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Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis Doenças transmissíveis Ainda representam importante causa de adoecimento e mortalidade das populações, principalmente nos países em desenvolvimento, devido a carências relacionadas às condições sociais e econômicas; A era da bacteriologia instaurou um período de esperança de controlar tais doenças, mas os microrganismos criaram novos mecanismos de resistência. Cadeia de transmissão das doenças ou Cadeia epidemiológica Apresenta de forma ordenada os fatos principais da interação entre o agente, o hospedeiro e o meio. Características das doenças transmissíveis Propriedades dos agentes biológicos: » Hospedeiro: permitem o alojamento e a subsistência de um agente infeccioso; » Infecção: é a entrada e o desenvolvimento ou a multiplicação de um agente infeccioso no organismo do hospedeiro. » Infectividade: é a capacidade que têm certos organismos de penetrar e se desenvolver ou de se multiplicar no hospedeiro, ocasionando infecção. » Patogenicidade: é a qualidade que tem um agente infeccioso de produzir sintomas em maior ou menor proporção nos hospedeiros infectados. » Infecção inaparente: infecção sem sinais e sintomas clínicos e só podem ser identificadas por métodos de laboratório. » Virulência: é a capacidade do agente de produzir casos graves ou fatais. » Dose infectante: é a quantidade de agente etiológico necessária para iniciar uma infecção. » Poder invasivo: é a capacidade que tem o agente de se difundir no organismo do hospedeiro. » Imunogenicidade: é́ a capacidade que tem o agente para induzir imunidade específica no hospedeiro. ...Os diferentes agentes possuem diferentes características. Reservatório de agentes e doenças transmissíveis: » Doença transmissível: é qualquer doença causada por agente infeccioso específico ou por suas toxinas, que se manifesta pela transmissão desse agente ou de suas toxinas a um hospedeiro susceptível. » Transmissibilidade: é a capacidade do agente de transferir direta ou indiretamente, de um infectado a outro. » Reservatório de agentes infecciosos: qualquer ser os qual normalmente vive e se multiplica um agente infeccioso e do qual depende para sua sobrevivência, reproduzindo-se de maneira que possa ser transmitido para um hospedeiro susceptível. » Fonte de infecção: é o ser a partir do qual o agente infeccioso passa imediatamente a um hospedeiro. » Fonte de contaminação: é o ser responsável pela presença do agente no interior do veículo. » Portador: é uma pessoa ou animal infectado que alberga um agente infeccioso específico de uma doença sem apresentar sintomas clínicos e constituindo-se fonte potencial de infecção para o homem. » período de incubação: é o intervalo de tempo que decorre entre a exposição a um agente infeccioso e o aparecimento de sinais e sintomas da doença. » período de transmissibilidade: tempo durante o qual o agente infeccioso pode ser transferido de um ser infectado a outro ser. Modos de transmissão de agente: Transmissão direta: é a transferência direta e imediata do agente infeccioso para a porta de entrada do receptor para infectar o homem. Transmissão indireta: » mediante veículos de transmissão, que podem ser objetos contaminados, tais como brinquedos, lenços, roupas pessoais ou de cama, instrumentos cirúrgicos, água, alimentos, entre outros; » por intermédio de um vetor: o vetor é um ser vivo que leva o agente do reservatório até o hospedeiro. Identificar o modo de transmissão de uma doença permite intervir de forma preventiva. Portas de eliminação ou saída do agente e portas de entrada do agente: É o caminho pelo qual o agente sai do hospedeiro. As principais portas de saída são: » respiratória: apresenta maior dificuldade de controle. » geniturinária: via urinária e genitália. » digestiva: contaminação oral: transmitida por contato com água ou alimentos contaminados. » pele: contaminação por lesões superficiais ou picadas, mordeduras, perfuração por agulhas. » placentária: durante a gestação de mãe para filho. Ao saber a porta de saída e de entrada do agente biológico, é possível empreender medidas de prevenção. Cadeia de transmissão e Vigilância Epidemiológica de doenças de grande importância para a saúde pública brasileira Tuberculose: Cadeia de transmissão Ainda não está sob controle. Vigilância Epidemiológica Objetivo: identificar as possíveis fontes de infecção, os contatos de todo novo caso de tuberculose, principalmente aqueles que conviveram diretamente com o doente. Notificação: a tuberculose deve ser notificada obrigatoriamente. Definição de caso: » Suspeito: indivíduo com sintomas sugestivos de tuberculose pulmonar, com tosse por três ou mais semanas, perda de peso e apetite, febre e exame radiológico suspeito; paciente com imagem de Raios X compatível com tuberculose; sintomático respiratório. Tosse há mais de três semanas. » Confirmado: paciente com duas baciloscopias positivas (exame de escarro); baciloscopia negativa, mas imagem de Raios X sugestiva de tuberculose e exame clínico que sugira a doença; paciente com evidências clínicas, uma cultura positiva e achados laboratoriais compatíveis. Medidas de controle: » busca de sintomáticos respiratórios e elucidação do diagnóstico; » isolamento respiratório de pacientes internados com diagnóstico de tuberculose; » controle de contatos que convivam com o doente, especialmente no mesmo domicílio; » vacinação com a vacina BCG; » tratamento de infecção latente ou quimioprofilaxia – uso do medicamento isoniazida para diminuir o risco de adoecimento; » esclarecer a comunidade quanto às formas de transmissão, prevenção e tratamento da doença. Hanseníase: Cadeia de transmissão É uma doença milenar que no Brasil tem alta prevalência e sua transmissão se dá com o contato contínuo e duradouro. Vigilância Epidemiológica Objetivo: detectar e tratar precocemente os casos novos, a fim de quebrar a cadeia de trans- missão e prevenir as incapacidades físicas decorrentes da doença e fazer busca ativa de todos os contatos do doente para realizar exames dermatoneurológicos que, se positivos, devem iniciar o tratamento. Notificação: deve ser notificada obrigatoriamente. Medidas de controle: » diagnóstico precoce dos casos, por meio de busca ativa; » vigilância em menores de 15 anos – fazer investigação para diagnóstico; » vigilância de recidivas (paciente que novamente apresenta a doença); » desenvolvimento de ações e acompanhamento de áreas de ex-colônias de hanseníase; » prevenção de incapacidades; » vacinação com a BCG para contatos intradomiciliares. HIV/AIDS: Cadeia de transmissão Vigilância Epidemiológica Objetivo: acompanhar a tendência de disseminação da doença e dos comportamentos de risco, a fim de orientar as medidas de controle e de prevenção do HIV/AIDS para reduzir o adoecimento e a mortalidade. Notificação: todo caso confirmado deve ser notificado por profissional de saúde, mediante preenchimento de ficha de notificação do SINAN. Definição de caso: Medidas de controle: » prevenção de transmissão sexual por meio de educação e informação de prática de sexo seguro pelo uso de preservativo masculino e feminino; » prevenção de transmissão sanguínea – triagem de doadores de sangue afastando aqueles com risco de infecção pelo HIV; realização de procedimentos com uso de pérfuro-cortantes com extrema atenção e segurança e uso de descarte adequado desse material; uso de EPI; prevenção de transmissão materno-infantil do HIV por quimioprofilaxia e indicação de parto cesariana se necessário; triagem e testagem adequada de doadores de órgãos e sêmen. Dengue: Cadeia de Transmissão Vigilância Epidemiológica Objetivo: diminuir a infestação pelo Aedes Aegypti, reduzir a incidência (casos novos) da dengue e reduzir a letalidade por Febre Hemorrágica da Dengue (FHD). Notificação: a notificação é compulsória mediante uso de ficha específica do SINAN e a investigação é muito importante principalmente quando surgem os primeiros casos em uma determinada área. Definiçãode caso: » Suspeito de Dengue: toda pessoa com febre aguda com duração de até sete dias, acompanhada de ao menos dois sintomas, como: cefaleia, dor retro-orbitária, mialgias, artralgias, prostração, exantema e ter estado em área em que há casos. » Dengue Clássico: confirmado em laboratório ou por critério clínico-epidemiológico em caso de epidemia já instalada. » Febre Hemorrágica da Dengue: FHD – confirmado em laboratório e apresentando trombocitopenia, tendências hemorrágicas, petéquias, equimoses, sangramento de mucosa do trato gastrointestinal, entre outros. » Dengue com complicações: todo caso que não se caracteriza como FHD, mas apresenta alterações graves do sistema nervoso, disfunção cardiorrespiratória, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, entre outros. Medidas de controle: se restringem ao vetor – Aedes Aegypti – tendo em vista que não há vacinas ou drogas específicas para tratamento. As ações são voltadas à eliminação e tratamento de criadouros, realizadas em inspeções em domicílios e preconizadas por ações de educação em saúde e de mobilização social.