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Índice Introdução 2 1. Localização 3 1.1. Ilha de Moçambique como um ponto turisitico 5 2. IMPACTOS DO TURISMO 6 2.1. IMPACTOS SÓCIO CULTURAIS 7 2.2. Cultura material 9 2.3. Cultura imaterial 10 3. IMPACTOS AMBIENTAIS. 10 3.1. Relacionados com os Recursos Naturais 11 3.2. Relacionados com a poluição 12 3.3. A poluição sonora: 12 3.4. Poluição causada pelo esgoto: 13 3.5. Impactos físicos 14 3.5.1. As construções e o desenvolvimento da infra-estrutura: 14 3.5.2. Construções na beira dos rios, lagos e mares: 14 3.5.3. Alteração de ecossistemas pela actividade dos turistas: 15 4. TURISMO DA ILHA DE MOÇAMBIQUE. 15 Percepção do turismo na lha de Moçambique 15 4.1. Análise do turismo da Ilha de Moçambique 15 4.2. Impactos do Turismo 16 4.2.1. Impactos sociocultural 16 4.2.2. Impactos Ambientais 16 4.3.3. Impacto sociocultural e ambiental da ilha de Moçambique 17 4.3. Analise FOFA (SWOT) do Turismo da Ilha de Moçambique 18 Conclusão 20 Referências bibliográficas. 21 Introdução O presente trabalho é fruto de uma pesquisa de campo assim como bibliográfica que tem como tema Impactos socioculturais e ambientais do turismo. O turismo é considerado como todas as actividades que os indivíduos realizam durante as suas viagens superiores a 24H e que não ultrapassam 365 dias com tudo ela é considerada uma actividade social pós ela é praticada em um determinado meio social e envolve varias pessoas desde os turistas e a sociedade civil, no entanto há que deixar suas marcas aquilo que é considerado por Impactos (negativos e positivos). O trabalho em abordagem esta focado nos impactos gerados pela actividade turística sobre tudo No distrito municipal da Ilha de Moçambique, nas Comunidades de passo mar e Litini. Objectivos. Descrever os impactos. Explicar cada um e como ocorrem. Trazer algumas medidas a tomar para evitar. 1. Localização A Ilha de Moçambique está localizada na Costa oriental Africana, República de Moçambique, a 2400 km de capital do Pais, a cidade de Maputo e a 180km da Capital da Província Nortenha de Nampula. A Ilha de Moçambique situa se entre a Baia de Mossuril, no Oceano Indico. Fazem parte do Arquipélago três pequenas Ilhas, não habitadas: A Ilha de São Lourenço, onde está localizado o Fortim do mesmo nome, a Leste as Ilhas de Goa e Sena e limita-se a leste pelo Oceano Índico, a norte, sul e este com o distrito de Mossuril, possui uma área de 445km². Administrativamente a Ilha de Moçambique, está dividida em duas partes: A Ilha que se designa por parte insular, constituída por 8 bairros e a zona continental por 22 bairros onde vive a maior parte da população. A Ilha de Moçambique é um dos destinos turísticos mais apreciados em Moçambique. Desde tempos remotos, foi local de eleição para muitos viajantes e mercadores, facto que está na origem da sua enorme diversidade cultural e patrimonial. A actividade humana na região data do século III, iniciada pelos povos falantes das línguas Bantu e intensificada a partir do século V, período em que ocorreu a expansão e posterior fixação árabe. Elevada à categoria de cidade a 17 de Setembro de 1818, a Ilha foi a primeira capital de Moçambique, assim se mantendo até 1898, altura em que a sede administrativa da colónia foi transferida para Lourenço Marques, actual Maputo. Ponto estratégico para o desenvolvimento do comércio transcontinental e de apoio à expansão islâmica, de que é exemplo a primeira mesquita de Moçambique, a Ilha de Moçambique foi igualmente um relevante polo de tráfico de escravos e de controlo das rotas comerciais entre o ocidente, o oriente – sobretudo a Índia - e a costa oriental africana, de que resultaram a fortaleza de São Sebastião e os fortes de São Lourenço e de Santo António. Nos finais do século XVI, as fortificações, o hospital, as casas religiosas, a mesquita e as igrejas atestavam a sua importância. A singularidade histórica, cultural e o valioso património arquitectónico, torna a Ilha de Moçambique parte do património nacional e internacional, factoesse reconhecido pela UNESCO, em Dezembro de 1991, como Património Mundial da Humanidade. Para além das fortificações, entre as várias construções, destacam-se a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, no interior da fortaleza, o Palácio e a Capela de S. Paulo, onde se encontra hoje o museu da Ilha, a Igreja da Misericórdia, o Convento de S. Domingos, funcionando actualmente como Tribunal, a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, o Hospital, a Mesquita Central ou Mesquita Grande, o Templo Hindu, a Feitoria e a Casa dos Escravos. Em 2007, a edificação do Jardim da Memória representou um significativo marco de homenagem ao “resgate e à redenção da humanidade negra” e, ao mesmo tempo, de evocação da preservação da diversidade cultural dos povos. A classificação da Ilha de Moçambique como Património Mundial, trouxe consigo um novo paradigma de aproveitamento do património edificado existente, realçando-se a vertente de conservação e preservação. Com apenas 3 Km de comprimento e separada do continente por uma ponte, a Ilha é dotada de uma malha urbana comportando a “cidade de pedra e cal”, com remanescentes de testemunhos da presença portuguesa, e a “cidade de macúti” construída com materiais e técnicas locais. Para além de estabelecimentos de ensino de referência, nomeadamente a escola profissional, a escola secundária e as escolas primárias, a Ilha de Moçambique viu instalada, em 2017, a primeira Instituição de Ensino Superior, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio. Trata-se de um projecto ambicioso cuja visão pretende, sobretudo, privilegiar o desenvolvimento humano e social. Na Universidade Lúrio, por ocasião da celebração dos 200 anos da Ilha de Moçambique na categoria de cidade, o Presidente da República de Moçambique, Sua Excelência Filipe Jacinto Nyusi, inaugurou, em 16 de Setembro de 2018, dois centros de investigação na fortaleza de São Sebastião, nomeadamente o CECROI - Centro de Estudos Culturais e Religiosos do Oceano Índico e o CEDIM - Centro de Estudos e Documentação da Ilha de Moçambique. Esta brochura, com o propósito de servir de roteiro turístico da Ilha de Moçambique, permite destacar a relevância histórica, cultural e monumental da Ilha de Moçambique, que acompanhou a sua evolução durante os vários períodos de intercâmbio multirracial e multi-cultural e que hoje constitui uma oferta turística inigualável. A “pequena ilha”, como lhe chamou Camões em Os Lusíadas, que [todos] habitamos, com a sua beleza única, a rica diversidade cultural e hospitalidade das suas gentes, constitui, naturalmente, um destino único e de inesquecíveis experiências de lazer, cultura e memória. É esta “pequena ilha”, outrora centro político e administrativo, hoje cidade bicentenária, que ostenta o título de Património Mundial da Humanidade. Várias fontes defendem que o nome da Ilha deriva de um sheik árabe, senhor da Ilha aquando da chegada dos portugueses, chamado Mussa Bin Mbiki ou MussaA’lBikque, ou também Muhipiti, segundo a tradição oral dos habitantes da zona continental, de língua macua. Vasco da Gama e os primeiros navegadores portugueses nela vieram aportar em 1498. Administrativamente, o distrito da Ilha de Moçambique, com sede na própria Ilha, encontra-se dividido em duas zonas: a Ilha, onde está a sede constituída por 8 bairros, e a zona continental, com 22 bairros, onde vive a maior parte da população. A parte insular está, por sua vez, dividida em duas zonas: a «cidade de macúti» e a «cidade de pedra e cal», com assimetrias acentuadas desde o modusvivendi à estrutura social e configurações arquitectónicas. A Ilha possui “uma situação geográfica favorável para as comunicações marítimas, mas condições adversas para a sua habitabilidade: falta de água e um clima sub-equatorial com temperatura e humidade anuais elevadas”. (Sousa, 2011). 1.1. Ilha de Moçambique como um ponto turisitico A Ilha de Moçambique é, no seu todo, um lugar de descanso. A sua beleza natural e arquitectónica, aliada ao facto de ser uma cidade calma e pacifica,oferece várias oportunidades desde as diversas praias – Ilha, Mossuril, Cabaceiras, Chocas, Ilhas de Goa e dos Sete Paus. Em todas as praias as areias brancas e as águas transparentes, convidam ao descanso e a bons mergulhos. Em noites límpidas, é possível observar, em diferentes praias da província de Nampula, incluindo as da Ilha de Moçambique, a desova das tartarugas marinhas gigantes. Em épocas específicas, através de passeios de barco à vela ou mesmo a motor, ao largo da Ilha, e com uma excepcional vista panorâmica em fundo, podem observar-se movimentos de baleias e golfinhos, de entre outras espécies marinhas. Para os amantes do turismo subaquático, a Ilha de Moçambique tem um diversificado e rico património inventariado podendo, com recurso a pessoas qualificadas, observar o que ainda resta dos vários naufrágios que aconteceram no período áureo das trocas comerciais e da dominação colonial. As oportunidades de desfrutar de momentos inesquecíveis são inúmeras, tendo em conta a rara beleza da Ilha e a gente excepcionalmente hospitaleira e muito afável que conserva bem viva a sua identidade cultural – danças como o tufo e o n´sope; trajes típicos; gastronomia, diversidade linguística e religiosa, entre outras. A Ilha de Moçambique é um destino turístico que oferece um leque diversificado de oportunidades de alojamento, dos mais simples aos mais luxuosos, entre casas de hospedes, guesthouses, residenciais, casas de charme e hotéis. (PT, 2019) 2. IMPACTOS DO TURISMO De acordo com falcão 2010 (p, 29) O turismo é uma actividade relativamente nova em termos de inserção na economia capitalista. Em países com características de pobreza ou em processo de desenvolvimento cujos impactos negativos podem ser desastrosos. Utilizando outras palavras, podemos conceituar impactos do turismo como os resultados gerados pelo desenvolvimento desta actividade, atingindo a esfera económica, social, política, cultural, ambiental e psicológica. Como destacamos, nossa ênfase será nos sociais, que são os resultados decorrentes do desenvolvimento da actividade turística nas relações sociais que existiam antes da implantação, durante e depois. Estas relações envolvem residentes entre si, residentes e empreendedores residentes, residentes e empreendedores estrangeiros e poder público e residente. Nelas, são identificadas discrepâncias no que tange as relações de forte exploração e manipulação social. Os mais fracos politicamente mais desmobilizados são atingidos com mais força. 2.1. IMPACTOS SÓCIO CULTURAIS Segundo Pérez 2009 (p, 77) Impactos socioculturais: Mudanças na estrutura colectiva e na forma de vida dos residentes nas áreas de destino, mas também nas relações interpessoais e nos modos de viver dos visitantes. De acordo com o modelo de Pearce (1986), os passos a seguir no estudo e planificação dos impactos turísticos seriam: 1. Estudar o contexto de desenvolvimento: meio ambiente, sociedade, cultura, economia. 2. Testar quantitativa e qualitativamente o desenvolvimento do turismo. 3. Realizar previsões futuras de desenvolvimento do turismo. 4. Delimitar as diferenças entre o passado e o futuro. O turismo permite viajar e participar em culturas alheias à do turista, criando assim impactos socioculturais (Santana, 1997: 90). O turismo reestrutura a sociedade de acolhimento, homogeneizando-a e urbanizando-a. Entendemos por impactos socioculturais os impactos sobre a população local (residentes habituais e fixos na comunidade), mas também sobre os turistas e a sua sociedade de origem. Alguns autores como Agustín Santana (1997) distinguem entre impacto social e impacto cultural. O impacto social do turismo está associado a mudanças mais imediatas e define aquelas que ocorrem na estrutura social local, na qualidade de vida, nas relações sociais e na adaptação nas comunidades de destino ao turismo. Por outro lado o impacto cultural categoriza mudanças mais graduais e processuais que vão ocorrendo à medida que o turismo se desenvolve, como a aculturação turística e as mudanças nas normas culturais, na cultura material e nos padrões culturais. Tipos de impactos socioculturais de acordo com Agustín Santana (1997: 91) diz que: poderíamos pensar em dez grandes tipos de impactos socioculturais do turismo: 1. A comunidade no sistema amplo 2. As relações interpessoais 3. A organização social (tipo de famílias, relação entre gerações) 4. O ritmo da vida social 5. A migração 6. A divisão do trabalho 7. O tipo de ocupação 8. A estratificação social 9. A distribuição do poder 10. A mudança de costumes. Para melhor entender os impactos do turismo nas comunidades, é muito importante analisar a estrutura social antes da chegada do turismo, pois só assim entenderemos os seus impactos sociais. O turismo não gera sempre os mesmos processos de mudança e depende da estrutura social sobre a qual actua. O turismo pode reforçar a estrutura social da comunidade ou mas também pode dar oportunidades de mobilidade social ascendente a determinados elementos dessa estrutura social. Assim, o turismo pode servir de instrumento de confirmação das relações de poder e autoridade dentro do grupo, ou pode também questionar estas e contribuir para a sua mudança, criando novos padrões de valor e de reconhecimento dentro do grupo. Desta forma, anteriores padrões de valor como a idade, o género, a origem ou o status, podem perder força face a outros como o poder para obter dinheiro, o conhecimento de idiomas, o trabalhar no turismo e com turistas e a adopção de pautas e comportamento próprio dos turistas. 2.1.1. As relações residente-visitante Quando se estudam as relações entre residente e visitante (Santana, 1997: 93), duas são as realidades ou universos simbólicos, geralmente separados no mesmo espaço físico. O turista está numa situação de distinção “trabalho/lazer”, com pautas culturais diferentes dos nativos. Devemos considerar três contextos de análise: 1. Interacção: Quando o turista adquire um bem ou serviço do residente. 2. Percepção: Quando os turistas e os residentes se encontram em lugares de lazer (praia, parque, discoteca). 3. Motivação: Quando os dois elementos se encontram face a face com o objectivo de trocar informação e ideias que facilitem o seu entendimento. 2.1.2. Quadro dos Impactos Positivos e Negativos Socioculturais do Turismo fonte: Lillian Alexadre, 2017, apud (smith, 1989, droullers e Milani, 2002; 0MT, 2003, Oiveira e Salazar, 2011). 2.2. Cultura material Para DIAS (2003) apud PAULINO, BRIDI (2011), a cultura material, no que se refere à arquitectura, muitas vezes perde sua originalidade em decorrência de adaptações para atender a demanda turística. A construção de estruturas turísticas completamente fora dos padrões arquitectónicos da localidade, com materiais inadequados, leva a desconfiguração dos complexos históricos das comunidades. Em se tratando do artesanato, o aumento do número de turistas, muitas vezes faz com que a confecção do mesmo deixe de ser feita pelo processo manual e local, e passe para um processo industrial de produção em massa, e não raro, fora da comunidade, com o pretexto de atender a demanda turística, perdendo sua originalidade e corroborando para o desaparecimento dos artesãos locais. · Como exemplo temos a cidade de macuti que aos poucos esta ganhando extinção, sendo que a cidade de macuti constitui um grande atractivo turístico, mas com a necessidade de acompanhar a dinâmica moderna e pela necessidade de querer atrair mais clientes para as suas residências, o povo da cidade de macuti opta por alterar a sua estrutura original para a moderna, pondo em causa o património cultural material. 2.3. Cultura imaterial Quanto à cultura imaterial, como por exemplo, as manifestações de música e dança, são cada vez mais adaptadas para atender as necessidades de consumo do turista, perdendo com isso sua função social original, para se transformar em produto comercializável, conforme afirma (Cooper et. All). Apud (CUNHA, SUARTE, 2011). · E característico nas comunidades dailha de Moçambique, hoje em dia verificasse um grande abando em certas actividades como o tufo. hoje em dia há grupos culturais que fazem mistura do tufo com outras danças modernas. 3. IMPACTOS AMBIENTAIS. O conceito de impacto ambiental pode ser buscado na terminologia da palavra, a qual se origina do latim: impactu e significa choque ou colisão de substâncias nos três estados físicos da matéria (sólido, líquido e gasoso) de radiações ou formas variadas de energia, vindas de obras ou actividades realizadas com danosas alterações do ambiente natural, artificial, cultural ou social. Estas mudanças podem ser provocadas por diversas formas de energia ou matéria resultante de actividades antrópicas que afectam directa ou indirectamente a saúde, segurança da população, actividades económicas e sociais, a abiota e a disposição dos recursos do ambiente. (PLANTENBERG, 2002; CUSTÓDIO, 1995; SPADOTTO 2002) Apud (CUNHA, SUARTE, 2011). A qualidade do meio ambiente, tanto natural quanto o construído pelo homem, é essencial para o turismo. Entretanto, é necessário reforçar que o relacionamento do turismo com o meio ambiente é bastante complexo. Envolve muitas actividades que podem ter efeitos ambientais adversos. E muito desses impactos estão ligados a construção de obras de infra-estrutura, como as rodovias e os aeroportos, e às instalações turísticas, incluindo resorts, hotéis, restaurantes, pontos comerciais, áreas de lazer, marinas etc., que são fundamentais para o desenvolvimento turístico. Ocorre que os impactos negativos desse desenvolvimento podem gradualmente destruir os recursos ambientais dos quais depende o turismo. Por outro lado, o turismo tem um potencial de criar efeitos benéficos no meio ambiente, contribuindo para a protecção ambiental e a conservação. É um caminho para o crescimento da consciência dos valores ambientais e pode servir como ferramenta para financiar a protecção das áreas naturais e aumentar sua importância económica. (silva, 2010. P 35) Silva 2010 diz que Podemos identificar três áreas principais de ocorrência dos impactos ambientais do turismo de modo geral: · Os recursos naturais, · A poluição, · Impactos físicos de modo geral. 3.1. Relacionados com os Recursos Naturais O Turismo pode exercer pressão sobre os recursos naturais quando aumenta o número de pessoas nas áreas turísticas onde esses recursos podem escassear devido ao aumento da demanda. A água: Particularmente, a água potável é um dos recursos essenciais mais atingidos. A indústria turística usa em excesso os recursos de Agua em hotéis, em piscinas e para o uso pessoal, o que gera grande volume de resíduos de Agua (que saturam a rede de esgoto, ou, quando esta não existe, contaminam o lençol freático). Recursos da terra: Importantes recursos da terra incluem minerais, combustíveis fóssil, solos férteis, florestas, terras húmidas e vida selvagem. Com o aumento das construções direccionadas ao turismo, cresce a pressão sobre esses recursos e as paisagens pitorescas. O impacto direto sobre os recursos naturais, tanto os renováveis, que abastecem as instalações turísticas, é causado pelo uso de recursos da terra para construção de instalações e outras obras de infra-estrutura, com a utilização de materiais de construção locais, por exemplo. As matas muitas vezes sofrem impactos negativos do turismo na forma de desflorestamento causado pela retirada da madeira para construções de habitações e outras instalações, além da necessidade de abertura de áreas livres onde serão feitas construções. Estradas e das facilidades de aquisição de veículos. A segunda residência, a que é utilizada somente nos feriados, férias e fins-de-semana, tem aumentado proporcionalmente ao progressivo decréscimo da qualidade de vida nos grandes centros. Outros recursos locais: O turismo pode criar uma pressão muito grande sobre vários recursos locais, como a energia, o alimento e outros produtos que podem existir em quantidade suficiente para abastecer a população local. Um aumento da extracção e transporte desses recursos aumenta os impactos associados com sua exploração. Devido ao carácter sazonal do turismo, muitas localidades têm um aumento excessivo no número de habitantes durante a alta estação em comparação com a baixa. Surge, portanto, uma alta demanda sobre os recursos locais para atender às expectativas que os turistas na maioria das vezes trazem (comida apropriada, água quente, potável, ar condicionado etc.). 3.2. Relacionados com a poluição O turismo pode causar os mesmos tipos de poluição que outras indústrias: emissões gasosas, barulho, lixo e resíduos sólidos, lançamento de esgoto, de óleo e produtos químicos e poluição visual e arquitectónica. Poluição do ar: O transporte aéreo, rodoviário e ferroviário está continuamente crescendo, correspondendo ao aumento do número de turistas que apresentam grande mobilidade. As estimativas da OMT e WTTC6 apontam para um formidável crescimento das viagens nos próximos anos. Uma das consequências desse crescimento das viagens no transporte aéreo é que o turismo torna-se cada vez mais responsável por uma parcela significativa de emissões gasosas na atmosfera. As emissões de gases motivadas pelos transportes (veículos de todo o tipo, aviões, automóveis, inibes etc.) e as emissões que têm origem na produção e uso da energia contribuem, por exemplo, para a formação de chuva ácida, para o aumento do aquecimento global e outros problemas ambientais. No nível local, a poluição causada pelas emissões de gases, particularmente o dióxido de carbonos (CO2), é muito mais grave por causa da alta concentração desse gás num espaço menor. Alguns desses impactos, causados por emissões de gases, podem ser específicos das actividades turísticas. Por exemplo, em alguns lugares muito frios ou excessivamente quentes, os ônibus de turismo muitas vezes deixam seus motores ligados, enquanto os turistas saem em alguma excursão, para manter o ar condicionado ligado para o conforto dos passageiros. 3.3. A poluição sonora: A poluição sonora, por sua vez, causada por aviões, carros, ônibus e outros veículos utilizados pelos turistas (jet skis, bugs, motos, jeeps etc.), está-se tornando um problema crescente nas localidades turísticas. Ao mesmo tempo em que provoca irritação, estress e eventualmente problemas de audição nos seres humanos, causa problemas na vida selvagem, principalmente nas áreas mais sensíveis, modificando os padrões normais de actividade dos animais. Deve-se considerar que nas localidades pacatas, em épocas de baixa estação, o ruído produzido pelos veículos não constitui motivo de perturbação por haver pouco movimento. Na alta estação, com alta densidade de veículos, o barulho torna-se factor de perturbação para a comunidade local, que sente uma profunda diferença no ambiente, o que não se dá no mesmo nível para o turista, que, de modo geral. Vem dos grandes centros onde está acostumado com o ruído provocado pelos congestionamentos e o alto volume de veículos. O lixo e os resíduos sólidos: Em geral com alta concentração de actividades turísticas ou locais que servem de apoio para observação de atracões naturais que se destacam (o alto de morros, uma pedra saliente, um mirante etc.), a deposição de resíduos torna-se problema sério, e esse lançamento impróprio muitas vezes chega a ser a principal causa de poluição em determinados ambientes naturais – rios, praias, áreas com belas paisagens e beiras de estrada. Os resíduos sólidos e o lixo podem degradar a aparência física da água e das praias, além de causar a mortalidade de animais aquáticos. Nas áreas montanhosas, as trilhas utilizadas pelos turistas podem ficar cheias de lixo deixado pelos visitantes, tais como: garrafas e latas de refrigerante, papeis, sacos plásticos etc. Algumas trilhas em regiões montanhosas muito visitadas foram apelidadas de “trilhas Coca-Cola”, tal o volume de garrafas e latas desse refrigerante que são deixadas pelo caminho. Um exemplo é o Monte Kilimanjaro, na África. Na Ilha de Fernando de Noronha, todo olixo tem que ser retirado de navio, pois não há nenhuma possibilidade de o ecossistema local suportar o volume de lixo deixado pelo turismo e pela escassa população local. 3.4. Poluição causada pelo esgoto: Construções de hotéis, áreas de lazer e outras instalações sempre trazem o problema da destinação do esgoto. Esse tipo de poluição nos mares, rios e lagos causam danos à flora, à fauna e à qualidade de água, principalmente nas proximidades das instalações, e muitas vezes são atingidos exactamente os atractivos responsáveis pela vinda dos turistas. Os recifes de coral são particularmente prejudicados, porque as algas têm seu crescimento estimulado pelos dejectos humanos; como consequência, cobrem os corais, prejudicando seu desenvolvimento. Ocorre também mudança da salinidade das águas marinhas, que afecta as populações de plantas e animais. Além disso, a poluição dos esgotos traz problema à saúde, tanto dos seres humanos quanto dos animais. Os emissários de esgotos nas cidades da água das praias dessas localidades e periodicamente causam a proliferação excessiva de algas, que tornará a água de tonalidade verde. As praias paulistas periodicamente são interditadas para o banho devido ao alto índice de contaminação produzida pelo excesso de turistas durante os períodos de férias. 3.5. Impactos físicos Locais com paisagens atractivas, como praias com areias brancas, lagos, margens de rios e topos de montanhas são, de modo geral, zonas de transição, caracterizadas por ecossistemas ricos em espécies. Há impactos físicos característicos de degradação desses ecossistemas. Um ecossistema é uma área geográfica que inclui os organismos vivos (pessoas, plantas, animais e microrganismos), seu entorno físico (como o solo a água e o ar) e os ciclos naturais que sustentam (o frio, a chuva, o calor). Os ecossistemas mais ameaçados pela degradação são as áreas ecologicamente mais frágeis, como as florestas, as áreas húmidas, os mangues, os recifes de coral, entre outros. As ameaças e pressões sobre esses ecossistemas são de modo geral muito grandes, porque são atraentes tanto para os turistas como para alguns tipos de empreendedores. Os impactos físicos não são causados somente pela construção e instalações de infra-estrutura de suporte para o turismo, mas também pela actividade turística contínua e as mudanças que ocorrem a médio e longo prazo na economia e na ecologia local. 3.5.1. As construções e o desenvolvimento da infra-estrutura: O desenvolvimento das instalações turísticas, como as acomodações, o suprimento de água, restaurantes e áreas de lazer, pode envolver a mineração de areia da praia ou de rios e a erosão de dunas de areia, a erosão do solo e a extracção de rochas e pedras. Acrescente-se a isso a construção de rodovias e aeroportos que podem levar à degradação da terra, à pedra dos habitats da vida selvagem e à deterioração do cenário natural. 3.5.2. Construções na beira dos rios, lagos e mares: As construções na beira dos rios, lagos e mares (como marinas, ancoradouros etc.) podem acarretar mudanças no equilíbrio do ecossistema. Além disso, a extracção de material de construção, como a areia, afecta os recifes de coral e os mangues, por exemplo, causando a erosão e a destruição desses habitats. Pode afectar por exemplo regiões de desova de tartarugas, tanto de água doce como as marinhas. 3.5.3. Alteração de ecossistemas pela actividade dos turistas: Os habitats podem ser degradados pelas actividades de lazer praticadas pelos turistas. Por exemplo, os animais selvagens podem ficar stressados e alterar seu comportamento natural quando os turistas ficam muito próximos. As actividades de safari fotográfico ou de observação da vida selvagem têm um degradante efeito no habitat, quando às vezes são acompanhadas por barulho excessivo e agitação provocados pela perseguição aos animais selvagens, na ânsia de vê-los e fotografá-los, julgando que não estão causando nenhum problema à fauna. Essas atitudes colocam alta pressão sobre os Habitats e comportamentos dos animais e tendem a provocar mudanças no comportamento, por exemplo, deixando de chocar os ovos ou abandonando os filhotes. 4. TURISMO DA ILHA DE MOÇAMBIQUE. Percepção do turismo na lha de Moçambique Depois de uma jornada de pesquisa feita pelo grupo, podemos notar que os representantes da comunidade, percebem o turismo como uma actividade praticada por pessoas de classes económicas superior e concretamente pessoas brancas. Sabemos que a ilha de Moçambique esta dividida em duas partes nomeadamente, Cidade de Macuti e a Cidade de Pedra e Cal. Esta grande divisão social faz com que a população da ilha de Moçambique perceba o turismo de uma forma diferente do conceito ou seja, a população da ilha de Moçambique considera o turista como o indivíduo de raça branca que no âmbito da sua visita hospeda-se nas infra-estruturas hoteleiras existentes na cidade de pedra e cal. 4.1. Análise do turismo da Ilha de Moçambique Mediante a nossa pesquisa chegamos a perceber que o turismo da ilha de Moçambique funciona fora do parâmetro da verdadeira essência do turismo, esse fenomenodeve-se aos seguintes factores: · Falta da educação patrimonial a sociedade · Falta de colaboração do público privado, Governo e a sociedade · Centralismo das instanciais hoteleiras · Falta de profissionalidade dos agentes do turismo · Não há envolvimento da sociedade nas actividades turísticas 4.2. Impactos do Turismo De acordo com Lohmann e PanossoNetto (2008), define-se impacto do turismo como toda e qualquer mudança ocorrida como consequência da actividade turística. O turismo é uma actividade relativamente nova em termos de inserção na economia capitalista. Em países com características de pobreza ou em processo de desenvolvimento cujos impactos negativos podem ser desastrosos. Utilizando outras palavras, podemos conceituar impactos do turismo como os resultados gerados pelo desenvolvimento desta actividade, atingindo a esfera económica, social, política, cultural, ambiental e psicológica. E uma ferramenta que nos ajuda em distinguir as partes boas e mas do turismo 4.2.1. Impactos sociocultural Como impacto sociocultural pode-se considerar toda mudança provocada a partir de intervenção externa comunidade local, ou seja, da relação com o turista. O turismo permite viajar e participar em culturas alheias à do turista, criando assim impactos socioculturais (Santana, 1997: 90). O turismo reestrutura a sociedade de acolhimento, homogeneizando-a e urbanizando-a. Entendemos por impactos socioculturais os impactos sobre a população local (residentes habituais e fixos na comunidade), mas também sobre os turistas e a sua sociedade de origem. 4.2.2. Impactos Ambientais Há cada vez mais consciência do facto de que o turismo gera impactos sobre o meio ambiente. Estes podem ser positivos ou negativos, sendo muito importante adoptar uma perspectiva relacional entre os humanos e o ambiente. Os turistas, os tipos de turismo e os locais são diversos e o ambiente varia segundo os contextos geográficos e culturais (Vera, 1997). O turismo recorre ao contorno natural, ocupa um espaço e utiliza recursos do meio ambiente, portanto, estudar os seus efeitos sobre a natureza torna-se básico para perceber os impactos do sistema turístico. Uma paisagem não atrai turismo sem a ajuda de uma rede de promoção. O sistema constrói geralmente um ideal de paisagem, um paraíso exótico suficientemente familiar, uma imagem à medida do consumidor. Há duas maneiras de interpretar os impactos turísticos sobre o meio ambiente (Santana, 199: 81): 1. Positivos: restauração de monumentos, conservação de restos arqueológicos e de recursos naturais. 2. Negativos: muita gente, massificação, barulho.. 4.3.3. Impacto sociocultural e ambiental da ilha de Moçambique Apesar da importância do sector, os impactos do turismo da ilha de Moçambique não são sempre positivos especialmente quando não existe uma planificação antepada e correcta para o desenvolvimento, os seu impactos Ambientais e socioculturaispodem se negativos ou positivo, podendo atingir proporções muito importantes. Tipos de impactos Conceitos Efeitos Negativo Efeitos Positivos Sócio cultural Para Dias (2003), as diferenças de idioma, raça, religião, condições económicas, valores costumes, entre outros, são aspectos que geralmente causam choques nesta relação turista/residente. · Exclusão social da população local e marginalização da sua cultura. · Falta de empregos fixos (sazonalidade de emprego). · Agressão a comunidade tradicional da ilha de Moçambique. · Possibilita o incremento da prostituição e tráfico de órgão. · Aculturação. · Desvalorização da cultura local. · Desintegração da comunidade. · Inclusão dos nativos no mercado formal. · Desenvolvimento local e regional. · Desenvolvimento das infra-estruturas. · Intercâmbio cultural entre o turista e povo anfitrião. · Promove um interesse nos residentes pela própria cultura, no património histórico, tradições e costumes. Ambiental Meio Ambiente Conforme as considerações de Costa (2002), o meio ambiente pode ser considerado uma dimensão cuja impactação, por meio do desenvolvimento turístico, tende a ser significativa Degradação ambiental (poluição das praias, lixo nos espaços públicos) devido ao grande fluxo de turistas em alta estacão. Degradação dos atractivos. Poluição do ar. Poluição sonora. Alteração do ecossistema pela actividade turística. · Limpeza do meio ambiente. · Conservação dos recursos naturais. 4.3. Analise FOFA (SWOT) do Turismo da Ilha de Moçambique Forca Fraqueza · Inauguração recente do posto de turismo · DivercidadeArtesenal · Património Histórico e Cultural e divercificado · Existência de equipamentos turísticos · Diversidades gastronómicas · Hospitalidade e tranquilidade · Instalação de Novas instituições. · Corte Excessivo da correnteseletricas · Falta dos recursos humanos qualificados · Problema de saneamentos básicos · Planificação da acção turística insuficiente · Serviços de saúde insuficientes e deficientes Oportunidade Ameaças · Turismo e desenvolvimento · Região com grande valor patrimonial e cultural · Oferta de experiencias exclusivas, agregando valor aos produtos · Turismo de saúde e bem-estar · Aumento de custo de vida · Desvalorização da cultura Conclusão O turismo deixou de ser apenas um complexo socioeconómico para se converter em uma das forças transformadoras do mundo pós-industrial. O sector é hoje considerado como a principal actividade económica, superando sectores tradicionais da economia como a indústria automobilística, a electrónica e a petrolífera. Este é o sector que apresenta as melhores perspectivas de expansão nos próximos anos, principalmente em função das novas formas de organização do trabalho, que permitirão que o homem tenha mais horas para o desfrute do lazer (DIAS, 2008). Com tudo, podemos concluir que o turismo é uma actividade capaz de transformar um ponto ou um lugar, de diferentes formas, tornando-o mais atractivo e muito visitado catapultando assim a imagem do mesmo ponto e gerando diversos aspectos positivos e negativos para as sociedades receptoras, o tema impactos do turismo actualmente tem ganhado muito destaque e discutido em vários sectores a nível do mundo, há esta necessidade de responder a estas alterações (impactos) de uma forma a não alterar a cultura e hábitos da sociedade receptora e sem interferir na actividade turística. Referências bibliográficas. FALCÃO, Marcius Tulius Soares, 2010.. Sociologia do turismo, Fortaleza UAB/IFCE. 77p. OLIVEIRA Elton Silv,a 2008 Impactos socioambientais e económicos do turismo e suas repercussões no desenvolvimento local, ILHÉUS – BAHIA SUARTE, Jackeline da Silva Moreira & CUNHA, Elida Lucia IMPACTO AMBIENTAL: UMA PERSPECTIVA DOS CONCEITOS RELACIONADOS À EFETIVIDADE DOS PRINCÍPIOS USADOS PELO EIA-RIMA PÉREZ Xerardo Pereiro, 2009. 307p TURISMO CULTURAL, Uma visão antropológica, Colección PASOS edita, nº 2 PAULINO Elenita Teresinha Pastro & BRID Guilherme 2011, IMPACTOS SOCIOCULTURAIS DO TURISMO NAS COMUNIDADES RECEPTORAS, UCS. POSTO DE TURISMO, 2020, ilha de Moçambique e turismo. 3 IMPACTOS SOCIO-CULTURAIS E AMBIENTAIS DO TURISMO