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MONOGRAFIA - A sustentabilidade ambiental no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO 
MARANHÃO 
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS 
 
 
 
 
 
 
 
MAILSON BIZERRA SANTOS 
 
 
 
 
 
 
A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NO PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS 
MARANHENSES: contribuições dos guias de turismo e condutores de visitantes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BARREIRINHAS – MA 
2017 
 
 
MAILSON BIZERRA SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NO PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS 
MARANHENSES: contribuições dos guias de turismo e condutores de visitantes 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada ao curso de Licenciatura em 
Ciências Biológicas do IFMA – Campus 
Barreirinhas, como exigência para a obtenção do 
grau de Licenciado em Ciências Biológicas. 
 
Orientador (a): Profª. Mestra. Jane Carla Garcia 
Lindoso. 
Coorientador: Profº. Especialista. Fernando Campelo 
Pãozinho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BARREIRINHAS – MA 
2017 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S237s 
Santos, Mailson Bizerra 
A sustentabilidade ambiental no Parque Nacional dos Lençóis 
Maranhenses: contribuições dos guias de turismo e condutores de visitantes./ 
Mailson Bizerra Santos. – São Luís, 2017. 
 
65 f., il. 
Orientadora: Jane Carla Garcia Lindoso 
Monografia (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão- Campus Barreirinhas, 2017. 
 
1. Ecoturismo. 2. Sustentabilidade Ambiental. 3. Desenvolvimento Sustentável. 
I. Título. 
 
CDU: 574.1:379.85(812.1) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico à minha família que sempre acreditou 
em meu potencial e me apoia em todos os 
momentos.
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Grato a Deus por guiar meus passos nesta caminhada e pelo auxílio nos momentos difíceis ao 
longo da jornada acadêmica. 
À minha família, em especial aos meus pais, José de Jesus Pereira dos Santos e Cosme Maria 
Bizerra Santos por me educar e fazer de mim o que sou hoje e às minhas irmãs Marli, Marluce 
e Leiliane Bizerra, ao irmão Enos Rocha por estarem sempre ao meu lado e o apoio e 
aconchego do lar com minha esposa Viviane Anchieta que sempre me incentiva a dar o 
melhor de mim e por estar sempre ao meu lado. 
Grato aos amigos e colegas de turma pelos momentos vividos e por compartilhar bons 
momentos ao longo do curso que serão sempre lembrados com carinho. 
Ao IFMA – Campus Barreirinhas, pela oportunidade ofertada e pelos professores que 
contribuíram com minha formação acadêmica. 
Aos professores pelos ensinamentos, à direção e aos funcionários do IFMA pela atenção e 
colaboração. 
À minha orientadora, professora mestra Jane Carla Garcia Lindoso e ao meu coorientador, 
especialista Fernando Campelo Pãozinho pelas orientações que me permitiram a concluir esta 
monografia. 
Muito obrigado a todos que de alguma forma contribuíram com minha jornada acadêmica.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Cada um de nós é único. Nós somos a matéria do 
planeta, surgimos da essência desta matéria e a ela 
voltaremos. Não nos devemos esquecer disso em 
nenhum momento de nossas vidas.” 
Alain Hervé – Escritor Francês 
 
 
RESUMO 
 
A presente pesquisa realizada no município de Barreirinhas-MA, cidade conhecida como 
portão de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, teve como objetivo analisar 
como o conhecimento técnico na área ambiental tem sido utilizado pelos Guias de Turismo e 
Condutores de Visitantes que atuam no PNLM e suas contribuições para o desenvolvimento 
sustentável nesta Unidade de Conservação. O estudo foi realizado a partir da análise 
bibliográfica de estudos sobre o tema da sustentabilidade ambiental, incluindo uma análise 
sobre o Plano de Manejo, Instruções Normativas e Portaria do ICMBio que regulamenta e 
define os critérios e conhecimentos necessários para que o Guia de Turismo e o Condutor de 
Visitantes seja credenciado, afim de desenvolver a atividade de guiamento e condução nas 
dependências do Parque obedecendo seu zoneamento. Foram aplicados questionários com 
perguntas abertas e fechadas aos turistas para análise da percepção dos visitantes quanto à 
importância e relevância do trabalho desenvolvido pelos Guias de Turismo e Condutores de 
Visitantes para sua experiência de visita à Unidade de Conservação, assim como a pertinência 
destes conhecimentos para o desenvolvimento sustentável da região. 
 
Palavras Chave: Ecoturismo; Sustentabilidade Ambiental; Desenvolvimento Sustentável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
This research was carried out in Barreirinhas-MA, a city known as the entrance gate of the 
Lençóis Maranhenses National Park. It was analysed how the technical knowledge in the 
environmental area has been used by the Tourism Guides and Visitors Conductors who work 
in the LMNP and their contributions to sustainable development in this Conservation Unit. 
The study was carried out based on the bibliographic analysis about the environmental 
sustainability such as the Management Plan, Normative Instructions and Ordinance of the 
ICMBio that regulates and defines the criteria and knowledge necessary for the Tourism and 
Visitors Guide to be accredited in order to do the activity of guiding and driving in the park 
obeying its zoning area. The perception regarding the importance and relevance of the work 
developed by the Tourism Guides and Visitors Conductors e the experience of visiting the 
Conservation Unit, as well as the importance of these Knowledge for the sustainable 
development of the region were asked to the tourists with questionnaires applied in polls. 
 
Keywords: Ecotourism; Environmental Sustainability; Sustainable Development. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 01: Evolução na quantidade e extensão das áreas protegidas no mundo durante o 
século XX .............................................................................................................. 21 
Figura 02: Mapa do PNLM e informações relevantes. ............................................................. 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
LISTA DE GRÁFICOS 
 
Gráfico 01: Percentual de turistas/visitantes entrevistados por país......................................... 38 
Gráfico 02: Percentual de turistas/visitantes entrevistados por Estado .................................... 38 
Gráfico 03: Preparo do Guia de Turismo/Condutor de Visitantes ........................................... 39 
Gráfico 04: Qualidade e relevância das informações sobre o PNLM ...................................... 39 
Gráfico 05: Contribuição positiva na experiência de visita ao PNLM. .................................... 40 
Gráfico 06: Nível de satisfação com qualidade das informações repassadas pelo Condutor 
de Visitantes no passeio ao PNLM ........................................................................ 40 
Gráfico 07: Tempo de atuação do Guia/Condutor no PNLM .................................................. 41 
Gráfico 08: Motivação para tornar-se Guia de Turismo/Condutor de Visitantes..................... 41 
Gráfico 09: Auto Avaliação do nível de conhecimento sobre a Biodiversidade e Geografia 
do PNLM ............................................................................................................... 43 
Gráfico 10: Circuitos visitados no PNLM a partir de Barreirinhas. ........................................ 44 
Gráfico 11: As informações sobre o PNLM são repassadas de forma espontanea aos 
visitantes. ...............................................................................................................44 
Gráfico 12: Guia de Turismo/Condutor que está pertence a Cooperativa ou Associação da 
categoria. ................................................................................................................ 45 
Gráfico 13: Conduta adotada pelos Guias de Turismo/Condutores que contribuem 
positivamente com a conservação do PNLM ........................................................ 47 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 01: Vínculo empregatício com Agência de Viagem ..................................................... 42 
Tabela 02: Exercício de outra atividade que não seja Guia/Condutor para complementar a 
renda familiar ......................................................................................................... 42 
Tabela 03: Fornecimento de equipamentos de segurança e preocupação das Agencias de 
Viagens com a sustentabilidade do Parque. ........................................................... 46 
Tabela 04: Grau de preocupação dos Guias de Turismo/Condutores com a sustentabilidade 
do PNLM ............................................................................................................... 46 
Tabela 05: Existência de algum tipo de incentivo do Poder Público para os Guias e 
Condutores para melhorar a atividade de guiamento dentro do PNLM. ............... 47 
Tabela 0 6: Existência de alguma parceria dos Guias e Condutores de visitantes com o 
ICMBio. ................................................................................................................. 47 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
IABS – Instituto Ambiental Brasil Sustentável 
IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
MMA – Ministério do Meio Ambiente 
MTur – Ministério do Turismo 
PNLM – Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses 
SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 
SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial 
SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação 
UC – Unidade de Conservação 
UFMA – Universidade Federal do Maranhão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.google.com.br/search?q=Senac&stick=H4sIAAAAAAAAAONgecSYyS3w8sc9YamESWtOXmOM4uIKzsgvd80rySypFPLhYoOyFLj4pbj10_UNjYyMjU0sijUYpHi5kAWkFJS4eDef6f0jOkOU5bWWEOfxYwHbihk2swvu8UnuP7Dq9U4eAObBFiZuAAAA&sa=X&ved=0ahUKEwj9hOb4qevVAhWGH5AKHTcVC04Q6RMIigEwDg
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14 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 15 
2. OBJETIVOS .................................................................................................................... 18 
2.1 GERAL ............................................................................................................................... 18 
2.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 18 
3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E TURISMO ........................................... 19 
4. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ............................................................................... 25 
5. O TURISMO NO PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES ........ 28 
5.1 A ATUAÇÃO DOS GUIAS DE TURISMO E CONDUTORES DE VISITANTES EM 
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A 
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL ........................................................................... 29 
6. METODOLOGIA ........................................................................................................... 36 
6.1 AMOSTRAGEM ................................................................................................................ 36 
7. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 38 
7.1 DESTINO DE ORIGEM DOS TURISTAS/VISITANTES E SUAS PERCEPÇÕES 
QUANTO À IMPORTÂNCIA DOS GUIAS DE TURISMO/CONDUTORES DE 
VISITANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DO PNLM. ................ 38 
7.2 O GUIA DE TURISMO/CONDUTOR DE VISITANTES E SUA IMPORTÂNCIA 
PARA SUSTENTABILIDADE DO PNLM A PARTIR DE SUA PERCEPÇÃO 
COMO AGENTE TRANSFORMADOR DA REALIDADE LOCAL. ........................... 41 
7.3 ACOMPANHAMENTO E MONITORAMENTO DO TRABALHO DOS GUIAS DE 
TURISMO E CONDUTORES DE VISITANTES DURANTE PASSEIO AOS 
CIRCUITOS LAGOA AZUL E BONITA ........................................................................ 48 
7.4 O PAPEL DO ICMBIO COMO ÓRGÃO GESTOR DO PNLM E SUA ATUAÇÃO 
COMO AGENTE FISCALIZADOR E PROMOTOR DA SUSTENTABILIDADE 
AMBIENTAL. .................................................................................................................. 50 
8. CONCLUSÃO ................................................................................................................. 52 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 54 
APÊNDICE ....................................................................................................................... 57 
ANEXOS ........................................................................................................................... 63 
 
 
 
15 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O Município de Barreirinhas limita-se ao norte com oceano Atlântico, ao sul com o 
município de Santa Quitéria, ao leste com os municípios de Paulino Neves e Santana do 
Maranhão e a oeste com os municípios de Urbano Santos, Santo Amaro do Maranhão e 
Primeira Cruz, com uma área de 3.026,540 km
2
, com densidade demográfica de 17,65 
habitantes por km
2
, população estimada em 61.621 habitantes, IDH - Índice de 
Desenvolvimento Humano de 0,570, com localização na Microrregião dos Lençóis 
Maranhenses, que está inserida na Mesorregião Norte Maranhense, com sede às margens 
do Rio Preguiças no Estado do Maranhão, considerada como portão de entrada para o 
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. (IBGE, 2017; BARREIRINHAS, 2010; 
BARREIRINHAS, 2007). 
De acordo com estudos e relatórios técnicos sobre a dinâmica econômica do 
município, um dos principais fatores para o seu rápido desenvolvimento nas últimas 
décadas foi sua escolha como portão de entrada da Unidade de Conservação e a construção 
da estrada de acesso que recebeu o nome de MA 402, inaugurada no ano de 2002 pelo 
Governo do Estado. A partir de então: 
 
(...) Barreirinhas tem crescido economicamente nas últimas décadas, 
apresentando relevantes mudanças nas suas características sociais. Conhecida na 
região pela produção de farinha, castanha de caju e arroz e pela pesca, a partir da 
década de 90 do Século XX teve a sua evolução econômica e social guiada pela 
expansão do setor terciário, com a expansão dos serviços turísticos, 
principalmente por sua escolha como portal de entrada para o Parque Nacional 
dos Lençóis Maranhenses. (...) Barreirinhas se destaca entre os Municípios 
localizados no litoral nordeste maranhense devido ao seu crescimento 
econômico, destacadamente após a construção da MA 402, a Translitorânea, e ao 
advento da atividade turística no Município. (BARREIRINHAS, 2007, p. 24 - 
25) 
 
O turismo da região está em franca expansão e seu potencial para o ecoturismo é 
indiscutível, sendo considerado um dos principais polos turísticos do Estado do Maranhão 
e do Projeto Rota das Emoções
1
, com destaque na mídia nacional e internacional, 
recebendo inclusive o revezamentoda Tocha Olímpica no dia 13 de junho de 2016 na 
 
1 Rota das Emoções é um projeto de roteiro turístico desenvolvido e comercializado pelos Estados do Ceará, 
Piauí e Maranhão que envolvem os Parques Nacionais de Jericoacoara, Delta das Américas e Lençóis 
Maranhenses respectivamente e tem por objetivo a comercialização dos atrativos naturais dos destinos em 
conjunto e torna-lo “reconhecido como destino único e atraente, vinculado ao ecoturismo, windsurf & 
kitesurf e sol & praia, de forma integrada e complementar”. 
 
16 
 
condição de Operação Especial
2
, sendo a cidade de Barreirinhas uma das 08 (oito) 
privilegiadas para receber este tipo de operação durante a cerimonia de revezamento. 
O Plano de Desenvolvimento do Turismo de Barreirinhas (2010, p. 12) disponível no 
quadro “Oferta Turística do Município de Barreirinhas/MA” em anexo, demonstra os 
atrativos naturais da cidade de Barreirinhas e coloca o PNLM
3
 como área de visitação de 
uso para banho nas lagoas, observação da natureza e pesquisa, mas explicita também como 
sendo uma área muito sensível ao uso de veículos automotores, relatando ainda o excesso 
de público nas lagoas, de toyotas em períodos de alta estação e a questão dos guias com a 
necessidade de mais investimento em treinamentos específicos para explicar importantes 
aspectos sobre o bioma do parque. 
Devido às questões elencadas acima, principalmente sobre a falta de qualificação dos 
profissionais Guias de Turismo e Condutores de Visitantes é que se desenvolveu este 
trabalho com o objetivo de analisar como os conhecimentos técnicos na área ambiental têm 
sido utilizados pelos Guias de Turismo/Condutores de Visitantes que atuam no Parque 
Nacional dos Lençóis Maranhenses e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável 
da Unidade de Conservação. 
O estudo foi iniciado com uma revisão bibliográfica sobre a sustentabilidade 
ambiental, incluindo análise do Plano de Manejo
4
, Instruções Normativas e Portaria do 
ICMBio que regulam as atividades do Guia de Turismo e Condutor de Visitantes. 
O dialogo e a aproximação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da 
Biodiversidade (ICMBio) foi uma das etapas necessárias e que oportunizou um 
levantamento das fichas de cadastro dos profissionais ativos e credenciados que atuam no 
parque e na sequência foi realizada uma entrevista com o gestor do PNLM. 
Utilizando questionários de pesquisa com perguntas abertas e fechadas, buscou-se 
avaliar a percepção do visitante quanto à relevância e contribuição dos conhecimentos 
técnicos dos profissionais Guias de Turismo/Condutores de Visitantes em sua experiência 
 
2
 A operação especial no revezamento da Tocha Olímpica é algo que acontece somente em locais de grande 
relevância e simbolismo, para o mundo, onde a tocha percorre os principais atrativos naturais da cidade de 
forma estratégica visando a promoção e divulgação do evento e valorização dos ambientes naturais visitados. 
 
3
 O termo PNLM, assim como termo PARNA Lençóis Maranhenses são utilizados para fazer referência ao 
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, geralmente utilizados em documentos oficiais e relatórios 
técnicos elaborados pelo ICMBio, órgão gestor da referida Unidade de Conservação. 
4
 Conforme o Ministério do Meio Ambiente, o plano de manejo é um documento elaborado a partir de 
estudos, incluindo diagnósticos do meio físico, biológico e social, onde são estabelecidas as normas e 
restrições do uso, bem como o manejo dos recursos naturais da Unidade de Conservação (UC), seu entorno e, 
quando for o caso, os corredores ecológicos a ela associados, podendo também incluir a implantação de 
estruturas físicas dentro da UC, visando minimizar os impactos negativos sobre a UC, garantir a manutenção 
dos processos ecológicos e prevenir a simplificação dos sistemas naturais. 
17 
 
de visitação ao PNLM. O instrumental questionário também foi utilizado para levantar 
informações junto aos Condutores/Guias de Turismo. 
A observação in loco permitiu ao pesquisador participar do cenário cotidiano dos 
guias, verificando como ocorre o repasse de informações sobre o parque, e ações 
mitigadoras que promovem a sustentabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
2. OBJETIVOS 
 
2.1 GERAL 
 
Analisar como o conhecimento técnico na área ambiental tem sido utilizado pelos 
Guias de Turismo/Condutores de Visitantes que atuam no Parque Nacional dos Lençóis 
Maranhenses e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável da Unidade de 
Conservação. 
 
2.2 ESPECÍFICOS 
 
 Identificar o Perfil Profissional dos Guias de Turismo/Condutores de Visitantes que 
atuam no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses por meio de levantamento das 
fichas de cadastro junto ao ICMBio. 
 Fazer uma leitura da aplicação dos conhecimentos técnicos dos Guias de 
Turismo/Condutores de Visitantes do PNLM no desenvolvimento das atividades 
por meio de pesquisa de satisfação com os turistas. 
 Levantar informações sobre o trabalho dos Condutores/Guias de Turismo e ações 
desenvolvidas para a preservação do Parque. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E TURISMO 
 
A referência mais antiga que se tem em relação aos cuidados com a Natureza e o 
Meio Ambiente, são relatos que contam a historia da criação conforme citação da Bíblia 
Sagrada (2008, p.4) “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem 
para o lavrar e guardar.”, sendo que o guardar relatado é no sentido de zelar e cuidar. 
Após esta ordem do Criador, o planeta terra passou por vários processos de 
transformação e mudanças, mas ainda assim o planeta Terra é cheio de riquezas e belezas 
naturais, que estão à disposição do homem, entretanto, vem sofrendo constantes agressões, 
que provocam perdas, devido às ações do homem sobre o ambiente e muitas vezes as 
agressões são irreparáveis, e neste sentido, Passos e Nogueira (2009, p. 11-12) afirmam 
que: 
 
(...) o planeta vive uma intensa crise ambiental, decorrente do modelo de 
desenvolvimento adotado pela sociedade contemporânea, mais especificamente 
pós Revolução Industrial, bem como da concepção de progresso que hoje 
prevalece, segundo a qual o homem deve dominar a natureza, o que acarreta uma 
voraz e incontrolada exploração dos recursos naturais, aliada ao crescimento 
acelerado dos centros urbanos e às formas de gestão econômica das sociedades 
(...). 
 
Na contramão da Revolução Industrial que acontecia na Europa no século XVIII e 
XIX (BRASIL, 1998, p. 23) relata que em 1854, um chefe indígena chamado Seattle, 
enviou uma carta de correspondência ao Governo Norte Americano em resposta à tentativa 
do Governo de comprar suas terras, e sua sábia resposta se transformou no primeiro grito 
de defesa da ecologia, que emociona a todos, ecoando suas palavras até os dias atuais, 
como se fossem ditas agora ao dizer: 
 
"Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe. 
Tudo o que acontecer à Terra acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens 
cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a Terra não 
pertence ao homem, o homem pertence à Terra. Isso sabemos: todas as coisas 
estão ligadas como o sangue que une uma família. (...) O homem não teceu o 
tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, 
fará a si mesmo. (...)0s brancos também passarão, talvez mais cedo que todas as 
outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos 
próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, 
iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão 
especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse 
destino é um mistério para nós, pois não compreendemosque todos os búfalos 
sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos 
secretos da floresta densa, impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão 
dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo ? Desapareceu. 
Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. (...) 
20 
 
Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-
los? (...)Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas 
cidades fere os olhos do homem vermelho. (...) Não há lugar quieto nas cidades 
do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na 
primavera, ou o bater de asas de um inseto". 
 
Esta carta é de alguém que podemos considerar como o desbravador da 
sustentabilidade, com uma sabedoria impar, colocando seu nome no rol dos defensores do 
meio ambiente, fazendo com que seu grito ecoe como um chamado. Ainda de acordo com 
a obra supracitada, a bandeira de defesa do meio ambiente se ergueu uma década depois, 
quando o também escritor Norte Americano, Georges Perkins Marsh, lançou o livro com o 
titulo de “O Homem e a Natureza ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem”: 
 
"O Homem e a Natureza, ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem 
" ("Man and Nature or Physical Geography as Modified by Human Action"). Foi 
um alerta, inédito entre os cientistas, sobre os perigos de certas atividades 
humanas para o equilíbrio da natureza e, ao mesmo tempo, um aviso de que 
ainda daria para evitar o pior. Este livro teve forte repercussão e, segundo alguns 
historiadores, inspirou a criação do primeiro parque nacional do mundo, o 
Yellowstone National Park, implantado doze anos depois nos Estados Unidos. O 
espírito da obra já fica claro na sua introdução, que diz: "O presente volume tem 
por objeto indicar a natureza e, aproximativamente, a extensão das modificações 
devidas à ação humana nas condições físicas do mundo que habitamos, colocar 
em evidência os perigos da imprudência e a necessidade de vigilância em todas 
as obras que, em grande escala, interferem nos arranjos espontâneos do mundo 
orgânico e inorgânico, sugerir a possibilidade e a importância de restaurar as 
harmonias alteradas e de melhorar materialmente as regiões danificadas e 
esgotadas." (BRASIL, 1998. p. 24) 
 
Confirmando assim o que Milano (1985, p. 04) diz que a motivação da luta pela 
criação de Unidades de Conservação
5
 no Brasil foi a criação do “Yellowstone National 
Park” em 1872 nos Estados Unidos. Foi a partir de então que o engenheiro e político 
brasileiro André Rebouças começou sua luta pela criação dos Parques Nacionais de Ilha do 
Bananal e de Sete Quedas, mas somente depois de meio século de luta, já no ano de 1937 é 
que foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, e posteriormente os Parques Nacionais do 
Iguaçu e da Serra dos Órgãos no ano de 1939. 
Em estudo realizado pelo Ipea (2010, p. 359) a proteção dos recursos naturais, em 
especial a biodiversidade é uma das maiores preocupações mundiais pois: 
 
5
 O Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC,
 
foi criado por meio da Lei Nº 9.985, de 18 de 
Julho de 2000, e define Unidade de Conservação – UC, como um espaço territorial e seus recursos 
ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído 
pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, 
ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção aos diferentes tipos de biomas protegidos em suas 
diferentes categorias de UC. 
 
21 
 
O consumo crescente e indiscriminado dos recursos de base nas ultimas décadas 
gerou beneficios econômicos e sociais em grande parte dos paises, mas, 
igualmente, alterou o meio ambiente local e global com significativos prejuízos 
socioambientais tanto para as atuais como para as futuras gerações de seres 
humanos. 
 
Mesmo diante da preocupação da comunidade mundial quanto à questão da 
preservação ambiental, o Brasil ficou um longo período na inércia, sem haver com isso, 
nenhum avanço na criação de novas UCs
6
. As informações do IPEA (2010, p. 361) são de 
que: 
 
A partir da década de 1960 tem-se uma taxa de incremento expressivamente 
maior que na primeira metade do século. Pode-se perceber ainda que nas décadas 
de 1960 e 1970, apesar de ter tido uma grande taxa de crescimento em numero de 
áreas protegidas, suas áreas territoriais não cresceram tão expressivamente. 
 
Na Figura 01, podemos observar a evolução de áreas protegidas no mundo durante o 
século XX. O total de área protegida no mundo está estimado em mais 150 mil ha, ainda 
assim é considerado pouco. 
 
Figura 01: Evolução na quantidade e extensão das áreas protegidas no mundo durante o 
século XX 
FONTE: IPEA, (2010) 
 
O total de áreas protegidas no mundo deu salto gigantesco a partir da década de 
1970, e em estudo do Ipea (2010, p. 362) sobre os fatores que contribuíram para este 
crescimento estão a: 
 
6
 UC – é um termo utilizado pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) para Unidade de 
Conservação. 
22 
 
1. A realização da 1ª Conferência sobre Parques Nacionais na cidade de Seattle nos 
Estados Unidos da América. 
2. Iniciou o Programa Homem e Biosfera da UNESCO (Man and Biosphere – MAB) 
que implantou reservas em vários países. 
3. Conferencia das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento 
(CNUMAD), realizada em Estocolmo no ano de 1972. 
4. Realização da II Conferencia Mundial sobre Parques Nacionais, em Yellowstone 
nos Estados Unidos da América no ano de1972. 
5. Em 1978 a União Internacional para a Conservacao da Natureza e dos Recursos 
Naturais (IUCN) e 1981 publicou o sistema de categorias de áreas protegidas 
6. Em 1987, foi publicado “Nosso Futuro Comum” sugerindo que 12% das áreas do 
planeta deveriam ser áreas de proteção da biodiversidade. 
7. No ano de 2000 a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou os objetivos do 
milênio, incluindo na meta questões relacionadas à sustentabilidade ambiental. 
As sete ações elencadas acima, associadas à expansão das atividades ligadas ao 
turismo promoveram o Brasil, alcançando posição de destaque para a prática do 
Ecoturismo, sendo inclusive realizados no país, os primeiros estudos relacionados ao tema, 
ainda na década de 80 conforme se observa pelas ações da EMBRATUR: 
 
Em 1985 a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) deu início ao “Projeto 
Turismo Ecológico”, criando dois anos depois a Comissão Técnica Nacional 
constituída conjuntamente com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), primeira iniciativa direcionada a 
ordenar o segmento. (...)na mesma década, foram autorizados os primeiros 
cursos de guia de turismo especializados, porém, foi na década seguinte, com a 
Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente – ECO 92, realizada em 
1992 no Rio de Janeiro/RJ, que esse tipo de turismo ganhou visibilidade e 
impulsionou um mercado com tendência de franco crescimento, propondo 
diretrizes e tratados com aplicação de âmbito mundial (...) (BRASIL, 2010, p. 
14). 
 
A consciência ambiental das pessoas evoluiu com o tempo, após as tantas ações 
promovidas com este objetivo. Tanto é que, neste sentido, o Brasil adotou medidas 
específicas ao colocar na Constituição de 1988 no Artigo 225 (BRASIL, 1988) que “Todos 
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever 
de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Possibilitando assim, 
23 
 
com que o turismo se torne de fato a mola do desenvolvimento sociocultural, econômico e 
ambiental. 
Atualmenteo turismo é uma das molas propulsoras da economia mundial, e o Brasil 
está entre os países emissores e receptores de turistas no mundo, turistas estes que 
contribuem com o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental do País, por 
ser este um dos principais destinos indutores de turismo do mundo, recebendo visitantes de 
vários países e Ruschmann (2000, p. 81) considera que: 
 
O turismo contemporâneo é um grande “consumidor” da natureza e sua 
evolução, nas últimas décadas, ocorreu como conseqüência da “busca do verde” 
e da “fuga” dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos pelas pessoas que 
tentam recuperar o equilíbrio psico-físico em contato com ambientes naturais 
durante o seu tempo de lazer. Por isso, constitui-se um produto consolidado no 
mercado, que encontra no ecoturismo um dos seus seu nichos, mais 
significativos. 
 
Considerando que a prática do turismo pode ser um grande consumidor das nossas 
riquezas naturais e alteração no modo de vida nas comunidades onde é praticado, nem 
todos concordam com desenvolvimento das atividades turísticas, e Araújo (2008, p. 93) 
afirma que: 
 
Os que fazem a crítica do turismo como estratégia de desenvolvimento 
argumentam que a atividade é desencadeadora de impactos sociais, culturais, 
políticos e ambientais negativos que, em última instância, podem erodir a 
capacidade de atrair visitantes aos lugares, tendo o poder de afetar comunidades 
inteiras, no que diz respeito ao seu patrimônio natural e cultural. 
 
Entretanto ao se considerar a postura dos que são a favor do desenvolvimento 
econômico a partir do turismo Araújo (2008, p. 93) coloca que o desenvolvimento do 
turismo pode ter efeitos positivos do ponto de vista socioeconômico e ambiental das 
atividades turísticas, podem ser uma alternativa estratégica de desenvolvimento e 
dinamização da economia, gerando benefícios diretos e indiretos com criação de postos de 
trabalho, trazendo melhorias tanto de qualidade de vida da comunidade direta e 
indiretamente envolvida no processo, como promotor do desenvolvimento sustentável ao 
usar o patrimônio natural de forma contemplativa, zelando pela conservação do ambiente 
natural. 
No que diz respeito ao desenvolvimento sustentável Globe, apud Ruschmann (2000, 
p. 32) retrata como sendo: 
 
24 
 
(...) a gestão de todos os ambientes, recursos e comunidades receptoras, de modo 
a atender às necessidades econômicas, sociais, vivenciais e estéticas, enquanto 
que a integridade cultural, os processos ecológicos essenciais e a diversidade 
biológica dos meios humano e ambiental são mantidos através dos tempos”. 
 
Neste contexto, Gadotti (2008, p. 14) diz que “sustentabilidade é, para nós, o sonho 
de bem viver; sustentabilidade é equilíbrio dinâmico com o outro e com o meio ambiente, é 
harmonia entre os diferentes”, e disso não se deve esquecer um instante, pelo nosso bem 
comum. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
4. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO 
 
Ao considerarmos que o histórico de luta pela preservação ambiental no mundo, 
percebemos que esta é bem recente e se consolidou a partir de 1960 com a realização de 
estudos, diversas reuniões e conferencias sobre o Meio Ambiente e sua preservação, 
surgindo então, a necessidade e políticas públicas e leis que regulamentassem o uso 
sustentável dos recursos naturais. Após a criação dos Parques Nacionais de Itatiaia, do 
Iguaçu e Serra dos Órgãos no final da década de 1930, Milano (1985, p. 4) afirma que: 
 
(...) o Brasil ficou um período de 22 anos sem que qualquer nova iniciativa e 
somente em 1959 são criados mais três Parques Naionais: do Ubajara, de 
Aparados da Serra e do Araguaia. Dois anos mais tarde, em 1961 são criados 
mais nove parques, transcorrendo um período de 11 anos até que novos parques 
passam a ser criados com uma maior frequência. 
 
Entre os anos de 1960 e 1970 o Ipea (2010, p. 98) destaca que o Brasil vivenciou um 
expressivo aumento na quantidade de parques com criação de várias UCs, tanto esfera 
Estadual quanto na Federal, tendo incremento substancial na quantidade de biomas e total 
de área protegida, mas entre os anos de 1981 e 1990, teve a criação da maior quantidade de 
Unidades de Conservação de Proteção Integral pelo Governo Federal. 
Neste período de grande efervescência na criação de novas UCs Federais, foi criado 
o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses por meio do Decreto Nº 86.060 de 02 de 
junho de 1981, uma das poucas Unidades de Conservação de Proteção Integral existentes 
no Estado do Maranhão conforme se observa no “Mapa das Unidades de Conservação do 
Estado do Maranhão” em Anexo, que demonstra a quantidade mínima de Parques 
Nacionais existentes no Estado no qual podemos ver o Parque Nacional dos Lençóis 
Maranhenses na parte superior do mapa. 
Para regulamentar e potencializar o papel das (UCs) do país de forma planejada, 
ordenadas e integradas foi criado o Sistema Nacional de Unidades de Conservação 
(SNUC) pela Lei Nº 9.985 de 18 de julho de 2000 que regulamenta o Artigo 225, § 1º, 
incisos I, II, III e VII da Constituição Federal. O artigo 4 da Lei de criação do SNUC 
estabelece 13 objetivos que são eles: 
 
I - contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos 
genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais; 
II - proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional; 
III - contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas 
naturais; 
26 
 
IV - promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais; 
V - promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza 
no processo de desenvolvimento; 
VI - proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica; 
VII - proteger as características relevantes de natureza geológica, 
geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural; 
VIII - proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos; 
IX - recuperar ou restaurar ecossistemas degradados; 
X - proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, 
estudos e monitoramento ambiental; 
XI - valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica; 
XII - favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a 
recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico; 
XIII - proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações 
tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e 
promovendo-as social e economicamente. (BRASIL, 2011, p. 5 – 23). 
 
O SNUC estabelece ainda, as categorias de Unidades de Conservação, subdividindo 
em dois grupos, de acordo com objetivos da criação e características específicas de cada 
uma (BRASIL, 2011, p. 5 – 23) conforme segue: 
 Grupo I: Unidades de Proteção Integral – O objetivo deste grupo de (UCs) é 
preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos 
naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei 
 Grupo II: Unidades de Uso Sustentável – O objetivo deste grupo de (UCs) é 
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus 
recursos naturais. 
A Lei de Criação do SNUC define que o Grupo I é composto por Unidades de 
Proteção Integral, e o SNUC subdivide as Unidades de Conservação em cinco categorias 
que são elas: I - Estação Ecológica; II - Reserva Biológica; III - Parque Nacional; IV - 
Monumento Natural; V – Refúgio de Vida Silvestre e de acordo (MMA, 2009, p. 9): 
 
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) protege 
cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados do território brasileiro e integra, 
sob o mesmo marco legal, áreas protegidas federais, estaduais, municipais e 
particulares. Isso equivale aproximadamente à soma das áreas da França, 
Espanha e Itália. 
 
No artigo 4º do SNUC estão descritos os seus objetivos e dentreeles está o de 
regulamentar e proteger os recursos naturais por meio do desenvolvimento sustentável e 
como parte deste desenvolvimento de atividades de interpretação ambiental e a prática do 
turismo ecológico. Portanto a prática do turismo ambientalmente sustentável, em Unidades 
de Conservação de Proteção Integral, é um dos grandes desafios enfrentados pelos gestores 
dos parques em todo o território nacional. As UC’s foram instituídas pelo Governo 
27 
 
Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e são regulamentadas pelo SNUC que 
criou dispositivos que regulam as complexas relações entre o Estado, os cidadãos e o meio 
ambiente, norteando assim os princípios de preservação ambiental e os significativos e 
importantes remanescentes dos biomas brasileiros, considerando seus aspectos naturais e 
culturais, com o objetivo principal, sua proteção e resguarda-lo para as gerações futuras 
conforme consta no Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002, MMA (2011, p. 27 -38) 
que regulamenta o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. 
Segundo o SNUC o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é classificado como 
Unidade de Proteção Integral e como tal suas regras de visitação são regidas pelo Plano de 
Manejo que foi elaborado e publicado no ano de 2003 e de acordo com ele, o PNLM está 
localizado na região do litoral oriental maranhense, tendo uma linha de costa regular, com 
sua extensão coberta por uma vasta área de dunas de areia em uma área de 155.000ha 
(cento e cinquenta e cinco mil hectares), o equivalente a um perímetro de 270 Km de 
extensão com um bioma e ecossistema rico, que envolve o cerrado, a restinga, o mangue e 
os campos de dunas, que abrange os territórios dos municípios de Santo Amaro, Primeira 
Cruz e Barreirinhas (MMA; IBAMA, 2003). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
5. O TURISMO NO PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES 
 
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebe milhares de visitantes ao longo 
do ano e o acesso aos atrativos de visitação acontece nos três municípios em que o Parque 
está inserido, mas a cidade Barreirinhas é conhecida como portal de entrada e detentora 
dos principais atrativos de visitação da UC. 
 
 
Figura 02: Mapa do PNLM e informações relevantes. 
FONTE: MMA, ICMBio (2017) 
 
De acordo com tal Plano de Manejo no PNLM podem ser desenvolvidas atividades 
de uso público, fiscalização e de pesquisa, sendo que nas atividades de uso público, são 
contempladas as atividades de banho, camping, caminhada, passeios náuticos, surf e 
windsurfe e entre as atividades tidas como conflitantes e que estão em desacordo com os 
objetivos de criação do Parque há registro da prática da pesca artesanal, pesca industrial, 
corte de mangue, extrativismo, caça, rally e ocupação irregular que são objeto de constante 
fiscalização pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 
órgão do Governo Federal que está ligado ao Ministério do Meio Ambiente com sede no 
município de Barreirinhas/MA. 
O PNLM por uma Unidade de Conservação de Proteção Integral é regida pelas 
regras do (SNUC, 2000) e sua criação tem como objetivos básicos a preservação de 
29 
 
ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a 
realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e 
interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. 
Considerando as modalidades e práticas permitidas dentro do parque podemos ver 
que as modalidades que mais se enquadram para a região é o Turismo de Aventura e o 
Ecoturismo, sendo este último definido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2005, 
p. 11) como: 
 
“segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio 
natural e cultural, incentiva sua conservação e busca formação de uma 
consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o 
bem-estar das populações”. 
 
Para Pires (1998, p. 76) ao fazer uma análise da abordagem do ecoturismo, ele o 
coloca inicialmente como uma “rotulação” que se impõe e passa a ser amplamente 
utilizada com sucesso, para expressar um conjunto variado e não bem definido de 
atividades e atitudes no ramo de viagens que se posicionam na interface turismo e 
ambiente. Sendo que este último compreende os ambientes naturais pouco alterados 
juntamente com as culturas das populações presentes em seu entorno. O autor ressalta 
ainda a necessidade de se desprender o ecoturismo de um fator simplesmente tipológico no 
contexto turístico, e lhe dar a real dimensão enquanto agregador de múltiplos interesses a 
facetas do turismo. 
5.1 A ATUAÇÃO DOS GUIAS DE TURISMO E CONDUTORES DE VISITANTES EM 
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A 
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL 
 
Além dos critérios definido para visitação pública e restrições estabelecidas pelo 
Plano de Manejo, recentemente foi publicado a Portaria Nº 199/2017 do Instituto Chico 
Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, que estabelece regras para o 
credenciamento e autorização da prestação de serviços turísticos de guia de turismo e de 
condução de visitantes, assim como o transporte de passageiros em veículos com fins 
turísticos, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. A referida portaria coloca ainda o 
Condutor de Visitantes como: 
 
(...) pessoa física cadastrada pelo órgão gestor da unidade de conservação, que 
recebeu capacitação específica e que é responsável pela condução em segurança 
de grupos de visitantes aos locais permitidos, desenvolvendo atividades 
interpretativas sobre o ambiente natural e cultural visitado, além de poder 
30 
 
contribuir para o monitoramento dos impactos sócio-ambientais nos sítios de 
visitação. (MMA, 2017, p. 02) 
 
O PNLM recebe uma grande demanda de visitação em seus atrativos turísticos e 
considerando que o parque não dispõe de nenhum mecanismo de acompanhamento da 
qualidade e segurança dos serviços prestados, portanto no que se refere ao transporte e à 
Condução dos Visitantes é que a Portaria 199/2017 regulamenta estas atividades e define 
as atribuições dos profissionais que atuarão na UC. Com o objetivo de minimizar os 
impactos do turismo e manter a sustentabilidade dos ambientes visitados a referida Portaria 
no seu 10º Artigo coloca requisitos mínimos para obter autorização para atuar como 
Condução de Visitantes: 
 
I - Tenha idade superior a 18 (dezoito) anos; 
II - Seja brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil, habilitado para o exercício 
de atividade profissional no país; 
III - Apresente toda a documentação exigida na portaria específica; 
IV - Apresente certificados de cursos obrigatórios; 
V - Disponha de todo o equipamento necessário, de acordo com a exigência da 
atividade a ser desenvolvida; 
VI - Seja reconhecido e aprovado pelo Conselho Deliberativo da unidade, nos 
casos de Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável. 
VII - Promovam a unidade de conservação e sua importância e transmitam aos 
visitantes conhecimentos relacionados à função e objetivos da unidade de 
conservação. 
 
A Portaria Nº 199/2017 do MMA (2017, p 03), define que para operar as atividades 
de Condução de Visitantes no PNLM, o Guia de Turismo/Condutor de Visitantes, 
obrigatoriamente deve fazer seu Cadastramento junto ao ICMBio, órgão gestor da UC, 
afim de obter uma Autorização de Uso que é emitida por meio de “ato administrativo 
unilateral, precário, manejado no exercício da competência discricionária do Instituto 
Chico Mendes, por meio do qual é consentida à pessoa física cadastrada a prestação do 
serviço comercial de condução de visitantes” para que se tenha um mínimo de controle 
sobre as atividades turísticas desenvolvidas na região. 
A Instrução Normativa nº 2, de 3 de Maio de 2016 que dispõe sobre normas e 
procedimentos administrativos para autorização deuso para a prestação do serviço de 
condução de visitantes em unidades de conservação federais visa regulamentar a atuação 
destes profissionais e conforme o Artigo 2º da referida Instrução Normativa MMA (2016, 
p. 01) para todos os efeitos: 
 
31 
 
(...) considera-se: I - condutor de visitantes: pessoa física autorizada pelo 
Instituto Chico Mendes a atuar na condução de visitantes na unidade de 
conservação, desenvolvendo atividades informativas e interpretativas sobre o 
ambiente natural e cultural visitado, além de contribuir para o monitoramento 
dos impactos sócio-ambientais nos sítios de visitação. 
 
Conforme esta Instrução Normativa MMA (2016, p. 01) o Parque Nacional dos 
Lençóis Maranhenses é um dos ambientes que requerem os serviços destes profissionais 
por ter: 
 
(...) ambientes ou locais cujas características lhe conferem maior grau de 
fragilidade ou baixa resiliência, para o uso sustentável e cultura das comunidades 
tradicionais, locais que apresentam espécies de interesse especial para a 
conservação ou tais como ambientes recifais, cavernícolas; falésias, dunas, sítios 
arqueológicos e paleontológicos. 
 
Seguindo os critérios definidos pela Instrução Normativa MMA (2016, p. 02 - 04) de 
UCs que requerem a obrigatoriedade dos serviços de Guia de Turismo ou Condutor de 
Visitantes, o PNLM se enquadra na categoria por possuir: 
 
(...) ambientes que necessitam de proteção especial ou situações específicas em 
que não existam alternativas de manejo de impacto ou de monitoramento da 
visitação implementados, visando a proteção do patrimônio natural, histórico, 
arqueológico e cultural. [...] após a publicação de portaria específica que 
regulamenta a atuação dos condutores de visitantes na unidade de conservação; 
[...] Parágrafo único. É desejável que os condutores de visitantes sejam 
moradores do interior ou do entorno das unidades, de acordo com cada categoria 
de manejo. 
 
Para o Condutor de Visitantes fazer o Cadastro junto ao ICMBio para obter 
Autorização para atuar na UC na condução de visitantes, ele terá que cumprir uma série se 
exigências legais e comprovar por meio da apresentação dos certificados comprobatórios 
as capacitações exigidas, para a partir de então atuar na UC, com exceção da formação 
acadêmica como Guia de Turismo, tendo com isto a limitação da área de atuação que fica 
restrito à área da UC, enquanto que os Guias de Turismo passa por formação acadêmica 
por meio de Cursos Técnicos e sua atuação pode ser regional, nacional e internacional, 
portanto deste último além das exigências comum aos Condutores de Visitantes, para os 
Guias exigido ainda a apresentação do certificado do CADASTUR com validade vigente, 
podendo assim receber sua Credencial de Autorização para atuar no Parque no ato de 
cadastramento. 
Para Layrargues (2006, p. 9-10) o Ecoturismo é um fenômeno social que tece 
relações com a proteção ambiental e a dinâmica cultural das comunidades envolvidas, 
32 
 
portanto o ecoturismo também possui relações com a mudança social, como sendo 
mercado promissor no segmento turístico, caracterizando-se como um dos segmentos do 
turismo de maior expressividade nos últimos tempos, capaz de gerar riquezas como poucas 
indústrias conseguem. Diante disto, percebe-se que o seu desenvolvimento e inserção das 
comunidades é um caminho sem volta e que o homem deve estabelecer uma relação 
harmônica não só com a natureza, mas também entre seus semelhantes. 
Ruschmann (2000, p. 83) considera que o Meio Ambiente é a base econômica da 
atividade turística que apresenta oportunidades e limitações devido à capacidade de carga 
dos atrativos turísticos visitados poderão suportar, entretanto a questão da capacidade de 
carga limite é de difícil definição devido à falta de parâmetros comparativos, mas deve se 
considerar que os recursos naturais e sua preservação é preocupação mundial. 
De acordo com Pires (1998, p. 81 - 82) alguns pontos são na concepção ambientalista 
do ecoturismo e na construção de seu conceito que são: a ênfase na natureza, na história 
natural e nas culturas autóctones dos destinos caracterizados pela sua originalidade e 
autenticidade; a preocupação com os impactos socioambientais da atividade nos destinos e 
com a sustentabilidade dos recursos utilizados; a prioridade à geração de benefícios 
advindos da atividade para as comunidades locais e preocupação com o seu bem estar; o 
apoio e engajamento nas ações de desenvolvimento conservacionista junto aos destinos; a 
opção pelo desfrute, conhecimento e educação sobre os ambientes visitados, enquanto que 
no tocante ao uso dos termos sustentável e conservação, é colocado como redundante, pois 
segundo o autor a utilização do termo “utilizar de forma sustentável o patrimônio natural e 
cultural” e “incentivar a sua conservação” dizem a mesma coisa. 
A prática do turismo sustentável, atualmente é representada pelos Ecoturistas e 
segundo Campos; Vasconcelos e Félix (2011, p. 398) “o seu acelerado crescimento têm 
suas raízes na insatisfação gerada pelo turismo convencional, ou turismo de massa”. 
Passando assim a ter um novo segmento de turismo com maior preocupação com a 
preservação do Meio Ambiente e o respeito às comunidades tradicionais do local visitado. 
Bueno e Pires (2006, p. 1 - 2) afirmam que no mercado do segmento do ecoturismo 
podemos identificar atividades que nem sempre estão comprometidas com os objetivos 
deste, pois muitas das vezes os aspectos econômicos imediatistas se sobrepõem aos 
aspectos sociais, culturais e ambientais, e afirmam que uma das formas de solucionar estes 
problemas, seria por meio da educação ambiental como promotora do desenvolvimento 
sustentável do ecoturismo, sem a desvalorização econômica da atividade. 
33 
 
Confirmando assim o que diz Layrargues (2006, p. 10) quando afirma que o 
ecoturismo pode ser considerado um veículo da educação ambiental, por ter seu potencial 
de sensibilização e aquisição de conhecimentos ecológicos, podendo comprometer sua 
sustentabilidade, assim como a educação ambiental, tornando-se um veículo do ecoturismo 
ser trabalhado de forma compensatória do risco do mercado ecoturístico, garantindo 
continuidade do sucesso da atividade ao longo do tempo, minimizando os impactos sociais, 
culturais e ambientais das comunidades, sensibilizando o turista em relação aos diferentes 
aspectos citados, não é por mero altruísmo e responsabilidade social do empreendedor, mas 
com clara estratégia de manutenção da sustentabilidade do próprio negócio, inserindo a 
educação ambiental não simplesmente por princípio ecológico, mas principalmente agindo 
em favor da manutenção do capitalismo. 
O Ministério do Turismo (2010) relata que nas ultimas décadas o Brasil tem 
despontado no cenário mundial como destino turístico de Turismo de Aventura, uma 
atividade que está diretamente associada ao Ecoturismo que possui que possui 
características estruturais e mercadológicas própria, com realização de atividades em meio 
à natureza, confirmando assim o que Graça (2005, p. 04) afirmou, quando disse que nos 
últimos anos, o Maranhão é o Estado da região Nordeste que se destacou no cenário do 
turismo nacional e internacional por conta das exuberantes belezas do PNLM, confirmando 
assim seu potencial como Polo de Ecoturismo, com o crescente aumento do fluxo de 
turistas, ávidos por conhecer: 
 
(...) esse instigante e exótico fenômeno da natureza. O Parque apresenta 
características peculiares de um deserto dominado pela areia e pelo vento, cheio 
de lagoas de água cristalina e doce, formadas pelas chuvas de inverno. O 
programa governamental de criação dos pólos turísticos, aliado ao poder da 
mídia e da própria indústria do turismo tem conseguido atrair o interesse de 
diferentes atores sociais – empresários dos ramos de hotelaria e restaurantes, 
artesãos, comerciantes diversos e, em especial, o turista nacional e internacional.(GRAÇA, 2005, p. 04) 
 
Os atrativos do Parque é o campo de atuação dos Guias de Turismo e Condutores de 
Visitantes, que de acordo com o Inventário dos Equipamentos Turísticos do estudo de 
diagnóstico socioambiental realizado pelo ICMBio nos povoados inseridos nos limites do 
PNLM (MMA, 2008, p. 22) relata que: 
 
(...) os atrativos mais trabalhados pelos condutores locais são: Canto do Atins, 
Lagoa Tropical, Poço do Camurim, travessia até Santo Amaro, travessia até 
Barreirinhas (via Lagoa do Peixe e Azul), Lagoa do Mário, Mandacaru, revoada 
34 
 
de pássaros, travessia da Ponta da Brasília. São oferecidos passeios de barco, 
canoa a vela, cavalo ou caminhadas. 
 
Segundo a Portaria 199/2017, onde trata da Condução de Visitantes para fins 
turísticos nos atrativos do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, nos 05 Circuitos e 
Zona de Uso Extensivo em Santo Amaro onde as atividades turísticas são permitidas, 
exigindo inclusive o acompanhamento dos visitantes por 01 (um) Condutor de Visitantes 
autorizado, sendo definido 01 (um) Condutor para grupos com até 05 visitantes. O 
município de Barreirinhas/MA por ser o principal portal de entrada para o PNLM, também 
é detentor dos principais atrativos de uso permitido, com exceção da área de Uso Extensivo 
em Santo Amaro, segundo a referida Portaria, conforme segue: 
 Circuito da Lagoa do Azul 
 Circuito da Lagoa Bonita 
 Circuito Ponta dos Lençóis 
 Circuito Foz do Rio Negro 
 Circuito Lagoa da Esperança 
Considerando a origem rural e dificuldades de profissionalização da maioria dos 
Condutores de Turismo é que Silva (2008, p. 35) afirma que na prática das atividades 
turísticas de forma sustentável no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses “O 
amadorismo na prestação dos serviços e na oferta de equipamentos tem gerado insatisfação 
crescente da demanda e facilitado prejuízos ao meio ambiente.” Mais adiante ele ressalta 
que: 
 
O turismo não deve ser entendido como um ‘vilão moderno’, cujo 
desenvolvimento resulta apenas em benefícios econômicos a poucos, às custas de 
muita degradação e desrespeito aos locais. Se esse quadro fosse inflexível, 
combater-se-ia o avanço da atividade turística e não se reconheceria as inúmeras 
melhorias promovidas pelo setor, como a geração de emprego e renda, às 
comunidades residentes, e recursos para a gestão de áreas protegidas. Além da 
valorização do patrimônio cultural, artístico e histórico das populações 
receptoras. 
 
Pensando na qualificação dos profissionais que atuam na condução dos turistas em 
Unidades de Conservação, é que no ano de 2007 foi desenvolvido pelo Instituto Ambiental 
Brasil Sustentável – IABS, o Projeto Turismo Sustentável: Projeto de Desenvolvimento do 
Turismo nas regiões dos Lençóis Maranhenses, Delta do Parnaíba, Serra da Capivara e 
Jericoacoara por meio do CONVÊNIO MTur/IABS-345/2007, que realizou os Cursos de 
Extensão em Turismo Sustentável que foram realizados em parceria com instituições de 
35 
 
Ensino Superior dos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará, sendo que as atividades 
desenvolvidas na região dos Lençóis Maranhenses foram realizadas em parceria com a 
Universidade Federal do Maranhão - UFMA, com a realização de cursos de 
aperfeiçoamento profissional com módulos de Introdução ao Turismo, Informações 
Turísticas, Economia Ecológica, Gestão Ambiental Comunitária e Laboratório de 
Ecoturismo, Educação Ambiental e Ecoturismo visando a qualificação da oferta da mão de 
obra para o Ecoturismo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (SAWYER; 
TASSO; ASSAD, 2010, p. 74 a 76). 
Teve ainda a implantação de um Campus do Instituto Federal de Educação, Ciências 
e Tecnologia do Maranhão no município de Barreirinhas foi muito importante para a 
qualificação da mão de obra local por meio dos cursos técnicos, dentre estes, o Curso 
Técnico de Guia de Turismo com duas turmas formadas desde a sua inauguração no ano de 
2012. 
A sustentabilidade ambiental das UCs é fundamental para a prática do ecoturismo e 
disto depende o envolvimento e participação de todos os envolvidos nas diferentes etapas 
do processo que tornam possíveis a sua prática e para Layrargues (2006, p. 10): 
 
O ecoturismo é um fenômeno se não eminentemente econômico, pelo menos 
fortemente determinado por condicionantes econômicos, que interagem com a 
dinâmica natural e cultural, na medida em que a paisagem natural torna-se uma 
nova mercadoria, expondo a natureza a uma nova onda de apropriação pelo 
mercado, mas dessa vez, não em função dos produtos gerados, mas dos serviços 
ambientais prestados. 
Nesse mercado, cabe ao empreendedor ecoturístico, como proprietário da 
mercadoria, apenas a tarefa de humanizar a paisagem, provendo-a de infra-
estrutura de acolhimento dos visitantes, a logística da viagem e a condução do 
visitante ao interior do santuário, que recebe ainda, como parte do ‘pacote 
turístico’ informações muitas vezes qualificadas como de educação ambiental. O 
trabalho humano, frequentemente realizado pelos moradores locais, em geral 
residentes do entorno de unidades de conservação, se resume a acrescentar um 
toque de civilidade através das trilhas interpretativas, passarelas suspensas, torres 
de observação, mirantes e centro de visitantes. 
 
Nas práticas do ecoturismo, diferentemente das do turismo convencional, o ambiente 
visitado não deve ser transformado a fim de atender às expectativas dos visitantes, pelo 
contrário, os visitantes é que devem se preparar para vivenciar a experiência de visitação. 
 
 
 
36 
 
6. METODOLOGIA 
 
A pesquisa caracterizou-se por um estudo exploratório e descritivo, associado a uma 
abordagem quantitativa e qualitativa. 
A pesquisa quantitativa (Apêndice II e III) considerou os dados levantados quando 
da aplicação de questionários diferenciados junto a dois grupos alvos que traduziram em 
números as informações que foram classificadas e analisadas. 
 
Grupo I- Guias de Turismo e Condutores de Visitantes; 
Grupo II - Turistas\Visitantes 
 
A pesquisa qualitativa ocorreu devido às suas características de investigação 
exploratória, já que permitiu o aprofundamento necessário na busca do conhecimento no 
que se refere à gestão do PNLM. Desta forma, aplicou-se uma entrevista com um 
analista/gestor do Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMbio) a fim de 
corroborar com a análise das informações e demonstrar resultados relacionados aos 
objetivos desejados em pesquisa. 
 
6.1 AMOSTRAGEM 
 
A escolha do processo de amostragem baseou-se na análise de fatores como o tipo de 
pesquisa, a representatividade desejada ou necessária, a disponibilidade de tempo, recursos 
humanos e financeiros. Nos aspectos referentes aos agentes “guias de turismo, condutores 
de visitantes e turistas adotou-se a pesquisa quanti-quali como forma de direcionamento 
para a elaboração dos instrumentos, questionários de perguntas abertas e fechadas. 
Considerando o universo de Guias de Turismo e Condutores de Visitantes com um 
total de 395 (trezentos e noventa e cinco) profissionais credenciados junto ao órgão 
ICMBio e aptos a desenvolverem a atividade de guiamento nas dependências do Parque 
Nacional dos Lençóis Maranhenses adotou-se como amostra, 35 destes profissionais, 
pertencentes aos 03 municípios que formam a Unidade de Conservação. Não existem 
estatísticas exatas do quantitativo de turistas que visitam o destino turístico Lençóis 
Maranhenses no período de alta estação. Neste caso, adotou-se uma aplicação de escolha 
aleatória com uma amostragem de 90 turistas no período de 16 a 28 de julho de 2017. 
37 
 
Já nos aspectos relacionados à investigação junto ao órgão gestor do PNLM, definiu-
se como pesquisa qualitativa, uma entrevista com um analista ambiental do ICMBio 
(Apêndice I). 
O método de observação também foi empregado na coleta de dados a partir da 
realização de acompanhamento do próprio pesquisador aos principaispasseios realizados 
no PNLM, com o objetivo de perceber a desenvoltura dos guias durante o trajeto e as 
principais informações repassadas aos visitantes. Nesta sondagem, a observação do 
pesquisador é fundamental em que, sem identificar o propósito da pesquisa o mesmo avalia 
o desempenho do profissional em questão, guia de turismo e condutor de visitante, uma 
vez que, a identificação pode influenciar no comportamento do agente e consequentemente 
na coleta das informações. A quantidade de acompanhamentos nos passeios foram um total 
de 02 (dois), sendo comtemplados com acompanhamento aos atrativos dos Circuitos Lagoa 
Azul e Bonita (Apêndice IV). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
7. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
7.1 DESTINO DE ORIGEM DOS TURISTAS/VISITANTES E SUAS PERCEPÇÕES 
QUANTO À IMPORTÂNCIA DOS GUIAS DE TURISMO/CONDUTORES DE 
VISITANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DO PNLM. 
 
Após análise e tabulação dos resultados dos 90 questionários aplicados junto aos 
Turistas/Visitantes, foi possível verificar o Pais e Estado de origem conforme podemos 
observar nos Gráficos 01 e 02 abaixo. 
 
 
Gráfico 01: Percentual de turistas/visitantes 
entrevistados por país. 
 
 
Gráfico 02: Percentual de turistas/visitantes 
entrevistados por Estado 
FONTE: O Autor, 2017. FONTE: O Autor, 2017. 
 
Ao se verificar o Gráfico 01, se constata que a procedência de turistas Estrangeiros é 
de 4% e de 96% Brasileiros do total de entrevistados, registrando um pequeno aumento de 
3% em comparação com a quantidade de brasileiros no ano de 2011, que registrou um 
percentual de 93% conforme Figura 04. Enquanto que no Gráfico 02, se confirma a 
hegemonia do maior emissor de Turistas/Visitantes para a cidade de Barreirinhas, o Estado 
de São Paulo 34,88%, seguido do Maranhão 15,12%, Rio de Janeiro e Distrito Federal 
13,95% cada, confirmando assim a informação SEBRAE (2011, p. 97) ao analisar a 
procedência do turista que visita o município de Barreirinhas, constatou que na época 30% 
eram do Estado de São Paulo, destacando assim, o Estado como maior emissor de turistas 
para a cidade de Barreirinhas. 
Brasil 
96% 
Espanha 
4% 
País de Origem do 
Turista/Visitante 
15,12 
34,88 
3,49 
13,95 
8,14 6,98 
3,49 
13,95 
0,00
5,00
10,00
15,00
20,00
25,00
30,00
35,00
40,00
MA SP RO RJ CE PA TO DF
Estado de Origem dos 
Turistas/Visitantes 
39 
 
Quando perguntados quanto à sua percepção do preparo do Guia de 
Turismo/Condutor de Visitantes ao guia-lo nos atrativos do PNLM, 91% dos entrevistados 
afirmaram que o profissional era preparado, contra 9% que avaliaram como não 
preparados, o que reflete ainda na questão do tipo de informações que foram repassadas 
durante o passeio. Conforme se observa, o Gráfico 03 se equipara ao Gráfico 04, que trata 
da avaliação da qualidade e relevância das informações repassadas pelo Guia de 
Turismo/Condutor de Visitantes durante a visita ao atrativo. 
 
 
Gráfico 03: Preparo do Guia de 
Turismo/Condutor de Visitantes 
 
Gráfico 04: Qualidade e relevância das 
informações sobre o PNLM 
FONTE: O Autor, 2017. FONTE: O Autor, 2017. 
No que se refere à questão da preocupação e cuidados do Guia de Turismo/Condutor 
de Visitantes em relação à segurança do turista durante o passeio, todos os entrevistados 
afirmaram que se sentiram seguros e bem amparados pelos profissionais que os 
acompanharam. Entretanto houve reclamações de alguns turistas que contrataram o passeio 
e não tiveram um Guia de Turismo/Condutor de Visitantes que os acompanhasse, afetando 
a qualidade do passeio e das informações sobre o PNLM que foram relatadas como regular 
ou insatisfatória. Podendo ser este um dos fatores que influenciaram 9% dos entrevistados 
a alegarem insatisfação quanto ao preparo dos Guias de Turismo/Condutores de Visitantes, 
assim como o não repasse de informações de qualidade durante o passeio aos atrativos do 
PNLM. Entretanto foi observado que o veículo que os mesmos estavam não havia o 
acompanhamento de nenhum Guia de Turismo/Condutor de Visitantes, apenas o motorista 
que acumulava as funções de Motorista e de Condutor de Visitantes, comprometendo 
91% 
9% 
Sim. Era preparado
Não era preparado
91% 
9% 
Repassou informações de qualidade e
relevância
Não repassou informações de
qualidade
40 
 
assim a qualidade dos serviços prestados, ficando aquém do esperado. Diante do ocorrido 
fica evidente a necessidade de mais fiscalização por parte do Órgão Gestor da UC para 
evitar que fatos como estes se tornem naturais e se transformem em estatística da má 
qualidade na prestação de serviços, gerando propaganda negativa do destino, indo de 
encontro ao que determina Portaria Nº 199/2017 da UC que exige que todos os grupos 
sejam conduzidos por Guias de Turismo e por Condutores de Visitantes. 
Os Condutores de Visitantes enquanto profissionais atuantes do PNLM são de suma 
importância para a preservação ambiental e sustentabilidade do UC, pois conforme se 
observa nos dados dos Gráficos 05 e 06 demostram que os turistas que vieram a 
Barreirinhas e fizeram um dos Circuitos de visitação do PNLM acompanhados por Guias 
de Turismo/Condutores de Visitantes devidamente credenciados afirmam que ficaram 
satisfeitos com as informações a eles repassadas e que o profissional contribuiu com sua 
experiência de visitação ao Parque, avaliando a qualidade das informações como Muito 
Boa e Boa por 91% dos visitantes entrevistados aos considerarmos as duas variáveis. 
 
 
Gráfico 05: Contribuição positiva na 
experiência de visita ao PNLM. 
 
Gráfico 06: Nível de satisfação com 
qualidade das informações repassadas pelo 
Condutor de Visitantes no passeio ao PNLM 
FONTE: O Autor, 2017. FONTE: O Autor, 2017. 
 
Dentre as informações preliminares repassadas aos turistas pelos Guias de Turismo e 
Condutores de Visitantes consideradas de maior relevância pelos turistas foram sobre o 
PNLM, foram o tipo de vegetação predominante na região, sua importância na 
estabilização do avanço das dunas, animais encontrados, relevo, história e geografia local, 
91,11 
8,89 
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
80,00
90,00
100,00
Satisfeito Insatisfeito
62% 
29% 
7% 
2% 
Muito Boa Boa
Regular Insatisfatória
41 
 
bem como da localização, formação das dunas, municípios que compõem o parque, 
formação das lagoas e curiosidades como a origem dos peixes nas lagoas que secam e 
sobre a tartaruga Pininga (Trachemys adiutrix) tipo de cágado de água doce endêmica do 
PNLM. 
 
7.2 O GUIA DE TURISMO/CONDUTOR DE VISITANTES E SUA IMPORTÂNCIA 
PARA SUSTENTABILIDADE DO PNLM A PARTIR DE SUA PERCEPÇÃO 
COMO AGENTE TRANSFORMADOR DA REALIDADE LOCAL. 
 
Os Guias de Turismo/Condutores de Visitantes são os profissionais responsáveis 
pelo cuidado, segurança e qualidade das informações sobre o PNLM que são repassadas 
aos visitantes, assim como cuidar e preservar os ambientes naturais do parque. Tendo em 
vista a importância deste profissional para guiar os visitantes, durante a aplicação dos 
questionários da pesquisa foram levantadas informações quanto ao tempo de experiência e 
motivação de cada um para tornar-se Guia de Turismo/Condutor de Visitantes no PNLM. 
Ao analisar e tabular as respostas constatou-se que mais de 90% dos profissionais tem 
acima de 05 anos de exercício da atividade, conforme podemos ver no Gráfico 07. 
O Gráfico 08 demonstra o que motivou estas pessoas a seguirem esta profissão de 
Guia de Turismo/Condutor e mais da metade relatou que foi a oportunidade, seguida pela 
afinidade com a atividade, conforme vemos abaixo. 
 
Gráfico 07: Tempo de atuação do 
Guia/Condutor no PNLM 
 
Gráfico 08: Motivação para tornar-se Guia 
de Turismo/Condutor de Visitantes 
FONTE: O Autor, 2017. FONTE: O Autor, 2017. 
 
11% 
43% 
46% 
Até 04 Anos
De 05 a 10 Anos
Mais de 10 Anos
22,86 
25,71 
51,4342 
 
O que chamou atenção é que dos 35 entrevistados somente 04 profissionais fizeram 
algum curso de capacitação, na área ambiental, antes de trabalhar na área do Parque como 
Guia de Turismo/Condutor de Visitantes, sendo que destes apenas 01 fez o curso de Guia 
de Turismo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão – 
IFMA Campus Barreirinhas. 
Todos os Guias de Turismo e Condutores de Visitantes entrevistados afirmam que 
fizeram já passaram por capacitações para atuar no PNLM. A participação nas capacitações 
foi uma exigência do ICMBio para que os mesmos pudessem receber a Autorização para 
atuarem na condução de turistas nas dependências do Parque em atendimento às exigências 
das Portarias de credenciamento dos profissionais que atuam na UC. Dentre as 
capacitações feitas por estes profissionais estão os cursos de Monitor Ambiental realizado 
no ano de 2006 ofertado pelo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis – 
IBAMA; Competências Mínimas do Condutor pela Associação Brasileira de Ecoturismo e 
Turismo de Aventura – ABETA em parceria com o SEBRAE/MA em 2008, Cursos de 
Primeiros Socorros pelo Corpo de Bombeiros em parceria com Secretaria Municipal de 
Turismo e ICMBio, conforme comprovações de capacitações verificado junto às fichas 
cadastrais dos profissionais credenciados junto ao ICMBio. 
Os Guias de Turismo/Condutores de Visitantes que atuam no PNLM que 
participaram da pesquisa, 86% do total não tem vínculo empregatício com nenhuma 
empresa de turismo do município, atuando apenas como prestador de serviços temporário, 
no período da alta temporada do turismo entre os meses de julho a setembro, sem nenhuma 
garantia de segurança ou estabilidade. Dentre os pesquisados existem ainda aqueles que 
trabalham em outra atividade como forma de complementar a renda familiar conforme se 
observa nas Tabelas 01 e 02. 
 
Tabela 01: Vínculo empregatício com Agência de Viagem 
Empregado Formal X Prestador de Serviços 
Empregado Formal Prestador de Serviços 
14,29 85,71 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Tabela 02: Exercício de outra atividade que não seja Guia/Condutor para complementar a 
renda familiar 
Atividade complementar para aumento da renda familiar 
43 
 
Agente de 
Viagens 
Motorista 
Artesanato e 
produtos 
regionais 
Outras 
Atividades 
Guia de 
Turismo/Condutor de 
Visitantes 
17,14 17,14 5,71 14,29 45,71 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Quando solicitados a fazerem uma auto avaliação dos seus níveis de conhecimentos 
sobre a biodiversidade e geografia do PNLM, 54% dos entrevistados se consideram como 
Bom, 32% como Muito Bom, 14% se avaliaram com nível de conhecimento Excelente e 
nenhum dos entrevistados considerou-se como Regular, conforme constatado no Gráfico 
09. 
Considerando que os turistas ficaram satisfeitos com os serviços prestados pelos 
Guias de Turismo/Condutores de Visitantes pode-se observar que a auto avaliação dos 
profissionais corresponde às expectativas e satisfazem as curiosidades dos turistas ao 
repassarem as informações sobre o PNLM. 
 
 
Gráfico 09: Auto Avaliação do nível de conhecimento sobre a Biodiversidade e Geografia 
do PNLM 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
No Gráfico 10, é possível constatar que os principais roteiros feitos a partir do 
município de Barreirinhas pelos Guias de Turismo e Condutores de Visitantes são os da 
Lagoa Azul e Lagoa Bonita com 100%, este resultado se dá em função de serem os 
atrativos mais divulgados, portanto os mais procurados pelos visitantes/turistas. 
 
Excelente; 14,29 
Muito Bom; 31,43 
Bom; 54,29 
Regular; 0,00 
Excelente
Muito Bom
Bom
Regular
0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00
44 
 
 
Gráfico 10: Circuitos visitados no PNLM a partir de Barreirinhas. 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
O percentual de Guias de Turismo/Condutores de Visitantes que fazem os circuitos 
com maior frequência levam em média 05 grupos de turistas por semana e durante os 
passeios 89% dos profissionais repassam as informações sobre o PNLM de forma 
espontânea aos visitantes conforme descrito no Gráfico 11. 
 
Gráfico 11: As informações sobre o PNLM são repassadas de forma espontanea aos 
visitantes. 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Dos profissionais que participaram da pesquisa 63% dizem participar de associação 
ou cooperativa, conforme descrito no Gráfico 12 e quando indagados sobre o nome da 
entidade que participam a maioria ficou em dúvida. Esta dúvida é pertinente considerando 
que no município de Barreirinhas segundo informações dos próprios Guias de 
Turismo/Condutores de Visitantes já foram organizadas uma cooperativa e uma associação 
100,00 
100,00 
74,29 
71,43 
28,57 
0 
Circuitos Lagoa Azul
Circuitos Lagoa Bonita
Circuito Ponta dos Lençóis -
Região do Atins
Circuito Lagoa da Esperança
Travessia do PNLM
Circuito Foz do Rio Negro
0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00
89% 
11% 
Sim Não
45 
 
da classe e esta ultima está sendo reestruturada sob o nome de “Associação de Guias de 
Turismo e Condutores de Barreirinhas” conforme relato de um dos condutores de 
visitantes que atualmente exerce a função de secretário geral da referida associação, o 
quadro de sócios atualmente é de 55 (cinquenta e cinco) profissionais do ramo. 
 
 
Gráfico 12: Guia de Turismo/Condutor que está pertence a Cooperativa ou Associação da 
categoria. 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Conforme a Tabela 03, os Guias de Turismo/Condutores de Visitantes ao serem 
questionados sobre as ações, equipamentos e procedimentos adotados pelas agências de 
turismo para a sustentabilidade e segurança dos passeios ao PNLM, 74,29% informaram 
que as empresas fornecem: kit de primeiros socorros, sacolas plásticas para recolhimento 
do lixo produzido pelos visitantes e/ou encontrados durante o passeio. Dentre os que 
responderam afirmativamente, informaram ainda que algumas empresas possuem toyotas, 
tipo bandeirantes e hilux (representam a maioria dos veículos utilizados na região para 
transporte de turistas no parque) com assentos com cintos de segurança para melhor 
acomodação e segurança durante os passeios. No entanto, 25,71% informaram que não 
recebem qualquer tipo de suporte das agências quanto aos itens de segurança e que a 
questão da sustentabilidade do PNLM, é uma preocupação pessoal deles, “pois é daquele 
local que retiram o sustento de suas famílias e que preservar é cuidar do seu local de 
trabalho”, conforme respondeu um dos entrevistados. 
Ao compararmos comprometimento das empresas e seus Guias de 
Turismo/Condutores de Visitantes como seus prestadores de serviços comparando as 
Tabelas 03 e 04 observa-se que os Guias de Turismo se mostram mais preocupados com a 
sustentabilidade ambiental do PNLM do que as próprias empresas que os contratam, ao se 
63% 
37% 
Sim Não
46 
 
levar em conta que nem todas dotam seus prestadores de serviços com equipamentos 
mínimos como sacos de lixo para coleta de resíduos encontrados ou produzidos durante os 
passeios, e que 100% dos entrevistados demonstram algum grau de preocupação, até 
mesmo elevada, com a questão da sustentabilidade ambiental do PNLM. 
 
Tabela 03: Fornecimento de equipamentos de segurança e preocupação das Agencias de 
Viagens com a sustentabilidade do Parque. 
A Agência de Viagem fornece algum tipo de equipamento de segurança para os turistas 
e se preocupa com sustentabilidade ambiental do PNLM durante o passeio 
%Sim %Não 
74,29 25,71 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Tabela 04: Grau de preocupação dos Guias de Turismo/Condutores com a sustentabilidade 
do PNLM 
Grau de preocupação dos Guias de Turismo/Condutores com a sustentabilidade do 
PNLM 
%Pouco Preocupado %Preocupado %Muito Preocupado 
0,00 11,43 88,57 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Para os Guias de Turismo e Condutores de Visitantes atuarem dentro do Parque, o 
Órgão Gestor da UC exige critérios mínimos como capacitação sobre o Plano de Manejo, 
sobre as regrasde uso do PNLM e conhecimentos sobre a área a todos os profissionais. 
Com isso, espera-se que estes profissionais tenham condutas que contribuam positivamente 
com preservação e sustentabilidade do parque. No Gráfico 13 observamos as principais 
condutas adotadas pelos Guias de Turismo e Condutores de Visitantes por meio de ações 
periódicas de limpeza das trilhas e lagoas; orientações preliminares sobre o PNLM, regras 
de uso e Plano de Manejo, essas condutas adotadas tem o objetivo de sensibilizar os 
visitantes sobre a importância em conservar o parque. 
 
47 
 
 
Gráfico 13: Conduta adotada pelos Guias de Turismo/Condutores que contribuem 
positivamente com a conservação do PNLM 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Ao analisar os dados da pesquisa observa-se que os guias sentem falta de apoio do 
poder público nas esferas municipal, estadual e federal, com reclamações sobre a falta de 
cursos de longa duração que os possibilitem novas formações como a Guia de Turismo, 
além de capacitação para formação em idiomas. Nas Tabelas 05 e 06, temos um panorama 
da visão dos Guias de Turismo/Condutores de Visitantes sobre a existência ou 
conhecimento de ações de incentivo do Poder Publico e Parcerias com o ICMBio. 
 
Tabela 05: Existência de algum tipo de incentivo do Poder Público para os Guias e 
Condutores para melhorar a atividade de guiamento dentro do PNLM. 
Sim. Existe Incentivo Não Existe Incentivo Desconhece 
08 20 07 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Tabela 0 6: Existência de alguma parceria dos Guias e Condutores de visitantes com o 
ICMBio. 
Sim Não 
00 35 
FONTE: O Autor, 2017. 
 
Alguns entrevistados relataram conhecer ações de capacitações com apoio da 
Secretaria de Turismo do Município e do Governo do Estado através do Instituto de Ensino 
40% 
38% 
18% 
4% 
Orientações preliminares sobre o
PNLM, suas regras de uso e Plano
de Manejo
Leva saco de Lixo para recolher o
lixo produzido ou encontrado
durante o passeio
Participa de Ações de Limpeza das
lagoas e trilhas do PNLM
Não Respondeu
48 
 
do Maranhão - IEMA, mas que estas ações são de curta duração e não trazem nenhuma 
novidade em termos de conhecimento para eles. 
Nos relatos surge a demanda por cursos de longa duração como o Curso Técnico de 
Guia de Turismo e que o mesmo fosse adequado a carga horária para funcionar em horário 
que não interfira na sua rotina de trabalho diária, levando em conta que na maioria das 
vezes chegam tarde dos passeios por enfrentarem longas filas na travessia das balsas que 
dão acesso ao PNLM e que a maioria dos cursos geralmente iniciam as 18:00 horas e 
quando finalizam suas atividades laborais diárias geralmente é próximo das 20:00 horas. 
Em entrevista com um dos analistas ambientais do ICMBio, o mesmo relatou a 
existência de um trabalho de voluntariado com cerca de 35 (trinta cinco) Guias de Turismo 
e Condutores de Visitantes que atuam como voluntários em um Programa de Voluntariado 
da UC, auxiliando no monitoramento e uso público do PNLM, entretanto dentro do rol de 
entrevistados nenhum relatou ter algum tipo de parceria com o ICMBio. 
 
7.3 ACOMPANHAMENTO E MONITORAMENTO DO TRABALHO DOS GUIAS DE 
TURISMO E CONDUTORES DE VISITANTES DURANTE PASSEIO AOS 
CIRCUITOS LAGOA AZUL E BONITA 
 
Foi realizado o acompanhamento para análise do trabalho dos Guias de Turismo e 
Condutores de Visitantes em 02 (dois) passeios programados ao PNLM, sendo 01 (um) 
para o Circuito Lagoa Azul e outro, ao Circuito Lagoa Bonita. 
Os passeios tiveram início sempre na porta da Agencia de Viagem, onde o Guia de 
Turismo/Condutor de Visitantes, informou ao grupo os procedimentos para embarque e 
explicou o roteiro e percurso que seria feito durante o passeio e perguntou se todos tinham 
água, informando logo em seguida que teria uma parada em um comércio para compra de 
agua e lanches. Após seguir para a travessia da balsa, o carro parou e o guia solicitou que 
todos descessem com cuidado para não machucar os pés ou bater a cabeça. 
Enquanto o grupo aguardava os outros carros atravessarem a balsa o guia falou sobre 
o Rio Preguiças e mata ciliar e importância dos buritizais para o rio e para as famílias que 
vivem do artesanato da fibra do buriti. 
Após a travessia do rio, o grupo foi informado que o percurso até a lagoa era de trilha 
e para as pessoas que estavam nas laterais dos veículos tomarem cuidado com seus 
pertences para não deixar cair e tomar cuidado com os galhos de mato para que ninguém se 
machucasse. 
49 
 
Ao longo da trilha, em nenhum dos 02 (dois) circuitos foi feito nenhuma parada para 
explicar sobre a vegetação, somente ao chegarmos na parada final é que o Guia/Condutor 
conversou com todos e explicou sobre o tipo de vegetação que predomina do PNLM e a 
formação das dunas e lagoas. Em seguida solicitou que cada um pegasse sua água e o 
seguisse até as lagoas referente ao circuito visitado (na área da lagoa azul o Guia/Condutor 
levou o grupo até a lagoa do peixe, onde ele explicou que a mesma é perene e que se 
mantém com agua para banho ao longo do ano.) enquanto que na área da Lagoa Bonita o 
guia/condutor mostrou um panorama diferente, com visual com dunas e lagoas e ampla 
vegetação e mostrou a lagoa do clone, nome este que ela recebeu por ser o set de gravação 
da Novela “O Clone”. 
No final da tarde o Guia/Condutor chamou a todos os integrantes do grupo para 
voltarem para o local onde o carro ficou estacionado para voltarmos, entretanto antes do 
final na duna mais elevada ele pediu que o grupo parasse para ver o belíssimo por do sol e 
somente após este espetáculo é que o grupo desceu para embarcarem no veículo para 
voltarem à cidade. 
A experiência do monitoramento destes passeios nestes 02 (dois) circuitos foi de 
grande valia para este trabalho, pois durante o passeio foi possível verificar in loco como é 
feito o passeio com um olhar diferenciado de pesquisador, remetendo a uma experiência 
totalmente diferente de tudo que já havia feito, percebendo detalhes pequenos como a 
explicação sobre o avanço da areia e formação das dunas e como as pessoas ficam 
encantadas com tanta beleza. 
Diante da experiência vivenciada neste monitoramento foi possível constatar que a 
aprovação do trabalho dos Guias/Condutores é válida e realmente fazer um passeio como 
este com um profissional que conhece e sabe repassar as informações sobre o PNLM é 
uma experiência enriquecedora e contribui e muito para a experiência de visitação. 
Durante o trabalho de campo foi possível verificar, que os Guias/Condutores fazem 
um trabalho ambiental e contribuem com a preservação do PNLM com suas explicações 
sobre o ecossistema e trabalho de recolhimento do lixo encontrado durante o passeio. 
O Monitoramento e verificação in loco foi realizado nos circuitos Lagoa Azul e 
Lagoa Bonita e durante o monitoramento foram analisados os comportamentos, tanto dos 
Guias de Turismo/Condutores de Visitantes quanto dos visitantes/turistas. 
Durante o acompanhamento dos grupos, foram analisadas as qualidade das 
informações, assim como sua relevância para experiência do visitante no ambiente 
50 
 
visitado, o grau de preocupação com segurança e ordem do grupo e nível de preocupação 
com sustentabilidade ambiental da UC e cuidados com o lixo produzido e encontrado. 
O monitoramento e verificação in loco realizado nos dois circuitos permitiu uma 
análise mais aprofundada dos comportamentos, tanto dos Guias de Turismo/Condutores de 
Visitantes quanto dos visitantes/turistas. 
 
7.4 O PAPEL DO ICMBIO COMO ÓRGÃO GESTOR DO PNLM E SUA ATUAÇÃO 
COMO AGENTE FISCALIZADOR E PROMOTOR DA SUSTENTABILIDADE 
AMBIENTAL. 
 
O ICMBio enquanto Órgão Gestor do PNLM tem suas atribuições regulamentadas 
pela Lei nº 11.516, de 28 de agosto de 2007 e pelo Plano de Manejo da UC, e dentre as 
atribuições legais tem a responsabilidade sobre o ordenamento do uso publico, ações de 
fiscalização, orientação e capacitação.Em entrevista com o Analista Ambiental do ICMBio, o mesmo relatou que existe um 
o credenciamento dos prestadores de serviços turísticos do PNLM, e que a qualquer 
momento o profissional pode solicitar, mas o mesmo deve apresentar as comprovações 
exigidas, incluindo comprovação de conhecimento sobre a biodiversidade, geografia, 
regras de uso público e Plano de Manejo da UC. 
Quanto ao monitoramento e fiscalização do PNLM, atualmente o órgão conta com 
um quadro reduzido de servidores para este fim, contando com apenas 03 (três) Analistas 
Ambientais e 01 (um) Fiscal para atuar em um Parque com a imensa extensão territorial 
que abrange os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz, 
totalizando uma área de 155 mil hectares. 
Para auxiliar nos trabalhos de fiscalização o órgão conta com a parceria do município 
de Barreirinhas que cedeu ao órgão 01 (um) motorista e 01 (um) piloto de embarcação, e 
realizam ações conjuntas com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barreirinhas e 
Batalhão da Polícia Ambiental quando realiza grandes operações de fiscalização. 
Com o intuito de ampliar o alcance das ações de monitoramento e evitar a entrada de 
veículos automotores no interior do PNLM foi dado inicio a um Programa de Voluntariado 
no início do ano de 2017 em parceria com os Guias de Turismo e Condutores de Visitantes 
que trabalham com a condução de turistas na Travessia do Parque, atuando assim no 
monitoramento e fiscalização de atividades potencialmente poluidoras ou vão contra as 
regras de uso e do Plano de Manejo do Parque. 
51 
 
O órgão não tem uma rotina de diálogos frequente com os Guias de Turismo e 
Condutores de Visitantes que atuam na UC, somente com o representante do segmento que 
tem assento como Conselheiro do Conselho Consultivo do Parque que se reúne poucas 
vezes durante o ano. 
O ICMBio não dispõe de nenhum programa de capacitação para os Guias de Turismo 
e Condutores de Visitantes ou mesmo tem reprodução de algum tipo de material educativo 
relacionado à sustentabilidade, educação ambiental e biodiversidade do PNLM que reforce 
ou ajude na formação dos Guias de Turismo ou dos Condutores de Visitantes. Segundo o 
Analista entrevistado a previsão é que se tenha algo neste sentido quando finalizar a 
construção do Centro de Visitantes do PNLM que está em andamento. 
No que trata do monitoramento do uso público com controle de entrada e saída de 
Guias de Turismo e Condutores de Visitantes ainda não existe nenhum controle, entretanto 
na nova Portaria que regulamenta a prestação de serviços turísticos na UC prevê o repasse 
destas informações pelas Agencias de Viagens do quantitativo de grupos e responsável 
pelo acompanhamento do grupo no passeio. Há inclusive busca de parceria com 
instituições de ensino de nível superior para criação de um aplicativo para facilitar este 
monitoramento por meio digital. 
Diante de tantas dificuldades elencadas, que desfavorecem ações de fiscalização e 
dificultam a preservação e sustentabilidade ambiental, o PNLM ainda não possui um 
estudo de capacidade de carga que limite a visitação diária aos seus atrativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
8. CONCLUSÃO 
 
O Brasil é umas das referencias mundiais como destino para quem é praticante do 
Turismo de Aventura, uma prática que está diretamente ligada ao Ecoturismo. Neste 
contexto, a criação de Unidades de Conservação em todo o território Nacional tendeu a 
proteger estes ambientes naturais contra a degradação ambiental causada pelo uso 
desordenado dos seus recursos, disciplinando por meio de normas a forma como devem ser 
utilizados. 
Com este olhar conservacionista nasce então, a preocupação de desenvolver o tripé 
do desenvolvimento visando a inter-relação entre econômico, sociocultural e ambiental 
como forma de alcançar a sustentabilidade ambiental do meio sem esgotar a capacidade de 
renovação da natureza para que as gerações futuras também a desfrutem. 
Vimos ainda a importância do trabalho desenvolvido pelos profissionais que atuam 
como Guias de Turismo e Condutores de Visitantes e seu papel como agente multiplicador 
dos ideais conservacionistas e preservacionistas nas UCs, contribuindo para o despertar de 
uma consciência ecológica nos turistas que visitam destinos ecoturísticos com belezas 
cênicas raras como as do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Um dos fatores que 
contribuem para esta melhoria nos serviços prestados por estes profissionais aos visitantes 
é fato de todos os Guias e Condutores de Visitantes credenciados para aturem no Parque 
obrigatoriamente tem que comprovar os conhecimentos por meio da apresentação de 
certificados conforme exigido pelo ICMBio. 
O trabalho dos Guia de Turismo e dos Condutores de Visitantes é de grande 
relevância para a experiência do turista ao visitar o PNLM e o repasse de informações, 
sobre o Plano de Manejo, normas de visitação, biodiversidade e geografia da UC são 
determinantes no elevado índice de satisfação dos que visitaram o parque. 
Ficou evidente ainda a necessidade de maior aporte na quantidade de fiscais e 
analistas ambientais para atuar na fiscalização da UC. 
A experiência de quem fez os passeios sem o acompanhamento de Guias de Turismo 
ou Condutores de Visitantes ficou muito comprometida com grau elevado de insatisfação 
por receber informações mínimas ou nenhum tipo de informação durante o passeio por ter 
somente o motorista como acompanhante, fator este que vai contra as Normas de Visitação 
do PNLM que exige o acompanhamento de todo grupo de turistas por Guias de 
Turismo/Condutores de Visitantes credenciados. 
53 
 
Na realização do monitoramento do passeio in loco como observador junto com o 
grupo de visitantes os condutores realizaram um trabalho de guiamento de qualidade, 
confirmando assim o que os turistas já haviam relatado sobre a qualidade e relevância das 
informações repassadas, que contribui com vivência e experiência no destino visitado. 
O ICMBio como órgão gestor da UC, tenta fazer o máximo para manter uma 
fiscalização adequada, mas não tem infraestrutura nem recursos humanos para tal, e no que 
diz respeito ao fornecimento de materiais educativos e informativos sobre o PNLM, e 
capacitação para os Guias de Turismo e Condutores de Visitantes é insignificante. O órgão 
a muito tempo aguarda a finalização do centro de visitantes onde poderá ter algum material 
informativo ao visitante e de apoio à capacitação e orientação dos profissionais que atuam 
na UC. Enquanto isto o que resta é esperar e continuar contando com a atuação dos Guias 
de Turismo e Condutores para que os visitantes continuem tendo esta experiência impar 
que é conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
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57 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
 
I – ENTREVISTA - ICMBio 
 
Nome do Entrevistado:________________________________________________ 
Cargo/Função:_______________________________________________________ 
 
01. Existem ações (projetos ou programas) do ICMBio no PNLM que incluam guias de 
turismo e condutores no processo? Quais? 
 
02. Qual a frequência de diálogo entre ICMBio enquanto órgão gestor do PNLM e os guias 
de turismo ou condutores de visitantes? 
 
03. Existe algum material educativo do ICMBio relacionado ao PNLM que é repassado 
para reforçar a formação dos guias de turismo e condutores sobre a sustentabilidade, 
educação ambiental e biodiversidade local? 
 
04. Existe algum monitoramento do ICMBio quanto à entrada dos guias de turismo e 
condutores na área do PNLM? Há algum cadastro ou credenciamento? Como acontece? 
 
05. Existem capacitações para guias e condutores ofertadas pelo ICMBio que visem o 
aprimoramento e fortalecimento de seus conhecimentos sobre o Plano de Manejo do 
PNLM? 
 
06. Existem ocorrências sobre a má conduta de guias de turismo ou condutores que 
comprometam a sustentabilidade ambiental do PNLM? 
 
07. O ICMBio faz uso de alguma ferramenta de controle que contribua para fiscalização e 
uso público dos atrativos do PNLM e que controle o quantitativo de visitantes que cada 
atrativo/roteiro recebe diariamente? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
II – ENTREVISTA - GUIAS DE TURISMO/CONDUTORES – QUESTIONÁRIO 
 
Nome do Guia/Condutor: ______________________________________________ 
 
1. Há quanto tempo trabalha como Guia de Turismo/Condutor e Visitantes no PNLM? 
 
 
2. Você possui o cadastro junto ao Ministério do Turismo (Cadastur)? 
 
 
3. Caso seja credenciado ao Ministériodo Turismo, qual categoria está apto(a)? 
 
 
4. Porque decidiu trabalhar como Guia de Turismo/Condutor e Visitantes no PNLM? 
( ) Necessidade ( ) Afinidade ( ) Oportunidade 
 
5. Tem conhecimento das Normas de Visitação e do Plano de Manejo do PNLM? 
( ) Sim ( ) Não 
 
6. Atualmente trabalha só como Guia de Turismo/Condutor de Visitantes e sua renda é 
proveniente só desta atividade ou tem outra atividade/serviço para complementar sua 
renda? Qual? 
( ) Sim ( ) Não 
 
Em caso negativo. Qual a outra atividade que exerce para complementar sua renda? 
 
 
7. Tem vinculo empregatício com alguma empresa de turismo? 
( ) Sim ( ) Não 
 
8. Como você avalia o seu nível de conhecimento sobre a biodiversidade do PNLM e suas 
características geográficas? 
( ) Excelente ( ) Muito Bom ( ) Bom ( ) Regular 
 
9. Você possui alguma parceria com o ICMBio? 
( ) Sim ( ) Não 
 
Em caso afirmativo como acontece? 
 
10. Está conveniado a alguma Cooperativa ou Associação de Classe dos Guias de Turismo 
e Condutores de Visitantes que atuam no PNLM? 
( ) Sim ( ) Não 
 
Em caso afirmativo. Qual?______________________________________________ 
 
11. Fez algum curso de capacitação na área ambiental, e sobre o PNLM antes de trabalhar 
na área do Parque como Guia de Turismo/Condutor de Visitantes? 
( ) Sim ( ) Não 
Em caso afirmativo. Qual o nome da entidade realizou a Capacitação? 
 
60 
 
12. Quais roteiros que você costuma trabalhar dentro do PNLM? Em média você faz 
quantos passeios com grupos de turistas durante a semana? 
 
13. Você transmite informações sobre os atrativos durante o passeio de forma espontânea 
ou apenas quando o visitante pergunta? 
( ) Sim ( ) Não. Somente quando o visitante pergunta 
 
14. As Agências de Turismo dotam o guia de turismo ou condutor com os equipamentos 
necessários para segurança dos passeios? 
( ) Sim ( ) Não 
 
Em caso afirmativo. Quais são os itens/equipamentos de Segurança utilizados? 
 
 
15. Qual o seu nível de preocupação com a sustentabilidade do PNLM? 
( ) Pouco preocupado ( ) Preocupado ( ) Muito Preocupado 
 
16. Existe algum incentivo do Poder Público (Secretaria de Turismo do Estado ou do 
Município) para melhorar a atividade de guiamento dentro do PNLM? 
( )Sim ( ) Não ( ) Desconhece 
 
Em caso afirmativo. Como se dá esse incentivo? 
 
17. Qual sua conduta durante o passeio para contribuir positivamente com a conservação 
do PNLM? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
III – ENTREVISTA COM VISITANTES 
 
Nome do Entrevistado:________________________________________________ 
UF/Estado: ______________________________ País:_______________________ 
 
1 - Você achou o guia de turismo ou condutor preparado para guia-lo dentro do PNLM? 
( ) Sim ( ) Não 
 
2 - Que tipo de informações você recebeu durante o passeio? 
 
3 - A qualidade das informações repassadas durante o passeio ao PNLM foram relevantes 
em sua experiência de visitação? 
( ) Sim ( ) Não 
 
4 - O guia de turismo/condutor contribuiu com sua experiência de viagem relatando sobre 
curiosidades sobre o PNLM? 
( ) Sim ( ) Não 
 
5 - Como você avalia a qualidade das informações repassadas durante o passeio ao PNLM? 
( ) Muito Bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) 
Insatisfatória 
 
6 - O guia de turismo/condutor se preocupou com sua segurança durante o passeio ao 
PNLM? 
( ) Sim ( ) Não 
 
7 - Com quantos guias de turismo ou condutores você teve contato durante sua estada em 
Barreirinhas? 
 
8 - Qual sua sugestão de melhoria na atividade e serviços dos guias de turismo e 
condutores durante o passeio ao PNLM? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 
IV – Monitoramento em PASSEIO 
 
Empresa: ___________________________________________________________ 
Guia / Condutor: _____________________________________________________ 
 
1 - O guia deu informações iniciais e necessárias para o passeio? 
 
 
2 - O guia fez paradas para dar interpretação ambiental sobre fauna, flora ou informações 
geográficas? 
 
3 - O guia de turismo ou condutor está identificado com crácha ou credencial? 
( ) Sim ( ) Não 
 
4 - O guia mostra preocupação com a ordem no grupo em que está guiando? 
( ) Sim ( ) Não 
 
5 - O guia de turismo ou condutor demonstrou segurança no repasse das informações sobre 
o ecossistema do PNLM e sua importância durante o passeio? 
 
6 - O guia de turismo ou condutor repassou informações sobre segurança e coleta do lixo 
gerado durante o passeio? 
 
7 - Quais os atrativos contemplados no passeio? 
 
8 - Qual a atenção que o guia dá para o lixo gerado e encontrado durante o passeio? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
OFERTA TURÍSTICA DO MUNICÍPIO DE BARREIRINHAS/MA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
MAPA DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO ESTADO MARANHÃO.

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