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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas Para Profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Organização dos Anais Ana Cláudia de Araújo Xavier (IDJ) Elisângela Bezerra Magalhães (UFC) Jacqueline Vieira de Araujo (IDJ) Jair Lino Soares Júnior (UFC) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ANAIS NOVAS PERSPECTIVAS PARA PROFISSIONAIS DO SÉCULO XXI Fortaleza, outubro 2017 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 COORDENAÇÃO GERAL Ana Cláudia de Araújo Xavier (IDJ) Elisângela Bezerra Magalhães (UFC) Emanuel Ramos Sales (IDJ) Jair Lino Soares Júnior (UFC) Luciene Santos Lima (UVA/ IDJ) DIAGRAMAÇÃO Jacqueline Vieira de Araujo (IDJ) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 COMISSÃO CIENTÍFICA / PARECERISTAS Dr. Gleudson Passos Cardoso (UECE) Dr. Francisco José Lopes Cajado (IDJ) Dra. Adriana Eufrásio Braga (UFC) Dra. Eliene Pierote (UESPI) Dra. Ivoneide Pinheiro de Lima (UECE) Dra. Flávia Viana (UFRN) Dra. Karla Angélica Silva do Nascimento (UFC) Dra. Maria Palmira Soares (UECE) Dra. Maria do Carmo Alves (USP) Dr. Jorge Carvalho Brandão (UFC) Dr. Cícero Magérbio Torres (UFC/URCA) Ma. Lilianne Moreira Dantas (UFC) Me. Daniel Brandão Menezes (UFC/UVA) Me. Emanuel Ramos Sales (UNIFOR) Me. José Airton Castro Bezerra (UFCG) Me. Marcos Alexandre Lima de Oliveira (IDJ/UNIFOR) Me. Marcos Wender Santiago Marinho (IDJ/UECE) Ma. Ana Maura Tavares dos Anjos (UERN) Ma. Ana Paula Vasconcelos de Oliveira Tahim (UFC) Ma. Denise Santos (UFPE) Ma. Elisângela Bezerra Magalhães (UFC) Ma. Fernanda Cíntia Costa Matos (UFC) Ma. Francilene do Rosário Matos (UFMA) Ma. Ivanise Maciel de Albuquerque (UVA) Ma. Jocyana Cavalcante da Silva (IDJ/UFC) Ma. Liana Nise Martins (UFCG) Ma. Maria Danielle Araújo Mota (UFC/UFAL) Ma. Maria Luiza Feitosa Cajuaz Bento (IDJ) Ma. Mirtes Rose Menezes da Conceição (UFS) Ma. Vanessa Moreira dos Santos (UFPE) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 SUMÁRIO REPENSANDO AS POSTURAS E PRÁTICAS DOCENTES: ATIVIDADES SIGNIFICATIVAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA Izabel Cristina Pereira Araújo Fontenele Elisângela Bezerra Magalhães Jair Lino Soares Junior .....................................................................................................................................10 PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL Samuel Araújo Loureiro Nídia Seledônio Reis Claudio Lino da Silva Rodrigues .....................................................................................................................26 A PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA EM CULTURA ORGANIZACIONAL: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA NO PERÍODO DE 1995– 2016. Antonia Jessyca Nayane Barbosa da Silva Francisco Egberto Martins Melo Bárbara Sampaio de Menezes...........................................................................................................................39 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) DE FORTALEZA EM DIALOGO COM O DOCENTE NO ACOLHIMENTO DO ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA Jéssica Nayara Silva Brandão Renata da Silva Aguiar .....................................................................................................................................52 DESTINAÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA FEIRA LIVRE DE MESSEJANA Francisco Eder Nunes Maia Denise Maria Santos Jean Carlos de Araújo Brilhante ......................................................................................................................66 ATITUDES DOCENTES COM CRIANÇAS INCLUSAS EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE FORTALEZA Cristiane de Oliveira Rezende Carolina Eckrich Canuto .................................................................................................................................76 POR UMA GRAMÁTICA DOTADA DE SENTIDO FOCADA NA COMUNICAÇÃO E NA INTERAÇÃO - REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA Francisco Walisson Ferreira Dodó Denise Santos Fernandes ..................................................................................................................................88 ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO A INCLUSÃO DE CRIANÇAS NO MUNICIPIO DE FORTALEZA Antônia Lúcia Nascimento Santana ...............................................................................................................100 O ENSINO DA MATEMÁTICA DIANTE DA NOVA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: CONCEPÇOES APRESENTADAS POR PROFESSORES Francisco Arnaldo Lopes Bezerra Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Francisca Marcia Coelho de Meneses Gilmar Alves de Farias ................................................................................................................................111 INTERDISCIPLINARIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL POSSIBILIDADES PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA COM SIGNIFICADO Maria Nilba dos Santos Paiva Rafaela da Silva Ribeiro .................................................................................................................................121 O CONHECIMENTO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UM ESTUDO EM ESCOLAS PÚBLICAS NO CONJUNTO NOVA METRÓPOLE EM CAUCAIA – CE Rebeca dos Santos Façanha de Sousa Maria Guiomar de Lima Rodrigues Cardoso Maria Neurismar Araújo de Souza .................................................................................................................133 DIREITO E FAMÍLIA – CONCEPÇÕES FAMILIARES E INCLUSÃO EDUCACIOCA Antonio Vatemberge Pereira da Silva Renê Costa Macedo Francisco José Mendes Vasconcelos .............................................................................................................147 O USO DO SEMINÁRIO COMO PROCEDIMENTO AVALIATIVO NA AULA UNIVERSITÁRIA DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE UMA INSTITUIÇÃO PRIVADA DE FORTALEZA/CE Aline Silvestre Mendes ..................................................................................................................................159 O ENSINO DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA PROPOSTA DE MEDIAÇÃO COM CONTEÚDO DE ESTATÍSTICA Luciana Soares de Oliveira Maria José Costa dos Santos Ana Cláudia de Araújo Xavier........................................................................................................................171 MATEMÁTICA E A TOPOGRAFIA: A NECESSIDADE BÁSICA DAS RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS Francisco Arthur Alves Noronha ................................................................................................................184 A PRÁTICA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO NA ESCOLA JOSÉ RODRIGUES MONTEIRO EM AQUIRAZ – CEARÁ César Lima Costa Herculano Rodrigues do Nascimento .............................................................................................................197 A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL NOS ANOS ESCOLARES E OS DESAFIOS DA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE Carolina Eckrich Canuto Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Luciana dos Santos dos Anjos Cristiane de Oliveira Rezende ........................................................................................................................207 DIFICULDADES DA AÇÃO DOCENTE EM MATEMÁTICA COM ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS Liliann de Fátima Sousa da Silva Elisângela Bezerra Magalhães Ivoneide Pinheiro de Lima ............................................................................................................................221 A CRIANÇA E A CONSTRUÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA: UMA PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA Maria Andressa Lima dos santos Santana ......................................................................................................233 A CONTRIBUIÇÃO DA MÚSICA COMO SUPORTE NO DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO: EXPERIÊNCIAS DA APAE – SOBRAL Gleydson Frota de Almeida ...........................................................................................................................245 O PAPEL DA PROFESSORA NA PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DOS BEBÊS NO CONTEXTO DA CRECHE SOB UMA PERSPECTIVA WALLONIANA Maria Crélia Mendes Carneiro .......................................................................................................................256 FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: NOVOS CAMINHOS OU REPETIÇÃO DE VELHAS PRÁTICAS? Juliana Sara Costa Matos Fernanda Cíntia Costa Matos .........................................................................................................................270 INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EFICIENTE Jacqueline Vieira de Araújo Emanuel Ramos Sales Raimunda Cristina Melo Mota .......................................................................................................................280 TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DOS LIDERES DA PREFEITURA MUNICIPAL DE PACAJUS Regina Maciel de Sousa Marcos Alexandre Lima de Oliveira ..............................................................................................................292 O IMPACTO DA LIDERANÇA DO GESTOR NA MOTIVAÇÃO E COMPORTAMENTO DOS COLABORADORES EM UMA EMPRESA MULTINACIONAL DE SERVIÇOS HOSPITALARES Nataly Raquel de Oliveira Calves Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Marcos Alexandre Lima de Oliveira ..............................................................................................................305 CONTROLE EXTERNO E SOCIAL UMA PARCERIA IMPORTANTE PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Claudio Lino da Silva Rodrigues Nídia Seledônio Reis Castro Samuel Araújo Loureiro .................................................................................................................................313 AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS A PARTIR DO MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO Francisco Arthur Alves Noronha ...................................................................................................................323 GESTÃO HUMANIZA E PARTICIPATIVA COMO FERRAMENTA PARA CONQUISTAR O DEFERENCIAL COMPETITIVO Natielle Taveira Germano Emanuel Ramos Sales ....................................................................................................................................334 A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS MATEMÁTICOS NO AMBIENTE ALFABETIZADOR Amanda Bazilio Sousa Cavalcante Herculano Rodrigues do Nascimento .............................................................................................................346 LUDICIDADE: O QUE DIZEM OS REFERENCIAIS CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL? Ana Paula Souza do Nascimento Ana Patrícia Sousa do Nascimento?...............................................................................................................356 CONTRIBUIÇÕES DA ARTE TEATRAL NA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA: EXPERIÊNCIAS DAS AÇÕES DO PIBID NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Josivando Ferreira da Cruz Maria Gorete Cardoso da Silva Antonio Marcio Paiva Chagas ......................................................................................................................368 ALFABETIZAR NA PERSPECTIVA DA SUSTENTABILIDADE: UM OLHAR SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA NO PROJETO MOVA-BRASIL Erbenia Maria Girão Ricarte Erinelda da Costa Paixão Paloma Braga Caliope ....................................................................................................................................379 CAMINHOS E DESCAMINHOS DAS LEIS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA PERSPECTIVA DE ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA Sissi Auxiliadora Galvão Toscano Nojosa .....................................................................................................391 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 UM OLHAR PSICOPEDAGÓGICO PARA O TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH) Dennis Orion Pereira dos Santos Geângela de Fátima Sousa Oliveira Maria Andressa Lima dos Santos Santana .....................................................................................................402 ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA CEGA NO BRASIL Luciana dos Santos dos Anjos Carolina Eckrich Canuto Rebeca dos Santos Façanha de Sousa ...................................................................................................416 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 APRESENTAÇÃO Aos professores, estudantes, colaboradores do Instituto Dom José de Educação e Cultura (IDJ), e todos os participantes oriundos de outras instituições. Nosso muito obrigado O seminário Novas Perspectivas para Profissionais do Século XXI. Possibilitou intercâmbio e interação de pesquisas entre docentes e discentes das diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) do estado do Ceará, bem como de outros estados, professores e pesquisadores de diferentes áreas se fizeram presentes trocando experiências e apresentando resultados de suas pesquisas. As pesquisas foram apresentados em forma de pôsteres ou comunicação oral, mesas redondas, oficinas e palestras enriqueceram o evento. No total de 38 trabalhos de autores de diferentes instituições de ensino superior de diversos cursos compõem estes ―ANAIS que disponibilizamos para os leitores que se formalizam em resultados de pesquisas bibliográficas e ou de campo. Os artigos aqui publicados, não representam a opinião da Comissão Científica, sendo de inteira responsabilidade de seus autores. Organização Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas Para Profissionais do Século XXI” ISSN: REPENSANDO AS POSTURAS E PRÁTICAS DOCENTES: ATIVIDADES SIGNIFICATIVAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA Izabel Cristina Pereira Araújo Fontenele 1 Elisângela Bezerra Magalhães 2 Jair Lino Soares Junior 3 RESUMO O presente artigo pretende discutir as atitudes docentes frente às dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos estudantes na disciplina de matemática. Partindo dessa permissa temos como perspectiva e objetivo principal analisar a atitude docente a partir da contribuiçãocom atividades matemáticas significativas e avaliar se as mesmas motivam os estudantes para aprendizagem. A pesquisa foi desenvolvida quali-quantitativa, sendo uma pesquisa tipo estudo de caso, desenvolvida em uma escola de ensino fundamental, com 05 alunos do 6º. Ano. A pesquisa foi fundamentada pelos autores: Rangel (1992), apoiado por um grande conhecimento da teoria piagetiana. Johson e Myklebust (2006) e Lorenzato (2006) entre outros. Foi possível identificar algumas dificuldades e as possíveis origens delas. A pesquisa possibilitou identificar que a postura e atitude docente faz muita diferença no momento da mediação do ensino da disciplina de matemática. A metodologia professor é de suprema importância para que haja um bom resultado no desenvolvimento da aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: Ensino ; prática docência; aprendizagem significativa. INTRODUÇÃO Para falar das dificuldades de aprendizagem em matemática não é tão simples, por se tratar de uma disciplina complexa que a maioria dos estudantes sentem um certo receio para entender e aprender a determinada disciplina. Essas dificuldades podem ocorrer por diversos fatores como: mentais, psicológicos e pedagógicos entre outros que precisam ser investigados para que possa desenvolver atividades adequadas para os estudantes. 1 Psicopedagoga Institucional, (IDJ/FACPED) Pedagoga ( UVA) E-mail: icparaujo@hotmail.com 2 Doutoranda UFC- Educação brasileira E-mail: lala2magalhaes@gmail.com 3 Mestrando UFC – Educação brasileira E-mail: junior.jairlino@gmail.com 10 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O interesse por essa pesquisa surgiu diante da experiência dos autores com o tema e a observação da dificuldade de alguns estudantes de aprenderem o conteúdo de matemática no 6°ano do ensino fundamental II de uma escola particular de Fortaleza Ceará. As dificuldades de compreender os conteúdos estão deixando os alunos desestimulados, desmotivados e estão perdendo a curiosidade pelos conteúdos causando desinteresse e antipatia pela disciplina. As dificuldades de capacidades matemática apresentada pelo individuo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. (SANCHEZ 2004, pg.177). O principal objetivo desta pesquisa foi analisar a contribuição das atividades matemáticas significativas e avaliar se as mesmas motivam os estudantes para aprendizagem. Diante da experiência em sala de aula como docente, algumas indagações foram se fazendo presente: Por que os educandos não estão conseguindo compreender os conteúdos emirados durante o ano letivo de 2016? Será que essas dificuldades já vêm dos anos anteriores? Eles estão tendo dificuldade de transição do 5° ano para o 6º ano? Nessa perspectiva investigamos quais características de alguns estudantes do 6º ano na disciplina matemática. José e Coelho (1997) traz considerações que a partir dos 7 ou 8 anos, com a introdução dos símbolos específicos e das operações básicas as dificuldades tornam-se mais aparentes. A metodologia utilizada para desenvolver a pesquisa foi quali-quantitativa, sendo uma pesquisa tipo estudo de caso. Fundamentaram essa pesquisa autores que se dedicam ao estudo mais aprofundado da Matemática como: Rangel (1992), apoiado por um grande conhecimento da teoria piagetiana traçou relações da vida escolar do aluno ligada ao meio social. Para Johson e Myklebust (2006) a dificuldade de aprender matemática está ligada a vários fatores, como desordens e fracassos em aritmética. A estrutura desse artigo está dividida nas seguintes partes: I) O ensino da matemática; II) Aprendizagem matemática alguns fatores que interferem; III) Ações metodológicas da pesquisa; IV) Análise da pesquisa. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 1. O ENSINO DA MATEMÁTICA Percebemos que não é fácil desenvolver um trabalho que seja satisfatório para o processo de desenvolvimento da aprendizagem, onde os estudantes tenham bom rendimento e o professor consiga resultados positivos na sua vida docente. Atualmente o ensino da matemática está presente praticamente em todas as áreas da sociedade, como: química, física, arquitetura, informática e engenharia, entre outras. Hoje se percebe que não dar para viver sem os conhecimentos da matemática, pois tem um papel fundamental nos âmbitos da sociedade. A matemática é usada frequentemente, desde uma simples compra de um produto, até as mais complexas situações cotidianas. Melhor dizermos em tudo que olhamos existe matemática. O ensino da matemática indica que para que o estudante consiga construir seu conhecimento matemático é preciso que o professor esteja preparado, dominando a disciplina, para que através dela possa organizar estratégias que facilite a aprendizagem. Não basta saber só o conteúdo, é preciso que o professor seja conhecedor da realidade em que os estudantes se encontram, assim poderá planejar as aulas partindo da atual situação de conhecimento dos mesmos. Segundo Lorenzato (2006 p.27): [...] ninguém vai a lugar algum sem partir de onde está, toda a aprendizagem a ser construída pelo aluno deve partir daquela que ele possui, isto é, para ensinar é preciso partir do que ele conhece, o que também significa valorizar o passado do aprendiz, seu saber extraescolar, sua cultura primeira adquirida antes da escola, enfim, sua experiência de vida. No entendimento do autor faz-se fundamental considerarmos a individualidade de cada estudante com sua singularidade, assim será possível haver uma aprendizagem de qualidade, construída a partir das experiências já existentes nos estudantes. Para LORENZATO (2006 p.51-52) é necessário que o professor se questione em cada aula: “para que servirá aos meus alunos aprender esse conteúdo? Quais são os conceitos fundamentais desse conteúdo? De quais meios e estratégias disponho para proporcionar a aprendizagem? ” Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Para Carvalho (2005) ensino da matemática está dividido em três componentes. O primeiro refere-se à Conceituação, na qual, por meio de “aulas teóricas”, o professor apresenta definições, proposições, fórmulas (possivelmente deduzidas), e relaciona os novos conceitos com os já conhecidos pelos alunos. A seguir, tem-se o momento da manipulação, caracterizado pelos “ exercícios de fixação, onde é oportunizado aos alunos aplicarem os conceitos das “aulas teóricas”. E finalmente, tem o terceiro componente, a Aplicação, na qual objetiva-se relacionar o conhecimento teórico com a solução de situação concreto. Ao observamos que a realidade da maioria das escolas é isso que acontece, por várias razões, seja o docente a seguir o roteiro do livro didático ou simples fato de não querer renovar sua metodologia, não oportunizando novos meios para que facilite a aprendizagem de uma disciplina tão complexa. Entendemos que não basta o professor ser um excelente conhecedor da matemática, é necessário que ele seja criativo e consiga reunir habilidades para motivar os estudantes, ensinando-os a pensar, estimulando a imaginação destes. 2. PRINCIPAIS CARACTERÍTICAS DA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA. A matemática por ser essa disciplina que causam “medo” na maioria dos estudantes, faz- se necessário que tenhamos entendimento sobre as características principais sobre as dificuldades que esses estudantes apresentam. O transtorno na Matemática caracteriza-se da seguinte forma segundo (Sanchez, 2004, p. 177): A capacidade matemáticapara a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo não atinja à média esperada para sua idade cronológica. As dificuldades da capacidade matemática apresentada pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas ultrapassem aquelas que geralmente está associada. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades linguísticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos ou aritméticos, ou agrupamentos de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação) e matemáticas (dar sequência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação). São variadas as características da dificuldade de aprendizagem em matemática, no entanto vários fatores dificultam a possibilidade de conhecer e solucionar essas dificuldades. Torna-se importante reconhecer as características de onde a disciplina restringe e onde amplia a aprendizagem por parte dos estudantes, para que se ofereça aos professores de matemática, condições de melhorar o desempenho do ensino e conduzindo- os para uma melhor prática docente. Um dos fatores que podem influenciar o desinteresse dos estudantes em relação ao conteúdo de matemática é a falta de contextualização das atividades, fazendo com que os educandos não relacionem a matemática desenvolvida na escola com seu cotidiano. Para Muniz (2008). Quando o professor utiliza situações-problemas desprovidas de significado, essas podem não ter o mesmo sentido e nem tampouco o mesmo valor para o aluno. O conteúdo que não tem nada a ver com o seu cotidiano, trará para estudante um sentimento de que ele nunca servirá em sua vida, percebe-se que o desinteresse é significativo, causando cansaço mental com a disciplina. O ensino dos conteúdos na escola deve nortear e permitir que o estudante compreenda o conteúdo por meios de exemplos direcionados ao seu cotidiano para que, sejam capazes de resolver os problemas mais complexos que venha aparecer na sua vida estudantil ou mesmo do seu dia-a-dia. Desta forma os educandos terão segurança e autonomia para tomarem decisões em diversas situações. Diante das leituras que fizemos identificamos que existem outros fatores que prejudicam o desenvolvimento da aprendizagem de matemática. Vamos citar alguns: Formação do professor de matemática: A formação universitária do professor é extrema importância para que possa desempenhar sua profissão com compromisso e Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 responsabilidade. O professor deve tem que se aperfeiçoar profissionalmente durante o percurso de sua formação, ter feito um bom estágio e ter tido uma boa orientação no início de sua carreira. Utilizar essa aprendizagem como ferramenta para desenvolver uma boa aula, onde haja a aprendizagem desejada. Segundo Lorenzato,2006: “No entanto, muitos professores não conseguem se utilizar, na prática docente, das vantagens que ela oferece; isso geralmente ocorre porque eles não a conhecem, não a estudaram em seus cursos de formação de professor” (LORENZATO, 2006) Linguagem Formal: É utilizada em sala de aula, pois examinamos as dificuldades de os estudantes fazerem a ponte da linguagem formal, utilizada para expressar os conceitos matemáticos, para uma linguagem informal, usada no seu cotidiano. A matemática é uma ciência exata, mas que se utiliza do pensamento humano na prática e nos conhecimentos cotidianos. “A Matemática não se desvincula do pensamento enquanto está sendo produzida e vem a tornar-se parte de uma ciência quando é ensinada na escola e aprendida dentro e fora da escola” (SCHLIEMANN, 1991, p. 11). Estrutura sócio econômica e cultural das famílias: Nota que boa parte para que haja um bom desenvolvimento de aprendizagem do estudante depende da instituição escolar, mas sabemos também que a outra parte depende da estrutura familiar que está tendo dificuldade de estabelecer critérios de valores e prioridades fundamentais no desenvolvimento da educação de seus filhos. Sem falar nos problemas de estruturação familiar, como a separação dos pais, onde um dos dois, pai ou mãe, às vezes os avós vão assumir sozinhos a criação e educação dos filhos. Muitas vezes entram em conflitos e não conseguem passar valores morais e éticos. Sem falar que muitas vezes nem condições de morar num ambiente saudável. Quando os pais não estão em condições de ajudar os filhos positivamente, deve haver uma interferência dos órgãos públicos, como o conselho tutelar. Observa-se assim que os vários fatores que prejudicam a aprendizagem, seja no desenvolvimento cognitivo, emocional ou pedagógicos. Esses fatores interferem diretamente no processo de desenvolvimento da aprendizagem, no caso, matemática que é uma disciplina complexa que muitos não se identificam com ela. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 3 AÇÕES METODOLÓGICAS DA PESQUISA A metodologia da pesquisa foi uma abordagem tipo quali quantitativa baseada em alguns teóricos como Toledo & Toledo (1997: p.14/15) relata que: […] Resolução de problemas. Essa proposta, mais atual, visa à construção de conceitos matemáticos pelo aluno através de situações que estimulam a sua curiosidade matemática. Através de suas experiências com problemas de naturezas diferentes o aluno interpreta o fenômeno matemático e procura explica-lo dentro de sua concepção da matemática envolvida […] Para o desenvolvimento dessa pesquisa baseou-se numa pesquisa tipo estudo de caso, segundo Berviam (2002, p.67) “ o estudo de caso é a pesquisa sobre um determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade que seja representativo do seu universo, para examinar aspectos variados a sua vida”. Sentimos necessidade de reunir dados qualitativos e quantitativos. No processo de dados, a partir de procedimentos mistos (quali- quantitativos), envolve dados numéricos, como também informações textuais. As perguntas que se fizeram insistentes foram: Os estudantes terão interesse de aprofundar mais sobre os conteúdos, levantando hipótese e ajudando-os a perceberem a utilização da matemática no seu dia-a-dia. Para responder a esses questionamentos utilizaremos pesquisas bibliográficas: livros, sites de internet, vídeo aulas e etc. A pesquisa foi realizada na sala de aula do 6º ano, com cinco estudantes de uma turma de vinte oito. Foi realizado duas atividades e um questionário com 7 perguntas. 3.1 Desenho da pesquisa A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição particular de Fortaleza entre os meses de setembro, outubro e novembro de 2016 com cinco estudantes, e a professora de matemática. Os sujeitos pesquisados foram estudantes com a faixa etária de onze e doze anos, ambos começaram a vida escolar aos três anos de idade. Não são repetentes, mas alguns sempre tiveram muita dificuldade e outros pouca dificuldade na disciplina. São bastante participativos nas aulas e tem o acompanhamento necessário dos pais. Levam sempre as Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 atividades resolvidas, que foram passadas para casa. Algumas vezes brincam com os outros colegas, tirando a atenção da explicação que professoraestá dando. São estudantes alegres, extrovertidos que se relacionam muito bem com os colegas e professores. Funciona em dois turnos, manhã e tarde. Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio e Pré-vestibular. Sua estrutura física conta com três prédios, dividido por nível, prédio um funciona O ensino fundamental II, ensino médio e pré-vestibular com dezoito salas de aulas, um banheiro masculino, um banheiro feminino, uma sala de professores, uma biblioteca, uma cantina, um laboratório de informática, um laboratório de biologia, química e física, uma sala de dança, uma sala de coordenação, uma secretaria, uma tesouraria, uma livraria, um pátio, uma quadra de esportes e a portaria. Prédio dois funciona o Ensino Fundamental I: doze salas de aulas, um banheiro masculino, um banheiro feminino, um pátio, uma sala de coordenação, uma sala de dança e karatê e uma portaria. O prédio três funciona a educação infantil: doze salas de aulas, um banheiro masculino, um banheiro feminino, um pátio de areia, um parque infantil, uma sala de coordenação, uma sala de mídia, uma cozinha experimental e um ambiente onde funciona o tempo integral com quartos, cozinha, banheiro bem parecido com um ambiente de casa. 3.2 Instrumentos Para analisarmos sobre o que estudantes pensam sobre a matemática utilizamos um questionário simples com intuito de identificarmos algum tipo de dificuldade na aprendizagem matemática. Fizemos um questionário com perguntas de resposta direta (sim e não) e somamos os pontos. Se a pontuação geral for de 50% ou mais, podemos passar a uma investigação mais detalhada e buscar um diagnóstico interdisciplinar. O questionário fechado é elaborado com perguntas cujas respostas são definidas em meio a alternativas previamente estabelecidas, segundo (MARCONI e LAKATOS, 1999, p77). Há uma restrição na liberdade das respostas, porém são mais objetivas, possibilitando uma facilidade na aplicação. Construir um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos da pesquisa em questões específicas. As respostas a essas questões é que irão proporcionar os dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema de pesquisa (GIL,1999, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 p 129). Um questionário poderá abordar diversos pontos. O importante é saber formular as questões. Uma sugestão segundo Gil (1999): a) as perguntas devem ser formuladas de maneira clara, concreta precisa; b) deve-se levar em consideração o sistema de preferência do interrogado, bem como o seu nível de informação; c) a pergunta deve possibilitar uma única interpretação; d) a pergunta não deve sugerir respostas; e) as perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez. Tivemos o cuidado de analisar cada questão e resposta separadamente, todas as respostas desta pesquisa são confidencias e nenhuma resposta individual possa ser identificada. A resposta obtida neste questionário teve finalidade exclusiva de analisar as deficiências das dificuldades de aprendizagem de matemática dos cinco estudantes do 6ºano da determina escola particular. 3.3 Desenvolvimento da pesquisa Com intuito de coletar dados e identificar as possíveis causas das dificuldades apresentadas pelos estudantes, desenvolvemos algumas atividades antes do questionário com intuito de fazer uma observação das posturas dos estudantes em relação aos conteúdos ministrados. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 02 Atividade Lúdica Fonte: Acervo dos autores As atividades foram desenvolvidas a partir dos meses de setembro, outubro e novembro de 2016 foram realizadas duas atividades com o intuito de observar os estudantes, em especial os que estão com dificuldade na disciplina de matemática. Essa atividade foi realizada com dois estudantes que estão com dificuldade na disciplina de matemática e uma que consegue melhores resultado em sala de aula. A própria estudante se ofereceu para ajudar aos colegas. Eles estudaram juntos os conteúdos da prova bimestral, onde houve muitas dúvidas e debates entre eles, nesse momento de estudo o que nos chamou atenção foi o fato da estudante com bons resultados se dirigia aos outros com as seguintes informações: vocês lembram que a professora falou que era assim, a professora nos ensinou dessa maneira. Em momento algum se posicionou como soubesse mais que os outros e sim lembrando a forma que foi ensinado. Isso deixou os colegas a vontade para questionar sobre as dúvidas que estavam sobre o conteúdo. Ao final da atividade tivemos a oportunidade de perceber interesse de aprender por parte dos estudantes e de analisar que através das atividades diferenciadas e contextualizadas que foi possível haver um aprendizado diferenciado e significativo. Essa segunda atividade foi realizada em sala de aula com a participação de toda turma, foi um jogo de perguntas e respostas, onde um aluno ia fazendo uma pergunta sobre o conteúdo no caso porcentagem, era respondido pela turma toda e assim ia passando a vez do outro aluno perguntar. Eles mesmo criavam a pergunta, como: Quanto é 50% de 200? Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Se eu comprar uma bicicleta por R$500,00, e tiver 10% de desconto. Quanto vou pagar na bicicleta? Foi um momento de muita descontração onde o foco era observar a participação dos estudantes com dificuldade e para nossa surpresa participaram bem, nas perguntas se esforçaram para realizar alguma, em questão de responder tiveram um desempenho melhor. Finalizando a segunda atividade podemos observar que as atividades contextualizadas trazem auto estima e segurança aos estudantes, tornando-os capazes de produzir desenvolvendo o raciocino lógico. Segundo Ausubel (1963, p.58 apud MOREIRA,1997, p1), ”A aprendizagem significativa é o mecanismo humano, por excelência, para adquirir e armazenar a vasta quantidade de ideias e informações representadas em qualquer campo de conhecimento”. Para que o mecanismo seja acionado, é preciso que o aprendiz já possua algum conhecimento prévio, ou seja já deve existir uma estrutura cognitiva em funcionamento. A contextualização do conteúdo é importante na vida cotidiana do estudante, tudo aquilo que se aprende em sala de aula, em algum momento poderá ser vivenciado em suas vidas. Vale ressaltar que a contextualização faz com que o estudante sinta que o saber não significa apenas acumular conhecimentos teóricos e sim conhecimentos para encarar situações que possa aparecer no seu dia-a-dia. Tornando-os cidadãos capacitados a resolver os problemas que venham aparecer. Após a realização das atividades aplicamos o questionário com 07 (sete) perguntas fechadas para os cinco estudantes com dificuldade na matemática que foi elaborado com as seguintes perguntas: I) Não consigo entender a tabuada; II) Não consigo identificar os símbolos matemáticos (– ou +), não sei o seu nome e o que eles significam; III) Todos da minha turma sabem raiz quadrada, mas, na realidade, eu não sei; IV) Às vezes, esqueço o nome das figuras geométricas como círculo e triângulo; V) Às vezes, sei a resposta do problema, mas não sei como eu cheguei lá; VI) Não compreendo porcentagens; VII) Se tenho que responder uma pergunta relacionadacom números, fico ansioso e não lido bem. Esse questionário foi elaborado pelas autoras com objetivo de analisar as atitudes dos estudantes e como se sentem com a disciplina da matemática. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Questionário realizado com alunos com dificuldade sim não Não consigo entender a tabuada; 2 3 Não consigo identificar os símbolos matemáticos (– ou +), não sei o seu nome e o que eles significam; 4 1 Todos da minha turma sabem raiz quadrada, mas, na realidade, eu não sei; 5 0 Às vezes, esqueço o nome das figuras geométricas como círculo e triângulo; 2 3 Às vezes, sei a resposta do problema, mas não sei como eu cheguei lá; 1 4 Não compreendo porcentagens; 2 3 Se tenho que responder uma pergunta relacionada com números, fico ansioso e não lido bem. 5 0 Fonte: Elaborado pelos autores Com os dados obtidos nos questionários, tivemos condição de fazer levantamento de dados e desenvolver uma análise com mais precisão e entender as dificuldades apresentadas pelos estudantes. 4. ANÁLISES DA PESQUISA DAS ATIVIDADES E DOS QUESTIONÁRIOS As atividades aplicadas nos favoreceram uma aproximação maior dos estudantes e nos possibilitou uma observação mais próxima das suas posturas e atitudes durante o estudo dos conceitos. Na primeira atividade houve um avanço significativo, os estudantes sentiram mais confiança para realizarem a prova bimestral, tendo bom resultado na nota. Durante a segunda atividade observamos que os estudantes com dificuldade no conteúdo tentaram responder as questões formuladas pelos colegas, tentando compreender como era formulada, adquirindo conhecimento para produzir futuramente. A aplicação do questionário foi importante para complementar as nossas observações. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Na primeira pergunta: Não consigo entender a tabuada, dos 05 (cinco) estudantes, dois (02) afirmam que entendem e três (03) afirmam não entender, diante dessas respostas podemos perceber que a dificuldade de entender a tabuada é um dos fatores que prejudica a aprendizagem na matemática. A segunda pergunta: Não consigo identificar os símbolos matemáticos (– ou +), não sei o seu nome e o que eles significam, dos 05(cinco) estudantes, quatro (04) afirmam que identifica e um (1) afirma não identificar, diante dessas respostas podemos observar que os estudantes conseguiram aprender esses símbolos nas séries inicias. Na terceira: Todos da minha turma sabem raiz quadrada, mas, na realidade, eu não sei, dos cinco (5) estudantes todos responderam que não sabem, baseando nessa resposta podemos ver que os estudantes não aprenderam o conteúdo que se inicia no ensino fundamental II. A quarta pergunta: Às vezes, esqueço o nome das figuras geométricas como círculo e triângulo; dos cinco (05) estudantes dois (02) esquecem e três (03) não esquecem, diante dessas respostas podemos perceber que apesar da maioria não esquecer, são figuras simples que para a idade deles era para ser bem conhecidas. Para o quinto questionamento: Às vezes, sei a resposta do problema, mas não sei como eu cheguei lá; dos cinco (05) estudantes um (01) sabe e quatro (04) não sabem, podemos observar que falta raciocínio lógico por parte desses estudantes. Na sexta pergunta: Não compreendo porcentagens; dos cinco (05) estudantes dois (02) compreendem e três (03) não compreendem, podemos perceber com essas respostas que os estudantes estão precisando de mais aulas ligadas ao seu cotidiano. Enfim a sétima pergunta: Se tenho que responder uma pergunta relacionada com números, fico ansioso e não lido bem. Dos cinco (05) estudantes todos responderam que ficam ansiosos, com base nessa reposta podemos perceber que a dificuldade de aprendizagem traz insegurança para esses estudantes. Durante a pesquisa podemos observar que os estudantes com dificuldade na disciplina de matemática não estão conseguindo raciocinar para resolver os problemas Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 mais complexos do cotidiano. Falta de interesse, curiosidade e raciocínio lógico são os problemas mais encontrados por parte desses estudantes. CONCLUSÃO A pesquisa nos possibilitou a identificação de algumas dificuldades e as possíveis origens delas. Foi possível observar que as dificuldades de aprendizagem em matemática no 6°ano ocorrem por diversos fatores, a dificuldade pode vim desde as séries iniciais e piorando na transição do 5º ano para o 6°ano, onde tem um contexto maior. O papel do professor é de suprema importância para que haja um bom resultado no desenvolvimento da aprendizagem. Na perspectiva da pesquisa podemos dizer que cabe ao professor desenvolver habilidades que facilite a absorção de aprendizagem e motivar os estudantes a utilizar sua criatividade para resolver os problemas envolvidos da matemática em sala de aula e no seu cotidiano. Com essa nova postura docente os estudantes terão mais interesse pela disciplina quando houver mais situações envolvendo o conteúdo com sua vida cotidiana, onde os problemas serão resolvidos baseados no que aprende na escola e na sociedade. Com a ajuda dos colegas e de profissionais como: psicopedagogos, psicólogos e demais responsáveis pela a educação, como: gestores e familiares tem uma tendência de melhorar a dificuldade de aprendizagem destes estudantes. Foi possível observar que as atividades significativas supriram as expectativas de aprendizagem desejada, alcançando um bom resultado na determinada disciplina. Visto que os estudantes conseguiram aprender de maneira prazerosa e produziram o que foi trabalhado no período determinado. Nesse sentido, podemos concluir que as atividades significativas, utilizando resolução de problemas promove melhor aprendizagem, contribuindo para que o estudante desenvolva um estímulo para continuar estudando. REFERÊNCIAS CARVALHO, Paulo Cézar Pinto. Fazer Matemática e usar Matemática. Salto para o futuro. Série Matemática não é problema. Disponível em http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2005.htm Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessário a pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. ______. Projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996 JOHNSON E MYKLEBUST. Enciclopédia livre: Discalculia. Disponível em Acesso em: 21/10/2016 JOSÉ, Elisabete Assunção e COELHO, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. Editora Ática. São Paulo. 1997. KALOUSTIAN, Sílvio Manoug (org.). Família brasileira: a base de tudo. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2005 LORENZATO, Sergio. Para aprender matemática. Campinas, SP: Autores Associados Ltda, 2006. Coleção Formação de professores. MOREIRA, M. A. “Aprendizagem significativa: um conceito subjacente”. In: Encontro Internacional sobre Aprendizagem Significativa, 1997, Burgos, Espanha. Actas. Burgos: ENAS, 1997. PIAGET, Jean. Sobre Pedagogia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998. RANGEL, Ana Cristina Souza. Educação matemática e a construção do número pela criança: uma experiência em diferentes contextos sócios-econômicos, Porto Alegre: Artes Médicas,1992 SANCHEZ, Jesús Nicaso Garcia. Dificuldades de aprendizagem e Intervenção Psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed 2004 SCHLIEMANN, Ana Lúcia Dias; CARREHER, David William; CARREHER, Terezinha Nunes. Na vida dez, na escola zero. 6. ed. São Paulo: Cortez, 1991WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Ática, 2001. Série Palavra de Professor. TOLEDO, Marília & TOLEDO, Mauro. Didática de matemática como dois e dois: a construção da matemática. São Paulo: FTD, 1997. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL Samuel Araújo Loureiro 4 Nídia Seledônio Reis Castro² Claudio Lino da Silva Rodrigues³ RESUMO Esse conceito (planejamento financeiro pessoal) é bastante novo no Brasil, por esta razão são raros trabalhos científicos sobre o tema, isso se deve ao fato de que somente com a estabilidade econômica alcançada através da implantação do plano real, é que se tornou possível a realização de orçamentos e outras atividades pertinentes ao planejamento financeiro pessoal, na tentativa de diminuir esse vácuo informacional, foi realizada esta pesquisa, que tem por objetivo geral demonstrar a importância de profissionais especializado na área. O estudo na sua fundamentação teórica aborda conceitos de planejamento financeiro, fluxo de caixa e controle de gastos, como fazer um processo de planejamento e gestão das finanças pessoais. O planejamento financeiro pessoal é uma atividade relativamente nova no Brasil, sendo o seu surgimento consequência da estabilidade econômica trazida pela implantação do plano real em meados da década de 90. Sobre o assunto, Frankenberg (1999, p.27), faz o seguinte comentário: Os conceitos do planejamento financeiro pessoal e familiar são amplamente difundidos há muitos anos em países mais desenvolvidos. No Brasil, foi somente depois da estabilização da nossa economia, a partir de meados de 1994, que começamos a tomar consciência da importância do planejamento financeiro pessoal. Antes, o primordial para as famílias era driblar a alta dos preços. Ao final deste estudo, é possível concluir que o planejamento financeiro é de suma importância para as pessoas que pretendem atingir seus objetivos financeiros e patrimoniais, bem como garantir uma renda que garanta manter seu estilo de vida e ter tranquilidade na aposentadoria. Palavras-chave: Finanças Pessoais; Planejamento Financeiro; Investimentos; Fluxo de caixa. INTRODUÇÃO A essência de finanças se bem pensado, teve sua origem no momento em que aflorou a própria humanidade. Naquela época não havia o que hoje é conhecido como Empresa. O que existiam eram apenas indivíduos e suas famílias armazenando mantimentos que garantissem sua sobrevivência. Pode-se, então, afirmar que as trocas financeiras se destinavam originariamente às pessoas físicas, e não às entidades juridicamente delimitadas. 4 Faculdade de Gestão e Negócios / Samuel.aloureiro@gmail.com ² Faculdade de Gestão e Negócios / Nidiaseledonio@yahoo.com.br ³ Claudio Lino da Silva Rodrigues / Claudiotce@gmail.com 26 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Apenas com o desenvolvimento da economia, através dos tempos, é que se observou o surgimento das primeiras associações de indivíduos com fins empresariais. Segundo Iudícibus (2006, p.35), a crescente complexidade dessas entidades colaborou para a evolução da necessidade do profissional no ramo financeiro, pois a compeliu a criar mecanismos adequados de controle patrimonial e financeiro para as mesmas. No Brasil, em meados de 2004, a economia brasileira passou a experimentar certa estabilidade, o que possibilitou o surgimento de um ambiente propício para o desenvolvimento das atividades que compõem o planejamento financeiro pessoal, como a elaboração de orçamentos, planejamento da aposentadoria etc, assim, observou-se nos últimos tempos uma crescente demanda por informações concernentes à administração das finanças pessoais. Consequentemente, muitos profissionais brasileiros da área de finanças, identificando essa tendência, passaram a escrever livros sobre o assunto. A principal característica dessas obras tem sido o uso de uma linguagem bastante coloquial, uma vez que o seu maior objetivo é facilitar a compreensão de assuntos, que até então, eram praticamente desconhecidos do público em geral. Alguns desses livros têm alcançado grandes vendagens, como é o caso de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, presente por mais de 70 semanas na lista dos 10 mais vendidos publicada pela revista Veja, segundo a edição do dia 26 de setembro de 2007. O sucesso desses livros evidencia a existência de um grande número de pessoas interessadas em administrar melhor seu patrimônio, o que as tornariam clientes potenciais para os consultores financeiros. Algumas instituições de ensino já enxergaram a necessidade de preparar adequadamente os profissionais para os desafios desse novo campo de atuação. Como exemplo disso, em 2004, o curso de ciências contábeis da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) instituiu a disciplina finanças pessoais, que foi ministrada pela primeira vez naquele ano em caráter opcional. Assim, buscando o aprofundamento neste assunto, o presente artigo apresenta como questão problema o questionamento: Como fazer um processo de planejamento e gestão das finanças pessoais? A pesquisa tem, além do seu objetivo geral, que é o de explicar o planejamento Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 financeiro e gestão das finanças pessoais, os seguintes objetivos específicos: Analisar o processo de planejamento financeiro pessoal a partir dos conceitos do AICPA (American Institute of Certified Public Accountants) e outras instituições relacionadas com o tema e analisar o estágio de desenvolvimento da profissão de planejador financeiro pessoal no Brasil. Para a realização da pesquisa utilizamos a pesquisa exploratória para ampliar o conhecimento sobre a gestão das finanças pessoais. Quanto à abordagem, trata-se de pesquisa qualitativa. Sobre os procedimentos de pesquisa adotados tem-se: pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. Segundo Gil (2002, p.44), “[...] a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica está no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente (idem, p.45). Foram identificadas fontes bibliográficas no Brasil e nos Estados Unidos, onde a atividade de planejamento financeiro pessoal é mais difundida, as quais forneceram a base conceitual sobre o planejamento financeiro pessoal. Dividindo este artigo em duas seções, a primeira seção dedica-se especificamente ao planejamento financeiro pessoal. Desta forma, são expostos conceitos, características, passos de execução. Na seção seguinte realiza-se uma simulação para apresentar os passos de execução de um planejamento financeiro pessoal elaborado para um indivíduo membro da classe média brasileira, utilizando-se dados e taxas de juros compatíveis com as praticadas atualmente no Brasil e os demonstrativos contábeis pessoais baseados no modelo proposto pelo SOP 82-1 do AICPA. ENTENDENDO O PLANEJAMENTO FINANCEIRO O planejamento financeiro pessoal é uma atividade relativamente nova no Brasil, sendo o seu surgimento consequênciada estabilidade econômica trazida pela implantação do plano real em meados da década de 90. Sobre o assunto, Frankenberg (1999, p.27), faz o seguinte comentário: Os conceitos do planejamento financeiro pessoal e familiar são amplamente difundidos há muitos anos em países adiantados como os Estados Unidos, a Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Grã-Bretanha e o Japão. No Brasil, somente depois da estabilização da economia, a partir de meados de 1994, que começamos a tomar consciência da importância do planejamento financeiro pessoal. Antes, o primordial para as famílias era driblar a alta dos preços. A consequência de ser este um tema pouco explorado no Brasil, é a insuficiência de pesquisa científica na área, bem como de conhecimento da profissão de planejador financeiro e dos principais conceitos que lhe permeiam. Percebendo essa carência de conhecimento, a presente seção deste artigo dedica-se a divulgação dos principais tópicos sobre o planejamento financeiro pessoal, a começar pelo seu conceito. Nessa perspectiva entender o conceito e ter condição de comparar os autores é um fator imprescindível para que se conheça mais sobre esses aspectos. Para Frankenberg (1999, p.31) afirma que O planejamento financeiro pessoal significa: “... estabelecer e seguir uma estratégia precisa, deliberada e dirigida para a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio de uma pessoa e de sua família”. O conceito é bastante objetivo, segundo o qual o principal ponto do planejamento financeiro pessoal é o desenvolvimento de estratégias para o alcance de um objetivo, que no presente caso seria a acumulação de bens, mas que poderia também se tratar da conquista da aposentadoria, educação dos filhos, além de outros. Já para a Financial Planning Association (2007), tradicional associação internacional de planejadores financeiros: o planejamento financeiro é o processo de dirigir inteligentemente as finanças de alguém para o alcance de certos objetivos e sonhos, ao mesmo tempo em que ajuda no trato com os obstáculos financeiros que inevitavelmente surgem em todos os estágios da vida. A profissão de planejamento financeiro existe para auxiliar as pessoas a tomar suas decisões financeiras e atingir seus objetivos de vida. A exemplo do que fez Frankenberg (1999), o conceito menciona a existência de objetivos a serem conquistados, mas também dá ênfase ao enfrentamento aos problemas financeiros como sendo uma finalidade para a qual o planejamento financeiro deve ser executado. Além disso, menciona os diversos estágios da vida, o que sugere a necessidade de adaptação do planejamento aos desafios peculiares de cada um deles. Outra conceituação bastante sucinta é a do Financial Planning Standards Board (2007), entidade internacional que comporta planejadores financeiros sediada nos Estados Unidos, para quem o planejamento financeiro pessoal é: “... o processo de alcance dos seus Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 objetivos de vida através de uma adequada administração de suas finanças. Objetivos de vida podem incluir a compra de uma moradia, a poupança para educação dos filhos ou planejamento da aposentadoria.” Por fim, o AICPA (1993), através do Statement on Responsabilities in Personal Financial Planning Practice n.1, define as atividades de planejamento financeiro pessoal como: “...aquelas que envolvem o desenvolvimento de estratégias e apresentação de recomendações para assistir um cliente na definição e alcance de objetivos financeiros pessoais.” Planejamento financeiro vai muito além do controle das despesas, envolve controle de gastos, definição e revisão periódica de metas, investimentos e avaliação dos progressos que estão sendo feitos, deve ser elaborado a curto, médio e longo prazo, sendo flexível e alterado de acordo com os objetivos e expectativas de cada pessoa. Este planejamento envolve questões financeiras, sociais, culturais e psicológicas e para que seja eficiente é necessário o conhecimento de algumas técnicas contábeis e noções do mercado financeiro. Quanto maior for o conhecimento econômico e financeiro de uma pessoa, maiores serão suas chances de êxito do seu planejamento financeiro ao longo da vida. Para Nakagawa (1993, p.48), “planejamento é o ato de tomar decisões por antecipação à ocorrência de eventos reais, e isto envolve de uma entre várias alternativas de ações possíveis.” De acordo com Frankenberg (1999, p.31), planejamento financeiro pessoal significa estabelecer e seguir uma estratégia precisa, deliberada e dirigida para a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio de uma pessoa e de sua família. Essa estratégia pode estar voltada para curto, médio ou longo prazo, e não é tarefa simples atingi-la. Planejamento financeiro pessoal é o trabalho de organização de informações relevantes para que se obtenha saúde financeira no controle e gestão das finanças pessoais. Estabelecendo objetivos, etapas, prazos e os meios necessários para garantir a proteção e estabilidade do patrimônio pessoal. Planejamento financeiro significa organizar a vida financeira de forma que você possa sempre ter reservas para os imprevistos da vida e, sistematicamente, construir uma independência financeira que garanta na aposentadoria, uma renda suficiente para uma vida tranquila e confortável. Pode-se afirmar que as conceituações apresentadas não trazem pontos de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 divergência relevantes. Ao contrário disso, convergem para a idéia do planejamento financeiro pessoal consistir basicamente, na elaboração de estratégias de uso inteligente dos recursos pessoais para o alcance de determinados objetivos financeiros. Elaboração do planejamento financeiro pessoal É importante definir a forma como o processo de elaboração do planejamento financeiro pessoal é conduzido na prática. Esta informação é relevante para que se possa compreender o papel efetivamente desempenhado pela contabilidade, e que pode ser observado através da descrição dos passos de execução do planejamento. Para Frankenberg (1999, p.73) “Tendo definido seus objetivos, o passo seguinte é saber onde você se encontra hoje em termos financeiros e patrimoniais. Isso pode ser feito através de um minucioso levantamento de tudo o que você possui [...] e de tudo o que deve.” Já para a Financial Planning Association (2007), o processo de planejamento envolve o levantamento de todos os recursos existentes, desenvolvimento de um plano para a sua utilização e a implementação sistemática do mesmo com o intuito de alcançar os objetivos de curto, médio e longo prazos. Este plano deverá ser monitorado e revisado periodicamente, se necessário, para assegurar que o mesmo está efetivamente conduzindo ao alcance dos objetivos financeiros. Ainda sobre o assunto, Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros IBCPF (2007), afirma que o processo de planejamento financeiro pessoal consiste de seis estágios: 1. Definição da forma de relacionamento entre planejador financeiro e cliente; 2. Obtenção de informações, dados e objetivos do cliente; 3. Análise e avaliação das condições financeiras do cliente; 4. Desenvolvimento e sugestão de alternativas de planejamento financeiro para o cliente; 5. Execução das recomendações do planejamento financeiro; 6. Monitoramento das recomendações do planejamento financeiro. Por fim, o contrato para elaboração de um planejamento financeiro pessoal descrito no Statement on Responsabilities in Personal Financial PlanningPractice n.1 do AICPA (1993), consiste do seguinte: Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 a. Definição dos objetivos do contrato; b. Planejamento de procedimentos específicos apropriados para o contrato; c. Desenvolvimento de uma base para as recomendações; d. Comunicação das recomendações ao cliente; e. Identificação das tarefas a serem postas em prática em função das decisões do planejamento. Sobre o item (c), o documento afirma serem necessárias a coleta e integração de um número suficiente de informações relevantes, que entre outras coisas envolvem um entendimento da situação financeira existente e dos recursos disponíveis para o alcance das metas. Devido a semelhança existente entre as descrições listadas acima, qualquer uma delas poderia ser escolhida para fornecer uma visão geral do assunto sem prejuízo para sua compreensão. Em virtude disso, uma maior ênfase será preferencialmente destinada àquela feita pelo AICPA, uma vez que a mesma foi especialmente elaborada para os profissionais da contabilidade. A primeira fase, de definição dos objetivos do contrato, é aquela em que segundo o AICPA (1993), o planejador obterá um entendimento com o cliente acerca de assuntos como as metas a serem alcançadas, sua situação familiar, grau de comprometimento com o processo de planejamento em curso e preferências pessoais. Além disso, é nesta fase que será feita a documentação do escopo do trabalho a ser realizado, e das responsabilidades das partes envolvidas. Enfim, esta é a fase em que a forma de relacionamento entre planejador e cliente e o que se espera do processo serão definidos. O passo seguinte é a determinação de procedimentos adequados ao planejamento, os quais dependerão dos objetivos traçados na etapa anterior e deverão ser capazes de produzir informações úteis para elaboração das recomendações a serem feitas ao cliente. A seleção de procedimentos deverá levar em conta as circunstâncias em que o cliente está vivendo, além de atentar para critérios de materialidade e para relação custo benefício. No terceiro passo, em relação à base de dados para as recomendações, além da análise da situação financeira já mencionada, o planejador também deverá contar com estimativas, projeções e suposições diversas levantadas pelo cliente. O planejamento financeiro pessoal lidará, portanto, com informações sobre o futuro, que é incerto, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 envolvendo assim um amplo número de metas que podem mudar a medida em que certos eventos ocorram. Por esta razão, o contador deverá desenvolver recomendações baseadas no maior número de cenários hipotéticos possível e evidenciar as suposições que poderiam impactar significativamente suas conclusões. O quarto passo é a comunicação das recomendações ao cliente, que deverá ser feita de uma maneira tal que o auxilie na avaliação de estratégias e na implementação das decisões financeiras oriundas do planejamento. Estas comunicações deverão ser feitas por escrito e incluir um sumário das metas do cliente, bem como suposições significantes, descrição de possíveis limitações no escopo do trabalho realizado, as recomendações em si e uma afirmativa de que os resultados projetados podem vir a não ser alcançados. Por fim, o profissional como planejador financeiro deverá auxiliar o cliente a identificar tarefas essenciais para serem postas em prática como a fixação de prazos-alvo para o alcance de certos objetivos ou a identificação das partes responsáveis pela realização de determinadas tarefas concernentes ao planejamento. Para o melhor entendimento sobre o assunto o cliente tem que ter o mínimo de conhecimento sobre itens explicados abaixo, para assim entender melhor o trabalho do planejador financeiro, como por exemplo fluxo de caixa e controle de gastos. O Fluxo de Caixa é uma ferramenta que controla a movimentação financeira (as entradas e saídas de recursos financeiros), em um período determinado, de uma empresa ou pessoa física, nesse sentido, o Fluxo de Caixa consiste “no conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período projetado. ” (ZDANOWICZ, 2004, p. 40) Também chamado orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais e movimento de caixa Para uma boa gestão do patrimônio pessoal é necessário a utilização desta ferramenta no planejamento dos gastos pessoais. Na demonstração do Fluxo de Caixa, são apresentados todos os recebimentos e pagamentos efetuados em um determinado período, é o controle de toda a entrada e saída de dinheiro. O objetivo do Fluxo de Caixa em finanças é dar uma visão das operações financeiras realizadas no mês, das disponibilidades que representam o grau de liquidez do caixa. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Na elaboração do Fluxo de Caixa, deve-se alocar todos os tipos de recursos que normalmente ingressam no caixa e de que forma eles são gastos. O Controle de Gastos é uma ferramenta que junto ao fluxo de caixa, gerar organização na estrutura financeira, de acordo com o Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa (1999, p.264), controle é a “...verificação administrativa, inspeção, fiscalização, domínio de si mesmo, moderação e comedimento...” No planejamento financeiro pessoal o controle de gastos é de extrema importância para evitar o endividamento e conseguir poupar para futuros investimentos, gerando uma reserva para a aposentadoria. Para Macedo Junior (2007, p.34), organizar as contas também mostra a real dimensão de sua saúde financeira e quais são seus hábitos de consumo. Possibilita que você diminua seus gastos aos cortar desperdícios e pagamento de juros e poupe para investir em você. Ao colocar tudo no papel você poderá ter uma agradável surpresa e descobrir que tem mais dinheiro do que imagina. Se o resultado do fluxo de faixa for positivo, ou seja, entradas maiores que saídas, esse valor poderá ser investido. No caso do resultado ficar igual (entradas = saídas) ou for negativo (entradas menores que saídas), será necessário rever os gastos, detalhadamente e criteriosamente, analisando-os por categoria e determinando a participação percentual de cada um no total de gastos mensais, para saber exatamente quais são os gastos mais relevantes no orçamento mensal. Nesta situação é possível a utilização de um mapa de controle de gastos, devidamente adaptado às necessidades de cada um. A partir daí, poderá definir onde reduzir os gastos para equilibrar o orçamento mensal e torná-lo positivo, poupando todo mês. O mapa de controle de gastos deverá ser elaborado mês a mês, além de identificar detalhadamente o gasto mensal e auxiliar na identificação e redução de gastos, servirá de base para preenchimento das categorias de despesas no demonstrativo de Fluxo de Caixa mensal. Para auxiliar no controle e diminuição dos gastos é importante tomar cuidado com os vilões do orçamento pessoal: Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 • os pequenos valores gastos no dia-a-dia, como gorjetas, lanches, estacionamento, cinema, pipoca, presentes e outros. Sugere-se anotar durante um período ou todos os meses os valores desses gastos para saber exatamente o reflexo no orçamento. • compras desnecessárias. Sugere-se avaliar o custo-benefício do gasto, se a compra é realmente necessária. • endividamento e juros. Sugere-se evitar, pois eles podem comprometer o orçamento. RESULTADOS E DISCUSSÃOA profissão de planejador financeiro pessoal consiste em realizar análises de viabilidade financeira de projetos, pela elaboração e análise de relatórios gerenciais para acompanhamento financeiro das diversas áreas de uma empresa ou pessoal. Halfeld (2004, p.146) faz um comentário que poderá servir de base para discussão acerca da profissão de planejador das finanças pessoais: Embora não seja muito conhecido no Brasil, esse tipo de profissional é bastante popular nos Estados Unidos. Você pode ter o aconselhamento de um especialista, neutro que não está tentando vender-lhe seus próprios produtos financeiros ou imobiliários. Ele funciona como um técnico de natação ou um personal trainer (Treinador Pessoal), estimulando-o a atingir as metas estabelecidas. Embora curto, o comentário do autor é bastante significativo e representa o que a profissão de planejador financeiro é atualmente, pois abrange muitos dos seus principais aspectos. Em primeiro lugar, o texto faz menção à situação brasileira. O autor parece compartilhar da opinião já comentada de Frankenberg (1999), para quem a atividade de planejamento financeiro também é algo bastante recente no Brasil. Mais precisamente, o seu aparecimento só se tornou possível após o arrefecimento das altas taxas inflacionárias em meados da década de 90, como consequência da implantação do plano real. Com a estabilização da economia, surgiu um panorama bastante favorável para o desenvolvimento das práticas que compõem o planejamento financeiro, como a elaboração de orçamentos e de projeções acerca de preços futuros. Além disso, presenciou-se a partir de então, o aparecimento de novos produtos financeiros, aumento da oferta de crédito, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 popularização do sistema de previdência privada, e muitos outros fenômenos econômicos importantes. A consequência é que o cidadão se viu, de repente, diante de situações novas que diziam respeito à grande parte de sua vida financeira, sobre as quais não dispunha de conhecimentos. Não demoraria então, para que os profissionais e instituições da área financeira enxergassem essa nova oportunidade de negócios. Após mencionar o que ocorre no Brasil, Halfeld (2004) comenta a popularidade desse tipo de profissional nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, somente a Financial Planning Standards Board, uma das muitas associações profissionais sediadas naquele país, teria, segundo o site de sua associada no Brasil, o Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, ou simplesmente IBCPF (2007), cerca de 50.000 associados. Parece haver, portanto, uma relação direta entre o estágio em que se encontra a profissão e o nível de desenvolvimento econômico do país. Essa hipótese encontra respaldo em afirmações como as de Frankenberg (1999, p.27), quando afirma que: “... os conceitos do planejamento financeiro pessoal e familiar são amplamente difundidos há muitos anos em países adiantados como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Japão...”, o que sugere uma relação de causa e feito entre os dois fenômenos. Por fim, Halfeld (2004) toca em um ponto que é crucial para a profissão de planejador financeiro pessoal, a isenção, que lhe permitirá fornece recomendações não enviesadas, fator que lhe diferencia de um mero vendedor de produtos financeiros. Essa constatação é importante, uma vez que termos como consultor de investimentos, consultor em previdência privada, consultor imobiliário, além de outros, pode ser utilizado por profissionais que são na verdade vendedores, os quais tendem a fazer análises que, na maioria das vezes, justificam a compra de seus próprios produtos em detrimento de outras opções igualmente válidas. Eventualmente, porém, o planejador financeiro poderá vir a realizar a venda de determinados investimentos, assim como um gerente do segmento private bank (Banco Privado) pode vir a elaborar um planejamento financeiro para seus clientes; deve-se, todavia, ter em mente, que uma coisa não está circunscrita à outra. A necessidade de isenção também é defendida pelo IBCPF (2007), que faz o seguinte comentário acerca dos profissionais por ele certificados: “O profissional [...] deve ter excelente formação, [...] além de qualificação e isenção para avaliar e sugerir a Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 combinação mais adequada de produtos e serviços, conforme o perfil de cada cliente”. Em relação a esse conceito, na visão do IBCPF (2007), o planejador financeiro poderia ser entendido como: “...um generalista, com visão estratégica e conhecimentos de administração de investimentos, gerenciamento de riscos, previdência complementar, seguros, planejamento financeiro, fiscal e sucessório. ” Esse comentário parece corroborar a ideia discutida no primeiro capítulo deste trabalho, quando foi comentada a importância dos profissionais atuantes como consultores possuírem um conhecimento multidisciplinar, que vai além daqueles obtidos em sua formação acadêmica. CONCLUSÃO Por meio desta pesquisa também tornou-se possível constatar a importância de se ter um planejamento financeiro pessoal, visando além das contas atuais, a necessidade de um planejamento futurando, assim pensando em estratégias para complementação de renda na aposentadoria. Pois a Previdência Social tem sinalizado que não conseguirá sustentar por muito tempo o pagamento das aposentadorias, transferindo assim a responsabilidade de garantir uma renda vitalícia a cada indivíduo. Desta forma as pessoas precisam se preparar financeiramente, controlar seus gastos para que no final de cada mês consigam poupar para fazer aplicações e investimentos, garantindo assim uma complementação de renda na aposentadoria. Diante disto constatou-se que o planejamento financeiro e o controle de gastos são fatores essenciais para se alcançar à independência financeira. Vale ressaltar que o planejamento deve ser dinâmico, ou seja, deve ser constantemente avaliado, verificando se o mesmo está atendendo as expectativas e objetivos iniciais. Assim, percebemos que o artigo foi de grande valia para mostrar que podemos nos planejar financeiramente, e que com toda a importância de termos um profissional nos alinhando nesta área, é também importante que tenhamos um certo conhecimento sobre o assunto, pois o dinheiro é nossa, a vida que está sendo planejada é a nossa, por isso nossa responsabilidade. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Por fim, constatou-se que, ao contrário do que acontece em países como os Estados Unidos, a profissão de planejador financeiro encontra-se ainda em estágio embrionário no Brasil. Por outro lado, várias evidências apontam para a consolidação da profissão no país. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO, Alexandre. Mercado financeiro. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003. FRANKENBERG, Louis. Seu futuro financeiro, você é o maior responsável: como planejar suas finanças pessoais para toda a vida. 14 ed. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA EM CULTURA ORGANIZACIONAL: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA NO PERÍODO DE 1995– 2016 Antônia Jessyca Nayane Barbosa da Silva 5 Francisco Egberto Martins Melo 6 Bárbara Sampaio de Menezes 7 RESUMO O artigo analisa a produção científica brasileira em cultura organizacional usando a base de dados o Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL) e dentro dos anos de 1995 a 2016, a pesquisa apresenta caráter documental, quantitativo e de enfoque bibliométrico. Foram encontrados 229 artigos que apresentavam a palavra-chave “cultura organizacional”. A análise constatou que a produção científica brasileira em cultura organizacional não obedece uma média de publicação por ano, o resultado mostra-se heterogêneo, as revistas que apresentam mais artigos sobre cultura organizacional é a Revista de Administração Contemporânea e a Revista de Administração. Foi encontrado também que os métodos técnicos mais utilizados nas pesquisas são os qualitativos e os temas mais adjacentes a temática de cultura organizacional é sobre inovação. PALAVRAS-CHAVE Cultura organizacional; Pesquisa científica; Bibliometria. 1 INTRODUÇÃO Para Robbins (1990, p.46) “a cultura é definida como as atitudes, crenças e valores de uma sociedade. Estes incluem as diferenças psicológicas individuais, tais como traços de personalidade e, evidentemente, os diversos sistemas sociais, políticos e educacionais da sociedade”. Por sua vez, no sentido empresarial, ressalta-se a cultura organizacional como “conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com seus problemas de adaptação externa e de integração interna, e que funciona suficientemente bem para serem considerados validos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir, em relação a esses problemas” (SCHEIN, 1984, p. 9). 5 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DE QUIXADÁ, jessycanbs@gmail.com. 6 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DE QUIXADÁ, egberto.mar@gmail.com. 7 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DE QUIXADÁ, barbarasampaio@unicatolicaquixada.edu.br. 39 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Desde 1980, o tema cultura organizacional ganha corpo e massa. Diferentes correntes teóricas debruçaram-se sobre o assunto e lançaram suas diferentes visões sobre o que vem a ser cultura organizacional, construindo um campo fecundo de pesquisas na área de Administração, onde até hoje são produzidos trabalhos científicos acerca da temática (PEREIRA, PASSOS, CARVALHO, 2010). Mesmo com este recorte temporal conservador de mais de trinta anos de existência do tema, não há consenso sobre o que é cultura organizacional por parte da comunidade científica (PEREIRA, PASSOS, CARVALHO, 2010). Neste cenário, recorreu-se a produção nacional dos últimos vinte anos para fazer um mapeamento dessa área, É importante evidenciar que o número de artigos publicados em anais de congressos e periódicos pode ser considerado como critério para ressaltar o nível de produtividade em determinado campo da ciência, no caso do estudo proposto neste artigo, a Cultura Organizacional. Dessa maneira, o mapeamento da bibliometria possibilita a identificação, em um primeiro momento, do volume de contribuição dos pesquisadores para área do conhecimento em análise. Assim, o estudo justifica-se, pois conforme Beltrão e Cardoso (2009), a cultura organizacional é um dos aspectos mais importantes da organização para o direcionamento das suas atividades, pois orienta as decisões de gestão em todos os níveis da estrutura organizacional. A escolha do período temporal que vai de 1995 a 2016 pode ser justificada pelo que se propõe este artigo que é mapear desde os estudos mais “antigos” publicados há vinte anos até os dias de hoje com o que há de mais “recente” em termos de publicação científica do tema. O objetivo geral deste artigo é analisar a produção científica brasileira em cultura organizacional no período de 1995-2016. Os objetivos específicos são: I) examinar a evolução em volume de produção científica brasileira em cultura organizacional; II) identificar as revistas mais recorrentes na pesquisa científica em cultura organizacional no Brasil; III) identificar os métodos técnicos adotados nos artigos encontrados; e IV) identificar as temáticas as quais a cultura organizacional está relacionada nos artigos. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O estudo teve como delineamento a pesquisa quantitativa, bibliográfica e documental. Foram utilizadas técnicas bibliométricas para analisar as publicações disponíveis no Portal SPELL (Scientific Periodicals Eletronic Library) dos últimos vinte e um anos. O trabalho está estruturado em cinco seções: a primeira é destinada à introdução, a segunda consiste na fundamentação teórica, a qual contempla a cultura organizacional e estudos bibliométricos na área; a seção seguinte aborda a metodologia utilizada, expondo assim a tipologia da pesquisa, bem como a técnica de coleta e a análise dos dados; em seguida os resultados são analisados e por fim é apontada a conclusão do estudo. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Cultura Organizacional Vários estudos sobre cultura organizacional assumem destaque em debates acadêmicos nas últimas décadas, havendo várias abordagens para conceituar e refletir cultura (CAMERON; QUINN, 2006). Souza et al. (2015) afirma que o estudo da cultura encontra-se dentro da área da administração como uma das causas chave para obtenção de melhor desempenho organizacional. Eles defendem que as empresas capazes de relacionar cultura e estrutura de forma estratégica, destaca-se positivamente em comparação com outras que não atuam com tal estratégia. A visão de uma das principais correntes conceituais sobre cultura organizacional é representada por Edgard Schein. Segundo o autor (2009, p. 11) cultura organizacional é: o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber e sentir, em relação a esses problemas. Neste mesmo sentido, Daft (2003) aponta que a cultura reforça a estratégia e a estrutura que a empresa precisa para ser eficaz. Conforme Fortado e Fadil (2012) a cultura organizacional foi apontada pelos pesquisadores, por décadas, como um importante fator de vantagens para as organizações, sendo realizados diversos estudos para a compreensão Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 da relação entre cultura e desempenho organizacional. Os estudos também comprovam que a compatibilidade cultural é fator relevante para o sucesso de estratégias de expansão, fusão e aquisição de empresas. Em contraponto a essas definições, Aktouf (2001) acrescenta que cultura organizacional é algo muito complexo que é incorporada através da realidade vivida dos membros de uma instituição. O autor ressalta que a cultura é algo muito vasto e profundo para ser tratada trivialmente como uma variável dependente que os componentes podem ser simplesmente tratados ou construídos.Dentro do aspecto da cultura organizacional são apresentadas muitas classificações e tipologias, porém conforme Bisneto e Miranda (2012) tais classificações, entretanto, não são suficientes para a compreensão da cultura de uma organização e todas as suas complexidades, bem como os elementos que a constituem. Dessa forma, percebe-se que a temática dos estudos sobre cultura organizacional é bem ampla, porém nenhuma definição ou tipologia é apontada como a certa. Assim, os estudos bibliométricos em cultura organizacional são necessários, pois mapeiam essas pesquisas de uma maneira mais completa. 2.2 Estudos bibliométricos sobre cultura organizacional A pesquisa de Silva e Fadul (2008) analisaram a continuidade da pesquisa em estudos organizacionais, características das pesquisas, métodos de pesquisa, instrumentos de medida, modelo de tratamento dos dados, teorias de base, vertente teórica, alinhamento dos pesquisadores com o tema e origem dos autores. Os dados foram tratados por meio de estatística descritiva. Foram identificados 440 artigos sobre cultura organizacional, selecionados apenas 47 (11%) que abordavam o setor público. Como resultado, constataram-se: baixa produção sobre a temática tratada; pulverização dos autores, indicando falta de uma comunidade consolidada; e concentração das pesquisas em apenas 14 estados brasileiros. A pesquisa de Borges et al. (2008) selecionou 84 trabalhos que foram classificados em cinco áreas básicas, percebendo como resultado, uma tendência de homogeneidade na distribuição das publicações entre as áreas Administração Comparativa Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 (28%), Cultura Corporativa (34%) e Simbolismo Organizacional (27%); baixo índice de trabalho sem Cognição Organizacional (11%), e nenhum artigo sob a classificação Processos Inconsciente e Organização. Por meio dos resultados foi percebido que a pesquisa em cultura tende a acomodar-se na investigação em torno das mudanças ocorridas no ambiente organizacional e suas implicações no comportamento dos indivíduos. Pereira, Passos e Carvalho (2010) selecionaram e analisaram quantitativamente artigos de cinco revistas consideradas importantes na área de Administração através da palavra-chave “cultura organizacional”. De modo geral percebeu-se que os trabalhos são publicados por homens, doutores, de restritas instituições de ensino e pesquisa das regiões Sul e Sudeste do Brasil, com fortes indícios de endogenia e que além do tema cultura organizacional abordam temáticas como mudança e identidade organizacional. Casemiro, Licorio e Siena (2014), em seu estudo sobre a produção científica em cultura organizacional no período de 2008-2011 na base do SPELL, perceberam que existe um número baixo de publicações em periódicos brasileiros sobre cultura organizacional. Os resultados obtidos evidenciaram uma diversidade temática e metodológica da produção científica sobre cultura organizacional, bem como a preocupação dos autores em abordar temas atuais como a aprendizagem e mudança organizacional, e temas específicos como a realidade das organizações do Brasil e o estudo da influência da cultura nacional sobre a cultura organizacional. Souza et al. (2015) fizeram um mapeamento bibliométrico sobre cultura organizacional em 67 artigos publicados em eventos da ANPAD (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração). Foi encontrada uma pulverização de autores, sendo a correlação com Educação como o lócus de maior número de pesquisa. Percebeu-se maior quantidade de trabalhos empíricos em comparação com os teóricos, sendo predominantes estudos qualitativos em detrimento de estudos quantitativos, além da ascendência dos estudos de caso. Lourenço et al. ( 2016) apresentam um estudo bibliométrico relacionado a temática de cultura organizacional contendo 108 artigos, nos quais encontram-se uma predominância em eventos nacionais como: EnANPAD e EnEO. Os autores ainda afirmam que como resultado da pesquisa, um aspecto relevante foi a prevalência de pesquisas Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 qualitativas e novos temas de estudo relacionados à diversas áreas afins como: Gestão de Pessoas, Simbolismo e Comunidades de Prática, bem como estudos mais clássicos relacionados à Cultura Comparativa. A partir do que foi exposto, com todas essas variáveis já estudadas, encontrou-se a necessidade de abordar mais artigos, em um período mais extenso e com outros pontos a serem ressaltados. 3 METODOLOGIA A presente pesquisa é considerada de abordagem quantitativa. A pesquisa quantitativa visa enfatizar o raciocínio dedutivo, as regras da lógica e os atributos mensuráveis da experiência humana (GERHARDT; SILVEIRA, 2009). Conforme proposto por Vergara (2003), com relação à taxonomia, a pesquisa é classificada: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa é identificada como descritiva, que segundo Gerhardt e Silveira (2009), almejam descrever os fatos e fenômenos, expondo a produção científica brasileira na área de cultura organizacional. Do ponto de vista dos procedimentos técnicos adotados, a pesquisa tem caráter bibliográfico. A principal vantagem desse tipo de pesquisa, apontada por Gil (1996), é o fato de permitir que se adquira conhecimentos de fatos de uma maneira mais ampla. A pesquisa bibliográfica conforme o autor, é composta por textos já publicados, isto é, ela é formada por livros, periódicos, trabalhos monográficos, dissertações e anais de evento, no caso dessa pesquisa. Dentro da pesquisa quantitativa, o presente estudo é caracterizado por ser bibliométrico, Macias-Chapula (1998) sustenta que a pesquisa de caráter bibliométrico objetiva o estudo das características quantitativas da produção, disseminação e utilização da informação publicada. Conforme De Luca et al. (2001), o desenvolvimento de pesquisas bibliométricas tem se popularizado nos últimos anos, isso ocorre por conta do crescimento do volume de contribuições oriundas do âmbito acadêmico, principalmente sob a forma de artigos científicos. A importância dos estudos com enfoque bibliométrico é legitimada por Machado (2007) à medida em que este enfatiza que a ação tecnológica e científica de um país necessita ser monitorada com o fim de se mapear seu estágio de desenvolvimento. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A avaliação de estudos bibliométricos, no que concerne à quantificação da literatura publicada e ao mapeamento dela, pode se constituir de input empírico de considerável importância para que sejam ressaltados ângulos determinados do processo de produção do conhecimento, dando base ao desenvolvimento de potenciais análises posteriores de natureza qualitativa (ALVARENGA, 1998). A coleta de dados foi realizada através do acesso ao Portal SPELL, tendo sido selecionados 229 artigos através da busca pela palavra-chave “cultura organizacional”, disponíveis na base de dados selecionadas, no período entre 1995 e 2016. Por fim, para a análise dos artigos, no intuito de atender os objetivos da pesquisa, foi utilizada a técnica da análise de conteúdo. Para Moraes (1999), esta metodologia é utilizada para explicar e interpretar o conteúdo de documentos e textos, onde são conduzidas descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas, que auxiliam na reinterpretação de mensagens, e, por conseguinte, na compreensão de seus significados num nível superior ao da leitura comum. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Evolução em volume de produção científica brasileira em cultura organizacional Comopode ser visualizado na Tabela 1, a produção científica brasileira em cultura organizacional não obedece uma média de publicação por ano, o resultado mostra- se heterogêneo, com picos discrepantes de alta publicação nos anos de 2010, 2012, 2013, 2014 e 2015, e picos baixos de publicação entre os anos 1995 e 2003: Tabela 1 - Evolução em volume de produção científica brasileira em cultura organizacional Ano Publicações 1995 2 1996 2 1997 4 1998 4 1999 4 2000 4 2001 4 2002 7 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 2003 7 2004 11 2005 6 2006 10 2007 7 2008 4 2009 14 2010 21 2011 12 2012 23 2013 24 2014 20 2015 21 2016 17 Fonte: Elaborado pelo autor Entendendo a inconstância de crescimento, não é possível constatar tendência de crescimento linear ou diminuição da pesquisa e publicação no decorrer dos últimos 21 anos, o que corrobora com o estudo feito em eventos da ANPAD por Souza et al (2015), nos últimos 10 anos, retratando que as pesquisas em cultura não apresentam uma uniformidade de publicações. Porém, é válido destacar que a incidência destes trabalhos cresceu consideravelmente, se considerado o primeiro ano estudado até o último. 4.2 Revistas mais recorrentes na pesquisa científica em cultura organizacional no Brasil Segundo a análise, foi encontrado que existem publicações em 57 periódicos diferentes, sendo os mais recorrentes a Revista de Administração Contemporânea e a Revista de Administração, com cerca de 11,4% das publicações nessa área de cultura organizacional dos 229 artigos pesquisados. Não obstante, é importante ressaltar a Revista da UNIMEP como uma das que mais incidiu trabalhos na área de cultura organizacional, tendo em vista o recorte temporal de 20 anos, e a frequência da R.A.E como uma das revistas que mais publicaram sobre o tema, corroborando com os estudos de Pereira, Passos e Carvalho (2010) e o de Oliveira e Inocente (2010), que retrata a mesma como uma das revistas mais relevantes na área de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 administração e que, consequentemente, também apresenta diversos artigos em cultura organizacional. 4.3 Métodos técnicos adotados nos artigos encontrados Com relação aos métodos utilizados nos artigos, ressaltou-se a metodologia qualitativa, como pode visualizar na tabela abaixo: Tabela 2 - Métodos técnicos adotados nos artigos encontrados Método % Quantitativo 54,58% Qualitativo (Análise de Conteúdo) 28,38% Quali-quanti 8,73% Etnográfico 7,42% Fonte: Elaborado pelo autor Esses resultados corroboram com o de Souza et. al (2007) e Souza et. al (2015), que em seus estudos em outras bases de dados e em recorte temporal distinto, constataram também a presença maior da pesquisa qualitativa. 4.4 Temáticas as quais a cultura organizacional está relacionada nos artigos Com relação às temáticas adjacentes à cultura organizacional, percebeu-se que a maioria dos artigos aborda somente cultura, porém cerca de 8,73% apresentaram a cultura organizacional relacionado à temática de inovação, o que retrata o crescimento da mesma. Esse resultado se relaciona com o que foi encontrado por Oliveira e Inocente (2010) em suas pesquisas em alguns periódicos brasileiros. 5 CONCLUSÃO Com base na pesquisa e nos resultados obtidos, é possível traçar algumas considerações quanto a produção científica em cultura organizacional. O objetivo geral do trabalho foi analisar a produção científica sobre cultura organizacional no período de 1995 – 2016. Com relação ao primeiro objetivo específico, a pesquisa constatou que as publicações em cultura organizacional não obedecem uma média de publicação por ano. O Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 resultado mostra-se heterogêneo, embora a produção científica voltada para essa temática tenha apresentado um crescimento considerável nos últimos cinco anos. Quanto ao segundo objetivo específico, percebeu-se que as revistas que apresentam mais artigos sobre cultura organizacional é a Revista de Administração Contemporânea e a Revista de Administração. Sobre o terceiro objetivo específico, foi constatado que os métodos técnicos mais utilizados nas pesquisas são os qualitativos. E por fim, quanto ao quarto objetivo específico, é ressaltado que o tema mais adjacente a temática de cultura organizacional é inovação. Em relação à limitação do trabalho considera-se que foram analisados artigos disponíveis apenas na base de dados SPELL, porém, existe a possibilidade de ampliar a pesquisa focando outros periódicos nacionais e internacionais, além de eventos consagrados. Portanto, como sugestão para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação da amostra contemplando esses eventos e periódicos internacionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVARENGA, L. Bibliometria e arqueologia do saber de Michel Foucault: traços de identidade teórico-metodológica. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) NA INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS NA ESCOLA PÚBLICA DE FORTALEZA- CE Jéssica Nayara Silva Brandão 8 Renata da Silva Aguiar 9 RESUMO O artigo teve como propósito esclarecer a atuação do Atendimento Educacional Especializado (AEE) na inclusão de crianças com deficiências na escola pública de Fortaleza – Ce. Compreendendo o seu funcionamento e diálogo com a sala comum, e conhecendo como os professores da sala de recursos realizam o seu trabalho com os mesmos. Deixando claro que o Atendimento é feito como uma ação suplementar ou complementar ao ensino comum, e que não o substitui. Também não pode ser confundido com reforço escolar, sua ação planeja ideias e estratégias que possibilitam a melhor inserção do indivíduo no contexto escolar, eliminando o estigma que este não aprende. Além de deixar claro a importância da qualificação, não apenas do profissional que atende no AEE, mas de todos que estão envolvidos dentro deste processo, esperamos que o leitor compreenda a importância do diálogo entre o professor do atendimento e o que atua na sala comum, pois os dois trabalhando juntos proporcionarão uma aprendizagem significativa do educando. PALAVRAS-CHAVE: Diálogo. Estratégias. Inclusão. Deficiência. INTRODUÇÃO Este artigo se coloca no cenário da pesquisa referente às práticas inclusivas das salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Especialmente com o objetivo de compreender o seu funcionamento e diálogo com a sala comum, além de conhecer como os professores da sala de recursos desenvolvem seu trabalho com os alunos deficientes. A pesquisa se justifica pela vivência das dificuldades pedagógicas, frente aos conflitos reconhecidos no cotidiano escolar, diante da inclusão de crianças deficientes na sala comum, a presença do AEE na escola despertou o interesse de como este trabalho se desenvolve. A partir disso, questionamentos despertaram a curiosidade e o desejo de conhecer a ação e os resultados obtidos neste trabalho. 8 Especialista em Educação Inclusiva pela Instituição Dom José. Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), e-mail: jesknayara@gmail.com. 9 Especialista em Educação Inclusiva pela Instituição Dom José. Graduada em Licenciatura Específica Letras/Português pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), e-mail: renata.s.aguiar@hotmail.com. 52 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Para isso realizamos uma pesquisa qualitativa, de cunho exploratório. Minayo (2007) esclareceu que este enfoque se caracteriza pela ênfase no significado, o que se coaduna com o nosso interesse de pesquisa. Lakatos (2003) diz que a pesquisa exploratória se dá por uma investigação empírica com o objetivo de elaboração de questões ou problema com tripla finalidade. Diante disso efetuamos um estudo bibliográfico, também utilizamos a entrevista estruturada como instrumento de pesquisa, os resultados que obtivemos encontram-se discorridos no corpo do artigo. A pesquisa foi realizada em uma escola pública de Fortaleza, do Distrito I de Educação, localizada na Barra do Ceará. Optamos por aplicar a entrevista o professor da sala de Atendimento Educacional Especializado, buscando esclarecer melhor o andamento desse atendimento, e suas contribuições para inclusão das crianças com deficiências no contexto escolar inclusivo. Os principais autores que utilizamos para fundamentar o nosso artigo foram Mantoan (2004), os documentos oficiais elaborados pelo Ministério de Educação (MEC), a Constituição Federal de 1988. O AEE deve proporcionar condições favoráveis para que o aluno com deficiência possa construir seu aprendizado com os recursos intelectuais que lhe são permitidos, tornando-se capaz de produzir conhecimento, fazendo o mesmo pensar, realizar ações e fazer com que utilizem a inteligência e a mobilidade que dispõem, tornando-os cada vez mais independentes. Este trabalho tem o intuito de esclarecer a importância do Atendimento Educacional Especializado (AEE) como mais um instrumento de inserção para que pessoa com deficiência esteja incluída e seja participante do seu processo de aprendizagem. METODOLOGIA Realizamos uma pesquisa qualitativa, de cunho exploratório com levantamento bibliográfico do percurso histórico da Educação Inclusiva e do surgimento do Atendimento Educacional Especializado. Para coleta de dados utilizamos também a entrevista estruturada como instrumento de pesquisa, e os resultados que obtivemos encontram-se discorridos no corpo do artigo. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A pesquisa foi realizada no Distrito I de Educação, localizada na Barra do Ceará, em uma escola pública de Fortaleza- Ce. Realizamos esta entrevista com o professor da sala de Atendimento Educacional Especializado atuante nesta escola. Buscando esclarecer, assim, o andamento desse atendimento, e suas contribuições para inclusão das crianças com deficiências no contexto escolar inclusivo. Os principais autores que utilizamos para o levantamento bibliográfico foi Mantoan (2004), os documentos oficiais elaborados pelo Ministério de Educação (MEC), e a Constituição Federal de 1988. BREVE PERCURSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A mobilização social, política e cultural pela educação inclusiva ao longo da história,prevê a superação das práticas discriminatórias, de modo que os alunos estejam aprendendo e participando juntos, com igualdade nas ações educativas, visto que, todos temos os mesmos direitos, independente das dificuldades físicas, sociais, afetivas, culturais e cognitiva que enfrentamos ao longo de nossa existência (Brasil, 2010), direito de igualdade este garantido pela Constituição de 1988, desde o primeiro dia de vida do sujeito. Compreendemos que para isso acontecer, devemos considerar a reestruturação dos nossos sistemas de ensino, que muitas vezes encontram-se engessados por posturas arcaicas, que acabam sufocando novas práticas pedagógicas, que almejam a superação da cultura da exclusão. Superar as barreiras da exclusão significa permitir uma cultura escolar, cujo centro de planejamento dos professores, e dos planos de ação da escola, tenham como preocupação que as especificidades do aluno venham sendo atendidas de fato, para que deste modo possam fornecer e garantir uma educação de qualidade para todos. A educação inclusiva no Brasil foi marcada por vários marcos políticos e históricos desde a época do império, porém, apenas no século XX as tentativas de garantir os direitos de todos, como na constituição de 1988, começaram a ser percebidas pela sociedade, como um deslumbre, pois as crianças eram limitadas em instituições especializadas, onde as mesmas não tinham oportunidade do convívio social geral, muitas Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 vezes pelo receio que a própria família tinha de sofrerem discriminação e rejeição por parte da sociedade. O atendimento às pessoas com deficiência no Brasil, foi fundamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, Lei nº 4.024/61, garantindo o direito dos “excepcionais”, mas mesmo com essas tentativas de eliminar as barreiras da exclusão, algumas ideias contribuíram, para que acontecesse a política da segregação, direcionando as crianças para ambientes especializados, deixando esquecida a inserção delas na escola comum. Políticas assim não efetivam o acesso universal à educação, mas reafirma a “política especial” (MEC, 2010). O histórico da segregação levou a um déficit de matrículas de crianças deficientes na escola comum, pois há poucos anos a presença de crianças com deficiência não era algo frequente. A partir do momento que os direitos da pessoa com deficiência começaram a ser atendidos e respeitados, mesmo que de forma obrigatória, é que este quadro começou a mudar. A Constituição Federal de 1988 busca garantir e promover o bem de todos, sem discriminação e preconceito de origem, raça, sexo, cor e idade. Além disso, estabelece a igualdade de acesso e permanência na escola. Para isso, o Estado garante a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE), preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). Percebemos que ao longo dos anos, documentos e declarações foram criados para que a pessoa com deficiência fosse incluída efetivamente na sociedade, podendo ser também protagonista em seu processo de aprendizagem. A Declaração de Salamanca (1994) é uma resolução das Nações Unidas que trata dos princípios, políticas e práticas inclusivas, apresenta procedimentos para a equalização de oportunidades para pessoas com deficiência e é considerada mundialmente um dos mais importantes documentos que visam a inclusão social. Outro marco significativo, foi a Convenção de Guatemala (1999), ela diz que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos dos demais sendo considerado como discriminação toda exclusão que possa impedir ou invalidar o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Ações como essas favorecem a formulação Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 das atuais políticas públicas inclusivas. Porém, os esforços articulados ao longo da história, ainda não foram suficientes para a construção de uma política adequada, que reformule uma prática educativa positiva. Pessoas com deficiência são, antes de mais nada, PESSOAS. Pessoas como quaisquer outras, com protagonismos, peculiaridades, contradições e singularidades. Pessoas que lutam por seus direitos, que valorizam o respeito pela dignidade, pela autonomia individual, pela plena e efetiva participação e inclusão na sociedade e pela igualdade de oportunidades, evidenciando, portanto, que a deficiência é apenas mais uma característica da condição humana. (Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, pág. 15, 2007) Só foi percebido que a pessoa com deficiência pôde estar incluída na escola comum a partir do ano de 2007, em que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência estabelece aos Estados o dever de assegurar um sistema de educação inclusivo em todos os níveis de ensino, adotando medidas que garantam o acesso ao ensino inclusivo na escola comum, gratuito e de qualidade, eliminando as barreiras da exclusão, escrito no Art. 24. Percebemos que com o decorrer do tempo, órgãos interessados, familiares, instituições e simpatizantes da causa, lutaram para ver na prática aquilo que já tinha sido conquistado no papel. Os Parentes das crianças com deficiência, foram cada vez mais se apropriando das leis formuladas em prol dos seus, de forma a buscarem velar para ver garantido esses direitos, principalmente ao acesso e permanência deles nas escolas comuns, por mais que a resistência ainda perdurasse e a ignorância de alguns tentam barrar este progresso. SURGIMENTO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) Em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) sugere a implementação de salas de recursos multifuncionais, e a reformulação, caso necessário, dos prédios escolares, para que fosse garantido o acesso e permanência do sujeito nos diferentes níveis e etapas escolares (Brasil, 2010). A permanência das pessoas com deficiência, presentes exclusivamente em instituições especializadas, indiretamente, alimentavam a ideia de um ambiente segregativo, pois se não trabalhado como uma ação complementar às atividades do sujeito, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 finda em não anular as barreiras da inclusão, e sim incentiva a política da segregação. A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação Inclusiva (2000) trouxe uma novidade que foi o AEE, segundo os documentos oficiais, esse atendimento visa a autonomia do aluno dentro e fora da escola. Acontece preferencialmente nas escolas comuns, em um local chamado Sala de Recursos Multifuncionais, sua oferta é obrigatória pelos sistemas de ensino. Essa política citada juntamente com o Decreto N. 6571/2008, estabelece que os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, com altas habilidades/ superdotação tem direito a esse atendimento. O AEE leva em conta as particularidades de cada aluno, ele não surgiu para substituir o ensino comum, tão pouco fazer adaptações curriculares e não pode ser confundido como reforço escolar, veio auxiliar o professor, o aluno e toda a comunidade escolar para a efetivação de um ensino inclusivo, que garanta o acesso e permanência do sujeito com deficiência em todos os níveis e modalidades de ensino (Brasil, 2010). Assim, o AEE se organiza paralelo a educação comum. Nessa proposta, começamos a perceber uma nova perspectiva de educação inclusiva, agora implantando o atendimento articulado ao ensino comum. ESTRATÉGIAS FACILITADORAS E NORTEADORAS DA APRENDIZAGEM DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NAS SALAS DE AEE O Atendimento Educacional Especializado disponibiliza recursos,serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem das turmas comuns ao ensino regular. Ele tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras da exclusão, com a finalidade de proporcionar a plena participação dos alunos em toda ação escolar, independente da deficiência que o sujeito possua. No atendimento são feitas atividades diferenciadas das realizadas na sala comum, onde o foco são as dificuldades apresentadas pelo aluno, esse suporte é individual e personalizado e por muitas vezes requer uma atenção e cuidado maior devido às Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 particularidades de cada indivíduo. Assim o profissional do AEE, tem um papel indispensável em seu desenvolvimento e compromisso de minimizar os impedimentos e bloqueios, através de meios e objetos que simplifiquem seu dia a dia, exemplo disso são as Tecnologias Assistivas (TA), segundo o fascículo Recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa (Brasil, 2010, p. 8) diz que TA “é uma área do conhecimento e de atuação que desenvolve serviços, recursos e estratégias que auxiliam na resolução de dificuldades funcionais das pessoas com deficiência na realização de suas tarefas”. Esses recursos, são atividades adaptadas, para serem utilizadas, tanto no AEE quanto na sala comum, são estratégias pedagógicas que tem por objetivo dar oportunidades de aprendizagem significativas ao sujeito com deficiência, permitindo a sua verdadeira inserção no seu processo de aprendizagem. Os recursos elaborados são atividades que trazem a tona as necessidades específicas de cada um (exemplo: Paralisia Cerebral - engrossador de lápis, prancha de comunicação... Baixa visão – recursos de comunicação aumentativa e alternativa, entre outras), os prévios conhecimentos das crianças, seus sentimentos, sensações, e suas áreas de interesse, exploram sua criatividade e despertam a curiosidade para descobrirem coisas novas. Tais recursos podem ser de alta ou baixa tecnologia. Alta Tecnologia são recursos sugeridos após o diagnóstico do professor do AEE, onde ele leva em conta as especificidades de cada um, suas limitações, dificuldades, competências e habilidades, exemplo: softwares, vocalizadores e computador. Os de baixa tecnologia, são os que podem ser confeccionados pelo próprio professor do AEE, utilizando materiais simples que se tornam objetos facilitadores de aprendizagem, como engrossador de lápis e pranchas de comunicação. Para realização destas atividades, os professores podem utilizar também vários tipos de materiais, como: areia, tecidos, algodão, palitos, tampinhas, recicláveis, barbante, tinta, papéis de diversas texturas e uma variedade de outros utensílios que sejam de fácil acesso e estejam ao seu alcance. Sabendo disso, compete ao profissional do AEE, fazer um estudo de pesquisa referente a sua trajetória escolar, história de vida, afetiva e social, levar em conta sua Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 possibilidade motora e neurológica, saber seus interesses e peculiaridades, quais suas necessidades de aprendizagem e seu conhecimento prévio. Feito isso, é traçado um planejamento para guiá-lo nesse percurso de ensino-aprendizagem. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) NA PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA Para entendermos melhor como ocorre o Atendimento Educacional Especializado na escola comum, realizamos uma pesquisa qualitativa, de cunho exploratório, buscando observar a relação teoria/prática, para isso realizamos uma pesquisa de campo, onde escolhemos a entrevista estruturada como instrumento de coleta de dados. Segundo Lakatos a entrevista estruturada É aquela em que o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido; as perguntas feitas ao indivíduo são predeterminadas. Ela se realiza de acordo com um formulário (ver mais adiante) elaborado e é efetuada de preferência com pessoas selecionadas de acordo com um plano (2003, p.197). Desta forma elaboramos algumas perguntas a serem respondidas pelo profissional em exercício da sala do AEE, de uma escola do Distrito I, 6 dessas perguntas destacamos as respostas neste artigo, no qual visamos esclarecer melhor alguns pontos em estudo. Esse profissional é formado em Pedagogia, com pós – graduação em Educação Inclusiva, e atualmente está cursando Neuropsicopedagogia. Ingressou na área da Educação Inclusiva no Município através de uma seleção pública, no qual ficou respondendo por esse setor durante um ano no Distrito I, prestando assessoria, realizando formação de professores, atendendo diretores, coordenadores e pais, esclarecendo dúvidas, elaborando solicitações, encaminhando as crianças deficientes para a sala de recurso mais próxima de sua casa, entre outras atividades burocráticas. Por motivos pessoais resolveu atuar somente na sala do AEE na escola que atualmente está. No início da nossa entrevista, o entrevistado nos forneceu alguns dados gerais sobre o Atendimento Educacional Especializado no Município de Fortaleza, tais como: Segundo o entrevistado, de acordo com os últimos dados em que teve acesso, o censo da Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Educação Especial no ano de 2017 teve um grande salto, hoje na Prefeitura Municipal de Fortaleza, das 6 regionais, de acordo com ele das matrículas de 2016, mostra que de 203.499 matrículas na rede, 4.524 foram de crianças e jovens matriculadas na modalidade de educação especial. Fortaleza possui 147 salas de AEE, atualmente funcionando, e outras em processo de abertura, 28 delas encontram-se no Distrito I, região localizada entre a Barra do Ceará ao centro de Fortaleza. Segundo o Plano Municipal da Educação de Fortaleza (2015, p. 47) [...] A Rede Municipal de Ensino de Fortaleza vem consolidando o atendimento dos estudantes com deficiências, transtornos do espectro autista e altas habilidades/superdotação, público desta modalidade, por meio da oferta de serviços, em especial, do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Buscamos informações também com a secretaria da escola em que realizamos a entrevista, sobre a questão da matrícula de crianças deficientes e segundo ela a matrícula das crianças com deficiência na Prefeitura, ocorre em datas específicas informadas pela Secretaria Municipal de Educação, geralmente nos meses de novembro e dezembro, mas sempre antes dos demais alunos. Na educação infantil a cada criança matriculada, que seja comprovada, através de laudo médico, a deficiência, três alunos são reduzidos da capacidade máxima da sala, já no ensino fundamental a cada criança com deficiência dois alunos são reduzidos, segundo as Diretrizes de matrícula e lotação de professores (2017) . A redução de alunos nas turmas é efetivada mediante análise e do parecer da equipe da Educação Especial. É levado em conta, para ser realizada a redução do número de alunos nas turmas, as deficiências permanentes como: deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência intelectual, transtorno global do desenvolvimento e paralisia cerebral (Ibdem, 2017). Para relato de nossa entrevistas utilizaremos P para identificar a fala do Pesquisador e E para a fala do entrevistado, desta forma iniciamos indagando: P: Qual o público que atende? E: O público que a gente atende é o público com deficiência física, limitação visual, auditiva, motora, com transtornos, altas habilidades e superdotação […] P: Como a criança sem laudo entra no AEE? E: A professora da sala regularfaz uma observação do aluno e encaminha para a gente, esse aluno já entra em processo de investigação. Então junto com o professor da sala (comum) vamos fazendo observações e avaliações… e de uma certa forma essa criança já entra na rotina do atendimento… assim faremos avaliações, a chamada dos pais, do professor, realizaremos os encaminhamentos Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 médicos (necessários). No decorrer desse processo de busca do laudo não impede que ele (aluno) já fique fazendo essas avaliações no AEE não. O Município da cidade de Fortaleza – Ce, tem como meta principal, para a modalidade da Educação Especial, garantir o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais ou serviços especializados, públicos ou conveniados para os estudantes com deficiência, transtornos do espectro autista 53 e altas habilidades/superdotação (2015. p.52), como mencionado pelo entrevistado na primeira fala a cima. Já no relato do entrevistado na segunda indagação ele deixa claro que para frequentar o AEE, não é necessário, inicialmente o laudo médico comprovando a deficiência, há muitos casos em que o professor da sala comum, percebe uma dificuldade específica do seu aluno e procura o professor do atendimento, que o orienta sobre a realização de um relatório de avaliação desse aluno, feito através de um olhar mais específico. Segundo a Nota Técnica Nº 04 (2014), da Diretoria de Políticas de Educação Especial o laudo não se trata de um documento obrigatório, mas, complementar, quando a escola sentir necessário de tal. Na verdade o importante é que o direito das pessoas com deficiência à educação não seja negada pela exigência de laudo médico, já que o AEE caracteriza-se por ser um atendimento pedagógico e não clínico. Assim a criança já entra em processo de investigação, a partir do instante que o professor do atendimento, juntamente com o professor da sala comum, passa a observar melhor o aluno realizando atividades e avaliações específicas na sala de recursos, iniciando assim seus primeiros atendimentos. Os pais são chamados para uma conversa onde são instruídos a buscar orientações médicas. É feita uma entrevista de anamnese, e esclarecido os motivos pelos quais a criança estar e precisa do AEE. Indagamos também como se dar a parceria com a família, segundo o professor do Atendimento, essa parceria é de cumplicidade, os parentes geralmente possuem muito Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 interesse e preocupação em saber sobre o desenvolvimento de seus filhos, se mostram disponível em dar suas contribuições, além disso, segundo o mesmo, os pais tem o cuidado, geralmente, de levarem seus filhos para outros tipos de atividade médicas, como psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, entre outros, pelo menos essa é a realidade da escola que atua. O AEE segue a resolução de Município da cidade de Fortaleza - Ce, os atendimentos podem ser individuais, em dupla ou em grupo, respeitando sempre as especificidades de cada um. O tempo do atendimento, por uma questão de organização, é de 50 minutos, mas a duração respeita o período que o aluno realiza as propostas do plano de ação. P: Como acontece o atendimento? E: Quando a criança chega ao AEE é realizado um portfólio dela contendo toda a documentação da criança, como: laudo médico, avaliação e entrevista inicial com os pais. Iniciamos a construção de dois instrumentais, que são um estudo de caso e um plano anual. Este plano contém todas as atividades que serão realizadas com esse aluno durante o ano, e os resultados esperados através desse trabalho. Segundo Mantoan (2003, p.20) o direito à diferença nas escolas desconstrói o sistema de significação escolar excludente, normativo, elitista, com suas medidas e seus mecanismos de fabricação da identidade e da diferença. As tentativas são inúmeras para se faler valer as políticas inclusivas, para que seja garantida os direitos de todos efetivamente. Assim, como uma dessas tentativas, segundo o entrevistado o professor do AEE fica responsável pelo acompanhamento do processo de aprendizagem, da avaliação do desenvolvimento e funcionalidade do estudante. Na sala de recursos multifuncional o trabalho se concentrar nos aspectos que podem facilitar o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno, planejando ações que promovam intervenções que possibilitem a eliminação das barreiras que dificultam a aprendizagem desse aluno (Brasil, 2010) P: Como os alunos são avaliados? E: Para cada especificidades possui uma avaliação, tem uma avaliação geral dos aspectos motores… dos aspectos cognitivos, aquisição da leitura, reconhecimento de letras, possuímos também materiais na sala para realizar esses tipos de avaliação… são feito também relatórios semestrais de acompanhamento do aluno. A avaliação do aluno no atendimento é qualitativa, o indivíduo é avaliado durante Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 todo o processo e são levadas em conta as conquistas desse aluno no decorrer do semestre, são realizado dois relatórios semestrais para registrar as observações e avanços dos mesmos. Valentim e Oliveira (2013, P. 867) defendem a aplicação de avaliações que levem em conta as potencialidades das crianças com deficiência e o abandono das práticas tradicionais de uma avaliação classificatória, e quantitativa quando diz que: Superar a presença expressiva de uma avaliação da aprendizagem essencialmente tradicional e com fins classificatórios é importante para cumprir os pressupostos que embasam a educação inclusiva, a qual visa ao atendimento das necessidades e especificidades dos alunos com deficiência na escola comum, sem fins excludentes. Finalizamos a nossa entrevista indagamos como o professor define o seu trabalho, ele respondeu que é um trabalho muito gratificante, quando ele está com os alunos, vivenciando o seu crescimento ele relata ser recompensador. De acordo com o professor do AEE, o mais gratificante no seu trabalho é o avanço e a aprendizagem das crianças, o carinho que recebe no olhar de cada uma delas, quando as mesmas são acolhidas e aceitas no ambiente escolar comum. CONCLUSÃO O termo educação inclusiva tem sido abordado a partir da década de 80 e a princípio sua maior preocupação era que os alunos com necessidades educativas especiais convivessem no mesmo ambiente que os demais. Após alguns anos e com o apoio de várias Leis e Declarações, surgem as salas multifuncionais onde serão realizados os atendimentos educacionais especializados que tem como função principal facilitar o acesso do aluno ao currículo, realizando adaptações que auxiliem em sua caminhada a uma aprendizagem significativa. Podemos perceber a importância do planejamento individual, bem como o apoio da família e de toda comunidade escolar. É primordial então, execução de uma avaliação e um estudo de caso de cada indivíduo para que se possa conhecer e saber suas reais necessidades, dificuldades e que objetivos serão traçados para o alcance do progresso social e escolar. Outro ponto forte se refere a utilização dos recursos pedagógicos adaptados para favorecer o processo de aprendizagem, tais como jogos, software, utilizar de estratégias facilitadoras de acordo com as especificidades de cada um, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ocasionandomaior independência e inclusão social. Constatamos ainda referente às dificuldades de diálogo e entendimento dos professores da sala comum e da sala de recursos em trabalhar juntos em prol do desenvolvimento da criança, e das dificuldades que alguns dizem ter, seja por falta de formação, apoio pedagógico ou falta de experiência, visto que o que esses alunos mais precisam é de oportunidade de convivência escolar, atenção, carinho, apoio e principalmente amor. Ao final dessa pesquisa fica claro a percepção referente a função da sala de recursos, suas estratégias, seu planejamento e dificuldades encontradas. Este trabalho demonstrou também seus benefícios e com ele, podemos refletir sobre os empecilhos que dificultam e retardam a aprendizagem do aluno e que para tanto possam ser revistos e superados com foca nas soluções, fazendo com que todos os envolvidos se unam em busca da inclusão REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Marcos Político- Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva / Secretaria de Educação Especial. - Brasília : Secretaria de Educação Especial, - 2010. BRASIL. Lei brasileira da inclusão da pessoa com deficiência. Estatuto da pessoa com deficiência: lei n.13.146, de 6 de julho de 2015 – Fortaleza: INESP, 2015. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/arquivos/livro/livro.pdf> Acesso em: 2 de mai. de 2017. MEC / SECADI / DPEE. Orientação quanto a documentos comprobatórios de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação no Censo Escolar. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão Diretoria de Políticas de Educação Especial. Brasília, 2014. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15898- nott04-secadi-dpee-23012014&category_slug=julho-2014-pdf&Itemid=30192> Acesso em 15 de mai. de 2017. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 FORTALEZA. Diretrizes de Matrícula e Locação de Professores. Secretaria Municipal de Educação. 2017. Disponível em <http://educacao.fortaleza.ce.gov.br/images/cartilha_matricula_lotacao_2017.pdf > Acesso em 17 mai. de 2017. FORTALEZA. Plano Municipal da Educação de Fortaleza (2015 – 2025) (Versão preliminar). Secretaria Municipal de Educação, 2015. Disponível em < http://216.59.16.201:8080/sapl/sapl_documentos/materia/9179> Acesso 17 mai. de 2017. LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. Marina de Andrade Marconi, Eva Maria Lakatos. - 5. ed. - São Paulo : Atlas 2003. LA TAILLE, Y; OLIVEIRA, M. K. ; DANTAS, H. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 DESTINAÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA FEIRA LIVRE DE MESSEJANA Francisco Eder Nunes Maia 10 Denise Maria Santos 11 Jean Carlos de Araújo Brilhante 12 RESUMO A degradação ambiental vem sendo a cada dia mais assunto em pauta de reuniões nacionais e internacionais, em todo o mundo. Desde o ocidente ao oriente, há debates de países que lucram bastante poluindo contra uma massa pequena que vê a gravidade da forma de vida escolhida nos últimos anos, após a revolução industrial e a atual revolução tecnológica, que vem sendo contestada nos campos de estudo, principalmente sobre a geração de resíduos sólidos que vem sendo o principal vilão ambiental que aterroriza as residências e a indústria. O trabalho a seguir relata que tipos de resíduos sólidos são gerados em uma feira livre no bairro de Messejana, município de Fortaleza no estado do Ceará, feira essa que é fonte de renda e alimenta a economia local. Trazendo uma visão dos feirantes, consumidores e frequentadores da feira, observam-se os trabalhos de conscientização ambiental feitos no local. Foram detectados mecanismos e saídas feitos pelos próprios feirantes para minimização dos impactos e reaproveitamento dos rejeitos para criação de animais, adubos e etc. O objetivo geral do trabalho foi identificar que tipos de resíduos são gerados na feira e dar oportunidade de pensar sobre o que fazer com eles, que projetos de inclusão social fazer com os rejeitos gerados na feira, tendo em vista que ela trabalha com um “mix” variado de produtos, que incluem alimentos, pescados, carne, frango, legumes, frutas, verduras, confecção, calçados, dentre outras coisas descritas neste artigo científico. PALAVRAS-CHAVE: Degradação ambiental, Geração de resíduos sólidos, Sustentabilidade. INTRODUÇÃO A sustentabilidade ambiental é algo muito falado nos meios de comunicação e estar presente em nosso dia-a-dia, a fim de contribuir na qualidade de vida humana, promovendo o bem estar das pessoas em equilíbrio com o meio ambiente, assim também como o gerenciamento de resíduos sólidos, utilização consciente da água, o uso de tecnologias limpas, favorecimento de cidades sustentáveis e muito mais na área sócio ambiental. 10 UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU-UVA, e-mail: edermaialog@gmail.com 11 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO-UFPE /UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU-UVA.e-mail:deniseufc@yahoo.com.br 12 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA-UFC / UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU- UVA, e-mail.brilhanteufc@yahoo.com.br 66 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Diante desses problemas mencionados destaca-se a geração desenfreada de resíduos sólidos no ambiente urbano, sendo isso gerenciado pela política nacional de resíduos sólidos, a lei Nº 12.305/10 que organiza e delimita, abrangendo fatores ambientais, sociais e econômicos estimulando hábitos de consumo sustentáveis, aumento de reciclagem, reutilização de resíduos sólidos e destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. A feira livre é fonte de renda de muitas famílias, atuando diretamente no meio social e econômico, a atividade também traz seus impactos ao meio ambiente que são os resíduos sólidos gerados na feira, O presente trabalho procura identificar os impactos ambientais gerados pelo gerenciamento e manejo inadequado dos resíduos sólidos em uma feira livre localizada no bairro de Messejana em Fortaleza-CE. Tem como objetivo também analisar os métodos de gerenciamento de resíduos sólidos existentes no local e os impactos por ele gerados, que tipo de resíduos são gerados no local, verificar a forma de coleta desses resíduos relacionando os impactos gerados pela atividade. Desta forma observamos a relevância do estudo, pois alem de identificar os tipos de resíduos gerados na feira procura também identificar desperdíciosde alimentos propondo alternativas eficazes e eficientes de gerenciamento de resíduos sólidos buscando uma qualidade de vida local no ambiente afetado. METODOLOGIA O local que foi estudado é uma feira na rua cel. Francisco Pereira com Rua Dr. Pergentino Maia em Messejana, um bairro localizado na zona sudeste de Fortaleza, no estado do Ceará, essa feira é uma das maiores do estado, com suas variedades de produtos. Messejana tem um comercio grande perdendo apenas para o centro da cidade, característica que disponibiliza aos feirantes do local, negócios rendáveis. Vendedores e feirantes que tiram seu sustento da feira existem alguns com 20 anos de trabalho e não pensam em sair de lá, pois falam que é onde encontram amigos e companheiros, sem falar que a renda tirada da feira compensa o trabalho. A técnica a ser Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 usada será entrevista com os feirantes no local onde acontece a feira, de forma a responder o problema de pesquisa proposto pelo pesquisador. A pesquisa foi realizada nos dias de maior fluxo, que é o domingo nos dias 27 de julho e 15 de agosto do ano de 2015, a pesquisa foi realizada devido a se perceber visualmente de que nesta feira não há perceptivelmente sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos e que há impactos ambientais gerados pela atividade local, onde se encontram geração de resíduos sólidos e desperdício de frutas, verduras e legumes, de onde da para se fazer trabalhos sociais, como reaproveitamento desses alimentos para fazer os chamados “sopões”, que alimentam boa parte da população de rua. Existem também materiais tais como sobras de tecidos que poderiam ser utilizados em projetos sócios ambientais, com comunidade carente ou de inclusão social em abrigos, cursos de capacitação fornecidos pelo governo ou por ONG´S, de forma a estimula uma atividade secundaria sócio econômica na feira de Messejana. O objetivo deste trabalho é caracterizar e identificar que tipos de resíduos são gerados e manejados para locais específicos e legais na nomenclatura da lei, de forma a identificar os impactos ambientais gerados pela atividade no local, tendo em vista a identificação dos resíduos gerados na feira e caracterizar a destinação correta desses resíduos, mitigando seus impactos. A pesquisa foi realizada através de questionários com pergunta subjetivas com feirantes, consumidores e frequentadores da feira, onde foi verificado e analisando através de seis perguntas onde foram respondidos problemas de geração de resíduos sólidos na feira. Os entrevistados foram escolhidos de forma aleatórios sem distinção de sexo, idade, de forma a se pode responder ao problema de pesquisa proposto no início e decorrer deste trabalho cientifico. RESULTADOS E DISCUSSÃO Conforme questionários aplicados nos respectivos dias 27 de julho e 15 de agosto de 2015 obtêm as informações seguidas abaixo. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A primeira pergunta foi que horas que começa a feira e se no início o local estar limpo. Daí detectamos atreves dos resultados da pesquisa que a feira começa por volta de 5:00H lados das frutas e verduras e 7:00H onde ficam as demais mercadorias Na feira de Messejana há um dinamismo na separação do local onde se tem a a área de pescados, verduras, frutas e legumes e demais produtos. Todos responderam que quando chegam para montar as bancas o local estar sempre limpo e que a feira. Na figura abaixo podemos observar as informações acima. Figura 1. Organização e limpeza no inicio da feira. Fonte: dos autores, outubro de 2015. A segunda pergunta foi sobre os tipos de produtos são vendidos na feira e se há desperdício. Os produtos que são vendidos na feira são: roupas, calçados, acessórios, frutas, verduras, produtos frios, peixe, carne, presentes, brinquedos, e miudezas em geral. Sobre o desperdício, foi identificado que há na parte das frutas e legumes, La há muito desperdício de frutas, verduras e legumes; foi informado que há pessoas que juntam os restos de frutas e verduras para criação de animais para abate, como porco e galinha e que moradores de rua ou de baixo poder aquisitivo, ficam depois da feira juntando essas frutas, verduras e legumes para sua própria alimentação, podemos observar isso na figura a seguir. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 2. Tipos de produtos vendidos na feira. Fonte: Dos autores, 2015 Na próxima figura podemos identificar sobre o relato doas pessoas entre frequentadores e feirantes que, pessoas se utilizavam dos restos de frutas e verduras da feira que não são aproveitados e são dispensados ali mesmo na rua, sem qual quer manejo adequado ou destinação ambientalmente correta aos alimentos. Figura 3. Limpeza e desperdício de alimentos durante a Feira. Fonte: Dos autores, 2015 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A terceira pergunta foi se há limpeza durante a feira, se havia uma equipe por parte da prefeitura que fizesse a limpeza do local durante a realização da feira. Desta forma foi detectado que não há e que muito permissionários fazem a própria limpeza durante, juntando o lixo em caixas de papelão ou sacos plásticos, mas que nem todos os feirantes se preocupavam com isso. Tais informações foi registrada pela figura abaixo. Figura 4. Conscientização de limpeza de cada feirante. Fonte: Dos autores, 2015 Podemos ressaltar através da figura que muitas se preocupam em deixar o local mais organizado e limpo, na busca por vendas, é uma forma de conquistar o cliente, sendo que veriam que os produtos não estariam junto ao lixo, foi isso que eles relataram no decorrer da questão. A quarta pergunta foi sobre se existia lixeiras de coleta seletiva ou lixeiras suficientes na realização da feira. Detectamos que não há lixeiras de coleta seletiva e nem de lixeiras, containers ou algo parecido para que os feirante, frequentadores e consumidores da feira possam colocar o lixo gerado, a não ser dentro do mercado de Messejana que fica vizinho a feira, mas lá não tem lixeira suficiente que possa suportar a quantidade de lixo gerado por toda a movimentação da feira. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 5. Local impróprio para acumulo de resíduos sólidos. Fonte: dos autores, 2015 A quinta pergunta foi se quando a feira termina, há sistema de limpeza, se tem caminhão para recolher o lixo. Foi respondido que tem sistema de limpeza e eu é por volta de 15:00h do domingo, fazem a limpeza das ruas e do local da feira, varrendo, juntando e recolhendo o lixo. Foi informado também que durante a semana a carros de coleta que passam para recolher o lixo da feira em horários marcados, como 7:30h, 9:00h, 14;00h e 16:00h. Figura 6. Local após a feira de Messejana. Fonte: dos autores, 2015 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A sexta e última pergunta foi, sobre se haveria algum tipo de projeto por parte da prefeitura sobre conscientização da limpeza no local ou de algum projeto que reutilize materiais que são vestígios (sobras) da feira que antes iriam para o lixo. De acordo com a coleta de dados, foi identificado que não há coleta seletiva e que não tem existe nenhumprojeto de conscientização sobre a forma correta de separar o lixo, não existe orientação por parte governamental sobre este assunto, nunca houve nenhum evento por parte da prefeitura ou estado sobre conscientização ambiental do lixo. Foi informado que no momento após a feira as bancas são retiradas durante a madrugada de domingo para segunda-feira e que essas pessoas consomem e jogam os rejeitos na rua e por não ter banheiros públicos ou químicos, urinam defecam no local, fazendo com que a segunda-feira seja mais um dia de trabalho de limpeza. CONCLUSÃO Desta forma conclui-se que não existe manejo e tratamento adequado para os resíduos sólidos gerados na feira de Messejana, conseguiu-se identificar que muitos dos resíduos gerados, tais como restos de confecções e principalmente os alimentos, incluindo frutas, legumes e verduras poderiam ser reaproveitados de forma adequado, fazendo trabalhos de inclusão social que poderiam fazer artesanato com restos de tecidos que são jogados fora como também com os alimentos mencionados acima, de forma a serem lavados e distribuídos em instituições de caridade que cuidam, de pessoas com dependência química, crianças e moradores de rua. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA, S B ; SOUZA P A R. O impacto dos resíduos sólidos de pescado: O caso da feira do bagaço no município de Parintins do Amazonas. Revista desarollo local sostenible, 2012. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 CUNHA, J G. A feira livre do município de Mari-PB: Uma análise histórica, geográfica e socioeconômica. Guarabira, PB, 2014. JUNIOR, I M S; PROST, C. Olhar geográfico da gestão de resíduos sólidos urbanos: Um estudo comparativo das representações socioespaciais das feiras livres dos bairros George Américo e Cidade Nova em Feira de Santana-BA. Revista eletrônica e tecnologias ambientais (GESTA), 2013. MOURA, L B, et al. Verificação da destinação final dos resíduos sólidos oriundos do abatedouro de carne e das feiras livres de pescado na região do Cariri. Revista verde, Mossoró, RN, 2013. OLIVEIRA, C A G. Diagnóstico do gerenciamento dos resíduos sólidos do município de Brejo do Cruz- PB. Catolé do Rocha, PB, 2011. PERUCHIN, B, et al. Gestão de resíduos sólidos em restaurante escola. Revista tecno - lógica, 2013. SOUZA,G C; GUADAGNIN. Diagnostico dos serviços de coleta, transporte, tratamento e disposição final de resíduos sólidos domiciliares em município de pequeno porte: Estudo de caso em Cocal do Sul- SC. Caxias do Sul, SC, 2009. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ATITUDES DOCENTES COM CRIANÇAS INCLUSAS EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE FORTALEZA Cristiane de Oliveira Rezende 13 Carolina Eckrich Canuto 14 RESUMO O artigo pretende promover uma cultura de convivência com as diferenças e as exigências legais da Educação Inclusiva, construir reflexões que resinifiquem manejo com as diferenças, contribuir no suporte pedagógico aos docentes em assuntos referentes à Educação Inclusiva e buscar a interação entre professor e educando para construção de um melhor ambiente foram os principais pontos pensados diante desta pesquisa que se deu através da vivência na escola e em reuniões, juntamente com bibliografias expostas pelos diversos autores, em especial Tardif(2012), Mantoan(2003), Vygotsky(1984) e Lacan(1998) e muitos outros a se destacarem no decorrer desta escrita que contribuíram para um novo pensar e um novo fazer, para buscar mudar. Para se entender o assunto em destaque, se fez necessárias leituras especificas e complementares, orientações em conversas com os mais diversos profissionais e professores de nossa própria sala de pós- graduação e outros especialistas, passando pelo assunto geral desde os primórdios vividos pelas pessoas com necessidades especiais, passando pelos preconceitos, reclusões sociais, explosões de ideias e luta por dias melhores e direitos igualitários, e em seguida, observando a estrutura formada legalmente, onde se vêem as leis que amparam essas pessoas e por fim, uma reflexão do “porque” e do “como melhorar” os comportamentos de docentes. Uma discussão que não acabou, e que veio para apenas iniciar uma reflexão e uma possível melhora dentro das escolas, em geral. Palavras chaves: convivência; reflexões; educação; diversidade. INTRODUÇÃO As sociedades todos os dias estão buscando movimentarem-se em busca das mais diversas novidades para tamponar suas faltas. Vive-se hoje em um mundo corrido, onde a “crise do ter” se mostra muito mais definida do que a “crise do ser”, de ser. Porém, como a regra da regra é ter exceção ainda se há a possibilidade de uma salvação em meio a um mundo que corre com “diferentes pernas”. Corre-se com o pensamento, com os olhos e com as pernas membros inferiores, só não se corre com a alma, deixando está parada, sem se exercitar de maneira correta para exercer uma de suas funções mais importantes que é a de tornarmo-nos humanos e construir uma sociedade mais justa. 13 IDJ, crikarezende82@gmail.com 14 IDJ,carolect35@gmail.com 76 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Este estudo teve o objetivo de apresentar um pouco da realidade em que se encontra o sistema educacional de Fortaleza principalmente a nível de Ensino Fundamental II, já que este grupo não passa pela formação pedagógica (mesmo a formação pedagógica ainda sendo defasada, mas ainda assim tem suas contribuições a nível humano e de ensino) mas sim direcionada às matérias que lhes cabem lecionar e com essa situação veio a incomodar nas reuniões pedagógicas em uma escola particular de Fortaleza, onde professores do Ensino Fundamental II expressavam-se verbalmente de forma “agressiva” deixando de lado a formação humana, o direito de todos e a busca de um mundo melhor. Pesquisa de cunho bibliográfica foi embasada nas ideias de estudiosos que se debruçaram sobre estas questões, de forma a observar, opinar e escrever sobre temas que se relacionam ou revelam essa realidade do despreparo. Existem situações que acontecem, precisam ser pensadas e modificadas através da ousadia daqueles que não enxergam nas mãos somente os dedos que as compõem, mas sim, o que ela pode fazer para mudar. E incluir é mudar desde a cara até o espaço físico. POR FALAR EM INCLUSÃO A Inclusão vem se chegando ao cotidiano, às vezes tímida, às vezes impactante, mas tentando tomar seu lugar ao sol, apesar das diversas resistências. O termo Inclusão vem do verbo incluir (do latim includere), no sentido etimológico, significa conter em, compreender, fazer parte de, ou participar de. Assim, falar em Inclusão Escolar é falar sobre indivíduos únicos, desenvolvendo papel social de educando inserido no espaço escolar. Assim, estes sujeitos que participam daquilo que o sistema educacional oferece adaptando o ambiente e contribuindo com seu potencial para os projetos e programações da instituição. Sobre isso, Mantoan diz que: “inserir um aluno, ou um grupo de alunos, que já foi anteriormente excluído, e o mote da inclusão, ao contrário,é o de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo da vida escolar. A escola inclusiva propõe um modo de organização do sistema educacional que consideradas necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função destas necessidades” (Mantoan, 2003, p.24) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108A Inclusão também pode ser entendida como uma forma de expressão humana, um ato de empatia, colaboração, gratidão por servir e não simplesmente uma obrigação regulada por leis. A diversidade humana contribui para agregar valores, ocorre para que possamos aprender e ensinar. Assim, a interação social e fundamental para o desenvolvimento humano. É um vantajoso a vivência com a diferença e de preferência que isso aconteça desde a tenra infância. Os adultos trazem certos conceitos os quais foram introjetados culturalmente por experiências variadas, e reproduzem valores, ideias e comportamentos para as novas gerações. Os alunos que convivem em um ambiente inclusivo, de fato, sentem-se sujeitos no processo educativo. EDUCAÇÃO: UMA MISSÃO Para atender a diferença na sala de aula devemos flexibilizar as práticas pedagógicas. Os objetivos e estratégias de metodologias não são inócuos: todos se baseiam em concepções em modelos de aprendizagem. Assim, se não propormos abordagens diferentes o processo de aprendizagem acabaremos criando desigualdades para muitos alunos. (RODRIGUES, 2006, p.305-306) Lacan traz considerações a partir da “missão da Educação” corroborando com o autor, sabe-se que a missão da educação é além da conscientização de promover a interação para que famílias, comunidade e sociedade estejam juntas e participativamente atuantes no ato de Incluir, já que o recurso humano é primordial e será o único beneficiado, pois, com a inclusão muitos problemas serão erradicados tais como: as altas taxas de desistência ou das repetências, a diminuição de baixa-estima dos educandos, desperdícios de recursos e uma sociedade desrespeitosa para com as diferenças, apresentando objeções quanto à capacidade das pessoas com deficiência ou diferenças no âmbito escolar (e geral) pelos mais diversos fatores, dentre eles estão o receio, medo ou até o desconhecimento do “real” da realidade, pois, fala-se aqui do real relacionado ao que se fala no cotidiano já que para Lacan (1998,p.382) o real está relacionado ao impossível, diz-se que este real é aquilo que não pode se escrever, se inscrever e é aquilo que não cessa. Com a perspectiva inclusiva, exclusivamente nas escolas, o aluno com deficiência poderá se beneficiar e os paradigmas serão todos quebrados, superados, promovendo a Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 inclusão de forma significativa. O ato de incluir é de grande importância para todos já que um dos benefícios acontecidos é o de aprendizado, como envolvimento de corpo docente e sociedade escolar, em geral. Dessa forma, deve-se esquecer da ideia inconsciente, porém não falada de todos os dias que “Incluir dá trabalho”, de que não há um bom retorno financeiro ou de afago ao ego, e amadurecer a ideia de que o certo deve ser sim sempre feito, que deve haver luta, desejo de uma mudança, busca de direitos garantidos de todos. A GARANTIA DOS DIREITOS Desde o ano de 1988 até o ano de 2015, as movimentações legais têm sido organizadas conforme as situações disponibilizadas em meio à sociedade, conforme as necessidades que se apresentam diante do cotidiano de pessoas com necessidades especiais. Verificando o que se precisaria para uma sociedade igualitária, foram com o passar dos anos, organizando leis, declarações, políticas nacionais, planos nacionais, diretrizes, resoluções, decretos, portarias, já que muitas vezes a situação humana não consegue se manter sem que algo seja punido (a natureza humana teve que se adaptar ao superego que é a lei, pela visão psicanalítica. Foram necessárias a criação de regras para que os seres humanos pudessem ter sossego e outros fossem castrados de seus desejos insanos. As discussões vêm sendo travadas desde o ano de 1988 onde a Constituição Brasileira, diz que deverá haver a garantia do acesso de todos ao Ensino Fundamental, onde educandos com necessidades especiais deverão receber atendimento especializado, porém que de preferência seja na escola e que não substitui o ensino regular. Mas diante dessa força, existe ainda um grande movimento que ainda resiste: a força corporativa das instituições especializadas. Essas tentam impedir a inclusão de caminhar, acreditando que excluir é ainda a melhor maneira. Entende-se que o melhor poderia ser que as crianças com deficiência, recebessem a escolarização no Ensino Comum e no contra turno participar do Atendimento Educacional Especializado (AEE) lembrando também que o educador/ professor do ensino regular não Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ficaria isento de fazer suas adaptações no cotidiano, afinal não se deve esquecer que a aprendizagem é para todos, independentes de suas limitações. Observa-se que as pessoas “Estão Passando” pelo processo de conscientização, processo esse que nem deveria existir já que deveria vir da criação familiar tudo já organizado, adaptado com tudo e com todos, mas já que isso não foi e não é ainda uma realidade, que seja possível cada dia mais esse apoio a essa conscientização para tornar essa realidade bem viva. Mas, enquanto esse engatinhar de conscientização acontece, dentro dele vem se estabelecendo situações que vão colocando cada coisa em seu devido lugar. Mas, para isso se iniciar, grandes acontecimentos ocorreram, embasados no cotidiano e que viraram situações jurídicas. Pois, em 1988 começa a saga na Constituição da República Federativa do Brasil, com alguns artigos bem específicos, tais como: art. 3°, 205° e 208°, que promovem o bem de todos, com deficiências físicas e outros detalhes a mais, “garantindo o pleno desenvolvimento do indivíduo, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho, garantindo também igualdade de condições de acesso e permanência na escola e atendimento especializado na mesma” (BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LDB9. 394, de 20 de dezembro de 1996). Porém, tudo estava decretado, mas nada efetivado. E foi aí onde no ano de 1989 nasce a Lei - 7853/89 que “dispõe sobre o apoio às pessoas‘portadoras’ de deficiência e sua integração social” deixando definido que a recusa, a suspensão, adiantamento, cancelamento ou extinção de matrícula de um estudante como crime, com pena variante de quatro anos e multa”. E, assim, tudo continuou, quando no ano de 1990 a Lei – 8069 ou Estatuto da Criança e do Adolescente no seu art. 55° reforça os dispositivos legais agora envolvendo pais e responsáveis com “a obrigação de buscar e fazer matrícula de filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LDB9. 394, de 20 de dezembro de 1996). Porém, acreditando e buscando sempre mais a melhoria, no mesmo ano (1994), 88 governos e 25 organizações internacionais em assembleia em Salamanca (Espanha) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 reafirmam, seus compromissos com a Educação para Todos, onde decretam o combate às atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e principalmente, alcançando educação para todos. As escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas desfavorecidas ou marginalizadas (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA p. 17- 18). A declaração adotada pela ConferênciaMundial em Educação Especial organizada pelo governo da Espanha em cooperação com a UNESCO e elaborou um novo pensar em Educação Especial onde as orientações para ação em nível nacional se dividem em 7 subitens que não serão destacados por aqui, por enquanto. Assim, veio com a missão de desmarginalizar onde seus artigos mais específicos são inicialmente, art.59que vem assegurar currículos, métodos, recursos e organizações, terminalidades especificas para conclusão do ensino fundamental, aceleração dos estudos. Já no art. 24, no inciso V, o avanço nos cursos e séries mediante verificação de aprendizado. Oportunidades educacionais conforme características do alunado mediante cursos e exames, no art. 37. Porém na LDB encontra-se trecho controverso no art. 58e seguintes que dizem: “o atendimento educacional especializado será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular”. O Decreto n° 3298 do ano se 1999 vem para regulamentar a Lei n° 7853/89 onde “define a educação especial como uma modalidade transversal, “sendo ela complemento para a educação regular”. Depois disso, já no ano de 2001, acontecem mais três importantes situações, dentre elas: Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação básica (Resolução CNE/CEB n° 2/2001) que tratam da organização da escola para o atendimento dos educandos com necessidades educacionais especiais (art. 2°) e Plano Nacional de Educação (PNE, Lei 10.127/2001). Em virtude do rigor das leis, em janeiro de 2016 entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei – 13.146/15) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 que chega para afirmar a autonomia e a capacidade dos mais de 45 milhões de brasileiros. A LBI foi um grande avanço e passa por períodos de ajustes idealizando a criação de uma cultura de inclusão com derrubada de barreiras. Agora é lutar para que cada dia isso tudo se concretize. Muitos professores acreditam que somente é acometido de deficiência o educando, mas lembrando que deficiência é a “falta total ou parcial de algo” e que nem professores, nem sociedade em geral deve estar isentos dessa. Percebe-se que a caminhada da inclusão é lenta e ainda enfrenta muitas barreiras, passando desde a falta de políticas públicas voltadas para a educação até acomodações dos professores. Esta última será um pouco trabalhada por aqui (apesar de as outras também terem uma grande importância), mas como se tem falado pouco sobre isso, enfatizaremos. É preciso repensar a formação de professores especializados, a fim de que estes sejam capazes de trabalhar em diferentes situações e possam assumir um papel - chave nos programas de necessidades educativas especiais. Deve ser adotada uma formação inicial não categorizada, abarcando todos os tipos de deficiência, antes de se enveredar por uma formação especializada numa ou em mais áreas relativas a deficiências específicas. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA p. 28). Entende- se que a instituição escolar inclusiva deve estar preparada para atender a todos os educandos que a procuram. Dentre os educandos com necessidades educativas especiais, encontram-se aqueles com impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial que ao tentarem uma interação se depararão com diversas barreiras que poderão restringi-los. Os procedimentos que ocorrem na escola - demonstração, assistência, fornecimento de pistas, instruções, são fundamentais para a promoção de um ensino capaz de promover o desenvolvimento. A intervenção do professor tem, pois, um papel central na trajetória dos indivíduos que passam pela escola. (CASTORINA ET al., 1995, p.62) Para dar uma pitada de ciência no assunto, pode-se falar dos mais importantes teóricos que disponibilizaram seu tempo e pensamento para fazer desta área uma situação mais justa e mais compreensível. Destaca-se aqui o bielo-russo Lev Vygotsky que deixou uma obra onde destacou o papel preponderante às relações sociais sobre o desenvolvimento intelectual dando origem a corrente pedagógica conhecida por Socioconstrutivismo ou Sociointeracionismo. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Vygotsky (1984) vem por em destaque a criança que possui já algumas práticas que a mesma domina, porém, essas práticas estão distantes de outras em que a criança terá a necessidade de uma ajuda. Sabe-se que no meio educacional, encontram-se dois grupos distintos de professores, onde no grupo 1 ,o professor que escolhe olhar para trás, avaliando as deficiências do educando e o que já foi aprendido por ele, avaliando-o especialmente dentro de suas condições, mas há o grupo 2 que prefere estimar o potencial da cada educando. Entende-se que deverá ser importante no âmbito da educação (como em vários outros também) é avaliar as diferenças e não as dificuldades das crianças, já que são elas muito importantes para o aprendizado. Alguns profissionais da área querem se eximir da sua missão e declaram vários fatores. Uma política de formação de professores é um dos pilares para a construção da inclusão escolar, pois a mudança requer um potencial instalado, em termos de recursos humanos, em condições de trabalho para que possa ser posta em prática. (MENDES, 2004, p. 227) Dessa forma, alegam questões financeiras, de remuneração insuficiente, de estruturas físicas, da falta de reconhecimento a profissão e todo o trabalho prestado diante das diversas condições, mas o inconsciente ato que na maioria das vezes nem inconscientemente mais se é exposto, é o de não se querer ter trabalho. Agir numa linha tradicional com gabaritos, respostas que se encaixam cartesianamente na pergunta, metodismo, conteudismo é uma forma mais prática e menos cansativa de se atuar, afinal os baixos salários, a falta de certos interesses em progredir (e permanecer na mesmice, acomodado), são fatores que desculpam a falta de estímulo para a ousadia de mudar. A obra de Vygotsky (1991) vem centrar-se na ideia de emergência das novas formas de compreensão da psique humana, onde acreditava na plasticidade, onde organismo e ser humano se transformam, criando processos para se adaptar com a intenção de superar impedimentos. Isso requer ajuda do meio. Mas dentro desse contexto, o educador deverá estar proposto como mediador, moldado no conhecimento. A criança, à medida que se torna mais experiente, adquire um número cada vez maior de modelos que ela compreende. Esses modelos representam um esquema cumulativo refinado de todas as ações similares, ao mesmo tempo em que Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 constituem um plano preliminar para vários tipos possíveis de ação a se realizarem no futuro. (Vygotsky,1991, p.18) CONSIDERAÇÕES FINAIS Infelizmente, muitos educadores não conseguiram ainda mentalizar e ativar a fundamentação teórica ou por medo ou por não entender ou por não querer e estão deixando a inclusão andar vagarosamente, diferente do que poderia ser o correto acontecido, deixando de lado o pensamentode que a inteligência é dinâmica e não estática, não é uma coisa inata e se constrói através das trocas constantes com o meio ambiente. E, por pensar em trocas, se pensa em mais de um indivíduo, com suas diferentes particularidades e saberes, onde o professor, direção, portaria, secretaria, zeladoria e todos os que compõem a escola, num modo geral, deverão sim participar. Direcionando toda essa problemática ao professor, pelo simples fato de ser o profissional da escola que passa mais tempo, que tem maior contato com a criança, vem se percebendo a ausência dessa interação. O professor, em muitas situações, chega a esquecer que ele é a ferramenta essencial para o processo de aprendizagem de todos os educandos, sejam eles com ou sem deficiência, mas alguns estão deixando de lado toda sua função, ou missão se assim pode- se dizer. O professor é aquela que deverá cada dia, se preparar para a “plasticidade cotidiana”, se assim podemos chamar, já que não se vive em uma sociedade geral composta de criaturas cartesianamente iguais. No ambiente escolar pode se fazer um paralelo com os hospitais onde o profissional deverá estar preparado para conviver, resolver e modificar tudo aquilo que cabe em sua área (educacional, no caso). Não há um público separado, puro, definido, seleto, e para que haja sucesso nesse trabalho o professor deverá ter a base do conhecimento e eternamente buscá-lo cada vez mais, já que ele é o profissional que está a transmitir os saberes, a professas o conhecimento. Mas um professor é, antes de tudo, alguém que sabe alguma coisa e cuja função consiste em transmitir esse saber a outros. Um dos conhecimentos que o professor deve ter é o conhecimento humano, mas muitos estão focados somente no conhecimento de suas disciplinas com materiais tradicionais que servem apenas para movimentar a máquina do sistema que produz Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 humanos manipulados repetidores de situações sociais falidas. O professor é mediador entre as ferramentas (sejam elas conteúdo, soroban, livros, Braille) e o educando, fazendo- se entender que a formação e a aprendizagem deverá deixar de lado aformalizada sistematização geral já que essa torna esse processo complexo, e cada indivíduo/educando possui seu momento definido para essa aprendizagem que deverá ter sim uma formalização sistematizada, porém adequada, adaptada. Um educador deverá estar munido de um leque de saberes, e que esse saber (docente) se compõe dos mais diversificados, provenientes de diferentes fontes. Não se sabe ao certo porque muitos não assumem esse compromisso de cada dia buscar para que se finde essa desvalorização de um modo geral, tanto do educador quanto da aprendizagem do educando que se faz hoje muito presente na nossa sociedade. O papel do professor deverá ser repensado por um conjunto que deverá passar desde os poderes públicos até chegar ao próprio educador. Deve-se estar atento ao outro, e estar atento ao outro é fazer com que o educador esteja numa situação apreciativa. Muitos educadores não estão preocupados com a formação humana, mas sim em dar resultados com números. Sempre os números! Quanto tempo tem de aula, quanto tempo de uma avaliação, sem tempo para ouvir, para falar, para entender, para parar, apreciar, o número de aprovados, o número de quem saiu no outdoor, o número da chamada, os números para o recebimento da verba... Os números! Hoje, o pensamento dos professores não está, no geral, focado no indivíduo. Ainda se vê um pouco, meio restrito, nos educadores das formações iniciais (séries infantis e fundamental I). Já nas séries mais avançadas (fundamental II e médio em diante) alguns professores relatam a falta de tempo deles e de interesse dos educandos, estão somente a cumprir o “script” e quem quiser se interessar que se aprofunde, mas quem não, que continue no celular sem atrapalhar a corrida diária de sala de aula. Educadores têm a crença de que ensinar é falar e aprender é ouvir. Isso está no “gene pedagógico”. E quando se deparam com um educando com TDA/H, por exemplo, não o querem em sala, pois modifica, dá trabalho, sai da rota do plano educacional. Alguns educadores não querem ver alguns desvios seus, e um desses “não querer ver” é o admitir Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 que não se sabe mais dar aula e não saber dar aula requer estudo, busca pesquisa, melhoramento, mudança, dedicação, tempo. E tudo isso dá trabalho. Fugir é a forma mais fácil, abrilhantando o ato com desculpas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Lei 5.692, de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino de primeiro e segundo graus, e da outras providencias. Diário Oficial da República federativa do Brasil, Brasília, DF, 12 de ago. 1971. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRASIL. Política Nacional de Educação Especial. Série Livro. Brasília, DF: MEC/SEESP, 1994. BRASIL. Lei 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 31 de dez.1996. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações curriculares – estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1999. BUENO, J. G. S. Educação especial brasileira: integração/segregação do aluno diferente. São Paulo: Educ., 1993. CASTORINA, J. A. et al. Piaget-Vigostky: novas contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 1995. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, 1994, Salamanca-Espanha. FAVERO,E.A.G. Direito das pessoas com deficiência: garantia de igualdade na diversidade, Rio de Janeiro: Ed. WVA,2004. LACAN, J. Função e campo da ala e da linguagem (1996[1953]). In Escritos. 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VYGOTSKY, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 2012. _______________. A construção do pensamento e da linguagem – 1ª edição traduzida por Paulo Bezerra (em março de 2001) São Paulo: Martins Fontes, 2000. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 POR UMA GRAMÁTICA DOTADA DE SENTIDO FOCADA NA COMUNICAÇÃO E NA INTERAÇÃO - REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA Francisco Walisson Ferreira Dodó 15 Denise Santos Fernandes 16 RESUMO São questões básicas deste trabalhoa preocupação e os cuidados que se devem ter com a abordagem e perspectivas dadas ao ensino de língua portuguesa no contexto escolar aliando-o à prática de produção e compreensão de textos. Assim, o objetivo deste artigo é propor uma reflexão acerca do ensino gramatical nas escolas, visando uma proposta que seja de fato produtiva, significativa e relevante. Queremos com nosso trabalho corroborar cada vez mais com os ideais de um ensino de gramática emancipador norteado por teorias que concebem o ensino de análise linguística voltado para a comunicação e interação dos falantes com o mundo; por isso, é nos textos e pelos textos, na produção e compreensão textual que o ensino de gramática deve acontecer. Discutiremos, pois, acerca do cuidado que se deve ter com o trabalho com a gramática na escola, a fim de fomentar posturas e indicar atividades que confiram a essas aulas um olhar crítico, interativo e funcional. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada a partir de sete obras: seis de análise linguística e um documento oficial, os PCNs. Justifica-se, assim, a atenção que se deve ter com a abordagem da gramática na escola, para que aprendamos a utilizar os elementos linguísticos eficiente e competentemente para produzir e compreender textos coesos, coerentes e adequados. PALAVRAS-CHAVE: abordagem gramatical; gramática como ferramenta de interação social; ensino de língua portuguesa. INTRODUÇÃO Gostaríamos de iniciar nossa discussão reconhecendo que, a respeito desse assunto, já há muitas pesquisas e trabalhos preocupados com o ensino de língua materna, mormente, com o trabalho com a gramática em sala de aula. Contudo, ressaltamos que, em todas as novas discussões e reflexões levantadas, sempre há um fortalecimento do desejo por aulas de análise linguística cada vez mais voltadas para a produção adequada e competente de textos. Cada novo posicionamento é uma fonte de inspiração, a fim de busquemos (re)pensar nosso trabalho com a gramática, de que (re)avaliemos os objetivos e finalidades que estamos dando às aulas de Português. 15 walissondodo@hotmail.com. - UFC 16 dnisefernandes@gmail.com. - UNINTER 88 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Baseando-nos nas ideias, principalmente, dos autores Antunes (2003,2007), Oliveira (2010), Travaglia (2008), Neves (1991) e Franchi (1991), discutiremos, pois, acerca do cuidado que se deve ter com o modo de trabalho com a gramática na escola, a fim de fomentar posturas e indicar atividades que confiram a essas aulas um olhar crítico e funcional. Uma vez que o foco do nosso trabalho é discutir acerca do ensino da gramática em sala de aula e de estabelecermos uma relação direta desta abordagem com a produção e compreensão de textos, a fim de produzir sentido na interação, é preciso, pois, discutirmos também o que entendemos por gramática, fazermos alguns esclarecimentos de questões equivocadas que estão há muito enraizadas, comprometendo, dessa forma, o ensino de língua materna. De acordo com Franchi (1991), se considerarmos o conceito de gramática como o conjunto organizado de regras que ditam o modo como as pessoas devem falar e/ou escrever, estaremos nos referindo à gramática normativa. Assim, “(...) gramática é o conjunto sistemático de normas para bem falar e escrever, estabelecidas pelos especialistas, com base no uso da língua consagrado pelos escritores” (FRANCHI, 1991, p. 48). Travaglia (2008) classifica uma gramática como sendo descritiva aquela, que diferente da gramática normativa, faz uma descrição de como funcionam as estruturas de uma língua, descreve suas formas e funções. Por fim, gostaríamos de citar, segundo Franchi, o conceito de gramática internalizada. Para ele: “(...) gramática corresponde ao saber linguístico que o falante de uma língua desenvolve dentro de certos limites impostos pela sua própria dotação genética humana, em condições apropriadas de natureza social e antropológica” (FRANCHI, 1991, p. 54). Dessa maneira, não podemos nos esquecer do conceito de língua por Saussure (1975), que é um construto produzido socialmente e adotado por membros de uma mesma comunidade linguística. Assim, ao chegar à escola, o aluno já conhece e domina uma língua, sabendo usá-la de forma eficiente na comunidade de falantes em que vive. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Por que, então, haver aulas de língua materna para os falantes que compartilham este mesmo código linguístico? E já que há, que perspectivas de abordagens devem amparar e justificar o ensino de gramática para falantes natos de uma determina língua? Em reposta a estes questionamentos, embasar-nos-emos nos PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais, documento oficial que visa a uma orientação de fato produtiva e eficiente do trabalho com a linguagem em sala de aula, e em pesquisas que vieram ganhando espaço e dando contribuições aos estudos da linguagem. Em seguida, defenderemos e reconheceremos que cada conceito de gramática exposto em nosso artigo tem sua contribuição aos trabalhos em linguística. No entanto, nosso foco é fortalecer as ideias que defendem um ensino de gramática funcional no contexto escolar. Ou seja, queremos com nosso trabalho corroborar cada vez mais com os ideais de um ensino de gramática emancipador norteado por teorias que concebem o ensino de análise linguística voltado para a comunicação e interação dos falantes com o mundo; por isso, é nos textos e pelos textos, na produção e compreensão textual que o ensino de gramática deve acontecer. Ano após ano, a escola está absorta em ensinar a forma “certa” de falar e escrever, através de regras e exemplos tidos como bons a serem reproduzidos, sem levar em conta os entraves dos sujeitos envolvidos no processo nem o uso efetivo da língua numa situação de interação verbal. Como consequência temos aulas enfadonhas, discentes que não aprendem a elaborar textos e muito menos assimilam a gramática, além do insucesso, tanto na escola como na vida. Dizem, na grande maioria das vezes, que não sabem e não gostam de português. Por quais caminhos, portanto, o ensino de gramática deve enveredar-se? Como deve proceder o professor em suas aulas de língua materna? METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada a partir de sete obras: seis de análise linguística e um documento oficial, os PCNs. Esse tipo de método possibilita que seja realizada uma análise sistemática de várias obras, resultando uma sinopse do que se tem publicado sobre o ensino de gramática. Engloba a apreciação de pesquisas relevantes que amparam a abordagem e escolha da concepção adotada e a melhoria da prática, além Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com a realização de novos estudos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Vivemos um momento de profundas mudanças de parâmetros na educação, fato que impulsiona todos os profissionais da área a uma busca constante de atualização. Procuramos aqui dá enfoque não apenas ao ensino das estruturas gramaticais, mas a refletir sobre situações, sobre a noção de função comunicativa. Para a discussão que esperamos estabelecer, as obras analisadas tem um caráter singular: além de versarem sobre o ensino de gramática, sustentam uma abordagem em que a gramática só faz sentido em função da produção e compreensão do texto. Eis uma visão inicial dos estudos e suas palavras- chaves ( TABELA 1): Tabela 1. Obras analisadas e suas palavras-chaves.TITULO AUTOR PALAVRAS-CHAVES Muito além da gramática: por um ensino sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. ANTUNES, Irandé. Conceito de gramática; A gramática como ferramenta de interação; Gramática e ensino de língua materna. Aula de Português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003. ANTUNES, Irandé. Gramática; Gramatica e interação; Reflexões sobre o ensino de língua materna. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999. BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Reflexões sobre o ensino de língua materna. Mas o que é mesmo gramática? In: LOPES, Harry Vieira et alii (orgs). São Paulo: 1991 FRANCHI, Carlos. Conceito de Gramática; Reflexões sobre gramática. Que gramática estudar na escola? 3. Ed. 1ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2008. NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática; Funcionalismo; Gramática e interação; Reflexões sobre o ensino de língua materna. Coisas que todo professor de português precisa saber: a teoria na prática. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. OLIVEIRA, Luciano Amaral de. Conceito de língua e linguagem; Reflexões sobre o ensino de língua materna. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. São Paulo: Cortez, 2008. TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Tipos e conceitos de gramática; Reflexões sobre o ensino de gramática no contexto escolar. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 De acordo com esses autores, dependendo da perspectiva e do olhar que damos à gramática, esta poderá conceber determinados conceitos. Que tipo de gramática, então, os professores de língua materna devem ensinar na escola? Será que existe uma gramática menos adequada ou o melhor tipo de gramática que devemos escolher para o ensino de língua portuguesa? Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar a importância que o ensino de língua materna tem no contexto escolar. Sobre esta relevância, Antunes (2003) diz que “(...) o objetivo último do ensino do português ‘é’ (grifo nosso) a ampliação da competência comunicativa do aluno para falar, ouvir, ler e escrever textos fluentes, adequados e socialmente relevantes” (ANTUNES, 2003, p. 122). Se nortearmos nosso trabalho com a língua materna por esse viés, é necessário deixarmos claro que entendimentos temos acerca de gramática, qual a sua função no ensino de línguas e como executarmos isso na prática em sala de aula. Uma vez que as aulas de língua materna só têm sentido e funcionalidade quando são vistas como possibilidade de desenvolvimento e ampliação das habilidades linguístico- comunicativas dos estudantes, é decisivo, pois, o entendimento e domínio que o professor de Português precisa ter acerca dos tipos e concepções de gramáticas que existem, pois as escolhas feitas pelo professor são cruciais para o alcance dos objetivos das aulas de língua materna. Estar, pois, bem embasado, preparado e respaldado por escolhas coerentes e eficientes é condição necessária para o alcance de aulas de língua materna adequadas, produtivas e significativas (OLIVEIRA, 2010). Nesse sentido, que melhor conceito de gramática deve nortear o ensino de língua materna? É preciso esclarecer que todos os conceitos de gramática apresentados em nosso trabalho por Antunes e Franchi, por exemplo, têm sua relevância e função para o ensino de língua materna. O que se deve ter em vista, sempre, é com as perspectivas que traduzimos em sala de aula para trabalharmos com a gramática. Discutir, pois, acerca da linguagem e de seu uso adequado e eficiente faz-se necessário, uma vez que essa preocupação traduzida nos PCN’s evidencia a importância e o porquê de se ensinar português a brasileiros: Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 “o espaço da Língua Portuguesa na escola é garantir o uso ético e estético da linguagem (...); fazer compreender que pela e na linguagem é possível transformar/reiterar o social, o cultural, o pessoal; aceitar a complexidade humana; (...) o desenvolvimento humano” (PCN, p. 144). Nessa acepção, refletirmos sobre a prática da linguagem em sala de aula torna-se uma atividade relevante que pode levantar questionamentos, a fim de gerar mudanças positivas no modo de como as aulas de análise linguística vêm sendo ministradas. Uma vez que o foco do nosso trabalho é discutir sobre a relevância de se trabalhar a gramática no contexto escolar na prática da produção e compreensão de sentidos, nossas discussões se mostram pertinentes, pois objetivam evidenciar um trabalho pragmático com a linguagem, almejando o alcance dos objetivos defendidos e definidos pelos PCN’s, que visam a “uma garantia de participação ativa na vida social, a cidadania desejada”; bem como “compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação” (PCN, p. 126). Tal finalidade só será alcançada se somente se, de acordo com os PCN’s, a prática da linguagem em sala de aula tiver como centro das aulas de língua materna o texto como ponto de partida para o alcance de novos horizontes, da apreensão e manuseio da língua para a comunicação-interação nos e pelos textos. Na TABELA 2 a seguir, vejamos o que dizem os autores sobre valorização da gramática estudada intrinsecamente ao uso da linguagem: Tabela 2 Valorização da gramática segundo os autores. AUTOR ANÁLISE E REFLEXÃO PROPOSTA Parâmetros Curriculares Nacionais “o aluno deve ser considerado como produtor de textos, aquele que pode ser entendido pelos textos que produz e que o constituem como ser humano. O texto só existe na sociedade e é produzido de uma história social e cultural, único em cada contexto, porque marca o diálogo entre os interlocutores que o produzem e entre os outros textos que o compõem. O homem visto como um texto que constrói textos”. NEVES, Maria Helena de Moura. “(...) propõe-se como objeto de investigação escolar a língua em uso, sob a consideração de que é em interação que se usa a linguagem, que se produzem textos. Assim, o foco é a construção do sentido do texto, isto e, o cumprimento das funções da linguagem, especialmente entendido que elas se organizam regidas pela função textual”. ANTUNES, Irandé. “não existe língua sem gramática. Nem existe gramática fora da língua”. FRANCHI, Carlos. “A teoria da gramática tem que estar, assim, atenta a essa característica aparentemente paradoxal dos processos linguísticos. Eles parecem singulares e únicos, em cada ato de fala, não somente enquanto evento particular, mas enquanto fonte de inovação e de criação de um ponto de vista. (...) Nem se pode esperar que o cálculo das correspondências entre as expressões e seu sentido - do processo de interpretação - possa ser reduzido a procedimentos sintático-semânticos de decodificação.” Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 OLIVEIRA, Luciano Amaral de. “os elementos gramaticais podem ser concebidos por meio de três perspectivas ou dimensões diferentes: a dimensão formal, a dimensão semântica e a dimensão pragmática.” TRAVAGLIA, Luiz Carlos. “a linguagem é lugar de interação humana, de interação comunicativa pela produção de efeitos de sentido entre interlocutores, em uma dada situação de comunicação e em um contexto sócio-histórico e ideológico. “ Essas reflexões fazem-nos chegar a importantes conclusões, por exemplo, a de que a gramática só faz sentido em função da produção e compreensão do texto; fora do texto, ela não servirá à interação dos falantes. “Entende-se, assim,que o ensino da língua só acontecerá de maneira eficiente e significativa, quando o ensino da gramática começar a ser compreendido por um viés que alia texto, gramática e contexto comunicativo. Por isso, é importante que conheçamos os vários conceitos de gramática, a fim de que os falantes da língua percebam que cada gramática existente tem uma finalidade e norteia um contexto específico de comunicação, e que deve ser aceito e reconhecido linguisticamente” (DODÓ, 2013). Considerar o ensino de língua materna nesta perspectiva significa que devemos considerar toda e qualquer manifestação linguística “um sistema de comunicação complexo e altamente desenvolvido” (Lyons, 1981, p. 20). “Ao chegar à escola, a criança, o jovem ou o adulto já são usuários competentes de sua língua materna, mas têm de ampliar a gama de seus recursos comunicativos para poder atender às convenções sociais, que definem o uso linguístico adequado a cada gênero textual, a cada tarefa comunicativa, a cada tipo de interação” (BORTONI-RICARDO, 2004, p.75). Por isso, de acordo com Bortoni-Ricardo (2004), o papel da escola em oferecer o ensino de língua materna aos alunos é de: “(...) enriquecer seu repertório linguístico, de modo a permitir a eles o acesso pleno à maior gama possível de recursos para que possam adquirir uma competência comunicativa cada vez mais ampla e diversificada – sem que nada disso implique a desvalorização de sua própria variedade linguística, adquirida nas relações sociais dentro de sua comunidade” (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 9). Como resultado dessa discussão, pensamos numa proposta de ensino e aprendizagem que seja fruto de uma análise e abordagens que firmam consenso contínuo com as práticas sociais, numa perspectiva que ainda acredita na escola como um treino para a vida, que se esboça com um comportamento cada vez mais consciente de seus agentes. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Aplicar práticas sociais e de análise linguística para dentro da escola é uma das missões do ensino. Porém, ao agregá-las ao cotidiano escolar, notam-se certos artificialismos, principalmente na escolha da abordagem do ensino. Via de regra, a dominância recai sobre o ensino descontextualizado como unidade fundamental. Ademais, este é repetido e repisado o que resulta na sensação de um ensino sem progressão, sem razão de ser. Se tivermos o entendimento de que a língua portuguesa é viva, heterogênea, não podemos nos prender tão somente na gramática tradicional. Precisamos desmistificar a ideia de que estudar a língua materna é difícil e chato. Que tal fazê-los refletir há quanto tempo falam essa língua? Onde eles não usam a língua materna? Além de avançar na reflexão sobre as particularidades do ensino de gramática, nosso trabalho demonstra a importância de dialogar com estudos e que o ensino carece de ressignificação. A TABELA 3 a seguir traz sugestões e orientações norteadoras para uma abordagem comunicativa e de interação que podem ampliar a visão de nossa discussão: Tabela 3 Algumas sugestões para uma abordagem comunicativa. SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS: VALORES SEMÂNTICOS DESEMPENHO DE PAPÉIS FIXOS – Gramática de uso ESTRUTURA E DO FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA Especificar no começo da aula, que uma palavra tanto pode pertencer a classe dos substantivos como a dos adjetivos, portanto seu comportamento gramatical corresponde a sua função na frase ou no texto. Exemplificar: Frase 1: “O avião decolou.” Frase 2: “Aquela garota é um avião”. A palavra "avião", que era substantivo, na frase 1, passa a ser usada com função de adjetivo na frase 2 (já que está qualificando, ao invés de simplesmente nomear uma coisa). Exemplo 2: Frase 1: “"Aquela criança é um doce".” Frase 2: "O doce de abóbora está delicioso”. A palavra “doce” corresponde a um adjetivo na 1ª frase, já que qualifica a criança. Já na 2ª frase, recebe o valor de substantivo, ou Escrita e dramatização de diálogos envolvendo a prática de vocabulário, funções comunicativas e estruturas linguísticas predominantemente usadas em diversas situações de comunicação. a. Paciente e secretária: marcação de uma consulta no telefone (cumprimentos no telefone, preposições, dias da semana, horas, soletrar o nome). b. Vendedor e comprador: compras em uma loja/mercado/feira (preços, números, formas de pagamento, reclamação, cumprimentos, vocabulário sobre pratos/alimentos, futuro do pretérito). c. O colega A descreve o colega B: descrição da aparência física, personalidade, roupas (lista de vocabulário sobre roupa masculina e feminina, partes do Explicitar fatos da estrutura e do funcionamento da língua. Ao invés de, por meio de aulas expositivas, dar a teoria gramatical pronta para o aluno, são desenvolvidas atividades que o levem a redescobrir fatos já estabelecidos pelos especialistas. Ex: De uma lista de monossílabos, o aluno depreende a regra de acentuação dos monossílabos tônicos. De uma lista de formas nominais, o aluno separa adjetivos e substantivos a partir de características dadas. Focalizam-se os efeitos de sentido que os elementos linguísticos podem produzir na interlocução, já que fundamentalmente se deseja desenvolver a capacidade de compreensão e expressão. Seria uma reflexão mais voltada para a semântica. Ex: Diferenças entre palavras Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 seja, o ser nomeado. Fonte: http://gramaticaprodutiva.blogspot .com.br/ corpo, cores, verbos reflexivos). d. Secretária e estudante: fazer uma matrícula (preposições, soletrar o nome, dias da semana, preços, horas, presente do indicativo, preencher uma ficha) sinônimas (ex: belo e bonito, ganhar e vencer). Diferenças acarretadas pela inversão de palavras (ex: homem grande e grande homem, "Maria só veio à reunião." E "Maria veio à reunião só."). Diferenças na concordância (ex: Comprei uma calça e um cinto preto/ pretos.). Diferenças entre a negação do adjetivo e o uso do antônimo formado por prefixo (ex: "não ser favorável" e ser "desfavorável"). Fonte: http://www.filologia.org.br/ixcnlf/ 5/09.htmt As propostas que se seguem abordam aspectos da grade curricular do ensino fundamental –como pontuação, uso dos tempos e modos verbais, seleção lexical – a partir de textos. Destaque-se que alguns exercícios foram elaborados por alunos da Faculdade de Letras da UFRJ, formandos de 2005. Demonstra- se, assim, que é possível elaborar atividades com base nos princípios dos PCN, abordando leitura/escuta, produção e análise linguística, com o objetivo de fazer o aluno refletir sobre a língua. Esperar para ver (O Globo) A primeira operação de controle urbano nas praias coordenada pelo novo “xerife” da orla, Rafael Luiz Morais de Souza Bandeira, foi marcada para hoje. Guardas municipais em parceria com a Comlurb e a Secretaria Municipal de Governo vão concentrar esforços para retirar todas as propagandas irregulares das praias da Zona Sul. Este será o início de uma série de intervenções na orla. Uma das etapas mais complexas do trabalho, entretanto, é o acolhimento de mendigos, que ontem ocupavam parte do canteiro central de um dos mais famosos cartões-postais do RJ, Avenida Atlântica, em Copacabana. Para o “xerife”, a tarefa é complexa, porque exige um trabalho preventivo por parte do município, já que muitos mendigos voltam para as ruas, se não encontram outras maneiras de sobreviver. Em Copacabana, eles conseguem locais para descansar e ganhar dinheiro, pedindo esmolas. – Não adianta a gente retirar os moradoresda rua, porque eles voltam. O problema é mais sério e vamos contar com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, para tentarmos solucionar o problema – afirma Bandeira. Ontem, dezenas de mendigos podiam ser vistos em quase toda orla do Leme e de Copacabana. Próximo a hotéis como o Othon Pálace e o Meridien, eles dormiam no canteiro central da Atlântica e nas areias da praia, ao lado de tapumes de obras, de quiosques e da arquibancada onde foi realizada a Copa do Mundo de Futebol. Reunidos em grupos, eles guardavam seus objetos pessoais em carrinhos de supermercados e sacolas. Alguns aproveitaram os galhos de árvores para estender suas roupas. 1) Compare a frase a seguir com a primeira frase do texto e responda: A primeira operação de controle urbano nas praias coordenada pelo novo “xerife” da orla foi marcada para hoje. a– Que elemento foi omitido? A retirada desse elemento dificulta a compreensão do texto? Justifique sua resposta. b– Por que esse elemento está entre vírgulas no texto original? c– Elabore uma regra que justifique o uso das vírgulas na 1ª. frase do texto. d– Procure no 2º. parágrafo um exemplo semelhante de uso da vírgula. e– Procure outros exemplos de frases no jornal com mesmo uso da vírgula. 2) Observe a última frase do 3º. parágrafo: Em Copacabana, eles conseguem locais para descansar e ganhar dinheiro, pedindo esmolas. a– Altere a posição do elemento “em Copacabana”, na frase e verifique como fica a pontuação. b– Faça o mesmo com a 1ª. frase do último parágrafo. c– Elabore uma regra que justifique a pontuação nessas frases. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A abordagem comunicativa das atividades sugeridas na tabela se personaliza por ter o foco no sentido, no significado e na interação cuidada entre os sujeitos que estão aprendendo a língua. O ensino comunicativo se organiza nas tentativas de aprender em termos de atividades/exercícios de real interesse e/ou necessidade do aluno para que ele se capacite a usar a língua em ações autênticas na interação com outros falantes-usuários. Além disso, este ensino não exclui a possibilidade de criar na sala momentos de explicitação de regras e de prática rotineiras dos subsistemas gramaticais, como o dos pronomes, as terminações de verbos, etc. As sugestões aqui apresentadas não tema a menor pretensão de resolver tudo, são meras sugestões. Mas, dentro dessa perspectiva, podem nos auxiliar muito. Sendo assim, se escolhermos pela abordagem comunicativa – que se particulariza pelo ensino por tarefas e embasa-se na hipótese de que a aprendizagem de uma língua se dá quando os discentes são orientados pelo professor a utilizarem a linguagem de maneira pragmática para mediar significados para um propósito – amplia-se a probabilidade de que o aluno se envolva nas tarefas, tenha mais liberdade de se expressar e, consequentemente, de adquirir a língua escrita. CONCLUSÃO Lembremo-nos que a questão central da nossa discussão não é que concepção de gramática deverá nortear nosso trabalho com a língua em sala de aula, uma vez que estamos dando importância a todas as perspectivas de gramática, pois reconhecemos que cada tipo de gramática, dependendo da finalidade de estudo da língua(gem), apresenta seus objetivos e contribuições aos estudos linguísticos. Nosso interesse é mostrar que são nos textos e pelos textos que poderemos aplicar os conhecimentos linguísticos adquiridos e que vêm sendo ampliados e desenvolvidos nas aulas de língua materna. Justifica-se, assim, a atenção que se deve ter com a abordagem da gramática na escola, para que aprendamos a utilizar os elementos linguísticos eficiente e competentemente para produzir e compreender textos coesos, coerentes e adequados, a fim de possibilitar a comunicação – condição necessária nas atividades de interação social e discursiva humanas. O nosso objetivo principal é o de propiciar uma reflexão para que haja um aprimoramento das aulas de gramática. Se, para mais que isso, conseguirmos ajudar de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 alguma forma o desempenho do docente em sala de aula com base no que sugerimos, fomos além. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um ensino sem pedras no caminho / Iradé Antunes. – São Paulo: Parábola Editorial, 2007. ________. Aula de Português: encontro e interação / Irandé Antunes, - São Paulo: Parábola Editorial, 2003. BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula – Stella Maris Bortoni-Ricardo. – São Paulo: Parábola Editorial, 2004. BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999. FRANCHI, Carlos. Mas o que é mesmo gramática? In: LOPES, Harry Vieira et alii (orgs). Secretaria da Educação/Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. São Paulo: 1991. LYONS, John. Lingua(gem) e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: LTC, 2009. NEVES, Maria Helena de Moura. Que gramática estudar na escola? 3. Ed. 1ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2008. OLIVEIRA, Luciano Amaral de. Coisas que todo professor de português precisa saber: a teoria na prática / Luciano Amaral de Oliveira. – São Paulo: Parábola Editorial, 2010. TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática / Luiz Carlos Travaglia. – 12. Ed. – São Paulo: Cortez, 2008. SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1974. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO A INCLUSÃO DE CRIANÇAS NO MUNICIPIO DE FORTALEZA Antônia Lúcia Nascimento Santana 17 RESUMO Este Artigo de fundamentação teórica tem como base uma pesquisa de caráter qualitativo por isso identifica os múltiplos e outros sentidos para o estudo existente entre Altas Habilidades/Superdotação e a inclusão escolar. Tendo como objetivo Geral investigar indicadores de Altas Habilidades/Superdotação em alunos regularmente matriculados nas Escolas Municipal de Fortaleza. O objetivo Específico identificar alunos com Alta Habilidade/Superdotação visando para a Educação Inclusiva. A Metodologia usada foi um estudo de caso com fundamentação num questionário com dez perguntas objetivas e subjetivas realizadas com Docentes na área de Pós-Graduação da mesma turma do Curso de Educação Inclusiva IDJ (Instituto Dom José), tendo como parâmetro atual as dificuldades nas escolas regulares em lidar com crianças AH/SD. O Artigo Acadêmico discute como essas crianças são amparadas pela LDB (Lei de Diretrizes e Base) e toda a contextualização dos direitos adquiridos pelo Congresso Nacional. Tendo como definição sensibilizar e conscientizar as escolas de como lidar com a criança com Altas Habilidades/Superdotação e o seu diagnóstico correto com ajuda do Docente em acompanhar essas crianças com atendimento especializado. Palavras Chaves: diversidade; Inclusão Escolar; LDB (Lei de Diretrizes e Bases). INTRODUÇÃO O presente Artigo Acadêmico tem como objetivo geral investigar indicadores de Altas Habilidades/Superdotação em alunos regularmente matriculados nas Escolas Municipal de Fortaleza, com intuito de identificação, orientação, suplementação, enriquecimento curricular, encaminhamento para o AEE (Atendimento Educacional Especializado), salas de recurso multifuncional, Instituições Escolares. Tendo como objetivo específico: identificar alunos com Alta Habilidade/Superdotaçãovisando para a Educação Inclusiva. Aporte Teórico: (NAKANO, 2015); (RANGNI, 2011); (LAKATOS, 2003); (MANTOAN, 2013). Essa pesquisa justifica-se em proporcionar soluções para a Educação Inclusiva que permitam a ela expressar seus interesses e desenvolver possíveis talentos deveriam ser um ponto de partida de uma Educação diferenciada. No entanto é preciso salientar e divulgar 17 IDJ, antonialucia_7@hotmail.com 100 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 entre Docentes que o aluno com Altas Habilidades necessita de uma variedade de experiências de aprendizagem enriquecedora que estimule o seu potencial. A metodologia empregada nessa pesquisa foi um estudo de caso baseado em (LAKATOS, 2003), com Docentes da área de Educação Fundamental I, foi usado outros Artigos Acadêmicos, Revistas, LDB versões 2005 e 2014, documentos eletrônicos, Livros. 2. PLANO DE ENSINO EDUCAÇÃO ESPECIAL De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Base), ela atua na defesa do bem comum e a igualdade de todos, como numa educação de inclusão e crianças com Transtornos Globais, Deficiências e Síndromes são amparados por lei dentre as suas possibilidades, encontramos meios eficazes para sua interação na sociedade, junto a escolas e docentes, assim vejamos: Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular (BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 2005). Entendemos que tais crianças estão fundamentadas pela LDB, e sua inclusão está garantida. O Professor é peça fundamental no sistema educacional, a escola cresce quando têm um quadro de docentes capacitados e um apóio técnico – administrativo eficiente e de qualidade. A Educação Inclusiva é uma abordagem que procura responder as necessidades de aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos com foco específico nas pessoas ou grupo de pessoas que estão excluídas da efetivação do direito a Educação e que fora da Escola ou enfrentam barreiras nos processos de aprendizagem Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 escolar. 2.1 Acessibilidade para crianças Altas Habilidades/Superdotação Antes iremos conceituar os grupos de crianças com Transtorno de Aprendizagem (TA), Altas Habilidades (AH) e Superdotação (SD). De acordo com (ALVES; NAKANO, 2015), existem três grupos de crianças TA/AH/SD. Compreendem-se três grupos respectivamente: primeiro crianças com traços quase desapercebidos com dificuldades de aprendizagem; segundo outras que não demonstram em ambos os quadros, devido suas habilidades ocultaria suas limitações apresentadas mostrando um desempenho escolar regular; e por último o grupo aquelas que de forma explícita apresentam evidências de ambas às características em toda sua vida escolar. O primeiro grupo tem fácil diagnóstico devido ao seu desempenho em razão dos testes de QI. A definição de AH/SD fica nessa conceituação bem atualizada por especialistas: No ano de 1972, o Brasil foi influenciado pelo “Relatório Marland”, proposto pelo Departamento de Saúde e Bem Estar dos Estados Unidos, no qual as AH/SD foram consideradas por uma perspectiva multidimensional em decorrência, por exemplo, da Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que identificou uma compreensão das AH/SD em que várias áreas foram contempladas, dentre elas: a capacidade intelectual; o talento especial para artes visuais, a capacidade de liderança, as artes dramáticas e músicas, bem como a capacidade psicomotora (BRANCO; TASSINARI; CONTI; ALMEIDA, 2017). No segundo grupo estariam aquelas crianças em que o diagnóstico não são identificadas com TA e nem com AH/SD. Suas altas capacidades estariam constantemente trabalhando de forma a superar as dificuldades escolares, no caso o TA ocultaria a AH/SD e vice-versa. E o terceiro grupo são as crianças que frequentemente são identificadas em grupos de atendimento a TA. Os profissionais que lidam com essas crianças com TA/AH/SD ainda não identificadas com AH/SD, elas tem inúmeras habilidades observadas; contudo os problemas cotidianos nas relações interpessoais antes nunca observadas, elas se destacam nas habilidades tais como: música, ciência, filosofia, literatura e etc. Em contextos fora do ambiente escolar, elas costumam ser bem mais evidenciadas, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ou seja, todas têm características semelhantes tendo algumas alterações entre elas, mas cada uma tem seu potencial e habilidades diferenciadas podendo desempenhar funções em detrimento do distúrbio que lhe é próprio quando diagnosticado. Deixando bem claro que enquanto docentes não dispomos de critérios técnicos avaliativos e nem incumbência para fazer esse diagnóstico; contudo podemos pontuar os sinais que possivelmente poderá tal criança ser identificada por um desses transtornos apresentados por um profissional na área de saúde. Por essa razão é preciso estruturar as escolas para facilitar que as políticas inclusivas sejam seguidas e caracterizar o papel de cada profissional no processo de inclusão, para assim poder ajudar as crianças com transtornos e se desenvolverem cada vez mais. A pesquisa que apresentamos como estudo de caso, mostra o vínculo que deve existir entre professor e aluno durante todo o processo de ensino e aprendizagem. Baseando-se, principalmente na escolha certa do método de ensino e demais procedimentos didáticos a serem aplicados pelo professor levando-se em consideração o público alvo, a disciplina a ser ministrada e o objetivo maior a ser alcançado. Todo esse processo de aprendizagem “enfoca a necessidade de que sejam oferecidas oportunidades educacionais variadas aos alunos em geral, para que um número maior de crianças tenha a oportunidade de se desenvolver e apresentar comportamentos de Superdotação” (ANDRÉS, 2010, p.6). Para tanto (MANTOAN, 2013), entende que a educação inclusiva não era questionada e refletida anteriormente de forma conjunta por coordenadores e professores em relação a alunos deficientes nas escolas nas classes especiais. Assim podemos entender que a natureza afetiva, se manifesta naturalmente. O meio social em que a criança vive estabelece condições para que ela aprenda a reagir emocionalmente. A escola coopera nessa manifestação da diversidade, necessita repensar e defender uma escolarização que tenhacomo princípio uma prática inclusiva efetiva, reconhecendo a possibilidade e o direito de todos que nela se matriculam. Assim como docentes contribuímos dentro da escola bem como fora dela não só para a aquisição de conhecimento, mas também para a construção do caráter e da personalidade além de proporcionar o vínculo afetivo entre todos. A inclusão em destaque nesse artigo leva em Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 consideração dois tipos de crianças; alunos com deficiências e distúrbios no ler e no aprender, exemplos: alunos disléxicos, transtornos globais, síndromes de down, epiléticos, superdotados, autistas, hiperativas e crianças com má formação encefálica e etc. 3. PERCURSO METODOLÓGICO DE PESQUISA O caminho que adotamos está fundamentado no que foi citado anteriormente sobre inclusão de crianças na escola e na sociedade. A pesquisa se define como estudo de caso baseado nos procedimentos por método representativo, num questionário de perguntas de avaliação com profissionais na área de Educação Fundamental, de acordo com (LAKATOS, 2003), tudo parte do princípio que qualquer caso estudado deve ser analisado com profundidade de forma representativa de muitos outros casos na pesquisa realizada, bem como outros que se assemelhem ao assunto abordado. Tal método conhecido como artigo leva em consideração o estudo de indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos, comunidades, a fim de se chegar a generalizações, mas usando de informações sigilosas e éticas para com os dados coletados para não comprometer a identidade de nenhuma pessoa consultada. O questionário realizado como metodologia desse Artigo Acadêmico tomou como dados um levantamento feito com três Professores docentes do próprio Curso de Pós- Graduação de Educação Inclusiva, do IDJ (Instituto Dom José de Educação e Cultura) e foi realizado com os próprios alunos da sala de aula. O questionário foi formado por dez perguntas objetivas com opinião pessoal, sendo que três delas foram totalmente objetivas sem a necessidade do entrevistado ter que fazer seu parecer sobre pergunta. Toda essa estrutura foi bem alicerçada numa pesquisa qualitativa por (MAGALHÃES, 2017, p.5), que “não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc.”. A pesquisa foi baseada em (LAKATOS, 2003), foi feita no Município de Fortaleza- Ceará, com docentes na área de Educação Inclusiva. Sujeitos representativos com nomes fictícios: (S1 “Leandro”), (S2 “Carla”) e (S3 “Diana”). Segue abaixo a Tabela01- com os respectivos dados com base no questionário: Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 S1 S2 S3 Leandro Carla Diana Tempo de Docência: anos Tempo de Docência: Anos Tempo de Docência: anos Fonte: Dados da autora, 2017 4. ANALÍSE O questionário realizado foi feito numa plataforma com perguntas objetivas e subjetivas em algumas delas com alternativas de dissertação pessoal. As perguntas foram diretamente feitas a Professores Docentes relacionadas à criança com Alta Habilidade/Superdotação, são elas: Perguntas Obj. Sub. Docentes Respostas Docentes Respostas Docentes Respostas 1) Você conhece o termo alta habilidade e Superdotação? 2) Qual opção que define melhor a alta habilidade e Superdotação? 3) Você já trabalhou com algum aluno com alta habilidade e Superdotação? 4) Atualmente você possui algum aluno com alta habilidade e Superdotação? 5) Existe o conhecimento por parte dos pais sobre esses alunos com essa deficiência? 6) Você já participou de algum curso sobre inclusão escolar voltado para o aluno com alta habilidade e Superdotação? 7) Em sua opinião a alta habilidade e Superdotação é um fator: () psicológico () biológico. 8) Você acredita que a alta habilidade e Superdotação é causada decorrente da formação educacional que o aluno teve ou tem? 9) Qual seu cargo na Escola? 10) Qual seu tempo de Docência? Por quê? Fale um pouco Observações: S1 Leandro: 1) Sim. 2) Criatividade. 3) Não. 4) Não. 5) Não. 6) Sim. 7) Biológico. 8) Não. 9) Professor. 10) 12 anos. S2 Carla: 1) Sim. 2) Criatividade. 3) Não. 4) Não. 5) Não. 6) Sim. 7) Biológico. 8) Não. 9) Professora. 10) 8 anos. S3 Diana: 1) Sim. 2) Envolvimento com as tarefas. 3) Sim. 4) Não. 5) Nâo. 6) Sim. 7) Psicológico e Biológico. 8) Não. 9) Diretora. 10) 22 anos. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 S1 Leandro - Comentário da 6ª: comecei a fazer no creaece, mas não conclui, e estou concluindo especialização em educação inclusiva no qual tive a oportunidade de participar de uma disciplina nessa área que foi muito proveitosa onde obtive riquíssimos conhecimentos. Comentário da 7ª: infere sobre conhecimentos em que a pessoas tem de forma inerente a ela, que de forma particular chega à superação de suas atitudes. Comentário da 8ª: é próprio dele. S2 Carla: - Comentário da 5ª: Acredito que não tenha conhecimento dos pais sobre esse tema e tanto sofre os pais como as crianças para diagnosticar e fazer um acompanhamento correto, com profissionais qualificados. Comentário da 6ª: Somente na especialização e não teve muito aprofundamento sobre o tema, somente indicações de livros e onde encontrar apoio. Comentário da 7ª: Acredito que tenha a ver com a ligação genética do indivíduo. Comentário da 8ª: Porque é um fator genético, interfere na formação educacional, pois desestimula o aluno a aprender o que ele já sabe, mas não é causada da pela formação educacional. S3 Diana – Comentário da 2ª: O aluno desempenha com rapidez e maior autonomia que os outros alunos. Comentário da 6ª: O curso visava um maior conhecimento sobre as técnicas utilizadas para trabalhar com essas crianças, bem como estimular o seu desenvolvimento. Comentário da 7ª: Porque que ambos contribuem para o processo de desenvolvimento de uma pessoa dotada de altas habilidades/Superdotação, e que em um ambiente estimulador favorece a manifestação de suas características. Comentário da 8ª: Porque a formação educacional será apenas um estimulo para o desenvolvimento. 4.1 Coleta de dados Conforme (RANGNI, 2011), o sistema de educação do Brasil não tem deixado de lado as necessidades educacionais especiais (NEE), pelo contrário na verdade tem dado prioridade. Dentro dessa realidade norteadas através da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva as categorias a serem atendidas são: as deficiências, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/Superdotação. Dessa forma os educadores tem um consenso em considerar que apesar dos avanços, infelizmente a qualidade ainda está em patamares em níveis bem abaixo do esperado, principalmente quando falamos de alunos com necessidades educacionais especiais (NEE). Em que enfrentam dificuldades mais agudas, em meio ao sistema de ensino regular, principalmente após o movimento de Educação Inclusiva desencadeado após a Declaração de Salamanca, em 1994. Com isso os dados coletados do questionário é fundamental para que aprendizagem esteja centrada no potencial de cada aluno de forma que uma incapacidade para andar, ouvir, enxergar ou um déficit no desenvolvimento não seja classificado como falta de competência para desenvolver o potencial de cada criança. Nesse questionário algumas das respostas subjetivas dos Docentes me chamaram a atenção. O Docente S3 Dianano comentário da 7ª pergunta ela disse que a causa da AH/SD tanto pode ser Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 biológico como psicológico. Porque ambos contribuem para o processo de desenvolvimento de uma pessoa dotada de altas AH/SD, e que em um ambiente estimulador favorece a manifestação de suas características. Também quero citar a resposta do Docente S1 Leandro da 7ª pergunta do questionário; ele respondeu que a criança traz esse distúrbio inerente a ela mesma. E o Docente S2 Carla respondendo a mesma pergunta disse que a causa desse distúrbio era biológico, ou seja, genético. Com base nisso podemos chegar a dados mais recentes do MEC: É importante enfatizar que os fatores que irão influenciar o desenvolvimento da inteligência e também o surgimento de altas habilidades/Superdotação são: o potencial genético, representado pela constituição anátomo-estrutural e bioquímica das vias neuronais; os estímulos oferecidos pelo ambiente e a valorização social expressa nas demonstrações de satisfação com as conquistas conseguidas pela criança no contexto educacional da escola, da família e da sociedade em geral. Observa-se que algumas pessoas desenvolvem altas habilidades/Superdotação apesar de encontrarem ambientes pouco estimulantes e até em condições adversas. Nesses casos, elas conseguem desenvolver um modo próprio de funcionamento mental que as levam a ter sucesso na aprendizagem, apesar dos limites que se interpõem em sua empreitada rumo ao conhecimento (DELPRETTO, Lima de Martins Bárbara; GIFFONI, Alves Francinete; ZARDO, Pollom Sinara. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar Altas Habilidades/Superdotação. Fortaleza: SEESP-MEC Fascículo X, 2010, p.18). Assim fundamentalmente a questão de crianças com AH/SD fica em aberto devido à complexidade que esse distúrbio se apresenta com várias característica abrindo inúmeras possibilidades de diagnóstico amparadas pela LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação disposto nesse artigo: Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou Superdotação. § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular (BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº º 9394/96. BRASIL. Câmara dos Deputados LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: 2014 9ª. ed. p.32). Compreendemos que o presente disposto do Art. 58 da LDB, promove a todos nós como Docentes a melhor compreender a inclusão de alunos com AH/SD, e diferenciar Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 cada distúrbio e seu amparo legal da LDB e cada contexto que está inserido e seus respectivos diagnósticos, no caso de aluno com AH/SD, entende-se que os alunos público – alvo do AEE são definidos da seguinte forma: alunos com deficiência AD, aluno com transtornos globais TG, e com AH/SD. Os alunos com AH/SD são aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade. Por isso o Art. 58 da LDB, assegura tais especificidades de AH/SD “§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular” (BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 9394/96. BRASIL. Câmara dos Deputados LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: 2014 9ª. ed. p.32). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS As políticas públicas cada vez mais vem incentivando mediante leis e a opinião públicas esse papel que é inato das escolas a inclusão que já tem isso como missão fundamental de seu objetivo enquanto ferramenta de desenvolvimento social, contudo o que se vê é o despreparo na prática para lidar com toda a situação que permeia a inclusão. Com isso surge toda a logística de preparação dos modos operante na concepção que temos hoje de educação inclusiva com escolas, salas especiais, metodologias e uma didática apropriada para receber alunos rotulados de deficientes. Essa forma de fazer educação inclusiva é “ser capaz de desenvolver a autonomia dos alunos e a sua plena inclusão na sociedade, tendo em conta o caráter complexo e diferenciado das aprendizagens escolares” (DIAS; SANTOS; CRUZ; GOMANE; JÚNIOR; SIMÃO, 2010, p.17). Tendo em vista essa problemática o presente Artigo Acadêmico propõe uma única fonte de informação os dados coletados entre os docentes através do questionário; contudo jamais poderemos suficientemente esgotar tudo sobre esse assunto Alta Habilidade/Superdotação. Essa pesquisa teve como objetivo geral investigar indicadores Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 de Altas Habilidades/Superdotação em alunos regulamente matriculados nas Escolas Municipal de Fortaleza, com intuito de identificação, orientação, suplementação, enriquecimento curricular, encaminhamento para o AEE (Atendimento Educacional Especializado), sala de recurso multifuncional, Instituições Escolares “fundamentado na concepção e nas práticas pedagógicas inclusivas, contribui para o planejamento e execução de propostas de enriquecimento curricular nesses dois ambientes” (DELPRETTO; BÁRBARA; GIFFONI; ZARDO, 2010, p.21). Diante desse quadro, os resultados desse Artigo Acadêmico estimula a convivência, socialização e interação com outras crianças, encontrando amigos capazes de desenvolver e compartilhar determinadas atividades. A Escola inclusiva deve estar preparada para atender todos os alunos que a procuram. O ensino de qualidade está focado apartir de condições de trabalho pedagógico que implicam a formação de redes e saberes e de relações, e se enredam as dificuldades dos alunos com Altas Habilidades/Superdotados. Devem ser reconhecidos assim como suas possibilidades nesse processo o Docente precisa saber potencializar a autonomia, a criatividade, e a comunicação das crianças, e por sua vez, tornam-se produtor de seu próprio saber. REFERÊNCIAS ALVES, Roana Jandé Rauni; NAKANO, Cássia de Tatiana. A dupla- exepcionalidade: relações entre altas habilidades/superdotação com a síndrome de asperger transtorno de déficit de atenção e hperatividade e transtornos de aprendizagem. Artigo de revisão,São Paulo, V.32(99), p.9, Ago./Set. 2015. Availabe from: file://c:/Users/Windows%208/Dowloads/v32n99a08 pdf > Ecited: 19.jul.2017. ANDRÉS, Aparecida. Educação de alunos superdotado-altas habilidades. Brasília: Educação, Cultura e Depósito, 2010. P.6. BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº º 9394/96. BRASIL. Câmara dos Deputados. LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: 2014 9ª. ed. p.32. BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 2005. DIAS, Norberto Hildizina; SANTOS, Dos Roqué Nobre; CRUZ, Paula; GOMANE, Lídia Orlandia; JÚNIOR, Ernesto; Simão, Jerônimo. Manual de Práticas e Estágio Anais do I Semináriode Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Pedagógico. Universidade pedagógica. 2ª ed. Fortaleza: EDUCAR, 2010. DELPRETTO, Lima de Martins Bárbara; GIFFONI, Alves Francinete; ZARDO, Pollom Sínara. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Altas Habilidades/Superdotação. Fortaleza: seesp-MEC, Fascículo X, 2010. p.18,21. LAKATOS, Maria Eva; MARCONI, Andrade Maina. Fundamentos d Metodologia Científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas S.A, 2003. MANTOAN, Eglér Teresa Maria. Para Uma Escola Do Século XXI. São Paulo: Biblioteca/Unicamp, 2013. RANGNI, Araujo de Rosemeire. Identificar Para Incluir: A Dupla Necessidade Educacional Especial. Londrina VII, ISSN2175-960X, Pg.1-2, Nov.2011. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O ENSINO DA MATEMÁTICA DIANTE DA NOVA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: CONCEPÇOES APRESENTADAS POR PROFESSORES Francisco Arnaldo Lopes Bezerra 18 Francisca Marcia Coelho de Meneses 19 Gilmar Alves de Farias 20 RESUMO O presente artigo discorre sobre os processos de aprendizagem, teóricos, práticos, ensino e pesquisa vivenciados na disciplina: Currículo Avaliação e Criatividade na Matemática do ensino Fundamental. A matriz curricular dos cursos de Pedagogia despende de uma única disciplina obrigatória sobre o ensino de Matemática, Assim, justifica-se que os estudantes busquem em outros espaços formativos, alternativas que possam suprir esta demanda. Também é importante mencionarmos a relevância da pesquisa devido a urgente elaboração e aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O objetivo geral desta é aprofundar a discussão sobre a BNCC e seus aspectos políticos e sociais na formação do professor que ensina matemática. Em face disto, lançamos mão da pesquisa bibliográfica, subsidiada por autores que investigam de modo mais substancial a Educação Matemática e como pano de fundo os textos discutidos em sala de aula sobre a BNCC, autores como: D’Ambrósio, Radford, Santos, reconhecidos defensores do professor como um agente de transformação social. Numa segunda etapa, trazemos dados de uma pesquisa de campo onde apontamos alguns resultados parciais mediante entrevista e observação da escola publica municipal X (nome fictício). Dentre os dados colhidos apontamos: 40% dos professores da escola pesquisada não conheciam a proposta de lei da BNCC, 20% dos professores tinham titulo de pós-graduação. É importante que se ressalte o recorte atitudinal que esta pesquisa proporcionou aos atores envolvidos, lhes favorecendo o acesso ainda que apriorístico sobre a concepção do Ensino de Matemática no Ensino Fundamental anos iniciais. PALAVRAS-CHAVE, Educação; Ensino; Escola; Professor. INTRODUÇÃO O Ensino da Matemática tem sido tema em muitos seminários, palestras e de modo geral as discussões exprimem sobre os desafios da formação do professor. Pretendemos discutir alguns destes desafios, sobretudo voltado para o ensino fundamental anos iniciais. Este artigo traz em seu corpo reflexões de autores que sustentam em seus escritos provocações acerca das práticas metodológicas bem como sobre as expectativas dos professores para implantação da BNCC em sala de aula. Como suporte teórico nos valeremos de alguns autores que apresentam um trabalho sólido, desvelado e indispensável 18 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, arnaldolopesph@gmail.com. 19 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, marciameneses@live.com 20 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, profgilfarias@gmail@gmail.com. 111 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 àqueles que pretendem imbricar seus objetos de investigação à formação, à didática, à metodologia e à matemática. Um das leituras que motivou este tema foi Educação Matemática: História, Antropologia e Epistemologia onde Radford¹ traz esboço de uma teoria de ensino e aprendizagem, nele Radford fala de uma concepção da construção do pensamento para além dos processos causal, ideia-ação, para Radford: A natureza reflexiva do pensamento significa que o pensamento do indivíduo não é nem a simples assimilação de uma realidade externa (como os empiristas e behavioristas sugeriram), nenhuma construção exnihilo (como certa escolas construtivistas acreditam) o pensamento é uma reflexão, ou seja, um movimento dialético entre a realidade histórica e culturalmente construída e um indivíduo que refrata (assim como modifica) de acordo com suas próprias interpretações subjetivas ações e sentimentos. (RADFORD, 2012, p.317) Radford se inspira nas escolas antropológicas e histórico-culturais do conhecimento, sua teoria se aparta das visões racionalistas ou individualistas presentes em algumas interpretações das teorias do pensamento cognitivo e das interações sociais. Para o autor não há dissociabilidade entre o ato pensar, assimilar e refletir, É dialético o movimento, metodologia, ser e fazer. Aliado a esta teoria D’Ambrósio (2005), consone com Radford quando fala da transdisciplinaridade e do conhecimento subdividido em “caixas” ou como o autor fala em gaiolas epistemológicas, assim sugere: Explicitando, essas perguntas envolvem processos de: geração e produção de conhecimento; organização intelectual; organização social; difusão; que são normalmente tratados de forma isolada, como disciplinas específicas, tais como ciências da cognição (geração de conhecimento), epistemologia (organização intelectual do conhecimento), história, política e educação (organização social, institucionalização e difusão do conhecimento) D´AMBRÓSIO (2005, p. 104). O objetivo geral é refletir sobre as dificuldades do ensino que a BNCC visa solucionar por medida de lei na formação e na efetivação das metodologias. De forma mais especifica objetivamos apresentar dados e informações acerca da lida do professor na sala de aula do ensino fundamental, questões de metodologia, didática, avanços ou retrocesso diante da lei que implantará a Base Nacional Comum Curricular. Utilizamos para isso um recurso de pesquisa que proporcionou maior proximidade entre as dúvidas surgidas no início deste os resultados apresentados no capítulo seguinte. Foram suscitadas questões como: A Educação Matemática pode ao tempo que se prepara os alunos para as provas de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 vestibulares, concurso ou mesmo da própria escola, formar cidadãos para as experiênciassociais, políticas e do próprio cotidiano dos mesmos? Os professores de modo geral estão na expectativa da implantação da nova BNCC. Refletindo sobre como se dará esta implantação, revisamos algumas leituras que antecedem esta implantação que trouxeram contribuições acerca do tema. Embora a fonte recorrida majoritariamente tenha sido documentos oficiais do Ministério da Educação não deixamos de perceber o cunho pragmático da nova Base. Ao longo de todo o documento percebemos a imbricação de um modelo prático e dissoluto de reflexão para além da formação para o trabalho e distante do pensamento do professor, que segundo fala do próprio professor questionado “recebedor deste pacote pronto”. Diante da necessidade surgida durante o processo de estudo e fomentação de ideias na escrita deste artigo, tivemos que estreitar a distância entre a escrita acadêmica e a fala do professor enquanto sujeito que atua na base da escola pública e efetivamente está na ponta do complexoeducacional,fomos in loco a escola de municipal de ensino infantil e fundamental “X”. Buscamos registrar os relatos a partir de questionário e entrevista realizados com professores de matemática dos anos iniciais e gestores afim de repassar em forma de dados os apontamentos e resultados sugeridos apartir da analises dos dados coletados sobre a ótica destes professores as perspectivas e avaliações sobre as mudanças apontadas pela BNCC. 2. METODOLOGIA A pesquisa de cunho qualitativo teve diferentes etapas e em cada uma delas utilizou-se diferentes recursos, afim de melhor demonstrar as observações colhidas tanto nos estudos teóricos como na parte de campo (visita a escola). Na etapa bibliográfica tivemos a diligencia de escolher previamente obras e autores que se dedicam ao estudo e a pesquisa dos temas suscitados no titulo deste artigo. Lançamos mão da leitura das obras de autores como D’Ambrósio, Luís Radford, Maria José Costa, bem como a leitura e pesquisa dos documentos oficiais no site do MEC. Na etapa de campo recorremos a três tipos proveito de informação, a saber: questionário, entrevista e observação/registro, a pesquisa realizada em uma Escola de Ensino Infantil e Fundamental, situada na Região Metropolitana de Fortaleza, em Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Maracanaú. Entrevistamos o diretor Carlos (nome fictício), e os professores de Matemática, acerca da visão da lei que implantará a Base Nacional Comum Curricular, seu trabalho enquanto professor na sala de aula do ensino fundamental, questões de metodologia, didática. O primeiro questionário foi realizado com o Diretor da escola, Carlos (Nome fictício), nos nortearam os seguintes questionamentos: Quais as políticas públicas são implantadas na escola? Como funciona a implementação das políticas públicas? Qual a visão do professor em relação às avaliações? O que pensam os professores em relação à transição da Educação Infantil para o ensino fundamental? RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa se concentrou na investigação bibliográfica e de campo e se propõe a trazer à luz de autores que fomentam o debate sobre as atividades docentes para o ensino de matemática, bem como acentuamos acerca das novas diretrizes da BNCC por meio de questionário realizado na escola publica municipal. Ao recorremos à bibliografia sobre a formação, currículo e aprendizagem, nos deparamos com a leitura de D’Ambrósio (2011)onde o mesmo define currículo como um “conjunto de estratégia para se atingir as metas maiores da educação. O currículo tem como componentes solidários objetivos, conteúdos e métodos. O solidário significa que não se pode alterar um dos componentes sem que se alterem os outros dois”.Assim, ao embrenharmos nesta pesquisa, entendemos que é essencial partir da concepção que o currículo de matemática não estará imune à atualização da BNCC, bem como os professores, principais atores, que estão na ponta do sistema de educação, não estarão isentos dessa moção em torno das mudanças trazidas pela base. O Ministério da Educação – MEC define a BNCC como: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Aplica-se à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), e indica conhecimentos e competências que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade. Orientada pelos Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN), a BNCC soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. (MEC.http://basenacionalcomum.mec.gov.br/) A partir deste entendimento do MEC, podemos considerar que a BNCC deve ter um papel diferente dos Parâmetros Curriculares Nacionais. MEC (1997) que traz diretrizes apenas norteadoras, para o ensino e a sistematização de conteúdo, mas sem o princípio da legalidade, sua função é orientar as formas que se devem conduzir as discussões sobre o sistema educacional, ou seja, tem um caráter de recomendar e não normativo. Já a BNCC traz uma perspectiva legal para organizar os sistemas educacionais da rede de ensino no âmbito público e particular. O marco legal que a BNCC estar assentado é na própria Constituição Federal – 1988– CF, que no seu artigo 210, estabelece e orienta para a definição de uma base nacional comum curricular “serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” (BRASIL, 1988). Também no artigo 9º Inciso IV da Lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação prever com base neste artigo da CF que: União em parceria com o Distrito Federal, estados e municípios estabeleçaem colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum”. (BRASIL, 1996; ênfase adicionada). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm Citado o marco legal que sustenta a implementação da BNCC, fomos à busca. Colhemos in loco as observações e pensamento dos professores acerca deste tema. Numa pesquisa de campo na escola pública municipal “X” por meio de questionário podemos perceber alguns desencontros de base conceitual entre a forma que a lei cita a BNCC e à prática docente em sala de aula. Também são conflitantes para os gestores das escolas algumas colocações da forma como estar sendo conduzida e estruturada a BNCC. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 AS POLÍTICAS PÚBLICAS NA ESCOLA Na entrevista realizada com o diretor da escola, de realizamos a seguinte pergunta: Quais as políticas públicas são implantadas na escola? Como funciona a implementação das políticas públicas? “A escola participa do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que é o Programa de âmbito nacional destinado as Escolas públicas de educação básica estaduais, do Distrito Federal e Municipais, trata-se de recursos financeiros para serem utilizados na manutenção do prédio escolar e suas instalações, para uso de material pedagógico, didático, esses repasses são realizados anualmente. A Escola também participa dos Programas do livro que compreendem dois Programas o Nacional do Livro Didático (PNLD), e o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), suas ações contemplam os alunos com livros didáticos, pedagógicos e literários, para alunos e professores. O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), esta política visa assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas ao final do 3º ano do Ensino Fundamental, com uma idade de 08 anos em que compreendem alguns eixos, todos os documentos podem ser vistos no Portal do MEC. Para a locomoção dos alunos que moram em bairros vizinhos temos o Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE), este envia as verbas que são utilizadas para manutenção desses transportes atualmente, em nossa escola estão sendo contempladas 35 crianças com esse programa”. (Carlos). Desse modo, nos explica de forma bastante resumida algumas políticaspúblicas que beneficiam a escola, e suas respectivas funções. Todas essas ações são financiadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), forma de governo vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e possui autonomia para gerir essas finanças. A Escola utiliza outras políticas públicas, muitas vezes estes recursos não são suficientes para suprir as necessidades da Escola e Educação, são muitos os desafios para ofertar uma Educação que ofereça qualidade e contemple de forma ampla as necessidades pedagógicas. Segundo o PPP da escola, para o provimento das suas atividades técnico- administrativas e pedagógicas a escola recebe verbas oriundas do Programa de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (PMDE), advindo da Prefeitura Municipal de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Maracanaú e ainda do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Educação Integral Fundamental e Programa Mais Educação, advindos do Ministério da Educação. A escola possui uma infraestrutura mediana, seu prédio é antigo e bastante amplo, possui 24 salas de aula, há uma biblioteca, que segundo o diretor não possui bibliotecário. A escola também possui uma sala de direção, uma sala de professores, Secretaria, recepção, quadra coberta anexo à Escola, refeitório, cozinha, banheiros, pátio, sala de informática e uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Os equipamentos como computadores e copiadora estão na sua grande maioria defasados ou quebrados. Os livros didáticos que são utilizados pela escola fazem parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e são escolhidos pelos professores de três em três anos. Segundo o diretor, o 9º ano por ser a última série da escola sempre sofre pela falta de livros, pois muitos alunos quando acaba o ano não devolvem os livros para a escola. Assim como não possuem livros suficientes para os dois turnos, os alunos do 9º ano não podem levar o livro para casa. CONFLITOS APONTADOS PELOS PROFESSORES Sobre a alfabetização no 2º ano a maioria dos professores entrevistados fala: “diminuir o ciclo de alfabetização é colocar em excesso conteúdos que antes eram melhor divididos em 3 anos”. Concernente a essas problemáticas o professor X salienta: “Alguns conhecimentos conhecidos como conteúdos, ficaram presos no tempo, mesmo com todas as mudanças de cunho social, filosófico, cultural, não existe atualização com uma proposta efetivamente pedagógica, os conhecimentos são sistematizados, os livros didáticos não se adéquam a realidade do aluno, o professor tem que se virar nos 30. Esses conhecimentos são estruturados de forma linear, fragmentado e repetitivo. Fazendo uma retrospectiva na história, o objetivo inicial da escola era somente repassar esses conhecimentos, a preocupação do professor é diminuir o índice da marginalização, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 quando se fala em planejamento e nas ações dos professores, gostaríamos muito de ter recursos que viabilizassem uma conscientização para além dos muros da Escola e os conteúdos”. Outra preocupação dos professores é em relação à transição da Educação Infantil para o ensino fundamental: “devido a forma “a toque de caixa”, não houve um profundo debate sobre esta questão”. Segundo os mesmos, “tudo foi decidido de forma muito de cima para baixo sem a participação efetiva do professorado”. Quanto à fala do gestor da escola, ele aponta que terá receio de uma “exigência”. Assim fala: Eu não tenho nada contra essa proposta do MEC. O que me deixa receoso é que “eles” exijam algo que a escola não suporta ou que ainda não dá conta, é preciso que antes dessa moção apressada em torno de medidas que dirão o que e como fazer, eles possam oferecer boas condições para os professores trabalharem; não diminuírem o numero de alunos por professor, não oferecer bons recursos didáticos. Entre os professores entrevistados 40% dos professores da escola pesquisada não conheciam a proposta de lei da BNCC, somente ouviram falar entre os colegas, mas não procuraram de fato se informarem a respeito do documento. Dos professores, apenas 20% tinham titulo de pós-graduação, o motivo alegado por aqueles que não possuem uma pós, são as intensas jornadas de trabalho, por esse motivo não dispõem de tempo para se dedicarem à formação. O que a fala dos professores sugere é aquilo que D’Ambrósio cita no livro Educação para uma sociedade em transição (2011) sobre o risco de se impor um currículo cartesiano, tradicional, baseados nos componentes objetivos, conteúdos e métodos obedientes a definições obsoletas de objetivos do que era a sociedade. Professora Y diz que, “não é necessário nenhum esforço para interpretar minuciosamente para entender que os fundamentos pedagógicos das Bases Curriculares comuns são guiados por um conjunto de regras, possuindo uma utilidade de fundo liberal, pensando exclusivamente no individuo sem a coletividade, visando capacitar ou direcionar para o mercado de trabalho, para o lado da competitividade e não do ser social que vive sem questionar, com uma intencionalidade de não formar um cidadão crítico”. O que podemos concluir é que é preciso para além de propor pela fundamentação legal medidas e leis que pensam a Educação de forma geral e complexa não pode ser feito Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 se passar pelo crivo ou as considerações dos professores que estão na linha de frente, in loco, na escola efetivando todas essas medidas na pratica. CONCLUSÃO É importante ressaltar que os dados colhidos no questionário, bem como as questões teóricas levantadas à luz dos autores não têm o caráter de retrato final ou de trabalho pronto, fechado sobre uma dicotomia entre a BNCC como estar sendo posta e as observações dos professores, a ideia é de apontar parcialmente a construção dessa discussão e trazer para o público acadêmico a voz dos professores que estão no “chão da escola” experimentando de forma prática as concepções teóricas apontadas pelos autores citados e os documentos oficiais registrados neste. Assim, é arriscado afirmar que as questões metodológicas podem ser definidas por força de lei ou por um projeto que não parta das discursões por quem estar na ponta deste sistema educacional. Tentamos desvendar apenas as dúvidas submersas que nos rondava antes provocações acerca da BNCC na disciplina Currículo Avaliação e Criatividade na Matemática do ensino Fundamental. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em:Acesso em: 20 setembro. 2017http://basenacionalcomum.mec.gov.br/) Acesso em: 20 setembro. 2017 D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação para uma sociedade em transição– 2. Ed. Natal, RN: EDUFRN, 2011. p 26 D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 1, p. 99-120, jan./abr. 2005 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm Acesso em: 20 setembro. 2017 RADFORD, Luis. Cognição matemática: história, antropologia e epistemologia. São Paulo: Livraria da Física, 2012 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 INTERDISCIPLINARIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL POSSIBILIDADES PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA COM SIGNIFICADO Maria Nilba dos Santos Paiva 21 Rafaela da Silva Ribeiro 22 RESUMO O trabalho relata sobre a interdisciplinaridade no ensino da matemática, açãoindispensável no processo de desenvolvimento na Educação Infantil, a pesquisa apresenta um trabalho desenvolvido especialmente na turma de Infantil II, com (10) estudantes, numa escola municipal de Fortaleza, com o objetivo de entender se a relação do que está sendo trabalhado e desenvolvido no contexto geral, favorece as interações das crianças com o mundo que o cerca, e se possibita na criança uma aprendizagem mais prazerosa, interessante e dinâmica. A pesquisa é um relato de experiência onde utilizamos atividade lúdicas para realizar as observações. Para desenvolvimento da pesquisa utilizamos como referencial teórico, os autores: Fazenda (1994), Lorenzato (2008), e Scholze (2007), dentre outros. O desenvolvimento das atividades foram norteados apartir dos conteúdos da matemática, e observamos que as atividades favoreceram as crianças, a identificar as cores, a trabalhar a ludicidade, a fazer correspondências entre os objetos e as cores, como também verificamos a alegria, o envolvimento e a colaboração de cada uma, portanto havendo aprendizagem colaborativa, e assim, as crianças puderam sentir, experimentar, brincar, ao mesmo tempo em que aprendem. Observamos que uma prática metodológica diferenciada torna a aula mais prazerosa, despertando em todas as crianças interesse e motivação para realizar as atividades propostas. Palavras-chaves: interdisciplinaridade; desenvolvimento; aprendizagem. INTRODUÇÃO O interesse em discutir “Interdisciplinaridade no ensino da matemática”, é dialogar o quanto é necessário a harmonia entre as disciplinas do núcleo comum, no sentido de trabalhar os conteúdos conjuntamente, entrelaçados, fazendo uma associação do que os professores estão ministrando na sala de aula, para ajudar a criança a compreender, como esses conteúdos são indissociáveis, portanto, a matemática está implicitamente presente nas diversas ações do dia a dia. Partindo desta vertente, cujo objetivo principal é entender a relação do que está sendo trabalhado e desenvolvido no contexto geral, nas interações das crianças com o mundo que o cerca, detectar, verificar, se ao utilizar os conteúdos interdisciplinarmente favorece a aprendizagem de forma mais prazerosa, interessante e dinâmica. 21 IDJ - mnilbapaiva2@gmail.com 22 IDJ dantas.rafaela5@gmail.com 121 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Portanto pode-se dizer, que com o ensino interdisciplinar e o auxílio do professor, as crianças passarão a entender, que a matemática se torna mais eficaz para as resoluções de problemas nas suas trajetórias individuais, contextos famíliares, ampliando as capacidades da autonomia, associar as brincadeiras e as vivências, nas mais variadas formas e descobertas, assim, uma aprendizagem significativa para a criança. Nessa premissa, o trabalho foi realizado na sala de Infantil II, numa Escola Municipal de Fortaleza, evocando os conhecimentos a serem ressignificados e apropriados pelas crianças, envolvendo quantidade, identificação e utilização dos algarismos no contexto social, contagem, agrupamento, etc, promovendo a situações de contagem com materiais concretos. 1. INTERDISCIPLINARIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL A interdisciplinaridade é um modelo construtivista de o professor relacionar os conteúdos com as outras disciplinas, fazendo uma interligação entre os diversos conteúdos, objetivando colocar o aluno na posição de entender a relação do que está sendo trabalhado e desenvolvido no seu contexto, em interação com o mundo, e assim desenvolver o potencial de aprender de forma mais prazerosa, buscando sentido harmônico e significativo, para dialogar no seu dia a dia, com uma aprendizagem mais interessante e dinâmica. Os novos modelos de ensino buscam relacionar os conteúdos de forma a ampliar o horizonte dos educandos, com novos questionamentos e buscas, visando assim compreender a própria realidade. Para Fazenda, (1994) a interdisciplinaridade consiste em: Um olhar interdisciplinar atento recupera a magia das práticas, a essência de seus movimentos, “O conhecimento nasce dos movimentos contidos nas dúvidas, nos conflitos, nas perguntas/respostas, nas certezas/incertezas que são vivenciadas.” (FAZENDA, 1994, p. 19). De acordo com a autora entendemos que, a interdisciplinaridade fomenta a integração dos saberes, de forma que o professor amplie o que a criança já sabe. É percebível, que as disciplinas trabalhadas com a interdisciplinaridade ganham vida, tem fomento no fazer pedagógico e torna a sala de aula mais participativa, atraente e coletiva no processo de aprender. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A educação infantil primeira etapa da educação básica envolve crianças de 0 a 5 anos de idade e é considerada a fase da primeira infância, onde a criança desenvolve os pré-requisitos mais importantes da sua vida, ou seja, nesta fase ela aprende a andar, a se comunicar, a formar as suas próprias hipóteses, seja no campo cognitivo, físico e socioemocional. Esta fase é decisiva para ela, pois aqui, é onde adquire os meios fundamentais para o desenvolvimento de habilidades que terão impacto na sua vida adulta, por esta razão, cuidar da Educação Infantil é cuidar do futuro das nossas crianças. A proposta pedagógica para a Educação Infantil do município de Fortaleza (2015) relata que “as ações são indissociáveis, como o aprender e o brincar, que estão sempre entrelaçadas, possibilitando ampliar as interações das crianças, diferentemente das vivências que trazem consigo de casa, dando-se a construção de cultura”. (CEARÁ, 2015). O papel da imitação, também é um ponto importante, pois dele tem-se como reconstruir o processo de desenvolvimento da aprendizagem, como cita Vygotsky (1989) “ao imitar, a criança é capaz de realizar ações que estão além de sua capacidade real (ZDP)”. Assim, o outro é importante na construção do conhecimento. 2. A MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E O TRABALHO INTERDISCIPLINAR A matemática ocupa uma função importante na vida das pessoas, devido se fazer presente nas ações diárias. E sabemos também que, antes mesmo de frequentar a escola, a maioria de nossas crianças já tem contato direto com situações que envolvem ideias matemáticas e essa percepção matemática vai além de resolver contas, escrever números ou até mesmo de resolver problemas sem contextualização das vivências. A matemática deve ser vista como a que age, na resolução de associações da vida cotidiana, em campos diversos de atuação, exemplo: correspondência de como a matemática se apresenta na nossa e na vida das crianças, quando trabalhada dinamicamente o café da manhã já se insinua uma resolução problema com a xícara para o pires, o sapato para o pé correto, a vestimenta “blusa/calça”, exploram e comparam pesos e tamanhos, percorrem e exploram diferentes espaços e distâncias dentre outras, fazendo sentido nessa percepção da vida da criança. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A disciplina de matemática sempre foi o “nó, o bicho papão” das crianças na escola, por não ser trabalhada de forma a fazer sentido com as vivências, que a criança traz consigo. A identificação da educação matemática como uma área prioritária na educação ocorre na transição do século XIX para o século XX. Os passos que abrem essa nova área de pesquisa são devidos a John Dewey (1859- 1952), ao propor em 1895, em seu livro Psicologia do número, uma reação contra o formalismo e uma relação não tensa, mas cooperativa, entre aluno e professor,e uma integração entre todas as disciplinas (MIGUEL, GARNICA, D’AMBROSIO, 2004, p.71). Assim a matemática passou a ser vista na escola como fonte integradora entre os saberes, que teria relacionamento com as outras disciplinas, na medida em que o professor favorecesse o desenvolvimento da criança através das situações corriqueiras e das vivências. Nesse fato, a compreensão da matemática na educação, o seu valor “como bem cultural de leitura e interpretação e interpretação da realidade possa estar mais bem preparado para sua inserção no mundo do conhecimento e do trabalho” (PCNs, 1999, p.258). Por isso a matemática torna-se mais prazerosa, quando a criança associa o que já conhece com a leitura de mundo que é introduzida. METODOLOGIA A interdisciplinaridade é uma “exigência”, perante as aceleradas mudanças que vivenciamos ultimamente com a globalização, tomando conta do mundo com a inserção tecnológica. A pesquisa aqui apresentada define-se como um relato de experiência, resultando de um estudo de caso. Com intuito de buscar aprofundar a temática em foco, utilizamos os autores: Lorenzato (2008), Fazenda (1994), Kamii (2002), dentre outros, que trazem, os estudos relacionados a matemática e a interdisciplinaridade como a integração dos saberes com os componentes curriculares na construção do conhecimento. Como relata Lakatos (2003, p. 186): “a pesquisa de campo consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 referentes e no registro de variáveis que se presume relevantes, para analisá-los”. (LAKATOS, 2003, p. 186). Nesse sentido, é importante destacar que os dados observados revelam a realidade manipulada sobre a vertente da verdade e pode-se fazer inferências no que diz respeito às observações, sem deixar de analisar cada caso e dialogar com os resultados. A pesquisa foi realizada em uma sala de Infantil II, com 10 crianças de uma Escola Municipal de Fortaleza. Para a coleta dos dados utilizamos a observação em loco, de como se deu a integração e desenvolvimento das atividades propostas, com a utilização de material concreto como descrito abaixo conforme cada figura. Foi proposto que as crianças fizessem uma atividade, onde nesta, pudessem desenvolver os aspectos da interdisciplinaridade com fins de observar se as crianças com 2 anos de idade eram capazes de ter o desenvolvimento do senso crítico matemático, quanto a contagem de números, a comparação de maior menor, a correlação dos números, as cores e a linguagem oral. Lorenzato traz esclarecimentos importantes para o professor, quanto à observação do desenvolvimento da criança na Educação infantil. Desenvolvimento do senso matemático das crianças explorando três campos aparentemente independentes: o espacial, o numérico e o das medidas. O espacial tem como eixo central o estudo das formas e das posições dos objetos presentes no contexto de vida das crianças e servirá de apoio ao posterior estudo da Geometria; o numérico versa sobre o mundo das quantidades, da contagem e das representações destas e apoiará o estudo da Aritmética; o campo das medidas trata dos diferentes tipos de conceitos de medida e desempenhará a função de integrar os conhecimentos geométricos com os aritméticos. (LORENZATO 2008b, p. 3). Assim, o desenvolvimento do senso matemático deve ser trabalhado de maneira ampla, que permita a criança recriar significados. Desenvolvimento das atividades A atividade foi proposta com o objetivo de entender se a relação do que está sendo trabalhado e desenvolvido no contexto geral, nas interações das crianças com o mundo que o cerca, possibita nela, uma aprendizagem mais prazerosa, interessante e Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 dinâmica. Durante a atividade procurou-se trabalhar as diferentes áreas sempre ligando aos conceitos matemáticos. De início a professora pintou as mãos das crianças e colocou-as sobre uma folha de papel, trabalhando as cores. Campo: Artes Visuais; Figura 01: Pintura das mãos e colagem no papel Fonte: Acervo das autoras Ao analisarmos o desenvolvimento da atividade foi possível observar que a atividade favoreceu as crianças a identificar as cores e trabalhar a ludicidade através do desenho das mãos, como frisa Darlene Scholze e at all: As atividades lúdicas, portanto, nos permitem experimentar, sentir, criar e re-criar mundos e situações. Através dela podemos nos libertar da nossa realidade mecânica e ir muito além deste mundo, trocar experiências, viver momentos de alegria e liberdade, enfim, aprender com as situações. (SCHOLZE, 2007, p. 72). Assim, as crianças puderam sentir, experimentar, brincar, ao mesmo tempo em que aprende. A segunda etapa da atividade a professora mostrou a folha de papel com a mão desenhada e trabalhou a contagem dos dedos. Campo: Matemática; Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 02: Atividade de contagem e comparação Fonte: Acervo das autoras No início do desenvolvimento da atividade houve o agito das crianças, todos querendo manusear o material ao mesmo tempo, mas com a organização didática do professor, foi possível verificar a alegria, o envolvimento e a colaboração de cada uma, portanto havendo aprendizagem colaborativa. Na figura 02 pode-se dizer que essa ação didática propicia a contagem oral, registro, comparação de tamanho, quantidade, maior, menor. Isso levando em conta o “saber e a didática” que o professor possui, de maneira a despertar na criança o gosto pelo ensino matemático. Aqui eles estão descobrindo na interação uns com os outros como contar cada dedo representando com as bolas. O ensino da matemática na educação infantil possibilita conhecimentos a serem ressignificados e apropriados pelas crianças. Lorenzato faz-nos um alerta, os processos mentais básicos são essenciais para o professor trabalhar na Educação Infantil. Lorenzato (2008) relata: Para que o professor tenha sucesso na organização de situações que propiciem a exploração matemática pelas crianças, é também fundamental que ele conheça os sete processos mentais básicos para aprendizagem da Matemática: correspondência, comparação, classificação, sequenciação, seriação, inclusão e conservação. (LORENZATO 2008b, p. 4). Portanto a matemática torna-se atrativa quando trabalhada de forma lúdica e prazerosa, para que a criança perceba que ela está presente no seu dia a dia. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O terceiro momento da atividade, as crianças trabalharam a escrita dos números do 1 ao 5. Para esse momento tivemos a condição de trabalhar Português e Matemática. Durante a atividade as crianças fizeram a relação dos números a quantidades. O que Kamii (2002) caracteriza a palavra como conhecimento social, onde essa palavra contada pode ser escrita gerando diversas capacidades e estilos de aprendizagem. Figura 03: Contagem e escrita do número Fonte: Acervo das autoras A atividade proporcionou a vivência com as letras do alfabeto, correlacionado o número a escrita. Atividade rica em contrapartida a fala. Embora a maioria das crianças envolvidas na atividade, ainda não pronuncie de maneira clara as palavras. O quarto momento buscamos nos alunos o conhecimento dos seres animados (vivos), que existem em sua casa, ouque veja no caminho para a escola a exemplo de: (cachorro, gato, boi, galinha, etc), despertando a curiosidade de observar a trajetória de casa à escola. Campo: Ciências; Ao finalizarmos a atividade as crianças juntamente com a professora produziram um desenho dirigido, dos campos trabalhados durante a semana. Para ilustrar, compreender melhor a semelhança do número a escrita, a professora pediu que cada criança relatasse o nome dos animais que possuíam em casa. Em seguida construiu um cartaz com recorte de figuras dos animais prediletos delas, fazendo a associação com a contagem dos dedos e das bolas. Ex: a bolinha de cor Azul era dada para quem tivesse gato, a cor amarela para o cachorro, a cor rosa para galinha, a cor laranja para boi. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 04: Associação dos animais com a cor das bolas Fonte: Acervo das autoras Esse painel foi produzido pelos alunos de forma colaborativa e interdisciplinar, visto que cada criança se relacionava de forma espontânea e alegre. Entendemos que a prática interdisciplinar na educação infantil, contribui para uma aprendizagem significativa, permeando as relações, ressignificando as vivências. Nessa perspectiva, o professor tem que ter em mente que todas as disciplinas andam entrelaçadas, de mãos dadas, uma ajudando a outra na sua concretização do conhecimento. Foi possível observar através das atividades desenvolvidas na pesquisa que o professor utilizou a pintura, como forma de desenvolver a beleza através das cores. Juntou a forma de contar, fazendo a comparação dos dedos maiores, menores, grossos, finos, através do desenho. Continuou com a escrita dos números do 1 ao 5 e relacionando-os com o numeral. E por fim utilizou-se dos seres vivos identificados pelos alunos no trajeto de casa até a escola. Ivani Fazenda (1979) nos apresenta a interdisciplinaridade como uma transformação aprofundada da pedagogia, um novo modelo de curso de formação para os profissionais da educação, para adquirir o manejo de ensinar de um novo jeito. Passa-se de uma relação pedagógica baseada na transmissão do saber de uma disciplina ou matéria, que se estabelece segundo um modelo hierárquico linear, a uma relação pedagógica dialógica na qual a posição de um é a posição de todos. Nesses termos, o professor passa a ser o atuante, o crítico, o animador por excelência. (FAZENDA, 1979, p. 48- 49). Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Parece simples, mas na realidade necessita do conhecimento cientifico, para fomentar nas crianças o desejo de interagir e dar novos significados as atividades desenvolvidas em sala de aula. Resultado final da atividade proposta foi satisfatório por ver as crianças interagindo, construindo as suas hipóteses, dando vida cada experiência vivenciada. Figura 05: atividades realizadas Fonte: Acervo das autoras Foi possível analisar diante a atividade proposta que as crianças quando provocada a trabalhar com o material concreto, com cores diversificadas, cores fortes, cores vivas, elas interagem intensamente, buscam obedecer aos comandos da professora de forma mais descontraída e prazerosa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na percepção do desenvolvimento de cada item da atividade, podemos dizer que foi bem sucedido, porque as crianças se mostraram empenhada a fazer. Foi um momento de muita aprendizagem com as vivências, com as interações, por ocasião da pintura das mãos, na descoberta das cores das bolinhas ao correlacionar com os dedos, cada criança ajudava uma à outra a contar os dedinhos, a juntar as mãozinhas para medir a maior, a menor, proporcionando através do lúdico, das brincadeiras, uma aprendizagem significativa. Percebemos também, que na atividade da figura 04: “Associação dos animais com a cor das bolas”, elas se mostraram bem mais participativas, mais soltas, mais entrosadas Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 ao pegar a bolinha da cor que representava animal da sua convivência colocando-as na frente de cada dedo, ajudando-o a quem errava, estando atentas aos comandos das cores que a professora mencionava. É possível observar que uma prática metodológica diferenciada torna a aula mais prazerosa, despertando em todas as crianças interesse e motivação para realizar as atividades propostas. CONCLUSÃO As exigências do mundo contemporâneo permite buscar novos modos de ensinar e de aprender. Contudo, a interdisciplinaridade oferece subsídio para o professor repensar sua prática e inserir um novo fazer pedagógico, voltado ao diálogo, às descobertas, as brincadeiras, de forma orientada, para que a criança da Educação Infantil se envolva no processo de aprendizagem apresentando desenvoltura o que se propõe a fazer. Podemos dizer assim, que o objetivo proposto foi alcançado, por se encaixar nas nossas expectativas de analisar e entender se a relação do que está sendo trabalhado e desenvolvido no contexto geral, nas interações das crianças com o mundo que o cerca, possibita nela, uma aprendizagem mais prazerosa, interessante e dinâmica. Nesse sentido, com as atividades desenvolvidas na pesquisa e os resultados obtidos desejamos contribuir com os profissionais da educação, a cerca do fazer pedagógico no ensino da matemática de forma interdisciplinar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília Ministério da Educação, 1999. CEARÁ. Coordenadoria de Educação Infantil. Proposta Pedagógica para a Educação Infantil da Rede Municipal de Fortaleza. Versão Preliminar. 2015. FAZENDA, Ivani. (Org.). Práticas interdisciplinares na escola. São Paulo: Papirus, 1994. KAMII, Constance. Crianças Pequenas Reinventam A Aritmética. ARTMED. 2002 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 _____________. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. São Paulo: Loyola, 1979. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782008000300010>. Acesso em: 21 Abil 2017. LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Atlas 2003 LORENZATO, Sergio. Educação Infantil e percepção matemática. 2. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2008b. Coleção Formação de Professores. MIGUEL, Antonio; GARNICA, Antônio Vicente M; D’AMBROSIO, Sonia Barbosa C. I. U. A educação matemática: breve histórico, ações implementadas e questões sobre sua disciplinarização. Revista Brasileira de Educação, p. 70-93. n 27, Set /Out /Nov /Dez 2004. SCHOLZE, Darlene. e et all. Revista da Faculdade de Educação. Ano V nº 7/8 (Jan./Dez. 2007). Disponível em: <http://www2.unemat.br/revistafaed/content/vol/vol_7_8/artigo_7_8/69_82.pdf>. Acesso em: 18 Ab 2017. VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 2. ed. Porto Alegre: Martins Fontes, 1988. 168p. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3215421>. Acesso em: 10 Maio 2017. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O CONHECIMENTO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UM ESTUDO EM ESCOLAS PÚBLICAS NO CONJUNTO NOVA METRÓPOLE EM CAUCAIA- CE Rebeca dos Santos Façanha de Sousa 23 Maria Guiomar de Lima Rodrigues Cardoso 24 Maria Neurismar Araújo de Souza³ RESUMO O professor e a escola têm um importante papel na educação de todas as crianças, e com as crianças autistas não é diferente. Para o sucesso da inclusão escolar é preciso que haja mudanças que não ofereçam obstáculos a inclusão. A presente pesquisa justifica-se pela inquietação das autoras frente ao desafio que se apresenta: implementação efetiva da Inclusão nos ambientes educacionais públicos. Nesse sentido, buscou-se verificar o conhecimento dos professores de Educação Física para trabalharem com crianças que apresentem TEA (Transtorno do Espectro Autista). O presente estudo refere-se a uma pesquisa de natureza qualitativa realizada no período de agosto a novembro nas escolas públicas localizadas numa área de periferia do Conjunto Nova Metrópole, um bairro de Caucaia. Foi desenvolvido, baseado em (MANTOAN,2011) e (FAVORETTO;LAMÔNICA,2014), um questionário de 10 perguntas e respostas para identificar o conhecimento dos professores de Educação Física das escolas públicas do Nova Metrópole para trabalhar com crianças que tenham TEA. PALAVRAS- CHAVE: Autismo; Educação Física Inclusiva; Inclusão Escolar. 1. INTRODUÇÃO A Educação Inclusiva na política nacional de educação, desde o final dos anos cinqüenta, é vista como indesejável e muitas vezes, é associada à assistência aos deficientes e não como educação de alunos que apresentam deficiência. (MENDES, 2006). A relação da educação física com a educação especial se entrelaçou por conta da necessidade de se trabalhar a inclusão. Pensando no autismo, existe uma afirmação baseada em autores como Cunha (2001) e Santos (2011) que diz que, a caracterização do Autismo se deu por volta de 1943 pelo psiquiatra Leo Kanner, após ter observado várias crianças com comportamento diferenciado, que se distanciavam de todos e não reagiam a brinquedos e outros objetos. A Educação Física tem significativas contribuições aos 23 IDJ, bekafacanha@gmail.com 24 IDJ, guiomar44@hotmail.com ³FATENE , neuris19@yahoo.com.br 133 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Autistas. Ainda Santos (2011) afirma que o desenvolvimento do autista é mais lento do que nas crianças ditas normais, mas que o professor pode e deve adequar sua metodologia de ensino para esses alunos. A educação do país passa por transformações, e um grupo minoritário passa a lutar por seus direitos cansados de viverem às margens de nossa sociedade. Esse movimento denomina-se Inclusão. Assim o presente estudo refere-se a uma pesquisa que buscou avaliar o conhecimento dos professores de Educação Física para trabalharem com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que causa um certo atraso no desenvolvimento, comprometendo sua comunicação e sua interação social principalmente. Algumas crianças nascem aparentemente normais, mas já nos primeiros meses de vida demonstram alguns sintomas do autismo, o que causa certo desespero na maioria dos pais O professor e a escola tem importante papel na educação de todas as crianças, e com as crianças autistas não é diferente. Para o sucesso da inclusão escolar é preciso que haja mudanças não só na estrutura arquitetônica da escola, mas também no Projeto Político Pedagógico, mudanças que não ofereçam obstáculos a inclusão. É preciso entender a importância da inclusão na vida social, educacional e afetiva dessas crianças que serão incluídas e das que as receberão, participando também desse processo (Pimentel, 2012). Será que com o conhecimento que foi adquirido em sua formação os professores se sentem capacitados para atuar com deficientes? O professor de Educação Física precisa ter o mínimo de conhecimento sobre Transtorno do Espectro Autista como as individualidades de cada um, perceber o potencial de cada aluno para fazer um bom trabalho de desenvolvimento e inclusão com esses escolares. 1.1 – Educação Especial A história da educação especial começa no Brasil Colônia com as práticas isoladas de exclusão, onde as pessoas com deficiência ficavam confinadas em suas casas ou eram recolhidas em Santas Casas ou até mesmo em prisões. No séc.XIX, já no Brasil império, aconteceram as primeiras ações de atendimento as pessoas com deficiência. Em 12 de setembro de 1854, foi criado pelo imperador Dom Pedro II o Imperial Instituto dos Meninos Cegos no Rio de Janeiro com um modelo do Instituto de Meninos Cegos de Paris Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 atendendo em seu primeiro ano os estados do Rio de Janeiro e o Ceará. Em 1890, passou a chamar-se Instituto dos Meninos Cegos e em 1891 Instituto Benjamim Constant que permanece até os dias de hoje. Em 26 de setembro de 1856 foi criado o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos patrocinado pelo imperador Dom Pedro II, hoje com o nome de Instituto Nacional de Educação de Surdos. Esses institutos funcionavam como internatos e tinham como objetivo central inserir seus alunos na sociedade brasileira, ao fornecer-lhes o ensino das letras, ciências, religião e do alguns ofícios como oficinas profissionalizantes de encadernação e sapataria. No Brasil República, foram criados os primeiros centro de reabilitação física e em 1926 foi criado o Instituto Pestalozzi de Canoas, onde a educadora e psicóloga russa Helena Antipoff introduziu o termo “excepcional” no lugar de “deficiência mental e retardo mental”. Em 1954 foi criado no estado do Rio de Janeiro a APAE (associação de pais e amigos dos excepcionais) com serviços de educação, saúde e assistência social, no início do séc. XX iniciaram-se os primeiros estudos no Brasil sobre Deficiência Intelectual tratada na perspectiva educacional. Em 1948 foi criada a Declaração dos Direitos Humanos que assegura o direito de educação a todos e em 1961 foi criada a Lei 4.024/61 da LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que recomenda a integração, no sistema geral de ensino, a educação das pessoas com deficiência. No final da década de 80 e início dos anos 90, a dualidade do sistema é rompido, as pessoas com deficiência que até então estavam em escolas especiais passam a freqüentar as escolas comuns. 1.2 – Transtorno do Espectro Autista (TEA) O Transtorno do Espectro Autista é caracterizado por vários déficits de interação social e de comunicação, comportamentos repetitivos; são desordens do desenvolvimento do cérebro. O TEA pode associar-se a outros problemas como deficiência intelectual, déficit de atenção, hiperatividade, dificuldades na coordenação motora e na fase da adolescência pode levar a depressão. O autismo apesar de ter sido reconhecido recentemente, não é um problema atual pois, não é porque um transtorno foi descrito agora que tem que necessariamente ser novo. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Quando se trabalha com autistas percebemos algo diferente, é como se eles estivessem hipnotizados, como se algo tivesse se apossado da mente deles e envolvido seus cérebros, deixando-os isolados sem que possam comunicar-se e interagir com outras pessoas, falta de contato visual, falta de empatia, preocupam-se exageradamente com coisas insignificantes, não demonstram medo de perigo, apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons (APA, 2013). Na década de 40, acreditava-se que o autismo era um resultado de maus pais ou que era um erro congênito parecido com defeito mental e físico, passando a ser vista comouma doença orgânica nos anos 60. Hoje existe uma forte suspeita de que o autismo seja uma doença genética, com quadros diagnósticos e característicos que comprometem três domínios de desenvolvimento humano: a comunicação, a socialização e a imaginação. O autista demonstra desvios qualitativos de imaginação, por exemplo, uma criança dita normal passa horas observando e explorando a textura de um brinquedo, o autista que tem sua inteligência preservada fixa-se em determinados assuntos que não são interessantes para crianças da sua idade. 1.3 – Educação Física Inclusiva A educação física passou por diferentes mudanças e como disciplina curricular não deve ficar neutra frente ao movimento da Educação Inclusiva. Esse tema tem sido tratado em nosso país com insuficiência, talvez pelo fato de não ser considerada como uma disciplina essencial no processo de inclusão. A educação física inclusiva é uma área que necessita de uma melhor qualificação profissional. Várias são as razões pelas quais tornam a educação física importante para que ocorra a inclusão e uma delas é que os conteúdos ministrados não são tão rígidos como nas outras disciplinas. O professor de educação física tem uma certa liberdade de planejamento das aulas fazendo com que seus alunos aprendam com entusiasmo, assim os conteúdos são ministrados com uma maior facilidade. Ao observar as práticas pedagógicas na educação física, nota-se em sua grade curricular a evolução dessa área, mas mesmo com a disciplina de educação física para pessoas com deficiência fazendo parte do currículo universitário, ainda existe um déficit por ser pouco conteúdo. A formação do profissional de educação física é de fundamental Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 importância para sua atuação. Sabemos que o conhecimento adquirido na educação física deve ser um conhecimento prático e científico baseado em três dimensões, atitudinal, conceitual e procedimental, o professor deve ser capaz de se autoanalisar. A mudança da matriz curricular resultaria em uma grande melhoria na atuação profissional, pois teria um apoio maior para que assim possa levar o aluno com deficiência a desenvolver suas capacidades motoras, vale ressaltar que todos somos capazes de apreender desde que seja bem estimulado e tenha um bom mediador . Assim, depois de passar pela formação e ter adquirido experiências práticas e teóricas, estará apto a preparar suas aulas para atender melhor suas necessidades e respeitar suas individualidades. Os professores devem possuir saberes que devem ser adquiridos na universidade. A educação física inclusiva tem como objetivo dar um auxilio no desenvolvimento de cada aluno mostrando que é de fundamental importância para a inclusão não só nas aulas, mas na sociedade também e já é defendida pela Constituição Brasileira (Brasil, 1988) e pala LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil,1996) e mesmo assim, após 20 anos de divulgação desta Lei ainda é constatado o despreparo dos professores para trabalhar com crianças com qualquer tipo de deficiência. E para que isso se torne possível, é se faz necessário que o professor compreenda as desigualdades de cada indivíduo não exaltando suas diferenças e sim estimulando suas potencialidades. Mesmo sabendo que é preciso respeitar as diferenças e os limites de cada aluno, ainda existe um grande receio para atuar na área da inclusão. Podemos dizer que a atuação do professor para trabalhar a inclusão depende única e exclusivamente de seu próprio interesse. 2. METODOLOGIA 2.1 – Planejamento Esta pesquisa é de natureza qualitativa realizada no período de maio a novembro de 2016 nas escolas públicas do Conjunto Nova Metrópole, bairro situado em Caucaia. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Foi solicitado uma autorização da direção das escolas deste bairro (apêndice 1) , os participantes da pesquisa assinaram o TCLE – Termo de Consentimento Livre Esclarecido (apêndice 2) e este trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (apêndice 3). 2.2 – Local de Estudo Com exceção da área de Fortaleza o bairro Nova Metrópole, em Caucaia, é o mais populoso do Estado, onde 22.941 pessoas dividem espaços de moradia com quatro escolas municipais, três escolas estaduais, duas unidades básicas de saúde, uma creche municipal e três apertadas praças. É mais gente vivendo num só bairro do que o total da população de cidades como Assaré (22.445 pessoas) e Forquilha (21.789). 2.3 – População ou Amostra A pesquisa foi constituída pelos 10 professores de Educação Física das escolas públicas do bairro Nova Metrópole, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. 2.4 – Instrumentos e Procedimentos Foi desenvolvido, baseado em (MANTOAN,2011) e (FAVORETTO;LAMÔNICA,2014), um questionário de 10 perguntas e respostas para avaliar o conhecimento dos professores de Educação Física das escolas públicas do Nova Metrópole para trabalhar com crianças que tenham TEA. Para a seção 'Metodologia' recomendamos que seja concisa, clara, de modo que o leitor entenda e possa reproduzir os procedimentos utilizados. As 'Tabelas' e 'Figuras' devem conter as referências descriminando-as e fonte. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram realizadas entrevistas com os professores de Educação Física das escolas públicas do bairro, sobre o conhecimento do Transtorno do Espectro Autista – TEA. Apenas 2 professores não quiseram participar da pesquisa. O quadro abaixo mostra o resultado obtido através dessa entrevista, onde os professores deveriam informar se tinham algum conhecimento sobre o TEA, suas Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 características, trabalhos no dia-a-dia, maiores dificuldades e atividades desenvolvidas com esses escolares. Quadro 1, questão 3 – Você tem algum conhecimento (literário ou capacitação) sobre o Transtorno do Espectro Autista? Professor 1 “Conhecimento mínimo. Que são pessoas tímidas, com baixa estima e dificuldade em socializar.” Professor 2 “Não.” Professor 3 NÃO RESPONDEU Professor 4 “Sim. Como é classificado os 3 graus: autismo leve, autismo moderado e severo. Suas dificuldades de interação e padrões de comportamento.” Professor 5 “Infelizmente não tenho.” Professor 6 “Apenas literário, o conceito.” Professor 7 “Níveis, comportamento.” Professor 8 “Sim. Vygotsky, estudado durante a disciplina de Educação Física para pessoas com deficiência.” Professor 9 “Não.” Professor 10 “Sim, Vygotsky.” Quadro 2, questão 4 – Marque somente o que você acredita ser característica de autismo. Professor 1 “Isolamento, falta de comunicação, falta de contato visual.” Professor 2 “Isolamento.” Professor 3 “Isolamento, falta de comunicação, apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons.” Professor 4 “Isolamento, falta de comunicação, falta de contato visual, preocupação exagerada com coisas insignificantes. (Só se ele for classificado moderado ou severo), não demonstra medo do perigo (dependendo do grau), apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 aversão a certos sons.” Professor 5 “Isolamento, falta de contato visual, apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons.” Professor 6 “Isolamento, falta de contato visual.” Professor 7 “Isolamento, falta de comunicação, falta de contato visual, olhos amendoados, língua grossa.” Professor8 “Isolamento, falta de comunicação, falta de contato visual, preocupação exagerada com coisas insignificantes, não demonstra medo do perigo, apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons.” Professor 9 “Isolamento, falta de comunicação, não demonstra medo do perigo.” Professor 10 “Isolamento, falta de comunicação, falta de contato visual, não demonstra medo do perigo, apresentam hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons.” Quadro 3, questão 5 – Como você trabalha no dia-a-dia com crianças com TEA? Professor 1 “No momento não tenho alunos diagnosticados com TEA.” Professor 2 “Esse ano não tenho crianças com TEA na turma.” Professor 3 NÃO RESPONDEU Professor 4 “Em sala procuro ter uma rotina, utilizo de recursos visuais e pedagógicos, para adquirir confiança e aproximação.” Professor 5 “Já trabalhei, mas agora não tenho criança com TEA na turma.” Professor 6 “Trabalho normalmente.” Professor 7 “Não tenho no momento, mas pode-se trabalhar socialização, conhecimento do novo, educativos motivacionais.” Professor 8 “Tentando ganhar sua confiança.” Professor 9 “Procurando incluí-lo em todas as atividades.” Professor 10 “Não.” Quadro 4, questão 7 – Quais as suas maiores dificuldades em trabalhar com crianças com TEA? Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Professor 1 “Falta de experiência e embasamento teórico.” Professor 2 “Minha maior dificuldade é em lidar com eles e incluí-los.” Professor 3 NÃO RESPONDEU Professor 4 “Depende muito de como esses alunos são tratados no seio de suas famílias. Isto reflete em suas ações em todos os ambientes, principalmente escolar (severidade, falta de limites e rotina).” Professor 5 “Falta de informação.” Professor 6 “Queria ter uma maior capacidade e ser bem preparada para lidar com as situações.” Professor 7 “Pouco tempo, aceitação dos pais.” Professor 8 “Falta de material e conseguir dar atenção a todos os alunos e ainda ao aluno com TEA.” Professor 9 “O tempo. Porque alem dele, tenho a turma inteira para me responsabilizar, e transmitir o conteúdo da aula.” Professor 10 “Em ganhar sua confiança.” Quadro 5, questão 8 – Descreva algumas atividades práticas desenvolvidas com as crianças com TEA. Professor 1 “Dinâmicas e atividades coletivas.” Professor 2 NÃO RESPONDEU Professor 3 NÃO RESPONDEU Professor 4 “Atividades de aproximação (futebol, exercícios práticos), trabalhando comunicação (apresentação, dinâmicas).” Professor 5 “Não tenho conhecimento.” Professor 6 “São as mesmas que as crianças ditas normais, ou seja, sem autismo.” Professor 7 “Caça ao tesouro na piscina, corrida no tapete na piscina, pólo aquático adaptado.” Professor 8 “Geralmente utilizo as mesmas atividades. Com meus alunos com TEA, procuro perceber e investir naquilo que eles demonstram interesse.” Professor 9 “Circuito com saltos, corridas e noções de lateralidade, atividades rítmicas, cooperativas e até mesmo competitivas.” Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Professor 10 “As atividades são as mesmas, porém o que vai mudar é o grau de dificuldade.” 4 – DISCUSSÃO O professor e a escola têm um papel fundamental no desenvolvimento educacional de seus escolares, com os alunos com TEA não é diferente, pois de acordo com a Constituição Federal de 1988 um dos objetivos fundamentais é: “Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art3º, inciso IV). O artigo 205 diz que: A educação é um direito de todos, que garante o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.” Para essa discussão foram comparadas as respostas das principais perguntas que respondem aos objetivos de forma direta. O professor 1 diz que “são pessoas tímidas com baixa estima e dificuldade de relacionamento” As pessoas com TEA, não são tímidas e não tem baixa estima seu “isolamento” é característico, pois só aproximam-se de quem eles confiam, o Asperger por exemplo, que se pode dizer que é o grau leve do autismo, não tem baixa estima e é considerada um gênio no que lhe interessa, pois possui habilidade em algum aspecto e desenvolve muito bem, se for estimulado e bem assistido. Existem algumas personalidades com essa síndrome, como por exemplo o jogador argentino Lionel Messi, o físico Albert Einstain, Bill Gates. E celebridades como Marcos Mion, Jô Soares, John Travolta e Sylvester Stallone não tem o transtorno, mas tiveram que aprender sobre e conviver com ele, pois tiveram filhos com TEA. (Diário do Centro do Mundo, 2013) Sobre as características do autismo, somente os professores 4 e 8, marcaram todas as alternativas corretamente que são o isolamento, falta de comunicação, a falta de contato visual, a preocupação exagerada com coisas insignificantes e hipersensibilidade auditiva manifestando assim aversão a certos sons. (Entendendo o Autismo, 2013) Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Só os professores 4, 6, 7, 8 e 9 comentaram como é que trabalham com esses alunos no seu dia-a-dia. Os professores 1, 2, 5 e 10 estão sem alunos com TEA na turma e não comentaram sobre alunos anteriores. E o professor 3, nem respondeu. Duarte (2003) em sua pesquisa diz que, as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física devem ofertar um atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais respeitando suas diferenças, proporcionando assim um bom desenvolvimento global para esses escolares. Alguns professores revelaram sentir uma maior dificuldade em conquistar a confiança do aluno, que é de fundamental importância no processo de inclusão. Se o aluno com TEA não passar a confiar no professor, será mais difícil incluí-lo nas atividades de educação física, pois as crianças quando se sentem confiantes tem uma aceitação melhor quando algo dá errado além de não sentir medo do novo ou inesperado.(http://apoioautista.blueserver.com.br/) O professor de Educação Física precisa ter um tempo disponível para preparar aulas que o aluno com TEA também participe, deve desenvolver atividades explorando o que a criança gosta acrescentando aos poucos de acordo com a adaptação da criança. (MARQUEZE; MAVAZZI, 2011) Além de tempo, o professor de educação física precisa principalmente do apoio dos pais, pois esses alunos precisam de uma rotina, se houver uma quebra dessa rotina a criança autista pode apresentar agressividade. Se seus pais os tratam como coitadinhos que precisam de uma super proteção, eles poderão ficar mimados achando que podem adquirir algo no grito. Esses alunos devem ter em casa, rotina semelhante a da escola. (MARQUEZE; MAVAZZI, 2011) Para que aconteça a inclusão de fato, o professor precisa conhecer a deficiência e individualidades de cada aluno, precisa deixar a turma ciente do transtorno e das dificuldades que o colega apresenta para que possam fazer parte desse processo de inclusão. Segundo Tomé (2007) as atividades que os autistas mais se identificam são natação, corridas, atividades rítmicas e expressivas, bicicleta ergométrica, ginástica, musculação, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 circuito. Tanto os alunos com TEA como os ditos normais, podem participar e assimilar o conteúdo da aula. É importante também, observar para perceber e estimular o aluno com TEA naquilo que ele demonstra ter uma habilidade maior. 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de tudoque foi exposto pelos professores de Educação Física em relação ao seu conhecimento sobre o TEA, foi verificado que é necessário que haja uma formação teórico-prática mais sólida durante a graduação pois os professores devem ter conhecimento para que possa ser um bom mediador e ajude seu aluno a desenvolver suas habilidades. É notório que nesta pequena amostragem, poucos professores possuem um conhecimento mínimo sobre o Transtorno do Espectro Autista e outros nem isso. A necessidade da inclusão está aí, não dá mais pra ficar de braços cruzados dizendo que não está preparado para receber esses alunos, todo profissional deve atualizar-se para responder as necessidades do mercado. De acordo com os relatos que foram apresentados pelos professores, alguns mostraram interesse em se capacitar para que possam atuar de maneira assertiva com seus alunos e uma boa opção de melhoria do conhecimento, está no ensino a distância, para aqueles que não disponibilizam muito tempo. Foi verificado que os professores de Educação Física estão chegando ao mercado de trabalho sem um mínimo de conhecimento sobre o TEA, por isso é muito importante e urgente, a formação continuada dos professores de Educação Física, sabendo que a inclusão necessita não somente da presença da criança com TEA na sala de aula, mas de uma educação que respeite suas peculiaridades e diferenças, assegurando a todos o direito de aprender para que possam ter uma vida digna. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Apoio Autista: http://apoioautista.blueserver.com.br Associação Psiquiátrica Americana (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 2013. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 BEZERRA, Tiago Lopes. Educação Inclusiva e Autismo: A Educação Física Como Possibilidade Educacional. 2011. UEPB – Universidade Estadual da Paraíba. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 DIREITO E FAMÍLIA – CONCEPÇÕES FAMILIARES E INCLUSÃO EDUCACIOCAL Antonio Vatemberge Pereira da Silva 25 Renê Costa Macedo 26 Francisco José Mendes Vasconcelos 27 RESUMO O motivo da pesquisa repousou diante do surgimento dos novos arranjos familiares, e de como, por consequente a escola e a família influem nas novas modalidades de núcleos familiares, portanto, os núcleos familiares surgem como necessidade de reconhecimento estatal e social para se consolidar no meio social, o que outrora já existia sob penas, o que não fosse possível manter-se sob sigilo às autoridades e sociedades. Logo, o objetivo deste trabalho perpassa também os parâmetros escolares e familiar com vistas na compreensão dos fatores metamórficos que ensejaram os novos núcleos familiares. Foi-se utilizado como referências documentos e bibliografias, assim, a pesquisa tem sua natureza qualitativa. A escola por seu turno, exerce funções concomitantemente com a família, entre outras, de sociabilizar o sujeito, é ainda, local no qual o indivíduo convive com as diferenças, para ser polo passivo do ensino-aprendizagem. Descobriu-se com a pesquisa que a afetividade passou a ser então, a fator que une o homo sapiens com seus semelhantes e também, a essência dos arranjos familiares. Diante da necessidade social que clamava tacitamente por aceitação e reconhecimento perante a mesma sociedade e a soberania estatal, o Estado então (in caso Brasil) passou a tutelar os novos arquétipos familiares com uma interpretação extensiva dos princípios legais, assim, as necessidades sociais foram resguardadas e se perduram e consolidam atualmente na sociedade pós- moderna. PALAVRAS-CHAVE: Arranjos familiares; Reconhecimento; Garantia; Princípios. INTRODUÇÃO Família e Escola, microssistemas sociais e individuais, comungam de funções socioculturais, políticas e educacionais comuns, pois colaboram e influenciam o desenvolvimento humano em todas as suas etapas (REGO, 2003). Tanto a família como a escola são causadores e motivadores do conhecimento, da cultura, e do afeto; todos sistemicamente organizados, que causam profundas mudanças no funcionamento psicológico, à medida que elas respondem e correspondem a cada ambiente. Daí, porque ambas aparecem como importantes instituições sociais que provocam o desenvolvimento humano sob os mais diversos aspectos; às vezes, impulsiona, e outras vezes, inibi o crescimento social, físico, emocional e intelectual do indivíduo. No ambiente escolar com seus currículos escolares programados tenta-se assegurar a aprendizagem e apreensão de conhecimento, restringe-se suas preocupações ao processo ensino- 25 UNICATÓLICA. Email: Antonio.vatemberge@gmail.com 26 UNICATÓLICA. Email: renecosta1998@gmail.com 27 UNICATÓLICA. Email: fjmvasco@hotmail.com 147 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 aprendizagem. No caso do ambiente familiar, os fins, métodos e valores se diferem, pois promovem a socialização de seus membros, sua proteção, sua sobrevivência e o desenvolvimento no plano social, cognitivo-empírico e afetivo. Genericamente, objetiva-se com este trabalho uma discussão sobre o papel da escola na formação do indivíduo, e como tal, demonstrar a importânciada participação familiar no acompanhamento escolar de seus membros no desempenho de seu processo de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo. Ora, se na atualidade se visa uma educação integral, inserida no contexto cultural e social, implica assim em dizer que num processo de ensino-aprendizagem deva se considerar o indivíduo nas suas diversas dimensões. Após um texto introdutório onde consta a justificativa, problemática, objetivos, metodologia e apresentação resumida do trabalho, acompanha segunda parte deste trabalho onde está reservado a um estudo histórico- evolutivo sócio-jurídico da família através dos tempos até nossos dias com a apresentação de seus novos modelos familiares e função socializadora de seus membros. Trata-se nesta seção a família, de sua evolução na história, seus diversos aspectos jurídicos e de seu espaço como instrumento socializador, denotando através do tempo, aspectos correlacionados aos arranjos familiares, à rede social de apoio e aos vínculos familiares e suas implicações no desenvolvimento humano. METODOLOGIA Sob parâmetros metodológicos, a pesquisa é de cunho qualitativo, caracteriza-se pela pesquisa bibliográfica e documental, cuja função é explorar as perspectivas dos doutrinadores e tribunais nacionais a respeito dos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais que regulam e delimitam as teses da violenta emoção e da legítima defesa da honra. RESULTADOS E DISCUSSÃO 1. FAMÍLIA: UM CONTEXTO DE EVOLUÇÃO HUMANA Há uma verdadeira divisão de funções na relação família-escola, haja vista que ambas são influenciadoras e contribuintes na formação do ser humano, seja essa social, educacional, jurídica, política, entre outras. São, portanto, fornecedoras de conhecimentos, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 cultura, o que, consequentemente, origina uma série de mudanças no funcionamento psicológico de cada um de nós, respeitando as perspectivas ambientais de cada situação (REGO, 2003): Na escola, os conteúdos curriculares asseguram a instrução e apreensão de conhecimentos, havendo uma preocupação central com o processo ensino aprendizagem. Já, na família, os objetivos, conteúdos e métodos se diferenciam, fomentando o processo de socialização, a proteção, as condições básicas de sobrevivência e o desenvolvimento de seus membros no plano social, cognitivo e afetivo. Com isso, escola e família são fundamentais para provocar um desencadeamento do processo de evolução humana. Para se fazer um exame mais aprofundado sobre o instituto da família requer, imprescindivelmente, uma viagem no tempo, adentrar-se no processo histórico, uma vez que esse seguimento é indissolúvel do conceito de sociedade, na mais pura formação de um povo. Tal evolução sobre família também suplica de noções sociológicas e jurídicas, pela formação do próprio Estado, como bem leciona Dantas (1992, p. 03): [...] um estudo do direito de família deve começar por algumas noções de caráter sociológico, pois neste ramo do direito civil, sente-se o quanto as normas jurídicas são moldadas e determinadas pelos conteúdos sociais. Verifica-se, portanto, o tamanho da importância da dimensão histórica e cultural da família que se retrata pela evolução de um povo. Fica percebido que a família mostra- se, ao longo do tempo, um ambiente propício para a satisfação das necessidades do ser humano, possibilitando no desenvolvimento de seus valores e sua personalidade, o ambientando no conceito da dignificação humana, no qual se busca a felicidade e o próprio bem comum. Enorme era, portanto, a influência do estado familiar para a formação social nesse período Tradicionalmente, observando na formação da família – que Cícero denominou-se seminarium reipuplicae, obtém-se que “onde e quando a família se mostrou forte, aí floresceu o Estado; onde e quando se revelou frágil, aí começou a decadência geral”. (MONTEIRO apud MALUF, 2010, p. 11). O termo ‘família’ advém do latim famílias, que originariamente é derivado do termo famulus, que quer dizer criado, servo. Na época, família poderia ter o significado de “local no qual o pater dominava”, acolhendo sua mulher, prole e patrimônio, abarcando não apenas os bens, como também os servos e escravos . Nos primórdios da humanidade, se a base fosse os padrões de hoje, os grupos sociais da época não seriam considerados família. O instituto sexual predominava como a razão da Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 união. Não tinha importância se referida união seria perene ou temporária; a monogamia não era a regra (MALUF, 2010). [...] primeira e principal forma de agrupamento humano, a família preexiste à própria organização jurídica da vida em sociedade, por isso lhe dá origem, sendo considerada à célula mater de uma nação. Sua formação decorre, primordialmente, das regras do direito natural, até mesmo pelo fenômeno institivo da preservação e perpetuação da espécie humana (EUCLIDES OLIVEIRA, 2003, p. 23). Com o surgimento dos filhos em grande quantidade e com a aquisição do conhecimento, aquela estrutura social não orgânica passa a se organizar, com o fim de proteger os seus membros. Surge, daí, o primeiro grupo social firmado em termos de coesão, inicialmente a religião, a qual todos os membros pertenciam. Alguns autores veem nessa concepção de família uma natureza muito mais religiosa do que fincada na afetividade . Dessa forma, a família na antiguidade se distinguia por ser um organismo grupal, doméstico, sob o imperium do homem – o pater – fortalecido pela ordem religiosa. Por outro lado, a família medieval nasce sob a influência jurídica do direito romanístico, canônico e bárbaro. No primeiro, Roma ainda regia os povos que estavam sob seu domínio. No segundo, havia a força da igreja católica que crescia exponencialmente à época, por fim, no terceiro, tinha em vista a escalada conquistadora dos povos bárbaros no fim da idade antiga para o início da medievalidade (DANTAS, 1991). O direito canônico influenciou mais a estrutura familiar na idade média do que outros sistemas jurídicos. O direito canônico durante a idade média foi absoluto e segundo este direito o único casamento reconhecido é o casamento religioso, que era considerado um sacramento, que para ser celebrado deveria ter o consentimento das partes. Sendo que com o passar dos tempos à igreja começou a estabelecer impedimento como o “consenso dos nubentes e as relações sexuais voluntárias”. (WALD. 1990, p. 26). No campo jurídico, para o direito canônico, o instituto da família era um dos mais importantes para a igreja, visto que sob o olhar desse ramo de direito a família passa a ser do homem, o qual deixa a família de origem vindo a unir-se com uma mulher, formando, assim, uma nova família, cujo o objetivo precípuo era o de gerar uma prole-procriação (GAMA, 2001). San Tiago Dantas (1991, p. 45) ensina que “por causa do casamento, o homem deixara pai e mãe e se unirá à mulher, e serão dois em sua só carne. Portanto, aquilo que deus uniu o homem não separa”. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Nota-se, portanto, a grande influência do Cristianismo na formação da estrutura familiar na época medieval. O casamento naquela época passou a ser um sacramento, e com tal era regido por “Deus” (caráter divino), e sua consumação dar-se-ia pela conjunção carnal, devendo se respeitados alguns requisitos confirmatórios, como o consentimento dos nubentes e a benção dos nubentes, por exemplo. Pode-se, ainda, afirmar que devido à realidade social vivida naquela época,passou-se a admitir o divórcio, e, conforme doutrina canônica, apenas no caso de adultério (MALUF, 2012). Na Contemporaneidade, o caráter individualista do século XIX intermediou o surgimento de vários outros tipos de arranjos familiares. A família monoparental, a família nuclear, todas decorridas dos divórcios, aparecem e passam, concomitantemente, a coexistirem na sociedade com os outros já conhecidos modos de família. Ocorreu uma verdadeira transformação no conceito da família na contemporaneidade, em especial a partir do século XX. Muitos foram os fatores que contribuíram para a transformação da família na contemporaneidade: o divórcio, a igualdade entre homens e mulheres, entre outros. Essa alteração é constante e contínua, alcançando todas as dimensões, inclusive, nas relações familiares em que a equidade, no papel de seus membros, tem como base a afetividade e a valoração de todos, resguardando- se, como refúgio, das pressões sociais (HIRONAKA, 2007, p. 12-14). O século XX funcionou como ácido, fazendo desmoronar, ou pelo menos apagar, os princípios de sentido e valor que formavam quadros tradicionais da vida humana (FERRY apud MALUF, 2012, p. 37). Assim sendo, o novo conceito de família se caracteriza pela sua dimensão liberal, individualista, e que a lei, impotente para abarcar todas lides advinda de suas relações, regula com normas flexíveis por imposição da própria sociedade (MALUF, 2012, p. 41). Dessa maneira, tem-se um modelo familiar mais pluralista, vanguardista, democrática, humanizada, fundamentada na afetividade e que busca a valorização de seus membros e o respeito à dignidade humana. 2. CONCEPÇÃO DE FAMÍLIA SEGUNDO A CONTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O significado de família vem ganhando um novo sentido nos dias atuais, e a doutrina muito tem contribuído para isso. Os laços consanguíneos ou de afinidade não são mais suficientes para que dê à família este título, mas o vínculo trazido pela afetividade é que se torna fundamental para que as família surjam e se desenvolvam no seio da sociedade moderna. Os exemplos da adoção e da família multiparentais mostram-se que o novo entendimento do que seja família passa para além da genética. A respeito disso, Faria e Rosenvald comentam: Os novos valores que inspiram a sociedade contemporânea sobrepujam e rompem, definitivamente, com a concepção tradicional de família. A arquitetura da sociedade moderna impõe um modelo familiar descentralizado, democrático, igualitário e desmatrimonializado. O escopo precípuo da família passa a ser solidariedade social e demais condições necessárias ao aperfeiçoamento e progresso humano, regido o núcleo familiar pelo afeto, como mola propulsora. (FARIAS; ROSENVALD, 2013, p. 40-41) Consoante à Constituição Federal, art. 226, §§1º ao 4º, a família é a base da sociedade e tem especial proteção do Estado. A partir dos preceitos constitucionais, a família deriva dos institutos do casamento e religioso com o efeito civil, união estável e entidade monoparental: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. §1º. O casamento é civil e gratuita a celebração. §2º. O casamento religioso tem efeito civil, nos termo da lei. §3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento. §4º. Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seis descendentes. A doutrina elenca diversas acepções e organizações de família. Nesse sentido, Farias e Rosenvald (2013, p. 39) conceitual: “a família é fenômeno humano em que se funda a sociedade, [...] marcada por relações complexas, plurais, abertas, multifacetárias e (por que não?) globalizadas”. Na Constituição Federal de 1988, a família passa a ser um mecanismo de desenvolvimento humano em decorrência dos preceitos defendidos nos princípios constitucionais da dignidade humana, da solidariedade social, da igualdade substancial, o que, necessariamente, tornou a família muito protegida pela CF/1988, tendo como destinatários os próprios cidadãos. Conforme ressalta os autos Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald (2013, p. 47): Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A proteção ao núcleo familiar tem como ponto de partida e de chegada a tutela da própria pessoa humana, sendo descabida (e inconstitucional!) toda e qualquer forma de violação da dignidade do homem, sob o pretexto de garantir proteção à família. Superam-se, em caráter definitivo, os lastimáveis argumentos históricos de que a tutela da lei se justifica pelo interesse da família como se houvesse uma proteção para o núcleo familiar em si mesmo. O espaço da família, na ordem jurídica, se justifica como um núcleo privilegiado para o desenvolvimento da pessoa humana Os princípios constitucionais que norteadores da família estão centralizados nos princípios da dignidade humana e da solidariedade familiar. O primeiro é exigido em todos os diplomas internacionais relacionados à família e cumpre-se positivado em quase todas as cartas constitucionais existente no globo. Certo é que a dignidade humana deve ser amplamente efetivada no ambiente familiar para se consubstanciar de forma plena. O respeito ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana somente será pleno e efetivo quando observado também no seio das relações de família. Sob o influxo do princípio da dignidade humana, epicentro normativo do sistema de direitos e garantias fundamentais, pode-se afirmar que a Constituição Federal consagrou um sistema aberto de família para admitir, ainda que não expressos, outros núcleos ou arranjos familiares para além daqueles constitucionalmente fixados (GAGLIANO, 2014). O segundo princípio, solidariedade familiar, se baseia na afetividade como fundamento maior da entidade familiar, associada à publicidade e a estabilidade do relacionamento do casal, seja ele homoafetivo ou heteroafetivo, conjecturar-se-á uma família. Com isso, a hermenêutica jurídica que prevalece quanto a esse princípio constitucional é que inexistem proibições de união estável homoafetivas, configurando um novo modelo de família, que se transborda pelos quatros cantos do globo. 3. MODELOS DE FAMÍLIA O direito moderno tem-se destinado ao estudo de alguns arranjos familiares no intuito de identificá-los no meio social. Deve lembrar que o elenco abaixo não a existência de outros modelos de família ou o nascimento de novos arranjos. Tem-se: a família matrimonial, família por união estável, família homoafetiva, família monoparental, família parental, família paralela, família poliafetiva e família unipessoal. A família matrimonial é aquela formada pelo casamento, portanto é a denominada família por excelência, pois se trata originariamente de ajuntamento conjugal, tal qual, parental, formado de marido, esposa e filhos. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O desuso consuetudinário, a implantação do instituto do divórcio e a necessária evolução da sociedade e da família diminuiu a principalidade do matrimonio como instituidor e criador de família (VIANA, 2000). Na atualidade, a própria Carta Magna reconhece outros arranjos familiares, revestindo-os de legitimidade, até mesmo, porque hoje – “depois da revolução francesa, do movimento feminista e da revolução sexual, as pessoas têm buscado a felicidade acima de tudo, e fugido das formas de controle tradicionais, sejam impostas pela religiãoou pelo Estado” (DONIZETE; QUINTELA, 2014). A família por união estável caracteriza-se pela junção de duas pessoas, homem e mulher, que decidem por conviverem unidas sem interferência do Estado por meio do casamento. Aliás, denota-se, na atualidade, uma tolerância legisferante em submeter a união estável ao crivo normativo, presença legislativa esta merecedora de discussão jurídica. A família homoafetiva, assim denominada, pelo fato de constituir-se pela união de pessoas do mesmo sexo, que se encontram unidas por um relacionamento conubial. A possibilidade de esta família homoafetiva transcender o âmbito conjugal, buscando uma dimensão parental requer a devida coerência jurídica. Estuda-se a questão da adoção de crianças por família homoafetivas, bem como a questão de geração de descendentes por qualquer dos cônjuges homoafetivos; direito à adoção, reconhecimento de pais ou mães do filho biológico, criação e educação, são alguns dos muitos questionamentos que serão no seu devido tempo e situação regulamentados (DONIZETE; QUINTELA, 2014). A família monoparental tem-se constituído de base parental formada unicamente por um dos pais e filho(s), por motivo de viuvez, separação do casal, divórcio ou, meramente, pelo abandono. Com o reconhecimento constitucional in litteris da família monoparental, esta se projetou mais enfaticamente no mundo jurídico; apesar de ainda carecer de regulamentação infraconstitucional. Quanto à entidade monoparental, o legislador constitucional assim a elevou à categoria de entidade familiar em vista do crescente índice de famílias assim constituídas. Após a legalização do divórcio, as famílias dele resultantes também precisavam ser amparadas legalmente. Assim, família monoparental é a entidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (art. 226, §4º da Constituição Federal), surgindo através de Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 desuniões como o divórcio, a separação judicial ou extrajudicial, a morte, e pelas pessoas solteiras que possuem filhos e não se uniram ao outro genitor (BRAIDO, 2006, p.37). A família parental, também denominada de anaparental, é aquela cujo núcleo não se consubstancia no vínculo conjugal, consolidando-se exclusivamente nos laços de parentesco. Daí poder afirmar que este tipo de família compõe-se das mais variadas formas de agrupamento: de irmãos, de irmãos e primos, de primos, de tios e sobrinhos, avós e netos, amigos, etc. No Brasil, esta modalidade familiar ainda não conquistou destaque normativo e a doutrina ainda lhe tímida. Tal situação enseja muitos questionamentos sobre a família cujo núcleo é robustecido apenas pelo afeto puro – consanguíneo (não sexual). A família paralela é muito discutida no mundo jurídico por sua conotação social. A família paralela, ou simultânea, traduz-se em família formada por “uma união conjugal matrimonial ou estável de pessoa com uma outra terceira pessoa” (DONIZETE; QUINTELA, 2014). Historicamente, o relacionamento de uma pessoa casada com uma outra, paralelamente, foi denominado de concubinato adulterino. Mas a verdade é que, também, historicamente, tem-se mostrado que os instrumentos de controle social – Religião, Moral, Direito - não conseguiram impedir as constituições das denominadas famílias paralelas. Diante de tal situação, o Direito tem quedado em criar normas e mecanismos com o intuito, não de regulamentar, mas de proteger os seres humanos envolvido neste arranjo familiar. Apesar de parecer irregular, todos aqueles envolvidos numa família simultânea são seres humanos e devem ser tratados com a dignidade que merecem. Se não, vaja-se a lição de Donizete e Quintela, (2014, p. 903): Na verdade, nada que o direito possa fazer conseguirá impedir a formação de famílias paralelas, que sempre existiram e sempre existirão em qualquer comunidade humana. [...] deve haver uma forma de proteção da convivente e de eventuais filhos, todos dependentes financeiramente do homem, cãs este venha a falecer, ou se a relação conjugal se extinguir. A família poliafetiva, também conhecida como poliamorismo, fundada principalmente na afetividade (princípio), a família poliafetiva faz-se, neste ponto, semelhante às outras forma de família, como a monoparental, anaparental, mosaico e a união estável, seja de casais heterossexuais ou homossexuais. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Pablo Stolze Gagliano (2013, texto virtual), em sua obra civilista, define a poliafetividade: O poliamorismo ou poliamor, teoria psicológica que começa a descortinar-se para o Direito, admite a possibilidade de coexistirem duas ou mais relações afetivas paralelas, em que os seus partícipes conhecem e aceitam uns aos outros, em uma relação múltipla e aberta. Os pensamentos dos doutrinadores são discrepantes, discordantes acerca desse novo arranjo familiar, principalmente quando se trata de suas consequências jurídicas. Para alguns, numa locução de extremismo, chega a classificar tal situação familiar de estelionato jurídico. No entanto, por um outro lado, defende-se que todas estas formas familiares atuais que possuem seu fundamento agregador no princípio da afetividade, encontra um suporte protetivo nos princípios jurídicos da dignidade humana, da liberdade, da igualdade e o da pluralidade das entidades familiares. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal fez-se basilar estes princípios na concessão às uniões homoafetivas de estado familiar. Não se pode discriminar, castrar direitos fundamentais, ou a vontade dos indivíduos; sem que, de alguma forma, cometa-se o preconceito. Enfim, a definição de família, na sociedade atual, não pode mais se basear no patamar do que é estático; e, sim, na dinamicidade das necessidades humanas, que está sempre a pedir modificações na própria sociedade (SÁ, 2014, p.152). CONCLUSÃO Os diversos arquétipos familiares existentes na sociedade pós-moderna, são resultados de uma série de transformações histórico-evolutivas na sociedade. Transformações que perpassaram pelas influências das primas civilizações, e entidades religiosas; estes fatores histórico-sociais deixaram marcas nas mudanças tecnológicas e, ideológicas das pessoas. Portanto, tais fatores intervieram nas formas de convívio, o que gradativamente tornou flexíveis os relacionamentos. Como resultado dessas equações, repercute nas sociedades atuais a afetividade como um referencial das relações familiares. A sociedade então fora adaptando-se, logo, o gênero de família que antes era tradicional, e consequentemente, o aceitável com exclusividade, atualmente, deixou de ser o modo padrão familiar, tornando-se espécie. Na família tradicional a figura do pater foi limitada comparada aos direitos que outrora exercia, e a mulher ganhou novos espaços. Em Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 suma, com interpretação extensiva dos princípios constitucionais, os novos estereótipos ganharam tutela jurídico-estatal. Assim, efetiva-se essas (novas) relações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAIDO, Ingrid Maria Bertolino. Família monoparental e seus filhos – como o direito pode agir para dar condição de vida digna a essas crianças. Dissertação de mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em direito da Faculdade “Júlio de Mesquita Filho”, FRANCA, 2006 DANTAS, San Tiago. Direito de Família e das Sucessões. Rio de Janeiro: Forense, 1991. DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 6ª ed. São Paulo: Revista dos tribunais, 2010. DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias / Maria Berenice Dias– 10. ed ver, atual e ampl. – São Paulo: Editora revista dos tribunais, 2015. DINIZ, M. H. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 MALUF, A. C. do R. F. D. Novas modalidades de família na pós-modernidade. São Paulo: Atlas, 2010a MONTEIRO, Washington de Barros; SILVA, Regina Beatriz Tavares da. Curso de Direito Civil. V.2, 39ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. OLIVEIRA, Euclides B. União Estável: Do concubinato ao casamento. SãoPaulo: Editora Revista dos Tribunais. 2003. REGO, T. C. (2003). Memórias de escola: Cultura escolar e constituição de singularidades. Petrópolis, RJ: Vozes. SÁ, Camila Franchi de Souza; VIECILI, Mariza. As Novas Famílias: Relações Poliafetivas. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 137-156, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044. VIANA, Rui Geraldo Camargo. A família. In: VIANA, Rui Geraldo Camargo; NERY, Rosa Maria de Andrade. 2000. WALD, Arnoldo. O novo direito de família. 15. ed.rev.atual.e ampl. Pelo autor, de acordo com a jurisprudência e com o novo Código Civil. (Lei n. 10.406, de 10-1-2002), com a colaboração da Prof.Priscila M. P. Corrêa da Fonseca. – São Paulo: Saraiva, 2004. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O USO DO SEMINÁRIO COMO PROCEDIMENTO AVALIATIVO NA AULA UNIVERSITÁRIA DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE UMA INSTITUIÇÃO PRIVADA DE FORTALEZA/CE Aline Silvestre Mendes 28 RESUMO O artigo apresenta discussões e resultados obtidos por meio de pesquisa qualitativa desenvolvida junto a uma Instituição Privada de Ensino Superior da cidade de Fortaleza/CE. A investigação voltou-se para o seminário como procedimento avaliativo. Os dados empíricos foram obtidos através de questionário e entrevista semi- estruturada. A pesquisa de campo foi desenvolvida no mês de maio de 2016, envolvendo 4 estudantes do curso de licenciatura em Educação Física. É importante destacar como ponto comum entre os dados coletado: a prática do seminário é de extrema importância, desde que bem organizada e orientada, favorece a formação de futuros profissionais e a apropriação crítica dos conteúdos. PALAVRAS-CHAVE: Seminário; Procedimento; Aula. INTRODUÇÃO A avaliação é uma ação presente na prática pedagógica de qualquer docente. Dessa forma, torna-se fundamental que debates a cerca dessa temática sejam feitos. A nível universitário, a avaliação, deve ser concebida como mecanismo que possa coadjuvar para a construção do conhecimento. Portanto, é factível que a avaliação concebida pelos professores possa desempenhar seu papel elementar, que é o de facilitador na promoção da aprendizagem. Desde os tempos primitivos, em algumas tribos, os jovens só passavam a serem considerados adultos após terem sido aprovados em uma prova referente aos seus costumes (SOEIRA e AVELINE, 1982). Outra forma de avaliação era realizada através de exercícios orais utilizadas pelas universidades medievais e mais tarde pelos jesuítas. A avaliação começa a assumir uma forma mais organizada apenas em época posterior ao século XVII; nesta época devido a utilização de exames como forma de avaliação, esta ficou associada à ideia de exames, notação e controle, constituindo dessa forma a área de estudos chamada docimologia. 28 UVA E mail: alinesilvstremendesidj@hotmail.com 159 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A imposição para se avaliar sempre fará presente. Sua necessidade é relevante desde a educação básica até o ensino superior. À vista disso, pode-se afirmar que nos atuais debates sobre educação, a temática avaliação no ensino superior, tem lugar de destaque. Entretanto, constata-se que a avaliação vinculada com uma prática pedagógica transformadora reveste-se de uma precisão constante de uma atualização da práxis pedagógica. [...] o processo de avaliação que procura oferecer elementos para verificar se a aprendizagem está se realizando ou não deve conter em seu bojo uma análise não só do desempenho do aluno, mas também da atuação do professor e da adequação do plano aos objetivos propostos. (Masseto, 2012, p. 171) O discente universitário possui características de avaliações anteriores e por diversas vezes, defronta-se com modelos de avaliações aplicadas de forma autoritárias em sua formação. Observa-se no meio acadêmico uma ascendente busca dos docentes em realizar uma avaliação diferenciadas. Entretanto, é necessário ter bem claro que o processo avaliativo não consiste apenas em conferir notas a fim de decidir se o discente avança ou não em relação a seus estudos. As notas devem representar instrumentos relevantes à sondagem da aprendizagem do aluno, fornecendo assim, subsídios ao professor de forma que este venha a contemplar uma melhora na sua abordagem pedagógica e o mais conveniente método didático adequados à disciplina. Luckesi descreve sobre a avaliação da aprendizagem, [...] configura-se como um ato de investigar a qualidade da aprendizagem dos educandos, a fim de diagnosticar impasses e consequentemente, se necessário, propor soluções que viabilizem os resultados satisfatórios desejados (2011, p. 175). A avaliação é movimentada e instrutiva, seu propósito, na prática pedagógica, é dar assistência ao docente, a fim de que este, aja de maneira o mais pertinente possível, primando dessa maneira por uma aprendizagem mais efetiva do educando. Ainda conforme Luckesi, A avaliação da aprendizagem só funcionará bem se houver clareza do que se deseja (projeto político pedagógico), se houver investimento e dedicação na produção dos resultados por parte de quem realiza a ação (execução) e se a avaliação funcionar como meio de investigar e, se necessário, intervir na Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 realidade pedagógica, em busca do melhor resultado. Sem esses requisitos, a prática pedagógica permanecerá incompleta e a avaliação da aprendizagem não poderá cumprir o seu verdadeiro papel. (2011, p. 177). Ao pensar no processo de ensino e aprendizagem como procedimentos e práticas em que a avaliação é entendida como instrumento promotor de aprendizagem do aluno e do docente do ensino superior, a avaliação torna-se parte do seguimento que possibilita averiguar o resultado final da concepção de conhecimentos e habilidades significativas por parte do educando e doprofessor. Nesse sentido, Sordi afirma, Uma avaliação espelha um juízo de valor, uma dada concepção de mundo e de educação, e por isso vem impregnada de um olhar absolutamente intencional que revela quem é o educador quando interpreta os eventos da cena pedagógica (2001, p. 173). Corroborando com Sordi, Luckesi diz, A avaliação, como investigação, tem por objetivo retratar a situação. Ela traz à luz a situação e seus impasses. E partir daí, cabe ao gestor decidir o que fazer para sanar a situação do ponto de vista da melhoria dos resultados, e não simplesmente assumir, compensatoriamente, que o estudante “deve ser aprovado para não ser prejudicado. ” (2011, p. 192) Todas as ferramentas de coleta de dados para a avaliação da aprendizagem hoje existentes e utilizados nas universidades (testes, questionários, entrevistas, pesquisas bibliográficas, relatórios, seminários), em si são úteis para o exercício da prática avaliativa da aprendizagem no ensino superior. Segundo Lucksei, [...] o que devemos observar é se os instrumentos que estamos utilizando são adequados aos nossos objetivos e se apresentam as qualidades metodológicas necessárias de um instrumento satisfatório de coleta de dados para a prática da avaliação da aprendizagem. (2011, p. 305). Como argumento de avaliação que propicia incentivo à aprendizagem de diferentes competências e habilidades, faz-se, nesse trabalho, referência ao uso do seminário que possa servir como meio de construção do conhecimento dos alunos e professores, posto que no processo de ensino e aprendizagem não só o aluno deve ser avaliado, mas também o docente que deve tomar a avaliação como base para uma futura melhora de sua prática pedagógica. De acordo com Gil, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 A estratégia do seminário é bem conhecida pelos estudantes universitários. Mas isso não significa que reconheçam a importância da técnica; nem mesmo que a vejam com bons olhos. Provavelmente porque nenhuma estratégia de ensino tenha sido tão mal utilizada pelos professores do ensino superior. (2009, p. 172) Em qualquer procedimento avaliativo se objetiva que o aluno construa determinado tipo de competência e habilidade. O seminário pode ser desenvolvido de forma individual ou em grupo, viabilizando aos discentes condutas que levem em consideração a interpretação de contribuição para o desenvolvimento do trabalho feito pelo outro, como também o exercício da pesquisa e do estudo orientado de forma independente quando o seminário for realizado de forma individual. O presente estudo tem com o objetivo principal investigar as perspectivas dos alunos do curso de educação física tendo o seminário como instrumento avaliativo. Para tanto, tratou-se de uma pesquisa de campo que buscou contemplar elementos que pudessem responder e atender os objetivos e a problemática do estudo em questão. O material empírico foi obtido por meio de questionário aberto e entrevista semi-estruturada. O trabalho de campo foi desenvolvido no mês de maio, envolvendo 4 estudantes do curso de licenciatura em educação física de uma instituição privada de Fortaleza que se dispuseram a colaborar com a investigação. METODOLOGIA Este tópico da pesquisa visa, por meio de explanação minuciosa das fases seguidas quando da definição e andamento do estudo em voga, dar ao leitor meios para o entendimento do mesmo. A metodologia da pesquisa fez uso dos pressupostos da abordagem qualitativa. De acordo com Stake, Os pesquisadores qualitativos buscam dados que representem experiências pessoais em situações específicas. [...] Certamente, os pesquisadores qualitativos utilizam todos os tipos de dados, como medidas numéricas, fotografias, observações indiretas, texto ou qualquer outro tipo que explique a situação que está ocorrendo. (2011, p. 101 e 102). O tipo de estudo abordado foi a pesquisa de campo que buscou contemplar elementos que pudessem responder e atender os objetivos e a problemática do estuo em questão - O uso do seminário como instrumento avaliativo na aula de universitária do curso de educação física de uma instituição privada de Fortaleza/CE. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Sobre a pesquisa de campo Mattos e et al. Citam, São aquelas em que as condições de controle e variáveis modificam com o meio ambiente e interferem na resposta, ou seja, as condições ambientais no momento de execução da coleta de dados estão sujeitas a alterações de temperatura e som, entre outras (2004, p. 14). A população objeto de estudo contemplou alunos do 4 o semestre, de ambos os sexos, de uma instituição privada de Fortaleza/CE. A instituição contempla no semestre em questão 40 alunos na faixa etária entre 18 e 40 anos, dos quais 4 foram selecionados aleatoriamente, sendo dois do sexo feminino e dois do sexo masculino, para compor a amostra e realizar o estudo. A finalidade da amostragem é fazer generalizações sobre todo um grupo sem precisar examinar cada um de seus elementos. (Steveson, 1982, p. 158). A coleta de dados foi feita por meio de questionário e entrevista semi-estruturada. Conforme Stake, [...] um questionário é [...] um conjunto de perguntas, afirmações ou escalas [...] geralmente feitas da mesma forma para todos os entrevistados. (2011, p. 111). Sobre a entrevista semi-estruturada Triviños, [...] tem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Os questionamentos dariam frutos a novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes. O foco principal seria colocado pelo investigador-entrevistador. (1987, p. 146) A revisão bibliográfica, envolvendo livros, periódicos, teses e dissertações, teve como propósito levantar dados para fundamentar os pontos referentes à avaliação, ao problema e objetivos em voga. Assim, de posse dos instrumentos escolhidos foi possível contemplar os objetivos e, ainda, ações significativas foram potencializadas no cenário alvo de investigação. RESULTADOS E DISCUSSÃO A instituição, contexto de onde os dados para a fundamentação essa pesquisa foram coletados, foi o Instituição de Ensino Superior da cidade de Fortaleza/CE. Foi criado em 7 de junho de 2002 e tem por objetivo social contribuir para o aprimoramento das atividades educacionais, culturais, comunicações científicas e tecnológicas. Promove a democratização do ensino superior com cursos descentralizados. Assegura amplo acesso a todos e contribui para a irradiação harmônica do conhecimento e do desenvolvimento integral da sociedade. Desenvolve a educação como a base principal do crescimento local e da valorização das potencialidades da população. Atua em Fortaleza e em vários municípios do interior do Ceará, comprovando a cada ano a eficiência do ensino Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 dispensado. Sempre preocupado com a qualidade e qualificação de seus colaboradores, e de seu corpo docente e discente, investe na realização de estudos e pesquisas para que se assegurem o respeito à diversidade, baseado no trabalho sério, e confiança depositada em cada parceiro. A população objeto de estudo contemplou alunos do 4 o semestre do curso de Educação Física da referida instituição, de ambos os sexos. Servirão de amostra ao estudo 4 estudantes entre 28 e 38 anos, sendo dois homens e duas mulheres. Dos quatro alunos, apenas um possui uma formação superior, os demais trabalham em áreas variadas que vão desde o comércio, a Universidades e na Secretaria de Saúde do Estado, com cargas horáriassemanais que vão das 9h às 44hs semanais. O curso de Licenciatura em Educação Física que serviu de amostra para essa pesquisa voltado à formação do educador, com foco no desenvolvimento de competências e habilidades técnicas, metodológicas e didáticas. O curso tornará o licenciado apto a exercer a docência, prezando por comportamentos éticos e morais da profissão, com disciplinas teóricas e práticas. O diferencial do curso de Licenciatura em Educação Física da instituição pesquisa é o desenvolvimento técnico, crítico e interdisciplinar, bem como o alto índice de aprovações em concursos públicos. O curso de Licenciatura em Educação Física forma o profissional para que organize ou supervisione programas de exercícios físicos, sensível às características dos alunos em todas as suas dimensões: cognitiva, corporal, afetiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social. Espera-se que ao se formarem os alunos pesquisados, atuem na docência da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e no Ensino Superior, em instituições públicas ou privadas, ministrando aulas que ajudem a aumentar a concentração, sensibilizando os discentes para a importância da prática de atividade física, através dos campeonatos, gincanas, jogos e brincadeiras, danças, lutas, que favorece cada vez mais uma vida menos sedentária e estressada. Além de trabalhar diretamente na sala de aula, o licenciado elabora e analisa materiais didáticos como livros, textos, vídeos, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 programas computacionais, ambientes virtuais de aprendizagem, entre outros, realizando ainda pesquisas em educação física, elaborando e coordenando projetos de trabalho, de modo a atender as diferentes manifestações e expressões da atividade física escolar. As análises das respostas dos alunos evidenciaram que o seminário não é aplicado de maneira que descrevem as literaturas consultadas. Segundo Oliveira, “[...] as respostas obtidas devem ser classificadas criteriosamente, observando-se as respostas similares ou convergentes para se definirem as unidades de analise que são trabalhados a luz da fundamentação teórica” (2007, p. 87). Optou-se, neste artigo, em fixar as respostas dos sujeitos entrevistados nos aspectos teóricos abordados nessa pesquisa. Os estudantes entrevistados, serão identificados sob as siglas E1 e E2 (para os homens) e E3 e E4 (para as mulheres). O uso do seminário como procedimento avaliativo, foco de investigação deste artigo, direcionou a entrevista semi-estruturada para questões referentes as seguintes temáticas: O uso do seminário como procedimento avaliativo, foco de investigação deste artigo, direcionou a entrevista semi-estruturada para questões referentes as seguintes temáticas: 1 – Qual a sua concepção sobre a avalição no ensino superior? 2 - Qual a sua opinião sobre o uso do seminário como procedimento avaliativo nas aulas de educação física? Por que? 3 - Relate uma experiência que envolveu o uso do seminário como forma de avaliação? Os estudantes se expressaram das seguintes formas diante dos questionamentos propostos nas entrevistas: Temática 1 E1 – A avaliação no nível superior é muito válida, pois temos que testar nossos conhecimentos acadêmicos e saber o grau de conhecimento que estamos adquirindo já que usaremos mais à Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 frente no nosso dia a dia, seja nas escolas ou nas academias, ou até mesmo na vida em sociedade. A avaliação nos ajuda a crescer tanto no pessoal como no profissional. E2 – é válida, tem sua importância, mas creio ser uma prática que tem que ser revista. E3 – Tem um papel essencial na qualidade do aprendizado, avaliando a prática pedagógica do professor universitário e se ele está preparado para transmitir os conteúdos. As formas de avaliação na minha concepção devem ser revistas e variadas. E4 – Insatisfatória, pois sabemos desde o início dos estudos que prova escrita não avalia o aluno e conteúdo já feito não traz conhecimentos duradouros, como na escola já vivenciamos assim, acredito que no ensino superior deveria ser diferente, com o propósito de formar profissionais pensantes, dispostos a defender seus pensamentos e objetivos. Temática 2 E1 – Muito importante, pois os seminários nos ajudam a treinar nossa postura como futuros professores, preparando assim nós alunos, a nos expressarmos de maneira correta e também perder o medo de falar em público. E2 – Acredito que seja de relevância no processo avaliativo. Porque sendo bem orientado, estimula o aluno a ler, estudar e criar um senso crítico; melhora a didática e a expressão corporal do aluno. E3 – Ferramenta válida, pois faz com que o aluno pesquise mais sobre o assunto proposto pelo professor e serve também como um treinamento ou uma experiência para futuras aulas ou apresentações de trabalhos fora do ambiente universitário. E4 – Não deve ser o único procedimento avaliativo, porém, ele permite avaliar o desempenho da aprendizagem, bem como a postura do futuro professor. Na maioria das vezes é imposto ao aluno apresentar um seminário com um assunto o qual ele nunca viu. Em consequência disso surgem desafios e dificuldades. Deveriam ser abordados conteúdos vistos em sala de aula ou com Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 algo com ele (aluno) se identificasse. O tempo é curto, o aluno tem pouco tempo para se preparar. Temática 3 E1 – Na última disciplina desse semestre o professor nos fez falar sobre o código de ética do profissional e educação física, fazendo com que tenhamos conhecimento sobre o mesmo, enriquecendo cada vez mais o nosso conhecimento sobre o mesmo; aprendendo assim sobre nossos direitos e deveres enquanto profissionais de educação física. E2 – Sinto-me mais seguro ao falar em público e mais atualizado no que diz respeito a minha profissão, além do estímulo da leitura que vem a partir dos seminários. E3 – Em todas as disciplinas que vivencio na Universidade o seminário conta como segunda ou terceira nota para aprovação. E4 – Durante uma disciplina o professor solicitou que os falassem sobre os PCN’s e LDB. Um assunto bastante complexo. Pediu que a turma fizesse o seminário, porém, avaliou os seguintes pontos: postura, dicção, vestimenta; sem avaliar o domínio do assunto e o que ficou do aprendizado. Acabou tirando vários pontos de cada integrante e anota da grande maioria foi muito baixa, acarretando a reprovação de muitos. Com isso a turma reclamou na coordenação. O ponto de vista dos discentes expostos nos fragmentos acima, evidencia a preocupação com o envolvimento e a participação durante os seminários. Quanto ao papel docente é importante explicitar aos alunos os objetivos sugerindo temas e fazendo um trabalho de acompanhamento. Ademais, é competência do professor recomendar bibliografia mínima. Nas palavras de Balcells e Martins, O papel do professor no seminário consiste em coordenar as diversas atividades; orientar e guiar os alunos em todas as fases; fazer a síntese [...] no seminário, o professor é um diretor do trabalho, não é o seu executante [...] esta forma didática exige do professor dedicação, preparar e acompanhar de muito perto as investigações; ter experiência do trabalho de criação. De contrário, corre-se o risco de o seminário perder o seu valor para se transformar numa simples exposição magistral [...] (1985, p. 90). Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do SéculoXXI” ISSN: 2526-7108 São competências dos discentes: investigar o (s) tema (s), estudando-o (s) om afinco. Devem também organizar as questões críticas visando à discussão no momento da apresentação. Comungando com esses posicionamentos Balcells e Martin descrevem acerca da dinâmica do seminário: “[...] deve existir nos estudantes uma preparação acadêmica prévia, quer dizer, um mínimo de conhecimentos sobre os temas a tratar” (1985, p. 88). Outro ponto presente nas transcrições das entrevistas diz respeito a pesquisas feitas como embasamento para confecção do seminário. O ponto comum elencado pelos interlocutores é que o seminário bem organizado e orientado servirá de treinamento para seu futuro como docente. CONCLUSÃO No avanço da pesquisa, em concomitância com eixos deste estudo, determinaram- se espaços para os aportes dos interlocutores, através da reprodução das entrevistas. Estas, combinadas com as opiniões dos autores que fundamentaram esta pesquisa, revelou, que o seminário é um procedimento avaliativo, que infelizmente, ainda não é dominada por alunos e professores, posto que, geralmente, transforma-se em apresentações de resumos de textos divididos em partes, a fim de serem apresentado por cada membro de equipe. É importante destacar como ponto comum entre os dados coletados: a prática do seminário é de extrema importância, desde que bem orientada e organizada, favorece a formação de futuros profissionais e a apropriação crítica dos conteúdos. Em seminários bem organizados, estudantes aprendem e ensinam. Professores, no que lhes concerne, exercem a função de mediadores do conhecimento, orientando, ensinando e também aprendendo. Como característica da didática Tavares defende, na história da Didática encontramos a ideia de se ensinar “por instinto”, ou seguindo-se acultura e a prática de uma época. Voltaremos ainda nesse “momento” da história. (2011, p. 22). Reconsiderar o ambiente da aula universitária através dos seminários, presume envolver professores e alunos sob a ótica de trabalho em conjunto, deixando em evidência os seguintes elementos: ensino, aprendizagem, pesquisa e avaliação, assegurando dessa forma a qualidade coerente coma formação de nível superior. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Por conseguinte, Masseto menciona, [...] é uma excelente técnica quando bem compreendida e adequadamente utilizada. Por isso, vale a pena conhece-la, pratica-la e permitir que nossos alunos a descubram também (2003, p. 121). É lançado aos professores e aluno o desafio de fazer seminário. Os dados coletados e expressos neste trabalho poderão servir para o redimensionamento da aula universitária tendo o seminário como procedimento avaliativo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANASTASIOU, Lea das Graças C. Avaliação, Ensino e Aprendizagem: anotações para ações em currículo com matriz integrativa. In: SILVA, Maria Ainda M. et al. Novas Subjetividades, Currículo, Docência e Questões Pedagógicas na perspectiva da Inclusão Social. PE: ENDIPE, 2006, p. 69-90. BALCELLS, J. P.; MARTIN, J. L. F. Os Métodos no Ensino Universitário. Lisboa: Livros. Horizonte: 1985. BROADFOORT, Patrícia. Assessment, Schools and society. London: Metthun, 1979. Caderno de pesquisa em administração, São Paulo, v. 08, n o 1, janeiro/março 2001. FARIAS, I: M. S. (et. al.) Didática e docência: Aprendendo a profissão. Brasília: Liber Livro, 2008. GIL, Antônio Carlos. Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2008. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. MASETTO, Marcos Tarciso. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O ENSINO DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA PROPOSTA DE MEDIAÇÃO COM CONTEÚDO DE ESTATÍSTICA Luciana Soares de Oliveira 29 Maria José Costa dos Santos 30 Ana Cláudia de Araújo Xavier 31 RESUMO O presente artigo tem como objetivo discutir a importância da mediação no ensino de Matemática na educação infantil, destacando a postura do professor como recurso para possibilitar a aprendizagem de aspectos que, embora não estejam no currículo da educação infantil, estão no universo experimental da criança, a atitude do professor em relação a certos conteúdos geram noções iniciais que podem facilitar a compreensão de conceitos mais elaborados, que as crianças irão utilizar como: a Estatística, e o uso de gráficos. Para isso, foi realizado um estudo de caso no qual foi desenvolvida uma atividade de estatística numa turma de 20 crianças de 2 anos de idade de uma instituição patrimonial da prefeitura de Fortaleza. Utilizamos como teóricos: Leontiev (1978) Lorenzato (2006), Menezes (2001), Barguil (2016). Ao final das atividades, foi possível avaliarmos que o desenvolvimento apresentado pelos estudantes alcançou o nosso objetivo principal que era observar a prática docente frente ao professor mediador e oportunizar a aquisição de noções de diferença, coleta de dados, comparação, representação e interpretação de informações em gráfico de barras. Palavras-chave: Educação Infantil, Matemática, Mediação. INTRODUÇÃO A sociedade está repleta de situações que dependem da análise de dados. Esse artigo pretende demonstrar uma experiência exitosa onde as crianças, mesmo na educação infantil, podem ser instigadas a esboçar práticas estatísticas, uma vez que em suas experiências cotidianas, no acesso a internet, nos jogos, nos desenhos animados, nos mais diversificados ambientes do cotidiano, frequentemente se deparam com as representações estatísticas. E por que não contribuir para que sua compreensão adentre esse universo? Por que não instigá-la a pensar e fazer descobertas a respeito destas representações? Porque não coletar e analisar dados do seu contexto? Porque não representar dados de sua realidade em gráficos? Essas indagações justificam a escolha do tema desse artigo, porconta da aproximação das pesquisadoras com o tema pesquisado. 29 IDJ/FACPED E-mail: rogerioelucianacot@gmail.com 30 UFC E-mail: mazeautomatic@gmail.com 31 IDJ- E-mail: ana.claudia@idj.com.br 171 Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 O objetivo da pesquisa foi apresentar considerações sobre a mediação do professor e o ensino da matemática de estatística na educação infantil com significado para a criança. O trabalho aqui apresentado trata-se de um estudo de caso, aplicado em uma creche patrimonial na periferia de Fortaleza, em uma sala de infantil II de regime integral. A pesquisa foi desenvolvida num período de 03 (três) semanas, na qual as pesquisadoras desenvolveram um trabalho de aproximação afetiva com as crianças, de modo a permitir um clima favorável à aplicação da atividade. Nesse sentido utilizamos como referencial teórico: Leontiev (1978) Lorenzato (2006), Menezes (2001), Barguil (2016). Dentre outros para abordarmos as questões referentes ao ensino da matemática e da mediação de ensino. 1. O PENSAR MATEMÁTICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Atualmente a educação infantil no Brasil vem assumindo uma crescente importância. O ensino da Matemática, ciência em permanente transformação, requer reflexão acerca da inadequação de práticas docentes baseadas em recitar e escrever, atribuindo a essas atividades de memorização maior importância que aquelas que instigam o raciocínio do educando. A criança precisa ser desafiada uma vez que é através de situações problemas que ela pensa e elabora o saber. Conforme a LDB 9.394/1996 (1996) A educação infantil, primeira etapa da educação básica, reveste-se de grande importância para a criança por constituir as primeiras experiências de ação educativa, externas à família, que ela vivencia. Tendo como finalidade a promoção do desenvolvimento integral dessa criança, até os cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, afetivo, intelectual e social. Deste modo, esta etapa da educação deve ampliar as possibilidades de interação das crianças e, diferentemente do ambiente familiar, desenvolver ações que, além de ricas e significativas, sejam imbuídas de intencionalidade pedagógica, o que amplia e potencializa o repertório das aprendizagens das crianças. Entendemos que a educação infantil não é limitada, as atividades desenvolvidas podem ampliar as capacidades individuais das crianças desde que sejam Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 mediadas de maneira significativa. Para tanto, o professor deve promover experiências variadas, trocas, diálogos e cooperação entre as crianças. Diante a inúmeros questionamentos sobre o ensino da matemática, na educação infantil, ainda se apresenta como um grande desafio devido a incapacidade de ajudar a criança a relacionar a Matemática do cotidiano, que ela domina, com a matemática escolar. De acordo com Lorenzato (2006) o ensino da matemática deve favorecer o desenvolvimento integral da criança por meio de atividades contextualizadas em que a criança possa sentir a necessidade de observar, refletir, interpretar, formular hipóteses, procurar e encontrar explicações ou soluções, exprimindo seus pensamentos e sentimentos nas experiências com os colegas. Entendemos assim que para atingir esses objetivos, as situações cotidianas oferecem um universo de possibilidades que se estendem desde um simples manipular de materiais, um desenho, uma brincadeira, uma contação de história até as mais suntuosas apresentações artísticas, por exemplo. O que nos permite perceber quão insuficientes são as práticas de efetuar continhas descontextualizadas. Essas questões nos remete pensarmos e discutirmos sobre a ação do professor frente a educação matemática na educação infantil. 2. O PROFESSOR DE MATEMÁTICA COMO MEDIADOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL A curiosidade e a imaginação infantil quando mediada pelo educador são capazes de desdobrar descobertas inverossímeis, que não seriam tão logo germinadas sem essa intervenção, quantos conceitos de medidas, geometria, aritmética, entre outros, são tateados por uma criança que inocentemente explora uma caixa de papelão, que ora representa um carro, ora um avião; ou quem sabe blocos de empilhar, ou mesmo uma casinha, ou a desmonta, põe sobre uma superfície inclinada e a emprega com função de escorregador. Quantas possibilidades o educador tem para desenvolver o seu papel empregando uma metodologia de mediação da aprendizagem frente às experimentações naturais do educando. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 LEONTIEV (1978) dizia que: a função mediadora do educador em interação com a criança é como a função da mãe, que não somente põe uma colher na mão da filha para que possa usar desta para alimentar-se, como também guia a mão. (1978) As considerações do autor nos faz entender que o professor que desenvolve uma ação mediadora, não é aquele que fornece ideias prontas, e sim o que favorece o estudante a ser pesquisador, elaborando e construindo seu conhecimento. Vygotsky, define a mediação docente como um elo intermediário entre a criança e o ambiente. Para Vygotsky, há dois tipos de elementos mediadores: os instrumentos e os signos - representações mentais que substituem objetos do mundo real. Segundo ele, o desenvolvimento dessas representações se dá sobretudo pelas interações, que levam ao aprendizado. Sem dúvida, o professor além de ser educador e transmissor de conhecimento, deve atuar, ao mesmo tempo, como mediador. Ou seja, o professor deve se colocar como ponte entre o estudante e o conhecimento para que, dessa forma, o aluno aprenda a “pensar” e a questionar por si mesmo e não mais receba passivamente as informações como se fosse um depósito do educador. (BULGRAEN, 2010, p. 31). Nessa perspectiva corroborando com o autor. Menezes (2001), o professor mediador se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos. Posteriormente, diante de suas experiências na prática social, mesmo sem a mediação, a referida criança iria aprender a manusear esse instrumento, muito embora com atraso superior a outra criança que teve a felicidade da intervenção do adulto que lhe guiou a mão. No entanto, conforme disse BARGUIL (2016) esse trabalho do professor mediador enfrenta uma série de dificuldades por parte da incompreensão dos pais, que uma vez que suas experiências educacionais, na maioria dos casos, se restringirão a uma Pedagogia do Discurso, que privilegiava a mecanização do homem, em detrimento de sua capacidade de edificar seu entorno, acabam trazendo demandas que se traduzem ao desejo de que na educação infantil a matemática se restrinja a recitação, e escrita de numerais e continhas. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA A pesquisa ancorou-se em uma abordagem de natureza qualitativa fundamentada em um estudo de caso. A pesquisa qualitativa exploratória permite uma maior aproximação entre o pesquisador e o tema pesquisado (Fonseca, 2002) Por ser um tipo de pesquisa com características peculiares, ele geralmente adquire a forma de um estudo de caso (GIL, 2008) Segundo Ludke e André (1986, p. 17), o estudo de caso. [...] é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo.O caso pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular. O interesse, portanto, incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venham a ficarem evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. A coleta de dados se deu através da observação das atividades propostas para as crianças. A observação participante incide na participação real do pesquisador sobre o conhecimento na vida da comunidade, do grupo ou de uma circunstância determinada. Neste caso, o observador assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo. Daí por que se pode definir observação participante como a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo (Gil, 1999). 3.1 Local da Pesquisa O campo de investigação dessa pesquisa foi uma instituição patrimonial localizada em região periférica de Fortaleza, aplicada a uma sala de Infantil II, de regime integral, com 20 alunos, durante o período de 03 semanas no qual as atividades foram desenvolvidas no horário da rotina dedicado à exploração e construção do conhecimento de si e do mundo. 3.2 Desenvolvimento da Pesquisa A observação em campo foi desenvolvida no decorrer de 03 semanas, os nomes de crianças citadas são fictícios. No primeiro dia, foi observado que inicialmente, a professora instigou as crianças a pensar sobre o tamanho das coisas, seu objetivo era sensibilizar as crianças a perceberem Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 suas diferenças de estatura. Considerando a faixa etária de seus educandos, conquistou seu interesse cantando músicas de domínio público, e em seguida, sentando em um grande tapete retangular centralizado na sala, provocou a mesma reação nas crianças, de sentar, ouvi-la cantar e acompanhá-la no canto. “Girafa girafinha Do pescoço bem grandão, Quando passa na floresta Todos gritam pescoção, A seguir, chamou a atenção para um elemento da decoração, que fora desenhado artesanalmente na parede dessa sala, com o objetivo de registrar e acompanhar o crescimento das crianças da turma, uma girafa. E levantou uma problematização acerca do comprimento dela. Como é uma girafa? Qual é o seu tamanho? É grande ou pequeno? Você é maior ou menor que ela? E o seu colega é maior ou menor do que a girafa? O que foi observado é que a proposta de se trabalhar com questões estatísticas com crianças do Infantil II, nos proporcionou o desenvolvimento de uma prática interdisciplinar, dentro do conteúdo da estatística também discutimos outros conceitos. Para Fazenda (2008, p.97) “a interdisciplinaridade escolar as noções, finalidades habilidades e técnicas visam favorecer, sobretudo o processo de aprendizagem respeitando os saberes dos alunos e sua integração.” Essa oportunidade de considerar os conceitos que os alunos já trazem, podem oportunizar ao estudante a elaboração do conhecimento com significado. Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Figura 01.Girafa da decoração da sala Fonte: Acervo da autora Realizou um procedimento de auto exploração do tamanho, medindo seus alunos um a um com um rolo de barbante, entregando a eles esse material para que pudessem comparar sua altura a diversos elementos daquele espaço escolar. Ela fazia procedimentos demonstrando medições, e os pequenos indivíduos espelhavam suas ações, esticando seu barbante sobre brinquedos, colegas deitados no tapete, sobre a girafa, entre outros. Ao longo desta atividade, a pesquisadora fazia questionamentos mediando para que percebessem o que era maior ou menor que o seu barbante. A segunda atividade proposta, repetiu o repertório musical, retomando a atividade e indagou a respeito da tarja vertical azul centralizada na girafa, uma fita métrica: O que é isso? Quem já viu em outro lugar? Para que serve? Quem quer descobrir qual é o seu tamanho? Vamos brincar de medir? Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Avaliando e observando a atitudes das crianças foi possível identificar que das 20) vinte crianças, (05) cinco respondiam as perguntas, (11) onze ficavam atentas e (04) dispersas. A pesquisadora então chamou estas quatro, e começou a medição por elas, Figura 02. Atividade através da medição Fonte: acervo das autoras As crianças participaram ativamente de todo o processo de elaboração, as atividades eram sempre desenvolvidas em conjunto nunca em exposição de conceitos. Na terceira atividade, mostrou uma cartolina enrolada e construiu um clima de suspense em torno do que fariam com aquele papel: Vamos descobrir quem é o maior ! Vamos descobrir quem é o menor! Será que alguém tem tamanhos iguais? E foi desenrolando o cartaz e afixando na parede, ao alcance de todos. Foram tirando de uma caixa enfeitada fotos de cada criança, e ao passo que ia retirando, as crianças diziam o nome do colega, a professora colava e registrava no cartaz, construindo a coordenada horizontal do gráfico. A seguir fez o desenho da coordenada vertical, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 chamando cada criança para ir consultar sua mediação, os dados sobre sua altura registrada anteriormente na girafa. Figura 03: Criança indagando sobre o processo de construção do gráfico Fonte: Acervo da autora Durante as atividades, as crianças elaboravam os conceitos e a pesquisadora instigava que eles fizessem a correção e observassem se estavam corretos. Figura04. Criança fazendo coleta de dados Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Fonte: arquivo da autora Ao término do processo de montagem do gráfico, a pesquisadora se congratulou com as crianças com a intenção de que percebessem que haviam construído algo de importante, apresentando finalmente o nome do trabalho. Então foi indagado algumas nomenclaturas só para o conhecimento delas: o que é uma barra? Esse desenho parece com o desenho de uma barra? Vocês já viram um gráfico? E a partir dai a pesquisadora indicou nomenclaturas que não se fizeram por avaliação, mas para o conhecimento das crianças. Olha como ficou bonito!!! É um gráfico de barras!!! Após esse momento, retornou as perguntas motivadoras, e por meio delas realizou a interpretação das informações evidenciadas pelo gráfico, confrontando os registros com a observação prática: De quem é essa barra? Do João! E essa aqui? Da Maria! Quem é mais alto? É o Marcelo! A professora desafiou a refutar, chamando duas crianças para ficarem lado a lado e mostrar a diferença real. ]Figura05. Criança comparando tamanhos Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 Fonte: arquivo da autora Os educandos tomavam a iniciativa de comparar-se lado a lado com outro colega, olhavam o gráfico, e validava quem era maior ou menor, adquirindo pela experiência esses conceitos. Nessa perspectiva afirma SFORNI (2003) “para que a apropriação ocorra, a comunicação verbal e prática devem serintencionalmente dirigidas para a reprodução das ações adequadas com o objeto em pauta, de modo que sejam apropriadas pela criança como instrumentos simbólicos que permitem a ação mental com o mundo circundante”. Ao final da atividade, despertaram a percepção a respeito das diferenças referentes à altura, construindo um significado para o uso dos termos maior e menor. Observamos também que adquiriram as primeiras noções de análise de dados, voltando ao gráfico e passando o dedo nas coordenadas, nas fotos dos colegas, nas barras e fazendo comentários. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Piaget (1970) diz que o desenvolvimento cognitivo ocorre quando é apresentado um conflito cognitivo. Este por sua vez provoca instabilidade, motivação, Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 desordem, hesitação, desejo de saber. Ele manifesta-se quando entendemos que existe algo contraditório em termos de conhecimento; é um processo interno e pessoal. É um desequilíbrio, que possibilita a procura de condutas mais adaptadas ou mais adaptativas. Ao analisar a problemática inicial levantada pela mediação da educadora, bem como a reação de curiosidade provocada nos educandos, podemos constatar a presença da instabilidade interna referida por Piaget, que provocou ao longo do desenvolvimento da atividade a motivação e o desejo de saber. O objetivo da pesquisa foi alcançado, percebemos o desenvolvimento e da elaboração de conceitos por parte das crianças sem que fosse necessário pedirmos para as mesmas conceituarem, a elaboração foi desenvolvida através de atividade que proporcionou uma aprendizagem para solucionar desafios do dia-a-dia sem que tivéssemos que trabalhar conceitos teóricos apenas. Deste modo, a intencionalidade da mediação da pesquisadora, envolvendo o grupo em atividades relevantes para a faixa etária, regeu a atividade proporcionando aos indivíduos a ação esperada de perceber diferenças, medir, registrar dados, compará-los e construir conceito de maior e menor. 5. CONCLUSÃO Sobre os conhecimentos matemáticos Lorenzato, enfatiza que a compreensão desses conhecimentos apresentados às crianças se realiza com sucesso à medida que são expostos por meio de atividades distintas e contextos diversos. Deste modo, quando a criança é instigada, por mediação de um educador, a refletir sobre assuntos do seu cotidiano, desenvolverá competências como observar, explorar, interpretar, experimentar, investigar, compreender, despertando a percepção de aspectos até então despercebidos, que passam a ter significado. Portanto, embora o ensino de Estatística não seja conteúdo curricular de Matemática na educação infantil, o desenvolvimento da atividade abordada neste artigo sugere a necessidade de apresentar situações diversificadas às crianças, pois, embora elas não tenham maturação para compreender a complexidade do conceito de gráfico, podem se apropriar de diversas noções matemáticas por meio dele, uma vez que ao final do processo, as crianças passaram a perceber que sua altura é diferente, que podem coletar dados, que Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 aquele gráfico oferece informações relacionadas à estatura e que podem consultar o gráfico para obter informações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARGUIL, P. M. Educação Matemática: fractais em movimento. 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Anais do I Seminário de Pós-Graduação IDJ - 10 a 11 de outubro de 2017 “Novas perspectivas para profissionais do Século XXI” ISSN: 2526-7108 MATEMÁTICA E A TOPOGRAFIA: A NECESSIDADE BÁSICA DAS RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS Francisco Arthur Alves Noronha 32 RESUMO Partindo da necessidade intrínseca da matemática em diversas aplicações topográficas, este artigo demonstra de que forma as relações trigonométricas no triângulo retângulo podem ser empregadas com a finalidade de simplificar a resolução de alguns problemas relativos ao cálculo de áreas, perímetros e ângulos, a partir de dados conhecidos previamente (colhidos em campo). Através da demonstração de soluções de cálculos topográficos aplicados à planimetria e altimetria, serão apresentadas soluções utilizando conhecimentos prévios de nível médio, visando facilitar o entendimento das técnicas de resolução e equacionar possíveis deficiências dos discentes em relações trigonométricas, advindas do ensino básico, e que necessitam do cálculo topográfico para suas experiências didáticas e profissionais. PALAVRAS-CHAVE: TOPOGRAFIA; RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS; ENSINO; DIDÁTICA. INTRODUÇÃO Durante os últimos dois anos, através do programa de monitoria acadêmica no Laboratório de Geomática Aplicada da Universidade Federal do Ceará (UFC), pude perceber a deficiência de diversos alunos em entender mais facilmente as relações trigonométricas aplicadas à topografia, o que explana uma baixa aprendizagem ainda a nível médio, corroborada pela experiência profissional de Oliveira que admite “Em aproximadamente 18 anos de trabalho com turmas de oitava série e do Ensino Médio, observamos a dificuldade apresentada pelos alunos durante aulas de trigonometria, ou quando são abordados problemas a ela relacionados, ou mesmo problemas da física que usam algum conceito trigonométrico básico.” (OLIVEIRA, 2006, p.11). A dificuldade em visualizar o emprego do triângulo retângulo em problemas da topografia, além da simples confusão ao relacionar seno, cosseno e tangente, na busca em definir ângulos ou segmentos de reta que formam a figura geométrica em questão (catetos e hipotenusa), provoca considerável desinteresse por parte dos alunos e representa carências herdadas da dificuldade de percepção trigonométrica, como bem relata Amaral,