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Alterações da função renal Interpretação de exames laboratoriais Profa. Vanda Santana Tópicos abordados • Principais exames para o estudo da função renal: Ureia e Creatinina Exame de Urina Determinação de eletrólitos Casos clínicos – discussão Sistema Urinário Veia cava inferior Aorta abdominal Rim direito Rim esquerdo Ureteres bexiga uretra REVISÃO Rins Artéria renal Sangue não filtrado do coração Sangue filtrado Veia renal Ureter Resíduos de produtos (urina) para a bexiga Néfron Ducto coletor Para ureter Alça nefrônica REVISÃO Néfrons oFiltrar o sangue oExcretar resíduos metabólicos → ureia, creatinina, ácido úrico, ácidos orgânicos, bilirrubina conjugada, drogas e toxinas. oRegular a concentração de eletrólitos → hidrogênio, sódio, potássio, fosfato e outros. oSintetizar algumas substâncias → eritropoetina (EPO), renina, prostaglandinas, tromboxanos e 1,25-(OH2)- vitamina D3. oDegradar hormônios → insulina e aldosterona. Funções do Sistema Urinário REVISÃO DOENÇAS RENAIS Estudos Laboratoriais Iniciais Exame de Urina sódio (Na+), potássio (K+), cloretos (NaCl), cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e fosfato (PO4 3-). Creatinina, ureia e ácido úrico Determinação da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) Outros testes: α-2-microglobulina, proteinúria, microalbuminúria, hematúria, hemoglobinúria e microglobinúria, Dosagem de Eletrólitos Dosagem de compostos nitrogenados não proteicos Depuração da Creatinina Compostos nitrogenados não proteicos Metabólito: Ureia plasmática Creatinina plasmática Origem bioquímica: Proteínas>Aminoácidos>A mônia Creatina % na urina: 55% - 90% 2% – 3% Intervalo de Referência: 15 a 39 mg/dL 0,6 a 1,2 mg/dL 0,6 a 1,1 mg/dL Utilidade Clínica: Enfermidade hepática e renal Enfermidade hepática COMPOSTOS NITROGENADOS NÃO PROTEICOS CH4N2O C4H7NO3 UREIA PLASMÁTICA 15 a 39 mg/dLHiporuremia Hiperuremia Enfermidades renais com diferentes tipos de lesões (glomerular, tubular, intersticial ou vascular). Fatores não renais Ureia plasmática Insuficiência hepática; dieta pobre em proteínas, desnutrição, hiper-hidratação Síndrome da secreção inadequada de hormônio antidiurético (SSIHAD). Pós-renal Tipos de Hiperuremia Pré-renal Intrarrenal Resulta da perfusão inadequada dos rins; TFG ↓ em presença de função renal normal. Resulta de diferentes lesões (vasos sanguíneos, glomérulos, túbulos ou interstício); Insuficiência renal aguda ou crônica; TFG ↓ com retenção de ureia Resulta de uma obstrução do trato urinário com a reabsorção da ureia pela circulação. o Variações no nível de creatinina: Massa muscular Não é afetada pela dieta (Exceto por excesso de carne) Idade Sexo Exercício Creatinina Plasmática e Urinária Creatinina plasmática Concentração de creatinina sérica é uma excelente medida para avaliar a função renal. Taxa de excreção da creatinina é relativamente constante. C4H7NO3 CREATININA PLASMÁTICA 15 a 39 mg/dLHipercreatinemia Enfermidades renais com diferentes tipos de lesões (glomerular, tubular, intersticial ou vascular). Fatores não renais qualquer condição que reduza a TFG por deterioração da função renal Hipocreatinemia Creatinemia Pós-renal Causas de Hipercreatinemia Pré-renais Renais Necrose muscular esquelética ou atrofia; insuficiência cardíaca congestiva (ICC); choque; depleção de sais; Diabetes Melito não controlada, hipertireoidismo; etc. lesão do glomérulo, dos túbulos, dos vasos sanguíneos ou do tecido intersticial renal hipertrofia prostática, nas compressões extrínsecas dos ureteres, nos cálculos e nas anormalidades congênitas que comprimem ou bloqueiam os ureteres o Finalidade: Avaliar a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) o Expressão: fluxo do volume de sangue e quantidade de substância (creatinina) removida em um determinado tempo (1 minuto) – Medida em mL/min. Sinônimo: Clearance da Creatinina Depuração da Creatinina endógena (DCE) Remoção de creatinina plasmática pelos rins *Depuração: volume mínimo de plasma sanguíneo que contém a quantidade total de determinada substância excretada na urina em 1 minuto. Medir o volume de urina e anotar o período de tempo de coleta em minutos (horas x 60). Determinar a concentração da creatinina plasmática e urinária. Determinação Laboratorial da DCE Procedimentos Analíticos U = concentração de creatinina na urina (mg/dL) → 62 mg/dL V = volume urinário em 24 horas (mL/min) → 1872 mL em 24 horas Obs.: para um volume de 24 horas, dividir por 1440 → 1872/1440= 1,3mL/min P = concentração de creatinina no plasma ou soro (mg/dL) → 1,37 mg/dL 1,73 = valor médio da superfície corpórea A = superfície corporal (m2) → 1,70 mg/dL DCE Corrigida = U x V x 1,73 P x A Determinação Laboratorial da DCE Cálculo da DCE DCE Corrigida = 62 x 1,3 X 1,73 1,37 x 1,70 DCE Corrigida = 139,44 2,33 DCE Corrigida = 59,8 mL/min de plasma depurado Correlação Clínica da DCE Intervalos de referência para DCE corrigida (mL/min/1,73m²) Idade Homens Mulheres 20 a 30 88 a 146 81 a 134 30 a 40 82 a 140 75 a 128 40 a 50 75 a 133 69 a 122 50 a 60 68 a 126 64 a 116 60 a 70 61 a 120 58 a 110 70 a 80 55 a 113 52 a 105 Obs.: a ↓ do fluxo sanguíneo do glomérulo diminui a depuração de creatinina. Também ocorre em lesão tubular aguda. Carecem de significação clínica. Redução da TFG Causas: enfermidades agudas ou crônicas do glomérulo ou em algum dos seus componentes. V al o re s d e D C E au m en ta d o s V al o re s d e D C E re d u zi d o s o Sexo: homens > mulheres. o Obesidade o Classe social: Classes abastadas tendem a apresentar hiperuricemia. o Dieta: ricas em proteínas, ácidos nucleicos e elevado consumo de álcool. Variação fisiológica dos teores de ácido úrico plasmático: Ácido úrico plasmático Ácido úrico plasmática Intervalos de referência para Ácido úrico plasmático Soro Sanguíneo Homens 3,5 a 7,2 mg/dL Mulheres 2,6 a 6,0 mg/dL o Avaliar a excreção da uricosúria no caso das: uricemias persistentes aumentadas: homens jovens com hiperuricemia; mulheres no período pré-menopausa; pessoas com ácido úrico sérico >11mg/dL; paciente com gota. o Pacientes com dieta normal excretam >800mg/24h. Uricosúria Excreção do ácido úrico urinário Intervalos de referência para creatinina Soro Sanguíneo Urina de 24 horas Homens 3,5 a 7,2 mg/dL 250 a 750 mg/dL Mulheres 2,6 a 6,0 mg/dL Dosagem de eletrólitos NÍVEIS PLASMÁTICOS DE ELETRÓLITOS Na+ redução aumento HIPONATREMIA Diabetes insípido nefrogênico Desidratação e hipovolemia Diabetes melito (diurese osmótica) HIPERNATREMIA Doença Renal Crônica; Insuficiência Renal; Insuficiência Cardíaca Congestiva; Uso de diúreticos; Queimadura; Vômitos prolongados; Diarreia Níveis normais: 135 a 145 mmol/L Sódio plasmático (Natremia) Causas: Natremia NÍVEIS URINÁRIOS DE ELETRÓLITOS Na+ redução aumento HIPONATRIÚRIA Causas Patológicas: Insuficiência Renal Aguda; Insuficiência Suprarrenal; Nefrite com perda de sal; Hipoaldosteronismo Causas Fisiológicas: Aumento da ingestão de Na+ na dieta; Diurese pós-menopausa HIPERNATRIÚRIA Causas Patológicas: TFG diminuída; Uremia pré-renal; Hiperpefusão adrenocortical; Doença Hepática Causas Fisiológicas: Baixa ingestão de Na+; Retenção pré-menstrual Níveis normais: 40 a 220 mmol/L Sódio urinário (Natriúria) NÍVEIS PLASMÁTICOS DE ELETRÓLITOS K+ redução aumento HIPOPOTASSEMIA (HIPOCALEMIA) Déficit na ingestão de potássio, Perda gastrointestinal de potássio; Perdas renais de K+: Desordens congênitas; Terapia diurética HIPERPOTASSEMIA (HIPERCALEMIA) Excesso de ingestão de K+; Diminuição de excreção de potássio (p.ex. Insuficiência Renal); Deficiência insulínica Níveis normais: 3,5 a 5,0 mmol/L Potássio plasmático (Potassemia ou Calemia) Causas: Potassemia K+ redução aumento HIPOPOTASSIÚRIASinal de depleção do K+ no organismo. HIPOPOTASSIÚRIA Enfermidades renais primárias; Síndromes Tubulares Renais; Fase de recuperação da necrose tubular aguda; Acidose e alcalose metabólica Níveis normais: 25 a 125 mol/d Potássio urinário (Potassiúria) Causas: NÍVEIS URINÁRIOS DE ELETRÓLITOS NÍVEIS PLASMÁTICOS DE ELETRÓLITOS Cl- redução aumento HIPOCLOREMIA Nefropatia perdedora de sal (deficiência de reabsorção tubular ou uso abusivo de diuréticos); Insuficiência adrenal; Perda gastrointestinal de bicarbonato (HCO3-); Acidose metabólica com acúmulo de ânions orgânicos; Alcalose metabólica. HIPERCLOREMIA Insuficiência Renal Aguda; Diabetes Insípido; Acidose metabólica; Desidratação; Excesso de sal; Obstrução prostática; Anemia; etc. Obs: geralmente associado a hipernatremia Níveis normais: 98 a 106 mmol/L Cloro plasmático (Cloremia) Causas: Cloremia Cl- redução aumento Cloreto urinário reduzido Causas Fisiológicas: Retenção de água e sal no período pré-menstrual, em paralelo com a redução do nível de Na+ urinário. Causas patológicas: vômitos, uso de diúreticos, diarreia. Cloreto urinário aumentado Causas Fisiológicas: diurese pós- menstrual. Níveis normais: 110 a 250 mmol/L Cloreto urinário Causas: NÍVEIS URINÁRIOS DE ELETRÓLITOS Exame de Urina Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) EXAME DE URINA DE ROTINA Exame de Urina de Rotina COR Normal: amarelo-citrino (amarelo pálido) a amarelo- âmbar fraco. ASPECTO Normal: Límpido ODOR Normal: Sui generis (característico) CONCENTRAÇÃO 1ª Amostra da manhã: 1.010 a 1.025 Amostra aleatória: 1.003 a 1.035 Amostra de 24h: 1.015 a 1.025 Urina Normal amarelo-citrino (amarelo pálido) a amarelo-âmbar fraco Cor da Urina ANÁLISE FÍSICA E CARACTERES GERAIS Aspecto/Cor Causas Patológicas Causas não Patológicas Branco Linfa; Lipídeos; Piúria. Fosfatos; Cremes vaginais. Amarelo a Âmbar a Laranja Bilirrubina; Urobilina (excesso) Acriflavina; Fenazopiridina (Pyridum); Cenouras; Urina concentrada; Coloral; Nitrofurantoína; Pirídio; Quinacrina; Riboflavina; Ruibarbo; Sene; Serotonina; Sulfasalazina. Amarelo a Verde Bilirrubina-biliverdina Aminopirina Rosa a Vermelho Hemoglobina; Miogrlobina; Porfobilina; Porfirinas; Hemácias. Antipirina; Beterrabas (antocianina); Bromosulfoftaleína; Cáscara; Difenilidantoína; Coloral; Metildopa; Fenacetina Fenolftaleína; Fenolsulfonftaleína; Fenotiazina; Sene. Vermelho a púrpura Porfirinas Vermelho a Castanho Metahemoglobina; Mioglobina. Castanho a preto Bilirrubina; Ácido homogentísico; Indicana (Indoxil); Melanina; Metemoglobina; Mioglobina; Fenol; p-hidroxifenilpiruvato; Porfirinas Cloroquina; Hidroquinona; Compostos de Ferro; Levodopa; Metildopa; Metranidazol; Nitrofurantoína; Quinino; Resorcinol. Aspecto Causas Patológicas Causas não Patológicas Azul a verde Biliverdina; Indicanas; Infecção por Pseudomonas. Acriflavina; Amitriptilina; Azure A; Clorofila; Creosoto; Azul de Evans; Azul de Metileno; Fenil saliciato; Timol; Tolônio (Azulo de toluidina); Triamtereno. Claro Diluição acentuada (p.ex. Diabetes insípido) Poliúria Brumoso, Semiturvo a Turvo Grau variável de cilindrúria; Células; Cristais e Cálculos; Gordura (lipídeos, linfa); Microorganismos. Graus variados de cremes, loções e pomadas; Cristais; Contaminaão fecal; Microrganismos; Muco; Contraste Radiológico; Talco; Espermatozóides. Marcadores Valor de Referência Leucocitos Negativo Nitirto Negativo Urobilinogênio Normal (0,1 e 1mg/dL) Proteínas Negativo pH 4,6 – 8,0 (x=6,0) Sangue Negativo Densidade 1.010 a 1.025 Cetona Negativo Bilirrubina Negativo Glicose Negativo Analito Causas Patológicas Condições Fisiológicas Leucócitos Infecções do Trato Urinário (ITU) Nitrito Infecções do Trato Urinário (ITU) - E.coli, Proteus, Enterobacter, Citrobacter, Klebsiella Urobilinogênio Distúrbios na função hepática; obstrução intestinal. Antibióticos de amplo espectro (alteram a microbiota) ↑ Proteínas doença renal (precoce) Exercício físico e febre Sangue Hematúria: ITU; Cálculo Renal; Tumor do trato urinário; Rim policístico e Glomerulonefrite pós- estreptocócica. Hemoglobinúria: hemólise intravascular – síndrome hemolítica- urêmcia; Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT0; Septicemia Exercícios extenuantes Cetona Diabetes Mellitus descompensada. Analito Causas Patológicas Condições Fisiológicas Bilirrubina Icterícia Obstrutiva; Enfermidades hepatocelular - Bilirrubina Conjugada (direta) Glicosúria Diabetes Melitus pH↓ (acidez urinária) Acidose metabólica (acidose diabética, diarreias graves, desnutrição); Acidose respiratória; fenilcetonúria, intoxicação pelo alcool metílico ou por salicilato. Clima quente; dieta proteica; urina matinal; medicações acidificantes. pH ↑ (alcalinidade urinária) Acidose tubular renal; alcalose metabólica e/ou respiratória; aldosteronismo primário; deficiência potássica; infecções urinárias por bactérias que convertem a ureia em amônia (Proteus mirabilis) dieta vegetariana, uso de diuréticos; urina antiga. EXAME DE URINA DE ROTINA Análise Microscópica do Sedimento (Sedimentoscopia) • Células epiteliais • Hemácias (Hematúria) • Leucócitos (Leucocitúria) • Cilindros (Cilindrúria) • Cristais (Cristalúria) • Muco • Outros • Hemácias: • Homens: 0 – 3 / campo (400X) • Mulheres: 0 – 5 / campo (400X) • Leucócitos: 0 – 4 / campo (400X) • Células Epiteliais: 0 – 1 (pavimentoso) / campo (400X) • Cilindros: 0 – 1 (hialino) / campo (100X) • Flora microbiana: Ausente ou escassa CRISTAIS SIGNIFICADO CLÍNICO pH Uratos amorfos Amostras refrigeradas (sedimento róseo característico – acúmulo do pigmento uroeritrina) > 5,5 Ácido úrico Níveis aumentados de purinas e ácidos nucleicos Leucemia com quimioterapia; Síndrome de Lesch-Nyhan; Gota <5,5 Uratos ácidos Pouco significado clínico Urinas menos ácidas (<5,5) Uratos de sódio Pouco significado clínico; Podem ser observados em líquido sinovial (episódios de gota) e na urina. Urinas menos ácidas (<5,5) Cristais de urina ácida CRISTALÚRIA CRISTAL SIGNIFICADO CLÍNICO Fosfato triplo (fosfato de amônio magnesiano) Sem significado clínico Associados a presença de bactérias que metabolizam ureia em urinas alcalinas. Carbonato de Cálcio Não tem Biurato de amônio Amostras não recentes associados a presença de amônia produzida pelas bactérias que metabolizam a ureia. Carbonato de cálcio Cristais de urina alcalina CRISTALÚRIA CRISTAIS SIGNIFICADO CLÍNICO pH Oxalato de Cálcio Cálculos renais Alimentos ricos em ácido oxálico (tomate e aspargo) Alimentos ricos em ácido ascórbico (vitamina C) Envenenamento por etileno glicol (anticongelante) – presença de oxalato de cálcio mono-hidratado. Ácida (mais frequente) Neutra Alcalina (raramente) Fosfato amorfo Refrigeração da amostra Alcalino Neutro Fosfato de cálcio Geralmente não tem significado clínico Constituinte comum de cálculos renais. Alcalino Neutro Cristais de diferentes pH CRISTALÚRIA CRISTAIS SIGNIFICADO CLÍNICO pH Cistina Cistinúria (distúrbio metabólico que impede a reabsorção de cistina pelos túbulos renais) Ácido Colesterol Amostras refrigeradas; Distúrbios produtores de lipidúria (p.ex. síndrome nefrótica) Ácido Leucina Disfunção hepática grave Ácido Neutro Tirosina Disfunção hepática grave; Doenças hereditárias do metabolismo dos aminoácidos Ácido Neutro Bilirrubina Disfunção hepática grave que produzem grande quantidade de bilirrubina na urina; Distúrbios que produzem dano tubular renal (p.ex. hepatite viral) Ácido Sulfonamida Uso de medicamentos que contêm sulfonamida; Dano tubular (formação dos cristais nos néfrons). Ácido Neutro Ampicilina Precipitação de antibióticos como penicilina (após doses maciças, sem hidratação adequada) Ácido Neutro Contraste Radiográfico Meios de contrasteradiográficos Ácido Geralmente encontrados em urina ou, raramente na urina . Doenças Renais Sinais comuns de doença renal DOENÇAS RENAIS o Distúrbios renovasculares: artérias renais o Causas: estreitamento ou oclusões do sistema arterial (trombose, embolização) o Consequências: redução na perfusão para o parênquima renal. o Alterações clínicas: perda parcial na capacidade da concentração, proteinúria moderada, ocasional sedimento urinário anormal. oclusão DOENÇAS RENAIS o Mais importantes: Glomerulonefrite rapidamente progressiva Nefropatia por IgA Nefrites Agudas Glomerulopatias Crônicas Síndrome Nefrótica Alterações Clínicas e Laboratoriais: Proteinúria Hematúria, Hipertensão, Edema Função excretora renal reduzida. DOENÇAS RENAIS Causa: Infecção do Trato Urinário (ITU) Comprovada pela Urocultura Piúria, Bacteriúria (ou, ocasionalmente, fungúria) Hematúria. Proteinúria Cilindros patológicos estão ausentes. oSinais e sintomas: dor, desconforto ou sensação de queimação à micção, frequência urinária. Enfermidade inflamatória da bexiga. Achados laboratoriais DOENÇAS RENAIS Conjunto de alterações clínicas associadas com um súbito declínio da capacidade do rim em manter as funções homeostáticas renais, além de alterações eletrolíticas*, ácido- bases e de volume urinário**. o Em geral, é irreversível Insuficiência Renal Aguda (IRA) Rim normal *alterações eletrolíticas: hipercalcemia, hipocalemia/hiperfosfatemia, hipermagnesemia, ** volume urinário: oligúria (débito urinário <500ml/dia) ou anúria. DOENÇAS RENAIS o Causa: redução do volume efetivo de sangue arterial. o Perfusão reduzida devido à insuficiência cardíaca. o é revertida prontamente quando o suprimento de sangue ao rim é estabelecido. o Testes Laboratoriais ↑ ureia/creatinina eventualmente leve proteinuria Hiponatriúria Relação creatinina urinária/creatinina sanguínea é > 14:1. DOENÇAS RENAIS o Causas: necrose tubular aguda - isquemia prolongada; a gentes nefrotóxicos (metais pesados, aminoglicosídeos, meios de contraste radiográficos), glomerulonefrites, lesão arteriolar (hipertensão acelerada, vasculite, microangiopatias, deposição intrarrenal ou sedimentos (ácido úrico, mieloma). o Achados laboratoriais: hematúria, numerosas células tubulares renais e cilindros celulares proteinúria ausente ou moderada; hipernatriúria; relação creatinina urinária/creatinina sérica geralmente é <14:1. DOENÇAS RENAIS o Secundária a obstrução do trato urinário superior ou inferior (Uropatia Obstrutiva). o Achados laboratoriais: Proteinúria mínima; Hematúria e cristais – cálculos ou tumores renais; Cilindros hemáticos; Anúria DOENÇAS RENAIS o Presença de lesão renal ou nível reduzido de função renal durante >3 meses; o Manifesta-se por anormalidades estruturais e funcionais do rim, com ou sem redução da TFG. DOENÇAS RENAIS oFatores de risco? Suscetibilidade Desencadeantes Doença avançada Progressão idade avançada e história familiar diabetes, PA↑, Doenças autoimunes, infecções sistêmicas, ITU, e toxicidade a fármacos. ↑ proteinúria, ↑PA, controle precário da glicemia em Diabetes e tabagismo dose mais baixa de diálise, acesso vascular temporário, anemia, albunemia baixa e encaminhamento tardio. DOENÇAS RENAIS o Avaliação Laboratorial Creatinina sérica – estimar a TFG Razão (proteína urinária/creatinina urinária) ou (albumina urinária/creatinina urinária) = positivo (> 30mg/dL) Exame de sedimento urinário – presença de hemácias, leucócitos, células tubulares, cilindros (eritrocitários, leucocitários, celulares, granulosos) Fita reagente para hemácias e leucócitos Eletrólitos séricos – (Na+, K+, HCO3 - , Cl2- ) DOENÇAS RENAIS Conjunto de sintomas, sinais clínicos e achados anormais nos estudos diagnósticos que resultam da incapacidade em manter as funções adequadas de excreção, regulação e endócrina. Manifestação terminal da insuficiência renal crônica; Características bioquímicas Características clínicas Osmolalidade urinária fixada, acidose metabólica (↓ pH sanguíneo, ↓HCO3 -), hipo ou hipernatremia, hipo ou hiperpotassemia. Retenção de metabólitos nitrogenados ureia, cianeto, creatinina, compostos guanidínicos, “moléculas médias”, ácido úrico. Distúrbios líquidos, ácidos- bases e eletrolíticos DOENÇAS RENAIS Causa mais comum de insuficiência renal aguda em crianças (HUS, Hemolytic Uremic Syndrome) Toxina semelhante a Shiga (Verotoxina) Sintomas Dor abdominal Diarreia com sangue Febre Convulsões letargia Tratamento Dor abdominal Diarreia com sangue Febre Convulsões letargia Anemia hemolítica microangiopática (Esquistócitos) Trombocitopenia Insuficiência Renal Estágio Função Renal Existente (%) Creatinina (mg/dL) Ureia (mg/dL) Função Renal 50 a 75 1,0 a 2,5 32 a 64 Insuficiência Renal 25 a 50 2,5 a 6,0 54 a 128 Colapso Renal 10 a 25 5,5 a 11 118 a 235 Síndrome Urêmica 0 a 10 > 8,0 > 170 DOENÇAS RENAIS Ureia plasmática Adultos ambulatoriais 15 a 39 mg/dL Ceatinina Plasmática Urinária Homens 0,6 a 1,2 mg/dL 14 a 26 mg/kg/d Mulheres 0,6 a 1,1 mg/dL 11 a 20 mg/kg/dia DOENÇAS RENAIS Caso Clínico 1 • Homem, 64 anos, em atendimento no ambulatório de nefrologia do hospital. Histórico de diabete mellitus tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Relata urina "espumosa". Entre os exames solicitados pelo médico assistente está a análise em tira reativa e do sedimento urinário por microscopia Exame físico-químico: Densidade: 1.020 pH: 6,0 Nitrito: Negativo Proteínas: 4+ Glicose: 3+ C. cetônicos: 1+ Urobilinogênio: Normal Bilirrubina: Negativo Hemoglobina: Traços Esterase leucocitária: Traços o MOTTA, V.T. Bioquímica Clínica para Laboratório. Princípios e interpretações. EDUCS. 2009. o MUNDT, L.A. Exame de Urina e fluidos corporais de Graff. 2ªed. Porto Alegre: Artmed, 2012. o ROBBINS, SL. CONTRAN, R.S. Patologia - Bases Patológicas das Doenças. ELSEVIER. 2005. o GUYTON, AC. Tratado de Fisiologia Médica. 9°ed. GUANABARA KOOGAN.