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<p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1288</p><p>7 - PLANEJAMENTO E GESTÃO DO TURISMO</p><p>Este eixo temático propôs uma reflexão a respeito do planejamento e da</p><p>gestão do turismo a partir das políticas públicas e dos planos de</p><p>desenvolvimento turístico, assim como suas repercussões nas localidades</p><p>que vivenciam o processo de turistificação. Buscou-se ainda, analisar a</p><p>dinâmica das inter-relações entre os atores, as metodologias de</p><p>planejamento participativo, os paradigmas empresariais no turismo, os</p><p>instrumentos de avaliação, os indicadores, os mercados e a comunidade</p><p>no turismo com base local.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1289</p><p>A DEMANDA TURÍSTICA REAL: UM ESTUDO DE CASO DOS VISITANTES DA</p><p>CIDADE DE DIAMANTINA/MG</p><p>Juliana Medaglia Silveira, MSc.</p><p>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM</p><p>julianamedaglia@hotmail.com</p><p>Carlos Eduardo Silveira, Dr.</p><p>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM</p><p>julianamedaglia@hotmail.com</p><p>RESUMO</p><p>O artigo que segue apresenta os primeiros resultados da pesquisa de demanda</p><p>realizada em Diamantina com Turistas que a visitaram entre 08 e 19 de maio de</p><p>2009. Destaca-se que Diamantina, além de patrimônio da humanidade e tombada</p><p>como patrimônio nacional, é um dos 65 destinos indutores do referido programa</p><p>do Governo Federal, e apesar de algumas iniciativas isoladas é a primeira vez</p><p>que a cidade é alvo de uma pesquisa de demanda realizada de forma sistemática</p><p>e aprofundada. Trata-se, portanto, de um estudo da demanda real do destino,</p><p>para o qual alunos do curso de Turismo da UFVJM aplicaram questionários,</p><p>previamente testados, com 215 turistas em pontos da cidade definidos através de</p><p>seleção de atrativos mais freqüentados, tendo obtido um total de 185</p><p>questionários válidos. A amostra foi aleatória, baseada na visitação desses</p><p>atrativos nos dias de aplicação dos questionários. Os resultados foram tabulados</p><p>com a ajuda de bolsistas de iniciação científica e apresentados em forma de</p><p>gráficos e tabelas, a fim de permitirem comparações com as próximas edições,</p><p>visando a criação de uma série histórica. Os principais objetivos deste artigo</p><p>foram, baseado nos resultados desta pesquisa, aliar as teorias utilizadas nas</p><p>disciplinas de Marketing e Planejamento Turístico ao desenvolvimento do turismo</p><p>de Diamantina, demonstrando a importância do conhecimento acerca do público-</p><p>alvo do destino para a gestão do turismo local. Os resultados iniciais confirmam</p><p>algumas impressões generalizadas sobre o público que freqüenta a cidade, mas</p><p>também apresenta dados que fogem do senso comum. Entre os dados</p><p>previamente conhecidos que foram confirmados, concluiu-se que os principais</p><p>freqüentadores de Diamantina são belorizontinos que viajam com família, em</p><p>veículo próprio nos fins de semana. Já entre os dados que apresentaram</p><p>novidades estão o fato da imagem da cidade estar mais relacionada à cultura</p><p>como um todo e não particularmente aos espetáculos musicais que acontecem no</p><p>destino, além da ampla faixa de renda e alta escolaridade dos turistas.</p><p>Palavras Chave: Turismo, Pesquisa de Demanda Real, Diamantina.</p><p>ABSTRACT</p><p>The following article presents the first results of the demand research carried out</p><p>with tourists who visited Diamantina between 8 and 19 of May 2009. It is important</p><p>to highlight that even though Diamantina is both World and National Heritage City</p><p>as well as one of the 65 main Brazilian Destinations according to the current</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1290</p><p>National Policy, this is the first time a tourism demand research takes place in a</p><p>systematic and thorough way. The article presents, therefore, a study of the actual</p><p>tourist demand of the destination for which Tourism undergraduate students of</p><p>UFVJM carried a survey (that had been previously tested) with 215 tourists in</p><p>predetermined spots in the city chosen according to the yearly amount of visitors.</p><p>The final number of validated forms numbered 185, and compounded the random</p><p>sample based on the number of visitor in each chosen site during the period of</p><p>data collection. The results have been arranged in tables and graphs in order to be</p><p>compared to future editions targeting the creation of historical data. The main</p><p>goals of this article were compare theories used on Marketing and Tourism</p><p>Planning disciplines and increase the participaton of the academy in the local</p><p>tourism development, based on the research results, thus emphasising the</p><p>importance of knowing the target consumers in order to develop local tourism in</p><p>accordance to their carachteristics. The initial results reinforced some foreknown</p><p>impressions and also brought some new information. It has been confirmed, for</p><p>instance, that most of Diamantina visitors come from Belo Horizonte, in the</p><p>weekends, with their families driving their own cars. However, in terms of image, it</p><p>has been found out that people consider Diamantina as a cultural destination, in</p><p>general terms, not only related to the specific music shows that take place in the</p><p>city. Also it has been surprising the wide range of incomes declares by the</p><p>respondents, as well as the high education level of the tourists.</p><p>Key words: Tourism, Actual Demand Research, Diamantina.</p><p>1. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS DE</p><p>DEMANDA PARA O TURISMO</p><p>Atualmente a sociedade e os processos produtivos passam por</p><p>transformações significativas. A globalização avança sobre as sociedades de</p><p>forma acelerada, re-criando modelos sociais que vão desde a re-organização de</p><p>núcleos familiares a transformações profundas no mercado de trabalho, gerando</p><p>entre outras conseqüências, cenários extremamente competitivos. A relação entre</p><p>globalização e aumento da concorrência foi apresentada pela Organização</p><p>Mundial do Turismo (OMT, 2004:25) ao afirmar que em 1959 os quinze primeiros</p><p>destinos do mundo contabilizavam 87% das chegadas internacionais, em 1970</p><p>este número era de 75% e já em 2000 somente 62%. Assim, o estudo do</p><p>fenômeno turístico vem acompanhando as transformações da sociedade</p><p>contemporânea e, a partir das diversas áreas que interagem na atividade turística</p><p>(acordes ao caráter inter e multidisciplinar do fenômeno), vem desenvolvendo,</p><p>investigando, pesquisando e criando seus próprios estudos e teorias, em um</p><p>processo claro de amadurecimento, profissionalização e até mesmo</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1291</p><p>popularização do acesso ao turismo e ao lazer para as demais camadas da</p><p>população.</p><p>Neste processo, a necessidade de conhecer o perfil do turista real de uma</p><p>destinação turística é um dos primeiros passos para o desenvolvimento do</p><p>planejamento estratégico de um destino, que deve sempre buscar o equilibro</p><p>entre a oferta e demanda em suas proposições. Assim, o estudo da demanda é</p><p>vital para o êxito dos destinos turísticos, seja para a adequação da oferta fren te às</p><p>necessidades e desejos de seus consumidores; seja para a produção da</p><p>quantidade real de produtos e serviços de maneira que garanta a rentabilidade de</p><p>uma determinada empresa ou organização (Medaglia, 2005).</p><p>Estes estudos tornam-se ainda mais essenciais ao se considerar que, de</p><p>acordo com Mazón (2001:97) “estamos assistindo a uma série de mudanças</p><p>sociais, e sendo os turistas elementos ativos desta sociedade, é seguro que esta</p><p>nova realidade repercutirá devidamente sobre o turismo.”, ou seja, é essencial</p><p>para o turismo contemporâneo conhecer estes turistas,</p><p>turístico local, os</p><p>entrevistados, preocupados, queixaram-se da falta de presença institucional do</p><p>ICMBio e de gestão da UC. Devido à falta de compromisso do governo com a</p><p>questão ambiental, as poucas ações que a equipe do ICMBio consegue promover</p><p>não chegam a ter grande visibilidade, pois os órgãos de meio ambiente no Brasil</p><p>encontram-se desestruturados e não há gestão participativa de fato, que envolva a</p><p>comunidade local. É necessário um bom planejamento e contar com a ação de</p><p>parcerias.</p><p>A falta de vontade política em executar bons planos para o desenvolvimento</p><p>da região, já existentes, e em cuidar da qualidade da educação e do meio ambiente,</p><p>foi apontada com unanimidade pelos entrevistados como o principal obstáculo para</p><p>o alcance da sustentabilidade do turismo na região estudada.</p><p>Quanto ao estágio de desenvolvimento do turismo local, a equipe da APA</p><p>Costa dos Corais aponta a necessidade do diagnóstico, iniciado com esta análise</p><p>preliminar, para o planejamento da gestão do turismo na UC, como um todo, visando</p><p>à sustentabilidade da atividade: afirmam que a situação não está boa, não há</p><p>planejamento nem diagnóstico visando o turismo sustentável e que não há visão de</p><p>longo prazo e nem planejamento na prática profissional cotidiana. No entanto, as</p><p>análises mais localizadas diferiram entre os dois municípios estudados. Enquanto</p><p>Tamandaré foi definido como tendo um desenvolvimento ainda incipiente, sendo um</p><p>destino principalmente de veraneio, com poucos leitos, segundo o seu Secretário de</p><p>Turismo, que não atendem à demanda em alta estação, Maragogi é identificado,</p><p>pelos gestores locais, como o segundo polo turístico de Alagoas, perdendo em</p><p>movimento apenas para Maceió.</p><p>Um bom resultado, verificado neste estudo, foi identificar que as sugestões de</p><p>planos e ações a serem implementadas, visando ao desenvolvimento do turismo</p><p>com qualidade, de forma sustentável, gerando educação ambiental e inserção da</p><p>comunidade local na cadeia produtiva, foram muito parecidas, mesmo que tenham</p><p>sido originadas de visões tão diferentes. Foi identificado que os gestores locais</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1324</p><p>entrevistados tem um bom conhecimento da região e convergem quanto ao</p><p>diagnóstico de suas possibilidades e dificuldades.</p><p>Como já referido, foram entrevistados gestores públicos, ligados às áreas de</p><p>turismo e meio ambiente, nos dois municípios, assim como empresários. Verificamos</p><p>que o nível de conhecimento sobre as questões do turismo, por parte dos gestores</p><p>da área de meio ambiente, assim como a recíproca, foi muito bom. E vimos também</p><p>que, apesar da consciência sobre a necessidade de justiça social não estar tão</p><p>introjetada no empresariado do turismo quanto a questão da qualidade ambiental</p><p>(em nossa opinião e na da maior parte de nossos entrevistados), ela já começa a</p><p>tomar forma na condução dos trabalhos por uma boa parte dos gestores públicos.</p><p>Não ocorreu esta mesma constatação nas entrevistas com os empresários.</p><p>Identificamos também entre os entrevistados, de maneira geral, a ideia de que</p><p>a gestão pública participativa é uma necessidade premente, o que classificamos</p><p>como um resultado positivo neste levantamento.</p><p>Como ponto negativo, entendemos que o nível de educação básica, formal e</p><p>informal, da população daquela região é tão baixo, que dificulta muito os trabalhos</p><p>de capacitação para as atividades profissionais ligadas ao turismo, direcionados às</p><p>comunidades locais, o que atrapalha a possibilidade de inserção dos moradores do</p><p>entorno da APA na cadeia produtiva. Em relação a este ponto, o seu órgão gestor, o</p><p>ICMBio, que tem como objetivo institucional cuidar diretamente da gestão das UCs,</p><p>pode fazer muito pouco, pois educação básica é atribuição das Secretarias de</p><p>Educação do Município e Estado. Pode, institucionalmente, colaborar com a rede</p><p>pública de ensino nas questões de educação ambiental. No entanto, através de um</p><p>trabalho bem feito neste sentido, podem-se obter bons resultados, pelo menos no</p><p>tocante ao uso do patrimônio natural e cultural nas atividades econômicas locais.</p><p>Mais uma vez, trata-se de uma questão fundamentalmente dependente do empenho</p><p>e vontade política para o desenvolvimento regional no Nordeste.</p><p>6 PROPOSIÇÕES PARA A GESTÃO DA APA COSTA DOS CORAIS</p><p>Tendo em vista o que foi levantado através da análise das entrevistas, em</p><p>relação a pontos desfavoráveis e obstáculos, encontramos as opiniões dos diversos</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1325</p><p>gestores do turismo em Maragogi e Tamandaré, sejam integrantes do poder público</p><p>ou empresários, consonantes com o que levantamos na introdução deste trabalho.</p><p>Afirmamos o mesmo em relação aos pontos favoráveis e sugestões para aliar a</p><p>qualidade do turismo com a proteção ambiental e a justiça social. Objetivamos</p><p>então, neste item, propor algumas ações que auxiliem à APA Costa dos Corais em</p><p>seu trabalho de gestão da atividade turística, como meio de alcançar os objetivos de</p><p>criação da UC.</p><p>5.1 Agilizar a Formação de seu Conselho Gestor</p><p>Cada entrevistado foi visitado separadamente, em seu local de trabalho, e foi</p><p>identificado que a análise dos problemas feita por todos foi bem parecida. Mas, na</p><p>prática, eles não estão conversando entre si. Entendemos que o conselho criado e</p><p>efetivamente em funcionamento, será o instrumento adequado para conciliar os</p><p>diversos interesses e saberes locais, como forma de otimizar a gestão da UC, seja</p><p>em relação ao desenvolvimento do turismo, seja em outras questões.</p><p>5.2 Elaborar seu Plano de Manejo de forma Participativa</p><p>A nossa proposta, aqui, é de que o Plano de Manejo desta UC seja elaborado</p><p>da forma amplamente participativa, de preferência após a formação do conselho</p><p>gestor, que possibilitará que a sociedade civil e demais parceiros de entidades</p><p>públicas colaborem ativamente na construção deste documento. O Plano de</p><p>Manejo da APA Costa dos Corais é que realmente deverá definir, de forma</p><p>amplamente participativa, as diretrizes do seu Plano de Gestão Turística.</p><p>5.3 Criar um Centro de Visitação para a APA</p><p>Existe uma pequena demanda, não sistemática, de visitação ao escritório</p><p>onde está instalada, provisoriamente, a sede da APA, por alguns visitantes que vão</p><p>a Tamandaré, normalmente oriundos de áreas de trabalho ligadas à questão</p><p>ambiental, ou por turmas de estudantes universitários. De acordo com o que é</p><p>verificado em nossa experiência profissional, as UC´s que possuem Centro de</p><p>Visitação interagem muito melhor com a comunidade, além de funcionar como</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1326</p><p>atrativo para os turistas. Este deverá servir como espaço de promoção de sua</p><p>gestão participativa, local para o desenvolvimento de programas de educação</p><p>ambiental e conscientização para o uso sustentável dos recursos naturais pela</p><p>comunidade, centro de treinamento e capacitação para o turismo sustentável e a</p><p>gestão socioambiental. O Centro de Visitação deve ser um atrativo turístico por si só,</p><p>o que tende a promover a visibilidade da APA, assim como agregar valor ao produto</p><p>turístico local.</p><p>7. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Finalmente, este trabalho pretendeu ser apenas um levantamento preliminar</p><p>de opiniões e propostas, por parte de alguns importantes atores sociais ligados ao</p><p>turismo, no intuito de iniciar a elaboração de um diagnóstico adequado para a</p><p>estruturação de um plano para o desenvolvimento do turismo com sustentabilidade</p><p>na APA Costa dos Corais. Este deve estar inserido em seu Plano de Manejo,</p><p>fundamental ferramenta para a gestão da UC, o qual, para ser realmente eficaz,</p><p>deve ser elaborado de forma participativa, para que os gestores contem com a</p><p>parceria da comunidade local, trazendo então legitimidade ao processo de gestão do</p><p>uso sustentável de seus recursos naturais e culturais.</p><p>Uma das conclusões mais relevantes a que chegamos é a de que, apesar de</p><p>ser uma prerrogativa legal instituída há uma década pelo SNUC (Sistema Nacional</p><p>de Unidades de Conservação – Lei 9985/2000), a gestão participativa ainda está</p><p>longe de ser uma prática efetiva na gestão de áreas protegidas no Brasil, seja na</p><p>APA Costa dos Corais, ou na maioria das UCs espalhadas pelo território nacional. A</p><p>falta de participação da comunidade local e demais instituições públicas na tomada</p><p>de decisão dos gestores à frente das UCs acarreta dificuldade na implementação</p><p>das ações voltadas à conservação ambiental e sustentabilidade das atividades</p><p>econômicas correlacionadas, dentre elas o desenvolvimento turístico regional.</p><p>Sugerimos ainda que este diagnóstico seja estendido aos outros municípios</p><p>da APA, os quais, certamente, apresentarão diferenças quanto ao desenvolvimento</p><p>e propostas para o turismo. Também seria interessante que fosse feito o</p><p>levantamento de opiniões e proposições, junto aos turistas e também aos</p><p>moradores, principalmente aqueles ligados à atividade. Com a junção desses dados</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1327</p><p>ao presente estudo, pode-se proceder a uma análise mais consistente do</p><p>desenvolvimento atual do turismo na APA Costa dos Corais e será mais seguro</p><p>projetar seu futuro e propor um plano para as adequações necessárias identificadas.</p><p>Por fim, acreditamos que, na medida em que a APA Costa dos Corais contar</p><p>com Conselho Gestor - que atue efetivamente, contando com a participação da</p><p>sociedade nas tomadas de decisão quanto ao manejo e gerenciamento da unidade -</p><p>Plano de Manejo e Centro de Visitação, terá a possibilidade de ter uma gestão</p><p>socioambiental mais eficaz, aproximando-se do alcance de seus objetivos de criação</p><p>e com instrumentos para fazer um bom trabalho de planejamento e adequação da</p><p>atividade turística objetivando a sua sustentabilidade.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ACIOLI, F. & SILVA, J.N. Educação Ambiental: A Dimensão Socioeconômica e</p><p>Cultural de uma Comunidade Pesqueira para o Sustento Legitimado. Projeto de</p><p>Pesquisa Apresentado à Coordenação Geral de Educação Ambiental no Curso de</p><p>Introdução à Educação no Processo de Gestão Ambiental. Tamandaré: IBAMA,</p><p>2002.</p><p>BENI, M.C. Análise Estrutural do Turismo. São Paulo, Senac, 2001.</p><p>______. SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza: Lei nº</p><p>9.985, de 18 de Julho de 2000; Decreto nº 4.340, de 22 de Agosto de 2002. 6 ed.</p><p>Brasília: MMA, 2006.</p><p>BRASIL / MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA) & MINISTÉRIO DO</p><p>PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO (MPOG). Projeto Orla: Manual de</p><p>Gestão. Disponível em:</p><p><http://www.spu.planejamento.gov.br/arquivos_down/publicacao/proj_orla_manual.p</p><p>df> Acesso em: 28 dez 2007.</p><p>CARVALHO, I.C.M. Desafios e Dilemas Políticos das Lutas e Movimentos</p><p>Ambientais. In: QUINTAS, José Silva. Pensando e Praticando a Educação Ambiental</p><p>na Gestão do Meio Ambiente. Brasília: IBAMA, 2002.</p><p>CHAVES, V.M. Geopolítica e Manipulação no Meio Ambiente. Disponível em: <</p><p>http://www.anbio.org.br/bio/biodiver_art92.htm> Acesso em: 26/12/2007.</p><p>HALL, M. C. Planejamento Turístico: Políticas, Processos e Relacionamentos. 2. ed.</p><p>São Paulo: Contexto, 2004.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS</p><p>RENOVÁVEIS (IBAMA). Decreto 23/10/1997. Disponível em:</p><p><http://www.ibama.gov.br>. Acesso em: 08 ago. 2007.</p><p>______. Roteiro Metodológico para Gestão de Área de Proteção Ambiental – APA.</p><p>Brasília: IBAMA, 2001.</p><p>GIL, A.C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.</p><p>LEITE JR, P. P. Empreendendo no Turismo. Disponível em:</p><p><http://www.periodicodeturismo.com.br/site/espacoaberto/viewEspacoAberto.php?co</p><p>digo=8&titulo=EMPREENDENDO%20NO%20TURISMO> Acesso em: 21 dez 2007.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1328</p><p>LIMA, F. R. Turismo, Inovações e Desarticulação das Atividades Tradicionais.</p><p>Scripta Nova: Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, Barcelona Nº</p><p>69 (59), 1 de agosto de 2000. Disponível em: <http://www.ub.es/geocrit/sn-69-</p><p>59.htm> Acesso em: 21 dez 2007.</p><p>MENDONÇA, T. Prainha do Canto Verde: Histórico – Fatos Mais Relevantes.</p><p>Disponível em: <http://www.prainhadocantoverde.com.br/> Acesso em: 21 dez 2007.</p><p>MERCADANTE, M. Apresentação. In: BRASIL / MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE /</p><p>Secretaria de Biodiversidade e Florestas / Diretoria de Áreas Protegidas. Diretrizes</p><p>para Visitação em Unidades de Conservação. Brasília: MMA, 2006.</p><p>PIRES, P. S. Dimensões do Ecoturismo. São Paulo: SENAC, 2002.</p><p>PRODETUR – Apresentação: Ampliando as atividades turísticas do Nordeste.</p><p>Disponível em:</p><p><http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/PRODETUR/Apresentacao/gerados/aprese</p><p>ntacao.asp> Acesso em: 28 dez 2007.</p><p>RODRIGUES, A. B. Turismo Desenvolvimento Local. São Paulo: Hucitec, 1997.</p><p>RUSCHMANN, D. Turismo e Planejamento Sustentável: A Proteção do Meio</p><p>Ambiente. 11</p><p>a</p><p>ed. Campinas: Papirus, 2004.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1329</p><p>APONTAMENTOS SOBRE A CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO NO ESTADO</p><p>DO PARANÁ</p><p>Marino Castillo Lacay</p><p>Economista- Coordenador</p><p>3</p><p>Mestre em Desenvolvimento Agrícola (CPDA-UFRRJ),</p><p>Mestrando em Geografia (UFPR), Pesquisador do IPARDES</p><p>E-mail: marino@ipardes.pr.gov.br</p><p>RESUMO</p><p>O presente trabalho, que se insere na temática da economia do turismo, é resultado</p><p>de uma pesquisa desenvolvida no Instituto Paranaense de Desenvolvimento</p><p>Econômico e Social (IPARDES), com o objetivo traçar um perfil da Cadeia Produtiva</p><p>do Turismo e a sua organização espacial no Estado do Paraná. Foram aplicados</p><p>7.730 questionários entre diferentes agentes (administradores ou proprietários de</p><p>estabelecimentos, turistas e moradores), distribuídos em 171 municípios do Estado.</p><p>A unidade básica de coleta de informações foi o estabelecimento turístico para cada</p><p>atividade pesquisada: Meios de Hospedagem; Serviços de Alimentação; Transporte</p><p>Rodoviário de Passageiros; Locação de Veículos; Agências de Turismo; Atividades</p><p>Recreativas, Culturais e Desportivas, compostas pelos Atrativos Naturais (adaptados</p><p>ou planejados), Culturais, Históricos, Religiosos, Esportivos e de Lazer. Entre outros,</p><p>os resultados apontam que na Cadeia Produtiva do Turismo do Paraná os serviços</p><p>de alimentação, os de meios de hospedagem e o transporte rodoviário de</p><p>passageiros são os elos mais fortes. Também ficou demonstrada a predominância</p><p>de micro-empresas e as debilidades nos laços de cooperação e associativismo entre</p><p>os estabelecimentos do setor.Texto letra arial 12, espaço simples, sem parágrafo</p><p>(até 500 palavras)</p><p>Palavras Chave: Cadeia Produtiva do Turismo, Turismo, Paraná, Micro-empresas.</p><p>Abstract: This work, that is inserted in the theme of the economy of the tourism, is a</p><p>result of a research developed at the Parana´s Institute of Economic and Social</p><p>Development (IPARDES), with the goal of designing a profile of the Value Chain on</p><p>Tourism and its spatial organization in the State of Parana. 7.730 questionnaires</p><p>were applied among different agents (managers or company owners, tourists and</p><p>locals), distributed in 171 cities of the State. The basic units of collecting information</p><p>were the tourist establishments for each activity researched: Means of</p><p>Accommodation, Food Services, Bus Transportation; Car Rent; Tourism Agencies;</p><p>Natural Attractions (adapted or planned), Cultural, Historical, Religious and Leisure</p><p>Activities. Among other, the</p><p>results point that in the Productive Chain of the Tourism</p><p>of Paraná the feeding services, the one of lodging means and the passengers' road</p><p>3</p><p>Membros da equipe técnica: Carlos Frederico de Camargo Fayet – Economista, Ciro Cézar Barbosa – Economista, Cláudio</p><p>Jesus de Oliveira Esteves- Geógrafo, Cleide Maria Perito de Bem- Socióloga, Elisabete Cosmala Baggio- Economista, Mar ina</p><p>Maruyama Mori – Economista, Mariza Chr istina Kloss – Administradora de Empresas.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1330</p><p>transport are the strongest links. It was also demonstrated the predominance of</p><p>personal computer-companies and the weaknesses in the cooperation bows and</p><p>associativismo among the establishments of the section.</p><p>Key words: Productive Chain of the Tourism, Parana State, Tourism</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O Estado do Paraná é privilegiado em termos de atrativos turísticos, atributo</p><p>fundamental para o desenvolvimento do turismo, apresentando significativo potencial</p><p>em múltiplos segmentos, tais como: lazer, negócios, sol e praia, eventos, festas</p><p>regionais, rural, ecológico, aventura, religioso e saúde, entre outros .</p><p>O turismo, do ponto de vista econômico, interage com uma série de</p><p>atividades. É um componente do setor de serviços cujo produto é particularmente</p><p>complexo e depende da organização de uma oferta de serviços significativamente</p><p>diversificada, onde cada um dos elos da atividade produtiva corresponde a uma</p><p>atividade no produto turístico final, formando uma cadeia. Por sua vez, além de ser o</p><p>local de produção, o destino turístico é também o local principal de consumo dos</p><p>bens e serviços produzidos e, consequentemente, o local de implantação e</p><p>desenvolvimento de atividades dos estabelecimentos ligados ao setor e, portanto,</p><p>lócus da busca da sustentabilidade da atividade.</p><p>O presente trabalho é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido</p><p>pela equipe técnica que pesquisa a atividade turística no Instituto Paranaense de</p><p>Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES). A pesquisa de campo foi</p><p>realizada durante o ano de 2006, quando foram aplicados 7.730 questionários entre</p><p>diferentes agentes (administradores ou proprietários de estabelecimentos, turistas e</p><p>moradores), distribuídos em 171 municípios do Estado. A unidade básica de coleta</p><p>de informações foi o estabelecimento turístico para cada atividade pesquisada:</p><p>Meios de Hospedagem; Serviços de Alimentação; Transporte Rodoviário de</p><p>Passageiros; Locação de Veículos; Agências de Turismo; Atividades Recreativas,</p><p>Culturais e Desportivas, compostas pelos Atrativos Naturais (adaptados ou</p><p>planejados), Culturais, Históricos, Religiosos, Esportivos e de Lazer. O relatório</p><p>completo do estudo, bem como as tabelas com os dados contidos neste trabalho,</p><p>podem ser acessados em http://www.ipardes.gov.br .</p><p>http://www.ipardes.gov.br/</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1331</p><p>Acredita-se que o instrumento de Cadeia Produtiva pode ser uma importante</p><p>ferramenta para o entendimento do comportamento da atividade turística no espaço</p><p>geográfico do estado do Paraná. Também busca-se contribuir para o</p><p>desenvolvimento de uma atividade turística sustentável no estado do Paraná.</p><p>2 OBJETIVOS</p><p>O estudo teve como objetivo traçar o perfil da Cadeia Produtiva do Turismo e</p><p>a sua organização espacial no Estado do Paraná. Além disso, pretendeu analisar o</p><p>comportamento de cada atividade (elo da cadeia), sob a ótica da oferta, identificando</p><p>serviços oferecidos, sazonalidades, mercados e preços praticados, os cuidados</p><p>ambientais e as condições de acesso e sinalização aos mesmos. O trabalho também</p><p>buscou conhecer a opinião da comunidade sobre as condições do desenvolvimento</p><p>turístico local, visto se tratarem de atores fundamentais na construção de um turismo</p><p>sustentável.</p><p>3 REFERENCIAL TEÓRICO E CONCEITUAL</p><p>Cadeia produtiva é o sistema constituído por atores e atividades inter-</p><p>relacionadas em uma sucessão de operações de produção, transformação,</p><p>comercialização e consumo em um espaço determinado. Pela sua visão prospectiva,</p><p>Castro, Lima e Cristo (2002) apontam que o enfoque de cadeia é pertinente no</p><p>contexto atual de evolução da economia mundial globalizada, em que temas como</p><p>competitividade, inovação tecnológica e sistemas de produção são discutidos de</p><p>forma sistêmica em todos os âmbitos da economia, desde as atividades produtivas</p><p>agro-alimentares até o setor de serviços, no qual se inclui o turismo. Uma atividade</p><p>econômica tão dinâmica e complexa como turismo encontra no enfoque sistêmico de</p><p>cadeia produtiva uma ferramenta para o diagnóstico e a formulação de estratégias de</p><p>competitividade.</p><p>O conceito de cadeia produtiva no turismo pressupõe a existência de um</p><p>produto ou de um atrativo turístico que, em um determinado território, atua como</p><p>elemento indutor para gerar uma dinâmica integradora entre as diferentes atividades</p><p>que compõem o setor. Isto é, o produto ou o atrativo funciona como gerador de uma</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1332</p><p>rede de serviços apoiados no desenvolvimento de uma infra-estrutura local e</p><p>regional, cuja dinâmica pode promover o incremento dos fluxos de informação,</p><p>produção, inovação e consumo, sempre ponderados pela eficiência coletiva</p><p>(Schmitz, 1997).</p><p>Cabe registrar que o conceito de cadeia produtiva utilizado neste trabalho</p><p>considera a sustentabilidade como elemento importante para a construção da</p><p>competitividade sistêmica. A sustentabilidade é entendida como o princípio que</p><p>envolve a melhoria da qualidade de vida, o crescimento econômico eficiente com</p><p>eqüidade social, a preservação de valores culturais e a conservação do meio</p><p>ambiente associados à participação efetiva das comunidades (Jacobi, 1999).</p><p>4 METODOLOGIA</p><p>A pesquisa de campo foi desenvolvida nas nove regiões turísticas do</p><p>Paraná, durante o ano de 2006. Ao todo, foram aplicados 7.730 questionários entre</p><p>diferentes agentes (administradores ou proprietários de estabelecimentos, turistas e</p><p>moradores), distribuídos em 171 municípios do Estado, integrantes das nove regiões</p><p>de pesquisa.</p><p>Embora a unidade espacial selecionada tenha sido o município, cada região</p><p>constituiu uma amostra independente, eleita unidade privilegiada de análise. A</p><p>unidade básica de coleta de informações foi o estabelecimento turístico para cada</p><p>atividade pesquisada: Meios de Hospedagem; Serviços de Alimentação; Transporte</p><p>Rodoviário de Passageiros; Locação de Veículos; Agências de Turismo; Atividades</p><p>Recreativas, Culturais e Desportivas, compostas pelos Atrativos Naturais (adaptados</p><p>ou planejados), Culturais, Históricos, Religiosos, Esportivos e de Lazer. Na tabela 1</p><p>estão demonstradas o número de formulários aplicados conforme o tipo de atividade</p><p>e a região de pesquisa.</p><p>A partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais – Ministério do</p><p>Trabalho e Emprego (RAIS – MTE) foi obtido número mínimo de estabelecimentos a</p><p>serem pesquisados em cada um dos municípios da amostra. Subsidiariamente,</p><p>também se recorreu aos inventários turísticos dos municípios e nos casos em que</p><p>não havia inventário, utilizou-se o cadastro da secretaria de finanças de cada</p><p>município, nas quais são controladas as bases de arrecadação do Imposto Predial e</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1333</p><p>Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).</p><p>Para definição final dos municípios participantes da amostra, além dos dados da</p><p>RAIS, utilizaram-se</p><p>a classificação dos municípios do Instituto Brasileiro do Turismo</p><p>(EMBRATUR), que os divide em Potencialmente Turísticos (MPTs) e Turísticos</p><p>(MTs); a segmentação do turismo existente nos municípios; e o IDH-municipal e</p><p>IDH-renda. No mapa 1 são demonstrados os municípios participantes da coleta de</p><p>dados.</p><p>TABELA 1 - NÚMERO DE FORMULÁRIOS APLICADOS NOS</p><p>ESTABELECIMENTOS E AOS MORADORES E TURISTAS, SEGUNDO REGIÕES</p><p>TURÍSTICAS DO ESTADO - PARANÁ - 2006</p><p>ITEM</p><p>REGIÃO TURÍSTICA DO ESTA DO</p><p>TOTAL</p><p>Litoral</p><p>Campos</p><p>Gerais</p><p>Centro Sudoeste Centro-Sul Oeste Noroeste Norte</p><p>Região</p><p>Metropolitana</p><p>de Curitiba</p><p>Número de munic ípios</p><p>pesquisados 7 11 8 16 10 22 41 38 18 171</p><p>Atividade</p><p>Meios de Hospedagem 80 67 31 52 24 184 117 122 163 840</p><p>Serviços de Alimentação 180 100 53 77 42 225 242 265 469 1.653</p><p>Transporte Rodoviário de</p><p>Passageiros 13 33 7 32 9 120 78 78 107 477</p><p>Locação de Veículos 7 8 2 1 0 13 21 4 46 102</p><p>Agências de Viagem 7 17 8 15 11 145 94 66 294 657</p><p>Atrativos Naturais e Planejados 9 9 16 30 25 83 61 62 72 367</p><p>Atrativos Culturais, Históricos e</p><p>Religiosos 17 34 19 14 35 74 105 111 129 538</p><p>Atrativos Esportivos e de Lazer 21 29 27 25 21 75 106 90 235 629</p><p>SUBTOTAL 334 297 163 246 167 919 824 798 1.515 5.263</p><p>Moradores 70 72 46 100 70 244 359 330 605 1.896</p><p>Turistas 93 70 0 0 0 102 108 111 87 571</p><p>TOTAL 497 439 209 346 237 1.265 1.291 1.239 2.207 7.730</p><p>FONTE: Pesquisa de Campo - IPA RDES</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1334</p><p>MAPA 1 - MUNICÍPIOS PESQUISADOS, SEGUNDO REGIÕES TURÍSTICAS -</p><p>PARANÁ - 2006</p><p>FONTE: IPA RDES - Pesquisa de Campo</p><p>BASE CARTOGRÁFICA: SEMA (2004)</p><p>5 CARACTERÍSTICAS DA CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO</p><p>Do universo de 41.454 estabelecimentos comerciais típicos do turismo no</p><p>Paraná em 2006, aproximadamente 95% eram microempresas (BRASIL, 2006). A</p><p>seguir dá-se destaque para as principais características da cadeia produtiva do</p><p>turismo revelados pela pesquisa de campo (IPARDES, 2008):</p><p>Condição de posse: predomínio de estabelecimentos em imóvel próprio. Esse</p><p>aspecto é mais evidente nos Atrativos Naturais e Projetados, nos Meios de</p><p>Hospedagem e nos Atrativos Culturais, Históricos e Religiosos, cujo percentual de</p><p>funcionamento em imóveis próprios está acima de 75%. As três atividades que</p><p>fogem à regra são Agências de Turismo, Serviços de Alimentação e Locação de</p><p>Veículos, as quais, em sua maioria, operam em imóveis alugados</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1335</p><p>Forma jurídica: fundamentalmente estabelecimentos únicos (que não pertencem a</p><p>redes, cadeias ou franquias), de gestão familiar (administrados por seus</p><p>proprietários), a exceção das atividades de Atrativos Culturais, Históricos e</p><p>Religiosos, onde o estado é mais presente.</p><p>Formas de divulgação: a divulgação dos estabelecimentos pesquisados ainda é feita</p><p>de modo tradicional, particularmente por meio do uso de material impresso e de mídia</p><p>local, o que restringe o seu alcance. A internet, de forma geral, é pouco utilizada (por</p><p>menos de 10% dos estabelecimentos pesquisados) , embora constitua um importante</p><p>canal de difusão dos Atrativos Naturais, Culturais, Históricos e Religiosos através de</p><p>páginas eletrônicas de divulgação turística dos municípios e do estado. A pesquisa</p><p>também captou que cerca de um quarto dos estabelecimentos não faz nenhum tipo</p><p>de divulgação.</p><p>Origem do público: o público atendido pelos estabelecimentos turísticos é</p><p>diversificado, não se restringindo aos moradores dos municípios onde se localizam.</p><p>Mesmo assim, é grande o número de estabelecimentos voltados para o público local,</p><p>particularmente nas atividades dos Atrativos Culturais, Históricos e Religiosos,</p><p>Esporte e Lazer, nos Atrativos Naturais e Projetados e nos Serviços de Alimentação.</p><p>Registra-se que a freqüência de turistas estrangeiros concentra-se nos maiores</p><p>centros, notadamente Curitiba, Foz do Iguaçu e Litoral, destinos indutores do</p><p>Paraná.</p><p>Formas de reserva: os serviços ofertados ainda são feitos de modo tradicional, ou</p><p>seja predominam aquelas feitas no estabelecimento ou por telefone/fax. Observa-se,</p><p>contudo, que as reservas pela internet, especialmente nos Meios de Hospedagem,</p><p>constituem uma realidade consolidada.</p><p>Formas de pagamento: aproximadamente 50% dos estabelecimentos aceita cartões</p><p>de débito e de crédito. As exceções ocorrem nas atividades de Atrativos Naturais e</p><p>Projetados, Culturais, Históricos e Religiosos e de Esporte e Lazer nas quais essa</p><p>prática é pouco usual. As atividades de Locação de Veículos e Agências de Turismo</p><p>são aquelas em que mais se utilizam cartões de créditos como forma de pagamento.</p><p>Nestas duas atividades, o cartão de crédito pode ser utilizado como garantia e/ou</p><p>parcelamento.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1336</p><p>Mão de obra: em 2006, ano da pesquisa de campo, haviam 58.714 ocupados nos</p><p>estabelecimentos pesquisados incluídos os empregados informais, os temporários,</p><p>os estagiários e a mão de obra familiar, sendo que mais da metade desses</p><p>trabalhadores possuíam contratos formais de trabalho. As atividades que mais</p><p>empregavam, em termos absolutos, eram a de Serviços de Alimentação e a de Meios</p><p>de Hospedagem. Ressalte-se, ainda, que a atividade de Meios de Hospedagem é a</p><p>que apresentou o maior número médio de trabalhadores por estabelecimento</p><p>pesquisado: 16,1.</p><p>Experiência profissional: para contratação de empregados as atividades de</p><p>Transporte Rodoviário de Passageiros, Agências de Turismo, Locação de Veículos e</p><p>Serviços de Alimentação são as mais exigentes em termos de qualificação (acima de</p><p>50%).</p><p>Treinamento da mão-de-obra: as Agências de Turismo, Serviços de Alimentação e</p><p>Locação de Veículos se destacam na oferta de qualificação profissional.</p><p>Operações de crédito e financiamento: a pesquisa apontou que, excetuando a</p><p>atividade de Transporte Rodoviário de Passageiros, há relativa subutilização dos</p><p>instrumentos de financiamento por parte dos estabelecimentos da Cadeia Produtiva</p><p>do Turismo no Paraná. A pesquisa indicou a existência de projetos de melhoria na</p><p>maior parte dos estabelecimentos para o período posterior à pesquisa (2007),</p><p>direcionados principalmente para reforma e ampliação e, para melhoria de</p><p>tecnologia e compra de equipamentos.</p><p>Nas atividades de Transporte Rodoviário de Passageiros e de Locação de</p><p>Veículos, os projetos de melhoria, com maior destaque, referiam-se à ampliação da</p><p>frota. De modo geral, os proprietários afirmaram não enfrentar problemas nem</p><p>dificuldades para levar os projetos adiante. No entanto a pesquisa apontou que no</p><p>ano de 2005 menos da metade dos estabelecimentos havia realizado investimentos</p><p>em modernização.</p><p>Sistemas de operação e cooperação (formas de associação e eficiência coletiva). A</p><p>pesquisa captou significativa importância dada para os seguintes aspectos:</p><p>- Dificuldades na administração dos estabelecimentos: altas taxas e os elevados</p><p>impostos cobrados, a falta de empregados qualificados, o fluxo limitado de</p><p>clientes, a dificuldade em manter os preços dos serviços, a falta de capital e os</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1337</p><p>juros elevados, são as maiores dificuldades apontadas pelos entrevistados;</p><p>- Transações comerciais realizadas na região de localização dos estabelecimentos:</p><p>os entrevistados destacaram, principalmente, a contratação de mão-de-obra local,</p><p>seguida de compra e venda de produtos, compra de serviços e de equipamentos e</p><p>componentes.</p><p>- Participação em entidades</p><p>de classe ou sindicatos: há predominância dos</p><p>estabelecimentos pesquisados vinculados a entidades representativas o que</p><p>indica a possibilidade concreta de articulação horizontal (intratividade) e com os</p><p>demais elos da cadeia (interatividade). No entanto são poucos, menos de 30%,</p><p>os estabelecimentos que realizam parcerias ou atividades cooperadas, seja com</p><p>o setor público, seja com o privado</p><p>Cuidados ambientais básicos: Esse ainda é um campo que necessita de ações no</p><p>sentido de sensibilização da difusão de boas práticas de gestão ambiental como</p><p>requisito para alcançar um turismo sustentável no Estado. Apesar de muitos dos</p><p>estabelecimentos pesquisados adotarem procedimentos de cuidados ambientais nas</p><p>suas atividades, a separação dos resíduos gerados, por exemplo, ainda não é</p><p>praticada pelo conjunto dos estabelecimentos pesquisados. Quanto ao controle do</p><p>desperdício de água e energia elétrica, constatou-se que quando os estabelecimentos</p><p>adotam alguma medida, essa é motivada, sobretudo, por razões de natureza</p><p>econômica.</p><p>Opinião dos moradores: Por entender que a participação da comunidade local é</p><p>fundamental na busca da sustentabilidade do turismo, a pesquisa buscou apreender</p><p>a opinião dos moradores. Para tanto foram aplicados 1.896 questionários entre</p><p>moradores das cidades participante do estudo. O que permitiu investigar a</p><p>percepção acerca da sua cidade de moradia e da respectiva atividade turística.</p><p>Embora mais da metade dos entrevistados acredite que o turismo pode</p><p>trazer impactos sociais e ambientais negativos para o município, do ponto de vista</p><p>econômico a pesquisa também apontou que a comunidade acredita que o</p><p>desenvolvimento da atividade turística cria empregos e gera renda. O formulário dos</p><p>moradores buscou captar se os entrevistados percebem o seu município de moradia</p><p>como turístico. Dos entrevistados, 64,8% consideraram que sim, embora menos da</p><p>metade tenha afirmado conhecer todos ou a maioria dos pontos turísticos da sua</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1338</p><p>cidade. Dos que afirmam que a sua cidade é turística, os principais motivos que os</p><p>levam a ter essa percepção são: belezas naturais (42,1%), eventos e negócios</p><p>(21,6%), história/cultura/arqueologia e festas/folclore/artesanato (18,0% e 16,5%</p><p>respectivamente).</p><p>Em relação ao que poderia ser feito para melhor receber o turista, as</p><p>informações recolhidas apontam a melhoria da infra-estrutura dos atrativos (39,7%);</p><p>a capacitação de mão-de-obra local (33,2%); a integração entre governo, empresas</p><p>e comunidades (29,0%); a melhoria de estradas e acessos aos municípios (27,7%);</p><p>e da segurança (26,5%),</p><p>6 LIMITES AO DESENVOLVIMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO NO</p><p>PARANÁ</p><p>Os dados da pesquisa permitiram destacar os principais obstáculos que</p><p>pautam os vínculos com o mercado, as relações inter e intracadeia e a eficiência</p><p>coletiva em cada uma das atividades da Cadeia Produtiva do Turismo no Paraná:</p><p>Vínculo com o mercado: dada a escala, as micro, pequenas e médias empresas são</p><p>relativamente autônomas em termos de organização empresarial. Porém, essa</p><p>autonomia, por ser relativa, pode ser refreada por obrigações para com fornecedores,</p><p>instituições financeiras e para com as relações exigidas pelo Estado e/ou município.</p><p>Além disso no quesito relacionamento com o mercado, apresentam certo desinteresse</p><p>da empresa em estabelecer relações de cooperação e parceria com vistas a ampliar</p><p>sua atuação no mercado.</p><p>Relações inter e intracadeia produtiva: o adensamento da cadeia produtiva depende</p><p>do fortalecimento dos relacionamentos horizontais e verticais das micro e pequenas</p><p>empresas que integram a atividade. A constatação da falta de empreendedorismo</p><p>conjugada com o baixo nível de confiança dos agentes da Cadeia para a integração</p><p>de esforços em torno de agendas comuns (que defendam seus interesses e</p><p>derrubem as barreiras culturais e obstáculos à partilha de informações) dificultam o</p><p>desenvolvimento de sistemas mais avançados de organização empresarial, que</p><p>possam evoluir para arranjos produtivos de competição cooperada de modo a</p><p>dinamizar a atividade. O trabalho das associações de classe não tinha apontado,</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1339</p><p>até a data da pesquisa, para a redução dos efeitos da heterogeneidade produtiva</p><p>que se reproduzem em várias das atividades do sistema turístico no Paraná.</p><p>Eficiência coletiva. Os resultados das pesquisas quantitativa e qualitativa apontaram</p><p>a falta de eficiência coletiva, na orientação dada por Schimtz (1997), para os micro e</p><p>pequenos empreendimentos produtivos e a falta de práticas e ações concertadas</p><p>entre os agentes públicos e privados e destes, com a comunidade. Esse é um fator</p><p>que contribui para restringir a oferta de novos atrativos e produtos turísticos</p><p>formatados e competitivos, em sistema de cooperação entre todos os elos da</p><p>cadeia. Embora todos – empresários, moradores e turistas – concordem que o</p><p>Paraná tem muito a oferecer em termos de turismo, há queixas provenientes do</p><p>poder público municipal em relação ao estadual, das empresas em relação a ambos</p><p>e do governo federal e da comunidade em relação a todos os envolvidos.</p><p>Pode-se ainda dar destaque para algumas particularidades relativas a cada</p><p>atividade:</p><p>Meios de Hospedagem - elo com participação mais forte na cadeia, pela</p><p>consolidação da atividade no Paraná. Sua importância advém das formas de</p><p>operação que executa, da capilaridade, da geração de empregos e dos</p><p>investimentos que realiza nas regiões onde os estabelecimentos estão sediados,</p><p>especialmente em relação à compra de produtos e ao uso da mão-de-obra local. No</p><p>entanto, há uma clara diferenciação entre os pequenos e os grandes</p><p>estabelecimentos, especialmente os vinculados às redes (cadeias), que são os que</p><p>determinam o comportamento de mercado. Enquanto os grandes atuam de forma</p><p>reticular, os pequenos não formalizam ações cooperadas. Também são os grandes</p><p>que adotam inovações tecnológicas e equipamentos. Embora haja participação ativa</p><p>em entidades de classe e esforços de várias instituições, a exemplo do SEBRAE, em</p><p>fazer com que a atividade atue de forma cooperada para a melhoria da eficiência</p><p>coletiva, a pesquisa constatou que somente 19,2% dos estabelecimentos visitados</p><p>fazem algum tipo de parceria.</p><p>Serviços de Alimentação - elo forte, por ser a atividade mais numerosa em termos de</p><p>empregos, capilarizada em termos de estabelecimentos e com participação</p><p>crescente na cadeia. Apesar de sua fortaleza, é uma atividade que cresce</p><p>independentemente do turismo, por atender também à população local. As formas</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1340</p><p>de operação que executa são significativas em todo o Estado, especialmente em</p><p>relação à compra de produtos e ao uso da mão-de-obra local. Apesar de haver</p><p>poucas ações cooperadas e em parceria, a articulação intra-setorial é média e há um</p><p>esforço da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) em catalogar</p><p>e identificar os estabelecimentos que atuam na atividade, até mesmo por conta da</p><p>atuação do poder público no que se refere a orientar e controlar o desenvolvimento,</p><p>dentro dos padrões sanitários. Ressalta-se que a atividade vem crescendo</p><p>principalmente com base nas microempresas e, ainda, com importante participação</p><p>de mão-de-obra familiar.</p><p>Transporte Rodoviário de Passageiros - por também pertencer à logística de outras</p><p>cadeias, constitui um elo independente, porém forte, no sistema produtivo do turismo. O</p><p>Transporte Rodoviário de Passageiros é submetido a controles específicos e opera sob</p><p>um marco regulatório</p><p>próprio, que inclui o controle, pelo poder público, da entrada de</p><p>concorrentes no mercado, seja mediante seleção discricionária, seja por meio de</p><p>processo licitatório. Frente à existência de um mercado discricionário, inerente àquelas</p><p>empresas que detêm a concessão das principais linhas de Transporte Rodoviário de</p><p>Passageiros, vêm proliferando micro e pequenas empresas de transporte. Esses</p><p>pequenos estabelecimentos, que trabalham de forma esporádica para o turismo,</p><p>atendem preferencialmente ao transporte escolar/universitário intermunicipal,</p><p>transportando estudantes das regiões mais afastadas do Estado para os centros</p><p>regionais onde se concentram as instituições de ensino superior. Embora utilizem-se</p><p>da mão-de-obra local em larga escala, outras atividades de operação e cooperação</p><p>não são tão comuns: as transações de compra de serviços e produtos, em sua</p><p>maioria, são feitas fora da região de atuação do estabelecimento.</p><p>Locadora de Veículos - elo de suporte da atividade de Transporte Rodoviário de</p><p>Passageiros. A expansão da atividade está vinculada mais à modernização de</p><p>processos produtivos do que ao desenvolvimento do turismo. No Paraná, essa</p><p>atividade cresceu na década de 1990 quando o governo estadual e muitos</p><p>municípios aderiram à terceirização da frota de transportes para não arcar com</p><p>custos de depreciação. Essa prática foi o chamariz para grandes grupos se</p><p>instalarem nos principais centros urbanos, cuja presença tornou-se um indicativo da</p><p>ampliação da atividade no mercado estadual. Como no caso das cadeias de Meios</p><p>de Hospedagem, há nesta atividade dois tipos de comportamento operacional e de</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1341</p><p>mercado: um deles comandado pelos grandes grupos, que determina regras de</p><p>mercado de tipo oligopólico; e outro, concorrencial, que envolve todas as micro e</p><p>pequenas empresas e que depende do mercado local e regional. É fraca a</p><p>realização de operações comerciais na região de funcionamento do</p><p>estabelecimento, pois geralmente os veículos, peças e outros componentes</p><p>característicos da atividade são comprados em grandes lotes. Apesar do elevado</p><p>percentual de participação em entidades representativas, realizam-se poucas</p><p>atividades cooperadas ou em parcerias.</p><p>Atividades Recreativas Culturais e Desportivas - elo com forte participação do setor</p><p>público. A busca de práticas sustentáveis no turismo vem alavancando o</p><p>crescimento da atividade, que no Estado, dada sua diversidade, torna-se de</p><p>importância para a prática de novas formas de turismo. Parte dos estabelecimentos</p><p>dessas atividades, especialmente os estabelecimentos históricos e culturais, estão</p><p>vinculados às esferas municipal, estadual ou federal. É importante, porém, fazer uma</p><p>leitura em separado das atividades que a compõem. i) Atrativos Naturais e</p><p>Planejados: no Estado essa atividade vêm crescendo de forma considerável, por</p><p>serem suporte de atividades estratégicas para o turismo. Nele desenvolvem-se</p><p>novos segmentos, como o turismo de aventura e o ecoturismo, entre outros.</p><p>Também se destaca pela crescente participação do setor privado no</p><p>desenvolvimento de atividades, como, por exemplo, os pesque-pagues, que se</p><p>tornaram alternativa de lazer popular em todo o Estado, visitados por excursionistas.</p><p>Quanto às áreas naturais controladas pelo setor público, há limitações impostas pela</p><p>sua natureza jurídica no que tange ao desenvolvimento de operações comerciais.</p><p>No entanto, são empregadoras de mão-de-obra local. ii) Esporte e Lazer: existe</p><p>participação do Sistema “S” e da iniciativa privada, havendo forte demanda desses</p><p>equipamentos pela população local. Há indícios de pouca atividade cooperada e</p><p>participação em entidades de classe, o que contraria uma prática comum na</p><p>atividade esportiva, que tem larga tradição de organização em associações,</p><p>federações e confederações esportivas. iii) Atrativos Culturais, Históricos e</p><p>Religiosos é a atividade que conta com menor participação da iniciativa privada e a</p><p>que mais emprega mão-de-obra formal. Por sua natureza pública ou religiosa,</p><p>participa pouco de entidades de classe e mantém poucas operações comerciais no</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1342</p><p>município onde se encontra localizado, devido à dependência de processos</p><p>licitatórios.</p><p>Agências de Turismo - elo que ganha destaque na medida em que o turismo vem se</p><p>sedimentando como atividade econômica de relevância nos aglomerados urbanos.</p><p>Se na década de 1990 exerciam um papel importante de captação de divisas, hoje a</p><p>especialização e a diversificação das atividades faz com que atuem de forma</p><p>focalizada em segmentos da demanda. Dessa forma, cumprem com a função de</p><p>dinamizar a atividade turística nas regiões do Estado onde atuam, como receptoras</p><p>por excelência dos visitantes e turistas. Contudo, as Agências de Turismo possuem</p><p>uma hierarquia de funcionamento que reforça o caráter assimétrico do mercado: um</p><p>pequeno grupo de consolidadoras e operadoras controla a grande parcela das</p><p>Agências de Turismo que realizam a atividade de emissivas, porque não possuem</p><p>licença para operar no mercado em melhores condições (dadas as regulações</p><p>existentes principalmente na emissão de passagens aéreas), por conta de controles</p><p>realizados pela EMBRATUR. A contratação de mão-de-obra local é grande entre as</p><p>Agências de Turismo, sendo a atividade da Cadeia que mais oferece treinamento.</p><p>Mantêm um expressivo número de transações comerciais no Estado e também</p><p>possuem considerável adesão às entidades e associações representativas do setor.</p><p>7 CONSIDERAÇÕES FINAIS.</p><p>Cabe pontuar que são poucas as decisões de investimento feitas dentro de</p><p>estratégias de longo prazo, por conta do ambiente de incerteza e risco que as</p><p>empresas, pelo seu tamanho, têm que enfrentar. Na Cadeia Produtiva do Turismo, as</p><p>micro e pequenas empresas (NAJBERG; PUGA, 2002, p.149-162) se deparam com</p><p>uma série de barreiras para o alcance de níveis de competitividade compatíveis com</p><p>as práticas de gestão sustentável no setor, que são cada vez maiores. Nesse sentido,</p><p>para o fortalecimento da Cadeia Produtiva do Turismo, há uma série de medidas que</p><p>devem ser adotadas e que a seguir, de forma sintética, são expostas:</p><p>a) promover a formação e o desenvolvimento de mecanismos de gestão</p><p>sustentáveis;</p><p>b) investir na capacitação e no desenvolvimento de recursos humanos;</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1343</p><p>c) apropriar o uso de sistemas de informação, para o conhecimento do</p><p>mercado e para o planejamento estratégico;</p><p>d) usar instrumentos visando à redução de custos e ao aumento da</p><p>comercialização cooperada;</p><p>e) incorporar o uso das novas tecnologias (TICs), inclusive como ferramentas</p><p>de marketing das empresas;</p><p>f) facilitar o acesso a linhas de financiamento e de crédito adequadas e em</p><p>condições competitivas.</p><p>Questões como acessibilidade, estradas e investimentos em infra-estrutura,</p><p>bem como a capacitação do pessoal ocupado diretamente nas atividades turísticas e</p><p>a divulgação dos atrativos existentes devem ser identificadas e potencializadas pela</p><p>ação conjunta das lideranças locais. Esse esforço deve apontar para a formação e o</p><p>fortalecimento da governança local no turismo.</p><p>As restrições observadas não representam, contudo, limites intransponíveis</p><p>ao desenvolvimento do setor, tampouco sugerem retirar do Estado a</p><p>responsabilidade na condição de condutor do processo de crescimento do tur ismo.</p><p>Observam-se processos embrionários em curso que, aprimorados e difundidos entre</p><p>os proprietários dos empreendimentos, devem ser incentivados pelas autoridades</p><p>regionais,</p><p>junto ao trade do Estado, principal mercado demandante.</p><p>Do ponto de vista da comunidade, há um longo percurso a percorrer a partir</p><p>de uma proposta de turismo sustentável, tratado aqui como paradigma do</p><p>desenvolvimento da atividade no futuro. A sustentabilidade deixa de ser um conceito</p><p>atrelado apenas ao meio ambiente para abraçar o contexto econômico e social,</p><p>reforçando a necessidade de equilíbrio, de inclusão e igualdade entre os que moram</p><p>no Estado e os que o visitam, convertendo-se em instrumento de exercício da</p><p>cidadania para todos.</p><p>Existem boas perspectivas de expansão para o turismo no Paraná, desde que</p><p>se respeitem as restrições que o próprio crescimento sustentável da atividade</p><p>acarreta. É importante sublinhar que os processos de inovação podem ocorrer nas</p><p>diferentes esferas de produção e circulação de mercadorias e serviços e estar</p><p>vinculados a produtos, processos e gestão (IPARDES, 2005). Não se pode dizer,</p><p>portanto, que o Estado, devido à sua posição nos mercados do turismo nacional e</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1344</p><p>internacional, não possa vir a afirmar sua liderança na aplicação de inovações</p><p>tecnológicas e sociais na atividade, consolidando redes de cooperação para a</p><p>sustentabilidade do sistema turístico.</p><p>8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BRASIL. Relação Anual de Informações Sociais – Ministério do Trabalho e do</p><p>Emprego. Brasília, 2006. 1 CD-ROM.</p><p>CASTRO, A. M. G. de; LIMA, S. M. V.; CRISTO, C. M. P. N. Cadeia produtiva: marco</p><p>conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. 22º Simpósio de Gestão da</p><p>Inovação Tecnológica. Salvador, 2002. Disponível em:</p><p><www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl1197031881.pdf>. Acesso em:</p><p>30/11/2009.</p><p>IPARDES. Inovação tecnológica no setor serviços do Paraná: subsídios para uma</p><p>política pública. Curitiba, 2005.</p><p>_____. Cadeia Produtiva do Turismo: estudo sobre as regiões turísticas do estado.</p><p>IPARDES, Curitiba : IPARDES, 2008. 122 p. Disponível em</p><p><http://www.ipardes.gov.br> Acesso em 30/01/2009.</p><p>JACOBI, P. Poder Local, Políticas Sociais e Sustentabilidade. In.: Saúde e</p><p>Sociedade, São Paulo, 8 (1): 31-48. 1999. Jan./Fev. 1999.</p><p>NAJBERG, S. ; PUGA, F. P.. O ciclo de vida das firmas e seu impacto no emprego: o</p><p>caso brasileiro 1995/2000. Revista do BNDES, Rio de Janeiro, v. 9, n. 18, p.149-162,</p><p>dez. 2002. Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/conhecimento/revista/</p><p>rev1805.pdf>. Acesso em: 20/11/2009.</p><p>SCHIMTZ, H. Eficiência coletiva: caminho de crescimento para a indústria de</p><p>pequeno porte. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 18, n.2, p. 164-200, 1997.</p><p>http://www.ipardes.gov.br/</p><p>http://www.bndes.gov.br/conhecimento/revista/rev1805.pdf</p><p>http://www.bndes.gov.br/conhecimento/revista/rev1805.pdf</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1345</p><p>ASPECTOS INFORMACIONAIS SOBRE SEGMENTAÇÃO DO MERCADO</p><p>TURÍSTICO: UM ESTUDO PRELIMINAR ACERCA DE VARIAÇÕES NA</p><p>DEMANDA ESTADUNIDENSE NO MERCADO BRASILEIRO ENTRE 2003 E 2008</p><p>Marcelo Augusto Mascarenhas</p><p>Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisa Social / CEFET-RJ; NUPETUR/UFOP;</p><p>GETDS/UNIRIO; NEITT/CEFET-RJ</p><p>mmascarenhas@cefet-rj.br</p><p>RESUMO</p><p>O presente trabalho versa sobre aspectos da segmentação no mercado turístico</p><p>nacional, através de uma análise sobre a entrada de turistas estadunidenses em</p><p>solo brasileiro, entre os anos de 2003 e 2008. Seu objetivo é tecer uma breve</p><p>análise acerca das variações que têm ocorrido com os fluxos de turistas</p><p>estadunidenses que entraram no Brasil nos últimos anos. A metodologia que</p><p>sustenta a construção deste trabalho é a construção de uma breve revisão</p><p>bibliográfica e o desenvolvimento de algumas reflexões sobre este nicho de mercado</p><p>internacional para o turismo brasileiro, seguida de um estudo com base na análise</p><p>de séries temporais, a partir de algumas estatísticas básicas que possibilitem novos</p><p>avanços em estudos posteriores. Como principais resultados, pudemos observar que</p><p>o fluxo de turistas estadunidenses em direção ao Brasil têm diminuído nos últimos</p><p>anos (o que vai na contra-mão do total de turistas estrangeiros que têm entrado no</p><p>país), que o padrão sazonal de entrada dos turistas de origem dos EUA é diferente</p><p>da sazonalidade para o total de visitantes estrangeiros, e que a variação cambial do</p><p>dólar americano frente ao Real não demonstra ser um estímulo ou impedimento tão</p><p>significativo à entrada dos turistas estadunidenses em nosso país.</p><p>Palavras Chave: turismo, fluxos, estadunidenses, série temporal, sazonalidade.</p><p>ABSTRACT</p><p>This paper discusses aspects of segmentation in domestic tourism market through an</p><p>analysis of the entry of american travelers on Brazilian soil, between the years 2003</p><p>and 2008. Your goal is to make a brief analysis about the changes that have</p><p>occurred with the flow of american tourists who arrived in Brazil in recent years. The</p><p>methodology which supports this work is the construction of a brief literature review</p><p>and develop some thoughts on this niche market for tourism in Brazil, followed by a</p><p>study based on time series analysis, based on some basic statistics enabling new</p><p>advances in future studies. As main results, we observed that the flow of american</p><p>tourists into the Brazil has decreased in recent years (which goes in the direction</p><p>opposite to the total of foreign tourists who have entered the country), the seasonal</p><p>pattern of arrival of american tourists is different from the seasonal pattern for the</p><p>total of foreign visitors, and that the exchange rate of U.S.</p><p>Key words: tourism, flows, americans, time series, seasonality.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1346</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>À medida que crescem os avanços nas áreas de gestão e planejamento do</p><p>turismo, também se faz necessário um aumento nas ações de pesquisa que</p><p>envolvem este mesmo setor.</p><p>Falando especificamente da gestão pública do turismo brasileiro, podemos</p><p>afirmar que de fato esta é uma prática bastante recente. Ainda que em teoria tenham</p><p>existido políticas de turismo antes dos anos 80 (CAVALCANTI; DA HORA, 2002;</p><p>BENI, 2006), podemos dizer que, em termos práticos foi somente deste período em</p><p>diante que se desenvolveram ações mais concretas que trabalhassem fortemente</p><p>pelo desenvolvimento da atividade turística.</p><p>Com o crescimento do interesse pela atividade turística, iniciativa privada e</p><p>poder público passaram a buscar melhorias nas suas formas de atuação perante</p><p>este crescente mercado. Dos anos 90 em diante, podemos dizer que o Brasil</p><p>começou a enfrentar um trabalho contínuo (ainda que lento) de profissionalização no</p><p>que diz respeito às práticas de gestão pública do turismo. Frente a esta nova</p><p>postura, que se mostrou como uma resposta inevitável às destinações que</p><p>buscavam se manter competitivas diante do mercado global, cada vez mais acirrado,</p><p>podemos destacar os crescentes esforços de segmentação que tem sido</p><p>trabalhados não só pelo governo brasileiro (expressos nos seus diferentes níveis de</p><p>gestão, ou seja, federal, estadual e municipal), como também pelas organizações</p><p>que atuam no campo da iniciativa privada ou até mesmo no terceiro setor.</p><p>É diante desta partição do mercado consumidor do turismo que este trabalho</p><p>visa desenvolver seu conteúdo. A partir dos avanços na produção de informações no</p><p>campo do turismo, e da segmentação que tem sido feita atualmente, vamos</p><p>trabalhar neste artigo com um estudo sobre as variações da demanda turista efetiva</p><p>(BENI, 2001), proveniente dos Estados Unidos da América [EUA], entre os anos de</p><p>2003 e 2008. Para formalizar a proposta deste trabalho, podemos dizer que o</p><p>objetivo do mesmo é apresentar um estudo sobre algumas variações observadas no</p><p>volume</p><p>de turistas estadunidenses que entraram em solo brasileiro, entre os anos de</p><p>2003 a 2008. A realização deste trabalho se justifica por diversos motivos dentre os</p><p>quais podemos destacar, a importância qualitativa e quantitativa da demanda</p><p>estadunidense para o turismo internacional em nosso país, a carência de estudos</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1347</p><p>que trabalhem de forma quantitativa e com apoio estatístico a questão da</p><p>segmentação de fluxos estrangeiros no Brasil, e a complementaridade que deve</p><p>existir entre estudos de uma perspectiva macro (como é o caso deste trabalho) com</p><p>as perspectivas micro, junção tão necessária para a evolução do turismo nacional e</p><p>principalmente das ações que visem trabalhar com a ótica local.</p><p>Para facilitar a compreensão e orientar a leitura deste trabalho, o</p><p>fragmentamos em alguns subitens como, revisão bibliográfica (onde serão</p><p>apresentados alguns conceitos das áreas de turismo, marketing e estatística,</p><p>elementares para o entendimento deste estudo), metodologia, análise dos</p><p>resultados, considerações finais e referências bibliográficas.</p><p>2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</p><p>2.1 ASPECTOS ELEMENTARES SOBRE TURISMO E ESTUDO DE DEMANDA</p><p>Para darmos continuação ao desenvolvimento deste estudo, é interessante</p><p>proceder com um exercício de revisão da literatura sobre questões relacionadas ao</p><p>universo do turismo e elementos do marketing que fazem interface com este campo,</p><p>a citar, por exemplo, a questões que envolvem segmentação de mercado e estudos</p><p>sobre demanda.</p><p>Antes de entrarmos nas questões teóricas com maior aproximação do</p><p>marketing, vamos refletir sobre alguns pontos elementares mas de vital importância</p><p>para entendimento do turismo e a construção de um raciocínio que nos permita</p><p>evoluir em alguns aspectos que dizem respeito à gestão deste setor.</p><p>Por mais evoluídas que estejam as ações com foco no planejamento e gestão</p><p>do turismo brasileiro, cada vez mais solidificadas em um política descentralizadora</p><p>que vem sendo construída desde os mandatos do ex-presidente Fernando Henrique</p><p>Cardoso até o presente momento, e que tem cada vez mais priorizado a atenção nos</p><p>fluxos turísticos domésticos (aqueles que ocorrem apenas dentro do Brasil), não</p><p>podemos deixar de ficar atentos às populações internacionais que visitam o país.</p><p>Certamente o governo federal não tem diminuído sua atenção em relação ao</p><p>mercado internacional, entretanto, podemos afirmar que a evolução de estudos e</p><p>novas ações internacionais não têm se apresentado tão intensa quanto o que se</p><p>observa em relação ao mercado interno. Reconhecemos que as ações promocionais</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1348</p><p>para o mercado exterior cresceram bastante, assim como houve uma melhora na</p><p>pesquisa de perfil do turista internacional que visita o Brasil. A proposta desta</p><p>reflexão não é de questionar estes fatos ou mesmo de investir contra as práticas do</p><p>governo desenvolvidas até o momento (que de fato evoluíram muito, se</p><p>compararmos o momento atual a um passado bastante recente), mas sim de</p><p>fomentar uma indagação no que diz respeito ao entendimento e à atenção</p><p>empreendida a um mercado consumidor tão importante quanto os Estados Unidos.</p><p>Por mais distante que o questionamento acima pareça da idéia do turismo de</p><p>base local, é importante lembrarmos-nos da ótica sistêmica proposta por uma série</p><p>de estudiosos da área em questão. Como Beni (2001) destaca, o turismo é um</p><p>sistema aberto, ou seja, realiza trocas constantes com outros diversos ambientes.</p><p>Ainda que não fale exatamente de turismo Castels (1999) também nos coloca em</p><p>uma sociedade plenamente interconectada quando desenvolve o conceito de</p><p>sociedade em rede na qual estamos inseridos. Partindo destes dois pressupostos, é</p><p>interessante notarmos como cada vez mais a nossa realidade tem mostrado que</p><p>eventos globais acabam gerando diversos impactos de abrangência local, ou mesmo</p><p>que eventos locais podem se propagar e criar situações de interferência global. Em</p><p>linhas gerais, o que pretendemos dizer com a reflexão deste parágrafo, é que</p><p>pensamentos/ações globais ou locais são questões complementares e que</p><p>dificilmente podem ser isolados uns dos outros (principalmente no atual contexto em</p><p>que vivemos).</p><p>Como foi dito na introdução deste artigo, nosso objeto de análise se trata de</p><p>algumas variações no que diz respeito à demanda real ou efetiva de turistas</p><p>estadunidenses que visitaram o Brasil. De acordo com Cooper et. al (2001), a</p><p>demanda real ou efetiva se trata de um componente da demanda turística total. Esta</p><p>primeira diz respeito somente ao número de turista que realmente estão viajando ou</p><p>que viajaram para um destino específico, ou seja, não faz menção a elementos de</p><p>demanda potencial. De acordo com o autor, este é o tipo de informação mais</p><p>apresentada nas publicações de estatística de turismo quando se abordam questões</p><p>referentes à demanda deste setor. A título de esclarecimento, e para fins de</p><p>abreviação, ao longo deste estudo usaremos a palavra demanda como sinônimo de</p><p>demanda real ou efetiva. O entendimento do conceito apresentado acima é</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1349</p><p>importante uma vez que fundamenta o uso que fizemos das informações extraídas</p><p>dos Anuários Estatísticos do Ministério do Turismo [MTUR].</p><p>Agora mudando um pouco o nosso foco de análise, vamos compreender</p><p>melhor algumas questões que dizem respeito à segmentação de mercado. De</p><p>acordo com Kotler (2001), o trabalho de segmentação de mercado diz respeito ao</p><p>conjunto de ações que objetivam dar mais precisão aos esforços de marketing. Esta</p><p>precisão que o autor menciona está diretamente relacionada à escolha de</p><p>segmentos de mercado para serem investidos com maior ênfase e conhecimento.</p><p>Falando especificamente de segmentação no campo do turismo, podemos dizer que</p><p>existem diferentes maneiras de se orientar esta partição e seleção do mercado</p><p>consumidor. Como destacam Lohmann e Panosso Netto (2008), ao citar a</p><p>Organização Mundial do Turismo (2001) e Vaz (1999), os critérios de segmentação</p><p>podem ser desenvolvidos em função de aspectos demográficos (em função de</p><p>idade, sexo, renda, etc.), geográficos (país, estado, ou demais variações geográficas</p><p>de um território), psicológicos ou econômicos, e passíveis de serem</p><p>complementados com as formas de segmentação psicográfica (focada na</p><p>personalidade do consumidor), comportamental (apoiada nos hábitos das pessoas),</p><p>demográfica pessoal (atenção a elementos básicos de identidade, como aspectos</p><p>físicos e genéticos), ou demográfica socioeconômica (centrada na formação e</p><p>posicionamento social de um grupo de indivíduos).</p><p>Em razão do que foi dito acima, quando optamos por analisar somente o fluxo</p><p>de entrada dos turistas de origem dos EUA, realizamos um processo de</p><p>segmentação em nossas análises da demanda turística internacional que visita o</p><p>Brasil. Para compreendermos um pouco a importância deste segmento para o</p><p>turismo internacional em solo brasileiro, vale destacar que os Estados Unidos tem</p><p>sido por muitos anos o segundo país a enviar mais turistas para o Brasil anualmente,</p><p>ficando atrás somente da Argentina. No ano de 2008, de todos turistas estrangeiros</p><p>que entraram no Brasil, pouco mais de 12% deles tinham os EUA como país de</p><p>origem (MTUR, 2009). Apesar deste fato, se observarmos os dados dos últimos</p><p>anos (ver mais informações na seção 4, análise dos resultados), podemos notar que</p><p>os fluxos deste importante mercado consumidor em direção ao Brasil têm diminuído</p><p>a alguns anos. Além de fatores externos já conhecidos (como atentados terroristas,</p><p>variações</p><p>na economia e no câmbio), não podermos descartar a hipótese de uma</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1350</p><p>falta de conhecimento e atenção devida a este segmento. É por esta razão que</p><p>decidimos investir neste tipo de estudo.</p><p>Na sessão seguinte, vamos observar e refletir acerca de algumas importantes</p><p>questões que envolvem a aproximação do setor de turismo com o universo da área</p><p>estatística.</p><p>2.2 RELAÇÕES ENTRE TURISMO E ESTATÍSTICA</p><p>Se podemos considerar os avanços nas áreas de planejamento e gestão do</p><p>turismo como eventos ainda bastante recentes, o que seria possível dizer acerca da</p><p>aproximação e uso de estatísticas no campo do turismo? Por maior que seja a</p><p>necessidade de atender demandas específicas que pedem certa fuga de ações</p><p>puramente racionalistas, é inegável que o setor de turismo, assim como qualquer</p><p>outra atividade que perpasse tanto por aspectos ambientais, sociais, culturais e</p><p>econômicos, também precise de um determinado rigor e suporte racional nos seus</p><p>processo de gestão. É diante de uma série de processos incertos que pode e deve</p><p>ocorrer a aproximação do turismo com o universo da estatística. Mais do que</p><p>produzir ou tabular números, a ciência estatística é um campo de conhecimento que</p><p>visa trabalhar com eventos incertos, ou seja, que se relacionam a algum tipo de</p><p>probabilidade de acontecimento. Como as certezas encontradas na realidade de</p><p>qualquer gestor são normalmente muito escassas, a estatística e suas ferramentas</p><p>acabam se apresentando como uma importante forma de auxiliar os processos de</p><p>tomada de decisão. Não que este campo seja capaz de garantir opções assertivas,</p><p>mas certamente o uso correto dos seus métodos, acompanhado de outras fontes de</p><p>orientação (como domínio sobre o assunto, experiência, entre outros elementos)</p><p>pode minimizar em muito as chances de se tomar uma decisão errada (HALL, 2004).</p><p>Ao falar sobre os processos de planejamento e gestão do turismo, e</p><p>participação do Estado neste esforço, Beni (2001) ressalta a importância de se criar</p><p>não somente um Sistema de Informação de Turismo, mas também um Sistema</p><p>Nacional de Estatísticas do Turismo. O próprio Ministério do Turismo, em seus dois</p><p>últimos Planos Nacionais para este setor (MTUR, 2003; 2007), deixa bastante clara</p><p>a importância de se produzir e manipular informação para direcionar os gestores</p><p>desta atividade. O Programa de Regionalização do Turismo [PRT] (MTUR, 2004),</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1351</p><p>considerado a maior política desenvolvida pelo atual governo para este setor,</p><p>também apresenta um desmembramento de sua documentação cujo foco está</p><p>direcionado para a organização de um sistema de informações turísticas (MTUR,</p><p>2006).</p><p>Ainda que diversos autores e mesmo os gestores de turismo reafirmem</p><p>constantemente o quão importante é o uso de métodos estatísticos, podemos dizer</p><p>que existe um significativo descompasso entre a fala e a prática. Um pequeno, mas</p><p>muito significativo exemplo desta discrepância é a incapacidade de evoluir na</p><p>produção e uso de informações turísticas municipais, ainda que estejamos sob a</p><p>orientação de uma política descentralizadora com este foco desde meados da</p><p>década passada, quando foi implantado o Programa Nacional de Municipalização do</p><p>Turismo [PNMT]. São poucos os municípios do Brasil que geram e/ou usam</p><p>estatísticas para direcionar suas ações de planejamento e gestão. Outro exemplo</p><p>bastante claro desta ineficiência pode ser visto na sessão de estatísticas estaduais,</p><p>no site do Ministério do Turismo (dentro da área de dados e fatos). Do momento em</p><p>que esta área se tornou disponível até a escrita deste artigo, eram poucas as</p><p>unidades da federação que tinham um link disponível para acessar os seus estudos.</p><p>E mesmo quando este fato ocorre, nota-se que as estatísticas publicadas por</p><p>diferentes estados não aparentam seguir qualquer tipo de orientação básica mínima</p><p>que auxilie na uniformização de aspectos metodológicos. Assim como foi dito</p><p>anteriormente, não podemos negar que ocorreu um significativo nível de melhora</p><p>com relação à produção de informações acerca do turismo em nosso país, mas</p><p>também é inegável que este processo transcorreu em ritmo muitíssimo menor que</p><p>outras investidas trabalhadas pelos gestores deste setor. Não queremos dizer que a</p><p>produção de informações devesse ser colocada como prioridade, mas sim que esta</p><p>poderia ser incentivada de maneira complementar e na mesma medida em que</p><p>foram promovidas outras ações em benefício da política de regionalização.</p><p>Mudando um pouco a direção do nosso olhar, vamos refletir sobre alguns</p><p>elementos básicos da estatística que serão utilizados na construção deste artigo.</p><p>Como trabalharemos com uma sequência de dados históricos acerca de um</p><p>determinado evento, ou seja, a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, a nossa</p><p>principal referência de estudo é o campo das séries temporais. De acordo com</p><p>Souza e Carmargo (2004, p. 13), uma “série temporal é um conjunto de observações</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1352</p><p>de uma dada variável, ordenadas segundo o parâmetro tempo, geralmente em</p><p>intervalos eqüidistantes”. Os autores também apresentam um agrupamento de</p><p>variações que podem ser usadas para classificar as séries temporais como:</p><p>discretas, contínuas, determinísticas, estocásticas, multivariadas (discretas ou</p><p>contínuas) e multidimensionais.</p><p>Continuando a falar de elementos estatísticos e buscando aproximá-los ainda</p><p>mais do turismo, é interessante observar que o estudo das séries temporais se</p><p>preocupa com um tipo de variação que é bastante característica dos fluxos turísticos;</p><p>a sazonalidade. Morettin e Toloi (2006) consideram como eventos sazonais aqueles</p><p>que ocorrem de forma regular ao longo do tempo, mas que apresentam variações</p><p>constantes em um mesmo período, e que se mantêm repetidas à medida que</p><p>avançamos nas unidades de tempo. Ao falar sobre a sazonalidade no campo de</p><p>turismo, Koc e Altinay (2007) nos apresentam duas categorias para diferenciar esta</p><p>variação. De acordo com os autores, no turismo podemos encontrar um tipo de</p><p>sazonalidade natural, que seria aquela provocada por mudanças regulares em</p><p>aspectos naturais como o clima, estações do ano, e outros fenômenos deste gênero,</p><p>ou então um padrão de sazonalidade institucional, que é resultado de intervenções</p><p>religiosas, culturais, políticas, sociais ou mesmo empresariais.</p><p>Antes de iniciarmos um estudo com o uso de séries temporais, vale observar</p><p>as sugestões de Makridakis, Wheelwright, e Hyndman (1998), quando estes afirmam</p><p>sobre a importância de se desenvolver investigações através de representações</p><p>visuais, por meio de apresentações gráficas dos dados, assim como o uso de</p><p>estatísticas básicas, que de fato são medidas essenciais para investirmos em um</p><p>posterior exercício de modelagem e previsão. Ao apresentarem seu trabalho de</p><p>estatística básica, Morettin e Bussab (2003) sugerem algumas diferentes estatísticas</p><p>resumo para variados casos de análise de dados. Vale dizer que todo o supor te</p><p>estatístico demandado por este artigo se encontra detalhado nas obras de referência</p><p>mencionadas acima.</p><p>Na sessão a seguir, vamos apresentar uma breve descrição sobre a</p><p>metodologia que orientou a construção deste trabalho.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1353</p><p>3 METODOLOGIA</p><p>Para desenvolver o estudo que deu origem a este trabalho, nos</p><p>fundamentamos basicamente nos dados apresentado pelo Anuário Estatístico de</p><p>Turismo (novo nome do antigo</p><p>Anuário Estatístico da EMBRATUR), publicado pelo</p><p>MTUR. Para as informações contidas neste artigo, foram utilizadas as publicações</p><p>de 2005 a 2009, capazes de nos fornecer dados de 2003 a 2008 (este último ano é o</p><p>período mais recente com informações disponíveis).</p><p>Além de um exercício reflexivo amparado por um trabalho de revisão</p><p>bibliográfica (elementos apresentados ao longo do item 2 deste artigo), também</p><p>desenvolvemos um processo de análise estatística básica frente a alguns elementos</p><p>passíveis de serem observados nas séries históricas que apresentadas aqui. A</p><p>opção por um estudo estatístico mais simplificado se deve em função da temática do</p><p>evento, que de fato se aproxima em maior grau de estudos reflexivos ao invés de</p><p>trabalhos com excessivo rigor técnico áreas exatas como a do campo citado acima,</p><p>além deste ser um trabalho de apresentação para outros estudos posteriores e mais</p><p>rigorosos em seu aspectos técnicos, acerca da temática sobre segmentação de</p><p>mercado e aspectos comportamentais da demanda estadunidense frente ao produto</p><p>turístico brasileiro.</p><p>Ainda que existam dados disponíveis para uma série histórica maior que a</p><p>trabalhada aqui, optamos por delimitar o lapso temporal entre 2003 e 2008 como um</p><p>período representativo do mandato e das políticas desenvolvidas pelo atual</p><p>presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Estudos posteriores podem tentar verificar a</p><p>existência de algum tipo de padrão caracterizado por diferentes mandatos políticos,</p><p>como o citado aqui.</p><p>No que diz respeito ao trabalho de análise estatística que desenvolveremos</p><p>aqui, podemos dizer que nos ateremos a apresentações gráficas, que segundo</p><p>Makridakis, Wheelwright e Hyndman (1998) são uma excelente forma de observar</p><p>de maneira rápida e intuitiva como os dados tendem a se comportar. Além desta</p><p>visão inicial, vamos trabalhar também como medidas resumo que nos auxiliarão a</p><p>observar a tendência central (através da média aritmética simples) dos conjuntos</p><p>numéricos, seus níveis de dispersão (por meio do desvio padrão, comparação de</p><p>amplitudes), tendências de aumento ou diminuição dos fluxos (entre outras medidas,</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1354</p><p>aqui faremos uso dos valores mínimo e máximo observados para os meses de cada</p><p>ano) além de algumas possíveis relações entre diferente variáveis.</p><p>Para tabular os dados e produzir os gráficos e tabelas apresentados neste</p><p>estudo, foi utilizado o aplicativo Microsoft Excel 2007, e em especial o seu</p><p>suplemento de análise de dados.</p><p>Na sessão a seguir, vamos apresentar alguns dos resultados obtidos através</p><p>do estudo que foi feito mediante a análise de fluxos turísticos estrangeiros que</p><p>entraram no Brasil.</p><p>4 ANÁLISE DOS RESULTADOS</p><p>Para iniciar a análise dos resultados obtidos, vamos começar com a</p><p>interpretação do gráfico 1, que nos mostra as séries do total de turistas estrangeiros</p><p>que entraram no Brasil entre 2003 e 2008, e uma série específica para os turistas de</p><p>origem dos EUA neste mesmo período.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1355</p><p>Igualmente foi destacado por diversos autores como Beni (2001; 2006),</p><p>Cooper (2001) e Rabahy (2003), podemos ver claramente no gráfico acima o quanto</p><p>os fluxos turísticos estudados apresentam um elevado nível de sazonalidade. Se</p><p>analisarmos de maneira comparativa as variações encontradas na série do total de</p><p>turistas estrangeiros, com a linha que trata somente dos viajantes estadunidenses,</p><p>podemos ver que o primeiro caso citado apresenta uma regularidade bem mais clara</p><p>do que o segundo exemplo em estudo. É interessante observar que, apesar do</p><p>mercado estadunidense ser o segundo maior público consumidor do turismo</p><p>brasileiro, podemos dizer que a similaridade entre os padrões das séries não se</p><p>mostra bastante clara no gráfico acima. Um outro aspecto que nos informa a</p><p>diferença entre os dois conjuntos de dados é a linha de tendência que acompanha</p><p>cada uma das duas séries apresentadas. Enquanto os dados referentes ao conjunto</p><p>total de turistas estrangeiros mostra-se em leve tendência de crescimento, nota-se</p><p>que o mesmo não ocorre com o fluxo de turistas de origem estadunidense que</p><p>entraram em nosso país. Apoiados na tabela 1, exibida mais abaixo, vamos reforçar</p><p>esta análise.</p><p>Tabela 1 – ESTATÍSTICAS RESUMO SOBRE O NÚMERO DE</p><p>TURISTAS QUE ENTRARAM NO BRASIL, POR MÊS,</p><p>ORIGINADOS DOS EUS, ENTRE 2003 E 2008</p><p>2003 2004 2005 2006 2007 2008</p><p>Mínimo 37.047 46.070 55.869 46.329 48.814 39.781</p><p>Máximo 78.466 77.716 76.607 78.230 71.050 67.962</p><p>Amplitude 41.419 31.646 20.738 31.901 22.236 28.181</p><p>Média 55.722 58.833 66.130 60.136 57.979 52.126</p><p>Desvio Padrão 13.218 9.408 7.451 11.552 6.334 9.171</p><p>Fonte: elaborado pelo autor a partir de dados do MTUR.</p><p>A partir das estatísticas resumo apresentadas acima, vamos observar</p><p>algumas características básicas da série histórica dos EUA. Assim como nos</p><p>mostrou a linha de tendência observada no gráfico um, podemos notar que também</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1356</p><p>existe uma tendência de queda no valor apresentado para as médias e número</p><p>máximo de grande parte dos anos pesquisados. Em uma análise anterior à produção</p><p>desta tabela, verificamos que o mesmo tipo de comportamento ocorre nos valores</p><p>encontrados para as medianas, que não foram apresentadas aqui uma vez que se</p><p>mostraram como medidas bastante similares aos números expostos pelas médias.</p><p>Para observarmos de maneira mais clara esta tendência à diminuição na entrada de</p><p>turistas estadunidenses entre 2003 e 2008, vamos observar o gráfico 2 apresentado</p><p>mais abaixo.</p><p>De acordo com o gráfico citado, onde podemos notar com mais clareza o</p><p>comportamento a série temporal dos EUA, nota-se claramente como houve uma</p><p>razoável estagnação no crescimento do número de turistas que entraram no Brasil,</p><p>seguida posteriormente por um claro movimento de declínio no fluxo de viajantes</p><p>nos últimos três anos de análise.</p><p>Continuando a falar de alguns padrões observados na série histórica</p><p>estadunidense, vamos observar como se comportou a variabilidade do número de</p><p>turistas ao longo dos seis anos avaliados aqui. Primeiramente, a partir de uma</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1357</p><p>análise visual com base no gráfico 2, podemos notar que de forma bastante clara</p><p>ocorreu uma diminuição da variabilidade mensal ao longo destes seis anos</p><p>observados, ou seja, a sazonalidade do fluxo de origem estadunidense tem sido</p><p>atenuada de forma bastante razoável. Apesar desta constatação, é importante</p><p>destacar que não temos condição de explicar neste estudo quais seriam as razões</p><p>para este evento. Uma hipótese a ser levada em consideração é a diminuição dos</p><p>valores de visitação máxima que eram observados anteriormente, ou seja, os meses</p><p>de maior e menor visitação estadunidense apresentam mais proximidade entre seus</p><p>valores, como podemos notar claramente através das medidas de amplitude e</p><p>desvio padrão exibidas na tabela 1. Todavia, não podemos afirmar que este seja o</p><p>único motivo para a suavização da sazonalidade citada. Faz-se necessária uma</p><p>investigação mais criteriosa e focada em outras questões (como, por exemplo, uma</p><p>análise criteriosa de ações e políticas do Brasil para a diminuição da sazonalidade</p><p>observada no fluxo de turistas estrangeiros) que não poderiam ser desenvolvidas</p><p>aqui por uma questão de espaço limitado e pelo foco que pretendemos seguir em</p><p>relação ao objetivo deste trabalho, que de fato é apresentar uma análise mais</p><p>introdutória</p><p>seus anseios, seu</p><p>comportamento e sua relação com as localidades visitadas.</p><p>Assim, a partir dos turistas que já freqüentam Diamantina torna-se possível</p><p>estabelecer os mercados-alvo a serem reforçados, bem como os demais</p><p>mercados que têm perfil semelhante e devem ser alvos de ações. Dessa forma, o</p><p>levantamento e sistematização de informações acerca da demanda turística real</p><p>podem e muito, contribuir com a cidade de Diamantina enquanto destino turístico.</p><p>A comprovação do valor das informações acerca dos turistas de Diamantina, são</p><p>apresentados neste trabalho, a seguir.</p><p>2. CONHECENDO DIAMANTINA E SUA RELAÇÃO COM O TURISMO</p><p>Diamantina, localizada no Estado de Minas Gerais, na região Sudeste do</p><p>Brasil, é uma cidade que na sua essência já atraía espontaneamente visitantes, já</p><p>que desde 1729, quando chegaram os primeiros bandeirantes exploradores das</p><p>riquezas naturais brasileiras, a cidade foi se transformando em função da grande</p><p>quantidade de diamantes nela encontrada. Assim, Diamantina passou a fazer</p><p>parte da história brasileira e herdou, do período colonial do Brasil, precioso</p><p>patrimônio tangível e intangível.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1292</p><p>Assim, considerando sua relação com o turismo, Diamantina vem evoluindo</p><p>no cenário turístico desde o lançamento da campanha pelo título de Patrimônio</p><p>Cultural da Humanidade pela UNESCO, adquirido efetivamente em 1999.</p><p>Algumas das metas propostas na campanha incluíam o desenvolvimento</p><p>econômico através do turismo e a geração de renda e empregos, o que realmente</p><p>vem acontecendo. Somam-se ao Título de Patrimônio da Humanidade, as</p><p>características da cidade do século XVIII como casarios coloniais extremamente</p><p>preservados em seu centro histórico. Outra peculiaridade que faz da cidade um</p><p>preciso destino turístico é seu entorno natural, já que a cidade está instalada na</p><p>Serra do Espinhaço. A cidade também é berço de personagens ilustres da história</p><p>brasileira, como a escrava Chica da Silva e o presidente Juscelino Kubitscheck de</p><p>Oliveira.</p><p>Com todo este potencial turístico, Diamantina apresenta também um</p><p>evento único com seu principal produto turístico: a Vesperata. No início o evento</p><p>não foi criado com a pretensão de se tornar produto turístico da cidade, mas</p><p>atualmente gera a ocupação máxima da planta hoteleira da cidade nos finais da</p><p>semana em que ocorre. O espetáculo musical acontece de março a outubro, em</p><p>finais de semana previamente estabelecidos, no centro histórico da cidade, cuja</p><p>arquitetura proporciona uma acústica perfeita. Os maestros são colocados em</p><p>uma pequena plataforma no meio do público e os músicos – muitos oriundos da</p><p>Escola pública de música da Cidade (Conservatório Musical Lobo de Mesquita) –</p><p>instalam-se nas sacadas do casario histórico, tocando e emocionando turistas e</p><p>moradores autóctones.</p><p>O atual Governo Brasileiro vem investindo efetivamente no Turismo desde</p><p>sua chegada ao poder em 2003, quando instalou pela primeira vez um numa</p><p>pasta exclusiva o Ministério de Turismo – MTur, o qual vem atuando diretamente</p><p>em planos de desenvolvimento, ações de promoção e comercialização,</p><p>estruturação das políticas públicas do setor, qualificação e até estudos de</p><p>marketing do Brasil e seus destinos. Essa profissionalização do setor teve</p><p>impacto direto nas políticas turísticas em outros níveis.</p><p>Na cidade de Diamantina pode-se apontar como mais recente reflexo</p><p>desse processo a inclusão da cidade em um Estudo da Fundação Getulio Vargas</p><p>(2008) encomendado pelo MTur, define os 65 (sessenta e cinco) Destinos</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1293</p><p>Indutores de Turismo no Brasil. Em consonância com o Plano Nacional de</p><p>Turismo (2007-2010) e tendo como base os Planos de Marketing Internacional</p><p>(Plano Aquarela, 2005a) e Nacional (Plano Cores, 2005b) o estudo apontou todas</p><p>as capitais e até cinco cidades em cada Estado como capazes de induzir o</p><p>desenvolvimento turístico de sua região (Barbosa, 2008). Esses destinos,</p><p>incluindo Diamantina, estão sendo priorizados com políticas públicas específicas,</p><p>mas para serem assim beneficiados, devem oferecer contrapartidas, que vão</p><p>desde recursos do poder público local, até pesquisas que versem sobre o turismo</p><p>no município e região.</p><p>Neste contexto, é que foi realizada a “Pesquisa de Demanda Real de</p><p>Diamantina e Região (Silveira e Medaglia, 2009), cujos resultados, focados nas</p><p>percepções, emoções e outras relações desta encantadora cidade turística com</p><p>sua demanda real, são apresentadas a seguir.</p><p>3. OS CAMINHOS PARA CONHECER A DEMANDA TURÍSTICA REAL DE</p><p>DIAMANTINA</p><p>Conforme comentado, as informações apresentadas neste trabalho são</p><p>fruto de uma pesquisa realizada com os turistas em Diamantina. Com uma</p><p>amostra aleatória, foram aplicados 215 questionários, dos quais 185 foram</p><p>considerados como válidos pelos coordenadores da pesquisa; no período de 08 a</p><p>19 de maio de 2009, em 8 atrativos turísticos da cidade. Estes pontos de</p><p>aplicação foram selecionados através de outra pesquisa realizada pela Secretaria</p><p>de Patrimônio, Cultura e Turismo da Prefeitura de Diamantina, denominada “Fluxo</p><p>de Visitação nos Monumentos em Diamantina 2008” (SECTUR, 2008), e que</p><p>identificou os lugares mais freqüentados pelos turistas que visitam Diamantina.</p><p>Desta forma, 23 acadêmicos da turma 2007/1 do Curso de Turismo da</p><p>UFVJM, coletaram os dados, por meio de um questionário estruturado com 24</p><p>questões, sendo: 11 perguntas fechadas, 03 abertas e 10 semi-abertas; ainda</p><p>sub-divididas em “Característica da Viagem”, “Motivações”, Percepções e</p><p>Expectativas”, Circuito dos Diamantes” e Dados Estatísticos”. Com um</p><p>questionário tão extenso e por iniciativa dos alunos, o Curso de Turismo e a</p><p>Assessoria de Comunicação da UFVJM, bem como o Circuito dos Diamantes,</p><p>cederam brindes para incentivar a participação dos turistas. Já a tabulação ficou</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1294</p><p>sob responsabilidade dos bolsistas de Iniciação Científica (PIBIC-FAPEMIG), que</p><p>anteriormente, já haviam também realizado um levantamento das pesquisas de</p><p>demanda realizadas até o momento na cidade de Diamantina. Todas essas</p><p>etapas e ações foram realizadas sob supervisão dos professores coordenadores</p><p>da pesquisa.</p><p>Neste contexto, apresenta-se a seguir os principais resultados da Pesquisa</p><p>de Demanda Real de Diamantina, acreditando ser esta pesquisa um valioso</p><p>instrumento de tomada de decisões estratégicas do destino turístico Diamantina.</p><p>4. AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA DEMANDA REAL DE</p><p>DIAMANTINA</p><p>O bloco de questões „Características da Viagem‟, teve como objetivo</p><p>máximo identificar o perfil geral dos turistas, bem como descobrir de que forma</p><p>são organizadas as viagens até Diamantina.</p><p>Diante destas indagações pode-se dizer que o turista que frequenta</p><p>Diamantina reside especialmente em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas</p><p>Gerais, e de diversas outras cidades do Estado, já que, somando estas duas</p><p>categorias de visitantes, chega-se ao percentual de 70%. Todas as outras regiões</p><p>do país foram contempladas, ainda que discretamente, a não ser pela região</p><p>sudeste que teve mais destaque. A participação internacional foui pouco</p><p>expressiva, mesmo sendo Diamantina Patrimônio da Humanidade, apenas 3%</p><p>dos turistas entrevistados eram estrangeiros. A demanda é composta</p><p>especialmente por pequenos grupos que viajam em veículo próprio, indicando um</p><p>destino familiar, porém esse turista viaja tanto em pequenos grupos quanto em</p><p>grandes excursões; é frequentador esporádico do destino Diamantina, com 44%</p><p>dos entrevistados afirmando não ser sua primeira</p><p>sobre algumas variações detectadas no fluxo de tur istas originados dos</p><p>EUA.</p><p>Continuando a analisar a variação mensal dos fluxos ao longo dos anos,</p><p>vamos observar o gráfico 3, que nos mostra de maneira comparativa e mais clara as</p><p>diferenças entre cada um destes doze períodos anuais.</p><p>Para facilitar a visualização das linhas que representam os anos, optamos por</p><p>agrupar somente o último quadriênio em um mesmo gráfico. Com base na</p><p>apresentação visual feita acima, podemos notar que os anos de 2005 e 2008 se</p><p>destacam como períodos de maior e menor fluxo, respectivamente, para uma grande</p><p>parte dos meses em questão. Com relação a 2005, observar-se que este ano</p><p>apresentou por nove meses os maiores fluxos de turistas, em comparação com os</p><p>outros três períodos também avaliados neste gráfico. Se levarmos em consideração</p><p>que o mês de janeiro de 2005 também apresentou valor similar ao maior fluxo deste</p><p>período, que foi o movimento ocorrido em 2006, podemos afirmar que de fato o</p><p>primeiro dos quatro anos em questão se posiciona como o de maior volume na</p><p>entrada de turistas. O contrário pode ser dito em relação a 2008, que também</p><p>apresentou valores extremos em nove meses, só que para números menores.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1358</p><p>Acerca dos anos 2006 e 2007, vemos uma distribuição irregular entre os meses com</p><p>valores mais altos ou mais baixos. Em uma comparação entre estes dois anos, nota-</p><p>se que 2006 foi um ano de maiores fluxos em sete meses do ano, e 2007 adquiriu</p><p>este status por cinco período mensais.</p><p>Continuando nossas investigações, também vamos observar de maneira um</p><p>tanto introdutória qual seria uma possível relação existente entre a variação mensal</p><p>de turistas estadunidenses que entraram no Brasil, e a cotação média mensal que o</p><p>dólar americano atingiu frente ao Real neste mesmo período de tempo. Por limitação</p><p>de espaço e tempo, não vamos desenvolver neste artigo uma análise que aprofunde</p><p>a correlação entre as duas variáveis citadas, levanto em consideração fatores como</p><p>período de férias escolares e estações climáticas do ano.</p><p>Ao analisarmos visualmente o gráfico 4, podemos notar que não existe um</p><p>nível de correlação bastante significativo entre as duas variáveis, ou seja, não</p><p>podemos dizer que apenas as mudanças na cotação do dólar americano frente ao</p><p>Real são significativas para influenciar em grande medida o volume de turistas dos</p><p>EUA que viajam para o Brasil. Antes de encerrarmos nossa análise acerca desta</p><p>última relação, que pode ser melhor verificada em estudos posteriores, é importante</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1359</p><p>dizer que de fato existe uma correlação positiva (e igual a 0,14) entre o valor</p><p>alcançado pelo dólar frente à moeda brasileira e o número de turistas do EUA que</p><p>entraram em nosso país, mas o nível de associação encontrado é bastante</p><p>pequeno, o que nos permite inferir que somente a variação cambial não seja um</p><p>impedimento ou estímulo tão significativo à entrada de turistas estadunidenses no</p><p>Brasil. De fato se faz necessária uma averiguação mais profunda sobre esta questão</p><p>apresentada aqui.</p><p>Na próxima sessão, vamos tecer as considerações finais acerca da</p><p>contribuição que este trabalho desenvolveu a partir do que foi objetivado no</p><p>processo de construção do mesmo.</p><p>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A partir das pesquisas que têm sido feitas acerca de alguns segmentos</p><p>internacionais ante o mercado turístico brasileiro, podemos dizer que este é o</p><p>primeiro esforço de publicação dos resultados alcançado até então. Como foi dito no</p><p>objetivo e na metodologia deste trabalho, a proposta do mesmo não era de</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1360</p><p>apresentar resultados com excessiva base estatística ou mesmo um estudo que se</p><p>prendesse apenas no exercício de revisão da literatura. Ao contrário destes dois</p><p>casos, a proposta do presente estudo era de apresentar um trabalho introdutório,</p><p>mas nem por isso de menor valor, e que mesclasse a revisão bibliográfica e um</p><p>trabalho reflexivo sob o contexto vivenciado (com base no tratamento de dados</p><p>reais, acerca de elementos que envolvam a checagem inicial de um segmento</p><p>específico dentro do mercado turístico). Pela importância dos fluxos estadunidenses</p><p>em direção ao Brasil, optamos por este foco e, além disso, mantemos o nosso</p><p>horizonte de análise em um período de significativa atenção política às questões</p><p>relacionadas ao setor de turismo.</p><p>Dentro deste nosso campo de análise, valeria destacar a interessante</p><p>diferença observada na série histórica dos turistas frente ao conjunto de dados que</p><p>engloba todos turistas estrangeiros que entraram no Brasil entre 2003 e 2008. Além</p><p>deste fato, também merece uma atenção mais direcionada a diferença entre as</p><p>tendências de crescimento observadas para os grupos de dados mencionados</p><p>acima. Averiguar quais seriam as possíveis razões que tem diminuído a vinda de</p><p>turistas dos EUA para o Brasil, e trabalhar para que este cenário se reverta para</p><p>uma direção mais positiva em favor do Brasil, são questões que de fato devem tomar</p><p>a atenção de estudiosos e gestores (públicos e privados) deste setor.</p><p>Outros dois assuntos que também demandam maiores esforços investigativos</p><p>para auxiliar na orientação de ações e políticas de turismo são, as questões que</p><p>perpassam a diminuição da sazonalidade mensal dos fluxos estadunidenses que</p><p>entram no Brasil todos os anos, e também a real influência que a valorização do</p><p>Real frente o dólar americano gera no volume de turistas dos EUA que ingressam ou</p><p>deixam de ingressar em nosso país.</p><p>Ainda que os resultados apresentados neste estudo representem uma</p><p>contribuição bastante introdutória para o tema que foi abordado neste artigo, é</p><p>importante destacar o marco inicial que esta publicação pode representar. De fato</p><p>este trabalho não se esgota em si mesmo, quer por suas imperfeições ou mesmo</p><p>pela complexidade do assunto que aborda, ou seja, este artigo cumpre apenas a sua</p><p>função que é de contribuir com a abertura de mais caminhos para a construção de</p><p>novos estudos acerca das temáticas que se propõe a explorar.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1361</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BENI, M. C. Análise estrutural do turismo. 6ª ed. São Paulo: SENAC SP, 2001.</p><p>______. Política de planejamento do turismo no Brasil. São Paulo: Aleph, 2006.</p><p>CASTELS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.</p><p>CAVALCANTI, K. B.; DA HORA, A. S. S. Política de turismo no Brasil. Turismo em</p><p>análise. v. 13, n. 2, p. 54-73, nov. 2002.</p><p>COOPER, C.; et al. Turismo: princípios e práticas. 2ª ed. Porto Alegre: Bookman,</p><p>2001.</p><p>HALL, C. M. Planejamento turístico: políticas, processos e relacionamentos. 2ª ed.</p><p>São Paulo: Contexto, 2004.</p><p>KOC, E.; ALTINAY, G. Na analysis of seasonality in monthly per person tourist</p><p>spending in Turkish inbound tourism from a market segmentation perspective.</p><p>Tourism management, v. 28, p. 227-237, 2007.</p><p>KOTLER, P. Administração de marketingI: a edição do novo milênio. São Paulo:</p><p>Prentice Hall, 2002.</p><p>LOHMANN, G.; PANOSSO NETO, A. Teorias do turismo: conceitos, modelos e</p><p>sistemas. São Paulo: Aleph, 2008.</p><p>MAKRIDAKIS, S.; WHEELWRIGHT, S. C.; HYNDMAN, R. J. Forecasting: methods</p><p>and applications. 3ª ed. XXXXX: John Wiley & Sons Inc., 1998.</p><p>MINISTÉRIO DO TURISMO.</p><p>MINISTÉRIO DO TURISMO. Plano nacional de Turismo 2003-2007: diretrizes,</p><p>metas e programas. Brasília: Ministério do Turismo, 2003.</p><p>______. Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil. Brasília:</p><p>Ministério do Turismo, 2004.</p><p>______. Anuário estatístico 2005: volume 32. Brasília: Ministério do turismo, 2005.</p><p>______. Anuário estatístico 2006: volume 33. Brasília: Ministério do turismo, 2006.</p><p>_______. Sistema de Informações Turísticas. Brasília: Ministério do Turismo, 2006.</p><p>______. Anuário estatístico 2007: volume 34. Brasília: Ministério do turismo, 2007.</p><p>______. Plano Nacional de Turismo 2007-2010: uma viagem de inclusão. Brasília:</p><p>Ministério do Turismo, 2007.</p><p>______. Anuário estatístico 2008: volume 35. Brasília: Ministério do turismo, 2008.</p><p>______. Anuário estatístico 2009: volume 36. Brasília: Ministério do turismo, 2009.</p><p>MORETTIN, P. A.; BUSSAB, W. O. Estatística básica. 5ª ed. São Paulo: Saraiva,</p><p>2003.</p><p>MORETTIN, P. A.; TOLOI, C. M. C. Análise de séries temporais. 2ª ed. São Paulo:</p><p>Edgard Blücher, 2006.</p><p>RABAHY, W. Turismo e desenvolvimento: estudos econômicos e estatísticos no</p><p>planejamento. Barueri, SP: Manole, 2003.</p><p>SOUZA, R. C.; CAMARGO, M. E. Análise e previsão de séries temporais: os</p><p>modelos ARIMA. Rio de Janeiro: Regional, 2004.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1362</p><p>CADEIA PRODUTIVA DA HOSPITALIDADE: ANÁLISE PRELIMINAR DOS</p><p>STAKEHOLDERS E SUAS RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO E CONFLITO PARA</p><p>OBTER VANTAGEM COMPETITIVA</p><p>Érika Sayuri Koga</p><p>Mestranda em Hospitalidad; Universidade Anhembi Morumbi</p><p>ekog@hotmail.com</p><p>RESUMO</p><p>Discussão preliminar sobre a cadeia produtiva da hospitalidade, considerada como</p><p>as atividades realizadas pelos viajantes na região dos destinos turísticos. O estudo</p><p>baseou-se na teoria de stakeholders, clusters e arranjos produtivos. Além da</p><p>pesquisa bibliográfica, identificaram-se os stakeholders e integrantes desta cadeia</p><p>para obter uma análise de como se constitui a rede produtiva e as funções</p><p>específicas de cada elemento. Acrescenta-se a pesquisa, uma análise estrutural dos</p><p>meios de hospedagem da Vila do Abraão - Ilha Grande, as forças competitivas e a</p><p>identificação dos stakeholders que influenciam o setor. Identificou-se que o caso</p><p>estudado ainda está mal organizado, em vista do processo desordenado da</p><p>atividade turística. Como resultados identificaram-se possíveis estratégias de</p><p>cooperação e competição como relacionamento para maior competitividade e</p><p>sustentabilidade do destino. O estudo merece continuidade, através de entrevistas</p><p>aos stakeholders para verificar a viabilidade dessas estratégias.</p><p>Palavras Chave: Turismo, Arranjo Produtivo Local, Stakeholders, Cooperação,</p><p>Vantagem Competitiva, Ilha Grande.</p><p>ABSTRACT</p><p>Preliminary discussion of the hospitality supply chain, considered as traveler‟s</p><p>activities realized at the region of destination. The study is based on the theory of</p><p>stakeholders, clusters and local productive arrangement. In the literature, we</p><p>identified the stakeholders and members of this chain for an analysis of how the</p><p>network is productive and the specific functions of each element. In addition, a</p><p>structural analysis of the lodging facilities to Vila do Abraão - Ilha Grande was</p><p>constructed and the competitive forces and the chain of stakeholders that influence</p><p>the industry were identified. It is clear that the case study is still poorly organized, in</p><p>view of the disorderly process of tourism. The results identified possible strategies of</p><p>cooperation and competition as relationships for greater competitiveness and</p><p>sustainability of the destination. The study deserves to continue, through interviews</p><p>with stakeholders to verify the feasibility of these strategies.</p><p>Key words: Tourism, Local Productive Arrangement, Stakeholders, Cooperation,</p><p>Competitive Advantage, Ilha Grande.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1363</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Este artigo analisa a formação da cadeia produtiva do turismo, sob a</p><p>perspectiva da região de destino dos viajantes (LEIPER, 1990), aqui chamada de</p><p>cadeia produtiva da hospitalidade. Este processo é recente e formado por aspectos</p><p>específicos que devem partir de uma maior integração entre os atores formadores</p><p>dessa rede. O estudo parte da identificação dos stakeholders e de suas funções</p><p>para, posteriormente analisar as relações de cooperação e conflito. Analisa também</p><p>as forças competitivas do setor de meios de hospedagem no destino escolhido para</p><p>o estudo: Vila do Abraão na Ilha Grande, pertencente à Angra dos Reis – RJ.</p><p>Através de uma análise preliminar do contexto deste destino, discutem-se algumas</p><p>estratégias competitivas possíveis.</p><p>Foram consultadas publicações relacionadas a sistemas de turismo (BENI,</p><p>2007; LOHMANN e PANOSSO NETTO, 2008), cadeias produtivas (COSTA, 2005;</p><p>SAMPAIO, 2005), análise estrutural do setor (PORTER, 1986; 1999), arranjos</p><p>produtivos locais e sistemas de redes (COSTA e SOUTO-MAIOR, 2006;</p><p>PRAHALAD, 2005; TINSLEY e LYNCH, 2008; GIBSON et al, 2005) para formular o</p><p>referencial teórico e discutir os preceitos para análise do caso. Realizaram</p><p>levantamentos dos dados em entrevista junto ao assistente do gestor do Parque</p><p>Estadual da Ilha Grande, em trabalho de consultoria (MPE, 2004) e pesquisas</p><p>acadêmicas (MENDONÇA, 2008; PRADO, 2003a, 2003b; SAMPAIO, 2005) para</p><p>caracterizar e analisar a evolução do turismo e situação atual na Ilha Grande.</p><p>1. SISTEMA DE TURISMO E DA HOSPITALIDADE</p><p>É importante oferecer uma estrutura de organizações que leve em</p><p>consideração as atividades praticadas pelos turistas ao permitir a identificação de</p><p>setores da cadeia produtiva. Nesse sentido, faz-se referência ao modelo de Leiper</p><p>(1990, apud COOPER et al, 2007, p.37) para apresentar os três elementos que</p><p>compõem o sistema turístico básico: os turistas, que “constituem grupos</p><p>heterogêneos, que reúnem diferentes personalidades e perfis demográficos, em</p><p>experiências diversificadas” (COOPER et al, 2007, p.45); os elementos geográficos,</p><p>que subdividem-se em Região Emissora de Viajantes, Região do Destino Turístico e</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1364</p><p>Região de Trânsito; e, por fim, o setor turístico, que são uma gama de empresas e</p><p>de organizações envolvidas em apresentar o produto turístico.</p><p>Figura 1: SISTEMA DE TURISMO</p><p>Fonte: Leiper, 1990 (apud COOPER et al, 2007, p.37)</p><p>A escolha pela utilização do sistema de Leiper se deu pela facilidade em</p><p>aplicar de forma clara e objetiva para ilustração da cadeia produtiva da</p><p>hospitalidade. O foco na Região do Destino Turístico ocorre, pois é onde se dá o</p><p>processo de acolhimento dos visitantes pelos anfitriões daquele local, e, portanto,</p><p>compõem a oferta de serviços e produtos das empresas e instituições do destino</p><p>responsáveis pela hospitalidade, somado às características da população receptora,</p><p>que Camargo (2003, p.12) invoca de estilo da hospitalidade. E a hospitalidade</p><p>pensada nessa perspectiva vai desvelar os tempos/espaços nos quais se realizam</p><p>os modelos culturais neles embutidos, os públicos (os demais residentes e os</p><p>turistas), os seus equipamentos, a sua engenharia financeira e os seus recursos</p><p>humanos (CAMARGO, 2003).</p><p>Considerando o elemento essencial do sistema, que é a relação e a interação</p><p>entre os elementos que o compõem, a análise destacada à Região do Destino se</p><p>fará com o intuito específico deste artigo em estruturar a cadeia produtiva da</p><p>hospitalidade.</p><p>Ambientes: humano, sociocultural, econômico, tecnológico, físico, político, legal, etc.</p><p>Localização dos</p><p>viajantes, dos turistas e</p><p>do setor</p><p>Viajantes que estão de partida</p><p>Viajantes em retorno</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1365</p><p>O destino é também a razão de ser</p><p>do turismo, onde uma série de atrativos</p><p>especiais se distingue do cotidiano por sua importância cultural, histórica ou</p><p>natural. Essa força de atratividade para visitação dos destinos turísticos</p><p>energiza todo o sistema turístico, incentivando a demanda pela viagem na</p><p>região emissora. Assim é no destino que acontecem as inovações do</p><p>turismo – como o desenvolvimento de novos produtos e a apresentação de</p><p>novas experiências. (COOPER et al, 2007, p.37)</p><p>Partindo-se do fato de que o destino é o espaço onde ocorre a oferta de</p><p>atrativos, serviços de acomodação, entretenimento e alimentação àqueles que se</p><p>deslocam temporariamente engajados por variados motivos, se faz primordial</p><p>“constatar junto à população residente se concorda com tal colocação e conhece as</p><p>mudanças necessárias para que isso ocorra” (WADA, 2003). A pesquisadora sugere</p><p>a partir dessa reflexão o levantamento e análise de: tradições, relacionamentos,</p><p>expectativas, necessidades, desejos e soluções dos anfitriões.</p><p>Levando-se em consideração a Região de Destino do modelo de Leiper e a</p><p>intenção de identificar os anfitriões e as organizações instaladas no destino que se</p><p>propõem a servir às necessidades específicas dos turistas, será ilustrada a cadeia</p><p>produtiva da hospitalidade.</p><p>2. CADEIA PRODUTIVA DA HOSPITALIDADE</p><p>As atividades turísticas que ocorrem na Região de Destino, caracterizadas</p><p>neste artigo como atividades da hospitalidade, são diversas e complexas,</p><p>necessitando vislumbrar a partir de uma visão sistêmica para compreensão de suas</p><p>particularidades, bem como identificação dos atores e análise de suas relações.</p><p>A identificação dos diversos setores que propiciam serviços e produtos para</p><p>compor a experiência turística (ou da hospitalidade) já nos dá uma visão da</p><p>heterogeneidade de organizações, que prestam desde hospedagem, alimentação,</p><p>serviços de guias e agenciamento de passeios a lojas de souvenirs, farmácias e</p><p>caixas eletrônicos. Configura-se assim uma cadeia de organizações produtoras,</p><p>intermediadoras ou distribuidoras cujas atividades se complementam e propiciam a</p><p>satisfação dos viajantes.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1366</p><p>Em vistas destas discussões e baseados em estudos de Sampaio (2005) e</p><p>Beni (2007) desenvolveu-se a cadeia produtiva da hospitalidade da Ilha Grande</p><p>(Figura 2), identificando os atores envolvidos, segmentados em três estruturas e as</p><p>relações existentes entre as organizações para com a experiência turística e com os</p><p>turistas.</p><p>Figura 2: CADEIA PRODUTIVA DA HOSPITALIDADE NA ILHA GRANDE</p><p>Cadeia Produtiva da Hospitalidade na Vila do Abraão - Ilha Grande</p><p>Restaurantes,</p><p>Bares e afins</p><p>Outras</p><p>empresas</p><p>comerciais</p><p>Agências de turismo</p><p>receptivo</p><p>Associação de barqueiros e</p><p>embarcações independentes</p><p>Pousadas, Campings,</p><p>Albergues e Casas</p><p>para locação</p><p>Barcas SA</p><p>Convention</p><p>& Visitors</p><p>Bureau da</p><p>Ilha Grande</p><p>ESTRUTURA INSTITUCIONAL DE APOIO</p><p>Sub-Prefeitura</p><p>da Ilha Grande</p><p>IEF INEA AMHIG</p><p>CEADS</p><p>UERJ</p><p>CODIG</p><p>Brigada</p><p>Mirim</p><p>AMAIG SEBRAE/RJ</p><p>SENAC Rio</p><p>Operadoras</p><p>Nacionais e</p><p>Internacionais</p><p>Turistas</p><p>ES</p><p>TR</p><p>U</p><p>TU</p><p>R</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>A</p><p>C</p><p>ES</p><p>S</p><p>O</p><p>A</p><p>O</p><p>M</p><p>E</p><p>R</p><p>C</p><p>A</p><p>D</p><p>O ES</p><p>TR</p><p>U</p><p>TU</p><p>R</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>D</p><p>U</p><p>TO</p><p>TU</p><p>R</p><p>ÍS</p><p>TIC</p><p>O</p><p>Experiência</p><p>Turística</p><p>Fonte: adaptado de SAMPAIO (2005)</p><p>CONSIG</p><p>Fonte: adaptado de Sampaio (2005)</p><p>Dentro da cadeia produtiva da Ilha Grande identificam-se três conjuntos de</p><p>organização (SAMPAIO, 2005):</p><p> Estrutura do Produto Turístico que são as empresas que, em</p><p>conjunto ou individualmente, prestam serviços ao turista e propiciam uma boa</p><p>ou má experiência – Pousadas, Campings e Casas para Locação; Associação</p><p>dos Barqueiros e embarcações independentes; Restaurantes, Bares e afins;</p><p>Barcas SA, Agências de turismo receptivo; e, outras empresas comerciais.</p><p> Estrutura de Acesso ao Mercado, representando a Ilha Grande</p><p>em questões comerciais e de divulgação do destino, determinando como</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1367</p><p>responsabilidade de um conjunto de organizações a tarefa de captar turistas</p><p>diretamente ou utilizar operadores nacionais ou internacionais como</p><p>intermediários para tanto – Ilha Grande Convention & Visitors Bureau; e,</p><p>Operadoras nacionais e internacionais.</p><p> Estrutura Institucional de Apoio – Estas organizações</p><p>desenvolvem projetos na Ilha Grande e representam a classe patronal,</p><p>sociedade civil, poder público ou instituições de educação. Funcionam como</p><p>organismos caracterizados dentro da superestrutura do Sistema de Turismo</p><p>(SISTUR) (BENI, 2007) – Sub-Prefeitura da Ilha Grande; Instituto Estadual de</p><p>Florestas (IEF); Instituto Estadual do Ambiente (INEA); Associação dos Meios</p><p>de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG); Centro de Educação Ambiental e</p><p>Desenvolvimento Sustentável da Universidade Estadual do Rio de Janeiro</p><p>(CEADS/UERJ); Conselho de Defesa da Ilha Grande (CODIG); Conselho de</p><p>Desenvolvimento Sustentável da Baía da Ilha Grande (CONSIG); ONG</p><p>Brigada Mirim; Associação de Moradores e Amigos da Ilha Grande (AMAIG);</p><p>SEBRAE e SENAC/Rio.</p><p>Dessa maneira, em função dessas características levantadas a respeito do</p><p>SISTUR e da cadeia produtiva, pode-se vislumbrar a necessidade de cooperação do</p><p>setor através de uma rede de turismo (COSTA, 2005).</p><p>Uma rede pode ser definida como um conjunto de relações entre indivíduos</p><p>atuando em organizações ou empresas privadas para atingir um fim específico</p><p>(GIBSON et al, 2005). O envolvimento dos organismos através de rede permite</p><p>principalmente que as pequenas empresas envolvidas construam um nível de</p><p>confiança necessária para compartilharem com o desenvolvimento do produto</p><p>turístico local (TINSLEY e LYNCH, 2008).</p><p>Diversos benefícios podem ser ocasionados com o desenvolvimento e</p><p>aperfeiçoamento das redes de empresas de turismo em uma localidade. Lynch et al</p><p>(2000 apud GIBSON et al, 2005) resumem os benefícios em três grupos principais:</p><p>aprendizagem e intercâmbio, atividades empresariais e benefícios para a</p><p>comunidade. No entanto, os autores alegam que nem todos os benefícios venham</p><p>acontecer. Participação e envolvimento em uma rede de turismo dependem de uma</p><p>disposição favorável influenciada por comportamentos e atitudes dos participantes e,</p><p>em especial, de seus valores. Portanto, compreender porque os indivíduos se</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1368</p><p>envolvem com as redes do turismo está fundamentalmente relacionada em</p><p>compreender as atitudes e valores.</p><p>Contribuindo para o fato de que as redes possam obter valores e benefícios</p><p>tanto para desenvolvimento de oportunidades de negócios, quanto fortalecer ganhos</p><p>comunitários, Gibson et al (2005) estudam formação de rede a partir de uma</p><p>organização que reúna diversas empresas, de pequeno porte, para fomentar o</p><p>desenvolvimento do turismo sustentável em um destino para o benefício da</p><p>comunidade, das empresas e dos visitantes. Daí pode-se chamar uma rede deste</p><p>tipo de "organização mista”. Esta organização mista está tentando construir uma</p><p>ponte sobre diferentes setores e valores da sociedade calcada em “dupla fidelidade”.</p><p>A primeira proposta de fidelidade está relacionada às empresas envolvidas, que</p><p>esperam desenvolver os seus negócios através desta rede e obter vantagem</p><p>comercial. Por outro lado, a rede tem uma fidelidade política ou social para com a</p><p>comunidade, uma vez que quer e espera-se contribuir para o desenvolvimento da</p><p>comunidade em termos de criação de emprego e assim por diante (GIBSON et al,</p><p>2005).</p><p>Tremblay (1998 apud COSTA, 2005) sustenta que as redes locais em</p><p>destinações turísticas desempenham um papel fundamental ao balancear os</p><p>interesses</p><p>de vários stakeholders e aumentar a vantagem competitiva, interligando</p><p>as diferentes capacidades fragmentadas da destinação. Sem estas ligações</p><p>cooperativas, o comportamento de competição seria danoso à comunidade local a</p><p>aos próprios lucros, haja vista a dificuldade para manter posições competitivas</p><p>individuais em cada firma.</p><p>3. ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS</p><p>Com o estudo da formação de clusters ou aglomerados, oriundo do campo da</p><p>administração, verificou-se interesse por estudiosos do turismo em utilizar essa</p><p>ferramenta para enfrentar as adversidades e surpresas do modelo. Cluster significa,</p><p>resumidamente, organização de um arranjo produtivo local (LOHMANN e PANOSSO</p><p>NETTO, 2008).</p><p>De acordo com Porter (1999) aglomerado é um agrupamento</p><p>geograficamente concentrado de empresas inter-relacionadas e instituições</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1369</p><p>correlatas numa determinada área, vinculada por elementos comuns e</p><p>complementares. Os aglomerados assumem diversas formas, dependendo de sua</p><p>profundidade e sofisticação, mas incluem empresas de produtos ou serviços finais,</p><p>fornecedores de insumos especializados, componentes, equipamentos e serviços,</p><p>instituições financeiras e empresas em setores correlatos. E adiciona que são</p><p>sistemas de empresas cujo valor como um todo é maior do que a soma das partes.</p><p>Um arranjo produtivo local (APL) se forma com as condições de proximidade</p><p>geográfica de diversas organizações e atrativos que se relacionam de forma</p><p>cooperada, formando uma cadeia produtiva (COSTA e SOUTO-MAIOR, 2006). Para</p><p>o turismo, a formação de aglomerados deve partir do funcionamento cooperado</p><p>entre as empresas e diversos atores que compõem a cadeia produtiva compondo</p><p>um sistema de hospitalidade, conforme demonstrado anteriormente, integrado e com</p><p>fortes relações de cooperação para que obtenham vantagens competitivas em</p><p>relação a outros aglomerados ou destinos turísticos.</p><p>Para Prahalad (2005) a geração de riquezas na base da pirâmide, fazendo</p><p>uma analogia com destinações turísticas em desenvolvimento turístico, cujas</p><p>comunidades encontram-se em situações de deficiências econômicas e/ou sociais,</p><p>podem vislumbrar oportunidades de crescimento em função de melhor</p><p>relacionamento entre os elementos que compõe, o que o autor chama, ecossistema.</p><p>Um ecossistema baseado em mercado é uma estrutura que permite ao setor privado</p><p>e a vários outros participantes sociais, muitas vezes com tradições e motivações</p><p>diferentes, e de tamanhos e áreas de influência diferente, agir juntos e criar riqueza</p><p>numa relação simbiótica (PRAHALAD, 2005).</p><p>Fazem parte do portfólio os seguintes componentes: empreendimentos não-</p><p>governamentais extralegais, microempresas, pequenas e médias empresas,</p><p>cooperativas, grandes empresas multinacionais locais e ONGs. A importância de</p><p>cada um dos componentes é diferente dependendo da localidade do aglomerado</p><p>analisado.</p><p>O funcionamento desse ecossistema requer mais do que propriedade e</p><p>influência direta sobre todos os elementos. Entretanto, a empresa do setor privado</p><p>ou formuladores de políticas públicas devem oferecer estrutura, orientação</p><p>intelectual e os processos segundo os quais o sistema é controlado e operado.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1370</p><p>Nesse sentido, acesso e influência são aspectos mais importantes do que</p><p>propriedade dos elementos, da mesma forma que padrões de qualidade, obrigações</p><p>mútuas, compromissos com relações contratuais e um conjunto de valores</p><p>compartilhados se fazem necessários para a criação de valor dentro do ecossistema.</p><p>O setor privado no contexto da base da pirâmide inclui organizações sociais de</p><p>diferentes espécies que interagem para criar mercados e desenvolver produtos e</p><p>serviços apropriados e fornecer valor. Um sistema de negócios está no coração do</p><p>ecossistema para a criação de riquezas. (PRAHALAD, 2005)</p><p>É interessante perceber, comparativamente, a relação dos ecossistemas com</p><p>as características básicas para a formação de um APL, conforme listam Lohmann e</p><p>Panosso Netto (2008): 1. Aglomeração de um conjunto de empresas concentradas</p><p>geograficamente que desejem se inter-relacionar para alavancar a atividade turística,</p><p>a partir de alianças estratégicas que permitam trocas de produtos, intercâmbio de</p><p>tecnologias, assistência especializada, enfim, tudo o que for necessário para</p><p>desenvolver com maior competitividade o turismo; 2. Afinidade entre as empresas do</p><p>ramo turístico, convidando a participação de ONGs, empresários, associações e</p><p>políticos desta área; e, 3. Articulação entre os membros do APL, colaborando uns</p><p>com os outros, trocando experiências e, ao mesmo tempo, competindo no mercado</p><p>que atuam.</p><p>Os APLs privilegiam aspectos intangíveis como o capital social, as práticas</p><p>cooperativas e a governança, sendo mais apropriado para a análise de</p><p>aglomerações, sobretudo de micro, pequenas e médias empresas em regiões</p><p>menos desenvolvidas (COSTA e SOUTO-MAIOR, 2006). Dessa maneira, analisar o</p><p>potencial para criação e desenvolvimento dos APLs em destinações turísticas se faz</p><p>estratégica, uma vez que a estrutura é composta principalmente por empresas de</p><p>pequeno porte, prestadoras de serviços específicos, que compõem um sistema</p><p>complexo de atividades diversas e dependem da cooperação entre todas para</p><p>favorecer a cadeia de hospitalidade e obter sucesso em oferecer a melhor</p><p>experiência turística.</p><p>Fazendo uma compilação a respeito dos benefícios advindos do trabalho</p><p>cooperado através de redes, desenvolvido por diversos autores, Costa e Souto-</p><p>Maior (2006) elaboraram uma relação e possíveis aplicações aos sistemas de</p><p>turismo locais: reduzir riscos e lidar com incertezas, enfrentar a competição externa,</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1371</p><p>aumentar participação no mercado, melhorar o conhecimento e gerar inovações,</p><p>reforçar a imagem local, reduzir custos de transação, criar mais valor para o cliente e</p><p>produzir efeitos positivos na economia local.</p><p>Os destinos turísticos em si são um importante construto para a exploração</p><p>das redes de turismo. Elas estão geograficamente limitadas, mesmo que em níveis</p><p>nacional, regional ou local, onde interações econômicas e sociais estão presentes e</p><p>que desenvolve a idéia de “comunidade”. A idéia de comunidade pode ser definida</p><p>como todas as pessoas morando em uma determinada localidade, com laços</p><p>afetivos e sociais que impliquem certo grau de obrigação mútua (TINSLEY e</p><p>LYNCH, 2008).</p><p>4. ANÁLISE ESTRUTURAL DE EMPRESAS</p><p>A partir do crescimento da internacionalização da economia intensificou-se a</p><p>necessidade da reorganização dos fatores produtivos e os modos de gestão</p><p>empresarial com a finalidade de compatibilizar a organização com padrões</p><p>internacionais de qualidade e produtividade (OLAVE e AMATO NETO, 2001).</p><p>Além dos aspectos de padrões de qualidade e produtividade, o setor de</p><p>turismo e hospitalidade retrata a integração de valores comunitários e comerciais e,</p><p>precisa identificar ainda os diversos elementos e relacionamentos entre si para que</p><p>obtenham um posicionamento e uma estratégia competitiva comum para o</p><p>desenvolvimento do destino (BENI, 2007; COSTA, 2006; SAMPAIO, 2005).</p><p>Porter (1986) retrata sobre a estratégia competitiva das empresas e articula</p><p>que o meio ambiente em que se envolve, ou seja, a estrutura do setor influencia</p><p>fortemente nas atividades de todas as empresas. A intensidade da concorrência</p><p>depende de cinco forças competitivas básicas – ameaça de entrada, poder de</p><p>negociação dos fornecedores, pressão dos produtos substitutos, poder de</p><p>negociação dos compradores e intensidade da rivalidade</p><p>entre os concorrentes</p><p>existentes. O conjunto dessas forças sobre uma empresa/organização determina o</p><p>potencial de rentabilidade e seu sucesso nesse meio competitivo.</p><p>Porter (1986, p.22) argumenta sobre a importância da identificação das</p><p>forças, uma vez que tais elementos estão aparentes a toda concorrência:</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1372</p><p>O conhecimento destas forças subjacentes da pressão competitiva põe em</p><p>destaque os pontos fortes e os pontos fracos críticos da companhia, anima</p><p>o seu posicionamento em sua indústria, esclarece as áreas em que</p><p>mudanças estratégicas podem resultar no retorno máximo e põe em</p><p>destaque as áreas em que as tendências da indústria são da maior</p><p>importância, quer como oportunidades, quer como ameaças.</p><p>Em consonância com a cooperação entre os membros da comunidade</p><p>associam-se as idéias de Freeman (1984) sobre gerenciamento dos stakeholders</p><p>4</p><p>que inclui a compreensão de que para gerenciar empresas requer a identificação</p><p>das demais empresas com as quais irão relacionar-se ou que possam vir a</p><p>relacionar e também identificar a interconexão entre esses grupos de interesse.</p><p>Ao verificar um determinado stakeholder cujos interesses sejam conflitantes</p><p>com a gestão do empreendimento, adotar medidas contraditórias a este grupo pode</p><p>ser uma visão simplista para um gestor e também imediata, porque logo novas</p><p>ações deste grupo podem vir a neutralizar suas medidas ou mesmo agravar a</p><p>situação anterior. Adotar uma estratégia calcada na visão de stakeholders poderia vir</p><p>a obter um ganho mútuo das empresas com interesses conflitantes e ainda resultar</p><p>em diferencial competitivo pela primazia da atitude.</p><p>A partir deste escopo baseado em stakeholders, o entendimento dos meios</p><p>de hospedagem ultrapassa os limites internos das empresas contextualizados no</p><p>espaço e no tempo das relações sociais, abrangendo as implicações com o</p><p>ambiente externo.</p><p>5. ILHA GRANDE: ATIVIDADES ECONÔMICAS E REALIDADE SOCIAL</p><p>Apesar de ilha e, portanto, um pedaço de terra cercada por água, o</p><p>isolamento da Ilha Grande, localizada na Baía da Ilha Grande, município de Angra</p><p>dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, não a impediu de vivenciar diversas</p><p>atividades econômicas e uma evolução histórica peculiar. Desde a descoberta pelos</p><p>portugueses, em 1502 até o seu estágio atual de desenvolvimento turístico, diversas</p><p>4 “qualquer grupo ou indivíduo que pode influenciar ou ser influenciado pelo alcance dos objetivos de uma</p><p>corporação, incluindo tanto quem investe (aposta), financeiramente, na empresa, quanto aquele que influencia de</p><p>outras formas (fazendo um bom trabalho, por exemplo), ou que, simplesmente, sofre as conseqüências das ações</p><p>organizacionais” (FREEMAN, 1984)</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1373</p><p>atividades econômicas sustentaram o local: fazenda agrícola; primeiro leprosário do</p><p>país - Lazareto; parada de navios negreiros que deixavam os escravos doentes;</p><p>prisão para políticos divergentes do Governo; colônia agrícola para presidiários</p><p>comuns; atividades agrícolas de subsistência; atividades pesqueiras e fabricação de</p><p>sardinha.</p><p>Com a demolição do presídio em 1994 e com a decadência das atividades</p><p>pesqueiras, como principal fonte econômica, a Ilha Grande passa a ser um lugar de</p><p>natureza paradisíaca, em função de seu isolamento geográfico e preservação pelas</p><p>Unidades de Conservação</p><p>5</p><p>(PRADO, 2003).</p><p>A transformação econômica da “pesca para o turismo” mesmo que recente</p><p>aconteceu de forma muito rápida e sem muitas preocupações com a organização e</p><p>envolvimento local, além da falta de planejamento para o intenso fluxo de pessoas e</p><p>de atividades que passaram a fazer parte do cotidiano local. O turismo como</p><p>justificativa de prosperidade econômica transforma-se em prática incentivada pelos</p><p>principais órgãos públicos, vislumbrando como boa oportunidade para empresários.</p><p>Esse quadro constitui uma intensa mudança das características locais em todos os</p><p>âmbitos (ambientais, sociais, políticos, econômicos) gerando diversos impactos e</p><p>preocupações para com essas novas atividades.</p><p>A Vila do Abraão, considerada “capital da Ilha”, concentra a maior parte dos</p><p>habitantes da Ilha e onde está localizado o Cais das Barcas que dá acesso ao</p><p>continente e às outras vilas e praias da ilha, proporcionando o incremento de</p><p>serviços turísticos como meios de hospedagem, agências receptivas, barcos para</p><p>passeio, restaurantes, agências de mergulho, etc. A abertura destes</p><p>empreendimentos ocorreu em função do crescimento de turistas. O aumento</p><p>desordenado das empresas provocou uma procura maior por clientes, redução dos</p><p>preços e também falta de padrão de qualidade dos serviços e atendimento. Muitos</p><p>negócios, apesar de movimentados durante a alta temporada, acabaram fechados</p><p>nos meses de baixo fluxo de visitantes.</p><p>É notável a falta de planejamento e gestão profissional na maioria das</p><p>empresas, verificando a falta de preocupação em qualificação, pesquisar o mercado</p><p>5 Dentro do território da I lha Grande existem quatro Unidades de Conservação: Parque Estadual da Ilha Grande –</p><p>PEIG (1971), Reserva Biológica da Praia do Sul (1981), Área de Proteção Ambiental de Tamoios – APA de</p><p>Tamoios (1982) e Parque Estadual Marinho do Aventureiro (1990).</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1374</p><p>e avaliar a viabilidade dos negócios. Além da inexistência de trabalho de cooperação</p><p>dos empreendimentos que poderiam se desenvolver conjuntamente para benefício</p><p>mútuo, e que acabam focando apenas em interesses individuais e de curto prazo.</p><p>Além dos impactos relacionados à infra-estrutura do local, tão preocupante</p><p>são os impactos ocasionados sobre a população de moradores que ali vivem desde</p><p>a época do presídio e das atividades ligadas à pesca.</p><p>O ambiente formado pela natureza, a necessidade de sua preservação e o</p><p>potencial de seus recursos; a população com suas características e valores; as</p><p>atividades econômicas, baseadas principalmente no turismo formam atualmente um</p><p>contexto desequilibrado na Vila do Abraão. A evolução desses contrastes, mantidos</p><p>dessa maneira, possivelmente levará a uma situação insustentável. Caso isso</p><p>ocorra, não é somente o turismo que perderá sua atratividade, mas também a</p><p>população de moradores que deixará de ter seu espaço de convivência e integração,</p><p>os empresários estarão fadados à falência ou transferência para outros locais, o</p><p>ambiente natural correrá o risco de chegar a níveis de degradação não recuperáveis,</p><p>o espaço físico, sejam os prédios e as infra-estruturas construídas, ficarão como</p><p>legado sem utilidade alguma.</p><p>6. AS FORÇAS COMPETITIVAS DO SETOR DE MEIOS DE HOSPEDAGEM DA</p><p>ILHA GRANDE</p><p>A partir do exposto sobre o contexto do turismo na Ilha Grande e as forças</p><p>competitivas explicadas por Porter (1986), este trabalho desenvolveu uma análise</p><p>estrutural preliminar das empresas de meio de hospedagem localizadas na Vila do</p><p>Abraão (Figura 3). A partir desta discussão, destacaram-se os pontos fortes e fracos</p><p>do setor (Quadro 1), que permitirão o desenvolvimento de estratégias competitivas</p><p>(Quadro 2) para melhor posicionamento, vislumbrando os cenários de oportunidades</p><p>e ameaças.</p><p>Conforme levantamento executado pelo “Programa Melhores Práticas de</p><p>Ecoturismo” (MPE, 2004) existiam 67 pousadas (1.895 leitos), 16 campings (2.986</p><p>pessoas) e algumas casas para locação (786 leitos) na Vila do Abraão, estimando</p><p>uma capacidade total de 5.667 leitos.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo</p><p>e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1375</p><p>Figura 3: FORÇAS QUE DIRIGEM A CONCORRÊNCIA DOS MEIOS DE</p><p>HOSPEDAGEM NA ILHA GRANDE</p><p>Concorrentes</p><p>Pousadas,</p><p>Campings e Casas</p><p>para locação</p><p>RESORTS,</p><p>OUTROS MHs</p><p>HÓSPEDES</p><p>CRUZEIROS,</p><p>EXCURSIONISTAS</p><p>SUPERMERCADOS,</p><p>AGÊNCIAS E</p><p>OPERADORAS</p><p>Barreiras a novas construções e retaliação</p><p>Limites das UCs</p><p>Sazonalidade</p><p>Segmentação</p><p>Interesse do CVB</p><p>$ restaurantes e lojas</p><p>Contato com turistas fora da Ilha</p><p>Preços com altos custos operacionais</p><p>Mão de obra desqualificada</p><p>Muitos MHs e diversidade</p><p>Ausência de diferenciação</p><p>Fonte: adaptado de Porter (1986)</p><p>Conforme Porter (1986), a rivalidade entre os concorrentes é a disputa</p><p>corriqueira por posição no mercado, sejam através de preços, publicidade, aumentos</p><p>dos serviços ou das garantias ao cliente. Pode ser conseqüência de inúmeros</p><p>fatores que se interagem, tais como: concorrentes numerosos ou bem equilibrados,</p><p>crescimento lento do setor, custos fixos altos, ausência de diferenciação,</p><p>concorrentes divergentes, barreiras de saídas elevadas etc.</p><p>No caso da Vila do Abraão identificou-se a existência de muitos concorrentes</p><p>que disputam uma demanda de 359 mil visitantes, divididos entre 115 mil turistas</p><p>(com pernoite) e 244 mil diaristas ao ano (MPE, 2004). A previsão do crescimento de</p><p>visitantes foi estimada analogamente ao crescimento do turismo doméstico e</p><p>internacional do Brasil, a 12% ao ano. Ao estarem situados em uma ilha, os</p><p>empreendimentos apresentam custos altos de operação, além das altas taxas de</p><p>impostos. E, levantou-se inclusive (MPE, 2004), que um dos problemas</p><p>apresentados pelos empresários era a informalidade de alguns empreendimentos</p><p>que acabavam tendo vantagens de menores custos e conseqüentemente menores</p><p>preços cobrados aos hóspedes. Verifica-se a diversidade de meios de hospedagem</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1376</p><p>entre pousadas, campings, casas para locação de temporada, além de albergues</p><p>disputando a demanda de visitantes principalmente através de valores das diárias.</p><p>Identificar as barreiras de entrada existentes propiciará o reconhecimento das</p><p>reações que um novo entrante pode esperar dos concorrentes já existentes. Dessa</p><p>maneira, se as barreiras são altas, pode-se esperar retaliação acirrada dos</p><p>concorrentes na defensiva. Aspectos como economia de escala, diferenciação do</p><p>produto, necessidades de capital, altos custos de mudança e dificuldade de acesso</p><p>aos canais de distribuição são barreiras de entradas que serão analisadas pelos</p><p>novos entrantes antes de participar de um novo mercado (PORTER, 1986).</p><p>No caso do setor de hospedagem da Vila do Abraão verifica-se que as</p><p>barreiras de entrada a novos empreendimentos resumem-se à retaliação dos</p><p>concorrentes já existentes e, principalmente aos limites de construção na Vila e</p><p>também em áreas no entorno, considerada áreas de Unidades de Conservação</p><p>(Parque Estadual da Ilha Grande e Área de Proteção Ambiental de Tamoios), cujas</p><p>restrições para construção são muito rigorosas.</p><p>A identificação de produtos substitutos é verificada através de pesquisas na</p><p>busca de outros produtos que possam desempenhar a mesma função que aquele da</p><p>indústria. Os produtos substitutos que exigem maior atenção são aqueles que estão</p><p>sujeitos a tendências de melhoramento do seu preço-desempenho ou são</p><p>produzidos por setores com lucros altos (PORTER, 1986, p.40).</p><p>Associando ao setor de hospedagem da Vila do Abraão, identificaram-se os</p><p>cruzeiros e os excursionistas (visitantes que não pernoitem) como possíveis</p><p>produtos substitutos, pois ameaçam diretamente as empresas de acomodação, uma</p><p>vez que seus usuários usufruem os atrativos e alguns equipamentos da Vila,</p><p>entretanto não necessitam de meio de hospedagem para fruição dessa experiência.</p><p>Os excursionistas em uma percepção geral dos moradores e empresários locais não</p><p>são muito receptivos, uma vez que trazem seus itens de consumo do continente e</p><p>muitas vezes deixam o lixo nas praias. Já os cruzeiristas são vistos como boa fonte</p><p>de renda aos restaurantes, lojas de souvenirs, agências e barcos para passeio.</p><p>Os compradores competem com as empresas de um determinado setor</p><p>forçando os preços para baixo, barganhando por qualidade ou mais serviços e</p><p>jogando os concorrentes uns contra os outros. Tudo à custa da rentabilidade das</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1377</p><p>empresas. Portanto, analisar a importância dos grupos compradores, seus volumes</p><p>de compra e exigências de qualidade influenciarão a força e as estratégias</p><p>competitivas para o mercado (PORTER, 1986).</p><p>Em relação aos visitantes da Vila do Abraão, atenta-se o principal aspecto de</p><p>sua sazonalidade. A taxa de ocupação média anual das pousadas é de 25%,</p><p>enquanto campings e casas de locação estimam-se em 7% (MPE, 2004). Entretanto,</p><p>em épocas de alta temporada, a Vila do Abraão extrapola seu limite de carga, em</p><p>relação à infra-estrutura básica (água e esgoto) e verificam-se médias de ocupação</p><p>em torno de 80% (MPE, 2004). Nesse sentido, o poder de negociação dos turistas é</p><p>grande em épocas de baixa temporada (maio a setembro), uma vez que os meios de</p><p>hospedagem mantêm suas estruturas e custos durante o ano todo. Mas, percebe-se</p><p>uma evolução da segmentação dos turistas que visitam a ilha atualmente, buscando</p><p>alternativas de hospedagem com melhor qualidade em estrutura, atendimento,</p><p>serviços agregados e diferenciais.</p><p>E, por fim, a força de negociação dos fornecedores influencia diretamente nos</p><p>custos elevados e redução da qualidade dos bens e serviços fornecidos, sugando,</p><p>conseqüentemente, a rentabilidade da empresas, se forem incapazes de repassar</p><p>os altos custos para seus próprios preços (PORTER, 1986).</p><p>Como fornecedores dos meios de hospedagem existem, de um lado, as</p><p>agências e operadoras de turismo, que representam um forte aliado como canal de</p><p>distribuição dos serviços de hospedagem para potenciais visitantes brasileiros e</p><p>estrangeiros. De outro lado, supermercados, padarias e lojas em geral localizadas</p><p>na própria Vila, as quais são recorridas para compras de abastecimento dos</p><p>empreendimentos, apontam-se altos preços praticados, além de falta de qualificação</p><p>dos funcionários e visão dos fornecedores em desenvolver parcerias e ganhos</p><p>mútuos.</p><p>7. ANÁLISE E RESULTADOS</p><p>Resumidamente, listaram-se os pontos fortes e fracos identificados a partir da</p><p>análise estrutural dos meios de hospedagem da Vila do Abraão, conforme as forças</p><p>competitivas existentes neste mercado.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1378</p><p>Quadro 1: ANÁLISE PONTOS FORTES E FRACOS E SITUAÇÃO COMPETITIVA</p><p>DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM</p><p>Pontos Fortes Pontos Fracos</p><p>Rivalidade entre os</p><p>concorrentes</p><p>-</p><p> Muitos e diversos</p><p>meios de hospedagem</p><p> Ausência de</p><p>diferenciação</p><p>Novos Entrantes –</p><p>Resorts e novos meios</p><p>de hospedagem</p><p> Barreiras a novas</p><p>construções</p><p> Forte retaliação</p><p> Limite das UCs</p><p>-</p><p>Produtos Substitutos –</p><p>Cruzeiros e</p><p>Excursionistas</p><p>-</p><p> Interesse do CVB</p><p> Renda para</p><p>restaurantes, agências,</p><p>barcos, restaurantes, etc.</p><p>Compradores Segmentação Sazonalidade</p><p>Fornecedores –</p><p>Supermercados,</p><p>Agências de Turismo</p><p> Contato com</p><p>turistas fora da Ilha</p><p>Grande</p><p> Preços com altos</p><p>custos operacionais</p><p> Mão de obra</p><p>desqualificada</p><p>Fonte: A autora (2010)</p><p>Em decorrência das atividades turísticas já avançadas no destino,</p><p>identificaram-se pontos fracos em maior quantidade do que os pontos fortes. A partir</p><p>desse levantamento, se faz primordial analisar os pontos críticos dessa situação e</p><p>desenvolver</p><p>estratégias para minimizar os impactos, bem como otimizar as</p><p>oportunidades e potencial do segmento.</p><p>Dessa maneira, utilizando-se dos resultados desta pesquisa, listaram-se</p><p>algumas estratégias para posicionamento competitivo do destino (Quadro 2), através</p><p>de relações cooperativas e gestão de conflitos e os atores que devem ser envolvidos</p><p>para criar resultados positivos e integrados. A cadeia produtiva da Ilha Grande é</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1379</p><p>complexa e a necessidade de operarem conjuntamente vislumbra-se a necessidade</p><p>da cooperação entre as empresas e os atores sociais.</p><p>Quadro 2: ESTRATÉGIA E ATORES ENVOLVIDOS</p><p>Estratégias Atores Sociais envolvidos</p><p>Parcerias com operadoras e agências</p><p>de turismo</p><p>Associação dos Meios de Hospedagem da</p><p>Ilha Grande (AMHIG), Meios de Hospedagem</p><p>(MHs), Operadoras e Agências</p><p>Formação de pacotes de viagem AMHIG, MHs, Operadoras e Agências</p><p>Sistema unificado de reservas</p><p>AMHIG, MHs e Convention & Visitors Bureau</p><p>(CVB)</p><p>Sistemas de pesquisas corporativas AMHIG, MHs e CVB</p><p>Conjunto de política de preços e</p><p>divulgação</p><p>AMHIG e MHs</p><p>Acordos sobre mão de obra e empregos</p><p>AMHIG, MHs, Associação de Moradores e</p><p>Amigos da Ilha Grande (AMAIG) e CVB</p><p>Treinamentos em comum AMHIG, MHs e AMAIG</p><p>Canais de troca de informação AMHIG e MHs</p><p>Clube de Compras AMHIG, MHs e fornecedores</p><p>Parcerias Público-Privada</p><p>AMHIG, MHs, CVB, Prefeitura Municipal de</p><p>Angra dos Reis, Instituto Estadual do</p><p>Ambiente</p><p>Fonte: A autora (2010)</p><p>A relação de estratégias baseada em estudos anteriores e pesquisas já</p><p>consolidadas trazem à luz uma nova proposta de cooperação entre entidades que</p><p>participam ou são afetadas pelas atividades dos meios de hospedagem no destino</p><p>Vila do Abraão – Ilha Grande. As propostas representam oportunidades de maior</p><p>integração entre os stakeholders e devem ser discutidas juntos aos atores sociais</p><p>envolvidos sobre o interesse, a viabilidade e também importância de cada estratégia.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1380</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>O sistema de hospitalidade é composto por setores complementares</p><p>(hospedagem, alimentação, transportes, agenciamento, etc.) que trabalham em</p><p>conjunto para formar um produto da hospitalidade. Sua estrutura depende ainda de</p><p>intermediários e fornecedores que irão impactar na qualidade e no preço final.</p><p>A Vila do Abraão, localizado na Ilha Grande tem limites de capacidade</p><p>(acomodação, infra-estrutura básica, UCs) que devem ser zelados por todos os</p><p>elementos da cadeia produtiva para a sustentabilidade e competitividade do destino.</p><p>Além desses problemas estruturais, detectou-se que a ilegalidade e problemas</p><p>ambientais e sociais despertam o desinteresse dos moradores e de turistas</p><p>qualificados.</p><p>Os estudos dos arranjos produtivos e da cadeia produtiva da hospitalidade</p><p>corroboraram para a análise do caso real de desenvolvimento turístico. A Ilha</p><p>Grande é uma destinação frágil (tanto em aspectos ambientais como sociais) e</p><p>encaminhada para um crescimento da atividade de forma desordenada, caso novas</p><p>propostas e organização das sociedades, tanto públicas, como privadas e também</p><p>civis não se coordenem de forma cooperada para obtenção de sustentabilidade e</p><p>conseqüente competitividade no mercado.</p><p>O estudo atual vislumbra a continuidade de pesquisas com os seguintes</p><p>passos: atualizar os dados dos Meios de Hospedagem, do Convention & Visitors</p><p>Bureau da Ilha Grande e da Associação de Meios de Hospedagem da Ilha Grande</p><p>(AMHIG); diagnosticar a existência de estratégias atuais; entrevistar stakeholders; e,</p><p>analisar os interesses e viabilidade de aplicação das estratégias propostas.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BENI, M. Análise estrutural do turismo. São Paulo: SENAC, 2007.</p><p>CAMARGO, L. Os domínios da hospitalidade. In: DENCKER, A.; BUENO, M. (Orgs.)</p><p>Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Thomsom, 2003.</p><p>COOPER, C.; FLETCHER, J.; FYALL, A; GILBERT, D.; WANHILL, S. Turismo:</p><p>princípios e práticas. Porto Alegre: Bookman, 2007.</p><p>COSTA, H. e SOUTO-MAIOR, A. Sistemas produtivos locais em turismo:</p><p>relacionamentos estratégicos e aglomeração territorial como vantagens competitivas.</p><p>Observatório de Inovação no Turismo – Revista Acadêmica, v.1, n.1, p.1-22, 2006.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1381</p><p>COSTA, H. Análise de relações de rede do perfil de competitividade turística: estudo</p><p>comparativo entre São Francisco do Sul e Laguna – SC. Dissertação de mestrado.</p><p>Vale do Itajaí, UNIVALI, 2005.</p><p>FREEMAN, R. Edward. Strategic Management: a stakeholder approach. Minnesota:</p><p>Pitman, 1984.</p><p>GIBSON, L; LYNCH, P.; MORRISON, A. The Local Destination Tourism Network:</p><p>Development Issues. In: Tourism and Hospitality Planning & Development, v.2, n.2,</p><p>p.87–99, ago. 2005.</p><p>LOHMANN, G. e PANOSSO NETTO, A. Teoria do turismo: conceitos, modelos e</p><p>sistemas. São Paulo: Aleph, 2008.</p><p>MENDONÇA, T. C. O turismo que se tem e o turismo que se quer: discurso e</p><p>significados a propósito do turismo na Vila do Abraão – Ilha Grande (Angra dos Reis,</p><p>RJ). Trabalho apresentado ao “GT – 10 Turismo, antropologia e inovação” do V</p><p>Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL – Caxias do Sul, 27 e 28 de</p><p>julho de 2008.</p><p>OLAVE, M. E.; AMATO NETO, J. Redes de cooperação produtiva: uma estratégia de</p><p>competitividade e sobrevivência para pequenas e médias empresas. In: Gestão &</p><p>Produção, v.8, n.3, p.289-303, dez. 2001, São Paulo, 2001.</p><p>PORTER, M. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da</p><p>concorrência. 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Professora Efetiva do Curso de Turismo da Universidade</p><p>Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Bolsista Fundect.</p><p>sottili@uems.br</p><p>Miguel Bahl</p><p>Doutor em Ciências da Comunicação (Turismo) pela Universidade de São</p><p>Paulo (USP). Professor do Curso de Graduação em Turismo e do Programa de Pós-</p><p>Graduação em Geografia (UFPR).</p><p>migbahl@ufpr.br</p><p>RESUMO</p><p>Campo Grande, capital do estado do Mato Grosso do Sul (MS), foi utilizada como</p><p>tema principal para a pesquisa aqui proposta, e esta, tem como principal objetivo</p><p>interpretar</p><p>como a paisagem de Campo Grande se desfaz de sua identidade cultural</p><p>em prol da criação de imagens turísticas veiculadas nos projetos de</p><p>desenvolvimento do Estado. Esta pesquisa caracteriza-se como descritiva e</p><p>exploratória e de base essencialmente bibliográfica. Como resultado verificou-se que</p><p>no caso de Campo Grande, freqüentemente, moradores e turistas são surpreendidos</p><p>quando indagados sobre qual seria a real identidade cultural da cidade atualmente</p><p>afetada pela divulgação de aspectos não característicos da sua condição social e</p><p>respectiva posição geográfica. Nesse sentido também se verificou que se fazem</p><p>necessários estudos posteriores que permitam refletir sobre aspectos sociais e</p><p>culturais da população campograndense e, conseqüentemente, sobre a sua</p><p>identidade, contudo, é importante ressaltar que os agentes sociais que fazem e</p><p>refazem a cidade não podem perder de foco as suas raízes culturais.</p><p>Palavras-chave: Campo Grande, MS (Brasil); Identidade Cultural; Imagem turística;</p><p>Turismo e cultura.</p><p>ABSTRACT</p><p>Campo Grande, capital of Mato Grosso do Sul (MS), will be the main topic of the</p><p>research here proposed, and it has as main objective to interpret how the landscape</p><p>of Campo Grande – MS come apart of your cultural identity in favor of the creation of</p><p>touristy images associated with development projects of the State. This research</p><p>proposed is bibliographic, narrative, and pioneer. As a result it was found that in the</p><p>case of Campo Grande, often locals and tourists are surprised when asked about</p><p>what would be the real cultural identity of the City currently affected by disclosure</p><p>aspects uncharacteristic of her social condition and its geographical position. In this</p><p>mailto:sottili@uems.br</p><p>mailto:migbahl@ufpr.br</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1383</p><p>sense was also identified is necessary studies that allowe to reflect about cultural</p><p>and politic aspects of the campograndense population and, consequently, about your</p><p>identity, however, it is important to remember that the social agents that make and</p><p>remake the city can not loose your roots.</p><p>Key-words: Campo Grande,MS (Brasil); Cultural Identity; Touristy Image; Tourism</p><p>and culture.</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No mundo vigente, o espaço urbano está carregado de novos significados,</p><p>gerados pelo processo de globalização da sociedade e da economia, assumindo</p><p>grande importância, já que a natureza se transforma, em seu todo, numa forma</p><p>produtiva e que contribui para as especializações dadas ao espaço, onde cada lugar</p><p>recebe um novo papel, ganhando um novo valor (SANTOS, 1997).</p><p>A cidade enquanto espaço urbano primordial pode ser compreendida como:</p><p>A mediação entre as mediações. Contendo a ordem próxima, ela a mantém;</p><p>sustenta relações de produção e de propriedade; é o local de sua produção.</p><p>Contida na ordem distante, ela se sustenta; encana-a; projeta-a sobre um</p><p>terreno (o lugar) e sobre um plano, o plano da vida imediata; a cidade</p><p>inscreve esta ordem, prescreve-a, escreve-a, texto num contexto mais</p><p>amplo e inapreensível como tal e não ser para a meditação (LEFEBVRE,</p><p>2001, p. 46).</p><p>Nesta lógica, entende-se a grande cidade capitalista como o lugar onde o</p><p>homem realiza a forma mais concreta de alterações no espaço geográfico. Não é</p><p>sem pretensão que as grandes cidades tornaram-se, nas últimas décadas, objetos</p><p>de estudo de acentuado interesse, tanto empíricos quanto conceituais. As cidades</p><p>transformaram-se em importantes elementos da reprodução do capital, pois é nelas</p><p>que ocorrem com mais intensidade as trocas de bens, serviços e informações, o que</p><p>faz com que a paisagem natural se modifique a cada dia, conforme os diferentes</p><p>interesses dos agentes sociais.</p><p>A complexidade das ações dos agentes sociais inclui mudanças na produção</p><p>espacial das cidades, proporcionando deteriorização de algumas áreas; renovação</p><p>urbana; relocação diferenciada da infra-estrutura e mudança, coerciva ou não, do</p><p>conteúdo social e econômico de determinadas áreas das cidades. Porém, mesmo</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1384</p><p>com alterações constantes na paisagem, o espaço urbano se mantém fragmentado</p><p>e articulado.</p><p>A comunidade de Campo Grande, objeto de estudo deste trabalho, tem, ao</p><p>longo do tempo, construído sua história por meio de seus agentes sociais; sendo</p><p>que, teoricamente é sua história que reflete e constrói sua cultura. Mas na prática, o</p><p>que se percebe também é a preocupação em transformar o seu espaço em</p><p>potencialização para a atividade turística, sem a preocupação adequada com sua</p><p>cultura mais caracterizadora, que inclui representações e identidade.</p><p>Entende-se que, neste processo, o ideal para o desenvolvimento da atividade</p><p>turística de Campo Grande enquanto destino turístico fosse o de evidenciar à sua</p><p>real “marca urbana”, fazendo com que, sempre que esta fosse lembrada, logo se</p><p>destacasse sua principal singularidade, qual seja, sua identidade. Isso porque há de</p><p>se ter todo um cuidado para não tornar o espaço passível de caracterizar-se como</p><p>um “não lugar”, sendo que a partir desse conceito pode-se subtender a idéia de um</p><p>lugar destituído de significado, que não expressa a cultura de um lugar ou de um</p><p>povo (CARLOS, 1996).</p><p>O estudo ora proposto trata especialmente sobre a cidade de Campo Grande,</p><p>capital do estado do Mato Grosso do Sul, localizada geograficamente na sua porção</p><p>central e contando um contingente populacional de 765.247</p><p>6</p><p>habitantes.</p><p>É a cidade mais populosa do estado, o que contribui para que ofereça uma</p><p>melhor infra-estrutura urbana e turística. Pela sua posição geográfica no estado em</p><p>que está localizada a maior parte do Pantanal, tornou-se passagem obrigatória para</p><p>os turistas que se destinam àquela região. Aproveitando-se disso, o trade turístico se</p><p>somando aos interesses das iniciativas públicas governamentais: municipal e</p><p>estadual, criaram para a cidade uma imagem relacionada com motivos de forte apelo</p><p>pantaneiro. Essa realidade, por muitas vezes, tem distorcido ou ainda ignorado a</p><p>sua verdadeira identidade (SOTTILI, 2005), já que o Pantanal localiza-se a 400</p><p>quilômetros de distância da sua sede.</p><p>6</p><p>Informações obtidas pelo site do IBGE no dia 07 de março de 2007, às 13h, de acordo com o censo</p><p>preliminar de 01 de julho de 2006.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1385</p><p>Por meio da análise de pesquisas anteriormente realizadas por SOTTILI</p><p>(2005) em que a autora investigou o imaginário do Pantanal no espaço urbano de</p><p>Campo Grande, é possível afirmar que a identidade cultural de Campo Grande está</p><p>mais relacionada à pecuária, do que puramente ao Pantanal. Campo Grande, assim</p><p>como outras cidades, passou e ainda passa por ações de agentes sociais que</p><p>incluem mudanças na sua produção sócio-espacial, fato que tem ocasionado</p><p>diversidade de interpretações a respeito dos elementos que de fato caracterizam sua</p><p>cultura pelos citadinos.</p><p>2 CAMPO GRANDE: TURISMO E IDENTIDADE CULTURAL?</p><p>Para um melhor entendimento das transformações das cidades ao longo do</p><p>tempo, a discussão e o entendimento da noção de espaço urbano se fazem</p><p>necessários neste trabalho, na expectativa de não considerá-lo apenas como palco</p><p>ou como um mero pano de fundo para os acontecimentos urbanos, mas, sobretudo</p><p>como sendo o grande propulsor e fomentador para os acontecimentos de ordem</p><p>política, econômica e cultural no desenvolvimento das cidades.</p><p>Entende-se o espaço urbano como reflexo e condicionante da sociedade</p><p>urbana, de maneira que a interação do homem com o espaço urbano, ao longo do</p><p>tempo, forme também um espaço cultural.</p><p>O espaço urbano capitalista – fragmentado, articulado, reflexo,</p><p>condicionante social, cheio de símbolos e campos de lutas – é um produto</p><p>social, resultado de ações acumuladas ao longo do tempo, e engendradas</p><p>por agentes que produzem e consomem o espaço (CORRÊA, 1989, p. 11).</p><p>A fragmentação do espaço urbano se dá pelos seus diferentes usos, entre</p><p>eles: comércio, lazer e indústria. Já a articulação manifesta-se mais ou menos de</p><p>forma visível, de acordo com as ações do homem (CORRÊA; ROSENDHAL, 1989).</p><p>Em complemento a isso e baseando-se em Castrogiovanni (2000) pode-se</p><p>afirmar que os citadinos fazem parte da visão que se tem de uma cidade, já que são</p><p>eles que contribuem com a produção do espaço urbano, fazendo-o singular. As suas</p><p>ações criam “marcas urbanas”, que são os sinais e signos incorporados à paisagem.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1386</p><p>A cidade é um mundo de representações. Por meio das pessoas que nela</p><p>vivem, possui vida e constitui uma identidade que lhe é peculiar. Nesse contexto,</p><p>Campo Grande deve pleitear sua condição de cidade turística a partir de elementos</p><p>e ações oriundos da sua própria história – “marca urbana”.</p><p>Essas ações proporcionam uma forma, um lugar, e a idéia de lugar:</p><p>„consiste da extensão do acontecer homogêneo ou do acontecer solidário, a</p><p>partir de duas construções: a configuração territorial e a norma, mesmo que</p><p>efêmera‟ (SANTOS, 1994, p. 36, grifo do autor).</p><p>Nesse sentido a cidade de Campo Grande precisa trazer em evidência suas</p><p>características que a tornam um lugar. Por sua vez, o lugar deve ser entendido como</p><p>toda uma sociedade, constituindo-se de fatos e situações que definem o seu</p><p>cotidiano. Quanto mais inserido na mundialidade, mais apartado da história ele se</p><p>torna, afirmação esta que aponta o risco de os lugares buscarem o simulacro e o</p><p>quão é importante valorizar as especificidades locais.</p><p>Ainda nesse sentido, considera-se pertinente realizar uma discussão mais</p><p>ampla sobre o significado da expressão “o lugar” de acordo com alguns autores,</p><p>iniciando por Milton Santos:</p><p>O lugar é a oportunidade do evento. E este, ao se tornar espaço, ainda que</p><p>não perca suas marcas de origem, ganha características locais. É como se</p><p>a flecha do tempo se entortasse no contacto com o lugar. O evento é, ao</p><p>mesmo tempo, deformante e deformado. Por isso, fala-se na</p><p>imprevisibilidade do evento, a que Ricoeur chama de autonomia, a</p><p>possibilidade, no lugar, de construir uma história das ações que seja</p><p>diferente dos projetos dos atores homogênicos. É esse o grande papel do</p><p>lugar na produção da História e apontá-lo é a grande tarefa dos geógrafos</p><p>neste fim de século (GOMES, 2003 p. 486, grifo do autor)</p><p>7</p><p>.</p><p>A citação acima evidencia a importância dos gestores das cidades</p><p>desenvolverem para cada uma delas o seu próprio lugar – apontando suas</p><p>particularidades e destacando suas principais características. É o particular de cada</p><p>cidade que despertará nos turistas o interesse em visitá-las, entende-se que o</p><p>simulacro ou a simples reprodução não desperta muita curiosidade nos turistas e</p><p>nem fortalece a identidade das cidades.</p><p>7</p><p>Santos, M. Técnica, espaço, tempo, globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo:</p><p>Hucitec, 1994.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1387</p><p>Para Damiani (2005, p. 169): “A vida cotidiana, o lugar do simples e do</p><p>sórdido, é, simultaneamente, o lugar e no tempo em que o humano se realiza”.</p><p>Existem duas formas de um lugar se definir; de dentro ou de fora, na primeira</p><p>ele utiliza sua própria identidade, já na segunda ele deixa de possuir um caráter</p><p>próprio (GOMES, 2003). Para as cidades que buscam se desenvolver no setor</p><p>turístico, o ideal é que elas se divulguem de dentro para fora, ou seja, que levem em</p><p>conta, sobretudo suas particularidades.</p><p>As particularidades dos lugares contribuem para seus desenvolvimentos</p><p>turísticos e para trazer à tona as identidades locais, fortalecendo os fluxos turísticos</p><p>e ainda, destacando a história de suas sociedades.</p><p>Os lugares são ligados pela informação e acabam tendo um papel</p><p>fundamental no espaço, como se eles fossem desamarrar o “nó” existente na</p><p>sociedade, por conta das desigualdades por elas vivenciadas.</p><p>Mas, o primordial sobre um lugar é entender o todo e o particular como uma</p><p>totalidade dialética e passível de transformação. No caso dos espaços urbanos, é</p><p>importante que uma cidade possua identidade própria e que, sobretudo tenha</p><p>conseguido construir um lugar dentro de seu espaço, algo que se destaque e possa</p><p>ser reconhecido, esse lugar deve possuir um significado para a construção cultural</p><p>da cidade.</p><p>O significado e a importância dos lugares variam por diversos fatores como</p><p>história, as condições existentes no momento da internalização e o jogo de relações</p><p>que se estabelecem entre o que chega e o que já existe. É esse conjunto de coisas</p><p>que contribui para que os resultados sejam diferentes, particulares, segundo os</p><p>lugares. “Os elementos que se agrupam dando a configuração espacial de um lugar</p><p>têm que passar por um estudo aprofundado, desde o homem até as instituições que</p><p>vão dirigir, juntamente com as firmas, as formas de materialização da sociedade”</p><p>(SANTOS, 1997).</p><p>Os lugares são também perceptíveis nas paisagens que, sendo uma</p><p>unidade conceitual da geografia, podem ser definidas como uma área</p><p>composta por associação distinta de formas ao mesmo tempo físicas e</p><p>culturais. „Paisagem é tudo aquilo que vemos, o que nossa visão alcança, é</p><p>a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a</p><p>vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores,</p><p>movimentos, odores, sons, etc.‟ (SANTOS, 1997, p. 61, grifo do autor).</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1388</p><p>Sauer (1925) apud Corrêa e Rosendhal (2004, p. 7)</p><p>8</p><p>, explica “a paisagem</p><p>geográfica como o resultado da ação cultural, ao longo do tempo, sobre a paisagem</p><p>natural” e por isso ela apresenta uma dimensão histórica e é portadora de</p><p>significados que expressam valores, crenças, mitos e utopias, caracterizando assim</p><p>uma dimensão simbólica entendida, desta forma, como paisagem cultural.</p><p>O mesmo autor ainda afirma que a paisagem cultural seria, então, a</p><p>transformação da paisagem natural, onde a cultura seria o agente, a área natural o</p><p>meio e a paisagem cultural o resultado. Carlos (2007)</p><p>9</p><p>confirma isso quando discorre</p><p>que a paisagem está sempre em transformação. A paisagem é plurimodal ativa,</p><p>passiva, potencial etc. Em complemento a isso, mencione-se a opinião de Cosgrove</p><p>(2004), que identifica dois tipos de paisagens geográficas; a paisagem da cultura</p><p>dominante, onde o grupo dominante exerce seu poder, e as paisagens alternativas,</p><p>que são as residuais, emergentes e excluídas.</p><p>Para o entendimento de como Campo Grande se apresenta enquanto cidade</p><p>turística é importante analisar quais desses tipos de paisagens são aplicados a ela.</p><p>Subentende-se que “a paisagem tem uma identidade que é baseada na</p><p>constituição reconhecível, limites e relações genéricas com outras paisagens, que</p><p>constituem um sistema geral” (SAUER, 2004, p. 23). Dessa maneira, se pode</p><p>trabalhar com o fato de que a paisagem não é simplesmente uma cena real, mas sim</p><p>uma cena observada por partes individuais que constituem um todo. Além desse</p><p>fato, toda paisagem possui uma relação com outras paisagens, nenhuma é réplica</p><p>de outra, pois são levadas em consideração as percepções pessoais que as fazem</p><p>diferir das demais pelo entendimento individual de cada observador.</p><p>A paisagem possui</p><p>um conteúdo, mas este é menor do que a totalidade, ele é</p><p>constituído por partes. Sendo assim, a identidade da paisagem é determinada pela</p><p>visibilidade da forma, porque o conteúdo aqui mencionado é determinado por</p><p>interesses e julgamentos pessoais (CORRÊA; ROSENDHAL, 2004).</p><p>Os mesmos autores acima afirmam que a paisagem é dividida em duas</p><p>metades. A primeira recebe a designação de sítio e a segunda metade, que vem ao</p><p>8</p><p>SAUER, C. The morphology of landscape. University of California, Publications in Geography, v.2, n</p><p>2,1925.</p><p>9</p><p>Ana Fani Carlos em Entrevista apresentada ao programa da Rede Globo – Fantástico no dia 25 de</p><p>março de 2007.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1389</p><p>encontro aos interesses aqui propostos, é vista como uma unidade bilateral e que</p><p>apresenta sua expressão cultural. Vale ressaltar que se busca abordar aqui o tema</p><p>cultura como uma expressão geográfica, de maneira que não há lugar para o</p><p>dualismo da paisagem.</p><p>Então, não se pode pensar em paisagem se não associada ao tempo, com</p><p>suas relações vinculadas ao espaço, o que contribui para que as ações do homem</p><p>constituam a paisagem cultural, uma vez que ele vai expressando seu lugar na</p><p>natureza como um agente distinto de modificação. A paisagem cultural é, pois, então</p><p>sujeita a mudanças pelo desenvolvimento da cultura ou pela sua substituição</p><p>(CORRÊA; ROSENDHAL, 2004).</p><p>Seguindo essa linha de raciocínio pode-se apresentar em complemento:</p><p>A paisagem cultural é a área geográfica em seu último significado. Suas</p><p>formas são todas as obras do homem que caracterizam a paisagem. Com</p><p>base nesta definição, em geografia não nos preocupamos com a energia,</p><p>costumes ou crenças do homem, mas com as marcas do homem na</p><p>paisagem (SAUER, 2004, p. 57).</p><p>Isso de maneira alguma significa que a paisagem natural não tenha sua</p><p>importância, pois é ela que fornece materiais com os quais a paisagem cultural é</p><p>formada. Ainda, de acordo com Corrêa e Rosendahl (2004): “ao contrário da maioria</p><p>das ciências sociais, a geografia cultural sempre levará cuidadosamente em conta o</p><p>material físico do qual cada cultura imprime a marca que lhe é própria – marca que</p><p>ela considera como uma geo-grafia [...]”.</p><p>Diante disso, entende-se que a paisagem natural tem um papel fundamental</p><p>no processo de construção da paisagem cultural para a formação da identidade,</p><p>sendo a própria cultura a modeladora dessa paisagem.</p><p>É válido, porém, ressaltar que quando acima se citou que não são as crenças,</p><p>os costumes e a energia levados em conta não se teve a intenção de desmerecê-</p><p>los, uma vez que são eles que compõem ou contribuem na construção da identidade</p><p>de uma cidade.</p><p>Isso colabora para uma reflexão sobre Campo Grande, uma vez que ela</p><p>possui uma cultura evidenciada capaz de modelar uma identidade local,</p><p>transformando-a em destino turístico.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1390</p><p>Por meio de sua história, é possível identificar na cidade a existência de uma</p><p>cultura relacionada à pecuária desde seus primórdios e mais atualmente surgindo</p><p>também o setor econômico relacionado a eventos.</p><p>A paisagem é uma marca, pois, expressa uma civilização, mas também é</p><p>uma matriz porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e</p><p>de ação – ou seja, de cultura – que canalizam, em um certo sentido, a</p><p>relação da sociedade com o espaço e com a natureza e, portanto, a</p><p>paisagem do seu ecúmeno. E assim, sucessivamente, por infinitos laços de</p><p>co-determinação (BERQUE, 2004, p. 85, grifos do autor).</p><p>São consideráveis as interrogações feitas por Berque (2004), quando</p><p>questiona de que forma a paisagem imposta é sentida e, eventualmente,</p><p>interpretada?</p><p>Como se pode projetar nela um imaginário? A geografia não se limita à</p><p>observação e à descrição do visível, de maneira que o imaginário entra em cena</p><p>sempre que a atividade turística é idealizada para uma futura realização.</p><p>A sociedade organiza, transforma e, em certos casos, escolhe seu meio</p><p>ambiente graças a técnicas de enquadramento que são, segundo P.</p><p>Gourou, a expressão de uma „civilização‟. Por outro lado, a „cultura‟ contribui</p><p>para a interpretação do espaço, permite a articulação entre o imaginário e</p><p>as „coisas do real‟ (BERQUE, 2004, p. 89, grifos do autor).</p><p>Assim, o significado de uma propriedade ou de uma função em uma</p><p>paisagem geográfica varia. Alguns fatores contribuem para isso; por exemplo,</p><p>quanto maior for a dimensão de um objeto, maior será seu entendimento. Para</p><p>compreensão mais real se faz necessário haver informações do meio que o rodeia e</p><p>o compõe, para tanto, é de expressiva relevância o observador ter conhecimento do</p><p>todo, da história da cidade, para compreender melhor os lugares que compõem o</p><p>todo – a cidade.</p><p>De fato, a autonomia dos indivíduos é limitada por sua vinculação a grupos, o</p><p>que leva, em alguns casos, a formação da paisagem ter características apenas da</p><p>elite política e econômica de determinada cidade.</p><p>A percepção construída pelo citadino é concentrar o que ele conhece sobre a</p><p>sua cidade, mas é válido ressaltar que sendo ele o sujeito deste processo, ele pode</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1391</p><p>ter informações totais ou parciais, o que contribui para a construção da imagem</p><p>turística da cidade, que pode ou não estar relacionada com a realidade.</p><p>A cultura pode influenciar a percepção de tal maneira que as pessoas podem</p><p>ver coisas que não existem (TUAN, 1980).</p><p>A comunidade local pode vir a absorver e divulgar uma imagem que não</p><p>existe, ou que não seja a mais apropriada. Isso se dá pelo envolvimento dela com a</p><p>cidade, não se dando a oportunidade de analisar a cidade sem interferências</p><p>comerciais ou midiáticas. Resultado do homem na sociedade capitalista, ou seja: o</p><p>homem-peça da cidade máquina, máquina de fazer réplicas, fato este ocorrido nos</p><p>últimos anos sobre as cidades turísticas, sendo conseqüência a construção tanto</p><p>pelo poder público como pelo privado, de réplicas de locais turísticos.</p><p>Na maioria das vezes, por estarem envolvidos no processo de</p><p>desenvolvimento das cidades, passam a não perceber as particularidades destas,</p><p>que seriam muito mais atraentes aos olhos do turista do que meramente a</p><p>construção de simulacros de outras cidades, muitas vezes já consolidadas como</p><p>destinos turísticos.</p><p>Mas é fato também que as réplicas nem sempre agradam aos olhos, os</p><p>desejos e sonhos de quem as compra - os turistas -, o que acaba contribuindo na</p><p>insatisfação das expectativas e no baixo sucesso dos destinos turísticos. Porque o</p><p>que realmente atrai os turistas é o inusitado, as especificidades de cada cidade.</p><p>No caso das cidades que buscam a construção de uma imagem semelhante a</p><p>de outras já existentes, elas correm dois riscos; o primeiro deles é o fato de se</p><p>tornarem conhecidas apenas pelas semelhanças com as outras, sem demonstrarem</p><p>as suas imagens com seus valores históricos, e sem serem lembradas pelos seus</p><p>próprios potenciais, o outro é o fato de os visitantes interpretarem-nas como sendo</p><p>um potencial artificial, sem significativos potenciais turísticos, e conseqüentemente,</p><p>sem valores individuais da especificidade cultural, uma vez que elas se submetem</p><p>aos julgamentos individuais.</p><p>Cabe aqui mencionar que, para os núcleos turísticos, o ideal é a paisagem</p><p>constituída pela cultura dominante, desde que proporcione espaço para as</p><p>manifestações culturais e interesses de sua comunidade como um todo.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de</p><p>visita à cidade. O tempo de</p><p>permanência 2 e 3 dias na cidade foi mencionado por 72% dos entrevistados; que</p><p>viajam por meio rodoviário seja carro próprio ou ônibus de excursão (80%); ficam</p><p>hospedados em meios tradicionais como hotéis e pousadas (72%); efetuando um</p><p>gasto médio diário variado, com 37% dos entrevistados investindo entre R$51,00</p><p>e R$100,00 por dia e 31% deixando até R$50,00. Esse turista apresenta um</p><p>altíssimo grau de intenção de retorno, de mais de 95% e demonstra que o turismo</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1295</p><p>está sendo desenvolvido apenas no Centro da cidade, já que apenas 28% dos</p><p>entrevistados conheceu outros bairros. Neste primeiro grupo de questões, cabe</p><p>destacar os seguintes gráficos:</p><p>Gráfico 1 – PRIMEIRA VISITA A DIAMANTINA?</p><p>A taxa de retorno de turistas a Diamantina, apresentada no gráfico acima,</p><p>representa um dado importante de satisfação com o destino. Da amostra</p><p>pesquisada, mais da metade, 56%, já haviam estado na cidade ao menos uma</p><p>vez. A estes foi perguntado com freqüência visitam Diamantina e as respostas</p><p>são apresentadas no gráfico seguinte.</p><p>Gráfico 2 – COM QUE FREQUÊNCIA VISITA DIAMANTINA</p><p>Ainda que não haja referência específica a quantas vezes ao ano</p><p>frequentam a cidade, 79% afirma vir à cidade esporadicamente, alguns com</p><p>freqüência mensal e outros algumas vezes ao ano.</p><p>Estes gráficos apontam para um alto número de reicidência de visita, ou</p><p>seja, demonstra que o turista que conhece Diamantina tem motivos e interesses</p><p>para continuar frequentando o destino.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1296</p><p>Gráfico 3 – INTENÇÃO DE RETORNO</p><p>O alto grau de intenção de retorno aponta para um Destino Turístico com</p><p>grande potencial e que apresenta uma demanda considerada fiel. Entre os</p><p>motivos que mais chamam a atenção na intenção de retorno, são a falta de tempo</p><p>de ver tudo que leva ao desejo de voltar para conhecer mais coisas, e a intenção</p><p>de voltar trazendo outras pessoas, especilamente amigos e familiares. Dos</p><p>poucos comentários negativos em relação à intenção de retorno, destacaram-se</p><p>os relativos à distância.</p><p>Estes dados apontam para o potencial turístico da cidade de Diamantina,</p><p>que apresenta um turista real, frequentador do destino, mas que permanece</p><p>poucos dias. Vencer o desafio de aumentar o tempo de permanência do turista,</p><p>não é grande dificuldade para Diamantina, haja vista o baixo número de</p><p>entrevistados que visitou outros bairros da cidade, que notoriamente apresentam</p><p>outros ponteciais turísticos. Estes resultados também apontam para a atenção</p><p>especial que deve ser dada ao turista que vem de Belo Horizonte, bem como,</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1297</p><p>aponta para o potencial de demanda a ser trabalhado em outros Estados</p><p>brasileiros, pouco presentes ou ausentes na pesquisa.</p><p>5. AS MOTIVAÇÕES DA DEMANDA REAL DE DIAMANTINA</p><p>Uma vez que a cidade de Diamantina ainda não apresenta dados</p><p>estatísticos acerca de seus turistas, este bloco de perguntas teve por objetivo</p><p>compreender as motivações reais que atraíram os visitantes da cidade,</p><p>Este bloco de perguntas permitiu perceber que a Cultura e suas</p><p>especificidades foram o motivo de maior destaque entre os visitantes</p><p>entrevistados. Isso porque, a variável Cultura foi diretamente citada por estes</p><p>turistas, seguida da Arquitetura e dos Personagens – elementos também</p><p>relacionados a Cultura – como motivação principal para visitar a cidade. Esta</p><p>questão apontou também, de certa maneira, para a hospitalidade da comunidade</p><p>local, já que muitos dos entrevistados tiveram como motivação Visitar os Amigos.</p><p>As surpresas negativas ficaram por conta da Estrada Real (rota estabelecida pelo</p><p>Governo do Estado de Minas Gerais e talvez considerada o principal produto</p><p>turístico da região) com poucas menções bem como a Natureza. Dado também</p><p>comprovado pela questão relacionada ao Meio Natural que apontou que 66% dos</p><p>entrevistados não visitaram nenhum atrativo natural e 19% visitaram o Parque do</p><p>Biribiri. Entre os atrativos culturais visitados houve certo equilíbrio, com destaque</p><p>para o Mercado Velho, A Casa de JK, Casa de Chica da Silva e a Casa da Glória.</p><p>Quanto aos eventos da cidade, merecem destaque a Feira do Mercado, que teve</p><p>a maior participação e a Vesperata. Provavelmente este último refere-se aos</p><p>turistas que viajam por pacote turístico, que geralmente apresentam um roteiro</p><p>que incluem a Vesperata. Contudo, o alto índice de pessoas que não participaram</p><p>de nenhum evento cultural indica que há também pacotes que, por contemplarem</p><p>outras cidades do Ciclo do Ouro, passam por Diamantina durante a semana, e</p><p>além de não incluírem eventos culturas, muitos desses pacotes reduzem o tempo</p><p>de permanência na cidade. Para melhor compreensão, apresentam-se os gráficos</p><p>a seguir:</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1298</p><p>Gráfico 4 – MOTIVAÇÃO PRINCIPAL</p><p>A principal motivação dos turistas para sua vinda a Diamantina foram os</p><p>aspectos culturais, que foram tanto denominados como a própria cultura, por 67</p><p>pessoas, como também como arquitetura (29), e os personagens que habitaram a</p><p>cidade (15). Interessantemente, visitas a amigos e parentes, e motivações</p><p>relacionadas a trabalho e estudo, foram mais representativos (28 e 25</p><p>respectivamente) do que o esperado. Expressiva também foi a soma de</p><p>Vesperata e Eventos, com 46 respostas, sendo que a Vesperata isoladamente</p><p>teve 24 menções. Assim, pode-se concluir que a Vesperata atrai número</p><p>expressivo de turistas, mas os aspectos culturais do destino atraem muito mais</p><p>visitantes que esse evento. Além disso, negócios e estudos fomentam um fluxo</p><p>considerável em Diamantina, demonstrando seu potencial diversificado. A menor</p><p>representatividade nas motivações fico com os atrativos naturais, como se mostra</p><p>a seguir:</p><p>Gráfico 5 – ATRATIVOS NATURAIS VISITADOS</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1299</p><p>A supresa anterior se comprovou nesta questão, pois 66% dos</p><p>entrevistados não visitaram nenhum atrativo natural. Foi questionado aos turistas</p><p>quais atrativos naturais visitaram. O Parque Estadual do Biribiri (PEB) recebeu 38</p><p>visitas, o que pode ser justificado pela sua proximidade com a cidade de</p><p>Diamantina. Muitos dos turistas que visitaram o PEB também estiveram em outros</p><p>atrativos naturais como trilhas, Parque Estadual do Itambé, Cachoeiras, Parque</p><p>Estadual do Rio Preto, Parque Nacional das Sempre Vivas e Gruta do Salitre.</p><p>Esta última recebeu 18 visitantes, sendo o segundo atrativo mais visitado, o que</p><p>pode ser explicado por estar localizada próxima ao centro da cidade e ser parte</p><p>de roteiros organizados.</p><p>Gráfico 6 – ATRATIVOS CULTURAIS</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1300</p><p>Novamente tem-se a confirmação de gráficos anteriores de que a</p><p>motivação cultural é a mais citada pelos entrevistados. Percebe-se certo equilíbrio</p><p>entre os atrativos citados: Casa de Chica da Silva, Casa da Glória, Casa de JK,</p><p>Museu do Diamante e o Mercado Velho, todos com mais de 70 citações. As</p><p>Igrejas também apresentaram certo equilíbrio, com destaque para a do Carmo e a</p><p>São Francisco.</p><p>Foi constatado maior número de visitações ao Centro Cultural David</p><p>Ribeiro conhecido como Mercado Velho, 114 pessoas. Acredita-se que devido</p><p>2010</p><p>1392</p><p>A cidade pode ser analisada por diferentes formas, e uma delas é a cultural,</p><p>que ganhou maior destaque no campo científico a partir da década de 1960.</p><p>„E a cultura resulta da capacidade dos seres humanos se comunicarem</p><p>entre si por meio de símbolos‟ (CORRÊA; ROSENDAHL, 2003, p. 28, grifo</p><p>dos autores).</p><p>No caso de Campo Grande, freqüentemente, moradores e turistas ficam</p><p>surpreendidos quando indagados sobre qual seria a real identidade cultural da</p><p>cidade. Percebe-se que isso se dá principalmente porque os próprios moradores não</p><p>têm claramente definida qual é a identidade da cidade na qual eles vivem e fazem</p><p>parte, consequentemente se torna difícil convencer os turistas sobre essa identidade</p><p>que por muitas vezes não é conhecida pela comunidade local, trade e poder público.</p><p>Nesse sentido se fazem necessários outros estudos complementares que</p><p>permitam refletir sobre aspectos sociais e culturais da população campograndense</p><p>e, conseqüentemente, sobre a sua identidade. É importante lembrar que os agentes</p><p>sociais que fazem e refazem a cidade não podem perder suas raízes culturais.</p><p>Para tanto, o papel da cultura neste processo é impar:</p><p>A identidade de uma cidade, vista como lugar dotado de uma singularidade</p><p>que o distingue dos outros, pode ser de modo marcante o resultado de uma</p><p>construção intelectual, derivada de tradição étnica cujos traços são</p><p>permanentemente recriados. Essa identidade cultural do lugar, reconhecida</p><p>tanto interna quanto externamente (Relph, 1976), expressa-se em vários</p><p>aspectos relativos à sua organização social, política e espacial. No entanto,</p><p>pode ser objeto de contestação, por meio de práticas políticas que</p><p>introduzem novos significados ao lugar, criando um confronto identitário</p><p>(CORRÊA; ROSENDHAL, 2006, p. 148).</p><p>É necessário que os governantes tomem medidas para evitar a perda da</p><p>identidade cultural, que poderá ser trabalhada como o próprio atrativo ou motivo de</p><p>visitação ou referencial das localidades turísticas (BAHL, 2004).</p><p>A problemática se estabelece na medida em que emergem cidades que</p><p>desempenham o papel de transformação cultural, constituindo outras cidades,</p><p>alterando o mapa cultural e contribuindo para que essas cidades fiquem sem suas</p><p>“marcas urbanas”. Buscam se destacar enquanto potencial turístico por intermédio</p><p>da imitação de outras cidades já consolidadas turisticamente, ocasionando a</p><p>construção de simulacros, deixando de lado suas próprias identidades culturais, ou</p><p>ainda, não identificando qual seria a própria identidade cultural delas.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1393</p><p>A globalização da cultura possibilitou Hannerz apud Corrêa e Rosendhal</p><p>(2006, p. 159)</p><p>10</p><p>elaborar o conceito creole culture. Para este autor, esse conceito</p><p>envolve a diversidade, interconectividade e inovação. Ainda, segundo este autor a</p><p>diversidade refere-se à confluência recente de tradições culturais histórica e</p><p>geograficamente distintas, e a interconectividade seriam as interações permanentes</p><p>entre significado e formas simbólicas, gerando inovações mercantilizadas.</p><p>Adaptando essa expressão às cidades que buscam desenvolver uma imagem</p><p>turística, pode-se entender que o ideal seria trabalhar suas imagens turísticas</p><p>vinculadas diretamente às suas identidades culturais, contudo, poderia ser</p><p>trabalhada paralelamente a forma mais apropriada para comercialização destas</p><p>cidades sem perder o foco de suas raízes culturais (CORRÊA; ROSENDHAL, 2006).</p><p>Ainda, segundo os autores citados acima, a globalização cultural tem duas</p><p>vertentes, uma é a de reforçar algumas características locais e a outra persiste em</p><p>diluir determinadas características.</p><p>Sob essa ótica, a cidade de Campo Grande se desenvolve em direção à</p><p>segunda vertente ora apresentada, que, do ponto de vista turístico, é a menos</p><p>favorável para seu desenvolvimento e seu sucesso enquanto destino turístico.</p><p>A “marca urbana” é a identidade de uma cidade; é ela que redefine as</p><p>relações entre as pessoas, grupos, lugares, coisas, porém historicamente ela está</p><p>muito mais voltada à ideologia, remetendo-a à ambigüidade. A questão do tempo</p><p>colabora para o esquecimento de algumas ações que contribuíram para a</p><p>construção identitária de uma cidade, prevalecendo o campo econômico como fator</p><p>de maior importância (YÁZIGI, 2002).</p><p>As cidades parecem estar em um concurso, disputando quem chega mais</p><p>próximo da imitação perfeita. Por enquanto, talvez isso resolva em termos de</p><p>número de turistas recebidos e divisas deixadas no receptivo, mas com o passar do</p><p>tempo, com a diversidade e surgimento crescente de novos destinos turísticos,</p><p>acredita-se que os turistas optarão por aquelas cidades que se destacarem por suas</p><p>especificidades e que ultrapassarem a única barreira até então desejada, que é a</p><p>econômica.</p><p>10</p><p>HANNERZ, U. Transnational connections. Londres: Routledge, 1996.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1394</p><p>Em dado momento, a imagem urbana representa a cidade e a ela soma-se a</p><p>percepção, dela busca-se extrair informações capazes de formar uma imagem</p><p>representativa, agregada de valores que variam de acordo com o percepto. As</p><p>imagens urbanas despertam percepções dos citadinos, bem como dos visitantes. A</p><p>diferença se estabelece, principalmente, nas informações e conteúdos que marcam</p><p>a rotina desses citadinos, levando-os à agregação de diversos e diferentes</p><p>significados sobre uma determinada imagem. Imagem que, para o turista certamente</p><p>terá outra conotação, visto que ele observa uma imagem que se pode chamar de</p><p>nua, sem informação alguma sobre tal (FERRARA, 1993).</p><p>As representações sobre a natureza e o espaço socialmente construído</p><p>incluem inúmeras figuras de linguagem. Os estudos sobre as cidades também estão</p><p>impregnados de metáforas, metonímias e sinédoques, revelando que a cidade pode</p><p>ser interpretada como um texto. Seguindo afirmações de Corrêa e Rosendahl (2006)</p><p>pode-se estipular que a cidade pode ser interpretada, interpretando-se, porém, a</p><p>história de seu povo, de sua construção, apresentando suas raízes.</p><p>Dessa forma, este trabalho possui como objetivo complementar propor que</p><p>outras pesquisas sejam realizadas sobre a percepção da comunidade de Campo</p><p>Grande em relação ao seu aparato cultural, com intuito de investigar a cultura</p><p>construída diariamente pelos moradores que marcam o cenário sócio-cultural, e as</p><p>imagens turísticas associadas aos projetos de desenvolvimento do estado,</p><p>demonstrando a importância da “vertente da especificidade” para seu marketing</p><p>turístico (YAZIGI, 2002).</p><p>3 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Julga-se pertinente esclarecer que um dos principais aspectos levados em</p><p>conta neste trabalho foi o de não considerar o espaço urbano como mero pano de</p><p>fundo para o desenvolvimento da atividade turística. No caso específico de Campo</p><p>Grande, cidade em estudo, se pretendeu trazer à tona a necessidade e a</p><p>importância de se buscar subsídios para a composição de uma identidade cultural</p><p>oriunda da própria comunidade e por meio desta, identificar uma possível imagem</p><p>para a cidade (enquanto destino turístico) mais atrelada à sua realidade social e</p><p>cultural.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1395</p><p>Na busca de uma base teórica de maior profundidade foram realizadas</p><p>leituras sobre assuntos relacionados à cultura, espaço urbano e turismo, que por sua</p><p>vez, poderão contribuir para um aporte teórico mais direcionado aos estudos</p><p>específicos sobre identidade urbana.</p><p>Por meio de observação direta na cidade de Campo Grande aliada a esses</p><p>estudos, pode-se considerar que</p><p>a priori, já foi possível constatar a ausência de uma</p><p>identidade cultural mais condizente para Campo Grande, de maneira que se fazem</p><p>necessários desenvolver mais estudos in loco e outros de cunho teórico mais</p><p>aprofundados para obter subsídios que apontem de fato qual é a real identidade</p><p>cultural desta sociedade.</p><p>Contudo, considera-se que este trabalho pode servir de aporte preliminar para</p><p>se buscar indicadores ainda mais densos e precisos que demonstrem que Campo</p><p>Grande, por intermédio de sua população, pouco conhece sobre a história que</p><p>contribuiu para a construção da cidade. Considera-se que tal evidência colaborará</p><p>diretamente para explicar a falta de percepção dos moradores sobre a identidade</p><p>desta cidade, tendo como conseqüência que esta falta de identidade bem definida</p><p>também está interferindo nos planos de desenvolvimento das campanhas</p><p>publicitárias dos governos em âmbito municipal e estadual. O mesmo ocorrendo com</p><p>o trade turístico privado no que se refere à imagem turística divulgada ter pouco ou</p><p>nenhuma relação com a identidade cultural de Campo Grande.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAHL, M. Fatores ponderáveis no turismo: sociais, culturais e políticos. Curitiba:</p><p>Protesto, 2004.</p><p>BERQUE. A. Paisagem – Marca, Paisagem matriz: Elementos da problemática para</p><p>uma geografia cultural. In: CORRÊA. R. L.; ROSENDAHL, Z. Paisagem, tempo e</p><p>cultura. Rio de Janeiro, UERJ, 2004.</p><p>CARLOS, A. F. A. O Lugar no/do mundo. São Paulo: Hucitec, 1996.</p><p>CASTROGIOVANNI, A. C. Turismo e ordenação no espaço urbano. In: ______.</p><p>(Org.). Turismo urbano. São Paulo: Contexto, 2000.</p><p>CORRÊA. R. L.; ROSENDAHL, Z. O espaço urbano. São Paulo, Ática, 1989.</p><p>________. Introdução à geografia cultural. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003.</p><p>________. Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro, UERJ, 2004.</p><p>________. Cultura, espaço e o urbano. Rio de Janeiro, UERJ, 2006.</p><p>COSGROVE, D. A geografia esta em toda parte: Cultura e Simbolismo nas</p><p>Paisagens Humanas. In: CORRÊA. R. L.; ROSENDAHL, Z. Paisagem, tempo e</p><p>cultura. Rio de Janeiro, UERJ, 2004.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1396</p><p>DAMIANI, A. L. O Lugar e a produção do cotidiano. In: CARLOS, A. F. A. Novos</p><p>Caminhos da Geografia. São Paulo, Contexto, 2005.</p><p>FERRARA, L. D‟A. O olhar periférico. São Paulo: ESP, 1993.</p><p>GOMES, C. C. Conhecer o lugar e transformar o mundo: o espaço geográfico como</p><p>possibilidade. In: SOUZA, M. A. A. (Org.). Territórios Brasileiros: Usos e Abusos.</p><p>Campinas: Territorial, 2003.</p><p>LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001.</p><p>SANTOS, M. Técnica, espaço, tempo, globalização e meio técnico-científico</p><p>informacional. São Paulo: Hucitec, 1994.</p><p>______. Metamorfoses do espaço habitado. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 1997.</p><p>SAUER, C. A morfologia da paisagem in: CORRÊA. R. L.; ROSENDAHL, Z.</p><p>Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro, UERJ, 2004.</p><p>SOTTILI, D. O imaginário do Pantanal no espaço urbano de Campo Grande – MS.</p><p>Dissertação (Mestrado em Geografia), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul,</p><p>Campo Grande, 2005.</p><p>TUAN, Y. F. Topofilia. São Paulo: Difel, 1980.</p><p>YÁZIGI, E. Turismo e paisagem. São Paulo: Contexto, 2002.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1397</p><p>CONSIDERAÇÕES SOBRE A OFERTA TURÍSTICA PARA O ARQUEOTURISMO</p><p>NO POLO DAS ORIGENS NO PIAUI.</p><p>Claudia Corrêa de Almeida Moraes</p><p>Mestre; Docente do Departamento de Turismo UFF</p><p>claudiamoraes@uol.com.br</p><p>RESUMO</p><p>O principal atrativo arqueoturístico do Brasil está no conjunto de sítios históricos do</p><p>sudeste do Piauí, localizado no denominado Pólo das Origens e situa-se nos</p><p>Parques Nacionais da Serra da Capivara-PNSC e da Serra das Confusões-PNSCO.</p><p>Há trinta anos estes sítios estão sendo estudados e conservados por equipes</p><p>multidisciplinares da FUNDHAM e de organismos das três esferas governamentais.</p><p>O objetivo principal deste artigo é entender a situação atual da oferta turística</p><p>arqueológica nos dois citados parques. Para realizar este estudo foram utilizadas</p><p>pesquisas documentais e bibliográficas, visita a campo com um roteiro desenvolvido</p><p>para atender a metodologia de Manzato (2005) e a análise das propostas do Plano</p><p>de Marketing para o Desenvolvimento do Turismo Arqueológico no Piauí (2000). Os</p><p>dados foram comparados e completados para se obter um diagnóstico da oferta.</p><p>Também se usou a pesquisa da demanda da IBERTUR de 2008 e algumas</p><p>entrevistas estruturadas feitas com pessoas da localidade. O resultado a que se</p><p>chegou aponta que o PNSC atingiu na metodologia de análise de Manzato (2005) o</p><p>maior índice “muito adequado” e no plano de marketing, apenas alguns pontos não</p><p>foram satisfatórios. No entanto, o PNSCO, na época da pesquisa, atingiu o índice</p><p>“não adequado” e a maioria das propostas do plano de marketing não foram sido</p><p>realizadas.</p><p>Palavras Chave: planejamento e gestão turística, patrimônio cultural,</p><p>arqueoturismo, piauí.</p><p>ABSTRACT: The main archaeological tourism attraction of Brazil is at the joint of</p><p>historical sites from southwest of Piauí, located in the so called Polo das Origens, at</p><p>the Parque Nacional da Serra da Capivara-PNSC and Parque Nacional da Serra das</p><p>Confusões- PNSCO. These sites are been studied and preserved for thirty years, by</p><p>FUNDHAM multidisciplinary staff and organism of the three spheres of government.</p><p>The main goal of this article is to understand the current situation of the archaeologic</p><p>tourism offer at the two parks quotted above. To achieved it, this study used</p><p>documentary and bibliographical researchs, local visits with a script developed to</p><p>consider the Manzato (2005) methodology, and the analysis of the proposal from the</p><p>Plano de Marketing para o Desenvolvimento do Turismo Arqueológico no Piauí</p><p>(2000). This data were compared and completed to have a offer diagnostic. Also, it</p><p>was used the research of demand from IBERTUR (2008) and some structure</p><p>interviews with local people. The results that came across shows that the Parque</p><p>Nacional da Capivara has reached the highest index “very appropriated” on Manzato</p><p>(2005) methodology analysis, and only a few points weren‟t reached on the</p><p>marketing plan. On the other hand, the PNSCO, at the research time, has obtained</p><p>the index “not appropriated” and most of the proposals of the marketing plan weren‟t</p><p>made.</p><p>Key words: tourist planning and management, cultural heritage, archaeologic, piaui.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1398</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O presente artigo tem como objeto de estudo o turismo arqueológico no</p><p>estado do Piauí, precisamente o existente no zoneamento turístico atual</p><p>denominado Pólo das Origens, ou seja, o patrimônio arqueológico do Parque</p><p>Nacional da Serra da Capivara e no Parque Nacional da Serra das Confusões.</p><p>O Piauí possui uma grande quantidade de sítios arqueológicos e alguns com</p><p>importância nacional e internacional, como os do Parque Nacional da Serra da</p><p>Capivara – (PNSC) que são inscritos na lista do Patrimônio Mundial da Humanidade</p><p>da UNESCO, desde 1991. Os sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra das</p><p>Confusões (PNSCO) são similares aos encontrados no PNSC, mas estão pouco</p><p>estruturados para a visitação e o processo de conservação e estudo deste</p><p>patrimônio têm uma abrangência menor se comparado com o PARNA Serra da</p><p>Capivara.</p><p>Propomos neste estudo analisar as condições da oferta dos atrativos na</p><p>segmentação do turismo arqueológico nos citados PARNAs e para fazê-lo realizou-</p><p>se levantamento bibliográfico e com a finalidade de discernir, descrever e analisar as</p><p>condições da oferta do arqueoturismo nos dois parques nacionais do Pólo. Como</p><p>pesquisa de campo para a obtenção dos dados primários, se adotou</p><p>como</p><p>parâmetro para a visita duas orientações: a verificação do cumprimento das</p><p>recomendações do Plano de Marketing para o Turismo Arqueológico no Piauí</p><p>(2000). Na sequência foram verificadas se estas recomendações foram cumpridas.</p><p>As recomendações consistem em:</p><p>QUADRO 1: RECOMENDAÇÕES DO PLANO DE MARKETING PARA O</p><p>TURISMO ARQUEOLÓGICO NO PIAUÍ</p><p>1. Preparação dos sítios arqueológicos, com as indispensáveis ações de</p><p>conservação;</p><p>2. Implantação de estruturas para a recepção de visitante;</p><p>3. Ações de educação patrimonial visando à conscientização sobre a</p><p>importância dos sítios arqueológicos e a necessidade de mudanças de</p><p>costumes para a obtenção dos benefícios esperados;</p><p>4. Construção e reparação de vias de acesso com o saneamento das suas</p><p>margens, utilizadas como aterros sanitários e, nos barreiros, como</p><p>bebedouros dos animais soltos nas rodovias;</p><p>5. Implantação de serviços de saneamento básico, de assistência médica e</p><p>de comunicação, onde se fizerem necessárias;</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1399</p><p>Continuação Quadro1</p><p>6. Preparação de recursos humanos para monitoramente de sítios e</p><p>atendimento ao público visitante</p><p>Fonte: Plano de Marketing para o Desenvolvimento do Turismo Arqueológico no</p><p>Piauí, 2000.</p><p>Incluímos como objeto de análise se há estudos da capacidade de carga para</p><p>sitio a ser visitado.</p><p>Para a outra verificação usou-se a metodologia desenvolvida por Manzato</p><p>(2005) para o arqueoturismo, verificando qual é a situação do atrativo frente as suas</p><p>condições atuais que possibilitem à visitação turística. Manzato (2005) define quatro</p><p>variáveis para a visitação turística:</p><p>QUADRO 2 – VARIÁVEIS INDICADAS POR MANZATO PARA AS VISITAÇÕES</p><p>AO ARQUEOTURISMO</p><p>1. Disponibilidade de sanitários, placas indicativas e informativas;</p><p>2. Monitoria,</p><p>3. Condições específicas para alimentação e descanso,</p><p>4. Material turístico como impressos, entre outros.</p><p>Fonte: Adaptado de Manzato, 2005.</p><p>A metodologia de Manzato (2005) consiste em um levantamento bibliográfico</p><p>e uma visita in loco aos atrativos, já realizada em julho de 2009. Todos os itens</p><p>coletados foram analisados e classificados como Muito Adequado (peso 3),</p><p>Adequado (peso 2), Pouco Adequado (peso 1), Não Adequado (peso zero). A</p><p>somatória desses pontos indicou o nível da adequação do sítio arqueológico ao uso</p><p>turístico e se expressou segundo a escala avaliativa: Muito Adequado: maior ou igual a 16</p><p>pontos, Adequado: entre 11 e 15 pontos, Pouco Adequado: entre 6 e 10 pontos, Não Adequado: de 0</p><p>a 5 pontos.</p><p>Os dois conjuntos de variáveis têm alguns pontos em comum como monitoria</p><p>e estrutura para recepção do visitante. O emprego de ambos possibilitou uma</p><p>análise mais ampla envolvendo a conservação do atrativo e o seu uso visando à</p><p>exploração turística.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1400</p><p>Para a análise também foi utilizada uma pesquisa de demanda realizada pela</p><p>Universidade de Barcelona – UB e a Rede de Patrimônio, Turismo e</p><p>Desenvolvimento Sustentável - IBERTUR, no âmbito do “Projeto de</p><p>Desenvolvimento Sustentável do Turismo da Região da Serra da Capivara” –</p><p>Instituto Ambiental Brasil Sustentável – IABS, Agência Espanhola de Cooperação</p><p>Internacional para o Desenvolvimento – AECID e Ministério do Turismo – MTur</p><p>MTur/IABS/AECID, 2008). Esta pesquisa procurou identificar o perfil do turista</p><p>arqueológico potencial nacional e internacional para o PARNA da Serra da Capivara</p><p>– PNSC. Embora em 2009 já tenha ocorrido outra pesquisa, os dados ainda não</p><p>estão disponíveis ao público, por isso não foram considerados.</p><p>Metodologicamente a pesquisa contou com a distribuição de questionários por</p><p>e-mail, diretamente ao público-alvo, ou seja, turistas, homens e mulheres,</p><p>interessados nos destinos de turismo cultural, especializados em arqueologia, com</p><p>amostras de 5.390 entrevistas no período entre 1º de maio e 31 de junho de 2008.</p><p>(MTur/IABS/AECID, 2008).</p><p>Além deste estudo, realizou-se pesquisa por meio de entrevista guiada</p><p>composta de três questões abertas: 1) Que segmentação de turista freqüenta o</p><p>PNSC? 2) Quantos dias ficam no destino? 3) Qual sua origem?. Esta foi aplicada em</p><p>oito pessoas dos municípios de Coronel José Dias e São Raimundo Nonato, a saber:</p><p>o presidente da associação dos monitores, um guia, um pesquisador do PARNA, um</p><p>técnico do museu e outro do centro cultural e três representantes municipais do</p><p>turismo da região oriundos do poder público, em julho de 2009, com o objetivo de</p><p>conhecer a demanda real para o PNSC.</p><p>2. ARQUEOTURISMO</p><p>O fenômeno da mundialização e as novas demandas turísticas trouxeram ao</p><p>turismo cultural resultados satisfatórios, principalmente porque as comunidades</p><p>receptoras têm necessidade de redescobrir e fortalecer a sua identidade cultural e</p><p>dar novo significado a seu patrimônio. Além disso, pelo lado dos grupos visitantes,</p><p>tem ocorrido o surgimento renovado do interesse pela cultura (CORREIO UNESCO,</p><p>1999).</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1401</p><p>Manzato (2005, p.44) define Turismo Arqueológico ou Arqueoturismo como um</p><p>“processo decorrente do deslocamento e da permanência de visitantes a locais</p><p>denominados sítios arqueológicos onde são encontrados vestígios remanescentes</p><p>de antigas sociedades, sejam elas pré-históricas ou históricas e passíveis de</p><p>visitação terrestres ou aquáticas”.</p><p>Manzato e Rejowski (2005) explicam que a ampliação dos novos roteiros</p><p>internacionais de turismo arqueológico é resultado da consolidação deste segmento</p><p>em nível mundial (SCATAMACCHIA, 2005) e o seu rápido crescimento (O´NEILL,</p><p>2004). No entanto, embora o Brasil possua um patrimônio arqueológico diversificado</p><p>e em grande quantidade, ainda não atingiu uma demanda significativa e nem as</p><p>estruturas oferecidas para a visitação estão a contento.</p><p>O turismo cultural baseado no patrimônio arqueológico é uma maneira de</p><p>gerar recursos para muitas regiões. Alguns sítios arqueológicos no Brasil localizam-</p><p>se em lugares muito pobres com poucos recursos e, por isso, sua exploração</p><p>turística pode ser uma das oportunidades para melhorar as condições de vida dos</p><p>moradores locais e a conservação destes sítios arqueológicos.</p><p>O turismo tem condições de ajudar na descoberta da importância deste</p><p>patrimônio por parte dos moradores, que em muitos casos, desconhece o seu valor</p><p>provocando a sua destruição física por meio da exploração imobiliária desordenada</p><p>ou pelo vandalismo.</p><p>Se for utilizado um programa de turismo bem estruturado para arqueoturismo,</p><p>poderá ocorrer a conservação desses bens e de sua manutenção, desde que haja</p><p>condições de uma visitação segura.</p><p>Quanto ao uso do patrimônio arqueológico para fins turísticos há de se</p><p>considerar, segundo Morais (2002, p.98) “as expectativas da comunidade que detém</p><p>o patrimônio em seu território e a imposição das normas legais vigentes que</p><p>intervém na interface arqueologia/turismo”. O sucesso ou fracasso do turismo será</p><p>determinado pelo grau de sensibilização da comunidade e dos visitantes.</p><p>Na visão do turismo sustentável, o convívio entre moradores e visitantes deve</p><p>acontecer por meio de relações que tragam benefícios para ambos e respeito entre</p><p>as suas diversidades culturais. O comprometimento dos moradores e dos visitantes</p><p>frente ao patrimônio arqueológico é capaz de estimular posturas de preservação,</p><p>valorização e divulgação deste patrimônio como fator de atração turística.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1402</p><p>O patrimônio arqueológico consiste</p><p>no processo de formação do sítio</p><p>arqueológico ou do vestígio, que compreende o produto e a produção, o registro do</p><p>momento da ação e sua sequência. Este patrimônio é uma memória que procura se</p><p>resguardar do apagamento provocado pela transformação do tempo histórico. Estes</p><p>lugares de memória são testemunhos da existência de uma época e representam a</p><p>“ilusão da eternidade” (NORA, 1993).</p><p>Para Morais (2002) a apropriação do patrimônio arqueológico é possível</p><p>quando se compreende a história do outro, reconhece os espaços desconhecidos e</p><p>valoriza os responsáveis pela existência do patrimônio.</p><p>A função social do turismo é o principal argumento para o uso do patrimônio</p><p>arqueológico para fins turísticos. Segundo a Constituição da República Federativa</p><p>do Brasil (1988) a União, os estados membros, Distrito Federal e municípios têm o</p><p>dever de preservar o patrimônio arqueológico localizado tanto em terrenos</p><p>particulares como públicos para fins de estudos e para o uso social da comunidade,</p><p>o que inclui as atividades relacionadas ao turismo.</p><p>O Plano Diretor para o desenvolvimento do Turismo Arqueológico no estado</p><p>do Piauí (2000) propõe que o turismo arqueológico seja desenvolvido por meio de</p><p>visitações a sítios arqueológicos, desde que estes estejam preparados para este fim.</p><p>Sugere que se ofereçam aos turistas a possibilidade de participarem de atividades</p><p>relacionadas com a pesquisa arqueológica, como por exemplo, a prospecção. Estas</p><p>atividades devem ser obrigatoriamente acompanhadas por arqueólogos experientes</p><p>e o número de participantes limitado. Este exemplo, já é utilizado em alguns sítios</p><p>com os visitantes e os moradores. Conhecer os sítios com esta atividade de</p><p>educação patrimonial, possivelmente resultará em melhor compreensão desta</p><p>manifestação cultural do que apenas uma visita guiada.</p><p>3. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO</p><p>Na década de 1960 iniciaram-se estudos arqueológicos na região sudeste do</p><p>estado do Piauí e estes trouxeram dados que evidenciou a presença do homem pré-</p><p>histórico pelo menos há 50.000 anos na região e conviveram com uma fauna</p><p>gigantesca formada por preguiças de 8 m de altura, tigres dente-de-sabre,</p><p>mastodontes, ursos, paleolhamas, cavalos americanos, entre outros (GUIDON,</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1403</p><p>2003). É provável que esta fauna tenha desaparecido da região há 12.000 anos, por</p><p>causa de uma grande mudança no clima que o tornou árido (RAUCK, 2009).</p><p>Os povos aos quais se atribui a tradição nordeste habitaram a região há cerca</p><p>de 20.000 anos. Fabricavam material lítico bem elaborado e executavam as pinturas</p><p>figurativas ricas em cenas da vida cotidiana, incluindo a fauna acima citada. A cerca</p><p>de 6.000 mil anos, novas migrações chegaram à região expulsando os povos que lá</p><p>viviam anteriormente. Sua produção pictórica ficou conhecida como tradição agreste,</p><p>que se caracteriza por uma pintura figurativa pouco trabalhada, sem representação</p><p>de cenas e uma indústria lítica grosseira quase inacabada. Em épocas mais</p><p>recentes, outros grupos humanos ocuparam a mesma região, estes dominavam a</p><p>técnica de produzir instrumentos em pedra polida e enterravam seus mortos em</p><p>grandes potes cerâmicos (GIDON, 2003).</p><p>No Piauí os sítios encontram-se distantes de grandes aglomerações</p><p>habitacionais e em locais de difícil acesso, por isso, estão em bom estado de</p><p>conservação se comparados com outras regiões do Brasil. Segundo o Plano Diretor</p><p>para o Turismo Arqueológico no Piauí (2000) existem na região do Pólo das Origens</p><p>mais de 500 sítios inseridos no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do IPHAN</p><p>(FUNDHAM, 2009).</p><p>Quanto à conservação dos sítios os problemas correntes a todos são os</p><p>depósitos naturais, galerias de cupins, ninhos de vespas e enxames de abelhas,</p><p>casas de marimbondos, eflorescências minerais, desagregação do suporte rochoso</p><p>e recobrimento das pinturas por raízes. São raros os depósitos de origem antrópica,</p><p>como fuligens e pichações (FIGUEIREDO, 2009).</p><p>A presença da Fundação do Museu do Homem Americano - FUNDHAM,</p><p>Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional- IPHAN, Ministério do Meio</p><p>Ambiente - MMA e Instituto Nacional de Reforma Agrária – INCRA e Universidade</p><p>Federal do Vale do São Francisco – UFVF têm possibilitado, não somente o</p><p>conhecimento fundamental para a preservação do patrimônio, mas também o</p><p>desenvolvimento de um modelo para a exploração de um turismo responsável e para</p><p>a conservação do patrimônio.</p><p>O Parque Nacional da Serra da Capivara- PNSC foi criado em 5 de junho de</p><p>1979, pelo Decreto 83.548 visando proteger a maior concentração de sítios</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1404</p><p>arqueológicos das Américas e uma área significativa da Caatinga, perfazendo</p><p>129.140 hectares em um perímetro de 214 km nos municípios de São Raimundo</p><p>Nonato, Coronel José Dias, João Costa e Canto do Buriti, foi criado m (FUNDHAM,</p><p>2009).</p><p>A administração do Parque é realizada pelo Instituto Chico Mendes em</p><p>regime de co-gestão com a FUMDHAM. O acesso ao PNSC é por Petrolina (PE),</p><p>distante 300 km, sendo que o acesso também pode ser realizado pela rodovia PI-</p><p>140, a partir de Teresina distante 530 km (FUMDHAM, 2009). Desde junho de 2009</p><p>existe a pista do Aeroporto Internacional da Serra da Capivara, localizado no</p><p>Município de São Raimundo Nonato, mas não há nenhuma companhia aérea regular</p><p>servindo a região.</p><p>A principal motivação das visitas ao PARNA são os registros arqueológicos</p><p>dos povos pré-históricos acrescidos dos recursos naturais, destacando as formas de</p><p>relevo como planaltos ou chapadas, morros, serras, serrotes e planícies e a</p><p>vegetação de Caatinga, com suas espécies e a fauna endêmica.</p><p>Há no PARNA 14 circuitos turísticos compostos por trilhas com diferentes</p><p>graus de dificuldade que dão acesso a 22 sítios arqueológicos e possibilita o contato</p><p>com os monumentos, a paisagem, as formações vegetais e a fauna variada.</p><p>O PARNA está aberto desde 1995 e conta com boa infra-estrutura e serviços</p><p>para visitação, como centro de recepção no Sítio Toca do Boqueirão, informações,</p><p>visitas guiadas em português, inglês e espanhol, passarelas nos sítios, sinalização e</p><p>instalações sanitárias adaptadas, serviços de limpeza e segurança, lanchonete,</p><p>albergue e área para camping, localizada no povoado Sítio do Mocó, próximo à</p><p>entrada principal.</p><p>O Parque Nacional da Serra das Confusões - PNSCO foi criado pelo Decreto</p><p>de 98.346 de 02 de outubro de 1998, nos municípios de Caracol, Guaribas, Santa</p><p>Luz e Cristiano Castro, encravado no Cristalino – Formação Serra Grande e uma</p><p>bacia sedimentar – Chapada do Piauí Maranhão. Seu relevo é dividido em duas</p><p>feições com altitudes de 650 e 700 m, as Chapadas das Gerais e a Serra das</p><p>Confusões, Semi Tumba, das Guaribas, das Perdidas, dos Macacos, da Peneira e</p><p>das Pitombas (GUIA DOS PARQUES NACIONAIS, 2002). Possui área aproximada</p><p>de 502.411 hectares, sendo um dos maiores PARNA da região nordeste do Brasil.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1405</p><p>Pode ser acessado da mesma forma que o PNSC. Foi criado com o objetivo de</p><p>resguardar uma amostra significativa do ecossistema de caatinga numa região ainda</p><p>bastante preservada no estado do Piauí, de grande beleza cênica e alto valor</p><p>histórico, cultural e científico (IBAMA, 2009).</p><p>Atualmente não está aberto para a visitação pública, recebendo apenas</p><p>visitas de pesquisadores e alguns turistas acompanhados por técnicos do Instituto</p><p>Chico Mendes, mas a partir de março de 2010 deverá abrir para a visitação</p><p>(GONZAGA, 2009).</p><p>Segundo o IBAMA (2009) “a área desta unidade ainda encontra-se</p><p>em estado</p><p>primitivo de conservação. Encontram-se inúmeros sítios arqueológicos em suas</p><p>cavernas e grutas, inclusive apresentando litogravuras nos paredões rochosos de</p><p>grande valor histórico, científico e cultural”. Segundo o subprojeto de “Pesquisa</p><p>Prospecções, Escavações Arqueológicas e Conservação de Registros Rupestres no</p><p>Parque Nacional Serra das Confusões e Entorno” foram encontrados no Parque 30</p><p>sítios arqueológicos com pinturas rupestres e esqueleto humano. O subprojeto está</p><p>vinculado ao projeto "Origem e Evolução Migratória dos Primeiros Grupos Humanos</p><p>no Sudeste do Piauí" (FUNDHAM, 2009).</p><p>O PNSCO possui plano de manejo desde 2003, mais ainda está sendo</p><p>implantado e há uma ausência de ações de conservação dos sitos arqueológicos se</p><p>comparados com o PNSC.</p><p>4. RESULTADO DAS ANÁLISES</p><p>Os resultados obtidos com análise das variáveis presentes no Plano de</p><p>Marketing para o Desenvolvimento do Turismo Arqueológico no estado do Piauí</p><p>(2000) são apresentados abaixo por meio de um quadro para facilitar a leitura.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1406</p><p>QUADRO 3 – AS CONDIÇÕES DA OFERTA DO PARNA SERRA DA CAPIVARA</p><p>Implantação de estruturas para</p><p>a recepção de visitante.</p><p>As estruturas são eficientes e os recursos</p><p>humanos estão preparados. Além de contar com</p><p>locais de descanso e pequenas refeições.</p><p>Implantação de serviços de</p><p>saneamento básico, de</p><p>assistência médica e de</p><p>comunicação.</p><p>Este item é insuficiente. Existe serviço de</p><p>saneamento básico em apenas um município</p><p>onde o PARNA se localiza. A assistência</p><p>médica e as comunicações não atendem a</p><p>contento.</p><p>Preparação dos sítios</p><p>arqueológicos, com as</p><p>indispensáveis ações de</p><p>conservação.</p><p>Há ações de preservação e conservação em</p><p>vários sítios e realizadas com metodologias</p><p>corretas e com equipes multidisciplinares e</p><p>interinstitucionais. Servindo de modelo para</p><p>outros sítios no Brasil. Um ponto ainda difícil de</p><p>ser sanado é o investimento necessário para a</p><p>manutenção e preservação do patrimônio que é</p><p>muito elevado. Há ainda fatores relacionados ao</p><p>desequilíbrio ambiental que acabam afetando</p><p>sua conservação.</p><p>Preparação dos sítios</p><p>arqueológicos, com as</p><p>indispensáveis ações de</p><p>conservação.</p><p>Aparentemente não há problemas relacionados</p><p>as via de acesso, saneamento das margens e</p><p>bebedouros de animais, mas foram encontrados</p><p>muitos animais soltos nas rodovias.</p><p>Construção e reparação de</p><p>vias de acesso com o</p><p>saneamento das suas</p><p>margens, utilizadas como</p><p>aterros sanitários e, nos</p><p>barreiros, como bebedouros</p><p>dos animais soltos nas</p><p>rodovias.</p><p>Para a formação dos recursos humanos, além</p><p>da presença da Universidade Federal com curso</p><p>de Arqueologia, há a FUNDAM. A população</p><p>local foi inserida no processo por meio de ações</p><p>de inclusão social como o caso dos “Tarzans” e</p><p>da Comunidade do Mocó. Ainda há problemas</p><p>relacionados com a comunicação em idiomas</p><p>estrangeiros.</p><p>Preparação de recursos</p><p>humanos para monitoramente</p><p>de sítios e atendimento ao</p><p>público visitante.</p><p>Estas ações estão sendo desenvolvidas e</p><p>abrangendo muitas pessoas dos municípios que</p><p>envolvem o PARNA e de outros municípios do</p><p>Piauí. Para os turistas, a ação educativa ainda</p><p>não é suficiente.</p><p>Ações de educação patrimonial</p><p>visando à conscientização</p><p>sobre a importância dos sítios</p><p>arqueológicos e a necessidade</p><p>de mudanças de costumes</p><p>para a obtenção dos benefícios</p><p>esperados.</p><p>Atualmente a visitação ao parque ocorre em</p><p>pequeno número de visitantes, até dez por guia.</p><p>Estes internamente redirecionam os grupos para</p><p>que não estejam concomitantemente dois ou</p><p>mais grupos em um mesmo lugar.</p><p>Fonte: RUSMANN CONSULTORES, 2009.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1407</p><p>No aspecto da visitação são poucas ações necessárias para que o turista</p><p>tenha um turismo de qualidade ao freqüentar o PNSC, neste item seu ponto mais</p><p>falho é a interpretação patrimonial e os monitores monolíngües.</p><p>O acesso ao parque se dá somente com o acompanhamento de guias, por</p><p>isso, dificilmente ocorrem ações de vandalismo ou outra que possa afetar o</p><p>patrimônio. Os grupos também são em números reduzidos. O PARNA possui</p><p>diversos roteiros e se houver uma demanda muito grande para um determinado sítio</p><p>o agendamento dos visitantes pode ser remanejado para outro.</p><p>Os atrativos são atingidos por problemas socioambientais do entorno do</p><p>PARNA como o lixo, falta de saneamento básico, animais na pista, queimadas, entre</p><p>outros. Por causa da ausência de preservação de alguns sítios ocorre a presença de</p><p>dejetos de animais, desplacamentos, poeira, microorganismos e marcas d‟água sob</p><p>as pinturas rupestres que as colocam em risco.</p><p>A maior dificuldade do PARNA é conseguir verbas para a sua manutenção e</p><p>pesquisas, embora frente a outros parques brasileiros a situação do PNSC seja</p><p>excepcional.</p><p>QUADRO 4 – CONDIÇÕES DA OFERTA DO PARNA SERRA DAS CONFUSÕES</p><p>Implantação de estruturas</p><p>para a recepção de visitante.</p><p>As estruturas para a recepção do visitante estão</p><p>previstas, mas não foram implantadas. As</p><p>propostas do Plano de Manejo correspondem às</p><p>necessidades dos turistas.</p><p>Implantação de serviços de</p><p>saneamento básico, de</p><p>assistência médica e de</p><p>comunicação.</p><p>Este item é insuficiente.</p><p>Preparação dos sítios</p><p>arqueológicos, com as</p><p>indispensáveis ações de</p><p>conservação</p><p>Existem algumas ações de preservação e</p><p>conservação em andamento, mas muito pouco</p><p>ainda pelo que está previsto no Plano de Manejo.</p><p>O Plano de Manejo apresenta proposta</p><p>preocupada com esta questão.</p><p>Preparação de recursos</p><p>humanos para</p><p>monitoramente de sítios e</p><p>atendimento ao público</p><p>visitante.</p><p>Ainda não há formação e treinamento. Estão</p><p>previstas para 2010 visando à abertura do Parque</p><p>no primeiro semestre do citado ano.</p><p>Capacidade de Carga para</p><p>cada sitio a ser visitado.</p><p>Atualmente a visitação ao parque ocorre apenas</p><p>com a companhia do funcionário do Instituto Chico</p><p>Mendes, pois o parque se encontra fechado. Mas</p><p>no Plano de Manejo está prevista a carga para</p><p>cada sítio.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1408</p><p>Continuação do Quadro 4</p><p>Ações de educação</p><p>patrimonial visando à</p><p>conscientização sobre a</p><p>importância dos sítios</p><p>arqueológicos e a</p><p>necessidade de mudanças</p><p>de costumes para a</p><p>obtenção dos benefícios</p><p>esperados.</p><p>Pouco se tem feito neste sentido. O Projeto da</p><p>FUNDHAM e Petrobrás Ambiental de “Educação</p><p>para a Conservação e Uso da Água” inseriu a</p><p>comunidade do entorno do Parque.</p><p>Construção e reparação de</p><p>vias de acesso com o</p><p>urgente saneamento das</p><p>suas margens, utilizadas</p><p>como aterros sanitários e,</p><p>nos barreiros, como</p><p>bebedouros dos animais</p><p>soltos nas rodovias.</p><p>O Parque possui poucas ações no sentido de</p><p>melhorar os acessos, a região não tem</p><p>saneamento adequado, nem aterros sanitários,</p><p>também não há ainda sanitários, bebedouros e há</p><p>animais soltos nas rodovias. Embora estes itens</p><p>estejam previstos no Plano de Manejo, pouco</p><p>ainda foi feito.</p><p>Fonte: RUSCHMANN CONSULTORES, 2009.</p><p>O PNSCO apresenta problemas de conservação no Sitio Toca do Pinga do</p><p>Velho, onde um grande número de blocos caíram da parede e estes contém figuras</p><p>geométricas. Há também a presença de insetos construtores, percolação das águas</p><p>das chuvas, raízes e liquens. No espaço Nossa História existe uma antiga</p><p>propriedade rural cujo estado atual deste patrimônio necessita ser restaurado e ser</p><p>recuperado. Ao mesmo tempo, as pinturas rupestres sofrem com a ação de dejetos</p><p>de animais, desplacamentos, poeira, microorganismos e marcas d‟água. No Baixão</p><p>das Andorinhas há uma propriedade com as características da cultura rural sertaneja</p><p>que</p><p>necessita ser restaurada. No sítio Pedra das Andorinhas as pinturas rupestres,</p><p>em termos de conservação, apresentam a presença de insetos construtores,</p><p>desplacamentos do suporte rochoso, percolação da água da chuva, depósitos</p><p>minerais, dejetos animais e pichações vândalas.</p><p>Embora o PARNA permaneça fechado para garantir sua segurança, o não</p><p>uso também pode ser uma atitude que ajude a sua degradação, por isso, a ação do</p><p>governo em atender algumas exigências básicas e abri-lo pode acelerar a sua</p><p>conservação, desde que medidas de controle sejam implantadas.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1409</p><p>A capacidade de carga estipulada pelo Plano de Manejo precisa de mais</p><p>estudos e quando o parque abrir ao público, um sistema de recepção similar ao PN</p><p>SC deverá ser criado.</p><p>Não há um fluxo constante para o PNSCO, mas a sua demanda potencial é a</p><p>mesma que a do PNSC e deve-se estudar a promoção dos parques em conjunto por</p><p>terem aspectos similares e diferenciados. Esta promoção em conjunto pode</p><p>estimular a visitação para ambos e aumentar a atratividade do roteiro.</p><p>Análise seguindo a metodologia proposta por Manzato (2005):</p><p>Os atrativos culturais do Arqueoturismo no PNSC apresentam a</p><p>classificação Muito Adequada para a maioria de seus itens e Adequada</p><p>para alguns itens de comunicação, acesso e restauração. O único item</p><p>Pouco Adequado referiu-se para a Interpretação Patrimonial e Ações</p><p>Educativas como pode se observar na Tabela 1 abaixo:</p><p>TABELA 1 – ANALISE DAS CONDIÇÕES PARA A PRÁTICA DO</p><p>ARQUEOTURISMO NO PARNA SERRA DA CAPIVARA</p><p>Parque Nacional da Serra da</p><p>Capivara</p><p>Muito</p><p>Adequado</p><p>Adequado Pouco</p><p>Adequado</p><p>Não</p><p>Adequado</p><p>Acesso 3</p><p>Placas Indicativas 2</p><p>Placas Informativas 3</p><p>Custo do Ingresso 3</p><p>Recepção 3</p><p>Material Turístico 2</p><p>Monitoria 3</p><p>Atividades de Ação Educativa –</p><p>Interpretação Patrimonial</p><p>1</p><p>Sanitários 3</p><p>Restauração 2</p><p>Área Específica para Descanso 3</p><p>Lojas de Souvenir 2</p><p>Acessibilidade para deficientes 2</p><p>Total 21 10 1</p><p>Fonte: RUSCHMANN CONSULTORES, 2009.</p><p>Os atrativos culturais do Arqueoturismo no PARNA SERRA DAS</p><p>CONFUSÕES apresentam segundo a metodologia de Manzato (2005) a</p><p>classificação Pouco Adequada aos itens informações, acesso e ação educativa e</p><p>interpretação patrimonial e Não Adequado nos demais itens. Deve-se levar em</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1410</p><p>consideração que o Parque não está aberto ao público por isso, a baixa pontuação</p><p>em alguns itens como se pode observar na Tabela 2 abaixo.</p><p>TABELA 2 – ANALISE DAS CONDIÇÕES PARA A PRÁTICA DO</p><p>ARQUEOTURISMO NO PARNA SERRA DAS CONFUNSÕES</p><p>Parque Nacional da Serra das</p><p>Confusões</p><p>Muito</p><p>Adequado</p><p>Adequado Pouco</p><p>Adequado</p><p>Não</p><p>Adequado</p><p>Acesso 1</p><p>Placas Indicativas 1</p><p>Placas Informativas 1</p><p>Custo do Ingresso 0</p><p>Recepção 0</p><p>Material Turístico 0</p><p>Monitoria 0</p><p>Atividades de Ação Educativa –</p><p>Interpretação Patrimonial</p><p>1</p><p>Sanitários 0</p><p>Restauração 0</p><p>Área Específica para Descanso 0</p><p>Lojas de Souvenir 0</p><p>Acessibilidade para deficientes 0</p><p>Total 0 0 4 9</p><p>Fonte: RUSCHMANN CONSULTORES, 2009.</p><p>A oferta turística deve estar adaptada a sua demanda. A atratividade está</p><p>relacionada à oferta, mas também à demanda. Não adianta um atrativo muito bem</p><p>estruturado se não existe ninguém com interesse em visitá-lo. Neste sentido é</p><p>preciso saber quem é o visitante (demanda real) e quem têm condições para sê-lo</p><p>(demanda potencial). No caso dos sítios arqueológicos dos PARNAs do Pólo das</p><p>Origens a demanda ainda é insignificante frente a sua potencialidade</p><p>(MTur/IABS/AECID, 2008) .</p><p>Dados encontrados na FUNDHAM (2009) sobre a demanda para o PNSC</p><p>apontam que 5.106 pessoas visitaram o Parque em 1999, sendo os meses de maior</p><p>freqüência janeiro, fevereiro, julho e novembro e o de maior baixa março, abril, maio</p><p>e outubro. Os principais turistas que visitaram o parque fizeram por motivações</p><p>educacionais com a permanência de 2 a 3 dias.</p><p>A demanda registrada pelo IBAMA entre janeiro e agosto/06 foi de 5.290</p><p>visitantes e na alta temporada, julho/06 foi de 1.175 visitantes. Comparando a</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1411</p><p>pesquisa de 1999 com a de 2006, pode-se aferir que houve um acréscimo cerca de</p><p>1.300 visitantes na demanda para o PRSC após sete anos.</p><p>Em julho de 2009 houve em São Raimundo Nonato a versão anual do maior</p><p>evento de pintura rupestre do mundo o Global Rock Art. Este evento levou para a</p><p>região 600 turistas entre nacionais e internacionais motivados pelo estudo da pintura</p><p>rupestre e fez com que as cidades melhorassem a qualidade de sua oferta e que o</p><p>atrativo arqueológico do Pólo das Origens ficasse mais conhecido mundialmente.</p><p>A pesquisa realizada com os moradores locais por meio de entrevista em</p><p>julho de 2009, apontaram que a demanda real é composta, em maior número, por</p><p>escolares de municípios do estado do Piauí e estados limítrofes (turismo</p><p>pedagógico/educacional), seguida de pesquisadores brasileiros e estrangeiros</p><p>(turismo científico) e por último, turistas culturais e ecoturistas.</p><p>Oliveira Filho e Monteiro (2009) aferiram em pesquisa realizada 2006 que</p><p>59,21% dos visitantes ecoturistas são professores e estudantes que visitam o PNSC</p><p>e têm com interesse no arcabouço histórico da Unidade de Conservação e no</p><p>estudo da flora e fauna da caatinga, por meio de visitas promovidas por escolas ou</p><p>universidades. “Nesse sentido, denotou-se que a visitação no PNSC integrava, além</p><p>do ecoturismo, o turismo cultural, educacional, científico e de aventura” (OLIVEIRA</p><p>FILHO E MONTEIRO, 2009, p.242).</p><p>Esta classificação da segmentação em turismo pedagógico/educacional e</p><p>turismo científico podem ser considerados como arqueoturismo, porém em ambos os</p><p>casos não é espontânea. O escolar visita o PARNA como uma atividade proposta</p><p>pelo programa educativo das escolas e os cientistas estão a trabalho realizando</p><p>estudos. Os turistas culturais e ecoturistas optaram por conhecer o Parque entre as</p><p>várias opções que o turismo oferece de maneira espontânea.</p><p>O Governo do estado do Piauí e o Ministério do Turismo realizaram uma</p><p>pesquisa por meio da IBERTUR e a Universidade de Barcelona em 2008 e 2009</p><p>para identificar o perfil do turista arqueológico para o PNSC. Abaixo apresentamos</p><p>os dados de 2008.</p><p> Quanto ao perfil socioeconômico dos turistas arqueológicos:</p><p> Existe um percentual um pouco maior de turistas do sexo feminino (57%);</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1412</p><p> Existem mais de casadas (59%) com ou sem filhos do que solteiros (41%);</p><p> A maioria dos turistas tem idade entre 25 a 44 anos;</p><p> 95% dos pesquisadores apresentam nível de escolaridade alto (graduados</p><p>30%, mestres 39% e doutores 26%);</p><p> Grande parte dos entrevistados tem alguma vinculação profissional com o</p><p>setor arqueológico ou cultural (81%).</p><p> 47% dos pesquisadores recebem entre US$ 10.000 e US$ 39.000/ano.</p><p> Dos 48% dos entrevistados estavam na Europa e 24% na América Latina e</p><p>Caribe. Dentre os brasileiros 31% estavam na própria Região Nordeste,</p><p>seguida pela Região Centro-Oeste (24%).</p><p> 87% viajavam por conta própria e hospedavam-se em estabelecimentos de</p><p>baixo custo.</p><p> Apenas 1,8% dos pesquisadores já haviam viajado para o Brasil nos últimos</p><p>dois anos.</p><p> 0,78% associavam o Brasil ao turismo arqueológico – o país líder é a Itália,</p><p>seguido pelo Egito, Grécia, México e Peru.</p><p>O produto arqueoturístico do Polo das Origens atualmente</p><p>teria, segundo a</p><p>pesquisa citada acima, como consumidor em potencial composto por: mulheres</p><p>casadas e solteiras, com idade entre 25 a 44 anos, com alto nível de escolaridade e</p><p>bom padrão econômico cuja motivação de visita está relacionada a interesses</p><p>profissionais ou ainda culturais. Dos estrangeiros quase a metade são europeus e</p><p>entre os brasileiros 30% são nordestinos e 25% da região Centro-Oeste, ou seja, de</p><p>maior proximidade corresponde 50%.</p><p>Comparando o perfil da demanda (real e potencial) e as condições da oferta,</p><p>pode-se aferir que a oferta do PNSC com poucas adaptações estará pronta para</p><p>receber a demanda potencial e a demanda atual que já recebe. No entanto, o</p><p>PNSCO ainda precisa de muitas ações para estar apto a receber a demanda</p><p>potencial e atual.</p><p>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os atrativos arqueoturísticos do Pólo das Origens têm um grande potencial e</p><p>se o PNSCO tiver a mesma estrutura que o PNSC será provavelmente à melhor</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1413</p><p>oferta arqueoturistica do Brasil, devido a sua importância por ser berço do homem</p><p>americano e pelos muitos sítios arqueológicos bem conservados. Somam a estes</p><p>atrativos o Museu do Homem Americano e o Centro Cultural que são muito bem</p><p>estruturados.</p><p>O Museu passou recentemente por uma reestruturação e um novo projeto</p><p>museológico foi desenvolvido com o apoio da Fundação Roberto Marinho que</p><p>utilizou os mesmos técnicos que trabalharam no Museu da Língua Portuguesa em</p><p>São Paulo para reformulá-lo. O novo projeto museológico e museográfico possui</p><p>tecnologia de ponta e sua visitação é interativa. No entanto, a ação educativa do</p><p>museu é voltada principalmente para os estudantes do turismo pedagógico e não</p><p>para os outros turistas.</p><p>O Centro Cultural é o local da pesquisa e interessa mais a quem quer se</p><p>aprofundar no assunto ou tem algum conhecimento específico. Seus visitantes são</p><p>em sua maioria estudantes e especialistas.</p><p>A transformação do patrimônio arqueológico em arqueoturismo no Piauí é de</p><p>fundamental importância para o desenvolvimento sócio-econômico da região e</p><p>principalmente para a integração entre a sociedade atual e a sociedade que habitou</p><p>anteriormente este lugar na pré-história. Isso é possível pela valorização do</p><p>patrimônio da população autóctone extinta frente à população atual. Entre ambas há</p><p>uma desvinculação, e por isso, ocorre à destruição da cultural ainda restante, seja</p><p>pela atividade extrativista, seja pelos projetos agropecuários e imobiliários, e o</p><p>agravamento da ação de agentes naturais, como a erosão (MENESES, 1986).</p><p>O maior problema do atrativo arqueoturístico no Pólo das Origens não está</p><p>em sua estrutura ou nas condições de visitação, e sim em atingir uma demanda</p><p>espontânea em quantidade e qualidade. O turismo não espontâneo traz poucos</p><p>recursos para os municípios onde os PARNAs se situam. Sua maior demanda</p><p>formada por estudantes de escolas públicas gastam em média R$ 30,00 reais por</p><p>dia, e sua presença nos municípios é no máximo de dois dias com um pernoite e</p><p>muitos nem pernoitam</p><p>11</p><p>. Dados obtidos na pesquisa de Oliveira Filho e Monteiro</p><p>(2009) apontam que quanto à duração da viagem 47,22%, 37,92% e 8,65% dos</p><p>11</p><p>Dado obtido por meio das entrevistas em julho de 2009 com representantes do turismo na</p><p>região.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1414</p><p>visitantes permanecem na região do PNSC 03 (três), 02 (dois) e 04 (quatro) dias,</p><p>respectivamente, manifestando um ecoturismo de final de semana.</p><p>Os atrativos visitados são todos sem custos, pois nada é cobrado dos</p><p>estudantes de escolas pública. Seus gastos ocorrem apenas com alimentação,</p><p>hospedagem e algum souvenir. Os pesquisadores embora gastem mais, são</p><p>poucos. Frente a esta situação é preciso ampliar a demanda para que os parques</p><p>possam ter melhores condições de investimento na preservação do patrimônio e que</p><p>a comunidade seja beneficiada com a presença do turismo.</p><p>O arqueoturismo não é um turismo de massa e mesmo com uma demanda</p><p>ampliada os espaços dos PARNAs são muito grandes sendo possível redistribuir a</p><p>demanda em pequenos grupos sem afetar a capacidade de carga.</p><p>Para atingir esta demanda existem algumas barreiras ainda difíceis de serem</p><p>transpostas.</p><p> A primeira está relacionada ao deslocamento dos turistas. O custo para o</p><p>deslocamento dos principais centros emissores de turistas do Brasil</p><p>localizados na região sudeste até o Piauí é elevado. O número pequeno do</p><p>público para o arqueoturismo no Brasil não gera ainda uma demanda para</p><p>um vôo regular diretamente para São Raimundo Nonato. Assim, a melhor</p><p>opção seriam os charters e a demanda do próprio nordeste que poderia</p><p>fazê-lo por via terrestre.</p><p> Outra questão é o múltiplo atrativo. No Brasil como citado por Funari (2003),</p><p>Morais (2003), Scatamacchia (2005) e Manzato (2005) as experiências em</p><p>arqueoturismo são incipientes com uma baixa demanda nacional. Assim,</p><p>atrativos conjugados poderiam aumentar as chances de trazer mais turistas</p><p>como o ecoturismo que pode ser desenvolvido em ambos os PARNAs e no</p><p>entorno. Também o turismo de eventos culturais e gastronômicos, além de</p><p>realizar roteiros de destinos conjugados como o turismo de sol e praia</p><p>nordestino e/ou o turismo científico de Petrolina que são bem próximos.</p><p>Vários estudos como o citado de demanda da IBERTUR (2008/2009) e/ou</p><p>Estudo para o Ecoturismo realizado pelo Instituto Marca Brasil (2009) e algumas</p><p>ações de marketing foram realizados recentemente pelo EMBRATUR, Ministério do</p><p>Turismo e Governo do Piauí para promover o arqueoturismo na região.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1415</p><p>Sabe-se que o desenvolvimento de um destino demora um bom tempo para</p><p>se consolidar e ainda mais um novo segmento pouco demandado no Brasil como o</p><p>arqueoturismo.</p><p>Quanto aos atrativos do objeto de nosso estudo pudemos verificar que frente</p><p>às metodologias utilizadas para a análise, um dos atrativos se encontra em</p><p>excelentes condições de visitação e o outro precisa de muitos investimentos para</p><p>atingir esta mesma situação, mas tem um bom potencial.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Brasília,</p><p>Presidência da República – Casa Civil, 1998. Disponível em</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp://www.planalto.go</p><p>v.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso: em 10 jan 2009.</p><p>FIGUEIREDO, D e PUCCIONI, S (orgs). Consolidação Estrutural da Toca da</p><p>Entrada do Pajaú – Diagnóstico e Proposta de intervenção. Teresina: IPHAN, 2009.</p><p>FUNDHAM. Fundação do Museu do Homem Americano. Disponível em http:</p><p>www.fumdham.org.br. Acesso: em 14 jul 2009.</p><p>FUNARI, P e PINSK, J (orgs). Turismo e patrimônio cultural. 2 ed. São Paulo:</p><p>Contexto, 2002.</p><p>GONZAGA, L. Parque Nacional Serra das Confusões será aberto em março de</p><p>2010. Portal do Buriti. 17 out 2009. Disponível em</p><p>http://180graus.brasilportais.com.br/canto-do-buriti/parque-nacional-serra-das-</p><p>confusoes-sera-aberto-em-marco-253070.html. Acesso: em 20 jan 2009.</p><p>GUIDON, N. Arqueologia da região do Parque Nacional Serra da Capivara - Sudeste</p><p>do Piauí. In Arqueologia. Comciência, SBPC: Labojor, 2003.</p><p>MANZATO, F. e REJOWSKI, M. Turismo Arqueológico no Estado de São Paulo?</p><p>Patrimônio: Lazer & Turismo. Santos, v.2 n.4 nov. 2005. ISSN 1806-700X.</p><p>Disponível em http:www.unisantos.br/pos/revistapatrimnio/artigos.php?.cod=46.</p><p>Acesso: em: 21 dez 2009.</p><p>MANZATO, F. Turismo Arqueológico: Diagnóstico em Sítios</p><p>Pré-Históricos e</p><p>Históricos no Estado de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Turismo).</p><p>Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, 2005.</p><p>MENESES LAGE, M. Conservação de sítios de arte rupestre. Campinas: Alínea,</p><p>1996.</p><p>MORAIS, J. A arqueologia e o turismo. In FUNARI, Pedro Paulo e PINSK, Jaime</p><p>(orgs). Turismo e patrimônio cultural. 2 ed.São Paulo: Contexto, 2002.</p><p>BRASIL. MINISTÉRIO DO TURISMO et al. Proyecto de Desarrollo Sostenible del</p><p>Turismo en la región de la Serra da Capivara. Brasília, 2009. Disponível em:</p><p>http://www.piaui.pi.gov.br/download/200808/CCOM08.7 abd7ff732.pdf. Acesso em</p><p>12 dez. 2009.</p><p>OLIVEIRA FILHO, R e MONTEIRO, M. S. Ecoturismo no Parque Nacional Serra da</p><p>Capivara: trata-se de uma prática sustentável?Turismo em Análise. São Paulo. v.20</p><p>n.2, agosto 2009. p. 230 a 250. ISSN 1984-4867.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm</p><p>http://www.fumdham.org.br/</p><p>http://180graus.brasilportais.com.br/canto-do-buriti/parque-nacional-serra-das-confusoes-sera-aberto-em-marco-253070.html</p><p>http://180graus.brasilportais.com.br/canto-do-buriti/parque-nacional-serra-das-confusoes-sera-aberto-em-marco-253070.html</p><p>http://www.piaui.pi.gov.br/download/200808/CCOM08.7%20abd7ff732.pdf</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1416</p><p>O'NEILL, M. Archaeology and the grand tour: photography and Victorian Tourism.</p><p>Worcester. Society of Archaeological Institute of America. Disponível em:</p><p>http://www.webpages.charter.net. Acesso em: 03 jun. 2004.</p><p>PLANO DE MARKETING TURISTICO ARQUEOLGICO. In Plano Diretor de</p><p>Desenvolvimento Turístico Arqueológico do Piauí. Teresina: Prodetur/ Governo do</p><p>Piauí, 2000.</p><p>SCATAMACCHIA. M. Turismo e arqueologia. São Paulo: Aleph, 2005.</p><p>RAUCK, P. A extinção da megafauna por quê? Disponível em</p><p>http://www.pedrohauck.net/2008/03/extino-da-megafauna-por-qu.html. Acesso em:</p><p>20 jul 2009.</p><p>RELATORIO ANUAL 2007 - FUDHAM - Proteção, manutenção e pesquisa na região</p><p>do Parque Nacional Serra da Capivara. Disponível em</p><p>http://www.fumdham.org.br/relatorios_fumdham.html. Acesso em: 25 jul 2009.</p><p>RUSCHMANN CONSULTORES. Tabela para analise dos atrativos arqueoturistico:</p><p>Pólo das Origens – PDTIS Piauí. Trabalho não publicado.</p><p>UNESCO. Correio da UNESCO. Globalização do Turismo. Paris, 08 jan 1999.</p><p>Disponível em http//:portal.unesco.org/culture.htlm. Acesso: em 20 jan 2009.</p><p>http://www.webpages.charter.net/</p><p>http://www.pedrohauck.net/2008/03/extino-da-megafauna-por-qu.html</p><p>http://www.fumdham.org.br/relatorios_fumdham.html</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1417</p><p>HOSPITALIDADE NO TURISMO DE BASE LOCAL: UM ENSAIO ANALÍTICO</p><p>SOBRE A REDE DE HOSPEDAGEM FAMILIAR, EM BELÉM-PA</p><p>Cleber Augusto Trindade Castro</p><p>Mestrando em Geografia/UFPA</p><p>cleber.castro@hotmail.com</p><p>Débora Rodrigues Oliveira Serra</p><p>Especialista em Gestão Empreendedora/UFPA</p><p>debserra1980@hotmail.com</p><p>RESUMO</p><p>Este trabalho apresenta dados e reflexões iniciais sobre a relação entre a Rede de</p><p>Hospedagem Familiar, estruturada em Belém-PA inicialmente para atender aos</p><p>participantes do Fórum Social Mundial – 2009, e as concepções e premissas do</p><p>turismo de base local, visando compreender o processo de implantação da rede. A</p><p>metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliográfica, para um embasamento teórico e</p><p>conceitual sobre hospitalidade e turismo de base local, e uma pesquisa documental</p><p>sobre o projeto que estruturou a Rede de Hospedagem Familiar de Belém-PA,</p><p>disponibilizado aos autores pela Companhia Paraense de Turismo – PARATUR,</p><p>órgão do governo estadual responsável pela coordenação das ações de implantação</p><p>da rede. O artigo demonstra que o projeto foi idealizado e executado com</p><p>proximidade às concepções e premissas do turismo de base local, tendo o Estado</p><p>como indutor desse modo de organização e prática do turismo, com incentivo à</p><p>participação ativa da comunidade que formou a rede.</p><p>Palavras Chave: Hospitalidade. Turismo de Base Local. Hospedagem Familiar.</p><p>ABSTRACT</p><p>This paper presents initial information and reflections on the relationship between the</p><p>Network of Family Accommodation, structured in Belém-PA to receive participants in</p><p>the World Social Forum - 2009, and the ideas and assumptions on local tourism,</p><p>aiming to understand the process of deployment of the network. The methodology</p><p>was a literature search for a theoretical and conceptual approach to hospitality and</p><p>local tourism, beyond documental search about the project which developed the</p><p>Network of Family Accommodation in Belém-PA, available to authors for the State</p><p>Tourism Company - PARATUR, an agency of state government responsible for</p><p>coordinating the deployment of the. The paper concludes that the project was</p><p>conceived and executed as close to the concepts and assumptions of the local</p><p>tourism and that state was the inducer of this mode of organization and practice of</p><p>tourism, encouraging the active participation of the community that formed the</p><p>network.</p><p>Keywords: Hospitality. Local Tourism. Family Accommodation.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1418</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O desenvolvimento do turismo, contextualizado no capitalismo e nas</p><p>características da sociedade marcada por tal modo de produção, apresenta diversos</p><p>aspectos e conseqüências que, estudadas contemporaneamente, apontam</p><p>problemas na relação da atividade turística com o meio natural e com os grupos</p><p>sociais envolvidos ou atingidos.</p><p>Os problemas relacionados ao turismo, como a degradação ambiental, as</p><p>alterações nas culturas autóctones, concentração dos lucros e exclusão de pessoas</p><p>nas dinâmicas social e econômica, instigam à reflexão sobre as possibilidades de</p><p>um modo de desenvolvimento dessa atividade onde esses e outros efeitos não-</p><p>benéficos sejam minimizados ou inexistentes.</p><p>Esse contexto envolve os estudos e experiências do turismo de base local,</p><p>que traz consigo uma alternativa de planejamento e implantação da atividade</p><p>turística, com uma ética que considera primordial a participação ativa da comunidade</p><p>autóctone, a distribuição equitativa dos ganhos, o respeito pelo ambiente natural, a</p><p>valorização da cultura local, entre outros aspectos.</p><p>Desse modo, este trabalho procura relacionar a Rede de Hospedagem</p><p>Familiar, estruturada em Belém-PA inicialmente para atender a demanda de</p><p>participantes do Fórum Social Mundial – 2009, com as concepções e premissas do</p><p>turismo de base local, visando compreender as ações do processo de implantação</p><p>da Rede, e analisar sua relação com esse modelo de turismo.</p><p>Este estudo apresenta relevância no contexto das pesquisas sobre turismo de</p><p>base local por tratar de um assunto ainda pouco explorado – a hospitalidade no</p><p>turismo de base local – com abordagem de um projeto governamental ainda não</p><p>estudado cientificamente – a Rede de Hospedagem Familiar, em Belém-PA. Assim,</p><p>apresenta uma contribuição para o aprofundamento e adensamento teórico dessa</p><p>proposta de modelo de turismo.</p><p>A pesquisa tem uma abordagem qualitativa, com o estudo de caso da Rede</p><p>de Hospedagem Familiar em Belém-PA. Para Chizzotti (2008, p. 102), o caso é</p><p>tomado</p><p>como unidade significativa do todo que “tanto revela uma realidade quanto</p><p>revela a multiplicidade de aspectos globais, presentes em uma dada situação”.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1419</p><p>A metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliográfica, para um embasamento</p><p>teórico e conceitual sobre hospitalidade e turismo de base local e uma pesquisa</p><p>documental sobre o projeto que estruturou a Rede de Hospedagem Familiar em</p><p>Belém-PA, disponibilizado aos autores pela Companhia Paraense de Turismo –</p><p>PARATUR, órgão do Governo do Estado responsável pela coordenação das ações</p><p>de implantação da rede.</p><p>2 TURISMO DE BASE LOCAL</p><p>Na bibliografia sobre turismo de base local, recente e ainda um tanto restrita,</p><p>encontram-se outros termos que são essencialmente sinônimos a este conceito, a</p><p>saber, “turismo de base comunitária”, “turismo comunitário” e até mesmo “turismo</p><p>situado”. Neste trabalho, optamos por utilizar o termo “turismo de base local” por</p><p>considerar que é necessário um aprofundamento teórico e conceitual sobre</p><p>“comunidade” e “comunitário”, para uma coerente utilização desses termos.</p><p>Assim, o “local” aqui se revela muito mais próximo à teoria do “sítio simbólico</p><p>de pertencimento”, de Hassan Zaoual (que também merece maior discussão e</p><p>análise teórica e prática), onde esses sítios representam “comunidades de sentido”,</p><p>ou seja, não considera necessariamente uma demarcação ou limites físicos, mas é</p><p>no campo simbólico e identitário que o local configura-se e tal configuração pode ou</p><p>não acontecer em um espaço delimitado (apud BARTHOLO, 2009).</p><p>Araújo e Gelbcke (2008, p.366) apresentam a idéia de que, no contexto da</p><p>crise socioambiental e do crescimento do turismo massificado, o turismo de base</p><p>local “é um estratégia de desenvolvimento para grupos com menores condições de</p><p>ingressarem de maneira autônoma na cadeia produtiva do turismo”. No entanto,</p><p>ainda que seja coerente, esta concepção restringe as possibilidades de atuação</p><p>desse modelo de desenvolvimento do turismo, contribuindo para o entendimento de</p><p>que somente “comunidades de baixa renda” ou as chamadas “comunidades</p><p>tradicionais” podem desenvolver esse tipo de turismo.</p><p>Já para Irving (2009, p.111), o turismo de base local só poderá ser</p><p>desenvolvido se os protagonistas deste lugar forem sujeitos e não objetos do</p><p>processo. “Neste caso, o sentido de comunitário transcende a perspectiva clássica</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1420</p><p>das „comunidades de baixa renda‟ ou „comunidades tradicionais‟ para alcançar o</p><p>sentido de comum, de coletivo”. Ainda para essa autora,</p><p>Este tipo de turismo representa, portanto, a interpretação “local” do turismo,</p><p>frente às projeções de demandas e de cenários do grupo social do destino,</p><p>tendo como pano de fundo a dinâmica do mundo globalizado, mas não as</p><p>imposições da globalização (IRVING, 2009, p. 111)</p><p>Vale ressaltar que o turismo de base local não corresponde simplesmente a</p><p>mais um tipo de turismo, nem um segmento mercadológico criado para atender a</p><p>uma demanda específica. Muito mais que isso, o turismo de base local é uma</p><p>proposta de modelo para o planejamento, gestão e prática do turismo (IRVING,</p><p>2009; ZECHNER, HENTIQUÉZ e SAMPAIO, 2008).</p><p>O desenvolvimento desta atividade exige a incorporação de princípios e</p><p>valores éticos, uma nova forma de pensar a democratização de</p><p>oportunidades e benefícios, e um novo modelo de implantação de projetos,</p><p>centrado em parceria, co-responsabilidade e participação [...] (ZECHNER;</p><p>HENRÍQUEZ E SAMPAIO, 2008, p. 12)</p><p>Desse modo, o turismo de base local ultrapassa o sentido de uma atividade</p><p>produtiva para estimular a cooperação nas relações sociais, valorizando os recursos</p><p>de um território. E esse modo de desenvolvimento do turismo utiliza-se do conceito</p><p>de território, “pois enseja o desenvolvimento do turismo a partir de critérios e</p><p>prioridades pautadas nos interesses das comunidades autóctones; induzindo a</p><p>construção de sistemas produtivos localizados [...]” (ARAÚJO E GELBCKE, 2008,</p><p>p.366)</p><p>Irving (2009) apresenta seis premissas para o desenvolvimento do turismo de</p><p>base local, que subsidiarão as análises presentes neste trabalho – juntamente com</p><p>os demais aspectos teóricos apresentados – a saber:</p><p>1. base endógena da iniciativa e desenvolvimento local:</p><p>Para o desenvolvimento do turismo de base local deve haver motivação</p><p>endógena à localidade, ainda que agentes externos – como o Estado, instituições de</p><p>ensino e pesquisa e organizações não-governamentais – funcionem como indutores</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1421</p><p>das iniciativas. Além disso, os objetivos com o desenvolvimento desse modelo de</p><p>turismo devem expressar os desejos dos grupos sociais locais.</p><p>2. Participação e protagonismo social no planejamento, implementação e</p><p>avaliação de projetos turísticos:</p><p>Em iniciativas de turismo de base local é imprescindível o engajamento e a</p><p>participação ativa dos agentes locais, com uma postura pró-ativa sob a ótica da co-</p><p>responsabilidade nos processos de planejamento, implementação e avaliação dos</p><p>projetos turísticos.</p><p>No entanto, Irving (2008, p.114) ressalta que</p><p>[...] os processos participativos são lentos, envolvem custos adicionais nem</p><p>sempre considerados nos orçamentos em planejamento turístico, e exigem</p><p>um elevado investimento em formação de recursos humanos e construção</p><p>de arcabouços metodológicos capazes de lidar com as especificidades</p><p>locais e gerar respostas.</p><p>Desse modo, não são viáveis grandes resultados e mudanças em curto prazo</p><p>no que se refere ao turismo de base local, uma vez que as ações para que os</p><p>grupos sociais locais dominem a auto-gestão da atividade turística é precedido de</p><p>um processo longo, que deve contar com um processo contínuo de educação para</p><p>esse modelo de desenvolvimento do turismo.</p><p>3. Escala limitada e impactos sociais e ambientais controlados:</p><p>O turismo de base local, por ser uma alternativa aos impactos e malefícios do</p><p>turismo massificado, deve acontecer com limites na recepção de turistas – devendo</p><p>desenvolver metodologias para apontar tais limites –, garantindo qualidade nas</p><p>dinâmicas sociais e nos aspectos ambientais, pois, segundo Irving (2008, p. 115)</p><p>“sem qualidade social e ambiental uma iniciativa comunitária tende a se fragilizar</p><p>com o tempo e, se esta estiver associada a um projeto turístico, muito</p><p>provavelmente terá a sua atratividade reduzida progressivamente”.</p><p>4. Geração de benefícios diretos à população local:</p><p>Os projetos de turismo de base local devem desenvolver dispositivos e</p><p>mecanismos para que os ganhos alcançados com o turismo sejam acessados pelos</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1422</p><p>grupos sociais locais e que sejam transformados em melhoria na qualidade de vida,</p><p>de acordo com as necessidades locais.</p><p>5: Afirmação cultural e interculturalidade:</p><p>O turismo de base local deve acontecer – ao contrário do turismo massificado</p><p>– sem imposições de alterações nas culturas locais e fazendo destas culturas o</p><p>sentido da atratividade à visitação e o motivador de intercâmbio cultural entre</p><p>autóctones e turistas.</p><p>Irving (2209, p. 116) ressalta que</p><p>a valorização da cultura local constitui parâmetro essencial em turismo de</p><p>base comunitária, não no sentido de sua importância na configuração de um</p><p>“produto” de mercado, mas com o objetivo de afirmação de ident idades e</p><p>pertencimento.</p><p>Desse modo, no turismo de base comunitária a interação entre as culturas</p><p>dos agentes envolvidos, que ocorre no sítio simbólico</p><p>de pertencimento, deve</p><p>acontecer sem espetacularização – como no turismo massificado, para atender aos</p><p>anseios do mercado capitalista –, mas sim como uma maneira de se aproximar à</p><p>alteridade e valorizar a cultura local.</p><p>6: O “encontro” como condição essencial:</p><p>Semelhante a premissa da afirmação cultural e da interculturalidade, o</p><p>turismo de base local pode promover o encontro entre grupos sociais, permitindo o</p><p>compartilhamento de conhecimentos e aprendizagem mútua, com um “intercâmbio</p><p>real entre os sujeitos „que recebem‟ e os que „são recebidos‟” (IRVING, 2009, p.</p><p>116).</p><p>Araújo e Gelbcke (2008) apontam ainda a existência de uma relação dialética</p><p>entre os turistas e a comunidade receptora. Zechner, Hentiquéz e Sampaio (2008, p.</p><p>07) relacionam essa dialética à concepção de “convivencialidade” existente no</p><p>modelo de turismo em questão. Tal conceito compreende “uma relação social que se</p><p>interesse pelo outro, pelo diferente, pela alteridade [...]. A convivencialidade</p><p>potencializa espaços produtivos não economicistas de ganho coletivo”.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1423</p><p>O turismo de base local contempla modos pouco usuais de atividades</p><p>turísticas, que normalmente não são consideradas interessantes pelo “turista de</p><p>massa”, como as relacionadas aos modos de alimentação e moradia. Bartholo</p><p>(2009, p. 51) expõe que “no caso específico dos serviços turísticos os padrões</p><p>relacionais de acolhida e hospitalidade são elementos-chave para práticas situadas</p><p>de turismo de base comunitária”.</p><p>3 HOSPITALIDADE E TURISMO DE BASE LOCAL</p><p>Grande parte dos estudos realizados sobre a hospitalidade a analisa sob a</p><p>perspectiva comercial. Entretanto, por ser considerada um tipo de relação humana,</p><p>ela tem sido tratada por diversas áreas do conhecimento, entre elas a filosofia, a</p><p>geografia e as ciências sociais.</p><p>Camargo (2003) observa que para delimitar seu campo de estudo, na área</p><p>das ciências sociais, a hospitalidade pode ser dividida entre o eixo cultural e o social.</p><p>O primeiro envolve as 04 ações: receber, hospedar, alimentar e entreter pessoas;</p><p>enquanto o segundo apresenta 04 domínios: doméstico, público, comercial e virtual,</p><p>sendo que os três primeiros domínios foram baseados na obra “Em busca da</p><p>hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado”, organizado por Lashley e</p><p>Morrison em 2000.</p><p>Desta forma, Camargo (2003, p.19) define hospitalidade como “o ato humano,</p><p>exercido em contexto doméstico, público ou profissional, de recepcionar, hospedar,</p><p>alimentar e entreter pessoas temporariamente deslocadas do seu habitat”. O autor</p><p>afirma ainda que dezesseis eixos teóricos para o estudo da hospitalidade surgem a</p><p>partir da interseção das ações e domínios dos eixos cultural e social.</p><p>Dada a amplitude do significado da hospitalidade, convém mencionar a</p><p>opinião de Godbout (1999). Para ele, o termo apresenta duas situações contrárias,</p><p>pois quando o anfitrião recebe o hóspede, ele também oferece acolhida e</p><p>alimentação, concluindo-se que o receber alguém implica em dar-lhe algo. Nota-se,</p><p>porém que o hóspede, por sua vez, sente-se na obrigação de retribuir a ação do</p><p>anfitrião.</p><p>Assim, as relações de hospitalidade baseiam-se nas ações de dar, receber e</p><p>retribuir. Em outras palavras, a relação é sempre de troca. Exemplificando, Pimentel</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1424</p><p>(2007) observa que quando recebemos alguém, criamos também a possibilidade de</p><p>um dia nos tornarmos hóspedes daquele que recebemos. Para ela,</p><p>A mesma troca que me faz anfitrião,faz-me também um hóspede potencial.</p><p>Isto ocorre porque "dar e receber" implicam não só uma troca material,</p><p>mas também em uma troca espiritual, uma comunicação entre almas</p><p>(p.60).</p><p>Ao ressaltarem-se as relações de troca, diversos estudiosos do tema</p><p>abordado aproximam-no da teoria da dádiva de Mauss, que em seu “Ensaio sobre a</p><p>Dádiva”, publicado pela primeira vez em 1923, denomina como dom ou dádiva o</p><p>sistema de reciprocidade que está presente na totalidade da vida social (moral,</p><p>literatura, economia, religião, etc.) em todas as sociedades. As trocas nesta teoria</p><p>não se referem apenas ao que é material, mas também ao espiritual.</p><p>Autores como Godelier (2001) e Godbout (1999) divergem em suas opiniões</p><p>quanto à relação entre o sistema da dádiva e os sistemas de mercado. Godbout</p><p>acredita que a dádiva penetra nos sistemas do mercado e do Estado, enquanto para</p><p>Godelier, esses sistemas são opostos. Entretanto, Lanna (apud PIMENTEL, 2007,</p><p>p. 105) afirma que “há instâncias onde cada uma dessas idéias opostas se verificam,</p><p>a mercadoria ora pressupondo, ora destruindo a dádiva”, ou seja, há momentos em</p><p>que as lógicas da dádiva e da mercadoria são conflitantes, mas há outros em que</p><p>elas se complementam.</p><p>Considerando-se a dádiva como algo gratuito que está fora do sistema do</p><p>mercado, entende-se que a hospitalidade como dádiva pode ocorrer em diversos</p><p>ambientes. Comercialmente, por exemplo, há situações nos meios de hospedagem</p><p>tradicionais onde a relação entre anfitrião e hóspede excede o que é determinado</p><p>pelo contrato, tal como quando o recepcionista se propõe a ajudar o hóspede ao</p><p>perceber que ele está com alguma dificuldade.</p><p>Entretanto, por diversas razões, a dádiva na hospitalidade é mais facilmente</p><p>reconhecível nos espaços onde se desenvolve o turismo de base local.</p><p>Primeiramente por verificar-se que nestes ambientes, a relação entre anfitriões e</p><p>hóspedes não é meramente econômica, visto que há o real interesse no intercâmbio</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1425</p><p>entre eles, ou seja, na troca de informações através da descoberta e da observação</p><p>de suas respectivas culturas.</p><p>Nos sítios simbólicos de pertencimento, a percepção do que é turístico parte</p><p>da própria comunidade. Sansolo e Bursztyn (2009, p. 150), afirmam que</p><p>o sítio é cheio de significados próprios, valorizados pela comunidade, e que</p><p>se coloca disponível para o intercâmbio. Não comercializam o que os</p><p>turistas desejam; disponibilizam o que entendem ser valoroso, em termos</p><p>culturais e ambientais. No intercâmbio, as relações são o princípio</p><p>fundamental do turismo de base comunitária, assim como quem busca está</p><p>aberto a se adaptar e valorizar os códigos dos lugares visitados. Trata-se,</p><p>portanto, de um turismo que tem nas relações de hospitalidade a principal</p><p>motivação.</p><p>As trocas interpessoais são uma necessidade humana e os pontos de</p><p>encontro são fundamentais para que elas ocorram. Tais pontos podem estar</p><p>localizados nos meios de hospedagem comerciais, porém destacam-se os</p><p>estabelecimentos menores, administrados pela própria família e que permitem uma</p><p>aproximação maior entre visitantes e visitados, ou seja, o que se chama de</p><p>hospedagem domiciliar.</p><p>Excluindo-se os casos dos imóveis alugados para temporada, a hospedagem</p><p>domiciliar trata-se de um empreendimento em que os moradores disponibilizam</p><p>parte de sua residência para receberem turistas mediante pagamento. Entretanto,</p><p>apesar do aspecto comercial, esta forma de hospedagem se diferencia das demais.</p><p>Para Pimentel (2007, p. 19) sua principal característica é a de criar “um espaço</p><p>privilegiado de promoção do encontro de qualidade entre hóspedes e anfitrião”. Ela</p><p>elenca também diversas vantagens da hospedagem familiar sobre as demais</p><p>formas, dentre elas o fato de não exceder a capacidade de carga local por não exigir</p><p>novas construções, a distribuição da renda entre a comunidade, o resgate dos</p><p>modos tradicionais de moradia, a possibilidade do proprietário poder exercer outras</p><p>atividades e não depender exclusivamente do turismo,</p><p>a</p><p>sua localização estratégica e ao fato de ser o monumento em que acontecem</p><p>determinados eventos, como a Sexta Cultural e a Feira do Mercado Velho. O</p><p>Museu Casa de JK foi visitado por 92 pessoas, o que pode ser explicado pela</p><p>representatividade do personagem na história política do país e pelo fato de ser</p><p>um atrativo bem estruturado. A Casa da Chica da Silva se destaca com 83</p><p>pessoas e também é um ícone histórico brasileiro. O atrativo Casa da Glória foi</p><p>visitado por 74 pessoas pelo fato de ser um dos cartões postais do município. O</p><p>Museu do Diamante obteve 51 visitantes, isso pode ser justificado pela identidade</p><p>com o diamante que a cidade possui e por estar localizado em região central.</p><p>Gráfico 7 – PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES/ EVENTOS</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1301</p><p>Nota-se que a maioria dos entrevistados, correspondente a 70 pessoas,</p><p>não haviam participado de nenhuma atividade na cidade, até o momento da</p><p>entrevista. Isso pode ser justificado pelo fato dos entrevistados terem iniciado</p><p>suas atividades de lazer no sábado pela manhã, a e maioria delas ocorrerem no</p><p>final de semana. Um número significativo de pessoas visitou somente a feira do</p><p>Mercado Velho, 86 no total, por ser um monumento postal de Diamantina, ter</p><p>localização estratégica e comercializar produtos regionais. A segunda maior</p><p>parcela, 70 pessoas, não participou de nenhum evento na cidade e 63 turistas</p><p>afirmaram ter participado da Vesperata.</p><p>Gráfico 8 – DE QUAL ATIVIDADE MAIS GOSTOU?</p><p>Dentre as atividades que os entrevistados participaram, a Vesperata foi o</p><p>evento mais apreciado, com número expressivo de 65% das respostas. Assim, é</p><p>possível constatar que a Vesperata ainda é o principal produto turístico de</p><p>Diamantina.</p><p>Este grupo de perguntas apontou claramente para a necessidade de ações</p><p>de consolidação e diversificação dos atrativos culturais, que possam cumprir um</p><p>papel importante na inclusão social da comunidade autóctone, tanto do ponto de</p><p>vista da apropriação e auto-estima com a valorização da cultura, quanto do</p><p>envolvimento com o turismo que pode e precisa de renovação constante, seja no</p><p>caráter econômico da atividade turística (com a geração de emprego e renda, por</p><p>exemplo), quanto no caráter social do turismo (com os benefícios que a</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1302</p><p>convivência com outras pessoas pode trazer). Do ponto de vista dos atrativos</p><p>naturais, o quê a princípio assusta, pelo sub-aproveitamento do potencial para</p><p>turismo em meios naturais, traz o ponto positivo da ainda preservação deste</p><p>patrimônio, que tem condições de ser desenvolvido de forma sustentável, o que</p><p>não seria possível se este potencial tivesse sido explorado em um passado</p><p>recente.</p><p>6. PERCEPÇÕES E EXPECTATIVAS DOS TURISTAS DE DIAMANTINA</p><p>Na continuidade da Pesquisa as questões tiveram o objetivo de detectar a</p><p>imagem do destino para os turistas entrevistados, além de se tentar saber se as</p><p>expectativas destes visitantes foram atendidas no destino.</p><p>Assim, felizmente a Imagem que os turistas têm da cidade parece condizer</p><p>com a realidade de Diamantina, com Cidade Colonial em destaque, com 96</p><p>menções, seguida de Arquitetura com 29, Diamante/Garimpo com 26 e</p><p>personalidades com 22, demonstrando ser esse um destino de tradições. Merece</p><p>destaque ainda maior a Arquitetura, que além de condizer com a Imagem</p><p>consegue mesmo, assim, sem o „fator surpresa‟ (já que está é esperada pelo</p><p>turista) encantar, juntamente com a Hspitalidade, a Natureza, que se percebeu</p><p>anteriormente como potencial turístico, e a História, que parecem pertencer à</p><p>natureza da cidade, enquanto palco do período colonial do Brasil e seu povo</p><p>notoriamente acolhedor. Já a questão que investigou a qualidade da estrutura</p><p>turística não apresentou surpresas, com altos índices de „Bom‟ ou „Não sabe‟. Os</p><p>principais resultados deste bloco de questões podem ser melhor visualizados a</p><p>seguir:</p><p>Gráfico 9 – ENCANTAMENTO</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1303</p><p>De acordo com o gráfico, 73 turistas entrevistados apontaram o estilo</p><p>arquitetônico colonial, 34 a hospitalidade do local e 29 as belezas naturais como</p><p>os maiores motivos de encantamento. Destaca-se ainda a história, com 23</p><p>citações e a musicalidade com 17. Em menor proporção vêm as personalidades,</p><p>com 12 menções (o que pode significar uma falta de aproveitamento dessa</p><p>imagem) e as Igrejas, com 11.</p><p>Neste mesmo bloco de perguntas, buscou-se avaliar a satisfação em</p><p>relação à estrutura turística em geral, questionando-se a respeito de cerca de 30</p><p>itens, por meio de perguntas específicas entre ótimo e péssimo, com uma opção</p><p>de “não sabe/não usou”. Alguns destes itens são apresentados na tabela a seguir.</p><p>Tabela 1 – ESTRUTURA TURÍSTICA</p><p>Ótimo Bom Regular Ruim Péssimo</p><p>Não</p><p>Sabe</p><p>Atendimento em Geral 60 107 5 1 2 5</p><p>Sinalização 14 61 50 24 14 17</p><p>Aparência à cidade 77 89 8 3 2 1</p><p>Acesso cidade 26 96 33 7 9 9</p><p>Acesso aos Atrativos 19 94 33 2 8 23</p><p>Meios de Hospedagem 50 88 15 3 0 24</p><p>Qualidade no Atendimento Bares &</p><p>Restaurantes</p><p>42 77 15 0 1 45</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1304</p><p>Lojas de Artesanato 41 56 10 0 0 73</p><p>Acesso às Informações Turísticas 24 69 14 11 5 58</p><p>Qualidade das Informações Turísticas 26 76 19 1 7 49</p><p>Segurança 39 92 10 2 1 36</p><p>Receptividade do Povo 83 72 1 1 0 13</p><p>Limpeza 48 95 24 2 1 10</p><p>Conservação do Casario 65 83 14 2 2 14</p><p>Paisagem no trajeto à cidade 70 70 12 2 0 26</p><p>A julgar pela boa imagem que a cidade demonstrou gozar junto aos seus</p><p>turistas, cabe a ação de discussão entre os líderes do turismo local, a fim de</p><p>verificar como essa imagem pode ser reforçada e, obviamente, se é essa a</p><p>imagem que se pretende passar. Tal imagem pode ser acompanhada das</p><p>variáveis de encantamento detectadas, já que a arquitetura se repete, ao passo</p><p>que Natureza, História e Hospitalidade realmente fazem parte do cotidiano da</p><p>cidade e são pontos bastante positivos, que costumam caracterizar destinos</p><p>turísticos consolidados. Cabe ainda destacar a importância da continuidade nas</p><p>ações de conservação e preservação que vem sendo feita na cidade, pelos</p><p>Organismos competentes. Por último, a hospi talidade se reflete também nos</p><p>serviços turísticos, já que a classificação geral na prestação destes foi „Bom‟, o</p><p>que aponta também que, como usual, sempre existe espaço para melhorar e</p><p>tentar alcançar o „Ótimo‟.</p><p>7. PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO DOS TURISTAS DE DIAMANTINA</p><p>Pra finalizar e completar o levantamento de informações acerca da</p><p>demanda turística real de Diamantina, o questionário foi encerrado com questões</p><p>relativas ao perfil sócio-econômico destes turistas. Para não constranger os</p><p>turistas com perguntas pessoais, estas questões foram apresentadas no final da</p><p>entrevista sob – nome „Somente para fins Estatísticos‟. Mas, em termos de</p><p>estudos de demanda turística, sabe-se que estes são dados valiosos que podem</p><p>e devem nortear o desenvolvimento do turismo de Diamantina.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1305</p><p>Assim, é possível afirmar que houve grande equilíbrio de gênero, faixa</p><p>etária, e renda, com destaque para o público adulto, mas sem grandes variações.</p><p>A faixa de renda familiar foi alta para os padrões brasileiros, tendo prevalecido a</p><p>renda superior a R$ 6.301,00, mas com grande representatividade das outras</p><p>faixas. O que teve especial destaque foi o nível de escolaridade</p><p>além dos preços que</p><p>normalmente são mais acessíveis.</p><p>Estas características fazem com que diversas comunidades que desenvolvem</p><p>a atividade turística com base local utilizem-se desta modalidade como importante</p><p>meio de hospedagem. Há exemplos em todo o Brasil e alguns deles podem ser</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1426</p><p>visualizados entre os cinqüenta projetos apoiados pelo Ministério do Turismo - MTur</p><p>por meio do Edital nº 01/2008 e descritos no livro “Turismo de Base Comunitária:</p><p>Diversidade de Olhares e Experiências Brasileiras”, editado eletronicamente em</p><p>2009 pelo MTur. São os casos de comunidades no município de Nova Olinda, no</p><p>Ceará, Maxaranguape, no Rio Grande do Norte, Morretes, no Paraná e Barão de</p><p>Melgaço, no Mato Grosso, entre outros.</p><p>No Estado do Pará, temos exemplos no município de Santarém, onde através</p><p>do Projeto Saúde e Alegria, grupos de visitantes podem conhecer parte da fauna e</p><p>flora amazônica e integrarem-se às comunidades, principalmente ao hospedarem-se</p><p>em suas casas; e na Praia do Pesqueiro, na Ilha do Marajó, através da Associação</p><p>das Mulheres do Pesqueiro que hospedam grupos de até dez pessoas por</p><p>residência.</p><p>A hospedagem domiciliar tem sido incentivada pelo poder público no Brasil.</p><p>Pimentel (2007) apresenta casos de hospedagem domiciliar em rede e dentre eles o</p><p>Projeto Cama e Café, de iniciativa do Governo do Estado do Espírito Santo,</p><p>desenvolvido em municípios que não possuem sistema de hospedagem formal. O</p><p>incentivo do governo surge para solucionar questões referentes à insuficiente</p><p>quantidade de leitos disponíveis, especialmente no momento em que um município é</p><p>escolhido para sediar um grande evento, como por exemplo, o Pan 2007, que</p><p>despertou o interesse da Prefeitura do Rio de Janeiro para esta modalidade de</p><p>hospedagem.</p><p>Em Belém, no Pará, a hospedagem domiciliar foi impulsionada pelo Governo</p><p>do Estado a partir de 2008 em virtude da realização do Fórum Social Mundial em</p><p>2009, tratada com mais detalhes no capítulo que segue.</p><p>4 A REDE DE HOSPEDAGEM FAMILIAR E O TURISMO DE BASE LOCAL EM</p><p>BELÉM-PA</p><p>Ao preparar-se para receber, em 2009, o Fórum Social Mundial - FSM, o</p><p>Governo do Estado constatou que em Belém, cidade sede do evento, o parque</p><p>hoteleiro convencional dispunha de 6.000 leitos, o que não seria suficiente para</p><p>atender a uma expectativa de mais de 100.000 participantes.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1427</p><p>A solução encontrada para suprir a carência de leitos foi a criação de uma</p><p>rede de hospedagem domiciliar, através da parceria com o Ministério do Turismo,</p><p>elaborando-se, assim, o Projeto de Implantação da Rede de Hospedagem Familiar</p><p>(PARÁ, 2009), pioneiro no Estado, que teve duração de 08 meses e consistia na</p><p>identificação, cadastro e seleção de residências, qualificação dos proprietários,</p><p>certificação, inclusão no banco de dados do FMS e criação de uma central de</p><p>reservas.</p><p>A rede abrangeu toda a região metropolitana de Belém, composta pela sede,</p><p>suas ilhas e distritos e por mais 04 municípios. Das 1.485 residências cadastradas,</p><p>955 foram selecionadas, resultando na disponibilidade de 7.503 leitos, divididos</p><p>entre camas de casal e de solteiro, colchonetes e redes, de acordo com a tabela 1.</p><p>TABELA 1: TIPOLOGIA DE LEITOS/QUANTIDADE</p><p>TIPOLOGIA DE LEITOS Nº de</p><p>LEITOS</p><p>Cama de Casal 2.280</p><p>Cama de Solteiro 1.602</p><p>Colchonete 1.443</p><p>Rede 2.178</p><p>TOTAL 7.503</p><p>Fonte: PARATUR, 2009.</p><p>A central de reservas possibilitou um sistema on line no próprio site do</p><p>evento, que totalizou 180 atendimentos, com reservas para 1.153 hóspedes. As</p><p>informações obtidas durante os registros dos atendimentos serviram para se obter</p><p>um perfil dos que se utilizaram da rede, visando contribuir para futuras ações,</p><p>embora no relatório final do projeto, disponibilizado aos autores pela Companhia</p><p>Paraense de Turismo – PARATUR, este perfil refira-se apenas à nacionalidade dos</p><p>hóspedes, conforme a tabela 2, ou à naturalidade, no caso de brasileiros.</p><p>TABELA 2: QUANTIDADE DE HOSPEDE POR NACIONALIDADE</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1428</p><p>HÓSPEDE POR NACIONALIDADE</p><p>Brasil 272</p><p>Itália 20</p><p>Argentina 09</p><p>Chile 16</p><p>Suécia 09</p><p>Alemanha 05</p><p>Espanha 05</p><p>USA 23</p><p>Canadá 11</p><p>Austrália 01</p><p>França 14</p><p>Peru 01</p><p>Suíça 01</p><p>Noruega 03</p><p>Índia 16</p><p>Paraguai 01</p><p>México 02</p><p>G.Francesa 18</p><p>Colômbia 02</p><p>Nepal 01</p><p>Fonte: PARATUR, 2009.</p><p>Baseando-se no mencionado relatório e na fundamentação teórica discutida</p><p>nos capítulos anteriores, em especial, nas premissas para o turismo de base</p><p>comunitária levantadas por Irving, foi possível estabelecer uma relação entre a Rede</p><p>de Hospedagem Familiar em Belém e o turismo de base local.</p><p>Como primeira premissa, Irving (2009) aponta a “base endógena da iniciativa</p><p>e desenvolvimento local”. Embora o projeto tenha sido idealizado pelo Governo do</p><p>Estado, a participação das comunidades da Região Metropolitana de Belém foi</p><p>fundamental para o seu sucesso. O poder público, portanto, atuou como um indutor</p><p>da ação ao utilizar recursos que deram à população local uma nova oportunidade de</p><p>aumento da renda e de desenvolvimento local, visto que este tipo de iniciativa</p><p>contribui para o aumento da sua auto-estima e estimula a conservação urbana.</p><p>Ressalta-se também a importância do Estado como indutor quando se visualiza no</p><p>gráfico 1 que a maior parte dos entrevistados na avaliação realizada ao final do</p><p>projeto, não conhecia este modo de hospedagem. Para a equipe coordenadora, este</p><p>fato foi considerado inicialmente um entrave na sua implementação.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1429</p><p>GRÁFICO 1: CONHECIMENTO SOBRE A HOSPEDAGEM FAMILIAR</p><p>Fonte: PARATUR, 2009.</p><p>De acordo com o relatório, a participação dos proprietários das residências</p><p>nas oficinas de qualificação foi bastante ativa, mas o processo necessário para a</p><p>implantação da rede foi considerado longo, visto que a mobilização das</p><p>comunidades e sua preparação exigiram investimentos e mudanças de metodologia</p><p>para adaptarem-se à realidade local. Tais constatações vinculam-se à premissa da</p><p>“participação e protagonismo social no planejamento, implementação e avaliação de</p><p>projetos turísticos”.</p><p>Ao analisar-se o que Irving (2009) denomina “escala limitada e impactos</p><p>sociais e ambientais controlados”, percebe-se uma relação com as considerações</p><p>que Pimentel (2007) faz à hospedagem domiciliar. Assim, iniciativas como a Rede de</p><p>Hospedagem Familiar inibem a alta concentração de turistas num mesmo local, ao</p><p>atenderem pequenos grupos; não alteram a diversidade de atividades econômicas</p><p>da localidade por não estimularem os proprietários a dedicarem-se exclusivamente à</p><p>atividade turística, e não excedem a capacidade de carga local, visto que não</p><p>necessita de novas construções.</p><p>Ainda reportando-se a Camargo (2007), verifica-se que na hospedagem</p><p>domiciliar a renda é distribuída entre a comunidade, além de tornar-se uma</p><p>alternativa para a redução do desemprego. Estas características estão em sintonia</p><p>com a premissa da “geração de benefícios diretos à população local”. No</p><p>relatório do</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1430</p><p>projeto da Rede de Hospedagem Familiar, ressaltou-se que o desenvolvimento do</p><p>projeto “possibilitou que se colocasse em prática um dos maiores objetivos da</p><p>atividade turística, que é a distribuição de renda sem distinção de classe social”</p><p>(PARÁ, 2009, p.09). O referido documento explica que a metodologia utilizada para</p><p>a atribuição de preços aos serviços de hospedagem e alimentação se baseou nas</p><p>despesas comuns de manutenção de uma residência somadas ao que se</p><p>considerou uma renda solidária. Considerando que os valores abaixo se referem a</p><p>janeiro de 2009, a tabela 3 indica que os preços das diárias e a renda (por hóspede</p><p>e por dia de hospedagem) variavam conforme a classificação dos imóveis, sendo</p><p>cobrados R$ 25,00 para o “simples” e R$ 35,00 para o “superior”, de acordo com o</p><p>nível de conforto.</p><p>TABELA 3: COMPOSIÇÃO DE CUSTOS E RENDA</p><p>Fonte: PARATUR, 2009.</p><p>A remuneração aos proprietários foi mediada pelo Governo Estadual, pois o</p><p>participante, através do site do evento, encaminhava o comprovante do pagamento</p><p>e recebia um voucher, que garantia ao proprietário o direito de receber, do Estado, o</p><p>valor acordado pelas diárias.</p><p>DIÁRIA (R$) ITENS DE DESPESAS TAXA (R$)</p><p>25,00</p><p>Água, Energia, Telefone, Gás 9,78 (30%)</p><p>Material de limpeza 2,00</p><p>Auxiliar 2,00</p><p>Café-da-manhã (média) 6,00</p><p>TOTAL 19,78</p><p>RENDA PROPRIETÁRIO 5,22</p><p>DIÁRIA (R$) ITENS DE DESPESAS TAXA (R$)</p><p>35,00</p><p>Água, Energia, Telefone, Gás 13,00 (40%)</p><p>Material de limpeza 4,00</p><p>Auxiliar 4,00</p><p>Café da manhã (média) 6,00</p><p>TOTAL 27,00</p><p>RENDA PROPRIETÁRIO 8,00</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1431</p><p>Quanto às duas últimas premissas, a “afirmação cultural e interculturalidade”</p><p>e “o „encontro‟ como condição essencial”, deve-se destacar a importância da</p><p>valorização da cultura local e o intercâmbio entre os participantes do evento e os</p><p>anfitriões. Como este estudo trata de reflexões introdutórias, o seu aprofundamento</p><p>necessita ainda, entre outros, de uma pesquisa junto aos proprietários para se ter</p><p>mais clareza de como se deram as trocas de experiências entre visitantes e</p><p>visitados.</p><p>Após a realização do Fórum Social Mundial, os proprietários avaliaram o</p><p>projeto junto à equipe coordenadora. O relatório informa que nessa avaliação feita</p><p>junto a uma amostra dos proprietários, apenas 10% apontou exclusivamente a renda</p><p>extra como motivo para sua participação. Os demais indicaram também a</p><p>possibilidade de conhecer pessoas e culturas diferentes. Aliás, para 40% deles, esta</p><p>era a única motivação (PARÁ, 2009).</p><p>Uma curiosidade observada neste projeto foi a presença da rede (de</p><p>descanso) na contabilização dos leitos, algo incomum quando se estuda</p><p>convencionalmente a oferta de meios de hospedagem. Acredita-se que esta foi uma</p><p>forma de valorizar este utensílio de origem indígena e muito utilizado no Brasil,</p><p>principalmente nas regiões norte e nordeste.</p><p>Portanto, nota-se que o projeto da Rede de Hospedagem Familiar apresenta</p><p>diversos traços que possibilitam uma relação com parte da produção teórica que</p><p>busca conceituar o turismo de base local. Sabe-se, porém, que esta foi uma ação</p><p>pontual e não se tem conhecimento de sua continuidade, um ano após a realização</p><p>do evento que a motivou.</p><p>Apesar da avaliação do projeto ter sido realizado com uma amostra em torno</p><p>de apenas 5% de proprietários que tiveram suas residências ocupadas, o relatório</p><p>aponta o desejo de continuar recebendo hóspedes, que foi demonstrado por 100%</p><p>dos entrevistados. Os proprietários foram questionados também sobre a satisfação</p><p>em terem recebido visitantes e 70% informaram que suas expectativas foram</p><p>atendidas. A insatisfação dos demais 30% deveu-se principalmente à não ocupação</p><p>total dos leitos ofertados e ao valor “baixo” das diárias. Esta visão deve ser discutida</p><p>entre as comunidades, no caso de continuação do projeto, visto que o turismo de</p><p>base local não deve ter como único objetivo os benefícios econômicos. Nele o ganho</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1432</p><p>é coletivo e, por esta razão, os valores das diárias devem ser calculados de modo a</p><p>favorecer também os visitantes.</p><p>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A Rede de Hospedagem Familiar de Belém foi instalada por iniciativa do</p><p>Governo do Pará, detectada a insuficiência da capacidade dos meios de</p><p>hospedagem tradicionais da cidade para receber os participantes do Fórum Social</p><p>Mundial – 2009. Assim, o Estado foi o indutor desse tipo de hospedagem – que está</p><p>inserido na lógica do turismo de base local – em detrimento de outras alternativas</p><p>existentes no mercado turístico tradicional.</p><p>Então não se pode dizer que houve uma iniciativa endógena de grupos locais,</p><p>mesmo porque se deve considerar que o turismo de base local e as hospedagens</p><p>domiciliares ainda são novos e pouco conhecidos na sociedade em geral, o que faz</p><p>da experiência em Belém ser, além de pioneira, um modo de divulgação e</p><p>apresentação desse modelo de desenvolvimento do turismo à sociedade local.</p><p>Além disso, o projeto teve ampla aceitação de proprietários de residências na</p><p>Região Metropolitana de Belém, o que proporcionou uma grande participação</p><p>dessas pessoas nas atividades do projeto. Vale ressaltar que, de acordo com a</p><p>avaliação feita pela coordenação das ações de implantação da rede, várias pessoas</p><p>foram motivadas a participar do projeto pelas possibilidades de intercâmbio cultural</p><p>com os hóspedes e benefícios financeiros ao receber turistas em suas casas.</p><p>Portanto, é possível perceber a relação da Rede de Hospedagem Familiar com</p><p>concepções e premissas do turismo e base local.</p><p>Para que se caracterize de fato como ação de base local é necessário que</p><p>parta das comunidades o interesse na continuação do projeto. Elas deverão</p><p>participar de todas as etapas do planejamento, execução e avaliação das iniciativas</p><p>ligadas à hospitalidade domiciliar. O poder público, a sociedade civil organizada ou</p><p>mesmo as instituições de ensino podem agir como indutoras ou auxiliares no</p><p>processo, mas com o objetivo de preparar a população local para o auto-</p><p>gerenciamento da ação.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1433</p><p>A hospitalidade é apenas uma parte da atividade turística. Portanto, a partir</p><p>desse projeto, as comunidades poderão também ampliar as ações voltadas ao</p><p>turismo de base local.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARAÚJO, G. P.; GELBCKE, D. L.. Turismo Comunitário. Uma perspectiva ética e</p><p>educativa de desenvolvimento. Revista Turismo Visão e Ação. v.10, nº 03, 2008 p.</p><p>357 – 378.</p><p>BARTHOLO, R. Sobre o sentido da proximidade: implicações para um turismo</p><p>situado de base comunitária. In: BARTHOLO, R.; SANSOLO, D. G.; BURSZTYN, I.</p><p>(Orgs.). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências</p><p>brasileiras. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2009.</p><p>CAMARGO, L. O. L.. Os domínios da hospitalidade. In: DENCKER, Ada F. M ;</p><p>BUENO, Maryelis S. (Org.). Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo:</p><p>Pioneira Thomson Learning, 2003, v. 1, p. 7-14.</p><p>CHIZZOTTI, A.. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. São Paulo: Cortez, 2008.</p><p>GODBOUT, Jacques. O Espírito da dádiva. Rio de Janeiro, Fundação Getulio</p><p>Vargas, 1999.</p><p>GODELIER, Maurice. O Enigma do Dom. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,</p><p>2001.</p><p>IRVING, M. A.. Reinventando a Reflexão sobre Turismo de Base Comunitária: Inovar</p><p>é possível? In: BARTHOLO, R.; SANSOLO, D. G.; BURSZTYN, I. (Orgs.). Turismo</p><p>de base comunitária: diversidade de olhares e experiências</p><p>brasileiras. Rio de</p><p>Janeiro: Letra e Imagem, 2009.</p><p>PARÁ. Relatório Final do Projeto de Implantação da Rede de Hospedagem Familiar.</p><p>Belém: Companhia Paraense de Turismo – PARATUR, 2009.</p><p>PIMENTEL, A. B. Hospedagem Domiciliar na Cidade do Rio de Janeiro: O Espaço</p><p>de Encontro entre Turistas e Anfitriões. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro:</p><p>Programa EICOS (UFRJ), 2007.</p><p>SANSOLO e BURSZTYN. Turismo de base comunitária: potencialidade no espaço</p><p>rural brasileiro. In: BARTHOLO, R.; SANSOLO, D. G.; BURSZTYN, I. (Orgs).</p><p>Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio</p><p>de Janeiro: Letra e Imagem, 2009.</p><p>ZECHNER, T. C.; HENRÍQUEZ, C.; SAMPAIO, C. A. C.. Pensando o Conceito de</p><p>Turismo Comunitário a Partir das Experiências Brasileiras, Chilenas e</p><p>Costarriquenha. Anais do II Seminário Internacional de Turismo Sustentável.</p><p>Fortaleza, 2008.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1434</p><p>INDICADORES MUNICIPAIS PARA A GESTÃO PÚBLICA DO TURISMO: UMA</p><p>ANÁLISE SOBRE A EVOLUÇÃO DO SETOR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,</p><p>ENTRE 2003 E 2006</p><p>Marcelo Augusto Mascarenhas</p><p>Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisa Social / CEFET-RJ; NUPETUR/UFOP;</p><p>GETDS/UNIRIO; NEITT/CEFET-RJ</p><p>mmascarenhas@cefet-rj.br</p><p>RESUMO</p><p>Com o crescimento do setor de turismo, Estado e iniciativa privada têm aumentado</p><p>seu interesse por este campo. Na busca por melhor entendimento e capacidade de</p><p>gestão sobre a atividade, ambos stakeholders passaram a demandar instrumentos</p><p>capazes de gerar suporte aos processos de decisão que envolvem a gestão do</p><p>turismo. Frente à demanda observada, o presente estudo tem como objetivo a</p><p>apresentação de dois indicadores municipais como proposta de ferramenta para a</p><p>observação de tendências no mercado turístico nacional. Sua metodologia é</p><p>baseada na análise das variações que ocorreram no mercado de trabalho formal,</p><p>dentro do setor de alojamento (atividade vista como estratégica na configuração do</p><p>mercado turístico total), a partir de dados da RAIS. Para explicar o uso de tais</p><p>instrumentos, foi realizada a aplicação destes nos 92 municípios do Estado do Rio</p><p>de Janeiro, entre 2003-2006. Como resultados do trabalho, verificamos as</p><p>oscilações ocorridas nos empregos formais do setor de alojamento nos municípios,</p><p>além da dependência aproximada que estas localidades têm em relação à economia</p><p>do turismo. Ao final deste estudo, chegou-se à conclusão que os indicadores</p><p>propostos são instrumentos que podem auxiliar gestores, investidores e estudiosos</p><p>do setor de turismo na observação de tendências sobre a expansão ou retração</p><p>deste mercado.</p><p>Palavras Chave: turismo; indicadores; municipal; tendências.</p><p>ABSTRACT</p><p>With the growth of tourism sector, Government and private initiatives have increased</p><p>their interest in this field. In the search for better understanding and capacity</p><p>management on the activity, both stakeholders began to demand tools that generate</p><p>support for decision-making involving the management of tourism. Facing the</p><p>demand observed, the present study aims at the presentation of two municipal</p><p>indicators as proposed tool for the observation of trends in the domestic tourist</p><p>market. His methodology is based on the analysis of the changes that have occurred</p><p>in the formal labour market, in the sector of accommodation (activity seen as</p><p>strategic in the configuration of the total tourism market), from the data RAIS. To</p><p>explain the use of such instruments, the application of these was held in 92</p><p>municipalities in the state of Rio de Janeiro, between 2003-2006. As results of the</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1435</p><p>work, see the oscillations occurred in the formal employment sector of housing in</p><p>municipalities, and the approximate dependence which some locations have in</p><p>relation to the economy of tourism. At the end of this study, it was concluded that the</p><p>proposed indicators are tools that can help managers, investors and scholars in the</p><p>sector of tourism, in the observation of trends on the expansion or retraction of this</p><p>market.</p><p>Key words: tourism; indicators; municipal; trends.</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A partir dos anos 90, com a expansão do mercado turístico e a exibição anual</p><p>de suas volumosas taxas de crescimento, o setor mencionado tem obtido cada vez</p><p>mais a atenção do Estado, investidores e gestores da iniciativa privada (VALLS,</p><p>2006). Mesmo que não tenha condições de assumir por completo as</p><p>responsabilidades da máquina estatal na gestão pública do turismo (FRATUCCI,</p><p>2005), é bastante clara a posição deste ator em não querer abrir mão de seu status</p><p>de articulador no trabalho de organização da atividade turística nacional. De acordo</p><p>com o Ministério do Turismo [Mtur] (2007), o Plano Nacional de Tur ismo 2007-2010</p><p>é um instrumento de ações estratégicas, voltado para o planejamento e gestão deste</p><p>campo, que busca estabelecer a continuidade das ações já desenvolvidas por este</p><p>mesmo órgão, e pela Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).</p><p>A partir de uma ótica mais generalista sobre a atuação do Estado, podemos</p><p>dizer que, uma vez abandonada a figura de provedor, esta organização assumiu</p><p>para si as funções de regulação, indução e articulação (BENI, 2003). Com o avanço</p><p>das tecnologias de gestão, o uso e a administração da informação tornaram-se</p><p>esforços cada vez mais necessários para avaliar os resultados das ações estatais,</p><p>conhecer seus cenários de atuação, e também para adequar o trabalho desta</p><p>instituição às demandas da sociedade e iniciativa privada.</p><p>Frente a este novo comportamento no campo do turismo, podemos dizer que</p><p>o presente estudo tem o objetivo de apresentar dois indicadores municipais como</p><p>proposta de ferramenta para a observação de tendências no mercado turístico em</p><p>seus mais diferentes níveis de gestão (municipal, estadual e federal). A justificativa</p><p>para realização deste trabalho é a necessidade de instrumentos informacionais que</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1436</p><p>dêem um maior suporte às ações descentralizadas quem têm sido implantadas no</p><p>Brasil desde meados da década passada.</p><p>2 REFLEXÕES SOBRE TURISMO E SEUS ESFORÇOS DE GESTÃO</p><p>Para compreendermos um pouco melhor o universo a ser estudado aqui, é</p><p>interessante apresentar uma das muitas definições de turismo exibidas por Beni, que</p><p>apresenta a atividade como “a provisão de transporte, alojamento, recreação,</p><p>alimentação e serviços relacionados para viagens domésticas e do exterior.</p><p>Compreende a viagem para todos os propósitos, desde recreação até negócios”</p><p>(Ansett Air Lines, 1997 apud BENI, 2001, p. 34). Sobre a demarcação teórica exibida</p><p>acima, podemos afirmar que o texto em questão desenvolve um olhar mais</p><p>atencioso sobre o campo da oferta turística, que De Rose (2002) diz ser a união dos</p><p>recursos naturais, culturais, equipamentos, bens e serviços disponibilizados por uma</p><p>localidade a aqueles que a visitam.</p><p>Ao falar sobre a definição de turismo, Cooper et al. (2001), as Nações Unidas</p><p>- ONU e a Organização Mundial do Turismo - OMT (UNITED NATIONS; WORLD</p><p>TOURISM ORGANIZATION, 2007) destacam este setor sob duas óticas: a da oferta</p><p>e a da demanda. Por questões de objetividade deste trabalho, vamos direcionar o</p><p>foco deste apenas sob o primeiro caso, onde pesquisaremos especificamente a área</p><p>de alojamento. De acordo com o manual sobre a conta satélite de turismo, observa-</p><p>se que o campo abordado (o setor de alojamento, neste caso) é uma das seis</p><p>atividades consideradas características do setor de turismo. Além da área de</p><p>alojamento, esta listagem destaca também os campos de: provisão de alimentos e</p><p>bebidas,</p><p>transporte e serviços associados (locação de automóveis), organização de</p><p>viagens, guias turísticos, e serviços recreativos e culturais entre outros (MINISTÉRIO</p><p>DO ESPORTE E TURISMO; INSTITUTO BRASILEIRO DE TURISMO, 1999).</p><p>Ainda que a estrutura do setor de turismo seja baseada tanto na sua oferta</p><p>quanto na demanda, vemos que a maioria dos indicadores relacionados a este setor</p><p>estão concentrados no segundo item. Com a proposta de exibir um olhar</p><p>diferenciado acerca do setor de turismo, vamos trabalhar aqui com indicadores que</p><p>são construídos essencialmente a partir de dados da oferta, que será representada</p><p>mais especificamente pelo número de empregados formais listados durante o ano.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1437</p><p>Outros detalhes sobre este tópico poderão ser observados na metodologia deste</p><p>estudo.</p><p>Uma das justificativas pela escolha do setor de alojamento para a construção</p><p>dos indicadores aqui utilizados, se deve ao fato deste ser um dos campos que mais</p><p>gera empregos formais dentre as diferentes atividades características do turismo.</p><p>Outra razão para tal escolha é a dependência deste segmento em relação ao setor,</p><p>uma vez que este dificilmente sobreviveria sem a existência da atividade turística</p><p>(COOPER et al., 2001). Ainda que não seja ideal tentar avaliar o mercado turístico</p><p>por meio de apenas um segmento, vale notar que o movimento do setor hoteleiro</p><p>pode ser um bom indicador de tendências sobre o que de fato tem ocorrido na área</p><p>maior aqui citada. Acerca deste assunto, confirmando o potencial atrativo que os</p><p>equipamentos turísticos podem agregar a um certo destino, é interessante notar as</p><p>palavras de Beni quando o autor fala sobre a oferta básica de uma localidade:</p><p>[...] sem levar em consideração os atrativos naturais das regiões que</p><p>motivam, numa primeira etapa, a criação de fluxos turísticos, pode-se definir</p><p>a oferta básica como o conjunto de equipamentos, bens e serviços de</p><p>alojamento, de alimentação, de recreação e lazer, de caráter artísticos,</p><p>cultural, social ou outros tipos, capaz de atrair e assentar numa determinada</p><p>região, durante um determinado período de tempo, um público visitante</p><p>(BENI, 2001, p. 159).</p><p>Ainda segundo Beni (2001, p. 160), os elementos em questão podem tanto</p><p>ser observados como subprodutos de um “produto turístico total” (isto sob uma ótica</p><p>macroeconômica do setor), ou como produtos turísticos em si (aqui sob um olhar</p><p>microeconômico). Apesar dos atrativos naturais, cultura, eventos e outros fatos</p><p>serem muito mais atrativos do que a infraestrutura turística de um local, é pertinente</p><p>entender que existem muito poucos turistas que se aventuram por uma destinação</p><p>turística sem a presença deste suporte oferecido pelos serviços básicos (alojamento,</p><p>alimentação, transporte, agenciamento, etc.), ou seja, por mais atrativos que uma</p><p>localidade tenha, é pouco provável que este espaço se firme ou se mantenha como</p><p>um destino turístico sem a presença de infra-estrutura turística adequada (esteja ela</p><p>no mesmo município ou em regiões próximas). É nítido que a presença de tais</p><p>elementos é significativa na atratividade de um local. Em suma, a conectividade</p><p>entre os processos mercadológicas da área de turismo, e o peso atribuído ao setor</p><p>de alojamento dentro deste complexo mercado, nos permite inferir positivamente</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1438</p><p>acerca da representatividade que um estudo com indicadores baseados na área de</p><p>hospedagem pode ter sobre o campo de turismo como um todo.</p><p>Ao pensarmos mais detalhadamente sobre o uso de indicadores nos esforços</p><p>de gestão pública do turismo, é válido citar que “[...] a maioria dos órgãos públicos</p><p>responsáveis pelo desenvolvimento do setor ainda não utiliza pesquisas e estudos</p><p>técnicos para balizar suas ações, para entender melhor essa complexa atividade e</p><p>minimizar os possíveis desvios.” (BARBOSA, ZAMOT, 2004, p. 89-90). Ainda que</p><p>seja deficitário o uso de tais ferramentas, a demanda por este tipo de instrumento é</p><p>cada mais exposta em publicações acadêmicas e documentos oficiais. Bartholo,</p><p>Delamaro e Badin (2005, p. 7) falam que “é raro encontrar dados estatísticos</p><p>desagregados sobre a atividade; em sua maior parte, limitam-se a indicadores</p><p>econômicos, que não bastam para dar conta do fenômeno turístico. Há poucas</p><p>pesquisas e análises mais profundas sobre o tema e seus impactos”. Diante da idéia</p><p>expressa pelos três autores, podemos dizer que o trabalho desenvolvido aqui</p><p>avança nas limitações das pesquisas existentes por não se ater apenas a questões</p><p>econômicas, por trabalhar com dados em bom nível de desagregação espacial (no</p><p>caso, municípios), e por analisar um período histórico de grande representatividade</p><p>para o Plano Nacional de Turismo - PNT 2003-2007 e para o Programa de</p><p>Regionalização do Turismo - PRT (que essencialmente é uma continuidade do</p><p>Programa Nacional de Municipalização do Turismo – PNMT).</p><p>Sobre o processo de descentralização observado na gestão pública do</p><p>turismo, é pertinente notar que este movimento tem sido uma tendência desde o final</p><p>do governo de Itamar Franco, quando foi lançado o PNMT (CRUZ, 2000; DIAS,</p><p>2003; GIOLITO, 2006). Ainda que as idéias governamentais sobre o processo de</p><p>empoderamento dos territórios com menor amplitude apresentem uma tendência</p><p>otimista, onde se permite maior autonomia política e no exercício de tomada de</p><p>decisões, Fratucci (2005) destaca que este é um comportamento encontrado em</p><p>muitos países onde o Estado não consegue cumprir com suas obrigações,</p><p>transferindo-as desta maneira para outros níveis de governo. Ao contrário desta</p><p>ótica, Oliveira (2006) ressalta que este é um processo importante para o exercício de</p><p>planejamento e estruturação de políticas públicas.</p><p>Para melhor compreender o atual cenário da gestão no campo do turismo, é</p><p>relevante notar que a busca por indicadores capazes de ajudar na tomada de</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1439</p><p>decisões é uma demanda mundial, onde poucas nações estão alguns passos à</p><p>frente das demais. De um modo geral, pode-se dizer que esta é uma pauta bastante</p><p>atual nas discussões e estudos que desenvolvem o assunto turismo e sua gestão,</p><p>seja ela pública ou privada. Delisle (2001) afirma que nunca foi tão necessário ao</p><p>setor de turismo ter acesso a dados freqüentemente atualizados e ferramentas para</p><p>a análise de tendências, capazes de dar suporte às atividades de planejamento,</p><p>gestão e promoção deste campo.</p><p>Na próxima seção, apresentaremos uma breve reflexão sobre tópicos que</p><p>relacionem a gestão da informação e o uso destes esforços no campo do turismo.</p><p>3 ASPECTOS SOBRE GESTÃO DA INFORMAÇÃO E TURISMO</p><p>De acordo com os Planos Nacionais de Turismo 2003-2007 e 2007-2010, o</p><p>Programa de Regionalização do Turismo e o Sistema de Informações Turísticas,</p><p>vemos que o uso de informações na gestão do turismo nacional (e seus menores</p><p>níveis territoriais – estadual, regional e municipal) é um dos pontos mais importantes</p><p>nos esforços de gestão pública deste setor (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2003;</p><p>2004; 2006 2007).</p><p>Apesar da necessidade acerca do uso de informações, sabe-se que o setor</p><p>de turismo é bastante carente no que diz respeito ao acesso a estes insumos. Bissoli</p><p>(2002) destaca que a obtenção de dados acaba sendo um dos maiores problemas</p><p>dos gestores, uma vez que tende a prevalecer a escassez ou precariedade de</p><p>recursos financeiros e técnicos, principalmente na área pública e pequenas</p><p>organizações. Sobre a produção de informações acerca do mercado turístico em</p><p>nosso país, é interessante notar que tem sido observado um avanço</p><p>(se comparado</p><p>apenas ao cenário anterior) importante na qualidade e na quantidade destes</p><p>insumos, contudo, vemos a persistência de uma grande fragilidade no que diz</p><p>respeito à produção e uso de dados em níveis territoriais mais desagregados, assim</p><p>como a busca por indicadores que ampliem os horizontes até então utilizados pelos</p><p>gestores públicos do setor aqui trabalhado.</p><p>Segundo Wöber (2003), a construção de indicadores pode ser de grande</p><p>utilidade para a estruturação de sistemas de informação que dêem apoio às</p><p>decisões na gestão do turismo. Sobre o uso de sistemas de informação por gestores</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1440</p><p>de turismo, é interessante notar que, segundo Wöber e Gretzel (2000), a ausência</p><p>de familiaridade com este tipo de tecnologia de gestão normalmente causa</p><p>afastamento e visões negativas acerca de tal ferramenta. Com base na questão</p><p>acima, é importante pensar no tipo de gestão pública que normalmente tem sido</p><p>praticada no turismo brasileiro (especialmente em territórios de menor amplitude).</p><p>Os responsáveis governamentais pelo setor de turismo são em muitas ocasiões</p><p>selecionados a partir de favores que precisam ser traçados entre diferentes partidos</p><p>políticos, o que em diversos momentos aproxima deste setor pessoas com pouco ou</p><p>nenhum conhecimento e comprometimento para com o turismo. Além destes pontos,</p><p>vale dizer que a carência de verbas para esta área, o lento processo de</p><p>informatização da gestão pública em nosso país (e suas divisões territoriais) e a</p><p>burocracia estatal acabam por contribuir com o não desenvolvimento e uso de</p><p>ferramentas informacionais que possam auxiliar nos esforços de gestão de um</p><p>destino turístico específico.</p><p>Sobre a construção de um instrumento que possibilite suporte às decisões</p><p>dos gestores de turismo, vale observar o processo descrito por Ritchie e Ritchie</p><p>(2000). Além da proximidade entre governo e mercado citada pelos autores, seria</p><p>interessante considerar uma participação mais efetiva da academia neste tipo de</p><p>trabalho tão complexo. Um dos pontos interessantes no processo de construção do</p><p>sistema abordado pelos autores é o aproveitamento de pesquisas já existentes e o</p><p>pleno conhecimento de seus concorrentes. Com o aumento da competitividade entre</p><p>as destinações turísticas, tem sido cada vez mais importante manter a atenção sobre</p><p>os movimentos produzidos pelas localidades concorrentes, e também sobre as</p><p>próprias alterações comportamentais no cenário mercadológico (KOPTLER,1994;</p><p>DWYER, FORSYTH, 2000; HASSAN, 2000; DWYER, KIM, 2003).</p><p>Ao falarmos da formatação de destinações turísticas, vale notar que de forma</p><p>direta ou não, tem ocorrido um constante processo de aglomeração, o que pode ser</p><p>observado em diferentes destinos turísticos (como municípios por exemplo), e que</p><p>pode acabar estruturando um produto novo, mais completo e complexo na sua</p><p>totalidade. A construção deste tipo de relacionamento vai de encontro com a idéia de</p><p>redes apresentada por Kotler (2000), ou mesmo com a tão popular noção de</p><p>arranjos produtivos locais (APL‟s), encontrada em Barreto, Oliveira e Sicsú (2007).</p><p>Frente a este processo de aglutinação entre os espaços turísticos, surge também</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1441</p><p>uma demanda por indicadores que trabalhem a análise destes conjuntos de</p><p>espaços.</p><p>Para encerrar a seção aqui desenvolvida pode-se dizer que, por maior que</p><p>seja a complexidade que estrutura a organização do mercado turístico, existe um</p><p>certo grau de conectividade entre as ações que ocorrem neste meio. Dentro desta</p><p>teia mercadológica, poderíamos destacar alguns de seus pontos (no caso setores</p><p>como alimentação, agenciamento, alojamento, etc.) como eixos de grande</p><p>importância para os desdobramentos que podem ser observados com a expansão</p><p>ou retrocesso de um mercado.</p><p>4 METODOLOGIA</p><p>Na estruturação do presente trabalho, além da revisão bibliográfica,</p><p>desenvolvemos a análise de alguns dados sobre o setor de alojamento para os 92</p><p>municípios do estado do Rio de Janeiro. Em função da escassez de espaço e tempo</p><p>para a construção deste trabalho, e também pela representatividade que o setor de</p><p>alojamento possui entre as atividades que não sobreviveriam sem o turismo</p><p>(COOPER et al, 2001), optamos por não apresentar, neste artigo, os resultados da</p><p>área de turismo que se envolvam com os setores de alimentação, agenciamento e</p><p>organização de viagens, além das atividades de transporte relacionadas ao nosso</p><p>foco de estudo.</p><p>No que diz respeito à temporalidade da pesquisa, os insumos uti lizados</p><p>representam o período entre 2003 e 2006, o que compreende um tempo muito</p><p>significativo para o avanço das propostas exibidas no PNT 2003-2007 e no PRT.</p><p>Além de escolhermos a época citada para avaliar alguns possíveis resultados destes</p><p>dois documentos, é interessante lembrar que durante estes quatro anos também</p><p>ocorreu um mandato político para presidente (cumprido pelo atual presidente</p><p>reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva) e governador (cumprido pela ex-governadora do</p><p>Rio de Janeiro, Rosângela Rosinha Garotinho B. A. M. de Oliveira).</p><p>Sobre a origem dos dados utilizados, podemos dizer que os mesmos foram</p><p>retirados da base de dados on-line do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, a</p><p>partir do Programa de Disseminação de Estatísticas deste mesmo órgão. Os dados</p><p>utilizados são da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. Dentro deste</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1442</p><p>universo numérico, optamos por trabalhar apenas com as seguintes classes de</p><p>atividades econômicas.</p><p>De acordo com a listagem de classes presentes na Classificação Nacional de</p><p>Atividades Econômicas - CNAE 1.0 (encerrada no ano de 2005) e na 2.0 (iniciada no</p><p>ano de 2006), vemos que duas classes são suficientes para compreender todo o</p><p>setor de alojamento. Detalhes sobre os tipos de empreendimentos encontrados em</p><p>cada uma das classes podem ser verificados no site da Concla. Para dar maior</p><p>objetividade a este trabalho, optamos por utilizar apenas os dados referentes ao</p><p>número de trabalhadores formais listados pela RAIS, para cada um dos anos aqui</p><p>pesquisados (excluindo de nossa análise o número de empreendimentos no setor de</p><p>hospedagem). Mesmo que ambas informações sejam complementares e auxiliem de</p><p>maneira significativa a uma melhor compreensão do mercado, a razão por tal</p><p>escolha se deve à maior sensibilidade obtida através do estudo sobre a variação no</p><p>número de empregados. Outro detalhe importante é dizer qual a razão para falarmos</p><p>apenas de empregos formais. O motivo para tal “escolha” se deve à existência de</p><p>dados provenientes de fontes confiáveis, com bom nível de desagregação espacial e</p><p>de atividade econômica, além de serem periodicamente atualizados, o que não</p><p>ocorre nos raríssimos números publicados sobre o emprego informal em nosso país,</p><p>ou mesmo em qualquer outra nação.</p><p>Sobre a escolha do setor de alojamento para inferir acerca do turismo, é</p><p>pertinente afirmar que esta proposta se deu em razão do peso que este segmento</p><p>possui frente às outras atividades características do turismo. Maiores detalhes sobre</p><p>os cálculos que explicam tal constatação podem ser encontrados na dissertação de</p><p>mestrado que serviu de base para a elaboração deste artigo.</p><p>Para uma análise clara e resumida do setor de alojamento, optamos por expor</p><p>suas informações através de estatísticas resumo, capazes de nos dar uma boa</p><p>Tipo</p><p>Cnae</p><p>Classe Cnae Descrição Cnae</p><p>Sigla usada</p><p>nas tabelas</p><p>55108 Hotéis e similares</p><p>55906 Outros tipos de alojamento não especificados anteriormente</p><p>55131 Estabelecimentos hoteleiros</p><p>55190 Outros tipos de alojamento</p><p>Quadro 1 - Lista de classes nas CNAE's 1.0 e 2.0 referentes ao setor de alojamento</p><p>Aloj</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor a partir do site da Comissão Nacional de Classificações - Concla ( www.ibge.gov.br/concla ).</p><p>2.0</p><p>1.0</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1443</p><p>amostra sobre o comportamento dos dados analisados. As estatísticas utilizadas</p><p>foram: valor mínimo, 1º Quartil, mediana, 3º quartil, valor máximo, média, desvio</p><p>padrão e coeficiente de Bowley. Estas medidas resumo foram utilizadas para</p><p>apresentar, anualmente, o número de empregados formais do setor de alojamento e</p><p>também dos outros segmentos econômicos.</p><p>Para falarmos um pouco sobre os dois conjunto numéricos mais importantes</p><p>deste estudo, no caso os dois indicadores aqui apresentados, vale dizer que o</p><p>resumo estatístico descrito acima foi replicado somente para um destes objetos; o</p><p>percentual de crescimento dos empregos formais no setor de alojamento. Já o</p><p>segundo indicador, que se refere ao percentual de empregados formais do setor de</p><p>alojamento dentro da economia dos municípios, teve sua apresentação realizada de</p><p>maneira espacial. Acerca de sua criação, podemos dizer que processo foi realizado</p><p>da seguinte maneira:</p><p>Indicador 1 (porcentagem anual de crescimento no número empregos</p><p>formais do setor de alojamento): Obtido através da diferença percentual entre o</p><p>somatório do número de trabalhadores para as classes 55108 e 55906 da CNAE 2.0</p><p>(caso os dados sejam da CNAE 1.0, somar as classes 55131 e 55190) segundo a</p><p>RAIS em um ano X, e o mesmo somatório acima, só que para um ano X-1.</p><p>Indicador 2 (porcentagem de trabalhadores formais em município e que</p><p>estão alocados no setor de alojamento): obtido por meio do percentual que os</p><p>empregados formais da área de hospedagem (55108 + 55906, se CNAE 2.0, ou</p><p>55131 + 55190, se CNAE 1.0) representam de todo o conjunto de trabalhadores</p><p>formais do município em um ano específico.</p><p>Como últimas colocações sobre o aspecto metodológico, é importante</p><p>destacar que os indicadores aqui apresentados não pretendem ser instrumentos</p><p>capazes de retratar fielmente a realidade do mercado turístico, ou mesmo do setor</p><p>de alojamento. O objetivo destes instrumentos é ser uma ferramenta de apoio à</p><p>decisão, habilitada especialmente para ajudar na observação de tendências,</p><p>acessível (barata e de fácil manipulação) à sociedade civil, acadêmicos, investidores</p><p>e gestores do setor de turismo. A respeito de sua simplicidade metodológica, vale</p><p>dizer que este é apenas o primeiro passo de uma longa caminhada na busca por</p><p>indicadores de turismo cada vez mais precisos.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1444</p><p>Por fim, ainda que o presente estudo faça alguma relação dos resultados</p><p>observados com o período político e seus representantes nesta época, é possível</p><p>dizer que não se trata de uma crítica ou elogio ao trabalho dos gestores públicos. O</p><p>caráter atribuído a este estudo com indicadores é, por enquanto, simplesmente</p><p>acadêmico.</p><p>5 ANÁLISE DOS RESULTADOS</p><p>Após as etapas de coleta e tratamento dos dados, a análise do setor de</p><p>alojamento nos municípios do estado do Rio de Janeiro, entre 2003 e 2006, pode ser</p><p>iniciada a partir da tabela 1, onde são apresentadas algumas estatísticas resumo</p><p>que nos mostram um pouco sobre a realidade observada.</p><p>De acordo com a tabela citada, pode-se ver a progressão anual do número de</p><p>empregados no setor de alojamento. Ainda que a média seja uma estatística</p><p>sensível à influência de números extremos na base de dados (o que ocorre no</p><p>conjunto de dados sobre os municípios do estado do Rio de Janeiro), é interessante</p><p>observar um representativo crescimento no número médio de trabalhadores.</p><p>Enquanto que, no ano de 2003, os municípios deste estado tiveram, em média, 303</p><p>trabalhadores formais na área de alojamento, em 2006 este valor subiu para 349.</p><p>Isto representa um aumento de aproximadamente 15,18% da mão-de-obra formal</p><p>utilizada pelo setor. Diante de número tão representativo, é possível supor que tal</p><p>variação não seja resultado de flutuações naturais ocorridas na economia do estado</p><p>e consecutivamente em seu mercado de trabalho.</p><p>2003 2004 2005 2006</p><p>Mínimo 0 0 0 0</p><p>1º Q 4 4 4 5</p><p>Mediana 28,5 26,5 29 30</p><p>3º 188 200 170 212</p><p>Máximo 14827 15156 15831 16587</p><p>Média 303 317 327 349</p><p>DP 1542 1578 1649 1729</p><p>Coefiente de Bowley 0,73 0,77 0,70 0,76</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base nos dados da RAIS / MTE</p><p>Ano</p><p>Estatística</p><p>Tabela 1 - Estatísticas descritivas sobre o número de empregados do setor de alojamento,</p><p>para os municípios do estado do Rio de Janeiro, 2003-2006</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1445</p><p>Apesar do crescimento observado para o valor médio do número de</p><p>trabalhadores formais empregados no setor de alojamento, pode-se ver que o</p><p>mesmo tipo de comportamento não ocorre nos valores encontrados para as outras</p><p>estatísticas resumo. Com base nas medianas dos dados, vemos que a tendência</p><p>central dos números não se modificou de forma tão destacada quanto a média.</p><p>Mesmo padrão é detectado ao observarmos o 1º quartil. Segundo esta medida, em</p><p>2003 aproximadamente 25% dos municípios do Rio de Janeiro tinha 4 ou menos</p><p>trabalhadores formais empregados no setor de alojamento, enquanto que no ano de</p><p>2006 este valor subiu apenas para 5 empregados.</p><p>Com a análise do 3º quartil, uma hipótese sobre o mercado no setor de</p><p>alojamento no estado do Rio de Janeiro começa a se configurar de maneira mais</p><p>clara. Ao contrário da pequena variação detectada na estatística anterior, vemos no</p><p>3º quartil algo muito similar a aquilo que foi encontrado para os valores médios. A</p><p>idéia que surge a partir dos números até então analisados é que, o crescimento do</p><p>mercado hoteleiro, e possivelmente do mercado turístico nos municípios do estado</p><p>do Rio de Janeiro, ocorreu de maneira mais volumosa em cidades onde o setor já</p><p>possuía um mercado razoavelmente estruturado. Isto significa que o setor de</p><p>alojamento quase não se modificou nas cidades que tem pouca ou nenhuma</p><p>tradição nesta área. Em linhas gerais, para os quatro anos estudados aqui, a</p><p>hipótese é de crescimento do setor nos mercados já existentes e com certo grau de</p><p>maturidade (isto sob uma ótica resumida de todos os municípios do estado), e</p><p>estagnação em mercados ainda não desenvolvidos ou inexistentes. É interessante</p><p>observar que os valores máximos encontrados corroboram a idéia desenvolvida</p><p>acima.</p><p>Ainda analisando a tabela número um, de acordo com os valores encontrados</p><p>para o desvio padrão, pode-se notar que é cada vez mais disperso o número de</p><p>trabalhos formais no setor de alojamento. Vemos que tem aumentado a distância</p><p>entre os municípios que muito empregam no setor, e aqueles que pouco ou nada</p><p>demandam neste campo. É possível dizer que trata-se de um mercado cada vez</p><p>mais heterogêneo, se compararmos os empregos do setor entre as diferentes</p><p>cidades analisadas. Se mudarmos o foco de nossa análise para o coeficiente de</p><p>Bowley, é possível detectar que existe um grande número de municípios com</p><p>nenhum ou poucos empregados formais no setor de alojamento. Diante de tal</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1446</p><p>informação, cabe presumir que são poucas as localidades do estado que possuem</p><p>significativa oferta de infra-estrutura turística.</p><p>Terminada a etapa de análise mais geral sobre as estatísticas resumo para o</p><p>setor de alojamento nos municípios do estado do Rio de Janeiro, vamos observar</p><p>uma breve espacialização de alguns dados</p><p>sobre deste segmento. Na figura número</p><p>um pode-se observar como se distribuiu ao longo do estado, em uma média para os</p><p>quatro anos de estudo, o percentual de trabalhadores formais empregados no setor</p><p>de alojamento.</p><p>De acordo com a legenda da figura, vemos que as porcentagens podem</p><p>variar de 0 à 21,25%, com valores distribuídos entre as cinco categorias. A partir da</p><p>coloração do mapa, observa-se que a classe predominante é aquela entre 0,01 e 1%</p><p>do total da mão-de-obra formal trabalhando na área de alojamento. Para a classe de</p><p>valor nulo, vemos que existe um número pequeno de municípios, ou seja, são raros</p><p>os casos onde a economia da cidade não tem pelo menos 0,01% da classe</p><p>trabalhadora formal empregada no mercado de hospedagem. Continuando na</p><p>análise das classes, pode-se ver que também são poucos municípios que empregam</p><p>entre 1,01 e 2% de sua mão-de-obra formal no setor de alojamento. Mesmo</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1447</p><p>comportamento é visto para as categorias com maior nível de emprego, quer dizer,</p><p>entre 2,01 e 7% e entre 7,01 e 21,25%. Sobre estas últimas classes, é possível</p><p>afirmar que nelas se encontram os maiores dependentes do setor de turismo no</p><p>estado, o que não se trata exatamente de uma boa constatação. Especialmente</p><p>sobre esta última categoria, pode-se dizer que falamos de localidades com a</p><p>economia pouco diversificada, o que aumenta sua fragilidade diante das inúmeras</p><p>incertezas que por vezes assolam o mercado turístico (modismos, acidentes com</p><p>meios de transporte, acidentes ambientais, epidemias, greves, variações cambiais,</p><p>oscilação no poder de compra das famílias, precariedade nos serviços de</p><p>infraestrutura turística, etc.).</p><p>Com base no mapa apresentado na figura 1, é interessante observar como</p><p>estão dispostos espacialmente os municípios com maior proporção de empregados</p><p>formais no setor de alojamento. É bastante nítida a formação de um conglomerado</p><p>de cidades próximas ao município de Armação de Búzios, que também empregam</p><p>um percentual bem grande de sua mão de obra formal na área de hospedagem.</p><p>Além deste conjunto também vale destacar os clusters de Parati (junto com Angra</p><p>dos Reis e Mangaratiba), Itatiaia (junto com Resende) e Valença com Teresópolis</p><p>(que formam uma verdadeira “muralha” ao se juntarem com os municípios de Nova</p><p>Friburgo, Petrópolis, Miguel Pereira, Barra do Piraí, Piraí e Itaguaí). De maneira</p><p>isolada, também seria válido citar o caso de Itaperuna, que encontra-se</p><p>relativamente isolada dos maiores pólos da área de alojamento no estado. Pode-se</p><p>dizer que Itaperuna acaba exercendo a função de cidade dormitório para aqueles</p><p>que viajam próximo à sua região.</p><p>Ao iniciarmos uma análise um pouco mais detalhada sobre o crescimento</p><p>médio do número de empregos formais entre os anos de 2003 e 2006, não só para o</p><p>setor de alojamento como também para outros campos das economias municipais,</p><p>encontramos as seguintes estatísticas descritivas apresentadas na tabela 2 (em</p><p>números percentuais).</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1448</p><p>Com base na tabela acima, pode-se observar que o menor crescimento médio</p><p>para o número de empregos formais foi o do setor de alojamento, abaixo inclusive do</p><p>percentual encontrado para toda a economia, que foi de 14,94%. A mediana dos</p><p>crescimentos entre os municípios também nos apresenta o mesmo resultado. Ainda</p><p>que não sejam tão claras como as duas estatísticas anteriores, os valores míni mo e</p><p>máximo, assim como o 1º e 3º quartís também nos dão fortes indícios que</p><p>efetivamente o crescimento no mercado de trabalho formal para o setor de</p><p>alojamento foi um dos menores que se observou na economia. Por se tratar de um</p><p>setor que não apresentou grandes oscilações no conjunto dos 92 municípios, vemos</p><p>que a variabilidade exposta pelo desvio padrão não chega a ser um número que</p><p>surpreende. Quanto ao coeficiente de Bowley, pelo valor encontrado podemos</p><p>afirmar que o setor de alojamento teve um crescimento balanceado no conjunto dos</p><p>municípios analisados, ou seja, não foi detectada grande concentração de cidades</p><p>com crescimento muito auto ou muito baixo. Sobre este tipo de comportamento,</p><p>pode-se afirmar que o mesmo ocorreu em praticamente toda a economia.</p><p>Ao espacializarmos entre os municípios do Rio de Janeiro, os percentuais de</p><p>crescimento médio do número de empregos no setor de alojamento, temos a</p><p>visualização do mapa exposto na figura 2.</p><p>Estatísticas Aloj Tot_Eco Servicos Comercio C_Civil Ind_Tran Agropec</p><p>Mínimo -38,89 -35,48 -22,84 -40,28 -89,08 -42,60 -52,97</p><p>1º Q 0,00 7,54 1,33 10,96 0,00 6,56 1,89</p><p>Mediana 2,79 13,04 6,12 18,87 34,32 17,82 12,64</p><p>3º 12,85 18,30 11,03 25,45 81,55 38,04 27,00</p><p>Máximo 121,59 86,28 151,10 75,81 13465,44 423,68 678,65</p><p>Média 7,90 14,94 9,85 19,73 242,78 34,61 26,57</p><p>DP 20,48 15,41 20,12 16,07 1401,47 62,68 76,92</p><p>Coefiente de Bowley 0,57 -0,02 0,01 -0,09 0,16 0,28 0,14</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base nos dados da RAIS / MTE</p><p>Tabela 2 - Estatísticas descritivas sobre o crescimento médio observado para o número de empregos formais,</p><p>entre os anos de 2003 e 2006, para diferentes setores econômicos dos municípios do estado do Rio de Janeiro</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1449</p><p>De acordo com as categorias da legenda, é interessante observar que as</p><p>maiores porcentagens de crescimento ocorreram em pequenos municípios sem</p><p>grande expressão no setor de turismo. Pode-se dizer que o crescimento encontrado</p><p>nestes locais seja fruto da expansão do setor hoteleiro visto em municípios vizinhos,</p><p>ou mesmo reflexo do crescimento econômico atingido por estas cidades. Se</p><p>observarmos a categoria com crescimento entre 11,23 e 33,33%, o que ainda pode</p><p>ser visto como valores de grande escala, encontramos municípios de maior porte e</p><p>com uma economia já razoavelmente desenvolvida, como é o caso de Petrópolis,</p><p>Macaé, Resende, entre outros. Ainda dentro deste grupo localiza-se o fenômeno de</p><p>atração turística chamado Armação de Búzios, que é o maior percentual do estado</p><p>em mão-de-obra formal no setor de alojamento, e ainda apresenta um dos maiores</p><p>percentuais de crescimento neste campo. O caso dos municípios de Macaé e</p><p>adjacências também merece destaque pela expansão do setor petrolífero ao longo</p><p>desta região, o que tem aumentado em muito a presença de equipamentos de</p><p>hospedagem atuando neste espaço.</p><p>De um modo geral, vemos que o setor de hospedagem acaba sendo um</p><p>reflexo do desenvolvimento econômico dos municípios, uma vez que as trocas entre</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1450</p><p>mercados regionais são cada vez mais intensas, o que inevitavelmente fomenta o</p><p>tão promissor turismo de negócios. A busca por maiores incentivos fiscais, a</p><p>necessidade de um melhor custo beneficio na contratação de mão-de-obra, as</p><p>melhorias em algumas vias de transporte assim como a evolução dos automóveis</p><p>que trafegam sobre estas, são fatores que muito têm contribuído para a expansão</p><p>das fronteiras econômicas dos municípios, o que leva consigo uma significativa</p><p>demanda por equipamentos e profissionais que atuem na área de hospedagem.</p><p>6 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Com base nos resultados apresentados ao longo deste estudo, e nas</p><p>referências teóricas que deram suporte à reflexão desenvolvida aqui, pode-se dizer</p><p>que efetivamente os dados sobre o número de empregos formais no setor de</p><p>alojamento são uma boa proxy para analisar tendências acerca do desenvolvimento</p><p>turístico em um espaço e tempo</p><p>específicos. Ainda que muitas estatísticas</p><p>apresentem os grandiosos percentuais de crescimento ostentados pelo setor de</p><p>turismo, pôde-se ver neste trabalho que o conjunto de municípios do Rio de Janeiro</p><p>não refletiu tão fidedignamente este padrão, quer dizer, o crescimento para o setor</p><p>de alojamento foi significativamente menor que aquele encontrado para a economia</p><p>de um modo geral ou mesmo para algumas áreas de maneira isolada (como</p><p>agropecuária, indústria de transformação serviços, comércio, etc.).</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BADIN, L.; CAMPOS, A.; BURSZTYN, I.; OLIVEIRA, J. H. Apresentação. In</p><p>BARTHOLO, R.; DELAMARO, M.; BADIN, L. (orgs.). Turismo e sustentabilidade no</p><p>estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.</p><p>BARBOSA, L. G. M.; ZAMOT, F. S. Políticas públicas para o desenvolvimento do</p><p>Turismo: o caso do município de Rio das Ostras. In BARBOSA, L. G. M.; ZOUAIN,</p><p>D. M. (orgs.). Gestão em turismo e hotelaria: experiências públicas e privadas. São</p><p>Paulo : Aleph, 2004.</p><p>BARRETO, R.; OLIVEIRA, E. S.; SICSÚ, A. B. Arranjo produtivo local e</p><p>desenvolvimento endógeno: uma apresentação do apl de turismo no litoral norte do</p><p>estado de Alagoas. Anais do Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Foz do</p><p>Iguaçu, PR, Brasil, 27, 2007. Disponível em</p><p><http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2007_TR630473_9602.pdf>.</p><p>Acessado em 2 de fevereiro de 2008.</p><p>BENI, M. C. Análise estrutural do turismo. 6ª ed. São Paulo: Editora SENAC São</p><p>Paulo, 2001.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1451</p><p>BISSOLI, M. A. M. A. Planejamento turístico municipal com suporte em sistemas de</p><p>informação. São Paulo: Futura, 1999.</p><p>CHOI, H. C.; SIRAKAYA, E. 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Tourism management, v. 24, n. 3, p. 241-255, 2003.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1453</p><p>“LA GESTIÓN LOCAL EN LA POLÍTICA PÚBLICA DEL TURISMO MEXICANO.</p><p>UN ANÁLISIS DEL PROGRAMA PUEBLOS MÁGICOS DE MÉXICO”</p><p>Ismael M. Rodríguez Herrera</p><p>12</p><p>Juan Ignacio Pulido Fernández</p><p>13</p><p>RESUMEN</p><p>El papel del turismo como promotor del desarrollo local es claro y diversos autores</p><p>coinciden a ese respecto. Esto ha hecho que la mayoría de los países en desarrollo,</p><p>especialmente en Latinoamérica, promuevan políticas públicas que proponen al</p><p>turismo como una de las actividades económicas que puede impulsar el desarrollo</p><p>en localidades deprimidas, incluso se ha otorgado al turismo un papel protagónico</p><p>para el logro del desarrollo sostenible.</p><p>A través de una serie de análisis, el presente trabajo reflexiona en torno a un</p><p>programa público mexicano en particular, denominado Pueblos Mágicos, haciendo</p><p>hincapié en el papel que la población local tiene en el desarrollo turístico y de</p><p>manera especial en la gestión del destino, profundizando el análisis en dos de las</p><p>localidades que conforman este programa: Comala, en el estado de Colima y Real</p><p>de Asientos, en Aguascalientes.</p><p>Para ello, la metodología empleada comprende en primer lugar, la implementación</p><p>de un instrumento a manera de semáforo con el cual se pudo determinar el grado de</p><p>desarrollo turístico alcanzado en las localidades que integran el programa. Este</p><p>instrumento se apoya en una serie de indicadores de competitividad y los datos</p><p>obtenidos fueron contrastados con los resultados que recientemente presentó la</p><p>Secretaria de Turismo Federal. Posteriormente se hace una evaluación del grado de</p><p>satisfacción de los residentes respecto al desarrollo turístico para lo cual se ha</p><p>empleado un cuestionario que se adaptó de uno desarrollado por la Organización</p><p>Mundial del Turismo.</p><p>De esta manera, el trabajo evidencia las áreas de oportunidad de la política pública</p><p>respecto a la urgencia de empoderar a los actores locales en el desarrollo turístico y</p><p>propone a la gestión adaptativa como el modelo teórico que aplicado a la realidad de</p><p>los pueblos mágicos, puede conducir a una verdadera gestión local que sea, sobre</p><p>todo, incluyente y que en verdad propicie la sostenibilidad de la actividad turística.</p><p>Palabras clave: Turismo sostenible, población local, gestión adaptativa</p><p>12</p><p>Máster en Ecoturismo y Manejo de Áreas Protegidas por la Universidad Tecnológica Equinoccial de</p><p>Ecuador,</p><p>cursa actualmente el Doctorado en Turismo en la Universidad Antonio de Nebrija de</p><p>España. Profesor Investigador de tiempo completo, adscrito al Departamento de Turismo de la</p><p>Universidad Autónoma de Aguascalientes. E mail: imrodri@correo.uaa.mx</p><p>13</p><p>Doctor Cum Laude en Ciencias Económicas por la Universidad de Jaén (con Premio</p><p>Extraordinario).Máster en Unión Económica y Monetaria Europea por la UNED. Director del</p><p>Laboratorio de Análisis e Innovación Turística (LAInnTUR), Departamento de Economía de la</p><p>Universidad de Jaén, España. Email: jipulido@ujaen.es</p><p>mailto:jipulido@ujaen.es</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1454</p><p>RESUMO</p><p>O papel do turismo como promotor do desenvolvimento local é evidente e diversos</p><p>autores coincidem a esse respeito. Isso levou a maioria dos países em</p><p>desenvolvimento, especialmente na América Latina, a promover políticas públicas</p><p>que propõem o turismo como uma das atividades econômicas que podem</p><p>impulsionar o desenvolvimento em localidades deprimidas, inclusive conferindo ao</p><p>turismo um papel decisivo para alcançar o do desenvolvimento sustentável.</p><p>Através de uma série de análises, o presente trabalho trata de um programa público</p><p>mexicano denominado Povos Mágicos, enfatizando o papel que a comunidade local</p><p>tem no desenvolvimento turístico e, em particular, na gestão do destino,</p><p>aprofundando a análise em duas das localidades que fazem parte este programa:</p><p>Comala, no estado de Colima e Real de Asientos, em Aguascalientes.</p><p>Com este fim, a metodologia empregada compreende, em primeiro lugar, a</p><p>implementação de um instrumento denominado semáforo com o qual se pôde</p><p>determinar o grau de desenvolvimento turístico alcançado nas localidades que</p><p>integram o programa. Este instrumento se apóia em uma série de indicadores de</p><p>competitividade e os dados obtidos foram contrastados com os recentes resultados</p><p>apresentados pela Secretária de Turismo Federal. Posteriormente, se fez uma</p><p>avaliação do grau de satisfação dos residentes em relação ao desenvolvimento</p><p>turístico no qual se empregou um questionário adaptado de outro desenvolvido pela</p><p>Organização Mundial do Turismo.</p><p>Desta maneira, o trabalho evidencia as áreas de oportunidade da política pública em</p><p>relação à urgência em capacitar os atores locais no desenvolvimento turístico e</p><p>propõe a gestão adaptativa como o modelo teórico que, aplicado à realidade dos</p><p>povos mágicos, pode conduzir a uma gestão local efetiva e que seja, sobretudo,</p><p>verdadeiramente inclusiva e que propicie a sustentabilidade da atividade turística.</p><p>Palavras Chave: Turismo sustentável; população local; gestão adaptativa.</p><p>ABSTRACT</p><p>The role of tourism as a promoter of the local development is clear and a variety of</p><p>authors agree with this idea. This has made that the majority of the countries in</p><p>development, especially in Latin America, promote public politics that propose</p><p>tourism as one of the economic activities to improve the development of isolated</p><p>communities, even though tourism has earned a leading role in order to gain</p><p>sustainable development.</p><p>Through a series of analysis, the current investigation reflects around a Mexican</p><p>public program in particular, a program known as Magic Towns, mentioning the role</p><p>of local population in the tourism development and in a special form the management</p><p>of the destiny, going deeper in the analysis of two locations that are part of this</p><p>program: Comala, in the state of Colima and Real de Asientos, in Aguascalientes</p><p>state.</p><p>First, the methodology used includes the implementation of an instrument as a</p><p>monitor, with it, it was able to establish the degree of tourism development reached in</p><p>the communities that are part of the program. This instrument rests in a series of</p><p>indicators of competitiveness and the obtained information was contrasted with the</p><p>results recently presented by the Federal Tourism Secretary. Later, it was necessary</p><p>to do an evaluation of the satisfaction degree of the residents related to the touristic</p><p>development reason why, an adaption of a questionnaire created by the Tourism</p><p>World Organization was used.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1455</p><p>Thus, this research evidence the areas of opportunity of public politic about the</p><p>priority of empower the local actors in the touristic development and propose the</p><p>adaptive management as the theoretical model that applied to the reality of magic</p><p>towns, can lead to a real local management that become, against all, inclusive and it</p><p>make possible the sustainability of the touristic activity.</p><p>Key words: sustainable tourism, local population, adaptive management.</p><p>1.INTRODUCCIÓN</p><p>El papel del turismo como un instrumento de desarrollo económico se ha</p><p>reconocido a nivel internacional y la revisión de la literatura económica reciente</p><p>sobre el tema da cuenta de ello (Cooper et al., 2007; Dwyer y Foryth, 2006; Lickorish</p><p>y Jenkins, 2000; Vanhove, 2005). Para el caso específico de México, diversos</p><p>autores también han opinado al respecto y la mayoría coincide en el papel</p><p>fundamental que el turismo ha tenido, inicialmente como una fuente de</p><p>financiamiento para la industrialización del país y posteriormente como actividad</p><p>generadora de desarrollo en sí misma y promotora del desarrollo regional y local</p><p>(Jiménez, 1993; Jiménez, 2005; Rodríguez, 2003; Castro y Fonseca, 2008; López,</p><p>2004).</p><p>En ese sentido, debemos reconocer la gran diferencia que existe al analizar</p><p>los efectos del turismo en el ámbito macroeconómico, en donde se evidencia los</p><p>efectos positivos que los grandes megadesarrollos mexicanos generan, como puede</p><p>ser la contribución al Producto Interno Bruto Nacional</p><p>14</p><p>, la generación de empleos</p><p>directos o el aporte para equilibrar la balanza comercial. Sin embargo, al llevar a</p><p>cabo dicho análisis en el nivel micro, los resultados no siempre son igual de</p><p>alentadores, pues cuando se observa con detalle los efectos y repercusiones que el</p><p>turismo genera en las pequeñas comunidades y poblaciones que funcionan como</p><p>14</p><p>Según la Cuenta Satélite del Turismo en México, el valor agregado Bruto Turístico representó 8.2%</p><p>del correspondiente al total del país durante 2006 (cifra superior a la del producto generado, de</p><p>manera conjunta, por actividades económicas como la agricultura y las industrias alimentaria, de la</p><p>madera, del papel, y de la química), esto significó un crecimiento del 4.5% respecto al año anterior.</p><p>La estructura productiva del Valor Agregado Bruto Turístico en 2006 se integró de la siguiente forma:</p><p>los denominados servicios diversos aportaron el 37% del total, seguidos de los servicios de transporte</p><p>25.5%, los de alojamiento 11.8%, los de restaurantes, bares y centros nocturnos 10.7% y las</p><p>actividades de producción de bienes y artesanías 11.9 por ciento. El restante 3.1% fue generado por</p><p>los tiempos compartidos y las segundas viviendas.</p><p>(http://www.inegi.org.mx/inegi/contenidos/espanol/prensa/comunicados/turismo.asp)</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1456</p><p>destinos turísticos, la lectura puede ser muy distinta, máxime si la incorporación de</p><p>dichas poblaciones a la actividad turística, surge como resultado de una intervención</p><p>directa del gobierno –sobre todo a nivel federal o estatal- que, a través de programas</p><p>de desarrollo turístico, impulsa ésta actividad sin contar con la total complacencia de</p><p>los residentes de las poblaciones en donde se pretende impulsar el turismo, pues tal</p><p>como establece Rodríguez (2003):</p><p>“el desarrollo ha pasado de ser un simple incremento de factores</p><p>económicos hasta un proceso sumamente complejo donde los actores</p><p>sociales toman un papel importante para lograrlo y no estar a expensas de</p><p>lo que se obtenga en el ámbito externo a su territorio”</p><p>Por lo anterior, se considera fundamental realizar una evaluación de la</p><p>manera en que los programas de impulso al desarrollo turístico que ha puesto el</p><p>marcha la administración federal, consideran la incorporación de los diferentes</p><p>actores locales, y de manera especial a la población que vive en el sitio, en el</p><p>desarrollo e impulso de la actividad y de manera particular en la gestión turística. Y</p><p>es así como el presente trabajo, se enfoca especificamente em el programa</p><p>denominado Pueblos Mágicos de México, dado que ésta iniciativa se ha consolidado</p><p>a lo largo de dos administraciones y ha madurado como programa, por lo que a casi</p><p>diez años de su implementación, permite llevar a cabo un análisis en base a los</p><p>logros obtenidos y a los retos con los que ahora se enfrenta.</p><p>2. DESARROLLO</p><p>2.1. EL PROGRAMA PUEBLOS MÁGICOS DE MÉXICO Y LA GESTIÓN LOCAL</p><p>El programa surge en el año 2001 como una iniciativa de la Secretaria de</p><p>Turismo Federal, con la cual se pretendía revalorar a un conjunto de poblaciones y</p><p>reconocer la riqueza cultural e histórica que encierran. El programa busca propiciar</p><p>un desarrollo endógeno de las comunidades a través de la diversificación productiva</p><p>en el sector turístico, poniendo sobre todo en valor el patrimonio cultural y natural</p><p>local.</p><p>Los objetivos que la Secretaria de Turismo (2009) establece para el</p><p>programa Pueblos Mágicos en sus reglas de operación, son:</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1457</p><p>“• Estructurar una oferta turística complementaria y diversificada hacía el</p><p>interior del país, basada fundamentalmente en los atributos histórico -</p><p>culturales de localidades singulares.</p><p>• Aprovechar la singularidad de las localidades para la generación de</p><p>productos turísticos basados en las diferentes expresiones de la cultura</p><p>local; artesanías, festividades, gastronomía, y tradiciones, entre otras.</p><p>• Aprovechar la singularidad de las localidades para la generación de otros</p><p>productos turísticos tales como la aventura y el deporte extremo, el</p><p>ecoturismo, la pesca deportiva, y otros que signifiquen un alto grado de</p><p>atractividad dentro del territorio de la localidad participante.</p><p>• Poner en valor, consolidar y/o reforzar los atractivos de las localidades con</p><p>potencial y atractividad turística, fomentando así flujos turísticos que</p><p>generen:</p><p>‒ Mayor gasto en beneficio de la comunidad receptora (artesanías,</p><p>gastronomía, amenidades y el comercio en general), así como,</p><p>‒ La creación y/o modernización de los negocios turísticos locales.</p><p>• Que el turismo local se constituya como una herramienta de l desarrollo</p><p>sustentable de las localidades incorporadas al programa, así como en un</p><p>programa de apoyo a la gestión municipal.</p><p>• Que las comunidades receptoras de las localidades participantes</p><p>aprovechen y se beneficie del turismo como actividad redituable como</p><p>opción de negocio, de trabajo y de forma de vida.”</p><p>En ocho años de trabajo, conforme se han analizado los resultados de las</p><p>poblaciones incorporadas, se han realizado ajustes en las reglas de operación del</p><p>programa. Para el año 2008 incluso, se estableció un sistema de indicadores de</p><p>evaluación de desempeño que revela la operacionalidad del mismo, conservando o</p><p>revocando la declaratoria. Cabe hacer mención, que de acuerdo a la evaluación del</p><p>desempeño se revocaron tres declaratorias en el año 2009: Mezcaltitlán, Nayarit;</p><p>Tepoztlán, Morelos; y Papantla, Veracruz. Asimismo San Miguel de Allende salió del</p><p>programa por haber adquirido la categoría de Patrimonio de la Humanidad en julio</p><p>de 2008.</p><p>A la fecha, México cuenta con 32 localidades declaradas Pueblos Mágicos,</p><p>las cuales están distribuidas en las siguientes regiones: 9 en el centro, 2 en el golfo,</p><p>7 en el norte, 11 en el pacífico y 3 en el sureste. Los estados que agrupan 3</p><p>localidades son Jalisco y Michoacán, en Sinaloa y el Estado de México existen 2 en</p><p>cada uno. Los estados que no cuentan con ninguna localidad declarada son: Baja</p><p>California, Durango, Nayarit, Campeche, Tabasco, Morelos y el Distrito Federal, el</p><p>resto de los estados cuenta con un pueblo mágico. El 28% de las declaratorias se</p><p>otorgaron en el año 2002, mientras que en el año 2008 no se otorgó ninguna.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1458</p><p>Gráfico 1. DESTINOS INTEGRANTES DEL PROGRAMA.</p><p>Fuente: SECTUR.</p><p>Respecto a la gestión local, y en concordancia con los dos últimos objetivos</p><p>del programa, las reglas de operación consideran como un aspecto importante en la</p><p>conformación del expediente, el involucramiento de la sociedad mediante la</p><p>constitución de un Comité Turístico y/o algún organismo, asociación civil o Grupo</p><p>Pro Pueblo Mágico, que se constituya en la voz de la comunidad ante las</p><p>autoridades e instancias gubernamentales pues según establecen las propias</p><p>Reglas de Operación (SECTUR, 2009):</p><p>“El programa Pueblos Mágicos basa su estrategia en la participación</p><p>comunitaria, su inclusión y permanencia, sus avances y logros serán</p><p>resultado del nivel de trabajo que la propia comunidad realice”</p><p>Lo anterior pone de manifiesto que, al menos en el papel, la gestión turística</p><p>de los destinos integrantes del programa, se debe dar en base a la inclusión de los</p><p>actores locales y a una participación activa de estos en lo referente al impulso del</p><p>turismo en su localidad.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1459</p><p>2.2. EL GRADO DE DESARROLLO TURÍSTICO EN LAS LOCALIDADES</p><p>INTEGRANTES DEL PROGRAMA</p><p>El éxito de una política pública de desarrollo turístico puede ser medido en</p><p>función del incremento que la actividad turística presente en el sitio a raíz de la</p><p>incorporación de la localidad en dicho programa, es decir, determinando el aumento</p><p>que se dé en el desarrollo turístico del destino. En este sentido y para poder evaluar</p><p>el grado de desarrollo turístico que ha alcanzado cada una de las localidades</p><p>incorporadas al programa, se desarrolló un instrumento que permitió contar con</p><p>elementos más claros para evaluar el grado de avance en la consecución de los</p><p>objetivos del programa y, en consecuencia, valorar la eficacia del mismo en el</p><p>desarrollo de un modelo turístico alternativo al tradicional en México</p><p>15</p><p>.</p><p>2.2.1. SEMÁFORO PARA CATEGORIZACIÓN DE LAS LOCALIDADES</p><p>TURÍSTICAS EN BASE AL GRADO DE DESARROLLO TURÍSTICO</p><p>Para la obtención de los datos se diseñó un instrumento, mediante la</p><p>adaptación de una metodología integral de evaluación propuesta por la Secretaría</p><p>de Turismo de México (SECTUR, s.f.). Como resultado se integró un instrumento</p><p>que, además de una presentación, recoge 120 aspectos a evaluar, organizados en 6</p><p>secciones:</p><p>a) Indicadores turísticos. Tomando como punto de partida los</p><p>indicadores turísticos de la Agenda 21 para el Turismo Mexicano, en esta primera</p><p>parte se incluyen catorce aspectos referentes al grado de consolidación del comité</p><p>local, las principales obras ejecutas y el grado de avance, los montos invertidos, una</p><p>relación sobre la afluencia de visitantes y la oferta hotelera en el destino, datos como</p><p>ocupación, estadía y gasto, entre otros.</p><p>b) Infraestructura general y de servicios. Comprende diecinueve</p><p>ítems que analizan aspectos referentes a transporte terrestre y aéreo,</p><p>comunicaciones, salud, servicios urbanos y energía.</p><p>c) Infraestructura turística. Esta sección abarca solamente seis</p><p>aspectos relacionados con transportación terrestre, aérea y acuática.</p><p>15</p><p>Para un análisis</p><p>da demanda, com</p><p>76% apresentando de nível superior incompleto para cima, caracterizando um</p><p>público bem informado, e possivelmente com um grau de exigência elevado.</p><p>Novamente, os principais gráficos deste grupo de perguntas, são apresentados a</p><p>seguir:</p><p>Gráfico 10 – ESCOLARIDADE</p><p>Este gráfico aponta que os turistas que visitaram a cidade de Diamantina</p><p>possuem boa escolaridade, com destaque para os 41% dos com ensino superior</p><p>completo, 14% incompleto e 21% pós-graduados. A soma dessas categorias,</p><p>76%, atestam o elevado nível de educação da demanda, o que vai ao encontro</p><p>das motivações culturais expressadas nos gráficos iniciais.</p><p>Gráfico 11 – RENDA MENSAL FAMILIAR</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1306</p><p>A diversidade de público de Diamantina é novamente reforçada pelo gráfico</p><p>acima, onde se percebe um considerável equilíbrio entre as faixas de renda.</p><p>Destaca-se que a maior parcela possui renda familiar superior a R$ 6.301,00, o</p><p>que em conjunto com o gráfico anterior, sugere uma incidência de público</p><p>exigente.</p><p>Gráfico 12 – FAIXA</p><p>ETÁRIA</p><p>O equilíbrio percebido no gráfico anterior se repete, mas agora mais</p><p>amplamente, com 13% de jovens entre 18 e 24 anos, 17% adultos de 34 a 42 e</p><p>16% adultos entre 43 e 51 anos. Destaca-se que a maior fatia é de pessoas entre</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1307</p><p>52 e 60 anos de idade, 24%, mas mesmo assim não desponta com tanta</p><p>diferença para as outras faixas, o que reitera o equilíbrio da demanda do destino.</p><p>Destaca-se ainda a baixa incidência de pessoas com mais de 71 anos de idade, o</p><p>que supõe-se seja decorrência das características geográficas de Diamantina,</p><p>que dificultam especialmente a locomoção.</p><p>Tabela 2 – FAIXA ETÁRIA E RENDA FAMILIAR</p><p>Faixa Etária</p><p>Faixa de</p><p>renda mensal</p><p>Menos</p><p>de 18</p><p>18 a 24 25 a 33 34 a 42 43 a 51 52 a 60 61 a 70</p><p>Acima</p><p>de 71</p><p>Total</p><p>geral</p><p>Até R$ 900 1 4 3 2 1 1 2 2 16</p><p>R$ 901 a R$ 1500 2 2 4 1 1 1 1 12</p><p>R$ 1501 a R$ 2100 5 5 4 4 5 1 24</p><p>R$ 2101 a R$ 2700 4 1 3 5 3 2 18</p><p>R$ 2701 a R$ 3300 2 2 4 2 2 1 13</p><p>R$ 3301 a R$ 3900 1 4 5</p><p>R$ 3901 a R$ 4500 1 3 3 1 1 1 10</p><p>R$ 4501 a R$ 5100 1 2 1 1 3 1 1 10</p><p>R$ 5101 a R$ 5700 2 1 3 2 8</p><p>R$ 5701 a R$ 6300 1 2 4 3 1 11</p><p>Acima R$ 6301 3 5 7 7 12 8 1 43</p><p>NQR 3 3 6</p><p>Total geral 1 23 25 30 28 41 20 8 176</p><p>Buscou-se identificar em que faixa etária encontravam-se as maiores</p><p>rendas e o resultado aponta para a maior incidência de pessoas com renda</p><p>familiar acima de R$ 6.301,00 a partir dos 34 anos de idade até os 70. Ressalta-</p><p>se ainda que a distribuição de renda nas faixas de idade apresenta igualmente</p><p>bastante equilíbrio, exceto a faixa de até 18 anos de idade que teve concentração</p><p>na renda abaixo de R$ 900,00, o que não chega a representar uma surpresa.</p><p>Por fim, a „quantificação‟ deste público aponta para um segmento de</p><p>mercado bastante desejado por diversos destinos turísticos no Brasil e no mundo.</p><p>Se forem agregadas aos dados estatísticos deste bloco as respostas obtidas nos</p><p>demais blocos, estes turistas são independentes, motivados pela cultura, mas</p><p>observadores de outros pontos, como a Natureza; se hospedam em meios de</p><p>hospedagem tradicionais; apresentam um bom gasto médio diário; avaliam os</p><p>serviços turísticos com bons; têm disposição para interagir com o Destino, haja</p><p>vista sua participação em atividades de atrativos culturais; e quase a metade</p><p>deles tem disposição para visitar outras localidades turísticas na Região. Este</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1308</p><p>perfil se comprova, inclusive, nos itens tratados na Tabela 3, de comentários e</p><p>sugestões. Com este breve resumo e considerando o segmento apontado por</p><p>este perfil, indica-se que a busca do desenvolvimento turístico local deve</p><p>considerar informações turísticas precisas (web site, mapas, folhetos), prestação</p><p>de serviços de qualidade e diversificação de atrativos, no Planejamento do</p><p>Destino Diamantina.</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os resultados aqui apresentados são fruto de um projeto de pesquisa</p><p>realizado pelos autores, com a imprescindível participação dos academicos do</p><p>Curso de Turismo da UFVJM, que teve início no segundo semestre do ano de</p><p>2008 e que não tem previsão de término, tendo uma nova edição já a caminho</p><p>(semestre 2009-2), uma vez que o objetivo maior criar uma série histórica que</p><p>possa, com número mais expressivo e estatísticamente adequado, ser de valia</p><p>para o Turismo em Diamantina e Região.</p><p>São muitas as possibilidades que se apresentam ao compartilhar os</p><p>resultados de uma pesquisa com turistas. Desde a importância comprovada de</p><p>estudos de demanda até a diversificação de produtos turísticos possíveis para</p><p>Diamantina, passando qualidade do perfil sócio-econômico dos turistas deste</p><p>destino, até a produção de dados estratégicos para a tomada de decisões no</p><p>planejamento turístico do destino Diamantina.</p><p>De maneira objetiva, o que se tenciona, é que as pesquisas de mercado</p><p>próprias do marketing possam „alimentar‟ os caminhos do planejamento turístico,</p><p>enquanto que este, pode oferecer ao marketing produtos turísticos realmente</p><p>estruturados em premissas de cooperação público-privada, sustentabilidade e</p><p>qualidade, para que sejam promovidos e comercializados de maneira mais efetiva</p><p>(Medaglia e Silveira, 2009). Isso implica também numa maior aproximação em</p><p>termos acadêmicos e científicos entre as disciplinas de marketing e planejamento</p><p>turístico, a fim de gerarem pesquisas e conhecimentos complementares,</p><p>diminuindo a „departamentalização‟ desses conhecimentos nas matrizes</p><p>curriculares.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1309</p><p>9. REFERÊNCIAS</p><p>BARBOSA, L. G. M. (org). Estudo de Competitividade dos 65 Destinos</p><p>Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional. 2 ed.– Relatório Brasil.</p><p>Brasília: Ministério do Turismo, 2008.</p><p>BRASIL. MTur. Plano Nacional do Turismo: diretrizes, metas e programas</p><p>2003 – 2007. Brasil, 2003.</p><p>BRASIL. MTur; Chias Marketing. Plano Aquarela: marketing turístico</p><p>internacional do Brasil. Brasil, 2005a.</p><p>BRASIL. MTur; Chias Marketing. Plano Cores do Brasil: marketing turístico</p><p>nacional. Fase I – diagnóstico. Brasil, 2005b.</p><p>MAZÓN, T. “El nuevo modelo turístico en las sociedades desarrolladas”. Papers</p><p>de Turisme (29), 91-107, 2001.</p><p>MEDAGLIA, J; SILVEIRA, C.E. “La evolución del marekting de destinos: su</p><p>sinergia con la planificación turística”, Estudios y Perspectivas en turismo,</p><p>18(5), 530-545, 2009.</p><p>MEDAGLIA, J., SILVEIRA, C.E. Pré-teste de pesquisa: perfil da demanda</p><p>turística real de Diamantina e região. Diamantina: UFVJM, 2008.</p><p>MEDAGLIA, J. Un estudio sobre la necesaria evolución del Marketing de</p><p>Destinos Turísticos y su sinergia con la Planificación Estratégica de</p><p>Destinos Turísticos. Málaga: Universidad de Málaga, Facultad de Comunicación</p><p>y Turismo, 2005.</p><p>OMT. Observations on International Tourism Communications: report from</p><p>the first world conference on tourism communications. OMT, Madrid, 2004.</p><p>SECTUR. Fluxo de Visitação nos Monumentos em Diamantina. Diamantina,</p><p>PMD, 2008.</p><p>SILVEIRA, C.E.; MEDAGLIA, J. (coord.) Perfil da demanda turística real de</p><p>Diamantina e região: características de viagem, motivações, percepções e</p><p>expectativas. Diamantina: UFVJM, 2009.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1310</p><p>ANÁLISE PRELIMINAR DA GESTÃO DO TURISMO NA ÁREA DE PROTEÇÃO</p><p>AMBIENTAL DA COSTA DOS CORAIS (AL/PE)</p><p>más profundo y detallado sobre este tema ver Rodr íguez y Pulido, 2009 y Rodr íguez Vargas</p><p>(2009a).</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1460</p><p>d) Equipamiento turístico. Un total de cincuenta ítems se incluyen en</p><p>esta sección que cuestiona sobre los servicios de alojamiento, alimentación,</p><p>esparcimiento y otros, a nivel general y específicamente para segmentos de</p><p>mercado como son el de turismo cultural, turismo de salud, turismo de aventura,</p><p>ecoturismo y turismo rural.</p><p>e) Instalaciones turísticas. Utilizando los mismos segmentos de</p><p>mercado que la sección anterior, en ésta se incluyen diecisiete ítems que cuestionan</p><p>aspectos muy puntuales que se requieren para atender las demandas de turistas</p><p>muy especializados.</p><p>f) Mercado turístico. Y por último, la sección sobre el mercado</p><p>comprende catorce aspectos que indagan sobre la afluencia turística actual al</p><p>destino, la estadía estimada promedio, el gasto estimado promedio y la publicidad y</p><p>comercialización del producto ofertado.</p><p>Como su propio nombre indica, con excepción de la primera sección, el</p><p>cuestionario ofrecía tres opciones de respuesta, marcadas con los colores rojo, si se</p><p>carecía del aspecto; amarillo, si el elemento existía pero de manera deficiente o</p><p>precaria; y verde, cuando el aspecto se encontraba en optimas condiciones en el</p><p>destino. De manera simultánea con la asignación del color, cada respuesta tenía un</p><p>valor numérico: 1 para rojo, 2 para amarillo y 3 para verde. Esto permitió asignar un</p><p>valor numérico general para cada uno de los ámbitos de análisis y con ello poder</p><p>tabular, examinar y graficar los resultados para, en base a ello, determinar los</p><p>distintos niveles o categorías de desarrollo turístico de los municipios examinados.</p><p>La aplicación del cuestionario inicio con el establecimiento de un primer</p><p>contacto vía telefónica con las dependencias de turismo en cada uno de los 25</p><p>estados de la República que cuentan con, al menos, un destino integrado al</p><p>programa y hacer una invitación directa al departamento encargado del programa en</p><p>dichas dependencias. Posteriormente se hizo la distribución del cuestionario vía</p><p>correo electrónico, buscando con ello obtener la información de base sobre los 32</p><p>destinos que integran el programa.</p><p>Al enviar el cuestionario, se pidió a los técnicos de cada estado que</p><p>respondieran marcando aquella opción que reflejara la situación actual del destino, y</p><p>no aquella que resultara ideal, con lo que se pretendía obtener una fotografía sobre</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1461</p><p>el grado de desarrollo que en ese momento presentaban cada uno de los destinos</p><p>que se incluyen en el programa.</p><p>Posteriormente, se hizo una labor de seguimiento personalizado, mediante</p><p>llamadas telefónicas y el envío de correos electrónicos, labor que, por diferentes</p><p>cuestiones se extendió más de tres meses y gracias a la cual se obtuvo información</p><p>sobre 20 destinos ubicados en 17 estados, lo que representa un 62.5% de los</p><p>destinos integrantes, y muestra una distribución y variedad interesante que garantiza</p><p>una representatividad significativa, suficiente para poder iniciar el análisis y</p><p>establecer la categorización.</p><p>No obstante, con la finalidad de validar los resultados obtenidos, una vez</p><p>sistematizada toda la información, se conformó un grupo de expertos a los que se</p><p>les pidió opinión sobre los resultados obtenidos</p><p>16</p><p>.</p><p>Según se mencionó líneas arriba, para un mejor tratamiento de los datos se</p><p>asignaron de valores numéricos a las opciones de respuesta que presentaba el</p><p>cuestionario, lo cual permitió transformar la valoración cualitativa de cada destino en</p><p>una valoración cuantitativa, y con ello fue posible obtener diferentes estadísticos, así</p><p>como los promedios por sección, concretando los resultados del análisis a través de</p><p>diversas matrices. Para ello se utilizó el paquete estadístico SPSS (versión 17.0).</p><p>Para tener una visión más completa del desarrollo turístico de cada destino, el</p><p>cuestionario diseñado comprendía una valoración desde una perspectiva tanto de</p><p>oferta como de demanda. La primera, a través de las secciones infraestructura</p><p>general y de servicio, infraestructura turística, equipamiento turístico e instalaciones</p><p>turísticas. Respecto a la demanda, la valoración se realizó mediante el último</p><p>apartado del cuestionario denominado mercado turístico.</p><p>Los principales resultados se presentan en las tablas 1 y 2, y de ellas</p><p>podemos extraer algunas conclusiones que nos permiten tener un panorama general</p><p>16</p><p>Con la finalidad de validar el instrumento utilizado, los ítems y secciones consideradas, pero sobre</p><p>todo, los resultados obtenidos, se recurrió a un procedimiento de consulta a expertos para lo cual se</p><p>desarrollo un documento que explicaba la técnica de recolección de datos utilizada y el</p><p>procesamiento que se hizo de la información para llegar a la categorización de los destinos resultante.</p><p>Dicho documento fue repartido entre 15 investigadores especializados en temas turísticos y con</p><p>prestigio a nivel nacional, todos con grado de doctor y que colaboran en algunas de las universidades</p><p>con mayor prestigio a nivel nacional. Posterior a la evaluación del documento, los expertos</p><p>consultados emitieron sus juicios y comentarios sobre el mismo y esto nos permite confirmar la</p><p>validez de la información que presentamos, toda vez que tenemos la confianza de que la comunidad</p><p>científica mexicana avala los datos obtenidos.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1462</p><p>sobre cuál es el grado de desarrollo turístico que se ha alcanzado en las diferentes</p><p>localidades analizadas:</p><p> No existe una correlación entre el año de incorporación al programa y</p><p>el grado de consolidación del comité.</p><p> En la mayoría de los indicadores analizados, existe una gran dispersión</p><p>de los datos y en este sentido tenemos destinos con afluencia promedio de turistas</p><p>que van desde los 1,192 turistas mensuales a los 54, 911 turistas promedio por mes.</p><p> La oferta de servicios tanto de hospedaje como de alimentación es muy</p><p>dispar pues tenemos destinos que solo cuentan con un solo hotel y ningún</p><p>establecimiento con calidad turística, hasta los destinos que cuentan con 439 hoteles</p><p>y 40 establecimientos de alimentación de calidad.</p><p> En el mismo sentido, la estadía promedio oscila entre localidades que</p><p>son destinos de excursión y por tanto no registran ninguna noche de estadía, hasta</p><p>aquellos destinos cuya estadía asciende hasta las 4 noches por turista.</p><p> El servicio de guianza también es muy dispar pues mientras hay</p><p>destinos en los que no se ubican guías certificados, existen otros que cuentan con</p><p>hasta 25 guías registrados.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1463</p><p>Tabla 1. PRINCIPALES INDICADORES</p><p>A</p><p>ñ</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>i</p><p>n</p><p>c</p><p>o</p><p>rp</p><p>o</p><p>ra</p><p>c</p><p>ió</p><p>n</p><p>a</p><p>l</p><p>p</p><p>ro</p><p>g</p><p>ra</p><p>m</p><p>a</p><p>G</p><p>ra</p><p>d</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>c</p><p>o</p><p>n</p><p>s</p><p>o</p><p>lid</p><p>a</p><p>c</p><p>ió</p><p>n</p><p>d</p><p>e</p><p>l</p><p>C</p><p>o</p><p>m</p><p>it</p><p>é</p><p>*</p><p>C</p><p>u</p><p>e</p><p>n</p><p>ta</p><p>c</p><p>o</p><p>n</p><p>P</p><p>la</p><p>n</p><p>d</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>s</p><p>a</p><p>rr</p><p>o</p><p>llo</p><p>t</p><p>u</p><p>rí</p><p>s</p><p>ti</p><p>c</p><p>o</p><p>A</p><p>fl</p><p>u</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>p</p><p>ro</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>io</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>s</p><p>u</p><p>a</p><p>l</p><p>d</p><p>u</p><p>ra</p><p>n</p><p>te</p><p>2</p><p>0</p><p>0</p><p>8</p><p>O</p><p>fe</p><p>rt</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>h</p><p>o</p><p>s</p><p>p</p><p>e</p><p>d</p><p>a</p><p>je</p><p>O</p><p>c</p><p>u</p><p>p</p><p>a</p><p>c</p><p>ió</p><p>n</p><p>p</p><p>ro</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>io</p><p>(e</p><p>x</p><p>p</p><p>re</p><p>s</p><p>a</p><p>d</p><p>a</p><p>e</p><p>n</p><p>p</p><p>o</p><p>rc</p><p>e</p><p>n</p><p>ta</p><p>je</p><p>)</p><p>E</p><p>s</p><p>ta</p><p>d</p><p>ía</p><p>p</p><p>ro</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>io</p><p>(n</p><p>ú</p><p>m</p><p>e</p><p>ro</p><p>d</p><p>e</p><p>n</p><p>o</p><p>c</p><p>h</p><p>e</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>p</p><p>e</p><p>rs</p><p>o</p><p>n</p><p>a</p><p>)</p><p>N</p><p>ú</p><p>m</p><p>e</p><p>ro</p><p>d</p><p>e</p><p>e</p><p>s</p><p>ta</p><p>b</p><p>le</p><p>c</p><p>im</p><p>ie</p><p>n</p><p>to</p><p>s</p><p>d</p><p>e</p><p>A</p><p>y</p><p>B</p><p>re</p><p>g</p><p>is</p><p>tr</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>s</p><p>c</p><p>o</p><p>n</p><p>c</p><p>a</p><p>lid</p><p>a</p><p>d</p><p>t</p><p>u</p><p>rí</p><p>s</p><p>ti</p><p>c</p><p>a</p><p>N</p><p>ú</p><p>m</p><p>e</p><p>Gisela Livino de Carvalho</p><p>Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/MMA – ICMBio</p><p>RESUMO</p><p>Este trabalho apresenta uma análise preliminar de como a atividade turística vem</p><p>sendo desenvolvida na Área de Proteção Ambiental da Costa dos Corais. Esta</p><p>Unidade de Conservação se insere nos biomas brasileiros marinho e costeiro,</p><p>estendendo-se desde a foz do Rio Meirim, em Maceió, a capital de Alagoas, até a</p><p>foz do Rio Formoso, em Tamandaré, Pernambuco, englobando todas as praias e</p><p>estuários inseridos neste trecho do litoral da região Nordeste do Brasil. A análise</p><p>em questão partiu do ponto de vista de alguns dos principais gestores nas áreas</p><p>de turismo e meio ambiente, tanto do serviço público quanto da iniciativa privada.</p><p>Foram estudados, em particular, os municípios de Maragogi e Tamandaré, que</p><p>são os que apresentam as maiores demandas turísticas da região. Apesar das</p><p>dificuldades encontradas, em particular o baixo índice regional de educação e a</p><p>ineficácia política, os prognósticos levantados para o turismo foram otimistas. Ao</p><p>final, são propostas medidas com vistas à melhoria da gestão, visando à</p><p>participação efetiva da sociedade civil envolvida e demais entidades públicas</p><p>parceiras, assim como o alcance da sustentabilidade da atividade turística, na</p><p>área estudada.</p><p>Palavras-chave: Turismo Sustentável, Unidade de Conservação, Gestão</p><p>Ambiental, Área de Proteção Ambiental, Costa dos Corais.</p><p>ABSTRACT</p><p>This work presents a preliminar analysis of how the tourist activity comes being</p><p>developed in the Costa dos Corais Environmental Protection Area. This</p><p>Conservation Unit is inserted in Brazilian marine and coastal biomas, extending</p><p>itself since the Meirim River estuary, in Maceió, capital of the state of Alagoas,</p><p>until the Formoso River estuary, in Tamandaré, state of Pernambuco, enclosing all</p><p>the beaches and inserted estuaries in this area of the coast of the Northeast</p><p>region of Brazil. The analysis in question was resultant of the point of view of some</p><p>of the main managers, in the areas of tourism and environment, as of the public</p><p>service how of the private initiative. In particular, the cities of Maragogi and</p><p>Tamandaré had been studied. They are the ones that presents the highest tourist</p><p>demands of that region. Despite the difficulties found, in particular the low regional</p><p>index of education and the politics inefficacy, the prognostics raised for the tourism</p><p>had been optimistical. To the end, proposals are measured with sights to the</p><p>improvement of the management, searching the involved civil society and any</p><p>public institutions partners efective participation, with objective of the tourist</p><p>activity sustentability, in the studied area.</p><p>Keywords: Sustainable tourism, Conservation Unit, Environmental Management,</p><p>Environmental Protection Area, Costa dos Corais.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1311</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A Área de Proteção Ambiental (APA) da Costa dos Corais é uma Unidade de</p><p>Conservação (UC), configurada como de uso sustentável e criada pelo Decreto</p><p>Federal s/nº de 23/10/1997, a qual apresenta, como objetivos de criação :</p><p>I - garantir a conservação dos recifes coralígenos e de arenito, com sua</p><p>fauna e flora; II - manter a integridade do habitat e preservar a população do</p><p>Peixe-boi marinho (Trichechus manatus); III - proteger os manguezais em</p><p>toda a sua extensão, situados ao longo das desembocaduras dos rios, com</p><p>sua fauna e flora; IV - ordenar o turismo ecológico, científico e cultural, e</p><p>demais atividades econômicas compatíveis com a conservação ambiental; e</p><p>V - incentivar as manifestações culturais e contribuir para o resgate da</p><p>diversidade cultural regional. (IBAMA, 2007)</p><p>Acredita-se que A APA Costa dos Corais não terá como atingir seus objetivos</p><p>de conservação ambiental e ordenamento do turismo se não promover um processo</p><p>de planejamento da atividade turística, inserido na gestão ambiental da UC, que</p><p>envolva a conscientização da população residente e visitante, a respeito dos</p><p>conflitos e possíveis soluções sócio-ambientais. Parece ser necessário um trabalho</p><p>consistente de sensibilização, conscientização e educação ambiental, voltado para</p><p>as comunidades locais e para os turistas que visitam as praias da APA, para que</p><p>seja alcançada a sustentabilidade da atividade turística na região.</p><p>Esta configura-se como uma das principais fontes de renda dos habitantes</p><p>dos municípios inseridos na APA Costa dos Corais. É evidente que qualquer</p><p>atividade econômica deve ser exercida de forma a que alcance sua sustentabilidade</p><p>ambiental, social e econômica. Em se tratando do turismo, cujo principal produto de</p><p>venda é a paisagem, a necessidade da conservação ambiental torna-se ainda mais</p><p>óbvia.</p><p>O presente trabalho tem por finalidade propor algumas soluções para o</p><p>planejamento da atividade turística na APA Costa dos Corais. Neste caso, em que é</p><p>delimitada, como objeto de estudo, uma APA, a necessidade de que uma atividade</p><p>econômica seja exercida de forma sustentável torna-se, além de tudo, uma</p><p>exigência para que a UC atinja seus objetivos, previstos em lei, de conservação e</p><p>bem estar da população.</p><p>Justifica-se, portanto, este estudo, como um elemento preliminar para que</p><p>seja obtido um diagnóstico mais amplo de como vem sendo exercida a atividade</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1312</p><p>turística na APA, além de um subsídio para a proposição de possíveis soluções para</p><p>os obstáculos encontrados à eficiência na gestão da unidade.</p><p>Com o intuito de oferecer ferramentas à gestão do turismo como parte</p><p>integrante da gestão ambiental da APA Costa dos Corais, este trabalho objetiva</p><p>analisar como a atividade turística vem sendo desenvolvida na APA Costa dos</p><p>Corais e propor subsídios para o seu planejamento, visando à sustentabilidade do</p><p>turismo na região e à ampla participação social na gestão da UC.</p><p>Para tanto, foram traçados os seguintes objetivos específicos:</p><p> verificar e analisar opiniões dos gestores públicos que atuam na região da</p><p>APA, ligados às áreas de turismo e meio ambiente;</p><p> levantar sugestões e demandas junto aos empresários locais, no sentido de</p><p>compatibilizar desenvolvimento turístico com gestão ambiental; e</p><p> propor soluções para a gestão do turismo, como parte integrante da gestão</p><p>socioambiental e participativa da UC.</p><p>A metodologia empregada baseia-se em um estudo de caso, adaptado para a</p><p>obtenção de um diagnóstico prévio de como vem sendo exercido o turismo nos</p><p>municípios mais visitados dessa Unidade de Conservação (UC) federal, quais sejam:</p><p>Tamandaré, no Estado de Pernambuco, e Maragogi, no Estado de Alagoas.</p><p>Foram levantados dados através de levantamento bibliográfico, com</p><p>conseguinte análise de documentos disponíveis nos arquivos da APA Costa dos</p><p>Corais. Posteriormente, alguns gestores que atuavam nas áreas de turismo e meio</p><p>ambiente dos municípios estudados - escolhidos por abrangerem um amplo leque de</p><p>atividades, e por estarem à época há, no mínimo, dois anos em suas funções - foram</p><p>entrevistados. Finalmente, com uma abordagem qualitati va, o resultado destas</p><p>entrevistas foi analisado, em conjunto com as informações anteriormente obtidas,</p><p>como forma de obtenção de subsídios para a proposição de metas para a gestão da</p><p>APA.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1313</p><p>2. REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>2.1 Planejamento do Turismo</p><p>O planejamento do turismo - atividade econômica já existente como tal,</p><p>basicamente após a Revolução Industrial, mas só recentemente sujeita a normas e</p><p>padronização de procedimentos - não poderia ficar de fora da gestão ambiental. Há</p><p>intersecções</p><p>diversas entre esta última e a gestão do turismo. Em primeiro lugar, o</p><p>fato de, apenas nas últimas duas décadas, ter sido definida uma regulamentação</p><p>efetiva, por parte do setor público, no intuito de ordenar as atividades, tanto ligadas</p><p>ao meio ambiente quanto ao turismo. Em decorrência disso, ultimamente tem se</p><p>verificado um surgimento crescente de cursos para a colocação no mercado de</p><p>profissionais capacitados a atuarem nessas áreas, vide o sem número de cursos</p><p>recém criados de bacharelado e pós-graduação em turismo e gestão ambiental. Na</p><p>década de 1970, tais cursos não existiam. Além disso, é de relevância lembrar que</p><p>os insumos para o desenvolvimento da atividade turística é o meio ambiente e a</p><p>cultura regional, impossibilitando, portanto, qualquer tipo de planejamento do</p><p>turismo, sem que sejam levados em consideração, a priori, os instrumentos da</p><p>gestão socioambiental.</p><p>A finalidade do planejamento turístico consiste em ordenar as ações do</p><p>homem sobre o território e ocupa-se em direcionar a construção de</p><p>equipamentos e facilidades de forma adequada evitando, dessa forma, os</p><p>efeitos negativos nos recursos, que destroem ou reduzem sua</p><p>atratividade.[...] o planejamento é fundamental e indispensável para o</p><p>desenvolvimento turístico equilibrado e em harmonia com os recursos</p><p>físicos, culturais e sociais das regiões receptoras, evitando, assim, que o</p><p>turismo destrua as bases que o fazem existir. (RUSCHMANN, 2004, p.</p><p>9,10)</p><p>De acordo com a citação anterior, o planejamento é fundamental para garantir</p><p>a sustentabilidade, não só da atividade turística, como do ambiente em que esta se</p><p>desenvolve. Contribui, portanto, para que a atividade turística continue a se</p><p>desenvolver, sem prejudicar suas próprias fontes de existência. É importante lembrar</p><p>aqui que, segundo o conceito atual, a condição socioeconômica local está</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1314</p><p>englobada no termo “meio ambiente”, assim como os atributos bióticos e abióticos</p><p>locais.</p><p>Em relação ao planejamento do turismo, este estudo orienta-se através da</p><p>concepção de Hall (2004). Em primeiro lugar cabe aqui salientar que o planejamento</p><p>turístico pode ser baseado em diferentes escalas (nacional, estadual, regional e</p><p>local) e esta deve estar bem definida para o desenvolvimento das análises,</p><p>propostas e ações necessárias. No entanto, independente da abrangência da escala</p><p>escolhida, é de extrema relevância de que o trabalho esteja integrado e em</p><p>constante articulação com os demais níveis de planejamento, em escalas maiores e</p><p>menores, através de projetos e/ou ações que também ocorram em outros níveis, sob</p><p>pena de ineficácia do processo, tanto por lapsos de ações que sejam necessárias e</p><p>ainda não foram previstas em nenhuma das instâncias, quanto por duplicidade, a</p><p>qual implica em desperdício de recursos para pouca eficiência de resultados.</p><p>Ainda segundo o mesmo autor, outro aspecto de suma importância no</p><p>planejamento é o ponto de vista do espectador ou participante do processo de</p><p>planejamento turístico. Healey (1997 apud HALL, 2004, p.85) explicita perfeitamente</p><p>o que entendemos por importância da participação de todos os atores envolvidos no</p><p>processo de planejamento: “[...] compreende-se agora no campo do planejamento</p><p>que este é um processo interativo, realizado em um contexto social e não um mero</p><p>processo técnico de projeto, análise e gerenciamento”. Hall (2004, p.85) corrobora</p><p>as ideias de Healey e acrescenta</p><p>Esse é um ponto crucial. Muitos livros didáticos referem-se a planejamento</p><p>como um processo técnico no qual o autor se encontra em segundo plano</p><p>e o livro parece ter sido escrito como uma série de fatos ou instruções que</p><p>indicam como se deve agir. E não é assim. [...] há várias tradições</p><p>diferentes em planejamento turístico, cada qual com um enfoque, sendo</p><p>que nenhuma delas é inerentemente certa ou errada. Nós as consideramos</p><p>adequadas ou não, baseados em uma série de critérios que, por sua vez,</p><p>refletem o que acreditam ser planejamento turístico e o que ele deve tentar</p><p>atingir. Essa base em processo de mudança reflete percepções mais</p><p>amplas do expert em turismo e do „planejador‟ na sociedade. [...]</p><p>Precisamos, portanto, reconhecer que nossa posição no planejamento</p><p>turístico está relacionada ao ponto em que nos encontramos no sistema</p><p>turístico, e aos vários envolvidos, interesses e fatores com que interagimos.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1315</p><p>Reiteramos as ideias dos autores citados, considerando que um processo de</p><p>planejamento deve ser dinâmico, em movimento contínuo de adaptação às variantes</p><p>locais, que se modificam constantemente, assim como participativo, desde o início</p><p>de seu diagnóstico, até a proposição de ações que se proponham a beneficiar a</p><p>atividade, continuando com o monitoramento dos resultados alcançados, assim</p><p>como a elaboração de novas propostas. Tal processo não pode, em nenhuma das</p><p>etapas, se afastar da comunidade diretamente afetada pelo desenvolvimento do</p><p>turismo em uma determinada região, e dos gestores locais, sob pena de não</p><p>apresentar resultados eficazes. Esta participação é necessária, tanto por trazer</p><p>conhecimentos, inerentes aos atores sociais locais, para o processo, quanto para</p><p>que os envolvidos colaborem de fato com as ações desenvolvidas, como</p><p>consequência de seu envolvimento. Sem essa colaboração, por melhores e mais</p><p>adequadas que sejam as propostas, estas não surtirão os resultados desejados.</p><p>2.2 Fundamentos para a Sustentabilidade da Atividade Turística</p><p>De acordo com Leite Junior (2007), um projeto de desenvolvimento, para ser</p><p>sustentável, precisa ser ao mesmo tempo economicamente viável, ecologicamente</p><p>correto e socialmente justo. Esta afirmativa define bem os pilares do conceito da</p><p>sustentabilidade, em qualquer atividade econômica. Pela lógica capitalista, a</p><p>viabilidade econômica é a primeira condição a ser cumprida. Recentemente, o</p><p>caráter ecológico passou a ter sido mais cuidado, a partir do momento que o</p><p>empresário em turismo, cada vez mais, apreende o senso de que a conservação do</p><p>patrimônio, seja ele natural ou cultural, é o que vai garantir a viabilidade de sua</p><p>empresa. Além disso, a responsabilidade no tocante ao uso dos recursos naturais no</p><p>Brasil (assim como no resto do mundo) tem sido alvo de intensos movimentos</p><p>ambientalistas e de consistente regulamentação, tendo em vista a legislação</p><p>ambiental, criada nas últimas décadas. No entanto, em relação à justiça social, este</p><p>estudo mostra comprova que ainda há muito que aprendermos e colocarmos em</p><p>prática.</p><p>Segundo Pires (2002), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente</p><p>estabelece os componentes do ecoturismo, o qual define como uma versão de</p><p>turismo na natureza orientada para a sustentabilidade. São eles: contribuir para a</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1316</p><p>conservação da biodiversidade; contribuir para o bem-estar das populações locais;</p><p>incluir a interpretação ambiental, a experiência da aprendizagem no ambiente;</p><p>envolver ações responsáveis dos turistas e da indústria do turismo; disseminar</p><p>fundamentalmente em pequenos grupos envolvendo negócios de pequena escala;</p><p>requerer o mais baixo consumo possível de recursos não renováveis; dar ênfase à</p><p>participação local e à oportunização de negócios e iniciativas empreendedoras,</p><p>especialmente para a população rural.</p><p>O turismo deve ser visto sob o enfoque do benefício à comunidade que</p><p>recebe e não só como um meio de atender às expectativas do visitante. Para</p><p>Rodrigues (1997), o turismo deve funcionar como uma alternativa para os</p><p>“excluídos”. A</p><p>autora vê, neste setor econômico, um grande potencial para o</p><p>enfrentamento da exclusão social, contanto que o poder público - principal integrante</p><p>da superestrutura do SISTUR - sistema turístico de Beni (2001) - execute sua</p><p>política e ações no sentido de viabilizar uma “economia solidária”, ou seja, o governo</p><p>deve promover iniciativas para o desenvolvimento de um empreendedorismo social,</p><p>como forma de criar oportunidades de inserção das comunidades receptoras no</p><p>resultado do crescimento do fluxo econômico gerado pelo desenvolvimento do</p><p>turismo naquela localidade. Ainda segundo Rodrigues, “há que adotar-se estratégias</p><p>macroeconômicas de combate ao desemprego, procurando inserir os novos</p><p>microempresários num setor econômico especialmente projetado para maximizar as</p><p>chances de sucesso como o turismo, por exemplo”. Outro questionamento</p><p>interessante levantado pela autora é que o “chamado mercado informal, [...] se</p><p>configura como uma das únicas opções para a sobrevivência, com certa dignidade,</p><p>apesar da falta de segurança social” (RODRIGUES, 1997, p.62, 63) e que, apesar</p><p>do preconceito associado à informalidade, esta deve ser vista como alternativa de</p><p>inserção da comunidade na economia, porque é o que acontece na prática.</p><p>Em relação ao empreendedorismo social, temos o conhecimento de duas</p><p>iniciativas muito interessantes, não iniciadas pelo poder público, tendo em vista que</p><p>o Estado não vem cumprindo a contento o seu papel regulador, o qual entendemos</p><p>que deveria ser o de defender o bem comum em detrimento dos interesses</p><p>essencialmente mercadológicos da classe empresarial, que é o que se tem visto de</p><p>fato na prática política deste país. Aqui, presenciamos mais uma vez o terceiro setor</p><p>ocupando as lacunas deixadas pelo poder público.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1317</p><p>A primeira experiência interessante verificada no sentido do</p><p>empreendedorismo social para o turismo trata-se do sistema de gestão por</p><p>cooperativas de moradores da Prainha do Canto Verde, no Ceará. Esta localidade,</p><p>no litoral do Ceará, no município de Beberibe, a cerca de 100 km de Fortaleza, em</p><p>sentido leste, apresenta uma população formada por pescadores descendentes dos</p><p>primeiros moradores da região, que se associaram para promover a gestão do</p><p>turismo local. Como em vários outros destinos turísticos litorâneos, segundo</p><p>Mendonça (2007), a comunidade estava sendo ameaçada de ser expulsa de suas</p><p>terras pela especulação imobiliária, nas décadas de setenta e oitenta. No final desta</p><p>última, passaram a contar com a ajuda do executivo suíço René Scharer e com o</p><p>Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos (CDPDH), para constituir sua</p><p>Associação de Moradores e dar início ao Projeto de Desenvolvimento Comunitário</p><p>desenvolvido pela Fundação dos Amigos da Prainha do Canto Verde, em dezembro</p><p>de 1991. Atualmente, a Cooperativa de Turismo, vinculada à Associação de</p><p>Moradores, é quem faz toda a gestão do atrativo e de seus equipamentos turísticos,</p><p>sem a interferência do Estado nem de nenhum empresário vindo de fora.</p><p>1</p><p>A segunda iniciativa que tomamos conhecimento é a descrita no artigo</p><p>“Turismo, Inovações e Desarticulação das Atividades Tradicionais” (LIMA, 2000).</p><p>Neste trabalho, o autor se propôs a elaborar uma “reflexão sobre as relações entre</p><p>cultura, educação, turismo e as discussões acerca do conceito de desenvolvimento</p><p>local”. Seu objeto de estudo é a comunidade da Ilha de Itaparica, na Bahia, “onde as</p><p>atividades tradicionais, como a pesca e o veraneio em pequena escala, são</p><p>reordenadas em função de um processo de modernização, traduzido no turismo que</p><p>reorientou a organização dos usos do tempo e do espaço” . Seu estudo teve como</p><p>foco “as relações entre espaço e cultura como elementos propiciadores às</p><p>circunstâncias favoráveis ou inibidoras às condições de vida social e econômica</p><p>traduzidas no conceito de desenvolvimento”. Por ocasião da publicação do artigo</p><p>citado, o autor ainda não havia chegado às suas conclusões finais mas, na verdade,</p><p>formulado uma proposta de análise do desenvolvimento de uma inovação na lógica</p><p>da economia do turismo em Itaparica, através de estratégias planejadas para que os</p><p>1</p><p>Após o fechamento deste estudo, em 2009, por demanda da comunidade local, a Prainha do</p><p>Canto Verde tornou-se uma Reserva Extrativista, que se configura em outra categoria de Unidade de</p><p>Conservação de Uso Sustentável definida pela Lei 9985/2000.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1318</p><p>recursos advindos da atividade sejam mais bem distribuídos e permaneçam com a</p><p>população local, na medida em que lhe são dadas ferramentas para a gestão do que</p><p>Rodrigues (op. Cit.) chamou de “economia solidária”.</p><p>Pelo disposto neste referencial teórico, fica claro que o planejamento da</p><p>gestão do turismo, com vistas à sua sustentabilidade econômica, ambiental e social,</p><p>e como meio de atingir os objetivos de criação (principalmente pelo estipulado em</p><p>seu decreto de criação como objetivos n</p><p>os</p><p>IV e V) da APA Costa dos Corais é</p><p>indispensável na gestão ambiental da UC, além do fato desta estar inserida nos</p><p>Pólos “Costa dos Arrecifes” (PE) e “Costa dos Corais” (AL) do Programa de</p><p>Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE), portanto situada em</p><p>área de extremo interesse por parte dos setores público e privado, para o</p><p>desenvolvimento do turismo.</p><p>3 CARACTERIZAÇÃO DA APA COSTA DOS CORAIS</p><p>A APA Costa dos Corais (que está sob gestão, atualmente, do Instituto Chico</p><p>Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao</p><p>Ministério do Meio Ambiente, sucessora do IBAMA na atribuição de gerir Unidades</p><p>de Conservação) possui uma área de 413.563 hectares e localiza-se nos estados de</p><p>Alagoas e Pernambuco. Partindo de Maceió via AL-01 Norte - litoral, percorre-se</p><p>uma distância de 20 Km até chegar ao Rio Meirim (povoado de pescadores). Neste</p><p>local inicia-se a APA, e daí a unidade segue pela área costeira por mais 220 Km, até</p><p>a foz do rio Formoso em Pernambuco (IBAMA, 2007).</p><p>É importante salientar que a faixa litorânea entre Recife e Maceió engloba os</p><p>Pólos Costa dos Arrecifes (PE) e Costa dos Corais (AL) do PRODETUR/NE e</p><p>recebe diversos incentivos e recursos público-privados, por ser um dos mais</p><p>importantes alvos da política nacional de desenvolvimento turístico do Ministério do</p><p>Turismo. Maragogi faz parte do programa “Destinos Indutores” deste Ministério.</p><p>Exatamente por apresentar um crescente fluxo turístico, atingindo diretamente as</p><p>comunidades tradicionalmente localizadas em seus municípios, dentre outros fatores</p><p>de exploração de seus recursos naturais, como a pesca, caracteriza-se como uma</p><p>região tão susceptível a graves impactos ambientais e socioculturais, justificando-se</p><p>a proteção concedida com a criação da UC.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1319</p><p>Localização da APA Costa dos Corais</p><p>Font</p><p>e: Arquivo de documentos da APA Costa dos Corais/ICMBio.</p><p>4. METODOLOGIA</p><p>Em princípio, os dados foram coletados por observação, levantamento</p><p>bibliográfico e análise documental. Entretanto, o foco principal deste estudo foi dado</p><p>na obtenção de opiniões e sugestões de gestores públicos e privados das áreas de</p><p>meio ambiente e turismo, atuantes na APA Costa dos Corais, como descrito adiante.</p><p>4.1 Coleta dos Dados</p><p>Para que fossem alcançados os objetivos propostos neste trabalho, foi</p><p>realizado, primeiramente, um levantamento bibliográfico e documental com o intuito</p><p>de conhecer outros autores, pesquisadores ou instituições que venham trabalhando</p><p>temas na área de conhecimento</p><p>relativa ao turismo em áreas protegidas, educação</p><p>e gestão ambiental e afins, ou à atividade turística na região estudada. Para tanto,</p><p>foram pesquisadas fontes impressas e digitais, tais como livros, periódicos e</p><p>documentos institucionais, além de outros estudos relacionados a turismo e</p><p>unidades de conservação.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1320</p><p>O Roteiro Metodológico para Gestão de Área de Proteção Ambiental,</p><p>publicado pelo IBAMA, identifica como atividade preliminar para o planejamento da</p><p>gestão, a identificação dos agentes envolvidos, com o subsequente “levantamento</p><p>de expectativas dos agentes” e elaboração de um “quadro de identificação de</p><p>potenciais / limitações e posicionamentos destes” (IBAMA, 2001, p.48). A partir desta</p><p>orientação, concentramos o foco deste trabalho no levantamento dessas</p><p>expectativas, através de entrevistas.</p><p>A pesquisa de campo visando às atuais condições em que está se dando o</p><p>desenvolvimento turístico na APA Costa dos Corais foi elaborada por meio de</p><p>observação e entrevistas semi-estruturadas, direcionadas à temática do turismo na</p><p>região relacionando-as às perspectivas para o alcance de sua sustentabilidade.</p><p>Estas entrevistas foram efetuadas junto a gestores públicos ligados de maneira</p><p>direta ou indireta à atividade turística e à gestão ambiental, assim como aos</p><p>empresários representantes de organizações e associações ligadas ao turismo em</p><p>Tamandaré (PE) e Maragogi (AL), municípios escolhidos para o estudo. A</p><p>observação foi efetuada não apenas durante o desenvolvimento deste estudo, mas</p><p>durante todo o período em que a autora esteve trabalhando vinculada à gestão da</p><p>APA Costa dos Corais, entre 2002 e 2005 e novamente em 2007. Também foram</p><p>obtidas informações do acervo de documentos disponíveis no escritório da APA</p><p>Costa dos Corais, ou outros ligados à sua gestão.</p><p>Foram entrevistados os gestores a seguir, que se encontravam nos</p><p>respectivos cargos em dezembro de 2007: o Chefe da APA Costa dos Corais; o</p><p>Analista Ambiental do ICMBio lotado na APA Costa dos Corais; o Secretário de</p><p>Turismo, Comércio, Cultura e Meio Ambiente de Tamandaré; o Vice-presidente da</p><p>Associação de Hotéis, Pousadas, Restaurantes e Similares de Tamandaré –</p><p>AHPREST; a Chefe da APA de Guadalupe</p><p>2</p><p>; O Secretário de Turismo de Maragogi; o</p><p>Secretário de Meio Ambiente de Maragogi; o Presidente da Associação dos</p><p>Proprietários de Catamarãs de Maragogi – APCM; e o Presidente da Associação de</p><p>Hotéis e Pousadas de Maragogi, Japaratinga, Porto de Pedras e São Miguel dos</p><p>Milagres – AHMAJA.</p><p>2</p><p>A Área de Proteção Ambiental de Guadalupe é uma Unidade de Conservação administrada</p><p>pelo Estado de Pernambuco e se estende por quatro municípios: Barreiros, Tamandaré, Rio Formoso e</p><p>Sirinhaém. Possui uma área de intersecção com a APA Costa dos Corais no litoral de Tamandaré e Barreiros.</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1321</p><p>Em resumo, os dados analisados foram obtidos através de observação,</p><p>primeiramente, mas também com leitura e análise de documentos e, principalmente,</p><p>pela realização das entrevistas e obtenção de depoimentos de pessoas ligadas ao</p><p>turismo na APA Costa dos Corais.</p><p>4.2 Análise dos Dados</p><p>Após a realização das entrevistas, as mesmas foram sistematizadas e</p><p>analisadas separadamente, por tema abordado.</p><p>A partir dos resultados levantados, na forma de conceitos, análise e</p><p>sugestões verificadas nas entrevistas com os gestores selecionados, passamos a</p><p>compilar, analisar e interpretar, respeitando a sequencia de assuntos abordada no</p><p>roteiro pré-definido para a realização das entrevistas semi-estruturadas, resumido a</p><p>seguir:</p><p> Conceito pessoal de “sustentabilidade”;</p><p> Pontos favoráveis identificados para o desenvolvimento do turismo local;</p><p> Pontos desfavoráveis identificados para o desenvolvimento do turismo local;</p><p> Estágio de desenvolvimento atual do turismo local;</p><p> Planos, projetos e ações previstos e em andamento relacionados à gestão do</p><p>turismo;</p><p> Sugestões para aliar a qualidade do turismo com a do meio ambiente</p><p> Como beneficiar a comunidade local?;</p><p> Prognóstico para o turismo ambiental e socialmente responsável; e</p><p> Obstáculos identificados para atingir o resultado desejado.</p><p>5 ANÁLISE DOS RESULTADOS</p><p>Pelos resultados obtidos com o presente estudo, pretendemos contribuir para</p><p>o planejamento da gestão do turismo na Área de Proteção Ambiental da Costa dos</p><p>Corais, situada entre os municípios de Maceió, em Alagoas e Rio Formoso, em</p><p>Pernambuco. A partir dos dados obtidos, o produto de sua sistematização e</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1322</p><p>consequentes problemas e proposições levantados junto a alguns dos principais</p><p>gestores ligados ao turismo, públicos e privados, dos municípios de maior</p><p>movimento turístico – Maragogi (AL) e Tamandaré (PE) desta Unidade de</p><p>Conservação, propusemo-nos a qualificar, de alguma forma, a gestão social e</p><p>ambiental da APA, através de subsídios levantados para o planejamento e a gestão</p><p>do turismo em seus municípios. Pretendemos assim, chegar mais perto de alcançar</p><p>os objetivos de criação da unidade, particularmente o quarto, que diz respeito ao</p><p>ordenamento do “turismo ecológico, científico e cultural, e demais atividades</p><p>econômicas compatíveis com a conservação ambiental” (IBAMA, 2007).</p><p>A APA Costa dos Corais foi criada em 23 de outubro de 1997, tendo</p><p>completado doze anos de existência em outubro passado. Alguns bons trabalhos já</p><p>foram executados, como é o caso do Termo de Ajustamento de Conduta, visando ao</p><p>ordenamento da visitação às “Galés de Maragogi” (termo local para piscinas naturais</p><p>marinhas, atrativo mais visitado da unidade). Entretanto, os instrumentos de gestão</p><p>mais básicos para a administração de uma Unidade de Conservação ainda não</p><p>existem, quais sejam seu conselho gestor e seu plano de manejo. A equipe da APA</p><p>resumia-se, à época do estudo, a seu chefe, um analista ambiental e um técnico de</p><p>nível médio, enquanto a UC abrange treze municípios, segundo o seu Decreto de</p><p>Criação.</p><p>Surpreendentemente, o conceito de sustentabilidade foi um dos pontos mais</p><p>divergentes entre as entrevistas. Apenas a Chefe da APA de Guadalupe descreveu</p><p>sustentabilidade da forma como foi esclarecida por Leite Junior (2007): “atividade</p><p>economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta”. Abrangência</p><p>semelhante foi obtida na resposta do Secretário de Turismo de Maragogi: “atividades</p><p>com ações planejadas, sejam elas dos governos ou empresas levando-se em conta</p><p>as questões sociais, ambientais e econômicas”. As demais respostas variaram</p><p>bastante: “Garantia de continuidade por gerações, sem afetar o meio em que está</p><p>sendo desenvolvida.” “A manutenção da atividade não compromete a sua realização</p><p>no futuro.” “Exercer uma atividade sem modificar o ambiente, preservando-o e</p><p>integrando atividades afins.” “Beneficiar a comunidade e perdurar por um longo</p><p>período.” “Atividade desenvolvida de forma racional, atendendo as necessidades das</p><p>gerações atuais, sem comprometer as das futuras.” “Consegue se manter, gerando</p><p>lucro e benefícios sociais, com o aumento constante de emprego e renda e o</p><p>XI ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL</p><p>Turismo e Transdisciplinaridade: novos desafios</p><p>Niterói - RJ</p><p>12 a 14 de abril de 2010</p><p>1323</p><p>crescimento da região onde se encontra.” “Atividade que não destrói, ao contrário,</p><p>preserva e recupera o ambiente em que se encontra.”</p><p>Apesar da incomparável beleza cênica da região ter sido apontada com</p><p>unanimidade como o ponto mais favorável para o desenvolvimento</p>