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Aula– Processo Epidêmico e Endêmico 2020 Nesta aula será discutido: •Definição de epidemia; •Definição de endemia; •Fatores analíticos das epidemias; •Processo endêmico; •Características do processo endêmico. SUGESTÃO DE CURSO UNA-SUS disponibiliza curso da OPAS/OMS sobre o coronavírus • Com carga horária é 4 horas, o curso é aberto a profissionais e estudantes da área da saúde. Para se matricular, acesse: https://www.unasus.gov.br/cursos/curso/46164. O início é imediato e, como em todas as ofertas da UNA-SUS, a capacitação é totalmente gratuita. https://www.unasus.gov.br/cursos/curso/46164 •A ocorrência de casos novos de uma doença ou agravo, passíveis de prevenção e controle pelos serviços de saúde, indica que a população está sob risco e pode representar ameaças à saúde pública, tornando necessária a adoção de ações oportunas e efetivas para determinar que tipos de respostas e medidas de controle e prevenção serão requeridos. Epidemia Epidemia - Definição “Epidemia é uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação progressiva crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença ou agravo, ultrapassando e reiterando valores acima do limiar epidêmico preestabelecido” • Segundo a OMS (2010), epidemia é a situação em que o número de casos de uma doença supera o número de casos esperado. Para caracterizar uma epidemia é importante especificar o período (dias, semanas ou meses), a região geográfica e outras particularidades da população em que os casos ocorreram. O número de casos também é variável, e vai depender de vários fatores, como o agente que está causando a doença, o tamanho, o tipo e a suscetibilidade da população exposta, além do momento e do local da ocorrência da doença. EXEMPLIFICANDO • BAHIA - ANO 2000- 241 casos de coqueluche ocorridos na Bahia - Não foram tidos como uma epidemia. • Tal fato é explicado quando se conhece a situação epidemiológica local. A Bahia teve de 63 a 1.300 casos da doença/ano registrados nos anos que antecederam essa situação. Caso Autóctone •É um caso da doença originada no próprio local de ocorrência da epidemia. •Ex.: Caso de dengue em indivíduo que não viajou nos últimos 15 dias. Caso Alóctone ou Importado •É um caso da doença que se originou fora do local de ocorrência da epidemia. • Ex.: Paciente vindo da Amazônia há menos de 3 meses com diagnóstico de malária. EPIDEMIA PANDEMIA SURTO Uma epidemia pode ser classificada de acordo com a abrangência geográfica em: • Pandemia: é o nome dado à ocorrência epidêmica caracterizada por larga distribuição espacial, atingindo várias nações. Em outras palavras, a pandemia pode ser tratada como a ocorrência de uma série de epidemias localizadas em diferentes regiões e que ocorrem em vários países ao mesmo tempo (ROUQUAYROL; BARBOSA; MACHADO, 2013). •Surto: é uma ocorrência epidêmica onde todos os casos estão relacionados entre si, atingindo uma área geográfica pequena e delimitada, como vilas e bairros, ou uma população institucionalizada, como colégios, quartéis, creches, asilos (MEDRONHO; WERNECK; PEREZ, 2009) Classificar uma epidemia de acordo com a velocidade de instalação, propagação e desaparecimento, a sua duração e os mecanismos envolvidos no seu desaparecimento. • Epidemia por fonte comum (EXPLOSIVA): é a epidemia na qual o agente etiológico pode ser veiculado pela água, alimentos ou pelo ar, permitindo a exposição de um elevado número de indivíduos ao agente etiológico, portanto pode haver uma explosão de casos em um curto período de tempo. Normalmente a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, e a velocidade de progressão da epidemia vai depender das características do agente etiológico (período de incubação). •Epidemia progressiva ou programada: trata-se de uma epidemia mais lenta, na qual a forma de transmissão provavelmente se dá de pessoa para pessoa. QUESTÃO DE APRENDIZAGEM •A ocorrência simultânea de número constante de casos, sem ultrapassar a média e dentro de uma área geográfica e em certo período de tempo, pode ser definida, dentro das dinâmicas de ocorrências de doenças, como um(a): a) Surto. b) Endemia. c) Pandemia. d) Epidemia explosiva. e) Epidemia progressiva. Endemia Endemia- Definição “Presença contínua de uma enfermidade, ou agente infeccioso, em uma zona geográfica determinada, temporalmente ilimitada, e que mantém uma incidência relativamente constante” •Diferentemente do conceito de epidemia, o termo endemia refere-se à: “presença constante de uma doença dentro dos limites esperados, em uma determinada área geográfica, por um período de tempo ilimitado” Fatores analíticos das epidemias FATORES ANALÍTICOS DAS EPIDEMIAS •Mecanismos desencadeantes das epidemias; •Curva epidêmica; •Duração epidêmica; •Abrangência epidêmica. Mecanismos desencadeantes das epidemias Mecanismos desencadeantes das epidemias • A) Importação e incorporação de casos alóctones a populações formadas por grande número de suscetíveis, com os quais a transmissão seja uma possibilidade real. Casos alóctones: caso adquirido pelo enfermo em outra região ou onde esteve ocasionalmente. Casos autóctones: caso contraído pelo enfermo na zona de sua residência. Mecanismos desencadeantes das epidemias •B) Ingresso de casos alóctones em áreas cujas condições ambientais são favoráveis à propagação da doença. Mecanismos desencadeantes das epidemias • C) Contato acidental com agentes infecciosos, toxinas. Ex. Casos de Doença de Chagas relacionada a ingestão de alimentos contaminados na Amazônia, no caso Caldo de Cana. Mecanismos desencadeantes das epidemias • D) Modificações ocorridas na estrutura epidemiológica. Mecanismos desencadeantes das epidemias • E) A doença no hospedeiro favorece a dispersão do agente patogênico Ex. espirro no resfriado, tosse na tuberculose pulmonar, diarreia na cólera. Mecanismos desencadeantes das epidemias •F) Intencional (bioterrorismo). - Ex. atentado terrorista na cidade de Nova York, no ano de 2001, seguido de episódios de disseminação de esporos de antraz. - Bioterrorismo: disseminação deliberada de bactérias, vírus ou outros microrganismos utilizados para causar doença ou morte em populações, animais ou plantas” Histograma ou Curva Epidêmica •Toda epidemia – seja local, seja disseminada por uma vasta região do planeta, a chamada pandemia — tem um início, um pico e uma fase final, na qual pode seguir dois caminhos: extinguir-se completamente ou manter um número mais ou menos estável de casos (viram endemias). • Se o crescimento inicial é íngreme demais, o número de casos pode rapidamente ultrapassar a capacidade de atendimento do sistema de saúde, levando-o ao colapso, como aconteceu em fevereiro e março no norte da Itália. • Para a identificação de uma epidemia é necessário conhecer a frequência precedente da doença. Uma das maneiras mais simples e úteis é construir uma curva epidêmica, que consiste na representação gráfica das frequências diárias, semanais ou mensais da doença num eixo de coordenadas, no qual o eixo horizontal representa o tempo e o vertical, as frequências. As frequências podem ser expressas em números absolutos ou em taxas e o tempo pode corresponder a dias, semanas, meses ou anos. Para representar, graficamente, epidemia é usada a curva epidêmica, que contem: •Nível Endêmico – coeficiente de incidência habitual ou esperado; • Nível Epidêmico ou egressão – inicia quando ultrapassa o nível endêmico (coeficiente de incidência habitual); atinge o coeficiente de incidência máximo e regride até o limiar epidêmico. A egressão tem três fases (momentos genéricos): Curva Epidêmica Representação gráfica constituída por: - Progressão; - Incidência máxima; - Regressão; Egressão Curva Epidêmica - Progressão:Ramo ascendente da curva epidêmica, termina quando o processo epidêmico atinge seu clímax. - Incidência máxima: Pico epidêmico, maior número de casos. - Regressão: É a última fase na evolução de uma epidemia. Curva Epidêmica - Egressão: Inicia no surgimento dos primeiros casos e termina quando a incidência for nula ou quando o processo se estabilizar num dado patamar de endemicidade, caracterizando uma endemia. Componentes da Egressão: progressão, incidência máxima e regressão Curva Epidêmica DURAÇÃO EPIDÊMICA DURAÇÃO EPIDÊMICA ✓A epidemia é restrita a um intervalo de tempo marcado por um começo e um fim; ✓Esse intervalo de tempo pode abranger umas poucas horas ou dias, ou pode estender-se a anos ou mesmo décadas. Abrangência das epidemias Abrangência das epidemias A abrangência epidêmica se relaciona ao espaço geográfico acometido pelos números de casos de determinada doença. Abrangência das epidemias Surto Epidêmico: “Denomina-se surto epidêmico, ou simplesmente surto, uma ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, edifício de apartamentos, bairro, etc.” Pandemia: “Dá-se o nome de pandemia à ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição espacial, atingindo vários países”. Processo Endêmico Características do Processo Endêmico •Frequência média; •Frequência Máxima – esperada; •Frequência Mínima – esperada; •Faixa endêmica. Características do Processo Endêmico •Frequência média: Valor médio do número de casos de determinada doença em um dado período de tempo. Características do Processo Endêmico •Frequência máxima - esperada: Valor máximo de casos de uma determinada doença em um dado período de tempo. Características do Processo Endêmico •Frequência mínima - esperada: Valor mínimo de casos de uma determinada doença em um dado período de tempo. Características do Processo Endêmico •Faixa endêmica: É o espaço nos limites do qual os valores de incidência de determinada doença podem flutuar. QUESTÕES DE APRENDIZAGEM Referências Rouquayrol MZ, Gurgel M. Epidemiologia & Saúde. 7ª ed. Rio de Janeiro: Medbook; 2013. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília; 2009. Organização Pan-Americana da Saúde. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Módulo 5: pesquisa epidemiológica de campo – aplicação ao estudo de surtos. Brasília; 2010. Organização Pan-Americana da Saúde. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Módulo 2: Saúde e doença na população/Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília : Organização Pan- Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. Organização Pan-Americana da Saúde Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Módulo 6: controle de enfermidades na população / Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília : Organização Pan- Americana da Saúde ; Ministério da Saúde, 2010.