Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Material de Apoio
Univesp
Literatura
Licenciatura em Letras
Brendha Ariadne Cruz
3 O romantismo e seu legado na 
literatura e na cultura 
 
Ao final desta semana você deverá ser capaz de: 
• Entender os princípios do movimento romântico nas artes e na literatura 
brasileira. 
• Conhecer a poesia de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Florbela 
Espanca. 
• Identificar o indianismo como tendência artística e ideológica. 
• Refletir sobre o legado da estética romântica em produtos culturais da 
contemporaneidade. 
 
VÍDEO AULA 1: Romantismo, nacionalismo, sentimentalismo 
 
ROMANTISMO INTRODUÇÃO 
• Marcado pela idealização do indígena. 
• O Romantismo surgiu na Alemanha, Inglaterra e França: século XVIII. 
• Num momento de Iluminismo, liberalismo e revoluções burguesas. 
• Marcado pela Modernidade: ascensão da vida urbana e da burguesia ao poder 
político. 
• Marcado também pela ideia individualista de vida. 
• Ao invés de copiar estilos clássicos, buscam expressividade individual/própria 
 
ROMANTISMO NO BRASIL 
 No Brasil, o romantismo desenvolveu-se a partir da PRIMEIRA METADO DO SÉCULO 19. 
Buscou criar uma identidade nacional, distinta daquela do português europeu. 
Como exemplo, temos: 
• IRACEMA (1865), JOSÉ DE ALENCAR 
Martim Soares Moreno, capitão-mor do Ceará. Esse colonizador se envolve com a 
Iracema (indígena). 
Alegoria da formação do povo brasileiro. 
Crítica à destruição dos povos indígenas. 
 
Foi influenciado pela Independência (1822) e construção de uma nação. 
 
• 1836: Suspiros Poéticos e Saudades (Gonçalves de Guimarães) e lançamento da revista 
Niterói. 
 "Cor local": idealização da natureza e do indígena. 
 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
(Canção do Exílio, Gonçalves Dias) 
 
AQui na floresta Dos ventos Batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a 
vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros. — Ouvi meu cantar. (O canto do guerreiro, 
Gonçalves Dias) II Valente na guerra Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais 
valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? — Guerreiros, ouvi-me; — Quem há, como 
eu sou? 
Deste modo, o indianismo serviu não apenas como passado místico e lendário, (à maneira da 
tradição folclórica dos germanos, celtas ou escandinavos), mas como passado histórico, à 
maneira da Idade Média. Lenda e história fundiram-se na poesia de Gonçalves Dias e mais ainda 
no romance de Alencar, pelo esforço de suscitar um mundo poético digno do europeu 
(CANDIDO, 2007, p. 338). 
 
 
TRÊS GERAÇÕES 
 
1) Geração do Gonçalves Dias – nacionalista e sentimentalista. 
2) Geração do Alvares de Azevedo – ultrarromântica – mal do século (expressão 
egocêntrica e mórbida) 
3) Geração do Castro Alves – condor/condoreira/politizada 
 
O romantismo brasileiro, seguindo o modelo europeu, trilhou caminhos parecidos. Exaltou o 
lado sentimental e emocional do homem, a subjetividade, foi exacerbadamente romântico e 
se preocupou com os problemas sociais (OGLIARI, 2013, p. 116). 
 
 
Lembrança de Morrer, Álvares de Azevedo 
Quando em meu peito rebentar-se a fibra Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem 
por mim nem uma lágrima Em pálpebra demente. E nem desfolhem na matéria impura A flor do 
vale que adormece ao vento: Não quero que uma nota de alegria 
Se cale por meu triste passamento. Eu deixo a vida como deixa o tédio 
Do deserto, o poento caminheiro — Como as horas de um longo pesadelo 
Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Como o desterro de minh'alma errante, 
nde fogo insensato a consumia: Só levo uma saudade — é desses tempos 
Que amorosa ilusão embelecia. Só levo uma saudade — é dessas sombras 
Que eu sentia velar nas noites minhas... De ti, ó minha mãe, pobre coitada 
Que por minha tristeza te definhas! De meu pai... de meus únicos amigos, Poucos — bem poucos 
— e que não zombavam 
Quando, em noite de febre endoudecido, 
Minhas pálidas crenças duvidavam. 
Se uma lágrima as pálpebras me inunda, Se um suspiro nos seios treme ainda 
É pela virgem que sonhei... que nunca Aos lábios me encostou a face linda! Só tu à mocidade 
sonhadora Do pálido poeta deste flores... Se viveu, foi por ti! e de esperança De na vida gozar 
de teus amores. Beijarei a verdade santa e nua, Verei cristalizar-se o sonho amigo.... Ó minha 
virgem dos errantes sonhos, Filha do céu, eu vou amar contigo! Descansem o meu leito solitário 
Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nelas — Foi poeta — 
sonhou — e amou na vida.— Sombras do vale, noites da montanha Que minh'alma cantou e 
amava tanto, Protegei o meu corpo abandonado, E no silêncio derramai-lhe canto! Mas quando 
preludia ave d'aurora E quando à meia-noite o céu repousa, Arvoredos do bosque, abri os 
ramos... Deixai a lua prantear-me a lousa! 
 
PROSA ROMÂNTICA O filho do pescador (1843), de Teixeira e Souza. Joaquim Manuel de 
Macedo, A moreninha; José de Alencar, O guarani, Iracema, Senhora e O sertanejo; Bernardo 
Guimarães, A escrava Isaura; Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias. 
 
 
 
VÍDEO AULA 2: ROMANTISMO E O SEU LEGADO NA LITERATURA E NA CULTURA 
FLORBELA ESPANCA: 
O Livro de Mágoas, 1919. 
Poesia híbrida: simbolista, parnasiana e neorromântica. 
Modernismo: eu-lírico feminino como sujeito do desejo amoroso. 
 
 
 
Realidade (Florbela Espanca) 
Em ti o meu olhar fez-se alvorada, 
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho, 
E a minha rubra boca apaixonada 
Teve a frescura pálida do linho. 
Embriagou-me o teu beijo como um vinho Fulvo de Espanha, em taça cinzelada, 
E a minha cabeleira desatada 
Pôs a teus pés a sombra dum caminho. 
Minhas pálpebras são cor de verbena, 
Eu tenho os olhos garços, sou morena, 
E para te encontrar foi que eu nasci... 
Tens sido vida fora o meu desejo, 
E agora, que te falo, que te vejo, 
 Não sei se te encontrei, se te perdi... 
 
Uma noite eu me lembro... Ela dormia 
Numa rede encostada molemente... 
 Quase aberto o roupão... solto o cabelo 
E o pé descalço do tapete rente. 'Stava aberta a janela. 
Um cheiro agreste 
Exalavam as silvas da campina... 
 E ao longe, num pedaço do horizonte 
Via-se a noite plácida e divina. 
(Adormecida, Castro Alves) 
 
Olhos Verdes 
Eles verdes são: 
E têm por usança, 
Na cor esperança, 
E nas obras não. 
CAM., Rim. 
 
São uns olhos verdes, verdes, 
Uns olhos de verde-mar, 
Quando o tempo vai bonança; 
Uns olhos cor de esperança, 
Uns olhos por que morri; 
Que ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
Como duas esmeraldas, 
Iguais na forma e na cor, 
Têm luz mais branda e mais forte, 
Diz uma — vida, outra — morte; 
Uma — loucura, outra — amor. 
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
São verdes da cor do prado, 
Exprimem qualquer paixão, 
Tão facilmente se inflamam, 
Tão meigamente derramam 
Fogo e luz do coração; 
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
São uns olhos verdes, verdes, 
Que podem também brilhar; 
Não são de um verde embaçado, 
Mas verdes da cor do prado, 
Mas verdes da cor do mar. 
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
Como se lê num espelho, 
Pude ler nos olhos seus! 
Os olhos mostram a alma, 
Que as ondas postas em calma 
Também refletem os céus; 
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
Dizei vós, ó meus amigos, 
Se vos perguntam por mi, 
Que eu vivo só da lembrança 
De uns olhos cor de esperança, 
De uns olhos verdes que vi! 
Que ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo 
Depois que os vi! 
 
Dizei vós: Triste do bardo! 
Deixou-se de amor finar! 
Viu uns olhos verdes, verdes, 
Uns olhos da cor do mar: 
Eram verdes sem esp'rança, 
Davam amor sem amar! 
Dizei-o vós, meus amigos, 
Que ai de mi! 
Não pertenço mais à vida 
Depois que os vi! 
 
 
Soneto (Álvaresde Azevedo) Pálida à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, 
Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar, 
na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d'alvorada Que em 
sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! o seio palpitando Negros olhos as pálpebras 
abrindo Formas nuas no leito resvalando Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti - as noites 
eu velei chorando, Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo! 
 
Amar! (Florbela Espanca) Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: 
Aqui...além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente Amar! Amar! E não amar ninguém! 
Recordar? Esquecer? Indiferente!... Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que 
se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma Primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei-de ser 
pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder... pra me 
encontrar... AZEVEDO, Álvares de. Jornal de Poesia. Disponível em: < 
http://www.jornaldepoesia.jor.br/avz.html>. Acesso em: 29 jan. 2022

Mais conteúdos dessa disciplina