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8 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO INFECÇÃO DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES As IVAS são as causas mais frequentes de atendimentos pediátricos, tanto em prontos socorros como em consultório, sendo um dos principais problemas de saúde na criança (particularmente entre menores de 05 anos). É o principal motivo para o uso de antibióticos na criança, apesar da maioria das IVAS ter etiologia viral. E a incidência das IVAS é inversamente proporcional à idade. A grande maioria é provocada por vírus, e possui bom prognóstico. Sazonalidade: pico de incidência no outono e inverno. A redução da temperatura apresenta influência sobre a frequência de infecções respiratórias. Fatores de risco: desnutrição; baixo peso ao nascer; ausência de aleitamento materno; baixo nível socioeconômico; tabagismo no domicílio; fatores genéticos; fatores psicológicos; atividade esportiva exagerada; frequência em creches Transmissão: contato pelas mãos diretamente no individuo contaminado ou por meio de superfícies, micropartículas por meio de aerossóis; partículas grandes por meio de aerossóis por contato direto com doente contaminado. Imunologia: o trato respiratório possui ampla superfície de contato com o meio ambiente, o que permite que inúmeros fungos, bactérias, vírus e partículas de poeira o penetrem. As infecções bacterianas ocorrem quando as bactérias colonizantes conseguem ultrapassar as barreiras da proteção imunológica. Esta penetração é facilidade por lesões celulares causadas por infecções virais e pela ausência de anticorpos específicos. Como anticorpos maternos são transferidos ao RN por via transplacentária nos últimos meses de gestação prematuros tem maior susceptibilidade a infecções. Além disso a quantidade de AC maternos diminui rapidamente após os 06 meses, o que deixa crianças entre 06 meses e 02 anos mais susceptíveis. Como a mucosa de revestimento da cavidade nasal e da orofaringe é a mesma existe, comumente, a disseminação de vírus e bactérias por contiguidade. Rinofaringite aguda É o resfriado comum, desordem infecciosa mais comum na infância. A definição anatômica é de uma nasofaringite de etiologia viral que leva à inflamação da mucosa do nariz, faringe e seios paranasais. Esta condição predispõe a complicações bacterianas (como otite média aguda e sinusite). Definido como infecção respiratória alta com congestão nasal, rinorreia e inflamação de garganta; Gripe x sinusite A gripe é uma doença sistêmica causada pelo vírus influenza, caracterizada clinicamente por febre alta, mialgias e prostração. No resfriado os sinais e sintomas são mais restritos às vias aéreas superiores 9 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO Etiologia e epidemiologia: Crianças pequenas (menores de 03 anos) tem em media 06 a 08 episódios de resfriados comuns por ano. Os períodos de maior incidência são outono, inverno e primavera − Rinovírus: inicio do outono e final da primavera. É o agente mais frequente. − Influenza: inverno − Outros o Adenovírus o Parainfluenza: final do outono o Vírus sincicial respiratório (VSR): inverno o Coronavirus o Metapneumovírus o COVID-19 Período de incubação: entre 02 a 05 dias Transmissão: Gotículas produzidas por tosse e espirros; contato direto de mãos contaminadas com a via aérea de indivíduos sadios (principalmente). Os vírus são transmitidos sob a forma de aerossol e partículas maiores, que são levados ao meio ambiente através de tosse e coriza de crianças afetadas e, principalmente, por contato com mãos e objetos que contenham secreções infectadas. O doente passa a mão no nariz com coriza e toca na mão de outra pessoa que, por sua vez, leva o vírus ao seu nariz, ou aos seus olhos, estabelecendo assim o ciclo de contaminação. A via inalatória é importante para o vírus influenza. Contagio: comunidades fechadas como creches, escolas e no domicilio (quando tem dois irmãos por exemplo). As crianças são os maiores reservatórios para os vírus. Patogênese Os vírus invadem as células epiteliais colunares das vias superiores levando a resposta inflamatória local. A mucosa torna- se edemaciada e eritematosa (congesta) por vasodilatação e a produção de muco exacerba-se. A presença de neutrófilos no local explica a coriza purulenta, mesmo na ausência de superinfecção bacteriana. A rinorreia e a tosse resultam de estimulação de fibras colinérgicas locais. A dor de garganta é ocasionada por lesão direta do epitélio da nasofaringe pelo vírus. Manifestações clínicas Inicia-se com sensação de garganta arranhando, que dura no máximo 03 dias, evolui com espirros, obstrução nasal e rinorreia. Sendo os dois últimos com presença obrigatória, definindo clinicamente a síndrome da nasofaringite. A coriza é clara nos primeiros dias e pode se tornar purulenta nos últimos dias, devido a descamação epitelial e a presença de células polimorfonucleares. Não deve ser interpretada como resultado de infecção bacteriana. A obstrução nasal tem piora a noite devido a posição deitada e prejudica a alimentação dos lactentes, que são respiradores nasais preferenciais. A tosse surge em 30% dos casos, e é observada principalmente durante o sono devido ao gotejamento pós-nasal. 10 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO A duração média é de uma semana. Influenza, VSR e adenovírus: podem cursar com sintomas gerais como febre e mialgias. Em lactentes: pode ser observado período prodrômico (anorexia, inquietude, amolecimento das fezes e vômitos) A rinoscopia anterior demonstra edema e hiperemia dos cornetos. A orofaringe pode apresentar discreta hiperemia. Complicações A otite media aguda é a principal complicação bacteriana do resfriado comum. A sinusite e a pneumonia são complicações bacterianas menos comuns. Uma crise de asma brônquica pode ser deflagrada ou agravada pela infecção viral, os vírus são os principais desencadeantes de crises asmáticas. Sinais e sintomas: − persistência da febre por mais de 72h; − irritabilidade e sonolência; − prostração; − dificuldade respiratória (taquipneia, retrações, gemência), estamos falando de IVAS, mas se tem sinais de dificuldade respiratória é sinal de alerta. Diagnóstico O diagnóstico é clinico, não sendo necessários exames laboratoriais como hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus. Diagnósticos diferenciais: 1. Rinite alérgica: predomínio de espirros e prurido nasal recorrentes. Deflagrado por alérgenos ambientais 2. Corpo estranho no nariz: a secreção costuma ser unilateral e fétida, as vezes sanguinolenta 3. Sinusite: presença de febre, cefaleia, edema periorbitário, rinorreia persistente ou tosse acima de 14 dias. 4. Coqueluche: tosse proeminente e persistente 5. Sífilis congênita: rinorreia serossanguinolenta persistente com início entre um e três meses de vida. Tratamento Antitérmicos: uso com cautela quando temperatura axilar maior que 38°C. Paracetamol (1 gota/kg/dose de 6/6h) e dipirona (1 gota/2kg/dose de 6/6h) podem ser utilizados. Lembrando que a febre geralmente dura em média 03 dias, mas pode chegar a durar 07 dias. Febre mais de 72 horas deve ser REAVALIADA; Aumentar a oferta de líquidos: ajuda muito a limpar as secreções; Desobstrução das narinas: uso de soluções salinas isotônicas e vaporização. Quanto mais obstruído mais deve ser lavado. Orientar a lavar com jato mesmo, usar a seringa e encher ela de soro, para bebes muito pequenos usamos até 1ml, crianças maiores até 10ml. Pode lavar o nariz quantas vezes forem necessárias. Orientações: pais tabagistas devem evitar fumar perto da criança; orientação quanto aos sinais de gravidade, retornando para reavaliação dentro de 48h. O mel e o gengibre possuem substâncias antitussígenas e podem ser utilizados. NÃO DAR MEL PARA MENOR DE 01 ANO. Não abusar no uso de medicamento. Antibióticos não estão indicados. Antitussígenos devem ser evitados (codeína e levodropropizina), uma vez que a tosseé um mecanismo de proteção. Expecorantes e mucolíticos não devem ser utilizados. Vitamina C não auxilia no tratamento do resfriado. Prevenção: isolamento respiratório (benefício? Como você vai isolar a criança?); lavagem frequente das mãos, é a principal medida preventiva. 11 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO Sarampo Epidemiologia Uma das doenças exantemáticas de maior morbimortalidade, especialmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade. É uma doença de notificação compulsória. Atualmente ocorre mais em adolescentes e adultos jovens devido a não vacinação. Etiologia Causado por um vírus de RNA da família Paramyxoviridae. Sua transmissão ocorre através de pequenas gotículas de saliva eliminadas através da fala, espirros ou tosse, ou ainda através de aerossóis. O vírus pode permanecer viável no ar por até 01 hora, o que possibilita que a disseminação ocorra mesmo que não tenha contato face a face com o indivíduo contaminado. Recomenda-se isolamento respiratório dos doentes. Patogenia Período de transmissibilidade: 4 a 6 dias antes do exantema e quatro dias após seu desaparecimento Período de incubação: 10 a 12 dias O vírus penetra no organismo através de mucosa do trato respiratório ou da conjuntiva ocular, migra para os linfonodos onde replica-se e se dissemina para todos órgãos do sistema linfático e, depois, para superfícies epiteliais e mucosas. No epitélio respiratório há necrose celular, vasculite de pequenos vasos, infiltrado linfocítico e formação de células gigantes de Warthin-Finkeldey (patognomônicas da doença). O vírus habitualmente provoca doença de maior gravidade em desnutridos e menores de 2 anos, nos quais diarreias e infecções bacterianas secundárias são temidos. Manifestações clinicas 1 Período de infecção (duração de 7 dias) − Frase prodrômica (duração de 3 a 5 dias): • surge febre, tosse produtiva, coriza, conjuntivite e fotofobia. • Presença das manchas de Koplik (cerca de 4 dias antes do exantema): lesões puntiformes, esbranquiçadas com halo avermelhado na mucosa jugal (interno da bochecha). É patognomônico do sarampo (presente em 50 a 70% dos casos) − Fase exantemática (começa entre o 2° e o 4° dia) • Surge o exantema maculopapular avermelhado (morbiliforme, ou seja, com áreas de pele sã de permeio). Tem inicio retroauricular, com disseminação para região frontal, disseminando para o dorso, extremidades. Tende a confluência em face e tronco e segue padrão de distribuição cefalocaudal. • A febre é máxima (40° a 40,5°C) e piora dos sintomas respiratórios. Se a febre persistir por mais de 03 dias é indicio de complicações. • Facies sarampenta: hiperemia conjuntival, lacrimejamento, coriza mucopurulenta e rash facial. 2 Período de remissão (a partir do 7° dia) − Sintomas tem a reduzir, sendo a tosse o ultimo sintoma a desaparecer (10° dia) − Resolução do exantema em 07 dias (seguido de fina descamação) 12 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO − Linfadenomegalia cervical e occipital 3 Período toxêmico: − Queda da resistência imunológica e surgimento de complicações. Outros sintomas: nauseas e vômitos são mais frequentes em crianças pequenas, acompanhado de elevação das aminotransferases hepáticas. Pode ter laringite, bronquite e pneumonia viral (devido a necrose do epitelio respiratorio). A extensão da doença para mucosa do TGI pode levar a diarreias. Imunidade: possui imunidade permanente, ou seja, quem já teve sarampo não vai ter mais. Sarampo também da sintomas gripais. Mas além da tosse e rinorreia ele tem conjuntivite e mancha de koplik e exantema. Lembrar de sempre verificar o cartão de vacinação (tríplice viral). Vacina para sarampo com 12 meses e 15 meses. 2019 deu a dose 0, entre 06 meses e 11. Mas não substituía a dose normal, teve que receber a dose com 12 e 15 também. Rinossinusite A rinissinusite é classificada como: 1. Viral autolimitada 2. Bacteriana aguda: duração menor que 04 semanas e resolução completa dos sintomas. 3. Bacteriana subaguda: dura mais que 04 semanas e menos que 12 4. Crônica: sinais e sintomas por mais de 12 semanas 5. Aguda recorrente: duração menor que 30 dias, com 03 episódios em 06 meses ou 04 episódios em 12 meses. 6. Crônica agudizada: pacientes tem sintomas respiratórios residuais e sofrem agudizações Pneumatização dos seus da face: − ao nascimento: apenas os seios etmoidais são pneumatizados − 04 anos: pneumatização dos seios maxilares (marconi colocou que já pneumatizou ao nascimento) − 05 anos: pneumatização dos seios esfenoidais (Marconi colocou como 08 anos) − 07 a 08 anos até adolescência: pneumatização dos seios frontais (Marconi colocou como 06 anos) Etiologia e patogênese A drenagem dos seios (que passam pelos óstios e atingem os meatos) é dependente da motilidade ciliar do epitélio. A causa mais comum da rinossinusite é uma infecção viral das vias aéreas superiores, que gera edema e inflamação da mucosa, com produção de muco espesso, que obstrui os seios paranasais e permite a proliferação bacteriana secundária. É uma complicação da rinofaringite (persistência dos sintomas por mais de 10 dias) Outras causas: 13 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO 1) Ar frio e seco 2) Refluxo gastroesofagiano 3) Fibrose cística 4) Imunodeficiência 5) Discinesia cililar 6) Pólipos 7) Corpos estranhos 8) Adenoides hipertrofiadas 9) Tumores 10) Desvio de septo 11) Exposição à fumaça de cigarros 12) Tubos e sondas nasotraqueais 13) Imunossupressão Agentes etiológicos: − Streptococcos pneumoniae (é o 1° lugar disparado das causas bacterianas de sinusite) − Haemophilus influenzae − Moraxella catarhalis Manifestações clínicas − Resfriado que não melhora: tosse persiste por mais de 10 a 14 dias, descarga nasal purulenta por mais de 3 a 4 dias. − Rinorreia − Tosse intensa diurna e noturna, a depender do seio que está acometido. o seio frontal, por sua posição anatômica, drena mais quando o paciente está em pé, ou seja, ao longo do dia. Já o seio maxilar, tem maior drenagem ao deitar, o que leva a maior tosse a noite, ou quando o paciente deita. − Obstrução nasal − Febre − congestão da mucosa do nariz e presença de secreção purulenta no meato comum − Na orofaringie pode se observar gotejamento pós nasal − Queixa de cefaleia nas crianças maiores Exame do nariz: rinoscopia anterior. Observa a mucosa, se tem secreção, vestíbulo nasal, septo nasal anterior, concha inferior Palpação/percussão: Sinal de grunwald (supraorbital); Sinal de Ewing (ângulo interno da orbita). Diagnóstico Clinico, o diagnóstico da sinusite é feito de maneira CLINICA. Não se deve pedir RX de seios da face. Para ter uma alteração dos seios da face tem que ter um quadro muito avançado. Um quadro mais leve pode não aparecer no RX. Estudo radiológico geralmente é DESNECESSÁRIO (nível hidroaéreo, opacificação completa da cavidade, espessamento da parede lateral do seio maxilar maior que 4mm) Tomografia, é o exame que geralmente deve ser feito. MAS NÃO É MAIS USADO. Tipo, se for usar imagem usa a tc, mas não é para fazer para qualquer criança Fibronaringolaringoscopia, quem faz é o otorrino em casos de sinusite crônica. Todo caso de sinusite crônica deve ser encaminhado para o otorrino. Tratamento − Antitérmico − Solução salina nasal abundante, mantem a mucosa hidratada e remove o muco em excesso, que prejudica a função ciliar 14 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO − Antibiótico (14 a 21 dias), o tratamento da sinusite deve ser prolongado uma vez que os seios nasais não são muito bem “irrigados”, é mais difícil de agir o atb o Amoxicilina (primeira opção) – pneumococo não aguenta penicilina. Por isso pode usar amoxicilina o Amoxicilina – clavulanato: indica-se para crianças menores de dois anos, crianças que frequentam creches, crianças que usaram antibióticos nos últimos três meses; pensando na Moraellae no pneumococo resistente (ausência de resposta clinica após 72h do uso de amoxicilina). o Claritromicina e azitromicina o Cefalosporinas: cefuroxima Complicações: Celulites e abscessos (peri)orbitais Otite média aguda É uma das doenças mais frequentes em crianças, principalmente nos dois primeiros anos de vida. É a principal complicação da rinofaringite aguda. Comum em crianças entre 0 e 4 anos de idade. Fatores de risco: 1) Idade: menores de dois anos possuem imaturidade imunológica e trompa de Eustáquio mais curta e horizontal, prejudicando mecanismos de drenagem da orelha média. 2) Sexo masculino 3) Raça branca 4) Perfil socioeconômico: pobreza 5) Aleitamento artificial 6) Exposição a outra crianças: irmãos, creches e escolas 7) Anomalias congênitas: fenda palatina e síndrome de Down. Aumento da complacência da tuba, com redução da sua capacidade de evitar o refluxo de secreções nasofaríngeas para a orelha média. 8) Ausência da vacina antipneumocócica e anti-influenza 9) Natação (especialmente piscina aquecida) 10) Resfriado comum: a liberação de citocinas e mediadores inflamatórios leva a obstrução e disfunção da tuba auditiva. 11) Hipertrofia da adenoide: pode ser muito hipertrofiada obstruindo o óstio tubario Etiologia Agentes etiológicos: − Streptococcos pneumoniae, é o mais frequente, porém, em países com ampla cobertura vacinal sua frequência caiu. o Vacina antipneumocócica 13 valente − Haemophilus influenzae − Moraxella catarhalis 15 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO Patogênese Em sua maioria são complicações de infecção do trato respiratório superior (como a rinofaringite, o resfriado comum). A base fisiopatológica é a disfunção da tropa de Eustáqui (canal auditivo). Acredita-se que com a trompa obstruida a ventilação no ouvido médio fica prejudicada, cria-se uma pressão negativa nessa camara o que estimula a secreção de muco por seu epitélio. Infecções virais tambem podem contribuir para a formação deste muco. Quando bactérias da nasofaringe atingem a cavidade do ouvido médio, encontram o muco (meio ideal para prolifereação). O acumulo de pus provoca o abaulamento da membrana timpânica, que curta com intensa otalgia, principal sintoma da OMA. A tendencia é que se não for tratado, o pus saia por meio de uma perfuração na membrana timpânica. Quando tem o rompimento da membrana timpânica é geralmente quando os sintomas melhoram uma vez que os receptores de dor estão na membrana. Otite media crônica é a principal causa de surdez na infância. Manifestação clinica Sintomas Maiores de dois anos: queixa de otalgia (dor de ouvido), febre, astenia (perda ou diminuição da força física), inapetência e hipoacusia flutuante. Menores de dois anos: levar a mão ao ouvido com frequência, irritabilidade, choro intenso, dificuldade para dormir, febre, sintomas gastrointestinais (anorexia, náuseas e vômitos) Um dado fundamental é a presença de rinofaringite viral prévia. Otorreia, fluida ou purulenta, pode ocorrer. Sinais (otoscopia) A membrana timpânica normal (primeira imagem) é levemente côncava, transparente (cabo do martelo bem visualizado), brilhante (reflexo luminoso, chamado de “triangulo luminoso”) e móvel a insuflação pneumática. Na OMA, a otoscopia revele uma membrana timpânica hiperemiada, convexa e abaulada, de coloração alterada (opacificação e pontos esbranquiçados) e com perda da motilidade. O abaulamento é o dado mais específico para o diagnóstico de OMA. Na OMA sempre devem estar presentes: otalgia, hiperemia e abaulamento. Diagnóstico Características clinicas: 1) Otorreia não provocada por otite externa, OU 16 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO 2) Sinais de efusão na orelha média + sinais de inflamação Sinais de efusão: alteração na cor da membrana timpânica, opacificação não provocada por cicatriz, mobilidade reduzida Sinais de inflamação: abaulamento moderado a grave OU abaulamento leve com otalgia OU abaulamento leve com eritema intenso. Tratamento Medidas gerais: analgesia com paracetamol, dipirona ou ibuprofeno Antibioticoterapia: O tratamento vai depender da idade, da certeza de diagnóstico e da gravidade da doença. Sinais de gravidade : dor intensa, toxemia e febre alta. − Antibiótico de 10 a 14 dias. − Não grave: amoxicilina (50 mg/kg/dia) – primeira opção − Grave: o amoxicilina em doses elevadas (80 a 90 mg/kg/dia), eu aumento quando em 48h a criança ainda não melhorou; o amoxicilina com clavulanto; o cefalosporinas. Toda criança que inicia tratamento antimicrobiano deve ser reavaliada em 48-72h para avaliação de sinais/sintomas de melhora ou piora. A partir de 30kg a criança já está com estrutura corporal de adulto, pode começar a dar as doses de adulto. Conduta wait and see – esperar entre 48h e 72h para reavaliar. Só trata se mantiver os sintomas. Otite média com efusão é quanto a otite media já melhorou mais ainda tem secreção na orelha media. O medico pode achar que ainda tem infecção e continuar indicando antibiótico. − Presença de secreção estéril na orelha média − Sem manifestações clinicas de infecção − Alterações otoscópias semelhante − Após episódio de OMA, alteração pode persistir por semanas ou meses − Considerar tratamento com ATB se efusão persistir por mais de 03 meses. Complicações: 1) Perfuração timpânica: geralmente é pequena e possível de se autorregenerar. 2) Otite media secretora (efusão persistente) 3) Otite média crônica: persistência dos sinais por mais de três meses 4) Mastoidite: existe contiguidade entre a mucosa da orelha média e a mucosa das células da mastoide. Quando o quadro se estende para o periósteo da mastoide pode provocar sintomas de edema, vermelhidão e dor atrás da orelha. 5) Meningite: esta complicação é bastante grave e exige tratamento especifico sem demora. 17 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO Otite externa “otite do nadador” A otite externa é uma afecção inflamatória e/ou infecciosa do conduto auditivo externo. O principal fator de resistência as infecções é a integridade da pele desta região e a manutenção das secreções protetoras, o que é prejudicado pela exposição excessiva à água, tornando nadadores mais sujeitos a OE. Durante a evolução do processo o conduto auditivo externo diminui seu diâmetro, podendo chegar a obstrução em consequência a edema e reação inflamatória. Nesta fase a dor é intensa, sendo exacerbada ao toque no pavilhão auricular. Pode ocorrer também dor à mastigação. Este fator dificulta o diagnóstico de certeza, uma vez que a criança não vai deixar inserir o otoscopio para que se faça diagnóstico diferencial com a Otite Média Aguda. Nestas circunstancias é importante que relacione a condição clinica com fatores ambientais (clima quente, história de contato com agua, dor à compressão do tragus...) Trauma, a maioria é causa por trauma. Cotonete é o principal causador. Agentes: − Pseudomonas aeruginosas − Staphylococcus aureus − Estreptococos − Fungos (cândida e aspergilus) Tratamento: Remoção de exsudatos e detritos de descamação epitelias, gotas antibióticas, corticoide tópico na dermatite seborreica e eczema, evitar água, analgesia Profilaxia: Evitar água (pode nadar com tampão de ouvido), evitar traumas. Dor a tração do conduto auditivo diz muito sobre otite externa Faringoamigdalite (virais e bacterianas) A faringite aguda com envolvimento das amigdalas palatinas é uma doença inflamatória da orofaringe, caracterizada por eritema e pela presença ou não de exsudato amigdaliano, ulcerações e vesículas. Angina: acometimento agudo da orofaringe e das amígdalas Grau das amigdalas: Etiologia Agentes virais correspondem a 75% dos casos. Crianças menores de 3 anos raramente apresentam doença bacteriana. Entre 04 e 07 anos a incidência de doenças bacterianas volta a crescer, voltando a cair após os 07 anos. 18 PEDIATRIA I– JÚLIA GALUPPO Vírus Adenovírus Coronavírus Enterovírus Rinovírus Virus sincicial respiratório Epstein-Barr vírus (EBV) Herpes-Silpex vírus Bactérias Estreptococo beta-hemolítico do grupo A: agente mais importante, principalmente na faixa etária compreendida entre 05 e 15 anos. A escarlatina é uma síndrome clinica que congrega faringoamigdalite exsudativa e um exantema com aspecto de lixa, provocada pela produção de toxinas estreptocócicas dos tipos A, B e C. Possui exantema macular áspero e puntiforme, dobras flexoras avermelhadas (sinal de pastia), palidez perioral (sinal de Filatov), língua em framboesa A maior preocupação em relação ao estreptococo são as complicações ao longo prazo, destacando-se: febre reumática, pelo risco de provocar sequelas cardíacas; Golerulonefrite Difusa Aguda (GNDA); complicações supurativas, como abscesso retrofaringiano e abscesso periamigdaliano. Transmissão Meio mais comum de contagio é pelo contato direto com o doente (paciente sintomático), por meio de secreções respiratórias, nasal, e pela saliva. Desta forma, o contato próximo, é o principal fator de risco para transmissão. Manifestações clínicas Podemos dividir as faringoamigdalites de acordo com seu aspecto clínico: Eritematosas: apresentam hiperemia e congestão da superfície tonsilar. A principal etiologia é a viral. Eritematopultáceas: hiperermia e edema associados a um exsudato amarelado não aderente nas criptas e na superfície tonsilar. Destacam-se a faringite estreptocócica e por EBV. Pseudomembranosas: formação de placas esbranquiçadas aderentes ao tecido amigdaliano, que podem invadir a faringe, palato e úvula. Ulcerosas: formação de ulceras que podem ser superficiais ou profundas. Infecções virais Geralmente está associada ao resfriado comum, não costuma estar associada a dor intensa e odinofagia (deglutição dolorosa). Geralmente a dor de garganta é moderada com queixa de garganta coçando ou arranhando. Corrimento nasal, tosse, mal estar, anorexia e febre podem estar presentes. No exame clínico, a faringe está eritematosa e edemaciada, pode- se observar exsudato no palato e nas amigdalas, presença de linfonodos aumentados e doloridos. 19 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO Adenovírus: faringite é mais intensa, com sintomas de mialgia, cefaleia, calafrios e febre acima de 38,3°C. A dor de garganta é importante. Exsudato amigdaliano e eritema de toda orofaringe são notadas no exame físico. Geralmente está associado a conjuntivite. Coxsackie A: a infecção por este vírus determina a faringite herpangina. No exame físico, notamos pequenas vesículas (1 a 2 mm), localizadas em palato mole, úvula e amigdalas, que se rompem e geram ulceras esbranquiçadas. As manifestações clínicas incluem febre alta, dor de garganta e disfagia (dificuldade de deglutir). Pode estar associado a quadro de dor abdominal e anorexia similar a um quadro de apendicite aguda. Síndrome mão-pé-boca: causada pelo vírus Coxsackie A-16, além da faringotonsilite ulcerosa existem lesões papulovesiculosas em mãos e pés. Espstein-Barr: amigdalite exsudativa em casos de mononucleose. Acompanhada de febre, linfadenopatia cervical e esplenomegalia. Mononucleose: da placa na garganta, da febre. A diferença é que ela costuma dar exantema e hepatoesplenomegalia. Faringite estreptocócica A faringoamigdalite aguda estreptocócica é uma infecção aguda da orofaringe, na maioria das vezes, produzida pelo straptococcus pyogenes do grupo A. Inicia com queixas inespecíficas como cefaleia, dor abdominal e mal estar, náuseas, vômitos e febre de até 40°C (Manifestações sistêmicas). A dor de garganta só é relatada algumas horas depois e possui intensidade variável. O exsudato assume forma de membrana amarelo-acinzentada limitada ao tecido linfoide. Pode ocorrer edema de úvula, linfadenopatia cervical dolorosa. A presença de vermelhidão das amigdalas, acompanhada ou não de exsudato, associada a petéquias em palato mole, são os achados clínicos de maior consistência para o diagnóstico. Sem manifestações de acometimento do trato respiratório superior. Acomete com maior frequência crianças após os 03 anos de vida, principalmente entre 05 e 15 anos de idade. Período de incubação de 02 a 05 dias. A FR pode ser, em larga extensão, evitada com o uso apropriado de antimicrobianos. Lembrar sempre do critério de JONES. Inspeção da orofaringe: congestão intensa e aumentada das tonsilas palatinas, com presença de exsudato purulento e petéquias no palato. NEM TODA PLACA NA GARGANTA É DE CAUSA BACTERIANA. EXISTE PLACA BACTERIANA CAUSADA POR VIRUS Complicações − Adenite cervical 20 PEDIATRIA I – JÚLIA GALUPPO − Abcesso periamigdaliano − Sepse − Choque tóxico − Otite media aguda − Artrite reacional − Febre reumática − GNDA TRATMENTO: Penicilida G benzatina − Doses: <27 kg: 600.000 U, IM, dose única − >27kg: 1.200.000 U, IM, dose única.