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Aula 3 - 23/10/2019 
Alterações histológicas do epitélio de revestimento da mucosa oral 
Por: Vinicius da Silva Morais 
MUCOSA ORAL: ​Tecido úmido que reveste a cavidade oral. 
- Funções: ​proteção (contra traumas e penetração de microorganismos), sensação                   
(paladar, temperatura, etc) e secreção (presença de glândulas salivares e sebáceas). 
 
- Tipos de mucosa oral: 
1. Mastigatória: ​Corresponde a 25% do total da mucosa oral. É encontrada em gengiva                           
e palato duro. Está em contato com alimentos durante a mastigação. É geralmente                         
QUERATINIZADA, já que precisa ser firme para suportar esforços mastigatórios. 
*Além da firmeza adquirida na presença de queratina pelo palato duro, suas fibras se                           
aderem ao periósteo, o tornando mais firme ainda. 
2. De revestimento: Corresponde a 60% do total da mucosa oral. É encontrada em                           
assoalho de boca, ventre da língua, mucosa alveolar, mucosa jugal, bochechas, lábios                       
e palato mole. Geralmente, é NÃO queratinizada.  
3. Especializada: Corresponde a 15% do total da mucosa oral. É representada pelas                         
papilas epiteliais/papilas linguais. São encontradas no dorso da língua. 
*Tipos de papilas: fungiformes, filiformes, foleáceas e circunvaladas. 
 
- Características gerais da mucosa oral: 
1. Separada da pele pela zona “vermelhão dos lábios”; 
2. Fatores que contribuem para a cor da mucosa oral: Concentração e estado de                           
dilatação dos vasos sanguíneos presentes no tecido conjuntivo subjacente ao                   
epitélio, espessura do epitélio, grau de queratinização, quantidade de pigmentação                   
melânica. 
*Clinicamente, a cor fornece fornece uma indicação clínica da condição da mucosa. 
 
- Diferenças entre mucosa oral e pele: 
Cor: ​A pele tende a ser mais “clara” que a mucosa; 
Superfície: ​Quando comparadas, a mucosa é úmida e a pele é seca (exceto quando há                             
atividade das glândulas sudoríparas); 
Presença de estruturas anexas da pele: A pele possui folículos pilosos, glândulas                       
sudoríparas e glândulas sebáceas. A mucosa oral possui glândulas salivares e                     
glândulas sebáceas (Grânulos de Fordyce); 
Presença de glândulas salivares menores no tecido conjuntivo: A mucosa oral tem, mas a                           
pele não; 
Firmeza: A mucosa oral apresenta uma variação na sua firmeza, como já foi visto                           
estudando os tipos de mucosa oral. 
 
GRÂNULOS DE FORDYCE 
Naturalmente, a mucosa oral apresenta glândulas sebáceas no tecido conjuntivo.                   
Quando essas glândulas passam a se projetar no tecido epitelial, recebem o nome de                           
Grânulos de Fordyce. São caracterizadas como “variação da normalidade” e                   
comumente aparecem mucosa jugal, podendo também aparecer em lábios e mucosa                     
alveolar. Apresentam coloração amarelo pálido. 
 
 
ESTRUTURA / composição DA MUCOSA ORAL: Epitélio + Tecido conjuntivo 
 
1. Epitélio: ​O epitélio da mucosa oral é classificado como epitélio estratificado                       
escamoso. É composto por 3 camadas: superficial, escamosa ou intermediária, basal. 
1.1 Superficial: ​Composto por células achatadas, planas e com núcleos ovais pequenos                       
que são continuamente perdidos. 
1.2 Intermediária / espinhosa: ​Composta por células ovais; representa o maior volume                       
do epitélio. 
*Por que “espinhosa”? As células se contraem em reação ao corante e projetam                         
demossomos para manterem conexão entre si. Essas projeções demossomicas                 
possuem formato de espinho, dando nome à camada. 
1.3 Basal: Composto por células cúbicas enfileiradas e organizadas; são células                     
progenitoras, que fornecem novas células para substituir as que foram perdidas no                       
estrato superficial. A ausência do estrato basal causa desarranjo celular, já que ela                         
sustenta todos os estratos epiteliais sobrejacentes. 
*OBS: A camada ou estrato basal é DIFERENTE de membrana ou lâmina basal. 
- Note: Membrana basal -> Lâmina fibrosa que sustenta a camada basal. Também é                           
uma interface entre epitélio e tecido conjuntivo. Seus principais componentes são:                     
colágeno IV e VII, laminina, moléculas de adesão. 
 
É IMPORTANTE OBSERVAR QUE HÁ PROJEÇÕES ENTRE TECIDO EPITELIAL E TECIDO                     
CONJUNTIVO. 
- AS PROJEÇÕES DE EPITÉLIO QUE TENTAM INVADIR CONJUNTIVO -> CRISTAS                     
EPITELIAIS; 
- AS PROJEÇÕES DE CONJUNTIVO QUE TENTAM INVADIR EPITÉLIO -> PAPILAS                     
CONJUNTIVAS. 
2. Tecido conjuntivo: ​É composto por duas camadas: lâmina própria (camada                     
superficial) e camada submucosa (onde é possível identificar os glóbulos de                     
glândulas salivares). Nele há nervos, vasos sanguíneos. 
2.1 Lâmina própria: ​Divide-se em papilar e reticular. 
2.1.1 Papilar: Área de tecido conjuntivo que adentra a papila conjuntiva. 
2.1.2 Reticular: Todo o resto da lâmina própria. 
2.2 Submucosa: ​Onde, nas lâminas de laboratório, é possível observar os glóbulos das                         
glândulas salivares. Possui uma grande concentração de vasos sanguíneos e nervos. 
 
IMPORTANTE: Logo, temos - em ordem: ¹Epitélio (camada superficial, camada                   
espinhosa, camada basal) ¹Membrana basal (que não é possível observar no                     
microscópio do laboratório) e ¹Tecido conjuntivo (lâmina própria e camada                   
submucosa). 
 
TERMOS HISTOPATOLÓGICOS - EPITÉLIO ORAL 
1. ORTOCERATOSE: ​Quando, no epitélio escamoso estratificado ceratinizado               
superficial, as células são achatadas, com citoplasma homogêneo, cor rosa claro e                       
SEM NÚCLEO. 
2. PARACERATOSE: ​Quando, no epitélio escamoso estratificado ceratinizado               
superficial, as células são achatadas, com citoplasma homogêneo acidófilo                 
(predileção por corantes ácidos), HAVENDO NÚCLEOS PICNÓTICOS (azuis, devido ao                   
alto grau de condensação da cromatina). 
3. CERATOSE: ​Ceratinização de epitélios que normalmente NÃO SÃO ceratinizados. 
Ex.: Leucoplasia em mucosa jugal. 
 
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DO EPITÉLIO DE REVESTIMENTO DA MUCOSA ORAL 
 
ACANTOSE: ​Espessamento da camada intermediária / espinhosa do epitélio da                   
mucosa oral. Ex: Papiloma oral. 
HIPERCERATOSE: Espessamento da camada de queratina ou surgimento desta eu                   
superfícies que normalmente não a contém. Ex: Leucoplasia. 
*variações da hiperceratose: Hiperortoceratose (espessamento da ortoqueratina ou               
surgimento onde normalmente não há) e Hiperparaceratose (espessamento da                 
paraceratina ou surgimento onde normalmente não há). 
 
ATROFIA: Diminuição do número de células com consequente diminuição da                   
espessura do epitélio. Ex: Líquen plano oral. 
 
ACANTÓLISE:​ Perda de contato entre as células do epitélio. Ex: Pênfigo vulgar (Nataly). 
 
EXOCITOSE: ​Presença de células inflamatórias no epitélio. 
ESPONGIOSE: ​Presença de edema INTERcelular (entre células). 
 
DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA:​ Acúmulo de líquido INTRAcelular (dentro da célula). 
 
CERATINIZAÇÃO INTRAEPITELIAL: ​Coleções arredondadas de células queratinizadas.             
Ex: Carcinoma. 
ATIPIA: ​Perda da uniformidade / arquitetura celular e - consequentemente - perda da                         
arquitetura tecidual. 
 
*A atipia ocorre em células. Quando ocorrer em tecido, chama-se displasia. 
 
CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DE DISPLASIA EPITELIAL 
1. Arquiteturais: 
1.1 Estratificaçãoepitelial irregular; 
1.2 Projeções epiteliais em forma de gota; 
1.3 Aumento do número de figuras de mitose; 
1.4 Pérolas de queratinas nas projeções epiteliais (coleções redondas e focais de                       
células queratinizadas em camadas concêntricas); 
2. Citológicas: 
2.1 Variação anormal do tamanho do núcleo (anisonucleose); 
2.2 Variação anormal do tamanho da célula (anisocitose); 
2.3 Variação anormal da forma do núcleo (pleomorfismo nuclear); 
2.4 Variação anormal da forma da célula (pleomorfismo celular); 
2.5 Proporção núcleo/citoplasma aumentada; 
2.6 Aumento do tamanho do núcleo; 
2.7 Figuras de mitose atípicas (mitoses tripolares ou em forma de estrela oufiguras                         
mitóticas acima da camada basal); 
2.8 Aumento do tamanho e do número de nucléolos; 
2.9 Hipercromatismo nuclear (núcleos excessivamente escuros).

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