Prévia do material em texto
O ENSAIO NÃO DESTRUTIVO DE ULTRASSOM INDUSTRIAL VOLTADO PARA A MEDIÇÃO DE ESPESSURA Isabela Lino Martins1, Felipe Gomes dos Santos2 RESUMO: O seguinte trabalho tem como foco estudar a técnica de ensaio não destrutivo de ultrassom a fim de coletar dados para a medição de espessura de equipamentos e materiais industriais diversos, como por exemplo vasos de pressão, tubulações e caldeiras. INTRODUÇÃO: Diante da evolução tecnológica, a indústria foi capaz de se desenvolver e ao longo do tempo criar maneiras de detectar as falhas que podem vir a acontecer nos equipamentos através de técnicas de inspeção. A avaliação da condição estrutural e a regularidade dos serviços de manutenção dos equipamentos tornam-se essenciais para prever uma possível falha e assim, realizar uma intervenção mais precisa e eficaz, a fim de evitar possíveis danos e até mesmo incidentes. Os ensaios não destrutivos vieram para fortalecer a ideia de controle de qualidade dos materiais que compõem os equipamentos. A capacidade de implementação de uma metodologia voltada ao monitoramento da qualidade é vital para que os processos industriais acorram de forma satisfatório. E o ensaio não destrutivo de ultrassom é um método que permite medir a espessura das paredes de chapas e tubos com precisão. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: A medição de espessura por meio do ultrassom tem por objetivo identificar em materiais ferrosos e não ferrosos descontinuidades do elemento ensaiado. Ao avaliar esta descontinuidade é possível verificar ao longo do material quais são as irregularidades presentes, ou seja, a falta de homogeneidade. E esta característica é relevante para que seja possível detectar as indicações de perdas relacionadas a resistência mecânica e metalúrgica. Segundo Andreucci, o ensaio visa reduzir as incertezas nos materiais, o que garante melhor utilização de material, melhores condições de serviço e a atuação mais precisa em caso de reparos. O ensaio de ultrassom utiliza sons de frequências elevadas (acima de 20 kHz) que ao colidirem no meio ensaiado poderão refletir da mesma maneira ou ao incidir em uma descontinuidade ou falha irão se comportar de modo diferente. E por meio de aparelhos específicos é possível fazer a leitura do comportamento da onda sonora. 1 – Acadêmica de Engenharia Mecânica 2 – Mestre em Engenharia e Ciência dos Materiais Figura. 1 – Demonstração do comportamento da onda sonora. 1. Conceitos básicos Conforme a figura 1 é possível ver que a onda ao colidir com uma descontinuidade da peça teve seu reflexo diferente na tela do aparelho quando comparada ao comportamento da onda no restante do material. Como apresentado, o ultrassom é um ensaio que utiliza ondas mecânicas propagadas no meio em inspeção. As ondas são perturbações que se propagam no espaço ou em meios com transporte de energia. Elas podem ser classificadas quanto: • Natureza - mecânica ou eletromagnética • Direção de propagação: longitudinais ou transversais • Dimensão de propagação: unidimensional, bidimensional ou tridimensional Para fins de análise do processo de ultrassom industrial voltado para a medição de espessura é válido ressaltar as seguintes características das ondas. As ondas longitudinais são ondas cujas partículas oscilam na direção de propagação da onda e podem ser transmitidas por meio de sólidos, líquidos e gases. A velocidade de propagação desta onda é decorrência do meio. As ondas transversais ocorrem quando as partículas do meio vibram na direção perpendicular ao de propagação. É transmitida apenas em meio sólido. Há também a relação do conhecimento das ondas superficiais. Elas são assim chamadas, pois se propagam na superfície dos materiais. São classificadas em ondas: Rayleigh, Love e Lamb. A onda Raleigh apresenta um movimento elíptico e ocorre exclusivamente na superfície de um sólido, cuja espessura seja menor que o comprimento de onda. Figura 2 – onda superficial Rayleigh. A onda Love propaga-se na superfície do material, através de um movimento paralelo à superfície e transversal em relação a direção de propagação do feixe. Figura 3 – onda superficial Love. A onda Lamb é aquela onde o comprimento de onda é similar a espessura do material ensaiado. Podem ser simétricas ou assimétricas. Figura 4 – onda superficial Lamb. As ondas são medidas de acordo com a frequência, isto é, o número de ondas por segundo, cuja unidade é Hertz. A velocidade de propagação de uma onda é reflexo do meio onde ela se propaga, e é definida pela distância percorrida pela onda por unidade de tempo. O comprimento de onda é a distância entre dois picos consecutivos, representado pelo símbolo λ que significa lambda. O conhecimento do comprimento de onda é de significante importância, pois relaciona-se diretamente com o tamanho do defeito a ser detectado. Há uma relação entre frequência, velocidade e comprimento de onda que segue a fórmula a seguir: Onde: V= velocidade, λ = lambda, f = frequência O Bell, abreviado “B” é uma grandeza que define intensidade sonora (NIS) que compara as intensidades de dois sons quaisquer. A atenuação Sônica é quando a onda sônica ao percorrer um material qualquer sofre, em sua trajetória efeitos de dispersão e absorção, resultando na redução da sua energia ao percorrer um material qualquer. A dispersão deve-se ao fato de a matéria não ser totalmente homogênea, contendo interfaces naturais de sua própria estrutura ou processo de fabricação. A divergência do feixe sônico é um fenômeno físico que é responsável pela perda de parte da intensidade ou energia da onda sônica. É a divergência que se pronuncia à medida que nos afastamos da fonte emissora das vibrações acústicas. As ondas ultrassônicas são geradas ou introduzidas no material através de um elemento emissor com uma determinada dimensão e que vibra com uma certa frequência. Este emissor pode se apresentar com determinadas formas (circular, retangular). Tanto o elemento emissor e receptor, são denominados transdutores. É através do uso de cristais piezoelétricos, cuja característica é transformar a energia mecânica da pressão exercida sobre ele em energia elétrica e ao inverso que é possível o uso de eletrodos para a geração das ondas ultrassônicas. Os transdutores mais usuais são: os normais ou retos, o duplo cristal, angular e o phased-array. Em relação aos outros transdutores que por característica possuem apenas um cristal ou dois, o transdutor phase-array é o que apresenta grandes vantagens de aplicação, pois consegue em uma única varredura inspecionar o material com vários ângulos diferentes. Figura 5 – modelo de aparelho phased-array. 2. Metodologias e instrumentos Os métodos de inspeção por ultrassom mais comuns são: a técnica de Impulso- Eco, a técnica de transparência e a técnica de imersão. A técnica de Impulso- Eco ocorre quando um transdutor é responsável por emitir e receber as ondas ultrassônicas que se propagam no material. Nesse método o transdutor é disposto em um dos lados do material. É possível identificar a profundidade, dimensão e localização da descontinuidade. Figura 6 – Técnica Impulso- Eco. A técnica de Transparência utiliza dois transdutores separados, um para a transmissão e outro para a captação das ondas ultrassônicas. Neste caso é necessário acoplar os transdutores nos dois lados da peça, de modo alinhados. Para este tipo de inspeção não é possível determinar a posição da descontinuidade, sua extensão, ou localização na peça. A técnica de transparência pode ser aplicada para chapas, juntas soldadas, barras. Figura 7 – Técnica de Transparência. A técnica de Imersão emprega um transdutor de imersão à prova d'água, preso a um dispositivo. O transdutor pode se movimentar, tanto na distância até a peça quanto na inclinação do feixe de entrada na superfície da peça. Neste método deimersão a peça é colocada dentro de um tanque com água. Figura 8 – Técnica de Imersão. Os instrumentos utilizados para a medição de espessura empregam o princípio de difração para detectar e calcular a dimensão da altura, profundidade e comprimento das descontinuidades, registrando no display o espaço percorrido, ou seja, a própria espessura. Operam com transdutores duplo cristal. Além disso, o ensaio possui reconhecimento por determinar com muita exatidão a espessura do material. Esse método possui alta sensibilidade na detecção de pequenas descontinuidades internas. O instrumento deve ser ajustado para a faixa de espessura a ser medida usando os blocos padrão graduado e calibrado conforme sugerido na figura da página a seguir, construído com material de mesma velocidade e atenuação sônica do material a ser medido. Figura 9 – Medidor de espessura. A norma ASTM E-797 padroniza os métodos de medição de espessuras. Os ajustes devem ser feitos de acordo com as instruções do fabricante. A calibração do aparelho medidor de espessura deve ser feita usando blocos escalonados com faixas de espessuras próximas da peça a ser medida. Em geral os blocos apresentados a seguir, podem servir de guia para o leitor. Figura 10 – Blocos padrão de espessura. 3. Vantagens e desvantagens do ensaio de ultrassom para medição de espessura Uma das maiores vantagens de utilizar a técnica do ultrassom industrial é que ela é um método de ensaio não destrutivo, ou seja, a sua utilização não causa nenhum dano aos equipamentos, sendo um processo altamente seguro. Outro benefício do ensaio de ultrassom é a sua eficiência, já que ele consegue detectar com precisão as mínimas descontinuidades internas das peças. A técnica ainda dispensa o uso de processos intermediários, o que facilita o manuseio, tornando o seu uso muito dinâmico e prático. Um fato interessante sobre a medição de espessura por ultrassom é que esta pode ser empregada sobre camada de tinta, em altas temperaturas ou a frio. Além disso, o ensaio possui reconhecimento por determinar com muita exatidão a espessura do material. O ensaio por ultrassom não requer planos especiais de segurança ou quaisquer acessórios para sua aplicação Suas principais desvantagens são: a exigência de grande conhecimento teórico e experiência por parte do inspetor, além do preparo da superfície; o registro permanente do teste não é facilmente obtido; faixas de espessuras muito finas constituem uma dificuldade para aplicação do método; em alguns casos de inspeção de solda existe a necessidade da remoção total do reforço da solda. CONCLUSÃO: Conforme apresentado, o ensaio de ultrassom na voltado para a medição de espessura é muito importante pois as suas características revelam que a execução deste método, através de profissionais especializados e qualificados geram resultados sobre a qualidade da estrutura do equipamento, fato que poderá vir a determinar o tempo de vida útil de um material. Esta análise poderá então, refletir em índices de produtividade e competitividade no mercado industrial, bem como minimizar os impactos de possíveis incidentes. REFERÊNCIAS: ANDREUCCI,Ricardo, Ensaio por Ultrassom. Ed. Maio 2014. GARCIA; Amauri; SPIM; Jaime Alvares; SANTOS; Carlos Alexandre dos. Ensaios dos materiais. Rio de Janeiro: LTC, 2000. CIMM. Centro de Informação Metal Mecânica. Disponível em: https://www.cimm.com.br/portal/produtos/exibir/27960-ensaio-nao-destrutivo. Acesso em: 20/09/2019. Soares, Flávia Pereira, Inspeção baseada em risco: medição de espessura em dutos/ Flavia Pereira Soares. – Niterói, RJ: [s.n.], 2017. TELLES, P. C. S., Vasos de pressão, Rio de Janeiro, 2 ed., Editora LTC, 1996. Tubular Exchanger Manufacturers Association (TEMA), Standards of Tubular Exchanger Manufacturers Association, 9.ed. TEMA, 2007. Utmaax, Inspeção, Montagem e Manutenção. Disponível em: https://www.utmaax.com.br/medicao-espessura-ultrassom. Acessado em 23/09/2019.