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EXERCICIO 1.1 LITERATURA INFANTO JUVENIL 1. Regina Zilberman problematiza: “Como procede a literatura? Ela sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive cotidianamente. Assim, por mais exacerbada que seja a fantasia do escritor ou mais distanciadas e diferentes as circunstâncias de espaço e tempo dentro das quais uma obra é concebida, o sintoma de sua sobrevivência é o fato de que ela continua a se comunicar com o destinatário atual, porque ainda fala de seu mundo, com suas dificuldades e soluções, ajudando-o, pois, a conhecê-lo melhor” (1993, p. 22). Tendo por base essa premissa e o que vimos sobre o conceito e natureza da literatura em geral e da literatura infantil em particular, é correto afirmar, sobre um bom texto de literatura infanto-juvenil, que: a) se um texto é ruim ou bom, isso vai depender da identificação da criança com ele. A criança irá se identificar com as personagens infantis das histórias, vendo nos textos as qualidades e defeitos dessas personagens. A moral da história é imprescindível para a distinção entre um bom e um mau texto e sem ela a mensagem principal pode se perder; b) os critérios que permitem o discernimento entre o bom e o mau texto para crianças não destoam daqueles que distinguem a qualidade de qualquer outra modalidade de criação literária. Seu aspecto inovador merece destaque, na medida em que é o ponto de partida para a revelação de uma visão original da realidade, atraindo seu beneficiário para o mundo com o qual convivia diariamente, mas que desconhecia; c) uma fábula, cujas personagens são animais, não permite a identificação com situações humanas cotidianas. Mas seu caráter moralizante faz com que ela seja adotada por todos os povos, adultos ou crianças, e serve como forma de difusão das ideias da classe dominante para as classes populares e para as crianças; d) a leitura de textos literários é importante na formação da criança, pois a ajuda a distinguir entre o certo e o errado por meio da vivência de outras personagens com as quais ela pode se identificar e querer imitar; e) Um texto de literatura infanto-juvenil é bom quando é possível estudá-lo por meio da psicanálise, encontrando fatores do inconsciente dentro de histórias aparentemente desmembradas da realidade do leitor. 2. Tomemos o texto de Cecília Meireles (1984, p. 47-49): “Os ofícios de contar histórias é remoto. Em todas as partes do mundo o encontramos: já os profetas o mencionam. E por ele se perpetua a literatura oral, comunicando de indivíduo a indivíduo e de povo em povo o que os homens, através das idades, têm selecionado da sua experiência como mais indispensável à vida. [...] Conta-se e ouve-se para satisfazer essa íntima sede de conhecimento e instrução que é própria da natureza humana. Enquanto se vai contando, passam os tempos do inverno, passam as doenças e as catástrofes – como nos contos de Decameron – chegam as imagens do sonho – como quando as crianças docemente caem adormecidas". A partir da leitura desse texto, podemos deduzir, em relação às histórias contadas oralmente e às versões escritas dessas histórias, que: a) Ao transcrevermos as histórias da oralidade para a escrita, perdemos o encantamento ritual e a magia das histórias. b) O gosto de contar é idêntico ao de escrever, de modo que as conquistas da imprensa não inutilizam por completo o ofício do narrador; c) Os contos orais sempre tinham uma moral da história, e por isso os melhores contos para crianças são aqueles que têm moral. d) Os contos orais estavam ligados às vivências humanas e tinham finalidade lúdica de trazer satisfação; e) A moral da história é relativa, e os textos orais vão se modificando, de modo que não se pode afirmar o que é certo ou errado. 3. De acordo com Cademartori (1986, p. 40), “Quando se consideram as narrativas coletadas, portanto, é preciso levar em conta dois momentos: o momento do conto folclórico, sem endereçamento à infância, circulando entre adultos, e, mais tarde, a adaptação pedagógica com direcionamento à criança. É no segundo momento que surge o caráter de advertência, fazendo com que a personagem que se afaste das regras estabelecidas seja punida, como no conto Chapeuzinho Vermelho. Maravilhosos ou humorísticos, os contos populares, antes da coleta, destinavam-se ao público adulto e eram destituídos de propósitos moralizantes”. Se, antes da coleta de Perrault, os contos de fadas não tinham propósitos moralizantes, o objetivo dele ao adaptá-los teria sido, em primeiro lugar: a) Torná-los semelhantes às fábulas de Esopo e La Fontaine, que sempre apresentam uma moral da história. b) Criar textos mais interessantes para divertir as crianças, por meio do uso do maravilhoso. c) Ganhar fama e ser considerado o verdadeiro autor desses textos, que antes eram anônimos. d) Encantar crianças e adultos por meio de histórias com fadas, bruxas e duendes. e) Trazer para as histórias infantis os valores dos adultos e assim poder inculcar-lhes ideias de obediência, caridade etc.