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Conhecimentos da Personalidade e Desenvolvimento Humano Lorena Mochel Reis Conhecimentos da Personalidade e Desenvolvimento Humano 2 Introdução Seja bem-vindo, aluno! Neste conteúdo, vamos conhecer as principais teorias que formam a Psicologia Moderna. A partir do século XX, no Ocidente, os saberes sobre o aparelho psíquico dividiram-se entre quatro principais perspectivas teóricas: psicanálise, humanista, comportamental e cognitiva-comportamental. Nem todas tiveram origem na ciência psicológica, mas em outras áreas do saber, como a psicanálise, cujo precursor foi um médico. O clássico dilema mente versus corpo passa a ganhar outros sentidos, atraindo para a Psicologia debates entre conhecimento inato versus conhecimento adquirido. A nascente Psicologia se ocupará de compreender diferentes formas de representação do conhecimento com base na perspectiva de autores que se filiaram às perspectivas já propostas, como a psicanálise, ou inauguraram outras, como a perspectiva sócio- histórica. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer as principais teorias psicológicas e a composição do aparelho psí- quico; • Analisar aspectos que compõem a personalidade; • Compreender o complexo de Édipo; • Compreender fenomenologia, existencialismo, behaviorismo e as principais ideias de Rogers e Maslow; • Compreender o mecanismo de Estímulo-Resposta, extrospecção e introspec- ção; • Analisar as diferentes formas de representação do conhecimento. 3 Conceito de Personalidade O histórico da Psicologia como ciência percorreu caminhos iniciais de exclusividade nos experimentos em laboratório. A partir do século XX, vimos o florescimento de teorias da personalidade ocupadas em produzir conhecimentos sobre os indivíduos, com base em modelos centrados em sua interação com o ambiente, em seu processo de autoconhecimento e, por fim, indicando o lugar da fala como elemento terapêutico. As principais teorias psicológicas foram influenciadas por diversos campos do saber que, por sua vez, forneceram instrumentos para designar cada uma dessas teorias como estudos sobre a personalidade. As abordagens que apresentaremos trazem categorias que apresentam rupturas e continuidades entre si, modificando a maneira como a ciência psicológica enxerga o comportamento humano. Figura 1 - Teorias psicológicas: semelhanças e diferenças. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: duas faces frente a frente. Conheça etimologia da palavra Personalidade,Acesse: https:// etimologia.com.br/personalidade/ Saiba mais https://etimologia.com.br/personalidade/ https://etimologia.com.br/personalidade/ 4 Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana: Freud e Jung A teoria psicanalítica tem como seu criador Sigmund Freud, um médico que buscava compreender as “desordens neuróticas” de seus pacientes. Frutos de conflitos, ansiedades e estresses, tais desordens foram tratadas, inicialmente, pelo método da hipnose, também utilizado por outro médico que havia sido professor de Freud, Charcot. Posteriormente, a hipnose foi substituída pelo método da associação livre, que consistia em deixar pacientes falarem o que viesse à mente deles durante a sessão analítica, deitados em um divã. Figura 2 - Sigmund Freud. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: Desenho de Sigmund Freud vestindo terno em cor lilás escura e gravata preta, de pernas cruzadas e sentado de frente em uma poltrona em cor lilás clara. Escreve em um bloco de notas com uma das mãos enquanto o segura com a outra. Desse modo, acreditava-se que seria possível tornar consciente o conteúdo inconsciente, desde que o analista se incumbisse de interpretar sonhos, desejos, medos e emoções 5 que os pacientes estariam resistindo ou reprimindo. A atenção dada por Freud à fase infantil trouxe uma importante contribuição da teoria psicanalítica: o complexo de Édipo, baseado em “Édipo Rei”, de Sófocles. Em torno dele, a personalidade do indivíduo é estruturada, o que ocorre entre 3 e 5 anos de idade. No complexo de Édipo, o menino escolhe a mãe como objeto de desejo e rivaliza com o pai, enquanto a menina escolhe o pai e rivaliza com a mãe, o que ocorre por volta dos 5 aos 6 anos. Para que o desenvolvimento neurótico possa transcorrer, a rivalização é acompanhada de um processo de identificação com os progenitores e internalização da lei paterna, essa simbolizada por normas e regras do mundo social. Embora tenha modificado suas teorias ao longo dos anos, a do Complexo de Édipo inspirou análises posteriores sobre a compreensão das relações entre desejos proibidos e o medo da castração, decorrentes de um processo de fixação em uma das fases da relação da criança com os pais, com o mundo e com seu próprio corpo e sexualidade. Assim, o desenvolvimento da personalidade, segundo a teoria psicodinâmica de Freud, segue fases que ocorrem ainda na infância, denominados fases psicossexuais. Tais estágios se dividem em cinco fases que abrangem diferentes faixas etárias da criança: fase oral, anal, fálico, latências e genital. Vamos acompanhar a síntese realizada por Nolen-Hoeksema et al. (2018): Desenvolvimento psicossexual Principais características Consequências na vida adulta Fase oral Ocorre durante o primeiro ano de vida até os 3 anos, quando os bebês obtêm prazer pela amamentação e pelo ato de sugar e costumam levar os objetos à boca. Zona erógena - boca Pode resultar em uma personalidade preocupada com a captação vinda dos outros e do ambiente. Tendência à desconfiança e exigência, além de sentimentos de inveja e afinidades com a depressão. Fase anal Ocorre durante o terceiro ano de idade. Nesse período, as crianças sentem prazer tanto em expelir quando em reter as fezes. Zona erógena - mucosa anal Por se tratar da primeira experiência com o controle imposto, visto que a criança está sendo treinada pelos pais a aprender a evacuar, pessoas fixadas nesta fase podem ser rígidas e preocupadas com rituais de limpeza e higiene. Fase fálica Transcorre entre os 3 e 6 anos de idade. As crianças começam a brincar com seus genitais e observar as diferenças corporais entre homens e mulheres. Começam a perceber a diferença entre os sexos, entra em cena a valorização da disputa e da conquista. Correlacionado ao Complexo de Édipo, o desenvolvimento alterado nessa fase decorre em personalidades excessivamente preocupadas com questões de poder, autoridade, sedução e ciúmes. 6 Fase de latência Ocorre dos 6 anos até a puberdade, os desejos são suprimidos. O período que as crianças entram na escola, começam a se relacionar com outras pessoas, e a energia sexual está voltada para outras coisas como o estímulo de habilidades sociais, comunicação. Fase que auxilia no processo de ter vergonha, de construção da ideia de moralidade. Fase genital É seguido pelo período de latência, que vai dos 7 aos 12 anos. A atenção da criança nesta fase se desloca do corpo às relações interpessoais. O prazer é ligado aos genitais. Zona erógena – os órgãos genitais Fase madura da sexualidade adulta. Fonte: Adaptado de Nolen-Hoeksema et al. (2018). #PraCegoVer: Quadro com os conceitos inseridos por Freud aos estágios psi- cossexuais: oral, anal, fálico e genital. Os estágios psicossexuais são fases do desenvolvimento infantil em que a criança busca satisfazer seus impulsos e obter prazer em uma parte do corpo, podendo se fixar nesta a depender da fase em que se encontre. Trata-se de um dos argumentos que foram posteriormente desenvolvidos por Anna Freud, filha de Freud, aplicadas à psiquiatria infantil. Atenção Para Freud, a personalidade estaria estruturada com base em três instâncias psíquicas: o inconsciente, o pré-consciente e o consciente. Vamos acompanhar a descrição realizada por Bock, Furtado e Teixeira (1999) a respeito desta primeira divisão do aparelho psíquico: (Inconsciente) O inconsciente é constituído por conteúdos reprimidos e sofre ação de censuras internas. É regidopor leis próprias de funcionamento e é atemporal, ou seja, não segue a ordem prescrita de passado, presente e futuro. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: Homem branco de cabelos curtos, vestido com um terno marrom claro e gravata preta. Sentado com os joelhos próximos e mão em uma das pernas, com a expressão de indecisão. Acima de sua cabeça, desenhados no muro do lado esquerdo um boneco com chifres e tridente, do lado direito, outro com asas e auréola. null 7 (Pré-consciente) O pré-consciente é o sistema no qual permanecem conteúdos que podem ser acessados pela consciência.. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: Silhueta de cabeça com bonecos dentro, distribuídos em três plataformas carregando símbolos que correspondem a pontos de exclamação. Símbolos de interrogação pairando do lado de fora da silhueta. (Consciente) O consciente faz a intermediação entre a realidade interior e exterior, contendo processos psicológicos como o raciocínio, a percepção e a atenção. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: Desenho de homem montando um cubo mágico colorido em tamanho maior que sua altura. Devido a necessidade de se responder aos problemas da psicose, Freud estava insatisfeito com a primeira teoria, já que está não conseguia evidenciar uma gama de eventos psíquicos, principalmente, os que surgiam dentro do ambiente clínico. O novo modelo que ele desenvolveu foi chamado de estrutural ou dinâmico, pois, ao contrário do antigo, esse possuía um papel mais ativo dentro das relações de comportamento. Em sua segunda teoria do aparelho psíquico, Freud vai inserir os conceitos de id, ego e superego: Id Ego Superego Constitui o reservatório da energia psíquica, no qual se “localizam” as pulsões: a de vida e a de morte. As características atribuídas ao sistema inconsciente, na primeira teoria, são, nessa teoria, atribuídas ao id. É regido pelo princípio do prazer. Sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do id, da realidade e do superego. É um regulador, na medida em que altera o princípio do prazer para buscar à satisfação, considerando as condições objetivas da realidade. Origina-se com o complexo de Édipo, a partir da internalização das proibições, dos limites e da autoridade. O conteúdo do superego refere-se às exigências sociais e culturais. Quadro 1 - Conceito inseridos por Freud ao aparelho psíquico. Fonte: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (1999). #PraCegoVer: Quadro com os conceitos inseridos por Freud ao aparelho psíqui- co: id, ego e superego. null null null 8 A atuação no campo da Psicologia da Saúde é atravessada por situações nas quais a utilização de teorias que abarquem o desenvolvimento infantil, como as que percorremos neste conteúdo, será fundamental para o embasamento do trabalho cotidiano. Dos modelos etiológicos lineares, baseados em causa e efeito, aos modelos multicausais de doença, o rompimento das fronteiras entre normal e patológico no campo da saúde traz novos horizontes críticos que impulsionam as teorias psicológicas a reinventar seus pressupostos para atender às demandas relacionadas aos sofrimentos psíquicos contemporâneos. Os sonhos tiveram um papel importante para Freud. Ele começou a analisar sonhos a partir de um sonho que ele teve quando pequeno. Para entender os sonhos, Freud focava nos aspectos “estranhos” e o que aquilo poderia significar. Freud começou a analisar os sonhos dos pacientes e percebeu que poderiam indicar algo relacionado a suas emoções. Freud acreditava que tudo tinha uma causa e isso também se aplicava aos sonhos. Repressão era outro conceito que Freud utilizava. Para ele a repressão ocorria quando o paciente barrava ideias inaceitáveis, tentando reprimir seus desejos. Zonas erógenas são entendidas como partes do corpo que estão relacionadas a pontos principais de prazer de acordo com o período de idade em que se encontra o indivíduo. Por exemplo, para um recém-nascido, a zona erógena é a boca, pois é por ela que satisfaz seus instintos fundamentais Fixações são paradas no desenvolvimento psicossexual. Essas paradas ou bloqueios podem ser permanentes ou temporárias, de acordo com a sua duração se tornam responsáveis pelo surgimento das neuroses Pulsão está relacionada a um estado de estresse/tensão que através de um objeto, busca atenuar o estado sentido, ela se divide em dois tipos: pulsão de vida, que está relacionada ao sentimento de autopreservação e abrange as pulsões sexuais; e pulsão de morte, relacionada ao sentimento autodestrutivo, este sentimento pode ser para si ou está dirigido para fora, se manifestando como um comportamento agressivo. Outro termo bastante visto nos estudos psicanalíticos é o termo “libido” que Freud nomeou como: “Energia que vinha do lado psíquico e que faz com que o individuo busque ter pensamentos e comportamentos prazerosos”. Catexia foi o nome dado por Freud ao processo pelo qual o indivíduo direciona parte de seus instintos, de sua energia libidinal a um objeto, pensamento ou a própria null null null null null null null null 9 pessoa. Seguindo as fases de evolução sexual, no início da vida esse direcionamento ocorre de maneira instantânea e conforme se avança, ela começa a ser atrasada passando a compreender o processo de pensamento. Um exemplo de “Catexia” é a de pessoas apaixonadas que estão dispostas a desistir de sua própria representação pessoal para satisfazer o alvo de sua energia libidinal. Freud criou o termo transferência para se referir ao processo no qual o paciente se comporta com o terapeuta como se ele fosse uma pessoa importante como mãe ou pai. Já o processo de contratransferência, para Freud, os sofrimentos psicológicos surgiram das raízes na relação edípica. Carl Gustav Jung Carl Gustav Jung era psiquiatra e psicoterapeuta e, desde o lançamento de “interpretação dos sonhos”, já havia se interessado pela psicanálise abordada de Freud, porém ao contrário do que se imaginaria, Jung não seguiu o mesmo caminho, a psicanálise tratada por Jung diferia em alguns aspectos da de Freud. Um destes aspectos era que, para ele, a fase mais importante durante o desenvolvimento humano era a meia-idade. Esta afirmação se deu a experiências próprias e ao passar por intensas crises durante o período de passagem para a meia-idade. As experiências de vida de Jung influenciaram drasticamente a sua psicologia analítica. Na teoria de Jung, não havia espaço para o complexo de Édipo, tal conceito não era aceitável para ele que nunca se atraiu por sua mãe e tampouco entendia por que Freud mantinha uma grande fixação em provar que tal complexo existia. Em sua infância, Jung relata se isolar das outras crianças e por isso este pensamento é refletido em sua teoria que traz enfoque para o desenvolvimento interior no lugar do cultivo das relações sociais. Enquanto Freud acreditava que a personalidade do individuo é afetada por acontecimentos da infância, Jung trazia uma visão de que a personalidade era moldada não só pelo passado, mas também, pelas metas, esperanças e objetivos futuros. Jung ao investigar o inconsciente assim como Freud, acabou adicionando mais uma dimensão a essa estrutura, chamada de inconsciente coletivo, este como sendo herdado das experiências humanas e de seus ancestrais. Jung descreveu dois níveis de inconsciente, o primeiro sendo o inconsciente pessoal, no qual estavam contidas as lembranças, impulsos, desejos, percepções e outras experiências, que não estavam em um nível muito profundo, pois as informações armazenadas poderiam ser trazidas à tona com facilidade. E o inconsciente coletivo, null 10 este que estaria em um nível mais baixo, é nesta camada que as experiências das gerações passadas e dos ancestrais estão contidas, o indivíduo não possui conhecimento das informações que estão armazenadas neste nível. As informações herdadas que estão armazenadas dentro do inconsciente coletivo são denominadas de “arquétipos”.Esses que consistem em moduladores inatos da vida mental, desempenham o papel de moldar o comportamento dos indivíduos, tendo como base situações semelhantes que os seus ancestrais podem ter enfrentado. Estão relacionadas, por exemplo, situações ou fases da vida, como nascimento, adolescência, reações diante de um perigo iminente etc. Os arquétipos datados como mais importantes para o processo de moldagem da personalidade são: persona, anima, animus, sombra e self. Para Carl Jung, a Persona está relacionada a visão que o individuo quer passar para os outros, ou seja, a máscara/personagem que ele desempenha frente a sociedade, pois muitas vezes a persona não corresponde a verdadeira personalidade do individuo. Anima e Animus, para Jung, estão relacionados às características que os indivíduos refletem do sexo oposto, sendo Anima as características femininas dentro do individuo masculino e Animus as características masculinas dentro do feminino. A sombra corresponde a parte mais sombria do self, representa as características primitivas e animalescas dos nossos ancestrais, como os desejos imorais, violentos e inaceitáveis, geralmente indivíduos passam por experiências desse tipo afirmam terem sido dominados por algo além deles. Mas a sombra não é só negativa, ela também possui um lado positivo de onde surge a criatividade, espontaneidade e os insights. Jung considera o Self como o arquétipo principal. Ele é que integra e equilibra os aspectos do inconsciente, proporcionando estabilidade para a personalidade. Este é comparado ao impulso de autorrealização, que, para Jung, só pode ser atingida na meia idade (30 a 40 anos). Esse fato pode ser entendido como um reflexo da própria biografia de Jung dentro de sua teoria, pois foi o período em que enfrentou diversas situações de crise que contribuíram para o seu desenvolvimento. Atitudes Jung também possui conceitos sobre a introversão e a extroversão. Para ele, o indivíduo pode apresentar um nível dessas duas atitudes opostas, porém uma é sempre dominante a outra. A extroversão refere-se ao indivíduo que libera sua libido null null null null null 11 ou energia da vida como afirma Jung para o exterior. Esse tipo é geralmente sociável e influenciável pelo meio. O introvertido é pensativo e direciona a sua energia para o interior, sua característica é a de insegurança ao se relacionar com as pessoas. Funções Além da introversão e extroversão, para Jung, a personalidade também sofre influência de quatro funções: pensamento, sentimento, sensação e intuição. O pensamento é o processo conceitual que nos leva a encontrar o significado e a compreender os eventos. O sentimento é o processo subjetivo que nos leva a análise e avaliação A sensação é a percepção consciente do mundo e dos objetos ao redor A intuição envolve a percepção sendo apresentada de forma inconsciente Dentro de cada par de funções apenas uma vem a ser dominante, junto às atitudes que também só possuem uma dominante, em que o tipo de personalidade é formado. Jung postulou assim oito tipos de personalidades que são: Pensador Extrovertido, Pensador Introvertido, Intuitivo Extrovertido, Intuitivo Introvertido, Sentimental Extrovertido, Sentimental Introvertido, Perceptivo Extrovertido, Perceptivo Introvertido Teoria da Personalidade das Principais Psicologias Corporais: Reich e Lowen. Wilhelm Reich foi um psiquiatra, sexólogo e psicanalista que desenvolveu teorias voltadas para a análise bioenergética corporal. Reich foi aluno de Freud e desenvolveu o que se conhece hoje como terapia corporal. Em seus estudos, ele buscava entender técnicas que estimulavam o corpo e que poderiam ajudar na parte emocional do indivíduo. Essa teoria buscava auxiliar no tratamento de sintomas neuróticos, depressão e ansiedade e, até mesmo, em questões sexuais e de relacionamento. Segundo a teoria, os processos energéticos do corpo estariam relacionados com o estado de vitalidade do organismo. Uma depressão, por exemplo, sugere uma null null null 12 falta de pressão interna, significando uma insuficiente circulação da energia, que estaria pesada ou estagnada. Essa situação seria geradora da baixa motilidade e da consequente incapacidade para a ação espontânea e natural. Reich acreditava que o movimento de um organismo “encouraçado” era mecânico sem naturalidade e sem sentimentos associados. Também nos orientava que esses seriam aprendidos na infância, como forma de garantir a sobrevivência emocional (OLIVEIRA; LIMA, 2015). O caráter se desenvolve na relação entre o físico e o psicológico do individuo, sendo visto como uma integração entre a psicologia e a biologia na formação do indivíduo. Para Reich, o caráter tinha uma função egoica e narcísica, que tinha por objetivo defender o indivíduo de emoções que são consideradas ameaçadoras. O caráter seria o nível psíquico enquanto que a couraça seria o nível físico. Para falar sobre o desenvolvimento do caráter, criou-se cinco etapas: NÚCLEO CONCEITO Psicótico Possui uma fragilidade, podendo ter um surto psicótico. Memória de um estresse primário. Oral Pode ser desorganizado e energia está na boca, provocando tensão no maxilar. Psiconeurótico Predisposição para doenças como gastrite, úlcera. Alta concentração de energia contida e desorganizada no corpo. Neurótico Possui um traço em decorrência de estresse na etapa fálica. Genital Caráter mais maduro e equilibrado. Fonte: Adaptado de Rezende e Volpi, 2019. Reich criou o termo anéis de encouraçamento para se referir às áreas do corpo. São sete segmentos de couraças, a saber: Região da cabeça e pescoço • Ocular. • Oral. • Cervical. Região do tronco e dos membros • Torácico. • Diafragmático. null null null 13 • Abdominal. • Pélvico. Ele apontou que nessas regiões as emoções que surgem são: medo, raiva, tristeza e narcisismo. A partir do entendimento desses conceitos, Lowen desenvolveu as estruturas de caráter (BRASIL, 2018). Vegetoterapia: termo criado por Reich cujo objetivo é ajudar o indivíduo no seu funcionamento, diminuindo os bloqueios energéticos que segundo ele formam a couraça psicológica no corpo. Orgonomia: termo utilizado por Reich para se referir a energia vital, de onde vem, como interfere no corpo formando os movimentos e forças. Alexander Lowen (BRASIL, 2018) desenvolveu sua própria teoria da abordagem neo- reichiana, porém, segue algumas ideias de Reich. Lowen (BRASIL, 2018), acreditava que o caráter tinha relação com os movimentos que, por sua vez, funcionavam como uma defesa psicológica e muscular. A mente e o corpo são vistos como uma unidade que influenciar no comportamento do individuo. Para Lowen (1985), a bioenergética é uma maneira de entender a personalidade em termos do corpo e de seus processos energéticos que estão relacionados ao seu estado de vitalidade. Neste sentido, a produção de energia por meio da respiração e do metabolismo e descarga de energia por meio dos movimentos. Isto quer dizer que a quantidade de energia que uma pessoa tem e como a usa, determinam o modo como responde às situações da vida. (p13 Nesse sentido, a bioenérgica postula que os pensamentos, sentimentos acabam interferindo no corpo do indivíduo, e que isso pode gerar tensões crônicas, bloqueios emocionais, queixas e traumas. Ele definiu cinco tipos de caráter: O esquizoide, o oral, o psicopático, o masoquista e o rígido. De acordo com o autor, a cada um destes caráteres, estaria associado um biotipo corporal específico (OLIVEIRA; LIMA, 2015). null null 14 CARÁTER CONCEITO CARACTERISTICAS CORPORAIS CARACTERISTICAS PSICOLÓGICAS Esquizoide Remete as pessoas que possuem pouco senso de si mesmas. • Corpo mais longilíneo e contraído. • Musculatura fibrosa. • Tendência a tensão na nuca; • Face de máscara. • Olhar vazio; • Braços pendentes. • Desarmonia entre as partes do corpo. • Sentimentos não conectados com a realidade. • Maior fragilidade diantedas pressões sociais. • Hipersensibilidade. • Tendência a refugiar-se em si mesmo. • Evitação da intimidade e afeto. • Maior dissociação entre pensamento e sentimento. • Tendência a esquizofrenia. Oral Relacionados a traços mais claros de fraqueza e dependência. tendência a depressão, dificuldade de movimentar-se por si mesmo. • Corpo mais esguio, peito murcho. • Musculatura bem pouco desenvolvida. • Ombros mais decaídos. • Olhar de pessoa carente. • Pernas mais longilíneas e magras. • Pés pequenos. • Necessidade de cuidado, de ser “carregado”. • Sensação de um vazio interior, de falta. • Baixa iniciativa e força de vontade. • Tendência à depressão. • Baixa agressividade. • Sentimento de que o mundo precisa oferecer algo mais a ele. Psicopático Motivação em busca do poder. Necessidade de se sentir maior, dominar, controlar. • Corpo maior na parte superior. • Tensão na área dos olhos, boca e base do crâneo. • Olhar mais sedutor, penetrante e as vezes impositivo. • Tendência a rigidez muscular. • Necessidade de controlar e o consequente medo de ser controlado. • Motivação para o êxito. • Necessidade de vencer. • Negação dos próprios sentimentos. • Desempenho e conquistas importam mais que o prazer Masoquista Tendência a se queixar, lamentar pelo sofrimento que é só seu com sentimentos negativos recorrentes. • Corpo curto, mais grosso, musculoso e mais denso. • Aparência de mais força bruta. • Tendência a achatamento das nádegas. • Olhar de sofrimento. • Sentimentos de sofrimento crônico. • Maior tendência a queixumes e lamentos, sentimentos de despeito, negatividade e hostilidade. • Agressividade e autoafirmação reduzidas. • Cordialidade. • Sensação de incapacidade de reagir. • Sentimento de pressão interna. 15 Rígido Se apresenta mais ereto, tem orgulho defensivo, medo de ceder, de se submeter-se, medo de perder o controle de si. Está sempre em estado de alerta. • Cabeça erguida, coluna ereta e musculatura rígida. • Corpo tende a proporcionalidade, olhos brilhantes e gestos mais leves. • Agilidade corporal e tendência a uma tenacidade sexual. • Fálico-narcisista, ombros mais largos e quadrados. • Tendência a compulsão. • Defesa contra o prazer. Estado de constante alerta. • Bloqueio afetivo. • Normalmente bem- sucedidos na vida. • Ambiciosos, competitivos, agressivos, não gostam de ceder. - Tendência à compulsão. Fonte: Adaptado de Oliveira e Lima (2015). Vídeo “A importância de Reich na psicanálise”.https://www. youtube.com/watch?v=v4QqBfsdLNU Saiba mais Teorias Humanísticas da Personalidade: Rogers e Maslow Diferente do enfoque empírico adotado pela visão cognitiva, a perspectiva humanista- existencial surge a partir da filosofia de base fenomenológica. Trata-se de uma abordagem em que a interpretação subjetiva ganha mais espaço, considerando o conhecimento como produção da experiência humana. Sua visão do ser humano como um todo integrado e não compartimentado, orientou pesquisas de importantes personagens dessa vertente, como Abraham Maslow e Carl Rogers. Carl Rogers - foi um psicólogo norte americano que desenvolveu a teoria humanista ou teoria da personalidade centrada na pessoa. Para Rogers, as pessoas plenamente funcionais ou psicologicamente saudáveis apresentam essas características: • • Mente aberta para aceitar qualquer tipo de experiência e de novidades. • • Tendência a viver plenamente cada momento. • • Capacidade para se orientar pelos próprios instintos, e não pelas opiniões ou razões de outras pessoas. https://www.youtube.com/watch?v=v4QqBfsdLNU https://www.youtube.com/watch?v=v4QqBfsdLNU null null 16 • • Senso de liberdade no pensamento e na ação. • • Alto grau de criatividade. • • Necessidade contínua de maximizar o seu potencial. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2019, p.382). Carl Rogers enxergava no self, o si mesmo, também chamado de autoconceito, as características construídas a respeito do eu nas relações com o mundo. Para que se tenha uma vida satisfatória, na proposta de Rogers, o indivíduo deve estar em harmonia com seu autoconceito e desenvolver o autoconhecimento (DAVIDOFF, 2011). Rogers criou o conceito de self ideal (eu ideal) e self real (eu percebido). O self real consiste na imagem que o indivíduo tem de si mesmo, enquanto o self ideal é aquele que ele almeja, deseja. Rogers acredita que o ser humano tem a capacidade de entender a si próprio e resolver seus problemas de forma a buscar sua própria satisfação e eficácia ao funcionamento adequado. Assim, se o indivíduo não possui conflitos estruturais profundos, apresenta esta capacidade. Independente da aprendizagem, esta característica é inerente ao homem e para que esteja em funcionamento, o indivíduo deve estar desprovido de ameaças ou desafios à imagem que tem de si mesmo. (SCARTEZINI, 2013, p.04). Rogers desenvolveu diversos conceitos para entender a relação do sujeito consigo mesmo e com os outros, dentre esses conceitos destacam-se congruência e incongruência. Congruência diz respeito ao grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência, é o estado que o indivíduo se encontra de agindo de forma coerente consigo mesmo no qual ele aceitar o outro com sentimentos, experiências e atitudes. (SCARTEZINI, 2013.) Para Rogers a motivação se mostrava de outra forma em relação a personalidade, vendo o impulso como uma força para a realização do self. Diante disso surge o conceito de autorrealização que consiste no mais elevado nível de saúde psicológica. Esse conceito se aparece com o estipulado por Maslow, a diferença é que para Rogers as pessoas precisavam alcançar o estágio de funcionamento pleno. Já a incongruência consiste na diferente entre a tomada de consciência, a experiência do indivíduo e a comunicação. Agir de forma incongruente é não estar em harmonia com seus valores. 17 A forma como o individuo vivencia as situações acabam interferindo na forma como ele age, como ele vê o mundo e as pessoas. Rogers seguia a abordagem humanista e desenvolveu a ideia que o cliente passa por um processo de empatia e aceitação incondicional que auxiliaria na construção da sua autoimagem. (BARROS, 2018). Para Rogers o desenvolvimento da pessoa ocorre quando ele interage com o ambiente. A partir disso ele criou dois conceitos: ajustamento e desajustamento. O ajustamento ocorre quando as experiências vivenciadas pela criança podem contribuir para assimilar uma relação coerente com o autoconceito. Já o desajustamento ocorre quando as experiências são percebidas com incompatíveis e que não estão de acordo com o autoconceito, podem ser negadas ou distorcidas. O trabalho baseado na clínica conduziu Carl Rogers a desenvolver sua teoria sobre a autorrealização (ou autoatualização) como a principal base de seu método psicoterapêutico: a terapia centrada na pessoa. Enquanto a motivação para a mudança atuaria como tendência natural e inata no indivíduo, caberia ao terapeuta “atuar como uma base sólida enquanto o cliente explora e analisa seus problemas” (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2018, p. 382). Abraham Maslow - Foi o psicólogo norte-americano que ficou conhecido pela elaboração de uma pirâmide que indicava a hierarquia de necessidades de todos os indivíduos. Essa teoria global colocava as necessidades básicas como alimentar- se, dormir e ter uma casa, na base da pirâmide, enquanto no topo estariam as necessidades de autorrealização. null 18 Figura 3 - Pirâmide de Maslow. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: Pirâmide dividida em cinco partes de cores diferentes com sím- bolos em cor branca em seu interior. Na base em cor vermelha, símbolos de uma casa, uma camisa, prato e talheres, casal em relações sexuais e boneco dormindo. Logo acima, em cor laranja, um símbolo de atenção, uma arma. Mais acima, em amarelo, símbolo de bonecos masculino e feminino juntos,sinal de wi-fi. Acima, em verde, símbolo de dinheiro, carro e chapéu de forma- tura. No topo da pirâmide, símbolo de uma silhueta humana em cor vermelha sob fundo azul. Como foi dito, Maslow possuía uma visão parecida com Rogers, porém com algumas diferenças. Para Maslow, o indivíduo possuía um desejo inato de autorrealização. “A autorrealização seria o desenvolvimento pleno das habilidades de um indivíduo e realizado de seu potencial.” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2019). Para Maslow, as necessidades seguiam uma prioridade: fisiológicas, de segurança. De pertinência e amor, de estima e de autorrealização. Maslow também desenvolveu termos para que se entendesse acerca da interpretação que o indivíduo possuía sobre suas experiências, são eles: • Experiências Culminantes: esse conceito foi criado por Maslow para se refe- rir aos melhores momentos do ser humanos, como por exemplo, momentos felizes, experiências vividas, máximo gozo (BEZERRA, 2014). • Experiências Platô: já a experiência platô é diferente, é uma forma de ver a vida e vivenciar as experiências do mundo, consistindo em uma mudança de comportamento, e uma nova tomada de consciência. null null 19 • Queixa e metaqueixas: Maslow criou esses conceitos para enfatizar que existem diferentes níveis de reclamações. Queixas podem ser relacionadas a privação de necessidades básicas, essas reclamações podem também estar relacionadas com a questão do reconhecimento o que pode fazer com que o indivíduo fique frustrado. • Motivação de Deficiência e do Ser: para Maslow, essa motivação ocorre por causa de uma necessidade que foi privada ou frustrada. • Amor de Deficiência e do Ser: para Maslow, o indivíduo possui uma neces- sidade de amor, e que isso interfere na construção da sua personalidade, do seu desenvolvimento enquanto ser humano. Se o ser humano não tiver aces- so a esse amor pode desenvolver alguma patologia. • Sinergia: significa uma ação que ocorre da união de diversos elementos, no caso do indivíduo um exemplo é a identificação com o outro, a sinergia é uma mistura entre o pensamento e a ação. Necessidades fisiológicas – fome, sono Necessidades de segurança – estabilidade, ordem Necessidades de amor e pertinência – família e amizade Necessidades de estima – autorrespeito, aprovação Necessidades de autoatualização – desenvolvimento de capacidades. #PraCegoVer: Imagem representando às necessidades segundo Maslow: Necessidades fisiológicas – fome, sono; Necessidades de segurança – es- tabilidade, ordem; Necessidades de amor e pertinência – família e amizade; Necessidades de estima – autorrespeito, aprovação; Necessidades de autoa- tualização – desenvolvimento de capacidades. null null null null 20 Diferentemente dos psicólogos da Gestalt, que tinham na percepção seu principal objeto de interesse, Maslow tinha como principais preocupações, além da visão holística do indivíduo, o tema da autorrealização. Teorias Cognitivo-Sociais da Personalidade: Bandura Albert Bandura nasceu no Canadá e se formou em Psicologia pela University of Lowa em 1952. Figura 4 - Albert Bandura (1925-2021). Fonte: Wikipédia (2022). #PraCegoVer: Fotografia do autor Albert Bandura. Esse estudioso desenvolveu a teoria cognitiva-social. Bandura seguia a linha do behaviorismo, porém ele também acreditava em outras teorias, e sua linha baseava- se em observar e analisar os indivíduos e seus comportamentos na interação (BANDURA et al., 2007). A partir das suas observações, Bandura foi desenvolvendo a teoria de aprendizagem social, significando que o comportamento é formado e pode ser modificado a partir das situações sociais (BANDURA et al., 2007). Bandura desenvolveu o conceito de autoeficácia que diz respeito a ideia que o indivíduo tem de si mesmo, o senso de autoestima, que valor ele acha que tem, se é adequado ou não, se é competente ou não, como enfrenta os problemas. null null null 21 As pessoas com baixo grau de autoeficácia sentem-se inúteis, sem esperança, acreditam que não conseguem lidar com as situações que enfrentam e que têm poucas chances de mudá-las. Diante de um problema, tendem a desistir na primeira tentativa frustrada. Não acreditam que a sua atitude faça alguma diferença nem que controlam e podem mudar o próprio destino (SCHULTZ, SCHULTZ, 2019, p.279). Bandura desenvolveu uma pesquisa e descobriu que a crença no nível de autoeficácia influencia em diversos contextos da vida. Pessoas com autoeficácia elevada se sentem melhor, mais saudáveis, o estresse diminuir, conseguem suportar mais dores. Para o estudioso, respostas comportamentais não são disparadas automaticamente por um estímulo externo, como em uma máquina ou em um autómato. Ao contrário, as reações aos estímulos são autoativadas, iniciadas pela própria pessoa. “Quando um reforço externo altera o comportamento, é porque a pessoa tem consciência da resposta que está sendo reforçada e antecipa a recepção do mesmo reforço ao repetir o comportamento da próxima vez em que a situação ocorrer” (BANDURA et al., 2013, p.277). Para Bandura, o processo de aprendizagem era diferente do que Skinner propôs. A aprendizagem não ocorre por meio do reforço direto, e sim por meio de modelos, que é a observação de um comportamento de outras pessoas e se baseia nessa forma de agir para criar nossos próprios padrões de comportamento. O modelo social que regula o comportamento. Bandura buscava observar como o contexto externo contribui para o desenvolvimento do indivíduo e na sua forma de agir. Diante disso, as técnicas de modelagem serviam para modificar o comportamento. Bandura não acreditava que a crença e a antecipação de algo causavam efeito no comportamento. A modelagem seria uma forma de mudar comportamentos considerados socialmente anormais ou indesejáveis. A visão cognitiva surge ao longo da década de 1970 como reação ao modelo behaviorista. Os psicólogos cognitivos não rejeitaram completamente os princípios behavioristas clássicos, mas incorporaram uma perspectiva ocupada em investigar a mente e voltada para o desenvolvimento de métodos pragmáticos e objetivos. Ambas, trazem como central a noção de que a mente deve ser estudada através do comportamento, e não a consciência, como postulavam seus antecessores. Um dos conceitos mais importantes da abordagem cognitiva é a teoria da aprendizagem social, cuja proposta enfatiza o papel da influência da observação do comportamento dos outros e do ambiente nos processos cognitivos internos. 22 Esta análise foi aperfeiçoada por Alfred Bandura, teórico que desenvolveu a teoria social-cognitiva. Neste modelo, há uma relação de reciprocidade entre ambiente e comportamento, com o primeiro exercendo influência para modificar o segundo, e não somente o contrário (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2018). Teorias Comportamentais: Skinner e Ellis Burrhus Frederic Skinner é um grande nome dentro da psicologia e da análise do comportamento. Ele foi desenvolvendo estudos para explicar o comportamento humano. Seus estudos inicialmente foram com animais, no caso ratos, no qual ele os colocava em uma caixa e ensinava eles a pedir comida pressionando uma barra. A caixa de Skinner como é identificado contribuiu para que surgissem diversas explicações acerca de como o indivíduo se comporta. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). A análise do comportamento é uma ciência que busca estudar o comportamento. Sua premissa básica é o estudo do ambiente como algo que pode afetar o comportamento do indivíduo. A análise do comportamento é tanto uma ciência como uma abordagem psicológica, que incialmente está focada em estudar o comportamento. O ambiente que tanto é citado na ciência do comportamento é tudo aquilo que pode afetar o comportamento. E tudo aquilo que pode afetar um comportamento é definido como variáveis. E, nesse caso, existem duas as mecânicas, químicas e sociais. Skinner mesmo interessado nos ensinamentos de Pavlov e Watson, também discordava de algumas ideias dessesteóricos. E, por isso, começou a aprimorá-las. Quando estudamos o behaviorismo de Skinner percebe-se uma certa diferença no que se conhece das pesquisas iniciais com Pavlov e Watson. Para o behaviorismo de Skinner, o homem é visto como um organismo, e seu comportamento é determinado por variáveis ambientais em que ele dividiu em três níveis de seleção: filogenético, ontogenético e o cultural. Ele se baseou também no modelo de casualidade proposto por Darwin, o modelo de seleção para explicar o comportamento. Skinner não desenvolveu uma teoria da personalidade, mas possuía uma visão de como ela poderia ser formada. Como vimos Skinner representava o behaviorismo, nessa teoria o “Comportamento humano é explicado pelas influências dos estímulos do meio” (DE ALMEIRA, 2013, p.82-83). Para ele, a aprendizagem ocorria por meios null 23 dos estímulos emitidos no contexto social no ambiente em que o indivíduo estava inserido. O trabalho de Skinner trouxe várias, tanto no ensino como na terapia e certamente a partir dele outros teóricos vieram para ampliar essa teoria, modificá-la ou até mesmo dela divergir. Para ele o aprendizado acontece por meio do reforço (positivo e negativo), punição (positiva e negativa), extinção e modelagem (DE ALMEIDA, 2013, p. 85). Isto é, as teorias que se baseiam na análise do comportamento não desenvol- veram estudos voltados para a personalidade como os outros teóricos. A personalida- de é trabalhada de outra forma, vista enquanto comportamento verbal. No artigo “Uma reflexão sobre o uso do conceito de personalidade na Análise do Comportamento”, é possível entender a relação da Análise do Comportamento e de Skinner com a “personalidade”. Para acessá-lo, clique aqui. Saiba mais A tabela a seguir foi criada para compreender melhor alguns termos que são usados dentro da terapia comportamental. TERMO SIGNIFICADO Estímulo Qualquer alteração no ambiente que produza alteração no organismo. Resposta Qualquer alteração no organismo produzida por uma alteração no ambiente Reflexo Uma relação entre um estímulo e uma resposta Eliciar Produzir Esquiva Comportamento mantido por reforçamento negativo que ocorre antes da apresentação do estímulo aversivo. A emissão da resposta evita a apresentação do estímulo aversivo . Fuga Comportamento mantido por reforçamento negativo que ocorre quando o estímulo aversivo já está presente no ambiente. A consequência reforçadora é a retirada do estímulo aversivo do ambiente . Extinção Na extinção, um comportamento produzia uma consequência reforçadora e, por algum motivo, esta deixa de ocorrer . Reforço Positivo Aumenta a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer pela adição de um estímulo reforçador ao ambiente. https://comportese.com/2016/12/20/uma-reflexao-sobre-o-uso-do-conceito-de-personalidade-na-analise-do-comportamento/ null 24 Reforço Negativo Aumento da frequência de um comportamento que tem como consequência o adiamento da apresentação ou a retirada de um estímulo do ambiente . Punição Punição pode ser definida funcionalmente como a consequência que reduz a frequência do comportamento que a produz . Punição Positiva Diminui a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente pela consequente adição de um estímulo aversivo ao ambiente. Punição Negativa Diminui a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente pela consequente retirada de um estímulo reforçador (de outros comportamentos) do ambiente . Fonte: Adaptado de Moreira e Medeiros (2018, p. 79-80). Outros termos debatidos por Skinner são comportamento operante e comportamento reflexo. O condicionamento operante é aquele que ocorre em um momento de aprendizagem no qual um comportamento é emitido por um organismo em vez de ter sido realizado por algum estímulo detectável. Isto é, esse comportamento ocorre sem nenhum estímulo antecedente externo observável. Para Skinner, o comportamento verbal era aprendido e não inato. Já o condicionamento ou comportamento reflexo segundo os teóricos é aquele que não envolve o pensamento, é realizado de forma mecânica ou automática. Quando destacamos a parte prática a análise do comportamento aplicada na clínica desenvolve intervenções focadas na análise funcional e dessensibilização. A análise funcional consiste em entender qual a função do comportamento que o indivíduo emite. Nessa intervenção, busca-se interpretar as relações funcionais do paciente. O objetivo é identificar relações de dependência, comportamentos que podem causa sofrimento para o paciente. Esse é o primeiro caminho para criar a intervenção e atuar na queixa do paciente. A análise funcional clássica, que estaria distante de representar uma aplicação científica do conceito cientificamente derivado, é descrita por Hayes e Follette (1992) como uma metodologia de “avaliar-formular- intervir-avaliar”, constituída dos seguintes passos: 1) identificar características potencialmente relevantes do cliente individual, seu comportamento e o contexto no qual ocorre, através de uma avaliação ampla (p.349); 2) organizar a informação coletada no passo 1 em uma análise preliminar das dificuldades do cliente em termos de princípios comportamentais, de modo a identificar relações causais importantes que poderiam ser mudadas (p.350); 3) juntar informação adicional com base no passo 2 e finalizar a análise conceitual (p.350); 4) planejar uma null 25 intervenção com base no passo 3 (p.350); 5) implementar o tratamento e avaliar a mudança (p.350); e 6) se o resultado não for aceitável, retornar aos passos 2 e 3 (p.350). (NENO, 2003, p. 157). A técnica de dessensibilização: é um processo no qual se busca diminuir responsividade do sujeito. É utilizada para reduzir ou eliminar respostas emocionais que causam ansiedade. Apresentar formas fracas de estímulo temido. Por exemplo: fobia de avião, nesse caso, o profissional mostra uma foto do avião, ou algo parecido, para que o indivíduo vá perdendo o medo e vendo que não é algo a ser temido. Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC) – Albert Ellis Albert Ellis foi responsável por desenvolver a terapia racional emotiva comportamental por volta dos anos 1950. Esse autor começou a questionar-se sobre as bases psicanalíticas a partir da premissa de que os pacientes poderiam desenvolver uma visão sofisticada de seus problemas psicológicos (SCHULTZ, SCHULTZ, 2005). Ellis desenvolveu o conceito voltado para as crenças irracionais. Segundo Ellis o indivíduo desenvolve essas crenças baseado na ideia que tem de si mesmo, sobre as outras pessoas e sobre o mundo. O termo crenças irracionais tem esse nome porque tem pouca sustentação empírica, ou seja nem tudo que o indivíduo pensa pode ser verdade, podendo ter um raciocínio errôneo daquele evento. A origem das crenças irracionais está no próprio ser humano, que nasce tanto crédulo quanto educável e aceita toda a sorte de ideias, sentimentos e ações que seus pais e cuidadores mostram, sejam eles funcionais ou não. Mesmo quando se aceitam crenças irracionais alheias, há uma tendência a se reconstruir tal crença e mantê-la ativa, mesmo que ela se manifeste apenas anos depois de aprendida (MATTA, BIZARRO, REPPOLD, 2009, p. 71). Ellis classificou esse grupo de crenças como irracionais que englobam as atitudes, expectativas e regras e que essas crenças se disfuncionais podem acarretar diversos problemas psicológicos. A TREC tem como pressuposto que a cognição irracional desempenha um papel importante na explicação das respostas emocional e comportamentais. A partir daí surge o modelo ABC. null null 26 MODELO ABC – Ellis Esse modelo funciona da seguinte forma: as (A) interferências feitas sobre eventos ativadores estimulam um (B) sistema de crenças irracionais com (C) consequências que podem ser emocional, cognitiva, ou comportamental. A – Sobre determinada Experiências ou fatos ativadores. B – São determinadas pelo sistema de crenças do indivíduo. C – Consequências, as quaispodem ser de natureza emocional. Transtornos Alimentares e Temas em Saúde Mental Os transtornos alimentares são definidos pela Associação Psiquiátrica Americana “Como uma perturbação em relação ao comportamento alimentar, que pode levar a prejuízos clínicos, psicológicos e sociais.” (DSM-5, 2014, p. 153). Eles podem ter início na adolescência e afetar o psicológico, o físico e o social. O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) indica que os transtornos alimentares podem ter sintomas semelhantes aos transtornos por uso de substâncias: fissuras e padrões de uso compulsivo. Dentre os transtornos alimentares estão o transtorno de ruminação, o transtorno alimentar restritivo/evitativo, a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar. O transtorno de ruminação é um transtorno que tem como característica a regurgitação repetida de alimento durante um período mínimo de um mês. Esse alimento por ser remastigado, deglutido ou cuspido. O transtorno alimentar restritivo/evitativo consiste em uma perturbação alimentar, por exemplo, desinteresse na alimentação, ou em alimentos, preocupação e sentimento de fracasso após satisfazer suas necessidades nutricionais. Vigorexia A vigorexia está relacionada com transtorno dismórfico muscular, isso quer dizer que o indivíduo desenvolve de uma maneira patológica a vontade por ser forte. Dismorfia Muscular ou Síndrome de Adônis: nesse caso, o indivíduo possui uma preocupação acerca da estrutural do seu corpo no qual acredita que possui poucos músculos. null null null 27 O transtorno dismórfico corporal no indivíduo pode ter comportamentos repetitivos como se olhar no espelho, se comparar com os outros e beliscar a pele. Essa preocupação acaba causando um sofrimento clinicamente significativo, interferindo nas relações sociais e profissionais. Pessoas com esse transtorno acreditam que as outras pessoas estão olhando para elas e que estão rindo devido a sua aparência. Esse transtorno pode ser associado a níveis altos de ansiedade, esquiva social, humor deprimido, neuroticismo etc. Consequências: prejuízo no funcionamento social, os indivíduos ficam em casa. O comportamento de beliscar a pele pode gerar cicatrizes ou lesões. Os problemas mais comuns são insuficiência renal ou hepática. O tratamento consiste em acompanhamento psicológico, psiquiátrico e nutricional. Anorexia O termo anorexia foi designado para identificar comportamentos e pensamentos disfuncionais acerca da busca pelo emagrecimento A anorexia nervosa acontece quando o indivíduo não mantém o peso corporal em um nível considerado adequado para a idade a altura, pois existe um temor relacionado ao aumento de peso. Tanto o diagnóstico da anorexia nervosa quanto o da bulimia nervosa levam em consideração 3 características: 1. A superestimação da forma e do peso, ou seja, julgar a si próprio, em grande parte ou, até mesmo, exclusivamente, em termos de forma e peso. 2. Isso se expressa muitas vezes como um forte desejo de ser magro combina- do com um medo intenso de ganhar peso e ficar gordo. 3. A manutenção ativa de um peso corporal indevido (por exemplo, menos de 85% do esperado ou um Índice de Massa Corporal ≤ 17,5) null 28 Existe a caquexia que é um termo utilizado para definir um processo de massa celular no qual acontece a redução da ingestão de alimento, diminuição de atividade física. Pode aparecer em doenças crônicas como AIDS e câncer. A caquexia tem relação com a anorexia, pois a anorexia pode levar a desnutrição influenciando nos mecanismos que atuam no corpo. A perda involuntário de peso devido ao transtorno. Saiba mais Tratamento: o tratamento da anorexia consiste em acompanhamento nutricional (suplementação nutricional), acompanhamento psiquiátrico por meio de medicação, e acompanhamento psicológico por meio da psicoterapia. A anorexia começa na adolescência ou na fase adulta jovem. Bulimia A bulimia são episódios relacionados à compulsão alimentar, quando se é ingerido uma quantidade exagerada de alimentos em um período curto de tempo. Após essa ação, o indivíduo pode desenvolver comportamentos compensatórios como dietas restritivas, jejum, vômito forçado etc. São critérios diagnósticos da Bulimia Nervosa (DSM-5, 2014): 1. Superestimação de forma e peso, como na anorexia nervosa. 2. Compulsão alimentar recorrente. Um episódio de compulsão é ingerir uma quantidade objetivamente grande de comida e ter uma sensação de perda de controle no momento. 3. Comportamento de controle de peso extremo, como restrições alimentares rígidas, vômitos auto induzidos recorrentes ou uso frequente e indevido de laxantes. Para que ocorra o diagnóstico de bulimia nervosa esses comportamentos devem ocorrem no mínimo uma vez por semana por três meses. A bulimia nervosa pode começar na adolescência ou na fase adulta. As consequências são: limitações funcionais como prejuízo grave no desempenho de papéis, por exemplo, o domínio social da vida, o que, normalmente, é o mais afetado. null 29 Ortorexia Tanto a ortorexia quanto a vigorexia são consideradass transtornos alimentares recentes. A ortorexia é caracterizada como uma obsessão patológica por ter uma alimentação correta, com alimentos saudáveis, sem pesticidas ou substâncias artificiais. Vídeo: “A psicologia da compulsão alimentar”.https://www. youtube.com/watch?v=_dHkU023-Rs Saiba mais Transtornos de Personalidade A classificação da CID-10 (OMS, 1997) conceitua transtorno de personalidade da seguinte forma: como uma disfunção que interfere no plano intrapsíquico e até mesmo nas relações interpessoais. Os transtornos de personalidade podem surgir na infância ou na adolescência. Eles são organizados em três grupos (DSM-5, 2014): A. Esquisitos e/ou desconfiados: incluindo os transtornos de personalidade pa- ranoide, esquizotípica. Pessoas diagnosticadas com esses transtornos são vistas como excêntricas, esquisitas, ou seja diferente. B. Instáveis e/ou manipuladores: transtorno da personalidade antissocial, bor- derline, histriônica e narcisista. Pessoas diagnosticadas com esses transtor- no parecem dramáticos, emotivos ou erráticos. C. Ansioso e/ou controlados-controladores: transtorno de personalidade evitati- va, dependente e obsessivo-compulsivo. Pessoas diagnosticadas com esses transtornos são vistos como ansiosos ou medrosos. Importante enfatizar que existe a diferença entre traço de personalidade e transtorno de personalidade. Traços de personalidade: são comportamentos, padrões relacionados a percepção que se manifestam em diversos contextos, como relacionamento, de pensamento em relação a si mesmo, ao ambiente em que vive e em relações sociais. https://www.youtube.com/watch?v=_dHkU023-Rs https://www.youtube.com/watch?v=_dHkU023-Rs null null 30 Já os transtornos de personalidade ocorrem quando os traços de personalidade quando se tornam inflexíveis e mal-adaptativos provocando um prejuízo na vida da pessoa, e causando sofrimento subjetivo. O diagnóstico dos transtornos de personalidade é realizado da seguinte forma: avaliando os padrões funcionais do indivíduo e as características particulares da personalidade que são evidentes desde o início da fase adulta. Vídeo “ 9 fatos sobre transtornos mentais.” https://www.youtube. com/watch?v=s0jCmpFavGw Saiba mais https://www.youtube.com/watch?v=s0jCmpFavGw https://www.youtube.com/watch?v=s0jCmpFavGw 31 Conclusão Noção de pessoa para as perspectivas psicológicas Teorias psicanalíticas: controle do inconsciente Teorias comportamentais: controle do ambiente Teorias humanistas: controle do self Estrutura do aparelho psíquico para Freud Primeira teoria: inconsciente, pré-consciente e consciente Segunda teoria: id, ego e superego 32 Referências DE ALMEIDA, Alana Peixoto et al. Comparação entre as teorias da aprendizagem de Skinner e Bandura. Caderno de Graduação-Ciências Biológicas e da Saúde – UNIT- ALAGOAS,v. 1, n. 3, p. 81-90, 2013. ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais . Porto Alegre: Artmed, 2014. BANDURA, Albert et al. Teoria Social Cognitiva. 1 ed. Tradução. Porto Alegre: Artmed, 2007. BARROS, Maria Luzia Rodrigues et al. 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