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TÂNIA MARCHEZIN
ÍNDICE
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� Estudo da artrologia
� Estudo da miologia
� Estudo da osteologia
� Posição anatômica
� Sistema circulatório
� Sistema digestório
� Sistema endócrino
� Sistema nervoso
� Neuroanatomia
� Sistema respiratório
� Sistema urinário
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� Fisiologia cardiovascular
� Fisiologia respiratória
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� Avaliação
� Conceitos
� Tipos de contrações
� Amplitude de movimento
� Função muscular
� Classificação dos músculos
� Movimentos do corpo
� Biomecânica
� Exercício terapêutico
� Tipos de tratamento terapêutico
� Mudança de decúbito – Progressões
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� Semiologia cardiovascular
� Avaliação em fisioterapia cardiológica
� Hipertensão arterial sistêmica - HAS
� Aterosclerose e infarto agudo do miocárdio – IAM
� Cuidados pré e pós-operatório em cirurgia cardíaca
� Eletrocardiograma
� Ressuscitação cardiopulmonar - ACLS
� Reabilitação cardiovascular
� Trombose venosa profunda – TVP
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� Efeitos físicos e fisiológicos do calor e do frio
� Recursos elétricos
� Corrente galvânica
� Corrente farádica
� Corrente diadinâmica
� Eletrodiagnóstico
� Avaliação
� FES
� TENS
� Corrente interferencial
� Corrente russa
� Recursos térmicos
� Forno de bier
� Parafina
� Infra-vermelho
� Ultra-violeta
� Ultra-som
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� Conceitos
� A pelve e a gestação
� Recomendações para exercícios durante a gravidez
� Alterações fisiológicas durante a gestação
� Incontinência urinária
� Classificação da incontinência urinária
� Fisioterapia respiratória para gestantes
� Câncer de mama
� Eletroestimulação no tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas
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� Conceitos
� Princípios físicos
� Efeitos fisiológicos
� Indicações
� Contra-indicações
� Tipos de equipamentos
� Técnicas de hidroterapia
� Hidrocinesioterapia
� Divisões
� Indicações
� Efeitos terapêuticos
� Contra-indicações
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� Avaliação neurológica
� Avaliação do sistema somatossensorial
� Acidente vascular cerebral – AVC
� Doença de ALZHEIMER
� Doença de HUNTINGTON
� Doenças do neurônio motor
� Esclerose lateral amiotrófica – ELA
� Guillain-Barré
� Facilitação neuromuscular proprioceptiva – KABAT
� Lesão medular
� Parkinson
� Síndrome de Rett
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� Propedêutica ortopédica
� Ficha de avaliação ortopédica
� Complexo articular do ombro
� Síndrome do impacto
� Testes especiais
� Rupturas do manguito rotador
� Complexo do cotovelo
� Instabilidades do cotovelo
� Epicondilite lateral do cotovelo – Cotovelo de Tenista
� Testes especiais
� Epicondilite medial do cotovelo – Cotovelo do Golfista
� Testes especiais
� Antebraço, punho e mão
� Deformidades típicas da mão
� Contratura de Dupuytren – fascíte palmar
� Entorse de punho
� Síndrome de DeQuervain
� Síndrome do túnel do carpo
� Fraturas distais do rádio
� Neuropatias compressivas
� Síndrome do túnel cubital – nervo ulnar
� Testes especiais
� Complexo do quadril
� Testes para o quadril
� Luxação congênita do quadril – LCQ
� Doença de LEGG-CALVÉ-PERTHES
� Complexo do joelho
� Lesão meniscal
� Testes específicos
� Exames complementares
� Testes especiais
� Luxação congênita do joelho
� Tíbia curva congênita – TCC
� Complexo do tornozelo e pé
� Avaliação fisioterapêutica do tornozelo e pé
� Ciclo da marcha
� Pé torto congênito – PTC
� Talus vertical congênito – TVC
� Lesões musculotendíneas
� Fraturas
� Dispositivos de fixação
� Amputações
� Órteses
� Próteses
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� Conceitos
� Psicomotricidade
� Maturação psicomotora
� Distúrbios psicomotores
� Avaliação neurológica em pediatria
� A criança hipotônica e suas causas
� Ácido fólico e os defeitos do tubo neural
� Doenças genéticas – Erros inatos do metabolismo
� Encefalopatia bilirrubínica
� Encefalopatias crônicas infantis não-progressivas – Paralisia Cerebral
� Hidrocefalia congênita
� Malformações cerebrais na criança
� Miastenia grave
� Mielomeningocele
� Miopatias
� Paralisia braquial obstétrica
� Poliomielite aguda
� O coma na infância
� Síndrome do neurônio motor superior e inferior
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� Avaliação do sistema respiratório
� Doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC
� Asma
� Bronquite aguda
� Insuficiência respiratória
� Pneumonia
� Broncodilatadores
� Monitorização ventilatória
� Oxigenioterapia
� Técnicas de fisioterapia hospitalar
� Ventilação mecânica
� Ventilação mecânica infantil e neonato
� Ventilação mecânica não-invasiva
� Desmame da ventilação mecânica
� Extubação
� Gasometria arterial
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� Avaliação fisioterapêutica em reumatologia
� Agentes fisioterapêuticos em reumatologia
� Artrite reumatóide
� Esclerose sistêmica
� Fibromialgia
� Lupus eritematoso sistêmico – LES
� Osteoporose
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concursoefisioterapia.blogspot.com
concursoefisioterapia@gmail.com
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AVALIAÇÃO EM FISIOTERAPIA
Processo através do qual é possível determinar as capacidades e incapacidades de um paciente (cliente) em relação a sua
patologia, frente a uma tarefa previamente solicitada e padronizada.
Tópicos da avaliação:
1) Anamnese
2) Exame físico
3) Testes especiais
4) Exames complementares
Anamnese
A anamnese é o momento no qual são obtidas as informações do paciente
1. Perguntas abertas
2. Perguntas fechadas
3. Perguntas em funil
4. Perguntas em paráfrase
A anamnese visa apurar e deve conter:
a) Dados pessoais
b) Queixa principal
c) HMA (História da Moléstia Atual)
d) HMP (História Moléstia Pregressa)
e) Antecedentes pessoais e familiares
f) Incapacidades decorridas da patologia
a) Dados Pessoais
Nome completo;
Sexo;
Idade (anos ou data de nascimento);
Raça;
Estado civil se tem filhos;
Local de nascimento;
Endereço;
Profissão/ocupação.
b) Queixa Principal
É o principal motivo relatado pelo paciente que o fez procurar a ajuda do fisioterapeuta
c) História da Moléstia Atual
Perguntas do tipo:
- Quais os principais sintomas?
- Quando eles se iniciaram?
- Como os sinais estão evoluindo?
- Se existem momentos de melhora ou situações de piora?
- Fatores que geram a melhora ou a piora dos sintomas?
- Dor
d) História da Moléstia Pregressa (HMP)
História clínica prévia do cliente
Testes e consultas anteriores do atual estado de saúde
Doenças e situações que já sofreu
e) Antecedentes pessoais e familiares
Doenças familiares como diabetes/ hipertensão/ neoplasias
Hábitos alimentares
Hábitos: tabagismo, etilismo e uso de drogas.
Atividades físicas
f) Incapacidades decorridas da patologia
Situações que foram afetadas pela presença da patologia (AVD´s ou AVP´s e transferências)
AVD - atividades da vida diária
Ex: alimentar-se, escovar os dentes, tomar banho etc.
AVP - atividades da vida prática, ex: dirigir, falar ao telefone, escrever etc.Exame Físico
Objetivos:
Detectar achados físicos
Confirmação da suspeita
Identificar outras condições
Somar-se / relacionar-se a anamnese
Realizar:
1. Observação
2. Inspeção
3. Palpação
4. Sinais Vitais
5. Avaliação física e testes especiais
1. Observação:
Observar desde a chegada do paciente até o local da avaliação bem como no processo em si
Comportamento
Deambulação
Vestimenta
2. Inspeção e palpação
“Observação mais cuidadosa e minuciosa”
Realizado sob boa luz
Global e/ou focal
2.1: Pele, anexos e linfático:
Aspecto da pele, coloração, temperatura.
Presença de cicatriz / drenos
Proeminências ósseas
Palpação de gânglios
Úlceras de pressão / eritema / feridas abertas
2.2 : Cabeça e olhos:
Principalmente pacientes acamados ou com historia de traumas na cabeça;
Presença de cicatrizes e drenos/válvulas de derivação;
Superfície óssea;
Ulceração nos olhos (pela falta de hidratação)
2.3 : Nariz e ouvidos:
Presença de saída de líquor em pacientes com história de trauma cerebral e de face
Hemorragia em nariz / ouvido
2.4: Tórax:
Freqüência respiratória / amplitude e ritmo
Paradoxal / apical / basal
Atividades de músculos acessórios;
Deformidades torácicas;
Tosse (tipo / força / eficiência)
Expectoração (coloração)
2.5 : Coração e Sistema Vascular:
Freqüência Cardíaca
Pulsos central e periférico (radial / inguinal / poplíteo / dorsal).
Pele fria / pálida / cianótica = disfunção arterial
Pele quente / vermelha / lustrosa = disfunção venosa
Fenômeno de Raynaud
3. Sinais Vitais
Temperatura;
Pressão arterial;
Pulso;
Respiração;
Escala de Glasgow.
4. Avaliação Física
Sistema Músculo-esquelético
Habilidade para avaliar todo o componente muscular / tendíneo / ligamentar / ósseo
Conhecimentos de anatomia palpatória
“Fragmentada”
Inspeção do Sistema Músculo-esquelético:
Alterações articulares / deformidades
Amputação
Simetria
Edema / equimose
Cicatriz
Defeito de tecidos moles
Contração muscular (fasciculações / tremores)
Hipertrofia / hipotrofia / atrofia
Palpação do Sistema Músculo-esquelético:
Temperatura do segmento
Contornos ósseos;
Consistência muscular (espasmos / hipertonia / hipotonia / tremores e fasciculações);
Dores à palpação;
Massas anormais / continuidade do tecido muscular
Avaliação de ADM
Comparação com a normalidade
Goniometria ativa e passiva;
Verificar compensações
Identificar encurtamentos musculares / alterações articulares
Presença de dor no movimento ativo ou passivo
Espasmo protetor
Testes Específicos
Específico para determinados segmentos/ corporais
Ex: testes especiais ortopédicos, neurológicos, pneumofuncionais, entre outros.
Exames Complementares
Os exames complementares em conjunto com o exame físico permitem confirmar e fechar determinado diagnóstico
Radiologia simples (raios X)
Tomografia computadorizada (TC)
Ressonância magnética (RM)
Cintilografia óssea
CINESIOLOGIA
Conceitos
Cinesiologia: combinação 2 verbos, “Kinein”(mover) e”Logos” (estudar)
Estudo do Movimento Humano
Biomecânica: combinação de “bio” (vida) e “mecânica” (máquina)
Estuda a ação das forças sobre o corpo humano
Divisão da Cinesiologia
Cinesiologia Estrutural e Funcional
Exercício Fisiológico
Cinesiologia do Desenvolvimento
Cinesiologia Psicológica
Biomecânica
Planos e eixos do Movimento
Os planos e eixos são divididos em relação posição anatômica
Corpo ereto
Braços ao lado do corpo
Palmas da mão para frente
Plano Sagital: divide o corpo em lado ESQUERDO e DIREITO
Plano Coronal ou Frontal: divide em anterior/posterior
Plano Transversal: divide em superior (cranial) e inferior (caudal)
Terminologia dos Movimentos
Flexão: o segmento corporal se move no plano antero-posterior com a face anterior ou posterior se aproximando do
segmento adjacente;
Extensão: é o contrário da flexão de uma posição fletida volta para a anatômica;
Hiperextensão: é a continuação da extensão, além da posição anatômica;
Abdução: é um movimento do segmento corporal afastando-se da linha mediana, independentemente de qual o segmento
que se move;
Adução: é uma posição ou movimento aproximando-se da linha mediana;
Circundução: a combinação de todos esses movimentos, em que a parte da extremidade faz um grande círculo no ar,
enquanto as partes próximas à extremidade proximal fazem um círculo pequeno;
Rotação: é o movimento de um osso ou parte dele em torno de seu eixo longitudinal;
Rotação interna ou medial: a superfície anterior se move em direção à linha média;
Rotação lateral ou externa: Se a superfície anterior se movimenta para longe da linha média;
Pronação: rotação interna do braço;
Supinação: rotação externa do braço.
Tipos de Contrações Musculares
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Há três tipos básicos de contrações musculares:
• - Isométrica;
• - Isotônica concêntrica;
• - Isotônica excêntrica.
Função Muscular
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Um músculo pode desenvolver a tensão dentro de si mesmo ou relaxar. Estas ações são influenciadas por:
• Forma / tamanho
• Número de fibras
• Tipo de articulação
• Natureza de origem e inervação
• Ângulo e local de inserção, etc.
Movimentos do Corpo
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• Movimento Passivo (PAS): movimento corporal sem contração muscular continuada. Divide-se:
• Manipulação (MAN);
• Movimento Inercial;
• Movimento Gravitacional.
Manipulação (MAN): A força motriz é outra pessoa, ou outra força externa que não a gravidade. Ex: manipular as vértebras;
Movimento inercial (INER): não há participação de uma contração muscular motriz. Ex: a fase de deslizamento no estilo de
peito em natação;
Movimento gravitacional (GRAV) ou queda: resulta de uma força de aceleração constante com direção e magnitude. Ex:
Queda livre;
Movimento Balístico (BAL): é um movimento composto: 1ª fase é FC+ e a 2ª fase inercial (INER) - A fase final é de
desaceleração (FC-). Ex: golpe de peteca;
Movimento Dirigido (DIR): quando são necessárias uma grande precisão e firmeza, mas não força e velocidade. Ex: arco e
flecha;
Movimento de equilíbrio dinâmico (ED): Os fusos musculares iniciam um serviço de autocontrole postural. Ex: postura
ereta fixa;
Movimento Oscilatório (OSC): o movimento é rapidamente invertido no final de cada excursão curta. Ex: sacudir objeto.
Biomecânica
A mecânica é uma área da física e da engenharia, que lida com a análise das forças que agem sobre um objeto. Seja para a
manutenção deste ou de uma estrutura em um ponto fixo, como a descrição e a causa do movimento do mesmo.
Biomecânica é a aplicação da mecânica aos organismos vivos, tecidos biológicos, aos corpos humanos e animais.
Postura Corporal
A postura do corpo é resultante de inúmeras forças musculares que atuam equilibrando forças impostas sobre o corpo e
todos os movimentos do corpo são causados por forças que agem dentro e sobre o corpo.
Centro de Gravidade
A Gravidade é uma força externa que age sobre um objeto sobre a terra, e para equilibrar essa força, uma segunda força
externa precisa ser induzida. O Centro de Gravidade é o ponto dentro de um objeto onde se pode considerar que, toda a
massa, que constitui o objeto, esteja concentrada.
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A força de gravidade possui 3 características:
É aplicada constantemente sem interrupções;
Única direção-centro da terra;
Atua sobre tudo e todos.
Força
A força é definida por quatro características básicas:
Magnitude de força;
Direção;
Sentido;
Quantidade de tração.
As forças mais comuns na biomecânica são: a força muscular, gravitacional, inércia, de flutuação e força de contato.
A força produzida por músculos depende de vários fatores. Dois desses fatores incluem velocidade de contraçãodo músculo
e comprimento do músculo. O peso de um objeto é resultado da força gravitacional.
Na inércia um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme até receber a ação de uma força.
A força de flutuação tende a resistir à força da gravidade. Na água a magnitude dessa força equivale ao peso de água que o
objeto desloca.
A força de contato existe toda vez que dois objetos se acharem em contato um com o outro.
Esse tipo de força pode ser uma força de reação ou uma força de impacto.
A força pode ser ainda subdividida em uma força normal perpendicular às superfícies de contato e uma força de fricção ou
atrito que é paralela à superfície de contato.
Mecânica
A mecânica se divide em:
A) estática: que considera os corpos num estado de equilíbrio estático;
B) dinâmica: que estuda objetos em movimento Acelerado; Dinâmica se subdivide:
Cinemática: é a geometria do movimento. Inclui deslocamento, velocidade, aceleração, mas não as forças;
Cinética: considera as forças, as causas de um movimento.
Linear, ocorre mais ou menos em uma linha reta, de um lugar para outro. Todas as partes do objeto percorrem a mesma
distância, na mesma direção e ao mesmo tempo.
Se este movimento ocorrer em linha reta é chamado movimento retilíneo.
Se este movimento ocorre numa linha reta, mas em uma forma curva, é chamado curvilíneo.
O movimento de um objeto em tomo de um ponto fixo é o angular ou rotatório.
Todas as partes do objeto movem-se num mesmo ângulo, na mesma direção, ao mesmo tempo. Ex: movimento corpo
humano.
Sistema de alavancas
Uma alavanca é uma barra rígida que gira em torno de um ponto fixo quando uma força é aplicada para vencer a resistência.
Uma quantidade maior de força ou um braço de alavanca mais longo aumentam o movimento de força.
Há três classes de alavancas, cada uma com uma função e uma vantagem mecânica diferente.
Classe das alavancas
Alavanca de Primeira Classe - Interfixa
O eixo (E) está localizado entre a força (F) e a resistência (R). Ex: gangorra, tesoura, alicate.
Alavanca de Segunda Classe – inter-resistente
O eixo (E) está em uma das extremidades, a resistência (R) no meio e a força (F) na outra extremidade. Ex:carro de mão,
abridor de lata.
Alavanca de Terceira Classe – Interpotente
Tem o eixo numa das extremidades, a força no meio, a resistência na extremidade oposta. É a mais comum das alavancas
do corpo. Ex: bíceps, varrer.
Torque
Se for exercida uma força sobre um corpo que possa girar em torno de um ponto central, diz-se que a força gera um torque.
Como o corpo humano se move por uma série de rotações de seus segmentos, a quantidade de torque que um músculo
desenvolve é uma medida muito proveitosa de seu efeito.
A magnitude de um torque está relacionada à magnitude da força que o está gerando, mas um fator adicional é a direção da
força em relação à posição do ponto central.
A distância perpendicular do pivô à linha de ação da força é o braço de alavanca da força. Um método para calcular o torque
é multiplicar a força (F) que gerou pelo braço de alavanca (d).
T = F x d
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1ª LEI DE NEWTON
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É a lei da Inércia, que afirma que um objeto permanece em seu estado existente de movimento a menos que sofra a ação
de uma força externa. Assim, um objeto estacionário não começará a se mover, a menos que uma força externa aja sobre
ele, e um objeto em movimento permanecerá em movimento, na mesma velocidade e direção.
2ª LEI DE NEWTON
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É a lei da aceleração. Afirma que quando uma força externa age sobre um objeto, o objeto muda sua velocidade ou acelera-
se em proporção direta à força aplicada. O objeto irá também acelerar em proporção inversa à sua massa. Assim, a massa
tende a resistir à aceleração. A fórmula bem conhecida como: F = (m. a) é válida para objetos que se movem em translação
ou linearmente.
3ª LEI DE NEWTON
É a lei da interação ou da ação e reação. Diz que quando dois corpos interagem, a força que o corpo A exerce sobre o B é
igual e oposta à força que o B exerce sobre o A. Tais forças são sempre simultâneas, tem mesma intensidade, mesma linha
de ação e sentidos opostos Por serem aplicadas em corpos diferentes, nunca se anulam.
TRABALHO
Em mecânica, o trabalho é o produto de forças sobre um objeto e o deslocamento do objeto paralelo ao componente de
força de resistência do objeto.
O trabalho pode ser expresso em termos diferentes, mas será sempre o produto da força pela distância, como kg x cm, ou
ton x km, etc.
Trabalho (W) = Força (F) x Distância (d).
POTENCIA
Confunde-se com potência. É um tipo de velocidade com que se efetua o trabalho.
É usada para expressar trabalho em relação ao tempo.
Ex. P =T/t
P. (F x D)t.
Ex: Se 1 livro pesa 1 kg e este fosse levantado a 5 metros, num segundo, a potencia seria igual a 5kgm por segundo.
ENERGIA
É a capacidade de fazer trabalho. Existem muitas formas de energia, dentre elas a energia mecânica e o calor.
A energia mecânica divide-se em potencial e cinética. A potencial é a energia armazenada. Possui o potencial para ser
liberada e tornar-se energia cinética, que é a energia de movimento.
PROGRESSÕES
Mudança de decúbito
Pontos Chaves
Utilizar os pontos chaves para fazer as progressões!
Pontos chaves: são as grandes articulações, cintura-escapular e pélvica, que nos ajudam a realizar as mudanças no
nosso paciente.
Elas servem tanto para ajudar, quanto para dificultar o movimento, no caso de um treino resistido.
1) Mudança de DD para DV;
Paciente em DD, no colchonete, ou no tablado, fisioterapeuta a frete dele, com o membro inferior do
paciente (do lado contrário ao que o paciente vai deitar) em flexão de quadril + abdução + RE e flexão de joelho e
dorso-flexão do tornozelo. Faz um movimento de alavanca = fazendo adução do quadril + extensão de joelho e
quadril e RI.
Após mudança posicionar lateralmente a cabeça do paciente para liberar vias aéreas.
2) Mudança de DV para DD;
Paciente em DV com o membro em flexão de quadril + abdução + RE + flexão de joelho.Terapeuta
vai segurar esse membro e irá fazer um movimento de alavanca para traz aduzindo o membro + extensão de quadril
e extensão de joelho.
Lembrar sempre que na mudança de decúbito, seja de DD → DV ou DV → DD, prestar atenção no MMSS do
paciente do lado que ele vai ser colocado para que não fique por baixo do corpo dele. Nesse caso coloque o MS em
flexão de ombro total.
3) Mudança de DD para DL:
Utilizara os pontos chaves para facilitar a movimentação. Membro superior estendido ao lado do
corpo do paciente. Utilizar a cintura escapular e pélvica para colocar o paciente em DL. Posso também fazer flexão
de tronco associada à dissociação da pelve para o lado que vai posicionar e depois utilizar a cintura-escapular para
posicionar corretamente a paciente.
4) Mudança de DL para sentado
Paciente em DL em uma maca, ou cama, fazer flexão de quadril e joelho bilateral e colocar os MMII
pendentes e após isso com as mãos na escápula do paciente trazê-lo para a posição sentada. O paciente pode
auxiliar apoiando o seu membro no pescoço do terapeuta.
Se o paciente conseguir se posicionar sozinho, orientá-lo a utilizar seu membro que não está apoiado
na cama, como uma alavanca para impulsionar o seu corpo para cima.
5) Mudança de sentado para em pé ao lado da cama:
Terapeuta a frente do paciente. Pedir para ele colocar seus braços em torno do pescoço do terapeuta.
Com as mãos na pelve do paciente colocá-lo em pé.
Se o paciente tiver fraqueza muscular do quadríceps, uma das pernas do paciente deve ficar apoiada
nojoelho do paciente para forçar a extensão.
A partir dessa posição posso colocar o paciente na cadeira de rodas utilizando um jogo com o corpo
do paciente (virando o tronco do paciente) e colocando-o sentado.
6) Mudança de sentado na cadeira de rodas para sentado na cama (paciente irá realizar esse movimento
sozinho):
Cadeira de rodas apoiada ao lado da cama do paciente, paciente irá apoiar seus MMSS ao lado do
corpo com as mãos espalmadas. Paciente irá fazer força com o MMSS, de modo que levante o seu corpo e leve o
seu corpo para a cama.
Pode ser feito da cama para cadeira de rodas da mesma forma.
Em cada posição será importante treinar controle de cabeça, descarga de peso, equilíbrio.
Paciente em DV, terapeuta irá levantar a cabeça do paciente para ele olhar para frente = fazer
controle de tronco.
Após controle de cabeça, passar para apoiado sobre os cotovelos e depois sobre as mãos
(treinar equilíbrio e descarga de peso).
Após isso, terapeuta “puxa” o paciente para traz com o ponto-chave de cintura pélvica e
coloca-o sentado sobre os calcanhares.
Posso a partir de apoiado sobre os membros superiores trazer o paciente para posição de “gatas”. Treinar descarga
de peso e treino de equilíbrio.
Treinar engatinhar com resistência para frente e para traz.
A partir do gatas colocar o paciente na posição ajoelhada. Nessa posição treinar descarga de peso e
equilíbrio, marcha ajoelhado (ideal para dissociação pélvica).
A partir do ajoelhado progredir para o semi-ajoelhado. Nessa posição treinar descarga de peso e
equilíbrio.
Após a posição de semi-ajoelhado passar apara a posição de bipedestação. Terapeuta a frente do
paciente para auxiliar no movimento. Treinar equilíbrio e descarga de peso.
Após posição de bipedestação, treinar marcha, com auxilio e resistência (utilizando-se os pontos chaves).
Treino de marcha na escada, na rampa.
Treino de marcha lateral; com os olhos fechados, para frente e para traz, na barra paralela.
AVALIAÇÃO EM FISIOTERAPIA CARDIOLÓGICA
Coleta de dados
HMA
HMP
Medicamentos
HF
Hábitos de vida
Fumo
Atividade física
Exames complementares
Resultados de testes
Avaliação subjetiva
Qual a principal queixa?
O que incomoda mais?
O que sente (quais os sintomas)?
Dor, dispnéia, palpitação etc
Questionar tipo de dor, duração, local etc
O que agrava ou melhora os sintomas?
Patologias associadas
Diabetes – doença vascular periférica
Dislipidemias
Aneurismas
Aterosclerose
Arteriosclerose
Obesidade e síndrome metabólica
DPOC
Sinais e Sintomas comuns em patologias cardíacas
Dispnéia
Dor torácica - Angina
Síncope
Ascite – excesso de líquido no abdômen
Edema
Dispnéia
Causa cardíaca ou respiratória
Anemia
Dispnéia de esforço que se resolve rapidamente com o repouso pode ser sinal de isquemia do miocárdio
Ortopnéia
Dispnéia paroxística Noturna (DPN)- comum em ICC (Insuficiência cardíaca congestiva)
Angina
Angina estável – pectoris –de esforço
Ocorre quando há DAC (Doença Arterial Coronariana) e o fluxo sanguíneo não pode ser aumentado para atender a
demanda – isquemia
Dura cerca de minutos
Pode ser desencadeada por exercício
Angina instável
Angina de repouso
Angina de começo súbito
Pode estar relacionada a patologias de agregação plaquetária
Indica risco alto de IM (infarto do miocárdio) ou morte
Avaliação objetiva
Exame físico – inspeção e palpação
Temperatura
Frequência cardíaca – palpação de pulsos
Taquicardia
Bradicardia
Avaliação objetiva
Frequência respiratória
Taquipnéia
Bradipnéia
Pressão arterial
Hipertensão
Hipotensão
Hipotensão postural
Peso corporal
IMC (índice de massa corporal)
Relação cintura-quadril
Mãos
Baqueteamento digital
Olhos
Palidez (anemia)
Icterícia (distúrbio hepático ou sanguíneo)
Cianose
Boca
Extremidades
Edema periférico
Padrão respiratório
Eupnéico
Taquipnéico
Bradipnéico
Apnéia
Dispnéia
Ausculta Cardíaca
1 bulha – fechamento das valvas mitral e tricúspide
2 bulha – fechamento das valvas aórtica e pulmonar - formada por 2 componentes A (som de fechamento da válvula aórtica
– mais alto) e P (fechamento da válvula pulmonar)
Baqueteamento
Treinar ausculta cardíaca
Testes específicos
Caminhada de 6 minutos
Teste de esforço
Esteira
Cicloergômetrico
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA – HAS
Pressão arterial
É a força exercida pelo sangue contra as paredes arteriais, é determinada pela quantidade de sangue bombeado e pela
resistência ao fluxo sanguíneo.
– Pressão sistólica – pressão quando o sangue é ejetado durante a sístole ventricular
– Pressão diastólica – pressão durante o relaxamento ventricular
– PAS-PAD= pressão de pulso
– Pressão arterial média ex: aorta, aorta-arteríolas, areteríolas-capilares, veia cava.
Fórmulas:
PA= Q x RVP
Q = VE x FC
OBS:
Q= débito cardíaco
VE= volume ejetado
RVP= resistência vascular periférica
Mecanismos de controle da PA
Curto prazo
– Barorreceptores da aorta e carótida
– Centro Vasomotor
– Sistema nervoso simpático
Controle renal
Controle em longo prazo da PA
Renina – angiotensina
Hipertensão
Tipos de Hipertensão
Primária ou essencial (95%)
Causas desconhecidas e hereditária
Secundária (5%) Causas conhecidas
- Renal = Aumento do volume sanguíneo
- Hormonal = Aumento do volume sanguíneo
-Neurogênica = Causas pouco conhecidas
Exemplos de HAS secundária
Doença renal
Doença endócrina:
– Hipo ou hipertireoidismo
– Distúrbio adrenal
Hormônios exógenos
– Glicocorticóides
Distúrbios neurológicos
Estresse agudo
Drogas e medicação, entre outros.
Fatores envolvidos no controle da PA
HAS
Doença insidiosa, frequentemente sem sintomas.
Principal manifestação cardíaca da hipertensão é a hipertrofia do ventrículo esquerdo (HVE)
HVE
Causas: aumento da pós-carga por aumento da RVP e rigidez arterial
A HVE leva a uma rigidez ventricular pelo aumento da fibrose intersticial e contribui para a isquemia miocárdica
Este quadro evolui para ICC (insuficiência cardíaca congestiva) e DAC (doença arterial coronariana)
Manifestações funcionais da HVE:
– Comprometimento do relaxamento
– Diminuição da complacência do VE
– longo prazo pode haver congestão pulmonar
– Hipertrofia arteriolar coronariana
– Redução da vascularidade miocárdica
– Fibrose perivascular
Terapia
Em pacientes de maior risco (diabetes ou doença renal)
– Terapia farmacológica já na PA levemente aumentada
– Atividade física
Pacientes com PA normal-alta ou com forte predisposição familiar
– Mudanças nos hábitos de vida
– Atividade física
– Terapia medicamentosa pode não ser necessária
Quando não há diminuição da PA com os fatores acima, a terapia medicamentosa é indicada.
Principais fármacos
Diuréticos
Bloqueadores dos receptores �-adrenérgicos
Inibidores da enzima conversora da angiotensina
Bloqueadores dos receptores da angiotensina
Antagonistas do cálcio - vasodilatadores
Beta-Bloqueadores
Propanolol, Atenolol, Metoprolol, Esmolol, Timolol, Nadolol, Pindolol, Bucindolol, Carvedilol, Bisoprolol,
Sotalol*
Mecanismo de ação
– Redução do tônus simpático
– Redução na liberação de renina,
– diminuição do débito cardíaco,
– modulação da regulação da PA ao nível do S.N.C.
– diminuição da aferência simpática.
– reduzem o consumo de O2 miocárdico
– diminuição da freqüência cardíaca.
– diástole prolongada aumenta o tempo de perfusão coronariana.
– Também atuam reduzindo o aumento da PA induzida pelo exercício e limitando o aumento da contratilidade nessa
situação.
Diuréticos
Tiazídicose Similares
Clássicos: Hidroclorotiazida
Derivados das Sulfonamidas: Clortalidona e Indapamida
Mecanismo de Ação Hipotensora
a) Depleção do volume plasmático
b) Eliminação do edema da parede do vaso
c) Redução da reatividade vascular
d) Ação vasodilatadora direta.
Bloqueadores AT1
Losartan , Valsartan, Irbesartan, Candersartan
Mecanismo de ação
Bloqueio dos receptores AT1 da angiotensina II, inibindo a ação do eixo da renina. O mensageiro final do eixo
reninaangiotensina é a angiotensina II, que se ligando ao receptor AT1 causa vasoconstricção e retenções hídricas, ambos
levando ao aumento da pressão arterial. O bloqueio do receptor AT1 resulta na redução da pressão arterial e nos efeitos
benéficos na ICC.
Portanto os efeitos são similares aos inibidores da enzima conversora, com as vantagens de atuar sobre o ponto final do
eixo renina angiotensina, e, portanto sobre a angiotensina II resultante das vias não dependentes da enzima conversora.
Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina
Captopril, Enalapril, Lisinopril, Benazepril, Fosinopril, Cilazapril, Ramipril, Quinapril, Perindopril, Trandolapril, Delapril
Mecanismo de ação
Bloqueio da ação da enzima conversora da angiotensina.
Menor formação de angiotensina II, potente vasoconstritor e estimulador da aldosterona. O IECA é inibidora também da
degradação da bradicinina, potente vasodilatador, que, portanto tem sua ação aumentada.
Modificações no estilo de vida
Perda de peso
Moderação da ingesta de álcool
Atividade física aeróbia regular
Redução da ingesta de sódio
Evitar tabagismo
Restrições dietéticas
Efeitos do Exercício na PA
Mecanismo:
Exercícios dinâmicos x estáticos
Dinâmicos: andar, correr, nadar, pedalar, etc. Obj: desenvolver resistência. Causam maior vasodilatação e a PA vai caindo
aos poucos (pico de queda após o termino da atividade). Hipotensão pós-exercício chega a durar 12 horas em hipertensos!
“A queda na pressão é mais pronunciada se a atividade física ocorreu continuamente por pelo menos trinta minutos”
Estático: levantamento de peso, etc. Obj: desenvolver força.
FISIOTERAPIA
Cuidados durante atividade
Ficar atento aos sinais e sintomas:
Dispnéia
Dor torácica e/ou face e/ou ombro e/ou membro superior esquerdo
Parestesias
Alterações na PA e FC
Excesso de fadiga
Tontura
Náuseas ou cefaléia
Exames Complementares
Avaliar sempre testes de esforço e eletrocardiograma, caso o paciente tenha feito
Complicações e possíveis contra-indicações ao exercício
Angina (instável e estável), Insuficiência Cardíaca, Arritmias, pneumopatias, hipertensão não controlada.
ATEROSCLEROSE E O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM)
Aspectos Epidemiológicos
A cardiopatia isquêmica permanece como a principal causa de morte no mundo ocidental;
Cerca de 50% das mortes por IAM ocorrem na primeira hora do evento e são atribuíveis a arritmias, mais frequentemente
fibrilação ventricular.
Mecanismos determinantes da isquemia miocárdica nas síndromes coronárias agudas
1. Trombo sobre placa aterosclerótica vulnerável
2. Espasmo coronário ou vasoconstricção
3. Progressão da placa aterosclerótica
4. Desequilíbrio oferta / consumo de O2
Estrutura da Artéria
TRILAMINAL
ÍNTIMA - Células endoteliais – camada única capaz de manter o sangue em estado líquido por tempo prolongado por ter
expressão de moléculas com sulfato de heparan – co fator da antitrombina III, que permite inativar a trombina.
MÉDIA
Constituída por células musculares lisas, intercaladas com matriz extracelular rica em elastina.
ADVENTÍCIA
Fibrilas de colágeno de forma mais livre.
Colesterol
É um tipo de Lipídeo encontrado naturalmente em nosso organismo, fundamental para o seu funcionamento normal.
É uma espécie de gordura (lipídeo) encontrada no sangue.
É um componente importante da membrana celular, de alguns hormônios e para as atividades de alguns tecidos.
Na corrente sanguínea existem dois tipos:
LDL - É chamado também de LDL colesterol ou colesterol mau, porque essa lipoproteína entra na composição da placa da
aterosclerose e na formação do trombo.
HDL - É o bom colesterol
Hiperlipidemia ou Dislipidemia
Presença de níveis elevados ou anormais de lipídios (gorduras) no sangue.
No sangue estão ligadas às moléculas grandes, chamadas de lipoproteínas.
São LDL, HDL e triglicérides.
Causas do Aumento do Colesterol
Gorduras Saturadas
Gorduras Trans
Fatores Genéticos ou
Hereditários
Diabetes mal controlada
Cirrose
Hipoatividade da tireóide
Hiperatividade da Hipófise
Insuficiência renal
Porfiria
Aterosclerose
É um processo crônico e contínuo caracterizado por uma resposta inflamatória e fibroproliferativa da parede arterial mediada
por lesões da superfície arterial
O processo em si é caracterizado por acumulo de lípides e elementos fibróticos.
A lesão arterial inicial ocorre na superfície endotelial, ocasionando disfunção endotelial.
Tal disfunção desencadeia interações com monócitos, plaquetas, células musculares lisas e, eventualmente, linfócitos,
dando início à formação da placa de ateroma.
Os monócitos chegam à superfície endotelial, transmigram para a camada íntima e fagocitam partículas de LDL colesterol,
originando as células espumosas e as estrias gordurosas – substrato anatômico inicial da doença aterosclerótica.
Evolução
Os macrófagos e as células espumosas dispõem-se preferencialmente nas margens da placa, onde o recrutamento de
monócitos é máximo e por onde a placa cresce.
Nesta região observa-se neovascularização, com a presença de pequenos capilares de paredes finas suscetíveis a rotura
podendo causar hemorragia transmural e rotura da placa.
DIAGNÓSTICO DE INFARTO DO MIOCÁRDIO
História típica de dor precordial
Alterações eletrocardiográficas
Elevação enzimática
Manifestações Clínicas
Características da dor
Sintomas associados
Sintomas
Dor fixa no peito, que pode variar de fraca a muito forte, ou sensação de compressão no peito que geralmente dura cerca de
trinta minutos;
Ardor no peito, muitas vezes confundido com azia.
Dor no peito que se irradia pela mandíbula e/ou pelos ombros ou braços (mais freqüentemente do lado esquerdo do corpo);
Ocorrência de suor, náuseas, vômito, tontura e desfalecimento;
Ansiedade, agitação e sensação de morte iminente.
Alterações eletrocardiográficas
O diagnóstico eletrocardiográfico é dado pela análise do ECG 12 derivações, o qual apresenta alterações de ST / T / onda Q
importante.
Alterações eletrocardiográficas no iam
Tratamentos
Repouso
Medicamentos
Monitorização da doença
Cateterismo
Angioplastia coronária
Cirurgia de enxerto de revascularização coronária
Medidas Iniciais
Obtenção dos sinais vitais: PA, frequência cardíaca e exame físico;
Oxigênio por cateter ou máscara;
Obtenção de acesso venoso;
Monitorização do ritmo cardíaco e da saturação de O2 não invasiva;
Administração de 200mg de aspirina via oral;
Nitrato sublingual 5mg;
ECG;
Administração endovenosa de morfina quando a dor é muito intensa e não melhora com nitrato.
Angioplastia
Revascularização
CUIDADOS PRÉ-OPERATÓRIO E PÓS-OPERATÓRIO EM CIRURGIA CARDÍACA
Pré-operatório
Avaliação de risco cirúrgico
Os fatores de risco mais importantes incluem:
Idade
Sexo
Função do ventrículo esquerdo
Estado de emergência
Reoperação
Infarto do miocárdio prévio
Número de Bypass
Presença de co-morbidades (pulmonar, renal, etc).
Otimização do estado pré-operatório
Condição geral e estado nutricional
Indivíduos com IMC <21 têm maior mortalidade cirúrgica.(sepses e inspeção respiratória no PO), se possível, adiar a cirurgia
e realizar aporte adequado para obtenção de melhora desse parâmetro.
Evitar período prolongado de inatividade para evitarfraqueza muscular o que favorece TVP e complicações pulmonares.
Adiar e tratar no pré-operatório a situação de síndrome de Abstinência alcoólica (tiamina), além de nutrição e hidratação
inadequada.
Coagulação
Tempo de sangramento(avaliar o efeito residual do AAS)
Avaliação da função plaquetária
Contagem de plaquetas
Drogas no pré-operatório
Os medicamentos devem ser avaliados pelo médico, porém muitas drogas permanecem até a cirurgia, como antiarrítmicos,
anti-hipertensivos e bloqueadores de canais de cálcio.
Avaliação das carótidas
Caso seja diagnosticada oclusão > 70% discutir com a vascular para procedimento concomitante ou até anterior da correção
do problema carotídeo.
Avaliação da função pulmonar
Raramente é necessária a realização de teste de função pulmonar, pois embora úteis para predizer desmame da ventilação
mecânica, eles raramente alteram a conduta terapêutica no pós-operatório.(a não ser em pacientes com grave
comprometimento ou por doenças previamente diagnosticadas).
Gasometria (função respiratória basal e parâmetro barato)
Monitorização hemodinâmica e suporte cardíaco
Cateteres de Swan-gans devem ser utilizados em pacientes instáveis hemodinamicamente.
O cateter de Swan Ganz destina-se a pacientes com indicação de monitorização de dados hemodinâmicos e de oxigenação
invasivos
Pós-operatório
Recuperação
A maioria dos pacientes se recupera rápida e integralmente após a cirurgia cardíaca.
Fatores que interferem na recuperação
Condições do paciente-idade avançada, IAM recente, FE baixa e DM.(aumentam o risco cirúrgico)
Qualidade do pré-operatório
Qualidade da cirurgia
Suporte dado ao paciente à medida que os sistemas orgânicos se recuperam da anestesia, do bypass cardiopulmonar e do
stress cirúrgico.
O objetivo é estabelecer o meio geral ideal para a recuperação do paciente. O plano terapêutico apesar de em linhas gerais
ser semelhante, necessita de individualização de acordo com os fatores prévios conhecidos do paciente.
Critérios de evolução na CTI
Questões do paciente
Evolução diária
Mapa de cuidados
Plano de educação para o paciente em todo processo de recuperação.
É muito importante salientar a necessidade da atuação multidisciplinar para a obtenção dos melhores resultados nesta
situação.
O preparo para receber o paciente
Leito
Monitorização
Aspiração
Drenos
Drogas
Aparelho de ventilação mecânica
Preenchimento dos dados gerais e exames
Avaliação inicial
Passagem do caso e exame do paciente
Infusões
Monitorização
Vias aéreas e ventilação mecânica
Exames - ECG
Exames hematológicos
Rx de tórax
Outros exames (de acordo com os casos) e os de controle (rotina), seguirão o protocolo pré definido.
Exame do paciente
Ausculta cardíaca -Ritmo cardíaco/sopro
Perfusão periférica/temperatura corporal
Abdômen
Neurológico
Hemodinâmica
Acessos vasculares
Tubos torácicos
Aspectos críticos no pós-operatório
Recuperação do bypass cardiopulmonar
Administração de fluídos e eletrólitos
Equilíbrio ácido-básico
Função cardíaca -Débito cardíaco(FCXVS)
- pressões de enchimento
- pré-carga
- pós-carga
Oferta de oxigênio - MVO2
- Hipoxemia
- Acidose lática
Frequência cardíaca
Estado inotrópico
Assistência ventricular mecânica
Balão intra aórtico IA (60 a 90%)
Dispositivos de aspiração ventricular (DAVs)-(0.2 a 1%)
Coração artificial
Complicações no pós-operatório
Complicações respiratórias – insuficiência respiratória aguda
Conceito de insuficiência respiratória
Incapacidade do sistema respiratório de manter as necessidades metabólicas do organismo, resultando em hipóxia e/ou
hipercapnia.
Sinais de IR
Taquipnéia
Respiração paradoxal
Agitação ou alterações do estado mental
Taquicardia ou bradicardia
Arritmias
Diaforese
Etiologia
Fração inspirada de O2 baixa
Hipoventilação
Baixa relação ventilação-perfusão
Shunt
Dificuldade de difusão
Edema pulmonar
Pneumonias
Hipertensão pulmonar
Broncoespasmo
Pneumotórax
Hemotórax
atelectasia
Dificuldade de desmame do ventilador mecânico
Diagnóstico
Gasometria arterial
Raios-X
Testes de função pulmonar
Complicações neurológicas
Encefalopatia (quadros infecciosos, falência renal)
Confusão mental (causas metabólicas ou vasculares – embolização de pequenas artérias e capilares cerebrais devido a
CEC)
AVE
Complicações por baixo débito cardíaco
Incapacidade do coração de mandar fluxo suficiente para atender à demanda metabólica tecidual
Pode estar relacionada a: Diminuição na pré-carga ventrículo esquerdo
Diminuição na contratilidade
Taquicardia/bradicardia
Aumento da pós-carga
Hipotensão
Insuficiência adrenal
Diagnóstico
HAS associada a sinais de baixa perfusão: cianose, extremidades frias, confusão mental.
Tratamento
Assistência circulatória mecânica
Balão intra-aórtico
Bombas centrífugas
Dispositivo de assistência ventricular – coração artificial
O ELETROCARDIOGRAMA NO DIAGNÓSTICO DAS CARDIOPATIAS
As Ondas do Eletrocardiograma
Princípios básicos
ECG Standar – 12 derivações
Para ocorrer o sinal elétrico deve haver um eletrodo + e um –
Derivações
Derivações do Plano Horizontal
V1 - Quarto espaço intercostal linha para esternal direita
V2 - Quarto espaço intercostal linha para esternal esquerda
V3 - Entre V2 e V4
V4 - Quinto espaço intercostal na linha hemiclavicular
V5 - Quinto espaço intercostal linha axilar anterior
V6 - Quinto espaço intercostal, linha axilar média.
Derivações pré-cordiais Plano horizontal
Despolarização e Repolarização
Medida Horizontal
Freqüência Cardíaca
Determinação da Freqüência Cardíaca
Interpretação do Eletrocardiograma
Identificar o ritmo cardíaco
Ritmo sinusal
ENLACE A/V
Uma onda P precedendo cada QRS
Cada QRS antecedido por uma onda P
Calcular a freqüência cardíaca
Freqüência cardíaca normal entre 60 e 100 bpm.
INTERVALO P-R
Medir do início da onda P ao início do QRS
Varia de acordo com a idade e a freqüência cardíaca
� � 0,20 Bloqueio A/V
Bloqueio A/V de primeiro grau
SEGMENTO ST
Vai do fim do QRS (ponto J) ao início da onda T
Deve estar no mesmo nível do PR
Alterações do ST
Supradesnivelamento
Lesão miocárdica (fase inicial do IAM)
Pericardite aguda
Infradesnivelamento
Lesão miocárdica (fase inicial do IAM)
Segmento ST normal
Infradesnivelamento de ST
Supradesnivelamento de ST
Onda T normal
Onda T - Isquemia Sub-epicárdica
Onda T - Isquemia Sub-endocárdica
Taquicardia
Extra-sístoles ventriculares
Flutter atrial
Flutter ventricular
Fibrilação atrial – ondas p irregulares
Fibrilação ventricular- assimétricas
Bloqueio de ramo
Isquemia
RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR
Conceito de PCR: interrupção súbita da atividade mecânica cardíaca. É a falência cardio-pulmonar aguda que torna
insuficiente o fluxo sangüíneo para manter a função cerebral.
ACLS (ADVANCED CARDIAC LIFE SUPPORT)
ABCD PRIMÁRIO
A – ALERTA (avaliar responsividade) e se não houver, acionar AJUDA. ABRIR vias aéreas, ver, ouvir e sentir se há
respiração. Alinhamento da cabeça com o tronco. Extensão do pescoço. Tração anterior da mandíbula.
B – RESPIRAÇÃO – aplicar duas ventilações amplas iniciais com “ambú”, que deve estar ligado à fonte de O2 com 10l/min.
C – CIRCULAÇÃO – massagem cardíaca externa, com freqüência de 100/minuto, de forma regular e rítmica.
DEVEM SER REALIZADAS 30 COMPRESSÕES PARA 2 VENTILAÇÕES, INDEPENDENTE SE 1 OU 2 SOCORRISTAS
D – DESFIBRILAÇÃO – checagem do ritmo e na presença de fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV) sem
pulso, administrar os choques. Devem ser administrados até 3 choques em seqüência,sem a retirada das pás do tórax e
sem a checagem do pulso entre os choques. Recomenda-se 200J para o primeiro choque, seguida de 300J e 360J.
ABCD SECUNDÁRIO
A – ASSEGURAR VIAS AÉREAS – intubação orotraqueal.
B – VENTILAÇÃO – conferir a posição do tubo traqueal e avaliar se o paciente está ventilando adequadamente.
C – CIRCULAÇÃO – obter acesso venoso e administrar os medicamentos. Local preferível para os acessos é a região
antecubital dos membros superiores. Após cada medicação, recomenda-se a administração de 10 a 20 ml de soro fisiológico,
seguido por elevação do membro superior por alguns segundos.
Não deve ser realizada a punção de veia central durante o procedimento de reanimação.
Se não for possível o acesso venoso periférico, a injeção de alguns medicamentos pode ser feita pelo tubo orotraqueal –
ADRENALINA, ATROPINA, LIDOCAÍNA, NARCAN. Utilizar nestas situações o dobro da dose intravenosa e lavar o tubo
com 10 ml de soro para ajudar a infundir o medicamento.
D – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
ALGORITMOS
1. SUPORTE BÁSICO DE VIDA
2. FIBRILAÇÃO VENTRICULAR/ TAQUICARDIA VENTRICULAR SEM PULSO
Obs: Não há dosagens máximas de adrenalina, que deverá ser mantida enquanto durar a tentativa de reanimação. 2.
Dentre os antiarrítmicos, a amiodarona é que apresenta os melhores resultados (dose inicial 300mg IV em bolus, podendo
ser repetida metade da dose em 3 a 5 minutos, se o paciente persistir em FV/TV sem pulso).
3. ASSISTOLIA
Obs: Certificar-se antes de qualquer conduta, que o paciente está em assistolia.
4. ATIVIDADE ELÉTRICA SEM PULSO
Medicamentos utilizados na PCR:
Adrenalina
- efeito vasoconstritor periférico – melhora fluxo coronário e cerebral.
- dose: 1 mg (IV) a cada 3-5 minutos
- 1 ampola – 1 ml – 1 mg
Atropina
- utilizado em bradicardias, BAV e assistolias.
- bloqueador vagal.
- dose: 0,5 a 1,0mg (IV) a cada 3-5minutos, com dose máxima de 0,04mg/Kg.
- 1 amp – 1ml – 0,25mg
Vasopressina
- vasoconstritor
- dose: 40UI (IV)
Amiodarona
- indicada nos casos de FV/TV sem pulso
- dose: Na PCR - 300mg (IV) em bolus, podendo ser administrada metade da dose em 3-5min. Nas arritmias, 150mg
em 10 minutos pode ser repetida em 10 minutos ou por infusão lenta de 60mg/hora por 6 horas. Dose máxima em 24 horas:
2,2g.
Lidocaína
- indicada nos casos de FV/TV refratária
- dose: 1,0-1,5mg/Kg (IV) em bolus, podendo ser repetida a cada 5-10 minutos, num total de 3mg/Kg. Manter
manutenção de 2 a 4 mg/min.
Procainamida
- dose inicial: 30mg/min num total de 17mg/Kg, com manutenção de 1 a 4 mg/min.
Gluconato de cálcio
- usado se hipercalemia, hipocalcemia ou hipermagnesemia.
- dose: gluconato de cálcio a 10% - 5 a 10 ml (IV) lento, repetindo a cada 10 minutos, se necessário.
- não utilizar junto ao bicarbonato de sódio na mesma via de infusão.
Sulfato de magnésio
- utilizado em FV e TV refratárias e recorrentes.
- dose: 1 a 2 gramas diluído em 100 ml de SG5% e administrado em até 60 minutos. Pode ser feito em bolus em
casos de FV/TV refratária.
Bicarbonato de sódio
- ventilação e massagem cardíaca adequada são as medidas mais efetivas no controle da acidose metabólica
durante PCR.
- dose: 1mEq/Kg, repetir se necessário após 10 minutos.
Reabilitação cardiovascular
Definição
Processo por meio do qual se busca restituir ao indivíduo boas condições clínicas, psicológicas e laborativas.
Objetivos
�
Indicações
Aparentemente saudáveis com risco;
Com testes ou exames anormais;
Portadores de DAC;
Isquemia silenciosa;
Angina estável;
Pós IAM, revascularização ou angioplastia;
Valvopatias;
Marcapasso;
Pós-cirurgias cardíacas em geral.
Efeitos da Reabilitação e do exercício
Agudos
Imediatos: � da FC, FR e sudorese
Tardios (24h): � da PA e � da sensibilidade à insulina
Crônicos
Hipertrofia muscular e � do VO²
VO² máx e VO² pico
Resultante do produto do débito cardíaco pela diferença do conteúdo artério-venoso sistêmico de oxigênio; nestas
circunstâncias, ela reflete o desempenho do coração como bomba, bem como a eficiência da distribuição do fluxo sanguíneo
e a utilização periférica do oxigênio em nível mitocondrial.
Efeitos do exercício no sistema cardiovascular
� a atividade simpática do coração.
Tipo de exercício de débito
Efeitos do exercício no paciente cardiopata
Contra-indicações ao exercício
Angina instável
Tromboflebite
Embolia recente
Infecção sistêmica aguda
Pericardite ou miocardite aguda
Arritmia não controlada
Insuficiência ou estenose aórtica grave
IC descompensada
HAS descontrolada
DM descontrolada
Outros problemas metabólicos descompensados
Riscos para o desenvolvimento de exercício de média intensidade ao cardiopata
Sem risco
Aparentemente saudáveis, < de 40 anos, assintomáticos, 2 ou menos fatores de risco.
Qualquer idade, com TE negativo, sem fatores de risco.
Baixo risco
Cardiopatia estável ou com teste ergométrico normal
Moderado a alto risco
Teste ergométrico com queda persistente da PA, angina ou comportamento anormal de ST.
Antecedentes de PCR ou dois ou mais IAM
Risco muito alto ou proibitivo
Cardiopatia de evolução instável
Insuficiência cardíaca
Angina ou isquemia instável
Estenose aórtica grave
Sequela grave
Estratégias
Ideal: 3 sessões por semana
40 a 50 min de duração
Carga inicial cerca de 65% da Fcmax predita ou do ECG obtido em TE de esforço máximo.
FC de treinamento
Reabilitação cardíaca
Fase I – intra-hospitalar
Reabilitação cardíaca
Fase II–Alta hospitalar – até 2 a 3 semanas
Reabilitação cardíaca
Fase III– Após 3 meses do evento coronariano
TROMBOSE VENOSA PROFUNDA
Trombose Venosa profunda: é a formação de um trombo nas grandes veias da perna no nível ou acima do joelho (ex. veias
poplítea, femoral e ilíaca)
Etiologia:
Tríade de Virchow: Estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade.
Patogênese
A tríade de Virchow
Lesão Endotelial
Estase ou turbulência do fluxo sanguíneo Hipercoagulabilidade
Condições clínicas (80%):
Estase venosa
Sepse
Pós-operatório
Neoplasias
Traumatismos
Insuficiência Cardíaca Congestiva
Síndrome Nefrótica
Insuficiência venosa
Obesidade
Queimaduras
Tabagismo
Idade avançada
Uso de estrógenos
Problemas anatômicos vasculares
É a principal causa do tromboembolismo pulmonar (TEP)
Geralmente é assintomática
Profilaxia farmacológica ou não farmacológica deve ser instituída de rotina.
Localização:
Vasos distais (abaixo da veia poplítea), porém podem se propagar p/ segmentos proximais (veias poplíteas, femorais, ilíacas
e cava).
Sinais e Sintomas:
Dor a palpação e dorsiflexão do pé (sinal de Homans)
Dor a compressão da panturrilha (sinal de ���������)
Sinais e sintomas:
Dor
Edema
Sensação de peso
Impotência funcional
Hipersensibilidade local
Aumento da temperatura local
Circulação colateral venosa superficial
TROMBOSE
Edema pela estase venosa
Palidez e Cianose do MI (espasmo arterial)
Síndrome compartimental (pelo edema): Dor, edema, cianose, petéquias hemorrágicas.
Complicações Principais: TEP e Síndrome pós TVP (hipertensão venosa)
EVOLUÇÃO
Phlegmasia Cerúlea Dolens. Quadro mais grave da trombose venosa profunda, leva a isquemia arterial com necrose da
extremidade.
Sequência de eventos no TEP
Do ponto de vista respiratório:
A redução do fluxo sanguíneo determina lesão celular da área afetada e liberação de mediadores químicos que levam a
broncoconstricção local (compensatória) (sibilos e aumento do trabalho para respirar)
2 a 3 hrs depois, inicia-se a redução do surfactante pulmonar
15 a 24 hrs após a oclusãovascular ocorre o colapso alveolar (Atelectasia)
Do ponto de vista hemodinâmico
O TEP leva ao aumento da resistência ao fluxo sanguíneo (obstrução física e vasoconstricção reflexa), originando uma
hipertensão pulmonar secundária.
Pode levar à IC direita, redução do débito cardíaco (direito e, por consequência, esquerdo), diminuição da perfusão
coronariana e choque cardiogênico.
Estima-se que seja necessário um comprometimento de pelo menos 50% do leito vascular pulmonar para que ocorra
elevação significativa da pressão pulmonar e cor pulmonale.
Diagnóstico:
Anamnese
Exame físico
Doppler de MMII
Arteriografia/ Flebografia
Profilaxia
Durante a internação a profilaxia farmacológica deverá ser mantida enquanto persistirem os fatores de risco
Após Alta: Alto risco, farmacológico 3/4 semanas, baixo risco não farmacológico.
Profilaxia não farmacológica:
Meias elásticas, deambulação, compressão pneumática
Pré Operatório
Pacientes de risco moderado e paciente de alto risco: Tratamento anticoagulante
Contra indicações absolutas: Presença de sangramento ativo e distúrbios hemorrágicos graves
Empregar medidas que melhoram o retorno venoso como deambulação precoce, exercícios ativos e passivos uso de meias
elásticas de alta compressão (30- 40 mmHg) compressão pneumática intermitente
Tratamento
Tratamento anticoagulante
Filtro de veia cava
Cuidados posturais
Repouso absoluto no leito
Drenagem postural
Fisioterapia
O tratamento tradicional da TVP compreende a heparinização e o repouso no leito com elevação dos membros acometidos.
Estudos preliminares tentam demonstrar que a deambulação precoce associada a compressão elástica ou inelástica dos
membros não aumenta o risco de embolia pulmonar e, por outro lado, melhoram a dor e o edema mais rapidamente.
ELETROTERAPIA
�������� ����
���
���
�������� ��
�����
��
ULTRA-SOM
Este é um dos recursos mais utilizados na fisioterapia. No entanto, os parâmetros geralmente utilizados com esse recurso,
não são os parâmetros ideais. Vamos fazer uma abordagem sobre esse tema da seguinte forma: veremos os conceitos
físicos que estão envolvidos com o funcionamento deste recurso, e em seguida, veremos os mecanismos de interação,
parâmetros e indicações.
Os tipos de Ondas
Classificação das Ondas
Podemos fazer várias classificações em relação às ondas. Vamos fazer duas: quanto à origem e quanto à direção de
oscilação. Vejamos:
- Quanto à origem: As ondas podem ser de origem mecânica ou eletromagnética. As eletromagnéticas podem ser formadas
a partir de uma corrente passando por um condutor, esta corrente vai produzir um campo elétrico em torno do condutor e
este campo elétrico promoverá um campo magnético. Este tipo de onda não precisa de um meio para se propagar, e seu
efeito principal ao interagir com o tecido biológico, é o efeito térmico.
As ondas mecânicas são originadas a partir de uma perturbação da matéria. Se esta perturbação puder ser transmitida a
outras partículas no meio em que se encontra, então ela se propaga. Sendo assim, a propagação deste tipo de onda só
ocorre em um meio que contenha matéria. Sua interação com o tecido biológico produz tanto efeito térmico, quanto vários
efeitos atérmicos. Esse tipo de onda é a utilizada no Ultra-Som.
- Quanto à direção das ondas: Agora vamos nos deter apenas às ondas mecânicas, que é o objetivo deste capítulo. Estas
ondas podem produzir perturbações de duas formas: de forma transversal e de forma longitudinal.
A perturbação do tipo transversal é o tipo de comportamento que ocorre, por exemplo, na oscilação de uma corda, como
vemos no desenho abaixo:
O tipo de propagação é longitudinal, pessoa que está segurando a corda do lado direito perceberá a energia quando a onda
chegar e fizer uma força na mão do mesmo, no sentido vertical, jogando-a para cima ou para baixo.
A perturbação do tipo longitudinal é o ocorre, por exemplo, nas ondas sonoras, como ilustra a figura abaixo:
Este tipo de onda é a de nosso interesse, ou seja, as ondas sonoras.
As ondas sonoras podem ser figura abaixo:
Este tipo de onda é a de nosso interesse, ou seja, as ondas sonoras.
As ondas sonoras podem ser figura abaixo:
O som fica numa faixa cuja freqüência situa 20 Hz e 20 KHz. Esta faixa é a única que pode ser captada pelo ouvido humano.
Abaixo dos 20 Hz fica o Infra Som.
Produção do Ultra-Som
A produção do som não é algo que precise de instrumentos especiais, até mesmo uma régua vibrando numa freqüência
acima dos 20 Hz, já produz um som perceptível pelo ouvido humano. No entanto, a produção do Ultra-Som, especialmente
na freqüência de 1MHz e 3MHz (principais faixas de freqüências utilizadas terapeuticamente) pode ser obtida apenas a
partir de um efeito chamado piezoelétrico.
Efeito Piezoelétrico
Este efeito é um fenômeno encontrado em alguns cristais que quando são pressionados produzem uma corrente elétrica; e
quando são submetidos a uma corrente elétrica, produzem uma vibração na mesma freqüência da corrente.
Desta forma, se submetermos um destes cristais a uma corrente de freqüência de 1MHz, o cristal vai produzir uma onda
sonora na freqüência de 1MHz, ou seja, vai produzir Ultra-Som.
Características das Ondas
As ondas mecânicas têm largura de pulso, freqüência, intensidade e modo de pulsação. Destas características, o que nos
interessa são: a freqüência, que é mais comum de 1 MHz e 3MHz; a intensidade, que varia geralmente de 0,1 a 1 W/cm2 ; e
o modo, que pode ser contínuo ou pulsátil.
Unidade de medida das ondas sonoras
As ondas sonoras podem ser avaliadas enquanto sua pressão, sua intensidade e sua potência. A pressão das ondas
sonoras é avaliada em Pascal ou em Newtons/m2; a potência, que se refere à energia emitida pela fonte por unidade de
tempo, é dada em Joules/s ou Watts; a Intensidade ou dose refere-se à potência emitida por unidade de área, é dada em
Watts/cm2.
No uso do Ultra-som terapêutico, usamos apenas a dose, ou intensidade como parâmetro de unidade de medida dos Ultra-
Sons. Abaixo temos uma tabela mostrando a relação entre a dose, potência e um exemplo.
Atenuação do Ultra-Som
A atenuação é o fenômeno caracterizado pela diminuição da energia da onda sonora. Esta diminuição da energia ocorre
principalmente pelos seguintes motivos: reflexão e absorção.
A absorção das ondas sonoras vai depender basicamente de dois fatores: um é a freqüência da onda sonora, e o outro é as
características do tecido.
O uso da freqüência do Ultra-som é muito amplo, no entanto, terapeuticamente é muito comum utilizarmos apenas
cabeçotes de 1MHz e 3MHz. Atualmente está se tornando comum também o de 5MHz. Qual a relação entre a absorção e a
freqüência?
Sabemos que os corpos apresentam inércia, e que essa inércia é tão grande quanto maior for sua massa. Sendo assim, se
quisermos alterar o comportamento de um corpo, temos que gastar energia para isso, e quanto maior for essa alteração,
maior tem que ser o gasto de energia. Existe um termo que define a resistência que a massa oferece na tentativa de se opor
ao movimento, que chamamos de reatância de massa (Xm). Essa reatância (algo semelhante à resistência) é conhecida
pela seguinte fórmula: Xm = 2.p.f.m, sendo (f) a frequência e (m) a massa. Isso quer dizer que quanto maior o movimento
que quisermos dar à massa, maior será a reatância dessa massa, consequentemente, maior terá que ser a energia
absorvida para que esse movimento seja possível. Em fim, se eu quiser que um corpo em vez de vibrar a 1Mhz vibre a 3Mhz,
terei que gastar mais energia, ou seja, maior a absorção.
Sendo assim,quanto maior a freqüência utilizada, maior será o poder de absorção e mais intenso será o efeito superficial.
Por isso, é verdadeira a frase: quanto maior a freqüência do Ultra-som, menor seu poder de penetração.
O outro fator que influencia na absorção é a característica do tecido.
Vejamos a tabela abaixo:
Na tabela acima vemos que cada tecido tem a capacidade de absorver as ondas sonoras de forma diferenciada, quanto
maior for o coeficiente de absorção, mais o tecido absorve. Desta forma, dependendo da quantidade de gordura, de músculo,
vasos etc., o Ultra-som atinge uma maior ou menor penetração.
As Interfaces
Podemos definir interface como sendo a barreira formada entre dois meios de densidades diferentes. Quanto maior for essa
diferença de densidade, maior será esta barreira. É o que ocorre entre a água e o ar. Para o ultra-som, a barreira formada
no limite entre a água e o ar é tão intenso que pode chegar a 100% de reflexão. Veja na tabela abaixo alguns exemplos:
Fica claro, por exemplo, o motivo de não podermos utilizar o cabeçote do ultra-som sem que o mesmo esteja acoplado ao
tecido.
Embora o Gel utilizado para fazer a acoplagem entre o cabeçote e o tecido tenha um coeficiente de absorção semelhante ao
do óleo mineral, o óleo produz uma interface maior.
Podemos considerar razoável que o poder de penetração do ultra-som de 3MHz seja bem significativo até uns 5mm (0,5cm)
e que o de 1MHz até uns 15mm (1,5cm). É claro que o alcance de ambos é bem maior, mas a perda de energia é muito
grande com o percurso.
Técnica de Aplicação
A técnica de aplicação do ultra-som terapêutico é outro fator de fundamental importância para garantir que o resultado seja
satisfatório.
Tradicionalmente existem três formas de aplicação do ultra-som: Com gel; Sub-aquático e Com bolsa de água.
Aplicação com Gel
Esta técnica é a mais usada das três, não só por apresentar maior facilidade de aplicação, como por ter uma indicação em
um maior número de áreas do que as outras técnicas. Esta técnica utiliza-se apenas do cabeçote e de gel, como substância
acopladora.
O gel utilizado é específico para essa aplicação. Outros tipos de contados não são indicados. O óleo mineral pode até
facilitar a aplicação, mas não faz uma boa acoplagem, de forma que boa parte da energia do ultra-som é absorvida pelo óleo,
por isso observamos um aquecimento na pele. Já as pomadas e outros tipos de gel podem trazer tanto gás em sua
composição, que a perda de energia para esse meio pode tornar a aplicação do ultra-som, ineficaz. Sendo assim, é
aconselhável utilizar gel específico para ultra-som.
Mecanismos de Interação
Considera-se que o ultra-som pode produzir efeitos fisiológicos tanto através do efeito térmico quanto do efeito atérmico. O
efeito térmico do ultra-som pode ser significativo se utilizarmos um cabeçote com freqüência alta (3Mhz ou 5Mhz), no
entanto esse efeito é superficial. O efeito atérmico é o mais importante promovido pelo ultra-som, e é promovido pelos
seguintes fenômenos:
Ondas Estacionárias
As chamadas ondas estacionárias é um fenômeno que ocorre quando ondas de mesmas características se encontram. Nas
regiões destes encontros, a dose é duplicada devido ao efeito de somação espacial.
A figura acima mostra o que acontece quando duas ondas de mesmas características se encontram: duplica-se a dose
mantendo-se, no entanto, a freqüência.
Esse efeito não deve ser utilizado, a não ser que o objetivo é lesão tecidual. Então como fazemos para minimizá-lo? Basta
que utilizemos o modo pulsátil em vez do contínuo, que não paremos o cabeçote durante a aplicação, e que não utilizemos
doses elevadas, neste caso, quando houver a duplicação da dose, o resultado não será muito alto.
O maior efeito das ondas estacionárias é a produção do efeito térmico e de cavitações instáveis.
Cavitação
Este fenômeno pode ser descrito como a formação de cavidades na matéria que contem gases em sua estrutura, todas as
vezes que somos submetidas a uma onda mecânica.
As formações das cavidades ocorrem devido ao fato das ondas mecânicas formarem regiões de pressão e descompressão
de forma repetitiva. Sendo assim, quando a onda faz pressão, ocorre uma aproximação das micro bolhas de gás, que
acabam se fundindo devido à aproximação. Nos momentos de descompressão, essas bolhas crescem formando as
cavidades.
Existem dois tipos de cavidades: as estáveis e as instáveis. As estáveis são aquelas que não estouram quando são
submetidas novamente à pressão, enquanto as instáveis são aquelas que acabam estourando. Temos uma figura abaixo
que mostra a formação da cavidade.
Este fenômeno tem sua importância na utilização sobre o tecido, pois as cavitações estáveis juntas com outro fenômeno
chamado ondas estacionárias, aumentam o metabolismo. Já as cavitações instáveis devem ser evitadas já que podem
facilmente produzir lesão tecidual, no entanto, há quem as utilizem quando o objetivo é quebra de fibrose no tecido epitelial,
e alguns até as utilizam para quebra de células de gorduras. Esses procedimentos (utilizar cavitação instáveis) não são
indicados e devem ser evitados.
Qual o mecanismo que deve ser utilizado para evitar a cavitação instável? Basta evitar as ondas estacionárias e não usar
doses muito altas.
Correntes Acústicas
Este fenômeno é caracterizado pela formação de ondas nas superfícies dos líquidos todas as vezes que uma onda
mecânica atinge essa superfície.
Podemos observar a presença destas ondas na figura abaixo.
Esse fenômeno tem a capacidade de promover o aumento do metabolismo celular, pois a formação de ondas produzida na
superfície celular aumenta o transporte através de membrana, facilita as reações químicas e conseqüente mente aumenta o
metabolismo e a função celular.
Micro Vibrações
As micro vibrações são vibrações produzidas na matéria devido a aplicação do ultra-som. Estas vibrações são responsáveis
pelo aumento da energia cinética, o que contribui com um pouco do aumento da temperatura, e é responsável pela
diminuição da viscosidade do tecido e facilitação da quebra de fibrose. Abaixo vemos uma imagem de um diapasão
produzindo vibrações na água.
O ultra-som não é fibrinolítico se for utilizado com os parâmetros terapêuticos, mas ele promove a desestruturação das fibras
de colágeno, o que facilita uma quebra através intervenção como, por exemplo, numa massoterapia.
A figura anterior é de um conjunto de fibras de colágeno. Essa estrutura é bastante resistente e a atuação do ultra-som
sobre elas (se for usado com parâmetros terapêuticos), é a facilitação de uma manipulação. É por esse motivo que o termo
fibrinolítico se torna inadequado.
Aplicação Sub-aquática
Este é um método bastante vantajoso quando o objetivo é a aplicação do ultra-som em extremidades. O primeiro
procedimento é a fervura da água, com o objetivo de retirar os gases presentes. A presença de gases na água é capaz de
dificultar a passagem do ultra-som de forma muito significativa. Após a fervura, deixa-se esfriar, colocando-a em um
recipiente grande o suficiente, para caber a extremidade e o manuseio do cabeçote do ultra-som. Não há necessidade de
encostar o cabeçote na pele, como fazemos com a técnica do gel, também não existe uma distância máxima
predeterminada, mas aconselho não ultrapassar os 2 cm. Não é que esse aumento da distância vá diminuir a dose, mas vai
ficar mais difícil manter o cabeçote perpendicular ao tecido, e isso sim, é um fator que pode tornar a aplicação sem efeito.
Modo de aplicação
Temos dois modos de aplicação do ultra-som: o modo contínuo e o pulsátil. Primeiro vamos ver o que significa cada um
destes modos.
Essa é uma representação esquemática da onda sonora no modo pulsátil e no modo contínuo. Fica claro que quando
utilizamos no modo pulsátil, a quantidade de energia cedida é menor do que no modo contínuo.Mas será que esse é o
motivo de utilizarmos este modo? Claro que não, se o objetivo é apenas diminuir a dose, então, baixamos a dose! Na
realidade, o objetivo é diminuir as ondas estacionárias. Então, de preferência, sempre vamos utilizar o modo pulsátil. Claro
que existe exceções.
Mas podemos utilizar alguns critérios para decidirmos se vamos utilizar um ou outro modo, vejamos:
Esta tabela tem o objetivo de dar um rumo racional à decisão de quando devemos utilizar um determinado modo, notamos
que quanto mais precisamos de energia, mais optamos pelo modo contínuo. Mas e quanto à analgesia? A meu ver, o ultra-
som não produz analgesia. Nenhum artigo publicado a esse respeito tem condição de concluir que o ultra-som é analgésico,
também não há um mecanismo que explique tal efeito.
E quanto ao aumento de calor profundo? Esse é outro efeito que não é obtido de forma significativa em regiões profundas,
se utilizarmos o ultra-som com os parâmetros terapêuticos. Sendo assim, não comentarei esses efeitos do ultra-som, pois é
mais provável que estes não existam utilizando os parâmetros terapêuticos.
Na tabela acima não consta a profundidade, pois esse parâmetro está relacionado com a freqüência do cabeçote: 1MHz
para regiões mais profundas e 3MHz para regiões mais superficiais. No entanto, quando o alvo encontra-se em regiões
profundas, é preferível utilizar o modo pulsátil, mesmo que para isso utilizemos uma dose maior do que a indicada como
parâmetro terapêutico, para compensar a queda de energia. Se o alvo estiver na superfície, pode ser utilizado o contínuo ou
o pulsátil.
A Dose
A dose no Ultra-Som é medida em Watts/cm2. Os equipamentos utilizados no mercado oferecem na sua maioria uma dose
que varia de 0,1 a 2 W/cm2.
Como vamos encontrar a dose ideal para cada caso? Semelhante ao que foi discutido anteriormente com o modo, vamos
criar uma pequena tabela com algumas considerações:
A tabela acima tem como objetivo sugerir a melhor dose diante dos objetivos terapêuticos. No entanto, podemos utilizar
doses maiores do que a sugerida: 1 W/Cm2, podemos chegar a 2W/Cm2. Doses como estas (1 a 2), devem ser evitadas
com o uso do Ultra-Som no modo contínuo, já que a possibilidade de ondas estacionárias e cavitação instável são mais
prováveis.
Observamos então que um outro fator que regula a dose é o modo. Se estivermos usando o modo contínuo, nos limitamos a
doses de até 1W/cm2, mas no modo pulsátil, podemos usar até 2 W/cm2.
Indicações Terapêuticas
Sonoforerse ou Fonoforese.
A fonoforese é mais um dos vários métodos utilizados para aumentar a penetração de drogas de uso tópico, sendo que
neste caso o recurso utilizado é o ultra-som.
O mecanismo exato pelo qual essa técnica possa possibilitar esse aumento da penetração de drogas, ainda não está claro,
no entanto, sugere-se que esse efeito deve-se às cavitações formadas na superfície da pele
(principalmente da camada córnea) pela passagem dos ultra-sons. Na realidade, considera-se que estas cavitações
provocam pequenas lesões ou aberturas na pele, o que facilitaria a absorção. Há ainda quem justifique com a presença do
calor. Uma outra informação que pode ser considerada é que a absorção aumenta com o aumento da dose do ultra-som, do
tempo de tratamento e da concentração da droga. Há de ser considerado, no entanto, que em doses elevadas e tempos de
exposições prolongados, são comuns ocorrerem queimaduras na pele.
Ou seja, a fonoforese pode ser utilizada como recurso para aumentar a penetração e absorção de drogas tópicas, no
entanto, essa propriedade ainda não é consenso. Apenas 70% dos artigos concordam com esse efeito.
Transmissibilidade
O que vemos acima na tabela é a transmissibilidade que algumas drogas proporcionam ao ultra-som, comparando com a
água. Notamos o aumento quando aumentamos a dose, ou quando usamos uma freqüência maior. Mas qual a importância
de sabermos a transmissibilidade do material utilizado como meio
de acoplagem entre o cabeçote do ultra-som e o tecido? É que quanto menor a transmissibilidade, menor a penetração do
ultra-som.
O Ultra-som no Edema
É comum o uso do ultra-som como recurso para diminuição de edema, mas qual o mecanismo que poderia justificar esse
efeito fisiológico?
Existe um efeito que é atribuído ao ultra-som, chamado de tixotrópica.
Esse efeito é conhecido como a propriedade de transformação de substâncias de texturas consistente em texturas mais
gelatinosas e vice-versa. No entanto, o efeito toxotrópico provocado pelo ultra-som é caracterizado apenas pela diminuição
da viscosidade dos tecidos. Esse efeito deve-se de fato a um outro efeito chamado de Micromassagem.
Sendo assim, poderíamos então utilizar o ultra-som no edema, e com um objetivo bem claro: diminuir a viscosidade do
edema. Porem, não podemos deixar de chamar a atenção para o fato de que o uso do ultra-som tem como objetivo único,
facilitar a intervenção de alguma técnica de drenagem, pois o uso apenas do ultra-som não vai deslocar o edema para lugar
nenhum.
Tipo de edema
Podemos encontrar edemas bem moles, iguais àqueles encontrados em uma fase aguda de alguns traumas, como na
entorse de tornozelo, e podemos encontrar com consistências mais duras até muito duros como os encontrados em
pacientes com filariose (elefantíase). Independentemente da dureza do edema, o objetivo do uso do ultra-som é o mesmo:
diminuição da viscosidade.
Em função do objetivo e da ação do ultra-som no edema, fica claro que não existe justificativa da utilização deste recurso em
edemas cujas consistências não podem se tornar menos viscosas. Apenas seu uso em edemas de viscosidade alta, está
justificado.
Parâmetros utilizados
Caso o edema tenha sua consistência elevada e seja indicado o uso do ultra-som, quais os parâmetros: começando pela
freqüência, 1Mhz ou 3Mhz?
Claro que isso vai depender da espessura do edema. Em casos como o apresentado na imagem anterior, onde a espessura
do edema é grande, utilizaríamos a freqüência de 1Mhz. Em edemas pequenos e de espessura reduzida, utilizaríamos 3Mhz.
Qual o modo: pulsátil ou contínuo? Optem sempre pelo pulsátil, mas se a textura do edema for muito consistente, pode-se
usar o modo contínuo.
A dose também deve seguir o que já foi discutido no tópico sobre a dose do ultra-som, ou seja, nos casos de edemas, a
maioria teria como dose recomendada, 0,5 a 1 J/cm2.
O Ultra-som na Aderência Tendinosa
Sabemos que o tendão é uma estrutura, bastante resistente, composta de tecido conjuntivo, e são os meios de ligação entre
o músculo e o osso. Outra característica importante é que é uma estrutura pouco vascularizada e rica e fibras de colágeno.
A figura abaixo mostra a imagem de tendões da mão.
Quando há lesão nestes tendões, a restauração é feita em três fases:
A fase inflamatória presente até o 7º dia e onde está presente o aumento da irrigação sanguínea, presença de hematoma,
edema e células inflamatórias.
A fase proliferativa presente do 7o ao 20o dia, onde aparecem várias fibras de colágenos e elásticas imaturas, além da
angiosênese.
Por fim, a fase de remodelagem, caracterizada pela organização da matriz do tendão, diminuição das células envolvidas em
todo o processo.
Quanto mais rápido for esse processo, menores são as possibilidades de ocorrerem seqüelas, como a aderência do tendão.
A aderência
A aderência é uma condição bastante prejudicial, levando-se em conta que há prejuízo para o deslizamento do tendão,
limitando a amplitude articular e provocando dor. Parece ainda não haver um consenso em relação aos mecanismos
responsáveis pelas aderências.
Efeitos do Ultra-Som
Um efeito importante do ultra-som é a facilitação da quebra da fibrose, responsável pela aderência. A quebra só ocorrerá de
fato durante uma manipulação. No entanto, os objetivos do uso do ultra-som são maiores e propõem: Melhorar a
vascularizaçãolocal, diminuir a viscosidade e acelerar o reparo. Estas ações do ultra-som promovem uma melhor qualidade
final.
Os parâmetros a serem selecionados dependem de em que momentos vão intervir. Se a fase ainda é subaguda, não vamos
dar ênfase à quebra de fibrose, e sim, ao aumento da velocidade do reparo. Já numa fase crônica, vamos direcionar
principalmente para facilitar a quebra dessas fibras.
Sendo assim, numa fase subaguda, os parâmetros são: dose 0,5W/cm2, modo pulsátil, freqüência depende da profundidade,
mas geralmente fica em 1Mhz, já que a maioria dos tendões é profunda.
Na fase crônica, seria indicado o modo contínuo, 1W/cm2, e a freqüência já discutida.
Existem vários outros recursos importantes que podem ser utilizados neste caso, como o laser, a crioterapia, o calor etc.
Inclusive podem ser combinados com o uso do ultra-som.
Contra-Indicações Terapêuticas
Sobre o Plexo
O uso do ultra-som sobre o plexo, realmente pode trazer algum prejuízo, visto que o coeficiente de absorção do sistema
nervoso é maior do que em outros sentidos. No entanto, para que houvesse um efeito intenso sobre o plexo, teríamos que
fazer uma aplicação diretamente sobre ele. Não haverá prejuízo para o tecido nervoso se apenas houver passagens do
cabeçote ele.
Sobre uma região na fase aguda de uma lesão
Na fase aguda de uma lesão, vamos encontrar uma reação inflamatória aguda, caracterizada por fenômenos vasculares-
exsudativos (vasodilatação, edema inflamatório, emigração de células), promovendo o chamado sinais flogísticos: dor, calor,
rubor e comprometimento da função.
Se considerarmos um quadro e origem não infecciosa, esse quadro só vai continuar (levando a uma inflamação crônica), se
não for sanada a causa. Sendo assim, o ultra-som que é contra-indicado numa fase aguda, pode passar a ser indicado na
fase crônica mesmo com reação inflamatória (do tipo crônica).
Fazer uso do ultra-som nesta fase apenas vai aumentar o quadro flogistico, visto que o ultra-som aumenta o metabolismo,
irrigação, a função das células e diminui a viscosidade dos tecidos e líquidos, facilitando o edema e extravasamento de
sangue.
Chamo a atenção, no entanto, que em uma reação inflamatória crônica o ultra-som pode ser utilizado caso a causa possa
ser dirimida com seu uso.
Sobre Placas de metal
No caso de implante metálico, o ultra-som não pode ter suas ondas direcionadas para o local do implante. É claro que se
houver um implante metálico na porção proximal do braço, não há problema algum de utilizar o ultra-som na porção distal.
O problema do implante é que quando as ondas atingem a placa de metal, ocorrem ondas estacionárias, devido à grande
interface formada entre o metal e os tecidos adjacentes.
Sobre problemas vasculares
O ultra-som em problemas vasculares pode ser bem ruim para o paciente.
Vamos ver uma condição: paciente com varizes.
Neste caso, o ultra-som sobre estes vasos, pode facilitar a fragmentação de algum coágulo e provocar um acidente vascular
posteriormente. A figura abaixo mostra um exemplo.
FISIOTERAPIA EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
A Fisioterapia em Ginecologia e Obstetrícia, apesar de pouco conhecida, é uma especialidade de grande importância no
atendimento de gestantes, pacientes com incontinência urinária, pacientes mastectomizados (retirada da mama), entre
outros.
A gestação é um momento importante na vida da mulher, e nessa fase pode ser beneficiada com o atendimento pré e pós-
parto, no sentido de tratar alguma alteração comum durante a gravidez ou prevenir qualquer disfunção inerente à sua
condição. Após o parto, objetiva-se auxiliar a mãe através de normas higiênicas, deambulação, exercícios fisioterapêuticos,
cuidados com as mamas, incentivo ao aleitamento materno, orientações posturais, funções intestinais e miccionais, vida
sexual, retorno às atividades físicas e de vida diária.
Outro grande problema de saúde tratado em ginecologia e obstetrícia é a incontinência urinária. O foco do tratamento
fisioterapêutico é o reforço dos músculos que compõem o assoalho pélvico através de exercícios e eletroestimulação, e a
reeducação miccional, O atendimento aos pacientes que passaram por cirurgias de próstata também é realizado. Nas
cirurgias de próstata podem ocorrer, como conseqüência, incontinência urinária, que pode ser tratada pela Fisioterapia
através de técnicas onde o paciente trabalha a musculatura do assoalho pélvico e através de recursos eletroterápicos, que
visam reforçar os músculos do assoalho pélvico e capacitar esse paciente a reter a urina.
Nos casos de tumor de mama, a cirurgia é algo comum. O cirurgião retira a mama ou parte dela e ainda os nódulos linfáticos,
evitando que o tumor se espalhe para outras partes do corpo. Porém, ao retirar os nódulos linfáticos, a circulação linfática
fica comprometida e, dessa forma, ocorrem alguns sintomas indesejáveis na paciente, como edema (inchaço) em membro
superior, dor causada pelo edema, dificuldades de movimentar o membro e prejuízos na qualidade de vida. A proposta
fisioterapêutica, nesses casos, é a de tratar o paciente através de técnicas de drenagem linfática, exercícios para devolver a
mobilidade e reeducar a postura e orientações quanto a atividades de vida diária para as pacientes.
A Pelve e a Gestação
A estrutura óssea da mulher é em algumas articulações um pouco diferente da estrutura do homem, justamente pela
possibilidade que a mulher tem, em alguma época da sua vida, de gerar um novo ser.
Em todos os seres humanos existe a cintura pélvica, que é composta por 2 ossos chamados ilíacos que ficam um de cada
lado do sacro, osso este que fica logo abaixo da ultima vértebra lombar.
Nas mulheres, esses ossos se posicionam de forma mais aberta, fazendo com que a mulher tenha um quadril largo,
justamente para poder acomodar e gerar seu bebê.
Durante a gestação, o corpo da mulher sofre varias mudanças para melhor acomodar e nutrir seu bebê. Uma dessas
mudanças é a alteração hormonal, que dentre outros objetivos, tem a função de proporcionar um aumento da elasticidade
dos tecidos para que o corpo possa se adaptar ao crescimento do bebê.
Devido a essas adaptações que acontecem mais especificamente na pelve, é comum a mulher sentir dor e incomodo na
articulação sacroilíaca (entre o sacro e o ilíaco), sendo na maioria das vezes, dor em um lado só, incomodando também a
musculatura glútea podendo a gestante até, sentir dor irradiada para a perna.
Essas dores na articulação sacroilíaca são provenientes das tensões musculares causadas pelos desvios posturais já
existentes e enfatizados nesse período ou somente adquiridos na gestação.
Para o alívio dessas dores a fisioterapia detém de vários recursos como RPG, mobilização articular, alongamentos entre
outros.
A Fisioterapia traz alívio para essas dores, previne que as dores aumentem com o decorrer da gestação, melhora a postura
e prepara a gestante para um melhor parto e pós-parto.
A fisioterapia em gestantes tem como objetivo cuidar do corpo da mulher, com as transformações fisiológicas, estruturais e
emocionais nos nove meses oferecendo uma melhor qualidade de vida nesse período tão importante na vida da mulher.
O fisioterapeuta pode elaborar um plano terapêutico específico e individual para melhorar a resistência física e flexibilidade
no pré-parto e pós-parto, respeitando as possíveis intercorrências na gestação, como por exemplo, diabetes e cardiopatias e
as necessidades de cada gestante. Portanto, o fisioterapeuta pode atuar desde a concepção até o pós-parto, orientando
quanto às dores e desconfortos gerados pela mudança estrutural na gestação. O ideal é que o profissional atue antes
mesmo de aparecer algum incômodo, prevenindo.
A atividade física na gestação é extremamente importante, porque relaxa e aumenta a disposição física para o dia-a-dia e
minimiza os desconfortos físicosda gestação.
Os exercícios na terapia devem sempre respeitar a saúde materno-fetal favorecendo o fluxo sanguíneo para o bebê e
controlando a freqüência cardíaca e temperatura corporal da gestante.
O fisioterapeuta pode elaborar um plano de terapia específico para as alterações fisiológicas e estruturais na gestação
naquele trimestre, atuando durante toda a gestação com autorização do médico obstetra. A terapia pode contar com os
seguintes objetivos:
**melhorar o condicionamento físico através de alongamentos e fortalecimentos específicos principalmente da musculatura
do assoalho pélvico (principalmente músculos perineais), músculos paravertebrais, abdômen e braços entre outros,
preparando a mulher para as mudanças corporais durante a gestação, para o parto e pós-parto;
**melhorar a consciência respiratória e consciência corporal;
**minimizar e prevenir as dores dorsais e lombares, equilibrando a musculatura;
**orientação postural, de como caminhar, dormir, sentar e uso de calçados para prevenir lesões articulares, visto que os
ligamentos tornam-se frouxos para facilitar o parto normal;
**técnicas de massagens relaxantes para auxiliar no relaxamento;
**técnicas de massagem, como a drenagem linfática para ajudar a minimizar e prevenir edemas (inchaços) e transtornos
circulatórios;
**preparar a mama para lactação e orientação quanto à amamentação.
O fato da gestante se preparar para uma gravidez e pós-parto saudáveis, também facilita muito o trabalho de parto em todas
as suas fases. Com uma melhor conscientização corporal a fisioterapia pode atuar durante o trabalho de parto através de
técnicas de massagens, técnicas respiratórias e exercícios específicos para facilitar a descida do bebê através da pelve da
parturiente e a dilatação, diminuindo assim o tempo do trabalho de parto.
No pós-parto a fisioterapia também pode auxiliar a mulher com os seguintes objetivos:
**exercícios de alongamentos cervicais e membros superiores (compensando o uso excessivo do braço para amamentar o
bebê e nos cuidados gerais) e alongamentos para músculos específicos, como os lombares;
**exercícios para o assoalho pélvico, prevenindo prolapsos, incontinência urinária e proteção de músculos perineais (seja no
pós-parto normal ou cesárea);
** massagens relaxantes e orientações posturais para prevenir lesões articulares.
A fisioterapia pode ajudar muito nas transformações corporais na gestação, no trabalho de parto e na recuperação pós-parto,
trabalhando o corpo da mulher em busca do equilíbrio físico e emocional contribuindo para o nascimento de uma relação
muito importante, mãe e filho(a).
Recomendações para exercícios durante a gravidez
Não há dados em humanos que indicam que a mulher grávida deve limitar a intensidade de exercícios e submeter-
se a frequências cardíacas mais baixas em virtude de efeitos adversos potenciais.
Para as mulheres sem nenhum risco adicional na gestação e nos resultados perinatais, as seguintes recomendações podem
ser feitas:
1. As mulheres podem continuar a se exercitar durante a gravidez e aproveitarem os benefícios originados dos mesmos com
esquemas de treinamento leves a moderados. Exercícios regulares (pelo menos 3 vezes por semana ) são preferíveis às
atividades intermitentes.
2. As mulheres devem evitar exercícios em posição supina (deitadas sobre as costas) após o terceiro mês. Tal posição está
associada com a diminuição do débito cardíaco na maioria das grávidas. Nesses casos, durante um exercício vigoroso, o
sangue será desviado do útero e vísceras, para os músculos e cérebro. Tais regimes de circulação sanguínea devem ser
evitados na gravidez, pois podem comprometer a oxigenação do bebê. Períodos prolongados de pé numa mesma posição
também devem ser evitados.
3. As mulheres devem ter cuidado com a diminuição da disponibilidade de oxigênio para os exercícios aeróbicos, durante a
gravidez. Elas devem ser encorajadas a modificar a intensidade do exercício de acordo com os sintomas que apresentem.
Devem interromper os exercícios quando se sentirem fatigadas, e não se exercitarem até a exaustão. Exercícios que
envolvem suporte de peso podem, sob algumas circunstâncias, ser mantidos em intensidade semelhante àquelas antes da
gravidez. Exercícios tais como pedalar e natação minimizam os riscos de danos ao corpo e são mais fáceis de serem
mantidos durante a gestação.
4. As alterações morfológicas na gravidez (alterações do tamanho, forma e peso) servem como contra-indicação relativa aos
tipos de exercícios em que a perda do equilíbrio possa ser prejudicial para o bem estar materno-fetal, especialmente no 3º
trimestre. Além disso, qualquer tipo de exercício envolvendo moderado risco para o traumatismo abdominal deve ser evitado.
5. A gravidez requer um adicional de 300 calorias por dia para manter a homeostase metabólica (funcionamento estável do
organismo). Assim, as mulheres que se exercitam durante a gestação devem tomar cuidados especiais e manterem uma
dieta adequada.
6. As mulheres grávidas que se exercitam no 1º trimestre aumentam suas perdas de energia e devem assegurar uma
hidratação adequada (tomar bastante líquido), usar roupas apropriadas e estarem em um ambiente agradável e adequado
para a prática dos exercícios.
7. Muitas das alterações fisiológicas e morfológicas da gravidez persistem por quatro a seis semanas após o parto. Desse
modo às rotinas de exercício da gravidez devem ser retomadas gradualmente com base na capacidade física de cada
mulher.
ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DURANTE A GESTAÇÃO
Diversas alterações ocorrem durante a gravidez, portanto um bom entendimento delas acaba favorecendo o profissional de
educação física a orientar de forma eficiente e segura a mulher que se propõe a praticar exercício físico durante a gestação.
Alterações Hormonais
Mudanças significativas no perfil endócrino ocorrem durante a gestação, destacando-se quatro hormônios que
desempenham um papel fundamental para a mãe e para o feto. Dois desses são os hormônios sexuais femininos estrogênio
e progesterona, os quais são secretados pelo ovário durante o ciclo menstrual normal, passando a ser secretados em
grandes quantidades pela placenta durante a gestação. Outros dois importantíssimos são: a gonodotrofina coriônica e a
somatomamotropina coriônica humana.
Estrogênio - As principal funções do estrogênio são promover: proliferação de determinadas células (por exemplo, células
musculares lisas do útero), aumento da vagina, desenvolvimento dos grandes e pequenos lábios, crescimento de pelos
pubianos, alargamento pélvico, crescimento das mamas e de seus elementos glandulares além de deposição de tecido
adiposo em áreas específicas femininas, tais como coxas e quadris. Ou seja, o estrogênio é responsável por desenvolver as
características sexuais femininas. Durante as primeiras 15-20 semanas de gravidez o corpo lúteo, responsável pela
secreção do estrogênio e do progesterona, aumenta a secreção desses dois hormônios em duas a três vezes o normal,
porém após a décima sexta semana a placenta passa a secretar esses hormônios, aumentando de forma drástica sua
produção e fazendo com que a secreção de estrogênio fique cerca de 30 vezes maior que o normal. Durante a gravidez o
estrogênio provoca uma rápida proliferação da musculatura uterina, aumento acentuado do crescimento do sistema vascular
para o útero, dilatação do orifício vaginal e dos órgãos sexuais externos e relaxamento dos ligamentos pélvicos permitindo
assim uma maior dilatação do canal pélvico o que facilita a passagem do feto no momento do nascimento. O estrogênio
também é responsável por uma maior deposição de tecido adiposo nas mamas (algo em torno de ½ quilo) fazendo com que
elas cresçam, aumentando o número de células glandulares e tamanhos dos ductos.
Progesterona - Ao contrário do estrogênio, a progesterona praticamentenão exerce influência sobre as características
sexuais femininas, mas sim sobre o preparo do útero para receber o óvulo fertilizado e da mama para secreção do leite.
Durante a gestação, a progesterona atua disponibilizando para o uso do feto, nutrientes que ficam armazenados no
endométrio. A progesterona também é responsável pelo efeito inibidor da musculatura uterina, uma vez que se isso não
ocorresse, as contrações expulsariam o óvulo fertilizado ou até mesmo o feto em desenvolvimento. As mamas também
recebem influência do progesterona, fazendo com que os elementos glandulares fiquem ainda maiores e formem um epitélio
secretor, promovendo a deposição de nutrientes nas células glandulares.
Gonodotrofina coriônica - A função desse hormônio é manter ativo o corpo lúteo durante o primeiro trimestre. Sem o corpo
lúteo em atividade a secreção de progesterona e estrogênio seria afetada e assim o feto cessaria seu desenvolvimento e
seria eliminado dentro de poucos dias. Após o primeiro trimestre a remoção do corpo lúteo já não afeta mais a gravidez uma
vez que a placenta fica responsável pela secreção de estrogênio e progesterona em quantidades muito elevadas. A
concentração máxima de gonodotrofina coriônica acontece aproximadamente na oitava semana, justamente o período que é
essencial impedir a evolução do corpo lúteo.
Somatomamotropina coriônica humana - Esse hormônio é responsável principalmente pela nutrição adequada do feto,
diminuindo, dessa forma, a utilização da glicose pela mãe e tornando-a disponível em maior quantidade para o feto. Ocorre
também uma mobilização aumentada de ácidos graxos do tecido adiposo materno, elevando a utilização dos mesmos como
fonte de energia em lugar da glicose.
Um outro efeito desse hormônio é auxiliar o crescimento fetal, efeito esse semelhante ao do hormônio do crescimento,
contudo esse efeito é relativamente fraco. A maioria das glândulas endócrinas é alterada. A exemplo disso temos a tireóide
também afetada, imitando assim os efeitos do hipertireoidismo, causando sintomas como: taquicardia, palpitações,
respiração excessiva, instabilidade emocional e aumento da glândula tireóide. Mas em apenas 0,08% das gestantes ocorre
realmente o hipertireoidismo. É comum ocorrer aumento dos hormônios adrenais, o que provavelmente pode contribuir para
o surgimento de estrias róseas de pele. Níveis aumentados de glicocorticóides, estrogênios e progesterona modificam o
metabolismo da glicose aumentando assim a necessidade de insulina. A insulinase produzida pela placenta pode afetar as
necessidades de insulina provocando em muitos casos a diabetes gestacional.
Alterações Cardiovasculares
O débito cardíaco (DC) aumenta cerca de 30-50% iniciando esse aumento por volta da 16ª e atingindo o pico por volta da
24ª semana. Após a 30ª semana o DC pode diminuir um pouco, pois o útero aumentado obstrui a veia cava. Com o DC
aumentado, a freqüência cardíaca aumenta de 70bpm, em média, para 80-90bpm, acompanhado de um aumento
proporcional no volume de ejeção. O volume sanguíneo também aumenta proporcionalmente com o DC.
Alterações Renais
A taxa de filtração glomerular (TFG) e o fluxo plasmático renal (FPR) são aumentados durante a gravidez e esses aumentos
são relacionados ao aumento do DC, diminuição da resistência vascular renal e aumento dos níveis séricos de alguns
hormônios. O aumento da excreção urinária de glicose, aminoácidos, proteínas e vitaminas é conseqüência dos aumentos
da TFG e do FPR.
O volume renal aumenta em até 30% além do normal. O aumento da TFG geralmente causaria uma grande perda de sódio,
porém fatores mitigantes resultam na manutenção da homeostase deste mineral, inclusive atuando sobre seu metabolismo e
resultando numa leve retenção deste mineral. Como a função renal é muito sensível à postura durante a gravidez,
geralmente aumentando a função na posição supina e diminuindo na posição vertical, a mulher grávida pode sentir
necessidade freqüente de urinar quando tenta dormir.
Alterações Pulmonares
Os estímulos hormonais de progesterona e problemas posicionais causados pelo aumento do útero são os responsáveis
pelas alterações na função pulmonar. Ocorre aumento do PO2 e diminuição do PCO2, causando hiperventilação. A
circunferência torácica aumenta cerca de 10cm.
Alterações Gastrintestinais
Devido à pressão do útero em crescimento contra o reto e a porção inferior do cólon pode acontecer constantemente
constipação (intestino preso). Regurgitação e azias também são queixas comuns durante o período gestacional, isso é
causado pelo retardamento no tempo de esvaziamento gástrico e do relaxamento do esfíncter na junção do esôfago com o
estômago, com conseqüente refluxo do conteúdo gástrico. O relaxamento do hiato diafragmático também contribui com
essas queixas.
Geralmente a gravidez pode ser medida por trimestres, mas esses trimestres têm uma duração desigual uma vez que o
terceiro trimestre varia de acordo com o tempo total da gravidez. Primeiro Trimestre (Semana 1 A 12) A taxa metabólica
aumenta em 10-25%, acelerando todas funções corporais.
Os ritmos cardíaco e respiratório aumentam à medida que mais oxigênio tem que ser levado para o feto e mais dióxido de
carbono é exalado. Ocorre expansão uterina pressionando a bexiga e aumentando a vontade de urinar. Aumento do
tamanho e peso dos seios, além de aumentar a sensibilidade dos mesmos logo nas primeiras semanas. Surgem novos
ductos lactíferos As auréolas dos seios escurecem e as glândulas chamadas de tubérculo de Montgomery aumentam em
número e tornam-se mais salientes. As veias dos seios ficam mais aparentes, resultado do aumento de sangue para essa
região. Segundo Trimestre (Semana 13 A 28)
Retardamento gástrico provocado pela diminuição das secreções gástricas, essa diminuição é resultado do relaxamento da
musculatura do trato intestinal. Esse relaxamento também provoca um número menor de evacuações. Os seios podem
formigar e ficar doloridos.
Aumento da pigmentação da pele, principalmente em áreas já pigmentadas como sardas, pintas, mamilos. As gengivas
podem se tornar esponjosas devido à ação aumentada dos hormônios.
O refluxo do esôfago pode provocar azia, devido ao relaxamento do esfíncter no alto do estômago.
O coração trabalha duas vezes mais do que uma mulher não grávida e faz circular 6 litros de sangue por minuto.
O útero precisa de 50% a mais de sangue que o habitual. Os rins precisam de 25% a mais de sangue do que o habitual.
Terceiro Trimestre (Semana 29 Em Diante) A taxa de ventilação aumenta cerca de 40%, passando de 7 litros de ar por
minuto da mulher não grávida para 10 litros por minuto, enquanto o consumo aumenta apenas 20%. A maior sensibilidade
das vias respiratórias pode causar falta de ar. As costelas são empurradas para fora decorrente do crescimento fetal.
Os ligamentos inclusive da pelve ficam distendidos, podendo causar desconforto ao andar.
Desconforto causado pelas mãos e pés inchados, podendo ser sinal de pré-eclâmpsia.
Podem ocorrer dores nas costas devido a mudanças do centro de gravidade e por um ligeiro relaxamento das articulações
pélvicas. Os mamilos podem secretar colostro.
Aumenta a freqüência e vontade de urinar. Aumenta a necessidade de repousar e dormir.
INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES
Introdução
A incontinência urinária é um problema bastante comum. Estima-se que cerca de 57% das mulheres entre 45 a 65 anos
tenham algum tipo de incontinência urinária.
Mas apesar da alta prevalência, é ainda um assunto pouco discutido. Muitos não falam no assunto, até mesmo com o seu
médico, devido à vergonha. Outros acham que é algo natural do envelhecimento, portanto algo que não se possa fazer nada
para resolver.
A prevalência da incontinência urinária aumenta com a idade, mas não é parte inevitável do envelhecimento. Há sempre
uma condição médica subjacente que deveser identificada e corrigida independente da idade, seja por fisioterapia,
medicamentos, cirurgia ou uma combinação desses.
Definição
Incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Podendo variar de um pequeno escape ocasional até a completa
incapacidade de conter a urina. Pode ser precedida de alerta ou não e pode ser consciente ou inconsciente, como durante o
sono.
O processo de eliminação da urina
O processo de eliminação da urina envolve reflexos inconscientes e comandos voluntários. Quando nossa bexiga se enche,
receptores da sua parede mandam a mensagem para o cérebro de que a urina precisa ser eliminada, sentimos então o
desejo de urinar. Mas se não estivermos em local ou hora adequados iremos inibir esse reflexo até termos condições
adequadas para a eliminação da urina, o que aprendemos desde crianças. Para que esse processo ocorra de maneira
efetiva são necessários vários elementos, como os nervos que levam a mensagem dos receptores da parede da bexiga até
o cérebro, a função cerebral para inibir o reflexo, os nervos que irão enviar a mensagem de inibição e os músculos
envolvidos no processo de reter e eliminar a urina, como os do assoalho pélvico e o esfíncter uretral. Quando ocorre a falha
de algum desses elementos, a capacidade de reter a urina até um momento propício para a sua eliminação pode ficar
comprometida.
Na infância, as meninas geralmente desenvolvem o controle da bexiga mais cedo do que os meninos, e a perda de urina
durante o sono é menos comum nas meninas do que nos meninos. Entretanto, as mulheres adultas têm mais chance de
desenvolver incontinência urinária do que os homens adultos devido à anatomia do trato urinário feminino e do estresse
causado pela gravidez, parto e menopausa. Apesar disso, os homens podem apresentar incontinência urinária como
resultado de problemas de próstata, e ambos, homens e mulheres podem se tornar incontinentes devido a lesões
neurológicas, defeitos congênitos, derrame, esclerose múltipla, e problemas físicos associados com a idade.
Os tipos de incontinência urinária
Os dois tipos principais de incontinência urinária são a incontinência de esforço e a incontinência de urgência.
A incontinência de esforço é a perda involuntária de urina que ocorre durante os momentos de atividade física, tais como
tosse, risadas, espirros, carregar peso, subir escadas, exercícios etc, e ocorre sem aviso prévio. Mudanças físicas
resultantes da gravidez, parto, e menopausa freqüentemente causam a incontinência de esforço. Esta é a forma mais
comum de incontinência nas mulheres. A incontinência de esforço pode ocorre quando os músculos pélvicos que suportam
a bexiga e a uretra se tornam fracos ou devido a disfunções no esfíncter uretral, importante estrutura para contenção da
urina e sua eliminação voluntária. Traumas na área da uretra, lesões neurológicas, e alguns medicamentos podem tornar a
uretra fraca, assim como inflamação e infecção urinária. A incontinência pode piorar durante a semana anterior ao período
menstrual. Durante esse período, os menores níveis de estrógeno podem levar a uma menor pressão muscular em torno da
uretra, aumentando as chances de vazamento. A incidência de incontinência de esforço aumenta após a menopausa.
A incontinência de urgência envolve um súbito e forte desejo de urinar seguido imediatamente de uma contração involuntária
da bexiga, resultando em perda de urina. A incontinência de urgência pode ocorrer durante o sono, após beber pequena
quantidade de água, ou quando a pessoa ouve o barulho de água. Ações involuntárias dos músculos da bexiga podem
ocorrer devido a danos nos nervos da bexiga, no sistema nervoso, ou nos próprios músculos. Esclerose múltipla, doença de
Parkinson, doença de Alzheimer, derrame, traumas e cirurgias podem lesar os nervos ou músculos da bexiga.
Outros tipos de incontinência urinária incluem a incontinência de superenchimento, incontinência transitória, perda contínua
da urina e incontinência mista. Na incontinência de superenchimento a mensagem de que a bexiga está cheia não chega ao
cérebro, até que ela fique tão repleta que não seja mais capaz de suportar a urina e ocorre perda de urina em grande
quantidade. A bexiga está sempre tão cheia que é freqüente os vazamentos de urina. Músculos da bexiga fracos ou uma
uretra bloqueada também podem causar esse tipo de incontinência. Lesão de nervos devido ao diabetes ou outras doenças
podem levar a uma fraqueza dos músculos da bexiga; tumores e pedras nos rins podem bloquear a uretra. A incontinência
de superenchimento é rara nas mulheres.
A incontinência transitória é uma versão temporária de incontinência. Pode ser deflagrada por medicamentos, infecções do
trato urinário, doença mental, restrição de mobilidade e impactação por pedras. A perda contínua de urina ocorre quando a
bexiga está muito flácida, em fístulas (comunicações patológicas da uretra com outra cavidade, como por exemplo com a
vagina) e em malformações. Ocorre o gotejamento contínuo e perdas de grande quantidade de urina.
As incontinências de esforço e urgência freqüentemente ocorrem juntas nas mulheres. Combinações de incontinência são
referidas como incontinência mista.
Diagnóstico
O diagnóstico de incontinência será feito pelo médico através do relato do paciente e alguns exames serão úteis para se
identificar as possíveis causas. O médico irá procurar por infecção, impactação por pedras, reflexos e pelo funcionamento da
bexiga. Para a avaliação do funcionamento da bexiga poderão ser feitos testes específicos, como a cistometria de canal
único, cistometria eletrônica e eletromiografia, que irão medir a capacidade total da bexiga e o volume residual ou o próprio
funcionamento da musculatura da bexiga. Outra fonte de informação importante é a realização de um diário miccional, que
pode ser feito por uma semana. O diário deve incluir a quantidade de líquido ingerido, o tempo de micção, a quantidade de
urina produzida, e qualquer episódio de vazamento.
Tratamento
A incontinência urinária pode ser tratada através do uso de medicamento, fisioterapia, cirurgia ou uma combinação entre
essas modalidades. Dentre os medicamentos que podem ser utilizados encontram-se os antiespasmódicos (oxibutina),
anticolinérgicos (propantelina) e antidepressivos triciclícos (imipramina). Para as mulheres que já tem indicação de terapia
de reposição hormonal devido a outras condições, o seu uso pode trazer benefícios também para a incontinência urinária.
A fisioterapia tem se mostrado um excelente tratamento para a incontinência, fortalecendo os músculos que
sustentam a bexiga e a uretra.
O tratamento cirúrgico será útil no caso de fístulas, malformações, disfunção do esfíncter e alterações na posição da bexiga.
Esta última comum nas mulheres com incontinência urinária devido a múltiplas gestações e partos. O tratamento mais
adequado para cada caso irá depender do tipo de incontinência urinária e da condição médica subjacente.
CLASSIFICAÇÃO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Incontinência Urinária de Urgência e Urge-Incontinência É a presença de contração vesical durante a fase de enchimento
desencadeada espontaneamente ou em resposta a estímulos e demonstrada de forma objetiva, quando a paciente tenta
inibir a contração.
É chamada de Instabilidade em pacientes sem diagnóstico neurológico e de hiperreflexia em pacientes com
comprometimento neurológico. Resultando em micções freqüentes e relativamente descontroladas. Esta condição deriva de
uma lesão parcial da medula espinhal ou do tronco cerebral que interrompe a maioria dos sinais inibitórios, ou por
hipersensibilidade a acetilcolina, aumento das fibras sensitivas na submucosa, ativação dos reflexos medulares,
principalmente em pacientes neuropatas e por deficiência ou diminuição do controle inibitório do SNC. Portanto, impulsos
facilitatórios passando continuamenteao longo da medula mantém os centros sacrais tão excitáveis que mesmo uma
pequena quantidade de urina provoca um reflexo da micção incontrolável, assim promove a micção freqüente, quando a
paciente sente forte desejo de urinar e perde urina no trajeto até o banheiro classifica-se como Urge-Incontinência. A
paciente tem sensação de plenitude vesical por diminuição da complacência.
A Incontinência de Urgência pode ser sensitiva ou motora e a diferenciação é feita no exame urodinâmico.
Incontinência Urinária de Esforço
É a perda involuntária de urina que surge com aumentos da pressão intra-abdominal, causando problema social ou higiênico
para a mulher, na ausência de atividade contrátil do detrusor. Em condições normais o esfíncter da uretra é capaz de
impedir a saída de urina por ocasião de aumento acentuado e abrupto da pressão intra-abdominal como em episódios de
tosse, espirro ou riso forçado. Na incontinência urinária de esforço ocorre uma perda involuntária de urina quando a pressão
vesical excede a pressão uretral máxima, sem que o músculo detrusor tenha se contraído. Pode ser um sintoma (quando a
paciente nos relata) pode ser um sinal (quando percebido ao exame físico) ou uma condição (quando vem associado a um
diagnóstico urodinâmico específico). O fator determinante da IUE é a alteração do gradiente de pressão entre a bexiga e a
uretra. Essa mudança ocorre por falha no mecanismo esfincteriano extrínseco ou intrínseco da uretra. Assim, a IUE pode ser
decorrente de hipermobilidade do colo vesical e/ou insuficiência esfincteriana. Incontinência Urinária Mista Quando se
somam os sintomas da IUE e da Incontinência de Urgência, é necessário analisar a predominância dos sintomas.
Fatores predisponentes
Parto Vaginal: Por trauma neuromuscular ao assoalho pélvico e/ou descolamento da fáscia pubocervical, por estiramento
ou compressão mecânica dos nervos pélvicos. Lesões causadas mais freqüentemente durante a segunda fase do trabalho
de parto.
Deficiência Estrogênica: O trato urinário inferior é rico em receptores de estrogênio, que faz quando são estimulados, um
aumento do fluxo sangüíneo do plexo artério-venoso e o fluxo sangüíneo aumentado melhora a coaptação da mucosa
uretral e aumenta sua pressão, promovendo a continência. A deficiência de estrogênio pode ser um fator que contribui para
a incontinência urinária em mulheres na menopausa.
Tabagismo: O tabagismo pode agravar a incontinência por vários fatores: - danos às sustentações uretrais e vaginais pela
tosse crônica - alterações na síntese e na qualidade de colágeno - contrações do detrusor induzidas pela nicotina do cigarro.
- efeitos anti-estrogênicos que diminuem a atividade dos receptores adrenérgicos no esfíncter uretral interno.
Obesidade
A obesidade piora a condição de incontinência por aumentar a pressão intra-abdominal.
Diagnóstico
Estudo Urodinâmico: É um termo genérico que compreende o estudo funcional da bexiga e/ou uretra. Fazem parte desse
exame a fluxometria, cistometria, estudo fluxo/pressão, a eletromiografia, perfil pressórico uretral e a pressão de perda. Tem
particular importância na determinação da causa da incontinência urinária, na terapêutica, apesar de ser um exame invasivo
e agressivo, utilizar como instrumento para sua execução sondas intra-uretral e a paciente se expor durante o exame
urinando na presença de pessoas estranhas, constitui-se na abordagem diagnóstica mis segura da Incontinência Urinária.
Orientações para complementação diagnóstica
Diário Urinário
Consiste na anotação pela paciente de suas micções, sintomas e situações de perda urinária, pode ajudar-nos muito na
avaliação da intensidade e da freqüência objetiva desses sintomas.
Teste de Esforço ou Teste da Almofada ou Pad-Test: Permite uma medida quantitativa da perda urinária. É um teste que
necessita de balança de alta precisão e de alto custo, mas é útil na classificação da incontinência urinária.
Teste do Cotonete ou Q.tip Test: Faz-se a assepsia do local com polvidine, introduz-se cotonete estéril embebido em
xylocaína até que a resistência seja vencida, marcando-se aí como ponto zero (0), solicita-se uma contração voluntária ou
manobra de Valsalva e com o goniômetro mede-se angulação do cotonete.
FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PACIENTES GESTANTES
A coluna e a sua função de eixo de sustentação vão sofrer o impacto do peso anterior desenvolvido pela "barriga em
expansão" e isto leva uma desarmonia das cadeias musculares. A cadeia muscular anterior vai sofrer um processo de
estiramento enquanto que, a cadeia posterior ficará sob estresse de tensão muscular constante. Isto pode determinar
lassidão dos ligamentos vertebrais bem como, rotação das vértebras e, por conseguinte, imobilizar os nervos. A circulação
sangüínea também é outro problema presente, principalmente, do ponto de vista venoso. O retorno sangüíneo vai sendo
prejudicado progressivamente ao longo dos noves meses. O peso da barriga faz com que os vasos sejam comprimidos,
dificultando o retorno e propiciando edemas distais (peri-maleolares) e assim, formação de varizes devido à estase venosa
formada.
A fisioterapia respiratória em pacientes gestantes, através de seus procedimentos tem como objetivo: uma melhor ventilação
alveolar, otimização da complacência pulmonar, redução da resistência das vias aéreas e manutenção da integridade
muscular respiratória, além de cuidar do corpo com suas estruturas em transformação durante nove meses e mais,
proporcionar segurança e conforto emocional.
O que muda no organismo da gestante
São várias as modificações anatômicas que ocorrem durante o período gestacional, modificações estas que devemos levar
em conta para efetuarmos qualquer atividade física na gestante.
A parede abdominal é a primeira a sentir as modificações: o útero tem seu eixo vertical e exige dela uma sustentação total,
deslocando o centro de gravidade da mulher, o que resulta em uma rotação pélvica e uma progressiva lordose lombar. A
estabilidade acontece através de um trabalho maior da musculatura e ligamentos da coluna vertebral. À medida que o
volume da barriga aumenta, mais a postura da gestante se modifica. Com a barriga aumentada, para não cair para frente,
ela força o glúteo para trás – "arrebitando o bumbum" -, o que ocasiona dores e desconfortos nas costas e na região lombar.
Em algumas gestantes, existe uma separação nos músculos do abdômen, indo metade para cada lado, formando um
"vergão" ou linha no meio do abdômen. Esses "vergões" podem ter coloração que varia do vermelho ao azulado,
dependendo de cada tipo de pele.
A cintura pélvica (o quadril) tem sua mobilidade articular aumentada em aproximadamente 60%, pois seus ossos, unidos por
fibrocartilagens, sofrem diretamente a ação da relaxina (hormônio produzido para afrouxar os ligamentos pélvicos).
O quadril aumenta seu tamanho para ampliar o espaço e abrigar o bebê e a gestante para andar tem que voltar os pés para
fora – Marcha Anserina (andar de pata).
O diafragma (músculo responsável pela atividade respiratória) fica pressionado pelo aumento uterino, dificultando a
respiração da gestante. O aumento da barriga dificulta a respiração e a própria Natureza se encarrega de acertar isso,
passando a gestante a respirar mais no peito do que no abdômen, no final da gestação. A respiração abdominal deve ser
treinada para se ter os músculos do abdômen fortalecidos, oxigenando também o bebê e realizando o trabalho de
relaxamento.
O estômago tem eixo alterado de vertical para horizontal, tornando o processo digestivo alterado e mantendo por mais
tempo a presença de enzimas digestivas. Durante a gravidez, o estômago desloca-se para cima e para trás, para poder dar
espaço para o bebê; isso ocasiona bastante mal-estar às gestantes, e para que sintam algum alívio devem comer pouco e
várias vezes ao dia, além de evitar alimentosácidos, fortes e condimentados, que possam dificultar ou tornar a digestão
mais demorada.
As glândulas mamárias têm seu volume aumentado, ocasionando uma maior solicitação dos músculos dorsais e peitorais,
além de uma flexão anterior da coluna cervical aumentada. Com os seios aumentados pela presença do leite, além de
mudanças na postura, existe um desconforto em manter posições por muito tempo. Por exemplo, ficar muito tempo em pé
ou sentada causa grande desconforto algumas vezes. Para que isso seja aliviado, deve-se alternar posturas e sempre que
possível alongar-se ou simplesmente espreguiçar-se.
Alterações metabólicas mais apresentadas no período gestacional
* Aumento no metabolismo basal (uma pessoa não grávida em repouso, descansada, seus batimentos cardíacos
estabelecidos entre 70 e 80 por minuto; já a gestante, os tem, em repouso, por volta de 80 e 90 em média. Isso já mostra
que ela está em freqüente estado de "exercício", tendo todo o seu metabolismo alterado. Por isso, o cuidado deve ser
intenso com relação à freqüência cardíaca durante a atividade física, seja ela qual for, não deixando exceder nunca os 140
bpm).
* Aquisição de gorduras o ganho de gordura é um fator diferenciado para cada mulher, dependendo da tendência anterior,
da dieta seguida, dos alimentos ingeridos, mas sempre vai existir. O ideal, segundo os médicos, é adquirir no máximo 10
quilos durante os nove meses, se possível, menos de um quilo por mês.
* Retenção hídrica e de sais minerai (os rins, devido a sua localização próxima ao diafragma, curvam-se para frente durante
a inspiração – pegar o ar – e voltam ao normal durante a expiração – soltar o ar. Esses movimentos estimulam a eliminação
da urina. Esses órgãos sofrem profundas modificações, de modo que essa eliminação fica alterada. Se a urina não for
totalmente eliminada, podem ocorrer os edemas – inchaços – que tanto incomodam a mulher).
* Aumento do consumo de oxigênio (com a gravidez, o consumo de ar é aumentado em função de ele estar sendo também
absorvido pelo bebê, por isso e também pela respiração, a gestante está sempre muito cansada).
* Aumento do débito cardíaco, pois uma parte está dirigida a tecidos não musculares. Com isso, as taquicardias e a
mudança nos batimentos cardíacos são uma constante.
* Declínio da atividade do trato gastrointestinal (é muito comum nas gestantes a queixa sobre dificuldade no evacuar,
presença de gases e regurgitamento após as refeições; isso acontece pela alteração na posição dos intestinos, que ficam
muito "apertados" com o aumento do volume da barriga).
* Resistência periférica diminuída (a circulação também é profundamente alterada pelo aumento do volume uterino, além da
circulação estar sendo mais solicitada para alimentação e necessidades básicas do bebê).
* Taquicardia acima de 100 bpm, exatamente em função do aumento do débito cardíaco.
* Alterações no sistema endócrino (aumento na produção de resíduos, intolerância ao calor, instabilidade emocional). A
disfunção nos hormônios faz com que a gestante seja uma "bomba" de mudanças hormonais, alterando não só sai emoções,
como também a maioria dos seus hábitos anteriores.
* Aumento da capacidade inspiratória e queda na reserva expiratória, cerca de 15%. Por isso, durante os exercícios
respiratórios, deve-se sempre pedir para que a gestante solte o ar por mais tempo do que respire, para eliminar incômodos
como tonturas e dores de cabeça.
* Aumento do volume sangüíneo (em torno de 30%) e do volume plasmático (cerca de 40%). As gestantes costumam ter as
mãos e rosto com coloração modificada em função dessa mudança circulatória.
* A temperatura corporal materna está relacionada diretamente com a temperatura de feto e pode ser alterada durante as
atividades físicas. Em função disso, o trabalho do profissional deve ser cuidado não só com a temperatura da água, do
ambiente, mas também com o tipo de atividade executada nos dias mais quentes.
Modificações gerais no organismo feminino durante a gravidez
No período gestacional, o aumento de cada célula acontece em função do acúmulo de líquidos, sais minerais e muitas
outras substâncias. Aumento líquido ocorre no tecido e os vasos sangüíneos e linfáticos também têm uma considerável
alteração de volume (inchaços constantes).
Os tecido cutâneo e subcutâneo (a pele) distendem-se alterando consideravelmente a silhueta feminina. A musculatura,
impregnada de líquido, tem seus ligamentos e tendões afrouxados, os quais se tornam incapazes de funcionar como
sustentadores. Todos os movimentos devem ser cuidadosos, pois existe um risco maior de lesões nas articulações.
Os tecidos cartilaginosos e ósseos sofrem também modificações, mais acentuadas, na cartilagem da sínfise púbica, nas
articulações sacro-ilíacas e nos discos intervertebrais, que recebem carga aumentada durante todo o processo gravídico.
Os ossos estão bem mais frágeis e com seus ligamentos mais frouxos, por isso, não se deve trabalhar com carga exagerada
nos exercícios, para não aumentar os riscos de lesões.
O aparelho locomotor apresenta dificuldades devido à diminuição da rigidez do aparelho ligamentoso, o andar da gestante é
modificado – passa a andar com os pés para fora, marcha anserina – e ao ficar parada passa a empurrar a barriga para
frente ("arrebitando o bumbum"), alterando assim sua postura e fazendo com que sinta dores e desconfortos.
Respirações mais importantes a serem trabalhadas
* Respiração torácica: É utilizada somente para conscientização corporal e dos padrões respiratórios das alunas. Deve ser
praticada com pouca intensidade, se possível, intercalada com outro tipo de respiração - Técnica respiratória – inspirar pelo
nariz lentamente, procurando expandir o tórax, e expirar lentamente pela boca, como se estivesse assoprando uma vela;
* Respiração abdominal diafragmática: Deve ser realizada constantemente, pois favorece a descida do diafragma, aliviando
prisões de ventre, melhorando a oxigenação sanguínea e, principalmente, proporcionando um relaxamento total. Técnica
respiratória – inspirar pelo nariz de forma gradual e profunda, dilatando o abdômen, como se fosso uma grande bexiga;
espirara pela boca, sentindo o abdômen esvaziar;
* Respiração de bloqueio: Só deve ser praticada a partir do início do quarto mês até o início do nono mês, interrompendo
caso ocorram possíveis dilatações de colo ou contrações esporádicas. Técnica respiratória – inspirar profundamente pelo
nariz, realizando a respiração diafragmática; flexionar o pescoço, trazendo o queixo próximo à região peitoral, e expandir e
contrair o abdômen como ser o ar fosse sair pela vagina. Lembrar sempre de forçar o diafragma a descer.
CÂNCER DE MAMA
“O câncer de mama é a neoplasia de maior ocorrência entre as mulheres de países desenvolvidos ou em desenvolvimento”.
O controle da doença abrange o auto-exame, o diagnóstico precoce e a mamografia. A detecção precoce propicia um
tratamento conservador e não mutilante.
O câncer é tido como uma doença crônica degenerativa, ou seja, é uma patologia que apresenta evolução prolongada e
progressiva, podendo às vezes ser interrompida em uma das suas fases.
No mais, é a sobreposição celular, sendo estas células anormais originadas de células normais.
Lembrando sempre que essas células têm alto poder de disseminação.
A malignidade é percebida à medida que as células cancerosas destroem e substituem o tecido normal.
A metástase é definida como transferência da neoplasia de um órgão para outro, ou de um órgão para outra parte dele, ou
para outro órgão não diretamente conectado ao órgão em que se localiza o tumor primário.
A capacidade de invasão das células cancerígenas está intimamente associada a mobilidade que essas células possuem.
A designação de câncer de mama refere-se ao carcinoma que se origina nas estruturas glandulares eductos mamários.
Ao crescer no interior da mama, o carcinoma invade os linfáticos, e as células neoplásicas são impulsionadas através dos
fenômenos de embolização e permeação.
A propagação é feita para a cadeia axilar, supraclavicular e cadeia mamária interna.
A mama é bem suprida com pequenos vasos sanguíneos e linfáticos, de forma que sua disseminação para fora do sítio de
origem na mama é comum, podendo levar a um mau prognóstico.
A disseminação por via linfática leva, geralmente, aos linfonodos axilares do mesmo lado da mama.
A disseminação através da corrente sanguínea geralmente ocorre em um estado mais avançado podendo as células
neoplásicas implantar-se em diferentes locais do organismo, sendo que as estruturas mais afetadas são: ossos, pulmões, a
pleura, o fígado e o cérebro.
Fatores de risco
Muitas mulheres que acabam desenvolvendo o câncer de mama não apresentam fatores de risco, porém os estudos
científicos mostraram que existem alguns fatores que aumentam a chance de aparecimento da doença:
Idade. O risco aumenta conforme a mulher envelhece. A maioria dos tumores de mama aparecem em mulheres acima de 50
anos.
História pessoal ou familiar de câncer de mama. Mulheres que já tiverem câncer de mama têm mais chances de
desenvolver câncer no outro seio também. E Mulheres que tenham parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha)
diagnosticadas com câncer de mama têm o risco aumentado. Este risco se eleva ainda mais se tiver mais de um parente
com câncer de mama.
Longa história menstrual. Mulheres que iniciaram a menstruação antes dos 12 anos ou tiveram menopausa após os 55
possuem maior risco.
Não ter engravidado ou ter engravidado tardiamente. Mulheres que engravidaram pela primeira vez após os 35 anos ou
que não tiveram nenhuma gestação possuem maior risco. Acredita-se que a gestação obriga as glândulas mamárias a se
maturarem, ao se prepararem para produzir leite.
Obesidade. A gordura secreta hormônio feminino, aumentando o risco de aparecimento de câncer de mama.
Mutações genéticas. Algumas mutações genéticas (BRCA1 ou BRCA2) estão associadas com um risco aumentado para
câncer de mama.
Doença benigna da mama. A hiperplasia atípica, uma condição anormal, mas não canceroso é um fator de risco.
Uso de hormônios exógenos (anticoncepcionais e reposição hormonal). Estudos recentes mostraram que estes hormônios
podem estar associados com um aumento de risco significativo para o câncer de mama.
Prevenção
Ainda não existem maneiras de prevenir o câncer de mama. Mas o que faz muita diferença na sobrevivência contra a
doença é a detecção precoce, através do auto-exame, exame clínico e mamografia.
Muitos tumores de mama não dão qualquer sintoma. É importante a mulher estar familiarizada com a aparência, sensações,
formas e texturas de suas próprias mamas para detectar qualquer alteração. A mulher deve procurar por alterações da
coloração, superfície ou textura na pele da mama, ou do mamilo; descarga (saída de secreção) através do mamilo e
aparecimento de nódulos novos. Se tiver dor persistente, apresar de não ser um sintoma relacionado ao câncer, ela deve
procurar o médico.
Diagnóstico precoce
Existe a recomendação para a população normal de que após os 20 anos a mulher deve fazer o auto-exame de mama todo
mês e ser examinada pelo médico pelo menos a cada 3 anos. Após os 40, ela deve ser examinada pelo médico anualmente,
continuar com o auto-exame mensal e fazer uma mamografia por ano. O ultra-som de mama pode ser pedido pelo médico
para ajudar a avaliar qualquer nodulação anormal. As recomendações mudam se houver fatores de risco associados.
Após a avaliação médica, se há a suspeita de câncer, será pedida a biópsia, que é a retirada de uma amostra de tecido da
área suspeita para exame microscópico.
Carcinoma de mama masculino
A incidência é bem menor. Apesar de rara, seus números são crescentes e o prognóstico é pior nos homens com
metástases freqüentes.
Tratamento
O tratamento para câncer de mama é sempre individual, avaliando a doença do paciente e sua situação pessoal. Mas
existem alguns passos comuns no tratamento da doença. Em primeiro lugar, na doença em estágios precoces o objetivo
inicial é eliminar todo o tumor visível. Assim, os oncologistas recomendam cirurgia para a remoção do tumor.
O próximo passo nos casos de estágios mais precoces seria a redução do risco da recorrência da doença, tentando eliminar
qualquer célula cancerosa que possa ter permanecido. Radioterapia, quimioterapia ou terapia hormonal podem ser usados
nesta fase, dependendo de cada caso. Se ocorre a recorrência o paciente poderá ter de submeter-se a novas cirurgias,
dependendo do local do tumor, ou se submeter a uma variedade de tratamentos para lutar contra as metástases.
Tratamentos adjuvantes
Quimioterapia: tratamento químico por meio de drogas ou medicamentos, que podem ser ministrados por via oral,
intramuscular ou endovenosa;
Radioterapia: irradiação do tumor com raios X de alta potência. Pode ser utilizado de forma isolada, ou em conjunto com a
cirurgia ou quimioterapia;
Hormonioterapia: tratamento de base hormonal indicado nos casos de carcinoma operável, desde que seja hormônio-
dependente;
Imunoterapia: tratamento á base de drogas específicas, cujo objetivo principal é a estimulação imunológica inespecífica;
Cirurgias
As cirurgias para tratamento de tumor de mama podem ser:
Quadrantectomia – retirada de todo o quadrante mamário onde está localizado o tumor;
Tumorectomia – retirada única e exclusiva do tumor;
Mastectomia radical – dissecação total da mama e de determinadas porções de nodos linfáticos e musculares, variáveis
segundo o tipo de cirurgia;
Método cirúrgico de Patey & Dyson – conserva o peitoral maior;
Método cirúrgico de Madden – conserva o peitoral maior e menor
Complicações
Como seqüelas pós-cirúrgicas podemos citar:
Aderências na parede torácica;
Fraqueza de membro superior envolvido;
Alterações posturais e restrições na mobilidade do ombro;
Hipoestesia do membro;
Dor;
Linfedema;
Tratamento Fisioterapêutico
O tratamento fisioterapêutico tem como metas:
Controle de dor pós-operatória;
Prevenir complicações pulmonares pós-operatórias;
Prevenir ou tratar linfedema e alterações posturais;
Promover o relaxamento muscular;
Manter a amplitude de movimento do membro superior envolvido;
Manter ou aumentar força da musculatura envolvida;
Melhorara a tolerância aos exercícios e o senso de bem-estar;
Reduzir a fadiga;
Melhorara o aspecto e maleabilidade da cicatriz, prevenindo ou tratando as aderências;
Massagem no tratamento da paciente mastectomizada
A atuação fisioterapêutica no linfedema pós-tratamento cirúrgico de câncer de mama, consiste de drenagem linfática manual,
seguida de compressão seqüencial com equipamentos, enfaixamento compressivo, malhas de compressão e exercícios.
A massagem faz dilatar os canais tissulares, favorece a formação de neoanastomoses linfáticas, estimula o trabalho dos
capilares linfáticos, estimula o trabalho dos capilares linfáticos e a motricidade do linfagion, além de promover o relaxamento
e/ou diminuição da densidade do tecido conjuntivo alterado.
Guirro et al, 2002, concluíram que a drenagem linfática manual isolada não é eficaz em linfedemas. Os melhores resultados
foram observados com a associação da massagem á bandagem compressiva.
A abordagem compressiva é parte essencial da terapia física do linfedema, sempre associada à massagem de drenagem
linfática, cuja finalidade é manter o membro superior com o menor volume possível.
Reconstrução mamária
Sabe-se que a mastectomia acarreta conseqüências funcionais, cosméticas e psicológicas. A utilização de próteses após a
cirurgia se faz necessária na medida em que a retirada completa da mama acarreta desvios posturais por alteraraa simetria
corpórea.
Da mesma forma, o tipo de reconstrução varia de acordo com as estruturas envolvidas, sendo que as diferentes técnicas
visam à reparação do cone mamário isolado ou associado às demais estruturas torácicas.
A reconstrução mamária pode ser considerada desde que a probabilidade de recorrência seja desprezível, sendo
desaconselhável nos seguintes casos:
Se a paciente estiver em tratamento quimioterápico ou radioterápico
Possibilidade de distúrbios cicatriciais;
O câncer for progressivo, possibilidade de metástases;
Patologias associadas (hipertensão, obesidade, diabetes, etc.);
A cirurgia plástica reconstrutora atua de forma complementar na deformidade produzida pelo tratamento do Câncer.
O objetivo do tratamento na doença avançada é atingir a remissão (fazer com que não se detecte mais doença novamente)
ou reduzir a velocidade de crescimento do tumor. O câncer de mama metastático não é considerado curável e o paciente e a
equipe multidisciplinar deve procurar um equilíbrio para o tratamento da doença e uma boa qualidade de vida. Deve ser
ressaltado que algumas mulheres vivem vários anos após a recorrência e podem ser submetidas a muitos tipos de
tratamentos diferentes, mantendo a qualidade de vida.
ELETROESTIMULAÇÃO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO EM
IDOSAS
INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO
A incontinência urinária de esforço na mulher (IUE) é definida, segundo a Sociedade Internacional de Continência
(“International Continence Society”), como a perda involuntária de urina pela uretra, secundária ao aumento da pressão
abdominal na ausência de contração do detrusor, e que acarreta problemas sociais à paciente.
.A presente pesquisa caracteriza-se como sendo bibliográfica, sendo realizada utilizando-se livros, periódicos e revistas
indexadas utilizando como base de dados Medline, Capes e Lilacs. O período a ser pesquisado foi de 1953 a 2005.
Pretende-se focar a respeito do uso da eletroestimulação no tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas.
ANATOMIA
A parede da cavidade pélvica inclui os músculos superficiais, como os glúteos; os ossos dos quadris, o sacro e o cóccix e
seus ligamentos associados; e os músculos profundos. Vasos sanguíneos, nervos e o peritônio.
O assoalho pélvico (uma expressão diversamente definida) pode ser convenientemente considerado como as principais
estruturas que suportam as vísceras abdominais e pélvicas, o peritônio e os diafragmas da pelve e urogenital. O peritônio
desce para se refletir da frente do reto para a bexiga (escavação retovesical no homem) ou para o útero e vagina
(escavação retouterina ou retovaginal na mulher). As escavações são limitadas, lateralmente, por elevações peritoneais que
são freqüentemente chamadas de pregas sacrogenitais. Na frente, o peritônio é refletido do útero para a bexiga (escavação
vesicouterina). Os vasos sanguíneos e os plexos neurais para as vísceras (assim como para o ureter e os ductos deferentes)
estão situados no tecido conectivo entre o peritônio e o diafragma da pelve. Espessamentos localizados deste tecido
extraperitoneal formam ligamentos. O assoalho pélvico possui duas aberturas medianas, uma para o reto e a outra para a
uretra (e vagina)
FISIOLOGIA DA MICÇÃO
Antes de falar sobre a incontinência, é preciso entender que o controle da urina é dito “normal”, ou seja, a palavra
“continência” é usada para descrever a capacidade normal de uma pessoa acumular urina, com controle consciente sobre o
tempo e lugar para urinar. Uma mistura sutil de fatores contribui para a continência, de modo que ela não depende apenas
do estado e da integridade dos órgãos específicos incluídos e dos tecidos mais vizinhos que são importantes, mas também,
da saúde geral – tanto física como mental – da pessoa integral.
O controle neurológico da micção se dá pela ação harmoniosa da medula espinhal, da ponte e do córtex cerebral de vias
autônomas e somáticas da seguinte forma: quando a bexiga começa a encher, receptores de estiramento da sua parede são
excitados e as fibras aferentes parassimpáticas conduzem esse estímulo até o centro de micção sacral (níveis S2 – S4 da
medula espinhal).
Os tratos espinotalâmicos laterais conduzem o estímulo até a ponte, onde existem áreas capazes de inibir ou excitar o
centro de micção. Nesse primeiro instante, impulsos inibitórios são enviados ao centro de micção para inibir a contração do
músculo detrusor e ativar a ação do esfíncter.
Quando o volume de urina aumenta, essas descargas elétricas na parede da bexiga chegam ao córtex cerebral (lobo frontal).
Sendo assim, agora o ato de conter a urina ocorre voluntariamente, já que foi percebido o desejo de urinar.
Outro fator que influencia na continência da urina é a estimulação de vias aferentes simpáticas que reduzem a
contractilidade do músculo detrusor e aumentam a pressão uretral. Essa condução se dá através dos nervos hipogástricos,
localizados entre os níveis T11-L3, da parede da bexiga e musculatura lisa da uretra (isso acontece quando a vontade de
urinar é alta e ainda não foi achado um local adequado para a micção. A contração voluntária do assoalho pélvico ajuda
nessa retenção).
Quando o indivíduo decide urinar, impulsos eferentes descendentes iniciam a atividade preparatória inibindo a ação dos
nervos pélvicos e pudendo, que provocam o relaxamento do assoalho pélvico e do esfíncter externo.
Logo após, o córtex e o centro pontino não mais inibem o centro miccional e estimulam a excitação dos nervos
parassimpáticos eferentes que provocam a contração do músculo detrusor.
Quando se cessarem os estímulos simpáticos o detrusor se contrai e o esfíncter externo relaxa. Ou seja, ocorre a queda da
pressão de fechamento uretral já que a pressão do detrusor e do fluxo de urina estão aumentadas.
Após o esvaziamento, as paredes da bexiga não estão sendo mais estiradas e o ciclo pode reiniciar-se.
FISIOPATOLOGIA DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO
Existem situações transitórias e definitivas que podem levar à incontinência urinária. Dentre as transitórias, responsáveis por
cerca de 50% dos casos de incontinência urinária nas mulheres idosas, podemos citar:
• Drogas - Existem vários medicamentos que interferem tanto na função vesical como na uretral. Algumas drogas contra
hipertensão arterial, por exemplo, podem levar à incontinência.
• Problemas mentais - Alterações mentais graves que acarretam perda do sentido de orientação podem levar à perda da
consciência da plenitude vesical.
• Infecção urinária - As cistites agudas são muito comuns em pacientes idosas e podem levar a urge-incontinência.
• Deficiência hormonal - A função uretral relacionada à contenção urinária está intimamente relacionada à produção
hormonal ovariana (estrógeno), que é também fundamental para a menstruação. Após a menopausa, a produção de
estrógeno diminui, e em algumas mulheres o tecido uretral torna-se mais frágil e sujeito a lesões e infecções.
Dentre as situações definitivas que levam à incontinência podemos citar:
• Gravidez - A gestação aumenta a tensão sobre a musculatura da pelve feminina. Além disso, durante o parto pode haver o
estiramento e rotura das fibras musculares do períneo, deslocando a bexiga e a uretra de suas posições normais, causando
a Incontinência urinária de esforço.
• Cirurgias abdominais ou pélvicas - Destacam-se a histerectomia, as falhas das cirurgias para incontinência e as
cirurgias para tratamento de tumores do cólon ou do reto, dentre outras.
• Acidente vascular cerebral, traumas e tumores medulares
- São situações nas quais pode haver comprometimento do controle do sistema nervoso sobre a micção.
A incontinência urinária de esforço ocorre em duas situações distintas. Na primeira, que corresponde à grande maioria dos
casos, a uretra conserva a função de esfíncter. Em repouso, a pressão uretral é maiorque a pressão vesical, mantendo a
continência. No entanto, durante os esforços há um aumento da pressão abdominal que não é transmitido igualmente para a
uretra e para a bexiga, de maneira que a pressão vesical torna-se maior que a pressão uretral, ocorrendo perda urinária. A
transmissão desigual da pressão abdominal é devida a hipermobilidade do colo vesical e da uretra proximal, que decorre do
relaxamento do assoalho pélvico. Essa situação é conhecida como incontinência urinária de esforço anatômica. Na segunda
condição ocorre a lesão do mecanismo esfincteriano próprio da uretra. A pressão uretral é constantemente baixa, e a perda
urinária se dá geralmente aos mínimos esforços
Nesta situação, pode não existir hipermobilidade do colo vesical, que em geral se encontra fixo com a uretra fibrosada. A
lesão do mecanismo esfincteriano intrínseco da uretra, conhecida como incontinência urinária de esforço esfincteriana,
pode decorrer de cirurgias prévias, trauma, mielodisplasias e hipoestrogenismo, dentre outras causas. Nesses casos, a
correção por técnicas de suspensão do colo vesical (uretrocistopexias) tem um alto índice de falha, estando indicadas
técnicas para o aumento da resistência uretral, como os “slings” e as injeções periuretrais.
DIAGNÓSTICO
O sucesso do tratamento da incontinência urinária depende do diagnóstico correto, objetivando-se a correção da disfunção
ou alteração que causa a perda de urina. A história clínica e o exame físico completo são fundamentais na avaliação desses
casos.
O diagnóstico da IUE é fundamentalmente clínico. Além da anamnese detalhada, que inclui um diário miccional (registro da
hora, volume urinado e dos episódios de perda), procura-se também demonstrar objetivamente a perda urinária através do
teste de Bonney. O teste de Bonney consiste na elevação do colo vesical pelo examinador introduzindo os dedos indicador
e médio na vagina da paciente. O teste é considerado positivo quando a elevação do colo vesical durante o esforço impede
a perda urinária percebida anteriormente. Nos casos cuja história não é típica e naqueles em que houve insucesso cirúrgico,
podemos lançar mão de métodos auxiliares.
Pacientes com imperiosidade miccional, urge-incontinência, enurese noturna ou que foram submetidas a tratamento
cirúrgico prévio devem ter sua avaliação complementada com estudo urodinâmico.
A importância do estudo urodinâmico nestas pacientes está em orientar o diagnóstico, auxiliar na escolha da forma de
tratamento e fornecer informações complementares para o seguimento pós-cirúrgico.
Atualmente têm sido propostas diversas técnicas simplificadas para realização do estudo urodinâmico capazes de reduzir
sua complexidade e eliminar a necessidade do emprego de alta tecnologia. Uma vez constatada sua reprodutibilidade e
confiabilidade, tais modalidades permitiriam uma redução do custo final do exame, sem prejuízo na qualidade de seus
resultados. Pushkar et al. avaliaram o potencial diagnóstico de testes urodinâmicos combinados em diferentes formas de
incontinência urinária, demonstrando que a cistometria foi mais eficiente no diagnóstico da instabilidade do detrusor.
Avaliações preliminares sugerem que a propedêutica uroginecológica, associada à cistometria, é opção a ser considerada
na avaliação clínica e pré-operatória de pacientes com Incontinência Urinária de Esforço em substituição à urodinâmica
convencional, particularmente onde esta última não se encontra disponível. Trata-se de exame acessível e de considerável
sensibilidade para a detecção de contrações vesicais involuntárias, além de proporcionar ao examinador noções fidedignas
da complacência vesical e da atividade vesical.
Existe ainda uma associação com métodos de imagem - A observação da abertura e mobilidade do colo vesical utilizando a
fluoroscopia ou o ultra-som durante as medidas pressóricas constitui o estudo videourodinâmico, que permite a obtenção de
informações adicionais e é de importância nos casos complexos, principalmente em serviços universitários de referência.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
O emprego da desmopressina, de diuréticos, de alfa-bloqueadores e a terapia de reposição hormonal nas mulheres são as
opções farmacológicas mais utilizadas.
A alteração do ritmo de liberação da desmopressina verificada em pessoas idosas e a sensibilidade dos túbulos renais a
esse hormônio, levou-nos ao emprego de formas sintéticas do mesmo (DDVAP), visando reduzir a produção de urina e a
frequência urinária noturnas. Os resultados obtidos até hoje nos permitem concluir que o emprego do DDVAP não deve ser
rotineiro nos pacientes idosos portadores de noctúria. Embora existam indícios de melhora da sintomatologia, os efeitos
colaterais de retenção hídrica e hiponatremia, observados com o emprego da apresentação em forma de “spray” nasal,
podem ser perigosos em pacientes idosos portadores de outras doenças. Logo, é recomendado o uso do DDVAO em sua
apresentação oral nos pacientes idosos que estejam em boas condições de saúde.
Os diuréticos são boa opção terapêutica, principalmente para aqueles pacientes que apresentam edema periférico. Os
diuréticos de alça podem ser usados a qualquer hora do dia, desde que sejam monitorados os efeitos colaterais de
hipotensão postural e distúrbios hidroeletrolíticos.
O uso de alfa-bloqueadores deve ser reservado para pacientes do sexo masculino, nos quais acreditamos ser o componente
prostático a causa mais importante do quadro de noctúria. Devemos advertir os pacientes dos efeitos hipotensores dessa
medicação, que ocorrem em 18% dos pacientes hipertensos.
Com relação à reposição hormonal, no último século houve considerável aumento da expectativa de vida das mulheres, as
quais passaram a viver mais de um terço de suas vidas após a menopausa. Assim, a mulher fica cada vez mais exposta às
conseqüências deletérias do hipoestrogenismo.
As alterações decorrentes da ação de hormônios e de outros fármacos, no trato urinário inferior da mulher têm grande
importância. De fato a reposição hormonal na pós-menopausa contribui de modo decisivo no tratamento de diversos
distúrbios urinários, dentre eles a incontinência urinária de esforço.
O uso de hormônios na terapêutica da incontinência urinária na pós-menopausa fundamenta-se em dados embriológicos e
na fisiologia do trato genito – urinário. Como se sabe, a genitália feminina e o trato urinário desenvolvem-se a partir de um
precursor embriológico comum, o seio urogenital. Portanto, pode-se pressupor que o trato urinário baixo, assim como o
genital, seja sensível à ação hormonal.
Sabe-se que os vasos periuretrais são responsáveis por 33% da pressão de fechamento uretral, e que a mucosa uretral
desempenha importante papel na continência urinária, pela coaptação da uretra.
Em nosso meio, Endo et al, em estudo experimental em ratas castradas, observaram aumento da vascularização vesical e
periuretral no grupo de animais tratados com estrogênio.
Os corticosteróides, por sua vez, são amplamente utilizados na prática clínica pelo seu efeito antiinflamatório. Possuem
capacidade de impedir ou suprimir o desenvolvimento de calor, rubor, intumescimento e sensibilidade locais, pelas quais a
inflamação é reconhecida. Porém, pouco ou quase nada se sabe a respeito do seu efeito nos tratos urinário e genital, muito
menos sobre suas interações com os hormônios sexuais.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
O tratamento cirúrgico da Incontinência urinária de esforço baseia-se na correção da hipermobilidade do colo vesical quando
houver alteração anatômica do soalho pélvico, ou no aumento da resistência uretral quando houver lesão esfincteriana
intrínseca da uretra. Pode haver também a associação de ambos, exigindo o uso de técnicas para a correção conjunta dos
dois componentes da incontinência.
Correção da hipermobilidade do colo vesical - O objetivo é manter o colo vesical em posição intra-abdominal,seja
através de sua suspensão ou através do reforço do soalho pélvico.
Podemos distinguir três abordagens diferentes:
• Via vaginal - A correção de distopias através da via vaginal pela cirurgia de Kelly-Kennedy é largamente difundida e
baseia-se na plicatura do tecido parauretral, com índices de sucesso progressivamente menores durante o seguimento.
Atualmente admite-se que o suporte do soalho pélvico torna-se novamente inadequado em médio prazo após a utilização
desta técnica.
• Via suprapúbica - Representada por duas técnicas. Na técnica de Marshall-Marchetti-Krantz realiza-se a sutura do tecido
periuretral e da bexiga ao periósteo do púbis. O sucesso referido é da ordem de 85% durante seguimento prolongado,
admitindo-se como principais inconvenientes a possibilidade de angulação e a conseqüente obstrução uretral, e, mais
raramente, o comprometimento do mecanismo esfincteriano pelas suturas periuretrais e a osteíte do púbis. A outra técnica é
representado pela Colpossuspensão a Burch, que se baseia na realização de suturas envolvendo a fáscia perivaginal e a
parede vaginal distante da uretra, as quais são ancoradas no ligamento de Cooper. Dessa forma, as complicações
potenciais descritas com a técnica anterior seriam evitadas. De maneira geral, os índices de sucesso obtidos são
semelhantes.
• Via combinada sob controle endoscópico - Baseia-se na confecção de suturas de apoio envolvendo seja a parede
vaginal ou os tecidos periuretrais, seguidas de ancoragem em nível da aponeurose do músculo reto abdominal, utilizando-se
agulhas especiais para a tração dos fios. Assim, obtêm-se o alongamento da uretra e a suspensão do colo vesical, que é
mantido fixo durante o esforço abdominal. O controle endoscópico permite a identificação de perfurações vesicais
inadvertidas, além da avaliação da tração ideal sobre o colo vesical.
Representantes dessa modalidade de correção são as técnicas de Stamey, Raz e Gittes. Todas têm em comum a
ancoragem da suspensão na parede vaginal sujeita a lacerações na dependência de alterações tróficas hormônio-
dependentes ou secundárias a cirurgias anteriores. Apesar de satisfatórios no início, os resultados se mostraram
desapontadores no seguimento com prazos entre cinco e sete anos, com índices de cura por volta de 50%.
Correção da insuficiência esfincteriana - O objetivo é aumentar a resistência uretral, o que pode ser obtido através de
injeções periuretrais ou de “slings”.
• Injeções periuretrais - Podem ser utilizadas no tratamento da incontinência urinária de esforço esfincteriana sem
hipermobilidade do colo vesical associada. O objetivo do tratamento é a injeção de substâncias biocompatíveis entre a
submucosa uretral e o envelope muscular da uretra a fim de produzir coaptação uretral. As substâncias mais utilizadas para
esse fim são a pasta de teflon, o colágeno bovino purificado e estabilizado, a lipoinjeção autóloga e, mais recentemente, os
balões periuretrais.
• “Slings” - Os “slings” pubovaginais foram descritos há muito tempo como alternativa para o aumento da resistência
uretral. A tensão, propositadamente colocada ao nível da uretra, foi responsável pela alta incidência de retenção urinária
pós-operatória. Recentemente, a utilização de retalhos mais longos de aponeurose, bem como a utilização de materiais
sintéticos ou absorvíveis, permitiu a abordagem combinada por via abdominal e vaginal, simplificando o procedimento e
melhorando os resultados. Com essa técnica, obtêm-se uma alça pubovaginal ou “sling” que dará apoio posterior e coaptará
a mucosa uretral quando da sua descida fisiológica durante o esforço. É importante não tracionar a alça para evitar retenção
urinária no pós-operatório devido à compressão da junção uretrovesical, melhorando assim os resultados obtidos.
Tendo em vista os bons resultados obtidos com os “slings” aponeuróticos nos casos complexos de incontinência urinária de
esforço, acreditamos que deva ser essa a conduta de escolha nos de incontinência urinária de esforço por lesão
esfincteriana intrínseca, bem como naqueles casos cujo risco de insucesso é grande, como nas pacientes obesas, com
doença pulmonar obstrutiva crônica e radioterapia pélvica.
Recentemente simplificações dos “slings” têm sido realizadas, destacando-se o suporte tendíneo vaginal (STV), no qual uma
fita aponeurótica sintética é ancorada aos arcos tendíneos bilateralmente, sem necessidade de perfurar a fáscia
endopélvica. Outra opção de procedimento microinvasivo e passível de ser realizada com anestesia local e em nível
ambulatorial é o TVT (“Tension-free vaginal tape”). Trata-se de uma fita de prolen que possui uma agulha em cada
extremidade passada da região vaginal para a suprapúbica ao nível do terço médio da uretra, deixando livre o colo vesical
para se abrir durante a micção.
Não há necessidade de se fixar à fita na aponeurose dos retos e tampouco de cateter uretral no pós-operatório. Trata-se de
um procedimento inovador com bons resultados no seguimento inicial.
TRATAMENTO CONSERVADOR COMPORTAMENTAL E FISIOTERÁPICO
A reabilitação fisioterápica tem importante potencial no tratamento, objetivando, fortalecer os músculos do assoalho pélvico,
prevenindo o surgimento de futura incontinência, ou mesmo, de prolapso uterino; cistocele (queda da bexiga); uretrocele
(queda de uretra); retrocele (queda de reto) e enterocele (descida da vagina fazendo-a cair, inchar ou ficar saliente). A
fisioterapia também como objetivo, reeducar a bexiga; intervir no pré e pós-operatório intensificando os resultados cirúrgicos
obtidos e melhorar a qualidade psicológica, inclusive sua auto-estima, e a qualidade de vida desses pacientes. A fisioterapia
atua através de:
- TREINAMENTO VESICAL: Funciona em diversos casos de urge-incontinência e de incontinência reflexa, ou seja, aquela
que ocorre subitamente “sem sensação prévia ou aviso”. Por exemplo, vamos considerar o caso de uma paciente cujo diário
miccional mostrava períodos de continência de até duas horas, após o que ocorria urgência miccional de forte intensidade. A
paciente foi orientada a urinar a cada duas horas, independentemente do desejo miccional. Após uma semana sem perder
urina, a paciente foi orientada a aumentar progressivamente o intervalo entre as micções em meia hora.
- EXERCÍCIOS DA MUSCULATURA PÉLVICA: A cinesioterapia utiliza exercícios para fortalecimento dos músculos
perineais e abdominais, baseada no preceito de que os movimentos voluntários repetidos do músculo estriado proporcionam
aumento da força muscular, melhorando o tônus do esfíncter periuretral Os exercícios perineais, também conhecidos como
Exercícios de Kegel, são úteis tanto para o tratamento da Incontinência Urinária quanto para a urge-incontinência.
Trabalhando inicialmente com pacientes idosas, o Dr. Kegel observou que os exercícios melhoravam não só a continência
mas também o prazer sexual. Tratando-se de uma opção simples e barata, os exercícios são muito atraentes, porém é
preciso salientar a necessidade de motivação para a obtenção de bons resultados, uma vez que os exercícios devem ser
realizados constantemente e por toda a vida. Assim, o tratamento exige do médico disposição para orientação e apoio
constante para conseguir resultados satisfatórios.
- PESSÁRIOS VAGINAIS: Os mais modernos são feitos de silicone na forma de uma pulseira com duas elevações. Como
na maioria dos casos de incontinência urinária a bexiga se encontra prolapsada, a introdução do pessário na vagina eleva a
bexiga e a uretra para a posição normal, simulando o efeito de uma cirurgia corretiva. Admite-se que após a adaptação a
esse tratamento, 80% das pacientes permaneçam secas ou com melhora da incontinência.
- USO DE CONES VAGINAIS: O fortalecimento dos músculos do soalho pélvico através da reeducação perineal tem-se
revelado apropriada numa série de mulheres com incontinência urinária, constituindoa base da terapêutica conservadora. O
uso de cones vaginais permite taxas de sucesso objetivas comparáveis aos exercícios de Kegel Standard.
O renovado interesse pelos exercícios da musculatura pélvica para o tratamento da incontinência urinária segue a tradição
iniciada por Kegel, em que através do exercício voluntário se pretende aumentar o tônus dos músculos do pavimento
pélvico, e estriado uretral, e conseqüentemente o aumento da pressão uretral, de modo a resultar superior à pressão vesical,
o que em termos urodinâmicos corresponde à continência urinária.
Plevnik (1985) introduziu este tipo de exercícios utilizando cones vaginais demonstrando que a mulher ao tentar reter os
cones de pesos crescentes na vagina aumentava o tônus da musculatura pélvica. Esta técnica consiste na utilização de um
conjunto de cones de tamanhos iguais, mas de peso crescente, com forma anatômica que permite a sua introdução na
vagina. A ação reflexa automática da musculatura do pavimento pélvico proporciona uma fisioterapia interna que
rapidamente restabelece o tônus muscular interessado. A recuperação será notada ao fim de duas a três semanas,
momento este em que se recomenda a utilização de pesos superiores, a fim de poder continuar a melhoria do processo.
- BIOFEEDBACK: Este método pode ser utilizado para tratar tanto a incontinência de esforço quanto a urgência miccional. A
maioria dos equipamentos existentes possui um sensor eletrônico que é introduzido na vagina para registrar a atividade dos
músculos pélvicos, e eletrodos colados na parede abdominal para monitorar sua atividade e informar se a musculatura está
relaxada.
Assim, quando a paciente contrair corretamente a musculatura perineal haverá uma representação auditiva ou visual (por
exemplo, acender de luzes) informando se os músculos corretos estão se contraindo e também à intensidade das
contrações. Os resultados aparecem depois de cinco semanas, com exercícios realizados uma ou duas vezes por semana.
Em alguns países existem modelos mais simples e portáteis que podem completar o tratamento em nível domiciliar.
- OBTURADORES URETRAIS: Têm por objetivo ocluir mecanicamente a uretra. Existem vários modelos no mercado e
outros estão em fase de testes. Esse tipo de paliação está indicado para os casos de incontinência urinária mais grave,
como nas pacientes que utilizam fraldas ou forros e que não desejam ou não podem ser submetidas ao tratamento cirúrgico.
O dispositivo é descartável e não deve ser reutilizado, implicando a troca por um novo obturador a cada micção.
- ADESIVOS URETRAIS: De maneira semelhante aos obturadores, os adesivos uretrais ocluem a uretra ao nível do meato.
A oclusão pode ser obtida tanto por adesivos especiais que aderem à mucosa periuretral quanto por dispositivos plásticos
que com o auxílio de um gel apropriado criam vácuo e selam a uretra distalmente.
- ELETROESTIMULAÇÃO: A terapêutica conservadora é realizada através de técnicas que visam o fortalecimento da
musculatura do assoalho pélvico, pois a disfunção muscular representa importante fator etiopatogênico da incontinência
urinária de esforço. O nervo pudendo é um nervo eferente tanto par ao assoalho pélvico como para o esfíncter estriado
periuretral. Sua lesão pode ocasionar insuficiência dos elementos de sustentação, bem como o relaxamento da musculatura
periuretral, comprometendo a integridade do assoalho pélvico e determinando, assim, o desencadeamento da incontinência
urinária. Considerando a etiologia neuromuscular da incontinência urinária de esforço, vários tratamentos foram propostos
com o intuito de restabelecer a função muscular e nervosa, sendo a eletroestimulação uma dessas alternativas terapêuticas.
Descrita primeiramente por Caldwell em 1963, a eletroestimulação do assoalho pélvico para tratamento da incontinência
urinária de esforço apresenta resultados conflitantes. Os índices de cura variam de 30% a 50%, ocorrendo melhora dos
sintomas em 6% a 90% das pacientes. A utilização de distintos critérios na avaliação diagnóstica da incontinência urinária de
esforço, nos parâmetros definidos para a eletroestimulação e nos métodos empregados para a análise dos resultados são
responsáveis pela diversidade dos resultados obtidos na literatura.
Estudos que avaliam os efeitos da eletroestimulação do assoalho pélvico no tratamento da incontinência urinária de esforço
caracterizam-se, muitas vezes, por análises subjetivas e que desconsideram as distintas etiologias da perda urinária. Mesmo
com o avanço nos métodos propedêuticos e o surgimento de estudos clínicos controlados, permanece acentuada
discrepância com relação à padronização do tempo de tratamento, dos parâmetros definidos para a eletroestimulação e dos
métodos utilizados na análise dos resultados.
Ao contrário das modalidades descritas, a eletroestimulação é um exercício passivo, ou seja, uma forma de exercitar a
musculatura perineal sem “fazer força”. O tratamento é realizado introduzindo-se na vagina um eletrodo que se assemelha a
um absorvente interno. O eletrodo é ligado a uma fonte geradora de impulsos elétricos que promovem a contração da
musculatura perineal, eles aumentam a força de contração do músculo elevador do ânus, o comprimento funcional da uretra
e melhora a transmissão da pressão abdominal. É importante salientar que o tratamento não apresenta efeitos indesejáveis
e que nos casos de falha não haverá prejuízo para uma eventual cirurgia. Encontra-se em fase final de estudos a
estimulação extracorpórea por ressonância magnética, método não-invasivo no qual a paciente senta-se numa cadeira que
possui um dispositivo que realiza os exercícios perineais sem que haja nenhum contato direto.
Os parâmetros da eletroestimulação ainda não estão completamente padronizados, mas recomenda-se a utilização do
máximo estímulo intermitente tolerado sem dor (mínimo de 15 mA), com razão temporal estímulo/descanso mínima de 1:2,
uso de probes via vaginal/anal, em sessões de 15 a 30 minutos, de 1 a 3 vezes por semana. As freqüências de 50 a 100 Hz
são sugeridas para a Incontinência de esforço e de 10 a 20 Hz, para os casos de instabilidade do detrusor e Urge-
incontinência, e ainda de 20 a 50 Hz, para Incontinência Mista, segundo alguns autores.
Os efeitos colaterais descritos com a utilização da eletroestimulação transvaginal do assoalho pélvico são raros, destacando-
se: dor, irritação vaginal e infecção urinária. A utilização da eletroestimulação por curtos períodos diminui o surgimento de
tais efeitos para níveis inferiores a 14%.
As contra-indicações são: gravidez, infecções vaginais, diminuição da percepção sensorial da vagina, infecção urinária,
arritmia cardíaca e menstruação.
Poucos estudos avaliam os efeitos terapêuticos, em longo prazo, da eletroestimulação no tratamento da incontinência
urinária. Eriksen e Eik-Nes (1989) relataram cura ou melhora em 68% das mulheres eletroestimuladas, mantendo-se a taxa
de sucesso de 56% dois anos após a terapia. Appel (1998) realizou estudo com seguimento de seis anos, demonstrando
que apenas 40% das mulheres apresentaram melhora permanente após a eletroestimulação. Ressaltou, entretanto, que a
associação de exercícios regulares do assoalho pélvico para fortalecer a musculatura perineal poderá interferir,
positivamente, na manutenção dos resultados.
HIDROTERAPIA
O termo hidroterapia deriva das palavras gregas “(água)” e therapia “(cura)”, ou seja, é o uso da água para fins
terapêuticos”.
A hidroterapia é uma modalidade de reabilitação que possui uma longa história e é tão importante atualmente quanto
foi no passado. Hoje com o crescimento da popularidade da hidroterapia, os fisioterapeutas são encorajados a utilizar a
água aproveitando ao máximo suas qualidades únicas. Para utilizar a hidroterapia o fisioterapeuta deve ter conhecimento
das propriedades e características da água.
Princípios Físicos:A) Pressão hidrostática
Segundo a lei de pascoal, “a pressão do líquido é exercida igualmente sobre todas as áreas da superfície de um corpo e
varia com a profundidade e densidade do líquido”. O efeito da pressão hidrostática depende da profundidade que o
corpo é submerso, e quanto maior a profundidade, maior será a pressão exercida.
B) Densidade relativa
O principio de Arquimedes afirma que, quando um corpo é submerso em um líquido, ele sofre uma f orça de
flutuabilidade igual ao peso do líquido que desloca. A densidade relativa da água é aceita como uma proporção de 1.
portanto, qualquer objeto com uma densidade menor que 1 irá flutuar. A densidade relativa do corpo humano varia com
a idade.
C) Flutuação
A flutuação e a densidade estão muito relacionadas. De acordo com o princípio de Arquimedes, quando um corpo está
total ou parcialmente imerso em um fluido em repouso, ocorrerá um empuxo de baixo para cima igual ao volume
deslocado. Portanto um objeto com densidade relativa menor que 1 flutuará.
D) Metacentro
Refere-se ao equilíbrio da água, um corpo submerso na água esta sujeito a duas forças opostas: gravidade e a
flutuabilidade. A gravidade age no sentido para baixo, enquanto a flutuabilidade age para cima. Se essas duas forças de
gravidade e flutuabilidade forem diferentes e estiverem desalinhadas, haverá movimento, que será sempre de rotação. A
rotação continua até que as duas forças estejam novamente alinhadas. Quando essas duas forças forem aplicadas ao
corpo humano, pode-se observar que, durante a flutuação, o corpo estará balanceado e em equilíbrio.
E) Viscosidade
A água é um meio líquido mais denso que o ar e cria resistência aos movimentos devido ao atrito com as moléculas
d’água em nosso corpo.
F) Temperatura
A temperatura em conjunto com a viscosidade e flutuação, é o princípio físico mais importante da hidroterapia. Em
hidroterapia considera-se a água quente quando a temperatura está acima de 34°C, água termoneutra quan do está
entre 31 a 33°C, e água fria quando está entre 28 e 30°C.
Efeitos fisiológicos durante os exercícios em água aquecida
Elevação da temperatura corporal;
Aumento da freqüência cardíaca e respiratória;
Aumento da circulação periférica;
Diminuição de edema pela pressão hidrostática;
Redução da sensibilidade das terminações nervosas.
Benefícios terapêuticos
Relaxamento muscular;
Redução da dor;
Melhora espasmos musculares;
Ganho de força muscular;
Consciência corporal;
Melhora da marcha, equilíbrio e controle de tronco;
Melhora auto-estima do paciente.
Indicações
Artrose, osteoartrose, osteopenia e artrites;
Acidente vascular encefálico (AVE);
Paralisia cerebral;
Traumatismo cranioencefálico
Sequelas de meningite, poliomielite, atraso de desenvolvimento motor, hemiplegia, diplegia, paraplegia, ataxia, esclerose
múltipla, doença de Parkinson;
Fibromialgia;
Reabilitação de fraturas, prótese e artroplastia;
Treino de marcha, equilíbrio e coordenação motora;
Hérnia discal, espondilolistese, compressão ciática;
Lordoses, escolioses e cervicalgias;
Lesões de ombro, cotovelo, coluna, quadril, joelho, tornozelo e pé;
Reabilitação cardíaca;
Atrofias musculares e limitações de ADM;
Problemas circulatórios, respiratórios;
Dores, espasmos musculares e edemas.
Contra-indicações
Pacientes com cateteres e sondas;
Insuficiência cardíaca;
Hipertensão não controlada;
Feridas abertas
Disfunções urinárias;
Micoses.
Tipos de equipamentos aquáticos
BÓIAS: apoio para auxiliar a flutuação, aumentar segurança e conforto na água.
CINTO FLUTUADOR: apoio para a parte funda da piscina, usado na cintura, ou usado para aumento da flutuabilidade.
HALTERES PARA ÁGUA: equipamentos flutuantes que propiciam resistência contra a flutuação.
PRANCHAS: equipamento de flutuação usado para apoiar o corpo. Quando sob a água, propicia grande resistência.
BASTÃO: assistência e pequena resistência.
PALMAR DE RESISTÊNCIA: equipamento resistivo para mãos ou tornozelos.
PESOS DE PUNHO E TORNOZELO: equipamentos para resistência que podem ser usados no solo ou na água.
CANELEIRAS: usadas para flutuação dos MMII.
FITAS ELÁSTICAS (BANDS): equipamento resistivo para fortalecimento da várias regiões corporais.
BANCO (STEP): equipamento de apoio para ser pisado.
Técnicas de Hidroterapia
Bad ragaz
É uma técnica que utiliza padrões em diagonal e espiral, com o objetivo de promover:
Relaxamento muscular;
Aumento da ADM;
Reeducação muscular;
Melhora do alinhamento e estabilidade do tronco;
Preparo dos MMII para descarga de peso;
Potencialização da capacidade funcional de toda a musculatura;
Melhora da integração neuromuscular;
Melhora da mobilidade miofacial;
Diminuição da espasticidade;
Restauração dos padrões normais de movimento.
Watsu
Foi criado em 1980 por Harold Dull (estudou no Japão o método Zen Shiatsu). Pode-se dizer que o watsu utiliza a
água aquecida e uma variedade de alongamentos e movimentos para relaxar o corpo e a mente, de forma a permitir o alívio
da dor e do estresse.
“Dizia-se no Egito que a água tinha sido dada à alma como uma compensação por ela ter assumido uma forma corporal. Na
água, nossos corpos encontram a liberdade perdida pela alma. O Watsu é a exploração contínua dessa liberdade”.
Halliwick
James MCmillan desenvolveu o conceito Halliwick desde 1950, como um método de natação para pessoas com
necessidades especiais. Ele fundamentou o conceito sobre fluidos mecânicos e somou a isso conceitos teóricos e
observações realizadas com as reações do corpo humano no ambiente aquático. Esse método tem como filosofia:
Felicidade de estar na água.
Tratar alunos pelo primeiro nome.
Ênfase na habilidade, não na deficiência.
Ênfase no prazer, colocando atividades em forma de jogos.
Grupos - nadadores se encorajam uns aos outros.
Igualdade
Segurança
Independência e liberdade de movimentos
Hidrocinesioterapia
� O termo hidroterapia deriva das palavras gregas hydor (água) e therapia (cura), ou seja, é a utilização da água para
fins terapêuticos.
� Ela pode ser utilizada nas suas três (3) formas de estado físico: na forma de vapor, na forma líquida (quente, morna
ou fria); e sob sua forma sólida, o gelo.
Divisões da Hidroterapia
� HIDROTERMOTERAPIA: quando a água age mais como condutora de calor/frio (envoltórios, compressas, banhos
quentes/frios e de contraste, sauna);
� HIDROMECANOTERAPIA: (hidromassagem, ducha, turbilhão), em que se soma o efeito mecânico ao térmico, com
jatos d'água dirigidos às regiões que se deseja tratar.
� HIDROCINESIOTERAPIA: (piscina terapêutica e tanque de Hubbard) utiliza a redução da ação da gravidade sobre
os corpos imersos, para facilitar a cinesioterapia.
Definição da Hidrocinesioterapia
� A hidroterapia é um método terapêutico que utiliza os princípios físicos da água em conjunto com a cinesioterapia,
sendo um trabalho específico e individual para cada paciente, a fim de auxiliar na reeducação funcional neuromotora,
musculoesquelética ou cardiorrespiratória, visando ganho, manutenção ou prevenção das alterações funcionais.
Indicações
– Fraqueza muscular generalizada;
– Baixa resistência muscular;
– Impossibilidade de sobrecarga nos membros inferiores;
– Resistência cardiovascular diminuída;
– Contraturas articulares;
– Diminuição da flexibilidade;
– Disfunções posturais;
– Habilidades diminuídas;
– Interação social do paciente;
– Pacientes Ortopédicos;
– Pacientes Neurológicos;
– Pacientes Pediátricos;
– Pacientes Reumatológicos;
– Pacientes Oncológicos;
– Pacientes Ginecológicos;
– Pacientes Pneumológicos;
– Pacientes Cardiológicos;
– Pacientes Geriátricos.
Efeitos Terapêuticos
São semelhantes aos produzidos por qualquer outra forma de calor, porém são menos localizados.
Eles são osresultados normais do exercício executado e variam de acordo com a temperatura da água, a pressão da água,
a duração do tratamento e a intensidade dos exercícios.
Sistema Termorregulador
Estando a água a uma temperatura aumentada haverá dilatação dos vasos sanguíneos, aumento do suprimento sanguíneo
periférico e elevação da temperatura muscular, levando ao aumento do metabolismo da pele e músculos e,
conseqüentemente, aumento do metabolismo geral e da freqüência respiratória.
Sistema Cardiorrespiratório
Melhora da capacidade aeróbica;
Melhora nas trocas gasosas;
Reeducação respiratória;
Aumento no consumo de energia;
Auxílio no retorno venoso;
Melhora na irrigação resultando na estabilidade da pressão arterial e no retardo do aparecimento de varizes.
Sistema Nervoso
O calor relativamente brando da água reduz a sensibilidade das terminações nervosas sensitivas e à medida que os
músculos são aquecidos pelo sangue que os atravessa, seu tônus diminui levando ao relaxamento muscular.
Sistema Renal
Com a variação da pH e da profundidade na qual o corpo está imerso há aumento dos fluidos corporais levando ao aumento
da diurese profunda. Isto porque o sangue ao ser mais bem distribuído melhora a circulação venosa e, conseqüentemente, a
resposta renal e o estímulo ao processo de micção, devendo-se ter cuidado com pacientes com incontinência.
Sistema imunológico
A intensa e prolongada aplicação de calor úmido penetra até 3,4 cm, atingindo inclusive camadas superficiais de músculos e
promovendo também aumento no numero de leucócitos (células de defesa), formando um quadro geral do paciente mais
saudável.
Sistema músculo – esquelético
O calor da água aquecida reduz o espasmo muscular e as dores, promove aos músculos e articulações um aquecimento
continuo durante todo o tratamento e os músculos fadigam-se menos rapidamente.
Os exercícios terapêuticos podem começar nas primeiras fases do tratamento, de modo que os músculos possam ser
relaxados e o metabolismo estimulado.
Modificações fisiológicas durante o exercício em água aquecida
Aumento da freqüência respiratória;
Diminuição da pressão sangüínea;
Aumento do suprimento de sangue para os músculos;
Aumento do metabolismo muscular;
Aumento da circulação periférica;
Aumento da freqüência cardíaca;
Aumento da quantidade de sangue de retorno ao coração;
Aumento da taxa metabólica;
Diminuição de edemas das partes do corpo submerso;
Redução da sensibilidade das terminações nervosas;
Relaxamento muscular geral.
Efeitos Terapêuticos e Psicológicos
Motor
A imersão em água aquecida tem efeitos positivos na dor, edema, espasmo muscular, articulações e marcha, já que a
imersão diminui o edema, relaxa músculos e articulações, exige mínimo esforço para pequenas contrações e/ou movimentos
articulares, alem de auxiliar a marcha por não precisar de aparelhos ortopédicos.
Sensorial
Estimula o equilíbrio, a noção de esquema corporal, a propriocepção e a noção espacial, já que a água é um meio instável,
levando ao constante desequilíbrio, e muito estimulo.
Facilita as reações de endireitamento e equilíbrio, visto que não existem pontos de apoio e o paciente e obrigado a promover
alterações posturais. É a ação da flutuação e turbulência.
Diminuição dos estímulos proprioceptivos à medida que aumenta a profundidade, diminuindo a descarga de peso.
Prevenção
Previne deformidades, atrofias e piora do quadro do paciente. Além de haver diminuição do impacto e descarga de peso
sobre as articulações.
Psicológico
Mesmo o menor dos movimentos voluntários(não possíveis fora da água) ajuda o paciente a reter a “imagem corporal” do
movimento. Deste modo, há um reforço do moral do paciente e ele se sente melhor por não necessitar dos aparatos
ortopédicos usados em solo e pela facilidade dos movimentos, proporcionando confiança para alcançar máxima
independência funcional.
Contra – Indicações da Hidrocinesioterapia
Absolutas e Relativas
Febre, especialmente se estiver acima de 38°C (100o F).
Arritmia cardíaca, angina instável, sistema cardiovascular seriamente comprometido.
Pressão sangüínea excessivamente alta ou excessivamente baixa.
Capacidade vital significativamente limitada (abaixo de 1500 ml). Incapacidade de tolerar uma queda de 10% da capacidade
vital.
Ausência de reflexo de tosse. Monitore com muito cuidado.
Infecção urinaria grave.
Incontinência intestinal imprevisível.
Grandes feridas abertas e pequenos ferimentos abertos, em pessoas muito suscetíveis a infecção.
Epilepsia, incontrolada. A luz refletindo fora da água pode aumentar a probabilidade de convulsões.
Doença contagiosa ou infecção transmissível por água ou ar.
Sensibilidade a produtos químicos usados em piscina (cloro, bromo, etc.).
Doença arterial periférica grave.
Hemorragia cerebral recente (geralmente é melhor esperar três semanas após a sua ocorrência).
Diabetes não controlada (tenha tabletes de açúcar ou suco disponível na piscina).
Tímpanos perfurados. Mantenha a água fora dos ouvidos.
Doença renal, na qual o paciente não consiga se ajustar à perda de líquido.
Paciente com grave incapacidade para regular a temperatura do corpo.
Se o paciente estiver sob corticoterapia por muito tempo, ou terapia profunda recente de raios X, a água tende a deixar uma
pele já delicada ainda mais frágil. Seque a pele suave e totalmente.
Traqueostomia aberta.
Sensação de enfraquecimento, especialmente nas pernas (derrame, dano cerebral, lesão na coluna vertebral, diabetes,
neuropatia periférica etc.)
Esclerose múltipla. Talvez haja muita sensibilidade ao calor. Consulte seu cliente com antecedência para saber se ele
suporta o verão, banho quente, etc. Se o calor for problema, pode ser necessário fazer o trabalho numa piscina de água fria,
ou escolher uma outra abordagem de terapia aquática em água fria.
Portadores de gastrostomias, colostomias, etc, podem entrar na piscina se a pele em volta do estômago estiver bem curada.
Drene a bolsa primeiramente.
Pacientes com cateteres podem geralmente entrar na piscina. Drene a bolsa primeiramente. Se possível prenda o cateter
para evitar qualquer refluxo.
Mulheres grávidas: Se tiver tendência de perder embrião, não fazer tratamento aquático nos primeiros três meses de
gravidez. Evitar água em temperatura superior a 36°C ou 96°F.
Síndrome de Down e outras síndromes que possuem como característica o tônus muscular baixo.
Frouxidões ligamentares.
Massagear portadores de câncer.
Indivíduos que tiveram efeito chicote, principalmente recente.
Avaliação Neurológica
Objetivos
Determinar objetivos de tratamento
Elaborar estratégias para atingir tal objetivo
Selecionar as melhores ferramentas para atingi-las
Documentar dados / Correlacioná-los
Pesquisa científica
Anamnese
Dados do paciente
Queixa Principal
História da moléstia atual (HMA)
Medicamentos
Patologias associadas
Cirurgias anteriores
Inspeção
Fisionomia
Estado nutricional
Coloração da pele/
Trofismo muscular
Edema
Acessos venosos periféricos ou centrais
Presença de drenos (tórax / mediastino / DVE / DVP)
Presença de sondas (SNG / SNE / GTM / vesical)
Presença de medicamentos em bombas de infusão
Adaptação à Ventilação Mecânica (invasiva / não invasiva) – parâmetros do ventilador
IOT / Tqt / cânula de guedel
Padrão respiratório
Padrão de marcha
Maneira de se despir
Movimentos associados
Posicionamento
Exame Físico
Sinais Vitais (Temp / FC – frequência e ritmo / FR – sinais de desconforto / Pulsos – temporal, carótida, radial, ulnar, femoral,
poplítea, podal
Nível de consciência (Escala de Glasgow)
Escala de Ramsay (paciente sedado)
Teste de nervos cranianos
Escala de Glasgow
Hipertonia
Descerebração (lesõesde mesencéfalo): extensão rígida de membros superiores e do tronco, rotação interna dos
membros superiores e flexão plantar.
Descorticação (lesões superiores ao mesencéfalo): membros superiores flexionados, membros inferiores e pescoço em
extensão e flexão plantar.
Escala de Ramsay*
6 – Dormindo – não responsivo
5 – Dormindo – respostas a estímulos dolorosos
4 – Resposta leve a estímulos táteis
3 – Sonolento – respostas a estímulos verbais
2 – Acordado – responsivo e contactuante
1- Acordado – agitado, confuso, não aceitando VM.
Teste de nervos cranianos
Sinais de irritação meníngea
Rigidez de nuca – DD – faz flexão de cabeça
Sinal de Brudzinski – ao tentar fazer flexão de pescoço ocorre ligeira flexão do quadril e joelho
Sinal de Kernig – cliente em DD e tríplice flexão – ao tentar estender os mmii ocorrem dor e reação de defesa do paciente
Sinal de Lasegue – sinal de irritação radicular – pinçamento de n. ciático
Exame do Tônus
Palpação do músculo – tonicidade
Hipertonia velocidade-dependente – sinal do canivete ou roda dentada
Escala de Ashworth
Rigidez
clônus
Força Muscular: graduação de 0-5
Kendall modificada
Tônus Muscular
Asworth modificada
Reflexos superficiais
Sinal de Babinski positivo – sugestivo de lesão do sistema piramidal ou sistema ativador lateral – via corticoespinhal lateral
Denota a perda do controle sobre o sistema motor
Padrão de descerebração ou descorticação
Reflexos profundos/tendinosos
Integridade do arco reflexo
Presença ou não de controle superior
Principais:
Relação reflexos tendinosos e nervos
a) n. radial – C7 e C8
b) n. radial – mm. braquiorradial – C5 e C6
c) n. músculo-cutâneo – m. bíceps – C5 e C6
d) n. femoral – L2 à L4
e) n. tibial – L5 à S2
Sensibilidade
Distal -> Proximal (geralmente)
Superficial:
Dolorosa
Tátil
Térmica
Profunda – propriocepção
grafestesia
esteriognosia
Exame de ADM e FM
Goniometria
Dinamometria
Teste de Força muscular manual
Motricidade voluntária e involuntária
Mmii – Manobra de Mingazzini – manter tríplice flexão por 2 minutos – verificar oscilações musculares em abdução/adução
de quadril.
Mmss - testar os mm. distais – respondem fidedignamente às alterações de força muscular
Teste = abertura dos dedos contra resistência
Exame do Equilíbrio
Posicionar o paciente sentado ou em pé – fecha-se os olhos e verifica-se oscilações (Sinal de Romberg)
Pode-se tentar desequilibrar o paciente
Paciente sentado: ombro V 90, / cot, / de punho – bilateral
Se: dois membros oscilam – Síndrome Vestibular
um dos membros oscila – Síndrome Cerebelar
Exame da Marcha
Coordenação
Teste index - index
Teste index - nariz
Teste calcanhar-joelho
Praxia e Gnosia
Apraxia:
Perda da capacidade de realizar determinada função previamente aprendida
Falha de planejamento e execução
Sem déficits de FM / coordenação e sensibilidade – (podem estar presentes em virtudes da lesão)
Teste: pedir para pentear o cabelo, colocar óculos, blusa, mas sem o utensílio (por exemplo).
Agnosia:
Incapacidade de reconhecer objetos familiares
Teste: mostrar objetos como lápis, panela, bola (por exemplo).
AVALIAÇÃO DO SISTEMA SOMATOSSENSORIAL
1. Testes Tato Discriminativo
Materiais que podem ser utilizados: martelinho, algodão, lápis, venda ou as próprias mãos, etc.
Localização do tato: tocar e pedir para o paciente localizar a área do estímulo;
Limiares táteis: tocar levemente / fortemente a região e pedir para o paciente localizar a área do estímulo e a intensidade
aplicada;
Discriminação de dois pontos: aplicar uma pressão igual em duas regiões do mesmo membro. Iniciando de uma posição
mais afastada e depois aproximando;
Tato simultâneo bilateral: pedir ao paciente para dizer o lado que esta sendo estimulado ou ambos, por exemplo, direito /
esquerdo, em cima / baixo; dentro / fora;
Grafestesia: desenhar na palma da mão dizer à letra que o terapeuta esta desenhada na palma de sua mão.
2. Testes de Propriocepção Consciente
Materiais: diapasão, espelho, etc;
Movimento articular: pedir para o paciente dizer qual movimento esta sendo realizado com o membro: flexão/extensão;
Posição articular: pedir para o paciente imitar o movimento e parar exatamente na posição que você posicionou o outro
membro;
Vibração: usar um diapasão. Pedir para o paciente identificar a vibração e em qual local ocorreu o estímulo;
3. Tato Discriminativo e Propriocepção Consciente
Materiais: diversos objetos, venda, martelinho, algodão, bucha, alfinete entre outros;
Estereognosia: Pedir para o paciente fechar os olhos e discriminar o objeto colocado em sua mão;
4. Dor rápida
Usar dois objetos diferentes pontiagudos (palito ou alfinete). Pedir para o paciente discriminar se a dor é aguda ou não
aguda e identificar o local da dor.
5.Temperatura Discriminativa
Materiais: gelo e água fria ou morna
Calor ou frio: pedir ao paciente que identifique o estímulo. Morno ou gelado.
Avaliação Nervos Cranianos
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O cérebro é irrigado por vasos que o abastecem de oxigênio e outros nutrientes necessários à sobrevivência. Chamamos de
Acidente vascular cerebral (AVC), a condição patológica de comprometimento súbito da função cerebral causado por
inúmeras alterações, envolvendo um ou vários vasos sanguíneos extracranianos ou intracranianos.
Essa alteração na circulação sangüínea cerebral pode decorrer de duas formas distintas de acidente: o isquêmico ou o
hemorrágico. AVC isquêmico, também chamado de infarto cerebral; e o AVC hemorrágico, também chamado de hemorragia
cerebral. Em torno de 80% dos AVCs são isquêmicos, e os outros 20% são hemorrágicos.
Seja qual for o tipo do acidente, isquêmico ou hemorrágico, as conseqüências são bastante danosas. Além de estar entre as
principais causas de morte mundiais, o AVC é uma das patologias que mais incapacitam para realização das atividades
cotidianas. Conforme a região cerebral atingida, bem como de acordo com a extensão das lesões, o AVC pode oscilar entre
dois opostos. Os de menor intensidade, praticamente não deixam seqüelas. Os mais graves, todavia, podem levar as
pessoas acometidas por esse mal, a morte ou ate a um estado de absoluta dependência, sem condições, por vezes, de nem
mesmo sair da cama.
Após passar por um AVC, dependendo da situação, a pessoa pode sofrer diversas complicações, como alterações
comportamentais e cognitivas, dificuldades na fala, dificuldade para se alimentar, constipação intestinal, epilepsia vascular,
depressão e outras implicações decorrentes da imobilidade e pelo acometimento muscular. (hemiparesia e hemiplegia).
Um dos fatores determinantes para os tipos de conseqüências provocadas é o tempo demorado entre o início do AVC e o
recebimento do tratamento necessário. Cuida-se de uma emergência médica. Para que o risco de seqüelas seja
significativamente reduzido, o correto é que a vítima seja levada imediatamente ao hospital. Os danos são
consideravelmente maiores quando o atendimento demora mais de 3 horas para ser iniciado.
O tratamento e a reabilitação da pessoa vitimada por um AVC dependerá sempre das particularidades que envolvam cada
caso concreto. Há recursos terapêuticos que podem auxiliar na restauração das funções afetadas. Para que o paciente
possa ter uma melhor recuperação e qualidade de vida, é fundamental que ele seja analisado e tratado por uma equipe
multidisciplinar de profissionais da saúde, Fisioterapeutas, Médicos, Psicólogos e demais profissionais.
O AVC não tem causa única. Muitos fatores de risco contribuem para o seu aparecimento. Alguns desses fatores não podem
ser modificados, quais sejam a idade, a raça, a constituição genética e o sexo. Outros fatores, entretanto, podem serdiagnosticados e tratados, tais como a hipertensão arterial (pressão alta), a diabetes mellitus, as doenças cardíacas, a
enxaqueca, o uso de anticoncepcionais hormonais, o acidente isquêmico transitório, a ingestão de bebidas alcoólicas, o
fumo, o sedentarismo (falta de atividades físicas) e a obesidade. A adequação dos hábitos de vida diária são, pois,
primordiais para a prevenção do AVC.
REABILITAÇÃO
A reabilitação após o AVC significa ajudar o paciente a usar plenamente toda sua capacidade, a reassumir sua vida anterior
adaptando-se a sua atual situação.
O fisioterapeuta irá ajudar o paciente a entender o que lhe aconteceu e a responder eficientemente à medida que o mesmo
tente se adaptar.
O fisioterapeuta começará por atividades de mobilidade. Estas atividades o farão libertar-se de "medos" e "inseguranças"
causados pelo desequilíbrio corporal. Serão realizados exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, treino de
equilíbrio e estímulos da sensibilidade.
Muitas atividades fisioterapêuticas que começaram durante o início da recuperação, são apropriadamente modificadas para
desafiar e fazer com que o paciente possa progredir até sua recuperação. Serão enfatizadas combinações motoras que
permitem a concretização das tarefas alimentares, higiênicas, locomoção e outras tarefas funcionais.
PROGRAMA FISIOTERAPÊUTICO
Diariamente, o pacientes deverá passar de três a cinco períodos com seu fisioterapeuta:
1)Sessão individual para exercitar os membros atingidos (alongamentos), manter articulações livres (mobilização), treino de
equilíbrio na posição sentada.
2) Uma classe de ginástica, na qual o paciente aprende a mover novamente o corpo.
3) Um período de exercícios de resistência para fortalecimento muscular.
4) Uma classe ambulante, para treinar a marcha.
5) Atividades de classe de vida diária, na qual ele aprende a mexer-se, deitar-se, levantar-se.
O que ocorre bastante e é difícil de aceitar pelo paciente e também pela família, é a lentidão do processo. É claro que o
tempo e o grau de desempenho estão relacionados com o grau do AVC, com a personalidade do paciente, a presença e a
gravidade de depressão e muitos outros fatores que podem ser descritos como reabilitação física.
Mas a reabilitação total significa mais do que independência de andar e cuidar de si. Significa a retomada pelo paciente do
gosto e do desejo de viver.
Durante o início da recuperação objetivamos principalmente
- minimizar os efeitos das anormalidades de tônus;
- manter uma ADM normal e impedir deformidades;
- melhorar as funções respiratórias e motoras;
- mobilizar o paciente nas atividades funcionais iniciais envolvendo mobilidade no leito, o ato de sentar, transferências...;
- impedir o descondicionamento;
- promover a conscientização corporal, movimentação ativa e uso do lado hemiplégico;
- melhorar controle de tronco e equilíbrio na posição sentada;
- iniciar as atividades de cuidados pessoais.
A reabilitação consiste na aplicação de um programa planejado, através do qual a pessoa incapacitada, ou convalescente,
mantém ou progride para o maior grau de independência física e psíquica de que é capaz. Para entender em que consistem
as medidas de reabilitação do paciente hemiplégico, é preciso, compreender o que aconteceu com ele em termos da
deficiência física que ele pode ser obrigado a enfrentar. E se quisermos compreender a deficiência física causada pelo AVC,
assim como a melhor maneira de ajudar o paciente, teremos primeiramente de entender alguns fatos simples a respeito dos
movimentos e do movimento voluntário normal de que goza o ser humano saudável, sem mesmo dar-se conta.
POSICIONAMENTOS DO PACIENTE
1 - Inicialmente, é preciso considerar o lado afetado do paciente como sendo tão incapaz como uma criança recém-nascida.
Por conseguinte, não podemos esperar que ele apresente movimentos controlados e voluntários normais, no lado afetado; o
seu equilíbrio estará prejudicado.
2 - O espasmo acabará aparecendo, por maior que seja a flacidez apresentada por seus membros imediatamente após o
acidente vascular. Se isto não for evitado colocará um ponto final nas tentativas de reabilitação, e todo o programa de
fisioterapia resultará em fracasso.
3 - O paciente pode apresentar certo grau de deficiências sensoriais, resultando em deficiências motoras, já que todos os
movimentos controlados representam uma resposta direta às mensagens transmitidas pelos órgãos dos sentidos.
O paciente com AVC precisa ter sempre um posicionamento correto, prevenindo a espasticidade. A posição deverá ser a
anti-espástica ou de recuperação.
- Pronação do ombro com rotação externa;
- Extensão do antebraço ( não total , discreto grau de flexão ) ;
- Extensão digital com abdução;
- Protração de pelve com rotação interna da perna;
- Flexão de quadril , joelho e tornozelo .
Devemos manter o paciente em algumas posições:
- Decúbito dorsal;
- Decúbito lateral sobre o lado são;
- Decúbito lateral sobre o lado afetado;
- Posição de ponte.
Podemos realizar exercícios passivos de todas as articulações do membro
superior afetado se este tem hemiplegia. Se o déficit afetado é uma hemiparesia, poderemos fazer exercício ativo assistido
ou ativo, na medida do possível.
- Elevação dos braços com os dedos entrelaçados;
- Movimentos para o ombro afetado principalmente;
- No membro inferior afetado: extensão completa de quadril;
- Exercício rotação de tronco;
- Rotação terminando no apoio de cotovelo afetado;
- Rotação para a posição sentada na beira do leito;
- Treinamento de equilíbrio em paciente sentado;
- Transferência da cama para a cadeira.
TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO MOTORA
Objetivo de qualquer programa de exercício terapêutico é a aquisição de movimento e função livres de sintomas.
* Conhecimento: dos princípios e resultados básicos do tratamento;
* Estar apto para uma avaliação funcional;
* Conhecimento das inter-relações de anatomia e cinesiologia de cada parte;
* Grau de debilidade do paciente e o grau de recuperação, complicações, precauções e contra-indicações.
Cinesioterapia ou Exercícios Terapêuticos
Amplitude de movimento, alongamento, exercícios resistidos (Fortalecimento), mobilização articular.
Mecanoterapia
É o uso de aparelhos ou dispositivos mecânicos com fins terapêuticos. – fortalecer e mobilizar articulações
Ex: Halteres, manilhas, Thera-band, escada de Ling, medicine Ball, master cooper, mesa de Kanavel, roda de ombro,
escada de dedos, entre outros
Termoterapia
Uso de calor como forma de tratamento – idade média se utilizava do calor como forma de tratamento. Efeitos fisiológicos:
antiinflamatórios, analgésico, relaxamento muscular. A vasodilatação aumenta o fluxo sangüíneo, melhora o aporte de
sangue.
Formas de aplicação: compressa, bolsa, infravermelho, ultravioleta, forno de Bier, banhos de parafina, entre outros.
Eletroterapia
Utiliza como base de tratamento a corrente elétrica, que é o fluxo ordenado de elétrons. Para que este fluxo aconteça é
necessário um força que os impulsione – potencial elétrico e um meio que eles possam se mover – nosso corpo. À medida
que aplicamos um estímulo, excitamos um número determinado de fibras musculares com uma determinada amplitude. Os
efeitos de modo geral são: intensa hiperemia, vaso-dilatação, melhora da irrigação sangüínea intensificação de processos
metabólicos, analgesia e outros.
Ex: corrente galvânica, farádica, tens, diadinâmicas e exponencial, Ultra Som, entre outros.
Hidroterapia
Técnicas como Bad Ragaz, Watsu
Durante os exercícios em água aquecida ocorrem algumas modificações fisiológicas no corpo, como: aumento de freqüência
respiratória e cardíaca aumento da circulação periférica o que leva a um maior suprimento de sangue para o músculo,
conseqüentemente aumenta o metabolismo musculare taxa metabólica; Aumenta a quantidade de sangue retorno ao
coração o que diminui a pressão arterial; diminuição de edema pela pressão hidrostática e redução da sensibilidade dos
terminais nervosos que somadas com todas as outras causam um relaxamento muscular geral.
Os exercícios em água aquecida proporcionam inúmeros benefícios, tais como: promove relaxamento muscular, reduz a
sensibilidade à dor e espasmos musculares; diminui a atuação da força de gravidade o que facilita o movimento articular;
aumenta a força e resistência muscular nos casos de fraqueza excessiva; aumenta a circulação periférica; melhora a
musculatura respiratória à simples imersão ; melhora a consciência corporal; o equilíbrio e a estabilidade do tronco e
contribui para a moral e auto confiança do paciente
Crioterapia
Aplicação local como forma de terapia, tem como efeitos fisiológicos a vaso constrição do sistema vascular, e uma
vasodilatação reflexa. Tem como efeito analgesia, relaxamento, antiinflamatório, diminui o edema, e aumenta a capacidade
de realizar movimentos.
Formas de aplicação: bolsa, imersão, toalhas frias, meios químicos (spray).
Técnicas Manuais
Massoterapia, pompagem, RPG, miofascioterapia, Bobath, Kabat, etc.
Bobath
É uma abordagem terapêutica e de reabilitação, desenvolvida para o tratamento de adultos, crianças e bebês com
disfunções neurológicas.
O paciente é estimulado a desenvolver a sensação do movimento, e não o movimento em si. O objetivo é facilitar o
movimento motor e inibir movimentos e posturas anormais. É extremamente importante para o desenvolvimento motor da
criança, podendo ser aplicado precocemente em bebês, antes que se estabeleçam as desordens de postura e de
movimentos, que, em muitos casos, podem ser evitadas.
O paciente deve ser avaliado de forma global, ou seja, em todas as suas funções e em diversos ambientes. O processo de
intervenção é individualizado para atingir as necessidades biopsicossociais, incluindo aspectos preventivos e estimulantes. A
interação entre o paciente, a equipe interdisciplinar, a família e/ou as pessoas que o cuidam permite uma intervenção
apropriada ao longo das 24 horas do dia.
DOENÇA DE ALZHEIMER
A doença de Alzheimer caracteriza-se pela atrofia do córtex cerebral. O processo geralmente é difuso, mas pode ser mais
grave nos lobos frontal, parietal e temporal. O grau de atrofia varia.
O envelhecimento normal do cérebro também se acompanha de atrofia, há uma superposição no grau de atrofia do cérebro
de pacientes idosos com Alzheimer e pessoas da mesma idade afetadas pela doença. Ao exame microscópio, há perda
tanto de neurônio como de neurópilo no córtex e, ocasionalmente, se observa uma desmielinização secundária na
substância branca subcortical. Com o uso da morfometria quantitativa, a maior perda é a de grandes neurônios corticais (4).
Os achados mais característicos são placas senis e emaranhadas neurofibrilares argentofílicos. A placa senil é encontrada
em todo o córtex e hipocampo e o número de placas por campo microscópio correlaciona-se com o grau de perda intelectual.
Emaranhados neurofibrilares são estruturas fibrilares intracitoplasmáticas neuronais.
A degeneração e a perda neuronal são gerais, embora especialmente acentuadas nas células piramidais do hipocampo e
células piramidais grandes no córtex associativo. A degeneração aparece cedo no núcleo basal de Meynert e mais tarde nos
lócus coeruleos. A patologia inclui a presença de desarranjos neurofibrilares, placas neuríticas e degeneração
granulovacuolar. Os desarranjos são massas intraneurofibrilares de filamentos citoplásticos.
Etiologia
Embora a causa da Doença de Alzheimer não tenha sido estabelecida, há fortes suspeitas de uma base genética. A
concordância para Doença de Alzheimer em gêmeos homozigóticos é maior que em gêmeos dizigóticos.
Agentes infecciosos e contaminantes ambientais, incluindo vírus lentos e metais (por exemplo, o alumínio) são fatores
etiológicos suspeitos. Os papéis destes fatores ainda não foram comprovados; no entanto, estes fatores ambientais estão
sendo submetidos à investigação ativa. O envelhecimento normal está associado com decréscimo de alguns
neurotransmissores, bem como com alguns dos achados neuropatológicos da doença. Portanto, surgiu a questão sobre se a
doença seria devido a uma aceleração das alterações normais do envelhecimento.
As lesões crânio encefálicas, baixos níveis de instrução e síndrome de Down em um parente em primeiro grau também se
associa a maior risco de doença de Alzheimer.
O quadro clínico da DA caracteriza-se por um declínio insidioso, progressivo da memória e de outras funções corticais como
linguagem, conceito, julgamento, habilidades visuo-espaciais. Progressivamente instalam-se alterações intelectuais e de
esfera afetiva, mas sobressaem os distúrbios de funções simbólicas: apraxias, agnosias (perda da capacidade de interpretar
o que vê, ouve ou sente) e afasias. Pode ocorrer manifestação psicótica, como delírios e crises convulsivas. Apresentam
geralmente delírios de infidelidade conjugal e roubos. Esses pacientes podem vagar, marchar, abrir e fechar gavetas
rapidamente, bem como fazer as mesmas perguntas várias vezes. Anormalidades do ciclo sono-vigília podem tornar-se
evidentes, como ficar acordado durante a noite, por pensar que ainda é dia claro. Alguns pacientes desenvolvem uma
marcha arrastada, com rigidez muscular generalizada associada à lentidão e inadequação do movimento. Possuem com
freqüência um aspecto parkinsoniano, mas raramente tem tremor em repouso rápido e rítmico. Podem evidenciar reflexos
tendíneos hiperativos e reflexos de sucção e muxoxo. Abalos mioclônicos (contrações bruscas breves de vários músculos ou
de todo o corpo) podem ocorrer espontaneamente ou em respostas a estímulos físicos ou auditivos.
As perdas cognitivas aumentam e o indivíduo evolui até ficar totalmente dependente de outros para a execução de suas
atividades mais básicas. Em estágios mais avançados passa a não se alimentar, engasgar-se com a comida e saliva, o
vocabulário fica restrito a poucas palavras, perde a capacidade de sorrir, sustentar a cabeça, fica acamado e a morte
sobrevém em conseqüência de complicações como pneumonia, desidratação ou sepse.
A demência senil do tipo Alzheimer pode ainda ser subdividida de acordo com o estágio clínico, mas existe grande
variabilidade e a evolução dos estágios freqüentemente não é tão ordenada como se poderia deduzir da descrição que
vem seguir:
Estágio Inicial: perda da memória recente, incapacidade de aprender e reter informações novas, problemas de linguagem,
labilidade de humor e, possivelmente, alterações de personalidade. Os pacientes podem apresentar dificuldade progressiva
para desempenhar as atividades de vida diária. Irritabilidade, hostilidade e agitação podem ocorrer como resposta à perda
de controle e de memória. O estágio inicial, no entanto, pode não comprometer a sociabilidade.
Estágio Intermediário: completamente incapaz de aprender e lembrar de informações novas. Os pacientes se perdem
constantemente, freqüentemente a ponto de conseguirem encontrar o seu próprio quarto ou banheiro. Embora continuem a
deambular, estão em risco significativo de quedas ou acidentes secundários à confusão. O paciente pode precisar de
assistência nas AVDs. A desorganização comportamental ocorre na forma de perambulação, agitação, hostilidade, falta de
cooperação ou agressividade física. Neste estágio, o paciente já perdeu todo o senso de tempo e lugar.
Estágio grave ou terminal: incapaz de andar, totalmente incontinente e incapaz de desempenhar qualquer AVD. Podem
ser incapazes de deglutir e podem necessitar de alimentação por sonda nasogástrica. Estão em risco de pneumonia,
desnutrição e necrose da pele por pressão.
A evolução da doença é gradual, e não rápida ou fulminante;existe um declínio constante, embora os sintomas em alguns
pacientes pareçam se estabilizar durante algum tempo. Não ocorrem sinais motores ou outros sinais neurológicos focais ate
tardiamente na doença. A duração típica da doença é de 8 a 10 anos, mas a evolução varia de 1 a 25 anos. Por motivos
desconhecidos, alguns pacientes com Alzheimer evidenciam um declínio gradual e lento da função, enquanto outros têm
platôs prolongados sem deterioração importante. O estágio final da doença de Alzheimer é coma e morte.
Dentre as principais características estão:
Perda de memória: pode ter conseqüência na vida diária, de muitas maneiras, conduzindo a problemas de comunicação,
riscos de segurança e problemas de comportamento.
Memória episódica: é a memória que as pessoas têm de episódios da sua vida, passando do mais mundano ao mais
pessoalmente significativo.
Memória semântica: esta categoria abrange a memória do significado das palavras, como por exemplo, uma flor ou um cão.
Memória de procedimento: esta é a memória de como conduzir os nossos atos quer física como mentalmente, por
exemplo, como usar uma faca e um garfo, ou jogar xadrez.
Apraxia: é o termo usado para descreve a incapacidade para efetuar movimentos voluntários e propositados, apesar do fato
da força muscular, da sensibilidade e da coordenação estarem intactas.
Afasia: é o termo utilizado para descrever a dificuldade ou perda de capacidade para falar, ou compreender a linguagem
falada, escrita ou gestual, em resultado de uma lesão do respectivo centro nervoso.
Agnosia: é o termo utilizado para descrever a perda de capacidade para reconhecer o que são os objetos, e para que
servem.
Comunicação: As pessoas com doença de Alzheimer têm dificuldades na emissão e na compreensão da linguagem, o que,
por sua vez, leva a outros problemas.
Mudança de personalidade: uma pessoa que tenha sido sempre calma, educada e afável pode comportar-se de uma
forma agressiva e doentia. São comuns as mudanças bruscas e freqüentes de humor.
Mudanças físicas: a perda de peso pode ocorrer, redução de massa muscular, escaras de decúbito, infecções, pneumonia.
A evolução é progressiva, inevitavelmente em incapacidade completa e morte. Ás vezes há estabilizações, durante as quais
o distúrbio cognitivo permanece inalterado por um ou dois anos, mas depois a progressão é retomada. A duração é
geralmente entre 4 a 10 anos, com extremos de menos de 1 ano e a mais de 20 anos.
Tratamento
Por enquanto, não existe tratamento preventivo ou curativo para a doença de Alzheimer. Existe uma série de medicamentos
que ajudam a aliviar alguns sintomas, tais como agitação, ansiedade, depressão, confusão e insônia. Infelizmente, estes
medicamentos são apenas eficazes para um número limitado de doentes, apenas por um breve período de tempo e podem
causar efeitos secundários indesejados. Por isso, aconselha-se geralmente a evitar a medicação, a menos que seja
realmente necessária.
Descobriu-se que os doentes que têm a doença de Alzheimer têm níveis reduzidos de acetilcolina, um neurotransmissor
(substância química responsável pela transmissão de mensagens de uma célula para outra) que intervém nos processos da
memória.
Foram introduzidos, em alguns países, determinados medicamentos que inibem a enzima responsável pela destruição da
acetilcolina.
Os resultados no tratamento da doença são difíceis e frustrantes, pois não há medidas específicas e a ênfase primária é o
alívio em longo prazo dos problemas comportamentais e neurológicos associados.
O tratamento é multimodal, desenvolvido e modificado com a progressão da doença, podendo ser obtido através da
intervenção farmacológica (visando à fisiopatologia e sintomas da doença como ilusões e distúrbios do sono) e da
intervenção comportamentais (melhora sintomas específicos bem como as AVDs). Atualmente os agentes farmacológicos
empregados no tratamento visam inibir a acetilcolinesterase para aumentar os níveis de acetilcolina diminuídos no cérebro
dos pacientes com Alzheimer. Os inibidores utilizados atualmente (utilizados apenas em doenças com déficit colinérgico
como Alzheimer) são: Tacrina (melhora apatia e ansiedade), Donepezil.
Fisioterapia
Designa a habilitar o indivíduo comprometido funcionalmente, a novamente desempenhar suas AVDs, da melhor maneira e
pelo menor tempo possível, com mais autonomia. Os principais aspectos da assistência são preventivos, elaborados para
manter o indivíduo mais ativo e independente possível. No maior grau que for possível, a atividade deve ser encorajada para
manter a força, ADM e estado de alerta.
Promover somente a ajuda que é absolutamente necessária, com os pacientes continuando a realizar sozinhos máximo de
AVDs possível; o paciente precisa ser capaz de lembrar o comando, identificar o objeto (exemplo, escova de dente), e
realizar a ação motora.
O processo de reabilitação também inclui a realização de modificações ambientais necessárias para segurança do paciente
e de modo que esse possa viver em um ambiente o mais aberto possível. Quedas podem ser devido a riscos ambientais o
mais (iluminação inadequada, pisos escorregadios, tapetes soltos, etc). Tais riscos devem ser evitados. Os ambientes
devem manter uma apresentação familiar (não mudar a disposição da mobília desnecessariamente) e barras presas na
parede e corrimãos devem ser instalados nos locais necessários.
As técnicas de fisioterapia serão as mesmas que usamos nas pessoas de terceira idade que não apresentam demência,
mas a maneira de abordá-las exige habilidade especial. O paciente pode não aparecer interessado em saber como a falta
de flexibilidade articular, a fraqueza muscular ou o edema poderão afetá-lo; não tem condições de entender a relação que
existe. O preparo antecipado dos planos de terapêutica impede que o fisioterapeuta pareça indeciso. O preparo de
explicações claras e simples dará melhores resultados. A instrução deverá ser repetida da mesma forma; o emprego das
palavras diferentes poderá confundir o paciente. Não é aconselhável entrar em conversas desnecessárias, pois podem
desnorteá-lo mais ainda.Lançar mãos de gestos e sinais físicos para esclarecer e reforçar as instruções exigentes.
São comuns as alterações de sensibilidade, por isso evitar atração, a eletroterapia e os equipamentos que exigem
colaboração de participação subjetiva. O calor somente deve ser usado naqueles capazes de reconhecer e dizer quanto é
demasiado quente.
O estabelecimento de metas realizáveis no tocante à mobilidade é muito útil. Mesmo as realizações mais modestas
merecem ser recompensada por parabéns e pelo interesse que o fisioterapeuta demonstra pela pessoa.
A meta de reabilitação precisa ser redefinida para assegurar que o paciente permaneça seguro, independente, e capaz de
realizar atividades da vida diária e atividades instrumentais da vida pelo máximo de tempo que for razoável.
O processo de reabilitação pode começar enquanto o trabalho de diagnóstico está ainda sendo feito. Isso pode tornar a
forma de treinamento básico em atividades da vida diária. Isso inclui o treinamento de atendentes para a assistência de
paciente e a reabilitação de modificações ambientais necessárias para a segurança da pessoa confusa de modo que essa
possa viver em um ambiente o mais aberto possível. Uma vez o diagnóstico tenha sido estabelecido, pode ser feito o
planejamento cuidadoso para a assistência.
Nos estágios iniciais e médios da doença, a intervenção fisioterápica geralmente pode prolongar a habilidade de
movimentar-se com facilidade.
É importante observar que inicialmente a intervenção fisioterápica pode ser potencialmente envolvida com a facilitação do
planejamento motor e planejamento para compensação de perdas nas atividades de vida diária. A habilidade para andar é
perdida mais tarde, e outros estudos relatam níveis comparáveisde comprometimento.
A intervenção fisioterápica para assistir o paciente e treinar os atendentes envolve a facilitação dos movimentos e
planejamentos motor e o desenvolvimento ou refinamento de pistas ambientais e cognitivas para ajudar a realizar tarefas
complexas.
O comprometimento cognitivo é o fator limitante. A análise ajuda o atendente a prover somente a ajuda que é absolutamente
necessária, com os pacientes continuando a realizar sozinhos o máximo de AVDS possível; por exemplo, para escovar os
dentes, o paciente precisa ser capaz de lembrar o comando, identificar a escova de dentes, e realizar a ação motora. O
paciente pode somente precisar de ajuda de alguém que coloque a escova em sua mão e a guie lentamente para a boca
para que seja capaz de escovar os dentes.
A primeira meta da reabilitação é criar um ambiente (emocional e físico) que dê suporte (trabalhar ativamente para
compensar as perdas cognitivas específicas dos pacientes na medida em que forem ocorrendo gradualmente). A meta final
é ajudar os pacientes a sentirem que eles são capazes, de modo que continuem a tentar fazer por si próprios as coisas que
possam fazer com segurança, independentemente de permanecerem em sua casa ou estarem vivendo em uma instituição.
Em cada sessão os movimentos precisam ser equilibrados com períodos adequados de repouso para assegurar que o
paciente não atingirá o ponto de fadiga e exaustão. São preferíveis freqüentes e breves períodos de atividade física.
O fisioterapeuta pode contribuir muito com a melhora da qualidade de vida do paciente e da família.
Objetivos da reabilitação fisioterapêutica:
- Diminuir a progressão e efeitos dos sintomas da doença,
- Evitar ou diminuir complicações e deformidades,
- Manter as capacidades funcionais do paciente (sistema cardiorrespiratório),
- Manter ou devolver a ADM funcional das articulações,
- Evitar contraturas e encurtamento musculares (imobilização no leito),
- Evitar a atrofia por desuso e fraqueza muscular,
- Incentivar e promover o funcionamento motor e mobilidade,
- Orientação sobre as posturas corretas,
- Treino do padrão da marcha,
- Trabalhar os padrões do funcionamento sistema respiratório (fala, respiração, expansão e mobilidade torácica),
- Manter ou recuperar a independência funcional nas atividades de vida diária.
Consiste basicamente na fisioterapia motora, que engloba desde exercícios ativos, passivos, auto-assistidos, contra-
resistência, isométricos, metabólicos, isotônicos, ou seja, qualquer tipo de movimento é bem vindo no tratamento. Quando
chega a uma segunda fase esta patologia, deve-se estimular atividades para que o paciente não fique o tempo inteiro na
cama, evitando assim escaras de decúbito, comumente relatadas. Alongamentos e atividades de relaxamento podem ser
realizados.
Outras modalidades de tratamento são eficazes, como a parte de exercícios para o condicionamento aeróbico, como
estimular o paciente a realizar caminhadas, tanto por percursos diferentes, ou dependendo pelo mesmo percurso,
estimulando assim concomitantemente a memória do paciente. Bicicletas estacionárias também são de grande valia, assim
como se possíveis trabalhos de hidroterapia.
Exercícios para propriocepção e equilíbrio são fundamentais para a desenvoltura do paciente, como exercícios com bastões,
bola, descarga de peso gradual, andadores, percursos.
Pode realizar atividades em que se estimule o raciocínio do paciente, como atividades de escrever, decorar palavras,
nomear objetos, que levam a um estímulo da memória.
Porém a principal atitude a ser tomada é a companhia que este paciente precisa, nunca deixá-lo no abandono, por isso a
conversa com familiares sobre o assunto é importante, para que assim este paciente possa conviver normalmente num meio
familiar, eliminando o risco de passar o resto de sua vida num asilo.
DOENÇA DE HUNTINGTON
O organismo humano é uma estrutura de alta complexidade, que depende do funcionamento sincrônico de cada um
de seus diferentes sistemas, para manutenção da homeostase. Os desequilíbrios orgânicos desenvolvem-se
invariavelmente como conseqüência de agressões diretas ou indiretas ao corpo, atingindo órgãos isoladamente, ou
disseminando-se por um ou mais sistemas.
As doenças neurológicas, de etiologia conhecida ou não, estão entre as agressões ao equilíbrio orgânico de
conseqüências mais devastadoras, e muitas vezes com prognósticos sombrios. Dentro deste contexto, destaca-se a Doença
de Huntington (DH), enfermidade caracterizada por movimentos exagerados e involuntários, e reconhecida como doença a
partir de 1872, quando George Huntington a interpretou e descreveu de forma abrangente.
A conceituação atual da DH enfoca o caráter hereditário de desenvolvimento progressivo no adulto, com presença
de movimentos coréicos e deterioração das funções cognitivas. Tais sintomas costumam ter início sutil, com agitação,
irritabilidade, negligência de obrigações e movimentos desajeitados, que evoluem levando o indivíduo à total incapacidade
física e cognitiva. Adicionalmente, o envolvimento cognitivo do portador de DH é fator extremamente complicador para a
manutenção ou recuperação da função física comprometida. O tratamento fisioterapêutico sofrerá interferência direta das
perdas cognitivas, e deverá ser alterado sempre que necessário, buscando despertar a atenção do doente.
A cura da DH não é ainda possível. Entretanto, as pesquisas atuais, voltadas ao reconhecimento dos erros
genéticos que levam ao desenvolvimento da doença, parecem ser promissoras, e trazem esperanças para um futuro não
muito distante, ampliando as chances de recuperação do indivíduo, desde que deformidades e perdas funcionais não
tenham sido instaladas de forma irreversível. Por este motivo, o presente estudo teve como objetivo principal verificar as
prioridades da intervenção fisioterapêutica, com base nas principais manifestações motoras e cognitivas resultantes da DH,
a partir da revisão da literatura atual.
Desenvolvimento
A doença de Huntington (DH) é um distúrbio cerebral genético degenerativo de herança autossômica dominante,
predominante em indivíduos brancos do sexo masculino e cuja incidência gira em torno de 4 a 8 casos a cada 100.000
habitantes. Os sintomas costumam aparecer por volta da terceira ou quarta década de vida, porém, há registros de casos de
início precoce (antes dos 20 anos), determinando uma forma juvenil da doença com tempo de evolução mais curta.
Os achados histopatológicos mostram atrofia cerebral com importante perda de células nervosas nas regiões de
córtex, putâmen, e principalmente, núcleo caudado. O fator comum às várias etiologias de Coréia é a interrupção da
modulação das vias tálamo-cortical pelos gânglios da base. Algumas causas possíveis são lesões estruturais, degenerações
neuronais seletivas, bloqueio de receptores de neurotransmissores ou outros fatores metabólicos dos gânglios da
base. Com o tempo, os movimentos coreicos tornam-se mais graves, ocorrendo também uma deterioração mental
progressiva atribuída à degeneração das partes não motoras do corpo estriado, e parcialmente a perda concomitante de
neurônios no córtex cerebral. O tipo, a gravidade dos sintomas, a idade de inicio e as taxas de progressão variam entre
indivíduos, sendo que os casos com inicio na idade adulta costumam levar a óbito em torno de 15 a 20 anos, e na forma
juvenil, cerca de 8 a 10 anos após o início dos primeiros sintomas.
Funcionalmente existe hiperatividade dopaminérgica associada à reduzida inibição do neurotransmissor GABA e
consumo reduzido de glicose no núcleo caudado e putâmen. A diminuição do metabolismo neuronal antecede a perda
anatômica de neurônios, e a diminuição no fluxo sanguíneo cerebral é observada antes que apareça a atrofia cortical. A
doença de Huntington é considerada a forma mais comum de Coréia,caracterizando - se como enfermidade
neurodegenerativa progressiva e hereditária, levando a distúrbios do movimento (geralmente coréia), demência progressiva
e distúrbios da personalidade.
Sintomas
Os sintomas da DH variam de pessoa para pessoa, os movimentos involuntários são mais proeminentes
dependendo dos estágios da doença. Depressão, irritabilidade, ansiedade e apatia são os principais sintomas emocionais
que atingem os pacientes. Ainda pode ser observados comportamento agressivo, compulsivo, e dificuldade em se relacionar
socialmente. Esses pacientes têm dificuldade em controlar as suas atitudes, devido à exacerbação comportamental.
Esquizofrenia e outros sérios problemas psiquiátricos podem acometer essas pessoas. As alterações intelectuais são com
frequência os sinais iniciais de distúrbios cognitivos, como a redução na habilidade de organização e adaptação a novas
situações. Pode ocorrer perda da memória de curto prazo, ainda que a memória de longo prazo permaneça intacta,
acarretando em muitos casos, dificuldades para realizar tarefas do dia a dia. Os distúrbios motores, e a progressiva
incapacidade de sentir-se socialmente ativo levam invariavelmente as pessoas doentes ao isolamento podendo determinar
um grave quadro depressivo.
Alguns dos sintomas físicos mais comuns são as dificuldades em iniciar os movimentos, inquietude, dificuldade
motora e cognitiva da escrita, expressões faciais involuntárias. A dificuldade na realização voluntária dos movimentos é
gradativa, bem como dificuldade na pronúncia das palavras e na ingestão dos alimentos e da própria saliva. Os movimentos
involuntários generalizados tendem a aumentar durante o esforço, stress ou excitação, e diminuir durante o repouso ou
quando a pessoa está dormindo.
Em casos mais tardios da doença, a distonia irá implicar em contrações musculares lentas que permanecem por
maior tempo, o que pode resultar em movimentos de torção de tronco ou em posturas anormais dos membros; no geral, a
distonia é gerada nas tentativas de movimento. No início do curso da doença, pode haver alterações no ritmo e velocidade
dos movimentos coordenados, e com o passar do tempo, a bradicinesia e a rigidez também podem aumentar. As
amplitudes de todos os movimentos tendem a ser menor do que o necessário para que haja o desempenho ideal da
função. Anormalidades na marcha tornam-se evidentes, com o aumento da base de apoio, insegurança e oscilações
freqüentes nos movimentos, sendo comum à ocorrência de quedas; entretanto, posturas adaptativas do tronco e membros
tendem a reduzir esta incidência. Com a dificuldade de realizar movimentos voluntários, a apraxia ocorre pela união de
inúmeros fatores, tais como a força inadequada, perda de coordenação, sensação reduzida, déficit de atenção ou até
mesmo falta de compreensão. A agnosia também é parte dos sintomas presentes nesses pacientes, pois ocorre perda ou
diminuição da capacidade de compreensão do significado de estímulos sensoriais, como os estímulos auditivos, táteis,
visuais, olfatórios e até mesmo do paladar, além da capacidade de reconhecimento de objetos e suas respectivas funções.
As alterações na contração muscular atingem toda a musculatura, incluindo a musculatura laríngea e respiratória,
levando a disartria com comprometimento da velocidade e do ritmo da fala, a qual pode tornar-se ininteligível. Em alguns
casos os pacientes ficam totalmente afônicos. Também é freqüente a ocorrência de disfagia, principalmente para líquidos,
como queixa comum nos estágios intermediários e tardios da doença. Como resultado das anormalidades no processo de
deglutição, casos de broncoaspiração podem ser comuns. A caquexia faz parte do desenvolvimento patológico da doença,
tanto quanto a incontinência intestinal e urinária devido às alterações na motilidade de todo o sistema muscular.
O indivíduo portador de apraxia apresenta muita dificuldade em realizar movimentos ao comando verbal ou
mímico, porém podem executar os mesmos movimentos de forma automática. Podem atrapalhar-se com utensílios e
ferramentas, principalmente quando estes movimentos forem deliberados voluntários, cometendo erros extraordinários, com
hesitações, demora e falta de ordem. Logo as principais complicações secundárias aos sintomas da Doença de Huntington
incluem assimetria, perda de amplitude de movimento, perda de função, imobilidade, dor principalmente no final da
amplitude dos movimentos, contraturas, deformidades, movimentos exagerados da cabeça e pescoço, diminuição na
eficiência da comunicação, muitas vezes constrangimento, aspiração, infecções respiratórias, alterações na pressão arterial
e fadiga.
A DH pode ser considerada uma doença familiar também devido ao seu impacto sobre todos os membros da
família. Conforme a doença progride, o papel dos familiares da pessoa afetada mudará gradualmente. O cônjuge ou
companheiro terá que assumir cada vez mais as responsabilidades com a casa e demais tomadas de decisão, uma vez que
seu companheiro doente não será mais capaz de cumprir essas tarefas. Além disto, o cônjuge ou companheiro representa,
na maior parte das vezes, o principal cuidador.
As necessidades do paciente e da família dependem da natureza e gravidade das alterações físicas, cognitivas e
psicológicas experimentadas pelo paciente. O plano de tratamento aborda estratégias para tratar os sintomas, como Coréia,
deglutição, limitações na deambulação. Acompanhamento com o profissional fonoaudiólogo é indicado também para auxiliar
nas estratégias de comunicação.
Abordagem fisioterapêutica
O tratamento fisioterapêutico deve ter como base a manutenção das habilidades preservadas, bem como a
melhora, dentro do possível, das funções já comprometidas. Todo tipo de intervenção deverá buscar a promoção da
autoconfiança e aumento da auto-estima, tendo como base as necessidades e desejos do próprio paciente de forma a
motivá-lo e manter sua energia e colaboração. O profissional fisioterapeuta deve estar preparado para possíveis situações
de crises agudas como a asfixia.
Fornecer apoio aos familiares do indivíduo enfermo é também papel da fisioterapia, tanto no que diz respeito à
orientação sobre como lidar com possíveis situações de estresse diante da evolução dos comprometimentos motores do
paciente, quanto no encaminhamento à profissional da psicologia, que possa levar a superação de dificuldades emocionais.
A prática de atividades físicas para pessoas com distúrbios motores, representa a aplicação de princípios de
reabilitação no mais alto nível. A cada dia, um número maior de pessoas com algum tipo de incapacidade física, está
envolvida em atividades físicas e esportes, devido aos benefícios proporcionados para a reabilitação e para o bem - estar. A
exclusão desses indivíduos da prática de atividade física pode levar a diminuição da aptidão física e da eficiência dos
movimentos, comprometendo também o desenvolvimento de habilidades motoras. Para um programa de reabilitação efetivo
é importante o trabalho de uma equipe multiprofissional além da integração com a família e com a comunidade na qual o
indivíduo vive. Os objetivos de um programa de reabilitação devem enfocar a independência nas atividades de vida diária e
nas atividades profissionais. É essencial considerar que o indivíduo, no processo de reabilitação, necessita também de
recreação e de atividade esportiva como qualquer outro.
Quatro componentes definem a promoção da saúde para esses indivíduos: promoção de estilo de vida saudável e
meio ambiente saudável; prevenção de complicações de saúde e outras complicações da própria doença; preparação da
pessoa para compreender e monitorar a própria saúde e necessidades de cuidados especiais; promoção de oportunidades
para participação em atividades diárias comuns. Por este motivo, o trabalho terapêutico não deve estar focado somente na
fisioterapiaconvencional, mas sim em estratégias de recreação terapêutica, proporcionando oportunidades de praticar
atividades que tragam momentos de prazer e satisfação. Sempre que possível, a inclusão de música, trabalhos manuais e
tarefas em grupo, deverá ser implementada, uma vez que tais atividades podem estabelecer níveis de motivação
satisfatórios ao aumento ou manutenção da máxima independência.
De modo geral, todas as fases do tratamento de reabilitação devem ter como objetivo minimizar os efeitos das
anormalidades motoras, como alterações de tônus, limitações de amplitudes de movimento, instalação de deformidades,
além de prevenir ou tratar possíveis comprometimentos respiratórios. As técnicas fisioterapêuticas devem ser específicas ao
comprometimento, como em qualquer outro tipo de doença neurológica, com treino de consciência corporal, controle
postural e coordenação motora, e ênfase na realização das atividades de vida diária.
A intervenção da fisioterapia nos estágios iniciais e intermediários deve estar focada na manutenção do equilíbrio e
da mobilidade, através da implementação de exercícios de alongamento para todos os tecidos moles adjacentes às
articulações, de forma a prevenir contraturas e deformidades. Da mesma forma, o treino para manutenção do equilíbrio a
partir de exercícios proprioceptivos, poderá retardar situações de hipomobilidade por insegurança. Os exercícios para este
fim deverão ser implementados através do input de informações sobre a posição, velocidade, distância e direção do
movimento, considerando a relação existente entre um segmento e outro. É importante reforçar que a propriocepção
constitui o mecanismo de suporte para a postura equilibrada tanto estática quanto dinâmica.
Nos estágios em que a dependência física se fizer evidente, o treino de transferências - do leito para a cadeira, ou
da cadeira de rodas para a cadeira de banho, por exemplo – deve ser enfatizado como forma de estender ao máximo, o
mínimo de independência. O planejamento de um programa eficiente deverá estar pautado nas características específicas
de cada paciente e do meio em que vive, de modo a permitir a manutenção ou progressão dos melhores resultados físico-
funcionais e também emocionais. É importante considerar todas as possibilidades que proporcionem melhores chances de
promoção funcional a partir de um mesmo espectro de capacidades, enfatizando o trabalho com pontos controles (ou seja,
atividades que trabalhem as habilidades ainda presentes), direcionamentos de valores, foco no resultado, metas e objetivos
de curto, médio e longo prazo, dentro de um sistema operacional multiprofissional.
O desenvolvimento de habilidades motoras específicas para a independência funcional, conquista de autonomia,
bem-estar e saúde, depende grandemente da qualidade e da quantidade dos movimentos realizados de acordo com a
necessidade funcional. Assim, é importante destacar a capacitação para movimentos funcionais do cotidiano. Em adição,
deve-se orientar a respeito da importância do uso funcional das habilidades aprendidas, o que afetará não apenas a
manutenção das capacidades físicas adquiridas, mas também o autodesenvolvimento das adaptações necessárias; Por
outro lado, é importante ressaltar também que a motivação para a aprendizagem deve ser mantida constantemente. A
realização de atividades mais complexas e interativas, que necessitem de controle motor mais complexo, deve ser
estimulada, o que pode ser conseguido através de jogos e brincadeiras que demandem a presença física e intelectual, e que
levem o indivíduo desejar a superar desafios e alcançar resultados positivos. A partir da consciência a respeito da própria
condição física e emocional, será mais fácil para o indivíduo e seus familiares estabelecerem novos hábitos de vida e de
integração social.
As atividades terapêuticas devem focar situações de descoberta e desafios pessoais e coletivos capazes de
promover o desenvolvimento físico e mental do paciente, promovendo a interação com o meio onde está presente e com
outros indivíduos. Devem ser enfatizadas ainda, estratégias que englobem estímulos físicos, sensoriais e afetivos, o
armazenamento de informações; a reprodução das ações (aprendizagem), a aquisição do domínio sobre funções ou tarefas
específicas, a superação (independência funcional), o aperfeiçoamento (adequar e adaptar), a otimização (potencialização
da performance motora), a responsabilidade, e a autonomia.
Como em todas as patologias, a forma e a gravidade da DH manifesta - se individualmente, com evolução e
progressão variáveis. Entretanto, é comum que ocorram inicialmente alterações sutis na coordenação resultando em
movimentos involuntários, além de dificuldades de raciocínio e humor depressivo ou irritável. No estágio intermediário, é
possível que os movimentos involuntários (Coréia) possam tornar-se mais acentuados. Provavelmente a fala e a deglutição
se apresentarão afetadas, sendo inadiável a intervenção da fonoaudiologia com implementação de estratégias que visem
melhorar a comunicação e a deglutição. Embora o acompanhamento pela fisioterapia seja mais eficaz se presente desde a
constatação dos primeiros sinais e sintomas, a implementação de atividades que retardem o desenrolar de complicações
funcionais e cognitivas deve ser estabelecida o mais precocemente possível. Uma vez que as habilidades de pensamento e
raciocínio lógico também irão diminuir gradualmente, o acompanhamento psicológico e, se possível, pedagógico, deverão
fazer parte da rotina do doente.
Pacientes nos estágios avançados da DH podem apresentar Coréia grave, aparentemente minimizados pela rigidez
de movimentos. A rigidez dos músculos da orofaringe pode resultar em disfagia e conseqüente perda de peso. Neste estágio,
o paciente torna-se totalmente dependente em todos os aspectos, não podendo mais andar e com muita dificuldade de
comunicação. Mesmo com as suas habilidades cognitivas intensamente prejudicadas, é muito importante lembrar que em
geral, a pessoa permanece consciente e continua capaz de compreender a linguagem. Finalmente, o óbito sobrevém não
especificamente pela patologia, mas sim pelas complicações da imobilidade, como broncoasfixia, infecções e até mesmo
traumatismos crânio – encefálicos.
Finalmente, é importante salientar também, que o progressivo comprometimento da linguagem torna necessária a
abordagem de formas de comunicação, que facilitem o convívio familiar e possam suprir as necessidades do paciente pelo
máximo tempo possível. O emprego de anotações, gestos e expressões faciais, quando a comunicação normal já não pode
ser eficiente, deve ser estimulado.
DOENÇAS DO NEURÔNIO MOTOR
• As doenças do neurônio motor são um desafio diagnóstico até para os neurologistas mais experientes.
• A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é o protótipo dessas doenças. Seu diagnóstico é sempre complicado,
não só pelo prognóstico sombrio que carrega, mas pelo número de doenças que podem mimetizá-la.
• A doença do neurônio motor mais freqüentemente vista na prática clínica, podem ser classificadas:
Degenerativas:
- Esclerose Lateral Amiotrófica
- Esclerose Lateral Primária
- Atrofia Muscular Progressiva
Hereditárias:
- Atrofia Muscular Espinhal tipo I (Doença de Werdnig-Hoffmann)
- Atrofia Muscular Espinhal tipo II (Forma Intermediária)
- Atrofia Muscular Espinhal tipo III (Doença de Kugelberg-Wellander)
- Atrofia Muscular Espinhal tipo IV (Forma adulta)
- Atrofia Muscular Bulboespinhal ligada ao X (Doença de Kennedy)
Infecciosas
- Poliomielite Anterior Aguda
- Outros vírus (cocksakie, echovirus, enterovírus)
ANATOMIA DAS VIAS MOTORAS
Desde o córtex motor até a junção neuromuscularhá apenas dois neurônios e uma sinapse. Esses dois neurônios
são o neurônio motor superior e o neurônio motor inferior.
O neurônio motor superior tem seu corpo celular no córtex motor primário, mais precisamente no giro pré-central
do lobo frontal (área 4 de Brodmann). Do córtex motor partem axônios que descem pela coroa radiada e cápsula
interna, entram no tronco cerebral pelo pedúnculo cerebral do mesencéfalo, descem pela região anterior da ponte
até chegar à pirâmide do bulbo. Nas pirâmides ocorre o cruzamento da maioria das fibras motoras, fato conhecido
como decussação das pirâmides. As fibras que cruzam a linha média nas pirâmides vão formar o trato
corticoespinhal lateral que desce pelo cordão lateral contralateral da medula para inervar os músculos distais dos
membros, enquanto as fibras que não cruzam formam o trato corticoespinhal anterior, que desce pelo cordão
anterior ipsolateral da medula para inervar os músculos proximais bilateralmente.
Quando os axônios do neurônio motor superior precisam deixar a medula, eles se dirigem dos tratos
corticoespinhais para o corno anterior da medula onde estão localizados os corpos celulares dos neurônios
motores inferiores. Assim, é no corno anterior da medula que ocorre a sinapse entre o neurônio motor superior e o
neurônio motor inferior. Finalmente os axônios do neurônio motor inferior deixam a medula pela raiz anterior,
juntam-se com as fibras sensoriais que entram pela raiz posterior para formar um nervo espinhal. Vários nervos
espinhais se juntam para formar os plexos que darão origem aos nervos periféricos que chegam aos músculos
através da junção neuromuscular. Assim, os músculos podem se movimentar de acordo com uma ordem do córtex
motor.
POLIOMIELITE ANTERIOR AGUDA
A poliomielite anterior aguda também é conhecida como paralisia infantil. Trata-se de uma doença infecciosa
causada por um enterovírus. A transmissão é fecal-oral, ou seja, através de alimentos contaminados com resíduos
de fezes. Afeta os cornos anteriores da medula, e mais raramente os núcleos motores dos pares cranianos no tronco
cerebral. Portanto, é uma doença exclusiva do neurônio motor inferior.
A pólio foi erradicada nos países desenvolvidos e em muitos países em desenvolvimento após a adoção rotineira da
vacinação. Os poucos casos existentes ocorrem por ação da vacina com vírus vivo atenuado (Sabin).
O risco de pólio pós-vacinal é de 1 caso para cada 2.500.000 doses da vacina. É mais comum em pacientes
imunodeprimidos e em adultos.
O período de incubação (período entre a infecção e o início dos sintomas) da doença é de aproximadamente 3 a 6
dias.
Na forma vacinal, o período de incubação é de 2 a 3 semanas após a vacinação. Existem duas diferentes formas de
vacina contra poliomielite: vacina SALK feita com vírus morto e aplicada via intramuscular e a vacina SABIN feita
com vírus vivo atenuado e aplicada via oral.
Principais manifestações clínicas:
• Febre, mal estar, diarréia e sinais de meningite asséptica, seguidas de paralisia e severa atrofia muscular
assimétrica dos membros acometidos. A atrofia severa ocorre devido à presença de morte dos neurônios
motores inferiores no corno anterior da medula ou nos núcleos motores dos pares cranianos.
• Menos de 1% dos pacientes infectados com o poliovírus desenvolvem a forma paralítica da doença.
• Quando ocorre paralisia, a fraqueza surge após 2 a 3 semanas da fase de febre e meningismo.
• A fraqueza geralmente é assimétrica e dor muscular é muito comum. Por tratar-se de doença do neurônio
motor inferior, arreflexia é freqüente.
• Os músculos bulbares e o diafragma podem ser acometidos. Com isso, muitos pacientes necessitam
ventilação mecânica por insuficiência respiratória.
• A atrofia muscular evolui rapidamente em semanas. Após a fase aguda, a fraqueza começa a melhorar
parcialmente dentro de 6 a 9 meses. Entretanto, a maioria dos pacientes fica com sequelas neurológicas
permanentes, em diferentes graus.
• O diagnóstico diferencial da poliomielite inclui todas as doenças que cursam com paralisia flácida, como a
síndrome da Guillain-Barré, mielite transversa aguda, botulismo, miastenia gravis e miopatias severas.
• Os exames complementares utilizados para o diagnóstico da poliomielite são o líquor (pleocitose
monomorfonuclear), a EMG, o isolamento do vírus nas fezes, garganta ou líquor e pesquisa de anticorpos
séricos na fase aguda e de convalescença.
• O tratamento da pólio é suportivo. Não existe terapia específica.
• Os pacientes com insuficiência respiratória devem ser levados para a UTI; muitas vezes a entubação
orotraqueal se faz necessária; quando o tempo de entubação for prolongado (maior que 3 semanas), uma
traqueostomia deve ser realizada.
• Fisioterapia adequada e posicionamento apropriado dos membros ajudam a diminuir deformidades e
contraturas.
• Após a fase aguda, fisioterapia e uso de órteses são importantes.
Décadas após a ocorrência da poliomielite, sintomas como fraqueza muscular, fadiga generalizada e dor muscular
podem ocorrer. Essa entidade é conhecida como síndrome pós-pólio. Ocorre em até 30 a 60% dos pacientes
acometidos por pólio. Seu mecanismo fisiopatológico não é totalmente conhecido, mas a teoria mais aceita é que
decorre de envelhecimento precoce das unidades motoras acometidas pela poliomielite.
A fraqueza pode ocorrer nos mesmos músculos afetados originalmente ou em músculos diferentes. Dificuldades
respiratórias, distúrbios de deglutição e intolerância ao frio podem ser vistos em alguns pacientes. Não há exame
complementar para confirmar o diagnóstico.
Os sintomas podem ser subjetivos em alguns pacientes. No exame físico é difícil determinar o que é déficit novo e
o que é antigo. A evolução é benigna. No tratamento fisioterápico deve-se evitar o excesso de exercícios que pode
levar à piora da fraqueza. Pacientes obesos devem ser estimulados a emagrecer. Piridostigmina (Mestinon®) pode
ser útil para a fraqueza da síndrome pós-pólio.
ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores.
Trata-se da mais freqüente doença do neurônio motor e também a mais grave e fatal.
• Esclerose significa endurecimento, enrijecimento;
• Lateral, porque a doença começa geralmente em um dos lados do corpo;
• Amiotrófica, porque resulta na atrofia do músculo. Ou seja, o volume real do tecido muscular diminui.
Incidência da doença: varia de 0,2 a 2,4 por 100.000 hab / ano
Prevalência: fica em torno de 1 a 7 por 100.000 hab / ano.
Ocorre uma discreta predominância do sexo masculino em relação ao feminino. Embora raramente possa iniciar
antes dos vinte anos de idade, a maioria dos casos surge após os sessenta anos. A doença ocorre em todo o mundo,
entretanto, existem duas regiões onde a incidência é muito maior que a média:
Península de Kii no Japão e Ilhas Guam no Oceano Pacífico.
Caracteriza-se pela presença simultânea de sinais de lesão do neurônio motor superior e do neurônio motor
inferior.
Portanto, sua marca registrada é a presença de atrofia muscular, fasciculações e câimbras (sinais de neurônio
motor inferior) juntamente com hiperreflexia, hipertonia e sinal de Babinski (sinais de neurônio motor superior).
Pelo menos três segmentos do neuroeixo (tronco cerebral, medula cervical, torácica ou lombossacral) devem estar
acometidos para o diagnóstico de certeza.
A doença é progressiva e incurável, com a morte ocorrendo entre 3 a 6 anos após o início dos sintomas. Menos de
10% dos pacientes vivem mais de 10 anos.
Entre 5 a 10% dos casos são familiares. Nesses casos a herança é autossômica dominante.
Dos casos hereditários, aproximadamente 20% estão associados com uma mutação no gene da superóxido-
desmutase (SOD1) no cromossomo 21.
Principais sintomasda ELA de acordo com o acometimento motor
Neurônio motor superior Neurônio motor inferior
fraqueza fraqueza
espasticidade atrofia
hiperreflexia hiporeflexia
clônus cãimbras
Babinski fasciculações
Os sinais de neurônio motor superior ocorrem por lesões dos tratos corticoespinhais e corticobulbares.
Os sinais de neurônio motor inferior ocorrem por lesão do corno anterior da medula ou dos núcleos dos pares
cranianos motores do tronco cerebral.
Na esclerose lateral amiotrófica, não há lesão de raízes ou nervos periféricos.
A fraqueza muscular é o sintoma mais comum, podendo iniciar nos membros ou nos músculos bulbares.
Geralmente é assimétrica e progressiva.
Fasciculações são um importante sinal, devido à lesão do neurônio motor inferior no corno anterior da medula. Sua
ausência deveria questionar o diagnóstico. Câimbras generalizadas são frequentes e algumas vezes surgem antes
dos outros sintomas.
O envolvimento diafragmático e intercostal é freqüente nas fases avançadas da doença, causando insuficiência
respiratória. Entretanto, a natureza gradual do envolvimento respiratório faz com que o organismo se adapte à
hipóxia e hipercapnia conseqüente e as manifestações clínicas subestimem a gravidade do quadro.
Um dos dilemas médicos é a indicação ou não de UTI para esses pacientes, tendo em vista a natureza irreversível
da insuficiência respiratória. Entretanto, a utilização de respiradores portáteis a nível domiciliar tem melhorado
bastante a qualidade de vida desses pacientes, portanto, diminuindo as controvérsias quanto à real necessidade do
manejo respiratório agressivo nos pacientes com ELA.
Os pacientes devem ser questionados se concordam ou não com a instituição da ventilação mecânica nos casos em
que ocorre insuficiência respiratória. É muito raro que a insuficiência respiratória seja a primeira manifestação da
ELA.
Início bulbar dos sintomas com disfagia e disartria ocorre em 20 a 30% dos pacientes, principalmente em mulheres.
Como a doença é exclusiva dos neurônios motores, não há sintomas sensoriais.
Nos estágios finais da doença, os pacientes são incapazes de andar, respirar sozinhos, deglutir ou falar. Esses
aspectos devem ser cuidadosamente informados ao paciente antes dele decidir se aceita a entubação e ventilação
mecânica ou não.
Interessantemente, apesar da imobilização no leito, os pacientes com ELA são resistentes à formação de escaras de
decúbito. Isso parece estar relacionado com alterações bioquímicas no tecido conectivo da pele.
Atrofia muscular
Diagnóstico
Os critérios diagnósticos para a DNM/ELA foram propostos pela World Federation of Neurology (critérios de El
Escorial). Eles são basicamente apoiados nas seguintes premissas:
Presença de:
• Envolvimento clínico, eletroneuromiográfico ou anátomo-patológico do neurônio motor inferior;
• Alterações na eletroneuromiografia (ENMG), em músculos clinicamente normais (mostra denervação e
reinervação difusas (fasciculações e potenciais polifásicos de alta amplitude);
• Sinais de envolvimento do neurônio motor superior;
• Progressão da doença.
•
Ausência de:
• Comprometimento sensitivo;
• Comprometimento autonômico;
• Comprometimento visual;
• Síndrome de Parkinson;
• Alterações em exames de neuroimagem, de outras doenças, que poderiam explicar os achados
neurogênicos na ENMG.
•
Apoiado por:
• Fasciculação em uma ou mais regiões;
• ENMG – alterações neurogênicas; velocidade de condução normal; sem bloqueio de condução.
Passos essenciais para realização de diagnóstico:
• História e exame físico: certificar-se de que os achados clínicos são indicativos do diagnóstico de
DNM/ELA.
• Exame eletroneuromiográfico: confirmar a presença de comprometimento do neurônio motor inferior em
regiões clinicamente comprometidas. Identificar envolvimento de neurônio motor inferior em regiões ainda
clinicamente não comprometidas. Excluir outras doenças.
• Neuroimagem: excluir outras doenças que poderiam simular DNM/ELA.
• Exames laboratoriais clínicos: excluir outras doenças que possam simular ELA.
Apesar do grande esforço da comunidade médica para categorizar e definir melhor esta moléstia, a ELA afeta cada
indivíduo de forma diferente. A doença progride mais rapidamente em alguns pacientes do que em outros; alguns
pacientes apresentam comprometimento generalizado, enquanto outros apresentam envolvimento mais localizado,
vindo a falecer antes de desenvolverem todos os sinais e sintomas da doença.
O diagnóstico errôneo não é infrequente, ocorrendo em aproximadamente 15% dos casos. Como não existe um
teste diagnóstico específico, às vezes pode ser muito difícil distinguir ELA de outras situações clínicas,
principalmente nas fases iniciais da doença.
Epidemiologia
Embora DNM/ELA seja considerada uma doença de incidência rara, cerca de 1 caso para 100.000 pessoas/ano, ela
representa um grande impacto pessoal e sócio-econômico para o indivíduo e para a sociedade.
Deve-se considerar, para efeitos de estudos epidemiológicos, as 3 formas de apresentação da doença: ELA
esporádica (forma clássica); ELA familiar e ELA do Pacífico Oeste.
A ELA familiar tem uma forma de herança autossômica dominante o quadro clínico é indistingüível da forma
esporádica.
A ELA do Pacífico Oeste, mais precisamente na Ilha de Guam, 2.400 km ao sul do Japão e 2.000 km a leste das
Filipinas, a maior das Ilhas Marianas, a população dos Chamorro apresenta uma prevalência 50 a 100 vezes maior.
O quadro clínico é semelhante à forma esporádica encontrada em outros países, mas freqüentemente encontra-se
associada com algumas características clínicas e anátomo patológicas de parkinsonismo e demência tipo Alzheimer.
O sexo masculino é mais comprometido que o feminino em uma proporção de 2:1 e os brancos são mais afetados
que os negros, com idade média de início os 50,2 anos: homens aos 48,5 anos e mulheres aos 53,1 anos. Cerca de 4
a 6% dos casos afetados são pessoas com menos de 40 anos.
A forma esporádica é a forma mais comum desta doença, contabilizando cerca de 90% dos casos totais no mundo
todo.
A média de sobrevivência após o início dos sintomas é de 3 a 5 anos. Na forma com envolvimento bulbar (Paralisia
Bulbar Progressiva) a sobrevida é menor, variando de 6 meses a 3 anos.
ELA no Brasil
Em estudo brasileiro realizado em 1998, pela ABRELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica) e
pelo laboratório AVENTIS, foram catalogados 540 pacientes com ELA, sendo 58.5% do sexo masculino. Cerca de
5,9% dos pacientes tinha uma história familiar de outros casos de ELA. A idade média de aparecimento dos
primeiros sintomas foi de 52 anos. Estima-se, em nosso meio, uma incidência de 1.5 casos /100.000 pessoas, ou
seja, 2.500 pacientes /ano.
ETIOLOGIA
ELA Esporádica ou clássica
São desconhecidas as causas para a ELA. Conclusivamente, nenhum fator isoladamente encontra-se fortemente
associado à mesma.
Há indícios de que, na verdade, não seja uma doença e sim uma síndrome decorrente de uma variedade de diversos
insultos no SNC, levando a uma idêntica ou quase idêntica via final patogênica comum, onde uma lesão inicial
desencadeia cascatas de eventos auto-sustentáveis, capazes de levar à morte seletiva de populações neuronais
susceptíveis.
ELA Familiar
Ao redor de 5 a 10% de todos os casos de ELA pertencem a este tipo. Apesar de assemelhar-se à ELA esporádica,
esta forma tem uma causa genética. A idade média de início 10 a 15 anos mais cedo do que para a ELA esporádica
e, ainda, pode ter um início juvenil ou adulto jovem.
Tratamento
Na atualidade, não há cura para a ELA. Os mais variados tratamentos já foram tentados, incluindo-se antioxidantes,
bloqueadores do canal de cálcio, agentes antivirais, inibidores da excitotoxicidade,plasmaferese e
imunossupressores, mas não houve uma mudança significativa na história natural do ELA.
Drogas inibidoras da excitotoxicidade (glutamato), apresentaram como efeito benéfico um prolongamento da vida,
em alguns meses; passo ainda pequeno mas muito importante sobretudo para o entendimento da gênese desta
moléstia.
Implante de células indiferenciadas (células tronco)
Outra técnica promissora é a do implante de células indiferenciadas. Ela permite, potencialmente, o repovoamento
de neurônios motores e de outras células neuronais, assim como de fatores não difusíveis. Esta técnica,
teoricamente, permitiria até a recuperação motora já perdida.
Terapia Gênica
Certas drogas que funcionaram em cobaias não tiveram o mesmo efeito em humanos com ELA
Estas técnicas, em um futuro relativamente próximo, poderão proporcionar uma maior sobrevida das células
neuronais.
Reabilitação
A fisioterapia motora e a fisioterapia respiratória assumem uma enorme importância no contexto do tratamento do
ELA.
Ressalta-se em um estudo internacional a importância de um programa diário de exercícios orientado pelo
fisioterapeuta, a cada 15 dias, mas realizado em casa pelo próprio paciente e sua família, com exercícios
moderados, sem resistência, com um tempo que não ultrapasse 15 minutos/sessão em alguns trabalhos ou 30
minutos em outros
Preconiza-se assistência manual e mecânica à tosse e introdução precoce da assistência ventilatória não invasiva
(AVNI).
Respeitando-se a autonomia do paciente, a AVNI poderá ser feita sob máscara com aparelho de pressão positiva
(BIPAP). O ponto crucial da assistência ventilatória é a sua introdução precoce, que permite melhorar a qualidade e
a duração da sobrevida de pacientes com ELA.
Aspectos psicológicos e sociais
As pessoas com ELA, seus familiares e cuidadores sofrem muito stress psicológico e emocional. A velocidade da
doença, com piora sempre progressiva, raramente com platôs, não permite uma programação para as deficiências
que se avolumam. Por estas razões, há necessidade de um apoio multidisciplinar. Entenda-se por equipe
multidisciplinar na ELA:
• Neurologista
• Fisioterapeuta motor
• Fisioterapeuta respiratório
• Fonoaudiólogo
• Nutricionista
• Psicólogo
• Assistente social
• Enfermeiro
• Terapeuta ocupacional
Quando comunicar o diagnóstico
O diagnóstico somente deveria ser comunicado à família quando de certeza, devido às suas implicações
prognósticas: doença fatal e incurável, com potencialidade de depressão e risco de suicídio, além de algumas vezes,
o diagnóstico estar incorreto.
Por outro lado, um diagnóstico mais tardio poderia limitar o uso de medicamentos que poderiam retardar
significativamente a evolução da doença, embora no momento não exista nenhuma droga ou tratamento com este
perfil. Além disto, o paciente tem direito à verdade para que, assim, ele possa tomar decisões precoces e também
evitar a exposição às más práticas médicas.
Aspectos Legais e Éticos
A ELA proporciona fortes desafios emocionais e éticos para os profissionais envolvidos no atendimento destes
pacientes e familiares. A frustração com a impossibilidade de retardar ou interromper o curso inexorável da doença,
faz freqüentemente o médico, o próprio paciente ou familiares questionarem a validade de prolongar uma vida, que
na verdade parece mais ser um prolongamento de sofrimento, tanto do paciente quanto da família. Dessa forma, e
válido discutir a suspensão do tratamento se esse for o desejo da família e do paciente.
Incidência: É o número de casos novos surgidos em uma população. Indica a taxa na qual uma nova doença ocorre
em uma população. É o número de pessoas que não tinha úlcera na perna, por exemplo, e que a desenvolveu dentro
de um período determinado de tempo, em uma população, em particular. É uma medida longitudinal.
Prevalência: É um corte transversal com a contagem do número de casos ou do número de pessoas com úlcera de
perna que existe em uma população de pacientes em um momento específico no tempo. Inclui casos novos e
antigos ou seja, pacientes que foram admitidos com úlcera e pacientes que desenvolveram a úlcera após a admissão
em determinado programa ou instituição.
Classificação doenças neurônios motores
Que tipos de neurônios a ELA costuma comprometer?
Existem doenças que afetam apenas o Neurônio Motor Superior (NMS) e apenas os Neurônios Motores Inferiores
(NMI). No caso da Esclerose Lateral Amiotrófica, afeta tanto os neurônios motores superiores quanto os inferiores.
Mas é muito importante que o médico exclua a possibilidade dessas doenças antes de realizar um diagnóstico de
confirmação de ELA.
Quais são essas doenças?
A Paralisia Bulbar Progressiva, a Atrofia Muscular Progressiva e a Esclerose Lateral Primária.
Quais são as características da Paralisia Bulbar Progressiva?
Esta doença é caracterizada pela lesão do neurônio motor inferior dos nervos cranianos que afetam a região bulbar.
Como conseqüência, a fala com pronúncia ininteligível e a comunicação se deterioram rapidamente. Além disso, a
deglutição torna-se difícil, aumentando o risco de engasgo e acúmulo de saliva.
Quais são as características da Atrofia Muscular Progressiva?
Este tipo de doença tem mais probabilidade de afetar o NMI. A progressão é mais lenta, iniciando com
fasciculação, fraqueza e debilidade nas mãos, movendo-se para os braços, ombros e pernas. O início pode ser em
qualquer idade, mas a sobrevida para a maioria dos pacientes é maior que 5 anos. Há casos de sobrevida maior ou
igual a 25 anos.
Quais são as características da Esclerose Lateral Primária?
Este tipo de esclerose atinge o NMS. Surge, aproximadamente, na idade de 50 anos, e é duas vezes mais comum
em homens do que mulheres. Os sintomas iniciais incluem espasticidade, hiperreflexia, disartria, disfagia e
labilidade emocional.
Outras doenças semelhantes
Existem outras doenças neurodegenerativas que apresentam sintomas muito semelhantes à Esclerose Lateral
Amiotrófica, e que podem dificultar um primeiro diagnóstico sobre a doença, logo nos momentos iniciais da ELA.
Quais são as outras doenças neurodegenerativas semelhantes à esclerose lateral amiotrófica?
Esclerose Múltipla, Doença de Parkinson, Distrofia Muscular e Miastenia Grave.
Quais são as características de cada uma?
ESCLEROSE MÚLTIPLA
Idade de Início: de 20 a 40 anos
Causa: Desconhecida
Característica: Destruição da camada protetora (mielina) de algumas raízes nervosas.
DOENÇA DE PARKINSON
Idade de início: De 55 a 60 anos
Causa: perda de tipos específicos de nervos ou interferência com dopamina, um neurotransmissor importante no
sistema nervoso.
Característica: rigidez muscular, tremor
Apesar da maioria das pessoas permanecerem móveis no final, eventualmente os músculos dos ombros e dos
membros superiores são afetados.
DISTROFIA MUSCULAR (Duchenne)
Idade de início: em meninos, de 3 a 7 anos
Causa: Defeito genético
Característica: Deterioração de células musculares (distrofia- distúrbio da nutrição)
MIASTENIA GRAVE
Idade de início: De 20 a 40 anos
Causa: doença autoimune
Característica: Destruição da junção (placa mioneural) do nervo com o músculo.
NOMENCLATURA
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é conhecida por outros nomes em diferentes países:
Doença de Lou Gehrig (Estados Unidos)
Lou Gehrig foi um dos atletas mais famosos dos Estados Unidos, e a primeira personalidade a ser vitimada pela
ELA. Virou símbolo da História Americana.
Mal de Charcot (França)
Uma referência ao famoso médico e cientista francês Jean-Martin Charcot, o primeiro a determinar as
características essenciais para o reconhecimento da ELA.
Doença do Neurônio Motor (Reino Unido)
Por pertencer à família das Doenças do Neurônio Motor.
Entretanto, a nomenclatura mais utilizada para designara esclerose lateral amiotrófica é ALS, abreviatura de
Amyotrophic Lateral Sclerosis, nome da doença em inglês.
ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA - (E.L.A.)
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), também chamada de doença do neurônio motor, doença de Charcot (nome do
grande neurologista francês) ou de Lou Gehring (jogador de beisebol americano, portador da doença) é uma doença
degenerativa que atinge os neurônios da ponta anterior da medula e os feixes piramidais, acometendo com isso os
neurônios motores superior e inferior, que são responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários, levando-os
gradualmente a diminuir sua função.
A degeneração das células da ponta anterior da medula leva há atrofias musculares, a paresia flácida e diminuição ou
ausência de reflexos, pois fazem parte do sistema nervoso periférico. Já a degeneração dos feixes piramidais (responsáveis
pelo inicio do movimento) irá causar paresia espástica e hiperreflexia e redução da velocidade de condução nervosa, devido
a estes feixes fazerem parte do sistema nervoso central. Que resultará numa insuficiência respiratória e motora.
A esclerose também desencadeia a paralisia bulbar progressiva, tem se degeneração dos neurônios dos núcleos motores
de vários nervos cranianos,principalmente nos nervos IX (nervo glossofaríngeo) e do XII (nervo hipoglosso) ,podendo
também afetar os nervos faciais.
O paciente apresenta normalmente deficiência motora localizada em uma região do corpo, nas extremidades superiores,
inferiores ou na região bulbar. Normalmente a fraqueza muscular distal e seguida por fraqueza proximal. Não se conhece um
fator de risco da doença.
A ELA afeta mais homens que mulheres (1,3:1). A incidência é de 4 à 6 casos em 100.000 habitantes por ano. Tem inicio
geralmente entre a 4ª e 6ª décadas de vida. Somente 10%dos casos ocorrem antes dos 40 anos e 5% antes dos 30 anos.
Diagnostico
O diagnostico baseia-se principalmente em critérios clínicos (história clínica, exame físico e resultado de exames
complementares), pois não existe nenhuma prova especifica que dê o diagnostico definitivo. No exame físico podem estar
presentes sinais do comprometimento dos neurônios superiores e inferior e bulbares simultaneamente.
Doenças do neurônio motor superior:
Hiperreflexia,
Sinais patológicos (sinais de Hoffmann ou Babinski)
Clônus,
Espasticidade
Doenças do neurônio motor inferior:
Atrofia,
Fraqueza muscular,
Hiporreflexia,
Fasciculações alteração dos eletrólitos,
Hipotonia,
Cãibras musculares.
Sinais bulbares:
Disartria
Disfagia
Sialorréia
Para descartar algumas enfermidades que possam simular a ELA, deve-se fazer vários exames de sangue, urina e a eletro
neuromiografia para demonstrar a ocorrência de desnervação ativa e crônica em múltiplos músculos do tronco cerebral. O
paciente apresentará uma evolução gradual e inexoravelmente progressiva, havendo sinais dos neurônios motores superior
e inferior e sem nenhum achado conflitante, como perda sensorial, incontinência e fraqueza ocular; com isto o especialista
poderá então fornecer o diagnóstico definitivo, porém é recomendável que o paciente possua uma Segunda opinião, o
diagnostico definitivo poderá demorar vários meses para ser concluído.
O diagnostico pode ser difícil, especialmente no inicio da doença, quando os sintomas são pouco claros. Assim alguns
autores criaram critérios para classificar o diagnostico em suspeito, possível, provável e definitivo.
O diagnostico de ELA requer a presença de sinais de desnervação do neurônio motor inferior (NMI) no exame clinico,
eletrofisiologico ou neuropatológico e a presença de sinais de desnervação do neurônio motor superior (NMS) no exame
clinico, um aumento progressivo desses sinais em uma região ou para outras regiões, junto com a ausência de evidência
eletroneurofisiológica ou de neuroimagem da existência de outras doenças que expliquem esses sinais.
Critérios de Diagnóstico
ELA suspeita: Sinais de lesão do neurônio motor inferior em até duas regiões.
ELA possível: Sinais do NMS e NMI em somente uma região ou sinais do NMS em até duas regiões ou sinais do NMI
rostrais aos do NMS. Casos especiais: ELA monomérica, variante da paralisia bulbar progressiva e esclerose lateral primária.
ELA provável: Sinais do NMS em pelo menos duas regiões com algum sinal do NMS acima dos sinais do NMI.
ELA definida: Sinais do NMS e NMI na região bulbar e pelo menos em duas regiões espinhais ou sinais do NMS e NMI em
três regiões espinhais.
Manifestações Clínicas
O principal sintoma consiste em fraqueza muscular lentamente progressiva que inicia-se geralmente pelos membros
superiores, pois acomete primeiramente a medula cervical e torácica ,e pode ser uma paresia espástica ou flácida, que
geralmente é focal e assimétrico, com a progressão vão sendo acometidos o tronco, membros inferiores e músculos
respiratórios.
O comprometimento inicial é observado em uma das mãos com dificuldade para realizar movimentos delicados dos dedos e
fraqueza para segurar objetos. Após semanas ou meses a outra mão e o outro braço podem ser afetados. Posteriormente
se observa a tríade de debilidade atrófica das mãos e dos antebraços, com leve Espasticidade das pernas e hiperreflexia
generalizada, há atrofia e fraqueza importante dos adutores, abdutores e extensores dos dedos, com os espaços
interósseos dorsais escavados, levando a mão cadavérica ou esquelética e posteriormente a marcha é afetada pela
fraqueza dos músculos, apresentando queda do pé, a debilidade atrófica acomete o pescoço, língua, músculos da faringe e
laringe.
A ELA também pode se iniciar, em casos mais raros, pelo tronco cerebral (bulbo) causando primeiramente distúrbio da fala
(disartria ou anartria), posteriormente distúrbio da deglutição, pode ser incapaz de deglutir a própria saliva, que escorre pelo
canto da boca (núcleo ambíguo), língua entra em atrofia e apresenta fibrilação, surgem também outros sinais nistagmo,
ptose palpebral e paralisia facial. E mais cedo começa o distúrbio respiratório, os músculos expiratórios podem ser mais
afetados que os inspiratórios aumentando assim o risco de complicação respiratório.
Os pacientes podem apresentar fraqueza e/ou rigidez muscular, consunção, fasciculação, clônus, câimbras musculares pela
hipersensibilidade dos músculos desnervados e perda de peso pela atrofia generalizada e por causa da disfagia, lentidão do
movimento (sistema piramidal), liberação explosiva de riso ou choro e sudorese intensa.Devido ao comprometimento do
sistema nervoso autônomo.
A marcha apresenta-se alterada, sendo sua deambulação de forma lenta e incoordenada e apresenta seus braços
pendentes ao lado do corpo.
Os músculos oculares são preservados, exceto nos pacientes que sobrevivem por muito depois do inicio da paralisia
bulbar.Não há comprometimento da função vesical, intestinal e sexual, a faculdade intelectual e os órgãos do sentido
também são preservados
O controle esfincteriano poderá estar mantido, porém haverá alteração esfincteriana devido à fraqueza da musculatura, que
poderá acarretar ainda no paciente constipação, retenção de urina, nos homens pode-se ocorrer hipertrofia prostática
(benigna) podendo levar a uma incontinência urinária.
O paciente irá tornar-se com o tempo incapaz de andar, vestir-se ou alimentar-se sozinho.
Ocorre perda de peso devido a atrofia muscular e a deglutição torna-se comprometida por causado comprometimento da
musculatura do pescoço, podendo também causar asfixia que irá interferir no sono e na alimentação, a sustentação da
cabeça fica deficiente .
A sensibilidade geralmente não será afetada, só estará comprometida se estiverem associadas a outras complicações ou
patologias.
A dor estará presente em 50% à 60% dos pacientes, embora os nervos sensitivos estando preservados (não são afetadospela doença).A dor pode ser músculo esquelética ou em relação aos espasmos musculares ou devido a pressão cutânea ou
em relação as restrições dos movimentos e alterações do tônus muscular do paciente .
As escaras são incomuns por causa da manutenção da sensibilidade, contudo poderá ocorrer devido ao paciente
permanecer por muito tempo em uma determinada postura principalmente em pacientes em fase avançada da doença,
estando sua musculatura bastante deteriorada e este dependente de terceiros para a troca de decúbito geralmente estará
restrito ao leito, sendo então formadas as úlceras de pressão.
Com a progressão a musculatura respiratória irá se tornando cada vez mais comprometida e ficando deficitária mesmo ao
repouso, o pulmão do paciente poderá ficar secreto e por causa disso apresentar infecção ou insuficiência pulmonar, pois
com o comprometimento do diafragma a tosse fica eficaz, podendo conduzir a pneumonias e dificuldade da fala progredindo
para anartria, a paralisia da musculatura respiratória é associada com pneumonias de aspiração e hipóxia, sendo a causa
mais freqüente de morte. Na fase inicial a complacência pulmonar poderá ser normal, os músculos expiatórios podem ser
afetados mais rigorosamente que os inspiratórios, a redução na capacidade vital é acompanhada do aumento do volume
residual e posteriormente a Pi máx, a Pe máx e os volumes pulmonares apresentam-se afetados.
O paciente geralmente apresenta ortopnéia, devido a fraqueza do diafragma, levando também a retenção de CO2, quando
associada à hipoxemia tende a acelerar o curso da doença pelo maior desgaste dos músculos respiratórios.
A fraqueza dos músculos do tronco levam à escoliose grave e progressiva, restringindo a expansibilidade torácica, que
associada a retenção de CO2 e as pneumonias por aspiração podem precipitar a necessidade de VM.
A insuficiência respiratória aparece geralmente entre o segundo e o sexto ano da doença, sendo a traqueostomia
geralmente necessária, e os pacientes tornam-se dependentes do suporte ventilatório até os fins de seus dias.
Avaliação Fisioterapêutica
A avaliação é de suma importância para traçar o tratamento e acompanhamento do paciente portador da ELA. Dividi-se em
neuromotora e respiratória.
Deve ser dito que a inervação muscular é multisegmentar, isto quer dizer que cada músculo é inervado por fibras derivadas
de várias raízes anteriores da medula .Por tanto como a ELA é uma doença progressiva, num primeiro momento quando ela
atingir só uma raiz, isto não irá resultar na abolição completa da função, só depois com a progressão da doença e o
acometimento de vários segmentos medulares é que ocorrerá a perda da função por completo do segmento.
Na avaliação neuromuscular
Devemos dar ênfase aos testes dos nervos cranianos:
VII nervo craniano (facial) – inerva os músculos faciais, e é o responsável pelo paladar dos dois terços anteriores da língua.
Um componente muito pequeno também é responsável pela sensibilidade geral do ouvido externo. O nervo facial também
carreia fibras motoras parassimpáticas para as glândulas salivares e corda do tímpano. A pesquisa de anormalidade do
palato geralmente não é realizada pelo clinico.
Teste de função do nervo facial: o paciente é instruído a expor seus dentes, a assoprar com a boca fechada contra
resistência e depois a enrugar a testa, enquanto o examinador observa se há alguma assimetria. É útil que o examinador
demonstre estas manobras para o paciente. o paciente é instruído a fechar os olhos firmemente , enquanto o examinador
tenta abri-los. Ele é instruído a fechá-los de a forma mais firme possível. O examinador verifica cada olho separadamente, e
são comparadas às forças, o examinador normalmente não sendo capaz de abri-los.
IX nervo craniano (glossofaríngeo) que é responsável pela sensibilidade da faringe, do terço posterior da língua, da
membrana timpânica e das fibras secretoras para a glândula parótida
Teste da função: o exame do nervo glossofaríngeo envolve o reflexo do vômito. O examinador pode usar um abaixador de
língua ou um bastão aplicador. Ao tocar o terço posterior da língua, o palato mole ou a parede posterior da faringe, o
examinador deve produzir um reflexo de vomito. A porção sensorial da alça se faz através deste nervo; a motora é mediada
pelo nervo vago. Uma outra forma de testá-lo é pedir ao paciente para abrir bem sua boca e dizer, “ah... ah...” a elevação
simétrica do palato mole demonstra função normal dos nervos cranianos IX e X. A úvula deve permanecer na linha média.
X nervo craniano (vago) é quem fornece fibras parassimpáticas para as vísceras do tórax e abdome, fibras motoras para a
faringe e laringe, e a sensibilidade do canal do ouvido externo.
O exame do nervo vago é realizado junto com o glossofaríngeo já descrito. A disfonia ou disartria pode resultar da paralisia
deste nervo.
XII nervo craniano (hipoglosso): fornece fibras motoras para os músculos da língua. O exame deste é realizado, instruindo o
paciente a abrir aboca com a língua repousada no assoalho da boca. Realiza-se a inspeção para pesquisa de fasciculações
(contrações espontâneas de grupos musculares visíveis à inspeção), estas irão indicar uma lesão do neurônio motor inferior
do hipoglosso.
Teste da função do hipoglosso: solicite ao paciente para abri sua boca e mostrar a língua. Normalmente, a língua é saliente
e está localizada na linha média, seu desvio lateral é anormal. Como os seus músculos empurram e não tracionam, a
paralisia de um lado resultará no deslocamento desta para o lado da lesão.
Os pacientes portadores de ELA geralmente apresentam desvio na língua, manifestações típicas de uma paralisia bulbar do
neurônio motor inferior afetando o núcleo do hipoglosso.
Teste de função motora (volume, força e tônus muscular), reflexos (de distensão, ou tendinosos profundos, os anormais
(sinal de Babinski) e os superficiais).
O exame motor começa com a verificação de cada região a ser examinada. Comparando os contornos das massas
musculares simétricas. A inspeção é usada para determinar a atrofia muscular e a presença de fasciculações.
Teste de força muscular: o paciente movimenta-se ativamente contra sua resistência, compara-se um lado com o outro,
utilizando a escala a seguir
0: Ausência => Nenhuma contração detectada
1: Traço => Discreta contração detectada
2: Fraca => Movimento sem a presença da gravidade
3 Regular => Movimento contra a gravidade
4: Boa => Movimento contra a gravidade com alguma resistência
5: Normal => Movimento contra a gravidade com muita resistência
O tônus pode ser definido como uma discreta tensão residual em um músculo voluntariamente relaxado, sendo testado pela
resistência ao movimento passivo.
Deve-se procurar avaliar a maior quantidade de músculos possíveis durante o exame muscular e nas reavaliações para
observar a progressão do mesmo.
Os reflexos (de distensão, ou tendinosos profundos, os anormais (sinal de Babinski) e os superficiais).
Para iniciar o teste do reflexo de distensão, deve-se sustentar a articulação em teste de forma que o músculo permaneça
relaxado. O martelo de reflexo é seguro entre o polegar e o dedo indicador, e é deslocado por movimento de punho, e não
de cotovelo.
Os reflexos são graduados em uma escala de 0 à 4 :
0 Nenhuma resposta
1 Reduzido
2 Normal
3 Aumentado
4 Hiperativo
Os reflexos tendinosos profundos mais conhecidos são:
* Bicipital
* Braquiorradial
* Tricipital
* Patelar
* Aquileu
Teste de reflexo superficial comumente avaliados são: abdominal e o cremastério. O abdominal é produzido a traves da
aplicação de um esfregão horizontal no sentido latero medial, tendo como resultado uma contração dos músculos
abdominais com o umbigo desviando para o lado do estimulo. O cremastério só é realizado em homens realizando um
esfregão na face internada coxa, tendo como resultado uma rápida elevação do testículo do mesmo lado.
Reflexo ou sinal de Babinski é um reflexo patológico normalmente produzido quando a faca lateral da região plantar é
arranhada do calcanhar até a base dos dedos e medialmente através da cabeça dos ossos do metatarso, ocorrendo um
desvio de flexão plantar do hálux com abertura dos outros dedos, isso testa as raízes nervosas da L5-S1.
Teste coordenação e equilíbrio (embora seja função cerebelar deve ser testado por dois motivos para confirmar o
diagnostico e para testar o comprometimento neuromuscular), podendo ser utilizados os seguintes testes cerebelares:
O teste dedo - nariz que é realizado pedindo-se ao paciente que toque seu nariz e o dedo do examinador com o seu dedo,
da forma mais rápida, precisa e suave possível.
O teste calcanhar joelho é realizado fazendo-se o paciente em decúbito dorsal deslizar o seu calcanhar até o joelho oposto.
Teste de Romberg pede-se ao paciente para ficar na frente do examinador com os pés juntos, de forma que os calcanhares
e os hálux se toquem, e pede para fechar os olhos sendo considerado positivo quando o mesmo oscila e tem que mover
seus pés para se equilibrar.
O teste função sensorial será feito para a contra prova, pois o paciente não apresenta comprometimento sensorial
normalmente, pois só serão comprometidos os neurônios da ponta anterior da medula, que são estritamente neurônios
motores. O exame sensorial consiste nas seguintes avaliações:
Teste de tato é avaliado pelo toque suave do paciente com um pequeno pedaço de gaze, pedindo para ele com os olhos
fechados perceber onde se toca.
Teste de sensibilidade álgica é testado utilizando um alfinete e perguntando ao paciente se esta sentindo e onde foi testado.
Teste de vibração testa-se utilizando um diapasão coloque-o sobre as proeminências ósseas e instrua o mesmo a informar
quando a sensação desapareceu.
Teste da discriminação entre dois pontos irá testar a capacidade de diferenciar um estimulo em dois
Teste de esteriognosia é a função de integração dos lóbulos parietal e occipital, na qual o paciente tenta identificar um objeto
colocado em suas mãos.
Teste de grafestesia verificará a capacidade de identificar um numero escrito em sua mão.
A avaliação respiratória
Como a musculatura está comprometida, isso significa que a função respiratória está alterada, por causa disso deverá ser
feito uma avaliação respiratória e a partir desta será traçado um tratamento pulmonar.
A avaliação respiratória se divide em: identificação do paciente (nome, endereço, estado civil, idade, sexo, profissão); queixa
principal; história (da doença atual, das patologias anteriores, social e familiar); exames complementares (raios-X, tomografia
computadorizada) e exame físico – que se divide em: verificar a freqüência e o ritmo cardíaco; verificar pressão arterial,
freqüência e padrão respiratório; observar a aparência geral do paciente, o tipo do tórax e a postura; realizar palpação,
percussão, ausculta; observar a se há presença de tosse e secreção; realizar a cirtometria torácica, peak flow e espirometria.
Sugestão do Protocolo de Tratamento
A cura não existe, o que se tem são métodos para combater os sintomas e as complicações da doença: câimbras,
espasticidade, alteração no sono e infecções (principalmente as respiratórias), na realidade e faz um suporte, para manter o
indivíduo bem por um maior tempo.Embora se tenha descoberto recentemente um fator de crescimento neural e de agentes
bloqueadores do glutamato, que fazem a progressão da doença cesse, ainda não se produziu nenhum remédio que a cure
em definitivo.
O tratamento fisioterapêutico irá auxiliar na manutenção e prolongamento da independência do paciente, é um meio eficaz
no controle dos principais sintomas e complicações da ELA.Para isso o fisioterapeuta devera fazer uma avaliação
seqüencial, minuciosa e global da pessoa.
Tratamento Fisioterapêutico
O tratamento fisioterapêutico assim como a avaliação também pode ser dividida em:
Fisioterapia neuromotora
A Fisioterapia neuromotora visa regular o tônus muscular e a introdução de movimentos automáticos e voluntários a fim de
preparar para os funcionais. Deve-se começar o mais breve possível para tentar reverter as retrações e perdas aparentes do
movimento, as retrações deverão ser desfeitas para liberar os movimentos ainda existentes e estimular os segmentos
hipomóveis, pois nem todas raízes medulares serão degradadas juntas ,com isso consegue-se que o paciente melhore em
suas AVDs e as mantenha por mais tempo .
Deve-se utilizar para isso os reflexos e os estímulos sensitivos para inibir ou provocar uma resposta motora, respeitando-se
sempre os princípios da normalização do tônus e da experimentação de um movimento ou de um controle estático normal.
Para que o paciente consiga sair de um esquema corporal anormal e retornar para o mais próximo possível do normal.
O terapeuta deve sempre começar o tratamento posicionando o paciente em uma posição onde sejam eliminadas ações de
todos os reflexos anormais sobre seu corpo, a cabeça deve estar medial ao corpo e com o travesseiro sobre a sua nuca.O
tratamento orienta-se de acordo com o amadurecimento do sistema nervoso que ocorre céfalo-caudal e próximo-distal, por
causa disso começa o tratamento fazendo mobilização na cintura escapular para depois poder mobilizar ou alongar o
membro superior, da mesma forma mobiliza-se a cintura pélvica para trabalhar o membro inferior.
Formas de inibir: a partir dos pontos chaves de Bobath, por movimentos lentos e mantidos, por controle da parte proximal,
por posicionamento e auto-inibição.
Técnicas de estimulação tátil e proprioceptiva: coaptações, tapping, placing e escovações, além das reações de
equilíbrio como forma de treinamento para a estabilidade postural e marcha.Podem-se utilizar as diagonais de Kabat
(primitiva e funcional), dependendo do caso pode-se colocar ou não resistência; e movimentos passivos e assistidos
funcionais para uma melhor volta as AVDs.
Hidroterapia
Será utilizada visando manter a força muscular, a capacidade respiratória, amplitude de movimento articular e evitar
encurtamentos. As propriedades da água, a movimentação voluntária, alongamentos e a adoção das diversas posturas
podem ser facilitados sendo assim benéficos para o alivio da dor. Proporcionando ainda liberdade de movimento gerando
satisfação e alegria para o paciente, pois na água são capazes de realizar atividades que não podem realizar em terra
devido a ação da gravidade isso então gerará uma melhora psicológica nele. A água reduz a influencia da gravidade e com
isso facilita os movimentos normais, principalmente os realizados na superfície da água, pois ela elimina a força peso do seu
corpo, e ainda fornece a mesma resistência de uma forma global para o paciente, além disso, a água morna ajuda a relaxar
o paciente, diminuindo assim o espasmo muscular.Ainda elimina o risco das quedas (fraturas, diminuição da sua
autoconfiança).Os exercícios realizados na água podem ser similares aos feitos em terra ou específicos como Watsu, Bag
Ragaz e Halliwick, e os respiratórios.
A acupuntura e a shiatsuterapia
Faz parte da medicina oriental e poderá ser usada para ajudar a normalizar o tônus muscular (diminuindo a espasticidade e
aumentando o tônus em outros músculos), podendo agir como antidepressivo e normalizar o sono. Ira tentar equilibrar e
harmonizar a energia do paciente.
A fisioterapia respiratória
Poderá ser utilizado junto ou separadamente dos outros recursos.A ELA é classificada como uma doença restritiva, por
causa do seu comprometimento muscular.O paciente com o decorrer do tempo poderá ter infecção pulmonar.Devendo ser
enfatizado a desobstrução e reexpansão pulmonar, evitando assim atelectasias, infecções respiratórias, mantendo
adequadaà troca gasosa.
Os exercícios respiratórios deverão ser feitos para aumentar as capacidades vital, inspiratória e pulmonar total e o volume
corrente; e diminuir a freqüência respiratória.Para isso deverão ser utilizados como exercício: a estimulação e
conscientização diafragmática, treino muscular ventilatório (utilizando pesos para fortalecer o diafragma e treino de
resistência inspiratória), respirações segmentar, glossofaríngea e com freno labial; estimulação costal, TEMP, a utilização de
incentivadores respiratórios (nem todos pacientes poderão ou terão condições de utilizar); e padrões ventilatório seletivos.
Alguns autores enfatizam a não utilização de treinamento muscular respiratório, para não precipitar o desgaste dos
mesmos.Por isso se realizado deve se Ter cuidado com a fadiga muscular a qualquer sinal dessa deve-se fornecer
descanso ao paciente.
Nos pacientes com secreção utiliza-se: a aerossolterapia, as técnicas de tosse, TEMP, a drenagem postural (não poderá ser
adotado para todos os pacientes, pois algumas posições o levarão há hipóxia), percussão, vibração, compressão costal,
tapotagem e o FLUTTER.
Os exercícios respiratórios poderão ser combinados entre si ,ou com técnicas de drenagem ,ou com exercícios motores .
A utilização da ventilação não invasiva (VNI), poderá retardar a insuficiência respiratória, através da redução do desgaste
excessivo dos músculos respiratórios.
Na fase tardia da doença torna-se necessário à utilização de traqueostomia na maioria dos casos, também será utilizada em
pacientes que apresentam a forma bulbar que são ventilados de forma não invasiva, para ventilar mais eficaz e melhorar a
remoção de secreções.
Deve-se sempre monitorar a SaO2 e da PETCO2 durante a VNI, principalmente em períodos noturnos, com o objetivo de
evitar hipoxemia, hipercapnia e se necessário à utilização de suporte ventilatório invasivo.
Todos os métodos utilizados deverão levar em consideração o estado do paciente e a sua evolução, que deverão ser
identificados durante a avaliação e o tratamento, por a ELA ser uma doença progressiva devemos sempre está observando
o estado geral do paciente, para não forçá-lo demasiadamente, e deve-se sempre estar adaptando os métodos utilizados à
progressão da doença, tirando ou adaptando recursos que melhor se adapte a evolução. O fisioterapeuta deverá ter cuidado
para não fadigar o paciente tanto na fisioterapia respiratória quanto na motora, pois este pode vir a ter câimbras, aumentar a
espasticidade ou entrar em hipoxemia.E com o objetivo de melhorar a independência de alguns doentes dentro de casa
poderão ser utilizados a cadeira de rodas elétrica e um ventilador portátil.
Guillain-Barré
Histórico
Foi em 1916 que o quadro clínico de polineurite benigna com dissociação albumino - citológica do líquor foi descrito
por Guillain, Barre e Strohl (médicos franceses). Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), Guillain, Barre e André
Strohl serviram no Centro de Neurologia da 60º Guarda Francesa. Eles observaram dois soldados paralisados e realizaram
alguns testes com o líquor. Os resultados foram inespecíficos e diferentes dos demais pacientes que os doutores tiveram.
Após o final da Primeira Guerra, Barre se tornou professor de neurologia em Strasbourg, assim como Guillain em Paris.
Strohl também se tornou professor, mas não de neurologia.
Definição
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), também chamada de polineurite aguda ascendente, é uma
polirradiculoneuropatia aguda ou subaguda, autoimune que conduz a desmielinização e/ou degeneração axonal dos nervos
periféricos. Caracteriza-se por paralisia flácida e arrefléxica ascendente.
Dependendo das características clínicas, eletrofisiológicas patológicas, o SGB divide-se em subtipos ou variantes:
Polirradiculoneuropatia desmielinizante Inflamatória Aguda (PDIA), Neuropatia Axonal Sensitivo - Motora Aguda (NASMA),
Neuropatia Axonal Motora Aguda (NAMA) e Síndrome de Miller-Ficher (SMF). Recentemente surgiu uma sub-classificação.
A evolução é geralmente favorável, dependendo da natureza do processo patológico (axonal/ desmielinizante), verificando-
se o início da recuperação entre a 2.ª e a 4.ª semanas, com resolução gradual da paralisia em semanas.
Etiologia
Não existe uma causa específica. Em torno de 80% dos pacientes, os sintomas começam entre cinco dias até três
semanas após um caso de infecção (vírus, bactéria) de via aérea superior ou gastrointestinal, pós-vacinação ou pós-
cirurgia.
Epidemiologia
A SGB atinge predominantemente o sexo masculino, podendo ocorrer em todas as idades, com um primeiro pico no
final da adolescência e início da idade adulta, que coincide com um aumento do risco de infecção pelo Vírus Citomegálico
(VCM) e Campylobacter jejuni, e um segundo pico na terceira idade, que pode explicar-se pela falência dos mecanismos
imunossupressores. A síndrome é rara, afetando um em cada 100 000 habitantes. Adultos são mais afetados que crianças.
Pensa-se que o aumento da incidência verificado nos últimos anos traduz uma melhoria na acuidade diagnostica mais do
que um real aumento do número de casos.
Fisiopatologia
O sistema auto-imune ataca a bainha de mielina que circunda os axônios dos nervos periféricos, impedindo a
condução do estímulo nervoso, através dessa destruição da bainha de mielina e/ou até mesmo dos axônios. Produzindo
uma piora rapidamente da fraqueza muscular, podendo levar a plegia.
Essa destruição da bainha de mielina resulta em diminuição da velocidade de condução nervosa. Observa-se
prolongamento das latências distais, tanto motoras como sensitivas. Não existe correlação direta entre a gravidade do quadro
neurológico e o grau de redução da velocidade de condução nervosa.
Quadro Clínico
A Síndrome de Guillain-Barré se instala muitas vezes dentro de dias ou semanas após um quadro de infecção (vírus
e bactérias), vacinas e cirurgias. Os primeiros sintomas neurológicos consistem em paresias simétricas dos membros,
freqüentemente acompanhadas de parestesias. A hiporreflexia ou arreflexia nunca falta, mas os reflexos tendinosos podem
estar presentes na fase inicial da doença. O grau de comprometimento da sensibilidade varia: em certos pacientes, todas as
modalidades da sensibilidade permanecem normais, ao contrário de outros que apresentam acentuada diminuição das
sensibilidades postural, vibratória, dolorosa e térmica. Apresentam também disfunção do sistema nervoso autônomo (como
hipotensão ortostática, hipertensão transitória ou arritmias cardíacas).
Os sintomas começam pela fraqueza e /ou sensação anormal dos braços e pernas. Pode afetar também os
músculos do tórax, face e olhos.
Diagnóstico
As características para o diagnóstico são uma fraqueza muscular progressiva de um ou mais membros e
arreflexia. Para confirmar o diagnóstico, se faz necessário a análise de punção lombar para avaliar a concentração de
proteína (acima de 100-400 mg/dl confirma a SGB), e a eletroneuromiografia (MEYTHALER, 1997).
Tratamento
Tratamento Médico
A maior parte dos pacientes com SGB são hospitalizados para evitar que qualquer complicação possa afetar
funções vitais. Embora a imunomodulação constitua a terapêutica principal, as medidas de suporte médico são importantes
no tratamento e prevenção das complicações. As primeiras incluem a facilidade de admissão em Unidades de Cuidados
Intermediários / Intensivos, para a vigilância, prevenção e tratamento de complicações respiratórias e tromboembólicas,
suporte nutricional, fisioterapia e reposicionamento freqüente no leito.
Muitos pacientes com SGB morrem de complicações evitáveis como sepse, sara, tromboembolismo pulmonar (TEP),
trombose venosa profunda (TVP), e disautonomias. Um tratamento adequado faz com que a mortalidade caiapara 5%.
A imunomodulação consiste na administração de imunoglobulina endovenosa, na dose de 0,4 g/kg/dia durante cinco
dias consecutivos. Esta tem uma eficácia igual à da plasmaferese, mas tem a vantagem de maior facilidade de aplicação, e
de menor invasividade. As opiniões divergem quanto ao uso de corticóides no SGB.
Tratamento Fisioterapêutico
Não existe nenhum estudo sistemático sobre a eficácia da fisioterapia em pacientes com Guillain-Barré. O que
acontece é uma adaptação das abordagens fisioterapêuticas usadas em outras patologias neuromusculares. A fisioterapia
pode ser dividida em duas atuações: fisioterapia respiratória e motora; baseada nas possíveis complicações advindas do
Guillain Barre (MEYTHALER, 1997).
A fisioterapia respiratória baseia-se em dois aspectos: na fase inicial, constituída basicamente de manobras de
higiene brônquica (para promover a clearance mucociliar, evitando consolidações e atelectasias), reexpansão pulmonar,
aspiração da via aérea (se necessário), drenagem postural para mobilizar secreções; e numa fase mais tardia da doença
treinamento muscular e desmame da ventilação mecânica.
Os pacientes com SGB apresentam muita dor, descrita como parestesia, disestesia, dor axial e radicular, mialgia,
dor articular e desconforto visceral. A fisioterapia motora constitui-se de exercícios passivos, ativo-assistido e ativo dos
membros, dependendo da melhora da fraqueza muscular; sempre tendo como limite a dor do paciente. Tem sido observado
que o superuso de uma unidade motora afetada pode impedir a sua recuperação. Sem esquecer do posicionamento,
mudanças de decúbito, alongamentos, e exercícios metabólicos; fundamentais para evitar úlceras de decúbito, trombose
venosa profunda, tromboembolismo pulmonar, encurtamento de tendão, contraturas articulares e paralisia de nervos, sendo
que os mais afetados são o nervo ulnar, peroneal e lateral femoral.
FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA - PNF (KABAT)
Introdução:
Facilitação neuromuscular proprioceptiva é uma filosofia de tratamento. A base desta filosofia está no conceito de que todo
ser humano, incluindo aqueles portadores de deficiências, tem um potencial ainda não explorado.
Princípios são básicos:
1- O enfoque terapêutico é sempre positivo, reforçando e utilizando o que o paciente pode fazer, em nível físico e
psicológico.
2- O objetivo primário de todo tratamento é facilitar o paciente a alcançar seu mais alto nível funcional.
3- PNF é uma abordagem global: cada tratamento é direcionado para o ser humano como um todo e não para um problema
especifico ou um segmento corporal.
Os procedimentos básicos da facilitação fornecem ao terapeuta as ferramentas necessárias para ajudar seus pacientes a
atingir uma função motora eficiente. Os procedimentos são usados para:
- Aumentar a habilidade do paciente em mover-se e permanecer estável.
- Guiar o movimento com a utilização de contatos manuais adequados e de resistência apropriada.
- Ajudar o paciente a obter coordenação motora e sincronismo.
- Aumentar a histamina do paciente e evitar a fadiga.
Os procedimentos básicos sobrepõem-se aos seus efeitos e podem ser usados no tratamento de pacientes com qualquer
diagnóstico ou condição. Basicamente, a promoção ou a exacerbação da dor deve ser evitada pelo terapeuta, pois a dor
funciona como um inibidor da coordenação motora eficaz e pode ser um sinal potencial da lesão. Outras contra-indicações
são na maioria de senso comum, como não utilizar aproximação em extremidades com fratura não consolidada.
Os procedimentos básicos de facilitação são:
Resistência: auxilia a contração muscular e o controle motor e aumenta a força.
Irradiação e reforço: utilizam a deflagração da resposta ao estimulo.
Contato manual: aumenta a força e guia o movimento com toque e pressão.
Posição corporal e biomecânica: guiam e controlam o movimento por meio do alinhamento do corpo, dos braços e das
mãos do terapeuta.
Comando verbal: utiliza palavras e tom de voz apropriada para direcionar o paciente.
Visão: usa a visão para guiar o movimento e aumentar o empenho.
Tração e aproximação: o alongamento ou a compressão dos membros e do tronco facilita o movimento e a estabilidade.
Estiramento: o uso do alongamento muscular e do reflexo de estiramento facilita e contração e diminui a fadiga.
Sincronização de movimentos: promove sincronismo e aumenta a força da contração muscular por meio da “sincronização
para ênfase”.
Padrões de facilitação: movimentos sinérgicos em massa são componentes do movimento funcional normal.
Objetivos:
O objetivo das técnicas de PNF é promover o movimento funcional por meio da facilitação, da inibição, do fortalecimento e
do relaxamento de grupos musculares. As técnicas utilizam contrações musculares concêntricas, excêntricas e isométricas,
combinadas com resistência propriamente graduada e procedimentos facilitatórios adequados, todos ajustados para atingir
as necessidades de cada paciente.
As técnicas especificas foram agrupadas de acordo com suas funções e ações.
Bases da Técnica/ Procedimento:
1- Iniciação rítmica: São movimentos realizados através da amplitude desejada, iniciado por movimento passivo,
progredindo até movimento ativo resistido. Tem como objetivos:
- Facilitar a iniciativa motora
- Melhorar a coordenação e a sensação do movimento.
- Normalizar o ritmo do movimento, tanto por meio do aumento quanto da sua diminuição.
- Ensinar o movimento.
- Ajudar o paciente a relaxar.
São indicados para pacientes que possuem dificuldades em iniciar movimentos, que têm movimentos muito rápidos ou muito
lentos, movimentos incoordenados ou sem ritmo e que possuem tensão geral.
Descrição: o terapeuta inicia movendo passivamente o paciente através da amplitude do movimento utilizando a velocidade
e o comando verbal para dar o ritmo. O paciente é solicitado a iniciar o trabalho ativamente na direção desejada. O retorno
do movimento é realizado pelo terapeuta. O terapeuta resiste ao movimento ativo mantendo o ritmo como o comando verbal.
2- Combinação de Isotônicos: São contrações concêntricas, excêntricas e mantidas de um grupo muscular (agonista) sem
relaxamento.
Objetivos:
- Aumentar o controle ativo do movimento.
- Melhorar a coordenação.
- Aumentar a amplitude ativa do movimento.
- Aumentar a força muscular.
- Treinar o controle excêntrico funcional do movimento.
São indicados para pacientes com diminuição do controle excêntrico, perda da coordenação ou da capacidade de se mover
na direção desejada, diminuição da amplitude de movimento, movimentação ativa precária no meio da amplitude.
Descrição: o terapeuta resiste ao movimento ativo do paciente por meio da amplitude do movimento (contração concêntrica).
No final do movimento, o terapeuta solicita ao paciente que mantenha a posição (contração de estabilização). Quando a
estabilização é alcançada, o terapeuta diz ao paciente para permitir que o membro seja movido vagarosamente para trás,
em direção à posição inicial (contração excêntrica). Portanto, a contração muscular excêntrica deve ocorrer antes da
contração concêntrica.
3- Reversão de Antagonistas: É a classificação geral das técnicas nas quais o paciente inicialmente contrai os músculos
agonistas e depois os antagonistas, sem pausa ou relaxamento.
Classificadas em:
3.1- Inversão Dinâmica (Incorpora Inversão Lenta): É a alternância do movimento ativo de uma direção para a oposta, sem
interrupção ou relaxamento.
Objetivos:
- Aumentar a amplitude ativa do movimento.
- Aumentar a força muscular.
- Desenvolver coordenação.
- Prevenir ou reduzir a fadiga
São indicados em pacientes com fraqueza dos músculos agonistas, com diminuição da capacidade de modificar a direção
do movimento, e que possuem aparecimento de fadiga duranteo exercício.
Descrição: o terapeuta resiste ao movimento do paciente em uma direção, quando o final da amplitude do movimento
desejada se aproxima, o terapeuta inverte o contato manual na região distal do segmento que está se movendo. Quando o
paciente atinge seu final de amplitude ativa, o terapeuta dá o comando para a inversão da direção, sem relaxamento, e
resiste ao novo movimento em sua parte distal, quando a paciente começa a se mover na direção oposta o terapeuta inverte
o contato proximal, aplicando toda a resistência à nova direção.
3.2- Reversão de Estabilizações (Manutenções Alternadas): São contrações isotônicas alternadas, com resistência oposta
suficiente para prevenir o movimento.
Objetivos:
- Aumentar estabilidade e equilíbrio
- Aumentar a força muscular
São indicados para pacientes com diminuição da estabilidade, fraqueza muscular e inabilidade em realizar contrações
isométricas.
Descrição: o terapeuta aplica resistência em uma direção, enquanto solicita ao paciente que se oponha a tal força. Nenhum
movimento é permitido. Quando o paciente resiste ao máximo à força, o terapeuta move uma das mãos e começa a aplicar
resistência em outra direção. Após a resposta do paciente a novo resistência, o terapeuta move a outra mão e resiste à nova
direção.
3.3- Estabilização Rítmica: São contrações isométricas alternadas contra uma resistência com ausência de intenção de
movimento.
Objetivos:
- Aumentar as amplitudes ativa e passiva do movimento.
- Aumentar a força muscular.
- Aumentar a estabilidade e o equilíbrio.
- Diminuir a dor
As indicações são para pacientes com diminuição das amplitudes de movimento e que sentem dor, principalmente quando
em movimento, pacientes com instabilidade articular, fraqueza de grupos musculares antagonistas e diminuição do equilíbrio.
São contra-indicados para pacientes com envolvimento cerebelar, pacientes incapazes de seguir instruções devido à idade,
à dificuldade de comunicação ou à disfunção cerebral.
Descrição: o terapeuta resiste a uma contração isométrica de um grupo muscular agonista, o paciente mantém a posição do
segmento sem tentar se mover. A resistência é gradualmente aumentada na medida em que o paciente desenvolve uma
força proporcional. Quando o paciente responde em seu potencial máximo, o terapeuta move uma de suas mãos para
começar a resistir à parte distal do movimento antagonista. A nova resistência cresce gradualmente. Quando o paciente
responde, o terapeuta move a outra mão para resistir também ao movimento antagonista.
4- Estiramento Repetido (Contrações repetidas):
4.1- Estiramento Repetido no inicio da Amplitude: é o reflexo de estiramento provocado por músculos sob tensão de
alongamento.
Objetivos:
- Facilitar a iniciativa motora
- Aumentar amplitude de movimento
- Aumentar força muscular
- Prevenir ou reduzir a fadiga
- Guiar o movimento na direção desejada
São indicadas para pacientes com fraqueza muscular, inabilidade em iniciar o movimento devido à fraqueza ou rigidez,
fadiga e diminuição da consciência do movimento. É contra-indicado em instabilidade articular, dor, ossos instáveis devido a
fraturas ou à osteoporose, lesões musculares ou de tendões.
Descrição: o terapeuta dá um comando preparatório, enquanto alonga completamente todos os músculos de um padrão.
Particular atenção deve ser dada à rotação. Um rápido e leve estiramento são aplicados para acrescentar um alongamento e
evocar a resposta reflexa. Ao mesmo tempo do estiramento, o terapeuta dá um comando para unir a tentativa de contração
do paciente com a resposta reflexa.
4.2- Estiramento Repetido através da Amplitude: é o reflexo de estiramento provocado por músculos sob tensão de
alongamento.
Objetivos:
- Aumentar a amplitude de movimento ativa do movimento
- Aumentar a força muscular
- Prevenir ou reduzir a fadiga
- Guiar o movimento na direção desejada
São indicados em fraqueza muscular, fadiga e diminuição do movimento desejado e são contra-indicados em instabilidade
articular, dor, ossos instáveis devido a fraturas ou à osteoporose, lesões musculares ou de tendões, força insuficiente para
manter a contração dos músculos.
Descrição: o terapeuta resiste a um padrão de movimento, mantendo assim todos os músculos em contração. O terapeuta
dá um comando preparatório para coordenar o reflexo de estiramento com uma nova e mais forte tentativa do paciente. Ao
mesmo tempo, o terapeuta alonga (estira) levemente os músculos por meio de uma resistência em excesso aplicada
momentaneamente, observa-se uma nova e mais eficaz contração muscular, que é resistida. O estiramento deve ser
repetido para aumentar a força ou para redirecionar o movimento, enquanto o paciente move-se por meio da amplitude.
Deve-se permitir que o paciente se mova antes que o próximo reflexo seja aplicado. É importante que o paciente não relaxe
ou inverta a direção durante o estiramento.
5- Contrair-Relaxar: São contrações isotônicas resistidas dos músculos encurtados, seguidas de relaxamento e de
movimento na amplitude adquirida.
Objetivos:
- Aumentar a amplitude passiva do movimento
São indicados na diminuição da amplitude passiva do movimento.
Descrição: o terapeuta ou o paciente move a articulação ou o segmento corporal até o final de sua amplitude passiva. É
preferível que o movimento seja realizado ativamente e o terapeuta deve resisti-lo.
O terapeuta solicita que o paciente realize uma forte contração do músculo encurtado ou do padrão
(antagonista). Permite-se apenas o movimento suficiente para que o terapeuta se certifique de que todos os músculos a
serem trabalhados estão em contração, principalmente os rotadores. Após um tempo suficiente (pelo menos 5 segundos), o
terapeuta diz ao paciente para relaxar. Paciente e Terapeuta, ambos relaxam. A articulação ou o segmento corporal são
reposicionados ativamente pelo paciente ou passivamente pelo terapeuta, até o novo limite de amplitude passiva. É
preferível que o movimento seja realizado ativamente e o terapeuta deve resisti-lo. A técnica é repetida até que não mais se
adquira amplitude. Exercícios ativos resistidos dos músculos agonistas e antagonistas são realizados na nova amplitude do
movimento.
6- Manter-Relaxa: É uma contração isométrica resistida, seguida de relaxamento.
Objetivos:
- Aumentar a amplitude passiva de movimento
- Diminuir a dor
São indicados na diminuição da amplitude passiva do movimento, quando as contrações isotônicas do paciente são muito
fortes para o terapeuta controlar, e quando paciente sente dor. É contra-indicado quando o paciente é incapaz de realizar
contração isométrica.
Descrição: o terapeuta ou o paciente move a articulação ou o segmento corporal até o final da sua amplitude ou até o ponto
com ausência de dor, é preferível que o movimento seja ativo. O terapeuta de vê resistir se não causar dor. O terapeuta
solicita uma contração isométrica do músculo encurtado ou do padrão (antagonista), com ênfase na rotação, a resistência é
aumentada gradativamente. Terapeuta e paciente não têm intenção de movimento. Após manter a contração por tempo
suficiente (pelo menos 5 segundos), o terapeuta pede ao paciente que relaxe e, ambos, terapeuta e paciente, relaxam. A
articulação ou o segmento corporal são reposicionados, ativa ou passivamente, até o novo limite da amplitude. É preferível
que o movimento seja realizado ativamente e sob resistência se esse não causa dor. Repita todos os passos na nova
amplitude.
Para diminuir a dor: o paciente deve estar em uma posição confortável, o terapeuta resiste a uma contração isométrica dos
músculos do segmento afetado pela dor.
Algumas técnicas são utilizadas para alcançar um objetivo particular, são elas:
Iniciação Motora:
- Iniciação rítmica
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
Aprender um movimento:- Iniciação rítmica
- Combinação de isotônicos
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
- Estiramento repetido através da amplitude
Modificar a velocidade do movimento:
- Iniciação rítmica
- Inversões dinâmicas
- Estabilização rítmica
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
- Estiramento repetido através da amplitude
Aumentar a força muscular:
- Combinação de isotônicos
- Inversões dinâmicas
- Estabilização rítmica
- Inversão de estabilizações (manutenções alternadas)
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
- Estiramento repetido através da amplitude
Aumentar a estabilidade:
- Iniciação rítmica
- Combinações isotônicas
- Inversões dinâmicas
- Inversão de estabilizações
- Estabilização rítmica
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
Aumentar a resistência:
- Inversões dinâmicas
- Inversão de estabilizações
- Estabilização rítmica
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
- Estiramento repetido através da amplitude
Aumentar a amplitude de movimento:
- Inversões dinâmicas
- Inversão de estabilizações
- Estabilização rítmica
- Estiramento repetido no inicio da amplitude
- Contrair-relaxar
- Manter-relaxar
Relaxamento:
- Iniciação rítmica
- Estabilização rítmica
- Manter-relaxar
Diminuir a dor:
- Estabilização rítmica (ou inversão de estabilização)
- Manter-relaxar
Tratamento:
O tratamento busca ajudar o paciente a alcançar seu mais alto nível funcional. Um tratamento efetivo depende de uma
avaliação completa e precisa para identificar as áreas de função e disfunção do paciente. Baseados nesta avaliação
determinam objetivos gerais e específicos, então, traçamos um plano de tratamento.
Trabalhando dentro da filosofia de PNF, olhamos inicialmente as áreas de função do paciente.
Usaremos tais áreas de maior potencial para construir um tratamento efetivo para cada problema. Em seguida, observamos
os problemas gerais (funcionais) do paciente. Por último, as disfunções especificas causadoras dos problemas gerais são
identificadas.
Os objetivos gerais do tratamento são expressos como atividades funcionais e tais objetivos não são limitantes, podem ser
modificados à medida que os pacientes melhoram. Há os objetivos específicos do tratamento que são traçados para cada
atividade terapêutica e para cada sessão de tratamento.
O terapeuta deve esboçar um tratamento de acordo com as necessidades especificas e com os objetivos funcionais de cada
paciente. PNF usa contrações musculares para afetar o corpo. Se as contrações musculares não são apropriadas às
condições do paciente ou se a sua utilização não alcança os objetivos particulares, o terapeuta deve usar outros. Algumas
modalidades, tais como calor e frio movimentação articular passiva e mobilização dos tecidos moles, podem ser combinadas
com PNF para um tratamento efetivo.
Tratamento Direto ou Indireto:
O tratamento direto deve envolver o uso de técnicas de tratamento no membro, no músculo ou no movimento afetado.
O tratamento indireto deve envolver o uso de técnicas nas áreas do corpo não afetadas, o terapeuta direciona a irradiação
para a área afetada, objetivando atingir resultados desejados. Deve envolver também o direcionamento da atenção e do
esforço do paciente para o trabalho nas partes corporais menos afetadas.
O processo de avaliação do paciente deve ser continuo. Por meio da avaliação dos resultados após cada tratamento, o
terapeuta pode determinar a eficácia da atividade e da sessão terapêutica e, então, modificar o tratamento, quando
necessário, para atingir os objetivos estipulados.
As modificações do tratamento devem incluir:
- Mudanças nos procedimentos ou nas técnicas de tratamento
- Aumento ou diminuição da facilitação por meio da alteração do uso de reflexos, contato manual, estimulo visual, comando
verbal, tração e aproximação.
- Aumento ou diminuição da resistência aplicada
- Trabalho com o paciente em posições funcionais
- Progressão para o uso de atividades mais complexas
Padrões de Facilitação:
O movimento funcional normal é composto por padrões de movimento em massa dos membros e dos músculos sinérgicos
do tronco. Nossos movimentos mais discretos originam-se de padrões em massa. As combinações dos músculos sinérgicos
formam os padrões de facilitação em PNF.
Trabalhar com as relações sinérgicas entre os padrões permite-nos tratar os problemas indiretamente. O reflexo de
estiramento é mais eficaz quando todo um padrão é estirado, em vez de apenas um músculo.
Os padrões de PNF combinam movimentos nos três planos:
- Plano Sagital: flexão e extensão
- Plano Frontal ou Coronal: abdução e adução dos membros ou flexão lateral da coluna
- Plano Transversal: rotação
O estiramento e a resistência reforçam a eficácia dos padrões, como se pode constatar pelo aumento da atividade dos
músculos. O aumento da atividade muscular espalha-se tanto distal quanto proximalmente dentro de um padrão ou de um
padrão para outros que se relacionam ao movimento (irradiação). O tratamento faz-se com irradiação dos músculos
sinérgicos combinados (padrões), para fortalecer o grupo muscular desejado ou para reforçar os movimentos funcionais.
Quando exercitamos padrões contra resistência, todos os músculos que fazem parte da sinergia contraem-se se forem
capazes. O componente de rotação do padrão é a chave para uma resistência efetiva. A resistência correta para rotação
fortalecerá o padrão como um todo.
Os padrões podem ser combinados de varias maneiras. A ênfase do tratamento está nos membros superiores ou inferiores,
quando as extremidades se movem independentemente.
As combinações de padrões são nomeadas de acordo com a relação dos movimentos dos membros (braços,
pernas, ou ambos) entre si:
- Unilateral: um braço ou uma perna
- Bilateral: ambos os braços, ambas as pernas ou combinações entre braços e pernas.
a) simétrico: ambos se movem no mesmo padrão (por ex, ambos flexão-adução);
b) assimétrico: ambos se movem em padrões opostos (por ex, direito: flexão-adução; esquerdo: flexão-abdução);
c) simétrico recíproco: ambos se movem na mesma diagonal, mas em direções opostas (por ex, direito: flexão-adução;
esquerdo: extensão-abdução);
d) assimétrico recíproco: ambos se movem em diagonais e em direções opostas (por ex, direito: flexão-adução; esquerdo:
extensão-adução).
LESÃO MEDULAR
A medula espinhal encontra-se no canal vertebral. Ela estende-se geralmente do forâmen magno à primeira vértebra lombar,
podendo ocorrer variações. A medula é envolta em três membranas protetoras de interno para externo: Pia-máter,
Araquinóide e Dura-máter. A Pia-máter e a Araquinóide são separadas pelo espaço sub-araquinódeo que contém a
circulação do líquido Cérebro espinhal. A araquinóide termina no nível da segunda vértebra sacral. O espaço entre a dura-
máter e as paredes do canal vertebrais são preenchidas por gordura, tecido conectivo e plexo venoso, este é o espaço
peridural. As membranas que envolvem a medula protegem o tecido nervoso, ao mesmo tempo em que permitem que os
impulsos sejam transmitidos ao longo dos axônios durante o movimento ou em qualquer postura desejada.
A medula espinhal é aproximadamente cilíndrica, com o diâmetro transverso maior do que o diâmetro antero-posterior.A
medula apresenta duas dilatações: uma na área cervical formando o plexo braquial e outra na área lombar referente ao
plexo lombossacral. A medula espinhal termina no cone medular geralmente na segunda vértebra lombar. Abaixo dessa
região as raízes nervosas lombares e sacrais ocupam o canal vertebral, formando conjunto conhecido como cauda eqüina.
Nesta região encontra-se o filum terminale, uma estrutura fibrosa não nervosa, que é uma extensão da pia-máter e envolvida
pela dura-máter, com inserção no cóccix.
O nervo espinhal é formado pela fusão de duasraízes, uma ventral e outra dorsal. A raiz ventral possui apenas fibras
motoras (eferentes) cujos corpos celulares estão situados na coluna anterior da substância cinzenta da medula. A raiz dorsal
possui fibras sensitivas (aferentes) cujos corpos celulares estão situados no gânglio sensitivo da raiz dorsal, que se
apresenta como uma porção dilatada da própria raiz. (A fusão da raiz sensitiva e motora resulta no nervo espinhal).
O nervo espinhal deixa o forame intervertebral e divide-se em anterior (ventral) mais calibroso e posterior (dorsal) menos
calibroso. O ramo posterior inerva a pele, facetas articulares e musculatura eretora da espinha. O ramo anterior inerva a pele
do pescoço, parte anterior e lateral do tórax, abdome e membros. Os ramos ventrais que inervam a parede torácica e
abdominal permanecem isolados ao longo de todo o seu trajeto. Os ramos ventrais de C5 à T1 formam o plexo braquial e
inervam o membro superior e as raízes L2 à S4 formam o plexo lombossacral inervando membro inferior.
DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO EM FUNÇÕES SENSORIAIS E MOTORAS
Divisão Sensorial
A maioria do sistema nervoso é iniciada pela experiência sensorial que emana dos receptores sensoriais, quer dos
receptores visuais, receptores auditivos, receptores táteis na superfície do corpo ou de outros tipos de receptores. Está
experiência sensorial pode causar uma reação imediata, ou sua memória pode ser armazenada no cérebro por minutos,
semanas, ou anos, podendo então ajudar a determinar as reações corporais num tempo futuro.
Estas informações entram no sistema nervoso pelos nervos periféricos e são conduzidos para áreas sensoriais múltiplas na
medula espinhais, na substância reticulares do bulbo, no cerebelo, no tálamo, nas áreas somestésicas do córtex cerebral.
Porém, além destas áreas sensoriais, os sinais são então retransmitidas para essencialmente todas as outras partes do
sistema nervoso.
Divisão Motora
O papel final mais importante do sistema nervoso é controlar as várias atividades corporais. Isto é feito controlando a
contração dos músculos esqueléticos de todo o corpo, a contração dos músculos lisos dos órgãos internos e a secreção das
glândulas exócrinas e endócrinas em muitas partes do corpo. Estas atividades são coletivamente chamadas de funções
motoras do sistema nervoso, e os músculos e glândulas são chamados de efetores porque efetuam as funções ditadas
pelos sinais nervosos.
Operando paralelamente ao eixo motor, há um outro sistema semelhante, chamado de sistema nervoso autonômico, para o
controle dos músculos lisos, glândulas e de outros sistemas corporais internos. Os músculos esqueléticos podem ser
controlados a partir de vários níveis do sistema nervoso central, incluindo: a medula espinhal, a substância reticular do bulbo,
da ponte e mesencéfalo, os gânglios da base, o cerebelo e o córtex motor. Cada uma destas áreas desempenha seu próprio
papel específico, estando as regiões inferiores implicadas primariamente com as repostas motoras automáticas,
instantâneas, do corpo aos estímulos sensoriais, e as regiões superiores com os movimentos deliberados controlados pelos
processos de pensamento do cérebro.
Sinapse
Os neurônios, principalmente através de suas terminações axônicas, entram em contato com outros neurônios, passando-
lhes informações.
Os locais de tais contatos são denominados sinapse, ou, mais precisamente, sinapse inter-neuronais. No sistema nervoso
periférico, terminações axônicas podem relacionar-se também com células musculares, (esqueléticas, cardíacas ou lisas) e
células secretoras (em glândulas salivares, por exemplo), controlando suas funções.
Os termos sinapse neuroefetuadoras e junções neuroefetuadoras são usados para denominar tais contatos.
Quanto à morfologia e ao modo de funcionamento, reconhecem-se dois tipos de sinapses: sinapse elétrica e sinapse
química.
Neurônio Motor
Chama-se Neurônio Motor Superior ao tipo de lesão que ocorrem acima do nível da célula do corno anterior e que produz
paralisia espástica. A lesão chamada Neurônio Motor Inferior refere-se a lesões a nível ou abaixo da célula do corno anterior
e que produz uma paralisia do tipo flácida. É encontrada geralmente em lesões de raízes nervosas ou na síndrome da cauda
eqüina, citada anteriormente. O termo intestino ou bexiga neurogênica é usado para descrever o funcionamento anormal do
intestino e da bexiga e que pode ser classificado tanto como Neurônio Motor Superior quanto Neurônio Motor Inferior tipo de
problema. De um modo geral, os pacientes que apresentarem paralisia do tipo neurônio motor superior terão um intestino e
uma bexiga tipo neurônio motor superior, do mesmo modo acontecendo para os que apresentarem uma lesão neurônio
motor inferior. O manuseio adequado do intestino e da bexiga é pontos críticos para a reintegração do paciente / cliente
dentro de sua comunidade e do seu ambiente de trabalho.
O termo sinestesia significa o reconhecimento consciente da orientação das diferentes partes do corpo, relacionadas umas
com as outras, assim como das velocidades do seu movimento. Estas funções são possibilitadas por difusas terminações
sensoriais nas cápsulas das articulações e nos ligamentos.
Sinais sinestésicos, como aqueles dos receptores sensoriais táteis, são transmitidos quase inteiramente nas fibras nervosas
beta do tipo A, as quais conduzem sinais com muita rapidez para a medula e, daí para o cérebro.
Esta célere transmissão dos sinais sinestésicos é importantíssima quando partes do corpo são levadas a se moverem
rapidamente, porque é essencial para o sistema nervoso central "saber" a cada fração de segundo a exata localização das
diferentes partes do corpo; se não fossem assim não seria possível haver o controle de movimentos posteriores.
Toda informação sensorial advém dos segmentos somáticos do corpo que penetra na medula espinhal através das raízes
posteriores. Ao entrar na medula as fibras se separam em duas divisões, uma medial e outra lateral. As fibras mediais
imediatamente penetram nas colunas dorsais da medula e ascendem diretamente ao cérebro, enquanto as fibras laterais se
dirigem para cima na extensão de um a seis segmentos, e para baixo por um ou dois segmentos, e então fazem sinapse
com as células do corno dorsal, que dão origem aos tratos espinotalâmicos ventral e lateral.
Essa separação das fibras ao nível das raízes dorsais representa uma divisão das vias de transmissão dos impulsos
sensoriais: a via da coluna dorsal dá origem ao sistema colunar dorsal-leminisco medial, enquanto os tratos espinotalâmicos
originam o sistema espinotalâmicos.
Sistema Coluna Dorsal-Lemnisco Medial
1. Sensações de tato que requerem um alto grau de localização do estímulo.
2. Sensações de tato que requerem a transmissão de gradações finas de intensidade.
3. Sensações fasicas, como as sensações vibratórias.
4. Sensações que sinalizam movimento contra a pele.
5. Sensações de posição.
6. Sensações de pressão que têm a ver com finas graduações julgamento de intensidade da pressão.
Sistema Antero-lateral
1. Dor.
2. Sensações térmicas, incluindo tanto as sensações de calor como as de frio.
3. Sensações de tato grosseiras e pressão de apenas pouca capacidade de localização na superfície do corpo.
4. Sensações de cócegas e de coceira.
5. Sensações sexuais.
Transmissão dos Nervos Autônomos
Outro tipo especial de nervos é os chamados Nervos Autônomos. Na lesão medular estes nervos são muito importantes. Os
nervos autônomos são divididos em dois tipos: simpáticos e parassimpáticos.
O Sistema Nervoso Autônomo está ligado a atividade de músculos involuntários (também conhecido como musculatura lisa)
como, por exemplo, o músculo cardíaco e certo glândulas produtoras de hormônios e também controlam os aparelhos
digestivos, respiratórios e cardiovasculares.Estes sistemas trabalham de modo "involuntário" e a função principal do sistema
nervoso autônomo é manter o equilíbrio interno dos órgãos dentro do corpo. Os vasos sangüíneos e o coração são
controlados pelo sistema nervoso autônomo.
Nervos Simpáticos
Os nervos simpáticos ajudam a controlar a pressão arterial de acordo com a necessidade física do corpo. Quando
estimulados, provocam aumento dos batimentos cardíacos e também causam constrição dos vasos sangüíneos através do
corpo. Quando isto acontece, a quantidade de sangue que retorna ao coração é diminuída. Este efeito irá provocar um
aumento da pressão arterial. Outros efeitos incluem um aumento da sudorese e da irritabilidade ou da sensação de
ansiedade.
Quando a lesão medular é acima de T6 os nervos simpáticos abaixo da lesão se tornam desconectamos dos nervos acima
da lesão. Eles continuam a operar automaticamente uma vez que o período inicial do choque espinhal termina. Qualquer
estímulo dos nervos simpático pode torná-los hiperativos e a esta hiperatividade nós chamamos de disrreflexia autonômica.
Nervos Parassimpáticos
Os nervos parassimpáticos agem de modo oposto aos nervos simpáticos. Estes nervos dilatam os vasos sangüíneos e
diminuem os batimentos cardíacos. Um dos principais nervos que carrega fibras parassimpáticos é o Nervo Vago. Ele leva
sinais parassimpáticos para o coração fazendo-o diminuir seus batimentos. Outros nervos suprem os vasos sangüíneos dos
órgãos do abdômen e da pele.
Os nervos parassimpáticos surgem de duas áreas. As fibras que suprem os órgãos do abdômen, coração, pulmões e pele
acima da cintura começam ao nível do cérebro e parte superior da medula. Os nervos que suprem os órgãos de reprodução,
pélvis e pernas começam ao nível do sacro e parte inferior da medula. Depois de uma lesão medular os nervos
parassimpáticos que começam ao nível do cérebro continuam a trabalhar normalmente, mesmo durante a fase de choque
espinhal. Quando ocorre uma Disrreflexia, os nervos parassimpáticos tentam controlar o rápido aumento da pressão arterial,
diminuindo os batimentos cardíacos.
TERMINOLOGIA
A lesão medular afeta a condução de sinais motores e sensitivos através das áreas lesionadas, Danifica uma rede neural
complexa implica na transmissão, modificação e coordenação motora e sensorial, e no controle autônomo dos sistemas e de
órgão.
Os termos usados para descrever esses pacientes indicam o nível geral da lesão de coluna vertebral e da perda da função e
podendo ser classificados dentro de dois esquemas básicos.
Tetraplegia
Quando existe evidência da perda funcional e sensitiva acima ou ao nível neurológico de C8, com demonstração desta
perda em extremidade superior. Refere-se a diminuição ou perca da função sensitiva e/ou motora nos segmentos cervicais
da medula devido a danos dos elementos neurais dentro do canal medular. Tetraplegia resulta em diminuição funcional de
membro superior assim como troncos pernas e órgão pélvicos. As lesões do plexo braquial ou nervos periféricos fora do
canal medular não são tidos como tetraplegia.
Paraplegia
É descrita como perca funcional abaixo do nível de C8 e representa uma faixa extensa de disfunções neuromusculares.
Refere-se à diminuição ou perca da função motora e/ou sensitiva dos segmentos torácicos, lombares ou sacrais no cordão
medular, secundária a lesão de elementos neurais dentro do canal medular. Na paraplegia, a função do membro superior
está preservada, mas dependendo do nível de lesão, o tronco, as pernas e os órgãos pélvicos podem estar comprometidos.
Lesão Medular Incompleta
As funções motora e sensitiva estão preservadas ao nível de segmento sacral. Estão incluídas nessas sensações sacrais
uma profunda sensação anal e a contração voluntária da musculatura do esfíncter anal é utilizada para demonstrar se a
função está ou não preservada. Clinicamente são denominadas síndromes ou lesões.
Lesão Medular Completa
Não há função motora ou sensitiva preservada ao nível de segmento sacral. O Nível neurológico é dado como sendo o nível
mais baixo onde ainda é encontrada alguma evidência de função ou sensação muscular sem preservação, no entanto, da
funcionabilidade da área sacral. Descreve o caso em que toda a comunicação neuronal é interrompida, como ocorre na
transecção completa da medula espinhal.
Nível Neurológico
Refere-se ao mais baixo segmento da medula com sensibilidade e função motora normal e em ambos os lados do corpo.
Nível Sensitivo e Motor
"Nível sensitivo" refere-se ao mais baixo segmento da medula que apresenta funções sensitivas normais em ambos os lados
do corpo. "Nível motor" apresenta funções motoras normais.
Dermátomos
Raízes nervosas que recebem informações sensitivas determinadas áreas da pele.
Miótomo
Coleção de fibras nervosas inervadas pelo axônio motor está dentro de cada nervo segmentar.
EXAME NEUROLÓGICO
Permite a classificar a lesão de uma pessoa dentro de uma extensiva variedade de tipo. Isto ajuda a determinar o
prognóstico e estado atual do indivíduo em relação à lesão medular. O exame tem dois componentes: sensitivo e motor.
Exame sensitivo
É realizado com uma agulha descartável; o toque leve é testado com um algodão. O esfíncter anal também é testado para
ajudar determinar se uma lesão é ou não completa. O exame com elementos opcionais incluem a percepção profunda da
posição, pressão e dor.
Exame motor
São freqüentemente testados os seguintes músculos: diafragma, deltóide e o tendão do bíceps femoral.
FUNÇÕES (RESPIRATÓRIA, SEXUAL E BEXIGA / INTESTINO).
Respiração
A lesão medular alta que atingi os segmentos C1 a C5 envolve os nervos frênicos e causa a paralisia parcial ou completa do
diafragma. Devido à lesão, o diafragma não consegue contrair, e conseqüentemente o gradil costal inferior não se expande
lateralmente durante a inspiração. E também a paralisia dos músculos intercostais externos limita a extensão lateral do gradil
costal médio e superior.
A atividade muscular do ECOM, do escaleno e do trapézio persiste em lesões medulares altas, mas a contração destes
músculos causa um aumento primário das dimensões ântero-posteriores do gradil costal superior e acaba puxando
cranialmente o diafragma. Sendo assim, o indivíduo com tetraplégica alta, não consegue contrair o diafragma e os músculos
intercostais e conseqüentemente resulta em um paradoxo abdominal onde a capacidade residual funcional até capacidade
pulmonar total, é auxiliada somente pelos músculos acessórios, cuja contração gera uma pressão pleural negativa puxando
a parede abdominal para dentro.
Função Sexual
A função sexual do homem consiste em ereção, que ocorre quando os corpos cavernosos são inundados por uma grande
quantidade de sangue; emissão consiste na formação do esperma; e ejaculação que é a expulsão do esperma através da
uretra.
A ereção é provocada de forma reflexa, psicogênica ou ambas. A ereção reflexa recebe estímulos, nos órgãos genitais ou
regiões próximas, que chegarão até a medula que irá responder com comandos para que ocorra à ereção, assim
caracterizando um arco reflexo, independente de estímulos do cérebro. No caso da ereção psicogênica os estímulos sairão
do cérebro e irão descer pela medula até chegar, através de nervos, aos órgãos genitais provocando a ereção. Este tipo de
ereção ocorre frente a um estímulo que causa excitação ou desejo sexual sejam visuais, tátil, por cheiro, sons, pensamentos
e etc. A emissão é composta por espermatozóides e por líquidos produzidos pelas vesículas semanais e próstatas. Líquido
estes que compõe o meio para a sobrevivência dos espermatozóides.
A ejaculação para que ocorra são necessárias contrações de grupos musculares da região pélvica. E no ato da ejaculação o
esfíncter se fecha, paraque o esperma seja para fora do corpo e não entre em contato com a urina.
Quando ocorre uma lesão medular alta a função sexual fica deficiente, ocorrendo nos homens priapismo precoce. Com o
tempo este cede a vez a uma ereção ou ejaculação reflexas, porém não psicogênica. Não haverá a ereção psicogênica
devido os comandos que saírem do cérebro em direção aos órgãos genitais serão bloqueados no ponto onde existe a lesão,
portanto a ereção reflexa estará presente, pois o arco-reflexo fica preservado. No caso das mulheres que sofreram lesão
medular alta, no início entram na fase de amenorréia onde temporariamente ficará sem ovular. Terminada esta fase a
menstruação volta a ocorrer como antes da lesão e a mulher poderá ter filhos normalmente.
Bexiga Reflexa
A bexiga se comportará de forma reflexa quando a lesão for acima da cauda eqüina e do cone medular. Neste caso a
pessoa terá espasticidade, ou seja, reflexos e a bexiga funcionarão de modo reflexo, sendo chamada de Bexiga Reflexa.
Chegando em um certo ponto de acúmulo de urina na bexiga, a sensação de bexiga cheia partirá em direção ao cérebro.
Como existe uma lesão medular, esta sensação será interrompida no ponto da lesão, não chegando até o cérebro, logo, a
pessoa não sentirá a sensação de bexiga cheia. O aviso de bexiga cheia, ao chegar na medula, imediatamente colocará em
ação reflexa, ou seja, provocará o funcionamento da bexiga através deste estímulo recebido, fazendo com que a bexiga
contraía e o esfíncter relaxe, para que haja o esvaziamento, independente da vontade da pessoa, pois como existe a lesão,
além de não sentir o aviso de bexiga cheia, a pessoa também não terá o controle, pois o comando de reter ou urinar será
bloqueado no ponto da lesão, não chegando até a bexiga.
INTESTINO
Neste tipo de lesão, o intestino se comportará de modo reflexo, pois o arco-reflexo estará preservando. Chega cedo ponto
de acúmulo de fezes, a sensação de intestino cheio partirá em direção ao cérebro. Como existe uma lesão medular, esta
sensação será interrompida no ponto da lesão, não chegando até o cérebro, logo, a pessoa não sente a sensação de
intestino cheio. O aviso de intestino cheio, ao chegar na medula, imediatamente colocará em ação estímulo reflexo, ou seja,
provocará o funcionamento do intestino através deste estímulo recebido, fazendo com que os movimentos peristálticos
aumentem e o ânus relaxe, para que haja o esvaziamento do reto.
INDICAÇÃO DE ÓRTESES PARA LESADO MEDULAR:
COLETE ELÁSTICO TIPO PUTTI ALTO
Indicações: Estabilização da região dorso-lombo-sacra em casos de hérnias de disco, traumatismos, fraturas provenientes
de osteoporoses e outras afecções da região, estabilização do tronco no lesado medular.
COLETE TIPO PUTTI COM BARBATANAS DE AÇO
Indicações: Estabilização da região dorso-lombo-sacra em casos de hérnias de disco operáveis ou não, fraturas
osteoporóticas e outras afecções da região, estabilização do tronco no lesado medular.
CINTA-COLETE ELÁSTICO COM BARBATANAS DE DURALUMÍNIO
Indicações: Estabilização da coluna dorso-lombar em artroses, traumatismos, escolioses dolorosas, fraturas osteoporóticas
e outras afecções da região. Estabilização do tronco no lesado medular.
COLETE ELÁSTICO LOMBO-SACRO PUTTI BAIXO
Indicações: Estabilização da coluna lombossacral em casos de contratura para-vertebral pós-traumática, artroses,
espondilolisteses, lordoses, pós-operatórios e outras afecções da região. Estabilização do tronco no lesado medular.
COLAR CERVICAL
Indicações: Traumatismos, torcicolos, artrites, artroses e outras afecções da coluna cervical no lesado medular.
Parkinson
A doença de Parkinson é uma doença progressiva com um quadro clínico rico em sintomas que se não tratados, tornam
o paciente dependente. O indivíduo portador desta patologia apresenta uma alteração da postura, um déficit progressivo
de equilíbrio e coordenação, tremor, rigidez, uma marcha alterada, bradicinesia, e em estados mais avançados pode
apresentar déficits de atenção e aprendizagem, entre outros.
No estágio final da doença o indivíduo eventualmente torna-se preso à cadeira de rodas.
Também nesta fase, o paciente pode ficar confinado ao leito por uma deformidade em flexão de tronco.
Uma complicação séria desta patologia é a broncopneumonia devido a diminuição da mobilidade torácica.
A grande maioria dos pacientes com doença de Parkinson apresenta depressão. Estes indivíduos passam a maior tempo
no leito, diminuindo a mobilidade, acelerando o processo de rigidez e dependência.
A terapêutica para a doença de Parkinson (D. P.) está atualmente voltada para o uso de medicamentos, cirurgias e a
atuação de profissionais da reabilitação como fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, sendo que não
existe cura para a D. P., uma vez que as células do cérebro não se regeneram.
A fisioterapia exerce um papel fundamental no tratamento de indivíduos com doença de Parkinson. Embora a D.P. seja
de caráter degenerativo, a intervenção fisioterapêutica torna-se de suma importância para amenizar e conduzir o
paciente a um quadro de melhora do estado físico, principalmente nas limitações funcionais de rigidez, bradicinesia ou
acinesia e comprometimento dos reflexos posturais causados pela doença, efetuando na manutenção ou aumento das
amplitudes de movimento, prevenindo contraturas e deformidades, melhora de equilíbrio, marcha, coordenação,
prevenção de fraqueza por desuso, resistência, manutenção da função pulmonar e autocuidado. O tratamento iniciado
precoce e continuado no decorrer das fases da doença retardam a incapacidade de realizar as atividades de vida diária.
Antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação globalizada do paciente, enfocando o grau de rigidez e
bradicinesia e o quanto esses sintomas interferem nas atividades da vida diária. Abordar desde o sistema
musculoesquelético ao cardiorrespiratório, não esquecendo do aspecto psicológico. A partir de uma avaliação global,
deve-se estabelecer as metas a curto e longo prazo.
É importante enfatizar técnicas de relaxamento para o paciente com D. P. antes de dar início às terapias, sendo seguido
de alongamentos. Para diminuir a rigidez é importante relaxar a musculatura do paciente. O relaxamento pode ser
conseguido com balanceio lento e cuidadoso, envolvendo rotação dos membros e tronco, seguindo uma progressão
distal para proximal, já que os músculos proximais são com freqüência mais envolvidos que os músculos distais,
podendo também fazer uso da terapia aquática Shiatsu e Yoga para se chegar a este fim. Pode ser usados um balanço
suave e técnicas rítmicas que enfatizam a estimulação vestibular lenta, na produção de um relaxamento generalizado da
musculatura de todo o corpo. Uma cadeira de balanço ou cadeira giratória pode propiciar uma ajuda efetiva na redução
do tônus e na melhora da mobilidade. A posição de cabeça para baixo, em decúbito ventral sobre um banquinho ou bola
grande, pode produzir um relaxamento generalizado através da depressão dos centros medulares.
Tendo sido conseguido a diminuição da rigidez através do relaxamento, o movimento pode ser iniciado, devendo este ser
amplo e em toda a sua amplitude. Como com as técnicas de relaxamento, é mais fácil começar com movimentos distais
primeiro e gradualmente aumentar o movimento, indo para os músculos proximais e tronco. A posição sentada é boa
para se começar, podendo começar com um balanço de braços aumentado sempre a amplitude.
A rigidez acaba por afetar também as fáscias, tensionando estas, ocorrendo bloqueios e estases. Através da pompagem,
que consiste em manobras de manutenção de tensão de um segmento e depois de descompressão, ocorre uma
diminuição desta tensão, liberando os bloqueios e estases. Os movimento de tensão e descompressão deve ser o mais
lento possível.A fisioterapia pode melhorar a capacidade de iniciar movimentos e aumentar a excursão de todos os movimentos,
particularmente os de rotação e extensão, que na maioria das vezes está diminuído. Isto porque os pacientes muitas
vezes perdem a amplitude de movimento por causa dos tremores, bradicinesia e rigidez. Exercícios de amplitude de
movimento podem incluir alongamento passivo, assistência ativa e exercícios de facilitação neuromuscular proprioceptiva
(PNF).
O uso de estimulação verbal, auditiva e táctil propicia reforço sensitivo e ajuda a aumentar a percepção dos movimentos
por parte do paciente.
A PNF é uma técnica de abordagem global que envolve procedimentos de facilitação, necessárias para ajudar os
pacientes a atingir uma função motora eficiente. Os objetivos que podem ser alcançados com a PNF são a iniciativa
motora, aprendizagem de um movimento, modificação da velocidade do movimento, aumento da força muscular,
aumento da estabilidade, aumento da coordenação e controle, aumento da resistência, aumento da amplitude de
movimento, relaxamento muscular e diminuição da dor.
De acordo com esta técnica o movimento funcional é composto por padrões de movimento em massa dos membros e
dos músculos sinérgicos do tronco. As combinações dos músculos sinérgicos formam os padrões de facilitação em PNF.
Estes padrões combinam movimentos nos três planos (sagital, frontal e transversal). Os padrões dos membros
superiores são usados para tratar disfunções utilizadas por fraqueza muscular, incoordenação e limitações articulares.
As diagonais do membro superior são duas: flexão-abdução-rotação externa e extensão-adução-rotação interna; flexão-
adução-rotação externa e extensão-abdução-rotação interna. As diagonais de membro inferior são usadas nos mesmos
casos que as do membro superior, sendo duas: flexão-abdução-rotação interna e extensão-adução-rotação externa;
flexão-adução-rotação externa e extensão-abdução-rotação interna.
O treinamento de transferência deve focalizar as atividades que espera-se que o paciente realize. Devem ser
consideradas, no mínimo, a mobilidade no leito e transferência para uma cadeira e idas ao banheiro. O rolamento é uma
atividade problemática, que deve receber ênfase precoce e intensivamente no curso do tratamento. O rolamento ativo
pode ser facilitado pela rotação segmentar em decúbito lateral. Uma vez que seja atingido o controle do decúbito lateral,
poderá ser praticado o rolamento desde a posição de decúbito ventral completo para decúbito dorsal, e inversamente.
Padrões de cabeça e pescoço também podem ajudar, particularmente a extensão com rotação.
Outro objetivo a ser alcançado é a manutenção da força muscular. A cadência da resistência precisa ser bastante
gradual, permitindo tempo para que o paciente desenvolva força em um grupo de músculos antes de aumentar a
resistência e depois fazer as mudanças de direção. Se não for dado tempo suficiente, o terapeuta irá reforçar os padrões
já anormais de atividade dos motoneurônios.
É importante estimular as reações de equilíbrio para fornecer ao paciente uma sensação de como readquirir equilíbrio
para regular os movimentos. As atividades que estimulem a transferência de peso com movimentos corretos de cabeça e
tronco levam a uma melhora na capacidade do paciente readquirir equilíbrio quando houver mudança no centro de
gravidade.
Uma boa postura requer um bom controle de cabeça e equilíbrio. Na doença de Parkinson há uma tendência para
ocorrer flexão geral, sendo necessário dar ênfase em exercícios de extensão e alongamentos dos músculos peitorais. Os
exercícios posturais devem ser realizados em frente a um espelho. Os exercícios em extensão também auxiliam na
prevenção de contraturas em flexão de tronco. Também devem ser realizadas atividades de sentar-levantar, rotação
ativa de tronco nas posições senta e em pé, para melhorar as reações de endireitamento e equilíbrio.
O treinamento de equilíbrio deve incluir a prática em várias velocidades, bem como deslocamentos auto-induzidos e
externos. Os deslocamentos auto-induzidos são necessários para ajudar o paciente em tarefas como inclinar o corpo,
agarrar objetos e vestir-se. Os deslocamentos de origem externa podem ser realizados quando o paciente estiver
caminhando em uma multidão ou estiver tentando andar em terreno irregular ou estranho.
Através de uma abordagem fisioterapêutica ampla, um dos principais objetivos que deve ser buscado é a prevenção de
quedas, que são freqüentes nos indivíduos com esta patologia. Para a prevenção de quedas é importante a realização
de exercícios de equilíbrio, estimulação sensorial e atividades que estimulem a concentração e atenção do paciente. As
quedas também são decorrentes das alterações posturais e rigidez, sendo fundamental trabalhar estes.
Para os tremores, não há tratamento específico. É importante que o paciente tenha consciência que o relaxamento e
ausência de ansiedade, esforço e estresse, levam a uma diminuição dos tremores. Algumas vezes, a sustentação de
peso sobre um membro inferior trêmulo pode causar uma redução temporária do tremor.
Para melhorar a coordenação do paciente é recomendo os exercícios de Frenkel. Este tipo de exercício aumenta a
capacidade do paciente de colocar o pé de maneira precisa durante o ciclo de marcha e alcançar objetos de forma
também precisa.
Exercícios respiratórios também são recomendados com os objetivos de aumentar a mobilidade da parede torácica e
melhorar a ventilação pulmonar, devido à conseqüência secundária de queda na expansão torácica, que estão
diminuídas em decorrência de rigidez dos intercostais e das posições de flexão e flexão-adução do tronco e membros
superiores. O consumo energético encontra-se aumentado, e freqüentemente há hiperpnéia secundária ao maior esforço
muscular requerido para a respiração normal. Pode-se realizar a respiração em tempos com uso do bastão para
membros superiores, enfatizando a respiração diafragmática e a expansão torácica basal, realizando o alinhamento
corporal em pacientes cifóticos. Pressão e contatos manuais podem ser usados para a ênfase das áreas de pouca
expansão torácica. O controle da respiração pode ser grandemente facilitado pelo uso de estímulos tácteis e verbais.
A bradicinesia, rigidez e tremor geralmente levam o paciente a ter disartria e uma dificuldade em realizar expressões
faciais. Os movimentos da língua e mandibulares são limitados e o paciente também pode apresentar dificuldade para
deglutir.
O paciente com D.P. pode sentir-se frustrado devido à perda de sua independência para realizar atividades normais, e
esta frustração leva ao recolhimento social. Este isolamento pode estar associado ao envolvimento facial - a típica face
em máscara. É importante realizar exercícios de mímica facial, como por exemplo: movimentos de abertura e fechamento
da boca e de mastigação, combinados com o controle do pescoço; movimentos de sorrir, franzir as sobrancelhas, fazer
bico, abrir e fechar os olhos, soprar um canudo ou um apito, fazendo uso de um espelho para proporcionar feedback
visual. A rigidez pode ser melhorada pedindo-se ao paciente para cantar ou ler em voz alta com movimentos forçados
dos lábios e língua, praticar a fala em frente a um espelho e dar ênfase a movimentos faciais exagerados durante a
recitação do alfabeto ou contagem de números. Movimentos da língua são importantes e exercícios para fortalecê-la
podem ser iniciados para auxiliar a retração, protusão, lateralização, elevação e depressão. Pode-se fazer resistência
com o dedo contra os movimentos da língua, também empurrá-la contra a bochecha, céu da boca e contra o lábio inferior.
Os movimentos normais de marcha precisam ser recíprocos e bilaterais. Nesta patologia os movimentos recíprocos
muitas vezes estão diminuídos, sendo que o fisioterapeuta devedar ênfase à dissociação durante a marcha.
O trabalho de marcha busca suplantar uma deambulação festinada e arrastada, mau alinhamento postural, e reflexos
posturais defeituosos, com base em propiciar o alongamento da passada, a amplitude da base de sustentação, e o
aumento dos movimentos contralaterais do tronco e da oscilação dos braços, para que seja encorajado um padrão de
marcha desde o calcanhar até os dedos, para o incremento das reações posturais, e para que se propicie um programa
de deambulação regular. Usando uma bengala ou um bastão, pode-se assistir ativamente a dissociação de cinturas
enquanto o paciente caminha. Os movimentos passivos iniciais de membro superior estimulam alguma rotação do tronco,
e conseqüentemente passos maiores. Marcações no chão podem auxiliar na estimulação visual e estimulam passos mais
longos e andar sobre obstáculos estimulará a sustentação de peso sobre um pé, passos com maior objetivo e confiança
ao caminhar. Também pode ser usada música para ajudar o paciente a readquirir movimento rítmico.
Deve-se treinar o caminhar de frente, de costas, de lado. Devem ser enfatizadas: passadas, partidas, mudanças de
direção e tipos de padrão de movimento, trabalhando coordenação dos passos. Com a progressão e evolução do
treinamento temos a conduta do treinamento em escadas e rampas. Durante a marcha também se deve adicionar as
mudanças de direção, mudanças nos padrões de movimento e atividades de parar e iniciar.
O treino de marcha será favorecido por tentativas bem sucedidas de melhorar a postura.
A depressão, freqüente nesta patologia, pode ser atenuada com a prática de exercícios. (Sessões em grupo servem
como um sistema extra de suporte psicológico para os pacientes com Parkinson). Para a realização de trabalho em
grupo, devem-se selecionar pacientes com desempenho semelhante.
Os pacientes com doença de Parkinson geralmente tem constipação intestinal, devido a má alimentação, pouca água
ingerida ou lentificação da ação muscular dos intestinos, podendo também haver uma intervenção fisioterapêutica.
A bola suíça pode ser usada com pacientes que sofrem de doença de Parkinson para desencadear movimentos
automáticos por meio do chute, arremesso ou recepção de uma bola, facilitar movimentos com o membro superior e
inferior, promover exercícios posturais e treino de equilíbrio e coordenação. O tratamento com a bola suíça pode ser
realizado em grupos com seis a oito pacientes, de preferência com a participação dos membros da família. Quando os
pacientes estiverem gravemente incapacitados devido à doença de Parkinson, a bola suíça não é o instrumento mais
apropriado.
Outra opção de tratamento para o paciente com doença de Parkinson é a piscina. Esta pode ser muito útil para reduzir a
rigidez numa temperatura adequada, facilitando assim o movimento. Na água o caminhar e as trocas de postura também
ficam facilitadas.
Várias são as técnicas que podem ser aplicadas na hidroterapia. O WATSU (shiatsu aquático) é uma das técnicas que
promovem o relaxamento muscular e o alongamento de musculaturas encurtadas, melhorando as amplitudes de
movimento e trazendo bem-estar geral ao paciente.
Os métodos de Bad Ragaz e Halliwick podem ser empregados para o desenvolvimento de força muscular, para melhorar
as amplitudes de movimento e proporcionar um condicionamento físico adequado para os pacientes com a doença de
Parkinson. O Bad Ragaz incorpora alguns princípios da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) diferindo no item
referente a resistência ao movimento que é obtida pela turbulência e não pelo terapeuta. Os padrões podem ser
direcionados para contrações musculares isométricas ou isotônicas. Este método exige uma posição de mãos e
manipulação adequada do fisioterapeuta para surtir o efeito desejado. O método Halliwick é baseado nos princípios da
hidrodinâmica e no desenvolvimento humano.
Neste método são utilizadas atividades para facilitar padrões de movimento com variação no nível de dificuldade. A
conquista da habilidade será alcançada em um programa de dez pontos levando ao condicionamento físico adequado.
Além disto, através deste método o paciente melhora sua capacidade nas atividades funcionais, pois há uma melhora no
equilíbrio e estabilidade postural.
Numa fase mais tardia da doença, equipamentos adaptativos podem ser usados para auxiliar na alimentação. Se o
paciente não tiver coordenação, louças com bordas grandes ou anteparos de pratos ajudam a impedir o alimento de
escorrer do prato. Os pratos também podem ser mais pesados para impedir que estes se desloquem da mesa. As
xícaras podem terá alças grandes para poder ajudar pacientes com má preensão a segurar. Algumas modificações nas
roupas podem facilitar o vestir e despir, como por exemplo, zíperes de velcro. Barras para segurar no banheiro e ao lado
da cama também são úteis. A cama e a cadeira não devem ser baixas demais e o uso de assentos elevados de vasos
sanitários pode ajudar a mobilidade. As escadas devem ter corrimões em ambos os lados.
O uso de órteses para facilitar a marcha nem sempre é uma boa indicação. Às vezes, o uso de órteses intensifica a
marcha festinante ou agrava problemas com o equilíbrio e a coordenação.
A mobilidade na cama é outra consideração importante para pacientes com Parkinson. Uma cama firme pode facilitar o
ato de levantar e deitar. A maioria dos pacientes relata que lençóis de cetim e pijamas de seda facilitam o movimento na
cama. Camas com uma cabeceira que possa ser erguida eletricamente podem ser úteis à medida que a doença progredir.
Além do tratamento no departamento de terapia, o paciente com D. P. pode também receber um programa domiciliar que
é necessário para encorajar o exercício moderado seja parte do seu dia-a-dia. A fadiga deve ser evitada e os exercícios,
tanto em casa quanto durante as sessões, devem ser graduados, de acordo com a capacidade do indivíduo.
Um ponto fundamental é a orientação da família. O fisioterapeuta deve-se assegurar que a família compreende que
períodos prolongados de inatividade devem ser evitados, e sobre as adaptações necessárias para promover mobilidade
e funcionalidade ao membro da família com D. P.
Síndrome de Rett
A Síndrome de Rett (SR) é uma desordem do desenvolvimento cerebral caracterizada por deteriorização neuromotora com
origem genética. A doença foi descrita primeiramente em 1966, por Andréas Rett, um pediatra austríaco que identificou a
condição a partir da observação de 22 meninas que apresentavam uma desordem neurológica progressiva, com atraso do
desenvolvimento psicomotor (DPM), ataxia, estereotipias das mãos e convulsões. Entretanto a SR só foi realmente
divulgada após a publicação do trabalho de Hagberg e cols. em 1983, com uma revisão de literatura. A primeira publicação
realizada no Brasil foi feita por Rosemberg, em 1987, com a descrição de cinco casos.
Até 1997 acreditava-se que a SR era ligada ao cromossomo X dominante e acometia exclusivamente crianças do
sexo feminino, sendo letal para o sexo masculino. Porém, no ano seguinte, foi relatado o caso de um menino com dois anos
e nove meses de idade, que possuía um fenótipo da SR clássica associada à síndrome de Klinefelter. Hoje, sabe-se que
isso se deve ao fato de haver inúmeras mutações no gene da SR, o que possibilita que o sexo masculino desenvolva a
doença quando associada a outras encefalopatias graves ou a síndrome de Klinefelter ou ainda, a irmãos de meninas
afetadas que nasceram com prejuízos neurológicos graves tendo geralmente morte precoce.
Seu diagnóstico era fundamentado somente em critérios clínicos. A partir de 1999, a identificação da mutação no gene
MECP2 (methyl-CpG-binding protein 2) em uma grande proporção de pacientes com diagnóstico clínico de SR confirmou
sua base genética. A prevalência da Síndromede Rett é estimada entre 1:10.000 e 1:15.000.
Hoje se sabe que alguns meninos portadores da SR podem apresentar um quadro encefalopático totalmente diferente do
quadro clínico clássico da SR no sexo feminino. Apesar das diferenças, a doença evolui em fases que são divididas em
quatro estágios clínicos segundo os critérios de Hagberg e Witt-Engerstrom. A evolução em estágios e o tempo de duração
de cada estágio, não têm um padrão regular em todas as crianças. O primeiro estágio denominado estagnação precoce,
inicia-se entre seis e dezoito meses e dura alguns meses. Este estágio é caracterizado pela desaceleração do crescimento
do perímetro cefálico, estagnação do desenvolvimento, ou seja, atraso ou a não aquisição de novas etapas do
desenvolvimento motor, desinteresse por atividades infantis, hipotonia, tremor em mãos e perda de habilidade de
comunicação. Entre um e três anos de idade instala-se o segundo estágio denominado rapidamente destrutivo, que pode
ter duração de semanas ou meses. Nesta etapa observa-se um comportamento tipo autista, uma clara regressão
psicomotora, choro imotivado, irritabilidade, perda de fala adquirida, distúrbios de sono e movimentos de mãos
esteriotipados, esta fase também é caracterizada por irregularidade respiratória como apnéia e hiperventilação e surgimento
de crises convulsivas.
O estágio subseqüente é chamado pseudo-estacionário e ocorre entre os dois e dez anos de idade e caracteriza-se
pela melhora de alguns sinais e sintomas, principalmente no que diz respeito a traços autistas, ou seja, as crianças podem
voltar a fazer contatos. Entretanto a habilidade intelectual é severamente afetada. Do ponto de vista motor os distúrbios são
evidentes, como a presença de ataxia e apraxia, espasticidade, escoliose e bruxismo. Nesta fase também ocorrem com
freqüência perda de fôlego, aerofagia e expulsão forçada de ar e saliva. O quarto estágio chamado deteriorização motora
tardia se inicia por volta dos dez anos e é quando ocorre uma lenta progressão dos déficits motores, por episódio de
escoliose e desvio cognitivo grave. Neste período nota-se coreo-atetose, distonia e o aparecimento de sinais e sintomas
decorrentes de lesão do neurônio motor periférico. A epilepsia nesta fase torna-se menos importante e os pacientes que são
capazes de caminhar independentemente apresentarão piora na marcha e na maioria das vezes necessitarão de cadeira de
rodas.
Diagnóstico
Para se confirmar o diagnóstico da SR, é necessário se considerar condições como as patologias fixas, com paralisia
cerebral e outras encefalopatias fixas; síndrome de Angelman; autismo infantil; e várias doenças metabólicas. Exames
mostram reduções significativas no lobo frontal, no núcleo caudado e no mesencéfalo desses pacientes e existem algumas
comprovações de que poderia haver uma falha pós-natal no desenvolvimento sináptico.
Fisioterapia na Síndrome de Rett
O trabalho do fisioterapeuta em pacientes com síndrome de Rett é tratar o quadro que vai se estabelecendo no decorrer do
desenvolvimento desse distúrbio, dando importância também a sua história natural e as suas características. Por ser uma
doença progressiva, as metas objetivadas para esses pacientes, são preparar para uma função, manter as já existentes e
aprimorar suas qualidades. Dessa forma, proporcionar os dispositivos auxiliares apropriados para sentar e para ter
mobilidade, assim como a supervisão e a intervenção imediata na escoliose - característica comum nessa síndrome - são
aspectos essenciais do tratamento. A prevenção é feita, visando retardar as deformidades e manter a função ideal. Esse
trabalho pode se tornar difícil muitas vezes, devido à série mutante de anormalidades do neurodesenvolvimento,
combinadas com os períodos de mau humor e agitação do paciente.
Os objetivos terapêuticos mediante as alterações comumente encontradas em portadores da SR são: normalizar o
tônus muscular espástico; alongar a musculatura encurtada; fortalecer a musculatura debilitada; prevenir deformidades;
retardar a progressão da escoliose; estimular funcionalidade das mãos; reeducar ou estimular a marcha; estimular e
direcionar as fases do desenvolvimento normal.
A cinesioterapia é um dos métodos fisioterapêuticos utilizados para a redução do tônus muscular espástico e para a
manutenção da amplitude de movimento através do alongamento músculo-tendinoso que deve ser feito de forma lenta e
diária. A cinesioterapia também é usada para o tratamento da escoliose. A cinesioterapia ativa contribui para fortalecimento
da musculatura debilitada. Esses exercícios devem ser realizados de maneira lenta para não desencadear respostas
reflexas exacerbadas e indesejáveis. Além disso, deve-se realizar a estabilização das articulações adjacentes à que está
sendo trabalhada, impedindo assim, o aparecimento de movimentos associados.
Para evitar o aparecimento das deformidades o fisioterapeuta pode contar com o auxilio das órteses, promovendo o
alinhamento dos segmentos. O alongamento da musculatura também contribui para impedir as deformidades. A aplicação
de calor e frio durante períodos prolongados e massagens rítmicas profundas aplicando pressão sobre as inserções
musculares também ajudam na diminuição da espasticidade.
A hidroterapia também é um procedimento fisioterapêutico que ajuda no tratamento da escoliose através de técnicas de
alongamento muscular e realizando exercícios de desequilíbrio dentro da água, que ainda contribuem para a melhora do
controle de tronco e fortalecimento de abdominais e paravertebrais. A flutuação auxilia na deambulação, e essa
possibilidade de deambular é uma motivação para alguns pacientes. Além disso, a hidroterapia fornece apoio, facilitando o
alongamento dos grupos musculares e ajuda a conseguir movimentos do tronco; o aquecimento da água produz efeito
relaxante.
A hipoterapia é mais uma técnica que ajuda no tratamento da espasticidade. Esta terapia é realizada montando a cavalo, e
ajuda ao paciente a obter além da melhora do tônus muscular o ganho de amplitude de movimentos entre outros benefícios
sociais e psicológicos.
PROPEDÊUTICA ORTOPÉDICA
Ser comunicador eficiente
Atenção à linguagem corporal
Atitude do paciente
Utilizar linguagem adequada
Perceber ponto de vista do paciente para entendimento do que estão sentindo
Processo de avaliação Funcional deve ser continuado:
Ajustes na programação terapêutica
Acompanhamento da evolução
Processo de Alta
Paciente encaminhado já recebeu diagnóstico e avaliação médica.
Objetivos da Avaliação:
Conhecer paciente
Identificar estruturas lesadas e grau de lesão
Identificar fase evolutiva da lesão
Analisar condições funcionais do segmento estudado (FM, ADM, função, sensibilidade, testes especiais e AVD)
Dados para programa fisioterapêutico
Dados para orientação domiciliar
Documentação dos casos
Diagnóstico Clínico – Diagnóstico fornecido pelo médico responsável.
Queixa Principal – Motivo que levou o paciente a procurar ajuda do fisioterapeuta.
História da Moléstia Atual (HMA) – Após identificação completa do paciente deve-se iniciar o levantamento da HMA.
Identificar a ocorrência do fato que levou o paciente a procurar atendimento, todos os procedimentos terapêuticos
adotados até o momento, situações que atenuam ou agravam os sinais e sintomas.
História Médica Pregressa (HMP)- Adquire-se informações sobre toda história médica do paciente, tudo que lhe
aconteceu antes da Queixa Principal.
Inspeção – Inspeção visual em todos os ângulos de visão, observando assimetrias, incisões, edemas, derrames
articulares, hematomas, hipotrofias, cicatrizes, condições de pele, unhas, entre outros.
Palpação – Palpação buscandoestruturas envolvidas (ossos, músculos, tendões), condições de tônus muscular,
indicações de processo inflamatório (temperatura) e locais e graduação da dor.
Amplitude de Movimento (ADM) – Pesquisar a mobilidade dos movimentos osteocinemáticos (flexão, extensão,
abdução, etc.). Em casos de déficits nos movimentos, a graduação deve ser registrada com auxílio de goniômetro.
Força Muscular – Avaliação e graduação da força muscular no membro envolvido.
Tabela de Graduação de Força Muscular
Grau 5 – Amplitude completa de movimento contra a gravidade, com resistência máxima.
Grau 4 – Amplitude completa de movimento contra a gravidade, com resistência moderada.
Grau 3 – Amplitude completa de movimento contra a gravidade.
Grau 2 – Amplitude completa de movimento com eliminação da gravidade
Grau 1 – Contração muscular sem movimento articular
Grau 0 – Sem contração muscular
Testes Especiais – Utilizados como diagnóstico diferencial para identificar estruturas potencialmente lesadas,
condições dos estabilizadores da articulação e eliminação de suspeita de estruturas envolvidas.
Avaliação Sensitiva – pesquisa sensitiva sempre que houver suspeita de envolvimento radicular. Pesquisar
dermátomos e miótomos.
Diagnóstico Fisioterapêutico – todas as alterações observadas na avaliação e que devem receber tratamento. Ex: dor
na região anterior do joelho, encurtamento de quadríceps, fraqueza de deltóide etc.
Objetivos de Tratamento – Determinar quais objetivos devem ser alcançados com o programa de tratamento.
Estabelecer metas prioritárias baseadas na avaliação minuciosa. Ex: diminuir dor, aumentar ADM, manter FM, melhorar
propriocepção etc.
Conduta Fisioterapêutica – Condutas baseadas e relacionadas aos objetivos de tratamento. Quais recursos, técnicas e
equipamentos utilizados. Ex: TENS, 15 minutos T:200µs F:10Hz; Exercícios ativos resistidos para fortalecimento de
quadríceps, etc
Critérios de Alta:
� Dor – sem ou esporádica
� ADM – igual ou menor que 10º de diferença
� FM – igual ou menor que 5% de diferença
� Trofismo – igual ou menor que 1 cm
� Propriocepção – normal ou mínimo de déficit
Ficha de Avaliação Ortopédica deve conter:
Dados pessoais
Diagnóstico Clínico (definitivo)
Anamnese
Dados Antropométricos
Testes de força muscular, ADM e encurtamento muscular.
Testes especiais
Avaliar exames complementares
Diagnóstico Fisioterapêutico (da incapacidade ou funcional)
Exames � somente até a provocação dos sintomas ou até que comecem a aumentar
Instrumentos para Avaliação
Fita Métrica
Lápis dermatográfico
Goniômetro universal
Balança antropométrica
Estesiômetro
Ficha de Avaliação
Dados relativos à dor:
Há quanto tempo está com dor? Onde se localiza?
Quais as circunstancias de início da dor?
A dor é irradiada? Para onde?
O que faz com que a dor piore ou melhore?
Já fez tratamento de fisioterapia? Resultados?
Dados referentes à saúde do paciente:
Patologias associadas? Cirurgias? Fraturas? Pinos e placas metálicas?
Dados relativos às atividades do cotidiano:
Atividade Física? Postura e movimento realizado no trabalho? Dor?
� Antropometria: Altura ______ Peso________
� Sinais Vitais: FC _____ Pressão_____ FR________
� Exame Físico
� Inspeção:
� Palpação:
� Medida Real: ________Medida Aparente: _______
� Utilizadas para avaliar diferenças em membros inferiores
� Causada por alteração postural? Encurtamento ósseo? Alteração congênita?
Até 3 cm tratadas com palmilhas!
� Perimetria:
� Avaliação de volume muscular (atrofias) e edemas
� Fita métrica e lápis dermatográfico
FICHA DE AVALIAÇÃO ORTOPÉDICA
ANAMNESE
Estagiário_____________ Data da Avaliação: ____/_____/_____
Nome: _________________________________________ Idade: _________
Data de nascimento: __________ Sexo: ____________ Estado civil: _________
Profissão: ______________________________________
Endereço: ________________________________ Cidade: ______________
Médico Responsável: ____________________________________________
Diagnóstico Clínico: _________________________________________
Queixa Principal: ___________________________________________
HMA / HMP: _______________________________________________
Antecedentes Familiares? Medicamentos utilizados?_____________
Locomoção: _______________________________
Segmento
Ponto de
Referência
D E D E D E
5 cm
10 cm
15 cm
25 cm
� ADM (Goniometria): Avaliação da amplitude de movimento existente
Dor na ADM intermediária-final � contração capsular ou de tecido que não foi remodelado de forma adequada
Diminuição na ADM pode ser por alteração muscular, articular ou neural � identificar!
MEMBRO
SUPERIOR
MEMBRO INFERIOR
Média D E Média D E
Extensão 45° Extensão 10°
Flexão 180° Flexão 125°
Abdução 180° Abdução 45°
Adução 40° Adução 10°
Rotação
Lat. 90° Rotação Lat. 45°
Ombro
Rotação
Med. 70°
Quadril
Rotação
Med. 45°
Extensão 0° Extensão 0°
Cotovelo
Flexão 145°
Joelho
Flexão 140°
Supinação 90°
Flexão
Plantar 45°
Antebraço
Pronação 90°
Tornozelo
Dorsiflexão 20°
Extensão 70° Inversão 40°
Flexão 80°
Pé
Eversão 20°
Desvio
Ulnar 45°
Punho
Desvio
Radial 20°
� Força Muscular:
� Teste de FM ou
� Teste de resistência muscular
Grau Observado Grupo Muscular /
Movimento / Músculo D E
� Testes Especiais:
� Realizados apenas quando houver indicação para ajudar no diagnóstico. Ajudam a descobrir ou confirmar lesões
Teste Resultado
� Sensibilidade:
� Dermátomos: área cutânea inervada por uma única raiz nervosa espinal
� Instrumento: Estesiômetro
� Sensibilidade:
� Miótomo: grupo muscular inervado por raiz nervosa espinal
C4 – elevação de
ombro
T1 – ad e abd dos dedos
C5 – abdução ombro L3 – flexão quadril
C6 – extensão do
punho
L4 – extensão joelho
C7 – flexão punho L5 – extensão halux
C8 – flexão dos dedos S1 – flexão plantar
� Exames Complementares:
- Descrever todos os achados em raios-X, ressonância magnética, tomografia computadorizada, eletromiografia, etc.
� Diagnóstico Fisioterapêutico: todas alterações encontradas na avaliação.
� Ex:
� Diminuição de FM (quais músculos)
� Diminuição de ADM (quais arts.)
� Alteração de trofismo
� Presença de dor (local)
� Alterações sensitivas (local)
� Positividade em testes especiais
� Presença de processo inflamatório
� Achados nos exames complementares (osteófitos, diminuição de espaço, lesões, etc).
� Objetivos do Tratamento Fisioterapêutico: objetivos para as patologias e para as alterações encontradas na
avaliação
� Minimizar efeitos da inflamação
� Eliminar dor
� Diminuir rigidez articular
� Manter ou aumentar ADM
� Manter ou aumentar FM
� Melhorar condicionamento cardiovascular
� Melhorar propriocepção e equilíbrio
� Diminuir aderência
� Ajudar na cicatrização
� Prevenir deformidades
� Melhorar padrão respiratório
� Treino de marcha
� Orientações AVDs
� Dessensibilização (do coto, local hipersensível, etc).
� Minimizar espasmo muscular
� Restaurar função
� Treino específico, em velocidade, melhorar potência e coordenação (pliometria)
� Condutas Fisioterapêuticas: Baseados nos objetivos fisioterapêuticos
� Eletroterapia? US? OC? Gelo? PRICE? Laser?
� Massagem? Relaxamento?
� Exercícios respiratórios para aumento da expansão torácica?
� Alongamento passivo? Inibição?
� Fortalecimento isotônico? Isométrico?
� Mobilização articular passiva?
� Treino de marchaem barra paralela? Circuito?
� Propriocepção com bola? Body blade? Dyna disc (almofada)? Balancim? Cama elástica? Trabalhar consciência
corporal?
� Condicionamento na bicicleta? Esteira?
� Treino AVDs? Treino do movimento profissional? Esportivo?
� Estímulos sensitivos com algodão, esponja, pano, lixa?
� Pliometria com saltos e arremessos? (estiramento muscular inicial para aumentar o recrutamento das fibras)
Sempre citar os músculos, segmentos ou articulações que estarão envolvidos na conduta fisioterapêutica.
Ex:
� Exercício isotônico com halteres para flexores do cotovelo direito (bíceps braquial, braquial e braquiorradial)
� Fortalecimento e coordenação com Kabat para MMII
� Fortalecimento de quadríceps com auxílio de FES
� Alongamento com inibição recíproca para isquiotibiais bilateral
� Propriocepção em balancim com olhos abertos, depois fechados e apoio unipodal.
� Propriocepção em balancim com movimentos de braços realizando movimento esportivo
� Trabalho de consciência em frente ao espelho, com bola e movimentos.
� Coordenação motora com exercícios de frenkel para MMSS
COMPLEXO DO COTOVELO
Ossos: Úmero, Ulna e Rádio.
ÚMERO: 3 fossas � Coronóide, Radial e Olecraneana
Tróclea
Capítulo
Epicôndilo Medial
Epicôndilo Lateral
ULNA: Olécrano e Processo coronóide
RÁDIO: Cabeça e Tuberosidade (inserção do bíceps)
Art. Umeroulnar: Incisura troclear da ulna e tróclea do úmero
Ângulo de Carregamento ou de carga (Valgo): move a ulna lateralmente durante extensão e aumenta potencial de flexão
Homens: 11 a 14° / Mulheres: 13 a 16°
Art. Umerorradial: Capítulo do úmero e Cabeça do rádio
Art. Radioulnar proximal: Cabeça do rádio e incisura radial da ulna
Estabilizadores do Cotovelo
Estáticos: Cápsula articular, ligamentos e ossos.
Lig. Colateral Medial (LCM - ulnar): estabiliza estresse em valgo
Feixe Anterior, Transverso (Cooper) e Posterior.
Lig. Colateral Lateral (LCL - radial): manter art. Umeroulnar e radioumeral em posição reduzida quando cotovelo em
supinação
Lig. Anular: manter relação entre cabeça do rádio, úmero e ulna.
Bursas: Olécrano / Intratendínea profunda e subtendínea profunda / Bicipital / Epicondilar medial e lateral.
Nervos: ulnar, radial e mediano.
Movimentos
Art. Umeroulnar:
Flexão: 0 a 150°
Extensão: hiper de 10°
Art. Radioulnar proximal e distal:
Pronação: 90°
Supinação: 90°
Instabilidades do Cotovelo
Instabilidade medial do cotovelo (VALGO)
Comum em arremessadores
Forças em valgo que estressam o complexo capsulo-ligamentar medial do cotovelo
Pode ocorrer desde estiramento do ligamento colateral medial (ulnar) até a ruptura completa
A perda do apoio muscular favorece essa lesão
Em crianças: pode danificar a placa de crescimento e causar osteocondrose (doença que afeta centro de crescimento de um
osso) do capítulo, podendo formar corpos livres.
Quadro Clínico:
Dor a Palpação no ligamento medial
Positividade nos testes de instabilidade
Teste: Stress valgo 30º
Instabilidade Lateral (Varo):
Falha do Lig. Colateral Lateral
Pacientes não se queixam de sintomas
Instabilidade Anterior (raro):
Impactos com cotovelo fletido (lesões associadas: olécrano, ligamentos, vasos e nervos).
Instabilidade Posterior:
Mecanismo: Avulsão muscular ou ligamentar do epicôndilo lateral durante trauma
Deslocamento póstero-lateral é mais comum
Estresse em Valgo - Instabilidade Medial
Cotovelo fletido a 30° para desbloquear olécrano da sua fossa. Realizar estresse em valgo para testar ligamento
colateral medial.
Estresse em Varo - Instabilidade Lateral
Mesmo procedimento anterior com estresse em varo para testar ligamento colateral lateral
Ruptura do Ligamento Colateral medial
Mecanismo:
Valgo + RE – saque no tênis ou arremesso no beisebol
Traumas diretos
Neurite do ulnar
Quadro:
Dor na região medial – origem ou inserção do ligamento
TESTE: Estresse em Valgo
Reabilitação:
Repouso ou restrição por 2-4 semanas
AINE e modalidades fisioterapêuticas
Fortalecimento e alongamento do FUC, PR e FSD após inflamação aguda (ADM livre de dor).
Fortalecer músculos do ombro e cotovelo abreviam reabilitação
Treino esportivo – após 3 meses, ADM e força total sem dor
Cirurgia (Atletas profissionais): enxerto com tendão palmar longo
Bursite do Olécrano
Trauma direto / Atrito repetitivo
Dor, edema e ADM diminuída.
Séptica ou não séptica - aspiração distingue!
Bursite pós-traumática não séptica – PRICE
Séptica (vermelhidão e calor sugerem infecção) – cuidados médicos urgentes
Tendinite Bicipital
Hiperextensão repetitiva com pronação ou prono-supinação repetitiva
Dor na flexão e supinação resistida
Epicondilite Lateral (cotovelo de tenista)
Condição patológica dos músculos extensores originados no epicôndilo lateral
Atinge 1-3% população/ 35-60 anos
Acomete de 39 a 50% dos jogadores de tênis recreativos e profissionais
A incidência vem aumentando em mulheres e trabalhadores.
Envolve os músculos:
ERCC - inserção no 3o metacarpo (100% dos casos)
ECD – envolvido em 30% dos casos
ERLC - inserção no 2o metacarpo
EUC - inserção no 5o metacarpo
Epicôndilo lateral: ERCC, ERLC, EUC, ECD, EDM, Supinador.
Causas da epicondilite:
Esforços repetitivos de extensão do punho e preensão dos dedos
Compressão nervosa radial
Radiculopatia (C5 e C6) – transporte axoplasmático
Traumas
Quadro Clínico:
Dor na região lateral (ERCC e ERLC e epicôndilo)
Edema
Rigidez matinal
Dor noturna
Diminuição força (queda de objetos)
Ruptura parcial das fibras tendinosas e de sua inserção no epicôndilo.
Avaliação
Extensão resistida e desvio radial com cotovelo estendido reproduzem sintomas ou alongamento
Examinar Coluna cervical e ombro
Teste de Cozen - Epicondilite Lateral
Extensão de punho e desvio radial. Aplicar pressão para flexão e desvio ulnar. Dor indica epicondilite lateral (cotovelo de
tenista)
Teste de Mill - Epicondilite Lateral
Solicitar pronação de antebraço e flexão de punho. Pedir movimento de supinação contra resistência. Dor indica
inflamação (epicondilite)
Epicondilite Medial (cotovelo de Golfista)
Menos comum que lateral
Tendinopatia dos flexores comum no epicôndilo medial
Músculos: FRC, PR, Palmar longo, FUC, FSD.
Mecanismo: estresse repetitivo ou falha do ligamento colateral ulnar em estabilizar forças em valgo
Quadro Clínico: dor região lateral medial do cotovelo; dor ao movimento resistido de flexão e pronação ou ao
alongamento.
Teste para Epicondilite Medial:
Solicitar flexão de punho e desvio ulnar. Terapeuta palpa epicôndilo medial e aplica resistência contra o movimento.
Dor =inflamação
Tratamento – Auto limitado: 8-12 meses
Fase inflamatória aguda?
Fase Intermediária?
Alongamentos
Mobilização articular
Fortalecimento com resistência progressiva para flexores, extensores, pronadores e supinadores.
US
Fase Crônica?
Idem Anterior mais vigoroso
Treino do movimento específico
ANTEBRAÇO, PUNHO E MÃO
Pronação/Supinação do antebraço: 90°
Flexão punho: 80° (60% mediocarpal e 40% na radioca rpal)
Extensão punho: 70° (66% na radiocarpal e 33% na me diocarpal)
Desvio radial: 20° (art. Mediocarpal)
Desvio ulnar: 45° (art. radiocarpal)
Mão – responsável por 90% da função do MS
Polegar – envolvido em 40-50% da função (dedo + importante)
Indicador – 20%
Médio – 20% da função, + forte e importante para precisão e força.
Ossos:
Rádio
Ulna
Ossos do carpo
Metacarpos
Falanges
Nervos:
Radial
Ulnar
Mediano
Articulações:
Radioulnar distal
Radiocarpal (punho)
Intercarpais
Mediocarpais
Carpometacarpais
Intermetacarpais
Metacarpofalangeana(MCF)
Interfalangeanas (IF)
Articulação Radioulnar distal – rádio, ulna e disco articular (complexo do triângulo fibrocartilagíneo - disco, fileira
proximal e ulna - congruência e proteção contra forças compressivas)
Processo estilóide ulnar é + curto (1,3cm) que o radial � maior desvio ulnar / Tubérculo de Lister (polia - ELP)
Cápsula articular frouxa
Lig. Radioulnar palmar (volar) e dorsal e fortalecem a cápsula
Parte distal do rádio e ulna, 8 ossos carpais e bases de 5 metacarpais
Ossos carpais (lateral-medial/proximal-distal):
Escafóide, semilunar piramidal e pisiforme.
Trapézio, trapezóide, capitato e hamato.
Art. Radiocarpal: rádio, escafóide, semilunar e CTFC.
Ossos Carpais – Fileira Proximal � Lat-Med
Escafóide: rádio, semilunar, trapézio e trapezóide (art. Escafotrapézio-tapezóide) – necrose proximal.
Semilunar: rádio, CTFC, escafóide, piramidal, capitato e hamato (em adução)
Piramidal: pisiforme, hamato, semilunar e CTFC.
Pisiforme: piramidal – dentro do tendão FUC – inserção para abdutor do dedo mínimo, lig. Col. Ulnar, lig. Piso-hamato e
lig. Pisometacarpal � aumenta momento de flexão do FUC.
Ossos Carpais – Fileira Distal � Lat-Med
Trapézio: escafóide, trapezóide e metacarpo. Contém tendão FRC e estão inseridos o oponente do polegar, flexor curto
polegar e abdutor curto polegar. Lig. Col. Radial e ligamento capsular da primeira articulação carpometacarpal.
Trapezóide: metacarpo, capitato, trapézio e escafóide.
Capitato: maior e mais central. Metacarpo, semilunar, escafóide, trapezóide e hamato.
Hamato: piramidal, capitato, pisiforme (pelo lig. Piso-hamato), semilunar (em adução), quarta e quinta cabeças
metacarpais.
Art. Mediocarpais: entre duas fileiras carpais – flexo-extensão do punho (40% arco total) e desvio radial
Ligamentos Carpais:
Retináculo extensor: estrutura ligamentar sobre os tendões e bainhas � prevenir estrangulamento dos tendões no
punho
Borda lateral distal do rádio, superfície dorsal e processo estilóide ulna.
Retináculo Flexor: ligamento transverso do carpo
Túnel do carpo: conduto para n. mediano e tendões flexores.
Assoalho: lig. Radiocarpal palmar e complexo lig. Palmar
Teto: lig. Transverso do carpo
Bodas: trapézio e hámulo do hamato
Túnel de Guyon: passagem do n. ulnar e artéria ulnar
Entre pisiforme e hámulo do hamato
Músculo palmar curto � teto
Ligamento transverso carpo � assoalho
Tabaqueira anatômica: depressão sobre superfície dorsal da mão na base do polegar
Borda radial: Abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar
Borda ulnar: extensor longo polegar
Sob as estruturas: escafóide e trapézio
OBS: Sensibilidade com palpação na tabaqueira sugere fratura de escafóide
Primeira art. Carpometacarpal: trapézio e base do primeiro metacarpal � art. + importante do polegar
Movimentos: Flexão/extensão: 50-70°
Adução/abdução: 40-60°
Oposição
Art. Metacarpofalangeana (2º ao 5º dedos)
Flexão (90°) e extensão (30°)
Abdução e adução (20°)
Obs: contratura dos ligamentos colaterais é a principal causa da perda de flexão na MCF
Art. MCF do polegar: semelhante a IF � flexo-extensão
Art. IFP (interfalangeana proximal): flexão e extensão
Flexão: 110° / extensão: 0°
IF do polegar: flexão 90° e extensão 25°
Art. IFD (distal): flexão 90° e extensão 25°
Obs 1: Posição punho em flexão ou extensão influencia tensão dos músculos dos dedos
Obs 2: Flexão completa dos dedos apenas com 20° extensão d o punho � maior força de preensão com leve extensão de
punho e desvio ulnar
Deformidades típicas das mãos
Fratura – avulsão da falange distal causando
perda da ação motora do aparelho extensor
Dedo em Botoeira: lesão do tendão extensor
comum que se insere na falange média
MCF e IFD: Extensão
IFP: flexão
Deformidade em pescoço de cisne:
IFD – flexão / IFP – hiperextensão
Doenças reumatológicas ou lesões do tendão
extensor da falange distal
Dedos em garra: flexão IF e extensão MCF
Lesão n. ulnar ou mediano.
Mão de macaco, paralisia do nervo mediano,
perde a oponência.
Mão de bispo ou benção.
Paralisia do nervo ulnar.
Punho e dedos não podem ser estendidos.
Deformidade em Z do polegar
O polegar apresenta-se flexionado na MCF e
hiperestendido na IF. Pode estar associada
com AR.
Deformidade com contratura isquêmica de
Volkmann pode se instalar depois de fratura
ou luxação do cotovelo - Garra.
Dedo em martelo, resultado de uma ruptura
do tendão extensor – perda da extensão.
Deformidade de queda do punho, paralisia
do nervo radial.
Contratura de Dupuytren (fascíte palmar)
Processo celular na fáscia da mão
Desenvolve nódulos na fáscia palmar e digital
Engrossamento e encurtamento da fáscia causam contratura - MCF e IFP (IFD as vezes)
Cirurgia e imobilização � Fisio no P.O.
Entorse do Punho
Força para baixo no punho excedendo ADM
Mais comum que fratura
Edema – 1-2 horas / Equimose – 6-12 horas
Tratamento Conservador:
Imobilização – tala cobrindo palma, com dedos livres e 10° de extensão do punho (posição de repouso) – 5 dias
Gelo 20 min/ 4 x dia
AINE
Após remoção da tala � REABILITAÇÃO dos movimentos do punho
Tenossinovite de DeQuervain
Bainhas do tendão do primeiro compartimento dorsal do punho: Abdutor longo polegar e extensor curto do polegar
Movimentos repetitivos (golfe, datilografar, costurar, tricotar – movimentos de agarrar dedo-polegar).
Quadro:
Início insidioso com dor no punho radial que piora ao girar maçanetas ou chaves
Edema e sensibilidade (estilóide e irradiação para antebraço e polegar)
Dor com desvio ulnar, flexão e adução polegar.
Perda da abdução
Teste de Finkelstein: Cerrar o punho com o polegar fletido na superfície palmar e realizar desvio ulnar. Dor indica
tenossinovite
Tratamento
Tala: 15° extensão de punho, abdução polegar e 10° de flexão MCF.
Síndrome do Túnel do Carpo (STC)
Compressão isquêmica do n. Mediano no Túnel do Carpo (aumento na pressão do liquido Sinovial e na tensão do
tendão) - + comum.
Causas: trauma repetitivo (50%), fraturas, AR, hipertiroidismo.
Quadro clínico:
Dor intermitente e parestesias na distribuição do n. mediano
Dor noturna, rigidez matinal e irradiação para antebraço.
Teste de Phalen e sinal de Tinel
Tratamento: tala, modificação ativa e AINE.
Tratar sinais inflamatórios
ADM punho
Alongamento, fortalecimento.
MOBILIZAÇÃO NEURAL
Obs: dor irradiada acima do ombro – radiculopatia cervical!
Obs: cirúrgico �liberação do túnel
Nervo Ulnar
Compressão do n. ulnar no canal de Guyon
Mão em garra 4º e 5º dedos
Incapaz de estender 2ª e 3ª falanges de todos os dedos
Incapaz de abduzir e aduzir dedos ou opor pontas dos dedos (fazer cone com dedos e polegar)
Atrofia interósseos e eminência hipotênar
Perda de sensação na porção ulnar da mão
Fraturas distais do rádio
Fratura de Colles: fratura completa distal do rádio com deslocamento dorsal (comum em idosos)
Mecanismo: QSME
Complicações: lesões nervosas e vasculares
Tratamento conservador: aparelho gessado com leve extensão de punho
Tratamento cirúrgico (RAFI)
Fratura de Smith (reversa de Colles): fratura completa distal do rádio com deslocamento palmar
Mecanismo: queda sobre a parte dorsal da mão
Tratamento: imobilização em supinação por 3 semanas e 2 semanas de gesso curto
Fratura de Barton: fratura articular dorsal ou palmar resultando em subluxação do punho
Mecanismo: direto ou pronação vigorosa com mão fixa
Gesso acima do cotovelo por 4 semana e 3 semanas de gesso no antebraço
Fratura Escafóide:
Afetado em 70% das lesões carpais
Diagnóstico inicial importante: morbidade associado a diagnóstico tardio � dor longo prazo, perda de mobilidade e
função � Suprimento sanguíneo escasso
Mecanismo: QSME com punho em prono
Dor na região dorsal do punho e na tabaqueiraTeste: compressão axial do polegar
Tratamento: imobilização (2 a 20 semanas, dependendo da localização).
Após remoção tala: ADMA flexão, extensão, desvio radial e ulnar.
Após 2 semanas: fortalecimento, pliométricos e reeducação neuromuscular
Complicação: não consolidação � progride para pseudo-atrose
NEUROPATIAS COMPRESSIVAS
Síndrome do Túnel Cubital (nervo ulnar)
Compressão do n. ulnar no túnel cubital, septo intermuscular medial, acôneo.
Movimento Repetitivo inicia ciclo de inflamação e edema que inibe deslizamento normal.
Nervo Ulnar: FUC, região medial do flexor profundo dos dedos, palmar curto, eminência hipotênar, adutor polegar, dois
lumbricais medias e todos interósseos.
Síndrome do Túnel Cubital (nervo ulnar)
Quadro clínico:
Dor ou parestesias (alteração sensibilidade, formigamento, queimação) 4º e 5º dedos – pioram a noite.
Sensibilidade diminuída na distribuição do n. ulnar
Contratura em garra dos dedos anular e mínimo (falha dos interósseos levando hiperextensão MCF e flexão IFP e D)
Incapacidade de separar os dedos
Perda de força e destreza na preensão
Atrofia músculos da mão
Sinal de Wartenberg
Sinal de Tinel
TESTES
Tinel do Ulnar: Localizar nervo ulnar entre olécrano e epicôndilo medial. Percutir com dedo indicador ou martelo de
reflexo. Teste positivo se houver formigamento na distribuição do nervo ulnar no antebraço.
WARTENBERG: Verificar força e função dos músculos interósseos palmares e dorsais (adução e abdução dos dedos).
Incapacidade de abduzir o dedo mínimo ao restante da mão indica neurite do nervo ulnar.
Síndrome do Pronador: compressão do nervo mediano no cotovelo
Dor porção radial da palma e porção palmar do 1º, 2º, 3º e metade do 4º dedos.
Reprodução da dor:
Pressão no pronador redondo (4cm distal prega cubital, com resistência contra pronação, flexão do cotovelo e flexão
punho).
Supinação resistida (compressão aponeurose bicipital)
Resistência dos flexores do dedo médio (compressão arco FSD)
Compressão Nervo Radial
Compressão do n. radial alto: parte média do braço no nível da cabeça lateral do tríceps.
Perda da extensão do punho, estender dedos.
Síndrome do n. interósseo posterior (SNIP): compressão quando atravessa túnel radial (5cm distal ao epicôndilo
lateral).
Não estende MCF de um ou todos os dedos, perda da extensão IF e abdução do polegar.
Síndrome do Túnel radial: compressão da ramificação profunda.
Sinais de epicondilite lateral.
Extensão resistida do dedo médio e supinação resistida com cotovelo estendido reproduzem a dor.
Testes Funcionais
Posição Ação Teste Funcional
Sentado, peso no
punho.
Flexão cotovelo 2Kg: Funcional
1,5 a 2kg: funcionalmente regular
0kg: funcionalmente fraco
Não flexiona: não funcional
Em pé Extensão cotovelo de
frente para parede
5 rep.: funcional
3-4 rep.: regular
1-2 rep.: fraco
0 rep.: Não funcional
Em pé, frente porta. Girar maçaneta em
supinação
Idem Anterior
Em pé, frente porta. Girar maçaneta em
supinação
Idem Anterior
Reabilitação
Fase Aguda - Objetivos
Proteção do local da lesão
Diminuir dor e inflamação
Restaurar ADM livre de dor
Retardar atrofia
Minimizar efeitos da imobilização ou da restrição de atividade
Manter condicionamento global
Exercícios domiciliares
PRICE (gelo 25 min, 3 a 4 x ao dia)
Mobilização precoce assistida e passiva do ombro, cotovelo e punho – nutre cartilagem e ajuda na síntese e
organização do colágeno.
Deslizamento posterior da ulna sobre úmero e alongamento da cápsula anterior (5 min) – restaura extensão
ADM total livre de dor � programa de fortalecimento progride
Exercícios isométricos submáximos em ângulos múltiplos para:
Flexores e extensores do cotovelo
Supinadores e pronadores do antebraço
Flexores e extensores do punho
Progredir até isotônicos, resistidos com halteres e elástico (incluir ombro).
Iniciar com 1 a 2 séries de 10 repetições – progredir até 5 séries
Testes funcionais livres de dor: fortalecimento excêntrico (essencial para epicondilites) – CRIOTERAPIA logo após
execução
FNP – Kabat
Fase Funcional - Objetivos
Atingir ADM total livre de dor
Restaurar cinemática articular normal
Manter força muscular nos limites normais
Melhorar controle neuromuscular
Exercícios para ombro: MR e escapulares
Co-contração – CCF - apoio, mergulho, bolas, pranchas, trampolim, etc.
Co-contração – CCA – movimentos balísticos, FNP.
Estabilização rítmica: flexores-extensores e pronadores-supinadores
Exercícios pliométricos
Treinamento específico
TESTES PARA O QUADRIL
- Teste de Patrick: usado para detectar artrite no quadril. Paciente em DD, o joelho é fletido, abduzido e rodado
externamente até o maléolo lateral se apoiar no joelho oposto logo acima da patela. Nesta posição o joelho do lado a ser
testado é levemente forçado para baixo; se ocorrer dor, o teste é positivo.
- Teste de Ober: usado para detectar contraturas da banda iliotibial. Paciente em DL, o membro inferior em contato com a
mesa é fletido. O outro membro inferior, o qual está sendo testado, é abduzido e estendido. O joelho desse membro é fletido
a 90o. o examinador então solta o membro para que volte para mesa; se o membro não voltar, o teste é positivo.
- Teste de Ortolani: identifica deslocamento congênito do quadril em lactentes. O lactente é posicionado em DD com os
quadris fletidos a 90o e joelhos totalmente fletidos. O examinador segura as pernas dos lactentes de modo que seus
polegares posicionem-se na parte medial das coxas e dos dedos na parte lateral das coxas do lactente. As coxas são
abduzidas delicadamente, e o examinador aplica uma força leve nos trocânteres maiores com os dedos de cada mão. O
examinador sentirá resistência a cerca de 30o de abdução e, se houver deslocamento, sentirá um estalido na redução do
deslocamento.
- Teste de Galeazzi: detecta deslocamentos unilaterais congênitos do quadril em crianças. A criança é posicionada em DD
com os quadris fletidos a 90o e os joelhos completamente fletidos. O teste é positivo se um joelho estiver mais alto que o
outro.
- Teste provocativo de Barlow: identifica instabilidade do quadril em lactentes. Com o bebê na mesma posição usada para
o teste de Ortolani, o examinador estabiliza a pelve entre a sínfise e o sacro com uma mão. Com o polegar da outra mão, o
examinador tenta deslocar o quadril com uma pressão posterior leve mais firme.
- Teste de Trendelemburg: identifica a presença de um quadril instável, desnivelado. O paciente fica em pé sobre a perna a
ser testada. O teste é positivo se o lado não sustentador de peso não se eleva quando o paciente fica em pé sobre um apoio
(somente em um membro inferior, direito ou esquerdo). O teste positivo pode ser provocado por um deslocamento do quadril,
fraqueza dos abdutores do quadril ou coxa vara.
LUXAÇÃO CONGÊNITA DO QUADRIL (LCQ)
Lactentes que ainda não caminham não apresentam sintomas de luxação congênita. Quando começam a andar, as crianças
com luxação congênita do quadril mostram claudicação sem dor. Na doença bilateral, as crianças apresentam andar
gingado e lordose lombar excessiva.
Achados clínicos
O nascimento, o membro inferior afetado apresenta-se levemente encurtado e, algumas vezes, tem mais pregas cutâneas
que o outro lado. Com as coxas alinhadas juntas, bem como os quadris e joelhos fletidos a 90º, o joelho envolvido é mais
curto que o outro lado; sendo esse resultado positivo do teste de Galeazzi. Na luxação do quadril evidente, o resultado do
teste de Ortolani pode ser positivo; os quadris são mantidos a 90° de flexão e delicadamente abduzidos a partir da posição
neutral, sendo ouvido um ruído, quando o quadril é reduzido à ampla abdução.Em um quadril reduzido, mas potencialmente
instável devido á displasia do acetábulo, o resultado