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RAYANA RIBEIRO – MEDICINA UNIT 
LIGA ACADÊMICA DE MEDICINA INTERNA DA UNIT 
 
GASOMETRIA ARTERIAL 
Usamos a gasometria arterial para 
diagnosticar os distúrbios acidobásicos, 
principalmente. 
O sangue é colhido, preferencialmente da 
artéria radial. 
 O aparelho de gasometria mede o pH e os 
gases sanguíneos sob a forma de pressão parcial do 
gás (pO2 e pCO2), ao passo que os demais 
parâmetros são calculados. 
Os principais parâmetros que observamos no 
exame de gasometria são: pH, SatO2, pCO2, HCO3, 
Ânion Gap. Entretanto, podemos encontrar outros 
parâmetros também como, por exemplo, a dosagem 
de alguns eletrólitos. 
O pH plasmático representa a relação entre o 
bicarbonato e o dióxido de carbono, segundo a 
fórmula de Henderson-Hasselbach: 
 
pH = 6,10 + log [HCO3]/0,03 x PCO2. 
 
Esta fórmula nos mostra que, se o HCO3 
aumenta, o pH aumenta (relação diretamente 
proporcional), tornando o meio básico. Ao contrário, se 
o pCO2 aumenta, o pH diminui (relação inversamente 
proporcional), tornando o meio ácido. 
No plasma sanguíneo, o HCO3 e o CO2 
compõem o sistema tampão bicarbonato-CO2 (de 
acordo com reação química descrita abaixo), que é o 
principal sistema regulador do pH plasmático, evitando 
variações bruscas. 
O Ânion Gap (AG) representa os ânions não 
quantificáveis no sangue, como o lactato. Os ânions 
quantificáveis são: HCO3- e Cl-. Vale lembrar da lei da 
eletroneutralidade, a qual diz que as cargas negativas 
são iguais as cargas positivas. O principal cátion 
mensurável é o sódio. Dessa forma, a quantidade do 
sódio tem que ser igual a quantidade do somatório de 
AG, HCO3- e Cl. 
 
AG= Na – [HCO3 + Cl] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SOBRE OS VALORES DE REFERÊNCIA E SUAS 
UTILIDADES: 
pH sanguíneo: 7,35 – 7,45 
PaCO2 = 35 – 45 mmHg (indicador ventilatório) 
PaO2 = 80-100 mmHg (pode indicar hipoxemia ou 
hiperóxia) 
HCO3 = 22 – 26 mEq/L (indicador metabólico) 
BE: -2  +2 (excesso de base) 
SaO2: > ou = 95% 
AG = 6 – 12 mEq/L 
 
 
O pH É INVERSAMENTE PROPORCIONAL À PaCO2 
PaCO2  pH 
PaCO2  pH 
 
O pH É DIRETAMENTE PROPORCIONAL AO HCO 3 
HCO3  pH 
HCO3  pH 
 
Há inicialmente quatro distúrbios acidobásicos 
primários, dois metabólicos e dois respiratórios. Os 
distúrbios metabólicos são aqueles que alteram 
primariamente os valores do HCO3 na gasometria, já 
os respiratórios, modificam primariamente os valores 
de pCO2 na gasometria. 
Na presença desses distúrbios, o corpo reage 
através de respostas compensatórias (respiratórias ou 
renais) a fim de evitar mudança do pH. De modo geral, 
a resposta compensatória de um distúrbio respiratório 
é renal (metabólico), através da retenção ou excreção 
de HCO3 ou H+. Por outro lado, a resposta de um 
distúrbio metabólico é respiratória, induzindo a hiper 
ou hipoventilação. 
A resposta compensatória renal é mais 
demorada do que a resposta respiratória. 
 
 Na acidose metabólica, temos uma queda do 
HCO3 na gasometria e, consequentemente, redução 
do pH (acidose). A resposta compensatória deve ser 
uma hiperventilação a fim de reduzir o CO2 (que 
também acidifica o meio). 
Para avaliarmos essa resposta compensatória, 
calculamos o valor da pCO2 através da fórmula de 
Winter: pCO2 esperada = 1,5 x [HCO3] + 8 ± 2. 
Se a pCO2 estiver dentro da faixa esperada 
significa que está ocorrendo compensação, dessa 
forma, temos uma acidose metabólica 
COMPENSADA. Se estiver abaixo do valor mínimo 
esperado significa que está ocorrendo uma 
hiperventilação maior do que deveria e, por isso, 
existe TAMBÉM uma alcalose respiratória associada. 
Por fim, se o valor esperado for acima da faixa 
esperada, o paciente não hiperventila como deveria e, 
por isso, existe ASSOCIADO uma acidose 
respiratória. 
 
pH = 
7,35 – 
7,45 
PaCO2 = 
35 – 45 
mmHg 
PaO2 = 80-
100 mmHg 
HCO3 = 
22 – 26 
mEq/L 
SaO2: > 
ou = 95% 
 
RAYANA RIBEIRO – MEDICINA UNIT 
LIGA ACADÊMICA DE MEDICINA INTERNA DA UNIT 
 
 Na alcalose metabólica, ocorre um aumento 
de HCO3 na gasometria e, consequentemente, 
elevação do pH (alcalose). A resposta compensatória 
deve ser uma hipoventilação a fim de reter o CO2. 
Para avaliar essa resposta compensatória, calcula-se 
o valor do pCO2 através da fórmula: pCO2 = [HCO3] + 
15 ± 2. 
 
 Na acidose respiratória, existe uma 
dificuldade de ventilação do paciente, isso leva a uma 
hipoventilação e, consequentemente, retenção do 
CO2. A resposta compensatória neste caso é renal 
(retém HCO3 ou excreta mais ácido), com posterior 
elevação do HCO3 na gasometria. 
Nos distúrbios respiratórios, avaliamos se o 
distúrbio é crônico ou agudo através da resposta 
compensatória. Nos distúrbios crônicos, observamos 
maior elevação de HCO3. Dessa forma, usamos as 
seguintes correlações: um acréscimo de 1 mEq/L no 
HCO3 para cada elevação de 10mmHg do pCO2 
acima de 40 mmHg, nos casos agudos e um 
acréscimo de 4 mEq/L no HCO3 para cada 
elevação de 10mmHg do pCO2 acima de 40 mmHg, 
nos casos crônicos. 
 
 Na alcalose respiratória, o paciente está 
hiperventilando e, consequentemente, “lavando” o 
CO2, isto é, expulsando o CO2. A resposta neste caso 
é renal com excreção de HCO3. Da mesma forma da 
acidose respiratória, aqui também avaliamos se o 
distúrbio é agudo ou crônico. Neste caso, as relações 
que usamos são: um decréscimo de 2 mEq/L no 
HCO3 para cada redução de 10mmHg do pCO2 
abaixo de 40 mmHg, nos casos agudos e um 
decréscimo de 5 mEq/L no HCO3 para cada 
redução de 10mmHg no pCO2 abaixo de 40 mmHg, 
nos casos crônicos. 
 
Algumas vezes observamos a ocorrência 
simultânea de dois ou três distúrbios acidobásicos 
independentes. Este fenômeno é chamado de 
distúrbio misto, que não representa uma resposta 
compensatória. Uma forma de distinguir se é resposta 
compensatória ou distúrbio misto é observar o valor do 
pH. Na resposta compensatória, o pH nunca se 
normaliza, mas de forma oposta, podemos encontrar 
pH normal em distúrbios mistos opostos (por exemplo: 
acidose metabólica e alcalose respiratória 
simultaneamente). 
 
Existem ainda duas classificações da acidose 
metabólica. Ela pode ser com ânion gap 
elevado ou hiperclorêmica. Portanto, diante de uma 
acidose metabólica, devemos calcular o ânion gap 
para saber se é uma acidose metabólica com Ânion 
Gap elevado (maior que 12) ou não. 
Quando o ânion-gap aumenta, isto é, quando 
os ânions não mensuráveis aumentam, o HCO3 deve 
diminuir, pois ocorre uma reação acidobásica entre 
eles que “consome” o HCO3. Ou seja, o aumento do 
AG é compensado naturalmente pela redução do 
HCO3, tornando a variação do AG igual a variação do 
HCO3. 
Entretanto, às vezes, o HCO3 diminui muito 
mais do que o esperado para compensar o aumento 
do AG, ou seja, a variação do AG é menor que a 
variação do HCO3. 
Dessa forma, lembrando-se da lei da 
eletroneutralidade, o que aconteceu foi que o Cl 
também aumentou, justificando essa maior queda do 
HCO3. Ou seja, está ocorrendo algum fenômeno que 
leva ao aumento do AG e também está ocorrendo 
uma situação que leva ao aumento do Cl, justificando 
essa enorme redução do HCO3 a fim de manter a 
eletroneutralidade. 
Além disso, em algumas situações também 
encontramos um aumento do AG, mas, ao invés de 
redução, ocorre uma elevação de HCO3. O que 
explica isso é a ocorrência de alguma situação que 
leve ao aumento do AG e, associado a isto, outro 
fenômeno que induza a retenção de HCO3 no corpo. 
Dessa forma, está acontecendo uma alcalose 
metabólica sobreposta a uma acidose metabólica com 
AG aumentado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MACETE PRÁTICO: 
1- Identificar o distúrbio do pH  acidose ou 
alcalose (pode estar dentro da faixa de 
normalidade, mas com tendência a um dos dois) 
2- Avaliar qual sistema apresenta o mesmo 
distúrbio do pH, se é respiratório (Paco2) ou 
metabólico (HCO3) acidose respiratória ou 
metabólica/ alcalose respiratória ou metabólica 
3- Verificar se o pH está dentro da faixa, se 
estiver, pode dizer que está completamente 
COMPENSADA. 
No casode não estar dentro da faixa, avalia o 
sistema que NÃO apresenta o mesmo distúrbio 
do pH, se ele estiver saindo da normalidade para 
tentar compensação, está PARCIALMENTE 
COMPENSADO, se não estiver, é 
DESCOMPENSADO. 
Ânion Gap normal 
Acidose metabólica com AG 
aumentado e 
normoclorêmica 
 
 
Acidose metabólica com 
AG aumentado e alcalose 
metabólica 
 
 
RAYANA RIBEIRO – MEDICINA UNIT 
LIGA ACADÊMICA DE MEDICINA INTERNA DA UNIT 
 
 
 
 
 
 
Considerações Técnicas 
O recomendado é que na hora da coleta o 
paciente esteja sentado, exceto naqueles acamados, 
com o paciente em repouso pelo menos 10 minutos 
antes da punção. 
Devemos ter em mente que a punção arterial 
pode causar espasmo vascular, formação de trombo 
intramural ou aparecimento de hematoma periarterial 
(daí a importância de comprimir o local de punção por 
5 minutos, geralmente, em um paciente não 
anticoagulado). 
O local preferencial para a punção é a artéria 
radial ao nível do túnel do carpo devido a facilidade de 
acesso ao vaso (menos músculos, tendões e gordura 
superpostos) e a menor chance de punção venosa 
acidental por não apresentar veias importantes 
próximas. 
A famosa punção de artéria femoral deve ser a 
última alternativa devido a falta de circulação colateral 
adequada abaixo do ligamento inguinal. Após a coleta, 
o tempo até a análise do material não pode 
ultrapassar 10-15 minutos. 
Técnica da punção na artéria radial: 
1. Explicar o procedimento ao paciente; 
2. Escolher o local de punção; 
3. Hiperestender o punho do paciente; 
4. Limpeza da pele com álcool ou outra solução 
antisséptica (Ex: clorexidina); 
5. Injetar via SC pequena quantidade de anestésico 
local (Lidocaína) sem adrenalina e fazer o botão 
anestésico (opcional); 
6. Usar seringas lubrificadas com heparina; 
7. Introduzir agulha (de insulina) com bisel voltado 
contra a corrente em um ângulo de 45º (se for 
femoral, introduzir 90º) com a pele; 
8. Colher entre 2-3 mL; 
9. Comprimir o local da punção por 5 minutos; 
 
Caso Clínico de Gasometria Arterial 
Paciente masculino, 80 anos, portador de 
doença diverticular dos cólons, iniciou quadro de dor 
abdominal em fossa ilíaca esquerda progressiva, 
náuseas, vômitos e febre há 24hs da admissão no 
departamento de emergência. 
Realizada TC de abdome, sendo visualizado 
abscesso pericólico. Após retorno do setor de 
bioimagem, evoluiu com quadro de sonolência, 
hipotensão, pulso filiforme e fraco, pele pegajosa e 
tempo de enchimento capilar maior que 3 segundos. 
Realizada hemogasometria arterial que revela: 
pH 7,29 HCO3 10 pCO2 23 Na 130 Cl 100 
E ai, com o resultado dessa gasometria, você 
já sabe dizer qual é o distúrbio ácido-base do 
paciente? 
Interpretando nosso caso clínico… 
1º Determinar pH: 
O pH do nosso paciente é 7,29. Portando está abaixo 
do valor mínimo de referência, configurando uma 
ACIDOSE. 
2º Determinar se o distúrbio primário é metabólico 
ou respiratório: 
Observamos que o HCO3 está baixo e o pCO2 
também está baixo, deixa forma, temos como distúrbio 
primário uma ACIDOSE METABÓLICA. Lembre-se 
que se fosse uma acidose respiratória o pCO2 deveria 
ser alto. 
3º Determinar se o distúrbio primário está 
compensado: 
Para determinar se uma acidose metabólica está 
compensada, usamos a fórmula de Winter: pCO2 
esperado = 1,5 x 10 + 8 = 23. Após isso, avaliamos o 
valor do pCO2 do paciente, que neste caso é 
exatamente igual ao pCO2 esperando, demonstrando 
que o distúrbio é COMPENSADO. 
4º Diante de uma acidose metabólica, devemos 
calcular o AG: 
AG = 135 – (10 + 100) = 20. O AG desse paciente é 
superior a 12, dessa forma, vemos uma acidose 
metabólica com AG aumentado. 
5º Diante de uma acidose metabólica com AG 
aumentado, devemos analisar se tem acidose 
hiperclorêmica ou alcalose metabólica associada: 
ΔAG/Δ[HCO3] =( 20-12)/(24-10) = 8/14 = -6. Como o 
AG menor é que 1, completamos nossa análise 
dizendo que o paciente tem uma acidose metabólica 
com AG aumentado e uma acidose metabólica 
hiperclorêmica.

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