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Importância da Literatura Infantil

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Qual é o conceito de Literatura Infantil e qual é a sua trajetória até os dias atuais?

What is the definition of children's literature?

I- Children's literature is a set of written texts, regardless of time, place, authors, etc.
II- Children's literature is a creative phenomenon that represents life, the world, and the reality in which we are inserted.
III- Children's literature is a manifestation of human artistic expressions such as music, dance, theater, sculpture, and architecture.
IV- Children's literature is a commodity that was only accessible to the aristocratic society due to their purchasing power.
a) I and IV are correct.
b) II and III are correct.
c) I, II, and III are correct.
d) II and IV are correct.

Partindo das ideias de Cademartori (2006), ressaltamos que o que define a literatura infantil é o público destinado, considerando suas características, linguagens e especificidades. Qual é o objetivo da literatura infantil?

A literatura infantil tem como objetivo estimular a criança a viver aventuras com a linguagem e seus efeitos, dando a possibilidade de significar, de dar sentido ao que lê.
A literatura infantil tem como objetivo ensinar a criança a ler e escrever.
A literatura infantil tem como objetivo entreter a criança, sem qualquer preocupação com o seu desenvolvimento cognitivo e emocional.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa II está correta.
c) Apenas a afirmativa III está correta.
d) As afirmativas I e II estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão incorretas.

Qual é o papel da Literatura Infantil na formação de sujeitos capazes de entender a realidade social e nela atuar?

A Literatura Infantil possibilita a formação de sujeitos capazes de entender a realidade social e nela atuar.
Os livros de Literatura Infantil podem ser inseridos na vida das crianças desde a mais tenra idade, já nos primeiros contatos com o ambiente familiar e escolar, aproximando-as de diversos contos e histórias, com inúmeros métodos e diferentes razões e objetivos.
A leitura e a escrita são meios pelos quais o homem social pode conviver com o social, cultural e histórico, e sem eles, o homem está limitado à margem.
A inserção do livro no ambiente familiar e escolar possibilita o desenvolvimento criativo, imaginário, intelectual e humano da criança, permitindo que ela conheça a si mesma e o mundo no qual está inserida, dando-lhe assim a oportunidade de criá-lo, alterá-lo ou reconstruí-lo.

Qual foi o papel dos irmãos Grimm no surgimento do romantismo?

I - Os irmãos Grimm foram responsáveis pelo surgimento do romantismo na Alemanha.
II - Os irmãos Grimm ajudaram o renascimento dos contos de fadas, que estavam em declínio desde o final do século XVII.
III - Os irmãos Grimm coletaram e publicaram contos como um reflexo da identidade cultural alemã.
IV - A primeira coleta dos irmãos Grimm incluiu apenas contos de Charles Perrault.
a) Apenas a afirmativa II está correta.
b) As afirmativas I, II e III estão corretas.
c) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

What was the objective of the Mobral (Brazilian Movement for Literacy) in the 1970s?


a) To promote the professionalization of writers and publishers.
b) To eradicate illiteracy in Brazil.
c) To invest in higher education.
d) To value the book as an indispensable instrument for the intellectual development of adults.

What is the main function of children's literature according to the text?


a) To entertain children and provide them with a way to escape reality.
b) To teach children how to read and write.
c) To help children develop critical thinking and autonomy.
d) To reinforce the values of the dominant social class.

Ler é muito importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural do indivíduo. Por isso, é de grande importância que a criança leia e possa posteriormente discutir e conversar sobre o que ela leu, o que a história lhe trouxe de bom, os valores morais que a história lida lhe apresenta, etc. Nesse momento, cabe ao adulto assumir o papel de mediador dessa discussão, de modo a trazer e enfatizar os fatos ocorridos na história para a realidade, para o universo da criança. A moralidade infantil está muito presente na Literatura Infantil, e o educador acaba por trabalhar sempre com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o desenvolvimento, o interesse e o envolvimento de estruturas cognitivas e afetivas para solucionar os problemas, os dilemas e as situações que compõem as histórias, que envolvem questões morais, contribuindo para o processo de construção da moralidade infantil. De acordo com alguns estudiosos da Literatura Infantil, a moral deve ser construída pelo indivíduo por meio da reflexão de situações de conflito e de suas ações no mundo, e não sendo algo imposto. Daí a importância das práticas pedagógicas dos professores nas instituições escolares, a partir da Literatura Infantil, com vista a favorecer o enriquecimento e o desenvolvimento dos valores morais, culturais e principalmente linguísticos das crianças. Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na interação com o meio social que vive. E sendo a moral um conjunto de regras que regulam a conduta e o julgamento humano, quanto mais claro e permeado pelo discernimento for esse conjunto de regras, ma

A Literatura Infantil é importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural do indivíduo.
A moralidade infantil está presente na Literatura Infantil e o educador deve trabalhar com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o desenvolvimento dos valores morais, culturais e linguísticos das crianças.
A moral deve ser construída pelo indivíduo por meio da reflexão de situações de conflito e de suas ações no mundo, e não sendo algo imposto.
Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na interação com o meio social que vive.

According to Ferreira and Rosa (2015), how can children's literature favor the moral reflection of children?

I - Children's literature can promote moral reflection in children through its stories.
II - Education and ethics are not related, as education only transmits concepts and values.
III - The moral and ethical values transmitted through literature can help children make more autonomous and correct choices.
a) Only I is correct.
b) Only III is correct.
c) I and III are correct.
d) II and III are correct.

What is the importance of Monteiro Lobato in Brazilian children's literature?

Monteiro Lobato is considered the 'father' of Brazilian literature.
Monteiro Lobato was a critical and individualistic person who did not join any 'fashionable group'.
Monteiro Lobato's concern was not only with the issue of oil, but also with the health issues of our country.
Monteiro Lobato created the character Jeca, who represents the Brazilian caboclo and brings all the characteristics and problems of the rural man of the time.
a) Only I and II are correct.
b) Only II and III are correct.
c) Only III and IV are correct.
d) Only I, II, and IV are correct.
e) I, II, III, and IV are correct.

What was Monteiro Lobato's main concern when dedicating himself to children's literature?

I - To form a national mentality.
II - To awaken intellectual curiosity and critical attitudes in children.
III - To adapt classic children's literature from Europe and North America.
IV - To create books with a simple language and affordable price.
a) I and II are correct.
b) II and IV are correct.
c) I, II, and IV are correct.
d) I, II, III, and IV are correct.

Monteiro Lobato criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore e os costumes do povo brasileiro, com o objetivo de desenvolver o nacionalismo. Quais são alguns dos personagens mais marcantes de suas obras?

I - Dona Benta e Tia Anastácia representam as fontes do saber erudito e popular, que quebram a hierarquia que separa a criança de gente grande.
II - Emília é uma boneca de pano feita por Tia Anastácia, que inicialmente não falava, mas numa segunda versão passa a falar como uma pessoa. Há estudiosos que dizem que a Emília é a “voz expressa” de Lobato, e que é personagem fundamental para compreender a sua obra.
III - O Visconde de Sabugosa é um intelectual que tem a ciência e a técnica como objetivos concretos, como por exemplo, aumentar a riqueza material desfrutável do planeta.
IV - Pedrinho é neto de Dona Benta e é um dos personagens principais da obra de Lobato.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e III estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

According to the text, what is the importance of stories for children?

As histórias são importantes para despertar o gosto pela leitura e imaginação.
As histórias ajudam a criança a resolver conflitos e emoções.
As histórias são importantes para a construção do interesse da criança.
As histórias têm várias funções que podem despertar e influenciar o ouvinte.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

According to the text, what are the benefits of children listening to stories?
a) Enrichment of vocabulary and facilitation of expression and articulation.
b) Development of the creative power of children's thinking.
c) Possibility of solving personal conflicts.
d) All of the above.

Partindo dessa perspectiva, cabe ao professor propor situações em que a criança interaja com o universo literário, por meio do contato com livros e atividades significativas a partir da literatura infantil. A importância da literatura no universo infantil é inquestionável, pois é por meio dela que as crianças começam a formar sua leitura de mundo e despertar para rabiscos, traços e desenhos desde muito cedo, conforme as oportunidades que lhe são oferecidas. O meio social em que a criança está inserida, ou seja, a oportunidade oferecida pela família e pela escola com as obras literárias contribui – e muito – para o seu desenvolvimento. Nesse sentido, uma criança que desde cedo escuta histórias e tem contato com livros, certamente será um adulto leitor, terá prazer em ler, sua imaginação e criatividade serão estimuladas a expressar ideias. A ilustração no livro infantil. A Importância da Ilustração nos Livros Infantis. Existem diversas formas de ler o mundo e uma delas é por meio das imagens que ilustram a nossa vida. E, considerando as imagens presentes em nossas vidas, ressaltamos a importância das ilustrações dos livros infantis, evidenciando a sua utilização como metodologia aplicada na sala de aula. É certo que o uso de imagens como forma de propiciar o aprendizado não é facilmente descartado pelos profissionais da educação. É nessa perspectiva que se compreende a atribuição da importância das imagens enquanto leitura ou suporte na Literatura Infantil, pois possibilita, de forma mais dinâmica, o desenvolvimento infantil. As ilustrações se apresentam enquanto auxiliares e desenvolvem processos de interpretação que ajudarão no crescimento e na transformação da criança e do seu mundo. Por meio dos livros infantis, é possível alimentar o imaginário da criança, contribuindo para que as reflexões comecem a fazer parte de seu cotidiano familiar e individual, acerca também das interpretações sobre as questões afetivas, artísticas, entre tantas outras. O contato com ilustrações, enquanto mecanismo de socialização positiva, pode direcionar a criança a estabelecer um desenvolvimento cognitivo e um diálogo harmonioso com os colegas (SIMÃO, 2013), e esse é um ponto de partida importante para o processo de construção da personalidade. Quando o texto é constituído apenas por algumas frases, a ilustração adquire um papel relevante na estruturação da narrativa. Assim, ela deve ser cuidadosamente analisada em suas sequências de cenas, na representação das personagens e suas expressões, com atenção aos detalhes do espaço e ao tempo, com o objetivo de que as crianças acompanhem e dominem plenamente a história e as formas nas quais elas são narradas (FARIA 2008 apud SIMÃO, 2013). Ainda segundo Simão (2013), as ilustrações são importantes enquanto meio de desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, além de contribuir também para a constituição da personalidade da criança, pois ao aprender a ver o conteúdo do universo literário nas imagens, também é possível inserir a criança em uma nova visão, gradativamente, no simbolismo que representa a imagem, numa maneira de ler e entender as coisas e o mundo. É na perspectiva de associação entre palavra e imagens, que a ilustração ganha certo caráter de efeito estético que introduz elementos de percepção, compreensão e descoberta. Enfim, que contém um conjunto de sentidos que estimulam a reflexão e proporcionam uma aprendizagem mais ampla, pois trabalha o universo imaginário que cada indivíduo possui. (SIMÃO, 2013, p. 27). Acesse o link: Disponível aqui Livro de Imagens: o uso das imagens para informar e contar histórias vem de longa data. Na Idade Média, por exemplo, as ilustrações narravam acontecimentos nas paredes das igrejas, dando condições aos analfabetos de “lerem” o calvário de Cristo. Atualmente, a pro


What is the role of illustration in children's literature?

Illustration can be a bridge between the image and the meaning that translates to establish the understanding of something.
Children's books that contain illustrations become a transmission tool for knowledge by being able to penetrate the imaginary universe and contribute to the development of children's intelligence.
The richness of books that tell stories through illustrations, that is, speak through images, provoke the knowledge or recognition of objects and beings from their daily lives that are expressed orally by the attributed nomenclature, favoring direct coexistence with images, which, associated with naming words, facilitate the mind's habit of adding the practice of identifying the world from a visual perception.

Qual é um dos objetivos da Literatura Infantil?

Introduzir o ser humano ao mundo literário.
Contribuir para a formação de um indivíduo, com espírito crítico e analítico.
Estimular a leitura com propósitos fundamentados na interpretação e compreensão das histórias infantis.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I, II e III estão corretas.

Ao professor, cabe conhecer os aspectos que comprometem a ilustração artística na literatura infantil. Vamos adentrar esse conhecimento? Para tanto, recorramos a Imperial: A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de imaginar, pois não apresenta inovação, e acaba tornando-se muito simples. Outro aspecto a ser analisado é o exagero de detalhes, pois, de acordo com Cunha (2004), é um pensamento errôneo de algumas edições infantis que o número de elementos e a superposição de detalhes sejam dados como positivos com relação à criança. Dessa forma, muitas vezes, “a ilustração perde a unidade, desintegra o texto, torna-se um amontoado de mau gosto”. Exemplo disso são os livros que a apresentam desenhos traduzindo as palavras da história. Os álbuns de figuras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância. Esses livros podem ser confeccionados com pano, plástico, papel grosso entre outros materiais que a criatividade permitir. Nessa fase, as crianças ao mesmo tempo descobrem as formas concretas do mundo e dos seres que a rodeiam, além de também começarem a conquistar a linguagem. Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o álbum de figuras. Já para crianças que desenvolveram sua leitura, é importante reduzir as ilustrações e pôr em evidência o texto escrito. E para crianças entre a faixa etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém, é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem. A respeito da leitura, se o texto for interessante e o livro tiver uma diagramação cuidada, não pesará à criança. Se por acaso pesar, devemos tomar o fato como um alerta: Será que essa criança não foi exageradamente poupada por meio de leituras muito fáceis e excessivamente cheias de gravuras? Nessa fase, o excesso de ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de qualquer esforço intelectual (CUNHA, 1999).

O professor deve conhecer os aspectos que comprometem a ilustração artística na literatura infantil.
A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de imaginar.
O exagero de detalhes pode comprometer a ilustração artística na literatura infantil.
Os álbuns de figuras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância.
Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o álbum de figuras.
Para crianças entre a faixa etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém, é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem.
O excesso de ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de qualquer esforço intelectual.

Para abordar esse assunto, vamos focar na estrutura desses textos de acordo com Costa (2007). Um exemplo é a relação entre a Literatura Infantil tradicional e a contemporânea: a retomada do conto tradicional, que se apresenta de forma renovada. Para ilustrar esse exemplo, utilizamos a sugestão oferecida por Costa (2007) sobre a história da Chapeuzinho Vermelho, que deu origem à obra Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque de Holanda. Qual é a história de Chapeuzinho Amarelo?


Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que tinha medo de tudo, até do medo de ter medo. Era tão medrosa que já não se divertia, não brincava, não dormia, não comia.
Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que tinha medo de lobos e, por isso, não saía de casa. Até que um dia, ela decidiu enfrentar seus medos e foi passear na floresta.
Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que adorava usar roupas amarelas e, por isso, ganhou o apelido de Chapeuzinho Amarelo. Ela vivia aventuras incríveis na floresta.

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Qual é o conceito de Literatura Infantil e qual é a sua trajetória até os dias atuais?

What is the definition of children's literature?

I- Children's literature is a set of written texts, regardless of time, place, authors, etc.
II- Children's literature is a creative phenomenon that represents life, the world, and the reality in which we are inserted.
III- Children's literature is a manifestation of human artistic expressions such as music, dance, theater, sculpture, and architecture.
IV- Children's literature is a commodity that was only accessible to the aristocratic society due to their purchasing power.
a) I and IV are correct.
b) II and III are correct.
c) I, II, and III are correct.
d) II and IV are correct.

Partindo das ideias de Cademartori (2006), ressaltamos que o que define a literatura infantil é o público destinado, considerando suas características, linguagens e especificidades. Qual é o objetivo da literatura infantil?

A literatura infantil tem como objetivo estimular a criança a viver aventuras com a linguagem e seus efeitos, dando a possibilidade de significar, de dar sentido ao que lê.
A literatura infantil tem como objetivo ensinar a criança a ler e escrever.
A literatura infantil tem como objetivo entreter a criança, sem qualquer preocupação com o seu desenvolvimento cognitivo e emocional.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa II está correta.
c) Apenas a afirmativa III está correta.
d) As afirmativas I e II estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão incorretas.

Qual é o papel da Literatura Infantil na formação de sujeitos capazes de entender a realidade social e nela atuar?

A Literatura Infantil possibilita a formação de sujeitos capazes de entender a realidade social e nela atuar.
Os livros de Literatura Infantil podem ser inseridos na vida das crianças desde a mais tenra idade, já nos primeiros contatos com o ambiente familiar e escolar, aproximando-as de diversos contos e histórias, com inúmeros métodos e diferentes razões e objetivos.
A leitura e a escrita são meios pelos quais o homem social pode conviver com o social, cultural e histórico, e sem eles, o homem está limitado à margem.
A inserção do livro no ambiente familiar e escolar possibilita o desenvolvimento criativo, imaginário, intelectual e humano da criança, permitindo que ela conheça a si mesma e o mundo no qual está inserida, dando-lhe assim a oportunidade de criá-lo, alterá-lo ou reconstruí-lo.

Qual foi o papel dos irmãos Grimm no surgimento do romantismo?

I - Os irmãos Grimm foram responsáveis pelo surgimento do romantismo na Alemanha.
II - Os irmãos Grimm ajudaram o renascimento dos contos de fadas, que estavam em declínio desde o final do século XVII.
III - Os irmãos Grimm coletaram e publicaram contos como um reflexo da identidade cultural alemã.
IV - A primeira coleta dos irmãos Grimm incluiu apenas contos de Charles Perrault.
a) Apenas a afirmativa II está correta.
b) As afirmativas I, II e III estão corretas.
c) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

What was the objective of the Mobral (Brazilian Movement for Literacy) in the 1970s?


a) To promote the professionalization of writers and publishers.
b) To eradicate illiteracy in Brazil.
c) To invest in higher education.
d) To value the book as an indispensable instrument for the intellectual development of adults.

What is the main function of children's literature according to the text?


a) To entertain children and provide them with a way to escape reality.
b) To teach children how to read and write.
c) To help children develop critical thinking and autonomy.
d) To reinforce the values of the dominant social class.

Ler é muito importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural do indivíduo. Por isso, é de grande importância que a criança leia e possa posteriormente discutir e conversar sobre o que ela leu, o que a história lhe trouxe de bom, os valores morais que a história lida lhe apresenta, etc. Nesse momento, cabe ao adulto assumir o papel de mediador dessa discussão, de modo a trazer e enfatizar os fatos ocorridos na história para a realidade, para o universo da criança. A moralidade infantil está muito presente na Literatura Infantil, e o educador acaba por trabalhar sempre com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o desenvolvimento, o interesse e o envolvimento de estruturas cognitivas e afetivas para solucionar os problemas, os dilemas e as situações que compõem as histórias, que envolvem questões morais, contribuindo para o processo de construção da moralidade infantil. De acordo com alguns estudiosos da Literatura Infantil, a moral deve ser construída pelo indivíduo por meio da reflexão de situações de conflito e de suas ações no mundo, e não sendo algo imposto. Daí a importância das práticas pedagógicas dos professores nas instituições escolares, a partir da Literatura Infantil, com vista a favorecer o enriquecimento e o desenvolvimento dos valores morais, culturais e principalmente linguísticos das crianças. Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na interação com o meio social que vive. E sendo a moral um conjunto de regras que regulam a conduta e o julgamento humano, quanto mais claro e permeado pelo discernimento for esse conjunto de regras, ma

A Literatura Infantil é importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural do indivíduo.
A moralidade infantil está presente na Literatura Infantil e o educador deve trabalhar com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o desenvolvimento dos valores morais, culturais e linguísticos das crianças.
A moral deve ser construída pelo indivíduo por meio da reflexão de situações de conflito e de suas ações no mundo, e não sendo algo imposto.
Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na interação com o meio social que vive.

According to Ferreira and Rosa (2015), how can children's literature favor the moral reflection of children?

I - Children's literature can promote moral reflection in children through its stories.
II - Education and ethics are not related, as education only transmits concepts and values.
III - The moral and ethical values transmitted through literature can help children make more autonomous and correct choices.
a) Only I is correct.
b) Only III is correct.
c) I and III are correct.
d) II and III are correct.

What is the importance of Monteiro Lobato in Brazilian children's literature?

Monteiro Lobato is considered the 'father' of Brazilian literature.
Monteiro Lobato was a critical and individualistic person who did not join any 'fashionable group'.
Monteiro Lobato's concern was not only with the issue of oil, but also with the health issues of our country.
Monteiro Lobato created the character Jeca, who represents the Brazilian caboclo and brings all the characteristics and problems of the rural man of the time.
a) Only I and II are correct.
b) Only II and III are correct.
c) Only III and IV are correct.
d) Only I, II, and IV are correct.
e) I, II, III, and IV are correct.

What was Monteiro Lobato's main concern when dedicating himself to children's literature?

I - To form a national mentality.
II - To awaken intellectual curiosity and critical attitudes in children.
III - To adapt classic children's literature from Europe and North America.
IV - To create books with a simple language and affordable price.
a) I and II are correct.
b) II and IV are correct.
c) I, II, and IV are correct.
d) I, II, III, and IV are correct.

Monteiro Lobato criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore e os costumes do povo brasileiro, com o objetivo de desenvolver o nacionalismo. Quais são alguns dos personagens mais marcantes de suas obras?

I - Dona Benta e Tia Anastácia representam as fontes do saber erudito e popular, que quebram a hierarquia que separa a criança de gente grande.
II - Emília é uma boneca de pano feita por Tia Anastácia, que inicialmente não falava, mas numa segunda versão passa a falar como uma pessoa. Há estudiosos que dizem que a Emília é a “voz expressa” de Lobato, e que é personagem fundamental para compreender a sua obra.
III - O Visconde de Sabugosa é um intelectual que tem a ciência e a técnica como objetivos concretos, como por exemplo, aumentar a riqueza material desfrutável do planeta.
IV - Pedrinho é neto de Dona Benta e é um dos personagens principais da obra de Lobato.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e III estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

According to the text, what is the importance of stories for children?

As histórias são importantes para despertar o gosto pela leitura e imaginação.
As histórias ajudam a criança a resolver conflitos e emoções.
As histórias são importantes para a construção do interesse da criança.
As histórias têm várias funções que podem despertar e influenciar o ouvinte.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

According to the text, what are the benefits of children listening to stories?
a) Enrichment of vocabulary and facilitation of expression and articulation.
b) Development of the creative power of children's thinking.
c) Possibility of solving personal conflicts.
d) All of the above.

Partindo dessa perspectiva, cabe ao professor propor situações em que a criança interaja com o universo literário, por meio do contato com livros e atividades significativas a partir da literatura infantil. A importância da literatura no universo infantil é inquestionável, pois é por meio dela que as crianças começam a formar sua leitura de mundo e despertar para rabiscos, traços e desenhos desde muito cedo, conforme as oportunidades que lhe são oferecidas. O meio social em que a criança está inserida, ou seja, a oportunidade oferecida pela família e pela escola com as obras literárias contribui – e muito – para o seu desenvolvimento. Nesse sentido, uma criança que desde cedo escuta histórias e tem contato com livros, certamente será um adulto leitor, terá prazer em ler, sua imaginação e criatividade serão estimuladas a expressar ideias. A ilustração no livro infantil. A Importância da Ilustração nos Livros Infantis. Existem diversas formas de ler o mundo e uma delas é por meio das imagens que ilustram a nossa vida. E, considerando as imagens presentes em nossas vidas, ressaltamos a importância das ilustrações dos livros infantis, evidenciando a sua utilização como metodologia aplicada na sala de aula. É certo que o uso de imagens como forma de propiciar o aprendizado não é facilmente descartado pelos profissionais da educação. É nessa perspectiva que se compreende a atribuição da importância das imagens enquanto leitura ou suporte na Literatura Infantil, pois possibilita, de forma mais dinâmica, o desenvolvimento infantil. As ilustrações se apresentam enquanto auxiliares e desenvolvem processos de interpretação que ajudarão no crescimento e na transformação da criança e do seu mundo. Por meio dos livros infantis, é possível alimentar o imaginário da criança, contribuindo para que as reflexões comecem a fazer parte de seu cotidiano familiar e individual, acerca também das interpretações sobre as questões afetivas, artísticas, entre tantas outras. O contato com ilustrações, enquanto mecanismo de socialização positiva, pode direcionar a criança a estabelecer um desenvolvimento cognitivo e um diálogo harmonioso com os colegas (SIMÃO, 2013), e esse é um ponto de partida importante para o processo de construção da personalidade. Quando o texto é constituído apenas por algumas frases, a ilustração adquire um papel relevante na estruturação da narrativa. Assim, ela deve ser cuidadosamente analisada em suas sequências de cenas, na representação das personagens e suas expressões, com atenção aos detalhes do espaço e ao tempo, com o objetivo de que as crianças acompanhem e dominem plenamente a história e as formas nas quais elas são narradas (FARIA 2008 apud SIMÃO, 2013). Ainda segundo Simão (2013), as ilustrações são importantes enquanto meio de desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, além de contribuir também para a constituição da personalidade da criança, pois ao aprender a ver o conteúdo do universo literário nas imagens, também é possível inserir a criança em uma nova visão, gradativamente, no simbolismo que representa a imagem, numa maneira de ler e entender as coisas e o mundo. É na perspectiva de associação entre palavra e imagens, que a ilustração ganha certo caráter de efeito estético que introduz elementos de percepção, compreensão e descoberta. Enfim, que contém um conjunto de sentidos que estimulam a reflexão e proporcionam uma aprendizagem mais ampla, pois trabalha o universo imaginário que cada indivíduo possui. (SIMÃO, 2013, p. 27). Acesse o link: Disponível aqui Livro de Imagens: o uso das imagens para informar e contar histórias vem de longa data. Na Idade Média, por exemplo, as ilustrações narravam acontecimentos nas paredes das igrejas, dando condições aos analfabetos de “lerem” o calvário de Cristo. Atualmente, a pro


What is the role of illustration in children's literature?

Illustration can be a bridge between the image and the meaning that translates to establish the understanding of something.
Children's books that contain illustrations become a transmission tool for knowledge by being able to penetrate the imaginary universe and contribute to the development of children's intelligence.
The richness of books that tell stories through illustrations, that is, speak through images, provoke the knowledge or recognition of objects and beings from their daily lives that are expressed orally by the attributed nomenclature, favoring direct coexistence with images, which, associated with naming words, facilitate the mind's habit of adding the practice of identifying the world from a visual perception.

Qual é um dos objetivos da Literatura Infantil?

Introduzir o ser humano ao mundo literário.
Contribuir para a formação de um indivíduo, com espírito crítico e analítico.
Estimular a leitura com propósitos fundamentados na interpretação e compreensão das histórias infantis.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I, II e III estão corretas.

Ao professor, cabe conhecer os aspectos que comprometem a ilustração artística na literatura infantil. Vamos adentrar esse conhecimento? Para tanto, recorramos a Imperial: A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de imaginar, pois não apresenta inovação, e acaba tornando-se muito simples. Outro aspecto a ser analisado é o exagero de detalhes, pois, de acordo com Cunha (2004), é um pensamento errôneo de algumas edições infantis que o número de elementos e a superposição de detalhes sejam dados como positivos com relação à criança. Dessa forma, muitas vezes, “a ilustração perde a unidade, desintegra o texto, torna-se um amontoado de mau gosto”. Exemplo disso são os livros que a apresentam desenhos traduzindo as palavras da história. Os álbuns de figuras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância. Esses livros podem ser confeccionados com pano, plástico, papel grosso entre outros materiais que a criatividade permitir. Nessa fase, as crianças ao mesmo tempo descobrem as formas concretas do mundo e dos seres que a rodeiam, além de também começarem a conquistar a linguagem. Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o álbum de figuras. Já para crianças que desenvolveram sua leitura, é importante reduzir as ilustrações e pôr em evidência o texto escrito. E para crianças entre a faixa etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém, é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem. A respeito da leitura, se o texto for interessante e o livro tiver uma diagramação cuidada, não pesará à criança. Se por acaso pesar, devemos tomar o fato como um alerta: Será que essa criança não foi exageradamente poupada por meio de leituras muito fáceis e excessivamente cheias de gravuras? Nessa fase, o excesso de ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de qualquer esforço intelectual (CUNHA, 1999).

O professor deve conhecer os aspectos que comprometem a ilustração artística na literatura infantil.
A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de imaginar.
O exagero de detalhes pode comprometer a ilustração artística na literatura infantil.
Os álbuns de figuras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância.
Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o álbum de figuras.
Para crianças entre a faixa etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém, é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem.
O excesso de ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de qualquer esforço intelectual.

Para abordar esse assunto, vamos focar na estrutura desses textos de acordo com Costa (2007). Um exemplo é a relação entre a Literatura Infantil tradicional e a contemporânea: a retomada do conto tradicional, que se apresenta de forma renovada. Para ilustrar esse exemplo, utilizamos a sugestão oferecida por Costa (2007) sobre a história da Chapeuzinho Vermelho, que deu origem à obra Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque de Holanda. Qual é a história de Chapeuzinho Amarelo?


Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que tinha medo de tudo, até do medo de ter medo. Era tão medrosa que já não se divertia, não brincava, não dormia, não comia.
Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que tinha medo de lobos e, por isso, não saía de casa. Até que um dia, ela decidiu enfrentar seus medos e foi passear na floresta.
Chapeuzinho Amarelo é uma história de uma garotinha que adorava usar roupas amarelas e, por isso, ganhou o apelido de Chapeuzinho Amarelo. Ela vivia aventuras incríveis na floresta.

Prévia do material em texto

LITERATURA INFANTIL
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Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - 
Marília: Unimar, 2020.
PDF (XXX p.) : il. color.
ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X
1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6.
palavra 7. palavra 8. palavra I. Título.
CDD – 610.6952017
006 Aula 01:
014 Aula 02:
027 Aula 03:
034 Aula 04:
042 Aula 05:
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060 Aula 07:
068 Aula 08:
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093 Aula 11:
100 Aula 12:
107 Aula 13:
114 Aula 14:
119 Aula 15:
127 Aula 16:
O que é Literatura Infantil? 
História da Literatura Infantil 
Literatura Infantil e Ideologia 
As dimensões ética e estética na literatura Infantil 
Monteiro Lobato 
As histórias e o universo infantil 
A ilustração no livro infantil 
Critérios de avaliação de obras literárias 
Literatura Infantil e as Narrativas 
Literatura Infantil e as Escolas 
Literatura Infantil e Escolarização 
Literatura Infantil e Linguagem Oral 
Literatura Infantil, Leitura e Alfabetização 
Literatura Infantil e Educação Infantil 
Literatura Infantil e Ensino Fundamental 
Literatura Infantil e Contação de Histórias
Introdução
A Literatura Infantil é um instrumento essencial dentro do ambiente escolar para abrir
as portas para o universo da imaginação da criança, pois, por meio de seu contato, ela
é incentivada desde muito cedo, a praticar a leitura de forma prazerosa e signi�cativa. E
se abordada de maneira criativa e lúdica, poderá incentivar o hábito da leitura que, por
sua vez, proporciona o desenvolvimento das habilidades da escrita e da própria leitura,
contribuindo assim para a formação de pessoas leitoras, pensantes e críticas, capazes
de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa para todos.
O desenvolvimento da criança por meio da Literatura Infantil é possível, pois, além das
possibilidades de aprendizagem de conteúdos, a literatura permite o desenvolvimento
da ética e da estética por possuir funções éticas, estéticas, sociais e psicológicas. A
Literatura Infantil contribui ricamente para o crescimento e aprendizagem da criança,
pois no contato com as obras literárias a criança estabelece uma relação de sentidos e
signi�cados, implicando no aperfeiçoamento do desenvolvimento da personalidade,
valorizando os sentimentos e o senso crítico, aperfeiçoa a sensibilidade, estimula a
imaginação, induz a compreensão da realidade e principalmente consegue, por meio
do brincar, instigar na criança, o gosto pela leitura.
Para conhecer e entender a importância da Literatura Infantil na formação da criança,
enquanto pessoa e partícipe de uma sociedade, é necessário saber o conceito de
Literatura Infantil e toda sua trajetória, até os dias atuais.
Os primeiros livros direcionados ao público infantil surgiram no século XVIII. Autores
como La Fontaine e Charles Perrault escreviam focando principalmente nos contos de
fadas, que nem sempre foram de fadas. Esses contos nasceram de alterações feitas por
esses e outros autores. Isso porque, historicamente, crianças nem sempre foram vistas
como crianças, e sim, como adultos em miniatura. Desse contexto histórico até os dias
de hoje, a Literatura Infantil foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância na
vida das crianças – e também de muitos adultos.
4
Muitos autores surgiram em todo lugar do mundo, e nomes como Hans Christian
Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato �caram conhecidos e imortalizados
dentro de cada leitor pela grandiosidade de suas obras. Porém, naquela época, a
Literatura Infantil era tida como mercadoria, principalmente para a sociedade
aristocrática, pois só ela tinha acesso às obras devido ao seu poder aquisitivo. Mas,
felizmente, com o passar do tempo, a sociedade cresceu e se modernizou por meio da
industrialização, expandindo assim a produção de livros, que podem chegar às mãos
de todos. A partir daí, os laços entre a escola e a Literatura Infantil foram se
estreitados.
Essas são informações que serão “lidas e contadas” no decorrer dessa nossa aventura
pelo fantástico mundo da Literatura Infantil.
5
01
O que é Literatura 
Infantil?
6
Caro aluno,
Antes de conceituarmos Literatura Infantil, primeiro é necessário conceituar Literatura
de um modo geral. Trata-se de uma palavra de origem latina: vem de littera, que
signi�ca “letra”. Dessa forma, Literatura nos remete ao conjunto das habilidades de
ler e escrever. Porém, no contexto desta disciplina, podemos de�ni-la como o
conjunto de textos escritos, independentemente de tempo, lugar, autores, etc.
A literatura também é uma das manifestações artísticas do ser humano tais como
música, dança, teatro, escultura e arquitetura, dentre outras, pois ela representa
comunicação, linguagem e criatividade e é considerada a arte das palavras. Trata-se,
portanto, de uma manifestação artística muito antiga que utiliza as palavras para criar
arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras.
Assim como toda arte, a literatura é uma transfiguração do real, é a realidade
recriada através dos olhos e do espírito do artista e retransmitida por meio da língua
para as formas (os gêneros literários), e com os quais ela toma corpo e uma nova
realidade (COUTINHO, 1975 apud ALMEIDA, 2007). Sendo assim, passa a viver outra
vida autônoma e independente do autor e da experiência de realidade de onde
originou. Os fatos que deram origem à literatura perdem a realidade primitiva e
adquire outra graças à imaginação do artista.
7
O Papel da Literatura
A função da literatura para o ser humano é muito importante, pois ela provoca
sensações e efeitos estéticos que permite uma melhor compreensão de si e da
sociedade. A arte literária representa recriações da realidade produzidas de maneira
artística, ou seja, possui um valor estético em que o autor se utiliza das palavras em
seu sentido conotativo (�gurado) para oferecer maior expressividade, subjetividade e
sentimentos ao seu texto.
A literatura possui um importante papel social e cultural envolvido no contexto em
que foi criada, posto que abarca diversos aspectos de determinada sociedade (tempo
e espaço), dos homens e de suas ações e, portanto, provoca sensações e re�exões do
leitor.
[...] a literatura aparece ligada a essa função essencial: atuar sobre
as mentes, nas quais se decidem as vontades ou as ações; e sobre os
espíritos, nos quais se expandem as emoções, paixões, desejos,
sentimentos de toda ordem […]. No encontro com a literatura (ou
com a arte em geral) os homens têm a oportunidade de ampliar,
transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida, em um
grau de intensidade não igualada por nenhuma outra atividade
(COELHO, 2000, p. 29).
Dessa forma, os leitores constroem signi�cados sobre aquilo que ouvem ou leem
usando seus conhecimentos prévios, criando imagens que estão ligadas às suas
próprias experiências e interações humanas, construindo signi�cados na medida em
que interagem com outras crianças e/ou adultos ao compartilhar histórias.
8Conceituando Literatura
Infantil
Primeiramente, literatura infantil é arte; é fenômeno de criatividade que representa a
vida, o mundo e a realidade na qual estamos inseridos. Ela enriquece a imaginação da
criança, oferece-lhe condição de criar, ensinado-lhe a se libertar pelo espírito,
levando-a a usar o raciocínio e a cultivar a imaginação e a liberdade.
A principal questão relativa à literatura infantil diz respeito ao
adjetivo que determina o público que se destina. A literatura,
enquanto só substantivo, não predetermina seu público. Supõe-se
que este seja formado por quem quer que esteja interessado. A
literatura com adjetivo, ao contrário, pressupõe que sua linguagem,
seus temas e pontos de vista objetivam um tipo de destinatário em
particular, o que significa que já se sabe, a priori, o que interessa a
esse público específico (CADEMARTORI, 2006, p.8).
Partindo das ideias de Cademartori (2006), ressaltamos que o que de�ne a literatura
infantil é o público destinado, considerando suas características, linguagens e
especi�cidades. Ou seja, a literatura infantil é um gênero literário de�nido pelo
público ao qual se destina. Determinados textos são considerados pelos adultos como
próprios para a criança ler e, a partir desse juízo, esses textos recebem a de�nição de
gênero, nesse caso, literatura infantil.
9
Diante dessa perspectiva, a literatura infantil se caracteriza pela forma de
endereçamento ao seu público. Assim, literatura infantil é aquela que estimula a
criança a viver aventuras com a linguagem e seus efeitos, dando a possibilidade de
signi�car, de dar sentido ao que lê.
Sendo a literatura uma das produções humanas mais importantes para a formação
do indivíduo, a�rmamos que a criança deve ter acesso à literatura, associando e
harmonizando a imaginação, fantasia e a realidade, visando satisfazer suas exigências
internas e desejos imaginários. Pois, o objetivo da literatura infantil é que seja
desenvolvida a emoção, a sensibilidade, a imaginação e a fantasia da criança, que são
extremamente importantes na sua humanização, ou seja, na sua constituição
enquanto ser humano.
10
Leia uma análise do livro em acessando o link: Disponível aqui
Na obra “O que é literatura Infantil”, a
autora Ligia Cademartori faz uma discussão
a respeito do gênero literário, seus
comprometimentos e desa�os, além de
comentar algumas obras de autores
brasileiros e estrangeiros, possibilitando a
análise das intenções dos textos
destinados às crianças.
A Importância da Literatura
Infantil
A Literatura Infantil proporciona à criança conhecer a si e ao mundo, incentivando a
sua curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o
seu conhecimento em relação ao mundo físico e social, objetivos elencados como
eixos do currículo nas práticas pedagógicas.
11
https://pedagogiaaopedaletra.com/analise-do-livro-o-que-e-literatura-infantil/
Assim como Nunes (1990), acreditamos que a literatura, além de introduzir as crianças
ao mundo da escrita, traz também as dimensões éticas e estéticas da língua ao tratá-
la enquanto arte, exercendo um importante papel na formação do ser humano e do
sujeito. Dessa forma, o contato da criança com a literatura é essencial para a sua
formação como leitor de mundo e, além disso, quanto mais cedo as histórias orais e
escritas forem inseridas em seu cotidiano, maiores serão as chances do
desenvolvimento do prazer e gosto pela leitura.
Atualmente, a dimensão de Literatura Infantil é mais ampla e importante, pois é vista
como instrumento que proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e
cognitivo indiscutível. Ademais, no ambiente familiar o hábito da leitura fortalece o elo
da criança com sua família ou responsáveis, tornando-o, no futuro, um adulto mais
seguro.
Nessa perspectiva, o livro infantil é um recurso importantíssimo para o
desenvolvimento de capacidades e habilidades de ordem cognitiva e socioafetiva, tais
como a coordenação motora, a criatividade e a percepção visual, além de garantir o
acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e
aprendizagens de diferentes linguagens, pois os textos literários infantis provocam
nas crianças re�exões de natureza cognitiva e afetiva, permitindo a ela entrar em um
mundo desconhecido, porém, instigante, que desenvolve o imaginário e desperta a
12
curiosidade. Considerando a leitura como uma forma de se perceber o mundo e a
realidade que o cerca, a literatura infantil possibilita a formação de sujeitos capazes
de entender a realidade social e nela atuar.
Os livros de Literatura Infantil podem ser inseridos na vida das crianças
desde a mais tenra idade, já nos primeiros contatos com o ambiente familiar
e escolar, aproximando-as de diversos contos e histórias, com inúmeros
métodos e diferentes razões e objetivos. Pode-se observar a necessidade da
leitura que emerge em cada indivíduo da sociedade, quando tudo lhe é
experimentado e vivido em forma de leitura ou escrita. Sem esses meios, o
homem social está limitado à margem, não convive com o social, cultural e
histórico. Ressaltamos ainda a importância do desenvolvimento criativo,
imaginário, intelectual e humano quando da inserção do livro no ambiente
familiar e escolar, possibilitando a criança a conhecer a si mesmo e o mundo
no qual está inserida, dando-lhe assim a oportunidade de criá-lo, alterá-lo ou
reconstruí-lo.
13
02
História da Literatura 
Infantil
14
Caro aluno,
Historicamente, a origem da literatura infantil está associada ao surgimento da
concepção de criança e de infância, pois até o início do século XVII, a infância era
ignorada e as crianças conviviam igualmente com os adultos, ou seja, não havia um
mundo infantil dissociado da realidade do adulto. A criança era tratada como um
“adulto em miniatura” e participava de todo o convívio social. Portanto, não se
escrevia para as crianças e, consequentemente, também não existiam histórias
próprias para elas. Assim, elas ouviam as mesmas histórias que eram contadas e
ouvidas pelos adultos.
Em meados do século XVII, a criança passa a ser considerada e vista como um “adulto
em potencial”, ou seja, um “ser diferente” do adulto, com especi�cidades e
necessidades próprias, havendo assim o distanciamento da vida “adulta” e recebendo
uma educação diferenciada, que a preparasse para essa vida. Nesse momento, a
criança se torna um indivíduo que precisa de atenção diferenciada e especial
demarcada pela idade.
Dessa forma, o adulto passa a idealizar a infância, vendo a criança como um indivíduo
inocente e dependente devido à sua falta de conhecimento e experiência com o
mundo no qual está inserida. E assim, a literatura passa a ser considerada como um
importante instrumento na busca da maturação da criança. Até hoje, muitos de nós
têm essa concepção da infância como o espaço da alegria, da inocência, da fantasia e
com conhecimentos a serem construídos a cerca do mundo real e de si mesma.
Então, partindo dessa concepção, os livros são escritos com o objetivo de educar e
auxiliar as crianças no conhecimento da realidade e na sua constituição e
humanização.
História da Literatura Infantil
A literatura infantil surgiu no século XVII com Fenélon (1651-1715), que foi um teólogo
católico, poeta e escritor francês, com ideias liberais sobre política e educação, que
escreve, entre outras obras, Fábulas e As Aventuras de Telêmaco, com o objetivo de
educar moralmente as crianças. As histórias tinham uma estrutura maniqueísta, ou
seja, partia do Maniqueísmo, uma doutrina que consiste no con�ito entre o Bem
(reino das luzes) e o Mal (reino das sombras); tudo isso com o objetivo de demarcar
claramente o bem a ser aprendido e o mal a ser desprezado pelas crianças.
15
Capa e página de rosto de uma tradução inglesa de As Aventuras de Telêmaco de
1715
Fonte: Disponível aqui
Essa característica maniqueísta é uma tradição ainda presente na maioria dos contos
de fadas e fábulas atuais e outros textos contemporâneos. Mas naquele momento, a
Literatura Infantil constitui-secomo gênero em meio a transformações sociais e
culturais.
No mesmo século, em 1697, o também francês Charles Perrault (1628- 1703) trouxe
ao público histórias e contos do período da Idade Média, porém com as moralidades
da época. Perrault foi considerado “pai da Literatura Infantil” ao coletar contos e
lendas populares da idade Média e adaptou, retirando passagens obscenas de
16
https://pt.wikipedia.org/wiki/Les_Aventures_de_T%C3%A9l%C3%A9maque#/media/Ficheiro:Fenelon_Telemachus_Curll_1715.png
Charles Perrault
Fonte: Disponível aqui
conteúdo incestuoso e canibalismo, constituindo assim os chamados “contos de
fadas”. E assim, o livro “Contos da Mamãe Gansa” reúne os famosos contos: A Bela
Adormecida no bosque, Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, As Fadas, A Gata
Borralheira, Henrique do Topete e O Pequeno Polegar.
17
https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault#/media/Ficheiro:Charles.Perrault.jpg
Ilustração do desenhista francês Gustave Doré para “Chapeuzinho Vermelho”
Fonte: Disponível aqui
Perrault desempenhou o trabalho de adaptador ao coletar contos populares e lhes
acrescentar detalhes que respondiam ao gosto e aos interesses da classe à qual eram
endereçados: a burguesia. Além dos propósitos moralizantes, que não condiziam
com a camada popular da qual vieram os contos, mas com os interesses pedagógicos
burgueses, observavam-se aspectos e temas que não vinham do povo, tais como: a
vida na corte, a moda feminina e o mobiliário, entre outros.
A obra de Perrault constituiu-se na mais célebre e referida da literatura francesa, pois
une literatura às teorias sociológicas, psicológicas e ao folclore.
Charles Perrault, coletor de contos populares, realiza seu trabalho
após a Fronde, movimento popular contra o governo absolutista no
reinado de Luís XIV, cuja repressão deixou marcas de terror na
França. Os contos chegam à família Perrault através de contadores
que, na época, se integravam à vida doméstica como servos.
Considere-se que se trata de um momento histórico de grande tensão
entre as classes. O burguês Perrault despreza o povo e as
superstições populares e, como homem culto, as ironiza. Seus contos,
em alguns momentos, caracterizam-se por um certo sarcasmo em
relação ao popular. Ao mesmo tempo, são marcados pela
18
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capuchinho_Vermelho#/media/Ficheiro:Dore_ridinghood.jpg
Wilhelm e Jacob, os Irmãos Grimm
Fonte: Disponível aqui
preocupação de fazer uma arte moralizante através de uma
literatura pedagógica. (CADEMARTORI, 1987, p. 35 e 36)
Já no século XIX, outra coleta e uma adaptação de contos populares foram realizadas
na Alemanha pelos irmãos Grimm, alargando a antologia dos contos de fadas. Os
irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) eram acadêmicos, linguistas, poetas e
escritores que se dedicaram ao registro de várias fábulas infantis, ganhando assim
grande notoriedade na Literatura Infantil.
Estudiosos a�rmam que o que motivou os irmãos Grimm foi o surgimento do
romantismo. O nacionalismo romântico e as tendências de valorização da cultura
popular alemã, no início do século XIX, �zeram ressurgir o interesse por contos de
fadas, que estavam em declínio desde seu clímax, do �nal do século XVII. Assim, os
Grimm ajudaram o renascimento com sua coleção de folclore, construída na
convicção de que uma identidade nacional só poderia ser encontrada no povo comum
e em sua cultura popular. Embora tivessem coletado e publicado contos como um
re�exo da identidade cultural alemã, na primeira coleta eles também incluíram os
contos de Charles Perrault. Publicado em 1812, Contos Infantis e Domésticos traziam
19
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capuchinho_Vermelho#/media/Ficheiro:Grimm.jpg
contos como João e Maria, Rapunzel entre outros, não foi um sucesso imediato.
Mesmo assim, as publicações subsequentes consolidaram a eles a reputação de
inovadores estudiosos da literatura infantil.
Acesse o link: Disponível aqui
Assista a uma análise do
relançamento em dois volumes de
Contos Infantis e Domésticos.
Vale a pena!
20
https://www.youtube.com/watch?v=wi322bgsbDA
Acesse o link: Disponível aqui
Ao longo dos séculos, os contos de fadas literários passaram por diversas
transformações que ofuscaram sua verdadeira origem. Isso porque as
histórias têm origem em tempos do passado, em versões que eram bem
diferentes de como conhecemos atualmente. A princípio, um conto de fadas
não era bem inspirado no lado lúdico das fadas. Pelo contrário: eram
carregados de detalhes pra lá de agressivos. Na verdade, antes mesmo de
serem histórias infantis (uma vez que nem o conceito de infância era
conhecido), serviam como contos que uniam as comunidades e educavam a
população.
Ao longo de um período de 40 anos, os irmãos Grimm publicaram sete edições da
coleção de contos populares. Porém, a edição �nal, que foi publicada em 1857, é a
mais conhecida e diferente da primeira, tanto em estilo quanto em conteúdo. Mas é a
partir de 1815 que os livros passam a contar com ilustrações. Portanto, as histórias da
primeira edição são mais �éis à tradição oral do que as da última, que, juntamente
com as adaptações de Wilhelm, trazem uma abordagem mais literária.
E assim, a literatura infantil se constituiu através das narrativas desses e de outros
escritores como o dinamarquês Cristian Andersen (O patinho feio), o italiano Collodi
(Pinóquio), o inglês Lewis Carrol (Alice no país das maravilhas) e o escocês James Barrie
(Peter Pan), entre outros.
Ao longo dos tempos, a Literatura Infantil foi se desenvolvendo conforme a concepção
de criança em cada tempo social, cultural e histórico. Assim, no ambiente escolar
também são essas implicações que in�uenciam a sua utilização dentro das salas de
aula.
21
https://segredosdomundo.r7.com/conto-de-fadas/
Capa de “Contos da Carochinha” de 1931 e uma versão atual da obra
Fonte: Disponível aqui
Origem da Literatura Infantil
no Brasil       
No Brasil, a Literatura Infantil teve início após a implantação da Imprensa Régia, em
1808, com a chegada de D. João VI ao país. A Literatura Infantil existia por meio das
obras publicadas que eram traduções e adaptações das obras portuguesas ou textos
não literários escritos por pedagogos com intenções didáticas e/ou moralizantes. Um
dos primeiros autores a fazer traduções e adaptações dos contos europeus para o
Brasil foi Alberto Figueiredo Pimentel, que em 1894 publicou Contos da carochinha.
22
https://bllij.catedra.puc-rio.br/index.php/2017/01/24/contos-da-carochinha/
Fonte: Disponível aqui
Considerando que as obras adaptadas eram de origem europeia, o primeiro registro
de literatura infantil genuinamente brasileira dá-se pelas mãos de Monteiro Lobato,
em 1920, com a obra A menina do narizinho arrebitado. Lobato, que era um
nacionalista ardoroso, desenvolveu aventuras para nossas crianças com
características típicas brasileiras, integrando costumes do campo e lendas do nosso
folclore.
Obras como O sítio do Pica-pau Amarelo destacam bem as características da vida rural
e da cultura brasileira da época, além de também destacar as questões sociais. As
principais e mais conhecidas são: A menina do narizinho arrebitado, Reinações de
Narizinho, Fábulas de Narizinho, Emília no país da gramática, Memórias de Emília e Jeca
Tatuzinho, entre tantas outras.
23
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Menina_do_Narizinho_Arrebitado#/media/Ficheiro:A_Menina_do_Narizinho_Arrebitado_(Capa).png
“A Arca de Noé” (1980), de Vinicius de Moraes | “Lili Inventa o Mundo” (1983), de Mário
Quintana
Fonte: Disponível aqui
Nos décadas de 1940 e 1950, o novo desa�o era manter uma continuidade na
produção de livros e construir um público cativo. Para tanto, as editoras e os
escritores estavam se pro�ssionalizando, e a produção se tornou mais intensa. Na
tentativa de ampliar essa produção, as editoras optaram pela solução considerada
mais prática e voltaram a investir em traduções e adaptações. Nessa época, o Brasil
estava deixando de ser um país rural, porém, ainda havia os defensores da agricultura
como principalsustentadora da economia do país, e isso se re�etiu em muitas
histórias infantis ambientadas em sítios e fazendas e, especialmente, sobre o café.
Mas com a decadência dessa política econômica, já na década de 1960, as histórias
ganharam as cidades, e a literatura infantil assumiu uma temática urbana e passa a
valorizar elementos políticos, e escritores renomados como Mário Quintana, Vinícius
de Moraes e Clarice Lispector se interessam em escrever para o público infantil.
24
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_obras_de_Vinicius_de_Moraes
“O Menino Maluquinho” (1980), de Ziraldo | “Bisa Bia, Bisa Bel” (1981), de Ana Maria
Machado
Fonte: Amazon.
Na década de 1970, o objetivo no âmbito educacional era erradicar o analfabetismo
no Brasil, assim, houve a criação e do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização),
que não obteve resultados positivos. A continuidade da situação de
subdesenvolvimento no Brasil mostrou que os problemas não se resolviam com o
investimento na alfabetização dos adultos, nem com a facilidade de ingressar no
ensino superior. “Diante dessa situação, buscou-se uma nova alternativa: investir no
ensino básico, valorizando o livro como instrumento indispensável para o
desenvolvimento intelectual das crianças” (RODRIGUES ET AL., 2013). Nesse período,
despontam grandes escritores, como Ziraldo, Ana Maria Machado e Ruth Rocha.
25
Nas últimas décadas, a literatura infantil passou a ser tema de estudos e seminários e,
no âmbito educacional, observam-se esforços dos diversos níveis de ensino, do básico
ao superior, para propor a leitura como forma de promover recuperações no sistema
de educação (RODRIGUES ET AL., 2013). Assim, a escola volta-se para a Literatura
Infantil com interesses imediatos, como o de expandir o domínio linguístico dos
alunos e auxiliá-los a escrever melhor.
26
03
Literatura Infantil e 
Ideologia
27
Caro aluno,
Além do conceito mercadológico, a Literatura Infantil é permeada de aspectos
pedagógicos, sociológicos e psicológicos. Veremos a seguir apontamentos que devem
ser considerados acerca dessas questões.
A história e trajetória da Literatura Infantil foram marcadas principalmente por fins
pedagógicos, ou seja, o intuito educativo deu à Literatura Infantil uma visão de não
representação da arte, e sim, de função didático-pedagógica, o que pode ter gerado a
produção de menor qualidade de obras.
A Literatura Infantil é considerada uma ferramenta indispensável na ação pedagógica,
sendo utilizada no processo de aquisição de leitura e de alfabetização de crianças, e
de suma importância na construção do saber coletivo e individual, pois a
alfabetização, em conjunto com a Literatura Infantil, tem o potencial de se tornar mais
acessível e lúdica.
A Literatura Infantil é também parte integrante na ação pedagógica do docente para a
formação integral da criança, pois possibilita a ligação entre ler e escrever, além do
resgate padrão da língua e de estruturas mais complexas, desenvolvendo de modo
globalizado e o desempenho do falante. Desse modo, por meio da leitura, é possível
dominar as regras da norma culta: a acentuação grá�ca a colocação dos pronomes,
o emprego dos verbos, além da regência e concordância. Tudo isso sem a
necessidade de obrigar o aluno à árdua tarefa da aprendizagem mecânica, por meio
de memorização de regras gramaticais e com a grande vantagem de assimilação da
linguagem, que terá repercussões não só na escrita, mas também na fala e na própria
leitura.
Atualmente, o movimento da Literatura Infantil, ao disponibilizar textos escritos
abertos a múltiplas leituras, transforma a literatura para crianças em suporte para
experimentação do mundo. Dessa forma, as histórias contemporâneas, ao
apresentarem as curiosidades e dúvidas da criança em relação ao mundo, abrem
espaço para o questionamento e a re�exão, provenientes da leitura.
É evidente que a Literatura Infantil faz parte da evolução escolar e da construção
humana. Assim, é por intermédio do hábito da leitura e também de contação de
histórias, que proporcionamos às crianças a evolução de habilidades e competências,
preparando-as para os desa�os do mundo atual.
28
Re�etir sobre como a Literatura Infantil contribui para a constituição de leitores
permite compreender o quanto é essencial incentivar a leitura desde cedo, lendo ou
contando histórias, possibilitando a criança o maior contato com os livros, pois cabe à
escola mediar a interação da criança com o meio literário com o objetivo de formar
leitores.
Desse modo, cabe ao professor saber utilizar a Literatura Infantil como ferramenta
que viabilize ao aluno compreender melhor as mudanças, os pensamentos e os fatos
históricos, de forma a contribuir para seu desenvolvimento, formando uma criança
com autonomia e pensamento crítico.
Funções Sociológicas da
Literatura Infantil
O resgate do aspecto e social da literatura pela burguesia tem repercussões até a
atualidade. A Literatura Infantil privilegia textos direcionados às crianças com o
objetivo de modi�car o comportamento infantil ao reforçar os valores sociais vigentes
29
que são apresentados como modelos a serem assimilados e seguidos. Portanto,
a�rmamos a existência de aspectos que ressaltam a função social da literatura
infantil, pois é na infância que se desenvolve o hábito da leitura.
Nos seus primórdios, a Literatura Infantil surge com função formadora, pois
apresenta modelos de comportamento que facilitam a integração da criança na
sociedade. As autoras Lajolo e Zilberman (1999) a�rmam que a valorização da família
na sociedade burguesa é responsável por transformar a leitura em prática social,
quando se constituiu em atividade privada nos lares tendo o livro como instrumento
ideal para a formação da moral burguesa.
Desde então, de acordo com essas autoras, “ser leitor, papel que, enquanto pessoa
física, exercemos, é função social, para a qual se canalizam ações individuais, esforços
coletivos e necessidades econômicas” (LAJOLO; ZILBERMAN, 1999, p. 14). A Literatura
Infantil aparece no contexto histórico-social de�nido como a ascensão da burguesia e
a posição que a criança passa a assumir na família. Segundo Lajolo e Zilberman
(1999), a nova unidade familiar, centrada no pai-mãe-�lhos e fortalecedora do Estado,
privilegia a criança como um ser merecedor de atenção especial com status próprio,
para o qual convergem as preocupações com a saúde, a educação e a religiosidade.
Acesse o link: Disponível aqui
Tomada em seu sentido mais literal e restritivo, a sociologia da literatura
pode ser considerada uma especialidade da sociologia, consagrada a
analisar as obras a partir de um eixo interpretativo que transcende a
con�guração linguística e discursiva.
Na atualidade, no contexto brasileiro, tem-se uma cena social plural, com duas
realidades distintas, sendo que de um lado há crianças com pouco ou nenhum acesso
ao livro infantil e à leitura, e, de outro, há crianças com facilidade aos bens de
consumo, entre eles a Literatura Infantil. Inclusive, essa disparidade nacional, é
30
https://www.scielo.br/pdf/soc/v20n48/1517-4522-soc-20-48-9.pdf
destacada nos livros infantis que apresentam a realidade com os problemas sociais,
políticos e econômicos. Assim, a Literatura Infantil desempenha uma importante
função social que é fazer com que a criança, por meio de suas histórias, também
perceba intensamente a realidade que a cerca.
Diante disso, nas palavras de Caldin (2003), dizemos que a função social da Literatura
Infantil é facilitar ao a criança compreender e, assim também se emancipar dos
dogmas que a sociedade lhe impõe. E isso só é possível pela re�exão crítica e pelos
questionamentos proporcionados pela leitura. Assim, se a sociedade busca a
formação de um novo homem, ela terá que se concentrar na infância – e
consequentemente na Literatura Infantil – para atingir esse objetivo.
Aspectos Psicológicos da
Literatura Infantil
Não há dúvidas de que Literatura Infantil, desde os seus primórdios, vem
proporcionando experimentações positivas e negativas à criança.O que queremos
saber é até que ponto isso pode in�uenciar na construção de sua personalidade. A
Literatura Infantil nunca é apenas Literatura Infantil, ou seja, nas entrelinhas do que
lemos tem sempre um intuito, um objetivo, uma função, inclusive psicológica.
A fantasia, integrante das narrativas infantis, é vista como um benefício à formação
da criança, mas desde que, ao �nal da leitura de seu livro, ela volte de sua viagem ao
mundo imaginário para o real (BLANCO ET AL., 2015).
Para Bettelheim (1980), na Literatura Infantil são os contos de fadas que têm maior
capacidade de desenvolver a personalidade da criança. Pois, os con�itos e dilemas
propostos à criança, nesse tipo de narrativa, preparam-na para lidar ou encontrar
soluções quando experiências e con�itos desse tipo forem vivenciados no mundo
real.
Os contos de fadas declaram que uma vida compensadora e boa está
ao alcance da pessoa apesar da adversidade – mas apenas se ela
não se intimidar com as lutas do destino, sem as quais nunca se
adquire verdadeiramente identidade (BETTELHEIM, 1980, p. 32).
31
Por meio da fantasia proporcionada pelas narrativas dos contos de fadas, a criança 
entra em contato com valores vigentes, além de assimilar e aprender noções de bom 
ou mau, certo ou errado. Sendo assim, os contos infantis são responsáveis pela 
formação de uma hierarquia de valores e de referências que contribui para “moldar” 
comportamentos e in�uenciar mentalidades (GOMES 2004 apud BLANCO ET AL., 
2015).
Coelho (2005 apud BLANCO ET AL., 2015) declara que, ao entrar em contato com o 
livro, há uma autoconscientização do leitor sobre o outro, criando vínculos e 
permitindo a solidariedade. É interessante também o fato da literatura possibilitar 
que a criança entre em contato com padrões e valores de outras sociedades ou 
épocas distintas, pois a in�uência dos contos de fadas sobre o aspecto social é 
indispensável na educação e na formação da personalidade e do caráter.
Com relação ao aspecto emocional, os impactos exercidos pelos contos de fadas 
sobre os adultos vêm da importância dessas narrativas na infância, pois o que �ca de 
um conto de fadas para criança é o que ele fez re�etir na sua subjetividade (CASHDAN 
apud BLANCO ET AL., 2015). É possível observar nas crianças a apropriação das 
narrativas com vistas à resolução de dramas íntimos ou identi�cação com um 
momento presente.
32
Fonte: Disponível aqui
A Literatura Infantil é uma transposição do mundo real para o ilusório por
meio de uma estilização formal, que propõe um tipo arbitrário de ordem
para as coisas, os seres e sentimentos. Nela se combinam um elemento de
vinculação à realidade natural ou social, juntamente com aspectos
psicológicos e educacionais. A Literatura Infantil, por meio de suas obras,
implica na formação do indivíduo, pois é permeada por aspectos
sociológicos, psicológicos e pedagógicos. Ao entrar no mundo encantado da
leitura, o indivíduo, seja criança ou adulto, é levado a questionamentos a
cerca do mundo e de si mesmo e, essa re�exão pode acarretar em
mudanças signi�cativas em suas vidas.
33
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/giria-e-jargao-a-lingua-mudaconforme-situacao.htm
04
As dimensões ética e 
estética na literatura 
Infantil
34
Caro aluno,
Ler é muito importante para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e
cultural do indivíduo. Por isso, é de grande importância que a criança leia e possa
posteriormente discutir e conversar sobre o que ela leu, o que a história lhe trouxe de
bom, os valores morais que a história lida lhe apresenta, etc. Nesse momento, cabe
ao adulto assumir o papel de mediador dessa discussão, de modo a trazer e enfatizar
os fatos ocorridos na história para a realidade, para o universo da criança.
A moralidade infantil está muito presente na Literatura Infantil, e o educador acaba
por trabalhar sempre com recursos, métodos e procedimentos que favoreçam o
desenvolvimento, o interesse e o envolvimento de estruturas cognitivas e afetivas
para solucionar os problemas, os dilemas e as situações que compõem as histórias,
que envolvem questões morais, contribuindo para o processo de construção da
moralidade infantil.
Literatura Infantil e Educação
Moral
De acordo com alguns estudiosos da Literatura Infantil, a moral deve ser construída
pelo indivíduo por meio da re�exão de situações de con�ito e de suas ações no
mundo, e não sendo algo imposto. Daí a importância das práticas pedagógicas dos
professores nas instituições escolares, a partir da Literatura Infantil, com vista a
favorecer o enriquecimento e o desenvolvimento dos valores morais, culturais e
principalmente linguísticos das crianças.
Os valores morais são construídos pelo sujeito com base nas suas experiências na
interação com o meio social que vive. E sendo a moral um conjunto de regras que
regulam a conduta e o julgamento humano, quanto mais claro e permeado pelo
discernimento for esse conjunto de regras, mais autônomas e acertadas serão as
escolhas que tem como critério a moralidade (FERREIRA E ROSA, 2015).
Ainda segundo Ferreira e Rosa (2015), a Literatura Infantil, por meio de suas histórias,
pode favorecer a re�exão moral da criança. Na formação do sujeito, a ética e a
educação estão extremamente ligadas, pois a educação transmite conceitos e valores,
35
além de trabalhar com temas como a própria ética, moral, virtudes, igualdade,
democracia, justiça, etc.
No cotidiano, é muito comum ética e moral serem empregadas como sinônimos, já
que referem a um conjunto de princípios e de padrões de conduta humana. Às vezes
ética pode signi�car a �loso�a da moral, e a moral por muitas vezes pode estar
relacionada, para alguns, ao moralismo. A moral que destacamos aqui não tem
relação com o moralismo (NUNES, 2013 apud FERREIRA E ROSA, 2015).
A moral também pode ser entendida como “um conjunto de valores e normas a
serem seguidas, e a ética como a re�exão desses valores” (FERREIRA E ROSA, 2015, p.
437). A educação alicerçada em valores é muito importante para a formação da
personalidade moral da criança. A prática pedagógica que utiliza os textos literários,
com o objetivo de tratar sobre os valores morais, promove discussões dessas
narrativas permitindo que as crianças tenham experiências mais signi�cativas,
possibilitando assim, que elas se encantem e se maravilhem com o mundo, alargando
os conceitos que envolvem sua moralidade.
As histórias têm por objetivo provocar nas crianças questionamentos, pensamentos e
indagações sobre seu conteúdo e contexto, bem como sobre os valores transmitidos
no enredo, o que lhes proporciona escolhas cada vez mais autônomas (NUNES, 2013
apud FERREIRA E ROSA, 2015). É importante – e também ético por parte do educador –
ao trabalhar os valores morais a partir das histórias, promover debates que permitam
36
o envolvimento e a expressão da criança sobre o que pensa a respeito do tema
explorado. Nada mais prazeroso e e�ciente do que trabalhar esses valores de forma
lúdica e imaginativa com os personagens das histórias.
Para promover a autonomia dos alunos na construção desses valores, e não como
uma obrigatoriedade imposta pelo educador, o ambiente escolar deve estar
organizado para que haja interação e trocas ideias (OLIVEIRA, 2007 apud FERREIRA E
ROSA, 2015). O papel do educador nesse momento é auxiliar para que os alunos
possam se aprofundar em suas re�exões, ao mesmo tempo em que trabalham seus
sentimentos e emoções, valorizando suas próprias ideias, assim como as de seus
colegas. E, assim, com postura ética, o educador favorece o escutar e o argumentar,
engajados no respeito mútuo, estimulando o desenvolvimento da autonomia e
compreensão das diferenças individuais (empatia).
Conforme Ferreira e Rosa (2015), ainda, por meio das narrativas literárias e seus
personagens, as crianças se deparam com questões éticas do seu cotidiano e
repensam seus conceitos sobre o que é certo ou errado, bom ou ruim, justo ou
injusto, num processo de construção e reconstrução de seus valores.
Destaca-se que esseprocesso de construção e reconstrução de valores morais não é
um processo rápido, pois cabe ao educador a função de instigar a discussão, de ser o
mediador que estabelece uma ponte entre os personagens das histórias e os
personagens da vida real, ou seja, do mundo social da criança. A moralidade da
criança é construída a partir de suas experiências vividas no meio social e com os
indivíduos desse meio.
Ao ler, a criança se depara com os dilemas dos personagens, é levada a pensar em
seus próprios valores e seu julgamento moral tende a se desenvolver num contexto
de empatia, no qual o outro não é deixado de lado em detrimento de um
egocentrismo infantil exacerbado. Daí vemos mais um motivo que destaca o valor e a
importância da presença da literatura infantil na vida de nossas crianças.
37
A Função Estética da
Literatura
Em seus estudos, o escritor e �lósofo italiano Umberto Eco faz uma discussão sobre a
função da literatura, pois, uma vez relacionada à estética, ela se instaura como objeto
estético, e outra ótica é percebida na relação entre o autor e o público (OFFIAL, 2012).
Diante disso, há a alteração na forma de lidar com a literatura, seja no campo da
pedagogia ou na história da arte. Ao contrário de uma função utilitária, que reduz a
obra literária aos pretextos, a função estética amplia os nossos sentidos e permite a
contemplação da obra pelas vias artísticas.
Segundo Eco (2010), ao ler uma obra literária o sujeito pode ser levado a múltiplas
possibilidades de interpretação, pois a obra aberta é inacabada, inde�nida. E quanto
mais a obra se abre para a multiplicidade, mais caminhos oferecem ao leitor. Essa
obra é aberta, pois conta com as experiências vividas pelo sujeito.
A literatura, e consequentemente a Literatura Infantil, nos permite caminhos para
diferentes “olhares” de novíssimos ou antigos estilos e formas, surgindo diante desses
olhares novas sensações e percepções da imagem do mundo.
O texto literário pode tirar o leitor de seu estado de acomodação e levá-lo a percorrer
caminhos de questionamentos, de negação, de a�ição, de perda; derrubar
pensamentos e crenças e a correr em busca de um novo sentido. Quando isso
acontece somos levados à re�exão crítica, ao pensamento mais elaborado do
abstrato, como também à fruição estética (ato de tirar prazer daquilo que possui um
formato artístico, seja pela sua beleza e feiura, ou pelos sentimentos que despertam
no indivíduo) por meio dos usos artísticos da linguagem.
Segundo Culler (1999 apud OFFIAL, 2012), a literatura como função estética não
conduz o leitor a um pensamento único, mas ensina a sensibilidade. A literatura
desvincula-se de pretextos e assume a obra literária como “objeto estético”,
permitindo um “gozo”, prazer, reação causada pelo embate entre obra e leitor.
Quanto mais contato com os livros, mais possibilidade tem um indivíduo de
compreender o mundo e o seu contexto, pois a leitura permite o desenvolvimento de
um “olhar” que amplia o conhecimento e o autoconhecimento.
38
É comum ouvirmos que ler é dar asas à imaginação, isso porque a leitura nos tira de
uma realidade e, longe dela, conseguimos compreendê-la e, consequentemente,
modi�cá-la. Diante disso, devemos compreender a importância da literatura no
processo do desenvolvimento do ser humano.
A literatura é arte, e como tal está relacionada à formação estética do ser humano,
cabe a nós educadores compreender como essa obra literária entra na escola e de
que forma é explorada, e traçarmos novas estratégias para que, a partir da Literatura
Infantil, promover experiências e fruição estética às crianças. Dessa maneira,
poderemos contribuir para a formação estética de nossas crianças, pois lidando com
esse saber sensível e ampliando sua visão de mundo, haverá compreensão do sentido
dos fatos, tornando o sujeito mais crítico e re�exivo.
Acesse o link: Disponível aqui
Ainda que tanto a Estética (parte da Filoso�a voltada para a re�exão relativa
à Beleza e ao fenômeno das Artes) como a Literatura sejam conceitos
sempre em discussão, podemos entender a experiência estética literária
como a soma da percepção/apreensão inicial de uma criação literária e das
muitas reações (emocionais, intelectuais ou outras) que está suscita, em
função das características especí�cas postas em jogo pelo autor na sua
produção. Tal produção literária é – ela também – uma experiência estética,
cujo resultado seu criador quer fazer único e inconfundível, com marcas que
ele gostaria que fossem percebidas pelo leitor como pegadas no caminho da
leitura de sua obra.
39
http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/experiencia-estetica-literaria
Se a literatura foi útil em outras épocas para o ensino de
componentes curriculares ao atender às demandas de uma escola
que poucos livros dispunham, hoje já não se insere como tal, pois são
outros tempos, com outras ideias e concepções. Diante disso, a escola
deveria abrir suas portas para experiências artísticas,
proporcionando aos alunos o contato com obras literárias, música,
teatro e obras de arte, desencadeando sentimentos e emoções, e
valorizando, dessa forma, a formação estética do sujeito (OFFIAL,
2012, p. 9).
De forma implícita, a Literatura Infantil traz valores morais em si. E é no contexto
escolar que há uma educação moral, proposta para as crianças por meio do trabalho
com os livros literários e o diálogo. As histórias pertencentes à vasta Literatura Infantil
são compostas, muitas vezes, por valores morais e éticos que possibilitam
experiências em que as crianças podem vivenciar, de alguma forma, situações
valorativas.
40
Embora os valores (bem como a sociedade), venham sofrendo mudanças e sendo
reformulados de acordo com a cultura vigente, as concepções éticas e a conduta
moral precisam, cada vez mais, ser discutidas, pois uma conduta moral pode ser
correta para uma pessoa e não ser para a outra, pois isso depende da cultura e
re�exão de cada um. Quanto mais o sujeito lê, mais possibilidades ele tem de
compreender o seu entorno e a si próprio, pois a literatura pode proporcionar, além
dos momentos de prazer, o desenvolvimento das habilidades cognitivas e da
consciência mais humana.
Diante disso, ensinar exige uma formação estética, pois há a necessidade de
desenvolver um saber sensível, nos alunos, mas também nos educadores. A
sensibilidade também é algo passivo de educação, ou seja, também podemos ser
educados sensivelmente, e para isso podemos contar com a Literatura Infantil.
41
05
Monteiro Lobato
42
Caro aluno,
É impossível tratar de Literatura Infantil brasileira sem falar de Monteiro Lobato.
Considerado o “pai” de nossa literatura, ele até hoje vive na memória e no imaginário
de nossas crianças (muitos já adultos hoje) por meio de sua obra.
No início do século XX, os intelectuais brasileiros buscavam redescobrir seu país, e o
melhor intelectual que conseguiu re�etir o espírito de sua época, mesmo com todas
suas contradições, foi Monteiro Lobato.
Monteiro Lobato: o Precursor
da Literatura Infantil
Brasileira
José Bento Monteiro Lobato (1882 - 1948) foi um dos integrantes do grupo literário
brasileiro, com educação baseada nas diretrizes do positivismo, visto que cursou
Direito em São Paulo e iniciou suas atividades junto à imprensa. Entre os problemas
mais urgentes a serem resolvidos estava a questão da consciência nacionalista ligada
a todas as áreas do pensamento culto.
Mas era uma tarefa difícil conscientizar um povo culturalmente colonizado e
dependente economicamente de seu “nacionalismo”. E, mesmo esse processo sendo
difícil e lento, Monteiro Lobato foi um batalhador em trazer à tona toda a “brasilidade”
de um povo.
43
Acesse o link: Disponível aqui
O Positivismo é uma corrente teórica inspirada no ideal de progresso
contínuo da humanidade. O pensamento positivista postula a existência de
uma marcha contínua e progressiva e que a humanidade tende a progredir
constantemente. O progresso, que é uma constatação histórica, deve ser
sempre reforçado, de acordo com o que AugusteComte, criador do
Positivismo, chamou de Ciências Positivas. As Ciências Positivas teriam a sua
mais forte expressão na Sociologia, ciência da qual Comte é considerado o
fundador.
Nos anos de 1927 a 1931, Monteiro Lobato viveu nos Estados Unidos, pois foi
nomeado adido comercial pelo presidente Washington Luís. Lobato �cou
impressionado com a exploração dos recursos minerais que possibilitaram aos
Estados Unidos o progresso e desenvolvimento, e quando voltou para o Brasil, deu
início a uma campanha em prol do progresso brasileiro.
Durante a sua estadia nos Estados Unidos, Lobato con�rmou algumas ideias que já
vinha desenvolvendo no Brasil a respeito do atraso brasileiro e das estratégias para
vencê-lo. Produziu a partir daí um discurso industrialista contando com um projeto
para o progresso, no qual os elementos fundamentais eram as riquezas naturais,
trabalho e�ciente e disciplinado, a siderurgia, o petróleo, o transporte e a criação de
um mercado interno. Lobato fundou o Sindicato do Ferro e a Companhia Petróleos do
Brasil e enfrentou empresas multinacionais, além dos obstáculos impostos pelo
governo brasileiro.
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https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/positivismo.htm
Monteiro Lobato (na posição mais alta) durante pesquisas para extração de petróleo
Fonte: Disponível aqui
O escritor foi uma pessoa crítica e individualista que não se uniu a nenhum “grupo da
moda”. Dividia-se entre a visão positivista de sua formação e a visão socialista, que se
impunha com as transformações político-econômicas da época. A partir de 1915,
Lobato passou a exercer uma in�uência signi�cativa, com as publicações de seus
artigos, aumentando sua popularidade. Sua preocupação era o desenvolvimento
brasileiro, sua pela nacionalidade, acreditando estar na ciência, a sabedoria.
A preocupação de Lobato não era somente com a questão do petróleo, mas também
com as questões sanitárias do nosso país. Essa preocupação foi traduzida com a
criação da personagem Jeca, que é a representação do caboclo brasileiro, trazendo
todas as características e problemas do homem rural da época. A vontade de
engrandecer a pátria foi o motivo que o fez procurar as causas reais da miséria e os
meios necessários para saná-las. Por meio de seus artigos indignados chama a
atenção do país para um problema fundamental para a sobrevivência do homem
brasileiro: o saneamento básico no Brasil.
Lobato também se mostrou muito preocupado com a nossa língua, pois, segundo ele,
o contraste entre a língua falada e a língua escrita era o responsável pelo fato dos
livros brasileiros não serem lidos. Porém, aos poucos, Lobato constata a di�culdade
45
https://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato#/media/Ficheiro:Monteiro_Lobato_searching_oil_1930s.jpg
de se viver num país em que a maioria da população é analfabeta e poucos tinham a
cultura escrita. Esses aspectos somados à atitude anticientí�ca predominante dos
governantes do país eram um dos traços que marcavam a mentalidade nacional.
Dessa forma, Lobato via cada vez mais distante a possibilidade de desenvolvimento
para o povo brasileiro e, sendo assim, ele resolveu depositar suas esperanças nas
gerações futuras, vendo nos jovens a possibilidade de modi�cações do país em busca
do progresso.
Ao perceber que ao in�uenciar na formação das crianças poderia contribuir para a
constituição do Brasil do futuro, decidiu dedicar-se de�nitivamente à Literatura
Infantil. Em seus livros, Lobato construiu um mundo intitulado O sítio do Pica- pau
Amarelo, no qual todos os seus desejos pudessem ser realizados, projetou um novo
país, com o objetivo de plantar sementes que pudessem vir a germinar, no futuro.
Anos mais tarde, Lobato escreveu uma série de contos e crônicas e os organizou e
publicou com o título de Obras Completas de Monteiro Lobato, totalizando 30 volumes.
Monteiro Lobato e a Dedicação
ao Público Infantil
Em sua literatura infantil, Lobato apresentava uma proposta desenvolvimentista para
o Brasil. Sua obra é centrada no progresso do país e provocou muita polêmica porque
tinha por objetivo formar o cidadão, despertando a curiosidade intelectual e atitudes
críticas nas crianças por meio de livros questionadores e desmisti�cadores da
autoridade. Lobato chegou a ser acusado de negar a existência de Deus e de uma
verdade moral e absoluta.
Assim, com a dedicação à Literatura Infantil, seu intuito era formar uma mentalidade
nacional. Ao compor suas obras destinadas ao público infantil, Lobato se preocupou
em tratar crianças como crianças e não em adultos em miniaturas. Para ele, a
imaginação predomina em absoluto no mundo infantil, e para alcançar este público
era necessário o uso desta linguagem.
Lobato, inicialmente, também fez adaptações de clássicos infantis europeus e norte-
americanos, e considerava a existência de uma literatura brasileira, porém, fazia
duras criticas à qualidade delas. Seu objetivo, com esse trabalho, era levar as crianças
46
ao conhecimento da tradição, além de questionar as verdades feitas, levando-as a
redescobertas para uma renovação histórica.
A ideia de se dedicar à Literatura Infantil surgiu quando Lobato recebeu a visita de um
amigo na Revista do Brasil para jogarem xadrez. E, então, durante a conversa, esse
amigo lhe contou uma história sobre um peixe que, �cou muito tempo fora d’água e
“desaprendeu” a nadar e, quando voltou ao rio morreu afogado. Foi durante a
conversa que Lobato começou a montar a história em seu imaginário. E, quando o
amigo foi embora, escreveu a história do peixinho que morreu afogado, publicando
mais tarde, com algumas alterações e personagens reais, que permeavam suas
lembranças de infância.
No início, seus livros eram pequenos álbuns com 30 a 40 páginas com bonitas
ilustrações, linguagem simples e de uma agradável apresentação, o que fazia que
tivessem um preço acessível. Tal fato signi�cou uma revolução nos meios editoriais,
pois os poucos livros que existiam, eram publicações luxuosas, quase sempre de
autores franceses, traduzidos e publicados em Portugal, o que di�cultava o acesso à
leitura da maior parte da população.
Outra característica da obra de Lobato é que ele falava como se estivesse no lugar das
crianças, e não para elas. Ele soube captar a lógica e a estrutura do pensamento
infantil, o que facilitou o aprendizado por meio de suas obras. Lobato tratava as
crianças como interlocutoras competentes, estimulando a atividade literária delas,
desde o desenvolvimento de enredos até análises críticas das suas obras. E assim,
misturando sonhos e realidade, Lobato conquistou seus pequenos fãs,
compartilhando com eles um mundo em que tudo era possível por meio da
imaginação.
A menina do nariz arrebitado foi seu primeiro livro infantil, e foi um sucesso.
Inicialmente, foram cinquenta mil exemplares vendidos, devido a adoção como livro
didático das escolas públicas do Estado de São Paulo. A partir daí não conseguiu mais
parar.
Seus personagens do livro O sítio do Picapau Amarelo possuem características próprias
e marcantes, sendo que cada um deles representa um segmento social. Suas duas
personagens adultas, Dona Benta e Tia Anastácia, representam as fontes do saber
erudito e popular, que quebram a hierarquia que separa a criança de gente grande,
característica marcante da educação da época, ou seja, a autoridade vinha da
experiência da avó, e não do seu “autoritarismo” como adulto.
47
A boneca Emília em 1920 e sua adaptação para os quadrinhos da Editora Globo na
década de 2000
Fonte: Wikipedia.
A personagem Lúcia, de nariz arrebitado, é um encanto de menina, a quem pertence
Emília, uma boneca de pano feita por Tia Anastácia. A princípio, a Emília não falava,
mas numa segunda versão passa a falar como uma pessoa. Há estudiosos que dizem
que a Emília é a “voz expressa” de Lobato, e que é personagem fundamental para
compreender a sua obra.
Há também outras personagens, como o Pedrinho, neto de Dona Benta, animais que
ganham vida e voz como seres humanos, além do Visconde de Sabugosa, importante
personagem na obra de Lobato. Viscondeé um intelectual que tem a ciência e a
técnica como objetivos concretos, como por exemplo, aumentar a riqueza material
desfrutável do planeta.
48
Fonte: Amazon.
Em seus últimos livros infantis, A reforma da natureza (1941) e A chave do Tamanho
(1942) falam dos males que o progresso traz à humanidade. Essas histórias têm como
pano de fundo as duas grandes guerras. Assim, se por um lado Lobato defendeu o
progresso como forma de bene�ciar o homem, também o culpa por acabar com o
próprio homem, destacando a guerra como grande ameaça ao ser humano.
49
Monteiro Lobato criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore
e os costumes do povo brasileiro, com o objetivo de desenvolver o
nacionalismo. Os aspectos do povo eram destacados na ação das
personagens que re�etiam na brasilidade, na linguagem, comportamentos e
na relação com a natureza. Um de seus personagens que representa o ideal
dos contadores de história da antiguidade, por exemplo, Visconde de
Sabugosa, que é o intelectual contador de histórias. Além de despertar o
interesse da criança através do imaginário, Lobato conscientiza com a sua
literatura denunciadora, que envolve fatos políticos-econômicos-sociais.
Monteiro Lobato Foi um revolucionário progressista, fundador de inúmeras editoras e
jamais deixou de lado os castelos de contos de fadas e o folclore nacional, (re)criando
o mundo ao seu redor, a partir de coisas do seu cotidiano, desta forma escreveu mais
de quatro mil e seiscentas páginas só de obras infantis.
50
06
As histórias e o 
universo infantil
51
A Importância das Histórias
para a Infância
Caro aluno,
A Literatura Infantil, por meio de suas histórias, tem um grande signi�cado no
desenvolvimento de crianças, pois ao ouvir ou ler re�etem sobre as situações
emocionais, fantasias, curiosidades e enriquecimento, e, por conseguinte, seu
desenvolvimento perceptivo.
As histórias infantis in�uenciam em todos os aspectos a educação da criança, pois na
afetividade: desperta a sensibilidade e o amor à leitura; na compreensão desenvolve o
automatismo da leitura rápida e a compreensão do texto, e na inteligência, contribui
para o desenvolvimento da aprendizagem, por meio de termos e conceitos e a
aprendizagem intelectual (PINTO, 2004)
Nós aprendemos a ler antes mesmo de sermos alfabetizadas, pois desde a mais tenra
idade somos conduzidos a entender um mundo que se transmite por meio de letras e
imagens. Portanto, nesse “processo” de leitura precisamos estimular, incentivar a
criança.
52
O pré-leitor é uma categoria que abrange duas fases. A primeira infância, que vai até
aos 2 anos de idade, é a fase na qual a criança começa a reconhecer tudo que está ao
seu redor através do contato afetivo e do tato. Por isso, nessa fase, a criança sente a
necessidade de pegar e tocar tudo. Outro marco importante nessa fase é a aquisição
da linguagem, quando a criança começa nomear tudo a sua volta. É a partir dessa
percepção que precisamos estimulá-la utilizando materiais sonoros.
A segunda infância, que é a partir de 2 / 3 anos de idade, é marcada pelo o início da
fase egocêntrica, ou seja, tudo parte dela, pois é ela o “centro de tudo.” Nessa idade a
criança está mais adaptada ao meio físico, interessando-se mais pela comunicação
verbal e atividades lúdicas. E é exatamente nessa fase, segundo a autora Abramovich
(1997) que devemos apresentar um contexto familiar, com domínio de imagem, sem
texto escrito, já que é com a nomeação das coisas que a criança estabelecerá uma
relação com os livros.
Por volta dos 6/7 anos de idade é a fase na qual a criança começa a apropriar-se da
decodi�cação dos símbolos grá�cos, mas como ainda encontra-se no início do
processo, o papel do adulto como “agente estimulador” é fundamental. As histórias
devem estimular a imaginação, a inteligência, a afetividade, as emoções, o pensar, o
querer, o sentir entre outros aspectos e características da criança. Não devemos
esquecer nunca que a leitura, faz parte do processo de construção do conhecimento e
acompanha o aluno durante toda sua formação.
O contar histórias acontece em toda parte do mundo, e este impulso de contar
histórias nasceu com o homem, quando sentiu necessidade de se comunicar com os
demais que o cercam.
Criar o hábito e a conexão prazerosa com a literatura desde a infância é o mais amplo
caminho para criar possibilidades de vermos cada vez mais adultos  leitores  e
conscientes de suas próprias leituras.
O universo criado pela relação com os livros é enorme, passando pelo encantamento,
pela descoberta de novas ideias e histórias e pela  formação  de novas re�exões e
questionamentos. Se uma criança, desde sua mais tenra idade, entende que folhear
as páginas de um bom livro é um momento divertido e desconexo de obrigações, o
contato com uma  literatura  cada vez mais diversa será ampliado durante a
adolescência até a fase adulta.
53
Acesse o link: Disponível aqui
As crianças não nascem com seus interesses prontos, essa construção do
interesse depende muito da colaboração dos adultos durante a primeira e
segunda infância.
A história não tem um único objetivo, ou seja, ela tem várias funções que podem
despertar e in�uenciar o seu ouvinte estimulando outras áreas. Podemos encontrar,
por exemplo, sua importância nos aspectos recreativo, instrutivo, educativo, entre
outros.
As histórias também são aliadas no incentivo à leitura. Considerando que um dos
objetivos da escola é o desenvolvimento do gosto pela leitura, não como algo que seja
obrigatório, mas que o professor encontre estratégias para despertar a vontade de ler
em seus alunos.
Quando a criança tem contato com bons modelos literários, além de despertar a sua
imaginação, também facilita a sua expressão de ideias e expressão corporal, quando
procura imitar ou representar as personagens das histórias, colocando-se no lugar
das personagens das fábulas e contos de fadas. Dessa forma, “as histórias são um
‘abra-te Sésamo’ para o imaginário, em que a realidade e a fantasia se sobrepõem”
(DOHME, 2000, p.08).
54
http://ociclorama.com/pequenos-leitores-o-universo-da-literatura-infantil/
Porém, o ouvir histórias não só desperta o gosto pela leitura e a imaginação, mas
também proporciona ao ouvinte o descobrir soluções para seus problemas, con�itos
e emoções levando-o a resolução dos mesmos.
[...] a história é importante alimento da imaginação. Permite a
autoidentificação, favorecendo a aceitação de situações
desagradáveis, ajuda a resolver conflitos. Acenando com a
esperança. Agrada a todos, de modo geral, sem distinção de idade,
de classe social, de circunstância de vida (COELHO, 2001, p12).
Bettelheim (1979) também destaca a importância dos contos no desenvolvimento
psicológico das crianças. Pois, segundo ele, os contos de fadas além de tratarem dos
problemas universais, ajudam a lidar com problemas psicológicos nas fases de
constituição da personalidade. 
De acordo com Tahan (1957, p. 21), ao ouvir histórias a criança pode desenvolver e
alcançar diversos objetivos como:
a) Expressão da linguagem infantil- enriquecendo o vocabulário e facilitando a
expressão e a articulação;
b) Estímulo à inteligência- desenvolvendo o poder criador do pensamento infantil;
55
c) Aquisição de conhecimentos- alargando os horizontes e ampliando as experiências
da criança;
d) Socialização- identi�cando a criança com o grupo e ambiente, levando-a
estabelecer associações, por analogia, entre o que ouve e o que conhece;
e) Revelação das diferenças individuais- facilitando à professora o conhecimento de
características predominantes em seus alunos, evidenciadas através das reações
provocadas pelas narrativas;
f) Formação de hábitos e atitudes sociais e morais- através da imitação de bons
exemplos e situações decorrentes das histórias, estimulando bons sentimentos na
criança e incitando-a na vida moral;
g) Cultivo da sensibilidade e da imaginação – condição essencial ao desenvolvimento
da criança;
h) Cultivo da memória e da atenção- ensinando a criança a agir e preparando-a para a
vida;i) Interesse pela leitura- familiarizando a criança com os livros e histórias,
despertamos, para o futuro, esse interesse tão necessário.
Assim, a literatura infantil, por meio de suas histórias, abre as portas para a
inteligência e para a sensibilidade da criança, possibilitando a sua formação integral.
A Criança e as Histórias
As histórias podem estimular e desenvolver muitos aspectos. Podem divertir,
estimular a imaginação, podem atingir outros objetivos como o educar, instruir,
conhecer melhor os interesses pessoais, desenvolver o raciocínio, ser ponto de
partida para trabalhar algum conteúdo programático, despertando um maior
interesse pela aula. Favorece a compreensão de situações desagradáveis, além de
poder ajudar a solucionar con�itos pessoais.
A história nunca passa indiferente para a criança, pois ela pode envolver sentimentos,
interferindo no pensamento, informando, socializando e educando. Ao ouvir ou ler a
história, a criança poderá se identi�car com as personagens, trazendo assim, o que é
56
�ctício para a vida real.
Dessa forma, por meio desse processo de identi�cação com as personagens, a criança
passa a viver um jogo �ccional projetando-se na trama narrativa, e dessa maneira a
criança passa a vivenciar, a experimentar temporariamente sentimentos das
personagens, sem correr nenhum risco.
Cada criança tem suas características e especi�cidades e possui necessidades
diferentes uma das outras. E é nessa perspectiva que a história pode alcançar cada
criança de modo diferente permitindo a cada uma delas a buscar o que lhe é
necessário e prazeroso. Por isso, a história deve ser levada a sério, exigindo cuidado,
pois poderá in�uenciar a criança, negativa ou positivamente.
Durante os primeiros anos de vida da criança são construídas e desenvolvidas
maneiras particulares e peculiares de ser, e esquemas de relações com o meio e com
as pessoas. Assim, como o seu comportamento emocional, individualização do seu
corpo, formação da consciência de si mesma são processos paralelos. Dessa forma, a
utilização dos contos de fadas como uma das ferramentas pode ser levada em
consideração para que esse desenvolvimento aconteça.
57
Literatura Infantil, Leitura e
Cidadania
A criança leitora transformada em cidadão leitor e usuária da escrita constrói o
conhecimento com uma visão crítica da realidade, sempre descobrindo o saber para a
construção de um novo mundo.
Atualmente, há uma grande preocupação por parte dos educadores, principalmente,
nas escolas do ensino fundamental, em como incentivar a criança a ler em um mundo
dominado pelas novidades virtuais. Digo que o grande desa�o dos educadores é fazer
da Literatura Infantil e da leitura, de modo geral, um momento prazeroso em que a
criança se sinta envolvida na leitura de história, e não a veja como uma tarefa
mecânica a ser cumprida.
Pensando no contexto escolar, nas instituições de ensino infantil ou fundamental, há
de se ter um cantinho especial para a realização de leituras, e as crianças devem ter
muitas oportunidades de manuseio, podendo folhear os livros, e lê-los
individualmente ou em grupos; momento em que as histórias lidas possam ser
sociabilizadas com os demais.
58
Para que haja realmente uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da
escrita, cabe à escola favorecer a aprendizagem signi�cativa, abandonando as
atividades mecânicas e sem sentido. Assim, segundo Lerner (2002, p. 73), “ler é entrar
em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se
distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se
quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita”.
Partindo dessa perspectiva, cabe ao professor propor situações em que a criança
interaja com o universo literário, por meio do contato com livros e atividades
signi�cativas a partir da literatura infantil.
A importância da literatura no universo infantil é inquestionável, pois é por
meio dela que as crianças começam a formar sua leitura de mundo e
despertar para rabiscos, traços e desenhos desde muito cedo, conforme as
oportunidades que lhe são oferecidas. O meio social em que a criança está
inserida, ou seja, a oportunidade oferecida pela família e pela escola com as
obras literárias contribui – e muito – para o seu desenvolvimento. Nesse
sentido, uma criança que desde cedo escuta histórias e tem contato com
livros, certamente será um adulto leitor, terá prazer em ler, sua imaginação e
criatividade serão estimuladas a expressar ideias.
59
07
A ilustração no 
livro infantil
60
A Importância da Ilustração
nos Livros Infantis
Caro aluno,
Existem diversas formas de ler o mundo e uma delas é por meio das imagens que
ilustram a nossa vida. E, considerando as imagens presentes em nossas vidas,
ressaltamos a importância das ilustrações dos livros infantis, evidenciando a sua
utilização como metodologia aplicada na sala de aula.
É certo que o uso de imagens como forma de propiciar o aprendizado não é
facilmente descartado pelos pro�ssionais da educação. É nessa perspectiva que se
compreende a atribuição da importância das imagens enquanto leitura ou suporte na
Literatura Infantil, pois possibilita, de forma mais dinâmica, o desenvolvimento
infantil. As ilustrações se apresentam enquanto auxiliares e desenvolvem processos
de interpretação que ajudarão no crescimento e na transformação da criança e do
seu mundo.
Por meio dos livros infantis, é possível alimentar o imaginário da criança, contribuindo
para que as re�exões comecem a fazer parte de seu cotidiano familiar e individual,
acerca também das interpretações sobre as questões afetivas, artísticas, entre tantas
outras.
O contato com ilustrações, enquanto mecanismo de socialização positiva, pode
direcionar a criança a estabelecer um desenvolvimento cognitivo e um diálogo
harmonioso com os colegas (SIMÃO, 2013), e esse é um ponto de partida importante
para o processo de construção da personalidade.   
Quando o texto é constituído apenas por algumas frases, a ilustração adquire um
papel relevante na estruturação da narrativa. Assim, ela deve ser cuidadosamente
analisada em suas sequências de cenas, na representação das personagens e suas
expressões, com atenção aos detalhes do espaço e ao tempo, com o objetivo de que
as crianças acompanhem e dominem plenamente a história e as formas nas quais
elas são narradas (FARIA 2008 apud SIMÃO, 2013).
61
Ainda segundo Simão (2013), as ilustrações são importantes enquanto meio de
desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, além de contribuir também
para a constituição da personalidade da criança, pois ao aprender a ver o conteúdo
do universo literário nas imagens, também é possível inserir a criança em uma nova
visão, gradativamente, no simbolismo que representa a imagem, numa maneira de ler
e entender as coisas e o mundo.
É na perspectiva de associação entre palavra e imagens, que a ilustração ganha certo
caráter de efeito estético que introduz elementos de percepção, compreensão e
descoberta. En�m, que contém um conjunto de sentidos que estimulam a re�exão e
proporcionam uma aprendizagem mais ampla, pois trabalha o universo imaginário
que cada indivíduo possui. (SIMÃO, 2013, p. 27).
62
Acesse o link: Disponível aqui
Livro de Imagens: o uso das imagens para informar e contar histórias vem
de longa data. Na Idade Média, por exemplo, as ilustrações narravam
acontecimentos nas paredes das igrejas, dando condições aos analfabetos
de “lerem” o calvário de Cristo. Atualmente, a produção de literatura infantil
em diferentes formatos e mídias tem contribuído para a discussão sobre
novos referenciais acerca da leitura literária para crianças e jovens.
O Que é Ilustração nos Livros
Infantis?
Na fase infantil, a imagem representa uma ponte de possibilidades para fazer
relações com o conhecimento cognitivo (SIMÃO, 2013). Há a necessidade de despertar
a criança para algo que estimule a sua curiosidade, e a ilustração pode ser um elo
entre a imagem e o signi�cado que se traduz para ela comoum meio para estabelecer
a compreensão de algo. Assim, “livros infantis que contêm ilustrações se tornam
instrumento de transmissão de conhecimento por conseguir penetrar no universo
imaginário, e ao mesmo tempo contribuem para o desenvolvem a inteligência das
crianças” (MANGUEL, 1998 apud SIMÃO, 2013).
A imagem é a primeira forma de leitura desenvolvida no indivíduo, ainda enquanto
criança, e permanece ao longo da vida. Ela está presente nos símbolos de produtos e
em informações de nosso dia a dia. Pois a imagem é uma representação
“semiconcreta”, mais direta que o código verbal escrito, apresenta-se de forma
abstrata (SIMÃO, 2013). Essa representação visual na literatura infantil tem como
63
http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/livro-de-imagens
entendimento uma fértil interpretação que revela a imaginação, que vem carregada
de signi�cados e leva a criança a desenvolver a sua própria linguagem a partir do
contexto em que está inserida.
A riqueza dos livros que contam histórias através de ilustrações, ou seja, falam por
imagens, provocam o conhecimento ou reconhecimento de objetos e seres do seu
cotidiano que são expressos oralmente pela nomenclatura atribuída, favorecendo o
convívio direto com imagens, que, associadas com palavras nomeadoras facilitam a
mente o hábito de adicionar a pratica de identi�car o mundo a partir de uma
percepção visual. (SIMÃO, 2013, p. 28).
A autora ainda nos aponta que a capacidade de ler por meio das imagens não está
vinculada à atividade natural de enxergar, mas a dimensões, à percepção de
conteúdos e dimensões socioculturais do leitor (2013). No entanto, a linguagem só é
concretizada quando este olhar atento capta, lê e dá signi�cado à imagem, colocando-
se nessa perspectiva dialética. E é desta percepção de mundo, por meio de estímulos
às emoções e da organização do pensamento, que depende o desenvolvimento da
linguagem.
No momento da criação da imagem, o objetivo do ilustrador é um produto externo,
pois ainda que produza a imagem na mente, ele busca o que já viu e experimentou.
“Então, a imagem relativa-se no espaço e no tempo, necessitando de uma organização
no processo de criação” (SIMÃO, 2013, p. 29). Porém, quando chega às mãos do leitor
64
Ilustração de Gustave Doré (1832-1886) para o conto de fadas “O Gato de Botas” e de
Carl O�terdinger (1829 - 1889) para “Cinderela”
Fonte: Wikipedia.
infantil, esta produção de imagens rompe a linearidade, produz sintagmas visuais
indeterminados – até mesmo imperceptíveis – na medida em que é acolhido pelo
pensamento imagético desse pequeno leitor.
Assim, é preciso examinar a leitura da imagem sob várias perspectivas, abarcando-as
em diferentes repertórios e estabelecendo relações variadas capazes de “ensinar a
pensar” e gerar autonomia intelectual nas novas gerações, possibilitando assim a
transformação social por parte dos leitores. Esse tipo de leitura re�ete diretamente na
compreensão da realidade, e a criança aprende a desenvolver um sistema pessoal
de ideias e sentimentos acerca do universo e do mundo. “Consequentemente, no
olhar aperfeiçoado constrói-se, também, a linguagem que possibilita a inserção deste
leitor de imagens nos processos de socialização” (SIMÃO, 2013, p. 29).
65
Atualmente, os livros infantis são repletos de ilustrações e recursos grá�cos
variados, materiais e estilos diversos, com histórias tradicionais ou
modernas. São capazes de prender a atenção das crianças e abrir portas
para o universo mágico e misterioso da leitura, resultando em inúmeras e
importantes aprendizagens, além de ajudar a despertar o gosto pela leitura
e auxiliar no processo de alfabetização e letramento da criança.
Os livros infantis são recursos indispensáveis no processo de aquisição da linguagem
oral e escrita, uma vez que possibilita diferentes leituras e interpretações, despertam
conhecimentos e instigam a criança a adentrar o universo mágico do ato de ler. Logo,
suas ilustrações devem ser um dos principais recursos, ao passo que estão mais
relacionadas ao lúdico e o universo infantil, e não devem de forma nenhuma ser
ignoradas ou tratadas com menor valor por parte de educadores, pois “nos livros
infantis ilustrados, o texto e a imagem se articulam de modo que ambos concorrem
para a boa compreensão da narrativa” (FARIA, 2004 apud SIMÃO, 2013).
A ilustração no livro infantil ajuda a organizar o pensamento e a entender o que se
está lendo na linguagem escrita e vice-versa. A ilustração não precisa acompanhar um
texto escrito, pois, de forma lúdica, ela ajuda na visualização agradável da página,
quebra o ritmo em textos longos, apoia a leitura do ponto de vista do enredo ao
construir formas, personagens, cenários; en�m, ajuda na construção do pensamento
da criança (SIMÃO, 2013, p. 30).
66
Um dos objetivos da Literatura Infantil é introduzir o ser humano ao mundo
literário. O livro é um instrumento que contribui para a formação de um
indivíduo, com espírito crítico e analítico. Quando a criança tem contato com
o livro infantil aprende a viver em seu contexto social com mais re�exão e
opinião. O ato da leitura não é só decodi�car, e sim interpretar, ao se
explorar um texto deve-se estabelecer discussões que estimulem a
criticidade infantil, fazendo com que as crianças exponham suas produções,
formando-se bons leitores de imagens.
A escola deve ser formadora de novos talentos; os educadores devem
estimular a leitura com propósitos fundamentados na interpretação e
compreensão das histórias infantis. Portanto, a imagem/ilustração no livro
infantil ajuda a organizar o pensamento do leitor. Ao ler livros ilustrados, a
imagem ajuda na visualização agradável da página, na quebra do ritmo em
textos longos, apoia a leitura do ponto de vista do enredo ao construir
formas, personagens, cenários; en�m, ajuda na construção do pensamento
da criança.
67
08
Critérios de avaliação 
de obras literárias
68
Caro aluno,
A Literatura Infantil é uma manifestação artística. Então, não pode trair seu leitor, ou
seja, a criança, com livros meramente educativos, somente com intencionalidades
pedagógicas. Porém, ser infantil não signi�ca que tem que ser menor, pueril, frívolo.
Pois, se for compreendida dessa maneira, vamos esmagar o leitor com ensinamentos
direcionados, moral evidente, afastando o leitor do desenvolvimento pelo gosto e
prazer de ler (IMPERIAL, 2018, recurso eletrônico).
Como Avaliar o Texto Literário:
Critérios de Análise
Uma das funções da Literatura Infantil é entreter, desde que o leitor tire suas
conclusões, por meio de textos que ofereçam interpretações e que apresentem uma
plurissigni�cação-conotação de sentido (IMPERIAL, 2018).
Por meio de seu objetivo em desenvolver o gosto estético, o prazer por ler, a
valorização da cultura, costumes e tradições, a literatura infantil in�uencia de forma
direta o processo educativo e formativo do indivíduo. Diante dessa perspectiva, o
futuro professor deve ter consciência da importância dos critérios de análise dos
livros infantis, além de conhecer como ocorre o desenvolvimento psicológico da
criança e o livro mais adequado para cada faixa etária.
Mas como o futuro professor construirá conhecimentos para avaliar a obra infantil?
Primeiramente, ele deve gostar do fantástico mundo da Literatura Infantil. É
imprescindível que o professor conheça e leia diferentes textos infanto-juvenis e
veri�que no texto, seja em prosa ou em verso, suas características, seu valor artístico
e a consciência de mundo do autor e sua mensagem.
69
É fundamental observar que, por ser dirigido à criança, o texto infantil não
deve ser tomado por menor, com texto e temas fáceis e tolos, pois não
devemos subestimar a inteligência das crianças. O texto deve falar à área da
criação, da interpretação, ser interessante e agradar. Quando é pueril,
ingênuo ou tolo, o texto torna a leitura cansativa. A história sem expressão
não atrai a atenção da criança, que acaba rejeitando-o por justamente ser
limitado e não estimular a imaginação. Geralmente, esse tipo detexto vem
pronto e não permite à criança interpretar, fantasiar e sonhar. Assim, perde-
se o valor artístico com o empobrecimento da matéria literária.
É imprescindível esclarecer o futuro professor sobre os critérios de como avaliar o
texto literário. Segundo Imperial (2018), ao analisar o texto, o professor deve procurar
todas as possíveis relações entre a escritura literária e o universo criado por ela, ou
seja, a obra em seu todo. Deve procurar também as relações entre a obra e seu
momento histórico, social, político, econômico e cultural a �m de tentar descobrir em
que medida a obra difere ou não dos esquemas consagrados em seu tempo social,
histórico e cultural.
70
De acordo com Coelho (1982 apud IMPERIAL, 2018) essa análise deve se fundamentar
em uma série de perguntas, tais como:
a) O que a obra transmite? Qual seu enredo, assunto, trama?
b) Como isso é expresso em escritura literária? Quais os recursos de linguagem ou de
estrutura escolhidos pelo autor? Qual a intenção que predomina nessa escolha: a
estética ou a ética? A primeira dá ênfase ao fazer literário; a segunda, aos padrões de
comportamento.
c) Qual a consciência de mundo ali presente ou latente? (oculto; disfarçado;
subentendido). Há ou não coerência orgânica na construção da obra? Entre estilo,
recursos expressivos, problemática e consciência de mundo? É essa organicidade que
lhe dá o valor de obra literária.
d) Qual a intencionalidade do autor que pode ser percebida na obra? Qual seria sua
�nalidade em relação ao leitor? Divertir, instruir, educar, emocionar, conscientizar?
As indagações levantadas sobre a análise da obra literária ajudam muito no momento
da avaliação; é um caminho para o futuro professor poder realizar uma leitura mais
detida, menos ingênua que o levará a perceber melhor o texto, suas ideias e
intenções em relação ao seu discurso literário (a forma) e todo o “jogo” de construção
que envolve esses elementos para resultá-lo num texto arte. Esses aspectos são
71
fundamentais para uma leitura crítica e para levar o leitor a encontrar o “belo” na obra
literária, o seu valor estético, princípio básico da Arte (IMPERIAL, 2018, recurso
eletrônico).
É importante salientar que a adequação entre consciência de mundo, implícita na
intencionalidade da obra, e a natureza do discurso literário, a linguagem que dá corpo
à consciência de mundo, que nos permite conhecer o grau de criatividade que dá à
obra o seu maior ou menor valor literário. O professor deve analisar a obra literária
como um todo, considerando à qual faixa etária é mais adequada e de acordo com os
valores que veicula, pois a criança é ainda um leitor intelectualmente imaturo. Por
meio desse processo, o professor deve cultivar na criança o espírito crítico-re�exivo
(IMPERIAL, 2018).
Acesse o link: Disponível aqui
Os livros infantis estão entre os materiais mais usados em sala de aula na
Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Básico. E por uma razão
importante: eles podem compor um universo de temas que o professor
quer trabalhar com as crianças e ampliar seu vocabulário e compreensão.
72
https://novaescola.org.br/conteudo/11657/livros-infantis-que-disparam-boas-conversas-em-sala-de-aula
Como Avaliar a Imagem da
Obra Literária Infantil
É comum que um texto para pequenos leitores venha acompanhado de imagens, pois
eles ainda não sabem ler a palavra. A imagem é um símbolo complexo, e depende de
um aprendizado para a relação convencionalmente estabelecida entre a palavra e o
ser a que se refere (IMPERIAL, 2018) para só depois dessa aquisição ser desenvolvido
o gosto pela futura leitura e o prazer pelas histórias que são lidas para elas. Nessa
fase, a ilustração enquanto arte é um recurso essencial.
Sobre o assunto, Imperial explica que
A ilustração possibilita à criança mergulhar no universo encantado
da literatura infantil; por isso é grande a responsabilidade do
ilustrador, do editor e mesmo do professor ao escolher um livro às
crianças que não construíram ainda seu processo de leitura e escrita.
O livro de literatura infantil, quando escrito e ilustrado com arte, é o
encontro de pelo menos dois artistas, que propiciam à criança o
prazer por ler a imagem e contar sua história (2018, recurso
eletrônico).
73
Livro-brinquedo
Fonte: Disponível aqui
Vê-se, então, que a ilustração de um livro só tem validade se houver valor artístico,
pois só assim inscreve-se no plano conotativo e possibilita às crianças o
desenvolvimento da imaginação, da fantasia e da criação.
Ademais, segundo Angelini (1991 apud IMPERIAL, 2018), ilustrar não signi�ca apenas
desenhar e pintar com perfeição, reproduzindo o texto, mas sim, fazer com que o
destaque seja o valor artístico da técnica a ser utilizada: desenho, pintura, colagem,
etc. Ao ilustrar, é essencial saber utilizar criativamente as cores e formas, pois a
imagem deve despertar a imaginação e não deve reproduzir o texto escrito nem se
distanciar da história, pois aí a criança não terá chance de imaginar.
Tanto a ilustração quanto o texto com valor artístico devem despertar a sensibilidade
e fomentar na criança o gosto estético, dando a ela a possibilidade de se soltar no
mundo da fantasia. Ao professor, cabe conhecer os aspectos que comprometem a
ilustração artística na literatura infantil. Vamos adentrar esse conhecimento? Para
tanto, recorramos a Imperial:
A ilustração estereotipada não oferece à criança leitora nenhuma possibilidade de
imaginar, pois não apresenta inovação, e acaba tornando-se muito simples.
Geralmente, nesse tipo de ilustração, a intenção é reproduzir o texto ou apenas se
74
http://www.ceale.fae.ufmg.br/pages/view/o-livro-brinquedo-na-formacao-de-pequenos-leitores.html
Fonte: Disponível aqui
Para crianças bem pequenas, nos livros em que prevalece a ilustração, o
texto deve ser curto e levá-las ao encontro das imagens. Nessa fase, pode-se
apresentar à criança os livros-vivos (nomenclatura usada na França) ou
livros-brinquedo, facilmente encontrados hoje em dia. Esses livros têm apelo
visual e as imagens são ferramentas e mediadores que entram no universo
lúdico da criança, possibilitando à criança ter prazer com o texto. Os livros-
vivos também são estratégias para atingir as crianças não leitoras, pois
possuem diferentes texturas, formatos e sons que propõem uma interação
maior com a criança, que se identi�cam com os jogos.
apoiar no colorido para chamar a atenção. Ainda há aquelas ilustrações que se 
distanciam do texto e outras que o traduzem. Ambas as propostas estão equivocadas por não 
apresentarem nada de criativo ou sugestivo à criança (2018, recurso de eletrônico).
Outro aspecto a ser analisado é o exagero de detalhes, pois, de acordo com Cunha 
(2004), é um pensamento errôneo de algumas edições infantis que o número de 
elementos e a superposição de detalhes sejam dados como positivos com relação à 
criança. Dessa forma, muitas vezes, “a ilustração perde a unidade, desintegra o texto, 
torna-se um amontoado de mau gosto”. Exemplo disso são os livros que a 
apresentam desenhos traduzindo as palavras da história.
75
Os álbuns de �guras ou os livros de imagens estimulam a percepção visual e motriz
das crianças, atendendo às necessidades básicas da primeira infância. Esses livros
podem ser confeccionados com pano, plástico, papel grosso entre outros materiais
que a criatividade permitir. Nessa fase, as crianças ao mesmo tempo descobrem as
formas concretas do mundo e dos seres que a rodeiam, além de também começarem
a conquistar a linguagem.
Para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, ainda é interessante
predominar a ilustração, e o texto deve ser curto e com letras grandes, assim como o
álbum de �guras. Já para crianças que desenvolveram sua leitura, é importante
reduzir as ilustrações e pôr em evidência o texto escrito. E para crianças entre a faixa
etária de nove e dez anos, que já são leitoras, os livros podem conter imagens; porém,
é essencial que sejam incentivadas a ler livros sem imagem.
A respeito da leitura, se o texto for interessantee o livro tiver uma diagramação
cuidada, não pesará à criança. Se por acaso pesar, devemos tomar o fato como um
alerta: Será que essa criança não foi exageradamente poupada por meio de leituras
muito fáceis e excessivamente cheias de gravuras? Nessa fase, o excesso de
ilustrações é sinal do quanto subestimamos a criança, não a considerando capaz de
qualquer esforço intelectual (CUNHA, 1999).
76
Sobre paginação e diagramação, Imperial (2018) fala que a relação texto-imagem-
espaço é que vai dar ao livro momentos especiais, marcar diferentes sentimentos que
se queira sugerir, tais como suspense, expectativa e surpresas, momentos cruciais e
envolventes à história. Ainda existem outros elementos que também são essenciais
como o tipo de papel, o tipo de capa e a forma de acabamento do livro. Esses
aspectos são determinantes a qualidade artística do livro – bem como o seu custo.
São muitos os aspectos que o professor deve avaliar para a indicação de um
bom livro na literatura infantil. Cabe a eles ampliarem sua visão frente ao
universo da Literatura Infantil enquanto arte. É essencial conhecer os
aspectos relevantes, tais como: as ilustrações dos livros infantis devem ser
reduzidas, à medida que as crianças evoluem na leitura; a ilustração nasce
da leitura que um artista fez de outro artista, o escritor; a ilustração artística
deve ser conotativa. Consideremos que para as crianças pequenas, é
necessário prevalecer a ilustração no livro, cujo objetivo é desenvolver seu
interesse pela leitura. Já para as crianças que começaram a ler, ainda deve
predominar a imagem; a ilustração no campo da literatura infantil só é válida
se for artística; e por �m, à medida que a criança evolui na leitura, as
ilustrações vão se reduzindo.
77
09
Literatura Infantil 
e as Narrativas
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Caros alunos,
O trabalho com a Literatura Infantil no âmbito da escola deve levar em conta os
diferentes gêneros de textos escritos para crianças, porque o modo como se
con�guram requer um trabalho diferenciado (PANTOJA, on-line)
Assim, veremos os tipos e estruturas das narrativas da Literatura Infantil, um
conhecimento necessário para o bom desenvolvimento da prática pedagógica ao se
trabalhar as narrativas em sala de aula.
Os Gêneros da Literatura
Infantil: Narrativa
As narrativas se apresentam numa variedade de tipos, e cabe ao professor conhecer
sua construção especí�ca para que as propostas de atividades e de avaliações
possam estar adequadas à concepção do texto literário escolhido. Pensando no
desenvolvimento dessa competência docente, trataremos a seguir de alguns desses
modos de narrar e das formas literárias que eles originam.
Para abordar esse assunto, vamos focar na estrutura desses textos de acordo com
Costa (2007).
Estrutura: em relação à estrutura organizacional dos textos literários, os gêneros
textuais identi�cados na literatura infantil de uso frequente na escola são: mito, lenda,
fábula, apólogo, conto, novela e a crônica. A Literatura Infantil oferecida às crianças na
escola se apoia nessa tipologia de textos, seja para trabalhar com obras tradicionais
ou para fazê-lo com obras recentes e renovadas. A estrutura das narrativas propõe
uma leitura diferenciada, porque também se apresenta de modos diferentes ao leitor.
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Escolher um conto ou uma fábula a ser lido ou oferecido aos alunos depende das
intenções aplicadas, considerando as formas de construção do texto, as referências
explícitas ou implícitas a outros textos do mesmo formato, as personagens que se
expressam ou agem de maneira prevista ou imprevisível e a retomada parcial da
forma tradicional ou sua rejeição (COSTA, 2007).
Um exemplo é a relação entre a Literatura Infantil tradicional e a contemporânea: a
retomada do conto tradicional, que se apresenta de forma renovada. Para ilustrar
esse exemplo, utilizamos a sugestão oferecida por Costa (2007) sobre a história da
Chapeuzinho Vermelho, que deu origem à obra Chapeuzinho Amarelo, de Chico
Buarque de Holanda.  Ao comparar os dois textos, veri�ca-se que houve alteração na
concepção da protagonista “Chapeuzinho”, que foi transformada por Chico Buarque
em menina medrosa, que tem medo de tudo, inclusive de lobos. Vê-se também a
transformação da palavra “lobo” em “bolo”, que implica a renomeação do animal e,
portanto, outra perspectiva dele, quando a menina é capaz de superar o medo e
pode, por artes de transformações posteriores, eliminar de sua vida o temor de
muitos monstros, normalizando suas relações com o mundo e consigo mesma
(COSTA, 2007).
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“Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque, tem ilustrações de Ziraldo
Acesse o link: Disponível aqui
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Chapeuzinho Amarelo conta a história de uma garotinha amarela de
medo. Tinha medo de tudo, até do medo de ter medo. Era tão medrosa que
já não se divertia, não brincava, não dormia, não comia.
Quer aprender uma atividade de leitura com Chapeuzinho Amarelo para a
educação infantil?
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https://www.youtube.com/watch?v=7PUkO082QZA
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=54762
Acesse o link: Disponível aqui
Para orientar melhor o futuro professor em seu trabalho com a tipologia narrativa,
apresentamos a seguir, com base em Costa (2007), uma rápida descrição de suas
diferentes estruturas textuais: 
Mito
Na literatura infantil, o mito, entre suas várias de�nições, está mais intensamente
ligado à característica de uma narrativa atemporal que procura explicar a origem de
seres e coisas, de forma não racional, lógica e histórica, mas na unidade originária da
consciência e do mundo. Nesse tipo de texto, há uma fusão que não se desenlaça
entre o visível e o invisível, o natural e o sobrenatural para explicar a origem de tudo
em nosso mundo.   Explicam, por exemplo, o surgimento de algumas tribos ou a
origem das estrelas e das características de alguns animais. Porém, quando tratam do
surgimento de plantas, acidentes geográ�cos e alimentos, são denominados contos
etiológicos, como, por exemplo, a narrativa sobre o aparecimento do guaraná e das
Cataratas do Rio Iguaçu, no Paraná.
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https://www.lendas-do-parana.noradar.com/lenda-das-cataratas-do-iguacu/
Fonte: Disponível aqui
Lenda
A lenda tem uma base histórica, um fato pertencente a um acontecimento ou pessoa
de um tempo histórico determinado, que aparece transformado, de maneira
idealizada e exagerada, numa narrativa posterior. Muitas vezes, a lenda é de criação
coletiva do povo. Esse tipo história tem como consequência um desenvolvimento
oral e aparece com muitas versões próximas, porém diferentes. É o caso da lenda do
Negrinho do Pastoreio, de histórias de santos ou de heróis de um país. O fator
idealização é essencial para a transformação da história em lenda. Ela terá sempre o
componente histórico para lhe dar subsídio e credibilidade.
Fábula
Esse é o mais conhecido dos textos que circulam no âmbito escola. Contribuem para
esse conhecimento a extensão, pois é um texto curto, suas personagens são animais
falantes na maioria, há o tratamento dialógico, ou seja, as personagens dialogam ao
longo do texto, permitindo pontos de vista diferentes. Existe uma moral explícita (por
algumas vezes, implícita) no início ou no �nal da narrativa, que evita contradições,
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Negrinho_do_Pastoreio#/media/Ficheiro:Negrinhodopastoreio.jpg
A Cigarra e a Formiga, fábula de Esopo
Fonte: Disponível aqui
Acesse o link: Disponível aqui
facilita e condiciona a compreensão do que foi lido. A melhor de�nição de fábula é
que é protagonizada por animais irracionais falantes, cujo comportamento deixa
transparecer uma alusão, via de regra, satírica ou pedagógica, aos seres humanos.
Por vezes, as narrativas contemporâneas com personagens animais, e que são
escritas especialmente para o trabalho desenvolvido na escola, preservam as
características das narrativas tradicionais, existentes desde antigas civilizações, como
a indiana, a grega e a latina.
Apólogo
Essa estrutura textual literária mantém semelhanças com a fábula, porquetem
personagens não humanos, dramatização no diálogo e moral, implícita ou explícita. A
diferença marcante é que os personagens são objetos inanimados, como plantas,
pedras, rios e objetos fabricados, como relógios, agulhas, linha. Ouça um podcast
sobre “A Agulha e a Linha”, apólogo de Machado de Assis:
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Esopo#/media/Ficheiro:The_Ant_and_the_Grasshopper_-_Project_Gutenberg_etext_19994.jpg
https://independente.com.br/a-agulha-e-a-linha-de-machado-de-assis-a-soma-de-contribuicoes-possibilita-uma-vida-mais-plena/
Conto
O conto é uma narrativa curta e sintética que contém uma única ação, isto é, trata de
apenas um conjunto restrito de personagens, em tempo e espaço reduzidos, que
vivem poucos acontecimentos.  Esse tipo de texto serve à Literatura Infantil, pois está
adequada a pouca experiência de leitura, à di�culdade de a criança acompanhar
enredos mais complexos, com histórias paralelas e muitos personagens. Também
pela di�culdade em seguir um tempo mais estendido, o conto mantém-se num tempo
de ação mais condensado.   Dentro do nome genérico de conto vários tipos,
classi�cados segundo os assuntos tratados ou por abordagem dos fatos. Assim, é
possível englobar sob o título de contos maravilhosos, as narrativas com ou sem
fadas, que apresentem uma visão mágica da realidade (com objetos, animais e
acontecimentos fora da realidade e transformáveis).
Outro grupo é formado pelos chamados contos do cotidiano, que são constituídos
por personagens crianças, com protagonistas solitários ou em grupos, vivendo
con�itos na rua, na escola ou em família. Ainda há os grupos que podem ser
constituídos pelas denominações contos que contenham enigmas, ou contos de
aventuras, ou narrativas sobre aprendizagem, ou sobre ecologia, ou sobre problemas
sociais (como a inclusão, por exemplo). En�m, o conto é uma forma literária que
atende à capacidade de atenção, à experiência de vida, às expectativas e à visão de
mundo das crianças, entendidas como leitores em formação.
Crônica
A crônica é outro texto narrativo curto, que trata de assuntos do cotidiano, com senso
de observação e tratamento lírico. Traz para o leitor uma proposta de identi�cação,
emoção e poesia. É considerada por alguns historiadores e críticos literários como um
gênero menor principalmente por ser marcado pelo tempo presente e, portanto,
com envelhecimento previsível. Provoca, no entanto, adesão imediata com o leitor.
Daí a preferência dada à crônica pela escola de ensino fundamental, mas pode ser
ricamente apresentada às crianças pequenas da educação infantil também.
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Novela
Esse tipo de texto é organizado segundo o princípio da multiplicidade, ou seja,
apresenta possibilidade de várias ações simultâneas, com um grande número de
personagens e com um desenvolvimento linear da narrativa (começo, meio e �m), o
que permite ao leitor manter melhor contato com a história narrada. Prevalece, ainda,
certo caráter de repetição e previsibilidade na sequência dos acontecimentos. A
atenção ainda se mantém apesar da extensão mais longa do texto, graças ao trabalho
em torno de momentos de suspense em suas histórias.
A palavra “narrativa” é comumente utilizada como sinônimo de “história”, ou
seja, um relato de ações envolvendo seres humanos ou outros seres ou
objetos humanizados. Academicamente, o termo “narrativa” geralmente diz
respeito à estrutura, ao conhecimento e às capacidades necessárias para a
construção de uma história. As histórias são caracterizadas por um
argumento envolvendo personagens, um princípio, um meio e um �m, e
uma sequência organizada de acontecimentos (COSTA, 2007).
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Literatura Infantil 
e as Escolas
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Caro aluno,
Ao falarmos em Literatura Infantil, logo pensarmos em escola. Talvez porque a
maioria das pessoas não tem o hábito de ler e sempre viu esse ato como obrigatório
 ligado à atividade escolar. Realmente, a literatura tem papel fundamental dentro da
escola, mas não está apenas atrelada ao conteúdo de forma didática, como já vimos
em aulas anteriores.
Desde a sua origem, a Literatura Infantil instiga uma re�exão que procura de�nir sua
condição nas artes em geral. Porém, esse gênero por ter uma especi�cidade, acaba
destoando de outras formas de manifestação artística, devido à caracterização do
adjetivo “infantil”, além de sua estreita ligação com o universo escolar.
Existe, porém, a preocupação em rea�rmar a condição artística da obra literária e
levantar uma re�exão acerca da apropriação que a escola faz da mesma (BARROS,
2013). Apesar desse apontamento, não podemos desconsiderar a importância das
funções pedagógicas da Literatura Infantil e da escola como instituição de formação
de leitores.
São múltiplos os fatores que contribuem para que a Literatura Infantil se faça cada
vez mais presente em nossas escolas: o crescente desenvolvimento editorial da
produção voltada para esse segmento; a qualidade das obras produzidas por
escritores e escritoras brasileiros (reconhecida mundialmente); as políticas públicas
preocupadas com a formação do leitor; a divulgação de títulos e autores brasileiros
por organismos públicos e privados; as recomendações explícitas dos PCNs –
Parâmetros curriculares Nacionais – para o desenvolvimento de práticas de leitura em
todos os níveis de ensino; o empenho de inúmeros educadores em levar a leitura
literária para as suas práticas docentes e principalmente o fato de a instituição escolar
cumprir a função de democratizar o livro, num país de poucas bibliotecas e de
praticamente inexistente compra de livros em livrarias por esse segmento da
população que frequenta a escola pública. (Paiva; Rodrigues, 2009, p.103):
A Literatura Infantil é arte, e por isso deve ser apreciada e corresponder às
expectativas da criança, proporcionando a ela a experiência estética e o
desenvolvimento da imaginação e fantasia infantil (BARROS, 2013). É por meio da
Literatura Infantil que a criança desperta uma relação com diferentes sentimentos e
percepções de mundo, implicando condições para o desenvolvimento intelectual e a
formação de princípios individuais para conhecer os próprios sentimentos e ações,
oportunizando assim a educação da sensibilidade.
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E quando falamos em escola, logo nos remetemos ao pensamento da maioria das
pessoas: de que a formação de alunos leitores é considerada a principal atividade
desenvolvida no âmbito escolar. É fundamental, sim, saber ler e compreender o que
se lê, pois grande parte das informações que precisamos aprender se dá por meio da
leitura. “Ler é uma atividade extremamente complexa e envolve além da
decodi�cação, contextos culturais, ideológicos, �losó�cos” (Cagliari, 2009 apud
BARROS, 2013, p. 21).
No ato de ler, o leitor ativa a memória, associa fatos e experiências e pode entrar em
con�ito com seus próprios valores. A leitura nos possibilita o contato com ideias e
culturas diferentes, enquanto a Literatura Infantil permite a diversão, estimula a
imaginação, desenvolve o raciocínio e leva à criança a compreender o mundo no qual
está inserida. A Literatura Infantil é uma manifestação de sentimentos e emoções em
palavras, que conduz a criança ao desenvolvimento intelectual e de sua
personalidade, satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica
(BARROS, 2013).
A Literatura Infantil também tem importância como parte integrante do processo de
alfabetização, pois unindo literatura e alfabetização, a criança entra em contato com o
mundo letrado e além de ampliar seu vocabulário, adquire e constrói conhecimentos,
mas também exercita seu imaginário. Sendo assim, a Literatura Infantil é
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indispensável na escola, pois é um meio necessário para que a criança compreenda o
que acontece ao seu redor e é capaz de interpretar diferentes situações e escolher
caminhos com os quais se identi�ca (BARROS, 2013).
No entanto, muitos professores desconhecem o tamanho da importância da
Literatura Infantil, reduz a sua prática pedagógica e acaba utilizando textos
repetitivos, com exercícios dirigidos e mecânicos, sem espaçopara a re�exão sobre si
e sobre o mundo.
Acesse o link: Disponível aqui
Atualmente, um dos grandes desa�os enfrentados na área da educação
infantil é o de conseguir adaptar à sala de aula uma prática pedagógica que
atenda às necessidades das crianças que já estão “vivendo” o processo de
aquisição de leitura e escrita. Discutindo sobre esse processo, e também a
respeito da relevância do papel que cumpre a Literatura Infantil, tenta-se
atenuar as soluções para a questão, levantando algumas sugestões práticas
que se baseiam nas correlações encontradas.
É necessário que, dentro das escolas, o professor se desa�e e crie situações que
permitem ao aluno desenvolver sua forma crítica de pensar, e cabe ao professor e à
escola de modo geral estimular e desenvolver o gosto pela leitura – e isso pode ser
feito de maneira lúdica. Por que não? Para tanto, é imprescindível criar no ambiente
escolar um clima favorável à leitura, pois quando se lê por imposição, o aluno apenas
exerce uma função mecânica e engessada que prejudica o real valor da literatura
como obra literária e, consequentemente, a formação desse aluno como leitor, já que
ele só lê porque a professora mandou.
Sobre isso, Zilberman (1987, p.16) diz que:
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https://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9799.pdf
[...] a sala de aula é um espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela
leitura, assim como um campo importante para o intercâmbio da cultura literária, não
podendo ser ignorada, muito menos desmentida sua utilidade. Por isso, o educador
deve adotar uma postura criativa que estimule o desenvolvimento integral da criança.
Outra importância da Literatura Infantil no âmbito escolar deve-se ao fornecimento
de condições que propicia à criança em formação integral (BARROS, 2013), uma vez
que essa literatura é um elemento que representa o mundo e a vida por meio das
palavras, entrelaçando vivências, criatividade, prazer e aprendizagem. Considerando
que, para muitos, a escola tem como principal função o ensino da leitura e da escrita,
o professor desempenha um papel fundamental dentro desse processo e deve ser
parceiro, mediador e articulador de muitas e diferentes leituras (BARROS, 2013).
Assim, proporciona-se a aprendizagem tendo a Literatura infantil como aliada e com o
objetivo de promover a alfabetização utilizando-se das ricas possibilidades oferecidas
pela Literatura Infantil, de forma lúdica e signi�cativa para os alunos, aguçando o
prazer de ouvir, ver, ler e contar. Ao ouvir ou ler histórias, entramos em um mundo
encantador, interessante e curioso que nos diverte e ensina, numa relação lúdica e
prazerosa.
Infelizmente, grande parte das crianças só tem o primeiro contato com a Literatura
Infantil quando chega à escola, seja por questões sociais ou culturais. Porém, somente
o acesso às obras literárias por si só não garante condições da criança ter um o
desenvolvimento que a Literatura Infantil permite. Para que haja êxito no processo de
formação integral do aluno, é necessário que o professor tenha clareza de suas
estratégias ao utilizar a Literatura Infantil em sala de aula, de forma que venha
despertar questionamentos e promover a construção de novos signi�cados no ato de
ler.
Diante disso, é importante destacar que, de acordo com as Diretrizes Curriculares de
Língua Portuguesa para a Educação Básica:
O leitor constrói e não apenas recebe um signi�cado global para o texto: ele procura
pistas formais, formula e reformula hipóteses, aceita ou rejeita conclusões, usa
estratégias baseadas no seu conhecimento linguístico e na sua vivência sociocultural,
seu conhecimento de mundo. (BRASIL, 1997, p.26)
Portanto, para que a prática pedagógica aliada à Literatura Infantil seja capaz de
formar o leitor independente, é necessário adotar estratégias que venham ao
encontro dessa necessidade formadora, colocando o aluno frente a diversas
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experiências de leitura, o que implica propiciar o contato com os mais variados
gêneros textuais.
O aluno deve pertencer ao mundo literário e vivenciar experiências estéticas, além de
encontrar a função social da literatura infantil. Assim, é de extrema importância que a
escola aborde a função social da literatura como uma possibilidade de “ler o mundo”,
contribuindo para a formação de leitores críticos, capazes de articular a leitura de
mundo à leitura produzida nos espaços escolares (ABRAMOVICH apud BARROS, 2013,
p. 24).
En�m, sabemos que não é fácil atrelar literatura, leitura e escola, “mas é preciso
repensar a concepção de leitura que norteia a prática pedagógica, bem como
reavaliar a noção de literatura apresentada para as crianças pelos professores em
atividades desenvolvidas em sala de aula” (BARROS, 2013, p. 24).
Sabe-se que a literatura é um processo de contínuo prazer, que ajuda na
formação de um ser pensante, autônomo, sensível e crítico que, ao entrar
nesse processo prazeroso, se delicia com histórias e textos diversos,
contribuindo assim para a construção do conhecimento e suscitando o
imaginário. A preservação das relações entre a literatura e a escola, ou o uso
dos livros em sala de aula compartilham um aspecto comum: a natureza
formativa, porém com o cuidado de manter o foco da obra literária como
arte expressiva preservando sua qualidade estética.
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Literatura Infantil 
e Escolarização
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Caro aluno,
Atualmente, um tema muito debatido por diversos autores é a escolarização da
literatura infantil. Há aqueles que, como Soares (2011), defendem a posição de que
não há como existir a escola sem ter escolarização de conhecimentos, saberes e artes,
assim, é fundamental que professores, desde o início da escolarização, incorporem na
prática de formação de leitores duas perspectivas de análise, quando abordar as
relações entre o processo de escolarização e a Literatura Infantil.
Numa primeira perspectiva, podemos interpretar as relações entre escolarização, de
um lado e literatura infantil, de outro, como sendo a apropriação, pela escola, dessa
última. Dessa forma, analisa-se o processo pelo qual toma para si a literatura infantil e
a escolariza, “didatiza” e “pedagogiza” os livros de literatura infantil.
Na segunda perspectiva, sob a qual podem ser consideradas as relações entre
escolarização e literatura Infantil, é interpretar essas relações a partir do ponto de
vista de que existe a produção, para a escola, de uma literatura destinada às crianças.
Aqui, analisa-se o processo pelo qual uma literatura é produzida para a escola, para
os objetivos da escola, para ser consumida na escola e pela clientela escolar
buscando-se literalizar a escolarização infantil (SOARES, 2011).
Ambas as perspectivas reforçam a questão polêmica e nos faz re�etir sobre as nossas
crianças, pois são elas que vão determinar a contribuição desse tipo de texto para o
processo de alfabetização e iniciação de um processo de leitura literária, com chances
de durar para além do processo de escolarização.
Desde o início de sua escolarização, a criança tem contato com o texto literário,
mesmo sendo em de materiais didáticos (livros ou apostilas), mas esse contato nem
sempre ocorre por meio de mediação e�caz, e também não possibilita de fato o
contato da criança com os livros e histórias infantis.
Essa fragmentação dos textos literários apresentados tão comumente aos alunos
como pseudotextos, às vezes até mesmo começando pela metade, outras com seu
�nal alterado ou ignorado, ainda outras vezes com recortes feitos no corpo do texto
para ser adequado ao espaço do livro didático, ou o objetivo é trabalhar questões
delimitadas do texto. Ainda, muitas vezes, ao ser transferido para o livro didático, o
texto literário acaba por se des�gurar perdendo a programação visual e as ilustrações
do livro originalmente concebido e publicado.
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A Leitura Literária nos Livros
Didáticos
A respeito da escolarização da literatura infantil, cabem re�exões acerca da leitura
literária nos livros didáticos, que têm chamado a atenção para problemas complexos
e que acarretam implicações na formação da criança enquanto leitora.A utilização
pelo livro didático de fragmentos de textos, sempre dos mesmos autores, e muitas
vezes descontextualizados, com coerência e coesão comprometidas, contudo, inclui-
se nessa discussão, a articulação que os livros didáticos promovem, são aspectos que
descaracterizam a história e a deixam sem sentido, sem signi�cados expressivos para
a criança.
Na realidade, é importante, na leitura literária, a tentativa de não se negligenciar o
pacto �ccional que o jogo da linguagem e do imaginário estabelece com os leitores e
que somente a eles caberá a decisão de instaurar ou de ignorar, no seu
comportamento participativo. É importante não tratar esses textos literários como
informativos ou instrucionais, cobrando respostas objetivas e fechadas, textos
essencialmente subjetivos e abertos como os literários.
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[...] um enfoque historiográfico, centrado nas características dos
estilos de época e nos elementos estruturais da composição (foco
narrativo, caracterização de personagem, ritmo e rima na poesia). As
principais habilidades trabalhadas são as localizações de
informações e as paráfrases. Com relação à exploração estilística e
estética, muitas vezes as propostas limitam as possibilidades de
experimentação pelo leitor, quando, por exemplo, solicitam do aluno
(...) ora apenas identificar as intenções do autor (...) ora utilizar
poemas exclusivamente para estudo de conteúdos gramaticais (...),
ora passar do sentido conotativo para o sentido denotativo, o que é
questionável. (MEC, 2001, pp. 56, 79, 90, 116).
Ao utilizar textos literários na prática pedagógica, o ideal é primeiramente que sejam
textos completos e que se tenha possibilidade de manuseio do livro pelas crianças, e
após a leitura, mediar a exploração oral desse texto a partir um conjunto de
perguntas que exigem a reunião de várias informações para serem respondidas.
Partindo de propostas como essa, em vez de considerar a literatura
como uma produção exclusivamente linguística, consideram-na, por
sua característica distintiva, enquanto gênero textual, uma produção
artística, aberta e de pluralidade significativa, cuja constituição
estética dependerá grandemente das características diferenciadas
dos leitores, em função das experiências prévias vividas por cada
uma das crianças, dos textos, das artes de que usufruiu e acumulou
nas suas oportunidades do letramento literário, para colocar na roda
das intertextualidades. (CARVALHO E MENDONÇA, 2006, p. 117).
Isso é possível porque, conforme Gumbrecht (1988 apud CARVALHO E MENDONÇA,
2006), na ação existente entre o autor e ação o leitor, como condições históricas para
a formação de signi�cados, há, realmente, a possibilidade da produção de diferentes
signi�cados em virtude de um trabalho deliberado, que cria as convergências do texto
para diferentes disposições receptivas. Essas convergências se constituem de vazios
deliberados, que foram deixados pelo autor, com o intuito que cada leitor possa
preenchê-los a partir da sua própria experiência de vida. Temos aqui, então, as
recepções diferenciadas de leitores plurais.
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Diante dessa perspectiva, dizemos que não há livros bons e ruins para todos, pois
nem todos compartilham dos mesmos critérios de avaliação; pois esse julgamento
dependerá das experiências vividas por cada uma. Pode-se pensar assim, que as
leituras são diferentes e não piores ou melhores.
No contexto da escola, ainda se acrescenta outra atitude, que é reforçada pelo livro
didático e principalmente pelo mercado editorial, que procura amenizar os problemas
da relação literatura escolar: a adoção dos paradidáticos, por meio dos quais a
escola se sente à vontade para fazer cobranças objetivas e didaticamente
referenciadas dos textos, certamente porque não são essencialmente literários
(CARVALHO E MENDONÇA, 2006).
Acesse o link: Disponível aqui
A Literatura Infantil pode ser vista como uma porta de entrada para o
universo maravilhoso da leitura. Para entendermos bem a importância
dessa literatura na formação do ser humano, faz-se fundamental olhar para
a variedade de textos que a compõem: fábulas, contos de fadas, contos
maravilhosos, mitos, lendas, adaptações de grandes clássicos da literatura
mundial, parlendas, trava-línguas, adivinhas, além de textos autorais
narrativos e poéticos. Temos, assim, um rico material repleto de histórias,
memórias, diversidade cultural, fantasia, encantamento e valores humanos.
Zilberman (2003) diz que a principal aproximação da escola com a literatura está na
sua natureza formativa, pois ambas voltam-se à formação do indivíduo. A
escolarização, ou seja, a apropriação da leitura literária pela escola é inevitável,
pois ela sistematiza o saber. Então, a escolarização adequada seria aquela que
conduzisse às práticas de leitura literária que ocorrem no contexto social e às atitudes
e valores próprios do ideal de leitor que se quer formar. Ou seja, no ato de seleção de
livros literários ter, como princípio norteador, o tipo de cidadão que deseja formar.
Porém, a escola transforma a Literatura Infantil numa leitura didatizada e
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http://www.basenacionalcomum.mec.gov.br/
pedagogizada para facilitar o ensino de conteúdos e conceitos. Esse fato é facilmente
observado em livros didáticos e apostilas, que deixam de ser unicamente Literatura
Infantil e passam a ser literatura escolarizada.
Dentre as instâncias de escolarização da literatura no ambiente escolar, destaca-se a
biblioteca (SOARES, 2006 apud CLAUDIO, 2015), espaço onde ocorrem a leitura de
livros e o estudo de textos. Nesse espaço, a estratégia utilizada é de que maneira o
estabelecimento escolar organiza o acesso à literatura. É o professor quem delimita a
duração das visitas a esse espaço, quando os alunos podem buscar livros e por
quanto tempo podem emprestar. “Outra estratégia é se há uma seleção das obras, ou
se o acesso é livre, e há até mesmo considerações sobre como os alunos devem ler:
em silêncio, sentados, com postura correta” (CLAUDIO, 2015, p. 23).
Outra forma escolarizada de Literatura Infantil é a leitura de livros sugeridos pelo
professor. Isso atribui à leitura um caráter de tarefa, e não de ler por prazer. Nesse
tipo de atividade, a leitura que foi realizada pelo aluno sempre deve ser comprovada
de alguma forma, seja por meio de seminários, preenchimento de �chas ou outros
tipos de avaliação que tornam a leitura uma atividade a ser realizada, podendo
provocar até o efeito contrário de aversão. Daí a importância de a literatura ser
apresentada à criança desde cedo como algo prazeroso e não uma obrigatoriedade.
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Quanto à biblioteca da escola, não dê a ela somente um caráter de lugar
onde se guarda os livros, mas utilize-a como um lugar mágico repleto de
possibilidades ao ler, ouvir ou contar histórias. Na prática pedagógica,
ofereça e estimule o contato das crianças com os livros, utilizando-os em
várias oportunidades e espaços da escola. No desenvolvimento do gosto
pela leitura, também cabe a nós, educadores, criar o espaço e tempo
necessários para a formação de nossos alunos.
Dentro dos muros da escola, a Literatura Infantil deve ser apresentada à criança como
algo prazeroso que possibilita vários conhecimentos, inclusive de si mesma, ao longo
de uma vida. Pois, a partir do momento que a escolarizamos, damos à Literatura
Infantil um caráter didático intermediado pelos livros e apostilas com textos
fragmentados, que devem ser lidos e comprovados. Assim, a criança perde a magia,
que seria a aliada no desenvolvimento do gosto pela leitura.
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Literatura Infantil e 
Linguagem Oral
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O Homem e a Linguagem
Por ser racional, o homem possui a capacidade de transmitir verbalmente suas ideias,
emoções, valores e culturas por meio da linguagem oral, do gestual e da escrita como
forma de interação com o meio social no qual está inserido.
A linguagem escrita tornou-se um bem social essencial ao homem, e sendo o signo
da educação, alcança um valor social muitas vezes superior à oralidade e servindo
como forma de discriminação. Porém, a linguagem oral éadquirida e internalizada de
forma natural em contextos informais, no dia a dia, inicialmente, na interação com a
mãe e demais familiares, no convívio social com diversas pessoas e situações,
enquanto a escrita é adquirida formalmente, através das instituições de ensino
(MESSIAS, 2012).
Tanto a linguagem oral quanto a escrita são essenciais para a sociedade. Portanto,
proponho aqui que façamos uma re�exão sobre a importância da oralidade e sobre
como a literatura infantil pode auxiliar em sua aquisição, já que nós somos seres
sociais e orais. Toda nossa cultura e conhecimento são transmitidos, de geração para
geração, por meio da linguagem (considerando todas as linguagens humanas).
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Acesse o link: Disponível aqui
A Literatura Infantil é um assunto bastante sério e muito discutido nos dias
de hoje por duas razões: primeiro por favorecer o desenvolvimento da
linguagem, especialmente, na sua forma simbólica permitindo o
aparecimento da imaginação e da criatividade. Segundo, porque auxilia a
oralidade e a escrita infantil no processo de alfabetização ampliando o
universo de conhecimento das crianças.
A Literatura Infantil e a
Aquisição da Linguagem Oral
A aquisição da linguagem oral, embora também seja social, é um dos fatores
determinantes na escola, pois a criança só produz conhecimento a partir dessa
linguagem. A linguagem oral está presente em todo processo de ensino e
aprendizagem, pois o próprio educador, no decorrer do processo de aprendizagem,
utiliza-se dela, e muito, para se expressar e transmitir o conteúdo, e o aluno para
interagir junto a ele. Para tanto, é necessário o exercício da linguagem mediante o
trabalho pedagógico apoiado aos livros e aos recursos didáticos.
De acordo com Messias (2012), existem três categorias que podem classi�car a função
dos livros no âmbito escolar: os didáticos, aqueles que são referência, ou seja, que
utilizamos para a aprendizagem das atividades curriculares obrigatórias; os livros de
apoio didático, que são aqueles utilizados com base para aprofundar os diferentes
tópicos das disciplinas isoladas e servem para enriquecer a formação do aluno, e os
livros de literatura infantil, livros de pura �cção – e porque não dizer de fruição
estética – nos quais a linguagem é artística. É esse o olhar que o educador deve
102
https://www.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/a-literatura-infantil-e-o-desenvolvimento-da-linguagem-na-crianca.pdf
direcionar aos livros, pois só assim poderá utilizar com maestria, os livros
pertencentes à leitura literária. Dessa forma, a Literatura Infantil será sua aliada para
auxiliá-lo para desenvolver o lado afetivo e imaginário, além da oralidade de seus
alunos.
Antes de fazer uma re�exão sobre algumas possibilidades de inserção de atividades
didáticas em sala de aula, precisamos repensar a maneira como nos direcionamos à
individualidade do outro. Para tanto, é preciso ver e entender a criança como um
indivíduo pertencente a um grupo social, pois “ela é um aprendiz da cultura desse
grupo em que está inserida e por isso possui suas individualidades que a difere do
outro” (GREGORIN FILHO, 2009 apud MESSIAS, 2012, p. 8).
Nesse contexto, o educador deve ministrar suas aulas com instrumentos e estratégias
que sirvam para prosseguir com o aprendizado e utilizar a literatura, que é um
fenômeno da linguagem adquirido de experiências vivenciadas por seus autores
quanto à vida e às relações humanas de acordo com a sociedade, a história e a
cultura vigente, participando, assim da formação de novos cidadãos.
Ao utilizar a Literatura Infantil na prática pedagógica, o educador deve também
valorizar as relações existentes entre literatura, história e cultura, “pois cada
momento histórico e cada cultura cria uma estética própria, que resultante das
interações que o homem vivencia em seu meio social, cultural e histórico” (GREGORIN
FILHO, 2009 apud MESSIAS, 2012, p. 8).
O ambiente escolar é um espaço onde se podem desenvolver as primeiras relações
do indivíduo com a sociedade, e eis um dos motivos da importância e seriedade do
educador ao selecionar sua bibliogra�a para a sua prática pedagógica. Portanto, ele
tem que ter clareza sobre a importância de seu papel na vida dos indivíduos e
conhecimento acerca de Literatura Infantil para atingir seus objetivos na construção
do conhecimento desse indivíduo.
Vale lembrar que a literatura também faz parte processo de construção da identidade
cultural de um povo, pois ela oferece aos leitores vários universos produzidos por
meio das relações vivenciadas a partir da história, ou seja, por meio das histórias, são
transmitidos elementos do espaço e do tempo e as transformações nas relações
sociais.
103
Todavia, não é só de palavras que se constrói um livro. Messias (2012) aponta que
existe um tipo de linguagem peculiar, direcionada às crianças, que ao ser exibida
chama muita atenção: a ilustração, sobre a qual já falamos em outra aula, que cria
oportunidades para que a crianças se manifestem oralmente sobre o que estão
vendo, o que estimula o uso da linguagem oral, além de possibilitar que �rmem o seu
signo linguístico.
Nas atividades de leitura, o educador pode – e deve – iniciar o diálogo com
seus alunos falando das inúmeras linguagens que compõem a obra literária,
pois dessa forma, a criança saberá discriminar as diferentes linguagens
construídas ao longo da história.
104
A Literatura Infantil atrai e encanta a criança, despertando sua curiosidade e
promovendo seu desenvolvimento sensível e emotivo, além do desenvolvimento das
linguagens, inclusive a sua linguagem oral:
A magia envolvida escondida nas entrelinhas dos  livros de 
literatura  infantil  estimula o  pequeno  e  atencioso  leitor,  a 
descobrir, e   o   aprimorar   a   linguagem   oral,   desenvolvendo   a 
  capacidade    de comunicação  com  o  mundo  em volta  dele, 
concretizando o  desejo  de  ler  o  texto escrito  viabilizando  a 
transmissão  do  código  linguístico,  ou  seja,  o  processo  de
alfabetização. (MESSIAS, 2012, p. 11).
O educador deve sempre estar em constante busca do aprender para contribuir
ricamente na formação de seu aluno. Infelizmente, como já citado, muitos educadores
ainda não dão à Literatura Infantil a sua devida importância e fazem dela apenas um
passatempo, em que os livros são objetos usados somente para a distração dos
alunos enquanto preparam outra atividade pedagógica. Devemos mudar essa
realidade, começando pela valorização da literatura e enriquecendo nossa prática
pedagógica com histórias variadas – lembrando que deve ser sempre com
objetividade e intencionalidade.
Para tanto, o professor deve, em seu planejamento, incluir atividades que estimulem
a leitura individualizada ou em grupo, com leituras na biblioteca, na sala de aula ou
em outros espaços da escola. Por que não? Pense nas possibilidades de
aprendizagem e desenvolvimento dos alunos em atividades assim!
105
Enquanto educadores, temos o dever de proporcionar aos alunos
oportunidade de desenvolver a linguagem oral e escrita e oferecer-lhes
possibilidades de desenvolver sua visão de mundo e o prazer pela arte. Vale
destacar que, durante a sua prática pedagógica, o educador, quando
apresentar primeiramente os livros e histórias escolhidas, deverá observar
quais mais agradaram e despertaram o interesse dos alunos. Lembre-se
que, em cada faixa etária, as crianças têm interesses por temas e
personagens diferentes!
106
13
Literatura Infantil, 
Leitura e Alfabetização
107
Caro aluno,
Sabe-se que a escola desempenha um papel de extrema importância no
desenvolvimento humano, pois cabe a ela estimular a busca e a construção de
conhecimentos para que, de forma contínua, o individuo se transforme em sujeito
crítico e re�exivo de sua realidade.
Também é função da escola, por meio de métodos e estratégias, ensinar o aluno a ler
criticamente e interpretar os diferentes tipos de textos para que ele conheça o
mundo e o entenda a �m de mitigar as desigualdades sociais conhecendo-as e
buscandosuperá-las por meio da aquisição da leitura e da escrita, en�m, de
conhecimentos com o objetivo de tornar a sociedade mais igualitária. Para tanto, a
escola deve considerar a leitura como meio imprescindível para a conscientização e
construção de saberes, devendo buscar estratégias para que todas as crianças
tenham o pleno desenvolvimento da escrita e da leitura, sem fazer da sua prática algo
engessado e mecânico.
O Papel da Escola na
Experiência de Leitura
Ao analisar algumas práticas pedagógicas vigentes, nota-se que a escola nem sempre
está preparada e atenta para formar bons leitores, pois não proporciona encontros
signi�cativos da criança com a obra literária (BARROS, 2013). Podemos pensar que
essa di�culdade por parte do educador talvez seja uma lacuna em sua formação
também, enquanto leitor e pro�ssional. Nem todos nós tivemos ou fomos
estimulados a ter um bom contato com a literatura infantil, por isso é importante
trabalhar essa questão também nos cursos de formação de professores.
O leitor, seja ele criança ou não, quando envolvido numa relação de interação com a
literatura infantil, encontra signi�cados e relaciona o texto com o mundo no qual está
inserido. Tudo o que é visto e trabalhado na escola está diretamente ligado à leitura,
daí sua incontestável importância na formação do cidadão crítico e consciente. A
leitura é a realização da escrita, ou seja, quem escreve, escreve para ser lido por
alguém. No contexto escolar ou não, ler é um processo de descoberta, e justamente
por esse motivo pode ser uma atividade lúdica.
108
Acesse o link: Disponível aqui
Na atualidade, o grande desa�o no ambiente escolar é despertar o interesse
das crianças pela leitura. Cabe ao professor encontrar meio e estratégias
para tal tarefa. O educador e autor Celso Antunes dá dicas de grande valor
para essa missão.
O processo de aprendizagem da leitura não pode ser confundido com o propósito da
leitura, pois “ler é diferente de aprender a ler” (BARROS, 2013, p. 27). Isso se
pensarmos que decifrar os códigos de escrita não garante autonomia e compreensão
de mundo. O que muitas vezes presenciamos em nossas escolas são programas de
alfabetização de crianças que di�cultam a compreensão das funções da língua escrita
na sociedade.
109
http://www.celsoantunes.com.br/dicas-para-despertar-na-crianca-o-gosto-pela-leitura/
Daí a importância de o professor conhecer o processo de aprendizagem da criança,
pois, nesse caso, quanto mais ele compreender o processo de aquisição da língua
escrita e a construção do conhecimento, mais e�ciente será sua prática pedagógica no
sentido de estimular e mediar a aprendizagem da criança.
Sobre a aprendizagem da leitura, podemos dizer que se trata de uma relação
simbólica entre o que se fala e o que se vê, e por leitura, entendemos como toda
manifestação linguística que um sujeito realiza para recuperar um pensamento
formulado por outra e colocado como forma escrita.
Segundo Cagliari,
há diferentes atitudes perante a leitura, ela é singular para cada
leitor, é uma atividade de reflexão pessoal que depende do contexto
em que esse leitor esta inserido. A leitura é a extensão da vida
cotidiana, uma parcela considerável  do  conhecimento  humano 
advém  da  leitura.  Um aluno pode não se sair muito bem em
diferentes atividades, mas se for um bom leitor terá mais chances de
um futuro melhor (2009 apud BARROS, 2013, p. 27).
Ler na Escola: Compreensão
para o Mundo
Como já discutido, é por meio da Literatura Infantil que a criança cria condições para
o desenvolvimento intelectual e a formação de princípios individuais, de forma a
despertar diferentes relações com sentimentos e visões de mundo.
Ler, pra mim, sempre significou abrir todas as comportas pra
entender o mundo através dos olhos dos autores e da vivência das
personagens. Ler foi sempre maravilha, gostosura, necessidade
primeira e básica, prazer insubstituível. E continua, lindamente,
sendo exatamente isso! (ABRAMOVICH apud BARROS, 2013, p. 27-28)
110
Assim, partindo da visão apresentada por Abramovich (apud BARROS, 2013),
podemos considerar os momentos de contato da criança com a Literatura Infantil de
extrema importância na formação de leitores, pois é o ato de leitura e escrita que a
conduz a um processo de aprender, de conhecer e de construir novos signi�cados.
A aprendizagem da leitura constitui uma tarefa permanente, que se enriquece com
novas habilidades na medida em que se manejam adequadamente os diferentes
textos (BARROS, 2013). Podemos dizer que a leitura é uma aprendizagem contínua e
permanente para a vida toda – e justamente por isso, a aprendizagem da leitura não
se limita ao primeiro ano de vida escolar. Portanto, é interessante rea�rmar que
aprender a ler é um processo contínuo, que se desenvolve ao longo de toda a
escolaridade e de toda vida.
Como já foi dito anteriormente, o processo de aquisição da leitura é um trabalho de
construção de significados do texto a partir da curiosidade do leitor, do
conhecimento que ele possui a respeito do assunto e do que sabe sobre a língua.
Portanto,
a  leitura acontece   quando    se    produz    o    sentido    e    quanto 
 mais experiências   de   leituras   anteriores,   mais   consciência     
na    formação   de    sentido terá          o    leitor,    pois    é    preciso   
compreender    também    as    entrelinhas.  Só quem lê interpreta,
questiona, estabelece julgamentos do que  pode    e    deve    fazer,
exercendo   assim,   plenamente   a   sua   cidadania.   Quem lê pode
mudar  sua realidade para melhor (BARROS, 2013, p. 28).
Não restam dúvidas de que o trabalho com a linguagem é fundamental para a
formação do sujeito. Sendo assim, cabe ao professor orientar a criança nos caminhos
que a levarão à paixão pela literatura. No contexto escolar, é ele quem deve oferecer
um amplo repertório de livros aos alunos, de acordo com as suas preferências e
interesses.
Dominar a leitura vem da necessidade do seu uso em diferentes situações nas quais a
criança desenvolverá diferentes habilidades. Criar o hábito de leitura desde as séries
iniciais é fundamental para o processo de alfabetização, mas também se constitui um
dos maiores desa�os ao professor. Porém, o acesso a obras literárias de qualidade é
fator determinante no desenvolvimento do gosto pela leitura, pois dispõe para a
criança textos que trazem informações que alimentam a imaginação e criam nelas a
necessidade de leitura.
111
A Literatura Infantil se destaca pela importância e riqueza ao trazer
conhecimento de mundo que a criança possa adquirir, conhecendo
realidades e culturas diferentes e relacionando-as com suas próprias
experiências. Por meio da leitura, a criança desenvolve senso crítico quando
associa, dialoga e questiona a visão do autor. Também é possível o seu
desenvolvimento na área da arte, pois ao fantasiar, ela alcança um espaço
ilimitado no seu imaginário, e isso pode resultar em novos textos, pinturas,
desenhos e colagens, entre outras expressões.
112
Na prática pedagógica da leitura, o fato de a literatura infantil ser destinada às
crianças não quer dizer que seja necessário o uso de uma linguagem infantilizada,
pois considerações mais diversi�cadas tornam o texto mais rico. Quanto mais cedo a
criança entra em contato com o mundo da Literatura Infantil, mais cedo se tornará
leitor (BARROS, 2013). O conhecimento do objeto “livro”, a familiaridade com ele e o
manuseio são estímulos para incentivar o hábito da leitura na criança. Experiências
signi�cativas com a linguagem por meio das histórias infantis, cuidadosamente
planejadas, permitem que as crianças desenvolvam capacidades essenciais para a
aprendizagem da leitura e da escrita.
Diante dessa perspectiva, esperamos que na escola haja incentivo ao
desenvolvimento da prática da leitura como veículo de acesso ao mundo real de
forma signi�cativa, viva e desa�ante.
Aqueles que convivem com crianças sabe o quanto elas gostam de escutar
histórias, e muitas vezes a mesma repetidamente, pelo prazer de reconhecê-las, apreendê-las em seus detalhes, de antecipar as emoções já vividas. A
criança que ouve várias histórias percebe as regularidades e con�a em sua
própria leitura (BARROS, 2013).
113
14
Literatura Infantil e 
Educação Infantil
114
Em algumas instituições de educação infantil, a leitura dos livros literários é realizada
como atividade obrigatória: uma tarefa a ser cumprida, com uma análise para
entregar ao �nal da leitura. Geralmente são livros escolhidos de forma aleatória, sem
um conhecimento aprofundado da história e, às vezes, nem do gosto ou interesse das
crianças.
Dessa forma, é impossível estabelecer uma boa relação com a Literatura Infantil, de
forma que venha promover o desenvolvimento do gosto pela leitura e do senso
crítico. Assim, o educador acaba desenvolvendo uma prática pedagógica mecânica e
engessada, sem saber como utilizar o rico campo da literatura infantil.
A Literatura Infantil no processo de ensino aprendizagem nas instituições de
educação infantil deve ser vista e compreendida como uma possibilidade de
construção de espaços significativos, não mais com uma visão assistencialista, mas,
sim, educativa (SIMÃO, 2013). Por esse viés, a literatura infantil adquire um novo
signi�cado, possibilita à criança o acesso ao mundo da literatura e a aproxima de
diferentes linguagens, pois o contar histórias pode ser corporal, plástico, musical, oral
e escrito, além de haver interações no grupo.
As crianças gostam de ouvir histórias, e a escola, por meio de suas práticas
pedagógicas (escolarização da literatura infantil), pode acabar com o prazer em ouvir
e ler histórias. Se estiver sempre presente e da forma que se espera e deseja, a
literatura infantil deixa nas crianças lembranças de momentos ricos e memoráveis
por meio de histórias lidas e contadas, levando-as a mergulhar
no mundo imaginário nos encantos que podem proporcionar, porém,
esta relação com os livros, além de desenvolver a imaginação, poderá
fazer destas crianças futuros leitores, ampliando e permitindo
conhecer cada vez mais as diversidades culturais e sociais,
aproximando as situações do mundo imaginário para o mundo real.
(SIMÃO, 2013, p. 23).
Porém, para que este processo ocorra, é necessário que tanto escola quanto família
considerem como uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento da
sensibilidade, da memória, da fantasia, da imaginação e do conhecimento do mundo.
115
O Livro de literatura infantil
O livro deve fazer parte do cotidiano da Educação Infantil desde o berçário, pois desde
muito pequenas as crianças precisam manipular o objeto livro, em suas diferentes
formas e de diferentes maneiras, a �m de reconhecer e explorar esse objeto que deve
ser fornecido pelas educadoras. Além de manipular, sentir e observar, as crianças
também escutam as histórias narradas por seus professores a partir da leitura do
livro, que deve acontecer sempre nos espaços da instituição de educação infantil.
  À medida que as crianças menores se apropriam desta prática social passam a
“imitar” o comportamento adulto de “ler” o livro. Segundo Onesti,
A criança repete a prática de ler, ou seja, imita o adulto de diversas
maneiras, seja apenas folheando o livro, página por página;
observando, relacionando ou interpretando imagens e narrando aos
amigos, ou ainda estabelecendo o encadeamento e sequência da
história a partir do desenho. Nesses momentos, com uma experiência
de leituras intensas, na prática escolar, as crianças fazem gestos
como passar o dedinho por cima das letras, quando percebem que a
fala da educadora se baseia naqueles códigos que ainda não
decifram, mas que podem compreendê-los em um contexto que lhe é
usual, e exposto pelo desenho (ONESTI, 2014, p. 2)
De acordo com Machado,
Nessa fase inicial de descoberta dos livros, o que conta muito não é
só o texto verbal propriamente dito, como também as escolhas
gráficas em que se apresentam e as ilustrações. Esta opção liga-se ao
caráter dialógico que o texto não verbal ou de imagem mantém com
o texto verbal, que adquire grande relevância quando se aprende a
ler. Essas duas esferas, a verbal e a não verbal, embora exijam
capacidades diferenciadas no processamento da leitura, não se
separam. Uma se projeta na outra, sentidos que se complementam,
contrariando, portanto, a função meramente ilustrativa das imagens,
que se ofereceriam apenas como apoio para confirmar o que se lê no
texto verbal. Assim, nesse diálogo, tanto a criança que já lê como
aquela que arrisca adivinhações sobre o que vê/lê participa
ativamente do processo de produção de sentidos quando abre um
livro. (2008 apud ONESTI, 2014, p. 3).
116
No momento de oferecer livros para crianças pequenas, devemos ser criteriosos e
optar por aqueles que chamam a atenção, que sejam atraentes e interessantes. As
muitas cores, as diferentes formas, os desenhos, as imagens e as texturas são
recursos que contribuem para que a criança se sinta atraída pelo objeto. Ao perceber
que aquele objeto possui signi�cados e que um livro pode lhe proporcionar uma
grande viagem, uma aventura diferente, cheia de descobertas e emoções, a criança
passa a apreciá-lo mais, e isso é possível justamente por ser um objeto manipulável,
por ter diferentes formas e desa�os, e por levá-los ao mundo real que já existe e do
que eles podem criar – além das coisas que existem apenas no mundo lúdico dos
livros.
Aquele que adentra o mundo da Literatura Infantil �ca encantado pelo simples
contato com o livro, mas também, por exemplo, por poder conhecer uma princesa em
um castelo medieval, viajar ao Polo Norte ou Sul na companhia de pinguins, viver uma
aventura na �oresta amazônica ou na Floresta Negra e voar de balão, avião (e até
mesmo de pipa). Podem ser aventuras incríveis vivenciadas em um mundo aos quais
todos têm acesso: o mundo literário.
Assim, é necessário construir experiências positivas entre as crianças e a Literatura
Infantil, tal tarefa implica no recorte do trabalho na Educação Infantil. Um deles seria
a atividade leitora do próprio professor. Neste sentido, passa a ser relevante que o
117
professor da Educação Infantil compartilhe com as crianças um amplo repertório de
histórias. Cabe pensar também no professor como um leitor e apaixonado pela
literatura infantil, pois sua paixão deve ser traduzida ao apresentá-la para as crianças.
A�nal, como desenvolver o gosto pela leitura na criança, se o próprio professor não
tem o hábito de ler?
Outro fator importante para compor experiências positivas seria a organização do
tempo e espaço do ambiente escolar produzido em uma proposta de práticas sociais
de escutas de histórias, bem como a manipulação de livros diversos, buscando o
desenvolvimento integral da criança possibilitado pela literatura infantil. Por isso, o
espaço de uma instituição de Educação Infantil para leitura deve se constituir de livros
na sala com prateleiras baixas, ou mesmo caixas ou cestos, com livros para o acesso
das crianças; uma biblioteca em que o professor insira a criança no ambiente, pois ali
pode se tornar um ótimo exercício para que descubram a autonomia na hora em que
escolhem um livro de seu interesse e para reforçar ainda mais o gosto pelo universo
da leitura (ONESTI, 2014).
A Literatura Infantil pode contribuir de forma decisiva para a formação da
criança e forma integral, também como futuro leitor. Crianças pequenas
percebem desde cedo o universo dos códigos escritos que estão ao seu
redor. Podem, ainda, não decifrá-los, mas à medida que vão se
desenvolvendo percebem que têm signi�cados e antes mesmo de decifrar a
escrita, já podem compreender que signi�cados são esses. Daí a importância
da prática pedagógica aliada ao mundo dos livros.  É a Literatura Infantil que
irá oferecer subsídios para que a criança se desenvolva, aprenda, e se
(re)conheça. Porém, ela não está sozinha nesse caminho que deve ser
sabiamente mediado e conduzido pelo professor.
118
15
Literatura Infantil e 
Ensino Fundamental
119
Caro aluno,
A Literatura Infantil é uma grande aliada dos professores,pois se sabe que, embora
esta tenha tido sua origem com �ns pedagógicos, é, para a criança, uma importante
ferramenta para a compreensão do real, pois, como já foi visto, estabelece relações
entre a �cção e realidade.
Nota-se que a conexão entre Literatura Infantil, Língua Portuguesa e Matemática
pode, além de gerar aprendizagens mais fecundas, mobilizar o aluno para o
conhecimento, despertar a imaginação e o prazer em aprender, incentivando-o a
comunicar, dialogar e debater suas descobertas, levando-o a fazer uso social e real,
por meio da produção textual e, também da linguagem matemática.
Literatura Infantil, Leitura e
Produção de Textos
O senso comum diz que quem lê muito escreve bem. Mas será que essa premissa é
verdadeira? E se for verdadeira, quanto é necessário saber ler para escrever bem? E
ainda, o que se deve ler? Muitas pessoas, inclusive os pro�ssionais da educação,
devem se questionar sobre o tema, e as respostas certamente interessariam a todos
os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental, que têm a missão de
auxiliar e mediar seus alunos a quali�carem sua competência discursiva na
modalidade oral e escrita.
Assim posto, a leitura é um processo de construção de sentidos por um sujeito
determinado e limitado a determinadas condições sócio-históricas. Além disso, não
vemos a leitura como um mero decifrar ou decodi�car de um somatório de
parágrafos, frases e palavras, mas sim como a leitura de modo de estruturação de um
texto ou de um livro (PEREIRA, 2006).
Ouvir ou contar histórias faz parte da nossa vida. Todos, crianças e adultos, gostamos
de histórias e nos interessamos por elas. Além disso, sabemos desde a mais tenra
idade contar histórias, seja por meio de textos escritos ou de imagens. Também, ao
ler, reconhecemos facilmente se a estrutura do texto está adequada, pois dela
decorre, em parte, a coerência da história (SPINDLER E MARTINS, recurso eletrônico).
120
Dessa forma, podemos considerar que a leitura de obras literárias, dentro e fora dos
muros da escola, é uma prática essencial para a formação de leitores e escritores,
que, a partir dessa prática, atingem um nível maior de conhecimento crítico do
mundo, além de se tornarem leitores intelectualmente autônomos e humanizados.
Assim, é por meio de uma prática pedagógica permeada pela literatura infantil, como
linguagem e como instituição, que se con�am os diferentes imaginários, as diferentes
sensibilidades, valores e comportamentos por meio dos quais uma sociedade
expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias
(LAJOLO, 2008).
Diante dessa perspectiva, cabe ao professor explorar as potencialidades do texto
literário, a �m de que o contato entre o aluno e a literatura infantil seja uma busca
plena de sentidos e, consequentemente, de escrita.
Com essa temática, Jolibert (1994) a�rma que, para que os alunos se tornem
escritores, é essencial passar por experiências tais como:
saber que a escrita serve para qualquer coisa: para se comunicar, criar, contar e
conservar histórias;
perceber que a escrita dá poder para se comunicar com o restante do mundo;
perceber o prazer que a produção de um texto escrito pode proporcionar;
entender a produção de texto não como um trabalho chato, enfadonho, mas
como uma forma de buscar autonomia como indivíduo.
121
Ainda segundo Jolibert (1994), a interação entre leitura e escrita é grande, pois é
necessário dominar a leitura para escrever e dominar a escrita para ler. Sendo assim,
o interesse pela escrita e pela leitura começa antes da escola, pois a criança
constantemente se interessa em saber o que está escrito em cartazes, quer saber
escrever seu nome ou de seus pais, por exemplo, e sem intencionalidade descobre
qual o uso da escrita social. Dessa forma, acredita-se que, se reestimularmos o
interesse pela palavra, talvez assim os alunos percebam a importância e a utilidade do
ler e escrever (SPINDLER E MARTINS, recurso eletrônico).
Logo, a Literatura Infantil é importante tanto para a aquisição da leitura e
alfabetização quanto para o aprimoramento dessa escrita, fazendo com que o aluno,
a partir dessas aquisições, possa organizar suas ideias, pensamentos e
conhecimentos ao produzir seus próprios textos.
Literatura Infantil e Ensino da
Matemática
A Literatura Infantil também exerce grande in�uência na aprendizagem da
Matemática. De acordo com Cunha (2017), o ensino da Matemática nas séries iniciais
há tempos vem se reformulando, mas muitos professores ainda se mantêm presos ao
uso “das mesmas atividades estanques, estéreis, já sistematizadas e sem qualquer
participação por boa parte do aluno” (CUNHA, 2017, p. 2), fato que nos leva a
questionar se o conteúdo apresentado pelo professor precisa ser trabalhado,
re�etido e reelaborado pelo aluno para se constituir em conhecimento apreendido
por ele. E ainda, para que haja aprendizagem, é necessário, inicialmente, mobilizar o
aluno para o conhecimento, ou seja, seu interesse precisa ser provocado
(VASCONCELOS, 1992 apud CUNHA, 2017).
É neste sentido que a Literatura Infantil desempenha um papel essencial na
signi�cação inicial, pois desperta o interesse dos alunos, cria expectativas e os envolve
emocionalmente com a narrativa e permitindo lhes viver um jogo �ccional,
possibilitando, assim, uma aproximação mais harmoniosa e signi�cativa do aluno com
o conteúdo a ser desenvolvido (CAMPOS E MONTOITO, 2010 apud CUNHA, 2017).
122
Acesse o link: Disponível aqui
Por muito tempo se falou em alfabetização apenas como aprender a ler ou a
escrever em língua materna, e pouco se dava importância à alfabetização
matemática, mas essa área do conhecimento tem sua linguagem especí�ca.
Portanto, o processo de alfabetização das crianças do primeiro ciclo do
ensino fundamental (1º ao 3º anos) precisa perpassar por um processo
interdisciplinar entre Literatura Infantil e Matemática.
A literatura permite a apropriação e a signi�cação do universo cultural ao qual está
inserida. Ao interagir com este universo, a criança vivencia situações que, de outra
forma, não seriam possíveis, e constrói seus próprios conceitos, inclusive os
matemáticos.
A imaginação no ensino da Matemática também é importante, pois “em muitas
passagens da História da Matemática, é inegável o uso da imaginação para a tomada
de decisões, investigações de teoremas e resolução de problemas. Parece-nos
adequado, também por isso, favorecer ao máximo a imaginação dos alunos”
(CAMPOS E MONTOIO 2010 apud CUNHA, 2017, p. 03).
123
https://periodicos.ufpa.br/index.php/revistaamazonia/article/view/3721
É preciso destacar que a Literatura Infantil também é, para a criança, um meio de
acesso ao real, permitindo a ela uma ampliação do seu domínio linguístico,
fundamental para sua compreensão e signi�cação de mundo. Essa habilidade é
fundamental para qualquer aprendizagem, pois a linguagem não é só uma
ferramenta que auxilia a criança a pensar: ela constitui o próprio pensamento.
De acordo com Cunha (2017), as práticas pedagógicas a partir do uso da Literatura
Infantil também formam alunos mais ativos, participativos e envolvidos com seu
processo de descoberta, mas exigem professores mais �exíveis, capazes de criar e
gerir situações de aprendizagem inesperadas e de interação entre aluno/aluno,
aluno/conteúdo e aluno/professor de modo a torná-las mais fecundas.
Ademais, ao integrar Literatura Infantil e Matemática, as crianças exploram
Matemática e História ao mesmo tempo, o que permite trazer as ideias matemáticas
para sua vida: um dos resultados disso é uma maior compreensão de sua realidade e
um uso real e social da escrita e da Matemática (ROEDEL, 2016, SMOLE, 1997 apud
CUNHA, 2017).
O uso da Literatura Infantil nas aulas de matemática “abre espaço para a
comunicação, despertando o interesse dos alunos, modi�cando a tão característica
aula de Matemática marcada pelo silêncio e pela execução de exercícios mecânicos
(ROEDEL, 2016, NACARATO, 2009 apud CUNHA, 2017, p. 05)”. Para isso, a aula precisa
ser dinâmica, com interação e participação dosalunos, para que o aluno comunique o
124
que pensa e explique seu raciocínio. É nesse diálogo entre professor e aluno que
ocorre a retomada do que ouviram, ou a tentativa de prever o que vai acontecer, ato
fundamental para a resolução de um problema matemático, pois possibilita que ele
re�ita sobre suas hipóteses e, por vezes, reformule-as, chegando a um conhecimento
mais elaborado (CUNHA, 2017).
Para realizar uma leitura de texto matemático de forma a compreender a situação
problema que ali se apresenta e ser capaz de traçar estratégias para resolvê-lo, o
aluno necessita do domínio dos conhecimentos matemáticos, mas também de
conhecimento linguístico, textual e de mundo, aspectos desenvolvidos com prática
pedagógica aliada ao trabalho a partir da literatura infantil.
Para uma prática pedagógica no ensino de Matemática que conta com o
auxílio da Literatura Infantil para desenvolver conhecimentos, é necessário
saber escolher os livros, para que esta conexão faça sentido e mantenha seu
objetivo. Os aspectos literários que permitem a interpretação, a imaginação
e todo jogo �ccional precisam ser preservados (ARNOLD, 2016), pois esses
aspectos contribuem para a construção de conhecimento, seja em
Matemática ou na produção textual. No entanto, o que se vê em nossas
escolas, geralmente, é que muitas vezes, os aspectos didáticos, pedagógicos
e moralizantes se destacam em detrimento dos literários. Não podemos
negar que a Literatura Infantil pertence a duas áreas: a pedagógica e a arte
literária, o que faz com que todo livro tenha a intenção de divertir e ensinar
e que nenhum extremo é desejável.
125
16
Literatura Infantil e 
Contação de Histórias
126
Caro aluno,
Há uma diferença entre ler e contar histórias. Porém, se feitas com dedicação e
conhecimento, ambas contribuem ricamente para o desenvolvimento do gosto pela
leitura e, consequentemente, para a formação do sujeito.
Ao ler uma história em voz alta, o leitor empresta sua voz ao texto, respeitando a
estrutura linguística da narrativa e as escolhas lexicais do autor. Ler uma história é
uma forma de apresentar a obra conforme sua linguagem original. Quem lê deve
estar preparado su�cientemente para fazê-la e deve saber utilizar o livro como
acessório integrado à técnica da voz e do gesto (SILVA, 2010 apud VALDIVIESO E
ROGATO, 2012), pois ao ler para uma criança, o leitor não transmite apenas o
conteúdo da história, mas promove seu encontro com a narrativa e desenvolve no
ouvinte valor pelo livro.
Contar histórias envolve improvisação e interação, e o contador deve criar imagens
que ajudem a despertar sensações e a ativar no ouvinte os sentidos do paladar,
audição, tato, visão e olfato. Dessa forma, as narrativas serão carregadas de emoção e
de elementos signi�cativos tais como gestos, ritmo, entonação, expressão facial e
pausas, uma vez que esses elementos proporcionam uma interação direta com o
público. Assim, pode-se dizer que o contador recria o conto junto com seu público,
conservando algumas partes do texto, mas com a liberdade de modi�cá-lo conforme
a interação que estabelece com os ouvintes.
127
A Contação de Histórias
Anteriormente, a contação de histórias nas escolas era uma forma de distrair as
crianças, mas, hoje a �gura do contador de histórias ressurge com novo signi�cado.
De acordo com estudos, a contação de histórias é um precioso auxílio à prática
pedagógica de professores tanto da Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental,
e justi�cam ressaltando que a contação de história instiga a imaginação, a
criatividade e a oralidade, além de incentivar o gosto pela leitura, contribuir na
formação da personalidade da criança e envolver na prática o social e o afetivo.
Mas não para por aí. A contação de histórias, além de pertencer ao campo da
educação e à área das ciências humanas, é uma atividade comunicativa, que permite
ao homem, por meio dela, repassar costumes, tradições e valores capazes de
estimular a formação do cidadão (ALMEIDA, 2019). Por esse, entre tantos outros
motivos, para contar histórias é necessário saber criar um ambiente de
encantamento, suspense, surpresa e emoção, no qual o enredo e os personagens
ganham vida, transformando tanto o narrador como o ouvinte. O ato de contar
histórias deve impregnar todos os sentidos, tocar o coração e enriquecer a leitura de
mundo na trajetória de cada um.
128
A ação de contar histórias deve ser estar presente dentro do espaço escolar não
somente com seu caráter lúdico, muitas vezes exercitado em momentos estanques da
prática pedagógica, como a hora do conto ou da leitura, mas adentrar a sala de aula
como metodologia que enriquece a prática do educador, ao mesmo tempo em que
promove conhecimentos e aprendizagens múltiplas.
Katzer e Watthier complementam:
A questão da contação de histórias como parte integrante da prática
pedagógica não tem a pretensão de desconfigurar sua função de
transmitir beleza, sensibilidade e prazer. Aliás, o caráter artístico da
contação de histórias pode servir de elo no processo de
ensino/aprendizagem, auxiliando a prática pedagógica sem perder
seu valor estético e artístico (2016, p. 12).
A Arte de Contar História
O sucesso do contador de histórias está primeiramente na realização de um roteiro a
ser seguido, pois por meio deste terá segurança e naturalidade, fundindo a teoria à
prática, e acima de tudo dará prazer a quem ouve e contribuirá para o
desenvolvimento do ouvinte por meio das interações com o leitor.
129
O contador de história também precisa colocar em prática a adaptação
verbal, facilitando a compreensão do ouvinte e tornando este momento
mais dinâmico e comunicativo, além de considerar a faixa etária e as
condições socioeconômicas dos ouvintes. Por isso, é antes de contar uma
história é importante avaliar se o assunto é interessante, se demonstrará
riqueza de imaginação e se agradará as crianças. Ademais, a linguagem deve
ser simples e os recursos de onomatopeias devem dar mais força às
expressões, contribuindo para que se torne cada vez mais interessante.
Uma história pode ser contada a qualquer momento e em qualquer lugar. Contar
histórias para uma criança – ou para um adulto – é poder rir junto com ele, ser
cúmplice de um momento de humor, de descontração, de brincadeira, suscitando o
imaginário, descobrindo novas possibilidades de solucionar determinados problemas
por meio das resoluções enfrentados por cada personagem de uma história
(ABRAMOVICH, 1997). Assim, o para despertar a admiração do ouvinte e transmitir
con�ança, é importante que o contador memorize o texto e faça variações sobre o
tema.
130
O contador de história deve criar um clima atraente e encantador, que a cada
pedacinho contado por ele, faça com que a criança se sinta parte da história ouvida e
fantasie o cenário do que ela está ouvindo. Para Abramovich (1997, p. 21), o contador
de histórias deve “criar seus próprios dragões, adentrar pela casa, vestir a princesa,
pensar na cara do padre, sentir o galope do cavalo, imaginar o tamanho do bandido e
outras coisas mais”.
 Resumindo, para contar uma história, é essencial seguir alguns passos:
Saber os assuntos preferidos da faixa etária;
Estudar para ter elementos para preparar a narração, fazer adaptações e utilizar
recursos e/ou técnicas auxiliares;
Divertir-se com a história, captar a mensagem que nela está implícita e, em
seguida, após algumas leituras, identi�car os seus elementos essenciais (enredo,
personagens principais secundários e supér�uos, ambiente, cenário, mensagem
e conteúdo educacional);
Adaptações são necessárias quando se deseja utilizar determinado recurso
auxiliar. Quando se utilizam personagens, a adaptação deve ser feita
transformando a história em diálogos. Assim, a trama se desenvolve por meio de
uma sucessão de cenas “interpretadas” pelos personagens;
Elementos fundamentais: vocabulário, volume, velocidade e tonalidade de voz;
Técnicas: livros, fantoches com cenário, tapete de história, saia literária, caixa de
cenário, avental de contar histórias e dramatizações.Também: adaptação do
contador ou história decorada na íntegra;
131
com o livro em mãos: leitura dinâmica, dramatizada com as ilustrações do livro;
com gravuras: varal e livro ampliado;
com �anelógrafo: gravuras coloridas, dobraduras, sombras (usar o velcro atrás);
com desenhos: desenhar as personagens enquanto vai contando a história;
com fantoches: de varetas, dedoches, de caixinhas, de papel machê, de meias,
de EVA, de espuma, de feltro ou qualquer outro material que sua criatividade
permitir (FLESCH ET AL., 2016).
Acesse o link: Disponível aqui
Conhece os 10 mandamentos da contação de histórias?
1. Escolha uma história da qual você goste muito e deseje contar.
2. Leia essa história muitas vezes.
132
https://www.lendo.org/guia-definitivo-contacao-historias/
Conclusão
A Literatura Infantil é de�nida por ser destinada a um determinado público e possui
características especí�cas: pertence a uma faixa etária determinada, tem uma
estimulação familiar e acontece em uma relação com o mundo imaginário e o da
escola.
Nesta disciplina, vimos que uma forma de compreender o mundo é por meio da
Literatura Infantil, pois sua função é exatamente fazer com que a criança tenha uma
visão mais ampla de mundo, tornando-a mais re�exiva e crítica, frente à realidade
social na qual está inserida e atua, desenvolvendo e organizando seu pensamento de
forma lúdica. A Literatura Infantil suscita o imaginário da criança de forma a responder
às suas dúvidas em relação a tantos questionamentos, de encontrar novas ideias para
solucionar con�itos pessoais.
O ato de ouvir e ler histórias tem uma importância que vai muito além do prazer
proporcionado por elas, porque também são fundamentais para as crianças no
desenvolvimento das linguagens, de um modo geral, ideias, valores e sentimentos
implicaram na sua formação como pessoa.
O gosto e prazer pela leitura podem vir antes da leitura de símbolos e códigos. Mesmo
antes da aprendizagem desse tipo de leitura, a criança lê imagens e aprecia o valor
sonoro das palavras. Aprende-se a gostar do livro pelo afeto desenvolvido pela criança
a partir de seu contato com os livros e as histórias.
Ao observar o comportamento de criança, conseguimos ver a sua capacidade de ouvir
e inventar histórias, de expor suas ideias. Nesse momento, o educador, deve assumir o
compromisso com o livro por meio do hábito de contar histórias e despertar a
curiosidade, desa�ando-os, encorajando-os, solicitando-os, provocando-os para que
criem suas hipóteses, abrindo as portas para o fantástico mundo da Literatura Infantil.
133
É extremamente importante a presença de livros na sala de aula. Assim, o educador
deve disponibilizar e organizar um lugar em sua sala onde os livros �quem à disposição
das crianças para que elas possam manuseá-los quando tiverem vontade. Logo, �ca
evidente que é no decorrer da prática pedagógica que somos impulsionados a re�etir
sobre a importância da literatura infantil e a ação pedagógica na escola. No dia a dia,
dentro e fora do ambiente escolar, deparamo-nos com situações que nos levam à
leitura motivada por diversos motivos, como por prazer, necessidade, obrigação ou
brincadeira. Diante dessa perspectiva, vemos o quando a leitura é fundamental em
nossas vidas, na construção de conhecimentos que possibilitam nosso
desenvolvimento intelectual, social, emocional, afetivo e cognitivo.
Foi uma prazer!
134
Material Complementar
Livro
O que é Literatura Infantil
Autor: Ligia Cademartori
Editora: Brasiliense
Sinopse: Quais as características da literatura infantil, seus
comprometimentos e desa�os? Que lugar ela pode ocupar nas
escolas? Como escolher entre tantos livros do gênero? A autora
responde a essas e outras perguntas, apresentando critérios de
análise e seleção de obras, discorrendo sobre a origem dos
contos clássicos e sobre as características da produção
contemporânea destinada às crianças.
Livro
Literatura Infantil: gostosuras e bobices
Autor: Fanny Abramovich
Editora: Scipione
Sinopse: trata de diversos assuntos e ressalta a importância da
literatura infantil, desde o ouvir, olhar histórias, as ilustrações, o
humor, a poesia para crianças, os contos de fadas e seu papel
fundamental para a criança, o desenvolvimento da apreciação.
135
Filme
A Guerra do fogo
Ano: 1981
Sinopse: O �lme retrata um período na pré-história e dois
grupos de hominídeos. O primeiro, que quase não se diferencia
dos macacos por não ter fala e se comunicar através de gestos e
grunhidos, é pouco evoluído e acha que o fogo é algo
sobrenatural por não dominarem ainda a técnica de produzi-lo;
o outro grupo é mais evoluído e tem uma comunicação e hábitos
mais complexos, como a habilidade de fazer o fogo. Esses dois
grupos entram em contato quando o fogo da primeira tribo é
apagado em uma guerra com uma tribo de hominídeos mais
primitivos, que disputam pela posse do fogo e do território.
Levados por diversas circunstâncias a se encontrarem, as tribos
percebem que há uma maneira diferente de viver; observam as
diferentes formas de linguagem, o sorriso, as construções de
cabanas, pintura corporais, o uso de novas ferramentas, e
mesmo um modo diferente de reprodução.
Comentário: Numa visão pedagógica, o �lme retrata a aquisição
da linguagem e suas implicações na vida humana.
Filme
De volta a terra do Nunca
Ano: 2001
Sinopse: Em um mundo sitiado pela 2ª Guerra Mundial vive
Wendy, agora adulta, que tenta passar aos seus �lhos a
esperança em um mundo melhor contando a eles as mágicas
experiências pelas quais passou na Terra do Nunca, ao lado de
Peter Pan. Entre os �lhos de Wendy está Jane, de 12 anos, que
não acredita em tais aventuras. Até que ressurge o Capitão
Ganche, que sequestra Jane e a leva para a Terra do Nunca, na
intenção de usá-la em seu mais novo plano para capturar Peter
Pan.
Comentário: O �lme conta a origem da história de Peter Pan.
136
Filme
Irmãos Grimm
Ano: 2005
Sinopse: Wilhelm (Matt Damon) e Jacob (Heath Ledger) são dois
irmãos famosos pelos seus contos de fada, recheados de
personagens mágicos. Eles percorrem a Europa comandada por
Napoleão Bonaparte enfrentando monstros e demônios falsos
em troca de dinheiro rápido. Porém, quando as autoridades
francesas descobrem o plano deles, os coloca para enfrentar
uma maldição real em uma �oresta encantada, na qual jovens
donzelas desaparecem misteriosamente.
Web
“A beleza não cabe em você”, com Bartolomeu Campos de
Queirós, escritor brasileiro de livros infanto-juvenis. Nessa
entrevista, ele fala um pouco de sua vida e sua infância. Ao falar
de sua mãe, seus olhos iluminam-se ora de alegria, ora de
tristeza; pois conta que a mãe sofria de câncer e no auge de sua
dor, sentava-se na cama e cantava.
Acesse o link
Web
“A palavra conta” fala sobre a importância da literatura infantil e
suas histórias na vida do ser humano
Acesse o link
137
https://www.youtube.com/watch?v=1-z-8O31_qc
https://www.youtube.com/watch?v=TlOwKhIma5s
Web
Livro com Imagens: Um livro de imagem pode ser bem
manuseado por crianças em fase de alfabetização, e pode ser
apresentado aos bebês como um objeto cheio de ilustrações e
de descobertas. As crianças que dominam o código escrito da
língua também costumam gostar desses livros, principalmente
quando há uma temática interessante e surpreendente. Aquilo
que faz o leitor querer ver de novo, saber mais um pouco ou
�car na dúvida. A literatura nos provoca incertezas e não conclui
as histórias com uma única possibilidade interpretativa.
Acesse o link
Web
Leitura para bebês: Projeto realizado em creches e escolas
infantis, com o objetivo de desenvolver o gosto pela leitura na
criança.
Acesse o link
138
https://www.youtube.com/watch?v=kFKI3fPDqjg
https://www.youtube.com/watch?v=KOv6_HetY7k
ABRAMOVICH, Fany. Literatura Infantil: Gostosuras e bobices. 4ª ed., São Paulo:
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