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Arquitetura Militar
Um panorama Histórico 
a partir do Porto de Santos
Victor Hugo Mori
Carlos A. Cerqueira Lemos
Adler H. Fonseca de Castro
São Paulo
2018
ArquiteturA MilitAr: 
uM pAnorAMA histórico 
A pArtir do porto de sAntos
ArquiteturA MilitAr: 
uM pAnorAMA histórico 
A pArtir do porto de sAntos
Victor Hugo Mori
Carlos A. Cerqueira Lemos
Adler Homero F. de Castro

 
5
suMário
Nota à presente edição .......................................................................................11
Apresentação .......................................................................................................13
cApítulo i
ARQUITETURA MILITAR: 
DA “CORTINA VERTICAL” À “CORTINA VIRTUAL” ................................15
A “cortina vertical” e a neurobalística .............................................................17
A “cortina Horizontal” e a Pirobalística ..........................................................20
Vauban e o sistema de defesa territorial: “a Cortina Rasante” ....................24
A “Cortina invisível” e a Artilharia Raiada ....................................................26
A “Cortina virtual” e o fim do capítulo 
da história da arquitetura militar .....................................................................27
cApítulo ii
A EVOLUÇÃO DA ARTILHARIA ..................................................................29
Introdução ............................................................................................................31
A artilharia experimental e o início da colonização do Brasil .....................33
O progresso da artilharia lisa no período colonial .......................................39
O “Tratado de Artilharia” luso-brasileiro 
do engenheiro Alpoim de 1744 .........................................................................43
A época da artilharia raiada ..............................................................................45
Direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19.02.1998.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização, por escrito, da editora.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Textos
Victor Hugo Mori
Projeto Gráfico, Capa e Editoração
Guen Yokoyama
2018
Foi feito o depósito legal na Biblioteca Nacional (Lei nº 1825, de 20/12/1997)
 
7
ArquiteturA MilitAr
6
cApítulo vii
AS FORTIFICAÇÕES DA ENTRADA DO CANAL DA BARRA 
GRANDE: FORTALEZA DE SANTO AMARO DA BARRA GRANDE 
E FORTIM DO GÓES FORTE DO CRASTO OU DA ESTACADA .......125
Séculos xvi e xvii ...............................................................................................127
Séculos xviii e xix..............................................................................................140
“Último relatório do Comando da Fortaleza ................................................158
da Barra de Santos de 1º/01/1904” ...............................................................159
A História do Restauro nas obras 
da Fortaleza da Barra Grande .........................................................................160
cApítulo viii
SISTEMA DE PROTEÇÃO DA VILA DE SANTOS: FORTE DE 
MONSERRATE, FORTE DE ITAPEMA, CASA DO TREM BÉLICO 
E O PLANO DE DEFESA DE JOÃO MASSÉ .............................................179
Séculos xvi e xvii ...............................................................................................181
Século xviii .........................................................................................................187
Séculos xix e xx ..................................................................................................196
cApítulo ix
AS NOVAS FORTIFICAÇÕES DA ENTRADA 
DA BARRA DE SANTOS ...............................................................................201
Fortaleza de Itaipu e Forte dos Andradas .....................................................203
cApítulo iii
AS FORTIFICAÇÕES COLONIAIS NO BRASIL ...................................... 49
Introdução ............................................................................................................51
A primeira etapa .................................................................................................56
A segunda etapa ..................................................................................................62
A terceira etapa ....................................................................................................67
A quarta etapa .....................................................................................................72
cApítulo iv
MAPA DAS FORTIFICAÇÕES DA BAIXADA SANTISTA ........................77
cApítulo v
A ORGANIZAÇÃO MILITAR NA CAPITANIA 
DE SÃO VICENTE NOS PRIMEIROS SÉCULOS
O Sistema de Ordenanças ..................................................................................85
Os Engenheiros Militares ...................................................................................93
cApítulo vi
AS FORTIFICAÇÕES DO CANAL DA BERTIOGA: FORTES DE SÃO 
TIAGO OU SÃO JOÃO - SÃO FELIPE - SÃO LUIZ ..................................97
Séculos xvi e xvii .................................................................................................99
Séculos xviii e xix..............................................................................................108
Século xx .............................................................................................................117
 
9
ArquiteturA MilitAr
8
Esse trabalho é dedicado a duas pessoas especiais na história da preserva-
ção do patrimônio no Brasil, recentemente falecidas. Tive o privilégio de ter 
sido amigo e aluno informal desses dois mestres, tão diferentes entre si. Um 
muito jovem, arquiteto e professor da fau-usp, o outro, um velho militar dos 
quadros da engenharia do Exército Nacional. O que os unia era a paixão 
comum pela preservação da memória nacional. 
O jovem Antonio Luiz Dias de Andrade, a quem o Dr. Lúcio Costa carinho-
samente acrescentava um pronome possessivo "o nosso Janjão", fez sua trin-
cheira de luta no iphan. O velho Coronel Reginaldo Moreira de Miranda, 
fez seu baluarte dentro do Arquivo Histórico do Exército. Muito antes do 
arquiteto Antonio Luiz iniciar seu aprendizado no iphan, o historiador 
Miranda já era um colaborador assíduo de Luís Saia e o ajudou, inclusive, 
nos momentos difíceis de sua vida particular como um amigo fraterno. 
Parte dos documentos aqui reproduzi-
dos foram frutos de seu trabalho 
durante os anos em que serviu no 
Arquivo do Exército como Capitão. 
O início dos estudos objetivando a res-
tauração das Fortificações da Baixada 
Santista, em 1989, levou o jovem Anto-
nio Luiz, então diretor do iphan-sp, a 
convocar o velho soldado Miranda 
Antonio Luiz Dias de Andrade
cApítulo x 
AS FORTIFICAÇÕES DESAPARECIDAS DO CANAL 
DE SÃO SEBASTIÃO ......................................................................................213
A Proteção do Porto de São Sebastião ...........................................................215
linhA do teMpo
PANORAMA HISTÓRICO SÃO PAULO/BRASIL/GERAL ................... 221
 
11
ArquiteturA MilitAr
10
Victor Hugo Mori, com muita imaginação, sabedoria e simplicidade, trans-
fere ao público não especializado e aos estudantes em geral, conhecimentos 
inestimáveis sobre a complexa evolução da Arquitetura Militar, desde os 
primórdios da neurobalística até o advento da "guerra nas estrelas". Toma 
como linha narrativa as fortificações do Porto de Santos, para nos conduzir 
à formação histórica da nossa nacionalidade.
A pesquisa histórica estabelece um paralelo entre o troar dos canhões e os dife-
rentes sistemas defensivos arquitetados, ao longo dos últimos séculos, sob a 
forma de fortalezas, fortes, fortins, redutos, baterias e baluartes. Para tanto, Vic-
tor Hugo contou com a colaboração do professor Carlos A. C. Lemos, um dos 
mais importantes estudiosos da arquitetura brasileira,e do historiador Adler 
Homero F. de Castro, renomado pesquisador da História Militar. 
Até meados do século xx, a Arquitetura Militar oferecia um poderoso invó-
lucro de proteção contra os projéteis de artilharia que cruzavam os espaços 
vazios entre forças antagônicas, num campo de batalha. Hoje, os projéteis 
cruzam o espaço aéreo, lançados a partir de posições virtuais momentâneas 
em perseguição a objetos também fugazes. A Artilharia libertou-se progres-
sivamente dos invólucros arquitetônicos construídos sob a forma de "corti-
nas fortificadas", verticais, rasantes, horizontais e invisíveis, submersas ou 
aflorantes, deixando porém, de pé ou em ruínas, um acervo patrimonial de 
inestimável valor cultural.
notA à presente edição
ULTIMA RATIO REGIS
para mais essa luta. Nessa batalha de dez anos, em que atuei como coadju-
vante e aluno, acumularam-se sobre as mesas centenas de anotações, docu-
mentos, fotografias e desenhos. O "nosso Janjão" queria que eu os transfor-
masse em uma Tese de Mestrado sob a sua orientação. O "nosso coronel 
Miranda" sonhava com uma grande exposição sobre a engenharia militar 
nos fortes restaurados da Baixada 
Santista.
O resultado, porém, foi modesto. 
Nem uma inovadora tese nem tam-
pouco, uma grande exposição. A 
importância desse catálogo reside no 
tênue lampejo dos ensinamentos 
transmitidos pelo jovem arquiteto e 
pelo velho coronel.
Victor Hugo Mori
Coronel Reginaldo Miranda 
no Forte São Luiz
 
13
ArquiteturA MilitAr
12
Escolher a publicação de um livro demanda agilidade em avaliar o que de 
fato ele oferece como divulgador de cultura, expansão de conhecimentos, 
que lado de uma questão ele vem tornar claro ou reavaliar. Conteúdo bom 
em história, ciência ou memória é o que muitas vezes se apresenta em textos 
que pretendem tornar-se livros, mas é preciso pôr algo mais na escolha ou 
aceitação de publicar. Que escolher, visto que, no geral, o autor se ampara 
na confiança sem abalos de que seu trabalho é o melhor, talvez até um 
achado literário ou científico?
Apenas para exemplificar a importância desta publicação, podemos afirmar 
que o capítulo "A Organização Militar na Capitania de São Vicente nos Pri-
meiros Séculos", assinado por Victor Hugo Mori, é um substancial acréscimo 
ao que até agora se escreveu sobre São Vicente, região fundamental na histó-
ria de São Paulo e na do Brasil, assim também o capítulo viii: "O Sistema de 
Proteção da Vila de Santos: Forte de Monserrate, Forte de Itapema," e vários 
outros cujo relato chega ao século xx. 
Só me resta desejar que Arquitetura Militar cumpra a sua função como 
livro, abrindo caminhos que levam o homem à consciência do que ele ver-
dadeiramente representa neste planeta.
Sérgio Kobayashi
ApresentAçãoA Artilharia, conhecida no mundo desde os primórdios da civilização, evoluiu 
do arco e flecha à catapulta medieval, do canhão de alma lisa ao míssil conti-
nental, sideral, espacial, que transporta ogivas de poder atômico. Nos últimos 
séculos, o canhão – último argumento dos reis – troava sob o controle das forças 
em teatro de operações militares. No momento, o imaginário desloca-se para a 
"guerra nas estrelas", onde vetores balísticos podem atingir qualquer lugar, dis-
parados sob a chancela do chefe de Estado. A Artilharia, torna-se assim, instru-
mento de um poder avassalador, libertando-se do invólucro da arquitetura 
militar que a acompanhou até o século passado. 
Algumas fortalezas centenárias ainda permanecem de pé, desafiando o 
tempo, as intempéries e as agressões humanas. Muito se deve aos profissio-
nais do iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que 
não medem esforços para preservá-las. 
Victor Hugo Mori, como arquiteto do iphan, foi o responsável pelas obras de 
restauração dos mais antigos e mais importantes monumentos arquitetônico-
militares do Estado de São Paulo: o Forte São João da Bertioga, erguido a partir 
de 1553, e a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, edificada a partir de 
1583. Atualmente, como voluntário, o arquiteto empenha-se na restauração do 
complexo arquitetônico da Fortaleza de Itaipu, na Praia Grande – SP, que abri-
ga a última bateria "invisível" de artilharia construída no Brasil. 
Ao amigo, que prossiga trilhando o seu caminho do dever.
Elcio Rogerio Secomandi - Coronel de Artilharia R/1
Fundação Cultural Exército Brasileiro
ArquiteturA MilitAr: 
dA “cortinA verticAl” 
à “cortinA virtuAl”
Victor Hugo Mori

ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
17
Combate de contato na Idade Média Viollet 
Le Duc
A “CORTINA VERTICAL” E A NEUROBALÍSTICA
A fortificação é uma construção funcionalista por natureza. Sua 
tipologia se transformou conforme o desenvolvimento tecnológico 
da artilharia e das inovações da estratégia militar de ataque e defesa.
A té o fim da Idade Média, as guerras eram travadas com a utilização de arma-
mentos com pouco poder de des-
truição. As armas de arremesso 
eram de alcance restrito e precisão 
máxima de 50 metros. Os confron-
tos entre as tropas rivais eram, 
portanto, à curta distância, e cha-
mados de “combates de contato”. 
Foi a era da artilharia mecânica, 
conforme veremos no capítulo 
seguinte.
A época em que se utilizavam 
essas armas primitivas, como o arco-
-e-flecha, a besta e a catapulta, foi 
denominada na história militar de: 
período da neurobalística (ciência 
que estuda a impulsão de projéteis, 
Castelo de São Miguel em Guimarães (Portugal). A torre central foi construída no século x 
pela condessa Munadona. Foi residência de D, Afonso Henriques e considerado o “Berço da 
Nacionalidade Portuguesa”.
ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
19
ArquiteturA MilitAr
18
através da força elástica, provocada 
pelo tensionamento ou torção de 
cordas).
A proteção de um território era, 
então, assegurada pela presença de 
castelos elevados, torres de mena-
gem e grandes muros defensivos, 
concebidos para se distanciar do 
alcance e precisão desses arma-
mentos. Este sistema defensivo foi 
denominado de “cortina vertical”, 
pois, quanto maior a altura dos 
muros (cortinas) mais seguros e 
inacessíveis eram os edifícios mili-
tares, freqüentemente construídos 
nos penhascos para ampliar sua 
verticalidade.
São exemplos históricos dessa 
arquitetura militar, as Muralhas da 
China, a Torre de Londres, os 
muros medievais de Carcassone, o 
Castelo de Santo Ângelo em Roma, 
e até mesmo as paliçadas de madei-
ra das fortificações provisórias.
Castelo de 
Chillon na Suiça
Catapulta medievalBombarda (esq.) e balestra (dir.)
Ilustração alemã 
do século XV 
mostrando 
o uso de 
canhões e 
flechas 
incendiárias no 
cerco de uma 
cidade medieval
ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
21
ArquiteturA MilitAr
20
riências dentro desses 
novos princípios, na Itá-
lia. O mesmo Sangallo 
em 1492 havia aplicado 
os baluartes angulares 
na modernização do 
Castelo de Santo Ânge-
lo, em Roma.
A Torre de Belém, em Lisboa, 
concluída em 1519 por Francisco 
Arruda, pode ser vista como o para-
digma do “período de transição” 
entre o sistema medieval e o siste-
ma renascentista, ao conjugar num 
mesmo projeto a torre de menagem 
e o baluarte de três faces provido de 
guaritas nos ângulos, com a plata-
forma superior e canhoneiras no 
piso inferior. O Castelo 
da Mina, no Golfo da 
Guiné, construído em 
1482 ainda com influên-
cia da tradição medie-
val, é considerado a pri-
meira fortificação por-
tuguesa nos trópicos.
As plantas poligonais ou circula-
res das fortificações medievais 
foram, paulatinamente, sendo subs-
tituídas pela forma de estrela de 
múltiplas pontas – os baluartes 
angulares. As estreitas passagens 
dos arqueiros sobre os muros 
medievais deram lugar às amplas 
“plataformas de armas” para as 
manobras da artilharia. As mura-
Castelo Farnese em Caprarola, de 1515. Surgimento de baluartes pentagonais nos vértices 
da torre P.J. Mariette
Nau de Nicolau Coelho 
Lisuarte de Abreu
A nova artilharia,composta de canhões e bombardas, era capaz de destruir um 
sítio fortificado a distância. 
Diante desta nova realidade, o 
sistema da “cortina vertical” pas-
sou a ser estratégicamente inconve-
niente, pois no “combate à distân-
cia”, quanto mais alta a construção, 
mais exposta estaria à mira dos 
canhões. Por outro lado, a adapta-
ção das cortinas elevadas em plata-
formas de canhões diminuía a pre-
cisão da artilharia defensiva, for-
çando “os tiros de mergulhão”.
No reinado de D. João II (1481-
1495), consolidou-se o poderio béli-
co de Portugal, com a fabricação 
intensiva de “bocas-de-fogo” e da 
criação da “nau” com três mastros 
equipada com artilharia de fogo – 
uma verdadeira fortaleza móvel de 
ataque e defesa1.
A época da pirobalística exigia 
uma nova arquitetura militar, alon-
gada e de pouca altura: a “cortina 
horizontal”.
Neste período de grande eferves-
cência cultural (Renascimento), os 
arquitetos italianos, através dos estu-
dos da resistência dos materiais, da 
balística e da geometria, criaram a 
forma ideal desta nova arquitetura 
militar: a “fortaleza abaluartada”.
O Castelo Farnese, em Caprarola, 
de planta poligonal com baluartes 
pentagonais nos vértices, desenha-
do em 1515 por Antônio Sangallo e 
Peruzzi, e concluído por Jacopo Vig-
nola, revelava as primeiras expe-
A “CORTINA HORIZONTAL” E A PIROBALÍSTICA
A partir do século xv, com o desenvolvimento da pirobalística 
(ciência que estuda a impulsão de projéteis através da explosão 
da pólvora), a prática do “combate de contato” começava a perder 
importância nas guerras. 
Castelo da Mina no Golfo da Guiné (1482) – primeira fortificação portuguesa nos trópicos 
Franz Post
ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
23
ArquiteturA MilitAr
22
Cortinas abaluartadas, segundo Vitruvius Edição Valentinus Rose, 1899
Segundo Rafael Moreira, “a base 
do sistema abaluartado era a prote-
ção recíproca pelo cruzar de fogos 
entre diferentes pontos do mesmo 
perímetro”. Foi essa arquitetura o 
primeiro “estilo internacional do 
Renascimento”2, repetindo-se, do 
oriente ao ocidente, numa seqüên-
cia inumerável de fortificações este-
lares, que vai do Forte da Aguada 
em Goa ao Forte Príncipe da Beira 
na Amazônia. 
lhas mais grossas, ligeiramente 
inclinadas e de pouca altura, espar-
ramavam-se horizontalmente pelo 
relevo, reduzindo a precisão e o 
poder de destruição da artilharia 
adversária.
O projeto de fortificação de 
Mazagão, no Marrocos, de autoria 
do italiano Benedetto de Ravenna, 
de 1541, é considerado a primeira 
obra portuguesa integralmente 
dentro do estilo abaluartado.
A difusão dos Tratados de Arqui-
tetura, como os de Alberti (1452), 
Filarete (1464), di Giorgio (1500), 
Serlio (1537), Dürer (1554), Palla-
dio (1556 e 1570), Serrão Pimentel 
(1680) – o primeiro em língua por-
tuguesa, além da presença de inú-
meros engenheiros italianos requi-
sitados por Portugal e Espanha 
para desenhar fortificações, contri-
buíram para firmar esse modelo 
renascentista nas Américas, África 
e Ásia.
Tour de la Guinette do século XII Viollet Le Duc
Torre de Belém: transição entre a torre de 
Menagem e o sistema renascentista
ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
25
ArquiteturA MilitAr
24
Planta de Neuf-Brisach (acima)
Planta de Lille, cidade fortificada 
por Vauban (dir.)
Os três sistemas de Vauban
um período em que a mobilidade 
das tropas superou a formação geo-
métrica da guerra tradicional.
As idéias de Vauban se difundi-
ram com a publicação dos seus Tra-
tados em 1704 e 1706, e através das 
atividades de seus seguidores. As 
cidades de Toulon e de Neuf Brisa-
ch na França, fortificadas por 
Vauban e Nardeen, na Holanda são, 
exemplos desse sistema.
V auban considerava a “praça fortificada” apenas como um instrumento tático ele-
mentar, componente de uma estra-
tégia global de defesa. 
Até mesmo o modesto baluar-
te angular renascentista, foi 
transformado num complexo 
projeto geométrico poligonal, 
composto por múltiplos ele-
mentos defensivos: fossos, 
tenalhas, revelins, hornarveques, 
meias-luas, glacis, etc.
As formas distribuíam-se numa 
seqüência de cortes e aterros, partes 
enterradas e outras semi-aflorantes, 
com distribuição rádio-concêntrica a 
partir da praça-forte, configurando 
uma “cortina rasante”, quase con-
fundindo-se visualmente com o per-
fil horizontal do terreno.
Esse novo sistema implicava a 
necessidade de alto grau de 
especialização, diversificação 
e profissionalização do corpo 
militar. A seqüência de ele-
mentos arquitetônicos de 
defesa, permitia tanto o aban-
dono das posições fronteiras com o 
recuo paulatino até a praça forte, 
como o avanço das tropas a partir do 
núcleo fortificado, conforme nos 
ensinou o historiador militar cel. 
Reginaldo Moreira de Miranda. Foi 
VAUBAN E O SISTEMA DE DEFESA TERRITORIAL: 
“A CORTINA RASANTE”
A partir do século xvii, o engenheiro militar Sébastien le Prestre 
de Vauban, Marechal do Rei Luís xiv, transformou a tradicional 
fortaleza abaluartada num complexo sistema de defesa territorial.
Marechal Sébastien le Prestre de Vauban (em cima)
Um dos métodos de Vauban de fortificar (em baixo)
ArquiteturA MilitAr: dA “CortinA VertiCAl” à “CortinA VirtuAl”
27
ArquiteturA MilitAr
26
O atual e moderno sistema de proteção da costa pau-lista com lançadores 
móveis de foguetes “Astros II”, ao 
dispensar a posição fixa das antigas 
fortalezas e o invólucro da arquite-
tura, configura um novo sistema: a 
“cortina virtual”.
As fortificações, que sempre se 
caracterizaram como “construções 
funcionalistas” por excelência, hoje 
esvaziadas de suas funções milita-
res, buscam se adaptar a novos pro-
gramas sociais. São documentos da 
história e da arte que as gerações 
futuras têm o direito de conhecer e 
se reconhecer. 
A defesa do Porto de Santos 
representa um retrato resumido 
dessa história da arquitetura mili-
tar. Do primitivo Forte da Bertioga 
construído para o “combate de con-
tato” contra os índios, ainda dentro 
dos princípios medievais da neuro-
balística, passando pelo complexo 
sistema de defesa projetado por 
João Massé em Santos, até as arqui-
teturas subterrâneas e “invisíveis” 
das fortificações de Itaipu e dos 
Andradas, cinco séculos de história 
subsistem.
A “CORTINA VIRTUAL” E O FIM DO CAPÍTULO 
DA HISTÓRIA DA ARQUITETURA MILITAR
O fracasso da "Linha Maginot" em 1940, o surgimento dos 
foguetes v-2 e a explosão da bomba atômica em Hiroshima em 
1945, encerraram o capítulo da história das fortificações. 
Lançador de foguetes Astros II 
na Fortaleza de Itaipu
Imagem do lançador de 
foguetes Astros II, 
chamado de 
“fortaleza móvel”
A “CORTINA INVISÍVEL” 
E A ARTILHARIA RAIADA
A partir de meados do século xix, com o desenvolvimento 
da “artilharia raiada” e da criação do torpedo “obus”, 
o sistema de fortificações abaluartadas tornou-se obsoleto.
O alcance quilométrico dos projéteis explosivos, a preci-são dos disparos e o grande 
poder de destruição desta artilharia, 
permitiu concentrar em poucas bate-
rias todo o complexo de fortificações 
criado pelo sistema Vauban. 
As novas fortalezas foram proje-
tadas em subterrâneos ou protegi-
das por cortinas blindadas, camu-
fladas na paisagem. O uso do aero-
plano para fins bélicos acentuou a 
necessidade de se procurar, cada 
vez mais, a proteção do subsolo.
A arquitetura militar perdeu defi-
nitivamente seu caráter simbólico 
de domínio e presença do poder na 
paisagem ao se ocultar e se proteger 
nos relevos naturais. O simbolismo 
da “cortina vertical” da idade 
média, reduzido a partir do Renas-
cimento na geometria acachapada 
da “cortina horizontal”, desapare-
ceu nesta nova configuração arqui-
tetônica: a “cortina invisível”.
A construção da “Linha Maginot” 
pela França entre 1930 e 1936 para 
assegurar a proteção da fronteira 
leste voltada para a Alemanha, foi a 
maior obra subterrânea dentro 
deste princípio militar. Ela de nada 
serviu contra o ataque das tropas 
alemãs em1940, que partiu pela 
fronteira norte e ocupou a França.
A Fortaleza de Itaipu na Praia 
Grande e o Forte dos Andradas 
no Guarujá podem ser incluídos 
nesse estilo.
Fortaleza de Itaipu na Praia Grande (SP) – 
Bateria Duque de Caxias: rampa de acesso 
ao subterrâneo (esq.). 
Fortaleza de Itaipu – Bateria de Jurubatuba 
(1919) com seu canhão raiado Schneider-
Canet (abaixo à esq.). 
Cozinha subterrânea do Forte dos Andradas 
no Guarujá – SP (abaixo)
ArquiteturA MilitAr
28
A evolução 
dA ArtilhAriA
Victor Hugo Mori
Adler Homero Fonseca de Castro
Notas
1 Moreira, Rafael. "Caravelas e Baluartes" in "A Arquitetura Militar na Expansão Portuguesa". 
Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Porto, 1994, p. 85.
2 Moreira Rafael. "Fortalezas do Renascimento". Op.cit., p. 129 – O autor neste texto cita Sir 
John Hale: O "Estilo Internacional" por excelência do Renascimento foi o da arquitetura militar, 
e o seu módulo o baluarte angular".

A Evolução dA ArtilhAriA
31
INTRODUÇÃO
Os primeiros armamentos criados para a defesa e a caça, eram 
de madeira, ossos e pedras impulsionados pela força humana. 
Uma grande inovação aconteceu ainda na pré-história, com a 
invenção de engenhos de arremesso, como o arco-e-flecha e a 
funda. Foi o início da história da artilharia.
Artilharia de assédio 
protegida por 
cortina de faxina
Guillaume Le Blond
A palavra artilharia, do fran-cês artillerie tem sua origem etimológica mais aceita 
pelos especialistas, nos termos lati-
nos Ars Telorum (arte das armas) e 
Artilum cujo radical significa “enge-
nho”, do francês engin. Aliás, a pala-
vra engin, era sinônimo de máquina 
de guerra, e sua variante “enge-
nheiro”, significava quem construía 
esses armamentos. Assim, desde as 
suas origens, a arquitetura militar, a 
tecnologia das armas e a ciência do 
combate são interdependentes, 
Fotomontagem sobre pintura de Debret com lançador de foguetes Astros II VHM
A Evolução dA ArtilhAriA
33
ArquiteturA MilitAr
32
A ARTILHARIA EXPERIMENTAL 
E O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL
As primitivas bombardas eram construídas com barras de ferro 
forjado longitudinais, presas por anéis metálicos à semelhança do 
processo de tanoaria (construção de tonéis de madeira). Segundo 
Portela F. Alves, “a precisão era deplorável e o alcance não 
ultrapassava o da artilharia neurotona” (cerca de 400 m), e “era 
considerada notável quando podia dar vinte tiros sem arrebentar”.2
D. Afonso V utilizou esses arma-mentos na Batalha de Alcácer Seguer (Marrocos) em 1458. 
Porém, foi na Tomada de Arzila, em 
1471, que algumas peças de bronze 
começaram a surgir nas tropas por-
tuguesas, ainda convivendo com as 
bombardas de anéis de ferro, espa-
das, lanças e balestras. As quatro 
tapeçarias que retratam a Tomada 
Detalhe de gravura italiana 
do século XV: boca-de-fogo 
primitiva
umas influenciando outras ao longo 
dos séculos.
Como vimos no capítulo anterior, 
a história da artilharia pode ser divi-
dida em três grandes partes:
1) Período da neurobalística ou 
da artilharia mecânica (engenhos 
que impulsionam os projéteis pela 
força elástica produzida pela torção 
ou flexão de cordas ou por outro sis-
tema mecânico como o de contra 
peso), que vai da pré-história até o 
fim da Idade Média.
2) Período da pirobalística ou 
da artilharia de fogo (engenhos 
que impulsionam os projéteis pela 
explosão da pólvora), que vai do fim 
da Idade Média até a Segunda Guer-
ra Mundial.
3) Período dos mísseis, que vai 
da eclosão da Segunda Guerra até 
os dias de hoje. 
No caso do nosso estudo sobre a 
arquitetura militar paulista, interes-
sa-nos, sobretudo, o período da piro-
balística, que, grosso modo, pode-
mos subdividi-lo em três épocas:
a) da artilharia experimental: 
quando a precisão, o alcance, o 
poder de destruição e a durabilida-
de das bocas-de-fogo de alma lisa, 
são deficientes e imponderáveis, e o 
“efeito moral” causado pelo estron-
do e pelas chamas, supera o real 
poder de destruição. Esse período 
vai do início das primeiras bocas-
de-fogo do século XIII até a primeira 
metade do século XVI – tempo em 
que as armas de pólvora ainda con-
viveram com as armas mecânicas.1 
b) da artilharia de alma lisa: 
quando as primitivas bombardas 
evoluíram para os canhões de alma 
lisa, de bronze ou ferro fundido, que 
disparam projéteis metálicos esféri-
cos. Essa época, que vai da primeira 
metade do século XVI até meados do 
século XIX, coincide em parte com o 
período da colonização do Brasil 
pelos portugueses.
c) da artilharia raiada: quando o 
raiamento das almas dos canhões, o 
aperfeiçoamento do sistema de 
retrocarga, e a criação do projétil 
explosivo de forma ogival, propi-
ciam à artilharia, precisão, alcance 
quilométrico e grande poder des-
trutivo. Esse período vai de meados 
do século XIX até a Segunda Guerra 
Mundial.
A Evolução dA ArtilhAriA
35
ArquiteturA MilitAr
34
O exemplO dO CastelO de edimburgO
A construção do Castelo de Edimburgo iniciou-se no século XII sobre uma 
elevação vulcânica. Em 1449, o Duque de Burgundy mandou construir na 
cidade de Mons a famosa “bombarda gigante” – Mons Meg – como presen-
te para o seu sobrinho Jaime II, rei da Escócia. No ano de 1497 esse canhão 
foi levado para o Castelo de Edimburgo. A partir de 1570 começaram as 
adaptações para modificar o velho sistema de defesa medieval do castelo. Foi 
construído o baluarte renascentista em “meia-lua” no lado leste. Nos séculos 
que se seguiram, o complexo medieval foi contornado por cortinas, baterias 
de canhões e baluartes.
Artilharia do século XVIII
Bateria de canhões em 
“meia lua”, 
acrescentada 
em 1570.
A Bombarda Gigante 
“Mons Meg”, construída em 
1449, em uma gravura de 
1880. O canhão real encontra-
se, hoje, em exposição no 
edifício que abrigava as 
antigas prisões do Castelo.
Página anterior: “Tomada de Arzila” (1471). 
Detalhe da tapeçaria existente na cidade 
de Pastrana (Espanha), retratando os feitos 
portugueses em Tânger, executada em 
Flandres.
Fundição de balas 
esféricas no século XVI
Canhão primitivo do livro de Charles Boutell de 1868
de Arzila, representam “um docu-
mento de excepcional importância para 
a reconstituição do armamento de cam-
panha utilizado na época”.3
O efeito moral das bombardas 
era proporcional ao calibre dessas 
rudimentares artilharias. Houve 
inúmeras tentativas de se construir 
bombardas gigantes para atemori-
zar os inimigos. Das primeiras 
fabricadas no século XV, podería-
mos citar as Michelettes que hoje se 
encontram em Mont Saint-Michel, 
a Dulle Griet, de fabricação holan-
desa, com um metro de diâmetro e 
comprimento de cinco metros, e a 
célebre Mons Meg (Monster-
Margherite), construída em 1449, 
que serviu por anos à proteção do 
Castelo Real de Edimburgo, onde 
ainda permanece com seus 6.600 
kg de anéis de ferro forjado, capaz 
de disparar esferas de granito de 
150 kg. Essa foi uma época de tran-
sição, quando os antigos castelos 
construídos para resistir às armas 
mecânicas tiveram de se adaptar à 
nova artilharia que surgia.4 
Foi, portanto, a partir do fim do 
século XV, com o progresso da fundi-
ção, que se iniciou a fabricação das 
primeiras peças maciças de bronze e 
ferro fundido. Houve, também, expe-
riências no sentido de se construir 
canhões com carregamento pela 
culatra (retrocarga), aperfeiçoou-se a 
fundição de projéteis esféricos, subs-
tituindo as pedras lavradas, e difun-
diu-se o uso dos “munhões” que 
controlavam a pontaria.
Quando os primeiros portugueses 
chegaram ao Brasil, os indígenas 
A Evolução dA ArtilhAriA
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ArquiteturA MilitAr
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Desenho de 1611, reproduzido por C. Lechuga
Bombarda grossa, do livro de D. Ufano (1613)
nos ataques imprevisíveis naquele 
inóspito território. 
A artilharia de fogo dos portugue-
ses era ainda bastante ineficiente nos 
primeiros anos de colonização. O 
“efeito moral”, causado pela explo-
são das bombardas e arcabuzes, era 
logo dissipado pela demora no 
recarregamento das bocas-de-fogo.Martim Afonso de Souza, após a 
dura recepção no Rio de Janeiro, 
entendeu que a conquista da região 
de São Vicente dependia muito mais 
da “tática de guerra”, que do poder 
da sua primitiva artilharia. Foi a 
aliança com os tupiniquins que, de 
fato, consolidou a colonização da 
capitania. Uma “aliança de guerra”, 
tal qual se fazia na Europa para 
assegurar conquistas através de 
matrimônios. O casamento de João 
Ramalho com a filha do cacique 
Tibiriçá foi o primeiro elo para a 
aproximação. Seguiram-se inúme-
ros outros entre colonizadores e 
indígenas aliados, que acabaram 
por consolidar a conquista.
O Governador-Geral Thomé de 
Souza em 1552, “respeitando a contí-
nua guerra que nas ditas capitanias 
havia” mandou provê-las “de alguma 
artilharia, e munições necessárias para a 
segurança delas”. Para a Capitania de 
São Vicente (Fortaleza da Bertioga) 
“mandava para defensa dela a artilharia 
e munições seguintes: um pedreiro de 
metal e um reparo de rodas maciças, um 
falcão também de metal, duas camaras, a 
chave e o reparo dele, trinta pelouro para 
o dito falcão, quatro berços também de 
metal, doze camaras e quatro chaves 
para eles, vinte pelouros, seis arcabuzes 
Armas indígenas segundo desenho de Jean B. Debret
Arcabuzes utilizados pelos bandeirantes segundo desenho de Belmonte (abaixo)
encontravam-se ainda na idade cul-
tural da pedra polida. Seus arma-
mentos eram rudimentares, como o 
arco-e-flecha, a borduna, o macha-
do e a lança. Considerando-se os 
parâmetros históricos da evolução 
dos engenhos de guerra, os nativos 
encontravam-se nos primórdios do 
período da neurobalística. Sequer 
conheciam as balestras, as catapul-
tas e os onagros. O temor dos colo-
nizadores concentrava-se na dife-
rença numérica “dos contrários” e 
A Evolução dA ArtilhAriA
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ArquiteturA MilitAr
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O PROGRESSO DA ARTILHARIA LISA 
NO PERÍODO COLONIAL 
A pirobalística ganhou impulso com o Imperador Carlos v, 
depois da vitória em Pavia (1525) sobre Francisco i. 
Carlos V também ordenou a normalização dos calibres, disciplinou 
os tipos de artilharia e estabeleceu, inclusive, a composição do 
bronze (92 partes de cobre para oito de estanho).
Carlos V, 
retratado por Ticiano
A artilharia imperial foi com-posta pelas seguintes peças: o canhão (33 libras e 4 
onças), a grande colubrina (15 libras 
e 2 onças), a colubrina bastarda (7 
libras e 2 onças), a colubrina média 
(2 libras), o falcão (1 libra e 1 onça) e 
o falconete (14 onças). A Ordenança 
de Carlos V de 1554, prescrevia que 
“ao introduzir a bala no tubo, o artilhei-
ro fará o sinal da cruz na boca da peça e 
rogará a assistência de Santa Bárbara”.6
Com a abdicação de Carlos V em 
1555, o vasto império dos Habsbur-
gos foi subdividido entre seu irmão 
Fernando, que ficou com o título de 
Imperador Germânico, e seu filho 
Felipe II, que herdou o reino da 
Tipos de canhões antigos
aparelhados, uma arroba de polvora de 
espingarda, e vinte espadas com suas 
bainhas”; tudo isso somado às armas 
“que já estavam de Sua Alteza na dita 
Capitania de São Vicente, a saber um 
falcão outro de metal, duas camaras para 
ele, vinte pelouros para ele, seis meio 
berços de metal, dezoito camaras, vinte 
pelouros, um quintal mais de polvora de 
bombarda, trinta espadas guarnecidas, 
tudo avaliado em duzentos, quarenta, e 
seis mil, e oitenta, e oito reis”, a serem 
pagos das rendas do donatário Mar-
tim Afonso de Souza.5
Não havia nessa época nenhuma 
normalização das bocas-de-fogo. 
Existiam grandes variedades de 
calibres, tipos e formatos, com 
denominações diversas, freqüente-
mente utilizando nomenclaturas 
de animais. Os modelos mais 
empregados em Portugal eram:
• Colubrina ou colubreta: peça 
de bronze de grande comprimento e 
grande alcance.
• Passavolante: pequena colu-
brina.
• Falcão: peça de bronze de ante-
carga equivalente ao calibre 3 (peso 
do projétil em libra). A descrição do 
documento de São Vicente sugere 
ser aquele falcão de retrocarga.
• Falconete: semelhante e menor 
que o falcão.
• Bombarda (grossa e miúda): o 
termo bombarda foi inicialmente 
empregado nas primeiras bocas-de-
fogo de ferro forjado semelhante ao 
morteiro, posteriormente foi aplica-
do genericamente a inúmeros tipos 
de canhões.
• Esmeril: peça pouco maior que o 
falconete.
• Berço: art i lharia curta e de 
pequeno calibre de retrocarga. 
• Meio-berço: semelhante e menor 
que o berço.
• Pedreiro: tipo de bombarda 
destinado a lançar projéteis de 
pedra, posteriormente essa deno-
minação foi empregada para o 
canhão-pedreiro da artilharia de 
D. Manuel I.
A Evolução dA ArtilhAriA
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ArquiteturA MilitAr
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Trinta Anos, suprimiu as pesadas 
armaduras dos soldados e, utilizan-
do o binômio artilharia-infantaria 
com canhões de pequeno calibre, 
transformou o conceito de mobilida-
de em fator determinante nas guer-
ras. Foi o fim das formações geomé-
tricas das tropas, substituídas pelas 
movimentações e combinações táti-
cas. A arquitetura militar teve que 
acompanhar esse novo tipo de com-
bate, e foi o Marechal de Luís XIV, 
Sébastien le Prestre de Vauban, quem 
melhor sistematizou na arquitetura a 
complexidade desse sistema.
Em 1732, Jean F. Vallière por 
ordem de Luís XV estruturou a 
fabricação da artilharia francesa. 
Vallière estabeleceu proporções de 
espessura e peso das peças, dimen-
sões dos projéteis e carga de pól-
vora, fixou os calibres e redese-
nhou os reparos (carretame) para 
facilitar os deslocamentos. Com 
pequenas variações, o “Sistema 
Vallière” transformou-se em 
norma internacional, difundido 
em inúmeros países fabricantes de 
boca-de-fogo. Na Inglaterra, a pri-
meira uniformização de material 
bélico foi feita pelo Cel. Bogard, de 
1716 à 1719, que foi posteriormen-
te reformulada por Armstrong a 
partir de 1727.7 
Outra inovação no século XVIII foi 
o emprego regular do “obus”, um 
canhão mais curto, de tiro curvo, 
Artilharia de Vallière (1735)
Canhão francês Gribeauval com desenho simplificado sem ornamentações barrocas – 
Tratado de Heinrich O. Schell’s de 1800
Espanha, grande 
parte da atual Itália, 
Borgonha, Países 
Baixos e as posses-
sões nas Índias e no 
Novo Mundo. A 
partir de 1580, com a 
morte de D. Henri-
que em Portugal, 
que não deixou des-
cendentes diretos, 
Felipe II, cuja mãe 
Isabel era filha de D. 
Manuel I, assumiu o trono português 
com o título de Felipe I. Toda a Amé-
rica ficou unificada até 1640.
Grande parte da atual Itália tam-
bém pertencia à Espanha ou estava 
sob protetorado do Império dos 
Habsburgo. Daí, saíram inúmeros 
arquitetos, engenheiros militares e 
matemáticos para trabalhar na corte 
de Felipe II, que havia sido governa-
dor da região milanesa antes da abdi-
cação de seu pai. Esses especialistas 
“espano-italianos”, transformaram os 
arcaicos sistemas defensivos existen-
tes no novo mundo, introduzindo os 
modernos preceitos da arquitetura 
militar renascentista, apropriados 
para a nova artilharia que surgia. 
Os armamentos de Carlos V e 
Felipe II eram propícios para o “tiro 
tenso” ou de trajetória rasante. O 
morteiro de “tiro 
curvo” utilizado 
nessa época para 
atingir alvos ocul-
tos por cortinas ou 
afundar navios, não 
possuía precisão e 
funcionava em fun-
ção do acaso e das 
tentativas. A balísti-
ca ainda desconhe-
cia a ação da gravi-
dade e a resistência 
do ar, fundamentais para o cálculo 
da trajetória curvilínea. Durante o 
reinado de Felipe II, o mais impor-
tante engenheiro militar espano-ita-
liano na América era Giovanni Batis-
ta Antonelli, patriarca de uma famí-
lia que adotou o mesmo ofício. Os 
Antonelli introduziram na arquite-
tura do novo mundo, o sistema de 
plataformas de armas escalonadas, 
que permitia à artilharia de defesa, 
lançar tiros rasantes (trajetória 
tensa) e mergulhantes (trajetória 
inclinada) contra os navios inimi-
gos. Os projetos das Fortalezas de 
El Morro em Havana, de San Felipe 
del Morro em Porto Rico e da Barra 
Grande no Guarujá, todos da lavra 
dos Antonelli, seguem este estilo.
O rei da Suécia (1611-1632)Gusta-
vo Adolfo, durante a Guerra dos 
Felipe II de Espanha – 
Felipe I de Portugal, 
retratado por Rubens
Artilharia de Gustavo 
Adolfo: pequeno 
canhão escocês 
(1642) 
do Museu do Castelo 
de Edimburgo
A Evolução dA ArtilhAriA
43
ArquiteturA MilitAr
42
F oi seu padrinho q u e m o 
iniciou nos estu-
dos da artilharia 
na Academia de 
Viana. Em 1738, 
Alpoim foi desig-
nado a reger o 
“ensino de enge-
nharia militar” 
no Rio de Janeiro 
com o posto de 
sargento-mor. Sil-
va-Nigra atribuiu 
ao Brigadeiro 
Alpoim a intro-
dução, no Brasil, 
da verga em 
“arco abatido” 
nas suas obras no 
Rio de Janeiro, 
como o Palácio 
dos Vice-reis e o 
Arco do Teles, e 
no Palácio dos 
G o v e r n a d o re s 
em Ouro Preto. 
Mas foi no seu 
livro “Exame de 
A r t i l h e i r o s ” 
publicado em 1744 em Lisboa, con-
siderado um dos primeiros e escri-
tos no Brasil, que o seu amplo 
conhecimento sobre a engenharia 
militar pode ser apreciado. Esse 
Tratado permite-nos compreender 
o que foi a artilharia luso-brasileira 
no século XVIII.8
O “Exame de Artilheiros” abran-
ge a matemática, a geometria e a 
artilharia, sempre acompanhadas 
de elucidativos desenhos. Descreve 
os canhões e seus apetrechos sem se 
esquecer de preceitos religiosos. 
Antes do tiro, recomendava que 
O “TRATADO DE ARTILHARIA” LUSO-BRASILEIRO 
DO ENGENHEIRO ALPOIM DE 1744
José Fernandes Pinto Alpoin foi um dos mais importantes engenheiros 
militares que atuaram no Brasil colonial. Nascido em Viana do Castelo, 
em 1700, teve como padrinho, outro célebre engenheiro militar, Manuel 
Pinto Vila Lobos, que em 1712 elaborou um projeto para a Fortaleza do 
Crasto em Santos posteriormente modificado por João Massé.
Santa Bárbara, 
padroeira dos artilheiros
Seção de um obuseiro do século XVIII 
segundo Rudyerd (1791-1793)
Canhão Paixhans de alma lisa, do 
século XIX - Forte da Bertioga (SP)
que possibilitava o carregamento 
com as mãos.
O “Sistema Vallière” foi aperfei-
çoado em 1765 pelo “Sistema Gri-
beauval”, cujo criador foi chamado 
por Napoleão Bonaparte de “pai da 
artilharia francesa”. O general Gri-
beauval introduziu o eixo de ferro 
nos reparos, criou o carretame leve 
de quatro rodas, e reorganizou a arti-
lharia de acordo com a função mili-
tar de Campanha, de Sítio, de Praça 
e de Costa. O sistema Gribeauval foi 
também responsável pela padroniza-
ção dos acessórios, a criação de peças 
mais leves e ligeiras e a eliminação 
de decorações supérfluas das peças, 
que passaram a ter uma aparência 
“limpa” – a influência do Barroco 
diminuía na arte militar. Em Portu-
gal essas inovações chegaram apenas 
no final do século XVIII.
O progresso da Física nos campos 
da força gravitacional e da resistên-
cia do ar, permitiu ao estudioso da 
balística Benjamin Robins (1707-
1751), estabelecer que a precisão do 
tiro estava associada à velocidade, 
que por sua vez dependia da carga e 
da forma do projétil.
A Evolução dA ArtilhAriA
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ArquiteturA MilitAr
44
O s franceses creditam a invenção do raiamento ao General Treville de Beau-
lieu em 1855, e os norte-americanos 
a Daniel Treadwell.10
A Guerra da Criméia (1854-1855) 
entre a Prússia de um lado e a Tur-
quia, França, Inglaterra e o Piemon-
te do outro, foi talvez o último 
grande conflito internacional com a 
utilização dos canhões de alma lisa.
Durante o governo de Napoleão 
III na França, La Hitte, Temésier e 
Beaulieu construíram canhões de 
antecarga com raiamento em larga 
escala. Na Inglaterra, Lancaster 
construiu canhões de alma helicoi-
dal ovalada. Whitworth em 1855 
introduziu o raiamento em espiral 
com seção poligonal, e nesse mesmo 
ano, George Armstrong fabricou a 
primeira peça raiada de retrocarga 
composta de várias partes.
O forte atrito dos projéteis nos sul-
cos do raiamento demonstrou que a 
resistência do bronze ou do ferro 
fundido eram inadequados. Alguns 
autores atribuem ao inglês Blakely a 
A ÉPOCA DA ARTILHARIA RAIADA
Giovanni Cavalli, em 1846, construiu um obuseiro de retrocarga de 
150 mm de alma sulcada com dupla raia espiralada. O projétil, de 
forma ogival de 30 kg, atingiu a distância de 5 km com relativa precisão.
Projétil Armstrong (esq.), 
projétil Whitworth (dir.)
Canhão raiado Whitworth no 
Morro do Castelo por volta de 1895 
(abaixo)
“Ballas encadeadas, enramadas, 
palanquetas, de pernos, diamante 
e mensageira”. Desenho do “Exame 
de Artilheiros” de Alpoim – 1744
“São panelas de barro, com suas asas, cheias 
de pólvora fina, com uma granada carregada 
dentro. Se cobre com pele de carneiro e nas 
asas se colocam morrões acesos ou estopim”. 
Desenho do “Exame de Artilheiros” de 
Alpoim – 1744
“em nome de Deus e da senhora Santa 
Bárbara, pegará o Artilheiro a lanada”, 
para limpar a alma do canhão, “e 
feito o sinal da Cruz com a dita bala na 
boca da peça (…) meterá a bala em nome 
da Senhora Santa Bárbara”. 
Alpoim definia a Artilharia como 
“toda a sorte de peças, toda a sorte 
de armas, todas as ferramentas e 
petrechos, que podem servir na 
guerra, ou nos ataques das Praças e 
sua defesa, ou nas batalhas do mar, 
ou da terra”. Sobre a peça de artilha-
ria: “é um instrumento, ou boca-de-
fogo, comprido, e côncavo, por dentro, 
em forma redonda, feito de ferro, ou de 
bronze, com o qual por meio da pólvora, 
se arrojarão balas, bombas, e granadas”. 
Na segunda metade do século 
XVIII em Portugal, Bartolomeu da 
Costa (1731-1801) encarregado da 
fundição de obuseiros de campa-
nha, foi o responsável pela normali-
zação dos calibres.9.
A Evolução dA ArtilhAriA
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ArquiteturA MilitAr
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Lançamento de foguete na Fortaleza de Itaipu
alguns para o Exército, inclusive um 
de 11 polegadas. A maior parte da 
artilharia de costa moderna era 
composta de canhões Whitworth, 
sendo que a partir de 1877, foram 
comprados diversos de retrocarga. 
Esses canhões (Armstrong e Whit-
worth), continuaram em serviço até 
o final da década de 1920, assim 
como alguns La Hitte, empregados 
em fortes menores. 
No fim do século XIX surgiram na 
França o canhão de tiro rápido, de 
trajetória tensa, com alcance de 
11.000 metros, e na Alemanha o obus 
105 mm de tiro curvo com alcance de 
6.000 metros. A Primeira Guerra 
Mundial foi o campo de teste, onde 
se consagrou a artilharia pesada com 
calibres variando de 155 à 280mm e 
alcance de até 40 km.
No Brasil, a defesa da costa resu-
mia-se à artilharia de alma lisa 
assentada nas velhas fortificações 
coloniais. A modernização iniciou-
se no princípio do século XX com o 
Ministro da Guerra Gal. João Nepo-
muceno Mallet, construindo as pri-
meiras fortalezas de concreto e 
adquirindo canhões Krupp e Sch-
neider-Canet. Os fortes foram arma-
dos com canhões que iam de 150 
mm (Krupp e Schneider) até 305 
mm (Copacabana), sendo que a 
defesa do Porto de Santos foi equi-
pada com seis peças de 150 mm Sch-
neider-Canet C/50 modelo 1902 
Tiro Rápido e quatro obuseiros de 
Krupp 280mm C/16 modelo 1912. 
Durante a 2ª Guerra se pensou em 
equipar o Porto de Santos com 
canhões de 7 e 12 polegadas norte-a-
mericanos. Os canhões foram com-
prados e a construção de um forte 
para eles chegou a começar, mas as 
obras foram interrompidas.
O Forte dos Andradas, no Guaru-
já, é um excelente exemplo dos pro-
Obuseiro Krupp de 280 mm do Forte dos 
Andradas, no Guarujá (SP)
Canhão Armstrong da Fortaleza de Itaipu no município de Praia Grande (SP).
Canhão Schneider-Canet 
do Forte de Jurubatuba
construção do canhão de aço forjado. 
A fábrica Krupp, na Alemanha, tam-
bém desenvolveu a fabricação de 
canhões de aço. Era a consolidação 
da artilharia raiada com a consagra-
ção do sistema de retrocarga, cujo 
desenvolvimento levou ao canhão de 
tiro rápido, que empregava cartu-
chos e disparadores elétricos.
O avanço tecnológico nas siderur-
gias, com o emprego do aço, cromo 
e níquel, transformou as empresas 
Krupp, Schneider, Armstrong, 
Bethlehem, Firth, Holtzer, etc., nos 
grandes fabricantes de armamentos 
na virada do século.
A Guerra do Paraguai surgiu no 
momento em queo País encontrava-
se com a artilharia obsoleta. Foram 
fabricadas no Rio de Janeiro alguns 
canhões de bronze no sistema La 
Hitte, copiados de canhões franceses 
e espanhóis adquiridos pouco antes 
do conflito, somando aos existentes 
Whitworth, além de inúmeras bocas-
de-fogo de alma lisa. A guerra civil 
norte-americana também fomentou a 
sua indústria bélica, que passou a 
fabricar excelentes artilharias como 
as de Rodman e Parrott. 
O exército brasileiro se rearmou, 
após 1872, com canhões Krupp de 
campanha de 75mm. Na artilharia 
de costa, a Marinha comprou um 
certo número de canhões Arms-
trong para seus fortes e repassou 
ArquiteturA MilitAr
48
As FortiFicAções 
coloniAis no BrAsil
Carlos A. Cerqueira Lemos
 CALIBRES E ALCANCES DA ARTILHARIA
 Ano Peça Peso da bala (Kg) Calibre (mm) Alcance útil (m)
 1620 Falcão 1,3 (sólida) 74 420
 1730 Canhão/1730 11 (sólida) 148 2.000
 1863 La Hitte 12 (explosiva) 121 4.100
 1863 Whitworth 14,5(explosiva) 97 5.380
 1895 Krupp 45,5(explosiva) 150 10.200
 1914 Krupp 445 (explosiva) 305 23.000
Notas
1 Alves, J. V. Portella F. “Seis Séculos de Artilharia - A História da Arma dos Fogos Largos, 
Poderosos e Profundos”. Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro, 1959, p. 96.
2 Idem. Ibidem., p. 97.
3 Moreira, Rafael. “A Artilharia em Portugal na Segunda Metade do Século xv”, adaptado do 
texto original “A Artilharia Portuguesa nas Tapeçarias de Arzila” de Nuno José V. Valentim, in “A 
Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa”. Comissão Nacional para os Descobrimentos 
Portugueses, Porto, 1994, pp. 16-26.
4 Lead, Peter. “Mons Meg: A Royal Cannon”. Mennock Publishing, Staffordshire, 1984.
5 “Documentos Históricos (mandados, alvarás, provisões, sesmarias) – 1549-1553”, vol. xxxviii. 
Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Saúde, Biblioteca Nacional, 1937, pp. 214-217.
6 Alves, J. V. Portella F. Op. cit., pp. 104-107.
7 Caruana, Adrian B.. “The identification o British Muzzle Loading Artillery”. Part 1, the 
Designers. In: “Canadian Journal of Arms Collecting”, vol. 21, nº 4, (nov. 1983), p. 132.
8 Alpoim, José Fernandes Pinto. “O Exame de Artilheiros” – 1744. Biblioteca Reprográfica 
Xerox, Rio de Janeiro, 1987.
9 Alves, J. V. Portella F. Op. cit., p. 147.
10 Manucy, Albert. “Artillery Trough the Ages”. Division of Publications National Park, 
Washington, dc, 1985, pp. 13-14.
blemas técnicos surgidos no Entre 
Guerras. Quando foi decidido cons-
truir o Forte dos Andradas (o último 
a ser construído no País), os obusei-
ros, ao invés de ficarem concentra-
dos em poços, como era o caso dos 
dois fortes com armas semelhantes 
do Rio de Janeiro (Duque de Caxias 
e Pico), foram dispersos na mata. 
Além disso, as instalações de apoio 
foram “enterradas” dezenas de 
metros abaixo do solo. Era a fortale-
za invisível dissimulada no relevo 
da paisagem da Ponta do Monduba.
Na Segunda Guerra Mundial 
decidiu-se modernizar a artilharia 
de costa do País, adquirindo-se 
material norte-americano composto 
de 99 peças Vickers-Armstrong de 6 
polegadas (152,4 mm), modelo 1917, 
para os Grupos de Artilharia de 
Costa Motorizada. Posteriormente 
foram usados também canhões de 
90 mm antiaéreos, em disparos de 
tiro tenso, contra embarcações.
O surgimento dos foguetes V2 na 
Segunda Guerra, marcou o início 
de uma nova fase da história da 
artilharia. Na costa paulista os 
canhões Vickers-Armstrong foram 
substituídos pelo Sistema de 
Foguetes Astros-II.

As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
51
ArquiteturA MilitAr
50
INTRODUÇÃO
Na costa brasileira, as primeiras feitorias portuguesas corriam o 
risco permanente de assaltos de piratas ingleses, franceses e 
holandeses. Nacionalidades variadas também tentaram a posse 
efetiva de regiões ainda não ocupadas por gente de Portugal, 
querendo estabelecer enclaves destinados a transformar-se em 
colônias que romperiam a continuidade do litoral lusitano.
A França, por exemplo, soube aliar-se a alguns indígenas inimigos dos portugueses e 
chegaram mesmo a fixar-se longa-
mente, pelo menos no Rio de Janei-
ro, em 1555, e no Maranhão, em 
1612. Os holandeses, mais ambicio-
sos, organizados e financiados por 
poderosas companhias de comércio, 
trataram de conquistar núcleos já 
estruturados e ricos produtores de 
açúcar. Atacaram, no início do 
segundo quartel do século XVII, a 
Bahia e logo depois conquistaram 
Pernambuco, lá ficando quase vinte 
e cinco anos. 
Os primeiros estabelecimentos 
portugueses também se viram 
ameaçados pelos índios, nem sem-
pre amigos porque, guerreando-se 
entre si, muitas vezes atacavam as 
povoações dos colonizadores onde 
estivessem homiziados os seus 
desafetos, ali bem relacionados. 
Assim sendo, os portugueses eram 
hostilizados tanto pelos seus inimi-
gos europeus como, muitas vezes, 
pelos selvagens da terra conquista-
da. Inimigos, pois, possuidores de 
diferentes logísticas e estratégias, 
uns na Idade da Pedra Polida, usan-
do métodos primitivos, mas eficazes, 
Forte de São Marcelo - S. Salvador (1698) BN
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
53
ArquiteturA MilitAr
52
Ataque do corsário Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro em 1712 Le Brésil 1909
dada a diferença numérica entre os 
opositores; outros providos de todos 
os recursos que a modernidade ofe-
recia naqueles tempos do nascimen-
to da pirobalística. Contra os índios 
havia a intimidação, até certo ponto 
fácil. Tomé de Sousa dava o exemplo 
matando-os às dezenas, a tiros de 
canhão, os selvagens aprisionados e 
amarrados uns aos outros com cor-
das. Para combater os invasores que 
vinham pelo mar, providos dos mais 
Tratado de Tordesilhas (1494): novos descobrimentos divididos entre 
Espanha e Portugal
Forte de São Marcelo em Salvador (BA), também chamado Forte do Mar. 
Obra de Frias de Mesquita (1622)
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
55
ArquiteturA MilitAr
54
mitindo o exame atento dos arredo-
res descampados; depois, os primei-
ros muros abaluartados. Vejamos, 
porém, os que nos interessa: as for-
talezas defensoras, de norte a sul, 
dos limites portugueses nas terras 
da América do Sul. 
Podemos estabelecer uma meto-
dologia de abordagem desse vasto 
tema relativo à defesa do território 
brasileiro, dividindo a história das 
fortificações em algumas etapas 
significativas do período colonial. 
Salvo melhor juízo, uma primeira 
etapa compreende os primeiros 
anos a partir de 1500 até o ataque 
holandês, aquele que verdadeira-
mente ameaçou a integridade do 
litoral brasileiro; corresponde, a 
grosso modo, ao tempo pioneiro 
de tomada de conhecimento do 
território somado ao período de 
dominação espanhola sobre Portu-
gal, que vai de 1580 até 1640. Uma 
segunda etapa, com ligeira sobre-
posição de datas em relação à ante-
rior, abrange o período de perma-
nência dos holandeses no litoral 
pernambucano, aproximadamente 
de 1630 a 1654, não havendo cons-
truções defensivas significativas 
no resto da costa, fora da nordesti-
na. Uma terceira etapa, na bacia 
amazônica, vai desde os últimos 
anos do século XVII até pratica-
mente ao fim do século XVIII, refe-
rindo-se aos planos de fortificação 
da área contra os franceses, ingle-
ses e holandeses, interessados em 
estabelecer domínio ao longo da 
margem esquerda do rio Amazo-
nas. A quarta etapa corresponde 
ao período em que os espanhóis 
da Argentina procuraram ocupar o 
litoral ao sul de Cananéia, já que 
ainda eram nebulosas as divisas 
entre os domínios de Castela e 
Portugal antes do Tratado de 
Madrid, de I750, e do Tratado de 
Santo Ildefonso, de 1777.
Artilheiros holandeses 
na Batalha 
de Guararapes. 
Detalhe da pintura 
“A Batalha de 
Guararapes” no 
forro da Igreja de 
N. Senhora da 
Conceição dos 
Militares em Recife, 
atribuída a João de 
Deus Sepúlveda.
Ataque holandês aos Engenhos na Bahia de Todos os Santos protegidos 
por paliçadas de madeira (1640), segundo Franz Post
recentes recursos em matéria de 
armamento com base na pólvora, tra-
taram os Lusitanos de providenciar 
fortalezas. Lembremo-nos, porém,de um aspecto: até 1580, o sistema 
defensório português era incipiente 
porque não havia, verdadeiramente, 
valores a defender, a não ser meia 
dúzia de povoações ainda não bem 
estruturadas economicamente atra-
vés de atividades lucrativas de modo 
efetivo. 
Foi durante o domínio espanhol 
sobre Portugal que realmente se 
organizaram os primeiros sistemas 
eruditos de fortificação, principal-
mente à vista do perigo holandês. 
Assim, desde aquele ano até 1640 a 
arquitetura das fortificações, no 
Brasil, foi baseada nas ordens dos 
arquitetos sob o comando espanhol 
e a vigilância especial de Felipe II. 
Os Italianos, na época os maiores 
especialistas em fortificações 
modernas apropriadas às novas 
armas de fogo, foram os mentores 
dos espanhóis, agora donos de toda 
a América. 
Podemos dizer que, de um modo 
geral, as fortificações brasileiras 
foram condicionadas à experiência 
italiana de fortificações a partir do 
século XVII, abandonando totalmente 
as maneiras transitórias baseadas 
ainda na tradição medieval das altas 
muralhas e das ostensivas torres de 
defesa. Agora havia que privilegiar 
as fortificações baixas e de grande, 
enorme, espessura. De pouca altura 
para oferecer o menor alvo possível, 
e grossas para absorver o impacto de 
projéteis de força incrível. 
Esses primeiros tempos de coloni-
zação, o primeiro século de posse, 
foram realmente anos de muito 
sacrifício e improvisação. Os docu-
mentos demonstram o heroísmo dos 
colonizadores defendendo-se de 
perigos de toda ordem. Esses papéis 
dos arquivos falam-nos das fortifi-
cações iniciais, principalmente pali-
çadas, cercas pontiagudas de paus-
-a-pique protegendo as pequenas 
povoações; trincheiras, atalaias, tor-
res, mesmo as de igrejas providas de 
seteiras, como a de Cananéia, per-
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
57
ArquiteturA MilitAr
56
in encontrou desguar-
necida a Fortaleza de 
Santa Cruz ao assaltar a 
cidade. Mas não deve-
mos esquecer o primei-
ro desses aventureiros 
do mar que saqueou o 
litoral sul brasileiro, 
que foi Thomas Caven-
dish, autor da proeza 
de encurralar toda a 
população de Santos, 
no Natal de 1591, den-
tro das igrejas, nos 
momentos das cerimô-
nias religiosas daquele dia e saquear 
a cidade e os modestos engenhos de 
açúcar no caminho de São Vicente.
Sabemos que o almirante Diogo 
Flores Valdez, na sua viagem de 
reconhecimento pela costa, anotou 
os lugares que deveriam ser guarne-
cidos e que chegou mesmo a erigir 
algumas fortificações até à altura de 
Santos, local onde a sua esquadra 
fora assaltada por ingleses. Ali fez 
modesta fortificação que, aos pou-
cos, foi sendo aperfeiçoada até se 
transformar na Fortaleza da Barra, 
ou de Santo Amaro, que 
hoje vemos na ponta da 
Praia daquela cidade. 
Do primeiro século, de 
1532, também é a 
pequena fortificação 
levantada por Martim 
Afonso para defender, 
na barra da Bertioga, a 
vila próxima de São 
Vicente do ataque dos 
índios tamoios, e parece 
que nisso tal providên-
cia foi inoperante, pois 
o local foi assaltado em 
1551 pelos selvagens, que acabaram 
por aprisionar o seu artilheiro, o ale-
mão Hans Staden, autor de célebre 
livro de memórias. Essa pequena 
Fortaleza da Bertioga foi aperfeiçoa-
da entre 1551 e 1560, e praticamente 
reconstruída em 1750. São essas 
duas fortalezas santistas, as únicas 
ainda existentes, que podem perten-
cer ao primeiro século na nossa clas-
sificação. As primeiras trincheiras e 
baterias do Rio de Janeiro foram tão 
alteradas a partir da transferência 
da capital do vice-reinado da Bahia, 
Felipe II, rei de Portugal e 
Espanha retratado por 
Ticiano
Forte da Bertioga 
localizado na 
entrada da Barra 
Pequena do Porto 
de Santos (SP).
A PRIMEIRA ETAPA
Por motivos bastante compreensíveis a primeira etapa, 
carece de ampla documentação escrita e é praticamente omissa 
em iconografia referente às primeiras fortificações brasileiras. 
Fortaleza de Santo 
Amaro da Barra 
Grande, construída 
por Flores Valdez na 
entrada do 
Porto de Santos (SP)
O s construtores militares vin-dos nas comitivas dos pri-meiros donatários e gover-
nadores eram infatigáveis, e talvez o 
pedreiro Luís Dias seja o modelo 
deles. Luís Dias esteve na Bahia com 
Tomé de Sousa por volta de 1549, lá 
residindo alguns anos. Construiu os 
primeiros baluartes e muros da 
cidade, tudo obra de taipa de pilão. 
Parece que a taipa de pilão foi, no 
começo da pirobalística, um mate-
rial recomendável nas fortificações 
porque amortecia o impacto dos 
projéteis, evitando o sempre perigo-
so ricochetear de alcance imprevisí-
vel. Essa qualidade talvez fosse de 
certo interesse, mas a precariedade 
e conservação permanente, ligadas 
à taipa, logo exigiram recobrimen-
tos de pedra aparelhada, fazendo a 
pedra o papel do taipal.
Como sabemos, até o início do 
século XVIII, os maiores rendimentos 
de Portugal no Brasil provinham da 
produção açucareira das áreas lito-
râneas do Nordeste. Da Bahia para o 
sul, desde os primeiros anos até 
aquela data, as povoações, eram 
muito pobres, sem expressão algu-
ma que pudesse justificar um siste-
ma de defesa categorizado. Os 
pequenos portos daquelas humildes 
cidades eram unicamente assedia-
dos por corsários já conformados 
com os irrisórios despojos que ante-
viam. Talvez ali aportassem mais 
por desfastio ou diversão, porque 
nada havia de importante a roubar. 
E vinham de vez em quando, pas-
sando ao lado de fortalezas vazias e 
de canhões abandonados, como 
aconteceu no Rio de Janeiro em 
1712, quando o pirata Duguay-Trou-
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
59
ArquiteturA MilitAr
58
Fortaleza dos Reis Magos em Natal. Em 
1603, essa fortificação foi reconstruída com 
novo projeto de Francisco Frias de 
Mesquita, definida por uma tenalha em 
cauda de andorinha na parte posterior e 
uma obra coroa na frente. M.I.
governo de Matias de Albuquer-
que. A obra foi terminada em 1612 
e elogiada, como é relatado por 
Sousa Viterbo. Possuía nove lados, 
ocupando praticamente toda a 
superfície do parcel que lhe deu o 
nome, medindo aproximadamente 
dez braças de diâmetro, e a sua 
muralha alamborada tinha mais 
de quatro braças de altura. O pró-
prio Frias, em 1618, escreveu que o 
povo espontaneamente havia con-
corrido com recursos para o fabri-
co desta fortaleza, auxílio também 
ocorrido durante a construção da 
matriz de Olinda, o que sugere 
tenha sido aquele templo também 
projetado por ele. 
Em 1614, Francisco Frias de Mes-
quita estava às voltas com a Forta-
leza dos Reis Magos, em Natal, Rio 
Grande do Norte, que fora iniciada 
em 1598 pelo padre jesuíta Gaspar 
Samperes. O arquiteto José Luís 
Mota Meneses, no seu livro sobre 
as fortificações do litoral nordesti-
no brasileiro, vê proximidade de 
concepções entre este projeto de 
Frias de Mesquita e o da Fortaleza 
de Jesus em Mombaça, da segunda 
metade do século XVI, onde espe-
cialistas italianos atuaram segundo 
os mais recentes critérios de fortifi-
cação. Assim, a Fortaleza dos Reis 
Magos não seria mais que um 
exemplar feito segundo uma conti-
Forte do Picão em Recife em mapa de 1759 P.J. Caetano
em 1763, e a seguir à instalação da 
corte de D. João VI e à independên-
cia, proclamada por D. Pedro I, que 
mais nada de original existe, restan-
do delas somente vagas indicações 
e velhas plantas e vistas em esmae-
cidas aquarelas e em algumas gra-
vuras já do século XVIII.
No alvorecer do século XVII, 
sobressai Francisco Frias de Mes-
quita e sua obra, englobando, 
inclusive, trabalhos de arquitetura 
religiosa. Francisco Frias de Mes-
quita, engenheiro militar portu-
guês, nasceu em 1578, e aos 20 
anos de idade conseguia ser pen-
sionista de Felipe II numa das três 
vagas existentes no curso de 
Arquitetura que o monarca manti-
nha em Lisboa. Com os estudos 
concluídos em 1603, é remetido ao 
Brasil com o importante título de 
engenheiro-mor, permanecendo 
na colônia por trinta e dois anos de 
muito trabalho. Foi, além de enge-
nheiro militar, também soldado 
valoroso. Por volta de 1608,estava 
a construir a Fortaleza da Laje, 
também conhecida por Castelo do 
Mar, Forte de São Francisco ou 
Forte do Picão, no Recife, desenho 
de Tibúrcio Spanochi, no tempo do 
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
61
ArquiteturA MilitAr
60
1622, projeta, com base nas orienta-
ções de Spanochi, o Forte do Mar, 
em Salvador. Essa também é uma 
fortificação brasileira importante, 
imaginada para defender a capital 
baiana dos holandeses. Construída 
sobre uma laje que aflorava na maré 
baixa, como no caso do Recife, 
ainda ostenta a sua forma original 
circular, com quase 90 m de diâme-
tro. Também foi chamada de São 
Marcelo ou de Nossa Senhora do 
Pópulo. Durante a frustrada inva-
são holandesa de 1624–1625 sofreu 
agravos que depois foram repara-
dos pelo próprio Frias.
Vista do Forte dos Reis Magos, em Natal (RN). 
Desenho da Casa de Pólvora, de autoria de Frias de Mesquita.
nuidade teórica norteadora das 
novas defesas. A fortaleza em causa 
não possui os já vigentes baluartes 
triangulares agenciados às cortinas 
pelos flancos de ângulos variados. 
A sua muralha envolvente é quase 
um retângulo de 50 m por 100 m 
cujos lados são quebrados fazendo 
ângulos reentrantes na maior 
dimensão e um ângulo saliente na 
face que olha para o mar. Na face 
oposta, há a entrada defendida por 
dois “orelhões”, espécie de baluar-
te provido de um só flanco, como 
mostra com mais clareza a ilustra-
ção. Talvez seja a Fortaleza dos Reis 
Magos o mais belo exemplar de 
fortificação remanescente dos tem-
pos heróicos da posse portuguesa, 
constituindo exemplo de fortifica-
ção única isolada na vastidão do 
litoral abandonado, defendendo 
tão- somente a humilde povoação 
de Natal. O seu papel era mais polí-
tico, simbolizando a inamovível 
presença luso-espanhola da costa. 
Muitas vezes a fortaleza defendeu-
se bravamente, mas um dia, em 
dezembro de 1631, a sua pequena 
guarnição não resistiu ao poderio 
de dois mil holandeses chegados 
numa esquadra de 16 navios. 
Então, passou a chamar-se Castelo 
Ceulen. Foi recuperada em 1654. 
Em 1617, na barra da lagoa de 
Araruama, nas proximidades da 
recém-fundada vila de Cabo Frio, 
Frias localiza o Forte de São Mateus, 
obra destinada a proteger aquela 
área das incursões de ingleses e 
holandeses que ali, com a conivên-
cia dos índios, furtavam pau-brasil. 
Nesse ano, freqüenta o Rio de Janei-
ro, ali próximo, e elabora o seu mais 
prestigiado projeto de edifício reli-
gioso: o Mosteiro de São Bento. Em 
Forte de Jesus em Mombaça segundo desenho de João Teixeira Albernaz c. 1548. ONB
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
63
ArquiteturA MilitAr
62
Ataque dos holandeses à cidade do Recife em 1630 Le Brésil
estiveram relacionadas com a pre-
sença batava ali por volta de 1625. 
São, evidentemente, obras que 
devem estar situadas na primeira 
etapa da classificação que estamos 
seguindo, como muitas outras, tal 
qual as do Recife, conforme vere-
mos, mas que somente agora estão 
a ser tratadas devido precisamente 
à já citada sobreposição no tempo 
entre as duas primeiras divisões. 
Salvador, situada numa baía de 
grandes proporções, que possui 
abertura para o “mar Oceano” com 
mais de duas léguas de largura, 
extensão muito grande para permi-
tir o cruzamento de fogos de armas 
ainda incipientes naquele tempo, 
na verdade nunca pôde ostentar 
um racional sistema de defesa, 
tanto que as principais escaramuças 
entre baianos e holandeses, em 
1624-1625 e depois em 1638, se 
deram em terra, já que vários eram 
os pontos envoltórios a Salvador 
permitindo livre desembarque de 
tropas. Ali, dentre as principais for-
talezas vindas ainda do tempo dos 
portugueses, destacamos o Forte de 
Santo Antônio da Barra, a Fortaleza 
de Nossa Senhora de Monserrate 
(ou de São Felipe) e o Forte do Mar, 
de que já falamos quando tratamos 
da obra de Francisco Frias de Mes-
quita. Depois das ameaças holande-
sas, o sistema defensivo baiano foi 
aperfeiçoado dentro das possibili-
dades e acabou por possuir cerca de 
vinte e quatro fortificações de varia-
dos tamanhos. 
O citado Forte de Santo Antônio 
da Barra data aproximadamente de 
É verdade que esse sistema de apoio mútuo foi iniciado pelos espanhóis, inclusive na 
Bahia, mas foram os holandeses que 
o aperfeiçoaram, construindo forti-
ficações em pontos desguarnecidos 
e fortalezas projetadas conforme 
novas bases, próprias da chamada 
“escola holandesa”. Na verda-
de, essa maneira batava 
nada tem de muito dife-
rente da italiana, como 
nos lembra Ulisses 
Pernambucano de 
Melo Neto no seu 
trabalho “O Forte 
das Cinco Pontas”, 
pois foi um técnico 
vindo da Itália, em 1559, 
chamado Marchi, quem 
introduziu nos Países Baixos 
alterações nos critérios antigos de 
agenciamento de defesas ali ainda 
vigentes. O que caracteriza a siste-
mática holandesa é a maneira de 
implantação no terreno, a escolha de 
áreas planas, até mesmo alagadiças 
e a introdução do chamado “sistema 
bastionado”, isto é, a localização 
fora dos muros principais de bas-
tiões ou trincheiras avançadas 
fazendo linhas concêntricas de defe-
sa em volta da fortaleza propria-
mente dita. É claro que essa acomo-
dação às planícies nem sempre era 
viável nas costas brasileiras, mas, 
de um modo geral, ela foi aplicada 
tendo sempre o cuidado de se evi-
tar padrastos próximos, providên-
cia que os portugueses nem sempre 
tomavam, embora fosse justa-
mente da sua tradição a 
fortificação dos pontos 
altos. Enfim, de uma 
maneira geral, os 
portugueses privile-
giaram as elevações 
do terreno na insta-
lação das suas forti-
ficações e os holande-
ses, ao contrário, 
davam prioridade às pla-
nícies. Está claro também que 
os holandeses, depois de se apossa-
rem do litoral nordestino, aprovei-
taram as fortalezas portuguesas ali 
encontradas, reformando-as segun-
do as suas conveniências. 
Antes de tratarmos das ativida-
des holandesas no Recife, é conve-
niente, porém, que sejam lembra-
das as instalações de defesa de Sal-
vador, na Bahia, porque, de um 
modo ou de outro, elas também 
A SEGUNDA ETAPA
A segunda etapa da história das fortificações brasileiras trata 
primordialmente das obras relacionadas com o período holandês 
em Pernambuco e áreas limítrofes, onde, pela primeira vez no Brasil, o 
sistema defensivo é articulado, envolvendo variados redutos, cujos 
alcances de tiro garantiam a defesa contínua de extensa faixa litorânea.
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
65
ArquiteturA MilitAr
64
gentil-homem florentino Baccio di 
Filicaya, que certamente trouxe 
para o Brasil as novidades arquite-
tônicas não só referentes às constru-
ções militares, mas também às 
obras religiosas e particulares. Essa 
Fortaleza de Nossa Senhora de 
Monserrate tem como planta um 
hexágono irregular mostrando nos 
vértices seis torreões, ou guaritas 
abobadadas, que lhe marcam incisi-
vamente a silhueta. 
Na área de influência pernambu-
cana há a destacar, na região da 
Paraíba, a célebre Fortaleza de 
Santa Catarina de Cabedelo. O seu 
primeiro projeto deveu-se ao zelo 
do já citado Diogo Flores Valdez 
nas suas vistorias nos pontos 
importantes ainda falhos de defesas 
eficazes. Na foz do rio Paraíba pro-
videncia ele a ereção de um forte 
projetado pelo engenheiro alemão 
Cristovan Lintz por volta de 1585. 
Foi trabalho mal executado, no 
entanto. As suas taipas não resisti-
ram aos anos e às intempéries. Isso 
fez com que o próprio Felipe II orde-
nasse uma “reformação” de tal for-
taleza, altamente degradada. Cum-
prindo tais ordens, em 1618, D. Luís 
de Sousa, o então governador-geral 
da capitania, vai ao local, na com-
panhia de Francisco Frias de Mes-
quita, e planeia uma nova constru-
ção, aquela que hoje ombreia em 
Forte de Nossa Senhora de Monserrate, Salvador (BA)
1534 e foi reconstruído em pedra e 
cal pelo governador-general D. 
Francisco de Sousa, e desde aquele 
tempo a sua eficácia foi posta em 
causa. Foi tomado pelos holandeses 
e logo depois reconquistado. Em 
1627, nas suas imediações, foram 
levantados os Fortes deSanta Maria 
e São Diogo, para que fossem evita-
dos novos desembarques nas 
redondezas. 
As três fortificações, no entanto, 
estão à mercê de padrastos bem 
próximos, o que as torna vulnerá-
veis. O de Santo Antônio da Barra 
teve, ao longo do tempo, o seu perí-
metro aumentado, passando a mos-
trar a forma de um polígono irregu-
lar de dez lados e nenhum baluarte, 
mas tão-somente guaritas nos vérti-
ces salientes. 
A Fortaleza de Nossa Senhora de 
Monserrate de Salvador tem inte-
resse arquitetônico e, ao mesmo 
tempo, documental porque talvez 
seja a última fortificação brasileira 
projetada e construída por um 
arquiteto italiano especialmente 
trazido para tal mister. Antigamen-
te chamava-se Forte de São Felipe, 
em homenagem ao rei espanhol, 
tendo sido feita sobre uma primiti-
va fortificação, entre 1591 e 1602, 
por ordem do mesmo D. Francisco 
de Sousa, tendo como arquiteto o 
Forte de Santo Antonio da Barra 
em Salvador (BA), em desenho 
do século XVIII AHE
Sistema bastionado segundo o “Método Luzitano de Desenhar Fortificações das Praças 
Regulares e Irregulares”, de Serrão Pimentel (1680)
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
67
ArquiteturA MilitAr
66
Fortaleza de Santa Catarina de Cabedelo na Paraíba Barlaeus, 1647

A TERCEIRA ETAPA
Restaurada a soberania portuguesa na totalidade do litoral 
brasileiro do Nordeste em 1654, ficaram ainda indecisas as 
demarcações separando o Brasil das possessões espanholas.
conservação, até surgir a planta defi-
nitiva, que hoje vemos, caracterizada 
pelo convencional quadrado provido 
de quatro baluartes nos seus vértices.
A Fortaleza de Santa Cruz de Ita-
maracá, também denominada Forte 
Orange pelos holandeses que a cons-
truíram, data de 1631 e, situada ao sul 
da ilha daquele nome, defendia a 
barra do Rio Igaraçu, que, mesmo na 
maré baixa, dava calado aos navios 
de grande porte. Possuía planta qua-
drada, com os sempre presentes qua-
tro baluartes de ângulo agudo.
T udo era muito nebuloso de Santa Catarina, ao sul de Cananéia, em direção a Bue-
nos Aires, e também nada estava 
definido no que diz respeito às divi-
sas no âmago do continente, pois 
todo aquele sertão, praticamente 
desconhecido, aguardava uma deci-
são que indicasse o que pertencia a 
Portugal e o que seria espanhol. 
Contrariando o velhíssimo Tratado 
de Tordesilhas, estavam os portu-
gueses fixados centenas de léguas a 
oeste, quase nas faldas dos Andes, e 
realmente aquele remoto labirinto 
de rios envolvendo gigantescas flo-
restas que escondiam riquezas ini-
magináveis haveria que ser reparti-
do. Os bandeirantes paulistas, desde 
os anos iniciais do século XVII, per-
correram, em busca de índios a 
escravizar e de ouro, em viagens que 
duravam anos, todas aquelas remo-
tas paragens e durante essas andan-
ças fixaram-se em pontos isolados, 
que serviram de balizas lusitanas na 
hora das confrontações territoriais. 
Em 1750, ocorre o Tratado de 
Madrid, que estabelece as divisas 
entre as duas nações com base numa 
Forte Orange na Ilha de Itamaracá (PE), em 
gravura do século XVII do livro de Barlaeus.
Fortaleza de Santa Cruz de Itamaracá, na Barra do Rio Igaraçu, (PE). Antigo Forte Orange, 
edificado pelos holandeses em 1631, foi tomado pelos portugueses em 1654, quando foi 
rebatizado com o nome atual. AHU
importância arquitetônica com os 
Reis Magos de Natal. Em 1634 é 
tomada pelos holandeses, que ali 
ficam por vinte anos fazendo obras 
de ampliação e manutenção. Passou 
a chamar-se Forte Margaret. A sua 
planta irregular apresenta três 
baluartes voltados para o oceano. 
Da Paraíba para o sul começa o 
grande sistema defensivo que carac-
terizou o período da dominação 
holandesa. Só na costa pernambuca-
na podemos identificar vinte e oito 
fortificações, fora as de Alagoas. Cita-
remos somente as duas principais, 
que têm certo valor arquitetônico e 
histórico e testemunham a obra forti-
ficatória dos subordinados do conde 
Maurício de Nassau: a Fortaleza de 
Santiago das Cinco Pontas e a Forta-
leza de Santa Cruz de Itamaracá (ou 
Forte Orange). 
Hoje, a Fortaleza das Cinco Pontas 
está envolta pelo casario do Recife e 
há muitos e muitos anos que já não 
existem os cinco baluartes que lhe 
deram o nome, apelido, aliás, vindo 
dos tempos dos flamengos, que resis-
tiu a todas as modificações introduzi-
das no seu perímetro. Realmente, 
essa fortaleza, levantada em 1630 
p e l o e n g e n h e i ro h o l a n d ê s 
Commersteyn, possuía um períme-
tro pentagonal que aos poucos pas-
sou a ser remodelado em obras de 
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
69
ArquiteturA MilitAr
68
zuela os espanhóis desciam pelos 
rios da cabeceira para atingir o mar 
facilitador das comunicações com a 
Europa. Havia que trancar o rio. 
Coisa difícil, no entanto, porque só 
da terra firme seria impossível o esta-
belecimento articulado de fortifica-
ções. A defesa dos canais necessaria-
mente haveria de ser comprometida 
com o emprego de navios de guerra. 
No entanto, em alguns pontos julga-
dos estratégicos foram levantadas 
poucas fortalezas, que vêm a consti-
tuir as da terceira etapa da nossa clas-
sificação, e duas delas, pelo menos, 
tiveram, e têm ainda, grande signifi-
cação arquitetônica: uma, a de 
Macapá, no imenso delta amazônico, 
e a outra bem no interior, nas mar-
gens do Guaporé, já para os lados da 
remota capitania do Mato Grosso. 
A Fortaleza de São José de Macapá 
foi projetada em 1764 por Henrique 
Antônio Galluzzi. Esse cidadão ita-
liano, parece que natural de Mânto-
va, foi contratado em 1750 como aju-
dante de infantaria, com o exercício 
de engenheiro. São José de Macapá 
foi, deve-se reconhecer, uma fortale-
za de pouca eficácia, dada a imensa 
largura do rio à sua frente e também 
por estar sempre malguarnecida de 
soldados devido à pestilência do 
local, naquela época caracterizado 
por pântanos envolventes. Pois 
Planta da Fortaleza de N. Sra. 
de Nazareth no Rio Tocantins (PA) AHE
Projeto de fortificação da cidade de Belém do Pará, de Gaspar Gronsfeld MI
Portal do Forte 
Príncipe da Beira,
em Rondônia CI
incipiente cartografia que simples-
mente apontava rumos ou direções, 
sem a possibilidade de indicar com 
exata precisão o percurso da raia 
separadora das duas línguas. Há 
necessidade, então, de profissionais 
que viessem à América do Sul para 
demarcar os limites imaginados 
pelos diplomatas na corte espanhola. 
Portugal arregimenta o que há de 
melhor entre os seus profissionais, 
principalmente cartógrafos e enge-
nheiros militares, e manda também 
que sejam contratados especialistas 
italianos que facilitem o intento de 
balizar o território através de obser-
vações astronômicas e, inclusive, 
localizar fortificações nos pontos-
chave. Dentre esses italianos distin-
guiram-se Antônio José Landi, Hen-
rique Antônio Galluzzi e Domingos 
Sambuceti, todos chegados ao Norte 
do Brasil poucos anos depois do refe-
rido tratado diplomático. Dentre os 
três, Landi talvez tenha sido o mais 
famoso no exercício da profissão, 
pois revelou-se um arquiteto compe-
tente, tendo sido responsável pela 
introdução de novas versões estilísti-
cas que poderíamos chamar de “tar-
do-maneirismo” a partir de suas 
obras civis de Belém do Pará. No 
entanto, como engenheiro fortifica-
dor, assumiu aspecto apagado. Os 
seus patrícios, porém, na arquitetura 
militar tiveram papel atuante. 
O rio Amazonas era vulnerável 
porta aberta para o interior do conti-
nente, e daí a extensão do problema 
surgido aos portugueses: pela sua 
quilométrica foz, ingleses, franceses e 
holandeses, insatisfeitos só com a 
posse das Guianas, voltadas para o 
Atlântico, desejavam também fazer 
frente para as águas amazônicas, 
enquanto no Peru, Colômbia e Vene-
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
71
ArquiteturA MilitAr
70
Real Forte Príncipe da Beira em Guajará Mirim (RO). 
Em baixo, detalhe do portal do forte CI
Projeto e construção da Guarita 
do Forte Príncipe da Beira.
naquele deserto, longe de tudo e de 
todos, o capitão-generalFernando 
da Costa Ataíde ratificou a posse 
portuguesa mandando o engenhei-
ro italiano levantar a mais vasta 
praça de guerra do Brasil, que che-
gou a possuir 86 canhões. Toda 
construída de pedra escura habil-
mente trabalhada, tem planta qua-
drada com quatro baluartes cujos 
flancos fazem ângulos bastante 
abertos com as cortinas. No recinto 
da fortificação havia oito edifícios 
apropriados para os diferentes mis-
teres de uma praça de guerra, como 
o paiol de pólvora, o hospital, a 
capela, os armazéns, os quartéis, a 
casa do comandante, etc.
O Real Forte do Príncipe da Beira 
teve a sua pedra fundamental lan-
çada em 20 de junho de 1776 nas 
margens do Rio Guaporé, hoje 
município do Guajará-Mirim (Ron-
dônia), pelo capitão-general Luís de 
Albuquerque de Melo Pereira e 
Cáceres, tendo a seu lado o ajudan-
te de infantaria e engenheiro 
Domingos Sambuceti. Natural de 
Gênova, este profissional italiano 
também perambulou pelos sertões 
amazônicos, não só fazendo demar-
cações, como refazendo fortifica-
ções à beira-rio deixadas pelos pri-
meiros portugueses na região. Essa 
fortaleza de Sambuceti também é 
de planta quadrangular com os 
seus quatro baluartes à “moda 
Vauban”, como dizem os cronistas 
brasileiros quando tratam desses 
redutos da floresta amazônica. 
Planta da Fortaleza de S. José de Macapá, no Rio Amazonas, desenhado Galluzzi AHE
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
73
ArquiteturA MilitAr
72
são maneirista desaparecida duran-
te a guerra com os holandeses. 
José da Silva Pais talvez tenha 
sido melhor arquiteto do que forti-
ficador, porque imaginou, em 1739, 
um sistema triangulado de fortale-
zas situando duas delas nas ilhas 
Anhatomirim e Raton Grande e a 
terceira na ponta Grossa da ilha de 
Santa Catarina, onde se situava a 
cidade do Desterro, a atual Floria-
nópolis, capital do estado de Santa 
Catarina. Tais fortalezas foram ine-
ficazes, permitindo, por exemplo, 
que em 1777 os espanhóis, sob o 
comando de D. Pedro Ceballos, 
ocupassem a ilha. Essas três fortale-
zas foram: Santa Cruz de Anhato-
mirim, São José da Ponta Grossa e 
Santo Antônio de Raton Grande, 
ou Fortaleza dos Ratones. As três 
fortificações foram organicamente 
adequadas às conformações topo-
gráficas de seus sítios de implanta-
ção, de modo que não apresentam 
nas suas plantas nenhuma ordena-
ção geométrica. Os seus perímetros 
são sinuosos e irregulares, permi-
tindo grandes terraplenos, onde o 
arquiteto, ao longo de uns dez 
anos, foi dispondo edifícios neces-
sários e normais às praças de guer-
ra assim fortificadas. Delas, a mais 
importante (e hoje restaurada) é a 
primeira, a de Santa Cruz, cujas 
Anhatomirim segundo desenho de José 
Custódio de Sá e Faria, ca. 1754 BMMA
“Prospecto da Fortaleza de S. Cruz da Ilha Anhatomirim”, 1760 BMMA
Em 1735 a colônia foi atacada duramente, iniciando-se a guerra entre os dois países, 
que durou alguns anos. Acordaram 
nessa hora os portugueses, vendo o 
seu vasto litoral sul totalmente des-
guarnecido, e trataram de fortificá-
-lo rapidamente. A expedição ao sul 
foi confiada ao brigadeiro José da 
Silva Pais, engenheiro e arquiteto de 
muita importância na história da 
arquitetura brasileira porque foi o 
primeiro a projetar na colônia, em 
plena euforia barroca, ocorrida prin-
cipalmente no Nordeste, edifícios 
contidos dentro da mais austera 
composição classicizante. Acontece 
que Silva Pais, como seus colegas 
engenheiros militares portugueses, 
ainda estava preso ao maneirismo 
histórico que antecedeu ao barroco.
O Palácio do Governo, projetado 
por Silva Pais, cujos desenhos origi-
nais estão em Lisboa, hoje totalmen-
te desfigurado, pode ser considera-
do a primeira construção clássica 
brasileira do século XVIII, que reto-
mou, depois de cem anos, a conci-
A QUARTA ETAPA
As providências demarcatórias das divisas entre a Espanha 
e Portugal na América do Sul, decorrentes do já citado Tratado 
de Madrid, na parte da marinha sul, não chegaram a bom termo, 
não impedindo as escaramuças entre gente de Buenos Aires e os 
moradores da colônia do Sacramento, o ponto mais avançado ao sul, 
nas margens do Prata, em que os portugueses se haviam fixado.
Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim em Florianópolis, SC
As FortiFicAções coloniAis no BrAsil
75
ArquiteturA MilitAr
74
“Plano para servir d’demonstração dos lugares fortificados 
da Ilha de Santa Catarina”, desenhado por José Correia Rangel - 1786 AHML
construções internas possuem bas-
tante interesse arquitetônico. 
Finalmente, ainda na quarta etapa 
da nossa classificação, tem de se 
mencionar a Fortaleza de Nossa 
Senhora dos Prazeres da Ilha do 
Mel, nas proximidades de Parana-
guá, no litoral paranaense. Tem 
planta retangular, cujas cortinas são 
de cantaria aparelhada, e foi cons-
truída em 1767 pelo tenente-coronel 
Afonso Botelho de Sampaio, a 
mando do morgado de Mateus, D. 
Luís Antônio de Sousa Botelho Mou-
rão, seu primo, então governador-
general da capitania de São Paulo. 
Essa providência fora decorrente de 
recomendação do marquês de Pom-
bal, que ficara impressionado com a 
quantidade de incursões de piratas 
naquelas redondezas. Em 1800 foi 
desarmada por ser considerada inú-
til, principalmente por estar situada 
ao lado de um morro, seu padrasto. 
Esse é o panorama geral relativo 
à disposição, no tempo e no espaço, 
do sistema de fortificações ocorrido 
no Brasil colonial. A História está 
repleta de exemplos de fortificações 
invadidas por índios revoltados, 
por corsários ousados e por milita-
res aos milhares, como aconteceu 
com a Fortaleza dos Reis Magos, de 
Natal. São muito raros os cercos 
frustrados por resistências eficazes. 
Heróicas, sim, foram sempre as 
reconquistas, em que soldados e 
povo irmanados, praticando princi-
palmente a guerrilha, venciam, com 
os recursos mais incipientes, o inva-
sor poderoso. Reconquistando-se os 
baluartes roubados, reassenhorea-
Fortaleza de Jesus Maria José, no Rio Grande do Sul, projetada por Manuel Vieira Leão AHU
ArquiteturA MilitAr
76
MApA dAs FortiFicAções 
dA BAixAdA sAntistA
Victor Hugo Mori
Carlos A. Cerqueira Lemos
(*) Resumo do texto: “O Brasil” in “História das Fortificações Portuguesas no Mundo”, 
direção de Rafael Moreira, Publicações Alfa, Lisboa, 1998, pp. 235/254.
D. João pintado por Debret. 
A transferência da Corte 
para o Rio de Janeiro encerrou 
um capítulo da nossa história 
militar.
va-se a posse política. Daí, por 
exemplo, a nem sempre correta 
escolha do sítio a ser fortificado, 
demonstrando uma certa displicên-
cia ou, quem sabe, precaução. É que 
até os próprios padrastros, um dia, 
acabariam por favorecer os colonos 
espoliados…
Somente depois dos tratados de 
Madrid e de Santo Ildefonso é que 
Portugal realmente se precaveu, 
com estudada racionalidade na 
defesa das suas terras, tanto no ser-
tão amazônico como no litoral sul. 
Somente depois desses acordos. Na 
verdade, nem o ouro de Minas, des-
pachado para a Corte através do 
porto do Rio de Janeiro, chegou a 
justificar o estabelecimento da 
razoável articulação entre fortale-
zas, talvez porque os prováveis ata-
cantes da pirataria, institucionaliza-
da agora em meados do século XVIII, 
preferissem agir em alto mar, inves-
tindo contra a frota rica. Assim, no 
que diz respeito à arquitetura mili-
tar, o Brasil, devido a esses sucessos 
todos, apresenta uma interessantís-
sima diversificação tipológica que, a 
nosso ver, está à espera de um aten-
to pesquisador que venha a mostrar 
como a teoria dos especialistas em 
Portugal se manifestou despoliciada 
na colônia.

Mapa das FortiFicações da Baixada santista
79
ArquiteturA MilitAr
78
Forte de São Luis da Bertioga
Legenda
 Fortificações existentes
 Fortificações destruídas
Forte da Villa ou de Monserrate
Fortim do Góes
Fortaleza de Itaipu
Praia Grande
São Vicente Santos
Forte de São João da Bertioga ou de São Tiago
Forte de Vera Cruz de Itapema
Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande
Guarujá
Forte de 
São Felipe
Fortedos Andradas ou do Monduba
Forte da Estacada
fonte INPE
Bertioga
Mapa das FortiFicações da Baixada santista
81
ArquiteturA MilitAr
80
Fortaleza de Itaipu
A Ponta de Itaipu, no Município de Praia 
Grande, possui três fortificações: a deno-
minada Duque de Caxias (1917), a de 
Jurubatuba (1919) e a bateria inacabada 
General Rego Barros. Está em andamento 
um projeto prara transformar a área num 
complexo turístico-cultural.
Forte dos Andradas
Situado na Ponta do Monduba, no Guaru-
já, foi concluído em 1942 – o último a ser 
construído no Brasil. Edificado no subter-
râneo do morro, está armado com quatro 
obuseiros de costa de 280 mm. Foi recente-
mente aberto à visitação pública.
Forte de Vera Cruz de Itapema
Nos mapas quinhentistas de São Vicente, 
já aparece um pequeno fortim na Ponta de 
Itapema, no Guarujá, com a denominação 
de Forte da Cruz. O que resta hoje desse 
reduto foi construído em 1738 com projeto 
do Brigadeiro Silva Paes, porém a bateria 
quinhentista semicircular parece que foi 
em parte incorporada no projeto do século 
XVIII.
Forte da Vila ou de Monserrate
Não se conhece a data da construção 
dessa bateria, mas sabemos que no final 
do século XVII foi reconstruída devido ao 
seu arruinamento. Esse pequeno reduto 
voltado para o Porto de Santos foi demoli-
do em 1876 para dar lugar ao prédio da 
Alfândega. Possuía uma cortina curvilí-
nea e era armado com seis peças calibre 6 
no século XVIII.
Forte do Crasto ou da Estacada
O Brigadeiro João Massé projetou essa for-
tificação em 1714, que seria construída por 
João de Crasto na praia fronteira ao Forte 
da Barra Grande. Devido a erros constru-
tivos, apenas a tenalha foi edificada em 
pedra e cal, sendo o restante completado 
precariamente com estacadas de madeira. 
Foi demolido no início do século XX para a 
construção do edifício que hoje abriga o 
Museu de Pesca de Santos.
Fortim do Goes
Localizado na Praia do Goes, no Guarujá, 
foi construído em 1767 pelo Morgado de 
Matheus para impedir o desembarque por 
terra à Fortaleza de Barra Grande. No 
final do século XIX, encontrava-se desar-
mado. A ocupação irregular da área acen-
tuou sua degradação.
Forte de S. Tiago ou S. João da Bertioga
Situado na entrada do Canal da Bertioga, 
foi construído por ordem de D. João III em 
1551, para proteger a Capitania de S. 
Vicente contra os tamoios do litoral norte. 
Ampliado e reformado em 1751 pelo 
governador Sá e Queiroga, foi restaurado 
pelo IPHAN em 1942 e 2000.
Forte São Luiz da Bertioga
O maremoto de 1769 destruiu parte da 
cortina do Forte da Bertioga. Em 1770, o 
governador D. Luíz A.S.B. Mourão man-
dou edificar o Forte S. Luíz na outra mar-
gem do canal (Guarujá) para substituir a 
bateria avariada. Esse novo forte nunca 
chegou a ser completamente acabado.
Forte de São Felipe
No mesmo local fortificado por Martim 
Afonso, onde morou Hans Staden, o 
Capitão-mor Jorge Ferreira edificou uma 
“casa de pedra” ou casa-forte, com a 
denominação de Forte S. Felipe em 1557. 
Abandonado no século XVII, o local foi 
reocupado pela Armação de Baleia a 
partir de 1745, cujas ruínas ainda 
subsistem.
Fortaleza de S. Amaro da Barra Grande
Oficialmente a Fortaleza foi construída em 
decorrência da presença do inglês 
E. Fenton em Santos, pelo comandante 
Andrés Igino, da Armada de Felipe II. A 
obra foi projetada em 1583 por B. Antonel-
li, e ampliada no século XVIII pelos Briga-
deiros Massé e Silva Paes. Foi restaurada 
pelo iphan com o apoio da Universidade 
Católica de Santos.
A orgAnizAção MilitAr 
nA cApitAniA de 
são vicente 
nos priMeiros séculos
Victor Hugo Mori
Entrada do Canal da Bertioga – primeiro ponto fortificado 
na Capitania de São Vicente.

A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
85
O SISTEMA DE ORDENANÇAS
O desmantelamento da estrutura feudal militar-aristocrática nos 
séculos xiv e xv reflete em parte o poder da emergente classe dos 
mercadores, que buscava através da centralização do poder 
político nas monarquias, as condições para o desenvolvimento do 
surto mercantil.
A época foi favorável a essas transformações: a passagem do artesanato para a manu-
fatura, a revolução urbana em opo-
sição ao enfraquecimento da econo-
mia rural, o desenvolvimento da 
artilharia de fogo, que reduziu os 
castelos feudais a símbolos arquite-
tônicos do passado e o progresso da 
engenharia naval.
Portugal antecipou o processo de 
unificação do poder, gerando assim 
as condições políticas para desen-
volver o surto mercantil, segundo 
Nélson Werneck Sodré. Essa nova 
economia era desvinculada da pro-
dução de gêneros e manufaturas. O 
lucro advinha da intermediação e 
transporte de mercadorias. Era o 
modelo adequado a uma nação 
pequena e montanhosa voltada para 
o mar. A expansão marítima de Por-
tugal foi, portanto, uma empresa de 
caráter “puramente mercantil”.1
A manutenção do monopólio das 
rotas de comércio implicava ocu-
par, produzir e defender a área con-
quistada, tarefa que a classe mer-
cantil não dispunha de capacitação 
nem de meios para a sua execução. 
O empreendimento tornou-se viá-
vel a partir da associação com a 
casta de fidalgos, que ainda conser-
vava a tradição ancestral de con-
Gravuras de 1557 do livro Hans Staden representando 
um engenho de açúcar idealizado como uma construção medieval 
fortificada em São Vivente e uma paliçada de defesa com suas 
bombardas em Igaraçu.
A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
87
ArquiteturA MilitAr
86
Mapa do Brasil com a divisão em capitanias, c.1590. 
Biblioteca da Ajuda, Lisboa, Portugal
tas almas, e de escravaria mais de três 
mil e seis Engenhos e muita fazenda”.2 
O Regimento de Tomé de Souza 
de 17/12/1548 definiu o número 
mínimo de artilharias para as capi-
tanias. Ordenava ainda, que “os 
senhores de engenhos e fazendas que, 
por este Regimento, hão de ter torres ou 
casas-fortes, terão ao menos quatro ber-
ços e dez espingardas com pólvoras 
necessárias, e dez bestas, e vinte espadas 
e dez lanças ou chuças, e vinte corpos de 
armas de algodão”.3
Os restos quinhentistas do Enge-
nho dos Erasmos, em Santos, uma 
das pioneiras instalações de pro-
ducão de açúcar no Brasil, confi-
guram uma construção civil forti-
Folha do Tratado de Tordesilhas, 1494.
AGI, Sevilha, Espanha
quistar, ocupar, produzir e defen-
der um território. 
A divisão em Capitanias Heredi-
tárias foi a estratégia política adotada 
para a colonização do Brasil, enquan-
to o interesse da coroa portuguesa 
estava voltado ao lucrativo comércio 
das especiarias. O único sistema 
encontrado para a ocupação de um 
vasto território desconhecido, des-
provido de infra-estrutura, de meios 
e de súditos foi o feudal-escravista, 
centrado na produção de açúcar. 
Catorze anos após a criação da 
Capitania de São Vicente, o fidalgo 
Luis de Góes em carta ao rei relatava 
que “só nesta capitania entre homens, 
mulheres e meninos há mais de seiscen-
A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
89
ArquiteturA MilitAr
88
pelouros para ele”, “seis meio berços de 
metal”, “dezoito câmaras”, “vinte 
pelouros”, “um quintal mais de pólvora 
de bombarda”, “trinta espadas guarne-
cidas”, tudo avaliado em “duzentos, 
quarenta, e seis mil, e oitenta, e oito 
reis”, a serem pagos das rendas do 
donatário Martim Afonso de Souza.5
A conclusão do Forte de São Tiago 
da Bertioga em 1560, a expulsão dos 
franceses do Rio de Janeiro, o trata-
do de paz com os tamoios, e a trans-
formação de Santos como a princi-
pal vila da capitania, levaram a 
barra pequena da Bertioga a perma-
necer pacífica e quase esquecida até 
a época das descobertas auríferas. 
A organização militar na Capita-
nia de São Vicente ainda conservou 
sem grandes alterações até o fim do 
século XVII o sistema implantado no 
Foral de 04/09/1534 e no Regimento 
de Tomé de Souza de 17/02/1548. 
As tropas regulares (ou de linha) 
profissionais pagas pela Coroa, eram 
responsáveis pela defesa das rotasmercantis, e as forças não regulares, 
denominadas Serviços de Ordenan-
ças, convocadas e mantidas em caso 
de guerra pelos donatários e capi-
tães, garantiam a defesa da terra. A 
expulsão dos franceses do Rio de 
Janeiro demonstrou, que em casos 
de invasões externas as duas forças 
se conjugavam para a defesa do ter-
ritório colonial: a frota de Simão de 
Vasconcelos enviada de Portugal, e 
as Ordenanças compostas pelos 
colonos da Capitania de São Vicente.
Mapa da Capitania de São Vicente com 
suas quatro primeiras fortificações
Brasão 
de Martim Afonso 
de Souza
Paliçada indígena ou caiçara
ficada para se proteger dos “con-
trários” quatorze anos antes do 
Regimento de Tomé de Souza. 
Segundo Júlio Katinsky, “a forma 
compacta e alongada das grossas pare-
des de “pedra canjica” (opus incer-
tum), de grande resistência e estabili-
dade, e as seteiras remanescentes indi-
cam construção com função também 
defensiva, adequada àquele primeiro 
período da conquista.” 4 
Nos primeiros anos da coloniza-
ção vicentina os conflitos entre os 
portugueses e os indígenas do lito-
ral norte, aconteciam na barra da 
Bertioga, local onde foram cons-
truídas as duas primeiras fortifica-
ções da capitania: o Forte de San-
tiago e o Forte de São Felipe. Era o 
ponto de divisa entre os territórios 
das duas nações inimigas: os tupi-
niquins, aliados dos portugueses, e 
os tamoios, aliados dos franceses.
No dia 13/02/1552 Thomé de 
Souza, “respeitando a contínua guerra 
que nas ditas capitanias havia” man-
dou provê-las “de alguma artilharia, e 
munições necessárias para a segurança 
delas”. Para a Capitania de São 
Vicente (Fortaleza da Bertioga) 
“mandava para defesa dela a artilharia e 
munições seguintes”: “um pedreiro de 
metal e um reparo de rodas maciças”, 
“um falcão também de metal”, “o rabo e 
pião dele”, “duas câmaras”, “a chave e o 
reparo dele”, “trinta pelouros para o 
dito falcão”, “quatro berços também de 
metal”, “doze câmaras e quatro chaves 
para eles”, “vinte pelouros”, “seis arca-
buzes aparelhados”, “uma arroba de pól-
vora de espingarda”, e “vinte espadas 
com suas bainhas”; tudo isso somado 
aos armamentos “que já estavam de 
Sua Alteza na dita Capitania de São 
Vicente, a saber um falcão outro de 
metal”, “duas câmaras para ele”, “vinte 
A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
91
ArquiteturA MilitAr
90
Oficial do Corpo de Dragões de São Paulo em 1775 (esq.); soldado do Regimento 
de Infantaria de Santos e soldado do Corpo da Marinha de Santos, segundo 
desenho de W. Douchkine
moradores de S. Paulo os que vêm livrar 
aos da Bahia, e este serviço S. Majestade 
há de remunerar, e eu agradecer a todos 
os que vierem fazê-lo.”6 O Regimento 
com 19 parágrafos, dessa “Bandeira 
Oficial” liderada pelo paulista 
Domingos Barbosa Calheiro com 200 
homens, além de 40 escravos e 40 
cavalos cedidos pela coroa, reflete 
ainda o modelo medieval de guer-
rear. Todos seriam recompensados 
com “as utilidades que delas se lhe 
seguir, assim dos cativos que aprisiona-
rem, como das terras que eles ocupam”.7
No final do século XVII o bandei-
rante Domingos Jorge Velho foi 
designado pelo Rei “como mestre de 
campo do terço que mandou se forme 
dos ditos paulistas”, para a “guerra 
dos Palmares de Pernambuco”.8 
Com a descoberta do ouro, a 
coroa portuguesa foi obrigada a 
desfazer pouco a pouco esse Siste-
ma de Ordenanças de inspiração 
feudal, criando milícias regulares 
para controlar os acessos às minas. 
Em 1745 o governador da capitania 
de São Paulo solicitava autorização 
do rei para serem concedidos 400 
tapuias de aldeias do Rio de Janeiro, 
à custa da Fazenda Real, para se 
encarregarem da segurança dos 
caminhos e passagens.
No último ano do século XVIII, as 
forças de defesa da Capitania de São 
Paulo eram compostas pela Legião 
de Voluntários Reais e o Regimento 
de Infantaria, criados em 1775, além 
dos onze Regimentos Milicianos (3 
de Cavalaria e 8 de Infantaria) e do 
Corpo de Ordenanças. Na Fortaleza 
da Barra o destacamento comanda-
do pelo Tenente Joaquim R. de Aze-
vedo Marques era composto por 2 
oficiais inferiores, 2 cabos, 1 tambor, 
48 soldados, além de outro oficial 
No século XVII, com a atenção do 
governo central voltada para as ten-
tativas de invasões da área da produ-
ção açucareira nordestina, o Sistema 
de Ordenanças (tropas não regula-
res) na esquecida capitania de São 
Vicente, deu origem a tropas particu-
lares à serviço de um senhor: as ban-
deiras. A conquista pelos holandeses 
dos entrepostos africanos de escra-
vos, fomentou internamente a procu-
ra pela mão de obra indígena. As 
bandeiras paulistas foram em princí-
pio toleradas pelo governo diante da 
circunstância econômica do país, e 
paulatinamente adquiriram uma 
dimensão militar importante na polí-
tica de defesa, que acabaram sendo 
consagradas pela metrópole. Após a 
difícil retomada de Pernambuco e a 
restauração do trono português, a 
Fazenda Real encontrava-se descapi-
talizada e as tropas militares do nor-
deste enfraquecidas. Ocorreram inú-
meros ataques de tribos inimigas nas 
áreas nordestinas, obrigando a coroa 
a recorrer aos bandeirantes de São 
Vicente. 
Em 1657, o governo requisitava o 
auxílio do Capitão-mor de São 
Vicente para enviar “sertanistas” para 
destruir índios que atacavam os por-
tugueses do Recôncavo, pois todas 
as tentativas locais haviam fracassa-
do devido à “ligeireza” dos contrários 
e à nossa “ignorância de campanha e 
pouco vezo daquela guerra”. O gover-
nador-geral do Brasil Francisco Bar-
reto acrescentava que “só a experiên-
cia dos Sertanistas dessa Capitania pode-
rá vencer as dificuldades”. Em troca a 
coroa permitiria aos bandeirantes 
“servir deles como escravos sem o menor 
escrúpulo de suas consciências”, além 
do que “a matéria é da maior importân-
cia que se deixa ver: e maior a glória que 
essa Capitania pode ter de serem os 
Bandeirante idealizado por Belmonte
Soldados índios do século XIX em pintura 
de Debret
A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
93
ArquiteturA MilitAr
92
OS ENGENHEIROS MILITARES
Mario Mendonça de Oliveira escreveu com muita propriedade 
sobre a impossibilidade de se estudar a Arquitetura e a 
Urbanística de Portugal e do Brasil até o século xix, “sem 
defrontar-se, obrigatoriamente, com a Engenharia Militar”.10
N os dois primeiros séculos o Corpo de Engenheiros não se constituiu numa casta de 
elite dentro da organização militar 
do reino. Chegou mesmo a ser um 
quadro desprestigiado dentre os ofi-
ciais de infantaria e artilharia, prin-
cipalmente os nascidos em terras 
brasileiras. Sequer havia distinção 
de atribuições entre os construtores 
civis e os engenheiros militares. Os 
primeiros chegaram a construir for-
tificações enquanto os militares pro-
jetaram e construíram incontáveis 
prédios religiosos, edifícios públi-
cos, além de obras urbanísticas. As 
regras medievais das corporações 
de ofício ainda prevaleciam. O pri-
meiro projeto enviado do reino para 
São Vicente foi “a traça” do peque-
no forte da Bertioga em 1551, na 
época em que o “Mestre das obras 
da fortificação do Reino, Lugares-
-d’além e Índias” era ocupado pelo 
famoso Miguel de Arruda.
A publicação em 1680 do livro 
“Método Lusitânico de Desenhar 
as Fortificações”, em Lisboa, de 
autoria do engenheiro-mor do 
Reino Luís Serrão Pimentel, busca-
va o estabelecimento de uma meto-
dologia nacional, a partir das expe-
riências portuguesas e das escolas 
francesa e holandesa, além de 
salientar a especificidade da fun-
ção da engenharia militar.Engenho dos Erasmos em Santos: parede quinhentista com seteiras de defesa.
inferior, 1 cabo e 8 soldados no For-
tim do Góes. O Forte da Estacada 
comandado pelo tenente Francisco 
Borja, possuía 1 oficial inferior, 1 
cabo e 8 soldados. O Forte de Itape-
ma comandado pelo alferes Manoel 
de Albuquerque possuía, 1 cabo e 2 
soldados. O Forte de São Luiz e o de 
São João da Bertioga (Registro) eram 
comandados pelo tenenteFrancisco 
de Carvalho, sendo o destacamento 
do primeiro composto de 1 cabo e 8 
soldados, e o do segundo, de 1 cabo 
e 4 soldados. Na antiga Fazenda dos 
Jesuítas situada na subida da Serra 
de Paranapiacaba, existia um desta-
camento composto de 1 cabo e 6 sol-
dados sob o comando do encarrega-
do da Fazenda Real do Cubatão.
O sistema de defesa do Porto de 
Santos foi bastante detalhado no ofí-
cio do governador Antonio de Mello 
Castro e Mendonça, de 16/10/1800. 
O reconhecimento dos navios era 
atribuição da Fortaleza da Estaca-
da, que em caso de suspeita daria 
“dois tiros de Pessa, com intervallo de 
hum minuto” hasteando a “bandeira 
encarnada”. A Fortaleza da Barra 
Grande reconhecendo o sinal de 
rebate, “firmará bandeira com outros 
dois tiros de Pessa”, que seria repeti-
do pelo Forte de Itapema. Este 
sinal, ao ser reconhecido pelas tro-
pas em Cubatão seria enviado ao 
planalto, que providenciaria o des-
locamento de tropas para socorrer 
o litoral, através da Calçada do 
Lorena inaugurada em 1792, e pro-
teger a Serra de Cubatão.9
No século XIX, com a instalação da 
Corte no Rio de Janeiro e principal-
mente, após a Independência, a 
organização iria sofrer profundas 
transformações condicionadas ao 
novo momento histórico do país.
A OrgAnizAçãO MilitAr nA CApitAniA de SãO ViCente nOS priMeirOS SéCulOS
95
ArquiteturA MilitAr
94
memorie”, que havia deixado no Bra-
sil (Verzino) e que seriam posterior-
mente enviados, porém estes pre-
ciosos manuscritos são hoje desco-
nhecidos.12
O primeiro engenheiro militar a 
trabalhar em São Vicente foi o espano-
-italiano Giovanni Battista Antonelli, 
autor do projeto da Fortaleza da 
Barra Grande em 1583. No Caribe, 
onde exerceu a função de principal 
engenheiro de Felipe II, além das 
famosas fortificações de Cartagena, 
Havana e Porto Rico, foi o autor do 
traçado urbano de Antígua e do pro-
jeto da Capela dos Quatro Santos.
Sobre a extensa atividade desses 
engenheiros em São Paulo, que extra-
polou em muito o ofício militar, dese-
nhando cidades, monumentos, igre-
jas, estradas, etc., Benedito Lima de 
Toledo já a descreveu em seu livro “O 
Real Corpo de Engenheiros na Capi-
tania de São Paulo, destacando-se a 
obra do brigadeiro João da Costa Fer-
reira” (João Fortes Engenharia, São 
Paulo, 1981). Aliás, o engenheiro 
Costa Ferreira, foi o autor da primei-
ra estrada pavimentada ligando o 
Porto de Santos ao Planalto (Calçada 
do Lorena) inaugurada em 1792, do 
chafariz da Misericódia na cidade de 
S. Paulo, elaborou em 1801 o levanta-
mento métrico do Colégio de São 
Miguel em Santos, projetado pelo 
jesuíta Francisco Dias no século XVI e 
executou as obras do cais do Porto de 
Santos atrás desse Colégio em 1805. 
Capela de Montserrat em Santos, projeto atribuído ao engenheiro militar Baccio 
de Fillicaya no início do século XVII.
Chafariz da Misericórdia, construído por 
Tebas e projetado pelo Real Corpo de 
Engenheiros, em desenho de Edmund Pink, 
1823
Foi no século XVIII que a carreira 
de engenheiro militar começou a 
destacar-se como uma instituição 
profissional especial no quadro da 
organização militar. A semente foi 
plantada pelo engenheiro-mor bri-
gadeiro Manuel de Azevedo For-
tes, autor da obra “O Engenheiro 
Portuguez” publicada em 
1729. A proposta de Aze-
vedo Fortes tinha 
como fonte de inspi-
ração a criação do 
corpo dos “Enge-
nheiros do Rei” por 
Luís XIV, segundo 
Rafael Moreira e Rena-
ta M. de Araújo.11
O primeiro engenheiro-mor 
do Brasil foi talvez o florentino Bac-
cio de Filicaya, que aqui chegou no 
fim do século XVI. A carta-relatório 
de Filicaya de 1608, endereçada ao 
seu protetor Grão-duque da Tosca-
na Ferdinando I, relatava a plurali-
dade de suas atividades no novo 
mundo na função de “Ingegnere 
Maggiore di questo Stato” designado 
pelo governador-geral Francisco de 
Souza: “mi ocupò yn restaurare molte 
di esse ( fortezze) et altri porti fortifica-
re di nuovo; discoprire cierte mine dè 
oro e plata, faciendo una discrizione di 
tutte quelle provincie, e facilitando el 
benefitio di dette mine, dove 
continuai cinque anni yn 
detto servitio; scobrire e 
conquistare le provinzie 
de fiume Maragnone e 
Amazone (por solici-
tação de Diogo Bote-
lho), (…) dove conquis-
tamo dugiento leghe di 
terra, e sugietamo molte 
nationi di gentili a questa Corona.” 
Em outra carta, Filicaya acrescenta-
va que “yn basso del mio viaggio (ao 
Brasil) vo rilatando tutti i costumi, 
guerre, medicamenti, viveri e leggi; de 
gentili e di molti sorte di animali di 
dette parte (…)”. Afirmava também 
que havia executado “molti disegni e 
(página anterior) Capa do livro “Methodo Lusitânico de Desenhar as Fortificações das 
Pracas Regulares & Irregulares” de Serrão Pimentel 
(acima) Engenheiro Azevedo Fortes 
Calçada do Lorena concluída em 1792 pelo Brigadeiro João da Costa Ferreira do Real Corpo 
de Engenharia em desenho de Hércules Florence, c. 1825
ArquiteturA MilitAr
96
As FortiFicAções do 
cAnAl dA BertiogA: 
Fortes de são tiAgo 
ou são João - são Felipe - 
são luiz
Victor Hugo Mori
Em 1699 foi instalada a Aula de 
Fortificação e Artilharia em Salvador, 
onde lecionou o Sargento-mor José 
Antonio Caldas, e em 1735 curso 
semelhante foi criado no Rio de 
Janeiro, onde se destacou o ensino de 
artilharia ministrado pelo brigadeiro 
José Fernandes Pinto Alpoim.
Os ideais iluministas defendidos 
pelo marquês de Pombal fizeram 
dos engenheiros militares os princi-
pais agentes da política de defesa 
territorial no século XVIII. Em função 
dos estudos que culminaram no 
Tratado de Madri (1750) e Santo 
Ildefonso (1777), inúmeros enge-
nheiros militares foram designados 
para demarcar os limites desconhe-
cidos do Brasil, construir fortifica-
ções, levantar marcos e ocupar o 
vazio territorial do interior do País. 
Em 1787 foi criado o Real Corpo de 
Engenheiros por ato de D. Maria I 
conforme preconizava Azevedo 
Fortes em 1729 – embrião da Arma 
de Engenharia.13
Sistema bastionado
Notas
1 Sodré, Nélson Werneck. “História Militar do Brasil”. Civilização Brasileira, 2ª ed. Rio de 
Janeiro, 1968, pp. 14-15.
2 Carta de Luis de Góes, de 12/05/1548, escrita da Villa de Santos a El-Rei D. João iii, pedin-
do-lhe que socorresse urgentemente as capitanias e o litoral do Brasil, para que a Coroa portugue-
sa não perdesse esta sua conquista americana. “Documentos Interessantes para a História e 
Costumes de São Paulo”, vol. xlviii, Arquivo do Estado de S. Paulo, pp. 09-12.
3 “Corpo de arma de algodão” era o escupil, um tipo de dalmática estofada de algodão para a 
proteção de flechas. Sodré, Nelson Werneck. Op. cit., pp. 20 -22.
4 Katinsky, Júlio Roberto – “Monumentos Quinhentistas da Baixada Santista” in Revista USP, 
n° 41, S. Paulo, Universidade de S. Paulo, 1999, p. 80.
5 “Documentos Históricos (mandados, alvarás, provisões, sesmarias) – 1549-1553”, vol. xxxviii. 
Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Saúde, Biblioteca Nacional, 1937, pp. 214-217.
6 “Annaes do Museu Paulista”, Documentação Brasileira Seiscentista, Tomo iii, São Paulo, 
1927, pp. 286-288.
7 Idem, pp. 294-302.
8 Idem, pp. 307-308.
9 Correspondência do Governador de S. Paulo de 16/10/1800. Revista do Instituto Histórico e 
Geográfico de S. Paulo, Vol. liii, 1956, pp. 443-449.
10 Mendonça de Oliveira, Mário. “Robert Smith e a Engenharia Militar Brasileira” in "Robert C. 
Smith: “A Investigação na História de Arte”, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2000, p. 260.
11 Moreira, Rafael e Araújo, Renata Malcher de. “A Engenharia Militar no Século xviii e a 
Ocupação da Amazônia”, in “Amazônia Felsínea – Antônio José Landi, Itinerário Artístico e 
Científico de um Arquitecto Bolonhês na Amazônia do Século xviii”, Comissão Nacional para as 
Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, 1999, p. 177.
12 A Carta de Baccio de Filicaya foi publicada por Gorrini, Giacomo, “Un viaggiatore italiano 
nel Brasile” in “Atti del Cong. Di Scienze Storiche”, Roma, 1904, x, p. 39, apud. “Gli Italiani nel 
Brasile”, GraphicoPaquino Coloniale, S. Paulo, 1922, pp. 70-74.
13 Moreira, Rafael e Araújo, Renata Malcher de. Op. cit., p.181.

As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
99
A existência de ouro e prata a oeste da Linha de Tordesi-lhas, provocou o interesse 
imediato da Coroa espanhola nos 
seus novos territórios. A costa brasi-
leira sem esses atrativos imediatos 
de lucro, foi entregue à administra-
ção privada com a implantação do 
Regime das Capitanias Hereditárias 
a partir da terceira década. 
Foram, portanto, incipientes os 
investimentos na colonização do 
Brasil neste período, daí o pouco 
interesse em se construir “Fortale-
zas Reais” para proteger o territó-
rio. Sobre essa época de improvisos 
e sacrifícios existem poucos regis-
tros. As primitivas fortificações 
provavelmente reduziam-se às 
“paliçadas, cercas pontiagudas de paus 
a pique, atalaias e torres”. Até mesmo 
os muros de proteção de Salvador 
na Bahia, construídos por Luís 
Dias, em 1549, “eram obras de taipa 
de pilão”, segundo afirma Carlos A. 
C. Lemos1.
O envio da Armada de Martim 
Afonso de Souza, em 1531, tinha 
como objetivo estratégico a conquis-
ta do Rio da Prata. A colonização de 
São Vicente nos limites meridionais 
das terras portuguesas era parte 
importante desta geopolítica volta-
da ao domínio do Atlântico sul. 
Martim Afonso teria chegado ao 
Canal da Bertioga no dia 22 de janei-
ro de 1532, denominando o local de 
“Rio de São Vicente” em homenagem 
SÉCULOS XVI E XVII
Nas primeiras oito décadas após a chegada de Cabral na Bahia, 
a política de investimento da Coroa Portuguesa estava 
centralizada na rota lucrativa do comércio das Índias.
Representação esquemática do Forte da Bertioga, segundo Hans Staden
Foto montagem do Forte de São João da Bertioga depois da restauração de 1999
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
101
ArquiteturA MilitAr
100
Projéteis arremessados pelo tensionamento de cordas (neurobalística), 
segundo imagem do Atlas de Diogo Homem, c.1558
Conflito entre tupiniquins (aliados dos portugueses) e tupinambás 
(aliados dos franceses), segundo Hans Staden
desesperada datada de 1548: ”Mui 
alto e mui poderoso Senhor, que se com 
tempo e brevidade vossa Alteza não 
socorrer a estas capitanias e Costa do 
Brasil, que ainda que nós percamos as 
vidas e fazendas vossa Alteza perderá a 
terra”5. Os temores de Luis de Goes 
eram os franceses aliados com os 
tamoios, que passaram a atacar a 
costa da capitania instalando-se 
posteriormente no Rio de Janeiro.
O “Auto de Proclamação” de 
18/01/1550 do Governador Geral 
Tomé de Souza designou Antonio 
Adorno como “alcaide-mór da Forta-
leza da Britroga” responsável pelos 
“armazéns e artilharia dela” e orde-
nou: “que na dita Fortaleza haja mora-
dores, que a povoem, com que possa 
estar segura”6.
Parece que nada adiantou a forma-
lização deste “Auto”, pois em 1551 a 
paliçada foi destruída pelos tamoios 
como descreveu o Pe. Diogo Jácome7 
aos irmãos jesuítas de Coimbra: “tam-
bém levaram a artilharia que puderam, e 
puseram fogo às casas de palha; só uma de 
telha havia em que se salvaram os feridos 
de os não levarem”8. Era a mesma “cai-
çara” descrita por Hans Staden e 
ao santo do dia2. A seguir, edificou 
“uma torre para a segurança e defensa 
dos portuguezes no caso de serem ataca-
dos pelo gentio da terra. Deu-lhe princí-
pio na mencionada ilha em uma praia 
estreita no lugar onde existe a Armação 
de Balêas (…) de madeira e terrão”3. 
Não obstante as inúmeras interpreta-
ções históricas sobre a data e o local 
da chegada da armada portuguesa 
em São Vicente, a escolha deste sítio 
para se levantar uma fortificação, 
não parece aleatória ou desprovida 
de visão militar, pois durante os pró-
ximos 40 anos os grandes conflitos 
entre os colonizadores e os indígenas 
contrários tiveram como palco o 
Canal da Bertioga. 
A localidade de Buriquioca já era 
um ponto de constantes conflitos ter-
ritoriais entre os indígenas do norte 
(maramomis e tamoios) e os do sul 
(guaianases e tupiniquins). A aliança 
inicial firmada entre Martim Afonso 
com os guaianases e tupiniquins com 
intermediação de João Ramalho, um 
português que já se encontrava na 
terra casado com uma das filhas do 
cacique Tibiriçá, – “senhor dos Campos 
de Piratininga” – foi determinante 
para se fixar o único ponto fortificado 
nos primeiros anos. 
As primeiras tentativas de se 
defender o local foram sempre atra-
vés de obras provisórias, as chama-
das “caiçaras” ou paliçadas, confor-
me descreveu Hans Staden: “uma 
espécie de fortificação, como os selva-
gens constroem para se defender dos 
inimigos”4. Eram obras defensivas 
com o fim exclusivo de proteção 
dentro dos princípios da “neuroba-
lística”, afinal os indígenas encon-
travam-se na idade da pedra polida. 
O fidalgo Luis de Goes, um dos 
povoadores que aqui chegaram 
com Martim Afonso, implorava 
socorro ao Rei através de uma Carta 
Mapa das tribos indígenas na Capitania de São Vicente, 
segundo desenho de Benedito Calixto
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
103
ArquiteturA MilitAr
102
Esquema hipotético do Forte de São Tiago da Bertioga no século XVI. 
Em vermelho, a projeção do Forte atual. VHM
por Tomé de Souza, seria que a 
“traça” enviada de Portugal fora 
concebida dentro dos novos con-
ceitos renascentistas determinados 
pelo desenvolvimento da piroba-
lística. A realidade local vivenciada 
pelo Governador Geral, onde os 
indígenas ainda desconheciam a 
balestra ou a catapulta, o teria leva-
do a construir um “forte de transi-
ção”, que defendesse tanto das 
armas de fogo das naus francesas 
Vista do canal do terrapleno do Forte da Bertioga, São Paulo
construída pelos irmãos mamelucos 
filhos de Diogo de Braga.
O Alvará Régio de 25/06/1551 de 
D. João III finalmente deferiu o 
requerimento tantas vezes suplica-
do pelos súditos de São Vicente. O 
Rei ordenou a execução das “obras 
da fortaleza que a seu requerimento ora 
mando fazer na terra da bertiogua da 
dita capitania, até de todo acabada (…) 
conforme a traça que de cá vai, (…) 
além do que nela mando despender de 
minhas rendas e do dito Martim Afon-
so”9. Seria a primeira “Fortaleza 
Real” com projeto arquitetônico 
enviado de Portugal nesta costa.
Oito meses após, o donatário 
Martim Afonso por meio da “Provi-
são de 08/03/1552” enviava a sua 
contrapartida para as obras: “Mando 
a vós Braz Cubas, que ora tendes o 
cargo de arrecadador minhas rendas, 
que tenho na dita Capitania, ou a quem 
tiver o cargo de arrecadar as ditas ren-
das, que delas deem, e entreguem mil 
cruzados a pessoa a que se entregar o 
dinheiro, que El-Rei nosso Senhor 
manda dar para a Fortaleza, que se há 
de fazer na Bertioga”10.
As obras foram iniciadas no ano 
seguinte conforme relato do próprio 
governador Tomé de Souza em carta 
ao Rei D. João III em 1º/06/1553: 
“Bertioga que V.ª Alteza mandou fazer, 
que está cinco léguas de São Vicente, na 
bôca do Rio por onde os índios lhe faziam 
muito mal; eu a tinha já mandado fazer 
da maneira que tinha escrito a V.ª Alteza. 
A ordenei e acrescentei doutra maneira, 
que pareceu a todos bem segundo V.ª 
Alteza verá por este desenho”. Fica sub-
jacente nesta carta que a “traça” da 
fortaleza enviada pelo Rei, em 1551, 
foi adaptada e modificada para aten-
der às condições locais e ao novo 
povoamento que se pretendia reedi-
ficar. Era um “baluarte de pedra” con-
forme descreveu Hans Staden.
A hipótese mais provável, sobre 
a adaptação do projeto efetuado 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
105
ArquiteturA MilitAr
104
Planta da Fortaleza da Bertioga de Luís António de Sá Queiroga AHU 
Esse projeto corresponde, grosso modo, ao forte que chegou aos nossos dias. 
O retângulo menor em azul (80 x 25 palmos) dentro da plataforma de armas, indica o 
“baluarte” quinhentista que seria demolido. O primitivo edifício dos quartéis, com seu 
alpendre reentrante, seria apenas “reformado”
Capitão-mór de ambas as Capitanias, 
reedificou a de S. Filipe em Janeiro e 
Fevereiro de 1557”. No mês de julhodeste mesmo ano o condestável do 
forte de S. Felipe, Paschoal Fernan-
des, assinou uma escritura de doa-
ção de terras “n’esta Casa de pedra, 
Fortaleza d’ElRey Nosso Senhor, que 
está da banda do Guaíbe defronte da 
Bertioga”11. 
A paliçada onde morou Staden 
alguns anos após a sua partida, já 
havia sido substituída por uma 
“casa-forte” de pedra, enquanto a 
fortaleza da Bertioga ainda perma-
necia inacabada. 
A rapidez com que o Capitão-
-mór concluiu a obra de S. Felipe, 
comparada à de São Tiago onde se 
empregou recursos reais com 
Mapa de São Vicente (1572-1573), mostrando as três primeiras fortificações: S. Thiago, S. 
São Felipe e Forte Vera Cruz de Itapema. “Roteiro de Todos os Sinais na Costa do Brasil”. 
Códice Quinhentista da Biblioteca da Ajuda, Lisboa
como das flechas dos tupinambás 
(tamoios). Voltada para o canal, a 
“torre” com suas canhoneiras e 
guaritas, denunciava o projeto eru-
dito da “cortina horizontal” dentro 
dos princípios da “pirobalística”. E 
para o lado da terra firme, uma 
“estacada dobrada” ou dupla paliça-
da cercando o alojamento e talvez 
até mesmo as casas dos povoado-
res, para se defender do “combate 
de contato” sempre freqüente dos 
contrários, dentro dos ditames da 
neurobalística.
Ainda no ano de 1553, o artilheiro 
Hans Staden descreveu a execução 
apenas do “baluarte de pedra” volta-
do para o canal. A construção ainda 
inacabada obrigaria a permanência 
de sua moradia na estacada existen-
te na Ilha de Santo Amaro (Guaibe), 
onde residia antes da chegada do 
Governador Geral à Bertioga.
Frei Gaspar em sua “memórias” 
transcreveu um importante docu-
mento, hoje desaparecido, do Livro 
de Vereações de São Vicente com 
data de 13/02/1557: “Jorge Ferreira, 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
107
ArquiteturA MilitAr
106
Na foto à esquerda, proporção atual do Forte S. João da Bertioga conforme obra de Sá e 
Queiroga em 1751. À direita, a proporção do Forte no séc. XVI 
Em janeiro de 1585, o Pe. Fernão 
Cardim passando pelo Canal da 
Bertioga assim escreveu: “a fortaleza 
é cousa formosa, parece-se ao longe com 
a de Belém e tem outra mais pequena 
defronte, e ambas se ajudavam uma á 
outra no tempo das guerras”15. Essa 
imagem do Forte de São Tiago vis-
lumbrada após 25 anos de sua con-
clusão, certamente não se referia a 
uma paliçada de madeira improvisa-
da. A descrição comparativa, descon-
tada a distorção de escala que a dis-
tância exagera, parece revelar um 
“baluarte de pedra” com suas guaritas 
angulares direcionadas para as 
águas, semelhante ao forte que ainda 
hoje marca a paisagem do canal. 
Durante o século XVII com a ocu-
pação holandesa em Pernambuco e 
francesa no Maranhão, a atenção da 
política de defesa foi voltada exclu-
sivamente para a região nordestina, 
afinal os maiores rendimentos da 
coroa até o início do século seguinte 
provinha do açúcar ali produzido. A 
incipiente economia paulista estava 
centrada no planalto no comércio 
escravo e aprisionamento de índios. 
Nesse contexto a proteção do Porto 
de Santos permaneceu quase inalte-
rada, com as mesmas fortificações 
construídas no século anterior: os 
fortes de São Tiago e São Felipe na 
Bertioga, a Fortaleza de Santo 
Amaro, a bateria de Vera Cruz no 
canal da Barra Grande e o reduto da 
“Praça” ou da Vila de Santos atrás 
do Colégio dos Jesuítas.
A descoberta do ouro em Minas 
pelos paulistas em 1698 e o ataque 
dos espanhóis à colônia portuguesa 
de Sacramento em 1735, levariam a 
coroa a reforçar as defesas militares 
das capitanias do sul no decorrer do 
século XVIII.
acompanhamento direto do Gover-
nador Geral, demonstra que esta 
“Casa de pedra” deveria ser um pro-
jeto modesto destinado a cruzar 
fogos com a de Bertioga. 
Durante anos o condestável Pas-
choal Fernandes, sua esposa e filhos 
foram os únicos moradores da Ilha 
do Guaibe. A “residência fortifica-
da” deveria estar localizada no 
único sítio plano da ponta da Serra 
do Guararu onde poderia abrigar 
pomares e criações – “a praia estrei-
ta” onde existiu a paliçada de Mar-
tim Afonso e hoje abriga as ruínas 
da Armação de baleias.
Em 18/03/1560, o Rei D. Sebas-
tião escreveu ao governador Mem 
de Sá que “a fortaleza da bertioga que 
está na dita capitania estava por acabar 
e muito desapercebida assim de pólvora, 
camaras de bombardas como de bombar-
deiros e outras coisas” e estava envian-
do por Antônio Adorno as peças de 
artilharia e pólvora necessárias para 
“armar” a Fortaleza Real12. 
O Forte denominado de São Tiago, 
em função do orago da capela da 
vila anexa, foi portanto, concluído 
neste ano de 1560. O “Traslado de 
Nomeação” do Pe. Fernão Carapeto, 
em 1555 para a “Vigairaria da Igreja 
de Santiago na Vila da Bertioga”13 com-
prova o santo padroeiro da primiti-
va Bertioga.
O “Armistício de Iperoig” com 
os tamoios intermediado pelos 
jesuítas Nóbrega e Anchieta em 
1563, a conversão dos maramomis, 
e a expulsão dos franceses do Rio 
de Janeiro em 1567, transformou 
estas área de conflitos incessantes 
em uma região de grande calmaria 
nos anos que se seguiram. Até 
mesmo a Vila da Bertioga criada 
por Tomé de Souza em 1553, atra-
vés de um ato de força obrigando 
compulsoriamente seu povoamen-
to, foi desaparecendo uma vez per-
dida a sua função estratégica de 
defesa da Capitania contra os 
tamoios e franceses do litoral norte. 
O “milagre das luzes celestiais” 
atribuído à Anchieta na década de 
1970 deste primeiro século, presen-
ciado do terrapleno da fortaleza 
por Afonso Gonçalves, genro do 
comandante, retrata simbolica-
mente este período de calmaria, 
independentemente da veracidade 
da narrativa do padre jesuíta Simão 
de Vasconcelos14.
A partir de 1580 com a incorpora-
ção de Portugal e suas colônias à 
coroa espanhola, a costa brasileira 
ficou exposta aos ataques dos ingle-
ses e holandeses, inimigos da Espa-
nha. A cena destes conflitos foi des-
locada para o Canal da Barra Gran-
de que era o principal acesso ao 
Porto de Santos – principal núcleo 
da Capitania neste período. A cons-
trução da Fortaleza da Barra Grande 
pelo Almirante espanhol Diogo Flo-
res Valdez, iniciada imediatamente 
após a expulsão do inglês Edward 
Fenton do Porto de Santos em 1583, 
demonstra bem essa mudança e o 
relativo esquecimento do “Canal da 
Barra Pequena”.
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
109
ArquiteturA MilitAr
108
Na imagem de cima, o Forte de São Tiago da Bertioga nos séculos xvi e 
xvii. Provável configuração com o volume do terrapleno demolido em 1751. 
O edifício dos quartéis ainda permanecia com duas águas e era protegido por 
uma dupla estacada.
Na imagem de baixo, o Forte no século xviii. O governador da Praça de 
Santos, Luís A. Sá e Queiroga, entre 1745 e 1751 substituiu o volume da 
primitiva bateria por uma nova plataforma de armas, mais ampla que a 
anterior. Provavelmente foram reaproveitadas as pedras e cantarias das 
cortinas primitivas. O antigo edifício dos quartéis de planta regular alpen-
drada foi mantido nas obras do século xviii. Tratava-se de edificação com 
apenas 2,20 metros de altura em duas águas, estruturada em pilastras qua-
drangulares distribuídas segundo uma retícula modulada. A tenalha de 
pedra e cal foi construída pelo governador Rodrigo C. de Menezes em 1724 
substituindo antiga estacada de madeira. O projeto de 1751 pretendia 
aumentar sua altura, mas parece que nada foi feito.
SÉCULOS XVIII E XIX
O Governo português enviou o brigadeiro João Massé entre 1712 
e 1714 a Santos, para projetar um sistema de defesa do porto e 
reformar as instalações militares existentes.
N as primeiras décadas do século XVIII, considerando a cobiça das “nações estran-
geiras e de piratas, pelas boa esperan-
ças que nesta Capitania há de novos 
descobrimentos” o Governador Ro- 
drigo Cezar Menezes procurou 
“por na última perfeição a fortaleza da 
barra da Bertioga” conforme relatou 
em carta de 20/05/1724. Foi substi-
tuída a antiga “estacaria dobrada” de 
madeira na parte voltada para a 
terra, por uma moderna tenalha: 
“porquegastando-se com ela de três em 
três anos muito perto de quinhentos 
mil réis com madeira, ultimamente se 
fez de pedra e cal, com muita regulari-
dade e tudo o mais necessário para a 
sua boa defesa por um conto setecentos 
e setenta mil réis”16. 
O brigadeiro Silva Paes enviado 
pelo Rei D. João V para fortificar o sul 
do país, esteve na Barra da Bertioga 
em 1738, e encontrou apenas “aquela 
bateria, que tem na praia quase toda area-
da”. O pequeno forte de São Felipe na 
ilha de Santo Amaro, erguido em 
1557 por Jorge Fernandes defronte ao 
de São Tiago, parece ter desaparecido 
face ao abandono a que ficou relega-
do durante todo o século XVII. Até 
mesmo as denominações dos santos 
“Tiago e Felipe” ficaram perdidas 
nas memórias do século XVI. 
O Conselho Ultramarino do Rei 
acatando as determinações de Silva 
Paes, ordenava que “se devia fazer 
defronte” ao Forte da Bertioga “na 
encosta do monte que faz para aquela 
parte” um fortim para oito peças, 
conforme o “risco que também vos 
remete”17. Este “fortim” estava distan-
te daquela “praia estreita” da ponta 
da Armação, onde se situava a “Casa 
de pedra” de São Felipe. O novo sítio 
escolhido situava-se na encosta 
íngreme do morro na ponta do canal. 
Provavelmente por falta de recursos 
este projeto só seria retomado na 
segunda metade desse século. As 
“oito peças” de artilharia devem ter 
sido colocadas em uma “trincheira” 
provisória que em um desenho 
(1751/1769) aparece com a designa-
ção de “Estacada de Simão da Vega”. 
Este precioso desenho mostra tam-
bém na praia da Fortaleza da Bertio-
ga uma capela alpendrada denomi-
nada de “São João”. 
O governador da Praça de Santos, 
Luís Antônio de Sá Queiroga, em 
1751, praticamente reedificou a “torre 
da Bertioga”. A diminuta plataforma 
de armas quinhentista com cerca de 
100 m2 (80 x 25 palmos) foi demolida 
e substituída pela atual com cerca de 
250 m2. A tenalha voltada para o 
norte foi elevada para 9 palmos e 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
111
ArquiteturA MilitAr
110
Na imagem de cima, Planta da Fortaleza de São Luiz da Bertioga levantada 
pelo engenheiro militar José Antonio Teixeira (1898) AHE
Embaixo, visualização aproximada do projeto do Forte no século XVIII VHM
complementada por uma estacada 
paralela. O edifício do quartel foi 
apenas reformado, mantendo-se a 
estrutura modular quinhentista e sua 
tipologia palladiana de planta retan-
gular e alpendre central. 
Por volta de 1769 um maremoto 
destruiu parte do terrapleno do Forte 
da Bertioga construído em 1751. A 
guarita e a cortina voltada para leste 
foram deslocadas conforme aparece 
em um desenho da época pertencen-
te a “Coleção Morgado de Mateus” 
da Biblioteca Nacional. A “Capela de 
São João” já não aparece neste dese-
nho. Situada na areia da praia deve 
ter sido destruída pelo mar e o seu 
orago transferido para o oratório do 
forte. Ainda neste ano o governador 
D. Luiz A. de Souza Botelho Mourão 
(1766-1775), o Morgado de Mateus, 
ordenou ao Capitão Fernando Leite 
“ir á Bertioga eleger o terreno em que se 
há de delinear a nova Fort.ª”18.
Em janeiro de 1770 o governador 
escreve que, entre reformar o terra-
pleno “que o mar destruiu” e cons-
truir uma nova fortificação, esco-
lheu a segunda opção. Sua justifica-
tiva para esta atitude foi: “porque 
sucedeu arrasar o mar a Fortª. da Ber-
tioga, e tenho dado principio a outra no 
morro, que lhe fica fronteiro, com muita 
grandeza, a qual desejava poder deixar 
muito adiantada para poder suprir a 
falta daquela que se demoliu, e possa 
dar ocasião a que se dissessem, que se 
no meu tempo, se acrescentaram umas 
também se perderam outras, ainda que 
esta foi sem culpa minha, porque Deus 
assim o determinou”19. Alguns inter-
pretaram esta alternativa como vai-
dade pessoal do Capitão-General e 
a denominação da nova fortificação 
de “São Luiz” acentuou as suspei-
tas. Porém os detratores deveriam 
levar em consideração três fatores 
nessa escolha: o primeira seria a 
proteção da “armação de baleias” 
iniciada à partir de 1748 na “praia 
estreita” do canal do lado de Santo 
Amaro; o segundo era a melhor 
localização do ponto escolhido pelo 
Brigadeiro Silva Paes em 1738, cuja 
encosta íngreme ao sul e a platafor-
ma natural de rochas sobre a água 
impediam o desembarque e a toma-
da do forte pelos inimigos; e o ter-
ceiro era a constatação da inadequa-
ção do Forte de São João aos novos 
conceitos de defesa militar “vauba-
niano”, pois esse não possuía arti-
lharia pelo flanco norte e o desem-
barque era facilitado pela extensa 
praia onde se assentava.
O Forte São Luiz apresentava um 
baluarte semicircular com guaritas 
nos pontos de deflexão, flanqueado 
por duas faces em ângulo. Este dese-
nho permitiria que os alinhamentos 
das artilharias cobrissem “simulta-
neamente, a entrada do canal, a enseada 
fronteira e o mar alto”, conforme des-
creveu o engenheiro e escritor Eucli-
des da Cunha20. O projeto de Silva 
Paes poderia ter servido de base 
para o novo “risco” executado por 
D. Luiz A. de Souza Mourão, porém 
as obras deste forte nunca chegaram 
a se concluir. 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
113
ArquiteturA MilitAr
112
Restauração executada pelo IPHAN no Forte São João baseada na obra de Rufino Felizardo 
e Costa incorporando as modificações ocorridas no século XIX. VHM
Vista atual das ruínas do Forte São Luiz 
construído pelo Morgado de Matheus.
À esquerda, um detalhe do Forte em foto 
tirada em 1960.
Forte da Bertioga na segunda metade do século XVIII. VHM
Na virada do século o Inspetor 
das Milícias constatou que o quartel 
do Forte São João estava “arruinado” 
e as sete peças de artilharia estavam 
“todas desmontadas”, enquanto “o 
forte de São Luiz, que defende bem a 
barra e não pode ser atacado por terra, 
tem capacidade para se lhe fazer uma 
Casa de Pólvora; os seus quartéis estão 
principiados e não se fará grande despe-
sas em acabá-los, porém acha-se sem 
uma só peça” 21. 
Enviado pelo Conde de Palma, 
em 1817, o engenheiro Rufino José 
Felizardo e Costa projetou e execu-
tou a última grande obra de reforma 
do Forte São João22.
O velho “baluarte da Bertioga” 
esquecido durante o século XVII e des-
prezado pelo Morgado de Mateus no 
século XVIII, na segunda década do 
XIX tinha apenas para se aproveitar 
“as paredes do quartel”, “as muralhas” 
setecentistas e a tenalha construída 
pelo governador Rodrigo C. Mene-
zes, “as quais necessitam tão somente de 
serem emboçadas”. Segundo o enge-
nheiro Rufino: as portas, janelas, por-
tões, estacarias, “carretame das 9 bocas 
de fogo”, telhado, “enfim tudo quanto é 
de madeira nem uma serventia pode ter”. 
Até mesmo o “oratório é o mais inde-
cente que tenho visto, os paramentos para 
a celebração da Missa estão todos rotos e 
miseráveis”. 
As paredes do quartel foram 
levantadas em “mais 4 palmos afim de 
dar as janelas outra altura” e com esta 
elevação o antigo sistema de cargas 
pontuais distribuído nas pilastras 
foi substituído pelas tradicionais 
paredes portantes. 
Alterou-se o antigo desenho do 
telhado de duas águas “fazendo-se de 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
115
ArquiteturA MilitAr
114
Planta (1751-1769) da Coleção Morgado de Matheus. BN
A- Fortaleza da Bertioga; B- estacada dobrada; C- estacada simples; 
E- Capela de São João; H- praia; M- estacada de Simão da Veiga; N- armação.
Planta do Forte da Bertioga, da Coleção Morgado de Matheus. BN 
A- Planta da Fortaleza da Bertioga e terrapleno; B- cavidade; C- contraescarpa que o mar 
destruiu; D- cortina que desceu de seu lugar por impulso do mar.
O Forte da Bertioga fotografado durante a ressaca em maio de 2001.
tacaniça” ou quatro águas. Acrescen-
tou ainda uma cozinha e uma des-
pensa onde “por cima do vigamento 
deve ter uma parte assoalhada para 
guardar as munições de guerra”. A 
escarpa leste que o maremoto de 
1769 havia deslocado deve ter rece-
bido uma leve reforma, pois apenas 
em 1942 o SPHAN a recolocou no 
prumo definitivamente. 
Em 1860, o relatório doComan-
dante José Olinto de Carvalho 
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
117
ArquiteturA MilitAr
116
V isitando o canal da Bertioga em 22/08/1904 o autor de “Os Sertões”, assim descre-
veu o quartel do Forte São João: 
“acaçapada e em ruínas – cômodos mal 
repartidos, sem soalhos e quase sem 
abrigos sob o telhado levadio que desa-
bou”. Afirmou também que era 
“aproveitado como um posto de linha 
costeira do telégrafo nacional, e deve-se a 
esta circunstância única não ter caído no 
mais absoluto abandono”. Sobre o 
Forte São Luiz acrescentou um 
lamento: “o reduto secular de Hans 
Staden está hoje em condições deplorá-
veis – invadido de mato, desguarnecido 
e mal percebido (…) denunciado pelas 
próprias figueiras-bravas que lhe nasce-
ram por toda a área da plataforma, e 
sobre os parapeitos, espalhando as suas 
longas e tortuosas raízes para toda 
banda num trançado inextricável”. 
Finalizou o relatório com o pensa-
mento típico do romantismo da vira-
da do século: “Mas pode-se prever que, 
afinal com o decorrer dos tempos, cedam 
as mais sólidas junturas, operando-se a 
pouco e pouco a demolição inevitável. 
Quaisquer melhoramentos ou retoques, 
que se executem, serão contraproducen-
tes, desde que o principal encanto dos 
dois notáveis monumentos esteja, como 
de fato está, na mesma vetustez, no 
aspecto característico que lhe imprimiu o 
curso das idades”24.
As ruínas abandonadas recobertas 
pela mata, quase sempre nos dão a 
impressão de uma antigüidade 
SÉCULO XX
No início do século xx, as fortificações da Barra da Bertioga 
estavam esquecidas e arruinadas. O espírito desse abandono foi 
retratado pelo escritor e jornalista Euclides da Cunha.
Cartão postal de Bertioga do início do século XX. IPHAN
Projeto de reforma do Forte de São João da Bertioga de autoria do Engenheiro Rufino 
Felizardo e Costa de 1817 IPHAN
descrevia que a função do Forte da 
Bertioga era apenas “de Registro” 
com “um capitão de infantaria 2ª. 
classe” e “um soldado de linha” e 
estava desarmado. Quanto a “for-
taleza denominada S. Luis, que é a 
melhor obra de fortificação que tem a 
Provª, não está acabada, e por isso em 
todo desarmada e serve de Casa de 
pólvora”23.
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
119
ArquiteturA MilitAr
118
quinhentista de Santo Antonio do 
Guaíbe, construída por José Ador-
no 26. O arco-cruzeiro de cantaria 
com desenho barroco em curva aba-
tida de raios tricêntricos e os vãos 
com vergas de arco abatido ainda 
denunciam a igreja setecentista que 
os documentos históricos atestam.
Muitos autores também imagina-
ram ser a plataforma de armas sete-
centista da Bertioga com suas 
“vigias” angulares, os remanescen-
tes quinhentistas da fortaleza de D. 
João III. Porém, é no edifício do 
quartel, tantas vezes reformado, 
que talvez subsista em parte a his-
tória do nosso primeiro século. A 
sua estrutura modulada através de 
pilastras de pedra e cal remanes-
centes, que configurava um sistema 
inusitado de distribuição de cargas 
pontuais, possui alguma semelhan-
ça técnica com o sistema construti-
vo empregado nas ruínas quinhen-
tistas do Engenho dos Erasmos, em 
Santos. 
Em 1937, o escritor Mário de 
Andrade – assistente técnico do 
recém, criado SPHAN em São Paulo – 
esteve em Bertioga com o objetivo 
Primeiro estudo para a recomposição do quartel do Forte São João de autoria de Luís Saia 
em 1942. IPHAN
“Casa-Caiçara” de pau-à-pique incorporada 
aos restos do quartel do Forte São João, 
que foi demolida em 1942 e a construção 
da residência do caseiro no mesmo local.
muito além do que a história regis-
tra. Inúmeros historiadores tiveram 
a mesma interpretação de Euclides 
da Cunha. Vislumbraram nos restos 
da “inacabada fortaleza setecentis-
ta” do Morgado de Matheus, o 
baluarte quinhentista de Hans Sta-
den – “a fortaleza de São Felipe”. 
Nem mesmo as cortinas escarpadas 
de pedra do tipo opus quase reticula-
tum existentes, contrariando as alve-
narias quinhentistas do tipo opus 
incertum (pedras irregulares), ou o 
desenho cônico em cantaria das 
bases das guaritas com as bolas em 
forma de gotas típicas das fortalezas 
pombalinas, serviram para dissipar 
o equívoco. O Forte São Luiz foi 
“rebatizado” de São Felipe 25.
O mesmo engano ocorreu com as 
ruínas monumentais da capela da 
Armação de baleias do Canal da 
Bertioga, cujas obras iniciais foram 
embargadas pelo governador D. 
Luiz A. de Botelho Mourão no dia 
13/04/1766, sendo reiniciada e con-
cluída apenas no último quartel do 
século XVIII. Incontáveis autores 
atribuíram ser esta capela a ermida 
Arco-cruzeiro setecentista da Ermida de 
Santo Antônio da Armação.
Detalhe das pilastras do Engenho dos Erasmos em Santos.
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
121
ArquiteturA MilitAr
120
edificou uma residência com três 
dormitórios para o zelador do forte, 
permanecendo o restante das pare-
des antigas descobertas. 
A administração da área ficou com 
o Instituto Histórico e Geográfico 
Guarujá-Bertioga a partir de 1960. A 
residência do zelador foi então adap-
tada para abrigar o Museu João 
Ramalho. Foram executadas algu-
mas “obras arcaizantes” à revelia do 
IPHAN, como os balaústres bandeiris-
tas e um falso altar jesuítico na cape-
la, grades de ferro sugerindo uma 
antiga prisão no quarto do oficial, a 
“casa de farinha” e um padrão de 
A restauração concluída em 2000 foi baseada na obra do Engenheiro Rufino Felizardo e 
Costa de 1817. VHM
A imagem da pesquisa arqueológica por geo-radar demonstra que o “baluarte” 
quinhentista foi demolido e suas pedras reaproveitadas na reconstrução de 1751. 
Trabalho da arqueóloga Marizilda Campos para o IPHAN.
de estudar o tombamento e a res-
tauração do Forte de S. Tiago ou S. 
João. No seu relatório assim o des-
creveu: “o forte de S. Tiago é de uma 
expressão magnífica. No primeiro sécu-
lo defendeu Santos dos Tamoios que 
vindos do mar, desejariam atacar a vila 
pelas costas. Hoje é simplesmente gra-
cioso. As suas pedras enérgicas, a sua 
plataforma de vasta perspectiva, as 
suas vigias pueris, são duma elegância 
arquitetônica impecável. O dedo do 
tempo, que é o maior de todos os feiti-
ços, transformou Hércules na própria 
Onfale”27. 
O tombamento pelo SPHAN acon-
teceu em 1940, e dois anos após ini-
ciaram-se as obras de restauração 
das cortinas do terrapleno dirigidas 
pelo arquiteto Luís Saia. O estrago 
do maremoto de 1769 foi enfim 
solucionado. Ainda em 1942, o 
Ministério da Guerra aproveitan-
do-se de parte do primitivo quartel 
O Forte de São João da Bertioga antes das 
obras de restauração iniciadas em 1997. 
VHM
As FortiFicAções do cAnAl dA BertiogA
123
ArquiteturA MilitAr
122
Notas
1 Lemos, Carlos A. Cerqueira – capítulo “O Brasil”, in “História das Fortificações Portuguesas 
no Mundo”. - Direção de Rafael Moreira, Publicações Alpha, Lisboa, 1989, pp. 235-254.
2 A versão mais aceita pelos historiadores baseada na Carta de Navegação de Pero Lopes, é que 
o ano da chegada de M. Afonso à S. Vicente seria 1532. Frei Gaspar da Madre de Deus tinha como 
hipótese mais provável a data de 22/01/1531. Alonso de Santa Cruz cosmógrafo da armada de 
Caboto, em “Die Karten von Amerik in dem Islario General” descreve uma povoação já denomi-
nada “Sanct Bicente” em 1530, cuja localização no mapa é a mesma da atual São Vicente. Houve o 
equívoco de dois anos na data ou existiria de fato uma feitoria de S. Vicente antes da fundação 
oficial da Vila por Martim Afonso, comandada pelo Bacharel de Cananéia. 
3 Madre de Deus, Frei Gaspar da - "Memórias para a História da Capitania de S. Vicente"- ori-
ginalmente publicada em 1797 - Lisboa. Ed. Weiszflog Irmãos, São Paulo / Rio, 1920, p. 131.
4 Staden, Hans – “A verdadeira história dos selvagens, nus e ferozes devoradores de homens, 
encontrados no novo mundo, a América… (1548-1555)” – publicado originalmente em Marburg, 
1557. Ed. Atual/Dantes Editora, Rio de Janeiro, 1999, p. 49.
5 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xlviii, 
Arquivodo Estado, pp. 09-12.
6 “Documentos Históricos 1549-1559 Provimentos Seculares e Eclesiásticos”. Volume xxxv, 
Ministério da Educação e Saúde, Bibliotheca Nacional, Rio de Janeiro, 1937, pp. 165-166.
7 Alguns autores atribuem a data de 1547 para a destruição da Paliçada dos Irmãos Braga, 
tomando como referência a frase das memórias de H. Staden: “Cerca de dois anos antes de minha 
chegada, os cinco irmãos…”. Porém, o termo “minha chegada” deve ser interpretada “a Bertioga” 
(1553) e não “a São Vicente”. A Carta do Pe. Diogo Jácome relatando este mesmo conflito em 1551 
confirma esta afirmação.
8 Leite, Pe. Serafim. “Cartas dos Primeiros Jesuítas do Brasil” (1538-1553). Comissão do Quarto 
Centenário de S. Paulo, 1954, pp. 238-247. O relato do Pe. Diogo Jácome de S. Vicente sobre a des-
truição das casas da Bertioga em 1551, citada por Staden, acrescenta a causa do ataque dos tamoios: 
“há poucos dias que daqui fugirão duas moças, ambas irmãs e casadas com homens brancos, as 
quaes ellas sam filhas de homem branco e de india, de maneira que estão ambas com os contrários: 
as quaes dizem são tam maas, que ordenaram com que os indios vieram a dar aqui guerra a huma 
fortaleza, que os brancos tem feita pera resguardo das povoações dos brancos, (…) ficaram muyto 
mal feridos de frechadas, e também levarão a artelharia que puderam, e puseram foguo ás casas de 
palha; só huma de telha avia em que se salvarão os feridos de os nam levarem. Assi que isto diz 
que causaram estas molheres maiores diabolidades que nestas terras se fazem…"
9 Este Alvará real pode ser considerado a “certidão de nascimento” da Fortaleza da Bertioga – 
“Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xlviii, pp. 19-21.
10 Documento transcrito no livro de Madre de Deus, Frei Gaspar. Op. cit., p. 339-340.
11 Escritura transcrita no livro de Madre de Deus, Frei Gaspar. Op. cit., p. 285.
12 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xlviii, pp. 
33-34.
13 “Documentos Históricos 1549-1559 Provimentos Seculares e Eclesiásticos”. Volume xxxv, 
Ministério da Educação e Saúde, Bibliotheca Nacional, Rio de Janeiro, 1937, pp. 312-317.
14 Vasconcelos, Pe. Simão de. “Vida do Venerável Padre José de Anchieta” (publicado original-
mente em 1672 / Porto), Imprensa Nacional Rio de Janeiro, 1943, pp. 194-195.
15 Cardim, Pe. Fernão. “Tratados da Terra e Gente do Brasil”. Cia. Editora Nacional, 2ª ed., 
1939, pp. 310-315.
16 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xxxii, p. 71, 
transcrito no livro de Muniz Jr. “Fortes e Fortificações do Litoral Santista”, Editado pelo autor, 
1982, Santos, p. 22.
17 Carta régia de D. João V, de 27/09/1738 ao governador da Capitania de São Paulo em parte 
reproduzindo o relatório do Brigadeiro José da Silva Paes sobre as fortificações da Praça de 
Santos, e ordenando o cumprimento das determinações e projetos deixados pelo Brigadeiro – 
cópia arquivo iphan – sp
18 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”, Volume 92, p. 77.
19 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”, Volume 92, p. 103.
20 Euclides da Cunha em 1904 passando férias em Indaiá, esteve nos dois fortes da Bertioga: 
São João e São Luiz que imaginou tratar-se do São Felipe de Hans Staden. Escreveu um texto 
denominado “Os Reparos nos Fortes de Bertioga”, publicado posteriormente em “Euclides da 
Cunha, Obras Completas, Vol. i”, que incluía um diagrama esquemático da planta do Forte S. 
Luiz. 
21 Documento intitulado “Sobre as fortificações da costa marítima da Capitania de São Paulo” 
publicado em “Doc. Inter. para a Hist. e Costumes de São Paulo”, Volume xliv, pp. 303-308.
22 Trata-se do documento de obras mais completo sobre o Forte S. João da Bertioga disponível 
nos arquivos. Acompanhado dos desenhos da planta e da elevação, o relatório descreve com 
Imagem do quartel do Forte São João após a restauração de 1997-2000.
Martim Afonso no lado externo, tan-
que de cimento imitando cantaria 
lavrada, etc. A arquitetura residên-
cial construída em 1942 e adaptada 
cenograficamente para parecer um 
“verdadeiro” quartel militar, transfor-
mou-se inadvertidamente num falso 
documento da história. 
Quando se iniciou a restauração 
do forte em 1997 com a demolição 
do telhado da casa do zelador, mui-
tos protestaram imaginando ser a 
destruição do “quartel militar colo-
nial”. Reaberto no dia 22/04/2000, o 
quartel readquiriu a configuração 
do projeto do engenheiro militar 
Rufino Felizardo e Costa, incorpo-
rando todos os vestígios do edifício 
primitivo. 
“O dedo do tempo que é o maior de 
todos os feitiços”, transformou a esposa 
Onfale novamente em Hércules.
ArquiteturA MilitAr
124
As FortiFicAções 
dA entrAdA do cAnAl 
dA BArrA grAnde
FortAlezA de sAnto AMAro dA 
BArrA grAnde e FortiM do góes 
Forte do crAsto ou dA estAcAdA
Victor Hugo Mori
minúcia o estado anterior do forte (1817) e a proposta de alteração. Maço 20/pasta 2/doc. 6 do 
Arquivo do Estado – cópia arquivo iphan.
23 Relatório escrito a lápis datado de 1860, assinado O Genal. Come. Mar. José Olinto de Carvº. 
e Silva, do Arquivo Histórico do Exército (RJ) com reprodução no Arquivo do iphan-sp.
24 Ver nota 20 sobre este relatório de Euclides da Cunha. O “jornalista” E. da Cunha também se 
manifestou sobre a artilharia inexistente no Forte S. João: “há pouco mais de dois anos, uma 
comissão de engenheiros militares percorreu êste trecho da nossa costa, arrolando aquelas velhas 
bôcas de fogo, que o governo federal parece ter cedido a um contratante pelo preço dos ferros 
velhos imprestáveis…”
25 O tombamento deste forte pelo iphan em 31/10/65 utilizou a denominação “Forte de São 
Felipe. Em recente trabalho “Monumentos Quinhentistas da Baixada Santista”, do Prof. Júlio 
Katinsky, publicado na “Revista da usp” nº 41, 1999, pp. 74-97, o autor interpretou formalmente os 
restos do Forte de São Luiz, como remanescente da construção quinhentista do Forte S. Felipe, ao 
encontrar similaridade da sua cortina curva com um provável muro (“barbacã”) de defesa do 
Engenho dos Erasmos. Segundo o autor seria este forte comparável aos exemplos do Livro de 
Duarte das Armas (1516). Afonso de Taunay foi um dos poucos autores a afirmar que estas ruínas 
pertenciam ao Forte de São Luiz: “O Morgado de Matheus (…) ordenara que no local do antigo 
forte de São Felipe se erguesse novo baluarte que devia ter o nome de seu santo padroeiro: São 
Luiz”. In “Uma Relíquia Notabilíssima a Conservar: O Forte de São Tiago da Bertioga”, Revista do 
sphan nº 1, p. 6.
26 Tanto o tombamento do Condephaat como o do iphan reiteraram a denominação “Ermida 
Santo Antonio do Guaibe” na Armação das baleias. A carta do gov. D. Luiz Antônio de Souza de 
29/12/1766 ao Conde de Oeyras demonstra claramente que as ruínas atuais foram construídas 
após o governo do Morgado de Matheus (1768) pelo administrador da Armação Francisco José 
da Fonseca, pois o próprio governador proibiu a construção de uma nova capela, tendo em vista 
a existência do oratório da Fortaleza da Bertioga: “…fui fazer visitas na Fabrica da Armação das 
Baleas da Barra da Bertioga, no dia 10 de março deste ano…advertindo que se determinava fazer 
huma Capella junto as cazas da dita Armação a prohibi por ser em prejuízo da Fazenda de S. 
Mag.e…”.
27 Relatório do sphan de 28/11/1937. Onfale (esposa de Hércules). Mário de Andrade também 
constatou “uma rachadura de alto à baixo” na cortina sul e a fachada nordeste “está cedendo”, 
com a guarita “pendendo para terra ameaça ruir” – era o estrago do maremoto de 1769 que ainda 
não fora de todo solucionado.

As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
127
ArquiteturA MilitAr
126
SÉCULOS XVI E XVII
A partir de 1580 toda a América ficou sob domínio da coroa 
espanhola. A Holanda e a Inglaterra, tradicionais parceiras de 
Portugal, estavam em conflito com a Espanha. Passaram, então, 
a ameaçar as suas novas colônias.
“F oi durante odomínio espa-nhol sobre Portugal que realmente se organizaram 
os primeiros sistemas eruditos de forti-
ficação” aqui no Brasil, cujos 
protagonistas foram os 
engenheiros italianos a 
serviço de Felipe II, “na 
época os maiores especialis-
tas em fortificações moder-
nas apropriadas às novas 
armas de fogo”1. 
As mudanças desse período 
tardaram a se refletir na longínqua 
Capitania de São Vicente. Ainda em 
1578, o inglês John Whithall, que 
adotara o nome de João Leitão, 
casado com a filha única do geno-
vês José Adorno, convidou seu 
amigo na Inglaterra Richard Staper 
a enviar um navio para S. Vicente 
para “trazer mercadorias” e “carregar 
de acúcar”. O navio Minion of 
London chegou em Santos 
em 03/02/1581, perma-
necendo pacificamente 
por três meses e partin-
do em junho carregado 
de açúcar.2
Edward Fenton partiu 
da Inglaterra em 01/05/1582 
com destino às Índias pelo Estreito 
de Magalhães. O almirante espa-
nhol Diogo Flores Valdez, nomea-
do por Felipe II “Capitão General 
das Costas do Brasil”, com uma 
Imagem do “Trattato del Radio”, de Latino Orsini (1583)
Na página ao lado, águia bicéfala dos Habsburgos: 
símbolo do poder de Felipe II nas Américas.
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
129
ArquiteturA MilitAr
128
Imagem provável da Fortaleza da Barra Grande nos dois primeiros séculos da colonização 
em fotomontagem sobre foto de Carlos Marques (1998) VHM
prometido recompensar com “dinhei-
ro e depois lhe fora pago com vinho vina-
gre e ferro e lona podre”4.
Chegando a esquadra em Santa 
Catarina, Valdez separou três 
navios dados como impróprios 
para prosseguir, “Almirante, Con-
cepción e Begónia, e mandou-os para o 
Rio de Janeiro sob o comando de Andrés 
Igino”, que partiu contrariado, no 
dia 14/01/1583. A esquadra princi-
pal chegou à entrada do Estreito de 
Magalhães no dia 07/02/1583, e 
fracassou na tentativa de contorná-
-lo e fazer as fortificações, retor-
nando ao Brasil.5 
No dia 19/01/1583, o inglês 
Edward Fenton chegou ao porto de 
Santos, que era um dos mais impor-
tantes entrepostos para o abasteci-
mento das naus com destino ao 
Estreito de Magalhães. Ao contrá-
rio do Minion of London, desta vez 
os ingleses foram recebidos com 
reservas face às novas relações da 
política internacional e principal-
mente devido a presença da esqua-
dra espanhola de Felipe II na região. 
As negociações com Fenton esta-
vam sendo encaminhadas por José 
Adorno, seu genro João Leitão 
(John Whithall), Estêvão Raposo e 
Paulo Bandeves, “quando na tarde de 
24 entraram as naus espanholas e tra-
vou-se o combate”. A nau espanhola 
Santa Maria de Begónia foi destruí-
da e os ingleses partiram com algu-
mas avarias, retornando à Inglater-
ra sem completar a missão nas 
Índias.6 
Detalhe da ilustração “St. Vicent” do livro de viagem de Joris van Spilbergen, ca. 1615. 
À direita, na entrada do canal de acesso ao porto, aparece a isolada Fortaleza da 
Barra edificada em 1583. A reprodução da gravura do livro “Capitanias Paulistas…” 
de Benedito Calixto, apresenta a seguinte legenda: H- é um castelo na costa da terra perto do 
rio; I- são quatro de nossas chalupas subindo o rio; K- é um dos nossos navios que protege as 
nossas chalupas; P- como se incendiou um pequeno navio português.
armada de 16 navios, partiu de 
Cádiz em 09/09/1581, para percor-
rer as costas do Brasil até o Estreito 
de Magalhães onde deveria fortifi-
car as duas margens. Integravam a 
esquadra espanhola, Pedro Sar-
miento Gamboa, designado gover-
nador do Estreito de Magalhães; 
Alonso de Sotomayor, nomeado 
governador do Chile; o engenheiro 
militar Bautista Antonelli e o vedor 
e contador da armada Andrés Egui-
no (Igino).
O tempo da estada no Brasil da 
esquadra espanhola “passou-se em 
resgate de pau brasil e outras mercado-
rias, rusgas entre os chefes. Os resgates, 
verdadeiros peculatos, estenderam-se 
também a São Vicente, onde foi tomada 
carga de açúcar”3.
O Almirante Flores Valdes partiu 
do Rio de Janeiro em novembro de 
1582 em direção ao sul. A Câmara da 
Vila de São Paulo, em 1583, se revol-
tou com a Provisão de Jerônimo Lei-
tão, Capitão de S. Vicente, ordenan-
do pela segunda vez ao moradores 
“para que dessem duzentas rezes de gado 
vacum para a armada de sua majestade 
para seguir a viajem do estreito de maga-
lhães”. Responderam os vereadores 
ao Capitão que os moradores “todos a 
uma voz comum disseram que o gado que 
ao presente havia nesta vila e seu termo 
não era senão vacas femeas e não havia 
boi macho nenhum por serem dados o 
ano passado para a dita armada de sua 
majestade”. A recusa tinha também 
como justificativa que no ano ante-
rior (1582) o Almirante Valdez havia 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
131
ArquiteturA MilitAr
130
Antes da abdicação de Carlos v em 
1555, seu filho Felipe (1527-1598) gover-
nava o Ducado de Milão, que se estendia 
de Pavia até Mântova. Todo o sul abaixo de 
Roma e a região do Piemonte também esta-
vam sob o domínio dos Habsburgos. 
Em 1557 o engenheiro militar Giovanni 
Battista Antonelli, acompanhando o Duque 
Filiberto de Savoia e a família Gonzaga Col-
lona de Mântova, teria participado da bata-
lha de San Quintin, sob o comando do 
Duque de Alba, na vitória dos "espano-ita-
lianos" sobre os franceses aliados do Papa 
Paulo iv. O Tratado de Cateau-Cambrésis 
no ano seguinte referendou como domínio 
de Felipe ii da Espanha as áreas de Milão, 
Nápoles, Sicília e Sardenha. Inúmeros 
arquitetos e engenheiros da "península ita-
liana" sem o apoio do mecenato papal e dos 
ducados independentes, buscaram amparo 
na corte espanhola através do Duque de 
Alba, vice-rei de Nápoles e Sicília, e do pró-
prio Felipe ii que fora governante da região 
milanesa.
Battista Antonelli foi colega e protegido 
do arquiteto aristocrata Vespasiano Gonza-
ga Collona (1531-1591), vice-rei da região 
valenciana com quem trabalhou no sistema 
de fortificação de Alicante a partir de 1562. 
Gonzaga Collona, posteriormente Duque 
de Mântova, projetou e construiu em 1588 
a célebre cidade fortificada de Sabbioneta - 
um marco do urbanismo renascentista.
Juan Bautista ou Battista era o chefe de 
uma família de engenheiros militares, 
composta pelo irmão Bautista Antonelli e 
seus sobrinhos Francisco (Francesco), 
Cristóbal (Cristóforo) de Roda, e Juan 
Bautista (Giovan Battista, o jovem). 
Todos adotaram o sobrenome famoso 
"Antonelli".
Bautista, o irmão mais novo, estava em 
1583 na esquadra de Flores Valdez na 
Costa do Brasil para projetar fortificações 
no Estreito de Magalhães. Devido a um 
incidente no Porto de Santos com inglêses, 
acabou permanecendo na Capitania de São 
Vicente para projetar e construir a Fortale-
za da Barra Grande, conforme o relato de 
Pedro Sarmiento Gamboa.
Em 1586, após o saque de Francis Drake 
ao Caribe, Bautista foi designado engenhei-
ro militar para a região. Chegou acompa-
nhado dos parentes engenheiros, todos a 
serviço de Felipe ii. 
Devem-se à "família Antonelli" inúme-
ros projetos hoje declarados Patrimônio da 
Humanidade pela Unesco: as muralhas 
defensivas de Cartagenas de Índias, o sis-
tema de fortificação de Havana incluindo a 
famosa Fortaleza de "El Morro", a Forta-
leza de "San Pedro de la Roca" em Santia-
go de Cuba, o forte de Portobelo no atual 
Panamá, o traçado urbano de Antigua na 
Guatemala, as fortificações de Campeche 
no México, a Fortaleza de "San Felipe del 
Morro" em San Juan de Porto Rico, etc. 
São também atribuídos à lavra dos "Anto-
nellis" o Forte de Trujillo em Honduras, a 
conclusão do Aqueduto "de la Zanja Real" 
em Cuba, e o forte de San Juan Di Ulúa 
em Vera Cruz no México.
A FAMÍLIA ANTONELLI : 
CONSTRUTORES DE MONUMENTOS
Edward Fenton sentiu o gosto da 
vingança cinco anos depois. Foi 
designado pela coroa inglesa 
comandante da nau Mary Rose na 
batalha que destruiu a “Invencível 
Armada” de Felipe II. Essa derrota 
marcou o fim da hegemonia maríti-
ma da Espanha e Portugal. Nas pró-
ximas décadas as invasões de ingle-
ses,franceses e holandeses serão 
constantes tanto na área caribenha 
como no nordeste brasileiro.
Andrés Eguino (Higino ou Igino) 
ordenou a construção de um forte 
na entrada da Barra Grande de 
Santos, aproveitando-se da artilha-
ria e materiais da nau destruída 
Santa Maria de Begónia, e seguiu 
para o Rio de Janeiro com as duas 
naus restantes, deixando a tripula-
ção do Begónia guarnecendo o 
forte. No mês de abril chegou a 
Santos Pedro Sarmiento Gamboa, a 
quem devemos os relatos históri-
cos destes acontecimentos. Em 
seguida chegou o comandante 
Diogo Flores Valdez, retornando 
da mal sucedida empreitada no 
Estreito de Magalhães. 
Sarmiento Gamboa relatou que o 
almirante Valdez desqualificou a 
obra iniciada “de mala traça” por 
Igino, transferindo para si o crédito 
dessa iniciativa para ofuscar o seu 
fracasso na missão no sul: “Y para del 
todo descomponer las cosas del Estrecho, 
quiso (Valdez), aprovechar-se de la oca-
sion del fortezuelo que halló comenzado, 
y adjudicó aquello que habia hecho 
Andrés de Aquino (Igino) para si, por-
que se dixiese que habia hecho algo y 
cubriese lo que no tenia cubierta. Y por 
esto dejó alli al ingenier que iba para uno 
de los fuertes, y por alcaide á Domingo 
de Garri”. Segundo Sarmiento, este 
“ingenier” era Bautista Antonelli.7
Rafael Moreira acrescenta que esse 
engenheiro militar era o italiano 
Bauttista Antonelli, que “juntamente 
com seu auxiliar o jesuíta Gaspar Sam-
pere” empreenderam obras em San-
tos e no Rio de Janeiro entre 1582 e 
1584, e fora autor de “interessantes 
estudos para ligar Abrantes ao Escorial e 
Madri por via fluvial”.8
Antonelli permaneceu em Santos 
por determinação de Valdez junta-
mente com a guarnição do Begónia, 
projetando e dirigindo as obras da 
Fortaleza da Barra Grande, e prova-
velmente, auxiliando os moradores 
da capitania a melhorar as incipien-
tes fortificações da capitania. A 
similaridade tipológica entre os edi-
fícios dos quartéis da Fortaleza de 
Santo Amaro da Barra Grande e do 
Forte da Bertioga (únicos existentes 
nessa época), não obstante as altera-
ções externas que sofreram a partir 
do século XVIII, tem como hipótese, 
a influência de Antonelli em 1583 
ou do florentino Baccio de Fillicaya, 
que esteve em Santos no início do 
século XVII.
A construção dessa fortaleza tinha 
dois objetivos. O primeiro seria de 
guarnecer o Porto de Santos, um 
entreposto importante para a rota 
ao Estreito de Magalhães, de nave-
gantes ingleses e holandeses; e o 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
133
ArquiteturA MilitAr
132
segundo, marcar simbolicamente a 
presença do rei Felipe II da Espanha 
(Felipe I de Portugal) nessas para-
gens perdidas do Atlântico Sul, 
impondo aos vicentinos a obediên-
cia legal à dinastia dos Habsburgos. 
A resistência e a indignação dos 
moradores da Capitania às “expro-
priações de mercadorias” determi-
nadas por Valdez, o comércio ilegal 
com navegadores ingleses, e o clima 
ainda persistente tanto no Brasil 
como em Portugal, do desejo da 
restauração do trono português, 
provavelmente levaram o Coman-
dante espanhol à construir essa for-
tificação e a manter uma guarnição 
“espanhola” com cem soldados. 
Além do relato de Pedro Sarmien-
to, temos também o testemunho do 
Padre José de Anchieta no seu céle-
bre apontamento “Informações do 
Brasil e de suas Capitanias” de 1584: 
“Nela fez agora Diogo Flores Valdes, 
general da armada que Sua Majestade 
mandou ao estreito de Magalhães, um 
forte com gente e artilharia, porque está 
da outra banda do rio que é a barra de 
São Vicente onde podem entrar naus 
grossas. Nesta barra estiveram o ano 
passado de 1583 dois galeões ingleses 
que queriam contratar com os moradores 
e, vindo de arribada três naus da dita 
armada maltratada das tormentas, mete-
ram os ingleses uma delas no fundo com 
morte de alguma gente e se foram aco-
lhendo”. Fica claro que Fenton não 
estava em Santos fazendo pilhagens 
mas simplesmente comerciando com 
os moradores locais. 
A armada de Flores Valdez retor-
nou a Espanha em maio de 1584, 
após dar início a uma fortificação 
denominada de São Felipe no 
atual Estado da Paraíba. Em março 
de 1585, ainda permanecia na For-
taleza da Barra Grande a guarni-
ção de soldados espanhóis chefia-
da por Domingo de Garri, confor-
me narrativa do padre Fernão Car-
dim: “O padre (visitador Christo-
vão Gouvêa) em S. Vicente visitou 
os padres.(…) também visitou o forte 
que deixou Diogo Flores, com cem sol-
dados”.9 Certamente muitos desses 
soldados-construtores espanhóis 
escolhidos eram artífices e deze-
nas deles aqui se radicaram. Como 
é o caso do famoso Bartolomeu 
Bueno, carpinteiro naval, que pos-
teriormente foi o inspetor das 
obras da Matriz de São Paulo e pai 
dos bandeirantes Jerônimo Bueno 
e Amador Bueno.
Canhão primitivo, semelhante aos 
utilizados na defesa da Capitania de São 
Vicente no século XVI – Castelo de Santo 
Ângelo, Roma
Implantação provável do projeto original da Fortaleza de Santo Amaro com suas baterias 
escalonadas VHM
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
135
ArquiteturA MilitAr
134
Uma das hipóteses possíveis 
aventada por Carlos C. Lemos seria 
que “os modelos eruditos construídos à 
beira do canal de Santos e de Bertioga 
poderiam muito bem ter inspirado os 
projetos de casas rurais, tanto nos pró-
prios engenhos litorâneos como serra 
acima, nos esparsos complexos roceiros 
bandeiristas”. O autor questiona 
porém a possibilidade do Tratado 
de Andrea Palladio publicado em 
1570, pouco anos depois, estar 
influenciando os construtores nas 
longínquas colônias de Portugal e 
Espanha.12 Esse modelo tipológico 
aqui transplantado tem origem na 
Vila Medici de Poggio a Caiano na 
Toscana projetada em 1480 por Giu-
liano da Sangallo.
Assim, uma das alternativas viá-
veis seria a presença direta na Capi-
tania de S. Vicente de projetistas 
“eruditos”, com amplos conheci-
mentos da arquitetura “mediterrâ-
nea”, das vilas da renascença na Itá-
lia, e dos textos dos tratadistas ita-
lianos. Giovanni Antonelli – o mais 
importante engenheiro militar de 
Felipe II para as Américas – foi o pri-
meiro desses “eruditos” a projetar 
fortificação nessa capitania e inú-
meros de seus artífices aqui perma-
neceram. O engenheiro florentino 
Baccio de Fillicaya foi o segundo 
que passou por aqui nos primeiros 
anos do século XVII, projetando o 
Forte de Montserrate e a capela do 
mesmo nome na Vila de Santos por 
ordem de Francisco de Souza. Esses 
primeiros engenheiros italianos 
possuiam ampla formação erudita, 
balizadas pelos seus mecenas e 
protetores: Vespasiano Collona e 
Ferdinando I. 
Muitos autores minimizaram a 
capacidade dos engenheiros milita-
res na elaboração de projetos arqui-
tetônicos eruditos. Mário Mendon-
ça de Oliveira desfaz esse precon-
ceito afirmando que bastaria con-
sultar “um tratado de engenharia mili-
tar português onde os grandes arquite-
tos italianos são citados com invulgar 
intimidade, desde Vitrúvio, ao lado de 
mestres de fortificações como Castriotto, 
Sardi, Antoni, Dogen, Freitag, De Ville, 
Pagan, Vauban, Maralois, Stevin, 
Medrano, e assim por diante.”13
A impressão de quem avista a for-
taleza, com suas muralhas serpen-
teando pelas encostas, é que a topo-
grafia foi o elemento determinante 
do projeto. Essa também foi a inter-
pretação de Júlio Katinsky e Fernan-
da Fernandes que não identificaram 
nessa planta “a tipologia das fortifica-
ções onde a geometria é o elemento defi-
nidor da organização espacial”14. Des-
vinculado das obras dos tratadistas 
do Renascimento pela “ausência de 
bastiões, baluartes e tenalhas”, o proje-
to “sugere uma tradição técnica mais 
facilmente identificável com as técnicas 
registradas nos desenhos das fortalezas 
às divisas com a Espanha, do livro de 
Duarte das Armas (1516)”15. 
Qual teria sido o motivo da esco-
lha desse sítio acidentado, quando 
do lado oposto do canal a área 
plana permitiria a construção de um 
Teria restado alguma evidência da 
fortalezaquinhentista edificada por 
Antonelli após as grandes obras de 
transformação promovidas no sécu-
lo XVIII? Se tomarmos como referên-
cia o relatório do Brigadeiro João 
Massé de 1714, poderíamos aferir 
que haviam permanecidos dos sécu-
los anteriores, as duas baterias 
sobrepostas “a de dentro e a de fora”,“a 
casa que serve de Armazem de polvora” 
(atual capela), e o edifício dos “quar-
teiz”. Tanto esse relatório como o de 
autoria do Brigadeiro Silva Paes de 
1738, colocan em dúvida a afirma-
ção de Júlio Katinsky que esse edifí-
cio do alojamento dos soldados 
seria “seguramente do século XVIII”.10
A planta do edifício dos quartéis, 
dimensionada para abrigar “cem 
soldados” de Flores Valdez, poderia 
ter como matriz a tipologia das 
vilas renascentistas. Seu partido 
arquitetônica é similar ao que 
encontramos na Bertioga, e nas 
casas rurais do planalto dos séculos 
XVII e XVIII, denominadas “casas 
bandeiristas”. Segundo Luís Saia, 
essas casas paulistas tinham nos 
desenhos das plantas “além da ori-
gem mediterrânea tradicional” o “tra-
tamento palladiano erudito”.11 
Fortaleza projetada na Barra da Vila de Santos em meados do século XVII – contra-bateria 
da Fortaleza da Barra Grande – no local onde existiu o Forte do Crasto AHU
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
136
Vila Mediceas de Poggio a Caiano (esq.)
Vila Medicea de Artimino (em cima)
Forte Belvedere ou de São Jorge (em baixo, à esq.)
Fortaleza da Barra Grande, na Capitania de 
São Vicente (em baixo, à dir.)A Vila Medicea em Poggio a Caiano nas cercanias de Florença, é consi-
derada a primeira da renascença. A residência projetada em 1480 por Giuliano 
da Sangallo para Lorenzo Medici, antecede em cerca de setenta anos a tipologia 
das vilas com a loggia entalada no eixo da fachada principal ao gosto de Andrea 
Palladio, cujo padrão foi disseminado nas terras paulistas. 
A Vila Medicea de Artimino, inspirada na vizinha Vila de Poggio, foi 
construída entre 1590 e 1595 por Bernardo Buontalenti (arquiteto e engenhei-
ro militar) para moradia de Ferdinando I. O Grão-duque da Toscana, era o pro-
tetor e responsável pela formação educacional do jovem Baccio di Filicaya – o 
primeiro Engenheiro-mor do Brasil. O curto aprendizado profissional de Filica-
ya em Florença deve ter sido intenso. Além da construção da Vila Artimino, 
Ferdinando I estava construindo o Forte Belvedere em Florença, também pro-
jetado por Buontalenti, onde o edifício do aquartelamento seguia a tipologia das 
vilas residenciais como ocorreria em Santos.
Baccio di Filicaya foi o segundo engenheiro militar italiano a trabalhar em 
Santos nos primeiros anos do século XVII. Assim como o seu compatriota Gio-
vanni Antonelli, o pioneiro na Capitania de São Vicente, deve ter trazido novi-
dades na arte de projetar e construir nestas paragens desconhecidas e distantes 
de Florença – berço do Renascimento.
A INFLUÊNCIA DO RENASCIMENTO ITALIANO
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
139
ArquiteturA MilitAr
138
do século XVII para um sistema de 
tropas irregulares particulares sob o 
comando de um senhor. Surgiram 
as Bandeiras, voltadas para a captu-
ra de indígenas para suprir a imen-
sa carência de escravos. 
No litoral, a existência de uma 
fortaleza isolada na entrada da 
Barra Grande, desguarnecida pelo 
lado oeste onde um “morro servia de 
padrasto”, e sem o apoio de uma 
contra-bateria para o cruzamento 
de fogos, servia apenas como marco 
simbólico do domínio luso-espa-
nhol. O ataque do corsário Caven-
dish ao porto de Santos e à Vila de 
S. Vicente em 1591, apenas compro-
vou a ineficácia de uma fortaleza 
isolada na Ilha de Santo Amaro.
Em meados do século XVII foi pro-
jetado um forte quadrangular com 
quatro baluartes, fosso e revelins na 
atual Ponta da Praia de Santos, em 
frente à Fortaleza de Santo Amaro, 
mas nada foi edificado por falta de 
interesse da Coroa. 
Com a restauração do trono por-
tuguês em 1640, a partida dos 
holandeses de Pernambuco em 
1654, e principalmente, a descoberta 
de ouro na Capitania de S. Vicente 
em 1698, a proteção ao Porto de 
Santos voltou a ser uma prioridade 
política da metrópole. 
Aliás, os descobrimentos aurífe-
ros alteraram profundamente a 
organização militar no Brasil no 
século XVIII. Com o objetivo de con-
trolar todas as áreas de extração e 
de circulação, a Coroa se viu obriga-
da a instalar milícias regulares no 
território, desfazendo, paulatina-
mente, o sistema de defesa “feudal” 
implantado em 1534.
baluarte estelar? O projeto da Forta-
leza abaluartada do Crasto projeta-
do por João Massé em 1714 do lado 
de Santos, demonstrou ser factível 
essa opção. 
Ao observarmos os inúmeros 
projetos da “família de Juan Bautis-
ta” na região do Caribe, a hipótese 
do “estilo Antonelli” de fortificar 
poderia ser a resposta para essa 
indagação. Quase todas as fortifica-
ções tem como característica as 
“baterias sobrepostas” escalonadas 
sobre as escarpas naturais, que per-
mitem linhas de tiros “rasantes” e 
de “mergulhão”. A Fortaleza de S. 
Felipe de Porto Rico chegou a pos-
suir quatro níveis de patamares de 
armas, interligados por uma rampa. 
Considerando-se o reduzido alcan-
ce e precisão das primitivas artilha-
rias do século XVI, este “sistema 
Antonelli” permitiria surpreender o 
ataque das naus, desnorteando os 
timoneiros diante das imprevisíveis 
trajetórias dos projéteis disparados. 
Nos anos que se seguiram, esse 
rudimentar partido com reminis-
cências medievais, foi aperfeiçoado 
e consagrado no projeto de Neuf-
-Brisach de Vauban.
No início do século XVII os maio-
res rendimentos da Coroa advi-
nham da produção açucareira do 
nordeste e do monopólio da comer-
cialização de escravos africanos. A 
perda da principal área brasileira 
de produção de açúcar e dos entre-
postos de escravaria na África para 
os holandeses levaram a metrópole 
a concentrar os investimentos de 
defesa na área nordestina. 
A Capitania de S. Vicente perma-
neceu nesse período fora da aten-
ção e do controle do governo cen-
tral. No planalto paulista as orde-
nanças compostas por “regimentos 
não regulares”, evoluíram a partir 
O armazém de Pólvora foi 
desativado por se encontrar em 
lugar desprotegido
O edifício dos quartéis possuia 
uma altura a†é o frechal de 
apenas 2,30 m.
Fortaleza da Barra Grande antes da intervenção de João Massé em 1714 VHM
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
141
ArquiteturA MilitAr
140
de elaborar, em 1714, os projetos da 
“Fortaleza do Crasto” e da moder-
nização da Fortaleza da Barra Gran-
de, introduziu na Baixada Santista 
os modernos conceitos de Vauban, 
procurando transformar as primiti-
vas fortificações de caráter pontual, 
num complexo sistema de defesa 
territorial. No próximo capítulo, 
trataremos do projeto que visava a 
transformar a vila de Santos em 
recinto fortificado: “a praça forte 
vaubaniana”. Segundo Mario Men-
donça, o brigadeiro João Massé “era 
de origem inglesa (possivelmente bati-
zado John Massey) e não francesa, como 
muitos historiadores dizem e, até 
mesmo, antigos documentos infor-
mam”.17
A provisão régia de 27/01/1715, 
considerando “a grande despesa, que 
a fazenda Real não pode suprir”, man-
dou aceitar a proposta de João 
(Manuel) de Crasto de Oliveira, na 
forma da planta desenhada pelo 
brigadeiro João Massé, e somente 
após a conclusão das obras aprova-
das por um engenheiro real teria 
“efeito as tais merçês”. O projeto do 
brigadeiro possuía planta quadran-
gular com uma tenalha voltada 
para o Canal da Barra, e dois 
baluartes angulares no lado norte. 
Estava protegido por um fosso e 
uma linha externa de estacada.18
Para a Fortaleza de Santo Amaro, 
o engenheiro Massé iria propor uma 
grande obra de reforma. O precioso 
relatório de obras que nos deixou, 
demonstra que apenas o edifício 
dos quartéis ou “casa forte” perma-
neceria na configuração primitiva. 
Tudo mais seria alterado e amplia-
do para atender os novos preceitos 
da arquiteturamilitar:
“Na Barra Grande deve-se acabar a 
Fortaleza de Santo Amaro para o que 
necessita das obras seguintes (…): 
Planta da Fortaleza de Santo Amaro (1734): das obras projetadas em 1714 por Massé 
apenas havia sido construído o reduto no alto do morro AHU
E sta tentativa também fracas-sou, porém, o interesse polí-tico de dar prioridade à 
defesa da vila Santos estava cada 
vez mais explícito: “ter nela o maior 
cuidado por ser o único porto para as 
minas”.
Finalmente, em 30/10/1710, João 
de Crasto de Oliveira em petição ao 
rei, se ofereceu para edificar a for-
taleza defronte à de Santo Amaro 
às suas custas, incluindo os “quatro 
quartéis para a Infantaria desta praça”, 
“sem reparo no grandioso custo a que 
há de chegar”, orçados em duzentos 
e cinqüenta mil cruzados, tudo em 
troca das seguintes “mercês”:
“1ª O Forro de Fidalgo da Casa de S. 
Mag. na forma do Estilo.
2ª Dois hábitos de Cristo cada um com 
Tença de oitenta mil reis cada ano por 
três vidas para passar de Pai a Filho e 
deste a Neto, pagas as ditas tenças 
nesta provedoria de Santos.
3ª A propriedade de um ofício nas 
minas que renda todos os anos duzen-
tos mil reis.
4ª A patente de Sargento Maior da 
Dita Fortaleza para mim e meus des-
cendentes com vinte mil reis de soldo 
cada mês”.
Em 1712, Manuel de Vila Lobos 
elaborou um projeto para o novo 
"Forte do Crasto", possivelmente, 
aproveitando-se do desenho do 
século XVII: planta quadrangular 
com quatro baluartes. O governo 
português, cauteloso diante do 
vulto da obra, ordenou a ida do bri-
gadeiro João Massé e Manoel 
Pimentel a Santos, para examinar o 
local e fazer “a figura da fortificação 
que paracer mais conveniente”, pois 
sem o “conhecimento do terreno, se 
não poderá fazer tão importante obra 
como a esta que se pretende”.16
O brigadeiro João Massé foi o 
mais importante personagem na 
consolidação da defesa militar da 
capitania no período colonial. Além 
Petição de João de Crasto de Oliveira 
solicitando “mercês” em troca da 
construção do Forte do lado de Santos 
(1710) AHU
SÉCULOS XVIII E XIX
Através da Carta régia de 02/12/1698, o rei ordenou “a arrecadação 
dos impostos” na Capitania de São Vicente com objetivo de “pagar a 
edificação da fortaleza da Barra naquela vila”, que serviria de apoio 
à antiga Fortaleza de Santo Amaro.
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
143
ArquiteturA MilitAr
142
uma estacada paralela aos lados, na 
forma que se tem explicado no papel 
que toca a fortaleza nova (na praia 
fronteira). João Massé” 
A Carta régia de 22/03/1721 orde-
nava a alfândega do Rio de Janeiro 
consignar 4.000 cruzados anuais ao 
novo governo estabelecido em S. 
Paulo, para as obras da Fortaleza de 
Santo Amaro propostas pelo briga-
deiro Massé. Quase nada havia sido 
executado, pois ainda faltavam os 
“parapeitos, um recinto em toda a cir-
cunvalação do monte, cortadura, casa de 
pólvora, e correr-se uma cortina pela 
parte do Rio”.19
Enquanto em 1726 o Governo do 
Rio de Janeiro continuava a explicar 
os motivos que o impediam de 
enviar os 4.000 cruzados anuais para 
as fortificações de Santos, as obras 
na Fortaleza de Santo Amaro per-
maneciam paralisadas. Do outro 
lado do canal da Barra Grande, em 
1733 estavam concluídos parte dos 
“alicerces da muralha” da Fortaleza 
do Crasto “que estavam feitos confor-
me a Planta do Brigadeiro João Macé”.20 
O ataque dos espanhóis da Argen-
tina à colônia portuguesa de Sacra-
mento em 1735 e as constantes ten-
tativas de “ocupar o litoral ao sul de 
Cananéia, já que ainda eram nebulosas 
as divisas entre os domínios de Castela 
e Portugal antes do Tratado de Madri, 
de 1750, e do Tratado de Santo Ildefon-
so, de 1777”, determinaram a 
implantação de uma política de 
defesa da costa meridional do Brasil 
e das “divisas entre a então capitania 
de Mato Grosso e os territórios espa-
nhóis da vertente amazônica”. O prin-
cipal personagem na estruturação 
da defesa do litoral sul foi o briga-
deiro José da Silva Paes, que no ano 
de 1739 projetou “um sistema trian-
gulado de fortalezas” para a defesa de 
Santa Catarina.21
A provisão real de 15/02/1736 
ordenou a suspensão de todas as 
obras de defesa da praça de Santos 
até a vinda do brigadeiro Silva Paes. 
Um dos fatores que motivaram a 
presença do brigadeiro em Santos, 
tinha sido a peritagem feita por 
ordem do conde de Sarzedas Luís 
Antônio de Távora, na “obra princi-
piada a custa de João de Crasto cujos 
alicerces se acharam insuficientes, razão 
por que vos parecera dar me conta pri-
meiro para novamente vos declarar se 
aquela Fortaleza se deve principiar 
sobre outros fundamentos que tenham a 
suficiencia e segurança necessária a 
proporção da obra que ali se requer para 
defesa daquela barra”.22 
O brigadeiro Silva Paes esteve em 
Santos em 1738 para “examinar as 
obras que naquele porto se achavam fei-
tas, e as que se deviam fazer”. Na For-
taleza de Santo Amaro “faltava só 
cerrar-se pela parte de terra com um 
muro, que a cerque de sorte que deixára 
advertido ao Governador daquela Praça 
lhe fechar na parte em que hoje se acha 
a polvora, que é uma casinha de telha 
vã, e que para Armazem da mesma pol-
vora elegêra o sítio mais capaz na 
mesma Fortaleza, de que lhe deixára o 
risco por donde se devia fazer: Que na 
Projeto do Brigadeiro Massé para 
a Fortaleza do Crasto em 1714 AHU (esq.)
Em 1714, apenas a tenalha projetada por 
Massé foi executada. O restante das obras 
foi embargado pelo Brigadeiro Silva Paes 
em 1738 VHM (em cima)
Levantar se os parapeitos das Bate-
rias até nove palmos por dentro e seis 
por de fora, deixando canhoneiras de 
vinte e cinco, em vinte cinco palmos de 
meio em meio. 
Entre as canhoneiras deve-se fazer 
banquetes. 
Acabar de lajear a bateria de baixo.
Metida na Fortaleza toda a artilharia 
necessária deve-se feixar a praça baixa.
Fazer-se no lugar assinalado pelo Sr. 
Governador uma Casa de pólvora com 
aquelas prevenções já explicadas no 
outro papel.
Desmanchar-se a Casa de Pólvora 
que lá está por ser mal construído e em 
sitio muito arriscado.
Correr-se uma cortina pela parte de 
dentro do Rio, e sobre ela fazer uma 
bateria de oito ou dez peças de artilha-
ria, lajeada e com os parapeitos na 
forma das outras.
Fazer uma porta pequena na paragem 
para aonde se entra do Rio a fortaleza, 
coberta adiante de uma travessa de alve-
naria entulhada pelo meio de 15 palmos 
de largura. (atual portão espanhol)
Continuar se abrir a cortadura até 
por baixo do nível da água do mar e 
fazer cortar o mato que esta nas ladeiras 
do Outeiro na Fortaleza para o fazer 
inacessível em todas as partes. E porque 
ambas as baterias da Fortaleza estão 
descobertas de um alto que fica para 
alem da cortadura a tiro de espingarda 
delas, será necessário levantar um 
Reduto em forma de Atalaia em cima do 
dito alto capaz de conter 12 ou 15 
homens para o que bastará uma torre 
quadrada comprida por baixo de qua-
renta palmos em cada lado, alto de trin-
ta e cinco de sapato ao cordão com 
escarpa de um palmo sobre seis e suas 
abóbadas e parapelas ...
Ao redor da dita atalaia e a quarenta 
palmos de distancia deve-se correr 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
145
ArquiteturA MilitAr
144
Parece-nos que Silva Paes pouco 
acrescentou daquilo que fora deli-
neado por João Massé em 1714 na 
Fortaleza da Barra Grande. Limi-
tou-se a projetar a nova casa de pól-
vora no alto do morro atrás da ata-
laia e mandou prosseguir a cortina 
até o portão da cortadura projetada 
por Massé. No velho edifício dos 
quartéis apenas sugeriu reforçar as 
vigas do telhado. Em 1742 o gover-
nador José Roiz de Oliveira trans-
formou a velha casa de pólvora 
abandonada em uma capela alpen-
drada com frontão em volutas, e a 
sineira sobre a parede que prosse-
gue do frontispício nunca chegou a 
ser executada. 
Silva Paes confirmou o parecer 
anterior sobre a precariedade das 
fundações executadas na Fortaleza 
do Crasto, e ordenou a suspensão 
definitiva da obra projetada porJoão Massé. Caso fosse concluída, 
esta fortaleza seria a única do tipo 
abaluartada em Santos. A resolução 
do brigadeiro dá-nos a entender 
que João de Crasto de Oliveira 
nunca receberia a totalidade das 
“mercês” prometidas na Provisão 
real de 27/01/1715. 
As iconografias da Fortaleza do 
Crasto mostra-nos que a tenalha de 
pedra que “já se achava fóra da terra 
uma braça” fora mantida e o 
restante do perímetro com-
plementado por uma 
estacada de madeira. 
A partir dessa oca-
sião passou a 
d e n o m i n a r - s e 
Forte da Estacada.
Perspectiva do Forte da Estacada VHMPlanta do Forte da Trincheira ou da 
Estacada levantada por João da Costa 
Ferreira (ca. 1815) AHE
Retrato de Dom Luís Antonio de 
Botelho Mourão, 
o “Morgado de Matheus” 
“Fortaleza da Barra Grande: nesta fortaleza todas as baterias são à barbeta”. Planta 
desenhada pelo Tenente Izaltino J.M. de Carvalho, no século XIX AHE
Fortaleza de Santo Amaro no final do século XVIII. Haviam sido concluídos: o reduto e a 
casa de pólvora no alto do morro e a capela alpendrada VHM
casa forte necessitavam de ser reforça-
das as vigas, que a cobrem, para que não 
suceda e romperem-na”. Na Fortaleza 
de João de Crasto a tenalha voltada 
para o canal “já se achava fóra da terra 
uma braça de obra, porém como os ali-
cerces se fizeram com pouca precaução, 
não estava em termos de se seguir, mas 
como o dito João de Castro não queria 
seguir aquela obra, e por agora não era 
mui precisada, importando o seu calcu-
lo o melhor de sessenta mil cruzados, e 
a fazenda real daquela repartição não 
estava em termos de fazer a tal despesa; 
a julgára o dito Brigadeiro por hora des-
necessária, e que só se podiam conservar 
as cinco peças de sorete em que se 
acham”.23 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
146
“Obras Novas de Fortalezas na Barra de Santos”. Construção do Fortim do Góes junto à 
Armação de Baleia. BN
Forno de cal de 
sambaqui pertecente à 
antiga Fazenda dos 
Jesuítas em Cubatão 
(atual Cosipa). 
Ele foi reativado pelo 
Morgado de Matheus 
para as obras das 
fortalezas
dos padres da Companhia de Jesus 
em 1759, como mostra o ofício de 
04/12/1767 ao tenente Antônio J. de 
Carvalho, administrador da fazen-
da: “Sem embargo das justíssimas 
razões como Vm.ce se explica que lhe 
assistem, faça Vm.ce cal, e mais cal por-
que é necessária nesta ocasião para 
reparos das Fortalezas de que depende a 
defesa e segurança desse Porto”.26
Em 1768 o governador enviou o 
sargento-mor Manoel C. Zuniga 
para examinar a Fortaleza de Santo 
Amaro que “estava principiada a arrui-
nar em um dos ângulos dela”. Parece 
que nada foi feito nesta ocasião, pois, 
Projeto geométrico para o Fortim do Góes (acima) AHU
O governador D. Luiz Antônio de 
Souza Mourão, o morgado de 
Mateus, iniciou a partir de 1765 , a 
remodelação do sistema de defesa 
do Porto de Santos. Na Fortaleza da 
Barra Grande concluiu a cortina até a 
porta da cortadura, e construiu a pri-
são no interior do quartel. Mandou 
projetar um fortim na Praia do Goes 
“para impedir os desembarques que 
podem haver naquela praia, que tem 
fundo, e podem chegar a ela as embarca-
ções sem serem vistas da Fortaleza de 
Santo Amaro, e desembarcando gentes, e 
ganhando o morro sem impedimento, 
ficam enfiando do alto, sem nenhum obs-
taculo, com os mosquetes todos os que 
andarem dentro da dita Fortaleza de 
Santo Amaro que se descobre toda, e por 
conseqüencia é logo tomada.” 
A planta inicial do Fortim do Goes 
“que se havia fazer de estacada”, possuía 
a cortina de madeira em forma curvi-
línea voltada para o canal. Em 1766, o 
governador resolveu alterar o projeto 
para uma configuração trapezoidal 
“feito de pedra e cal”. No ano seguinte, 
faltava completar o parapeito e as 
guaritas. “O Forte consta de uma corti-
na de dois angulos abertos de 2/3 palmos 
de comprido, e de 20 de alto, a qual forma 
tres faces, uma virada para a praia, que 
defende o desembarque, e as duas para o 
mar, da parte de tras é pegado no morro. 
Levará dezoito peças, foi feito com muita 
comodidade na despesa, parece-me que 
andará por três mil cruzados, e faz gran-
de diferença ao que custou a cortina com 
que se acrescentou a Fortaleza de Santo 
Amaro, que sendo quase o mesmo impor-
tou muitos mil cruzados.”24
Nesta época, o morgado de 
Mateus também estava edificando o 
Forte São Luiz na Bertioga. Toda a 
cal de sambaqui empregada nessas 
obras provinha da caieira da fazen-
da dos jesuítas de Cubatão25, incor-
porada pela Coroa com a expulsão 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
148
frente do quartel uma grande varanda, 
onde se recolha a artilharia”.28
A invasão de Portugal pelas tro-
pas de Napoleão Bonaparte, em 
1807, acarretou a transferência da 
Corte portuguesa para o Rio de 
Janeiro no ano seguinte. A transfor-
mação da colônia em metrópole vai 
involuntariamente, criar as bases 
para se desenvolver internamente 
o conceito de “nação brasileira” e o 
conseqüente sentimento de inde-
pendência. 
Protegido das forças napoleôni-
cas pela distância, e apoiado pelas 
demais nações, principalmente pela 
Inglaterra, com a abertura dos por-
tos brasileiros, a Coroa desviou a 
política de defesa litorânea para um 
novo inimigo: a invasão dos ideais 
da revolução francesa e da inde-
pendência americana. A Circular de 
07/06/1810 aos comandantes das 
vilas da marinha, ordenava o exame 
das equipagens e passageiros, 
podendo “submeter a quarentena” as 
embarcações americanas, com o 
objetivo de proibir a entrada dos 
“franceses papéis incendiários contra o 
felicíssimo governo de Nosso Amado 
Soberano”.29
Vista do Fortim do Góes em 1960
Detalhe da cortina do Fortim do Góes
“Reduto que D. Luís mandou fazer na Barra de Santos” BN
apenas em 1793, o pedreiro Manoel 
Lopes examinando as cortinas con-
cluiu: “que carece muito acudir os dois 
cunhais das duas guaritas da Bateria de 
baixo, pela parte exterior, por ter a conti-
nuação do mar, cavado a cantaria dos 
sobreditos cunhais de sorte, que enfra-
quecidos o talude da muralha, (…) e que 
se pode reparar com um betume feito de 
borra de azeite e cal”.27
Em 1777, foi assinado o Tratado 
de Santo Ildefonso entre Portugal e 
Espanha, definindo os limites do 
Brasil até o atual estado do Rio 
Grande do Sul. Afastado o perigo 
espanhol do sul, a atenção militar 
da Coroa passou a se concentrar nas 
revoltas internas, inspiradas nos 
movimentos, que geraram a Inde-
pendência dos Estados Unidos e a 
Revolução Francesa, a exemplo da 
Inconfidência Mineira. Assim, no 
fim do século XVIII, pouco se fez nas 
obras das fortificações santistas. Os 
recursos provenientes do açúcar 
ituano foram canalizados para a 
construção da primeira estrada 
lajeada interligando o Porto de San-
tos ao planalto paulista - a Calçada 
do Lorena.
Na virada do século, um relatório 
assim descrevia o estado das fortifi-
cações: “Na barra grande achei as por-
tas podres e espedaçadas, o quartel 
muito arruinado e parte dele a cair, a 
casa da pólvora por acabar; na bateria 
de baixo achei algumas peças montadas 
em carretas podres e outras no chão, 
muito mal tratadas, de sorte que toda 
esta bateria está impossibilitada de fazer 
fogo (…); No norte da praia do Goes se 
acham oito peças, quatro montadas e 
quatro desmontadas e muito mal trata-
das, de sorte que algumas já estão em 
estado de não poder dar fogo; Na forta-
leza da Trincheira (Estacada) se acham 
onze peças, todas desmontadas e algu-
mas já sem serventia. A estacada esta 
toda podre e o quartel bastante arruina-
do. Com pouca despesa se pode fazer na 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
150
Ruínas da Casa de Pólvora no alto do morro
Reduto: terceira bateria construída 
no século XVIII para a proteção de 
encostas defronte a Casa de Pólvora
Detalhe da “Planta da Vila de Santos” (século XVIII) AHE
Em 1809, o engenheiro João da 
Costa Ferreira recebeu ordens para ir 
aSantos substituir todos os reparos 
das artilharias para carretames 
navais, aqueles “de quatro rodas, como 
he o carretame da marinha” pois eram 
“mais comoda para se livrarem das chu-
vas”, pois facilmente se deslocavam 
para os telheiros de proteção. Outra 
recomendação dessa época para a 
melhor proteção dos reparos e arti-
lharia, era no sentido de pintar com 
“oleo de linhaça na falta deste com azeite 
de amono, e uma terra que há em 
Cananéia que é semelhante ao roxo-terra 
da Italia” (óxido de ferro)30.
Exaurido o ouro das Minas Gerais, 
que sustentou o esplendor do barro-
co brasileiro, a produção do café que 
partiu do vale do Rio Paraíba flumi-
nense até São Paulo, iria dar suporte 
para a transformação da feição colo-
nial das nossas cidades. Era o estilo 
neoclássico que a “Missão Francesa” 
trazia para a corte no Rio de Janeiro, 
e serviu de referência para todo o 
país no campo das artes e arquitetu-
ra. Porém na área mercantil e militar, 
todo o controle estava nas mãos da 
Inglaterra, que tinha o interesse em 
dominar a zona platina do sul. Até 
mesmo a Independência do Brasil, 
contou com o apoio de Londres, que 
liberou o primeiro empréstimo exter-
no no valor de 3 milhões de libras 
esterlinas em 1824. A organização 
militar colonial encerrou-se na práti-
ca, somente com a criação da Guarda 
Nacional em 18/08/1831, após a 
revolta que resultou na abdicação de 
D. Pedro I, segundo Werneck Sodré.31 
Os relatórios dos comandantes da 
Barra Grande entre os anos da Inde-
pendência do Brasil e 1853, perten-
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
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Planta do “Estado actual dos diversos desméritos do Forte da Barra Grande”, 
anterior a 1895. AHE
Em 1858, o quartel foi considerado 
“em bom estado por se ter ultimado uma 
obra em 1854”, porém ainda necessi-
tava da “mudança da cozinha para fora 
do Corpo do Quartel por estar contígua 
a sala de jantar em razão da fumaça”. 
Faltava também a construção de 
uma latrina que “em tempo algum 
existiu”, e a “supressão dos alçapões de 
cima das duas prisões por serem lugares 
que são hoje ocupados em arrecadação 
dos utensílios”, e “abrindo-se as compe-
tentes portas nos mesmos lugares em que 
serviam em outros tempos” para as pri-
sões, uma “para correção e a outra para 
maiores crimes”, ficariam todas com 
“comunicação do ar”.
As muralhas foram rebocadas e 
caiadas em 1860, mas no quartel o 
relatório informava que a sala preci-
sava “ser assoalhada bem como forrar e 
assoalhar dois quartos”. O edifício 
religioso “necessitava ser "reentelha-
do, assualhado e caiado”, a casa de 
pólvora no alto do morro continua-
va sem piso de tijolos.32 
No ano seguinte a Forte da Esta-
cada, então denominado Augusto, 
já encontrava-se desativado. O 
General José Olinto de C. e Silva 
relatava que o “defronte a fortaleza da 
Barra Grande um Forte denominado 
Augusto, o qual está de todo em aban-
dono, tem algumas bocas de fogo cal. 12 
que pretendo emprega-las na fortaleza 
da Bertioga”.33
Em 1878, desabou o alpendre da 
capela em “conseqüência do mau esta-
do”. No ano de 1886 o fortim do 
Góes estava desarmado e na Barra 
Grande a “casa do comandante, quar-
tel e paiol da polvora estavam em estado 
de ruina ameaçando os seus telhados 
desabarem à todo momento devido estar 
a maior parte da madeira estragada e 
podre, (…) e as muralhas estavam todas 
pretas, por não serem caiadas há mais 
de trinta anos”.
A última obra aconteceu em 1894, 
na reforma inacabada do quartel. O 
telhado colonial arruinado, foi subs-
tituído por um novo, mais alto, 
“Planta da fortaleza da Barra Grande da Vila de Santos” desenhada pelo 
Tenente-Coronel J. Antonio Cabral AHE
centes ao Arquivo do Exército, 
denunciavam invariavelmente o 
estado de abandono das fortificações 
da entrada da barra de Santos. 
O alvo da poderosa Inglaterra era 
controlar as rotas marítimas comer-
ciais brasileiras. A tutela inglesa per-
mitiu ao governo brasileiro descui-
dar-se da proteção física do porto de 
Santos, concentrando os recursos de 
defesa na organização do aparelho 
militar central, para suprimir os dis-
túrbios internos e, externamente, 
buscar o domínio da região cisplatina 
atendendo aos interesses dos ingle-
ses. Aliás, as revoltas internas, que se 
iniciaram como sequelas da separa-
ção de Portugal, tornaram-se fre-
qüentes a partir da Regência, contra-
pondo liberais e conservadores e, 
depois, monarquistas e republicanos.
O relatório do Comandante da For-
taleza da Barra, de 1815, descrevia 
que “o quartelamento esta avir abaixo, 
sua ruína é considerável, a varanda dos 
fundos do quartelamento esta a cair e a 
casa do Deposito das munições da mesma 
Fortaleza se acha em estado de não poder 
ali guardar coisa alguma ainda de menor 
risco por causa das águas que recebe 
tanto por cima como por baixo”. No ano 
de 1853, o comandante Tenente Coro-
nel Alexandre M. de Carvalho Oli-
veira reclamava que “o estado do 
Quartel é tão ruinoso, tão incomodo, e 
tão insalubre e pouco decente, que não 
pode sofrer a menor demora na sua repa-
ração”. Enfim, no ano seguinte, acon-
teceram algumas obras de reforma 
tão aguardadas, que foram executa-
das pelo tenente cel. Alexandre de 
Carvalho Oliveira. 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
155
ArquiteturA MilitAr
154
Postal da Fortaleza da Barra antes do encerramento das suas atividades militares
Góes foram invadidos por particulares 
que apoderaram-se de terrenos e cons-
truíram sem licença casas habitações em 
terrenos do Ministério da Guerra,(…); 
acrescento que o Forte Augusto ficou por 
isso reduzido de extensão que em nada 
difere de um quintal comum”. Em pior 
situação que os terrenos da época 
colonial estava a antiquada artilharia 
da Fortaleza da Barra Grande e do 
Forte Augusto (Estacada). 
“No forte Augusto.
A artilharia assentada no forte 
Augusto não pode funcionar. São seis os 
canhões aí existentes e eis os motivos 
alegados: O canhão retro-carga Whit-
worth 70º está montado n’um reparo de 
Gribeanval que não tem a compatível 
solidez e fixidez. Um dos canhões Whit-
worth 70º está há anos encravado com 
uma granada do seu mesmo calibre 
(70). Um dos três canhões restantes está 
montado n’um reparo de Praça e Costa 
ao qual falta o respectivo caixilho e dis-
positivos inerentes a esta parte do repa-
ro (caixilho). Restam pois dois canhões: 
Um d’estes dois ante-carga Whitworth 
70º como os outros está montado n’um 
reparo de Praça e Costa de caixilhos e 
tudo assentado sobre o estrado de 
madeira porém a testa do caixilho d’este 
reparo está assentado sobre o estrado 
que é de madeira, quando esta parte do 
reparo devia assentar sobre trilho de 
bronze ou ferro (aparafusado ao estra-
do) para a testa do caixilho poder com 
eles (desviar).(…) O Canhão restante 
tem a culatra quebrada. São estes os 
pontos principais que acarretam a 
impossibilidade de funcionar perfeita-
mente a artilharia citada. (…)
Na Fortaleza.
Um antecarga Whitworth 24º des-
montado por não existir aqui o respecti-
vo reparo. Um ante-carga Whitworth 
12º que tem o pano da culatra quebrada 
e além disso a carreta em que está mon-
tado não tem rodas, as quais apodrece-
ram (…). Quatro canhões ante-carga 
Whitworth 4º que não prestam serviço 
pela insignificância do calibre e dois 
canhões de bronze raiados 12º. Estes 
últimos, isto é estes dois canhões la Hite 
12º fazem todo o serviço, taes como inti-
mações a navios delinquentes, salvas 
continenciais a navios de guerra etc.” 34
Em 1897, a Comissão que estuda-
va o novo plano de defesa do Porto 
Cartão postal colorizado da Fortaleza da Barra Grande do início do século XX
coberto com telhas francesas. As 
fachadas norte e leste foram refeitas 
segundo as formas ecléticas do 
período. O alpendre fronteiro 
ganhou arcadas de tijolos coroadas 
por platibanda substituindo o beiral 
primitivo. Nas demais faces do edi-
fício e no seu interior, permanece-
ram os vãos emoldurados pelas 
cantarias tradicionais.
Os conflitosinternacionais contra 
a Argentina (1851-1852), o Uruguai 
(1864-1865) e principalmente o 
Paraguai (1864-1870), fomentaram o 
fortalecimento da armada militar 
brasileira e a necessidade da moder-
nização do sistema defensivo nacio-
nal. Outro dos legados da Guerra 
do Paraguai foi o surgimento de 
lideranças nascidas fora da aristo-
cracia formada pelos senhores de 
terra, que constituiriam o epicentro 
do poder republicano, logo após a 
deposição de D. Pedro II.
No final do século XIX, já estava 
em elaboração o novo Plano de 
Defesa do Porto de Santos, em fun-
ção da chegada da ferrovia inglesa e 
da modernização do sistema por-
tuário de Santos. As modernas arti-
lharias como os canhões Krupp e 
Schneider-Canet com alcance e pre-
cisão quilométrica, tornaram obso-
leto o sistema de defesa colonial da 
Baixada Santista. Pouco depois, 
começariam as desapropriações das 
glebas de Itaipú para se implantar 
as novas fortificações.
Em nome da modernização, nem 
mesmo os terrenos militares de 
posse imemoriais tiveram qualquer 
preocupação pelo Ministério da 
Guerra. No Relatório de 1889 o 
comandante Francisco Álvaro de 
Souza ainda pedia providências aos 
superiores “porque consta-me que em 
datas anteriores, os dominios da Fortale-
za, forte Augusto, e Paiol da Praia do 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
157
ArquiteturA MilitAr
156
Interior da Capela de Santo Amaro, antes da restauração
rar a velha fortificação: “Me parece 
que nesta Fortaleza vão ser executadas 
obras de adaptação a defesa do porto; 
(…) Quaisquer que sejam as obras, não 
deixa de ter cabimento o pedido de pro-
videncias contido no presente Relatório, 
e que, datando de anos, assim vão conti-
nuando. (…) O fornecimento de peque-
nos canhões para salvas será fatalmente 
necessário, porque a Fortaleza depois de 
restaurada, não poderá fazer este serviço 
com canhões de grosso calibre”. 
Felizmente, o projeto da “segun-
da barreira” foi abandonado pela 
Comissão de Defesa do Porto. Em 
abril de 1905 a Fortaleza da Barra 
foi desarmada após 312 anos de ati-
vidade militar defendendo a entra-
da do Porto de Santos substituída 
pela Fortaleza de Itaipu.
A antiga Fortaleza do Crasto, da 
Estacada posteriormente denomi-
nada Forte Augusto, foi demolida 
no início do século XX para a cons-
trução da Escola de Aprendizes de 
Marinheiro. Nesse novo edifício, 
iniciado em 1906, funciona atual-
mente o Museu de Pesca de Santos.
Durante os anos que se seguiram, 
a história da Fortaleza de Santo 
Amaro foi permeada por ocupações 
provisórias intercaladas por perío-
dos de abandono. Foi sede do Cír-
culo Militar e posteriormente da 
Sociedade dos Amigos da Marinha. 
Tombada como monumento nacio-
nal pelo IPHAN em 1964, somente 
em 02/09/1993 deu-se início ao 
processo de sua recuperação, com a 
assinatura do “Protocolo de Inten-
ções” entre o Instituto do Patrimô-
nio Histórico e Artístico Nacional, a 
Universidade Católica de Santos e a 
Prefeitura de Guarujá.
de Santos trabalhava sigilosamente 
com a hipótese de se criar duas 
linhas de defesa. A primeira na 
entrada da baía de Santos compos-
ta de três fortificações assentadas 
na Ponta do Itaipu, na Ilha das Pal-
mas e um forte marítimo no meio 
da baía. A segunda linha também 
com três baterias situadas na Forta-
leza de Santo Amaro, que seria 
demolida, na foz do Rio de Santo 
Amaro junto ao Canal da Barra e a 
outra na Ilha de Santos. 
Segundo o relatório de Dezembro 
de 1897, do Capitão Erico Augusto 
de Oliveira, a antiga Fortaleza da 
Barra seria demolida e substituída 
por um forte retangular completa-
mente fechado e blindado de con-
creto para abrigar “uma bateria torpê-
dica submarina” protegida por “abó-
bodas a prova de bombas” com espes-
suras de 2,5 m. Seriam três tubos 
lança-torpedos móveis com "campo 
de tiro de 120º", baseado no sistema 
“indicado pelo general Brialmont em 
sua Defeuse des Côtes”. 
O comandante da Fortaleza da 
Barra em 1904, desconhecendo o 
teor destes projetos secretos para a 
defesa do Porto, ingenuamente pro-
testava por mais verbas para restau-
Interior do quartel destelhado da 
Fortaleza da Barra Grande” 
Canhão Withworth abandonado na 
Fortaleza da Barra Grande (1969) IPHAN
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
159
ArquiteturA MilitAr
158
DA BARRA DE SANTOS DE 1º/01/1904”
Higiene. 
Não é lisonjeiro o estado sanitário do pessoal. (…) não possuem os requisitos exi-
gidos pela higiene, tais como latrinas, drenagens de águas pluviais, ventilação (…)
Armamento.
A fortaleza tem para o serviço dois canhões Krupp 7,5 e 28 sendo que um deles 
já está com uma das rodas estragada. A não ser este armamento possui mais qua-
tro canhões ante-carga Whitworth 4º, que não são aproveitados por pequenos, e 
um canhão antecarga Whitworth 24 libras, desmontado e para o qual não existe 
aqui o respectivo reparo.
Até há pouco existiam mais dois canhões de bronze, que auxiliava as sal-
vas de artilharia, porem foram retirados pelo arrematante de metais impres-
táveis no serviço. 
Ficaram portanto para o serviço das salvas, apenas os dois canhões Krupp 
acima mencionados, pelo que fiz pedido em 31 de Julho do ano findo, de mais dois 
outros. Pelo ofício da Seção de Material do Senhor Comandante numero 1619 de 
23 de outubro ainda de 1903, fui informado que o fornecimento deixara de ser 
feito, porque a Chefia da Comissão de defesa do porto desta Cidade, em informa-
ção prestada, declarou não convir o fornecimento. (…)
Considerações Gerais.
Me parece que nesta Fortaleza vão ser executadas obras de adaptação a defesa 
do porto; serviço este, a cargo da Comissão que há dois anos está trabalhando no 
costão fronteiro na barra.
Quaisquer que sejam as obras, não deixa de ter cabimento o pedido de provi-
dencias contido no presente Relatório, para as faltas e inconvenientes atualmen-
te existentes, e que, datando de anos, assim vão continuando. (…) O fornecimen-
to de pequenos canhões para salvas será fatalmente necessário, porque a Fortale-
za depois de restaurada, não poderá fazer este serviço com canhões de grosso cali-
bre e isto no caso de serem eles aqui assentados; (…)
Fortaleza da Barra de Santos, 1º de Janeiro de 1904.
As. Francisco Alvaro de Sousa
Capitão Comandante”
Relatório do ano de 1903 da fortaleza da Barra de Santos, manuscrito de 01/01/1904 
assinado pelo Capitão Comandante Francisco Alvaro de Souza – Arquivo Histórico do Exército 
(RJ) – Cópia IPHAN-SP. 
“ÚLTIMO RELATÓRIO DO COMANDO DA FORTALEZA
(…)
Edifícios
Acham-se sob a imediata dependência deste Comando, alem dos dois edifícios 
existentes nesta fortaleza, mais os seguintes: deposito de Artigos Bélicos e paiol da 
Praia do Goes.
Na Fortaleza, pode-se dizer que existe apenas uma casa aproveitável. É a que 
subdividida internamente, abrange o quartel e casa do Comando. O outro edifício 
a parte; foi construído em tempos coloniais para capela, acha-se em ruínas. Cons-
ta-me que a casa foi consertada em 1894; porém as obras então encetadas não foram 
concluídas. Beneficiaram somente a frente e oitão direito, porem mais da metade da 
casa; na parte dos fundos; ficou com alguns muros em ruínas, paredes por concluir, 
ausência de soalho ou ladrilho nos compartimentos e falta de portas e janelas. Esta 
parte do quartel, apesar de nociva, esta sendo aproveitada, por não haver outro 
recurso; pois que a interrupção das obras, importou na supressão de acomodações 
indispensáveis, que interiormente existiam. A parte da frente é ocupada pelo prin-
cipal alojamento e casa do Comando, e tem um porão comum, cuja altura varia de 
um metro a alguns centímetros, conforme os acidentes do terreno. Este porão (cuja 
área me parece não ser cimentada, de modo a torna-la estanque) não tem mezani-
nos nem comunicação para o exterior, para ser arejado ou asseado. Devido ao gran-
de numero de dezenas de anos que o local é habitado, é de presumir, que deve exis-
tir no porão corpos adequados à emanações de gases mephiticos. (…)
Depósito de Artigos Bélicos.Esta situado fora da Fortaleza e necessita pequenas obras de reboco nas pare-
des, pinturas e substituição de algumas telhas.
Paiol da Praia do Goes.
É constituído por um pequeno edifício, subdividido internamente em dois com-
partimentos, armazenando em um deles toda a munição. Para sua guarda, ali exis-
te um pequeno destacamento, que reside dentro mesmo do Paiol, no compartimento 
contíguo ao da munição; por não haver outra qualquer dependência para esse fim. 
Me parece que deve ser reparado a falta de uma pequena casa, para moradia do pes-
soal em guarda do Paiol. Este edifício precisa de ligeiros concertos, inclusive nos 
batentes, que apodreceram de uma janela. (…)
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
161
ArquiteturA MilitAr
160
primeira proposta de restauro for-
mulado para a Fortaleza da Barra 
Grande, de autoria do arquiteto 
Lúcio Costa35, em 21/09/1950, que 
assim se manifestava sobre esse 
monumento “já indevidamente refor-
mado, cabendo agora, na eventualidade 
de obras de adaptação beneficia-lo com 
novo telhado (mais baixo e com telhas de 
modelo antigo), recompondo-se ainda os 
arcos e demais vãos modernizados”.
Para os técnicos do iphan, a polê-
mica sobre esse projetos fomentou 
uma profunda reflexão e questiona-
mento sobre os conceitos formula-
dos nas cartas de restauro, cuja dis-
cussão é parte das preocupações 
atuais de inúmeros congressos 
internacionais. 
Os diversos posicionamentos 
assumidos por grupos ou pessoas ao 
longo deste processo, quase que 
refletem os mesmos argumentos que 
deflagraram debates incessantes na 
Europa, sobre os procedimentos de 
restauro a partir do século XIX. 
Alguns defendiam a idéia romântica 
da simples manutenção do status 
quo, ou seja, a preservação da Forta-
leza da Barra como ruínas, outros, a 
restauração dos edifícios em suas 
formas originais idealizadas por 
Giovanni Battista Antonelli36 no 
século XVI; haviam os partidários de 
se recuar o monumento no tempo 
até o século XVIII, conforme concebi-
do pelo brigadeiro João Massé 37, e 
opositores que pregavam o retorno 
dos edifícios às feições assumidas 
recentemente quando abrigava o 
Clube Militar. Imaginaram até 
mesmo a possibilidade de se conti-
nuar as obras interrompidas em 1894 
por falta de recursos, completando-
se as duas fachadas que faltaram 
com modenaturas ecléticas. 
Os partidários da manutenção do 
aspecto de ruínas, conscientemente 
ou inconscientemente, evocavam o 
posicionamento romântico de John 
Ruskin (1819-1900) e William Mor-
ris (1834-1896) no século XIX, ideolo-
gicamente firmado na crítica à revo-
lução industrial emergente. Sobre a 
restauração, defendida por Viollet-
-Le-Duc (1814-1879) na França, Rus-
kin38 afirmava ser “impossível restau-
rar qualquer coisa que foi grande e bela 
na arquitetura, como é impossível res-
suscitar dos mortos, (…), aquele espíri-
to que se comunica através da mão do 
artífice não pode jamais voltar a vida.” 
A seguir o autor justificava esta afir-
mação39: “nós não temos nenhum direi-
to de tocá-los, não são nossos, perten-
cem à aqueles que o construíram e em 
parte a todas as gerações humanas que 
os seguiram.”
É, porém, William Morris, segui-
dor do pensamento de Ruskin, o 
autor de inúmeros enunciados que 
ajudaram a definir o moderno con-
ceito de preservação cultural. Mor-
ris, foi o criador do “The Anti-Res-
toration Movement” em 1877 e da 
“SPAB – Society for The Protection 
of Ancient Buildings”, fundamenta-
do na crença que apenas a socieda-
de organizada e conscientizada 
daria eficácia à uma política preser-
A HISTÓRIA DO RESTAURO NAS OBRAS 
DA FORTALEZA DA BARRA GRANDE
Das últimas obras de restauração efetuadas pelo IPHAN em São Paulo, 
os projetos da Fortaleza da Barra Grande na Ilha de Santo Amaro e o 
do Forte São João da Bertioga, foram sem dúvida os mais polêmicos. 
Fortaleza da Barra Grande em 1983
I ncitaram manifestações públi-cas de aprovação e repúdio. Estiveram presentes ininter-
ruptamente na mídia sob múltiplos 
enfoques e críticas, devido à pro-
posta inovadora na concepção dos 
projetos de arquitetura. 
Passados oito anos do início do 
movimento pró-Fortaleza coordena-
do pela unisantos, e da apresenta-
ção pública do anteprojeto de res-
tauro na Faculdade de Arquitetura 
de Santos, pressente-se hoje uma 
quase unanimidade, quanto à apro-
vação dos critérios arquitetônicos 
adotados. 
A visão dos monumentos paulati-
namente ressurgindo, brancos e 
vigorosos, na paisagem dos Canais 
da Barra Pequena e Grande, depois 
de décadas de abandono, vandalis-
mo e arruinamento, arrefece as dife-
renças conceituais de opiniões, 
sendo aos poucos substituídas pela 
cumplicidade na ressurreição des-
ses monumentos.
O partido arquitetônico do projeto 
para a Fortaleza da Barra Grande 
coordenado pelo Professor Antonio 
Luiz Dias de Andrade do iphan, 
com a colaboração do arquiteto Vic-
tor Hugo Mori, tem sua origem na 
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
163
ArquiteturA MilitAr
162
Proposta de restauração dos 
arquitetos Antonio Luiz Dias 
de Andrade 
e Victor H. Mori IPHAN
naire raisonné de l'architecture 
française du XI au XVI siècle” (1854): 
“restaurar um monumento não é ape-
nas reconstituí-lo, repará-lo, ou refazê-
-lo, mas restabelecer um estado com-
pleto que pode jamais ter existido”. 
Gallego Fernandez43 prefere tradu-
zir o termo “état complet”, por “estado 
ideal”, por entender ser o objetivo do 
restauro violletiano a edificação de 
um modelo idealizado – um arquéti-
po formulado através dos “momentos 
de privilegiada síntese” 44 da história da 
arquitetura, desconsiderando-se o 
que o precede (formação) e o que o 
procede (decadência). 
O pensamento de Viollet-Le-Duc 
não pode ser dissociado, do pensa-
mento arquitetônico do século XIX, 
expressa parcialmente nas restitui-
ções ideais que arquitetos e arqueó-
logos realizaram na Europa, e dos 
ensinamentos nas escolas de arqui-
tetura, que motivaram uma séria 
crítica de César Daly por ensinar “O 
antigo e nada mais que o antigo. E entre 
o antigo, nem o começo nem o fim, e sim 
exclusivamente o apogeu.” 45
Também não podemos desconsi-
derar o confronto ideológico de 
Viollet-Le-Duc com os partidários 
da arquitetura clássica, que defen-
diam ser a cultura greco-romano, a 
gênese da arquitetura nacional fran-
cesa, inclusive do românico. Para 
Viollet-Le-Duc, era o gótico do sécu-
lo XIII idealizado, o arquétipo que 
representava o espírito nacional. 
Essa tese libertava a França da 
influência e dependência cultural 
Desenho feito pelo arquiteto 
Antonio Luiz Dias de Andrade do 
Quartel e Capela antes da 
restauração IPHAN
vacionista. Liderou um movimento 
internacional contra a restauração 
da catedral de São Marcos em Vene-
za, defendendo o “conceito de patri-
mônio humanidade” em artigo inti-
tulado “The Restoration of St. 
Mark's”, em 1879, quando afirmava: 
“Os edifícios de uma nação não são 
somente propriedade desta nação, mas 
são do mundo todo”.40 
Em outro artigo, datado de 1885, 
“The Demolition of Churches in 
York”, Morris41 defendeu a idéia da 
preservação de conjuntos urbano, 
das pequenas construções cujas 
demolições “significaria arrancar da 
cidade, a sua alma, torna-la um local 
banal”, discutiu a preservação das 
“pequenas e humildes igrejas paro-
quiais dignas de proteção como as gran-
des catedrais do país”, e afirmou a 
necessidade do uso do edifício 
como meio de preservação: “cada 
arquitetura possui a sua particular fun-
ção (…), quando a função vem a faltar, 
toda a construção se extingue. Por essa 
razão é importante encontrar uma fun-
ção social inclusive para as velhas igre-
jas abandonadas (…)”. 
O arquiteto Gustavo Pereira, 
assim sintetizou o pensamento de 
Morris sobre a intervenção em 
monumentos: “reparar ao invés de 
restaurar, prevenir para não ter que 
remediar”.42
Em oposição aos princípios 
defendidos por Morris e Ruskin, 
Viollet-Le-Duc na França, propõe 
os fundamentos do restauro 
moderno, no seu clássico “Diction-
AsFortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
165
ArquiteturA MilitAr
164
Conclusão da estrutura metálica em aço corten no edifício do Quartel
A hipótese de retorno aos dois 
primeiros séculos implicaria na prá-
tica, em destruir todo o conjunto 
existente, mantendo-se apenas as 
duas baterias, ainda assim dimi-
nuindo-se a altura acrescentada por 
Massé e manter o quartel em sua 
tipologia palladiana, espacialmente 
semelhante às casas bandeiristas do 
planalto, porém mais baixo que a 
construção atual e sem as arcadas 
acrescentadas no século XIX. A outra 
hipótese de retorno às feições do 
século XVIII, também implicaria a 
demolição e reconstrução de 50% 
do quartel, ainda assim calcado em 
conjecturas, pois inexistem evidên-
cias materiais ou iconográficas con-
fiáveis para definir os elementos 
como portas, janelas, detalhes técni-
cos, cobertura, etc.
A polêmica sobre a restauração no 
século XIX, que criou as bases para o 
restauro moderno, na verdade, não 
se limitou aos personagens Ruskin, 
Morris e Viollet-Le-Duc. O arqueó-
logo R. Bordeaux, em sua obra 
“Traité de la reparation des eglises: 
Principes d'Archèologie practique”, de 
1862, insere na discussão um dos 
postulado básico do restauro 
moderno: “conservar respeitando o 
antigo sem mutilar os agregados que o 
tempo incorporou.” 48 A restauração 
do Arco de Tito em Roma em 1821 
por Valadier, apresentou o princípio 
Mural de Manabu Mabe, em mosaico de vidro, para a Capela da Fortaleza 
da Barra Grande (1997)
de Roma, afirmando sua gênese na 
arte oriental trazida pelos cruzados. 
Na restauração de Saint-Front de 
Perigueux, com assessoria direta de 
Viollet-Le-Duc, seu discípulo Paul 
Abadie, materializou esta tese, 
“construindo” uma igreja bizantina 
tendo como modelo ideal a igreja 
dos Santos Apóstolos em Constanti-
nopla, sobre uma igreja típica da 
Aquitânia, que se comprovou pos-
teriomente ser suas cúpulas (demo-
lidas por Abadie) produtos de uma 
cultura local que “seguiu adotando os 
modos de construir romanos”.46
Idênticas posturas de restaura-
ção foram executadas em São 
Paulo, conforme demonstrou o 
Prof. Antônio Luiz Dias de Andra-
de, sob a égide do pensamento 
violletiano, cujo paradigma pode 
ser simbolizado na obra da Cadeia 
de Atibaia.47 
Os defensores da idéia de restitui-
ção da imagem da Fortaleza, tal qual 
ela se configurava no século XVI ou 
XVIII, enquadram-se na vertente de 
pensamento denominado “Restauro 
Estilístico”, originário dos postula-
dos de Viollet-Le-Duc. 
Desconhe-se com precisão a confi-
guração primitiva da Barra Grande 
entre o primeiro e o segundo século. 
É a partir do projeto de restruturação 
da Fortaleza, no início do século XVIII, 
que podemos acompanhar a evolu-
ção arquitetônica deste complexo 
militar até os dias de hoje. Do relató-
rio do brigadeiro Massé, podemos 
concluir que já existiam as cortinas da 
bateria de baixo, e da bateria de cima, 
a casa de pólvora cujo arcabouço foi 
transformado em capela em 1742 e o 
edifício do quartel profundamente 
alterado nos séculos XIX e XX, todos 
remanescentes do século XVI ou XVII.
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
166
Interior da Capela destelhada. Na parede do 
fundo com “pixações” foi executado o mural 
de Manabu Mabe
Imagem aérea da Fortaleza de 1983, 
antes da restauração
Elevação principal do Quartel antes da 
restauração. Observa-se que a primeira 
pilastra de tijolos havia sido destruída por 
ato de vandalismo e reforçada por um apoio 
de concreto
Vista do interior do Quartel tomado 
por vegetações. O telhado havia sido 
destruído por ato de vandalismo.
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
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ArquiteturA MilitAr
168
Vista da Fortaleza da Barra a partir de Santos
da como a recusa das posições 
românticas antagônicas: “ruínas 
total de um lado; reconstrução total de 
outro.”49 Defende a conservação dos 
acréscimos incorporados, à seme-
lhança de R. Bordeaux, ao afirmar 
“que o monumento tem suas estratifi-
cações, como a crosta terrestre, e que 
tudo, da profundeza à superfície, pos-
suem seus próprios valores e que devem 
ser respeitados.”50 O princípio da 
diferenciação entre a nova inter-
venção e a parte antiga, aplicado 
por Valadier é parte dos oito pon-
tos proposto por Boito, no Con-
gresso de Engenheiros e Arquitetos 
em Roma (1884). O critério conser-
vativo de Morris e Ruskin é reafir-
mado, principalmente no denomi-
nado Restauro arqueológico (Anti-
guidade) 51, admitindo-se apenas a 
consolidação e a anastilose, e na 
recomendação de conservar para 
não restaurar.
A conceituação proposta por 
Camilo Boito, ao invalidar o ruinismo 
e a reconstrução (mimética, deduti-
va, analógica e arquetípica), elimi-
nou as propostas aventadas para a 
restauração do Forte da Barra Gran-
de, referentes a sua conservação 
como monumento arqueológico ou a 
restituição de sua imagem perdida 
irremediavelmente no passado.
Os restos remanescentes da forta-
leza, configuravam ainda a espacia-
lidade do complexo militar. A arti-
culação destas partes, compostas de 
cortinas, guaritas, praças de armas, 
paredes, oitões, envasaduras, pisos, 
arcadas, etc., e a paisagem transfor-
mada, definiam volumetricamente 
e espacialmente o monumento, por-
tanto, tratava-se de arquitetura e 
não de ruínas arqueológicas.
A partir do pensamento de Boito, 
Gustavo Giovannoni (1873-1948) 
consolidou a “Teoria do Restauro 
Elevação principal do Quartel. A restauração manteve a configuração dos acréscimos do 
século XIX, como o desenho das arcadas, envasaduras e platibanda (acima). 
O Quartel depois da restauração (abaixo)
da distinção do material e da técni-
ca, entre o antigo e o novo.
A sistematização deste conjunto de 
idéias foi obra de Camilo Boito (1836-
1914), que perseguiu a conciliação 
dos pensamentos divergentes tradu-
zindo-os num único corpo conceitual.
Boito reconhecia a validade do 
restauro como ato excepcional, 
contrapondo-se a corrente inglesa, 
porém negando os princípios apre-
goado por Viollet-Le-Duc relativos 
à unidade estilística. Essa “Teoria 
Intermediária” pode ser sintetiza-
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
171
ArquiteturA MilitAr
170
Execução do mosaico de vidro no Atelier Sarasá. Abaixo, detalhe ampliado
Científico” em seu texto intitulado 
“Restauri dei monumenti” de 1912.
Liliana Grassi assim sintetiza esta 
teoria: “Por restauro científico se enten-
de a operação que se limita a consolidar, 
recompor, valorizar os traços remanes-
centes de um monumento (…)”.52 
A Conferência Internacional de 
Atenas em 1931, normatizou os cri-
térios de Giovannoni, dividindo a 
obra de restauro em trabalhos de: 
consolidação; recomposição por 
anastilose; liberação de acréscimos 
privados de efetivo interesse; com-
plementação de partes acessórias 
para evitar a substituição; inova-
ção53 ou acréscimo de partes indis-
pensáveis com concepção moderna.
Partidário da escola “giovanno-
niana”, o arquiteto Ambrogio 
Annoni, autor do clássico “Scienza 
ed arte del restauro” (1946), diver-Vista aérea da Fortaleza com a cidade de Guarujá e o mar aberto ao fundo
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
173
ArquiteturA MilitAr
172
1- Lajeado primitivo de pedra
2- Soleira de cantaria original
3- Lajota de cerâmica sob o piso atual
3
2
1
da. Nessa circunstância especial, 
foram lançadas as bases da Teoria 
do “Restauro Crítico”. Piero Gazzo-
la reedificou estilisticamente a ponte 
do Castelvecchio em Verona, com-
pletamente destruída pelos alemães. 
O próprio Giovannoni reconheceu, 
conformado naquele momento: 
“será melhor um restauro cientifica-
mente imperfeito, que represente uma 
nota perdida na história da arquitetura, 
que a renúncia completa (da carta de 
restauro), a qual privaria as nossas cida-
des dos seus aspectos característicos nos 
mais significativos monumentos.”55 
Em 1964, reconsagram-se os prin-
cípios do Restauro Científico, duran-
te o Congresso realizado na cidadede Veneza, quando o pensamento de 
Boito-Giovannoni são revistos e 
ampliados. A partir desses conceitos 
teoricamente reelaborados por Cesa-
re Brandi, foi redigida a Carta Italia-
na de Restauro de 1972. 
Brandi, conceitua a restauração de 
bens culturais como “o momento meto-
dológico do reconhecimento da obra de 
arte, na sua consistência física e na sua 
dupla polaridade, estética e histórica, ten-
do-se em vista a sua transmissão para o 
futuro”. O segundo princípio de 
Brandi é que “o restauro deve mirar o 
restabelecimento da unidade potencial da 
obra de arte, quanto seja possível, sem 
cometer um falso artístico ou um falso 
histórico, e sem cancelar os traços da pas-
sagem da obra de arte no tempo”.56 
A partir dos anos oitenta, inicia-se 
um intenso debate na Itália objeti-
vando a reformulação dos preceitos 
normatizados na Carta de Veneza 
de 1964 e na Carta Italiana de Res-
tauro de 1972. 
A ampliação do conceito de bem 
cultural nos últimos anos em con-
traposição aos mesmos princípios 
de intervenção formulados no início 
deste século, demonstrava um equí-
voco de origem na formulação das 
Cartas.
Internacionalmente contesta-se 
hoje, o conceito tradicional de 
“autenticidade”, a partir do qual foi 
construída a teoria do restauro con-
servativo. Paolo Marconi, adianta 
que o termo “falso histórico é impreg-
nado de moralismo de sacristia”57 , cita 
como exemplo de autenticidade as 
reconstruções dos monumentos 
japoneses, e a reconstrução no século 
XVII da fachada gótica construída por 
Configuração do projeto de restauração da Fortaleza VHM
Planta do Quartel IPHAN
gia quanto a necessidade de se 
normatizar as operações de res-
tauro em um código de procedi-
mentos. Annoni defendia a tese de 
que a circustância ditaria o crité-
rio, “il caso per caso”. Grassi, afir-
ma que esta postura de Annoni, 
nasce a partir de um bom senso 
formulado na prática das obras de 
restauro, sendo “hoje particular-
mente atual”.54 
A destruição provocada pelos 
bombadeiros na segunda guerra, de 
inúmeros centros históricos e edifí-
cios monumentais europeus, levou 
ao questionamento dos conceitos do 
“Restauro Científico”, que exigiam 
uma postura de quase neutralidade 
do arquiteto em relação ao monu-
mento. O momento dramático recla-
mava dos arquitetos, uma postura 
ativa frente à destruição generaliza-
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
175
ArquiteturA MilitAr
174
A mudança da técnica construtiva mostra a posição do antigo prolongo do telhado
O conceito de restauro fixado em 
Veneza em 1964, ao abolir o libera-
lismo do pós-guerra, valorizou a 
importância absoluta do passado, 
assegurando-lhe o direito exclusivo 
de transmissão para o futuro. O 
processo histórico de transforma-
ção deveria ser interrompido, de 
modo a alijar a época presente do 
direito de permanência. O espaço 
da intervenção contemporânea 
deveria ser sempre “fora” do espa-
ço histórico, afinal o tempo atual 
seria privado de autenticidade – 
“um falso histórico”.
Da Convenção do “Consiglio 
Nazionale delle Ricerche”, em 
Roma (1986), nascia a “Carta 1987 
da Conservação e do Restauro de 
objetos de arte e de cultura”59, cuja 
alteração principal das Cartas ante-
riores, fundamenta-se na separação 
metodológica e conceitual do res-
tauro das obras de arquitetura, dos 
demais objetos de arte e cultura. O 
coordenador dos trabalhos de reda-
ção dessa nova Carta60, Arq. Paolo 
Marconi , sintetiza este documento 
apropriando-se de uma frase do 
Arq. Roberto Gambetti: “far rientrare 
l'architettura nella sua storia”.
O projeto final de restauração da 
Fortaleza da Barra Grande, tem 
como compromisso, reintroduzir o 
monumento à vida cotidiana da Bai-
xada Santista, devolvendo à vida 
um espaço agonizante. Reincorpo-
rar sua arquitetura no processo his-
tórico interrompido, através de uma 
proposta projetual contemporânea, 
implica necessariamente em buscar 
o respeito mútuo entre a nova arqui-
tetura e a estrutura antiga. 
A “restauração prismática” ou 
recomposição volumétrica do Casa 
do Comandante, vislumbrada pelo 
Evidência da posição do antigo telhado
Carlo Fontana no Pallazo Pubblico 
di Siena, responsável pelo milagre 
estético da Piazza del Campo.
A generalização das posturas do 
restauro, independentemente das 
diferenças dos objetos tratados, é 
considerado impraticável. A impos-
sibilidade de se restaurar a cidade 
histórica, a paisagem, o edifício, com 
idêntico critério de intervenção da 
pintura, escultura, objetos históri-
cos, obriga a uma ampla revisão nos 
critérios de Brandi, já contestado no 
passado por Roberto Pane. Busca-se 
uma nova conciliação entre o libera-
lismo arquitetônico do “Restauro 
Crítico” e o pensamento conservati-
vo do “Restauro Científico”.
A arquitetura (das cidades, dos 
edifícios, das paisagens transforma-
das), denominada “monuments 
vivents”, possue intrinsecamente o 
caráter da mutabilidade, que consti-
tui o fator primordial de sua perma-
nência através dos tempos. Ao con-
trário das obras de pintura ou escul-
tura, está exposta aos cataclismos, 
aos desgastes do uso, ao tráfego, às 
intempéries, às variações climáticas, 
etc. Constitui-se no espaço privile-
giado onde a sociedade se transfor-
ma, e sua sobrevivência depende da 
sua capacidade de adaptar-se às 
novas exigências sociais. Camilo 
Boito, ao reconhecer os valores de 
permanência das estratigrafias 
sobrepostas nos monumentos arqui-
tetônicos, indiretamente reconhecia 
o seu caráter de mutabilidade.
A exigência do respeito absoluto 
às marcas do passado, tanto na 
arquitetura como nas demais artes 
segundo o pensamento de Brandi, 
permite que “uma cidade se reduza à 
cenografia” arqueológica, mero obje-
to de fruição visual.58
As FortiFicAções dA entrAdA do cAnAl dA BArrA GrAnde
177
ArquiteturA MilitAr
176
Notas
1 Lemos, Carlos A. Cerqueira – “O Brasil”, in “História das Fortificações Portuguesas no 
Mundo” org. por Rafael Moreira, Lisboa, Publicaçõs Alfa S.A., 1989, p. 235.
2 Varnhagen, Francisco Adolfo (Visconde de Porto Seguro). “História Geral do Brasil” – Tomo 
Primeiro (Notas de Rodolfo Garcia). 4ª ed. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1948, notas v, p. 446.
3 Varnhagen, Francisco Adolfo (Visconde de Porto Seguro). Op. cit., p. 447.
4 “Atas da Câmara da Cidade de São Paulo: 1562-1592” – Vol. i Século xvi. Divisão do Arquivo 
Histórico, Prefeitura do Município de São Paulo, pp. 217/218.
5 Varnhagen, Francisco Adolfo (Visconde de Porto Seguro). Op. cit. Notas vii, p. 447.
6 (Idem, ibidem, notas vi, p. 447).
7 Sarmiento Gamboa, Pedro in “sumaria relación, in coleccion de Documentos inéditos del Archivo de 
Indias”, 5. 338 – Apud: Varnhagen, Francisco Adolfo, op.cit., p. 440.
8 Moreira, Rafael. “A Arquitetura Militar”, in “Arte em Portugal”, Lisboa, Publicações Alfa.
9 Cardim, Fernão. “Tratados da Terra e Gente do Brasil”. 2ª ed. S. Paulo, Cia. Editora Nacional, 
1939, p. 315.
10 Katinsky, Júlio Roberto. Op. cit., p. 87.
11 Saia, Luís. “Morada Paulista”. Editora Perspectiva S.A. 2ª ed. São Paulo, 1978, p. 32.
12 Lemos, Carlos A. Cerqueira. “Casa Paulista”. S. Paulo, Edusp – Editora da Universidade de 
S. Paulo, 1999, pp. 66-68.
13 Mendonça de Oliveira, Mario: “Robert Smith e a Engenharia Militar Brasileira” in “Robert 
Smith: A Investigação na História da Arte”; Coord. Manuel da Costa Cabral e Jorge Rodrigues, 
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, sd., p. 256.
14 Fernandes da Silva, Fernanda. “Fortificações Brasileiras. Máquinas de Guerra e de 
Memória”. Tese de Doutorado, São Paulo, fflch-usp, 1991, p. 228.
15 Katinsky, Júlio Roberto. Op. cit., pp. 79/80.
16 Doc. Arquivo Histórico Ultramarino – do catálogo do IV Colóquio Internacional de Estudos 
Luso-Brasileiros – cópia arq. iphan/sp.
17 Mendonça de Oliveira, Mario: “Robert Smith e a Engenharia Militar Brasileira” in “Robert 
Smith: A Investigação na História da Arte”. Coord.: Manuel da Costa Cabral e Jorge Rodrigues, 
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, sd., p. 274 (nota 80) : "A prova da suanacionalidade pode ser 
encontrada em: Chaby, Claudio. Synopse dos decretos remetidos ao extinto Conselho de Guerra. Lisboa: 
Imprensa Nacional, 1872 (Maço 64) – Decreto de 23 de Janeiro de 1705, sobre oficiais ingleses indicados 
para Portugal e também: Madureira dos Santos, Cel H, M. Decretos do extinto Conselho de Guerra. Lisboa: 
Imprensa Nacional 1976 – Decreto de 4 de Novembro de 1720 (maço 79) sobre licença de Massé ir a 
Inglaterra sua pátria."
18 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo” – vol. xlix. Arquivo 
do Estado de S. Paulo, pp. 165/166.
19 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo” – vol. l . Arquivo do 
Estado de S. Paulo, pp. 13/14.
20 Carta régia de 30/10/1733 ao Conde de Sarzedas – cópia arquivo iphan.
21 Lemos, Carlos A. Cerqueira. “O Brasil” in “História das Fortificações Portuguesas no 
Mundo” org. por Rafael Moreira, Lisboa, Publicaçõs Alfa S.A., 1989, pp. 237 e 252.
22 Provisão real de 15/02/1736. “Cartas Régias, provisões, alvarás e avisos (1662-1821)” – 
Cópia arquivo IPHAN.
23 Provisão real de 27/09/1738 ao Gov. da Cap. de S. Paulo, dando conta do relatório de maio 
de 1738, do brigadeiro Silva Paes – cópia Arquivo iphan-sp.
24 Carta de D. Luiz Antônio de Souza de 02/01/1767 – cópia arquivo iphan-sp.
25 Lemos, Carlos A. Cerqueira in “Alvenaria Burguesa” – Ed. Nobel – São Paulo – 1985 – p. 44. 
Os remanescentes desta caieira de Cubatão encontram-se hoje preservados dentro da área da 
Cosipa no local denominado Casqueirinho.
26 Ofício de D. Luiz Antônio de S. B. Mourão, de 04/12/1767, ao Tenente Antonio Joze de 
Carvalho, administrador das Fazendas do P.P. Jesuítas de Santos. Doc. Interessantes para a Hist. e 
Costumes de S. Paulo Vol. lxviii – Arquivo do Estado de São Paulo, p. 37.
27 Ofício de D. Luiz Antônio S. B. Mourão, de 17/10/1768, ao Capitão Fernando Leite 
Guimarães, Comandante da F. da Barra Grande de Santos: Doc. Interessantes para a Hist. e 
Costumes de S. Paulo – vol. lxviii – Arquivo do Estado de S. Paulo, p. 105. Essa argamassa imper-
meável era o “tittin”, composto de pó de tijolo, cal e azeite de baleia “curtidas por muitos dias”, 
recomendado para o assentamento das pedras das cortinas das fortalezas voltadas para o mar até 
uma altura de “15 palmos”, conforme ensinava o Engenheiro Frias de Mesquita em 1619, nos 
apontamentos sobre a Fortaleza do Rio Grande. Silva-Nigra, D. Clemente Maria da – “Francisco 
Frias de Mesquita, engenheiro-mór do Brasil” in Revista do sphan, V. 9, 1945.
28 Manuscrito sem data ou assinatura encontrado entre os papéis do marechal Arouche sobre 
as fortificações de Santos, provavelmente dos anos entre 1797 e 1815. Cópia arquivo iphan-sp.
29 Circular aos comandantes das villas da marinha, de 07/06/1810, mandando submeter a 
mestre Lúcio Costa há quase cin-
quenta anos – centro focal do con-
junto, e hierarquicamente destacada 
na organização do espaço militar – 
foi possível com a execução de uma 
delicada estrutura metálica, moder-
na e discreta, que parece quase tocar 
nas superfícies antigas, porém afas-
ta-se respeitosamente, até cobrir um 
vão protegido de quase 40 metros. 
A contemporaneidade do desenho 
espacial concebido em aço corten, 
revela a obediência aos termos da 
Carta de Veneza, quando prescreve: 
“todo trabalho complementar reconheci-
do como indispensável por razões estéti-
cas ou técnicas, destacar-se-á da compo-
sição arquitetônica e deverá ostentar a 
marca do nosso tempo”.
Não se buscou assim, a imitação 
do passado recente ou remoto, 
optou-se em assumir a arquitetura 
contemporânea, como uma verdade 
de nosso tempo, reversível tecnica-
mente mas com direito à permanên-
cia se o futuro assim determinar.
Todas as marcas do passado foram 
mantidas conforme recomendava 
Brandi, e a unidade potencial da 
obra se assegurará através da pre-
sença da arquitetura de hoje, elo 
necessário para transmitir o monu-
mento para o futuro, como assegura 
a Carta de 1986. O mural de Manabu 
Mabe, na Casa de Pólvora converti-
da em Capela, simboliza o direito da 
arte de hoje de se integrar com aque-
las produzidas no passado. A conti-
nuidade entre passado, presente e 
futuro não será interrompida.
O debate sobre esse projeto foi 
um espelho da história da restaura-
ção, o que nos leva a creditar a 
todos os que direta ou indiretamen-
te, participaram da luta pela preser-
vação da Fortaleza61, a co-autoria 
das obras que ainda prosseguem. 
Foi um projeto amadurecido por 
quase cinqüenta anos, do mestre 
Lúcio Costa à participação de todos.
Fortaleza da Barra Grande: 
desenho impresso na 
Alemanha por volta de 1900 
“Lembrança de Santos”
ArquiteturA MilitAr
178
sisteMA de proteção 
dA vilA de sAntos
Forte de MonserrAte, 
Forte de itApeMA, 
cAsA do treM Bélico 
e o plAno de deFesA 
de João MAssé
Victor Hugo Mori
quarentena os navios americanos e tomar providências a fim de evitar a propaganda da revolução 
francesa. “Documentos Interessantes para a Hist. e Cost. de S. Paulo”, vol. lix. Arquivo do Estado 
de S. Paulo, pp. 20-21.
30 Correspondência oficial do capitão general Antônio José da Franca e Horta ao cel. engen-
heiro João da Costa Ferreira em 17/04/1809. “Doc. Interessantes para a História e Costumes de 
São Paulo”. Arquivo do Estado de S. Paulo, Vol. lviii, pp.129-130.
31 Sodré, Nélson Werneck. Op. cit., p. 58.
32 Arquivo Histórico do Exército, Rio de Janeiro. (Cópia iphan-sp)
33 Relatório a lápis assinado pelo gal. come. mar. José Olinto de Carvalho e Silva de 
01/01/1861 – Arquivo Histórico do Exército – RJ (Cópia iphan-sp).
34 Relatório do ano de 1898 da Fortaleza da Barra de Santos, manuscrito de 02/04/1899 assina-
do pelo 1º tenente Comandante Francisco Alvaro de Souza – Arquivo Histórico do Exército (RJ) – 
Cópia iphan-sp.
35 O arquiteto e urbanista Lúcio Costa era nesta ocasião Diretor de Estudos de Tombamento do iphan.
36 G. B. Antonelli, responsável pela primeira edificação de um ponto fortificado na Barra 
Grande em 1583, ocasião em que acompanhava a esquadra de Flores de Valdez, era segundo 
Rafael Moreira, em seu texto “A arquitetura militar”, in “Arte em Portugal” – Editora Alfa, engen-
heiro militar italiano que chegou a Portugal acompanhando o duque de Alba, e foi autor de “inter-
ressantes estudos para ligar Abrantes ao Escorial e Madri por via fluvial{, juntamente com o “seu auxiliar 
o jesuíta Gaspar Sampere”, empreenderam inúmeras obras “no Rio de Janeiro e Santos (1582-1584) e no 
Nordeste (1597)”.
37 O engenheiro militar brigadeiro João Massé é autor da reestruturação da Fortaleza da Barra 
Grande em 1714, e também de interessante projeto de defesa para a Vila de Santos.
38 Ruskin, John. “Le sette Lampade dell' Architettura”, apresentação de Roberto Di Stefano, 
Editorial Jaca Book, Milão, p. 227.
39 Idem. Ibidem, p. 228.
40 La Regina, Francesco. “William Morris e l'Anti Restoration Movement”, Revista Restauro, 
n° 13/14, 1974, p. 130.
41 Idem. Ibidem, p. 135.
42 Pereira, Gustavo. “A questão da preservação segundo John Ruskin e William Morris e a 
criação do anti-restoration movement em 1877”, trabalho para a disciplina Restauro i – fau-usp/
fupam.
43 Gallego Fernandez, Pedro Luis. “Viollet Le Duc: la restauracion arquitectonica y el racional-
ismo arqueologico fin de siglo”, in “Restauración Arquitectónica{, Universidad de Valladolid, 
1992, p. 29.
44 Arrechea Miguel, Julio Ignacio. “De la Composicion a la arqueologia”, in “Restaración 
Arquitectónica”, Universidade de Valladollid, 1992, p. 12.
45 Arreche Miguel, Julio Ignacio. Op. cit., p. 12.
46 Gallego Fernandez, Pedro Luis. Op. cit., p. 38.
47 Dias de Andrade, Antonio Luiz. “O Paradigma de Atibaia”, Trabalho programado para Tese 
de Doutoramento – fau-usp.
48 Gallego Fernandez, Pedro Luis. Op. cit., p. 31.
49 Grassi, Liliana. “Storia e Cultura dei Monumenti”, Società Editrice Libraria, Milão, 1960, p. 434.
50 Boito, Camilo. “Questione Pratiche di Belle Arti”, capítolo “Restaurare o conservare{, Milão, 
1893. Apud. Grassi, Liliana. Op. cit.,p. 434.
51 Boito distingue a arte do restauro em três partes: Restauro arqueológico (Antiguidade); 
Restauro pictórico (Medieval) e Restauro arquitetônico (Renascimento).
52 Grassi, Liliana. Op. cit., p. 446.
53 Sobre a “inovação”, a autora Liliana Grassi acrescenta que Giovannoni não acreditava nesta 
operação de restauro, pela impossibilidade de coexistência entre a arquitetura moderna e a antiga.
54 Grassi, Liliana. Op. cit. p. 448. Annoni é autor de inúmeras obras de restauro, com vasta 
experiência no canteiro. Nessas obras nota-se “a aceitação dos princípios boitianos”.
55 Idem. Ibidem, p. 451.
56 Brandi, Cesare. "Teoria del Restauro", Piccola Biblioteca Einaudi, G. Einaudi Editore, Torino, 
1977, pp. 6-8.
57 Marconi, Paolo. “Il restauro e l'architetto – teoria e pretica in due secoli di debattito”, 
Marsilio Editore, Veneza, 1995, p. 10.
58 Idem. Ibidem, p. 5.
59 Reproduzida na obra de Marconi, Paolo, op. Cit, anexos A e B, pp. 207-228.
60 Participaram além de Marconi na redação final desta Carta, Umberto Baldini e Paolo Mora 
(Instituto Centrale per il Restauro), Franca Manganelli (ICPL), Giovanni Di Geso (Ufficio 
Centrale), Giorgio Tempesti (Accademia di Belle Arti), etc.
61 Vale ressaltar em especial o empenho de dois militares da reserva, o cel. Reginaldo Moreira de 
Miranda e o prof. Élcio Rogério Secomandi, ambos profundos estudiosos da história militar no Brasil.

SiStema de Proteção da Vila de SantoS
181
T anto a paliçada edificada por Martim Afonso em 1532, possivelmente na área onde 
hoje se encontram as ruínas da 
Armação de Baleias, como os Fortes 
de São Tiago e São Felipe de mea-
dos do século XVI, todos se concen-
traram nesse mesmo local. 
Com o desenvolvimento da Vila 
de Santos em função de possuir o 
melhor porto da Capitania, em 
detrimento à decadência da Vila de 
São Vicente, a defesa da Barra Gran-
de de Santos ganhou prioridade. No 
último quartel do século XVI foram 
construídos na entrada do Canal de 
Santos, pelo lado da Ilha de Santo 
Amaro (Guarujá), a Fortaleza da 
Barra Grande e provavelmente tam-
bém a pequena bateria de Vera Cruz 
de Itapema defronte ao Porto de 
Santos. O já citado apontamento do 
Padre José de Anchieta de 1584 
denominado “Informação do Brasil 
e de suas Capitanias” relata em 
parte esse momento pioneiro: “Na 
Capitania de S. Vicente dentro da ilha 
que é a que primeiro se povoou há duas 
vilas de portugueses, duas léguas uma 
da outra, por terra, e há três ou quatro 
engenhos de açúcar e muitas fazendas 
pelo recôncavo daquela baía e três ou 
quatro léguas por mar. Em frente tem a 
ilha de Guaíbe, no cabo da qual, para o 
norte, tem uma barra com as fortalezas 
da Bertioga quatro e seis léguas das 
SÉCULOS XVI E XVII
As primeiras fortificações da Capitania de São Vicente foram 
construídas na entrada do Canal da Bertioga (Barra Pequena), ponto 
de conflito entre os indígenas aliados dos portugueses e os tamoios 
do litoral norte.
Forte de Itapema fotografado por Marques Pereira no início do século XX.
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
183
ArquiteturA MilitAr
182
No século XVII, como vimos em 
capítulo anterior, quase todo os 
recursos militares da coroa foram 
canalizados para a defesa da costa 
nordestina. A proteção direta da 
Vila de Santos deveria contar ape-
nas com uma bateria rudimentar 
junto ao Porto, que já estava arrui-
nada na metade do século. Nenhu-
ma grande “obra real” foi executada 
na esquecida Capitania de São 
Vicente. Apenas esse pequeno Forte 
“Planta da Barra da Villa de S.tos“ (1765- 1775) BN
Bateria de Vera Cruz de Itapema no século xvi VHM
vilas, e da parte do sul, que é a outra 
barra, tem o forte que agora se fêz por 
Diogo Florez, general, com gente de 
guarnição, e dentro da mesma ilha estão 
moradores com igreja de S. Amaro”.
Sobre a pequena bateria de Itape-
ma quase nenhum registro docu-
mental existe desse primeiro sécu-
lo, a não ser algumas referências de 
mapas imprecisos como o do Frei 
João José de Santa Tereza e o Códi-
ce Quinhentista da Biblioteca da 
Ajuda. Como o desaparecido Forte 
de São Felipe, essa bateria deveria 
ser apenas uma “casa forte” ou 
reduto, armado com primitivas 
bocas de fogo constituídas de bom-
bardas, falcões e falconetes. 
A invasão de Cavendish em 1591, 
que entrou pela Barra Grande de 
Santos, mostrou a ineficiência des-
tes dois pontos fortificados isolados 
na Ilha de Santo Amaro, sem as 
necessárias contra-baterias para o 
cruzamento de fogos pelo lado de 
Santos. O saque à vila portuária e o 
incêndio do núcleo de São Vicente, 
devem ter mobilizado a população 
santista no sentido de se reforçar a 
defesa da cidade e do porto. 
Planta do Forte 
de Itapema no 
séc XIX AHE
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
185
ArquiteturA MilitAr
184
que ora se faz”1. No ano seguinte o 
representante do rei alertava ao 
Capitão-mor de São Vicente: “diziam 
algumas pessoas que o conserto que 
agora se pretende fazer na fortaleza da 
Vila será como alguns que se tem feito, 
enquanto se dispendeu a Fazenda e ela 
ficou com as mesmas ruínas. Vm. obre 
de maneira que se não experimente o 
mesmo”2.
O navegador holandês Joris van 
Spilbergen em sua viagem de cir-
cunavegação através do Estreito de 
Magalhães, passou em 1615 por 
São Vicente quando ocorreram 
conflitos com os moradores locais. 
Segundo Nestor Goulart Reis, o 
mapa esquemático “St. Vicent” que 
ilustra o livro dessa viagem, serviu 
de base para a execução do mapa 
Mapa de São Vicente de “Reys-boeck van het rijcke Brasilien” (1624). 
da Vila ou de Monserrate foi recons-
truído junto ao Porto, nos fundos do 
Colégio Jesuítico. Foi o primeiro 
ponto fortificado na Ilha de São 
Vicente, onde se situavam a duas 
principais cidades da Capitania do 
primeiro século. 
O Conde de Atouguia em Carta 
de 05/10/1654 endereçada ao Pro-
vedor da Fazenda da Capitania, 
destinava “trezentos cruzados na ree-
dificação do Forte de Monserrate e cem 
mil réis do depósito de donativos para as 
obras da Misericórdia com o hospital 
Forte Monserrate: detalhe do mapa do século XVIII: “Praça de Santos”. BN
C - Edifício dos quartéis, D - Forte de Monserrate, 
E - Igreja Matriz e F - Colégio dos Jesuítas. 
Planta do Forte de Monserrate ou da Vila em 1808 AHE 
(copiado pelo Cel. Reginaldo Moreira de Miranda) 
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
187
ArquiteturA MilitAr
186
SÉCULO XVIII
Chegaram quase arruinadas até o início do século XVIII as seguintes 
fortificações: a de São Tiago da Bertioga, a de Santo Amaro da Barra 
Grande, o reduto de Itapema e a bateria da Vila ou de Monserrate. A 
transformação dessas baterias isoladas em um complexo Sistema de 
Defesa Militar do porto de Santos foi proposto em 1714 pelo 
Brigadeiro João Massé. Por determinação do rei D. João, o 
Governador da Capitania do Rio de Janeiro foi à Santos 
acompanhado do Brigadeiro para “desenhar nela aquelas 
fortificações que forem necessárias para a sua conservação”5.
Projeto do Brigadeiro João Massé (1714): “Planta da Vila de Santos e de seu Porto, com 
suas Fortificações desenhadas de novo” AHU
C omo vimos anteriormente, Massé determinou a moder-nização da Fortaleza da 
Barra Grande e projetou a sua con-
tra-bateria, o Forte do Crasto do 
lado de Santos, do tipo abaluartada. 
As profundas alterações na 
arquitetura militar que ocorreram 
no século XVII eram desconhecidas 
nestas paragens. O sistema bastio-
nado utilizado pelos holandeses no 
nordeste, era fruto das inovações 
que ocorriam nas guerras euro-
péias. A sistematização dessas ino-
vações deve muito ao Marechal de 
Luís XIV – Sébastien le Prestre de 
do livro holandês Reys-boeck 
(Livro de viagem ao reino Brasilei-
ro, Rio da Prata e Estreito de Maga-
lhães... ) publicado em 1624.
Desconsiderando-se alguns equí-
vocos geográficos e a representação 
figurativa de caráter meramente 
esquemática sem qualquer preocu-
pação com a escala real, os dese-
nhos mostram as vilas de Santos e 
São Vicente protegidas por paliça-
das ou muros com o incipientesis-
tema de defesa dessa costa. 
O mapa Reys-boeck4 (página ante-
rior) mostra no primeiro plano, a 
baía de Santos com o forte de Santo 
Amaro (letra H) na entrada do canal 
da Barra disparando sua artilharia. 
Ao fundo do Canal da Barra Gran-
de aparece o forte da Bertioga (letra 
G) na junção desse canal com um 
outro mais estreito que parece ser o 
Canal da Barra Pequena ou da Ber-
tioga. A representação de uma bate-
ria em disparo (letra C), do lado 
esquerdo da baía na parte continen-
tal, que parece nunca ter existido, 
levou inúmeros autores a imaginar 
a existência desse reduto de prote-
ção à vila de São Vicente, que desig-
naram de “fortalezinha”. Porém, a 
povoação com sua igreja (letra B) ao 
lado dessa bateria poderia ser a 
representação da pequena vila de 
Itanhaém. O outeiro representado 
pela letra E, pode ser aquele que se 
denominava Morro do Boturuá que 
separava a vila de S. Vicente das 
praias de Santos, com o córrego que 
o margeava, cuja representação 
exagerada parece definir um canal 
dividindo a ilha em duas. O mapa 
referência de Spilbergen mostra 
apenas o Rio São Jorge dos Eras-
mos, sem dividir a ilha em duas 
porções. As duas vilas estão separa-
das por um denso canavial que 
representa a fazenda do Engenho 
dos Erasmos, cuja sede parece ser o 
edifício de maior destaque do mapa 
(letra D) por motivos óbvios.
Assim, as fortificações existentes 
até o fim do século XVII, foram sendo 
construídas ao sabor das conveniên-
cias de cada época. Primeiro devido 
aos ataques dos tamoios aliado dos 
franceses na Bertioga, depois, em 
função do incidente entre ingleses, 
vicentinos e a Armada de Valdez na 
Barra Grande.
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
189
ArquiteturA MilitAr
188
Crasto de Oliveira em troca de mer-
cês6. Ficariam fora do recinto amura-
lhado da vila os conventos dos fran-
ciscanos e dos beneditinos. Muito 
pouco das obras projetadas pelo 
Brigadeiro Massé em Santos foram 
executadas nessa época. A reformu-
lação projetadas para a Fortaleza de 
“Fortaleza de Itapema no rio defronte à Vila de Santos”, projeto de autoria do Brigadeiro 
Silva Paes (1738) . AHU
Vauban. A proteção de um sítio 
deveria ser projetada através de 
um sistema estratégico de defesa 
territorial.
O Brigadeiro Massé chegou a 
projetar um complexo sistema de 
defesa para o Porto de Santos. 
Além das fortificações que protege-
riam a entrada da Barra Grande, 
Massé pretendia transformar a Vila 
de Santos em uma “praça-forte 
vaubaniana”. Para o lado do porto 
(norte), desenhou um cais retilíneo, 
e à oeste e ao sul fechando o núcleo 
da vila, uma muralha com ângulos 
salientes e baluarte circular. Na 
extremidade leste da vila, aprovei-
tando-se da elevação do Outeiro de 
Santa Catarina, foi projetado a for-
taleza principal bastionada de pro-
teção à cidade, provida de dois 
baluartes angulares pentagonais, 
fosso, revelim ou meia-lua, baterias 
reentrantes, etc. No projeto da for-
taleza principal a velha igreja de 
Santa Catarina seria mantida, 
sendo o outeiro incorporado ao 
corpo da fortificação, de modo a 
eliminar o padrasto que esse cons-
tituía. Nas duas grandes elevações 
que limitam a cidade ao sul, o 
morro de São Bento e o morro de 
Nossa Sra. de Montserrate, foram 
previstos dois “redutos em forma de 
atalaia”. O antigo Forte da Vila tam-
bém seria mantido conjugado ao 
edifício dos quartéis, que seria 
construído com recursos de João de 
Projeto da Fortaleza para a Vila de Santos 
de João Massé AHU
Projeto de Massé para a 
fortaleza que 
protegeria a Vila de 
Santos. Trata-se de um 
dos mais interessantes 
estudos de fortificações 
do século XVIII, pois o 
projeto eliminaria o 
“padrasto” constituído 
pelo Outeiro de Santa 
Catarina, incorporando 
a elevação rochosa 
como um “cavaleiro” 
dentro do sistema 
bastionado proposto. 
VHM
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
191
ArquiteturA MilitAr
190
dita vila de Santos, e nela deixe dispos-
to. e delineado tudo o que entender mais 
conveniente para a defesa e segurança 
daquela Praça”.8 
O Governador José Rodrigues de 
Oliveira em 1738 relatava ao rei que 
o Brigadeiro Silva Paes reconheceu 
“ser de muita utilidade uma casa de 
pólvora nesta vila, e outra na fortaleza 
de Santo Amaro para dividir as muni-
ções de um acidente”, e por isso tinha 
“delineado duas destas casas”.9
O Alvará régio de 27/09/1738, 
acatou a petição de Trocatto ou Tor-
quato Teixeira de Carvalho para 
"reedificar e fazer de novo as obras que 
são precisas na fortaleza de Itapema que 
fica defronte da Vila de Santos, dando 
lhe eu o Governo da dita fortaleza de 
Itapema para um filho que tem capas 
com o Posto e soldo de Capitão de Infan-
taria, e o hábito de Cristo (...) com 
declaração que não teria efeito as mercês 
que pedia sem que a dita Fortaleza esti-
vesse acabada da mesma forma do dese-
nho que a esta obra assistiria um dos 
Engenheiros dessa Praça do Rio de 
Janeiro que vós elegereis para ela (...)."10
O Brigadeiro Silva Paes foi incum-
bido de projetar essa nova fortifica-
ção no lugar do antigo reduto de 
Itapema. Graças ao seu projeto para 
o Forte de Itapema podemos verifi-
car pela legenda do desenho, o pri-
mitivo traçado do fortim quinhen-
tista com sua bateria semicircular 
fechada por uma pequena constru-
ção, de idêntica tipologia ao Forte 
da Vila ou da Praça. A planta semi-
circular primitiva, definida pela 
“rocha arrendondada” natural que 
servia de embasamento (itapema), 
foi incorporada ao novo projeto de 
Silva Paes, que procurou transfor-
mar o antigo reduto em um baluarte 
circular único.
A proposta de Silva Paes para Ita-
pema, foi transcrita na Provisão real, 
Representação da Casa do Trem Bélico (armazém de pólvora) no século XVIII. Detalhe da 
planta “Villa e Praça de Stos.” BN
Santo Amaro somente foi concluída 
na segunda metade do século XVIII. 
Do interessante projeto da Fortaleza 
abaluartada do Crasto, foi concluí-
do apenas a tenalha voltada para o 
Canal da Barra Grande, sendo o res-
tante completado com outro dese-
nho por estacadas de madeira. 
Em 1733 o Governador Luís Anto-
nio de Távora, o Conde de Sarzedas, 
relatava ao rei sobre o Forte de Ita-
pema, localizado "em admirável sítio 
para a defesa da barra, mas que este, 
além de pequeno estava demolido, e 
incapaz de poder servir sem um grande 
reparo". Estava projetado o "Arma-
zém de pólvora e armas" e junto a essa 
"se fabricar uma casa na qual se possa 
recolher o Trem, e o que lhe pertencer, e 
no sobrado de cima, se recolherão as 
armas sendo as paredes forradas de 
tabuões fortes advertindo-vos que a 
extensão dessa casa chegue a cobrir o 
armazém de pólvora no qual não se há 
de por pregos de ferro, mas tornos de 
pau (...)".7
No ano de 1736 o rei determinou 
a suspensão das obras e fortifica-
ções da praça de Santos, ordenando 
“ao Brigadeiro José da Silva Paes a cujo 
cargo está o governo de Rio de Janeiro 
que com a brevidade possível passe a 
Perspectiva do projeto de Silva Paes para o Forte de Itapema em 1738. O formato de um 
baluarte único com o encontro das faces em semicírculo, derivou do reaproveitamento da 
bateria quinhentista. Na segunda metade do século, o edifício do quartel já aparece no 
centro do terrapleno com duas guaritas nos encontros das faces com os flancos. VHM
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
193
ArquiteturA MilitAr
192
melhor perfeição e ainda para se fazer as 
alpendradas do Trem místico do mesmo 
Armazém e que também estava determi-
nado fazer-se um Armazém para a pol-
vora; porém o sítio que estava elegido e a 
forma não era ao que deveria ser; assim 
deixara o risco, e advertido o lugar, em 
que devia executar esta obra.”11
O relatório deixa claro que o Bri-
gadeiro Silva Paes, foi o principal 
responsável pela conclusão e acaba-
mento do edifício do Armazém do 
Trem Bélico, cujas obras estavam 
suspensas desde o ano de 1736. O 
elegante alpendre que arremata a 
escadaria externa de pedra lavrada 
e o portal de cantaria com desenho 
“tardo-maneirista”, parecemrefletir 
o estilo conciso e conservador des-
ses engenheiros militares, dentre os 
quais o Brigadeiro Silva Paes foi um 
dos expoentes. A data marcada na 
verga (1734) refere-se ao começo 
das obras, que só foram concluídas 
depois de 1738.
Não sabemos se o projeto do Bri-
gadeiro para o Forte de Itapema foi 
integralmente obedecido por Tor-
quato Teixeira de Carvalho, mas 
certamente seu “acabamento” foi 
aprovado pelo Governo, pois as 
mercês solicitadas foram atendi-
das. Nas plantas e iconografias 
posteriores já aparecem as duas 
guaritas angulares e o edifício do 
quartel com a planta em forma de 
“T” no centro do terrapleno. Os 2 
alpendres laterais para abrigo da 
A “Planta do Forte da 
Itapema” de 1871, 
conserva a forma do 
terrapleno definida 
pelo Brigadeiro Silva 
Paes, mas com o 
quartel em forma de 
“T” no centro do 
terrapleno e as 
guaritas angulares AHE
de 27/09/1738 encaminhada ao 
Governador José Rodrigues de Oli-
veira: “a Fortaleza de Itapema defronte 
da Vila de Santos, e em paragem, que 
enfia o canal por onde devem subir as 
embarcações a qual se acha arruinada, e 
sem artilharia sendo este sitio mais 
importante, pois escapando os navios 
que entrarem da barra, não temos no 
porto outra defesa mais que esta fortaleza 
e lhe parecia se devia reedificar, e fazer-se 
a obra, de que mandou o desenho, o qual 
com esta se vos envia, vendo-se nela o 
que é de aguada de carmim, o que se 
achava feito, e arruinado, e o da aguada 
de cima, o que lhe parecia se devia fazer, 
principalmente oferecendo-se a fazer 
toda esta obra um Torquatro Teixeira 
morador daquele sitio, dando lhe eu o 
governo dela para um filho seu (...)”. Os 
dois desenhos denominados “Planta 
da Fortaleza de Itapema”, quase 
idênticos, existentes no Arquivo His-
tórico Ultramarino referem-se a esse 
projeto de Silva Paes, inclusive a ver-
são que alguns atribuem o ano de 
1714 (época de Massé), é na verdade, 
cópia dessa descrita pelo documen-
to, com “aguada em carmim, o que se 
acha feito”. Silva Paes mandou tam-
bém reparar a “bateria antiga com oito 
peças de artilharia junto ao Colégio da 
Companhia” (Forte de Monserrate ou 
da Vila). Sobre o “armazém para reco-
lher os armamentos da Praça”, que se 
tinha “principiado fazer”, e “que está 
quase acabado”, determinou ao Gover-
nador “o que lhe parecera para a sua 
 Portal tardo-
maneirista da Casa 
do Trem. 
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
195
ArquiteturA MilitAr
194
três distintos portos, que distam 7 
léguas entre si, e são a Bertioga, a Barra 
Grande e a Barra de S. Vicente, as quais 
todas dão entrada para a Vila de Santos 
que fica terra adentro. As fortificações 
que há nestas partes nem são as neces-
sárias, nem tem a devida formalidade. A 
melhor, que é a da Barra Grande chama-
da de Santo amaro, não tem mais do que 
um baluarte e um cavaleiro, de que 
nasce uma cortina que podem admitir 
cem, ou cinquenta arcabuzeiros, e nada 
mais; é comandada de um alto ao qual 
se pode comodamente subir desembar-
cando por detrás do monte em uma 
praia chamada do Góes, que não tem 
defesa nenhuma. Defronte desta fortale-
za e da outra parte do estreito deram 
princípio a um forte que está principia-
do de estacada; (...) No Porto da Bertio-
ga, que dista desta Vila 5 léguas, não há 
mais do que uma bateria com 4 peças, 
sem baluartes nem defesas; e também 
mal situada, porque segundo entendo, 
deveria estar da parte oposta, a não 
haver duas, porque daquela banda 
fariam os seus tiros muito melhor efeito 
por passarem os navios muito mais 
perto, como também teria a dita Praça 
melhor defesa. Navegando pelo rio 
acima para a Vila de Santos (...), há 
outro pequeno forte chamado Itapema, e 
na Vila outro junto ao Colégio, ambos 
os quais são obras muito limitadas. Em 
S. Vicente não há nada. Para isto se 
reduzir à defesa necessária, seria preciso 
fazer grandes gastos, e consumir muito 
tempo (...) nestes termos eu me resolvo 
somente a fazer um pequeno reduto com 
uma estacada na Praia do Góes, para 
segurar e defender a fortaleza de Santo 
amaro, e juntamente a Barra. Como 
pede o sítio e a segurança deste Porto, e 
se eu achar cabedal para me alargar 
mais, farei tal ou qual fortificação 
defronte da Bateria da Bertioga; aonde 
me parece que era mais precisa. Também 
faço intenção de levantar uma bateria 
na Barra de S. Vicente, por me dizerem 
que a tinham entupido em outro tempo, 
(...) eu a fui ver e achei que já podem 
entrar por ela muito bem embarcações 
mais pequenas.”13
D. Luís Antonio de S. Botelho 
Mourão construiu o Forte de São 
Luiz para servir de contra-bateria à 
Fortaleza da Bertioga, mandou edi-
ficar o Fortim do Góes para reforçar 
a proteção do Canal da Barra Gran-
de e proteger a Fortaleza de Santo 
Amaro, além de reparar as outras 
fortificações existentes. A pretendi-
da “bateria na Barra de S. Vicente” 
nunca foi iniciada.
Guarita do Forte de Itapema
artilharia devem ter sido acrescen-
tados após o relatório do Mal. 
Arouche na virada do século: “A 
fortaleza de Itapema se acha com seis 
peças, todas desmontadas, porém com 
boa artilharia apesar de não ter tido 
quem lhe preste o mínimo benefício. 
Esta fortaleza, pela situação em que se 
acha, tem grande vantagem pelo gran-
de dano que pode fazer aos navios, ape-
sar de lhe apresentar pouco fogo, 
porém, como o canal é muito próximo a 
fortaleza, pode esta pelo menos cortar 
toda a enxárcia e fazê-lo desarvorar 
com planquetas, balas fixas e encadea-
das pelo ângulo que forma o canal ofe-
recem os navios a pôpa ao flanco de 
cuja vantagem se podem aproveitar os 
da fortaleza, metendo-lhes ao mesmo 
tempo grande mortandade. Nessa for-
taleza há lugar para se fazer um telhei-
ro em que se possam recolher quatro 
peças, com seus reparos, e o quartel 
precisa de grande conserto.”12 
Já salientamos a importância da 
política pombalina para a proteção 
do território brasileiro. Sob o gover-
no do Morgado de Mateus (1765-
1775) a defesa da Capitania foi prio-
rizada, e consolidou-se o sistema de 
defesa do Porto de Santos. Um siste-
ma ainda que precário, mas final-
mente um sistema. A primeira visita 
à Santos do Capitão-General cau-
sou-lhe uma profunda impressão, 
conforme o seu relato ao Conde de 
Oeiras datado de 30/07/1765: “Nes-
tas Americas tudo é grande; as provín-
cias, os rios, os montes, as campinas, os 
matos, as árvores; excedem extraordina-
riamente as que se costuma ver no 
Reino. Sobretudo as baías e enseadas 
são amplíssimas e por este motivo difí-
ceis de fortificar; Estas enseadas de San-
tos ainda que não são tão grandes, são 
com tudo tão extensas que podem as 
naus dar fundo no meio delas sem 
nenhum receio de que lhe chegue a arti-
lharia das praias; somente aonde estrei-
ta mais a ria que se divide em três bocas 
é que admite fortificação; a dita ria 
dividida nas três diferentes bocas, faz 
Forte da Vila desenhado por Landseer
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
197
ArquiteturA MilitAr
196
O relatório de 15/01/1877 do 
Duque de Caxias, então Ministro 
da Guerra do Império assim des-
crevia a Casa do Trem: “Edifício de 
sobrado, de um só andar, construído 
de pedra e cal, de sólida construção, 
com janelas sobre todas as quatro fren-
tes, tendo o pavimento superior um 
vasto salão com 13m96 de comprimen-
to sobre 7m92 de largura, com prate-
leiras e cabides, e mais três salas de 
menores dimensões, e no pavimento 
térreo três armazéns.” 17
No dia 02/08/1880 foi extinto o 
Comando Militar de Santos e em 
1891 foi iniciada a demolição dos 
quartéis. O Forte da Praça, antigo 
Forte de Monserrate foi demolido 
para dar lugar às obras de moderni-
zação do Porto pela Companhia 
Docas de Santos. O Forte de Itape-
ma passou para o domínio da Alfân-
dega em 1905. Uma torre com holo-
fotes foi instalada no lugar do 
demolido edifício do quartel, e o 
que restou do sítio passou a abrigar 
um posto de fiscalização. As velhas 
fortificações já estavam há muito 
ultrapassadas. A artilharia raiada 
que surgiu em meados do século XIX 
exigiaa modernização do sistema 
de defesa colonial do Porto. Um 
novo Plano de Defesa do Porto de 
Santos, já estava em andamento 
desde 1896.
Em 1908 com a fundação do 
“Tiro Brasileiro de Santos no 11”, o 
edifício da Casa do Trem passou a 
servir de sede provisória para a 
nova corporação, sendo a sua 
transferência definitiva ocorrida 
em 191018. O Tiro Onze funcionou 
até 1945 quando foi extinto. Esse 
edifício serviu ainda como depósi-
to para a Infantaria. Tombado em 
1937 a Casa do Trem foi entregue 
ao iphan em 1965, reparada em 
1977 pelo condephaat, e final-
mente restaurada nos anos noven-
ta através de uma parceria entre o 
iphan e a Prefeitura de Santos. 
Abriga hoje um Centro de Apoio 
Social para atendimento da popu-
lação local.
Detalhe da “Planta Topográfica da Vila de 
Santos”, mostrando a Casa do Trem, o 
edifício dos quartéis e o Forte da Vila. IPHAN
“Planta do Colégio Jesuítico e Quartel 
Militar na Vila de Santos no ano de 1801” 
AHE
Desenho de Edmund Pink do Forte de Itapema em 1833. IPHAN
A ntes de 1860 o Forte de Ita-pema foi todo reformado. Possuía nessa ocasião “cinco 
bocas de fogo, duas de calibre 9 monta-
das em reparo de sítio ou praça ao siste-
ma Onofre, e três de calibre 4 em reparo 
de campanha, sendo elas todas de bron-
ze”. O edifício do quartel recém-re-
formado tinha “um dormitório, dois 
quartos, uma prisão e uma cozinha”, 
segundo o relatório do Alferes Anto-
nio Florindo Roiz de Vasconcelos.15 
Curiosamente alguns meses 
depois desse citado relatório, as 
cinco bocas de fogo de bronze já não 
estavam mais no Forte de Itapema. 
Esse forte estava servindo apenas 
de “casa de pólvora, onde mando reco-
lher o que vem pertencente ao Governo, 
não só para essa Província como para as 
de Goias e Mato Grosso”, segundo 
relatava o General Comandante da 
Praça de Santos em 01/01/1861. Os 
canhões devem ter sido sido trans-
ladado para o Forte da Vila, nessa 
época denominado Forte da Praça 
“para corresponder aos cortejos que a 
Praça fazem os navios de guerra estran-
geiros”. O relatório de 1861 também 
descrevia o “Armazém de Artigos 
Bélicos, o qual está em muito bom esta-
do, e tem bastante Armamento que vai 
ficando inutilizado, por não ter quem o 
limpe e azeite.”16
SÉCULOS XIX E XX
Em 1809 o Cel. João da Costa Ferreira do Real Corpo de Engenheiros 
foi designado pelo Governador para substituir todos os reparos de 
artilharia das fortalezas de Santos, de modo a "que ele seja feito de 
quatro rodas, como é o carretame da marinha, já pela razão de se 
achar assim mais facilmente a necessária madeira, já por serem estas 
carretas as mais aprovadas, e até mais cômodas para se livrarem das 
chuvas em um pais como Santos tão sujeito a elas."14
SiStema de Proteção da Vila de SantoS
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ArquiteturA MilitAr
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Vista atual do Forte de Itapema
Fotografia do Forte de Monserrate ou da Vila em 1860. (col. Arnaldo Aguiar Barbosa) IPHAN
Casa do Trem em 1962 colado à edifícios 
construídos no seu terreno. IPHAN
Forte de Itapema nos anos quarenta com a torre de sinalização construída no lugar do 
antigo Quartel. Os parapeitos já haviam sido substituídos por um guardacorpo metálico. 
IPHAN
Casa do Trem depois da demolição dos 
edifícios vizinhos efetuada pelo IPHAN. 
ArquiteturA MilitAr
200
As novAs FortiFicAções 
dA entrAdA 
dA BArrA de sAntos
Victor Hugo Mori
Notas
1 Carta do Conde de Atouguia de 05/10/1654 ao Provedor da Fazenda da Capitania de São Vicente, in 
“Annaes do Museu Paulista”, Documentação Brasileira Seiscentista, tomo iii, São Paulo, 1927, p. 253.
2 Carta do Conde de Atouguia de 27/04/1655 ao Capitão-mor de São Vicente, in “Annaes do Museu 
Paulista”, Documentação Brasileira Seiscentista, tomo iii, São Paulo, 1927, p. 259.
3 Goulart Reis, Nestor. “Imagens de Vilas e Cidades do Brasil Colonial”. Edusp, São Paulo, 2000, p. 371.
4 Idem. ibidem., p.193.
5 Provisão régia de 04/02/1714. “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”, 
Volume xlix, Archivo do Estado de S. Paulo, pp. 126-127.
6 “Fica também fazendo as minhas custas quatro quartéis para a Infantaria desta praça,e sem dispendio 
da Fazenda de V. Mag.” – Petição de João de Crasto ao Rei, para fortificar a Barra de Santos e construir quar-
téis. Arquivo Histórico Ultramarino - catálogo do iv Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros.
7 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xxiv, Archivo do Estado 
de S. Paulo, p. 131.
8 Cópia da Provisão real de 15/02/1736 – arquivo iphan-sp.
9 Provisão de 27/09/1738 – cópia Arquivo iphan-sp.
10 Cópia do Alvará de 27/09/1738 no Arquivo do iphan.
11 Provisão de 27/09/1738 – cópia Arquivo iphan-sp.
12 “Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”. Volume xliv, Archivo do Esta-
do de S. Paulo, p. 305.
13 “Mapas e Planos Manuscritos relativos ao Brasil Colonial (1500-1822)”. Ministério das Relações Exte-
riores, Brasília, 1960, pp.484-485.
14 “Doc. Interessantes para a História e Costumes de São Paulo”, Vol. lviii, pp. 129-130.
15 “Relactorio do forte da Praça de Santos” de 16/10/1860, Arquivo Histórico do Exército, cópia iphan-sp.
16 “Relactório de 01/01/1861 do Comandante da Praça de Santos General. Com. Mar. José Olinto de 
Carvalho e Silva”, Arquivo Histórico do Exército.
17 Arquivo Histórico do Exército, apud. Muniz Jr., “Fortes e Fortificações do Litoral Santista”, Edição 
particular do autor. Santos, 1982, p. 63.
18 Muniz Jr.. “Fortes e Fortificações do Litoral Santista”. Edição particular do autor. Santos, 1982, pp. 63-64.

As NovAs FortiFicAções dA eNtrAdA dA BAíA de sANtos
203
A proibição do tráfico negrei-ro em 1850 abriu o caminho para a importação de mão 
de obra assalariada européia. A 
implantação da ferrovia São Paulo 
Railway interligando Santos à Jun-
diaí deu impulso à produção do 
café, abriu o mercado brasileiro às 
novidades do mundo europeu e 
criou as bases para a industrializa-
ção paulista. Até mesmo os estilos 
artísticos do ecletismo europeu 
aportaram em Santos e espalha-
ram-se pelo Estado através das 
linhas férreas. As vilas coloniais do 
planalto edificadas em taipa de 
pilão e as do litoral em pedra e cal, 
foram reconstruídas em tijolos em 
conformidade ao novo gosto inter-
nacional.
A Guerra do Paraguai (1864-1870) 
fortaleceu as instituições militares, 
criou novas lideranças nascidas fora 
da aristocracia senhorial fomentan-
do a modernização do sistema de 
defesa nacional. A Proclamação da 
República marcou a ascensão desta 
casta militar oriunda da Guerra do 
Paraguai, sob o comando do Mal. 
Deodoro da Fonseca e Floriano 
Peixoto. Divergências entre essas 
duas lideranças militares na última 
década do século XIX, contribuíram 
para a ocorrência de inúmeros dis-
FORTALEZA DE ITAIPU 
E FORTE DOS ANDRADAS
A segunda metade do século XIX foi marcado por profundas 
transformações nas áreas científica, militar, política, social, cultural 
e econômica. Sob o reinado de D. Pedro II as estruturas herdadas 
do período colonial exigiam modernizações. 
Forte Duque de Caxias, em Itaipu
As NovAs FortiFicAções dA eNtrAdA dA BAíA de sANtos
205
ArquiteturA MilitAr
204
“Projecto Defeza do Porto de Santos” organizado pelo Capitão Erico A. de Oliveira IPHAN
zado lançando as bases para a sua 
transformação no maior porto da 
América do Sul. Assim, em 1896 ini-
ciava-se o Projeto de Defesa do 
Porto de Santos que iria substituir o 
já ultrapassado sistema de fortifi-
cações herdado dos séculos anterio-
res. A moderna artilharia de alma 
raiada com alcance e precisão de até 
10 km exigia um novo sistema de 
proteção em substituição ao modelo 
concebido no período colonial. 
O projeto inicial terminado em 1898, 
criava duas linhas de defesa. A pri-
meira protegeria a entrada da Baía 
de Santos de modo a evitar o blo-
queio marítimo e a segunda linha 
ou barreira defenderia a barra de 
acesso ao Porto.
A primeira linha defensiva seria 
composta de 3 fortificações na entra-
da da baía:uma à oeste na Ponta do 
Itaipu, outra à leste na Ilha das Pal-
mas, e ao centro um Forte marítimo, 
contando ainda com um ponto de 
vigia no alto do Morro de Icanhema. 
túrbios internos, como o Levante 
das fortalezas da Laje e Santa Cruz e 
a Revolução Federalista. 
A Revolta da Armada em 1895 
demonstrou a ineficácia das antigas 
fortificações coloniais diante dos 
novos engenhos de guerra. Quando 
o cruzador "República" esteve em 
Santos armado com canhões raia-
dos de 152,4 mm os velhos baluar-
tes pouco puderam fazer. 
A fotografia do Forte da Laje no 
Rio de Janeiro logo após os bombar-
deios da esquadra rebelde na Revol-
ta da Armada, na opinião do histo-
riador Adler Homero F. de Castro, 
retrata bem esse período: "mostra 
como o material obsoleto, no caso, os 
canhões fotografados são ainda do sécu-
lo xviii", ainda permaneciam em uso 
nessas fortificações costeiras; a cor-
tina despedaçada e reforçada com 
sacos de areia "mostra o efeito das 
granadas explosivas contra as velhas 
muralhas de pedra, assinalando a 
"morte" dos fortes de cantaria". 
O Porto de Santos sob o controle 
da Companhia Docas foi moderni-
Estação Ferroviária de Santos no início do século XX
Forte da Laje foto de Juan Gutierrez, c. 1895m da coleção Adler Homero F. de Castro
As NovAs FortiFicAções dA eNtrAdA dA BAíA de sANtos
207
ArquiteturA MilitAr
206
Vista aérea do Forte Duque de Caxias em Itaipu (acima)
Planta do subterrâneo do Forte Duque de Caxias VHM
A segunda linha seria composta de 
uma "bateria torpêdica submarina" em 
substituição à Fortaleza de Santo 
Amaro, outra bateria de canhões 
onde existia o Forte Augusto na Ilha 
de Santos, e a última, na junção do 
Canal da Barra Grande com o Rio de 
Santo Amaro na Ilha de Guarujá. 
O projeto organizado pelo Capi-
tão do Estado Maior Erico Augusto 
de Oliveira foi apresentado ao 
Ministério da Guerra em 
01/12/1897 acompanhado de 15 
plantas. Era uma proposta cara e 
sofisticada, como podemos obser-
var do projeto da nova bateria que 
substituiria a Fortaleza de Santo 
Amaro: "O que propomos, terá mais 
ou menos a forma retangular e será 
completamente fechado. A sua fren-
te,(...) anexamos uma bateria torpêdica 
submarina. Na parte correspondente ao 
primeiro terrapleno colocamos o paiol, 
corpo de guarda, (...) e depósito de 
munições das cúpulas aí instalados. 
Um corredor geral põe em comunicação 
esses diversos compartimentos e um 
outro conduz às galerias submarinas da 
bateria.(...) Os alojamentos, o local do 
farol (em plano superior) e todas as 
dependências necessárias ao serviço do 
forte são à prova de bomba.(...) No flan-
co direito e junto a entrada colocamos a 
cúpula para um canhão de tiro rápido 
de 57 mm (...). A bateria torpêdica (...) 
é armada por 3 tubos lança-torpedos 
móveis em um setor circular de 60˚ que 
dará um campo de tiro de 120˚ (...) As 
frentes de saídas dos tubos são protegi-
das por couraças e munida de disposi-
ções que impedem a entrada d´agua".1 
A Ponta do Itaipu foi considera-
da estratégica e prioritária nesse 
projeto, pois essa localização per-
mitia a proteção geral da entrada 
da baía de Santos. As obras inicia-
ram-se antes mesmo da conclusão 
das desapropriações, sob a coorde-
nação do engenheiro militar 
Augusto Ximeno Villeroy. Das obra 
Planta do forte subterrâneo General Rego Barros, em Itaipu VHM
As NovAs FortiFicAções dA eNtrAdA dA BAíA de sANtos
209
ArquiteturA MilitAr
208
der-Canet de 150 mm, com o terra-
pleno voltado para o interior da 
baía e dependências de apoio sub-
terrânea.
e) Forte General Rego Barros, inicia-
do durante a Segunda Guerra, total-
mente subterrâneo (proteção aérea) 
com a planta em forma de "U" que 
define os dois acessos. Seria equipa-
do com canhões americanos de 280 
mm, porém nunca foi concluído.
Somente em 1912 o Governo efe-
tivou a desapropriação dessa área 
composto pelos sítios de Itaipus, da 
Prainha, do Suá e o de Itaquitandu-
va. Após a execução dos acessos e 
viadutos, em 1904 iniciaram os ali-
cerces do Forte Duque de Caxias. 
Em 1910 a bateria da vertente oeste 
já estava concluída faltando apenas 
a execução do quartel. O Forte 
Duque de Caxias foi terminado em 
1917 e no ano seguinte foi inaugura-
do o seu aquartelamento. 
A obra mais difícil executada 
nessa primeira fase foi a construção 
do viaduto que recebeu o nome de 
Marechal Deodoro. Tem um com-
primento de 144 metros sustentado 
por arcadas de concreto, com o vão 
central de 26 metros em arco elípti-
co, que segundo Annibal Amorim 
em 1921, era o "seu arco central o de 
maior vão que existe no país"3. 
O Forte da Ponta do Jurubatuba 
foi concluído em 1920, armado com 
dois canhões Schneider-Canet. Edi-
ficado em concreto, seu projeto pro-
curava dissimular o volume arqui-
tetônico na paisagem acidentada da 
estratégica entrada da baía de San-
tos. Os canhões franceses de Itaipu 
foram comprados em 1903, e eram 
de tiro rápido C/50 modelo 1902, 
pesando cerca de 30 toneladas com 
cadência de até 5 tiros por minuto e 
alcance de até 10.000 metros. Foram 
substituídos em 1942 pelos canhões 
Vickers-Armstrong de 152,4 mm, 
comprados dos Estados Unidos, 
modelo de 1917 pesando cerca de 11 
toneladas, com alcance de tiro de 
até 18.000 metros e cadência de até 3 
tiros por minuto.
As primeiras construções de 
apoio, como os edifícios de aquarte-
lamento, depósitos, portões, etc., 
receberam ornamentações retiradas 
do repertório medieval, como tor-
reões, ameias e ornatos românicos. 
Forte do Jurubatuba antes do bombardeio de 1932, que destruiu o edifício que aparece na 
frente da bateria
de defesa previstas no plano de 
1897 apenas foi levado à cabo o da 
Fortaleza de Itaipu, provavelmente 
devido à falta de recursos diante de 
um projeto tão ambicioso. Em 
29/09/1907 o Tenente Cel. Villeroy 
escrevia à Diretoria de Engenharia 
sobre a proposta de adquirir o Sítio 
Icanhema de 132 hectares, cujas 
divisas partiam da antiga Fortaleza 
da Barra Grande, com o objetivo se 
construir nesse sítio a "estrada para 
a Ponta Grossa" e cortar as madeiras 
de lei que seriam necessárias "quan-
do tivermos de construir a bateria de 
torpedos no canal“ 2. As dificuldades 
eram de toda ordem. 
Abandonado a proposta do "siste-
ma das duas linhas defensivas", Ville-
roy pragmaticamente procurou 
transformar o que seria uma simples 
bateria em Itaipu, num sistema de 
defesa concentrado num mesmo 
sítio. Podemos portanto definir a 
Fortaleza de Itaipu como um sistema 
complexo composto de múltiplas e 
variadas baterias de artilharia:
a) Forte Duque de Caxias equipado 
com 4 canhões Schneider-Canet de 
150 mm de tiro tenso com o terra-
pleno voltado para o mar aberto 
(contra o bloqueio marítimo), e as 
dependências de apoio protegidas 
no subterrâneo;
b) Bateria de obuseiros no alto do 
morro que seria artilhado com obu-
ses alemães de trajetória curva con-
tra embarcações que adentrassem a 
baía; essa obra foi paralisada e aban-
donada em 1911;
c) Bateria Gomes Carneiro armado 
com canhões Krupp de 75 mm, para 
a proteção terrestre da Fortaleza pelo 
lado da vertente da Praia Grande;
d) Forte da Ponta de Jurubatuba 
armado com dois canhões Schnei-
Vista da Ponta do Jurubatuba com a respectiva bateria 
As NovAs FortiFicAções dA eNtrAdA dA BAíA de sANtos
211
ArquiteturA MilitAr
210
O Forte dos Andradas foi projeta-
do pelo Tenente Cel. de Engenharia 
João Luiz Monteiro de Barros em 
1934. A construção começou em 
1938, e somente foi concluída em 
1942. A fortificação é subterrânea 
para a proteção da aviação e dos 
canhões de carga explosiva. Possui 
planta em forma de "T", e foi arma-
da com quatro obuseiros de costa de 
280 mm equipados com escudo de 
blindagem, camuflados na mata do 
tipo "bateria mascarada". Segundo 
Adler H. F. de Castro, os obuseiros 
Vista das instalações subterrâneas do Forte dos Andradas
Desenho do canhão 
obus 280mm
Os aquartelamentos de Guerra 
encontram-se próximos às baterias, 
e na planície voltada para a Praia 
Grande localiza-se o Quartelde Paz. 
Antes da II Guerra Mundial objeti-
vando reforçar a defesa do Porto de 
Santos foram projetadas duas novas 
fortificações: a bateria subterrânea 
denominada General Rego Barros 
em Itaipu, e outra na Ilha do Guaru-
já fazendo contraponto à Itaipú, o 
Forte dos Andradas na Ponta do 
Monduba. Enfim, completava-se a 
tão sonhada "primeira linha de defesa" 
imaginada no final do século XIX, 
substituindo-se a bateria da Ilha das 
Palmas e o Forte marítimo, pelo 
Forte do Monduba (Andradas).
O Forte General Rego Barros de 
Itaipú nunca chegou a ser armado e 
o dos Andradas foi concluído em 
1942 equipado com quatro obuseiro 
Krupp de 280 mm. Foram esses os 
últimos fortes construídos no Brasil 
já incorporando o partido subterrâ-
neo da "cortina invisível".
Ponta do Monduba com o obuseiro 280 mm voltado para a Baía de Santos
Vista da Ponta do Monduba que abriga o Forte subterrâneo dos Andradas com as 
respectivas “baterias mascaradas” de obuseiros. Na praia avistam-se as instalações do 
Quartel de Paz.
ArquiteturA MilitAr
212
Victor Hugo Mori
As FortiFicAções 
desApArecidAs do 
cAnAl de são seBAstião
Krupp modelo 1912, foram enco-
mendados por Hermes da Fonseca 
para o Forte do Campinho no Rio de 
Janeiro, cujas obras nunca se concluí-
ram, "ficando em depósito até a década 
de 30, quando foram usados para as defe-
sas de Santos". Esse canhão de tiro 
curvo pesava cerca de 10 toneladas, 
disparando um projétil de 345 kg 
que alcançava a distância horizontal 
de 9.000 metros. 
O Forte dos Andradas possuía dois 
edifícios de aquartelamento, um na 
elevação do morro (Quartel de Guer-
ra) e o outro na praia do Monduba 
(Quartel de Paz). Recentemente foi 
construído um novo aquartelamento 
inaugurado em 1997. 
O aperfeiçoamento dos aviões 
bombardeiros na Segunda Guerra, o 
fracasso da Linha Maginot na França 
em 1940 (o maior sistema subterrâ-
neo fortificado), a invenção alemã 
dos foguetes v1 e v2, etc., tornaram 
inviável a conclusão do Forte 
General Rego Barros em Itaipú. 
Iniciava-se a "era dos mísseis" na his-
tória da artilharia. As fortalezas fixas 
de costa foram paulatinamente desa-
tivadas, sendo substituídas pelas 
modernas baterias móveis, constituí-
das pelos lançadores de foguetes 
Astros-II. O sistema móvel foi 
implantado na defesa do Porto de 
Santos em 1999, constituindo-se na 
terceira geração de material de arti-
lharia da Fortaleza de Itaipu. 
O Astros-ii é um "Sistema de Arti-
lharia para Saturação de Área" e pode 
lançar quatro tipos de foguetes com 
alcance variando entre 10 e 98km. 
É composto pelas seguintes unida-
des móveis: controladora de fogo, 
lançadora múltipla de foguetes, 
viatura remuniciadora e viatura 
meteorológica, que podem se deslo-
car em qualquer tipo de terreno, 
inclusive serem transportados atra-
vés de aeronaves. É a "cortina de 
defesa virtual".
A arquitetura militar perdeu 
assim uma de suas funções que 
vinha desde a antiguidade. Foi o 
último capítulo da história das forti-
ficações de costa no Brasil.
notas:
1 "Forte que substituirá o atual da Barra Grande – Planta n∞ 9" do memorial do Capitão Erico 
Augusto de Oliveira de 01/12/1897. Arquivo Histórico do Exército, cópia iphan-sp.
2 Ofício da "Comissão de Defesa de Santos" n∞ 125, datado de 29/09/1907 e assinado pelo 
Ten. Cel. Augusto Villeroy, encaminhado ao Gal. Modestino Augusto de Assis Martins, Diretor de 
Engenharia. Arquivo Histórico do Exército, cópia iphan-sp.
3 Amorim, Major Annibal. "História das fortificações do Brasil". Transcrito no Boletim do 
Estado-maior do Exército, nº 4, ano xi, Outubro a Dezembro de 1921, Vol. xx, pp.417-427.
Vista das instalações subterrâneas do 
Forte General Rego Barros que ficou 
inacabado
As FortiFicAções DesApAreciDAs De são sebAstião
215
ArquiteturA MilitAr
214
A s atividades rurais estavam dispersas em engenhos ou fazendas auto-suficientes 
ao longo da costa, assim, o Canal de 
São Sebastião, situado no limite das 
capitanias de São Vicente e Santo 
Amaro, foi desconsiderado pela 
política de defesa militar até o final 
do século xviii.
A economia da região ganhou 
impulso em meados do século xviii 
com o Contrato de Baleias (monopó-
A PROTEÇÃO DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO
Após a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro e a pacificação 
dos tamoios, o litoral norte do Estado começou a ser ocupado 
por sesmeiros. A produção-de-cana de açúcar transplantada 
de São Vicente fomentou a criação das povoações de São Sebastião 
e Ubatuba na primeira metade do século XVII.
“Villa de S. Sebastião”, em 1815, de João da C. Ferreira – Soc. de Geografia de Lisboa
Postal da Ilha Bela de 1910. 
A Vila Bela da Princesa, foi criada por Provisão Real de 24/11/1807, assinada pelo Príncipe 
Regente D. João. A denominação da vila, foi dada pelo governador Antônio José da Franca 
e Horta.
As FortiFicAções DesApAreciDAs De são sebAstião
217
ArquiteturA MilitAr
216
truiu um sistema de defesa ao longo 
do canal com pequenas fortificações. 
Todas as baterias eram de faxina 
(madeira e terra), com planta semi-
circular semelhantes aos ultrapassa-
dos redutos de Monserrate, de Ita-
pema e do Goes no Porto de Santos. 
A entrada norte do canal era pro-
tegida na parte continental pela 
Bateria da Sapituba (dois canhões 
calibre 12) e pelo Forte de Santa 
Cruz (duas peças calibre 12 e uma 
calibre 24) situado ao sul em uma 
elevação próxima. No lado da Ilha 
de São Sebastião, cruzando fogo 
com essas duas baterias, localizava-
se o Forte do Rabo Azedo (três 
peças calibre 12) ao norte da Vila 
Bela, que, em 1826, lançou fogo con-
tra a corveta argentina Sarandy 
comandada pelo Almirante Gui-
lherme Brown.
A proteção do porto, no meio do 
canal, era assegurada pelo Forte 
da Vila de São Sebastião (doze 
peças de calibres variados) defron-
te à vila, que cruzava fogo com o 
Forte da Vila Bela da Princesa (três 
peças de calibre 12 e uma de cali-
bre 9) do outro lado do canal. Os 
fogos dos fortes de Santa Cruz e 
do Rabo Azedo formavam contra-
baterias complementares aos redu-
tos das vilas.
Planta do Forte do Rabo 
Azedo desenhada pelo 
ten. cel. Teixeira Cabral 
AHE
Planta do Forte da Feiticeira desenhada 
pelo ten. cel. Teixeira Cabral AHE
lio real), cuja Armação foi levantada 
na Ilha de São Sebastião (Ilha Bela). 
Em 1770, iniciaram-se as obras do 
Forte da Ponta das Canas em pedra 
e cal, no extremo norte da Ilha, 
visando à proteção da fábrica de 
óleo de baleia. Essa bateria nunca 
chegou a ser concluída, provavel-
mente, em função da decadência das 
“feitorias meridionais” como as de 
São Sebastião e Bertioga. Dessa forti-
ficação, restaram poucos vestígios.
No início do século xix, aumentou 
significativamente a produção de 
açúcar e aguardente fortalecendo a 
economia local. Em 1836, foram 
arrolados na região de São Sebastião 
dezessete engenhos de açúcar e 
vinte alambiques, como o Engenho 
Santana no continente e os Enge-
nhos d’Agua e o de São Matias na 
Ilha Bela. O desenvolvimento da 
produção cafeeira serra acima tam-
bém se refletiu na região. Surgiram 
sobrados senhoriais e casas comer-
ciais nas vilas de São Sebastião, 
Ubatuba e Bela da Princesa. A prote-
ção ao Porto de São Sebastião pas-
sou a ser então uma prioridade do 
governo instalado no Rio de Janeiro.
Em 1820, o major Maximiliano 
Augusto Penido projetou e cons-
Planta do Forte da Ponta das Canas desenhada pelo ten. cel. Teixeira Cabral. O Forte foi 
projetado durante o governo do Morgado de Mateus. AHE
Reconstituição do Engenho São Matias, pelo arquiteto Antônio Luíz Dias de Andrade
As FortiFicAções DesApAreciDAs De são sebAstião
219
ArquiteturA MilitAr
218
O Sistema de Defesa do Canal de São Sebastião INPE
1) Forte da Ponta das Canas 5) Forte do Araçá
2) Forte do Rabo Azedo 6) Forte da Vila de São Sebastião
3) Forte da Vila Bela da Princesa 7) Forte de Santa Cruz
4) Forte da Feiticeira 8) Forte da Sapituba
1
2
3
4
8
7
6
5
Armação 
de Baleia
Ilha Bela
São Sebastião
Ruínas do Forte da Ponta das Canas e umdos seis canhões que existiam no local do Forte 
do Araçá fotografados pelo IPHAN em 1937
A entrada sul do canal era prote-
gida na parte continental pelo Forte 
do Araçá (quatro peças calibre 12) 
em um morro ao sul da vila (Ponta 
do Araçá). Cruzando fogo com essa 
bateria pelo lado da Ilha de São 
Sebastião, situava-se o Forte da 
Feiticeira com o seu quartel (duas 
peças calibre 9) em uma elevação 
junto a praia. 
A chegada da ferrovia a Santos 
monopolizou todo o escoamento da 
produção agrícola do estado para 
esse porto na segunda metade do 
século xix. Os engenhos do litoral 
norte também entraram em deca-
dência. O Porto de São Sebastião 
perdeu sua relativa importância 
nesse período. As pequenas fortifica-
ções construídas de terra e estacada 
(faxina) não resistiram ao abandono. 
Os desenhos do Tenente Coronel Tei-
xeira Cabral, do Imperial Corpo de 
Engenheiros Militares (Arquivo His-
tórico do Exército), aqui reproduzi-
dos, demonstram a simplicidade e a 
precariedade dessas construções. 
Nada restou das únicas fortificações 
projetadas e construídas no século 
XIX em São Paulo.
Planta do Forte da Vila Bela da 
Princesa desenhada pelo ten. cel. Teixeira 
Cabral (esq.) AHE 
O “Cartão Postal Colombo“, de 1950 da Ilha 
Bela, sugere que a contrução do antigo pier 
de atracação aproveitou o embasamento 
do forte de Vila Bela da Princesa. (abaixo)
linhA do teMpo
pAnorAMA histórico 
são pAulo/ BrAsil/ gerAl
Victor Hugo Mori
linhA do teMpo
pAnorAMA histórico 
são pAulo/ BrAsil/ gerAl

1500 1510 1515 1520
Linha do Tempo
1480–1820
1490 1495
B
ra
si
l /
 P
o
rt
u
g
al
Sã
o
 P
au
lo
G
er
al
Logo após o Descobrimento do Brasil, começou a 
ser explorado a madeira nobre: o pau-brasil.
João Ramalho, um dos 
primeiros povoadores da 
Capitania de São 
Vicente.
1510 – Início do 
império português na 
Ásia, com a conquista 
de Goa por Afonso 
Albuquerque.
1512 – Michelangelo 
termina os afrescos 
do teto da Capela 
Sistina. Diogo de 
Arruda inicia a 
construção das 
fortalezas de Safim, 
Azamor e Mazagão 
no Marrocos. 
1514/1519 – Torre de 
Belém, construída por 
Francisco Arruda em 
estilo Manuelino, 
assinala a transição 
das torres medievais 
para o sistema de 
baluarte.
1516 – João de Castilho 
projeta o portal do 
Mosteiro dos Jerônimos 
em Lisboa, em estilo 
manuelino.
1520 – Copérnico 
termina a obra 
“Commentariolus”.
1521 – Assume o trono 
português D. João III, 
“o Piedoso”.
1519 – Conquista do 
México por Hernan 
Cortés. 
1526 – Giulio Romano 
inicia a construção do 
Palácio Té em Mântua.
1519 – Fernão de 
Magalhães inicia a 
circunavegação do globo. 
Em 1520 descobre o 
“Estreito” que interliga o 
Atlântico ao Pacífico.
1500 – Chega ao Brasil 
a expedição de Pedro 
Álvares Cabral. 
1503 – De 1503 à 1505 
Leonardo da Vinci pinta 
a Mona Lisa.
1504 – Publicado o 
“Novo Mundo” de 
Américo Vespúcio.
Habitantes do Brasil antes do Descobrimento.
1492 – Cristóvão 
Colombo descobre a 
América. Queda de 
Granada.
1494 – Tratado de 
Tordesilhas divide 
o Novo Mundo entre 
Portugal e Espanha.
1480 – Construção da 
Vila Medicea de Poggio 
a Caiano, próximo a 
Florença.
1495 – 
Assume o 
trono 
português 
D. Manuel I, 
“o Venturoso”.
1498 – Vasco da Gama 
descobre o caminho 
marítimo para as Índias, 
chegando a Calcutá.
1496 – Os judeus são 
expulsos de Portugal ou 
convertidos 
compulsoriamente.
1495 – D. João II (1455-
1495)
1560 158015701530 1535 1540
1531 – Início da 
Inquisição em Portugal.
1532 – Pizarro destrói 
o Império Inca e 
conquista o Peru. 
Publicado, em 
Florença, “O Príncipe” 
de Machiavel. 
1534 – Instalado o 
Regime das Capitania 
Hereditárias no Brasil.
B
ra
si
l /
 P
o
rt
u
g
al
Sã
o
 P
au
lo
G
er
al
1554 – Fundação do 
Colégio Jesuítico São 
Paulo de Piratininga. 
1557 – D. Sebastião 
assume o trono em 
Portugal. 
1568 – Vignola projeta 
a Igreja de Gesù em 
Roma, protótipo de 
inúmeras igrejas em 
Portugal e no Brasil.
1567– Expulsão 
dos franceses 
do Rio de Janeiro.
1563 – Felipe II inicia as 
obras do Escorial. 
1570 – Publicado, 
em Veneza, 
“I Quattro libri 
dell’Architetura” 
de Andrea Palladio.
1572 – Publicação, em 
Portugal, de “Os 
Lusíadas”, poema épico 
de Luis Vaz de Camões.
1578 – Morte de D. 
Sebastião, derrotado na 
batalha de Alcácer-Quibir 
no Marrocos. Assume o 
trono português 
D. Henrique.
1580 – Início da 
construção da Igreja 
Nossa Senhora da 
Graça em Olinda pelo 
jesuíta Francisco Dias. 
1587 – Baptista 
Antonelli projeta a 
Fortaleza de San Felipe 
del Morro em San Juan 
de Porto Rico.
1588 – Derrota da 
“Invencível Armada” 
de Felipe II, destruída 
na tentativa de invasão 
à Inglaterra.
1580 – Por falta de 
descendente direto de 
D. Henrique, Felipe II da 
Espanha é coroado rei de 
Portugal como Felipe I, 
estendendo o domínio 
espanhol em Portugal e 
suas colônias 
até 1640.
1553 – Visita do 
Governador Thomé de 
Souza à Bertioga para 
dar início às obras da 
fortaleza e da vila. Hans 
Staden é designado 
responsável do forte na 
Ilha de Santo Amaro. 
1570 – Época 
provável da 
construção do Forte 
Vera Cruz de 
Itapema.
1583 – O arquiteto italiano 
Baptista Antonelli, 
integrante da frota 
espanhola comandada por 
Diogo Florez Valdez, 
projeta e constrói a 
Fortaleza da Barra Grande.
1585 – Descrição do Forte 
da Bertioga pelo Pe. 
Fernão Cardim: “ a 
fortaleza é cousa formosa, 
parece-se ao longe com a 
de Belém e tem outra 
mais pequena defronte”. 
1557 – O Capitão-mor 
Jorge Ferreira reedificou o 
Forte de São Felipe do 
lado de Santo Amaro em 
janeiro e fevereiro de 
1557. “Milagre da 
baleia” atribuído a 
Anchieta defronte à 
Fortaleza da Bertioga na 
véspera do padroeiro 
Santiago.
1560 – “Carta Regia de 
D. Sebastião” de 18 de 
março de 1560 a Mem de 
Sá, providenciando sobre o 
acabamento e 
aprovisionamento da 
Fortaleza da Bertioga.
1536 – Morte do 
dramaturgo português 
Gil Vicente. 
1537 – Fundação de 
Olinda por Duarte 
Coelho.
1536 – Dissolução 
dos mosteiros na 
Inglaterra por 
Henrique VIII. 
1537 – Sérlio publica 
“De Arquitectura”.
1540 – Inácio de 
Loyola funda a 
Ordem dos Jesuítas 
em Roma: a Companhia 
de Jesus.
1541 – Projetos de defesa 
para Ceuta e Mazagão, do 
arquiteto Benedetto de 
Ravenna (1485-1556), 
“marcam a plena introdução 
do sistema abaluartado em 
Portugal”.
1545 – Inicia-se o Concílio 
de Trento.
1546 – Fortaleza de São 
Sebastião em Moçambique.
1549 – Chegada do 
primeiro Governador-
Geral do Brasil, 
Thomé de Sousa, 
acompanhado 
pelo jesuíta 
Manuel da Nóbrega.
1550 – Palladio projeta a 
Vila Rotonda e Giorgio 
Vasari escreve o livro 
“Vida dos Artistas”. 
Nossa 
Senhora da 
Conceição da 
Vila de São 
Vicente – 
imagem de 
meados do 
século XVI
1536 – Brás Cubas 
inicia a povoação de 
Santos. 1532 – Fundação da 
Vila de São Vicente por 
Martim Afonso marca 
o início da colonização 
do Brasil.
1532 – Chegada de 
Martim Afonso de 
Souza à Barra de 
Bertioga, onde edificou 
um forte provisório, 
“em uma praia estreita 
no lugar onde existe a 
Armação de Baleias”.
1551 – “Alvará Regio de 
D. João III” determinando 
a construção de uma 
fortaleza na Bertioga, 
com rendas da coroa 
(1.800 cruzados) 
“conforme a traça que 
de cá vay”. Destruição 
da paliçada fortificada na 
Bertioga pelos Tamoyos. 
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1667 – Borromini 
concluí a fachada da 
Igreja de San Carlo alle 
Quattro Fontane em 
Roma, arquétipo das 
plantas curvilíneas. 
Bernini concluí as 
colunatas da Praça de 
São Pedro no Vaticano.
1667 – Afonso VI é 
deposto por seu 
irmão Pedro, que se 
casa com a esposa 
francesa de Afonso e 
torna-se Regente. 
1668 – Luís XIV, “o Rei 
Sol” inicia as obras do 
Palácio de Versalhes.
1694 – Andrea Pozzo 
conclui o afresco 
ilusionista do teto da 
Igreja de Sant'Ignazio 
em Roma. Obra que vai 
influênciar a pintura 
religiosa brasileira.
1680 – Impresso em 
Lisboa o livro de LuísSerrão Pimentel 
“Método Lusitânico de 
Desenhar as 
Fortificações das 
Praças Regulares e 
Irregulares”.
1681 – Construção da 
Capela de Santo 
Antônio 
em São Roque.
1683 – Assume o trono 
de Portugal D. Pedro II, 
que era Regente desde 
1668.
1695 – O paulista 
Domingos Jorge Velho 
elimina o Quilombo de 
Zumbi dos Palmares.
1698 – Descoberta de 
ouro em Minas Gerais. 
O bandeirante Antônio 
Dias, partindo de 
Taubaté, descobre as 
margens auríferas de 
Tripuí, atual Ouro Preto.
1700 – Com a morte 
de Carlos II de Espanha, 
termina a dinastia 
Habsburgo, assumindo 
 Felipe V, o primeiro 
 da dinastia Bourbon.
1704/1706 – Publicação 
dos Tratados Militares 
de Sébastien le Prestre 
de Vauban.
1720 – O engenheiro 
militar José Cardoso 
Ramalho projeta a 
Igreja de Nossa 
Senhora da Glória no 
Rio de Janeiro, com 
planta poligonal. 
1701 – Início da 
construção do Convento 
de Santo Antônio em 
João Pessoa.
1706 – Inicia-se o 
reinado de D. João V, 
que vai até 1750, 
deslumbrado com a 
prosperidade do ouro e 
diamante brasileiros, 
inicia o “período de 
extravagância” que 
quase leva o país à 
bancarrota.
1708 – Guerra dos 
Emboabas: os paulistas 
descobridores do ouro 
de Minas são desalojados 
das áreas de mineração.
1714 – O brigadeiro João 
Massé projeta a 
fortificação do porto de 
Santos e executa a 
reestruturação da 
Fortaleza da Barra 
Grande.
1738 – Conclusão da 
Casa do Trem Bélico, 
em Santos, pelo 
Brigadeiro Silva Paes.
1732 – Luis XV implanta 
o “Sistema Vallière” na 
Artilharia Francesa. 
1723 – Início da 
construção da escadaria 
barrôca de Bom Jesus 
de Braga.
1730 – Consagração da 
basílica do Mosteiro de 
Mafra.
1737 – Iniciadas as obras 
da Igreja de São Miguel 
das Missões no 
vR. Grande do Sul.
1605 – Publicação de 
Dom Quixote na 
Espanha.
1604 – Iniciada a 
construção da Catedral 
de Salvador, projetada 
pelo jesuíta Francisco Dias. 
Obra com influência da 
Igreja de Gesú de Roma, 
por sua vez, projetada por 
Vignola.
1616 – Morte do maior 
poeta e dramaturgo inglês, 
William Shakespeare. 
Na Espanha, morre Miguel 
de Cervantes autor de 
Dom Quixote.
1614 – O Engenheiro 
Militar Francisco Frias de 
Mesquita reedifica a 
Fortaleza dos Reis Magos 
de Natal.
1615 – Fundação do 
Mosteiro de São Bento 
em Santos. 
1604 – Em Santos o 
engenheiro militar Baccio 
de Fillicaya projeta o 
Forte da Vila.
1615 – Expulsão dos 
Franceses do Maranhão.
1632 – Rembrandt pinta 
Lição de Anatomia.
1622 – A construção da 
Capela de São Miguel em 
1622, a da Residência 
Jesuítica do Embu e a 
Capela de Santo Antônio 
do bandeirante Fernão 
Paes de Barros em São 
Roque marcam a 
arquitetura seiscentista 
em São Paulo. 
1633 – Julgamento do 
astrônomo Galileu Galilei, 
forçado a negar que a 
Terra girava em torno do 
Sol.
1622 – Frias de Mesquita 
projeta o Forte do Mar 
ou de São Marcelo em 
Salvador segundo 
orientação de Tibúrcio 
Spanochi.
1630 – Invasão 
Holandesa: até 1654 
grande parte do 
nordeste brasileiro, de 
Sergipe ao Maranhão 
ficou sob o domínio da 
Companhia das Índias 
Ocidentais.
1640 – Restauração 
do trono Português 
com a aclamação do 
Duque de Bragança, 
que assumiu com o 
nome de D. João IV. 
A Guerra da 
Independência contra 
a Espanha estendeu-
se até 1668.
1654 – Expulsão dos 
holandeses de 
Pernambuco.
1656 – D. Afonso VI, 
sob a regência da 
mãe, D. Luísa de 
Guzmão, sucede D. 
João IV.
1650 – Casa do 
Bandeirante Paes 
de Barros.
1593 – Término das 
obras da cúpula de 
Michelangelo na 
basílica de São Pedro 
no Vaticano. 
1590 – Vila de 
Artimino 
em Florença
1594 – Felipe I cria 
a “Aula do Risco” 
no Paço da Ribeira. 
1591 – O corsário 
inglês Thomas 
Cavendish invade a 
Capitania. A Vila de 
São Vicente é 
incendiada.
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1793 – Goya imprime 
as gravuras “Os 
Caprichos”.
1789 – Inconfidência 
Mineira. 
1789 – Queda da 
Bastilha. 
1792 – Execução de 
Tiradentes.
1804 – Napoleão 
Bonaparte é coroado 
Imperador da França.
1805 – O Aleijadinho 
termina o adro dos 
profetas em 
Congonhas do Campo. 
1807 – Tropas de 
Napoleão Bonaparte 
invadem Portugal.
1808 – Fugindo de 
Napoleão, a família 
real portuguesa instala 
a corte no Rio de 
Janeiro.
1810 – Abertura das 
Fábricas Krupp em 
Essen na Alemanha.
1815 – Derrota final de 
Napoleão em Waterloo.
1816 – Regente desde 
1792, assume D. João 
VI como rei de 
Portugal até 1826. 
Chegada da Missão 
Artística Francesa ao 
Rio de Janeiro, 
chefiada por Lebreton. 
É o início do 
neoclassicismo na arte 
brasileira.
1817 – O engenheiro 
Rufino Felizardo da 
Costa modifica o 
quartel do Forte São 
João da Bertioga. 
1818 – Savannah é o 
primeiro navio a vapor 
a atravessar o 
Atlântico.
1821 – Retorno 
da Corte à Portugal. 
D. Pedro é nomeado 
Príncipe Regente no 
Brasil. A Província 
Cisplatina (Uruguai) 
é anexada ao 
território 
luso-brasileiro.
1822 – Retornando de 
Santos D. Pedro 
proclama a 
Independência do 
Brasil, assumindo o 
trono brasileiro. 
1820 – Abolição da 
Inquisição espanhola.
1821 – Peru e México 
proclamam a 
independência.
1824 – Beethoven 
apresenta a “Nona 
Sinfonia”.
1822 – D. Pedro I é 
proclamado 
Imperador do Brasil. 
É o fim do período 
colonial.
1792 – Conclusão 
da Calçada do 
Lorena. 
Padre Jesuíno do 
Monte Carmelo 
pinta o teto da 
Igreja do Carmo 
em Itu.
1759 – Em Belém o 
arquiteto italiano 
Antonio Landi projeta 
o Palácio dos 
Governadores, 
considerado o maior 
edifício civil do período 
colonial brasileiro.
1750 – D. José I 
assume o trono de 
Portugal até 1777, 
tendo como ministro o 
Marques de Pombal, 
que aplica na reforma 
da administração 
pública os ideais do 
Iluminismo.
1764 – Mozart 
escreve sua primeira 
sinfonia.
1766 – Antônio 
Francisco Lisboa, o 
Aleijadinho, projeta a 
Igreja de São Francisco 
de Assis em Ouro 
Preto. 
1766/1775 – 
Governador da 
Capitania de São 
Paulo, D. Luiz Antônio 
de Souza Mourão, 
o Morgado de 
Mateus: construção 
do Fortim do Goes 
(1767) e do Forte São 
Luiz (1770).
1755 – Terremoto de 
Lisboa. Começa a 
reforma urbanística 
Pombalina em Lisboa.
1751 – O Governador 
da Praça de Santos, Sá 
e Queiroga, reconstrói 
as cortinas do Forte da 
Bertioga.
1759 – O Marques de 
Pombal expulsa os 
Jesuítas de Portugal e 
suas colônias. 
1765 – Implantação 
do “Sistema 
Gribeauval” na 
artilharia francesa.
1767 – Carlos III 
expulsa os jesuítas da 
Espanha e suas 
colônias. 
1769 – O escocês 
James Watt 
patenteou o motor à 
vapor.
1773 – O Papa desfaz a 
Ordem dos Jesuítas. 
1776 – Declaração de 
Independência dos 
Estados Unidos da 
América. 
1776 – Principiadas as 
obras do Real Forte 
Príncipe da Beira no Rio 
Guaporé, projetado pelo 
genovês Domingos 
Sambuceti.
1777 – Assinado o 
“Tratado de Santo 
Idelfonso”.
1773 – Na Bahia, José 
Joaquim da Rocha 
executa a pintura do 
teto da Igreja de N. 
Sra. da Conceição da 
Praia, à moda de 
Andrea Pozzo.
1740 – O engenheiro 
José Fernandes Pinto 
Alpoim projeta o 
Palácio dos 
Governadores em 
Ouro Preto. Em 1744 
publica, em Lisboa, o 
“Exame de Artilheiro”. 
1748 – Inaugurado o 
monumental 
Aqueduto das Águas 
Livres em Lisboa.
1742 – Inaugurada a 
Capela de Santo 
Amaro da Barra 
Grande pelo 
Governador Joseph 
Rodrigues de Oliveira 
no lugar da Casa de 
Pólvora.
1748 – Publicado 
“L’Espirit des Lois”, 
de Montesquieu.
 
231
ArquiteturA MilitAr
230
Desenhos e Iconografias
Alpoim, José Fernandes. "Exame de Artilheiros", Lisboa, 1744.
Barlaeus, Gaspar. "História dos feitos recentes praticados durante oito anos 
no Brasil", 1647.
Boutell, Charles. "Arms and Armour in Antiquity and Middle Ages", Lon-
dres, 1868.
Hans Staden. "História Verídica de uma terra de selvagens, nus e cruéis 
comedores de ...", Marburgo, 1557.
"Le Brésil: ses richesses naturelles, ses industries". Serviço de Expansão 
Econômica do Brasil, Paris, 1909.
LeBlond, Guillaume. "Treatise of Artillery", Londres, 1746.
Serrão Pimentel."Método Lusitano de Desenhar Fortificações das Praças 
Regulares e Irregulares", Lisboa, 1680.
Viollet Le Duc. "Dictionnaire raisonné de l´architecture française du XI au 
XVI siècle", 1854.
AGI – Arquivo Geral das Índias, Sevilha, Espanha.
AHE – Arquivo Histórico do Exército, Rio de Janeiro, RJ.
AHML – Arquivo Histórico Militar de Lisboa, Lisboa, Portugal.
AHU – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal.
BMMA – Biblioteca Municipal Mário de Andrade, São Paulo, SP.
BN – Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.
CI - Casa da Ínsua, Penalva do Castelo, Portugal.
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 
IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
MI – Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro, RJ.
OMB – Osterreichische National Bibliothek, Viena, Áustria.
VHM – Victor Hugo Mori
Fotografias:
André Vieira de Moura (Fortaleza de Itaipu). 202, 207, 208
Alexandre Luiz Rocha e Beatriz Tassinari Brandão. 65
Antonio Luís Sarasá Martin. 27(b), 57, 122, 157, 166 (a, b), 167, 168 (a), 171 (a, b)
Arquivo Fortaleza de Itaipu. 27 (a), 46 (a), 47 (b), 81 (d), 209
Arquivo Forte dos Andradas. 210 (a)
Carlos A. Cerqueira Lemos. 72
Carlos Marques (UniSantos). 56, 144, 151 (b), 160, 165, 167, 168 (b), 170
Clóvis Loureiro Jr. (IPHAN). 173, 174, 175
Eduardo Mello (IPHAN). 9
Eraldo Silva (UniSantos). 164
Germano Graeser (IPHAN). 80 (e), 107, 113 (b), 118 (a), 119 (a, b, c), 
149 (a, b), 198 (b, c), 203 (a, b)
Guen Yokoyama. 22
Jayr Favero. 80 (a), 82, 98
José Saia Neto (IPHAN). 198 (d)
Juan Gutierrez (Acervo Adler H. F. Castro). 45, 204.
Lauro M. Candilas. 114
Marise Campos de Souza. 26 (a, b), 46 (b)
Marques Pereira. 180
Victor Hugo Mori. 10, 16, 26 (c), 35, 40, 42, 47 (a), 80 (c, d), 81 (c, e), 92, 95, 
102, 109, 113 (a), 118 (b), 133, 136, 137, 147, 151 (a, c, d), 156, 169, 192, 195, 
199, 210 (b), 211, 212
crédito dAs iMAgens
 
233
ArquiteturA MilitAr
232
soBre os colABorAdores
Carlos Alberto Cerqueira Lemos
Arquiteto, professor titular e livre docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo 
da USP, chefiou o escritório de Oscar Niemeyer nos anos 50 em São Paulo. Foi Dire-
tor e Conselheiro do CONDEPHAAT e representante do IAB no Conselho do IPHAN. 
É membro do ICOMOS, do Comitê Brasileiro de História da Arte, e vice-presidente do 
CONPRESP. Possui inúmeros trabalhos publicados internacionalmente e livros como: 
Cozinhas, etc. (Perspectiva, 1978), Arquitetura Brasileira (Melhoramentos, 1979), 
O que é Patrimônio Histórico (Brasiliense, 1985), Dicionário da Arquitetura Brasi-
leira, com Eduardo Corona (EDART, 1972), Alvenaria Burguesa (Nobel, 1985), Casa 
Paulista (Edusp, 1999), etc..
Adler Homero Fonseca de Castro 
Mestre em História, Pesquisador do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e 
Artístico Nacional, é Curador de armas portáteis do Museu Militar Conde de Linha-
res e Conselheiro do Museu de Armas Ferreira da Cunha no Rio de Janeiro. Foi res-
ponsável pelos trabalhos com a coleção de armas do Museu Histórico Nacional e 
co-autor do Livro "Armas, Ferramentas da Paz e da Guerra" (BIBLIEX, 1990), com 
publicações diversas sobre a história militar brasileira. Desenvolve pesquisas ligadas 
à questão militar desde 1980. 
Victor Hugo Mori
Arquiteto do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 
São Paulo, como tal, tendo participado das obras de restauração das Fortalezas da 
Barra Grande, Bertioga e Itaipu. Foi Arquiteto, Diretor e Conselheiro do 
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artís-
tico e Turístico do Estado de São Paulo, Coordenador de Patrimônio Histórico do 
IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil – São Paulo, Conselheiro do 
CONPRESP (Patrimônio Histórico do Município de São Paulo) e do 
CONDEPASA (Patrimônio Histórico do Município de Santos). É membro do ICOMOS 
– International Council on Monuments and Sites.
soBre o Autor
Edição revista 2018
A execução deste livro-catálogo somente foi possível com o apoio e a colaboração do Ins-
tituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, da Fundação Cultural Exército Bra-
sileiro, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e, principalmente, dos inúmeros ami-
gos aqui citados e outros que involuntariamente esqueci. 
Ao sempre professor Carlos Cerqueira Lemos, que se prontificou a escrever um capítulo 
inteiro deste catálogo. Ao Adler Fonseca de Castro, principal orientador na sua área de 
especialidade: a história militar. Aos colegas do iphan-sp, Mauro Bondi pelos desenhos 
eletrônicos especialmente produzidos, Marise Campos de Souza e Rosemeire Castanha 
pela organização dos documentos acumulados durante anos, Cecília Rodrigues dos San-
tos, pelo apoio e permissão do uso do arquivo institucional, José Saia pela cessão das foto-
grafias de sua autoria, Carlos Cerqueira e Jaelson Trindade pelas pesquisas documentais 
produzidas. À Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, na pessoa do Sérgio Kobayashi, 
pela generosidade na editoração e impressão deste livro. Aos incontáveis amigos da Uni-
versidade Católica de Santos. Ao companheiro Élcio Rogério Secomandi da Fundação 
Cultural Exército Brasileiro pela apresentação deste catálogo. Aos comandantes militares 
na Baixada Santista Gal. Hamilton Bonat, Cel. Oswaldo Oliva e Ten. Cel. Edison Lefone 
por facilitar o acesso aos arquivos do Exército Nacional. Ao Antonio Luís Sarasá, Eraldo 
Silva, Jayr Favero, Cláudio Marques, André de Moura e Eduardo Mello pelas belas ima-
gens fotográficas. Aos professores Nestor Goulart, Benedito Lima de Toledo e Júlio 
Katinsky pelas aulas informais sobre a arquitetura militar. Ao Prof. Francisco Alves da 
Silva pelos livros emprestados. Ao artista gráfico Guen Yokoyama auxiliado pela Danie-
la Nogueira Secondo, que transformou um simples catálogo em um livro de arte. E, por 
fim, a minha esposa Alexandrina Mori (Nina) que, corrigiu, opinou, e, até alterou os 
roteiros de nossas férias para visitar os indefectíveis castelos e fortificações.
Victor Hugo Mori
	Nota à presente edição
	Apresentação
	Arquitetura Militar: 
da “Cortina Vertical” 
à “Cortina Virtual”
	A “cortina vertical” e a neurobalística
	A “cortina Horizontal” e a Pirobalística
	Vauban e o sistema de defesa territorial: 
“a Cortina Rasante”
	A “Cortina invisível” 
e a Artilharia Raiada
	A “Cortina VIRTUAL” E O FIM DO CAPíTULO 
DA HISTóRIA DA ARQUITETURA MILITAR
	A Evolução 
da Artilharia
	Introdução
	A artilharia experimental 
e o início da colonização do Brasil
	O progresso da artilharia lisa 
	no período colonial 
	O “Tratado de Artilharia” luso-brasileiro 
do engenheiro Alpoim de 1744
	A época da artilharia raiada
	As Fortificações Coloniais no Brasil
	Introdução
	A primeira etapa
	A segunda etapa
	A terceira etapa
	A quarta etapa
	Mapa das Fortificações da Baixada Santista
	A Organização Militar na Capitania de 
São Vicente 
nos Primeiros Séculos
	O Sistema de Ordenanças
	Os Engenheiros Militares
	As Fortificações do Canal da Bertioga: Fortes de São Tiago 
ou São João - São Felipe - São Luiz
	SÉculos XVI e xvii
	SÉculos XVIII e XIX
	SÉCULO XX
	As Fortificações 
da entrada do Canal 
da Barra Grande
	Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande e Fortim do Góes
Forte do Crasto ou da Estacada
	Séculos XVI e XVII
	Séculos XVIII e XIX
	“Último relatório do Comando da Fortaleza
	da Barra de Santos de 1º/01/1904”
	A História do Restauro nas obras 
da Fortaleza da Barra Grande
	Sistema de Proteção 
da Vila de Santos
	Forte de Monserrate, 
Forte de Itapema, 
Casa do Trem Bélico 
e o Plano de Defesa 
de João Massé
	Séculos XVI e XVII
	Século XVIII
	Séculos XIX E XX
	As Novas Fortificações da Entrada 
da Barra de Santos
	Fortaleza de Itaipu 
e Forte dos Andradas
	As Fortificações 
desaparecidas do 
Canal de São Sebastião
	A Proteção do porto de são sebastião

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