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2016 Planejamento e administração em serviço social Prof.ª Vera Lúcia Hoffmann Pieritz Copyright © UNIASSELVI 2016 Elaboração: Prof.ª Vera Lúcia Hoffmann Pieritz Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 360 P615p Pieritz, Vera Lúcia Hoffmann Planejamento e administração em serviço social/ Vera Lúcia Hoffmann Pieritz Indaial : UNIASSELVI, 2016. 277 p. : il. ISBN 978-85-7830-945-9 1.Serviço Social. I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Impresso por: III aPresentação Caro acadêmico! Tudo bem com você? Esperamos que sim. Sou Mestre em Desenvolvimento Regional, Especialização em Educação a Distância: Gestão e Tutoria e MBA Profissional em Gestão Administrativa e Marketing. Tenho Graduação em Serviço Social e em Direito. Com experiência profissional em coordenação do Curso de Serviço Social e de estágios curriculares obrigatórios, além de docência no Ensino Superior e orientadora de Trabalho de Conclusão de Curso. Assistente Social do Artigo 170/UNIASSELVI. Conselheira Municipal dos Direitos do Idoso e dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes de Indaial/SC, integrante do Núcleo de Educação Permanente do SUAS/SC. Consultora Empresarial na área de gestão. Tenho experiência na área de Serviço Social, Estágio, consultoria e assessoria técnica de gestão, atuando principalmente nos seguintes temas: economia solidária, redes, políticas públicas, gestão, autogestão, Planejamento Estratégico, organização empresarial e serviço social. Iniciaremos os estudos de Planejamento e Administração em Serviço Social. Entraremos no mundo intrínseco do pensamento administrativo e seus princípios norteadores, no qual trabalharemos a questão da gestão empresarial contemporânea e da administração pública nos planos, programas e projetos sociais. Além de adentrarmos também no mundo intrínseco do planejamento e da estratégia, analisando seus princípios norteadores, sua origem e evolução. Portanto, esta disciplina aborda os significados das dimensões administrativas, técnicas e processuais da gestão e do planejamento institucional e das ações profissionais do assistente social, na elaboração, desenvolvimento, aplicabilidade e análise, de modo prático, dos projetos e programas sociais, além de propiciar uma reflexão acerca do espaço profissional do assistente social na gestão e elaboração de planejamento, programas e projetos sociais, de certa forma que você, acadêmico(a), possa trabalhar esses conceitos de maneira crítica e consciente e promover uma discussão sobre as questões da exclusão, pobreza e desigualdade social. Na primeira unidade, você discutirá questões em torno da gestão e administração na atualidade, no intuito de compreender a evolução e o significado do pensamento administrativo e suas novas concepções organizacionais e aprofundar os conhecimentos acerca da gestão organizacional contemporânea, além de possibilitar ao aluno a compreensão do processo da gestão participativa e o processo de tomada de decisão coletiva na gestão pública e privada. Nesta supracitada unidade também promoveremos a reflexão e a discussão sobre o significado dos planos, dos programas e dos projetos sociais brasileiros. IV Na segunda unidade, discutiremos questões em torno da estratégia e do planejamento social e institucional, no intuito de compreender o significado do planejamento e da estratégia e seus princípios norteadores no âmbito social e institucional, além de arraigar os conhecimentos acerca da importância do planejamento na gestão de programas e projetos sociais; aproximar- se das diversas posturas típicas dos gestores e de sua equipe de trabalho, além de entrar em contato com as diversas atitudes comportamentais dos gestores e de sua equipe de trabalho, no que tange ao futuro profissional e institucional. Você poderá entender como se processa o planejamento de programas e projetos sociais, estudando os seus significados e conhecimentos acerca da prática dos instrumentos de planejamento em programas e projetos sociais. Identificaremos também os diversos modelos contemporâneos de planejamento, de programas e de projetos sociais. Na terceira e última unidade, você compreenderá a questão da esfera pública e privada e da gestão de políticas públicas e sociais, em que estudaremos o significado da gestão/administração pública e nos aprofundaremos acerca dos conhecimentos das políticas públicas brasileiras. Além de possibilitar ao acadêmico a identificação de diversas políticas sociais no âmbito nacional e compreender a trajetória profissional dos assistentes sociais em processos de gestão das organizações públicas ou privadas. Pronto para começar a compreender o significado do planejamento e administração em serviço social? Pronto para atuarmos estrategicamente no planejamento de nossas ações profissionais nos diversos planos, programas e projetos sociais? Então vamos à luta, e bons estudos! SUCESSO! Prof.ª Vera Lúcia Hoffmann Pieritz V Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA VI VII UNIDADE 1 – GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA .................................................. 1 TÓPICO 1 – NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES .................... 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 AS TRANSFORMAÇÕES DOS PROCESSOS DE GESTÃO ...................................................... 4 3 ADMINISTRANDO A MUDANÇA ORGANIZACIONAL ........................................................ 9 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 12 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 14 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 15 TÓPICO 2 – A GESTÃO NA ATUALIDADE .....................................................................................17 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 17 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA GESTÃO NA ATUALIDADE ....... 17 3 GESTÃO HOLÍSTICA ......................................................................................................................... 29 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 32 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 33 TÓPICO 3 – GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL .................................................................. 35 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 35 2 PARTICIPAÇÃO: CONCEPÇÕES INICIAIS .................................................................................. 36 3 GESTÃO PARTICIPATIVA: BREVES CONSIDERAÇÕES ......................................................... 41 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 44 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 46 TÓPICO 4 – PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA ............................................ 51 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 51 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ......... 51 3 COMO TOMAR DECISÕES? ............................................................................................................ 55 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 67 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 68 TÓPICO 5 – DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS............... 71 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71 2 PLANO .................................................................................................................................................... 72 3 PROGRAMAS ....................................................................................................................................... 74 4 PROJETOS ............................................................................................................................................. 76 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 78 RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................ 80 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 81 sumário VIII UNIDADE 2 – A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL .......... 83 TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO .......... 85 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 85 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DA ESTRATÉGIA ........................................................... 86 3 MOTIVAÇÕES PARA O PENSAMENTO ESTRATÉGICO ......................................................... 90 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 99 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................101 TÓPICO 2 – A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL .................................................................103 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103 2 O SIGNIFICADO DAS ESTRATÉGIAS EM SERVIÇO SOCIAL ............................................105 3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA UTILIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL .............................................................................................................................106 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................110 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................111 TÓPICO 3 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL ......................................................................................113 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................113 2 CONCEPÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO: UM ESTUDO CONCEITUAL .....................................................................................................................................114 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................125 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................126 TÓPICO 4 – PLANEJAMENTO NO SERVIÇO SOCIAL ..............................................................129 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................129 2 PLANEJAMENTO SOB O ENFOQUE SOCIAL ...........................................................................130 3 O PLANEJAMENTO COMO INSTRUMENTO DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL ...............................................................................................................131 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................133 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................134 TÓPICO 5 – DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS .....................................................................135 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................135 2 DICAS E ASPECTOS HISTÓRICOS DO PLANEJAMENTO DE PROJETOS SOCIAIS ....137 3 CICLO DE VIDA DO PROJETO SOCIAL .....................................................................................139 4 ETAPAS BÁSICAS E PARTES DO PLANEJAMENTO ...............................................................141 5 PROCESSO E FASES METODOLÓGICAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO .........142 6 MODELO DE PLANEJAMENTO ....................................................................................................153 7 MODELO DE PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS ...............................................................156 8 AVALIAÇÃO DOS PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS ..................................169 LEITURA COMPLEMENTAR 1 ..........................................................................................................170LEITURA COMPLEMENTAR 2 ..........................................................................................................173 LEITURA COMPLEMENTAR 3 ..........................................................................................................176 RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................178 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................180 IX UNIDADE 3 – GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS ..........................................191 TÓPICO 1 – A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO ..........................................193 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................193 2 ESFERA PÚBLICA ..............................................................................................................................194 3 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................................................................202 4 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA ...........................................................210 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................216 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................217 TÓPICO 2 – ÓRGÃOS PÚBLICOS ....................................................................................................219 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................219 2 ÓRGÃOS PÚBLICOS ........................................................................................................................220 3 A FUNÇÃO, O CARGO E OS AGENTES PÚBLICOS ................................................................231 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................237 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................238 TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS...........................................................................241 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................241 2 ASPECTOS CONCEITUAIS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS ......................................................242 3 AS FASES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS .......................................................................................247 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................249 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................250 TÓPICO 4 – A AÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS ..............................................................................................253 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................253 2 A GESTÃO SOCIAL E OS DILEMAS GERENCIAIS DO SERVIÇO SOCIAL .....................253 3 O ASSISTENTE SOCIAL E SUA INTERVENÇÃO COMO GESTOR.....................................259 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................261 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................262 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................265 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................271 X 1 A partir desta unidade, você será capaz de: • compreender a evolução e o significado do pensamento administrativo e suas novas concepções organizacionais; • aprofundar os conhecimentos acerca da gestão organizacional contemporânea; • compreender o processo da gestão participativa; • compreender o processo de tomada de decisão coletiva; • diferenciar as características de plano, programas e projetos sociais; • reconhecer os projetos sociais como estratégia teórico-metodológica de intervenção social. UNIDADE 1 GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A Unidade 1 está dividida em cinco tópicos e, ao final de cada um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos realizando as atividades propostas. TÓPICO 1 – NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES TÓPICO 2 – A GESTÃO NA ATUALIDADE TÓPICO 3 – GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL TÓPICO 4 – PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA TÓPICO 5 – DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 1 INTRODUÇÃO Antes de qualquer coisa, prezado acadêmico, precisamos compreender que estamos vivendo em uma sociedade de constantes transformações e mudanças de paradigmas. E na administração ou gestão empresarial, pública ou social não é diferente, mas os gestores devem administrar estas mudanças constantemente, para assim poder atingir suas metas com eficiência, eficácia e efetividade. UNI Mudanças acontecem o tempo todo! Mas devemos estar atentos a elas, pois acontecem cada vez mais rápido. “Transformação é uma porta que só se abre por dentro” Velho provérbio francês UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 4 NOTA Para Heloani (2002), o capital e o trabalho se fortalecem com a prosperidade, transformação e a cooperação. Entretanto, o discurso da prosperidade se desdobra para a produção. A cooperação se converte em eficiência e aperfeiçoamento de pessoal. E isto demonstra que devemos estar antenados com as mudanças de comportamento organizacional. Neste sentido, apresentaremos no quadro a seguir uma síntese destas mudanças no pensamento administrativo ao longo da história da humanidade: Entretanto, primeiramente devemos compreender o significado de MUDANÇA, mas a mudança nos processos de gestão/administração, para depois compreender os conceitos e características da gestão na atualidade. 2 AS TRANSFORMAÇÕES DOS PROCESSOS DE GESTÃO Prezado acadêmico, iremos percorrer neste momento, sinteticamente, por algumas fases históricas da transformação dos processos de gestão organizacional, para posteriormente compreender as novas concepções sobre o papel das organizações na contemporaneidade. Deste modo, podemos observar que, historicamente, as teorias de gestão administrativa vêm se modificando conforme a própria evolução e transformação da sociedade. TÓPICO 1 | NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 5 QUADRO 1 – A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ADMINISTRATIVO FONTE: TAVARES, Luis Antonio. Apostilas de gestão empresarial e principais teorias e escolas da administração. Publicado em Uncategorized - agosto de 2009. Endereço eletrônico: <http:// admprofluiztavares.wordpress.com/2009/08/24/apostilas-de-gestao-empresarial-e-principais- teorias-e-escolas-da-administracao/>. Acesso em: 5 jan. 2016. Fases Históricas da Administração 1776 1860 1914 1945 1980 2000 Fase Artesanal 1º Revolução Industrial 2º RevoluçãoIndustrial Fase do Gigantismo Industrial Fase do Pós- Guerra Fase da Incerteza (3º Revolução Industrial) Fase do Conhecimento e Comunicação (4º Revolução Industrial) • Artesanato e agricultura feitos de forma rudimentar • Comércio baseado no regime de troca (escambo). • Mecanização das oficinas e maquinário agrícola • O trabalho do homem, do animal e da roda d'água é substituído pelo trabalho da máquina, surgindo o sistema fabril. • As novas oportunida- des de trabalho provocam migrações e consequente urbanização ao redor dos centros industriais • Há uma renovação nos meios de transporte e comunicações: surgem a navegação a vapor, a locomotiva a vapor, o telégrafo e o telefone. Inicia com a introdução definitiva da maquinaria automática e da especialização do operário. Há uma intensa transformação nos meios de transporte e nas comunicações; surgem estrada de ferro, o automóvel, o avião, o rádio. O capitalismo financeiro se consolida e surgem os primeiros bancos e financeiras. O crescimento acelerado e desorganizado das empresas passou a exigir uma administração científica capaz de substituir a baixa experiência e a improvisação. Primeiros administrativos: - Frederick W. TAYLOR - Henry FAYOL - Henry FORD • Duas Guerras Mundias 1ª - de 1914 a 1918 2ª de 1939 a 1945 • Crises econômicas (queda da bolsa americana em 1929). • Desfronteirização das empresas em âmbito mundial. • Exploração petroquímica. • Rádio e televisão tomam o mundo "menor". • Ao lado de empresas multinacionais surgem e se desenvolvem empresas nacionais de grande porte, como: • PETROBRAS • COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL (CSN) • VOTORANTIM • CERVEJARIA BRAHMA • BRADESCO • ITAÚ, entre outras. Nítida separação entre os países que se desenvolveram e os países que não se desenvolveram industrialmente e economi- camente. Surgimento de materiais básicos, como: plástico, alumínio, fibras têxteis, concreto usinado, entre outros. Primeiras centrais de processamento de dados. Disseminação dos princípios de qualidade. Caracterizada pela revolução dos computadores e seus aperfeiçoados programas (CNC, Mecatrônica e Robótica). Concorrência acirrada. Dificuldades na colocação de seus produtos ou serviços no mercado. Dificuldades em entender as ações do mercado e dos concorrentes. Plena mudança. As tradições do passado não resolvem com eficácia os problemas atuais. TUDO MUDOU, E A ADMINISTRA- ÇÃO TAMBÉM Sobreviverão as organizações que tiverem conhecimento diferenciado, conhecimento de marketing, logística, administração e demais áreas funcionais. Além disso, tudo deve comunicar de forma simples, objetiva e sem excesso pode ser o erro. Profissionais, da mesma forma, devem ter amplo conhecimento, ser bom não basta mais, tem que ser diferente, tem que agregar conhecimento à estrutura da organização. FONTE: SILVA, Jônatas R, As 4 revoluções industriais, Endereço Eletrônico www. administradores. com.br/artigo/ marketingas- 4-revolucoes- industriais/ 59504/,acesso em 05/01/2016. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 6 Em outros termos, na figura 01 poderemos visualizar a cronologia da evolução das teorias administrativas, desde as abordagens clássicas até chegarmos às abordagens mais contemporâneas. Vejamos: FIGURA 1 - EVOLUÇÃO DAS ABORDAGENS ADMINISTRATIVAS FONTE: Elaborado pela autora baseada nos dados extraídos de: a) FERREIRA, Ademir A., REIS, Ana Carla F., PEREIRA, Maria Isabel. Gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias: evolução e tendências da moderna administração de empresas. São Paulo: Thomson Learning, 2006. b) MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 2002. c) MARTINS, Petrônio G., LAUGENI, Fernando Piero. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 1890 1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2005 2010 Administração Sistemática Teoria das Contingências Teoria dos Sistemas Comportamento Organizacional Administração Quantitativa Gestão Administrativa Toyotismo ORGANIZAÇÃO GLOBAL6 SIGMA e linmanufacturing Reengenharia Organização Inteligente Gestão da Qualidade Total Relações Humanas Burocracia Administração Cientifica Abordagens CLÁSSICAS Abordagens CONTEMPORÂNEAS Neste sentido, podemos observar que cada vez mais os processos de gestão organizacional vão se tornando mais complexos, pois os mesmos vão se aprimorando conforme as novas exigências de mercado. Pois, Vivemos em um mundo que está se tornando crescentemente complexo. In- felizmente, os nossos estilos de pensamento raramente acompanham essa complexidade. Frequentemente terminamos por nos persuadir de que tudo é mais simples do que realmente é, lidando com a complexidade de forma a presumir que ela realmente não exista. Isso fica muito evidente pelo modo como modismos dominam as abordagens para a análise organizacional e re- solução de problemas, caracterizando um interesse em um tipo de solução ou conjunto de técnicas que rapidamente dão lugar a outras. [...] as organizações são geralmente complexas, ambíguas e paradoxais. O real desafio é aprender a lidar com essa complexidade. (MORGAN, 2002, p. 20). Então, prezado acadêmico, podemos expor que no decorrer da história da humanidade sobre a Terra, os seus modos e processos de gestão também vêm evoluindo e se transformando conforme a necessidade da própria sociedade. MUDANÇA! TRANSFORMAÇÃO! MODIFICAÇÃO! ALTERAÇÃO! MUTAÇÃO! EVOLUÇÃO! Entre outros... Lidamos com estes substantivos da realidade cotidiana em nossas organizações e em nossas famílias e na sociedade em que vivemos. TÓPICO 1 | NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 7 DICAS Prezado acadêmico, para aprofundar os seus conteúdos referentes à questão de mudança, sugerimos a leitura do seguinte livro e que você assista ao seguinte vídeo: JOHNSON, Spencer. Quem mexeu no meu queijo? Tradução de Maria Clara de Biase. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000. VÍDEO: Quem mexeu no meu queijo? Acesso em: <http://www.youtube.com/ watch?v=l6sCdGsag80>. Pois bem, prezado acadêmico, precisamos compreender que os seres humanos necessitam estar constantemente se adaptando a estas novas mudanças, seja mudança organizacional ou subjetiva. Não importa o tipo da mudança, pois para sobrevivermos no âmbito organizacional se faz necessário nos adaptar a esta nova realidade, a estes novos métodos de gestão. Neste sentido, “a maioria dos gerentes bem-sucedidos sabe disso e tenta criar ambientes que ajudem as pessoas a mudar e apreciar as mudanças. Quando a velocidade da mudança aumenta, mais do que nunca todos nós precisamos nos adaptar.” (JOHNSON, 2000, p. 14), pois vivemos em um mundo de constantes transformações, e quem não acompanhar as mesmas fica para trás neste mundo tão competitivo. Mas, quais as PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS da nova e velha organização? Após a verificação destas fases da mudança administrativa, podemos observar que a economia também passa por elas, modificando assim os ambientes internos de gestão da organização pública ou privada. Vejamos no quadro 02 uma síntese das mudanças organizacionais: QUADRO 2 - MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS “VELHA ORGANIZAÇÃO” “NOVA ORGANIZAÇÃO” • Fronteiras nacionais limitam a competição • As fronteiras nacionais são quase insignificantes nos limites de operação de uma organização • Empregos estáveis • Empregos sem garantia de estabilidadeUNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 8 • A qualidade é uma reflexão tardia • O aprimoramento contínuo e a satisfação do cliente são essenciais • As grandes corporações fornecem segurança no emprego • As grandes corporações estão reduzindo drasticamente o número de funcionários • A hierarquia proporciona eficiência e controle • Desmantele a hierarquia para aumentar a flexibilidade • Os gerentes tomam decisões sozinhos • Os funcionários participam das decisões FONTE: TAVARES, Luis Antonio. Apostilas de gestão empresarial e principais teorias e escolas da administração. Agosto de 2009. Disponível em: <http://admprofluiztavares. wordpress. com/2009/08/24/apostilas-de-gestao-empresarial-e-principais-teorias-e-escolas-da- administracao/>. Acesso em: 5 jan. 2016. Podemos observar ainda que, com as mudanças de procedimetos de gestão, as competências administrativas também foram mudando ao longo dos tempos. Vejamos no quadro 03 estas mudanças: QUADRO 3 - AS NOVAS COMPETÊNCIAS DA GESTÃO TRAÇOS TRADICIONAIS QUALIDADES DE ELEVADO DESEMPENHO • Conformidade • Inovador • Autoritarismo • Assimilador, aprendiz e coreógrafo • Heroico – centro das atenções • Compartilha poder e atenção • Isolado, separado, indiferente • Acessível, próximo • Delegador e hierárquico • Condutor, alavancador e criador de redes • Especialização em áreas tradicionais • Generalista com expertise em várias áreas • Conhecimento extensivo da indústria • Experiência em muitas indústrias • Posse de um cargo a longo prazo • Portfólio de conhecimentos diversificados • Alto controle e comando • Empowerment e patrocinador • Orientação doméstica e internalizada • Perspectiva global • Cria consenso quando necessário • Cria coalizões e fomenta colaboração • Conhecimento íntimo da organização • Conhecimento íntimo do cliente • Atenção nos concorrentes • Conhecimento dos concorrentes FONTE: CHIAVENATO, Idalberto e SAPIRO, Arão. Planejamento estratégico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. TÓPICO 1 | NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 9 NOTA NOTA Às vezes – disse Haw –, as coisas mudam e nunca mais são as mesmas. Essa parece ser uma dessas ocasiões. É a vida! A vida segue em frente, e nós também deveríamos fazer o mesmo. (JOHNSON, 2000, p. 45). Na administração a MUDANÇA é considerada parte da vida cotidiana. A mudança tem várias formas, incluindo novos métodos de realizar o trabalho, novos produtos ou serviços, novas estruturas organizacionais e novas diretrizes de pessoal e benefícios para os empregados. (MEGGINSON, MOSLEY, PIETRI JR, 1998, p. 432). 3 ADMINISTRANDO A MUDANÇA ORGANIZACIONAL Prezado acadêmico, sabemos que vivemos em transformação constante, mas em uma organização os seus gestores devem compreender este processo de mudança, principalmente quais os motivos que levam a estas transformações, ou seja, as forças causadoras de mudanças, sejam mudanças internas ou externas à organização. Então, você compreende estas forças causadoras de mudança? Se SIM, que legal! NÃO COMPREENDO, professora! A senhora tem como explicar para mim o que causa as mudanças organizacionais? Sim, prezado acadêmico, vamos lá: Sabemos que somos diferentes e temos características e subjetividades diferentes. Por isso mesmo, reagimos de formas diferentes e damos respostas diferentes às mudanças culturais e organizacionais. A mudança “PARA NÓS” provoca ansiedade, frio na barriga e insegurança, coloca- nos na defensiva, pois temos MEDO do novo, do desconhecido, provocando assim o RESSENTIMENTO. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 10 A mudança “PARA NÓS” provoca exaltação e júbilo, colocando-nos num processo de exultação, de ALEGRIA, gerando um ORGULHO da transformação. Neste sentido, prezado acadêmico, devemos compreender as FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS DE MUDANÇA, para assim poder assimilar melhor esta questão da mudança organizacional. Pois, como todos sabem, vivemos em uma sociedade repleta de informações, e estas, por sua vez, refletem em nossos processos de tomada de decisão. E estas forças advêm tanto de dentro de nossas organizações como externamente a elas. Vejamos na figura 02 quais são estas forças internas e externas de mudança organizacional. FIGURA 2 - FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS À ORGANIZAÇÃO FONTE: MEGGINSON, Leon C. , MOSLEY, Donald C. , PIETRI JR. Paul H. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. Tradução Maria Isabel Hopp. São Paulo: Harbra,1998. p. 433 EDUCACIONAIS CULTURAIS RECURSOS NATURAIS SOCIAIS ECONÔMICAS TECNOLÓGICAS POLÍTICAS/ LEGAIS ORGANIZAÇÃO ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Atividades/Habilidades/Atitudes dos Empregados D IR ETR IZES Tecnologia, Recursos O B JE TI VO S FORÇAS INTERNAS DE MUDANÇAFORÇAS EXTERNAS DE MUDANÇA No que tange às FORÇAS EXTERNAS DE MUDANÇA, podemos compreender que no ambiente externo e não controlado pela organização sofremos influência direta de vários setores, e estes, por sua vez, influenciam diretamente as decisões dos gestores organizacionais, gerando, muitas vezes, mudanças significativas nos processos administrativos e nas decisões. São elas: Mudanças educacionais: se os padrões educacionais mudarem, consequentemente as relações organizacionais também serão diferentes, pois a concepção das coisas pode vir a ser diferente. Mudanças sociais: os fatores sociais, das relações do homem em sociedade, incidem/ influenciam diretamente no comportamento dentro da organização. TÓPICO 1 | NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 11 Mudanças culturais: conforme muda a cultura organizacional de uma determinada organização, seus métodos de gestão tendem a mudar também. Pois, de acordo com a visão de mundo, os gestores administram sua organização. Mudanças econômicas: conforme a mudança da economia, as organizações precisam adequar estrategicamente suas ações para continuarem sendo sustentáveis. Mudanças tecnológicas: as empresas necessitam estar antenadas com as inovações tecnológicas, para assim adequarem seus processos produtivos para continuarem competitivas no mercado. Mudanças ambientais: o meio ambiente vive em constante transformação, e, de acordo com o que pode vir a acontecer no meio ambiente, as empresas também devem se amoldar a estas novas adequações ambientais. Mudanças políticas/legais: as leis e os representantes políticos podem mudar de tempos em tempos, situação em que as empresas precisam se readequar à reestruturação das mesmas. Já com relação às FORÇAS INTERNAS DE MUDANÇA, devemos compreender que no ambiente interno das organizações também sofremos processos de mudanças por causa de forças advindas dos processos de gestão/ administração, ou seja, em sua estrutura organizacional. São elas: Atividades, habilidades e atitudes dos colaboradores: conforme a habilidade e atitude do colaborador, sua atividade pode mudar, pois conforme a capacidade técnica do colaborador, sua atividade laboral irá ser definida. E a mesma pode mudar: conforme a especialização constante (cursos, treinamentos etc.) do colaborador, o mesmo pode vir a desenvolver novas atividades dentro da organização. Nas Diretrizes Organizacionais: a organização não pode ser estanque, ela poderá mudar seu grande objetivo (missão), em parte ou totalmente, ou seja, a organização pode vir a mudar de ramo ou público-alvo, então suas normas e diretrizes também mudam. Nos objetivos: os objetivos, conforme a realidade da organização e do mercado, também podem mudar. Na Tecnologia e recursos: conforme a necessidade organizacional, a tecnologia e seus recursos podem mudar. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 12 Prezado acadêmico, desafio você a fazer uma lista apontando as cinco principais mudanças relevantes que aconteceramcom você desde o seu nascimento, com relação à sua família, a você mesmo (ser individual), profissionalmente e sua vida em sociedade, preenchendo a tabela a seguir. Depois socialize com seus colegas no seu encontro presencial: AUTOATIVIDADE FAMÍLIA SUBJETIVA PROFISSIONAL SOCIEDADE Agora que você refletiu sobre as principais mudanças que vivenciou ao longo de sua história e também conheceu um pouco mais os seus colegas, iremos compreender como poderemos lidar com estes processos de mudanças em nossas vidas. Pois, prezado acadêmico, você saberia quais são as MANEIRAS DE LIDAR COM A MUDANÇA? Temos duas madeiras distintas de lidar com os processos de transformação ou mudança, seja ela pessoal, profissional ou organizacional. TÓPICO 1 | NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES 13 Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte livro e assista ao filme indicado LIVRO: Vejamos: Conforme Megginson, Mosley, Pietri Jr (1998), as mudanças poderão ocorrer: NO PROCESSO REATIVO DE MUDANÇA: no qual a administração tenta conservar a organização em um ritmo constante resolvendo os problemas à medida que surgem cotidianamente. NO PROCESSO PROATIVO OU PLANEJADO DE MUDANÇA: em que a administração tenta mudar estabelecendo um novo curso e não corrigindo o atual, deixando de lado o que vinha executando para desenvolver novas estratégias de ação. Se você não mudar, MORRERÁ. (JOHNSON, 2000, p. 46). IMPORTANT E INDICAÇÃO DE LEITURA E FILME COMPLEMENTAR DICAS FERREIRA, Ademir A., REIS, Ana Carla F., PEREIRA, Maria Isabel. Gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias: evolução e tendências da moderna administração de empresas. São Paulo: Thomson Learning, 2006. FILME: MONSTROS S.A. 14 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado das NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES, no qual foram abordados os seguintes itens: Vimos que as mudanças sempre existiram, mas o novo é a velocidade com que elas estão ocorrendo na atualidade. Passamos rapidamente pela fase histórica do pensamento administrativo. Vimos que no decorrer da história da humanidade sobre a Terra, os seus modos e processos de gestão também vêm evoluindo e se transformando conforme a necessidade da própria sociedade. Estudamos as principais características que norteiam a nova e velha organização. Na administração a mudança é considerada parte da vida cotidiana. Vimos que a mudança tem várias formas, incluindo novos métodos de realizar o trabalho, novos produtos ou serviços, novas estruturas organizacionais e novas diretrizes de pessoal e benefícios para os empregados. Estudamos as diversas forças que causam as mudanças organizacionais, tanto as forças internas como externas à organização. Também vimos as duas maneiras como os gestores lidam com a mudança. Expusemos que a gestão organizacional é um processo que analisa constantemente o seu ambiente interno e externo, buscando identificar seus pontos fortes e fracos dentro da organização para assim melhorar os fracos e pontencializar os fortes, além de identificar suas oportunidades e ameaças no mercado para promover estratégias de ampliação de seus negócios. Vimos que as organizações devem gerir seus empreendimentos sociais, públicos ou privados de forma inovadora e conectadas com as transformações ambientais internas e externas às empresas. Vimos que o gestor público ou privado precisa estar apto a perceber, refletir, decidir e agir em condições diferentes do que no passado. RESUMO DO TÓPICO 1 15 1 Vivemos num mundo de constantes transformações, tanto pessoais como profissionais e organizacionais. Deste modo, os processos de gestão também vêm se transformando ao longo da história da humanidade na Terra, situação que denota mudanças administrativas e organizacionais para que as organizações possam continuar competitivas no mercado. Portanto, classifique V para as sentenças verdadeiras que apresentem as PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS das novas organizações contemporâneas, e F para as falsas: ( ) Empregos estáveis. ( ) As grandes corporações fornecem segurança no emprego. ( ) O aprimoramento contínuo e a satisfação do cliente são essenciais. ( ) Os funcionários participam das decisões. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) V – F – V – F. d) ( ) F – F – V – V. 2 Mudança! Transformação! Modificação! Alteração! Mutação! Evolução! Entre outros adjetivos para representar o momento atual em que as organizações estão vivenciando. Neste sentido, se faz necessário que as organizações contemporâneas desenvolvam novos procedimetos de gestão e competências administrativas. Assim, analise as assertivas a seguir que representam as qualidades que proporcionem às organizações um elevado desempenho organizacional: I – Conformidade e autoritarismo. II – Inovador e compartilha poder e atenção. III – Perspectiva global e cria coalizões, além de fomentar a colaboração. IV – Atenção nos concorrentes e cria consenso quando necessário. V – Portfólio de conhecimentos diversificados e é generalista com expertise em várias áreas. Após a análise das assertivas acima, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e IV estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa IV está correta. c) ( ) As afirmativas II, III e V estão corretas. d) ( ) As afirmativas I, II e V estão corretas. AUTOATIVIDADE 16 17 TÓPICO 2 A GESTÃO NA ATUALIDADE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO INOVAR É PRECISO Tantas vezes pensamos ter chegado. Tantas vezes é preciso ir além. (Fernando Pessoa) Neste tópico trabalharemos primordialmente as características da gestão na atualidade. Conceitos estes primordiais para o bom desempenho dos gestores públicos ou privados. Iremos refletir e buscar compreender as principais características do conceito de gestão, pois todas as instituições, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor, necessitam ser geridas condizentemente para assim obter o sucesso almejado. Neste sentido, este tópico proporcionará a você, prezado acadêmico, um momento de construção do conhecimento relativo a estes mecanismos organizacionais de gestão, em que se buscará apresentar os conceitos fundamentais de gestão institucional brasileira. 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA GESTÃO NA ATUALIDADE Prezado acadêmico, inicialmente iremos refletir um pouco sobre o conceito de gestão em si, para posteriormente você compreender a importância da gestão no mundo institucional. Veja a figura a seguir: UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 18 FIGURA 3 - CONCEITO DE GESTÃO GESTÃO MEIO AMBIENTE oportunidades ameaças É um processo que consiste na análise sistemática dos pontos fortes e fracos da empresa, e das oportunidades e ameaças do meio ambiente com o intuito de estabelecer objetivos, estratégias e ações que possibilitem um aumento da competitividade empresarial. objetivos estratégias ações RESULTADOS pontos fortes pontos fracos EMPRESAELEMENTOS BÁSICOS FONTE: Adaptado de CHIAVENATTO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000. Então podemos expor que a gestão organizacional é um processo que analisa constantemente o seu ambiente interno e externo, buscando identificar seus pontos fortes e fracos dentro da organização, para assim melhorar os fracos e pontencializar os fortes, além de identificar suas oportunidades e ameaças no mercado para promover estratégias de ampliação de seus negócios. O fato de que as COISAS SIMPLES é que verdadeiramente contam para o futuro da empresa. ATENCAO Agora devemos compreender que as organizações devem gerir seus empreendimentossociais, públicos ou privados de forma inovadora e conectadas com as transformações ambientais internas e externas às suas organizações. Para isto, as mesmas devem levar em consideração algumas regras básicas para esta gestão inovadora. Segundo Vasconcellos Filho e Pagnoncelli (2001, p. 28), são elas: “Diagnóstico realista; criar desafios; ter clara a ambição estratégica; valorizar a criatividade; valorizar a implementação; e aprender a mudar.” TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 19 • DIAGNÓSTICO REALISTA: devemos sempre e somente planejar, organizar, liderar e controlar nossas organizações pautados na realidade cotidiana da organização, ou seja, devemos tomar decisões sobre o que realmente está acontecendo dentro e fora da organização, em dados reais, estatísticos e históricos, e nunca sobre o que o outro está fazendo • CRIAR DESAFIOS: devemos estar abertos a novas oportunidades, desenvolvendo assim um espírito empreendedor em nossa equipe de trabalho. • TER CLARA A AMBIÇÃO ESTRATÉGICA: devemos saber qual o nosso negócio, a nossa missão, pois só assim poderemos ter claro o caminho que almejamos trilhar, ou seja, onde queremos chegar, qual objetivo queremos atingir. • VALORIZAR A CRIATIVIDADE: sempre devemos valorizar a ideia, projetos e a criatividade de todos os integrantes de nossa equipe de trabalho, pois assim possibilitaremos a todos uma valorização do trabalho, gerando contentamento e qualidade nos processos organizacionais. • VALORIZAR A IMPLEMENTAÇÃO: não podemos esquecer que não adianta de nada desenvolvermos o melhor planejamento e estratégia do mundo para solucionarmos os nossos problemas, se não dermos o devido valor e atenção de como iremos implementar o mesmo. Só um papel na gaveta não transforma a realidade cotidiana. • APRENDER A MUDAR: outro fator fundamental num processo de gestão é aprender a mudar, estar aberto para as transformações naturais da vida. NOTA “Neste mundo de mudanças rápidas e constantes, vencem as empresas prontas a responder e a se antecipar às mudanças. Os piores inimigos da gestão moderna são a complacência e a arrogância, pois levam a ações modestas, muitas vezes mortais para a empresa”. (CRESPI APUD VASCONCELLOS FILHO E PAGNONCELLI, 2001, p. 16). Mas, em que o GESTOR PÚBLICO OU PRIVADO precisa estar apto? Ele precisa estar apto: A PERCEBER A REFLETIR A DECIDIR A AGIR Em condições totalmente diferentes do que antes UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 20 E isto demonstra que hoje os gestores, sejam públicos ou privados, necessitam dar ÊNFASE NA GESTÃO, principalmente no aperfeiçoamento contínuo dos processos e técnicas administrativas. E isto só é possível quando o gestor constantemente tomar a frente pelo aprendizado e a inovação. As tranformações dos modos administrativos devem também levar em consideração outros aspectos fundamentais para uma boa gestão organizacional, ou seja, toda organização deve desenvolver alguns ATRIBUTOS ESSENCIAIS PARA COMPETIR neste mercado tão competitivo, que são: QUADRO 4 - ATRIBUTOS ESSENCIAIS PARA COMPETIR INFORMAÇÃO INOVAÇÃO VELOCIDADE FLEXIBILIDADE ESPECIALIZAÇÃO FONTE: A autora Mas tudo isto não leva a nada se os gestores não levarem em consideração os OBJETIVOS da organização, que são primordiais para um bom desenvolvimento organizacional. Vejamos no quadro 05 estes objetivos das empresas: QUADRO 5 – OBJETIVOS DA EMPRESA FONTE: Adaptado de RICHERS, Raimar. Marketing: uma visão brasileira. P. 65. São Paulo: Negócio Editora, 2000 SATISFAÇÃO DO CLIENTE: o objetivo principal é satisfazer o cliente, ou o público- alvo, pois se ele não gostar de nosso produto, ele não compra; se ele não compra, nós não vendemos, e se nós não vendemos não sobrevivemos ao mercado. Portanto, deve-se primordialmente pesquisar o que o cliente necessita, o que ele quer comprar, qual o seu desejo, para depois desenvolver o produto ou serviço a ser oferecido a ele. OBJETIVOS DA EMPRESA Responsabilidade perante os acionistas Responsabilidade ecológicas etc. Responsabilidade sociais Satisfação dos empregados Retorno sobre investimentos Satisfação do cliente TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 21 RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO: é óbvio que toda empresa precisa ter seu retorno econômico, político e social sobre o seu investimento, ou ele não sobrevive ao mercado. SATISFAÇÃO DOS EMPREGADOS: outro fator primordial para as organizações é que seus colaboradores devem estar satisfeitos e motivados a desenvolver suas atividades, pois só assim os mesmos desempenharão suas funções com maior eficiência, eficácia e efetividade. RESPONSABILIDADE PERANTE OS ACIONISTAS: a organização também deve estar preocupada com seus sócios e investidores, portanto a organização deve primar por uma organização que seja sustentável. RESPONSABILIDADE SOCIAL: as organizações devem primar hoje em dia por uma forma de gestão que vise constantemente à ética profissional em todas as suas ações. Isto significa que as empresas públicas ou privadas devem desenvolver e fazer suas atividades, além de promover constantemente todas as relações com: seus funcionários, seus fornecedores, seus clientes, o mercado, o governo, o meio ambiente, e a comunidade de uma forma socialmente responsável. NOTA Pois, ÉTICA não é discurso, é o que se traduz em ação concreta na hora de escolher • um produto ou serviço, • o que é certo ou errado dentro ou fora da organização, • uma política interna à organização, • um plano, programa ou projeto social. Ou seja, qualquer decisão dos gestores deve ser pautada por valores ético-morais, que são constituídos em sociedade. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 22 Nesse sentido, pensar em ética empresarial ou organizacional na atualidade significa pensar que as empresas devem e podem se relacionar de forma responsável com toda a sociedade em si, tendo como norte um comportamento íntegro e comprometido com a melhoria da qualidade de vida daquela determinada população. RESPONSABILIDADE ECOLÓGICA/AMBIENTAL: hoje e sempre, as organizações devem ter uma percepção, no desenvolvimento de seus negócios, de que devem constantemente MINIMIZAR OS IMPACTOS que geram sobre o meio ambiente e PROMOVER A RECUPERAÇÃO daqueles impactos que forem inevitáveis. Ou seja, as organizações devem ter por premissa a CONSERVAÇÃO E USO RACIONAL DOS RECURSOS NATURAIS. SUSTENTABILIDADE NOS NEGÓCIOS: a sustentabilidade é uma, se não a mais importante característica da sobrevivência de uma organização, pois permite aos negócios das organizações (públicas ou privadas), através de seus processos de tomada de decisões, satisfazer as necessidades atuais da organização, sem comprometer a sua perpetuação ao longo dos tempos e a capacidade das futuras gerações de também satisfazer as suas necessidades no futuro. Ou seja, hoje, qualquer negócio, plano, programa ou projeto deveria estar em busca da realização dos seus objetivos sociais, ambientais e econômicos, para assim contribuir para o desenvolvimento sustentável de sua comunidade, região e a si mesmo. A sustentabilidade dos negócios tem por fundamento: - Que as atividades humanas e gerenciais não comprometam a perpetuação dos negócios e sobrevivência das futuras gerações; - Que cada decisão deve ser baseada no compromisso com o futuro da organização e de seus descendentes; - Que nas decisões administrativas sejam levados em consideração os ecossistemas globais, e que os mesmos sejam produtivos e protegidos; - Que nos processos de decisões organizacionais sejam levadas em consideração as condições climáticas, e que as mesmas sejam estáveis e seguras; (ROCHA, DORRESTEIJN, GONTIJO, 2005). Entre muitos outros objetivos organizacionais.Pois as transformações tecnológicas e as novas formas de organização do trabalho vêm colocando em xeque os métodos tradicionais de gestão empresarial no “banco dos réus”, pois os mesmos não se adaptam mais à realidade cotidiana das organizações. TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 23 Haw teve de admitir que o maior obstáculo à mudança está dentro de você mesmo, e que nada melhora até você mudar. (JOHNSON, 2000, p. 74). ATENCAO Sendo que os novos métodos de gestão empresarial, suas novas ferramentas de apoio e novos sistemas de informação levam as organizações a se aperfeiçoarem constantemente neste processo de mudança tanto tecnológica como humana. GESTÃO PROVOCA MODIFICAÇÕES EM TECNOLOGIA SISTEMASPESSOAS Ou seja, as modificações causadas pela gestão empresarial provocam mudanças nas pessoas (com a necessidade de aperfeiçoamento e treinamento), tecnologia (novas tecnologias mais limpas) e sistemas (novos métodos de ação), como representada pela figura acima. NOTA “O progresso tecnológico e a globalização fazem com que seja necessário cada vez menos trabalho para produzir cada vez mais bens e serviços. Logo, a necessidade de trabalhadores diminuirá sempre mais”. Domenico de Masi Pois as novas tecnologias vêm para organizar “o trabalho, acelerando o seu parcelamento e a intensidade de movimentos requeridos por parte do trabalhador. Essa nova forma de organização do trabalho exigia o desempenho de tarefas cada vez mais específicas do trabalhador para aumentar sua capacidade de produção em um dado período de tempo” (HELOANI, 2002, p. 69), gerando constantes transformações no âmbito fabril. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 24 Mas o que INFLUENCIA ESTAS MUDANÇAS dos processos de gestão? Com as transformações da gestão empresarial podemos expor que as principais influências nos novos processos de gestão empresarial são: 1) O ambiente do negócio se tornou mais complexo; 2) Fenômenos econômicos e sociais de alcance mundial estão reestruturando o ambiente empresarial; 3) A globalização da economia; 4) A tecnologia da informação e da comunicação; 5) A incorporação de novos modelos, métodos, técnicas, instrumentos, atitudes e comportamentos, que são necessários a mudanças, inovações e à sobrevivência sadia e competitiva no mercado. Então, como se processou a EVOLUÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES em termos de modelos estruturais e tecnológicos? Pois bem, partindo da concepção de que as mudanças e o conhecimento são tidos como novos paradigmas, e que os mesmos têm exigido uma nova postura nos estilos pessoais e gerenciais voltados para uma realidade diferenciada e emergente. Podemos observar que no AMBIENTE DE NEGÓCIOS (em qualquer lugar do mundo), as pessoas estão sentindo o reflexo das transformações organizacionais. Seja pelas mudanças introduzidas internamente pela: Reengenharia; Descentralização; O empowerment (empoderamento); Terceirização; Entre outros. Seja pelas transformações no cenário externo, como: O declínio de antigas empresas multinacionais; O surgimento de novos competidores. NOTA Hoje em dia o GESTOR da empresa enfrenta desafios totalmente novos do que antigamente. TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 25 Essa REALIDADE tem sido amplificada: Por inovações tecnológicas; Tranformações nas bases da concorrência; Surgimento de novos modelos de gestão; e Mudanças significativas no perfil dos clientes e nas suas relações com as empresas fornecedoras de produtos e serviços. Com relação às TEORIAS ADMINISTRATIVAS, podemos verificar que o lixeiro da TEORIA DE GESTÃO está CHEIO de teorias e técnicas que não deram certo. • As empresas estão passando por grandes problemas e precisam aprender algumas lições diferentes. • O importante é que precisam aprender já, principalmente identificar quais são os problemas que as afligem. ATENCAO Prezado acadêmico, em equipe, em sala de aula, identifiquem e debatam quais são os principais problemas que as empresas e nossas organizações sociais estão vivenciando na atualidade. AUTOATIVIDADE Notar cedo as pequenas mudanças ajuda-o a adaptar-se às maiores que ocorrerão. (JOHNSON, 2000, p. 71). ATENCAO UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 26 Então, quais são estes PRINCIPAIS PROBLEMAS? Os PRINCIPAIS PROBLEMAS organizacionais hoje são: Falta de ação inovadora, encorajada pela complacência dos dirigentes. Outro problema importante, e que ainda cresce com o tamanho da empresa, é a ausência de satisfação e de dedicação de seus empregados no trabalho. Perda de foco no cliente. DICAS Tocar os negócios de maneira como sempre tocamos, hoje é caminho certo para a morte do negócio. Então, Nesse ambiente. a diferença entre: Não existem soluções mágicas para os problemas da empresa. Qualquer solução exige muito suor e trabalho pelos dirigentes. Está no melhor uso dos recursos disponíveis para atingir os objetivos focados. Lucro e falência O bom e o mau desempenho Sucesso e fracasso Mas, então, quais são as BASES FUNDAMENTAIS PARA O CRESCIMENTO ORGANIZACIONAL na atualidade? As bases que devem nortear a gestão empresarial hoje em dia são: ESTRATÉGIAS BEM DEFINIDAS: ou seja, a organização deve ter bem clara a sua visão e missão organizacional, para saber com clareza e exatidão qual é o seu negócio, e assim definir suas estratégias de ação. FOCO CONSTANTE NO CLIENTE E NO PRODUTO: A organização não pode perder o foco no seu cliente (público-alvo), ou seja, a empresa precisa saber constantemente quais são as necessidades dos seus consumidores, para assim desenvolver seus produtos ou serviços. TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 27 AÇÃO RÁPIDA: A organização deve agir rapidamente, não pode esperar para agir outro dia, pois seus concorrentes agem imediatamente com relação às mudanças do mercado. Então, toda organização que almeja ser competitiva no mercado deve ter por norte a ação imediata, ou seja, conforme a mudança, reagir adequadamente e rapidamente. FUNCIONÁRIOS AUTOMOTIVADOS: Este fator é importantíssimo, pois se nossos colaboradores estiverem satisfeitos e contentes, sua produtividade será eficiente e terá eficácia e efetividade em suas ações laborais. NOTA Estratégia e Gestão empresarial coerentes significam lucro para a organização. Você se lembra de que na disciplina de TÉCNICAS DE GESTÃO estudou todas as funções administrativas? Pois bem, vamos relembrar seus aspectos fundamentais, que são primordiais para o nosso estudo. Vejamos: De acordo com Robbins (2000, p. 33), as FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO são: Planejamento: função gerencial que abrange a definição das metas de uma organização, o estabelecimento de uma estratégia global para alcançá-las e o desenvolvimento de uma hierarquia abrangente de planos para integrar e coordenar atividades. Organização: função gerencial que inclui a definição de quais tarefas devem ser realizadas, quem deve realizá-las, como devem ser agrupadas, quem se reporta a quem e onde as decisões devem ser tomadas. Liderança: função gerencial que abrange a motivação dos funcionários, direção das atividades dos outros, seleção do canal de comunicação mais eficaz e solução de conflitos entre os membros. Controle: função gerencial que envolve o processo de monitoração das ativi- dades para garantir que sejam realizadas conforme planejado e o de correção de quaisquer desvios significativos. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 28 Mas como funciona este processo administrativo? Vejamos a figura 04 FIGURA 4 - FLUXO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FONTE: Adaptado de MEGGINSON, Leon C. , MOSLEY, Donald C. , PIETRI JR. Paul H. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. Tradução Maria Isabel Hopp. São Paulo: Harbra,1998.Direção Organização Planejamento Controle Este PROCESSO ADMINISTRATIVO deve seguir este ciclo de PLANEJAR, ORGANIZAR, DIRIGIR e CONTROLAR constantemente, para assim obter eficiência, eficácia e efetividade de seus negócios. Neste sentido, devemos relembrar os conceitos fundamentais num processo de gestão empresarial, que são os conceitos de EFICÁCIA, EFICIÊNCIA E EFETIVIDADE, são eles: QUADRO 6 - CONCEITO DE EFICÁCIA, EFICIÊNCIA E EFETIVIDADE Eficiência é: Fazer as coisas de maneira adequada; Resolver problemas; Reduzir os custos. Eficiência está diretamente ligada a "fazer" corretamente as coisas por meio: a) da solução de problemas; b) da economia de recursos; c) do cumprimento com as obrigações; d) da diminuição dos custos; e) da caracterização como "ganhador". Eficiência EFICIÊNCIA TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 29 Eficácia é: Fazer as coisas certas; Produzir alternativas criativas; Maximizar a utilização dos recursos; e Aumentar o lucro. Já a eficácia está relacionada com "fazer as coisas corretas", o que significa manter uma postura gerencial moderna voltada para: a) a antecipação aos problemas; b) a otimização da utilização dos recursos; c) a obtenção de resultados; d) o aumento de lucros; e) caracterizar-se como vencedor, ou seja, campeão. Eficácia EFICÁCIA FONTE: Adaptado de MIRSHAWKA, Victor e OLMEDO, Napoleão Lupes. Manutenção: combate aos custos da não eficácia. São Paulo: McGraw-Hill Ltda., 1993. p. 5. Efetividade é: Manter-se no ambiente; e Apresentar resultados globais positivos ao longo do tempo (permanentemente). Manter-se no ambiente; Apresentar resultados globais positivos ao longo do tempo (permanentemente). Efetividade EFETIVIDADE 3 GESTÃO HOLÍSTICA Prezado acadêmico, o gerenciamento holístico dentro de uma organização pontua as concepções de ENTRELAÇAMENTO e INTERLIGAÇÃO de todos os setores de uma organização. No qual, todos os departamentos daquela determinada organização devem atuar conjuntamente com o seu ambiente interno (a organização) e externo (o mercado e o meio ambiente). Então, para que haja uma gestão holística organizacional, as mesmas devem levar constantemente em consideração as seguintes variáveis: - Históricas - Políticas - Econômicas - Socioculturais etc. UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 30 Pois sabemos que uma organização está inserida em um meio, e este meio possui elementos que devem ser considerados em um processo de gestão organizacional. Assim, de acordo com Mendes (2002, p. 15): deve-se criar no homem a ideia de viver em harmonia com a natureza, como parte integrante dela, de quem é reflexo e a quem modifica, humanizando- -a. E esta necessidade de que se crie uma nova consciência ecológica e se desenvolva uma nova postura ética perante a natureza é tarefa do gerencia- mento holístico. Neste sentido, podemos expor que uma organização deve compreender em seus processos de decisões a visão geral de toda organização e o contexto em que a mesma está inserida, todos os fatores econômicos, políticos, sociais, culturais, territoriais, administrativos e ambientais. NOTA Pode-se dizer que, para sobreviver, uma organização tem que ser contemporânea do seu tempo. Ela precisa se ajustar às exigências das mudanças, pois vida é essencialmente mudança. (MENDES, 2002, p. 15). Na concepção holística, segundo Mendes (2002, p. 15), “não só as partes de cada sistema se encontram no todo, mas os princípios e leis que regem o todo se encontram em cada uma das partes e todos os fenômenos ou eventos se interligam e se interpenetram, de forma global: tudo é interdependente”. Ou seja, numa gestão holística não podemos somar todos os elementos e fatores, os mesmos devem interagir constantemente, para que assim a organização possa obter os resultados esperados. Quanto mais rápido você se esquece do velho queijo, mais rápido encontra um novo. E as velhas crenças não o levam ao novo queijo. (JOHNSON, 2000, p. 62 e 67) ATENCAO TÓPICO 2 | A GESTÃO NA ATUALIDADE 31 Johnson (2000, p. 77 – grifo nosso) finaliza expondo que: A mudança ocorre. Continuam a mexer no seu queijo. ANTECIPE a mudança. Prepare-se para o caso de o queijo não estar no lugar. MONITORE a mudança. Cheire o queijo com frequência para saber quando está ficando velho. ADAPTE-SE rapidamente à mudança. Quanto mais rápido você se esquece do velho queijo, mais rápido pode saborear um novo. Mudança. Saia do lugar assim como o queijo! APRECIE a mudança. Sinta o gosto da aventura e do novo queijo. Esteja preparado para mudar rapidamente muitas vezes. CONTINUAM MEXENDO NO QUEIJO. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR DICAS Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte livro: LIVRO: CHIAVENATTO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000. 32 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado da GESTÃO NA ATUALIDADE, no qual foram abordados os seguintes itens: Vimos que os gestores hoje, sejam públicos ou privados, necessitam dar ênfase à gestão, principalmente no aperfeiçoamento contínuo dos processos e técnicas administrativas. Vimos também quais são os atributos essenciais para competir neste mercado tão competitivo, que são: informação, inovação, velocidade, flexibilidade e especialização. Vimos que hoje em dia o gestor da empresa enfrenta desafios totalmente novos do que antigamente. A gestão organizacional é um processo que analisa constantemente o seu ambiente interno e externo, buscando identificar seus pontos fortes e fracos dentro da organização para assim melhorar os fracos e potencializar os fortes, além de identificar suas oportunidades e ameaças no mercado para promover estratégias de ampliação de seus negócios. Vimos algumas regras básicas para esta gestão inovadora, que são: traçar um diagnóstico realista; criar desafios; ter clara a ambição estratégica; valorizar a criatividade; valorizar a implementação; e aprender a mudar. Vimos quais são os principais problemas que as organizações estão vivenciando na atualidade. Estudamos a questão da gestão holística. O gerenciamento holístico resgata a ideia de ENTRELAÇAMENTO e INTERLIGAÇÃO de todas as partes do meio ambiente em um sistema. 33 1 Prezado acadêmico, baseado na afirmação de Domenico de Masi abaixo, responda às seguintes indagações: “O progresso tecnológico e a globalização fazem com que seja necessário cada vez menos trabalho para produzir cada vez mais bens e serviços. Logo, a necessidade de trabalhadores diminuirá sempre mais”. a) Qual a necessidade de mão de obra nas empresas de capital no futuro? Em cinco anos: ____________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Em 10 anos: _______________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Em 20 anos: _______________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ b) Qual a tendência desta mão de obra? ________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2 Todo e qualquer processo de gestão administrativa de uma instituição, seja ela pública, privada ou do terceiro setor, passa pelo planejamento, organização, liderança e controle, para assim obter eficiência,eficácia e efetividade de seus negócios. Por conseguinte, assinale a alternativa que apresenta pelo menos uma das características primordiais da eficiência organizacional. a) ( ) Eficiência é fazer as coisas certas, produzir alternativas criativas e maximizar a utilização dos recursos. b) ( ) Eficiência é manter-se no ambiente, aumentar o lucro e apresentar resultados globais positivos ao longo do tempo. c) ( ) Eficiência é manter uma postura gerencial moderna e fazer as coisas conforme a situação empresarial. d) ( ) Eficiência é fazer as coisas de maneira adequada, resolver problemas e reduzir os custos. AUTOATIVIDADE 34 35 TÓPICO 3 GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO " Todo o mundo corporativo terá de ser repensado, reestruturado, reinventado, desde as relações com empregados e fornecedores até o uso da tecnologia e do marketing. O que você faz agora, qualquer que seja a sua empresa, vai sofrer profundas mudanças com a nova economia que terá uma nova lógica". Arie de Geus Shell Prezado acadêmico, entre tantas transformações e mudanças em nossas organizações públicas ou privadas, como as do terceiro setor, devemos compreender como funciona a participação de todos os integrantes de um empreendimento institucional e do que se trata essa tal de gestão participativa. No entanto, primeiramente iniciaremos nossa discussão compreendendo os sentidos da participação, ou seja, suas concepções iniciais, para posteriormente entendermos os processos de participação na gestão organizacional. Além disso, traçaremos breves considerações a respeito da gestão participativa, pois o trabalho colaborativo e participativo está se tornando uma tendência muito forte em todos os setores corporativos de nossas instituições. 36 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 2 PARTICIPAÇÃO: CONCEPÇÕES INICIAIS Caro acadêmico! O que entendemos por “PARTICIPAÇÃO”? Primeiramente, vejamos o que Herbert de Souza (Betinho) tem a nos dizer sobre a participação. Participação é um dos CINCO PRINCÍPIOS DA DEMOCRACIA. Sem ela, não é possível transformar em realidade, em parte da história humana, nenhum dos outros princípios: igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade. Falamos aqui de participação em todos os níveis, sem exclusão prévia de nenhum grupo social, sem limitações que restrinjam o direito e o dever de cada pessoa tomar parte e se responsabilizar pelo que acontece no planeta. Em resumo, cada um de nós é responsável pelo que acontece nas questões locais, nacionais e internacionais. SOMOS CIDADÃOS DO MUNDO e, portanto, correspon- sáveis por tudo o que ocorre. A única forma de transformar este direito em realidade é através da participação. (SOUZA, 2004, p. 1 – grifo nosso). Então, podemos expor que a participação é o princípio fundamental para a sobrevivência do homem, pois é ela que nos propicia vivermos em sociedade. A participação é o caminho da democracia, e quanto mais ampla e profunda, melhor. (SOUZA, 2004, p. 2 – grifo nosso). ATENCAO Mas, quais são os PRINCÍPIOS que devem orientar a participação? Vejamos a figura 05. TÓPICO 3 | GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL 37 FIGURA 5 - PRINCÍPIOS QUE DEVEM ORIENTAR A PARTICIPAÇÃO Pois a não participação também é considerada uma forma de participar. Ou seja, a omissão é participar, no sentido de protesto ou ir contra o que está se querendo fazer. Participar é inserir-se nos processos de tomada de decisão, é expor suas ideias e opiniões, ativa ou passivamente. Ou seja, participar nada mais é do que concordar ou discordar do processo em parte ou como um todo. Sendo que todas as contribuições devem ser valorizadas e voluntárias. Ou seja, todos têm voz e vez constante em todo o processo em que estão inseridos. Pois requer treino e, fundamentalmente, mudança de comportamento e de atitude. FONTE: Adaptado de CORDIOLI, Sérgio. Enfoque participativo, um processo de mudança: conceitos, aplicação e prática. Porto Alegre: Gênesis, 2001. PRINCÍPIOS DA PARTICIPAÇÃO Participar vai muito além de estar presente. 1º Participar signifi ca: • Tomar parte no processo. • Emitir opinião. • Concordar/discordar. 2º Em um processo participativo deve ocorrer o respeito às ideias de todos. 3º 4º Deverá haver, em todo o processo, envolvimento individual e permanente, considerando que a participação é indivisível. 5º A participação é um processo. 38 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Consequentemente, PARTICIPAR nada mais é do que fazer parte de um determinado grupo, seja social, político, econômico, familiar, entre outros. Pois, nestes grupos fazemos parte ativa ou passiva nos processos de tomada de decisões, no planejamento de ações, na concepção de instrumentos e ferramentas de gestão, na elaboração e produção de bens e serviços, no consumo etc. Nesse sentido, a participação é para TODOS e não só para algumas pessoas privilegiadas, pois não pode ser restringida por qualquer fator subjetivo. A participação é um direito de todos, sem restrições de cor, raça, etnia, religião, partido político, entre outros fatores. Mas, prezado acadêmico, quais são os PRESSUPOSTOS BÁSICOS da participação? Vejamos: A participação tem os seguintes pressupostos básicos: 1 Melhorar as CONDIÇÕES dos processos de tomada de decisão e das ações coletivas: em que este pressuposto aponta que a participação das pessoas em si possibilita uma melhoria significativa nos processos de tomada de decisão, pois se denota que com a participação ativa de todos os integrantes no processo de gestão e planejamento surjam: - os saberes; - as experiências; - as necessidades. Dos participantes dos grupos, seus parceiros e colaboradores. Estes elementos subjetivos dos integrantes, pela visão holística, integram de forma interdisciplinar uma visão ampliada sobre o problema ou a oportunidade em que se está trabalhando dentro da organização. 2 Elevar a CORRESPONSABILIDADE DOS ATORES SOCIAIS com relação às atividades correlacionadas ao objeto de estudo e análise: em que no processo de participação da elaboração de um plano, programa ou projeto, além da execução dos mesmos, o sujeito deva compreender a sua responsabilidade com o processo, e que sua participação poderá ter aspectos positivos ou negativos. 3 Promover o APRENDIZADO SOCIAL: a participação é um processo que eleva o sujeito subjetivo ao sujeito social. Em outros termos, com a participação ativa ou passiva, as pessoas possuem a possibilidade de chegar à sua “EMANCIPAÇÃO CIDADÔ e à DEMOCRACIA. 4 Aprimorar a ARTICULAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DE INTERESSES: a participação propicia ao sujeito a exposição de seus interesses e contribuições sobre as questões do coletivo social. TÓPICO 3 | GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL 39 NOTA A participação pode assumir a forma de uma simples ação pessoal. Ou pode organizar e motivar a formação de grupos e instituições. Todas são válidas e ocorrem na vida real. (SOUZA, 2004, p. 1). Souza (2004, p. 1 – grifo nosso) expõe que “só com AMPLA PARTICIPAÇÃO podemos lutar pelos princípios da democracia, neutralizando as formas de autoritarismo frequentes em nossa sociedade. É através dela que se acaba com a desordem de um status quo injusto, que produz a marginalização. E é também através dela que superamos a resignação e o medo. Só assim são geradas as condições para o exercício pleno da liberdade e da cidadania, só possíveis em uma sociedade democrática.” Então, prezado acadêmico, quais as principais FINALIDADES da participação em si? Vejamos:FIGURA 6 - PRINCIPAIS FINALIDADES DA PARTICIPAÇÃO Pois, 40 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA & FONTE: Adaptado de CORDIOLI, Sérgio. Enfoque participativo, um processo de mudança: conceitos, aplicação e prática. Porto Alegre: Gênesis, 2001. Então, prezado acadêmico, por que devemos ESTIMULAR A PARTICIPAÇÃO? Em um processo participativo, precisamos compreender o que justifica o desenvolvimento da participação em um processo de tomada de decisão coletiva. Vejamos: Cordioli (2001) expõe na lista a seguir as razões que justificam o desenvolvimento da participação: É uma necessidade humana, constituindo-se um direito das pessoas; Justifica-se por si mesma, não somente por seus resultados; Aumenta a autoestima das pessoas; É um processo de desenvolvimento de visão crítica; As pessoas assumem a orientação do seu próprio desenvolvimento; Estabelece uma cumplicidade dos atores para com o processo; Melhora a integração, interação e sinergia entre as pessoas; Aumenta o nível de responsabilidade dos envolvidos; Soma esforços e mobiliza os potenciais; Desenvolve e fortalece a organização; Melhora a capacidade de contribuir dos envolvidos. Estabelece um processo de mudança social e político – cidadania. TÓPICO 3 | GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL 41 NOTA A PARTICIPAÇÃO ADMINISTRATIVA é um tipo especial de participação, que se organiza por representação. Há, neste caso, a formação de comissões de trabalhadores, ou de trabalhadores e funcionários ou, ainda, de comissões que reúnem administradores e trabalhadores, ou administradores, funcionários e trabalhadores. (MOTTA, 2003, p. 5). 3 GESTÃO PARTICIPATIVA: BREVES CONSIDERAÇÕES Sob as premissas conceituais expostos acima referentes à participação, verificamos que os conceitos de gestão participativa têm sido trabalhados como um novo paradigma empresarial, construído historicamente, no contexto de diferentes características culturais, econômicas e políticas que configuram as sociedades ao longo da evolução industrial. Hoje, no ambiente das empresas e organizações, cada vez mais se apresentam mudanças e transformações que estão determinando a ruptura de paradigmas conceituais e metodológicos que implicam uma verdadeira revolução no ambiente e comportamento organizacional. Esta transformação implica a reordenação de prioridades, valores, modelos, teoria, métodos e conceitos de certo e errado, do bom e do mau, apresentando novos objetivos, metas e focos de interesse das empresas e de seus funcionários e stakeholders. Pelas diversas abordagens teóricas, é possível traçar um compêndio correlacionado com as teorias administrativas, possibilitando assim maior compreensão da questão da gestão participativa como um novo paradigma empresarial. Thomas Kuhn (1989), em sua obra As estruturas das revoluções científicas, aborda o uso do conceito de paradigma desde meados da década de 70, definindo paradigma como “um conjunto de crenças, de valores reconhecidos e de técnicas comuns aos membros de um determinado grupo científico”. (KUHN, 1989, p. 219), ou seja, são valores e “preconceitos” que cada ser humano detém em seu subconsciente, ou pode ser entendido ainda como representação de padrões de modelos a serem seguidos por um determinado grupo. 42 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Kuhn (1989) expõe que os paradigmas duram por muito tempo, até que outro paradigma é constituído, e este derruba de uma vez só o anterior. Além de que um novo paradigma, ao realizar descobertas e mostrar-se eficiente, também proporciona certa cegueira, insegurança e medo, e o mundo aparece mais relativo e incerto do que nunca. Para os gestores empresariais, a transformação de um paradigma de gestão normalmente acarreta uma nova forma de ver o mundo, um novo desafio de criar e desenvolver novas normas e padrões de gestão, que primeiramente se tornam assustadoras, mas ao longo do tempo mostram-se apropriadas, pois devemos levar em consideração que este novo paradigma advém dos paradigmas que temos no presente e seus resultados não podem ser mensurados. Historicamente observa-se que a gestão e a participação vêm sendo estudadas e concebidas diferentemente por diversos estudiosos, principalmente relativos aos processos metodológicos empregados por diversos tipos de instituições, com o propósito de aprimorar as atividades econômicas, produtivas e mercantis das populações e dos empreendimentos organizacionais. Além do que, se observa que a GESTÃO TRADICIONAL está baseada em princípios individualistas, hierarquizados verticalmente e com relações de poder, nas quais algumas pessoas mandam e outras obedecem. Já no modelo de GESTÃO PARTICIPATIVA e DEMOCRÁTICA reconhece-se que as pessoas precisam possuir autodeterminação, confiança, senso de cooperação e solidariedade. Além do que, os métodos de gestão participativa permitem que as pessoas participem de forma responsável e organizada na administração dos negócios, contribuindo com seus conhecimentos, valores e suas percepções. A gestão participativa leva a uma forma superior de disciplina e responsabilidade autêntica no trabalho. Uma pessoa só pode ser honestamente responsabilizada por suas próprias decisões. Não se pode exigir algo de uma pessoa que ela não tenha condições de fazer corretamente, seja por falta de recursos ou de conhecimento ou de habilidades. Observa-se que as organizações empresariais estão vivenciando momentos de grandes mudanças econômicas, gerando uma necessidade organizacional e uma constante busca de aperfeiçoamento em seus processos de gestão e troca de experiências, para que os mesmos possam se fortalecer mutuamente. Finalizando, observou-se que o processo de gestão participativa, como um novo paradigma conceitual e empresarial, demanda, portanto, a importância do comprometimento ativo das pessoas envolvidas no desenvolvimento e aplicação de metodologias mais participativas e humanizadoras, desenvolvendo para isso uma consciência organizacional mais participativa e integradora. TÓPICO 3 | GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL 43 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR DICAS Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte: Enfoque participativo – Um processo de mudança. Cordioli, Sérgio. Gênesis, Porto Alegre, 2001. 232p. 44 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado da GESTÃO PARTICIPATIVA: A PARTICIPAÇÃO COMO UM NOVO CAMINHO ORGANIZACIONAL, no qual foram abordados os seguintes itens: Estudamos algumas concepções referentes à participação. Vimos que a participação é um dos cinco princípios da democracia. A participação é o caminho da democracia. Estudamos os cinco princípios da participação. Participar significa fazer parte de um grupo, tomar parte das decisões e ter parte do resultado. A participação deve ser entendida como o fazer parte nas tomadas de decisão. Vimos alguns pressupostos básicos e as finalidades da participação. Vimos que num processo participativo, os seus objetivos são justificáveis por si só. Os PRINCÍPIOS de um processo participativo estão cada vez mais presentes na estruturação das novas relações de trabalho entre as diversas organizações. A participação exige como pressuposto básico que os indivíduos sejam os sujeitos do processo. A participação deve ser entendida como um processo, que deve ser aprendido e aperfeiçoado pela prática, mas, fundamentalmente, praticado nos diferentes meios em que convivemos. O enfoque participativo procura reunir técnicas e instrumentos que facilitem o processo de debate e de intercâmbio de experiências em eventos grupais. Vimos que os conceitos de gestão participativatêm sido trabalhados como um novo paradigma empresarial, construído historicamente. A gestão tradicional está baseada em princípios individualistas, hierarquizados verticalmente e com relações de poder, no qual algumas pessoas mandam e outras obedecem. 45 Já no modelo de gestão participativa e democrática reconhece-se que as pessoas precisam possuir autodeterminação, confiança, senso de cooperação e solidariedade. Vimos que os métodos de gestão participativa permitem que as pessoas participem de forma responsável e organizada na administração dos negócios, contribuindo com seus conhecimentos, valores e suas percepções. 46 Prezado acadêmico, vamos resolver o seguinte case: leia com atenção o texto e responda às questões. CASE: EMPRESAS SEM CHEFES: UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO Dante R. Quadros A partir de 1997, durante o processo de mudança iniciado na área industrial da Volvo em Curitiba, perguntou-se a um empregado do chão de fábrica qual era a sua opinião sobre voltar a trabalhar da maneira anterior, e ele prontamente respondeu: “Mas eu não me lembro como era antes”. Embora as mudanças estivessem acontecendo há apenas dois anos, ele não lembrava como era trabalhar em uma estrutura organizacional hierarquizada e com um chefe direto exercendo controle diário e exigindo índices de produção. Este rápido esquecimento poderia estar relacionado a tantos outros comportamentos de pessoas que começaram a trabalhar de uma forma mais independente, em um processo de empoderamento, fazendo parte de equipes chamadas autogerenciadas. Essa nova forma de trabalho, utilizada em várias empresas em diversas partes do mundo, provoca uma mudança radical de postura de cada trabalhador em relação ao modelo tradicional de submissão e obediência e em relação aos meios de obtenção de resultados. Por muitos anos, o modelo ideal de burocracia descrito por Weber encontrou nos processos de produção fordistas, tayloristas e outros a possibilidade de expressão de suas dimensões e características. UM NOVO MODELO DE GESTÃO Nos últimos anos, porém, para surpresa e crítica de muitos, diferentes propostas na relação homem-trabalho foram utilizadas em busca de melhores resultados e satisfação dos envolvidos. Proposições ousadas questionando as estruturas formais e racionalmente orientadas trouxeram para as organizações formas mais participativas, libertárias e menos alienantes. Uma dessas formas contempla empresas estruturalmente mais enxutas, dentro de uma perspectiva de maior horizontalização da hierarquia, utilizando o processo sinérgico das equipes como forma de envolver e comprometer os participantes em decisões e responsabilidades no alcance de objetivos. Na prática, trata-se de uma ampliação das possibilidades de atuação, posicionamento e influência pessoal do empregado em todas as questões relacionadas ao seu desempenho no trabalho. AUTOATIVIDADE 47 Para aquele operário da Volvo, o trabalho do modo como era antes talvez pudesse trazer amargas recordações de uma época em que o distanciamento entre as pessoas e as pressões a que eram submetidas descrevessem situações agora consideradas improdutivas e inadequadas. Naquele modelo tradicional, a figura do supervisor constituía-se na autoridade imediata que decidia, determinava e avaliava o que podia ou não ser feito, caracterizando uma relação peculiar de mando e subordinação, em que um ser humano pensa e o outro executa. Em consequência, os sentimentos de impotência e exclusão refletiam- se de várias maneiras na execução das tarefas, desde o estrito cumprimento das ordens, passando por apatia até o total descompromisso com o que foi solicitado. As arbitrariedades facilitadas por quem detém o poder poderiam ser exemplificadas em quantidade, desde questões banais do dia a dia, até abusos mais graves, em exigências absurdas ou contraditórias de natureza puramente pessoal do chefe. A impossibilidade de reação e a presença constante de um clima sombrio de injustiças eram acompanhadas de uma natural busca por regalias, gerando quase sempre uma grande rivalidade e competição entre os próprios companheiros de jornada. Este cenário de autoritarismo, distanciamento e desconfiança, tão comuns em empresas racionalmente orientadas, influencia significativamente na saúde do trabalhador, qualidade dos serviços e nos índices de produtividade. SUPERANDO BARREIRAS Quando a empresa propôs oficialmente um modo diferente de trabalhar, a partir do qual as pessoas teriam oportunidade de um maior autodirecionamento e responsabilidade sobre seus atos, agora “sem chefes”, um número de funcionários reagiu de maneira cética com afirmações do tipo: “Faz 17 anos que trabalho com chefe, não vai ser agora que não vou ter um.”; “Nunca vi uma empresa sem chefe. Isto aqui vai virar bagunça!”; “Eu sempre tive chefe, eu preciso de um chefe, eu quero ter um chefe.”; “E agora, o que eu vou dizer para os outros? Que nunca vou ser chefe?”. Por mais que a empresa tivesse disponibilizado seminários de sensibilização às mudanças e reuniões exaustivas de conscientização sobre as novas formas de trabalho, as percepções de cada pessoa, suas necessidades, medos e anseios estavam colocados diante de uma proposta desconhecida, inusitada e aparentemente sem nexo: trabalhar sem chefe! Deve-se considerar ainda que as dificuldades da mudança não foram apenas de ordem pessoal, mas também relacionadas ao aspecto de produção, envolvendo fluxos operacionais, máquinas, equipamentos, ferramentas, espaço físico etc. 48 As decisões pela alteração do layout, a construção de novas instalações, a alteração dos sistemas, a integração de áreas e a introdução de novos conceitos de produção eram compartilhadas etapa por etapa com todos os afetados. Planejar, alocar recursos e designar locais para cada equipe em particular tornou-se um grande desafio para o comitê da mudança, cuja preocupação maior era dotar todas as condições de infraestrutura que assegurassem o trabalho diferenciado das equipes. Ao mesmo tempo, foram intensificadas as atividades relacionadas à aprendizagem e mudanças de comportamentos, não se medindo esforços nem recursos para que se levassem em conta a realidade e a dinâmica funcional de cada equipe. Até mesmo as questões particulares e puramente individuais foram consideradas e minuciosamente acompanhadas. Quando na empresa não se encontravam soluções internas, valia-se de consultoria externa para auxílio em questões mais complexas, como aquelas de natureza comportamental. O treinamento maciço e o monitoramento das reações intensificaram atividades em pelo menos quatro áreas de abrangência, como: trabalhar em equipe, procedimentos de melhoria contínua, questões administrativas e atividades de natureza tecno-operacional. Com o passar do tempo, as pessoas tiveram suas ansiedades diminuídas, entendendo que não estavam sendo ameaçadas em suas carreiras, e aos poucos foram exercitando e consolidando um novo papel profissional. Pelas suas qualificações, que eram constatadas por todos, sentiam-se valorizadas, seguras e amparadas por uma transparente e objetiva gestão por competências. Não havia mais espaço para o encobrimento da mediocridade e para situações tendenciosas, o que favorecia, em muito, decisões mais justas no trabalho. O interesse e a disponibilidade das pessoas aumentavam consideravelmente diante da possibilidade que cada uma tinha de analisar, discutir e decidir sobre as questões relacionadas ao seu trabalho. Desde a escolha do representante (líder temporário), até a decisão sobre um novo integrante da equipe, constituíram-se oportunidades em que as ideias de todos eram realmente consideradas. Nas reuniões periódicas, além dos assuntos prioritários, podia-se opinar sobre o desempenho dos seus colegas e até mesmo sobre o seu desligamento,evidenciando, assim, a importância e as consequências de suas manifestações. Falar e ser ouvido, decidir e assumir responsabilidades fortaleciam o sentimento de pertencimento a uma equipe, que tinha uma identidade e estava em busca de algo melhor para todos. O clima dessas relações estimulava iniciativas jamais imaginadas no passado, desde a preocupação com a limpeza e segurança, horários, procedimentos, e até a busca de autodesenvolvimento. 49 RESULTADOS SIGNIFICATIVOS Os resultados alcançados foram tão significativos que alguns indicadores mostraram-se surpreendentes em diversos aspectos da atividade laboral: § redução das visitas ao ambulatório médico; § queda no número de abstenções; § diminuição de erros; § melhora na qualidade do produto; § melhora das atitudes no trabalho; § aumento da responsabilidade; § comprometimento com os resultados; § redução de custos e desperdício; § intensa busca de qualificação. Por outro lado, os obstáculos à implantação de um sistema como este, no qual há maior distribuição de poder, encontraram na cultura organizacional, em áreas não conscientizadas, enormes dificuldades de compreensão e barreiras operacionais. Também os receios da perda de poder foram grandes dificultadores do processo. A administração e a manutenção das ideias relacionadas ao autogerenciamento precisaram sempre ser lembradas e disseminadas, necessitando frequentemente de reuniões de confronto, em que a mostra do passado contrastava com o que já se tinha conseguido. Após algum tempo, muitos dos novos empregados que ingressaram desde cedo nesse sistema nem sabiam dizer das ameaças e tensões encontradas nas hierarquias tradicionais. A rápida assimilação das novas premissas sinalizava que as condições de trabalho emergentes pareciam estar mais de acordo com um novo tempo, voltado acentuadamente para a intensificação de valores humanos. O acompanhamento dos resultados periciais foi surpreendente tanto para os funcionários quanto para o alcance de metas da organização, comprovando o sucesso da iniciativa. O processo nos ensina que o trabalhador pode ser mais confiante, crítico, criativo e sobretudo mais livre para trilhar o caminho da autodeterminação, se tiver oportunidade de vivenciar na empresa a experiência do autogerenciamento. 50 Os resultados obtidos na Volvo e em outras organizações mostram, de modo expressivo e inconteste, que os métodos de gestão participativa representam ótima oportunidade para o exercício de uma vida profissional mais digna e gratificante. O dinamismo conseguido nas atividades produtivas, em substituição à rotina e à monotonia, revela ser possível compatibilizar as aspirações do homem e da organização. FONTE: Disponível em: <http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_fae_business/n1_ dezembro_2001/gestao_empresas_sem_chefes.pdf>. Acesso em: 10 jan.2016. Vamos analisar: 1 Quais foram as principais mudanças na empresa em estudo? 2 Quais foram as amargas lembranças dos operários da Volvo? 3 Onde se encontravam os obstáculos à implantação de um sistema de gestão participativa? 4 É possível existir uma empresa ou organização sem chefes? Justifique sua resposta. 51 TÓPICO 4 PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO "É melhor saber para onde ir sem saber como, do que saber como e não saber para onde ir". (Gillo Pontecorvo) Prezado acadêmico, decisões são partes essenciais da vida humana – dentro e fora do ambiente de trabalho, em nossa casa, no clube, na associação, na comunidade, ou seja, em todas as partes de nossa vida em sociedade. Pois tomamos decisões o tempo todo, na vida particular, em família, sozinhos – com nossa vida subjetiva, em sociedade, nas empresas – seja pública ou privada. Quem toma uma decisão assume a responsabilidade de fazer um julgamento, por vezes crucial, entre duas ou mais opções, no qual pode vir a acertar ou não. E neste tópico trabalharemos estes diversos processos de tomada de decisão, e como o mesmo é importante para o serviço social em sua atuação junto às instituições. 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO A TOMADA DE DECISÃO “na administração pode ser defi nida como: a escolha consciente de um rumo de ação entre várias alternativas possíveis para se chegar a um resultado desejado”. (MEGGINSON, MOSLEY, PIETRI JR, 1998, p. 194). 52 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Neste sentido, podemos expor que estes processos de decisões são permeados pelas transformações do mundo e das próprias organizações, em que os gestores devem optar entre muitas opções e tomar a decisão mais apropriada com sua realidade organizacional. E esta questão da decisão é um dos grandes obstáculos para a sustentabilidade de nossas organizações, pois o processo de tomada de decisão envolve pessoas (gestores e equipe de trabalho), conhecimento (empírico e científico) e informações (advindas de dentro da organização e fora dela – o mercado), e articulando estes três elementos chegaremos a um processo de tomada de decisão, pois os gestores e sua equipe, por meio do conhecimento adquirido através de sua capacitação profissional e sua vivência organizacional, atrelada com as informações internas e externas da organização (pesquisa de mercado e interna), podem realizar um diagnóstico da realidade e assim tomar uma decisão. Como poderemos visualizar na figura 07: FIGURA 7 - ELEMENTOS DE UM PROCESSO DE DECISÃO FONTE: A autora CONHECIMENTO INFORMAÇÃO (Interna X Externa) PESSOA TOMADA DE DECISÃO Neste processo de escolhas devemos compreender que nem toda decisão tomada é programada ou planejada, podem ocorrer decisões aleatórias ou corriqueiras, de acordo com o que a organização está vivenciando naquele determinado momento, como nos mostram Megginson; Mosley; Pietri Jr. (1998, p. 196) em sua definição de decisões programadas e não programadas, a seguir. Decisões programadas são as rotineiras e repetitivas. O administrador (ou a organização), para facilitar a tomada de decisão, estabeleceu diretrizes sistemáticas para enfrentar situações que exigem uma decisão. Decisões não programadas São aquelas que não ocorrem com frequência e, por causa de variáveis diversas, exigem uma resposta separada cada vez que ocorram. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 53 Então, prezado acadêmico, quais as ETAPAS BÁSICAS em um processo de tomada de decisão? De acordo com Megginson; Mosley; Pietri Jr. (1998), estas são as etapas de um processo de tomada de decisão: PRIMEIRO: Reconheça que há um problema a solucionar ou uma oportunidade a ser aproveitada: o primeiro passo é a identificação de problemas ou oportunidades, pois sem esta identificação, no que iremos tomar decisão? Devemos ter um ponto de partida, e esta é a identificação e reconhecimento de um problema ou oportunidade. SEGUNDO: Elabore alternativas de ação: realize um planejamento do que deverá ser realizado e do que deverá ser levado para discussão. TERCEIRO: Avalie as vantagens e desvantagens de cada alternativa: se faz necessário que o gestor ou sua equipe de trabalho tenha bem claro o objetivo a ser trabalhado, pois só assim poderá identificar entre as várias possibilidades o que realmente surtirá o efeito desejado e o que não levará a nada. QUARTO: Escolha e implemente a alternativa preferida: depois da identificação e análise das alternativas, coloque-a em prática, ou seja, execute o planejado, para assim resolver sua problemática. QUINTO: Avalie os resultados da decisão e recomece o processo, se a decisão não foi a melhor: monitore e avalie constantemente suas decisões, pois pode acontecer que a decisão tomada não surtirá o efeito desejado. Se isto acontecer, recomece todo o processo. Portanto, estas cinco etapas de umprocesso de tomada de decisão estão representadas na figura 08: FIGURA 8 - ETAPAS DE UM PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO Reconheça o problema ou oportunidade Elabore alternativas de ação Escolha e implemente a alternativa preferida Recomece o processo se a decisão não foi adequada Avalie as alternativas Avalie os resultados da decisão FONTE: MEGGINSON, Leon C., MOSLEY, Donald C., PIETRI JR. Paul H. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. Tradução Maria Isabel Hopp. p. 197. São Paulo: Harbra,1998. 54 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA NOTA Lembre-se – “O feedback, sob a forma de avaliação de resultados, permite modificar a decisão ou tomar outra, se a original estiver errada.” (MEGGINSON, MOSLEY, PIETRI JR. 1998, p. 197). Observamos que no processo de tomada de decisão os integrantes do processo devem ter muita criatividade, pois como a realidade se transforma constantemente, os gestores e sua equipe precisam estar antenados com estas mudanças e agir rapidamente. E este agir deve ser criativo. Mas, prezado acadêmico, o que é SER CRIATIVO? Ou o que é a CRIATIVIDADE? Vejamos, criatividade, – É o uso do: Conhecimento; Avaliação; Inovação; Imaginação; Inspiração; Para converter algo em outra coisa qualquer. FONTE: Adaptado de MEGGINSON, Leon C., MOSLEY, Donald C., PIETRI JR. Paul H. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. Tradução Maria Isabel Hopp. p. 200. São Paulo: Harbra,1998. Pois de acordo com Megginson; Mosley; Pietri Jr. (1998, p. 200), “mesmo que o administrador fosse capaz de pensar em todas as alternativas possíveis, algumas não poderiam ser usadas”, pelas seguintes razões: – Algumas alternativas podem ser abandonadas, pelo custo muito alto. – As limitações das instalações físicas da empresa podem eliminar algumas alternativas. – A exiguidade de tempo para tomar a decisão talvez não permita uma busca de todas as alternativas. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 55 NOTA Pois “uma DECISÃO EFICAZ não termina quando é tomada. Requer o acompanhamento e implementação pelas pessoas envolvidas. Na verdade, muitas decisões boas podem ser prejudicadas por uma implementação ineficaz, mas o administrador será, muitas vezes, considerado responsável”. (MEGGINSON, MOSLEY, PIETRI JR, 1998, p. 204 – grifo nosso) A alta administração já pode ter dado a entender que certas alternativas estão fora de cogitação. (MEGGINSON, MOSLEY, PIETRI JR, 1998, p. 200). 3 COMO TOMAR DECISÕES? Prezado acadêmico, o processo de tomada de decisão parte essencialmente da análise de oportunidades ou necessidades/problemas, mas os mesmos devem ser primeiramente identificados para depois serem analisados e levados para a equipe de trabalho decidir sobre a questão identificada. Então vamos agora compreender um pouco sobre o processo de análise da decisão. Neste processo de decisão, primeiramente devemos compreender algumas características que fundamentam a decisão, ou seja, o que permeia nos processos de decisão, como identificar os estilos de decidir, como conhecer a cultura organizacional, como avaliar a sua responsabilidade neste processo, e como ser um líder decidido, que promova o processo de decisão, sempre objetivando o trabalho em equipe e os objetivos organizacionais. Assim, prezado acadêmico, você sabe quais são os FUNDAMENTOS DA ANÁLISE DE UMA DECISÃO? Vejamos: Com relação à análise da decisão tomada, devemos compreender primeiramente que em todo o processo de tomada de decisão, desde seu início até o fim, os mesmos devem ser monitorados e analisados constantemente, para não fugir do foco do objetivo da organização. Pois bem, de acordo com Heller (1999, p. 6 – grifo nosso): Antes de decidir, examine todas as POSSIBILIDADES com cuidado. Para chegar a uma decisão, portanto, o gerente precisa: – Definir os objetivos em questão; – Estudar todas as possibilidade disponíveis; – Selecionar a melhor alternativa; – Colocar a decisão em prática. 56 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Mas os gestores e sua equipe necessitam compreender que existem quatro tipos de decisões, que segundo Heller (1999, p. 7) são: DECISÕES: Rotineira De emergência Estratégicas Operacionais ROTINEIRAS: porque acontecem constantemente, ou seja, diariamente tomamos decisões sobre os mesmos elementos ou fatores. DE EMERGÊNCIA: quando acontece algo não programado e devemos tomar uma decisão urgente para solucionar um problema ou uma oportunidade repentina. ESTRATÉGICAS: são aquelas decisões programadas em prol dos objetivos organizacionais. OPERACIONAIS: são aquelas decisões tomadas no intuito de realizar as operações produtivas com eficiência, eficácia e efetividade. Mas todos estes tipos de decisões, prezado(a) acadêmico(a), passam por uma série de fases, que são: TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 57 FIGURA 9 – TIPOS DE DECISÕES Projeto de implantação O que exatamente deve ser decidido? Qual a melhor alternativa? O que fazer para implementar o que foi decidido? Quais os prós e contras de cada uma delas? Quais são as alternativas? Identificação das escolhas Avaliação das opções Análise Identificação da questão Outro fator preponderante e fundamental em uma análise de decisão é a questão da COMPARAÇÃO DAS SOLUÇÕES tomadas, pois, segundo Heller (1999, p. 8): A maioria das tomadas de decisão envolve a solução de problemas. Para encontrá-la, o gerente pode percorrer vários caminhos diferentes: – Baseada em: FATOS E NÚMEROS; INTUIÇÃO; VIABILIDADE DA SOLUÇÃO; EFICÁCIA; IMPRECISÃO. FONTE: Adaptado de HELLER, Robert. Como tomar decisões. São Paulo: Publifolha, 1999, p. 8. (série sucesso profissional: seu guia de estratégia pessoal) 58 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Neste sentido, prezado acadêmico, a equipe de trabalho, antes de colocar em prática a decisão tomada, deve constantemente comparar a mesma com seu histórico organizacional, para verificar se a decisão tomada realmente surtirá o efeito desejado. Pois, neste processo de tomada de decisão corremos alguns riscos que devemos compreender: - Pense nas implicações de cada decisão, pois elas podem ser enormes. - Tente prever as mudanças no cenário atual. Esteja pronto para elas. - Ao tomar decisões, sempre pergunte o que pode dar errado. - Antes de decidir, avalie as consequências possíveis. (HELLER, 1999). Fazendo esta reflexão sobre os riscos das decisões que tomamos, podemos expor que a equipe de trabalho que está realizando um processo de gestão está mais próxima da eficiência, eficácia e efetividade de uma decisão mais acertada. E você sabe COMO IDENTIFICAR ESTILOS DE DECIDIR? Vejamos: Sabemos que todo ser humano é diferente, e possui posturas e visão de mundo diferentes, e num processo de tomada de decisão não poderia ser diferente. Pois, segundo Heller (1999, p.10): - Existem diferentes estilos de tomada de decisão. - Independentemente de ser lógico ou criativo, seu método deve se revelar direto e eficaz. - Na hora de decidir, • não convém permitir que sua personalidade controle o processo ou seu resultado. - Evite tomar decisões que exijam o auxílio da sorte. - Tente equilibrar sua intuição com análises que pareçam lógicas. Assim, vejamos na figura a seguir os dois tipos de pensamento realizados em um processo de tomada de decisão. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 59 FIGURA 10 - TIPOS DE PENSAMENTO REALIZADOS EM UM PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO FONTE: HELLER, Robert. Como tomar decisões. São Paulo: Publifolha, 1999. p.10. (série sucesso profissional: seu guia de estratégia pessoal) Chegada as conclusões por intuição Uso do conhecimento,habilidade e experiência Uso da lógica para chegar às conclusões Análise das questões para entender e cenário geral INTUIÇÃO Pensamento RacionalPensamento Intuitivo Influência da emoção e da sensibilidade Uso da imaginação para a criação de novas ideias & LÓGICA Neste sentido, podemos visualizar que quando vamos tomar qualquer tipo de decisão, devemos mesmo é equilibrar o pensamento intuitivo (a nossa intuição) com o nosso pensamento racional (a lógica dos fatos). Pois cada um vê a realidade sob prismas diferentes. E COMO CONHECER A CULTURA DE SUA EMPRESA? Conforme o conhecimento e visão de mundo dos gestores de uma organização, podemos identificar o tipo da cultura de sua empresa, pois os valores e princípios ético-morais é que determinam a cultura organizacional. Pois Heller (1999, p. 12) expõe que: - Um elemento importante para se levar em consideração durante a tomada de decisão é a cultura da empresa em que você atua. - Ao gerente cabe conhecer o que é aceitável para a cultura da organização – e o que convém ser evitado. - Desafie a cultura da empresa, se isso facilitar o processo de decisão. - Para decidir alie intuição à racionalidade. - Sempre avalie o impacto das decisões sobre seus colegas. - Cultive sua capacidade de desenvolver ideias inovadoras, criativas e úteis. 60 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Neste sentido, qual a CULTURA que domina sua organização? Pode ser uma cultura mais conservadora ou uma cultura organizacional mais ousada. Mas o importante é a equipe de trabalho identificar este tipo de cultura, para assim poder tomar suas decisões conectada com as mesmas. QUADRO 7 – TIPOS DE CULTURA EM UMA ORGANIZAÇÃO CONSERVADORA OUSADA Novas idéias nem sempre são bem-vindas. Idéias novas e criativas são bem-vindas. A empresa nem sempre se orienta pelas necessidades externas. A empresa prioriza basicamente as necessidades dos clientes. A ênfase empresarial está na solução das problemas. A empresa enfatiza as vantagens trazidas pelas novas oportunidades. A estabilidade e a experiência são os atributos mais valorizados. A motivação e a inovação estão entre as características mais valorizadas. Os artigos produzidos são mais valorizados do que o sucesso individual. Os objetivos individuais e corporativos costumam estar associados. O processo de comando e controle está presenta em todos os níveis. Toda a equipe desfruta autonomia e parece capaz de ter iniciativas. Parece quase impossível mudar as diretrizes da empresa. As orientações e diretrizes mudam muito, de acordo com as circunstâncias. FONTE: HELLER, Robert. Como tomar decisões. p. 13. São Paulo: Publifolha, 1999. (série sucesso profissional: seu guia de estratégia pessoal) Então, como exposto acima, são os valores e princípios ético-morais que determinam a cultura organizacional, ora pode ser mais conservadora, ora mais ousada. Então, prezado acadêmico, SEJA UM LÍDER DECIDIDO! Pois, numa organização, mais precisamente em uma equipe de trabalho, a figura do líder é muito importante para que todo o processo de tomada de decisão ocorra de forma coerente e que surta os resultados esperados pela organização. Mas este líder deve ser um profissional que tenha por princípio uma postura firme e decidida com relação aos outros integrantes da equipe, pois, segundo Heller (1999, p. 16), o líder deve ter: - A capacidade de tomar decisões firmes, claras e no tempo certo. - O tipo de decisão, porém, varia conforme as circunstâncias. - Aprenda a reconhecer as implicações de tomar diferentes tipos de decisão. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 61 O líder deve: • Evitar tomar decisões em situações de pressão extrema. • Agir com rapidez se e quando as decisões falharem. • Decidir questões vitais com rapidez. Nunca as adie. Neste sentido, vejamos os tipos de tomada de decisão de um líder e sua equipe: FIGURA 11 - TIPOS DE TOMADA DE DECISÃO DE UM LÍDER E SUA EQUIPE 1) TOMADA DE DECISÃO IRREVERSÍVEL: CARACTERÍSTICAS IRREVERSÍVEL A decisão não tem volta Exemplo: Como a assinatura de um contrato e venda de uma empresa 01 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES A pessoa que decide se compromete irrevogavelmente diante da ausência de outras opções de escolha. Não deve ser usado para uma solução radical tomada num ambiente de indecisão generalizada 62 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 2) TOMADA DE DECISÃO REVERSÍVEL: CARACTERÍSTICAS REVERSÍVEL A decisão pode sofrer mudança Seja antes, durante ou após a chegada a uma conclusão 02 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Abre a chance de você reconhecer e corrigir um erro em qualquer fase do processo. É usado quando se percebe que a situação pode mudar a reversão se fará necessária. 3) TOMADA DE DECISÃO EXPERIMENTAL: CARACTERÍSTICAS EXPERIMENTAL A decisão só é considerada final quando surgem os primeiros resultados satisfatórios 03 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Exige retorno positivo antes que você possa decidir sobre um plano de ação. Útil e eficiente quando o objetivo da ação é claro para todos, mas não só tem certeza sobre como atingi-lo. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 63 4) TOMADA DE DECISÃO DE TENTATIVA E ERRO: CARACTERÍSTICAS TENTATIVA E ERRO Mudanças de planos passam a ocorrer se fatos concretos levam a alterações de curso. 04 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Libera você para adaptar e ajustar o projeto constantemente antes do compromisso final. Aproveita retornos positivos e negativos antes que se dê continuidade a determinado curso de ação 5) TOMADA DE DECISÃO POR ETAPAS: CARACTERÍSTICAS POR ETAPAS Após os passos iniciais, as decisões são tomadas, uma após outra, em etapas previamente determinadas. 05 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Permite o acompanhamento dos riscos, pois você acumula resultados e conhecimentos de cada estágio. Possibilita a avaliação dos retornos e a discussão mais avançada antes do próximo estágio de decisão. 64 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 6) TOMADA DE DECISÃO CAUTELOSA: CARACTERÍSTICAS CAUTELOSA Enfatiza os eventuais problemas futuros. os responsáveis pela decisão privilegiam a segurança. 06 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Limita os riscos inerentes ao processo de decisão, mas também pode limitar o alcance dos resultados. Traz a possibilidade de redimensionar projetos que pareçam muito arriscados inicialmente. decisão privilegiam a pareçam muito arriscados inicialmente. 7) TOMADA DE DECISÃO CONDICIONAL: CARACTERÍSTICAS CONDICIONAL Uma decisão em aberto, que admite alterações caso surja esta ou aquela circunstância prevista. 07 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Prepara o gerente para reagir caso a concorrência mude de ação ou se as regras do jogo forem alteradas. Permite reação rápida as circunstâncias em constante mutação dos mercados competitivos da atualidade. TÓPICO 4 | PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO COLETIVA 65 8) TOMADA DE DECISÃO TÁTICA: CARACTERÍSTICAS TÁTICA A decisão é adiada até que surjam as circunstâncias ideais para que ela tenha o efeito desejado. 08 IMPLICAÇÕESIMPLICAÇÕES Ajuda a evitar decisões na hora errada ou antes de ser conhecimento de todos os fatos. Pode significar perda e oportunidades em mercados que exigem ação rápida. FONTE: Adaptado de HELLER, Robert. Como tomar decisões. São Paulo: Publifolha, 1999, p.17. (série sucesso profissional: seu guia de estratégia pessoal) Sendo que estes tipos de tomada de decisão são feitos conforme anecessidade (problema ou oportunidade) que a organização possui. Então a equipe de trabalho deve primeiramente identificar o problema ou oportunidade para depois classificar qual o melhor tipo ou procedimento para se tomar a decisão. NOTA Finalizando, podemos expor que o PRINCIPAL PROBLEMA enfrentado pelos tomadores de decisão é: O grande volume de dados e informações à disposição do executivo. (ACKOFF apud OLIVEIRA, 2001, p. 21). 66 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA INDICAÇÃO DE LEITURA E FILME COMPLEMENTAR DICAS Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte livro e assista ao filme indicado: HELLER, Robert. Como tomar decisões. São Paulo: Publifolha, 1999. (série sucesso profissional: seu guia de estratégia pessoal). Click, o novo filme com Adam Sandler: 67 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico pudemos observar, prezado acadêmico, uma discussão acerca do significado do processo de tomada de decisão, no qual foram abordados os seguintes itens: Vimos que as decisões são partes essenciais da vida humana. Observamos que quem toma uma decisão assume a responsabilidade de fazer um julgamento, por vezes crucial, entre duas ou mais opções, no qual pode vir a acertar ou não. A tomada de decisão é a escolha consciente de um rumo de ação entre várias alternativas possíveis para se chegar a um resultado desejado. Vimos que a tomada de decisão envolve pessoas, conhecimento e informações que, articulados, chegam a um processo de tomada de decisão. Estudamos algumas etapas básicas de um processo de tomada de decisão. Devemos ter criatividade nos processos de tomada de decisão. Vimos a questão da análise da decisão. 68 FIGURA: CICLO DA TOMADA DE DECISÃO. “A importância do processo de tomada de decisão vem se acentuando devido ao constante clima de mudança vivenciado nas organizações. Uma das grandes dificuldades encontradas pelos gestores é definir qual a melhor opção na hora de tomar uma decisão.” [...] Uma decisão nada mais é do que uma escolha entre alternativas, obedecendo a critérios previamente estabelecidos. Estas alternativas poderão ser os objetivos, os programas ou as políticas – em uma atividade de planejamento – ou os recursos, estrutura e procedimentos – em uma atividade organizacional. A tomada de decisões também envolve um ciclo e é fundamental a existência de informações apropriadas a cada uma das fases do ciclo. É indiscutível a importância das informações, em cada uma das fases do processo de tomada de decisões. Considerando um sistema de apoio à decisão, Sprague e Watson (1991) apresentam como principais elementos à tomada de decisão, sistemas computacionais que ajudam os responsáveis pela tomada de decisão a enfrentar problemas estruturais através de uma interação direta com modelos de dados e análises.” [...] Heller (1998) expõe que a tomada de decisão implica um processo em que o primeiro passo é identificar exatamente do que trata a questão e priorizar objetivos. Uma análise da situação revelará as opções impossíveis de serem implementadas. Restarão, assim, menos possibilidades para se avaliar com mais cuidado. Nesta fase, vale a pena pedir e considerar opiniões alheias. Convém estudar com atenção as vantagens e desvantagens de cada fase de ação, desde que não se desvie do objetivo principal.” FONTE: PIERITZ NETTO, Alfredo. Conhecimento organizacional: premissas no processo de decisão empresarial: um estudo multicaso: analisando uma empresa pertencente ao setor gráfico e a segunda do setor metalomecânico. Blumenau: Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGAD do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Regional de Blumenau – Furb, 2002. (Dissertação de mestrado) AUTOATIVIDADE Tomada de decisão Implantação Avaliação de decisão Informação Informação Informação Recomendações de mudanças Informação FONTE: CASSARRO, Antonio Carlos. Sistemas de informações para tomada de decisão. 3. ed. p. 41. São Paulo: Pioneira, 2001. 69 A partir destas informações, redija um texto dissertativo sobre a importância de um processo de tomada de decisão coletiva na atuação profissional do assistente social. Em seu texto, aborde os seguintes aspectos: a) O processo de tomada de decisão; b) Como tomar decisões. _______________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 70 71 TÓPICO 5 DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO FIGURA 12 – TRABALHO EM EQUIPE FONTE: Disponível em: <www.lindivaldo.blogspot.com>. Acesso em: 25 mar. 2010. Prezado acadêmico, para introduzir este tema, trago para vocês uma pequena leitura, para assim iniciar nossas reflexões, vamos a ela: Trabalhar em equipe é respeitar as diferenças No trabalho, é comum o gerente fazer comparações entre funcionários e até mesmo exigir que eles ajam como ele agiria. Isso é um grave erro gerencial. Não podemos exigir ou forçar que as pessoas sejam parecidas conosco ou que tenham nossas qualidades. Conta-se que uma vez vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas. O Pássaro insistiu que houvesse aulas de voo. O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. E o Coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída no currículo da escola. E assim foi feito, incluíram tudo, mas... cometeram um grande erro. Instituíram que todos os bichos cursassem todos os cursos oferecidos. 72 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA O Coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele, mas também queriam ensiná-lo a voar. Colocaram-no em cima de uma árvore. Ele saltou de lá de cima e não deu outra: quebrou as patas! O Coelho não aprendeu a voar e ainda acabou sem poder correr também. O Pássaro voava como nenhum outro, mas quando o obrigaram a cavar buracos como uma toupeira quebrou o bico e as asas. Resultado: depois não conseguiu mais nem voar tão bem nem cavar buracos. [...] FONTE: Rangel (2003. p. 195) Essa pequena história demonstra que não se pode forçar os outros a fazer aquilo que não estão preparados para executar ou a se parecerem conosco, com nossas habilidades e competências. Se tivermos essas atitudes, nunca conseguiremos alcançar nossos objetivos, pois acabaremos minando as competências subjetivas dos integrantes de nossa equipe de trabalho, ou seja, não conseguirão fazer as coisas como nós e, por consequência, acabarão deixando de fazer suas atividades com eficácia, eficiência e efetividade como vinham fazendo antes. Em outros termos, um trabalho desenvolvido em equipe deve priorizar as competências individuais e as diferenças. Sendo assim, um plano não tem as mesmas características de um programa e nem de um projeto, ou vice-versa, todos têm sua identidade subjetiva, com características próprias. Portanto, neste tópico trabalharemos estas diferenças. Pois é fundamental para a nossa prática profissional desvelar estes conceitos e características. 2 PLANO Primeiramente, um plano apresenta sinteticamenteas diversas decisões tomadas pelo grupo de trabalho, delineando, de uma forma geral, o projeto ou o programa que se deseja implantar. De acordo com Alves (2013, p. 2), um plano é um “documento utilizado para o registro de decisões do tipo: o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, com quem fazer. Para existir um plano é necessária a discussão sobre fins e objetivos, culminando com a definição dos mesmos, pois somente desse modo é que se pode responder às questões indicadas acima”. Ou seja, um plano são as diretrizes mestras de um programa ou projeto social. Já Baptista (2007) diz que um plano descreve sinteticamente as decisões de caráter mais amplo/geral, ou seja, expõe somente as suas grandes linhas de atuação política, além de indicar as estratégias e diretrizes pretendidas e quem desempenhará cada função. TÓPICO 5 | DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 73 Nesse plano de ação devem ser alinhadas as diversas estratégias desenvolvidas para se atingir os objetivos, diretrizes e metas desejáveis pelo programa ou o projeto social. Num plano existe uma “apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação a realizar” (FERREIRA apud PADILHA, 2001, p. 36). Assim, esse plano, num sentido restrito, busca sistematizar as ideias criativas e estratégicas que permitirão ao assistente social ou a outro profissional apurar e otimizar os diversos recursos que poderão auxiliar diretamente no desenvolvimento das metas e objetivos. Os componentes necessários para a elaboração de um bom plano, segundo Lozano (apud NOGUEIRA, 2009, p. 1), são: a) a síntese dos fatos e necessidades que motivam o plano e a formulação de objetivos; b) a formulação da política de prioridades (explícita) e a razão da escolha; c) o quadro, ordenado por itens, das mudanças a operar, quanto à expansão de diferentes modalidades do sistema, à estrutura e ao conteúdo dos setores e dos níveis dos rendimentos previstos; d) o quadro cronológico das metas ou resultados a alcançar ao término do período ou em etapas; e) os tipos e a magnitude dos recursos humanos, físicos e instrumentais in- dispensáveis (cronograma dos momentos de disponibilidades); f) o volume e a composição das inversões e gastos para todo o período e para cada fase; g) a especificação das fontes e/ou modalidades de financiamento; h) a previsão de mudanças legais, institucionais e administrativas indispensá- veis para a viabilidade do plano; i) a distribuição das responsabilidades de execução e de avaliação dos re- sultados. E estes componentes são fundamentais para o desenvolvimento de um bom plano, pois apresenta todos os elementos necessários para a sua formalização. Então, quando desejamos elaborar um bom plano de ação, devemos desenvolver estas nove diretrizes para que o mesmo possa surtir o efeito desejado e atingir sua eficiência e eficácia. Mas, você sabe qual o PERÍODO DE ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO DO PLANO? Vejamos, pois outro fator preponderante no desenvolvimento de um plano de ação é a questão temporal de suas ações, ou seja, podemos classificar um plano em curto, médio e longo prazo. Plano de ação de curto prazo – é aquele em que as ações programadas no plano devem ser colocadas em prática no prazo temporal de até um ano. Plano de ação de médio prazo – é aquele em que as ações programadas no plano devem ser colocadas em prática no prazo temporal de um a três anos. Plano de ação de longo prazo – é aquele em que as ações programadas no plano devem ser colocadas em prática no prazo temporal de três anos a mais. 74 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA Cabe, portanto, aos gestores dos planos, estabelecer esses períodos de execução das atividades expostas no plano, pois só assim poderão avaliar se os mesmos surtiram os efeitos desejados e programados. 3 PROGRAMAS Prezado acadêmico, devemos partir do princípio de que um PROGRAMA, seja social (do setor privado ou do terceiro setor) ou público (do setor público), parte da concepção do todo; em outros termos, o programa é composto por vários projetos e serviços. Pois o programa, segundo Baptista (2007), é o aprofundamento do plano, no qual são apresentados os objetivos setoriais que deverão constituir os objetivos gerais desse programa. É o documento que detalha a política e suas diretrizes fundamentais. O programa é o grande objetivo de uma organização, e os projetos e serviços são seus objetivos específicos que são colocados em prática para que permitam alcançar o objetivo macro. Mas, sempre conectados com a realidade social. Pois, segundo Bierrenbach (apud PADILHA, 2001, p. 42), um programa é “constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores, num período de tempo definido”. Veja, no esquema abaixo, um exemplo de um programa social e suas ramificações: FIGURA 13 - MODELO DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) Programa da atenção integral à família (PAIF) DE ALTA COMPLEXIDADE DE MÉDIA COMPLEXIDADE Serviços continuados de proteção social especial Serviço Sócioeducativo Pro jovem adolescente Centro de referência de assistência social (CRAS) Benefício de prestação continuada de assistência social (BPC) Serviço de proteção especial à pessoa com deficiência, idosos(as) e as suas famílias Serviço especializado para pessoas em situação de rua Serviço de proteção social à adolescentes em cumprimento de medida sócioeducativa de liberdade assistida (LA) e de prestação de serviços à comunidade (PSC) Serviço especializado em abordagem social Serviço de proteção e atendimento especializado à família e indivíduos (PAEFI) Serviço em proteção em situação de calamidades públicas e emergências Serviços de acolhimento em família acolhedora Serviços de acolhimento institucional Serviços de acolhimento institucional Programa de erradicação do trabalho infantil (PETI) Centro de referência especializado de assistência social (CREAS) PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL (PSE) PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA (PSB) FONTE: A autora TÓPICO 5 | DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 75 Esta figura refere-se a um modelo de programas e serviços do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) que não está completo, é somente uma estrutura no intuito de exemplificar as ramificações de um programa social. Desse modo, segundo Gandin (1994, p. 36), quando elaboramos um programa, faz-se necessário levar em consideração algumas dimensões, como: “a das ações concretas a realizar, a das orientações para toda a ação (atitudes, comportamentos), a das determinações gerais e a das atividades permanentes”. Pois, num programa devem estar estabelecidas todas as referências para a execução do projeto, em que se torna necessária a exposição dos vínculos preestabelecidos entre os diversos componentes do projeto (BAPTISTA, 2007). Em outros termos, para elaborarmos um programa social devemos buscar identificar todos os elementos necessários para a sua formulação e aplicação. Então, para o desenvolvimento de um programa social, segundo Baptista (apud NOGUEIRA, 2009, p. 1), devemos levar em consideração os seguintes elementos básicos: ● a síntese de informações sobre a situação a ser modificada com a progra- mação; ● a formulação explícita das funções efetivamente consignadas aos órgãos e/ ou serviços ligados ao programa, com responsabilidades em sua execução; ● a formulação de objetivos gerais e específicos e a explicitação de sua coerência com as políticas, diretrizes e objetivos do sistema maior, e de sua relação com os demais programas do mesmo nível; ● a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adotadas para arealização do programa; ● as atividades e os projetos que comporão o programa, suas interligações, incluindo a apresentação sumária de objetivos e de ação; ● os recursos humanos, físicos e materiais a serem mobilizados para sua realização; ● a explicitação das medidas administrativas necessárias para sua implantação e manutenção. Esses elementos devem ser articulados por uma equipe de trabalho interdisciplinar, que toma essas decisões coletivamente. Mas, nada disto adianta se todo este processo ficar apenas em um plano (planejamento). Devemos colocá-lo em prática, monitorar e avaliar constantemente o mesmo, para que assim surta o resultado esperado. 1 Pesquise e investigue os programas do Governo Federal, e leve os mesmos para discutir no grande grupo em seu próximo encontro presencial. 2 Procure identificar os programas do governo municipal de sua região, e leve os mesmos para discutir no grande grupo em seu próximo encontro presencial. AUTOATIVIDADE 76 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA 4 PROJETOS Após a compreensão do significado de um plano e programa, podemos agora indagar: o que seria um projeto? Seja social ou não. Para iniciar essa discussão teórica, devemos observar primeiramente o que Campos, Abegão e Delamaro (2002, p.17) dizem, pois: Projetar significa planejar algo que se pretende realizar no futuro, sendo que um projeto distingue-se de outras formas de planejamento – como o planejamento estratégico de uma instituição ou uma simples programação de atividades rotineiras –, por ser fechado, isto é, tem começo, meio e fim previsíveis e pro- gramados. Além disso, também são estabelecidos previamente o público-alvo do projeto, os seus beneficiários, as atividades a desenvolver e os recursos necessários – tempo, dinheiro, equipamentos e pessoas. Em alguns casos, o propósito do projeto é estabelecer uma nova iniciativa, sem prazo para terminar. Mas, mesmo assim, o projeto compreenderá todas as ações levadas a cabo para implementar essa iniciativa, para colocá-la em funcionamento. O projeto é o documento importantíssimo, que sistematiza, ordena e funda os objetivos traçados anteriormente num plano ou programa para a execução de uma ação (BAPTISTA, 2007), ou seja, é um processo sistêmico e metódico de racionalização de todas as decisões preestabelecidas pelo grupo de trabalho. Essas decisões se constituem da proposta de produção e execução de algum bem ou serviço, com a aplicação de determinadas técnicas para assim obter os resultados almejados. É pouco provável que um projeto isolado possa resolver um problema ou uma situação social negativa. Em geral, um projeto pode estabelecer um impulso para a mudança, pode iniciá-la, mas não basta, por si mesmo, para que toda a transformação desejada ocorra. Não reconhecer esse fato é perigoso, pois mesmo um bom projeto pode estar sujeito a manipulações politicamente perversas em sua implantação, ou ainda, ser transformado em mera peça ideológica a serviço de jogos de poder. (CAMPOS; ABEGÃO; DELAMARO, 2002, p. 17). ATENCAO A elaboração de projetos, em geral, denota diretamente o acompanhamento de uma metodologia pré-selecionada pelos gestores organizacionais para que a organização possa desenvolver um roteiro prático que possibilite a coleta de informações necessárias para ser levado para os processos de tomada de decisões, em que são delimitadas estratégias de enfrentamento das questões e problemas que se está trabalhando. Mas, sempre sobre a realidade cotidiana da expressão da questão social que se deseja trabalhar (intervir). TÓPICO 5 | DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 77 Mas, num projeto, as ações preestabelecidas devem sempre ser definidas em prol dos objetivos da organização. Em que estas atividades planejadas devem integrar todos os departamentos e setores da organização, inter-relacionando as ações a serem realizadas por cada um. Nesse sentido, Santos (2004, p. 15) coloca- nos que “um projeto social é planejado para solucionar um problema ou responder a uma carência social”. Em que o projeto social é composto primordialmente para preencher ou responder a uma demanda social específica. Então, é nesta demanda específica que o assistente social e outros profissionais levantam todas as informações necessárias, para depois analisá- las e determinar qual o melhor projeto estratégico que possam desenvolver para solucionar aquela questão social/problema. Alves (2013, p. 2) complementa expondo que o: Projeto é também um documento produto do planejamento, porque nele são registradas as decisões mais concretas de propostas futuristas. Trata-se de uma tendência natural e intencional do ser humano. Como o próprio nome indica, projetar é lançar para a frente, dando sempre a ideia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Mas, prezado acadêmico, o plano, programa ou projeto, seja social ou não, SÓ SURTIRÁ O EFEITO DESEJADO SE O MESMO FOR PAUTADO SOBRE A REALIDADE COTIDIANA DO OBJETO ESTUDADO. Em outros termos, devemos sempre e somente tomar decisões pautados na realidade cotidiana do público que atendemos. 1 Procure identificar os projetos sociais do seu município, e leve os mesmos para discutir no grande grupo em seu próximo encontro presencial. AUTOATIVIDADE IMPORTANT E Indicadores são valores mensuráveis ou variáveis qualitativos usados para representar, da forma mais fiel possível, uma situação. Sua principal utilidade é a de serem usados para evitar – ou pelo menos diminuir – ambiguidades na comunicação. (CAMPOS; ABEGÃO; DELAMARO, 2002, p. 18). 78 UNIDADE 1 | GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA LEITURA COMPLEMENTAR GESTÃO EMPRESARIAL – UMA VISÃO Ivam Postigo Todas as tarefas em uma empresa podem ser delegadas, menos a visão de futuro. Esta é uma tarefa exclusiva de seus criadores e dirigentes que deve ser mostrada aos colaboradores e constantemente reforçada. Quando isto é feito, instila-se uma atitude de proprietário nos colaboradores, que certamente se comprometerão com o futuro da empresa. Estabelecido este ponto, seus dirigentes poderão delegar mais, dedicando-se a cuidar do futuro da companhia, pois terão pessoas administrando o lado operacional do empreendimento. Acompanhar os movimentos do mercado e dos concorrentes é tarefa fundamental para todos os dirigentes. A batalha pelo futuro não começa como uma batalha pela participação de mercado, mas como uma batalha pela liderança intelectual. Existem empresas que são inovadoras e são seguidas pelas demais, e outras que seguem o mercado. Muitas empresas, embora não inovadoras, acabam tendo mais sucesso que as inovadoras, pois embora copiem os produtos, os oferecem com maior competência e criam na mente do prospect a percepção de empresa de vanguarda. Há uma frase em marketing que pode ser questionada, mas que carrega consigo muita verdade: “O que impulsiona o sucesso não são fábricas, instalações, produtos e pessoas, o que impulsiona o sucesso é ocupar um lugar na mente do prospect”. Quem tem enormes verbas para propaganda pode seguir esta frase ao pé da letra; quem não dispõe - e a maioria das empresas não dispõe - terá que estar ao lado do cliente para torná-la verdadeira, momento em que as pessoas exercem tarefa fundamental. Acompanhando o mercado e os movimentos dos concorrentes, poderemos sempre descobrir “o que” fazer para encantá-lo. Muitas empresas sabem o que fazer, porém os resultados não aparecem. Por que isto acontece? Administração tem a ver com “como”. Muitas empresas estão obcecadas pelo o “que” e esquecem o “como” fazer. Quando as pessoas não sabem “como” fazer, não conseguem produzir o “que”. É muito comum ouvirmos de dirigentes frases como: “Sabíamos o que fazere ainda assim falhamos”. TÓPICO 5 | DIFERENÇA ENTRE PLANO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 79 É importante considerar aqui dois pontos fundamentais: 1 As pessoas sabiam o “que” fazer, porém não sabiam “como” fazer 2 As pessoas não falharam, desistiram de tentar Quando encontrar uma empresa de sucesso, saiba que um dia alguém tomou uma decisão corajosa, como diz Peter Drucker. Um dos pontos fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento é foco. Quando se encontra o foco, fica mais fácil decidir o “que” fazer e “como” fazer e a melhor maneira de encontrar o foco é encontrando o inimigo. Uma vez isolado o inimigo, o problema é identificado, com isso pode-se não só efetuar as correções necessárias como separar as oportunidades dos problemas, pois as empresas eficientes enfocam as oportunidades e não os problemas. Para que uma empresa encontre o caminho do sucesso, seus dirigentes precisam observar três pontos básicos: 1 Ver o que está funcionando 2 Focar 3 Colocar a empresa nesse objetivo É comum dirigentes irem ao mercado sempre em busca de mais ideias, implementando- as muitas vezes sem retorno. Muitas empresas não precisam de mais ideias e sim de bom senso. Boas ideias estão por toda parte, bom senso sim é mercadoria escassa. Com o envolvimento das pessoas na visão de futuro da empresa, além do comprometimento com os resultados, evitamos que estas alcancem regularmente o “título de heróis em tempo de crise”. Os colaboradores estarão sempre dispostos a fazer grandes sacrifícios para atingir grandes metas, mas eles têm que saber quais são essas metas. Não basta forçá-los a se empenhar mais. A gerência participativa não pode ser implementada de forma participativa, alguém tem que assumir a responsabilidade, e isto só pode ser conseguido quando há comprometimento com o futuro. FONTE: POSTIGO, Ivam. Gestão empresarial: uma visão. Publicado em: 22-09-2009 . Disponível em: <http://www.artigonal.com/gestao-artigos/gestao-empresarial-uma- visao-1259475.html. Acesso em: 14 jan. 2010. 80 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, prezado acadêmico, pudemos observar uma discussão acerca do significado das diferenças entre plano, programas e projetos sociais. Foram abordados os seguintes itens: Um plano apresenta sinteticamente as diversas decisões tomadas pelo grupo de trabalho. Um plano delineia de uma forma geral o projeto ou o programa que se deseja implantar. No plano existe um alinhamento das diversas estratégias desenvolvidas para se atingir os objetivos, as diretrizes e metas. O plano, num sentido restrito, busca sistematizar as ideias criativas e estratégicas que permitirão ao assistente social ou outro profissional apurar e otimizar os diversos recursos que poderão auxiliar diretamente no desenvolvimento das metas e objetivos. Os planos podem ser classificados na temporalidade como: longo, médio e curto prazo. O programa é o documento que detalha a política, diretrizes, metas e medidas instrumentais. Há vários elementos que compõem um programa. Projetar significa planejar algo que se pretende realizar no futuro. O projeto é o documento que sistematiza e estabelece o traçado prévio de uma ação. A elaboração de projetos, em geral, “acompanha um roteiro predeterminado”. (NOGUEIRA, 2009, p. 2). 81 BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento: introdução à metodologia do planejamento social. 4. ed. São Paulo: Moraes, 1981. Prezado acadêmico, faça um quadro apresentando os principais pontos conceituais do significado de: PLANO, PROGRAMA e PROJETO: AUTOATIVIDADE DOCUMENTO PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PLANO PROGRAMA PROJETO DICAS Para um aprofundamento desses temas, sugiro que vocês leiam o seguinte livro: 82 FECHAMENTO DA UNIDADE Prezado acadêmico, hoje, no mundo em que vivemos, se faz importante compreendermos como são concebidas as organizações brasileiras, principalmente no que tange à gestão empresarial e institucional, tanto das esferas públicas, privadas e do terceiro setor, de modo que você, acadêmico(a), possa trabalhar esses conceitos de forma crítica e consciente no desenvolvimento de sua práxis profissional. E, neste sentido, esta unidade é de fundamental importância na formação acadêmica dos assistentes sociais, pós só assim poderão compreender conceitos administrativos para orientar sua prática profissional e também para gerir sua intervenção junto aos públicos usuários de direito. Além de proporcionar contato direto com diversas técnicas administrativas e institucionais correlacionadas à gestão empresarial e institucional. Esta unidade também procurou fomentar a compreensão dos significados dos princípios norteadores da gestão empresarial, demonstrando as novas concepções sobre o papel das organizações, suas transformações históricas e suas maneiras de lidar com as mudanças organizacionais. Além de lhe apresentar a questão da gestão participativa e holística e como se processam as tomadas de decisões, para assim poder diferenciar também os planos, programas e projetos sociais brasileiros. Esta unidade pretendeu trazer à tona a discussão referente à GESTÃO EMPRESARIAL NOS DIAS DE HOJE, apresentando sucintamente um pouco das novas concepções sobre o papel das organizações e como se processa a gestão ou administração das organizações na atualidade, abordando a importância de se existir uma gestão mais participativa, e que nesta gestão haja também a cultura da tomada de decisão coletiva, e que esta decisão seja realizada por todo o grupo e não apenas por seus gestores. Pois, hoje, o mercado de trabalho exige dos assistentes sociais o empoderamento destas questões administrativas, pois cada vez mais é o assistente social que está à frente da gestão da Secretaria de Assistência Social dos municípios, das outras diversas secretarias, serviços, planos, programas e projetos. Então vamos lá! E sucesso em sua vida profissional! Prof.ª Vera Lúcia Hoffmann Pieritz 83 A partir desta unidade você será capaz de: • compreender o significado do planejamento e da estratégia e seus princípios norteadores no âmbito social e institucional; • aprofundar os conhecimentos acerca da importância do planejamento na gestão de programas e projetos sociais; • identificar as diversas posturas típicas dos gestores e de sua equipe de trabalho; • compreender as diversas atitudes comportamentais dos gestores e de sua equipe de trabalho, no que tange ao futuro profissional e institucional; • compreender a trajetória do planejamento e da estratégia na atuação profissional do assistente social; • compreender o significado do planejamento em programas e projetos sociais e seus princípios norteadores; • aprofundar os conhecimentos acerca da prática dos instrumentos de planejamento em programas e projetos sociais; • identificar os diversos modelos contemporâneos de planejamento, programas e projetos sociais; • compreender a importância do monitoramento e da avaliação dos programas e projetos sociais. UNIDADE 2 A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A Unidade 2 está dividida em cinco tópicos. Ao final de cada um deles você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos, realizando as atividades propostas. TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ES- TRATÉGICO TÓPICO 2 – A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL TÓPICO 3 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTI- TUCIONAL E SOCIAL TÓPICO 4 – PLANEJAMENTO NO SERVIÇO SOCIAL TÓPICO 5 – DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 84 85 TÓPICO 1 INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO FIGURA 14 – O MONGE FONTE: Disponível em: <www.veronicalobo.blogspot.com>.Acesso em: 25 mar. 2010. O momento certo Um dia um homem entrou num mosteiro e encontrou um monge sorrindo, sentado no altar. – Por que o senhor está sorrindo? – perguntou o homem. – Porque entendo o significado das bananas – disse o monge abrindo a bolsa que carregava e tirando de lá uma banana podre. – Esta é a vida que passou e que não foi aproveitada no momento certo, e agora é tarde demais. Em seguida, tirou da bolsa uma banana ainda verde. Mostrou ao homem e tornou a guardá-la. – Essa é a vida que ainda não aconteceu, é preciso esperar o momento certo – disse o monge. Por fim, tirou da bolsa uma banana madura, descascou-a e a dividiu com o homem, dizendo: – Este é o momento presente. Saiba vivê-lo sem medo. [...] FONTE: Rangel (2003, p. 42) UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 86 Prezado acadêmico, iniciaremos esse estudo realizando uma reflexão sobre a história aqui apresentada, pois devemos, em nosso dia a dia profissional e pessoal, estar atentos e conectados ao “MOMENTO IDEAL”, ao “MOMENTO CERTO” de agir, de decidir, de observar que as coisas estão em constante transformação e que necessitamos ficar antenados a essas mudanças, pois só assim poderemos desempenhar nossas ações profissionais coerentemente com as demandas sociais que nos são apresentadas. Não podemos “perder o bonde”, pois as consequências devido a nossas incertezas poderão gerar ainda mais complicações nas questões sociais em que estamos envolvidos. Sabe-se que, às vezes, nos precipitamos em tomar certas decisões, mas muitas vezes agimos tarde demais. Conforme a história, devemos reconhecer o momento certo de agir ou tomar uma decisão, pois só assim poderemos realizar um diagnóstico da realidade coerente com a expressão da questão social que é apresentada. Porém, para que isso possa realmente acontecer, devemos compreender que tanto na administração empresarial (Empresas), como na administração pública (Governo) e de entidades não governamentais (ONGs), os gestores/ administradores precisam estar atentos às mudanças contínuas das formas, ferramentas e técnicas de gerir ou administrar os planos, programas e projetos, sejam sociais ou não, para assim desenvolver a melhor estratégia de sanar o problema ou potencializar a oportunidade de melhoria. Nessa perspectiva, os gestores de planos, programas e projetos sociais e organizacionais estão cada vez mais utilizando como ferramenta administrativa e de gestão o “PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO”, no intuito de buscar um crescimento, com maior responsabilidade, organização, liderança e controle. Então, cabe-nos compreender, primeiramente, as nuances conceituais da estratégia e do planejamento e como se tornam importantes num processo de gestão de planos, programas e projetos. 2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DA ESTRATÉGIA Prezado acadêmico, na atuação profissional do assistente social junto a equipes de gestão de projetos e programas sociais, tanto no âmbito privado (empresas e organizações não governamentais – ONGs) quanto no âmbito público (prefeituras e órgãos governamentais), podemos colaborar constantemente nos processos de tomada de decisão e na elaboração de estratégias que ajudem a encontrar a solução dos problemas sociais, em busca constante da garantia dos direitos humanos e sociais. TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO 87 Dessa maneira, vamos conhecer alguns conceitos pertinentes a esse processo de gestão dos planos, programas e projetos sociais. Portanto, como podemos compreender a estratégia? Vejamos: A ESTRATÉGIA pode ser compreendida como um estabelecimento de metas e objetivos que proporcionam o direcionamento para o ponto em que gostaríamos de chegar, ou seja, de acordo com Bruce e Langdon (2000, p. 6), “[...] estratégia é uma declaração de intenções que define aonde você quer chegar a longo prazo”, ou seja, a estratégia é o indicador do caminho a ser trilhado pela organização. Nesse sentido, podemos compreender que o desenvolvimento de uma estratégia proporcionará o direcionamento que desejamos dar a uma determinada situação. Essa estratégia, por sua vez, deve ser bem planejada, levando sempre em consideração o seu propósito (objetivo), o seu ambiente (interno e externo) e a capacidade técnica do seu gestor e equipe (capacitação). Costa (2007, p. 33) expõe que “[...] definiremos o propósito de uma organização como aquilo que ela almeja ser no futuro, a sua vontade, o seu desejo de ser e de agir”. Ou seja, o seu desígnio existencial, a sua missão e visão organizacional. Sendo que a organização, de posse de seus objetivos macros, desenvolve caminhos estratégicos para atingi-los. A estes caminhos chamamos de estratégias organizacionais. Mas não podemos esquecer que a instituição deve colocá-los em prática, caso contrário nunca atingirá suas metas. Lembre-se sempre de que uma estratégia deve ser bem SIMPLES, CLARA e OBJETIVA, pois assim a sua aplicação se tornará mais eficiente para a organização. Dessa forma, Oliveira (2005, p. 196-197) cita a importância da utilização da estratégia, pois, “além de ser um instrumento administrativo, facilitador e otimizador das interações da empresa com os fatores externos à empresa, as estratégias têm forte influência sobre os fatores internos da empresa”. Neste sentido, a estratégia deve envolver constantemente uma análise real e criteriosa dos fatores internos e externos à organização, para que assim ela possa desenvolver alternativas de enfrentamento dos problemas com maior precisão da real situação em que a organização e o mercado se encontram. Pois nunca podemos desenvolver estratégias sobre dados irreais ou incertos, pois os mesmos nos levarão à direção errada para o solucionamento de uma problemática. E este fator poderá acarretar consequências graves para a instituição e o seu entorno. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 88 Contudo, para que desenvolver uma estratégia? Vejamos: Sabemos que, por meio da elaboração e aplicação de estratégias, a organização está em busca do atingimento pleno ou parcial de seus objetivos e metas (seus sonhos e missão). Então, podemos expor que o desenvolvimento de estratégias se torna fundamental para a própria sobrevivência da organização no mercado. Pois sem as estratégias a instituição fica para trás e deixa de ser competitiva, sendo que aos poucos ela se distancia dos seus propósitos existenciais. Mas, como isto acontece? Pois bem, este distanciamento acontece porque a organização não faz mais sua tarefa básica, o levantamento preciso dos fatores ambientais, tanto internos como externos. E esta falta de análise leva a organização a tomar decisões sobre indicadores não tão reais, e, por consequência, acaba se direcionando por caminhos incorretos, gerando assim a baixa lucratividade e a diminuição de sua capacidade competitiva no mercado em que está inserida. Neste sentido, Bruce e Langdon (2000, p. 6) complementam expondo que “[...] com uma estratégia você garante que as decisões do dia a dia se adaptem aos interesses de longo prazo da empresa [entidade não governamental ou da administração pública]. Sem uma estratégia, as decisões de hoje podem prejudicar resultados futuros”. Assim, para executar um plano, programa ou projeto, seus gestores e as equipes de trabalho devem exercer seu poder de decisão em prol do desenvolvimento linear de suas ações, buscando constantemente definir o caminho a ser trilhado, com segurança e objetividade. Nunca se esquecendo do propósito das ações, ou seja, do objetivo a ser alcançado. IMPORTANT E Lembre-se: Não existem soluções mágicas para os problemas sociais. Qualquer solução exige muito suor e trabalho dos gestores e assistentes sociais. TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO89 Dessa maneira, prezado acadêmico, os assistentes sociais e também os outros profissionais que estão envolvidos na elaboração de estratégias precisam se preocupar com o futuro, o amanhã, pois deve-se considerar que para o enfrentamento de uma questão social necessitamos analisar onde se pretende chegar e como, ou seja, qual o resultado aceitável para a resolução do problema social que estamos trabalhando. Mesmo que saibamos quais os caminhos de enfrentamento dessas questões e para que público social são destinadas, precisaremos de uma estratégia bem definida de como fazê-lo. Só assim poderemos propiciar o solucionamento parcial ou integral da questão social trabalhada. Lembre-se de que a estratégia pode ser visualizada como se fosse um mapa, pois ela nos dá a direção para onde desejamos chegar, ou seja, a estratégia é o caminho a percorrer para se atingir os objetivos ou solucionar um determinado problema social. ATENCAO FONTE: Disponível em: <www.minutosdeleitura.pt>. Acesso em: 25 mar. 2010. Entretanto, não adianta sabermos para onde queremos ir, sem saber o como fazer para se alcançar o resultado desejado. Não adianta saber qual a resolução de um problema social, sem saber qual o programa ou projeto que se possa desenvolver para solucionar esse problema social. Portanto, devemos compreender como planejar as nossas ações para a realização concreta das estratégias. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 90 AUTOATIVIDADE A partir do conhecimento que você adquiriu sobre ESTRATÉGIA, sugiro que encontre 10 palavras relacionadas ao tópico estudado no seguinte passatempo: A C G M P W R T A M E P T O O K G L D D I R E Ç A O R S X B D E C I S O E S K P Q O S L J S S M O V A L Q E L M G O D E D T F N L P B S R P O R B F T J A E S T R A T E G I A F O I H O U U Q O L I A I P M L L V C S R T O J B A D B S A Q O O A S D A N E S B O L U S A S S R O B M E T A S X U D I A P S V A X O R O S Q F U T U R O K H Q A L I S O P R O B L E M A 3 MOTIVAÇÕES PARA O PENSAMENTO ESTRATÉGICO Prezado acadêmico, agora que já sabemos o que é a estratégia, devemos nos perguntar, primeiramente: como os gestores/administradores e nós, os assistentes sociais, poderemos participar desse processo ativamente, percebendo e compreendendo o nosso COMPROMETIMENTO, a nossa RESPONSABILIDADE e a nossa PARTICIPAÇÃO no desenvolvimento dos planos, programas e projetos? Além de ressalvar que nesse processo devemos compreender como cada integrante da equipe de trabalho vê a estratégia. Se a vê como instrumento de desenvolvimento e criação de oportunidades de superação das questões sociais ou não. E como é a postura, como é atitude, a mentalidade e o comportamento subjetivo de cada integrante nesse processo de tomada de decisão estratégica? E como os mesmos empregam o tempo? Como direcionam suas ações e preocupações? Nesse sentido, você sabe quais são as POSTURAS TÍPICAS DOS GESTORES E SUA EQUIPE? NÃO?! Então, antes de abordarmos as principais características das posturas típicas em relação ao planejamento e à estratégia, devemos fazer a seguinte reflexão: TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO 91 Será que podemos DORMIR TRANQUILOS com o nosso futuro profissional? FIGURA 15 – DORMIR TRANQUILO FONTE: Disponível em: <www.oguardiaodoseudinheiro.com.br>. Acesso em: 25 mar. 2010. ACHO QUE NÃO PODEMOS DORMIR TRANQUILOS, pois existem e sempre existirão mudanças! Porém, o que há de novo é a velocidade com que essas mudanças estão acontecendo. Portanto, inovar e estar conectado com as transformações torna-se fundamental para a nossa sobrevivência tanto pessoal como profissional. Entretanto, para que possamos estar inovando ou não, devemos adotar algumas posturas de comportamento, e essas, por sua vez, influenciam diretamente as decisões que tomamos ao longo de nossa história pessoal ou profissional. Sabe-se que todos os seres humanos possuem posturas de comportamento. Alguns pensam e agem de acordo com a figura 16: FIGURA 16 – COMODISMO É FIM DE CARREIRA NA CERTA É UMA EMPRESA SÓLIDA, PAGA BEM! PARA QUE SAIR POR AÍ, CORRER RISCOS? ME SINTO CONFORTÁVEL AQUI! FONTE: Revista Você SA (Março/2002) UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 92 Contudo, prezado acadêmico, temos opções de escolha, ou seja, ficarmos conforme a postura I ou agirmos como a postura II. Postura 1: O comodismo FIGURA 17 – COMODISMO FONTE: Disponível em: <www.versoprosaecia.blogspot.com>. Acesso em: 25 mar. 2010. FIGURA 18 – ATITUDE PROATIVA FONTE: Disponível em: <www.mariojpcastro.zip.net>. Acesso em: 25 mar. 2010. Caro acadêmico, não podemos ficar esperando pelas oportunidades de crescimento e melhoria de qualidade de vida. Devemos buscar constantemente essas oportunidades, pois sabemos que as coisas não caem do céu. Temos que trabalhar muito para conquistar cada espaço. Então, quais são as POSTURAS TÍPICAS que possuímos em relação ao planejamento e à estratégia? Como percebemos o futuro de nossas organizações? TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO 93 Essas respostas variam de pessoa para pessoa, de profissional para profissional, de organização para organização, de entidade para entidade, pois cada um de nós possui princípios e valores ético-morais diferentes, e isso reflete diretamente em nosso comportamento, em nossas decisões e atitudes, além de demonstrar nossa responsabilidade no que tange ao nosso futuro e ao futuro da organização em que estamos inseridos. Muitos de nós somos influenciados pelos outros, porém, outros possuem ideias próprias e autonomia; às vezes, essas ideias são compartilhadas, outras vezes não. Tudo isso depende da visão de mundo que temos, ou seja, dos valores subjetivos e culturais. Há, ainda, aqueles que se acham os coitadinhos, os sem-esperança, os cheios de problemas. E, por outro lado, há aqueles que são inovadores, críticos e positivos, que estão sempre buscando contribuir com os outros e com a organização. Porém, qual dessas posturas demonstra uma atitude positiva, coerente e construtiva para o bom desenvolvimento do futuro de uma organização? Nenhuma delas, pois, infelizmente, os comportamentos aqui apresentados não são apropriados num processo de trabalho coletivo, pois está faltando uma sistematização das atividades que envolvam todos os profissionais de uma determinada organização ou departamento. Na construção e desenvolvimento de algum plano, programa e projeto, deve- se ter por norte um processo efetivo, sistemático e consensual, pois só assim a organização poderá se desenvolver com sustentabilidade. Mas, por que isso acontece em nossas organizações? Vejamos: Costa (2007) expõe que existem três razões para que isto possa acontecer, que são: Primeira razão: MEDO DO DESCONHECIDO: no qual esse tipo de comportamento em relação ao futuro deve-se, geralmente, a uma reação psicológica negativa da situação que estão vivenciando, que faz as pessoas evitar essas questões. Segunda razão: DIFICULDADE DE EXPLORAÇÃO DO FUTURO: em que a organização não consegue, muitas vezes, discernir o que é real do que não é nos ambientes externo e interno, por não analisar concretamente a realidade em que está inserida. Terceira razão: ACOMODAÇÃO: Existe também certa acomodação, própria de pessoas ditas “pragmáticas”, para as quais o que interessa é o presente. Para elas, o destino decide o futuro. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 94 Finalizando esta discussão, verificamos que a postura de nossos gestores/ administradores sociais ou organizacionais é permeada por mudanças ambientais, tanto internas quanto externas, das nossas organizações, gerando certo medo desses fatores que estãoalém de nossa compreensão, pois os mesmos formam certas barreiras no enfrentamento das questões sociais, ou não, que estamos trabalhando. IMPORTANT E Agora que você já viu como são as posturas típicas de nossa equipe de trabalho, podemos compreender que devemos enfrentar nossos MEDOS e ir além. Sempre em busca constante da prevenção, vigilância, integração social e ampliação da cidadania humana. FONTE: Disponível em: <www.agecon.org.br>. Acesso em: 25 mar. 2010. Neste contexto, você conhece as ATITUDES PECULIARES DOS GESTORES E SUA EQUIPE EM RELAÇÃO AO FUTURO PROFISSIONAL E INSTITUCIONAL? Vejamos: Conforme apresentado anteriormente, todos nós somos diferentes e temos comportamentos e atitudes diferentes, tanto nas questões atuais como para o planejamento do futuro. Contudo, precisamos saber um pouco que atitudes são essas e o que elas influenciam no processo de gestão dos planos, programas e projetos sociais ou em nossa atuação profissional. Por isso, a seguir, apresentaremos essas atitudes comportamentais. No que tange ao COMPORTAMENTO NA GESTÃO TRADICIONALISTA, podemos observar que no nosso cotidiano profissional encontraremos muitos profissionais que norteiam suas ações com coisas que já aconteceram no passado; e sobre essas experiências, positivas ou negativas, executam suas decisões e ações de hoje, ou seja, o passado fornece os condicionantes e bases para o exercício profissional do presente. TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO 95 De acordo com Costa (2007, p. 10): [...] os dirigentes dessas organizações vivem seu cotidiano aplicando no presente o que deu certo no passado, ou evitando aquilo que deu errado. Para eles, as experiências adquiridas servem para delinear tanto o presente quanto o futuro. Entretanto, do ponto de vista estratégico, o que passou pouco contribui para o que pode acontecer no futuro de nossas organizações. Podemos observar esse tipo de comportamento na figura 19: FIGURA 19 – ATITUDE TRADICIONALISTA FONTE: Costa (2007, p. 11) HOJE PASSADO Prezado acadêmico, os gestores tradicionalistas, como visualizado na figura 19, exercem suas atividades de hoje baseados única e exclusivamente em suas experiências do passado, mas há um agravante nesse tipo de atitude, pois, como podemos garantir que hoje e no futuro as coisas serão iguais ao passado? Sabendo que estamos em constantes transformações, as decisões baseadas nesse tipo de comportamento não possibilitam a certeza de se ter o mesmo resultado do passado. Já o COMPORTAMENTO NA GESTÃO PRAGMÁTICA denota outro perfil de profissional, o qual é aquele que vive no hoje, no presente, enfocado somente nos últimos boatos, fatos, palpites, eventos e notícias que estão acontecendo no seu local de trabalho e no mundo. Esses profissionais, segundo Costa (2007, p. 11): [...] convivem com modismos e são surpreendidos, a cada instante, por notícias, boas ou más. Como estão atentos apenas ao que acontece no presente, atuam quase sempre de forma reativa com relação aos impactos futuros, reais ou prováveis, positivos ou negativos, que ocorrem ou que podem ocorrer à sua volta. [...] Preocupam- se excessivamente e direcionam todo o seu tempo e atenção para o presente [...] Podemos observar esse tipo de comportamento na figura 20: UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 96 FIGURA 20 – ATITUDE PRAGMÁTICA FONTE: Costa (2007, p. 11) HOJE PASSADO PRESENTE Os profissionais pragmáticos, como observado na figura 20, baseiam-se em experiências do passado, mas só sabem agir no presente, no hoje, por meio dos modismos. E o seu fator agravante é a questão que esse profissional, ao tomar suas decisões, não vislumbra o futuro, só enxerga o passado e o presente. Também há os profissionais que apresentam em sua gestão um COMPORTAMENTO ESTRATÉGICO, em que podemos citar que os mesmos profissionais vislumbram o futuro profissional e de sua organização de forma diferenciada, pois há profissionais que possuem atitudes mais positivas e outros mais negativas, e isso depende da visão de mundo, do comportamento organizacional, e os mesmos são regidos por nossos princípios éticos e morais do que é certo e errado. Nessa perspectiva, Costa (2007, p. 12) expõe que: [...] algumas pessoas veem o futuro de maneira sistemática e persistente. Elas têm opiniões definitivas sobre o futuro, independentemente das circunstâncias, das informações que recebem ou das perspectivas reais para a organização. Enquanto algumas adotam habitualmente uma postura pessimista, achando que a situação está ruim e vai piorar, enfatizando somente os aspectos negativos, outras veem o futuro com otimismo exagerado, afirmando que a situação está boa e vai melhorar, apesar das circunstâncias, enfatizando, assim, apenas os aspectos positivos. [...] essas pessoas partem de pressupostos opostos entre si, mas todos de difícil comprovação, pois tanto as otimistas como as pessimistas sempre encontram fortes argumentos para justificar suas posturas. Entretanto, nenhuma dessas atitudes contribui, efetivamente, para a construção de uma visão positiva, porém realista, do futuro. Podemos observar esse tipo de comportamento na figura 21: TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO À ESTRATÉGIA E AO PENSAMENTO ESTRATÉGICO 97 FIGURA 21 – ATITUDES PESSIMISTA, OTIMISTA E DE EXTRAPOLAÇÃO FONTE: Costa (2007, p. 12) PASSADO FUTURO Otimista Extrapolação Pessimista PRESENTE HOJE Como podemos observar, possuímos diversos tipos de profissionais, e cada um com características singulares, ora desenvolvem suas funções hoje baseados nas experiências do passado, mas com vistas no futuro, encarnado-o de forma pessimista; ora otimista; e ora extrapolando esse otimismo ou negativismo. Porém, qual é realmente uma atitude estratégica? Um profissional que possui um comportamento estratégico é aquele que desenvolve suas ações do presente a partir do futuro, ou seja, daquilo que a organização, instituição pública ou privada almeja conquistar ou ser (sua missão e visão). Isso demanda que os profissionais devam desenvolver um poder criativo, pois muitas vezes eles devem imaginar o como fazer para alcançar essa missão. Quais são os caminhos? Como fazer? Com que base? Esse processo, de acordo com Costa (2007, p. 13), “consiste, exatamente, em um exercício de se transportar mentalmente para um futuro desejável, considerado possível, e a partir de lá olhar para trás, para o hoje, e perguntar o que deve ser feito no presente para que o idealizado no futuro se concretize”. Podemos observar esse tipo de comportamento na figura 22: FIGURA 22 – ATITUDE ESTRATÉGICA: OLHAR O PRESENTE COM OS OLHOS A PARTIR DO FUTURO DESEJADO FONTE: Costa (2007, p. 13) PASSADO FUTURO DESEJADO PRESENTE HOJE UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 98 Vislumbramos que um gestor e sua equipe, que trabalha por meio do comportamento estratégico, desenvolvem suas funções a partir da visão do futuro desejável, pois assim possibilita que os mesmos possam agir e planejar suas ações no presente, para conquistar suas metas e objetivos. E essas, por sua vez, também devem ser embasadas pelas experiências passadas, ou seja, no histórico da organização, pois não adianta nada só visualizar o futuro, devemos ter bases concretas e sequenciais no processo de tomada de decisão. 99 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado da estratégia. Foram abordados os seguintes itens: • O assistente social pode atuar na elaboração de planos, programas e projetos sociais, tanto no âmbito privado (empresas e organizações não governamentais – ONGs) como público (prefeituras e órgãos governamentais). • A estratégia pode ser compreendida como um estabelecimentode metas e objetivos que proporcionam o direcionamento para o ponto em que gostaríamos de chegar. • O desenvolvimento de uma estratégia proporcionará o direcionamento que desejamos dar a uma determinada situação. E essa estratégia, por sua vez, deve ser bem planejada, levando sempre em consideração o seu propósito (objetivo), o seu ambiente (interno e externo) e a capacidade técnica do seu gestor e equipe (capacitação). • Não existem soluções mágicas para os problemas sociais. Qualquer solução exige muito suor e trabalho pelos gestores e assistentes sociais. • A estratégia pode ser visualizada como se fosse um mapa, pois ela nos dá a direção para onde desejamos chegar. • Não adianta sabermos para onde queremos ir sem saber o como fazer para se alcançar o resultado desejado. • Vimos como os assistentes sociais e os gestores percebem e compreendem o seu comprometimento, responsabilidade e participação no desenvolvimento dos planos, programas e projetos. • Estudamos como é a postura, a atitude, a mentalidade e o comportamento subjetivo de cada integrante no processo de tomada de decisão estratégica. • O comportamento na Gestão Tradicionalista é norteado pelos resultados do passado, e sobre essas experiências, positivas ou negativas, os profissionais executam suas decisões e ações de hoje. • Os profissionais pragmáticos se baseiam em experiências do passado, mas só sabem agir no presente, no hoje, por meio dos modismos, e não vislumbram o futuro. 100 • Já no Comportamento da Gestão Estratégica, verificamos que existem diversos tipos de profissionais, cada um com características singulares, que desenvolvem suas funções hoje baseados nas experiências do passado, mas com vistas no futuro, sendo que esse futuro é encarado ora de forma pessimista, ora otimista e ora extrapolando esse otimismo ou negativismo. • Um profissional que possui um comportamento estratégico é aquele que desenvolve suas ações do presente a partir do futuro, ou seja, daquilo que a organização, instituição pública ou privada almeja conquistar ou ser (sua missão e visão). 101 AUTOATIVIDADE 1 As posturas típicas que os gestores possuem em relação ao planejamento e à estratégia nas organizações e instituições, tanto públicas como privadas e do terceiro setor, variam de gestor para gestor, de organização para organização, pois somos todos diferentes, sendo que uns possuem a postura comodista e outros já são proativos. Neste sentido é importante ressaltar que nenhuma destas posturas demonstra uma atitude positiva, coerente e construtiva para o bom desenvolvimento do futuro de uma organização. Assim sendo, classifique V para as sentenças verdadeiras que apresentem as razões para que isto possa acontecer e F para as falsas: ( ) Acomodação. ( ) Dificuldade de exploração do futuro. ( ) Excesso de confiança. ( ) Medo do desconhecido. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – V – F – V. c) ( ) V – F – V – F. d) ( ) F – V – V – V. 2 Os gestores organizacionais ou institucionais possuem atitudes comportamentais que influenciam diretamente no processo de gestão dos planos, programas e projetos sociais brasileiros, como também influenciam a nossa atuação profissional. Neste sentido, assinale a alternativa que apresente as características de uma atitude estratégica de gestão. ( ) Os profissionais estratégicos baseiam-se em experiências do passado, mas só sabem agir no presente, no hoje, por meio dos modismos. ( ) O comportamento estratégico denota um profissional que norteia suas ações com coisas que já aconteceram no passado; e sobre essas experiências, positivas ou negativas, executa suas decisões e ações de hoje. ( ) Um profissional que possui um comportamento estratégico é aquele que desenvolve suas ações do presente a partir do futuro, ou seja, daquilo que a organização, instituição pública ou privada almeja conquistar ou ser (sua missão e visão). ( ) O comportamento na gestão estratégica denota outro perfil de profissional, o qual é aquele que vive no hoje, no presente, enfocado somente nos últimos boatos, fatos, palpites, eventos e notícias que estão acontecendo no seu local de trabalho e no mundo. 102 DICAS Para aprofundar esses temas, sugiro que você leia o seguinte livro e assista ao filme indicado: Livro: BRUCE, Andy; LANGDON, Ken. Como usar o pensamento estratégico. São Paulo: Publifolha, 2000. (Série Sucesso Profissional Filme: ONZE HOMENS E UM SEGREDO Título original: (Ocean’s Eleven) Lançamento: 2001 (EUA) Direção: Steven Soderbergh Atores: George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts, Frankie J. Allison, Casey Affleck. Duração: 117 min Gênero: Ação Status: arquivado 103 TÓPICO 2 A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO FIGURA 23 – MENINA FONTE: Disponível em: <www.imagem.eti.br>. Acesso em: 25 mar. 2010. Novos desafios renovam nosso ânimo Uma tarde, o pai saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos. Em determinado momento da caminhada, a filha mais nova pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando. O pai respondeu que também estava exausto. Diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e a fazer corpo mole. Sem dizer uma palavra, o pai limitou-se a cortar um galho comprido de uma árvore. Depois, o entregou à filha dizendo: - Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha! Ele irá ajudá-la a seguir em frente. A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho tão rápido que chegou em casa antes dos outros. Ficou tão encantada com seu cavalo de pau que foi difícil fazê-la parar de galopar. A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender a atitude da irmã. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 104 O pai sorriu e respondeu: Assim é a vida, minha filha. Às vezes a gente está fisicamente e mentalmente cansado, certo de que é impossível continuar. Mas então encontramos um “cavalinho” qualquer que nos dá ânimo outra vez. Esse cavalinho pode ser um novo desafio, uma nova oportunidade no trabalho... O importante é nunca se deixar levar pela preguiça ou pelo desânimo. FONTE: Rangel (2003, p. 80-81) Como exposto na história, nós, assistentes sociais, vivenciamos momentos em nosso dia a dia profissional em que nos deparamos com uma encruzilhada, ou seja, estamos cansados tanto fisicamente quanto mentalmente, em que dá vontade de parar de lutar pelo bem-estar e direitos dos outros e de fazer o que vínhamos fazendo, pois não podemos esquecer que somos seres humanos e temos necessidades básicas e fisiológicas, que influenciam diretamente em nosso comportamento e nos momentos de tomada de decisão. Entretanto, nunca devemos desanimar por qualquer coisa que possa acontecer em nosso cotidiano profissional, pois as realidades que enfrentamos são complexas e envolvem pessoas, que possuem sentimentos e necessidades. E essas realidades apontadas nas diversas expressões da questão social, por sua vez, demonstram-se muitas vezes incompreensíveis e, por isso, achamos que não há solução ou alternativa de melhoria. Então, não sabemos o que fazer, ou seja, qual estratégia desenvolver para o enfrentamento da questão a ser trabalhada. É nesse ponto que devemos encontrar o nosso “cavalinho”, para assim nos dar outro direcionamento, outra oportunidade de contribuir com a melhoria de qualidade de vida. Nessa perspectiva, devemos constantemente planejar nossas ações para a prática profissional, ou seja, desenvolver estratégias que possibilitarão o enfrentamento das diversas expressões da questão social que nos são apresentadas no dia a dia. E, para isso, devemos compreender o que a estratégia influencia no cotidianoprofissional do assistente social. TÓPICO 2 | A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL 105 2 O SIGNIFICADO DAS ESTRATÉGIAS EM SERVIÇO SOCIAL Caro acadêmico, podemos observar que o assistente social – em sua construção e gestão em prol do acesso aos direitos sociais e na sua constituição histórica dos princípios e compromissos norteados pelo projeto ético-político do serviço social brasileiro – desenvolve uma intervenção qualificada sob as demandas apresentadas no dia a dia das instituições públicas diretas e indiretas, empresas privadas e outras entidades em que atuam, realizando trabalhos correlacionados à análise, planejamento, implementação e resposta de estratégias de enfrentamento técnico-políticas às diversas expressões da questão social. Nessa perspectiva, Silva (2005, p. 118) complementa, expondo que: O Serviço Social se constrói como profissão inserida na divisão sociotécnica do trabalho, participando de variados processos sociais relacionados à produção e reprodução material e ideológica da força de trabalho. Em sua trajetória sócio-histórica, o Serviço Social tem na questão social o seu eixo fundante, a partir do qual vêm sendo desenvolvidas estratégias de enfrentamento que constituem o seu processo de trabalho. IMPORTANT E Lembre-se: de acordo com Faleiros (2007, p. 76), “as estratégias são processos de articulação e mediação de poderes e mudança de relações de interesses, referências e patrimônios em jogo, seja pelo rearranjo de recursos, de vantagens e patrimônios pessoais, seja pela efetivação e direitos de novas relações ou pelo uso de informações”. Sob as diversas expressões da questão social, que são os objetos de trabalho do assistente social, são desenvolvidas diversas estratégias de enfrentamento, sempre em busca da garantia, prevenção, integração social e ampliação da cidadania junto aos serviços básicos de saúde, educação, previdência social, habitação, justiça e trabalho. Segundo Netto (apud SILVA, 2005, p. 118): [...] a profissionalização do Serviço Social tem sua base nas modalidades de enfrentamento das sequelas da questão social tipificadas nas políticas sociais, que se constituem em um conjunto de procedimentos técnico-operativos. Na gênese da profissão, os assistentes sociais eram convocados apenas para a execução terminal das políticas sociais, mas na atualidade têm sido chamados a participar também na formulação e evolução das mesmas. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 106 É nesse ponto que aparece a contribuição profissional do assistente social nos processos de tomada de decisão, pois esses colaboram diretamente sobre as questões sociais e suas políticas de enfrentamento, desenvolvendo estratégias e mecanismos de superação das expressões da questão social. E estas políticas sociais são desenvolvidas tanto por organizações públicas, privadas e do terceiro setor, em que são contratados, entre outros profissionais, os assistentes sociais, que por meio de sua competência técnico-operativa, teórico-metodológica e ético-política, buscam mecanismos estratégicos para o enfrentamento das diversas expressões da questão social que nossa sociedade apresenta em seu cotidiano. O assistente social possui alguns tipos de aplicação das estratégias na sua práxis profissional, segundo Silva (2005, p. 1), são eles: ● [como] Intervenção na sociedade: [...] através de tomadas de posição sobre os problemas sociais mais diversos. ● [como] Intervenção nas políticas: Através da primeira, consolidar o lugar do Serviço Social como auditor e promotor de políticas sociais públicas, influenciando os órgãos do Poder Executivo e Poder Legislativo. ● [como] Intervenção no mercado: Desenvolvimento de estratégias, observatórios, que perspectivem as mudanças sociais, também no campo do mercado de inserção laboral do assistente social. Então, o assistente social, em sua atuação profissional junto à sociedade, busca intervir estrategicamente nos problemas sociais; já na intervenção junto às políticas sociais públicas, procura inserir-se em todos os processos de tomadas de decisão que possam influenciar diretamente os órgãos legislativos e executivos; e no mercado de trabalho, os assistentes sociais buscam desenvolver estratégias que possibilitem transpor as transformações e mudanças da realidade cotidiana de sua atuação profissional, estando sempre atualizados e capacitados para o enfrentamento das questões sociais que lhes são apresentadas. Assim, podemos observar que o assistente social proporcionará, à população, possibilidades de acesso a bens e serviços, que representam a garantia dos direitos sociais, políticos e civis do público usuário. 3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA UTILIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL Historicamente falando, a estratégia permeia a atuação profissional do assistente social desde sua gênese, ora com maior ênfase e em outros momentos deixando quase de lado. TÓPICO 2 | A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL 107 Nas últimas décadas, de acordo com Silva (2005, p. 119-120): [...] o Serviço Social, no plano do discurso, redimensionou-se e renovou-se a partir do movimento de Reconceituação do Serviço Social, vinculando-se às lutas sociais da classe trabalhadora e de outros segmentos sociais na construção de alternativas. Como tendência hegemônica, distanciou-se do tradicionalismo profissional, adequando-se às exigências postas pelo processo de redemocratização desencadeado, no Brasil, na década de 80. [...] a partir daí a dimensão política do Serviço Social ganha força, mediante sua inserção no processo de luta de classes e de crítica do sistema capitalista de exploração, apontando para uma “direção social estratégica” (NETTO, 1996). O desenvolvimento dessa direção encontra na luta pela ampliação dos direitos sociais o veio principal para a institucionalização do caráter mediador dos interesses e conflitos da classe trabalhadora. Essa DIREÇÃO SOCIAL ESTRATÉGICA, na atuação profissional do assistente social nas lutas de classes, fica visível quando os artigos quarto e quinto da Lei nº 8.662, que regulamenta a profissão do assistente social, dispõem sobre as competências dos assistentes sociais, ou seja, esses profissionais poderão elaborar, coordenar, implementar, executar e avaliar tanto as políticas sociais quanto os planos, programas e projetos que envolvam orientações, providências e encaminhamentos para indivíduos, grupos ou a população, entre muitas outras competências. Essas ações de competência do assistente social são permeadas de estratégias. Pois, de acordo com Silva (2005, p. 121): [...] as estratégias de intervenção profissional do assistente social têm sido tensionadas por dois movimentos: um que diz respeito à defesa e garantia do direito à assistência, como preconizado pela LOAS [Lei Orgânica da Assistência Social] e reafirmado pelo SUAS [Sistema Único da Assistência Social]. Outro, pela focalização e refilantropização do atendimento às necessidades sociais. [...] o primeiro movimento, que segue na perspectiva da universalização e equidade, requer a primazia do Estado na condução da política de assistência social, a efetivação da descentralização do atendimento e a participação de todos nos rumos da política municipal [...]. O segundo movimento subordina os direitos sociais à lógica orçamentária, à política econômica, destruindo os preceitos constitucionais. Neste caso, os problemas sociais e políticos passam a ser reduzidos a questões administrativas. E as medidas no âmbito da política social passam a ser ações técnicas, segundo parâmetros empresariais de custo/benefício. [...] Sendo assim, a política de assistência social é viabilizada no sentido de amenizar os efeitos mais perversos das políticas de ajuste econômico nas camadas mais empobrecidas, por meio de ações compensatórias.As estratégias de intervenção profissional do assistente social vêm, ao longo dos tempos, desenvolvendo-se através de dois movimentos distintos, tais como: 1 Defesa e garantia do direito à assistência: no qual o assistente social desenvolve suas ações estratégicas em prol da equidade e universalização dos direitos individuais, políticos e sociais. UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 108 2 Foco na filantropização do atendimento às necessidades sociais: em que o assistente social desenvolve suas ações estratégicas no intuito meramente administrativo e técnico, ou seja, não levando em consideração os direitos individuais, políticos e sociais, e sim busca dar respostas às expressões da questão social por meio de políticas, planos e programas econômicos e orçamentários. Esses dois movimentos demonstram-se contraditórios, pois um defende o direito à garantia da assistência social (no sentido de ensinar a pescar) e o outro, em contrapartida, busca somente dar resposta por intermédio de políticas econômicas (no sentido de dar o peixe). Nesta contradição exposta acima devemos compreender que, segundo Iamamoto (2008), outra problemática encontrada pelo Serviço Social no seu cotidiano profissional é a distância entre a teoria e a prática profissional do assistente social. E que o mesmo deva trabalhar por intermédio das mediações, para assim poder desenvolver a sua práxis partindo das questões macrossociais para se chegar às singularidades subjetivas dos usuários das políticas e programas sociais. Entretanto, devemos observar que o assistente social deve partir da racionalidade instrumental do seu agir profissional. Em outras palavras, conforme a necessidade social apresentada, o assistente social deve analisar e empregar a melhor estratégia possível para o seu enfrentamento. Pois, segundo Faleiros (2007, p. 70), “[...] a intervenção social implica decisões e é preciso articular o saber mais genérico com o frenesi aristotélico, para que se possa decidir bem, unindo-se praticidade e esclarecimento, o que nos leva ao conceito de estratégia”. E são estas decisões estratégicas que norteiam e sustentam constantemente a práxis profissional do assistente social em seu cotidiano profissional. Sem as estratégias e a análise da realidade social, o profissional do Serviço Social seria apenas um mero aplicador de instrumentos e técnicas sociais. Neste sentido, devemos compreender que desde os primórdios da atuação profissional do assistente social, o mesmo vem historicamente buscando e desenvolvendo as melhores estratégias de enfrentamento das questões sociais brasileiras e mundiais. Pois, não podemos esquecer que no âmbito organizacional existem correlações de poder, e estas relações de poder influem diretamente na práxis profissional do assistente social, pois o assistente social deve estar conectado com a filosofia ou cultura organizacional em que está inserido profissionalmente, pois é esta organização que lhe possibilita política, econômica e socialmente a sua atuação junto às demandas sociais. Porém, ao tratarmos dos fundamentos do trabalho profissional do assistente social, podemos compreender que todas essas ações e competências são elementos constitutivos de sua práxis ou de sua especialização. Nesse sentido, Iamamoto (2008) coloca-nos que, na trajetória histórica, teórica, metodológica e técnica da atuação profissional do assistente social, os componentes éticos TÓPICO 2 | A ESTRATÉGIA NO SERVIÇO SOCIAL 109 que envolvem o exercício profissional, como a pesquisa, o planejamento e a administração em Serviço Social e o estágio supervisionado, visam constantemente o desenvolvimento de estratégias de atuação. Silva (2005, p. 123-124) expõe que: [...] de uma maneira geral, os assistentes sociais oscilam entre duas posições: uma voltada para o atendimento da demanda institucional, que é condicionada pelo contexto socioeconômico e pelos diferentes interesses em jogo. E outra, que visa atender as demandas profissionais e dos usuários. Para tanto, esses profissionais disponibilizam de seu conhecimento teórico-político, da lei que regulamenta sua profissão, dos princípios norteadores da sua profissão contidos no Código de Ética Profissional, como também das leis que regulamentam os direitos sociais. [...] É desse arcabouço jurídico legal, dos seus valores e conhecimento teórico-político, que os assistentes sociais devem apropriar-se para conseguir vislumbrar um horizonte e traçar suas estratégias de intervenção. É reconhecido o papel dos assistentes sociais como defensores na luta contra as desigualdades, exclusões e injustiças sociais, tendo como base e horizonte a garantia dos direitos humanos. E baseados em estratégias de enfrentamento e de conquistas da garantia dos direitos políticos, econômicos e sociais da população usuária das políticas, programas e projetos sociais é que se desenvolvem as práticas profissionais dos assistentes sociais. Pois, para Faleiros (2007, p. 77), “o Serviço Social se inscreve num contexto institucional permeado de conflitos, de lutas, de jogos de poder e recursos, o que sempre tenho enfatizado, e participa da articulação de estratégias que variam de acordo com a perspectiva teórica e ideológica de seus atores, assim como das relações de poder das instituições”. Caro acadêmico, observa-se que os assistentes sociais, ao elaborar suas estratégias de intervenção, devem levar em consideração sempre e somente a realidade cotidiana daquele determinado problema social e a busca constante da melhoria de qualidade de vida da população atendida, mas esses serviços devem ser prestados com dedicação e qualidade. De acordo com Silva (2005, p. 124), para isso: [...] é preciso que os assistentes sociais atuem de forma que priorizem o atendimento das necessidades da população, tendo como base o princípio da extensão dos direitos, o princípio distributivo e o resgate da importância dos mecanismos democráticos de gestão e controle das ações do governo. Participar dos Conselhos de Direitos, da organização da Conferência Municipal e dos Fóruns Comunitários pode indicar um caminho positivo na construção de estratégias de intervenção. As diversas estratégias de intervenção dos assistentes sociais devem levar em consideração a realidade social em que aquela população será atendida. Para isso, os assistentes sociais devem estar o mais próximo possível dessa população, pois só assim será possível o desenvolvimento mais concreto de estratégias de enfrentamento da questão social. 110 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado da estratégia no âmbito da atuação profissional do assistente social. Foram abordados os seguintes itens: • Os assistentes sociais realizam trabalhos correlacionados à análise, planejamento, implementação e resposta de estratégias de enfrentamento técnico-políticas às diversas expressões da questão social. • O Serviço Social tem, na questão social, o eixo fundante de seu processo de trabalho. • É sob as diversas expressões da questão social que são desenvolvidas as estratégias de enfrentamento. • O assistente social deve fazer parte de todos os processos de tomada de decisões estratégicas, desenvolvendo estratégias e mecanismos de superação das expressões da questão social. • O assistente social, em sua atuação profissional junto à sociedade, busca intervir estrategicamente nos problemas sociais. • Na intervenção junto às políticas sociais públicas, procura-se inserir em todos os processos de tomadas de decisão que possam influenciar diretamente os órgãos legislativos e executivos. • No mercado de trabalho, os assistentes sociais buscam desenvolver estratégias que possibilitem transpor as transformações e mudanças da realidade cotidiana de sua atuaçãoprofissional, estando sempre atualizados e capacitados para o enfrentamento das questões sociais que lhes são apresentadas. • A estratégia permeia a atuação profissional do assistente social desde sua gênese, ora com maior ênfase e em outros momentos deixando quase de lado. • As estratégias de intervenção profissional do assistente social têm sido tensionadas por dois movimentos: um na defesa e garantia do direito à assistência, e outro com foco na filantropização do atendimento às necessidades sociais. • As estratégias dos assistentes sociais são elaboradas de acordo com os processos históricos, como também com a correlação de forças existentes no espaço de atuação. • Os assistentes sociais, ao elaborar suas estratégias de intervenção, devem levar em consideração sempre e somente a realidade cotidiana daquele determinado problema social. 111 AUTOATIVIDADE 1 Pesquise em revistas, jornais ou na internet, uma reportagem ou um artigo que traga uma estratégia de enfrentamento de uma questão social, do seu município ou região. 2 Faça um resumo da reportagem ou artigo para apresentar e debater em sala de aula, num dos encontros presenciais. 3 O resumo deve conter: a) A questão-problema. b) A estratégia de enfrentamento da questão social. DICAS Para um aprofundamento desses temas, sugiro que você leia o seguinte livro: FALEIROS, Vicente de Paula. Estratégias em serviço social. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2007. 112 113 TÓPICO 3 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO FIGURA 24 – HOMEM TRABALHADOR FONTE: Disponível em: <www.colegiosaofrancisco.com.br>. Acesso em: 25 mar. 2010. Você é quem constrói sua empresa Um carpinteiro estava para se aposentar. Ele contou ao chefe seus planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas para viver uma vida mais calma com a família. Claro que um salário mensal faria falta, mas ele desejava muito a aposentadoria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores empregados e lhe pediu que construísse uma última casa como um favor especial. O carpinteiro consentiu, mas com o tempo se via que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele já não se empenhava como antes no serviço e acabou até utilizando mão de obra e matérias-primas de qualidade inferior. 114 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Uma maneira lamentável de encerrar a carreira. Quando o carpinteiro terminou o trabalho, seu ex-chefe foi inspecionar a casa. No fim da visita, entregou a chave da porta ao carpinteiro. - Esta casa é sua – disse. - Meu presente para você. Que choque! Que vergonha! Se soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito tudo diferente, não teria sido tão inconsequente. Agora teria de morar numa casa feita de qualquer maneira. [...] FONTE: Rangel (2003, p. 53) Essa história, caro acadêmico, demonstra que devemos levar em consideração a importância de se fazer um bom plano, programa ou projeto, desenvolvendo uma estrutura estável, planejando todos os detalhes que são pertinentes à ação que é desenvolvida, pois não podemos trabalhar de forma desordenada, desmotivada e atirando para todos os lados, ou seja, só pensando em outras coisas e não nas coisas em que deveríamos estar conectados. Devemos colocar em nossas ações o melhor de nós, pois em tudo o que desejamos fazer devemos exercer com responsabilidade e sabedoria, porque somos nós que construímos o nosso futuro e o futuro de nossos trabalhos. Portanto, se não trabalharmos com dedicação e qualidade, não usufruiremos de bons resultados, ou seja, se queremos desenvolver um plano, programa ou projeto de qualidade, devemos trabalhar com qualidade. Sendo que o que fazemos refletirá diretamente nos resultados da obra. Assim sendo, nesse tópico trabalharemos os fatores preponderantes para se fazer um bom planejamento. Porém, primeiramente devemos compreender suas características e significados. 2 CONCEPÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO: UM ESTUDO CONCEITUAL O que tem a ver o planejamento com a atuação dos assistentes sociais? E como o planejamento poderá contribuir no exercício profissional do assistente social? TÓPICO 3 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL 115 Pois bem! Observamos que o planejamento é mais um dos instrumentos de trabalho do assistente social, pois precisamos ordenar nossas atividades e ações de intervenção nas expressões da questão social em que estamos atuando, ou seja, o planejamento poderá nos auxiliar diretamente no desenvolvimento e na elaboração dos processos de trabalho. Se tratarmos de fatos históricos, pode-se observar que o planejamento acompanha as ações do dia a dia no Serviço Social desde meados da década de 20, o qual prediz que toda ação profissional deve ter uma forma organizada e processual, desencadeando uma organização da atuação profissional do assistente social. Planejamos nossas vidas o tempo todo. Quem é que não planejou uma viagem, um encontro, ir às compras, casar, ter filhos, morar em outra cidade, comprar uma bicicleta, ser assistente social, entre muitas outras coisas? A nossa vida é norteada de planos e programações, como, por exemplo: quando levantamos de manhã, já estamos pensando nas atividades que faremos durante o dia, se iremos à escola, à praça, ao trabalho, e em que horários essas atividades irão acontecer, que recursos serão necessários para realizá-los, que contratempos poderemos encontrar e como superá-los. Contudo, o que é a função de planejar? Segundo Paiva (1999, p. 19), a expressão função de planejar é compreendida como “o aprazamento do trabalho, o roteiro a ser seguido, o caminho”. IMPORTANT E Portanto, PLANEJAR é pensar antes de realizar qualquer atividade. É PENSAR O FUTURO, definindo o que se deseja fazer, como fazer, quando e com que recursos. Estamos fazendo escolhas o tempo todo sobre acontecimentos do futuro, estamos, portanto, planejando nosso futuro, o futuro de nossa organização, o futuro de nossa atuação profissional. Podemos observar que algumas ações de planejamento, como a elaboração de uma lista de compras de alimentos, a lista de convidados de uma determinada festa, requerem apenas alguns minutos. Outras, por sua vez, como o planejamento da compra de um imóvel (terreno, casa ou apartamento) ou um automóvel, implicam uma pesquisa de informações, tais como: análise das características desejadas para o produto, fixação de critérios de importância e disponibilidade de recursos financeiros, que demandam tempo entre a análise, busca de recursos e aquisição. 116 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL E qual é o significado de PLANEJAMENTO? Partimos do princípio de que o planejamento é o procedimento de estabelecer antecipadamente a finalidade e desígnio de um empreendimento ou organização, pois deve-se escolher coletivamente os objetivos e metas a serem atingidos, além de prever as atividades e os recursos necessários para atingi-los. Entretanto, devemos compreender que, segundo Ferreira (1994, p.15), “o que se entende por planejamento varia por aí afora, como também são diferentes as práticas que se observam”, ou seja, existem muitas concepções e modelos de planejamento em nossa sociedade e em nossas instituições. O importante é saber utilizar o que mais se aproxima com a realidade e necessidade da organização. Então podemos expor que, de acordo com Oliveira (2005, p. 36), o planejamento pode ser definido como: O desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas, as quais proporcionam uma situação viável de avaliar as implicações futuras de decisões presentes em função dos objetivos empresariais que facilitarão a tomada de decisãono futuro, de modo mais rápido, coerente, eficiente e eficaz. Porém, o desenvolvimento de processos e estratégias deve ser coerente com a realidade cotidiana de cada organização, seus aspectos ambientais internos e externos, além de levar em consideração o seu histórico organizacional. Mas, segundo Paiva (1999, p. 19), o “PLANEJAMENTO é a formulação de um conjunto de decisões, devidamente integrado, que expressa os propósitos de uma empresa, de uma instituição e condiciona os meios para alcançá-los”. Nesse sentido, Ferreira (1994, p. 15) complementa, expondo que “uma ação planejada é uma ação não improvisada. Uma ação improvisada é uma ação não planejada”, ou seja, necessitamos planejar constantemente as atividades do dia a dia profissional de forma ordenada e organizada, nunca improvisada, sem agir ao acaso, pois tudo o que decidimos fazer hoje influenciará no futuro. Então, devemos possuir uma postura processual de técnicas e atitudes que proporcionem uma formulação sistemática de nossas ações, metas e objetivos. Complementando, Capezio (2002, p. 2) diz que “o planejamento é definido como o ato ou processo de estabelecer objetivos, diretrizes e procedimentos para uma unidade de trabalho”. E esse planejamento precisa ser constituído de forma coletiva e interdisciplinar, integrando todos os principais líderes de uma organização privada ou pública. Nesse procedimento deve haver um processo de tomada de decisão coletiva, em que todos possuem o direito e dever de participar ativamente em todos os processos decisórios, no qual o mesmo se dá em todos os momentos, ou seja, na elaboração, desenvolvimento, implementação, controle e avaliação das metas e objetivos desenvolvidos pela equipe de trabalho. TÓPICO 3 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL 117 O planejamento possui cinco etapas bem distintas, que são: Primeira etapa: IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA OU OPORTUNIDADE: no qual a organização identifica, investiga e analisa o problema ou a oportunidade a ser trabalhada. Segunda etapa: DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS: em que a equipe gestora e sua equipe de trabalho, após a identificação do problema ou a oportunidade, estabelecem os objetivos a serem trabalhados, definindo as metas e soluções pertinentes a cada situação (objetivo). Terceira etapa: TOMADA DE DECISÃO COLETIVA: aqui a equipe gestora e sua equipe de trabalho, de posse de cada objetivo e meta, desenvolvem por intermédio do processo de decisão coletiva as estratégias de enfrentamento de cada questão (objetivo/meta), além de como cada uma deve ser aplicada, quem vai aplicar, quando, como e onde. Quarta etapa: EXECUÇÃO: Aqui os gestores da organização e seus líderes colocam o plano, programas e/ou projetos em ação. Quinta etapa: AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO: os gestores da organização e seus líderes devem estar constantemente, a cada ação, monitorando a mesma e avaliando se o resultado da estratégia é viável ou não para a organização. Essas etapas devem ser acompanhadas constantemente, para que sejam conquistados os objetivos e metas almejados, pois, se pensarmos numa atuação profissional desregrada, improvisada, ou com total ausência do pensamento estratégico e do planejamento de ações, poderemos observar então que aos poucos a práxis profissional vai se tornando rotineira e desconexa com a realidade cotidiana, podendo, até, perder o rumo e a efetividade das ações. IMPORTANT E A AUSÊNCIA de PLANEJAMENTO implica, entre outras coisas: • A falta de clareza sobre os propósitos principais. • A rotina, sem objetividade. • A perda de rumo. • O afobamento. A urgência implacável da prática, incapacitando técnicos, profissionais, administradores, para o estudo e a meditação. (PAIVA, 1999, p. 20). 118 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Outro fator significativo no processo de planejamento é a identificação das dificuldades e potencialidades de sua equipe de trabalho e da estratégia levantada, para que se possam levantar alternativas de superação das mesmas com antecedência; para que a organização consiga buscar os resultados almejados e planejados. E isto é o que todo profissional procura fazer, buscando alternativas de enfrentamento das questões sociais. Porém, nunca podemos esquecer que devemos observar constantemente o fluxo do planejamento, monitorando todas as ações previamente pensadas e elaboradas, para, assim, não perdermos o foco ou o rumo de nossas atividades. IMPORTANT E O planejamento não é um processo complicador; o planejamento é um processo simplificador, racional, lógico. O planejamento não nos subordina à tecnologia e aos processos, pelo contrário, nos conduz ao melhor aproveitamento do tempo, do espaço, dos recursos e nos leva a exercer toda nossa inteligência a serviço de nosso bem-estar, de nossa tranquilidade, de nossa segurança. (PAIVA, 1999, p. 22). Prezado acadêmico, hoje, antes de dormir, procure programar suas atividades para o dia de amanhã, observando os seguintes critérios: - horário para levantar; - divisão do tempo (duração de cada atividade); - higiene pessoal matinal; - primeira alimentação (como será composta); - tarefas do dia, em ordem, em sequência de realizações, tais como: estudo (o que estudar e onde estudar), leitura de jornais e revistas (o que ler e onde buscar a informação), tarefas escolares (que tarefa, e de que disciplina), tarefas domésticas (o que, como, onde), locomoção de um determinado ponto para o outro, itinerários, lazer (o que, como, onde), rotinas e atividades do trabalho (o que, como, onde), compras (o que comprar e onde comprar), visitas (quem, quando e onde), entre outras atividades que você possa realizar em seu dia; - segunda alimentação - Almoço (como será composto); - higiene pessoal vespertina; - Terceira alimentação - Jantar (como será composto); - higiene pessoal noturna. AUTOATIVIDADE TÓPICO 3 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL 119 Obs.: Apresente essa programação em um de seus encontros, ou seja, na sala de aula, para debater sobre a importância da programação e do planejamento em nossas vidas. Verificaremos agora, caro acadêmico, a lógica que permeia a realização de um bom planejamento, ou seja, a sua racionalidade. Segundo Baptista (2007, p. 13): [...] o termo “planejamento”, na perspectiva lógico-racional, refere- se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam no mundo social. Enquanto processo permanente, supõe ação contínua sobre um conjunto dinâmico de situações em um determinado momento histórico. Como processo metódico de abordagem racional e científica, supõe uma sequência de atos decisórios, ordenados em momentos definidos e baseados em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos. [...] o planejamento refere-se, ao mesmo tempo, à seleção das atividades necessárias para atender questões determinadas, à otimização de seu inter-relacionamento, levando em conta os condicionantes impostos a cada caso (recursos, prazos e outros); diz respeito, também, à decisão sobre os caminhos a serem percorridos pela ação, às providências necessárias à sua adoção, ao acompanhamento da execução, ao controle, à avaliação e à redefinição da ação. Portanto, podemos expor que a realização do planejamento pelos profissionais do Serviço Social deve ser objetiva e prática, mas que seja metódica (que siga um método processual) e permanente (constante em toda a atuação profissional do assistente social). No que tange à DIMENSÃO DE RACIONALIDADE DO PLANEJAMENTO, observamos que existe certa racionalidade na execução e elaboração de um planejamento no Serviço Social, mas o profissional deve ter conhecimento de algumas dimensões dessa racionalidade. No processo de elaboração de um planejamento deestratégias das ações profissionais, os assistentes sociais devem ser lógicos e utilizarem sua inteligência nos processos de raciocínio, para proporcionar respostas adequadas aos problemas sociais, ou seja, devem planejar com racionalidade as ações de enfrentamento das questões sociais. Pois, de acordo com Matus (apud HUERTA, 1996, p. 14), “o planejamento não é mais que a tentativa de viabilizar a intenção que o homem tem de governar a si próprio e ao futuro: de impor às circunstâncias a força da razão humana”. Sob este enfoque, “o planejamento é a ferramenta para pensar e agir dentro de uma sistemática analítica própria, estudando as situações, prevendo seus limites e suas possibilidades, propondo-se objetivos, definindo-se estratégias”. (BAPTISTA, 2007, p. 14). 120 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL É sob esta perspectiva que os profissionais, sejam do Serviço Social ou não, devem pautar o seu agir profissional, pois esses planejamentos, de acordo com Ferreira (1994, p. 18), são “um método de trabalho aplicável por quem quiser”, ou seja, não importa qual o profissional, todos podem desenvolver, aplicar e avaliar um planejamento, só basta saber aplicar um método coerente com a realidade da instituição em que se está trabalhando. Enquanto processo racional, o planejamento organiza-se por operações complexas e interligadas, que, conforme Ferreira (apud BAPTISTA, 2007, p. 15), são as seguintes: a) de reflexão - que diz respeito ao conhecimento de dados, à análise e estudo de alternativas, à superação e reconstrução de conceitos e técnicas de diversas disciplinas relacionadas com a explicação e quantificação dos fatos sociais, e outros; b) de decisão - que se refere à escolha de alternativas, à determinação de meios, à definição de prazer etc.; c) de ação - relacionada à execução das decisões. É o foco central do planejamento. Orienta-se por momentos que a antecedem e é subsidiada pelas escolhas efetivas na operação anterior, quanto aos necessários processos de organização; d) de retomada da reflexão - operação de crítica dos processos e dos efeitos da ação planejada, com vistas ao embasamento do planejamento de ações posteriores. E as mesmas são fundamentais no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento das questões sociais, objeto de trabalho do assistente social, pois Baptista (2007, p. 16) coloca-nos que “estas operações se inter-relacionam em um processo dinâmico e contínuo”, que pode ser assim representado: FIGURA 25 – INTER-RELAÇÕES ENTRE AS OPERAÇÕES FONTE: Baptista (2007, p. 16) RETOMADA DE REFLEXÃO AÇÃO DECISÃO REFLEXÃO Então, necessitamos compreender que em um processo de tomada de decisão sobre uma referida questão, devemos refletir sobre a realidade posta e quais as possíveis soluções para aquele determinado problema, depois colocar em ação a estratégia/plano. E no desenvolvimento da aplicação do plano, o mesmo TÓPICO 3 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL 121 deve ser constantemente analisado, para que possa surtir maior resultado. Se nessa avaliação observarmos que é necessário inserirmos mais algumas estratégias ou abandonar outras que foram planejadas, assim se fará, pois não podemos esquecer que estamos em constante transformação e a realidade cotidiana se transforma. Portanto, o planejamento não pode ser considerado finito, ele pode ser alterado se assim for necessário. Caro acadêmico, você conhece os PRINCÍPIOS GERAIS E ESPECÍFICOS DO PLANEJAMENTO? NÃO?! Então vejamos: Já observamos que é de fundamental importância, para o bom desenvolvimento das atividades de uma organização, realizar constantemente o planejamento das ações, mas, de acordo com Oliveira (2005, p. 37), as instituições governamentais e não governamentais e seus gestores devem levar em consideração quatro princípios gerais: a) CONTRIBUIÇÃO AOS OBJETIVOS: visar os objetivos máximos da empresa, hierarquizar os objetivos estabelecidos, alcançando-os e buscar a interligação entre eles. b) PROCEDÊNCIA DO PLANEJAMENTO: organização, direção e controle, separar e sequenciar as funções administrativas. c) PENETRAÇÃO E ABRANGÊNCIA: poderá provocar modificações nas características ou atividades da empresa, como exemplo pode-se citar: • Nas pessoas há necessidades de treinamento, substituições, transferências, funções, avaliações. • Na tecnologia pode ocorrer evolução dos conhecimentos. • Nos sistemas podem acontecer alterações em responsabilidades, níveis de autoridade, procedimentos, instruções etc. d) EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E EFETIVIDADE: maximizar resultados e minimizar deficiências. Então, podemos observar que esses princípios proporcionam à organização um norte a ser seguido, pois devemos, ao desenvolver um planejamento, estar atentos aos objetivos principais da instituição, além de coordenar as ações, que geram transformações nas pessoas que estão envolvidas, na tecnologia e nos sistemas. Transforma-se uma determinada realidade, que deve ser conquistada com eficiência, eficácia e efetividade. Contudo, qual o significado de EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E EFETIVIDADE? Existem algumas diferenças básicas entre eficiência, eficácia e efetividade, como podemos visualizar no quadro 08: 122 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL QUADRO 8 – PRINCÍPIOS DE EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E EFETIVIDADE EFICIÊNCIA EFICÁCIA EFETIVIDADE * Fazer as coisas da maneira adequada. * Fazer as coisas certas. * Manter-se sustentável no ambiente. * Resolver problemas. * Produzir alternativas criativas. * Apresentar resultados globais ao longo do tempo. * Cuidar dos recursos aplicados. Maximizar a utilização dos recursos. * Coordenar esforços e energias sistematicamente. * Cumprir o dever. Obter resultados. * Reduzir custos. Aumentar o lucro. FONTE: Chiavenato; Sapiro (2003, p. 40) E estes princípios é que norteiam o desenvolvimento de uma organização, pois se a mesma atingir estes princípios, conclui-se que a organização atingiu sua missão e objetivos, ou seja, é competitiva e lucrativa. Mas, quais são os PRINCÍPIOS de um bom planejamento? Sabe-se que existem alguns princípios específicos e complementares do planejamento, que devemos compreender antes de fazer o mesmo, vejamos: Princípio do PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: aqui devemos compreender que no desenvolvimento de um planejamento deve haver a participação de todos os colaboradores direta ou indiretamente. Então, devemos envolver o maior número de profissionais quando iremos fazer um planejamento de ações, de um plano, programa ou projeto. Princípio do PLANEJAMENTO COORDENADO: outro fator primordial que os gestores e sua equipe de trabalho devem compreender é que, ao realizarem um planejamento, o mesmo deve ser ordenado por ordem de prioridades. Pois ações desconexas não levarão a nada. As ações devem estar articuladas, ou seja, coordenadas com o agir de profissionais de cada colaborador e cada setor da organização. Os departamentos também devem trabalhar coordenados em prol do objetivo macro da instituição. Então devemos buscar trabalhar de forma interdisciplinar e articulados com os demais setores e profissionais da instituição. Princípio do PLANEJAMENTO PERMANENTE: aqui o que deve ser compreendido é que o ato de planejar deve ser constante, ou seja, cotidianamente devemos estar planejando nossas ações. E em uma organização não é diferente, pois ela necessita estar planejando permanentemente para continuar a ser competitiva no mercado, pois estamos vivendo em constantes transformações. Então, os gestores/administradores precisam controlar o planejamento, para que seja elaborado de forma coletiva e participativa, no qual todos os envolvidos tenham voz e vez ativa no processo de tomada dedecisão. Esse processo TÓPICO 3 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL E SOCIAL 123 deve ser coordenado e integrado, além de demonstrar que o planejamento deva ser permanente, pois precisamos nos desenvolver e desenvolver as organizações em que estamos inseridos. IMPORTANT E Devemos compreender que é de fundamental importância para uma organização a compreensão dos fundamentos e princípios de um bom planejamento. Assim, o ato de planejar é de suma importância para as organizações públicas e privadas, e os profissionais envolvidos na elaboração, implementação, execução e avaliação devem estar aptos e habilitados para implantar projetos ou qualquer outra ação, pois são eles que auxiliarão nos processos decisórios da organização. E você, conhece os TIPOS DE PLANEJAMENTO? O planejamento é dividido em três tipos: o estratégico, o tático e o operacional. Esses se relacionam aos níveis de decisões, conforme a pirâmide organizacional apresentada na figura 26. FIGURA 26 – NÍVEIS DE DECISÃO E TIPOS DE PLANEJAMENTO FONTE: Oliveira (2005, p. 45) NÍVEL ESTRATÉGICO Decisões estratégicas Planejamento estratégico Decisões táticas Planejamento tático Decisões operacionais Planejamento operacional NÍVEL TÁTICO NÍVEL OPERACIONAL PLANEJAMENTO NO NÍVEL ESTRATÉGICO: são as decisões estratégicas tomadas pela organização para sanar seus problemas e potencializar suas oportunidades em nível macro-organizacional (global), desenvolvendo metas e objetivos para que todas as organizações possam atingir sua missão. E estas metas e objetivos são formulados para ser executados em LONGO PRAZO, principalmente com estratégias que abarcam os ambientes interno e externo à organização. E a responsabilidade por estas ações advém da alta administração, por intermédio de seus dirigentes e gestores. 124 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL PLANEJAMENTO NO NÍVEL TÁTICO: são as decisões tomadas taticamente em cada setor para atingir as metas e objetivos globais da organização (setorial). As metas desenvolvidas por cada setor devem ser colocadas em prática em CURTO e MÉDIO PRAZO e seus responsáveis são os gerentes setoriais. PLANEJAMENTO NO NÍVEL OPERACIONAL: aqui as decisões são tomadas nos níveis operacionais, em outras palavras, o plano é colocado em prática em cada unidade organizacional (setorial), desde sua documentação básica até sua implementação, monitoramento e avaliação, que se dá em CURTO PRAZO, e os responsáveis pelas ações compõem o corpo técnico organizacional da instituição. Com relação aos três níveis de tomada de decisão de uma organização, podemos observar, na figura 27, o ciclo básico dos três tipos de planejamento. FIGURA 27 – CICLO BÁSICO DOS TRÊS TIPOS DE PLANEJAMENTO FONTE: Oliveira (2005, p. 47) Planejamentos operacionais das unidades organizacionais Análise e controle de resultados Consolidação e interligação dos resultados Análise e controle de resultados Planejamentos táticos da empresa Análise e controle de resultados Planejamento estratégico da empresa Portanto, para haver uma boa elaboração de um planejamento, é necessário que todas as áreas da empresa apresentem um planejamento de forma integrada, não importando o nível hierárquico, pois todos devem complementar as informações em busca de um só resultado. 125 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado do planejamento institucional. Foram abordados os seguintes itens: • O planejamento é mais um dos instrumentos de trabalho do assistente social. • O planejamento poderá nos auxiliar diretamente no desenvolvimento e na elaboração dos processos de trabalho. • A nossa vida é norteada de planos e programações. • PLANEJAR é pensar antes de realizar qualquer atividade. • Planejar é PENSAR O FUTURO, definindo o que se deseja fazer, como fazer, quando e com que recursos. • Devemos planejar constantemente nossas atividades do dia a dia profissional de forma ordenada e organizada, nunca improvisada, agir ao acaso. • Devemos possuir uma postura processual de técnicas e atitudes que proporcionem uma formulação sistemática de nossas ações, metas e objetivos. • O planejamento precisa ser constituído de forma coletiva e interdisciplinar, integrando todos os principais líderes de uma organização privada ou pública. • Os princípios gerais e específicos do planejamento são: contribuição aos objetivos; procedência do planejamento; penetração e abrangência; eficiência, eficácia e efetividade. • Os quatro princípios específicos do planejamento são: planejamento participativo; planejamento coordenado; planejamento integrado; planejamento permanente. • Há três tipos de planejamento: o estratégico, o tático e o operacional. • Para haver uma boa elaboração de um planejamento é necessário que todas as áreas da empresa apresentem um planejamento de forma integrada, não importando o nível hierárquico, pois todos devem complementar as informações em busca de um só resultado. 126 1 A partir do conhecimento que você adquiriu sobre planejamento, sugiro que elabore um plano pessoal, identificando o que deseja realizar nos próximos dois anos, ou seja: 1 Pegue duas folhas de papel sulfite “A4”. 2 Dobre-as no meio (montando um livro). 3 Busque, em revistas e jornais, figuras que representem esses desejos e sonhos. 4 Recorte-os e cole-os nas folhas dobradas. Obs.: Seja criativo, pode desenhar, escrever ou só colar as figuras. Contudo, as mesmas devem representar o que você deseja conquistar nos próximos dois anos de sua vida, tanto no nível pessoal como profissional. 2 Agora vamos mais a fundo. Faça um planejamento de sua vida profissional, respondendo aos seguintes passos: AUTOATIVIDADE 1 Obstáculos (impedimentos) 2 Desafios (motivação) 3 Possibilidades (estímulo) I - O que fiz de bom no passado? II - Quais as circunstâncias que me levaram a fazer o que fiz no passado? III - O que fiz de ruim no passado? IV - Quais as circunstâncias que me levaram a fazer algo ruim no passado? V - O que deixei de fazer no passado? VI - Por que não fiz o que deveria ter feito no passado? 127 VII - O que poderia ter sido feito, mas não fiz no passado? VIII - O que posso e devo fazer daqui para frente? DICAS Para um aprofundamento desses temas, sugiro que você leia o seguinte livro: “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. SUN TZU. A arte da guerra. Tradução de Cândida de Sampaio Bastos. São Paulo: DPL, 2008 128 129 TÓPICO 4 PLANEJAMENTO NO SERVIÇO SOCIAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO FIGURA 28 – VOO DOS GANSOS FONTE: Disponível em: <www.uketag795.blogspot.com>. Acesso em: 25 mar. 2010. O que podemos aprender com os gansos selvagens Podemos aprender muito com os gansos selvagens. Quando um ganso bate as asas, por exemplo, voando numa formação V, cria um vácuo para a ave seguinte passar, e o bando inteiro tem um desempenho 71% melhor do que se voasse sozinho. Sempre que um ganso sai da formação, sente subitamente a resistência do ar por tentar voar sozinho e, rapidamente, volta para a formação, aproveitando o vácuo da ave imediatamente à frente. Quando um ganso líder se cansa, ele passa para trás e imediatamente outro assume seu lugar, voando para a posição da ponta. Na formação, os gansos que estão atrás grasnam para encorajar os da frente e aumentar a velocidade. 130 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Se um deles adoece, dois gansos abandonam a formação e seguem o companheiro doente, para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que esteja apto a voar de novo ou venha a morrer. Só depois disso eles voltam aoprocedimento normal com outra formação ou vão atrás de outro bando. [...] FONTE: Rangel (2003, p. 19) Partindo do princípio desta história, prezado acadêmico, podemos dizer que, se uma equipe de trabalho compartilhar os mesmos objetivos e metas, existe a possibilidade de os mesmos obterem um excelente resultado, pois caminham na mesma direção e possuem o mesmo propósito, no qual um contribui com o trabalho do outro, e na atuação profissional do assistente social deve ser assim também. Porém, para atingir esses resultados, faz-se necessário estar junto com aqueles que administram ou lideram o grupo, pois são eles que possuem os instrumentos que possibilitam maior rentabilidade das ações do grupo de trabalho. São eles que indicam o caminho, dando e aceitando sugestões de melhoria do processo. Quando esses gestores não dão conta de seus afazeres, sua equipe de trabalho entra em revezamento de funções, para continuar obtendo os melhores resultados. Demonstrando que, em uma equipe, um depende do outro. E esse outro também pode ser considerado a mola propulsora das ações dos líderes, pois eles determinam o ritmo, encorajando o gestor a perseguir seus objetivos. Os gestores dos planos, programas e projetos sociais necessitam de uma organização processual de suas atividades, para assim nortearem suas ações, ou seja, precisam de um planejamento, que possibilite demonstrar os caminhos a serem trilhados pela equipe de trabalho. Sendo assim, neste tópico apresentaremos o planejamento sob o enfoque social e como instrumento da prática profissional do assistente social. 2 PLANEJAMENTO SOB O ENFOQUE SOCIAL Como já estudamos anteriormente, as diretrizes da ação em um processo de planejamento deverão imprescindivelmente ser determinadas e estabelecidas por meio de seus objetivos e metas que se almeja alcançar em curto, médio ou longo prazo. Neste sentido, devemos compreender que existem algumas categorias ou diretrizes que permeiam as ações de um processo de planejamento, que são: a) econômicas (planejamento econômico); b) sociais (planejamento social); e c) administrativas (planejamento administrativo). TÓPICO 4 | PLANEJAMENTO NO SERVIÇO SOCIAL 131 Pois, de acordo com Paiva (1999, p. 31): Há planejamentos que envolvem várias categorias, como, por exemplo, um plano de desenvolvimento econômico e social, um plano diretor de um município, um planejamento urbano, um planejamento regional etc., [...] pois as questões de ordem econômica e de ordem financeira não podem estar separadas ou não podem ser ignoradas em um planejamento social ou em um planejamento administrativo; qualquer planejamento implica utilização de recursos, implica custos. Nesta unidade trabalharemos apenas o planejamento sob o enfoque social, principalmente suas características e princípios, sendo que o enfoque administrativo já foi trabalhado no início desta unidade. Mas não podemos esquecer que, em um planejamento social, os fatores econômicos e administrativos estão intrínsecos em sua formulação. E que em todo plano, programa e projeto social deve ser realizado um bom planejamento, para que os mesmos possam buscar seus resultados e alcançar sua efetividade, seja social ou não. Com relação ao planejamento social, Paiva (1999, p. 33) expõe que: [...] o serviço social, com suas instituições de prestação de serviços sociais, de atendimentos específicos às diversas situações, objetos de suas intervenções na área social, no atendimento às demandas sociais de indivíduos, de grupos, de comunidades, de populações, de movimentos populares e movimentos sociais, quer quanto às necessidades emergenciais quer quanto à implementação de estruturas sociais que forneçam respostas às exigências de um mercado consumidor de serviços sociais. E para que possam exercer estas atividades e que as mesmas surtam resultados positivos e melhoria nas condições de vida do público usuário, os assistentes sociais devem constantemente realizar um levantamento de informações sobre a realidade daqueles determinados problemas sociais, analisá- los e desenvolver um planejamento sobre suas ações de enfrentamento. Contudo, o que é um PLANEJAMENTO SOCIAL? Pois bem, o planejamento social pode ser compreendido como um procedimento no qual uma instituição planeja ações concretas de enfrentamento das questões sociais. Então, podemos dizer que o assistente social, ao desenvolver sua práxis profissional com maior direcionamento e controle, está realizando um planejamento de suas ações, ou seja, de sua prestação de serviço social. 3 O PLANEJAMENTO COMO INSTRUMENTO DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Como todos já observaram nas discussões anteriores, o planejamento tornou-se uma ferramenta indispensável na formação e atuação profissional do assistente social. 132 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Assim, podemos iniciar nossa discussão pontuando as dificuldades encontradas no dia a dia da atuação profissional do assistente social com relação à aplicação do planejamento, ou seja, com a ordenação lógica e processual de suas atividades cotidianas de intervenção. Para Schuh (2009, p. 1), os profissionais do Serviço Social “criam e recriam propostas de planejamento, que auxiliam na elaboração dos processos de trabalho no fazer profissional, ainda que sem embasamento metodológico específico, e muitas vezes sem a preocupação com critérios científicos, inclusive de avaliação”. Esse fator nos demonstra que o maior problema encontrado pelos assistentes sociais é a aplicação concreta de todas as etapas de realização de um bom planejamento. Não só no Serviço Social, como também nas outras áreas do saber, são encontradas as mesmas dificuldades, pois ao mesmo tempo em que estamos elaborando estratégias de enfrentamento, a própria realidade cotidiana está se transformando, sem esquecermos que estamos em constante transformação. Por isso, é necessário o monitoramento constante do desenvolvimento, da aplicação e da análise da estratégia de intervenção que estamos trabalhando, para buscar sempre o resultado planejado e pretendido. Primeiramente, o planejamento é um processo racional, que, de acordo com Barbosa (apud SCHUH, 2009, p. 2), “pressupõe sequência no tempo, não se manifestando num dado momento, mas se realizando continuamente ao longo da história, atravessando estágios diversos”, ou seja, tem começo, meio e fim, que não acontece de um dia para o outro, mas sim num determinado espaço temporal. Outro fator que devemos levar em consideração é que o “atributo essencial do processo de ação planejada do Serviço Social foi fator desencadeador para a conformação e o reconhecimento da profissão”. (BARBOSA, 2001, p. 61). Então, o desenvolvimento do planejamento da ação profissional do assistente social se torna fundamental para a sua atuação no dia a dia da práxis profissional, sendo reconhecido perante a sociedade e o mundo do trabalho. Assim, observa-se a importância da inserção do planejamento como uma disciplina na formação profissional do assistente social, pois o mesmo é compreendido como um método e instrumento de atuação profissional. Segundo Barbosa (2001, p. 121), “inicia-se então o ensino da disciplina de Planejamento na formação do assistente social, variando sua inclusão nos currículos de país para país, conforme foi ocorrendo a preocupação de rever o próprio Serviço Social e a consequente instrumentalização de seus profissionais”. E a partir de 1999, a ABEPSS – Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – promulgou as Novas Diretrizes Curriculares do Curso de Serviço Social, inserindo a disciplina de planejamento no Núcleo de fundamentos do trabalho profissional do assistente social, compreendido, atualmente, como um instrumento primordial para a atuação profissional do assistentesocial. 133 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado do planejamento na atuação profissional do assistente social. Foram abordados os seguintes itens: • As diretrizes da ação em um processo de planejamento deverão imprescindivelmente ser determinadas e estabelecidas por meio de seus objetivos e metas que se almeja alcançar no curto, médio ou longo prazo. • Existem algumas categorias ou diretrizes que permeiam as ações de um processo de planejamento, são elas: a) econômicas (planejamento econômico); b) sociais (planejamento social); e c) administrativas (planejamento administrativo). • O planejamento social é um processo de trabalho racional e flexível, capaz de tornar exequíveis as intervenções do Serviço Social e de outras profissões. • O planejamento tornou-se uma ferramenta indispensável na formação e atuação profissional do assistente social. • Os profissionais do Serviço Social “criam e recriam propostas de planejamento, que auxiliam na elaboração dos processos de trabalho no fazer profissional”. • O maior problema encontrado pelos assistentes sociais é na aplicação concreta de todas as etapas de realização de um bom planejamento. • Devemos monitorar constantemente o desenvolvimento, a aplicação e a análise da estratégia de intervenção que estamos trabalhando, para buscar sempre o resultado planejado e pretendido. • O planejamento sempre esteve presente no Serviço Social, desde sua primeira sistematização, em 1917, por Mary E. Richmond. • A questão do ensino do Planejamento em Serviço Social começa a ser discutida a partir de 1967 no Encontro de Araxá. • Atualmente, o planejamento é um instrumento imperativo na organização das ações desenvolvidas pelos assistentes sociais. 134 A partir do conhecimento que você adquiriu sobre estratégia e planejamento institucional e social, sugiro que releia o livro “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, e responda ao seguinte questionamento: 1 “Se você conhece a você e ao inimigo, não é preciso temer nenhum combate. Mas se você só conhece a você mesmo, para cada vitória sua haverá uma derrota. Porém, se você não conhece nem a você, nem ao inimigo, irá sucumbir em todos os combates”. Esta frase é um dos ícones de SUN TZU, e é um dos principais expoentes para a gestão moderna, inclusive para a atuação profissional do Serviço Social. A sua aplicação é de importância fundamental aos gestores sociais e institucionais, que estão preocupados no sucesso de seu empreendimento ou na melhoria de qualidade de vida do público usuário dos programas e projetos sociais. Considerando as disciplinas que tratam da instrumentalidade técnico- operativa do Serviço Social, Mundo do trabalho do assistente social, Ética Profissional, Fundamentos e História do Serviço Social e Direitos Humanos e Cidadania, redija um texto, com um mínimo de 25 linhas e o máximo de 35 linhas, correlacionando as disciplinas e a sua importância no processo de gestão de programas e projetos sociais. Articule o texto com os conceitos trabalhados no livro “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. AUTOATIVIDADE DICAS Para um aprofundamento desses temas, sugiro que você leia o seguinte livro: BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. 2. ed. São Paulo: Veras Ed. Lisboa: CPIHTS, 2007. 135 TÓPICO 5 DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO FIGURA 29 – RESOLVA OS PROBLEMAS DE VEZ FONTE: Disponível em: <www.galeota.wordpress.com>. Acesso em: 25 mar. 2010. Resolva os problemas de vez Um dia, um comerciante encontrou três homens que se lamentavam por mal ter o que dar de comer às famílias deles. Passavam necessidades e os filhos estavam mal alimentados. Sensibilizado, o comerciante quis ajudar os três homens e disse que daria a eles um saco com farinha, outro com pães e outro com sementes de trigo. O homem mais afoito foi logo pegando o saco com pães e correu para casa. O outro escolheu o saco com farinha e agradeceu, saindo apressado. O terceiro ficou radiante com o que lhe sobrou e disse: — Estou feliz, pois sou o único dos três que não precisará mais voltar aqui, ou seja, foi o único que resolveu de vez sua situação e a dos filhos. [...] FONTE: Rangel (2003, p. 97) 136 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Como refletido nesta história, não nos adianta receber um projeto pronto e somente aplicá-lo, pois denota-se a importância do comprometimento do assistente social com a qualidade e melhoria contínua do trabalho prestado, ou seja, um projeto irá proporcionar a mudança da realidade de um determinado grupo social, e essas mudanças não podem ser somente para aquele momento inicial da empolgação do lançamento do projeto, elas devem ser duradouras. Devemos nos comprometer desde a elaboração, aplicabilidade e avaliação de toda ação, técnica e metodologia de implantação de um projeto social, pautados sempre e somente na realidade cotidiana do público envolvido. Como nos diz Rangel (2003, p. 97), “[...] comprometer-se é não pensar só no momento, mas levar aquilo a que se propõe até o fim. É como jogar sementes para depois colher”. Também podemos dizer que não adianta aplicar sempre o mesmo modelo de planejamento para todas as instituições, pois cada uma possui características e realidades diferentes. Então, precisamos desenvolver planejamentos diferenciados para cada organização, pois só assim poderemos diagnosticar a realidade com maior exatidão. Lembre-se: mesmo que uma ação no passado deu certo, não quer dizer que hoje, no presente, ela terá o mesmo efeito. Fiquem atentos às mudanças e à realidade das instituições. MUDANÇAS! Devemos estar sempre preparados para nos adaptar às diversas realidades que iremos encontrar em nosso dia a dia profissional. Esse enfrentamento deve ser realizado coletivamente, pois só assim atingiremos melhores resultados, pois precisamos das diversas potencialidades humanas em uma equipe de trabalho. Pois, quando estamos elaborando um programa ou projeto social, devemos nos concentrar nos resultados que almejamos conquistar, pois só assim conseguiremos desenvolver nossos objetivos com maior precisão e qualidade. Sendo que para realizarmos a avaliação de um programa ou projeto social, um trabalho interdisciplinar se torna fundamental para o desenvolvimento dos trabalhos e para chegarmos a um diagnóstico realista. Então, este tópico buscará trazer dicas, técnicas, metodologias e modelos referentes ao desenvolvimento de um planejamento de projetos sociais. Porém, primeiramente devemos entender por que utilizarmos, como estratégia de enfrentamento das questões sociais, os projetos sociais? TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 137 2 DICAS E ASPECTOS HISTÓRICOS DO PLANEJAMENTO DE PROJETOS SOCIAIS Prezado acadêmico, com relação ao planejamento de programas e projetos sociais, devemos primeiramente levar em consideração que estamos vivendo numa época de constantes transformações, que influenciam diretamente nos processos de tomada de decisões correlacionadas à elaboração de projetos sociais. Segundo Santos (2003, p. 41): Numa época em que os recursos públicos destinados à área social escasseiam e as demandas, em contrapartida, aumentam, a exigência por uma gestão “eficaz, eficiente e efetiva” dos projetos e programas sociais é categórica. No entanto, é necessário o desenvolvimento de uma cultura voltada para a elaboração, o monitoramento e a avaliação, que compreenda tais processos não apenas como etapas subsequentes destinadas à definição das metas, acompanhamento do cronograma e do fluxo de caixa e checagem dos resultados, com vistas à captação de recursose posterior prestação de contas junto aos financiadores [...] . CULTURA esta que precisa ser construída nos meandros das instituições e de sua equipe de trabalho, principalmente para os profissionais do Serviço Social, pois, na maioria dos programas e projetos sociais tem-se um assistente social envolvido no processo de investigação da questão social, sua análise e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, que muitas vezes se transforma em projetos sociais. Assim, devemos cultivar constantemente a questão da elaboração, monitoramento e avaliação dos problemas sociais e suas possíveis estratégias de solução, para assim promovermos o bem-estar social e a garantia dos direitos sociais, políticos e econômicos da população brasileira, pois sabe-se que, por princípio, todo e qualquer projeto, plano ou organização precisa ter uma gestão que permeie os princípios da eficiência, eficácia e efetividade, principalmente na busca constante da identificação correta dos instrumentos necessários aos enfrentamentos das questões sociais. Precisamos atrelar o instrumental técnico-operativo com a realidade social que almejamos trabalhar, para assim dar respostas concretas e efetivas às necessidades sociais postas pela sociedade civil. E, sob esta realidade, buscar tomar a decisão mais adequada. Isso denota a importância primordial do comprometimento e capacitação do profissional envolvido na elaboração, implantação, monitoramento e avaliação dos planos, programas e projetos sociais. Portanto, precisamos ter em mente que os projetos sociais devem e necessitam ter por norte sempre e somente a sua efetividade sobre as situações problemáticas, pois só assim o esforço profissional de toda a equipe de trabalho surtirá efeito sobre a intervenção de uma determinada situação social. 138 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Assim, nesse sentido, Freitas (2001, p. 19) coloca-nos que: [...] para o enfrentamento das questões sociais precisamos mais do que vontade de acertar. A competência técnica para propor, conduzir e avaliar intervenções no campo social deve ser buscada, seja através da capacitação dos executores, seja por meio da contratação de consultoria externa ou da cooperação técnica de especialistas. Isso demonstra a grande importância da especialização contínua dos profissionais que atuam no desenvolvimento de programas e projetos sociais. Porém, qual a origem e natureza do planejamento? Tudo indica que o termo planejamento surgiu por volta do século XX, mesmo que historicamente o ser humano e suas diversas configurações de sociedade venham organizando suas vidas e relações sociais de acordo com suas concepções ético-morais. Falar em planejamento social ou não denota refletir sobre uma mudança controlada, monitorada e almejada, com o estabelecimento de metas, objetivos e fins que se deseja buscar ou alcançar. Revisando a história constitutiva das relações sociais em seu processo civilizatório, pode-se observar que foi a partir da evolução do pensamento científico, do desenvolvimento tecnológico, que o homem obteve a possibilidade da transformação, a qual lhe possibilitou controlar, mudar, monitorar e/ou dirigir o caminho da natureza. Mais à frente, com a constituição e consequência do desenvolvimento social, o ser humano sentiu a necessidade de intervir e mediar na forma de controle dos processos evolutivos das mudanças sociais. E, com o advento da Revolução Industrial, principalmente em suas profundas mudanças dos processos produtivos, acabou gerando grandes transformações na relação capital e trabalho, em que demarcou transformações tanto no âmbito das políticas sociais como no Estado. Mas foi somente no início do século XIX, nos estudos de Taylor e Fayol, que surgiu a noção de planejamento social e institucional/organizacional. Neste sentido, o planejamento social ou institucional não pode ser compreendido somente como uma mera ação técnica-científica, pois o mesmo é formado por diversos elementos ideológicos e políticos que vêm se constituindo historicamente ao longo das relações sociais. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 139 3 CICLO DE VIDA DO PROJETO SOCIAL Prezado acadêmico, compreendemos, assim, a importância da elaboração de um bom projeto social e sabemos que cada projeto possui características subjetivas diferentes. Mas, quais são realmente as suas fases fundamentais? De acordo com Campos, Abegão e Delamaro (2002, p.19), essas fases são: “elaboração, estruturação, realização e encerramento”. Como pode ser visualizado no organograma da figura 30: FIGURA 30 – CICLO DE VIDA DO PROJETO REALIZAÇÃO MOBILIZAÇÃO DOS MEIOS NECESSÁRIOS Do que é necessário. Do que se espera de resultado. Do que vai ser feito. PROGRAMAÇÃO DAS AÇÕES Equacionamento da SOLUÇÃO ANÁLISE DOS RESULTADOS ANÁLISE DOS IMPACTOS CRONOGRAMAORGANIZAÇÃO DA EQUIPE AVALIAÇÃO ACOMPANHA- MENTO EXECUÇÃO IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA ENCERRAMENTOESTRUTURAÇÃOELABORAÇÃO CICLO DE VIDA DO PROJETO FONTE: A autora Embora cada projeto tenha características diferentes, o ciclo de vida do projeto é igual para todos os projetos, possuindo quatro fases distintas, que são: PRIMEIRA FASE: A ELABORAÇÃO DO PROJETO: esta fase é aquela em que o profissional, seja assistente social ou não, busca identificar o problema ou a oportunidade social que se pretende trabalhar. Após esta identificação, busca equacionar possíveis soluções definindo as metas, objetivos e ações a serem trabalhados para assim elaborar o projeto de intervenção ou o projeto social. Na sequência, o profissional e sua equipe de trabalho procuram realizar uma programação das ações a serem desenvolvidas, especificando o que vai ser feito, o que se espera de resultado e o que é necessário para a realização de cada meta e/ ou objetivo. No final desta etapa é elaborado um documento que apresenta todas as características, objetivos e metas do projeto. 140 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL SEGUNDA FASE: A ESTRUTURAÇÃO DO PROJETO: após a primeira fase de elaboração do projeto, a equipe gestora do projeto deverá estruturar o mesmo, organizando a equipe que o irá aplicar e os recursos necessários para a sua aplicação, ou seja, colocar o plano em ação. Para isso é necessário especificar os seguintes elementos: • O QUÊ? (se quer fazer?) – São as metas específicas de cada objetivo a ser alcançado, ou seja, a sua própria natureza. Aqui a equipe gestora do projeto deve indicar todas as metas de cada objetivo programado. • QUEM? (vai executar, quem vai ser o beneficiário e quem vai acompanhar?) – Aqui a equipe gestora deverá especificar quem será o profissional que irá aplicar, monitorar e avaliar cada meta de cada objetivo do projeto a ser desenvolvido, além de apresentar também o nome dos seus beneficiários, ou seja, a comunidade ou o grupo social que será objeto de trabalho. • ONDE? (se vai fazer?) – Também deverá conter no plano de ação o local preciso de onde será aplicada cada meta de cada objetivo, ou seja, a localização específica da ação. • QUANDO? (se vai fazer?) - Outro elemento importantíssimo é a definição do cronograma de implementação de cada ação específica, definindo a data, ano e tempo de duração de cada ação (ações de curto, médio e longo prazo). • POR QUÊ? (se quer fazer?) – Aqui os gestores devem apresentar os fundamentos de cada objetivo e meta, especificando o porquê da realização do mesmo, quais os motivos que levam os gestores do projeto a investirem nele. • COMO? (se vai fazer?) – Neste item os gestores devem expor a metodologia empregada de como se irá fazer para executar cada meta, apresentando suas ações e atividades. • COM QUÊ? (sequer fazer?) – Aqui se apresentam os recursos materiais necessários para a execução de cada meta programada. • QUANTO? (se vai gastar?) – Por fim, se apresentam os recursos financeiros necessários para cada ação/meta/objetivo. Todos estes itens devem ser estabelecidos e descritos antes de colocá-los em prática. TERCEIRA FASE: A REALIZAÇÃO DO PROJETO: chegou a hora de colocar em prática tudo aquilo que foi descrito no projeto, ou seja, o que foi planejado no projeto nesta etapa deve ser colocado em ação. Mas, muitas vezes, algumas de nossas estratégias não cabem mais, pois pode ocorrer uma transformação e devemos nos adaptar a ela, colocando novas metas e retirando outras. É como já comentamos na Unidade 1 com relação ao planejamento (as estratégias emergentes). TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 141 QUARTA FASE: O ENCERRAMENTO DO PROJETO: é aquele momento em que os gestores do projeto necessitam avaliar os seus resultados, para assim verificar sua eficácia e seus impactos, e se continuam o projeto, se o modificam ou se encerram as atividades correlacionadas a ele. É um momento de pura análise da situação e reavaliação do projeto. 4 ETAPAS BÁSICAS E PARTES DO PLANEJAMENTO Nota-se que, no planejamento, há certos aspectos básicos que devem ser levados em consideração em qualquer circunstância, pois compreende-se que o processo de “planejar” deve ser lógico, em que devem ser descritas com precisão as atividades primordiais do cotidiano organizacional da atualidade, até o objetivo e meta proposta. As empresas devem realizar constantemente o planejamento de suas ações, para poderem monitorar seus resultados e mudar estratégias quando for necessário e primordial para a sobrevivência competitiva da organização no mercado. Mas para que isto possa acontecer as organizações devem considerar alguns aspectos fundamentais no desenvolvimento de um bom planejamento. Vejamos agora, na visão de Oliveira (2005), quais são estes aspectos básicos: Primeiro aspecto: PLANEJAMENTO DOS FINS: Aqui a equipe gestora e sua equipe de trabalho devem desenvolver a identidade organizacional, desenvolvendo a visão, a missão, os propósitos, os objetivos, os objetivos setoriais, os desafios e as metas da organização, além de definir claramente qual é o negócio da organização. Segundo aspecto: PLANEJAMENTO DOS MEIOS: No qual a equipe gestora e sua equipe de trabalho devem, por intermédio dos processos de tomada de decisão, determinar como a organização irá fazer para atingir seus objetivos organizacionais; em outros termos, será a fase da determinação dos caminhos que a empresa utilizará para chegar ao futuro desejado, onde se fazem as escolhas das estratégias, políticas, procedimentos e práticas para se chegar ao propósito máximo da organização. Terceiro aspecto: PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL: Em que os gestores da organização desenvolvem estratégias de como estruturar melhor a organização, identificando qual a melhor estrutura organizacional e os instrumentos gerenciais que melhor se aplicam à realidade da organização. 142 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Quarto aspecto: PLANEJAMENTO DOS RECURSOS: Aqui são estabelecidos os recursos humanos e materiais necessários para o bom desenvolvimento da organização, no qual são determinados onde serão feitas as aplicações dos recursos financeiros, onde necessita-se de pessoal especializado ou não, onde são desenvolvidos programas, projetos e planos de ação para o futuro almejado da organização. Quinto aspecto: PLANEJAMENTO DA IMPLANTAÇÃO E CONTROLE: Aqui, a organização deve planejar o gerenciamento da implantação do empreendimento, ou seja, a instituição necessita planejar de que forma irá colocar em prática o que planejar e de que forma irá monitorar e avaliar suas ações. Assim, o planejamento deve ser acompanhado desde a concepção da ideia de implantar esse método até a implantação, execução e análise do que foi traçado pelo planejamento. 5 PROCESSO E FASES METODOLÓGICAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Devido à extensão dos processos de elaboração do planejamento estratégico, faz-se necessário um roteiro preestabelecido a ser seguido, que será demonstrado no decorrer desse item. Durante a fase de metodologia de elaboração do planejamento estratégico, os gestores organizacionais devem ter a VISÃO DO TODO e de todas as possibilidades em que possam estar atuando, além de conhecerem a real situação da organização e do mercado em que estão envolvidos, para assim poderem desenvolver uma metodologia que se adapte melhor à sua organização. Pois não podemos utilizar um método porque ele deu certo em outra organização. Devemos nos pautar no método, sim, mas precisamos adaptá-lo para a realidade da organização que vamos trabalhar. Nem sempre a mesma receita de bolo terá os mesmos resultados, sendo que são feitos por mãos e conhecimentos diferentes. Então, devemos partir do princípio de que nenhuma organização na face da Terra possui o mesmo conhecimento organizacional, pois em todas as empresas possuímos pessoas com conhecimentos e subjetividades totalmente diferentes. Podemos dizer, então, que um determinado instrumento ou método será analisado e interpretado por pessoas e conhecimentos diferentes. E que o resultado desta análise pode chegar a aplicabilidades do mesmo instrumento de formas diferentes, pois são visões de mundo e realidades diferentes. Contudo, não há uma metodologia universal, pois cada organização possui características específicas, diferenciação em tamanhos e pensamentos, possuindo cada qual uma filosofia e um estilo administrativo. Portanto, a metodologia a ser apresentada aqui deverá ser adaptada à realidade das empresas (OLIVEIRA, 2005). TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 143 As fases serão apresentadas na figura 31: FIGURA 31 – FASES DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FONTE: Adaptado de Costa (2007) De maneira mais detalhada, as fases do planejamento estratégico serão apresentadas a seguir, explicaremos cada uma apresentando suas características e conceitos principais. No que tange à primeira fase de um planejamento estratégico, que é a IDENTIDADE ORGANIZACIONAL, podemos expor que a identidade organizacional é o alicerce de toda organização, no qual toda estrutura é formada, de maneira consistente, por certos elementos e características que permitem identificar a organização. Pois, segundo Costa (2007, p. 35 – grifo nosso), a identidade organizacional é compreendida como “um conjunto de ELEMENTOS BÁSICOS que caracterizam aquilo que a organização gostaria de ser no futuro, a sua vontade, seu desejo de ser e agir; [...] sintetiza sua vontade própria, sua autoimagem projetada para o futuro e suas crenças básicas”. Ou seja, a própria palavra diz “IDENTIDADE”, que determina quem a organização quer ser. Esse conjunto de elementos mencionados é composto pela visão, missão, abrangência, princípios e valores e opção estratégica, que serão apresentados a seguir. Com relação à DEFINIÇÃO DO NEGÓCIO DA EMPRESA, veja a figura a seguir: MODELO PARA FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA Identidade Organizacional Missão Visão Negócio Ambiente Interno AmeaçasOportunidades Cenários/Sinalizadores Metas Globais da Alta Administração AçõesPolíticasObjetivos Integração com Orçamento Sistema de Padronização Plano de Ação Gerenciamento de Projetos Gerenciamento pelas Diretrizes Estratégias FraquezasForças Ambiente Externo Crenças e Valores 144 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL FIGURA 32 – NEGÓCIO ORGANIZACIONAL FONTE: Adaptado de Vasconcellos Filho e Pagnoncelli (2001, p. 53) Através dessa fase é feita adefinição do negócio da empresa, em que serão definidos os BENEFÍCIOS, DESEJOS E NECESSIDADES da organização e de seus consumidores. Em que, primeiramente, a organização deve ter bem claro quem é seu cliente, procurando conhecê-lo e identificar o que o cliente realmente necessita e qual benefício ele está buscando em seu produto ou serviço. NOTA O PRODUTO em si não é sinônimo de negócio. O BENEFÍCIO gerado pelo produto ao consumidor é o NEGÓCIO da empresa. Dessa forma, com a definição correta dos negócios, a empresa terá inúmeros benefícios, entre eles: a orientação de investimentos, marketing, posicionamento estratégico, ajudando na identificação de seus concorrentes e na conquista de mais e novos mercados. Já a MISSÃO DA EMPRESA possui outras características, a saber: TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 145 FIGURA 33- MISSÃO EMPRESARIAL FONTE: A autora A missão de uma organização pode ser compreendida como A RAZÃO DE SER DA EMPRESA, bem como seus propósitos e posicionamento estratégico perante o mercado. Mas podemos observar que muitos colaboradores e executivos não possuem o conhecimento da missão da empresa, ou seja, não sabem a razão básica da existência da organização. Devido a essa falta de conhecimento a respeito da missão da empresa, Costa (2007, p. 36) menciona que isso pode ocasionar “uma infinidade de objetivos secundários ou imediatistas. Daí a importância de compartilhar a missão da organização por todos os seus dirigentes e funcionários”, levando muitas vezes as organizações a trilharem caminhos totalmente errados e levando-as à falência. Então podemos expor que a missão da empresa deve conter o que a organização proporciona à sociedade (seus benefícios), bem como a sua atuação no mercado (a satisfação dos consumidores). Dessa forma, pode-se afirmar que a missão foi determinada com sucesso a partir do momento em que ela consegue determinar a individualidade da organização. Sendo que no decorrer da elaboração da missão, o executivo responsável ou a equipe gestora deverá determinar os propósitos da empresa em questão, ou seja, quando a empresa estabelece um propósito, ela está deixando claro aos seus stakeholders o que ela almeja e deseja para o seu mercado de atuação. No que tange à IDENTIFICAÇÃO DA VISÃO precisamos compreender que: 146 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL FIGURA 34 - VISÃO ESTRATÉGICA FONTE: A autora Aqui as organizações apresentam seus desejos a serem desenvolvidos durante o planejamento estratégico, ou seja, os gestores da organização devem definir o QUE A ORGANIZAÇÃO ALMEJA SER NO FUTURO. A construção da VISÃO ESTRATÉGICA é obtida pelas respostas a duas grandes questões: PRIMEIRO: ONDE chegar com relação à dimensão TEMPO, ou seja, até quando a empresa deseja alcançar os seus objetivos macros, em 5, 10, 20 ou 50 anos? SEGUNDO: ONDE chegar com relação à dimensão ESPAÇO, ou seja, até que extensão geográfica de mercado a empresa deseja atingir. Então, a organização deve definir em sua visão esta questão temporal e espacial, para assim poder definir o que realmente deseja ser, e quando pretende atingir este objetivo. Dessa forma, a visão compreende o sucesso da empresa, pois os colaboradores e gerentes estão cientes do caminho que a empresa pretende tomar. Outro fator que devemos compreender é a questão da IDENTIFICAÇÃO DOS VALORES OU PRINCÍPIOS, então vejamos: TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 147 FIGURA 35 - CRENÇAS E VALORES ORGANIZACIONAIS A identificação das crenças, valores e princípios de uma organização é de suma importância, pois é a base de sustentação para a gestão da empresa. Então a empresa deve identificar estes valores, crenças e princípios morais, para assim pautar suas decisões e comportamentos organizacionais. Então, como podemos compreender o que são estes valores morais? Os valores são as características, virtudes, qualidades subjetivas da organização, as quais predizem quais são seus princípios éticos. Como, por exemplo: a honestidade, esperança, ética, organização, pontualidade, entre muitos outros. No que tange à segunda fase de um planejamento estratégico, que é a análise do AMBIENTE EXTERNO/INTERNO, devemos primeiramente compreendermos como se processa a questão da AVALIAÇÃO DO AMBIENTE EM QUE A EMPRESA ESTÁ INSERIDA. Nesse sentido, essa parte do planejamento tem por objetivo mostrar que os principais pontos que afetam a empresa, direta ou indiretamente, estão mais fora do que dentro dela. A seguir serão apresentadas algumas ferramentas a serem utilizadas para análise do ambiente externo. Ambiente externo/cenários: Inúmeros são os fatores e ambientes que influenciam a organização, muitos deles são incontroláveis, ou seja, a empresa não tem como controlá-los para que os tais possam colaborar de alguma forma para a mesma. Assim, é necessário que a organização tenha um bom entendimento e possa compreender o que é e o que será feito na análise externa. FONTE: A autora 148 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Pois, de acordo com Chiavenato e Sapiro (2003, p. 80): A finalidade do diagnóstico estratégico externo é identificar os indicadores de tendências, avaliar o ambiente de negócios, a evolução setorial, analisar a concorrência e entender os grupos estratégicos. Essa análise externa é feita por meio da obtenção e colheita de informações a respeito do mundo dos negócios e verifica as possíveis ameaças e oportunidades que estão no ambiente da organização e a melhor maneira de evitar ou usufruir dessas situações. AMEAÇAS: podem ser compreendidas como tudo aquilo que possa afetar direta ou indiretamente as atividades da organização, principalmente a sua competitividade de mercado. Que a organização não pode controlar, pois está além de suas forças administrativas internas. Sendo que estas forças advêm do mercado e do macroambiente da estrutura organizacional. OPORTUNIDADES: São todas aquelas ocasiões em que a organização pode se inserir para prover maior lucratividade organizacional, ou seja, são possíveis negócios que a organização poderá vir a desenvolver para ampliar seu mercado e competitividade. A organização deve estar constantemente realizando um estudo e análise dos diversos elementos do ambiente externo, forças estas que influenciam diretamente as organizações. Portanto, as instituições devem colocar estas análises dos fatores externos em seus processos de tomada de decisão, para assim influenciar diretamente em suas estratégias e diretrizes organizacionais. Em outros termos, a análise externa, conforme Oliveira (2005 p. 92), “tem por finalidade estudar a relação existente entre a empresa e seu ambiente em termos de oportunidades e ameaças, bem como a sua atual posição produto- mercado, e perspectiva quanto à sua posição produto-mercado desejada no futuro”. Ou seja, essa etapa verifica o macroambiente da empresa, que, segundo Chiavenato e Sapiro (2003, p. 81): O macroambiente é o contexto que envolve externamente a organização. É a situação dentro da qual uma organização está inserida. Como a organização é um sistema aberto, ela mantém transações e intercâmbios com o ambiente que a rodeia. Por decorrência disso, tudo o que ocorre externamente ao ambiente influencia genericamente o que ocorre na organização. Contudo, pela sua vastidão, o macroambiente influencia genericamente todas as organizações, algumas mais, outras menos, mas de maneira ampla e intensiva. É o ambiente comum a todas as organizações. Então podemos expor que ao inserir os fatores econômicos, políticos, ambientais, geográficos, entre outros elementos, fora do controle organizacional nos processosde tomada de decisão, a organização está antenada com o que está ocorrendo no mundo dos negócios (mercado) e, de posse destas informações, busca a melhor estratégia de enfrentamento das ameaças expostas pelo mercado, como também, potencializar as oportunidades que ali se encontram. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 149 E neste ambiente devemos identificar aspectos que sinalizem estas mudanças, os quais podemos chamar de “CENÁRIOS E SINALIZADORES”. Os cenários são montados a partir de informações da empresa que retratam seu momento atual e, dessa forma, se pode detalhar a evolução e a sequência para se chegar ao futuro através de táticas, como também cenários alternativos, que são possibilidades e alternativas do futuro. Que podem nortear diretamente as decisões estratégicas das organizações. Pois, nesse sentido, cenário nada mais é do que projetar antecipadamente as rotinas, previsões de crescimento, lucro e de resultados que são almejados pelas organizações. • Ambiente interno: Para melhor entendimento da análise do ambiente interno, é necessário que a empresa se conheça por completo, ou seja, é preciso que ela entenda e tenha conhecimento de suas forças e fraquezas, para poder elaborar uma relação dos pontos fortes e fracos da organização. PONTOS FORTES (FORÇAS): são aqueles elementos que potencializam o negócio, ou seja, são aqueles elementos que favorecem o crescimento e a competitividade do negócio organizacional, em que a organização deve cultivar e potencializar o tempo todo, pois são estes elementos que fazem com que a organização esteja competitiva no mercado e possibilite a sua lucratividade. PONTOS FRACOS (FRAQUEZAS): Já estes elementos, denominados de pontos fracos, são justamente aqueles em que a empresa deve identificar para solucionar, pois se não o fizer pode prejudicar diretamente o andamento e o desenvolvimento da própria organização. Alguns fatores do ambiente interno da organização são considerados por Oliveira (2005) de grande importância para análise interna das organizações, para que seus objetivos sejam alcançados de maneira adequada. São eles: - produtos e serviços atuais; - novos produtos e serviços; - promoção; - imagem institucional; - comercialização; - sistema de informação; - estrutura organizacional; - tecnologia; - suprimentos; - parque industrial; - recursos humanos; - estilo de administração; - resultados empresariais; - recursos financeiros/finanças; - controle e avaliação. 150 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Dessa maneira, a análise interna pode ser proporcionada de modo informal, em que as informações são adquiridas através da percepção das pessoas e dos resultados obtidos através de reclamações de clientes, funcionários ou fornecedores. Contudo, é preciso que essas informações sejam colhidas de forma correta, pois é através desses conhecimentos das forças e fraquezas (pontos fortes e pontos fracos) que serão construídas as melhores estratégias competitivas e organizacionais. • Análise SWOT ou PFOA: Todas as análises ambientais feitas dentro e fora da empresa acabam caindo na análise SWOT, pois a Análise SWOT ou PFOA é a abreviação da contração dos termos em inglês de: análise interna: Forças (Strengths) – Pontos Fortes; Fraquezas (Weakness) – Pontos Fracos. Análise externa: Oportunidades (opportunities) e Ameaças (Threats). “Sua função é cruzar as oportunidades e ameaças externas à organização com seus pontos fortes e fracos. Esse cruzamento forma uma matriz com quatro células, e para cada célula haverá uma indicação de que rumo tomar”. (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003, p. 188-189). E essa ferramenta também é conhecida como Matriz PFOA (pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças). A seguinte figura representa como é feita a análise SWOT: FIGURA 36 – ANÁLISE SWOT FONTE: Oliveira (2005, p. 139) TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 151 Através das informações obtidas na figura anterior, e após compará-las e processá-las, a organização estará gerando mais informações para enriquecer as estratégias do planejamento. Pois possui informações concretas para conduzir a um processo de tomada de decisão. No que tange à terceira fase de um planejamento estratégico, que são as ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS E METAS GLOBAIS DA ALTA ADMINISTRAÇÃO, devemos compreender que, a partir do momento em que as organizações iniciam a elaboração de seu planejamento, elas necessitam traçar as metas a serem alcançadas no decorrer do projeto. Mas estas metas devem estar pautadas sobre a realidade da organização, que, por intermédio de instrumentos de coleta de dados e de análise, como a Análise PFOA ou SWOT, poderá obter concretamente as informações para assim desenvolver suas estratégias, que serão representadas por meio das metas e objetivos globais da empresa. A organização deverá olhar ao seu redor para conhecer e analisar o macroambiente e a organização interna, a fim de identificar suas potencialidades, que deverão ser exploradas ou melhoradas. Dessa forma, entende-se que as metas devem ser objetivas e realistas, de acordo com cada organização, para que as mesmas possam ter a possibilidade de mensurá-las e atingi-las. Entretanto, todas as metas propostas devem ter seus prazos predeterminados, assim, temos as metas de longo prazo, médio prazo e curto prazo, que determinarão o tempo em que deverão ser cumpridas. Outro fator preponderante neste processo de desenvolvimento de estratégias organizacionais é a questão do estabelecimento de uma POSTURA ESTRATÉGICA PELA ORGANIZAÇÃO, ou seja, como ela se posiciona perante seus confrontos e com o ambiente interno e externo. Sendo que a postura estratégica faz referência direta ao modo como a empresa se adéqua aos seus propósitos, respeitando sua situação interna e externa, ou seja, ela proporciona um confronto entre suas características positivas e negativas. Mas, também, não se pode esquecer de se estabelecer as MACROESTRATÉGIAS da organização, pois as macroestratégias orientam as empresas estrategicamente, visando se enquadrar de acordo com a postura estratégica que almeja ter no mercado. Por isso é muito importante que os responsáveis pelo planejamento façam uma revisão das macroestratégias, para que as mesmas se enquadrem nas posturas da empresa e possam ser usadas para alterar o seu rumo de forma estruturada, pois é através delas que ocorrerão as grandes orientações estratégicas da empresa. 152 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Mas, o que é realmente uma ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL? A estratégia tem papel fundamental na sobrevivência de uma organização, a dificuldade é que o conceito de estratégia, a sua finalidade e seu entendimento nem sempre estão claros. Por isso, podemos compreender que a estratégia empresarial é vista como sendo a VANTAGEM COMPETITIVA que uma organização estabelece sobre seus concorrentes no mercado. Pois, por meio de táticas, instrumentos e métodos estratégicos, a organização poderá atingir seus objetivos e continuar competitiva. As estratégias são MEIOS e CAMINHOS de atingir por intermédio de AÇÃO concreta a missão organizacional. No que tange à quarta fase de um planejamento estratégico, que é a realização dos PLANOS DE AÇÃO, vejamos: para que as estratégias descritas nas metas e objetivos de um bom planejamento ocorram com êxito, há a necessidade de um bom plano de ação. Ou seja, o COMO deve ser colocado em prática - cada meta de cada objetivo estratégico. Pois, segundo Costa (2007, p. 389), um bom plano de ação deve: [...] ser simples, realista e razoável. Um plano de ação deve conter uma sequência de passos ou etapas, descrevendo-separa cada uma: “O que deve ser feito? Quem deve fazer? Como deve fazer? Quando deve estar pronto? Quais os recursos necessários?”. Portanto, de acordo com os ensinamentos de Costa (2007), planos de ação nada mais são do que um roteiro no qual se especifica o que, como e quando será realizado, para que se obtenha êxito nas expectativas descritas nas metas e objetivos da empresa. Este plano de ação deve conter claramente o PROGRAMA ou CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO das ações a serem desempenhadas pela organização. Ou seja, deverão ser descritas em uma tabela todas as etapas da ação, pontuando quem e quando a ação deverá ser feita. Portanto, existem técnicas e documentos necessários para garantir a eficiência das implantações, porém eles não são suficientes e nem asseguram 100% de sucesso na implementação do plano estratégico da empresa (COSTA, 2007). Contudo, o cronograma de implantação nada mais é do que avaliar e controlar as atividades para ver se elas realmente estão sendo realizadas e se estão trazendo algum benefício para a organização, por isso toda empresa deve conter um cronograma, podendo ser um mais sofisticado ou até mesmo uma agenda bem preparada. Outro elemento primordial para a realização de um bom planejamento é a realização de um ORÇAMENTO ESTRATÉGICO, no qual possa demonstrar de uma forma simples e clara qual o orçamento (custo) da organização, bem como TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 153 as previsões orçamentárias para os próximos anos. Pois o orçamento é que vai dizer se a organização poderá realizar suas estratégias ou não. Se a organização não possuir recursos financeiros para agir, não poderá fazer nada e estará à mercê do destino. Também não se pode esquecer do MONITORAMENTO e AVALIAÇÃO DAS AÇÕES ESTRATÉGICAS, no qual os gestores e sua equipe de trabalho devem estabelecer um cronograma de controle e monitoramento, para assim poder controlar e avaliar todos os passos e processos do planejamento estratégico. Percebe-se que é fundamental que os dirigentes e administradores responsáveis pelo planejamento estratégico estejam atentos aos dados obtidos, para saber se os mesmos são confiáveis, bem como, devem prestar atenção nos resultados obtidos através deles, pois assim saberão se as medidas a serem tomadas darão certo. 6 MODELO DE PLANEJAMENTO Nos itens a seguir apresentaremos cada etapa da realização de um bom modelo de planejamento. Vejamos: A) SUMÁRIO EXECUTIVO (SÍNTESE DO PLANO) [Resumir aqui, em 10 a 20 linhas, as principais conclusões do Plano, as prioridades e as grandes transformações que devem ser realizadas para programar a adequação estratégica da organização]. B) IDENTIDADE ORGANIZACIONAL B.1. Definição do Negócio da Empresa [Escrever aqui o enunciado do Negócio da instituição. Em todo o Plano não é necessário justificar nada. Somente enunciar]. B.2 Visão [Escrever aqui o enunciado da Visão da instituição. Em todo o Plano não é necessário justificar nada. Somente enunciar]. B.3 Missão [Escrever aqui o enunciado da Missão da instituição]. B.4 Princípios ou Valores [Escrever aqui o enunciado dos Princípios e Valores da instituição]. 154 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL C) AVALIAÇÃO DO AMBIENTE EM QUE A EMPRESA ESTÁ INSERIDA [Fazer uma análise das oportunidades e ameaças e dos pontos fortes e fracos para atingir a missão da empresa.] C.1 Cenários/Sinalizadores [Escrever aqui os fatores ambientais que envolvem a organização em estudo.] C.2 Ambiente Interno e Externo [Obs.: Deverá ser feita a análise PFOA, para a composição de análise do planejamento.] C.3 Análise SWOT (ou PFOA) AMBIENTE INTERNO PONTOS FORTES PONTOS FRACOS • xxxx • xxxx • xxx • xxxx • xxxx • xxxxx • xxxxx • xxxxxxx • xxx • xxxx • xxxx • xx AMBIENTE EXTERNO OPORTUNIDADES AMEAÇAS • xxx • xxx • xx • xx • xxxx • xxx • xxxx • xxx • xxx • xxx • xxx D) ESTRATÉGIAS, OBJETIVOS E METAS GLOBAIS DA ALTA ADMINISTRAÇÃO [Descrever, resumidamente, as metas.] – ELAS SÃO EXTRAÍDAS DOS PONTOS FRACOS E A MELHORAR DA ANÁLISE PFOA. D.1 Estratégias, Objetivos e Metas de Longo Prazo (de 2 a 5 anos). [Escrever aqui as estratégias, objetivos e metas que serão desenvolvidas em longo prazo.] TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 155 D.2 Estratégias, Objetivos e Metas de Médio (de 1 a 2 anos). [Escrever aqui as estratégias, objetivos e metas que serão desenvolvidas em médio prazo.] D.3 Estratégias, Objetivos e Metas de Curto Prazo (até um ano). [Escrever aqui as estratégias, objetivos e metas que serão desenvolvidas em curto prazo.] E) PLANO DE AÇÃO [Obs.: Para cada Objetivo (META) você deve preencher uma destas tabelas.] O quê? Quem? Onde? Quando? Por quê? Como? Quanto R$? F) ORÇAMENTO ESTRATÉGICO [Fazer uma tabela com a soma dos custos de cada ação (META).] G) PROGRAMA DE IMPLANTAÇÃO [Elaborar um programa de implantação das metas e objetivos, o como será feito.] G.1 Cronograma de implantação [Elaborar um cronograma de implantação das metas e objetivos.] G.2 Cronograma de Controle/monitoramento [Elaborar um cronograma de controle e monitoramento da implantação das metas e objetivos.] 156 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 7 MODELO DE PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS Prezado acadêmico, aqui neste item somente apresentaremos um exemplo de ROTEIRO DE PROJETO à luz das concepções de Baptista (2007, p. 137-145), que nos apresenta explicações relevantes a respeito de um bom modelo de um projeto social. Veja a seguir esse modelo. Depois será apresentada a estrutura de um projeto social. ROTEIRO DE PROJETO A) IDENTIFICAÇÃO • Inclui os elementos essenciais para identificar o projeto e situá-lo em relação à entidade sancionadora e à equipe responsável. • Nome (e sigla) da entidade executora do projeto e do programa a que este se vincula. • Nome do projeto: deve dar a ideia precisa da natureza do problema enfocado, deve ser coerente com o seu conteúdo e apontar para os objetivos pretendidos. • Nome do técnico (ou dos membros da equipe técnica) responsável pela elaboração e pela execução do projeto: especificando qualificação e função no projeto. • Data da elaboração do projeto. B) SUMÁRIO DA PROPOSTA • Resumo claro e eficiente do projeto. Deve conter as informações-chave para uma apreciação preliminar da proposta por aqueles que irão decidir sobre a sua realização. C) CONSIDERAÇÕES GERAIS • Natureza da instituição: finalidade, responsabilidade e recursos da entidade executora. Histórico da entidade, composição da diretoria; suporte legal e administrativo; parcerias; trabalhos já realizados; resultados já conseguidos; principais fontes de recursos. • Relação do projeto com os planos e programas da instituição. Relação com os planos setoriais e regionais dos diferentes níveis de governo. D) JUSTIFICATIVA (ELEMENTOS) • A justificativa deve ser esclarecedora quanto à necessidade da realização do projeto. Deve iniciar explicando os antecedentes do projeto, os critérios adotados para a escolha de prioridades e para a seleção de alternativas. • Análise do contexto: descrever a região e as características da população local, suas possibilidades e seus limites. As iniciativas já desenvolvidas na região. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 157 • Natureza do problema: apresentação dos principais aspectos da questão, definição do(s) público(s)-alvo; definição do problema de maneira clara, dando ênfase a aspectos quantitativos e qualitativos, as implicações imediatas,mediatas e a longo prazo e as medidas que já foram tomadas e/ou sugeridas em relação aos mesmos e seus resultados. • Evidenciar a viabilidade da proposta enfatizando as parcerias existentes e as parcerias possíveis. E) OBJETIVOS E METAS • Definição dos objetivos gerais, específicos e operacionais do projeto e as metas pretendidas. Esses objetivos e essas metas deverão ser definidos com precisão e clareza e, sempre que possível, de forma operacionalizável. Devem ser exequíveis e satisfatórios, em face do problema abordado e das condições oferecidas para a intervenção. • As metas de eficiência e eficácia devem ser identificadas em termos de qualidade e quantidade. Explicitação objetiva da área de abrangência (espaço geográfico), do setor de intervenção, do volume de resultados esperados (quantidade do efeito) e dos períodos (parcelas de tempo) previstos para diferentes resultados. • Na explicitação dos objetivos e metas deve haver preocupação em preservar sua coerência interna (compatibilidade e complementaridade entre eles) e sua coerência com a questão focada pelo projeto, com a política da instituição e com os seus efeitos (sociais, econômicos e/ou institucionais) sobre a situação. F) DETALHAMENTO DO PROJETO (O QUE VAI SER FEITO, COMO SERÁ REALIZADO) F.1 DESCRIÇÃO DA ALTERNATIVA DE INTERVENÇÃO ESCOLHIDA: Modelo adotado, dimensionamento, localização. F.2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO: o que será feito e como. • Serviços prestados e capacidade de atendimento. • Procedimentos, sequência lógica das ações, interdependência, duração das atividades, dinâmica e conexões (cronograma e fluxogramas). • Explicação do método, das técnicas, dos instrumentos, do momento, do local e da responsabilidade de cada ação. • Especificações (informações necessárias para a realização da ação de acordo com o planejado): a) do pessoal; b) da metodologia: conteúdo e método; c) das técnicas; d) do equipamento. 158 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL • Tipos de organização e de administração. • Sistemas de coordenação (quem vai fazer o que, quando e onde?) • Responsabilidades (diretas e indiretas). • Dependência técnica, funcional e jurídica (organograma). • Sistema de capacitação do pessoal envolvido no projeto. • Sistemas de funcionamento (rotinas). • Sistemas de relacionamentos com as demais instituições. F.3 REQUISITOS TÉCNICOS: disponibilidade de elementos indispensáveis para a realização do projeto, em termos de recursos humanos, materiais e administrativo (institucionais). HUMANOS: Listagem do pessoal necessário, especificando funções, nível de escolarização, nível salarial. As necessidades de pessoal devem ser resumidas em orçamento ordenado conforme as exigências técnico- administrativas do projeto, indicando qualificação, quantificação, salário, tempo de trabalho. • Modo de recrutamento e de seleção (ficha profissiográfica, com base nos requisitos para o cargo). • Qualificação profissional e funcional dentro do projeto. • Indicação de número, tempo e vinculação (funcionários, contratado por tempo parcial etc.). • Definição de prazos, esclarecimento de números de horas de trabalho e do custo para o projeto. • Programa de capacitação (cursos, estágios etc.). MATERIAIS: • Material de consumo. • Material permanente. • Descrição de instalações e equipamentos necessários à execução de cada tarefa. • Definição e especificação dos padrões de instalação e equipamentos. • Definição de prazos para a utilização das instalações e equipamentos (tamanho, características, distribuição no espaço, plantas, layout, previsão de ampliação). ADMINISTRATIVOS: • Enumeração dos atos normativos necessários para a execução das tarefas, destacando sua espécie (lei, portaria, instrução de serviço) e os elementos essenciais que esses atos devem conter. • Explicitação dos órgãos ou entidades envolvidos na elaboração e/ou sanção das normas administrativas. • Elaboração de normas para atendimento, rotinas de funcionamento. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 159 • Organização do sistema de documentação: prever com antecedência os documentos necessários de organização, as formas de documentação, de arquivo, de fluxo, visando a um sistema padronizado que garanta a comunicação e que simplifique o processo de arquivamento e consulta. F.4 ORÇAMENTO: A previsão dos recursos monetários que serão necessários para a efetivação do projeto constitui o orçamento. No orçamento são previstas todas as despesas (gastos) e receitas (entrada de dinheiro) que deverão ocorrer nos diferentes momentos do projeto, sendo, também, determinados o volume e a estrutura de inversões de gastos, e as fontes de financiamento interno e externo. No orçamento, necessariamente, devem constar os custos e as despesas de implementação, implantação e manutenção, os quais devem ser detalhados para que seja estimado cada item, podendo ser resumidos e organizados como orçamentos parciais: de investimento, de manutenção (pessoal e material), facilitando a análise das despesas do projeto: • Indicar cada atividade por elemento de despesa (material de consumo, material permanente, pagamento pessoal, serviços de terceiros). • Indicar insumos correntes e de capital); • Indicar o parcelamento de entrada e de utilização dos recursos (fluxo de caixa). As necessidades de pessoal devem ser resumidas em um orçamento ordenado, conforme as exigências técnicas e administrativas do projeto, indicando a qualificação, a quantificação, o salário, o tempo de trabalho. Deve permitir a visualização do preço unitário. O orçamento de pessoal deve levar em conta o pagamento a ser feito em virtude das leis sociais: salário-família, férias, 13º salário, PIS, FGTS etc. Às vezes, a estimativa total desses custos é apresentada através da aplicação de um percentual sobre o montante total dos salários previstos. Se houver necessidade de trabalhos em horas extras (noturnas ou feriados), deve ser especificada a despesa adicional decorrente. O cálculo das despesas ou custos de manutenção é realizado a partir da atribuição de preços aos vários recursos necessários, devidamente quantificados, de acordo com o estudo de mercado. F.5 FONTES DE RECURSOS (DE INVESTIMENTO E DE OPERAÇÃO). • Indicação da(s) entidade(s) financiadora(s) do projeto e de sua parcela de responsabilidade. • Indicação do tipo de dotação: capital próprio (orçamentário); crédito (fonte creditícia, condições, tipo de crédito, formas de pagamento, juros etc.); convênio, subvenção; dotação a fundo perdido; mensalidades; doações etc. 160 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL • Indicação do parcelamento das despesas e da utilização dos recursos (fluxo de caixa). G) SISTEMA DE CONTROLE E DE AVALIAÇÃO: Descrição do sistema de controle de avaliação a ser adotado, contendo indicação da equipe responsável, das metodologias, dos indicadores, dos prazos, dos tipos de documentos de suporte. H) MEDIDAS DE IMPLEMENTAÇÃO: implementar significa tomar providências concretas para a realização de algo planejado. Este item se refere ao preparo e encaminhamento de previsão das medidas de implementação necessárias para a realização do projeto, especificando a natureza da medida, o padrão, o prazo de vigência e outras informações necessárias. Neste item devem ser sumariadas as medidas administrativas necessárias ao funcionamento do planejado (a necessidade, por exemplo, de um suporte legal para a ação – leis, instruções, decretos -, de uma legislação especial para a criação de uma organização para dar-lhe suporte), discriminando o caráter das medidas e sua periodicidade (se temporárias ou permanentes). TIPOS DE MEDIDAS DE IMPLANTAÇÃO: • TÉCNICAS: treinamentode pessoal; estudos e pesquisas especiais; distribuição de responsabilidades e dos esforços de ação projetada entre os diferentes responsáveis pelo processo. • ADMINISTRATIVAS: preparação e encaminhamento de propostas de reorganização operacional e/ou funcional, de criação de cargos, de criação de órgãos, de forma a poder contar com estruturas administrativas e com normas legais que viabilizem a execução do projeto. • LEGAIS: legislação especial para a execução do projeto – anexar modelo com redação do documento legal necessário -, minutas de convênios, portarias, ordens internas, instruções de serviço, anteprojeto de lei-decreto. FONTE: Baptista (2007, p. 137-145) Agora iremos apresentar um MODELO DE PROJETOS E PROGRAMAS SOCIAIS: TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 161 A) IDENTIFICAÇÃO NOME ENTIDADE PROPONENTE: CNPJ: Endereço: Telefone: Fax: e-mail: Conta Corrente: Banco: Agência: Conta: NOME DO PROJETO: RESPONSÁVEL LEGAL: CPF: Função: Qualificação: EQUIPE TÉCNICA QUALIFICAÇÃO FUNÇÃO LOCAL e DATA: Duração: Início previsto: B) SUMÁRIO DA PROPOSTA 162 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL C) CONSIDERAÇÕES GERAIS NATUREZA DA INSTITUIÇÃO Finalidade: Responsabilidades: Recursos da entidade executora: Histórico da entidade: Composição da diretoria: Suporte legal: Suporte administrativo: Parcerias: Trabalhos realizados: Resultados obtidos: Principais fontes de recursos: Relação do projeto com os planos e programas da instituição TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 163 Relação com os planos setoriais e regionais Nível Municipal: Nível Estadual: Nível Federal: D) JUSTIFICATIVA Quanto à necessidade da realização do projeto: Antecedentes: Critérios adotados: Para escolha de prioridades: Para seleção de alternativas: Análise do Contexto: Região de abrangência: ( ) Nacional: ( ) Estadual: ( ) Regional: ( ) Intermunicipal: ( ) Municipal: ( ) Local: Características da população local: Suas possibilidades: Seus limites: Iniciativas já desenvolvidas na região: Natureza do Problema: Principais aspectos da questão: 164 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Público(s)-alvo Definição do Problema: Aspectos quantitativos: Aspectos qualitativos: Parcerias: Existentes: Possíveis: E) OBJETIVOS E METAS OBJETIVO GERAL: OBJETIVOS ESPECÍFICOS: a) b) c) d) ............... E.1 Metas Pretendidas O quê? Quem? Onde? Quando? Por quê? Como? Quanto R$? TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 165 F) DETALHAMENTO DO PROJETO (O QUE VAI SER FEITO, COMO SERÁ REALIZADO) F.1 DESCRIÇÃO DA ALTERNATIVA DE INTERVENÇÃO ESCOLHIDA Modelo adotado: Dimensionamento: Localização: F.2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO: o que será feito e como. Serviços prestados: Capacidade de atendimento: Procedimentos: Sequência lógica das ações: Duração das atividades: Cronograma e fluxogramas: 166 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL Explicação: Do método: Das técnicas: Dos instrumentos: Do momento: Do local Da responsabilidade de cada ação: Especificações (informações necessárias para a realização da ação de acordo com o planejado): a) Do pessoal: b) Da metodologia: conteúdo e método: c) Das técnicas: d) Do equipamento: e) f) Tipos de organização e de administração: Responsabilidades Diretas: Indiretas: Dependência técnica, funcional e jurídica (organograma): TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 167 Sistema de capacitação do pessoal envolvido no projeto: Sistemas de funcionamento (rotinas): Sistemas de relacionamentos com as demais instituições: F.3 REQUISITOS TÉCNICOS: Humanos: Materiais: Administrativos: F.4 ORÇAMENTO: MATERIAL DE CONSUMO Descrição Qtd. Gastos (R$) Receitas (R$) Saldo (R$) TOTAL: MATERIAL PERMANENTE Descrição Qtd. Gastos (R$) Receitas (R$) Saldo (R$) TOTAL: PAGAMENTO PESSOAL Descrição Qtd. Gastos (R$) Receitas (R$) Saldo (R$) TOTAL: 168 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL PAGAMENTO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS Descrição Qtd. Gastos (R$) Receitas (R$) Saldo (R$) TOTAL: ORÇAMENTO TOTAL Descrição Qtd. Gastos (R$) Receitas (R$) Saldo (R$) MATERIAL DE CONSUMO MATERIAL PERMANENTE PAGAMENTO DE PESSOAL PAGAMENTO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS TOTAL: F.5 FONTES DE RECURSOS (DE INVESTIMENTO E DE OPERAÇÃO) G) SISTEMA DE CONTROLE E DE AVALIAÇÃO H) MEDIDAS DE IMPLEMENTAÇÃO • TÉCNICAS: TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 169 • ADMINISTRATIVAS: • LEGAIS: FONTE: A autora 8 AVALIAÇÃO DOS PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS Prezado acadêmico, de nada adianta a uma instituição elaborar e aplicar um plano, programa ou projeto social, se esse não for monitorado e avaliado em seus resultados. A AVALIAÇÃO, de acordo com Chianca, Marino e Schiesari (2001, p. 16), pode ser compreendida como: A coleta sistemática de informações sobre as ações, as características e os resultados de um programa, e a identificação, esclarecimento e aplicação de critérios, passíveis de serem defendidos publicamente, para determinar o valor (mérito e relevância), a qualidade, utilidade, efetividade ou importância do programa sendo avaliado em relação aos critérios estabelecidos, gerando recomendações para melhorar o programa e as informações para prestar contas aos públicos internos e externos ao programa do trabalho desenvolvido. Nesse sentido, O CARÁTER DE APRENDIZAGEM numa avaliação é muito grande, pois, quando avaliamos, observamos o que deu certo ou errado no que foi planejado, além de apontar pontos a melhorar ou simplesmente eliminar algumas estratégias do processo que não surtirão efeito nenhum para o alcance dos objetivos e metas. Veja no texto de leitura a seguir um exemplo prático de se analisar um bom plano. Mas este é somente um roteiro, existem inúmeros, e o que uma organização deve fazer é procurar o modelo que melhor representa sua realidade organizacional ou que supra suas necessidades pontuais com relação aos seus objetivos. 170 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL LEITURA COMPLEMENTAR 1 ROTEIRO DE ANÁLISE DE PLANO Myrian Veras Baptista 1 APRESENTAÇÃO Apresentação sobre: • a redação; • a disposição gráfica; • a clareza e precisão das ilustrações. 2 ESTRUTURA • O documento inclui todas as partes integrantes do plano? • Há equilíbrio, inter-relação orgânica e coerência entre os diversos itens? 3 ANÁLISE DE CONTEÚDO • Qual a natureza do plano? De ação? De intenções? De diretrizes? • Refere-se a todo o sistema ou a parte dele? Há equilíbrio entre as diferentes partes do sistema? Esta abordagem se faz integralmente ou justaposta? • É aplicável no nível decisório do órgão? É viável política, técnica e economicamente? Ou sua viabilidade depende de fatores não controláveis? • Há coerência entre a dimensão do plano e a dimensão da situação a queele se refere? 4 ANÁLISE TÉCNICA 4.1 Identificação do plano: • Inclui os elementos indispensáveis para identificá-lo com relação à entidade e à equipe que o elaborou? 4.2 Justificativa: • A justificativa é esclarecedora quanto à necessidade de realização do plano? • Há suficiente fundamentação para as prioridades e alternativas escolhidas? 4.3 Diagnóstico: • Apresenta os principais elementos que compõem a questão? • Fornece dados que cubram suficientemente a problemática? • A análise se fundamentou em uma teoria? Qual? TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 171 • A análise contou com indicadores e parâmetros preestabelecidos? Quais? • Os diferentes elementos que compõem a questão foram suficientemente analisados e correlacionados? Nessa análise foram utilizados indicadores significativos? • Propiciou elementos suficientes para fundamentar as prioridades e as alternativas escolhidas? 4.4 Finalidades / Objetivos / Metas: • Estão definidos com precisão e clareza? Estão operacionalizados ou são operacionalizáveis? As metas estão devidamente quantificadas quanto ao espaço, tempo e volume? • Há coerência intrínseca entre as finalidades da instituição, sua área e nível de competência, os objetivos (gerais, específicos e operacionais) e as metas propostas? As metas e os objetivos específicos são compatíveis, complementares ou incompatíveis entre si? • Os objetivos e as metas são exequíveis, utópicos ou insatisfatórios, em face do problema abordado e dos recursos e tempos disponibilizados para a intervenção? 4.5 Política de ação: • A política adotada propicia o alcance dos objetivos e metas do Plano? Possibilita o maior benefício (na solução da problemática), ao menor prazo, ao menor custo econômico e social, para utilização dos recursos disponibilizados? 4.6 Estratégias: • Foram explicitadas? Foram suficientemente justificadas? São operacionais (técnica, econômica e politicamente)? • Foram montadas de modo a emprestar maior força, dinamicidade e rentabilidade à ação? • Propiciam meios para maior aceitação do Plano pelos grupos nela envolvidos e facilitam a sanção dos órgãos que deverão decidir por sua aplicação? 5 ANÁLISE DE EQUACIONAMENTO DOS RECURSOS 5.1 Financeiros: • Foram explicitadas as políticas de aplicação de recursos financeiros por região e por área de atividade? • Foram indicados prazos, as fontes e os mecanismos para a utilização desses recursos? • Há coerência na distribuição das verbas com o diagnóstico realizado, com os objetivos, as metas e a política adotada? • O Plano é coerente com o volume dos recursos? 172 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 5.2 Humanos: • Foi explicitada uma política de recursos humanos para a viabilização do Plano? • Há uma adequada distribuição dos recursos humanos, quantitativa e qualitativamente necessários para operacionalizá-lo? 5.3 Institucionais: • Foram previstos os instrumentos legais, de diferentes níveis e categorias, indispensáveis à operação do Plano? FONTE: BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo: Veras, 2007. (p.133-136). Assim, podemos observar que sempre devemos estar estruturando nossas ações, pois nos dão diretrizes concretas e objetivas de como agir. Principalmente no caso da realização de uma avaliação de plano, programa ou projeto social, pois necessitamos ter indagações precisas, para assim mensurar nossas ações. Sendo que essas ações de reflexões sobre os resultados propiciam uma capacidade de ação sobre a realidade, gerando possíveis transformações da realidade que se está trabalhando. Porém, prezado acadêmico, em que MOMENTOS podemos estar avaliando nossos planos, projetos ou programas sociais? Podemos realizar avaliações o tempo todo, mas, como já exposto, devemos programar e desenvolver critérios para a realização de análises. Neste sentido, Chianca, Marino e Schiesari (2001) e Marino (2003) nos expõem que podemos estar avaliando em alguns momentos, que são: PRIMEIRO MOMENTO DE AVALIAÇÃO: DO MARCO ZERO: que deve ocorrer anteriormente à implantação do plano, programa ou projeto social. No qual os gestores e sua equipe de trabalho analisam as condições reais daquela determinada situação social (problema social) que pretendem trabalhar, para averiguar as reais necessidades e expectativas dos futuros usuários com relação ao suposto plano, programa ou projeto. SEGUNDO MOMENTO DE AVALIAÇÃO: DO PROCESSO: Agora podemos e devemos avaliar constantemente as ações quando elas estão acontecendo, ou seja, no processo de execução. Para averiguar se estamos realmente surtindo efeitos positivos ou não, se estamos atingindo os objetivos propostos, pois se não estivermos atingindo nossas metas, temos tempo de elaborar novas estratégias de enfrentamento em busca dos resultados esperados. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 173 TERCEIRO MOMENTO DE AVALIAÇÃO: DO PRODUTO: este tipo de avaliação acontece após a implantação do plano, programa ou projeto, no intuito de analisar a real relevância do mesmo, verificando se o objeto trabalhado realmente trará benefícios ao público beneficiado pelo plano, programa ou projeto. QUARTO MOMENTO DE AVALIAÇÃO: DO IMPACTO: no qual os gestores, após o término do plano, programa ou projeto, devem ver e analisar quais foram os efeitos e impactos das ações realizadas sobre a realidade trabalhada, para assim verificar a eficácia do projeto. Ou seja, se transformaram a realidade e promoverão a melhoria de qualidade de vida da população usuária. Essas informações devem ser equilibradas de acordo com a realidade do programa ou projeto, nunca em demasia e nem sinteticamente, sempre o ideal a cada situação desejada. Outra coisa que devemos buscar constantemente é a participação de todos nesse processo de análise, formando sempre uma equipe interdisciplinar, para assim abranger todos os aspectos em um processo de tomada de decisão. Esse processo de avaliação é de fundamental importância para podermos atingir os resultados esperados no momento do planejamento dos programas e projetos sociais. Vejamos agora, no texto de leitura a seguir, um modelo de roteiro de análise de projetos, que poderá elucidar como deve ser feita a análise de um projeto social. Mas, este é também somente mais um roteiro. LEITURA COMPLEMENTAR 2 ROTEIRO DE ANÁLISE DE PROJETOS Myrian Veras Baptista 1 APRESENTAÇÃO Apresentação sobre: • a redação; • a disposição gráfica; • a clareza e a precisão das ilustrações, das referências etc. 2 ANÁLISE DO CONTEÚDO 2.1 Estrutura • O documento inclui todas as partes integrantes do projeto? 174 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL • Há equilíbrio, inter-relação orgânica e coerência entre seus diferentes itens? 2.2 Escolha de prioridade e de alternativa • Trata-se de problema significativo? Por quê? • É oportuna sua abordagem no momento proposto? • A alternativa traz uma contribuição relevante para o tratamento do problema abordado? Justifique. • É uma alternativa criadora, inovadora? É comum, tradicional? Quais as vantagens e as desvantagens que essa característica traz à alternativa? • É viável (econômica, técnica e politicamente)? Não viável? De viabilidade condicionada a outras medidas e/ou fatores? Quais? Essas medidas e/ou fatores são controláveis? • Há coerência entre a dimensão do problema e a dimensão do projeto? • O projeto cria condições estimuladoras para novas atividades (efeitos multiplicadores colaterais)? Quais? Justifique. • Que outros efeitos colaterais ou secundários poderiam advir? Podem ser previstos efeitos que venham a reforçaro interesse pelo projeto ou, então, desaconselhá-lo? Quais? 3 ANÁLISE TÉCNICA 3.1 Identificação do projeto • Inclui os elementos essenciais para identificá-lo e situá-lo em relação à entidade sancionadora e à equipe responsável? • Seu título é coerente com seu conteúdo? 3.2 Finalidades, objetivos e metas • As finalidades, os objetivos e as metas estão definidos com precisão e clareza? Estão operacionalizados ou são operacionalizáveis? • Há coerência intrínseca entre as finalidades da instituição e os objetivos (gerais, específicos e operacionais) e as medidas propostas pelo projeto? • Os objetivos e as metas são exequíveis, utópicos, ambiciosos, tímidos e/ ou satisfatórios e realistas, em face do problema abordado e das condições oferecidas para a intervenção? • Os objetivos e as metas são compatíveis, incompatíveis ou complementares entre si? • As metas estão devidamente quantificadas em termos de volume, tempo e espaço? • Foram analisados, e propostos como metas, os possíveis efeitos secundários do projeto? TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 175 3.3 Justificativa • A justificativa é esclarecedora quanto à necessidade de realização do projeto? • Apresenta os principais aspectos da questão? Fornece dados que cobrem suficientemente a situação e/ou o problema? • A análise do problema teve por base um modelo teórico? Qual? • As diversas variáveis da situação foram devidamente analisadas e correlacionadas? Foram utilizados indicadores significativos? • Foram detectadas demandas e/ou necessidades suficientes para justificar o projeto? • Foi encontrada técnica adequada, economicamente viável, para atender o problema? • Foi evidenciada a capacidade financeira ou de endividamento da instituição para a realização do projeto? • Que outros aspectos deveriam ser abordados? 3.4 Detalhamento do projeto 3.4.1 Operações: • O detalhamento deixou bem claro o conjunto de ações. Sua sequência e sua interdependência, para a execução do projeto? • Há relação causal visível entre as operações previstas e o alcance dos resultados desejados, expressos nos objetivos? • Há facticidade nessas operações? Há lógica em sua sequência? • O método, as técnicas, os instrumentos, o momento, o local e a responsabilidade de cada ação ficaram suficientemente claros? • As diferentes especificações (quanto ao pessoal, à tecnologia, aos recursos materiais etc.) são as mais recomendáveis, ante os recursos disponíveis e os objetivos? • Os gráficos (cronogramas, fluxogramas, organogramas, diagramas, planilhas etc.) estão corretos? São coerentes com os procedimentos descritos? 3.4.2 Recursos financeiros: • Há correspondência entre os recursos financeiros previstos pelo projeto e a dimensão do problema (o projeto é oneroso, razoável, insuficiente)? • Houve indicação de fonte de recursos? E de parcelamento de aplicação? • A explicitação dos recursos financeiros oferece possibilidade de cálculo de custo unitário de serviços? • Há viabilidade na proposta financeira? 176 UNIDADE 2 | A ESTRATÉGIA E O PLANEJAMENTO SOCIAL E INSTITUCIONAL 3.4.3 Recursos humanos: • Há correspondência entre o número, diversificação profissional e disponibilidade de tempo do pessoal com as exigências para o alcance dos objetivos do projeto (excessivo, satisfatório, insuficiente)? • O projeto é exequível no que se refere a recursos humanos? 3.4.4 Recursos materiais: • As instalações e equipamentos previstos correspondem às necessidades do projeto? São suficientes, excessivos, insuficientes? Esses recursos são viáveis? 3.4.5 Medidas de implementação: • Foram previstos os instrumentos legais, administrativos e técnicos indispensáveis à execução do projeto? • Foram equacionados os trâmites para a sua obtenção? FONTE: BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo: Veras, 2007. (p.147-151). LEITURA COMPLEMENTAR 3 POR QUE AVALIAR PROJETOS SOCIAIS Ana Beatriz Patrício Os jovens participantes do Programa Educação e Trabalho, da Fundação CDL Pró-Criança, em Belo Horizonte (MG), tiveram aumento significativo em seu rendimento após a aprendizagem profissional oferecida pela organização. No Instituto Ballet de Santa Teresa, localizado no bairro carioca de mesmo nome da instituição, as mães de alunos tiveram elevação de escolaridade, a renda familiar aumentou e os estudantes melhoraram seu desempenho escolar após integrar as atividades do programa Complementação e Embasamento Cultural. Os dois projetos sociais mencionados têm algo importante em comum: os gestores das organizações executoras empenharam-se para mensurar o seu impacto nas comunidades atendidas e, com isso, obtiveram informações fundamentais para calcular o custo-benefício das ações, aprimorar a gestão e a utilização dos recursos. Avaliar é uma condição imprescindível para a gestão de programas sociais, pois gera conhecimento sobre a ação que se realiza, fornece dados para verificação da efetividade do caminho escolhido e permite aprimoramento e correção de rotas, quando necessário. A prática possibilita verificar a pertinência, consistência, coerência e viabilidade dos programas sociais. TÓPICO 5 | DICAS, TÉCNICAS, METODOLOGIAS E MODELOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS 177 Contudo, saber que avaliar é importante não é suficiente para efetivar a prática da avaliação. Dados da pesquisa Ação Social das Empresas no Brasil, realizada em 2006 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que entre mais de 599 mil empresas ouvidas, apenas 16% afirmaram que possuem avaliação documentada de suas ações sociais. Isso ocorre porque a avaliação de projetos sociais esbarra, na maioria das vezes, no desconhecimento de metodologias e ferramentas adequadas e também na ausência da cultura de avaliação. Assim, essa continua sendo uma atividade residual, não institucionalizada na gestão dos projetos e desarticulada com os momentos de tomada de decisão. Outras vezes, limita- se ao acompanhamento de atividades, raramente estendido à mensuração de seus resultados efetivos. Nesse contexto, ganha ainda mais relevância a avaliação de impacto, que se diferencia na metodologia e nas finalidades. Seu objetivo é mensurar os efeitos do projeto sobre os beneficiários, isolando-os dos efeitos de outros fatores do contexto. Por exemplo, responde em que medida o aumento observado da renda de um grupo de beneficiários é devido a ações de capacitação profissional feitas pelo projeto e em que medida deve-se à melhora generalizada do quadro macroeconômico. A Fundação Itaú Social iniciou em 2004 o programa Avaliação Econômica de Projetos Sociais, com o objetivo de avaliar os próprios programas sociais e de instituições parceiras, além de investir na disseminação dessa prática, promovendo cursos e seminários gratuitos em todo o Brasil. A metodologia utilizada pela Fundação conjuga dois tipos de avaliação que se complementam: a avaliação de impacto e o cálculo de seu retorno econômico. A primeira tem como principal objetivo investigar a causalidade entre o projeto ou programa e os resultados obtidos, ou seja, responder o que teria ocorrido aos beneficiários, caso eles não tivessem participado do trabalho. Já o retorno econômico compara o investimento empregado com os benefícios gerados ao longo da vida de seus participantes. Trata-se, portanto, do retorno social, uma medida econômica relevante para a gestão e comparação de resultados entre projetos sociais, que contribui nas tomadas de decisão, aprimoramento, ampliação ou redução de determinadas ações. Além disso, os resultados podem orientar a adoção de ações de programas sociais em políticas públicas quando, comprovadamente, analisando aspectos microe macrossociais, houver ganho substantivo para os cidadãos. Toda avaliação de projetos sociais deve oferecer informações relevantes para alterar os processos que determinam a eficiência e eficácia das políticas e programas sociais. Tal princípio coloca a avaliação como um importante instrumento de decisão política em seu sentido pleno de garantia dos direitos dos cidadãos, não restrito à verificação e análise de dados que demonstram o quão eficiente e eficaz foi determinado programa. FONTE: PATRÍCIO, Ana Beatriz. Por que avaliar projetos sociais. Disponível em: <http://www. estadao. com.br/noticias/vidae,por-que-avaliar-projetos-sociais,373484,0.htm>. Acesso em: 23 nov. 2009. 178 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca das dicas, técnicas e metodologias referentes ao desenvolvimento de um planejamento de projetos sociais. Foram abordados os seguintes itens: • Os recursos públicos destinados à área social escasseiam e as demandas, em contrapartida, aumentam. • A exigência por uma gestão “eficaz, eficiente e efetiva” dos projetos e programas sociais é importantíssima. • Verificamos a importância e necessidade de elaborar, monitorar e avaliar os programas e projetos sociais. • Para o enfrentamento das questões sociais, precisamos mais do que vontade de acertar. • A competência técnica para propor, conduzir e avaliar intervenções no campo social deve ser buscada, seja através da capacitação dos executores, seja por meio da contratação de consultoria externa ou da cooperação técnica de especialistas. • Muitas vezes, as soluções simples e originais são mais realistas e adequadas. • O sucesso da intervenção, ou seja, a efetividade de sua contribuição para a solução ou melhoria da situação-problema enfrentada, depende da compreensão e do consentimento dos atores sociais envolvidos quanto aos propósitos do projeto e, consequentemente, do empenho dos mesmos na concretização de seus objetivos. • O compromisso ético exige que as nossas ações tenham resultados efetivos; que possam contribuir para a transformação positiva das condições sociais. • No planejamento existem certos aspectos básicos que devem ser levados em consideração, básicos em qualquer circunstância, pois compreende-se que o processo de “planejar” deve ser lógico, em que devem ser descritas com precisão as atividades primordiais do cotidiano organizacional da atualidade até o objetivo e meta propostos. • O planejamento é um processo contínuo que envolve um conjunto complexo de decisões inter-relacionais, que podem ser separadas de formas diferentes. • Vimos os processos e fases metodológicas do planejamento. 179 • Vimos um modelo de planejamento. • Vimos um exemplo de roteiro para o desenvolvimento de um projeto social. • Verificamos um modelo de projeto social. • A avaliação de programas e projetos sociais tem assumido papel fundamental no setor público e privado, sendo objeto de um contínuo aperfeiçoamento em seu entendimento e em sua aplicação. • Podemos entender avaliação como a elaboração, negociação e aplicação de critérios explícitos de análise, em um exercício metodológico cuidadoso e preciso, com vistas a conhecer, medir, determinar ou julgar o contexto, mérito, valor ou estado de um determinado objeto, a fim de estimular e facilitar processos de aprendizagem e de desenvolvimento de pessoas e organizações. • A ideia central é que os processos avaliativos ajudem os envolvidos a encontrar seus próprios caminhos de aprendizagem e desenvolvimento, e que ampliem o nível de consciência dos empreendedores sociais. • Para cumprir esses objetivos, o papel da avaliação precisa transcender a fiscalização ou controle, abrangendo uma intensa reflexão que deve ser feita com todos os envolvidos no processo. • Estudamos os diversos processos de avaliação. • Vimos um exemplo de roteiro para a análise de planos sociais. • Vimos um exemplo de roteiro para a análise de projetos sociais. 180 Prezado acadêmico, sabemos que estamos vivendo em uma sociedade de constantes transformações. Nesse sentido: 1 Como você vê a importância do desenvolvimento de um bom planejamento de um projeto social? _______________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2 Descreva com suas palavras o ciclo de vida de um projeto. _______________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 3 Prezado acadêmico, vamos exercitar um dos pontos fundamentais e muito importante na realização de um bom planejamento estratégico. Primeiro: Escolha uma organização ou a empresa em que você trabalha para fazer esse exercício. Procure pesquisar os dados dentro de sua empresa, para assim responder a essa atividade. 1 DEFINIÇÃO OU REDEFINIÇÃO DO NEGÓCIO AUTOATIVIDADE 1 Quem é o cliente? (Quem? Que segmento?)____________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2 Qual o BENEFÍCIO/NECESSIDADE que o seu cliente efetivamente procura ao comprar ou usar seu produto e/ou serviço? (O quê?)__________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 181 3 Quem são e quais serão nossos concorrentes? __________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 4 Com o negócio atual, nossa empresa terá sucesso no futuro? _____________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Dicas: • Clientes, expectativas e concorrentes não são estáticos, precisam ser monitorados. Nas reflexões, não se limite em considerar apenas a situação atual, procure identificar as tendências que deverão afetar o ambiente competitivo da empresa. • Evite a miopia, essa é uma postura-chave ao se definir o Negócio. A tendência natural de entender o Negócio e o produto e/ou serviço é míope, pois limita o campo de percepção. Muitas oportunidades são perdidas quando se foca apenas o produto e/ou serviço e não os benefícios gerados. 2 A MISSÃO 1 De onde vem nosso lucro? (O lucro da empresa) ______________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________2 Qual é a base de nossa vantagem competitiva? O que nos diferencia dos concorrentes? Que habilidades ou capacidades fazem de nossa empresa uma empresa única? _______________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 3 Qual a finalidade ou razão de ser da nossa empresa? Descreva a Missão da empresa. __________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Verifique se esta missão contém os elementos a seguir: 182 Atributo Sim Não O produto e/ou serviço da empresa: o que oferece ao cliente. Mercado: quem é e onde está. Tecnologia: processos usados para produzir bens e serviços. Objetivo da empresa: referência geral aos objetivos da organização. Ideologia da empresa: os valores da empresa normalmente aparecem como parte da declaração. Autoconceito da organização: pontos fortes, a impressão que a organização tem de si mesma. Imagem pública: que tipo de impressão a empresa está querendo passar ao público. Dicas: • A Missão deve destacar os diferenciais competitivos da empresa. • A Missão deverá explicar o Negócio. Ela poderá conter os elementos principais da definição do Negócio, de forma a auxiliar a declaração. • A Missão deve ser concisa e objetiva, pois ela serve para motivar, direcionar, dar imagem e um tom para guiar a organização. Excesso de detalhes pode prejudicar os benefícios gerados pela Missão 3 VISÃO 1 Que organização queremos ser no futuro? _____________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2 Que organização os clientes gostariam que fôssemos no futuro?__________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 3 Que organização os colaboradores/funcionários gostariam de construir e trabalhar no futuro? _______________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 4 Que organização surpreenderia o setor, a região e o mercado no futuro? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 183 5 Como as pessoas da sociedade como um todo querem que a empresa seja reconhecida? ______________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 6 Qual é o sonho compartilhado da empresa, de seus funcionários, dos clientes, do setor, da região, do mercado e da sociedade? ________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Dicas: • Se a sua empresa for familiar, mantenha e dê continuidade à Visão e aos Valores compartilhados. Seu ponto de partida já está na sua própria mente. • Faça com que a sua visão seja tão clara quanto as suas metas de lucro. O lucro como único objetivo não é suficiente para motivar seu pessoal. Amplie seu raio de visão para considerar as pessoas como um todo. • Assegure-se de que a visão englobe todos os componentes vitais: os clientes, seu pessoal e os acionistas. O cliente sempre vem em primeiro lugar. 4 VALORES 1 Pense em dez valores que você considera importantes para a empresa e que devem orientar, daqui para frente, as atitudes e o comportamento. ________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2 Compare esses valores com o seu negócio e a sua missão e selecione aqueles que mais contribuirão para formar o futuro da empresa. _________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 184 Dicas: • O teste dos seus valores é representado pela medida com que eles afetam as suas ações no local de trabalho. • Os valores devem resistir ao teste do tempo, isto é, não se alteram com as circunstâncias que envolvem a empresa. • As empresas tendem a ter um pequeno número de valores. • Os valores são inerentes à empresa, não existe um conjunto universalmente aplicável de valores empresariais. 5 ANÁLISE SWOT Aspectos analisados: Pessoal: Quantidade - Qualificação Equipamentos: Capacidade instalada - Tecnologia Finanças: Recursos financeiros Marketing: Produtos – Preço – Distribuição – Propaganda – Equipe de Vendas – Promoção Quais são os nossos pontos fortes? – Eficiência na produção? – Força de trabalho habilidosa? – Boa participação de mercado? – Solidez financeira? – Reputação superior? Quais são os nossos pontos fracos? – Instalações antigas? – P&D inadequados? – Tecnologias obsoletas? – Gerência fraca? – Falhas no planejamento? Quais são nossas oportunidades? – Novos mercados possíveis? – Economia forte? – Rivais de mercado fracos? – Tecnologias emergentes? – Crescimento de merc. existentes? Quais são nossas ameaças? – Novos concorrentes? – Carência de recursos? – Mudanças de gosto no mercado? – Novos regulamentos? – Produtos substitutos? AVALIAÇÃO INTERNA DA ORGANIZAÇÃO AVALIAÇÃO EXTERNA DO AMBIENTE 185 AMBIENTE INTERNO PONTOS FORTES PONTOS FRACOS AMBIENTE EXTERNO OPORTUNIDADES AMEAÇAS 6 PLANO DE AÇÃO Prezado acadêmico, monte o quadro a seguir respondendo às seguintes questões: • O que fazer? (meta) • Quem vai fazer a meta acontecer? • Onde será feito? • Quando será realizada a determinada meta? • Por que fazer? • Como será feito? • Quanto custará a ação? Obs.: Para cada Objetivo (META) estabeleça: 186 O quê? Quem? Onde? Quando? Por quê? Como? Quanto R$? 4 Pesquise na literatura, na internet e nas instituições outros modelos ou roteiros de programas e projetos sociais, pois o que foi apresentado neste tópico é apenas um de inúmeros outros modelos. 5 Apresente e socialize estes novos modelos em seu próximo encontro presencial. 6 Faça uma breve redação sobre a importância do processo de avaliação de um programa ou projeto social. DICAS Para um aprofundamento desses temas, sugiro que você leia os seguinteslivros: ARMANI, Domingos. Como Elaborar Projetos? Guia para Elaboração e Gestão de Projetos Sociais. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2001 (Coleção Amencar). COSTA, Elieser Arantes da. Gestão estratégica: da empresa que temos para a empresa que queremos. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 187 MARINO, Eduardo. Manual de avaliação de projetos sociais. 2. ed. São Paulo: Saraiva: Instituto Ayrton Senna, 2003. FECHAMENTO DA UNIDADE Prezado acadêmico, nesta unidade compreendemos como é importante desenvolvermos estratégias em um planejamento, seja ela social ou institucional. E que as mesmas devem estar conectadas com a realidade social que vivenciamos, e devem ser desenvolvidas no “MOMENTO IDEAL” para assim agir e tomar decisões pertinentes à questão social que estamos trabalhando. Pois nunca podemos esquecer que a sociedade em que vivemos está em constante mudança, mudanças estas que exigem do assistente social uma conectividade com a realidade cotidiana da população usuária dos programas e projetos sociais. Outra coisa muito importante que estudamos é a questão em que os gestores, tanto das empresas, nas ONGs e no poder público, necessitam também estarem conectados com a realidade cotidiana e as transformações da sociedade, para assim poderem desenvolver PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS que possam combater direta ou indiretamente todas as formas de violação de direitos, discriminação e subalternidade. Outro aspecto muito importante que estudamos é que o assistente social deve ter por princípio o COMPROMISSO direto com os interesses da população usuária, e este compromisso NÃO SE REALIZA sem competência técnica, ética e política. Deste modo, se faz necessário que o assistente social busque constantemente capacitarse no intuito de, por meio de sua competência técnico-operativa, teórico- metodológica e éticopolítica, desenvolver planos, programas e projetos sociais que tenham estratégias que busquem a garantia dos direitos humanos e sociais. Outra questão que estudamos foi que o TRAÇO FUNDAMENTAL para o desenvolvimento de estratégias e de planejamento em programas e projetos sociais se processa dia após dia na sociedade em que vivemos, pois é nesta mescla dos valores da ÉTICA, da DEMOCRACIA, da JUSTIÇA SOCIAL e da SOLIDARIEDADE HUMANA, com uma postura ético-política, que desenvolvemos nossas ações da práxis profissional, sempre no intuito da proteção social à população usuária de direitos. 188 Nesse sentido, SER ASSISTENTE SOCIAL é rebelar-se contra a história de predomínio da indiferença e, ao olhar para o passado, construir no presente, em uma trajetória de responsabilidade civilizatória, o futuro que todos ambicionamos. Mas isto só será possível se o assistente social obtiver por norte profissional a estratégia e o planejamento de suas ações. Assim, devemos compreender que a ESTRATÉGIA em nosso agir profissional se torna fundamental, pois é através dela que estabelecemos metas e objetivos, que direcionam a trajetória, o caminho daquela determinada ação. E a estratégia, por sua vez, deve ser bem planejada, levando sempre em consideração o seu propósito (objetivo), o seu ambiente (interno e externo) e a capacidade técnica do seu gestor e equipe (capacitação). Lembre-se de que a estratégia deve ser sempre SIMPLES, CLARA e OBJETIVA. Para assim proporcionar uma diretriz concreta ao plano, programa ou projeto social. Lembre-se de que não existem soluções mágicas para os problemas sociais. Qualquer solução exige muito suor e trabalho dos gestores e assistentes sociais. Lembre-se de que a estratégia pode ser visualizada como se fosse um MAPA, pois ela nos dá a direção para onde desejamos chegar. Ou seja, a estratégia é o caminho a percorrer para se atingir os objetivos ou solucionar um determinado problema social. Então, devemos estar planejando constantemente as ações de nossa práxis profissional. Mas, nada disto tudo adianta se o assistente social e sua equipe de trabalho não estiverem motivados e possuírem intrinsecamente as motivações necessárias para o PENSAMENTO ESTRATÉGICO e assumirem uma postura adequada ao mesmo. Pois, será que podemos DORMIR TRANQUILOS com o nosso futuro profissional? Acredito, e espero que você também acredite, que NÃO PODEMOS DORMIR TRANQUILOS! Pois estamos em constantes transformações e o mercado exige cada vez mais profissionais qualificados, seja no Serviço Social, na administração, na engenharia, seja padeiro, confeiteiro, cabeleireiro. Então, devemos estar antenados com estas novas exigências e transformações, para assim atuarmos profissionalmente sempre objetivando eficiência, eficácia e efetividade em nossas ações profissionais. E isto reflete diretamente sobre as conquistas sociais. E também sabemos que nós homens possuímos duas posturas perante a realidade em que vivemos. Ora podemos estar na postura 1, que fica na espera da oportunidade ou que alguém resolva nossos problemas e os problemas da sociedade em que vivemos. 189 Ora possuímos a postura 2, em que estamos sempre em busca de oportunidades e da resolução dos problemas, não ficamos esperando pelos outros. E estas novas exigências profissionais geram certo desconforto e apreensão do que tem por vir, de que população iremos atender, de qual exigência institucional devemos compreender e executar. Mas, em nossa atuação profissional sempre enfrentamos o fantasma deste MEDO do desconhecido, mas esta sensação é natural, seja no campo profissional ou pessoal, sempre teremos medo do desconhecido. Neste sentido, devemos ter uma ATITUDE PROFISSIONAL que preconize a estratégia, pois um profissional que possui um comportamento estratégico é aquele que desenvolve suas ações do presente a partir do futuro, ou seja, daquilo que a organização, instituição pública ou privada almeja conquistar, ou ser (sua missão e visão). Pois vimos que temos que aprender a mudar. Porque o profissional de sucesso é aquele que detecta problema que, às vezes, os usuários dos programas sociais nem perceberam ainda, e apresenta soluções criativas e atraentes a esta população usuária, além de apontar para novas perspectivas de qualidade de vida. Compreendido! Então, podemos dizer que o assistente social, em sua atuação profissional junto à sociedade, busca intervir estrategicamente nos problemas sociais; já na intervenção junto às políticas sociais públicas, procura inserir-se em todos os processos de tomadas de decisão que possam influenciar diretamente aos órgãos legislativos e executivos; e no mercado de trabalho, busca desenvolver estratégias que possibilitem transpor as transformações e mudanças da realidade cotidiana de sua atuação profissional, estando sempre atualizado e capacitado para o enfrentamento das questões sociais que lhe são apresentadas. Pois só assim podemos observar que o assistente social proporcionará à população, em sua atuação profissional, possibilidades de acesso a bens e serviços, que representam a garantia dos direitos sociais, políticos e civis do público usuário. Pois bem, finalizamos esta discussão acerca do planejamento em programas e projetos sociais. Espero que tenha proporcionado momentos de reflexão e aprendizagem, e tenha contribuído para o seu crescimento intelectual e profissional. Agora é só colocar em prática o que você aprendeu, e SUCESSO! Prof.“ Vera Lúcia Hoffmann Pieritz 190 191 UNIDADE 3 GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • compreender o significado da gestão/administração pública; • discernir as diferenças entre esfera pública e privada; • aprofundar os conhecimentos acerca das políticas públicas brasileiras; • identificar as diversas políticas sociais no âmbito nacional; • compreender a trajetória profissionaldos assistentes sociais em processos de gestão das organizações públicas ou privadas. A Unidade 3 está dividida em quatro tópicos. Ao final de cada um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos realizando as atividades propostas. TÓPICO 1 – A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO TÓPICO 2 – ÓRGÃOS PÚBLICOS TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS TÓPICO 4 – A AÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS 192 193 TÓPICO 1 A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos." Eduardo Galeano Prezado acadêmico, sabemos que as organizações públicas necessitam constantemente desenvolver uma metodologia de gestão. Gestão esta mais conhecida como “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”, que é primordialmente exercida por órgãos e agentes que desenvolvem suas atividades em prol do bem público. Mas, primeiramente, observe a história a seguir: Coisas que “sempre foram feitas assim” Uma lenda zen conta a história de um mestre que sempre mandava amarrar seu gato porque ele perturbava a meditação dos discípulos. O tempo passou, o mestre morreu e o gato também morreu. Mas então providenciaram outro gato. Cem anos depois, alguém escreveu um tratado, respeitadíssimo, sobre a importância de se ter um gato amarrado durante a meditação. Quando conheci esta história, me lembrei das empresas que permanecem amarradas a uma burocracia burra, com procedimentos administrativos e de controle que não fazem mais nenhum sentido nos tempos atuais. Você pergunta a razão de agirem daquela maneira e a resposta é “sempre foi feito assim”. Há também aqueles que defendem uma prática burra, alegando que no passado aconteceu algo que justificou a implantação de tal procedimento burocrático. Com o uso maciço do computador, da internet, da tecnologia, da informação, muita coisa tem de ser repensada na empresa. Mais do que repensados, certos procedimentos devem ser abandonados. FONTE: Rangel (2003, p. 152) UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 194 Baseados na história, podemos dizer que mesmo na administração pública as coisas se transformam no decorrer de sua história, e, portanto, não nos adianta aplicar sempre o mesmo modelo de gestão, pois devemos nos adaptar às novas tecnologias e a novos modelos de gestão. Por tudo isto, se torna fundamental que o assistente social compreenda primeiramente o que é uma esfera pública, para posteriormente compreender a gestão/administração pública. Pois a grande maioria dos profissionais do Serviço Social acaba desenvolvendo a sua práxis no poder público, nas políticas públicas. 2 ESFERA PÚBLICA Primeiramente, prezado acadêmico, teremos por objetivo realizarmos uma reflexão com relação à concepção dos significados do público e privado, antes de se traçar maiores considerações sobre a noção de esfera pública, percebida na sua construção histórica. Procuraremos relacionar as principais teorias que se preocuparam com a questão da esfera pública, centro dos debates sobre a participação coletiva da sociedade civil, nos momentos de tomada de decisão, há mais de um século. Neste sentido, estudaremos a esfera pública como uma das formas de institucionalização da democracia participativa no âmbito da sociedade civil, pois fora da vida doméstica, fora da igreja, e fora do governo, existe um espaço para as pessoas discutirem sobre a vida, em seus diversos aspectos, tanto econômico, político e social, sendo que ideias são examinadas, discutidas e argumentadas. Segundo Couto (2004, p. 2 – grifo nosso), “o termo PÚBLICO comporta duas acepções assaz semelhantes e conexas, mas que não chegam a se identificar. Público designa, num primeiro sentido, tudo aquilo que é conhecido por todos, o que é aparente, o que tem publicidade. Em segundo lugar, público indica o que pertence a todos”. NOTA Portanto, a terminologia “público” é TUDO AQUILO QUE PERTENCE E É CONHECIDO POR TODOS. TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 195 Ao traçarem-se diversas considerações conceituais a respeito da esfera pública, notouse a necessidade de explanar algumas reflexões pertinentes à diferenciação entre a esfera pública e a esfera privada. Então, prezado acadêmico, qual a diferença entre esfera PÚBLICA e esfera PRIVADA? Assim, para a compreensão das contradições entre público e privado na sociedade capitalista contemporânea, entenderemos ser necessária a reconstrução do processo através do qual se constitui historicamente a diferenciação entre essas duas esferas e sua posterior interpenetração, como expressão mediata das relações sociais na ordem burguesa. Uma vez que a VIDA PÚBLICA, por sua natureza, demonstra-se diferente da vida privada, pois é determinada por comportamentos diferenciados, assim Ribeiro (2004, p. 1) cita que estas diferenças comportamentais da vida privada e da vida pública “foram estudadas por Maquiavel, em sua obra O Príncipe, na qual Maquiavel demonstra como uma virtude da vida privada – a liberalidade, por exemplo, se adotada pelo governante, transforma-se no seu oposto na vida política”. DICAS Caro acadêmico, para aprofundar os seus conteúdos referentes a esta questão, sugerimos a leitura dos seguintes livros: MAQUIAVEL. O Príncipe: comentado por Napoleão Bonaparte. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. (Coleção a Obra Prima de Cada Autor) ARENDT, Hannah. A condição humana. 11. ed. São Paulo: Forense Universitária, 2010. UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 196 Isto evidencia que, indiscutivelmente, o comportamento dos seres humanos é distinto, de acordo com sua representação social, ou seja, em cada esfera, seja privada ou pública, é regido por condutas desiguais e com significações diferenciadas, ora o que é condizente na vida privada poderá não ser na vida pública, ou vice-versa. Nesta perspectiva, Couto (2004, p.1), ao interpretar Hannah Arendt, em sua obra intitulada A Condição Humana, de 1999, expõe que “no bojo desse esforço analítico, Hannah Arendt colocou em pauta a questão das esferas pública e privada, as quais, segundo sua perspectiva, constituem os dois âmbitos de existência nos quais se desenvolve a vita activa do homem”. Ou seja, no esforço de interpretar estas duas esferas, Arendt afirma que através da vida ativa dos seres humanos se desenvolve a relação pública e privada, indiferentemente de suas relações comportamentais. Mas Couto (2004, p.1-2) continua expondo que [...] as esferas existiam como espaços comunitários claramente identificáveis [...] a natureza das esferas pode ser melhor compreendida se as tivermos na conta de recipientes, isto é, espaços formais, com atributos específicos e conteúdos historicamente contingentes. Conteúdo, no caso, são as atividades humanas, que se localizarão numa ou noutra esfera, dependendo de suas peculiaridades — mas dependendo, outrossim, da época e do lugar. Nesta perspectiva, as diferenças entre as duas esferas (reportando-se à cultura antiga da polis grega e da república romana) eram claras e de fácil identificação, principalmente quanto ao espaço físico em que as ações formais (vida ativa) estavam acontecendo. Segundo Fontes (2004, p. 1), esta discussão correlacionada ao público e privado “adquire uma enorme importância a partir do século XVII na Europa”. Mas, indiferentemente das atitudes comportamentais dessas esferas, deveremos observar qual a consistência e demarcação do domínio público e privado. Uma vez que, de acordo com o autor, contra as interferências dos Estados na vida dos cidadãos, filósofos como John Locke defendem uma clara delimitação entre o que é do domínio público e aquilo que é do domínio privado. O domínio público é tudo aquilo que afeta diretamenteoutros cidadãos. O privado é o que é matéria de consciência de cada um, como, por exemplo, as crenças religiosas, mas também aquilo que decorra fora dos olhos dos restantes cidadãos e não tenha para o mesmo qualquer implicação. No domínio público, os cidadãos começam também a construir o seu próprio espaço distinto daquele que está sob a alçada do Estado. Trata-se de um espaço onde são debatidas as questões públicas e se vai formando uma Opinião Pública capaz de influenciar as decisões que são tomadas pelos Estados. (FONTES, 2004, p.1). TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 197 Deste modo, é possível verificar que existe uma DELIMITAÇÃO entre as duas esferas, sendo que: a) O domínio PÚBLICO afeta: • O desenvolvimento coletivo; • As tomadas de decisão; • A vida em sociedade – enquanto formadores de opinião pública. b) O PRIVADO afeta: • Apenas o individual: • Os seus princípios e concepções morais, ou seja, a sua vida em particular. Segundo Fontes (2004, p. 2), estas concepções de público e privado vêm se formando através dos tempos, pois segundo o autor, os debates nas praças públicas e nos cafés, mas também os que ocorriam nos jornais, tiveram um papel fundamental na criação de um espaço público democrático intermédio entre a sociedade e o Estado. Foi nele que surgiram os movimentos políticos que impulsionaram as grandes revoluções democráticas que desde o início do século XVIII alteram progressivamente os regimes na Europa e no mundo. Assim, prezado acadêmico, podemos observar que HISTORICAMENTE os colóquios públicos contribuíram para a formação de um espaço público e democrático, no qual as decisões tomadas nestes debates mediavam as relações entre o Estado e a sociedade civil. De acordo com Arendt e Telles (apud RAICHELIS, 1998, p. 26 – grifo nosso), o conceito de esfera pública “remete a um ambiente de manifestação e visibilidade, significando que TUDO O QUE VEM A PÚBLICO PODE SER VISTO E OUVIDO POR TODOS, e é essa visibilidade pública que diversos grupos sociais estão construindo, tecendo um mundo comum entres eles”. Pois os caminhos de desenvolvimento e construção dessa esfera comum são edificados pelo discurso, tomada de decisão e pela ação dos sujeitos sociais que, constituindo uma interlocução pública, possam definir em conjunto as demandas que dizem respeito a um destino coletivo. Habermas (1997, p. 92), ao conceituar esfera pública, traçou as seguintes considerações: A esfera pública não pode ser entendida como uma instituição, nem como uma organização, pois ela não constitui uma estrutura normativa capaz de diferenciar entre competências e papéis, nem regula o modo de pertença a uma organização, etc. Tampouco ela constitui um sistema, pois, mesmo que seja possível delinear seus limites internos, exteriormente ela se caracteriza através de horizontes abertos, permeáveis e deslocáveis. UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 198 Assim, prezado acadêmico, podemos expor que a esfera pública não é uma estrutura regida por normas ou leis específicas que possam regulamentar as relações e competências dos atores sociais, portanto, a esfera pública não é uma instituição ou uma organização, ela vai além de estruturas físicas, e se caracteriza por ser um espaço de tomadas de decisões, estudo de conteúdos e debates correlacionados aos objetivos coletivos de um grupo social. Assim, Habermas (1997, p. 92) expõe que “a esfera pública pode ser descrita como uma rede adequada para a comunicação de conteúdos, tomadas de posição e opiniões; nela os fluxos comunicacionais são filtrados e sintetizados, a ponto de se condensarem em opiniões públicas enfeixadas em temas específicos”. Então, podemos compreender que a ESFERA PÚBLICA BURGUESA é um espaço no qual são formadas as opiniões públicas de um determinado grupo social, em prol de seus objetivos. Neste contexto, Medeiros (2000, p. 1), complementando este raciocínio, expõe que as estruturas comunicacionais, conforme Habermas, comprimem-se em conteúdos ou tomadas de posição desacopladas dos contextos densos das interações simples de determinadas pessoas e de obrigações relevantes para a decisão, sendo certo que os processos de formação de opinião, uma vez que se trata de questões práticas, sempre acompanham a mudança de preferências e de enfoques dos participantes. Desta forma, na esfera pública luta-se por influência, e esta luta não se consubstancia somente na influência política já adquirida, mas também no prestígio de grupos de pessoas e de especialistas que conquistaram sua influência através de esferas públicas especiais. Ao comentar os conceitos de Habermas, Medeiros (2000) expôs que, além da esfera pública ser uma estrutura comunicacional, sendo que atores, num mesmo espaço, exercem uma troca de informações e experiências, além de debaterem sobre assuntos pertinentes à sua realidade social, estas abordagens sempre estarão em constantes transformações e terão um enfoque segundo seus integrantes. Portanto, estes atores sociais estão em constante luta, na busca de se sobressaírem e conquistarem sua influência política na mediação entre a sociedade civil e o Estado. Medeiros (2000, p.1), continuando sua reflexão, salienta ainda que: nenhuma esfera pública pode ser produzida a bel-prazer, tem que se reproduzir a partir de si mesma e configurar-se como uma estrutura autônoma, ou seja, a esfera pública tem que se formar a partir dos contextos comunicacionais das pessoas virtualmente atingidas, público recrutado entre a totalidade das pessoas atingidas. Desta forma, os canais de comunicação da esfera pública engatam-se nas esferas da vida privada. O limiar entre esfera privada e esfera pública não é definido através de temas ou relações fixas, porém através de condições de comunicação modificadas, elas não isolam a esfera privada da esfera pública, pois canalizam o fluxo de temas de uma esfera para a outra. TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 199 Então, podemos observar que a ESFERA PÚBLICA não pode ser constituída de um dia para o outro, ou pela vontade de um ator, ela forma-se a partir de si mesma, através dos contextos da vida cotidiana de um determinado público, que vivencia as mesmas situações e vive no mesmo contexto sócio, político e cultural. A esfera pública, segundo Medeiros (2000, p. 1), “configura-se como uma estrutura autônoma”, ou seja, a esfera privada e a esfera pública estão interligadas, pois as questões abordadas na esfera pública são determinadas de acordo com as questões sociais da vida privada. NOTA Portanto, os temas abordados na esfera pública não são fixos, os mesmos estão em constantes transformações, pois as expressões da questão social vêm se transformando constantemente, e assim mudando a realidade da vida cotidiana. Assim, no que tange ao CONCEITO de esfera pública, Habermas (1997, p. 92), traçando sua teoria, expõe que, do mesmo modo que o mundo da vida tomado globalmente, a esfera pública se reproduz através do agir comunicativo, implicando apenas o domínio de uma linguagem natural; ela está em sintonia com a compreensibilidade geral da prática comunicativa cotidiana. [...] A esfera pública constitui principalmente uma estrutura comunicacional do agir orientado pelo entendimento, a qual tem a ver com o espaço social gerado no agir comunicativo, não com as funções nem com os conteúdos da comunicação cotidiana. Então, prezado acadêmico, a esfera pública se constitui através da comunicação concreta entre os atores, integrantes de um grupo formador de opinião pública, ou seja, do agir comunicativo de atores sociais, orientados na busca constante do desenvolvimento de seus objetivos cotidianos e do seu desenvolvimento coletivo. Complementando o raciocínio de Habermas, Medeiros (2000,p. 2) acrescenta que “as estruturas comunicacionais da esfera pública estão muito ligadas aos domínios da vida privada, fazendo com que a periferia, ou seja, a sociedade civil, possua uma sensibilidade maior para os novos problemas, conseguindo captá-los e identificá-los antes que os centros da política”. Ou seja, como citado anteriormente, a VIDA PRIVADA DOS ATORES SOCIAIS ESTÁ INTEIRAMENTE INTERLIGADA AOS ASSUNTOS ABORDADOS UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 200 NO ÂMBITO DA ESFERA PÚBLICA, e a esfera pública, por sua vez, contribui constantemente, através dos colóquios e esclarecimentos referentes a diversos assuntos correlacionados aos direitos fundamentais, sociais e políticos da sociedade civil, fazendo com que estes atores sociais compreendam e identifiquem melhor as questões sociais que vivenciam no cotidiano. Medeiros (2000, p. 2) continua sua explanação dizendo que “cabe salientar, ainda, a importância dos espaços de esfera pública para o uso da comunidade no concernente a um desenvolvimento moral e do engajamento social do cidadão nas questões ligadas à proteção dos direitos difusos e que possam ser manifestados por intermédio da participação popular”. Ou seja, o autor colocou que a esfera pública é um importante espaço de debates e ações, no qual há uma intensa participação popular na busca constante da mediação de questões correlacionadas entre o Estado e a sociedade civil. Historicamente falando, Costa (2002, p.156) cita que O surgimento da esfera pública, em seu sentido moderno, é inseparável do processo de constituição dos Estados-nação e da formação das comunidades nacionais como um público integrado que, em geral, fala o mesmo idioma - há obviamente casos das nações multilíngues – e compartilha, em alguma medida, um cotidiano ou mundo da vida comum e uma cultura política construída coletivamente. Neste sentido, prezado(a) acadêmico(a), podemos expor que a esfera pública SURGIU quando atores sociais começam a compartilhar as mesmas coisas e buscam em conjunto possíveis soluções de seus problemas, que são manifestados através das expressões das questões sociais, e que estão interligadas à construção do Estado-Nação e à própria formação da sociedade civil. Portanto, A ESFERA PÚBLICA É INERENTE À CRIAÇÃO DO PRÓPRIO ESTADO. Assim, podemos expor que a esfera pública vem a constituir uma ARENA VIVA e DINÂMICA em que são constituídos permanentemente processos de construção, desconstrução e reconstrução discursiva e simbólica da nação e que têm lugar perante autores sociais da esfera privada. De acordo com Raichelis (1998, p. 46), a “esfera pública é um espaço social aglutinador de interesses comuns ou públicos dos sujeitos privados, que regula sua relação com o mercado e com o poder político”. Ou seja, a esfera pública é um ESPAÇO que denota interesses comuns de atores sociais na busca constante da regulação das relações sociais entre o Estado e a sociedade civil. Ainda sobre o surgimento da esfera pública, Habermas (apud SERRANO, 1998, p. 1) destaca que O desenvolvimento do capitalismo mercantil no século XVI, aliado às mudanças das formas institucionais do poder político, criou as condições para a emergência de uma nova forma de esfera pública na Europa. Contudo, foi só nos séculos XVII e XVIII, com o desenvolvimento do capitalismo, que a esfera pública assumiu uma forma própria. A TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 201 “sociedade civil” emergiu como um domínio de relações econômicas privatizadas, estabelecidas sob a égide da autoridade pública. Entre a esfera da autoridade pública e a esfera privada da sociedade civil, emergiu uma nova esfera de um público - a esfera pública burguesa -, em que indivíduos considerados como seres privados se reuniam para discutir, entre si, assuntos relacionados com a regulação da sociedade civil e a conduta do Estado. Esta nova esfera pública não fazia parte do Estado. Pelo contrário, era uma esfera no seio da qual as atividades do Estado podiam ser sujeitas à crítica. O meio através do qual essa crítica se exercia era, em si próprio, significativo: trata-se do uso público da “razão” usada, livremente, por pessoas privadas. Então, prezado acadêmico, foi com o advento do capitalismo que, entre a esfera pública e privada, surgiu a esfera pública burguesa, na qual os atores desta esfera reuniamse para debater, criticar, tomar decisões coletivas em prol de assuntos correlacionados com a regulação da sociedade civil e a conduta do Estado. Assim, “a esfera pública burguesa desenvolve-se, pois, no seio de tensões entre o Estado e a sociedade, mantendo-se, no decurso dessa evolução, como parte integrante do domínio privado” (HABERMAS apud SERRANO, 1998, p. 1). Ou seja, a ESFERA PÚBLICA BURGUESA DESENVOLVE-SE NO ÂMBITO DA SOCIEDADE CIVIL. Na perspectiva de Souza (2008, p. 109), referente à ascensão da esfera pública burguesa em Habermas, o autor cita que É da decadência da representatividade pública das cortes que surge a esfera do poder público, aparelho que detém o monopólio da utilização legítima da força. Como contrapeso a esta autoridade, surge então a sociedade civil burguesa, uma esfera privada da sociedade que se torna publicamente relevante. Cafés, salões, associações de conversação são a arena do público que se constitui como relevante nessa nova esfera pública. Esse público, constituído por pessoas cultas e proprietárias, é que constitui a opinião pública entre os séculos XVII e XVIII, uma opinião pública que lutava contra o absolutismo e contra a regulamentação que se queria impor aos seus negócios privados. Neste sentido, foi com a decadência das cortes que surgiu a esfera pública burguesa, pois através das discussões de pessoas cultas e donas de propriedades nos cafés, salões e em outros espaços públicos, estas formavam uma opinião pública sobre determinados assuntos correlacionados com a luta contra o absolutismo e contra a regulamentação aos negócios privados. Continuando, Souza (2008, p. 109) cita que o discurso essencial de constituição dessa esfera pública burguesa é o da participação de todos. Afinal, uma esfera pública da qual certos grupos fossem excluídos não seria digna deste nome. O capitalismo da livre-concorrência permitia o discurso de que todos têm chances de serem cultos e proprietários, embora, em verdade, só o burguês, de fato, podia ter acesso à esfera pública politicamente atuante. A rigor, Habermas o diz, o interesse de classe burguesa é a base da opinião pública, daquela específica e datada opinião pública. É aqui, em UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 202 meio a esse cenário, de uma opinião pública com tais características e limitações, que se desenvolve uma noção absolutamente essencial da esfera pública - a da publicidade dos atos do governante, a ideia de que o poder político, por estar sujeito a uma série de tentações, necessita do controle permanente, vigilante, da opinião pública. Deste modo, prezado acadêmico, a esfera pública só se constituiu porque houve a participação dos cidadãos burgueses, que eram os detentores do capital, portanto, também detentores da opinião pública. Assim, nestes momentos da participação coletiva nas tomadas de decisão em prol de interesses comuns, a esfera pública constituída acaba mediando as relações da sociedade civil com o Estado. Para tanto, é neste cenário que os atos dos detentores da opinião pública tornam-se publicizados e do conhecimento de todos. NOTA Na perspectiva de Habermas e Arendt, a esfera pública burguesa constitui- se através de um processo lento e histórico, mas regular, de momentos de tomadas de decisão coletivas em prol da troca de experiências, informações de pessoas privadas, mas com objetivos em comum. Reúne-se num espaço público para deliberarsobre assuntos correlacionados com a vida cotidiana e as questões sociais ali apresentadas. Sendo assim, prezado acadêmico, os atores sociais participantes de uma esfera pública exercem sua cidadania e procuram exercer também seus direitos políticos, econômicos e sociais, que estão garantidos na Constituição Federal. 3 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Prezado acadêmico, depois destas breves considerações a respeito da esfera pública e privada, adentraremos nas questões pertinentes à administração pública em si. Mas, antes de falar sobre a administração pública brasileira, se torna fundamental conhecermos alguns dados e conceitos de Estado, Governo e Administração Pública. Vejamos: a) O ESTADO: - Primeiramente devemos compreender que o Estado só pode ser formado quando obtiver um determinado território, a população do mesmo e uma forma de governo/administração legitimada pelo povo. - São considerados os poderes ou funções do Estado: • Poder Legislativo: sua principal função é a de elaborar as leis (função legislativa); TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 203 • Poder Executivo: sua função é a de executar as leis (função administrativa); • Poder Judiciário: aplica as leis aos casos reais (função judicial). b) O GOVERNO: - vNada mais é do que a denominação dada ao COMANDO DO ESTADO, ou à equipe de governantes, que busca constantemente manter as normas jurídicas, legislativas e executivas em funcionamento pleno. Então, a administração do governo se dá por intermédio da administração pública, que se norteia pelas políticas do governo que está no poder. Este governo, e sua forma de governar, mudam constantemente a cada quatro anos, pelo voto democrático da população. c) A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: - Que se refere a todas aquelas atividades correlacionadas ao exercício único e exclusivo de suas ações em prol das necessidades da sociedade como um todo, ou seja, das necessidades da coletividade social. - Também, a administração pública pode ser compreendida como uma atividade única e exclusiva dos administradores da União, Estados, Municípios e do Distrito Federal, ou seja, dos órgãos públicos brasileiros. Como ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (e também no setor privado), de acordo com Simões (2009, p. 44), “compreende-se o conceito de ATIVIDADE-FIM para indicar aquela para a qual o órgão estatal foi criado, constante de sua lei ou atos constitutivos instituidores; e de ATIVIDADE-MEIO a de suporte, temporária ou permanente, distinta daquela, mas necessária à sua consecução”. E estas atividades são o norte principal da atividade desta organização, pois é necessário sabermos o que é que realmente desejamos fazer, a nossa visão e missão, para assim desenvolver metas e objetivos para chegar aos mesmos. Então, Simões (2009, p. 44) complementa expondo que: Se um órgão estatal foi instituído, por exemplo, com a finalidade de assistência social, todas as atividades de seus servidores, inseridas nesse campo, são atividades-fins; mas as demais, que não lhe estejam diretamente vinculadas (como, por exemplo, assistência médica aos servidores, serviços de segurança, vigilância e de limpeza, assistência técnica e de manutenção dos equipamentos) configuram-se como atividades-meios. O cargo de assistente social está inserido na primeira; mas esse mesmo cargo, no setor de recursos humanos de uma Secretaria de Transportes, integra a segunda. Vejamos então o significado da expressão “GESTÃO PÚBLICA”: - GESTÃO: que definimos na primeira unidade deste caderno como sendo um processo que analisa constantemente o ambiente interno e externo da organização, no qual desenvolve instrumentos que propiciem a identificação UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 204 dos pontos fortes e fracos da mesma, para poder desenvolver estratégias de melhoria dos pontos fracos e estratégias para pontencializar os pontos fortes, entre outros fatores, como a busca constante da identificação das oportunidades e ameaças que se apresentam no mercado. - PÚBLICO: denota ser de todos, em que todas as ações deverão ser realizadas em prol da sociedade civil, ou seja, da população. Então, a GESTÃO PÚBLICA é aquela realizada no sentido de resguardar os direitos de todos os cidadãos de uma determinada sociedade. Em que os gestores públicos procuram desenvolver estratégias de enfrentamento das questões sociais e suas expressões que nela se apresentam, por intermédio de políticas públicas. Pois, conforme Santos (2006), a gestão pública denota ou remete simplesmente a todas as FUNÇÕES DE GERÊNCIA PÚBLICA dos negócios do governo. DICAS Prezado acadêmico, para aprofundar os seus conteúdos referentes a esta questão, sugerimos a leitura do seguinte livro: SANTOS, Clézio Saldanha dos. Introdução à gestão pública. São Paulo: Saraiva, 2006. Mas, prezado acadêmico, como poderemos classificar as AÇÕES de um gestor público? Vejamos: O gestor público possui por sua natureza apenas três formas de agir ou atuar como um administrador público, sendo por intermédio de alguns atos, que são: a) ATOS DE GOVERNO: são aquelas atividades e ações do gestor que estão concentradas única e exclusivamente na órbita política, por meio do desenvolvimento das políticas públicas. TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 205 b) ATOS DE ADMINISTRAÇÃO: em que o gestor público desenvolve algumas atividades que são neutras e vinculadas a normas e leis. c) ATOS DE GESTÃO: em que o gestor público desenvolve e aplica todos os seus instrumentos de gestão administrativa, ou desenvolve todas as funções da administração. Veja a figura 37: FIGURA 37 - FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO FONTE: A autora • Recursos humanos; • Materiais; • Tecnologia; • Financeiros. Tomada de Decisão Além de: Administração de: Planejamento e Controle Missão, Visão, Negócio e Valores PLANEJAMENTO ORGANIZAÇÃO LIDERANÇA CONTROLE Prezado acadêmico, como exposto na Unidade 1 deste caderno, o administrador público, no ato de gestão, deve realizar todo o PROCESSO ADMINISTRATIVO, e, além de desenvolver o ciclo PLANEJAR, ORGANIZAR, DIRIGIR e CONTROLAR constantemente suas ações, para assim obter eficiência, eficácia e efetividade da administração pública, ele deve desenvolver a missão, o negócio e a visão de sua gestão baseado nos princípios éticos e morais e seus valores organizacionais. Entretanto, estas ações devem estar ligadas e antenadas sempre e somente nos interesses públicos da sociedade. Mas, quem pode ser considerado um gestor público? Vejamos: São considerados gestores públicos: • Os diretores e presidentes tanto das autarquias, como das fundações públicas e empresas públicas; • Os prefeitos, governadores e o Presidente da República. UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 206 NOTA NOTA De acordo com Casella (2008, p. 1), a “administração pode assumir duas vertentes: a primeira repousa na ideia de servir e executar; a segunda envolve a ideia de direção ou gestão. Nas duas visões há a presença da relação de subordinação e hierarquia”. Portanto, segundo Casella (2008, p. 1 – grifo nosso), “podemos definir ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO TODA ATIVIDADE DO ESTADO”. ADMINISTRAR para muitos, segundo Casella (2008, p. 1), SIGNIFICA “não só prestar serviços, executá-los, como também governar e exercer a vontade com o objetivo de obter um resultado útil à coletividade. Figura na administração pública assim como na administração privada, as atividades dependem de vontade externa, individual ou coletiva, sempre vinculada ao princípio da finalidade”. Neste sentido, reveja a Unidade 1 deste caderno para relembrar os conceitos de gestão empresarial, que podem ser aplicados também na administração pública. Ou seja, prezado acadêmico, o ESTUDO da administração pública em geral, segundoMeirelles (1994, p. 55), compreende “a sua estrutura e as suas atividades, deve partir do conceito de Estado, sobre o qual repousa toda a concepção moderna de organização e funcionamento dos serviços públicos a serem prestados aos administrados”. Para ORGANIZAR O ESTADO precisamos realizar uma divisão territorial e identificar qual a melhor forma de gestão ou administração para aquela instituição, a qual propicie à mesma uma sustentabilidade administrativa. 1 Prezado acadêmico, descreva quais são os três níveis em que podemos classificar o agir do administrador público. Depois leve estas considerações para socializar no seu próximo encontro presencial. AUTOATIVIDADE TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 207 Agora, prezado acadêmico, convido você a ler o texto a seguir para assim poder compreender um pouco mais sobre a administração pública brasileira. Boa leitura! A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Rejane Esther Vieira Para Lassale, na obra “A essência de uma Constituição”, a Constituição é mais do que uma simples lei, e desta forma, não sendo como as outras, pode- se denominá-la de ‘lei fundamental da nação’, uma ‘forma ativa’ que exige que as demais leis sejam o que realmente são. “A Constituição é uma questão de poder, pois reflete fatores reais e efetivos de poder”. (LASSALE, 1998:29). O termo Constituição firmou-se com os americanos na Revolução de 1776-1787 e posteriormente na Revolução Francesa de 1789, dando sua contribuição para todo o Ocidente contemporâneo. Pode-se afirmar que o constitucionalismo se originou das mencionadas revoluções, como forma de submeter o poder político ao direito, limitar suas funções, garantir o direito de liberdade aos cidadãos e estabelecer a separação dos poderes. Para Hesse (1991:12), a constituição jurídica traz consigo um significado próprio, na medida em que realiza a sua pretensão de eficácia, vai adquirindo força. Hesse explica que a Constituição só se converte em força ativa se estiver presente na consciência geral do povo e principalmente dos seus governantes, essa vontade de constituição. Nesse rumo, Schmitt (1992:46) explica que no processo histórico da constituição moderna, o conceito ideal e dominante de Constituição de Estado é aquele que corresponda às demandas da liberdade burguesa, com garantias como o reconhecimento dos direitos fundamentais, da divisão de poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), considerado como necessário de uma ‘constituição liberal e autêntica’. A Constituição de 1988 institucionalizou princípios pautados em conceitos como participação e controle social. O texto constitucional exerceu influência determinante no formato e conteúdo das políticas públicas que se seguiram no debate sobre participação e espaços públicos no Brasil. Constata- se no texto constitucional aprovado em 1988 um conjunto de aspirações da sociedade civil no tocante à participação e à transparência na gestão pública, sendo o resultado dos processos de mobilização e das pressões exercidas por vários segmentos da sociedade. UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 208 O texto constitucional aponta para o exercício da soberania popular através da adoção de uma teoria democrática participativa. O artigo 14 da Constituição Federal prevê a utilização dos mecanismos diretos de participação popular, iniciativa popular, referendo e o plebiscito, na soberania popular. A partir da utilização desses instrumentos, possibilita-se a implementação inicial e gradual da democracia participativa, reestruturando o modelo de delegação de poderes, instaurado pelo Estado Liberal. Faz-se mister a análise individual das características e das implicações positivas e negativas de cada instrumento, procurando resgatar a cidadania, uma vez que recolocam o sujeito como participante ativo na elaboração de projetos de interesses locais e também na tomada de decisões, implicando maior responsabilidade política por parte dos cidadãos. Neste sentido, vale lembrar que na Carta Maior está presente o direito de participação, assim como importantes elementos que abrem caminho para a gestão pública democrática e participativa no Brasil. É importante reforçar que a Constituição de 1988 traz consigo fundamentos do Estado brasileiro caracterizados como a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a crença nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Observa-se com frequência que as palavras ‘participação’, ‘democracia participativa’, ‘os novos direitos’ estão cada vez mais presentes no contexto da atualidade. Faz-se mister uma ‘nova cidadania’. É uma ‘outra mudança’, para uma ‘outra democracia’. Uma ‘democracia participativa’ com o respaldo da Constituição brasileira. Pode-se identificar várias passagens na Constituição Federal de 1988 referentes às normas de institutos participativos na administração pública: no art.10 da Constituição Federal, que determinou ser assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que os interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. Essa regra é completada pelo art. 194, inciso VII, que assegura o caráter democrático e descentralizado de sua gestão administrativa, com a participação da comunidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados. A participação, no caso das atividades de seguridade social desenvolvidas pela administração, é elemento da própria definição dessa função administrativa, conforme se percebe pela redação do caput do art. 14, que define como conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade; o art.19, inciso X, da Constituição Federal, por sua vez, ao tratar das normas básicas de organização dos municípios, prevê expressamente a cooperação das associações representativas no planejamento municipal, ou seja, direciona genericamente a adoção de institutos de participação popular pela administração pública dos municípios. TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 209 O art. 187 da Constituição Federal estabelece que a atividade administrativa de planejamento da política agrícola será executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes. O art. 198, inciso III, da Constituição Federal, determina que as políticas, ações e serviços públicos de saúde devem ser organizados tendo como diretriz a ‘participação da comunidade’. O art. 204, inciso II, da Constituição Federal, estabelece que os serviços públicos de assistência social devem ser organizados e executados mediante participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. Já o art. 205, da Constituição Federal, estatui que a educação é atividade que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade; complementarmente, dispõe o art. 206, inciso VI, que o serviço público de ensino contará com ‘ gestão democrática’, na forma da lei. No tocante ao art. 225, da Constituição Federal, este impõe a conjugação de esforços do poder público e da coletividade na defesa do meio ambiente. O art. 227, inciso 1º, da Constituição Federal, estabelece que o Estado admitirá a participação de entidades não governamentais na execução de programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente. E, por último, o art. 37, inciso 3º, fruto da Emenda Constitucional nº 19 (conhecida como emenda da reforma administrativa), introduziu uma norma geral sobre a participação popular na administração pública, ao estabelecer que: a regulamentação das atividades da administração federal, quantoà legislação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, tem notabilizado os institutos de participação. Conselhos, comissões e comitês participativos, audiência pública; a consulta pública, o orçamento participativo, o referendo e o plebiscito são importantes referências, entre nós, de instrumentos concretos para a implementação do diálogo entre administração e sociedade. O processo excludente da globalização, aumentando a marginalização dos países da periferia, que têm seus destinos decididos pelo mercado, pela bolsa de valores e pelo Banco Mundial, promoveu um forte impacto nesses países devido à instabilidade de suas economias. Verifica-se um intenso processo de transformação das necessidades sociais e econômicas, dos meios de produção, obrigando o Estado a modificar sua forma de exercício político. O mundo está num sistema atual que não responde às demandas populares, gerando uma lacuna de legitimidade e uma enorme indiferença política. Temos o posicionamento da democracia participativa de maneira efetiva, introduzindo novos mecanismos de participação. FONTE: VIEIRA, Rejane Esther. Administração pública democrática no estado de direito: o novo serviço público no cenário brasileiro. In: Revista Direitos Fundamentais & Democracia. 4. ed. (jun/ dez 2008). Endereço eletrônico: <http://www.artigonal.com/administracao-artigos/ administracao- publica-democratica-no-estado-de-direito-o-novo-servico-publico-no-cenariobrasileiro-680148. html>. Acesso em: 15 mar. 2010 UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 210 4 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA Prezado acadêmico, agora que compreendemos um pouco o que é a administração pública, devemos compreender as suas duas esferas, a administração pública direta e a indireta. NOTA Lembre-se de que a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA é o conjunto de atividades dos órgãos FEDERAIS, ESTADUAIS e MUNICIPAIS que desempenham serviços públicos, por meio de agentes públicos, organizados por leis, decretos e normas regulamentares, para cumprimento das respectivas atividadesfins. (SIMÕES, 2009, p. 44 – grifo nosso) Para tanto, prezado acadêmico, nesse conjunto administrativo, segundo Meirelles (apud SIMÕES, 2009, p. 44 – grifo nosso) incluem-se: - os CARGOS - os EMPREGOS - as FUNÇÕES - de carreira ou isolados; - de provimento efetivo ou precário; - criados por lei; - necessários aos serviços públicos em geral; - permanentes e sistemáticos e de rigoroso caráter técnico. A administração, porque subordinada ao poder político, AGE apenas como instrumento de realização de suas deliberações. Sua FUNÇÃO é comparável à de um intermediário: assegurar a eficácia dos direitos entre governantes e os cidadãos. Assim, prezado acadêmico, podemos expor que a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA, segundo Simões (2009, p. 44), CONFIGURA-SE, portanto, como “uma atividade inerente às funções do Estado, não se confundindo com o modo pelo qual os distintos governos a executam”. Ou seja, independentemente do partido político que está no poder, e suas diretrizes e princípios partidários, a administração pública direta é exercida única e exclusivamente pelos agentes públicos do Estado, os quais desenvolvem suas atividades administrativas direcionadas à prestação de serviços públicos, que são regidos por normas, leis e decretos que os legitimam. Neste sentido, poderemos observar, no quadro a seguir, as características de sua objetividade e subjetividade. Vejamos: TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 211 QUADRO 9 - CARACTERÍSTICAS DA SUBJETIVIDADE E OBJETIVIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA OBJETIVAMENTE A administração pública é a ATIVIDADE CONCRETA E IMEDIATA que o Estado desenvolve para a consecução dos interesses coletivos, abrangendo as funções exercidas pelas pessoas jurídicas, órgãos e agentes incumbidos de atender, concretamente, às necessidades coletivas. SUBJETIVAMENTE É o conjunto de órgãos, agentes e pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função ADMINISTRATIVA estatal. FONTE: Adaptado de SIMÕES, Carlos. Curso de direito do serviço social. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca Básica de Serviço Social; v. 3) p. 44. Assim, podemos observar que na administração pública direta, o gestor público somente executa as atividades já predeterminadas, como exposto anteriormente, pelas normas, decretos e leis. Mas as atividades devem ser realizadas conforme a competência de cada órgão público. E estas atividades são denominadas de ATOS ADMINISTRATIVOS, que primordialmente buscam executar pura e simplesmente as políticas governamentais. NOTA Na linguagem praxista, Simões (2009, p. 45) expõe que a administração pública “costuma ser identificada com o Poder Executivo (presidente da República, governador e prefeito), porque, de fato, é a sua atividade preponderante; no entanto, tanto o Judiciário quanto o Legislativo mantêm atividades de suporte administrativo, prestadas por seus respectivos servidores”. Mas, prezado acadêmico, como podemos CONFIGURAR a administração pública direta? Veja a figura 38: UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 212 FIGURA 38 – CONFIGURAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA Que CENTROS DE COMPETÊNCIAS são estes? Pois bem, PARA Instituídos por Lei Que por intermédio dos ATOS ADMINISTRATIVOS desenvolvem suas atividades. Desempenhar suas FUNÇÕES ESTATAIS Os AGENTES públicos CENTROS DE COMPETÊNCIA SÃO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA A Ministérios ÓRGÃOS do Aparelho Estatal São Secretarias Comissões e outros Departamentos Tais como: TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 213 E como são REPRESENTADOS em nível federal, estadual e municipal? São São UNIÃO FEDERAL FAZENDA PÚBLICAPela Pela Representados Representados A nível FEDERAL: A nível ESTADUAL e MUNICIPAL: FONTE: A autora NOTA Em resumo, prezado acadêmico, a administração é uma atividade que o Estado desenvolve, tanto horizontalmente (nos três poderes) quanto verticalmente (nos três níveis federativos), por meio de atos executórios, para a consecução dos comandos constitucionais. (SIMÕES, 2009, p. 45). A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA é formada por aquelas organizações constituídas pelo Estado (Federal, Estadual e Municipal), mas de forma descentralizada, ou seja, são as organizações que, de acordo com Simões (2009, p. 46-47), são constituídas “de órgãos e serviços descentralizados, atribuídas a pessoas jurídicas públicas (autarquias) ou construídas pelo Estado, como as pessoas jurídicas privadas (empresas públicas e sociedades de economia mista), vinculadas a determinado órgão da administração direta federal, estadual ou municipal, mas administrativa e financeiramente autônomas, gozando de personalidade jurídica própria. Nela não se incluem as fundações, como se vê no artigo 37 da Constituição Federal”. UNIDADE 3 | GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS 214 NOTA Art. 37 da Constituição Federal do Brasil de 1988 expõe que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência [...].” Neste sentido, poderemos observar, no quadro 10, algumas características de órgãos e serviços descentralizados. Vejamos: QUADRO 10 - CARACTERÍSTICAS DE ÓRGÃOS E SERVIÇOS DESCENTRALIZADOS ÓRGÃOS E SERVIÇOS CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS AUTARQUIAS São pessoas jurídicas de direito público, separadas da administração direta, para exercerem serviços autônomos, instituídos em determinada atividade típica do Estado. São criadas para exercer serviços específicos que, por sua natureza, terão funcionamento mais eficaz se tiverem gestão administrativae financeira própria, separada da administração direta. São instituídas por estatuto e seus trabalhadores nelas ingressam somente por concurso público, providos em cargos ou empregos públicos, salvo no caso de nomeação em comissão e funções de confiança. CFESS CRESS INSS A Universidade Pública Os Institutos de previdência dos municípios EMPRESAS PÚBLICAS São entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado, constituídas com capital exclusivamente do Estado, de um ou mais entes públicos. Têm a finalidade de exploração econômica de determinada atividade, considerada de interesse público. Podem constituir-se sob qualquer modalidade empresarial. Seus trabalhadores são admitidos pelas Leis Trabalhistas (CLT) (art.173, § 1º, da Constituição Federal) Caixa Econômica Federal Produtores de energia elétrica (ITAIPU) Banco do Brasil SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA Constituem-se sob forma de sociedades anônimas, com capitais públicos e privados, mas cujas ações, com direito a voto, são majoritariamente dos entes estatais. Assim como as empresas públicas, têm como finalidade a exploração econômica de determinada atividade de interesse público, mas considerada mais eficaz se exercida desta forma. Seus trabalhadores também têm seus direitos regidos pelas Leis Trabalhistas (CLT) (art.173, § 1º, da Constituição Federal) PETROBRAS Companhia do Metropolitano de São Paulo FONTE: Adaptado de SIMÕES, Carlos. Curso de direito do serviço social. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca Básica de Serviço Social; v. 3) p. 47-49. TÓPICO 1 | A ESFERA PÚBLICA E SUAS FORMAS DE GESTÃO 215 1 Prezado acadêmico, descreva o que é a administração pública direta e a indireta, apontando suas características e diferenças. Depois leve estas considerações para socializar no seu próximo encontro presencial. AUTOATIVIDADE DICAS Prezado acadêmico, para aprofundar os seus conteúdos referentes à administração pública, sugerimos a leitura dos art. 37 a 39 da Constituição Federal de 1988, nos quais são apresentados alguns princípios norteadores da administração pública. 216 Neste tópico pudemos observar uma discussão acerca do significado da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, tendo sido abordados os seguintes itens: • Vimos algumas concepções pertinentes à administração pública. • Vimos que existem três institutos na administração pública brasileira: o Estado, o Governo e Administração Pública. • Estudamos a questão da atividade-fim e atividade-meio da administração pública. • A gestão pública refere-se às funções de gerência pública dos negócios do governo. • Vimos que o agir do administrador público pode ser classificado em três níveis distintos: atos do governo, atos de administração e atos de gestão. • Vimos que podemos definir administração pública como toda atividade do Estado. • Vimos que a organização do Estado é matéria competente ao Direito Constitucional, enquanto a criação, a estruturação, as atribuições dos órgãos que integram a administração pública constituem matéria orientada pelo Direito Administrativo, previsto também na Constituição Federal do Brasil. • Estudamos as diversas características da administração pública direta e indireta. RESUMO DO TÓPICO 1 217 1 Na sociedade brasileira existem dois tipos de esfera de gestão de planos, programas e projetos sociais: a esfera pública e a esfera privada. Neste sentido, podemos expor que a esfera pública denota um espaço que demonstra os interesses comuns dos atores sociais que estão na busca constante da regulação das relações sociais entre o Estado e a sociedade civil. Portanto, classifique V para as sentenças verdadeiras que apresentem as características delimitantes da esfera pública e F para as falsas: ( ) O domínio PÚBLICO afeta a vida em sociedade - enquanto formadores de opinião pública. ( ) O domínio PÚBLICO afeta unicamente os princípios e concepções morais individuais, ou seja, a vida em particular. ( ) O domínio PÚBLICO afeta o desenvolvimento coletivo. ( ) O domínio PÚBLICO afeta apenas o individual. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) V – F – V – F. d) ( ) F – V – V – V. 2 A administração pública indireta são aquelas atividades realizadas de forma descentralizada nas organizações do Estado, no âmbito dos três níveis federativos (Federal, Estadual e Municipal). E segundo o art. 37 da Constituição Federal do Brasil de 1988, a “administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência [...].” Deste modo, relacione as colunas “A” com a “B”, usando o seguinte código que represente as características conceituais das terminologias expostas na coluna “A”: AUTOATIVIDADE 218 Coluna “A” Coluna “B” I) Administração Pública. II) Autarquias. III) Empresas Públicas. IV) Sociedades de Economia Mista. ( ) São pessoas jurídicas de direito público, separadas da administração direta, para exercerem serviços autônomos, instituídos em determinada atividade típica do Estado. São criadas para exercer serviços específicos que, por sua natureza, terão funcionamento mais eficaz se tiverem gestão administrativa e financeira própria, separada da administração direta. ( ) Constituem-se com capitais públicos e privados, mas cujas ações, com direito a voto, são majoritariamente dos entes estatais. Também, têm como finalidade a exploração econômica de determinada atividade de interesse público, mas considerada mais eficaz se exercida desta forma. ( ) É o conjunto de atividades dos órgãos federais, estaduais e municipais que desempenham serviços públicos, por meio de agentes públicos, organizados por leis, decretos e normas regulamentares, para cumprimento das respectivas atividades afins. ( ) São entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado, constituídas com capital exclusivamente do Estado, de um ou mais entes públicos. Têm a finalidade de exploração econômica de determinada atividade, considerada de interesse público. Podem constituir-se sob qualquer modalidade empresarial. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA da coluna “B”: a) ( ) II – IV – I – III. b) ( ) I – IV – III – II. c) ( ) IV – III – I – II. d) ( ) IV – II – I – III. DICAS Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte livro: SIMÕES, Carlos. Curso de direito do serviço social. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca Básica de Serviço Social; v. 3). 219 TÓPICO 2 ÓRGÃOS PÚBLICOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO " Para lidar consigo mesmo, use a cabeça. Para lidar com os outros, use o coração." Carl Rahner Agora que entendemos um pouco sobre a administração pública, se faz necessário compreendermos a questão dos órgãos públicos e como estes órgãos se classificam, além de compreendermos a função pública, o cargo público e os processos de descentralização. Mas, primeiramente, prezado acadêmico, reflita com a história a seguir: É com exemplo que se promovem mudanças Às vezes noto que as pessoas, principalmente em cargo de liderança, sentem-se imponentes para promover mudanças na empresa e não sabem por onde começar. Eu não vejo outra saída senão o exemplo. Dar o exemplo para que ele se multiplique. Na África, na década de 1980, um inglês que lutava pela união das tribos ensinou seus membros a falar a mesma língua. Lutou contra soldados e contra o racismo. Com sabedoria e coragem, conduziu uma multidão com um único objetivo: tornar melhor o futuro de todos. Certa vez um habitante lhe perguntou