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Fundamentos Históricos e 
Introdução ao Estudo do 
Direito 
UNIDADE 1 - Antiguidade e Direito Não-Europeu 
Introdução 
 
O presente texto trata das noções sobre o Direito Hebraico, Hindu, Chinês e Japonês. Todos esses sistemas 
jurídicos possuem características únicas e se desenvolveram conjuntamente a suas sociedades. No entanto, é 
possível ressaltar importantes semelhanças entre eles. Primeiro ressalta-se que todos foram fortemente 
marcados por expressões teológicas. Conforme veremos, isso significa dizer que a religião, embora 
diferentes, possuía papel elementar dentro do ordenamento jurídico. 
Além disso, em todos os sistemas jurídicos citados havia uma forte aproximação entre a moral e a política. A 
presença da religião, aproximava a moral do cotidiano das pessoas, havia um rigor maior entre o certo e 
errado, justo e injusto, fundamentado nos dogmas religiosos que definiam as normas sociais, políticas e 
jurídicas. 
Essas duas características possibilitaram a criação de sistemas jurídicos dogmáticos, os quais estabelecem 
preceitos normativos que são seguidos da mesma maneira que os dogmas religiosos. 
 
 
 
Vamos estudar sobre o direito hebraico, hindu, 
chinês e o japonês? 
 
O Direito Hebraico, Hindu, Chinês e o Japonês são expressões do Direito na Antiguidade Oriental. Nos 
quatro casos, houve um esforço para a organização de um sistema jurídico robusto que fosse capaz de lidar 
com as dinâmicas de suas sociedades. Embora distintos, todos esses sistemas jurídicos apresentam algumas 
peculiaridades, como o centralismo da religião nas disposições políticas e jurídicas. Em razão disso, há uma 
proximidade da ética e moral religiosa com os outros ramos sociais. No entanto, cada sistema possui sua 
particularidade, as quais veremos a seguir. 
O Direito Hebraico é definido como: 
"o conjunto de regras e preceitos religiosos que se alicerça no dogma monoteísta arvorado pelos antigos 
israelitas, povo de origem semita que outrora habitou a terra bíblica de Canaã" (PALMA, 2022, p.154). 
Trata-se, portanto, de um Direito tido pelos hebreus como de inspiração divina, situado no campo dos 
Direitos sagrados. A principal fonte do Direito Hebraico é o Antigo Testamento (Tanak), composto pelo 
Pentateuco (Torah), pelos livros dos profetas (Neebin) e pelos demais escritos (Ketubin). 
No Direito Hindu, a religião hinduísta possuía valor fundamental, sendo formas dissociáveis o direito e a 
religião. Ademais, na Índia reinava um sistema de castas sociais, o qual também era refletido no Direito, de 
modo que havia um conjunto de regras específicas a serem seguidas, conforme a condição social. Esse 
conjunto de regras que regulava a virtude é chamado de dharma. O dharma é encontrado nos vedas e nos 
livros que sistematizaram regras jurídicas e costumes, sendo que o mais importante era o Código de Manu. 
Por outro lado, o Direito Chinês é constituído, a partir de dois conceitos principais: “li” (礼) e “fa” (法). O 
“li” é um conceito abstrato, oriundo da filosofia confuciana, e pode ser traduzido tanto por “ritual” quanto 
por “costumes”, “moral” ou “regras de bom comportamento”. Nessa perspectiva, haveria maior valor na 
educação que na punição, de modo que o “li” seria condutor para a boa convivência. Já o “fa” expressa 
“pena”, “regra” ou “modelo punitivo”. A disputa entre as concepções do “li” e do “fa” representa a disputa 
entre um modelo de justiça mais valorativo e um mais legalista. Enquanto o “li” era uma decorrência 
da tradição, o “fa” era fruto da imposição estatal. A disputa entre essas visões terminou com a prevalência 
do “li”, dada a forte influência das ideias de Confúcio sobre a sociedade chinesa. 
https://www.conib.org.br/glossario/tora/
O Direito Japonês, por sua vez, foi fortemente influenciado pelo confucionismo e pelo Direito Chinês. No 
entanto, duas obras antigas da literatura japonesa, o Koiji (680 a.C.) e o Nihonshoki (720 a.C.), que tratam 
da história da nação, apesar de recheadas de elementos lendários e mitológicos, contém informações que 
revelam a presença de um sistema jurídico próprio do Japão. Desses livros, percebeu-se a presença de um 
código de ética para altos funcionários do Império que contém normas de caráter penal e também de uma 
moderna legislação administrativa. 
 
As peculiaridades do direito hebraico, hindu, 
chinês e o japonês 
 
O Direito da Antiguidade oriental apresenta como característica fundamental a presença da teologia em suas 
elaborações. No Direito Hindu, ressalta-se a presença do hinduísmo e dos seus dogmas, como que 
praticamente indissociáveis. No Direito Hebraico, os mandamentos dos Torá inspiravam os códigos juristas 
e eram seguidos, por terem força de lei. No Direito Chinês e Japonês também se percebe a forte presença do 
confucionismo que teve papel mais relevante no extremo oriente. Dessa forma, os códigos criados eram 
expressões dos dogmas religiosos da época. 
Nesse sentido afirma Palma (2019, p.132, grifo nosso) 
Os indianos, como outros tantos povos, valeram-se de lendas, da tradição e cosmogonia para explicar as 
origens de suas leis. Assim, o personagem Manu não é propriamente um legislador, a quem devamos aferir 
alguma historicidade, mas uma espécie de ser mitológico. O direito, desse modo, assume ares sagrados, 
sendo os brâmanes, a casta composta por sacerdotes, os intermediários diretos dessa revelação. 
Também no Direito Hebraico percebe-se tamanha aproximação da religião e do direito, quando o que seria a 
codificação mais importante são os “Dez Mandamentos”, traduzidas enquanto leis para a sociedade e 
alcançaram a aceitação geral das comunidades judaica e cristã. Nesse sentido, demonstra Palma (2019, 
p.150): 
"assim, os textos sagrados ora fazem referência direta a Deus, como o autor da Lei Maior, ora a Moisés, 
como espécie de guia que comunica ao povo o caminho a seguir”. 
Sob todos os ângulos possíveis, Direito e sagrado se fundem como um todo. 
Por outro lado, o Direito Chinês, apesar de fortemente influenciado pelo confucionismo, adotava uma 
concepção do direito sem caráter divino. Isso não significa dizer que não havia influências teológicas em seu 
sistema jurídico, mas que não acontecia como no caso do Direito Hindu ou Hebraico em que a religião e o 
direito eram indissociáives. É o que explica Palma (2019, p. 209) 
A explicação pode ser encontrada nas palavras de Losano: “Na China, o direito tinha uma posição 
subsidiária em relação à ética confuciana, que via nas leis um sinal de corrupção moral, porque elas 
obrigavam o homem a comportamentos que este deveria ter por convicção interna. Por volta do século III 
a.C. a Escola confuciana se contrapôs a dos legistas, assim chamados por considerarem que nas leis claras e 
nas punições severas estava o fundamento de uma ordenada continuidade do império. Depois da alternância 
no predomínio de uma escola e de outra, o direito chinês inspirou-se numa posição conciliatória, destinada a 
perdurar até a introdução do direito ocidental no século XIX” 
Nesse sentido, o Direito Japonês, também influenciado por Confúcio, não possuía um direito vinculado ao 
divino diretamente. Porém, era perceptível em seus códigos a presença do “tom conciliatório”, marca do 
confucionismo. Somente na Era Meiji, com a modernização do país e as aproximações com o Ocidente, o 
Japão passou a um processo de codificação do Direito, pautado no sistema romano-germânico. 
 
Vamos conhecer o direito hebraico, hindu, chinês e 
o japonês na prática 
 
Conforme vimos até aqui, os sistemas jurídicos estudados da Antiguidade oriental apresentam entre si uma 
grande característica que é uma forte influência no campo teológico. No entanto, resta saber como tal 
influência e tais ordenamentos disciplinavam as matérias jurídicas. Em outras palavras, como era o Direito 
Civil Hindu? Chinês? E o Direito Penal Japonês? Passemos agora, portanto, a analisar esses aspectos de 
cada sistemajurídico. 
O Direito Hebreu desenvolveu diversas leis de cunho civilista, tendo em vista a importância dos contratos e 
negócios jurídicos entre particulares na época. Havia inclusive a previsão de garantia real como o penhor. 
Ademais, também havia previsão de que certos bens seriam impenhoráveis, desde que vinculados à 
sobrevivência individual, especialmente os utilizados na agricultura. 
Não tomarás em penhor ambas as mós, nem mesmo a mó de cima, pois se penhoraria assim a vida (Dt 
24:6). 
Se emprestares alguma coisa a teu próximo não invadirás a casa para te garantires com algum penhor. 
Ficarás do lado de fora, e o homem, a quem emprestaste, te trará fora o penhor (Dt 24:10-11). 
Por outro lado, o Código Manu, pelo Direito Hindu, previa um senso de administração de justiça, com a 
presença da “A Corte de Justiça”, uma instância superior, onde cabia ao rei julgar. 
Agora, no que se refere ao Direito Penal Hebreu ressalta-se a individualidade da pena: 
O maior desenvolvimento do Direito Penal israelita, no entanto, repousava no princípio da individualidade 
da pena, o que sem dúvida significava uma vantagem para a época na qual o presente conjunto de leis 
encontrava-se inserido: 
“Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais. Cada qual morrerá pelo 
seu pecado (Dt 24:16)." (PALMA, 2019, p.169) 
No âmbito penal, o Direito Hindu, bem como o Direito Chinês, destaca-se a presença de penas cruéis e 
degradantes. No Chinês, por exemplo, eram previstas penas tais como a empalação, as marcas a ferro em 
brasa, os açoites e até mesmo a castração. Enquanto no Hindu, vejamos a seguir dois exemplos: 
Que o rei lhe faça derramar óleo fervendo na boca e na orelha se ele tiver a imprudência de dar conselhos 
aos Brâmanes relativamente ao seu dever (art. 269)173. 
|Se ele levantou a mão ou um bastão sobre o superior, deve ter a mão cortada; se em um movimento de 
cólera lhe deu um pontapé, que seu pé seja cortado (art. 277)174. 
Quanto ao Direito Japonês, também havia a presença de penas severas, a peculiaridade, é que havia 
uma divisão entre os delitos leves e graves, para a aplicação de sua respectiva pena: 
Interessante notar no estudo em questão que Shotoku previa em sua legislação “penas reeducativas para os 
delitos leves”, apesar de que àqueles que cometem os chamados “delitos graves” estavam reservadas 
punições extremamente rigorosas, a fim de que tal severidade contribuísse para “educar os 
demais”"(PALMA, 2019, p.215) 
 
Introdução 
 
O presente texto trata sobre a Grécia e sua importância para a filosofia política, ressaltando o importante 
papel de suas cidades mais famosas, Esparta e Atenas. 
A Grécia Clássica é considerada a base da cultura ocidental moderna e o berço da civilização ocidental. A 
cultura grega conseguiu explorar e progredir em muitos campos da ciência, matemática, filosofia, política e 
conhecimento em geral, deixando um precioso legado. 
Registra-se como exemplo a Filosofia Grega, com destaque à Sócrates, Platão e Aristóteles que 
revolucionaram a maneira de pensar, por meio da superação dos mitos e o surgimento das explicações aos 
fatos, a partir de elaborações racionais. 
Nesse mesmo sentido, também na Grécia surgiram as primeiras codificações que dissociavam a religião e o 
direito e compartilhava entre as pessoas noções de cidadania, de igualdade, de democracia, valores que 
persistiram ao longo dos séculos. 
 
Vamos estudar sobre a Grécia antiga? 
 
A civilização grega se desenvolveu na região oriental do mar mediterrâneo, ocupando o extremo 
da península dos Balcãs. Nessa região, floresceram algumas importantes cidades-estados, como as 
civilizações cretense e micênica, que desde 2.000 a.C. tiveram uma destacada organização política, social e 
cultural. 
Um elemento imprescindível no estudo da Grécia Antiga é o surgimento das pólis. As pólis surgiram por 
volta do século VIII a.C. e eram as cidades-estados na Grécia. Nas pólis os cidadãos discutiam questões 
administrativas e políticas, nos espaços denominados Ágoras, que nada mais eram que praças públicas 
abertas à participação de todos os cidadãos. 
É exatamente nesse ambiente, nas Ágoras, que ocorre o aparecimento da filosofia grega, onde havia debates 
políticos, filosóficos, decisões sobre guerras, etc. Ressalta-se, entretanto, que os espaços de discussão, 
sobretudo da filosofia, eram ocupados apenas por homens, tendo em vista que na Grécia Antiga, os cidadãos 
eram exclusivamente os homens livres, não compondo tal setor os escravos, os estrangeiros, as mulheres e 
as crianças. 
No mais, a filosofia grega obteve papel fundamental, pois tratou de interrogar e refletir sobre as questões da 
natureza e humanas, buscando sentido a suas provocações. Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles 
foram a base para a estruturação do conhecimento e do pensamento ocidental. 
Ademais, cada pólis era independente e possuía suas particularidades. Apesar disso, todas compartilhavam o 
mesmo idioma, as mesmas crenças e os mesmos preceitos culturais. 
Em cada pólis, o poder era exercido pelo rei que era considerado como de origem divina. No ponto mais alto 
das pólis ficavam as Acrópoles, locais onde se erguiam templos e palácios. As pólis mais importantes 
foram Esparta e Atenas, cada uma com modelos administrativos diferentes e que influenciaram a política das 
demais cidades. 
Esparta era uma comunidade grega tradicional. Estava localizada em Lacônia, região ao sul de Peloponeso, 
habitada no século XII a.C. pelos aqueus e dórios, que ali criaram um Estado militar, mas oligárquico e 
conservador, para poder conservar seu território e dominar outros povos. Em sua organização social, apenas 
os soldados-cidadãos, conhecidos como hoplitas, possuíam direitos políticos, somente 
os latifundiários poderiam ser hoplitas e os escravos pertenciam à pólis. 
O outro modelo mais comum de pólis era o de Atenas. Fundada em homenagem à Palas Atena, deusa da 
sabedoria e da justiça, foi uma cidade de um povo pacífico, dedicada, sobretudo, a atividades comerciais de 
seus produtos agrícolas, em forma de matéria prima ou manufaturada. A sua localização litorânea facilitava 
as trocas e a manutenção das relações comerciais. 
Em Atenas havia maior mobilidade social, o que causava maiores problemas de estabilidade política. Sob 
o governo de Clístenes, todo cidadão ateniense tinha direitos políticos, podendo ser eleito ou se eleger. Eram 
considerados cidadãos os homens maiores de 21 anos, nascidos livres e que tivessem terminado o 
treinamento militar. 
 
As peculiaridades da Grécia antiga, sua filosofia e 
os entraves entre Atenas e Esparta 
 
A Grécia Antiga foi uma civilização fundamental para o desenvolvimento do Ocidente. Nela, surge o que 
seria a primeira grande expressão da filosofia ocidental, por meio de filósofos como Sócrates e Aristóteles. 
Aliás, tal filosofia somente surgiu em razão da organização social grega, que proporcionava as discussões 
públicas em praças, chamadas Ágora, onde era possível debater e refletir sobre o mundo. Nesse viés, é 
inegável os avanços da cultura grega para o ocidente. 
Para os pensadores gregos, a fonte do direito é o nomos, que se traduz geralmente por lei. É o nomos o meio 
de limitar o poder das autoridades, já que a liberdade política consiste em não ter que obedecer senão à lei. 
Como consequência, os gregos fizeram poucas leis no sentido moderno do termo, visto que nomos significa 
tanto lei como costume. É na filosofia que está a principal contribuição dos gregos para a cultura ocidental, 
principalmente com Sócrates, Platão e Aristóteles. (MACIEL, 2019, p.135) 
Os primeiros filósofos, chamados de pré-socráticos, questionavam acerca da formação do meio natural, 
estabelecendo preocupações científicas. Tales de Mileto, Heráclito, Parmênides e os sofistas foram filósofos 
pré-socráticos. Ainda conectadoscom as ideias dos mitos que buscavam explicações dos cosmos, os 
filósofos pré-socráticos propunham também explicações sobre a natureza que os rodeava. 
Já em um segundo momento da filosofia grega, a preocupação passa a ser mais com a natureza humana. 
Nesse contexto, surge a filosofia platônica e a figura de Sócrates. O que se conhece sobre Sócrates é por 
meio dos escritos de seu discípulo Platão. O Ateniense foi o responsável por sistematizar a ontologia e 
estudou sobre a origem do homem, da alma e do conhecimento. Estabeleceu o conceito do ser humano como 
ser racional, possuidor de uma alma, em busca da virtude, que seria o conjunto de atributos que leva o 
homem à excelência, em oposição ao vício. Estudava a metafísica, fundamentando a existência do mundo 
entre o mundo sensível e o mundo inteligível. Apenas por meio da razão era possível acessar as verdades do 
mundo. 
A importância da filosofia grega era crucial para os debates na Ágora, onde os cidadãos governavam por 
meio de uma democracia direta. Ressalta-se o caráter democrático, tendo em vista que apenas os homens 
livres que podiam participar desses debates, excluindo as mulheres, crianças, escravos e estrangeiros. 
No entanto, ainda assim, é perceptível a importância da racionalidade e do discurso político para os gregos. 
Nesse sentido: 
Os atenienses acreditavam que um homem que não se interessasse pela política deveria ser considerado não 
um cidadão pacato, mas um cidadão inútil. Com tempo disponível, os cidadãos se voltavam por inteiro à 
coisa pública, discutindo os temas relevantes na Ágora, uma espécie de praça em que se juntavam para o 
exercício do poder político. Deliberando com ardor acerca das questões de Estado, as assembleias tinham o 
mesmo papel do parlamento nos tempos modernos, com a diferença de caracterizarem-se como uma 
democracia direta. Observe-se que não há participação popular na tomada de decisões. (MACIEL, 2019, 
p.137) 
E Esparta? Diferentemente de Atenas, Esparta era uma aristocracia, governada por dois reis que estavam 
submetidos à 
“Assembleia do Povo, chamada em Esparta de Apella, ou do Conselho de Anciãos, a Gerúsia, composta por 
vinte e oito gerontes com idade igual ou superior a sessenta anos e por dois reis” (PALMA, 2019, p. 256). 
 
 
 
Grécia antiga: a organização de Atenas e Esparta 
na prática 
 
Conforme vimos até aqui, a Grécia Antiga traçou grandes influências para as futuras gerações ocidentais, 
sobretudo, em relação a sua organização política social e ao surgimento de uma filosofia ocidental. 
Passemos agora a estudar sobre como era a organização das cidades Atenas e Esparta na prática. 
Atenas foi uma das cidades mais importantes da Antiguidade. A civilização ocidental tem sua origem na 
Grécia Antiga, especificamente na pólis ateniense. Podemos apontar alguns motivos que levaram ao 
surgimento da democracia em Atenas. Tratava-se de uma cidade de comerciantes, aberta a trocas sociais e 
culturais, o que favorecia a existência de um ambiente propício para o florescimento de novas ideias. 
Por ser uma cidade de comerciantes, mais pacífica, a estrutura social ateniense exigia um ambiente de 
estabilidade para que os negócios se desenvolvessem de forma satisfatória. Nesse sentido, a cidade 
valorizava a cultura, as letras e as artes, atraindo filósofos e pensadores de todas as pólis gregas, de forma 
que a erudição da elite acabava sendo transmitida e replicada pelo modo de vida de toda a população. 
Os valores da democracia ateniense estavam baseados na participação dos cidadãos, com isonomia, 
igualdade do direito de fala e do direito de decidir. O mérito conferia acesso aos postos mais distintos e a 
pobreza não impedia que um cidadão fosse ouvido e prestasse serviços à pólis. 
A democracia ateniense não surgiu do nada. Foi fruto de lutas e conquistas dos atenienses, que se revoltaram 
contra a oligarquia e o governo familiar, que privilegiava apenas uma pequena parte da sociedade e 
explorava os agricultores. Com Drácon, houve o estabelecimento de leis rígidas que transferiram o poder 
político dessa oligarquia ao Estado. Com Sólon e Clístenes, o povo se tornou protagonista e responsável 
pelas decisões que regeriam a vida em comunidade. Democracia é uma palavra de origem grega que 
significa exatamente o exercício do poder pelo povo. 
Por outro lado, Esparta era uma cidade militar, governada por reis e pela aristocracia. Diferente de Atenas, 
onde foi o berço da filosofia e da democracia grega, Esparta priorizava o combate e seu poderio militar. Para 
tanto, necessitava de uma pólis pautada em hierarquias e disciplina. 
Os espartanos eram mestres no cultivo das tradições cívicas e amavam a pátria com fervor. Dedicavam-se 
até a morte ao combate e tinham repugnância aos covardes e desertores. Eram xenófobos por excelência, 
pois se julgavam “iguais entre si”, mas “superiores a qualquer outro povo da Hélade”. Usavam cabelos 
compridos e bem forjados apetrechos de guerra. Uma longa capa vermelha tocava-lhes o calcanhar. O 
escudo e o elmo que protegiam, além da cabeça, os maxilares, provocava pavor nos adversários.(PALMA, 
2019, p.272) 
As diferenças entre as duas cidades eram tão marcantes que inclusive foram objeto da Guerra do 
Peloponeso pela disputa da hegemonia da Grécia. A hostilidade entre as duas importantes cidades gregas foi 
o palco desse combate, mas os atritos entre as cidades de Atenas e Corinto, que era aliada de Esparta, foram 
o gatilho para o começo de tudo. 
 
Introdução 
 
O presente texto pretende abordar os temas relacionados ao Direito Romano, bem como a evolução história 
de Roma e seus momentos expressivos. Nesse sentido, a expressão “Direito Romano” designa o 
ordenamento jurídico que regeu os cidadãos de Roma e os povos dominados pelo Império. Esse conjunto de 
normas possui origem na própria formação de Roma, em 753 a.C. e se estendeu pelo menos até o século VI 
d.C. 
No decorrer da história, o Direito Romano foi adquirindo características diferentes, alterando-se e evoluindo 
com o tempo, da mesma forma como a sociedade se alterava. Nesse sentido, é possível a história do direito 
romano em três períodos: pré-clássico ou arcaico, clássico e pós-clássico. 
 
Vamos estudar sobre o direito romano? 
 
A expressão “Direito Romano” designa o ordenamento jurídico que regeu os cidadãos de Roma e os povos 
dominados pelo Império. Esse conjunto de normas possui origem na própria formação de Roma, em 753 
a.C. e se estendeu pelo menos até o século VI d.C., quando o Imperador Justiniano consolidou as leis no 
chamado Corpus Iuris Civilis. 
Portanto, estudar o Direito Romano é estudar um ordenamento jurídico desenvolvido ao longo de mais de 
1.300 anos. É importante ter em mente, portanto, que o Direito Romano não teve sempre as mesmas 
características, alterando-se com o tempo, da mesma forma como a sociedade se alterava. 
Nesse sentido, a história do direito romano é uma história de 22 séculos, com início no século VII a.C. e fim 
no século V d.C., com a queda do Império Romano do Ocidente, remanescendo até o século XV apenas 
Império Bizantino. (MACIEL, 2019) 
A definição do Direito Romano melhor compreendida a partir da compreensão de suas noções fundamentais 
e suas fontes. As fontes do Direito Romano, assim como ele, sofreram inúmeras mudanças, logo não 
permaneceram as mesmas ao longo da História. 
Como já sabemos, a história de Roma pode ser dividida em três grandes períodos: Realeza, República e 
Império. O Império é dividido em Alto e Baixo Império. Os mais de treze séculos de evolução do Direito 
Romano podem ser divididos em período pré-clássico, clássico e pós-clássico. 
Na República Romana teve a magistratura como um de seus elementos básicos, além do Senado e do povo, 
que se representava por meio de comícios. Os magistrados eram representantes do Estado, com direitos, 
obrigações e poder executivo, subordinadosà autoridade do Senado. O Senado gozava de amplos poderes, 
entre os quais se encontrava o direito de aprovar leis, apresentadas pelos Comícios, a administração das 
contas públicas e o manejo da política externa. O Senado poderia, inclusive, suspender os Cônsules. 
O período arcaico do direito romano vai da fundação de Roma até aproximadamente o ano 300 a.C. É um 
período de evolução da escrita, de forma que poucos textos escritos chegaram até nós. O direito nesse 
período era primitivo, baseado em uma estrutura econômica rural e familiar. Do período pré-clássico, o mais 
famoso texto jurídico é A Lei das Doze Tábuas. 
Já no período clássico, começaram a surgir algumas sistematizações do direito nacional romano. Múcio, 
Cévola e Sabino buscaram organizar o ordenamento jurídico já existente. No período do imperador Adriano, 
o jurista Juliano sistematizou leis existentes criando o Digesto de Juliano. Há, assim, a superação do 
costume como fonte principal do direito, por outras fontes como o edito do Pretor e os pareceres dos 
jurisconsultos. 
Por fim, no período pós-clássico foi produzido o Código Teodosiano de 438 d.C., uma das mais famosas 
compilações de constituições imperiais, servindo de inspiração para Justiniano. Também é desse período o 
Edito de Constantino, importantíssimo para a evolução do cristianismo, que influenciou bastante a evolução 
do direito romano. 
 
 
 
 
As peculiaridades da história do direito romano 
 
Roma, uma das mais importantes civilizações para o Ocidente, pode ter seu estudo dividido em três grandes 
momentos: Realeza, República e Império. Cada qual representa um momento político específico de Roma, 
bem como seus institutos jurídicos e o funcionamento de suas respectivas instituições. 
A Realeza trata do primeiro momento histórico de Roma, marcada por uma população que compartilha o 
latim, como idioma comum, habitavam aldeias. Prevalecia a presença de grandes famílias patriarcais. Os 
chefes dessas famílias reuniam-se ainda numa espécie arcaica do que seria o senado romano. 
Na Realeza os sete reis foram: Rômulo; Numa Pompílio; Túlio Hostílio; Tarquínio Prisco, o Antigo; Sérvio 
Túlio; e Tarquínio, o Soberbo. A sociedade no período estava dividida em três classes sociais, os patrícios, 
os plebeus e os escravos. 
A República inaugura um novo momento e uma nova organização social, marcada pelas figuras do Senado e 
do Magistrado. O Senado fiscalizava, controlava a justiça, as finanças públicas, as questões religiosas e 
dirigia a política externa, incluindo a militar, extremamente central, em um contexto de expansão 
territorial. 
O magistrado romano, por sua vez, não se referia ao que hoje conhecemos como um juiz. Na verdade, era 
uma espécie de órgão da cidade e um titular do poder. Nesse sentido, o magistrado detinha cargos 
importantes e cargos públicos, como o pretor e o cônsul, exercendo, desse modo, imortante papel na vida 
política e jurídica da cidade romana. (MACIEL, 2019) 
Também no período da República que foram desenvolvidas um dos mais importantes registros legislativos 
do período romano, a Lei da Doze Tábuas. Também se ressalta que na República existiam figurar políticas 
muito relevantes para a instauração e consolidação de uma prática jurídica coerente, como o pretor, 
magistrado que se encarregava da distribuição da justiça; juízes, designados por estes; o jurisconsulto, 
eminente conhecedor das leis, e, finalmente, o advogado (PALMA, 2019). 
A etapa do Império Romano se dividiu em duas grandes fases. A primeira, denominada Principado, ocorreu 
entre 27 a.C. até 280 d.C. A segunda, chamada de Dominato, durou até a queda de Roma pelos bárbaros em 
565 d.C. O Império manteve a estrutura política da República, concentrando, contudo, o poder político e 
religioso nas mãos do Imperador. O Império, em seu auge, estendia-se desde o oceano Atlântico até o rio 
Eufrates, na Mesopotâmia. 
O período do Principado ou Alto Império teve como governadores célebres Otaviano, Tibério, Calígula, 
Cláudio e Nero. Sob o governo de Tibério, os romanos teriam crucificado a Jesus Cristo na Palestina. O 
despotismo de Nero provocou uma rebelião do exército e o fim do Império. Vespasiano, responsável por 
depor o Imperador que pôs fogo em Roma, foi proclamado imperador pelo Senado, sendo sucedido por Tito 
e Domiciano, que governaram entre 70 e 96 d.C 
 
O direito romano na prática 
 
Agora, passemos a estudar brevemente sobre os principais documentos do Direito Romano, desenvolvidos 
ao longo da sua história, em cada um de seus momentos. 
O Corpo de Direito Civil é a compilação dos livros jurídicos romanos, feita em Constantinopla, pelo 
imperador bizantino Justiniano, no século VI d.C. O Corpus Iuris Civilis é a expressão máxima do Direito 
Romano escrito. Nesse período, o Direito Romano já era essencialmente escrito e foi o mais desenvolvido da 
Antiguidade. A compilação foi feita para evitar problemas de aplicação e estudo das leis, já que as normas 
foram produzidas de forma progressiva e ao longo das décadas. A compilação abrangia a essência de todo o 
direito dos Romanos. É composto por quatro partes: Institutas, Digesto, Código e Novelas. 
Institutas ou Institutiones era um manual para estudantes de Direito. O Digesto ou Digesta ou Pandectas, é 
uma compilação de uma das principais fontes da época áurea do Direito Romano, a jurisprudência clássica. 
O Códex ou Código era uma compilação das Constituições Imperiais, exemplos de outras fontes do Direito 
Romano. As Novelas ou Novellae é a compilação das constituições produzidas durante o governo de 
Justiniano. 
Ademais, ressalta-se a presença de distinção ao acesso aos códigos romanos nos períodos da Realeza. 
Apenas os cidadãos romanos gozavam do direito dos romanos, do ius civile. Os estrangeiros, os peregrini, 
estavam submetidos apenas ao ius gentium, o direito comum a todos os homens. 
Nesse contexto, também se destaca a figura dos plebiscitos, os quais se referiam, inicialmente, a previsões 
normativas dirigidas aos plebeus. Como se sabe, as leis não eram as mesmas para todos, tendo em vista que 
cada parcela da sociedade recebia uma determinação legislativa distinta. O plebiscito, portanto, referia-se 
aos atos legislativos destinados exclusivamente aos plebeus. No entanto, os plebeus se revoltaram contra 
essa distinção legal e obtiveram como resultado a Lex Hortênsia, de 287 a.C que determinava que as normas 
aprovadas em plebiscitos fossem assimiladas às leges e passassem a obrigar todos os cidadãos. (MACIEL, 
2019) 
Outro importante ato normativo que merece destaque são as Leis das XII Tábuas. Antes, os magistrados 
julgavam conforme suas próprias tradições e costumes, que não eram ao menos escritos e somente 
conhecidos por eles. Diante disso, os plebeus apresentaram suas reivindicações contra o arbítrio de das 
decisões dos magistrados e pela redução a termo dos costumes e fontes usadas nos julgamentos. Com efeito, 
ocorreu uma aplicação direta do que, hoje chamamos do princípio da legalidade. 
A Lei das XII Tábuas buscou abarcar uma diversidade de temas para regular a prática jurídica nas cidades 
romanas, dentre eles a solidariedade familiar é abolida, mas a autoridade do chefe é mantida; a igualdade 
jurídica é reconhecida teoricamente; são proibidas as guerras privadas; é instituído um processo penal; a 
terra, mesmo a das gentes, tornou-se alienável; é reconhecido o direito de testar; vários direitos de 
vizinhança, como cortar o galho das árvores se a sombra invadisse a propriedade vizinha, colher os frutos 
das árvores vizinhas que chegassem ao seu quintal etc. (MACIEL, 2019). 
 
Introdução 
 
O presente texto aborda sobre os temas do Direito Romano Clássico e Pós-Clássico. A Época Clássica é 
compreendida do século II a.C até o final do século III a.C. e retrata um Direito essencialmente laico, 
individualista, sem vinculação entre o direito privado eo direito público, priorizando, sobretudo, a 
autonomia privada dos cidadãos, junto com a liberdade contratual. 
Por outro lado, o período do Direito Romano Pós-Clássico, que tem início com Diocleciano e desenvolve-se 
até o império de Justianiano I, também chamado de baixo império, representou um período de decadência 
política e intelectual e grandes crises econômicas, bem como uma maior presença do cristianismo que 
afetam diretamente as formas do sistema jurídico antecedentes. 
 
 
 
 
 
 
Vamos estudar sobre o direito romano clássico e 
pós-clássico? 
 
O Direito Romano sofreu inúmeras transformações ao longo dos séculos. Aqui, estudaremos dois grandes 
momentos do Direito Romano: o Clássico e o Pós-Clássico, com suas peculiaridades e características 
principais. 
O Direito Romano Clássico é mercado pela presença da autonomia privada, dando maior liberdade aos 
cidadãos de realizarem seus contratos e negócios entre si. 
O direito privado romano agora possui caráter essencialmente laico e individualista, com distanciamento 
entre o direito privado e o direito público. Se de um lado, do ponto de vista político, diminuía sem cessar a 
liberdade dos cidadãos, do outro lado, no direito privado ela só aumentava, cada vez com mais autonomia 
para contratar. (MACIEL, 2019, p.186) 
Outra característica marcante do período Clássico é a crescente codificação dos códigos romanos, tendo em 
vista que os costumes perderam espaço e foram substituídos pela legislação, pelos editos do Pretor e pelos 
escritos dos Jurisconsultos. 
Ademais, ressalta-se a presença do processo formular que significou uma simplificação dos processos, 
promovendo resoluções mais céleres e simplificadas das controvérsias jurídicas. 
O Direito Romano no período Pós-Clássico ou também Baixo Império (ou Dominato) compreende o 
período entre 284, marcado pela morte de Diocleciano, e 565, que datou o falecimento de Justiniano. 
Diferentemente do apogeu que havia se alcançado com o Principado (sobretudo em termos econômicos), 
o Baixo Império se caracterizou pela decadência política e intelectual, bem como pela regressão 
econômica (MACIEL; AGUIAR, 2019). Há também uma grande influência do cristianismo, o que vai afetar 
o Direito. 
Durante o Dominato, as constituições imperiais se estabelecem enquanto fonte atuante de criação organizada 
do direito (ALVES, 2016). Os costumes, por sua vez, seguem como preenchedores de lacunas de tais 
constituições. 
O período foi marcado por editos de Constantino e de Teodósio, imperadores que tornaram o Cristianismo 
religião tolerada e que, posteriormente, passou a ser cultuada oficialmente pelo estado romano. 
Nesse sentido, a religião cristã trouxe uma nova concepção para o direito – até então indubitavelmente 
pagão (ALVES, 2016) - e as relações entre o indivíduo e o Estado. No âmbito familiar, deu interpretação 
distinta às leis antigas, proibindo-se a venda e morte de filhos. O pátrio poder começa a sofrer modificações 
a partir do aparecimento da figura do Estado (com a fundação da pólis) perdendo seus poderes 
discricionários. Nesse sentido ainda, a prole passou a ser tratada enquanto objetivo primordial da instituição 
família. 
Em termos de operacionalidade do direito e de instituições, destacam-se, no período Pós-Clássico, 
a valorização dos juristas, a centralização dos poderes de julgamento em único órgão, a conservação das 
obras dos jurisconsultos romanos do período Clássico. 
Justiniano, condutor do Império Bizantino, observando que o trabalho da jurisprudência do período em que 
governava se tornara precarizado, buscou valorizar os antepassados, recuperando os escritos jurídicos do 
período Clássico do Direito Romano (MACIEL; AGUIAR, 2019). Nesse trilhar, foi constituído o Corpus 
Iuris Civilis, principal compilação do Direito Romano. 
 
As peculiaridades da Grécia antiga, sua filosofia e 
os entraves entre Atenas e Esparta 
 
O Direito Romano Clássico e Pós-Clássico apresenta características marcantes que os fazem representar 
momentos diversos e muito importantes na evolução do Direito Romano. Para tanto, também é importante 
compreender os períodos políticos que permeiam esses momentos. 
Se, no período da Realeza, os costumes eram fontes do direito por excelência, durante o Império e no 
período Clássico, sua força se perde. Alguns juristas Clássicos como Gaio e Papiniano sequer incluem os 
costumes na relação das fontes do direito (ALVES, 2016), por os considerarem meros fatos. 
Entretanto, na produção jurídica em geral da época clássica, verificava-se que, para a existência do costume, 
era necessário que sua prática fosse observada por longo tempo (sem, contudo, se estabelecer um limite 
mínimo). Nesse sentido, o costume praeter legem (que preenche lacuna da lei) era obrigatório (ALVES, 
2016). 
Por outro lado, de extrema relevância foram as constituições imperiais (constitutiones), a partir do poder que 
o imperador absorveu das magistraturas republicanas. Essas constituições se dividiam em quatro tipos: 
i) editos (edicta), que eram normas gerais aplicáveis a todo o império, em geral; 
ii) mandatos (mandata), instruções que o Princeps Senatus (presidente do Senado) transmitia aos 
funcionários imperiais, especialmente aos governadores e funcionários das províncias; 
iii) rescritos (rescripta), respostas sobre questões jurídicas dadas pelo imperador a particulares, 
especialmente a funcionários ou magistrados; iv) decretos (decreta), sentenças dadas pelo imperador (em 
primeira instância ou grau recursal), que se tornavam precedentes. 
A jurisprudência dividia-se entre as escolas dos Proculeianos (inovadores) e Sabinianos (conservadores), 
embora os critérios de distinção entre ambas não sejam muito bem definidos pelos romanistas (ALVES, 
2016). 
Destacaram-se enquanto juristas do período Clássico Sálvio Juliano, Papiniano, Paulo, Gaio e Ulpiano. 
Esses e os demais juristas Clássicos escreveram monografias, livros destinados ao ensino, livros de consultas 
e respostas sobre casos concretos, enciclopédias (digesta). 
É também nesse período Clássico do direito romano que se observa também uma divisão dicotômica 
entre ius civile (direito próprio dos cidadãos de Roma) e ius gentium (comuns a Roma e demais povos). 
Por outro lado, o período Pós-Clássico foi decadência política e intelectual, crises econômicas, fortes 
influências do cristianismo e pelo protagonismo de Justiniano na codificação de todo o Direito Romano. 
Justiniano foi responsável pela codificação do Corpus Iuris Civilis, estruturado em quatro seções: i) 
o Codex ou Código de Justiniano, que se tratava do conjunto de constituições imperiais vigentes desde a 
época de Adriano, visando substituir o Código Teodosiano, de 438 (que era dividido em dezesseis livros, e 
continha o texto integral de todas as constituições imperiais romanas até então); ii) o Digesto 
(Digesta ou Pandectas), composto por cerca de cinquenta livros, que seria a doutrina desenvolvida por 
jurisconsultos, destacando-se Ulpiano, Gaio, Papiniano, Paulo e Modestino; iii) Instituições (Institutiones), 
composto de quatro livros, que dedicava-se à forma de ensinar o direito, em um caráter mais didático; iv) 
as Novelas (Novellae ou leis novas), novas constituições imperiais editadas a partir de 534. 
Sem dúvidas, o Corpus Iuris Civilis se consolidou como fundamental para o renascimento do Direito 
Romano, sobretudo em países como França, Alemanha, Espanha e Portugal (PALMA, 2019), possibilitando 
os estudos sobre as instituições jurídicas clássicas. 
 
Direito romano clássico e pós-clássico: exemplos 
 
No Direito Romano Clássico, podemos citar uma série de fontes jurídicas, como o costume, a legislação, as 
Constituições Imperiais, a jurisprudência e o processo formular. 
O costume, na realidade, entrou em desuso nesse período, em razão da forte codificação realizada pelos 
textos romanos, sendosubstituído pela legislação, edito do pretor e os escritos dos jurisconsultos. 
A legislação se dava por meio das constituições imperiais, dividida em quatro grupos: (i) os editos, que eram 
disposições aplicáveis a todo Império, com algumas exceções; (ii) os decretos: julgamentos feitos pelo 
Imperador ou por seu conselho que geravam precedentes para as instâncias inferiores; (iii) os reescritos: 
respostas dadas pelo Imperador ou seu conselho a um funcionário, magistrado ou particular; (iv) 
as instruções: dada pelo Imperador aos governadores da província, em matérias administrativas e fiscais. 
Com a decadência das assembleias, o Senado passou a ser o titular do poder de legislar. A propositura de 
uma lei, no entanto, mantinha-se privativa do Imperador. Desde 13 d.C. o Imperador podia legislar 
diretamente por edito. Paulatinamente o Imperador passou a ser o único legislador, sendo que nem todas as 
constituições imperiais tinham a mesma autoridade. (MACIEL, 2019, p.186, grifo nosso) 
Em relação à jurisprudência, refere-se ao que atualmente chamamos de doutrina: 
Era composta pelas obras dos jurisconsultos, homens muito experientes na prática do direito, quer enquanto 
davam consultas jurídicas, quer enquanto redigiam atos e orientavam as partes nos processos. Eram eles que 
resolviam as lacunas existentes no direito romano.(MACIEL, 2019, p.187) 
Por fim, merece destaque o processo formular, que simplificou a resolução das controvérsias jurídicas e 
significou uma maior simplicidade e menor formalismo. Como acontecia? As partes compareciam diante de 
um pretor (magistrado), o qual, em conformidade ao conflito apresentado, ditava uma "fórmula", que se 
refere aos termos jurídicos do conflito, sendo o conteúdo dessa fórmula a controvérsia apresentada e as 
possíveis deduções dessa controvérsia. Logo, pela primeira vez, há uma grande aproximação do que hoje é o 
dispositivo de uma sentença. Vejamos um exemplo da aplicação das fórmulas. 
Condenação: “O juiz condenará Numério Negídio a pagar a Aulo Agério dez mil sestércios; se não provar, 
absolverá Numério Negídio” 
Quanto ao Direito Romano Clássico, merece destaque o Corpus Juris Civilis, realizado no governo de 
Justiniano. A compilação pretendia unificar os códigos e criar um sistema unificado de poder e é dividida 
em quatro partes: Institutas (manual escolar), Digesto (compilação dos iura), Códex (compilação das leges) e 
Novelas (reunião das constituições promulgadas por Justiniano). 
Com efeito, o código é imenso e trata de diversas matérias, contudo, destacamos o papel da mulher dentro 
do casamento, conforme era previsto pelo código: 
A mulher, inserida dentro da família romana, também exercia seu papel na comunidade, mas estava 
juridicamente vinculada ao marido, que possuía o poder marital, chamado de manus. Sendo o poder 
doméstico romano, dentro de sua história, independentemente de qual fosse ele, pleno, este acontecia com o 
poder marital. O manus permitia o castigo e a repulsa à mulher, indo até o direito de vida e de morte. Esse 
direito foi bastante limitado pelo Censor durante a República, que em nome dos bons costumes não permitia 
ao pater familias a prática de certos abusos. Como consequência desse poder, da mesma forma que os 
filhos, a mulher não tinha capacidade patrimonial. O que ganhava era revertido para o pater familias. 
(MACIEL, 2019, p. 200, grifo nosso) 
 
Vamos estudar a evolução histórica e os 
fundamentos teóricos gerais do direito 
 
Como foi o surgimento do Direito nas diversas sociedades? 
O estudo do surgimento das instituições jurídicas e dos fenômenos jurídicos em diferentes culturas e 
dimensões sociais são de extrema importância para a contextualização do desenvolvimento do Direito atual. 
É um movimento no qual as diferentes formas do passado refletem e constroem o presente e o futuro 
jurídico, ao qual pertencemos. 
Nesse viés, estudaremos as mudanças históricas das diversas sociedades e seus códigos principais 
normativos e legais. 
1. O Direito ágrafos ou das sociedades antigas: não há codificações ou meios de escrita, constituído por normas 
de costumes, marcadas pelo seu teor sagrado e religioso 
2. O Direito oriental subdividido em Direito dos cuneiformes e Fenício, do Egito Antigo, dos hititas, dos persas, 
da Índia Antiga e dos hebreus, conforme diagrama a seguir. 
 
Imagem: Direito oriental. Fonte: Saraiva Educação 
#PraCegoVer: Diagrama de cinco blocos, nos quais se lê: 
Os Direito cuneiformes e Direito Fenício: escritos, penas de banimento e incesto, direito comercial. Código 
de Ur-Nammu, Código de Hamurábi 
O Direito no Egito Antigo: Leis, decretos e regulamentações. Faraó como última instância decisória. Penas 
severas como estrangulamento, fogueira, embalsamento em vida. 
O Direito hitita: Penas pecuniárias prevalecem sobre as penas corporais. Um dos primeiros tratados de paz 
assinados entre “Hatusilis” III e “Ramsés” II, em aproximadamente 1258 a.C 
O Direito persa: Desenvolvimento do direito da família e sucessões .Penas severas. Textos legais: “Matikan-
E-Hazar-Datastan”. 
O Direito da Índia Antiga: O Código de Manu, castas dominantes e privilegiadas Esboço de uma 
administração de justiça 
O Direito hebraico : Regras e preceitos religiosos Desenvolvimento de leis civilistas, voltadas aos negócios 
jurídicos. Utilização do penhor. 
3. Direito no extremo oriente: chinês, japonês, tibetiano e mongol, marcados pela filosofia mais articulada e 
escritos que abarcavam importantes discussões sobre os fenômenos jurídicos e suas regras sociais. 
Título 2: Vamos estudar a relação entre o Direito e a sociedade grega 
Subtítulo 1: Como foi o Direito na antiguidade grega? 
A Grécia representa um dos países mais importantes em relação ao estudo da filosofia e outros saberes. 
Dessa forma, também é imprescindível na evolução histórica do Direito e seus preceitos, atentar-se para as 
formas que se conformaram na Grécia Antiga. 
Nesse sentido, de acordo com Palma (2022, n. p.): 
O edifício onde foi erigida a cultura ocidental assenta seus alicerces sob inúmeras influências. Seus 
fundamentos mais remotos encontram nas movimentadas ruelas de Atenas seu berço primeiro. Sabe-se que o 
legado filosófico desenvolvido na Hélade redimensionou por completo a forma de o homem buscar, 
perquirir o conhecimento e conceber as coisas. Entre os pensadores mais célebres, tais como Sócrates, Platão 
e Aristóteles, o campo de discussão era extremamente vasto. Suas lições proporcionaram discussões sobre 
assuntos diversos, que envolviam desde a Política até o Direito. 
O Direito na antiguidade grega era preponderantemente consuetudinário, ritualístico, fundado no culto aos 
antepassados e desenvolvido no seio da própria família. Ademais, também foram os gregos que trouxeram a 
ideia do Direito Natural, a partir da existência de uma lei imutável e acima de todas as leis que regeriam a 
todos. Por fim, foram também os gregos que surgiram com a ideia do constitucionalismo, em razão das 
inúmeras participações política dos que eram considerados cidadãos. 
 
Estudo de caso 
 
A referência fundamental para os gregos desenvolverem a filosofia foi a natureza “physis”. Esta era vista 
como portadora de ordem (cosmos) que implicava a realização de fins imanentes (teleologia). A ordem da 
natureza fora transplantada para a cidade (ordem social), para a ação humana (ordem individual), e para o 
direito (ordenamento jurídico), formando o campo de reflexão filosófica denominada de razão prática. 
 
Imagem: Fluxograma. Fonte: Saraiva educação 
#PraCegoVer: Gráfico que ilustra a ética, a política e o direito como componentes da Razão prática. 
A natureza, para os gregos, se apresenta de forma ordenada, portando um modo de ser que lhe é própria. A 
natureza é o que é independente da vontade humana. Os fenômenos naturais obedecem ao princípio de 
causalidade. 
O direito, em específico, incorporoua noção de teleologia (teoria dos fins), digamos, de empréstimo da 
natureza. Porém, o direito não trata daquilo que é (ser), mas daquilo que pode vir a ser (dever ser). 
Infere-se que 
“o fogo arde da mesma maneira na Pérsia e na Grécia, mas o direito é sempre variável” (VILLEY, 2019, p. 
56). 
Logo, o direito atua e decide sobre situações móveis e contingentes, abordando fenômenos sociais 
produzidos, não pela causalidade natural, mas pela liberdade. 
É possível observar a teleologia não apenas na confecção da norma, como também na sua aplicação. Como 
lidar, então, com a teoria dos fins no direito? 
Vamos a um caso concreto. 
O artigo 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – Decreto-Lei n. 4657, de 4 de setembro de 
1942, diz o seguinte: “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às 
expectativas do bem-comum”. 
 
Imagem: Fluxograma. Fonte: Saraiva educação. 
#PraCegoVer: Gráfico que ilustra a ética, a política e o direito como componentes da Razão prática. 
Ao aplicar a lei, o juiz deve levar em consideração dois pressupostos teleológicos imanentes à própria 
norma: os fins sociais e o bem comum. A norma, no entanto, deixou explícito o que se entende por “fins 
sociais” ou “bem comum”? 
Coloque-se na posição do juiz. Com base no enunciado normativo, você conseguiria facilmente identificar 
os fins sociais e o bem comum? Faça a seguinte experiência. Coloque por escrito a definição de “fins 
socais”, explicitando-os, e, igualmente, a acepção de “bem comum”. 
Será que sua concepção de “fins sociais” e de “bem comum” encontraria aceitação social objetiva? Ou será 
que as definições construídas, por você, estariam respaldadas em suas percepções individuais? Neste caso, 
sua opinião deveria prevalecer em relação ao que os outros pensam a respeito? 
É admissível desconsiderar os “fins sociais” e o “bem comum” na aplicação da justiça? Mas, afinal, o que é, 
do ponto de vista objetivo, “fins sociais” e “bem comum”? 
Reflita 
Olá, estudante! A aplicação do Direito demanda um esforço dos magistrados, frente aos fins sociais e o bem 
comum. Portanto, lembre-se: por mais que exista um direito positivado, a sua interpretação e aplicação é 
essencial para suprir as lacunas. 
 
 
Resumo visual 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE 2 - Formação do Direito Moderno 
Introdução 
 
“Idade Média” é o termo utilizado para denominar o período compreendido entre o século V e o século 
XV na história da Europa. Esse momento histórico se inicia com o fim do Império Romano Ocidental, e terá 
seu efetivo fim na Modernidade, com a ascensão da burguesia, a implementação do empreendimento 
mercantilista e a cultura da renascença. 
Marcada pelo feudalismo, pela ação das Cruzadas e pela devastadora Peste Negra, a Idade Média apresentou 
uma série de percepções jurídicas diferentes ao longo dos seus dez séculos de duração, sendo influenciada 
pelo direito germânico, celta, canônico, romano e feudal, cada qual em maior ou menor grau. 
No presente texto, estudaremos sobre o Direito Feudal, Canônico e o Renascimen 
 
Vamos estudar sobre o direito feudal e canônico? 
 
O Direito Feudal e o Direito Canônico foram expressões jurídicas presentes na Idade Média, que traduziam 
as organizações sociais daquela época, bem como suas prioridades político-jurídicas. Destaca-se, de 
antemão, a forte presença da Igreja Católica que permeou o período medieval e foi evidente no Direito 
Canônico. 
A tradição jurídica propriamente feudal era baseada nos costumes e sabe-se que cada feudo tinha suas regras 
para possibilitar a convivência social. Os costumes que determinavam as relações sociais, contudo, 
eram direcionados pelos nobres, já que o poder se encontrava em suas mãos, e 
as tradições eram determinadas pelas origens desses nobres, podendo a influência ser germânica, celta ou 
latina. 
Assim, o Direito Feudal apresentava regras orais e escritas e algumas importantes compilações sobre essa 
tradição jurídica expressadas em documentos como “Usos e Costumes de Barcelona, a Carta de Pisa”, que 
remete ao ano de 1142, e o “Libri Feudorum de Milão”, de 1095 a 1130. 
Entre os mais importantes instrumentos jurídicos da época estavam os “contratos de homenagem”: 
um pacto que se estabelecia entre os senhores feudais e os vassalos. A solenidade desse “contrato” exigia 
que o vassalo assumisse o compromisso de, inclusive, lutar até a morte para defender o senhor e seus 
familiares, caso fosse necessário 
Desse modo, o Direito Feudal era constituído por uma pluralidade de concepções jurídicas, onde não havia 
uma hierarquia previamente definida, prevalecendo o direito eclesiástico (Direito baseado em concepções 
humanas e em “leis divinas”, em um contexto de descentralização e precariedade). Pluralidade jurídica que 
seria fundamental, posteriormente, para a formação dos Estados Modernos. 
O Direito Canônico diz respeito à tradição jurídica que respeita (como leis) o conjunto de cânones (isto é, 
regras adotadas pela Igreja) para governar e organizar socialmente a comunidade cristã e seus membros. 
Essa forma de Direito se confundiu com o Estado por diversas vezes durante a Idade Média. Seus cânones 
tinham força de lei mesmo para aqueles que não eram cristãos. Contudo, a Igreja jamais negou a existência 
de dois ordenamentos distintos: um Direito secular e um Direito cristão. 
O Direito Canônico apresentava como características, além de seu caráter religioso, seu caráter ecumênico, 
escrito e erudito, apresentando domínio por uma série de questões de Direito Privado, que se confundiam 
com os sacramentos da Igreja Católica, tal como a celebração do matrimônio. 
Os dois concílios que geraram os primeiros documentos que fomentariam a produção legislativa canônica 
são o Concílio de Niceia, que remete ao ano 325, e o Concílio de Constantinopla, de 381 d.C. 
A centralidade da Igreja Católica somente será contestada com o movimento da cultura renascentista, entre 
os séculos XIV e XVI, provocando uma forte mudança no pensamento medievo, por meio de um movimento 
cultural, artístico, científico, político e filosófico, que tinha como base o antropocentrismo. 
 
As peculiaridades do direito feudal, do direito 
canônico e o surgimento do renascentismo 
 
A intitulação do feudalismo tem sua origem na palavra “feudo”, derivada do latim e que se associa à ideia de 
propriedade. Essa palavra sintetiza de forma bastante eficiente os interesses que perpassam as relações 
sociais da época, já que uma das principais características desse momento histórico foi sua inflexível 
hierarquia social. 
Alguns autores identificam dois períodos feudais: o primeiro deles dura até meados do século XII, e diz 
respeito ao momento em que a sociedade feudal se organizava no âmbito rural e de forma estável, sendo o 
comércio atividade incipiente, a moeda ainda não era popularmente utilizada. O segundo período, por sua 
vez, correspondeu ao momento em que o comércio renasceu na sociedade feudal, havendo a difusão do uso 
da moeda e o crescimento da importância do comerciante em detrimento do produtor, o que transformou a 
organização social e econômica (MACIEL; AGUIAR, 2019). 
No segundo período feudal, portanto, a burguesia urbana ganha espaço e revoluciona a economia europeia. 
Contudo, de um ponto de vista social, o modo de produção econômica acaba acentuando a diferenciação dos 
grupos e classes, que se tornam cada vez mais fechados. 
De acordo com (PALMA, 2022), o regime feudal é constituído fundamentalmente na relação estabelecida 
entre um senhor feudal, da classe dos nobres, e de outro lado, um servo, que ocupa um lugar numa classe 
social inferior. Diante disso, o servo recebia de seu suserano o beneficium, ou seja, a posse do feudo para 
realizar suas atividades de subsistências, como o cultivo do solo de onde retirará a produção necessária para 
cumprir todas aquelas obrigaçõesinerentes à sua condição. 
O Direito Canônico, por sua vez, se pautava principalmente por seu caráter religioso, que diferenciava a lex 
aeterna e a lex humana. 
A lex humana se conserva em uma esfera própria, secular, diferentemente da lex divina, que era aeterna, 
sendo a Igreja Católica a entidade designada por Deus para acessar, interpretar e, consequentemente, 
preservar as leis (e a vontade) divina. 
Nesse sentido, a lei eterna é a fonte de inspiração da lei humana, da mesma forma que a natureza divina 
inspira a natureza humana, desse modo, percebe-se uma aproximação entre a natureza humana e a natureza 
divina, logo, a lei humana também é divina. (BITTAR, 2018) 
Ante essa noção, poderíamos entender que toda lei humana seria, também, divina. Contudo, é a imperfeição 
da criação que torna possível distinções entre as leis. Portanto, o Direito Canônico efetivaria a vontade 
divina, que somente nele restaria respeitada. Nesse sentido, Bittar (2018, p. 362) sintetiza o pensamento 
canônico: 
“a melhor forma de justiça é a ordem que se dá em Deus”. 
Lembrando que tal pensamento, centralizado na vontade divina e nos dogmas católicos, somente seria 
questionado e teria seu fim com o Renascimento, que surgiu na Itália no século XIV e se estendeu até o 
século XVII por toda a Europa. No renascimento, o ser humano seria colocado no centro da criação e não 
mais abaixo da divindade, de tal forma que seu valor e o do divino poderiam ser aproximados. 
Esse pensamento refletia o humanismo que foi a principal corrente filosófica da época, junto com 
o racionalismo, individualismo, classicismo e antropocentrismo. 
 
Direito romano clássico e pós-clássico: exemplos 
 
No Direito Feudal, percebeu-se a presença dos chamados contratos de homenagem, marcados por uma forte 
solenidade e respeito mútuo, tanto que raríssimas eram as vezes que tais contratos eram desfeitos. Os 
contratos de homenagem representavam um acordo entre o senhor feudal e seu futuro vassalo. Tal acordo 
somente era consolidado numa cerimônia chamada “homenagem”. 
Nesta cerimônia, ocorria uma espécie de juramento firmado, com a presença de diversas testemunhas e era 
sempre finalizado com a benção de um sacerdote amigo de um dos nobres suseranos. Ademais, registra-se 
que o vassalo, então, se colocava de joelhos na frente do seu suserano e lhe jurava a fidelidade até a morte, 
tal fidelidade referia-se a diversas questões, como de guerrear na defesa de seu senho e familiares, bem 
como de prover aquilo que for necessário para a subsistência de seu senhor. (PALMA 2022) 
Ressalta-se que em tal cerimonia estavam sempre presentes elementos solenetes que caracterizavam tal 
evento como uma espécie de ritual, na qual reinava um profundo sentimento de religiosidade. 
Em relação ao Direito Canônico, citamos o Decreto de Graciniano que representou um grande esforço, tal 
qual Justiniano para os Romanos, em compilar os textos, marcados por uma produção jurídica-normativa da 
tradição cristã. 
O monge Graciano fez um dos grandes feitos para o Direito Canônico em seu esforço de compilar os textos 
escritos até o momento sobre as relações jurídicas da Igreja, fontes de direito, nomeações e poderes do clero 
secular e regular, normas processuais nas causas eclesiásticas, crimes e sanções de natureza religiosa, 
disciplina jurídica dos sacramentos, incluindo aqui os casamentos, que era de competência do clero. O 
resultado de sua empreitada foi a reunião de quatro mil textos. 
Cita-se também o famoso Decreto de Graciano, o qual recebeu, ao lado dos cânones de uma série de 
concílios e de sínodos locais da Igreja, muitos outros textos de origem pontifícia, como os de Gregório 
Magno. Ademais, a importância do decreto ocorre, em virtude da presença de centenas de passagens 
extraídas dos escritos pastorais de importantes padres, como o caso do conhecido Santo Agostinho. Além 
disso, o decreto também abarcava os textos de direito secular, principalmente de direito romano. (PALMA, 
2022) 
Merece também destaque no Direito Feudal as formas consuetudinárias do Direto Germânico. Os 
germânicos organizavam-se em clãs e eram conhecidos como “bárbaros” e, com o passar do tempo, 
passaram a transcrever seus costumes, em parte, herança do Império Romano, em leis escritas. O resultado 
disso foram as Leges Barbarorum, que conforme afirma Palma (2022, p. 396): 
“um conjunto de leis e costumes germânicos reduzidos à forma escrita durante a Idade Média. As principais 
são a Lex Burgundionum e a Lex Romana Burgundionum, atribuídas ao rei Gundbald (500-516) e a seu filho 
Sigsmund (516-524)” 
 
Introdução 
 
O presente texto aborda o momento após o fim da Idade Média, em que o Direito sofrerá enormes 
mudanças, em razão das transformações operadas pelo absolutismo e suas teorias, bem como pelas fortes 
influências do iluminismo, decorrência direta do movimento cultural renascentista. 
Assim surge o Direito Moderno, que emerge das revoluções burguesas e das suas influências internacionais 
com a quebra do domínio religioso na política. 
Assim, com o surgimento do humanismo, desvincula-se o direito e a política dos mitos e predestinações da 
fé, passando-se a se defender que o homem é o verdadeiro condutor do seu próprio destino, dono de sua 
própria vontade e único dotado de razão para decidir o seu próprio futuro. 
 
O fim da idade média e surgimento do absolutismo 
 
Durante a Idade Média e seu contexto de poder descentralizado, o poder “divino” ficou representado muito 
mais fortemente pela instituição da Igreja Católica do que, de fato, por algum rei ou príncipe. Afinal, por 
mais que a própria Igreja admitisse que “todo poder emana de Deus”, era certo que o único Deus verdadeiro 
era representado secularmente, em primeiro lugar, pelo Papa e pelo Catolicismo. 
Assim foi que o poder real foi diminuído durante a Idade Média em razão do poder indireto da Igreja 
Católica, que influía – e muito – nas questões temporais e, até mesmo, monopolizava certos assuntos, tal 
como o matrimônio, por exemplo. Além disso, a descentralização do poder real durante o medievo também 
se deveu fortemente em razão 
“[...] dos senhores feudais, pelos usos e costumes regionais, pelos privilégios das cidades e corporações de 
artífices” (CICCO, 2017, p. 258). 
Assim sendo, no fim da Idade Média, ocorrem inúmeros episódios que levam à morte de nobres – para além 
da Peste, também, guerras como a dos Cem Anos, Duas Rosas, entre outras – e, frente ao catastrófico 
cenário de miséria que tinha lugar na Europa, a contestação do poder da Igreja torna-se ainda mais intensa. 
Nesse período ocorre, também, uma junção de interesses da realeza e da burguesia que conduziram a 
unificação dos Estados Modernos europeus. 
À burguesia interessava a unificação dos Estados em razão da crescente intenção capitalista que se formava 
com os empreendimentos Mercantilistas, e que fazia surgir a necessidade de criação de uma “moeda 
nacional” para facilitar o comércio. Além disso, o fim dos impostos feudais e uma reformulação das leis 
também eram fatores de interesse para os burgueses. 
Aos reis e à nobreza, era a invenção da pólvora que deixava o medo de destruição dos castelos medievais e, 
consequentemente, a perda do poder de governo, que levava à necessidade de formação do Estado Moderno, 
com uma nova forma de organização social. 
Foi frente a essa conveniente união de interesses, onde a Igreja Católica já não contribuía, que surgiram os 
primeiros Estados Modernos sob o regime mais característico do Renascimento: o absolutismo. 
A partir de então, constitui-se o Estado Moderno, entendido como um Estado-Nação unificado, e o rei passa 
a ser sua autoridade máxima, soberana e absoluta. A soberania do Estado Moderno passa a ser interpretada 
através da supremacia do poder do Estado, que nessa primeira fase absolutista, era representado pela figura 
do Rei Soberano.Com essa nova forma de organização política, surgiu-se a necessidade de teorias políticas que explicassem e 
legitimassem as formas de governo postas. Dessa forma, tornaram centrais as teorias dos contratos sociais 
que buscavam entender as condições que levaram as pessoas, inicialmente inseridas em um contexto 
primitivo do estado de natureza a passaram ao estado civil, por meio do firmamento de um pacto de 
dimensões coletivas. Dentre esses contratualistas destacamos Montesquieu que irá propor pela primeira vez 
a tripartição dos poderes. 
 
 
A origem do estado moderno absoluta e os 
contratos sociais 
 
Com o fim da Idade Média, surge uma nova organização política, marcada pela territorialidade e grupos 
independentes que iriam ser os Estados Modernos. A organização e composição dos Estados Modernos se dá 
por três principais elementos: o território e o povo, como elementos materiais; o governo, o poder, a 
autoridade ou o soberano, como elementos formais. Ainda para alguns autores, há a presença de um quarto 
elemento, chamado de finalidade. Os autores adeptos a essa corrente argumentam que a existência do Estado 
precede uma finalidade específica, a qual justifique sua existência (STRECK, 2019). 
O uso da nomenclatura “Estado” ocorreu com o filósofo Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, no qual 
apresentou uma das mais relevantes teorias contratualista para a história, nessa obra ele afirma que: “Todos 
os Estados, os domínios todos que existiram e existem sobre os homens, foram e são repúblicas ou 
principados”. 
Com efeito, o Estado Moderno representou uma descontinuidade histórica, tendo em vista que se deu através 
de uma grande concentração de poder nas mãos do soberano, que era expresso, sobretudo, mediante leis, 
aplicáveis a todo seu território. Ademais, contava também com um aparato coercitivo a fim de fazer cumprir 
tais leis, de modo que se impunha a todos a vontade do soberano, o rei. 
É nesse viés que os teóricos contratualistas buscam desenvolver teorias sobre a origem do estado moderno, 
cuidando de fundamentar o poder político como decorrência de um acordo social de vontades, que se 
incumbiu de promover a superação do estado de natureza, ou pré-político, e a instituição da sociedade 
política, ou civil. Assim, o estado civil funcionaria como uma ferramenta da racionalidade humana, para 
combater as típicas debilidades do estado primitivo, ora considerado hipótese lógica, ora fato histórico real 
(STRECK; BOLZAN DE MORAIS, 2019, p. 29). 
Cita-se entre os contratualistas Maquiavel, John Locke, Thomas Hobbes, Rousseau e Montesquieu. Os dois 
últimos foram fortemente inspirados pelas ideias do iluminismo francês, pela liberdade, fraternidade e 
igualdade e apresentavam teorias críticas à monarquia déspota. Rousseau, por exemplo, foi o primeiro a 
defender o voto, de modo que a vontade geral tivesse relevância na política. 
Somente com Montesquieu e sua obra “De L’Esprit des Lois” (1748) que surgiu a percepção da tripartição 
de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) de funções como “poderes” independentes entre si. A teoria 
do filósofo foi essencial para a construção do constitucionalismo atual, conferindo precedentes importantes 
para a organização do Estado e suas funções independentes e harmônicas. 
Nesse sentido, é possível vislumbrar a tripartição dos poderes, enquanto princípio organizativo e 
fundamental do Estado Moderno, que se tornou, ao longo dos anos, um dos pilares do constitucionalismo. 
Assim, foi obtida a maior proteção para o exercício dos direitos individuais, através da garantia da liberdade 
política, um passo fundamental para o desenvolvimento das teorias constitucionalistas que surgiriam 
depois. 
 
Os contratos sociais: exemplos 
 
Os contratualistas propunham teorias que explicassem a passagem do estado da natureza ao estado 
civilizatório moderno. Tais explicações poderiam referir-se ao um Estado Absolutista, como no caso de 
Maquiavel, ou a uma outra forma de estado ausente do despotismo monárquico, como em Rousseau e 
Montesquieu. 
Tem-se como exemplo, a teoria do contrato social de John Locke proposta para o Estado Inglês, a qual 
defendia a monarquia constitucional e representativa, que entrou em vigor após 1688 na Inglaterra. Para 
Locke, o Estado funcionava como garantidor da liberdade e da propriedade privada. 
Nesse sentido, para Locke haveria um convênio firmado no intuito de resguardar a emersão e generalização 
do conflito. Através dele, os indivíduos seriam capazes de oferecer seu consentimento para a instauração do 
estado civil e, posteriormente, para a formação do governo quando, então, se assume o princípio da maioria 
(STRECK, 2019) 
Um outro exemplo é o contrato social de Thomas Hobbes, também na Inglaterra, defendia a tese de que o 
Estado seria uma espécie de leviatã, que teria a função de evitar os conflitos e buscar a harmonia da 
sociedade. Nesse sentido, o Estado deveria representar um poder absoluto. Nesse sentido, até 1679 foi 
instaurado na Inglaterra uma monarquia absolutista forte. 
O pensamento contratualista buscou-se enveredar sobre a busca do surgimento dos Estados e as justificações 
em torno do seu poder político, através de um pacto social, que teria colocado fim ao estado de natureza, no 
qual não havia uma devida organização política. Assim, teria surgido o estado civil, como uma 
representação da racionalidade humana, que, para alguns, representa também o surgimento do homem 
civilizado. Logo, as teorias contratualistas consolidam-se como instrumentos de legitimação dos Estados, já 
existentes e a base sistemática de construção do sistema jurídico (STRECK, 2019). 
Montesquieu em sua obra “O espírito das leis” reconhece a possibilidade de três formas de governo: 
monarquia, república e despotismo, de modo que a monarquia se sustenta na honra, enquanto a república 
estaria assentada na virtude e por fim, o governo despótico no medo. Ainda, o autor acreditava que a 
monarquia seria a forma ideal. 
A grande contribuição de Montesquieu definitivamente ocorre a partir da propositura da tripartição 
dos poderes. Para ele, em cada Estado coexistem três poderes: o poder legislativo, o poder executivo (poder 
executivo das coisas que dependem do direito das gentes, segundo sua terminologia) e o poder judiciário 
(poder executivo das coisas que dependem do direito civil). 
Cada um dos poderes recebe determinadas atribuições, o poder legislativo é o responsável pela confecção 
das leis, já o poder executivo, ocupa-se o governante da paz e da guerra, envia e recebe embaixadores, 
estabelece a segurança e previne as invasões, por fim, o poder judiciário dá ao governante faculdade de 
punir os crimes ou julgar os dissídios da ordem civil (BONAVIDES, 2000). 
Montesquieu, ao lado de Rousseau e Voltaire, foi um dos grandes pensadores do iluminismo, tendo em vista 
que criticava o poder absoluto e a monarquia despótica, tendo como um dos pilares de sua teoria a busca 
pela liberdade política. Para o filósofo, a ideia básica de liberdade consistia na permissão de fazer tudo 
quanto permitem as leis. 
 
Introdução 
 
O Direito Moderno emerge das revoluções burguesas e das suas influências internacionais com a quebra do 
domínio religioso na política. Nesse momento, há uma importante mudança no pensamento humano que 
traduz a racionalidade e o distanciamento com a Igreja, sobretudo o cristianismo das esferas políticas, 
jurídicas dentro da organização dos Estados. 
Assim, com o surgimento do humanismo, desvincula-se o direito e a política dos mitos e predestinações da 
fé, passando-se a se defender que o homem é o verdadeiro condutor do seu próprio destino, dono de sua 
própria vontade e único dotado de razão para decidir o seu próprio futuro. 
 
 
Vamos estudar sobre a o common law e o civil law? 
 
O debate sobre as fontes do Direito e a influência de circunstâncias sociais e históricasremonta à tradição 
romanística (nações latino-germânicas) e à tradição anglo-americana (common law). 
Na tradição romanística, há uma relevância do processo legislativo, com atribuição de valor secundário às 
demais fontes. Na tradição anglo-americana, por outro lado, o Direito é consolidado por meio 
de precedentes judiciais que se baseiam na relevância dos usos e dos costumes pela jurisdição, em oposição 
à abstração pretensamente geral e genérica, típica dos processos legislativos.  
Embora não se possa conceber o Direito Romano como circunscrito em uma abstração racional típica do 
movimento codificador na modernidade, trata-se de um corpo jurídico que rompe com o Direito como objeto 
composto tão somente pelos usos e costumes. Por essa razão, marca o início do Direito Natural que servirá 
de substrato teórico à construção do Direito Positivo enquanto síntese universalizável da razão humana.  
Eduardo Bittar (2019) ressalta, também, que, no Direito Romano, os costumes, aos poucos, foram cedendo 
lugar à jurisdição ou ao direito jurisprudencial. Foi mediante a atividade dos juízes e dos pretores que os 
romanos construíram o jus civile, privativo dos romanos, e o jus gentium, de caráter mais amplo. Dessa 
forma, o direito próprio dos romanos (jus civile) foi se convertendo no Direito comum a romanos e 
estrangeiros: o Direito das gentes (jus gentium). Posteriormente, dada a influência da filosofia grega e 
estoica, a ideia de jus gentium se alargou em uma noção de valor universal que compõe o jus naturale, o 
Direito Natural.  
Mesmo na tradição anglo-americana, nenhum costume obriga enquanto não consagrado pelos tribunais. 
Nesse sentido, Soares (2019) expressa que, seja em países onde há o primado da lei (civil law) ou em países 
onde há o primado do precedente judicial (common law), normas editadas pelo Estado têm prevalência sobre 
as demais normas jurídicas consideradas no ordenamento.  
Nesse sentido, 
É preciso lembrar também que a Common Law apresenta alguns traços de distinção fundamental em 
comparação imediata com a Civil Law (o Sistema Romano-Germânico de Direito). Um dos mais evidentes, 
diga-se, desde pronto, consiste no reconhecimento da fonte do direito a alcançar maior primazia neste 
sistema: enquanto na Common Law ocorre a consagração do precedente judiciário, gerado pelo costume, em 
sua congênere supracitada prepondera, de modo quase absoluto, a lei. Por isso mesmo se diz que o Direito 
https://www.infoescola.com/direito/fontes-do-direito/
inglês é uma espécie de “judge made law” (“direito construído por juízes”). Isso não quer de modo algum 
dizer que “não existam leis escritas” no país. (PALMA, 2019, p. 480) 
Em linhas gerais, as diferenças entre os sistemas podem ser assim sintetizadas: 
 
 
As peculiaridades do direito feudal, do direito 
canônico e o surgimento do renascentismo 
 
O common law é um direito essencialmente jurisprudencial em longo desenvolvimento nos séculos, 
sobretudo, na Inglaterra. Inclusive, ressalta-se que o Direito Inglês não sofreu as influências das 
codificações, nem renovado pela crescente retomado ao Direito Romano. Pelo contrário, manteve uma 
continuidade histórica dentro da sequência de julgados que compõe o common law. 
Uma interessante característica do common law é o papel preponderante dos juízes, tendo em vista que são 
eles que elaboram as jurisprudências que serão posteriormente seguidas e usadas como fonte principais de 
Direito. É, pois, a característica fundamental do commom law ser um direito jurisprudência, de modo que a 
lei exerce um papel muito menos relevante, sendo resguardada ao momento de formação com os 
documentos constitucionais, entre outros. No entanto, no decorrer do desenvolvimento e da aplicação 
do commom law raramente é utilizada, sendo protagonizado pelas jurisprudências e juízes. 
Alguns elementos importantes do common law é o writ, equity, jury e precedente judiciário. O writ é uma 
forma de qualquer cidadão peticionar frente às autoridades. Com a proibição dos writs surgiram 
os equity também com a proposta de se recorrer diretamente ao rei, nesse processo, era decidido conforme a 
equidade. 
O jury, por sua vez, refere-se a presença de um júri no julgamento de diversos casos, inclusive da seara 
cível. Por fim, o precedente judiciário diz respeito aos casos julgados anteriormente que são frequentemente 
utilizados nas argumentações de defesa ou de denúncia. 
Quanto ao civil law trata do direito ocidental, regulado pela linguagem predominante escrita, intensa 
codificação e extremo formalismo. 
Miguel Reale (2002) esclarece que cada sistema é fruto de uma tradição social, cultural e histórica particular 
e, portanto, não se pode comparar civil law e common law qualitativamente fora do contexto em que cada 
sistema opera. Em primeiro lugar, é importante destacar que são dois sistemas jurídicos distinto e 
extremamente relevantes no mundo Ocidental, e que surgem, através de experencias culturais diferentes. 
Ademais, é pouco interessante as discussões acerca das hierarquias dos dois sistemas, tendo em vista que 
inexiste um sistema perfeito de Direito, já que o próprio Direito ideal é uma falácia. O Direito, na realidade, 
representa uma experiência história de seu povo. Essa experiência notadamente é diversa entre as inúmeras 
nações existentes, dessa forma, para alguns a aplicação dos usos e costumes torna-se mais relevante, por ser 
uma aspiração imediata de seu povo, enquanto para outros existe um maior incentivo às legislações e 
formalismos legalistas, em razão de convicções políticas e filosóficas compartilhadas. No entanto, o mais 
importante é que na atualidade ambos os sistemas dialogam entre si, de modo que os precedentes judiciais 
vêm ganhando relevância dentro dos sistemas civilistas e as normas legais ganham cada vez mais 
importância nos sistemas de common law. 
 
Common law e civil law pelo mundo 
 
O common law, como estudado, surgiu na Inglaterra por uma série de fatores, dentre eles a ausência das 
fortes influências do Direito Romano, que impões em grande parte do mundo o sistema germânico romano, 
bem como uma cultura de precedentes jurídicos já bem estabelecida. No entanto, o common law não se 
restringiu aos territórios ingleses, pelo contrário, conseguiu se espalhar para outros países, ganhando força e 
relevância assim como o civil law. 
A expansão do common law para outras partes do mundo ocorreu, sobretudo, em razão do programa de 
expansão colonial do Império Britânico que se intensifica, preponderantemente, no decorrer dos séculos 
XVIII e XIX. É por essa razão que países como os Estados Unidos da América, o Canadá, a Austrália, a 
Nova Zelândia, a Irlanda e Gales, além de outros mais, estão filiados à grande família de Direito 
da Common Law, tendo em vista que foram, em determinando momento, colônias da Inglaterra. 
Tanto o common law e o civil law produziram uma vasta tradição jurídica, atualmente vigente em vários 
países. Historicamente, o civil law corresponde a uma matriz latino-germânica do Direito, ao passo que 
o common law deriva da tradição anglo-americana. Atualmente, embora haja mútua influência entre os 
sistemas, pode-se identificar países em que um deles prevalece sobre o outro. 
Conforme exposto, o sistema civil law funda-se, precipuamente, na lei como fonte de Direito. O sistema 
de common law, por sua vez, prioriza as decisões judiciais. Os demais sistemas representados, conforme 
evidenciado no mapa, são minoritários e têm aplicação pontual e, por isso, não são o foco desse estudo. 
Apenas a título de curiosidade, cabe ressaltar que o customary law (direito consuetudinário) funda-se no 
costume como fonte de Direito. O muslim law (ou xaria, direito islâmico), por sua vez, busca nas Escrituras 
Sagradas do Islamismo a fonte do Direito. Por fim, os países representados como mixed systems são aqueles 
em que se verifica um ou maissistemas. Justamente pela influência territorialmente restrita, esses últimos 
sistemas não assumem grande relevância em nossos estudos, mas, cabe ressaltar, ainda assim, que cada um 
preserva grande importância histórica e cultural onde são aplicados.  
Quanto às produções ou casos importantes, no civil law destacamos o Corpus Juris Civilis, Lei da XII 
Tábuas, Código de Manú, Código de Justiniano, Código de Napoleão e demais códigos modernos. 
Quanto ao common law, podemos destacar as decisões da Suprema Corte Americana, como nos casos a 
seguir: 
1. Marbury contra Madison (1803): estabeleceu o princípio da revisão judicial. 
2. Gibbons contra Ogden (1824): ampliando a possibilidade do Congresso regulamentar o comércio 
3. Dred Scott contra Sandford (1857): que impedía um homem negro que havia mudado para um 
Estado livre, de deixar de ser considerado escravo. Tal decisão, inclusive, foi posteriormente 
revogada pela 13ª Emenda. 
 
 
 
 
 
https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-processual-civil/sistema-civil-law-e-common-law-caracteristicas-principais-dos-dois-sistema-e-aproximacao-do-direito-brasileiro/
https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-processual-civil/sistema-civil-law-e-common-law-caracteristicas-principais-dos-dois-sistema-e-aproximacao-do-direito-brasileiro/
Introdução 
 
A Idade Moderna é atravessada por grandes mudanças, tanto de caráter social, cultura, quanto político e 
econômico. Nesse sentido, certamente o direito é influenciado e sofre muitas transformações. 
As Revoluções Liberais são essenciais nesse processo, pois abriram as portas para profundas transformações 
no campo jurídico, através de reivindicações importantes no campo dos direitos civis, como a liberdade e 
igualdade. Seus reflexos, portanto, podem ser diretamente percebidos no Direito Moderno. Buscaremos 
refletir sobre o processo de formação do Direito na Modernidade, a partir de suas bases sociais e teóricas. 
Também é necessário estudar a importância dos processos de codificação e constitucionalização do Direito 
Moderno que representavam expressões da nova organização político-jurídica imposta. 
 
Vamos estudar sobre as revoluções liberais, as 
codificações do direito e o constitucionalismo? 
 
O ano de 1453 é um marco. Para muitos autores, é o momento que ocorre a passagem efetiva da Idade 
Média para a Idade Moderna. O ano da queda de Constantinopla, e a o fim definitivo do Império Romano 
foi escolhido como marco da transição desses dois momentos, mas é importante mencionar que foram 
também outros fatores conjugados que impulsionaram as transformações que aconteciam pelo mundo. 
Um desses fatores refere-se às revoluções liberais. Quando se fala em Revoluções Liberais, é possível tratar 
tanto da Revolução Americana (1776) e da Revolução Francesa (1789), ambas ocorridas no século XVIII, 
quanto de uma série de outras revoluções, de mesma inspiração, que eclodiram em toda a Europa no século 
XIX, a exemplo da Revolução Liberal do Porto (1820). 
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/independencia-dos-estados-unidos.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/revolucao-francesa.htm
O que caracteriza, de um modo geral, as Revolução Liberais é a reação contra o absolutismo e a defesa de 
uma plataforma política de cunho liberal, em favor da garantia de uma série de direitos civis, políticos e 
econômicos, protegendo o indivíduo em face do poder opressivo do Estado. 
Para compreender o fenômeno dessas Revoluções, é preciso ter ciência de que a transição da Idade Média 
para a Idade Moderna teve como uma de suas características a substituição da multiplicidade de ordens 
políticas – típica do sistema feudal – pela unidade em torno de um poder político central, o que possibilitou 
o surgimento do Estado, tal como ele é conhecido a partir da Modernidade. 
O Estado Moderno, entretanto, nasce com perfil absolutista, concentrando poderes nas mãos do monarca, de 
modo a possibilitar a imposição de uma única ordem política e jurídica e o estabelecimento de uma 
soberania, tanto interna quanto externamente. Dessa forma, o nascente Estado Moderno irá manter, 
inicialmente, uma série de privilégios remanescentes do Antigo Regime, favorecendo, sobretudo, a nobreza 
e o clero. Assim, o descontentamento da emergente burguesia e das camadas populares com a falta de 
participação política irá eclodir na forma de processos revolucionários liberais. 
As Revoluções Liberais, além de introduzirem profundas transformações sociais e políticas, trouxeram 
importantes modificações no campo jurídico, que viriam a impactar decisivamente no Direito Moderno. 
Uma dessas mudanças é vislumbrada no forte intuito de codificar o Direito, sobretudo o Direito Privado ou 
Civil. 
Nesse sentido, Palma (2019) destaca a relevância dos movimentos de compilações do Direito Privado, o 
esforço trabalho no processo de sistematização jurídica ganha maior expressividade a partir de meados do 
século XVIII e é fundado pela dogmática e metodologia nascida no Lácio, porém não hesitava em mostrar-
se inteiramente renovado pela atualização hermenêutica caracterizadora dos novos tempos. A importância 
desse movimento de codificação era tamanha, pois representava a criação de um sistema formal legal e 
jurídico, com bases de um positivo incipiente ainda, por isso, alguns autores afirmam, com razão, que o 
surgimento dos códigos jusnaturalistas foi um ato de transformação revolucionária. 
 
As peculiaridades das revoluções liberais, das 
codificações do direito e do constitucionalismo 
 
As Revoluções Liberais foram marcadas pela criação de declarações de direitos, documentos normativos de 
inspiração jusnaturalista, que, embasados pelos ideais revolucionários, afirmavam a existência de uma série 
de direitos e liberdades fundamentais. Observe-se que tais documentos não se propuseram a criar direitos, 
mas declarar direitos que, de per si, seriam inerentes a todos os indivíduos. 
O resultado das revoluções foi a expressão dos marcos iniciais do constitucionalismo moderno, entendido 
como: Movimento político-social que historicamente quis limitar o poder arbitrário; Exigência de 
Constituição escrita; Função e posição da Constituição na sociedade; Evolução histórico-constitucional no 
Estado. 
A identificação com a primeira acepção é a mais corrente nos autores. Por exemplo, Nunes Júnior (2021, 
n.p.) usa conceito semelhante, afirmando que o constitucionalismo é o 
"movimento social, político e jurídico, cujo principal objetivo é limitar o poder do Estado por meio de uma 
Constituição". 
Mas não se trata de apenas um movimento, senão de vários movimentos constitucionais, que envolvem 
aspectos políticos, sociais e jurídicos (TAVARES, 2021) e que ocorreram em vários contextos históricos e 
geográficos diferentes como, por exemplo, os constitucionalismos americano, francês, inglês e latino-
americano (PUCCINELI JÚNIOR, 2015). 
Segundo Martonio Mont’Alverne Barreto Lima, em verbete do Dicionário Brasileiro de Direito 
Constitucional, obra coordenada por Dimoulis (2012), constitucionalismo é o resultado de acúmulo teórico 
do estudo das constituições e de seu desenvolvimento na história. 
De forma sintética, o constitucionalismo pode ser conceituado como: Técnica específica de limitação do 
poder, indispensável à garantia dos direitos fundamentais e que inviabiliza a prevalência de interesses 
particulares na condução do Estado (LENZA, 2021). 
Desse modo, o constitucionalismo, lado a lado das codificações do Direito, levou a modificações 
substanciais das instituições jurídicas, que se aplicam, em grande medida, até hoje. Afinal, no modelo atual 
ainda se busca, por exemplo, limitar o poder do Estado, garantir direitos fundamentais e fortalecer a 
democracia. 
Ressalta-se que a unificação e uniformização do Direito foi outro efeito posterior às revoluções, já que: 
“com o iluminismo no século XVIII e avitória burguesa na Revolução Francesa buscou-se a segurança em 
altíssimo grau, principalmente para defender a propriedade” (MACIEL, 2022, p. 417). 
O Direito foi, então, reduzido ao legal, com a supervalorização da lei como sendo sua legítima expressão. 
Dessa forma, aliou-se a codificação e o constitucionalismo. O último tinha como objetivo a limitação do 
poder e a garantia dos direitos. Tal medida se impôs em decorrência das inúmeras revoluções liberais que 
traziam como bandeira o fim do poder absoluta e déspota. Ademais, as revoluções apresentavam uma série 
de direitos e reinvindicações legais, como a liberdade e a igualdade, o direito universal ao voto, entre outros. 
Essas demandas eram expressões do novo constitucionalismo que surgia, através dos esforços sociais e 
também de codificações e uniformizações do direito. 
As revoluções liberais e a base do 
constitucionalismo moderno 
 
Conforme vimos, o desdobramento das revoluções liberais impulsionou uma mudança na ótica jurídica, 
operada no seio do recente Estado Moderno. Tornou-se, portanto, uma urgência a definição e estruturação 
do direito que regeria cada Estado, diante disso, é interessante notar que cada região, marcada por seus 
distintos movimentos sociais e questões políticas, instaurou ordens e documentos, apesar de semelhantes em 
muitos aspectos, específicos aos seus contextos. Vamos estudar na prática como se deu o processo das 
revoluções e codificações dos direitos em alguns países marcantes. 
No caso da Revolução Americana, os documentos jurídicos ali produzidos são considerados a base do 
constitucionalismo moderno, tendo em vista que a “Declaração dos Direitos do Bom Povo da Virgínia”, 
adotada aos 12 de junho de 1776 na Convenção realizada em Williamsburg foi um dos documentos mais 
marcantes dentro do movimento constitucionalista, capaz de influenciar diversas nações por todo o mundo. 
A Declaração da Virgínia (1776) trouxe, dentre suas prescrições, a liberdade religiosa, de culto e de 
consciência (artigo 18), a liberdade de imprensa (artigo 14), a tripartição de poderes (artigo 5°), o direito de 
propriedade (artigos 1° e 7°), o devido processo legal (artigos 10 e 12), dentre outros direitos. 
Com fundamento na Declaração da Virgínia, posteriormente foi elaborada a Constituição dos Estados 
Unidos da América (1787), aprovada pela Convenção da Filadélfia, que viria a influenciar decisivamente o 
Direito Público moderno. 
Já no contexto da Revolução Francesa, o principal documento jurídico elaborado foi a Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão (1789), aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte. A Declaração é 
composta por 17 artigos e representou um grande marco na história moderna dos Direitos Humanos, tendo 
em vista que é inspirada pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, lema da Revolução. 
Ressalta-se que, inclusive, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) possui extrema 
relevância no âmbito internacional, tendo em vista que compõe a trajetória do desenvolvimento dos Direitos 
Humanos, sendo um dos primeiros documentos a refletirem a proteção efetiva a determinados direitos dessa 
ordem. 
Apesar de inspirada na Declaração da Virgínia, a Declaração francesa optou por adotar um caráter 
universalista em relação aos direitos ali previstos. Assim, o espírito da Revolução Francesa iria se espalhar 
rapidamente pelo mundo: 
“e, efetivamente, o espírito da Revolução Francesa foi difundido, em pouco tempo, não só na Europa, como 
também em regiões tão distantes quanto a Índia, a Ásia Menor e a América Latina” (COMPARATO, 2019, 
p. 223). 
No entanto, a violência política trazida pelo processo revolucionário terminaria por suprimir 
temporariamente alguns dos princípios e direitos trazidos pela Declaração. 
De todo o modo, as declarações de direitos das Revoluções Liberais contribuíram para moldar o Direito 
Moderno, inaugurando uma tradição constitucionalista moderna, consolidando a proteção dos direitos 
fundamentais e estabelecendo garantias elementares como a igualdade jurídica, o devido processo legal, a 
separação de poderes, dentre outras. 
 
Vamos falar sobre os ordenamentos jurídicos da 
idade média e do direito moderno? 
 
Quais ordenamentos jurídicos existiam na Idade Média? 
O Direito na Idade Média foi dividido em quatro grandes ordenamentos. Vamos conhecer um pouco sobre 
eles? 
1. Direito germânico: os germanos eram organizados em clãs e eram conhecidos pela sua qualidade de 
guerreiros. A partir das influências romanas e do cristianismo, passaram a codificar suas próprias 
leis. Um dos documentos mais importantes foi a Leges Barbarorum: um conjunto de leis e costumes 
germânicos reduzidos à forma escrita durante a Idade Média. Ademais, foram codificadas leis para 
regular a relação entre os latinos e germânicos, sintetizado pelo Código Visigótico. 
2. Direito celta: essencialmente oral e consuetudinário, existindo apenas poucas fontes escritas ainda 
preservadas. As autoridades que ditavam as leis eram os druidas, uma espécie de “mistura” de 
sacerdotes com magos. Além disso, é uma sociedade marcada por uma maior igualdade de gênero, 
mas que não era plena, tendo em vista que as leis que regulamentavam o casamento deixavam as 
mulheres submissas ao marido. 
3. Direito feudal: muito marcado pelo costume que refletia as regras de convivência dos nobres. Outro 
importante instituto jurídico da época eram os contratos de homenagem. De acordo com Palma 
(2022, n. p.): 
Tratava-se de um pacto estabelecido entre o senhor feudal e seu futuro vassalo que se consolidava por meio 
de uma conhecida cerimônia chamada “homenagem”. Os elementos indissociáveis que caracterizavam os 
acordos dessa natureza estavam envoltos na ritualística própria da época e no profundo sentimento de 
religiosidade reinante. O juramento firmado é quase sempre acompanhado do testemunho e da bênção de um 
sacerdote amigo do nobre. Destarte, na solenidade em questão, o vassalo se colocava de joelhos diante do 
suserano e lhe jurava fidelidade eterna. 
4. Direito canônico medieval: refere-se ao conjunto de normas estabelecidas pela Igreja Católica Apostólica 
Romana. Uma das importantes codificações da época foi a Traditio Apostolica, que previa a organização 
hierárquica eclesial. Porém, a mais importante de todas foi a Corpus Iuris Canonici, que vigorou até 1917. 
 
Imagem: Ordenamentos jurídicos na Idade Média. Fonte: Saraiva Educação 
#PraCegoVer: é possível ver um diagrama com cinco círculos, 1 maior ao meio e 4 menores ao seu redor. 
No círculo ao meio, está escrito: “Direito medieval”. Nos 4 círculos menores, está escrito: “Direito 
germânico”; “ Direito canônico”; “Direito feudal”; “Direito celta”. 
Subtítulo 2: Quais são as bases do Direito Moderno e seu contexto social? 
Para a História, o início da Idade Moderna se dá com a queda de Constantinopla em 1453 e é caracterizada 
pelas grandes navegações e rotas comerciais. Nesse período, ocorreu a Revolução Industrial inglesa e a 
formação dos Estados europeus, bem como inúmeras reformas religiosas. Destacam-se grandes pensadores 
da época, como Locke, Montesquieu, Voltaire e Kant. 
As principais características do Direito moderno são: busca por um Estado laico; desenvolvimento do 
Direito Civil, com importantíssimas codificações como o Código Napoleônico (1804); reconhecimento dos 
direitos civis e das liberdades individuais, como a Bills of Rights (1689), culminando na limitação do poder 
do Estado. 
 
Estudo de caso 
 
O direito na Antiguidade e na Idade Média são diferentes daquele formatado na Modernidade. 
Observa-se que o direito moderno é de base antropológica e não mais teleológica. No paradigma teleológico, 
baseado na concepção aristotélico-tomista, o Estado era uma unidade social constituída a partir de uma 
tendência natural de o homem viver em sociedade. 
A máxima aristotélica “O homem é por naturezaum animal político” fixava a convicção de que já estava 
inscrita na essência humana a tendência natural de constituição da vida em coletividade. 
A Modernidade, com o abandono da metafísica e da ruptura religiosa, o homem se sente destituído de 
um telos ou essência que o destina à sociabilidade. A sociedade passa, então, a ser justificada como obra do 
engenho racional do homem, sendo uma construção artificial que depende muito mais do esforço da razão 
humana do que da própria natureza. 
A artificialidade que a razão apresenta para justificar o nascimento da vida social e civil é o contrato. O 
direito passa a ser analisado, a partir daí, em uma perspectiva contratualista. 
 
Imagem: O contrato. Fonte: Saraiva educação. 
#PraCegoVer: Uma seta voltada para cima com as frase natureza teleologia, homem antropologia e contrato 
A lei natural, antes inscrita na natureza e depois na vontade de Deus, desloca-se, na Modernidade, para a 
racionalidade humana. A lei natural não está mais dada na ordem da natureza, como aspirava o 
jusnaturalismo, mas na capacidade subjetiva e racional do homem. Abre-se com essa mudança uma 
https://www.suapesquisa.com/historia/bill_of_rights.htm
revolução na estrutura paradigmática do direito moderno. O jusnaturalismo cede lugar ao positivismo 
jurídico. 
O historicismo, na Alemanha; o utilitarismo, na Inglaterra; e o positivismo filosófico, na França foram três 
correntes teóricas cruciais para a formação do positivismo jurídico moderno. 
 
Imagem: Fluxograma. Fonte: Saraiva educação. 
#PraCegoVer: Fluxograma azul mostrando o positivismo jurídico 
Essas concepções teóricas se identificavam quanto à rejeição às teses do jusnaturalismo. Neste aspecto, o 
positivismo jurídico se distancia do jusnaturalismo, ao defender que o direito é construído socialmente. 
Hans Kelsen, expoente do positivismo jurídico, afirma que o direito deve buscar em sua própria estrutura 
interna a pretensão de objetividade, sem se valer de uma teoria da justiça que remeta aos direitos naturais. 
Para isso, Kelsen institui a norma fundamental. 
O filósofo do direito, Robert Alexy, afirma que para se chegar à norma fundamental basta repercutir a 
pergunta “por quê” várias vezes. Por que, por exemplo, a ordem de um bandido é diferente da ordem de um 
funcionário da Receita Federal, já que ambos impõem a terceiros, como ordem mandamental, o 
fornecimento de certa quantia? 
O fundamento que autoriza a ordem do funcionário da Receita Federal e lhe dá legitimidade deve ser 
buscada no próprio sistema jurídico, na norma fundamental, e não fora dele. 
Vamos a um caso prático? 
Imagine a seguinte situação: após estudar por anos a fio, você acaba de ser aprovado em um concurso 
público para uma colocação que, não fosse a política de cotas, daria ensejo à sua nomeação, posse e 
investidura. 
À luz do direito moderno, você é a favor de cotas em concursos públicos? 
Reflita 
Olá, estudante! É importante lembrar que o Direito Moderno apresenta um positivismo jurídico com direta 
relação com as condições sociais. Dessa forma, as leis estão sempre se adequando às realidades sociais de 
cada lugar e seu contexto. 
Resumo visual 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE 3 - Direito, Normas e Hermenêutica Jurídica. Fontes e Princípios do 
Direito 
Introdução 
 
O que define uma norma jurídica como tal? Qual é a sua estrutura? Como classificar, caracterizar 
e reconhecer-lhe a validade? Tais reflexões são importantes no estudo da norma jurídica, compreender a 
estrutura e a dinâmica dessas normas é fundamental para a compreensão do surgimento, desenvolvimento e 
estágio atual do ordenamento jurídico. 
Além disso, existem vários tipos de classificação elencadas pela doutrina. Neste texto, abordaremos a 
principal classificação, a partir de Hans Kelsen e Miguel Reale: a divisão entre normas primárias e normas 
secundárias, apresentadas por autores clássicos da Introdução ao Estudo do Direito. Da mesma forma, 
também serão apresentadas neste tópico a classificação apresentada por nossos juristas brasileiros 
 
Vamos estudar sobre a norma jurídica? 
 
A norma jurídica é uma expectativa de comportamento genérico que regula o Direito. Em outras palavras, é 
uma previsão do que deve ou não deve ser feito, por isso, é um dever-ser. Dessa forma, é também previsto 
sempre na norma jurídica uma consequência ao caso de não adequação à sua previsão, conhecida como 
sanção ou pena. 
É importante pontuar também que as normas jurídicas, dentro da estrutura da organização normativa são 
divididas em grupos. Ao tratarmos dessa classificação das normas, pretendemos entender quais os tipos de 
norma e como podem ser divididas em grupos. 
Para isso, é importante recorrer a Hans Kelsen (2011), o qual nos apresenta dois tipos de norma, a primária e 
a secundária. A norma primária é a que estabelece uma sanção após a ocorrência de uma ilicitude. A norma 
secundária é a que oferece a conceituação do que é lícito ou ilícito. Haja vista que a norma jurídica é 
modulada na forma do dever-ser, considera-se a norma primária como norma por excelência, pois contém 
em si a sanção, seu elemento constitutivo. Por outro lado, a norma secundária apenas existe em função da 
primeira e possuindo a responsabilidade de explicitá-la. 
Um outro ponto de discussão sobre a norma jurídica é sobre seu processo de criação e publicação, 
imprescindíveis para sua efetividade e validade no mundo jurídico. Tal processo possui inúmeras 
peculiaridades, como por exemplo, a eficácia e a produção de efeitos da norma, que devem respeitar os 
parâmetros da vacatio legis e as normas superiores existentes. 
Cumpre salientar que a vigência, validade e eficácia de uma lei são atributos que estão diretamente 
relacionados ao cumprimento do processo de criação da Lei, de maneira que a Lei somente estará apta a 
produzir efeitos se cumprir com os parâmetros legais. 
A validade diz respeito ao cumprimento de todas as determinações no processo de criação da Lei. Caso a lei 
não cumpra com qualquer um dos andamentos previstos para sua criação, a norma criada não terá validade 
quanto ao cumprimento do seu processo de elaboração. 
Obviamente, conforme analisado anteriormente, precisa-se respeitar o prazo previsto em Lei para o início da 
produção dos efeitos da norma, para que, assim, tal ato normativo passe a ter força e validade até a sua 
revogação futura. 
As medidas provisórias, ou, ainda, Leis com prazo definido, têm vigência por prazo determinado. Esses 
instrumentos normativos já nascem com prazo de “validade” e, após a passagem desse tempo, irão perder a 
vigência automaticamente. 
Na mesma linha, não podemos esquecer, ainda, que a norma criada deve, obrigatoriamente, estar de acordo 
com o restante do ordenamento jurídico, pois só assim poderá produzir seus regulares efeitos. 
Pode-se concluir que, para uma norma ser considerada válida e eficaz, não pode haver qualquer vício na sua 
criação e publicação, bem como deve estar de acordo com as demais normas do ordenamento jurídico. 
 
 
 
 
 
 
 
Os atributos da norma jurídica e suas 
peculiaridades 
 
Para aprofundar no tema das normas jurídicas, vamos perpassar sobre várias questões relacionadas a seus 
atributos e características essenciais. Vamos lá! 
Qual o conceito de validade? 
Conforme Ricardo Maurício Freire Soares (2019), a validade normativa pode ser verificada mediante a 
correspondência vertical de uma norma jurídica inferior com uma norma jurídica superior, seja porque o 
conteúdo é compatível (validade material), seja porque foi produzida por um órgão competente, dentro do 
procedimento previamente estabelecido pela normatividade jurídica superior (validade formal). 
Bittar (2019) acrescenta que a validade é entendida como pertencimento da norma jurídica ao sistema 
jurídico. Tem a ver com reconhecer que a norma jurídica foi formalmente estatuída, pelo procedimento 
adequado,por autoridade competente, não forma da lei autorizante e não se encontra revogada. A 
formalização, portanto, é o rito de pertencimento, enquanto rito que confere condições para que a norma 
jurídica seja considerada válida. 
Qual o conceito de vigência? 
Entende-se por vigência o atributo normativo que expressa o tempo de validade da norma jurídica. Nesse 
sentido, a vigência pode ser determinada, quando o término da validade da norma jurídica é conhecido 
antecipadamente por própria disposição normativa, ou indeterminada, quando não se pode precisar o 
término da validade normativa (SOARES, 2019). 
Qual o conceito de vigor? 
Bittar (2019) afirma que o conceito de vigor revela a força vinculante da norma jurídica, que incidiu sobre as 
situações fáticas à época de sua validade e vigência e, assim, a imperatividade de sua incidência sobre casos 
concretos. Assim, o vigor da norma jurídica é o atributo atinente à sua força vinculante durante o período de 
sua validade e vigência. A excepcionalidade ocorre no Direito Penal, na lei temporária, em que, embora 
decorrido o período de sua duração, é aplicada ao fato praticado durante a sua vigência. 
Qual o conceito de eficácia? 
Em linhas gerais, a eficácia normativa pode ser definida como a possibilidade concreta de produção dos 
efeitos jurídicos. Siqueira Jr. (2019) acrescenta que a eficácia é o fato de que a norma é efetivamente 
aplicada e respeitada. Essa característica é mais próxima da facticidade, uma vez que diz respeito à 
efetividade da norma no meio social, sendo, por isso, também referida pela doutrina como “validade 
social”. 
Qual o conceito de legitimidade ou justiça? 
A legitimidade designa a relação da norma jurídica com o valor socialmente aceito de justiça. A norma 
jurídica é considerada legítima, portanto, quando alcança o ideal de justiça, de acordo com as circunstâncias 
histórico-culturais. O debate sobre a legitimidade do ordenamento jurídico, principalmente diante da 
evolução do pensamento hermenêutico e da consolidação do paradigma pós-positivista, passou a formular 
novas propostas de compreensão do significado de um direito justo. 
Para Bittar (2019), aqui se encontra o nível mais profundo de compreensão da norma jurídica, na medida em 
que se encontra a relação entre legislador e sociedade, somada à avaliação do conteúdo de justiça nela 
contido. Essa característica da norma é tão importante, que pode fazer com que a norma jurídica deixe de 
existir, por ser extremamente injusta. 
 
Aplicação dos conceitos de norma jurídica 
 
No estudo da norma jurídica, é possível verificar diversos juristas que possuem posicionamentos por ora 
divergentes ou semelhantes acerca da natureza e atributos da norma jurídica. Nesse viés, é importante 
entender na prática as principais teorias e seus autores, para uma compreensão ampla da temática. 
Para o jurista austríaco Hans Kelsen (2011), teórico do normativismo, a construção do Direito se dá a partir 
de uma forma hierárquica. Assim, uma norma busca seu fundamento sempre em uma norma mais 
abrangente, como o caso de uma lei ordinária que busca seu fundamento na Constituição da República. 
Nessa medida, a pirâmide normativa é a estrutura mais utilizada para descrever sua teoria: no topo teríamos 
as normas mais abrangentes, como é o caso da Constituição, e, na base, teríamos os atos normativos 
genéricos, comuns. Acima de todas essas normas reside o que se chama de norma fundamental, que dá 
origem a todas as outras normas jurídicas e cuja natureza não se confunde com a Constituição. Em Kelsen, 
portanto, a validade de uma norma está fundamentada no ato que a origina. Desse modo, é válida apenas ao 
ser proferida a partir de um ato legítimo de uma autoridade. 
Miguel Reale (2002), por sua vez, divide a análise da validade em três aspectos que devem coexistir: (1) a 
vigência (ou validade formal), a (2) eficácia (ou validade social) e (3) o fundamento (ou validade ética). 
Vejamos: 
1. A vigência corresponde a três requisitos, são eles: 
 A legitimidade do órgão, pois a autoridade deve ser competente para a emissão da norma; 
 A competência da matéria, dado que a autoridade deve ter competência para abordar determinada 
matéria; 
 A legitimidade do procedimento, haja vista que deve estar de acordo com os regimentos e 
preceituações legais que impõem a observância de determinados requisitos. 
Por exemplo, a Lei 10.741, que institui o Estatuto do Idoso, possui legitimidade, tendo em vista que foi 
proposta pelo senador Paulo Paim (PT-RS), dentro de uma das casas do congresso, possuindo legitimidade 
também competência de matéria, já que trata de direitos sociais. Também a lei seguiu devidamente o 
processo legislativo vigente, seguindo a iniciativa no senado, a discussão nas casas legislativas, os votos e a 
posterior sanção do Presidente. 
A Doutrina recente em geral, desenvolvem sua teoria com base na teoria de Reale. Bittar (2020) afirma que, 
na dimensão da validade, as normas são lançadas para se estabilizarem no quadro de um sistema jurídico-
positivo específico, de maneira a criar vínculos com outras normas jurídicas. Para isto, precisa respeitar 
regras formais para sua criação, estatuição e estabilização. 
Além disso, o mesmo autor descreve a validade como um atributo técnico da norma jurídica, que tem a ver 
com a sua função. Ela seria, portanto, uma de suas “camadas internas”, que diz respeito ao pertencimento da 
norma ao sistema jurídico, ou seja, o reconhecimento de que a norma jurídica foi 
formalmente instituída, pelo procedimento adequado, por autoridade competente, na forma da lei 
autorizante, além de não ter sido revogada. 
 
Introdução 
 
O estudo da norma jurídica, com suas bases teóricas, sociais e filosóficas e da estrutura do ordenamento 
jurídico é uma das etapas mais importantes na formação em Direito. É por meio dela que podemos entender 
sua validade e eficácia, dessa forma, seus efeitos jurídicos, como sanções e revogações. 
Também é no estudo do ordenamento jurídico e da norma jurídica, que é possível traçar a relação entre 
Direito Público e Direito Privado, bem como abarcar a teoria dos Direitos Transindividuais. Além disso, é 
imprescindível compreender, quanto aos efeitos da norma sobre o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e 
a coisa julgada. 
 
Vamos estudar sobre o ordenamento jurídico? 
 
O ordenamento jurídico é compreendido com o conjunto dos elementos que compõem o Direito, 
organizados em forma de sistema, existindo diversas concepções teóricas acerca da sua estrutura e 
ordenação. 
A visão de ordenamento jurídico mais aceita no pensamento ocidental é aquela elaborada por Hans Kelsen 
em sua teoria pura do direito. Para Kelsen, o ordenamento jurídico possui uma estrutura hierárquica, 
comumente apresentada na forma de uma pirâmide pela literatura jurídica, que contém no seu topo a 
constituição; no degrau abaixo da constituição encontram-se as leis e, abaixo delas, as diversas normas 
infralegais (atos administrativos, portarias etc.). 
Conforme a visão de ordenamento jurídico de Kelsen, as normas são elaboradas e fundamentadas nos 
costumes e princípios sociais, tendo validade nas normas hierarquicamente superiores, que se vinculam por 
derivação às normas dela inferiores. Assim, o sistema mantém a sua integridade e a coerência entre as 
diversas normas que o integram. 
O ordenamento jurídico, com efeito, possui uma estrutura e o organização específica. Uma dessas 
organizações diz respeito à célebre divisão entre o Direito Público e o Direito Privado. Nesse viés, o Direito 
Público concentrou as matérias estatais, suas funções e organização, a ordem e segurança internas, com a 
tutela do interesse pública e serviços públicos. Enquanto o Direito Privado regula as matérias entre 
particulares, dentro da autonomia privada. 
Nesse contexto de classificação, é importante mencionar o surgimentodo Direito do Consumidor e o Direito 
Ambiental, que prestigiam aos direitos difusos e coletivos. Nesse aspecto, embora uma relação 
de consumo trate à primeira vista de uma relação entre particulares, no seio da autonomia privada, ao 
mesmo tempo, tem como objeto direitos sociais matéria de ordem pública. Logo, percebe-se a existência de 
novos ramos do direito que atravessam os dois âmbitos tradicionais do público e do privado. 
Nesse sentido, é importante estudar esse conjunto de normas que são divididos dentro do ordenamento 
jurídico. 
Um dos conjuntos normativos mais importantes referem-se aos Direitos e Garantias Fundamentais, previstos 
no artigo 5º da Constituição Federal de 1988, apesar de não estarem limitados nele, espalhando-se por toda a 
Constituição Federal, e detêm o status de cláusulas pétreas. 
Para o professor Flávio Martins (2020) direitos são normas de caráter declaratório (como a vida, a liberdade, 
a propriedade, etc.) enquanto as garantias são normas de conteúdo assecuratório (como a vedação ao 
anonimato, habeas corpus, habeas data, etc.) 
Em relação a ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, temos a previsão na LINDB: 
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a 
coisa julgada. 
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se 
efetuou. 
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como 
aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio 
de outrem. 
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. 
 
O ordenamento jurídico e suas peculiaridades 
 
O ordenamento jurídico possui diversas peculiaridades, dessa forma, não deve ser visto como um bloco 
sólido homogêneo normativo. A realidade é que o ordenamento jurídico representa o conjunto diverso 
normativo existente e expressa os direitos em vigor. Desse modo, estarão presentes o direito público, 
privado, os direitos difusos, entre outros. 
No que tange aos ramos do direito, público e privado trata de uma distinção fundamental entre instituições 
públicas e instituições privada. O Direito Público seria aquele que reúne as normas jurídicas que têm por 
matéria o Estado, suas funções e organização, a ordem e segurança internas, com a tutela do interesse 
público, tendo em vista a paz social, o que se faz com a elaboração e a distribuição dos serviços públicos, 
através dos recursos indispensáveis à sua execução. (NUNES. 2018) Também é o Direito Público que surge 
como sujeito externo de Direito Internacional, ou seja, aquele que celebrará tratados e acordos 
internacionais. 
Por outro lado, o Direito Privado trata das normas de caráter particular e as relações estabelecidas no 
contexto privado, diante da autonomia da vontade. 
Nesse sentido, o estudo dos direitos fundamentais ou transindividuais é essencial na construção de um 
ordenamento jurídico justo e democrático. Como sabe-se, os direitos transindividuais 
são fruto de um denso processo histórico de conquista e consolidação de garantias. Cada período foi 
assinalado por certas demandas e reivindicações que acabaram por consolidar grupos de direitos que 
compartilham características comuns. 
É importante compreender que esses direitos não se sucedem uns aos outros: na verdade, complementam-se. 
É por isso que parte da doutrina prefere classificá-los como “dimensões” em vez de “gerações”. Em 
apertadíssima síntese, pode-se dizer que a primeira dimensão é centrada na ideia de liberdade; a segunda 
volta-se para os direitos sociais; a terceira funda-se na fraternidade e na solidariedade; a quarta visa à 
consecução de direitos para uma sociedade global; e a quinta volta-se à paz, em seu mais amplo sentido. 
Cabe, contudo, pensar criticamente cada uma dessas dimensões e avaliar a concretude dos direitos ora 
garantidos. Sem prejuízo do estudo do passado, devemos estar atentos às novas demandas sociais e trabalhar 
continuamente pela efetividade dos direitos fundamentais já garantidos e daqueles ainda por vir. 
Quanto ao ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, temos a previsão expressa na LINDB 
que dispõe que “Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o 
direito adquirido e a coisa julgada.” Nesse sentido, o ato jurídico perfeito é aquele já consumado segundo a 
lei vigente ao tempo em que se efetuou. Enquanto, o direito adquirido é um direito que o titular pode exercê-
lo sem qualquer restrição, já havendo um termo prefixado para seu regular exercício. Por fim, a coisa 
julgada é a decisão judicial incabível de recurso, de modo que seu teor é impassível de ser alterado. 
 
Aplicação dos conceitos de norma jurídica 
 
No estudo do ordenamento jurídico, é possível verificar diversas situações da aplicação prática do direito e 
suas normas jurídicas, nesse sentido, é importante para o estudo da temática perpassar por alguns desses 
exemplos. 
Nesse sentido, é importante a aplicação dos direitos individuais e coletivos, que embora se manifestem de 
formas diferentes, ambos são elementos centrais para a defesa do indivíduo. Assim, entendendo suas 
estruturas, garante-se ao operador do direito consciência sobre a estrutura constitucional e a instituição de 
garantias amplas aos sujeitos de direito. 
Na esfera dos direitos transindividuais, podemos perceber inúmeros exemplos da aplicação do Direito. Um 
deles ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário 201.819-8/RJ, o STF reconheceu que as violações a 
direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e o Estado, mas 
igualmente nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os direitos 
fundamentais assegurados pela Constituição vinculam diretamente não apenas os poderes públicos, estando 
direcionados também à proteção dos particulares em face dos poderes privados 
Outro exemplo de aplicação pode ser vislumbrado pela Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental 132. A ação foi provocada pelo estado do Rio de Janeiro, a ADPF 132 foi julgada em 2011 
conjuntamente com a ADI 4.277, reconhecendo a constitucionalidade da união homoafetiva. Nesse caso, vê-
se exatamente, pela hermenêutica constitucional, a leitura ativa da dignidade das pessoas homoafetivas e o 
reconhecimento da sua igualdade perante a lei e, pela historicidade do direito fundamental, com a revisão do 
paradigma sobre as uniões civis, foi reconhecida a extensão desse direito aos casais homossexuais. 
Também podemos citar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 186. Na ADPF 186, foi 
declarada a constitucionalidade da política de reserva de vagas com base em critérios étnico-raciais para 
ingresso de estudantes universitários na UNB (Universidade Nacional de Brasília), considerando que o 
direito à igualdade, em sua previsão constitucional, não implica apenas uma igualdade formal perante a lei, 
mas a operacionalização da igualdade de condições. 
Nesse contexto, uma jurisprudência importantíssima se deu através do Tema 999 da Repercussão Geral do 
STF. Buscando uniformizar a jurisprudência, e em defesa de direito de terceira geração – assim referido no 
próprio acórdão de referência –, o STF reconheceu a imprescritibilidade da pretensão de reparação civil por 
dano ambiental. Assim, buscou-se tutelar o direito difuso e garantido a toda a coletividade de respeito ao 
meio ambiente e seus efeitos positivos. 
Em relação à vigência e revogação das normas dentro do ordenamento jurídico brasileiro, cita-se como 
exemplo as interpretações adotadas pelo CARF (Conselho Administrativo de Recursos Federais, do 
Ministério da Economia) em sessão de julgamento,acerca da vigência de determinados dispositivos 
normativos. Tal julgamento perpassa questões sobre os conceitos de revogação tácita e expressa, 
relacionando-os com as disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito brasileiro. 
 
 
 
 
 
Introdução 
 
O estudo do Direito, Justiça, Ciência e Sociedade são conceitos pilares que dialogam entre si, através de 
construções históricas, numa relação dialética. Isso significa dizer que cada um desses conceitos afetam e 
são afetados pelos demais. O Direito é uma ciência? O que é uma decisão justa? Existe sociedade sem 
Direito? 
Essas perguntas impulsionam reflexões importantes para o mundo jurídico. Nesse sentido, a Filosofia e a 
Sociologia terão papel central na busca por explicações filosóficas e sociais que consigam explicar os 
fenômenos sociais, o ser humano e o ambiente que os cerca, nomes como Sócrates, Aristóteles, Kant, 
Durkheim, Marx e Max Weber serão essenciais nesse percurso. 
 
Vamos estudar sobre o direito, justiça, ciência e 
sociedade? 
 
O estudo do Direito perpassa as noções da filosofia, da sociologia e os questionamentos essenciais sobre a 
ciência e a justiça. Nesse sentido, é importante que cada um desses conceitos seja estudado, relacionado com 
a perspectiva jurídica. 
De acordo com a teoria dos fatos jurídicos, os atos e fatos capazes de repercutir efeitos no universo do 
Direito podem ser considerados jurídicos, assim como os negócios pactuados entre partes que pretendem 
regular seus interesses pelo ordenamento jurídico. Considerando que o Direito não cria atos, fatos e 
negócios, mas os regula e interpreta, é fundamental compreender cada uma dessas estruturas e sua relação 
com o universo jurídico para integrar adequadamente a realidade às previsões do Direito. 
Em relação ao conceito de filosofia, primeiro ressalta-se que ela surge na Grécia antiga. Os primeiros 
filósofos foram os pré-socráticos, através de suas reflexões sobre a natureza das coisas e os fenômenos 
naturais; e, posteriormente, surgiram os sofistas e seus debates sobre as dinâmicas do homem na sociedade. 
Sócrates (469 a.C. - 399 a.C.), grande nome dos primórdios da filosofia, posicionou-se em oposição aos seus 
antecedentes, pois acreditava que a razão servia para buscar a justiça, não para vender conhecimento, algo 
de que acusava os sofistas. 
De Sócrates podemos tomar a busca pela verdade das coisas, para alcançar o bem, devendo o homem, acima 
de tudo, conhecer a si mesmo. Responsável pelos ensinamentos de seu principal discípulo, Platão (428/427 
a.C. - 348/347 a.C.), que seria mestre de Aristóteles (385 a.C. - 323 a.C.), Sócrates é comumente 
identificado como o pensador que deu origem à filosofia ocidental. Em síntese, Platão foi o primeiro a 
apresentar uma nova forma de governo em sua obra “A República”. Além disso, propôs a divisão da vida em 
duas esferas: a esfera sensível, a dos sentidos, e a esfera das ideias, à qual o homem deve sempre aspirar; 
divisão essa concretizada em seu conhecido “mito da caverna”. Aristóteles, por sua vez, determinava que a 
justiça era a ponderação entre dois excessos, os quais devem sempre ser evitados. 
A Sociologia, diferentemente da Filosofia, tem uma origem tardia, no século XIX. É, por isso, posterior a 
diversas revoluções e levantes que perduraram nos séculos anteriores, sendo a Revolução Francesa a de 
maior destaque. Dessa maneira, surge após as revoluções científica e industrial, que alteraram o paradigma 
produtivo e a forma como o homem exerce seu trabalho e interage com a natureza. 
O século XX caracterizou-se pelo desenvolvimento das ciências, que assumiram um papel central no 
desenvolvimento da produção e da tecnologia existente no período. A Sociologia, por sua vez, ainda que 
seja uma ciência, tem um aporte prático. Nesse sentido, além de apresentar as teorias que nos auxiliam a 
compreender a realidade social, ela nos direciona para a política. Um dos responsáveis pela sistematização e 
pelo reconhecimento da Sociologia como ciência social foi Durkheim. 
 
Aprofundando no estudo do direito, justiça, ciência 
e sociedade 
 
Na sociedade, pode-se observar fenômenos complexos, cujos impactos interessam aos filósofos, sociólogos, 
economistas, entre outros profissionais. Todas essas múltiplas interações podem importar também ao 
Direito. Nesse sentido, Segundo Miguel Reale (2020), “Filosofia” é uma palavra de origem grega, 
de philos (amizade, amor) e sophia (ciência, sabedoria). Diante dessa análise etimológica, portanto, 
“Filósofo”, não é o senhor de todas as verdades, mas apenas um fiel amigo da ciência e do conhecimento. 
A Filosofia merece destaque em seus estudos por se propor a analisar a realidade e a vida a partir de uma 
postura crítica. A Filosofia é central para o Direito, pois proporciona um posicionamento crítico e consciente 
da localização humana dentro da sociedade, refletindo sobre as questões universas, sobre os cosmos e a vida, 
bem como relações humanas e os ciclos histórico-culturais. 
Ademais, Direito e Justiça são dois conceitos intrinsecamente relacionados. Apesar da próxima relação entre 
eles, nem tudo o que é direito é justo e nem tudo que é justo é direito. Dessa forma, é essencial reconhecer 
que o conceito de Justiça não é unívoco, tampouco imutável. Como tema de estudos desde a Antiguidade, o 
conceito passou por inúmeras definições e interpretações, o que nos impõe sua análise em perspectiva de 
tempo e de espaço. 
Conforme bem pontua Eduardo Bittar (2019) a história humana é uma história que retrata a uma longa e 
incessante busca em torno da ideia de justiça. Esta, por sua vez, encontra-se, muitas vezes, relacionada com 
as condições históricas de uma sociedade, as perguntas - o que é justo? Ou o que é justiça? - Ganha 
contornos relativos a depender dos elementos histórico materiais que conformam um povo. Pode-se dizer 
que as penas do Império chinês não eram justas, já que era praticamente desumanas, mas também pode-se 
dizer que uma pena de multa, em relação ao cometimento de um crime, também não seria uma pena justa. 
Diante disso, nos colocamos diante da problemática histórico-filosófica da justiça, um grande dilema na 
tentativa de definir a justiça, tendo em vista a historicidade e a relatividade que atravessa as diferentes 
formas de sociedade atuais. 
Além disso, a representação da Justiça com os olhos vendados e a espada fazem referência à imparcialidade 
e à força, características de que a justiça se reveste por meio do Direito. Ainda que não haja definição clara 
dos conceitos de Direito e Justiça, fato é que ambos se determinam mutuamente, justificando-se um ao 
outro. Nas lições de Siqueira (2019) defende a presença da justiça na ordem jurídica, a fim de se torne 
legítima. Para o autor, a justiça seria a justificação da legitimidade das normas jurídicas, uma espécie de 
razão de existir do Direito, considerando que o objetivo fundamental do direito é exatamente a busca pela 
efetivação da justiça. 
 
 
 
 
 
Direito e justiça na prática 
 
Neste tópico, passamos por conceitos importantes ao Direito. Um desses conceitos é essencial para todo o 
desenvolvimento do Direito que é a concepção de Justiça. Conforme vimos, esse conceito não é estático e, 
com o desenvolver da sociedade e suas mutabilidades, também o Direito será transformado. Nesse viés, John 
Rawls (1921-2002) apresentou sua teoria contemporânea da Justiça como equidade. 
Nesse viés, defende que a justiça é uma virtude das instituições sociais, de modo que a perda da liberdade de 
alguns, somente será justificada, por um bem maior compartilhado entre todos. Desse modo, o sociólogo 
refuta qualquer teoria utilitarista. Também argumenta sobre os aspectos distributivos da sociedade, chegando 
à conclusão da justiça, enquanto equidade. Isso significa oferecer às pessoas condições para tenham os 
mesmos acessos às oportunidades e não que tenham asmesmas condições, tendo em vista as diferenças 
permanentes na sociedade. 
Para Rawls, a sociedade seria como uma corrida, em que alguns já sairiam na frente e outros, por sua vez, 
atrás. Para tanto, ele refuta as ideias de meritocracia, argumentando que a justiça incide oferecendo as 
condições para que todos tenham as mesmas oportunidades de participar dessa corrida. 
Também é importante perceber a relevância e contribuição da Filosofia para o Direito, hoje, na prática. Para 
São Tomás de Aquino, a lei pode ser classificada em: Lei eterna, Lei Natural, Lei Divina e Lei Humana, 
possuindo diversos métodos e fundamentos dessa classificação, além de demonstrar, sendo, inclusive, uma 
obra extremamente atual. 
Por outro lado, Kant é considerado um dos mais importantes filósofos da era moderna. Pretender avaliar 
seus impactos sobre o direito a um só tempo seria certamente, um reducionismo. Contudo, é importante 
mencionar as influências de Kant nas Relações Internacionais. Ainda que as noções de Direito Internacional 
e Direitos Humanos não sejam contemporâneas ao filósofo, sua teoria a elas se aplicam. 
Uma outra aplicação é notada em relação aos conceitos de fato social e fato jurídico. Esses conceitos são 
comumente aplicados nos tribunais, sobretudo, relacionados aos casos de excludente de responsabilidade, 
demonstrando, desse modo, a importância de analisar a quais fatos pertencem ao mundo jurídico. 
Nesse sentido, a 5ª Câmara Cível do TJMG manteve decisão da comarca de Mantena, processo 0011896-
86.2017.8.13.0396, que isentou o Estado de Minas Gerais da responsabilidade de indenizar um 
cidadão envolvido em acidente automobilístico, por ocasião de fortes chuvas em São João do Manteninha. 
Para o TJMG, tratou-se de situação inevitável, de força maior, decorrente das chuvas torrenciais que 
assolaram a região.  
Para o cidadão, não havia que se falar em imprevisibilidade dessas chuvas, pois, embora se tratasse de 
evento da natureza, a recorrência das chuvas na região e os acidentes deveriam ensejar do poder público 
maior vigilância, o que não ocorreu. Assim, para o cidadão, o Estado tem dever de indenizar os danos 
decorrentes da prestação de serviço público, por força da aplicação da teoria da responsabilidade objetiva.  
Ocorre que, para o TJMG, foge das contingências normais da Administração Pública Estadual controlar e 
supervisionar, integralmente, toda a área de risco e as consequências de quantidades inesperadas de chuva, 
notadamente tendo em conta a extensão da região e a exorbitante intensidade das tempestades. 
 
Introdução 
 
Os fenômenos de aplicação, interpretação e integração do Direito são sensivelmente distintos, embora todos 
sejam fundamentais no dia a dia dos operadores do Direito. A Hermenêutica Jurídica é uma das tarefas 
essenciais na aplicação do Direito, com o intuito de interpretá-lo e analisar suas peculiaridades. 
Ademais, a interpretação não deve limitar-se em uma concepção genérica, devendo buscar integrar a 
realidade social em relação com a ordem e a composição preventiva dos conflitos de interesses previsíveis. 
Dessa forma, sendo o direito um sistema de regras e princípios, por natureza, exige o uso de um aparato 
interpretativo específico e próprio para as determinadas situações, por isso, a importância do estudo 
das teorias interpretativas. 
 
 
 
 
 
 
Vamos estudar sobre hermenêutica jurídica, fontes 
e princípios do direito? 
 
Em termos práticos, é comum alguns autores não diferenciarem o emprego dos termos “Hermenêutica” e 
“interpretação”, utilizando-os como sinônimos. Contudo, boa parte da doutrina esclarece que o conceito de 
interpretação não se confunde com o conceito de hermenêutica. A Hermenêutica (do grego, hermeneia) é 
comumente entendida como a ciência da interpretação. Quando relacionada ao Direito, a Hermenêutica 
encontra-se em alinhamento com a filosofia do Direito, tornando-se a área responsável pelo estudo das 
teorias da interpretação, organizando-as de forma sistemática. A interpretação (do latim, interpretare), por 
sua vez, sugere a extração do sentido que está entranhado nas normas jurídicas. 
Nesse sentido, a interpretação não se limita a um entendimento da norma em si mesma, considerada em sua 
abstração e generalidade, mas parte de um movimento de integração à ordem jurídica que a envolve, bem 
como ao contexto sócio-histórico que a determinou. 
A doutrina apresenta diversos critérios e formas de classificação das espécies e métodos de interpretação do 
direito. Quando distinguimos a interpretação do direito por espécies, podemos identificar 4 (quatro) delas: 
 (I) doutrinária: a interpretação da norma jurídica por meio de estudos científicos, identificando criticamente os 
aspectos que precisam ser aperfeiçoados na norma; 
 (II) autêntica: a interpretação da norma é realizada pelo próprio poder legislativo criador norma jurídica que, 
por meio de lei nova, reproduz ou explica a lei anterior; 
 (III) judicial: a interpretação da norma jurídica é realizada pelos órgãos que compõem o poder judiciário; 
 (IV) administrativa: a interpretação da norma é realizada pelos órgãos da administração pública, mediante 
portarias, despachos, instruções normativas, entre outros. 
Quando distinguimos a interpretação do direito por meio de métodos ou natureza da interpretação, podemos 
encontrar os métodos: 
 (I) gramatical ou literal: a interpretação da norma é limitada ao valor das palavras e ao exame da linguagem 
dos textos; 
 (II) lógica ou racional: a interpretação da norma jurídica considera a ratio iuris ou seja, o fundamento racional 
objetivo da norma; 
 (III) sistemática: a interpretação da norma não é feita de maneira isolada, considerando o direito positivo um 
todo coerente, enquadrando o dispositivo legal ao sistema jurídico; 
 (IV) histórica: a interpretação da norma jurídica parte do pressuposto de que a compreensão do direito decorre 
do entendimento das legislações anteriores são esclarecedores da lei do presente; 
 (V) sociológica: a interpretação da norma se baseia na adaptação do sentido da lei às realidades e necessidades 
sociais. 
No que se refere aos resultados ou extensão da interpretação do direito, fazemos a distinção entre: 
 (I) interpretação declarativa ou especificadora: a interpretação da norma jurídica limita-se a declarar o 
pensamento expresso na lei 
 (II) interpretação restritiva: partindo do pressuposto de que o legislador escreveu mais do que pretendia (plus 
scripsit quam voluit), a interpretação da norma diminui o seu alcance 
 (III) interpretação extensiva: partindo do pressuposto de que o legislador escreveu menos do que pretendia 
(minus scripsit quam voluit), a interpretação da norma jurídica amplia o seu alcance para além dos seus 
termos. 
 
Aprofundando no estudo da hermenêutica 
jurídica, fontes e princípios do direito 
 
O conceito de interpretação não se confunde com o conceito de Hermenêutica. A Hermenêutica refere-se à 
ciência da interpretação, aproveitando-se das conclusões da filosofia jurídica para criar processos de 
interpretação, organizando-os de forma sistemática. A interpretação é a aplicação, propriamente dita, da 
Hermenêutica, determinando o sentido e o alcance da norma jurídica. 
Nesse sentido, tem-se que a origem da palavra hermenêutica vem do grego hermeneuein, usualmente 
traduzido por interpretar, bem como no substantivo hermeneia, a designar interpretação. Uma investigação 
etimológica destas duas palavras e das orientações significativas básicas que elas veiculavam no seu antigo 
uso esclarece consideravelmente a natureza da interpretação em teologia, literatura e direito, servindo no 
atual contexto de introdução válida para a compreensão da hermenêutica moderna. (SOARES, 2019) 
Em linhas gerais, interpretar é a ação de explicar, esclarecer, dar significado a uma palavra, texto, atitudes 
ou gestos,produzindo, com isso, a exteriorização de um conteúdo. Extrair de uma frase, sentença ou norma 
o sentido de uma expressão. No Direito, a doutrina preocupou-se em desenvolver uma série de métodos de 
interpretação da norma jurídica, estudado na hermenêutica. A metodologia da interpretação, nesse sentido, é 
a ferramenta de análise do direito voltada a facilitar a aplicação da norma jurídica na resolução do caso 
concreto. 
Uma das teorias mais conhecidas a respeito da interpretação jurídica é a Escola da Exegese. Essa escola 
valeu-se do racionalismo iluminista para sustentar que o Código Napoleônico, fruto da razão, deveria ser 
universal, rígido e atemporal. Os defensores dessa escola não aceitavam a existência de lacunas na lei, pois, 
sendo ela fruto da razão, deveria abranger todo o ordenamento jurídico. Desse modo, somente a lei era 
admitida como fonte do Direito. 
Na Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen, o processo interpretativo da norma jurídica era dividido em: 
 (I) interpretação autêntica, ou seja, a interpretação da norma jurídica realizada pela autoridade habilitada a 
aplicar e a produzir o Direito, não cabendo método interpretativo diverso 
 (II) interpretação não autêntica, que é a efetuada pelos indivíduos e pelo cientista do Direito, que não possuem 
autoridade para aplicar o Direito. 
Em contrapartida, na Teoria do Direito de Ronald Dworkin, propõe-se a adoção de métodos 
interpretativos da norma jurídica como forma de alcançar a melhor aplicação das normas nos casos 
concretos, evitando-se, inclusive, a prolação de decisões judiciais fundamentadas na vontade do julgador. 
Por fim, importante destacar as lições do filósofo Umberto Eco, que tratou da possibilidade de um mesmo 
texto comportar diversas interpretações. Contudo, para o filósofo, algumas interpretações são 
manifestamente equivocadas, não podendo estas prevalecer sobre as demais, por violarem a materialidade 
do próprio texto. O raciocínio proposto por Umberto Eco, portanto, é no sentido de que a interpretação de 
um texto deve respeitar limites. Nessa linha, Eco sustenta que, em um texto, ainda que haja mais de um 
sentido, não se pode dizer que todos eles sejam bons. 
 
 
 
 
Aplicação dos conceitos de hermenêutica e 
intepretação 
 
As Teorias da Interpretação são métodos da Hermenêutica Jurídica que vão além da simples teoria 
doutrinária. A título de exemplo, em recente acórdão proferido pela 3ª Turma do TST, de relatoria do 
Ministro Alberto Bresciani, ficou claro que a decisão do julgador pautou-se na visão do Direito como 
integridade, como preconizado por Ronald Dworkin: “ao intérprete do direito cabe realizar interpretação 
coerente com as demais decisões políticas da comunidade, ao mesmo tempo em que assume o ônus de 
fundamentá-la com base em princípios reconhecidos por esta mesma coletividade”. 
A Sexta Turma Especializada do TRF2 publicou acórdão que fez uso da interpretação declarativa como 
elemento norteador da sua decisão. O acórdão, de relatoria do Desembargador Reis Friede, julgou o recurso 
de apelação, negando-lhe provimento, partido da análise interpretativa declarativa do artigo 10 do Decreto-
Lei 2.291. Vejamos trecho da ementa do acórdão: 
APELAÇÃO. ALCANCE DO ARTIGO 10º DO DECRETO-LEI 2.291/86. INTERPRETAÇÃO 
DECLARATIVA, LITERAL E TELEOLÓGICA. CARÁTER IMPOSITIVO DA LEI. PRECEDENTES 
STJ. RECURSO DESPROVIDO. I - O art. 1º, § 1º do Decreto-lei nº 2.991/86 determinou que a CEF 
sucedesse ao BNH em todos os seus direitos e obrigações. II - Declaração do caráter impositivo da norma 
expressa no art. 10 do Decreto-lei nº 2.991/86, que obriga a CEF a absorver a PREVHAB ou transferir seus 
beneficiários para a FUNCEF, não havendo uma terceira via. III - Interpretação declarativa, literal e 
teleológica do diploma legal afasta qualquer outra possibilidade senão a opção entre duas hipóteses: a 
absorção ou transferência de beneficiários. IV - A autorização presente no dispositivo analisado abrange a 
escolha quanto à forma de negociação e à opção pela absorção da Associação ou da transferência de seus 
beneficiários para a FUNCEF, apenas. V - Precedentes do Superior Tribunal de Justiça, entendem que a 
Caixa Econômica Federal, como patrocinadora e mantenedora da PREVHAB, nos termos o artigo 10º do 
Decreto-Lei n. 2.291/86, está autorizada a absorvê-la ou transferir os seus beneficiários à FUNCEF, excluída 
qualquer outra entidade de previdência privada. VI - Apelação desprovida. 
(TRF-2 - AC 2013.51.01.000679-9, Relator: REIS FRIEDE, Data de Julgamento: 04/06/2018, VICE-
PRESIDÊNCIA) 
No Recurso Extraordinário 368.090, o Supremo Tribunal Federal negou provimento ao recurso 
extraordinário interposto pelas partes interessadas para obter a devolução de bens confiscados ou 
indenização pelo Estado do Paraná. Foi invocado o art. 8º do ADCT que concedeu anistia para os que foram 
atingidos, em decorrência de motivação exclusivamente política, por atos de exceção em período 
determinado. 
O entendimento do STF é de que esse artigo se aplica apenas aos trabalhadores da iniciativa privada e não 
pode ser estendido a servidores públicos. A natureza jurídica da norma é excepcional, delimitando 
explicitamente os respectivos efeitos. Por isso, o intérprete não pode ir além das situações expressamente 
descritas no dispositivo, sendo que o próprio dispositivo limita expressamente o caráter da anistia. Desse 
modo, o STF aplicou a interpretação restritiva neste caso concreto e declarou que a regra do art. 8º do ADCT 
exige o recurso hermenêutico restritivo. 
 
Vamos falar sobre as teorias da norma e do 
ordenamento jurídico 
 
O que é a norma jurídica? 
Como se sabe, vivemos num mundo regulado por normas, seja aquelas criadas em acordos particulares, 
como as que um pai ou uma mãe conferem aos filhos, seja aquelas que incidem na esfera social, como as leis 
de trânsito. Desse modo, surge a importância dos estudos das normas, sobretudo da norma jurídica, sendo 
essa um pilar essencial no estudo do Direito. 
E o que seria uma norma jurídica? De acordo com Noberto Bobbio (2001, p.19) 
“as normas jurídicas nunca existem isoladamente, mas sempre em um contexto de normas com relações 
particulares entre si”. 
Por outro lado, conforme Lima (1983, p. 20 ), a norma jurídica seria uma “norma imperativa, bilateral e 
coercitiva, emanada pelo órgão competente, destinada a dirigir a conduta dos indivíduos ou estabelecer a 
ordem de convivência social, cuja inobservância acarretará a aplicação da sanção pelos órgãos do poder 
público”. 
Diante disso, a norma jurídica, então, seria uma forma de disciplinar as condutas humanas, impondo 
determinadas sanções. No entanto, nem toda norma possui em seu texto legal uma sanção, não sendo 
necessariamente coercitiva. 
Nesse sentido, uma síntese melhor para o conceito de norma jurídica é resumida por Friede (2021, p.217) 
sendo a norma jurídica aquela capaz de 
“disciplinar condutas ou atos, como pode não as ter por objeto, providas ou não de sanção, cuja finalidade é 
garantir a ordem e a paz social.” 
Nesse sentido, afirma Iamundo (2017, n. p.): 
O ordenamento jurídico forma não só os limites da compreensão do Direito, mas também configura os 
limites da hermenêutica jurídica. O campo mais amplo do ordenamento jurídico é, nada mais nada menos, 
do que apreender as normas jurídicas no sentido mais profundo. Apreender, compreender e interpretar as 
normas jurídicas como expressão do que efetivamente são, isto é, por expressar o Direito que está posto em 
determinada sociedade. 
Portanto, as normas jurídicas possuem características próprias dentro do ordenamento jurídico, conforme é 
visualizar no diagrama a seguir: 
Imagem: 
Elementos da norma jurídica. Fonte: Saraiva Educação 
#PraCegoVer: Diagrama de sete círculos, intercalados por setas no sentido horário. Nos círculos, lê-se: 
estabilidade; permanência; heterogeneidade; estabilidade;publicidade; bilateralidade; generalidade. 
1. Imperatividade: a norma impõe um dever a ser cumprido. 
2. Heterogeneidade: deve ser observada por todos. 
3. Bilateralidade: a norma prevê uma vinculação entre aquele que a declara e os demais que a obedecem. 
4. Generalidade: é dirigida sem distinção a todos. 
5. Estabilidade: o Estado que detém a prerrogativa de chancelar a norma. 
6. Permanência: a norma terá vigor, até que outra posterior a revogue. 
7. Publicidade: a norma deve ser de conhecimento geral. 
Título 2: Vamos falar sobre as fontes de Direito 
Subtítulo 2: Quais são as fontes de Direito? 
De acordo com a hermenêutica, as normas surgem a partir de determinadas fontes de Direito. Isso irá 
depender do sistema jurídico, podendo ele ser civil law ou common law. 
No primeiro caso, a fonte majoritária da norma jurídica será a lei escrita e formal. Já no segundo, poderá ser 
os costumes e precedentes. 
 
 
https://www.projuris.com.br/blog/#:~:text=Hoje%20os%20dois%20sistema%20vigentes,atua%C3%A7%C3%A3o%20do%20operador%20do%20Direito.
Resumo visual 
 
 
 
UNIDADE 4 - Teoria Geral do Estado 
 
Introdução 
 
Definir o Estado é tarefa que desafiou os cientistas políticos, filósofos e juristas por muito tempo. Apesar 
das inúmeras discussões sobre o tema, há certo consenso no reconhecimento de que o Estado se constitui a 
partir de três elementos: a população, o território e o governo. 
O conceito de Estado é um dos mais importantes para a Ciência Política e a Teoria do Estado, já que 
estamos tratando de definir o próprio objeto de estudo destas ciências. Para compreender a relevância do 
Estado para o fenômeno jurídico, estudaremos o seu processo de formação e desenvolvimento, com as 
diversas teorias que o fundamentam. 
 
Vamos estudar sobre a origem dos Estados? 
 
Segundo Dallari (2011, p. 59), a expressão Estado (do latim status) aparece pela primeira vez na clássica 
obra “O príncipe”, do filósofo florentino Nicolau Maquiavel, datada de 1513, para se referir às cidades 
independentes. Assim, argumenta-se que não é possível falar em Estado antes do século XVI, não apenas 
pela expressão não ser anteriormente conhecida, mas por não haver, até então, sociedade política com tais 
características. 
Sobre a origem do Estado, entretanto, as teorias agrupam-se em três correntes: 
 (I) a de que o Estado sempre existiu, junto com a própria sociedade; 
 (II) a de que a sociedade conviveu sem o Estado durante um tempo, passando a constituí-lo para atender a 
certas necessidades; 
 (III) a de que o Estado não é um conceito válido para todos os tempos históricos, por demandar 
certas características que só teriam surgido na Modernidade. 
Para essa terceira corrente (majoritária), o Estado Moderno teria surgido a partir da assinatura dos Tratados 
de paz de Westfália, em 1648, que puseram fim à Guerra dos Trinta Anos e consolidaram limites territoriais 
na Europa. 
Quanto aos elementos constitutivos do Estado, são três: povo, território e soberania. 
Em relação à finalidade do Estado, trata-se de um elemento tão importante que alguns autores chegam 
a incluí-la dentre os elementos constitutivos do Estado. A questão sobre a finalidade do Estado relaciona-se 
com o estudo das suas funções, já que tais elementos encontram-se profundamente interligados. 
Por outro lado, pensar o Estado como pessoa jurídica é um avanço. Significa separar a estrutura estatal 
daqueles que ocupam cargos de liderança. Por isso, a definição da personalidade jurídica do Estado contribui 
para limitar o poder, realizar os interesses coletivos e compreender as variáveis políticas e jurídicas que 
interferem nessa equação (DALLARI, 2003). 
Nesse sentido, associa-se a esse processo a superação do modelo absolutista, na busca pela separação entre o 
Estado e a figura do soberano. Isso ocorre com a construção da noção de Estado de Direito e leva, ainda, ao 
nascimento de um ramo denominado Direito Administrativo. Dentro desse panorama, conferir personalidade 
jurídica ao Estado foi um importante passo (PINTO E NETTO, 2004). 
A raiz da personalidade jurídica do Estado está, portanto, nas teorias contratualistas, que já pensavam em 
uma vontade estatal distinta da soma das vontades individuais de governantes e governados, isoladamente 
considerados. Foi na Alemanha, no final do século XIX e início do século XX, que se começou realmente a 
teorizar sobre o Estado como pessoa jurídica (DALLARI, 2003). 
A primeira teoria que surge, neste contexto, é a Teoria do Fisco. Segundo Pinto e Netto (2004), ela separa o 
Estado de um lado, detentor do poder público e seu patrimônio (o Fisco), de outro, com a capacidade das 
relações patrimoniais. Essa duplicidade desaparece nas teorias seguintes, que passam a olhar para o Estado 
como uma pessoa jurídica unitária. 
 
Aprofundando no estudo da origem do estado 
 
O que significa dizer que o Estado é uma pessoa jurídica? Quais as teorias que explicam a personalidade 
jurídica estatal? 
O Estado é uma pessoa jurídica. Como tal, ele tem direitos e deveres. O conceito de personalidade jurídica 
do Estado depende da teoria adotada. Segundo Reale (2014), atualmente, predomina a teoria do organicismo 
ético: há fatores reais que demonstram a personalidade jurídica do Estado por meio de processos de 
abstração. 
São duas grandes correntes principais que definem a personalidade jurídica do Estado: 
 Teoria da ficção jurídica: a personalidade jurídica do Estado é entendida como uma ficção útil ao Direito. O 
Estado, assim, seria conceituado como personificação artificial da ordem jurídica (DALLARI, 2003). A 
necessidade dessa ficção é maior em pessoa jurídica do que física, pela ausência ou intangibilidade de 
substrato real ou suporte físico para sustentar a criação do Direito (PINTO E NETTO, 2004); 
 Teoria realista: a personalidade jurídica do Estado é expressa por um todo coletivo de existência real. Dentre 
elas, há as teorias orgânicas biológicas, que veem o Estado como organismo biológico, e as teorias orgânicas 
éticas, que concluem que o Estado é um organismo moral, apesar de real, é uma abstração. O Estado como 
pessoa jurídica real externa sua vontade própria por meio de seus servidores que atuam nos órgãos do Estado 
(REALE, 2013). 
E quais são os elementos constitutivos do Estado? Embora existam divergências doutrinárias prevalece a 
teoria tríplice, que aponta como sendo três os elementos do Estado: povo, território e soberania. 
O povo é apontado como o primeiro elemento constitutivo do Estado, já que: 
"Sem essa substância humana não há que cogitar da formação ou existência do Estado" (MALUF, 2019, p. 
59). 
A ideia de povo transcende um mero agrupamento de pessoas, tendo por requisito uma certa homogeneidade 
étnico-social constitutiva daquela unidade populacional. 
O território é a base territorial do Estado, o elemento geográfico no qual o povo estabelece suas raízes. 
Apesar de alguns autores defenderem a possibilidade de existir Estado sem território, tal concepção não se 
coaduna com a moderna definição de Estado. É possível haver nação sem território, como ocorreu com os 
judeus durante longo período da sua história, mas não Estado sem território. 
Por fim, a soberania é também um elemento constitutivo indispensável do Estado e possui duas dimensões: 
uma interna e uma externa. A dimensão interna diz respeito à capacidade do Estado de se autodeterminar e 
propor suas normas ao povo. De outro lado, a dimensão externa envolve a capacidade de se fazer 
reconhecido no plano internacional e ter a sua integridade territorial respeitada. 
Sobre a finalidade do Estado, as principais teorias podem ser agrupadas a partir de determinadas 
classificações. Uma primeira classificação possível é entre finalidades objetivas e subjetivas do Estado: são 
finalidades objetivas aquelas relacionadas ao papel do Estado em relação à humanidade como um todo, 
enquantoas subjetivas são as finalidades relacionadas aos fins particulares, ou seja, dos indivíduos que o 
integram. 
 
Aplicação dos conceitos Estado, finalidade, 
elementos constitutivos, teorias da justificação 
 
No Mandado de Segurança n. 21.239-0, o STF fixou o seu entendimento de que órgãos estatais coletivos não 
personalizados têm personalidade judiciária, isto é, podem ingressar em juízo para defender suas 
competências institucionais, apesar de não serem pessoas jurídicas autônomas e, sim, pertencerem à pessoa 
jurídica chamada Estado. Esse entendimento decorre da premissa de que não se pode dissolver os órgãos, tal 
qual o Ministério Público, na personalidade jurídica do Estado, tendo em vista que, em alguns momentos, 
eles precisam se contrapor ao Estado em juízo para defender suas atribuições finalísticas e para o bom 
desempenho de suas funções institucionais. 
Outra aplicação do tema é percebido na aprovação pela Câmara dos Deputados do PL nº 534/21, cuja 
tramitação se iniciou no Senado Federal. Com isso, após a sanção presidencial, se tornou a Lei 14.125, que 
dispõe sobre a possibilidade de aquisição de vacinas contra a Covid-19 por pessoas jurídicas de direito 
público interno e de direito privado diretamente no mercado internacional e posterior distribuição no 
território brasileiro. O tema se relaciona à personalidade jurídica do Estado, em especial, no âmbito 
internacional.  
Em uma visão mais clássica, apenas o Estado Brasileiro tem personalidade jurídica reconhecida 
internacionalmente, já que as entidades subnacionais (estados e municípios) estão abarcadas nesta 
personalidade. É a União quem representa o Brasil nas relações com estados estrangeiros e participa de 
organizações internacionais (artigo 21, inciso I, CRFB/88). Nesse sentido, com a gravidade do 
enfrentamento da Covid-19 no mundo e a escassez de vacinas no mercado internacional, a prioridade dos 
fabricantes era vender para países e não entidades subnacionais ou setor privado. Na contramão desse 
entendimento, e considerando a maior gravidade da pandemia no Brasil, o Congresso aprovou essa lei para 
reconhecer a capacidade jurídica dos entes federados e pessoas jurídicas de direito privado de adquirir e 
distribuir vacinas contra a Covid-19. Trata-se, ainda, da responsabilidade jurídica dos entes em eventuais 
efeitos adversos pós-vacinação. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14125.htm
http://planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
Outro exemplo também é visto pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3217), que teve como 
Relator o Min. Ricardo Lewandowski, em 11 de outubro de 2019 (decisão publicada em 04 de novembro de 
2019), e que julgou procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do § 
16 do art. 171 da Constituição do Estado de Pernambuco, possui, em sua fundamentação, doutrina específica 
de Teoria Geral do Estado, demonstrando sua importância. 
Uma outra aplicação pode ser visualizada no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos Sociais e 
Culturais, que foi editado pela ONU, e promulgado pelo Brasil em 1992, prevendo o princípio da 
autodeterminação dos povos. 
Em seu artigo estabelece: “1º.1 Todos os povos têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, 
determinam livremente seu estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento econômico, social 
e cultural.”. 
Assim, o princípio da autodeterminação dos povos demonstra a importância do elemento “povo”, enquanto 
elemento constitutivo dos Estados, e inclusive, a sua autodeterminação. 
 
Introdução 
 
Os Estados são, por excelência, dinâmicos. Assim como seus elementos morfológicos - população, território 
e governo - estão sujeitos a variações, o próprio Estado pode ser modificado, extinto ou, ainda, criado. Isso 
se dá pelo caráter fluido do Estado, que pode se formar, se modificar e se extinguir. 
Nesse sentido, o Estado nem sempre assumiu as formas e as funções que hoje conhecemos, sendo, por 
excelência, um elemento dinâmico, assim como a evolução da própria civilização. Ao longo do tempo, nem 
sempre houve um progresso linear. Dessa forma, o presente texto pretende estudar sobre a evolução do 
Estado e suas formas ao longo dos últimos séculos até recentemente 
 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0591.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0591.htm
Vamos estudar sobre a evolução dos estados? 
 
Nesta etapa, iremos estudar a primeira parte da evolução histórica do Estado até sua transformação em 
Estado Moderno, compreendendo os modelos de Estado antigo, grego e romano. 
Conforme aponta Maluf (2019), os Estados mais antigos relatados pela história são os grandes impérios que 
se formaram no Oriente desde 3.000 a.C. O autor afirma que os maiores e mais antigos Estados foram 
encontrados na Baixa Mesopotâmia, banhada pelas águas do Tigre e do Eufrates, e no Egito, região banhada 
pelo Rio Nilo. 
Quanto ao surgimento do Estado Grego, Iatarola (2007) afirma que, na Grécia, o crescimento do comércio 
urbano e da pólis, as chamadas cidades-estados, é o principal fator que permitiu, a partir do século VIII a.C., 
que a monarquia cedesse lugar à aristocracia e que, a partir dos séculos VI e V a.C., fosse criada a 
democracia grega, representando um dos períodos com o maior crescimento da economia e da filosofia. 
Quanto ao Estado Romano destaca-se que o poder vem da família: pater, de onde se deriva o majestas e 
ocorria uma divisão do direito aplicado aos cidadãos romanos e aos estrangeiros, ou seja, os estrangeiros se 
diferenciavam dos cidadãos romanos e, consequentemente, não eram regidos pela mesma lei. 
Já em relação ao Estado Feudal, destaca-se a crescente multiplicação dos feudos, a reação das populações 
escravizadas, o desenvolvimento da indústria e do comércio, bem como as pregações das novas ideias 
racionalistas minaram as bases da estrutura feudal, dando origem ao surgimento das nacionalidades e à 
restauração do Estado sobre a base do Direito Público (MALUF, 2019). 
O Estado Medieval é paralelo ao Estado Feudal, mas, aqui, o campo de visão é ampliado. O Estado medieval 
emergiu das invasões bárbaras e se cristalizou em torno da Igreja Romana (MALUF, 2019, n. p.). Nesse 
período, também surge um conflito entre os poderes do Estado e da Igreja, os Papas, representantes de Deus 
na Terra, passam a almejar um aumento no exercício de seus poderes, o que afetava diretamente o poder do 
Imperador, que refutava os pedidos da Igreja, argumentando que não lhe cabia às ingerências políticas. 
Damasceno (2019) 
Por fim, o Estado Moderno surge entre os séculos XIV a XVI, pelas influências do renascimento do 
comércio e o crescimento das cidades que levaram à perda do poder papal, gerando a ascensão da Inglaterra, 
França e Espanha como Estados nacionais. 
A disputa entre a Igreja e o Imperador, acaba por ter como vencedor o Estado Moderno, que articulado e 
estruturado, enquanto unidade independente e consolidado territorialmente, passam, em diversos países, a 
exercerem poder em relação à Igreja Cristã. Os Estados era compostos por seus súditos, possuindo como 
base um governo independente, ademais, a retomada do comércio e o crescimento da cidade, deixavam a 
mostra as ruínas do modelo feudal e indicavam o surgimento de um novo modelo de organização europeu. 
 
Aprofundando no estudo da origem do estado 
 
A evolução dos Estados atravessou diversos momentos da história, desde os Estados Gregos, Romanos e 
Medieval, até o Estado Moderno, Liberal, Social. Passemos a abordar de modo mais aprofundado sobre as 
principais características de cada um deles. 
O Estado Grego foi marcado pela presença das polis que representavam a construção democrática e 
filosófica grega, que foram fundamentais para a criação do Estado Grego, nesse sentido, aponta Damasceno 
(2019) que, emboraas cidades-estados ou polis possuíssem grande autonomia, inexistiam elementos 
caracterizadores de uma nação soberana, configuraram-se como elementos de uma única nação. Todas as 
polis compunham a Ellade. Nesse sentido, havia normas que tratavam da regulamentação das relações 
econômicas, como exemplo a exportação de produtos e, a partir do século VII a.C., constata-se a existência 
de normas que regulamentavam a conversão de moedas dentro da Ellade, o que aumentou a prática do 
comércio entre as cidades gregas. 
No que se refere às características do Estado Romano, Bianchini (2013) elenca: três principais: a) o 
desenvolvimento da noção de poder político como supremo e uno; b) a separação entre o poder público e o 
poder privado e, consequentemente, do Direito Público e do Direito Privado; e; c) o reconhecimento do 
cidadão em votar e ser votado. 
Durante o século XVIII, a ideia do poder soberano atrelado ao monarca tornou-se o novo empecilho para a 
burguesia, que, anteriormente, o auxiliou na ascensão a este patamar. Lembre-se de que esse século foi palco 
do Iluminismo e das Revoluções Burguesas, que viriam a propiciar novas concepções sobre o Estado 
(DAMASCENO, 2019). 
Conforme apontado por Dal Ri Junior (2004), grande parte dos pensadores iluministas era favorável ao 
livre-comércio, defendendo que a liberalização poderia corroer o poder absoluto do monarca soberano e 
trazer equilíbrio às relações internacionais, caminhando para a conquista da paz. Assim, surgiu o ambiente 
favorável para o nascimento do Liberalismo. 
Lenza (2021) afirma que a evolução do Estado Liberal para o Estado Social de Direito fez surgir a 
necessidade de se reconhecer a categoria dos direitos sociais, cujas normas de Direito do Trabalho e de 
Direito Previdenciário expressam a manifestação de um Estado protecionista, intervencionista e realizador 
da chamada justiça distributiva. 
O Estado social, também chamado de democracia social, surge, então, das ruínas do Estado Liberal 
individualista, no mundo pós-guerra, erguendo uma nova ordem alicerçada nos princípios de justiça social 
(MALUF, 2019v). 
Segundo Lenza (2021), o Estado Social é efetivador dos Direitos Humanos, propondo uma igualdade mais 
real perante os bens da vida, diversa daquela apenas formalizada em face da lei. 
Por outro lado, o neoliberalismo, inicialmente implementado em 1970, é uma doutrina socioeconômica 
que recomenda os ideais do liberalismo clássico e apresenta como uma das principais teses a mínima 
intervenção estatal, argumentando que o mercado é autorregular. 
 
A formas de Estado e sua evolução na prática 
 
Duas importantes aplicações dos estudos da evolução dos Estados, são exemplificadas por duas teorias 
essenciais, da teoria geral do Estado, a tripartição de poderes de Montesquieu e o republicanismo de 
Roseau. 
Segundo Lenza (2021), Montesquieu desenvolveu, na obra "O espírito das leis", a teoria da separação dos 
poderes, que apresenta a divisão das funções estatais – executivo, legislativo e judiciário – conectando-as a 
três órgãos distintos, autônomos e independentes entre si (LENZA, 2021). 
Lenza (2021) afirma que, conforme essa teoria, o poder é exercido por meio de uma função típica, inerente à 
sua natureza, atuando independente e autonomamente, não sendo permitido a um único órgão o exercício 
simultâneo do poder de legislar, aplicar as leis e julgar, de modo unilateral. 
A partir desse pensamento, surge a Teoria de Freios e Contrapesos, que consiste no controle do poder pelo 
próprio poder. Veja-se, cada um dos poderes (Judiciário, Executivo e Legislativo) possui autonomia no 
exercício de sua função, porém, os outros poderes exercem um controle para que não permita excesso no uso 
do poder (LENZA, 2021). 
Em sua obra “Contrato Social”, Rousseau procurou estabelecer os princípios do direito político para o 
fundamento de uma sociedade legítima, preocupando-se em encontrar os fundamentos jurídicos e a essência 
política da autoridade com o objetivo de preservar os bens e a liberdade dos indivíduos (ALMEIDA, 2011). 
Assim, Almeida (2011) aponta que o chamado republicanismo cívico de Rousseau possuía o condão de 
conciliação entre dever e autonomia. O sentido do republicanismo rousseauniano começa pela busca dos 
princípios da sociedade legítima, que por sua vez se fundamenta na garantia de direitos a todos pertencentes 
a mesma sociedade. Ademais, conforme Rousseau, a vontade geral deve sempre prevalecer, sendo um dos 
pilares da sua teoria, por causa disso defende o voto universal, rompendo com a tradição do voto censitário. 
Para ele, a vontade dos cidadãos refletia diretamente seus interesses e convicções em relação aos assuntos e 
ordem públicos e nas leis. Com efeito, defendia em sua integralidade a presença da representatividade para 
que fosse possível a afirmação de uma República, nos devidos termos. 
Uma outra aplicação dos temas estudados, é sobre os efeitos do neoliberalismo nos direitos sociais. 
Boaventura de Souza Santos em seu o artigo “A crítica da governação neoliberal: o Fórum Social Mundial 
como política e legalidade cosmopolita subalterna”, defende que a identificação do significado político do 
que seria o governo neoliberal, trata principalmente de se atentar a que princípios ou políticas não são por 
ele consideradas, como por exemplo as transformações sociais, a participação popular, o contrato social, a 
justiça social, as relações de poder, e a conflitualidade social. Desse modo, para o autor um dos grandes 
problemas da política neoliberal é silenciar pautas importantes e focalizar estritamente na matéria 
econômica, o que significou um grande atraso social para muitos países. 
 
Introdução 
 
Como vimos, o Estado se compõe, basicamente, de três elementos: população, território e governo. A 
depender das variações que cada um destes elementos pode sofrer, podemos distinguir distintas formas de 
Estado. 
Nesse sentido, o Estado nem sempre assumiu as formas e as funções que hoje conhecemos, sendo, por 
excelência, um elemento dinâmico, assim como a evolução da própria civilização. O Estado é um produto 
das condições materiais e históricas, portanto, assume ao longo dos séculos dimensões variáveis. Dessa 
forma, ao longo do tempo, nem sempre houve um progresso linear em suas acepções. O presente texto 
pretende estudar sobre a evolução do Estado e suas formas ao longo dos últimos séculos até recentemente. 
Vamos estudar sobre a evolução dos Estados? 
 
O Estado Federal, ou federalismo, é uma forma de Estado ou de organização do exercício do poder político, 
conforme disposições constitucionais próprias. No federalismo, há a organização descentralizada do poder 
político, com a repartição de competências entre governo central e governos locais, que é indissolúvel, com 
participação dos entes federados (Estados-membros) nas decisões da União e que possui órgão especial com 
jurisdição em todo o território nacional para resguardar a unidade e a coesão da federação (MENDES; 
BRANCO, 2020; LENZA, 2020). 
No Estado Federal, como os Estados-membros não são soberanos, eles não podem se desligar da União, ou 
seja, não existe o direito de secessão. O vínculo que une os entes da federação é, portanto, indissolúvel. E, 
diante da ausência desse direito de secessão, os conflitos entre Estados-membros e entre eles e a União são 
resolvidos por um órgão do Judiciário designado para isso, uma Corte Especial, que, no caso do Brasil, é o 
Supremo Tribunal Federal. Em casos extremos, quando não houver uma solução jurídica ou ela não for a via 
possível, o Estado Federal pode usufruir do instituto da intervenção federal com vistas à sua autopreservação 
e garantia da autoridade da Constituição Federal (MENDES; BRANCO, 2020). 
Segundo Sarlet, Marinoni e Mitidiero (2020), após a Proclamação da Independência, em 1822, a primeira 
forma de Estado adotada no Brasil, pela Constituição Imperialde 1824, foi a de Estado Unitário. Ao 
Imperador era garantida a prerrogativa de nomear os Presidentes das Províncias e a autonomia legislativa 
provincial era muito limitada, mesmo nos casos em que o interesse regional era o ponto principal. A 
necessidade maior à época, segundo Tavares (2020), era manter a unidade da nação que havia sido dividida 
em vinte províncias. 
Pinho (2020) aponta que o Brasil adotou a federação como forma de organização do Estado. O autor ainda 
ressalta que a adoção da federação pode ocorrer em países com características políticas diversas, porém, que 
possuem em comum a necessidade de se preservar, ao mesmo tempo, a unidade nacional e as autonomias 
regionais. Além do Brasil, outros países que adotam a forma federal de organização do Estado são: Estados 
Unidos da América, Canadá, México, Argentina, Alemanha, Suíça, Austrália, Índia, Rússia e África do Sul 
(PINHO, 2020). 
A forma federalista aparece pela primeira vez no texto da Constituição republicana de 1891, que foi 
fortemente inspirado na Constituição norte-americana de 1787 e nos princípios republicanos franceses. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm
Como nos EUA, os constituintes de 1891 optaram por adotar o sistema presidencialista e a dualidade das 
câmaras representativas, baseados no federalismo (MALUF, 2019). 
Dessa forma, o texto do artigo 1º, caput, da CRFB/88, prevê que a República Federativa do Brasil é formada 
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. Além disso, configura-se como um 
Estado Democrático de Direito e tem como fundamento a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa 
humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e o pluralismo político. 
 
Aprofundando no estudo da origem do Estado 
 
Antes de caracterizar o federalismo, vale destacar os motivos pelos quais um Estado pode optar por formas 
mais ou menos centralizadoras de organização. Segundo os professores Gilmar Mendes e Paulo G. G. 
Branco (2020), bem como Sahid Maluf (2019), um conjunto de fatores naturais ou sociológicos podem 
influenciar para que um Estado adote o modelo federalista. De acordo com os autores, territórios extensos 
tendem a ostentar grupos com diferentes culturas, etnias e até línguas próprias, representando um grande 
desafio diante da necessidade de harmonizar interesses muito distintos em uma só vontade. Com isso, a 
descentralização política mediante a repartição horizontal das funções (executiva, judiciária e legislativa) e 
também vertical entre os Estados-membros e a União, representa opção viável para conjugar os interesses de 
todos e manter a coesão administrativa e política da nação. 
Apesar da trajetória institucional dessa forma de Estado variar de acordo com o país, existem algumas 
características principais que podem ser ressaltadas. 
Como os primeiros elementos caracterizadores do Estado Federal, podemos citar a soberania e a autonomia. 
A soberania é um elemento característico do Estado Federal como um todo, enquanto ente único. Já a 
autonomia é atributo dos Estados-membros e decorre da descentralização administrativa e política, ou seja, 
da possibilidade de os Estados-membros, por autoridade própria, poderem elaborar e executar leis. Além 
disso, a autonomia política abrange a capacidade de auto constituição dos Estados-membros, de modo que 
esses entes tenham a capacidade de estabelecer sua própria Constituição estadual dentro dos limites 
estabelecidos pela Constituição Federal, ainda que não sejam soberanos (MENDES; BRANCO, 2020). 
A existência de uma Constituição Federal, fundamento jurídico e regulador da Federação, é outra 
característica do federalismo. Essa Constituição unifica o Estado e, ao mesmo tempo, reparte as 
competências entre os seus entes. Vale destacar ainda a importância da rigidez constitucional e do princípio 
federalista serem cláusula pétrea para que um Estado unitário não seja instituído para substituir a Federação 
(MENDES; BRANCO, 2020). 
A repartição de competências diz respeito à distribuição de competências entre os entes federados para 
evitar conflitos na gestão do território. Com base na repartição de competências, podemos classificar o 
federalismo adotado no país em dois tipos: (i) modelo centrípeto ou centralizador, que concentra as 
competências no ente central; e, (ii) modelo centrífugo ou descentralizador, quando há a distribuição dos 
poderes de forma mais ampla em favor dos Estados-membros. 
A participação dos Estados-membros na vontade federal é outra característica muito importante do 
federalismo, mencionada pelos professores Gilmar Mendes e Paulo G. G. Branco (2020). Pela representação 
no Senado Federal, os Estados-membros podem participar da formação da vontade da União, sobretudo no 
momento das deliberações legislativas. 
No Brasil, a Constituição de 1988 buscou reformular o pacto federativo e balancear novamente o 
relacionamento entre os entes federativos, conforme destaca Lopreato (2020). Dessa forma, vedou-se a 
intervenção da União nos tributos dos demais entes, bem como a imposição de condições para a 
transferência de recursos constitucionais. A participação na receita tributária foi ampliada e, com muito 
destaque, houve uma expansão dos direitos sociais, em contraposição ao histórico de ausência de estado de 
bem-estar vivenciado até então, e a descentralização dos gastos com saúde e educação. 
 
A formas de Estado e sua evolução na prática 
 
No presente bloco, passaremos a perceber como os conceitos de federação e federalismo podem ser 
percebidos na prática, inclusive em julgados pelo STF. 
O primeiro caso trata da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5876/SC, na qual houve um pedido 
pretendendo contra a Lei Estadual 17.115/2017 do Estado de Santa Catarina, que dispõe “sobre o 
reconhecimento, no âmbito do Estado de Santa Catarina, da profissão de Condutor de Ambulância referida 
no art. 145-A do Código de Trânsito Brasileiro”. 
O conflito levantando-se trata da repartição de competências do modelo federativo brasileiro, de modo que 
seria de competência privativa da União a legislação sobre as condições para o exercício de profissões, não 
cabendo, portanto, uma Lei Estadual sobre o tema. Na decisão, é ressaltado que o federalismo e suas regras 
de distribuição de competências legislativas são um dos grandes alicerces da consagração da fórmula Estado 
de Direito, de modo que reitera a necessidade de que o Direito respeite as diversas competências legislativas, 
para que se garanta a previsão do legislador constituinte sobre a divisão dos centros de poder entre os entes 
federativos. 
O caso lustra bem uma das características do federalismo e as regras de repartição de competências entre os 
entes, a distribuição de competências. Na decisão, o STF declarou por unanimidade a inconstitucionalidade 
formal da referida por se tratar de matéria de competência legislativa privativa da União. O Ministro 
Alexandre de Moraes, relator da ação, ressaltou a importância que as regras de distribuição de competência 
possuem para o verdadeiro equilíbrio almejado no federalismo. 
No segundo caso, o STF julgou inconstitucional e suspendeu uma norma paranaense que previa que, em 
caso de concessão por qualquer ou Estado ou pelo Distrito federal de benefício fiscal (ou eliminação direta 
ou indireta da respectiva carga tributária) com inobservância da legislação federal, o Poder Executivo da 
região estaria autorizado a adotar medidas similares. O STF interpretou que tal dispositivo permitia ao 
Estado do Paraná, através do Poder Executivo, a desencadear guerra fiscal.  
Um terceiro caso remente ao julgamento pelo STF da ADI 2544. O conflito jurídico gira em torno da 
constitucionalidade da Lei 11.360 do Rio Grande Sul que dispõe que os sítios arqueológicos bem como seu 
acervo, existentes no Estado, ficam sob proteção e guarda dos municípiosem que se localizem. Nota-se que 
surgiu uma questão acerca da competência comum dos entes federativos no âmbito da preservação do 
patrimônio cultural. 
Na decisão, a Corte argumenta que a Constituição prevê um federalismo cooperativo, incluindo na 
competência comum, ou seja, aquela entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Dessa forma, 
estaria imbuída na competência comum: ‘III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor 
histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos” 
Diante disso, o STF julgou inconstitucional a referida lei, entendendo que não cabia ao Estado do Rio 
Grande do Sul determinar a competência exclusiva aos municípios. 
 
Introdução 
 
Neste texto, estudaremos a separação de poderes, prevista no artigo 2º da Constituição da República 
Federativa do Brasil - CRFB/88 , o qual dispõe que os poderes da União – Legislativo, Executivo e 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Judiciário – são independentes e harmônicos entre si. Tal característica é essencial para a existência de um 
Estado Democrático de Direito. 
Nesse sentido, o segundo tópico a ser tratado é sobre a democracia. Entender como funciona o regime de 
governo democrático é essencial para compreendermos os Estados contemporâneos. Mas o tema da 
democracia é complexo. Por isso, será necessário o estudo sobre a origem, os conceitos e os sentidos formal 
e material da democracia, enquanto requisitos básicos da compreensão desse regime de governo. 
 
Vamos estudar sobre a evolução dos Estados? 
 
A estrutura dos Poderes da República, no Brasil, é promovida por meio da clássica tripartição de Poderes. 
Nesta, coexistem três Poderes, sendo eles o Poder Executivo, o Legislativo e o Judiciário, independentes e 
harmônicos entre si (artigo 2º da CRFB/88), cumprindo cada um deles funções típicas e atípicas, bem como 
controlando a ação dos seus pares em dinâmica de freios e contrapesos. Assim, a partir do limite das suas 
competências constitucionais e das suas funções típicas e atípicas, limita-se o poder de cada um deles, de 
modo a garantir o não domínio de qualquer um sobre o outro. 
Exemplo de prática de freio e contrapeso exercido pelo Poder Legislativo é o chamado override power, 
ou override constitucional. Identifica-se o override quando o Poder Legislativo edita certa norma que, em 
fase de apreciação presidencial, é vetada. Neste cenário, o Poder Legislativo pode derrubar o veto 
presidencial, garantindo a vigência da norma desejada. 
As principais funções do Poder Legislativo consistem em legislar e fiscalizar as atividades dos demais 
Poderes, sendo essas suas funções típicas. Mas, para além dessas tarefas, ele também exerce funções de 
administração do próprio poder (executar – usualmente típica ao Poder Executivo) e de julgamento em casos 
de crimes de responsabilidade (julgar – usualmente típico ao Poder Judiciário), sendo essas suas funções 
atípicas. 
Por outro lado, o Poder Judiciário possui prerrogativas, garantias e vedações positivadas com o intuito de 
propiciar maior independência e, também, de impedir que a atuação jurisdicional seja influenciada pelos 
demais poderes ou por fatores externos. 
Por sua vez, Poder Executivo é exercido pelo presidente da República, com o auxílio dos ministros de 
Estado, conforme o artigo 76 da CRFB/88. Será eleito presidente (e o vice-presidente com ele registrado) o 
candidato que obtiver maioria absoluta dos votos, não sendo computados os brancos e nulos, no primeiro 
turno das eleições. Caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta dos votos, será eleito em segundo turno 
o candidato que obtiver a maioria dos votos. 
Um conceito importante também no estudo da separação de poderes e democracia, é o próprio conceito de 
democracia é amplamente definido pela doutrina, sendo mais explorado em alguns pontos, como a origem, a 
evolução ou a transição, por exemplo. O Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais (2012) define a 
democracia regime político caracterizado pela busca da realização de valores de convivência humana como 
a igualdade, a liberdade, a justiça e a dignidade humana. 
Ferreira Filho (2015, n. p.), ao relacionar democracia e constitucionalismo, refere que a democracia é “o 
princípio de atribuição do Poder adotado pelo constitucionalismo”, em que “o estabelecimento de 
Constituição é visto como o mesmo que instituição da democracia e a instituição da democracia passa pela 
adoção da Constituição”. Refere bem ainda, ao perfilar o modelo ideal de democracia, que “o referencial 
clássico atinente às formas de governo parte da titularidade do supremo Poder num Estado”, pontuando que 
“a democracia, importa, por definição, em que esse supremo Poder pertença ao povo, ou, se quiser, à 
maioria. Não há democracia, portanto, se o povo não se governa a si próprio”. 
 
Aprofundando no estudo da formação e soberania 
dos Estados 
 
A independência dos poderes pode ser analisada a partir de uma perspectiva tríplice. Em primeiro lugar, 
como garantia de que a investidura e a permanência de qualquer pessoa em um dos órgãos ocorrem 
independentemente da vontade dos outros. Segundo que não há necessidade de consulta ou autorização 
prévia aos demais órgãos quando os titulares das atribuições estejam exercendo-as. E, terceiro, que na 
organização das respectivas atividades, cada um é livre para fazê-lo, devendo apenas observar sempre o que 
está prescrito na Constituição ou em lei específica (SILVA, 2013, p. 112). 
Para que exista um equilíbrio no exercício das funções e na manutenção do Estado Democrático de Direito, 
existem mecanismos legítimos de interferência e controle das atividades dos Poderes entre si, chamado de 
sistema de freios e contrapesos. Assim, a separação dos Poderes no contexto brasileiro distribui funções 
específicas a cada um deles, mas, em situações excepcionais, permite que um Poder exerça uma atividade de 
controle sobre o outro, evitando abusos e arbitrariedades. 
Tendo em vista que, no atual ordenamento constitucional brasileiro, a separação dos poderes é uma cláusula 
pétrea, disposta expressamente no artigo 60, § 4º, inciso III da CRFB/88, o exercício coordenado das 
funções de cada Poder também é protegido nesse sentido porque é a manifestação prática da independência e 
harmonia entre eles. 
Nesse sentido, o Poder Executivo, como posto anteriormente, é um dos Poderes da tríade da República 
brasileira (artigo 2º da CRFB/88). Entre suas funções típicas, está a execução do orçamento, das leis e das 
políticas públicas, organizando a atuação do Estado para a população. Nada obstante, este Poder também 
manifesta funções atípicas, como a legislativa, ao propor leis de iniciativa do presidente da República e 
medidas provisórias – função que também se estende a chefes do Poder Executivo de outras esferas –, e a 
função judicante, em processos administrativos internos dos seus membros. 
Por sua vez, o Poder Legislativo representa um amálgama de competências e funções, colaborando 
diretamente para as mudanças sociais. Enquanto elemento na tríade dos Poderes da República, exerce função 
própria, legislando, bem como funções atípicas, atuando junto com os outros Poderes na contenção por 
sistemas de freios e contrapesos. Nesses limites suas competências são exercidas, sendo sua estrutura 
essencial para a compreensão do Estado brasileiro. 
Enquanto, o Poder Judiciário é aquele que exerce a atividade jurisdicional, julgando os conflitos levados em 
juízo, atendendo, assim, o princípio do acesso à justiça. É representado pelos magistrados e seus auxiliares 
no exercício de suas atribuições. 
A partir da separação de poderes harmônica e independente é possível pensar uma forma democrática de 
governo. Como se sabe, a democracia é construída pela observância de diversos preceitos e características 
que são imprescindíveispara a concretização do princípio fundamental democrático. 
Em suma, podemos citar que, além dos preceitos aqui enunciados, a doutrina destaca a alternância de poder, 
seja ela na pessoa física do presidente ou partidária, como uma característica extremamente saudável para a 
implementação e manutenção dos ideais democráticos. Da mesma forma, ter eleições diretas não significa 
afirmar que a democracia em um país funciona bem. É comum, ao redor do mundo, ainda observarmos 
diversos Estados que levantam uma bandeira democrática, quando na verdade escondem ainda enraizados 
ideais ditatoriais. 
 
Discussões sobre o Estado federado na prática 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
A seguir veremos alguns julgados aplicando os conceitos trabalhados nesse texto. Vamos lá. 
O princípio democrático é constantemente invocado ou analisado pela jurisprudência do STF. Nesse sentido, 
conquanto previsto como cláusula pétrea, importante leitura se faz do voto proferido na Medida Cautelar em 
Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.889, do Distrito Federal, de relatoria do ministro Gilmar Mendes. 
De outro lado, é válida uma leitura do acórdão da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.650, de relatoria 
do ministro Luiz Fux, em que foi analisada suposta ofensa ao princípio democrático. Da decisão, restou 
proibido o financiamento empresarial das campanhas políticas, sob o fundamento de que a prática de 
financiar campanhas realizada por empresas afrontava o princípio democrático, visto que violava o 
compromisso da democracia com o sufrágio e sua igualdade material, consistindo em caráter de 
desigualdade dos agentes públicos e ferindo a lógica do “um homem, um voto”. 
Já no Mandado de Segurança 21.564, impetrado quando do processo de impedimento do presidente 
Fernando Collor de Mello, o STF desenvolveu entendimento sobre a recepção parcial da Lei 1.079 pela 
CRFB/88, determinando a necessidade de respeito às garantias processuais constitucionalmente previstas no 
decurso do processo de impedimento. 
Em outra decisão, o STF julgou parcialmente procedente a ADPF 378, que discutia a validade de 
dispositivos da Lei 1.079 que regulamentam o processo de impeachment de presidente da República. Com o 
julgamento, firmou-se o entendimento de que a Câmara dos Deputados apenas dá a autorização para a 
abertura do processo de impeachment, cabendo ao Senado fazer juízo inicial de instalação ou não do 
procedimento, a votação se dando por maioria simples; a votação para escolha da comissão especial na 
Câmara deve ser aberta, sendo ilegítimas as candidaturas avulsas de deputados para sua composição; e o 
afastamento de presidente da República ocorre apenas se o Senado abrir o processo. 
Na ADI 1985, adotou-se o entendimento pacífico que, enquanto a lei complementar prevista no artigo 
93, caput, da CRFB/88 não for devidamente confeccionada e publicada, o Estatuto da Magistratura será 
disciplinado pelo texto da Lei Complementar 35, que foi recepcionada pela Constituição. Assim, disposição 
de Regimento Interno que viole a Lei Complementar 35 deve ser declarado inconstitucional.  
Na ADI 3.367 DF, proposta pela associação dos Magistrados Brasileiros, os Ministros do STF debateram a 
possibilidade de criação pelos Estados-membros de órgãos ou conselhos, internos ou externos, de controle 
da atividade do Poder Judiciário, entendendo ao final que tal prerrogativa violaria a separação de poderes 
instituída na CRFB/88. Nos votos dos ministros Cesar Peluzo e Eros Grau (p. 14-24; 73-91), um resgate 
histórico sobre o princípio da separação de poderes e suas implicações para o Estado Democrático é feito 
com profundidade, valendo, portanto, a leitura. Nesse sentido, o STF editou a Súmula 649, que dispõe: “é 
inconstitucional a criação, por Constituição Estadual, de órgão de controle administrativo do Poder 
Judiciário do qual participem representantes de outros poderes ou entidades”. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l1079.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l1079.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp35.htm
Vamos falar sobre a origem, a organização, o 
funcionamento e as finalidades do Estado 
 
Qual é a origem do Estado? 
A busca por um conceito de Estado surge desde a Grécia Antiga e a Roma Antiga. No entanto, não há, ainda 
hoje, uma acepção uníssona sobre o tema. 
Nesse sentido, Maluf (2019, n. p.): 
Uns consideram o Estado como organismo natural ou produto da evolução histórica, outros como entidade 
artificial, resultante da vontade coletiva manifestada em um dado momento. Uns o conceituam como objeto 
de direito (doutrinas monárquicas), outros como sujeito de direito, como pessoa jurídica (doutrinas 
democráticas). Outros ainda o consideram como a expressão mesma do direito, incluindo em uma só 
realidade Estado e Direito (teoria monista). Jellinek vê no Estado uma dupla personalidade, social e jurídica, 
enquanto Kelsen e seus seguidores o negam como realidade social para afirmá-lo estritamente como 
realidade jurídica. 
A Itália foi o primeiro país a empregar a palavra Stato, sem, no entanto, empregar ao termo um significado 
mais articulado. Somente em 1513, com a publicação de “O Príncipe", Maquiavel apresentou uma 
concepção do Estado, como hoje conhecemos. 
De acordo com o jurista Dalmo Abreu Dallari (2009), existem três correntes sobre a origem do Estado: 
1. o Estado sempre teria existido; 
2. a sociedade existia antes mesmo do Estado, sendo ele criado para gerir suas necessidades e carências; 
3. o Estado teria surgido, a partir da ideia de soberania, sendo ele concreto e histórico. 
O Estado, conforme conhecemos, desde sua acepção moderna é constituído por população, território e 
governo. É também previsto na CRFB/88, como se pode inferir da leitura de seus princípios fundamentais. 
Ressalta-se, entretanto, a importância da soberania estatal, já que sem ela, inexiste Estado. É o que afirma 
Maluf (2019, n. p.): "sem razão, porém, visto que a soberania se compreende no exato conceito de Estado. 
Estado não soberano ou semi soberano não é Estado". 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 
Imagem: Elementos constitutivos do Estado. Fonte: Saraiva Educação 
#PraCegoVer: Diagrama de cinco círculos, 1 maior no centro e 4 ao seu redor. No círculo maior, está 
escrito: “Estado”. Nos 4 menores, está escrito: “território”; “governo”; “população”; “ soberania”. 
Vamos entender a organização, o funcionamento e as finalidade do Estado 
O Estado se organiza conforme suas leis, sobretudo a partir do texto constitucional Nesse, está previsto uma 
série de regras básicas para seu funcionamento como, por exemplo: a forma de governo, o regime de 
governo, se o Estado é federado, se há ou não tripartição de poderes. 
No caso do Estado democrático, o regime de governo é a democracia, no qual o Estado tem como finalidade 
básica a satisfação do interesse público, por meio de políticas públicas para a redução das desigualdades e a 
promoção dos direitos sociais. 
Logo, na democracia, haverá: uma constituição escrita; a divisão entre três poderes (legislativo, judiciário e 
administrativo); o pluralismo político; a participação da população nas decisões políticas; as funções de 
mandatos temporárias e eletivas; os atos dos governantes passíveis de revisão; os direitos e garantias 
fundamentais como uma máxima a serem respeitados. 
Por outro lado, no caso do Estado autoritário, o regime de governo também o é. Então, o Estado torna-se um 
fim em si mesmo. Dessa maneira, as garantias individuais e sociais são reduzidas em prol dos objetivos de 
uma cúpula que administra as funções do Estado. Muitas vezes o Estado autoritário é também chamado de 
ditadura. 
Portanto, é imprescindível a defesa por uma organização do Estado que abarque oregime democrático em 
sua organização política, sendo essa uma luta contemporânea na nossa sociedade em defesa do Estado 
Democrático Brasileiro. 
 
 
 
Estudo de caso 
 
Direito, normas e hermenêutica jurídica. Fontes e princípios do direito 
Estudo de caso sobre: Direito, normas e hermenêutica jurídica. Fontes e princípios do direito 
Os livros de história conservam a famosa frase proclamada por Luiz XIV, rei da França: “L’État c’est 
moi” (o Estado sou eu). Contemporâneo de Luiz XIV, o senhor Charles-Louis, conhecido como barão de 
Montesquieu, assentou a necessidade de que as três funções do Estado – a de legislar, de administrar e de 
julgar – fossem separadas em três órgãos distintos, cada qual com autonomia e independência, porém, 
funcionando em harmonia. 
Assim, o poder soberano não deve permanecer adstrito e concentrado à figura do rei, como pretendia Luiz 
XIV, mas separado e funcionalmente distribuído. 
O Estado moderno nasce com o compromisso de fazer valer a divisão dos poderes, cabendo ao monarca o 
exercício das funções administrativas, ao parlamento a elaboração das leis, e ao judiciário, de forma 
independente, o julgamento dos conflitos. 
Imagem: Fluxograma. Fonte: Saraiva 
#Para cego ver: A imagem mostra uma tabela, com a palavra “Estado” na parte de cima, com “Poder 
Executivo”, “Poder Legislativo” e “Poder Judiciário” embaixo, demonstrando que as três, juntas, formam o 
Estado. 
A força desse ideário iluminista repercute na Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, fixando, 
na leitura do constitucionalista Pedro Lenza, o dogma constitucional, segundo o qual uma sociedade que não 
observa tais direitos nem a separação dos poderes é ausente de uma constituição. 
O Estado constitucional, ao promover a divisão dos poderes, impõe barreiras preventivas ao despotismo e 
minimiza possíveis riscos de abuso de poder. A separação dos poderes contempla duas funções essenciais: a 
de proporcionar freios e contrapesos, moderando e servindo, ao mesmo tempo, como mecanismo de 
responsabilidade recíproca entre os poderes; e a de permitir que as tomadas de decisões sejam acordadas, 
evitando, assim, posições autocráticas e arbitrárias. 
No Brasil, a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) corrobora o mecanismo de 
freios e contrapesos, conforme se observa a seguir. 
 
Na esteira da divisão dos poderes, uma das questões presentes no debate contemporâneo é o modelo 
de revisão judicial, que no Brasil é exercido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e dispõe de 
competência para invalidar leis produzidas pelo legislador. É a tensão entre constitucionalismo (supremacia 
judicial) e democracia (soberania popular), da qual decorre o fenômeno do ativismo judicial. 
Vamos a um caso concreto? 
A ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4650), apresentada pelo Conselho Federal da Ordem dos 
Advogados do Brasil, considerava inconstitucional preceito da legislação que autorizava o financiamento 
eleitoral praticado por pessoas jurídicas de direito privado. O STF ao julgar a referida ADI declarou que é 
inconstitucional o financiamento eleitoral pelas empresas. 
Pergunta: pode o Poder Legislativo criar uma lei que afirme o contrário do que foi decidido pelo STF? No 
caso em tela, pode o legislador criar legislação autorizando o financiamento de campanhas eleitorais por 
parte de empresas? 
Reflita 
Olá, estudante! Você deve se lembrar que no Brasil é vigente o princípio da separação de poderes, 
conferindo a cada um dos poderes autonomia e independência. Entre eles prevalece uma relação de peso e 
contrapesos, na qual se fiscalizam.