos das mãos como que afastando algo da superfície do corpo (cutâneas) 
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Aula 06: Afetividade e suas alterações
Definições:
- Cor, brilho e calor a todas as vivencias humanas 
- Experiência que afeta a totalidade individual e que cruza “a fronteira entre a percepção e a afeição, entre a sensação e o 
sentimento, entre o saber e o sentir” => afetiva 
- Compreende várias modalidades de vivencias afetivas. 
*Distinguem-se cinco tipos básicos de vivências afetivas:
• Humor (estado de ânimo); Emoções; Sentimentos; Afetos; Paixões. 
#Vivências Afetivas
1. Humor ou estado de ânimo
- Definido como o tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional em que se encontra a pessoa em determinado 
momento.
- Disposição afetiva “de fundo” com caráter mais duradouro 
- Ausência de intencionalidade no sentido de não se dirigir a um objeto ou situação, mas ser difuso, global. 
"Segundo Paim (1986), no estado de ânimo (ou humor), há confluência entre a vertente somática e a vertente psíquica, 
que se unem de maneira indissolúvel para fornecer um colorido especial à vida psíquica momentânea. Em boa parte, o 
humor é vivido corporalmente e relaciona- se de forma considerável às condições vegetativas do organismo.”
2. Emoções 
- Reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas por estímulos significativos. 
- Estado afetivo intenso, de curta duração. 
- Reativas a certas excitações internas ou externas, conscientes ou inconscientes. 
- São frequentemente acompanhadas de reações somáticas (neurovegetativas, motoras, hormonais, viscerais e 
vasoôotoras), mais ou menos específicas. 
3. Sentimentos 
- Configurações afetivas estáveis, em relação as emoções, são mais atenuados em sua intensidade e menos reativos 
a estímulos passageiros. 
- Associados a conteúdos intelectuais, valores, representações e, em geral, não implicam concomitantes somáticos. 
- Constituem fenômeno muito mais mental que somático. 
- Dependem da existência, na língua e na cultura de cada povo, de palavras que possam codificar este ou aquele 
estado afetivo. 
4. Afetos 
- Cheniaux => Termo pode ser usado para designar genericamente os elementos da afetividade, incluindo emoções, 
sentimentos e humor; mas, outras vezes, é empregado como sinônimo de emoção.
- Dalgalarrondo => Define-se afeto como a qualidade e o tônus emocional que acompanha uma ideia ou 
representação mental.
- Prática clínica => “o que você demonstra acerca de suas emoções”. 
5. Paixões 
- Estado afetivo extremamente intenso 
- Domina a atividade psíquica como um todo, captando e dirigindo a atenção e o interesse do individuo em uma só 
direção, inibindo os demais interesses. 
- Impede o exercício de uma lógica imparcial. 
#Variações do Humor 
- Distimia (sintoma) => Hipertimia x Eutimia x Hipotimia. 
*Exaltação (sensação subjetiva de grandeza e de poder) 
*Euforia (estado de alegria patológica desproporcional às circunstâncias)
Variação qualitativa 
*Disfórico => componente de irritação, amargura, desgosto ou agressividade. 
*Ansioso => estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação a inquietação interna desagradável. 
(Inclui manifestações somáticas e fisiológicas (dispnéia, taquicardia, vasoconstrição ou dilatação, tensão muscular, 
parestesias, tremores, sudorese, tontura, etc.) e manifestações psíquicas (inquietação interna, apreensão, desconforto 
mental, etc.)
*Pueril => alteração do humor que se caracteriza pelo aspecto infantil, simplório, regredido. Sem afetos profundos, 
consistentes e duradouros. (Esquizofrenia) 
Semiotécnica das vivências afetivas:
- Comunicação não-verbal (atitude: mimica, olhar, gestos, postura, tom de voz)
- Semiotécnica => Humor + congruência com afeto (atitude) + modulação 
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#Variações do Afeto 
Modulação afetiva: capacidade de modular a resposta afetiva de acordo com a situação de cada momento. 
HIPOMODULAÇÃO (normalmente acompanhadas de humor hipotímico): 
*Apatia => é a diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. Os pacientes queixam-se de não poderem sentir nem 
alegria, nem tristeza, nem raiva, nem nada. Apesar do individuo saber da importância afetiva que determinada 
experiência deveria ter para ele, não consegue sentir nada. 
*Embotamento => perda profunda de todo tipo de vivência afetiva. Ao contrário da apatia, que é basicamente 
subjetiva, o embotamento afetivo é observável, constatável por meio da mimica, da postura e da atitude do paciente. 
HIPERMODULAÇÃO; labilidade; instabilidade; volubilidade
- Dificuldade no controle dos afetos. Caracteriza-se por mudanças do humor frequentes e bruscas, que são 
desproporcionais. Os afetos atingem grande intensidade (exaltação afetiva), mas são de curta duração. O estado 
afetivo está continuamente oscilando e dá verdadeiros saltos. 
INCONTINÊNCIA
- Distúrbio da regulação afetiva mais grave que a labilidade. Perda completa da capacidade de controle da expressão 
afetiva; existe uma falha de certos mecanismos fretadores, inibitórios, adquiridos na educaçãoe no convívio social. 
As reações afetivas são produzidas com grande facilidade, são exageradas, desproporcionais ao estímulo e 
prolongam-se em demasia. 
INDIFERENÇA AFETIVA
- Trata-se de certa frieza afetiva incompreensível diante dos sintomas que o paciente apresenta (p. Ex: paralisia 
psicogênica das pernas, somatizações, perda psicogência da voz e visão) 
INADEQUAÇÃO AFETIVA (paratimia) 
- Reação completamente incongruente a situações existenciais ou a determinados conteúdos ideativos, revelando 
desarmonia e contradição (p. Ex: o paciente, rindo, conta que foi torturado na noite anterior) 
AMBITIMIA (ambivalência afetiva) 
- Representa a presença de sentimentos opostos ou contraditórios que são simultâneos e que se referem ao mesmo 
objeto, pessoa ou situação. Sentimentos que ocorrem de modo absolutamente simultâneo. Assim, o indivíduo sente, 
ao mesmo tempo, ódio e amor, rancor e carinho por alguém.
NEOTIMIA
- É a designação para sentimentos e experiências afetivas inteiramente novos vivenciados por pacientes em estado 
psicótico. São afetos muito estranhos e bizarros para a própria pessoa que os experimenta. Faz parte da experiência 
peculiar e radicalmente diferente da esquizofrenia.
…O afeto nas condições psiquiátricas…
#Mania 
- Alegria (euforia ou hiperforia) ou irritabilidade patológicas (exaltação afetiva) 
- Labilidade ou incontinência afetiva
#Depressão 
- Tristeza patológica (hipotimia), que costuma ser caracterizada como uma tristeza vital. 
- Em alguns pct, podem ocorrer ansiedade ou irritabilidade intensas
- Hipomodulação afetiva 
#Esquizofrenia 
- O embotamento afetivo está entre os sintomas negativos da esquizofrenia. Em quadros delirantes ou de grande 
agitação, a ansiedade pode ser proeminente. Pode ocorrer paratimias, ambitimias e neotimias.
#Demência 
- Labilidade ou incontinência afetiva, mas também pode ocorrer rigidez afetiva. Nos estágios mais avançados, 
observa-se embotamento afetivo. Ansiedade, tristeza e irritabilidade são frequentes. 
#Transtorno de personalidade borderline 
- Labilidade ou incontinência afetiva
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Aula 07: Conação e Psicomotricidade 
CONAÇÃO 
-> conjunto de atividades psíquicos direcionadas para a ação. 
*Impulso (vivencia afetiva, que induz o individuo a atuar no sentido de satisfazer necessidade corporal, de expressão, 
conhecimento ou criação). 
*Instinto (Predisposições inatas à realização de comportamentos estereotipados, compartilhados pelos animais de 
uma mesma espécie, e que servem à conservação da vida ou à perpetuação da espécie). 
*Vontade (Processo psíquico de escolha de uma entre várias possibilidades de ação, uma atividade consciente de 
direcionamento da ação, influenciada por fatores intelectivos e socioculturais). 
#Processo Volitivo 
1) Intenção ou propósito 
- Representada por tendência para a ação, e está intimamente relacionada aos impulsos. 
2) Deliberação ou análise 
- Ponderação consciente a respeito das alternativas de ação, sendo analisados os aspectos positivos e negativos , 
assim como as possíveis implicações de cada uma. 
3) Decisão 
- Representa a opção por uma dessas alternativas de ação. 
4) Execução 
- Atividade psicomotora. 
Alterações “quantitativas" dos processos volitivos 
*Hiperbulia 
*Hipobulia => Sensação de indisposição, fraqueza, desânimo ou falta de energia; perda da iniciativa, da 
espontaneidade e do interesse pelo mundo externo; indecisão; dificuldade de transformar as decisões em ações; e 
inibição da psicomotricidade. 
*Abulia 
Atos Impulsivos: 
-“Curto circuito do ato voluntário”. Intenção => execução (abole abruptamente 
deliberação e decisão, desprovida de consciência). 
-Atos impulsivos caracterizam-se por serem súbitos, incoercíveis e incontroláveis. 
Presumivelmente, os atos impulsivos ocorrem em função de um aumento da 
intensidade dos impulsos ou de um enfraquecimento dos mecanismos de 
inibição e refreamento. 
-Os atos impulsivos tornam-se patológicos quando são empiricamente 
incompreensíveis para o observador. 
-> Ações psicomotoras automáticas, sem reflexão, ponderação ou decisão 
prévias. 
-> Instantâneo, incontrolável e por vezes explosivo.
-> Resulta frequentemente em condutas marcadas por desrespeito a terceiros e 
problemas em reconhecer e e se adaptar a normas sociais e autoridades. 



Alterações "qualitativas" dos processos volitivos 
1. Atos Compulsivos: 
- São atos que o indivíduo se sente compelido a realizar. Execução 
somente após alguma deliberação consciente, havendo, com frequência, 
luta ou resistência contra a sua execução. Nem sempre levam a uma 
sensação de prazer; muitas vezes produzem apenas certo alívio, em geral 
temporário, para uma vivência desagradável. 

Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
2. Impulsivo, compulsivo e a sobreposição classificatória dos transtornos: 
- Classificados como transtornos por se tratarem de comportamentos repetitivos, sem ponderação ou controle e 
prejuízo significativo resultando em prejuízo significativo para paciente e terceiros. 
A) Transtorno de controle de impulso: T. Explosivo intermitente, Transtorno de Jogo e videogame, oniomania, 
cleptomania, piromania 
B) Transtorno obsessivo compulsivo e transtornos relacionados: Ex: TOC: compulsões podem ser secundárias a 
ideias obsessivas, uma forma de combater essas ideias, de reduzir a ansiedade provocada por elas; ou, então, 
consistem em comportamentos repetitivos que requerem um padrão rígido de realização. 
C) Transtorno de movimentos repetitivos com foco no corpo: Transtorno de escoriação (skin-picking), onicofagia 
grave, tricotilomania). 
3. Negativismo: 
- Resistência não deliberada, imotivada e incompreensível às solicitações externas. No negativismo passivo, o 
paciente simplesmente não faz o que lhe é pedido; no ativo, ele faz o oposto ao solicitado.
- Ex: Podem ser manifestações do negativismo passivo o mutismo (a recusa a falar) e a sitiofobia (a recusa de 
alimentos).
4. Sugestionabilidade patológica: 
- Sintoma oposto ao negativismo. Consiste numa tendência exagerada a atender às solicitações vindas do exterior.
- Ex: Ocorre nos transtornos dissociativos e conversivos (autossugestão); e nos estados hipnóticos, nos estados 
catatônicos. 
- Obediência automática: exemplo extremo de sugestionabilidade patológica. Caracteriza-se pelo cumprimento 
passivo e imediato, sem qualquer reflexão ou elaboração, de quaisquer ordens ou solicitações, mesmo que a ação 
realizada seja perigosa ou danosa para o próprio paciente. A obediência automática ocorre na síndrome catatônica.
5. Ambitendência: 
- Ambivalência volitiva. Consiste numa incapacidade para decidir, em função da presença na consciência de 
tendências volitivas opostas. Por exemplo, querer ficar perto de alguém e, ao mesmo tempo, não querer, e temer tal 
aproximação. 
PSICOMOTRICIDADE 
- As ações psicomotoras possuem um conteúdo psicológico, são uma expressão do psiquismo.
- O ato motor é o componente final do ato volitivo (A EXECUÇÃO ) ! as alterações da psicomotricidade 
frequentemente são a expressão final de alterações da volição. 
Alterações “quantitativas”
*Hipercinesia (ou exaltação psicomotora) -> Aumento patológico da atividade motora voluntária. Essa exaltação da 
psicomotricidade pode se dar em três níveis de gravidade: inquietação, agitação e furor (do menos para o mais 
intenso). 
*Bradi/hipocinesia (ou inibição psicomotora) -> Diminuição acentuada e generalizada dos movimentos voluntários. 
Os movimentos tornam-se lentos e são realizados com grande dificuldade. 
*Acinesia -> abolição dos movimentos voluntários 
*Apraxia -> dificuldade ou impossibilidade de realizar atos motores intencionais, voluntários, na ausência de paresia ou 
paralisia, de déficit sensorial e de incoordenação motora. A apraxia representa a perda do movimento aprendido.
Alterações “qualitativas”
1) Esterotipia 
- Ações motoras desprovidas de finalidade e de sentido (para o próprio doente), sendo repetidasde maneira uniforme 
e com grande frequência. Podem ser de gestos ou movimentos (desde simples movimentos de dedos até marchas) 
ou de posição (a manutenção de uma postura corporal, geralmente extravagante, durante longo tempo) 
- A protrusão dos lábios em focinho, fazer caretas, girar a cabeça para o lado, chacoalhar os braços, bater com o pé, 
esfregar a mão no peito.
2) Maneirismo 
- São movimentos expressivos – isto é, movimentos que servem a um propósito de comunicação, tais como gestos, 
mímicas, vocalização – que se tornam exagerados quanto à sua amplitude, tornam-se afetados, rebuscados, 
estilizados ou desarmônicos, perdem sua graça natural e parecem extravagantes ao observador.
-> Pega a colher de modo muito próprio e realiza gestos bizarros para levar a comida à boca. 
-> Ao falar com o enfermeiro, gesticula, faz caretas, encolhe os ombros de modo peculiar, faz rodopios com as mãos e 
movimenta a cabeça de forma afetada.
-> Aperto de mão duradouro ou vigoroso ao cumprimentar.
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
3) Tiques 
- Atos coordenados, repetitivos, resultantes de contrações súbitas, involuntárias, breves e intermitentes, envolvendo 
geralmente um grupo de músculos que atua em suas relações sinérgicas normais. Acentuam-se muito com a 
ansiedade. Podem ocorrer em indivíduos sem qualquer outra alteração mental e entre crianças ansiosas 
- Vocais. 
4) Ecopraxia 
- Repetição automática e despropositada das ações motoras executadas por outra pessoa, que está diante do 
paciente. São imitados gestos, a postura, e podem ser acompanhadas pela repetição da fala (ecolalia) ou a 
expressão fisionômica (ecomimia). 
5) Flexibilidade cérea 
- O indivíduo, ou uma parte de seu corpo (braço, perna, cabeça), é colocado pelo examinador em determinada 
posição (mesmo posições muito desconfortáveis), e assim permanece, como se fosse um homem de cera, moldável 
por uma outra pessoa.
6) Catalepsia 
- Acentuado exagero do tônus postural, com grande redução da mobilidade passiva dos vários segmentos corporais e 
com hipertonia muscular global. 
CASOS CLÍNICOS
Caso 1: JCS, 27 anos, sexo feminino. Chega ao pronto socorro trazida por familiares e com história de estar acamada 
há cerca de duas semanas, recusando alimentos e realizando eliminações na própria cama. Paciente há semanas vinha 
apresentando irritabilidade e comportamento desinibido, além de gastos financeiros excessivos. Paulatinamente foi se 
abatendo, até não sair mais do seu quarto, nem da cama. Ao exame, observou-se rigidez muscular difusa, intensa e 
resistência a comandos verbais como “erguer o braço”, além de fazer caretas e movimentos repetidos dos dedos 
semelhantes ao “tocar piano”. Após 3 dias do quadro descrito acima, chamou a atenção quando o examinador 
conseguiu moldar seus membros superiores em posições aparentemente desconfortáveis e da execução automática 
de movimentos mesmo quando orientada a não os realizar.
*Catalepsia / Negativismo passivo / Esterotipias / Flexibilidade cerea / Automatismo. 
Síndrome Catatônica 
=> Distúrbio motor específico associado a diferentes transtornos psiquiátricos. 
=> A característica essencial da catatonia é uma perturbação psicomotora acentuada que pode envolver atividade 
motora diminuída, participação diminuída durante entrevista ou exame físico ou atividade motora excessiva e peculiar. 
A apresentação clínica da catatonia pode confundir, uma vez que a perturbação psicomotora pode variar desde 
ausência acentuada de resposta até agitação acentuada. 
___________________________________________________________________________________________________________
Caso 2: "Paciente do sexo masculino, 32 anos, casada, mora com o marido e a mãe, apresentava, desde os 16 anos, 
movimentos faciais involuntários que pareciam surgir quase por imitação, vendo ações “estranhas” de amigos, como 
mover o pescoço para trás e vocalizações involuntários que ocorriam em alta frequência e pareciam atrapalhar sua 
vida nos âmbitos profissional, familiar e social. Durante muito tempo ela evitara expor-se em situações sociais, 
principalmente por medo de ser ridicularizada. Na anamnese, identificou- se que isso ocorria devido aos estressores 
associados a atividades externas a sua residência, como o julgamento social. Ela, inclusive, evitava realizar atividades 
fora de casa, o que gerava prejuízo social, acadêmico e laboral, já que não trabalhava, não estudava e se esquivava de 
contatos interpessoais. Durante os atendimentos, o diálogo muitas vezes era interrompido pois vez por outra, a 
paciente emitia sons que se assemelhavam a um miado e apresentava movimentando a boca e os braços e se 
levantando de forma repentina. Tipicamente, a paciente parecia não se concentrar na conversa, já que a não realização 
dos tiques causava muita angústia. Apresentava comportamentos irregulares ritualísticos, como alinhar objetos da 
mesa. Descrevia um intenso desconforto ao resistir ao alinhamento, e sofria com todo o contexto desse 
comportamento, tentando, sem sucesso, resistir a sua execução, até ceder." 
* Ecopraxia / Tiques motores e vocais / Compulsão 
=> Esse é um quadro de perturbação emocional que afeta o sistema motor. 
=> É observado sobretudo na infância e na adolescência, com pico de incidência entre os 11 e os 12 anos na maioria 
das crianças e sua evolução parece ser variável. Durante essa fase da vida, há maior frequência de tiques e 
vocalizações, e estes se apresentam com maior intensidade. Alguns pacientes diminuem a frequência dos tiques à 
medida que crescem, e outros apresentam sintomas no decorrer de todo o processo ontogenético.
=> Os comportamentos observados na ST levam a sofrimento emocional e a graves consequências sociais, muitas 
vezes passando por situações constrangedoras devido aos movimentos motores e às vocalizações 
descontextualizadas. 
=> Há uma tendência ao isolamento em função dos prejuízos sociais que a síndrome causa. Os pacientes se 
envergonham de seus sintomas e temem que os demais os julguem de maneira inadequada. 
=> É comum a comorbidade com outros transtornos, principalmente o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Aula 08: Psicose 
#As grandes síndromes psiquiátricas 
- Síndrome => conjuntos de sinais e sintomas que se agrupam de forma recorrente e são observadas na prática 
clínica diária, que podem ser produzidos por várias causas. 
- Primeiro passo no sentido de ordenar a observação psicopatológica dos sinais e sintomas dos pacientes. 
- Ato clinico modesto, mas estrategicamente importante no raciocinio diagnóstico. 
“Assim, o raciocínio clínico vai evoluindo gradativamente ao longo das primeiras avaliações para o conhecimento mais 
aprofundado sobre o paciente e o seu sofrimento mental”.
Síndromes psicóticas (espectro da esquizofrenia) 
- Perda do contato com a realidade => Delírios; alucinações; pensamentos desorganizados; comportamento 
desorganizado. 
- Episódios psicóticos => periodo de ao menos uma semana, com presença de um ou mais dos sintomas. 
- Quando é inédito, é designado “PEP” (primeiro episódio psicótico). 
- Vasta ama diagnóstica e baixo insight (auto-percepção da doença e do sintoma) 
*Psicoses => transtorno delirante; transtorno psicótico breve; transtorno esquizofreniforme; esquizofrenia; transtorno 
esquizoafetivo; transtorno induzido por substância/medicamento; transtorno psicótico devido a outra condição médica. 
Sintomas de primeira ordem de Kurt Schneider 
1) Percepção delirante 
- Uma percepção absolutamente normal recebe uma significação delirante, que ocorre de modo simultâneo ao ato 
perceptivo, em geral de forma abrupta, como uma espécie de “revelação”. 
2) Alucinações auditivas características 
- São as vozes que comentam e/ou comandam a ação do paciente. 
3) Eco do pensamento ou sonorização do pensamento 
- O paciente escuta seus pensamentos ao pensá-los. 
4) Difusão do pensamento 
- O doente tem a sensação de que seus pensamentos são ouvidosou percebidos claramente pelos outros, no 
momento em que o pensa. 
5) Roubo do pensamento 
- Experiência na qual o indivíduo tem a sensação de que seu pensamento é inexplicavelmente extraído de sua mente, 
como se fosse roubado. 
6) Vivências de influência na esfera corporal ou ideativo 
*vivência de influência corporal => São experiências nas quais o paciente sente que uma força ou um ser externo 
age sobre seu corpo, sobre seus órgãos, emitindo raios, influenciando as funções corporais. 
*vivência de influência sobre o pensamento => Referem-se à experiência de que algoi nfluencia seus pensamentos, 
o paciente recebe pensamentos impostos de fora, pensamentos feitos, postos em seu cérebro, etc. Também as 
vivências corporais ou ideativas têm a qualidade de serem experimentadas como feitas, como impostas de fora.
Cluster de sintomas negativos (Síndrome Negativa) 
1) Distanciamento afetivo 
- Graus variáveis até o completo embotamento afetivo;
- Perda da capacidade de sintonizar afetivamente com as pessoas, de demonstrar ressonância afetiva no contato 
interpessoal. 
2) Retração social 
- O paciente vai se isolando progressivamente do convívio social. 
3) Empobrecimento da linguagem e do pensamento (alogia) 
4) Diminuição da fluência verbal 
5) Diminuição da vontade (avolição) 
- Dificuldade ou incapacidade de realizar ações, tarefas, trabalhos, minimamente organizados, que exijam o mínimo de 
iniciativa, organização e persistência. 
6) Negligência quanto a si mesmo 
- Descuido consigo mesmo, pela falta de higiene, desinteresse em relação à própria aparência, própria saúde e 
vestimentas, etc. 
7) Lentificação e empobrecimento psicomotor 
- Restrição do repertório da esfera gestual e motora. 
Síndrome positiva ou “produtiva” (Sintomas Positivos) 
1) Alucinações, ilusões ou pseudoalucinações auditivas (mais frequentes), visuais ou de outro tipo. 
2) Idéias delirantes ou bizarras 
3) Comportamento bizarro, atos impulsivos. 
4) Agitação psicomotora 
5) Produções linguísticas novas como neologismos 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Síndrome Desorganizada 
1) Pensamento progressivamente desorganizado 
- Vai de um leve afrouxamento das associações até a total desagregação e produção de um pensamento totalmente 
incompreensível. 
2) Comportamentos desorganizados e incompreensíveis 
- Particularmente comportamentos sociais e sexuais inadequados, agitação psicomotora, vestimenta e aparência 
bizarros. 
3) Afeto inadequado ou ambivalente 
4) Afeto pueril 
#Diagnóstico de Esquizofrenia (DSM-5) 
Critérios
A) Dois (ou mais) dos itens a seguir, cada um presente por uma quantidade significativa de tempo durante um 
período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso). Pelo menos um deles deve ser (1), (2) ou (3): 
1. Delírios 
2. Alucinações 
3. Discurso desorganizado 
4. Comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico 
5. Sintomas negativos (expressão emocional diminuida ou avolia) 
B) Por período significativo de tempo desde o aparecimento da perturbação, o nível de funcionamento em uma 
ou mais áreas importantes do funcionamento, está acentuadamente abaixo do nível alcançado antes do início. 
C) Sinais contínuos de perturbação persistem durante, pelo menos, seis meses. (pode incluir períodos de 
sintomas prodrômicos ou residuais). 
D) Transtorno esquizoafetivo e transtorno depressivo ou transtorno bipolar com características psicóticas são 
descartados. 
E) A perturbação não pode ser atribuída aos efeitos fisiológicos de uma substância. 
F) Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da comunicação iniciado na infância, o 
diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado somente se delírios ou alucinações proeminentes. 
#Síndrome psicótica (Exame do Estado Mental - EEM) 
Como seu pct se apresenta para você? 
(Aparência e Atitude) 
- Nos pacientes mais crônicos, pode-se notar higiene e roupas descuidadas e sujas, indiferença pela vestimenta; 
Pode apresentar roupas e acessórios bizarros que expressam delírios (medalhas, colares e tiaras que podem ter 
significado no delírio) ou desorganização comportamental. 
- Nos quadros em que predominam os sintomas negativos ou na catatonia, pode haver indiferença em relação ao 
exame.
- Nos quadros paranóides, pode-se esperar uma atitude suspicaz, hostil, querelante, ou de fuga. É típica da 
hebefrenia uma atitude pueril.
Qual o seu nível de alerta? 
(Consciência) 
- Obnubilação => Lentidão da compreensão e dificuldade de concentração. 
- Torpor => Evidentemente sonolento, despertado apenas por estímulo enérgico, sobretudo de natureza dolorosa.
- Coma => Não é possível qualquer atividade voluntária consciente. 
(Atenção)
- Hipoprosexia 
- A filtragem de informação irrelevante dificultada. 
- Dificuldade em anular adequadamente estímulos sensoriais irrelevantes. 
- Suscetíveis de distrair-se com estímulos visuais e auditivos externos. 
(Memória) 
- Memória de trabalho => Execução de várias etapas distintas em uma seqüência após instrução. “Pegue este papel 
com sua mão direita, que o dobre no meio e, depois, o coloque no chão” / números em sequência direta e inversa / 
labirintos gráficos e quebra-cabeças. 
- Memória episódica => Contar uma pequena história para o paciente e, alguns minutos após, pedir que ele a 
reconte. / Entrevistar o paciente investigando a evolução temporal das falhas de memória pelo relato dos parentes 
próximos e cuidadores.
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
- Memória semântica => Verifica-se a dificuldade do paciente em tarefas como nomear itens cujos nomes 
previamente sabia (mostrar um relógio, uma caneta e uma régua e pedir que o paciente os nomeie). / Geração de 
palavras (p. ex., solicitar ao paciente que nomeie o maior número possível de animais em um minuto) / Nomeação de 
objetos a partir de sua descrição / Conhecimentos gerais (não são capazes de citar alguns). 
- Memória de procedimento => Perda de habilidades motoras ou visuoespaciais previamente aprendidas

ou grande dificuldade em aprender novas habilidades. Por exemplo, o paciente pode perder a habilidade de escrever 
à mão ou de digitar um teclado, de tocar um instrumento musical, de pregar um botão ou de chutar uma bola. 
(Orientação) 
- Autopsíquica => Orientação do indivíduo em relação a si mesmo. / Revela se o sujeito sabe quem é: nome, idade, 
data de nascimento, profissão, estado civil, etc. 
- Alopsíquica => Diz respeito à capacidade de orientar- se em relação ao mundo, isto é, quanto ao espaço 
(orientação espacial) e quanto ao tempo (orientação temporal) 
Como fala? 
(Pensamento) 
- Alterações quantitativas => CURSO (aceleração, alentecimento, interrupção) 
- Alterações qualitativas => FORMA (fuga de idéias, desagregação, prolixidade) / CONTEÚDO (concretismo, ideias 
delirantes)
(Linguagem) 
- Alterações quantitativas => taquilalia, bradilalia / hiper ou hipoprosódia / hiper ou hipotonia / 
- Alterações qualitativas => ecolalia / solilóquio / coprolalia / mussitação 
Como descreve suas sensações? 
(Sensopercepção) 
- Pareidolias; agnosia; hiper/hipoestesias; disestesias; ilusões; dismegalopsias; alucinações. 
Como demonstra a afetividade e vontade? 
(Afetividade) 
- Humor => hipertimia x eutimia x hipotimia. 
- Congruência com o afeto e modulação => indiferença afetiva x hipomodulação x incontinência x inadequação x 
ambitimia x neotimia. 
Obs: o embotamento afetivo esta entre os sintomas negativos da esquizofrenia. 
Obs: em quadros delirantes ou de grande agitação, a ansiedade pode ser proeminente.
(Conação) 
- Hipobulia ou abulia 
(Psicomotricidade) 
- Bradi ou hipocinesia x acinesia x apraxia x estereotipia / maneirismo / tiques x ecopraxia / flexibilidade cérea / 
catalepsia. 
Lucas Miguel P5 - Semiologia Médica
Aula 09: Grandes síndromes psiquiátricas - Síndromes afetivas depressiva e maníaca 
#Síndrome afetiva depressiva 
Semiotécnica: 
- Humor / Congruência com afeto (atitude) / Modulação 
Sintomas de acometimento

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