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1 
 
 
 2019/01 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: Direito 
 
 
 
FILOSOFIA E HISTÓRIA DO DIREITO 
PROFº. MS. GLEYZER ALVES E SILVA 
ALUNO:___________________________________________ 
 
HSJC – PROF. GLEYZER ALVES 
2 
 
 
*VT1 – questões a serem analisadas na plataforma EAD. SIMULADO ENADE – valor: 02 pontos. 
 
*VT2 Estudos Independentes Resolução de exercícios propostos, análise de artigo científico exigidos pelo MEC, resoluções de lista de exercícios 
constantes no final do material de apoio e resolução de questões ENADE – valor 3,0 pontos 
 
*VT3 – TRABALHO DE EXTENSÃO – VISITA, DOAÇÕES E CONFECÇÃO DE RELATÓRIO JURÍDICO A UMA DAS INSTITUIÇÕES: ASCEP (Associação 
de apoio a criança especial de Goiânia) OU SOLAR COLOMBINO ANTÔNIO AGUSTO DE BASTOS - valor: 05 horas extracurriculares e 2,0 PONTOS 
 
*VT4 - EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS EM GRUPOS DE, EM MÉDIA, 06 COMPONENTES, NAS DATAS E FORMA ABAIXO (VALOR 3,0 PONTOS): 
TODOS OS GRUPOS DEVEM EXPOR A CULTURA COMO UM TODO (ESCULTURA, PINTURA, LITERATURA, ARQUITETURA, CULINÁRIA, HÁBITOS 
SOCIAIS, MÚSICA, DANÇA E OUTROS) DOS POVOS SOLICITADOS: 
 
GRÉCIA 
MESOPOTÂMIA 
HEBREUS 
ROMA 
CULTURA MEDIEVAL 
INGLATERRA 
ÍNDIA 
MUÇULMANOS 
JAPÃO 
CHINA 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 3 - 
 
 
 PLANO DE ENSINO 
1º SEMESTRE DE 2019 
 
 
 
CURSO: DIREITO 
DISCIPLINA: FILOSOFIA E HISTÓRIA DO 
DIREITO 
CÓDIGO: N053 PERÍODO: 1º 
PRÉ-REQUISITO: CARGA HORÁRIA: 75 CRÉDITOS: 05 
PROFESSOR: GLEYZER ALVES E SILVA 
OBJETIVOS: 
Compreender o Direito a partir da construção do pensamento jurídico e de sua organização histórica. O conhecimento histórico do 
desenvolvimento da ciência jurídica servirá como instrumento, ao lado das demais disciplinas fundamentais, para o estudo da 
dogmática jurídica a partir de uma concepção crítica. 
 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA: 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 4 - 
 
 
1 - WOLKMER, Antônio Carlos (org.). Fundamentos de História do Direito. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2008, 432 p 
2 - DAVID, René. Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. 4ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002, 556p. 
3 - GILISSEN, John. Introdução Histórica ao Direito. Tradução de A. M. Hespanha e L. M. Macaista Malheiros. Lisboa. 1986. 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: 
 
1 - NASCIMENTO, Walter Vieira do. Lições de História do Direito. 15ª ed. ver. e aum. Rio de Janeiro: Forense, 2006. 300p. 
2 - LOPES, José Reinaldo de Lima. O Direito na História. São Paulo: Max Limonad, 2000. 
3 - BITTAR, Eduardo C. B.(org.). História do Direito Brasileiro - Leituras da Ordem Jurídica Nacional. São Paulo: Editora Atlas, 2003. 
4 - CASTRO, Flávia Lages. História do Direito – Geral e Brasil. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Júris, 2003. 
5 - CARDOSO. Ciro Flamarion. Sete Olhares sobre a Antiguidade. 2ª ed. Brasília. UNB, 1998. 
 
PERIÓDICOS: 
 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 5 - 
 
1. Jus Navegandi 
2. Revista Eletrônica Direito e Política 
 3. Revista de Direitos e Garantias Fundamentais 
 4. Portal de Periódicos CAPES/MEC 
5 - Revista da Faculdade de Direito da UFG, disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/revfd. 
6 - Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, disponível em http://www.fdv.br/sisbib/index.php/direitosegarantias/index. 
7 - Direito & Justiça – Revista da Faculdade de Direito da PUCRS, disponível em http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/fadir/index. 
 
ARTIGOS CIENTÍFICOS DE PONTA SOBRE O TEMA DA DISCIPLINA: 
 
1. Artigo selecionado do PORTAL DE PERIÓDICOS CAPES/MEC 
 
 
VÍDEOS NO YOUTUBE/VIMEO: 
 
1. Inserções de videos diversos, videoclipes, trechos de filmes, e filmes na integra, que denotem o contexto da evolução histórica do direito. 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 6 - 
 
 
AVALIAÇÃO: 
V1 – Verificação Discursiva/Objetiva com conteúdo ministrado até a data da prova, com valor de 0 a 10 pontos. HABILIDADES E 
COMPETÊNCIAS AVALIADAS: conhecimento crítico sobre a evolução histórica do direito, desde a denominada “pré-história” à idade 
contemporânea. Análise dos Sistemas Romano Germânico e Anglo-Saxônico. 
V2 – Verificação Discursiva/Objetiva com conteúdo ministrado durante o semestre, com valor de 0 a 10); HABILIDADES E COMPETÊNCIAS 
AVALIADAS: Abordagem científico-dogmática sobre as famílias socialista e de direito religioso e filosófico, bem como a evolução 
histórica do direito brasileiro, 
VT – Verificação de trabalhos individuais ou em grupo, seminários, debates etc, com valor de 0 a 4,0 (atividades presenciais); 3,0 (atividades 
online); 2,0 (atividade integrada inerente ao ENADE) e 1,0 (participação em Congresso Multidisciplinar). HABILIDADES E COMPETÊN-
CIAS AVALIADAS: Oportunizar aos acadêmicos o desenvolvimento de uma visão global so-bre os novos arranjos familiares, bem como 
sobre a proteção da pessoa dos filhos, através do incremento cultural e crítico, inter-relacionando os contextos social e jurídico. 
VS – Verificação Suplementar Discursiva, com conteúdo ministrado durante todo o semestre, com valor de 0 a 10. HABILIDADES E 
COMPETÊNCIAS AVALIADAS: os acadêmicos deverão ser capazes de evidenciar domínio doutrinário e científico da matéria e boa 
capacidade linguística, certificando que o conteúdo a ser verificado compreende a todos os itens trabalhados no transcorrer do 
semestre. 
TRABALHO DISCENTE EFETIVO - TDE: 
 
ESTUDOS INDEPENDENTES 
1 - Estudos a partir da Bibliografia básica indicada, bem como da complementar. Buscas na internet de textos, jurisprudências e afins. Análise 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 7 - 
 
de legislação, doutrina, textos complementares e anotações feitas em sala de aula, com o intuito inicial de obter prévio conhecimento básico e 
posteriormente, reforço do tema analisado em sala de aula., bem como para exposição de trabalhos em sala. Exposição de trabalhos. Horas: 
06. Nota: 2,0. 
2 - Exposição de seminários e resolução de listas de questões objetivas e discursivas elaboradas pelo professor, bem como extraídas do 
ENADE, exame de ordem/OAB e concursos diversos, buscando soluções às questões propostas em sala, complementando a análise do tema. 
Horas: 06. Nota: 3,0. 
3 - Visita e doações diversas a instituições sociais., conscientizando o discente de seu papel na sociedade, enquanto acadêmico e futuro 
profissional do Direito. Confecção de relatório jurídico atinente à atividade social desenvolvida. Desenvolver conteúdo ministrado em sala 
de aula, integrando fundamentos teóricos e situações práticas de Direito. 06 horas. Nota:2,0 
INTERLIGAÇÃO DA DISCIPLINA: 
A disciplina gera grande interesse por parte do corpor discente, por tratar de tema propedêutico e que favorece as divagações de ideias 
sociais, tanto no contexto social hodierno, quanto no histórico. Por sua própria natureza, trata-se de uma disciplina que guarda forte relação 
com todas as áreas do Direito e da dinâmica social, possibilitando abordagens críticas, formadoras de senso de justiça social, introduzindo 
basicamente todas as cadeiras jurídicas. 
PERFIL DO EGRESSO: 
A eficácia da disciplina para contribuir com o perfil dos egressos pretendido pela IES depende do desenvolvimento de maior capacidade 
linguística dos acadêmicos, de maior incremento cultural, de maior desenvolvimento de análise crítica, de incentivos para o raciocínio lógico-
científico e, especialmente, de maior conhecimento das realidades nacional e regional relativamente a justiça social, segurança pública, 
funções do Estado.ARTICULAÇÃO TEORIA-PRÁTICA: 
Trata-se de todo um trabalho voltado para a percepção cultural dos acadêmicos sobre seus próprios espaços sociais, com suas contradições e 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 8 - 
 
desafios. O mundo negocial, percebido à ótica do direito contratual, enquanto fenômeno social, deve ser abordado no sentido de possibilitar a 
proposta de soluções para a construção de uma sociedade mais justa. Para tanto, os acadêmicos são instigados a desenvolver opiniões 
críticas através de filmes, leitura de artigos científicos e análises de casos concretos obtidos na vida cotidiana. No processo, devem ser 
utilizadas as várias alternativas midiáticas atualmente disponíveis, inclusive Laboratórios de informática e Biblioteca. 
METODOLOGIAS: 
O processo didático-pedagógico da disciplina História dos Sistemas Jurídicos Contemporâneos não pode prescindir de aulas expositivas, 
extrema exigência de leitura de doutrina científica, leitura de artigos científicos e abordagens de fatos históricos. Instigar o aluno ao metodo de 
aula invertida é de extrema relevância. A disciplina é muito própria para a formação científica dos acadêmicos através de estudos de casos 
HISTÓRICOS confrontados com a SOCIEDADE HODIERNA. No processo, além dos estudos fatos históricos, será desenvolvida atividade de 
extensão e, consequente confecção de relatório jurídico, em consonância com a atividade de extensão ministrada. A estratégia proporciona 
ao aluno dizer o direito e vivenciar a atuação do profissional. 
EXTENSÃO: 
 
Durante o Semestre são desenvolvidas atividades de extensão que visam não apenas a intervenção dos acadêmicos na sociedade, mas o 
desenvolvimento de compromisso com a agenda social, tanto do ponto de vista nacional como regional. Esses projetos são desenvolvidos em 
parceria com outros professores, o que lhes dão magnitude e relevância social. No presente semestre, os acadêmicos participaram do projeto 
UNIVERSO, ASCEP E SOLAR COLOMBINO – UMA QUESTÃO DE CIDADANIA, sob a liderança do Professor Gleyzer Alves. 
PESQUISA: 
Os alunos são motivados para a pesquisa, especialmente a bibliográfica, pois além de influir positivamente na aquisição de conhecimento 
doutrinário, também contribui na formação científica como um todo. No semestre, os acadêmicos desenvolveram diversos trabalhos de 
pesquisa que resultaram em VTs. Há também forte incentivo para a participação nos eventos institucionais voltados para a extensão e 
pesquisa (Semana de Extensão e Jornada Científica). 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 9 - 
 
 
REQUISITOS: 
São requisitos necessários para um efetivo aprendizado da disciplina: capacitação linguística (leitura, compreensão de textos, boa redação e 
oratória); razoavel nível cultural; formação básica social. Para favorecer o nivelamento acadêmico, são propostas atividades (leitura de artigos 
científicos, filmes, leitura e análises de fatos divulgados na midia etc) e exigida a leitura de doutrina e artigos científicos. 
AUTONOMIA DISCENTE: 
 
Pesquisas voltadas para as práticas negociais e contratuais. 
Pesquisas doutrinárias, jurisprudenciais e bibliográficas a respeito da situação do Direito Contratual brasileiro no contexto geral. 
Incentivos institucionais para fomentar visitas às instituições sociais e colocar em prática a teoria analisada em sala de aula. 
TRATATIVAS: 
Chamada – feita no último terço da aula 
Avaliação – Provas de bom nível de dificuldade, com questões variadas entre fáceis e de maior complexidade, devendo ser ao menos 40% 
discursivas, com questões elaboradas nos moldes do ENADE, e com inserções de questões do referido certame, bem como extraídas de 
concursos diversos. Aula invertida – devendo os alunos comparecerem em sala com a leitura prévia dos artigos de lei e doutrina atinente a o 
tema da aula. 
 
 
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA 
UNIVERSO - CAMPUS GOIÂNIA 
Curso: DIREITO 
 
 
 - 10 - 
 
 ATIVIDADES DATAS 
Início das aulas (calouros) 04/02/2019 
Início das aulas (veteranos) 18/02/2019 
V1 11/04 a 18/04 
Eventos 20/05 a 23/05 
V2 10/06 a 15/06 
2.ª chamada (V1 e V2) 24/04 e 19/06 
VS 24/06 a 29/06 
Término do Semestre Letivo 29/06/2019 
Reunião com Professores A ser marcada pela gestão do curso 
Reunião com Representantes de Turma A ser marcada pela gestão do curso 
Divulgação Notas VT À partir de 27/06/2019 
 
 - 11 - 
 
PLANO DE AULAS 
# Conteúdo da aula 
Habilidades e competências 
desenvolvidas 
Link de referência do 
material de apoio 
CH 
1 
AULA INAUGURAL. EXPOSIÇÃO DE CONTEÚDO, METODOLOGIA, 
BIBLIOGRAFIA. 
 INTRODUÇÃO À HISTÓRIA E À FILOSOFIA DO DIREITO - OBJETO, 
MÉTODO, FONTES E IMPORTÂNCIA. O DIREITO COMPARADO.. 
CONCEITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DE DIREITO E JUSTIÇA; 
Percepção do conteúdo da 
História do Direito como um todo. 
Saber e conhecer o porquê da 
disciplina, conhecendo seu 
objeto, método, fontes e a real 
importância. Identificar-se como 
sujeito no referido processo 
evolutivo histórico. 
 
1- Prévia apresentação geral 
de tudo que será estudado e 
analisado durante o 
semestre. 
2- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
3- Abertura para debates 
4- Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
5- Seminários, dinâmicas 
de grupos, grupos de 
verbalização e observação. 
 
3 
2 
O DIREITO DOS POVOS PRIMITIVOS. DIREITO ARCAICO: 
PALEOLÍTICO, MESOLÍTICO E NEOLÍTICO. 
Saber contextualizar o processo 
evolutivo histórico. 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina 
3 
 
 - 12 - 
 
3 
DIREITOS TRADICIONAIS NÃO EUROPEUS. DIREITO DOS POVOS 
ANTIGOS. ASPECTOS GERAIS DO DIREITO DO DIREITO DOS 
HEBREUS, DA GRÉCIA, DO EGITO E DA MESOPOTÂMIA. DIREITO 
NATURAL E DIREITO POSITIVO NO PERÍODO CLÁSSICO ROMANO 
GERMÂNICO. 
Identificar a construção e 
formação do Direito em cada 
período e suas transformações. 
Saber que o reflexo social é o 
direito em construção. 
Conhecer como o direito se 
ramificou em famílias, o que são 
e quem são as famílias. 
 
1- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
2- Abertura para debates 
 
3 
4 
O SISTEMA ROMANO-GERMÂNICO: A FORMAÇÃO HISTÓRICA DO 
SISTEMA. ESTRUTURAS DOS DIREITOS. FONTES DO DIREITO. 
CIVIL LAW. O DIREITO GERMÂNICO. 
Verificar a preponderância da 
família romano-germânica na 
formação do direito em outras 
culturas. 
 Analisar a consolidação do 
direito consuetudinário e sua 
transformação num direito formal. 
Saber acerca da espinha dorsal 
formadora do direito e quais 
pontos o direito se fundamenta – 
fontes. 
 
1- Aula expositiva dialogada 
2- Utilização de mapas 
geográficos para localização 
tempo - espaço 
3- Utilização de retroprojetor 
ANÁLISES DE ARTIGOS 
CIENTIFICOS. 
3 
 
 - 13 - 
 
5 
DIREITO CANÔNICO. RENASCIMENTO CULTURAL E FORMAÇÃO 
DO ESTADO MODERNO. 
Verificar a preponderância da 
família romano-germânica na 
formação do direito em outras 
culturas. 
 Analisar a consolidação do 
direito consuetudinário e sua 
transformação num direito formal. 
Saber acerca da espinha dorsal 
formadora do direito e quais 
pontos o direito se fundamenta – 
fontes 
1- Aula expositiva dialogada 
2- Utilização de mapas 
geográficos para localização 
tempo - espaço 
3- Utilização de retroprojetor 
ANÁLISES DE ARTIGOS 
CIENTIFICOS. 
3 
6 
REALIZAÇÃO DE SEMINÁRIOS CULTURAIS INERENTES AOS 
POVOS DA ANTIGUIDADE. 
RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS REVISIONAIS PARA REALIZAÇÃO DE 
V1 
Saber contextualizar o processo 
evolutivo histórico. 
1. Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
2. Seminários, dinâmicas de 
grupos, grupos de 
verbalização e observação 
3 
7 
O SISTEMA ANGLO-SAXÃO: COMMON LAW. O DIREITO INGLÊS 
HISTÓRIA, ESTRUTURA, FONTES.TÓRIA,ESTRUTURA, FONTES. O 
SISTEMA DE PRECEDENTES. 
 
 Fazer a ponte entre os países 
que sofreram romanização para 
os que não sofreram. 
 Contextualizar dessa forma e 
mostrar outro tipo de formação 
de Direito, diferenciado, genuíno 
e tradicional e um grande 
sistema – Common Law 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina 
3 
 
 - 14 - 
 
8 
OS DIREITOS SOCIALISTAS DOS PAÍSES DE TENDÊNCIA 
COMUNISTA: EVOLUÇÃO HISTÓRICA. FONTES DO DIREITO. 
ESTRUTURA DO DIREITO 
DIREITO E ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL 
 
Fazer a ponte entre os países 
que sofreram romanização para 
os que não sofreram. 
 Contextualizar dessa forma e 
mostrar outro tipo de formação 
de Direito, diferenciado, genuíno 
e tradicional e um grande 
sistema – Common Law 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina 
3 
9 APLICAÇÃO DE V1 Avaliação 3 
10 
ENTREGA, COMENTÁRIOS E CORREÇÃO DE V1. 
OS DIREITOS APÓS AS REVOLUÇÕES LIBERAIS E SUA 
INFLUÊNCIA NOS SISTEMAS JURÍDICOS. 
Avaliação; Fazer a ponte entre os 
países que sofreram 
romanização para os que não 
sofreram. 
 Contextualizar dessa forma e 
mostrar outro tipo de formação 
de Direito, diferenciado, genuíno 
e tradicional e um grande 
sistema – Common Law 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina 
3 
11 
OUTRAS CONCEPÇÕES DA ORDEM SOCIAL E DO DIREITO: O 
DIREITO MUÇULMANO E DIREITO HEBRAICO. ASPECTOS GERAIS 
DO DIREITO CHINÊS E DO DIREITO JAPONÊS. 
Analisar e interpretar os direitos 
socialistas. Compreender que o 
estudo do direito dos países 
socialistas não nos dá apenas a 
conhecer um mundo novo, 
diferente do nosso; é uma fonte 
de ensinamentos. 
 
1- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
2- Abertura para debates 
3- Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
 
3 
 
 - 15 - 
 
12 
DIREITO DE LIBERDADE E DE NÃO VIOLÊNCIA . 
TDE - 06 HORAS - PESQUISAS TEXTUAIS E DOUTRINÁRIAS PARA 
APRESENTAÇÃO DE SEMINÁRIO ATINENTE AO TEMA. 
Contextualizar o processo 
evolutivo social. Identificar as 
diversidades culturais 
influenciando na estrutura, 
formação e desenvolvimento do 
Direito. Traçar paralelos de 
identificação religiosos na 
formação do Direito. 
 
1- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
2- Abertura para debates 
3- Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
 
3 
13 ATIVIDADES DA SEMANA DE EXTENSÃO E JORNADA CIENTÍFICA 
Investimento no desenvolvimento 
cultural e científico dos 
acadêmicos 
Palestras 3 
14 
 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA JURÍDICA. LÓGICA JURÍDICA. 
 
Contextualizar o processo 
evolutivo social. Identificar as 
diversidades culturais 
influenciando na estrutura, 
formação e desenvolvimento do 
Direito. Traçar paralelos de 
identificação religiosos na 
formação do Direito. 
 
1- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
2- Abertura para debates 
3- Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
4. Seminários. 
3 
 
 - 16 - 
 
15 
O JUSNATURALISMO MODERNO. O JUSNATURALISMO 
TEOLÓGICO METAFÍSICO MEDIEVAL. 
Contextualizar o processo 
evolutivo social. Identificar as 
diversidades culturais 
influenciando na estrutura, 
formação e desenvolvimento do 
Direito. Traçar paralelos de 
identificação religiosos na 
formação do Direito. 
1- Aula expositiva dialogada 
e crítica. 
2- Abertura para debates 
3- Estudo comparativo e 
identificação de um período 
para outro de forma 
dialogada e crítica. 
4. Seminários. 
3 
16 
O POSITIVISMO JURÍDICO: RAÍZES E CARACTERÍSTICAS DO 
NORMATIVISMO DE HANS E KELSEN. REALISMO JURÍDICO E 
TEORIA TRIDIMENSIONAL DO DIREITO 
Proporcionar uma visão crítica 
acerca do direito brasileiro, após 
análise do processo de formação 
do direito em outras épocas e 
tempos e seus reflexos no 
processo de desenvolvimento 
jurídico brasileiro, destacandoa 
importância do sistema romano-
germânico e seu viés positivista. 
 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina 
3 
 
 - 17 - 
 
17 
DIREITO BRASILEIRO: A FORMAÇÃO DO DIREITO BRASILEIRO E 
SUAS ORIGENS ROMANO-GERMÂNICAS. 
PANORAMA GERAL PÓS CONSTITUIÇÃO DE 1988. 
 
Proporcionar uma visão crítica 
acerca do direito brasileiro, após 
análise do processo de formação 
do direito em outras épocas e 
tempos e seus reflexos no 
processo de desenvolvimento 
jurídico brasileiro, destacando 
a importância do sistema 
romano-germânico. 
Aula expositiva; Capítulo de 
doutrina . Estudos de caso. 
3 
18 
APLICAÇÃO DE V2 
Avaliação 3 
19 
Devolução de avaliações e correção da prova 
Avaliação 3 
20 
VS – Encerramento do semestre 
 3 
 
 
 
 - 1 - 
 
I – CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS 
Em dezembro de 1994, a disciplina História do Direito 
retornou ao currículo do curso de Direito após longo período de 
ausência da graduação, o que não era de se estranhar pelo seu teor 
zetético por uma tradição política autoritária. Tradicionalmente o 
direito é tido como dogmático, onde determinados conceitos e fatos 
são simplesmente aceitossem questionamentos ou discussões 
(dogmas) . Em oposição ao dogmatismo, a zetética coloca o 
questionamento como posição fundamental, isso significa que 
qualquer paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer 
premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, 
alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético. 
A História do Direito é uma disciplina histórico-jurídica que 
tem por finalidade investigar a manifestação do fenômeno jurídico 
consubstanciado na cultura de uma época. Hans Kelsen escreveu 
em1934 o seu trabalho mais famoso, Teoria pura do Direito, cujo 
objetivo era discutir e propor os princípios e métodos da teoria 
jurídica [...] conferindo a esta um método e um objeto próprios 
capazes de superar as confusas metodologias, então, reinantes, dando 
ao jurista uma autonomia científica. A justiça não é uma questão 
suscetível de qualquer indagação teórico-científica, porque se 
constitui num ideal a atingir, variável de acordo com as necessidades 
da época e de cada contexto social, dependendo sempre de uma 
avaliação fundada num sistema de valores. 
A História do direito é muitas vezes tratada com 
condescendente desdém, por aqueles que entendem ocupar-se apenas 
do direito positivo. Diante disso, não se justifica na atual conjuntura 
sustentar o preconceito positivista empobrecedor e limitante, 
tornando o jurista despreparado para a compreensão da sua realidade 
jurídico-social, de tal forma que até o exercício de sua profissão 
restará prejudicado. A disciplina História do Direito é lecionada 
obrigatoriamente nos países que adotam o sistema continental, 
também, conhecido por família romano-germânica. 
Roma deixou, como um de seus inúmeros legados, a 
jurisprudência, a Idade Média, a dogmática, a Idade Moderna, a 
ideia de sistema, e a Contemporaneidade, a positividade do direito, 
características que compões a atual dogmática jurídica. O 
pensamento jurídico brasileiro tem vivido sob a égide do positivismo 
normativista há quase um século, tempo suficiente para consolidar 
uma tradição caracterizada por um exagerado tecnicismo, com um 
apego à apreciação lógico-dedutivista do direito. A História dos 
Sistemas Jurídicos contemporâneos consiste no estudo das diversas 
famílias (sistemas) jurídicas, laicas ou religiosas, que possuem 
traços em comum, sendo as principais a Romano-Germânica e a 
Anglo-Saxônica. E da análise destas e de outras famílias é que pode-
se chegar ao entendimento contemporâneo de Direito, sobretudo o 
brasileiro. Buscar no passado respostas para o presente,com 
perspectivas dos caminhos que o Direito tomará, utilizando como 
uma das principais ferramentas o DIREITO COMPARADO. Esse é 
o foco da disciplina. 
 
 - 2 - 
 
DIREITO COMPARADO 
 
Um importante instrumento paraa evolução jurídica,foi a 
utilização do direito comparado,isto é, o segmento do direito 
dedicado a estudar as semelhanças e diferenças entre os diversos 
ordenamentos jurídicos constituídos entre as mais diversas culturas 
existentes. O conhecimento de outros sistemas certamente aumentará 
o repertório do acadêmico, bem como do profissional do direito. O 
Direito Comparado é a comparação do Direito nas suas diversas 
formas .Tem sua origem na Grécia Antiga , mas somente há pouco 
mais de um século a importância dos estudos desse direito foi 
reconhecida. O método e os objetivos do direito comparado foram 
sistematicamente estudados e a própria expressão "direito 
comparado" foi acolhida e entrou em uso. Importante destacar que o 
referido ramo jurídico vincula-se intimamente ao“direito 
alienígena”, sendo, por vezes tratado como sinônimo deste. 
O desenvolvimento do direito comparado foi uma reação 
contra a nacionalização do direito que se produziu no século 
XIX,expandindo o conhecimento ou a busca pelo conhecimento de 
outros sistemas, pelo direito de outras nações. A disciplina do 
direito comparado divide as várias formas de direito existentes no 
mundo em "famílias" ou "sistemas". 
São eles: 
* Família romano-germânica (na qual se insere o direito 
brasileiro) 
* Família do "Common Law" (utilizado por Grã-Bretanha e 
boa parte de suas ex-colônias e Estados Unidos. 
* Família dos direitos socialistas (utilizado pelos países socialistas 
remanescentes). 
* Outras famílias (em especial dos países africanos e asiáticos, que 
muitas vezes misturam lei muçulmana, romano-germânica e 
sistemas ancestrais locais; há ainda o direito muçulmano, em países 
cuja religião oficial é o Islã,o direito judaico e o direito hindu.) 
 
O direito comparado é prioritariamente tema de história, de 
filosofia e de teoria geral do direito. Do ponto de vista 
historiográfico, o direito comparado é o componente discursivo da 
justificação dos modelos jurídicos. Tal ramo do direito possuitrês 
funções fundamentais : 
 
1. Auxiliar as relações internacionais para compreender os povos 
estrangeiros e estabelecer um melhor regime para as relações da vida 
internacional; 
2. Auxiliar nas investigações históricas (referentes ao direito); 
3. Aprimorar o Direito Nacional ( é útil para conhecer melhore 
aperfeiçoar o nosso direito nacional), especialmente quando tratar-se 
de fato inexistente ou pouco ocorrente em nosso país. 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.infoescola.com/direito/common-law/
http://www.infoescola.com/direito/direito-comparado/
 
 - 3 - 
 
DIREITO E JUSTIÇA 
a) DIREITO 
Por direito podemos entender vários e diferentes significados. Seria difícil, 
mesmo, dizer em poucas palavras um só ou seu significado verdadeiro. No 
entanto, diferentes abordagens a respeito do significado do vocábulo 
“direito” podem ser trazidas ao presente texto. 
A primeira análise semântica do termo traz o clássico significado de algo 
que é reto ou que segue em linha reta o que é estabelecido segundo dada 
forma de ordenação. A sua utilização na vida cotidiana é muito comum. 
Qualquer pessoa entende o significado de alguém que diz que algo é o 
seu direito, e, portanto, é obrigada a respeitá-lo. 
Os dicionários da língua portuguesa expressam que o adjetivo “direito” 
passou a fazer parte da mesma no ano de 1277 d.C. Em seu primeiro 
significado encontramos que direito é aquilo que segue a lei e os bons 
costumes, é a pessoa justa, correta, honesta. 
Também é direito aquilo que está de acordo com o senso comum, com as 
normas morais e éticas aceitas pelas pessoas. É aquilo que é certo, 
correto e justo. Direita é a pessoa dotada de um comportamento 
impecável, de uma conduta irrepreensível, impecável. Aquilo que não 
contém erros também é direito, é certo, é correto. Ou ainda, com 
aparência, arrumação, aquilo que é adequado e acertado. Direito é 
aquilo que é justo, correto e bom. Também podemos entender como 
direito aquilo que é facultado a uma pessoa individualmente ou a um 
grupo de pessoas por força de leis ou costumes. Uma prerrogativa legal 
também é um direito. Isto sem nos esquecermos de que prerrogativa 
legal significa justamente um direito. Um direito é um privilégio, uma 
regalia, uma autorização legal para determinada atividade. 
Por fim, o direito também é um conjunto de normas[4][4] de vida em 
sociedade que visam a expressar e concretizar um ideal de justiça, 
traçando as fronteiras daquilo que está ou não em conformidade com as 
leis. Direito também é a ciência que tem por objeto o estudo das regras 
que disciplinam a convivência social. 
B) JUSTIÇA 
 A palavra justiça, foi aceita na língua portuguesa a partir do século XIII. O 
seu significado é de caráter, ou de algo que está em conformidade com o 
que é direito, com o que é justo. Justiça também expressa uma maneira 
pessoal de perceber e avaliar aquilo que é direito, que é justo. Por justiça 
também podemos entender um princípio moral pelo qual o respeito ao 
direito é observado. Também é justiça o reconhecimento o 
reconhecimento do mérito de alguém ou de algo. A justiça também 
expressa a conformidade dos fatos com o direito. Justiça é o poder de 
fazer valer o direito de alguém ou de cada um. 
Justiça também é o conjunto de órgãos que compõem o Poder Judiciário 
de um país. Dentro deste Poder são encontradas cada uma das jurisdições 
encarregadas de distribuir a justiça. Pela expressão fazer justiça tem-se o 
significado de aplicar uma pena cominada ou reconhecer uma virtude ou 
uma qualidade em alguém ou em algo. 
 
 - 4 - 
 
A palavra justiça vem do latim justitia,ae e expressa o significado de 
justiça, equidade, leis, exatidão, bondade, benignidade. Do direito 
romano nos é trazida a fórmula de justiça que se resume no dever de dar 
a cada um o que é seu, sem qualquer esforço ou sacrifício. 
C) DIREITO E JUSTIÇA 
Ulpiano ensina que: “Justitia est constans et perpetua voluntas jus suum 
cuique tribuendi”. O significado do clássico conceito significaria que a 
justiça é a virtude ou a vontade firme e perpetua de dar a cada um o que 
é seu. A justiça não seria uma virtude pessoal apenas, que comece e 
termine no indivíduo, mas, ao contrário, ela se dirige às relações humanas 
em geral. A justiça entre dois indivíduos seria chamada de comutativa, a 
justiça entre o indivíduo e a sociedade seria a justiça legal; a justiça entre 
o Estado e o indivíduo é a justiça distributiva. Também devem dirigir essas 
relações outros valores como a compaixão, a caridade, o amor filial, a 
urbanidade e etc. 
Logo, direito e justiça são palavras que trazem complexos e distintos 
significados. No entanto, é muito fácil entendê-las e assimilar o seu 
significado, pois, desde a mais tenra idade, as pessoas sabem o que lhe 
pertence e sabem defendê-lo com unhas e dentes da ação das outras 
crianças ou adultos que se aventuram a tomar para si o referido bem. 
 À medida que crescemos e aprendemos o significado de direito como um 
conjunto de normas da vida social, também desenvolvemos a noção de 
que justiça, dentre outros significados, tem o sentido de uma norma 
cumprida, observada e respeitada. Fazer justiça é, enfim, respeitar o 
direito e abster-se de qualquer ação que perturbe o equilíbrio social 
advindo do respeito das leis por cada um de nós. 
 
 - 5 - 
 
DIREITO PRIMITIVO OU ARCAICO 
 
Povos sem escrita, que viviam basicamente no regime matriarcal. 
Viviam no chamado período da pré-história, termo este não pacífico 
pelos estudiosos atuais. É o período anterior ao aparecimento da escrita, 
por volta do ano 4000 a.C. .Seu estudo dependeu da análise de 
documentos não-escritos, como restos de armas, utensílios, pinturas, 
desenhos e ossos. O gênero HOMO apareceu entre 4 e 1 milhão de anos 
a .C.. Aceita-se três etapas na evolução do homem pré-histórico, entreos 
estudiosos. São elas: 
 
a) PALEOLÍTICO (idade da pedra lascada) -Paleolítico inferior: 500.000 
– 30.000 a.C. - Paleolítico superior: 30.000 – 8.000 a.C. 
b) NEOLÍTICO (nova idade da pedra, período da pedra polida) 8.000 – 
5.000 a.C. 
c)IDADE DOS METAIS - 5.000 - 4.000 a.C. 
 
Esta divisão é evolucionista mas numerosos investigadores da 
história contestam tal visão. Afirmam que existe grande diversidade 
cultural entre os grupos humanos e que, diante de determinado problema, 
cada homem se organiza de um modo, o que resulta em culturas 
diferentes. Daí conclui-se que certos grupamentos humanos podem ter 
simplesmente acelerado um dos estágios ou ter saltado um deles. 
Nessa fase os ideais que se conhecem como Direito apresentavam-se sob 
a forma de autotuleta, embora, valha ressaltar, não há que se falar em 
direito enquanto ciência no aludido período. 
 
A autotutela é a mais primitiva das formas de solução de lides. 
Nascida com o homem na disputa dos bens necessários à sua 
sobrevivência, representando a prevalência do mais forte sobre o mais 
frágil. Com evolução da sociedade e a organização do Estado ela foi 
sendo expurgada da ordem jurídica por representar sempre um perigo 
para a paz social. Contudo, excepcionalmente, até porque o Estado não 
tem como socorrer o jurisdicionado a tempo e à hora, a autotutela é 
hodiernamente admitida, mas apenas para defender direitos que estejam 
sendo violados. As características da autotutela são: Ausência de um 
julgador distinto das partes; e a imposição da decisão de uma parte 
(geralmente o mais forte) em detrimento do outra. Importante salientar 
que no direito moderno, o exercício da autotutela para satisfazer uma 
pretensão, embora legitima, salvo quando autorizado por lei, constitui 
crime e está sujeito a sanção legal. 
 
Neste período, as associações humanas começam a solidificar-se. O 
direito - aqui vislumbrado com norma social a ser seguida bem como a 
um sistemas de solução de lides - começa a se desenvolver. É tido como 
um "Direito Primitivo" ou "Direito Arcaico". Imagina-se que o homem 
torna-se sedentário, isto é, começa a se fixar em um lugar, na 
Mesopotâmia e adjacências, em torno de 10 mil a.C., e um importante 
marco deste período foi o surgimento da agricultura, que se deu entre 
8.000 e 5.000 a.C.( no período neolítico), quando o homem deixou sua 
vida nômade, sedentarizando-se às margens dos rios e lagos, cultivando 
trigo, cevada e aveia. Nesta época também domestica ovelhas e gado 
bovino, otimizando sua cadeia alimentar.. Aí também surgem os 
primeiros aglomerados urbanos, com finalidade principalmente 
defensiva. Nesta época também as viagens por terra e mar. O referido 
http://www.algosobre.com.br/historia/pre-historia-a-origem-do-homem.html
 
 - 6 - 
 
período corresponde àchamada comunidade primitiva, onde o solo 
pertencia a todos e a comunidade se baseava em laços de sangue, idioma 
e costumes. A partir deste ponto, a evolução das comunidades processou-
se em duas direções: 
* por um lado, no sentido de acúmulo de produção excedente e 
extensão da posse e da propriedade individual dos bens, no sentido da 
transformação das antigas relações familiares. 
* por outro lado, houve o envolvimento afetivo – além do 
comercial - entre pessoas dos mais diversos clãs. Dá-se o primórdio do 
Estado Primitivo. 
Durante a idade dos metais (5.000 a 4.000 a.C.), o cobre passou a 
ser fundido pelo homem, seguindo-se o estanho, o que permitiu a 
obtenção do bronze, resultante da liga dos dois primeiros. Por volta de 
3.000 a.C., produzia-se bronze no Egito e na Mesopotâmia, sendo esta 
técnica difundida para outros povos a partir daí.A metalurgia do ferro é 
posterior e tem início por volta de 1.500 a.C., na Ásia Menor, tendo 
contribuído decisivamente para a supremacia dos povos que a 
dominavam e souberam aperfeiçoá-la. 
Ressalta-se o fato de que o Direito era transmitido de forma 
consuetudinária, com a influência na religiosidade e na hierarquia social 
da época, a natureza nômade das pessoas, cedeu espaço aos clãs, que por 
sua vez deram origem ao Estado Primitivo - governos e organizações. 
Essa formação social, se fez principalmente na região do Nilo e 
Mesopotâmia, depois se expandindo para outras regiões. 
 
 
O DIREITO NA ANTIGUIDADE 
Neste período, destarte as grandes mudanças provocadas pelo 
advento da escrita, o direito passa ao ter um desenho que vislumbra o 
modo heterocomposto. Por meio da com a avocação da solução de lides 
pelos Estados Primitivos que vinham se formando, a jurisdição passa a 
ser exercida. 
A heterocomposição se verifica quando a solução das lides é 
determinada por um terceiro. Exemplos de heterocomposição são a 
arbitragem e a tutela ou jurisdição. No caso em tela, o terceiro em 
questão é o Estado. 
 Em sentido paralelo, como forma alternativa de resolução de 
controvérsias, foi sendo desenvolvido o método de autocomposição, 
que nos dias atuais encontra sentido obrigatório, conforme se aduz do 
Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 319. Pode-se dizer que a 
autocomposição, mesmo advinda dos primórdios da civilização, continua 
existindo até hoje no direito brasileiro. Inclusive é fomentada pelas leis 
mais atuais no Brasil, como a lei de mediação e o novo CPC, conforme 
já dito. O NCPC, por oportuno, descreve que "a conciliação, a mediação 
e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser 
estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do 
Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial". 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13140.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
 
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A autocomposição é um sistema antigo de composição (resolução) de 
lides. Consiste no ato um dos litigantes, ou todos, abrirem mão do seu 
interesse por inteiro ou de parte dele, podendo tradicionalmente ocorrer 
por meio de desistência (do autor), submissão (do réu) e concessões 
recíprocas. No Direito brasileiro hodierno continua vigorando em caráter 
alternativo, desde que respaldada. Em regra, as lides são solucionadas 
por meio de heterocomposição. 
 
Diversas civilizações merecem destaque, no que pertine ao seu 
estudo jurídico. Contudo, destacam-se: 
 
a) O DIREITO MESOPOTÂMICO 
 
A região da Mesopotâmia (atual Iraque), situada entre os rios 
Tigres e Eufrates, foi o cenário do desenvolvimento de povos do mundo 
antigo. Fundada pelos Sumérios, e habitada também por Acádios, 
Assírios, Babilônicos e Caldeus, favoreceu o florescimento de uma 
civilização que deixou grande influência, com zigurates (templos 
religiosos), e até mesmo os jardins suspensos da Babilônia. Devido a 
uma necessidade de tornar mais amplo os ordenamentos jurídicos 
consuetudinários, e já após o advento da escrita, houve a positivação do 
direito, com base nas relações humanas e sociais. 
 
O poder religioso tem GRANDE relevância, nesse caso, tem-se a 
classe sacerdotal, privilegiada devido a influência que a mesma tinha 
sobre a população camponesa e artesã. Tantos os chefes militares quanto 
os sacerdotes, tinham suas imagens interligadas a personificação dos 
deuses, como em vários casos que podem ser encontrados na história, 
várias fontes que demonstram a relação entre o poder político e a 
religião, na figura dos chefes teocráticos. 
 
O Código de Hamurabi 
 
Antes do Código de Hamurabi, haviam somente registros do 
Código de Dungi, que foi criado pelos Sumerianos, mais foram os 
Babilônicos que se perpetuaram na história do direito antigo, quando o 
Imperador Hamurabi revisou os códigos sumérios e desenvolveu uma 
série de normas, acabou influenciando o direito de todosos povos 
semitas da região. 
 
Esse código foi caracterizado pelos seguintes pontos: 
 
a) Institucionalização da Lei de TALIÃO – Mais conhecida como ‘’Olho 
por Olho, Dente por Dente’’, isso nos mostra que a justiça era como um 
corretivo, aplicada pelos Babilônicos. 
 
b) Administração da Justiça em caráter semiprivado – Sendo que a 
vítima ou um dos seus familiares podiam levar o ofensor a justiça e os 
agentes da lei podiam auxiliar na execução da sentença. 
 
c) Desigualdade perante a lei – Já aqui podemos notar que o código 
dividia a população em 3 classe:, 
* aristocracia 
* os cidadãos comuns 
* os servos e escravos. 
Fator este que possibilitava aplicar as penas de acordo com sua classe 
social, sempre levando em conta a vítima e o agressor. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Indiv%C3%ADduo
 
 - 8 - 
 
d) A distinção entre o homicídio acidental e o intencional – O homicídio 
acidental recebia a punição por meio de multas paga a família da vítima e 
o Intencional pagava-se por meio da própria vida. 
Percebe-se que a pena de morte era uma sentença comum, porém um 
sujeito com status social elevado era privilegiado, conforme já exposto, 
o que infelizmente pode ser visto, em certas ocasiões, hoje em dia, 
quando a lei deveria ser igual para todos. 
 
b) O DIREITO GREGO 
 
O estudo jurídico grego deve-se a polis onde melhor se 
desenvolveu o direito e a democracia, atingindo sua perfeita forma 
quanto à Legislação, ao processo, no caso, Atenas. No período arcaico 
(século XIII ao VI a.C.) em Atenas, apresentam-se as seguintes 
inovações: armamento naval, terrestre, as moedas e o alfabeto. A escrita 
surge como nova tecnologia, permitindo codificações de leis e sua 
divulgação através de inscrições nos muros da cidade. 
Dessa forma, junto com as instituições democráticas que 
passavam a contar com a participação do povo, os aristocratas perdem 
também o monopólio da justiça. Dois legisladores atenienses merecem 
destaque: Drácon e Sólon. Drácon (620 a.C.) fornece a Atenas o seu 
primeiro código de leis, que ficou conhecido pela severidade e cuja lei 
foi mantida por Sólon, especialmente a relativa à distinção de 
homicídios: voluntário, involuntário e legítima defesa. Sólon faz uma 
reforma institucional, social e econômica, estimulando a agricultura e 
exportação de produtos, tais como a oliva e o vinho. 
A escrita grega surgiu e se desenvolveu ao longo da história 
dessa civilização, estando intimamente ligada ao direito grego. 
Entretanto, apesar de ser o berço da Filosofia, da democracia, do teatro e 
da escrita alfabética, a civilização grega preferia falar a escrever e, por 
outro lado, se recusava em aceitar a proliferação do direito e da figura do 
advogado que, quando existia, não podia ser pago. 
Os escritores do século IV eram, na maioria, oradores e 
professores, com preocupações sociais, culturais, religiosas e outras, e 
por estas e outras razões, os gregos não foram grandes juristas, não 
souberam construir uma ciência do direito, nem sequer desenvolver uma 
maneira sistemática às suas instituições de Direito privado. Por outro 
lado, cada pólis tinha seu próprio direito. Por isso, o direito grego 
tratava-se de uma noção mais ou menos vaga de Justiça, que estava 
difusa na consciência coletiva, sendo os registros que se tem sobre o 
direito grego extraídos de fontes literárias (discursos e textos diversos 
acerca de temas, tais como: casamento, sucessão, adoção, legitimidade de 
filhos, escravos, cidadania. 
Paradoxalmente, os gregos tinham um direito processual bastante 
evoluído, com registros de decisões de árbitros públicos e privados 
(mediação). Difundia-se a ideia de autocomposição. 
Como dito, o destaque jurídico grego é concedido a Atenas, 
especialmente no período compreendido entre 480 a.C. e 338 a.C - uma 
vez que Esparta, outra importante polis, era voltada para o militarismo e 
expansionismo. A lei ateniense era essencialmente retórica. Pode-se 
destacar o tribunal de Helieia, um tribunal popular, que julgava todas as 
causas, exceto as que envolviam crimes de sangue, que ficavam sob a 
alçada dos Aerópagos ( assembleia de magistrados) Por essa razão, 
atribui-se aos gregos a criação do júri popular. 
Não havia advogados, juízes ou promotores. Apenas dois litigantes 
e os logrógrafos (escritores de defesas que faziam discursos perante os 
 
 - 9 - 
 
tribunais. Normalmente era alguém desconhecido da grande massa e que 
não cobrava honorários. 
Por fim,compete destacar a importância das instituições gregas que 
colaboraram de alguma forma para a evolução do direito ocidental: 
*Assembleia do povo - formada por cidadãos acima de 20 anos e 
de posse de seus direitos políticos; tinham atribuições legislativas, 
executivas e judiciárias no sentido de manter a ordem social; 
deliberando, elegendo, fiscalizando o cumprimento das norma se 
julgando os transgressores. 
*Conselho (Boulê) - 500 cidadãos acima de 30 anos, escolhidos 
por sorteio entre os cidadãos de reputação ilibada, com a função de 
examinar, preparar e controlar as leis. 
*Estrategos (guerra) -10 elementos eleitos pela assembleia; 
deviam ser casados e natos, administravam as guerras, cobravam e 
distribuíam impostos e tinham papel de polícia. 
*Magistrados (ações municipais) - eram candidatos eleitos 
anualmente, com função processual (organização dos julgamentos); de 
desenvolvimento de políticas públicas municipais; e de promover cultos 
religiosos. 
 
C) O DIREITO HEBRAICO 
Por possuir natueza religiosa, direito é dado por Deus ao seu povo, e 
desde o principio é imutável, só Deus o pode modificar, ou seja, mesma 
ideia que será reportada no direito canônico e no direito muçulmano. Os 
intérpretes, mais especialmente os rabinos, podem interpretá-lo para o 
adaptar à evolução social, no entanto, eles nunca o podem modificar. Há 
uma espécie de aliança entre Deus e o povo que ele escolheu, o Decálogo 
(dez mandamentos) ditado a Moisés é o seu alicerce, e o Deuteronômio 
é visto com uma forma de aliança. Uma maneira geral de aplicação do 
direito divino. 
O Decálogo (que significa "dez palavras") é o nome dado ao conjunto de 
Leis Divinas que, segundo a Bíblia Sagrada, foram escritos diretamente 
por Deus e entregues a Moisés, o libertador e legislador de Israel, no 
contexto da Antiga Aliança. Foram eternizadas como Tábuas da Lei, no 
período que ocorreu após a libertação do povo de Israel da escravidão no 
Egito, que durou cerca 430 O Êxodo, é a fuga do povo hebreu da 
perseguição e da escravidão faraônica no Egito, foi comandado por 
Moisés, grande líder e legislador. 
A época em que viveu Moisés, assim como o período histórico do 
Êxodo, ainda é um problema para os historiadores. Uma corrente defende 
que o faraó opressor dos hebreus teria sido Ramsés II e o faraó do êxodo, 
seu sucessor Merneptá, por volta de 1230 a.C. 
Os 10 mandamentos, são as leis que Deus nos deu através de Moisés, no 
Monte Sinai, escritos em duas tábuas de pedra (conhecidas também como 
as tábuas da lei), que foram colocadas dentro da Arca da Aliança. 
Podemos encontra-los na Bíblia em Êxodo 20:2-17 e Deuteronômio 5:6-
21 
c.1. O Direito Sacro 
A fonte jurídica dos hebreus advem da Bíblia, a qual contém a "Lei" 
revelada por Deus aos Israelitas. Na Bíblia, encontram-se o Pentateuco, 
que recebe pelos Judeus o nome de Torá. Qualquer interpretação do 
direito hebraico apoia-se num versículo da Bíblia. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_can%C3%B4nico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_mu%C3%A7ulmano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rabinos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dec%C3%A1logo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Deuteron%C3%B4mio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Mosaica
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_Sagrada
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mois%C3%A9s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Israel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Antiga_Alian%C3%A7ahttps://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1buas_da_Lei
https://pt.wikipedia.org/wiki/Egito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mernept%C3%A1
 
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Os escritos referem-se à leis reveladas por Deusa Moisés – sendo, por 
esse motivo, casualmente denominada como as "Leis de Moisés". 
Compõe-se de cinco Livros: 
• Génese (a Criação, a vida dos patriarcas); 
• o Êxodo (estadia no Egito e volta à Canaã); 
• o Levítico (livro de prescrições religiosas e culturais); 
• o Números (senso da população; sobretudo a organização da 
força material); 
• o Deuteronômio (que complementa os quatro livros precedentes); 
Conforme se deduz da leitura do Levítico e de Números, o enforcamento 
e o apedrejamento eram os modos ordinários de se aplicar a pena capital, 
prescrita pela lei dos hebreus: "Fala aos filhos de Israel nestes termos: 
quem ultraja o seu Deus, suportará o castigo do seu delito. Aquele que 
proferir blasfêmias contra o nome do Senhor, será punido com a morte e 
toda a congregação o apedrejará. Quer seja estrangeiro, quer seja natural 
do país, se proferir blasfêmias contra o nome do Senhor, será punido com 
a morte" (24:15,16). Os hebreus arrancavam todas as roupas do 
condenado á lapidação, exceto uma faixa, que lhe cingia os rins. Depois a 
primeira testemunha o arremessava ao solo, do alto de um tablado com 
dez pés de altura. E a segunda testemunha, lançando uma pedra, queria 
atingi-lo no peito, bem acima do coração. Se este ato não lhe desse a 
morte, as outras pessoas ali presentes o cobriam de pedradas, até o 
momento da morte do condenado. Cumprida a sentença, o cadáver era 
queimado ou dependurado numa árvore. 
 
O DIREITO MEDIEVAL 
 
O Direito Medieval era o conjunto dos Direitos Feudal (aplicado 
pelo senhor feudal no seu feudo) e Canônico (aplicado pela Igreja 
Católica Romana em toda a Cristandade). O discurso jurídico canônico 
se materializou no Tribunal da Santa Inquisição (oficializado pelo Papa 
em 1231). 
A Idade Média é apresentada como sendo o período iniciado com a 
queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e terminada com a 
tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453. 
Na Europa Feudal, a Igreja era a instituição que monopolizava a 
interpretação da realidade social, pois era ali que estavam os estudiosos, 
os eruditos, os chamados “doutores da Igreja”; e a Igreja logo se tornou 
um lugar de saber inquestionável, para onde as pessoas deveriam se 
dirigir para saber o que deveriam fazer para alcançar a salvação eterna. 
Deus estava na origem de tudo: a vida e a morte dependiam da vontade 
de Deus, e era a Igreja que tinha o conhecimento SOBRE como alcançar 
a salvação, atendendo os desígnios de Deus. 
Aos poucos a Igreja Católica foi criando regras que visavam não só 
ao controle do clero, que se tornava cada vez mais hierarquizado e 
complexo, mas também ao controle da população em geral, que vivia, em 
sua grande maioria, sob a autoridade de senhores feudais católicos, que 
respeitavam a Igreja. 
A Igreja se preocupava muito com o comportamento da população 
em geral, pois ela acreditava que uma sociedade desregrada não era 
agradável a Deus. A interpretação da Igreja era a de que Deus havia 
determinado o papel de cada um na sociedade: um grupo rezava, outro 
lutava e outro trabalhava: seriam o clero, a nobreza (os senhores feudais 
e seus exércitos) e o povo (os camponeses). Não podia haver mudança de 
papel, as regras eram claras; e essa sociedade estamental deveria 
funcionar de forma previsível, rotineira, regrada, dentro do modelo 
 
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normativo estabelecido pela Igreja, para que Deus não se voltasse contra 
ela, mandando a peste, a fome e outras calamidades (castigos). 
Coube, então, à Igreja, a única instituição capaz de interpretar os 
desejos de Deus, a tarefa de produzir as regras ou cânones para o 
controle dessa sociedade. 
Um aspecto importante desses cânones foi o tema da privação do 
prazer. Os monges e religiosos de forma geral desenvolveram um tipo de 
vida marcado pela privação do prazer, pela virgindade ou abstinência 
sexual, por jejuns e muita oração, pois assim acreditavam que estariam 
mais próximos de Deus. É claro que a Igreja não impôs esse tipo de 
comportamento ao resto da população, mas tentou regrar a conduta dos 
cristãos de forma a fazer com que eles se entregassem o mínimo possível 
às tentações da carne, à gula, etc., e rezassem mais. 
Com relação à questão sexual, por exemplo, São Jerônimo (que era 
um doutor da Igreja e viveu entre os séculos IV e V) dizia o seguinte: “É 
adúltero aquele que mantém relação amorosa ardente com sua esposa”. 
Para ele, adúltero não era só o indivíduo que traía a sua esposa, mas 
também aquele que fazia sexo com sua própria esposa de forma ardente, 
ou seja, buscando alguma coisa (prazer) além da simples procriação. Só 
se podia fazer sexo para ter filhos. Outro doutor da Igreja medieval disse 
o seguinte: “Se uma mulher não deseja ter filhos, que ela faça um acordo 
piedoso com seu marido, porque a castidade é a única esterilidade 
permitida a uma cristã”. Que acordo piedoso é esse? Não fazer sexo de 
jeito nenhum 
O aborto, o infanticídio e qualquer método contraceptivo eram 
proibidos pela Igreja – e ainda são. Sobre essa questão, São Martinho, 
bispo de Braga, morto em 579, disse o seguinte: “Se uma mulher 
fornicou e matou o filho nascido deste ato, ou cometeu um aborto e 
matou aquele que tinha concebido, ou tomar poções para não conceber, 
seja no adultério como no casamento legítimo, os cânones precedentes 
(ou seja, anteriores) condenam esta mulher a ser privada da comunhão 
até à morte; mas nós decretamos, por graça, que estas mulheres e aquelas 
que as ajudaram no seu crime façam penitência durante dez anos”. 
Mesmo as pessoas casadas tinham que obedecer rigorosamente aos 
períodos de abstinência sexual estabelecidos pela Igreja. Por exemplo, 
não podiam ter relações sexuais na quaresma, nem em qualquer quarta-
feira, sexta-feira ou domingo do ano; se vai ou foi à Missa, nada de sexo 
naquele dia; no dia da Páscoa, no dia do Natal e de Pentecostes, nada de 
sexo. Durante a gravidez também não, e durante trinta noites após o 
nascimento do filho, também não. 
Outro aspecto da realidade que foi aos poucos sendo controlado 
pelo direito da Igreja (ou, pelo menos, que a Igreja tentou controlar) foi o 
comércio e, principalmente, o seu elemento sustentador: o lucro. 
Importante lembrar que, no início de sua formação, a economia 
medieval era fechada: não havia moedas e quase não sobrava alimentos 
para os camponeses irem de um feudo a outro para trocar a sua produção 
por outros tipos de alimentos. As trocas comerciais eram muito restritas. 
Só que, com o tempo, alguns camponeses começaram a organizar feiras 
anuais onde, todos os anos, um GRANDE volume de trocas passou a ser 
realizado. Foi nesse contexto que eles voltaram a utilizar a moeda como 
elemento de troca, o que facilitou muito o comércio, porque não era mais 
necessário carregar produtos daqui para ali, para trocá-los por outros 
produtos; era só trocar os produtos por moedas, pegar essas moedas, ir 
até uma feira, e trocar essas moedas por outros produtos. 
Nesse contexto, dentro da sociedade feudal, começaram a aparecer 
aldeias onde se concentraram pessoas que haviam se especializado na 
 
 - 12 - 
 
atividade comercial: aldeias que se tornaram, elas próprias, centros 
comerciais. Eram os burgos, e seus habitantes, os burgueses. Os 
burgueses não eram camponeses. Eles só compravam dos camponeses a 
sua produção e revendiam para outros camponeses, logicamente obtendo 
lucro. 
Quando esses burgueses entraram em cena, a Igreja condenou a sua 
atividade: o comércio. No decreto de Graciano (monge italiano e um dos 
maiores juristas da Igreja Católica), datado do século XII, existe a 
seguinte frase: “o mercador nunca pode agradar a Deus –ou 
dificilmente”. São Tomás de Aquino, um dos maiores intelectuais da 
Igreja de todos os tempos, dizia o seguinte, no século XIII: “o comércio, 
considerado em si mesmo, tem um certo caráter vergonhoso”. Quais os 
motivos dessa condenação? O próprio objetivo do comércio: o desejo de 
ganho, a sede de dinheiro, o lucro, o que levava o mercador, quase 
sempre, a cometer um dos pecados capitais: a cupidez ou avareza. 
Mas como a Igreja não conseguia impedir o desenvolvimento comercial, 
colocando obstáculos que fossem eficazes no sentido de neutralizar as 
atividades dos mercadores, ela, mais tarde, vai acabar se aliando aos 
mercadores – ela continuou condenando severamente apenas um dos 
desdobramentos da atividade comercial: a usura, que era o empréstimo a 
juros. 
Para a Igreja, o tempo pertencia a Deus, e nenhum ser humano 
podia ganhar dinheiro utilizando-se do tempo. A própria Bíblia 
condenava a usura. Em um texto do Antigo Testamento há a seguinte 
passagem: “Não exigirás de teu irmão nenhum juro nem para dinheiro, 
nem para víveres, nem para coisa alguma que se preste ao juro”. No 
Novo Testamento há também uma passagem sobre isso que diz o 
seguinte: “Emprestai sem nada esperar em retorno, e grande será vossa 
recompensa”. São Tomás de Aquino condenava a usura dizendo que o 
dinheiro deve servir para favorecer as trocas e que acumulá-lo, fazê-lo 
frutificar por si mesmo, era uma operação contra a natureza e contra 
Deus. 
Uma questão: Será que a Igreja realmente acreditava que, ao punir 
aqueles que se desviavam de suas diretrizes (se entregando aos prazeres 
da carne, o que, na visão da Igreja, “pesava” a alma do cristão, 
impedindo que ele alcançasse a SALVAÇÃO) ela estaria realmente 
salvando o corpo cristão, ou seja, a Cristandade, da perdição? Será que a 
Igreja realmente via a sociedade como um corpo, cujos membros podres 
ou tumores deviam ser extirpados, de forma que eles não 
comprometessem o todo? Ou será que tudo não passou de uma estratégia 
de poder? Ou as duas coisas? 
Esses são apenas alguns exemplos de regras da Igreja Católica 
Romana que, aos poucos, foram constituindo o Direito Canônico. Esse 
direito se diferenciava do Direito Feudal em dois aspectos principais. 
Primeiro: o Direito Canônico era um direito escrito, enquanto o Direito 
Feudal (que vigorava em cada feudo e tinha na figura do senhor feudal a 
autoridade judiciária máxima, pelo menos antes da formação dos 
primeiros estados), não era escrito: era costumeiro, ORAL: ou seja, 
consuetudinário. Segundo, o Direito Canônico era um direito 
centralizador, enquanto o Direito Feudal era fragmentário. 
O Papa não via a Europa Ocidental como uma colcha de retalhos, 
fragmentada em várias unidades políticas, cada uma com sua estrutura 
judicial. Ele via a Europa enquanto uma unidade cristã, uma realidade 
social unida na fé cristã, obediente a Roma. Por isso o Papa fundou um 
modo diferenciado de resolução de litígios baseado no direito 
ROMANO, que era um direito centralizador. 
 
 - 13 - 
 
Durante a Idade Média, o poder estava dividido em três esferas: 
-poder local, exercido pelo nobreza medieval; 
-poder nacional, exercido pela monarquia; 
-poder universal, exercido pelo Papado. 
Cada feudo tinha o seu direito. Certifica-se que a Idade Média (na 
sua maior parte) foi um período de fragmentação ou descentralização do 
poder, e isso se refletiu de forma marcante na organização judicial. O 
senhor feudal exercia a soberania política e judicial, fazendo justiça de 
acordo com o direito consuetudinário, no seu feudo – somente no seu 
feudo. Como se tratava de um direito oral, dificilmente podemos deduzir 
o seu conteúdo, mas sabe-se que, desde o início, a partir do momento em 
que os senhores feudais (ou seus ancestrais “bárbaros”) começaram a se 
converter ao Cristianismo, os cânones da Igreja católica passaram a ser 
seguidos nos feudos católicos, pois assim que acontecia a conversão do 
senhor, o Papa mandava um membro do clero para viver no castelo desse 
senhor e fazer com que o direito da Igreja fosse ali respeitado. Tem-se, 
então, dois direitos sendo aplicados paralelamente na Europa Ocidental. 
O primeiro, fragmentado: cada feudo tinha o seu. O outro, centralizador, 
escrito, comum a todos os feudos católicos. 
Acontecia, algumas vezes, do Direito Feudal ir contra o Direito Canônico 
em determinados aspectos da realidade, sobretudo relacionados aos 
costumes do povo; mas quando isso acontecia, o senhor feudal 
normalmente acatava as determinações do Direito Canônico. Isso atesta a 
importância do direito da Igreja na Europa Medieval. 
Quando, a partir dos séculos XII-XIII, os feudos mais militarizados 
começaram a submeter os mais fracos, à força ou através de alianças, a 
Igreja ajudou os senhores feudais mais fortes pregando aos outros a 
necessidade da submissão e acabou se tornando a grande aliada dos 
monarcas que surgiram nesse processo de centralização do poder. A 
importância simbólica da Igreja era tanta, a crença católica era tão forte 
entre o povo, que quem passou a legitimar o poder político dos reis foi a 
Igreja, através da Sagração. O rei que não fosse sagrado pela Igreja não 
tinha o direito de exercer o poder, a população não o reconhecia como 
rei. 
Foi durante esse processo de centralização do poder nas mãos dos 
monarcas (antigos senhores feudais) que surgiu o Tribunal da Santa 
Inquisição, uma forma encontrada pela Igreja para sistematizar o controle 
sobre a Cristandade, aplicando o seu direito. A Santa Inquisição foi se 
estabelecendo em diversos pontos da Europa, amparada pelos senhores e 
reis católicos. A sua tarefa foi, principalmente, julgar os hereges, ou seja, 
aquelas pessoas que interpretavam os ensinamentos cristãos de maneira 
diferente daquela que a Igreja pregava. Mas a Inquisição também julgava 
casos de adultério, incesto, bigamia, bruxaria, sacrilégio, usura e outros 
comportamentos considerados desviantes do ponto de vista da moral 
religiosa. 
A primeira etapa do processo inquisitorial era ouvir os boatos. As 
autoridades eclesiásticas estimulavam a delação, dizendo que Deus 
recompensaria aqueles que entregassem os hereges e outros desviantes ao 
Inquisidor. Depois, os suspeitos eram interrogados. Havia um manual 
que regulamentava os interrogatórios e demais procedimentos 
inquisitoriais: o Manual dos Inquisidores. Se o suspeito vacilasse em 
suas respostas, se ele dissesse uma coisa e depois outra, ele poderia ser 
torturado para que confessasse. A condenação poderia vir com confissão 
ou sem confissão. Às vezes as provas eram tantas que já condenavam o 
réu sem confissão. Mas a confissão era a prova mais importante; só que, 
 
 - 14 - 
 
na maioria das vezes, ela era obtida por meio da tortura. Não havia 
advogado de defesa. Quem se defendia era o próprio acusado. 
A pena máxima estabelecida pela Inquisição era a morte na 
fogueira. As penas mais leves iam desde penitências, orações, penas 
pecuniárias (em dinheiro), até os chamados “Autos de fé”, que eram 
procissões em que os condenados eram obrigados a participar vestidos de 
branco e com velas nas mãos (normalmente era assim), de forma que 
todos pudessem ver quem eles eram. 
O sistema jurídico inquisitorial contribuiu para a racionalização do 
sistema penal no final da Idade Média e início dos tempos modernos. 
Embora fosse um sistema ligado à Igreja e ao “Sagrado”, o procedimento 
de investigação era bastante racional. Para começar, os processos eram 
todos registrados por escrito. Havia investigação, depoimentos de 
testemunhas e um sistema de provas muito sofisticado para a época. Por 
exemplo, o testemunho ocular de duas pessoas era uma prova plena e 
podia levar facilmente à condenação. Vários indícios podiam se tornar 
uma meia prova ou prova semiplena. Duas provas semiplenas podiam se 
tornar uma plena. Entende-se por Direito Feudal o conjuntode normas 
consuetudinárias que regiam as relações advindas do sistema feudal de 
produção. Vigorou na Europa Ocidental por quatro séculos, a partir do 
século VIII, tendo sua origem no reino franco e, posteriormente, 
espalhando-se por todo o Ocidente. Paralelamente a ele vigiu também o 
chamado direito comum, que não cabe aqui ser analisado. 
No que diz respeito ao direito Feudal, este possuía independência 
do direito romano e do direito germânico. Suas características principais, 
destacadamente mais germânicas que romanas, eram 
*a valorização das relações pessoais e da propriedade fundiária 
*a ausência de qualquer concepção abstrata de Estado. 
Durante os quatros séculos em que vigiu, as únicas leis escritas 
existentes foram as capitulares, que continham, além de normas de 
direito penal e processual, algumas poucas regras de direito feudal. 
As capitulares eram editadas pelos reis, com o apoio de um 
consenso (capítulo), na tentativa de organizar a sociedade e proteger os 
súditos mais pobres. Eram fator de unificação jurídica, porque aplicáveis 
a todo o reino. Desapareceram no fim do século IX, a partir do que não 
existiram mais legislações aplicáveis a todo um reino até o século XII. 
Assim, o Direito Feudal desenvolveu-se através dos costumes, 
sendo que o soberano, muito raramente, intervinha para legislar, e 
sempre se restringia a uma questão particular. Tais costumes foram 
resumidos em obras como o Legesfeudorum, datado do século XII, 
portanto já do período de declínio do Direito Feudal. Como o direito era 
oral, e a principal fonte era o costume, as normas mudavam de região 
para região. Não houve qualquer espécie de ensino jurídico, nem se pode 
afirmar que se desenvolveu ciência jurídica de qualquer natureza. O 
único direito supranacional, no início da Idade era o direito da Igreja 
Romana, anteriormente explicitado. Ressalta-se que nem o Direito 
Feudal e nem o Direito Canônico, o qual gozava de prestígio, foram 
estudados na época. Portanto, conclui-se que, na época, o direito não 
possuía viés acadêmico, tampouco científico. 
 
O DIREITO NA IDADE MODERNA 
 
No período histórico que se inicia com a descoberta do caminho 
marítimo para a Índia em 1498 e se estende ao desenvolvimento da 
Revolução Francesa, em 1789pode-se destacar que o direito deixa de 
lado a descentralização feudal e inicia um processo centralizado com o 
advento do absolutismo monárquico. 
 
 - 15 - 
 
O ABSOLUTISMO MONÁRQUICO 
Entende-se por Absolutismo, o processo de centralização política 
nas mãos do rei. É resultado da evolução política das Monarquias 
Nacionais, surgidas na Baixa Idade Média, com a aliança rei - burguesia. 
A burguesia possuía interesse econômico na centralização do poder 
político, pois com a padronização monetária e a adoção de mecanismos 
protecionistas, seria garantida a expansão das atividades comerciais. 
Tais incentivos comerciais contribuíram para o enfraquecimento da 
nobreza feudal e este enfraquecimento, em contrapartida, garantia a 
supremacia política do rei. 
Paralelamente ao enfraquecimento da nobreza feudal e 
fortalecimento da burguesia e da monarquia, ocorreram as Reformas 
Religiosas, o que colaborou para o enfraquecimento da Igreja Católica e 
a falência do poder papal. Assim, o processo de aliança rei -burguesia 
auxiliou no enfraquecimento do poder local; as reformas religiosas 
minaram o poder universal colaborando para a consolidação do poder 
real. São características importantes do absolutismo: 
a) criação de um exército nacional: instrumento principal do 
processo de centralização política. Formado por mercenários, com a 
intenção de enfraquecer a nobreza e não armar os camponeses. 
b) controle do legislativo: todas as decisões do reino estavam 
controladas diretamente pelo rei, que possuía o direito de criar as leis. 
c) controle sobre a justiça: criação do tribunal real, sendo superior 
aos tribunais locais ( controlados pelo senhor feudal ). 
d) controle sobre as finanças: intervenção na economia, mediante o 
monopólio da cunhagem de moedas, da padronização monetária, a 
cobrança de impostos, da criação de companhias de comércio e a 
imposição dos monopólios. 
e) burocracia estatal: corpo de funcionários que auxiliam na 
administração das obras públicas, fortalecendo o controle do estado e, 
consequentemente, o poder real. 
 
OS GRANDES PENSADORES DA IDADE MODERNA 
 
Deve ser ressaltada a importância dos grandes teóricos, que de 
forma direta influenciaram o direito da idade moderna, e por 
conseguinte, o direito contemporâneo. Destacam-se: 
 
a) Nicolau Maquiavel ( 1469/1525 ) - Responsável pela 
secularização da política, ou seja, ele supera a relação entre ética cristã e 
política. Esta superação fica clara na tese de sua principal obra, O 
Príncipe segundo a qual "os fins justificam os meios". 
Maquiavel subordina o indivíduo ao Estado, tornando-se assim no 
primeiro defensor do absolutismo. 
b) Thomas Hobbes ( 1588/1679 ) -Seu pensamento está centrado 
em explicar as origens do Estado. De acordo com Hobbes, o homem em 
seu estado de natureza é egoísta. Este egoísmo gera prejuízos para todos. 
Procurando a sociabilidade, o homem estabelece um pacto: abdica de 
seus direitos em favor do soberano, que passa a ter o poder absoluto. 
Assim, o estado surge de um contrato. A ideia de contrato denota 
características burguesas, demonstrando uma visão individualista do 
homem ( o indivíduo preexiste ao Estado ) e o pacto busca garantir e 
manter os interesses dos indivíduos. A obra principal de Hobbes é 
"Leviatã". 
c) Jacques Bossuet( 1627/1704 ) e Jean Bodin ( 1530/1596 )- 
Defensores da idéia de que a autoridade real era concedia por Deus. 
Desenvolvimento da doutrina do absolutismo de direito divino - o rei 
seria um representante de Deus e os súditos lhe devem total obediência. 
d) Jean Jacques Rousseau (1712-1778)- um dos grandes mentores 
do jusnaturalismo. Em sua obra expõe o estado de natureza, época 
primitiva em que os homens seriam felizes desfrutando de liberdade e 
igualdade. Sem comando político, os seres humanos viviam no livre 
exercício de seus direito naturais, em uma Idade de Ouro, onde não havia 
 
 - 16 - 
 
propriedade privada, nem corrupção. A desarmonia teria surgido quando 
alguns homens, prevalecendo de sua força, impuseram o domínio. Em, O 
Contrato Social (1762), visando recuperar o seu bem-estar primitivo, os 
homens teriam transferido seus direitos naturais ao Estado em troca de 
direito civis. Estes seriam os próprios direitos naturais, já então sob a 
tutela do Estado. Não haveria, assim, renúncia a liberdade, pois tal ato é 
incompatível com a natureza humana. Com a celebração do pacto, cujas 
cláusulas são ditadas pela própria natureza do ato, os homens visavam 
encontrar uma forma de associação que defendesse e protegesse de toda a 
força comum a pessoa e os bens de cada associado. A finalidade última 
de toda legislação seria a de promover a liberdade e a igualdade entre os 
homens. 
e) Montesquieu (1689-1775) -Charles-Louis de Secondatficou 
conhecido, sobretudo, por sua teoria da separação dos poderes. 
Montesquieu defendia a divisão do poder e era a favor da existência 
Monarquia Parlamentar. Sua obra mais conhecida foi “OEspírito das 
Leis, publicado em 1748, na qual elabora conceitos sobre formas de 
governo e exercícios da autoridade política que se tornaram pontos 
doutrinários básicos da ciência política. Suas teorias exerceram profunda 
influência no pensamento político moderno. Elas inspiraram a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborada em 1789, 
durante a Revolução Francesa. 
A Teoria da Tripartição dos Poderes do Estado não é mera criação de 
Montesquieu. John Locke, filósofo liberal inglês, acerca de um século 
antes de Montesquieu já tinha formulado, ainda que implicitamente, a 
teoria em questão. Entretanto,cabe a Montesquieu o inegável mérito de 
tê-la colocado num quadro mais amplo. 
 
 
 
 
O DIREITO NA IDADE CONTEMPORÂNEA – 
considerações gerais 
 
Tradicionalmente,a Idade Contemporânea é demarcada pelo 
período que compreende o advento daRevolução Francesa (1789) aos 
dias atuais. Marcada de maneira geral, pelo desenvolvimento e 
consolidação do capitalismo no ocidente,o desenvolvimento da atividade 
industrial e, consequentemente pelas disputas das potencias europeias por 
territórios e respectivas matérias-primas e mercadosconsumidores. 
Neste período, como reflexo das mudanças sociais provocadas pelo 
processo de industrialização, intensifica-se a ideia do Direito ser visto 
como ciência, buscando excluir ou pelo menos diminuir a influência da 
moral e dos valores na criação e aplicação das normas e do direito como 
um todo. Nesse sentido, a Ciência do direito estaria fundada num 
fenômeno objetivo e observável e não em valores relativos e subjetivos. 
No século XIX,os juristas passaram a tender a aplicar o direito 
observando as ações humanas, e ainda nesse contexto, os mesmos 
passaram a ser chamados a colaborar na tarefa de administrar 
cientificamente a sociedade. Assim, o direito passou a ser visto,com mais 
ênfase, como um dos instrumentos de condução da sociedade. 
A estrutura jurídica deste perído será analisada ao longo dos temas, 
bem como ao longo de toda graduação. Ressalta-se o fato de que a 
estrutura atual do direito passou a ser delineada ao longo de todo século 
XX, continuando em evolução,dada sa sua flexibilidade e amparo 
zetético. 
 
A zetéticaopõe-se ao dogma. Dogma é a aplicação de determinados 
conceitos e fatos aceitos e indiscutíveis. Em oposição, a zetética coloca o 
questionamento como posição fundamental, isso significa que qualquer 
paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer premissa tida 
como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até 
desconstituída pelo ponto de vista zetético. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_separa%C3%A7%C3%A3o_dos_poderes
http://pt.wikipedia.org/wiki/1748
http://pt.wikipedia.org/wiki/Governo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_pol%C3%ADtica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mat%C3%A9rias-primas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Consumidor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Moral
 
 - 17 - 
 
 
II – O SISTEMA ROMANO GERMÂNICO. 
 
 
O sistema romano-germânico desenvolveu-se a partir do século 
XII, quando ocorreu o redescobrimento do Corpus Juris Civilis. A partir 
daí, esse sistema passou a ser aplicada em países como Itália, Portugal, 
Espanha, Alemanha, BélgicaHolanda, França, Portugal eséculos depois 
a América Latina, e por conseguinte o Brasil. Pertencem à família 
romano-germânica os direitos de toda a América Latina, de toda a 
Europa continental, de quase toda a Ásia (exceto partes do Oriente 
Médio) e de cerca de metade da África. 
Trata-se de sistema que tem como fonte a produção jurídica 
desenvolvida na Roma antiga e da sistematização científica oriunda do 
pensamento alemão do século IX. É o sistema jurídico mais disseminado 
no mundo, sistematizado pelo fenômeno da codificação do direito a partir 
do século XVIII. É típico deste sistema o caráter escrito do direito. 
Importante característica dos direitos de tradição romano-germânica é a 
generalidade das normas jurídicas, que são aplicadas pelos juízes aos 
casos concretos. Difere, portanto, do sistema jurídico anglo-saxão 
(Common law), que infere normas gerais a partir de decisões judiciais 
proferidas a respeito de casos individuais (jurisprudência). 
O Sistema Romano Germânico é caracterizado pela Civil Law: a 
estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil, que basicamente 
significa que as principais fontes do Direito adotadas são a Lei, o texto. 
Em diversos países de tradição romano-germânica, o direito é organizado 
em códigos, cujos exemplos principais são os códigos civisfrancês e 
alemão,nos quais baseia-se o Direito Brasileiro. 
 
 
1 - DIREITO ROMANO 
 
Direito romano é um termo histórico-jurídico que se refere, 
originalmente, ao conjunto de regras jurídicas observadas na cidade de 
Roma e, mais tarde, ao corpo de direito aplicado ao território do Império 
Romano e, após a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. 
Mesmo após 476, o direito romano continuou a influenciar a produção 
jurídica dos reinos ocidentais resultantes das invasões bárbaras, embora 
um seu estudo sistemático no ocidente pós-romano esperaria a chamada 
redescoberta do Corpus Iuris Civilis pelos juristas italianos no século XI. 
Em termos gerais, a história do direito romano abarca mais de mil 
anos, desde a Lei das Doze Tábuas (Lex DuodecimTabularum, em latim, 
449 a.C.) até o Corpus Iuris Civilis por Justiniano (c. 530 d.C.). 
Os historiadores do direito costumam dividir o direito romano em fases. 
Um dos critérios empregados para tanto é o da evolução das instituições 
jurídicas romanas, segundo o qual o direito romano apresentaria quatro 
grandes épocas: 
· Período Arcaico ou pré-clássico (753 a.C. a 130 a.C.) 
· Período Clássico (130 a.C. a 230) 
· Período Pós-Clássico (230 a 530) 
· Período Justiniano (530 a 565) 
A influência do direito romano sobre os direitos nacionais europeus 
é imensa e perdura até hoje. Uma das grandes divisões do direito 
comparado é o sistema romano-germânico, adotado por diversos Estados 
continentais europeus e baseado no direito romano. O mesmo acontece 
com o sistema jurídico em vigor em todos os países latino-americanos. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_Juris_Civilis
http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Espanha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha
http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A9lgica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Holanda
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_civil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha
 
 - 18 - 
 
a) Período pré-clássico 
No período entre 201 e 27 a.C., desenvolveu-se um direito mais 
flexível que melhor atendia as necessidades da época. Ademais do ius 
civile antigo e formal, surgiu o iushonorarium, assim chamado porque os 
pretores - que ocupavam cargos honorários - desempenharam um papel 
central em sua formação. 
A adaptação do direito às novas necessidades foi empreendida pela 
prática jurídica, pelos magistrados e, em especial, pelos pretores. O 
pretor não legislava e, tecnicamente, não criava direito novo quando 
emitia editos (magistratu umedicta). Na verdade, porém, as decisões 
pretorianas gozavam de proteção legal (actio nemdare) e com frequência 
serviam de fonte para novas regras de direito. Os pretores não estavam 
obrigados a respeitar os editos dos seus antecessores, mas terminavam 
por empregar regras pretorianas anteriores que julgassem úteis. Com isto, 
criou-se um conteúdo normativo que prosseguia de edito em edito 
(edictum translatitium). 
Surgiu então, ao longo do tempo, e em paralelo com o ius civile, a 
complementá-lo e corrigi-lo, um novo corpo de direito pretoriano. Na 
verdade, o direito pretoriano assim foi definido pelo famoso jurista 
romano Papiniano: o direito pretoriano é o que os pretores introduziram 
para complementar e corrigir o direito civil para a utilidade pública. O 
ius civile e o direito pretoriano vieram a ser fundidos no Corpus Iuris 
Civilis.Antes da Lei das Doze Tábuas (754-201 a.C.), o direito privado 
consistia do antigo direito civil romano (ius civile Quiritium), que se 
aplicava apenas aos cidadãos romanos. Estreitamente ligado à religião, 
possuía características como o formalismo escrito, simbolismo e 
conservadorismo. Alguns entendem queas antigas raízes do direito 
romano provêm diretamente da religião etrusca, que enfatizava o 
ritualismo. 
 
As Doze Tábuas 
É impossível apontar o momento exato da gênese do sistema 
jurídico romano. O primeiro texto legal, cujo conteúdo chegou até a os 
dias de hoje com algum detalhe, é a Lei das Doze Tábuas, que data de 
meados do século V a.C. 
Segundo os historiadores romanos, o tribuno da plebe C. Terentílio 
Arsa propôs que o direito fosse escrito de modo a evitar que fosse 
aplicado indiscriminadamente pelos magistrados patrícios. Após oito 
anos de lutas, os plebeus teriam convencido os patrícios a enviar uma 
delegação a Atenas para copiar as Leis de Sólon. Ademais, várias 
delegações foram enviadas a outras cidades da Grécia com propósitos 
semelhantes. Em 451 a.C., dez cidadãos romanos teriam sido 
selecionados para registrar as leis (decemviri legibus scribundis). 
Durante o período em que trabalharam, receberam o poder político 
supremo (imperium), enquanto que o poder dos magistrados foi 
cerceado. Em 450 a.C., os decênviros inscreveram as leis em dez tábuas 
(tabulae), mas seu trabalho foi considerado insuficiente pelos plebeus. 
Um segundo decenvirato teria então acrescentado duas tábuas, em 449 
a.C. A Lei das Doze Tábuas foi em seguida aprovada em assembleia. 
Os fragmentos preservados mostram que não se tratava de um 
código legal no sentido moderno, pois as Doze Tábuas não pretendiam 
ser um sistema completo e coerente de todas as regras jurídicas 
aplicáveis. Na verdade, continham algumas disposições legais cujo 
propósito era alterar o direito consuetudinário da época. Embora 
contivessem disposições sobre todas as áreas do direito, predominavam 
as referentes ao direito privado e ao processo civil. 
 
 - 19 - 
 
 
TÁBUA I – Do Chamamento a Juízo 
1. Se alguém é chamado a juízo, compareça. 
2. Se não comparece, aquele que o citou tome 
testemunhar e o prenda. 
3. Se procurar enganar ou fugir, o que citou pode 
lançar mão (manus injectio) sobre (segurar) o citado. 
4. Se uma doença ou a velhice o impede de andar, o 
que citou, lhe forneça um cavalo. 
5. Se não aceitá-lo, que forneça um carro, sem 
obrigação de dá-lo coberto. 
6. Se se apresenta alguém para defender o citado, que 
este seja solto. 
7. O rico será fiador do rico; para o pobre será quem 
quiser 
8. Se as partes entram em acordo em caminho, que a 
causa seja assim resolvida. 
9. Se não entram em acordo, que o pretor os ouça no 
“comitium” ou no fórum e conheça da causa antes do 
meio-dia, presentes ambas as partes. 
10. Depois do meio-dia, se apenas uma parte 
comparece, o pretor decida a favor da que está 
presente. 
11. O pôr do sol será o prazo final da audiência. 
 
TÁBUA II – Dos Julgamentos e dos Furtos 
1. ...............cauções ............... subcauções ............... a 
não ser que uma doença grave ............... um voto 
............... uma ausência a serviço da república, ou uma 
citação por parte de estrangeiro deem margem ao 
impedimento; pois se o citado, o juiz ou o árbitro, 
sofre qualquer destes impedimentos, que seja adiado 
o julgamento. 
2. Aquele que não tiver testemunhas irá, por três dias 
de feira, para a porta da casa da parte contrária, 
anunciar a sua causa em altas vozes injuriosas, para 
que ela se defenda. 
3. Se alguém comete furto à noite e é morto em 
flagrante, o que matou não será punido. 
4. Se o furto ocorrer durante o dia e o ladrão é pego 
em flagrante, que seja fustigado e entregue como 
escravo à vítima. Se for escravo, que seja fustigado e 
precipitado do alto da rocha Tarpéia. 
5. Se ainda não atingiu a puberdade, que seja 
fustigado com varas a critério do pretor, e que 
indenize o dano. 
6. Se o ladrão durante o dia defende-se com arma, que 
a vítima peça socorro em altas vozes e se, depois 
disso, mata o ladrão, que fique impune. 
7. Se, pela procura “cum lance licioque”, a coisa 
furtada é encontrada na casa de alguém, que seja 
punido como se fora um furto manifesto. 
8. Se alguém intenta ação por furto não manifesto, 
que o ladrão seja condenado ao dobro. 
9. Se alguém, sem razão, cortou árvores de outrem, 
que seja condenado a indenizar à razão de 25 asses 
por árvore cortada. 
10. Se transigiu com um furto, que a ação seja 
considerada extinta. 
11. A coisa furtada nunca poderá ser adquirida por 
usucapião 
 
TÁBUA III – Dos Direitos de Crédito 
1. Se o depositário, de má fé, pratica alguma falta com 
relação ao depósito, que seja condenado em dobro. 
2. Se alguém coloca o seu dinheiro a juros superiores a 
um por cento ao ano, seja condenado a devolver o 
quádruplo. 
3. O estrangeiro jamais poderá adquirir bem algum por 
usucapião. Contra ele eterna vigilância. 
4. Aquele que confessa dívida perante o magistrado, 
ou é condenado, terá trinta dias para pagar. 
5. Esgotados os trinta dias e não tendo pago, que seja 
agarrado e levado à presença do magistrado. 
6. Se não paga e ninguém se apresenta como fiador, 
que o devedor seja levado pelo seu credor e amarrado 
pelo pescoço e pés com cadeias com peso até o 
máximo de quinze libras; ou menos, se assim o quiser 
o credor. 
7. O devedor preso viverá à sua custa, se quiser; se 
não quiser, o credor que o mantém preso dar-lhe-á 
por dia uma libra de pão ou mais, a seu critério. 
8. Se não houver conciliação, que o devedor fique 
preso por sessenta dias, durante os quais será 
conduzido em três dias de feira ao comitium, onde se 
proclamará, em altas vozes, o valor da dívida. 
9. Se são muitos os credores, é permitido, depois do 
terceiro dia de feira, dividir o corpo do devedor em 
tantos pedaços quantos sejam os credores, não 
importando cortar mais ou menos.. Se os credores 
preferirem, poderão vender o devedor a um 
estrangeiro, além do Tibre. 
 
 - 20 - 
 
TÁBUA IV – Do Pátrio Poder e do Casamento 
1. É permitido ao pai matar o filho que nasce disforme, 
mediante o julgamento de cinco vizinhos. 
2. O pai terá sobre os filhos nascidos de casamento 
legítimo o direito de vida e de morte e o poder de 
vendê-los. 
3. Se o pai vendeu o filho três vezes, que este filho não 
recaia mais sob o pátrio poder. 
4. Se um filho póstumo nasceu até o décimo mês após 
a dissolução do matrimônio, que este filho seja 
reputado legítimo. 
 
TÁBUA V – Das Heranças e Tutelas 
1. As disposições testamentárias de um pai de família 
sobre os seus bens ou a tutela dos filhos, terão força 
de lei. 
2. Se o pai de família morre intestado, não deixando 
herdeiro seu, que o agnado (paterno) mais próximo 
seja o herdeiro. 
3. Se não há agnados, que a herança seja entregue aos 
gentiles. 
4. Se um liberto morre intestado, sem deixar herdeiros 
seus, mas o patrono ou os filhos do patrono a ele 
sobrevivem, que a sucessão desse liberto se transfira 
ao parente mais próximo da família do patrono. 
5. Que as dívidas ativas e passivas sejam divididas 
entre os herdeiros, segundo o quinhão de cada um. 
6. Quanto aos demais bens da sucessão indivisa, os 
herdeiros poderão partilhá-los, se assim o desejarem; 
para esse fim o pretor poderá indicar três árbitros. 
7. Se o pai de família morre sem deixar testamento, 
indicando um herdeiro seu impúbere, que o agnado 
mais próximo seja o seu tutor. 
8. Se alguém torna-se louco ou pródigo e não tiver 
tutor, que a sua pessoa e seus bens sejam confiados à 
curatela dos agnados e, se não há agnados, à dos 
gentiles. 
 
TÁBUA VI – Do Direito de Propriedade e da Posse 
1. Se alguém empenha a sua coisa ou vende em 
presença de testemunhas, o que prometeu tem força 
de lei. 
2. Se não cumpre o que prometeu, que seja 
condenado em dobro. 
3. O escravo a quem foi concedida a liberdade por 
testamento, sob a condição de pagar uma certa 
quantia, e que é vendido em seguida, tornar-se-á livre 
se pagar a mesma quantia ao comprador. 
4. A coisa vendida, embora entregue, só será adquirida 
pelo compradordepois de pago o preço. 
5. As terras serão adquiridas por usucapião depois de 
dois anos de posse, as coisas móveis depois de um 
ano. 
6. A mulher que residiu durante um ano em casa de 
um homem, como se fora sua esposa, é adquirida por 
esse homem e cairá sob o seu poder, salvo se se 
ausentar da casa por três noites. 
7. Se uma coisa é litigiosa, que o pretor a entregue 
provisoriamente àquele que detém a posse; mas se se 
tratar da liberdade de um homem que está em 
escravidão, que o pretor lhe conceda a liberdade 
provisória. 
8. Que a madeira utilizada para a construção de uma 
casa, ou para amparar a videira, não seja retirada só 
porque o proprietário reivindica; mas aquele que 
utilizou madeira que não lhe pertencia seja condenado 
a pagar o dobro do valor; e se a madeira é destacada 
da construção ou do vinhedo, que seja permitido ao 
proprietário reivindicá-la. 
9. Se alguém quer repudiar a mulher, que apresente as 
razões desse repúdio. 
 
TÁBUA VII – Dos Delitos e das Penas 
1. Se um quadrúpede causar qualquer dano, que o seu 
proprietário indenize o valor desse dano ou abandone 
o animal ao prejudicado. 
2. Se alguém causa um dano premeditadamente, que 
o repare. 
3. Aquele que fez encantamentos (feitiçaria) contra a 
colheita de outrem; 
4. Ou a colheu furtivamente à noite antes de 
amadurecer ou a cortou depois de madura, será 
sacrificado a Ceres. 
5. Se o autor do dano é impúbere, que seja fustigado a 
critério do pretor e indenize o prejuízo em dobro. 
6. Aquele que fez pastar o seu rebanho em terreno 
alheio; 
7. E o que intencionalmente incendiou uma casa ou 
um monte de trigo perto de uma casa, seja fustigado 
com varas e em seguida lançado ao fogo; 
8. Mas se assim agiu por imprudência, que repare o 
dano; se não tem recursos para tanto, que seja punido 
menos severamente do que aquele que agiu 
intencionalmente. 
9. Aquele que causar dano leve indenizará 25 asses. 
 
 - 21 - 
 
10. Se alguém difama outrem com palavras ou 
cânticos, que seja fustigado. 
11. Se alguém fere a outrem, que sofra a pena de 
talião, salvo se houver acordo. 
12. Aquele que arrancar ou quebrar um osso a outrem 
deve ser condenado a uma multa de trezentos asses, 
se o ofendido é homem livre; e de cento e cinquenta 
asses, se o ofendido é escravo. 
13. Se o tutor administra com dolo, que seja destituído 
como suspeito e com infâmia; se causou algum 
prejuízo ao tutelado, que seja condenado a pagar o 
dobro ao fim da gestão. 
14. Se um patrono causa dano a seu cliente, que seja 
declarado sacer (sagrado). 
15. Se alguém participou de um ato como testemunha 
ou desempenhou nesse ato as funções de libripens 
(porta-balança) e recusa a dar o seu testemunho, que 
recaia sobre ele a infâmia e ninguém lhe sirva de 
testemunha. 
16. Se alguém profere um falso testemunho, que seja 
precipitado da rocha Tarpéia. 
17. Se alguém matou um homem livre e empregou 
feitiçaria e veneno, que seja sacrificado com o último 
suplício. 
18. Se alguém matou o pai ou a mãe, que se lhe 
envolva a cabeça e seja colocado em um saco 
costurado e lançado ao rio. 
19. Se alguém comete furto à noite e é morto, seja o 
causador da morte absolvido. 
20. Mesmo que o ladrão esteja roubando em pleno 
dia, não terá direito a se defender com arma. 
 
TÁBUA VIII – Dos Direitos Prediais 
1. A distância entre as construções vizinhas deve ser 
de dois pés e meio. 
2. Que os sodales (sócios) façam para si os 
regulamentos que entenderem, contanto que não 
prejudiquem o público. 
3. A área de cinco pés deixada livre entre os campos 
limítrofes 
4. Se surgem divergências entre possuidores de 
campos vizinhos, que o pretor nomeie três árbitros 
para estabelecer os limites respectivos. 
5....................................................... 
6......................................................... 
7...................................................... 
8.................................................... 
9. Se uma árvore se inclina sobre o terreno alheio, que 
os seus galhos sejam podados à altura de mais de 15 
pés. 
10. Se caem frutos sobre o terreno vizinho, o 
proprietário da árvore tem o direito de colher esses 
frutos. 
11. Se a água da chuva retida ou dirigida por trabalho 
humano causa prejuízo ao vizinho, que o pretor 
nomeie três árbitros, e que estes exijam do dono da 
obra garantias contra o dano iminente. 
12. Que o caminho em reta tenha oito pés de largura e 
o em curva tenha dezesseis. 
13. Se aqueles que possuem terrenos vizinhos a 
estradas não os cercam, que seja permitido deixar 
pastar o rebanho à vontade. 
 
 
.TÁBUA IX – Do Direito Público 
1. Que não se estabeleçam privilégios em leis. 
2. Aqueles que foram presos por dívidas e as pagaram, 
gozam dos mesmos direitos como se não tivessem sido 
presos; os povos que forem sempre fiéis e aqueles cuja 
defecção for apenas momentânea gozarão de igual 
direito. 
3. Se um juiz ou árbitro indicado pelo magistrado 
recebeu dinheiro para julgar a favor de uma das partes 
em prejuízo de outrem, que seja morto. 
4. Que os comícios por centúrias sejam os únicos a 
decidir sobre o estado de um cidadão. 
5........................... 
6. Se alguém promove em Roma assembleias 
noturnas, que seja morto. 
7. Se alguém insuflou o inimigo contra sua pátria ou 
entregou um concidadão ao inimigo, que seja morto. 
 
TÁBUA X – Do Direito Sacro 
1...................... 
2. Não é permitido sepultar nem incinerar na cidade 
um(a) defunto(a). 
3. Moderai as despesas com os funerais. 
4. Fazei apenas o que é permitido. 
5. Não deveis polir a madeira que vai servir à 
incineração. 
6. Que o cadáver seja vestido com três togas e o 
enterro se faça acompanhar de dez tocadores de 
instrumento. 
7. Que as mulheres não arranhem as faces nem soltem 
gritos imoderados. 
 
 - 22 - 
 
8. Não retireis da pira os restos de ossos de um morto, 
para lhe dar segundos funerais, a menos que tenha 
morrido na guerra ou em país estrangeiro. 
9. Que os corpos dos escravos não sejam 
embalsamados e que seja abolido dos seus funerais o 
uso da bebida em torno do cadáver. 
10. Que não se lancem licores sobre a pira de 
incineração nem sobre as cinzas do morto. 
11. Que não se usem longas coroas nem turíbulos nos 
funerais. 
12. Que aquele que mereceu uma coroa pelo próprio 
esforço, ou a quem seus escravos ou seus cavalos 
fizeram sobressair nos jogos, traga a coroa como prova 
de seu valor, assim como os seus parentes, enquanto o 
cadáver está em casa e durante o cortejo. 
13. Não é permitido fazer muitas exéquias nem muitos 
leitos fúnebres para o mesmo morto. 
14. Não é permitido enterrar ouro com o cadáver; mas 
se seus dentes são presos com ouro, pode-se enterrar 
ou incinerar com esse ouro. 
15. Não é permitido, sem o consentimento do 
proprietário, levantar uma pira ou cavar novo 
sepulcro, a menos de sessenta pés de distância da 
casa. 
16. Que o vestíbulo de um túmulo jamais possa ser 
adquirido por usucapião, assim como o próprio túmulo 
 
 
 
 
 
 
TÁBUA XI – Feita para completar as Tábuas I a V 
1. Que a última vontade do povo tenha força de lei. 
2. Não é permitido o casamento entre patrícios e 
plebeus. (Revogada pela Lex Canulea). 
3. ...................... 
 
 
TÁBUA XII – Feita para completar as Tábuas VI a X 
1....................... 
2. Se alguém faz consagrar uma coisa litigiosa, que 
pague o dobro do valor da coisa consagrada. 
3. Se alguém de má fé obtém a posse provisória de 
uma coisa, que o pretor, para pôr fim ao litígio, 
nomeie três árbitros, e que estes condenem o 
possuidor de má fé a restituir o dobro dos frutos. 
4. Se um escravo comete um furto, ou causa algum 
dano, sabendo-o patrono, que seja obrigado esse 
patrono a entregar o escravo, como indenização, ao 
prejudicado.- 23 - 
 
Primeiras leis romanas 
Ademais das Doze Tábuas, também são conhecidas dos 
primórdios do direito romano: a Lex Canuleia (445 a.C., que 
permitia o casamento – ius connubii - entre patrícios e plebeus), as 
Leges Licinae Sextiae(367 a.C., que restringiam a posse de terras 
públicas – age rpublicus - e exigiam que um dos cônsules fosse 
plebeu), a Lex Ogulnia (300 a.C., que autorizava os plebeus a ocupar 
cargos sacerdotais) e a Lex Hortensia (287 a.C., pela qual as 
decisões das assembleias plebeias passavam a valer para todo o 
povo). 
Outra lei importante do período republicano é a Lex Aquilia, 
de 286 a.C., que regulava a responsabilidade civil. Entretanto, a 
maior contribuição de Roma à cultura jurídica europeia não foi a 
promulgação de leis bem redigidas, mas o surgimento de uma classe 
de juristas profissionais e de uma ciência do direito, por meio de um 
processo gradual de aplicação dos métodos da filosofia grega ao 
direito - um tema que os gregos jamais haviam tratado como ciência. 
 
b) Período clássico 
 
Os primeiros 250 anos da era cristã foram o período no qual o direito 
e a ciência jurídica romanos atingiram o mais alto grau de perfeição. 
A época costuma ser chamada de período clássico do direito romano, 
que alcançou um caráter único dado pelas realizações literárias e 
práticas dos juristas romanos. 
Estes trabalhavam em diferentes funções: proferiam pareceres, 
a pedido de particulares; aconselhavam os magistrados responsáveis 
pela administração da justiça, como os pretores; auxiliavam os 
pretores a preparar seus editos, anunciados publicamente no início 
do mandato pretoriano e que continham uma explicação de como 
exerceriam suas funções e um formulário de procedimentos 
judiciais. Alguns juristas também ocupavam altos cargos judiciais e 
administrativos. 
Os juristas produziram todo tipo de comentários e tratados de 
direito. Em cerca de 130 d.C., Sálvio Juliano escreveu um edito 
pretoriano padronizado, que foi utilizado por todos os pretores a 
partir de então. O edito continha descrições detalhadas de todos os 
casos nos quais o pretor permitiria uma ação judicial ou uma defesa. 
O edito padrão funcionava como um abrangente código legal, 
embora não gozasse, formalmente, da força de lei. Indicava os 
requisitos para uma reivindicação legal bem-sucedida e tornou-se a 
base dos amplos comentários jurídicos de juristas como Paulo e 
Domício Ulpiano. 
 
c) Período pós-clássico 
 
Em meados do século III, a situação política e econômica do Império 
Romano havia se deteriorado, dificultando as condições para o 
desenvolvimento do direito. O sistema político do principado, que 
preservara algumas características da constituição da república, 
transformou-se na monarquia absoluta do dominato. A existência de 
uma ciência jurídica e de juristas que viam o direito como uma 
ciência, não como um instrumento para atingir os objetivos políticos 
do monarca, não se coadunava com a nova ordem. A produção 
literária cessou quase por completo. Poucos são os juristas 
conhecidos pelo nome a partir de meados do século III. Embora a 
ciência e a educação jurídicas se mantivessem, em certa medida, no 
Império Oriental, no ocidente a maior parte das sutilezas do direito 
 
 - 24 - 
 
clássico perdeu-se. Este foi substituído pelo chamado direito vulgar. 
Os escritos dos juristas clássicos foram editados para adaptar-se à 
nova situação política. 
 
d)Período de Justiniano 
Justiniano I ou Justiniano, o Grande, administrou o Império 
Bizantino desde 527 até a sua morte. Peretencente a família de 
origem humilde, foi nomeado cônsul ligado ao trono por seu tio 
Justino I, a quem sucedeu, após a morte deste (527). Cercou-se de 
um estreito grupo de colaboradores (Triboniano, Belisário, João da 
Capadócia e Narses,por exemplo) e aspirava a restabelecer o antigo 
esplendor de Roma, motivo pelo qual concretizou toda a ampla série 
de campanhas posteriores. 
Para garantir a centralização administrativa, Justiniano 
combateu o poder local dos grandes proprietários de terra e 
estabeleceu leis sólidas e eficazes, cujo cumprimento era 
rigorosamente fiscalizado pela burocracia, que contava com os 
militares. 
Em seu governo, foi redigido o Código Justiniano, um 
sistema de leis básico que afirmava o poder ilimitado do imperador 
e, ao mesmo tempo, garantia a submissão dos escravos e colonos a 
seus senhores. Em seu governo, o regime político do império pode 
ser caracterizado como autocrático e burocrático. Autocrático, 
porque controlava todo o sistema político e religioso. Burocrático, 
porque uma vasta camada de funcionários públicos, dependentes e 
obedientes, vigiava e controlava todos os aspectos da vida dos 
habitantes do império. Esse poder não chegava a ser totalitário, 
porque o império era vasto e composto por povos de naturalidades e 
línguas diferentes, que conseguiam escapar do controle das 
autoridades imperiais e manter certas tradições culturais particulares. 
Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a herança 
do direito romano e, aproveitando a prosperidade econômica e 
comercial que lhe proporcionavam as novas conquistas, empreendeu 
um importante trabalho legislativo e de recompilação e 
reorganização jurídica. Essa obra ficou conhecida como corpus iuris 
civilis, composta de quatro partes: 
• Código de Justiniano (Codex): Reunião de todas as 
constituições imperiais editadas desde o governo do 
imperador Adriano (117 a 138); 
• Digesto ou Pandectas: Continha os comentários dos grandes 
juristas romanos. 
• Institutas: Manual para ser estudado pelos que se dedicavam 
ao Direito; 
• Novelas ou Autênticas: Constituições elaboradas depois de 
534. 
2 - DIREITO GERMÂNICO 
 
Antes do século V da nossa era, os Germanos compunham um 
complexo de etnias seminômades. A começar do século II a.C., os 
Germanos habitavam um extenso território da Escandinávia, ao 
norte, até ao Danúbio, ao sul, do Vístula, a leste, até o Reno e até 
mesmo até ao Mosa, a oeste. Pode-se citar dentre as etnias 
germânicas que viveram nos arredores da região belga atual, os 
Tréveros, os Taxandrinos e os Tongres. 
O cerne da estrutura sociopolítica é o clã, que é chamado de 
sippe, isto é,a família em sentido lato. O clã se forma sob o domínio 
do chamado mund, que seria o pai, dos membros da família e de 
outros auxiliares, que podiam ser os escravos. Pelo fato da família 
ser patrilinear, o pai mantinha a paz e ordem nelas e além disso o seu 
poder é a princípio ilimitado, pelo fato de n haver superiores. A 
relação existente entre esses clãs, normalmente, eram reguladas pela 
http://pt.wikipedia.org/wiki/527
http://pt.wikipedia.org/wiki/Justino_I
http://pt.wikipedia.org/wiki/Triboniano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Belis%C3%A1rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_da_Capad%C3%B3cia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_da_Capad%C3%B3cia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Narses
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Romano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_iuris_civilis
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%BAblio_%C3%89lio_Trajano_Adriano
http://pt.wikipedia.org/wiki/117
http://pt.wikipedia.org/wiki/138
 
 - 25 - 
 
luta, pela guerra privada ou como chamado no latim, pela faida. 
Esses clãs viviam da pecuária e da agricultura. 
O direito das etnias germânicas existente era necessariamente 
consuetudinário. De fato, não existia um tipo apenas de Direito 
Germânico, mas sim uma variedade de costumes, que eram mais ou 
menos diferenciadas, vivendo assim cada povoado a partir de seu 
próprio direito tradicional. 
Os Germanos não deixaram nenhum documento escrito, fato que 
deixa muito mais difícil o estudo desses povos, tanto que para tentar 
se conhecer os Direitos Germânicos anteriores à época das invasões 
do século V, oshistoriadores utilizaram de quatro tipos de 
documentos históricos: 
a) As fontes literárias latinas; 
b) As fontes literárias germânicas; 
c) Os costumes germânicos redigidos depois das invasões; 
d) e os costumes escandinavos. 
 
Dentre as principais características das comunidades e do direito dos 
povos germânicos podem ser destacados os seguintes fatos: 
a) Não possui fontes escritas, as relações sociais são regulamentadas por normas 
costumeiras. 
b) Não possui noção de territorialidade, o direito aplicado a cada indivíduo 
depende do grupo a que ele pertence. 
c)Ideia muito restrita de propriedade, sem tantas ambições expansionistas. 
d)Condomínio germânico. Confere-se maior atenção ao coletivo que ao 
indivíduo 
e)Na comunhão germânica não existe nenhuma ação divisória que se possa 
exercer pela mera vontade do indivíduo. 
f) Os germanos são povos nômades, vivem em aldeias, praticam uma economia 
comunal baseada na agricultura, na pecuária e nas pilhagens. Quando as terras se 
esgotavam, partiam à procura de outras. As áreas cultiváveis e os bosques eram 
de uso comum aos habitantes das aldeias. Apenas os rebanhos permaneciam 
como propriedade particular. 
g) A terra pertence a todo o clã, seus membros têm o direito de usufruir 
determinadas áreas, apenas a casa familiar é considerada propriedade individual, 
pois representa o tempo dos deuses domésticos e o lugar de veneração aos 
antepassados. 
h) O ordálio é um tipo de prova judiciária usado para determinar a culpa ou a 
inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza e cujo 
resultado é interpretado como um juízo divino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 - 26 - 
 
III – O SISTEMA ANGLO-SAXÔNICO 
 
Como sistema de direito construído historicamente, o common 
law apresenta diversas peculiaridades concernentes à sua formação e 
aos modos pelos quais ele foi e é aplicado. Para que se compreenda 
o funcionamento do regime constitucional inglês, no âmbito desse 
common law, é preciso antes ter uma breve notícia acerca do 
significado e das características fundamentais de uma constituição 
ocidental. Assim, cabe agora compreender como se formou e se 
caracterizou o sistema de common law inglês e seu correspondente 
regime constitucional. Preliminarmente, o autor John Gilissen 
(1) define o common law da seguinte maneira: 
“Dá-se o nome de common law ao sistema jurídico que foi 
elaborado em Inglaterra a partir do século XII pelas decisões das 
jurisdições reais. Manteve-se e desenvolveu-se até os nossos dias, e 
além disso impôs-se na maior parte dos países de língua inglesa, 
designadamente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, e outros, o 
sentido de common law é, pois, muito diferente do sentido da 
expressão direito comum, iuscommune, utlizada no continente para 
designar, sobretudo a partir do século XVI, o direito erudito, 
elaborado com base no direito romano e servindo de direito 
supletivo às leis e costumes de cada país.” 
Frise-se, nesse sentido, que o common law não corresponde a 
todo o direito inglês. O statute law (os estatutos ou conjunto de leis 
promulgadas) teve desenvolvimento marginal ao common law e 
adquiriu importância a partir do século XX. Há ainda a equity, que 
se desenvolveu primordialmente no período anterior ao século XV, 
consistindo em um conjunto de regras jurídicas aplicadas pelos 
órgãos jurisdicionais subordinados ao Chanceler. 
ACommon law,ou "direito comum", desenvolveu-se 
naInglaterra durante os séculos XII e XIII, como o conjunto das 
decisões judiciais que se baseavam na tradição, no costume e no 
precedente. É o direito que se baseia nas decisões dos tribunais, e 
não mediante atos legislativos ou executivos, diferente da família 
romano-germânica, que enfatiza os atos legislativos. Nos sistemas de 
common law, o direito é criado ou aperfeiçoado pelos juízes: uma 
decisão a ser tomada num caso depende das decisões adotadas para 
casos anteriores e afeta o direito a ser aplicado a casos futuros. É a 
chamada regra do precedente. Nesse sistema, quando não existe 
um precedente, os juízes possuem a autoridade para criar o direito, 
estabelecendo um precedente. O conjunto de precedentes é chamado 
de common law e vincula todas as decisões futuras. Quando as partes 
discordam quanto o direito aplicável, um tribunal idealmente 
procuraria uma solução dentre as decisões precedentes dos tribunais 
competentes. Se uma controvérsia semelhante foi resolvida no 
passado, o tribunal é obrigado a seguir o raciocínio usado naquela 
decisão anterior (princípio conhecido como stare decisis). 
Entretanto, se o tribunal concluir que a controvérsia em exame é 
fundamentalmente diferente de todos os casos anteriores, decidirá 
como "assunto de primeira impressão" (matter of first impression, 
em inglês). Posteriormente, tal decisão se tornará um precedente e 
vinculará os tribunais futuros com base no princípio do stare decisis. 
No que concerne à formação do common law, deve-se 
considerar especialmente a organização das jurisdições reais, durante 
o século XII, implementada por meio de reformas do rei Henrique II 
e já descrita de forma clara por Harold Berman. Dessa forma, cabe 
apenas relembrar o modo pelo qual era efetivada a organização 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XII
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIII
http://pt.wikipedia.org/wiki/Costume
http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Legislativo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Executivo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico
 
 - 27 - 
 
judiciária inglesa. Em princípio, havia A Curia Regis, Tribunal do 
rei, que se seccionou em diferentes jurisdições especializadas: 
a) Tribunal do Tesouro (Saccarium, Court of Exchequer), com 
competência para o julgamento de finanças e outras lides fiscais; 
b) Tribunal de Queixas Comuns (Court of Common Pleas), 
incumbido de julgar litígios concernentes à posse de terra; 
c) Tribunal do Banco do Rei (King’s Bench), tribunal 
itinerante que julgava os crimes perturbadores da paz do reino. 
 Além de tal organização judiciária, Henrique II ainda 
implementou o sistema dos writs (escritos com que o Chanceler se 
pronunciava a respeito de conflitos), contra o qual os senhores 
feudais lutaram. Nesse sentido, recorde-se que é equivocado dizer 
que a Carta Magna seria uma das precursoras de uma constituição 
em sentido formal. A mesma apenas continha alguns elementos 
constitucionais, como a idéia de devido processo legal. A primeira 
constituição formal só foi ser promulgada em 1787, nos Estados 
Unidos. 
Destarte, há duas grandes influências sobre a forma e a 
substância da Constituição britânica. A primeira delas diz respeito à 
gradual e pacífica transição inglesa de um regime autocrático para 
uma democracia e um governo limitado. Já a segunda é concernente 
à importância que as decisões judiciais têm no âmbito do common 
law. Essas influências, dentre outras, contribuíram para a atual 
conformação do sistema constitucional inglês. É óbvio que não se 
trata aqui de uma relação de “bicausalidade”, no sentido de que 
somente esses dois fatores aludidos tenham possibilitado a 
configuração dos aspectos constitucionais britânicos, mas tais fatores 
foram preponderantes para que a mesma ocorresse. 
E quais são as principais características desse sistema 
constitucional britânico ? A monarquia como forma de governo; a 
inexistência de separação de poderes (fala-se em colaboração de 
poderes); o governo misto, com a existência de órgãos como as 
Câmaras dos Lordes e dos Comuns e o Parlamento, entre outras. 
 Quanto à colaboração de poderes existente na Inglaterra, 
saliente-se a peculiaridade britânica de nãodispor de poderes 
separados (um dos requisitos que os franceses estabeleceram, na 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, como 
imprescindíveis para que um país tivesse uma constituição). Já no 
que concerne aos órgãos governamentais ingleses, é necessário 
ressaltar alguns fatores históricos concernentes aos mesmos. A 
Câmara dos Lordes teve origem na nobreza e no clero britânicos do 
século XIII (havia os lordes espirituais e temporais) e, atualmente, 
constitui a corte máxima da Inglaterra. Já a Câmara dos Comuns 
originou-se na pequena burguesia urbana e rural, também durante o 
século XIII, e representa até hoje o caráter democrático do governo 
inglês. 
Desse modo é composto o governo misto inglês, com o rei 
representando a monarquia; a Câmara dos Comuns como 
representante da democracia e, enfim, a Câmara dos Lordes, 
associada durante séculos à aristocracia. Ressalte-se que tal governo 
misto não permaneceu intocado ao longo do tempo, mas passou por 
crises e teve, de certo modo, que se adaptar às novas contingências 
sócio-políticas que foram surgindo na Inglaterra. Cabe ainda 
mencionar que a união das duas Câmaras referidas forma o 
Parlamento, cujas origens também remontam ao século XIII. 
 Apesar de que os ingleses defendam ardorosamente sua 
originalidade e tradição, é preciso compreender o common law não 
 
 - 28 - 
 
como uma construção exclusivamente britânica, mas como um 
produto de transformações históricas cujas características não foram 
apenas inglesas. Por mais evidente que tal afirmação possa parecer, é 
preciso ressaltá-la, de modo a evidenciar o fato de que os sistemas 
jurídicos não devem ser compreendidos como modelos estanques e 
herméticos de uma determinada cultura. Dessa forma, observa-se 
uma série de razões econômicas e ideológicas por trás da ideia 
britânica de supervalorização de seu sistema jurídico, como um 
produto genuinamente inglês. 
 
 
IV –FAMILIA DE DIREITOS SOCIALISTAS 
 
A família de Direitos socialistas teve origem que encontrou 
força na Rússia imperial (governada por czares), especialmente após 
a Revolução de 1918, devido aos avanços das ideias de Karl Marx e 
Lenin. Consiste numsistema jurídico baseado no sistema romano-
germânico, mas, com devidas adaptações advindas do marxismo-
leninismo. 
O marxismo-leninismo refere-se aos ideais apregoados por 
Karl Marx (1818-1883) e Lenin ( 1870-1924), podendo ser 
conceituada como a concepção científica do mundo que desvenda a 
origem das desigualdades sociais e, a partir desse ângulo, classifica-
se como uma avançada teoria do pensamento social, pois representa 
e defende os interesses da maioria, traçando o caminho para se 
chegar a um sistema sem exploração. Nesse caminho, o partido do 
proletariado é situado como uma necessidade histórica. Portanto, o 
marxismo-leninismo é a sua base filosófica, econômica e política; 
sua estratégia e tática para alcançar a emancipação dos trabalhadores 
e dos povos oprimidos e para construir socialismo e o comunismo. 
O marxismo-leninismo é uma teoria científica do 
desenvolvimento social; descobriu as leis que regem as mudanças 
verificadas na natureza, da sociedade e do pensamento. Não se limita 
a diagnosticar a realidade, mas visa a identificar as contradições que 
determinam e promovem essas mudanças; desenvolve as formas e 
métodos que servem para transformar a sociedade, assim como o 
papel das forças protagonistas de cada momento histórico. Esta é a 
diferença que tem com o socialismo utópico, que o precedeu, pois, 
enquanto este apenas descreve uma sociedade justa e igualitária, sem 
menção à forma de alcançá-la, o marxismo-leninismo o faz com uma 
base científica provada na prática social. Ao descobrir as forças 
antagônicas que promovem as mudanças, o marxismo verifica a 
existência de luta de classes. Seu mérito não está nessa descoberta, 
mas no fato de projetar o fato de que o resultado dessa luta de 
classes no capitalismo conduz, de forma indefectível, ao 
estabelecimento da ditadura do proletariado. 
Outro elemento básico do marxismo-leninismo é a histórica 
missão atribuída ao proletariado, a classe trabalhadora, em geral, 
como a classe mais avançada, a vanguarda na luta pela derrubada do 
capitalismo e construção do socialismo e do comunismo. Esta 
concepção de marxismo, no momento atual, tem sido muito 
contestada por setores da pequena burguesia no seu desejo de negar 
a perspectiva da revolução, para trazer o que eles chamam de “novos 
atores sociais”, a “sociedade civil”, cuja missão é atenuar a luta de 
classes, promover o pacifismo e alcançar algumas reivindicações 
dentro dos moldes capitalistas. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenin
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_romano-germ%C3%A2nico
 
 - 29 - 
 
Caracteres do Direito Socialista 
 
Com o advento da Revolução Russa, um novo tipo de 
sociedade é criada, a sociedade comunista, a qual foge da tradição 
Romano-Germânica pois, no comunismo, em tese, não existiria 
Estado nem Direito. De acordo com esta família, o direito seria o 
reflexo de uma estrutura econômica opressora e desigual. Mas como 
trata-se de uma ciência necessária, deveria o direito ser, então, 
influenciado pela noção de um Estado social. Diferentemente do 
Estado Capitalista, esse Estado de bem-estar social interfere de 
maneira demasiada na sociedade, inclusive na economia, visando, 
através de serviços públicos, promover o bem-comum. 
Existem algumas controvérsias se o direito socialista constituiu 
um sistema jurídico em apartado. Caso se considere esse sistema 
como único, antes do término da Guerra Fria, o direito socialista 
estaria entre os principais sistemas jurídicos do mundo. Caso não se 
considere,todos os países desta família estaria inserida na Familia 
romano-germânica. Porém,vale ressaltar uma grande diferença: a 
família do direito romano-germânico trata da propriedade privada, 
como adquiri-la, transferi-la ou perdê-la. Já no sistema socialista, as 
propriedades são em sua grande maioria de posse do Estado. 
O direito passa a ser utilizado como instrumento garantidor da 
ordem. Foram criados Comitês de Defesa de Controle Popular – 
Soviet Suprem, bem como instituídos mecanismos como a Lei da 
Advokatura, que garantia que os advogados deveriam ser auxiliares 
da justiça. Tinham que lutar exclusivamente pela legalidade 
socialista. 
Coréia do Norte, Cuba e Líbia, em especial o primeiro, são os 
remanescentes deste sistema, que adquiriu certa unidade com a 
implantação do Direito Tradicional Russo, presente em toda a União 
Soviética, e em outros países que adotaram o comunismo, em 
especial o leste europeu. Porém,foi com o criado Direito Soviético – 
que teve caráter imperativo na legalidade socialista - que os 
referidos países passaram a constituir uma família jurídica.Com a 
queda do Muro de Berlim, e o fim da Cortina de Ferro, no final do 
século XX, o âmbito territorial dessa família de direitos reduziu 
drasticamente. Essa redução pode ser agravada já que alguns 
estudiosos não consideram o direito chinês como parte da família 
socialista. 
Fontes do Direito Socialista 
a) Doutrina Marxista e Leninista, que era o guia da atividade do juiz 
soviético, que normalmente - excetuando alguns tribunais superiores 
- eram eleitos por meio dos soviets (parlamentos) para um exercício 
de 5 anos, podendo ser destituídos a qualquer tempo. 
b) A lei :com caráter ideológico com fulcro na doutrina marxista-
leninista, com forte proteção do Estado, de modo a suprimir certas 
garantias individuais em prol do coletivismo. A lei soviética, de 
certa forma imposta aos demais países, tinha como funções básicas: 
• Segurança nacional – agir pela segurança nacional; aumentando 
o poder repressivo. 
• Impor a novaordem econômica socialista – os meios de 
produção todos voltados a esse novo modelo, de modo a garantir 
a igualdade social, como por exemplo com a implantação de 
sistemas auto gestionários, onde os próprios trabalhadores 
dirigiriam conjuntamente as fábricas e outros locais onde 
desempenhariam seu trabalho. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Russa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_social
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_de_Berlim
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cortina_de_Ferro
 
 - 30 - 
 
• A educação – na verdade, a reeducação, destruir as tendências 
antissocialistas, rechaçando – em certo ponto – ideais 
capitalistas. 
c) Os costumes e as regras socialistas de vida em comum 
d) A jurisprudência 
V - OUTRAS CONCEPÇÕES DA ORDEM SOCIAL E DO 
DIREITO 
Trata-se do estudo de outros países que não se enquadram, 
necessariamente, nas três grandes famílias, embora possuam 
caracteres das mesmas, mas com particularidades culturais e/ou 
religiosas. São países com base estrutural calcada na religião ou em 
princípios filosóficos, muito embora alguns apresentem-se de forma 
laica, como será observado a seguir. Nesta órbita, destacam-se os 
seguintes direitos: 
1 – DIREITO MUÇULMANO 
Inicialmente compete esclarecera confusão existente entre os 
termos Muçulmano, Islâmico e Árabe, do ponto de vista do mundo 
ocidental pois, entre os povos que professam o islamismo como sua 
religião majoritária, não existem diferenciações: todos são adeptos, 
fiéis, devotos. A única divergência existente ocorre entre os grupos 
sectários Xiita e Sunita. Basicamente, Xiita é aquele que acredita na 
unicidade do Corão como oráculo sagrado do Islamismo e por esta 
razão são tidos como mais radicais. Sunita é aquele que, além do 
Corão, também acredita em um conjunto de livros religiosos 
denominados Sunnah, caracterizando-se como uma vertente 
moderada do Islamismo clássico. 
- Islâmico: todo aquele que professa a religião fundada por 
MuhamadIbn Abdullah (conhecido no ocidente pelo nome Maomé), 
qual seja, o Islamismo. Em todo o globo terrestre, 
independentemente da nacionalidade do indivíduo e de seus vínculos 
culturais com o Oriente Médio, caso seja adepto da religião Islâmica, 
será considerado Islâmico e estará inserido dentro deste âmbito 
religioso. 
- Muçulmano: embora determinados especialistas em Geografia 
Política não vislumbrem divergências entre os termos Islâmico e 
Muçulmano, no aspecto dogmático da religião islâmica há uma 
distinção: literalmente, Muçulmano significa "submisso à vontade de 
Deus"; um grupo comunitário que segue fervorosamente sua fé 
islâmica e, consequentemente, aplica o Direito Islâmico em regime 
de supremacia às demais formas de Direito Material. Em suma, 
vivem em países que adotam oficialmente o islamismo. 
- Árabe: trata-se de termo mais ligado a critérios de ordem 
geográfica, pois Estados localizados na região geográfica do Oriente 
Médio, mais especificamente na Península Arábica, são chamados 
de árabes. Culturalmente também se encontram explicações para o 
termo, como etnia diversa da caucasiana (de origem europeia), 
africana (originária a partir da África Central) e Asiática. 
 
De acordo com a História Clássica, o Islamismo teve sua 
origem entre os séculos VI e VII da Era Cristã, no decorrer da 
denominada Alta Idade Média (Séculos V a IX após o nascimento de 
Jesus Cristo). Geograficamente, iniciou-se a partir da Península 
Arábica, e ali as mudanças sociais, culturais e tecnológicas ocorridas 
 
 - 31 - 
 
no continente europeu no mesmo período ( feudalismo e domínio da 
Igreja) não exerceram grande influência, pois os povos semitas não 
acompanharam de forma incisiva a evolução e queda da civilização 
romana, visto que sempre se constituíram como províncias 
relativamente lucrativas, porém sem disposição política para abraçar 
a cultura romana. Ou seja, as nações árabes mantiveram seu caráter 
cultural seminômade desde a Antiguidade. 
Poucos eram os grandes centros urbanos, e entre estes 
destacava-se Meca, ponto de encontro das nações árabes integradas. 
Em Meca há uma importante estrutura física:cubo feito de pedra, com 
consideráveis dimensões, denominado Caaba. Este local/ monumento 
possui importância fundamental para a criação e difusão do 
Islamismopois, ali encontrava-se a "Pedra Negra", uma pedra escura, 
de cerca de 50 centímetros de diâmetro, que é uma das relíquias mais 
sagradas do islã, e que, segundo a tradição, a foi recebida pelo profeta 
Abraão das mãos do anjoGabriel.A Caaba é o centro das peregrinações 
(hajj) e é para onde os devotos muçulmanosvoltam-se para as suas 
preces diárias (salat). 
 
A história do Islamismo é cercada por guerras, expansionismo, 
fé inabalável e uma intransigência incompreendida pela civilização 
ocidental,e isso torna o estudo do seu direito uma tarefa controversa 
e ao mesmo tempo interessante. 
 
A prática demonstra que a religião Islâmica utiliza-se de seus 
textos sagrados adaptando-os ao seu cotidiano. Logo, desprovida de 
sentido se constitui a opinião midiática no sentido de impor um 
perfil intransigente aos Estados Muçulmanos. O que existe é um 
respeito aos textos sagrados, com a força social de norma. Trata-se, 
pois, da Efetividade Normativa do Texto Sagrado, que requer para 
sua melhor compreensão, um entendimento sobre o Islam. 
 
OIslam, é o mecanismo capaz para que se possa compreender 
a dinâmica religiosa presente no Direito dos Estados adeptos do 
Islamismo.A palavra deriva do Árabe salam, que significa 
"submissão, pureza, obediência". No sentido teológico, indica a 
submissão voluntária à vontade da divindade e a obediência a seus 
preceitos morais. Para tanto, verifica-se a existência de seis 
requisitos para que o adepto siga à risca os mandamentos implícitos 
no conceito de Islam. São eles: 
 - Crença em um Deus Único (Allah). O Islamismo se caracteriza por 
ser uma religião predominantemente monoteísta, em nível radical. 
Não existe outra divindade. Não existem santos, e sim profetas. 
 
- Crença na existência de Anjos, que não possuem qualquer caráter 
divino, mas apenas auxiliam o Deus Único; 
 
- Admiração pelos profetas e mensageiros enviados pro Allah 
(Abraão, Ismael, Issac, Jacó, Moisés, Jesus e demais profetas 
existentes no Torá, no Evangelho, nos Salmos e no Alcorão) 
 
- Crença nos livros sagrados em que os profetas estão enumerados, 
pois, os livros presentes nas Religiões Cristã e Judaica, em parte, são 
utilizados subsidiariamente ao Islamismo e, consequentemente, ao 
Direito Islâmico; 
 
- Crença na Predestinação, a qual se caracteriza pelo controle 
absoluto da divindade na vida e no futuro da humanidade. Segundo o 
Islamismo, Allah controla todos os caminhos dos seres vivos, e 
mesmo daqueles presentes no além-túmulo. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cent%C3%ADmetro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A2metro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rel%C3%ADquia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anjo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_(arcanjo)
 
 - 32 - 
 
- Crença no Juízo Final, evento também descrito no livro Apocalipse 
do Profeta João, presente na Bíblia Sagrada Cristã. 
 
Além disso todo muçulmano (estendendo-se aos islâmicos) 
também devem seguir a um tradicional ritual de obrigações, que se 
constituem em cinco pilares: 
 
1 -fazer as orações (são cinco por dia) 
 
2 -realizar o zakat (pagamento anual de caridade) 
 
3 acreditar na shahada - que só há um Deus e adorarei 
somente a Ele e que Mohamed é seu mensageiro 
 
4 - fazer o jejum durante o mês do ramadã, que é o nono mês 
do calendário muçulmano (Devem jejuar, do nascer ao pôr do sol, 
todos aqueles que atingiram a puberdade; ficando isentos os 
enfermos graves, grávidas e lactantes,mulheres em período de 
menstruação, idosos... Se o jejuante comer, beber, ou tiver relação 
sexual durante o período do jejum, este será anulado., devendo, 
então, jejuar durante 60 dias seguidos). 
 
5 - fazer a peregrinação a Meca se tiver condições financeiras, 
ao menos uma vez na vida 
 
A CHARIA 
Charia (Shariah) éo nome que se dá ao DireitoIslâmico. Em 
várias sociedades islâmicas, ao contrário da maioria das sociedades 
ocidentais, não há separação entre a religião e o direito, todas as leis 
são religiosas e baseadas nas escrituras sagradas ou nas opiniões de 
líderes religiosos. A Charia se constitui como uma "colcha de 
retalhos" legislativa, um sistema jurídico com diversos diplomas 
teológico-normativos, em que se conjugam aspectos da cultura dos 
povos do Médio Oriente, de sua Religião e de seu Ordenamento 
Social, que resulta num completo sistema normativo. O ponto de 
partida é a análise de suas fontes, documentos legislativos redigidos 
ao longo da História Cultural Islâmica, a partir Hégira (fuga de 
Maomé de Meca para Medina, fato este que marca o ano inicial do 
calendário islâmico, no século VII da Era Cristã). 
Suas fontes são: 
a) O Corão – a palavra de Deus (Alá). Ao contrário dos 
demais livros teológicos dos principais troncos religiosos no mundo 
(Cristianismo, Judaísmo, Hinduísmo), o Corão não apresenta contos 
mitológicos ou reflexões históricas sobre as origens e 
desenvolvimento de uma civilização sob o ponto de vista místico. De 
forma pragmática, trata-se de um livro de regras e costumes sociais e 
religiosos, que devem ser estritamente observados a fim de agradar a 
divindade cultuada. Constitui-se, pois, como um código de 
regramento social e teológico, e não um compêndio histórico-
cultural, em que reflexamente existem prescrições normativas e 
éticas, como na Bíblia ou a Torá. 
 
b) Suna -a palavra de Maomé. Literalmente significa ‘caminho 
trilhado’. Significa,também os feitos, dizeres e aprovações do Profeta 
Maomé. Tudo o que ele disse, fez ou aprovou durante o seu tempo como 
profeta e mensageiro de Deus,tornou-se o caminho a ser seguido. E por 
essa razão, os muçulmanos tendem a seguir e praticar as suas tradições. Os 
registros validados (hadith) desse "caminho", constituem um exemplo 
moral para os muçulmanos. 
 
Importante destacar que os xiitas rejeitam este ponto de vista, 
seguindo, basicamente, apenas ao Corão e as histórias a respeito das 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comer
http://pt.wikipedia.org/wiki/Beber
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%A3o_sexual
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%A3o_sexual
http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isl%C3%A2mico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_ocidental
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maom%C3%A9
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_isl%C3%A2mico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hadith
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xiismo
 
 - 33 - 
 
práticas do profeta Maomé – nãonecessitando exatamente seguir 
seus passos. Os xiitas consideram Ali (o primo e genro do profeta 
Maomé) o sucessor legítimo da autoridade islâmica,e não os sunitas, 
outra seita do Islã, que assumiram a liderança da comunidade 
muçulmana, após conflitos instaurados com a morte do profeta, em 
632 d.C. 
 
c) Idjma – acordo unânime dos doutores do direito, isto é,os 
jurisconsultos designados (fuqahâ) pelo Estado, os quais são 
considerados sábios e herdeiros do profeta. O Idjma é estruturado 
com base nos anseios e acontecimentos sociais. Como o Corão ou a 
Suna nem sempre podem apresentar todas as respostas,em face da 
evolução da sociedade, criou-se o instituto para suprir lacunas. 
Criam-se dogmas oriundos da infalibilidade da comunidade 
muçulmana, quando se exprime um sentimento unânime. O que os 
muçulmanos consideram justo, julgam ser, também, justo para Alá. 
 
d) Fiqh – constituído pelas decisões dos estudiosos islâmicos, 
que dirigiram as vidas dos muçulmanos. O dever que se impõem ao 
muçulmano é o de observar otaqulid (reconhecer a autoridade dos 
doutores das gerações anteriores). Assim,o fiqh é um sitema 
doutrinal, fundado sobre a autoridade das fontes reveladas ou cuja 
infalibilidade foi admitida pelos antepassados. 
 
e) Recurso à convenção -princípios de autocomposição. 
Muito comum aos muçulmanos, sobretudo em razão da rigidez do 
sistema jurídico. 
 
 
2 – O DIREITO DA ÍNDIA 
 
A primeira grande cultura existente no território da atual 
Índia, devidamente comprovada pela Arqueologia, foi a civilização 
centrada em torno das três cidades-estados de Mohenjodaro, 
Harappa e Chanhudaro, civilização essa cujo apogeu ocorreu na 
primeira metade do segundo milênio antes de Cristo. 
A cultura em tela, localizada em torno do Rio Indo, foi 
destruída por volta de 1.500 a. C., muito provavelmente devida a 
invasão e conquista de boa parte do atual território indiano por um 
grupo étnico que se auto-identificava como "arianos" e falava um 
idioma indo-europeu: o sânscrito. 
Dessa conquista e colonização ariana da atual Índia, cujos 
pálidos ecos podem ser inferidos no mais antigo documento literário 
indiano (o Rig Veda), nasceu a atual Civilização Hindu. 
Durante a Dinastia Mauria (séculos IV a. C. - III a. C.) foi 
estabelecido o assim denominado Primeiro Império Hindu, e muitos 
especialistas consideram que tal dinastia marcou o apogeu da cultura 
clássica hindu, sobretudo devido as suas realizações políticas, 
artísticas e científicas. De fato, nesta dinastia, muitos dos aspectos 
essenciais da sociedade hindu atual já estavam presentes, ainda que 
de maneira embrionária. Dentre os elementos característicos da 
cultura hindu já existentes ao longo da Dinastia Mauria podemos 
citar o sistema de divisão da sociedade em castas que perdurou até a 
época da independência da Índia. 
No decorrer do século X da Era Cristã amplas porções 
territoriais do Leste, Norte e partes da região central da atual Índia 
foram ocupadas por conquistadores de fé islâmica, ocupação essa 
que resultou, com o tempo, na conversão de parcelas significativas 
da população desses territórios hindu ao credo muçulmano. Desse 
fenômeno histórico deriva, nos dias atuais, um dos problemas mais 
graves da Índia, qual seja os violentos conflitos etno-religiosos entre 
a maioria hindu e a minoria muçulmana, em especial no território da 
 
 - 34 - 
 
atual Cachemira Hindu que detém uma população de maioria 
islâmica. 
No decorrer da segunda metade do século XVIII d. C. a 
Inglaterra assume paulatinamente o controle sobre a atual Índia 
aproveitando-se do declínio do Império Mogul então estabelecido no 
território daquele país. Realmente, os mongóis de fé muçulmana 
nunca conseguiram se integrar totalmente à cultura hindu, em grande 
parte devido a sua origem etnocultural indo-persa, totalmente 
distinta das tradições culturais e religiosas hindus. 
A Índia só ganhou a sua independência política na segunda 
metade do século XX d. C., graças aos esforços de uma das figuras 
mais notáveis da última centúria: M. Gandhi. 
 
Cronologia 
Aproximadamente 1.500 a.C.: Invasão das tribos arianas da Índia à 
início da Civilização Hindu. 
1498-1510: Inicia-se o contato direto entre a Europa e a Civilização 
Hindu com a chegada dos portugueses ao território da atual Índia 
com a expedição capitâneada pelo português Vasco da Gama em 
1498. 
1526-1707: Período da Dinastia Mogul na atual Índia. 
1612: Início da colonização inglesa da Índia coma instalação de 
entrepostos comerciais ingleses no território hindu, em especial nos 
litorais leste e oeste daquele país. 
1746-1763: Luta ferrenha entre forças militares inglesas e francesas 
pelo domínio da atual Índia. Pelo Tratado de Paris (1763) a Grã-
Bretanha assegura a posse da maior parte do território do 
subcontinente indiano. 
1850-1930:Apogeu do domínio inglês na Índia. 
1947: Independência da Índia. 
O direito hindu 
 
O hinduísmo é uma religião que engloba princípiosdiversos, 
ao começar pelo bramanismo, a crença na "Alma Universal", cuja 
entidade máxima é Brâman. Constitui um sistema religoso com viés 
político,ordenado por castas. o hinduísmo é um estado de espírito, 
uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente 
dividido, teologicamente sem crença, desprovido de veneração em 
conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de congregação, com 
forte ligação aos elementos da natureza. Os hindus acreditam num 
espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, 
representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado 
sobre uma variedade de práticas que são vistos como meios de 
ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as 
partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser 
Não se pode confundir o direito hindu com o direito 
indiano, que é o direito territorial da Índia, enquanto estado 
moderno; o direito indiano é constituído sobretudo por leis da 
República Indiana, teoricamente aplicado a todos os habitantes do 
território; mas de fato, em muitos domínios, os direitos das 
comunidades religiosas subsistem, quer se trate do direito hindu quer 
se trate do direito dos Muçulmanos, quer se trate dos Cristãos, etc." 
A primeira e mais importante característica do direito hindu 
é que ele se constitui num direito de substrato religioso, muito 
embora não seja um direito advindo de uma "fé revelada", como é o 
direito muçulmano. 
Tal como o direito muçulmano, o direito hindu é um direito 
extremamente conservador e, enquanto tal, não incentiva mudanças 
sociais abruptas. Enquanto tal, é um sistema jurídico composto de 
normas extra-estatais de composição dos litígios-sociais, 
notadamente as de cunho religioso. 
A base do direito hindu encontra arrimo no sistema de castas, 
característico da Índia. Um sistema de divisão social com origem 
incerta. Tradicionalmente apresentado como advindo deBrahma, a 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bramanismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%A2man
http://pt.wikipedia.org/wiki/Casta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brahma
 
 - 35 - 
 
divindade criadora do universo, mashá estudiosos que entendem ter 
nascido da divisão entre os migrantes arianos que povoaram a 
Península da Índia e os nativos (dasya), que se tornaram escravos, 
por volta de 1600 a.C. As primeiras referências históricas sobre a 
existência de castas se encontram em um livro sagrado dos indianos, 
o Código de Manue, possivelmente escrito entre 800 a.C. e 250 a.C. 
As castas são grupos sociais hereditários e endógamos, isto é, 
cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo. 
São elas, hierarquicamente,de acordo com a parte do corpo de 
Brahma, da qual nasceram: 
• os brâmanes (sacerdotes e letrados) nascidos da cabeça; 
• os xátrias (guerreiros) nascidos dos braços; 
• os vaixás (comerciantes) nascidos das pernas; 
• os sudras (servos: camponeses, artesãos e operários) nascidos 
dos pés. 
• os dalits ( párias, pessoas sem castas, que, inlusive, nem 
entram na hierarquia social. Vivem marginalizadas.) da 
poeira debaixo do pé de Brahma. 
 
Importante destacar que aConstituição Indiana moderna 
rejeita a discriminação com base na casta, em consonância com os 
princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. Barreiras 
de casta deixaram de existir nas grandes cidades, mas persistem 
principalmente na zona rural do país. 
Por ser um sistema legal de origem religiosa o direito hindu pretende 
ir além e acima do Estado laico, ou seja, é um direito cujas normas 
são, exclusivamente, voltadas para a sua comunidade étnica-
religiosa. 
O direito hindu assenta-se numa visão hierarquizada da 
sociedade e, por via de consequência, os princípios legais que regem 
tal sistema jurídico estão longe de propiciar um tratamento jurídico-
legal igualitário. Tal característica do Direito Hindu explica, ao 
menos em parte, o relativo sucesso da conversão de uma grande 
massa de indianos à fé muçulmana que, pelo menos em tese, é uma 
fé socialmente igualitária e cujo Direito admite um tratamento 
jurídico isonômico. 
O professor John Gilissen preleciona que "a palavra 
"direito", no sentido que os Ocidentais lhe dão, não existe em 
sânscrito; os Hindus não conhecem o conceito das regras de 
comportamento sancionadas por um constrangimento físico.” O que 
corresponde melhor à nossa noção de direito é o dharma, que se 
pode traduzir duma forma muito aproximativa, por dever. 
O dharma é o conjunto das regras que o homem deve seguir 
em razão da sua condição na sociedade, isto é, o conjunto de 
obrigações que se impõem aos homens, por derivarem da ordem 
natural das coisas. O dharma, portanto, compreende regras que, 
segundo a nossa ótica, relevam umas da moral, outras do direito, 
outras ainda da religião, do ritual ou da civilidade. 
Mais que um direito, o dharma é um simples modelo que se adapta 
às derrogações e pede mesmo certas adaptações, dentro do espírito 
de realismo e, mais ainda, de tolerância, que constitui a marca 
instintiva do hinduísmo. 
As fontes do dharmasão três, a saber: 
1)o Veda que, em suma, é o somatório de todo o saber ou verdades 
de cunho moral e religioso reduzidos a determinados preceitos 
escritos contidos nos livros sagrados, dos quais o mais importante é 
o Rigveda; 
2)a tradição; 
3)o costume. O professor John Gilissen indica que "há um número 
infinito de costumes, diferentes não somente de uma região para 
outra, mas sobretudo de uma casta para outra: cada casta tem, em 
cada região, o seu costume próprio, a sua "maneira de viver das 
pessoas de bem (sadacara)." 
O direito hindu sofreu, nos dias atuais, profunda reformas. Continua 
a ser um direito unicamente aplicável à parte hindu da população da 
Índia; mas numerosos costumes que comprometiam a unidade deste 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arianos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pen%C3%ADnsula_da_%C3%8Dndia
http://pt.wikipedia.org/wiki/1600_a.C.
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Manue&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/800_a.C.
http://pt.wikipedia.org/wiki/250_a.C.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Endogamia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Casta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Secularismo
 
 - 36 - 
 
direito foram abolidos. Em relação ao passado, esta é uma 
importante modificação. 
O Direito Indiano (Direito Nacional da Índia) 
O direito hindu, na Índia atual, tende a ser substituído por um direito 
laico de aplicação nacional, direito esse inspirado em grande parte 
pelo common law. Segundo o eminente professor René David, "os 
códigos e leis com que a Índia foi dotada, na época do domínio 
britânico, são fundados sobre os conceitos do direito inglês. Estão, 
porém, longe, de ser uma obra, de simples consolidação; não se 
limitaram a expor sistematicamente as regras do direito anterior; a 
codificação foi utilizada para reformar o direito." (David, René: Os 
Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. pág. 459). E 
prossegue o festejado autor, "a independência da Índia não acarretou 
uma revisão dos conceitos implantados na época da dominação 
britânica, nem tampouco colocou em perigo a obra legislativa 
realizada." (David, René: Os Grandes Sistemas do Direito 
Contemporâneo. pág. 462). 
De fato, a criação de um Estado moderno e eficiente, bem 
como a instituição de uma verdadeira Democracia num país de mais 
de um bilhão de pessoas, com a correspondente superação das 
gigantescas desigualdades sociais, econômicas e etno-culturais que 
ainda persistem por todo aquele país, demanda a criação de um 
sistema jurídico laico de abrangência nacional. 
Neste sentido, o atual direito indiano é, antes de mais nada, um 
sistema jurídico de origem estatal que extrapola as diversas etnias ecomunidades religiosas que formam a Índia contemporânea para ser 
um Direito supra-étnico e desvinculado desta ou daquela fé religiosa. 
 
Leia mais: http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito-
indiano#ixzz39v8Xg3xa 
 
 
3 – OS DIREITOS DO EXTREMO ORIENTE 
3.1. DIREITO CHINÊS 
A tradição chinesa desdobrou-se em um mundo fechado, que 
recusava a presença e o contato com o estrangeiro e que para o 
ocidente era tema das incríveis narrativas de Marco Polo. O Direito 
chinês surgiu há mais de 4mil anos, durante a dinastia Xia, a 
primeira dinastia da história chinesa. Durante séculos a China 
floresceu isoladamente do resto do mundo. A codificação da lei na 
antiguidade chinesa, primeiramente de natureza penal, foi 
empreendido durante as dinastias Qin (221-206 a.C.), Tang (618-907 
d.C), Song (960- 1279 d.C.), Ming (1368-1644 d.C.) e Qing (1644-
1912 d.C.)" 
A China há muito afastou-se do imaginário meramente 
comunista, que já foi vista como país pobre, símbolo da 
mortalidade infantil, juvenil e profissional, no qual se desdobram 
negócios escusos, que engendram a popular referência de negócio da 
China. 
Todo esse processo teve inicio a partir da revolução comunista 
de 1949,a qual desdobra-se em dois momentos. A primeira até a 
morte de Mao TséTung, em 1976,e a segunda, um período 
pragmático, que chega aos dias atuais. 
A partir deste período, a vida cultural, bem como o direito, 
ensaiam uma aproximação com as feições ocidentais. 
O texto constitucional chinês conta com extenso preâmbulo 
que sintetiza a história do país. Afirma-se de início que a China é um 
dos países mais antigos do mundo. Indica-se que as diversas 
nacionalidades chinesas, que contribuíram para a criação de uma 
cultura brilhante, possuem tradições revolucionárias gloriosas. 
http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito-indiano#ixzz39v8Xg3xa
http://jus.com.br/artigos/5488/o-direito-hindu-e-o-direito-indiano#ixzz39v8Xg3xa
 
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Observa-se que a partir de 1840 da Era Cristã as tradições feudais 
chinesas sofreram impactos que transformaram o país, cuja estrutura 
passou a transitar do semicolonial para o semifeudal. Conta-se, ainda 
no preâmbulo do texto constitucional, que o povo chinês tem lutado 
incessantemente, objetivando a independência do país, a libertação 
nacional e a conquista da democracia. Observa-se no referido 
preâmbulo que ao longo do século XX transformações históricas 
alteraram drasticamente a China. 
O trecho do preâmbulo refere-se à revolução de 1911, dirigida 
por Sun Yat-Sen (que é nominado de doutor), e que teria abolido a 
monarquia feudal, fundando a República Chinesa. Restava no 
entanto inacabada a tarefa histórica do povo chinês (nos termos do 
preâmbulo); a empreitada de enterrar o imperialismo e o feudalismo. 
Sob a direção do Partido Comunista Chinês (e de seu guia, Mao Tsé-
Tung), as diferentes nacionalidades chinesas, depois de anos de lutas 
e de dificuldades, conseguiram finalmente, em 1919, derrubar o 
imperialismo, o feudalismo e o capitalismo burocrático. 
Consolidava-se a vitória popular, e ainda nas palavras do preâmbulo 
da constituição chinesa, conquistava o povo a posição de senhor e 
mestre do próprio país. 
Continua o preâmbulo indicando que após a fundação da 
República Popular Chinesa a sociedade passou pela transformação 
progressiva de democracia para regime socialista pleno. Realizou-se 
a apropriação socialista da propriedade privada dos bens de 
produção, abolindo-se o sistema de exploração do homem pelo 
homem, mediante a instalação definitiva do regime socialista. A 
“ditadura democrática” popular, dirigida pela classe trabalhadora é 
baseada em aliança entre operários e camponeses. Afirma-se que o 
povo chinês e o exército popular de libertação enfrentaram 
agressões, sabotagens e provocações armadas do imperialismo 
internacional, conseguindo manter a independência e a segurança do 
país, reforçando a segurança nacional, desde então consolidada. 
Afirma que graças aos sucessos obtidos pelo movimento de 
reconstrução econômica logrou-se a obtenção de sistema socialista 
independente e relativamente completo, garantindo-se o crescimento 
da economia agrícola. Observou-se que a educação, a ciência e a 
cultura se desenvolveram a partir do triunfo da revolução comunista. 
Expõe que a educação ideológica socialista registrou sucessos, 
melhorando-se as condições de vida da grande massa do povo 
chinês. Reafirma-se a liderança do marxismo-leninismo, sob a batuta 
de Mao-Tsé-Tung, sem que pese obstáculos e dificuldades. 
Consigna-se que a China encontra-se vivendo a primeira etapa do 
socialismo. O Estado teria como tarefa fundamental a concentração 
de esforços relativos a modernização socialista, levando-se em conta 
as peculiaridades chinesas. O preâmbulo da constituição chinesa 
consigna que os exploradores do país foram liquidados enquanto 
classe social. Continua-se com a declaração de que Taiwan é 
território sagrado da República Popular da China, cuja obra 
grandiosa de reunificação depende da absorção daquele território. 
Consigna-se que o Estado vai se valer de todos os esforços 
para contribuir para a prosperidade comum das diversas 
nacionalidades. De modo a desenvolver suas relações diplomáticas e 
o intercâmbio econômico e cultural com os outros povos, a China 
leva em conta os seguintes princípios, a saber: respeito da soberania 
e da integridade territorial, não agressão mútua, não ingerência em 
negócios internos, igualdade e vantagens recíprocas, coexistência 
pacífica. Reafirma-se a continuidade da luta contra o imperialismo, 
contra hegemonias, contra o colonialismo. O preâmbulo da 
 
 - 38 - 
 
constituição chinesa reforça solidariedade para com todos os povos 
da Terra, apoio às nações oprimidas e ajuda aos países em 
desenvolvimento. Como pano de fundo busca-se o desenvolvimento 
da economia nacional e a obtenção da paz mundial e do progresso da 
humanidade. A constituição é documento que consagra sob forma 
normativa a luta do povo chinês, ainda nas palavras do extenso 
preâmbulo que se acabou de considerar. 
Após o longo preâmbulo, o texto constitucional chinês 
propriamente dito indica que a República Popular da China é um 
Estado socialista de ditadura democrática popular, dirigida pela 
classe trabalhadora e baseada em aliança entre operários e 
camponeses. Decreta-se que o regime socialista é o sistema 
fundamental da República Popular da China, proibindo-se que 
qualquer indivíduo ou organização atente contra o regime. Afirma-
se que todo o poder pertence ao povo. Esse poder é exercido por 
meio de uma Assembléia Nacional Popular e pelas assembleias 
populares locais. O povo participa na gestão do país, dos negócios, e 
da cultura nacional, do modo como previsto em lei ordinária. 
Os órgãos de Estado funcionam nos termos de um centralismo 
democrático. A Assembleia Popular Nacional e as assembleias locais 
contam com membros democraticamente eleitos. Órgãos 
administrativos, judiciários e do ministério público são escolhidos 
pelas assembleias populares, em relação a quem são responsáveis e 
por quem são controlados. Um poder central nacional concentra 
condição de orientador de políticas e ações, tomadas com 
participação e dinamismo das populações locais interessadas. 
Afirma-se que todas as nacionalidades são iguais em direitos 
no quadro da República Democrática da China. O Estado garante o 
gozo de direitos e de interesses legítimos de minorias nacionais. 
Condenam-se todas as formas de discriminação e de opressão. 
Garantem-se a todas as minorias nacionais o poder de uso da própria 
língua, da escrita, bem como o direito de conservação ou de reforma 
de usos e costumes. 
 
Abertura de mercado. 
 
A abertura externa ficou consolidada com excerto 
constitucional indicativo de que nos termos das disposições legaisda República Popular da China autorizam-se empresas, 
organizações econômicas e cidadãos de países estrangeiros a 
investirem e praticarem diversas formas de cooperação econômica 
com empresas e organizações econômicas chinesas. E também se 
determinou que as empresas e organizações econômicas de países 
estrangeiros, bem como as empresas mistas, de capital chinês e 
estrangeiro, instaladas em território chinês, devem observar as leis 
da República Popular da China. E de modo a se implementar 
proteção ampla ao capital estrangeiro consignou-se que os direitos e 
interesses legítimos das empresas estrangeiras são protegidos pela 
lei. 
A constituição da China imputa ao Estado a obrigação de 
desenvolver uma educação socialista que tenha por objetivo elevar 
níveis científicos e culturais do povo. Determina-se que o Estado 
deva desenvolver serviços médicos e sanitários, a medicina e a 
farmacologia modernas, além da medicina e da farmacologia 
tradicionais. Indica-se também que o Estado deva prosperar os 
esportes e as atividades esportivas de massa, com o objetivo de se 
melhorarem as condições físicas do povo chinês. Ao Estado incumbe 
o desenvolvimento das letras e das artes, da imprensa, do rádio e da 
 
 - 39 - 
 
televisão, das bibliotecas, das casas de cultura, das obras culturais 
em geral que se prestem ao desenvolvimento do socialismo, bem 
como deve encorajar as atividades culturais de massa. Ao Estado 
incumbe, também, o desenvolvimento do planejamento popular, de 
modo que se assegure a harmonia entre o crescimento demográfico e 
os planos de desenvolvimento econômico e social. Do ponto de vista 
ambiental, o Estado deve proteger e melhorar o meio ambiente, 
lutando incessantemente contra indicativos de poluição. O Estado se 
vê obrigado pela constituição a organizar e fomentar o plantio de 
árvores, além de proteger as florestas. 
Proclama-se a igualdade de todos os cidadãos em face da lei. 
Outorga-se a liberdade religiosa. Não se permite qualquer 
obrigatoriedade de vínculo religioso, para quaisquer fins. O Estado 
protege as práticas religiosas que reputa como normais. Decreta-se 
que liberdade individual dos cidadãos da República Popular da 
China é inviolável. Não se permite qualquer forma de prisão que não 
decorra de decisão de ministério público ou justiça popular. Quanto 
ao trabalho, consignou-se que os cidadãos da República Popular da 
China têm direito e dever de trabalhar. O Estado se obriga a criar 
empregos, a melhorar as condições de trabalho, a desenvolver a 
produção, a assegurar a remuneração e o bem estar dos 
trabalhadores.. Garante-se o direito ao repouso. Prevê-se modelo de 
aposentadoria, garantida pelo Estado. 
Indicou-se na constituição chinesa que o Estado fornece 
formação às crianças, aos adolescentes e aos jovens, nos planos 
moral, intelectual e físico. O casamento, a família, a mãe e as 
crianças recebem a proteção do Estado. O planejamento familiar é 
obrigação do marido e da esposa. A educação dos filhos é dever dos 
pais. Proíbem-se -os maus tratos de anciãos, mulheres e crianças 
O Estado estrutura-se em Assembléia Popular Nacional que 
consiste no órgão supremo do poder estatal, com omandato do 
representante popular na Assembléiade cinco anos. Dentre as várias 
funções, compete ao referido órgão emendar a constituição, de cuja 
aplicação é responsável; de elaborar o código penal e o código civil 
e as leis fundamentais referentes à estrutura do Estado; de eleger o 
presidente e o vice-presidente da República; de escolher o primeiro-
ministro; de examinar e aprovar o plano de desenvolvimento da 
economia nacional, dentre outros. 
O direito chinês propicia o encontro entre as tradições 
ocidentais e orientais, vinculando-se constitucionalismo a 
confucionismo, em ambiente pós-comunista e neocapitalista. 
 
O Confucionismo é a ideologia religiosa e sociopolítica de 
Confúcio. Entre seus princípios, o principal é conhecido pelos povos 
orientais como junchaio, que são considerados os ensinamentos dos sábios. 
Este princípio é o que define o Tao (caminho superior), uma maneira de ter 
uma vida equilibrada, satisfazendo as vontades do céu e da terra.Adoutrina 
do Confucionismo durou na China aproximadamente dois mil anos, indo 
do século II ao século XX com milhões de adeptos. Além da forte presença 
na China a religião de Confúcio também tem diversos adeptos no Japão, 
Cingapura e Coréia do Sul. 
Certifica-se que na China atual há uma enorme quantidade de 
religiões,tendo quase todas elas um número considerável de adeptos 
(cristãos, muçulmanos, budistas). Contudo, acredita-se que em média 35% 
da população chinesa, aproximadamente,seja formada por agnósticos ou 
ateus. 
 
O modelo jurídico chinês é, certamente,intrigante, instigante e 
perturbador, sobretudo se forem colocados a baila a rigidez com que 
se tratam criminosos; o destino do segundo filho de um casal e 
principalmente a liberdade de imprensa e de expressão. 
http://www.infoescola.com/biografias/confucio/
http://www.infoescola.com/filosofia/confucionismo/
http://www.infoescola.com/filosofia/confucionismo/
 
 - 40 - 
 
 
 
 
 
O medo da superpopulação levou o governo a criar regras severas -e 
quase sempre violentas- para regular o nascimento de crianças no país. 
Mesmo com o abrandamento provocado pelo corte de verbas da UNPF 
(United Nations Peace Force;Força de Paz das Nações Unidas; Fundo 
de População)para a China, casais em áreas urbanas continuam podendo 
ter apenas um filho, e na maioria das regiões rurais as famílias podem 
tentar uma segunda criança, se a primeira for mulher. A preferência por 
bebês do sexo masculino, especialmente na zona rural, tem uma explicação 
social. Casais idosos têm no filho homem sua única esperança de 
sobrevivência, pois quando estão velhos demais para trabalhar precisam ser 
sustentados pelos filhos. As mulheres, depois de casadas, são consideradas 
parte da família do marido, e por isso não têm como sustentar seus pais. 
Na maior parte do país, aqueles que têm um segundo filho ilegalmente 
estão sujeitos a multas, esterilização e outras penalidades graves. Há 
relatos de famílias que tiveram suas casas destruídas ou incendiadas. Para 
evitar punições, muitos adotam a medida desesperada de abandonar seus 
filhos ilegais à própria sorte. Existem, hoje, cerca de 80 milhões de filhos 
únicos na China. Eles são conhecidos como pequenos imperadores. Em 
outubro de 2015, no entanto, o governo chinês aboliu a lei por conta do 
envelhecimento da população, ao passar a permitir até dois filhos por 
família.[2] 
 
Leia mais: http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional-
chines#ixzz39vSVo3MT 
 
 
 
 
 
3.2. DIREITO JAPONÊS 
 
Em 646, com o inicio da era Taika, surgem os primeiros 
movimentos do direito Japonês, resultado de sua relação com a 
China,extraindo dali algumas tradições, modos de pensar, costumes 
(bem distintos dos moldes ocidentais).Foram formadas compilações 
jurídicas, chamadas ritsu-ryô, embasadas no modelo chinês, 
quecomportam regras repressivas (ritsu) e administrativas (ryô). 
Neste período,funcionava precariamente no Japão o sistema 
de repartição de terras, porém, logo foi instituído um elemento 
fundamental na sociedade japonesa nos séculos IX e X, a senhoria 
(shô), que se desenvolve à custa de terras publicas, gozando de 
incentivos fiscais. O chefe do shôtransformou a dotação hereditária 
em um grande domínio fundiário, exercendo no interior do shô 
poderes de jurisdição soberanos. A impotência da justiça criminal, a 
insegurança que dela resulta e as guerras civis, no fim do século XII 
levam à combinação com este regime senhorial de um novo regime 
feudal, tirando do imperador todo o poder real e a nobreza da corte 
dos kuge é levada ao declínio. 
O imperador continuou a ser uma personalidade importantee 
venerada, devido às prerrogativas de ordem sagrada que exerce, 
porem sem poder. Fortalece-se umacasta militar (buke, bushi, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Envelhecimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_do_filho_%C3%BAnico#cite_note-al-jazeera-2
http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional-chines#ixzz39vSVo3MT
http://jus.com.br/artigos/10526/introducao-ao-direito-constitucional-chines#ixzz39vSVo3MT
 
 - 41 - 
 
samurai) que vai governar o Japão, vivendo segundo um direito 
consuetudinário próprio (buke-hô), que constitui a sua lei pessoal. 
Na era dos ShogunTokugawa (1603-1868), foi inaugurada no 
Japão uma política de isolamento (shogunato). Por reação às 
influências europeias, o confucionismo é admitido como doutrina 
oficial. Uma política de estreita vigilância e de delação é inaugurada 
em 1597 com a constituição, em todo o país, de grupos de cinco 
pessoas (goningumi), encarregados de denunciar os crimes, manter a 
ordem pública, dar a conhecer à política as mudanças dos seus 
membros ou a presença de estranhos. Este grupo deve estar de 
acordo para que um processo possa ser intentado. Intervêm na vida 
familiar dos seus membros, fornece-lhes conselheiros ou 
testemunhas, controla a maneira como as terras são exploradas. Esta 
instituição marcou profundamente o espírito japonês durante a era 
dos Tokugawa, deixando ate aos dias atuais diversos traços no 
Japão. 
A ordem estabelecida é considerada a época como uma ordem 
natural, imutável; é formada sobre uma estrita separação das classes 
sociais (guerreiros, camponeses, comerciantes) e sobre um princípio 
de hierarquia destas diversas classes. Todo o modo de vida dos 
japoneses é determinado pela classe à qual pertencem. 
 
Caracteres gerais 
A ideia de direito não é muito difundida nas relações entre 
pessoas pertencentes à mesma classe. Tal como na China, no Japão 
fica-se chocado pela brutalidade das soluções. Desenvolveu-se todo 
um conjunto de regras que dizem respeito às conveniências tanto ou 
mais que a moral, e que regulam em todas as ocasiões da vida a 
conduta dos indivíduos nas suas relações. 
Estas regras de comportamento, análogas aos ritos chineses, 
são chamadas giri. O giri substitui o direito e, segundo certos 
japoneses, substitui mesmo a moral. Seria uma vergonha, uma falta 
de caráter para um japonês, não respeitar um dos girisno quais se 
encontra inserido,daí a explicação para o considerável número de 
suicídios entre a população, mesmo na atualidade. 
A era de Meiji 
 
A era Meiji constitui-se no período de governo do Imperador Meiji 
no Japão, estendendo-se de 1867/68a 1902. Nessa fase, o Japão conheceu 
uma acelerada modernização, vindo a se transformar numapotência 
mundial. Numa renovação total da sociedade japonesa, um Estado 
democrático de tipo ocidental tomou lugar do Estado 
feudal,propiciando um progresso enorme que fez do Japão uma das 
maiores nações contemporâneas no comercio mundial. 
A unidade política do país permitiu a centralização da administração 
pública, e a intervenção do Estado na economia. Isso, por sua vez, 
possibilitou reformas econômicas que consistiram na eliminação de 
entraves e resquícios do modo de produção feudal, na liberação da mão-de-
obra, e na assimilação da tecnologia ocidental, preparando o Japão para o 
capitalismo.em sua revoluçao. Os antigos feudos foram extintos e os 
privilégios pessoais foram eliminados através de uma reforma 
agrária e da reformulação da legislação do imposto territorial rural. 
Foi instituído como moeda oficial oIENE , houve a criação do 
Banco do Japão, e implantação do ensino primário obrigatório, além 
da centralização do poder e do fortalecimento do Estado. Neste 
período, foram criadas, também, universidades e o gabinete 
parlamentar, além de ter sido promulgada a primeira constituição, 
em 1889, instaurando-se uma monarquia constitucional. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meiji_do_Jap%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meiji_do_Jap%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/1867
http://pt.wikipedia.org/wiki/1902
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Feudalismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o-de-obra
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o-de-obra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_agr%C3%A1ria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_agr%C3%A1ria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imposto_territorial_rural
http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_do_Jap%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia_constitucional
 
 - 42 - 
 
Paralelamente,surgiram os zaibatsus, grandes conglomerados 
empresariais originados dos clãs familiares, a exemplo da Mitsubishi 
e da Mitsui. Tais conglomerados passaram a dominar cada vez mais 
a economia japonesa, atuando praticamente em todos os setores 
industriais, além do comércio e das finanças. Estes logo 
incorporaram as indústrias menores e, inclusive, as indústrias do 
Estado. Com esse processo de modernização, o Japão industrializou-
se rapidamente, fortalecendo a sua economia. 
 
Ocidentalização do direito 
A ocidentalização do direito japonês foi decidida quando se 
iniciou a era Meiji, Neste período, havia a necessidade de acabar 
com os tratados de comercio desiguais impostos pelas potências 
ocidentais,em razão do imperialismo que ocorria no período. Os 
referidos tratados impostos em 1858 eram considerados pelos 
japoneses como humilhantes, o que de certa forma redefiniu os 
caminhos traçados por este país no início do século XX, quando 
participou ativamente dos grandes confrontos mundiais. 
Há mais de140 anos, quando o regime do Shogunato foi 
derrubado e a autoridade do Mikado restaurada, com a retomada do 
poder pela família imperial, existiam poucas leis escritas no Japão e 
o direito consuetudinário do país era incerto e variável. Por causa 
disso, ao mesmo tempo se fazia sentir a necessidade de estabelecer 
uma nova ordem adaptada à nova sociedade. Era necessário que esta 
ordem fosse clara e exatamente fixada pelo direito escrito. É então 
que começa a relação íntima entre o código civil francês e o direito 
civil e a ciência deste direito no Japão. O Japão, que havia rompido 
todas as relações com os países estrangeiros durante muitos séculos, 
agora aproximava-se dos moldes da Família Romano Germânica, 
porém, sem deixar de lado seus costumes e tradições. 
Não existia nenhum jurista japonês, e havia necessidade de 
encontrar termos apropriados para exprimir noções tão elementares 
como a de direito subjetivo (kenri) ou de obrigação jurídica (gimu), 
de todo estranhas ao pensamento japonês. 
O Japão estava se tornando uma nação moderna, era natural que se 
quisesse revisar aquele tratado sobre um prisma de igualdade. 
Entretanto, para abolir a jurisdição extraterritorial, fazia-se 
necessário manifestar o fato de que o Japão estava se tornando um 
país civilizado tendo uma ordem social inteiramente moderna. Este 
país já tinha em seu passado uma cultura oriental superior, mas ele 
nunca havia possuído uma ordem moderna. Assim convinha-lhe 
estabelecer um direito moderno. 
As classes sociais desapareceram e as restrições feudais foram 
abolidas. Assim foi reformada a ordem social. Entretanto, o povo 
não pôde compreender esta nova ordem porque as razões da 
revolução não se lhe apresentavam de maneira tão clara e, por 
consequência, ele não foi mais do que um mero espectador dessa 
comoção. 
Em 1870, três anos após a revolução o governo começou a 
codificação do direito civil. Para realizá-la rapidamente, pareceu 
cômodo tomar como modelos os direitos civis das nações modernas 
e avançadas. Ora, a França era, então, a única potência que tinha um 
direito moderno escrito,e se colocava bem no topo da civilização 
moderna, conquanto o direito tanto o germânico quanto o anglo-
saxão tenham recepcionado amplamente o direito romano, se 
baseava, sobretudo nos costumes e na moralidade, não se 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zaibatsus
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A3
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitsubishi
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitsui
http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio
 
 - 43 - 
 
corporificando em leis escritas, menos ainda codificadas. Quanto ao 
direito inglês, era difícil de copiar porque ele era não escrito. 
Também o governo decidiu mandar traduzir o código civil que 
deveria servir de base à elaboração do projeto. A tradução foi 
confiada por Yeto, o primeiro Ministro da Justiça após a restauração, 
a RinshoMitsukuri, um sábio que viveu na França de 1866 a 1868. 
No entanto, a tradução somente não foi suficiente para fazer com 
que os Juízes japoneses prolatassem decisões justas e equânimes; era 
necessário o auxílio de pessoas competentes para orientar os 
magistrados. Assim,o governo Francês foi contatado para indicar 
alguns juristas especialistas, o que foi feito com êxito. 
Após auxílio francês,cerca de duas décadas depois foi proposto 
um projeto de Código Civil, com base na estruturaalemã, mas no que 
concerne ao conteúdo, teve igual influência do direito alemão e do 
direito francês. Este projeto foi submetido ao parlamento em 1896 e 
foi posto em vigor em 16 de julho de 1898. Foi esse o Código Civil 
Japonês que permaneceu em vigor até o fim da segunda guerra 
mundial, após a qual foram completamente revisados o direito da 
família e o direito das sucessões. Depois da entrada em vigor do 
Código civil em 1898, a ciência do direito civil no Japão adquiriu 
uma característica sensivelmente alemã. Mas, o princípio da 
liberdade da convenção, aquela da propriedade absoluta e da 
responsabilidade por culpa, que são os princípios fundamentais do 
direito civil francês e que são a expressão dos princípios ainda mais 
fundamentais do respeito ao livre arbítrio e da proteção imparcial 
dos interesses do indivíduo, já haviam sido introduzidos no Japão 
onde eles têm sido mantidas. 
Em suma, o Direito Romano, por ser a base para o Direito na 
França e Alemanha, foi de fundamental importância no Direito do 
Japão a partir da segunda metade do século XIX, pois ate 1868, o 
Japão não tinha contato com o mundo ocidental e vivia sobre um 
regime onde a Lei era exercida por uma classe dominante, com 
regras próprias, variáveis e desiguais. 
O direito no Japão no pós-segunda guerra teve importantes 
modificações serão introduzidas no Direito Japonês, depois de 1945. 
Mas não se tratará, de modo algum, de regresso às regras mais 
conformes ao espírito e à civilização do Japão. 
As reformas então introduzidas, tendo em vista a 
democratização do Japão, são de inspiração americana (1946), 
reformam a organização administrativa, o estatuto da função pública, 
a competência e o processo em matéria administrativa; reorganizam, 
sobretudo, de modo radical, o sistema dos tribunais e a polícia e 
introduzem diversas modificações nos códigos existentes. Tudo com 
embasamento na recuperação japonesa,devastada pela Segunda 
Guerra Mundial, com os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, 
em agosto de 1945. 
Surgiu assim, um capitalismo de Estado ou de grandes homens 
de negócio, ao lado de um proletariado rural cuja condição pouco 
mudou, e que está unido por elos estreitos ao proletariado industrial. 
O direito vem ocidentalizando-se, mas o mesmo não pode ser 
dito de sua população. Os costumes dos japoneses evoluem, 
certamente, e aproximam-se gradualmente daqueles que as leis 
supõem; o movimento vai-se ampliando no meio urbano e nas 
jovens gerações. Porém, a sociedade japonesa, está ainda longe, pela 
sua estrutura e pelos seus costumes, de ser uma sociedade ocidental. 
Os costumes e maneiras de pensar de outrora continuam vivos na 
maioria dos japoneses, mesmo nas cidades e nos trabalhadores ou no 
comércio. 
 
 - 44 - 
 
4- HISTÓRIA DO DIREITO BRASILEIRO: O DIREITO NO 
BRASIL COLONIAL. CONSTITUIÇÃO E CODIFICAÇÃO 
NO BRASIL DO SÉCULO XIX. OS SÉCULOS XIX E XXE 
SUAS INOVAÇÕES REPUBLICANAS. 
 
 
A História do Direito no Brasil não é tema recente, assim 
como não o é a história geral do direito no planeta e no atual mundo 
globalizado. Vale ressaltar que em princípio, durante a colonização, 
não se pode falar em uma “teoria jurídica”, uma vez que a concepção 
de lei, direito e justiça estava vinculada unicamente às diretrizes da 
Igreja. Os primeiros trabalhos de cunho jusfilosófico, ao contrário do 
que se poderia imaginar, preocupavam-se basicamente em não 
desagradar a metrópole. 
Embora existente desde o período colonial,o direito ganha 
destaque científico, como um todo, no transcorrer do século XX A 
ideia geral do Direito brasileiro contemporâneo só pôde ser definida 
ao longo do desenvolvimento jurídico dos períodos anteriores. 
Assim, será criado um diagnóstico do direito brasileiro ao longo dos 
séculos, para que se possa compreendê-lo na atualidade. 
 
O Direito na Época do Brasil Colonial 
 
Nos primórdios da estrutura político-econômica brasileira a 
convivência entre um sistema patrimonialista e, ao mesmo tempo, de 
burocracia liberal-individualista, representava um paradoxo, 
explicado por elementos econômicos, sociais, ideológicos e 
políticos. Como é sabido, o modo de produção colonial era baseado 
na complementaridade em relação à metrópole e a constituição de 
monopólios, principalmente agrícolas, de exportação. Nos primeiros 
séculos após o descobrimento, portanto, a produção brasileira 
refletiu, tão-somente, os interesses da metrópole. 
No que concerne à formação social, é de se dizer que se baseava em 
uma derivação do sistema feudal, com lastro no latifúndio e na mão-
de-obra escrava. Portanto, “o sistema aglutinava certas práticas de 
base feudal com uma incipiente economia de exportação centrada na 
produção escravista” (Wolkmer, 2006:39). 
Já quanto à estrutura política, a administração era realizada em 
um contraditório sistema de pulverização do poder entre os 
donatários, senhores de escravos e proprietários de terras e a 
tentativa de centralização pela Coroa, sempre distante dos interesses 
da população, gerando um “Estado” sempre defensor das elites 
sociais e com tradição de “intervencionismo estatal no âmbito das 
instituições sociais e na dinâmica do desenvolvimento econômico” 
(Wolkmer, 2006:41). 
Esses aspectos econômicos e políticos são essenciais para 
encontrar as raízes da formação social e política brasileira, inclusive 
a jurídica. Isso porque a ideologia propagada pela contrarreforma 
encontrou sua maior defesa na Península Ibérica, cujo desprezo pelas 
práticas mercantis lucrativas e subserviência aos dogmas católicos 
vieram a dificultar o aparecimento de uma burguesia rica e o 
desenvolvimento cultural, econômico e científico baseado na 
racionalidade. “Em consequência, Portugal distanciava-se do ideário 
renascentista, ... no apego à tradição estabelecida e na propagação de 
crenças religiosas pautadas na renúncia, no servilismo e na 
disciplina” (Wolkmer, 2006:43) 
Somente com a reconciliação de Portugal com a Europa e com 
as drásticas reformas implementadas pelo Marquês de Pombal é que 
 
 - 45 - 
 
se possibilitou um movimento renovador que ofereceu condições ao 
advento do liberalismo português. Esse fato vai ser determinante na 
história brasileira, porque esse liberalismo será transposto à colônia, 
encontrando um espectro econômico e social, em princípio 
inconciliáveis. 
No transcorrer do século XVI, a legislação colonizadora e o 
Direito Nativo passam a coexistir informalmente, de forma 
sincrética, uma vez que havia a e supremacia metropolitana. O 
direito português como influência para a formação jurídicano Brasil, 
subjugou as práticas informais negras (dos povos para cá trazidos) e 
índias (dos que aqui já habitavam). 
A fase colonial caracterizou-se, inicialmente, por uma prática 
político-administrativa tipicamente feudal, sendo o direito vigente 
uma transferência completa da legislação portuguesa. Contudo, as 
características da Colônia fizeram necessárias algumas Leis 
Extravagantes, como a Lei da Boa Razão, que minimizava a 
autoridade do Direito Romano e visava beneficiar e favorecer a 
Metrópole, em um modelo que viria a ser repetido por toda história 
brasileira de dissociação entre a elite governante e população. O 
modelo jurídico então existente, portanto, buscava garantir a defesa 
dos interesses da estrutura elitista de poder, fundado, inicialmente, 
no idealismo jusnaturalista e, posteriormente, na exegese positivista, 
mas sempre com um descaso pelas práticas costumeiras de um 
Direito nativo e informal. 
Desde o século XVII, a elite dominante e seus letrados servis 
buscaram justificar, sob o aspecto religioso, moral e jurídico, um 
projeto cristão-colonialista, colocando em relevo a legitimidade da 
escravidão e a fundamentação de normas que institucionalizassem o 
controle. Para que esse modelo elitista e patrimonialista funcionasse, 
era necessária a sua institucionalização por meio de preparados 
profissionais e regulares instâncias processuais. 
Os operadores jurídicos e a administração da justiça 
A princípio, durante o período das capitanias hereditárias, eram os 
donatários os responsáveis pela administração da justiça, situação 
que veio a modificar-se com o advento dos governadores-gerais, 
evoluindo para criação de uma justiça colônia, que visava tornar 
mais fácil impor um sistema de jurisdição centralizadora, de 
interesse da Coroa. 
Uma estrutura inicial teve que ser dilatada diante do 
crescimento das cidades, surgindo um sistema composta de juízes 
singulares e os chamados “Tribunais de Relação”, órgãos colegiados 
a quem se dirigiam os recursos de agravo e apelação, mas que 
também tinha uma competência originária determinada, enquanto a 
terceira instância era representada pela “Casa da Suplicação”, na 
Metrópole. 
Foram criados Tribunais de Relação no Brasil, primeiramente 
na Bahia e posteriormente no Rio de Janeiro, cuja composição era 
formada, quase na totalidade, por portugueses, ou ainda por 
brasileiros formados na Metrópole. Em geral, a escolha de 
magistrados era feita com base em um recrutamento que garantisse 
um padrão mínimo, mas vinculado a apadrinhamentos. Esses juristas 
deveriam ser formados na Universidade de Coimbra e ter exercido a 
profissão por pelo menos dois anos. 
Tais operadores do direito (geralmente de classe média), cujos 
padrões eram rigidamente formais, encontraram um sistema baseado 
em laços de parentesco, dinheiro e poder. Esses contatos pessoais 
favoreciam a corrupção e, como consequência, era natural que os 
magistrados que faziam fortuna e alcançavam poder social 
 
 - 46 - 
 
aspirassem permanecer na Colônia, mesmo com a possibilidade de 
retorno à Metrópole. 
Assim, no Brasil-Colônia, a administração da justiça atuou sempre 
como instrumento de dominação, em atitudes e relações não 
profissionais de ‘dominação tradicional’ com práticas 
administrativas profissionais marcadas pela especialização, 
hierarquia e carreira burocrática. 
Todavia, também houve a presença da justiça eclesiástica e, 
não obstante nunca ter ocorrido um Tribunal de Inquisição em solo 
brasileiro, casos mais graves eram julgados em Portugal. Nesse 
sistema de dominação “não havia lugar para os judeus, cristãos-
novos, muçulmanos, negros, mulatos, ciganos, heterodoxos ou 
contestadores de qualquer” (p. Wolkmer, 2006: 70). 
Portanto, tanto na administração convencional da justiça 
quanto nos tribunais eclesiásticos, o padrão político-administrativo 
era caracterizado por um perfil de teor predominantemente 
excludente. 
O liberalismo foi fator característico do direito brasileiro, 
porém,adaptados ao que era conveniente para a elite dominante. São 
princípios do liberalismo a liberdade pessoal, o individualismo, a 
tolerância, dignidade e crença na vida. Outras características suas 
são: no plano econômico, a propriedade privada, economia de 
mercado, ausência ou minimização do controle estatal, a livre 
empresa e a iniciativa privada; no plano político-jurídico, 
consentimento individual, representação política, divisão dos 
poderes, descentralização administrativa, soberania popular, direitos 
e garantias individuais, supremacia constitucional e estado de 
direito. 
A adaptação do liberalismo iluminista europeu foi amplamente 
limitada por interesses locais, resultando em uma estrutura político-
administrativa patrimonialista e conservadora, criado para servir de 
suporte aos interesses das oligarquias. Contudo,no transcorrer dos 
séculos, essa situação vai sendo adaptada aos interesses sociais, 
focados ainda na elite. 
No início dos movimentos pela independência, já no século 
XVIII,houve uma compatibilização de interesses da população com 
as elites locais. A elite visava a eliminação dos vínculos 
coloniais,que já não os interessava - pois era mais vantajoso que as 
riquezas por aqui circulassem, não sendo mandadas para Portugal . 
O povo objetivava a busca da igualdade econômica e social. 
Conseguido o intento libertário, no século XIX,as formas liberais de 
poder determinaram a manutenção do status quo ante, em uma 
formação pseudo-democrática de dominação. Assim, “o Estado 
brasileiro nasce em virtude da vontade do próprio governo - da elite 
dominante (Wolkmer, 2006:77)”, acabando por prevalecer um 
liberalismo conservador, praticado por minorias hegemônicas e 
antidemocráticas. A retórica conservadora sobre o liberalismo 
fundava-se numa concepção de democracia que negava às massas 
incultas (maioria da população, que não tinha acesso ao 
conhecimento acadêmico, tampouco político) a capacidade de 
participação. 
Outro importante fator foi a chegada da Família Real 
Portuguesa ao Brasil. Este, foi um episódio de grande importância 
para que se possa iniciar as justificativas da independência. Ao pisar 
em solo brasileiro, Dom João VI tratou de cumprir os acordos 
firmados com a Inglaterra, que se comprometera em defender 
Portugal das tropas de Napoleão e escoltar a Corte Portuguesa ao 
 
 - 47 - 
 
litoral brasileiro. Por isso, mesmo antes de chegar à capital da 
colônia, o rei português realizou a abertura dos portos brasileiros às 
demais nações do mundo. 
Do ponto de vista econômico, essa medida pode ser vista como 
um primeiro “grito de independência”, onde a colônia brasileira não 
mais estaria atrelada ao monopólio comercial imposto pelo antigo 
pacto colonial. Com tal medida, os grandes produtores agrícolas e 
comerciantes nacionais puderam avolumar os seus negócios e viver 
um tempo de prosperidade material nunca antes experimentado em 
toda história colonial. A liberdade já era sentida no bolso de nossas 
elites. 
Para fora do campo da economia, pode-se salientar que a 
reforma urbanística feita por Dom João VI promoveu um 
embelezamento do Rio de Janeiro até então nunca antes vivida na 
capital da colônia, que deixou de ser uma simples zona de 
exploração para ser elevada à categoria de Reino Unido de Portugal 
e Algarves. Se a medida prestigiou os novos súditos brasileiros, logo 
despertou a insatisfação dos portugueses que foram deixados à 
mercê da administração de Lorde Protetor do exército inglês. 
Essas medidas, tomadas até o ano de 1815, alimentaram um 
movimento de mudanças por parte das elites lusitanas, que se viam 
abandonadas. Foi nesse contexto que uma revolução 
constitucionalista tomou conta dos quadros políticos portugueses em 
agosto de 1820. A Revolução Liberal do Porto tinha como objetivo 
reestruturar a soberania política portuguesapor meio de uma reforma 
liberal que limitaria os poderes do rei e reconduziria o Brasil à 
condição de colônia. Os revolucionários lusitanos formaram uma 
espécie de Assembleia Nacional que ganhou o nome de “Cortes”. 
Nas Cortes, as principais figuras políticas lusitanas exigiam que o rei 
Dom João VI retornasse à terra natal para que legitimasse as 
transformações políticas em andamento. Temendo perder sua 
autoridade real, D. João saiu do Brasil em 1821 e nomeou seu filho, 
Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil. 
A medida ainda foi acompanhada pelo rombo dos cofres 
brasileiros, o que deixou a nação em péssimas condições financeiras. 
Em meio às conturbações políticas que se viam contrárias às 
intenções políticas dos lusitanos, Dom Pedro I tratou de tomar 
medidas em favor da população brasileira. Entre suas primeiras 
medidas, o príncipe regente baixou os impostos e equiparou as 
autoridades militares nacionais às lusitanas. Naturalmente, tais ações 
desagradaram bastante as Cortes de Portugal. 
Mediante as claras intenções de Dom Pedro, as Cortes 
exigiram que o príncipe retornasse para Portugal e entregasse o 
Brasil ao controle de uma junta administrativa formada pelas Cortes. 
A ameaça vinda de Portugal despertou a elite econômica brasileira 
para o risco que as benesses econômicas conquistadas ao longo do 
período joanino corriam. Dessa maneira, grandes fazendeiros e 
comerciantes passaram a defender a ascensão política de Dom Pedro 
I à líder da independência brasileira. 
No final de 1821, quando as pressões das Cortes atingiram sua força 
máxima, os defensores da independência organizaram um grande 
abaixo-assinado requerendo a permanência e Dom Pedro no Brasil. 
A demonstração de apoio dada foi retribuída quando, em 9 de 
janeiro de 1822, Dom Pedro I reafirmou sua permanência no 
conhecido Dia do Fico. A partir desse ato público, o príncipe regente 
assinalou qual era seu posicionamento político. 
Logo em seguida, Dom Pedro I incorporou figuras políticas 
pró-independência aos quadros administrativos de seu governo. 
 
 - 48 - 
 
Entre eles estavam José Bonifácio, grande conselheiro político de 
Dom Pedro e defensor de um processo de independência 
conservador guiado pelas mãos de um regime monárquico. Além 
disso, Dom Pedro I firmou uma resolução onde dizia que nenhuma 
ordem vinda de Portugal poderia ser adotada sem sua autorização 
prévia. 
Essa última medida de Dom Pedro I tornou sua relação política 
com as Cortes praticamente insustentável. Em setembro de 1822, a 
assembleia lusitana enviou um novo documento para o Brasil 
exigindo o retorno do príncipe para Portugal sob a ameaça de 
invasão militar, caso a exigência não fosse imediatamente cumprida. 
Ao tomar conhecimento do documento, Dom Pedro I (que estava em 
viagem) declarou a independência do país no dia 7 de setembro de 
1822, às margens do rio Ipiranga. 
 
 
O Direito na Época do Brasil Império 
 
 
Após a independência, resultado de uma união entre o povo e a 
elite, foi outorgada uma Constituição Monárquica, em 1824,que 
representou apenas os intentos do absolutismo real e os interesses 
dos grandes proprietários. Assim, os direitos políticos eram 
cometidos a grupos hegemônicos, em uma estrutura social pouco 
propícia a novos ideais, revolucionários ou liberais. A constituição 
monárquica teve como características principais: 
✓ O governo como sendo uma monarquia unitária e 
hereditária; 
✓ A existência de 4 poderes: o Legislativo, o Executivo, o 
Judiciário e o Poder Moderador, este acima dos demais 
poderes, exercido pelo Imperador; Por meio do Poder 
Moderador o imperador nomeava os membros vitalícios do 
Conselho de Estado os presidentes de província, as 
autoridades eclesiásticas da Igreja oficial católica apostólica 
romana, o Senado vitalício. Também nomeava e suspendia os 
magistrados do Poder Judiciário,assim como nomeava e 
destituía os ministros do Poder Executivo. 
✓ O Estado adotava o catolicismo como religião oficial. As 
outras religiões eram permitidas com seus cultos domésticos, 
sendo proibida a construção de templos com aspecto exterior 
diferenciado; 
✓ Define quem é considerado cidadão brasileiro; 
✓ As eleições eram censitárias e indiretas; 
✓ Submissão da Igreja ao Estado, inclusive com o direito do 
Imperador de conceder cargos eclesiásticos na Igreja Católica 
(padroado); 
✓ Foi uma das primeiras do mundo a incluir em seu texto 
(artigo 179) um rol de direitos e garantias individuais; 
✓ O Imperador era inimputável (não respondia judicialmente 
por seus atos). 
O liberalismo, após o processo de desvinculação da Metrópole, 
representava a modernização do Estado. No início, houve um embate 
entre liberais radicais e conservadores, com a vitória desses, o que 
resultou em um sistema dissociado de práticas democráticas, 
conciliação com a estrutura patrimonialista colonial, introduzindo 
uma cultura jurídico-institucional marcadamente formalista, retórica 
e ornamental. 
 
 Após a independência, dois fatores foram fundamentais para 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Legislativo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Executivo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Judici%C3%A1rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_Moderador
http://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Culto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Padroado
 
 - 49 - 
 
edificação de uma cultura jurídica nacional: a criação dos cursos de 
direito (Recife e São Paulo) e a criação de uma Constituição e leis 
próprias brasileiras. 
 
Quanto às faculdades de direito, sua finalidade primeira era 
atender as necessidades burocráticas do Estado. A faculdade de 
Recife se constituiu na vanguarda científica do Brasil, enquanto a 
Academia de São Paulo aderiu ao periodismo e à militância política, 
sendo um centro privilegiado de formação de intelectuais destinados 
à cooptação pela burocracia estatal. O segundo grande fator para 
emancipação da cultura jurídica brasileira foi a elaboração própria 
do sistema legal, a partir de uma constituição. Diga-se que a fachada 
liberal desse sistema, apoiado pela monarquia, ocultava o 
escravismo e excluía a maior parte da população do país. Destacam-
se, ainda, o Código Criminal de 1830 e Código de Processo Criminal 
de 1832, que extinguiu a estrutura colonial portuguesa, que era 
apoiada sobre os ouvidores e juízes de forma, na tentativa de criação 
de uma burocracia profissionalizada de administração da Justiça. 
Reforçava-se, dessa forma, a dominação patrimonialista. 
 
É de se ressaltar, ainda, o Código Comercial, de 1850 e Código 
Civil que, não obstante projetos existentes desde 1860, somente foi 
aprovado em 1916, tendo-se em conta que para a burguesia, a 
ordenação do comércio e da produção da riqueza era mais imperiosa 
do que a proteção e a garantia dos direitos civis. Isso não impediu, 
contudo, que o projeto de Clóvis Beviláqua tivesse uma 
“mentalidade patriarcal, individualista e machista de uma sociedade 
agrária e preconceituosa” (Wolkmer, 2006:89) e que traduzisse 
intentos de uma classe média consciente e receptiva aos ideais 
liberais mas igualmente comprometida com o poder oligárquico 
familiar. 
 
Os magistrados eo Judiciário no tempo do Império tinham 
muitas particularidades. Esses profissionais, formados em Coimbra, 
tinham um procedimento pautado na superioridade e na prepotência 
magisterial, preparados e treinados para servir aos interesses da 
administração colonial. Os juízes foram pilares de sustentação na 
criação de uma organização política nacional e um dos principais 
agentes de articulação da unidade nacional. Estavam, dessa forma, 
identificados com o poder político, bem como eram controlados 
através de remoções, promoções, suspensões e aposentadorias do 
governo central, em uma transplantação dos vícios crônicos da 
Metrópole. 
 
Em 1871foi realizada a maior reforma do sistema jurídico no 
império, com o objetivo principal de separar as funções policiais e 
judiciárias misturadas em 1841 (e aumentando as restrições ao 
exercício de cargos políticos), em umaestratégia legal de transição 
do escravismo para a produção livre.Enquanto os magistrados foram 
formados, em sua maioria, em Coimbra, os advogados tiveram sua 
educação no Brasil, sendo que a relação de cada um com o Poder 
Público era distinta. Todavia, “foi no cenário instituído por uma 
cultura marcada pelo individualismo político e pelo formalismo 
legalista que se projetou a singularidade de uma magistratura 
incumbida de edificar os quadros político-burocráticos do Império” 
(Wolkmer, 2006: 98). 
 
 
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Os bacharéis dos séculos XIX e XX exerceram papel bem 
semelhante ao do magistrado português do períodos colonial, 
calcado numa aliança liberal-conservadora tradicionalista e 
protecionista, não atendendo satisfatoriamente ao povo, que 
realmente dele necessitava. Foi, contudo, o periodismo na 
universidade, principalmente no largo do São Francisco, que 
determinou a forma de atuação e a formação intelectual do 
acadêmico das leis. A cultura jurídica brasileira da época foi bem 
definida por Rui Barbosa: tradicional, individualizante e formalista, 
cujo imaginário social era distante do Direito vivo e comunitário 
bem como da população, em uma atividade advocatícia 
descomprometida com a vida cotidiana. 
O direito na época do Brasil República. 
 
A perda de poder da elite agrária, a crise militar e o 
estremecimento das relações entre Igreja e Estado proporcionaram o 
surgimento de movimentos antimonarquistas, em um ambiente 
liberal-conservador que, não teve a capacidade de alterar a estrutura 
dominante. 
Durante o período Imperial, o Brasil possuía sua base 
econômica na exploração da cana de açúcar, principalmente na 
Bahia e em Pernambuco, situação que se modificou com o 
surgimento de um novo produto exportador, o café, que moveu o 
eixo econômico para Minas Gerais e São Paulo, permitindo o 
aparecimento de uma oligarquia cafeeira. 
Assim é que aparece a primeira república, cujo texto constitucional 
de 1891 expressava valores assentados na filosofia política 
republicano-positivista, sendo que a retórica do legalismo federalista 
beneficiava somente seguimentos oligárquicos regionais e, diante da 
nova estrutura social, com o aparecimento de uma burguesia urbana, 
o liberalismo político antidemocrático não só beneficiava os intentos 
dos grupos oligárquicos hegemônicos, como, sobretudo, asseguraria 
que a facção dominante da burguesia agrária detivesse poder 
exclusivo até fins da década de 20. 
Os principais elementos impulsionadores de uma juridicidade 
pública no Brasil foram as revoluções francesa e norte-americana, a 
vinda da Família Real bem como um exacerbado nacionalismo. 
Diante de uma situação de exploração de povos periféricos, como o 
Brasil, propiciou-se a formação de um Direito que visava a limitação 
do poder absolutista, no que se chamou de Constitucionalismo, que é 
uma concepção técnico-formal do liberalismo político na esfera do 
Direito. Todavia,a primeira constituição, na fase imperial, serviu 
apenas aos intentos do absolutismo real e os interesses dos grandes 
proprietários, como já exposto. A situação vai aos poucos sendo 
delineada com as próximas leis magnas. 
A primeira constituição republicana, 1891,foi marcada pelo 
fato deixa de levar em consideração os interesses das grandes 
massas rurais e urbanas, consubstanciando-se em instrumentos de 
controle político-econômico baseados em procedimentos 
burocrático-patrimonialistas, que permitiam a corrupção, o 
favorecimento e o nepotismo.Foi com o colapso da economia 
agroexportadora e a falência das instituições da República Velha que 
se digladiaram pelo poder forças sociais antagônicas que não 
conseguiram sobrepor-se umas às outras, resultando na projeção do 
próprio Estado para ocupar o vazio, gerando uma ainda mais 
dissociada produção jurídica em relação aos interesses populares. 
Já a Constituição de 1934, tida por alguns como avanço pela 
previsão de direitos sociais (sob influência das constituições do 
 
 - 51 - 
 
México e de Weimer), na verdade igualmente expressava mais o 
interesse de regulamentação das elites agrárias locais, sendo 
utilizada como instrumento para aparar os choques entre as classes. 
Na seqüência, a Carta de 1937, inspirada no Fascismo europeu, 
instituiu o autoritarismo corporativista e a ditadura do executivo, 
além de criar obstáculos à garantia dos direitos do cidadão. 
A Constituição de 1947, não obstante restabelecer a 
representatividade formal, tratou-se “de um arranjo burguês 
nacionalista entre forças conservadoras e grupos liberais 
reformistas” 
Em 67 e 69, houve uma reprodução da aliança conservadora da 
burguesia agrária/industrial, sendo as constituições daqueles anos 
claramente antidemocráticas, tendo por características a 
centralização e a arbitrariedade,provocadas pelo golpe militar de 
1964. 
 
No começo da década de 1960, o país atravessava uma 
profunda agitação política. Depois da renúncia do presidente Jânio 
Quadros (PTN), em 1961, assumiu seu vice, João Goulart (PTB), 
conhecido como Jango, um homem que defendeu medidas 
consideradas de esquerda para a então política brasileira. 
Faziam parte de seus planos as reformas de base, que 
pretendiam reduzir as desigualdades sociais brasileiras. Entre estas, 
estavam as reformas bancária (para ampliar crédito aos produtores), 
eleitoral (ampliar o voto aos analfabetos e militares de baixas 
patentes), educacional (valorizar os professores, oferecer ensino para 
os analfabetos e acabar com as cátedras vitalícias nas universidades) 
e agrária (democratizar o uso das terras). 
O perfil de Jango logo preocupou as elites, que temiam uma 
alteração social que ameaçasse seu poder econômico. Entre as 
medidas adotadas para enfraquecer o então presidente está a adoção 
do parlamentarismo, que, em 1961 e 1962, atribuiu funções do 
Executivo ao Congresso, dominado na época por representantes das 
elites. O regime presidencialista foi restabelecido em 1963 após um 
plebiscito. 
A crise econômica e a instabilidade política se propagavam no 
país. Jango propôs, então, reformas constitucionais que aceleraram a 
reação das elites, criando as condições para o golpe de 64. Com as 
reformas, ele pretendia controlar a remessa de dinheiro para o 
exterior, dar canais de comunicação aos estudantes e permitir que os 
analfabetos, maioria da população, votassem.O estopim para o golpe 
militar aconteceu em março de 1964, quando Jango, após um 
discurso inflamado no Rio de Janeiro, determinou a reforma agrária 
e a nacionalização das refinarias estrangeiras de petróleo. 
Imediatamente, a elite reagiu: o clero conservador, a imprensa, 
o empresariado e a direita em geral organizaram, em São Paulo, a 
"Marcha da Família Com Deus pela Liberdade", que reuniu cerca de 
500 mil pessoas. O repúdio às tentativas de reforma à Constituição 
Brasileira e a defesa dos princípios, garantias e prerrogativas 
democráticas constituíram a tônica de todos os discursos e 
mensagens. 
Em 31 de março daquele ano, os militares iniciam a tomada do 
poder e a deposição de Jango. No dia 2 de abril, o presidente João 
Goulart partiu de Brasília para Porto Alegre e Ranieri Mazilli 
(PSD) assumiu a presidência interinamente. Dois dias depois, João 
Goulart se exilou no Uruguai. 
Em 9 de abril, foi editado o AI-1 (Ato Institucional número 1), 
decreto militar que depôs o presidente e iniciou as cassações dos 
mandatos políticos. No mesmo mês, o marechal Castello Branco 
(Arena) foi empossado presidente com um mandato até 24 de janeiro 
de 1967. Este foi o primeiro de 17 AIs. 
 
Quanto à Constituição de 1988, há de se reconhecer avanços, 
podendo, contudo,tanto servir à legitimação da vontade das elites e 
http://educacao.uol.com.br/biografias/janio-da-silva-quadros.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/janio-da-silva-quadros.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/joao-belchior-marques-goulart.jhtm
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http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-joao-goulart-1961-1964-polarizacao-conduz-ao-golpe.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-joao-goulart-1961-1964-polarizacao-conduz-ao-golpe.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-1964-1985-breve-historia-do-regime-militar.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-1964-1985-breve-historia-do-regime-militar.htm
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/20963-marcha-da-familia-com-deus-pela-liberdade#foto-340259
http://educacao.uol.com.br/biografias/paschoal-mazzilli.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/paschoal-mazzilli.jhtm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/republica-oriental-do-uruguai-pais-da-america-do-sul.htm
http://educacao.uol.com.br/biografias/humberto-de-alencar-castello-branco.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/humberto-de-alencar-castello-branco.jhtm
 
 - 52 - 
 
à preservação do status quo, quanto poderá representar um 
instrumento de efetiva modernização da sociedade. Ressalte-se que 
ela vem sendo profundamente atacada, com restrições à área social. 
No que diz respeito ao direito privado,as instituições privadas 
mantiveram a tradição jurídica individualista. O regime econômico 
brasileiro baseado na escravatura tinha grande receio na instituição 
de direitos civis, que poderiam minar as bases produtivas. Assim, 
enquanto o país criava a constituição e legislações penal, processual 
e mercantil, a regulamentação civil permanece vinculada às 
previsões portuguesas. A legislação comercial exorbitou, cobrindo 
atos da vida civil, visando suprir com certa segurança algumas 
lacunas.Dessa forma, somente com a abolição do sistema 
escravocrata é que se concretizou a extinção das ordenações, 
ocorrendo, contudo, que o projeto de normatização Civil de Clóvis 
Beviláqua, elaborado em 1899, somente foi promulgado em 1916. 
Esse Código oferecia mais ênfase ao patrimônio privado do que às 
pessoas, em um perfil tipicamente conservador e pouco 
inovador,especialmente em razão do “café com leite, existente 
entre Minas Gerais e São Paulo”, o qual era vigente na época. 
É certo, portanto, que “a ordem jurídica positiva republicana, 
por demais individualista, ritualizada e dogmática em suas diretrizes 
ordenadoras, quase nunca traduziu as profundas aspirações e intentos 
do todo social. ... Temos assim toda uma legislação positivo-
dogmática, marcada pela tradição individualista de proteção e de 
conservação do Direito de Propriedade” (Wolkmer, 2006:123/124). 
Boa parte de estudiosos entende que o direito brasileiro jamais 
refletiu as aspirações e necessidades da sociedade, servindo de 
legitimação das elites hegemônicas e seus privilégios, sendo, 
segundo Wolkmer (2006) marcado ideologicamente por uma 
doutrina de nítido perfil liberal-conservador. Assim, as instâncias do 
Direito jamais foram resultantes de uma sociedade democrática e de 
uma cidadania participativa, o que fez com que inexistisse a 
consolidação de um direito de base popular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 - 53 - 
 
ASPECTOS GERAIS FILOSÓFICOS 
 
1 - LIBERDADE E DIREITO À NÃO VIOLÊNCIA 
 
O que faz com que alguns conservadores se tornem moralistas 
demasiados é a dificuldade de aceitarem a liberdade dos outros 
quando esses fazem exatamente aquilo que o moralista acha 
inaceitável, mesmo que tais ações ou atitudes não envolvam o uso da 
força ou de fraude contra alguém, essas sim, violações típicas dos 
direitos individuais que todos possuem. 
O principal argumento empregado é o de que a liberdade ilimitada, 
absoluta, levaria inexoravelmente à violência que, segundo eles, se 
confunde com a liberdade para matar, estuprar, roubar, furtar ou 
fraudar. Mas, será que essa defesa da liberdade, um direito 
individual universal, implica necessariamente na oposição ao uso da 
coerção? Defender a liberdade absoluta é dar autorização ao uso 
incontinente da coerção, ou da violência? 
Onde há liberdade absoluta há ausência absoluta de coerção porque 
onde há uma não há a outra. Ninguém que possui o direito individual 
à liberdade detém o direito de usar de coerção para infringir e 
restringir esse mesmo direito à liberdade que possuem os demais. 
Liberdade é um direito, portanto é uma instituição política a ser 
defendida no contexto social. Não se defende a própria liberdade 
sem que necessariamente se esteja defendendo a liberdade dos 
demais. Por coerência, qualquer tentativa de violar os direitos de 
alguém não tem sustentação no exercício de um direito, como o 
direito de liberdade, mas exatamente na sua violação. 
A liberdade para usarmos de coerção ou força está restrita e 
subordinada ao legítimo direito de defendermos nossa vida, nossa 
liberdade e nossa propriedade contra aqueles que tiverem iniciado o 
uso de violência contra nós (autotutela). E mesmo assim, em caráter 
emergencial, pois fora disso, cabe ao governo, sob demanda, 
interceder para promover uma investigação que leve à identificação 
e ao julgamento dos fatos e dos protagonistas para restabelecer ou 
tentar restabelecer a justiça. 
A liberdade é tão fundamental para o homem preservar a sua vida e 
constituir a sua propriedade, como o estabelecimento de propósitos é 
fundamental para o atingimento da felicidade. 
Não-violência 
 
É a "ausência de desejo de ferir ou matar”; é a prática pessoal de 
não causar sofrimento a si próprio ou a outros seres sob qualquer 
circunstância. Ela surgiu da crença de que ferir pessoas, animais ou 
o meio ambiente não é necessário para se conseguir vantagens. Se 
refere a uma filosofia geral de abstenção da violência, tendo, como 
base, princípios religiosos, espirituais e morais. 
O conceito também possui elementos ativistas, como quando é usado 
como instrumento de mudança social. Neste sentido, o termo é, 
comumente, associado à luta pela independência da Índia, liderada 
por Mahatma Gandhi, e à luta pelos direitos civis dos negros norte-
americanos, liderada por Martin Luther King Jr. O movimento 
ocorrido na Índia foi fortemente influenciado pelos princípios da 
religião jainista, pelas ideias de desobediência civil de Henry David 
Thoreau e do anarquismo cristão de Leon Tolstói. O exemplo 
indiano inspirou uma série de ações que ocorreram nas décadas 
seguintes. Na década de 1960, a campanha não violenta de Cesar 
Chavez lutou contra o tratamento infligido aos trabalhadores rurais 
da Califórnia.[2] A não violência também inspirou a Revolução de 
Veludo na Checoslováquia, em 1989. Mais recentemente, a 
campanha não violenta de Leymah Gbowee e das mulheres da 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ativismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mudan%C3%A7a_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_de_independ%C3%AAncia_da_%C3%8Dndia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi
https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_direitos_civis_dos_negros_nos_Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_direitos_civis_dos_negros_nos_Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Liev_Tolst%C3%B3i
https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9cada_de_1960
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesar_Chavezhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Cesar_Chavez
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calif%C3%B3rnia
https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_Veludo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_Veludo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Checoslov%C3%A1quia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leymah_Gbowee
 
 - 54 - 
 
Libéria conseguiu interromper uma guerra civil que já durava 
catorze anos. 
Embora a não violência seja, frequentemente, confundida com 
passividade e pacifismo, tal associação é rejeitada pelos ativistas 
adeptos da não-violência. Não violência é a ausência de violência e 
se refere à opção de se causar pouco ou nenhum dano, enquanto que 
passividade significa não fazer nada. A não violência pode ser 
passiva em alguns casos, e ativa em outros. Uma mesma pessoa 
pode, contraditoriamente, defender a não violência em alguns casos 
e ser violenta em outras situações. Por exemploː opositores 
ao aborto ou à alimentação carnívora podem, eventualmente, matar 
um realizador de abortos ou atacar um abatedouro de animais, o que 
as classificaria como pessoas violentas. 
Como o termo se tornou muito abrangente, às vezes ele é visto como 
sinônimo de pacifismo, ou associado à passividade. Para desfazer 
mal-entendidos, alguns grupos preferiram adotar o termo Não 
Violência Ativa, reforçando a posição de que é possível uma ação 
não violenta. Outra denominação, menos conhecida, é Firmeza 
Permanente. 
 A maioria dos adeptos da não-violência fizeram esta opção por 
aspectos religiosos, éticos ou estratégicos. Nos dois primeiros casos, 
ela é usada como princípio de integridade e respeito à condição 
humana. No último, trata-se tão só de uma questão circunstancial, 
em que essa prática se faz útil. Contudo, podemos encontrar estes 
três aspectos coexistindo em um mesmo movimento de não 
violência. 
No mundo atual, a não violência vem sendo amplamente usada em 
movimentos pelo trabalho, pela paz, pelo meio ambiente e 
pelos direitos das mulheres. Outra maneira de usar a tática de não 
violência é visando a direcionar a opinião pública (principalmente a 
internacional) contra regimes políticos extremamente repressivos, 
expondo, ao mundo, os excessos cometidos contra manifestações de 
cunho pacífico. Teoricamente, isto faria com que a comunidade 
internacional passasse a pressionar os dirigentes desses regimes. 
No campo ético-religioso, a não violência está, muitas vezes, 
relacionada ao respeito a todos os seres sencientes e mesmo 
aos seres não sencientes. O que, muitas vezes, relaciona-se com a 
luta pelos direitos dos animais e o vegetarianismo. 
As ideias não violentas são radicalmente diferentes das ideias 
convencionais sobre resolução de conflitos. No entanto, 
seus princípios fazem parte do senso comum: 
• O poder daqueles que dirigem uma nação depende da aderência 
e consentimento dos cidadãos comuns. Sem uma burocracia, 
um exército ou uma força policial para pôr em prática os 
objetivos estipulados pela classe dominante, as leis perdem força 
se não encontram respaldo no cidadão comum. A não violência 
ensina que o poder de uns depende da cooperação de muitos 
outros. Assim, a não violência faz desmoronar o poder dos 
dirigentes quando consegue extinguir grande parte desta 
cooperação — um punhado de pessoas não pode mandar em 
milhões de outras se elas se recusarem a obedecer. Em ações 
político-reivindicatórias, não violência e desobediência civil, 
geralmente, se somam. 
• Só por meios justos pode-se alcançar um fim justo. Quando 
Gandhi disse que os meios podem ser comparados a raízes e o 
fim a uma árvore, referia-se ao objeto central de uma filosofia 
que alguns denominam "Política Prefigurativa". No Sermão da 
Montanha, Jesus Cristo comparou os meios a árvores e os fins 
aos frutos: "Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, 
porventura, uvas dos espinheiros e figos dos abrolhos? Toda 
árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos" 
(Evangelho segundo Mateus, capítulo 7, versículos 16-17). Os 
propositores da não violência explicam que as ações do presente 
inevitavelmente repercutirão na forma como a sociedade se 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacifismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aborto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abatedouro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacifismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_das_mulheres
https://pt.wikipedia.org/wiki/Opini%C3%A3o_p%C3%BAblica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regime_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Repress%C3%A3o_pol%C3%ADtica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_internacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_internacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Senci%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Biocentrismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_dos_animais
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vegetarianismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Senso_comum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Burocracia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%A9rcito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore
https://pt.wikipedia.org/wiki/Serm%C3%A3o_da_Montanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Serm%C3%A3o_da_Montanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus_Cristo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fruto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Mateus
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vers%C3%ADculo
 
 - 55 - 
 
organizará no futuro. É irracional tentar construir uma sociedade 
pacífica pela violência, ou uma sociedade honesta pela 
desonestidade (que também é uma forma de violência). O que 
começa mal não pode acabar bem. 
• Alguns divulgadores da não violência, como os Anarquistas 
Cristãos e os Ativistas Humanistas, defendem que devemos 
respeitar e amar nossos oponentes. Este é o princípio que mais se 
aproxima das justificativas religiosas e espirituais para a não 
violência, como pode ser visto no Sermão da Montanha, quando 
Jesus Cristo diz a seus seguidores: "Tendes ouvido o que foi 
dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, 
porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos 
odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste 
modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o 
sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre 
os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos 
amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os 
próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que 
fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? 
Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é 
perfeito" (Evangelho segundo Mateus, capítulo 5, versículos 43-
48). O princípio do respeito aos oponentes também pode ser 
visto na filosofia taoista do wu wei, na filosofia da arte 
marcial aiquidô, no conceito budista de mettā (amor fraterno 
entre todos os seres vivos) e no princípio indiano do ahimsa (não 
violência entre todos os seres vivos). 
Ouve-se frequentemente que os fins justificam os meios, insinuando-
se que certos fins podem ou devem ser alcançados por métodos não 
convencionais, antiéticos ou violentos. Isto é muito usado para tentar 
minimizar excessos na guerra, na justificação de leis opressivas 
(como o Ato Institucional Número Cinco no Brasil, ou a Lei 
Patriota nos Estados Unidos), na repressão imposta a grupos 
sociais,religiosos ou étnicos, ou ainda, embora em crescente desuso, 
na justificação de sistemas e métodos educacionais excessivamente 
rigorosos e punitivos. 
A não violência entende que o fim resulta dos meios, num ciclo de 
causas e efeitos que se correlacionam e se estendem 
numa espiral evolutiva. Desta forma, a paz não pode ser obtida por 
métodos violentos e repressivos.Uma "paz" que se pretenda obter 
pela opressão cessa assim que os instrumentos repressivos deixam de 
ser usados. Não haverá uma paz real enquanto ela não se estender a 
todos os indivíduos de uma sociedade. 
Numa percepção não violenta, uma releitura de "o fim justifica os 
meios" seria: os meios justificam o fim, ou seja, o fim é o resultado 
dos meios. 
Atos de protesto 
São ações simbólicas realizadas por um grupo de pessoas para 
mostrar seu apoio ou contrariedade em relação a algo. O objetivo do 
ato é atrair a atenção pública para o tema, influenciar um grupo 
particular de pessoas ou facilitar uma futura ação não violenta. A 
mensagem pode ser direcionada ao público, aos oponentes ou às 
pessoas afetadas pelo tema. Este tipo de ação 
inclui discursos, petições, arte, passeatas, reuniões públicas etc.[14] 
Não-cooperação 
Envolve interromper a cooperação ou nem mesmo iniciar a 
cooperação com o oponente. O objetivo da não cooperação é 
interromper ou impedir a ação de uma indústria, sistema 
político ou processo econômico. Os métodos de não cooperação 
incluem greve, boicote, desobediência civil, resistência fiscal e 
desobediência em geral.[15] 
Intervenção não violenta 
Comparado aos atos de protesto e à não cooperação, é um método de 
ação não violenta mais direto. Pode ser usada defensivamente - por 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_crist%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ativistas_Humanistas&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Publicano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paganismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Taoismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wu_wei
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aiquid%C3%B4
https://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mett%C4%81
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ahimsa
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_N%C3%BAmero_Cinco
https://pt.wikipedia.org/wiki/USA_PATRIOT_Act
https://pt.wikipedia.org/wiki/USA_PATRIOT_Act
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Repress%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_(sociologia)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_(sociologia)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Etnia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espiral
https://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz
https://pt.wikipedia.org/wiki/Opress%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Indiv%C3%ADduo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Discurso
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte
https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-15
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Atividade_econ%C3%B4mica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Greve
https://pt.wikipedia.org/wiki/Boicote
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desobedi%C3%AAncia_civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Resist%C3%AAncia_fiscal
https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A3o-viol%C3%AAncia#cite_note-16
 
 - 56 - 
 
exemplo, para manter uma instituição — ou ofensivamente por 
exemplo, lançar uma ação não violenta no território do oponente. 
 
2 - O QUE É FILOSOFIA JURÍDICA? 
 
 “A abordagem do Direito em nossos cursos é, em geral, estática, 
parcial e paralisante. Estática, porque vê o Direito como um sistema 
completo, fechado, perfeito, sem lacunas e sem contradições. 
Parcial, porque só considera, no amplo campo do Direito, as normas 
jurídicas estatuídas pelo Estado, limitando assim o campo do Direito 
ao ‘Direito oficial’. E, finalmente, paralisante, porque atribui ao 
Direito e aos juristas uma função conservadora da ordem oficial 
estabelecida”. 
A Filosofia do Direito coloca para si mesma a permanente pergunta 
acerca dos objetivos, finalidades e metas que precisa alcançar a fim 
de ser significativa e oferecer uma contribuição específica e 
diferenciada aos acadêmicos e profissionais do Direito. Diversas são 
as respostas oferecidas pelos Filósofos do Direito às questões que 
perguntam sobre as finalidades dessa disciplina. Afirmam que ela 
cumpre a função de problematizar o Direito; de implementar a tarefa 
conceitual; de depurar a linguagem jurídica etc. De qualquer modo à 
Filosofia do Direito compete oferecer ao acadêmico e ao profissional 
do Direito a possibilidade de pensar e repensar de forma crítica os 
diversos elementos que compõem o vasto universo jurídico. 
A forma pouco valorizada e reconhecida como a Filosofia do Direito 
é tratada nas academias e demais carreiras jurídicas impõe algumas 
perguntas de certo modo desconfortáveis, mas necessárias: Em que 
consiste o papel da Filosofia do Direito na formação integral do 
profissional do Direito? O acadêmico deve cumprir uma carga 
horária obrigatória de Filosofia do Direito, o que esse conteúdo 
deverá oferecer a ele? Como o conhecimento construído no estudo 
dessa disciplina deve contribuir para a melhoria do desempenho da 
seara jurídica? Para que serve a Filosofia do Direto? Qual é a 
finalidade de tal disciplina? Dessa forma, o problema norteador 
desse artigo pode ser resumido na seguinte questão: Qual o papel da 
Filosofia do Direito na formação integral do profissional do Direito? 
Filosofia do Direito é a disciplina que, submetendo o direito a 
sistemático exame crítico-valorativo, integra as ciências jurídicas na 
unidade de seus princípios mais gerais, investiga a definição 
universal do direito, procura as causas remotas do fenômeno jurídico 
e o analisa sob o aspecto de um ideal que se pretende alcançar. Se 
filosofia é meditação crítica sobre objetos, nada mais é a filosofia do 
direito do que o pensar sobre o fenômeno jurídico, em todos os 
aspectos com que se apresenta hoje ou se apresentou no decorrer dos 
tempos. 
Voltada para o Direito é certo que a Filosofia deve comprometer-se 
com a busca das fundamentações daqueles elementos que dão 
sustentabilidade ao edifício jurídico. Levando-se em conta essa 
metáfora da construção civil, sem boas bases, sem fundações 
confiantes e bem feitas, nenhuma construção estaria a salvo. 
Segundo José Cretella Júnior, Curso de Filosofia do Direito(Pg. 3-4): 
“Filosofia do direito é a disciplina que, submetendo o direito a 
sistemático exame crítico-valorativo, integra as ciências jurídicas na 
unidade de seus princípios mais gerais, investiga a definição 
universal do direito, procura as causas remotas do fenômeno jurídico 
e o analisa sob o aspecto de um ideal que se pretende alcançar.” 
 
 
 - 57 - 
 
Outro conceito é apresentado por Reale (2002, p. 9), para quem a 
Filosofia do Direito “é a própria Filosofia enquanto voltada para 
uma ordem de realidade, que é a ‘Realidade Jurídica’”. Para esse 
autor, a Filosofia do Direito não é uma disciplina específica, mas o 
que se chama de Filosofia do Direito é o exercício completo da 
Filosofia voltado para o objeto Direito. 
 
2.1. QUAL A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA JURÍDICA? 
 
Na realidade, pode-se advogar mediocremente (e até razoavelmente) 
sem conhecer filosofia do direito, mas não pode haver jamais um 
expoente, na arte de advogar, que não conheça lógica, filosofia e 
filosofia do direito, porque é impossível versar grandes questões de 
direito com o emprego tão-só da técnica de advogar. 
 
“Nenhum ramo da Ciência vive sem respirar Filosofia, mas esta 
necessidade é sentida no Direito mais do que em qualquer outra. À 
medida que se avança pela estrada da Jurisprudência, mais e mais o 
problema do metajurídico desvela a sua decisiva importância;o 
jurista convence-se cada vez mais de que, se não sabe senão o 
Direito, na realidade não conhece nem mesmo o Direito”.( Cretella 
Jr. Pg. 04.) 
 
2.2. QUAIS OS OBJETIVOS DA FILOSOFIA JURÍDICA? 
 
“Problematizar o Direito – eis o objetivo da filosofia do Direito”. 
Curso de Filosofia do Direito. José Cretella Jr. Pg. 04 
 
Primeiro, despertar a dúvida sobre as ‘verdades’ jurídicas, 
geralmente ideológicas, e, como tal, históricas; abrir a mente para a 
realidade jurídica imperfeita, e, quase sempre injusta; incentivar 
reformas jurídicas, criando a consciência de a lei ser obra inacabada, 
em conflito permanente com o direito. E, acima de tudo, dar ao 
jurista, enfadado com os modelos que a sociedade lhe impõe, 
momentos de satisfação espiritual, compensadores da perda da 
crença na capacidade criadora do homem no terreno jurídico. Serve, 
então, ao jurista de inspiração quando, literalmente, a lei obriga-o a 
praticar injustiças. Dá, também, a ilusão de ter alcançado o absoluto 
jurídico e de ter conseguido saber o que é o direito, independente do 
que, historicamente, quer o legislador.” 
 
A primeira grande tarefa atribuída à Filosofia Jurídica é a de 
esclarecer, em seus aspectos universais e necessários, a noção do 
Direito. (...) A elaboração de um conceito do Direito é ato complexo, 
que impõe opções doutrinárias de longo alcance na problemática 
jurídica. Daí por que o exercício dessa liberdade cultural pressupõe a 
experiência jurídica e o conhecimento das alternativas filosóficas. 
 
“De acordo com o paralelo afirmado por Emmanuel Kant, enquanto 
a Filosofia do Direito responde à pergunta ‘Quid Jus?’ (o que é o 
Direito?), à Ciência Jurídica compete esclarecer a indagação ‘Quid 
Júris?’ (o que é de Direito?). De fato, a tarefa de definir o Direito 
não se acha reservada às disciplinas jurídicas particulares, pos estas 
analisam apenas uma parcela da realidade jurídica e estabelecem os 
balizamentos da legalidade. A Dogmática Civil, por exemplo, define 
o seu próprio campo de estudo e não está em condições de definir o 
todo no qual se insere. A Ciência Penal enumera as suas fontes de 
 
 - 58 - 
 
conhecimento, mas não está credenciada a informar sobre as do 
Direito em geral. Como a Filosofia do Direito contempla a árvore 
jurídica em sua totalidade e na sua relação com as coisas em geral, a 
ela está reservada a missão de dizer o que é o Direito e buscar as 
soluções para os problemas vinculados a essa indagação”. (Paulo 
Nader. Filosofia do Direito. Pg. 12.) 
 
“A outra tarefa da Filosofia do Direito, de natureza axiológica, é de 
alcance mais prático e consiste na apreciação valorativa das leis e 
institutos ou do sistema jurídico. A pesquisa pode situar-se no plano 
de lege lata, com a crítica ao Direito vigente, ou no de lege ferenda, 
em um ensaio do Direito ideal a ser criado. Durante esta pesquisa o 
pensamento iusfilosófico é norteado por princípios éticos e, 
fundamentalmente, pelo valor justiça, por intermédio dos quais 
avalia o ordenamento, para justifica-lo ou negar-lhe validade. Esta 
segunda parte está mais ligada aos imperativos da vida social e visa 
ao enriquecimento da Ciência do Direito, pois julga os critérios da 
lei em função dos valores humanos e sociais.” (Paulo Nader. 
Filosofia do Direito. Pg. 12-13.) 
 
Observe Kant, com ironia, logo no início de sua Introdução à 
doutrina do direito, que os Jurisconsultos – nome dão aos 
conhecedores do Direito Positivo – ficam embaraçados quando se 
lhes pergunta ‘Que é o Direito?’, muito embora eles possam indicar 
‘o que seja de Direito’ em função da lei vigente em determinada 
época. É verdade que Kant ameniza essa constatação lembrando que 
igual embaraço ocorre quando se desafiam os lógicos com esta 
pergunta: ‘Que é a verdade?’ (Miguel Reale, Nova Fase do Direito 
Moderno. Pg. 03) 
 
“A maior dificuldade, numa apresentação do Direito, não será 
mostrar o que ele é, mas dissolver as imagens falsas ou distorcidas 
que muita gente aceita como retrato fiel”. 
 
Dimensionalidade do Direito 
 
Miguel Reale é pai da Teoria Tridimensional do Direito (FATO X 
VALOR X NORMA). Sua teoria é considerada como um avanço, no 
que toca a uma interpretação reducionista do Direito, como exposta 
pelo Positivismo Rígido. No entanto, é passível de análise crítica, no 
sentido de que cai em um objetivismo estrito, reconhecendo apenas 
três dimensões pelas quais o Direito deva ser definido. 
 
3 – O JUSNATURALISMO E O JUSPOSITIVISMO 
 
1 – Jusnaturalismo – Direito Natural 
 
 Jusnaturalismo é o Direito Natural, ou seja, todos os 
princípios, normas e direitos que se têm como ideia universal e 
imutável de justiça e independente da vontade humana. De acordo 
com a Teoria do Jusnaturalismo, o direito é algo natural e anterior ao 
ser humano, devendo seguir sempre aquilo que condiz aos valores da 
humanidade (direito à vida, à liberdade, à dignidade, etc) e ao ideial 
de justiça. Desta forma, as leis que compõem o jusnaturalismo são 
tidas como imutáveis, universais, atemporais e invioláveis, pois 
estão presentes na natureza do ser humano. Em suma, o Direito 
Natural está baseado no bom senso, sendo este pautado nos 
princípios da moral, ética, equidade entre todos os indivíduos e 
 
 - 59 - 
 
liberdade. É o conjunto de princípios inerentes à personalidade 
humana, visando ao bem-estar do homem. É peculiar a todos os 
homens, por sua própria condição ou essência: direito à vida, à 
honra, de comprar e vender, de legítima defesa etc. Alguns tornam-
se tão importantes, tão fundamentais, que acabam por ser 
positivados (escritos, transformados em norma). Tanto há direitos 
naturais que foram positivados (direito à vida, por exemplo), 
quanto outros que são positivos, mas não são naturais (pagar tributo, 
realizar hipoteca, locar um bem ). 
De acordo com a doutrina jusnaturalista, existem diferentes 
explicações sobre a origem ou ponto de vista da natureza desta. Por 
exemplo: 
•Jusnaturalismo teológico: direitos estabelecidos e revelados por 
Deus. Surgiu durante a Idade Média e tinha como princípio a ideia 
de uma divindade onipotente, onisciente e onipresente; Todos os 
direitos naturais inerentes ao homem são de origem divina. Da 
vontade divina. 
•Jusnaturalismo cosmológico: seguindo as leis que são consideradas 
naturais em todo o Universo. Esta corrente foi vigente durante a 
antiguidade clássica; a essência de direito e de justiça do homem 
advém de forças astrais. 
•Jusnaturalismo racionalista: leis naturais da vida que são 
estabelecidas pelos humanos com base na razão e bom senso. Surgiu 
durante o século XVII e XVIII, num período em que as revoluções 
liberais dos burgueses estavam em alta (evidência da razão humana). 
O homem nasce com essa essência de direito. Estes são 
condicionados à sua natureza humana. Ninguém precisa ensina-los. 
 
2 – Juspositivismo - Direito Positivo – normativismo jurídico 
 
Ao contrário do jusnaturalismo, o juspositivismo (Direito Positivo) 
admite o direito estabelecido pelo Estado. Neste caso, são formadas 
as leis que regulamentam as questões intrínsecas de determinada 
sociedade. O Direito Positivo, neste caso, pode variar de sociedade 
para sociedade e costuma sofrer alterações ao longo do tempo. As 
leis baseadas no Direito Positivo, como regra, são subordinadas aos 
princípios ditados pelo Jusnaturalismo. A Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, por exemplo, representa um modelo da essência 
das normas que regem o Direito Natural. 
O Positivismo jurídico - constituiu, ao longo de 300 anos de 
História, uma tentativa de fazer com que o Direito fosse tido 
prioritariamente como ciência , a partir da crítica aos postulados 
universalistas, atemporais e imutáveis que o jusnaturalismo 
imprimiu às tentativas de se explicar adequadamente o que é o 
Direito.Deita suas raízes noPositivismo filosófico de Comte, 
Durkheim e Mill, partindo da impossibilidade de noções absolutas, 
com a renúncia da origem e destino do Universo em cima de 
fatalismos abstratos, negando, assim, incognoscibilidade das coisas. 
Para os positivistas, é possível compreender a priori determinada 
categoria, inexistindo um conceito de "essência" dos objetos (e, 
portanto, do Direito), enfatizando que para o surgimento de certa 
norma deve-se levar em consideração o empirismo (ou seja, 
baseando as reflexões em cima da experiência ou da concretude a ser 
analisada), o experimentalismo. 
O Positivismo científico no Direito teve em Comte, Durkheim, Mill 
e Lombroso a redução da realidade humana ao fenômeno físico, bem 
como a separação entre ciências humanas e sociais (moral, direito), 
das físicas e naturais. No Positivismo científico a liberdade é 
 
 - 60 - 
 
questionada - e, a bem da verdade, negada - em face do forte 
determinismo causal, numa rigidez fisiologicista. 
No âmbito do Positivismo jurídico, grande expressão teve Kelsen, 
Kant, Gray, Probert, Rousseau, e Ripert seus maiores expoentes, 
com destaque aos dois primeiros. 
A obra de Hans Kelsen - Teoria Pura do Direito -, no transcorrer do 
século XX, identifica o Direito com o Direito Positivo, por 
intermédio da construção de um modelo prescritivo que teve na 
Teoria Pura do Direito sua maior expressão. Nela Kelsen purifica, ou 
seja, aparta - ou procura justificar a apartação - entre o Direito e a 
Moral, para atribuir validade na vigência. Ou seja, a norma tem 
poder de coercibilidade (potencialidade de sancionar) e coatividade 
(poder imediato de obrigatoriedade) porque entra em vigor, depois 
de um processo jurídico de elaboração e colocação no ordenamento 
jurídico. Com isso, a norma coage e obriga porque está em vigor. 
 Os seguidores de Immanuel Kant, que desenvolveu sua obra no 
transcorrer do século XVIII, trabalham a partir da compreensão de 
imperativo categórico, a partir da norma implícita ( por exemplo 
"não matar") contida no preceito proibitivo da lei. Não há como 
deixar de evidenciar a importância da contribuição da filosofia do 
Iluminismo, designadamente o pensamento de Immanuel Immanuel 
Kant, para a formulação e reconhecimento dos Direitos 
Fundamentais da Pessoa Humana. Para Kant, a ação moralmente boa 
é justamente aquela praticada pelo reconhecimento do “dever moral” 
– assim, determinada ação é praticada tendo em vista que é descrita e 
inserida num conjunto de regras de conduta (morais). 
Ao contrário, Kelsen não entendia na moralização uma via de 
legitimidade do Direito, mas sim na construção de um imperativo 
hipotético, no qual a hipótese fática pode (ou não) estar inserida em 
algum conteúdo preconizado em norma. Tomando como exemplo o 
art. 121 do Código Penal Brasileiro, no qual consta o verbete "matar 
alguém - pena reclusão, 6 a 20 anos", o imperativo kelseniano não 
proíbe moralmente o evento, mas, antes, atribui como resultado ou 
consequência (chamada consequência jurídica) uma sanção penal 
ante o cometimento do ato. 
Qual a maior crítica feita ao positivismo? A maioria dos 
doutrinadores entende que a ausência de reflexividade sobre seu 
conteúdo valorativo, confundindo-se a realidade jurídica com a 
norma (normativismo) ou, ainda, com a própria lei (legalismo). De 
mais a mais, o positivismo reduz o Direito ao que é criado pelo 
Estado, não captando e legitimando o que não é estritamente 
produzido pela atividade legislativa, isto é, que ainda é inerente a 
costumes ou convenções sociais. Em outras palavras, só é direito 
aquilo que foi escrito, reduzido a termo (no caso do Brasil, por ter 
base legiferante, transformado em LEI). 
 
Outro ponto interessante - em termos de críticas - consiste na 
aparência de neutralidade, outro conceito invocado pelo 
Positivismo. Ou seja, o intérprete (advogado, juiz, promotor, 
ministro, procurador, defensor, delegado, professor etc.) devem, 
resguardadas as proporções, ser imparciais quando da utilização do 
direito. Claro que o advogado deve ser parcial ao defender seu 
cliente, mas isso não pode ocorrer, por exemplo, com um juiz. Este 
deve ser imparcial. Sempre! Porém, é praticamente um consenso 
alegar que trata-se de mito dizer que o profissional do Direito "se 
distancia" de suas convicções e para julgar ou apreciar a situação 
com "isenção de valores". 
 
 
 - 61 - 
 
3.1. O JUSNATURALISMO TEOLÓGICO MEDIEVAL 
METAFÍSICO 
 
O jusnaturalismo teológico ou também jusnaturalismo medieval é a 
teoria e escola jusfilosófica dominante durante a Idade Média, 
fundada por Tomás de Aquino, nos tempos de ouro da escolástica 
(método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, com 
origem nas escolas monásticas cristãs, que concilia a fé cristã com 
um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia 
grega - razão aristotélica e platônica- colocando ênfase na dialética 
para ampliar o conhecimento). 
 
Como qualquer teoria jusnaturalista, é preciso postular sobre a 
natureza humana para daí definir, dedutivamente, o Direito. Tomás 
de Aquino postula que a natureza humana é essencialmente boa. 
«Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme 
a nossa semelhança.» (Gênesis 1:26) 
 
Em concordância com a teologia cristã, a natureza humana nada 
mais é que a imanência da natureza divina na materialidade do 
homem mortal. Desprende-se disso que o homem é inerentemente 
bom, pela sua imanência divina do Gênesis, e é guiado para o justo e 
conveniente. Embora não esteja diretamente definido em sua obra, 
por via do mesmo racionalismo teológico utilizado, pode-se inferir 
que as más atitudes humanas sejam a fraqueza do seu bem inerente, 
influenciado pela força contrária do bem, pelo pecado. 
 
Tomás de Aquino, tendo postulado a natureza humana, 
dedutivamente formula os princípios morais eternos, imutáveis do 
Direito Natural. Na concepção jusfilosófica medieval, tais princípios 
estariam materializados no ser humano em sua natureza, portanto 
estando em qualquer ser humano, civilizado ou não, ocidental ou 
não, cristão ou não. 
 
Tais princípios são: 
*"O homem deve conservar-se." - deveres do homem para consigo 
mesmo. 
*"O homem deve unir-se com a mulher, procriar, educar seus 
filhos." - deveres do homem para com a família e com o grupo social 
no qual convive. 
*"O homem deve procurar a verdade." dever do homem de respeitar 
sua racionalidade, isto é, de buscar o conhecimento da realidade. 
*"o homem deve praticar a justiça, dando a cada um o que é seu", "o 
homem não deve lesar o próximo." - deveres do homem com a 
sociedade. 
 
Sendo uma teoria jusnaturalista, afirma que tais princípios morais 
são os imutáveis e eternos do Direito Natural. Logo, o Direito 
positivo, legislado, deve buscar derivar de tais princípios. Caso não 
siga, será considerado injusto, pois não condiz com a natureza 
humana. Com a utilização do método dedutivo-racional a partir de 
postulados, a teoria jusfilosófica medieval começou a guiar a ciência 
do direito para seus moldes científicos. 
 
3.2. O JUSNATURALISMO MODERNO 
 
O paradigma do jusnaturalismo moderno-iluminista - como 
paradigma precursor do positivismo jurídico – foi ancorado nas 
 
 - 62 - 
 
práticas matematizantes, no dogma do valor segurança, na certeza da 
funcionalidade do Direito e na ideologia liberal individualista tão 
presente na sociedade atual. Aquilo que vem dos textos históricos e 
que é aqui contextualizado não tem a pretensão de oferecer verdades, 
pois o compreender humano é condicionado pelo contexto histórico; 
ele é relativo e transitório. O que se pretende é pela fusão de 
horizontes (Gadamer) estar aberto ao que o passado histórico revela 
sobre a construção do pensamento jusnaturalista do período 
moderno-ilumista e o quanto seus idearios contribuírampara a 
construção do paradigma do positivismo jurídico. 
 
Para tanto, desenvolvem-se, a seguir, os preceitos do Direito Natural, 
de forma a compreender seus conceitos, fundamentos, pensadores 
exponenciais e os pontos essenciais que foram divulgados. Busca-se 
verificar se o Direito Natural como corrente teórico-filosófica 
preparou o caminho para que o positivismo jurídico se consolidasse 
como paradigma dominante. 
 
O Direito Natural manifesta-se como um conjunto mínimo de 
valores que têm como princípios essenciais a universalização e a 
imutabilidade dos conceitos extraídos das instituições jurídicas 
próprias, construídos pelo mais puro espírito do povo, orientados e 
ditados pelas exigências racionais da natureza humana universal, 
pela vontade de Deus, pela força da natureza e conservação da vida. 
 
Para Zagrebelsky (1997, p. 119), qualquer visão jusnaturalista 
autêntica assume a tríade: “verdadeiro, justo, obrigatório”. A partir 
do ser (o verdadeiro) chega-se ao dever-ser (o obrigatório) através 
do critério da justiça. O conteúdo do que é justo, ou seja, do que é 
verdadeiro tem sua origem e determinação na vontade divina 
emanada pela ordem criativa de Deus ou, ainda, pode advir da 
natureza das coisas, que pode ser concebida naturalista ou 
racionalmente, ou ainda, segundo o autor, de qualquer outro modo. 
Salienta que essas diferentes possibilidades não alteram a estrutura 
progressiva, “típico do direito natural, do mundo da realidade ao 
mundo da obrigatoriedade”. Essa perspectiva de ir do ser ao dever-
ser é possível na concepção jusnaturalista porque a justiça é 
assumida como valor. Para o Direito Natural, a justiça é o imperativo 
máximo ou “a norma primeira pressuposta da qual deriva qualquer 
outra normatividade. As doutrinas de Direito Natural, portanto, não 
desmentem em absoluto a separação positivista. Tampouco seu 
‘dever ser’ deriva exclusivamente do ‘ser’. Com efeito, que a justiça 
deve ser realizada não é em absoluto um fato, mas sim um valor, 
ainda que talvez seja o mais óbvio ou menos controvertido dos 
valores”. 
 
Para o jusnaturalismo, é o valor justiça – valor reconhecido a priori – 
que conduz à verdade. A principal herança dos primórdios do Direito 
Natural (de Sócrates a São Tomás de Aquino) e que no século XX, 
mais precisamente com Heidegger, se buscou retomar, é a questão 
da centralidade do ser no sentido ontológico, ou seja, o ser em sua 
essência e em sua existência. À medida que o Direito Natural buscou 
respostas apenas na racionalidade instrumental, esqueceu do “ser” 
em favor do “ente”. Não se tem a intenção de defender o retorno do 
Direito Natural praticado nos primórdios da humanidade, que 
valorava excessivamente a lei de natureza divina e a natureza social 
do homem. O propósito é mostrar que, ao longo dos séculos, se 
 
 - 63 - 
 
perdeu o princípio mais valioso do Direito Natural, que é: partir do 
ser para chegar ao dever-ser, como fundamento ontológico-jurídico. 
 
Um dos principais teóricos da lei natural foi Tomás de Aquino. A 
tese por ele sustentada está em o Direito Natural conter primeiro a 
lei eterna e, em segundo lugar, a razão humana, que já se apresenta 
promulgada por Deus. Na análise de Goyard-Fabre (2003), Tomás 
de Aquino faz uma distinção rigorosa entre proposições da filosofia 
moral e política (que identificam e elaboram os princípios e as 
normas da lei natural) e, ainda, entre proposições que constituem as 
ciências da natureza; os princípios e as normas da lógica (ou “leis do 
pensamento”) e os princípios e as normas de toda técnica humana 
submetidos à vontade humana. A ordem natural é regida por leis 
eternas e imutáveis, de origem divina, deixando-se para a razão 
humana a função de redescobrir e criar essa ordem natural. 
 
Bobbio (1997) refere que em Santo Tomás de Aquino, existem 
quatro formas de lei: a lex eterna (razão divina que governa o 
mundo); a lex naturalis (ordem cósmica emanada de Deus e 
manifestada ao homem dotado de razão); a lex humana (abrange os 
preceitos particulares que a razão tem condições de inferir nas mais 
variadas circunstâncias, capaz de enfrentar as situações que são 
postas ao homem a partir do seu relacionamento com as pessoas) e a 
lex divina. 
 
No século XVI ocorre a ruptura do “Direito Natural” construído 
historicamente a partir de fundamentos ontológico-teológicos 
alicerçados no ser[1] e na vontade de Deus para um jusnaturalismo 
baseado num modelo de racionalidade caracterizado pela excessiva 
confiança no poder da razão. Surge a Escola do Direito Natural com 
uma nova concepção do Direito que vai favorecer a laicização e a 
unificação do Direito. Por tais razões, Gilissen (1988) vai dizer que 
“esse direito natural laico é um direito racionalista (alemão: 
Vernunftrecht) que domina todas as relações entre os homens, seja 
qual for a sua raça e qualquer que seja a sua posição social”. Nos 
séculos XVII e XVIII, a ciência do Direito é dominada pela Escola 
de Direito Natural. 
 
A tese elaborada por Hugo Groot Grotius no ano de 1625 com a 
edição da obra Do Direito da Guerra e da Paz é considerada durante 
muitos anos como a obra fundamental do Direito Natural. Grotius 
atribui ao termo “Direito” três sentidos: Direito como “justo”; 
Direito como “faculdade ou aptidão”, correspondendo à “qualidade 
moral” da pessoa; Direito como sinônimo de lex. Essa terceira 
acepção – Direito como lex – é o ponto central sobre o qual vai 
desenvolver toda a sua obra. No termo lex, Grotius reagrupa o 
“conjunto das regras que são obrigatórias para que seja respeitado ou 
obtido o que é direito (rectum), e não apenas justo (justum)” 
(GOYARD-FABRE, 2003, p.43). Para o autor, um sistema de 
Direito Natural poderia ser racionalmente construído e poderia gozar 
de validade universal, comparando-o às normas dos axiomas da 
matemática. 
 
Dentro deste contexto de ruptura, Grotius deixou uma grande 
contribuição à teoria jurídica ao libertar o Direito Natural de todo o 
conteúdo teológico que o dominava, rompendo com a tradição 
jurídica clássica, da qual Tomás de Aquino é um dos principais 
representantes. A principal contribuição de Grotius para a teoria 
 
 - 64 - 
 
jurídica pode ser sintetizada como seu esforço em proporcionar um 
método pelo qual o Direito Natural é reconhecido como um 
dictamen rationis. Goyard-Fabre (2003, p.42), por exemplo, sustenta 
que a intenção de Grotius foi proporcionar a seu método um alcance 
“que é mais que metodológico: esse método, manifestando a 
capacidade operatória dos poderes da racionalidade, ensina também 
que a razão é o princípio regulador das ações humanas”. 
 
Mais ainda, Wasterman (1997) vai dizer que o fundamento do 
Direito Natural em Grotius está na natureza humana, e a fonte da lei 
deve ser a sociedade. Ele distingue diferentes traços na natureza 
humana, como: desejo de pertencer a uma sociedade, inclinação para 
a autopreservação, conhecimento, faculdade de raciocínio e de fala. 
Mas a sociabilidade e a razão adquirem a posição que é a do 
pensamento que se empenha firmemente em atuar a favor de sua 
autopreservação. 
 
Para Grotius, a característica do Direito não está apenas na procura 
do justo, mas, sim, em um conceito racionalista, resultante da 
vontade humana, que se materializa em um contrato social. O 
Direito cada vez mais passa a ser estabelecido por normas escritas, 
indo além da simples oralidade como prova nas demandas jurídicas. 
O princípio que o autor propõe é que a lei deriva da vontade do 
legislador, e por essa razão ela é uma lei necessariamente clara. 
Nesse ponto, Jolivet (1966, p. 97) percebe em Grotius traços de um 
Direito Natural como um sistema imutável, completo e acabado “até 
em seus pormenores, de regras precisas, que bastariam exprimir em 
regras jurídicas. A natureza torna-se um ‘código’ (direito natural 
jurídico)”. 
 
Apesarde, em muitos momentos da história, Grotius não ter sido 
bem compreendido, certamente foi o pioneiro de uma revolução 
intelectual. Ao conferir a preponderância da razão como força 
universal, a teoria de Grotius não tem a intenção de rejeitar a 
existência do mandamento divino fora da esfera do Direito: sua 
teoria defende que o Direito não é mais entendido desta forma 
(vinculação à vontade de Deus), mas, sim, vinculado à razão. 
 
Pufendorf foi um dos maiores críticos de Grotius e teve participação 
decisiva na chamada secularização do Direito Natural. Seu objetivo 
principal foi descobrir os fundamentos do Direito Natural que, “em 
função de sua função imperativa, tem seu fundamento na vontade 
divina, que originalmente fixou os princípios da razão humana 
perpetuamente” (FERRAZ JUNIOR, 1996, p. 26). O que Pufendorf 
mais critica na metodologia de Grotius é o fato de ele subestimar a 
lei natural, enquanto mandamento de Deus. Para Pufendorf, está em 
Deus, na qualidade de criador e condutor do gênero humano, a 
faculdade de prescrever aos homens com autoridade a observação 
desta lei. Por ser divina, essa lei, para Pufendorf, era imutável, 
enquanto que as leis advindas de pactos jurídicos humanos poderiam 
alterar ao longo da história, a partir das condições de espaço e 
tempo, no interior de cada Nação. 
 
Na tecitura de sua teoria, Pufendorf introduz a idéia de uma lei 
natural ancorada em princípios éticos e existenciais da comunidade 
humana. Defende a noção de imputação de responsabilidade, “em 
conseqüência, toda ‘ordenação’ e, pois, todo direito, contém, pela 
sua essência mesma, uma proibição. Seu caráter fundamental 
 
 - 65 - 
 
repousa, por assim dizer na assertiva de Ferraz Junior (1996, p. 25), 
em sua função imperativa (befehlende) e não em sua função 
indicativa (anzeigende)”. Ele explica que o homem, a partir do 
entendimento e da vontade, tem liberdade de agir. Os deveres e 
direitos daí resultantes formam o “Direito Natural”. 
 
Ao inserir o conceito de moral social, introduzindo o princípio da 
sociabilidade como primeira expressão da lei natural, Ferraz Junior 
(1996, p. 25) pondera que Pufendorf apresenta o “mais importante e 
mais racional dos princípios do direito natural: a socialitas, a 
necessidade de o homem viver em sociedade, que, para ele, não é 
instinto natural teológico – como em Grotius –, mas um mero 
princípio regulativo do modo de viver”. Adotou, portanto, como 
base de seu sistema a natureza social do ser humano. Desta forma, 
para o autor, todos os sistemas humanos de Direito e as obrigações 
que decorrem deles estão sustentados na idéia de que o homem é um 
ser social. O equilíbrio do princípio da sociabilidade está em orientar 
a vontade do homem para o bem. 
 
Pufendorf distingue duas ordens de princípios: os absolutos e os 
hipotéticos. Como princípio absoluto, o princípio da sociabilidade é 
visto como uma virtude da moral natural, que impõe ao homem o 
dever de fazer a vontade de Deus, independente das instituições 
estabelecidas pelo próprio homem. Como princípio hipotético 
classifica os princípios que são instituídos pelos governos de cada 
nação e têm como finalidade formar as leis que vão disciplinar a 
vida em sociedade. 
 
Por tais razões, Goyard-Fabre (2003, p. 44 e ss.) entende que essa 
regra de ação imperativa pode também ser compreendida em 
Pufendorf como a máxima de um dever que caracteriza que o 
homem, ao se dirigir por sua vontade livre, “se obriga porque 
exprime à vontade de um superior de agir de certa maneira prescrita 
por ele, mas não o pressiona. Além disso, quem assume livremente 
essa obrigação realiza sua humanidade obedecendo ao mandamento 
divino”. 
 
Daí que para Pufendorf, a lei natural é o princípio a partir do qual é 
possível realizar uma regulamentação ética e existencial do homem, 
enquanto ser social. Para justificar essa posição, Bobbio (1997, p. 
53) percebe que Pufendorf “recorre ao pressuposto da sociabilidade 
(sociabilitas) do homem”. Por outro lado, Pufendorf assume a 
posição de que de há uma relação de identidade entre o Direito 
Natural e a matemática. Percebem-se aí indícios de um jusnaturalista 
positivista. Ao serem princípios de evidência perfeita, os princípios 
do Direito Natural são semelhantes a um axioma matemático. Essa 
postura confirma que a matematização do Direito já estava presente 
em pensadores como Grotius e Pufendorf. Portanto, ao trazer a 
essência de seus pensamentos ao texto, a intenção é apontar que 
ambos os autores contribuíram para mostrar que a fonte do Direito 
Natural é a razão humana e que, para alcançar sua compreensão, é 
necessário conjugar experiência e razão. Poder-se-ia referir que, 
neste contexto, Grótius e Pufendorf inauguram uma nova fase na 
filosofia, pois nos séculos anteriores ela fora basicamente 
ontológica-teológica. A preocupação de Pufendorf está centrada em 
compreender o ser enquanto ser no mundo e enquanto partícipe da 
vontade divina. Com Grótius e Pufendorf a contribuição estende-se a 
 
 - 66 - 
 
explicar o Direito a partir da razão humana, ou seja, que é possível 
vislumbrar uma relação entre o Direito e os axiomas da matemática. 
 
4. RACIONALISMO E A NOVA ORDEM CIENTÍFICA 
 
Os séculos XVI e XVII correspondem a um período de ruptura na 
história do homem. É a ruptura com o saber aristotélico e medieval. 
Essa ruptura científica, iniciada no século XVI com Copérnico 
(teoria heliocêntrica do movimento dos planetas), com Galileu 
Galilei (fundador da Física moderna – o pensamento passa a ser 
ordenado pela razão matemática) e com Newton (síntese da ordem 
cósmica), transformou radicalmente o mundo. Iniciou uma nova 
ordem científica, baseada num modelo de racionalidade que 
possibilitava apenas uma forma de conhecimento verdadeiro, o 
conhecimento fundamentado em verdades científicas. 
 
No século XVII, a nova ordem científica é ampliada e aprofundada, 
caracterizando-se fundamentalmente pela excessiva confiança no 
poder da razão, invadindo tanto os domínios da teoria como os da 
ação prática. O que impulsionou a ruptura radical foi a necessidade 
de elaborar as noções de método, de verdade e, a partir delas, as 
noções de ser e de ação. Representantes dessa nova ordem científica, 
como Descartes, Spinoza e Leibniz, constroem um método que 
objetiva produzir e tornar manifesta a unidade da ciência. 
 
Para Descartes (1596-1650), não pode haver uma ciência incerta e 
um saber fora da ciência. Isto o caracteriza como contemporâneo de 
uma revolução científica. Com ele há uma mudança radical no 
quadro das teorias científicas: a razão passa a ser o tema central de 
sua filosofia e guia único na procura de verdade das coisas. O 
homem passa a investigar as possibilidades do pensamento. Apóia-se 
na certeza proveniente da matemática e estende a todas as outras 
ciências e a todo tipo de assuntos “aquilo que constitui a certeza das 
matemáticas: a pureza e a simplicidade de seus objetos” 
(GUENANCIA, 1991, P. 13). Sua principal obra, Discurso do 
Método, revolucionou a filosofia, inaugurando uma nova fase 
metódica em que as questões são: o que é conhecer com certeza, 
qual é o critério pelo qual se reconhece essa certeza, a que objetos o 
conhecimento humano pode aplicar-se e sobre que fundamento 
repousa. Nesse brevíssimo texto ele elabora todo o seu projeto, que é 
o de elevar a ciência a um caráter universal, para que possa elevar o 
espírito ao mais alto grau de perfeição. 
 
Descartes constrói a tese da utilidade do saber adquirido explicado 
pela matemática. O que Descartes mais apreciava em seu método era 
que, por meio dele, tinha a certeza de em tudo usar a razão. Por 
conseguinte, esperava da sabedoria humana não apenas as verdades 
teóricas, mas também uma verdade pragmática. 
 
Descartes divide a busca pela verdade em três partes: “primeiro 
encontraríamos a verdadeespeculativa, depois a verdade prática e, 
por fim, a verdade pragmática, recebendo cada verdade seu papel, 
consoante seu lugar e sua dignidade no corpus cartesiano”. Este 
modo de pensar, para o qual a forma suficiente do conhecimento é a 
científica, que se propõe a explicar tudo a partir de padrões de 
racionalidade, como uma operação dedutiva, na busca de verdades, 
foi absorvida pelo Direito. 
 
 
 - 67 - 
 
Em síntese, Descartes influenciou a positivação do Direito pela 
crença de que um exato conhecimento da física e da matemática 
pode fornecer fundamentos seguros para o Direito. Ele reduz a 
realidade física a decisões puramente geométricas. 
Conseqüentemente, para Cassirer (1993), Descartes não mostrou 
uma disposição pelo ser, mas uma ordenação do conhecer, 
significando que sua preocupação não era com a entidade interior 
das coisas, mas com a posição lógica dos conceitos. Fazendo uma 
analogia com o Direito, a opção de Descartes pode ser percebida 
quando o positivismo jurídico assume que deve haver uma lógica, 
uma clareza e uma certeza na construção do sistema jurídico, 
principalmente quando o positivismo situa o juiz dentro do método 
da lógica formal tradicional, e como ele se move no contexto de se 
limitar a apenas revelar a vontade concreta da lei posta. 
 
Volvendo-se ao Jusnaturalismo Moderno ou Clássico, impossível 
não mencionar Thomas Hobbes. A chave para compreender de 
maneira clara a teoria hobbesiana é entender o que ele diz sobre o 
estado de natureza. Devemos partir do pressuposto que o teórico 
político é contratualista, ou seja, afirma que a origem do Estado e/ou 
da sociedade está num contrato. Porém, é fundamental explicarmos o 
estado de natureza hobbesiano e, posteriormente, o contrato social, 
assim, chegaremos em seu jusnaturalismo. 
 
Em primeiro lugar, por conta da nomenclatura adotada por Hobbes é 
válido ressaltar, que o dito estado de natureza não significa um 
momento em que a humanidade vivia em plena harmonia com a 
natureza propriamente dita, não causando, assim, nenhum dano ao 
meio ambiente ou ainda, que o homem natural era primitivo e 
selvagem. Na verdade, quando ele aborda este tema ele refere-se ao 
homem de qualquer época e contexto. Logo, questiona-se, como é o 
homem, naturalmente? 
 
 A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo 
e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem 
manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vido do que 
outro, mesmo assim, quando se considera tudo isso em conjunto, a 
diferença de um e outro homem não é suficientemente considerável 
para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer 
benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. 
(Leviatã, cap.XIII, P.74) 
 
Segundo as lições do filósofo inglês, os homens não são 
absolutamente iguais (aspectos físicos, mentais), contudo, a natureza 
fez os homens tão semelhantes a fim de que nenhum possa triunfar 
de maneira total sobre o outro. Além disso, Hobbes expõe uma 
inovadora concepção sobre à natureza humana: admite a tensão 
existente na convivência humana, que a nossa essência é falha, 
egoísta, somos movidos por paixões e alimentamos a discórdia por 
três motivos: por competição, pela desconfiança e pela busca 
incessante da glória. Hobbes nos desafia sugerindo “conheça a ti 
mesmo”, analise os seus próprios atos e questiona-se se a minha 
ideologia sobre a errônea natureza humana não está correta, dizendo: 
 
 “quando vai dormir fecha as suas portas; que mesmo quando está 
em casa tranca seus cofres; isto mesmo sabendo que existem leis e 
funcionários públicos armados, prontos a vingar qualquer injúria que 
lhe possa ser feita.” (Leviatã, cap. XIII, p.76) 
 
 - 68 - 
 
 
Há uma lei máxima neste estado de natureza, similar com a cristã: 
“não faça aos outros aquilo que você não deseja que faça consigo 
mesmo”. Esta lei natural é proveniente da racionalidade humana 
para a manutenção da própria espécie. Todavia, este preceito (lei) 
supremo torna-se inócuo e ineficaz, pois não há um Estado coator 
estabelecendo a ordem pelo uso da força para que esta norma seja 
cumprida, ademais, nesta circunstância, como ratifica Francisco 
Weffort: “Todo homem é opaco aos olhos de seu semelhante–eu não 
sei o que o outro deseja, e por isso tenho que fazer uma suposição de 
qual será a sua atitude mais prudente, mais razoável. Como o outro 
também não sabe o que eu quero, também é forçado a supor o que 
farei.”. Desse modo, tendo em vista à errante natureza humana, a 
imparável busca pela sobrevivência e pelo poder, torna-se, portanto, 
irracional seguir a lei natural. Pelo contrário, a atitude mais racional 
é a antecipação e o uso da violência para a conservação da própria 
vida. Resultado: caos, barbárie e guerra generalizada. 
 
Para finalizarmos a explicação sobre este alicerce da teoria do 
filósofo inglês, convido-lhe, caro leitor, para exercitar a sua 
imaginação e pensar a sua vida em um estado de natureza. Vejamos, 
a insegurança seria a penumbra de seu ser, pois um local em não há 
soberania, em que os indivíduos estão em condição de igualdade e 
estão livres para utilizar o seu próprio poder e ainda mais grave, 
todos podem tudo, eu confirmaria com convecção, que a inquietação 
e o receio atormentariam à todos e o homicídio não seria mais do 
que a própria conservação exige. 
 
Para por fim ao conflito Hobbes propõe o contrato. Conforme 
Alexandre Travessoni, há duas razões para o homem abandonar o 
estado de natureza: pelo medo da morte e por necessidade racional 
de elaborar normas. Os homens, seres dotados de razão, se reúnem e 
concordam que deve existir um pode soberano e pactuam, cedendo 
praticamente todos os seus direitos naturais, menos o seu bem 
fundamental, a vida, para o governante. O poder do Estado deve ser 
pleno, absoluto, ilimitado e capaz de resolver as intempéries dentro 
do corpo social, para tanto, cabe ao governante o dever de elaborar 
boas leis civis e edificar um Estado forte, sólido, dotado de espada, 
armado a fim de salvaguardar as leis civis ou positivas e estabelecer 
a ordem e a integridade da nação. Caso o súdito desobedeça as 
normas, arcará com as sanções estatais. 
 
Adentrando, enfim, no Jusnaturalismo hobbesiano, a sua concepção 
de justo e injusto são estabelecidas pelo governante. Como já foi 
dito, ele elaborará as leis civis (positivas) com o fim mínimo: o 
soberano deverá instaurar a paz, para proteger a vida do seu súdito. 
A lei natural, portanto, é insuficiente para estabelecer a ordem no 
corpo social, dessa forma, constituído o Estado, apenas a lei positiva 
possui força vinculante. 
 
Observações importantes: 
 
– O estado de natureza hobbesiano é filosófico, pois não há provas, 
inexiste evidências documentais sólidas e legítimas que sustente se o 
fato realmente ocorreu. Analisemos: se supormos que o estado de 
natureza é histórico, ou seja, acreditando, sinceramente, que em 
certo dia, os homens se reuniram, refletiram e concluíram que viver 
 
 - 69 - 
 
neste caos levaria à extinção da própria espécie é no mínimo, sem 
lógica. Além disso, na trajetória da humanidade, a hierarquia foi, 
está e estará inerente à raça humana. Por fim, a intenção de Hobbes, 
ao ter como base de sua teoria o estado de natureza, não é para nos 
convencer de que o fato existiu, mas sim, para nos mostrar, que a 
ausência de um Estado coator, forte e capaz de estabelecer a ordem 
levaria à barbárie e, mais do que isso, mesmo que o súdito esteja 
submisso às piores leis, esteja à mercê de um péssimo governante, 
ainda seria melhor do que viver no estado de natureza, um contexto 
em que à obscuridade, à insegurança e à incerteza imperam no 
cotidiano de cada um. 
 
5.LÓGICA JURÍDICA 
 
A lógica é uma ciência de raízes ligadas à Filosofia. O pensamento 
organizado é a manifestaçãodo conhecimento e o que o 
conhecimento busca é a verdade. Para encontrá-la, é necessário 
estabelecer alguns critérios para que essa meta possa ser atingida. 
Portanto a lógica é um ramo da Filosofia que cuida das regras do 
pensamento racional ou do modo de pensar de forma organizada. 
 
A aprendizagem da lógica não constitui um fim, mas, um meio. Ela 
só tem sentido enquanto meio para garantir que nosso pensamento 
chegue a conhecimentos verdadeiros. Podemos dizer que a lógica 
trata dos argumentos, ou seja, das conclusões a que chegamos por 
intermédio da apresentação de evidências que as sustentam. 
Tradicionalmente os argumentos dividem-se em dois tipos, os 
dedutivos – são os argumentos cuja conclusão é inferida de duas 
premissas e os indutivos – são os argumentos nos quais a partir de 
dados singulares suficientemente numerados inferimos uma verdade 
universal. O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles 
com sua obra chamada Organon. Aristóteles divide a lógica em 
formal e material, o que exploraremos mais adiante neste trabalho. 
 
Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência 
que visam a representar formalmente o raciocínio válido. Diferentes 
sistemas de lógica formal foram construídos ao longo do tempo, quer 
no âmbito estrito da lógica teórica, quer nas aplicações práticas na 
computação e na inteligência artificial. 
 
Tradicionalmente, lógica é também a designação para estudo de 
sistemas prescritivos de raciocínio, ou seja, sistemas que definem 
como se deveria realmente pensar para não errar, usando a razão 
dedutiva e indutivamente. Implícita no estudo da lógica está a 
compreensão do que gera um bom argumento e quais os raciocínios 
que são falaciosos. 
 
 “Em um sistema formal, uma vez enunciados os axiomas e 
formuladas as regras de dedução admitidas, resta apenas aplicá-los 
corretamente para demonstrar os teoremas de uma forma impositiva. 
Se a demonstração estiver correta, devemos inclinar-nos diante do 
resultado obtido e, se aceitarmos a verdade dos axiomas, admitir a 
verdade do teorema, enquanto não tivermos dúvidas sobre a 
coerência do sistema. O mesmo, porém, não acontece quando 
argumentamos”. (PERELMAN, 1999, p.170, apud BITTAR, 
ALMEIDA, 2005, p.507) 
 
 
 - 70 - 
 
Os juízos jurídicos são de valor, pois envolvem questões de ordem 
moral e cultural em sua formação. As decisões e o raciocínio 
jurídico não obedecem a esquemas pré-determinados para sua 
formação, ou seja, o raciocínio jurídico trabalha com o razoável 
visando à adequação da norma as questões peculiares de cada caso, 
como ensina o renomado jusfilósofo Eduardo C. B. Bittar: 
 
“O ato de aplicar o direito sempre envolve uma complexa 
abordagem da relação entre ser e dever-ser. Há aplicação em que 
existe o tratamento conjugado do dever-se com o ser, de modo a que 
o dever-ser torna-se ser. Em todo ato aplicativo interrompe-se a 
promessa de que algo venha a ser, para que efetivamente o seja; na 
aplicação, o dever-ser deixa de ser potência e torna-se ato. A norma 
em sua aplicação, passa de seu estado letárgico, estático, adentrando 
ao mundo do ser, no qual se insere com todas as problemática a ele 
inerentes; sua natureza de dever ser, seu sentido neutro e impassível, 
sua estrutura cristalina, sua perfeição apriorística, são apenas 
momentos do sentido antes de sua reificação. Percebe-se que a 
temática da aplicação envolve necessariamente a abordagem da 
interpretação, pois não há aplicação sem interpretação.” (BITTAR; 
ALMEIDA, 2005, p. 507) 
 
A Grécia clássica aparece historicamente como o berço da Filosofia. 
Por volta do século VI a.C., os primeiros filósofos pré-socráticos 
redigem em prosa um discurso que se opõe à atitude mítica 
predominante nos poemas de Homero e Hesíodo. O novo modo de 
pensar é decomposto na sua estrutura por Aristóteles na obra 
Analíticos. Como o próprio nome diz, trata-se de uma análise do 
pensamento nas suas partes integrantes. Essa e outras obras sobre o 
assunto foram denominadas mais tarde, em conjunto, Órganon, que 
significa “instrumento” – um instrumento para melhor organizar o 
modo de pensar. Embora alguns filósofos anteriores a Aristóteles, 
tais como o pré-socrático Parmênides, os sofistas, Sócrates e Platão, 
tenham estabelecido algumas leis do pensamento, nenhum o fez com 
tal amplitude e rigor. Por essa razão a lógica aristotélica permanece 
através dos séculos até os nossos dias. 
 
Para Aristóteles, a lógica subdivide-se em Lógica formal, que 
estabelece a forma correta das operações do pensamento – se as 
regras forem aplicadas adequadamente, o raciocínio é considerado 
válido ou correto, e a lógica material que é a parte da lógica que trata 
da aplicação das operações do pensamento, segundo a matéria ou 
natureza dos objetos a conhecer. Enquanto a lógica formal se 
preocupa com a estrutura do pensamento, a lógica material investiga 
a adequação do raciocínio à realidade. A lógica Aristotélica não 
sofreu mudanças até o século XIX, mas teve inúmeros críticos até 
essa data. A filosofia moderna procura outros métodos lógicos para 
determinar o raciocínio válido. Descartes repudiava os 
procedimentos silogísticos da escolástica medieval e procurava um 
novo método para a Filosofia que possibilita-se a invenção e a 
descoberta e não se restrinja-se á demonstração do já sabido. Francis 
Bacon escreve o Novum Organum que se opunha ao Organon de 
Aristóteles e sua concepção de lógica. Stuart Mill formulou os cinco 
cânones clássicos da inferência dedutiva que, na opinião de Irving 
Copi, seria um instrumento para testar hipóteses - os seus enunciados 
descrevem o método da experiência controlada, que é uma arma 
absolutamente indispensável no arsenal da ciência moderna 
 
 
 - 71 - 
 
5.1. Os Sofistas e sua Contribuição para a Retórica 
 
A palavra sofista deriva do grego sophistés, com o sentido original 
de habilidade específica em algum setor ou homem que detém um 
determinado saber (do grego sóphos, «saber, sabedoria»). De início, 
vários profissionais eram «sofistas»: carpinteiros, charreteiros, 
oleiros e poetas. Quando o domínio de uma técnica era reconhecido 
por todos, o profissional era dito «sofista», desde as atividades 
artesanais aos trabalhos de criação artística. O termo era, portanto, 
um elogio. 
 
A partir do século V a.C., surgiram os professores itinerantes de 
gramática, eloqüência e retórica que ofereciam seus conhecimentos 
para educar os jovens na prática do debate público. A educação 
tradicional era insuficiente para preparar o cidadão para a discussão 
política. Era preciso o domínio da linguagem e de flexibilidade e 
agudeza dialética para derrotar os adversários. 
 
O êxito desses tutores foi extraordinário. Passaram a ser, então, 
designados de sofistas, sábios capazes de elaborar discursos 
fascinantes, com intenso poder de persuasão. Por outro lado, foram 
recebidos com hostilidade e desconfiança pelos partidários do antigo 
regime aristocrático e conservador. Quando Atenas se envolveu na 
Guerra do Peloponeso, os sofistas foram responsabilizados pela 
decadência moral e política da cidade. O julgamento de Sócrates 
ocorreu nesse clima de acusação e ressentimento. 
 
Nos séculos IV e III a.C., pensadores como Platão, Xenofonte e 
Aristóteles, dramaturgos como Aristófanes em sua comédia As 
Nuvens, todos passaram a atacar sistematicamente os sofistas. O 
termo adquire um sentido pejorativo e desfavorável, marcando para 
sempre o vocabulário filosófico: argumento sofístico ou sofisma é o 
mesmo que falso argumento ou intencionalmente falacioso; de 
sofista deriva sofisticado, no sentido depreciativo de algo muito 
elaborado ou excessivamente ornado, embora vazio de conteúdo. 
 
Na esfera jurídica atual, a contribuição dos sofistas estende-se por 
todo campo da argumentação e da retórica, muito comum nos 
debatesjurídicos em que as partes pretendem, por meio de seus 
argumentos e discursos, alcançar a aceitação de suas teses. 
 
5.2. A lógica formal x A lógica dialética no Direito 
 
Foi com Parmênides e Heráclito que surgiu o antagonismo entre 
lógica formal e lógica dialética. Parmênides defendia o ponto de 
vista de que nada muda, tudo que existe sempre existiu, nada se 
transforma e, por isso, tudo que conhecemos não é um conhecimento 
confiável, visto que, tudo que vemos transformando-se não passa de 
ilusões de nossos sentidos como o sol que nasce no horizonte ou o 
rio que corre para o mar. Parmênides acreditava apenas na razão, 
para ele tudo que vemos sempre existiu. 
 
Heráclito acreditava na constante transformação do ser, tudo está em 
movimento no universo, ao contrário de Parmênides acreditava nos 
sentidos. Nada permanece estático no universo, o que vemos hoje é 
uma coisa totalmente diferente do que vimos ontem, tudo está em 
constante mutação, foi ele que disse que jamais poderíamos tomar 
 
 - 72 - 
 
banho duas vezes no mesmo rio, visto que, cada vez que 
entrássemos, estaríamos entrando em um rio diferente. 
 
O pensamento de Parmênides espelha a lógica formal e o de 
Heráclito espelha a lógica dialética. No decorrer dos séculos essas 
teorias foram aperfeiçoadas por vários filósofos como Aristóteles, 
Platão, Immanuel Kant e Hans Kelsen, seguidores da Lógica Formal 
e Hegel, Marx, Engels, Lênin, Karl Popper, seguidores da Dialética. 
 
A lógica formal é uma forma de organizar o raciocínio sem levar em 
consideração o conteúdo. O raciocínio é feito com as premissas, e a 
conclusão que é chamada de inferência na lógica. Para um raciocínio 
ser considerado lógico terá que obedecer a três regras básicas da 
lógica formal que são o princípio da identidade, o princípio do 
terceiro excluído e o princípio da não-contradição. A lógica formal, 
como o próprio nome diz, é pura forma não se preocupando com o 
conteúdo das afirmações nem há compromisso com a realidade. 
Aristóteles, para melhor explicar sua teoria, criou símbolos, 
utilizando o silogismo, em que qualquer que fosse a proposição 
colocada no lugar dos símbolos, o argumento seria válido – Se todos 
os B são C e se todos os A são B, todos os A são C. 
 
O argumento é a exteriorização do raciocínio. Os argumentos podem 
ser válidos ou inválidos. Para um argumento ser considerado válido 
terá de obedecer, aos acima citados, princípios da lógica formal, caso 
não obedeça será considerado inválido. As proposições, por sua vez 
serão verdadeiras ou falsas. Mas para uma conclusão ser verdadeira, 
as premissas têm de ser verdadeiras e as inferências válidas, sobre 
esse tema, ensina Fabio Ulhôa Coelho: 
 
“Os lógicos não se ocupam da veracidade ou falsidade da 
proposição. Interessam-se apenas pela validade ou invalidade do 
argumento. Estudam, em outros termos, as condições segundo as 
quais se pode considerar lógico uma inferência, isto é, obediente aos 
princípios e regras do pensamento lógico. Por essa razão, inclusive, e 
para propiciar maior agilidade no raciocínio, desenvolvem os lógicos 
uma linguagem própria, uma notação específica. Como não se 
preocupam com a realidade do que está sendo afirmado, os lógicos 
dispensam os mamíferos, asiáticos, Sócrates, ruminantes e tartarugas 
e adotam uma idéia geral de “ser”, representado por letras (A, B, 
C...). O argumento lógico ganha, então, a seguinte forma: Todo A é 
B; todo B é C; logo, todo A é C.” (COELHO, 1996, p.21) 
 
 A palavra dialética etimologicamente vem do grego dia que tem um 
sentido de dualidade, troca e Lektikós que significa apto à palavra, 
capaz de falar, tem a mesma raiz de logos que significa razão. O 
conceito característico da dialética é o diálogo, ou seja, a oposição 
de idéias e razões entre posições inicialmente antagônicas ou não. 
Como vimos anteriormente, a lógica formal trabalha com conceitos 
metafísicos, abstratos e absolutos em que a realidade é explicada por 
suas essências imutáveis. Já a lógica dialética parte do princípio da 
contradição, ou seja, da oposição entre duas opiniões contrapostas. 
 
A dialética é o movimento dos contraditórios, segundo a teoria de 
Hegel passa por três fases distintas em sua formação: a tese, a 
antítese e a síntese, ou seja, o movimento da realidade se explica 
pelo antagonismo entre momento da tese e o da antítese, cuja 
contradição deve ser superada pela síntese. 
 
 - 73 - 
 
 
No Direito, a lógica dialética hegeliana tem importância 
fundamental, visto que o Direito se desenvolve em um cenário de 
contradição, uma vez que, o direito de um se coloca em oposição ao 
direito de outro em que o poder jurisdicional intervém para dizer o 
direito válido para todo o grupo social. A tese que representa o 
direito de A, a antítese que representa o direito de B e, finalmente, a 
síntese que é a decisão judicial, que não põe termo ao ciclo como à 
priori poderia parecer, mas realimenta o ciclo transformando-se 
também em uma nova tese que poderá ser contraditada. 
 
5.3. As Concepções Filosóficas de Chaïm Perelman sobre a Lógica 
Jurídica 
 
Chaïm Perelman (1912-1984), nascido em Varsóvia emigrou para 
Bélgica e lá construiu sua carreira, lecionou na universidade de 
Bruxelas disciplinas como Lógica, Moral e Filosofia, tornou-se o 
maior expoente dos estudos de retórica moderna. 
 
Sua obra intitulada “Lógica Jurídica: nova retórica” tornou-se um 
clássico, configurando-se em manual prático para o estudo de lógica 
e da argumentação jurídica. 
 
Perelman foca seu trabalho na busca do entendimento do raciocínio 
jurídico perfeito e na identificação de suas particularidades 
específicas, com vista a entender a real influência desses argumentos 
sobre as decisões judiciais. Seus estudos tinham o intuito de 
responder a questionamentos do tipo, a) como se raciocina 
juridicamente? b) qual a peculiaridade do raciocínio jurídico? c) 
quais as características desse raciocínio? d) de onde o juiz extrai 
subsídios para a construção da decisão justa? e) Até onde leva a 
argumentação das partes em um processo? f) qual a influência que a 
argumentação e a persuasão possuem para definir as estruturas 
jurídicas? O intuito de tais questionamentos é dar fundamento a 
reflexão a respeito do julgamento e do ato jurídico decisório. 
 
Os estudos realizados por Chaïm Perelman sobre a nova retórica, a 
lógica e a argumentação são de fundamental importância para a 
formação acadêmica dos juristas contemporâneos. Perelman tinha 
como objetivo claro declarar sua discordância ao positivismo 
jurídico que colocava o raciocínio jurídico como um raciocínio 
exato, mecanicista. O que Perelman queria era definir uma lógica 
específica que não se utilize somente do raciocínio dedutivo, mas 
que se utilize também de outras formas de raciocínio como o 
indutivo. 
 
Para esse autor, a aplicação do raciocínio jurídico pelo juiz é matéria 
complexa, visto que a lógica judiciária não se resume a uma mera 
dedução de conclusões extraídas dos textos da lei, ou seja, a lei posta 
pelo legislador, muitas vezes, tem um recurso lingüístico vago o que 
pode dar margem a várias interpretações. Quando Perelman se refere 
ao raciocínio jurídico está falando do ato fundamentado e expresso 
nas decisões do juiz que engloba também os demais profissionais 
que atuam com ele dentro do processo como advogados, promotor 
etc. O estudo da obra de Chaïm Perelman deverá ser cercado de 
cuidados com vista a não se ter uma conclusão equivocada, como 
adverte o Eduardo C Bittar 
 
 
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“No entanto, devem-se tomar alguns cuidados ao estudar a obra de 
Perelman, quis sejam: não se está pensando que seja possível definir 
a priori o que seja a justiça feita pelo juiz, uma vez que a atividade 
jurisprudencial do magistrado e exercida mediante a provocação das 
partes e a existênciade um caso concreto a ser analisado; não se está 
pensando em conceituar uma verdade judicial, por meio de qual o 
juiz expressaria a vontade da lei, ou algo semelhante, mas no juízo 
do magistrado como iter racional para alcance de um resultado 
socialmente institucionalizado”. (BITTAR; ALMEIDA, 2005, 
p.414) 
 
A lógica jurídica consiste em uma lógica argumentativa e por meio 
do discurso se constrói o saber jurídico, a justiça, a equidade, a 
razoabilidade, e a aceitabilidade das decisões judiciais. 
 
É pacifico o entendimento de que o operador do Direito através de 
seus argumentos influencia a tomada de decisão do juiz. O juiz 
quando entra em contato com os argumentos, com os documentos, 
com as provas orais, recebe informações que posteriormente vão ser 
condensadas no processo final de julgamento, que é a decisão. 
 
A proposta da nova retórica é de reformular o pensamento jurídico 
contemporâneo, desvinculando-o do pensamento positivista, ou seja, 
propondo ao jurista não pensar nos fatos exclusivamente com os 
ditames da lei, mas, sim, pensar nos fatos como situações passíveis 
de valoração que se revelam por intermédio do discurso e da prática 
judiciária. 
 
O trabalho desenvolvido por Perelman tem foco sobre o raciocínio 
jurídico que é o raciocínio decisório, ou seja, o poder de dizer que o 
direito está no poder do juiz. Com esse princípio fundamental é que 
Perelman visa a afirmar que a lógica jurídica difere das demais 
formas de lógica, por ser uma lógica dialética ou argumentativa. 
Sendo assim não é dedutiva, não é rígida nem abstrata dos fatos que 
analisa. Todo o raciocínio jurídico e traçado em meio a fatos 
concretos do dia-a-dia sejam fatos sociais, políticos dos quais 
surgem as decisões que regulam cada caso concreto em particular. 
 
 
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