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1 2019/01 UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: Direito FILOSOFIA E HISTÓRIA DO DIREITO PROFº. MS. GLEYZER ALVES E SILVA ALUNO:___________________________________________ HSJC – PROF. GLEYZER ALVES 2 *VT1 – questões a serem analisadas na plataforma EAD. SIMULADO ENADE – valor: 02 pontos. *VT2 Estudos Independentes Resolução de exercícios propostos, análise de artigo científico exigidos pelo MEC, resoluções de lista de exercícios constantes no final do material de apoio e resolução de questões ENADE – valor 3,0 pontos *VT3 – TRABALHO DE EXTENSÃO – VISITA, DOAÇÕES E CONFECÇÃO DE RELATÓRIO JURÍDICO A UMA DAS INSTITUIÇÕES: ASCEP (Associação de apoio a criança especial de Goiânia) OU SOLAR COLOMBINO ANTÔNIO AGUSTO DE BASTOS - valor: 05 horas extracurriculares e 2,0 PONTOS *VT4 - EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS EM GRUPOS DE, EM MÉDIA, 06 COMPONENTES, NAS DATAS E FORMA ABAIXO (VALOR 3,0 PONTOS): TODOS OS GRUPOS DEVEM EXPOR A CULTURA COMO UM TODO (ESCULTURA, PINTURA, LITERATURA, ARQUITETURA, CULINÁRIA, HÁBITOS SOCIAIS, MÚSICA, DANÇA E OUTROS) DOS POVOS SOLICITADOS: GRÉCIA MESOPOTÂMIA HEBREUS ROMA CULTURA MEDIEVAL INGLATERRA ÍNDIA MUÇULMANOS JAPÃO CHINA UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 3 - PLANO DE ENSINO 1º SEMESTRE DE 2019 CURSO: DIREITO DISCIPLINA: FILOSOFIA E HISTÓRIA DO DIREITO CÓDIGO: N053 PERÍODO: 1º PRÉ-REQUISITO: CARGA HORÁRIA: 75 CRÉDITOS: 05 PROFESSOR: GLEYZER ALVES E SILVA OBJETIVOS: Compreender o Direito a partir da construção do pensamento jurídico e de sua organização histórica. O conhecimento histórico do desenvolvimento da ciência jurídica servirá como instrumento, ao lado das demais disciplinas fundamentais, para o estudo da dogmática jurídica a partir de uma concepção crítica. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 4 - 1 - WOLKMER, Antônio Carlos (org.). Fundamentos de História do Direito. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2008, 432 p 2 - DAVID, René. Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. 4ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002, 556p. 3 - GILISSEN, John. Introdução Histórica ao Direito. Tradução de A. M. Hespanha e L. M. Macaista Malheiros. Lisboa. 1986. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: 1 - NASCIMENTO, Walter Vieira do. Lições de História do Direito. 15ª ed. ver. e aum. Rio de Janeiro: Forense, 2006. 300p. 2 - LOPES, José Reinaldo de Lima. O Direito na História. São Paulo: Max Limonad, 2000. 3 - BITTAR, Eduardo C. B.(org.). História do Direito Brasileiro - Leituras da Ordem Jurídica Nacional. São Paulo: Editora Atlas, 2003. 4 - CASTRO, Flávia Lages. História do Direito – Geral e Brasil. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Júris, 2003. 5 - CARDOSO. Ciro Flamarion. Sete Olhares sobre a Antiguidade. 2ª ed. Brasília. UNB, 1998. PERIÓDICOS: UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 5 - 1. Jus Navegandi 2. Revista Eletrônica Direito e Política 3. Revista de Direitos e Garantias Fundamentais 4. Portal de Periódicos CAPES/MEC 5 - Revista da Faculdade de Direito da UFG, disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/revfd. 6 - Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, disponível em http://www.fdv.br/sisbib/index.php/direitosegarantias/index. 7 - Direito & Justiça – Revista da Faculdade de Direito da PUCRS, disponível em http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/fadir/index. ARTIGOS CIENTÍFICOS DE PONTA SOBRE O TEMA DA DISCIPLINA: 1. Artigo selecionado do PORTAL DE PERIÓDICOS CAPES/MEC VÍDEOS NO YOUTUBE/VIMEO: 1. Inserções de videos diversos, videoclipes, trechos de filmes, e filmes na integra, que denotem o contexto da evolução histórica do direito. UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 6 - AVALIAÇÃO: V1 – Verificação Discursiva/Objetiva com conteúdo ministrado até a data da prova, com valor de 0 a 10 pontos. HABILIDADES E COMPETÊNCIAS AVALIADAS: conhecimento crítico sobre a evolução histórica do direito, desde a denominada “pré-história” à idade contemporânea. Análise dos Sistemas Romano Germânico e Anglo-Saxônico. V2 – Verificação Discursiva/Objetiva com conteúdo ministrado durante o semestre, com valor de 0 a 10); HABILIDADES E COMPETÊNCIAS AVALIADAS: Abordagem científico-dogmática sobre as famílias socialista e de direito religioso e filosófico, bem como a evolução histórica do direito brasileiro, VT – Verificação de trabalhos individuais ou em grupo, seminários, debates etc, com valor de 0 a 4,0 (atividades presenciais); 3,0 (atividades online); 2,0 (atividade integrada inerente ao ENADE) e 1,0 (participação em Congresso Multidisciplinar). HABILIDADES E COMPETÊN- CIAS AVALIADAS: Oportunizar aos acadêmicos o desenvolvimento de uma visão global so-bre os novos arranjos familiares, bem como sobre a proteção da pessoa dos filhos, através do incremento cultural e crítico, inter-relacionando os contextos social e jurídico. VS – Verificação Suplementar Discursiva, com conteúdo ministrado durante todo o semestre, com valor de 0 a 10. HABILIDADES E COMPETÊNCIAS AVALIADAS: os acadêmicos deverão ser capazes de evidenciar domínio doutrinário e científico da matéria e boa capacidade linguística, certificando que o conteúdo a ser verificado compreende a todos os itens trabalhados no transcorrer do semestre. TRABALHO DISCENTE EFETIVO - TDE: ESTUDOS INDEPENDENTES 1 - Estudos a partir da Bibliografia básica indicada, bem como da complementar. Buscas na internet de textos, jurisprudências e afins. Análise UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 7 - de legislação, doutrina, textos complementares e anotações feitas em sala de aula, com o intuito inicial de obter prévio conhecimento básico e posteriormente, reforço do tema analisado em sala de aula., bem como para exposição de trabalhos em sala. Exposição de trabalhos. Horas: 06. Nota: 2,0. 2 - Exposição de seminários e resolução de listas de questões objetivas e discursivas elaboradas pelo professor, bem como extraídas do ENADE, exame de ordem/OAB e concursos diversos, buscando soluções às questões propostas em sala, complementando a análise do tema. Horas: 06. Nota: 3,0. 3 - Visita e doações diversas a instituições sociais., conscientizando o discente de seu papel na sociedade, enquanto acadêmico e futuro profissional do Direito. Confecção de relatório jurídico atinente à atividade social desenvolvida. Desenvolver conteúdo ministrado em sala de aula, integrando fundamentos teóricos e situações práticas de Direito. 06 horas. Nota:2,0 INTERLIGAÇÃO DA DISCIPLINA: A disciplina gera grande interesse por parte do corpor discente, por tratar de tema propedêutico e que favorece as divagações de ideias sociais, tanto no contexto social hodierno, quanto no histórico. Por sua própria natureza, trata-se de uma disciplina que guarda forte relação com todas as áreas do Direito e da dinâmica social, possibilitando abordagens críticas, formadoras de senso de justiça social, introduzindo basicamente todas as cadeiras jurídicas. PERFIL DO EGRESSO: A eficácia da disciplina para contribuir com o perfil dos egressos pretendido pela IES depende do desenvolvimento de maior capacidade linguística dos acadêmicos, de maior incremento cultural, de maior desenvolvimento de análise crítica, de incentivos para o raciocínio lógico- científico e, especialmente, de maior conhecimento das realidades nacional e regional relativamente a justiça social, segurança pública, funções do Estado.ARTICULAÇÃO TEORIA-PRÁTICA: Trata-se de todo um trabalho voltado para a percepção cultural dos acadêmicos sobre seus próprios espaços sociais, com suas contradições e UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 8 - desafios. O mundo negocial, percebido à ótica do direito contratual, enquanto fenômeno social, deve ser abordado no sentido de possibilitar a proposta de soluções para a construção de uma sociedade mais justa. Para tanto, os acadêmicos são instigados a desenvolver opiniões críticas através de filmes, leitura de artigos científicos e análises de casos concretos obtidos na vida cotidiana. No processo, devem ser utilizadas as várias alternativas midiáticas atualmente disponíveis, inclusive Laboratórios de informática e Biblioteca. METODOLOGIAS: O processo didático-pedagógico da disciplina História dos Sistemas Jurídicos Contemporâneos não pode prescindir de aulas expositivas, extrema exigência de leitura de doutrina científica, leitura de artigos científicos e abordagens de fatos históricos. Instigar o aluno ao metodo de aula invertida é de extrema relevância. A disciplina é muito própria para a formação científica dos acadêmicos através de estudos de casos HISTÓRICOS confrontados com a SOCIEDADE HODIERNA. No processo, além dos estudos fatos históricos, será desenvolvida atividade de extensão e, consequente confecção de relatório jurídico, em consonância com a atividade de extensão ministrada. A estratégia proporciona ao aluno dizer o direito e vivenciar a atuação do profissional. EXTENSÃO: Durante o Semestre são desenvolvidas atividades de extensão que visam não apenas a intervenção dos acadêmicos na sociedade, mas o desenvolvimento de compromisso com a agenda social, tanto do ponto de vista nacional como regional. Esses projetos são desenvolvidos em parceria com outros professores, o que lhes dão magnitude e relevância social. No presente semestre, os acadêmicos participaram do projeto UNIVERSO, ASCEP E SOLAR COLOMBINO – UMA QUESTÃO DE CIDADANIA, sob a liderança do Professor Gleyzer Alves. PESQUISA: Os alunos são motivados para a pesquisa, especialmente a bibliográfica, pois além de influir positivamente na aquisição de conhecimento doutrinário, também contribui na formação científica como um todo. No semestre, os acadêmicos desenvolveram diversos trabalhos de pesquisa que resultaram em VTs. Há também forte incentivo para a participação nos eventos institucionais voltados para a extensão e pesquisa (Semana de Extensão e Jornada Científica). UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 9 - REQUISITOS: São requisitos necessários para um efetivo aprendizado da disciplina: capacitação linguística (leitura, compreensão de textos, boa redação e oratória); razoavel nível cultural; formação básica social. Para favorecer o nivelamento acadêmico, são propostas atividades (leitura de artigos científicos, filmes, leitura e análises de fatos divulgados na midia etc) e exigida a leitura de doutrina e artigos científicos. AUTONOMIA DISCENTE: Pesquisas voltadas para as práticas negociais e contratuais. Pesquisas doutrinárias, jurisprudenciais e bibliográficas a respeito da situação do Direito Contratual brasileiro no contexto geral. Incentivos institucionais para fomentar visitas às instituições sociais e colocar em prática a teoria analisada em sala de aula. TRATATIVAS: Chamada – feita no último terço da aula Avaliação – Provas de bom nível de dificuldade, com questões variadas entre fáceis e de maior complexidade, devendo ser ao menos 40% discursivas, com questões elaboradas nos moldes do ENADE, e com inserções de questões do referido certame, bem como extraídas de concursos diversos. Aula invertida – devendo os alunos comparecerem em sala com a leitura prévia dos artigos de lei e doutrina atinente a o tema da aula. UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA Curso: DIREITO - 10 - ATIVIDADES DATAS Início das aulas (calouros) 04/02/2019 Início das aulas (veteranos) 18/02/2019 V1 11/04 a 18/04 Eventos 20/05 a 23/05 V2 10/06 a 15/06 2.ª chamada (V1 e V2) 24/04 e 19/06 VS 24/06 a 29/06 Término do Semestre Letivo 29/06/2019 Reunião com Professores A ser marcada pela gestão do curso Reunião com Representantes de Turma A ser marcada pela gestão do curso Divulgação Notas VT À partir de 27/06/2019 - 11 - PLANO DE AULAS # Conteúdo da aula Habilidades e competências desenvolvidas Link de referência do material de apoio CH 1 AULA INAUGURAL. EXPOSIÇÃO DE CONTEÚDO, METODOLOGIA, BIBLIOGRAFIA. INTRODUÇÃO À HISTÓRIA E À FILOSOFIA DO DIREITO - OBJETO, MÉTODO, FONTES E IMPORTÂNCIA. O DIREITO COMPARADO.. CONCEITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DE DIREITO E JUSTIÇA; Percepção do conteúdo da História do Direito como um todo. Saber e conhecer o porquê da disciplina, conhecendo seu objeto, método, fontes e a real importância. Identificar-se como sujeito no referido processo evolutivo histórico. 1- Prévia apresentação geral de tudo que será estudado e analisado durante o semestre. 2- Aula expositiva dialogada e crítica. 3- Abertura para debates 4- Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 5- Seminários, dinâmicas de grupos, grupos de verbalização e observação. 3 2 O DIREITO DOS POVOS PRIMITIVOS. DIREITO ARCAICO: PALEOLÍTICO, MESOLÍTICO E NEOLÍTICO. Saber contextualizar o processo evolutivo histórico. Aula expositiva; Capítulo de doutrina 3 - 12 - 3 DIREITOS TRADICIONAIS NÃO EUROPEUS. DIREITO DOS POVOS ANTIGOS. ASPECTOS GERAIS DO DIREITO DO DIREITO DOS HEBREUS, DA GRÉCIA, DO EGITO E DA MESOPOTÂMIA. DIREITO NATURAL E DIREITO POSITIVO NO PERÍODO CLÁSSICO ROMANO GERMÂNICO. Identificar a construção e formação do Direito em cada período e suas transformações. Saber que o reflexo social é o direito em construção. Conhecer como o direito se ramificou em famílias, o que são e quem são as famílias. 1- Aula expositiva dialogada e crítica. 2- Abertura para debates 3 4 O SISTEMA ROMANO-GERMÂNICO: A FORMAÇÃO HISTÓRICA DO SISTEMA. ESTRUTURAS DOS DIREITOS. FONTES DO DIREITO. CIVIL LAW. O DIREITO GERMÂNICO. Verificar a preponderância da família romano-germânica na formação do direito em outras culturas. Analisar a consolidação do direito consuetudinário e sua transformação num direito formal. Saber acerca da espinha dorsal formadora do direito e quais pontos o direito se fundamenta – fontes. 1- Aula expositiva dialogada 2- Utilização de mapas geográficos para localização tempo - espaço 3- Utilização de retroprojetor ANÁLISES DE ARTIGOS CIENTIFICOS. 3 - 13 - 5 DIREITO CANÔNICO. RENASCIMENTO CULTURAL E FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO. Verificar a preponderância da família romano-germânica na formação do direito em outras culturas. Analisar a consolidação do direito consuetudinário e sua transformação num direito formal. Saber acerca da espinha dorsal formadora do direito e quais pontos o direito se fundamenta – fontes 1- Aula expositiva dialogada 2- Utilização de mapas geográficos para localização tempo - espaço 3- Utilização de retroprojetor ANÁLISES DE ARTIGOS CIENTIFICOS. 3 6 REALIZAÇÃO DE SEMINÁRIOS CULTURAIS INERENTES AOS POVOS DA ANTIGUIDADE. RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS REVISIONAIS PARA REALIZAÇÃO DE V1 Saber contextualizar o processo evolutivo histórico. 1. Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 2. Seminários, dinâmicas de grupos, grupos de verbalização e observação 3 7 O SISTEMA ANGLO-SAXÃO: COMMON LAW. O DIREITO INGLÊS HISTÓRIA, ESTRUTURA, FONTES.TÓRIA,ESTRUTURA, FONTES. O SISTEMA DE PRECEDENTES. Fazer a ponte entre os países que sofreram romanização para os que não sofreram. Contextualizar dessa forma e mostrar outro tipo de formação de Direito, diferenciado, genuíno e tradicional e um grande sistema – Common Law Aula expositiva; Capítulo de doutrina 3 - 14 - 8 OS DIREITOS SOCIALISTAS DOS PAÍSES DE TENDÊNCIA COMUNISTA: EVOLUÇÃO HISTÓRICA. FONTES DO DIREITO. ESTRUTURA DO DIREITO DIREITO E ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL Fazer a ponte entre os países que sofreram romanização para os que não sofreram. Contextualizar dessa forma e mostrar outro tipo de formação de Direito, diferenciado, genuíno e tradicional e um grande sistema – Common Law Aula expositiva; Capítulo de doutrina 3 9 APLICAÇÃO DE V1 Avaliação 3 10 ENTREGA, COMENTÁRIOS E CORREÇÃO DE V1. OS DIREITOS APÓS AS REVOLUÇÕES LIBERAIS E SUA INFLUÊNCIA NOS SISTEMAS JURÍDICOS. Avaliação; Fazer a ponte entre os países que sofreram romanização para os que não sofreram. Contextualizar dessa forma e mostrar outro tipo de formação de Direito, diferenciado, genuíno e tradicional e um grande sistema – Common Law Aula expositiva; Capítulo de doutrina 3 11 OUTRAS CONCEPÇÕES DA ORDEM SOCIAL E DO DIREITO: O DIREITO MUÇULMANO E DIREITO HEBRAICO. ASPECTOS GERAIS DO DIREITO CHINÊS E DO DIREITO JAPONÊS. Analisar e interpretar os direitos socialistas. Compreender que o estudo do direito dos países socialistas não nos dá apenas a conhecer um mundo novo, diferente do nosso; é uma fonte de ensinamentos. 1- Aula expositiva dialogada e crítica. 2- Abertura para debates 3- Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 3 - 15 - 12 DIREITO DE LIBERDADE E DE NÃO VIOLÊNCIA . TDE - 06 HORAS - PESQUISAS TEXTUAIS E DOUTRINÁRIAS PARA APRESENTAÇÃO DE SEMINÁRIO ATINENTE AO TEMA. Contextualizar o processo evolutivo social. Identificar as diversidades culturais influenciando na estrutura, formação e desenvolvimento do Direito. Traçar paralelos de identificação religiosos na formação do Direito. 1- Aula expositiva dialogada e crítica. 2- Abertura para debates 3- Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 3 13 ATIVIDADES DA SEMANA DE EXTENSÃO E JORNADA CIENTÍFICA Investimento no desenvolvimento cultural e científico dos acadêmicos Palestras 3 14 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA JURÍDICA. LÓGICA JURÍDICA. Contextualizar o processo evolutivo social. Identificar as diversidades culturais influenciando na estrutura, formação e desenvolvimento do Direito. Traçar paralelos de identificação religiosos na formação do Direito. 1- Aula expositiva dialogada e crítica. 2- Abertura para debates 3- Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 4. Seminários. 3 - 16 - 15 O JUSNATURALISMO MODERNO. O JUSNATURALISMO TEOLÓGICO METAFÍSICO MEDIEVAL. Contextualizar o processo evolutivo social. Identificar as diversidades culturais influenciando na estrutura, formação e desenvolvimento do Direito. Traçar paralelos de identificação religiosos na formação do Direito. 1- Aula expositiva dialogada e crítica. 2- Abertura para debates 3- Estudo comparativo e identificação de um período para outro de forma dialogada e crítica. 4. Seminários. 3 16 O POSITIVISMO JURÍDICO: RAÍZES E CARACTERÍSTICAS DO NORMATIVISMO DE HANS E KELSEN. REALISMO JURÍDICO E TEORIA TRIDIMENSIONAL DO DIREITO Proporcionar uma visão crítica acerca do direito brasileiro, após análise do processo de formação do direito em outras épocas e tempos e seus reflexos no processo de desenvolvimento jurídico brasileiro, destacandoa importância do sistema romano- germânico e seu viés positivista. Aula expositiva; Capítulo de doutrina 3 - 17 - 17 DIREITO BRASILEIRO: A FORMAÇÃO DO DIREITO BRASILEIRO E SUAS ORIGENS ROMANO-GERMÂNICAS. PANORAMA GERAL PÓS CONSTITUIÇÃO DE 1988. Proporcionar uma visão crítica acerca do direito brasileiro, após análise do processo de formação do direito em outras épocas e tempos e seus reflexos no processo de desenvolvimento jurídico brasileiro, destacando a importância do sistema romano-germânico. Aula expositiva; Capítulo de doutrina . Estudos de caso. 3 18 APLICAÇÃO DE V2 Avaliação 3 19 Devolução de avaliações e correção da prova Avaliação 3 20 VS – Encerramento do semestre 3 - 1 - I – CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS Em dezembro de 1994, a disciplina História do Direito retornou ao currículo do curso de Direito após longo período de ausência da graduação, o que não era de se estranhar pelo seu teor zetético por uma tradição política autoritária. Tradicionalmente o direito é tido como dogmático, onde determinados conceitos e fatos são simplesmente aceitossem questionamentos ou discussões (dogmas) . Em oposição ao dogmatismo, a zetética coloca o questionamento como posição fundamental, isso significa que qualquer paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético. A História do Direito é uma disciplina histórico-jurídica que tem por finalidade investigar a manifestação do fenômeno jurídico consubstanciado na cultura de uma época. Hans Kelsen escreveu em1934 o seu trabalho mais famoso, Teoria pura do Direito, cujo objetivo era discutir e propor os princípios e métodos da teoria jurídica [...] conferindo a esta um método e um objeto próprios capazes de superar as confusas metodologias, então, reinantes, dando ao jurista uma autonomia científica. A justiça não é uma questão suscetível de qualquer indagação teórico-científica, porque se constitui num ideal a atingir, variável de acordo com as necessidades da época e de cada contexto social, dependendo sempre de uma avaliação fundada num sistema de valores. A História do direito é muitas vezes tratada com condescendente desdém, por aqueles que entendem ocupar-se apenas do direito positivo. Diante disso, não se justifica na atual conjuntura sustentar o preconceito positivista empobrecedor e limitante, tornando o jurista despreparado para a compreensão da sua realidade jurídico-social, de tal forma que até o exercício de sua profissão restará prejudicado. A disciplina História do Direito é lecionada obrigatoriamente nos países que adotam o sistema continental, também, conhecido por família romano-germânica. Roma deixou, como um de seus inúmeros legados, a jurisprudência, a Idade Média, a dogmática, a Idade Moderna, a ideia de sistema, e a Contemporaneidade, a positividade do direito, características que compões a atual dogmática jurídica. O pensamento jurídico brasileiro tem vivido sob a égide do positivismo normativista há quase um século, tempo suficiente para consolidar uma tradição caracterizada por um exagerado tecnicismo, com um apego à apreciação lógico-dedutivista do direito. A História dos Sistemas Jurídicos contemporâneos consiste no estudo das diversas famílias (sistemas) jurídicas, laicas ou religiosas, que possuem traços em comum, sendo as principais a Romano-Germânica e a Anglo-Saxônica. E da análise destas e de outras famílias é que pode- se chegar ao entendimento contemporâneo de Direito, sobretudo o brasileiro. Buscar no passado respostas para o presente,com perspectivas dos caminhos que o Direito tomará, utilizando como uma das principais ferramentas o DIREITO COMPARADO. Esse é o foco da disciplina. - 2 - DIREITO COMPARADO Um importante instrumento paraa evolução jurídica,foi a utilização do direito comparado,isto é, o segmento do direito dedicado a estudar as semelhanças e diferenças entre os diversos ordenamentos jurídicos constituídos entre as mais diversas culturas existentes. O conhecimento de outros sistemas certamente aumentará o repertório do acadêmico, bem como do profissional do direito. O Direito Comparado é a comparação do Direito nas suas diversas formas .Tem sua origem na Grécia Antiga , mas somente há pouco mais de um século a importância dos estudos desse direito foi reconhecida. O método e os objetivos do direito comparado foram sistematicamente estudados e a própria expressão "direito comparado" foi acolhida e entrou em uso. Importante destacar que o referido ramo jurídico vincula-se intimamente ao“direito alienígena”, sendo, por vezes tratado como sinônimo deste. O desenvolvimento do direito comparado foi uma reação contra a nacionalização do direito que se produziu no século XIX,expandindo o conhecimento ou a busca pelo conhecimento de outros sistemas, pelo direito de outras nações. A disciplina do direito comparado divide as várias formas de direito existentes no mundo em "famílias" ou "sistemas". São eles: * Família romano-germânica (na qual se insere o direito brasileiro) * Família do "Common Law" (utilizado por Grã-Bretanha e boa parte de suas ex-colônias e Estados Unidos. * Família dos direitos socialistas (utilizado pelos países socialistas remanescentes). * Outras famílias (em especial dos países africanos e asiáticos, que muitas vezes misturam lei muçulmana, romano-germânica e sistemas ancestrais locais; há ainda o direito muçulmano, em países cuja religião oficial é o Islã,o direito judaico e o direito hindu.) O direito comparado é prioritariamente tema de história, de filosofia e de teoria geral do direito. Do ponto de vista historiográfico, o direito comparado é o componente discursivo da justificação dos modelos jurídicos. Tal ramo do direito possuitrês funções fundamentais : 1. Auxiliar as relações internacionais para compreender os povos estrangeiros e estabelecer um melhor regime para as relações da vida internacional; 2. Auxiliar nas investigações históricas (referentes ao direito); 3. Aprimorar o Direito Nacional ( é útil para conhecer melhore aperfeiçoar o nosso direito nacional), especialmente quando tratar-se de fato inexistente ou pouco ocorrente em nosso país. http://www.infoescola.com/direito/common-law/ http://www.infoescola.com/direito/direito-comparado/ - 3 - DIREITO E JUSTIÇA a) DIREITO Por direito podemos entender vários e diferentes significados. Seria difícil, mesmo, dizer em poucas palavras um só ou seu significado verdadeiro. No entanto, diferentes abordagens a respeito do significado do vocábulo “direito” podem ser trazidas ao presente texto. A primeira análise semântica do termo traz o clássico significado de algo que é reto ou que segue em linha reta o que é estabelecido segundo dada forma de ordenação. A sua utilização na vida cotidiana é muito comum. Qualquer pessoa entende o significado de alguém que diz que algo é o seu direito, e, portanto, é obrigada a respeitá-lo. Os dicionários da língua portuguesa expressam que o adjetivo “direito” passou a fazer parte da mesma no ano de 1277 d.C. Em seu primeiro significado encontramos que direito é aquilo que segue a lei e os bons costumes, é a pessoa justa, correta, honesta. Também é direito aquilo que está de acordo com o senso comum, com as normas morais e éticas aceitas pelas pessoas. É aquilo que é certo, correto e justo. Direita é a pessoa dotada de um comportamento impecável, de uma conduta irrepreensível, impecável. Aquilo que não contém erros também é direito, é certo, é correto. Ou ainda, com aparência, arrumação, aquilo que é adequado e acertado. Direito é aquilo que é justo, correto e bom. Também podemos entender como direito aquilo que é facultado a uma pessoa individualmente ou a um grupo de pessoas por força de leis ou costumes. Uma prerrogativa legal também é um direito. Isto sem nos esquecermos de que prerrogativa legal significa justamente um direito. Um direito é um privilégio, uma regalia, uma autorização legal para determinada atividade. Por fim, o direito também é um conjunto de normas[4][4] de vida em sociedade que visam a expressar e concretizar um ideal de justiça, traçando as fronteiras daquilo que está ou não em conformidade com as leis. Direito também é a ciência que tem por objeto o estudo das regras que disciplinam a convivência social. B) JUSTIÇA A palavra justiça, foi aceita na língua portuguesa a partir do século XIII. O seu significado é de caráter, ou de algo que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo. Justiça também expressa uma maneira pessoal de perceber e avaliar aquilo que é direito, que é justo. Por justiça também podemos entender um princípio moral pelo qual o respeito ao direito é observado. Também é justiça o reconhecimento o reconhecimento do mérito de alguém ou de algo. A justiça também expressa a conformidade dos fatos com o direito. Justiça é o poder de fazer valer o direito de alguém ou de cada um. Justiça também é o conjunto de órgãos que compõem o Poder Judiciário de um país. Dentro deste Poder são encontradas cada uma das jurisdições encarregadas de distribuir a justiça. Pela expressão fazer justiça tem-se o significado de aplicar uma pena cominada ou reconhecer uma virtude ou uma qualidade em alguém ou em algo. - 4 - A palavra justiça vem do latim justitia,ae e expressa o significado de justiça, equidade, leis, exatidão, bondade, benignidade. Do direito romano nos é trazida a fórmula de justiça que se resume no dever de dar a cada um o que é seu, sem qualquer esforço ou sacrifício. C) DIREITO E JUSTIÇA Ulpiano ensina que: “Justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique tribuendi”. O significado do clássico conceito significaria que a justiça é a virtude ou a vontade firme e perpetua de dar a cada um o que é seu. A justiça não seria uma virtude pessoal apenas, que comece e termine no indivíduo, mas, ao contrário, ela se dirige às relações humanas em geral. A justiça entre dois indivíduos seria chamada de comutativa, a justiça entre o indivíduo e a sociedade seria a justiça legal; a justiça entre o Estado e o indivíduo é a justiça distributiva. Também devem dirigir essas relações outros valores como a compaixão, a caridade, o amor filial, a urbanidade e etc. Logo, direito e justiça são palavras que trazem complexos e distintos significados. No entanto, é muito fácil entendê-las e assimilar o seu significado, pois, desde a mais tenra idade, as pessoas sabem o que lhe pertence e sabem defendê-lo com unhas e dentes da ação das outras crianças ou adultos que se aventuram a tomar para si o referido bem. À medida que crescemos e aprendemos o significado de direito como um conjunto de normas da vida social, também desenvolvemos a noção de que justiça, dentre outros significados, tem o sentido de uma norma cumprida, observada e respeitada. Fazer justiça é, enfim, respeitar o direito e abster-se de qualquer ação que perturbe o equilíbrio social advindo do respeito das leis por cada um de nós. - 5 - DIREITO PRIMITIVO OU ARCAICO Povos sem escrita, que viviam basicamente no regime matriarcal. Viviam no chamado período da pré-história, termo este não pacífico pelos estudiosos atuais. É o período anterior ao aparecimento da escrita, por volta do ano 4000 a.C. .Seu estudo dependeu da análise de documentos não-escritos, como restos de armas, utensílios, pinturas, desenhos e ossos. O gênero HOMO apareceu entre 4 e 1 milhão de anos a .C.. Aceita-se três etapas na evolução do homem pré-histórico, entreos estudiosos. São elas: a) PALEOLÍTICO (idade da pedra lascada) -Paleolítico inferior: 500.000 – 30.000 a.C. - Paleolítico superior: 30.000 – 8.000 a.C. b) NEOLÍTICO (nova idade da pedra, período da pedra polida) 8.000 – 5.000 a.C. c)IDADE DOS METAIS - 5.000 - 4.000 a.C. Esta divisão é evolucionista mas numerosos investigadores da história contestam tal visão. Afirmam que existe grande diversidade cultural entre os grupos humanos e que, diante de determinado problema, cada homem se organiza de um modo, o que resulta em culturas diferentes. Daí conclui-se que certos grupamentos humanos podem ter simplesmente acelerado um dos estágios ou ter saltado um deles. Nessa fase os ideais que se conhecem como Direito apresentavam-se sob a forma de autotuleta, embora, valha ressaltar, não há que se falar em direito enquanto ciência no aludido período. A autotutela é a mais primitiva das formas de solução de lides. Nascida com o homem na disputa dos bens necessários à sua sobrevivência, representando a prevalência do mais forte sobre o mais frágil. Com evolução da sociedade e a organização do Estado ela foi sendo expurgada da ordem jurídica por representar sempre um perigo para a paz social. Contudo, excepcionalmente, até porque o Estado não tem como socorrer o jurisdicionado a tempo e à hora, a autotutela é hodiernamente admitida, mas apenas para defender direitos que estejam sendo violados. As características da autotutela são: Ausência de um julgador distinto das partes; e a imposição da decisão de uma parte (geralmente o mais forte) em detrimento do outra. Importante salientar que no direito moderno, o exercício da autotutela para satisfazer uma pretensão, embora legitima, salvo quando autorizado por lei, constitui crime e está sujeito a sanção legal. Neste período, as associações humanas começam a solidificar-se. O direito - aqui vislumbrado com norma social a ser seguida bem como a um sistemas de solução de lides - começa a se desenvolver. É tido como um "Direito Primitivo" ou "Direito Arcaico". Imagina-se que o homem torna-se sedentário, isto é, começa a se fixar em um lugar, na Mesopotâmia e adjacências, em torno de 10 mil a.C., e um importante marco deste período foi o surgimento da agricultura, que se deu entre 8.000 e 5.000 a.C.( no período neolítico), quando o homem deixou sua vida nômade, sedentarizando-se às margens dos rios e lagos, cultivando trigo, cevada e aveia. Nesta época também domestica ovelhas e gado bovino, otimizando sua cadeia alimentar.. Aí também surgem os primeiros aglomerados urbanos, com finalidade principalmente defensiva. Nesta época também as viagens por terra e mar. O referido http://www.algosobre.com.br/historia/pre-historia-a-origem-do-homem.html - 6 - período corresponde àchamada comunidade primitiva, onde o solo pertencia a todos e a comunidade se baseava em laços de sangue, idioma e costumes. A partir deste ponto, a evolução das comunidades processou- se em duas direções: * por um lado, no sentido de acúmulo de produção excedente e extensão da posse e da propriedade individual dos bens, no sentido da transformação das antigas relações familiares. * por outro lado, houve o envolvimento afetivo – além do comercial - entre pessoas dos mais diversos clãs. Dá-se o primórdio do Estado Primitivo. Durante a idade dos metais (5.000 a 4.000 a.C.), o cobre passou a ser fundido pelo homem, seguindo-se o estanho, o que permitiu a obtenção do bronze, resultante da liga dos dois primeiros. Por volta de 3.000 a.C., produzia-se bronze no Egito e na Mesopotâmia, sendo esta técnica difundida para outros povos a partir daí.A metalurgia do ferro é posterior e tem início por volta de 1.500 a.C., na Ásia Menor, tendo contribuído decisivamente para a supremacia dos povos que a dominavam e souberam aperfeiçoá-la. Ressalta-se o fato de que o Direito era transmitido de forma consuetudinária, com a influência na religiosidade e na hierarquia social da época, a natureza nômade das pessoas, cedeu espaço aos clãs, que por sua vez deram origem ao Estado Primitivo - governos e organizações. Essa formação social, se fez principalmente na região do Nilo e Mesopotâmia, depois se expandindo para outras regiões. O DIREITO NA ANTIGUIDADE Neste período, destarte as grandes mudanças provocadas pelo advento da escrita, o direito passa ao ter um desenho que vislumbra o modo heterocomposto. Por meio da com a avocação da solução de lides pelos Estados Primitivos que vinham se formando, a jurisdição passa a ser exercida. A heterocomposição se verifica quando a solução das lides é determinada por um terceiro. Exemplos de heterocomposição são a arbitragem e a tutela ou jurisdição. No caso em tela, o terceiro em questão é o Estado. Em sentido paralelo, como forma alternativa de resolução de controvérsias, foi sendo desenvolvido o método de autocomposição, que nos dias atuais encontra sentido obrigatório, conforme se aduz do Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 319. Pode-se dizer que a autocomposição, mesmo advinda dos primórdios da civilização, continua existindo até hoje no direito brasileiro. Inclusive é fomentada pelas leis mais atuais no Brasil, como a lei de mediação e o novo CPC, conforme já dito. O NCPC, por oportuno, descreve que "a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial". https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13140.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm - 7 - A autocomposição é um sistema antigo de composição (resolução) de lides. Consiste no ato um dos litigantes, ou todos, abrirem mão do seu interesse por inteiro ou de parte dele, podendo tradicionalmente ocorrer por meio de desistência (do autor), submissão (do réu) e concessões recíprocas. No Direito brasileiro hodierno continua vigorando em caráter alternativo, desde que respaldada. Em regra, as lides são solucionadas por meio de heterocomposição. Diversas civilizações merecem destaque, no que pertine ao seu estudo jurídico. Contudo, destacam-se: a) O DIREITO MESOPOTÂMICO A região da Mesopotâmia (atual Iraque), situada entre os rios Tigres e Eufrates, foi o cenário do desenvolvimento de povos do mundo antigo. Fundada pelos Sumérios, e habitada também por Acádios, Assírios, Babilônicos e Caldeus, favoreceu o florescimento de uma civilização que deixou grande influência, com zigurates (templos religiosos), e até mesmo os jardins suspensos da Babilônia. Devido a uma necessidade de tornar mais amplo os ordenamentos jurídicos consuetudinários, e já após o advento da escrita, houve a positivação do direito, com base nas relações humanas e sociais. O poder religioso tem GRANDE relevância, nesse caso, tem-se a classe sacerdotal, privilegiada devido a influência que a mesma tinha sobre a população camponesa e artesã. Tantos os chefes militares quanto os sacerdotes, tinham suas imagens interligadas a personificação dos deuses, como em vários casos que podem ser encontrados na história, várias fontes que demonstram a relação entre o poder político e a religião, na figura dos chefes teocráticos. O Código de Hamurabi Antes do Código de Hamurabi, haviam somente registros do Código de Dungi, que foi criado pelos Sumerianos, mais foram os Babilônicos que se perpetuaram na história do direito antigo, quando o Imperador Hamurabi revisou os códigos sumérios e desenvolveu uma série de normas, acabou influenciando o direito de todosos povos semitas da região. Esse código foi caracterizado pelos seguintes pontos: a) Institucionalização da Lei de TALIÃO – Mais conhecida como ‘’Olho por Olho, Dente por Dente’’, isso nos mostra que a justiça era como um corretivo, aplicada pelos Babilônicos. b) Administração da Justiça em caráter semiprivado – Sendo que a vítima ou um dos seus familiares podiam levar o ofensor a justiça e os agentes da lei podiam auxiliar na execução da sentença. c) Desigualdade perante a lei – Já aqui podemos notar que o código dividia a população em 3 classe:, * aristocracia * os cidadãos comuns * os servos e escravos. Fator este que possibilitava aplicar as penas de acordo com sua classe social, sempre levando em conta a vítima e o agressor. http://pt.wikipedia.org/wiki/Indiv%C3%ADduo - 8 - d) A distinção entre o homicídio acidental e o intencional – O homicídio acidental recebia a punição por meio de multas paga a família da vítima e o Intencional pagava-se por meio da própria vida. Percebe-se que a pena de morte era uma sentença comum, porém um sujeito com status social elevado era privilegiado, conforme já exposto, o que infelizmente pode ser visto, em certas ocasiões, hoje em dia, quando a lei deveria ser igual para todos. b) O DIREITO GREGO O estudo jurídico grego deve-se a polis onde melhor se desenvolveu o direito e a democracia, atingindo sua perfeita forma quanto à Legislação, ao processo, no caso, Atenas. No período arcaico (século XIII ao VI a.C.) em Atenas, apresentam-se as seguintes inovações: armamento naval, terrestre, as moedas e o alfabeto. A escrita surge como nova tecnologia, permitindo codificações de leis e sua divulgação através de inscrições nos muros da cidade. Dessa forma, junto com as instituições democráticas que passavam a contar com a participação do povo, os aristocratas perdem também o monopólio da justiça. Dois legisladores atenienses merecem destaque: Drácon e Sólon. Drácon (620 a.C.) fornece a Atenas o seu primeiro código de leis, que ficou conhecido pela severidade e cuja lei foi mantida por Sólon, especialmente a relativa à distinção de homicídios: voluntário, involuntário e legítima defesa. Sólon faz uma reforma institucional, social e econômica, estimulando a agricultura e exportação de produtos, tais como a oliva e o vinho. A escrita grega surgiu e se desenvolveu ao longo da história dessa civilização, estando intimamente ligada ao direito grego. Entretanto, apesar de ser o berço da Filosofia, da democracia, do teatro e da escrita alfabética, a civilização grega preferia falar a escrever e, por outro lado, se recusava em aceitar a proliferação do direito e da figura do advogado que, quando existia, não podia ser pago. Os escritores do século IV eram, na maioria, oradores e professores, com preocupações sociais, culturais, religiosas e outras, e por estas e outras razões, os gregos não foram grandes juristas, não souberam construir uma ciência do direito, nem sequer desenvolver uma maneira sistemática às suas instituições de Direito privado. Por outro lado, cada pólis tinha seu próprio direito. Por isso, o direito grego tratava-se de uma noção mais ou menos vaga de Justiça, que estava difusa na consciência coletiva, sendo os registros que se tem sobre o direito grego extraídos de fontes literárias (discursos e textos diversos acerca de temas, tais como: casamento, sucessão, adoção, legitimidade de filhos, escravos, cidadania. Paradoxalmente, os gregos tinham um direito processual bastante evoluído, com registros de decisões de árbitros públicos e privados (mediação). Difundia-se a ideia de autocomposição. Como dito, o destaque jurídico grego é concedido a Atenas, especialmente no período compreendido entre 480 a.C. e 338 a.C - uma vez que Esparta, outra importante polis, era voltada para o militarismo e expansionismo. A lei ateniense era essencialmente retórica. Pode-se destacar o tribunal de Helieia, um tribunal popular, que julgava todas as causas, exceto as que envolviam crimes de sangue, que ficavam sob a alçada dos Aerópagos ( assembleia de magistrados) Por essa razão, atribui-se aos gregos a criação do júri popular. Não havia advogados, juízes ou promotores. Apenas dois litigantes e os logrógrafos (escritores de defesas que faziam discursos perante os - 9 - tribunais. Normalmente era alguém desconhecido da grande massa e que não cobrava honorários. Por fim,compete destacar a importância das instituições gregas que colaboraram de alguma forma para a evolução do direito ocidental: *Assembleia do povo - formada por cidadãos acima de 20 anos e de posse de seus direitos políticos; tinham atribuições legislativas, executivas e judiciárias no sentido de manter a ordem social; deliberando, elegendo, fiscalizando o cumprimento das norma se julgando os transgressores. *Conselho (Boulê) - 500 cidadãos acima de 30 anos, escolhidos por sorteio entre os cidadãos de reputação ilibada, com a função de examinar, preparar e controlar as leis. *Estrategos (guerra) -10 elementos eleitos pela assembleia; deviam ser casados e natos, administravam as guerras, cobravam e distribuíam impostos e tinham papel de polícia. *Magistrados (ações municipais) - eram candidatos eleitos anualmente, com função processual (organização dos julgamentos); de desenvolvimento de políticas públicas municipais; e de promover cultos religiosos. C) O DIREITO HEBRAICO Por possuir natueza religiosa, direito é dado por Deus ao seu povo, e desde o principio é imutável, só Deus o pode modificar, ou seja, mesma ideia que será reportada no direito canônico e no direito muçulmano. Os intérpretes, mais especialmente os rabinos, podem interpretá-lo para o adaptar à evolução social, no entanto, eles nunca o podem modificar. Há uma espécie de aliança entre Deus e o povo que ele escolheu, o Decálogo (dez mandamentos) ditado a Moisés é o seu alicerce, e o Deuteronômio é visto com uma forma de aliança. Uma maneira geral de aplicação do direito divino. O Decálogo (que significa "dez palavras") é o nome dado ao conjunto de Leis Divinas que, segundo a Bíblia Sagrada, foram escritos diretamente por Deus e entregues a Moisés, o libertador e legislador de Israel, no contexto da Antiga Aliança. Foram eternizadas como Tábuas da Lei, no período que ocorreu após a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, que durou cerca 430 O Êxodo, é a fuga do povo hebreu da perseguição e da escravidão faraônica no Egito, foi comandado por Moisés, grande líder e legislador. A época em que viveu Moisés, assim como o período histórico do Êxodo, ainda é um problema para os historiadores. Uma corrente defende que o faraó opressor dos hebreus teria sido Ramsés II e o faraó do êxodo, seu sucessor Merneptá, por volta de 1230 a.C. Os 10 mandamentos, são as leis que Deus nos deu através de Moisés, no Monte Sinai, escritos em duas tábuas de pedra (conhecidas também como as tábuas da lei), que foram colocadas dentro da Arca da Aliança. Podemos encontra-los na Bíblia em Êxodo 20:2-17 e Deuteronômio 5:6- 21 c.1. O Direito Sacro A fonte jurídica dos hebreus advem da Bíblia, a qual contém a "Lei" revelada por Deus aos Israelitas. Na Bíblia, encontram-se o Pentateuco, que recebe pelos Judeus o nome de Torá. Qualquer interpretação do direito hebraico apoia-se num versículo da Bíblia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_can%C3%B4nico https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_mu%C3%A7ulmano https://pt.wikipedia.org/wiki/Rabinos https://pt.wikipedia.org/wiki/Dec%C3%A1logo https://pt.wikipedia.org/wiki/Deuteron%C3%B4mio https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Mosaica https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_Sagrada https://pt.wikipedia.org/wiki/Mois%C3%A9s https://pt.wikipedia.org/wiki/Israel https://pt.wikipedia.org/wiki/Antiga_Alian%C3%A7ahttps://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1buas_da_Lei https://pt.wikipedia.org/wiki/Egito https://pt.wikipedia.org/wiki/Mernept%C3%A1 - 10 - Os escritos referem-se à leis reveladas por Deusa Moisés – sendo, por esse motivo, casualmente denominada como as "Leis de Moisés". Compõe-se de cinco Livros: • Génese (a Criação, a vida dos patriarcas); • o Êxodo (estadia no Egito e volta à Canaã); • o Levítico (livro de prescrições religiosas e culturais); • o Números (senso da população; sobretudo a organização da força material); • o Deuteronômio (que complementa os quatro livros precedentes); Conforme se deduz da leitura do Levítico e de Números, o enforcamento e o apedrejamento eram os modos ordinários de se aplicar a pena capital, prescrita pela lei dos hebreus: "Fala aos filhos de Israel nestes termos: quem ultraja o seu Deus, suportará o castigo do seu delito. Aquele que proferir blasfêmias contra o nome do Senhor, será punido com a morte e toda a congregação o apedrejará. Quer seja estrangeiro, quer seja natural do país, se proferir blasfêmias contra o nome do Senhor, será punido com a morte" (24:15,16). Os hebreus arrancavam todas as roupas do condenado á lapidação, exceto uma faixa, que lhe cingia os rins. Depois a primeira testemunha o arremessava ao solo, do alto de um tablado com dez pés de altura. E a segunda testemunha, lançando uma pedra, queria atingi-lo no peito, bem acima do coração. Se este ato não lhe desse a morte, as outras pessoas ali presentes o cobriam de pedradas, até o momento da morte do condenado. Cumprida a sentença, o cadáver era queimado ou dependurado numa árvore. O DIREITO MEDIEVAL O Direito Medieval era o conjunto dos Direitos Feudal (aplicado pelo senhor feudal no seu feudo) e Canônico (aplicado pela Igreja Católica Romana em toda a Cristandade). O discurso jurídico canônico se materializou no Tribunal da Santa Inquisição (oficializado pelo Papa em 1231). A Idade Média é apresentada como sendo o período iniciado com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e terminada com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453. Na Europa Feudal, a Igreja era a instituição que monopolizava a interpretação da realidade social, pois era ali que estavam os estudiosos, os eruditos, os chamados “doutores da Igreja”; e a Igreja logo se tornou um lugar de saber inquestionável, para onde as pessoas deveriam se dirigir para saber o que deveriam fazer para alcançar a salvação eterna. Deus estava na origem de tudo: a vida e a morte dependiam da vontade de Deus, e era a Igreja que tinha o conhecimento SOBRE como alcançar a salvação, atendendo os desígnios de Deus. Aos poucos a Igreja Católica foi criando regras que visavam não só ao controle do clero, que se tornava cada vez mais hierarquizado e complexo, mas também ao controle da população em geral, que vivia, em sua grande maioria, sob a autoridade de senhores feudais católicos, que respeitavam a Igreja. A Igreja se preocupava muito com o comportamento da população em geral, pois ela acreditava que uma sociedade desregrada não era agradável a Deus. A interpretação da Igreja era a de que Deus havia determinado o papel de cada um na sociedade: um grupo rezava, outro lutava e outro trabalhava: seriam o clero, a nobreza (os senhores feudais e seus exércitos) e o povo (os camponeses). Não podia haver mudança de papel, as regras eram claras; e essa sociedade estamental deveria funcionar de forma previsível, rotineira, regrada, dentro do modelo - 11 - normativo estabelecido pela Igreja, para que Deus não se voltasse contra ela, mandando a peste, a fome e outras calamidades (castigos). Coube, então, à Igreja, a única instituição capaz de interpretar os desejos de Deus, a tarefa de produzir as regras ou cânones para o controle dessa sociedade. Um aspecto importante desses cânones foi o tema da privação do prazer. Os monges e religiosos de forma geral desenvolveram um tipo de vida marcado pela privação do prazer, pela virgindade ou abstinência sexual, por jejuns e muita oração, pois assim acreditavam que estariam mais próximos de Deus. É claro que a Igreja não impôs esse tipo de comportamento ao resto da população, mas tentou regrar a conduta dos cristãos de forma a fazer com que eles se entregassem o mínimo possível às tentações da carne, à gula, etc., e rezassem mais. Com relação à questão sexual, por exemplo, São Jerônimo (que era um doutor da Igreja e viveu entre os séculos IV e V) dizia o seguinte: “É adúltero aquele que mantém relação amorosa ardente com sua esposa”. Para ele, adúltero não era só o indivíduo que traía a sua esposa, mas também aquele que fazia sexo com sua própria esposa de forma ardente, ou seja, buscando alguma coisa (prazer) além da simples procriação. Só se podia fazer sexo para ter filhos. Outro doutor da Igreja medieval disse o seguinte: “Se uma mulher não deseja ter filhos, que ela faça um acordo piedoso com seu marido, porque a castidade é a única esterilidade permitida a uma cristã”. Que acordo piedoso é esse? Não fazer sexo de jeito nenhum O aborto, o infanticídio e qualquer método contraceptivo eram proibidos pela Igreja – e ainda são. Sobre essa questão, São Martinho, bispo de Braga, morto em 579, disse o seguinte: “Se uma mulher fornicou e matou o filho nascido deste ato, ou cometeu um aborto e matou aquele que tinha concebido, ou tomar poções para não conceber, seja no adultério como no casamento legítimo, os cânones precedentes (ou seja, anteriores) condenam esta mulher a ser privada da comunhão até à morte; mas nós decretamos, por graça, que estas mulheres e aquelas que as ajudaram no seu crime façam penitência durante dez anos”. Mesmo as pessoas casadas tinham que obedecer rigorosamente aos períodos de abstinência sexual estabelecidos pela Igreja. Por exemplo, não podiam ter relações sexuais na quaresma, nem em qualquer quarta- feira, sexta-feira ou domingo do ano; se vai ou foi à Missa, nada de sexo naquele dia; no dia da Páscoa, no dia do Natal e de Pentecostes, nada de sexo. Durante a gravidez também não, e durante trinta noites após o nascimento do filho, também não. Outro aspecto da realidade que foi aos poucos sendo controlado pelo direito da Igreja (ou, pelo menos, que a Igreja tentou controlar) foi o comércio e, principalmente, o seu elemento sustentador: o lucro. Importante lembrar que, no início de sua formação, a economia medieval era fechada: não havia moedas e quase não sobrava alimentos para os camponeses irem de um feudo a outro para trocar a sua produção por outros tipos de alimentos. As trocas comerciais eram muito restritas. Só que, com o tempo, alguns camponeses começaram a organizar feiras anuais onde, todos os anos, um GRANDE volume de trocas passou a ser realizado. Foi nesse contexto que eles voltaram a utilizar a moeda como elemento de troca, o que facilitou muito o comércio, porque não era mais necessário carregar produtos daqui para ali, para trocá-los por outros produtos; era só trocar os produtos por moedas, pegar essas moedas, ir até uma feira, e trocar essas moedas por outros produtos. Nesse contexto, dentro da sociedade feudal, começaram a aparecer aldeias onde se concentraram pessoas que haviam se especializado na - 12 - atividade comercial: aldeias que se tornaram, elas próprias, centros comerciais. Eram os burgos, e seus habitantes, os burgueses. Os burgueses não eram camponeses. Eles só compravam dos camponeses a sua produção e revendiam para outros camponeses, logicamente obtendo lucro. Quando esses burgueses entraram em cena, a Igreja condenou a sua atividade: o comércio. No decreto de Graciano (monge italiano e um dos maiores juristas da Igreja Católica), datado do século XII, existe a seguinte frase: “o mercador nunca pode agradar a Deus –ou dificilmente”. São Tomás de Aquino, um dos maiores intelectuais da Igreja de todos os tempos, dizia o seguinte, no século XIII: “o comércio, considerado em si mesmo, tem um certo caráter vergonhoso”. Quais os motivos dessa condenação? O próprio objetivo do comércio: o desejo de ganho, a sede de dinheiro, o lucro, o que levava o mercador, quase sempre, a cometer um dos pecados capitais: a cupidez ou avareza. Mas como a Igreja não conseguia impedir o desenvolvimento comercial, colocando obstáculos que fossem eficazes no sentido de neutralizar as atividades dos mercadores, ela, mais tarde, vai acabar se aliando aos mercadores – ela continuou condenando severamente apenas um dos desdobramentos da atividade comercial: a usura, que era o empréstimo a juros. Para a Igreja, o tempo pertencia a Deus, e nenhum ser humano podia ganhar dinheiro utilizando-se do tempo. A própria Bíblia condenava a usura. Em um texto do Antigo Testamento há a seguinte passagem: “Não exigirás de teu irmão nenhum juro nem para dinheiro, nem para víveres, nem para coisa alguma que se preste ao juro”. No Novo Testamento há também uma passagem sobre isso que diz o seguinte: “Emprestai sem nada esperar em retorno, e grande será vossa recompensa”. São Tomás de Aquino condenava a usura dizendo que o dinheiro deve servir para favorecer as trocas e que acumulá-lo, fazê-lo frutificar por si mesmo, era uma operação contra a natureza e contra Deus. Uma questão: Será que a Igreja realmente acreditava que, ao punir aqueles que se desviavam de suas diretrizes (se entregando aos prazeres da carne, o que, na visão da Igreja, “pesava” a alma do cristão, impedindo que ele alcançasse a SALVAÇÃO) ela estaria realmente salvando o corpo cristão, ou seja, a Cristandade, da perdição? Será que a Igreja realmente via a sociedade como um corpo, cujos membros podres ou tumores deviam ser extirpados, de forma que eles não comprometessem o todo? Ou será que tudo não passou de uma estratégia de poder? Ou as duas coisas? Esses são apenas alguns exemplos de regras da Igreja Católica Romana que, aos poucos, foram constituindo o Direito Canônico. Esse direito se diferenciava do Direito Feudal em dois aspectos principais. Primeiro: o Direito Canônico era um direito escrito, enquanto o Direito Feudal (que vigorava em cada feudo e tinha na figura do senhor feudal a autoridade judiciária máxima, pelo menos antes da formação dos primeiros estados), não era escrito: era costumeiro, ORAL: ou seja, consuetudinário. Segundo, o Direito Canônico era um direito centralizador, enquanto o Direito Feudal era fragmentário. O Papa não via a Europa Ocidental como uma colcha de retalhos, fragmentada em várias unidades políticas, cada uma com sua estrutura judicial. Ele via a Europa enquanto uma unidade cristã, uma realidade social unida na fé cristã, obediente a Roma. Por isso o Papa fundou um modo diferenciado de resolução de litígios baseado no direito ROMANO, que era um direito centralizador. - 13 - Durante a Idade Média, o poder estava dividido em três esferas: -poder local, exercido pelo nobreza medieval; -poder nacional, exercido pela monarquia; -poder universal, exercido pelo Papado. Cada feudo tinha o seu direito. Certifica-se que a Idade Média (na sua maior parte) foi um período de fragmentação ou descentralização do poder, e isso se refletiu de forma marcante na organização judicial. O senhor feudal exercia a soberania política e judicial, fazendo justiça de acordo com o direito consuetudinário, no seu feudo – somente no seu feudo. Como se tratava de um direito oral, dificilmente podemos deduzir o seu conteúdo, mas sabe-se que, desde o início, a partir do momento em que os senhores feudais (ou seus ancestrais “bárbaros”) começaram a se converter ao Cristianismo, os cânones da Igreja católica passaram a ser seguidos nos feudos católicos, pois assim que acontecia a conversão do senhor, o Papa mandava um membro do clero para viver no castelo desse senhor e fazer com que o direito da Igreja fosse ali respeitado. Tem-se, então, dois direitos sendo aplicados paralelamente na Europa Ocidental. O primeiro, fragmentado: cada feudo tinha o seu. O outro, centralizador, escrito, comum a todos os feudos católicos. Acontecia, algumas vezes, do Direito Feudal ir contra o Direito Canônico em determinados aspectos da realidade, sobretudo relacionados aos costumes do povo; mas quando isso acontecia, o senhor feudal normalmente acatava as determinações do Direito Canônico. Isso atesta a importância do direito da Igreja na Europa Medieval. Quando, a partir dos séculos XII-XIII, os feudos mais militarizados começaram a submeter os mais fracos, à força ou através de alianças, a Igreja ajudou os senhores feudais mais fortes pregando aos outros a necessidade da submissão e acabou se tornando a grande aliada dos monarcas que surgiram nesse processo de centralização do poder. A importância simbólica da Igreja era tanta, a crença católica era tão forte entre o povo, que quem passou a legitimar o poder político dos reis foi a Igreja, através da Sagração. O rei que não fosse sagrado pela Igreja não tinha o direito de exercer o poder, a população não o reconhecia como rei. Foi durante esse processo de centralização do poder nas mãos dos monarcas (antigos senhores feudais) que surgiu o Tribunal da Santa Inquisição, uma forma encontrada pela Igreja para sistematizar o controle sobre a Cristandade, aplicando o seu direito. A Santa Inquisição foi se estabelecendo em diversos pontos da Europa, amparada pelos senhores e reis católicos. A sua tarefa foi, principalmente, julgar os hereges, ou seja, aquelas pessoas que interpretavam os ensinamentos cristãos de maneira diferente daquela que a Igreja pregava. Mas a Inquisição também julgava casos de adultério, incesto, bigamia, bruxaria, sacrilégio, usura e outros comportamentos considerados desviantes do ponto de vista da moral religiosa. A primeira etapa do processo inquisitorial era ouvir os boatos. As autoridades eclesiásticas estimulavam a delação, dizendo que Deus recompensaria aqueles que entregassem os hereges e outros desviantes ao Inquisidor. Depois, os suspeitos eram interrogados. Havia um manual que regulamentava os interrogatórios e demais procedimentos inquisitoriais: o Manual dos Inquisidores. Se o suspeito vacilasse em suas respostas, se ele dissesse uma coisa e depois outra, ele poderia ser torturado para que confessasse. A condenação poderia vir com confissão ou sem confissão. Às vezes as provas eram tantas que já condenavam o réu sem confissão. Mas a confissão era a prova mais importante; só que, - 14 - na maioria das vezes, ela era obtida por meio da tortura. Não havia advogado de defesa. Quem se defendia era o próprio acusado. A pena máxima estabelecida pela Inquisição era a morte na fogueira. As penas mais leves iam desde penitências, orações, penas pecuniárias (em dinheiro), até os chamados “Autos de fé”, que eram procissões em que os condenados eram obrigados a participar vestidos de branco e com velas nas mãos (normalmente era assim), de forma que todos pudessem ver quem eles eram. O sistema jurídico inquisitorial contribuiu para a racionalização do sistema penal no final da Idade Média e início dos tempos modernos. Embora fosse um sistema ligado à Igreja e ao “Sagrado”, o procedimento de investigação era bastante racional. Para começar, os processos eram todos registrados por escrito. Havia investigação, depoimentos de testemunhas e um sistema de provas muito sofisticado para a época. Por exemplo, o testemunho ocular de duas pessoas era uma prova plena e podia levar facilmente à condenação. Vários indícios podiam se tornar uma meia prova ou prova semiplena. Duas provas semiplenas podiam se tornar uma plena. Entende-se por Direito Feudal o conjuntode normas consuetudinárias que regiam as relações advindas do sistema feudal de produção. Vigorou na Europa Ocidental por quatro séculos, a partir do século VIII, tendo sua origem no reino franco e, posteriormente, espalhando-se por todo o Ocidente. Paralelamente a ele vigiu também o chamado direito comum, que não cabe aqui ser analisado. No que diz respeito ao direito Feudal, este possuía independência do direito romano e do direito germânico. Suas características principais, destacadamente mais germânicas que romanas, eram *a valorização das relações pessoais e da propriedade fundiária *a ausência de qualquer concepção abstrata de Estado. Durante os quatros séculos em que vigiu, as únicas leis escritas existentes foram as capitulares, que continham, além de normas de direito penal e processual, algumas poucas regras de direito feudal. As capitulares eram editadas pelos reis, com o apoio de um consenso (capítulo), na tentativa de organizar a sociedade e proteger os súditos mais pobres. Eram fator de unificação jurídica, porque aplicáveis a todo o reino. Desapareceram no fim do século IX, a partir do que não existiram mais legislações aplicáveis a todo um reino até o século XII. Assim, o Direito Feudal desenvolveu-se através dos costumes, sendo que o soberano, muito raramente, intervinha para legislar, e sempre se restringia a uma questão particular. Tais costumes foram resumidos em obras como o Legesfeudorum, datado do século XII, portanto já do período de declínio do Direito Feudal. Como o direito era oral, e a principal fonte era o costume, as normas mudavam de região para região. Não houve qualquer espécie de ensino jurídico, nem se pode afirmar que se desenvolveu ciência jurídica de qualquer natureza. O único direito supranacional, no início da Idade era o direito da Igreja Romana, anteriormente explicitado. Ressalta-se que nem o Direito Feudal e nem o Direito Canônico, o qual gozava de prestígio, foram estudados na época. Portanto, conclui-se que, na época, o direito não possuía viés acadêmico, tampouco científico. O DIREITO NA IDADE MODERNA No período histórico que se inicia com a descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498 e se estende ao desenvolvimento da Revolução Francesa, em 1789pode-se destacar que o direito deixa de lado a descentralização feudal e inicia um processo centralizado com o advento do absolutismo monárquico. - 15 - O ABSOLUTISMO MONÁRQUICO Entende-se por Absolutismo, o processo de centralização política nas mãos do rei. É resultado da evolução política das Monarquias Nacionais, surgidas na Baixa Idade Média, com a aliança rei - burguesia. A burguesia possuía interesse econômico na centralização do poder político, pois com a padronização monetária e a adoção de mecanismos protecionistas, seria garantida a expansão das atividades comerciais. Tais incentivos comerciais contribuíram para o enfraquecimento da nobreza feudal e este enfraquecimento, em contrapartida, garantia a supremacia política do rei. Paralelamente ao enfraquecimento da nobreza feudal e fortalecimento da burguesia e da monarquia, ocorreram as Reformas Religiosas, o que colaborou para o enfraquecimento da Igreja Católica e a falência do poder papal. Assim, o processo de aliança rei -burguesia auxiliou no enfraquecimento do poder local; as reformas religiosas minaram o poder universal colaborando para a consolidação do poder real. São características importantes do absolutismo: a) criação de um exército nacional: instrumento principal do processo de centralização política. Formado por mercenários, com a intenção de enfraquecer a nobreza e não armar os camponeses. b) controle do legislativo: todas as decisões do reino estavam controladas diretamente pelo rei, que possuía o direito de criar as leis. c) controle sobre a justiça: criação do tribunal real, sendo superior aos tribunais locais ( controlados pelo senhor feudal ). d) controle sobre as finanças: intervenção na economia, mediante o monopólio da cunhagem de moedas, da padronização monetária, a cobrança de impostos, da criação de companhias de comércio e a imposição dos monopólios. e) burocracia estatal: corpo de funcionários que auxiliam na administração das obras públicas, fortalecendo o controle do estado e, consequentemente, o poder real. OS GRANDES PENSADORES DA IDADE MODERNA Deve ser ressaltada a importância dos grandes teóricos, que de forma direta influenciaram o direito da idade moderna, e por conseguinte, o direito contemporâneo. Destacam-se: a) Nicolau Maquiavel ( 1469/1525 ) - Responsável pela secularização da política, ou seja, ele supera a relação entre ética cristã e política. Esta superação fica clara na tese de sua principal obra, O Príncipe segundo a qual "os fins justificam os meios". Maquiavel subordina o indivíduo ao Estado, tornando-se assim no primeiro defensor do absolutismo. b) Thomas Hobbes ( 1588/1679 ) -Seu pensamento está centrado em explicar as origens do Estado. De acordo com Hobbes, o homem em seu estado de natureza é egoísta. Este egoísmo gera prejuízos para todos. Procurando a sociabilidade, o homem estabelece um pacto: abdica de seus direitos em favor do soberano, que passa a ter o poder absoluto. Assim, o estado surge de um contrato. A ideia de contrato denota características burguesas, demonstrando uma visão individualista do homem ( o indivíduo preexiste ao Estado ) e o pacto busca garantir e manter os interesses dos indivíduos. A obra principal de Hobbes é "Leviatã". c) Jacques Bossuet( 1627/1704 ) e Jean Bodin ( 1530/1596 )- Defensores da idéia de que a autoridade real era concedia por Deus. Desenvolvimento da doutrina do absolutismo de direito divino - o rei seria um representante de Deus e os súditos lhe devem total obediência. d) Jean Jacques Rousseau (1712-1778)- um dos grandes mentores do jusnaturalismo. Em sua obra expõe o estado de natureza, época primitiva em que os homens seriam felizes desfrutando de liberdade e igualdade. Sem comando político, os seres humanos viviam no livre exercício de seus direito naturais, em uma Idade de Ouro, onde não havia - 16 - propriedade privada, nem corrupção. A desarmonia teria surgido quando alguns homens, prevalecendo de sua força, impuseram o domínio. Em, O Contrato Social (1762), visando recuperar o seu bem-estar primitivo, os homens teriam transferido seus direitos naturais ao Estado em troca de direito civis. Estes seriam os próprios direitos naturais, já então sob a tutela do Estado. Não haveria, assim, renúncia a liberdade, pois tal ato é incompatível com a natureza humana. Com a celebração do pacto, cujas cláusulas são ditadas pela própria natureza do ato, os homens visavam encontrar uma forma de associação que defendesse e protegesse de toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado. A finalidade última de toda legislação seria a de promover a liberdade e a igualdade entre os homens. e) Montesquieu (1689-1775) -Charles-Louis de Secondatficou conhecido, sobretudo, por sua teoria da separação dos poderes. Montesquieu defendia a divisão do poder e era a favor da existência Monarquia Parlamentar. Sua obra mais conhecida foi “OEspírito das Leis, publicado em 1748, na qual elabora conceitos sobre formas de governo e exercícios da autoridade política que se tornaram pontos doutrinários básicos da ciência política. Suas teorias exerceram profunda influência no pensamento político moderno. Elas inspiraram a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborada em 1789, durante a Revolução Francesa. A Teoria da Tripartição dos Poderes do Estado não é mera criação de Montesquieu. John Locke, filósofo liberal inglês, acerca de um século antes de Montesquieu já tinha formulado, ainda que implicitamente, a teoria em questão. Entretanto,cabe a Montesquieu o inegável mérito de tê-la colocado num quadro mais amplo. O DIREITO NA IDADE CONTEMPORÂNEA – considerações gerais Tradicionalmente,a Idade Contemporânea é demarcada pelo período que compreende o advento daRevolução Francesa (1789) aos dias atuais. Marcada de maneira geral, pelo desenvolvimento e consolidação do capitalismo no ocidente,o desenvolvimento da atividade industrial e, consequentemente pelas disputas das potencias europeias por territórios e respectivas matérias-primas e mercadosconsumidores. Neste período, como reflexo das mudanças sociais provocadas pelo processo de industrialização, intensifica-se a ideia do Direito ser visto como ciência, buscando excluir ou pelo menos diminuir a influência da moral e dos valores na criação e aplicação das normas e do direito como um todo. Nesse sentido, a Ciência do direito estaria fundada num fenômeno objetivo e observável e não em valores relativos e subjetivos. No século XIX,os juristas passaram a tender a aplicar o direito observando as ações humanas, e ainda nesse contexto, os mesmos passaram a ser chamados a colaborar na tarefa de administrar cientificamente a sociedade. Assim, o direito passou a ser visto,com mais ênfase, como um dos instrumentos de condução da sociedade. A estrutura jurídica deste perído será analisada ao longo dos temas, bem como ao longo de toda graduação. Ressalta-se o fato de que a estrutura atual do direito passou a ser delineada ao longo de todo século XX, continuando em evolução,dada sa sua flexibilidade e amparo zetético. A zetéticaopõe-se ao dogma. Dogma é a aplicação de determinados conceitos e fatos aceitos e indiscutíveis. Em oposição, a zetética coloca o questionamento como posição fundamental, isso significa que qualquer paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético. http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_separa%C3%A7%C3%A3o_dos_poderes http://pt.wikipedia.org/wiki/1748 http://pt.wikipedia.org/wiki/Governo http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_pol%C3%ADtica http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa http://pt.wikipedia.org/wiki/Mat%C3%A9rias-primas http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado http://pt.wikipedia.org/wiki/Consumidor http://pt.wikipedia.org/wiki/Moral - 17 - II – O SISTEMA ROMANO GERMÂNICO. O sistema romano-germânico desenvolveu-se a partir do século XII, quando ocorreu o redescobrimento do Corpus Juris Civilis. A partir daí, esse sistema passou a ser aplicada em países como Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, BélgicaHolanda, França, Portugal eséculos depois a América Latina, e por conseguinte o Brasil. Pertencem à família romano-germânica os direitos de toda a América Latina, de toda a Europa continental, de quase toda a Ásia (exceto partes do Oriente Médio) e de cerca de metade da África. Trata-se de sistema que tem como fonte a produção jurídica desenvolvida na Roma antiga e da sistematização científica oriunda do pensamento alemão do século IX. É o sistema jurídico mais disseminado no mundo, sistematizado pelo fenômeno da codificação do direito a partir do século XVIII. É típico deste sistema o caráter escrito do direito. Importante característica dos direitos de tradição romano-germânica é a generalidade das normas jurídicas, que são aplicadas pelos juízes aos casos concretos. Difere, portanto, do sistema jurídico anglo-saxão (Common law), que infere normas gerais a partir de decisões judiciais proferidas a respeito de casos individuais (jurisprudência). O Sistema Romano Germânico é caracterizado pela Civil Law: a estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil, que basicamente significa que as principais fontes do Direito adotadas são a Lei, o texto. Em diversos países de tradição romano-germânica, o direito é organizado em códigos, cujos exemplos principais são os códigos civisfrancês e alemão,nos quais baseia-se o Direito Brasileiro. 1 - DIREITO ROMANO Direito romano é um termo histórico-jurídico que se refere, originalmente, ao conjunto de regras jurídicas observadas na cidade de Roma e, mais tarde, ao corpo de direito aplicado ao território do Império Romano e, após a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Mesmo após 476, o direito romano continuou a influenciar a produção jurídica dos reinos ocidentais resultantes das invasões bárbaras, embora um seu estudo sistemático no ocidente pós-romano esperaria a chamada redescoberta do Corpus Iuris Civilis pelos juristas italianos no século XI. Em termos gerais, a história do direito romano abarca mais de mil anos, desde a Lei das Doze Tábuas (Lex DuodecimTabularum, em latim, 449 a.C.) até o Corpus Iuris Civilis por Justiniano (c. 530 d.C.). Os historiadores do direito costumam dividir o direito romano em fases. Um dos critérios empregados para tanto é o da evolução das instituições jurídicas romanas, segundo o qual o direito romano apresentaria quatro grandes épocas: · Período Arcaico ou pré-clássico (753 a.C. a 130 a.C.) · Período Clássico (130 a.C. a 230) · Período Pós-Clássico (230 a 530) · Período Justiniano (530 a 565) A influência do direito romano sobre os direitos nacionais europeus é imensa e perdura até hoje. Uma das grandes divisões do direito comparado é o sistema romano-germânico, adotado por diversos Estados continentais europeus e baseado no direito romano. O mesmo acontece com o sistema jurídico em vigor em todos os países latino-americanos. http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_Juris_Civilis http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lia http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal http://pt.wikipedia.org/wiki/Espanha http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A9lgica http://pt.wikipedia.org/wiki/Holanda http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_civil http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha - 18 - a) Período pré-clássico No período entre 201 e 27 a.C., desenvolveu-se um direito mais flexível que melhor atendia as necessidades da época. Ademais do ius civile antigo e formal, surgiu o iushonorarium, assim chamado porque os pretores - que ocupavam cargos honorários - desempenharam um papel central em sua formação. A adaptação do direito às novas necessidades foi empreendida pela prática jurídica, pelos magistrados e, em especial, pelos pretores. O pretor não legislava e, tecnicamente, não criava direito novo quando emitia editos (magistratu umedicta). Na verdade, porém, as decisões pretorianas gozavam de proteção legal (actio nemdare) e com frequência serviam de fonte para novas regras de direito. Os pretores não estavam obrigados a respeitar os editos dos seus antecessores, mas terminavam por empregar regras pretorianas anteriores que julgassem úteis. Com isto, criou-se um conteúdo normativo que prosseguia de edito em edito (edictum translatitium). Surgiu então, ao longo do tempo, e em paralelo com o ius civile, a complementá-lo e corrigi-lo, um novo corpo de direito pretoriano. Na verdade, o direito pretoriano assim foi definido pelo famoso jurista romano Papiniano: o direito pretoriano é o que os pretores introduziram para complementar e corrigir o direito civil para a utilidade pública. O ius civile e o direito pretoriano vieram a ser fundidos no Corpus Iuris Civilis.Antes da Lei das Doze Tábuas (754-201 a.C.), o direito privado consistia do antigo direito civil romano (ius civile Quiritium), que se aplicava apenas aos cidadãos romanos. Estreitamente ligado à religião, possuía características como o formalismo escrito, simbolismo e conservadorismo. Alguns entendem queas antigas raízes do direito romano provêm diretamente da religião etrusca, que enfatizava o ritualismo. As Doze Tábuas É impossível apontar o momento exato da gênese do sistema jurídico romano. O primeiro texto legal, cujo conteúdo chegou até a os dias de hoje com algum detalhe, é a Lei das Doze Tábuas, que data de meados do século V a.C. Segundo os historiadores romanos, o tribuno da plebe C. Terentílio Arsa propôs que o direito fosse escrito de modo a evitar que fosse aplicado indiscriminadamente pelos magistrados patrícios. Após oito anos de lutas, os plebeus teriam convencido os patrícios a enviar uma delegação a Atenas para copiar as Leis de Sólon. Ademais, várias delegações foram enviadas a outras cidades da Grécia com propósitos semelhantes. Em 451 a.C., dez cidadãos romanos teriam sido selecionados para registrar as leis (decemviri legibus scribundis). Durante o período em que trabalharam, receberam o poder político supremo (imperium), enquanto que o poder dos magistrados foi cerceado. Em 450 a.C., os decênviros inscreveram as leis em dez tábuas (tabulae), mas seu trabalho foi considerado insuficiente pelos plebeus. Um segundo decenvirato teria então acrescentado duas tábuas, em 449 a.C. A Lei das Doze Tábuas foi em seguida aprovada em assembleia. Os fragmentos preservados mostram que não se tratava de um código legal no sentido moderno, pois as Doze Tábuas não pretendiam ser um sistema completo e coerente de todas as regras jurídicas aplicáveis. Na verdade, continham algumas disposições legais cujo propósito era alterar o direito consuetudinário da época. Embora contivessem disposições sobre todas as áreas do direito, predominavam as referentes ao direito privado e ao processo civil. - 19 - TÁBUA I – Do Chamamento a Juízo 1. Se alguém é chamado a juízo, compareça. 2. Se não comparece, aquele que o citou tome testemunhar e o prenda. 3. Se procurar enganar ou fugir, o que citou pode lançar mão (manus injectio) sobre (segurar) o citado. 4. Se uma doença ou a velhice o impede de andar, o que citou, lhe forneça um cavalo. 5. Se não aceitá-lo, que forneça um carro, sem obrigação de dá-lo coberto. 6. Se se apresenta alguém para defender o citado, que este seja solto. 7. O rico será fiador do rico; para o pobre será quem quiser 8. Se as partes entram em acordo em caminho, que a causa seja assim resolvida. 9. Se não entram em acordo, que o pretor os ouça no “comitium” ou no fórum e conheça da causa antes do meio-dia, presentes ambas as partes. 10. Depois do meio-dia, se apenas uma parte comparece, o pretor decida a favor da que está presente. 11. O pôr do sol será o prazo final da audiência. TÁBUA II – Dos Julgamentos e dos Furtos 1. ...............cauções ............... subcauções ............... a não ser que uma doença grave ............... um voto ............... uma ausência a serviço da república, ou uma citação por parte de estrangeiro deem margem ao impedimento; pois se o citado, o juiz ou o árbitro, sofre qualquer destes impedimentos, que seja adiado o julgamento. 2. Aquele que não tiver testemunhas irá, por três dias de feira, para a porta da casa da parte contrária, anunciar a sua causa em altas vozes injuriosas, para que ela se defenda. 3. Se alguém comete furto à noite e é morto em flagrante, o que matou não será punido. 4. Se o furto ocorrer durante o dia e o ladrão é pego em flagrante, que seja fustigado e entregue como escravo à vítima. Se for escravo, que seja fustigado e precipitado do alto da rocha Tarpéia. 5. Se ainda não atingiu a puberdade, que seja fustigado com varas a critério do pretor, e que indenize o dano. 6. Se o ladrão durante o dia defende-se com arma, que a vítima peça socorro em altas vozes e se, depois disso, mata o ladrão, que fique impune. 7. Se, pela procura “cum lance licioque”, a coisa furtada é encontrada na casa de alguém, que seja punido como se fora um furto manifesto. 8. Se alguém intenta ação por furto não manifesto, que o ladrão seja condenado ao dobro. 9. Se alguém, sem razão, cortou árvores de outrem, que seja condenado a indenizar à razão de 25 asses por árvore cortada. 10. Se transigiu com um furto, que a ação seja considerada extinta. 11. A coisa furtada nunca poderá ser adquirida por usucapião TÁBUA III – Dos Direitos de Crédito 1. Se o depositário, de má fé, pratica alguma falta com relação ao depósito, que seja condenado em dobro. 2. Se alguém coloca o seu dinheiro a juros superiores a um por cento ao ano, seja condenado a devolver o quádruplo. 3. O estrangeiro jamais poderá adquirir bem algum por usucapião. Contra ele eterna vigilância. 4. Aquele que confessa dívida perante o magistrado, ou é condenado, terá trinta dias para pagar. 5. Esgotados os trinta dias e não tendo pago, que seja agarrado e levado à presença do magistrado. 6. Se não paga e ninguém se apresenta como fiador, que o devedor seja levado pelo seu credor e amarrado pelo pescoço e pés com cadeias com peso até o máximo de quinze libras; ou menos, se assim o quiser o credor. 7. O devedor preso viverá à sua custa, se quiser; se não quiser, o credor que o mantém preso dar-lhe-á por dia uma libra de pão ou mais, a seu critério. 8. Se não houver conciliação, que o devedor fique preso por sessenta dias, durante os quais será conduzido em três dias de feira ao comitium, onde se proclamará, em altas vozes, o valor da dívida. 9. Se são muitos os credores, é permitido, depois do terceiro dia de feira, dividir o corpo do devedor em tantos pedaços quantos sejam os credores, não importando cortar mais ou menos.. Se os credores preferirem, poderão vender o devedor a um estrangeiro, além do Tibre. - 20 - TÁBUA IV – Do Pátrio Poder e do Casamento 1. É permitido ao pai matar o filho que nasce disforme, mediante o julgamento de cinco vizinhos. 2. O pai terá sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los. 3. Se o pai vendeu o filho três vezes, que este filho não recaia mais sob o pátrio poder. 4. Se um filho póstumo nasceu até o décimo mês após a dissolução do matrimônio, que este filho seja reputado legítimo. TÁBUA V – Das Heranças e Tutelas 1. As disposições testamentárias de um pai de família sobre os seus bens ou a tutela dos filhos, terão força de lei. 2. Se o pai de família morre intestado, não deixando herdeiro seu, que o agnado (paterno) mais próximo seja o herdeiro. 3. Se não há agnados, que a herança seja entregue aos gentiles. 4. Se um liberto morre intestado, sem deixar herdeiros seus, mas o patrono ou os filhos do patrono a ele sobrevivem, que a sucessão desse liberto se transfira ao parente mais próximo da família do patrono. 5. Que as dívidas ativas e passivas sejam divididas entre os herdeiros, segundo o quinhão de cada um. 6. Quanto aos demais bens da sucessão indivisa, os herdeiros poderão partilhá-los, se assim o desejarem; para esse fim o pretor poderá indicar três árbitros. 7. Se o pai de família morre sem deixar testamento, indicando um herdeiro seu impúbere, que o agnado mais próximo seja o seu tutor. 8. Se alguém torna-se louco ou pródigo e não tiver tutor, que a sua pessoa e seus bens sejam confiados à curatela dos agnados e, se não há agnados, à dos gentiles. TÁBUA VI – Do Direito de Propriedade e da Posse 1. Se alguém empenha a sua coisa ou vende em presença de testemunhas, o que prometeu tem força de lei. 2. Se não cumpre o que prometeu, que seja condenado em dobro. 3. O escravo a quem foi concedida a liberdade por testamento, sob a condição de pagar uma certa quantia, e que é vendido em seguida, tornar-se-á livre se pagar a mesma quantia ao comprador. 4. A coisa vendida, embora entregue, só será adquirida pelo compradordepois de pago o preço. 5. As terras serão adquiridas por usucapião depois de dois anos de posse, as coisas móveis depois de um ano. 6. A mulher que residiu durante um ano em casa de um homem, como se fora sua esposa, é adquirida por esse homem e cairá sob o seu poder, salvo se se ausentar da casa por três noites. 7. Se uma coisa é litigiosa, que o pretor a entregue provisoriamente àquele que detém a posse; mas se se tratar da liberdade de um homem que está em escravidão, que o pretor lhe conceda a liberdade provisória. 8. Que a madeira utilizada para a construção de uma casa, ou para amparar a videira, não seja retirada só porque o proprietário reivindica; mas aquele que utilizou madeira que não lhe pertencia seja condenado a pagar o dobro do valor; e se a madeira é destacada da construção ou do vinhedo, que seja permitido ao proprietário reivindicá-la. 9. Se alguém quer repudiar a mulher, que apresente as razões desse repúdio. TÁBUA VII – Dos Delitos e das Penas 1. Se um quadrúpede causar qualquer dano, que o seu proprietário indenize o valor desse dano ou abandone o animal ao prejudicado. 2. Se alguém causa um dano premeditadamente, que o repare. 3. Aquele que fez encantamentos (feitiçaria) contra a colheita de outrem; 4. Ou a colheu furtivamente à noite antes de amadurecer ou a cortou depois de madura, será sacrificado a Ceres. 5. Se o autor do dano é impúbere, que seja fustigado a critério do pretor e indenize o prejuízo em dobro. 6. Aquele que fez pastar o seu rebanho em terreno alheio; 7. E o que intencionalmente incendiou uma casa ou um monte de trigo perto de uma casa, seja fustigado com varas e em seguida lançado ao fogo; 8. Mas se assim agiu por imprudência, que repare o dano; se não tem recursos para tanto, que seja punido menos severamente do que aquele que agiu intencionalmente. 9. Aquele que causar dano leve indenizará 25 asses. - 21 - 10. Se alguém difama outrem com palavras ou cânticos, que seja fustigado. 11. Se alguém fere a outrem, que sofra a pena de talião, salvo se houver acordo. 12. Aquele que arrancar ou quebrar um osso a outrem deve ser condenado a uma multa de trezentos asses, se o ofendido é homem livre; e de cento e cinquenta asses, se o ofendido é escravo. 13. Se o tutor administra com dolo, que seja destituído como suspeito e com infâmia; se causou algum prejuízo ao tutelado, que seja condenado a pagar o dobro ao fim da gestão. 14. Se um patrono causa dano a seu cliente, que seja declarado sacer (sagrado). 15. Se alguém participou de um ato como testemunha ou desempenhou nesse ato as funções de libripens (porta-balança) e recusa a dar o seu testemunho, que recaia sobre ele a infâmia e ninguém lhe sirva de testemunha. 16. Se alguém profere um falso testemunho, que seja precipitado da rocha Tarpéia. 17. Se alguém matou um homem livre e empregou feitiçaria e veneno, que seja sacrificado com o último suplício. 18. Se alguém matou o pai ou a mãe, que se lhe envolva a cabeça e seja colocado em um saco costurado e lançado ao rio. 19. Se alguém comete furto à noite e é morto, seja o causador da morte absolvido. 20. Mesmo que o ladrão esteja roubando em pleno dia, não terá direito a se defender com arma. TÁBUA VIII – Dos Direitos Prediais 1. A distância entre as construções vizinhas deve ser de dois pés e meio. 2. Que os sodales (sócios) façam para si os regulamentos que entenderem, contanto que não prejudiquem o público. 3. A área de cinco pés deixada livre entre os campos limítrofes 4. Se surgem divergências entre possuidores de campos vizinhos, que o pretor nomeie três árbitros para estabelecer os limites respectivos. 5....................................................... 6......................................................... 7...................................................... 8.................................................... 9. Se uma árvore se inclina sobre o terreno alheio, que os seus galhos sejam podados à altura de mais de 15 pés. 10. Se caem frutos sobre o terreno vizinho, o proprietário da árvore tem o direito de colher esses frutos. 11. Se a água da chuva retida ou dirigida por trabalho humano causa prejuízo ao vizinho, que o pretor nomeie três árbitros, e que estes exijam do dono da obra garantias contra o dano iminente. 12. Que o caminho em reta tenha oito pés de largura e o em curva tenha dezesseis. 13. Se aqueles que possuem terrenos vizinhos a estradas não os cercam, que seja permitido deixar pastar o rebanho à vontade. .TÁBUA IX – Do Direito Público 1. Que não se estabeleçam privilégios em leis. 2. Aqueles que foram presos por dívidas e as pagaram, gozam dos mesmos direitos como se não tivessem sido presos; os povos que forem sempre fiéis e aqueles cuja defecção for apenas momentânea gozarão de igual direito. 3. Se um juiz ou árbitro indicado pelo magistrado recebeu dinheiro para julgar a favor de uma das partes em prejuízo de outrem, que seja morto. 4. Que os comícios por centúrias sejam os únicos a decidir sobre o estado de um cidadão. 5........................... 6. Se alguém promove em Roma assembleias noturnas, que seja morto. 7. Se alguém insuflou o inimigo contra sua pátria ou entregou um concidadão ao inimigo, que seja morto. TÁBUA X – Do Direito Sacro 1...................... 2. Não é permitido sepultar nem incinerar na cidade um(a) defunto(a). 3. Moderai as despesas com os funerais. 4. Fazei apenas o que é permitido. 5. Não deveis polir a madeira que vai servir à incineração. 6. Que o cadáver seja vestido com três togas e o enterro se faça acompanhar de dez tocadores de instrumento. 7. Que as mulheres não arranhem as faces nem soltem gritos imoderados. - 22 - 8. Não retireis da pira os restos de ossos de um morto, para lhe dar segundos funerais, a menos que tenha morrido na guerra ou em país estrangeiro. 9. Que os corpos dos escravos não sejam embalsamados e que seja abolido dos seus funerais o uso da bebida em torno do cadáver. 10. Que não se lancem licores sobre a pira de incineração nem sobre as cinzas do morto. 11. Que não se usem longas coroas nem turíbulos nos funerais. 12. Que aquele que mereceu uma coroa pelo próprio esforço, ou a quem seus escravos ou seus cavalos fizeram sobressair nos jogos, traga a coroa como prova de seu valor, assim como os seus parentes, enquanto o cadáver está em casa e durante o cortejo. 13. Não é permitido fazer muitas exéquias nem muitos leitos fúnebres para o mesmo morto. 14. Não é permitido enterrar ouro com o cadáver; mas se seus dentes são presos com ouro, pode-se enterrar ou incinerar com esse ouro. 15. Não é permitido, sem o consentimento do proprietário, levantar uma pira ou cavar novo sepulcro, a menos de sessenta pés de distância da casa. 16. Que o vestíbulo de um túmulo jamais possa ser adquirido por usucapião, assim como o próprio túmulo TÁBUA XI – Feita para completar as Tábuas I a V 1. Que a última vontade do povo tenha força de lei. 2. Não é permitido o casamento entre patrícios e plebeus. (Revogada pela Lex Canulea). 3. ...................... TÁBUA XII – Feita para completar as Tábuas VI a X 1....................... 2. Se alguém faz consagrar uma coisa litigiosa, que pague o dobro do valor da coisa consagrada. 3. Se alguém de má fé obtém a posse provisória de uma coisa, que o pretor, para pôr fim ao litígio, nomeie três árbitros, e que estes condenem o possuidor de má fé a restituir o dobro dos frutos. 4. Se um escravo comete um furto, ou causa algum dano, sabendo-o patrono, que seja obrigado esse patrono a entregar o escravo, como indenização, ao prejudicado.- 23 - Primeiras leis romanas Ademais das Doze Tábuas, também são conhecidas dos primórdios do direito romano: a Lex Canuleia (445 a.C., que permitia o casamento – ius connubii - entre patrícios e plebeus), as Leges Licinae Sextiae(367 a.C., que restringiam a posse de terras públicas – age rpublicus - e exigiam que um dos cônsules fosse plebeu), a Lex Ogulnia (300 a.C., que autorizava os plebeus a ocupar cargos sacerdotais) e a Lex Hortensia (287 a.C., pela qual as decisões das assembleias plebeias passavam a valer para todo o povo). Outra lei importante do período republicano é a Lex Aquilia, de 286 a.C., que regulava a responsabilidade civil. Entretanto, a maior contribuição de Roma à cultura jurídica europeia não foi a promulgação de leis bem redigidas, mas o surgimento de uma classe de juristas profissionais e de uma ciência do direito, por meio de um processo gradual de aplicação dos métodos da filosofia grega ao direito - um tema que os gregos jamais haviam tratado como ciência. b) Período clássico Os primeiros 250 anos da era cristã foram o período no qual o direito e a ciência jurídica romanos atingiram o mais alto grau de perfeição. A época costuma ser chamada de período clássico do direito romano, que alcançou um caráter único dado pelas realizações literárias e práticas dos juristas romanos. Estes trabalhavam em diferentes funções: proferiam pareceres, a pedido de particulares; aconselhavam os magistrados responsáveis pela administração da justiça, como os pretores; auxiliavam os pretores a preparar seus editos, anunciados publicamente no início do mandato pretoriano e que continham uma explicação de como exerceriam suas funções e um formulário de procedimentos judiciais. Alguns juristas também ocupavam altos cargos judiciais e administrativos. Os juristas produziram todo tipo de comentários e tratados de direito. Em cerca de 130 d.C., Sálvio Juliano escreveu um edito pretoriano padronizado, que foi utilizado por todos os pretores a partir de então. O edito continha descrições detalhadas de todos os casos nos quais o pretor permitiria uma ação judicial ou uma defesa. O edito padrão funcionava como um abrangente código legal, embora não gozasse, formalmente, da força de lei. Indicava os requisitos para uma reivindicação legal bem-sucedida e tornou-se a base dos amplos comentários jurídicos de juristas como Paulo e Domício Ulpiano. c) Período pós-clássico Em meados do século III, a situação política e econômica do Império Romano havia se deteriorado, dificultando as condições para o desenvolvimento do direito. O sistema político do principado, que preservara algumas características da constituição da república, transformou-se na monarquia absoluta do dominato. A existência de uma ciência jurídica e de juristas que viam o direito como uma ciência, não como um instrumento para atingir os objetivos políticos do monarca, não se coadunava com a nova ordem. A produção literária cessou quase por completo. Poucos são os juristas conhecidos pelo nome a partir de meados do século III. Embora a ciência e a educação jurídicas se mantivessem, em certa medida, no Império Oriental, no ocidente a maior parte das sutilezas do direito - 24 - clássico perdeu-se. Este foi substituído pelo chamado direito vulgar. Os escritos dos juristas clássicos foram editados para adaptar-se à nova situação política. d)Período de Justiniano Justiniano I ou Justiniano, o Grande, administrou o Império Bizantino desde 527 até a sua morte. Peretencente a família de origem humilde, foi nomeado cônsul ligado ao trono por seu tio Justino I, a quem sucedeu, após a morte deste (527). Cercou-se de um estreito grupo de colaboradores (Triboniano, Belisário, João da Capadócia e Narses,por exemplo) e aspirava a restabelecer o antigo esplendor de Roma, motivo pelo qual concretizou toda a ampla série de campanhas posteriores. Para garantir a centralização administrativa, Justiniano combateu o poder local dos grandes proprietários de terra e estabeleceu leis sólidas e eficazes, cujo cumprimento era rigorosamente fiscalizado pela burocracia, que contava com os militares. Em seu governo, foi redigido o Código Justiniano, um sistema de leis básico que afirmava o poder ilimitado do imperador e, ao mesmo tempo, garantia a submissão dos escravos e colonos a seus senhores. Em seu governo, o regime político do império pode ser caracterizado como autocrático e burocrático. Autocrático, porque controlava todo o sistema político e religioso. Burocrático, porque uma vasta camada de funcionários públicos, dependentes e obedientes, vigiava e controlava todos os aspectos da vida dos habitantes do império. Esse poder não chegava a ser totalitário, porque o império era vasto e composto por povos de naturalidades e línguas diferentes, que conseguiam escapar do controle das autoridades imperiais e manter certas tradições culturais particulares. Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a herança do direito romano e, aproveitando a prosperidade econômica e comercial que lhe proporcionavam as novas conquistas, empreendeu um importante trabalho legislativo e de recompilação e reorganização jurídica. Essa obra ficou conhecida como corpus iuris civilis, composta de quatro partes: • Código de Justiniano (Codex): Reunião de todas as constituições imperiais editadas desde o governo do imperador Adriano (117 a 138); • Digesto ou Pandectas: Continha os comentários dos grandes juristas romanos. • Institutas: Manual para ser estudado pelos que se dedicavam ao Direito; • Novelas ou Autênticas: Constituições elaboradas depois de 534. 2 - DIREITO GERMÂNICO Antes do século V da nossa era, os Germanos compunham um complexo de etnias seminômades. A começar do século II a.C., os Germanos habitavam um extenso território da Escandinávia, ao norte, até ao Danúbio, ao sul, do Vístula, a leste, até o Reno e até mesmo até ao Mosa, a oeste. Pode-se citar dentre as etnias germânicas que viveram nos arredores da região belga atual, os Tréveros, os Taxandrinos e os Tongres. O cerne da estrutura sociopolítica é o clã, que é chamado de sippe, isto é,a família em sentido lato. O clã se forma sob o domínio do chamado mund, que seria o pai, dos membros da família e de outros auxiliares, que podiam ser os escravos. Pelo fato da família ser patrilinear, o pai mantinha a paz e ordem nelas e além disso o seu poder é a princípio ilimitado, pelo fato de n haver superiores. A relação existente entre esses clãs, normalmente, eram reguladas pela http://pt.wikipedia.org/wiki/527 http://pt.wikipedia.org/wiki/Justino_I http://pt.wikipedia.org/wiki/Triboniano http://pt.wikipedia.org/wiki/Belis%C3%A1rio http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_da_Capad%C3%B3cia http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_da_Capad%C3%B3cia http://pt.wikipedia.org/wiki/Narses http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Romano http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%BAblio_%C3%89lio_Trajano_Adriano http://pt.wikipedia.org/wiki/117 http://pt.wikipedia.org/wiki/138 - 25 - luta, pela guerra privada ou como chamado no latim, pela faida. Esses clãs viviam da pecuária e da agricultura. O direito das etnias germânicas existente era necessariamente consuetudinário. De fato, não existia um tipo apenas de Direito Germânico, mas sim uma variedade de costumes, que eram mais ou menos diferenciadas, vivendo assim cada povoado a partir de seu próprio direito tradicional. Os Germanos não deixaram nenhum documento escrito, fato que deixa muito mais difícil o estudo desses povos, tanto que para tentar se conhecer os Direitos Germânicos anteriores à época das invasões do século V, oshistoriadores utilizaram de quatro tipos de documentos históricos: a) As fontes literárias latinas; b) As fontes literárias germânicas; c) Os costumes germânicos redigidos depois das invasões; d) e os costumes escandinavos. Dentre as principais características das comunidades e do direito dos povos germânicos podem ser destacados os seguintes fatos: a) Não possui fontes escritas, as relações sociais são regulamentadas por normas costumeiras. b) Não possui noção de territorialidade, o direito aplicado a cada indivíduo depende do grupo a que ele pertence. c)Ideia muito restrita de propriedade, sem tantas ambições expansionistas. d)Condomínio germânico. Confere-se maior atenção ao coletivo que ao indivíduo e)Na comunhão germânica não existe nenhuma ação divisória que se possa exercer pela mera vontade do indivíduo. f) Os germanos são povos nômades, vivem em aldeias, praticam uma economia comunal baseada na agricultura, na pecuária e nas pilhagens. Quando as terras se esgotavam, partiam à procura de outras. As áreas cultiváveis e os bosques eram de uso comum aos habitantes das aldeias. Apenas os rebanhos permaneciam como propriedade particular. g) A terra pertence a todo o clã, seus membros têm o direito de usufruir determinadas áreas, apenas a casa familiar é considerada propriedade individual, pois representa o tempo dos deuses domésticos e o lugar de veneração aos antepassados. h) O ordálio é um tipo de prova judiciária usado para determinar a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza e cujo resultado é interpretado como um juízo divino. - 26 - III – O SISTEMA ANGLO-SAXÔNICO Como sistema de direito construído historicamente, o common law apresenta diversas peculiaridades concernentes à sua formação e aos modos pelos quais ele foi e é aplicado. Para que se compreenda o funcionamento do regime constitucional inglês, no âmbito desse common law, é preciso antes ter uma breve notícia acerca do significado e das características fundamentais de uma constituição ocidental. Assim, cabe agora compreender como se formou e se caracterizou o sistema de common law inglês e seu correspondente regime constitucional. Preliminarmente, o autor John Gilissen (1) define o common law da seguinte maneira: “Dá-se o nome de common law ao sistema jurídico que foi elaborado em Inglaterra a partir do século XII pelas decisões das jurisdições reais. Manteve-se e desenvolveu-se até os nossos dias, e além disso impôs-se na maior parte dos países de língua inglesa, designadamente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, e outros, o sentido de common law é, pois, muito diferente do sentido da expressão direito comum, iuscommune, utlizada no continente para designar, sobretudo a partir do século XVI, o direito erudito, elaborado com base no direito romano e servindo de direito supletivo às leis e costumes de cada país.” Frise-se, nesse sentido, que o common law não corresponde a todo o direito inglês. O statute law (os estatutos ou conjunto de leis promulgadas) teve desenvolvimento marginal ao common law e adquiriu importância a partir do século XX. Há ainda a equity, que se desenvolveu primordialmente no período anterior ao século XV, consistindo em um conjunto de regras jurídicas aplicadas pelos órgãos jurisdicionais subordinados ao Chanceler. ACommon law,ou "direito comum", desenvolveu-se naInglaterra durante os séculos XII e XIII, como o conjunto das decisões judiciais que se baseavam na tradição, no costume e no precedente. É o direito que se baseia nas decisões dos tribunais, e não mediante atos legislativos ou executivos, diferente da família romano-germânica, que enfatiza os atos legislativos. Nos sistemas de common law, o direito é criado ou aperfeiçoado pelos juízes: uma decisão a ser tomada num caso depende das decisões adotadas para casos anteriores e afeta o direito a ser aplicado a casos futuros. É a chamada regra do precedente. Nesse sistema, quando não existe um precedente, os juízes possuem a autoridade para criar o direito, estabelecendo um precedente. O conjunto de precedentes é chamado de common law e vincula todas as decisões futuras. Quando as partes discordam quanto o direito aplicável, um tribunal idealmente procuraria uma solução dentre as decisões precedentes dos tribunais competentes. Se uma controvérsia semelhante foi resolvida no passado, o tribunal é obrigado a seguir o raciocínio usado naquela decisão anterior (princípio conhecido como stare decisis). Entretanto, se o tribunal concluir que a controvérsia em exame é fundamentalmente diferente de todos os casos anteriores, decidirá como "assunto de primeira impressão" (matter of first impression, em inglês). Posteriormente, tal decisão se tornará um precedente e vinculará os tribunais futuros com base no princípio do stare decisis. No que concerne à formação do common law, deve-se considerar especialmente a organização das jurisdições reais, durante o século XII, implementada por meio de reformas do rei Henrique II e já descrita de forma clara por Harold Berman. Dessa forma, cabe apenas relembrar o modo pelo qual era efetivada a organização http://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIII http://pt.wikipedia.org/wiki/Costume http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Legislativo http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Executivo http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico - 27 - judiciária inglesa. Em princípio, havia A Curia Regis, Tribunal do rei, que se seccionou em diferentes jurisdições especializadas: a) Tribunal do Tesouro (Saccarium, Court of Exchequer), com competência para o julgamento de finanças e outras lides fiscais; b) Tribunal de Queixas Comuns (Court of Common Pleas), incumbido de julgar litígios concernentes à posse de terra; c) Tribunal do Banco do Rei (King’s Bench), tribunal itinerante que julgava os crimes perturbadores da paz do reino. Além de tal organização judiciária, Henrique II ainda implementou o sistema dos writs (escritos com que o Chanceler se pronunciava a respeito de conflitos), contra o qual os senhores feudais lutaram. Nesse sentido, recorde-se que é equivocado dizer que a Carta Magna seria uma das precursoras de uma constituição em sentido formal. A mesma apenas continha alguns elementos constitucionais, como a idéia de devido processo legal. A primeira constituição formal só foi ser promulgada em 1787, nos Estados Unidos. Destarte, há duas grandes influências sobre a forma e a substância da Constituição britânica. A primeira delas diz respeito à gradual e pacífica transição inglesa de um regime autocrático para uma democracia e um governo limitado. Já a segunda é concernente à importância que as decisões judiciais têm no âmbito do common law. Essas influências, dentre outras, contribuíram para a atual conformação do sistema constitucional inglês. É óbvio que não se trata aqui de uma relação de “bicausalidade”, no sentido de que somente esses dois fatores aludidos tenham possibilitado a configuração dos aspectos constitucionais britânicos, mas tais fatores foram preponderantes para que a mesma ocorresse. E quais são as principais características desse sistema constitucional britânico ? A monarquia como forma de governo; a inexistência de separação de poderes (fala-se em colaboração de poderes); o governo misto, com a existência de órgãos como as Câmaras dos Lordes e dos Comuns e o Parlamento, entre outras. Quanto à colaboração de poderes existente na Inglaterra, saliente-se a peculiaridade britânica de nãodispor de poderes separados (um dos requisitos que os franceses estabeleceram, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, como imprescindíveis para que um país tivesse uma constituição). Já no que concerne aos órgãos governamentais ingleses, é necessário ressaltar alguns fatores históricos concernentes aos mesmos. A Câmara dos Lordes teve origem na nobreza e no clero britânicos do século XIII (havia os lordes espirituais e temporais) e, atualmente, constitui a corte máxima da Inglaterra. Já a Câmara dos Comuns originou-se na pequena burguesia urbana e rural, também durante o século XIII, e representa até hoje o caráter democrático do governo inglês. Desse modo é composto o governo misto inglês, com o rei representando a monarquia; a Câmara dos Comuns como representante da democracia e, enfim, a Câmara dos Lordes, associada durante séculos à aristocracia. Ressalte-se que tal governo misto não permaneceu intocado ao longo do tempo, mas passou por crises e teve, de certo modo, que se adaptar às novas contingências sócio-políticas que foram surgindo na Inglaterra. Cabe ainda mencionar que a união das duas Câmaras referidas forma o Parlamento, cujas origens também remontam ao século XIII. Apesar de que os ingleses defendam ardorosamente sua originalidade e tradição, é preciso compreender o common law não - 28 - como uma construção exclusivamente britânica, mas como um produto de transformações históricas cujas características não foram apenas inglesas. Por mais evidente que tal afirmação possa parecer, é preciso ressaltá-la, de modo a evidenciar o fato de que os sistemas jurídicos não devem ser compreendidos como modelos estanques e herméticos de uma determinada cultura. Dessa forma, observa-se uma série de razões econômicas e ideológicas por trás da ideia britânica de supervalorização de seu sistema jurídico, como um produto genuinamente inglês. IV –FAMILIA DE DIREITOS SOCIALISTAS A família de Direitos socialistas teve origem que encontrou força na Rússia imperial (governada por czares), especialmente após a Revolução de 1918, devido aos avanços das ideias de Karl Marx e Lenin. Consiste numsistema jurídico baseado no sistema romano- germânico, mas, com devidas adaptações advindas do marxismo- leninismo. O marxismo-leninismo refere-se aos ideais apregoados por Karl Marx (1818-1883) e Lenin ( 1870-1924), podendo ser conceituada como a concepção científica do mundo que desvenda a origem das desigualdades sociais e, a partir desse ângulo, classifica- se como uma avançada teoria do pensamento social, pois representa e defende os interesses da maioria, traçando o caminho para se chegar a um sistema sem exploração. Nesse caminho, o partido do proletariado é situado como uma necessidade histórica. Portanto, o marxismo-leninismo é a sua base filosófica, econômica e política; sua estratégia e tática para alcançar a emancipação dos trabalhadores e dos povos oprimidos e para construir socialismo e o comunismo. O marxismo-leninismo é uma teoria científica do desenvolvimento social; descobriu as leis que regem as mudanças verificadas na natureza, da sociedade e do pensamento. Não se limita a diagnosticar a realidade, mas visa a identificar as contradições que determinam e promovem essas mudanças; desenvolve as formas e métodos que servem para transformar a sociedade, assim como o papel das forças protagonistas de cada momento histórico. Esta é a diferença que tem com o socialismo utópico, que o precedeu, pois, enquanto este apenas descreve uma sociedade justa e igualitária, sem menção à forma de alcançá-la, o marxismo-leninismo o faz com uma base científica provada na prática social. Ao descobrir as forças antagônicas que promovem as mudanças, o marxismo verifica a existência de luta de classes. Seu mérito não está nessa descoberta, mas no fato de projetar o fato de que o resultado dessa luta de classes no capitalismo conduz, de forma indefectível, ao estabelecimento da ditadura do proletariado. Outro elemento básico do marxismo-leninismo é a histórica missão atribuída ao proletariado, a classe trabalhadora, em geral, como a classe mais avançada, a vanguarda na luta pela derrubada do capitalismo e construção do socialismo e do comunismo. Esta concepção de marxismo, no momento atual, tem sido muito contestada por setores da pequena burguesia no seu desejo de negar a perspectiva da revolução, para trazer o que eles chamam de “novos atores sociais”, a “sociedade civil”, cuja missão é atenuar a luta de classes, promover o pacifismo e alcançar algumas reivindicações dentro dos moldes capitalistas. http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenin http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico - 29 - Caracteres do Direito Socialista Com o advento da Revolução Russa, um novo tipo de sociedade é criada, a sociedade comunista, a qual foge da tradição Romano-Germânica pois, no comunismo, em tese, não existiria Estado nem Direito. De acordo com esta família, o direito seria o reflexo de uma estrutura econômica opressora e desigual. Mas como trata-se de uma ciência necessária, deveria o direito ser, então, influenciado pela noção de um Estado social. Diferentemente do Estado Capitalista, esse Estado de bem-estar social interfere de maneira demasiada na sociedade, inclusive na economia, visando, através de serviços públicos, promover o bem-comum. Existem algumas controvérsias se o direito socialista constituiu um sistema jurídico em apartado. Caso se considere esse sistema como único, antes do término da Guerra Fria, o direito socialista estaria entre os principais sistemas jurídicos do mundo. Caso não se considere,todos os países desta família estaria inserida na Familia romano-germânica. Porém,vale ressaltar uma grande diferença: a família do direito romano-germânico trata da propriedade privada, como adquiri-la, transferi-la ou perdê-la. Já no sistema socialista, as propriedades são em sua grande maioria de posse do Estado. O direito passa a ser utilizado como instrumento garantidor da ordem. Foram criados Comitês de Defesa de Controle Popular – Soviet Suprem, bem como instituídos mecanismos como a Lei da Advokatura, que garantia que os advogados deveriam ser auxiliares da justiça. Tinham que lutar exclusivamente pela legalidade socialista. Coréia do Norte, Cuba e Líbia, em especial o primeiro, são os remanescentes deste sistema, que adquiriu certa unidade com a implantação do Direito Tradicional Russo, presente em toda a União Soviética, e em outros países que adotaram o comunismo, em especial o leste europeu. Porém,foi com o criado Direito Soviético – que teve caráter imperativo na legalidade socialista - que os referidos países passaram a constituir uma família jurídica.Com a queda do Muro de Berlim, e o fim da Cortina de Ferro, no final do século XX, o âmbito territorial dessa família de direitos reduziu drasticamente. Essa redução pode ser agravada já que alguns estudiosos não consideram o direito chinês como parte da família socialista. Fontes do Direito Socialista a) Doutrina Marxista e Leninista, que era o guia da atividade do juiz soviético, que normalmente - excetuando alguns tribunais superiores - eram eleitos por meio dos soviets (parlamentos) para um exercício de 5 anos, podendo ser destituídos a qualquer tempo. b) A lei :com caráter ideológico com fulcro na doutrina marxista- leninista, com forte proteção do Estado, de modo a suprimir certas garantias individuais em prol do coletivismo. A lei soviética, de certa forma imposta aos demais países, tinha como funções básicas: • Segurança nacional – agir pela segurança nacional; aumentando o poder repressivo. • Impor a novaordem econômica socialista – os meios de produção todos voltados a esse novo modelo, de modo a garantir a igualdade social, como por exemplo com a implantação de sistemas auto gestionários, onde os próprios trabalhadores dirigiriam conjuntamente as fábricas e outros locais onde desempenhariam seu trabalho. http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Russa http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_social http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria http://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_de_Berlim http://pt.wikipedia.org/wiki/Cortina_de_Ferro - 30 - • A educação – na verdade, a reeducação, destruir as tendências antissocialistas, rechaçando – em certo ponto – ideais capitalistas. c) Os costumes e as regras socialistas de vida em comum d) A jurisprudência V - OUTRAS CONCEPÇÕES DA ORDEM SOCIAL E DO DIREITO Trata-se do estudo de outros países que não se enquadram, necessariamente, nas três grandes famílias, embora possuam caracteres das mesmas, mas com particularidades culturais e/ou religiosas. São países com base estrutural calcada na religião ou em princípios filosóficos, muito embora alguns apresentem-se de forma laica, como será observado a seguir. Nesta órbita, destacam-se os seguintes direitos: 1 – DIREITO MUÇULMANO Inicialmente compete esclarecera confusão existente entre os termos Muçulmano, Islâmico e Árabe, do ponto de vista do mundo ocidental pois, entre os povos que professam o islamismo como sua religião majoritária, não existem diferenciações: todos são adeptos, fiéis, devotos. A única divergência existente ocorre entre os grupos sectários Xiita e Sunita. Basicamente, Xiita é aquele que acredita na unicidade do Corão como oráculo sagrado do Islamismo e por esta razão são tidos como mais radicais. Sunita é aquele que, além do Corão, também acredita em um conjunto de livros religiosos denominados Sunnah, caracterizando-se como uma vertente moderada do Islamismo clássico. - Islâmico: todo aquele que professa a religião fundada por MuhamadIbn Abdullah (conhecido no ocidente pelo nome Maomé), qual seja, o Islamismo. Em todo o globo terrestre, independentemente da nacionalidade do indivíduo e de seus vínculos culturais com o Oriente Médio, caso seja adepto da religião Islâmica, será considerado Islâmico e estará inserido dentro deste âmbito religioso. - Muçulmano: embora determinados especialistas em Geografia Política não vislumbrem divergências entre os termos Islâmico e Muçulmano, no aspecto dogmático da religião islâmica há uma distinção: literalmente, Muçulmano significa "submisso à vontade de Deus"; um grupo comunitário que segue fervorosamente sua fé islâmica e, consequentemente, aplica o Direito Islâmico em regime de supremacia às demais formas de Direito Material. Em suma, vivem em países que adotam oficialmente o islamismo. - Árabe: trata-se de termo mais ligado a critérios de ordem geográfica, pois Estados localizados na região geográfica do Oriente Médio, mais especificamente na Península Arábica, são chamados de árabes. Culturalmente também se encontram explicações para o termo, como etnia diversa da caucasiana (de origem europeia), africana (originária a partir da África Central) e Asiática. De acordo com a História Clássica, o Islamismo teve sua origem entre os séculos VI e VII da Era Cristã, no decorrer da denominada Alta Idade Média (Séculos V a IX após o nascimento de Jesus Cristo). Geograficamente, iniciou-se a partir da Península Arábica, e ali as mudanças sociais, culturais e tecnológicas ocorridas - 31 - no continente europeu no mesmo período ( feudalismo e domínio da Igreja) não exerceram grande influência, pois os povos semitas não acompanharam de forma incisiva a evolução e queda da civilização romana, visto que sempre se constituíram como províncias relativamente lucrativas, porém sem disposição política para abraçar a cultura romana. Ou seja, as nações árabes mantiveram seu caráter cultural seminômade desde a Antiguidade. Poucos eram os grandes centros urbanos, e entre estes destacava-se Meca, ponto de encontro das nações árabes integradas. Em Meca há uma importante estrutura física:cubo feito de pedra, com consideráveis dimensões, denominado Caaba. Este local/ monumento possui importância fundamental para a criação e difusão do Islamismopois, ali encontrava-se a "Pedra Negra", uma pedra escura, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, que é uma das relíquias mais sagradas do islã, e que, segundo a tradição, a foi recebida pelo profeta Abraão das mãos do anjoGabriel.A Caaba é o centro das peregrinações (hajj) e é para onde os devotos muçulmanosvoltam-se para as suas preces diárias (salat). A história do Islamismo é cercada por guerras, expansionismo, fé inabalável e uma intransigência incompreendida pela civilização ocidental,e isso torna o estudo do seu direito uma tarefa controversa e ao mesmo tempo interessante. A prática demonstra que a religião Islâmica utiliza-se de seus textos sagrados adaptando-os ao seu cotidiano. Logo, desprovida de sentido se constitui a opinião midiática no sentido de impor um perfil intransigente aos Estados Muçulmanos. O que existe é um respeito aos textos sagrados, com a força social de norma. Trata-se, pois, da Efetividade Normativa do Texto Sagrado, que requer para sua melhor compreensão, um entendimento sobre o Islam. OIslam, é o mecanismo capaz para que se possa compreender a dinâmica religiosa presente no Direito dos Estados adeptos do Islamismo.A palavra deriva do Árabe salam, que significa "submissão, pureza, obediência". No sentido teológico, indica a submissão voluntária à vontade da divindade e a obediência a seus preceitos morais. Para tanto, verifica-se a existência de seis requisitos para que o adepto siga à risca os mandamentos implícitos no conceito de Islam. São eles: - Crença em um Deus Único (Allah). O Islamismo se caracteriza por ser uma religião predominantemente monoteísta, em nível radical. Não existe outra divindade. Não existem santos, e sim profetas. - Crença na existência de Anjos, que não possuem qualquer caráter divino, mas apenas auxiliam o Deus Único; - Admiração pelos profetas e mensageiros enviados pro Allah (Abraão, Ismael, Issac, Jacó, Moisés, Jesus e demais profetas existentes no Torá, no Evangelho, nos Salmos e no Alcorão) - Crença nos livros sagrados em que os profetas estão enumerados, pois, os livros presentes nas Religiões Cristã e Judaica, em parte, são utilizados subsidiariamente ao Islamismo e, consequentemente, ao Direito Islâmico; - Crença na Predestinação, a qual se caracteriza pelo controle absoluto da divindade na vida e no futuro da humanidade. Segundo o Islamismo, Allah controla todos os caminhos dos seres vivos, e mesmo daqueles presentes no além-túmulo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cent%C3%ADmetro http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A2metro http://pt.wikipedia.org/wiki/Rel%C3%ADquia http://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Anjo http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_(arcanjo) - 32 - - Crença no Juízo Final, evento também descrito no livro Apocalipse do Profeta João, presente na Bíblia Sagrada Cristã. Além disso todo muçulmano (estendendo-se aos islâmicos) também devem seguir a um tradicional ritual de obrigações, que se constituem em cinco pilares: 1 -fazer as orações (são cinco por dia) 2 -realizar o zakat (pagamento anual de caridade) 3 acreditar na shahada - que só há um Deus e adorarei somente a Ele e que Mohamed é seu mensageiro 4 - fazer o jejum durante o mês do ramadã, que é o nono mês do calendário muçulmano (Devem jejuar, do nascer ao pôr do sol, todos aqueles que atingiram a puberdade; ficando isentos os enfermos graves, grávidas e lactantes,mulheres em período de menstruação, idosos... Se o jejuante comer, beber, ou tiver relação sexual durante o período do jejum, este será anulado., devendo, então, jejuar durante 60 dias seguidos). 5 - fazer a peregrinação a Meca se tiver condições financeiras, ao menos uma vez na vida A CHARIA Charia (Shariah) éo nome que se dá ao DireitoIslâmico. Em várias sociedades islâmicas, ao contrário da maioria das sociedades ocidentais, não há separação entre a religião e o direito, todas as leis são religiosas e baseadas nas escrituras sagradas ou nas opiniões de líderes religiosos. A Charia se constitui como uma "colcha de retalhos" legislativa, um sistema jurídico com diversos diplomas teológico-normativos, em que se conjugam aspectos da cultura dos povos do Médio Oriente, de sua Religião e de seu Ordenamento Social, que resulta num completo sistema normativo. O ponto de partida é a análise de suas fontes, documentos legislativos redigidos ao longo da História Cultural Islâmica, a partir Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina, fato este que marca o ano inicial do calendário islâmico, no século VII da Era Cristã). Suas fontes são: a) O Corão – a palavra de Deus (Alá). Ao contrário dos demais livros teológicos dos principais troncos religiosos no mundo (Cristianismo, Judaísmo, Hinduísmo), o Corão não apresenta contos mitológicos ou reflexões históricas sobre as origens e desenvolvimento de uma civilização sob o ponto de vista místico. De forma pragmática, trata-se de um livro de regras e costumes sociais e religiosos, que devem ser estritamente observados a fim de agradar a divindade cultuada. Constitui-se, pois, como um código de regramento social e teológico, e não um compêndio histórico- cultural, em que reflexamente existem prescrições normativas e éticas, como na Bíblia ou a Torá. b) Suna -a palavra de Maomé. Literalmente significa ‘caminho trilhado’. Significa,também os feitos, dizeres e aprovações do Profeta Maomé. Tudo o que ele disse, fez ou aprovou durante o seu tempo como profeta e mensageiro de Deus,tornou-se o caminho a ser seguido. E por essa razão, os muçulmanos tendem a seguir e praticar as suas tradições. Os registros validados (hadith) desse "caminho", constituem um exemplo moral para os muçulmanos. Importante destacar que os xiitas rejeitam este ponto de vista, seguindo, basicamente, apenas ao Corão e as histórias a respeito das http://pt.wikipedia.org/wiki/Comer http://pt.wikipedia.org/wiki/Beber http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%A3o_sexual http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%A3o_sexual http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito http://pt.wikipedia.org/wiki/Isl%C3%A2mico http://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_ocidental http://pt.wikipedia.org/wiki/Maom%C3%A9 http://pt.wikipedia.org/wiki/Meca http://pt.wikipedia.org/wiki/Medina http://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_isl%C3%A2mico http://pt.wikipedia.org/wiki/Hadith http://pt.wikipedia.org/wiki/Xiismo - 33 - práticas do profeta Maomé – nãonecessitando exatamente seguir seus passos. Os xiitas consideram Ali (o primo e genro do profeta Maomé) o sucessor legítimo da autoridade islâmica,e não os sunitas, outra seita do Islã, que assumiram a liderança da comunidade muçulmana, após conflitos instaurados com a morte do profeta, em 632 d.C. c) Idjma – acordo unânime dos doutores do direito, isto é,os jurisconsultos designados (fuqahâ) pelo Estado, os quais são considerados sábios e herdeiros do profeta. O Idjma é estruturado com base nos anseios e acontecimentos sociais. Como o Corão ou a Suna nem sempre podem apresentar todas as respostas,em face da evolução da sociedade, criou-se o instituto para suprir lacunas. Criam-se dogmas oriundos da infalibilidade da comunidade muçulmana, quando se exprime um sentimento unânime. O que os muçulmanos consideram justo, julgam ser, também, justo para Alá. d) Fiqh – constituído pelas decisões dos estudiosos islâmicos, que dirigiram as vidas dos muçulmanos. O dever que se impõem ao muçulmano é o de observar otaqulid (reconhecer a autoridade dos doutores das gerações anteriores). Assim,o fiqh é um sitema doutrinal, fundado sobre a autoridade das fontes reveladas ou cuja infalibilidade foi admitida pelos antepassados. e) Recurso à convenção -princípios de autocomposição. Muito comum aos muçulmanos, sobretudo em razão da rigidez do sistema jurídico. 2 – O DIREITO DA ÍNDIA A primeira grande cultura existente no território da atual Índia, devidamente comprovada pela Arqueologia, foi a civilização centrada em torno das três cidades-estados de Mohenjodaro, Harappa e Chanhudaro, civilização essa cujo apogeu ocorreu na primeira metade do segundo milênio antes de Cristo. A cultura em tela, localizada em torno do Rio Indo, foi destruída por volta de 1.500 a. C., muito provavelmente devida a invasão e conquista de boa parte do atual território indiano por um grupo étnico que se auto-identificava como "arianos" e falava um idioma indo-europeu: o sânscrito. Dessa conquista e colonização ariana da atual Índia, cujos pálidos ecos podem ser inferidos no mais antigo documento literário indiano (o Rig Veda), nasceu a atual Civilização Hindu. Durante a Dinastia Mauria (séculos IV a. C. - III a. C.) foi estabelecido o assim denominado Primeiro Império Hindu, e muitos especialistas consideram que tal dinastia marcou o apogeu da cultura clássica hindu, sobretudo devido as suas realizações políticas, artísticas e científicas. De fato, nesta dinastia, muitos dos aspectos essenciais da sociedade hindu atual já estavam presentes, ainda que de maneira embrionária. Dentre os elementos característicos da cultura hindu já existentes ao longo da Dinastia Mauria podemos citar o sistema de divisão da sociedade em castas que perdurou até a época da independência da Índia. No decorrer do século X da Era Cristã amplas porções territoriais do Leste, Norte e partes da região central da atual Índia foram ocupadas por conquistadores de fé islâmica, ocupação essa que resultou, com o tempo, na conversão de parcelas significativas da população desses territórios hindu ao credo muçulmano. Desse fenômeno histórico deriva, nos dias atuais, um dos problemas mais graves da Índia, qual seja os violentos conflitos etno-religiosos entre a maioria hindu e a minoria muçulmana, em especial no território da - 34 - atual Cachemira Hindu que detém uma população de maioria islâmica. No decorrer da segunda metade do século XVIII d. C. a Inglaterra assume paulatinamente o controle sobre a atual Índia aproveitando-se do declínio do Império Mogul então estabelecido no território daquele país. Realmente, os mongóis de fé muçulmana nunca conseguiram se integrar totalmente à cultura hindu, em grande parte devido a sua origem etnocultural indo-persa, totalmente distinta das tradições culturais e religiosas hindus. A Índia só ganhou a sua independência política na segunda metade do século XX d. C., graças aos esforços de uma das figuras mais notáveis da última centúria: M. Gandhi. Cronologia Aproximadamente 1.500 a.C.: Invasão das tribos arianas da Índia à início da Civilização Hindu. 1498-1510: Inicia-se o contato direto entre a Europa e a Civilização Hindu com a chegada dos portugueses ao território da atual Índia com a expedição capitâneada pelo português Vasco da Gama em 1498. 1526-1707: Período da Dinastia Mogul na atual Índia. 1612: Início da colonização inglesa da Índia coma instalação de entrepostos comerciais ingleses no território hindu, em especial nos litorais leste e oeste daquele país. 1746-1763: Luta ferrenha entre forças militares inglesas e francesas pelo domínio da atual Índia. Pelo Tratado de Paris (1763) a Grã- Bretanha assegura a posse da maior parte do território do subcontinente indiano. 1850-1930:Apogeu do domínio inglês na Índia. 1947: Independência da Índia. O direito hindu O hinduísmo é uma religião que engloba princípiosdiversos, ao começar pelo bramanismo, a crença na "Alma Universal", cuja entidade máxima é Brâman. Constitui um sistema religoso com viés político,ordenado por castas. o hinduísmo é um estado de espírito, uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente dividido, teologicamente sem crença, desprovido de veneração em conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de congregação, com forte ligação aos elementos da natureza. Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistos como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser Não se pode confundir o direito hindu com o direito indiano, que é o direito territorial da Índia, enquanto estado moderno; o direito indiano é constituído sobretudo por leis da República Indiana, teoricamente aplicado a todos os habitantes do território; mas de fato, em muitos domínios, os direitos das comunidades religiosas subsistem, quer se trate do direito hindu quer se trate do direito dos Muçulmanos, quer se trate dos Cristãos, etc." A primeira e mais importante característica do direito hindu é que ele se constitui num direito de substrato religioso, muito embora não seja um direito advindo de uma "fé revelada", como é o direito muçulmano. Tal como o direito muçulmano, o direito hindu é um direito extremamente conservador e, enquanto tal, não incentiva mudanças sociais abruptas. Enquanto tal, é um sistema jurídico composto de normas extra-estatais de composição dos litígios-sociais, notadamente as de cunho religioso. A base do direito hindu encontra arrimo no sistema de castas, característico da Índia. Um sistema de divisão social com origem incerta. Tradicionalmente apresentado como advindo deBrahma, a http://pt.wikipedia.org/wiki/Bramanismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%A2man http://pt.wikipedia.org/wiki/Casta http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmo http://pt.wikipedia.org/wiki/Brahma - 35 - divindade criadora do universo, mashá estudiosos que entendem ter nascido da divisão entre os migrantes arianos que povoaram a Península da Índia e os nativos (dasya), que se tornaram escravos, por volta de 1600 a.C. As primeiras referências históricas sobre a existência de castas se encontram em um livro sagrado dos indianos, o Código de Manue, possivelmente escrito entre 800 a.C. e 250 a.C. As castas são grupos sociais hereditários e endógamos, isto é, cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo. São elas, hierarquicamente,de acordo com a parte do corpo de Brahma, da qual nasceram: • os brâmanes (sacerdotes e letrados) nascidos da cabeça; • os xátrias (guerreiros) nascidos dos braços; • os vaixás (comerciantes) nascidos das pernas; • os sudras (servos: camponeses, artesãos e operários) nascidos dos pés. • os dalits ( párias, pessoas sem castas, que, inlusive, nem entram na hierarquia social. Vivem marginalizadas.) da poeira debaixo do pé de Brahma. Importante destacar que aConstituição Indiana moderna rejeita a discriminação com base na casta, em consonância com os princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. Barreiras de casta deixaram de existir nas grandes cidades, mas persistem principalmente na zona rural do país. Por ser um sistema legal de origem religiosa o direito hindu pretende ir além e acima do Estado laico, ou seja, é um direito cujas normas são, exclusivamente, voltadas para a sua comunidade étnica- religiosa. O direito hindu assenta-se numa visão hierarquizada da sociedade e, por via de consequência, os princípios legais que regem tal sistema jurídico estão longe de propiciar um tratamento jurídico- legal igualitário. Tal característica do Direito Hindu explica, ao menos em parte, o relativo sucesso da conversão de uma grande massa de indianos à fé muçulmana que, pelo menos em tese, é uma fé socialmente igualitária e cujo Direito admite um tratamento jurídico isonômico. O professor John Gilissen preleciona que "a palavra "direito", no sentido que os Ocidentais lhe dão, não existe em sânscrito; os Hindus não conhecem o conceito das regras de comportamento sancionadas por um constrangimento físico.” O que corresponde melhor à nossa noção de direito é o dharma, que se pode traduzir duma forma muito aproximativa, por dever. O dharma é o conjunto das regras que o homem deve seguir em razão da sua condição na sociedade, isto é, o conjunto de obrigações que se impõem aos homens, por derivarem da ordem natural das coisas. O dharma, portanto, compreende regras que, segundo a nossa ótica, relevam umas da moral, outras do direito, outras ainda da religião, do ritual ou da civilidade. Mais que um direito, o dharma é um simples modelo que se adapta às derrogações e pede mesmo certas adaptações, dentro do espírito de realismo e, mais ainda, de tolerância, que constitui a marca instintiva do hinduísmo. As fontes do dharmasão três, a saber: 1)o Veda que, em suma, é o somatório de todo o saber ou verdades de cunho moral e religioso reduzidos a determinados preceitos escritos contidos nos livros sagrados, dos quais o mais importante é o Rigveda; 2)a tradição; 3)o costume. O professor John Gilissen indica que "há um número infinito de costumes, diferentes não somente de uma região para outra, mas sobretudo de uma casta para outra: cada casta tem, em cada região, o seu costume próprio, a sua "maneira de viver das pessoas de bem (sadacara)." O direito hindu sofreu, nos dias atuais, profunda reformas. Continua a ser um direito unicamente aplicável à parte hindu da população da Índia; mas numerosos costumes que comprometiam a unidade deste http://pt.wikipedia.org/wiki/Arianos http://pt.wikipedia.org/wiki/Pen%C3%ADnsula_da_%C3%8Dndia http://pt.wikipedia.org/wiki/1600_a.C. http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Manue&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/800_a.C. http://pt.wikipedia.org/wiki/250_a.C. http://pt.wikipedia.org/wiki/Endogamia http://pt.wikipedia.org/wiki/Casta http://pt.wikipedia.org/wiki/Secularismo - 36 - direito foram abolidos. Em relação ao passado, esta é uma importante modificação. O Direito Indiano (Direito Nacional da Índia) O direito hindu, na Índia atual, tende a ser substituído por um direito laico de aplicação nacional, direito esse inspirado em grande parte pelo common law. Segundo o eminente professor René David, "os códigos e leis com que a Índia foi dotada, na época do domínio britânico, são fundados sobre os conceitos do direito inglês. Estão, porém, longe, de ser uma obra, de simples consolidação; não se limitaram a expor sistematicamente as regras do direito anterior; a codificação foi utilizada para reformar o direito." (David, René: Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. pág. 459). E prossegue o festejado autor, "a independência da Índia não acarretou uma revisão dos conceitos implantados na época da dominação britânica, nem tampouco colocou em perigo a obra legislativa realizada." (David, René: Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. pág. 462). De fato, a criação de um Estado moderno e eficiente, bem como a instituição de uma verdadeira Democracia num país de mais de um bilhão de pessoas, com a correspondente superação das gigantescas desigualdades sociais, econômicas e etno-culturais que ainda persistem por todo aquele país, demanda a criação de um sistema jurídico laico de abrangência nacional. Neste sentido, o atual direito indiano é, antes de mais nada, um sistema jurídico de origem estatal que extrapola as diversas etnias ecomunidades religiosas que formam a Índia contemporânea para ser um Direito supra-étnico e desvinculado desta ou daquela fé religiosa. Leia mais: http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito- indiano#ixzz39v8Xg3xa 3 – OS DIREITOS DO EXTREMO ORIENTE 3.1. DIREITO CHINÊS A tradição chinesa desdobrou-se em um mundo fechado, que recusava a presença e o contato com o estrangeiro e que para o ocidente era tema das incríveis narrativas de Marco Polo. O Direito chinês surgiu há mais de 4mil anos, durante a dinastia Xia, a primeira dinastia da história chinesa. Durante séculos a China floresceu isoladamente do resto do mundo. A codificação da lei na antiguidade chinesa, primeiramente de natureza penal, foi empreendido durante as dinastias Qin (221-206 a.C.), Tang (618-907 d.C), Song (960- 1279 d.C.), Ming (1368-1644 d.C.) e Qing (1644- 1912 d.C.)" A China há muito afastou-se do imaginário meramente comunista, que já foi vista como país pobre, símbolo da mortalidade infantil, juvenil e profissional, no qual se desdobram negócios escusos, que engendram a popular referência de negócio da China. Todo esse processo teve inicio a partir da revolução comunista de 1949,a qual desdobra-se em dois momentos. A primeira até a morte de Mao TséTung, em 1976,e a segunda, um período pragmático, que chega aos dias atuais. A partir deste período, a vida cultural, bem como o direito, ensaiam uma aproximação com as feições ocidentais. O texto constitucional chinês conta com extenso preâmbulo que sintetiza a história do país. Afirma-se de início que a China é um dos países mais antigos do mundo. Indica-se que as diversas nacionalidades chinesas, que contribuíram para a criação de uma cultura brilhante, possuem tradições revolucionárias gloriosas. http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito-indiano#ixzz39v8Xg3xa http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito-indiano#ixzz39v8Xg3xa - 37 - Observa-se que a partir de 1840 da Era Cristã as tradições feudais chinesas sofreram impactos que transformaram o país, cuja estrutura passou a transitar do semicolonial para o semifeudal. Conta-se, ainda no preâmbulo do texto constitucional, que o povo chinês tem lutado incessantemente, objetivando a independência do país, a libertação nacional e a conquista da democracia. Observa-se no referido preâmbulo que ao longo do século XX transformações históricas alteraram drasticamente a China. O trecho do preâmbulo refere-se à revolução de 1911, dirigida por Sun Yat-Sen (que é nominado de doutor), e que teria abolido a monarquia feudal, fundando a República Chinesa. Restava no entanto inacabada a tarefa histórica do povo chinês (nos termos do preâmbulo); a empreitada de enterrar o imperialismo e o feudalismo. Sob a direção do Partido Comunista Chinês (e de seu guia, Mao Tsé- Tung), as diferentes nacionalidades chinesas, depois de anos de lutas e de dificuldades, conseguiram finalmente, em 1919, derrubar o imperialismo, o feudalismo e o capitalismo burocrático. Consolidava-se a vitória popular, e ainda nas palavras do preâmbulo da constituição chinesa, conquistava o povo a posição de senhor e mestre do próprio país. Continua o preâmbulo indicando que após a fundação da República Popular Chinesa a sociedade passou pela transformação progressiva de democracia para regime socialista pleno. Realizou-se a apropriação socialista da propriedade privada dos bens de produção, abolindo-se o sistema de exploração do homem pelo homem, mediante a instalação definitiva do regime socialista. A “ditadura democrática” popular, dirigida pela classe trabalhadora é baseada em aliança entre operários e camponeses. Afirma-se que o povo chinês e o exército popular de libertação enfrentaram agressões, sabotagens e provocações armadas do imperialismo internacional, conseguindo manter a independência e a segurança do país, reforçando a segurança nacional, desde então consolidada. Afirma que graças aos sucessos obtidos pelo movimento de reconstrução econômica logrou-se a obtenção de sistema socialista independente e relativamente completo, garantindo-se o crescimento da economia agrícola. Observou-se que a educação, a ciência e a cultura se desenvolveram a partir do triunfo da revolução comunista. Expõe que a educação ideológica socialista registrou sucessos, melhorando-se as condições de vida da grande massa do povo chinês. Reafirma-se a liderança do marxismo-leninismo, sob a batuta de Mao-Tsé-Tung, sem que pese obstáculos e dificuldades. Consigna-se que a China encontra-se vivendo a primeira etapa do socialismo. O Estado teria como tarefa fundamental a concentração de esforços relativos a modernização socialista, levando-se em conta as peculiaridades chinesas. O preâmbulo da constituição chinesa consigna que os exploradores do país foram liquidados enquanto classe social. Continua-se com a declaração de que Taiwan é território sagrado da República Popular da China, cuja obra grandiosa de reunificação depende da absorção daquele território. Consigna-se que o Estado vai se valer de todos os esforços para contribuir para a prosperidade comum das diversas nacionalidades. De modo a desenvolver suas relações diplomáticas e o intercâmbio econômico e cultural com os outros povos, a China leva em conta os seguintes princípios, a saber: respeito da soberania e da integridade territorial, não agressão mútua, não ingerência em negócios internos, igualdade e vantagens recíprocas, coexistência pacífica. Reafirma-se a continuidade da luta contra o imperialismo, contra hegemonias, contra o colonialismo. O preâmbulo da - 38 - constituição chinesa reforça solidariedade para com todos os povos da Terra, apoio às nações oprimidas e ajuda aos países em desenvolvimento. Como pano de fundo busca-se o desenvolvimento da economia nacional e a obtenção da paz mundial e do progresso da humanidade. A constituição é documento que consagra sob forma normativa a luta do povo chinês, ainda nas palavras do extenso preâmbulo que se acabou de considerar. Após o longo preâmbulo, o texto constitucional chinês propriamente dito indica que a República Popular da China é um Estado socialista de ditadura democrática popular, dirigida pela classe trabalhadora e baseada em aliança entre operários e camponeses. Decreta-se que o regime socialista é o sistema fundamental da República Popular da China, proibindo-se que qualquer indivíduo ou organização atente contra o regime. Afirma- se que todo o poder pertence ao povo. Esse poder é exercido por meio de uma Assembléia Nacional Popular e pelas assembleias populares locais. O povo participa na gestão do país, dos negócios, e da cultura nacional, do modo como previsto em lei ordinária. Os órgãos de Estado funcionam nos termos de um centralismo democrático. A Assembleia Popular Nacional e as assembleias locais contam com membros democraticamente eleitos. Órgãos administrativos, judiciários e do ministério público são escolhidos pelas assembleias populares, em relação a quem são responsáveis e por quem são controlados. Um poder central nacional concentra condição de orientador de políticas e ações, tomadas com participação e dinamismo das populações locais interessadas. Afirma-se que todas as nacionalidades são iguais em direitos no quadro da República Democrática da China. O Estado garante o gozo de direitos e de interesses legítimos de minorias nacionais. Condenam-se todas as formas de discriminação e de opressão. Garantem-se a todas as minorias nacionais o poder de uso da própria língua, da escrita, bem como o direito de conservação ou de reforma de usos e costumes. Abertura de mercado. A abertura externa ficou consolidada com excerto constitucional indicativo de que nos termos das disposições legaisda República Popular da China autorizam-se empresas, organizações econômicas e cidadãos de países estrangeiros a investirem e praticarem diversas formas de cooperação econômica com empresas e organizações econômicas chinesas. E também se determinou que as empresas e organizações econômicas de países estrangeiros, bem como as empresas mistas, de capital chinês e estrangeiro, instaladas em território chinês, devem observar as leis da República Popular da China. E de modo a se implementar proteção ampla ao capital estrangeiro consignou-se que os direitos e interesses legítimos das empresas estrangeiras são protegidos pela lei. A constituição da China imputa ao Estado a obrigação de desenvolver uma educação socialista que tenha por objetivo elevar níveis científicos e culturais do povo. Determina-se que o Estado deva desenvolver serviços médicos e sanitários, a medicina e a farmacologia modernas, além da medicina e da farmacologia tradicionais. Indica-se também que o Estado deva prosperar os esportes e as atividades esportivas de massa, com o objetivo de se melhorarem as condições físicas do povo chinês. Ao Estado incumbe o desenvolvimento das letras e das artes, da imprensa, do rádio e da - 39 - televisão, das bibliotecas, das casas de cultura, das obras culturais em geral que se prestem ao desenvolvimento do socialismo, bem como deve encorajar as atividades culturais de massa. Ao Estado incumbe, também, o desenvolvimento do planejamento popular, de modo que se assegure a harmonia entre o crescimento demográfico e os planos de desenvolvimento econômico e social. Do ponto de vista ambiental, o Estado deve proteger e melhorar o meio ambiente, lutando incessantemente contra indicativos de poluição. O Estado se vê obrigado pela constituição a organizar e fomentar o plantio de árvores, além de proteger as florestas. Proclama-se a igualdade de todos os cidadãos em face da lei. Outorga-se a liberdade religiosa. Não se permite qualquer obrigatoriedade de vínculo religioso, para quaisquer fins. O Estado protege as práticas religiosas que reputa como normais. Decreta-se que liberdade individual dos cidadãos da República Popular da China é inviolável. Não se permite qualquer forma de prisão que não decorra de decisão de ministério público ou justiça popular. Quanto ao trabalho, consignou-se que os cidadãos da República Popular da China têm direito e dever de trabalhar. O Estado se obriga a criar empregos, a melhorar as condições de trabalho, a desenvolver a produção, a assegurar a remuneração e o bem estar dos trabalhadores.. Garante-se o direito ao repouso. Prevê-se modelo de aposentadoria, garantida pelo Estado. Indicou-se na constituição chinesa que o Estado fornece formação às crianças, aos adolescentes e aos jovens, nos planos moral, intelectual e físico. O casamento, a família, a mãe e as crianças recebem a proteção do Estado. O planejamento familiar é obrigação do marido e da esposa. A educação dos filhos é dever dos pais. Proíbem-se -os maus tratos de anciãos, mulheres e crianças O Estado estrutura-se em Assembléia Popular Nacional que consiste no órgão supremo do poder estatal, com omandato do representante popular na Assembléiade cinco anos. Dentre as várias funções, compete ao referido órgão emendar a constituição, de cuja aplicação é responsável; de elaborar o código penal e o código civil e as leis fundamentais referentes à estrutura do Estado; de eleger o presidente e o vice-presidente da República; de escolher o primeiro- ministro; de examinar e aprovar o plano de desenvolvimento da economia nacional, dentre outros. O direito chinês propicia o encontro entre as tradições ocidentais e orientais, vinculando-se constitucionalismo a confucionismo, em ambiente pós-comunista e neocapitalista. O Confucionismo é a ideologia religiosa e sociopolítica de Confúcio. Entre seus princípios, o principal é conhecido pelos povos orientais como junchaio, que são considerados os ensinamentos dos sábios. Este princípio é o que define o Tao (caminho superior), uma maneira de ter uma vida equilibrada, satisfazendo as vontades do céu e da terra.Adoutrina do Confucionismo durou na China aproximadamente dois mil anos, indo do século II ao século XX com milhões de adeptos. Além da forte presença na China a religião de Confúcio também tem diversos adeptos no Japão, Cingapura e Coréia do Sul. Certifica-se que na China atual há uma enorme quantidade de religiões,tendo quase todas elas um número considerável de adeptos (cristãos, muçulmanos, budistas). Contudo, acredita-se que em média 35% da população chinesa, aproximadamente,seja formada por agnósticos ou ateus. O modelo jurídico chinês é, certamente,intrigante, instigante e perturbador, sobretudo se forem colocados a baila a rigidez com que se tratam criminosos; o destino do segundo filho de um casal e principalmente a liberdade de imprensa e de expressão. http://www.infoescola.com/biografias/confucio/ http://www.infoescola.com/filosofia/confucionismo/ http://www.infoescola.com/filosofia/confucionismo/ - 40 - O medo da superpopulação levou o governo a criar regras severas -e quase sempre violentas- para regular o nascimento de crianças no país. Mesmo com o abrandamento provocado pelo corte de verbas da UNPF (United Nations Peace Force;Força de Paz das Nações Unidas; Fundo de População)para a China, casais em áreas urbanas continuam podendo ter apenas um filho, e na maioria das regiões rurais as famílias podem tentar uma segunda criança, se a primeira for mulher. A preferência por bebês do sexo masculino, especialmente na zona rural, tem uma explicação social. Casais idosos têm no filho homem sua única esperança de sobrevivência, pois quando estão velhos demais para trabalhar precisam ser sustentados pelos filhos. As mulheres, depois de casadas, são consideradas parte da família do marido, e por isso não têm como sustentar seus pais. Na maior parte do país, aqueles que têm um segundo filho ilegalmente estão sujeitos a multas, esterilização e outras penalidades graves. Há relatos de famílias que tiveram suas casas destruídas ou incendiadas. Para evitar punições, muitos adotam a medida desesperada de abandonar seus filhos ilegais à própria sorte. Existem, hoje, cerca de 80 milhões de filhos únicos na China. Eles são conhecidos como pequenos imperadores. Em outubro de 2015, no entanto, o governo chinês aboliu a lei por conta do envelhecimento da população, ao passar a permitir até dois filhos por família.[2] Leia mais: http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional- chines#ixzz39vSVo3MT 3.2. DIREITO JAPONÊS Em 646, com o inicio da era Taika, surgem os primeiros movimentos do direito Japonês, resultado de sua relação com a China,extraindo dali algumas tradições, modos de pensar, costumes (bem distintos dos moldes ocidentais).Foram formadas compilações jurídicas, chamadas ritsu-ryô, embasadas no modelo chinês, quecomportam regras repressivas (ritsu) e administrativas (ryô). Neste período,funcionava precariamente no Japão o sistema de repartição de terras, porém, logo foi instituído um elemento fundamental na sociedade japonesa nos séculos IX e X, a senhoria (shô), que se desenvolve à custa de terras publicas, gozando de incentivos fiscais. O chefe do shôtransformou a dotação hereditária em um grande domínio fundiário, exercendo no interior do shô poderes de jurisdição soberanos. A impotência da justiça criminal, a insegurança que dela resulta e as guerras civis, no fim do século XII levam à combinação com este regime senhorial de um novo regime feudal, tirando do imperador todo o poder real e a nobreza da corte dos kuge é levada ao declínio. O imperador continuou a ser uma personalidade importantee venerada, devido às prerrogativas de ordem sagrada que exerce, porem sem poder. Fortalece-se umacasta militar (buke, bushi, https://pt.wikipedia.org/wiki/Envelhecimento https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_do_filho_%C3%BAnico#cite_note-al-jazeera-2 http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional-chines#ixzz39vSVo3MT http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional-chines#ixzz39vSVo3MT - 41 - samurai) que vai governar o Japão, vivendo segundo um direito consuetudinário próprio (buke-hô), que constitui a sua lei pessoal. Na era dos ShogunTokugawa (1603-1868), foi inaugurada no Japão uma política de isolamento (shogunato). Por reação às influências europeias, o confucionismo é admitido como doutrina oficial. Uma política de estreita vigilância e de delação é inaugurada em 1597 com a constituição, em todo o país, de grupos de cinco pessoas (goningumi), encarregados de denunciar os crimes, manter a ordem pública, dar a conhecer à política as mudanças dos seus membros ou a presença de estranhos. Este grupo deve estar de acordo para que um processo possa ser intentado. Intervêm na vida familiar dos seus membros, fornece-lhes conselheiros ou testemunhas, controla a maneira como as terras são exploradas. Esta instituição marcou profundamente o espírito japonês durante a era dos Tokugawa, deixando ate aos dias atuais diversos traços no Japão. A ordem estabelecida é considerada a época como uma ordem natural, imutável; é formada sobre uma estrita separação das classes sociais (guerreiros, camponeses, comerciantes) e sobre um princípio de hierarquia destas diversas classes. Todo o modo de vida dos japoneses é determinado pela classe à qual pertencem. Caracteres gerais A ideia de direito não é muito difundida nas relações entre pessoas pertencentes à mesma classe. Tal como na China, no Japão fica-se chocado pela brutalidade das soluções. Desenvolveu-se todo um conjunto de regras que dizem respeito às conveniências tanto ou mais que a moral, e que regulam em todas as ocasiões da vida a conduta dos indivíduos nas suas relações. Estas regras de comportamento, análogas aos ritos chineses, são chamadas giri. O giri substitui o direito e, segundo certos japoneses, substitui mesmo a moral. Seria uma vergonha, uma falta de caráter para um japonês, não respeitar um dos girisno quais se encontra inserido,daí a explicação para o considerável número de suicídios entre a população, mesmo na atualidade. A era de Meiji A era Meiji constitui-se no período de governo do Imperador Meiji no Japão, estendendo-se de 1867/68a 1902. Nessa fase, o Japão conheceu uma acelerada modernização, vindo a se transformar numapotência mundial. Numa renovação total da sociedade japonesa, um Estado democrático de tipo ocidental tomou lugar do Estado feudal,propiciando um progresso enorme que fez do Japão uma das maiores nações contemporâneas no comercio mundial. A unidade política do país permitiu a centralização da administração pública, e a intervenção do Estado na economia. Isso, por sua vez, possibilitou reformas econômicas que consistiram na eliminação de entraves e resquícios do modo de produção feudal, na liberação da mão-de- obra, e na assimilação da tecnologia ocidental, preparando o Japão para o capitalismo.em sua revoluçao. Os antigos feudos foram extintos e os privilégios pessoais foram eliminados através de uma reforma agrária e da reformulação da legislação do imposto territorial rural. Foi instituído como moeda oficial oIENE , houve a criação do Banco do Japão, e implantação do ensino primário obrigatório, além da centralização do poder e do fortalecimento do Estado. Neste período, foram criadas, também, universidades e o gabinete parlamentar, além de ter sido promulgada a primeira constituição, em 1889, instaurando-se uma monarquia constitucional. http://pt.wikipedia.org/wiki/Meiji_do_Jap%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Meiji_do_Jap%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/1867 http://pt.wikipedia.org/wiki/1902 http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Feudalismo http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o-de-obra http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o-de-obra http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_agr%C3%A1ria http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_agr%C3%A1ria http://pt.wikipedia.org/wiki/Imposto_territorial_rural http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_do_Jap%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade http://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento http://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento http://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia_constitucional - 42 - Paralelamente,surgiram os zaibatsus, grandes conglomerados empresariais originados dos clãs familiares, a exemplo da Mitsubishi e da Mitsui. Tais conglomerados passaram a dominar cada vez mais a economia japonesa, atuando praticamente em todos os setores industriais, além do comércio e das finanças. Estes logo incorporaram as indústrias menores e, inclusive, as indústrias do Estado. Com esse processo de modernização, o Japão industrializou- se rapidamente, fortalecendo a sua economia. Ocidentalização do direito A ocidentalização do direito japonês foi decidida quando se iniciou a era Meiji, Neste período, havia a necessidade de acabar com os tratados de comercio desiguais impostos pelas potências ocidentais,em razão do imperialismo que ocorria no período. Os referidos tratados impostos em 1858 eram considerados pelos japoneses como humilhantes, o que de certa forma redefiniu os caminhos traçados por este país no início do século XX, quando participou ativamente dos grandes confrontos mundiais. Há mais de140 anos, quando o regime do Shogunato foi derrubado e a autoridade do Mikado restaurada, com a retomada do poder pela família imperial, existiam poucas leis escritas no Japão e o direito consuetudinário do país era incerto e variável. Por causa disso, ao mesmo tempo se fazia sentir a necessidade de estabelecer uma nova ordem adaptada à nova sociedade. Era necessário que esta ordem fosse clara e exatamente fixada pelo direito escrito. É então que começa a relação íntima entre o código civil francês e o direito civil e a ciência deste direito no Japão. O Japão, que havia rompido todas as relações com os países estrangeiros durante muitos séculos, agora aproximava-se dos moldes da Família Romano Germânica, porém, sem deixar de lado seus costumes e tradições. Não existia nenhum jurista japonês, e havia necessidade de encontrar termos apropriados para exprimir noções tão elementares como a de direito subjetivo (kenri) ou de obrigação jurídica (gimu), de todo estranhas ao pensamento japonês. O Japão estava se tornando uma nação moderna, era natural que se quisesse revisar aquele tratado sobre um prisma de igualdade. Entretanto, para abolir a jurisdição extraterritorial, fazia-se necessário manifestar o fato de que o Japão estava se tornando um país civilizado tendo uma ordem social inteiramente moderna. Este país já tinha em seu passado uma cultura oriental superior, mas ele nunca havia possuído uma ordem moderna. Assim convinha-lhe estabelecer um direito moderno. As classes sociais desapareceram e as restrições feudais foram abolidas. Assim foi reformada a ordem social. Entretanto, o povo não pôde compreender esta nova ordem porque as razões da revolução não se lhe apresentavam de maneira tão clara e, por consequência, ele não foi mais do que um mero espectador dessa comoção. Em 1870, três anos após a revolução o governo começou a codificação do direito civil. Para realizá-la rapidamente, pareceu cômodo tomar como modelos os direitos civis das nações modernas e avançadas. Ora, a França era, então, a única potência que tinha um direito moderno escrito,e se colocava bem no topo da civilização moderna, conquanto o direito tanto o germânico quanto o anglo- saxão tenham recepcionado amplamente o direito romano, se baseava, sobretudo nos costumes e na moralidade, não se http://pt.wikipedia.org/wiki/Zaibatsus http://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A3 http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitsubishi http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitsui http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio - 43 - corporificando em leis escritas, menos ainda codificadas. Quanto ao direito inglês, era difícil de copiar porque ele era não escrito. Também o governo decidiu mandar traduzir o código civil que deveria servir de base à elaboração do projeto. A tradução foi confiada por Yeto, o primeiro Ministro da Justiça após a restauração, a RinshoMitsukuri, um sábio que viveu na França de 1866 a 1868. No entanto, a tradução somente não foi suficiente para fazer com que os Juízes japoneses prolatassem decisões justas e equânimes; era necessário o auxílio de pessoas competentes para orientar os magistrados. Assim,o governo Francês foi contatado para indicar alguns juristas especialistas, o que foi feito com êxito. Após auxílio francês,cerca de duas décadas depois foi proposto um projeto de Código Civil, com base na estruturaalemã, mas no que concerne ao conteúdo, teve igual influência do direito alemão e do direito francês. Este projeto foi submetido ao parlamento em 1896 e foi posto em vigor em 16 de julho de 1898. Foi esse o Código Civil Japonês que permaneceu em vigor até o fim da segunda guerra mundial, após a qual foram completamente revisados o direito da família e o direito das sucessões. Depois da entrada em vigor do Código civil em 1898, a ciência do direito civil no Japão adquiriu uma característica sensivelmente alemã. Mas, o princípio da liberdade da convenção, aquela da propriedade absoluta e da responsabilidade por culpa, que são os princípios fundamentais do direito civil francês e que são a expressão dos princípios ainda mais fundamentais do respeito ao livre arbítrio e da proteção imparcial dos interesses do indivíduo, já haviam sido introduzidos no Japão onde eles têm sido mantidas. Em suma, o Direito Romano, por ser a base para o Direito na França e Alemanha, foi de fundamental importância no Direito do Japão a partir da segunda metade do século XIX, pois ate 1868, o Japão não tinha contato com o mundo ocidental e vivia sobre um regime onde a Lei era exercida por uma classe dominante, com regras próprias, variáveis e desiguais. O direito no Japão no pós-segunda guerra teve importantes modificações serão introduzidas no Direito Japonês, depois de 1945. Mas não se tratará, de modo algum, de regresso às regras mais conformes ao espírito e à civilização do Japão. As reformas então introduzidas, tendo em vista a democratização do Japão, são de inspiração americana (1946), reformam a organização administrativa, o estatuto da função pública, a competência e o processo em matéria administrativa; reorganizam, sobretudo, de modo radical, o sistema dos tribunais e a polícia e introduzem diversas modificações nos códigos existentes. Tudo com embasamento na recuperação japonesa,devastada pela Segunda Guerra Mundial, com os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Surgiu assim, um capitalismo de Estado ou de grandes homens de negócio, ao lado de um proletariado rural cuja condição pouco mudou, e que está unido por elos estreitos ao proletariado industrial. O direito vem ocidentalizando-se, mas o mesmo não pode ser dito de sua população. Os costumes dos japoneses evoluem, certamente, e aproximam-se gradualmente daqueles que as leis supõem; o movimento vai-se ampliando no meio urbano e nas jovens gerações. Porém, a sociedade japonesa, está ainda longe, pela sua estrutura e pelos seus costumes, de ser uma sociedade ocidental. Os costumes e maneiras de pensar de outrora continuam vivos na maioria dos japoneses, mesmo nas cidades e nos trabalhadores ou no comércio. - 44 - 4- HISTÓRIA DO DIREITO BRASILEIRO: O DIREITO NO BRASIL COLONIAL. CONSTITUIÇÃO E CODIFICAÇÃO NO BRASIL DO SÉCULO XIX. OS SÉCULOS XIX E XXE SUAS INOVAÇÕES REPUBLICANAS. A História do Direito no Brasil não é tema recente, assim como não o é a história geral do direito no planeta e no atual mundo globalizado. Vale ressaltar que em princípio, durante a colonização, não se pode falar em uma “teoria jurídica”, uma vez que a concepção de lei, direito e justiça estava vinculada unicamente às diretrizes da Igreja. Os primeiros trabalhos de cunho jusfilosófico, ao contrário do que se poderia imaginar, preocupavam-se basicamente em não desagradar a metrópole. Embora existente desde o período colonial,o direito ganha destaque científico, como um todo, no transcorrer do século XX A ideia geral do Direito brasileiro contemporâneo só pôde ser definida ao longo do desenvolvimento jurídico dos períodos anteriores. Assim, será criado um diagnóstico do direito brasileiro ao longo dos séculos, para que se possa compreendê-lo na atualidade. O Direito na Época do Brasil Colonial Nos primórdios da estrutura político-econômica brasileira a convivência entre um sistema patrimonialista e, ao mesmo tempo, de burocracia liberal-individualista, representava um paradoxo, explicado por elementos econômicos, sociais, ideológicos e políticos. Como é sabido, o modo de produção colonial era baseado na complementaridade em relação à metrópole e a constituição de monopólios, principalmente agrícolas, de exportação. Nos primeiros séculos após o descobrimento, portanto, a produção brasileira refletiu, tão-somente, os interesses da metrópole. No que concerne à formação social, é de se dizer que se baseava em uma derivação do sistema feudal, com lastro no latifúndio e na mão- de-obra escrava. Portanto, “o sistema aglutinava certas práticas de base feudal com uma incipiente economia de exportação centrada na produção escravista” (Wolkmer, 2006:39). Já quanto à estrutura política, a administração era realizada em um contraditório sistema de pulverização do poder entre os donatários, senhores de escravos e proprietários de terras e a tentativa de centralização pela Coroa, sempre distante dos interesses da população, gerando um “Estado” sempre defensor das elites sociais e com tradição de “intervencionismo estatal no âmbito das instituições sociais e na dinâmica do desenvolvimento econômico” (Wolkmer, 2006:41). Esses aspectos econômicos e políticos são essenciais para encontrar as raízes da formação social e política brasileira, inclusive a jurídica. Isso porque a ideologia propagada pela contrarreforma encontrou sua maior defesa na Península Ibérica, cujo desprezo pelas práticas mercantis lucrativas e subserviência aos dogmas católicos vieram a dificultar o aparecimento de uma burguesia rica e o desenvolvimento cultural, econômico e científico baseado na racionalidade. “Em consequência, Portugal distanciava-se do ideário renascentista, ... no apego à tradição estabelecida e na propagação de crenças religiosas pautadas na renúncia, no servilismo e na disciplina” (Wolkmer, 2006:43) Somente com a reconciliação de Portugal com a Europa e com as drásticas reformas implementadas pelo Marquês de Pombal é que - 45 - se possibilitou um movimento renovador que ofereceu condições ao advento do liberalismo português. Esse fato vai ser determinante na história brasileira, porque esse liberalismo será transposto à colônia, encontrando um espectro econômico e social, em princípio inconciliáveis. No transcorrer do século XVI, a legislação colonizadora e o Direito Nativo passam a coexistir informalmente, de forma sincrética, uma vez que havia a e supremacia metropolitana. O direito português como influência para a formação jurídicano Brasil, subjugou as práticas informais negras (dos povos para cá trazidos) e índias (dos que aqui já habitavam). A fase colonial caracterizou-se, inicialmente, por uma prática político-administrativa tipicamente feudal, sendo o direito vigente uma transferência completa da legislação portuguesa. Contudo, as características da Colônia fizeram necessárias algumas Leis Extravagantes, como a Lei da Boa Razão, que minimizava a autoridade do Direito Romano e visava beneficiar e favorecer a Metrópole, em um modelo que viria a ser repetido por toda história brasileira de dissociação entre a elite governante e população. O modelo jurídico então existente, portanto, buscava garantir a defesa dos interesses da estrutura elitista de poder, fundado, inicialmente, no idealismo jusnaturalista e, posteriormente, na exegese positivista, mas sempre com um descaso pelas práticas costumeiras de um Direito nativo e informal. Desde o século XVII, a elite dominante e seus letrados servis buscaram justificar, sob o aspecto religioso, moral e jurídico, um projeto cristão-colonialista, colocando em relevo a legitimidade da escravidão e a fundamentação de normas que institucionalizassem o controle. Para que esse modelo elitista e patrimonialista funcionasse, era necessária a sua institucionalização por meio de preparados profissionais e regulares instâncias processuais. Os operadores jurídicos e a administração da justiça A princípio, durante o período das capitanias hereditárias, eram os donatários os responsáveis pela administração da justiça, situação que veio a modificar-se com o advento dos governadores-gerais, evoluindo para criação de uma justiça colônia, que visava tornar mais fácil impor um sistema de jurisdição centralizadora, de interesse da Coroa. Uma estrutura inicial teve que ser dilatada diante do crescimento das cidades, surgindo um sistema composta de juízes singulares e os chamados “Tribunais de Relação”, órgãos colegiados a quem se dirigiam os recursos de agravo e apelação, mas que também tinha uma competência originária determinada, enquanto a terceira instância era representada pela “Casa da Suplicação”, na Metrópole. Foram criados Tribunais de Relação no Brasil, primeiramente na Bahia e posteriormente no Rio de Janeiro, cuja composição era formada, quase na totalidade, por portugueses, ou ainda por brasileiros formados na Metrópole. Em geral, a escolha de magistrados era feita com base em um recrutamento que garantisse um padrão mínimo, mas vinculado a apadrinhamentos. Esses juristas deveriam ser formados na Universidade de Coimbra e ter exercido a profissão por pelo menos dois anos. Tais operadores do direito (geralmente de classe média), cujos padrões eram rigidamente formais, encontraram um sistema baseado em laços de parentesco, dinheiro e poder. Esses contatos pessoais favoreciam a corrupção e, como consequência, era natural que os magistrados que faziam fortuna e alcançavam poder social - 46 - aspirassem permanecer na Colônia, mesmo com a possibilidade de retorno à Metrópole. Assim, no Brasil-Colônia, a administração da justiça atuou sempre como instrumento de dominação, em atitudes e relações não profissionais de ‘dominação tradicional’ com práticas administrativas profissionais marcadas pela especialização, hierarquia e carreira burocrática. Todavia, também houve a presença da justiça eclesiástica e, não obstante nunca ter ocorrido um Tribunal de Inquisição em solo brasileiro, casos mais graves eram julgados em Portugal. Nesse sistema de dominação “não havia lugar para os judeus, cristãos- novos, muçulmanos, negros, mulatos, ciganos, heterodoxos ou contestadores de qualquer” (p. Wolkmer, 2006: 70). Portanto, tanto na administração convencional da justiça quanto nos tribunais eclesiásticos, o padrão político-administrativo era caracterizado por um perfil de teor predominantemente excludente. O liberalismo foi fator característico do direito brasileiro, porém,adaptados ao que era conveniente para a elite dominante. São princípios do liberalismo a liberdade pessoal, o individualismo, a tolerância, dignidade e crença na vida. Outras características suas são: no plano econômico, a propriedade privada, economia de mercado, ausência ou minimização do controle estatal, a livre empresa e a iniciativa privada; no plano político-jurídico, consentimento individual, representação política, divisão dos poderes, descentralização administrativa, soberania popular, direitos e garantias individuais, supremacia constitucional e estado de direito. A adaptação do liberalismo iluminista europeu foi amplamente limitada por interesses locais, resultando em uma estrutura político- administrativa patrimonialista e conservadora, criado para servir de suporte aos interesses das oligarquias. Contudo,no transcorrer dos séculos, essa situação vai sendo adaptada aos interesses sociais, focados ainda na elite. No início dos movimentos pela independência, já no século XVIII,houve uma compatibilização de interesses da população com as elites locais. A elite visava a eliminação dos vínculos coloniais,que já não os interessava - pois era mais vantajoso que as riquezas por aqui circulassem, não sendo mandadas para Portugal . O povo objetivava a busca da igualdade econômica e social. Conseguido o intento libertário, no século XIX,as formas liberais de poder determinaram a manutenção do status quo ante, em uma formação pseudo-democrática de dominação. Assim, “o Estado brasileiro nasce em virtude da vontade do próprio governo - da elite dominante (Wolkmer, 2006:77)”, acabando por prevalecer um liberalismo conservador, praticado por minorias hegemônicas e antidemocráticas. A retórica conservadora sobre o liberalismo fundava-se numa concepção de democracia que negava às massas incultas (maioria da população, que não tinha acesso ao conhecimento acadêmico, tampouco político) a capacidade de participação. Outro importante fator foi a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. Este, foi um episódio de grande importância para que se possa iniciar as justificativas da independência. Ao pisar em solo brasileiro, Dom João VI tratou de cumprir os acordos firmados com a Inglaterra, que se comprometera em defender Portugal das tropas de Napoleão e escoltar a Corte Portuguesa ao - 47 - litoral brasileiro. Por isso, mesmo antes de chegar à capital da colônia, o rei português realizou a abertura dos portos brasileiros às demais nações do mundo. Do ponto de vista econômico, essa medida pode ser vista como um primeiro “grito de independência”, onde a colônia brasileira não mais estaria atrelada ao monopólio comercial imposto pelo antigo pacto colonial. Com tal medida, os grandes produtores agrícolas e comerciantes nacionais puderam avolumar os seus negócios e viver um tempo de prosperidade material nunca antes experimentado em toda história colonial. A liberdade já era sentida no bolso de nossas elites. Para fora do campo da economia, pode-se salientar que a reforma urbanística feita por Dom João VI promoveu um embelezamento do Rio de Janeiro até então nunca antes vivida na capital da colônia, que deixou de ser uma simples zona de exploração para ser elevada à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves. Se a medida prestigiou os novos súditos brasileiros, logo despertou a insatisfação dos portugueses que foram deixados à mercê da administração de Lorde Protetor do exército inglês. Essas medidas, tomadas até o ano de 1815, alimentaram um movimento de mudanças por parte das elites lusitanas, que se viam abandonadas. Foi nesse contexto que uma revolução constitucionalista tomou conta dos quadros políticos portugueses em agosto de 1820. A Revolução Liberal do Porto tinha como objetivo reestruturar a soberania política portuguesapor meio de uma reforma liberal que limitaria os poderes do rei e reconduziria o Brasil à condição de colônia. Os revolucionários lusitanos formaram uma espécie de Assembleia Nacional que ganhou o nome de “Cortes”. Nas Cortes, as principais figuras políticas lusitanas exigiam que o rei Dom João VI retornasse à terra natal para que legitimasse as transformações políticas em andamento. Temendo perder sua autoridade real, D. João saiu do Brasil em 1821 e nomeou seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil. A medida ainda foi acompanhada pelo rombo dos cofres brasileiros, o que deixou a nação em péssimas condições financeiras. Em meio às conturbações políticas que se viam contrárias às intenções políticas dos lusitanos, Dom Pedro I tratou de tomar medidas em favor da população brasileira. Entre suas primeiras medidas, o príncipe regente baixou os impostos e equiparou as autoridades militares nacionais às lusitanas. Naturalmente, tais ações desagradaram bastante as Cortes de Portugal. Mediante as claras intenções de Dom Pedro, as Cortes exigiram que o príncipe retornasse para Portugal e entregasse o Brasil ao controle de uma junta administrativa formada pelas Cortes. A ameaça vinda de Portugal despertou a elite econômica brasileira para o risco que as benesses econômicas conquistadas ao longo do período joanino corriam. Dessa maneira, grandes fazendeiros e comerciantes passaram a defender a ascensão política de Dom Pedro I à líder da independência brasileira. No final de 1821, quando as pressões das Cortes atingiram sua força máxima, os defensores da independência organizaram um grande abaixo-assinado requerendo a permanência e Dom Pedro no Brasil. A demonstração de apoio dada foi retribuída quando, em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I reafirmou sua permanência no conhecido Dia do Fico. A partir desse ato público, o príncipe regente assinalou qual era seu posicionamento político. Logo em seguida, Dom Pedro I incorporou figuras políticas pró-independência aos quadros administrativos de seu governo. - 48 - Entre eles estavam José Bonifácio, grande conselheiro político de Dom Pedro e defensor de um processo de independência conservador guiado pelas mãos de um regime monárquico. Além disso, Dom Pedro I firmou uma resolução onde dizia que nenhuma ordem vinda de Portugal poderia ser adotada sem sua autorização prévia. Essa última medida de Dom Pedro I tornou sua relação política com as Cortes praticamente insustentável. Em setembro de 1822, a assembleia lusitana enviou um novo documento para o Brasil exigindo o retorno do príncipe para Portugal sob a ameaça de invasão militar, caso a exigência não fosse imediatamente cumprida. Ao tomar conhecimento do documento, Dom Pedro I (que estava em viagem) declarou a independência do país no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga. O Direito na Época do Brasil Império Após a independência, resultado de uma união entre o povo e a elite, foi outorgada uma Constituição Monárquica, em 1824,que representou apenas os intentos do absolutismo real e os interesses dos grandes proprietários. Assim, os direitos políticos eram cometidos a grupos hegemônicos, em uma estrutura social pouco propícia a novos ideais, revolucionários ou liberais. A constituição monárquica teve como características principais: ✓ O governo como sendo uma monarquia unitária e hereditária; ✓ A existência de 4 poderes: o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Poder Moderador, este acima dos demais poderes, exercido pelo Imperador; Por meio do Poder Moderador o imperador nomeava os membros vitalícios do Conselho de Estado os presidentes de província, as autoridades eclesiásticas da Igreja oficial católica apostólica romana, o Senado vitalício. Também nomeava e suspendia os magistrados do Poder Judiciário,assim como nomeava e destituía os ministros do Poder Executivo. ✓ O Estado adotava o catolicismo como religião oficial. As outras religiões eram permitidas com seus cultos domésticos, sendo proibida a construção de templos com aspecto exterior diferenciado; ✓ Define quem é considerado cidadão brasileiro; ✓ As eleições eram censitárias e indiretas; ✓ Submissão da Igreja ao Estado, inclusive com o direito do Imperador de conceder cargos eclesiásticos na Igreja Católica (padroado); ✓ Foi uma das primeiras do mundo a incluir em seu texto (artigo 179) um rol de direitos e garantias individuais; ✓ O Imperador era inimputável (não respondia judicialmente por seus atos). O liberalismo, após o processo de desvinculação da Metrópole, representava a modernização do Estado. No início, houve um embate entre liberais radicais e conservadores, com a vitória desses, o que resultou em um sistema dissociado de práticas democráticas, conciliação com a estrutura patrimonialista colonial, introduzindo uma cultura jurídico-institucional marcadamente formalista, retórica e ornamental. Após a independência, dois fatores foram fundamentais para http://pt.wikipedia.org/wiki/Legislativo http://pt.wikipedia.org/wiki/Executivo http://pt.wikipedia.org/wiki/Judici%C3%A1rio http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Moderador http://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es http://pt.wikipedia.org/wiki/Culto http://pt.wikipedia.org/wiki/Padroado - 49 - edificação de uma cultura jurídica nacional: a criação dos cursos de direito (Recife e São Paulo) e a criação de uma Constituição e leis próprias brasileiras. Quanto às faculdades de direito, sua finalidade primeira era atender as necessidades burocráticas do Estado. A faculdade de Recife se constituiu na vanguarda científica do Brasil, enquanto a Academia de São Paulo aderiu ao periodismo e à militância política, sendo um centro privilegiado de formação de intelectuais destinados à cooptação pela burocracia estatal. O segundo grande fator para emancipação da cultura jurídica brasileira foi a elaboração própria do sistema legal, a partir de uma constituição. Diga-se que a fachada liberal desse sistema, apoiado pela monarquia, ocultava o escravismo e excluía a maior parte da população do país. Destacam- se, ainda, o Código Criminal de 1830 e Código de Processo Criminal de 1832, que extinguiu a estrutura colonial portuguesa, que era apoiada sobre os ouvidores e juízes de forma, na tentativa de criação de uma burocracia profissionalizada de administração da Justiça. Reforçava-se, dessa forma, a dominação patrimonialista. É de se ressaltar, ainda, o Código Comercial, de 1850 e Código Civil que, não obstante projetos existentes desde 1860, somente foi aprovado em 1916, tendo-se em conta que para a burguesia, a ordenação do comércio e da produção da riqueza era mais imperiosa do que a proteção e a garantia dos direitos civis. Isso não impediu, contudo, que o projeto de Clóvis Beviláqua tivesse uma “mentalidade patriarcal, individualista e machista de uma sociedade agrária e preconceituosa” (Wolkmer, 2006:89) e que traduzisse intentos de uma classe média consciente e receptiva aos ideais liberais mas igualmente comprometida com o poder oligárquico familiar. Os magistrados eo Judiciário no tempo do Império tinham muitas particularidades. Esses profissionais, formados em Coimbra, tinham um procedimento pautado na superioridade e na prepotência magisterial, preparados e treinados para servir aos interesses da administração colonial. Os juízes foram pilares de sustentação na criação de uma organização política nacional e um dos principais agentes de articulação da unidade nacional. Estavam, dessa forma, identificados com o poder político, bem como eram controlados através de remoções, promoções, suspensões e aposentadorias do governo central, em uma transplantação dos vícios crônicos da Metrópole. Em 1871foi realizada a maior reforma do sistema jurídico no império, com o objetivo principal de separar as funções policiais e judiciárias misturadas em 1841 (e aumentando as restrições ao exercício de cargos políticos), em umaestratégia legal de transição do escravismo para a produção livre.Enquanto os magistrados foram formados, em sua maioria, em Coimbra, os advogados tiveram sua educação no Brasil, sendo que a relação de cada um com o Poder Público era distinta. Todavia, “foi no cenário instituído por uma cultura marcada pelo individualismo político e pelo formalismo legalista que se projetou a singularidade de uma magistratura incumbida de edificar os quadros político-burocráticos do Império” (Wolkmer, 2006: 98). - 50 - Os bacharéis dos séculos XIX e XX exerceram papel bem semelhante ao do magistrado português do períodos colonial, calcado numa aliança liberal-conservadora tradicionalista e protecionista, não atendendo satisfatoriamente ao povo, que realmente dele necessitava. Foi, contudo, o periodismo na universidade, principalmente no largo do São Francisco, que determinou a forma de atuação e a formação intelectual do acadêmico das leis. A cultura jurídica brasileira da época foi bem definida por Rui Barbosa: tradicional, individualizante e formalista, cujo imaginário social era distante do Direito vivo e comunitário bem como da população, em uma atividade advocatícia descomprometida com a vida cotidiana. O direito na época do Brasil República. A perda de poder da elite agrária, a crise militar e o estremecimento das relações entre Igreja e Estado proporcionaram o surgimento de movimentos antimonarquistas, em um ambiente liberal-conservador que, não teve a capacidade de alterar a estrutura dominante. Durante o período Imperial, o Brasil possuía sua base econômica na exploração da cana de açúcar, principalmente na Bahia e em Pernambuco, situação que se modificou com o surgimento de um novo produto exportador, o café, que moveu o eixo econômico para Minas Gerais e São Paulo, permitindo o aparecimento de uma oligarquia cafeeira. Assim é que aparece a primeira república, cujo texto constitucional de 1891 expressava valores assentados na filosofia política republicano-positivista, sendo que a retórica do legalismo federalista beneficiava somente seguimentos oligárquicos regionais e, diante da nova estrutura social, com o aparecimento de uma burguesia urbana, o liberalismo político antidemocrático não só beneficiava os intentos dos grupos oligárquicos hegemônicos, como, sobretudo, asseguraria que a facção dominante da burguesia agrária detivesse poder exclusivo até fins da década de 20. Os principais elementos impulsionadores de uma juridicidade pública no Brasil foram as revoluções francesa e norte-americana, a vinda da Família Real bem como um exacerbado nacionalismo. Diante de uma situação de exploração de povos periféricos, como o Brasil, propiciou-se a formação de um Direito que visava a limitação do poder absolutista, no que se chamou de Constitucionalismo, que é uma concepção técnico-formal do liberalismo político na esfera do Direito. Todavia,a primeira constituição, na fase imperial, serviu apenas aos intentos do absolutismo real e os interesses dos grandes proprietários, como já exposto. A situação vai aos poucos sendo delineada com as próximas leis magnas. A primeira constituição republicana, 1891,foi marcada pelo fato deixa de levar em consideração os interesses das grandes massas rurais e urbanas, consubstanciando-se em instrumentos de controle político-econômico baseados em procedimentos burocrático-patrimonialistas, que permitiam a corrupção, o favorecimento e o nepotismo.Foi com o colapso da economia agroexportadora e a falência das instituições da República Velha que se digladiaram pelo poder forças sociais antagônicas que não conseguiram sobrepor-se umas às outras, resultando na projeção do próprio Estado para ocupar o vazio, gerando uma ainda mais dissociada produção jurídica em relação aos interesses populares. Já a Constituição de 1934, tida por alguns como avanço pela previsão de direitos sociais (sob influência das constituições do - 51 - México e de Weimer), na verdade igualmente expressava mais o interesse de regulamentação das elites agrárias locais, sendo utilizada como instrumento para aparar os choques entre as classes. Na seqüência, a Carta de 1937, inspirada no Fascismo europeu, instituiu o autoritarismo corporativista e a ditadura do executivo, além de criar obstáculos à garantia dos direitos do cidadão. A Constituição de 1947, não obstante restabelecer a representatividade formal, tratou-se “de um arranjo burguês nacionalista entre forças conservadoras e grupos liberais reformistas” Em 67 e 69, houve uma reprodução da aliança conservadora da burguesia agrária/industrial, sendo as constituições daqueles anos claramente antidemocráticas, tendo por características a centralização e a arbitrariedade,provocadas pelo golpe militar de 1964. No começo da década de 1960, o país atravessava uma profunda agitação política. Depois da renúncia do presidente Jânio Quadros (PTN), em 1961, assumiu seu vice, João Goulart (PTB), conhecido como Jango, um homem que defendeu medidas consideradas de esquerda para a então política brasileira. Faziam parte de seus planos as reformas de base, que pretendiam reduzir as desigualdades sociais brasileiras. Entre estas, estavam as reformas bancária (para ampliar crédito aos produtores), eleitoral (ampliar o voto aos analfabetos e militares de baixas patentes), educacional (valorizar os professores, oferecer ensino para os analfabetos e acabar com as cátedras vitalícias nas universidades) e agrária (democratizar o uso das terras). O perfil de Jango logo preocupou as elites, que temiam uma alteração social que ameaçasse seu poder econômico. Entre as medidas adotadas para enfraquecer o então presidente está a adoção do parlamentarismo, que, em 1961 e 1962, atribuiu funções do Executivo ao Congresso, dominado na época por representantes das elites. O regime presidencialista foi restabelecido em 1963 após um plebiscito. A crise econômica e a instabilidade política se propagavam no país. Jango propôs, então, reformas constitucionais que aceleraram a reação das elites, criando as condições para o golpe de 64. Com as reformas, ele pretendia controlar a remessa de dinheiro para o exterior, dar canais de comunicação aos estudantes e permitir que os analfabetos, maioria da população, votassem.O estopim para o golpe militar aconteceu em março de 1964, quando Jango, após um discurso inflamado no Rio de Janeiro, determinou a reforma agrária e a nacionalização das refinarias estrangeiras de petróleo. Imediatamente, a elite reagiu: o clero conservador, a imprensa, o empresariado e a direita em geral organizaram, em São Paulo, a "Marcha da Família Com Deus pela Liberdade", que reuniu cerca de 500 mil pessoas. O repúdio às tentativas de reforma à Constituição Brasileira e a defesa dos princípios, garantias e prerrogativas democráticas constituíram a tônica de todos os discursos e mensagens. Em 31 de março daquele ano, os militares iniciam a tomada do poder e a deposição de Jango. No dia 2 de abril, o presidente João Goulart partiu de Brasília para Porto Alegre e Ranieri Mazilli (PSD) assumiu a presidência interinamente. Dois dias depois, João Goulart se exilou no Uruguai. Em 9 de abril, foi editado o AI-1 (Ato Institucional número 1), decreto militar que depôs o presidente e iniciou as cassações dos mandatos políticos. No mesmo mês, o marechal Castello Branco (Arena) foi empossado presidente com um mandato até 24 de janeiro de 1967. Este foi o primeiro de 17 AIs. Quanto à Constituição de 1988, há de se reconhecer avanços, podendo, contudo,tanto servir à legitimação da vontade das elites e http://educacao.uol.com.br/biografias/janio-da-silva-quadros.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/janio-da-silva-quadros.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/joao-belchior-marques-goulart.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/joao-belchior-marques-goulart.jhtm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-joao-goulart-1961-1964-polarizacao-conduz-ao-golpe.htm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-joao-goulart-1961-1964-polarizacao-conduz-ao-golpe.htm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-1964-1985-breve-historia-do-regime-militar.htm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-1964-1985-breve-historia-do-regime-militar.htm http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/20963-marcha-da-familia-com-deus-pela-liberdade#foto-340259 http://educacao.uol.com.br/biografias/paschoal-mazzilli.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/paschoal-mazzilli.jhtm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/republica-oriental-do-uruguai-pais-da-america-do-sul.htm http://educacao.uol.com.br/biografias/humberto-de-alencar-castello-branco.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/humberto-de-alencar-castello-branco.jhtm - 52 - à preservação do status quo, quanto poderá representar um instrumento de efetiva modernização da sociedade. Ressalte-se que ela vem sendo profundamente atacada, com restrições à área social. No que diz respeito ao direito privado,as instituições privadas mantiveram a tradição jurídica individualista. O regime econômico brasileiro baseado na escravatura tinha grande receio na instituição de direitos civis, que poderiam minar as bases produtivas. Assim, enquanto o país criava a constituição e legislações penal, processual e mercantil, a regulamentação civil permanece vinculada às previsões portuguesas. A legislação comercial exorbitou, cobrindo atos da vida civil, visando suprir com certa segurança algumas lacunas.Dessa forma, somente com a abolição do sistema escravocrata é que se concretizou a extinção das ordenações, ocorrendo, contudo, que o projeto de normatização Civil de Clóvis Beviláqua, elaborado em 1899, somente foi promulgado em 1916. Esse Código oferecia mais ênfase ao patrimônio privado do que às pessoas, em um perfil tipicamente conservador e pouco inovador,especialmente em razão do “café com leite, existente entre Minas Gerais e São Paulo”, o qual era vigente na época. É certo, portanto, que “a ordem jurídica positiva republicana, por demais individualista, ritualizada e dogmática em suas diretrizes ordenadoras, quase nunca traduziu as profundas aspirações e intentos do todo social. ... Temos assim toda uma legislação positivo- dogmática, marcada pela tradição individualista de proteção e de conservação do Direito de Propriedade” (Wolkmer, 2006:123/124). Boa parte de estudiosos entende que o direito brasileiro jamais refletiu as aspirações e necessidades da sociedade, servindo de legitimação das elites hegemônicas e seus privilégios, sendo, segundo Wolkmer (2006) marcado ideologicamente por uma doutrina de nítido perfil liberal-conservador. Assim, as instâncias do Direito jamais foram resultantes de uma sociedade democrática e de uma cidadania participativa, o que fez com que inexistisse a consolidação de um direito de base popular. - 53 - ASPECTOS GERAIS FILOSÓFICOS 1 - LIBERDADE E DIREITO À NÃO VIOLÊNCIA O que faz com que alguns conservadores se tornem moralistas demasiados é a dificuldade de aceitarem a liberdade dos outros quando esses fazem exatamente aquilo que o moralista acha inaceitável, mesmo que tais ações ou atitudes não envolvam o uso da força ou de fraude contra alguém, essas sim, violações típicas dos direitos individuais que todos possuem. O principal argumento empregado é o de que a liberdade ilimitada, absoluta, levaria inexoravelmente à violência que, segundo eles, se confunde com a liberdade para matar, estuprar, roubar, furtar ou fraudar. Mas, será que essa defesa da liberdade, um direito individual universal, implica necessariamente na oposição ao uso da coerção? Defender a liberdade absoluta é dar autorização ao uso incontinente da coerção, ou da violência? Onde há liberdade absoluta há ausência absoluta de coerção porque onde há uma não há a outra. Ninguém que possui o direito individual à liberdade detém o direito de usar de coerção para infringir e restringir esse mesmo direito à liberdade que possuem os demais. Liberdade é um direito, portanto é uma instituição política a ser defendida no contexto social. Não se defende a própria liberdade sem que necessariamente se esteja defendendo a liberdade dos demais. Por coerência, qualquer tentativa de violar os direitos de alguém não tem sustentação no exercício de um direito, como o direito de liberdade, mas exatamente na sua violação. A liberdade para usarmos de coerção ou força está restrita e subordinada ao legítimo direito de defendermos nossa vida, nossa liberdade e nossa propriedade contra aqueles que tiverem iniciado o uso de violência contra nós (autotutela). E mesmo assim, em caráter emergencial, pois fora disso, cabe ao governo, sob demanda, interceder para promover uma investigação que leve à identificação e ao julgamento dos fatos e dos protagonistas para restabelecer ou tentar restabelecer a justiça. A liberdade é tão fundamental para o homem preservar a sua vida e constituir a sua propriedade, como o estabelecimento de propósitos é fundamental para o atingimento da felicidade. Não-violência É a "ausência de desejo de ferir ou matar”; é a prática pessoal de não causar sofrimento a si próprio ou a outros seres sob qualquer circunstância. Ela surgiu da crença de que ferir pessoas, animais ou o meio ambiente não é necessário para se conseguir vantagens. Se refere a uma filosofia geral de abstenção da violência, tendo, como base, princípios religiosos, espirituais e morais. O conceito também possui elementos ativistas, como quando é usado como instrumento de mudança social. Neste sentido, o termo é, comumente, associado à luta pela independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi, e à luta pelos direitos civis dos negros norte- americanos, liderada por Martin Luther King Jr. O movimento ocorrido na Índia foi fortemente influenciado pelos princípios da religião jainista, pelas ideias de desobediência civil de Henry David Thoreau e do anarquismo cristão de Leon Tolstói. O exemplo indiano inspirou uma série de ações que ocorreram nas décadas seguintes. Na década de 1960, a campanha não violenta de Cesar Chavez lutou contra o tratamento infligido aos trabalhadores rurais da Califórnia.[2] A não violência também inspirou a Revolução de Veludo na Checoslováquia, em 1989. Mais recentemente, a campanha não violenta de Leymah Gbowee e das mulheres da https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente https://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Ativismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Mudan%C3%A7a_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_de_independ%C3%AAncia_da_%C3%8Dndia https://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_direitos_civis_dos_negros_nos_Estados_Unidos https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_direitos_civis_dos_negros_nos_Estados_Unidos https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr. https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Liev_Tolst%C3%B3i https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9cada_de_1960 https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesar_Chavezhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Cesar_Chavez https://pt.wikipedia.org/wiki/Calif%C3%B3rnia https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_Veludo https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_Veludo https://pt.wikipedia.org/wiki/Checoslov%C3%A1quia https://pt.wikipedia.org/wiki/Leymah_Gbowee - 54 - Libéria conseguiu interromper uma guerra civil que já durava catorze anos. Embora a não violência seja, frequentemente, confundida com passividade e pacifismo, tal associação é rejeitada pelos ativistas adeptos da não-violência. Não violência é a ausência de violência e se refere à opção de se causar pouco ou nenhum dano, enquanto que passividade significa não fazer nada. A não violência pode ser passiva em alguns casos, e ativa em outros. Uma mesma pessoa pode, contraditoriamente, defender a não violência em alguns casos e ser violenta em outras situações. Por exemploː opositores ao aborto ou à alimentação carnívora podem, eventualmente, matar um realizador de abortos ou atacar um abatedouro de animais, o que as classificaria como pessoas violentas. Como o termo se tornou muito abrangente, às vezes ele é visto como sinônimo de pacifismo, ou associado à passividade. Para desfazer mal-entendidos, alguns grupos preferiram adotar o termo Não Violência Ativa, reforçando a posição de que é possível uma ação não violenta. Outra denominação, menos conhecida, é Firmeza Permanente. A maioria dos adeptos da não-violência fizeram esta opção por aspectos religiosos, éticos ou estratégicos. Nos dois primeiros casos, ela é usada como princípio de integridade e respeito à condição humana. No último, trata-se tão só de uma questão circunstancial, em que essa prática se faz útil. Contudo, podemos encontrar estes três aspectos coexistindo em um mesmo movimento de não violência. No mundo atual, a não violência vem sendo amplamente usada em movimentos pelo trabalho, pela paz, pelo meio ambiente e pelos direitos das mulheres. Outra maneira de usar a tática de não violência é visando a direcionar a opinião pública (principalmente a internacional) contra regimes políticos extremamente repressivos, expondo, ao mundo, os excessos cometidos contra manifestações de cunho pacífico. Teoricamente, isto faria com que a comunidade internacional passasse a pressionar os dirigentes desses regimes. No campo ético-religioso, a não violência está, muitas vezes, relacionada ao respeito a todos os seres sencientes e mesmo aos seres não sencientes. O que, muitas vezes, relaciona-se com a luta pelos direitos dos animais e o vegetarianismo. As ideias não violentas são radicalmente diferentes das ideias convencionais sobre resolução de conflitos. No entanto, seus princípios fazem parte do senso comum: • O poder daqueles que dirigem uma nação depende da aderência e consentimento dos cidadãos comuns. Sem uma burocracia, um exército ou uma força policial para pôr em prática os objetivos estipulados pela classe dominante, as leis perdem força se não encontram respaldo no cidadão comum. A não violência ensina que o poder de uns depende da cooperação de muitos outros. Assim, a não violência faz desmoronar o poder dos dirigentes quando consegue extinguir grande parte desta cooperação — um punhado de pessoas não pode mandar em milhões de outras se elas se recusarem a obedecer. Em ações político-reivindicatórias, não violência e desobediência civil, geralmente, se somam. • Só por meios justos pode-se alcançar um fim justo. Quando Gandhi disse que os meios podem ser comparados a raízes e o fim a uma árvore, referia-se ao objeto central de uma filosofia que alguns denominam "Política Prefigurativa". No Sermão da Montanha, Jesus Cristo comparou os meios a árvores e os fins aos frutos: "Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros e figos dos abrolhos? Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos" (Evangelho segundo Mateus, capítulo 7, versículos 16-17). Os propositores da não violência explicam que as ações do presente inevitavelmente repercutirão na forma como a sociedade se https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_civil https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacifismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Aborto https://pt.wikipedia.org/wiki/Abatedouro https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacifismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_das_mulheres https://pt.wikipedia.org/wiki/Opini%C3%A3o_p%C3%BAblica https://pt.wikipedia.org/wiki/Regime_pol%C3%ADtico https://pt.wikipedia.org/wiki/Repress%C3%A3o_pol%C3%ADtica https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/Senci%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Biocentrismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_dos_animais https://pt.wikipedia.org/wiki/Vegetarianismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio https://pt.wikipedia.org/wiki/Senso_comum https://pt.wikipedia.org/wiki/Burocracia https://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%A9rcito https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil https://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore https://pt.wikipedia.org/wiki/Serm%C3%A3o_da_Montanha https://pt.wikipedia.org/wiki/Serm%C3%A3o_da_Montanha https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus_Cristo https://pt.wikipedia.org/wiki/Fruto https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Mateus https://pt.wikipedia.org/wiki/Vers%C3%ADculo - 55 - organizará no futuro. É irracional tentar construir uma sociedade pacífica pela violência, ou uma sociedade honesta pela desonestidade (que também é uma forma de violência). O que começa mal não pode acabar bem. • Alguns divulgadores da não violência, como os Anarquistas Cristãos e os Ativistas Humanistas, defendem que devemos respeitar e amar nossos oponentes. Este é o princípio que mais se aproxima das justificativas religiosas e espirituais para a não violência, como pode ser visto no Sermão da Montanha, quando Jesus Cristo diz a seus seguidores: "Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito" (Evangelho segundo Mateus, capítulo 5, versículos 43- 48). O princípio do respeito aos oponentes também pode ser visto na filosofia taoista do wu wei, na filosofia da arte marcial aiquidô, no conceito budista de mettā (amor fraterno entre todos os seres vivos) e no princípio indiano do ahimsa (não violência entre todos os seres vivos). Ouve-se frequentemente que os fins justificam os meios, insinuando- se que certos fins podem ou devem ser alcançados por métodos não convencionais, antiéticos ou violentos. Isto é muito usado para tentar minimizar excessos na guerra, na justificação de leis opressivas (como o Ato Institucional Número Cinco no Brasil, ou a Lei Patriota nos Estados Unidos), na repressão imposta a grupos sociais,religiosos ou étnicos, ou ainda, embora em crescente desuso, na justificação de sistemas e métodos educacionais excessivamente rigorosos e punitivos. A não violência entende que o fim resulta dos meios, num ciclo de causas e efeitos que se correlacionam e se estendem numa espiral evolutiva. Desta forma, a paz não pode ser obtida por métodos violentos e repressivos.Uma "paz" que se pretenda obter pela opressão cessa assim que os instrumentos repressivos deixam de ser usados. Não haverá uma paz real enquanto ela não se estender a todos os indivíduos de uma sociedade. Numa percepção não violenta, uma releitura de "o fim justifica os meios" seria: os meios justificam o fim, ou seja, o fim é o resultado dos meios. Atos de protesto São ações simbólicas realizadas por um grupo de pessoas para mostrar seu apoio ou contrariedade em relação a algo. O objetivo do ato é atrair a atenção pública para o tema, influenciar um grupo particular de pessoas ou facilitar uma futura ação não violenta. A mensagem pode ser direcionada ao público, aos oponentes ou às pessoas afetadas pelo tema. Este tipo de ação inclui discursos, petições, arte, passeatas, reuniões públicas etc.[14] Não-cooperação Envolve interromper a cooperação ou nem mesmo iniciar a cooperação com o oponente. O objetivo da não cooperação é interromper ou impedir a ação de uma indústria, sistema político ou processo econômico. Os métodos de não cooperação incluem greve, boicote, desobediência civil, resistência fiscal e desobediência em geral.[15] Intervenção não violenta Comparado aos atos de protesto e à não cooperação, é um método de ação não violenta mais direto. Pode ser usada defensivamente - por https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ativistas_Humanistas&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Publicano https://pt.wikipedia.org/wiki/Paganismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Taoismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Wu_wei https://pt.wikipedia.org/wiki/Aiquid%C3%B4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Mett%C4%81 https://pt.wikipedia.org/wiki/Ahimsa https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica https://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_N%C3%BAmero_Cinco https://pt.wikipedia.org/wiki/USA_PATRIOT_Act https://pt.wikipedia.org/wiki/USA_PATRIOT_Act https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos https://pt.wikipedia.org/wiki/Repress%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_(sociologia) https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_(sociologia) https://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Etnia https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Espiral https://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz https://pt.wikipedia.org/wiki/Opress%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Indiv%C3%ADduo https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolo https://pt.wikipedia.org/wiki/Discurso https://pt.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-15 https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_pol%C3%ADtico https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_pol%C3%ADtico https://pt.wikipedia.org/wiki/Atividade_econ%C3%B4mica https://pt.wikipedia.org/wiki/Greve https://pt.wikipedia.org/wiki/Boicote https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil https://pt.wikipedia.org/wiki/Resist%C3%AAncia_fiscal https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-16 - 56 - exemplo, para manter uma instituição — ou ofensivamente por exemplo, lançar uma ação não violenta no território do oponente. 2 - O QUE É FILOSOFIA JURÍDICA? “A abordagem do Direito em nossos cursos é, em geral, estática, parcial e paralisante. Estática, porque vê o Direito como um sistema completo, fechado, perfeito, sem lacunas e sem contradições. Parcial, porque só considera, no amplo campo do Direito, as normas jurídicas estatuídas pelo Estado, limitando assim o campo do Direito ao ‘Direito oficial’. E, finalmente, paralisante, porque atribui ao Direito e aos juristas uma função conservadora da ordem oficial estabelecida”. A Filosofia do Direito coloca para si mesma a permanente pergunta acerca dos objetivos, finalidades e metas que precisa alcançar a fim de ser significativa e oferecer uma contribuição específica e diferenciada aos acadêmicos e profissionais do Direito. Diversas são as respostas oferecidas pelos Filósofos do Direito às questões que perguntam sobre as finalidades dessa disciplina. Afirmam que ela cumpre a função de problematizar o Direito; de implementar a tarefa conceitual; de depurar a linguagem jurídica etc. De qualquer modo à Filosofia do Direito compete oferecer ao acadêmico e ao profissional do Direito a possibilidade de pensar e repensar de forma crítica os diversos elementos que compõem o vasto universo jurídico. A forma pouco valorizada e reconhecida como a Filosofia do Direito é tratada nas academias e demais carreiras jurídicas impõe algumas perguntas de certo modo desconfortáveis, mas necessárias: Em que consiste o papel da Filosofia do Direito na formação integral do profissional do Direito? O acadêmico deve cumprir uma carga horária obrigatória de Filosofia do Direito, o que esse conteúdo deverá oferecer a ele? Como o conhecimento construído no estudo dessa disciplina deve contribuir para a melhoria do desempenho da seara jurídica? Para que serve a Filosofia do Direto? Qual é a finalidade de tal disciplina? Dessa forma, o problema norteador desse artigo pode ser resumido na seguinte questão: Qual o papel da Filosofia do Direito na formação integral do profissional do Direito? Filosofia do Direito é a disciplina que, submetendo o direito a sistemático exame crítico-valorativo, integra as ciências jurídicas na unidade de seus princípios mais gerais, investiga a definição universal do direito, procura as causas remotas do fenômeno jurídico e o analisa sob o aspecto de um ideal que se pretende alcançar. Se filosofia é meditação crítica sobre objetos, nada mais é a filosofia do direito do que o pensar sobre o fenômeno jurídico, em todos os aspectos com que se apresenta hoje ou se apresentou no decorrer dos tempos. Voltada para o Direito é certo que a Filosofia deve comprometer-se com a busca das fundamentações daqueles elementos que dão sustentabilidade ao edifício jurídico. Levando-se em conta essa metáfora da construção civil, sem boas bases, sem fundações confiantes e bem feitas, nenhuma construção estaria a salvo. Segundo José Cretella Júnior, Curso de Filosofia do Direito(Pg. 3-4): “Filosofia do direito é a disciplina que, submetendo o direito a sistemático exame crítico-valorativo, integra as ciências jurídicas na unidade de seus princípios mais gerais, investiga a definição universal do direito, procura as causas remotas do fenômeno jurídico e o analisa sob o aspecto de um ideal que se pretende alcançar.” - 57 - Outro conceito é apresentado por Reale (2002, p. 9), para quem a Filosofia do Direito “é a própria Filosofia enquanto voltada para uma ordem de realidade, que é a ‘Realidade Jurídica’”. Para esse autor, a Filosofia do Direito não é uma disciplina específica, mas o que se chama de Filosofia do Direito é o exercício completo da Filosofia voltado para o objeto Direito. 2.1. QUAL A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA JURÍDICA? Na realidade, pode-se advogar mediocremente (e até razoavelmente) sem conhecer filosofia do direito, mas não pode haver jamais um expoente, na arte de advogar, que não conheça lógica, filosofia e filosofia do direito, porque é impossível versar grandes questões de direito com o emprego tão-só da técnica de advogar. “Nenhum ramo da Ciência vive sem respirar Filosofia, mas esta necessidade é sentida no Direito mais do que em qualquer outra. À medida que se avança pela estrada da Jurisprudência, mais e mais o problema do metajurídico desvela a sua decisiva importância;o jurista convence-se cada vez mais de que, se não sabe senão o Direito, na realidade não conhece nem mesmo o Direito”.( Cretella Jr. Pg. 04.) 2.2. QUAIS OS OBJETIVOS DA FILOSOFIA JURÍDICA? “Problematizar o Direito – eis o objetivo da filosofia do Direito”. Curso de Filosofia do Direito. José Cretella Jr. Pg. 04 Primeiro, despertar a dúvida sobre as ‘verdades’ jurídicas, geralmente ideológicas, e, como tal, históricas; abrir a mente para a realidade jurídica imperfeita, e, quase sempre injusta; incentivar reformas jurídicas, criando a consciência de a lei ser obra inacabada, em conflito permanente com o direito. E, acima de tudo, dar ao jurista, enfadado com os modelos que a sociedade lhe impõe, momentos de satisfação espiritual, compensadores da perda da crença na capacidade criadora do homem no terreno jurídico. Serve, então, ao jurista de inspiração quando, literalmente, a lei obriga-o a praticar injustiças. Dá, também, a ilusão de ter alcançado o absoluto jurídico e de ter conseguido saber o que é o direito, independente do que, historicamente, quer o legislador.” A primeira grande tarefa atribuída à Filosofia Jurídica é a de esclarecer, em seus aspectos universais e necessários, a noção do Direito. (...) A elaboração de um conceito do Direito é ato complexo, que impõe opções doutrinárias de longo alcance na problemática jurídica. Daí por que o exercício dessa liberdade cultural pressupõe a experiência jurídica e o conhecimento das alternativas filosóficas. “De acordo com o paralelo afirmado por Emmanuel Kant, enquanto a Filosofia do Direito responde à pergunta ‘Quid Jus?’ (o que é o Direito?), à Ciência Jurídica compete esclarecer a indagação ‘Quid Júris?’ (o que é de Direito?). De fato, a tarefa de definir o Direito não se acha reservada às disciplinas jurídicas particulares, pos estas analisam apenas uma parcela da realidade jurídica e estabelecem os balizamentos da legalidade. A Dogmática Civil, por exemplo, define o seu próprio campo de estudo e não está em condições de definir o todo no qual se insere. A Ciência Penal enumera as suas fontes de - 58 - conhecimento, mas não está credenciada a informar sobre as do Direito em geral. Como a Filosofia do Direito contempla a árvore jurídica em sua totalidade e na sua relação com as coisas em geral, a ela está reservada a missão de dizer o que é o Direito e buscar as soluções para os problemas vinculados a essa indagação”. (Paulo Nader. Filosofia do Direito. Pg. 12.) “A outra tarefa da Filosofia do Direito, de natureza axiológica, é de alcance mais prático e consiste na apreciação valorativa das leis e institutos ou do sistema jurídico. A pesquisa pode situar-se no plano de lege lata, com a crítica ao Direito vigente, ou no de lege ferenda, em um ensaio do Direito ideal a ser criado. Durante esta pesquisa o pensamento iusfilosófico é norteado por princípios éticos e, fundamentalmente, pelo valor justiça, por intermédio dos quais avalia o ordenamento, para justifica-lo ou negar-lhe validade. Esta segunda parte está mais ligada aos imperativos da vida social e visa ao enriquecimento da Ciência do Direito, pois julga os critérios da lei em função dos valores humanos e sociais.” (Paulo Nader. Filosofia do Direito. Pg. 12-13.) Observe Kant, com ironia, logo no início de sua Introdução à doutrina do direito, que os Jurisconsultos – nome dão aos conhecedores do Direito Positivo – ficam embaraçados quando se lhes pergunta ‘Que é o Direito?’, muito embora eles possam indicar ‘o que seja de Direito’ em função da lei vigente em determinada época. É verdade que Kant ameniza essa constatação lembrando que igual embaraço ocorre quando se desafiam os lógicos com esta pergunta: ‘Que é a verdade?’ (Miguel Reale, Nova Fase do Direito Moderno. Pg. 03) “A maior dificuldade, numa apresentação do Direito, não será mostrar o que ele é, mas dissolver as imagens falsas ou distorcidas que muita gente aceita como retrato fiel”. Dimensionalidade do Direito Miguel Reale é pai da Teoria Tridimensional do Direito (FATO X VALOR X NORMA). Sua teoria é considerada como um avanço, no que toca a uma interpretação reducionista do Direito, como exposta pelo Positivismo Rígido. No entanto, é passível de análise crítica, no sentido de que cai em um objetivismo estrito, reconhecendo apenas três dimensões pelas quais o Direito deva ser definido. 3 – O JUSNATURALISMO E O JUSPOSITIVISMO 1 – Jusnaturalismo – Direito Natural Jusnaturalismo é o Direito Natural, ou seja, todos os princípios, normas e direitos que se têm como ideia universal e imutável de justiça e independente da vontade humana. De acordo com a Teoria do Jusnaturalismo, o direito é algo natural e anterior ao ser humano, devendo seguir sempre aquilo que condiz aos valores da humanidade (direito à vida, à liberdade, à dignidade, etc) e ao ideial de justiça. Desta forma, as leis que compõem o jusnaturalismo são tidas como imutáveis, universais, atemporais e invioláveis, pois estão presentes na natureza do ser humano. Em suma, o Direito Natural está baseado no bom senso, sendo este pautado nos princípios da moral, ética, equidade entre todos os indivíduos e - 59 - liberdade. É o conjunto de princípios inerentes à personalidade humana, visando ao bem-estar do homem. É peculiar a todos os homens, por sua própria condição ou essência: direito à vida, à honra, de comprar e vender, de legítima defesa etc. Alguns tornam- se tão importantes, tão fundamentais, que acabam por ser positivados (escritos, transformados em norma). Tanto há direitos naturais que foram positivados (direito à vida, por exemplo), quanto outros que são positivos, mas não são naturais (pagar tributo, realizar hipoteca, locar um bem ). De acordo com a doutrina jusnaturalista, existem diferentes explicações sobre a origem ou ponto de vista da natureza desta. Por exemplo: •Jusnaturalismo teológico: direitos estabelecidos e revelados por Deus. Surgiu durante a Idade Média e tinha como princípio a ideia de uma divindade onipotente, onisciente e onipresente; Todos os direitos naturais inerentes ao homem são de origem divina. Da vontade divina. •Jusnaturalismo cosmológico: seguindo as leis que são consideradas naturais em todo o Universo. Esta corrente foi vigente durante a antiguidade clássica; a essência de direito e de justiça do homem advém de forças astrais. •Jusnaturalismo racionalista: leis naturais da vida que são estabelecidas pelos humanos com base na razão e bom senso. Surgiu durante o século XVII e XVIII, num período em que as revoluções liberais dos burgueses estavam em alta (evidência da razão humana). O homem nasce com essa essência de direito. Estes são condicionados à sua natureza humana. Ninguém precisa ensina-los. 2 – Juspositivismo - Direito Positivo – normativismo jurídico Ao contrário do jusnaturalismo, o juspositivismo (Direito Positivo) admite o direito estabelecido pelo Estado. Neste caso, são formadas as leis que regulamentam as questões intrínsecas de determinada sociedade. O Direito Positivo, neste caso, pode variar de sociedade para sociedade e costuma sofrer alterações ao longo do tempo. As leis baseadas no Direito Positivo, como regra, são subordinadas aos princípios ditados pelo Jusnaturalismo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, por exemplo, representa um modelo da essência das normas que regem o Direito Natural. O Positivismo jurídico - constituiu, ao longo de 300 anos de História, uma tentativa de fazer com que o Direito fosse tido prioritariamente como ciência , a partir da crítica aos postulados universalistas, atemporais e imutáveis que o jusnaturalismo imprimiu às tentativas de se explicar adequadamente o que é o Direito.Deita suas raízes noPositivismo filosófico de Comte, Durkheim e Mill, partindo da impossibilidade de noções absolutas, com a renúncia da origem e destino do Universo em cima de fatalismos abstratos, negando, assim, incognoscibilidade das coisas. Para os positivistas, é possível compreender a priori determinada categoria, inexistindo um conceito de "essência" dos objetos (e, portanto, do Direito), enfatizando que para o surgimento de certa norma deve-se levar em consideração o empirismo (ou seja, baseando as reflexões em cima da experiência ou da concretude a ser analisada), o experimentalismo. O Positivismo científico no Direito teve em Comte, Durkheim, Mill e Lombroso a redução da realidade humana ao fenômeno físico, bem como a separação entre ciências humanas e sociais (moral, direito), das físicas e naturais. No Positivismo científico a liberdade é - 60 - questionada - e, a bem da verdade, negada - em face do forte determinismo causal, numa rigidez fisiologicista. No âmbito do Positivismo jurídico, grande expressão teve Kelsen, Kant, Gray, Probert, Rousseau, e Ripert seus maiores expoentes, com destaque aos dois primeiros. A obra de Hans Kelsen - Teoria Pura do Direito -, no transcorrer do século XX, identifica o Direito com o Direito Positivo, por intermédio da construção de um modelo prescritivo que teve na Teoria Pura do Direito sua maior expressão. Nela Kelsen purifica, ou seja, aparta - ou procura justificar a apartação - entre o Direito e a Moral, para atribuir validade na vigência. Ou seja, a norma tem poder de coercibilidade (potencialidade de sancionar) e coatividade (poder imediato de obrigatoriedade) porque entra em vigor, depois de um processo jurídico de elaboração e colocação no ordenamento jurídico. Com isso, a norma coage e obriga porque está em vigor. Os seguidores de Immanuel Kant, que desenvolveu sua obra no transcorrer do século XVIII, trabalham a partir da compreensão de imperativo categórico, a partir da norma implícita ( por exemplo "não matar") contida no preceito proibitivo da lei. Não há como deixar de evidenciar a importância da contribuição da filosofia do Iluminismo, designadamente o pensamento de Immanuel Immanuel Kant, para a formulação e reconhecimento dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana. Para Kant, a ação moralmente boa é justamente aquela praticada pelo reconhecimento do “dever moral” – assim, determinada ação é praticada tendo em vista que é descrita e inserida num conjunto de regras de conduta (morais). Ao contrário, Kelsen não entendia na moralização uma via de legitimidade do Direito, mas sim na construção de um imperativo hipotético, no qual a hipótese fática pode (ou não) estar inserida em algum conteúdo preconizado em norma. Tomando como exemplo o art. 121 do Código Penal Brasileiro, no qual consta o verbete "matar alguém - pena reclusão, 6 a 20 anos", o imperativo kelseniano não proíbe moralmente o evento, mas, antes, atribui como resultado ou consequência (chamada consequência jurídica) uma sanção penal ante o cometimento do ato. Qual a maior crítica feita ao positivismo? A maioria dos doutrinadores entende que a ausência de reflexividade sobre seu conteúdo valorativo, confundindo-se a realidade jurídica com a norma (normativismo) ou, ainda, com a própria lei (legalismo). De mais a mais, o positivismo reduz o Direito ao que é criado pelo Estado, não captando e legitimando o que não é estritamente produzido pela atividade legislativa, isto é, que ainda é inerente a costumes ou convenções sociais. Em outras palavras, só é direito aquilo que foi escrito, reduzido a termo (no caso do Brasil, por ter base legiferante, transformado em LEI). Outro ponto interessante - em termos de críticas - consiste na aparência de neutralidade, outro conceito invocado pelo Positivismo. Ou seja, o intérprete (advogado, juiz, promotor, ministro, procurador, defensor, delegado, professor etc.) devem, resguardadas as proporções, ser imparciais quando da utilização do direito. Claro que o advogado deve ser parcial ao defender seu cliente, mas isso não pode ocorrer, por exemplo, com um juiz. Este deve ser imparcial. Sempre! Porém, é praticamente um consenso alegar que trata-se de mito dizer que o profissional do Direito "se distancia" de suas convicções e para julgar ou apreciar a situação com "isenção de valores". - 61 - 3.1. O JUSNATURALISMO TEOLÓGICO MEDIEVAL METAFÍSICO O jusnaturalismo teológico ou também jusnaturalismo medieval é a teoria e escola jusfilosófica dominante durante a Idade Média, fundada por Tomás de Aquino, nos tempos de ouro da escolástica (método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, com origem nas escolas monásticas cristãs, que concilia a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega - razão aristotélica e platônica- colocando ênfase na dialética para ampliar o conhecimento). Como qualquer teoria jusnaturalista, é preciso postular sobre a natureza humana para daí definir, dedutivamente, o Direito. Tomás de Aquino postula que a natureza humana é essencialmente boa. «Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.» (Gênesis 1:26) Em concordância com a teologia cristã, a natureza humana nada mais é que a imanência da natureza divina na materialidade do homem mortal. Desprende-se disso que o homem é inerentemente bom, pela sua imanência divina do Gênesis, e é guiado para o justo e conveniente. Embora não esteja diretamente definido em sua obra, por via do mesmo racionalismo teológico utilizado, pode-se inferir que as más atitudes humanas sejam a fraqueza do seu bem inerente, influenciado pela força contrária do bem, pelo pecado. Tomás de Aquino, tendo postulado a natureza humana, dedutivamente formula os princípios morais eternos, imutáveis do Direito Natural. Na concepção jusfilosófica medieval, tais princípios estariam materializados no ser humano em sua natureza, portanto estando em qualquer ser humano, civilizado ou não, ocidental ou não, cristão ou não. Tais princípios são: *"O homem deve conservar-se." - deveres do homem para consigo mesmo. *"O homem deve unir-se com a mulher, procriar, educar seus filhos." - deveres do homem para com a família e com o grupo social no qual convive. *"O homem deve procurar a verdade." dever do homem de respeitar sua racionalidade, isto é, de buscar o conhecimento da realidade. *"o homem deve praticar a justiça, dando a cada um o que é seu", "o homem não deve lesar o próximo." - deveres do homem com a sociedade. Sendo uma teoria jusnaturalista, afirma que tais princípios morais são os imutáveis e eternos do Direito Natural. Logo, o Direito positivo, legislado, deve buscar derivar de tais princípios. Caso não siga, será considerado injusto, pois não condiz com a natureza humana. Com a utilização do método dedutivo-racional a partir de postulados, a teoria jusfilosófica medieval começou a guiar a ciência do direito para seus moldes científicos. 3.2. O JUSNATURALISMO MODERNO O paradigma do jusnaturalismo moderno-iluminista - como paradigma precursor do positivismo jurídico – foi ancorado nas - 62 - práticas matematizantes, no dogma do valor segurança, na certeza da funcionalidade do Direito e na ideologia liberal individualista tão presente na sociedade atual. Aquilo que vem dos textos históricos e que é aqui contextualizado não tem a pretensão de oferecer verdades, pois o compreender humano é condicionado pelo contexto histórico; ele é relativo e transitório. O que se pretende é pela fusão de horizontes (Gadamer) estar aberto ao que o passado histórico revela sobre a construção do pensamento jusnaturalista do período moderno-ilumista e o quanto seus idearios contribuírampara a construção do paradigma do positivismo jurídico. Para tanto, desenvolvem-se, a seguir, os preceitos do Direito Natural, de forma a compreender seus conceitos, fundamentos, pensadores exponenciais e os pontos essenciais que foram divulgados. Busca-se verificar se o Direito Natural como corrente teórico-filosófica preparou o caminho para que o positivismo jurídico se consolidasse como paradigma dominante. O Direito Natural manifesta-se como um conjunto mínimo de valores que têm como princípios essenciais a universalização e a imutabilidade dos conceitos extraídos das instituições jurídicas próprias, construídos pelo mais puro espírito do povo, orientados e ditados pelas exigências racionais da natureza humana universal, pela vontade de Deus, pela força da natureza e conservação da vida. Para Zagrebelsky (1997, p. 119), qualquer visão jusnaturalista autêntica assume a tríade: “verdadeiro, justo, obrigatório”. A partir do ser (o verdadeiro) chega-se ao dever-ser (o obrigatório) através do critério da justiça. O conteúdo do que é justo, ou seja, do que é verdadeiro tem sua origem e determinação na vontade divina emanada pela ordem criativa de Deus ou, ainda, pode advir da natureza das coisas, que pode ser concebida naturalista ou racionalmente, ou ainda, segundo o autor, de qualquer outro modo. Salienta que essas diferentes possibilidades não alteram a estrutura progressiva, “típico do direito natural, do mundo da realidade ao mundo da obrigatoriedade”. Essa perspectiva de ir do ser ao dever- ser é possível na concepção jusnaturalista porque a justiça é assumida como valor. Para o Direito Natural, a justiça é o imperativo máximo ou “a norma primeira pressuposta da qual deriva qualquer outra normatividade. As doutrinas de Direito Natural, portanto, não desmentem em absoluto a separação positivista. Tampouco seu ‘dever ser’ deriva exclusivamente do ‘ser’. Com efeito, que a justiça deve ser realizada não é em absoluto um fato, mas sim um valor, ainda que talvez seja o mais óbvio ou menos controvertido dos valores”. Para o jusnaturalismo, é o valor justiça – valor reconhecido a priori – que conduz à verdade. A principal herança dos primórdios do Direito Natural (de Sócrates a São Tomás de Aquino) e que no século XX, mais precisamente com Heidegger, se buscou retomar, é a questão da centralidade do ser no sentido ontológico, ou seja, o ser em sua essência e em sua existência. À medida que o Direito Natural buscou respostas apenas na racionalidade instrumental, esqueceu do “ser” em favor do “ente”. Não se tem a intenção de defender o retorno do Direito Natural praticado nos primórdios da humanidade, que valorava excessivamente a lei de natureza divina e a natureza social do homem. O propósito é mostrar que, ao longo dos séculos, se - 63 - perdeu o princípio mais valioso do Direito Natural, que é: partir do ser para chegar ao dever-ser, como fundamento ontológico-jurídico. Um dos principais teóricos da lei natural foi Tomás de Aquino. A tese por ele sustentada está em o Direito Natural conter primeiro a lei eterna e, em segundo lugar, a razão humana, que já se apresenta promulgada por Deus. Na análise de Goyard-Fabre (2003), Tomás de Aquino faz uma distinção rigorosa entre proposições da filosofia moral e política (que identificam e elaboram os princípios e as normas da lei natural) e, ainda, entre proposições que constituem as ciências da natureza; os princípios e as normas da lógica (ou “leis do pensamento”) e os princípios e as normas de toda técnica humana submetidos à vontade humana. A ordem natural é regida por leis eternas e imutáveis, de origem divina, deixando-se para a razão humana a função de redescobrir e criar essa ordem natural. Bobbio (1997) refere que em Santo Tomás de Aquino, existem quatro formas de lei: a lex eterna (razão divina que governa o mundo); a lex naturalis (ordem cósmica emanada de Deus e manifestada ao homem dotado de razão); a lex humana (abrange os preceitos particulares que a razão tem condições de inferir nas mais variadas circunstâncias, capaz de enfrentar as situações que são postas ao homem a partir do seu relacionamento com as pessoas) e a lex divina. No século XVI ocorre a ruptura do “Direito Natural” construído historicamente a partir de fundamentos ontológico-teológicos alicerçados no ser[1] e na vontade de Deus para um jusnaturalismo baseado num modelo de racionalidade caracterizado pela excessiva confiança no poder da razão. Surge a Escola do Direito Natural com uma nova concepção do Direito que vai favorecer a laicização e a unificação do Direito. Por tais razões, Gilissen (1988) vai dizer que “esse direito natural laico é um direito racionalista (alemão: Vernunftrecht) que domina todas as relações entre os homens, seja qual for a sua raça e qualquer que seja a sua posição social”. Nos séculos XVII e XVIII, a ciência do Direito é dominada pela Escola de Direito Natural. A tese elaborada por Hugo Groot Grotius no ano de 1625 com a edição da obra Do Direito da Guerra e da Paz é considerada durante muitos anos como a obra fundamental do Direito Natural. Grotius atribui ao termo “Direito” três sentidos: Direito como “justo”; Direito como “faculdade ou aptidão”, correspondendo à “qualidade moral” da pessoa; Direito como sinônimo de lex. Essa terceira acepção – Direito como lex – é o ponto central sobre o qual vai desenvolver toda a sua obra. No termo lex, Grotius reagrupa o “conjunto das regras que são obrigatórias para que seja respeitado ou obtido o que é direito (rectum), e não apenas justo (justum)” (GOYARD-FABRE, 2003, p.43). Para o autor, um sistema de Direito Natural poderia ser racionalmente construído e poderia gozar de validade universal, comparando-o às normas dos axiomas da matemática. Dentro deste contexto de ruptura, Grotius deixou uma grande contribuição à teoria jurídica ao libertar o Direito Natural de todo o conteúdo teológico que o dominava, rompendo com a tradição jurídica clássica, da qual Tomás de Aquino é um dos principais representantes. A principal contribuição de Grotius para a teoria - 64 - jurídica pode ser sintetizada como seu esforço em proporcionar um método pelo qual o Direito Natural é reconhecido como um dictamen rationis. Goyard-Fabre (2003, p.42), por exemplo, sustenta que a intenção de Grotius foi proporcionar a seu método um alcance “que é mais que metodológico: esse método, manifestando a capacidade operatória dos poderes da racionalidade, ensina também que a razão é o princípio regulador das ações humanas”. Mais ainda, Wasterman (1997) vai dizer que o fundamento do Direito Natural em Grotius está na natureza humana, e a fonte da lei deve ser a sociedade. Ele distingue diferentes traços na natureza humana, como: desejo de pertencer a uma sociedade, inclinação para a autopreservação, conhecimento, faculdade de raciocínio e de fala. Mas a sociabilidade e a razão adquirem a posição que é a do pensamento que se empenha firmemente em atuar a favor de sua autopreservação. Para Grotius, a característica do Direito não está apenas na procura do justo, mas, sim, em um conceito racionalista, resultante da vontade humana, que se materializa em um contrato social. O Direito cada vez mais passa a ser estabelecido por normas escritas, indo além da simples oralidade como prova nas demandas jurídicas. O princípio que o autor propõe é que a lei deriva da vontade do legislador, e por essa razão ela é uma lei necessariamente clara. Nesse ponto, Jolivet (1966, p. 97) percebe em Grotius traços de um Direito Natural como um sistema imutável, completo e acabado “até em seus pormenores, de regras precisas, que bastariam exprimir em regras jurídicas. A natureza torna-se um ‘código’ (direito natural jurídico)”. Apesarde, em muitos momentos da história, Grotius não ter sido bem compreendido, certamente foi o pioneiro de uma revolução intelectual. Ao conferir a preponderância da razão como força universal, a teoria de Grotius não tem a intenção de rejeitar a existência do mandamento divino fora da esfera do Direito: sua teoria defende que o Direito não é mais entendido desta forma (vinculação à vontade de Deus), mas, sim, vinculado à razão. Pufendorf foi um dos maiores críticos de Grotius e teve participação decisiva na chamada secularização do Direito Natural. Seu objetivo principal foi descobrir os fundamentos do Direito Natural que, “em função de sua função imperativa, tem seu fundamento na vontade divina, que originalmente fixou os princípios da razão humana perpetuamente” (FERRAZ JUNIOR, 1996, p. 26). O que Pufendorf mais critica na metodologia de Grotius é o fato de ele subestimar a lei natural, enquanto mandamento de Deus. Para Pufendorf, está em Deus, na qualidade de criador e condutor do gênero humano, a faculdade de prescrever aos homens com autoridade a observação desta lei. Por ser divina, essa lei, para Pufendorf, era imutável, enquanto que as leis advindas de pactos jurídicos humanos poderiam alterar ao longo da história, a partir das condições de espaço e tempo, no interior de cada Nação. Na tecitura de sua teoria, Pufendorf introduz a idéia de uma lei natural ancorada em princípios éticos e existenciais da comunidade humana. Defende a noção de imputação de responsabilidade, “em conseqüência, toda ‘ordenação’ e, pois, todo direito, contém, pela sua essência mesma, uma proibição. Seu caráter fundamental - 65 - repousa, por assim dizer na assertiva de Ferraz Junior (1996, p. 25), em sua função imperativa (befehlende) e não em sua função indicativa (anzeigende)”. Ele explica que o homem, a partir do entendimento e da vontade, tem liberdade de agir. Os deveres e direitos daí resultantes formam o “Direito Natural”. Ao inserir o conceito de moral social, introduzindo o princípio da sociabilidade como primeira expressão da lei natural, Ferraz Junior (1996, p. 25) pondera que Pufendorf apresenta o “mais importante e mais racional dos princípios do direito natural: a socialitas, a necessidade de o homem viver em sociedade, que, para ele, não é instinto natural teológico – como em Grotius –, mas um mero princípio regulativo do modo de viver”. Adotou, portanto, como base de seu sistema a natureza social do ser humano. Desta forma, para o autor, todos os sistemas humanos de Direito e as obrigações que decorrem deles estão sustentados na idéia de que o homem é um ser social. O equilíbrio do princípio da sociabilidade está em orientar a vontade do homem para o bem. Pufendorf distingue duas ordens de princípios: os absolutos e os hipotéticos. Como princípio absoluto, o princípio da sociabilidade é visto como uma virtude da moral natural, que impõe ao homem o dever de fazer a vontade de Deus, independente das instituições estabelecidas pelo próprio homem. Como princípio hipotético classifica os princípios que são instituídos pelos governos de cada nação e têm como finalidade formar as leis que vão disciplinar a vida em sociedade. Por tais razões, Goyard-Fabre (2003, p. 44 e ss.) entende que essa regra de ação imperativa pode também ser compreendida em Pufendorf como a máxima de um dever que caracteriza que o homem, ao se dirigir por sua vontade livre, “se obriga porque exprime à vontade de um superior de agir de certa maneira prescrita por ele, mas não o pressiona. Além disso, quem assume livremente essa obrigação realiza sua humanidade obedecendo ao mandamento divino”. Daí que para Pufendorf, a lei natural é o princípio a partir do qual é possível realizar uma regulamentação ética e existencial do homem, enquanto ser social. Para justificar essa posição, Bobbio (1997, p. 53) percebe que Pufendorf “recorre ao pressuposto da sociabilidade (sociabilitas) do homem”. Por outro lado, Pufendorf assume a posição de que de há uma relação de identidade entre o Direito Natural e a matemática. Percebem-se aí indícios de um jusnaturalista positivista. Ao serem princípios de evidência perfeita, os princípios do Direito Natural são semelhantes a um axioma matemático. Essa postura confirma que a matematização do Direito já estava presente em pensadores como Grotius e Pufendorf. Portanto, ao trazer a essência de seus pensamentos ao texto, a intenção é apontar que ambos os autores contribuíram para mostrar que a fonte do Direito Natural é a razão humana e que, para alcançar sua compreensão, é necessário conjugar experiência e razão. Poder-se-ia referir que, neste contexto, Grótius e Pufendorf inauguram uma nova fase na filosofia, pois nos séculos anteriores ela fora basicamente ontológica-teológica. A preocupação de Pufendorf está centrada em compreender o ser enquanto ser no mundo e enquanto partícipe da vontade divina. Com Grótius e Pufendorf a contribuição estende-se a - 66 - explicar o Direito a partir da razão humana, ou seja, que é possível vislumbrar uma relação entre o Direito e os axiomas da matemática. 4. RACIONALISMO E A NOVA ORDEM CIENTÍFICA Os séculos XVI e XVII correspondem a um período de ruptura na história do homem. É a ruptura com o saber aristotélico e medieval. Essa ruptura científica, iniciada no século XVI com Copérnico (teoria heliocêntrica do movimento dos planetas), com Galileu Galilei (fundador da Física moderna – o pensamento passa a ser ordenado pela razão matemática) e com Newton (síntese da ordem cósmica), transformou radicalmente o mundo. Iniciou uma nova ordem científica, baseada num modelo de racionalidade que possibilitava apenas uma forma de conhecimento verdadeiro, o conhecimento fundamentado em verdades científicas. No século XVII, a nova ordem científica é ampliada e aprofundada, caracterizando-se fundamentalmente pela excessiva confiança no poder da razão, invadindo tanto os domínios da teoria como os da ação prática. O que impulsionou a ruptura radical foi a necessidade de elaborar as noções de método, de verdade e, a partir delas, as noções de ser e de ação. Representantes dessa nova ordem científica, como Descartes, Spinoza e Leibniz, constroem um método que objetiva produzir e tornar manifesta a unidade da ciência. Para Descartes (1596-1650), não pode haver uma ciência incerta e um saber fora da ciência. Isto o caracteriza como contemporâneo de uma revolução científica. Com ele há uma mudança radical no quadro das teorias científicas: a razão passa a ser o tema central de sua filosofia e guia único na procura de verdade das coisas. O homem passa a investigar as possibilidades do pensamento. Apóia-se na certeza proveniente da matemática e estende a todas as outras ciências e a todo tipo de assuntos “aquilo que constitui a certeza das matemáticas: a pureza e a simplicidade de seus objetos” (GUENANCIA, 1991, P. 13). Sua principal obra, Discurso do Método, revolucionou a filosofia, inaugurando uma nova fase metódica em que as questões são: o que é conhecer com certeza, qual é o critério pelo qual se reconhece essa certeza, a que objetos o conhecimento humano pode aplicar-se e sobre que fundamento repousa. Nesse brevíssimo texto ele elabora todo o seu projeto, que é o de elevar a ciência a um caráter universal, para que possa elevar o espírito ao mais alto grau de perfeição. Descartes constrói a tese da utilidade do saber adquirido explicado pela matemática. O que Descartes mais apreciava em seu método era que, por meio dele, tinha a certeza de em tudo usar a razão. Por conseguinte, esperava da sabedoria humana não apenas as verdades teóricas, mas também uma verdade pragmática. Descartes divide a busca pela verdade em três partes: “primeiro encontraríamos a verdadeespeculativa, depois a verdade prática e, por fim, a verdade pragmática, recebendo cada verdade seu papel, consoante seu lugar e sua dignidade no corpus cartesiano”. Este modo de pensar, para o qual a forma suficiente do conhecimento é a científica, que se propõe a explicar tudo a partir de padrões de racionalidade, como uma operação dedutiva, na busca de verdades, foi absorvida pelo Direito. - 67 - Em síntese, Descartes influenciou a positivação do Direito pela crença de que um exato conhecimento da física e da matemática pode fornecer fundamentos seguros para o Direito. Ele reduz a realidade física a decisões puramente geométricas. Conseqüentemente, para Cassirer (1993), Descartes não mostrou uma disposição pelo ser, mas uma ordenação do conhecer, significando que sua preocupação não era com a entidade interior das coisas, mas com a posição lógica dos conceitos. Fazendo uma analogia com o Direito, a opção de Descartes pode ser percebida quando o positivismo jurídico assume que deve haver uma lógica, uma clareza e uma certeza na construção do sistema jurídico, principalmente quando o positivismo situa o juiz dentro do método da lógica formal tradicional, e como ele se move no contexto de se limitar a apenas revelar a vontade concreta da lei posta. Volvendo-se ao Jusnaturalismo Moderno ou Clássico, impossível não mencionar Thomas Hobbes. A chave para compreender de maneira clara a teoria hobbesiana é entender o que ele diz sobre o estado de natureza. Devemos partir do pressuposto que o teórico político é contratualista, ou seja, afirma que a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato. Porém, é fundamental explicarmos o estado de natureza hobbesiano e, posteriormente, o contrato social, assim, chegaremos em seu jusnaturalismo. Em primeiro lugar, por conta da nomenclatura adotada por Hobbes é válido ressaltar, que o dito estado de natureza não significa um momento em que a humanidade vivia em plena harmonia com a natureza propriamente dita, não causando, assim, nenhum dano ao meio ambiente ou ainda, que o homem natural era primitivo e selvagem. Na verdade, quando ele aborda este tema ele refere-se ao homem de qualquer época e contexto. Logo, questiona-se, como é o homem, naturalmente? A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vido do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isso em conjunto, a diferença de um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. (Leviatã, cap.XIII, P.74) Segundo as lições do filósofo inglês, os homens não são absolutamente iguais (aspectos físicos, mentais), contudo, a natureza fez os homens tão semelhantes a fim de que nenhum possa triunfar de maneira total sobre o outro. Além disso, Hobbes expõe uma inovadora concepção sobre à natureza humana: admite a tensão existente na convivência humana, que a nossa essência é falha, egoísta, somos movidos por paixões e alimentamos a discórdia por três motivos: por competição, pela desconfiança e pela busca incessante da glória. Hobbes nos desafia sugerindo “conheça a ti mesmo”, analise os seus próprios atos e questiona-se se a minha ideologia sobre a errônea natureza humana não está correta, dizendo: “quando vai dormir fecha as suas portas; que mesmo quando está em casa tranca seus cofres; isto mesmo sabendo que existem leis e funcionários públicos armados, prontos a vingar qualquer injúria que lhe possa ser feita.” (Leviatã, cap. XIII, p.76) - 68 - Há uma lei máxima neste estado de natureza, similar com a cristã: “não faça aos outros aquilo que você não deseja que faça consigo mesmo”. Esta lei natural é proveniente da racionalidade humana para a manutenção da própria espécie. Todavia, este preceito (lei) supremo torna-se inócuo e ineficaz, pois não há um Estado coator estabelecendo a ordem pelo uso da força para que esta norma seja cumprida, ademais, nesta circunstância, como ratifica Francisco Weffort: “Todo homem é opaco aos olhos de seu semelhante–eu não sei o que o outro deseja, e por isso tenho que fazer uma suposição de qual será a sua atitude mais prudente, mais razoável. Como o outro também não sabe o que eu quero, também é forçado a supor o que farei.”. Desse modo, tendo em vista à errante natureza humana, a imparável busca pela sobrevivência e pelo poder, torna-se, portanto, irracional seguir a lei natural. Pelo contrário, a atitude mais racional é a antecipação e o uso da violência para a conservação da própria vida. Resultado: caos, barbárie e guerra generalizada. Para finalizarmos a explicação sobre este alicerce da teoria do filósofo inglês, convido-lhe, caro leitor, para exercitar a sua imaginação e pensar a sua vida em um estado de natureza. Vejamos, a insegurança seria a penumbra de seu ser, pois um local em não há soberania, em que os indivíduos estão em condição de igualdade e estão livres para utilizar o seu próprio poder e ainda mais grave, todos podem tudo, eu confirmaria com convecção, que a inquietação e o receio atormentariam à todos e o homicídio não seria mais do que a própria conservação exige. Para por fim ao conflito Hobbes propõe o contrato. Conforme Alexandre Travessoni, há duas razões para o homem abandonar o estado de natureza: pelo medo da morte e por necessidade racional de elaborar normas. Os homens, seres dotados de razão, se reúnem e concordam que deve existir um pode soberano e pactuam, cedendo praticamente todos os seus direitos naturais, menos o seu bem fundamental, a vida, para o governante. O poder do Estado deve ser pleno, absoluto, ilimitado e capaz de resolver as intempéries dentro do corpo social, para tanto, cabe ao governante o dever de elaborar boas leis civis e edificar um Estado forte, sólido, dotado de espada, armado a fim de salvaguardar as leis civis ou positivas e estabelecer a ordem e a integridade da nação. Caso o súdito desobedeça as normas, arcará com as sanções estatais. Adentrando, enfim, no Jusnaturalismo hobbesiano, a sua concepção de justo e injusto são estabelecidas pelo governante. Como já foi dito, ele elaborará as leis civis (positivas) com o fim mínimo: o soberano deverá instaurar a paz, para proteger a vida do seu súdito. A lei natural, portanto, é insuficiente para estabelecer a ordem no corpo social, dessa forma, constituído o Estado, apenas a lei positiva possui força vinculante. Observações importantes: – O estado de natureza hobbesiano é filosófico, pois não há provas, inexiste evidências documentais sólidas e legítimas que sustente se o fato realmente ocorreu. Analisemos: se supormos que o estado de natureza é histórico, ou seja, acreditando, sinceramente, que em certo dia, os homens se reuniram, refletiram e concluíram que viver - 69 - neste caos levaria à extinção da própria espécie é no mínimo, sem lógica. Além disso, na trajetória da humanidade, a hierarquia foi, está e estará inerente à raça humana. Por fim, a intenção de Hobbes, ao ter como base de sua teoria o estado de natureza, não é para nos convencer de que o fato existiu, mas sim, para nos mostrar, que a ausência de um Estado coator, forte e capaz de estabelecer a ordem levaria à barbárie e, mais do que isso, mesmo que o súdito esteja submisso às piores leis, esteja à mercê de um péssimo governante, ainda seria melhor do que viver no estado de natureza, um contexto em que à obscuridade, à insegurança e à incerteza imperam no cotidiano de cada um. 5.LÓGICA JURÍDICA A lógica é uma ciência de raízes ligadas à Filosofia. O pensamento organizado é a manifestaçãodo conhecimento e o que o conhecimento busca é a verdade. Para encontrá-la, é necessário estabelecer alguns critérios para que essa meta possa ser atingida. Portanto a lógica é um ramo da Filosofia que cuida das regras do pensamento racional ou do modo de pensar de forma organizada. A aprendizagem da lógica não constitui um fim, mas, um meio. Ela só tem sentido enquanto meio para garantir que nosso pensamento chegue a conhecimentos verdadeiros. Podemos dizer que a lógica trata dos argumentos, ou seja, das conclusões a que chegamos por intermédio da apresentação de evidências que as sustentam. Tradicionalmente os argumentos dividem-se em dois tipos, os dedutivos – são os argumentos cuja conclusão é inferida de duas premissas e os indutivos – são os argumentos nos quais a partir de dados singulares suficientemente numerados inferimos uma verdade universal. O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles com sua obra chamada Organon. Aristóteles divide a lógica em formal e material, o que exploraremos mais adiante neste trabalho. Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência que visam a representar formalmente o raciocínio válido. Diferentes sistemas de lógica formal foram construídos ao longo do tempo, quer no âmbito estrito da lógica teórica, quer nas aplicações práticas na computação e na inteligência artificial. Tradicionalmente, lógica é também a designação para estudo de sistemas prescritivos de raciocínio, ou seja, sistemas que definem como se deveria realmente pensar para não errar, usando a razão dedutiva e indutivamente. Implícita no estudo da lógica está a compreensão do que gera um bom argumento e quais os raciocínios que são falaciosos. “Em um sistema formal, uma vez enunciados os axiomas e formuladas as regras de dedução admitidas, resta apenas aplicá-los corretamente para demonstrar os teoremas de uma forma impositiva. Se a demonstração estiver correta, devemos inclinar-nos diante do resultado obtido e, se aceitarmos a verdade dos axiomas, admitir a verdade do teorema, enquanto não tivermos dúvidas sobre a coerência do sistema. O mesmo, porém, não acontece quando argumentamos”. (PERELMAN, 1999, p.170, apud BITTAR, ALMEIDA, 2005, p.507) - 70 - Os juízos jurídicos são de valor, pois envolvem questões de ordem moral e cultural em sua formação. As decisões e o raciocínio jurídico não obedecem a esquemas pré-determinados para sua formação, ou seja, o raciocínio jurídico trabalha com o razoável visando à adequação da norma as questões peculiares de cada caso, como ensina o renomado jusfilósofo Eduardo C. B. Bittar: “O ato de aplicar o direito sempre envolve uma complexa abordagem da relação entre ser e dever-ser. Há aplicação em que existe o tratamento conjugado do dever-se com o ser, de modo a que o dever-ser torna-se ser. Em todo ato aplicativo interrompe-se a promessa de que algo venha a ser, para que efetivamente o seja; na aplicação, o dever-ser deixa de ser potência e torna-se ato. A norma em sua aplicação, passa de seu estado letárgico, estático, adentrando ao mundo do ser, no qual se insere com todas as problemática a ele inerentes; sua natureza de dever ser, seu sentido neutro e impassível, sua estrutura cristalina, sua perfeição apriorística, são apenas momentos do sentido antes de sua reificação. Percebe-se que a temática da aplicação envolve necessariamente a abordagem da interpretação, pois não há aplicação sem interpretação.” (BITTAR; ALMEIDA, 2005, p. 507) A Grécia clássica aparece historicamente como o berço da Filosofia. Por volta do século VI a.C., os primeiros filósofos pré-socráticos redigem em prosa um discurso que se opõe à atitude mítica predominante nos poemas de Homero e Hesíodo. O novo modo de pensar é decomposto na sua estrutura por Aristóteles na obra Analíticos. Como o próprio nome diz, trata-se de uma análise do pensamento nas suas partes integrantes. Essa e outras obras sobre o assunto foram denominadas mais tarde, em conjunto, Órganon, que significa “instrumento” – um instrumento para melhor organizar o modo de pensar. Embora alguns filósofos anteriores a Aristóteles, tais como o pré-socrático Parmênides, os sofistas, Sócrates e Platão, tenham estabelecido algumas leis do pensamento, nenhum o fez com tal amplitude e rigor. Por essa razão a lógica aristotélica permanece através dos séculos até os nossos dias. Para Aristóteles, a lógica subdivide-se em Lógica formal, que estabelece a forma correta das operações do pensamento – se as regras forem aplicadas adequadamente, o raciocínio é considerado válido ou correto, e a lógica material que é a parte da lógica que trata da aplicação das operações do pensamento, segundo a matéria ou natureza dos objetos a conhecer. Enquanto a lógica formal se preocupa com a estrutura do pensamento, a lógica material investiga a adequação do raciocínio à realidade. A lógica Aristotélica não sofreu mudanças até o século XIX, mas teve inúmeros críticos até essa data. A filosofia moderna procura outros métodos lógicos para determinar o raciocínio válido. Descartes repudiava os procedimentos silogísticos da escolástica medieval e procurava um novo método para a Filosofia que possibilita-se a invenção e a descoberta e não se restrinja-se á demonstração do já sabido. Francis Bacon escreve o Novum Organum que se opunha ao Organon de Aristóteles e sua concepção de lógica. Stuart Mill formulou os cinco cânones clássicos da inferência dedutiva que, na opinião de Irving Copi, seria um instrumento para testar hipóteses - os seus enunciados descrevem o método da experiência controlada, que é uma arma absolutamente indispensável no arsenal da ciência moderna - 71 - 5.1. Os Sofistas e sua Contribuição para a Retórica A palavra sofista deriva do grego sophistés, com o sentido original de habilidade específica em algum setor ou homem que detém um determinado saber (do grego sóphos, «saber, sabedoria»). De início, vários profissionais eram «sofistas»: carpinteiros, charreteiros, oleiros e poetas. Quando o domínio de uma técnica era reconhecido por todos, o profissional era dito «sofista», desde as atividades artesanais aos trabalhos de criação artística. O termo era, portanto, um elogio. A partir do século V a.C., surgiram os professores itinerantes de gramática, eloqüência e retórica que ofereciam seus conhecimentos para educar os jovens na prática do debate público. A educação tradicional era insuficiente para preparar o cidadão para a discussão política. Era preciso o domínio da linguagem e de flexibilidade e agudeza dialética para derrotar os adversários. O êxito desses tutores foi extraordinário. Passaram a ser, então, designados de sofistas, sábios capazes de elaborar discursos fascinantes, com intenso poder de persuasão. Por outro lado, foram recebidos com hostilidade e desconfiança pelos partidários do antigo regime aristocrático e conservador. Quando Atenas se envolveu na Guerra do Peloponeso, os sofistas foram responsabilizados pela decadência moral e política da cidade. O julgamento de Sócrates ocorreu nesse clima de acusação e ressentimento. Nos séculos IV e III a.C., pensadores como Platão, Xenofonte e Aristóteles, dramaturgos como Aristófanes em sua comédia As Nuvens, todos passaram a atacar sistematicamente os sofistas. O termo adquire um sentido pejorativo e desfavorável, marcando para sempre o vocabulário filosófico: argumento sofístico ou sofisma é o mesmo que falso argumento ou intencionalmente falacioso; de sofista deriva sofisticado, no sentido depreciativo de algo muito elaborado ou excessivamente ornado, embora vazio de conteúdo. Na esfera jurídica atual, a contribuição dos sofistas estende-se por todo campo da argumentação e da retórica, muito comum nos debatesjurídicos em que as partes pretendem, por meio de seus argumentos e discursos, alcançar a aceitação de suas teses. 5.2. A lógica formal x A lógica dialética no Direito Foi com Parmênides e Heráclito que surgiu o antagonismo entre lógica formal e lógica dialética. Parmênides defendia o ponto de vista de que nada muda, tudo que existe sempre existiu, nada se transforma e, por isso, tudo que conhecemos não é um conhecimento confiável, visto que, tudo que vemos transformando-se não passa de ilusões de nossos sentidos como o sol que nasce no horizonte ou o rio que corre para o mar. Parmênides acreditava apenas na razão, para ele tudo que vemos sempre existiu. Heráclito acreditava na constante transformação do ser, tudo está em movimento no universo, ao contrário de Parmênides acreditava nos sentidos. Nada permanece estático no universo, o que vemos hoje é uma coisa totalmente diferente do que vimos ontem, tudo está em constante mutação, foi ele que disse que jamais poderíamos tomar - 72 - banho duas vezes no mesmo rio, visto que, cada vez que entrássemos, estaríamos entrando em um rio diferente. O pensamento de Parmênides espelha a lógica formal e o de Heráclito espelha a lógica dialética. No decorrer dos séculos essas teorias foram aperfeiçoadas por vários filósofos como Aristóteles, Platão, Immanuel Kant e Hans Kelsen, seguidores da Lógica Formal e Hegel, Marx, Engels, Lênin, Karl Popper, seguidores da Dialética. A lógica formal é uma forma de organizar o raciocínio sem levar em consideração o conteúdo. O raciocínio é feito com as premissas, e a conclusão que é chamada de inferência na lógica. Para um raciocínio ser considerado lógico terá que obedecer a três regras básicas da lógica formal que são o princípio da identidade, o princípio do terceiro excluído e o princípio da não-contradição. A lógica formal, como o próprio nome diz, é pura forma não se preocupando com o conteúdo das afirmações nem há compromisso com a realidade. Aristóteles, para melhor explicar sua teoria, criou símbolos, utilizando o silogismo, em que qualquer que fosse a proposição colocada no lugar dos símbolos, o argumento seria válido – Se todos os B são C e se todos os A são B, todos os A são C. O argumento é a exteriorização do raciocínio. Os argumentos podem ser válidos ou inválidos. Para um argumento ser considerado válido terá de obedecer, aos acima citados, princípios da lógica formal, caso não obedeça será considerado inválido. As proposições, por sua vez serão verdadeiras ou falsas. Mas para uma conclusão ser verdadeira, as premissas têm de ser verdadeiras e as inferências válidas, sobre esse tema, ensina Fabio Ulhôa Coelho: “Os lógicos não se ocupam da veracidade ou falsidade da proposição. Interessam-se apenas pela validade ou invalidade do argumento. Estudam, em outros termos, as condições segundo as quais se pode considerar lógico uma inferência, isto é, obediente aos princípios e regras do pensamento lógico. Por essa razão, inclusive, e para propiciar maior agilidade no raciocínio, desenvolvem os lógicos uma linguagem própria, uma notação específica. Como não se preocupam com a realidade do que está sendo afirmado, os lógicos dispensam os mamíferos, asiáticos, Sócrates, ruminantes e tartarugas e adotam uma idéia geral de “ser”, representado por letras (A, B, C...). O argumento lógico ganha, então, a seguinte forma: Todo A é B; todo B é C; logo, todo A é C.” (COELHO, 1996, p.21) A palavra dialética etimologicamente vem do grego dia que tem um sentido de dualidade, troca e Lektikós que significa apto à palavra, capaz de falar, tem a mesma raiz de logos que significa razão. O conceito característico da dialética é o diálogo, ou seja, a oposição de idéias e razões entre posições inicialmente antagônicas ou não. Como vimos anteriormente, a lógica formal trabalha com conceitos metafísicos, abstratos e absolutos em que a realidade é explicada por suas essências imutáveis. Já a lógica dialética parte do princípio da contradição, ou seja, da oposição entre duas opiniões contrapostas. A dialética é o movimento dos contraditórios, segundo a teoria de Hegel passa por três fases distintas em sua formação: a tese, a antítese e a síntese, ou seja, o movimento da realidade se explica pelo antagonismo entre momento da tese e o da antítese, cuja contradição deve ser superada pela síntese. - 73 - No Direito, a lógica dialética hegeliana tem importância fundamental, visto que o Direito se desenvolve em um cenário de contradição, uma vez que, o direito de um se coloca em oposição ao direito de outro em que o poder jurisdicional intervém para dizer o direito válido para todo o grupo social. A tese que representa o direito de A, a antítese que representa o direito de B e, finalmente, a síntese que é a decisão judicial, que não põe termo ao ciclo como à priori poderia parecer, mas realimenta o ciclo transformando-se também em uma nova tese que poderá ser contraditada. 5.3. As Concepções Filosóficas de Chaïm Perelman sobre a Lógica Jurídica Chaïm Perelman (1912-1984), nascido em Varsóvia emigrou para Bélgica e lá construiu sua carreira, lecionou na universidade de Bruxelas disciplinas como Lógica, Moral e Filosofia, tornou-se o maior expoente dos estudos de retórica moderna. Sua obra intitulada “Lógica Jurídica: nova retórica” tornou-se um clássico, configurando-se em manual prático para o estudo de lógica e da argumentação jurídica. Perelman foca seu trabalho na busca do entendimento do raciocínio jurídico perfeito e na identificação de suas particularidades específicas, com vista a entender a real influência desses argumentos sobre as decisões judiciais. Seus estudos tinham o intuito de responder a questionamentos do tipo, a) como se raciocina juridicamente? b) qual a peculiaridade do raciocínio jurídico? c) quais as características desse raciocínio? d) de onde o juiz extrai subsídios para a construção da decisão justa? e) Até onde leva a argumentação das partes em um processo? f) qual a influência que a argumentação e a persuasão possuem para definir as estruturas jurídicas? O intuito de tais questionamentos é dar fundamento a reflexão a respeito do julgamento e do ato jurídico decisório. Os estudos realizados por Chaïm Perelman sobre a nova retórica, a lógica e a argumentação são de fundamental importância para a formação acadêmica dos juristas contemporâneos. Perelman tinha como objetivo claro declarar sua discordância ao positivismo jurídico que colocava o raciocínio jurídico como um raciocínio exato, mecanicista. O que Perelman queria era definir uma lógica específica que não se utilize somente do raciocínio dedutivo, mas que se utilize também de outras formas de raciocínio como o indutivo. Para esse autor, a aplicação do raciocínio jurídico pelo juiz é matéria complexa, visto que a lógica judiciária não se resume a uma mera dedução de conclusões extraídas dos textos da lei, ou seja, a lei posta pelo legislador, muitas vezes, tem um recurso lingüístico vago o que pode dar margem a várias interpretações. Quando Perelman se refere ao raciocínio jurídico está falando do ato fundamentado e expresso nas decisões do juiz que engloba também os demais profissionais que atuam com ele dentro do processo como advogados, promotor etc. O estudo da obra de Chaïm Perelman deverá ser cercado de cuidados com vista a não se ter uma conclusão equivocada, como adverte o Eduardo C Bittar - 74 - “No entanto, devem-se tomar alguns cuidados ao estudar a obra de Perelman, quis sejam: não se está pensando que seja possível definir a priori o que seja a justiça feita pelo juiz, uma vez que a atividade jurisprudencial do magistrado e exercida mediante a provocação das partes e a existênciade um caso concreto a ser analisado; não se está pensando em conceituar uma verdade judicial, por meio de qual o juiz expressaria a vontade da lei, ou algo semelhante, mas no juízo do magistrado como iter racional para alcance de um resultado socialmente institucionalizado”. (BITTAR; ALMEIDA, 2005, p.414) A lógica jurídica consiste em uma lógica argumentativa e por meio do discurso se constrói o saber jurídico, a justiça, a equidade, a razoabilidade, e a aceitabilidade das decisões judiciais. É pacifico o entendimento de que o operador do Direito através de seus argumentos influencia a tomada de decisão do juiz. O juiz quando entra em contato com os argumentos, com os documentos, com as provas orais, recebe informações que posteriormente vão ser condensadas no processo final de julgamento, que é a decisão. A proposta da nova retórica é de reformular o pensamento jurídico contemporâneo, desvinculando-o do pensamento positivista, ou seja, propondo ao jurista não pensar nos fatos exclusivamente com os ditames da lei, mas, sim, pensar nos fatos como situações passíveis de valoração que se revelam por intermédio do discurso e da prática judiciária. O trabalho desenvolvido por Perelman tem foco sobre o raciocínio jurídico que é o raciocínio decisório, ou seja, o poder de dizer que o direito está no poder do juiz. Com esse princípio fundamental é que Perelman visa a afirmar que a lógica jurídica difere das demais formas de lógica, por ser uma lógica dialética ou argumentativa. Sendo assim não é dedutiva, não é rígida nem abstrata dos fatos que analisa. Todo o raciocínio jurídico e traçado em meio a fatos concretos do dia-a-dia sejam fatos sociais, políticos dos quais surgem as decisões que regulam cada caso concreto em particular. REFERÊNCIAS Almeida, Albenice Pereira de. Disponível em http://amigonerd.net/humanas/direito BITTAR, Eduardo C.B; ALMEIDA, Guilherme de Assis. Curso de Filosofia do Direito. 4ª ed., São Paulo: Atlas, 2005. COELHO, Fábio Ulhôa. Roteiro de Lógica Jurídica. , São Paulo: Max Limonad, 1996. Costa, Patrícia. Disponível em http://2008/09/direito-grego- antigo.html COTRIM, Gilberto. 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