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Disciplina: SDE3509 Técnicas de Exame Psicológico I. Professora: Jorgelina Ines Brochier Coletânea de textos I – 2020.1 Estimadas alunas e estimados alunos: Nesta PRIMEIRA coletânea de textos (1 a 7) são abordados conteúdos que estão articulados com os planos de aula e com o livro didático desta disciplina. Assim, proponho que analisem os textos propostos e que, durante as nossas aulas, compartilhem dúvidas e reflexões. Espero, portanto, que esta leitura potencialize, em cada um de vocês, novos saberes e horizontes! TÉCNICAS DE EXAME PSICOLÓGICO I Aula 1 - Significado dos termos exame e avaliação: · No dicionário: EXAME: examinar: “Observação cuidadosa, investigação, pesquisa atenta e minuciosa”. AVALIAR/AVALIAÇÃO: “atribuir um valor ou qualidade a alguma coisa, ato ou curso de ação...”. Não se encerra na configuração do valor atribuído ao objeto em questão, possui uma consequente decisão de ação. · Para a psicologia: Avaliação Psicológica é definida como um processo estruturado de investigação de fenômenos psicológicos, composto de métodos, técnicas e instrumentos, com o objetivo de prover informações à tomada de decisão, no âmbito individual, grupal ou institucional, com base em demandas, condições e finalidades específicas (Resolução CFP N.º 9/2018). Os resultados das avaliações devem considerar e analisar os condicionantes históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalidade de servirem como instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, mas na modificação desses condicionantes que operam desde a formulação da demanda até a conclusão do processo de avaliação psicológica (Resolução CFP N.º 007/2003). - A avaliação psicológica em si, conforme já evidenciado, é um processo que se refere à coleta e interpretação de informações psicológicas, resultantes de um conjunto de procedimentos confiáveis que permitam ao psicólogo avaliar o comportamento. Portanto, diz respeito a uma preocupação não só com a medida ou o instrumento a ser utilizado, mas com a habilidade e a competência do profissional de psicologia para sua coleta. Significado dos termos método, técnicas e instrumentos: O que é método e técnica? Método: articulado com a expressão organização. Técnica: articulado com a expressão ação. O que é método? Metodologia de estudo é uma forma de organizar como será realizado o tal estudo. Quando realizamos um método, estamos criando uma espécie de modelo organizacional. VAMOS VER DOIS EXEMPLOS: a) Método de ligar uma televisão – A pessoa deve ligar a televisão através de um controle remoto ou até o botão no painel frontal do aparelho. •• b) Método de levantar da cama – A pessoa deve abrir os olhos, bocejar, espreguiçar, deitar-se de lado (qualquer um dos dois), levantar a parte superior (da cintura para cima) e girar os pés. Isto significa que MÉTODO é uma forma de organizar os passos ou procedimentos implicados em uma tarefa. O que é uma técnica? Técnica é um procedimento que está ligado diretamente a atingir uma meta. Ação proveniente do autor (pessoa) em referência a um objetivo. Em outras palavras, o que faremos em prol de alcançar o que queremos? EIS ALGUNS EXEMPLOS PRÁTICOS: a) Técnica de respiração – Aspire pelo nariz e expire pelo nariz. Em intervalos de 4 respirações (prenda a respiração por 3 segundos) e solte até o diafragma ficar completamente expandido. •• b) Técnica de estudo – Pratique a leitura lendo em voz alta e sonora, sem ser a grito. Todos os dias por 1 hora. Sendo, portanto, importante ler uma obra literária por vez. Não ler deitado na cama, e sim com postura reta para não comprometer a coluna, a vista e o processo de leitura e compreensão. Em síntese: Método é uma forma de organizar os procedimentos baseado numa meta. A técnica são os procedimentos que irão realizar a trajetória até esta meta. EXEMPLO: Método: Pegar os livros e estudar. Técnica: Começar estudando pelas matérias que se tem mais afinidade e depois as que se tem menos. Diferença entre avaliação psicológica e avaliação “achismo”. A avaliação psicológica é um processo de construção de conhecimentos acerca de aspectos psicológicos, com a finalidade de produzir, orientar, monitorar e encaminhar ações e intervenções sobre a pessoa avaliada, e, portanto, requer cuidados no planejamento, na análise e na síntese dos resultados obtidos. (CFP 2010, p.16). Então, quais são as principais características de uma Avaliação Psicológica? Avaliação Psicológica é Avaliação Psicológica não é um processo dinâmico. um trabalho mecânico. um processo de conhecimento do outro. somente avaliar determinadas características. um processo científico. sinônimo de aplicação de testes. um trabalho especializado. um processo simples, rápido e fácil. a obtenção de amostras do comportamento um conhecimento definitivo sobre o comportamento observado Passos a serem observados em um processo de Avaliação Psicológica - Identificar os objetivos da avaliação do modo mais claro e realista possível. •• Proceder a seleção apropriada de instrumentos. •• Aplicar de forma cuidadosa os instrumentos selecionados. •• Fazer a correção dos instrumentos de forma cuidadosa. •• Fazer a cuidadosa interpretação dos resultados. •• Desenvolver o uso criterioso dos dados coletados. •• Produzir um laudo. IMPORTANTE: “Testes e avaliações não são sinônimos. O teste constitui uma das ferramentas que podem ser usadas no processo de avaliação. Avaliar é muito mais do que aplicar testes. Avaliar é um processo dinâmico.” As diferentes dimensões da avaliação psicológica A dimensão ética deve sempre direcionar qualquer trabalho, especialmente este que tratamos. Falamos aqui de respeito ao semelhante, à sua dor, às obrigações de causar o menor dano possível com a nossa intervenção e à sustentação dos resultados, mesmo que havendo pressões de todos os tipos (pais, chefias e outros). Também gostaria de ressaltar a obrigatoriedade de fazer entrevistas de devolução, premissa esta muito esquecida pelos psicólogos, e que pode servir como um momento muito especial de crescimento para o nosso cliente, se bem realizada e levando em conta todas as dimensões citadas. A dimensão legal tem sido amplamente questionada: o Estado tem o direito de investigar a vida de um cidadão que pretende ter um emprego ou uma Carteira Nacional de Habilitação? Que consequências legais a interdição de um membro de uma determinada família trará para o mesmo? Qual o valor legal do uso de técnicas desatualizadas, não adaptadas à população brasileira? A dimensão profissional diz respeito a todas as implicações e consequências de ordem profissional no momento de uma avaliação, da entrega de um laudo ou da devolução de resultados. Qual é o nível de seriedade e isenção que esse profissional apresentou para tanto? Qual é o seu posicionamento a respeito de uma avaliação realizada pelo seu colega e que agora se encontra em suas mãos, em grau de recurso? Prefiro agradar o meu chefe e manter o meu emprego a ser coerente com um trabalho e uma imagem profissional? Quais as consequências para a classe de psicólogos de um trabalho malfeito, covarde, que cede a pressões? A dimensão social se refere, por exemplo, na análise de possíveis mecanismos sociais segregatórios que a psicologia poderá legitimara avaliação psicológica pode colaborar. Ou ainda, qual o uso deste tipo de trabalho e que fins de manipulação ele pode ter? Desta forma, a avaliação psicológica nunca é simples, nunca é isenta de consequências que podem ser muito sérias para o cliente e para a imagem da nossa categoria profissional. Independentemente do local onde o psicólogo atue e dos objetivos de sua avaliação, não é possível a prática de aplicações e análise de testes sem consciência e sem compreensão da complexidade deste trabalho. Áreas de aplicação da avaliação psicológica - Processos seletivos: Para verificar se um candidato está apto para determinada função em uma empresa. - Orientação Profissional: Possibilitar ao sujeito a percepção de suas habilidades e assim reduzir seu grau deansiedade afim de auxiliar sua tomada de decisão quanto à escolha profissional; - Reorientação Profissional: Permitindo àqueles que já estão em uma carreira profissional insatisfeitos encontrar suas habilidades e abrir seu leque de possibilidades para que, de forma consciente, possa utilizar todo o seu potencial; - Porte de armas: Além de exigido por lei, estabelece critérios do perfil psicológico do indivíduo, aferindo-se a uma estrutura de personalidade que o torna apto ou não à obtenção do porte de armas; - Concursos públicos: Visando verificar características comportamentais e equilíbrio emocional ideal com a sua formação e o exercício da profissão; -Perícias judiciais: Como meio de demonstrar evidências, reconhecer e demonstrar registros psicológicos com veracidade dos fatos, procedidos de alterações que podem ser perceptivas, cognitivas e afetivas. -Cirurgias plásticas e bariátricas: Em conjunto com uma equipe multiprofissional, o sujeito passa por uma avaliação para melhor adesão ao tratamento. -Carteira nacional de habilitação (CNH): São utilizados diversos testes para verificar as condições do candidato, avaliando se ele está apto a um desempenho adequado no trânsito. -Acompanhamento clínico / escolar: para fins de coleta de informações relevantes para intervenções. Atividade (para a próxima aula): O aluno deve fazer busca no site do CFP e consultar o Manual de Avaliação psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão, identificar a conceituação de instrumento e formular a diferenciação entre método e técnica de avaliação psicológica. •• Leituras indicadas: Cap. 1 do livro didático. Leitura recomendadas: Os textos complementares A e B. Texto Complementar A Dimensões do processo de Avaliação Psicológica. Adriane Picchetto Machado CRP-08/02571 Célia Mazza de Souza CRP-08/02052 A Avaliação Psicológica tem se desenvolvido na direção de uma extrema complexidade. Os desavisados talvez não percebam, porém, as dimensões que a Avaliação Psicológica atinge vão além da simplicidade de aplicar testes ou fazer entrevistas com determinado objetivo. Qualquer psicólogo que pretenda trabalhar com avaliações deverá ter em mente as dimensões técnicas, relacionais, éticas, legais, profissionais e sociais diretamente implicadas em seu trabalho. Se todas estas percepções caminham juntas e se inter-relacionam, é provável que possamos perceber a infinitude de cuidados e preocupações que devemos ter como profissionais que buscam, principalmente e acima de tudo, o respeito e a “construção” daquele que nos procura para se submeter a um processo de Avaliação Psicológica. Avaliar nunca é simples, nem rápido, nem fácil. A respeito da dimensão técnica, o psicólogo necessita ter, antes de mais nada, um vasto conhecimento em relação às técnicas que pretende utilizar, assim como uma possibilidade de crítica consciente em relação aos instrumentos de avaliação que utiliza (testes, dinâmicas de grupo, observação, entrevista e outros). Obviamente, a formação dada pelas Faculdades de Psicologia nesta área é insuficiente para o pleno domínio das técnicas e de si mesmo, principalmente, porque ainda o nosso ensino é compartimentalizado e a formação prioriza o aspecto técnico e não o científico em geral. Aprendemos mecanicamente como aplicar diversas técnicas, mas não experienciamos a integração dos dados obtidos, a análise acurada dos mesmos, o levantamento de hipóteses a partir dos dados coletados, a dinâmica, afinal, que sempre estará presente em um processo de avaliação. Sempre, por melhor que tenha sido a formação do psicólogo, ele deve buscar cursos de pós-formação para aperfeiçoar os seus conhecimentos. Também a dimensão relacional é importantíssima, pois nos informa a respeito de mecanismos transferenciais e contra transferenciais que sempre estão presentes no momento da avaliação. Sem um conhecimento maior nessa área, os desavisados poderão entender manipulações evidentes, como simpatia, mecanismos de sedução como educação e aí por diante.... O desenvolvimento da percepção mais acurada de si mesmo e do cliente somente pode ser mais real e menos fantasioso através de um exercício constante de autopercepção e autocrítica que, muitas vezes, é acompanhado de um processo psicoterapêutico. - Extraído de: MACHADO, Adriane P; MORONA, Valéria C. Manual de avaliação Psicológica. Coletânea Conexões Psi: série Técnica. Curitiba: CRP-08/Unificado, 2007. Texto complementar B Avaliação Psicológica: novos fazeres são possíveis (Vivian Roxo Borges) Atualmente, a área de Avaliação Psicológica vem sendo pauta de várias discussões importantes dentro do cenário da Psicologia. A questão histórica que permeia esta área vem destacando vários momentos marcantes, a começar pela mobilização da categoria profissional e da sociedade pela qualificação dos procedimentos e dos instrumentos de avaliação. O que se sabe, contudo, é que não basta investir na qualificação desses procedimentos se o profissional que os utiliza não o faz de forma responsável, tanto ética quanto tecnicamente. Neste sentido, a formação nesta área e a implicação dos profissionais com as repercussões dos processos de Avaliação Psicológica para a sociedade têm sido, também, um tópico constante nas discussões desta área. A Avaliação Psicológica é uma área da Psicologia dirigida à compreensão de problemas pessoais, grupais, institucionais ou sociais. Para desenvolvê-la, o psicólogo precisa lançar mão de um modelo teórico que lhe possibilite compreender determinado fenômeno. Nesse sentido, entre as tarefas envolvidas num processo de avaliação psicológica, deve-se incluir a análise de diversos aspectos relacionados ao sujeito e ao contexto em que se está avaliando. Por um lado, caberá ao psicólogo avaliador posicionar-se em relação aos diversos modelos teóricos existentes, para poder interpretar o fenômeno em questão. Por outro, do ponto de vista técnico, o profissional dispõe de um número significativo de procedimentos (técnicas e testes) que o auxiliam a coletar as informações necessárias para a condução do processo avaliativo. Entre os procedimentos técnicos disponíveis, encontram- -se as entrevistas e os instrumentos de avaliação – os testes psicométricos e projetivos. Os testes psicométricos são aqueles baseados em critérios mais objetivos para quantificar um determinado construto, demonstrando ou não a adaptação do sujeito a padrões estabelecidos. Os testes projetivos, por sua vez, são baseados em critérios dinâmicos, globais e não observáveis para analisar e/ou caracterizar um determinado construto. A partir disso, torna-se importante enfatizar que os testes psicológicos são apenas ferramentas, meios para se alcançar um fim, e nunca um fim em si mesmo (CFP, 2003; Urbina, 2007; Werlang, Villemor- -Amaral & Nascimento, 2010). Com base nisso, atualmente há um movimento no campo da Psicologia responsável pelo constante aprimoramento dos instrumentos psicológicos que sinaliza para a necessidade de zelar pela qualidade dos serviços prestados pelos psicólogos, especialmente os referentes a avaliações psicológicas. Contudo, tem sido emergente, também, a necessidade de se pensar a Avaliação Psicológica para além dos instrumentos de avaliação, considerando-se todo o fazer do psicólogo e a interface com as outras áreas da própria Psicologia e com as políticas públicas (saúde, segurança, etc.). Com a intenção de dar mais visibilidade ao sujeito e menos à sua patologia, e unicamente aos seus comportamentos, os profissionais mobilizaram-se e, com o fomento do CFP, estão sendo organizados nos últimos anos fóruns de discussão em torno da área da Avaliação Psicológica. O que tem demarcado essas discussões é o que agora vem sendo proposto para o desenvolvimento de ações comemorativas ao Ano da Avaliação Psicológica no Sistema Conselhos, destacando-se principalmente, os critérios de reconhecimento e validação dos instrumentos a partir dos Direitos Humanos, a Avaliação Psicológica como processo e os diferentes contextos em que ela pode estar inserida. Destacando-se a importânciade temas como esses, eles têm sido pauta constante das reuniões da Comissão de Avaliação Psicológica do CRPRS. Com base nestes apontamentos, cabe salientar que muito já se tem avançado na área de Avaliação Psicológica no sentido de uma maior compreensão de contexto, e não somente do sujeito isolado em seu processo de vida. A partir de novos paradigmas, que ganham forma e relevância nas discussões dentro da Avaliação Psicológica, novos fazeres são possíveis quando agregamos o conhecimento técnico dessa área às considerações éticas e políticas do fazer em psicologia. Referências: Regulamentação do uso, elaboração e comercialização de Testes Psicológicos, Resolução CFP nº. 002/2003, Conselho Federal de Psicologia. (2003). Acesso em 14 de junho de 2011. [On-line]. Disponível: http://www.pol.org.br/resolucoes/002_2003.doc. WERLANG, B. S. G., VILLEMOR-AMARAL, A. E. & NASCIMENTO, R. S. G. F. (2010). Avaliação psicológica, testes e possibilidades de uso. In: Conselho Federal de Psicologia/CFP (Org.). Avaliação Psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão (pp. 87-99). Brasília: CFP. Extraído de: Conselho Regional de Psicologia 7ª Região CRP: Avaliação Psicológica. Rev. Entrelinhas, ano XI. Número 55, 2011. TEXTO 2 Principais técnicas e instrumentos utilizados em situação de avaliação Psicológica Lembrete: Técnica de avaliação é o método utilizado para obtenção da informação. Instrumento é o recurso usado para esse fim. Dentre as técnicas utilizadas para a coleta de informações para fins de avaliação psicológica, podemos citar a observação, a inquirição e a testagem (ERTHAL, 2003). TÉCNICAS INSTRUMENTOS OBSERVAÇÃO Registro de comportamento e Escala de classificação INQUISIÇÃO Questionários (inventários, escala de atitude e de opinião). Entrevista. TESTAGEM Testes Padronizados e Testes não padronizados. OBSERVAÇÃO - Está presente em todas as situações de avaliação psicológica. A observação é um método mais aberto de avaliação psicológica e sem dúvida o primeiro instrumento que o profissional de Psicologia aprende a utilizar. Assim, o seu treino é fundamental para que haja clareza e exatidão nas informações coletadas. Observar significa tornar mensurável o comportamento que se expõe por parte do sujeito que o manifesta. O comportamento observado também produz reações (sentimentos, respostas) no observador, que o auxiliam a formular hipóteses sobre o mesmo. A observação, geralmente é categorizado a partir dos seguintes parâmetros: Estruturada e Não Estruturada. Participante e Não Participante. Individual ou em grupo, conforme indicado no quadro a seguir: . Quanto à estrutura Estrutura: caracteriza-se por ser uma ação minuciosamente planejada, com vista a atender critérios preestabelecidos. Não estruturada: também denominada assistemática, simples, espontânea, informal ou não planificada, conduz a função do pesquisador atuando como mero expectador. Quanto à participação do observador Participante: o observador assume uma posição totalmente ativa, envolvendo-se com o fenômeno analisado. Não participante: quem observa permanece alheio aos dados colhidos, posicionando-se do lado de fora e se mantendo como mero expectador. Quanto ao número de observadores Individual: somente um observador Grupo: uma equipe de observadores. Lembrete: Você poderá buscar mais informações sobre os métodos de observação pesquisando o material didático da Disciplina “Métodos de Observação”. INQUISIÇÃO: (A) ENTREVISTA PSICOLÓGICA A entrevista não é uma conversação, um bate-papo; é uma técnica utilizada para colher informações que serão muito importantes para a vida de alguém. Toda entrevista deve ser muito bem planejada e sistematizada para que seja eficaz. Sullivan (1970, p. 4) conceitua entrevista psicológica como: “Uma situação de comunicação vocal entre duas pessoas (a two-group) mais ou menos voluntariamente integradas em um padrão terapeuta-cliente, que se desenvolve progressivamente com o propósito de elucidar formas características de vida das pessoas entrevistadas, e vividas por elas como particularmente penosas ou especialmente valiosas, e de cuja elucidação ela espera tirar algum benefício”. Para Bleger (1987) “entrevista psicológica é uma relação, com características particulares, que se estabelece entre duas ou mais pessoas. O específico ou particular dessa relação reside em que um dos integrantes é um técnico da psicologia que deve atuar nesse papel, e o outro ou os outros, necessitam de sua intervenção técnica. Porém, isso é um ponto fundamental, o técnico não só utiliza em entrevista seus conhecimentos psicológicos para aplicá-los ao entrevistado, como também esta aplicação se produz precisamente através de seu próprio comportamento no decorrer da entrevista. Para sublinhar o aspecto fundamental da entrevista psicológica poder-se-ia dizer, de outra maneira, que ela consiste em uma relação humana na qual um dos integrantes deve procurar saber o que está acontecendo e deve atuar segundo esse conhecimento. A realização dos objetivos possíveis da entrevista (investigação, diagnóstico, orientação, etc.) depende desse saber e da atuação e acordo com esse saber” (BLEGER, 1987, p.12). Tavares (2002, p. 75) mostra que o manejo correto da entrevista permite a manifestação da subjetividade do sujeito, possibilitando ao profissional: “Acesso amplo e profundo ao outro, a seu modo de se estruturar e de se relacionar, mais do que qualquer outro método de coleta de informações. Por exemplo, a entrevista é a técnica de avaliação que pode mais facilmente se adaptar às variações individuais e de contexto para atender às necessidades colocadas por uma grande diversidade de situações clínicas e para tornar explícitas particularidades que escapam a outros procedimentos. Por meio dela, pode-se testar limites, confrontar, contrapor e buscar esclarecimentos, exemplos e contextos para as respostas do sujeito. Essa adaptabilidade coloca a entrevista clínica em um lugar de destaque inigualável entre as técnicas de avaliação”. Isto significa que a entrevista psicológica configura um instrumento indissociável, indispensável e, portanto, insubstituível em situações de avaliação psicológica A entrevista psicológica varia de acordo com sua finalidade: Clínica Encaminhamento (triagem) Seleção de pessoal Psicodiagnóstico Pesquisa Hospitalar etc. Psicologia clínica: é um conjunto informal de primeiros encontros entre o cliente e o profissional que é orientada conforme a abordagem clínica deste. Basicamente, são procedimentos que irão permitir a orientação posterior que o psicólogo vai dar para o atendimento clínico. A função das técnicas utilizadas nestes momentos iniciais visa ainda fortalecer um vínculo de confiança entre ambos, bem como buscar um contrato psicoterapêutico onde os objetivos do atendimento estejam claros. Encaminhamento (triagem): utilizada para o conhecimento dos pontos principais do caso com intuito de efetuar um encaminhamento. Seleção de Pessoal: entrevista é um dos mais úteis instrumentos para seleção de pessoal. Possibilita o contato direto com o candidato, bem como a identificação de sua capacitação para exercer o cargo. Seu objetivo é selecionar a pessoa que atende melhor às exigências para o cargo. A eficácia depende da competência técnica do entrevistador. Psicodiagnóstico: é um conjunto de técnicas de investigação, de tempo delimitado, dirigido por um entrevistador treinado, que utiliza conhecimentos psicológicos, em uma relação profissional, com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos, em um processo que visa a fazer recomendações, encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício da pessoa entrevistada. (Cunha,2003, cap. 5). Pesquisa: a entrevista em pesquisa é um tipo de comunicação entre um pesquisador que pretende colher informações sobre fenômenos e indivíduos que detenham essas informações e possam emiti-las. As informações colhidas são indicadores de variáveis que se pretende estudar. Possuemobjetivos bem definidos e estratégia de trabalho. Hospitalar: constitui-se em um roteiro de avaliação psicológica que visa apresentar os dados do paciente de forma objetiva ao psicólogo e à equipe de saúde. Tem como objetivo facilitar a leitura da condição de relação da pessoa com sua doença e internação. Sua utilização possui uma função terapêutica na medida em que possibilita ao paciente a verbalização, manifestação, reflexão e confrontamento com questões pertinentes ao processo de vida, doença, internação e tratamento, podendo favorecer melhor elaboração e adaptação à condição de “ser” ou “estar” doente. Difere do psicodiagnóstico porque avalia um momento específico da vida da pessoa. Tipos de entrevista: A entrevista pode ser estruturada de três tipos fundamentais: ESTRUTURADA, NÃO- ESTRUTURADA OU MISTA. 1. Entrevista diretiva, estruturada ou fechada: em que as perguntas são programadas, planejadas, inclusive em sequência, não alterando as perguntas, nem a sua ordem, a qual permite a observação de certos princípios da entrevista: o estabelecimento de uma relação, obtenção de dados sobre o psicodinamismo da pessoa, observando as reações, linguagem não verbal e etc.. Neste contexto, o entrevistador dirige e controla todos os momentos da entrevista. Entrevista não-diretiva, não estruturada ou aberta, neste o entrevistador tem ampla liberdade para perguntas e intervenções. É flexível e permite uma investigação mais ampla e profunda da personalidade do entrevistado. É dinâmica, enquanto que a entrevista fechada é estática. A não diretividade encoraja o sujeito a se expressar do modo que desejar e os comentários feitos por ele são o material que o entrevistador usa para avaliar a sua opinião e sua atitude em relação a alguma coisa. Apesar de não ter uma ordenação rígida, há um objetivo específico a ser atingido. Ela está limitada aos fins que se pretende atingir. Aqui cabe ao entrevistador intervir, quando necessário, no sentido de reconduzir o sujeito ao assunto de interesse. Entrevista semiestruturada, semidirigida ou semiaberta: é um tipo de entrevista que o entrevistado pode iniciar falando sobre o que escolher, sendo que o entrevistador intervém com os objetivos de buscar maiores esclarecimentos, clarear pontos obscuros ou confusos e ampliar informações. Esse tipo de entrevista é intermediário entre a entrevista livre e a diretiva. Observa-se que o entrevistador prepara, antes da entrevista, um roteiro com questões que considera fundamentais. Entretanto, no momento da entrevista poderá acrescentar, omitir ou alterar as questões, em função da participação do entrevistado. É também chamada de entrevista mista quando inicialmente foi realizada uma entrevista fechada ou aberta e alguns dados deixaram, então o entrevistador deve esclarecê-los através da investigação mais sistemática. A entrevista semiestruturada é o tipo mais indicado em situações de avaliação psicológica - Classificação da entrevista: (A) quanto ao número de participantes; (B) quanto ao beneficiário do resultado e (C) quanto aos objetivos. (A) quanto ao número de participantes: Distingue-se a entrevista em individual e grupal, segundo sejam um ou mais os entrevistadores e/ou os entrevistados. A realidade é que, em todos os casos, a entrevista é sempre um fenômeno grupal, já que mesmo com a participação de um só entrevistado sua relação com o entrevistador deve ser considerada em função da psicologia e da dinâmica de grupo. (B) quanto ao beneficiário do resultado: Neste caso podemos distinguir: (1) a entrevista que se realiza em benefício do entrevistado; (2) a entrevista cujo objetivo é a pesquisa, na qual importam os resultados científicos; (3) a entrevista que se realiza para um terceiro (uma instituição). Cada uma delas implica variáveis distintas a serem levadas em conta, já que modificam ou atuam sobre a atitude do entrevistador, assim como do entrevistado, e sobre o campo total da entrevista. Uma diferença fundamental é que, excetuando o primeiro tipo de entrevista, os dois outros requerem que o entrevistador desperte interesse e participação, que "motive" o entrevistado. (C) Quanto aos objetivos: - TRIAGEM: tem por objetivo avaliar a demandas do sujeito e fazer um encaminhamento, também é fundamental para avaliar a gravidade da crise. - ANAMNESE: tem por objetivo primordial o levantamento detalhado da história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. - DIAGNÓSTICA: implica descrever, avaliar, relacionar e inferir, tendo em vista a modificação daquela condição, prioriza aspectos sindrômicos e psicodinâmico. O sindrômico visa a descrição de sinais e sintomas para a classificação de quadro ou síndrome. O psicodinâmico visa a descrição e a compreensão da experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito, tendo em vista a abordagem teórica. - SISTÊMICA: avaliar casais e famílias estão se tornando cada vez mais importante para a psicologia, quando há a demanda de atenção psicológica para crianças e adolescentes. Focaliza a avaliação da estrutura ou da história relacional familiar. - DEVOLUÇÃO: esta entrevista tem por finalidade comunicar o sujeito o resultado da avaliação. Na fase de devolução a entrevista mantém seu aspecto avaliativo, e tem-se a oportunidade de verificar a atitude do sujeito em relação à avaliação e às recomendações ao seu desejo se segui-las ou de recusá-las. DIFERENÇAS ENTRE CONSULTA, ENTREVISTA E ANAMNESE: Consulta = assistência profissional; Entrevista = procedimento técnico para atender a uma consulta; Anamnese = do grego (Ana= remontar) mnesis (memória) é a evocação voluntária do passado Principais etapas da entrevista inicial A entrevista inicial é um instrumento fundamental no processo de avalição psicológica, pois o psicólogo colherá informações sobre o motivo da procura pelo atendimento, fará observações, estabelecerá o rapport com o cliente e colherá informações importantes sobre sua história de vida. A partir desta coleta de dados é que o profissional é capaz de levantar hipóteses iniciais e traçar os objetivos da avaliação clínica, o que é decisivo para o planejamento do plano de avaliação, com definição dos instrumentos a serem utilizados. A entrevista inicial pode ser melhor analisada se subdividida em três etapas: Introdução (Rapport) Desenvolvimento e Encerramento. 1) Introdução: Rapport No início do primeiro contato é essencial criar um contexto de suporte para a relação com o sujeito avaliado de modo a vencer as resistências mais óbvias e a tê-lo, preferencialmente, como um colaborador participativo. Nesse sentido, o rapport consiste em o profissional respaldar o examinando e se fazer agente de motivação e de solicitude. 2) Desenvolvimento: Quando deve ser conhecido o problema ou problemas do cliente através de dados que permitam uma análise geral e preliminar dos mesmos. Portanto é aconselhável que se tenha uma sequência na qual os assuntos possam ser tratados, pois não se deve nunca induzir o cliente a qualquer resposta nem lhe pedir detalhes. Evita-se apenas que o cliente se desvie do motivo pelo qual procurou tratamento. Num segundo momento, quando o cliente já expôs amplamente seu problema, o entrevistador usará de estratégias mais diretivas para obter dados mais específicos e precisos 3) Encerramento: Pode-se encerrar uma entrevista através dos seguintes passos: . Dar pistas ao cliente de tempo está se acabando. Evitar a introdução de assuntos novos e/ou que gerem perturbação emocional; Verificar se o cliente não está com dúvidas importantes. Deixar muito claro ao cliente qual será seu encaminhamento, dali em diante. Antes de finalizar a entrevista é fundamental fazer o enquadramento. Durante esse processo, o entrevistador deverá: Definir os objetivos que caracterizarão o tipo de atendimento ou processo ao qual o cliente irá participar. Pontuar possíveis funções que deverão ser assumidas pelo examinador e pelo examinando. Definir o lugar aonde irão se realizar os encontros e combinar os horários. Explicar ao cliente como alcançará seuprincipal objetivo, ou seja, quais técnicas, entrevistas, observações serão usadas ou como serão usadas. Indicar a duração do processo. Caso se trate de clínica particular ou instituição paga, irá combinar os honorários. Informar sobre a entrevista de devolução e encaminhamentos, se necessário. Ratificar a condição de sigilo pela qual o processo se passa. Ainda sobre a entrevista inicial é importante ressaltar que: todo o processo de avaliação será mediado pela maneira como o profissional conduz esse primeiro contato com o examinando. Neste sentido, é também preciso considerar que as características pessoais do avaliador, que participa da avaliação não apenas com os aspectos formais de sua competência profissional ou de seu conhecimento e habilidade com as técnicas que irá empregar, mas também com as características intrínsecas a sua pessoa, como sexo, idade, habilidades interpessoais e sua visão de mundo e do outro. - Tavares (2002) elenca competências e habilidades do entrevistador consideradas fundamentais, dentre as quais destacamos aquelas que devem ser adotadas pelo psicólogo, independente da abordagem: 1) estar presente, no sentido de estar inteiramente disponível para o outro naquele momento, e poder ouvi-lo sem a interferência de questões pessoais; 2) ajudar o entrevistado a se sentir à vontade e a desenvolver uma aliança de trabalho; 3) facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa a ser encaminhada ou a buscar ajuda; Desenvolver uma atmosfera de colaboração é essencial para o sucesso de uma avaliação. Para isso, é importante que o cliente perceba que o entrevistador está receptivo a suas dificuldades e a seus objetivos, que ele demonstra entendê-lo e aceitá-lo, que ele reconhece suas capacidades e seu potencial, e que ele o ajuda a mobilizar sua capacidade de autoajuda. Essa percepção fortalece a relação e favorece uma atitude colaborativa e participativa por parte do sujeito 4) buscar esclarecimento para colocações vagas ou incompletas; 5) gentilmente, confrontar esquivas e contradições; 6) tolerar a ansiedade relacionada aos temas evocados na entrevista; 7) assumir a iniciativa em momentos de impasse; 8) dominar as técnicas que utiliza. Texto complementar C: considerações sobre o processo de avaliação direcionado para crianças[footnoteRef:1] [1: Texto extraído de: AMBIEL, Rodolfo A. M. A necessidade de avaliação psicológica em crianças. Disponível em: http://www.ibapnet.org.br/index.php?cd=71&descricao=a_necessidade_da_avaliacao_psicologica_de_criancas] Quando se trata de avaliação psicológica infantil, quais são as especificidades do processo? Incialmente cabe considera que se torna necessário o contato com seus pais ou responsáveis legais e pode gerar ansiedade sobre o que o psicólogo irá contar para eles. Outra especificidade é que ela pode estar em diferentes etapas do desenvolvimento, cognitivo, emocional, motor, o que devemos levar em consideração quando nos comunicamos com ela e quando escolhemos técnicas para avaliá-la. A leitura, por exemplo, pode ser um requisito para a aplicação de testes de autorrelato. Outro aspecto, ainda, é a necessidade de materiais e estrutura física específicos. São necessários uma caixa de brinquedos, com jogos, uma família de bonecos, material de papelaria, entre outros (este seria o enquadre da entrevista lúdica). Também são necessários testes específicos para diferentes fases do desenvolvimento e um ambiente que permita que a criança se expresse na linguagem dela e ao mesmo tempo seja de fácil limpeza, por exemplo. Há outras especificidades que estão associadas ao próprio motivo da avaliação. Por exemplo, casos de abuso sexual em que a avaliação da criança é permeada tanto pela necessidade de obter informações (tanto para o diagnóstico quanto para providências legais) quanto pela necessidade de preservar a intimidade e a integridade física e psicológica da criança, isto é, de não “revitimizá-la” com perguntas contundentes e invasivas. Mesmo que não seja em casos tão graves, os pais ou responsáveis sempre têm a ver com os sintomas e podem se situar em qualquer ponto entre a abertura à colaboração ou resistência extrema. Importante: a entrevista lúdica consiste em oferecer à criança a oportunidade de brincar, como quiser, com todos os materiais lúdicos da sala, deixando lhe claro que o objetivo é conhecê-la melhor. TEXTO 3.1 Instrumentos utilizados nos contextos de avaliação psicológica (continuação) Conforme comentamos no texto anterior, além da observação e da entrevista, existem outros instrumentos utilizados em situações de avaliação psicológico, tais como QUESTIONÁRIOS, TESTES PADRONIZADOS E NÃO PADRONIZADOS. Neste sentido, agora vamos caracterizar os referidos instrumentos. QUESTIONÁRIOS - Questionário: composto por uma série de perguntas que que tem por finalidade obter as respostas do sujeito que estão, de modo geral, impregnadas com suas ideias e sentimentos. Existem diferentes tipos de questionários identificados por: INVENTÁRIOS, ESCALAS DE ATITUDE e LEVANTAMENTO DE OPINIÃO. INVENTÁRIOS Geralmente usados como instrumento de autoavaliação, são um tipo de questionário em que são dispostas afirmações sobre um determinado tema e o respondente deve concordar ou não. Segundo Erthal (2003), o indivíduo é seu próprio juiz, pois lhe cabe dar sua opinião a respeito das informações que lhes são apresentadas. São DOIS TIPOS DE INVENTÁRIOS: - O inventário de interesse (utilizado especialmente em situações de orientação profissional) e o de personalidade, que pode medir traços para identificar as diferenças individuais e assim traçar um diagnóstico. - O inventário de ajustamento que mede a capacidade em realizar ajustamentos necessários quando o sujeito está exposto em situações de pressão e tensão. ESCALA DE ATITUDE O sujeito recebe um número de afirmações sobre um determinado tema, geralmente polêmico, e deve expressar sua atitude em relação a elas. Segundo Erthal (2003), há dois tipos importantes de escalas de atitudes: a escala do tipo Thurstone e a escala do tipo Likert. ESCALAS DE THURSTONE são escalas diferenciais, ou seja, as posições dos itens na escala seguem uma ordenação ou avaliação feita previamente por juízes. Neste tipo de escala deve-se obter o maior número possível de afirmações (100 ou mais) sobre o assunto, exprimindo aspectos diversos, sejam favoráveis ou desfavoráveis ao tema, e são apresentados aos juízes (1, 7, 9 ou 11), sendo feita a média da avaliação da consistência de cada afirmativa efetuada pelos juízes. Observação: desculpe, mas somente encontrei imagens com legenda em espanhol! ESCALAS DE LIKERT são consideradas escalas somatórias. O sujeito responde a cada item, indicando graus de acordo ou desacordo. Nesse tipo de escala, oferecemos afirmativa ao sujeito, e ele deve expressar sua posição sobre o assunto e o grau em que se sente afetado por elas por intermédio de uma pontuação que vai de 1 a 5. POR EXEMPLO: 1 ponto para concordo plenamente, 2 pontos para concordo em parte, 3 pontos para não tenho opinião, 4 pontos para discordo em parte e 5 pontos para discordo totalmente. Nesse tipo de escala, não são necessários juízes para a classificação das informações. A consistência interna é o critério para a seleção dos itens (Erthal, 2003). Veja, a seguir um exemplo de escala Likert LEVANTAMENTO DE OPINIÃO É um tipo de questionário que busca inquirir informações específicas de um único tema. Pode ser apresentado sob o formato de questão única, e o sujeito vai responder sim ou não. O referendo é um exemplo de um levantamento de opinião. TESTES PSICOLÓGICOS: Testes Não Padronizados e Testes Padronizados TESTES NÃO PADRONIZADOS: São utilizados como técnicas complementares. Não são padronizados, mas possuem respaldo na literatura científica da área e devem respeitar princípios do Código de ética do profissional de psicologia. Importante: a expressão “não padronizados” indica, entre outras possibilidades que o teste, durante o processo de construção, não foi aplicado a uma população amostralque seja representativa do tipo de pessoa para o qual o teste foi construído. TESTES PADRONIZADOS: Os testes psicológicos padronizados são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos instrumentos. Por que amostras de comportamentos? Porque a partir do desempenho no teste é possível predizer o comportamento do avaliando em outras situações. Por que mensurar (quantificar) ou descrever características e processos psicológicos? Para estabelecer diferenças entre os indivíduos ou do mesmo indivíduo em situações diferentes. ** Com base nessas constatações: predizer comportamentos, planejar intervenções, orientar pessoas ou atender a demandas de terceiros (que solicitaram um processo de avaliação psicológica). Em síntese São instrumentos de avaliação ou mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou uma técnica de uso privativo do psicólogo. De acordo com Anastasi (2000) o teste psicológico é uma medida objetiva e padronizada de uma amostra de comportamento. Os testes servem para fornecer informações sobre os indivíduos para a tomada de alguma decisão com respeito a estes. Visam, portanto, apresentar dados confiáveis para alguma intervenção. CLASSIFICAÇÃO DOS TESTES PSICOLÓGICOS (A) QUANTO AO MÉTODO: Podem ser alocados em duas categorias: Psicométricos e Projetivos. Psicométricos: Os testes psicométricos são utilizados como uma medida de desempenho e se baseiam em amostras estatísticas de comparação, sendo aplicados sob condições padronizadas. Os resultados dos testes de uma pessoa são comparados com padrões de resultados em amostras representativas para obter resultados em percentil. Apresentam material padronizado e rigorosamente estruturado. Usualmente adotam o critério de resposta certa ou errada e o resultado é valor numérico que vai indicar algo a respeito do avaliando. EM SÍNTESE: Baseiam-se na teoria da medida (especificamente na psicometria). Por isso, usam números para descrever os fenômenos psicológicos. São padronizados e rigorosamente estruturados em suas tarefas e em sua correção e interpretação. Utilizam, de preferência, técnicas de resposta do tipo escolha forçada e escalas de respostas enunciadas com números que o sujeito marca. Exemplos de itens (testes psicométricos) Teste R1. Fator G. Verifique: somente uma resposta será considerada correta. Teste de atenção concentrada. É solicitado que o avaliando identifique a sequência equivalente ao modelo que aparece na margem superior Projetivos: são aqueles que têm análise qualitativa. O material é padronizado e pouco estruturado. Por ser pouco estruturado possibilita que o avaliando interprete o estímulo/tarefa. Assim, as respostas podem variar de sujeito para sujeito. Estes testes/técnicas são abordados na disciplina TEP II. EM SÍNTESE: Não se fundamentam na teoria da medida e, portanto, priorizam a análise qualitativa dos dados obtidos. São padronizados, mas, em relação ao material e, consequente, tarefa solicitada, são pouco estruturados. Por isso, o avaliando tem liberdade de expressão e de tempo. Exemplos de material Teste de Rorschach. Constituído por manchas de tintas. É solicitado que o avaliando diga o que está vendo. Portanto, tem liberdade de expressão. Exemplo de uma lâmina do T.A.T. Neste teste é solicitado que a pessoa, com base na gravura, conte uma história Nos dois exemplos: o material é padronizado e o avaliando tem liberdade de expressão (B) Os testes também podem ser classificados por outras características. Por exemplo quanto ao tipo de material (perecível e não perecível), quanto ao constructo avaliado (tais como tipo de raciocínio ou traço de personalidade), quanto a aplicação (modalidade individual ou coletiva), dentre outras possibilidades. Esses aspectos serão abordados em outros tópicos. Importante: O teste psicológico não mede diretamente uma capacidade, uma característica, mas sim o comportamento que é indicativo desse aspecto. Isto significa que: Responder a um teste = PARTICIPAR, DESENVOLVER UMA ATIVIDADE. TEXTO COMPLEMENTAR: Os testes psicológicos no Brasil No Brasil, até os anos de 1960/1970, os testes foram considerados os principais instrumentos do psicólogo. Entretanto, a partir de 1980 perdurou o declínio do interesse pelos testes psicológicos. Entre os fatores que influenciaram nesse descrédito, podem ser destacados cinco: (1) os enfoques humanistas para a compreensão do comportamento humano. Nessas perspectivas, medir era considerada uma forma de destruir o objeto psicológico. (2) a precária formação dos profissionais relacionada à psicometria. (3) o uso abusivo de testes psicológicos com o objetivo de legitimar (justificar) as desigualdades sociais). (4) a não atualização dos dados psicométricos nos testes editados no país. (5) a pouca relevância atribuída as disciplinas de avaliação psicológica nos currículos das universidades (públicas e privadas). Tal cenário passou por significativas transformações (especialmente, a partir do ano 2000) e, um novo movimento pode ser identificado entre os psicólogos deste país: uma atitude mais sóbria e ponderada com relação aos instrumentos psicológicos, sobretudo os de abordagem qualitativa. Salienta-se que, atualmente, algumas universidades, já reconhecem os testes como instrumentos valiosos e necessários para a prática e a investigação, bem como uma visão mais crítica do poder de alcance deles no diagnóstico, na predição e na tomada de decisão sobre seus resultados. Acrescenta-se que o Conselho Federal de Psicologia vem se preocupando com o problema dos testes no Brasil desde o início da década de 80 do século passado, enfatizando a necessidade de pesquisa em psicometria no Brasil. Nesse contexto foram criados ou revitalizados diferentes associações e/ou institutos organizados por psicólogos, como por exemplo: Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica, criada em 1997 e a Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos, fundada em 1993. Foram também promulgadas legislações específicas em situações de avaliação psicológica com utilização de testes psicológicos, como por exemplo para porte de arma. Tais legislações impulsionaram os profissionais de psicologia a assumirem, com maior responsabilidade seu papel na avaliação psicológica, sujeito às leis da qualidade e de prestação de serviços à sociedade. Qualidade esta, que pode ser judicialmente exigida pela sociedade. O Conselho Federal de Psicologia promoveu a resolução CFP 022/2003 criando, em 2003, um Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATPSI). TEXTO 4 REQUISITOS DE UM TESTE PSICOLÓGICO: parâmetros psicométricos[footnoteRef:2] [2: Extraído de: Questões de concurso. Disponível em: http://www.concursospsicologia.com/q143-serie-180-questoes-comentadas] - LEMBRETE: Psicometria ramo da psicologia que se caracteriza por expressar (observar) o fenômeno psicológico através do número, em vez da pura descrição verbal (PASQUALI,2003). Para Alchieri e Cruz (2003, p.59), os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado), sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir), como será visto em alguns detalhes a seguir: - VALIDADE E PRECISÃO: A avaliação objetiva dos testes psicológicos inclui, em geral, a determinação da sua validade e da sua precisão em situações específicas. Segundo Pasquali (2001), costuma-se definir A VALIDADE de um teste dizendo que ele é válido se de fato mede o que supostamente deve medir (p.112).A validade é a questão mais importante a ser proposta com relação a qualquer teste psicológico, uma vez que, apresenta uma verificação direta do teste satisfazer sua função. - PRECISÃO ou FIDEDIGNIDADE: se refere ao quanto o escore obtido no teste se aproxima do escore verdadeiro do sujeito num traço qualquer. O termo precisão, quando usado em psicometria, sempre significa estabilidade ou consistência. Precisão do teste é a consistência dos resultados obtidos pelo mesmo indivíduo, quando retestado com o mesmo teste, ou com uma forma equivalente. Antes de um teste psicológico ser apresentado para o uso geral, é preciso realizar uma verificação completa e objetiva de sua precisão. Isto significa que: Quanto maior a fidedignidade, maior a precisão de um instrumento. Importante: sobre Validade e Precisão (ou fidedignidade) - A validade do teste varia de acordo com o fim que é usado e de acordo com o grupo que é aplicado. A questão essencial é: PARA QUEM E PARA QUE é válido o teste? Assim, deve ser validado na situação específica em que vai ser usado. - A fidedignidade é fundamental para a validade: o teste pode ser fidedigno e não ser validado, mas não pode ser válido sem ser fidedigno. Isto significa que: se um teste tem fidedignidade baixa vai afetar a validade do que se está estudando. - PADRONIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DO TESTE (Normas): Num sentido geral, a padronização se refere à necessária uniformidade em todos os procedimentos no uso de um teste válido e preciso. Desde as precauções a serem tomadas na aplicação até os parâmetros ou critérios para interpretar os resultados obtidos (PASQUALI, 2001). O teste psicológico foi descrito, na definição inicial, como uma medida padronizada. A padronização implica em uniformidade do processo de avaliação do teste. Se vamos comparar os resultados obtidos por diferentes indivíduos, as condições de aplicação devem ser, evidentemente, iguais para todos. Padronização = uniformidade na aplicação dos testes, e Normatização = uniformidade na interpretação dos escores dos testes. Texto complementar D[footnoteRef:3] [3: Extraído de: questões de concurso. Disponivel em: http://www.concursospsicologia.com/q143-serie-180-questoes-comentadas] Quanto à validade da medida, costuma-se ensinar que um teste é válido se de fato mede o que supostamente deve medir. Por exemplo, atesta se uma escala de ansiedade de fato está medindo ansiedade. A validade é a questão mais importante a ser proposta com relação a qualquer teste psicológico, uma vez que, apresenta uma verificação direta do teste satisfazer sua função (PASQUALI, 2001). Diversos métodos são utilizados para se conhecer a validade de uma medida. Dois dos métodos mais utilizados são (ERTHAL, 2003): (1) a validade teórica - um teste pode ser validado de modo teórico quando especialistas na área em questão se reúnem e concordam que aquele instrumento mede o que está sendo proposto. (2) a validade de construto convergente e divergente – utiliza respectivamente instrumentos que já são usados para mensurar dado construto psicológico ou que não possuem este uso e correlaciona-os com a medida que se pretende avaliar. TEXTO 5 Breve histórico dos testes de inteligência Embora existam registros de testagens e processos de avaliação psicológica desde o período neolítico, datam de de 12.000 a.C., neste breve histórico, serão comentadas contribuições de diversos pesquisadores a partir do século XIX. A) DÉCADA DE GALTON – 1880 – INGLATERRA Francis Galton foi responsável pelo desenvolvimento de escalas de atitude e pelos métodos estatísticos dos dados coletados em seus estudos. Tinha, também, interesse pela avaliação das aptidões e desenvolveu meio para compreendê-las a partir de medidas sensoriais. Primo de Charles Darwin (1809-1882), recebeu grande influência de suas ideias. Confiava na teoria da seleção natural, acreditava que na luta pela sobrevivência os seres humanos menos valiosos desapareceriam. Pretendia utilizar a ciência para a melhoria da raça humana e, com esse objetivo, criou o termo “Eugenia”. Em sua tese, com base na hipótese da hereditariedade, um homem de grande capacidade teria filhos também extraordinários. Buscava justificar a exclusão de todos aqueles que não eram europeus legítimos. O Brasil, nos primeiros anos do século XX, criou um movimento interno de eugenia. - Foi pioneiro: na criação de Escalas/questionários e na defesa da padronização dos testes. Por isso, foi fundamental para o surgimento da psicometria. B) DÉCADA DE CATTELL –1890 – EUA Cattell, psicólogo americano, influenciado por Galton, desenvolveu medidas de diferenças individuais dando ênfase, ainda, às medidas sensoriais por considerá-las mais precisas. Foi o primeiro a utilizar, em 1890, o termo “teste mental” para as provas aplicadas aos alunos universitários, com a intenção de avaliar seu nível intelectual. Essa proposta teve sucesso internacional. C) DÉCADA DE BINET – 1900 – FRANÇA O pedagogo e psicólogo francês, Alfred Binet foi o primeiro a construir testes de inteligência. Discordava das ideias de Galton e Cattell. Estava preocupado em como ajudar crianças que tinham problemas na escola e que não se desenvolviam tão bem quanto as outras, em como medir e criar instrumentos para avaliar e, assim, auxiliar para que essas crianças progredissem mais. Importante: Os primeiros testes mentais práticos surgiram, na França, a partir da tradição humanista, cujo interesse era o bem-estar social. Essa é a grande diferença entre Binet e Galton: Observe que, Galton, pretendia, através da medida de inteligência, a eugenia da raça humana, enquanto Binet defendia a importância da medida da inteligência para auxiliar crianças com dificuldades de aprendizagem - Henri e Binet: em 1895, construíram o primeiro teste com validade para medir a inteligência. O teste foi, posteriormente, aperfeiçoado por Binet e Simon (1905). Estes autores, para compreender as causas de reprovação na escola, desenvolveram a ESCALA BINET-SIMON. A Escala Binet-Simon, era constituído por uma série de itens passíveis de escolha em que a porcentagem de respostas corretas tenderia a aumentar com a idade cronológica. Assim, seria possível estabelecer a “idade mental” com base nos resultados colhidos com uma série de indivíduos, constituindo, então, o início do que hoje grande parte da população conhece por Testes de QI (Testes de Quociente de Inteligência). - Segundo Pasquali (2001, p.22), esta orientação de Binet e Simon em elaborar testes de conteúdo mais cognitivo fez grande sucesso nos anos subsequentes, inaugurando de uma vez por todas a era dos testes, inclusive com a INTRODUÇÃO DO Q.I., TERMO CRIADO POR STERN EM 1912. Embora Binet tenha sido o marco dessa época, outros grandes estudiosos foram de extrema importância, tal como Spearman na Inglaterra, que fundamentou a teoria da Psicometria clássica (PASQUALI, 2001). D) CHARLES SPEARMAN E O CONCEITO DE “INTELIGÊNCIA GERAL” Investigou os fatores envolvidos na estrutura da inteligência e na busca por uma definição universalmente aceita. Spearman e a teoria bi-fatorial ou Teoria dos Dois Fatores da inteligência (criada entre as décadas de 1920/30): Para o pesquisador, todas as habilidades humanas são constituídas por um fator G (Inteligência Geral) e um fator específico para cada capacidade. Ambos estão sempre presentes, porém exercem papel diferenciado conforme o tipo de tarefa cognitiva. O fator G representa uma energia subjacente e constante em todas as capacidades, e os fatores específicos configuram os instrumentos através dos quais opera a energia implícita em G. O fator G, portanto, pode ser descrito como uma energia constante e inata, ao contrário dos fatores específicos que seriam educáveis e treináveis. Dessa forma, haveria tantos fatores específicos quantas fossem as habilidades de cada pessoa. Spearman, em 1927 (apud Almeida, 1988), ampliou a teoria propondo a existência de outros fatores que resultariam da combinação de vários fatores específicos, denominados fatores de grupo de segunda ordem oufatores secundários. Considerava, entretanto, que esses fatores seriam raros e abrangeriam um número pouco significativo de atividades cognitivas. Ao postular que a inteligência geral interfere em diferentes graus nas diferentes capacidades, Spearman propiciou explicações consistentes no que tange às diferenças intra e inter individuais - Diferenças observadas no desempenho de diferentes indivíduos (em função da quantidade de G e da quantidade de fatores específicos exigidos para cada atividade). - Diferenças intra - individuais no desempenho de diferentes tarefas (em função da existência de fatores específicos para cada tarefa). SÍNTESE De acordo com Sperarman, a inteligência pode ser explicada por dois fatores: (A) fatores específicos (matemática, línguas, música), identificados pela letra S.; (B) FATOR GERAL (G), que teria uma ligação determinante com as questões hereditárias. Tais aspectos tornam possível explicar por que uma pessoa considerada mais inteligente (fator G acima da média) do que a outra não seja tão capaz em determinadas tarefas ou áreas de atuação. Acrescenta-se que a identificação e classificação do Fator G possibilitou, posteriormente, a construção de testes que mediam a inteligência como um todo. Importante: Thurstone, em 1938, criticou o modelo de inteligência geral evidenciada por Spearman e postulou que a inteligência poderia ser desmembrada em várias capacidades básicas através da análise fatorial. Foi quando criou o Teste de Capacidades Mentais Básicas (Butcher,1974). Ao destacar a estrutura multifatorial da inteligência, Thurstone refutou a existência do fator G. Em 1942, Raymond Cattell, analisando as correlações entre as capacidades primárias de Thurstone e o fator g da teoria bi-fatorial de Spearman, constatou a existência de dois fatores gerais. Alguns anos depois, John Horn confirmou os estudos de Cattell e os fatores gerais passaram a ser designados como "inteligência fluida e cristalizada" (Cattell, 1998). Inteligência fluída: associada a componentes não verbais reflete a rapidez e exatidão do raciocínio abstrato Inteligência cristalizada: associada a conhecimento e vocabulário acumulados, reflete as capacidades exigidas para a solução de problemas cotidianos complexos. E) A ERA DOS TESTES DE INTELIGÊNCIA – 1910/1930 Com a Primeira Guerra Mundial (1916), surgiu a necessidade de realização de testes para convocação para o Exército estadunidense. Foram criadas centenas de testes com o objetivo de medir a inteligência como um todo buscando uma seleção rápida, universal e eficaz. Nesse período também foram criados testes de aptidões e de personalidade. F) DÉCADA DA ANALISE FATORIAL – 1930 Década marcada pelo declínio dos testes de inteligência e a desilusão com a ideia de um fator geral universal (fator G de Spearman) capaz de avaliar um elemento básico geral, que seria universal, independentemente da cultura e do local onde os sujeitos teriam sido criados. Em função do “descontentamento”, ocorreu reconhecido avanço para a Psicometria (especialmente em relação a Análise Fatorial[footnoteRef:4]). [4: Análise fatorial é uma análise multivariada que se aplica à busca de fatores num conjunto de medidas realizadas (Pereira, 2004). Verifique o assunto no capítulo 4 (Livro didático) que aborda o diálogo entre a estatística e a psicometria. ] G) A ERA DA SISTEMATIZAÇÃO – 1940/1980 Para Pasquali (2001, p.24), este foi um período marcado por duas tendências opostas: a primeira buscava sintetizar os avanços da psicometria e a segunda apresentavas críticas em relação à psicometria. Entretanto, ambas apresentavam os mesmos objetivos: resgatar a confiabilidade dos testes psicológicos. - Tendência para sistematizar os avanços da psicometria. Por exemplo: interesse em sistematizar os avanços da Psicometria através dos estudos de Thurstone (1947), Cattell (1965) e Guilford (1967). Na mesma época, a American Psychological Association (APA), introduziu as normas de elaboração e uso dos testes. - Tendência crítica: problematizando problemas teóricos das escalas de medidas. Consequência: iniciou a trajetória para teoria moderna da psicometria, conhecida como TEORIA DE RESPOSTA AO ITEM (buscando superar as dificuldades da psicometria clássica). Outra tendência crítica que surgiu na tentativa de superar as dificuldades da psicometria clássica foi a partir de Sternberg (1977, 1982, 1985), através da psicologia cognitiva e de seus estudos na área da inteligência. (PASQUALI, 2001). H) A ERA DA PSICOMETRIA MODERNA – 1980 - Surgimento da TRI – Teoria de Resposta ao Item –, que foi sistematizada a partir da obra de Lord e Novick (1968). Esta teoria buscou superar os problemas encontradas na Teoria Clássica dos Testes (TCT). - TCT: o foco do interesse está no escore de um teste, que representa um conjunto de comportamentos. TRI: o foco do interesse está no traço latente. Esta teoria tem bases no escore BRUTO DE UM SUJEITO (seu resultado em um teste) que, por ser uma variável abstrata, portanto não observável, corresponde ao que a TRI chama de ESCORE VERDADEIRO, que, por sua vez, REPRESENTA UM TRAÇO LATENTE que pode ser, segundo Urbina (2007), HABILIDADES, TRAÇOS OU CONSTRUTOS PSICOLÓGICOS NÃO OBSERVÁVEIS, SUBJACENTES AO COMPORTAMENTO OBSERVÁVEL DOS INDIVÍDUOS, DEMONSTRADOS POR SUAS RESPOSTAS AOS ITENS DO TESTE. Princípio básico da Teoria de Resposta ao Item O princípio básico da TRI é o de que a PROBABILIDADE DE ACERTO DE UM ITEM DEPENDE DO NÍVEL DE DOMÍNIO DO avaliando em determinada dimensão da personalidade (por exemplo, tipos de raciocínio). Portanto, é esperado que ele acerte os itens cujo grau de dificuldade é menor ou igual ao seu domínio, e erre aqueles com um grau maior. Teoria de Resposta ao Item (TRI): O princípio básico da TRI pode ser comparado às provas de corridas com obstáculos. Se um indivíduo é capaz de pular um obstáculo de 90 cm, é esperado que o mesmo consiga pular um de 60 cm, e não consiga ter sucesso com alturas maiores. A TRI qualifica cada item com base em três parâmetros: - O grau de dificuldade, que é representado na mesma escala do nível de conhecimento; - O poder de discriminação, que é a capacidade do item de distinguir os alunos que têm as habilidades e conhecimentos requisitados daqueles que não as possui; - A possibilidade de acerto ao acaso (popularmente conhecido como ‘chute’). Para Pasquali (2003), concretamente, a TRI está dizendo o seguinte: Você apresenta ao sujeito um estímulo ou uma série de estímulos (tais como itens de um teste) e ele responde aos mesmos. A partir das respostas dadas pelo sujeito, isto é, analisando as suas respostas aos itens especificados, podemos inferir sobre o traço latente do sujeito, hipotetizando relações entre as respostas observadas deste sujeito com o nível do seu traço latente. Estas relações podem ser expressas através de uma equação matemática que descreve a forma de função que estas relações assumem Curiosidade: A TRI é utilizada na avaliação da prova do ENEM. Por exemplo: quando um estudante acerta uma questão considerada ‘difícil’ e erra uma ‘fácil’, a nota dele é impactada negativamente. Portanto, parte do princípio que cada item tem características diferentes e fornece uma quantidade distinta de informação sobre o conhecimento. os valores mínimos e máximos de cada prova dependerão dessas características. As vantagens da TRI em relação à TCT - Melhor avaliação das habilidades dos indivíduos; - Elaboração de diferentes testes para um mesmo exame, com níveis de dificuldade iguais; - Construção de instrumentos de mensuração menores e igualmente confiáveis; - Melhor compreensão do instrumento de mensuração. Vale ressaltar que a TRI não foi criada para substituir a TCT, mas as duas teorias podem ser usadas conjuntamente na criação de instrumentos de mensuração cada vez mais precisos. Texto 6 Procedimentos utilizados em situações de avaliação psicológica com utilização de técnicas padronizadas Os instrumentos técnicos, a exemplo dos testes psicológicos representam a única área de atuação que é privativa dospsicólogos (HUTZ & BANDEIRA, 2003). São de uso exclusivo dos psicólogos que, para gerenciá-los, requer treinamento e conhecimento específicos. Os testes obedecem a uma série de regras para sua aplicação chamada de Padronização da Aplicação dos Testes, que implicam em vários procedimentos, entre os quais destacamos: Administração dos testes na aplicação; Questões relacionadas ao aplicador ou examinador; e Questões específicas que dizem Respeito ao(s) examinado(s) ou testando(s). APLICAÇÃO DOS TESTES Os procedimentos na aplicação dos testes têm como objetivo garantir a sua validade, porque, mesmo dada a sua condição técnica e científica, um teste pode produzir resultados inválidos se for mal aplicado. Assim, o psicólogo deve seguir à risca as instruções e recomendações que explicitam os seus manuais. Sem, entretanto, como dizem Alchieri & Cruz (2003), assumir uma postura estereotipada e rígida. Deve, portanto, adequar a sua postura com base em quatro pilares: - Objetivo da aplicação e modalidade (individual ou grupo). -Procedimentos técnicos e éticos indicados no Manual do teste aplicado - Características da pessoa ou das pessoas que estão sendo avaliadas. - Características do próprio psicólogo. No processo de aplicação levam-se em consideração alguns aspectos indispensáveis para a realização satisfatória dessa atividade: Qualidade do ambiente físico; Qualidade do ambiente psicológico; e Material de testagem. A QUALIDADE DO AMBIENTE FÍSICO Todas as estruturas do ambiente físico devem colocar o testando em favorável disposição de reação. De forma que é preciso considerar as condições do local de trabalho: cadeira, mesa, espaço físico; Atmosféricas: iluminação, temperatura, higiene; De silêncio: isolamento acústico. A QUALIDADE DO AMBIENTE PSICOLÓGICO O psicólogo deve atenuar o nível de ansiedade do(s) examinando(s) a um mínimo possível através do rapport, bem como: a) Verificar se o(s) examinando(s) apresenta(m) alguma dificuldade de saúde e/ou impedimentos relacionados (ALCHIERI & CRUZ, 2003); b) Esclarecer o(s) examinado(s) de modo que ele(s) compreenda(m) exatamente as tarefas a serem executadas; c) Memorizar as instruções e ministrá-las em voz alta e pausada, de uma única vez, e igual para todos (qualquer mudança implica em alteração ou invalidade dos resultados). MATERIAL DE TESTAGEM Todo material que será utilizado no processo de aplicação deve constar em quantidade a mais do número de candidato ou examinando: Quando se trata de material reutilizável verificar se está em perfeito estado (ALCHIERI & CRUZ, 2003); Cadernos de exercício; Folhas de resposta; Papel ofício A4 e lápis específicos conforme o teste (para o H.T.P - teste da casa/árvore/pessoa -, por exemplo, exige-se o grafite no 2). QUESTÕES RELACIONADAS AO APLICADOR OU EXAMINADOR - Das Condições Técnicas do Aplicador Segundo Anastásia e Ordena (2000), muitas das questões sobre o rigor e o valor da avaliação psicológica passam pela atuação do psicólogo que a realiza, assim sendo, exige-se dele que apresente tais condições mínimas: a) Conhecimento atualizado da literatura e de pesquisas disponíveis sobre o comportamento humano e sobre o instrumental psicológico; b) Treinamento específico para o uso dos instrumentos; c) Domínio sobre os critérios estabelecidos para avaliar e interpretar resultados obtidos; d) Capacidade para considerar os resultados obtidos à luz das informações mais amplas sobre o indivíduo, contextualizando-os; e) Seguir as orientações existentes sobre organizações dos laudos finais e, acima de tudo, garantir princípios éticos quanto ao sigilo e à proteção ao(s) indivíduo(s) avaliado(s) (apud PACHECO, 2005). -Modo de Atuação do examinador: O examinador também deve ter cuidados com os itens seguintes: a) Não aceitar pressão quanto ao emprego de determinados instrumentos a fim de reduzir os custos para empresa ou escola, que interfiram na qualidade do trabalho (ALCHIERI & CRUZ, 2003); b) Fazer prevalecer o princípio da isonomia, que consiste em tratar a todos do mesmo modo (remarcar um teste para um candidato, por exemplo, é dar tratamento diferenciado, o que infringe este princípio legal); c) Não responder as questões dos examinandos com maiores detalhes do que os permitidos pelo manual (ALCHIERI & CRUZ, 2003). Ou seja, as dúvidas sobre todas as questões devem ser esclarecidas sem que o aplicador dê indicativo de resposta (este item é mais delicado quando se trata de criança ou pessoa com cuidados especiais); d) Usar um vocabulário apropriado (sem: gíria, jargão psicológico, palavras chulas ou rebuscadas); procurar ter equilíbrio emocional; e evitar interrupções durante a testagem; e) Evitar a familiarização do público com os conteúdos dos testes, o que perderia sua característica avaliativa; assegurar que os testes são utilizados por examinador qualificado; controlar a comercialização dos testes psicológicos; considerar as condições em que foram realizados os testes, quando for apurar e interpretar seus resultados; f) A aparência, nesse tipo de atividade, o aplicador não é livre para usar qualquer roupa, uma vez que esta variável interfere nos resultados. Recomendam-se roupas adequadas, ou seja, formais, discretas, nunca “chamativas” ou sensuais; e o uso moderado de perfume. Tem pessoas muito sensíveis à odores, que podem se sentir incomodadas ao lado ou na mesma sala com a fragrância muito forte de uma outra. Se for uma grávida o incômodo pode ser ainda mais acentuado. - Controle dos Vieses do Aplicador A postura do aplicador pode afetar o processo. Pesquisas conclusivas dão conta de sua grande interferência nos resultados. O psicólogo é um ser humano com seus problemas, etc., como os demais, mas também é um técnico, e por isto mesmo deve estar consciente desta influência, para procurar minimizá-la. Espera-se que tenha adquirido habilidades próprias da profissão, das quais faça uso em situação de testagem, a exemplo, do autoconhecimento mais elaborado que lhe permita conhecer melhor as suas aptidões e limitações. Para sermos psicólogos, Calligaris (2004) diz que: “Não é necessário sermos ‘normais’ nem é preciso estarmos curados de nossas neuroses, mas, antes de tudo, é fundamental lembrar que, entre outros fatores, a arrogância sempre compromete toda e qualquer intervenção do psicólogo”. PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA A UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS PADRONIZADOS DE INVESTIGAÇÃO PSICOLÓGICA: passo a passo Embora já tenham sido delineados os procedimentos básicos que devem ser adotados em situações de aplicação de testes psicológicos, cabe ler na íntegra, as indicações a seguir: ANTES DA APLICAÇÃO Estar seguro do objetivo visado na investigação. Submeter-se previamente ao teste. Estudar o(s) instrumento(s) e familiarizar-se com o manual de instruções. Antecipar as perguntas que poderão ser feitas, preparando as respostas. Verificar se o local para a aplicação apresenta boas condições de iluminação, arejamento, e acomodações para o(s) sujeito(s) e aplicador(es). Providenciar para que a sala não contenha elementos de distração (estímulos estranhos), e que não esteja sujeita a muito ruído e outros fatores de perturbação exterior. A sala deve ser isolada, silenciosa e arrumada com simplicidade e discrição. •Tomar medidas para impedir a interrupção durante a utilização dos instrumentos. Preparar previamente todo o material a ser utilizado, verificando se há em estoque número suficiente de material. Verificar se o material se encontra em perfeitas condições de uso. Separar o material em dobro do número que foi planejado, para se prevenir em relação a imprevistos. Planejar o tempo que será necessário para todo o processo de aplicação. Marcar o horário de aplicação para o período da manhã, de preferência, ou no período da tarde. Evitar marcar à noite. Informar, com antecedência, aos examinados os objetivos da investigação. DURANTE A APLICAÇÃO No dia da aplicação, o aplicador deverá estar em boas condições físicas e psicológicas, e vestido de maneira discreta. Na aplicação coletiva, programar um tempode espera para a chegada dos retardatários. Antes de dar as instruções, realizar o “rapport”. Este tem o objetivo de introduzir o trabalho, adequar o nível de ansiedade frente à atividade, e permitir a observação do estado físico e psicológico do(s) examinando(s). Verificar se os examinandos estão suficientemente motivados e informados do objetivo da investigação. Aplicar o teste de maneira calma e objetiva. Seguir rigorosamente as instruções de aplicação, porém assumindo uma postura afável e simpática. Não tentar dar as instruções completamente de memória. Ter sempre à mão as instruções escritas para caso de dúvida. Ler as instruções clara e pausadamente, tomando o cuidado para que todos possam compreender exatamente o que se pede. Não iniciar a testagem sem que todos tenham completado os exemplos incluídos no teste, e dar a cada sujeito a oportunidade de responder à um exemplo sem ajuda do aplicador. Dentro dos limites permitidos pelo manual de instruções, esclarecer os pontos principais pôr meio de esboços ou diagramas num quadro. Somente iniciar a testagem estando seguro que todos compreenderam exatamente o que devem fazer. Evitar conversar com qualquer pessoa que esteja participando da aplicação ou com aquela pessoa (estagiário ou outro psicólogo) que está auxiliando na aplicação. . Andar silenciosamente pela sala para poder substituir lápis sem ponta e responder às perguntas permitidas, caso necessário. Não sair da sala de aplicação por qualquer motivo, mesmo durante aplicações demoradas. Não olhar para o teste de alguém por período de tempo prolongado. Utilizar para cada instrumento o limite de tempo exato determinado pelo autor. No caso de um teste de duração longa (acima de 15 minutos), escrever no quadro a hora do término (aplicação coletiva). Ao término, recolher prontamente os testes. No caso de instrumentos não perecíveis, recolher primeiramente as folhas de respostas. Na aplicação coletiva, utilizar o processo “bola de neve” para a distribuição e recolhimento dos testes. Verificar o preenchimento correto dos cabeçalhos. A aplicação de testes em crianças deverá ser realizada individualmente e as tarefas devem ser apresentadas como um jogo ou brinquedo, de maneira a despertar curiosidade. APÓS A APLICAÇÃO Agradecer a participação e a colaboração, combinar dia e horário do próximo encontro e/ou retorno do processo para o examinando. Arrumar os cadernos de testes (ou folhas de respostas) em envelopes com todas as informações necessárias escritas: nome do teste, nome do aplicador, data de realização, grupo a que foi aplicado, observações, etc. No caso de aplicação coletiva, elaborar um relatório com informações e/ou ocorrências da aplicação, que julgue de importância. Verificar se os cadernos de itens estão em perfeito estado, para uso posterior. No caso de aplicação individual, anotar tudo que considerar relevante quanto ao comportamento expresso pelo sujeito durante a aplicação. QUESTÕES ESPECÍFICAS QUE DIZEM RESPEITO AO(S) EXAMINADO(S) OU TESTANDO(S) - Os Direitos dos avaliandos: Esses direitos são norteados pelos comitês de ética do Conselho Federal, dos Conselhos Regionais, assim como por associações de psicologia, tanto nacionais quanto internacionais. Entre os direitos instituídos, destacamos: a) Consentimento dos avaliandos ou de seus representantes legais, antes da realização da testagem. As exceções a esta regra são: Testagem por determinação legal (perícia) ou governamental (testagem nacional); Testagem como parte de atividades escolares regulares; Testagem de seleção; b) Testagem em escolares e aconselhamento, os sujeitos têm o direito a explicações em linguagem que eles compreendam sobre os resultados que os testes irão produzir e das recomendações que deles decorram; c) Testagem em escolas, clínicas, quando os escores são utilizados para tomar decisões que afetam os testandos, estes ou seus representantes legais têm o direito de conhecer seu escore e sua interpretação. d) testagem quando existe uma legislação específica (por exemplo: para candidatos à carteira de habilitação para dirigir veículos, os avaliando têm direito de conhecer seu escore e/ou de compreender os fatores que levaram a uma não indicação. - Sigilo e Divulgação dos Resultados O candidato (empresa), paciente (clínica), orientando (clínica e escola) que submetem aos testes tem o direito a toda e qualquer informação que desejar. O solicitante da testagem, dono da empresa, no caso da seleção ou juiz, no caso pericial (mas, essas informações serão estritamente relacionadas ao motivo da solicitação). O sigilo e a segurança dos resultados dos testes devem seguir as normas seguintes: a) Os arquivos devem ser seguros, de modo que ninguém possa ter acesso a um dado sem a autorização do profissional responsável; b) O código de ética do psicólogo diz: É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional (Art. 9º, 2005, p.13). - Sobre a guarda e descarte de documentos e/ou testes utilizados em situação da avaliação psicológica ou de atendimento. A resolução CFP nº 007/2003, que institui o manual de elaboração de documentos escritos, determina que esses materiais (impressos e digitalizados) devem ser guardados pelo prazo mínimo de 5 anos, observando-se a responsabilidade por eles tanto do psicólogo quanto da instituição em que ocorreu a avaliação psicológica. Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por determinação judicial, ou ainda em casos específicos em que seja necessária a manutenção da guarda por maior tempo. Em caso de extinção de serviço psicológico, o destino dos documentos deverá seguir as orientações definidas no Código de Ética do Psicólogo. Após o prazo determinado de guarda, é preciso que o psicólogo destrua completamente o material, de forma que não seja possível a leitura ou visualização. A aquisição de testes Somente psicólogos ou alunos de psicologia com autorização de um psicólogo podem adquirir testes. Nas mãos de pessoas sem treinamento, podem causar danos, por erro na administração. Ser psicólogo ou especialista em seleção de pessoal não qualifica o profissional para manusear os testes. Os testes devem ser escolhidos adequadamente para o seu fim. Devemos reconhecer as limitações dos seus resultados. Trabalhar sempre de acordo com o manual de instrução: para qual população, idade, individual ou coletivo, tempo, etc... A avaliação dos escores deve ser feita através das tabelas estatísticas apresentadas no respectivo manual do teste. PARA FINALIZAR CABE REAFIRMAR A IMPORTÂNCIA DE VOCÊ CONSULTAR O SATEPSI. No SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) estão registrados os testes psicológicos privativos do psicólogo e aqueles que podem ser utilizados. É importante consultar constantemente o referido site para confirmar se o teste atende aos requisitos exigidos pelo Conselho Federal de Psicologia. -O SATEPSI, instituído em 2003, foi desenvolvido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) com o objetivo de avaliar a qualidade técnico-científica de instrumentos psicológicos para uso profissional, a partir da verificação objetiva de um conjunto de requisitos técnicos e divulgar informações sobre os testes psicológicos à comunidade e às(aos) psicólogas(os). TEXTO 7 Elaboração de documentos escritos produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional (Síntese) RESOLUÇÃO nº 6, DE 29 DE MARÇO DE 2019 - Toda e qualquer comunicação por escrito decorrente de avaliação psicológica deverá seguir as orientações disposta no Manual; caso contrário, o psicólogo incorrerá em falta ético disciplinar. 1. Princípios fundamentais na elaboração de documentos psicológicos: técnicos e éticos O documento psicológico constitui instrumento de comunicação escrita resultante da prestação de serviço psicológico à pessoa, grupo ou instituição. § 1º A confecção do documento psicológico deve ser realizada mediantesolicitação do usuário do serviço de Psicologia, de seus responsáveis legais, de um profissional específico, das equipes multidisciplinares ou das autoridades, ou ser resultado de um processo de avaliação psicológica. § 2º O documento psicológico sistematiza uma conduta profissional na relação direta de um serviço prestado à pessoa, grupo ou instituição. § 3º A(o) psicóloga(o) deverá adotar, como princípios fundamentais na elaboração de seus documentos, as técnicas da linguagem escrita formal (conforme artigo 6º desta Resolução) e os princípios éticos, técnicos e científicos da profissão (conforme artigos 5º e 7º desta Resolução). § 4º De acordo com os deveres fundamentais previstos no Código de Ética Profissional do Psicólogo, na prestação de serviços psicológicos, os envolvidos no processo possuem o direito de receber informações sobre os objetivos e resultados do serviço prestado, bem como ter acesso ao documento produzido pela atividade da(o) psicóloga(o). Princípios técnicos da linguagem escrita: - Redação bem estruturada e definida, expressando o que se quer comunicar. Ordenação que possibilite a compreensão por quem o lê, o que é fornecido pela estrutura, composição de parágrafos ou frases, além da correção gramatical, a clareza, a concisão e a harmonia. Princípios éticos e técnicos - As informações terão como base a observância dos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Cuidados em relação aos deveres do psicólogo: Nas suas relações com a pessoa atendida •ao sigilo profissional • às relações com a organização que demandou a avaliação e ao alcance das informações identificando riscos e compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão de relações de poder. Com base nos princípios fundamentais expostos no Código de Ética Profissional do Psicólogo, cabe lembrar que: I- O psicólogo baseará seu trabalho no respeito à dignidade e integridade do ser humano. Art. 1º - São deveres fundamentais do psicólogo: c) prestar serviços psicológicos em condições de trabalho eficientes, de acordo com os princípios e técnicas reconhecidas pela ciência, pela prática e pela ética profissional. Art. 2º - Ao psicólogo é vedado: m) adulterar resultados, fazer declarações falsas e dar atestado sem a devida fundamentação técnico-científica. - A linguagem deve restringir-se pontualmente às informações que se fizerem necessárias, recusando-se considerações que não tenham relação com a finalidade do documento específico; •Deve-se rubricar as laudas, desde a primeira até a penúltima, considerando que a última deverá ser assinada, em toda e qualquer modalidade de documento. PRINCÍPIOS NORTEADORES: quadro síntese LINGUAGEM ESCRITA PRINCÍPIOS TÉCNICOS E ÉTICOS Redação bem estruturada e definida. ISTO SIGNIFICA: Utilizar uma linguagem que objetive clareza, concisão e harmonia. A linguagem deve restringir-se pontualmente às informações que se fizerem necessárias. 2. Modalidades de documentos Constituem Modalidades de Documentos Psicológicos: Declaração. Atestado Psicológico. Relatório: (a) Psicológico e (b) Multiprofissional. Laudo Psicológico. Parecer Psicológico A Declaração, o Relatório (psicológico e multiprofissional) e o Parecer Psicológico não são documentos decorrentes da avaliação Psicológica. 3. Conceito, finalidade e estrutura de cada documento DECLARAÇÃO (conceito, finalidade e estrutura) Consiste em um documento escrito que tem por finalidade registrar, de forma objetiva e sucinta, informações sobre a prestação de serviço realizado ou em realização, abrangendo as seguintes informações: Comparecimento da pessoa atendida e seu acompanhante. •• Acompanhamento psicológico realizado ou em realização. •• Informações sobre tempo de acompanhamento, dias e horários. Importante: É vedado o registro de sintomas, situações ou estados psicológicos na Declaração. Estrutura: A declaração deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo em forma de itens ou texto corrido: I - Título: "Declaração". II - Expor no texto: a) Nome da pessoa atendida: identificação do nome completo ou nome social completo; b) Finalidade: descrição da razão ou motivo do documento; c) Informações sobre local, dias, horários e duração do acompanhamento psicológico. III - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional e assinatura. COMENTÁRIO[footnoteRef:5] sobre o item finalidade do documento -> É por meio desta finalidade que a(o) psicologo(a) se resguarda em relação ao uso dado ao documento depois de sua entrega. [5: Extraído de: RESOLUÇÃO CFP 06/2019 COMENTADA. CFP, 2019. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n-06-2019-comentada.pdf. Destaca-se que todos os itens com o título Comentário foram extraídos desta fonte. ] ATESTADO PSICÓLÓGICO (conceito, finalidade e estrutura) Conceito e finalidade: O Atestado Psicólogo consiste em um documento que certifica, com fundamento em um diagnóstico psicológico, uma determinada situação, estado ou funcionamento psicológico, com a finalidade de afirmar as condições psicológicas de quem, por requerimento, o solicita. § 1º O atestado presta-se também a comunicar o diagnóstico de condições mentais que incapacitem a pessoa atendida, com fins de: I - Justificar faltas e impedimentos. •• II - Justificar estar apto ou não para atividades específicas (manusear arma de fogo, dirigir veículo motorizado no trânsito, assumir cargo público ou privado, entre outros), após realização de um processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético que subscrevem a Resolução CFP nº 09/2018 e a presente, ou outras que venham a alterá-las ou substituí-las. •• III - Solicitar afastamento e/ou dispensa, subsidiada na afirmação atestada do fato. Diferentemente da declaração, o atestado psicológico resulta de uma avaliação psicológica. É responsabilidade da(o) psicóloga(o) atestar somente o que foi verificado no processo de avaliação e que esteja dentro do âmbito de sua competência profissional. § 4º Os Conselhos Regionais podem, no prazo de até cinco anos, solicitar à(ao) psicóloga(o) a apresentação da fundamentação técnico-científica do atestado. Estrutura: A formulação desse documento deve restringir-se à informação solicitada, contendo expressamente o fato constatado. I - As informações deverão estar registradas em texto corrido, separadas apenas pela pontuação, sem parágrafos, evitando, com isso, riscos de adulteração. •• II - No caso em que seja necessária a utilização de parágrafos, a(o) psicóloga(o) deverá preencher esses espaços com traços. - O atestado psicológico deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo: I - Título: "Atestado Psicológico". • II - Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, outras informações sócio-demográficas. • III - Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. • Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. • Descrição das condições psicológicas do beneficiário do serviço psicológico advindas do raciocínio psicológico ou processo de avaliação psicológica realizado, respondendo a finalidade deste. Quando justificadamente necessário, fica facultado à(ao) psicóloga(o) o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) ou outras Classificações de diagnóstico, científica e socialmente reconhecidas, como fonte para enquadramento de diagnóstico. • O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo da(do) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional, com todas as laudas numeradas,rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página. É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final do atestado psicológico, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso e que se trata de documento extrajudicial. COMENTÁRIO: Nos processos de avaliação psicológica compulsória, o documento a ser emitido pela(o) psicóloga(o) deverá ser o atestado psicológico. Contudo, quando solicitado, a(o) psicóloga(o), além do atestado psicológico pode emitir também um laudo psicológico. Vale ressaltar que o documento atestado psicológico indica a necessidade de afastamento e/ou dispensa da pessoa baseado na avaliação de aspectos psicológicos. Contudo, cabe observar aspectos legais relativos a esse afastamento e/ou dispensa. Por exemplo, nos casos em que a(o) psicóloga(o) perceba a necessidade de afastamento laboral da pessoa atendida por um período superior a quinze dias, a orientação, de acordo com a legislação brasileira, é encaminhar a pessoa atendida ao INSS. A(o) psicóloga(o) deve manter em seus arquivos uma cópia dos atestados psicológicos emitidos, junto a todo o material resultante do processo avaliativo, protocolado com data, local e assinatura de quem recebeu o documento, para fins de comprovação e fiscalização. RELATÓRIO PSICOLÓGICO (conceito, finalidade e estrutura) O relatório psicológico consiste em um documento que, por meio de uma exposição escrita, descritiva e circunstanciada, considera os condicionantes históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendida, podendo também ter caráter informativo. Visa a comunicar a atuação profissional da(o) psicóloga(o) em diferentes processos de trabalho já desenvolvidos ou em desenvolvimento, podendo gerar orientações, recomendações, encaminhamentos e intervenções pertinentes à situação descrita no documento, não tendo como finalidade produzir diagnóstico psicológico. O relatório psicológico é uma peça de natureza e valor técnico-científico, devendo conter narrativa detalhada e didática, com precisão e harmonia. A linguagem utilizada deve ser acessível e compreensível ao destinatário, respeitando os preceitos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. •• O relatório psicológico não corresponde à descrição literal das sessões, atendimento ou acolhimento realizado, salvo quando tal descrição se justifique tecnicamente. Este deve explicitar a demanda, os procedimentos e o raciocínio técnico-científico da(o) profissional, bem como suas conclusões e/ou recomendações. Estrutura: composta por 5 itens: a) Identificação; b) Descrição da demanda; c) Procedimento; d) Análise; e) Conclusão. ITENS DO RELATÓRIO PSICOLÓGICO Identificação: I. Título: Relatório Psicológico. • II - Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, outras informações sociodemográficas. • III- Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. •IV - Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. •V- Nome da(o) autora(or): identificação do nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o) responsável pela construção do documento, com a respectiva inscrição no Conselho Regional de Psicologia. Descrição da demanda: Neste item, a(o) autora(or) do documento, deve descrever as informações sobre o que motivou a busca pelo processo de trabalho prestado, indicando quem forneceu as informações e as demandas que levaram à solicitação do documento. • A descrição da demanda constitui requisito indispensável e deverá apresentar o raciocínio técnico-científico que justificará procedimentos utilizados, conforme item procedimento, descrito a seguir. Procedimento: deverá ser apresentado o raciocínio técnico-científico que justifica o processo de trabalho utilizado na prestação do serviço psicológico e os recursos técnico-científicos utilizados, especificando o referencial teórico metodológico que fundamentou suas análises, interpretações e conclusões. • Cumpre, à(ao) psicóloga(o) autora(or) do relatório, citar as pessoas ouvidas no processo de trabalho desenvolvido, as informações objetivas, o número de encontros e o tempo de duração do processo realizado. •Os procedimentos adotados devem ser pertinentes à complexidade do que está sendo demandado. Análise: Neste item devem constar, de forma descritiva, narrativa e analítica, as principais características e evolução do trabalho realizado, baseando-se em um pensamento sistêmico sobre os dados colhidos e as situações relacionadas à demanda que envolve o processo de atendimento ou acolhimento, sem que isso corresponda a uma descrição literal das sessões, atendimento ou acolhimento, salvo quando tal descrição se justificar tecnicamente. I - A análise deve apresentar fundamentação teórica e técnica. •II - Somente deve ser relatado o que for necessário para responder a demanda, tal qual disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo. • III - É vedado à(ao) psicóloga(o) fazer constar no documento afirmações de qualquer ordem sem identificação da fonte de informação ou sem a devida sustentação em fatos e/ou teorias. • IV - A linguagem deve ser objetiva e precisa, especialmente quando se referir a informações de natureza subjetiva. Conclusão: A(o) psicóloga(o) autora(or) do relatório deve descrever suas conclusões, a partir do que foi relatado na análise, considerando a natureza dinâmica e não cristalizada do seu objeto de estudo. I - Na conclusão pode constar encaminhamento, orientação e sugestão de continuidade do atendimento ou acolhimento. • II - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página. •III - É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final do relatório, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que não se responsabiliza pelo uso dado ao relatório por parte da pessoa, grupo ou instituição, após a sua entrega em entrevista devolutiva. Comentário: o Relatório Psicológico poderá abranger finalidades diversas a depender do contexto de solicitação. Podem ser elaborados Relatórios Psicológicos decorrentes de visitas domiciliares, para fins de encaminhamento, sobre um único atendimento — como em situações de orientação ou de acolhimento nos serviços — para prestar informações de referência e de contrarreferência; para subsidiar atividades de outros profissionais, entre outras situações que já ocorrem no exercício profissional, desde que constitua instrumento de comunicação escrita resultante da prestação de serviço psicológico à pessoa, grupo ou instituição, Importante distinguir o Relatório Psicológico de outros documentos informativos que sejam de caráter administrativo ou protocolares, tais como Relatórios de Atividades ou relatos em ofícios, que são documentos frequentemente assinados por psicólogas(os), especialmente em serviços públicos, mas que não são elaborados com fim de relatar o atendimento psicológico realizado. O Relatório Psicológico refere-se a contextos e solicitações diversas, entre os quais poderíamos mencionar encaminhamentos, relatos de estudo de caso, relatórios de visita domiciliar, relatórios para solicitação de ampliação de número de sessões para planos de saúde. RELATÓRIO MULTIPROFISSIONAL (conceito, finalidade e estrutura) O relatório multiprofissional é resultante da atuação da(o) psicóloga(o) em contexto multiprofissional, podendo ser produzido em conjunto com profissionais de outras áreas, preservando-se a autonomiae a ética profissional dos envolvidos. • I - A(o) psicóloga(o) deve observar as mesmas características do relatório psicológico. • II - As informações para o cumprimento dos objetivos da atuação multiprofissional devem ser registradas no relatório, em conformidade com o que institui o Código de Ética Profissional do Psicólogo em relação ao sigilo. Estrutura: composta de 5 (cinco) itens: Identificação. Descrição da demanda. Procedimento. Análise. Conclusão. ITENS DO RELATÓRIO MULTIPROFISSIONAL Identificação: Neste item, a(o) psicóloga(o) deve fazer constar no documento: I - Título: "Relatório Multiprofissional". II - Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, outras informações sócio-demográficas. III - Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. IV - Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. V - Nome das autoras(res): identificação do nome completo ou nome social completo das(os) profissionais responsáveis pela construção do documento, com indicação de sua categoria profissional e o respectivo registro em órgão de classe, quando houver. Descrição da demanda: Neste item, a(o) psicóloga(o), autora(or) do documento, deve descrever as informações sobre o que motivou a busca pelo processo de trabalho multiprofissional, indicando quem forneceu as informações e as demandas que levaram à solicitação do documento. I - A descrição da demanda constitui requisito indispensável e deverá apresentar o raciocínio técnico-científico que justificará procedimentos utilizados pela(o) psicóloga(o) e/ou pela equipe multiprofissional, conforme o parágrafo 4º deste artigo. Procedimento: Devem ser apresentados o raciocínio técnico-científico, que justifica o processo de trabalho realizado pela(o) psicóloga(o) e/ou pela equipe multiprofissional, e todos os procedimentos realizados pela(o) psicóloga(o), especificando o referencial teórico que fundamentou suas análises e interpretações.• A descrição dos procedimentos e/ou técnicas privativas da Psicologia deve vir separada das descritas pelos demais profissionais. Análise: Neste item orienta-se que cada profissional faça sua análise separadamente, identificando, com subtítulo, o nome e a categoria profissional. • A(o) psicóloga(o) deve seguir as orientações que constam no item Análise do Relatório Psicológico. • I - O relatório multiprofissional não isento a(o) psicóloga(o) de realizar o registro documental, conforme Resolução CFP nº 01/2009 ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la. Conclusão: A conclusão do relatório multiprofissional pode ser realizada em conjunto, principalmente nos casos em que se trate de um processo de trabalho interdisciplinar. •A(o) psicóloga(o) deve elaborar a conclusão a partir do relatado na análise, considerando a natureza dinâmica e não cristalizada do seu objeto de estudo, podendo constar encaminhamento, orientação e sugestão de continuidade do atendimento ou acolhimento. • I - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo dos profissionais, e os números de inscrição na sua categoria profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página. • É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final do relatório multiprofissional, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que não se responsabiliza pelo uso dado ao relatório multiprofissional por parte da pessoa, grupo ou instituição, após a sua entrega em entrevista devolutiva. Comentário: Na atuação profissional, especialmente nas áreas da saúde, da assistência social e do judiciário, tem se consolidado a nomenclatura “Relatório Psicossocial”; porém, com a variedade de contextos e de composição das equipes, a elaboração de relatórios com esta denominação abarca organização textual e referenciais de intervenção e de argumentação técnica muito variados. A Resolução acolhe essa diversidade e não define qualquer impedimento para que seja utilizada essa denominação. Da mesma forma, como define-se na modalidade de Relatório Psicológico, o documento deve conter como título “Relatório Multiprofissional”. Contudo, pode receber subtítulos diversos e variar em sua organização textual, a depender do serviço, da demanda e da solicitação, resguardando a necessidade de constar as informações especificadas na presente Resolução. Desta forma, o Relatório Multiprofissional pode referir-se a Relatório Informativo, Relatório de Encaminhamento, entre outras, inclusive, podendo ser fruto de uma única intervenção/atendimento – nos casos, por exemplo, de visitas domiciliares, atendimentos para orientação ou de acolhimento, estudos de caso, mediação de conflitos, participação em grupos, procedimentos de saúde realizados em equipe, entre outros. Importante ressaltar o dever de assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente (Código de Ética Profissional, artigo 1.º, b), considerando-se que as demandas em equipes multiprofissionais possam gerar solicitações que extrapolem as atribuições da psicologia ou que excedam a possibilidade de observação e análise a partir dos procedimentos realizados, ou ainda, que não sejam pertinentes aos referenciais técnicos da(o) profissional. LAUDO PSICOLÓGICO (conceito, finalidade e estrutura) O laudo psicológico é o resultado de um processo de avaliação psicológica, com finalidade de subsidiar decisões relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda. Apresenta informações técnicas e científicas dos fenômenos psicológicos, considerando os condicionantes históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendida. I - O laudo psicológico é uma peça de natureza e valor técnico-científico. Deve conter narrativa detalhada e didática, com precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário, em conformidade com os preceitos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. II [...]. III - Deve considerar a demanda, os procedimentos e o raciocínio técnico-científico da profissional, fundamentado teórica e tecnicamente, bem como suas conclusões e recomendações, considerando a natureza dinâmica e não cristalizada do seu objeto de estudo. IV - O laudo psicológico deve apresentar os procedimentos e conclusões gerados pelo processo de avaliação psicológica, limitando-se a fornecer as informações necessárias e relacionadas à demanda e relatar: o encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico, a hipótese diagnóstica, a evolução do caso, orientação e/ou sugestão de projeto terapêutico. V - Nos casos em que a(o) psicóloga(o) atue em equipes multiprofissionais, e havendo solicitação de um documento decorrente da avaliação, o laudo psicológico ou informações decorrentes da avaliação psicológica poderão compor um documento único. VI - Na hipótese do inciso anterior, é indispensável que a(o) psicóloga(o) registre informações necessárias ao cumprimento dos objetivos da atuação multiprofissional, resguardando o caráter do documento como registro e a forma de avaliação em equipe. VII - Deve-se considerar o sigilo profissional na elaboração do laudo psicológico em conjunto com equipe multiprofissional, conforme estabelece o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Estrutura: é composto de 6 (seis) itens: a) Identificação; b) Descrição da demanda; c) Procedimento; d) Análise; e) Conclusão; f) Referências. ITENS DO LAUDO PSICOLÓGICO Identificação: Neste item, a(o) psicóloga(o) deve fazer constar no documento -> I - Título: "Laudo Psicológico". • II - Nome da pessoa ou instituição atendida: identificaçãodo nome completo ou nome social completo e, quando necessário, outras informações sociodemográficas. •III - Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. •IV - Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. •V - Nome da(o) autora(or): identificação do nome completo ou nome social completo da(do) psicóloga(o) responsável pela construção do documento, com a respectiva inscrição no Conselho Regional de Psicologia. Descrição da demanda: Neste item, a(o) psicóloga(o), autora(or) do documento, deve descrever as informações sobre o que motivou a busca pelo processo de trabalho prestado, indicando quem forneceu as informações e as demandas que levaram à solicitação do documento. • I - A descrição da demanda constitui requisito indispensável e deverá apresentar o raciocínio técnico-científico que justificará procedimentos utilizados, conforme o parágrafo 4º deste artigo. Procedimento: Neste item, a(o) psicóloga(o) autora(or) do laudo deve apresentar o raciocínio técnico-científico que justifica o processo de trabalho realizado pela(o) psicóloga(o) e os recursos técnico-científicos utilizados no processo de avaliação psicológica, especificando o referencial teórico metodológico que fundamentou suas análises, interpretações e conclusões. • I - Cumpre, à(ao) autora(or) do laudo, citar as pessoas ouvidas no processo de trabalho desenvolvido, as informações objetivas, o número de encontros e o tempo de duração do processo realizado. • II - Os procedimentos adotados devem ser pertinentes à complexidade do que esta´ sendo demandado e a(o) psicóloga(o) deve atender à Resolução CFP nº 09/2018, ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la. Análise: Nessa parte do documento, a(o) psicóloga(o) deve fazer uma exposição descritiva, metódica, objetiva e coerente com os dados colhidos e situações relacionadas à demanda em sua complexidade considerando a natureza dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. •I - A análise não deve apresentar descrições literais das sessões ou atendimentos realizados, salvo quando tais descrições se justifiquem tecnicamente. •II - Nessa exposição, deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado, bem como os princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações. Somente deve ser relatado o que for necessário para responder a demanda, tal qual disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo. •III - A(o) psicóloga(o) não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos ou teorias, devendo ter linguagem objetiva e precisa, especialmente quando se referir a dados de natureza subjetiva. Conclusão: Neste item, a(o) psicóloga(o) autora(or) do laudo deve descrever suas conclusões a partir do que foi relatado na análise, considerando a natureza dinâmica e não cristalizada do seu objeto de estudo. • I - Na conclusão indicam-se os encaminhamentos e intervenções, diagnóstico, prognóstico e hipótese diagnóstica, evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto terapêutico. •II - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página. • III - É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final do laudo, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que não se responsabiliza pelo uso dado ao laudo por parte da pessoa, grupo ou instituição, após a sua entrega em entrevista devolutiva. Referências: Na elaboração de laudos, é obrigatória a informação das fontes científicas ou referências bibliográficas utilizadas, em nota de rodapé, preferencialmente. Comentários: Destaca-se o caráter específico do laudo psicológico, diferenciando-o do relatório psicológico. O laudo é fruto de um processo de avaliação psicológica diante de uma demanda específica e deve apresentar os itens descritos com destaque para o procedimento conduzido, a análise realizada e a conclusão gerada a partir desse processo de avaliação. Em contrapartida, o relatório não envolve um processo de avaliação psicológica. O título "Laudo Psicológico" deve ser usado independentemente da orientação ou especificidade teórico-metodológica do processo. Se quiser, o(a) psicólogo(a) poderá colocar um subtítulo especificando o processo, por exemplo, "Laudo Psicológico – Avaliação neuropsicológica”. A hipótese diagnóstica ou o diagnóstico devem ter base técnica-científica. A critério da(o) psicóloga(o), poderão ser usados documentos classificatórios mundialmente reconhecidos na área da saúde mental, tais como a Classificação Internacional das Doenças (CID) ou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) em suas edições mais atuais, bem como outras teorias reconhecidas na psicologia, desde que devidamente referenciadas. A citação de referências é obrigatória no Laudo Psicológico. Orienta-se que sejam colocadas em notas de rodapé a fim de que o documento seja finalizado com a data e assinatura do profissional. Não deve ser colocada em folha a parte, pois esta poderia ser destacada do conjunto do documento, o que o tornaria incompleto. Destaca-se que as referências, além de descritas em nota de rodapé, devem ser citadas ao longo do texto como usual em materiais técnico-científicos. Por exemplo, ao nomear um instrumento de avaliação usado, apresentar no texto a citação do manual com sobrenomes e data e, no local apropriado (nota de rodapé), apresentar a citação completa. O laudo psicológico deve apresentar todos os itens da estrutura identificados separadamente. Em Procedimento, é necessário explicitar os recursos usados, as fontes fundamentais e complementares usadas, segundo a Resolução CFP n.º 09/2018, com citação de sua base técnica-científica e uso de referências. A hipótese diagnóstica ou o diagnóstico devem ter base técnica-científica. A critério da(o) psicóloga(o), poderão ser usados documentos classificatórios mundialmente reconhecidos na área da saúde mental, tais como a Classificação Internacional das Doenças (CID) ou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) em suas edições mais atuais, bem como outras teorias reconhecidas na psicologia, desde que devidamente referenciadas. A citação de referências é obrigatória no Laudo Psicológico. Orienta-se que sejam colocadas em notas de rodapé a fim de que o documento seja finalizado com a data e assinatura do profissional. Não deve ser colocada em folha a parte, pois esta poderia ser destacada do conjunto do documento, o que o tornaria incompleto. Destaca-se que as referências, além de descritas em nota de rodapé, devem ser citadas ao longo do texto como usual em materiais técnico-científicos. Por exemplo, ao nomear um instrumento de avaliação usado, apresentar no texto a citação do manual com sobrenomes e data e, no local apropriado (nota de rodapé), apresentar a citação completa. PARECER (Conceito, finalidade e estrutura) O parecer psicológico é um pronunciamento por escrito, que tem como finalidade apresentar uma análise técnica, respondendo a uma questão-problema do campo psicológico ou a documentos psicológicos questionados. I - O parecer psicológico visa a dirimir dúvidas de uma questão-problema ou documento psicológico que estão interferindo na decisão do solicitante, sendo, portanto, uma resposta a uma consulta. • II - A elaboração de parecer psicológico exige, da(o) psicóloga(o), conhecimento específico e competência no assunto. • III - O resultado do parecer psicológico pode ser indicativo ou conclusivo. • IV - O parecer psicológico não é um documento resultante do processode avaliação psicológica ou de intervenção psicológica. Estrutura: é composto de 5 (cinco) itens: a) Identificação; b) Descrição da demanda; c) Análise; d) Conclusão; e) Referências. ITENS DO PARECER PSICOLÓGICO Identificação: Neste item, a(o) psicóloga(o) deve fazer constar no documento I - Título: "Parecer Psicológico". • II - Nome da pessoa ou instituição objeto do questionamento (ou do parecer): identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, outras informações sócio-demográficas da pessoa ou instituição cuja dúvida ou questionamento se refere• III - Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou outros interessados. • IV - Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. • V - Nome da(o) autora(or): identificação do nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o) responsável pela construção do documento, com a respectiva inscrição no Conselho Regional de Psicologia e titulação que comprove o conhecimento específico e competência no assunto. Descrição da Demanda: Destina-se à transcrição do objetivo da consulta ou demanda. • Deve-se apresentar as informações referentes à demanda e finalidades do parecer. • I - A descrição da demanda deve justificar a análise realizada. Análise: A discussão da questão específica do Parecer Psicológico se constitui na análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos fundamentos éticos, técnicos e/ou conceituais da Psicologia, bem como nas normativas vigentes que regulam e orientam o exercício profissional. Conclusão: Neste item, a(o) psicóloga(o) apresenta seu posicionamento sobre a questão-problema ou documentos psicológicos questionados. • I - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo ou nome social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página. • II - É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final do parecer, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que não se responsabiliza pelo uso dado ao parecer por parte da pessoa, grupo ou instituição, após a sua entrega ao beneficiário, responsável legal e/ou solicitante do serviço prestado. Referências: Na elaboração de pareceres psicológicos, é obrigatória a informação das fontes científicas ou referências bibliográficas utilizadas, em nota de rodapé, preferencialmente. Comentário: O Parecer Psicológico é um documento em que a(o) parecerista emite o seu ponto de vista fundamentado cientificamente sobre uma questão solicitada que está relacionada ao âmbito da Psicologia e, portanto, não é decorrente de avaliação ou intervenção psicológica realizada pela parecerista. • O parecer pode ser unicamente teórico, fruto do conhecimento científico da profissional acerca de um tema (questão específica ou ampla). Exemplo de situações onde se aplica a emissão de um parecer são: quando alguém solicita um parecer sobre se “o teste de Rorschach é confiável e válido para o seu uso no contexto jurídico”. Neste caso, o parecerista, especialista na área, irá emitir um parecer demonstrando cientificamente como o teste Rorschach é adequado para avaliação neste caso e contexto específico. Quando há a solicitação de apreciação de um documento produzido por outra(o) psicóloga(o). Por exemplo, em situações de perícias psicológicas em que é solicitado à(ao) psicóloga(o) assistente técnica(o) de uma das partes um parecer acerca do Laudo Psicológico elaborado pela perita nomeada pelo juiz. Neste caso, a análise do documento é feita, avaliando se o documento atende os preceitos científicos, técnicos e éticos da Psicologia. Assim, a(o) assistente poderia, com base em estudos científicos, questionar resultados de testes(ou de outrastécnicas) aplicados pela(o) perita(o), fazer objeções aos seus diagnósticos e conclusões, como também apoiá-los, sempre fundamentando-se na ciência, na técnica e normativas da Psicologia. A construção do parecer precisa ser bem fundamentada, de forma que as contestações ou ratificações apontadas no documento analisado fiquem explícitas. Por isso, esse tipo de documento demanda uma expertise. Como nos demais documentos produzidos pela(o) psicóloga(o), as referências devem ser colocadas preferencialmente em nota de rodapé pois, por se tratar de um documento, é aconselhável que este termine com a data e assinatura de quem o emite. Guarda dos Documentos e Condições de guarda Os documentos escritos decorrentes da prestação de serviços psicológicos, bem como todo o material que os fundamentaram, sejam eles em forma física ou digital, deverão ser guardados pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, conforme Resolução CFP nº 01/2009 ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la. • A responsabilidade pela guarda do material cabe à(ao) psicóloga(o), em conjunto com a instituição em que ocorreu a prestação dos serviços profissionais. •Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por determinação judicial, ou em casos específicos em que as circunstâncias determinem que seja necessária a manutenção da guarda por maior tempo. • No caso de interrupção do trabalho da(do) psicóloga(o), por quaisquer motivos, o destino dos documentos deverá seguir o recomendado no Art. 15 do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Comentário: A necessidade de guarda do material se faz pelo zelo e segurança da(o) psicóloga(o). Assim, em caso de fiscalização ou questionamentos, a(o) profissional terá condição de apresentar o material que levou à sua conclusão técnico científica. O material, de fato, pertence à instituição em que foi realizado o serviço, porém, cabe à(ao) psicóloga(o) adequar o local para garantir o sigilo necessário, de acordo com as resoluções vigentes, a saber o Código de Ética Profissional e a Resolução CFP n.º 01/2009. •Em caso de desligamento da(o) psicóloga(o), o material permanece na instituição. •O repasse deve seguir ao indicado no Código de Ética Profissional, e inclui a entrega do material com termo de repasse à nova profissional que venha a assumir o serviço ou lacre junto à fiscal do CRP da jurisdição. •Destaca-se que cabe à(ao) psicóloga(o) que realizou o serviço ou intervenção concluir o trabalho com a emissão do documento que atenda à demanda realizada. Assim, não restarão pendências em sua atuação, mesmo por ocasião do desligamento. Destino e envio de documentos Os documentos produzidos pela(o) psicóloga(o) devem ser entregues diretamente ao beneficiário da prestação do serviço psicológico, ao seu responsável legal e/ou ao solicitante, em entrevista devolutiva. •É obrigatório que a(o) psicóloga(o) mantenha protocolo de entrega de documentos, com assinatura do solicitante, comprovando que este efetivamente o recebeu e que se responsabiliza pelo uso e sigilo das informações contidas no documento. • Os documentos produzidos poderão ser arquivados em versão impressa, para apresentação no caso de fiscalização do Conselho Regional de Psicologia ou instâncias judiciais, em conformidade com os parâmetros estabelecidos na Resolução CFP nº 01/2009 ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la. Comentário: O beneficiário do serviço prestado sempre tem direito ao documento final, mesmo que este tenha sido solicitado por órgãos ou instituições. Neste caso, cabe a entrevista devolutiva, que deve funcionar como uma elucidação verbal daquilo que está escrito no documento. Sugere-se que, quando se tratar de resultados pra CNH ou Polícia Federal, entre outros, para o órgão seja liberado apenas aquilo que o beneficiário necessita para o trâmite de suas ações, ficando a(o) psicóloga(o) com a cópia do documento completo quefoi repassado ao cliente, assinado por este, comprovando a entrega. Respeitando a Resolução CFP n.º 11/2018, que trata de atendimentos realizados por TICs, em caso de entrega de documentos neste parâmetro, é obrigatória a assinatura (certificação) digital da profissional e o protocolo de entrega pode ser a resposta ao endereço de correio eletrônico de envio, em que o cliente confirma o recebimento. Sugere-se a emissão de uma cópia do documento produzido em que o usuário assina que recebeu uma cópia idêntica e data; tal material deve ser acrescentado ao registro documental do usuário e arquivado em conjunto. Caso isso não seja possível por algum motivo como, por exemplo, pela evasão da(o) paciente, sugere-se o registro do contato e tentativa de devolutiva no prontuário do mesmo. Ressalta-se que os documentos que podem ser entregues às(aos) pacientes são os aqui apresentados nesta Resolução e não protocolos de testes psicológicos. Sugere-se a guarda física deste material; porém, em caso de registros ou prontuários eletrônicos, todo material adicional à intervenção que tenha sido utilizado precisa estar salvaguardado, por exemplo, em caso de uso de testes psicológicos, a folha de protocolo deve ser escaneada e anexada ao registro digital. Prazo de validade dos conteúdos dos Documentos O prazo de validade do conteúdo do documento escrito, decorrente da prestação de serviços psicológicos, deverá ser indicado no último parágrafo do documento. • A validade indicada deverá considerar a normatização vigente na área em que atua a(o) psicóloga(o), bem como a natureza dinâmica do trabalho realizado e a necessidade de atualização contínua das informações. •Não havendo definição normativa, o prazo de validade deve ser indicado pela(o) psicóloga(o), levando em consideração os objetivos da prestação do serviço, os procedimentos utilizados, os aspectos subjetivos e dinâmicos analisados e as conclusões obtidas. Comentário: Este item deve ser considerado para os seguintes documentos: Atestado Psicológico, Laudo Psicológico e Relatório Psicológico. A permanência deste item na Resolução foi considerada com o objetivo de assegurar a informação do caráter dinâmico e não determinista do funcionamento dos fenômenos psicológicos envolvidos em processos avaliativos e de intervenção dos quais decorrem os documentos emitidos pela(o) profissional da Psicologia. Desta forma, é essencial que a(o) psicóloga(o)se aproprie com fundamentos teóricos, técnicos e éticos para se valer da natureza da finalidade de seu processo de trabalho no que diz respeito a decisão sobre a validade a ser indicada. Em cada situação a(o) psicóloga(o) deve ter autonomia para decidir se este item será exposto por meio de informação cronológica, que pode estar relacionada as normativas que dizem respeito aos procedimentos utilizados, ou a outras normativas inerentes ao próprio processo de avaliação psicológica (por exemplo, em um concurso público a avaliação realizada terá validade somente para aquele fim). De outra forma a validade pode estar relacionada aos aspectos qualitativos de uma determinada fase do desenvolvimento do sujeito envolvido no processo de trabalho da(o) psicóloga(o) como, por exemplo, em um processo de psicoterapia de um adolescente, fase esta onde muitas mudanças são esperadas e que o funcionamento dos fenômenos psicológicos podem alterar-se e, portanto, há necessidade de um acompanhamento frequente e sistemático. Neste item a(o) psicóloga(o)também pode considerar uma validade a partir de um prognóstico favorável levando em consideração a efetivação do encaminhamento sugerido. Da mesma forma com um prognóstico desfavorável caso não haja intervenção sugerida, podendo assim recomendar nova avaliação em um tempo cronológico determinado pelo resultado do raciocínio psicológico do profissional que resultou no prognóstico. Assim, é importante que a(o) psicóloga(o) compreenda que não há um modelo de prazo de validade para todos os casos. O que vai prevalecer para esta determinação é o entendimento da natureza do que está sendo avaliado e da finalidade do documento que está sendo produzido. É importante que seu documento expresse a dinamicidade dos fenômenos psicológicos assim como os condicionantes históricos e sociais que atuam sobre eles. Entrevista Devolutiva Para entrega do relatório e laudo psicológico, é dever da(o) psicóloga(o) realizar ao menos uma entrevista devolutiva à pessoa, grupo, instituição atendida ou responsáveis legais. • Na impossibilidade desta se realizar, a(o) psicóloga(o) deve explicitar suas razões. • Nos demais documentos produzidos com base nesta resolução, é recomendado à(ao) psicóloga(o), sempre que solicitado, realizar a entrevista devolutiva. PARA FINALIZAR, CABE DESTACAR ALGUNS ITENS DA RESOLUÇÃO 06/2019: Artigo 5, § 4º (Princípios técnicos): - Ao produzirem documentos escritos, a(o) psicóloga(o) deve se basear no que dispõe o artigo 1º, alínea "c", do Código de Ética Profissional do Psicólogo, prestando serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional. Artigo 5, § 5 (Princípios técnicos): Na realização da Avaliação Psicológica, ao produzir documentos escritos, a(o) psicóloga(o) deve se basear no que dispõe o artigo 2º da Resolução CFP nº 009/2018, fundamentando sua decisão, obrigatoriamente, em métodos, técnicas e instrumentos psicológicos reconhecidos cientificamente para uso na prática profissional da(do) psicóloga(o) (fontes fundamentais de informação), podendo, a depender do contexto, recorrer a procedimentos e recursos auxiliares (fontes complementares de informação). Artigo 5, § 8º (Princípios técnicos): Toda e qualquer modalidade de documento deverá ter as laudas numeradas e rubricadas. Rubrica-se a primeira até a penúltima lauda, considerando que a última estará assinada. Artigo 6, § 2º (Princípios da Linguagem Técnica): A linguagem escrita deve basear-se nas normas cultas da língua portuguesa, na técnica da Psicologia, na objetividade da comunicação e na garantia dos Direitos Humanos (observando os Princípios Fundamentais do Código de Ética Profissional do Psicólogo, e as Resoluções CFP 01/1999, 018/2002 e 01/2018). Artigo 7, § 2º (Princípios Éticos): Devem ser observados, ainda, os deveres da(do) psicóloga(o) no que diz respeito ao sigilo profissional, em relação às equipes interdisciplinares, às relações com a justiça e com as políticas públicas, e o alcance das informações na garantia dos Direitos Humanos, identificando riscos e compromissos do alcance social do documento elaborado. Artigo 7 § 3º (Princípios Éticos): À(ao) psicóloga(o) é vedada(o), sob toda e qualquer condição, o uso dos instrumentos, técnicas psicológicas e experiência profissional da Psicologia de modo a sustentar modelo institucional e ideológico de segregação dos diferentes modos de subjetivação. Artigo 7, § 4º (Princípios Éticos): - Sempre que o trabalho exigir, pode a(o) psicóloga(o), mediante fundamentação, intervir sobre a própria demanda, e construir um projeto de trabalho que aponte para a reformulação dos condicionantes que provocam o sofrimento psíquico, a violação dos direitos humanos e a manutenção ou prática de preconceito, discriminação, violência e exploração como formas de dominação e segregação. Artigo 7, § 5º (Princípios Éticos): A(o) psicóloga(o) deve prestar serviço responsável e de qualidade, observando os princípios éticos e o compromisso social da Psicologia, de modo que a demanda, tal como formulada, seja compreendida como efeito de uma situação de grande complexidade. A seguir são apresentados TRÊS TEXTOS que apresentam caráter complementar (LEITURA FACULTATIVA). TEXTO COMPLEMNTAR A: Comentário sobre a elaboração do relatório psicológico[footnoteRef:6]. [6: Extraído de: RESOLUÇÃO CFP 06/2019 COMENTADA. CFP, 2019. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n-06-2019-comentada.pdf.] Conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a solicitação de documentos decorrentes de serviços psicológicos é condicionada ao acordo de trabalho ou aos objetivos do serviço prestado, o que depende da relação e contratualidade entre psicóloga(o) e pessoa(s) atendida(s) e de deveres legais. Um apontamento importante é esse artigo parecer conflitar com as disposições da Resolução CFP n.º 08/2010, quando diz que é vedado: “I - Produzir documentos advindos do processo psicoterápico com a finalidade de fornecer informações à instância judicial acerca das pessoas atendidas, sem o consentimento formal destas últimas à exceção de Declarações, conforme a Resolução CFP n.º 07/2003.” Contudo, a Resolução define que se apresente a finalidade do documento e a descrição da demanda de modo a propiciar a diferenciação necessária a partir de cada contexto de solicitação. Isto é, a(o) psicóloga(o) tem autonomia para decidir quais procedimentos, observações e análises serão comunicados, a depender dos contextos de solicitação, o que estará condicionado a resguardar as diretrizes, normativas e princípios éticos da profissão, os quais são orientados pelo respeito e defesa dos direitos e dignidade da pessoa humana e das coletividades, destacando-se, especialmente, as alíneas de “e” a “h”, do artigo 1.º, bem como as alíneas “a”, “b”, “c”, “f”, “g”, “j” e “k” do artigo 2.º do Código de Ética Profissional. Os procedimentos a serem descritos no Relatório dizem respeito a descrição de toda e qualquer atividade, técnica, argumentação técnico-científica e considerações éticas utilizadas na prestação de serviço psicológico e devem basear-se em evidências científicas. O Relatório abrange descrições e narrativas que sejam referidas aos procedimentos adotados, à demanda da solicitação e à evolução do trabalho, quando houver. Pode referir-se a ações e a relatos pontuais, como nos casos de encaminhamentos e de relatórios de visitas, ou pode referir-se a uma exposição analítica maior, quando necessário. Ainda que contemple análises ou considerações críticas, não cabe juízos de valor e opiniões pessoais que não possuam respaldo na ciência psicológica. As descrições literais apenasserão justificáveis quando forem necessárias à argumentação desenvolvida no texto e para evidenciar o contexto de que se trata, e não como resposta a solicitações que extrapolem a condição dos serviços psicológicos e que prejudiquem o sigilo e outras prerrogativas éticas da profissão. Recomenda-se que, na conclusão, seja retomada a finalidade da emissão do documento, registrado a entrevista devolutiva para a entrega do documento, indicadas as possibilidades de encaminhamento ou de continuidade dos serviços psicológicos, além de outras orientações. Essas recomendações são fundamentais em contextos nos quais os Relatórios Psicológicos possam subsidiar decisões pessoais e institucionais que tragam impactos para a vida da(s) pessoa(s) atendidas, o que ocorre regularmente nos serviços públicos e em contextos que envolvem processos judiciais. Nesse sentido, além dos prazos definidos pelas normativas e manuais referentes a métodos e técnicas de avaliação psicológica, que podem ser considerados aqui por analogia, devem ser explicitados na conclusão argumentos técnicos e éticos que delimitem não apenas a finalidade do documento, mas também a validade temporal das informações prestadas no documento, ressaltando-se a natureza dinâmica e não cristalizada do objeto de estudo bem como das intervenções, ações ou análises realizadas. Texto Complementar B[footnoteRef:7]: comentários sobre o Relatório Multiprofissional [7: Extraído de: RESOLUÇÃO CFP 06/2019 COMENTADA. CFP, 2019. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n-06-2019-comentada.pdf. ] Importante ressaltar o dever de assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente (Código de Ética Profissional, artigo 1.º, b), considerando-se que as demandas em equipes multiprofissionais possam gerar solicitações que extrapolem as atribuições da psicologia ou que excedam a possibilidade de observação e análise a partir dos procedimentos realizados, ou ainda, que não sejam pertinentes aos referenciais técnicos da(o) profissional. Reforça-se também a observância das alíneas de “e” a “h”, no artigo 1.º do Código de Ética Profissional, que concernem aos direitos de usuárias(os) dos serviços psicológicos, que devem ser inegociáveis nos diversos contextos de solicitação desses Relatórios e de outros documentos psicológicos, ainda que sejam solicitações feitas não pela(o) usuária(o), mas por outros profissionais, serviços e agentes públicos, inclusive quando advindas de demandas e determinações do judiciário. O Relatório Multiprofissional é proveniente da atuação multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar. Cabe observar, quanto à atuação em equipe multiprofissional, que diversos procedimentos e referenciais são empregados e construídos de modo inter ou transdisciplinar e, portanto,sua escrita pode ser em conjunto com outros profissionais. Contudo, quando a atividade desenvolvida no atendimento a pessoa/grupo/instituição consistir em métodos e técnicas privativos da Psicologia, estes devem ser relatados em itens diferente dos demais profissionais, destacando que foram utilizados apenas pela(o) psicóloga(o) da equipe. Em todos os casos, a estrutura do Relatório Multiprofissional deve contemplar o estabelecido Resolução, e conforme haja acordo com as regulamentações das outras profissões envolvidas. A orientação para que a análise seja destacada na organização textual também se direciona a evidenciar argumentações, referenciais, observações, métodos e técnicas específicos e privativos da Psicologia. Caso as informações relatadas não se baseiem em métodos e técnicas privativas da Psicologia, a redação deste item pode ser em conjunto com outros profissionais, nos casos em que se trate de processos de trabalho interdisciplinares. Recomenda-se, porém, que essa compreensão seja explicitada no texto, conforme regulamentação das demais categorias profissionais envolvidas. Assim como na Análise, a Conclusão pode serredigida em conjunto com outros profissionais nos casos em que se trate de processos de trabalho interdisciplinares. É importante o profissional encerrar o documento com data, local e assinatura a fim de atestar a veracidade das informações apresentadas no documento. Da mesma forma, a rubrica em todas as páginas assim como a numeração das mesmas é uma segurança ao profissional do conjunto do documento elaborado. Texto complementar C: comentário sobre o Laudo Psicológico Conforme os incisos V, VI e VII, o laudo psicológico poderá compor um documento único com a equipe multiprofissional, caso as conclusões necessárias para responder à demanda inicial sejam derivadas da integração das avaliações individuais dos profissionais da equipe, ou seja, ultrapassando suas avaliações disciplinares e demandando a análise conjunta. Nesse caso, deve-se resguardar as práticas privativas da(o) psicóloga(o), assim como sigilo profissional, conforme o inciso VII, de forma que apenas estejam descritos os resultados necessários para que a análise integrada seja realizada. Todos os itens de Estrutura devem estar presentes. Ainda que alguns itens possam ser apresentados de forma conjunta no documento multiprofissional (tais como Identificação, Descrição da demanda, Conclusão e Referências), deve-se garantir a apresentação dos itens Procedimento e Análise com uma redação independente por parte da(o) psicóloga(o), pois eles fazem referência a métodos, técnicas e procedimentos específicos da(o) profissional psicóloga(o). A conclusão deve estar em harmonia com os demais itens do Laudo psicológico. Nem todos os itens descritos no inciso I precisam estar descritos na Conclusão, porém, é necessário que seja apresentada uma conclusão a partir dos resultados e análise realizados e que alguma orientação de encaminhamento/intervençõesou diagnóstico/hipótese diagnóstica ou orientação/sugestão de projeto terapêutico seja oferecida. ANEXO AUTOBIOGRAFIA: uma técnica complementar à entrevista Conforme discutido em sala de aula a autobiografia é uma técnica complementar a entrevista que o psicólogo poderá utilizar em situações de avaliação psicológico. A expressão “técnica complementar” é utilizada para ressaltar que, em todo e qualquer contexto de avaliação psicológico, a entrevista é obrigatória e, portanto, é insubstituível. AUTOBRIOGRAFIA sugestões para as instruções[footnoteRef:8] [8: Antes de iniciar as instruções, solicitar que a pessoa indique dados pessoais idade, gênero, escolaridade, ocupação (ou outros considerados relevantes para a investigação). ] A atividade proposta consiste em uma autobiografia. Por isso vou solicitar que escreva sobre a sua vida. Neste momento, você, provavelmente, está pensando Sobre a minha vida? É muita coisa, vou levar meses ou, quem sabe, um ano inteiro. Ou então, por onde começo, o que realmente escrevo? Assim, para facilitar o desenvolvimento da atividade, apresentarei algumas sugestões. Você concorda que tudo começa pela infância. Neste sentido por que não começar a escrever sobre esta etapa da sua vida? É importante que escreva sobre o que considerou importante, sobre o que foi bom e o que não foi tão bom assim. O importante é que você escreva sobre fatos e momentos relevantes da sua vida, de maneira que eu possa conhecer um pouco sobre a sua história. Por exemplo escreva sobre brincadeiras, estudos, relacionamento com a família e amigos; como passava os seus aniversários. Enfim, escreva respeito de tudo aquilo que considerar importante para que eu possa conhecer aspectos importantes de sua vida. Após relatar sobre a sua infância, é importante que descreva situações vividas durante o período da adolescência. Por exemplo sobre seus planos para o futuro, relacionamento social e afetivo com amigos, namorados ou namoradas, família, dentre outras possibilidades. Neste período, alguns adolescentes começam a trabalhar, outros apenas estudam. É também importante que você escreva sobre as atividades de lazer. Em síntese, é fundamental que você escreva sobre o que foi bom e também sobre o que não foi tão bom. Lembre-se que sempre existem vivências maravilhosas e aquelas que não estão associadas com momentos de alegria ou encantamento. Enfim, conforme já comentado, escreva sobre o que você considerar importante sobre a sua adolescência. Em seguida, gostaria que fossem registrados (e comentados) fatos marcantes acerca do período atual. Aqueles sonhos e perspectivas da adolescência já foram concretizados? Caso negativo por quê? Caso positivo de que forma foram concretizados? Comente ainda, sobre planos ou projetos elaborados neste momento de sua vida. É também importante que escreva sobre relacionamentos com a família, com o trabalho e estudo (caso você esteja matriculado em algum curso). Sobre casamentos, namoros, separações ou não. Sobre as atividades de lazer ou sobre qualquer outra situação que considere importante, incluindo situações consideradas prazerosas ou não tão prazerosas. Considerando que você escreveu sobre o passado e o presente, é importante que comente sobre o futuro acerca de seus planos, expectativas ou outros aspectos relevantes. Enfim, gostaria que escrevesse como você imagina a sua vida daqui a xxxxx anos[footnoteRef:9] [9: Indicar total de anos em conformidade com a idade do autor da autobiografia ou do objetivo da avaliação psicológica. ]