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P á g i n a | 1 Tromboembolismo pulmonar Definição Refere-se a obstrução de uma artéria pulmonar, por um material que se deslocou de uma parte do corpo até os pulmões, levado pela corrente sanguínea. Obstrução da circulação arterial pulmonar por um trombo oriundo do sistema venoso. Um trombo se forma por algum motivo em algum local do sistema venoso e ele se desprende e desloca e fica preso em uma artéria da circulação pulmonar. 90–95% do sistema venoso profundo TVP e TEP são espectros diferentes da mesma doença. Causa fundamental de TEP é TVP. 50% dos casos conseguimos identificar TVP concomitante, porque um grande percentual desses trombos se deslocam inteiros e impactam na circulação pulmonar. Teoria de que os pulmões são filtros de pequenos coágulos – é melhor enfartar 5% da circulação pulmonar que causar AVE isquêmico, porque evitan danos maiores. Epidemiologia Dados concretos de muito difícil coleta o Estima-se que a maioria dos pacientes têm curso assintomático Pulmões seriam filtros naturais de pequenos coágulos Isabela Terra Raupp TVP TEP Tromboembolismo Venoso (TEV) Trombo em um local do sistema venoso Desprende e desloca Fica preso nas artérias da circulação pulmonar P á g i n a | 2 Incidências anuais estimadas o TEV 70-180/100.000 habitantes o TEP 20-70/100.000 habitantes o < 15 anos: 5/100.000 habitantes o > 80 anos: 500/100.000 habitantes Prevalência em pacientes internados em torno de 1% Aumenta com a idade Baixa incidência em jovens Maioria dos pacientes são assintomáticos. Causas de morte por embolia pulmonar: o Mortalidade relacionada com a forma de apresentação clínica, ao quanto da circulação pulmonar está comprometida pelo embolo. o Eventualmente ele envolve TEP maciça, entupindo tronco da artéria pulmonar e ai vai ter choque. o Se não é tão importante o comprometimento ele não vai ter choque. o Se ele não se apresenta com choque, a mortalidade é menor. o Moralidade é associada a quanto está comprometida a circulação pulmonar. o Fisiopatologia A patogênese envolve fatores que predispõe à ocorrência de TVP (Tríade de Virchow) e migração de êmbolos para os pulmões. Na maioria dos casos os trombos vem dos membros inferiores em território de vasos venosos ílio-femorais que se movimentam até a circulação pulmonar. O trombo ascende dos MMII (mais comum) pela veia cava inferior e acessa o coração através do átrio direito. Posteriormente vai para o ventrículo direito e por fim alcança a circulação pulmonar. A obstrução dos vasos leva a diminuição da pré-carga e a liberação de mediadores inflamatórios como o tromboxano que age promovendo a vasoconstrição e elevando a resistência pulmonar. O ventrículo direito tenta manter o equilíbrio, ou seja, mantém o débito cardíaco à custa do aumento da pressão pulmonar. P á g i n a | 3 Pacientes com embolia morrem por choque cardiogênico e não por hipoxemia!! o Porque o grande problema da embolia pulmonar (maciça) é que o VD entra em falência porque não consegue tolerar elevada pressão pela pós-carga → precisa fazer muita força pra mandar o sangue para frente (porque a artéria pulmonar está com o embolo) e manter o debito cardíaco e ao mesmo tempo tem que vencer a resistência pulmonar que está elevada → choque cardiogênico. o Só que o VD tem parede fina e fraca e não tem capacidade de bombear sangue com tanta força. NÃO MORRE POR HIPOXEMIA. Se paciente tem TEP e está hipoxêmico severo, então ele está chocado certamente. A obstrução de ramos mais distais dos vasos pulmonares apresentam maior risco de desenvolvimento de infarto pulmonar, com resposta inflamatória intensa na região em decorrência da morte celular. Isso se correlaciona com manifestações clínicas como hemoptise e dor pleurítica. Fatores de risco Congênitos – trombofilias o Fator V de Leiden o Mutação do gene da protrombina (fator II) o Deficiência de proteína S o Deficiência de proteína C o Deficiência de antitrombina (III) Mais comuns fator V e gene da protrombina Paciente jovem temos obrigação de buscar trombofilias < 40 anos. Adquiridos Trombo ascendente de MMII Chega no AD VD Circulação pulmonar Obstrução da circulação pulmonar ↓Pré carga Mediadores inflamatórios Vasoconstrição ↑ resistência pulmonar 60% Equivalem a > 95% dos fatores de risco Sobrecarga de VD P á g i n a | 4 Principais adquiridos: malignidade, presença de acesso venoso central, pós operatório de cx ortopédica e politrauma. Menores: gestação, ACO, terapia hormonal, imobilização, síndrome antifosfolipidica, > 65 anos. Apresentação clínica Depende da extensão da TEP e da condição cardiopulmonar prévia, bem como da redução da perfusão pulmonar. Pacientes com comorbidades já sabidas tem apresentação clinica mais grave mesmo com comprometimentos menos importantes da circulação pulmonar. Se imagina que a maioria dos pacientes é assintomática. Dos pacientes q que tem sintomas, a maioria não vai ter disfunção de VD (2/3) – embolia pulmonar leve. ¼ dos pacientes vai ter sintoma e disfunção de VD. E menos (5%) tem choque cardiogênico – disfunção franca de VD e hipotensão e hipoperfusão associada. Morte súbita, geralmente são computados na conta dos IAM – então não conseguimos computar. BAIXO RISCO: Comprometimento de até 30% da circulação pulmonar, tem 30% de redução da perfusão pulmonar. Se o comprometimento for entre 30-50% se chama de SUBMACIÇA OU INTERMÉDIO RISCO – sintomas e disfunção de VD, mas sem hipotensão Se > 50% de comprometimento é MACIÇA OU ALTO RISCO – choque cardiogênico. Sinais e sintomas Assintomática (?) Sintomática sem disfunção de VD (65-70%) Choque cardio Morte Súbita (?) Não maciça (Baixo risco) Submaciça (Intermediário risco) Maciça (Alto risco) Sintomática com disfunção de VD (22-25%) Q 30% Q 50% P á g i n a | 5 Clássica: dispneia e dor torácica pleurítica → sempre pensar em embolia pulmonar. 80% tem dispneia 10% de hemoptise mais ou menos Dispneia e dor torácica de início recente em 1 ou 3 dias de sintomas e eventualmente tossem sangue e ai buscam plantão. Tríade clássica: Dor pleurítica, hemoptise e taquipneia. Diagnóstico por probabilidade clínica Probabilidade: o < 4 pontos: TEP improvável o > 4 pontos: TEP provável Impressão clinica é bastante importante - Baseado na probabilidade clinica que a gente toma conduta de investigar – escolhe o exame complementar para o diagnóstico. Exames complementares não diagnósticos Sugerem o diagnóstico, mas não dão certeza. Rx tórax: o Frequentemente normal – maioria. o Sinal de Westermark (oligoemia focal) – deixa de ver circulação pulmonar no local infartado - Comparar o número de vasos de um lado e outro – poucos vasos na região de Westernamk o Sinal de Fleischner (aumento da artéria pulmonar) P á g i n a | 6 o Corcova de Hampton (opacidade subpleural e cunha) – consolidação triangular de base pleural ECG: o Taquicardia sinusal o Sobrecarga de VD S1Q3T3 – não é patognomônico é sinal de sobrecarga de VD. DD: hipertensão pulmonar também tem esse padrão. o Sobrecarga de AD Aumento da onda P (P pulmonale) – aumentada em amplitude o Isquemia de VD Inversão de onda T V1–V4 o Bloqueio de ramo direito o Onda S profunda em d1 o Q patológica em D3 o Inversão de onda T em d3 o Onda P aumentada em amplitude em várias derivações o Inversão de onda T de v1-v4 – isquemia de VD. D-dímeros: o Produtos de degradação da fibrina – coágulos estão se formando na circulação o sistema fibrinolítico endógeno vai ser ativado, clivando afibrina que produz d – dímeros. Elevam-se nas situações de fibrinólise endógena → Processo tromboembolico está ocorrendo na circulação. Ecocardiograma: o Rápida e fácil execução o Beira de leito o Sugere diagnóstico na presença de disfunção de VD o Importante na estratificação de risco o Diagnóstico e risco prognóstico P á g i n a | 7 o Disfunção aguda do VD – observar que o VD está maior que o esquerdo. O VR geralmente é maior que o esquerdo Doppler de membros inferiores: o Rápida e fácil execução o Beira de leito o Praticamente confirma diagnóstico quando positivo o MMII – artéria pulsando e quando aperta a veia some – normal. Na TVP a Veia não comprime – TVP e aparece material ecogênico na veia. e a artéria não é compressível mas isso é normal. BNP e troponina: o Biomarcadores de lesão miocárdica o Importantes na estratificação de risco Exames complementares diagnósticos Angio-TC tórax: o 1ª escolha como método diagnóstico o Acurácia > 90% o Escolha! Cintilografia pulmonar perfusional: o Método alternativo o Indicado em pacientes com insuficiência renal, alérgicos a contraste iodado e gestantes (doses de radiação de tomógrafos modernos está praticamente igual à da cintilografia). Normal – exclui TEP. Baixa probabilidade Intermediária probabilidade Alta probabilidade – confirma TEP. Cintilo ventilatória normal e testes perfusionais. Cada vez menos usa a ventilatória se faz o raio x e infere que está normal. Precisa de outros exames P á g i n a | 8 Arteriografia pulmonar: o Padrão ouro o Muito invasiva e dispendiosa (caro) o Situações especificas. Defeitos de enchimento (êmbolos) ou amputação do vaso. Algoritmo de diagnóstico Analisar primeiramente a presença de choque de VD ou hipotensão sistólica. Hipotensão sistólica é definida como < 90mmHg ou redução de > 40 mmHg em 15 minutos da tensão basal do paciente Alto risco de morrer de TEP Algoritmo se alto risco Algoritmo se baixo risco Mesmo sem exame confirmatório se alta probabilidade e sem exame disponível P á g i n a | 9 o D-dímeros só tem sensibilidade para descartar embolia mas não especificidade para confirmar o diagnostico. SÓ SERVE COM WELLS BAIXO. Estratificação de risco Risco de morrer de embolia pulmonar Primeiro: deve-se analisar se o paciente está em choque ou hipotensão. Segundo: calcular o score de PESI Parâmetros clínicos e laboratoriais que alocam o pacientem em 5 classes de risco de mortalidade Para pacientes que não estão chocados P á g i n a | 10 Muito alto risco de morrer no PESI ainda é mais baixo que no choque. Terceiro: estratificar os de médio risco em médio alto ou médio baixo por disfunção de VD e biomarcadores o Disfunção de VD – ecocardiograma com VD aumentado empurrando VE. o AngioTC – relação VD/VE normalmente é < 1 e se é>1 tem disfunção. o Biomarcadores: BNP e troponina Quarto: Definir onde vamos tratar o paciente de acordo com a estratificação do risco. o Choque cardiogênico, alto risco ou intermediário-alto risco → UTI. o Intermediário-baixo risco → enfermaria. o Baixo risco → ambulatorial. Tratamento Medidas gerais o Suporte ventilatório o Suporte hemodinâmico o Medidas para TVP – membro elevado, meia elástica Tratamento farmacológico o Anticoagulantes • Heparinas: Heparina não fracionada (HNF) o Infusão contínua o 80U/kg bolus + 18U/kg.h o Monitorar KTTP (alvo 1,5 – 2,5 vezes valor de referência) o Manejo geralmente na UTI Heparinas de baixo peso molecular o Enoxaparina (Clexane®) 1mg/kg SC 2x/dia P á g i n a | 11 Análogos de heparina o Fondaparinux (Arixtra®) 5-10mg SC 1x/dia • Antagonistas da vitamina K Warfarin / Varfarina (Marevan®) e Femprocumona (Marcoumar®) o Monitorar TP / INR (alvo 2,0 – 3,0) • Anticoagulantes diretos Inibidores da trombina o Bivalirudina – não tem no Brasil o Dabigatrana (Pradaxa®) 150mg 2x/dia (após > 5 dias de heparina) Inibidores do fator Xa o Rivaroxabana (Xarelto®) 15mg 2x/dia 21 dias + 20mg 1x/dia o Apixabana (Eliquis®) 10mg 2x/dia 7 dias + 5mg 2x/dia o Edoxabana (Lixiana®) 30-60mg 1x/dia (após > 5 dias de heparina) o Trombolíticos • Para alguns pacientes (alto risco com choque cardiogênico) estamos autorizados a fazer trombolise química. • Estreptoquinase 250.000UI em 30min + 100.000UI/h 12-24 horas Suspender HNF durante infusão – reiniciar assim que término Muitos efeitos colaterais como hipotensão • Alteplase 10mg em bolus + 90mg em 2h Suspender HNF durante infusão – reiniciar assim que término Mais bem tolerado Tratamento não farmacológico o Filtro de veia cava • Para pacientes com contraindicação para anticoagulação – independente de ter TVP no ecodoppler • Colocação independe de TVP documentada • Normalmente colocado em posição infra-renal • Posição supra-renal quando trombose de veia renal • Cava superior quando TVP do membro superior o Trombectomia mecânica/cirúrgica • Procedimentos de exceção e alta complexidade • Casos selecionados de falha ou contraindicação para trombolítico • Contraindicação para tombolise ou não adiantou o trombolítico • Cateter dentro do ramo e desmancha e aspira os coágulos Onde age cada anticoagulante: Antagonistas da vitamina K – 2, 7 , 9 e 10 Proteína C e S – fibrinolítico endógeno são dependentes de vitamina k – pode promove estado pró- coagulante. Heparinas – agem no fator 2 trombina AnticoagulantesDiretos – agem no fator x ativado Buvalirudina (hepraina) e dabigratana agem no fto Iia P á g i n a | 12 Tempo de tratamento o Prolongar a anticoagulação por mais de 3 meses não tem benefício nenhum o Fatores de risco transitório (politrauma, internação), anticoagular por 3 meses o Fatores de não associados a fatores de risco maiores – anticoagular por pelo menos 3 meses o Baixo risco de sangramento – considerar anticoagulação prolongada – sem prazo para suspender o 2º episódio de TEP – anticoagular a longo prazo. o Fatores de risco maiores como neoplasia maligna, trombofilia, acesso venoso central – anticoagular a longo prazo. o Porque consideramos anticoagular – mais de 50% vai ter outro episódio de EV se idiopático ou sem fator de risco importante.