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Carências Nutricionais comuns na população Materno Infantil Profa. Ana Maria Rampeloti Almeida Aula 2. Referências: Accioly, cap: 3,4 e 5 Carências Nutricionais Comuns Ferro Vitamina A Iodo Anemia Condição caracterizada pela deficiência na concentração da hemoglobina ou na produção das hemácias. Epidemiologia 2 bilhões de pessoas no mundo são anêmicas (OMS); Em um estudo brasileiro com 20.952 crianças: 53% apresentaram anemia. Entre os adolescentes estima-se uma taxa de anemia de 20%; Segundo a organização pan-Americana de saúde: 42% das gestantes são anêmicas. A Eritropoiese O principal centro produtor de células vermelhas é a medula óssea. A Eritropoiese O principal estimulador da eritropoiese é a eritropoetina; Na medula são produzidos os reticulócitos que após 3 dias ganham a circulação; Após um dia viram hemácias; Vida média das hemácias: 120 dias. Nutrientes necessários para eritropoiese Aminoácidos; Ferro (componente heme); Ácido fólico (essencial para formação de ácidos nucleicos); Cianocobalamina (cofator contendo cobalto); Vitaminas A, B12 e C. Causas da Anemia Perdas Hemorrágicas; Excesso de destruição; Falta de produção. Anemias Carenciais Decorrentes da ingestão inadequada de nutrientes essenciais para a eritropoiese: Ferro; Ácido fólico; Vitamina B12. Anemia Ferropênica Anemia ferropriva, deficiência de ferro. É a carência nutricional mais frequente no mundo; Necessidades de Ferro Sinais e Sintomas Cansaço fácil; Taquicardia aos esforços; Fraqueza muscular; Pagofagia; Palidez; Irritabilidade; Unhas quebradiças e/ou coiloníqueas. Biodisponibilidade do Ferro Dietético Ferro Heme – Forma Ferrosa (Fe++) Ferro não Heme – Forma Férrica (Fe+++) Alimentos que interferem na absorção do Ferro Fatores que Interferem na absorção do Ferro Composição do bolo alimentar; Ph Gástrico; Integridade do duodeno e jejuno; Reservas de ferro (mecanismo de auto regulação). Metabolismo do Ferro Metabolismo do Ferro Metabolismo do Ferro http://www.youtube.com/watch?v=7Oz4F 6fICU4 Estágios da Deficiência do Ferro Depleção das reservas de ferro. Insuficiência de ferro para produção de compostos essenciais. Anemia (Diminuição da concentração de Hg). Estágios da Deficiência do Ferro Estágio O que ocorre? O que se percebe? 1º Estágio Depleção das reservas de ferro. Redução da ferritina sérica 2º Estágio Insuficiência de ferro para produção da Hg Redução na saturação da transferrina e aumento nos receptores de transferrina 3º Estágio Anemia Redução na concentração de Hb Anemia na Gestação Necessidades diferentes em cada trimestre gestacional; Os principais requerimentos se deve ao aumento da massa de eritrócitos e ao crescimento fetal. Anemia na Gestação No primeiro trimestre a absorção de ferro é diminuída; No segundo trimestre a absorção de ferro está aumentada em torno de 50%; No terceiro trimestre a absorção de ferro está aumentada em torno de 200%; O AUMENTO NA ABSORÇÃO DE FERRO NÃO É SUFICIENTE PARA ATENDER AS NECESSIDADES DAS GESTANTES Diferenciando anemia da anemia fisiológica da gestação A anemia gestacional ocorre pelo aumento de 50% do volume plasmático de apenas 18-25% do volume de hemácias. Na 32ª semana gestacional a expansão do volume plasmático é máxima. Anemia na Infância - Grupos de Risco População de baixa renda; Desnutrição intrauterina; Prematuridade; Baixo peso ao nascer; Gemelaridade; Abandono prematuro do AME; Uso de fórmulas infantis sem reposição de ferro; Parasitoses intestinais. Causas da Anemia na Infância Grupos de Risco RNT em AME Aporte suficiente de ferro até 4-6 meses. RNPT e BP Reservas pobres de ferro que se esgotam rapidamente mesmo em AME; Necessidade de suplementação de ferro. Grupos de Risco 6-18 meses Maior risco de deficiência de ferro; Período de crescimento rápido; Estoques reduzidos de ferro; Ingestão inadequada; Perda gastrointestinal crônica. Grupos de Risco Período Pré-escolar/ Escolar: Diminuição do risco; Diminuição da velocidade de crescimento. Dietas mais equilibradas. Adolescência: Aumento do risco, Maior crescimento; Alimentação inadequada. Anemia Fisiológica do Recém Nascido Anemia Fisiológica do Recém Nascido NÃO EXIGE TRATAMENTO Programa Nacional de Suplementação de Ferro Suplementação medicamentosa de sulfato ferroso para: Todas as crianças de 6 a 18 meses de idade; Gestantes a partir da 20ª semana; Mulheres até o 3º mês pós parto. Orientações aos responsáveis pelas crianças Administrar o suplemento no mesmo dia e hora em todas as semanas, entre as refeições (mínimo de 30 minutos antes da refeição), de preferência com suco e nunca com leite; Para facilitar a lembrança da administração dos suplementos para as crianças, cada família deverá receber o calendário do programa com a marcação do dia da semana sugerido para a suplementação; Orientações aos responsáveis pelas crianças Caso o responsável esqueça de dar o xarope para a criança no dia definido, Administrar o suplemento logo que lembrar, contanto que garanta a suplementação uma vez por semana; A administração de sulfato ferroso pode causar alguns efeitos adversos, como por exemplo: fezes escuras e diarreia. Como a dosagem adotada no programa é a semanal, esse efeito será minimizado. É importante, no entanto, que os responsáveis saibam que esses efeitos são esperados e que a suplementação não deve ser interrompida caso eles aconteçam. Orientações às gestantes e mulheres até o 3º mês pós-parto Orientá-las a tomar o suplemento no mesmo horário todos os dias, entre as refeições (mínimo de 30 minutos antes da refeição), de preferência com suco e nunca com leite; Caso haja esquecimento de suplementar na hora de costume, tomar o suplemento logo em seguida e manter a mesma rotina habitual; O uso do sulfato ferroso na gravidez muitas vezes é associado aos enjoos e às náuseas na gestante, podendo gerar resistência da gestante em continuar a suplementação, portanto é fundamental que a gestante seja orientada quanto à importância da suplementação de forma ininterrupta até o final da gestação; Em casos de intolerância, orientar a gestante a tomar um comprimido de 60mg de ferro elementar pelo menos duas vezes por semana. Meios para diminuir a anemia Ferropriva PNSF (desde 2005); Orientações Nutricionais para uma dieta de baixo custo com teor adequado de ferro (desde 2002); Fortificação obrigatória das farinhas de trigo e milho (desde 2002). Implicações Sociais CARÊNCIA DE VITAMINA A NO GRUPO MATERNO-INFANTIL A Vitamina A A Vitamina A é um micronutriente pertencente ao grupo das vitaminas lipossolúveis; O Retinol é encontrado no fígado, leite e em menor proporção na gema do ovo. Os carotenóides são encontrados nos vegetais e precisam ser convertidos a Vitamina A no Fígado e no intestino. Fontes de Vitamina A Hipovitaminose A A deficiência de vitamina A é considerada como uma das mais importantes deficiências nutricionais do mundo subdesenvolvido (FAO/VHO, 1992; Vick- Newman, 1993; WHO, 1995). Esta deficiência é a principal causa de cegueira evitável no mundo, estando também associada a 23% das mortes por diarreias, em crianças. Causas de Hipovitaminose A Desmame precoce; Consumo insuficiente de alimentos ricos em vitamina A; Consumo insuficiente de alimentos quecontêm gordura; Infecções frequentes; Colestase. Funções da Vitamina A É essencial para o bom funcionamento dos olhos. É necessária para o crescimento e o desenvolvimento de crianças, e para as mulheres grávidas, para permitir o crescimento do feto. Participa da defesa do organismo, pois ajuda a manter úmida e saudável as mucosas. Hipovitaminose A no grupo Materno-Infantil As concentrações de retinol plasmático diminuem com o avanço da idade gestacional; Não Suplementar durante o período fetal; A concentração de vitamina A no leite depende diretamente da alimentação da mãe; 60 X mais vitamina A é transferida em 6 meses de amamentação que em 9 meses de gestação. Consequências da Hipovitaminose A O crescimento e o desenvolvimento da criança ficam prejudicados; Há uma dificuldade de enxergar no escuro (cegueira noturna); Cegueira irreversível nas crianças; Aumento da gravidade de infecções comuns, como a diarréia e infecções respiratórias; Aumento da mortalidade infantil. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A O Vitamina A Mais - Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A - é um programa do Ministério da Saúde que visa diminuir/ erradicar a hipovitaminose A. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A Objetivos do programa Promoção do aleitamento materno exclusivo até o 6º mês e complementar até 2 anos de idade, pelo menos; Garantia da suplementação periódica e regular das crianças de 6 a 59 meses de idade, com doses maciças de vitamina A distribuídas pelo Ministério da Saúde; Garantia da suplementação com megadoses de vitamina A para puérperas no pós - parto imediato, antes da alta hospitalar e; Promoção da alimentação saudável, assegurando informações para incentivar o consumo de alimentos ricos em vitamina A pela população. DEFICIÊNCIA DE IODO NO GRUPO MATERNO INFANTIL O Iodo O Iodo é um micronutriente essencial para o homem e outros animais. Existe apenas uma única função conhecida do Iodo no organismo humano: ele é utilizado na síntese dos homônios tireoidianos: a triiodotironina (T4) e a tiroxina (T3). Fontes de Iodo Alimentos de origem marinha (ostras, moluscos e outros mariscos e peixes de água salgada); Leite e ovos oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em Iodo ou que foram alimentados com rações que continham o nutriente; Vegetais oriundos de solos ricos em Iodo. Causas da deficiência de Iodo Consumo de alimentos oriundos de solos pobres em Iodo; Uso de sal não iodado na alimentação. A deficiência de Iodo Cretinismo em crianças (retardo mental grave e irreversível), surdo-mudez, anomalias congênitas, bócio (hipertrofia da glândula tireóide). Orientações para o consumo de Sal Iodado Ao comprar o sal iodado, prefira aquele com maior prazo de validade, pois caso esteja vencido, ocorre prejuízo da qualidade do iodo; Ao armazenar o sal iodado em casa, coloque-o sempre em local fresco e ventilado, longe do calor. Evite colocá-lo perto do fogão a gás ou a lenha, pois o calor pode prejudicar a qualidade do iodo; Ao abrir o saco do sal iodado, não retire o sal desta embalagem, mas sim o coloque dentro de um pote ou vidro com tampa, mantendo-o sempre fechado; Não coloque o pote de sal iodado na geladeira; Mantenha o sal iodado longe de locais úmidos e não coloque colheres molhadas dentro da embalagem. A umidade pode prejudicar o teor do iodo. Suplementação de Iodo Desde 1953 é obrigatória a iodação do sal no Brasil; Desde 1974 é obrigatória a iodação de todo o sal destinado ao consumo humano e animal - Lei no 6.150. Na Prática Imagine-se nutricionista de um PSF em uma região de baixa renda. Quais orientações importantes você daria para uma mãe de um menino de 6 meses e uma garota de 5 anos? OBRIGADA!