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LITERATURA INFANTIL Profa. ME. ANDREIA ZINETTI PEDROSO Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenadora Pedagógica do Curso Fabiana Arf Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia G915b Sobrenome, Nome autor Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - Marília: Unimar, 2020. PDF (XXX p.) : il. color. ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X 1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6. palavra 7. palavra 8. palavra I. Título. CDD – 610.6952017 006 Aula 01: 014 Aula 02: 027 Aula 03: 034 Aula 04: 042 Aula 05: 051 Aula 06: 060 Aula 07: 068 Aula 08: 078 Aula 09: 087 Aula 10: 093 Aula 11: 100 Aula 12: 107 Aula 13: 114 Aula 14: 119 Aula 15: 127 Aula 16: O que é Literatura Infantil? História da Literatura Infantil Literatura Infantil e Ideologia As dimensões ética e estética na literatura Infantil Monteiro Lobato As histórias e o universo infantil A ilustração no livro infantil Critérios de avaliação de obras literárias Literatura Infantil e as Narrativas Literatura Infantil e as Escolas Literatura Infantil e Escolarização Literatura Infantil e Linguagem Oral Literatura Infantil, Leitura e Alfabetização Literatura Infantil e Educação Infantil Literatura Infantil e Ensino Fundamental Literatura Infantil e Contação de Histórias Introdução A Literatura Infantil é um instrumento essencial dentro do ambiente escolar para abrir as portas para o universo da imaginação da criança, pois, por meio de seu contato, ela é incentivada desde muito cedo, a praticar a leitura de forma prazerosa e signi�cativa. E se abordada de maneira criativa e lúdica, poderá incentivar o hábito da leitura que, por sua vez, proporciona o desenvolvimento das habilidades da escrita e da própria leitura, contribuindo assim para a formação de pessoas leitoras, pensantes e críticas, capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa para todos. O desenvolvimento da criança por meio da Literatura Infantil é possível, pois, além das possibilidades de aprendizagem de conteúdos, a literatura permite o desenvolvimento da ética e da estética por possuir funções éticas, estéticas, sociais e psicológicas. A Literatura Infantil contribui ricamente para o crescimento e aprendizagem da criança, pois no contato com as obras literárias a criança estabelece uma relação de sentidos e signi�cados, implicando no aperfeiçoamento do desenvolvimento da personalidade, valorizando os sentimentos e o senso crítico, aperfeiçoa a sensibilidade, estimula a imaginação, induz a compreensão da realidade e principalmente consegue, por meio do brincar, instigar na criança, o gosto pela leitura. Para conhecer e entender a importância da Literatura Infantil na formação da criança, enquanto pessoa e partícipe de uma sociedade, é necessário saber o conceito de Literatura Infantil e toda sua trajetória, até os dias atuais. Os primeiros livros direcionados ao público infantil surgiram no século XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam focando principalmente nos contos de fadas, que nem sempre foram de fadas. Esses contos nasceram de alterações feitas por esses e outros autores. Isso porque, historicamente, crianças nem sempre foram vistas como crianças, e sim, como adultos em miniatura. Desse contexto histórico até os dias de hoje, a Literatura Infantil foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância na vida das crianças – e também de muitos adultos. 4 Muitos autores surgiram em todo lugar do mundo, e nomes como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato �caram conhecidos e imortalizados dentro de cada leitor pela grandiosidade de suas obras. Porém, naquela época, a Literatura Infantil era tida como mercadoria, principalmente para a sociedade aristocrática, pois só ela tinha acesso às obras devido ao seu poder aquisitivo. Mas, felizmente, com o passar do tempo, a sociedade cresceu e se modernizou por meio da industrialização, expandindo assim a produção de livros, que podem chegar às mãos de todos. A partir daí, os laços entre a escola e a Literatura Infantil foram se estreitados. Essas são informações que serão “lidas e contadas” no decorrer dessa nossa aventura pelo fantástico mundo da Literatura Infantil. 5 01 O que é Literatura Infantil? 6 Caro aluno, Antes de conceituarmos Literatura Infantil, primeiro é necessário conceituar Literatura de um modo geral. Trata-se de uma palavra de origem latina: vem de littera, que signi�ca “letra”. Dessa forma, Literatura nos remete ao conjunto das habilidades de ler e escrever. Porém, no contexto desta disciplina, podemos de�ni-la como o conjunto de textos escritos, independentemente de tempo, lugar, autores, etc. A literatura também é uma das manifestações artísticas do ser humano tais como música, dança, teatro, escultura e arquitetura, dentre outras, pois ela representa comunicação, linguagem e criatividade e é considerada a arte das palavras. Trata-se, portanto, de uma manifestação artística muito antiga que utiliza as palavras para criar arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras. Assim como toda arte, a literatura é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através dos olhos e do espírito do artista e retransmitida por meio da língua para as formas (os gêneros literários), e com os quais ela toma corpo e uma nova realidade (COUTINHO, 1975 apud ALMEIDA, 2007). Sendo assim, passa a viver outra vida autônoma e independente do autor e da experiência de realidade de onde originou. Os fatos que deram origem à literatura perdem a realidade primitiva e adquire outra graças à imaginação do artista. 7 O Papel da Literatura A função da literatura para o ser humano é muito importante, pois ela provoca sensações e efeitos estéticos que permite uma melhor compreensão de si e da sociedade. A arte literária representa recriações da realidade produzidas de maneira artística, ou seja, possui um valor estético em que o autor se utiliza das palavras em seu sentido conotativo (�gurado) para oferecer maior expressividade, subjetividade e sentimentos ao seu texto. A literatura possui um importante papel social e cultural envolvido no contexto em que foi criada, posto que abarca diversos aspectos de determinada sociedade (tempo e espaço), dos homens e de suas ações e, portanto, provoca sensações e re�exões do leitor. [...] a literatura aparece ligada a essa função essencial: atuar sobre as mentes, nas quais se decidem as vontades ou as ações; e sobre os espíritos, nos quais se expandem as emoções, paixões, desejos, sentimentos de toda ordem […]. No encontro com a literatura (ou com a arte em geral) os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida, em um grau de intensidade não igualada por nenhuma outra atividade (COELHO, 2000, p. 29). Dessa forma, os leitores constroem signi�cados sobre aquilo que ouvem ou leem usando seus conhecimentos prévios, criando imagens que estão ligadas às suas próprias experiências e interações humanas, construindo signi�cados na medida em que interagem com outras crianças e/ou adultos ao compartilhar histórias. 8Conceituando Literatura Infantil Primeiramente, literatura infantil é arte; é fenômeno de criatividade que representa a vida, o mundo e a realidade na qual estamos inseridos. Ela enriquece a imaginação da criança, oferece-lhe condição de criar, ensinado-lhe a se libertar pelo espírito, levando-a a usar o raciocínio e a cultivar a imaginação e a liberdade. A principal questão relativa à literatura infantil diz respeito ao adjetivo que determina o público que se destina. A literatura, enquanto só substantivo, não predetermina seu público. Supõe-se que este seja formado por quem quer que esteja interessado. A literatura com adjetivo, ao contrário, pressupõe que sua linguagem, seus temas e pontos de vista objetivam um tipo de destinatário em particular, o que significa que já se sabe, a priori, o que interessa a esse público específico (CADEMARTORI, 2006, p.8). Partindo das ideias de Cademartori (2006), ressaltamos que o que de�ne a literatura infantil é o público destinado, considerando suas características, linguagens e especi�cidades. Ou seja, a literatura infantil é um gênero literário de�nido pelo público ao qual se destina. Determinados textos são considerados pelos adultos como próprios para a criança ler e, a partir desse juízo, esses textos recebem a de�nição de gênero, nesse caso, literatura infantil. 9 Diante dessa perspectiva, a literatura infantil se caracteriza pela forma de endereçamento ao seu público. Assim, literatura infantil é aquela que estimula a criança a viver aventuras com a linguagem e seus efeitos, dando a possibilidade de signi�car, de dar sentido ao que lê. Sendo a literatura uma das produções humanas mais importantes para a formação do indivíduo, a�rmamos que a criança deve ter acesso à literatura, associando e harmonizando a imaginação, fantasia e a realidade, visando satisfazer suas exigências internas e desejos imaginários. Pois, o objetivo da literatura infantil é que seja desenvolvida a emoção, a sensibilidade, a imaginação e a fantasia da criança, que são extremamente importantes na sua humanização, ou seja, na sua constituição enquanto ser humano. 10 Leia uma análise do livro em acessando o link: Disponível aqui Na obra “O que é literatura Infantil”, a autora Ligia Cademartori faz uma discussão a respeito do gênero literário, seus comprometimentos e desa�os, além de comentar algumas obras de autores brasileiros e estrangeiros, possibilitando a análise das intenções dos textos destinados às crianças. A Importância da Literatura Infantil A Literatura Infantil proporciona à criança conhecer a si e ao mundo, incentivando a sua curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o seu conhecimento em relação ao mundo físico e social, objetivos elencados como eixos do currículo nas práticas pedagógicas. 11 https://pedagogiaaopedaletra.com/analise-do-livro-o-que-e-literatura-infantil/ Assim como Nunes (1990), acreditamos que a literatura, além de introduzir as crianças ao mundo da escrita, traz também as dimensões éticas e estéticas da língua ao tratá- la enquanto arte, exercendo um importante papel na formação do ser humano e do sujeito. Dessa forma, o contato da criança com a literatura é essencial para a sua formação como leitor de mundo e, além disso, quanto mais cedo as histórias orais e escritas forem inseridas em seu cotidiano, maiores serão as chances do desenvolvimento do prazer e gosto pela leitura. Atualmente, a dimensão de Literatura Infantil é mais ampla e importante, pois é vista como instrumento que proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutível. Ademais, no ambiente familiar o hábito da leitura fortalece o elo da criança com sua família ou responsáveis, tornando-o, no futuro, um adulto mais seguro. Nessa perspectiva, o livro infantil é um recurso importantíssimo para o desenvolvimento de capacidades e habilidades de ordem cognitiva e socioafetiva, tais como a coordenação motora, a criatividade e a percepção visual, além de garantir o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, pois os textos literários infantis provocam nas crianças re�exões de natureza cognitiva e afetiva, permitindo a ela entrar em um mundo desconhecido, porém, instigante, que desenvolve o imaginário e desperta a 12 curiosidade. Considerando a leitura como uma forma de se perceber o mundo e a realidade que o cerca, a literatura infantil possibilita a formação de sujeitos capazes de entender a realidade social e nela atuar. Os livros de Literatura Infantil podem ser inseridos na vida das crianças desde a mais tenra idade, já nos primeiros contatos com o ambiente familiar e escolar, aproximando-as de diversos contos e histórias, com inúmeros métodos e diferentes razões e objetivos. Pode-se observar a necessidade da leitura que emerge em cada indivíduo da sociedade, quando tudo lhe é experimentado e vivido em forma de leitura ou escrita. Sem esses meios, o homem social está limitado à margem, não convive com o social, cultural e histórico. Ressaltamos ainda a importância do desenvolvimento criativo, imaginário, intelectual e humano quando da inserção do livro no ambiente familiar e escolar, possibilitando a criança a conhecer a si mesmo e o mundo no qual está inserida, dando-lhe assim a oportunidade de criá-lo, alterá-lo ou reconstruí-lo. 13 02 História da Literatura Infantil 14 Caro aluno, Historicamente, a origem da literatura infantil está associada ao surgimento da concepção de criança e de infância, pois até o início do século XVII, a infância era ignorada e as crianças conviviam igualmente com os adultos, ou seja, não havia um mundo infantil dissociado da realidade do adulto. A criança era tratada como um “adulto em miniatura” e participava de todo o convívio social. Portanto, não se escrevia para as crianças e, consequentemente, também não existiam histórias próprias para elas. Assim, elas ouviam as mesmas histórias que eram contadas e ouvidas pelos adultos. Em meados do século XVII, a criança passa a ser considerada e vista como um “adulto em potencial”, ou seja, um “ser diferente” do adulto, com especi�cidades e necessidades próprias, havendo assim o distanciamento da vida “adulta” e recebendo uma educação diferenciada, que a preparasse para essa vida. Nesse momento, a criança se torna um indivíduo que precisa de atenção diferenciada e especial demarcada pela idade. Dessa forma, o adulto passa a idealizar a infância, vendo a criança como um indivíduo inocente e dependente devido à sua falta de conhecimento e experiência com o mundo no qual está inserida. E assim, a literatura passa a ser considerada como um importante instrumento na busca da maturação da criança. Até hoje, muitos de nós têm essa concepção da infância como o espaço da alegria, da inocência, da fantasia e com conhecimentos a serem construídos a cerca do mundo real e de si mesma. Então, partindo dessa concepção, os livros são escritos com o objetivo de educar e auxiliar as crianças no conhecimento da realidade e na sua constituição e humanização. História da Literatura Infantil A literatura infantil surgiu no século XVII com Fenélon (1651-1715), que foi um teólogo católico, poeta e escritor francês, com ideias liberais sobre política e educação, que escreve, entre outras obras, Fábulas e As Aventuras de Telêmaco, com o objetivo de educar moralmente as crianças. As histórias tinham uma estrutura maniqueísta, ou seja, partia do Maniqueísmo, uma doutrina que consiste no con�ito entre o Bem (reino das luzes) e o Mal (reino das sombras); tudo isso com o objetivo de demarcar claramente o bem a ser aprendido e o mal a ser desprezado pelas crianças. 15 Capa e página de rosto de uma tradução inglesa de As Aventuras de Telêmaco de 1715 Fonte: Disponível aqui Essa característica maniqueísta é uma tradição ainda presente na maioria dos contos de fadas e fábulas atuais e outros textos contemporâneos. Mas naquele momento, a Literatura Infantil constitui-secomo gênero em meio a transformações sociais e culturais. No mesmo século, em 1697, o também francês Charles Perrault (1628- 1703) trouxe ao público histórias e contos do período da Idade Média, porém com as moralidades da época. Perrault foi considerado “pai da Literatura Infantil” ao coletar contos e lendas populares da idade Média e adaptou, retirando passagens obscenas de 16 https://pt.wikipedia.org/wiki/Les_Aventures_de_T%C3%A9l%C3%A9maque#/media/Ficheiro:Fenelon_Telemachus_Curll_1715.png Charles Perrault Fonte: Disponível aqui conteúdo incestuoso e canibalismo, constituindo assim os chamados “contos de fadas”. E assim, o livro “Contos da Mamãe Gansa” reúne os famosos contos: A Bela Adormecida no bosque, Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, As Fadas, A Gata Borralheira, Henrique do Topete e O Pequeno Polegar. 17 https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault#/media/Ficheiro:Charles.Perrault.jpg Ilustração do desenhista francês Gustave Doré para “Chapeuzinho Vermelho” Fonte: Disponível aqui Perrault desempenhou o trabalho de adaptador ao coletar contos populares e lhes acrescentar detalhes que respondiam ao gosto e aos interesses da classe à qual eram endereçados: a burguesia. Além dos propósitos moralizantes, que não condiziam com a camada popular da qual vieram os contos, mas com os interesses pedagógicos burgueses, observavam-se aspectos e temas que não vinham do povo, tais como: a vida na corte, a moda feminina e o mobiliário, entre outros. A obra de Perrault constituiu-se na mais célebre e referida da literatura francesa, pois une literatura às teorias sociológicas, psicológicas e ao folclore. Charles Perrault, coletor de contos populares, realiza seu trabalho após a Fronde, movimento popular contra o governo absolutista no reinado de Luís XIV, cuja repressão deixou marcas de terror na França. Os contos chegam à família Perrault através de contadores que, na época, se integravam à vida doméstica como servos. Considere-se que se trata de um momento histórico de grande tensão entre as classes. O burguês Perrault despreza o povo e as superstições populares e, como homem culto, as ironiza. Seus contos, em alguns momentos, caracterizam-se por um certo sarcasmo em relação ao popular. Ao mesmo tempo, são marcados pela 18 https://pt.wikipedia.org/wiki/Capuchinho_Vermelho#/media/Ficheiro:Dore_ridinghood.jpg Wilhelm e Jacob, os Irmãos Grimm Fonte: Disponível aqui preocupação de fazer uma arte moralizante através de uma literatura pedagógica. (CADEMARTORI, 1987, p. 35 e 36) Já no século XIX, outra coleta e uma adaptação de contos populares foram realizadas na Alemanha pelos irmãos Grimm, alargando a antologia dos contos de fadas. Os irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) eram acadêmicos, linguistas, poetas e escritores que se dedicaram ao registro de várias fábulas infantis, ganhando assim grande notoriedade na Literatura Infantil. Estudiosos a�rmam que o que motivou os irmãos Grimm foi o surgimento do romantismo. O nacionalismo romântico e as tendências de valorização da cultura popular alemã, no início do século XIX, �zeram ressurgir o interesse por contos de fadas, que estavam em declínio desde seu clímax, do �nal do século XVII. Assim, os Grimm ajudaram o renascimento com sua coleção de folclore, construída na convicção de que uma identidade nacional só poderia ser encontrada no povo comum e em sua cultura popular. Embora tivessem coletado e publicado contos como um re�exo da identidade cultural alemã, na primeira coleta eles também incluíram os contos de Charles Perrault. Publicado em 1812, Contos Infantis e Domésticos traziam 19 https://pt.wikipedia.org/wiki/Capuchinho_Vermelho#/media/Ficheiro:Grimm.jpg contos como João e Maria, Rapunzel entre outros, não foi um sucesso imediato. Mesmo assim, as publicações subsequentes consolidaram a eles a reputação de inovadores estudiosos da literatura infantil. Acesse o link: Disponível aqui Assista a uma análise do relançamento em dois volumes de Contos Infantis e Domésticos. Vale a pena! 20 https://www.youtube.com/watch?v=wi322bgsbDA Acesse o link: Disponível aqui Ao longo dos séculos, os contos de fadas literários passaram por diversas transformações que ofuscaram sua verdadeira origem. Isso porque as histórias têm origem em tempos do passado, em versões que eram bem diferentes de como conhecemos atualmente. A princípio, um conto de fadas não era bem inspirado no lado lúdico das fadas. Pelo contrário: eram carregados de detalhes pra lá de agressivos. Na verdade, antes mesmo de serem histórias infantis (uma vez que nem o conceito de infância era conhecido), serviam como contos que uniam as comunidades e educavam a população. Ao longo de um período de 40 anos, os irmãos Grimm publicaram sete edições da coleção de contos populares. Porém, a edição �nal, que foi publicada em 1857, é a mais conhecida e diferente da primeira, tanto em estilo quanto em conteúdo. Mas é a partir de 1815 que os livros passam a contar com ilustrações. Portanto, as histórias da primeira edição são mais �éis à tradição oral do que as da última, que, juntamente com as adaptações de Wilhelm, trazem uma abordagem mais literária. E assim, a literatura infantil se constituiu através das narrativas desses e de outros escritores como o dinamarquês Cristian Andersen (O patinho feio), o italiano Collodi (Pinóquio), o inglês Lewis Carrol (Alice no país das maravilhas) e o escocês James Barrie (Peter Pan), entre outros. Ao longo dos tempos, a Literatura Infantil foi se desenvolvendo conforme a concepção de criança em cada tempo social, cultural e histórico. Assim, no ambiente escolar também são essas implicações que in�uenciam a sua utilização dentro das salas de aula. 21 https://segredosdomundo.r7.com/conto-de-fadas/ Capa de “Contos da Carochinha” de 1931 e uma versão atual da obra Fonte: Disponível aqui Origem da Literatura Infantil no Brasil No Brasil, a Literatura Infantil teve início após a implantação da Imprensa Régia, em 1808, com a chegada de D. João VI ao país. A Literatura Infantil existia por meio das obras publicadas que eram traduções e adaptações das obras portuguesas ou textos não literários escritos por pedagogos com intenções didáticas e/ou moralizantes. Um dos primeiros autores a fazer traduções e adaptações dos contos europeus para o Brasil foi Alberto Figueiredo Pimentel, que em 1894 publicou Contos da carochinha. 22 https://bllij.catedra.puc-rio.br/index.php/2017/01/24/contos-da-carochinha/ Fonte: Disponível aqui Considerando que as obras adaptadas eram de origem europeia, o primeiro registro de literatura infantil genuinamente brasileira dá-se pelas mãos de Monteiro Lobato, em 1920, com a obra A menina do narizinho arrebitado. Lobato, que era um nacionalista ardoroso, desenvolveu aventuras para nossas crianças com características típicas brasileiras, integrando costumes do campo e lendas do nosso folclore. Obras como O sítio do Pica-pau Amarelo destacam bem as características da vida rural e da cultura brasileira da época, além de também destacar as questões sociais. As principais e mais conhecidas são: A menina do narizinho arrebitado, Reinações de Narizinho, Fábulas de Narizinho, Emília no país da gramática, Memórias de Emília e Jeca Tatuzinho, entre tantas outras. 23 https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Menina_do_Narizinho_Arrebitado#/media/Ficheiro:A_Menina_do_Narizinho_Arrebitado_(Capa).png “A Arca de Noé” (1980), de Vinicius de Moraes | “Lili Inventa o Mundo” (1983), de Mário Quintana Fonte: Disponível aqui Nos décadas de 1940 e 1950, o novo desa�o era manter uma continuidade na produção de livros e construir um público cativo. Para tanto, as editoras e os escritores estavam se pro�ssionalizando, e a produção se tornou mais intensa. Na tentativa de ampliar essa produção, as editoras optaram pela solução considerada mais prática e voltaram a investir em traduções e adaptações. Nessa época, o Brasil estava deixando de ser um país rural, porém, ainda havia os defensores da agricultura como principalsustentadora da economia do país, e isso se re�etiu em muitas histórias infantis ambientadas em sítios e fazendas e, especialmente, sobre o café. Mas com a decadência dessa política econômica, já na década de 1960, as histórias ganharam as cidades, e a literatura infantil assumiu uma temática urbana e passa a valorizar elementos políticos, e escritores renomados como Mário Quintana, Vinícius de Moraes e Clarice Lispector se interessam em escrever para o público infantil. 24 https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_obras_de_Vinicius_de_Moraes “O Menino Maluquinho” (1980), de Ziraldo | “Bisa Bia, Bisa Bel” (1981), de Ana Maria Machado Fonte: Amazon. Na década de 1970, o objetivo no âmbito educacional era erradicar o analfabetismo no Brasil, assim, houve a criação e do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), que não obteve resultados positivos. A continuidade da situação de subdesenvolvimento no Brasil mostrou que os problemas não se resolviam com o investimento na alfabetização dos adultos, nem com a facilidade de ingressar no ensino superior. “Diante dessa situação, buscou-se uma nova alternativa: investir no ensino básico, valorizando o livro como instrumento indispensável para o desenvolvimento intelectual das crianças” (RODRIGUES ET AL., 2013). Nesse período, despontam grandes escritores, como Ziraldo, Ana Maria Machado e Ruth Rocha. 25 Nas últimas décadas, a literatura infantil passou a ser tema de estudos e seminários e, no âmbito educacional, observam-se esforços dos diversos níveis de ensino, do básico ao superior, para propor a leitura como forma de promover recuperações no sistema de educação (RODRIGUES ET AL., 2013). Assim, a escola volta-se para a Literatura Infantil com interesses imediatos, como o de expandir o domínio linguístico dos alunos e auxiliá-los a escrever melhor. 26 03 Literatura Infantil e Ideologia 27 Caro aluno, Além do conceito mercadológico, a Literatura Infantil é permeada de aspectos pedagógicos, sociológicos e psicológicos. Veremos a seguir apontamentos que devem ser considerados acerca dessas questões. A história e trajetória da Literatura Infantil foram marcadas principalmente por fins pedagógicos, ou seja, o intuito educativo deu à Literatura Infantil uma visão de não representação da arte, e sim, de função didático-pedagógica, o que pode ter gerado a produção de menor qualidade de obras. A Literatura Infantil é considerada uma ferramenta indispensável na ação pedagógica, sendo utilizada no processo de aquisição de leitura e de alfabetização de crianças, e de suma importância na construção do saber coletivo e individual, pois a alfabetização, em conjunto com a Literatura Infantil, tem o potencial de se tornar mais acessível e lúdica. A Literatura Infantil é também parte integrante na ação pedagógica do docente para a formação integral da criança, pois possibilita a ligação entre ler e escrever, além do resgate padrão da língua e de estruturas mais complexas, desenvolvendo de modo globalizado e o desempenho do falante. Desse modo, por meio da leitura, é possível dominar as regras da norma culta: a acentuação grá�ca a colocação dos pronomes, o emprego dos verbos, além da regência e concordância. Tudo isso sem a necessidade de obrigar o aluno à árdua tarefa da aprendizagem mecânica, por meio de memorização de regras gramaticais e com a grande vantagem de assimilação da linguagem, que terá repercussões não só na escrita, mas também na fala e na própria leitura. Atualmente, o movimento da Literatura Infantil, ao disponibilizar textos escritos abertos a múltiplas leituras, transforma a literatura para crianças em suporte para experimentação do mundo. Dessa forma, as histórias contemporâneas, ao apresentarem as curiosidades e dúvidas da criança em relação ao mundo, abrem espaço para o questionamento e a re�exão, provenientes da leitura. É evidente que a Literatura Infantil faz parte da evolução escolar e da construção humana. Assim, é por intermédio do hábito da leitura e também de contação de histórias, que proporcionamos às crianças a evolução de habilidades e competências, preparando-as para os desa�os do mundo atual. 28 Re�etir sobre como a Literatura Infantil contribui para a constituição de leitores permite compreender o quanto é essencial incentivar a leitura desde cedo, lendo ou contando histórias, possibilitando a criança o maior contato com os livros, pois cabe à escola mediar a interação da criança com o meio literário com o objetivo de formar leitores. Desse modo, cabe ao professor saber utilizar a Literatura Infantil como ferramenta que viabilize ao aluno compreender melhor as mudanças, os pensamentos e os fatos históricos, de forma a contribuir para seu desenvolvimento, formando uma criança com autonomia e pensamento crítico. Funções Sociológicas da Literatura Infantil O resgate do aspecto e social da literatura pela burguesia tem repercussões até a atualidade. A Literatura Infantil privilegia textos direcionados às crianças com o objetivo de modi�car o comportamento infantil ao reforçar os valores sociais vigentes 29 que são apresentados como modelos a serem assimilados e seguidos. Portanto, a�rmamos a existência de aspectos que ressaltam a função social da literatura infantil, pois é na infância que se desenvolve o hábito da leitura. Nos seus primórdios, a Literatura Infantil surge com função formadora, pois apresenta modelos de comportamento que facilitam a integração da criança na sociedade. As autoras Lajolo e Zilberman (1999) a�rmam que a valorização da família na sociedade burguesa é responsável por transformar a leitura em prática social, quando se constituiu em atividade privada nos lares tendo o livro como instrumento ideal para a formação da moral burguesa. Desde então, de acordo com essas autoras, “ser leitor, papel que, enquanto pessoa física, exercemos, é função social, para a qual se canalizam ações individuais, esforços coletivos e necessidades econômicas” (LAJOLO; ZILBERMAN, 1999, p. 14). A Literatura Infantil aparece no contexto histórico-social de�nido como a ascensão da burguesia e a posição que a criança passa a assumir na família. Segundo Lajolo e Zilberman (1999), a nova unidade familiar, centrada no pai-mãe-�lhos e fortalecedora do Estado, privilegia a criança como um ser merecedor de atenção especial com status próprio, para o qual convergem as preocupações com a saúde, a educação e a religiosidade. Acesse o link: Disponível aqui Tomada em seu sentido mais literal e restritivo, a sociologia da literatura pode ser considerada uma especialidade da sociologia, consagrada a analisar as obras a partir de um eixo interpretativo que transcende a con�guração linguística e discursiva. Na atualidade, no contexto brasileiro, tem-se uma cena social plural, com duas realidades distintas, sendo que de um lado há crianças com pouco ou nenhum acesso ao livro infantil e à leitura, e, de outro, há crianças com facilidade aos bens de consumo, entre eles a Literatura Infantil. Inclusive, essa disparidade nacional, é 30 https://www.scielo.br/pdf/soc/v20n48/1517-4522-soc-20-48-9.pdf destacada nos livros infantis que apresentam a realidade com os problemas sociais, políticos e econômicos. Assim, a Literatura Infantil desempenha uma importante função social que é fazer com que a criança, por meio de suas histórias, também perceba intensamente a realidade que a cerca. Diante disso, nas palavras de Caldin (2003), dizemos que a função social da Literatura Infantil é facilitar ao a criança compreender e, assim também se emancipar dos dogmas que a sociedade lhe impõe. E isso só é possível pela re�exão crítica e pelos questionamentos proporcionados pela leitura. Assim, se a sociedade busca a formação de um novo homem, ela terá que se concentrar na infância – e consequentemente na Literatura Infantil – para atingir esse objetivo. Aspectos Psicológicos da Literatura Infantil Não há dúvidas de que Literatura Infantil, desde os seus primórdios, vem proporcionando experimentações positivas e negativas à criança.O que queremos saber é até que ponto isso pode in�uenciar na construção de sua personalidade. A Literatura Infantil nunca é apenas Literatura Infantil, ou seja, nas entrelinhas do que lemos tem sempre um intuito, um objetivo, uma função, inclusive psicológica. A fantasia, integrante das narrativas infantis, é vista como um benefício à formação da criança, mas desde que, ao �nal da leitura de seu livro, ela volte de sua viagem ao mundo imaginário para o real (BLANCO ET AL., 2015). Para Bettelheim (1980), na Literatura Infantil são os contos de fadas que têm maior capacidade de desenvolver a personalidade da criança. Pois, os con�itos e dilemas propostos à criança, nesse tipo de narrativa, preparam-na para lidar ou encontrar soluções quando experiências e con�itos desse tipo forem vivenciados no mundo real. Os contos de fadas declaram que uma vida compensadora e boa está ao alcance da pessoa apesar da adversidade – mas apenas se ela não se intimidar com as lutas do destino, sem as quais nunca se adquire verdadeiramente identidade (BETTELHEIM, 1980, p. 32). 31 Por meio da fantasia proporcionada pelas narrativas dos contos de fadas, a criança entra em contato com valores vigentes, além de assimilar e aprender noções de bom ou mau, certo ou errado. Sendo assim, os contos infantis são responsáveis pela formação de uma hierarquia de valores e de referências que contribui para “moldar” comportamentos e in�uenciar mentalidades (GOMES 2004 apud BLANCO ET AL., 2015). Coelho (2005 apud BLANCO ET AL., 2015) declara que, ao entrar em contato com o livro, há uma autoconscientização do leitor sobre o outro, criando vínculos e permitindo a solidariedade. É interessante também o fato da literatura possibilitar que a criança entre em contato com padrões e valores de outras sociedades ou épocas distintas, pois a in�uência dos contos de fadas sobre o aspecto social é indispensável na educação e na formação da personalidade e do caráter. Com relação ao aspecto emocional, os impactos exercidos pelos contos de fadas sobre os adultos vêm da importância dessas narrativas na infância, pois o que �ca de um conto de fadas para criança é o que ele fez re�etir na sua subjetividade (CASHDAN apud BLANCO ET AL., 2015). É possível observar nas crianças a apropriação das narrativas com vistas à resolução de dramas íntimos ou identi�cação com um momento presente. 32 Fonte: Disponível aqui A Literatura Infantil é uma transposição do mundo real para o ilusório por meio de uma estilização formal, que propõe um tipo arbitrário de ordem para as coisas, os seres e sentimentos. Nela se combinam um elemento de vinculação à realidade natural ou social, juntamente com aspectos psicológicos e educacionais. A Literatura Infantil, por meio de suas obras, implica na formação do indivíduo, pois é permeada por aspectos sociológicos, psicológicos e pedagógicos. Ao entrar no mundo encantado da leitura, o indivíduo, seja criança ou adulto, é levado a questionamentos a cerca do mundo e de si mesmo e, essa re�exão pode acarretar em mudanças signi�cativas em suas vidas. 33 https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/giria-e-jargao-a-lingua-mudaconforme-situacao.htm 04 As dimensões ética e estética na literatura Infantil 34 Caro aluno, Ler é muito importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural do indivíduo. Por isso, é de grande importância que a criança leia e possa posteriormente discutir e conversar sobre o que ela leu, o que a história lhe trouxe de bom, os valores morais que a história lida lhe apresenta, etc. Nesse momento, cabe ao adulto assumir o papel de mediador dessa discussão, de modo a trazer e enfatizar os fatos ocorridos na história para a realidade, para o universo da criança. A moralidade infantil está muito presente na Literatura Infantil, e o educador acaba por trabalhar sempre com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o desenvolvimento, o interesse e o envolvimento de estruturas cognitivas e afetivas para solucionar os problemas, os dilemas e as situações que compõem as histórias, que envolvem questões morais, contribuindo para o processo de construção da moralidade infantil. Literatura Infantil e Educação Moral De acordo com alguns estudiosos da Literatura Infantil, a moral deve ser construída pelo indivíduo por meio da re�exão de situações de con�ito e de suas ações no mundo, e não sendo algo imposto. Daí a importância das práticas pedagógicas dos professores nas instituições escolares, a partir da Literatura Infantil, com vista a favorecer o enriquecimento e o desenvolvimento dos valores morais, culturais e principalmente linguísticos das crianças. Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na interação com o meio social que vive. E sendo a moral um conjunto de regras que regulam a conduta e o julgamento humano, quanto mais claro e permeado pelo discernimento for esse conjunto de regras, mais autônomas e acertadas serão as escolhas que tem como critério a moralidade (FERREIRA E ROSA, 2015). Ainda segundo Ferreira e Rosa (2015), a Literatura Infantil, por meio de suas histórias, pode favorecer a re�exão moral da criança. Na formação do sujeito, a ética e a educação estão extremamente ligadas, pois a educação transmite conceitos e valores, 35 além de trabalhar com temas como a própria ética, moral, virtudes, igualdade, democracia, justiça, etc. No cotidiano, é muito comum ética e moral serem empregadas como sinônimos, já que referem a um conjunto de princípios e de padrões de conduta humana. Às vezes ética pode signi�car a �loso�a da moral, e a moral por muitas vezes pode estar relacionada, para alguns, ao moralismo. A moral que destacamos aqui não tem relação com o moralismo (NUNES, 2013 apud FERREIRA E ROSA, 2015). A moral também pode ser entendida como “um conjunto de valores e normas a serem seguidas, e a ética como a re�exão desses valores” (FERREIRA E ROSA, 2015, p. 437). A educação alicerçada em valores é muito importante para a formação da personalidade moral da criança. A prática pedagógica que utiliza os textos literários, com o objetivo de tratar sobre os valores morais, promove discussões dessas narrativas permitindo que as crianças tenham experiências mais signi�cativas, possibilitando assim, que elas se encantem e se maravilhem com o mundo, alargando os conceitos que envolvem sua moralidade. As histórias têm por objetivo provocar nas crianças questionamentos, pensamentos e indagações sobre seu conteúdo e contexto, bem como sobre os valores transmitidos no enredo, o que lhes proporciona escolhas cada vez mais autônomas (NUNES, 2013 apud FERREIRA E ROSA, 2015). É importante – e também ético por parte do educador – ao trabalhar os valores morais a partir das histórias, promover debates que permitam 36 o envolvimento e a expressão da criança sobre o que pensa a respeito do tema explorado. Nada mais prazeroso e e�ciente do que trabalhar esses valores de forma lúdica e imaginativa com os personagens das histórias. Para promover a autonomia dos alunos na construção desses valores, e não como uma obrigatoriedade imposta pelo educador, o ambiente escolar deve estar organizado para que haja interação e trocas ideias (OLIVEIRA, 2007 apud FERREIRA E ROSA, 2015). O papel do educador nesse momento é auxiliar para que os alunos possam se aprofundar em suas re�exões, ao mesmo tempo em que trabalham seus sentimentos e emoções, valorizando suas próprias ideias, assim como as de seus colegas. E, assim, com postura ética, o educador favorece o escutar e o argumentar, engajados no respeito mútuo, estimulando o desenvolvimento da autonomia e compreensão das diferenças individuais (empatia). Conforme Ferreira e Rosa (2015), ainda, por meio das narrativas literárias e seus personagens, as crianças se deparam com questões éticas do seu cotidiano e repensam seus conceitos sobre o que é certo ou errado, bom ou ruim, justo ou injusto, num processo de construção e reconstrução de seus valores. Destaca-se que esseprocesso de construção e reconstrução de valores morais não é um processo rápido, pois cabe ao educador a função de instigar a discussão, de ser o mediador que estabelece uma ponte entre os personagens das histórias e os personagens da vida real, ou seja, do mundo social da criança. A moralidade da criança é construída a partir de suas experiências vividas no meio social e com os indivíduos desse meio. Ao ler, a criança se depara com os dilemas dos personagens, é levada a pensar em seus próprios valores e seu julgamento moral tende a se desenvolver num contexto de empatia, no qual o outro não é deixado de lado em detrimento de um egocentrismo infantil exacerbado. Daí vemos mais um motivo que destaca o valor e a importância da presença da literatura infantil na vida de nossas crianças. 37 A Função Estética da Literatura Em seus estudos, o escritor e �lósofo italiano Umberto Eco faz uma discussão sobre a função da literatura, pois, uma vez relacionada à estética, ela se instaura como objeto estético, e outra ótica é percebida na relação entre o autor e o público (OFFIAL, 2012). Diante disso, há a alteração na forma de lidar com a literatura, seja no campo da pedagogia ou na história da arte. Ao contrário de uma função utilitária, que reduz a obra literária aos pretextos, a função estética amplia os nossos sentidos e permite a contemplação da obra pelas vias artísticas. Segundo Eco (2010), ao ler uma obra literária o sujeito pode ser levado a múltiplas possibilidades de interpretação, pois a obra aberta é inacabada, inde�nida. E quanto mais a obra se abre para a multiplicidade, mais caminhos oferecem ao leitor. Essa obra é aberta, pois conta com as experiências vividas pelo sujeito. A literatura, e consequentemente a Literatura Infantil, nos permite caminhos para diferentes “olhares” de novíssimos ou antigos estilos e formas, surgindo diante desses olhares novas sensações e percepções da imagem do mundo. O texto literário pode tirar o leitor de seu estado de acomodação e levá-lo a percorrer caminhos de questionamentos, de negação, de a�ição, de perda; derrubar pensamentos e crenças e a correr em busca de um novo sentido. Quando isso acontece somos levados à re�exão crítica, ao pensamento mais elaborado do abstrato, como também à fruição estética (ato de tirar prazer daquilo que possui um formato artístico, seja pela sua beleza e feiura, ou pelos sentimentos que despertam no indivíduo) por meio dos usos artísticos da linguagem. Segundo Culler (1999 apud OFFIAL, 2012), a literatura como função estética não conduz o leitor a um pensamento único, mas ensina a sensibilidade. A literatura desvincula-se de pretextos e assume a obra literária como “objeto estético”, permitindo um “gozo”, prazer, reação causada pelo embate entre obra e leitor. Quanto mais contato com os livros, mais possibilidade tem um indivíduo de compreender o mundo e o seu contexto, pois a leitura permite o desenvolvimento de um “olhar” que amplia o conhecimento e o autoconhecimento. 38 É comum ouvirmos que ler é dar asas à imaginação, isso porque a leitura nos tira de uma realidade e, longe dela, conseguimos compreendê-la e, consequentemente, modi�cá-la. Diante disso, devemos compreender a importância da literatura no processo do desenvolvimento do ser humano. A literatura é arte, e como tal está relacionada à formação estética do ser humano, cabe a nós educadores compreender como essa obra literária entra na escola e de que forma é explorada, e traçarmos novas estratégias para que, a partir da Literatura Infantil, promover experiências e fruição estética às crianças. Dessa maneira, poderemos contribuir para a formação estética de nossas crianças, pois lidando com esse saber sensível e ampliando sua visão de mundo, haverá compreensão do sentido dos fatos, tornando o sujeito mais crítico e re�exivo. Acesse o link: Disponível aqui Ainda que tanto a Estética (parte da Filoso�a voltada para a re�exão relativa à Beleza e ao fenômeno das Artes) como a Literatura sejam conceitos sempre em discussão, podemos entender a experiência estética literária como a soma da percepção/apreensão inicial de uma criação literária e das muitas reações (emocionais, intelectuais ou outras) que está suscita, em função das características especí�cas postas em jogo pelo autor na sua produção. Tal produção literária é – ela também – uma experiência estética, cujo resultado seu criador quer fazer único e inconfundível, com marcas que ele gostaria que fossem percebidas pelo leitor como pegadas no caminho da leitura de sua obra. 39 http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/experiencia-estetica-literaria Se a literatura foi útil em outras épocas para o ensino de componentes curriculares ao atender às demandas de uma escola que poucos livros dispunham, hoje já não se insere como tal, pois são outros tempos, com outras ideias e concepções. Diante disso, a escola deveria abrir suas portas para experiências artísticas, proporcionando aos alunos o contato com obras literárias, música, teatro e obras de arte, desencadeando sentimentos e emoções, e valorizando, dessa forma, a formação estética do sujeito (OFFIAL, 2012, p. 9). De forma implícita, a Literatura Infantil traz valores morais em si. E é no contexto escolar que há uma educação moral, proposta para as crianças por meio do trabalho com os livros literários e o diálogo. As histórias pertencentes à vasta Literatura Infantil são compostas, muitas vezes, por valores morais e éticos que possibilitam experiências em que as crianças podem vivenciar, de alguma forma, situações valorativas. 40 Embora os valores (bem como a sociedade), venham sofrendo mudanças e sendo reformulados de acordo com a cultura vigente, as concepções éticas e a conduta moral precisam, cada vez mais, ser discutidas, pois uma conduta moral pode ser correta para uma pessoa e não ser para a outra, pois isso depende da cultura e re�exão de cada um. Quanto mais o sujeito lê, mais possibilidades ele tem de compreender o seu entorno e a si próprio, pois a literatura pode proporcionar, além dos momentos de prazer, o desenvolvimento das habilidades cognitivas e da consciência mais humana. Diante disso, ensinar exige uma formação estética, pois há a necessidade de desenvolver um saber sensível, nos alunos, mas também nos educadores. A sensibilidade também é algo passivo de educação, ou seja, também podemos ser educados sensivelmente, e para isso podemos contar com a Literatura Infantil. 41 05 Monteiro Lobato 42 Caro aluno, É impossível tratar de Literatura Infantil brasileira sem falar de Monteiro Lobato. Considerado o “pai” de nossa literatura, ele até hoje vive na memória e no imaginário de nossas crianças (muitos já adultos hoje) por meio de sua obra. No início do século XX, os intelectuais brasileiros buscavam redescobrir seu país, e o melhor intelectual que conseguiu re�etir o espírito de sua época, mesmo com todas suas contradições, foi Monteiro Lobato. Monteiro Lobato: o Precursor da Literatura Infantil Brasileira José Bento Monteiro Lobato (1882 - 1948) foi um dos integrantes do grupo literário brasileiro, com educação baseada nas diretrizes do positivismo, visto que cursou Direito em São Paulo e iniciou suas atividades junto à imprensa. Entre os problemas mais urgentes a serem resolvidos estava a questão da consciência nacionalista ligada a todas as áreas do pensamento culto. Mas era uma tarefa difícil conscientizar um povo culturalmente colonizado e dependente economicamente de seu “nacionalismo”. E, mesmo esse processo sendo difícil e lento, Monteiro Lobato foi um batalhador em trazer à tona toda a “brasilidade” de um povo. 43 Acesse o link: Disponível aqui O Positivismo é uma corrente teórica inspirada no ideal de progresso contínuo da humanidade. O pensamento positivista postula a existência de uma marcha contínua e progressiva e que a humanidade tende a progredir constantemente. O progresso, que é uma constatação histórica, deve ser sempre reforçado, de acordo com o que AugusteComte, criador do Positivismo, chamou de Ciências Positivas. As Ciências Positivas teriam a sua mais forte expressão na Sociologia, ciência da qual Comte é considerado o fundador. Nos anos de 1927 a 1931, Monteiro Lobato viveu nos Estados Unidos, pois foi nomeado adido comercial pelo presidente Washington Luís. Lobato �cou impressionado com a exploração dos recursos minerais que possibilitaram aos Estados Unidos o progresso e desenvolvimento, e quando voltou para o Brasil, deu início a uma campanha em prol do progresso brasileiro. Durante a sua estadia nos Estados Unidos, Lobato con�rmou algumas ideias que já vinha desenvolvendo no Brasil a respeito do atraso brasileiro e das estratégias para vencê-lo. Produziu a partir daí um discurso industrialista contando com um projeto para o progresso, no qual os elementos fundamentais eram as riquezas naturais, trabalho e�ciente e disciplinado, a siderurgia, o petróleo, o transporte e a criação de um mercado interno. Lobato fundou o Sindicato do Ferro e a Companhia Petróleos do Brasil e enfrentou empresas multinacionais, além dos obstáculos impostos pelo governo brasileiro. 44 https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/positivismo.htm Monteiro Lobato (na posição mais alta) durante pesquisas para extração de petróleo Fonte: Disponível aqui O escritor foi uma pessoa crítica e individualista que não se uniu a nenhum “grupo da moda”. Dividia-se entre a visão positivista de sua formação e a visão socialista, que se impunha com as transformações político-econômicas da época. A partir de 1915, Lobato passou a exercer uma in�uência signi�cativa, com as publicações de seus artigos, aumentando sua popularidade. Sua preocupação era o desenvolvimento brasileiro, sua pela nacionalidade, acreditando estar na ciência, a sabedoria. A preocupação de Lobato não era somente com a questão do petróleo, mas também com as questões sanitárias do nosso país. Essa preocupação foi traduzida com a criação da personagem Jeca, que é a representação do caboclo brasileiro, trazendo todas as características e problemas do homem rural da época. A vontade de engrandecer a pátria foi o motivo que o fez procurar as causas reais da miséria e os meios necessários para saná-las. Por meio de seus artigos indignados chama a atenção do país para um problema fundamental para a sobrevivência do homem brasileiro: o saneamento básico no Brasil. Lobato também se mostrou muito preocupado com a nossa língua, pois, segundo ele, o contraste entre a língua falada e a língua escrita era o responsável pelo fato dos livros brasileiros não serem lidos. Porém, aos poucos, Lobato constata a di�culdade 45 https://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato#/media/Ficheiro:Monteiro_Lobato_searching_oil_1930s.jpg de se viver num país em que a maioria da população é analfabeta e poucos tinham a cultura escrita. Esses aspectos somados à atitude anticientí�ca predominante dos governantes do país eram um dos traços que marcavam a mentalidade nacional. Dessa forma, Lobato via cada vez mais distante a possibilidade de desenvolvimento para o povo brasileiro e, sendo assim, ele resolveu depositar suas esperanças nas gerações futuras, vendo nos jovens a possibilidade de modi�cações do país em busca do progresso. Ao perceber que ao in�uenciar na formação das crianças poderia contribuir para a constituição do Brasil do futuro, decidiu dedicar-se de�nitivamente à Literatura Infantil. Em seus livros, Lobato construiu um mundo intitulado O sítio do Pica- pau Amarelo, no qual todos os seus desejos pudessem ser realizados, projetou um novo país, com o objetivo de plantar sementes que pudessem vir a germinar, no futuro. Anos mais tarde, Lobato escreveu uma série de contos e crônicas e os organizou e publicou com o título de Obras Completas de Monteiro Lobato, totalizando 30 volumes. Monteiro Lobato e a Dedicação ao Público Infantil Em sua literatura infantil, Lobato apresentava uma proposta desenvolvimentista para o Brasil. Sua obra é centrada no progresso do país e provocou muita polêmica porque tinha por objetivo formar o cidadão, despertando a curiosidade intelectual e atitudes críticas nas crianças por meio de livros questionadores e desmisti�cadores da autoridade. Lobato chegou a ser acusado de negar a existência de Deus e de uma verdade moral e absoluta. Assim, com a dedicação à Literatura Infantil, seu intuito era formar uma mentalidade nacional. Ao compor suas obras destinadas ao público infantil, Lobato se preocupou em tratar crianças como crianças e não em adultos em miniaturas. Para ele, a imaginação predomina em absoluto no mundo infantil, e para alcançar este público era necessário o uso desta linguagem. Lobato, inicialmente, também fez adaptações de clássicos infantis europeus e norte- americanos, e considerava a existência de uma literatura brasileira, porém, fazia duras criticas à qualidade delas. Seu objetivo, com esse trabalho, era levar as crianças 46 ao conhecimento da tradição, além de questionar as verdades feitas, levando-as a redescobertas para uma renovação histórica. A ideia de se dedicar à Literatura Infantil surgiu quando Lobato recebeu a visita de um amigo na Revista do Brasil para jogarem xadrez. E, então, durante a conversa, esse amigo lhe contou uma história sobre um peixe que, �cou muito tempo fora d’água e “desaprendeu” a nadar e, quando voltou ao rio morreu afogado. Foi durante a conversa que Lobato começou a montar a história em seu imaginário. E, quando o amigo foi embora, escreveu a história do peixinho que morreu afogado, publicando mais tarde, com algumas alterações e personagens reais, que permeavam suas lembranças de infância. No início, seus livros eram pequenos álbuns com 30 a 40 páginas com bonitas ilustrações, linguagem simples e de uma agradável apresentação, o que fazia que tivessem um preço acessível. Tal fato signi�cou uma revolução nos meios editoriais, pois os poucos livros que existiam, eram publicações luxuosas, quase sempre de autores franceses, traduzidos e publicados em Portugal, o que di�cultava o acesso à leitura da maior parte da população. Outra característica da obra de Lobato é que ele falava como se estivesse no lugar das crianças, e não para elas. Ele soube captar a lógica e a estrutura do pensamento infantil, o que facilitou o aprendizado por meio de suas obras. Lobato tratava as crianças como interlocutoras competentes, estimulando a atividade literária delas, desde o desenvolvimento de enredos até análises críticas das suas obras. E assim, misturando sonhos e realidade, Lobato conquistou seus pequenos fãs, compartilhando com eles um mundo em que tudo era possível por meio da imaginação. A menina do nariz arrebitado foi seu primeiro livro infantil, e foi um sucesso. Inicialmente, foram cinquenta mil exemplares vendidos, devido a adoção como livro didático das escolas públicas do Estado de São Paulo. A partir daí não conseguiu mais parar. Seus personagens do livro O sítio do Picapau Amarelo possuem características próprias e marcantes, sendo que cada um deles representa um segmento social. Suas duas personagens adultas, Dona Benta e Tia Anastácia, representam as fontes do saber erudito e popular, que quebram a hierarquia que separa a criança de gente grande, característica marcante da educação da época, ou seja, a autoridade vinha da experiência da avó, e não do seu “autoritarismo” como adulto. 47 A boneca Emília em 1920 e sua adaptação para os quadrinhos da Editora Globo na década de 2000 Fonte: Wikipedia. A personagem Lúcia, de nariz arrebitado, é um encanto de menina, a quem pertence Emília, uma boneca de pano feita por Tia Anastácia. A princípio, a Emília não falava, mas numa segunda versão passa a falar como uma pessoa. Há estudiosos que dizem que a Emília é a “voz expressa” de Lobato, e que é personagem fundamental para compreender a sua obra. Há também outras personagens, como o Pedrinho, neto de Dona Benta, animais que ganham vida e voz como seres humanos, além do Visconde de Sabugosa, importante personagem na obra de Lobato. Viscondeé um intelectual que tem a ciência e a técnica como objetivos concretos, como por exemplo, aumentar a riqueza material desfrutável do planeta. 48 Fonte: Amazon. Em seus últimos livros infantis, A reforma da natureza (1941) e A chave do Tamanho (1942) falam dos males que o progresso traz à humanidade. Essas histórias têm como pano de fundo as duas grandes guerras. Assim, se por um lado Lobato defendeu o progresso como forma de bene�ciar o homem, também o culpa por acabar com o próprio homem, destacando a guerra como grande ameaça ao ser humano. 49 Monteiro Lobato criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore e os costumes do povo brasileiro, com o objetivo de desenvolver o nacionalismo. Os aspectos do povo eram destacados na ação das personagens que re�etiam na brasilidade, na linguagem, comportamentos e na relação com a natureza. Um de seus personagens que representa o ideal dos contadores de história da antiguidade, por exemplo, Visconde de Sabugosa, que é o intelectual contador de histórias. Além de despertar o interesse da criança através do imaginário, Lobato conscientiza com a sua literatura denunciadora, que envolve fatos políticos-econômicos-sociais. Monteiro Lobato Foi um revolucionário progressista, fundador de inúmeras editoras e jamais deixou de lado os castelos de contos de fadas e o folclore nacional, (re)criando o mundo ao seu redor, a partir de coisas do seu cotidiano, desta forma escreveu mais de quatro mil e seiscentas páginas só de obras infantis. 50 06 As histórias e o universo infantil 51 A Importância das Histórias para a Infância Caro aluno, A Literatura Infantil, por meio de suas histórias, tem um grande signi�cado no desenvolvimento de crianças, pois ao ouvir ou ler re�etem sobre as situações emocionais, fantasias, curiosidades e enriquecimento, e, por conseguinte, seu desenvolvimento perceptivo. As histórias infantis in�uenciam em todos os aspectos a educação da criança, pois na afetividade: desperta a sensibilidade e o amor à leitura; na compreensão desenvolve o automatismo da leitura rápida e a compreensão do texto, e na inteligência, contribui para o desenvolvimento da aprendizagem, por meio de termos e conceitos e a aprendizagem intelectual (PINTO, 2004) Nós aprendemos a ler antes mesmo de sermos alfabetizadas, pois desde a mais tenra idade somos conduzidos a entender um mundo que se transmite por meio de letras e imagens. Portanto, nesse “processo” de leitura precisamos estimular, incentivar a criança. 52 O pré-leitor é uma categoria que abrange duas fases. A primeira infância, que vai até aos 2 anos de idade, é a fase na qual a criança começa a reconhecer tudo que está ao seu redor através do contato afetivo e do tato. Por isso, nessa fase, a criança sente a necessidade de pegar e tocar tudo. Outro marco importante nessa fase é a aquisição da linguagem, quando a criança começa nomear tudo a sua volta. É a partir dessa percepção que precisamos estimulá-la utilizando materiais sonoros. A segunda infância, que é a partir de 2 / 3 anos de idade, é marcada pelo o início da fase egocêntrica, ou seja, tudo parte dela, pois é ela o “centro de tudo.” Nessa idade a criança está mais adaptada ao meio físico, interessando-se mais pela comunicação verbal e atividades lúdicas. E é exatamente nessa fase, segundo a autora Abramovich (1997) que devemos apresentar um contexto familiar, com domínio de imagem, sem texto escrito, já que é com a nomeação das coisas que a criança estabelecerá uma relação com os livros. Por volta dos 6/7 anos de idade é a fase na qual a criança começa a apropriar-se da decodi�cação dos símbolos grá�cos, mas como ainda encontra-se no início do processo, o papel do adulto como “agente estimulador” é fundamental. As histórias devem estimular a imaginação, a inteligência, a afetividade, as emoções, o pensar, o querer, o sentir entre outros aspectos e características da criança. Não devemos esquecer nunca que a leitura, faz parte do processo de construção do conhecimento e acompanha o aluno durante toda sua formação. O contar histórias acontece em toda parte do mundo, e este impulso de contar histórias nasceu com o homem, quando sentiu necessidade de se comunicar com os demais que o cercam. Criar o hábito e a conexão prazerosa com a literatura desde a infância é o mais amplo caminho para criar possibilidades de vermos cada vez mais adultos leitores e conscientes de suas próprias leituras. O universo criado pela relação com os livros é enorme, passando pelo encantamento, pela descoberta de novas ideias e histórias e pela formação de novas re�exões e questionamentos. Se uma criança, desde sua mais tenra idade, entende que folhear as páginas de um bom livro é um momento divertido e desconexo de obrigações, o contato com uma literatura cada vez mais diversa será ampliado durante a adolescência até a fase adulta. 53 Acesse o link: Disponível aqui As crianças não nascem com seus interesses prontos, essa construção do interesse depende muito da colaboração dos adultos durante a primeira e segunda infância. A história não tem um único objetivo, ou seja, ela tem várias funções que podem despertar e in�uenciar o seu ouvinte estimulando outras áreas. Podemos encontrar, por exemplo, sua importância nos aspectos recreativo, instrutivo, educativo, entre outros. As histórias também são aliadas no incentivo à leitura. Considerando que um dos objetivos da escola é o desenvolvimento do gosto pela leitura, não como algo que seja obrigatório, mas que o professor encontre estratégias para despertar a vontade de ler em seus alunos. Quando a criança tem contato com bons modelos literários, além de despertar a sua imaginação, também facilita a sua expressão de ideias e expressão corporal, quando procura imitar ou representar as personagens das histórias, colocando-se no lugar das personagens das fábulas e contos de fadas. Dessa forma, “as histórias são um ‘abra-te Sésamo’ para o imaginário, em que a realidade e a fantasia se sobrepõem” (DOHME, 2000, p.08). 54 http://ociclorama.com/pequenos-leitores-o-universo-da-literatura-infantil/ Porém, o ouvir histórias não só desperta o gosto pela leitura e a imaginação, mas também proporciona ao ouvinte o descobrir soluções para seus problemas, con�itos e emoções levando-o a resolução dos mesmos. [...] a história é importante alimento da imaginação. Permite a autoidentificação, favorecendo a aceitação de situações desagradáveis, ajuda a resolver conflitos. Acenando com a esperança. Agrada a todos, de modo geral, sem distinção de idade, de classe social, de circunstância de vida (COELHO, 2001, p12). Bettelheim (1979) também destaca a importância dos contos no desenvolvimento psicológico das crianças. Pois, segundo ele, os contos de fadas além de tratarem dos problemas universais, ajudam a lidar com problemas psicológicos nas fases de constituição da personalidade. De acordo com Tahan (1957, p. 21), ao ouvir histórias a criança pode desenvolver e alcançar diversos objetivos como: a) Expressão da linguagem infantil- enriquecendo o vocabulário e facilitando a expressão e a articulação; b) Estímulo à inteligência- desenvolvendo o poder criador do pensamento infantil; 55 c) Aquisição de conhecimentos- alargando os horizontes e ampliando as experiências da criança; d) Socialização- identi�cando a criança com o grupo e ambiente, levando-a estabelecer associações, por analogia, entre o que ouve e o que conhece; e) Revelação das diferenças individuais- facilitando à professora o conhecimento de características predominantes em seus alunos, evidenciadas através das reações provocadas pelas narrativas; f) Formação de hábitos e atitudes sociais e morais- através da imitação de bons exemplos e situações decorrentes das histórias, estimulando bons sentimentos na criança e incitando-a na vida moral; g) Cultivo da sensibilidade e da imaginação – condição essencial ao desenvolvimento da criança; h) Cultivo da memória e da atenção- ensinando a criança a agir e preparando-a para a vida;i) Interesse pela leitura- familiarizando a criança com os livros e histórias, despertamos, para o futuro, esse interesse tão necessário. Assim, a literatura infantil, por meio de suas histórias, abre as portas para a inteligência e para a sensibilidade da criança, possibilitando a sua formação integral. A Criança e as Histórias As histórias podem estimular e desenvolver muitos aspectos. Podem divertir, estimular a imaginação, podem atingir outros objetivos como o educar, instruir, conhecer melhor os interesses pessoais, desenvolver o raciocínio, ser ponto de partida para trabalhar algum conteúdo programático, despertando um maior interesse pela aula. Favorece a compreensão de situações desagradáveis, além de poder ajudar a solucionar con�itos pessoais. A história nunca passa indiferente para a criança, pois ela pode envolver sentimentos, interferindo no pensamento, informando, socializando e educando. Ao ouvir ou ler a história, a criança poderá se identi�car com as personagens, trazendo assim, o que é 56 �ctício para a vida real. Dessa forma, por meio desse processo de identi�cação com as personagens, a criança passa a viver um jogo �ccional projetando-se na trama narrativa, e dessa maneira a criança passa a vivenciar, a experimentar temporariamente sentimentos das personagens, sem correr nenhum risco. Cada criança tem suas características e especi�cidades e possui necessidades diferentes uma das outras. E é nessa perspectiva que a história pode alcançar cada criança de modo diferente permitindo a cada uma delas a buscar o que lhe é necessário e prazeroso. Por isso, a história deve ser levada a sério, exigindo cuidado, pois poderá in�uenciar a criança, negativa ou positivamente. Durante os primeiros anos de vida da criança são construídas e desenvolvidas maneiras particulares e peculiares de ser, e esquemas de relações com o meio e com as pessoas. Assim, como o seu comportamento emocional, individualização do seu corpo, formação da consciência de si mesma são processos paralelos. Dessa forma, a utilização dos contos de fadas como uma das ferramentas pode ser levada em consideração para que esse desenvolvimento aconteça. 57 Literatura Infantil, Leitura e Cidadania A criança leitora transformada em cidadão leitor e usuária da escrita constrói o conhecimento com uma visão crítica da realidade, sempre descobrindo o saber para a construção de um novo mundo. Atualmente, há uma grande preocupação por parte dos educadores, principalmente, nas escolas do ensino fundamental, em como incentivar a criança a ler em um mundo dominado pelas novidades virtuais. Digo que o grande desa�o dos educadores é fazer da Literatura Infantil e da leitura, de modo geral, um momento prazeroso em que a criança se sinta envolvida na leitura de história, e não a veja como uma tarefa mecânica a ser cumprida. Pensando no contexto escolar, nas instituições de ensino infantil ou fundamental, há de se ter um cantinho especial para a realização de leituras, e as crianças devem ter muitas oportunidades de manuseio, podendo folhear os livros, e lê-los individualmente ou em grupos; momento em que as histórias lidas possam ser sociabilizadas com os demais. 58 Para que haja realmente uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da escrita, cabe à escola favorecer a aprendizagem signi�cativa, abandonando as atividades mecânicas e sem sentido. Assim, segundo Lerner (2002, p. 73), “ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita”. Partindo dessa perspectiva, cabe ao professor propor situações em que a criança interaja com o universo literário, por meio do contato com livros e atividades signi�cativas a partir da literatura infantil. A importância da literatura no universo infantil é inquestionável, pois é por meio dela que as crianças começam a formar sua leitura de mundo e despertar para rabiscos, traços e desenhos desde muito cedo, conforme as oportunidades que lhe são oferecidas. O meio social em que a criança está inserida, ou seja, a oportunidade oferecida pela família e pela escola com as obras literárias contribui – e muito – para o seu desenvolvimento. Nesse sentido, uma criança que desde cedo escuta histórias e tem contato com livros, certamente será um adulto leitor, terá prazer em ler, sua imaginação e criatividade serão estimuladas a expressar ideias. 59 07 A ilustração no livro infantil 60 A Importância da Ilustração nos Livros Infantis Caro aluno, Existem diversas formas de ler o mundo e uma delas é por meio das imagens que ilustram a nossa vida. E, considerando as imagens presentes em nossas vidas, ressaltamos a importância das ilustrações dos livros infantis, evidenciando a sua utilização como metodologia aplicada na sala de aula. É certo que o uso de imagens como forma de propiciar o aprendizado não é facilmente descartado pelos pro�ssionais da educação. É nessa perspectiva que se compreende a atribuição da importância das imagens enquanto leitura ou suporte na Literatura Infantil, pois possibilita, de forma mais dinâmica, o desenvolvimento infantil. As ilustrações se apresentam enquanto auxiliares e desenvolvem processos de interpretação que ajudarão no crescimento e na transformação da criança e do seu mundo. Por meio dos livros infantis, é possível alimentar o imaginário da criança, contribuindo para que as re�exões comecem a fazer parte de seu cotidiano familiar e individual, acerca também das interpretações sobre as questões afetivas, artísticas, entre tantas outras. O contato com ilustrações, enquanto mecanismo de socialização positiva, pode direcionar a criança a estabelecer um desenvolvimento cognitivo e um diálogo harmonioso com os colegas (SIMÃO, 2013), e esse é um ponto de partida importante para o processo de construção da personalidade. Quando o texto é constituído apenas por algumas frases, a ilustração adquire um papel relevante na estruturação da narrativa. Assim, ela deve ser cuidadosamente analisada em suas sequências de cenas, na representação das personagens e suas expressões, com atenção aos detalhes do espaço e ao tempo, com o objetivo de que as crianças acompanhem e dominem plenamente a história e as formas nas quais elas são narradas (FARIA 2008 apud SIMÃO, 2013). 61 Ainda segundo Simão (2013), as ilustrações são importantes enquanto meio de desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, além de contribuir também para a constituição da personalidade da criança, pois ao aprender a ver o conteúdo do universo literário nas imagens, também é possível inserir a criança em uma nova visão, gradativamente, no simbolismo que representa a imagem, numa maneira de ler e entender as coisas e o mundo. É na perspectiva de associação entre palavra e imagens, que a ilustração ganha certo caráter de efeito estético que introduz elementos de percepção, compreensão e descoberta. En�m, que contém um conjunto de sentidos que estimulam a re�exão e proporcionam uma aprendizagem mais ampla, pois trabalha o universo imaginário que cada indivíduo possui. (SIMÃO, 2013, p. 27). 62 Acesse o link: Disponível aqui Livro de Imagens: o uso das imagens para informar e contar histórias vem de longa data. Na Idade Média, por exemplo, as ilustrações narravam acontecimentos nas paredes das igrejas, dando condições aos analfabetos de “lerem” o calvário de Cristo. Atualmente, a produção de literatura infantil em diferentes formatos e mídias tem contribuído para a discussão sobre novos referenciais acerca da leitura literária para crianças e jovens. O Que é Ilustração nos Livros Infantis? Na fase infantil, a imagem representa uma ponte de possibilidades para fazer relações com o conhecimento cognitivo (SIMÃO, 2013). Há a necessidade de despertar a criança para algo que estimule a sua curiosidade, e a ilustração pode ser um elo entre a imagem e o signi�cado que se traduz para ela comoum meio para estabelecer a compreensão de algo. Assim, “livros infantis que contêm ilustrações se tornam instrumento de transmissão de conhecimento por conseguir penetrar no universo imaginário, e ao mesmo tempo contribuem para o desenvolvem a inteligência das crianças” (MANGUEL, 1998 apud SIMÃO, 2013). A imagem é a primeira forma de leitura desenvolvida no indivíduo, ainda enquanto criança, e permanece ao longo da vida. Ela está presente nos símbolos de produtos e em informações de nosso dia a dia. Pois a imagem é uma representação “semiconcreta”, mais direta que o código verbal escrito, apresenta-se de forma abstrata (SIMÃO, 2013). Essa representação visual na literatura infantil tem como 63 http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/livro-de-imagens entendimento uma fértil interpretação que revela a imaginação, que vem carregada de signi�cados e leva a criança a desenvolver a sua própria linguagem a partir do contexto em que está inserida. A riqueza dos livros que contam histórias através de ilustrações, ou seja, falam por imagens, provocam o conhecimento ou reconhecimento de objetos e seres do seu cotidiano que são expressos oralmente pela nomenclatura atribuída, favorecendo o convívio direto com imagens, que, associadas com palavras nomeadoras facilitam a mente o hábito de adicionar a pratica de identi�car o mundo a partir de uma percepção visual. (SIMÃO, 2013, p. 28). A autora ainda nos aponta que a capacidade de ler por meio das imagens não está vinculada à atividade natural de enxergar, mas a dimensões, à percepção de conteúdos e dimensões socioculturais do leitor (2013). No entanto, a linguagem só é concretizada quando este olhar atento capta, lê e dá signi�cado à imagem, colocando- se nessa perspectiva dialética. E é desta percepção de mundo, por meio de estímulos às emoções e da organização do pensamento, que depende o desenvolvimento da linguagem. No momento da criação da imagem, o objetivo do ilustrador é um produto externo, pois ainda que produza a imagem na mente, ele busca o que já viu e experimentou. “Então, a imagem relativa-se no espaço e no tempo, necessitando de uma organização no processo de criação” (SIMÃO, 2013, p. 29). Porém, quando chega às mãos do leitor 64 Ilustração de Gustave Doré (1832-1886) para o conto de fadas “O Gato de Botas” e de Carl O�terdinger (1829 - 1889) para “Cinderela” Fonte: Wikipedia. infantil, esta produção de imagens rompe a linearidade, produz sintagmas visuais indeterminados – até mesmo imperceptíveis – na medida em que é acolhido pelo pensamento imagético desse pequeno leitor. Assim, é preciso examinar a leitura da imagem sob várias perspectivas, abarcando-as em diferentes repertórios e estabelecendo relações variadas capazes de “ensinar a pensar” e gerar autonomia intelectual nas novas gerações, possibilitando assim a transformação social por parte dos leitores. Esse tipo de leitura re�ete diretamente na compreensão da realidade, e a criança aprende a desenvolver um sistema pessoal de ideias e sentimentos acerca do universo e do mundo. “Consequentemente, no olhar aperfeiçoado constrói-se, também, a linguagem que possibilita a inserção deste leitor de imagens nos processos de socialização” (SIMÃO, 2013, p. 29). 65 Atualmente, os livros infantis são repletos de ilustrações e recursos grá�cos variados, materiais e estilos diversos, com histórias tradicionais ou modernas. São capazes de prender a atenção das crianças e abrir portas para o universo mágico e misterioso da leitura, resultando em inúmeras e importantes aprendizagens, além de ajudar a despertar o gosto pela leitura e auxiliar no processo de alfabetização e letramento da criança. Os livros infantis são recursos indispensáveis no processo de aquisição da linguagem oral e escrita, uma vez que possibilita diferentes leituras e interpretações, despertam conhecimentos e instigam a criança a adentrar o universo mágico do ato de ler. Logo, suas ilustrações devem ser um dos principais recursos, ao passo que estão mais relacionadas ao lúdico e o universo infantil, e não devem de forma nenhuma ser ignoradas ou tratadas com menor valor por parte de educadores, pois “nos livros infantis ilustrados, o texto e a imagem se articulam de modo que ambos concorrem para a boa compreensão da narrativa” (FARIA, 2004 apud SIMÃO, 2013). A ilustração no livro infantil ajuda a organizar o pensamento e a entender o que se está lendo na linguagem escrita e vice-versa. A ilustração não precisa acompanhar um texto escrito, pois, de forma lúdica, ela ajuda na visualização agradável da página, quebra o ritmo em textos longos, apoia a leitura do ponto de vista do enredo ao construir formas, personagens, cenários; en�m, ajuda na construção do pensamento da criança (SIMÃO, 2013, p. 30). 66 Um dos objetivos da Literatura Infantil é introduzir o ser humano ao mundo literário. O livro é um instrumento que contribui para a formação de um indivíduo, com espírito crítico e analítico. Quando a criança tem contato com o livro infantil aprende a viver em seu contexto social com mais re�exão e opinião. O ato da leitura não é só decodi�car, e sim interpretar, ao se explorar um texto deve-se estabelecer discussões que estimulem a criticidade infantil, fazendo com que as crianças exponham suas produções, formando-se bons leitores de imagens. A escola deve ser formadora de novos talentos; os educadores devem estimular a leitura com propósitos fundamentados na interpretação e compreensão das histórias infantis. Portanto, a imagem/ilustração no livro infantil ajuda a organizar o pensamento do leitor. Ao ler livros ilustrados, a imagem ajuda na visualização agradável da página, na quebra do ritmo em textos longos, apoia a leitura do ponto de vista do enredo ao construir formas, personagens, cenários; en�m, ajuda na construção do pensamento da criança. 67 08 Critérios de avaliação de obras literárias 68 Caro aluno, A Literatura Infantil é uma manifestação artística. Então, não pode trair seu leitor, ou seja, a criança, com livros meramente educativos, somente com intencionalidades pedagógicas. Porém, ser infantil não signi�ca que tem que ser menor, pueril, frívolo. Pois, se for compreendida dessa maneira, vamos esmagar o leitor com ensinamentos direcionados, moral evidente, afastando o leitor do desenvolvimento pelo gosto e prazer de ler (IMPERIAL, 2018, recurso eletrônico). Como Avaliar o Texto Literário: Critérios de Análise Uma das funções da Literatura Infantil é entreter, desde que o leitor tire suas conclusões, por meio de textos que ofereçam interpretações e que apresentem uma plurissigni�cação-conotação de sentido (IMPERIAL, 2018). Por meio de seu objetivo em desenvolver o gosto estético, o prazer por ler, a valorização da cultura, costumes e tradições, a literatura infantil in�uencia de forma direta o processo educativo e formativo do indivíduo. Diante dessa perspectiva, o futuro professor deve ter consciência da importância dos critérios de análise dos livros infantis, além de conhecer como ocorre o desenvolvimento psicológico da criança e o livro mais adequado para cada faixa etária. Mas como o futuro professor construirá conhecimentos para avaliar a obra infantil? Primeiramente, ele deve gostar do fantástico mundo da Literatura Infantil. É imprescindível que o professor conheça e leia diferentes textos infanto-juvenis e veri�que no texto, seja em prosa ou em verso, suas características, seu valor artístico e a consciência de mundo do autor e sua mensagem. 69 É fundamental observar que, por ser dirigido à criança, o texto infantil não deve ser tomado por menor, com texto e temas fáceis e tolos, pois não devemos subestimar a inteligência das crianças. O texto deve falar à área da criação, da interpretação, ser interessante e agradar. Quando é pueril, ingênuo ou tolo, o texto torna a leitura cansativa. A história sem expressão não atrai a atenção da criança, que acaba rejeitando-o por justamente ser limitado e não estimular a imaginação. Geralmente, esse tipo detexto vem pronto e não permite à criança interpretar, fantasiar e sonhar. Assim, perde- se o valor artístico com o empobrecimento da matéria literária. É imprescindível esclarecer o futuro professor sobre os critérios de como avaliar o texto literário. Segundo Imperial (2018), ao analisar o texto, o professor deve procurar todas as possíveis relações entre a escritura literária e o universo criado por ela, ou seja, a obra em seu todo. Deve procurar também as relações entre a obra e seu momento histórico, social, político, econômico e cultural a �m de tentar descobrir em que medida a obra difere ou não dos esquemas consagrados em seu tempo social, histórico e cultural. 70 De acordo com Coelho (1982 apud IMPERIAL, 2018) essa análise deve se fundamentar em uma série de perguntas, tais como: a) O que a obra transmite? Qual seu enredo, assunto, trama? b) Como isso é expresso em escritura literária? Quais os recursos de linguagem ou de estrutura escolhidos pelo autor? Qual a intenção que predomina nessa escolha: a estética ou a ética? A primeira dá ênfase ao fazer literário; a segunda, aos padrões de comportamento. c) Qual a consciência de mundo ali presente ou latente? (oculto; disfarçado; subentendido). Há ou não coerência orgânica na construção da obra? Entre estilo, recursos expressivos, problemática e consciência de mundo? É essa organicidade que lhe dá o valor de obra literária. d) Qual a intencionalidade do autor que pode ser percebida na obra? Qual seria sua �nalidade em relação ao leitor? Divertir, instruir, educar, emocionar, conscientizar? As indagações levantadas sobre a análise da obra literária ajudam muito no momento da avaliação; é um caminho para o futuro professor poder realizar uma leitura mais detida, menos ingênua que o levará a perceber melhor o texto, suas ideias e intenções em relação ao seu discurso literário (a forma) e todo o “jogo” de construção que envolve esses elementos para resultá-lo num texto arte. Esses aspectos são 71 fundamentais para uma leitura crítica e para levar o leitor a encontrar o “belo” na obra literária, o seu valor estético, princípio básico da Arte (IMPERIAL, 2018, recurso eletrônico). É importante salientar que a adequação entre consciência de mundo, implícita na intencionalidade da obra, e a natureza do discurso literário, a linguagem que dá corpo à consciência de mundo, que nos permite conhecer o grau de criatividade que dá à obra o seu maior ou menor valor literário. O professor deve analisar a obra literária como um todo, considerando à qual faixa etária é mais adequada e de acordo com os valores que veicula, pois a criança é ainda um leitor intelectualmente imaturo. Por meio desse processo, o professor deve cultivar na criança o espírito crítico-re�exivo (IMPERIAL, 2018). Acesse o link: Disponível aqui Os livros infantis estão entre os materiais mais usados em sala de aula na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Básico. E por uma razão importante: eles podem compor um universo de temas que o professor quer trabalhar com as crianças e ampliar seu vocabulário e compreensão. 72 https://novaescola.org.br/conteudo/11657/livros-infantis-que-disparam-boas-conversas-em-sala-de-aula Como Avaliar a Imagem da Obra Literária Infantil É comum que um texto para pequenos leitores venha acompanhado de imagens, pois eles ainda não sabem ler a palavra. A imagem é um símbolo complexo, e depende de um aprendizado para a relação convencionalmente estabelecida entre a palavra e o ser a que se refere (IMPERIAL, 2018) para só depois dessa aquisição ser desenvolvido o gosto pela futura leitura e o prazer pelas histórias que são lidas para elas. Nessa fase, a ilustração enquanto arte é um recurso essencial. Sobre o assunto, Imperial explica que A ilustração possibilita à criança mergulhar no universo encantado da literatura infantil; por isso é grande a responsabilidade do ilustrador, do editor e mesmo do professor ao escolher um livro às crianças que não construíram ainda seu processo de leitura e escrita. O livro de literatura infantil, quando escrito e ilustrado com arte, é o encontro de pelo menos dois artistas, que propiciam à criança o prazer por ler a imagem e contar sua história (2018, recurso eletrônico). 73 Livro-brinquedo Fonte: Disponível aqui Vê-se, então, que a ilustração de um livro só tem validade se houver valor artístico, pois só assim inscreve-se no plano conotativo e possibilita às crianças o desenvolvimento da imaginação, da fantasia e da criação. Ademais, segundo Angelini (1991 apud IMPERIAL, 2018), ilustrar não signi�ca apenas desenhar e pintar com perfeição, reproduzindo o texto, mas sim, fazer com que o destaque seja o valor artístico da técnica a ser utilizada: desenho, pintura, colagem, etc. Ao ilustrar, é essencial saber utilizar criativamente as cores e formas, pois a imagem deve despertar a imaginação e não deve reproduzir o texto escrito nem se distanciar da história, pois aí a criança não terá chance de imaginar. Tanto a ilustração quanto o texto com valor artístico devem despertar a sensibilidade e fomentar na criança o gosto estético, dando a ela a possibilidade de se soltar no mundo da fantasia. Ao professor, cabe conhecer os aspectos que comprometem a ilustração artística na literatura infantil. Vamos adentrar esse conhecimento? Para tanto, recorramos a Imperial: A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de imaginar, pois não apresenta inovação, e acaba tornando-se muito simples. Geralmente, nesse tipo de ilustração, a intenção é reproduzir o texto ou apenas se 74 http://www.ceale.fae.ufmg.br/pages/view/o-livro-brinquedo-na-formacao-de-pequenos-leitores.html Fonte: Disponível aqui Para crianças bem pequenas, nos livros em que prevalece a ilustração, o texto deve ser curto e levá-las ao encontro das imagens. Nessa fase, pode-se apresentar à criança os livros-vivos (nomenclatura usada na França) ou livros-brinquedo, facilmente encontrados hoje em dia. Esses livros têm apelo visual e as imagens são ferramentas e mediadores que entram no universo lúdico da criança, possibilitando à criança ter prazer com o texto. Os livros- vivos também são estratégias para atingir as crianças não leitoras, pois possuem diferentes texturas, formatos e sons que propõem uma interação maior com a criança, que se identi�cam com os jogos. apoiar no colorido para chamar a atenção. Ainda há aquelas ilustrações que se distanciam do texto e outras que o traduzem. Ambas as propostas estão equivocadas por não apresentarem nada de criativo ou sugestivo à criança (2018, recurso de eletrônico). Outro aspecto a ser analisado é o exagero de detalhes, pois, de acordo com Cunha (2004), é um pensamento errôneo de algumas edições infantis que o número de elementos e a superposição de detalhes sejam dados como positivos com relação à criança. Dessa forma, muitas vezes, “a ilustração perde a unidade, desintegra o texto, torna-se um amontoado de mau gosto”. Exemplo disso são os livros que a apresentam desenhos traduzindo as palavras da história. 75 Os álbuns de �guras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância. Esses livros podem ser confeccionados com pano, plástico, papel grosso entre outros materiais que a criatividade permitir. Nessa fase, as crianças ao mesmo tempo descobrem as formas concretas do mundo e dos seres que a rodeiam, além de também começarem a conquistar a linguagem. Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o álbum de �guras. Já para crianças que desenvolveram sua leitura, é importante reduzir as ilustrações e pôr em evidência o texto escrito. E para crianças entre a faixa etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém, é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem. A respeito da leitura, se o texto for interessantee o livro tiver uma diagramação cuidada, não pesará à criança. Se por acaso pesar, devemos tomar o fato como um alerta: Será que essa criança não foi exageradamente poupada por meio de leituras muito fáceis e excessivamente cheias de gravuras? Nessa fase, o excesso de ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de qualquer esforço intelectual (CUNHA, 1999). 76 Sobre paginação e diagramação, Imperial (2018) fala que a relação texto-imagem- espaço é que vai dar ao livro momentos especiais, marcar diferentes sentimentos que se queira sugerir, tais como suspense, expectativa e surpresas, momentos cruciais e envolventes à história. Ainda existem outros elementos que também são essenciais como o tipo de papel, o tipo de capa e a forma de acabamento do livro. Esses aspectos são determinantes a qualidade artística do livro – bem como o seu custo. São muitos os aspectos que o professor deve avaliar para a indicação de um bom livro na literatura infantil. Cabe a eles ampliarem sua visão frente ao universo da Literatura Infantil enquanto arte. É essencial conhecer os aspectos relevantes, tais como: as ilustrações dos livros infantis devem ser reduzidas, à medida que as crianças evoluem na leitura; a ilustração nasce da leitura que um artista fez de outro artista, o escritor; a ilustração artística deve ser conotativa. Consideremos que para as crianças pequenas, é necessário prevalecer a ilustração no livro, cujo objetivo é desenvolver seu interesse pela leitura. Já para as crianças que começaram a ler, ainda deve predominar a imagem; a ilustração no campo da literatura infantil só é válida se for artística; e por �m, à medida que a criança evolui na leitura, as ilustrações vão se reduzindo. 77 09 Literatura Infantil e as Narrativas 78 Caros alunos, O trabalho com a Literatura Infantil no âmbito da escola deve levar em conta os diferentes gêneros de textos escritos para crianças, porque o modo como se con�guram requer um trabalho diferenciado (PANTOJA, on-line) Assim, veremos os tipos e estruturas das narrativas da Literatura Infantil, um conhecimento necessário para o bom desenvolvimento da prática pedagógica ao se trabalhar as narrativas em sala de aula. Os Gêneros da Literatura Infantil: Narrativa As narrativas se apresentam numa variedade de tipos, e cabe ao professor conhecer sua construção especí�ca para que as propostas de atividades e de avaliações possam estar adequadas à concepção do texto literário escolhido. Pensando no desenvolvimento dessa competência docente, trataremos a seguir de alguns desses modos de narrar e das formas literárias que eles originam. Para abordar esse assunto, vamos focar na estrutura desses textos de acordo com Costa (2007). Estrutura: em relação à estrutura organizacional dos textos literários, os gêneros textuais identi�cados na literatura infantil de uso frequente na escola são: mito, lenda, fábula, apólogo, conto, novela e a crônica. A Literatura Infantil oferecida às crianças na escola se apoia nessa tipologia de textos, seja para trabalhar com obras tradicionais ou para fazê-lo com obras recentes e renovadas. A estrutura das narrativas propõe uma leitura diferenciada, porque também se apresenta de modos diferentes ao leitor. 79 Escolher um conto ou uma fábula a ser lido ou oferecido aos alunos depende das intenções aplicadas, considerando as formas de construção do texto, as referências explícitas ou implícitas a outros textos do mesmo formato, as personagens que se expressam ou agem de maneira prevista ou imprevisível e a retomada parcial da forma tradicional ou sua rejeição (COSTA, 2007). Um exemplo é a relação entre a Literatura Infantil tradicional e a contemporânea: a retomada do conto tradicional, que se apresenta de forma renovada. Para ilustrar esse exemplo, utilizamos a sugestão oferecida por Costa (2007) sobre a história da Chapeuzinho Vermelho, que deu origem à obra Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque de Holanda. Ao comparar os dois textos, veri�ca-se que houve alteração na concepção da protagonista “Chapeuzinho”, que foi transformada por Chico Buarque em menina medrosa, que tem medo de tudo, inclusive de lobos. Vê-se também a transformação da palavra “lobo” em “bolo”, que implica a renomeação do animal e, portanto, outra perspectiva dele, quando a menina é capaz de superar o medo e pode, por artes de transformações posteriores, eliminar de sua vida o temor de muitos monstros, normalizando suas relações com o mundo e consigo mesma (COSTA, 2007). 80 “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque, tem ilustrações de Ziraldo Acesse o link: Disponível aqui Acesse o link: Disponível aqui Chapeuzinho Amarelo conta a história de uma garotinha amarela de medo. Tinha medo de tudo, até do medo de ter medo. Era tão medrosa que já não se divertia, não brincava, não dormia, não comia. Quer aprender uma atividade de leitura com Chapeuzinho Amarelo para a educação infantil? 81 https://www.youtube.com/watch?v=7PUkO082QZA http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=54762 Acesse o link: Disponível aqui Para orientar melhor o futuro professor em seu trabalho com a tipologia narrativa, apresentamos a seguir, com base em Costa (2007), uma rápida descrição de suas diferentes estruturas textuais: Mito Na literatura infantil, o mito, entre suas várias de�nições, está mais intensamente ligado à característica de uma narrativa atemporal que procura explicar a origem de seres e coisas, de forma não racional, lógica e histórica, mas na unidade originária da consciência e do mundo. Nesse tipo de texto, há uma fusão que não se desenlaça entre o visível e o invisível, o natural e o sobrenatural para explicar a origem de tudo em nosso mundo. Explicam, por exemplo, o surgimento de algumas tribos ou a origem das estrelas e das características de alguns animais. Porém, quando tratam do surgimento de plantas, acidentes geográ�cos e alimentos, são denominados contos etiológicos, como, por exemplo, a narrativa sobre o aparecimento do guaraná e das Cataratas do Rio Iguaçu, no Paraná. 82 https://www.lendas-do-parana.noradar.com/lenda-das-cataratas-do-iguacu/ Fonte: Disponível aqui Lenda A lenda tem uma base histórica, um fato pertencente a um acontecimento ou pessoa de um tempo histórico determinado, que aparece transformado, de maneira idealizada e exagerada, numa narrativa posterior. Muitas vezes, a lenda é de criação coletiva do povo. Esse tipo história tem como consequência um desenvolvimento oral e aparece com muitas versões próximas, porém diferentes. É o caso da lenda do Negrinho do Pastoreio, de histórias de santos ou de heróis de um país. O fator idealização é essencial para a transformação da história em lenda. Ela terá sempre o componente histórico para lhe dar subsídio e credibilidade. Fábula Esse é o mais conhecido dos textos que circulam no âmbito escola. Contribuem para esse conhecimento a extensão, pois é um texto curto, suas personagens são animais falantes na maioria, há o tratamento dialógico, ou seja, as personagens dialogam ao longo do texto, permitindo pontos de vista diferentes. Existe uma moral explícita (por algumas vezes, implícita) no início ou no �nal da narrativa, que evita contradições, 83 https://pt.wikipedia.org/wiki/Negrinho_do_Pastoreio#/media/Ficheiro:Negrinhodopastoreio.jpg A Cigarra e a Formiga, fábula de Esopo Fonte: Disponível aqui Acesse o link: Disponível aqui facilita e condiciona a compreensão do que foi lido. A melhor de�nição de fábula é que é protagonizada por animais irracionais falantes, cujo comportamento deixa transparecer uma alusão, via de regra, satírica ou pedagógica, aos seres humanos. Por vezes, as narrativas contemporâneas com personagens animais, e que são escritas especialmente para o trabalho desenvolvido na escola, preservam as características das narrativas tradicionais, existentes desde antigas civilizações, como a indiana, a grega e a latina. Apólogo Essa estrutura textual literária mantém semelhanças com a fábula, porquetem personagens não humanos, dramatização no diálogo e moral, implícita ou explícita. A diferença marcante é que os personagens são objetos inanimados, como plantas, pedras, rios e objetos fabricados, como relógios, agulhas, linha. Ouça um podcast sobre “A Agulha e a Linha”, apólogo de Machado de Assis: 84 https://pt.wikipedia.org/wiki/Esopo#/media/Ficheiro:The_Ant_and_the_Grasshopper_-_Project_Gutenberg_etext_19994.jpg https://independente.com.br/a-agulha-e-a-linha-de-machado-de-assis-a-soma-de-contribuicoes-possibilita-uma-vida-mais-plena/ Conto O conto é uma narrativa curta e sintética que contém uma única ação, isto é, trata de apenas um conjunto restrito de personagens, em tempo e espaço reduzidos, que vivem poucos acontecimentos. Esse tipo de texto serve à Literatura Infantil, pois está adequada a pouca experiência de leitura, à di�culdade de a criança acompanhar enredos mais complexos, com histórias paralelas e muitos personagens. Também pela di�culdade em seguir um tempo mais estendido, o conto mantém-se num tempo de ação mais condensado. Dentro do nome genérico de conto vários tipos, classi�cados segundo os assuntos tratados ou por abordagem dos fatos. Assim, é possível englobar sob o título de contos maravilhosos, as narrativas com ou sem fadas, que apresentem uma visão mágica da realidade (com objetos, animais e acontecimentos fora da realidade e transformáveis). Outro grupo é formado pelos chamados contos do cotidiano, que são constituídos por personagens crianças, com protagonistas solitários ou em grupos, vivendo con�itos na rua, na escola ou em família. Ainda há os grupos que podem ser constituídos pelas denominações contos que contenham enigmas, ou contos de aventuras, ou narrativas sobre aprendizagem, ou sobre ecologia, ou sobre problemas sociais (como a inclusão, por exemplo). En�m, o conto é uma forma literária que atende à capacidade de atenção, à experiência de vida, às expectativas e à visão de mundo das crianças, entendidas como leitores em formação. Crônica A crônica é outro texto narrativo curto, que trata de assuntos do cotidiano, com senso de observação e tratamento lírico. Traz para o leitor uma proposta de identi�cação, emoção e poesia. É considerada por alguns historiadores e críticos literários como um gênero menor principalmente por ser marcado pelo tempo presente e, portanto, com envelhecimento previsível. Provoca, no entanto, adesão imediata com o leitor. Daí a preferência dada à crônica pela escola de ensino fundamental, mas pode ser ricamente apresentada às crianças pequenas da educação infantil também. 85 Novela Esse tipo de texto é organizado segundo o princípio da multiplicidade, ou seja, apresenta possibilidade de várias ações simultâneas, com um grande número de personagens e com um desenvolvimento linear da narrativa (começo, meio e �m), o que permite ao leitor manter melhor contato com a história narrada. Prevalece, ainda, certo caráter de repetição e previsibilidade na sequência dos acontecimentos. A atenção ainda se mantém apesar da extensão mais longa do texto, graças ao trabalho em torno de momentos de suspense em suas histórias. A palavra “narrativa” é comumente utilizada como sinônimo de “história”, ou seja, um relato de ações envolvendo seres humanos ou outros seres ou objetos humanizados. Academicamente, o termo “narrativa” geralmente diz respeito à estrutura, ao conhecimento e às capacidades necessárias para a construção de uma história. As histórias são caracterizadas por um argumento envolvendo personagens, um princípio, um meio e um �m, e uma sequência organizada de acontecimentos (COSTA, 2007). 86 10 Literatura Infantil e as Escolas 87 Caro aluno, Ao falarmos em Literatura Infantil, logo pensarmos em escola. Talvez porque a maioria das pessoas não tem o hábito de ler e sempre viu esse ato como obrigatório ligado à atividade escolar. Realmente, a literatura tem papel fundamental dentro da escola, mas não está apenas atrelada ao conteúdo de forma didática, como já vimos em aulas anteriores. Desde a sua origem, a Literatura Infantil instiga uma re�exão que procura de�nir sua condição nas artes em geral. Porém, esse gênero por ter uma especi�cidade, acaba destoando de outras formas de manifestação artística, devido à caracterização do adjetivo “infantil”, além de sua estreita ligação com o universo escolar. Existe, porém, a preocupação em rea�rmar a condição artística da obra literária e levantar uma re�exão acerca da apropriação que a escola faz da mesma (BARROS, 2013). Apesar desse apontamento, não podemos desconsiderar a importância das funções pedagógicas da Literatura Infantil e da escola como instituição de formação de leitores. São múltiplos os fatores que contribuem para que a Literatura Infantil se faça cada vez mais presente em nossas escolas: o crescente desenvolvimento editorial da produção voltada para esse segmento; a qualidade das obras produzidas por escritores e escritoras brasileiros (reconhecida mundialmente); as políticas públicas preocupadas com a formação do leitor; a divulgação de títulos e autores brasileiros por organismos públicos e privados; as recomendações explícitas dos PCNs – Parâmetros curriculares Nacionais – para o desenvolvimento de práticas de leitura em todos os níveis de ensino; o empenho de inúmeros educadores em levar a leitura literária para as suas práticas docentes e principalmente o fato de a instituição escolar cumprir a função de democratizar o livro, num país de poucas bibliotecas e de praticamente inexistente compra de livros em livrarias por esse segmento da população que frequenta a escola pública. (Paiva; Rodrigues, 2009, p.103): A Literatura Infantil é arte, e por isso deve ser apreciada e corresponder às expectativas da criança, proporcionando a ela a experiência estética e o desenvolvimento da imaginação e fantasia infantil (BARROS, 2013). É por meio da Literatura Infantil que a criança desperta uma relação com diferentes sentimentos e percepções de mundo, implicando condições para o desenvolvimento intelectual e a formação de princípios individuais para conhecer os próprios sentimentos e ações, oportunizando assim a educação da sensibilidade. 88 E quando falamos em escola, logo nos remetemos ao pensamento da maioria das pessoas: de que a formação de alunos leitores é considerada a principal atividade desenvolvida no âmbito escolar. É fundamental, sim, saber ler e compreender o que se lê, pois grande parte das informações que precisamos aprender se dá por meio da leitura. “Ler é uma atividade extremamente complexa e envolve além da decodi�cação, contextos culturais, ideológicos, �losó�cos” (Cagliari, 2009 apud BARROS, 2013, p. 21). No ato de ler, o leitor ativa a memória, associa fatos e experiências e pode entrar em con�ito com seus próprios valores. A leitura nos possibilita o contato com ideias e culturas diferentes, enquanto a Literatura Infantil permite a diversão, estimula a imaginação, desenvolve o raciocínio e leva à criança a compreender o mundo no qual está inserida. A Literatura Infantil é uma manifestação de sentimentos e emoções em palavras, que conduz a criança ao desenvolvimento intelectual e de sua personalidade, satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica (BARROS, 2013). A Literatura Infantil também tem importância como parte integrante do processo de alfabetização, pois unindo literatura e alfabetização, a criança entra em contato com o mundo letrado e além de ampliar seu vocabulário, adquire e constrói conhecimentos, mas também exercita seu imaginário. Sendo assim, a Literatura Infantil é 89 indispensável na escola, pois é um meio necessário para que a criança compreenda o que acontece ao seu redor e é capaz de interpretar diferentes situações e escolher caminhos com os quais se identi�ca (BARROS, 2013). No entanto, muitos professores desconhecem o tamanho da importância da Literatura Infantil, reduz a sua prática pedagógica e acaba utilizando textos repetitivos, com exercícios dirigidos e mecânicos, sem espaçopara a re�exão sobre si e sobre o mundo. Acesse o link: Disponível aqui Atualmente, um dos grandes desa�os enfrentados na área da educação infantil é o de conseguir adaptar à sala de aula uma prática pedagógica que atenda às necessidades das crianças que já estão “vivendo” o processo de aquisição de leitura e escrita. Discutindo sobre esse processo, e também a respeito da relevância do papel que cumpre a Literatura Infantil, tenta-se atenuar as soluções para a questão, levantando algumas sugestões práticas que se baseiam nas correlações encontradas. É necessário que, dentro das escolas, o professor se desa�e e crie situações que permitem ao aluno desenvolver sua forma crítica de pensar, e cabe ao professor e à escola de modo geral estimular e desenvolver o gosto pela leitura – e isso pode ser feito de maneira lúdica. Por que não? Para tanto, é imprescindível criar no ambiente escolar um clima favorável à leitura, pois quando se lê por imposição, o aluno apenas exerce uma função mecânica e engessada que prejudica o real valor da literatura como obra literária e, consequentemente, a formação desse aluno como leitor, já que ele só lê porque a professora mandou. Sobre isso, Zilberman (1987, p.16) diz que: 90 https://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9799.pdf [...] a sala de aula é um espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela leitura, assim como um campo importante para o intercâmbio da cultura literária, não podendo ser ignorada, muito menos desmentida sua utilidade. Por isso, o educador deve adotar uma postura criativa que estimule o desenvolvimento integral da criança. Outra importância da Literatura Infantil no âmbito escolar deve-se ao fornecimento de condições que propicia à criança em formação integral (BARROS, 2013), uma vez que essa literatura é um elemento que representa o mundo e a vida por meio das palavras, entrelaçando vivências, criatividade, prazer e aprendizagem. Considerando que, para muitos, a escola tem como principal função o ensino da leitura e da escrita, o professor desempenha um papel fundamental dentro desse processo e deve ser parceiro, mediador e articulador de muitas e diferentes leituras (BARROS, 2013). Assim, proporciona-se a aprendizagem tendo a Literatura infantil como aliada e com o objetivo de promover a alfabetização utilizando-se das ricas possibilidades oferecidas pela Literatura Infantil, de forma lúdica e signi�cativa para os alunos, aguçando o prazer de ouvir, ver, ler e contar. Ao ouvir ou ler histórias, entramos em um mundo encantador, interessante e curioso que nos diverte e ensina, numa relação lúdica e prazerosa. Infelizmente, grande parte das crianças só tem o primeiro contato com a Literatura Infantil quando chega à escola, seja por questões sociais ou culturais. Porém, somente o acesso às obras literárias por si só não garante condições da criança ter um o desenvolvimento que a Literatura Infantil permite. Para que haja êxito no processo de formação integral do aluno, é necessário que o professor tenha clareza de suas estratégias ao utilizar a Literatura Infantil em sala de aula, de forma que venha despertar questionamentos e promover a construção de novos signi�cados no ato de ler. Diante disso, é importante destacar que, de acordo com as Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa para a Educação Básica: O leitor constrói e não apenas recebe um signi�cado global para o texto: ele procura pistas formais, formula e reformula hipóteses, aceita ou rejeita conclusões, usa estratégias baseadas no seu conhecimento linguístico e na sua vivência sociocultural, seu conhecimento de mundo. (BRASIL, 1997, p.26) Portanto, para que a prática pedagógica aliada à Literatura Infantil seja capaz de formar o leitor independente, é necessário adotar estratégias que venham ao encontro dessa necessidade formadora, colocando o aluno frente a diversas 91 experiências de leitura, o que implica propiciar o contato com os mais variados gêneros textuais. O aluno deve pertencer ao mundo literário e vivenciar experiências estéticas, além de encontrar a função social da literatura infantil. Assim, é de extrema importância que a escola aborde a função social da literatura como uma possibilidade de “ler o mundo”, contribuindo para a formação de leitores críticos, capazes de articular a leitura de mundo à leitura produzida nos espaços escolares (ABRAMOVICH apud BARROS, 2013, p. 24). En�m, sabemos que não é fácil atrelar literatura, leitura e escola, “mas é preciso repensar a concepção de leitura que norteia a prática pedagógica, bem como reavaliar a noção de literatura apresentada para as crianças pelos professores em atividades desenvolvidas em sala de aula” (BARROS, 2013, p. 24). Sabe-se que a literatura é um processo de contínuo prazer, que ajuda na formação de um ser pensante, autônomo, sensível e crítico que, ao entrar nesse processo prazeroso, se delicia com histórias e textos diversos, contribuindo assim para a construção do conhecimento e suscitando o imaginário. A preservação das relações entre a literatura e a escola, ou o uso dos livros em sala de aula compartilham um aspecto comum: a natureza formativa, porém com o cuidado de manter o foco da obra literária como arte expressiva preservando sua qualidade estética. 92 11 Literatura Infantil e Escolarização 93 Caro aluno, Atualmente, um tema muito debatido por diversos autores é a escolarização da literatura infantil. Há aqueles que, como Soares (2011), defendem a posição de que não há como existir a escola sem ter escolarização de conhecimentos, saberes e artes, assim, é fundamental que professores, desde o início da escolarização, incorporem na prática de formação de leitores duas perspectivas de análise, quando abordar as relações entre o processo de escolarização e a Literatura Infantil. Numa primeira perspectiva, podemos interpretar as relações entre escolarização, de um lado e literatura infantil, de outro, como sendo a apropriação, pela escola, dessa última. Dessa forma, analisa-se o processo pelo qual toma para si a literatura infantil e a escolariza, “didatiza” e “pedagogiza” os livros de literatura infantil. Na segunda perspectiva, sob a qual podem ser consideradas as relações entre escolarização e literatura Infantil, é interpretar essas relações a partir do ponto de vista de que existe a produção, para a escola, de uma literatura destinada às crianças. Aqui, analisa-se o processo pelo qual uma literatura é produzida para a escola, para os objetivos da escola, para ser consumida na escola e pela clientela escolar buscando-se literalizar a escolarização infantil (SOARES, 2011). Ambas as perspectivas reforçam a questão polêmica e nos faz re�etir sobre as nossas crianças, pois são elas que vão determinar a contribuição desse tipo de texto para o processo de alfabetização e iniciação de um processo de leitura literária, com chances de durar para além do processo de escolarização. Desde o início de sua escolarização, a criança tem contato com o texto literário, mesmo sendo em de materiais didáticos (livros ou apostilas), mas esse contato nem sempre ocorre por meio de mediação e�caz, e também não possibilita de fato o contato da criança com os livros e histórias infantis. Essa fragmentação dos textos literários apresentados tão comumente aos alunos como pseudotextos, às vezes até mesmo começando pela metade, outras com seu �nal alterado ou ignorado, ainda outras vezes com recortes feitos no corpo do texto para ser adequado ao espaço do livro didático, ou o objetivo é trabalhar questões delimitadas do texto. Ainda, muitas vezes, ao ser transferido para o livro didático, o texto literário acaba por se des�gurar perdendo a programação visual e as ilustrações do livro originalmente concebido e publicado. 94 A Leitura Literária nos Livros Didáticos A respeito da escolarização da literatura infantil, cabem re�exões acerca da leitura literária nos livros didáticos, que têm chamado a atenção para problemas complexos e que acarretam implicações na formação da criança enquanto leitora.A utilização pelo livro didático de fragmentos de textos, sempre dos mesmos autores, e muitas vezes descontextualizados, com coerência e coesão comprometidas, contudo, inclui- se nessa discussão, a articulação que os livros didáticos promovem, são aspectos que descaracterizam a história e a deixam sem sentido, sem signi�cados expressivos para a criança. Na realidade, é importante, na leitura literária, a tentativa de não se negligenciar o pacto �ccional que o jogo da linguagem e do imaginário estabelece com os leitores e que somente a eles caberá a decisão de instaurar ou de ignorar, no seu comportamento participativo. É importante não tratar esses textos literários como informativos ou instrucionais, cobrando respostas objetivas e fechadas, textos essencialmente subjetivos e abertos como os literários. 95 [...] um enfoque historiográfico, centrado nas características dos estilos de época e nos elementos estruturais da composição (foco narrativo, caracterização de personagem, ritmo e rima na poesia). As principais habilidades trabalhadas são as localizações de informações e as paráfrases. Com relação à exploração estilística e estética, muitas vezes as propostas limitam as possibilidades de experimentação pelo leitor, quando, por exemplo, solicitam do aluno (...) ora apenas identificar as intenções do autor (...) ora utilizar poemas exclusivamente para estudo de conteúdos gramaticais (...), ora passar do sentido conotativo para o sentido denotativo, o que é questionável. (MEC, 2001, pp. 56, 79, 90, 116). Ao utilizar textos literários na prática pedagógica, o ideal é primeiramente que sejam textos completos e que se tenha possibilidade de manuseio do livro pelas crianças, e após a leitura, mediar a exploração oral desse texto a partir um conjunto de perguntas que exigem a reunião de várias informações para serem respondidas. Partindo de propostas como essa, em vez de considerar a literatura como uma produção exclusivamente linguística, consideram-na, por sua característica distintiva, enquanto gênero textual, uma produção artística, aberta e de pluralidade significativa, cuja constituição estética dependerá grandemente das características diferenciadas dos leitores, em função das experiências prévias vividas por cada uma das crianças, dos textos, das artes de que usufruiu e acumulou nas suas oportunidades do letramento literário, para colocar na roda das intertextualidades. (CARVALHO E MENDONÇA, 2006, p. 117). Isso é possível porque, conforme Gumbrecht (1988 apud CARVALHO E MENDONÇA, 2006), na ação existente entre o autor e ação o leitor, como condições históricas para a formação de signi�cados, há, realmente, a possibilidade da produção de diferentes signi�cados em virtude de um trabalho deliberado, que cria as convergências do texto para diferentes disposições receptivas. Essas convergências se constituem de vazios deliberados, que foram deixados pelo autor, com o intuito que cada leitor possa preenchê-los a partir da sua própria experiência de vida. Temos aqui, então, as recepções diferenciadas de leitores plurais. 96 Diante dessa perspectiva, dizemos que não há livros bons e ruins para todos, pois nem todos compartilham dos mesmos critérios de avaliação; pois esse julgamento dependerá das experiências vividas por cada uma. Pode-se pensar assim, que as leituras são diferentes e não piores ou melhores. No contexto da escola, ainda se acrescenta outra atitude, que é reforçada pelo livro didático e principalmente pelo mercado editorial, que procura amenizar os problemas da relação literatura escolar: a adoção dos paradidáticos, por meio dos quais a escola se sente à vontade para fazer cobranças objetivas e didaticamente referenciadas dos textos, certamente porque não são essencialmente literários (CARVALHO E MENDONÇA, 2006). Acesse o link: Disponível aqui A Literatura Infantil pode ser vista como uma porta de entrada para o universo maravilhoso da leitura. Para entendermos bem a importância dessa literatura na formação do ser humano, faz-se fundamental olhar para a variedade de textos que a compõem: fábulas, contos de fadas, contos maravilhosos, mitos, lendas, adaptações de grandes clássicos da literatura mundial, parlendas, trava-línguas, adivinhas, além de textos autorais narrativos e poéticos. Temos, assim, um rico material repleto de histórias, memórias, diversidade cultural, fantasia, encantamento e valores humanos. Zilberman (2003) diz que a principal aproximação da escola com a literatura está na sua natureza formativa, pois ambas voltam-se à formação do indivíduo. A escolarização, ou seja, a apropriação da leitura literária pela escola é inevitável, pois ela sistematiza o saber. Então, a escolarização adequada seria aquela que conduzisse às práticas de leitura literária que ocorrem no contexto social e às atitudes e valores próprios do ideal de leitor que se quer formar. Ou seja, no ato de seleção de livros literários ter, como princípio norteador, o tipo de cidadão que deseja formar. Porém, a escola transforma a Literatura Infantil numa leitura didatizada e 97 http://www.basenacionalcomum.mec.gov.br/ pedagogizada para facilitar o ensino de conteúdos e conceitos. Esse fato é facilmente observado em livros didáticos e apostilas, que deixam de ser unicamente Literatura Infantil e passam a ser literatura escolarizada. Dentre as instâncias de escolarização da literatura no ambiente escolar, destaca-se a biblioteca (SOARES, 2006 apud CLAUDIO, 2015), espaço onde ocorrem a leitura de livros e o estudo de textos. Nesse espaço, a estratégia utilizada é de que maneira o estabelecimento escolar organiza o acesso à literatura. É o professor quem delimita a duração das visitas a esse espaço, quando os alunos podem buscar livros e por quanto tempo podem emprestar. “Outra estratégia é se há uma seleção das obras, ou se o acesso é livre, e há até mesmo considerações sobre como os alunos devem ler: em silêncio, sentados, com postura correta” (CLAUDIO, 2015, p. 23). Outra forma escolarizada de Literatura Infantil é a leitura de livros sugeridos pelo professor. Isso atribui à leitura um caráter de tarefa, e não de ler por prazer. Nesse tipo de atividade, a leitura que foi realizada pelo aluno sempre deve ser comprovada de alguma forma, seja por meio de seminários, preenchimento de �chas ou outros tipos de avaliação que tornam a leitura uma atividade a ser realizada, podendo provocar até o efeito contrário de aversão. Daí a importância de a literatura ser apresentada à criança desde cedo como algo prazeroso e não uma obrigatoriedade. 98 Quanto à biblioteca da escola, não dê a ela somente um caráter de lugar onde se guarda os livros, mas utilize-a como um lugar mágico repleto de possibilidades ao ler, ouvir ou contar histórias. Na prática pedagógica, ofereça e estimule o contato das crianças com os livros, utilizando-os em várias oportunidades e espaços da escola. No desenvolvimento do gosto pela leitura, também cabe a nós, educadores, criar o espaço e tempo necessários para a formação de nossos alunos. Dentro dos muros da escola, a Literatura Infantil deve ser apresentada à criança como algo prazeroso que possibilita vários conhecimentos, inclusive de si mesma, ao longo de uma vida. Pois, a partir do momento que a escolarizamos, damos à Literatura Infantil um caráter didático intermediado pelos livros e apostilas com textos fragmentados, que devem ser lidos e comprovados. Assim, a criança perde a magia, que seria a aliada no desenvolvimento do gosto pela leitura. 99 12 Literatura Infantil e Linguagem Oral 100 O Homem e a Linguagem Por ser racional, o homem possui a capacidade de transmitir verbalmente suas ideias, emoções, valores e culturas por meio da linguagem oral, do gestual e da escrita como forma de interação com o meio social no qual está inserido. A linguagem escrita tornou-se um bem social essencial ao homem, e sendo o signo da educação, alcança um valor social muitas vezes superior à oralidade e servindo como forma de discriminação. Porém, a linguagem oral éadquirida e internalizada de forma natural em contextos informais, no dia a dia, inicialmente, na interação com a mãe e demais familiares, no convívio social com diversas pessoas e situações, enquanto a escrita é adquirida formalmente, através das instituições de ensino (MESSIAS, 2012). Tanto a linguagem oral quanto a escrita são essenciais para a sociedade. Portanto, proponho aqui que façamos uma re�exão sobre a importância da oralidade e sobre como a literatura infantil pode auxiliar em sua aquisição, já que nós somos seres sociais e orais. Toda nossa cultura e conhecimento são transmitidos, de geração para geração, por meio da linguagem (considerando todas as linguagens humanas). 101 Acesse o link: Disponível aqui A Literatura Infantil é um assunto bastante sério e muito discutido nos dias de hoje por duas razões: primeiro por favorecer o desenvolvimento da linguagem, especialmente, na sua forma simbólica permitindo o aparecimento da imaginação e da criatividade. Segundo, porque auxilia a oralidade e a escrita infantil no processo de alfabetização ampliando o universo de conhecimento das crianças. A Literatura Infantil e a Aquisição da Linguagem Oral A aquisição da linguagem oral, embora também seja social, é um dos fatores determinantes na escola, pois a criança só produz conhecimento a partir dessa linguagem. A linguagem oral está presente em todo processo de ensino e aprendizagem, pois o próprio educador, no decorrer do processo de aprendizagem, utiliza-se dela, e muito, para se expressar e transmitir o conteúdo, e o aluno para interagir junto a ele. Para tanto, é necessário o exercício da linguagem mediante o trabalho pedagógico apoiado aos livros e aos recursos didáticos. De acordo com Messias (2012), existem três categorias que podem classi�car a função dos livros no âmbito escolar: os didáticos, aqueles que são referência, ou seja, que utilizamos para a aprendizagem das atividades curriculares obrigatórias; os livros de apoio didático, que são aqueles utilizados com base para aprofundar os diferentes tópicos das disciplinas isoladas e servem para enriquecer a formação do aluno, e os livros de literatura infantil, livros de pura �cção – e porque não dizer de fruição estética – nos quais a linguagem é artística. É esse o olhar que o educador deve 102 https://www.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/a-literatura-infantil-e-o-desenvolvimento-da-linguagem-na-crianca.pdf direcionar aos livros, pois só assim poderá utilizar com maestria, os livros pertencentes à leitura literária. Dessa forma, a Literatura Infantil será sua aliada para auxiliá-lo para desenvolver o lado afetivo e imaginário, além da oralidade de seus alunos. Antes de fazer uma re�exão sobre algumas possibilidades de inserção de atividades didáticas em sala de aula, precisamos repensar a maneira como nos direcionamos à individualidade do outro. Para tanto, é preciso ver e entender a criança como um indivíduo pertencente a um grupo social, pois “ela é um aprendiz da cultura desse grupo em que está inserida e por isso possui suas individualidades que a difere do outro” (GREGORIN FILHO, 2009 apud MESSIAS, 2012, p. 8). Nesse contexto, o educador deve ministrar suas aulas com instrumentos e estratégias que sirvam para prosseguir com o aprendizado e utilizar a literatura, que é um fenômeno da linguagem adquirido de experiências vivenciadas por seus autores quanto à vida e às relações humanas de acordo com a sociedade, a história e a cultura vigente, participando, assim da formação de novos cidadãos. Ao utilizar a Literatura Infantil na prática pedagógica, o educador deve também valorizar as relações existentes entre literatura, história e cultura, “pois cada momento histórico e cada cultura cria uma estética própria, que resultante das interações que o homem vivencia em seu meio social, cultural e histórico” (GREGORIN FILHO, 2009 apud MESSIAS, 2012, p. 8). O ambiente escolar é um espaço onde se podem desenvolver as primeiras relações do indivíduo com a sociedade, e eis um dos motivos da importância e seriedade do educador ao selecionar sua bibliogra�a para a sua prática pedagógica. Portanto, ele tem que ter clareza sobre a importância de seu papel na vida dos indivíduos e conhecimento acerca de Literatura Infantil para atingir seus objetivos na construção do conhecimento desse indivíduo. Vale lembrar que a literatura também faz parte processo de construção da identidade cultural de um povo, pois ela oferece aos leitores vários universos produzidos por meio das relações vivenciadas a partir da história, ou seja, por meio das histórias, são transmitidos elementos do espaço e do tempo e as transformações nas relações sociais. 103 Todavia, não é só de palavras que se constrói um livro. Messias (2012) aponta que existe um tipo de linguagem peculiar, direcionada às crianças, que ao ser exibida chama muita atenção: a ilustração, sobre a qual já falamos em outra aula, que cria oportunidades para que a crianças se manifestem oralmente sobre o que estão vendo, o que estimula o uso da linguagem oral, além de possibilitar que �rmem o seu signo linguístico. Nas atividades de leitura, o educador pode – e deve – iniciar o diálogo com seus alunos falando das inúmeras linguagens que compõem a obra literária, pois dessa forma, a criança saberá discriminar as diferentes linguagens construídas ao longo da história. 104 A Literatura Infantil atrai e encanta a criança, despertando sua curiosidade e promovendo seu desenvolvimento sensível e emotivo, além do desenvolvimento das linguagens, inclusive a sua linguagem oral: A magia envolvida escondida nas entrelinhas dos livros de literatura infantil estimula o pequeno e atencioso leitor, a descobrir, e o aprimorar a linguagem oral, desenvolvendo a capacidade de comunicação com o mundo em volta dele, concretizando o desejo de ler o texto escrito viabilizando a transmissão do código linguístico, ou seja, o processo de alfabetização. (MESSIAS, 2012, p. 11). O educador deve sempre estar em constante busca do aprender para contribuir ricamente na formação de seu aluno. Infelizmente, como já citado, muitos educadores ainda não dão à Literatura Infantil a sua devida importância e fazem dela apenas um passatempo, em que os livros são objetos usados somente para a distração dos alunos enquanto preparam outra atividade pedagógica. Devemos mudar essa realidade, começando pela valorização da literatura e enriquecendo nossa prática pedagógica com histórias variadas – lembrando que deve ser sempre com objetividade e intencionalidade. Para tanto, o professor deve, em seu planejamento, incluir atividades que estimulem a leitura individualizada ou em grupo, com leituras na biblioteca, na sala de aula ou em outros espaços da escola. Por que não? Pense nas possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos em atividades assim! 105 Enquanto educadores, temos o dever de proporcionar aos alunos oportunidade de desenvolver a linguagem oral e escrita e oferecer-lhes possibilidades de desenvolver sua visão de mundo e o prazer pela arte. Vale destacar que, durante a sua prática pedagógica, o educador, quando apresentar primeiramente os livros e histórias escolhidas, deverá observar quais mais agradaram e despertaram o interesse dos alunos. Lembre-se que, em cada faixa etária, as crianças têm interesses por temas e personagens diferentes! 106 13 Literatura Infantil, Leitura e Alfabetização 107 Caro aluno, Sabe-se que a escola desempenha um papel de extrema importância no desenvolvimento humano, pois cabe a ela estimular a busca e a construção de conhecimentos para que, de forma contínua, o individuo se transforme em sujeito crítico e re�exivo de sua realidade. Também é função da escola, por meio de métodos e estratégias, ensinar o aluno a ler criticamente e interpretar os diferentes tipos de textos para que ele conheça o mundo e o entenda a �m de mitigar as desigualdades sociais conhecendo-as e buscandosuperá-las por meio da aquisição da leitura e da escrita, en�m, de conhecimentos com o objetivo de tornar a sociedade mais igualitária. Para tanto, a escola deve considerar a leitura como meio imprescindível para a conscientização e construção de saberes, devendo buscar estratégias para que todas as crianças tenham o pleno desenvolvimento da escrita e da leitura, sem fazer da sua prática algo engessado e mecânico. O Papel da Escola na Experiência de Leitura Ao analisar algumas práticas pedagógicas vigentes, nota-se que a escola nem sempre está preparada e atenta para formar bons leitores, pois não proporciona encontros signi�cativos da criança com a obra literária (BARROS, 2013). Podemos pensar que essa di�culdade por parte do educador talvez seja uma lacuna em sua formação também, enquanto leitor e pro�ssional. Nem todos nós tivemos ou fomos estimulados a ter um bom contato com a literatura infantil, por isso é importante trabalhar essa questão também nos cursos de formação de professores. O leitor, seja ele criança ou não, quando envolvido numa relação de interação com a literatura infantil, encontra signi�cados e relaciona o texto com o mundo no qual está inserido. Tudo o que é visto e trabalhado na escola está diretamente ligado à leitura, daí sua incontestável importância na formação do cidadão crítico e consciente. A leitura é a realização da escrita, ou seja, quem escreve, escreve para ser lido por alguém. No contexto escolar ou não, ler é um processo de descoberta, e justamente por esse motivo pode ser uma atividade lúdica. 108 Acesse o link: Disponível aqui Na atualidade, o grande desa�o no ambiente escolar é despertar o interesse das crianças pela leitura. Cabe ao professor encontrar meio e estratégias para tal tarefa. O educador e autor Celso Antunes dá dicas de grande valor para essa missão. O processo de aprendizagem da leitura não pode ser confundido com o propósito da leitura, pois “ler é diferente de aprender a ler” (BARROS, 2013, p. 27). Isso se pensarmos que decifrar os códigos de escrita não garante autonomia e compreensão de mundo. O que muitas vezes presenciamos em nossas escolas são programas de alfabetização de crianças que di�cultam a compreensão das funções da língua escrita na sociedade. 109 http://www.celsoantunes.com.br/dicas-para-despertar-na-crianca-o-gosto-pela-leitura/ Daí a importância de o professor conhecer o processo de aprendizagem da criança, pois, nesse caso, quanto mais ele compreender o processo de aquisição da língua escrita e a construção do conhecimento, mais e�ciente será sua prática pedagógica no sentido de estimular e mediar a aprendizagem da criança. Sobre a aprendizagem da leitura, podemos dizer que se trata de uma relação simbólica entre o que se fala e o que se vê, e por leitura, entendemos como toda manifestação linguística que um sujeito realiza para recuperar um pensamento formulado por outra e colocado como forma escrita. Segundo Cagliari, há diferentes atitudes perante a leitura, ela é singular para cada leitor, é uma atividade de reflexão pessoal que depende do contexto em que esse leitor esta inserido. A leitura é a extensão da vida cotidiana, uma parcela considerável do conhecimento humano advém da leitura. Um aluno pode não se sair muito bem em diferentes atividades, mas se for um bom leitor terá mais chances de um futuro melhor (2009 apud BARROS, 2013, p. 27). Ler na Escola: Compreensão para o Mundo Como já discutido, é por meio da Literatura Infantil que a criança cria condições para o desenvolvimento intelectual e a formação de princípios individuais, de forma a despertar diferentes relações com sentimentos e visões de mundo. Ler, pra mim, sempre significou abrir todas as comportas pra entender o mundo através dos olhos dos autores e da vivência das personagens. Ler foi sempre maravilha, gostosura, necessidade primeira e básica, prazer insubstituível. E continua, lindamente, sendo exatamente isso! (ABRAMOVICH apud BARROS, 2013, p. 27-28) 110 Assim, partindo da visão apresentada por Abramovich (apud BARROS, 2013), podemos considerar os momentos de contato da criança com a Literatura Infantil de extrema importância na formação de leitores, pois é o ato de leitura e escrita que a conduz a um processo de aprender, de conhecer e de construir novos signi�cados. A aprendizagem da leitura constitui uma tarefa permanente, que se enriquece com novas habilidades na medida em que se manejam adequadamente os diferentes textos (BARROS, 2013). Podemos dizer que a leitura é uma aprendizagem contínua e permanente para a vida toda – e justamente por isso, a aprendizagem da leitura não se limita ao primeiro ano de vida escolar. Portanto, é interessante rea�rmar que aprender a ler é um processo contínuo, que se desenvolve ao longo de toda a escolaridade e de toda vida. Como já foi dito anteriormente, o processo de aquisição da leitura é um trabalho de construção de significados do texto a partir da curiosidade do leitor, do conhecimento que ele possui a respeito do assunto e do que sabe sobre a língua. Portanto, a leitura acontece quando se produz o sentido e quanto mais experiências de leituras anteriores, mais consciência na formação de sentido terá o leitor, pois é preciso compreender também as entrelinhas. Só quem lê interpreta, questiona, estabelece julgamentos do que pode e deve fazer, exercendo assim, plenamente a sua cidadania. Quem lê pode mudar sua realidade para melhor (BARROS, 2013, p. 28). Não restam dúvidas de que o trabalho com a linguagem é fundamental para a formação do sujeito. Sendo assim, cabe ao professor orientar a criança nos caminhos que a levarão à paixão pela literatura. No contexto escolar, é ele quem deve oferecer um amplo repertório de livros aos alunos, de acordo com as suas preferências e interesses. Dominar a leitura vem da necessidade do seu uso em diferentes situações nas quais a criança desenvolverá diferentes habilidades. Criar o hábito de leitura desde as séries iniciais é fundamental para o processo de alfabetização, mas também se constitui um dos maiores desa�os ao professor. Porém, o acesso a obras literárias de qualidade é fator determinante no desenvolvimento do gosto pela leitura, pois dispõe para a criança textos que trazem informações que alimentam a imaginação e criam nelas a necessidade de leitura. 111 A Literatura Infantil se destaca pela importância e riqueza ao trazer conhecimento de mundo que a criança possa adquirir, conhecendo realidades e culturas diferentes e relacionando-as com suas próprias experiências. Por meio da leitura, a criança desenvolve senso crítico quando associa, dialoga e questiona a visão do autor. Também é possível o seu desenvolvimento na área da arte, pois ao fantasiar, ela alcança um espaço ilimitado no seu imaginário, e isso pode resultar em novos textos, pinturas, desenhos e colagens, entre outras expressões. 112 Na prática pedagógica da leitura, o fato de a literatura infantil ser destinada às crianças não quer dizer que seja necessário o uso de uma linguagem infantilizada, pois considerações mais diversi�cadas tornam o texto mais rico. Quanto mais cedo a criança entra em contato com o mundo da Literatura Infantil, mais cedo se tornará leitor (BARROS, 2013). O conhecimento do objeto “livro”, a familiaridade com ele e o manuseio são estímulos para incentivar o hábito da leitura na criança. Experiências signi�cativas com a linguagem por meio das histórias infantis, cuidadosamente planejadas, permitem que as crianças desenvolvam capacidades essenciais para a aprendizagem da leitura e da escrita. Diante dessa perspectiva, esperamos que na escola haja incentivo ao desenvolvimento da prática da leitura como veículo de acesso ao mundo real de forma signi�cativa, viva e desa�ante. Aqueles que convivem com crianças sabe o quanto elas gostam de escutar histórias, e muitas vezes a mesma repetidamente, pelo prazer de reconhecê-las, apreendê-las em seus detalhes, de antecipar as emoções já vividas. A criança que ouve várias histórias percebe as regularidades e con�a em sua própria leitura (BARROS, 2013). 113 14 Literatura Infantil e Educação Infantil 114 Em algumas instituições de educação infantil, a leitura dos livros literários é realizada como atividade obrigatória: uma tarefa a ser cumprida, com uma análise para entregar ao �nal da leitura. Geralmente são livros escolhidos de forma aleatória, sem um conhecimento aprofundado da história e, às vezes, nem do gosto ou interesse das crianças. Dessa forma, é impossível estabelecer uma boa relação com a Literatura Infantil, de forma que venha promover o desenvolvimento do gosto pela leitura e do senso crítico. Assim, o educador acaba desenvolvendo uma prática pedagógica mecânica e engessada, sem saber como utilizar o rico campo da literatura infantil. A Literatura Infantil no processo de ensino aprendizagem nas instituições de educação infantil deve ser vista e compreendida como uma possibilidade de construção de espaços significativos, não mais com uma visão assistencialista, mas, sim, educativa (SIMÃO, 2013). Por esse viés, a literatura infantil adquire um novo signi�cado, possibilita à criança o acesso ao mundo da literatura e a aproxima de diferentes linguagens, pois o contar histórias pode ser corporal, plástico, musical, oral e escrito, além de haver interações no grupo. As crianças gostam de ouvir histórias, e a escola, por meio de suas práticas pedagógicas (escolarização da literatura infantil), pode acabar com o prazer em ouvir e ler histórias. Se estiver sempre presente e da forma que se espera e deseja, a literatura infantil deixa nas crianças lembranças de momentos ricos e memoráveis por meio de histórias lidas e contadas, levando-as a mergulhar no mundo imaginário nos encantos que podem proporcionar, porém, esta relação com os livros, além de desenvolver a imaginação, poderá fazer destas crianças futuros leitores, ampliando e permitindo conhecer cada vez mais as diversidades culturais e sociais, aproximando as situações do mundo imaginário para o mundo real. (SIMÃO, 2013, p. 23). Porém, para que este processo ocorra, é necessário que tanto escola quanto família considerem como uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento da sensibilidade, da memória, da fantasia, da imaginação e do conhecimento do mundo. 115 O Livro de literatura infantil O livro deve fazer parte do cotidiano da Educação Infantil desde o berçário, pois desde muito pequenas as crianças precisam manipular o objeto livro, em suas diferentes formas e de diferentes maneiras, a �m de reconhecer e explorar esse objeto que deve ser fornecido pelas educadoras. Além de manipular, sentir e observar, as crianças também escutam as histórias narradas por seus professores a partir da leitura do livro, que deve acontecer sempre nos espaços da instituição de educação infantil. À medida que as crianças menores se apropriam desta prática social passam a “imitar” o comportamento adulto de “ler” o livro. Segundo Onesti, A criança repete a prática de ler, ou seja, imita o adulto de diversas maneiras, seja apenas folheando o livro, página por página; observando, relacionando ou interpretando imagens e narrando aos amigos, ou ainda estabelecendo o encadeamento e sequência da história a partir do desenho. Nesses momentos, com uma experiência de leituras intensas, na prática escolar, as crianças fazem gestos como passar o dedinho por cima das letras, quando percebem que a fala da educadora se baseia naqueles códigos que ainda não decifram, mas que podem compreendê-los em um contexto que lhe é usual, e exposto pelo desenho (ONESTI, 2014, p. 2) De acordo com Machado, Nessa fase inicial de descoberta dos livros, o que conta muito não é só o texto verbal propriamente dito, como também as escolhas gráficas em que se apresentam e as ilustrações. Esta opção liga-se ao caráter dialógico que o texto não verbal ou de imagem mantém com o texto verbal, que adquire grande relevância quando se aprende a ler. Essas duas esferas, a verbal e a não verbal, embora exijam capacidades diferenciadas no processamento da leitura, não se separam. Uma se projeta na outra, sentidos que se complementam, contrariando, portanto, a função meramente ilustrativa das imagens, que se ofereceriam apenas como apoio para confirmar o que se lê no texto verbal. Assim, nesse diálogo, tanto a criança que já lê como aquela que arrisca adivinhações sobre o que vê/lê participa ativamente do processo de produção de sentidos quando abre um livro. (2008 apud ONESTI, 2014, p. 3). 116 No momento de oferecer livros para crianças pequenas, devemos ser criteriosos e optar por aqueles que chamam a atenção, que sejam atraentes e interessantes. As muitas cores, as diferentes formas, os desenhos, as imagens e as texturas são recursos que contribuem para que a criança se sinta atraída pelo objeto. Ao perceber que aquele objeto possui signi�cados e que um livro pode lhe proporcionar uma grande viagem, uma aventura diferente, cheia de descobertas e emoções, a criança passa a apreciá-lo mais, e isso é possível justamente por ser um objeto manipulável, por ter diferentes formas e desa�os, e por levá-los ao mundo real que já existe e do que eles podem criar – além das coisas que existem apenas no mundo lúdico dos livros. Aquele que adentra o mundo da Literatura Infantil �ca encantado pelo simples contato com o livro, mas também, por exemplo, por poder conhecer uma princesa em um castelo medieval, viajar ao Polo Norte ou Sul na companhia de pinguins, viver uma aventura na �oresta amazônica ou na Floresta Negra e voar de balão, avião (e até mesmo de pipa). Podem ser aventuras incríveis vivenciadas em um mundo aos quais todos têm acesso: o mundo literário. Assim, é necessário construir experiências positivas entre as crianças e a Literatura Infantil, tal tarefa implica no recorte do trabalho na Educação Infantil. Um deles seria a atividade leitora do próprio professor. Neste sentido, passa a ser relevante que o 117 professor da Educação Infantil compartilhe com as crianças um amplo repertório de histórias. Cabe pensar também no professor como um leitor e apaixonado pela literatura infantil, pois sua paixão deve ser traduzida ao apresentá-la para as crianças. A�nal, como desenvolver o gosto pela leitura na criança, se o próprio professor não tem o hábito de ler? Outro fator importante para compor experiências positivas seria a organização do tempo e espaço do ambiente escolar produzido em uma proposta de práticas sociais de escutas de histórias, bem como a manipulação de livros diversos, buscando o desenvolvimento integral da criança possibilitado pela literatura infantil. Por isso, o espaço de uma instituição de Educação Infantil para leitura deve se constituir de livros na sala com prateleiras baixas, ou mesmo caixas ou cestos, com livros para o acesso das crianças; uma biblioteca em que o professor insira a criança no ambiente, pois ali pode se tornar um ótimo exercício para que descubram a autonomia na hora em que escolhem um livro de seu interesse e para reforçar ainda mais o gosto pelo universo da leitura (ONESTI, 2014). A Literatura Infantil pode contribuir de forma decisiva para a formação da criança e forma integral, também como futuro leitor. Crianças pequenas percebem desde cedo o universo dos códigos escritos que estão ao seu redor. Podem, ainda, não decifrá-los, mas à medida que vão se desenvolvendo percebem que têm signi�cados e antes mesmo de decifrar a escrita, já podem compreender que signi�cados são esses. Daí a importância da prática pedagógica aliada ao mundo dos livros. É a Literatura Infantil que irá oferecer subsídios para que a criança se desenvolva, aprenda, e se (re)conheça. Porém, ela não está sozinha nesse caminho que deve ser sabiamente mediado e conduzido pelo professor. 118 15 Literatura Infantil e Ensino Fundamental 119 Caro aluno, A Literatura Infantil é uma grande aliada dos professores,pois se sabe que, embora esta tenha tido sua origem com �ns pedagógicos, é, para a criança, uma importante ferramenta para a compreensão do real, pois, como já foi visto, estabelece relações entre a �cção e realidade. Nota-se que a conexão entre Literatura Infantil, Língua Portuguesa e Matemática pode, além de gerar aprendizagens mais fecundas, mobilizar o aluno para o conhecimento, despertar a imaginação e o prazer em aprender, incentivando-o a comunicar, dialogar e debater suas descobertas, levando-o a fazer uso social e real, por meio da produção textual e, também da linguagem matemática. Literatura Infantil, Leitura e Produção de Textos O senso comum diz que quem lê muito escreve bem. Mas será que essa premissa é verdadeira? E se for verdadeira, quanto é necessário saber ler para escrever bem? E ainda, o que se deve ler? Muitas pessoas, inclusive os pro�ssionais da educação, devem se questionar sobre o tema, e as respostas certamente interessariam a todos os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental, que têm a missão de auxiliar e mediar seus alunos a quali�carem sua competência discursiva na modalidade oral e escrita. Assim posto, a leitura é um processo de construção de sentidos por um sujeito determinado e limitado a determinadas condições sócio-históricas. Além disso, não vemos a leitura como um mero decifrar ou decodi�car de um somatório de parágrafos, frases e palavras, mas sim como a leitura de modo de estruturação de um texto ou de um livro (PEREIRA, 2006). Ouvir ou contar histórias faz parte da nossa vida. Todos, crianças e adultos, gostamos de histórias e nos interessamos por elas. Além disso, sabemos desde a mais tenra idade contar histórias, seja por meio de textos escritos ou de imagens. Também, ao ler, reconhecemos facilmente se a estrutura do texto está adequada, pois dela decorre, em parte, a coerência da história (SPINDLER E MARTINS, recurso eletrônico). 120 Dessa forma, podemos considerar que a leitura de obras literárias, dentro e fora dos muros da escola, é uma prática essencial para a formação de leitores e escritores, que, a partir dessa prática, atingem um nível maior de conhecimento crítico do mundo, além de se tornarem leitores intelectualmente autônomos e humanizados. Assim, é por meio de uma prática pedagógica permeada pela literatura infantil, como linguagem e como instituição, que se con�am os diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos por meio dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias (LAJOLO, 2008). Diante dessa perspectiva, cabe ao professor explorar as potencialidades do texto literário, a �m de que o contato entre o aluno e a literatura infantil seja uma busca plena de sentidos e, consequentemente, de escrita. Com essa temática, Jolibert (1994) a�rma que, para que os alunos se tornem escritores, é essencial passar por experiências tais como: saber que a escrita serve para qualquer coisa: para se comunicar, criar, contar e conservar histórias; perceber que a escrita dá poder para se comunicar com o restante do mundo; perceber o prazer que a produção de um texto escrito pode proporcionar; entender a produção de texto não como um trabalho chato, enfadonho, mas como uma forma de buscar autonomia como indivíduo. 121 Ainda segundo Jolibert (1994), a interação entre leitura e escrita é grande, pois é necessário dominar a leitura para escrever e dominar a escrita para ler. Sendo assim, o interesse pela escrita e pela leitura começa antes da escola, pois a criança constantemente se interessa em saber o que está escrito em cartazes, quer saber escrever seu nome ou de seus pais, por exemplo, e sem intencionalidade descobre qual o uso da escrita social. Dessa forma, acredita-se que, se reestimularmos o interesse pela palavra, talvez assim os alunos percebam a importância e a utilidade do ler e escrever (SPINDLER E MARTINS, recurso eletrônico). Logo, a Literatura Infantil é importante tanto para a aquisição da leitura e alfabetização quanto para o aprimoramento dessa escrita, fazendo com que o aluno, a partir dessas aquisições, possa organizar suas ideias, pensamentos e conhecimentos ao produzir seus próprios textos. Literatura Infantil e Ensino da Matemática A Literatura Infantil também exerce grande in�uência na aprendizagem da Matemática. De acordo com Cunha (2017), o ensino da Matemática nas séries iniciais há tempos vem se reformulando, mas muitos professores ainda se mantêm presos ao uso “das mesmas atividades estanques, estéreis, já sistematizadas e sem qualquer participação por boa parte do aluno” (CUNHA, 2017, p. 2), fato que nos leva a questionar se o conteúdo apresentado pelo professor precisa ser trabalhado, re�etido e reelaborado pelo aluno para se constituir em conhecimento apreendido por ele. E ainda, para que haja aprendizagem, é necessário, inicialmente, mobilizar o aluno para o conhecimento, ou seja, seu interesse precisa ser provocado (VASCONCELOS, 1992 apud CUNHA, 2017). É neste sentido que a Literatura Infantil desempenha um papel essencial na signi�cação inicial, pois desperta o interesse dos alunos, cria expectativas e os envolve emocionalmente com a narrativa e permitindo lhes viver um jogo �ccional, possibilitando, assim, uma aproximação mais harmoniosa e signi�cativa do aluno com o conteúdo a ser desenvolvido (CAMPOS E MONTOITO, 2010 apud CUNHA, 2017). 122 Acesse o link: Disponível aqui Por muito tempo se falou em alfabetização apenas como aprender a ler ou a escrever em língua materna, e pouco se dava importância à alfabetização matemática, mas essa área do conhecimento tem sua linguagem especí�ca. Portanto, o processo de alfabetização das crianças do primeiro ciclo do ensino fundamental (1º ao 3º anos) precisa perpassar por um processo interdisciplinar entre Literatura Infantil e Matemática. A literatura permite a apropriação e a signi�cação do universo cultural ao qual está inserida. Ao interagir com este universo, a criança vivencia situações que, de outra forma, não seriam possíveis, e constrói seus próprios conceitos, inclusive os matemáticos. A imaginação no ensino da Matemática também é importante, pois “em muitas passagens da História da Matemática, é inegável o uso da imaginação para a tomada de decisões, investigações de teoremas e resolução de problemas. Parece-nos adequado, também por isso, favorecer ao máximo a imaginação dos alunos” (CAMPOS E MONTOIO 2010 apud CUNHA, 2017, p. 03). 123 https://periodicos.ufpa.br/index.php/revistaamazonia/article/view/3721 É preciso destacar que a Literatura Infantil também é, para a criança, um meio de acesso ao real, permitindo a ela uma ampliação do seu domínio linguístico, fundamental para sua compreensão e signi�cação de mundo. Essa habilidade é fundamental para qualquer aprendizagem, pois a linguagem não é só uma ferramenta que auxilia a criança a pensar: ela constitui o próprio pensamento. De acordo com Cunha (2017), as práticas pedagógicas a partir do uso da Literatura Infantil também formam alunos mais ativos, participativos e envolvidos com seu processo de descoberta, mas exigem professores mais �exíveis, capazes de criar e gerir situações de aprendizagem inesperadas e de interação entre aluno/aluno, aluno/conteúdo e aluno/professor de modo a torná-las mais fecundas. Ademais, ao integrar Literatura Infantil e Matemática, as crianças exploram Matemática e História ao mesmo tempo, o que permite trazer as ideias matemáticas para sua vida: um dos resultados disso é uma maior compreensão de sua realidade e um uso real e social da escrita e da Matemática (ROEDEL, 2016, SMOLE, 1997 apud CUNHA, 2017). O uso da Literatura Infantil nas aulas de matemática “abre espaço para a comunicação, despertando o interesse dos alunos, modi�cando a tão característica aula de Matemática marcada pelo silêncio e pela execução de exercícios mecânicos (ROEDEL, 2016, NACARATO, 2009 apud CUNHA, 2017, p. 05)”. Para isso, a aula precisa ser dinâmica, com interação e participação dosalunos, para que o aluno comunique o 124 que pensa e explique seu raciocínio. É nesse diálogo entre professor e aluno que ocorre a retomada do que ouviram, ou a tentativa de prever o que vai acontecer, ato fundamental para a resolução de um problema matemático, pois possibilita que ele re�ita sobre suas hipóteses e, por vezes, reformule-as, chegando a um conhecimento mais elaborado (CUNHA, 2017). Para realizar uma leitura de texto matemático de forma a compreender a situação problema que ali se apresenta e ser capaz de traçar estratégias para resolvê-lo, o aluno necessita do domínio dos conhecimentos matemáticos, mas também de conhecimento linguístico, textual e de mundo, aspectos desenvolvidos com prática pedagógica aliada ao trabalho a partir da literatura infantil. Para uma prática pedagógica no ensino de Matemática que conta com o auxílio da Literatura Infantil para desenvolver conhecimentos, é necessário saber escolher os livros, para que esta conexão faça sentido e mantenha seu objetivo. Os aspectos literários que permitem a interpretação, a imaginação e todo jogo �ccional precisam ser preservados (ARNOLD, 2016), pois esses aspectos contribuem para a construção de conhecimento, seja em Matemática ou na produção textual. No entanto, o que se vê em nossas escolas, geralmente, é que muitas vezes, os aspectos didáticos, pedagógicos e moralizantes se destacam em detrimento dos literários. Não podemos negar que a Literatura Infantil pertence a duas áreas: a pedagógica e a arte literária, o que faz com que todo livro tenha a intenção de divertir e ensinar e que nenhum extremo é desejável. 125 16 Literatura Infantil e Contação de Histórias 126 Caro aluno, Há uma diferença entre ler e contar histórias. Porém, se feitas com dedicação e conhecimento, ambas contribuem ricamente para o desenvolvimento do gosto pela leitura e, consequentemente, para a formação do sujeito. Ao ler uma história em voz alta, o leitor empresta sua voz ao texto, respeitando a estrutura linguística da narrativa e as escolhas lexicais do autor. Ler uma história é uma forma de apresentar a obra conforme sua linguagem original. Quem lê deve estar preparado su�cientemente para fazê-la e deve saber utilizar o livro como acessório integrado à técnica da voz e do gesto (SILVA, 2010 apud VALDIVIESO E ROGATO, 2012), pois ao ler para uma criança, o leitor não transmite apenas o conteúdo da história, mas promove seu encontro com a narrativa e desenvolve no ouvinte valor pelo livro. Contar histórias envolve improvisação e interação, e o contador deve criar imagens que ajudem a despertar sensações e a ativar no ouvinte os sentidos do paladar, audição, tato, visão e olfato. Dessa forma, as narrativas serão carregadas de emoção e de elementos signi�cativos tais como gestos, ritmo, entonação, expressão facial e pausas, uma vez que esses elementos proporcionam uma interação direta com o público. Assim, pode-se dizer que o contador recria o conto junto com seu público, conservando algumas partes do texto, mas com a liberdade de modi�cá-lo conforme a interação que estabelece com os ouvintes. 127 A Contação de Histórias Anteriormente, a contação de histórias nas escolas era uma forma de distrair as crianças, mas, hoje a �gura do contador de histórias ressurge com novo signi�cado. De acordo com estudos, a contação de histórias é um precioso auxílio à prática pedagógica de professores tanto da Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental, e justi�cam ressaltando que a contação de história instiga a imaginação, a criatividade e a oralidade, além de incentivar o gosto pela leitura, contribuir na formação da personalidade da criança e envolver na prática o social e o afetivo. Mas não para por aí. A contação de histórias, além de pertencer ao campo da educação e à área das ciências humanas, é uma atividade comunicativa, que permite ao homem, por meio dela, repassar costumes, tradições e valores capazes de estimular a formação do cidadão (ALMEIDA, 2019). Por esse, entre tantos outros motivos, para contar histórias é necessário saber criar um ambiente de encantamento, suspense, surpresa e emoção, no qual o enredo e os personagens ganham vida, transformando tanto o narrador como o ouvinte. O ato de contar histórias deve impregnar todos os sentidos, tocar o coração e enriquecer a leitura de mundo na trajetória de cada um. 128 A ação de contar histórias deve ser estar presente dentro do espaço escolar não somente com seu caráter lúdico, muitas vezes exercitado em momentos estanques da prática pedagógica, como a hora do conto ou da leitura, mas adentrar a sala de aula como metodologia que enriquece a prática do educador, ao mesmo tempo em que promove conhecimentos e aprendizagens múltiplas. Katzer e Watthier complementam: A questão da contação de histórias como parte integrante da prática pedagógica não tem a pretensão de desconfigurar sua função de transmitir beleza, sensibilidade e prazer. Aliás, o caráter artístico da contação de histórias pode servir de elo no processo de ensino/aprendizagem, auxiliando a prática pedagógica sem perder seu valor estético e artístico (2016, p. 12). A Arte de Contar História O sucesso do contador de histórias está primeiramente na realização de um roteiro a ser seguido, pois por meio deste terá segurança e naturalidade, fundindo a teoria à prática, e acima de tudo dará prazer a quem ouve e contribuirá para o desenvolvimento do ouvinte por meio das interações com o leitor. 129 O contador de história também precisa colocar em prática a adaptação verbal, facilitando a compreensão do ouvinte e tornando este momento mais dinâmico e comunicativo, além de considerar a faixa etária e as condições socioeconômicas dos ouvintes. Por isso, é antes de contar uma história é importante avaliar se o assunto é interessante, se demonstrará riqueza de imaginação e se agradará as crianças. Ademais, a linguagem deve ser simples e os recursos de onomatopeias devem dar mais força às expressões, contribuindo para que se torne cada vez mais interessante. Uma história pode ser contada a qualquer momento e em qualquer lugar. Contar histórias para uma criança – ou para um adulto – é poder rir junto com ele, ser cúmplice de um momento de humor, de descontração, de brincadeira, suscitando o imaginário, descobrindo novas possibilidades de solucionar determinados problemas por meio das resoluções enfrentados por cada personagem de uma história (ABRAMOVICH, 1997). Assim, o para despertar a admiração do ouvinte e transmitir con�ança, é importante que o contador memorize o texto e faça variações sobre o tema. 130 O contador de história deve criar um clima atraente e encantador, que a cada pedacinho contado por ele, faça com que a criança se sinta parte da história ouvida e fantasie o cenário do que ela está ouvindo. Para Abramovich (1997, p. 21), o contador de histórias deve “criar seus próprios dragões, adentrar pela casa, vestir a princesa, pensar na cara do padre, sentir o galope do cavalo, imaginar o tamanho do bandido e outras coisas mais”. Resumindo, para contar uma história, é essencial seguir alguns passos: Saber os assuntos preferidos da faixa etária; Estudar para ter elementos para preparar a narração, fazer adaptações e utilizar recursos e/ou técnicas auxiliares; Divertir-se com a história, captar a mensagem que nela está implícita e, em seguida, após algumas leituras, identi�car os seus elementos essenciais (enredo, personagens principais secundários e supér�uos, ambiente, cenário, mensagem e conteúdo educacional); Adaptações são necessárias quando se deseja utilizar determinado recurso auxiliar. Quando se utilizam personagens, a adaptação deve ser feita transformando a história em diálogos. Assim, a trama se desenvolve por meio de uma sucessão de cenas “interpretadas” pelos personagens; Elementos fundamentais: vocabulário, volume, velocidade e tonalidade de voz; Técnicas: livros, fantoches com cenário, tapete de história, saia literária, caixa de cenário, avental de contar histórias e dramatizações.Também: adaptação do contador ou história decorada na íntegra; 131 com o livro em mãos: leitura dinâmica, dramatizada com as ilustrações do livro; com gravuras: varal e livro ampliado; com �anelógrafo: gravuras coloridas, dobraduras, sombras (usar o velcro atrás); com desenhos: desenhar as personagens enquanto vai contando a história; com fantoches: de varetas, dedoches, de caixinhas, de papel machê, de meias, de EVA, de espuma, de feltro ou qualquer outro material que sua criatividade permitir (FLESCH ET AL., 2016). Acesse o link: Disponível aqui Conhece os 10 mandamentos da contação de histórias? 1. Escolha uma história da qual você goste muito e deseje contar. 2. Leia essa história muitas vezes. 132 https://www.lendo.org/guia-definitivo-contacao-historias/ Conclusão A Literatura Infantil é de�nida por ser destinada a um determinado público e possui características especí�cas: pertence a uma faixa etária determinada, tem uma estimulação familiar e acontece em uma relação com o mundo imaginário e o da escola. Nesta disciplina, vimos que uma forma de compreender o mundo é por meio da Literatura Infantil, pois sua função é exatamente fazer com que a criança tenha uma visão mais ampla de mundo, tornando-a mais re�exiva e crítica, frente à realidade social na qual está inserida e atua, desenvolvendo e organizando seu pensamento de forma lúdica. A Literatura Infantil suscita o imaginário da criança de forma a responder às suas dúvidas em relação a tantos questionamentos, de encontrar novas ideias para solucionar con�itos pessoais. O ato de ouvir e ler histórias tem uma importância que vai muito além do prazer proporcionado por elas, porque também são fundamentais para as crianças no desenvolvimento das linguagens, de um modo geral, ideias, valores e sentimentos implicaram na sua formação como pessoa. O gosto e prazer pela leitura podem vir antes da leitura de símbolos e códigos. Mesmo antes da aprendizagem desse tipo de leitura, a criança lê imagens e aprecia o valor sonoro das palavras. Aprende-se a gostar do livro pelo afeto desenvolvido pela criança a partir de seu contato com os livros e as histórias. Ao observar o comportamento de criança, conseguimos ver a sua capacidade de ouvir e inventar histórias, de expor suas ideias. Nesse momento, o educador, deve assumir o compromisso com o livro por meio do hábito de contar histórias e despertar a curiosidade, desa�ando-os, encorajando-os, solicitando-os, provocando-os para que criem suas hipóteses, abrindo as portas para o fantástico mundo da Literatura Infantil. 133 É extremamente importante a presença de livros na sala de aula. Assim, o educador deve disponibilizar e organizar um lugar em sua sala onde os livros �quem à disposição das crianças para que elas possam manuseá-los quando tiverem vontade. Logo, �ca evidente que é no decorrer da prática pedagógica que somos impulsionados a re�etir sobre a importância da literatura infantil e a ação pedagógica na escola. No dia a dia, dentro e fora do ambiente escolar, deparamo-nos com situações que nos levam à leitura motivada por diversos motivos, como por prazer, necessidade, obrigação ou brincadeira. Diante dessa perspectiva, vemos o quando a leitura é fundamental em nossas vidas, na construção de conhecimentos que possibilitam nosso desenvolvimento intelectual, social, emocional, afetivo e cognitivo. Foi uma prazer! 134 Material Complementar Livro O que é Literatura Infantil Autor: Ligia Cademartori Editora: Brasiliense Sinopse: Quais as características da literatura infantil, seus comprometimentos e desa�os? Que lugar ela pode ocupar nas escolas? Como escolher entre tantos livros do gênero? A autora responde a essas e outras perguntas, apresentando critérios de análise e seleção de obras, discorrendo sobre a origem dos contos clássicos e sobre as características da produção contemporânea destinada às crianças. Livro Literatura Infantil: gostosuras e bobices Autor: Fanny Abramovich Editora: Scipione Sinopse: trata de diversos assuntos e ressalta a importância da literatura infantil, desde o ouvir, olhar histórias, as ilustrações, o humor, a poesia para crianças, os contos de fadas e seu papel fundamental para a criança, o desenvolvimento da apreciação. 135 Filme A Guerra do fogo Ano: 1981 Sinopse: O �lme retrata um período na pré-história e dois grupos de hominídeos. O primeiro, que quase não se diferencia dos macacos por não ter fala e se comunicar através de gestos e grunhidos, é pouco evoluído e acha que o fogo é algo sobrenatural por não dominarem ainda a técnica de produzi-lo; o outro grupo é mais evoluído e tem uma comunicação e hábitos mais complexos, como a habilidade de fazer o fogo. Esses dois grupos entram em contato quando o fogo da primeira tribo é apagado em uma guerra com uma tribo de hominídeos mais primitivos, que disputam pela posse do fogo e do território. Levados por diversas circunstâncias a se encontrarem, as tribos percebem que há uma maneira diferente de viver; observam as diferentes formas de linguagem, o sorriso, as construções de cabanas, pintura corporais, o uso de novas ferramentas, e mesmo um modo diferente de reprodução. Comentário: Numa visão pedagógica, o �lme retrata a aquisição da linguagem e suas implicações na vida humana. Filme De volta a terra do Nunca Ano: 2001 Sinopse: Em um mundo sitiado pela 2ª Guerra Mundial vive Wendy, agora adulta, que tenta passar aos seus �lhos a esperança em um mundo melhor contando a eles as mágicas experiências pelas quais passou na Terra do Nunca, ao lado de Peter Pan. Entre os �lhos de Wendy está Jane, de 12 anos, que não acredita em tais aventuras. Até que ressurge o Capitão Ganche, que sequestra Jane e a leva para a Terra do Nunca, na intenção de usá-la em seu mais novo plano para capturar Peter Pan. Comentário: O �lme conta a origem da história de Peter Pan. 136 Filme Irmãos Grimm Ano: 2005 Sinopse: Wilhelm (Matt Damon) e Jacob (Heath Ledger) são dois irmãos famosos pelos seus contos de fada, recheados de personagens mágicos. Eles percorrem a Europa comandada por Napoleão Bonaparte enfrentando monstros e demônios falsos em troca de dinheiro rápido. Porém, quando as autoridades francesas descobrem o plano deles, os coloca para enfrentar uma maldição real em uma �oresta encantada, na qual jovens donzelas desaparecem misteriosamente. Web “A beleza não cabe em você”, com Bartolomeu Campos de Queirós, escritor brasileiro de livros infanto-juvenis. Nessa entrevista, ele fala um pouco de sua vida e sua infância. Ao falar de sua mãe, seus olhos iluminam-se ora de alegria, ora de tristeza; pois conta que a mãe sofria de câncer e no auge de sua dor, sentava-se na cama e cantava. Acesse o link Web “A palavra conta” fala sobre a importância da literatura infantil e suas histórias na vida do ser humano Acesse o link 137 https://www.youtube.com/watch?v=1-z-8O31_qc https://www.youtube.com/watch?v=TlOwKhIma5s Web Livro com Imagens: Um livro de imagem pode ser bem manuseado por crianças em fase de alfabetização, e pode ser apresentado aos bebês como um objeto cheio de ilustrações e de descobertas. As crianças que dominam o código escrito da língua também costumam gostar desses livros, principalmente quando há uma temática interessante e surpreendente. Aquilo que faz o leitor querer ver de novo, saber mais um pouco ou �car na dúvida. A literatura nos provoca incertezas e não conclui as histórias com uma única possibilidade interpretativa. Acesse o link Web Leitura para bebês: Projeto realizado em creches e escolas infantis, com o objetivo de desenvolver o gosto pela leitura na criança. 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