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143 UNIDADE 3 O CONTEXTO HISTÓRICO- FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • analisar o espaço da educação brasileira como local de continuidade e des- continuidade, ou rupturas e permanências em termos de teorias, modelos, explicações, métodos, normas e leis educacionais; • estudar o contexto histórico e as estruturas educacionais do período colo- nial brasileiro, em especial o sistema de ensino da Companhia de Jesus; • conhecer as condições históricas e sociais do período político denominado de Brasil Império, no que diz respeito a instituições políticas e políticas públicas em educação para a época; • analisar as principais diretrizes educacionais que se instalaram no Brasil a partir da Proclamação da República e nos primeiros anos do século XX; • identificar e compreender os novos rumos e tendências que se configura- ram na educação brasileira a partir da Constituição de 1988. A Unidade 3 deste caderno está dividida em três tópicos de conteúdos. Ao longo de cada um você encontrará sugestões de filmes, de leitura, resumos e atividades de fixação dos conteúdos estudados. TÓPICO 1 – CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL TÓPICO 2 – CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL A PARTIR DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E NOS PRI- MEIROS ANOS DO SÉCULO XX TÓPICO 3 – CONTEXTO HISTÓRICO E INTELECTUAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX Assista ao vídeo desta unidade. 144 145 TÓPICO 1 CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Agora chegou o momento de analisarmos em linhas gerais como se deu a estruturação do ensino e das instituições educacionais no Brasil. Isso significa reconhecer o que adaptamos de outras regiões e países, como a Europa e os Estados Unidos, e o que desenvolvemos de forma genuína, ou seja, o que a intelectualidade brasileira foi capaz de pensar e realizar a partir do contexto de desafios da realidade que se apresentava. Antecipamos que o Brasil, em termos de políticas de governo em educação, por muito tempo não se preocupou em pensar uma estrutura educacional coesa e sólida que envolvesse ensino, pesquisa e extensão. Isto passou a ser uma realidade somente a partir do século XX e, hoje, no descortinar das primeiras décadas do século XXI, ainda não representa uma prática sólida e autônoma, ainda nos encontramos numa posição de dependência no que diz respeito a matrizes teóricas e metodológicas do que é produzido no exterior. Gostaríamos que estas reflexões não sejam responsáveis por desmerecer toda a jornada e luta que foi travada pelas gerações anteriores, pois sem o trabalho deles não estaríamos hoje aqui, revisitando e refletindo o seu legado, e muito menos teríamos o ponto de partida no qual nos situamos; assim como não desestimulem ou desmotivem as superações que você, sua turma e sua geração podem fazer pelo contexto educacional atual, seja em meio à sua comunidade, região, país e/ou mundo. Neste momento, nos dedicaremos mais a descrever e explicar as estruturas políticas, as instituições e os movimentos educacionais, os métodos e os principais idealizadores de teorias pedagógicas brasileiras. Fique atento aos tópicos que compõem esta unidade, procure identificar as continuidades e semelhanças que perpassaram cada época e, em especial, as mudanças e rupturas que possibilitaram a renovação do pensamento pedagógico no Brasil. O que compreendemos por período colonial brasileiro se refere a uma temporalidade iniciada em 1500, quando da viagem de Pedro Álvares Cabral, até a Independência do Brasil, em 1822. Todavia, estes marcos cronológicos da história brasileira não correspondem, necessariamente, aos períodos de maior UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 146 intensidade nas transformações sociais que permitiram ao Brasil sua composição socioeconômica presente; de modo sistemático e cronológico, a história política brasileira se divide em três períodos: período colonial, período imperial e período republicano (FAUSTO, 2000). Votos de uma boa leitura e apropriação de conhecimentos pela frente! 2 O EXEMPLO DE PORTUGAL A educação brasileira, no período colonial, se relaciona às dinâmicas educacionais da metrópole; na colônia obrigatoriamente vigoraria a confissão religiosa da metrópole, portanto, muitas das decisões relativas às questões educacionais durante o período colonial brasileiro se relacionam às políticas portuguesas em relação às suas colônias. Por isso, devemos, antes de compreender o Brasil, analisar os antecedentes portugueses na educação. Portugal surge como nação por volta do século XIII, quando se tem no poder os reis da dinastia afonsina. Durante a chamada Revolução de Avis, de 1385, surge uma nova dinastia homônima ao movimento revolucionário. Com os reis da Dinastia Avis temos o auge das grandes navegações portuguesas. Expansão ultramarina iniciada em 1415, quando os lusitanos, liderados pelo infante D. Henrique, conquistaram a cidade de Ceuta, no norte da África. Depois tivemos as chamadas grandes viagens de Gil Eanes, que ultrapassou o Cabo Bojador; de Bartolomeu Dias, que descobriu o Cabo da Boa Esperança, e Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para as Índias. Dois anos após, as embarcações comandadas por Pedro Álvares Cabral alcançaram as praias de Porto Seguro, sendo a data “oficial” da primeira chegada dos portugueses ao Brasil (MATOSO, 2001). Portugal confessava-se cristã católica, sendo assim o modelo antropológico e cosmovisão tomista, cuja matriz encontra-se nas obras de São Tomás de Aquino. Segundo Lauand e Sproviero (1999), a doutrina de São Tomás centra-se na noção de participação, no sentido de que os indivíduos comungam dos ideais, congregam, fazem parte do grupo ou do movimento. O que nos leva a interpretar que os novos adeptos e convertidos da fé católica deveriam ser catequizados e posteriormente demonstrá-la e professá-la de forma íntegra e convincente. Lauand e Sproviero (1999) acrescentam que o pensamento de São Tomás de Aquino foi responsável por sustentar filosoficamente as alianças que a Igreja Católica realizou com as instituições políticas e econômicas ao longo da era das grandes navegações, descobertas, colonização e catequização do Novo Mundo. A relação das grandes navegações portuguesas com a educação é um ponto de discórdia entre diversos historiadores, pois, para alguns, existiu uma instituição formada com o objetivo de educar jovens marinheiros para a TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 147 “faina marítima”, isto é, para as lidas cotidianas navais. A escola teria como local de sede o promontório de Sagres, no sul da Península Ibérica. Teria como principal diretor o infante D. Henrique, que seria o principal responsável pela fundação e manutenção de uma instituição de ensino para a Marinha. Todavia, existem outros historiadores, que não concordam com a existência de tal “escola de aprendizes-marinheiros”. Isto porque as navegações, em seus aspectos de maior materialidade, como a construção naval, ou teóricos, como a navegação astronômica, tiveram seu desenvolvimento ligados a uma empiria no trato com o mar, e da tradição de povos que habitam a Península Ibérica e que possuíam o hábito tradicional de contemplar as estrelas, como os judeus e árabes. Uma instituição de ensino que pode ser considerada um ponto de concórdia entre os historiadores da educação em língua portuguesa foi a Universidade de Coimbra.Fundada ainda no período medieval, a universidade foi formada para ser um centro intelectual do reino português. Enquanto Guimarães e posteriormente Lisboa foram as capitais políticas de Portugal, Coimbra foi a sua capital cultural, pois está nesta cidade a mais antiga universidade. Não apenas por sua tradição, mas também por sua condição enquanto universidade, Coimbra se destacou. Em geral, a principal carreira a ser seguida era a de Direito. Os letrados de Coimbra eram as principais figuras da burocracia do Império Marítimo Português. Com isso, podemos compreender algumas questões ligadas às instituições educacionais do Brasil Colonial. No Brasil, ao contrário da América Espanhola, não havia universidades (HOLANDA, 1995). Isto é, ao invés de investir em universidades no ultramar, o governo português centralizava a educação superior em uma única instituição. O Império Espanhol, ao contrário, instituiu universidades em diversos pontos de sua colônia americana, sendo a mais antiga a Universidade de São Marcos, no Peru. Tal política de educação superior da realeza lusitana possuiu pontos positivos e negativos. Os pontos negativos podem ser enumerados na dificuldade de acesso ao Ensino Superior aos súditos lusitanos na América Portuguesa, além da pouca produção intelectual, algo que a presença de uma universidade pode fomentar, porém, entre os pontos positivos, está a de uma mentalidade uniforme entre os burocratas do reino português, pois alguns homens teriam de exercer, em uma mesma existência, cargos de poder em pontos distintos do globo, como na Ásia, na África e no Brasil. A educação desde os tempos mais longínquos consiste em um dos principais vetores na divulgação de novas ideias políticas, filosóficas e científicas. Por isso, os Estados nacionais, durante o Antigo Regime, possuíam um profundo controle não apenas nas instituições universitárias, como também sobre todas as produções intelectuais. Em Portugal existiu a denominada Mesa de Consciência e Ordem, órgão responsável pela censura de livros, peças teatrais e demais obras a serem publicadas no reino e nos domínios de ultramar. Todavia, para se estabelecer UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 148 o “certo” e o “errado” do ponto de vista intelectual, temos de compreender as disputas intelectuais no interior do reino português quinhentista. No Portugal dos Quinhentos, dois grupos sociais lutavam pela hegemonia das ideias: os erasmianos e os neoescolásticos. Os erasmianos eram os intelectuais ligados às ideias de Erasmo de Roterdã. Tal postura intelectual era ligada a influências agostinianas e humanísticas, típicas do Renascimento europeu: o pensamento neotomista. A concepção erasmiana era influenciada pelo platonismo agostiniano, enquanto os neoescolásticos eram ligados ao pensamento de São Tomás de Aquino. O pensamento erasmiano foi fecundo em Portugal na primeira metade do século XVI. Damião de Góis foi um dos principais intelectuais erasmianos portugueses. O termo erasmiano é oriundo de Erasmo de Roterdã, intelectual importante no século XVI, autor de um clássico do pensamento ocidental chamado Elogio da Loucura. Os erasmianos realizaram uma obra educacional interessante no afamado Colégio das Artes de Coimbra. Todavia, são expulsos e colocados sob suspeita. Em Portugal, assim como na Espanha, se debateu qual é o melhor método filosófico, e os neoescolásticos ganharam a disputa. Os jesuítas eram os principais neoescolásticos e foram os religiosos que substituíram os erasmianos no colégio coimbrão. Esta substituição é um marco na mudança de rumos da educação durante a Idade Moderna portuguesa. Um dos marcos da colonização portuguesa nos trópicos da América foi a instalação do Governo Geral em 1550. Este foi acompanhado por religiosos jesuítas, que se instalaram no Brasil e marcaram profundamente a história brasileira nos séculos XVI e XVII, a ponto de se atribuir uma máxima ao historiador Capistrano de Abreu, cuja História do Brasil dos dois primeiros séculos é a história da Companhia de Jesus. Na tentativa de explicar a instauração dos modelos de civilização, educação e aculturação da metrópole na colônia, Saviani (2004, p. 123) colabora descrevendo que “[...] no caso da educação instaurada no âmbito do processo de colonização tratava-se, evidentemente, de aculturação, já que as tradições e costumes que se busca inculcar decorrem de um dinamismo externo, isto é, que vai do meio cultural do colonizador para a situação objeto de colonização”. Segundo Paiva (1978), havia o projeto de transformação de costumes, que deveria alcançar e sensibilizar desde as organizações familiares, a estrutura de governo, a geografia das aldeias e as relações no interior das mesas, entre outros aspectos, almejando a superação dos costumes autóctones sob o pretexto de obter a salvação das almas. Em outras palavras, os hábitos selvagens dos povos nativos deveriam ser suprimidos e em seu lugar cultivados os valores da civilização, aqueles ainda da antiguidade clássica de Aristóteles e Platão, de superar os vícios por meio do hábito constante das virtudes. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 149 BEDEL: ou disciplinador; nome dado ao responsável por aplicar a disciplina no interior dos espaços escolares, é comum também o nome ser utilizador para referir e denominar os profissionais que são responsáveis pelas atividades burocráticas. Tobias (1987) explica que, além da finalidade de aculturar e converter os nativos brasileiros, a educação desenvolvida no Brasil almejava formar padres, e que a estrutura familiar do Brasil, que se caracterizava por ser numerosa, fornecia condições favoráveis para tal, sendo que: “o primeiro filho tinha que ser o herdeiro da herança material do pai; o segundo, o intelectual da família; o ‘terceiro filho’ ‘entrava para a Igreja” (TOBIAS, 1987, p. 80). DICAS Segundo Saviani (2007, p. 41), diversas ordens religiosas, tais como franciscanos, beneditinos, carmelitas, mercedários, oratorianos e capuchinhos desenvolveram ações educativas e religiosas em terras brasileiras, mas foram os jesuítas que as consolidaram ao longo da maior parte do período colonial. Logo, se faz necessário aprofundar os conhecimentos sobre elas. A Companhia de Jesus foi fundada por volta de 1530, por Inácio de Loyola, um basco que, desejando se tornar cavaleiro, ficou ferido e, se tratando em um mosteiro, solicitou ler sobre aventuras da cavalaria, mas acabou lendo a única literatura disponível no mosteiro, as hagiografias, isto é, a escrita sobre a vida de santos. Inspirado por esta literatura religiosa, acabou por fundar uma Companhia de Soldados de Cristo. Possuem os mesmos o lema Ad Majorem Gloriam Dei (Para a Maior Glória de Deus), como sigla as letras SJ, além de uma regra de vida comum própria. Dois livros são marcas do pensamento inaciano: Os exercícios espirituais e a Ratium Studiorum (SEBE, 1981). A Companhia de Jesus tinha como finalidade traduzir em ações a fé que professava; não lhe bastando meditar e orar, daí o fervor missionário, de caráter militante e combatente, que moveu os seguidores a considerar a cruz e a espada como faces de uma mesma moeda. A Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Iesu (Plano e Organização de Estudos da Companhia de Jesus) foi publicada no ano de 1599, continha as regras que orientavam todas as atividades dos agentes diretamente ligados ao ensino. Abrangia desde as regras do Provincial, passando pelas do Reitor, do Prefeito de Estudos, dos professores de modo geral e de cada matéria de ensino, abrangendo as regras daprova escrita, da distribuição de prêmios, do bedel, chegando às regras dos alunos e concluindo com as regras das diversas academias. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 150 3 FUNDAMENTOS DO MODELO E MÉTODO JESUÍTICO DE ENSINO Os portugueses que gradualmente chegaram ao Brasil traziam os modelos e concepções que estavam em voga em Portugal e na Europa medieval. Os jesuítas se instalaram em diversos pontos do país. Dois dos mais afamados jesuítas que atuaram no Brasil colonial foram os padres José de Anchieta e Antônio Vieira. A importância da educação jesuítica para a história brasileira é incontável, pois foram eles os fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga, que deu origem à atual cidade de São Paulo, a maior metrópole brasileira. Os jesuítas possuíam como método de estudo o Ratium Studiorum, pelo qual os estudantes eram disciplinados, ligando as ideias de Inácio de Loyola com o cotidiano dos alunos. Na colônia, as principais instituições eram as vinculadas ao ideal jesuítico. O Colégio de Salvador possuiu grande qualidade acadêmica, a ponto de as autoridades coloniais solicitarem uma equiparação do Colégio Jesuíta de Salvador com a Universidade de Coimbra. Equiparação esta que não ocorreu por questões políticas. Quanto aos indígenas, a ação jesuítica foi muito intensa. Eles organizaram sua ação com relação às maneiras de catequizar através das reduções, formas de atrair os indígenas e nelas também explorar sua mão de obra, em especial nas denominadas “drogas do sertão”, isto é, as especiarias brasileiras, como castanhas. No interior da América do Sul, entre os territórios do Paraguai, Paraná e Rio Grande do Sul, a ação dos jesuítas com os indígenas foi grande, nas chamadas missões, nas quais os jesuítas influenciaram a cultura. Os padres traduziram as histórias bíblicas para o idioma guarani, até hoje a língua oficial dos paraguaios, ao lado do espanhol. Em relação ao idioma, em muitas localidades do Brasil Colonial, a chamada língua geral, uma forma de tupi-guarani padronizado pelos jesuítas, era língua corrente. As reduções que foram edificadas no interior do Rio Grande do Sul, quando da expulsão dos jesuítas do Brasil, passaram por um longo período de declínio e decadência e hoje restam apenas ruínas das estruturas edificadas, que abrigavam as unidades de educação, trabalho e moradias. As edificações mais expressivas encontram-se na cidade de São Miguel das Missões, que foi reconhecida como sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo e, em 1983, declarado patrimônio mundial pela Unesco. Observe a imagem a seguir da estrutura que a redução possuía, bem como uma imagem do local na atualidade: TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 151 FIGURA 23 - ESTRUTURA DA REDUÇÃO DE SÃO MIGUEL ARCANJO, SIMULAÇÃO DA ESTRUTURA ORIGINAL FONTE: Disponível em: <http://compartilhandoescritas.blogspot.com.br/2012/06/missoes- jesuiticas-os-sete-povos-das.html>. Acesso em: 30 out 2016. FONTE: Disponível em: <http://portaldasmissoes.com.br/site/view/id/406/ruinas-de-sao- miguel-arcanjo-sitio-arqueologico.html>. Acesso em: 29 out. 2016. FIGURA 24 - REDUÇÃO DE SÃO MIGUEL DAS MISSÕES-RS, IMAGEM ATUAL UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 152 Silva (2012) procura explicar que: A didática dos jesuítas era fiel aos fundamentos de sua pedagogia, reproduzindo, quase que completamente, o modelo medieval escolástico. Conteúdos e formas de ensino, assim, manteriam os professores e os estudantes sob a tutela magisterial da igreja, principalmente porque a livre interpretação das escrituras e a salvação pela fé eram bandeiras protestantes que atribuíam liberdades exageradas aos fiéis, do ponto de vista católico. Se nos séculos XVI e XVII os jesuítas se destacaram nos aspectos educacionais da colônia, tal assertiva não corresponde ao século XVIII, no qual a ordem inaciana perdeu grande parte de seu prestígio, e em 1759 os jesuítas foram expulsos do Brasil. Por reformas pombalinas ou reformas ilustradas são denominadas as transformações político-sociais empregadas por um conselheiro do rei D. José I, José Sebastião de Carvalho Mello, que tinha o título de nobreza Marquês de Pombal. De maneira geral, possuíam caráter iluminista, racionalista e defendiam o estado laico, ou seja, o governo político sem a influência da Igreja. A partir daquele momento foram organizadas as aulas régias, avulsas e que seriam ministradas por um professor pago pela Coroa portuguesa. Ao tentar modernizar o Estado português, Pombal influiu em diferentes campos da sociedade, com reflexos na educação, pois uma de suas medidas em relação ao contato do Estado português com os indígenas brasileiros foi instituída em um dispositivo legal, o Diretório dos Índios do Grão-Pará e Maranhão. Nesta lei, Pombal instituiu que as reduções deveriam ser comandadas não mais por religiosos, mas por funcionários do Estado. Com isto, o poder dos jesuítas diminuiu. Este poder jesuítico acabou com a expulsão desta ordem religiosa dos territórios portugueses (FAUSTO, 2000). Para substituir os Soldados de Cristo foram denominados irmãos da Ordem do Oratório, como substitutos dos inacianos nas instituições religiosas. Em grande parte, pela similaridade do carisma das duas ordens em pregar o evangelho, além dos interesses econômicos por parte da monarquia portuguesa, que via na Companhia de Jesus uma concorrente comercial. A expulsão dos jesuítas significou uma profunda alteração, pois eles eram os principais promotores da educação brasileira. PARA REFLETIR: Caro acadêmico, ao longo de todo o período do Brasil Colonial não existiram universidades em nosso país. Até que ponto esta característica de nossa colonização nos prejudicou no que diz respeito ao desenvolvimento educacional? TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 153 O período colonial foi um tempo de forte controle sobre a estruturação e o desenvolvimento do Brasil; o país não era impedido somente de criar universidades, como também de estruturar atividades industriais. Para compreender o grau de controle que Portugal exercia sobre o Brasil e os alcances do domínio que exercia, observe a passagem a seguir, que ilustra uma das determinações da rainha Maria I, que governou o Brasil e Portugal entre os anos de 1777 e 1815: O Brasil é o país mais fértil do mundo em frutos e produção da terra. Os seus habitantes têm, por meio da cultura, não só tudo quanto lhes é necessário para o sustento da vida, mais ainda artigos importantíssimos, para fazerem, como fazem, um extenso comércio e navegação. Ora, se a estas incontáveis vantagens reunirem as das indústrias e das artes para o vestuário, luxo e outras comodidades, ficarão os mesmos totalmente independentes da metrópole. É, por conseguinte, de absoluta necessidade acabar com todas as fábricas e manufaturas no Brasil (Alvará de 05.01.1785 in Fonseca, 1961- D. Maria I- A louca). Tendo em vista as implicações destas determinações ao processo histórico de desenvolvimento do Brasil, passam a fazer sentido muitos dos problemas em termos de desenvolvimento e justiça social que ainda se apresentam em nossa época. Caro acadêmico! Vamos adiante nos estudos. O cenário histórico, social, político e filosófico passa por significativas alterações a partir da mudança do sistema colonial ao sistema monárquico. Prossiga na leitura. 4 FUNDAMENTOS HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO NA ÉPOCA IMPERIAL Nos mais de 80 anos em que o Brasil foi governado pelo regime de monarquia(1808-1889), o sistema educacional atuava em três níveis: o ensino elementar (ou primário), o ensino secundário e o ensino superior. Piletti (2006) destaca que o ensino no Brasil Império era fragmentado em aulas avulsas (e dispersas), caracterizando conteúdos totalmente desconexos para o ensino elementar e o ensino secundário. Deve-se considerar ainda que não havia exigência de conclusão de uma forma de ensino para alcançar a outra fase, ou seja, mesmo sem concluir o ensino elementar, o ensino secundário poderia ser acessado. A configuração social do Brasil no século XIX não favorecia investimentos à educação primária. A Constituição, outorgada em 1824, destacava que “A instrução primária é gratuita para todos os cidadãos [...]”, mas o número de escolas era reduzido. Foi somente em 15 de outubro de 1827 que a Assembleia Legislativa aprovou a primeira lei sobre a instrução pública nacional do Império Brasileiro. Esta lei estabelecia que “em todas as cidades, vilas e lugares populosos haverá escolas de primeiras letras [ler, escrever, contar] que forem necessárias” UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 154 (WEREBE, 1994, p. 63). A Constituição do Brasil também determinava os conteúdos das disciplinas a serem ministradas nas escolas primárias e secundárias. Destacavam-se os princípios da moral cristã e de doutrina da religião católica e apostólica romana. A preferência acerca dos temas, para o ensino de leitura, era para a Constituição do Império e História do Brasil (AZEVEDO, 1971). O Ato Adicional, de 6 de agosto de 1834, instituiu as Assembleias Legislativas Provinciais, com o poder de elaborar o seu próprio regimento, desde que não ferissem as imposições gerais do Estado. Cada província passava a responder pelas diretrizes e pelo funcionamento das suas escolas de ensino elementar e secundário. Dificuldades surgiram quanto aos moradores dos lugares distantes, devido à falta de escolas e de professores. Outro Ato Adicional, em 1835, instituiu as Escolas Normais, que objetivavam formar docentes. Embora houvesse muitas leis, na prática os investimentos na área educacional por parte do governo eram mínimos e atendiam somente a população elitizada (NASCIMENTO, 2004). O surgimento das Escolas Normais (em Niterói, Bahia, Ceará e São Paulo) ampliou um pouco a formação docente. No entanto, o título de bacharel, necessário para acessar o Ensino Superior, só era frequentado pela sociedade abastada, que se formava para manter a elite como dirigente social. Em 1840 existiam 441 escolas primárias, sendo o Colégio Pedro II considerado escola modelo no país (AZEVEDO, 1971). O governo imperial estabeleceu, em 1854, algumas normas para o exercício da liberdade de ensino e de um sistema de preparação do professor primário, bem como a criação do ensino para cegos e surdos-mudos. A iniciativa privada foi responsável pela criação do Liceu de Artes e Ofícios, em 1856. Embora essas normas tivessem sido ideias produtivas e que geraram avanços na área educacional, não produziram resultados satisfatórios (NASCIMENTO, 2004). A partir de 1843, mesmo sem permissão oficial, a Companhia de Jesus retoma a missão no Brasil e funda o Colégio Catarinense, em Florianópolis, e a Escola de Latim, em Porto Alegre. No Recife, em 1873, um colégio jesuíta é fechado pela hostilidade da maçonaria e do imperador D. Pedro II. Com o passar do tempo, a Companhia de Jesus fundou novos colégios e faculdades em todo o país (WEREBE, 1994). Em 1879, a reforma de Leôncio de Carvalho instituiu a liberdade de ensino, possibilitando o surgimento de colégios protestantes e positivistas, além de colégios privados. Ainda assim, o período do governo imperial brasileiro terminou deixando muitas lacunas quanto à acessibilidade, qualidade e interesse no sistema educacional, pois a população analfabeta ultrapassava 67% dos brasileiros (NASCIMENTO, 2004). Embora a educação sempre tenha sido pensada no Brasil como instrumento de domínio, desde que os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal, a educação teve como característica a simplificação e abreviação dos estudos. O ensino secundário deixou de ser organizado em cursos e passou a ser aplicado em TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 155 FONTE: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_ Lancaster#/media/File:Joseph_Lancaster_by_John_Hazlitt.jpg>. Acesso em: 30 out. 2016. Tais diretrizes foram adaptadas ao Brasil, por meio de aulas régias, nas quais usava-se o Método Lancaster (1789), em que as crianças tinham noção de leitura, cálculo, escrita e catecismo. Devido à falta de professores, um professor atendia cerca de 100 alunos e escolhia seus melhores discípulos para auxiliar outros dez alunos (chamado de método decúria, em que o ajudante era um decurião). Apesar das evidentes dificuldades e falhas, considerando-se que a aprendizagem girava em torno do conhecimento de colegas da própria classe, esse método prevaleceu por 15 anos no país (FÁVERO, 2002). Com professores mal preparados e mal remunerados, com a dificuldade de locomoção dos alunos e com o total desinteresse do governo, a educação permaneceu estagnada. As aulas régias foram extintas em 1857 por não abrangerem as disciplinas necessárias para acessar o Ensino Superior (latim, comércio, geometria, francês, retórica e filosofia) (AZEVEDO, 1984). Como alternativa a este cenário existiam, desde 1835, os liceus provincianos, que funcionavam nas capitais brasileiras e que tinham como objetivo reunir todas as aulas avulsas em um mesmo lugar, construindo assim os primeiros currículos seriados. aulas avulsas, ou seja, um processo rápido e básico de ensino, em que o aluno ia até o professor para obter conteúdos para sua formação (HAIDAR, 1972). Em nível mundial, em 1827 ocorreu a criação da escola das primeiras letras, idealizada por Andrew Bell, pastor anglicano, e Joseph Lancaster, pastor Quacker. De maneira geral, ambos propunham uma metodologia em que prevalecia a disciplina e hierarquização do espaço, no qual o professor supervisionava a classe e indicava o estudante mais avançado para auxiliá-lo; além disso, as preocupações e os objetivos das atividades restringiam-se em silabar e soletrar, e o método avaliativo centrava-se no aproveitamento e no comportamento do estudante. FIGURA 25 - JOSEPH LANCASTER UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 156 Os liceus atendiam aos alunos de 10 a 18 anos, pertencentes ao ensino secundário, que hoje corresponde à faixa etária que vai do sexto ano ao Ensino Médio. Receberam este nome para diferenciar-se dos colégios que ofereciam o ensino primário. Nos liceus, o aluno poderia escolher a ordem e a quantidade de disciplinas que quisesse cursar ao mesmo tempo, formando uma reunião de aulas avulsas, mas que atendiam às disciplinas exigidas nos exames preparatórios para o Ensino Superior (HAIDAR, 1972). Muitos liceus surgiram e se tornaram importantes, mas no Rio de Janeiro foi criado, em 1837, o Colégio Pedro II (também chamado de Colégio Imperial Pedro II e de Ginásio Nacional), considerado o liceu modelo em todo o país. FIGURA 26 - COLÉGIO D. PEDRO II, DESENHO DE 1856 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_educa%C3%A 7%C3%A3o_no_Brasil#/media/File:Colegio_Pedro_II_(1856).jpg>. Acesso em: 5 nov. 2016. De 1835 até 1959 foram criadas 21 instituições de ensino secundário, e destas, 17 foram chamadas de liceu (FÁVERO, 2002). Nos liceus, sobretudo no ColégioPedro II, após estudar por sete anos conteúdos variados, embora fragmentados, o estudante (masculino, pois as mulheres não podiam cursar o ensino secundário, a profissão de professor era exclusivamente masculina) recebia a carta de bacharel em Letras. Depois de prestar juramento perante ao Ministro do Império, o estudante tinha o direito de lecionar para o primário. Estas escolas tinham a intenção de disponibilizar mão de obra que aceitasse os salários pagos pelo Estado. No entanto, TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 157 embora sanasse a carência de professores, começaram a faltar alunos devido ao alto preço dos materiais didáticos, que não eram gratuitos (AZEVEDO, 1984). Proibidas de criarem cursos de nível superior, prerrogativa exclusiva do governo nacional, as províncias passaram a tentar estabelecer liceus técnicos, dando ênfase a disciplinas como Química, Física, Botânica e Agricultura. Assim, efetivaram-se as escolas técnicas voltadas a mercados como enfermagem, contabilidade, agricultura, pedagogia, desenho, artífices, costura, prática manual, música, artes plásticas etc. (HAIDAR, 1972). O retorno dos jesuítas ao Brasil em 1842, ainda que sem autorização do governo, proporcionou a fundação de vários colégios particulares de ensino secundário (para meninos, e mais tarde para meninas). Diante disso, criou-se rapidamente uma rede amplamente disputada pela elite brasileira e seguida por outras instituições que também investiram na formação particular. Assim, essas instituições supriram parte da necessidade de formação educacional que deveria ser atribuição do Estado (HAIDAR, 1972). Data deste contexto a criação de instituições como o Colégio Caraça de 1820, em Minas Gerais; o Colégio Mackenzie, de 1870, na cidade de São Paulo; o Colégio São Luís, que iniciou as atividades em Itu, em 1867, e que em 1919 foi transferido para São Paulo; o Colégio Internacional, de 1873, em Campinas; o Colégio Americano, de 1885, em Porto Alegre, entre outros. O desprezo que a elite nutria pelo trabalho, sobretudo pelo trabalho manual que estava bem de acordo com a estrutura social e econômica vigente, explica em parte o abandono do ensino no primário e o total desinteresse pelo ensino profissional. A repulsa pelas atividades manuais levava essa elite a considerar vis as profissões ligadas às artes e aos ofícios. Só mesmo o descaso com que o ensino primário era tratado e a falta de visão na busca de soluções para os problemas educacionais permitem entender a adoção por tanto tempo do método lancasteriano nas escolas brasileiras. (WEREBE, 1974, p. 369). A fundação de escolas particulares não garantiu um ensino de qualidade ao Brasil Imperial, pois o objetivo da iniciativa privada era o êxito financeiro. Sem, no entanto, se preocupar em discutir ou tentar melhorar as condições econômicas e sociais do país ou ajudar no desenvolvimento nacional (FÁVERO, 2002). O Ensino Médio gratuito para as mulheres só foi conquistado no fim do Império, antes, somente as escolas particulares ofereciam a modalidade. Ainda assim, no setor privado, as mulheres eram mantidas em escolas ou salas separadas, com ensinamentos diferenciados, voltados à vida doméstica, à maternidade e à religião. O conteúdo intelectual e científico ainda era exclusivamente masculino (NASCIMENTO, 2004). Vale destacar ainda que a chegada de imigrantes ao país também fez surgir escolas voltadas aos imigrantes. Algumas eram comunitárias, outras eram particulares, geralmente mantidas por entidades religiosas do país de origem ou laicas. No entanto, essa iniciativa não ocorreu com todos os imigrantes. Destacaram- se, nesse sentido, alemães, italianos, poloneses e japoneses (TRAVERSINI, 1998). UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 158 ENSINO SUPERIOR: No período colonial, existiam no Brasil apenas cursos superiores de Filosofia e Teologia, oferecidos pelos jesuítas, pois Portugal impedia o desenvolvimento do Ensino Superior nas suas colônias, temendo contribuir com os movimentos de independência. Com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, a partir de 1808, o Ensino Superior passou a existir em instituições formais. Foram criadas as escolas de Cirurgia e Anatomia em Salvador (hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia), a de Anatomia e Cirurgia, no Rio de Janeiro (atual Faculdade de Medicina da UFRJ) e a Academia da Guarda Marinha, também no Rio de Janeiro. Dois anos depois foi fundada a Academia Real Militar (atual Escola Nacional de Engenharia da UFRJ). Seguiram-se o curso de Agricultura em 1814 e a Real Academia de Pintura e Escultura. Foram propostos 24 projetos para criação de faculdades [e não universidades] no período 1808-1882, mas nenhum deles foi aprovado. Ao Brasil não interessava formação superior, que não trazia mais que formação a poucos profissionais liberais e prestígio social. Depois de 1850 observou-se uma discreta expansão do número de instituições de Ensino Superior, mas a capacidade de investimentos dependia do governo central e de sua vontade política (inexistente). Até o fim do século XIX existiam somente 24 estabelecimentos de Ensino Superior no Brasil, com cerca de 10 mil estudantes, em que se destacava a Faculdade de Medicina (CUNHA, 2007). Em 19 de abril de 1879, o ministro do Império, Leôncio de Carvalho, propôs a reforma do ensino primário e secundário no município da Corte, e do Ensino Superior em todo o Império, publicando o Decreto de nº 7.247/1879. Todavia, o decreto somente reafirmou a liberdade de criação de escolas particulares quanto à oferta de Ensino Superior no país. Cabia ao Império a fiscalização para a garantia de moralidade e de condições de higiene nesses cursos (MOROSINI, 2005). As faculdades privadas que funcionassem regularmente pelo período consecutivo de sete anos, com outorga de grau acadêmico para 40 alunos no mínimo, receberiam do governo o título de “faculdade livre”, com todos os privilégios e vantagens outorgadas às escolas oficiais (BRASIL, 1879), § 1º, art. 21 do Decreto 7.247). Conforme Morosini (2005), a criação de cursos superiores no Brasil Império foi marcada por cursos isolados e profissionalizantes, desvinculando teoria e prática. Os principais cursos eram voltados ao ensino médico, engenharia, direito, ATENCAO TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL E IMPERIAL 159 agricultura e artes. A revisão e valorização do Ensino Superior só teve amplitude no país após a Proclamação da República. Ressalta-se ainda que essas instituições não eram universidades, estas só foram criadas a partir do século XX (CUNHA, 2007). Caro acadêmico! Apresentamos acima como se deu a formação das primeiras faculdades e universidades do Brasil; estas nomenclaturas são muito ouvidas em nossa época e, muitas vezes, não se sabe ao certo o que cada uma significa; agora, neste momento, aproveitamos para diferenciar no que consiste uma instituição de Ensino Superior que é denominada de ‘Universidade’, a que é chamada de ‘Faculdade’ e o que leva o nome de ‘Centro Universitário’. UNIVERSIDADE: oferece atividade de ensino, pesquisa e extensão à comunidade; não precisam de autorização do MEC (Ministério da Educação) para abrir cursos; precisam ter 1/3 do corpo docente de mestres e doutores, 1/3 dos docentes com carga horária integral e pelo menos quatro cursos de pós-graduação stricto sensu. CENTRO UNIVERSITÁRIO: possui curso de graduação em várias áreas do conhecimento e autonomia para criar cursos no Ensino Superior, 1/3 do corpo docente de mestres e doutores e 1/5 dos docentes com cargahorária integral. FACULDADE: instituições que oferecem um número mais reduzido de cursos e em uma determinada área do saber, não possuem autonomia para criar cursos sem a autorização do MEC e o corpo docente precisa ter pelo menos pós-graduação lato sensu. Agora lançamos o desafio para que você pesquise as diferenças que existem no que diz respeito às modalidades de pós-graduação, que são lato sensu e stricto sensu. Para tanto, acesse o site do Ministério da Educação, disponível em: <http://www.mec.gov.br/>. DICAS 160 Neste tópico você viu que: • A educação que prevaleceu na época colonial era oriunda do modelo institucional da Companhia de Jesus, idealizado por Santo Inácio de Loyola, por volta de 1534, a fim de expandir os dogmas e converter fiéis à Igreja Católica. • Os integrantes da Companhia de Jesus eram chamados de jesuítas e o método que utilizavam foi o da catequese, no qual a função social da educação era de caráter religioso, sendo os clérigos os principais educadores. • Com a expulsão dos jesuítas e o cumprimento das reformas pombalinas foram implantados, no Brasil, os modelos de educação que se encontravam em voga na época na Europa, que eram os dos pastores Andrew Bell e Joseph Lancaster, que haviam formulado uma modalidade de ensino que previa a indicação e a participação de estudantes mais avançados para atuar como tutores em meio às atividades pedagógicas realizadas pelos professores. • As reformas pombalinas estavam alinhadas aos valores iluministas, racionalistas e advogavam em defesa do Estado laico. • A estrutura educacional da época imperial pode ser sintetizada no modelo de aulas régias e liceus; as aulas régias correspondiam ao ensino primário, e os liceus ao ensino secundário; havia pouco interesse e investimento por parte do governo, pois as elites enviavam seus filhos para estudar na Europa. • Na época imperial formaram-se diversas instituições de ensino, porém extremamente elitistas, que desvalorizavam os trabalhos manuais e as artes, apresentavam restrições às mulheres, que eram mantidas em salas separadas e com conteúdos que tratavam da vida doméstica, maternidade e ensinamentos religiosos. • Tanto no período colonial como no imperial, o Brasil possuía um Ensino Superior insuficiente, isso se deve ao fato de que no período colonial foi impedida a criação de universidades. Somente no período imperial, a partir da existência de escolas normais, foram emitidos os primeiros títulos em Ensino Superior. RESUMO DO TÓPICO 1 161 1 As ordens religiosas mantidas pela Igreja Católica possuem uma incomensurável importância para o desenvolvimento educacional do Ocidente. Assim compreendendo, pergunta-se: qual é a importância dos jesuítas para a educação brasileira colonial? Assinale a alternativa correta: a) ( ) Os jesuítas foram apenas mais uma das ordens católicas a pisar o solo brasileiro, sem maior importância que as demais ordens religiosas que aqui trabalharam. b) ( ) Os jesuítas foram os principais religiosos a pregar o evangelho no Brasil colonial, respeitando a diversidade cultural e desejando catequizar os indígenas. c) ( ) Os jesuítas foram os principais religiosos a catequizar os indígenas. Sua ação os fez aprender o idioma tupi-guarani. A sua eficácia nas ações na América Portuguesa chegou a rivalizar com a Coroa, o que explica sua expulsão dos territórios ultramarinos portugueses no século XVIII. d) ( ) Os jesuítas não obtiveram êxito na sua pregação evangélica, em grande parte por se negarem a aprender o idioma indígena. Sua pouca produtividade no processo colonizador foi patente. Por isso, foram expulsos dos territórios ultramarinos portugueses pelo Marquês de Pombal, no século XX. 2 As instituições de Ensino Superior foram criadas no Brasil apenas após a vinda da família real portuguesa, em 1808. Assim compreendendo, pergunta- se: qual é a importância da criação dos cursos superiores no Brasil, a partir da vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro? Assinale a alternativa correta: a) ( ) A criação de cursos superiores possibilitou a construção de um pensamento brasileiro autônomo, não mais ligado à antiga metrópole, a Inglaterra. b) ( ) A criação de cursos superiores no Brasil Império não alterou o panorama da educação brasileira. c) ( ) A criação de cursos superiores no Brasil, durante o século XIX, possibilitou uma ampliação do acesso dos brasileiros às faculdades. d) ( ) A criação de cursos superiores no Brasil só aconteceu com a fundação da Universidade de São Paulo, nos anos 1930. AUTOATIVIDADE Assista ao vídeo de resolução da questão 1 162 163 TÓPICO 2 CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Segundo os estudiosos, foi somente a partir da época imperial e republicana que o Estado/governo passou a assumir a responsabilidade em prover formação escolar à população brasileira. Até então, quem coordenava e monitorava as atividades educacionais desenvolvidas no Brasil era a Igreja Católica, como foi estudado no Tópico 1 desta unidade. A educação no denominado período da República Velha passou por poucas transformações, se compararmos ao sistema educacional “herdado” do império. Grande parte das instituições de ensino ainda era oriunda do segundo reinado. A principal alteração é a que vincula a educação com as elites políticas. As elites políticas utilizavam-se da educação como uma ferramenta que alavanca as condições econômica e social na qual se encontravam e galgavam prestígio e integração em espaços e postos superiores. Porém, as novas acomodações do cenário político (monarquia para república) e da nova base econômica (elites das oligarquias agrícolas a elites urbano-industriais) promoveram abalos nas antigas estruturas sociais do país e a demanda por instituições que coordenassem a implantação de um sistema de ensino propriamente dito. O cenário político que se configurou entre os anos de 1930 e 1964 foi o de concorrência entre o modelo que havia sido hegemônico até os anos de 1930, ou seja, de base agrícola, rural, pecuarista, voltado à exportação e abastecimento do mercado internacional, e outro que almejava promover a industrialização da produção, a urbanização da população e a produção para abastecimento do mercado consumidor interno. Caro acadêmico! Prossiga na leitura, nas próximas páginas estaremos apresentando conteúdos que ilustram como se deu a ampliação e consolidação da educação pública e o processo de democratização da sociedade brasileira, e como este processo se inseria no contexto histórico e educacional mundial. 164 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 2 ELEMENTOS EDUCACIONAIS DO BRASIL IMPÉRIO Por volta de 1870 ocorreram embates entre quem defendia as concepções cientificistas e os setores conservadores ligados ao ensino moralizante dominado pela Igreja Católica, o que gradualmente resultou na ampliação dos conteúdos e na incorporação de disciplinas como Ciências Físicas, História Natural, com a adoção dos preceitos metodológicos das chamadas “lições de coisas” e a inclusão de tópicos sobre História e Geografia Universal, História do Brasil e História Regional (BRASILO, 1997). Estas mudanças incluíram nas discussões temas sobre o fim da escravidão, a transformação do regime político do Império para a República e a retomada dos debates sobre o ensino laico, visando, cada vez mais, à separação entre o Estado e a Igreja Católica e sua ampliação para outros segmentos sociais. A precariedade das escolas elementares indicava que entre as propostasde ensino e sua efetivação na sala de aula existiu sempre um hiato. Em geral, as salas de aula eram palco de uma prática bastante simplificada. Por isso, as autoridades escolares exigiam dos professores o cumprimento mínimo da parte obrigatória composta de leitura e escrita, noções de Gramática, princípios de Aritmética e o ensino da doutrina religiosa. A Constituição Republicana, promulgada em 1891, indicava que o voto era universal, e não mais definido pela renda do cidadão. As condições para ser eleitor eram ter mais de 21 anos, do sexo masculino e ser alfabetizado. Porém, grande parte da população continuou analfabeta, mesmo a alfabetização significando um status social distinto, o de eleitor. Do ponto de vista das instituições de ensino, a Igreja Católica ainda possuía grande importância, sendo mantenedora de grande parte das instituições educacionais, porém, com a laicidade dos Estados Unidos do Brasil, algumas instituições educacionais protestantes e judaicas começaram a ser formadas, algumas delas até hoje presentes no campo educacional brasileiro. Os materiais didáticos eram escassos, restringindo-se à fala do professor e aos poucos livros didáticos que seguiam o modelo dos catecismos. No final do século XIX, com a abolição da escravatura, a implantação da República, o civismo, o patriotismo, a higiene, a preocupação pela racionalização das relações de trabalho e o processo migratório, atribuiu-se à educação o duplo papel de dar conta de uma formação ao mesmo tempo civilizatória e patriótica. O ensino era dividido em primário, até a 4ª série. Posteriormente, viria o Curso Ginasial, de também quatro anos de duração. Havia a chamada Prova de Admissão ao Ginasial, um exame que selecionava os alunos mais capazes. E, por fim, o Clássico e o Científico, que corresponderiam ao atual Ensino Médio. O Clássico mais ligado a áreas humanas, e o Científico mais ligado às ciências exatas. Todavia, o único colégio responsável por ministrar o segundo grau em todo o território nacional era o Colégio D. Pedro II, da capital da República. TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 165 Porém, alguns estabelecimentos de ensino das capitais dos principais estados, além de ter vários ginásios, pediam a equiparação ao Colégio Pedro II, possibilitando, assim, um aumento no número de matrículas. Contudo, o processo de equiparação se tratava de um procedimento difícil. Com isso era comum muitos dos filhos das elites estaduais estudarem como internos no Colégio Pedro II. O Colégio D. Pedro II representava uma instituição moderna, dividida em salas, pátios e jardins, que deveriam conter ambientes limpos e higiênicos, favoráveis às atividades físicas. Júnior (2012, p. 64) explica que: Essa organização do espaço físico possibilitou uma nova estrutura escolar, com a reunião de vários professores e de um corpo técnico- administrativo, formado por diretores e funcionários, exigindo, assim, a elaboração de regimes e cumprimentos de rotinas burocráticas. Ou seja, foram instituídos horários para início e fim das aulas, normas de conduta a serem seguidas por todos os alunos e professores, o surgimento da figura do diretor, como o principal cargo dentro desse universo. Júnior (2012) explica que foram incluídas novas disciplinas no currículo escolar, tais como ciências físicas e naturais, história, geografia, música, geometria, instrução moral, educação física, desenho, instrução cívica e trabalhos manuais, o que por sua vez ia ao encontro da proposta republicana de formar um cidadão apto a desempenhar diversas funções na sociedade, por isso a preocupação de aumentar as disciplinas obrigatórias. Tratou-se de uma união de disciplinas que envolviam tanto o trabalho mental (história, geografia, instrução moral e cívica etc.) como disciplinas voltadas para trabalhos manuais (música, desenho, etc.), o que culminaria nos preceitos de educação integral que almejava a educação física, intelectual e moral, defendida pelo teórico inglês Herbert Spencer, na obra intitulada "Educação intelectual, moral e física", publicada na segunda metade do século XIX. Rui Barbosa foi um dos intelectuais a recomendar a obra de Spencer à realidade brasileira. A herança do Império brasileiro em que a educação era direcionada para a elite (em 1900, 75% da população era analfabeta), valorizando o ensino secundário e superior em detrimento da formação primária e profissional, que atingia as camadas mais pobres, continuou no início dos primeiros governos presidenciais. O Código Epitácio Pessoa, criado em 1901, incluía a Lógica entre as matérias ministradas nas escolas imperiais e retirava a Biologia, a Sociologia e a Moral, acentuando a literatura e não a ciência. O cenário social dos primeiros anos da República brasileira foi o da entrada de fortes levas de imigrantes europeus (italianos, alemães, poloneses, japoneses, judeus alemães), que por sua vez atuariam tanto nas lavouras de café e regiões agrícolas do Brasil e nas vagas que as indústrias pudessem necessitar. A pintura de Tarsila do Amaral que apresentamos a seguir ilustra a diversidade social que passava a compor as cidades do Brasil da época. A 166 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA concentração da população se deu nas principais capitais do Brasil, pois lá estavam as oportunidades de trabalho no campo da indústria, no comércio e nos espaços públicos das unidades do governo. FIGURA 27 - OPERÁRIOS. TARSILA DO AMARAL, 1933, ÓLEO SOBRE TELA FONTE: Disponível em: <http://acervo.novaescola.org.br/arte/pratica-pedagogica/ tem-muitas-historias-brasil-telas-tarsila-424884.shtml>. Acesso em: 31 out. 2016. As primeiras décadas do século XX foram de forte diversidade populacional. Nos espaços urbanos cresceu a organização de trabalhadores em sindicatos que militavam por melhores condições de trabalho, salário, direitos e moradia. A organização dos movimentos foi favorecida pela presença dos imigrantes europeus que já conheciam as lutas operárias e a organização sindical na Europa. Destaque do jornal Correio Paulistano abordando a grande confusão reinante no ano de 1917, em São Paulo, por conta da grande greve dos operários, que lutavam por melhores salários e condições mais dignas de trabalho, observe a manchete a seguir: TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 167 FIGURA 28 - AGITAÇÃO SOCIAL NO COMEÇO DO SÉCULO XX FONTE: Jornal Correio Paulista de 14/07/1917 APROPRIAÇÃO SIGNIFICATIVA Caro acadêmico! Aproveite este anúncio de jornal, que significa uma fonte primária, para se apropriar de outros elementos além da notícia sobre o movimento operário de São Paulo nos anos de 1917. Procure compreender também como ocorria a mobilização dos movimentos sociais, como se dava a reação das forças do governo diante das agitações sociais, assim como o jornal retratou o ocorrido, e, por fim os elementos ortográficos que faziam parte da língua portuguesa na época. O cenário político foi o de diversas correntes que chegavam da Europa ao Brasil, porém marcadas por confusões no que diz respeito às ideologias que cada uma pregava. Atente aos estudos e explicações de Carvalho (1987, p. 42): “Liberalismo, positivismo, socialismo, anarquismo misturavam-se e combinavam- se das maneiras mais esdrúxulas na boca e na pena das pessoas mais inesperadas”. DICAS 168 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Carvalho (1990) explica que após a Proclamação da República existiam no Brasil pelo menos trêscorrentes políticas que disputavam a hegemonia no cenário político nacional, sendo elas: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo, que travaram disputas acirradas ao longo dos primeiros anos da República, porém o ‘liberalismo americano’ sobressaiu-se. Os anos de 1920 foram marcados por crises generalizadas no cenário educacional. O modelo elitista entrou em crise, bem como outras áreas sociais: o controle político dos coronéis da cultura café com leite (São Paulo e Minas Gerais), as fraudes nas eleições (falsificações de documentos, mortos que votavam e o voto exclusivo para homens maiores de 21 anos), a classe média oprimida, a crise econômica do café nos mercados internacionais, tudo isso gerou uma frustração no ideal democrático. Este contexto culminou na Semana de Arte Moderna, em 1922, com representantes das artes plásticas, música, arquitetura e literatura propondo uma cultura autenticamente brasileira. Essas crises desencadearam muitas discussões polêmicas, que resultaram na fundação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924. Em conferências para debater a educação, sugestões de profissionais renomados foram levantadas pelo jornal “O Estado de São Paulo”, em 1926, dirigido por Fernando Azevedo, em relação a soluções para o sistema educacional, muitas das quais colocadas em prática. Nas reformas educacionais em diversos estados brasileiros, durante toda a década de 1920, melhorou-se consideravelmente o ensino primário e secundário, ainda responsabilidades dos estados (destacam- se aqui as iniciativas dos estados de São Paulo, Ceará, Bahia, Minas Gerais e, sobretudo, do Distrito Federal, de maior repercussão). Entre os principais intelectuais que pensaram a educação brasileira no período entre a Proclamação da República e a Revolução de 1930, está a figura de Antônio Carneiro Leão. Formado pela prestigiosa Escola de Direito do Recife, suas ações como educador podem ser apontadas tanto na produção literária quanto na ação política. Enquanto produtor de livros sobre temáticas educacionais, sua estreia foi em 1909, com o livro de título Educação. Em 1917, Leão publicou O Brasil e a educação popular. Morto em 1966, recebeu importantes títulos honoríficos no estrangeiro, como Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Paris (Sorbone) e pela Universidade Autônoma do México. Quando na função de gestão, foi secretário no então Distrito Federal (Rio de Janeiro) e em Pernambuco, oportunidades nas quais se caracterizou por abrir escolas. Foi um momento de profundas mudanças em meio à sociedade brasileira, quando ocorreu ampla modernização nas principais cidades/capitais do Brasil, arruamentos e sistemas de transporte, reformulação de prisões, hospitais e escolas, tendo como referência os modelos e métodos positivistas e científicos europeus. Toda a movimentação pela qual o Brasil passou ficou também conhecida como belle époque (bela época). TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 169 Conforme explica Foucault (1987), a modernização poderia ser traduzida como a ideologia de controle, que se multiplicou por todo o corpo social, formando o que se pode chamar de sociedade disciplinar. A ideologia de controle abrangia hospitais, manicômios, prisões, escolas, praças, cemitérios, entre outros espaços públicos de convivência, de circulação, de comum uso da população; e seria instalado um regime que invadiria e vigiaria o comportamento e os costumes dos indivíduos nestes espaços. As posturas da racionalidade organizacional e positivista foram e ainda são possíveis de se observar na organização interna das escolas, nos espaços das salas de aula; nos hospitais, com os leitos de internação; no exército, na apresentação dos recrutas; nos restaurantes, em torno dos buffets; nos bancos e no comércio, no momento do pagamento de produtos ou serviços; e até no interior das igrejas, na disposição dos bancos para os fiéis se acomodarem. Assim como a sociedade, a educação brasileira passou por profundas transformações após a Revolução de 1930. A partir desta data, tivemos várias ações que viabilizaram uma melhora no nível e acesso à educação no Brasil. Uma importante medida foi a criação, em 1931, do Ministério da Educação e da Saúde. Posteriormente, em 1932, tivemos o Manifesto dos Pioneiros da Nova Educação. O Manifesto teve ampla repercussão nos meios políticos-educacionais, e foi um importante marco para a ampliação do acesso e aumento da qualidade educacional. Porém, podemos relacionar este manifesto às transformações sociais por que passou o Brasil nos anos 1920. Júnior (2012) explica que os fundamentos da Escola Nova consistiam em ampliar a importância dos processos de aprendizagem e amenizar a ênfase que era atribuída ao grande número de conteúdos lecionados em sala de aula. 2.1 DIRETRIZES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA APÓS OS ANOS DE 1930 As mudanças educacionais também alteraram as características políticas brasileiras. Durante a década de 1920 ocorreu o Movimento dos 18 do Forte, também chamado de Revolta do Forte de Copacabana (1922). Este movimento desejava a queda da República Velha, ou seja, o fim do poder nas mãos dos coronéis da cultura café com leite. Sob o comando do Capitão Euclides Hermes da Fonseca, esse movimento, isolado e facilmente controlado pelo governo, originou, com muitas vítimas, um sentimento patriótico que segmentou outras revoltas, como a Coluna Prestes (uma marcha de soldados pelo Brasil, que durante dois anos e meio (1924-1927) tentou a adesão da população contra a opressão do governo, o voto secreto e ensino primário público e gratuito para todos). Liderada por Luís Carlos Prestes, também chamado de Cavaleiro da Esperança, originou o ideal do Soldado Cidadão e culminou na criação dos ideais da Revolução de 1930, que eclodiu logo em seguida. 170 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Uma das importantes medidas das elites brasileiras foi a de buscar instituir universidades no país. Uma das motivações foi a visita, em 1922, do rei Alberto, da Bélgica, ao Brasil. Quando quis visitar a universidade brasileira, foi informado de que no Brasil não existiam universidades. Além disso, contribuiu para a Revolução de 1930, no que se refere à educação, a realização de diversas reformas de abrangência estadual, como a de Lourenço Filho, no Ceará, em 1923; a de Anísio Teixeira, na Bahia, em 1925; a de Francisco Campos e Mario Casassanta, em Minas, em 1927; a de Fernando de Azevedo, no Distrito Federal (atual Rio de Janeiro), em 1928, e a de Carneiro Leão, em Pernambuco, em 1928. Em 1932, um manifesto denominado Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, escrito durante o governo de Getúlio Vargas, por diferentes segmentos da elite intelectual, inclusive de posicionamentos diferentes, vislumbrava interferir na educação do país, revolucionando-a. Entre os 26 intelectuais que assinaram o Manifesto destacam-se Fernando de Azevedo, Anísio Teixeira, Afrânio Peixoto, Lourenço Filho, Antônio F. Almeida Junior, Roquette Pinto, Delgado de Carvalho, Hermes Lima e Cecília Meireles. Além de criticar o ensino e sua organização, sugeria um plano educacional que se propunha público, laico, obrigatório e gratuito. Segundo Aranha (2006, p. 263), [...] um movimento que defendia a educação ativista, a partir da renovação da pesquisa pedagógica, na busca teórica dos fundamentos filosóficos e científicos de uma prática educativa mais eficaz. Ao lado de uma atenção especial na formação do cidadão em uma sociedade democrática e plural – que estimulava oprocesso de socialização da criança –, havia o empenho em desenvolver a individualidade, a autonomia, o que só seria possível em uma escola não autoritária que permitisse ao educando aprender por si mesmo, e aprender fazendo. Embora duramente criticado pela Igreja, detentora de expressiva parcela de escolas da rede privada na sociedade, o manifesto conseguiu orientar (até os dias de hoje) algumas mudanças na concepção pedagógica e na forma de olhar para o ensino (SANDER, 2007). Observe um trecho do documento que apresentamos a seguir: Ora, se a educação está intimamente vinculada à filosofia de cada época, que lhe define o caráter, rasgando sempre novas perspectivas ao pensamento pedagógico, a educação nova não pode deixar de ser uma reação categórica, intencional e sistemática contra a velha estrutura do serviço educacional, artificial e verbalista, montada para uma concepção vencida. Desprendendo-se dos interesses de classes, a que ela tem servido, a educação perde o "sentido aristológico", para usar a expressão de Ernesto Nelson, deixa de constituir um privilégio determinado pela condição econômica e social do indivíduo, para assumir um "caráter biológico", com que ela se organiza para a coletividade em geral, reconhecendo a todo o indivíduo o direito a ser educado até onde o permitam as suas aptidões naturais, independente de razões de ordem econômica e social. A educação nova, alargando a sua finalidade para TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 171 além dos limites das classes, assume, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para formar "a hierarquia democrática" pela "hierarquia das capacidades", recrutadas em todos os grupos sociais, a que se abrem as mesmas oportunidades de educação. Ela tem, por objeto, organizar e desenvolver os meios de ação durável com o fim de "dirigir o desenvolvimento natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento", de acordo com uma certa concepção do mundo. [...] A diversidade de conceitos da vida provém, em parte, das diferenças de classes e, em parte, da variedade de conteúdo na noção de "qualidade socialmente útil", conforme o ângulo visual de cada uma das classes ou grupos sociais. A educação nova que, certamente pragmática, se propõe ao fim de servir não aos interesses de classes, mas aos interesses do indivíduo, e que se funda sobre o princípio da vinculação da escola com o meio social, tem o seu ideal condicionado pela vida social atual, mas profundamente humano, de solidariedade, de serviço social e cooperação. (MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA, Finalidades da Educação, 1932). A crítica de que a educação brasileira servia apenas a um grupo social, às elites, marca o tom do manifesto, e em contrapartida seus autores defendem uma educação que dê conta de desenvolver competências e habilidades a todo e qualquer indivíduo, ou seja, que tenha alcance universal e que seja democrática. Os autores do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, a fim de alcançar os objetivos e abordagem que estavam reclamando à educação brasileira, estruturaram um plano educacional nos seguintes termos: A estrutura do plano educacional corresponde, na hierarquia de suas instituições escolares (escola infantil ou pré-primária; primária; secundária e superior ou universitária) aos quatro grandes períodos que apresenta o desenvolvimento natural do ser humano. É uma reforma integral da organização e dos métodos de toda a educação nacional, dentro do mesmo espírito que substitui o conceito estático do ensino por um conceito dinâmico, fazendo um apelo, dos jardins de infância à Universidade, não à receptividade mas à atividade criadora do aluno. A partir da escola infantil (4 a 6 anos) à Universidade, com escala pela educação primária (7 a 12) e pela secundária (l2 a 18 anos), a "continuação ininterrupta de esforços criadores" deve levar à formação da personalidade integral do aluno e ao desenvolvimento de sua faculdade produtora e de seu poder criador, pela aplicação, na escola, para a aquisição ativa de conhecimentos, dos mesmos métodos (observação, pesquisa, e experiência), que segue o espírito maduro, nas investigações científicas. A escola secundária, unificada para se evitar o divórcio entre os trabalhadores manuais e intelectuais, terá uma sólida base comum de cultura geral (3 anos), para a posterior bifurcação (dos 15 aos 18), em seção de preponderância intelectual (com os 3 ciclos de humanidades modernas; ciências físicas e matemáticas; e ciências químicas e biológicas), e em seção de preferência manual, ramificada por sua vez, em ciclos, escolas ou cursos destinados à preparação às atividades profissionais, decorrentes da extração de matérias-primas (escolas agrícolas, de mineração e de pesca) da elaboração das matérias- primas (industriais e profissionais) e da distribuição dos produtos elaborados (transportes, comunicações e comércio). (MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA, Plano de reconstrução educacional, 1932). 172 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Os pioneiros reclamam por uma educação criativa, não estática, que esteja atenta à formação integral dos estudantes, que abranja o campo científico e prático, que associe atividades manuais e atividades intelectuais para os temas de cultura geral, humanidades e ciências cada vez mais ramificadas e aprofundadas. Com métodos ativos, com aulas mais dinâmicas, centradas nas atividades do aluno, com a realização de trabalhos concretos como fazer maquetes, visitar museus, assistir a filmes, comparar fatos e épocas, coordenar os conhecimentos históricos aos geográficos, quando o que predominava era a memorização e as festividades cívicas, que passaram a ser parte fundamental do cotidiano escolar. Porém, a prática no interior das salas de aula continuou sendo a de recitar as “lições de cor”, com datas e nomes dos personagens considerados mais significativos da História (PCN, 1997). FIGURA 29 - INTEGRANTES DO MANIFESTO DOS PIONEIROS DA ESCOLA NOVA, 1936 FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/ce/ Manuel_Bandeira%2C_Alceu_Amoroso_Lima%2C_H%C3%A9lder_C%C3%A2mara%2C_ Louren%C3%A7o_Filho%2C_Roquette_Pinto_e_Gustavo_Capanema.jpg>. Acesso em: 5 nov. 2016. Em 1930 havia sido criado o Ministério da Educação e Saúde. Da junção de diversas instituições foram fundadas algumas universidades. As primeiras a serem instituídas foram a Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e a Universidade de São Paulo (USP). Grande parte dos professores contratados eram estrangeiros, vieram ao Brasil para lecionar nos cursos recém-criados. A Universidade do Distrito Federal foi fechada por problemas políticos advindos do TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 173 Estado Novo. Em seu lugar foi inaugurada a Universidade do Brasil, que após o golpe militar de 1964 foi rebatizada como Universidade Federal do Rio de Janeiro. A tradição colonial dos filhos das elites irem para a Europa estudar, que no império “diminuiu”, após os anos 1930 diminuiu ainda mais. A Constituição de 1934, promulgada por Getúlio Vargas, apontava a necessidade de se implantar um Plano Nacional de Educação, o qual estabeleceu competências no interior dos níveis administrativos, regulamentou e fixou os financiamentos de cotas específicas de verbas à federação, aos estados e aos municípios. Por conseguinte, implantou- se a gratuidade, a obrigatoriedadee o ensino religioso tornou-se optativo. Na Constituição de 1937 avançou-se no sentido de que se incluiu o ensino profissionalizante e de que os grupos industriais e os sindicatos deveriam criar escolas de aprendizagem e aperfeiçoamento em áreas especializadas para atender aos trabalhadores sindicalizados, aos seus familiares e à comunidade. Na mesma Constituição constava que os conteúdos de educação moral e política se tornavam obrigatórios nos currículos escolares. Com o fim do Estado Novo, tivemos uma grande disputa política, que caracterizou os debates sobre a educação entre 1945 e 1964: a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Uma das principais polêmicas era se o ensino deveria ser laico ou religioso. Polêmicas que eram refletidas nas disputas eleitorais para a Presidência da República. Entre os presidentes que se destacaram no período em relação à educação, podemos destacar os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek. No governo Getúlio Vargas tivemos a fundação de instituições que auxiliaram sobremaneira a expansão do Ensino Superior e de pós-graduação no Brasil: a fundação da CAPES e do CNPq. O CNPq é um órgão, de título Central Nacional de Pesquisas, e foi idealizado pelo Almirante Álvaro Alberto, tendo como função fomentar a pesquisa científica no Brasil. A CAPES é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e tem como função desenvolver a pós-graduação no país. Acesse os sites: CAPES: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior: <http://www.capes. gov.br/>. CNPQ: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico: <http://www. cnpq.br/>. DICAS 174 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Estes órgãos foram fundamentais para o aumento das universidades nos diversos Estados brasileiros, pois foram os responsáveis por formar os professores de nível superior. A educação no governo Juscelino Kubistchek foi um dos temas dos Planos de Metas. Uma das metas era, justamente, construir uma universidade federal em cada capital de estado da federação. O que possibilitou uma melhora geral no ensino brasileiro, ao aumentar as portas de acesso ao Ensino Superior. Caro acadêmico! Para que você possa compor uma análise mais próxima das condições educacionais do país e de sua população, observe o quadro a seguir, procurando perceber relações que existem entre as décadas, a relação que existe entre o local de residência (rural ou urbana), a localização das escolas (urbana) e o número de analfabetismo da população brasileira: QUADRO 7: Números da população, residência e índice de analfabetismo, Brasil, 1920-1950 Indicadores 1900 1920 1940 1950 População total 17.438.434 30.635.605 41.236.315 51.944.397 % da população urbana 10 16 31 36 % de analfabetos 65,3 69,9 56,2 50,0 FONTE: Adaptado de Lourenço Filho (1970) O quadro ilustra os desafios que existiam em termos de percentuais de analfabetismo na primeira metade do século XX. Os dados presentes nas décadas de 1900 e 1920 ilustram os resultados obtidos por meio das políticas de governo desde a implantação da República, que foi de aumento dos índices de analfabetismo, bem como as políticas de modernização das instituições e das políticas de urbanização da população; os dados precisam ser pensados num contexto social mais amplo, que foi o de aumento da população, através de nascimentos e das ondas de imigrações europeias e asiáticas, dados que foram responsáveis por originar boa parte dos objetivos dos intelectuais do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova. Os dados das décadas de 1940 e 1950 ilustram os resultados que foram alcançados pelas políticas educacionais de governo a partir dos anos de 1930, ou seja, em meio ao governo de Getúlio Vargas, da criação do MEC e pelo Movimento dos Pioneiros da Escola Nova. Entre os anos de 1920 a 1950, ou seja, num intervalo de 30 anos, o alcance da redução do índice de analfabetismo foi de quase 20%. Não se pode esquecer que as unidades escolares não conseguiam atender aos brasileiros que residiam nas regiões mais afastadas dos centros urbanos e das capitais do país, e que os números de analfabetismo passaram a ser alterados significativamente a partir do momento em que a população passou a migrar e residir nas cidades. TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 175 2.2 O LEGADO DE ANÍSIO TEIXEIRA: O DEFENSOR DA ESCOLA NOVA NO BRASIL Anísio Teixeira (1900-1971), nascido na cidade de Caetité, no interior da Bahia, foi um jurista, intelectual e educador responsável por difundir os conceitos e valores do pedagogo norte-americano John Dewey e da Escola Nova, com quem teve contato e firmou amizade em uma viagem feita aos Estados Unidos da América. No retorno ao Brasil, se dedicou a viabilizar a adaptação à realidade brasileira e a vislumbrar a concretização prática de tais ideais, por meio da qual preconizava o ensino público, gratuito, obrigatório, integral e laico. Contribuiu significativamente na reforma do ensino no Estado da Bahia e no Rio de Janeiro, e em 1935 foi o personagem fundamental na consolidação da Universidade do Distrito Federal-UDF, na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil na época. A universidade funcionava com as escolas de Ciências, Educação, Economia e Direito, Filosofia e Instituto de Artes, e contou com a colaboração dos professores e intelectuais franceses Eugène Albertini, Henry Hauser, Jacques Perro. Porém, em 1937, em meio a agitações políticas, a universidade foi fechada, os estudantes e o quadro de professores foram transferidos para a Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, cuja orientação ideológica foi católico-cristã. Caro acadêmico! Deixemos este dissabor de lado e nos centremos um pouco mais na produção intelectual de Anísio Teixeira. Entre os principais trabalhos publicados tem-se o “A Educação não é privilégio”, publicado em 1953, que consiste em uma reunião de vários textos; “A escola pública, universal e gratuita”, de 1956; “A educação e a formação nacional do povo brasileiro”, de 1959; “A educação é um direito”, de 1968. Para Teixeira é fundamental o financiamento estatal do ensino, pois este deve atender à esfera pública. A escola primária é para o autor a mais importante escola do sistema de educação, ao ponto de que o Ensino Superior existe porque o homem foi capaz de inventar a arte da escrita e porque as pessoas a dominam. A capacidade de ler, escrever, somar, subtrair, dividir e multiplicar possibilitou todo o desenvolvimento do dito mundo ocidental. É realmente fundamental termos o domínio destas simples, pequenas e fundamentais operações, pois exercem papel primordial no exercício e atividade de libertação do homem (FREIRE, 1987). Anísio Teixeira foi autor de importantes livros educacionais, como “A Educação Não é privilégio”, no qual apontou as principais deficiências e desafios da educação brasileira. Em especial, as dificuldades da formação dos professores, e a necessidade de se ter uma formação universitária para os docentes do ensino primário. Para Teixeira, era muito grave que o ensino primário no Brasil não fosse tratado como prioridade, denunciava que o país contava com centros universitários comparados com os do ‘primeiro-mundo’, porém não conseguia oferecer a toda 176 UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA população ensino público elementar com qualidade. O modelo ideal de escola pública ao qual se dedicou Anísio foi o de escola integral. Para dar conta de tal tese ele fundou, em Salvador, uma escola modelo chamada Carneiro Ribeiro. O professor Anísio foi o responsável por uma das principaisexperiências educacionais: A Escola de Ensino Integral Carneiro Leão, instalada em um dos bairros mais pobres de Salvador, a capital baiana, e seguindo a inspiração teórica do escolanovismo norte-americano de John Dewey, sua proposta era a de uma escola na qual as crianças ficavam o dia inteiro na unidade educacional, tendo, além do ensino formal, aulas com capacitação técnica ou atividades lúdicas, como carpintaria, música e teatro. Nesta escola, o horário de funcionamento foi dividido em dois períodos, um de instrução em classe, outro de trabalho, educação física, atividades propriamente sociais e atividades artísticas; funcionava como um semi- internato, recebendo os alunos às 7 horas e 30 minutos e devolvendo-os às famílias às 4 horas e 30 minutos da tarde. O projeto de Anísio Teixeira de educação integral foi revisitado por diversos estudiosos e lideranças políticas, porém, na época, foi taxado de marxista, comunista e subversivo. Sempre se apresentou muito consciente da dependência e influência estrangeira sobre a intelectualidade brasileira, diante da qual se posicionava no sentido de que, apesar de havermos copiado as instituições políticas do modelo da América do Norte, havíamos buscado inspiração ao campo educacional na França e demais países da Europa (TEIXEIRA, 1977). Entre as críticas que foram feitas ao pensamento e projeto de Anísio tem- se a do governo do general Ernesto Geisel (1997, p. 322), que se manifestou nos seguintes termos: É uma escola que se propõe substituir o lar. A família só vai tomar conhecimento da criança praticamente na hora em que ela vai dormir, e talvez aos sábados e domingos. O resto da semana as crianças estão, pelo menos teoricamente, desligadas dos pais. Pode ser que eu esteja pensando como velho, avesso ao que é considerado moderno hoje em dia, mas creio que não é bom sistema. Dizem que é uma ideia antiga do Anísio Teixeira, que foi um grande educador. Mas não se pode isolar um problema no Brasil... As coisas estão interligadas. O modelo de ensino proposto por Teixeira nos anos de 1950 foi responsável também por denunciar a fragilidade do contexto econômico e social das famílias que precisavam trabalhar para garantir o sustento da casa, deixando assim os filhos vulneráveis e expostos a todos os tipos de infortúnios e desvios possíveis. Como reflexo e resultado de uma boa educação primária teríamos a possibilidade de mobilidade social, pois no modelo liberal de vida a competição está presente, sendo que todos os cidadãos brasileiros teriam a mesma possibilidade inicial de desenvolvimento pessoal, onde teríamos o perfeito desenvolvimento do ideal liberal. Porém, as elites jamais irão permitir que tal fato ocorra, observe as palavras do próprio Anísio Teixeira: TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO-FLOSÓFICO EDUCACIONAL NOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA 177 Ora, a educação não foi considerada necessidade para o funcionamento da nova sociedade. Ficara relegada também à iniciativa privada. E assim aos que tivessem recursos para consegui-la. Deste modo, a sociedade democrática pode ir aos poucos se fazendo oligárquica, e deste modo, aristocrática” (TEIXEIRA, 1977, p. 153). A ideia de ensino integral, proposta por Anísio Teixeira, foi posta em prática no Rio de Janeiro nos anos 1980, quando Darcy Ribeiro ocupou o cargo de secretário de Educação. Foram criados os chamados CIEPs - Centros Integrados de Educação Pública, que nada mais eram que o estabelecimento de uma rede de ensino nos moldes da experiência do Colégio Carneiro Leão, de Salvador. Porém, devido a problemas políticos, a iniciativa não prosperou. Anísio Teixeira morreu em um provável atentado à sua vida, sendo achado morto na cisterna de um prédio no Rio de Janeiro, em 1971, durante a vigência da ditadura militar. A proposta de Teixeira é frequentemente mencionada também em discursos políticos eleitorais, em especial no que diz respeito ao projeto de educação integral, porém em poucas cidades foi levada a cabo. Uma indicação para saber mais sobre a vida e a importância do legado de Anísio Teixeira para a educação brasileira é o site da Biblioteca Virtual Anísio Teixeira, disponibilizado pela Universidade Federal da Bahia. Biblioteca Virtual Anísio Teixeira: <http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/>. DICAS 178 Ao longo desta unidade você pôde estudar que: • O contexto histórico e filosófico da educação brasileira dos primeiros anos da República consistiu na continuidade da herança do legado da época imperial, ou seja, em que as elites se apropriavam da educação como forma de manutenção do status e da condição econômica. • O ensino dos primeiros anos da República foi dividido em ensino primário (até a 4ª série), ginásio (quatro anos após o primário) e clássico e científico (Ensino Médio, o primeiro com ênfase em ciências humanas e o segundo às ciências exatas). • A partir dos anos de 1920 passam a ocorrer mudanças significativas nas estruturas políticas, sociais e educacionais, que abalam as estruturas nas quais o contexto histórico e filosófico brasileiro havia se sustentado até então. • Os anos de 1920 foram marcados por forte organização de movimentos sociais, entre eles o movimento operário e rupturas no cenário político, em que a política do café com leite foi abalada pela crise interacional e pelo movimento político liderado por Getúlio Vargas. • A Escola Nova norte-americana foi adaptada na realidade brasileira dos anos de 1920 por meio do movimento ‘pioneiros da nova escola’. • A partir dos anos de 1930, em meio ao governo de Getúlio Vargas, foram criados o Ministério da Educação e Saúde, o Plano Nacional de Educação, a CAPES, o Cnpq e a Universidade de São Paulo. • Nos anos de 1920, o percentual de analfabetos chegava a 69,9%, isso se deve ao fato de que o ensino priorizava a formação das elites e as unidades escolares localizavam-se nas principais cidades e capitais do Brasil. • Anísio Teixeira, em sua obra “A educação não é privilégio”, defendia os valores da matriz de pensamento norte-americana ‘escola nova’, que eram os de ensino público, gratuito, obrigatório, integral e laico, que compreendia fortemente o compromisso do Estado/nação na oferta de ensino à população brasileira. RESUMO DO TÓPICO 2 179 AUTOATIVIDADE 1 Anísio Teixeira, que defendia a adaptação na realidade brasileira do modelo norte-americano conhecido como ‘A Escola Nova’, foi um dos principais intelectuais a reclamar por mudanças no campo da educação, sendo muitas vezes mal compreendido e vítima de perseguições. No que diz respeito às sugestões de Teixeira para a formação e qualificação dos profissionais que atuavam na educação, é correto afirmar que: a) ( ) Os professores de educação primária deveriam possuir formação em Ensino Superior. b) ( ) Os professores de educação secundária deveriam possuir formação em ensino técnico. c) ( ) Os professores em educação primária deveriam possuir formação em Ensino Médio. d) ( ) Os professores em educação secundária deveriam possuir formação em nível de pós-graduação. 2 Adaptado de ENADE, Pedagogia, 2011. John Dewey foi um filósofo, psicólogo e pedagogo, nascido nos Estados Unidos da América, que se posicionou a favor do conceito de Escola Ativa, na qual a educação do estudante deve ser voltada ao pensar, transformar uma capacidade natural em hábito, por meio de uma atividade, de forma cooperativa. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que ocorreu em 1932, está relacionado com as preocupações educacionais da década de 1920 e a Escola Ativa. Considerando essas ideias, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema: O Movimento Escolanovista. Em seu texto, aborde os seguintesaspectos: a) relação do escolanovismo com a democracia; b) caracterização do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Assista ao vídeo de resolução da questão 1 180 181 TÓPICO 3 CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Foi possível estudar que desde o século XIX, em especial com o movimento da Escola Nova, os teóricos defendiam a necessidade de se manter um currículo humanístico que favorecia os estudos das línguas (latim, grego e língua nacional), de oratória, o que cumpria a missão de disciplinar a mente com o uso das obras literárias, e o domínio oral escrito da cultura clássica, e ainda atendia aos interesses e necessidades de formação e preparação intelectual das elites. No que diz respeito às instituições educacionais, tem-se que em 1837 se deu a fundação da primeira escola pública brasileira, e no século XX, a partir da década de 1930, se deu a instalação dos primeiros cursos em nível superior. E agora pergunta-se, com a preocupação de despertar o senso crítico reflexivo sobre os processos históricos a partir da dinâmica social e intelectual da segunda metade do século XX, que perfil escolar e de letramento vai se configurar no Brasil. 2 A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB A luta pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação se inicia com o Manifesto dos Pioneiros da Educação em 1932, passa pela Constituinte de 1946 e só foi aprovada em 1961. Nos anos 1960 ocorreram alguns importantes avanços educacionais: a LDB de 1961, a UNB e as propostas de alfabetização de Paulo Freire. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB foi promulgada em 1961, baseada em longos debates, nos quais se opunham os favoráveis à ação do Estado na educação, como os educadores Lourenço Filho e Anísio Teixeira, e, de outro lado o deputado Carlos Lacerda, que acusava o Estado de querer monopolizar a educação, tendo apresentado um projeto de lei buscando garantir UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 182 a existência de escolas particulares. As igrejas cristãs, tradicionais proprietárias de escolas privadas confessionais, eram as grandes interessadas em manter o ensino particular. Caro acadêmico! Agora vamos analisar parte do conteúdo e dispositivos da Lei nº 4.024: • Tanto o setor público como o setor privado têm o direito de ministrar o ensino em todos os níveis. • O Estado pode subvencionar a iniciativa particular no oferecimento de serviços educacionais. • O ensino pré-primário correspondia às escolas maternais e jardins de infância. Ensino primário de quatro anos, com possibilidade de acréscimo de mais dois anos para programa de artes aplicadas. • Ensino Médio, subdividido em dois ciclos: o ginasial, de quatro anos, e o colegial, de três anos. Ambos compreendiam o ensino secundário e o ensino técnico (industrial, agrícola, comercial e de formação de professores). • Ensino Superior: flexibilidade de organização curricular, o que não pressupõe um currículo fixo e único em todo o território nacional. A lei que abordava, organizava e estabelecia as diretrizes da educação no Brasil foi forjada em meio a disputas políticas e do interesse de grupos econômicos. O cenário educacional no qual a LDB foi apresentada e votada era o de que até os anos de 1950 o país contava com 50% de sua população analfabeta. Observe a tabela a seguir: Indicadores 1950 1960 1970 População total 51.944.397 70.119.071 94.501.554 % da população urbana 36 46 56 % de analfabetos 50,00 39,5 33,1 A partir dos anos de 1960 e 1970 os índices de analfabetismo foram reduzidos de forma significativa, mais de 15% num intervalo de 20 anos. Por outro lado, foram as décadas em que o país quase alcançou os 100.000.000 de habitantes, assim como foi o intervalo de tempo em que o número da população urbana superou a população que residia na área rural. A Universidade de Brasília-UNB foi organizada pelos educadores Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro e tinha uma proposta inovadora para o Ensino Superior, visando ao estabelecimento da pós-graduação. Porém, o projeto original foi alterado após a ditadura militar. Em relação a métodos inovadores de ensino, podemos destacar os projetos de alfabetização iniciados por Paulo Freire em Pernambuco. TABELA 8: NÚMEROS DA POPULAÇÃO, RESIDÊNCIA E ÍNDICE DE ANALFABETISMO, BRASIL, 1950-1970 FONTE: Adaptado de Lourenço Filho (1970) TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 183 Seu método de ensino possibilitava a alfabetização de jovens e adultos em três meses, algo revolucionário no campo educacional em todo o mundo, a ponto de o “Método Paulo Freire” ser utilizado em diversos países. Com a ditadura militar tivemos profundas alterações no campo educacional e o fim de uma geração de grandes educadores, que desde 1932, com o Manifesto dos Pioneiros da Nova Educação, militaram nas lides político-educacionais. Entre estes podemos citar grande parte dos pensadores da educação brasileira do século XX, dos quais destacam-se Anísio Teixeira e o já citado Paulo Freire. As transformações sociais do Brasil nos anos 1960, somadas às disputas geopolíticas mundiais nos tempos da Guerra Fria, explicam o fim da democracia brasileira e a instalação de um regime autoritário. Com isso, temos uma nova forma de conceber a educação. Como todo governo autoritário, a ditadura tentou, através da educação, impor seus valores sociais. Para tanto, instituiu diversas disciplinas da grade curricular, como Educação Moral e Cívica, Preparação para o Trabalho, Organização Social e Política do Brasil e Estudos de Problemas Brasileiros. Tais disciplinas substituíam as disciplinas de humanidades, como História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Antropologia, porém, a atuação da ditadura na educação foi mais ampla que meramente alterações em grades curriculares. Em 1972 se instituiu uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Sendo a maior transformação o fim do exame de admissão ao ginasial, que unido com o antigo primário, se transformou em um curso único de oito anos, com a nomenclatura ensino de primeiro grau. Também o Clássico e o Científico foram unidos, no chamado Segundo Grau, com a duração de três anos. Sobre a relação do Governo Federal com as universidades, foi tensa nos anos da ditadura. Isto porque o movimento estudantil foi amplamente perseguido. O movimento estudantil brasileiro se organizou nos anos 1930, com a fundação da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e da União Brasileira dos Estudantes. Ambas as instituições estavam ligadas ao ideal nacionalista dos governos Getúlio Vargas e João Goulart. Sendo que a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial foi apoiada pelos estudantes. Também as campanhas pela nacionalização da exploração de petróleo contaram com a participação estudantil. No governo João Goulart, os estudantes participaram da defesa das Reformas de Base. A UNE foi incendiada dias após o golpe. O governo também ocupou militarmente a Universidade de Brasília, perseguiu professores na Universidade do Brasil (no Rio de Janeiro) e aposentou compulsoriamente professores da Universidade de São Paulo. Como reação às atitudes arbitrárias e violentas, surgiram entre os estudantes os chamados movimentos de luta armada. Existiam alguns estudantes que apoiaram o regime militar, como os alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, porém, a maior parte do movimento estudantil foi presa em 1968, no congresso organizadopela UNE em Ibiúna, no interior de São Paulo. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 184 Apesar das relações tensas, a ditadura impôs uma Reforma Universitária, na qual o sistema de cátedra foi extinto, sendo os professores contratados não por cadeira, mas por curso. Outra modificação importante no Ensino Superior foi a extinção do ciclo anual, sendo substituído pelo ciclo semestral. Em relação ao ensino elementar, as ações da ditadura também foram de profundo radicalismo. O analfabetismo, um grave e secular problema brasileiro, começou a ser encarado como um problema pelos generais, que criaram o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização. Em relação às instituições educacionais secundárias, tanto as escolas particulares quanto as escolas públicas existiram, sendo no período militar o início da decadência das escolas públicas que, durante o período getulista, possuíam melhor qualidade que as privadas. O desmonte da educação pública ocorreu porque o governo ampliou as matrículas do ensino ginasial, sem adequar as escolas, o que gerou o problema da falta de vagas. Além disso, os salários dos educadores também começaram a ficar defasados. Uma triste realidade que, infelizmente, se mantém até o presente. Com o fim da ditatura militar, a educação brasileira foi remodelada. A Constituição Federal de 1988 garante a educação como uma ação que deve ser mantida pelo governo, com o auxílio das empresas educacionais privadas e confessionais. Porém, a educação contém, além das garantias educacionais, uma legislação específica, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei que teve como principal relator o senador Darcy Ribeiro, um entusiasta da educação no Brasil. Como novidades, nos conteúdos, além das disciplinas tradicionais, como Matemática e Ciências, também foram incluídas questões que são consideradas os temas transversais, como o trabalho e a sexualidade. Algumas novidades no campo educacional são a ampliação do número de vagas nas escolas, além da ampliação da formação universitária dos educadores. As unidades educacionais se ampliaram também na pré-escola, com a criação de creches, porém, apesar da ampliação, não temos ainda uma condição educacional satisfatória. Nossos indicadores são ruins, em especial no que se relaciona ao chamado analfabetismo funcional; isto é, na incapacidade dos alunos alfabetizados em compreender os textos que leem. No processo de redemocratização dos anos de 1980 passam a ocorrer redefinições e reformas curriculares, bem como no que diz respeito à clientela escolar, agora composta de vários grupos sociais que viviam um intenso processo de migração, do campo para as cidades, e entre os Estados, com acentuado processo de diferenciação econômica e social. TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 185 3 ORGÃOS E INSTITUIÇÕES DE ENSINO NO BRASIL: O ENSINO MILITAR O Brasil, assim como os demais países da América Latina, teve ao longo de sua história diversos militares como presidentes da República. Tanto em ditaduras, como eleitos democraticamente. Portanto, conhecer um pouco sobre as instituições educacionais militares é importante para o futuro profissional da educação. Como já afirmamos, a Escola Naval é a mais antiga instituição do Ensino Superior brasileiro. Oferta um curso de nível superior, com a função de formar os futuros oficiais da Marinha de Guerra. Para a Marinha Mercante existem duas escolas para a formação dos oficiais: O CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), no Rio de Janeiro, e a CIOMM, em Belém do Pará. Praças da Marinha são formados nas escolas de Aprendizes-Marinheiros, nas cidades de Recife, Fortaleza, Vitória e Florianópolis. A Marinha também possui uma escola para a formação dos futuros almirantes, a Escola de Guerra Naval, instituição centenária sediada no Rio de Janeiro. O Colégio Naval é uma escola de segundo grau, que prepara jovens para a Escola Naval. O Exército também possui instituições similares. A formação dos oficiais do Exército passou por algumas escolas. No Império havia a Academia Militar da Praia Vermelha, fechada em 1904, pelos cadetes que apoiaram a Revolta da Vacina obrigatória. Após, foi transferida para Porto Alegre e novamente transferida para o Rio de Janeiro em 1910, sendo conhecida como a Academia Militar do Realengo, estabelecimento de Ensino Superior que formou os presidentes de ditadura civil- militar de 1964. Os praças do Exército são formados na Escola de Sargentos das Armas, sediada na cidade de Três Corações. Os generais são formados na Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Em relação aos civis, o Exército possui o afamado Instituto Militar de Engenharia, uma das principais escolas de engenharia do país. A Escola Preparatória de Cadetes do Exército, sediada em Campinas, serve como porta de entrada para o oficialato. A Aeronáutica é a mais recente das três forças armadas. Foi fundado o Ministério da Aeronáutica em 1942. A força aérea tem como principal escola de formação a Academia da Força Aérea, anteriormente sediada no Campo dos Afonsos (RJ) e atualmente sediada em Pirassununga-SP. Sua função é formar os oficiais aviadores do Brasil. Os brigadeiros são formados na Universidade da Aeronáutica, sediada no Rio de Janeiro. Os praças são formados na Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá-SP. As Escolas Preparatórias de Cadetes do Ar formam uma instituição de Ensino Médio, que visam preparar os futuros alunos da AFA. Por fim, em relação aos civis, temos o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que forma os engenheiros ligados às lides do ar. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 186 Para uma melhor compreensão sobre as especificidades presentes no ensino militar, indicamos a visita aos sites das diretorias de ensino do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. FBA: Força Aérea Brasileira: <http://www.fab.mil.br/>. EXÉRCITO BRASILEIRO: Portal de Educação do Exército Brasileiro: <http://www.ensino. eb.br>. MARINHA DO BRASIL: Diretoria de Ensino da Marinha: <https://www.ensino.mar.mil.br>. O ensino militar possui especificidades. Em especial, os alunos são chamados de cadetes, algumas escolas possuem até o tempo presente restrições de gênero, sendo vetadas para mulheres, e também existem restrições físicas, devido à finalidade do ensino militar, que é capacitar pessoas para desempenhar funções bélicas nas guerras nas quais o Brasil for envolvido. Questão para reflexão: O Brasil, ao longo de sua história republicana, teve como presidentes da República vários oficiais-generais. Porém, ainda hoje existe um mútuo preconceito entre militares e civis. Neste sentido, pergunta-se: podemos dizer que a população civil conhece o ensino ministrado nas escolas militares? 4 EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA Quando se trata de temas de educação especial e inclusiva, fala-se da consolidação e universalização dos valores da sociedade moderna do humanismo e democráticos, que contemplam os direitos humanos, ainda apresentados no século XVIII e que no contexto atual ganham as terminologias, noções práticas e posturas que versam sobre respeito mútuo, empatia, compreensão, dignidade humana, equidade, justiça social, apoio e autorização, efetivação, legitimação e desenvolvimento. Como modalidades de educação entendidas como especial e educação inclusiva, almejam atender à diversidade e incluí-la aos estudantes. Almejam realizar a inclusão social, o reconhecimento, a participação, a contribuição, o desenvolvimento e a realização plena das pessoas.Educação especial e inclusiva destinam-se a pessoas com deficiência física, motora, neurológica, psíquica; que possam ser surdas, mudas, com grau de baixa visão e cegueira, com má formação DICAS UNI TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 187 congênita, retardos intelectuais, espectros de autismo, lesões adquiridas de forma inclusiva, compreensiva, tolerante, empoderadora e realizadora. Para tanto, os desafios são muitos e, no que diz respeito à dinâmica pedagógica e escolar, demandam por uma participação e colaboração coletiva, adaptativa, flexível, multifacetada e dinâmica. A educação especial e a inclusiva não podem mais ser questões compreendidas, abordadas e resolvidas de forma assistencialista, como ações de caridade. Antes de mais nada, trata-se de um direito humano, uma condição de justiça e dignidade social; e no campo de políticas públicas e na esfera didático- pedagógica representam questões de grandes desafios do ponto de vista do indivíduo que é acometido por uma delas, da sociedade em que está inserido, da formação profissional pedagógica, bem como estruturas físicas que atendam às necessidades dos indivíduos que se encontram em tais circunstâncias e condições. Em relação às demais épocas e sociedades, talvez a nossa geração, a das primeiras décadas do século XXI, tenha apresentado leis, normas, diretrizes, atitudes e níveis de conscientização mais expressivos que os que haviam sido implementados pelas gerações anteriores. Um dos aspectos que nos preocupa é que, muitas vezes, a educação especial e a educação inclusiva têm sido realizadas em espaços e locais à parte, desarticulados da sociedade e do universo escolar regular. Pensa-se que quando ela é assim conduzida não alcance o propósito de inclusão que se pretende. Um dos aspectos, quando pensamos a formação da escola no Brasil, se refere aos meninos e meninas portadoras de necessidades especiais, pois, em grande parte, a educação brasileira pouco caso oferta a eles. Em geral, a tradição brasileira era a de formar instituições específicas para os especiais, como os cegos, surdos-mudos e pessoas com deficiência. No Brasil imperial, tivemos a primeira escola para os deficientes visuais ainda no reinado de D. Pedro II, o Imperial Instituto de Cegos, que durante a República foi rebatizado como Instituto Benjamin Constant. Outras escolas específicas foram criadas, como para os surdos-mudos. Com o advento republicano, as capitais dos estados e cidades mais influentes do interior foram montando seus estabelecimentos de ensino visando integrar socialmente os meninos cegos, mudos e surdos. Em relação aos excepcionais, um marco foi a formação de um sistema de ensino para os portadores de Síndrome de Down, através da APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. Sua presença foi uma revolução no que tange à compreensão do acesso à educação da criança deficiente. A nova política de inclusão, na qual os portadores de necessidades especiais não mais têm um aparato de uma instituição própria. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 188 4.1 MARGINALIZADOS E DESVALIDOS TUTELADOS PELO ESTADO A educação no Brasil tem também uma legislação separada para o cuidado com os órfãos, com os menores que cometeram crimes, além dos portadores de necessidades especiais. Na educação, as minorias também devem ser uma preocupação de todos os envolvidos com a tarefa educativa. Na educação lançada aos marginalizados, o Brasil possui uma tradição ampla, iniciada ainda no Império, com os reformatórios, até o presente, com sistemas estaduais que abrigam os menores em conflito com a lei. Uma das primeiras instituições a cuidar dos menores foram as Companhias de Aprendizes-Marinheiros dos tempos do Império, que eram vistos pelas populações civis como uma espécie de reformatórios. As escolas de aprendizes-marinheiros foram uma das primeiras instituições que eram encaradas como uma espécie de educandário, e úteis para a reeducação dos “meninos problemas”. Porém, após a Revolta da Chibata de 1910, elas foram alteradas e não mais se comportaram como “reformatórios”. Posteriormente, com a República, foram criadas instituições, como os patronatos agrícolas, nos quais eram destinados muitos meninos marginalizados para o aprendizado de uma profissão. O Código de Menores republicano vinculava a ideia de uma regeneração pelo trabalho dos menores delinquentes. Importante salientar uma diferença básica: a dos menores que cometem delitos, dos menores órfãos. A partir da segunda metade do século XX, ambos passaram a ser assistidos pelas Fundações do Bem-Estar do Menor, as FEBEM, que no presente se demonstraram como obsoletas para o cuidado com os menores. No início dos anos 1990, foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê marcos legais para os menores sob a responsabilidade do Estado, sendo hoje comum a presença de modelos alternativos, como as chamadas mães sociais. 4.2 O ENSINO TÉCNICO NO BRASIL Um dos capítulos interessantes da influência da Revolução Industrial no processo de educação no Ocidente foi a denominada Educação Técnica, pois a capacitação intelectual avança de modo ininterrupto nos últimos 200 anos, quando se trata de um declínio das ocupações única e exclusivamente braçais para um processo produtivo cada vez mais automatizado (ARANHA, 1996, p. 183). PARA REFLETIR: Alguns apontam a redução da maioridade penal como solução para a violência provocada pelos jovens. Porém, em oposição a esta ideia, pergunta-se: qual é a importância (ou o papel) da educação para a prevenção da delinquência juvenil? TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 189 Durante o denominado Antigo Regime europeu, período que inicia na baixa Idade Média e finda com a Revolução Francesa, os objetos eram produzidos através das corporações de ofício. Portanto, algumas profissões tradicionais existiam, como as de sapateiros, relojoeiros, carpinteiros etc. Com o incremento da produção industrial destes objetos fabricados por estes artífices citados, como sapatos, relógios e móveis para o lar, o aprendizado para o ingresso em uma indústria passa a ser realizado não em corporações, em que aprendizes aprendiam com mestres mais antigos no ofício, até que se especializavam e, deixando de ser aprendizes, se tornavam oficiais e posteriormente mestres. O aprendizado para a indústria passa por frequentar uma escola técnica, na qual o aluno aprende as rotinas industriais, até ser capaz de atuar como técnico qualificado para determinada função, pois a mecanização da produção é uma tendência constante no capitalismo, sendo assim presente a necessidade de técnicos que cuidam das máquinas, que substituíram a tração animal ou o braço humano na confecção dos mais distintos produtos. Em geral, o ensino técnico é voltado para as camadas mais baixas da população dos diferentes países industrializados, pois muitos observam no trabalho industrial especializado uma chance de ascensão para a classe média. Durante muitos nos, no Brasil, tínhamos uma tradição, em processo de extinção, de um ensino técnico difuso, que ocorria no interior das corporações, como no caso de alfaiates e funcionários da construção civil. Tal conhecimento, passado pelos profissionais mais antigos aos mais jovens, sem passar pela escola, perde espaço em um mercado de trabalho competitivo e que exige a excelência na qualidade dos produtos. Uma das principais funções da educação é adequaro indivíduo ao meio social. Em uma sociedade como a capitalista, o desenvolvimento industrial depende da ação de técnicos capacitados. O ensino técnico no Brasil possui uma grande importância, mesmo por vezes não reconhecida. Ele se iniciou ainda no século XIX, com instituições em diversos pontos do país. Um dos principais era o chamado Liceu de Artes e Ofícios, da capital de São Paulo. O Governo Federal começou a fundar escolas agrícolas para formar técnicos agropecuários, como também as escolas técnicas federais, para formar técnicos industriais. As escolas técnicas foram renomeadas como CEFETs – Centro Federal de Educação Tecnológica –, que atualmente se transformaram nas Universidades Federais Tecnológicas. Na Primeira República, os governos estaduais também instituíram escolas técnicas e de artífices, para a formação profissional dos jovens. As antigas escolas técnicas possibilitavam aos educandos o ensino técnico casado ao Ensino Médio. Em alguns casos, existiam internatos que possibilitavam aos educandos morarem nas escolas, cenário que hoje não mais se mantém. Não apenas o governo, como também a iniciativa privada faz parte do esforço em formar a mão de obra qualificada para o parque industrial brasileiro. As associações empresariais dos estados, em acordo com a CNI – Central Nacional UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 190 da Indústria, fundaram o sistema “S”, formado pelo SENAI – SENAC – SENAR, entre outras. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial tem como função formar os técnicos das empresas. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial fomenta a qualificação dos funcionários do comércio e, por fim, o mais novo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, capacita os técnicos das agroindústrias. Uma importante fonte de informação sobre o sistema S são os sites do SENAI, do SENAC e do SENAR. Endereços eletrônicos: SENAI: Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial: <https://www.sc.senai.br/>. SENAC: Serviço Nacional da Aprendizagem Comercial: <http://www.senac.br/>. SENAR: Serviço Nacional da Aprendizagem Rural: <http://www.senar.org.br/>. O sistema “S” também se complementa com instituições ligadas ao esporte e lazer dos funcionários das empresas privadas, como o Serviço Social da Indústria – SESI – e Serviço Social do Comércio – SENAC. Ambas instituições atuam, na maior parte dos casos, com ações nos campos recreativos, esportivos e culturais. Porém, em alguns Estados da federação, como no caso de São Paulo e Paraná, o SESI atua diretamente no ensino básico, isto é, em escolas de Ensino Fundamental e Médio. O SESI também tem forte atuação no Ensino de Jovens e Adultos – EJA. PARA REFLETIR: O sistema “S” possui uma grande importância na história da industrialização brasileira. Também do ponto de vista social, muitos brasileiros foram integrados ao mercado de trabalho através dos cursos ministrados pelo SENAI, SENAC e seus congêneres. Até mesmo um presidente da República foi formado por estas escolas. Neste sentido, pergunta-se: ainda existe preconceito em relação ao ensino técnico em detrimento ao ensino superior? DICAS TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 191 5 FUNDAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS E FILOSÓFICOS PRESENTES NOS PCN A didática e a metodologia do ensino e da aprendizagem passaram a fazer parte das preocupações na área da educação de forma mais profunda a partir dos anos de 1980 e 1990. E, muitas vezes, são temas que ainda são abordados como secundários ao ensino. As novas gerações de alunos habituavam-se à presença de novas tecnologias de comunicação, especialmente o rádio e a televisão, que se tornaram canais de informação e de formação cultural. Os métodos tradicionais de ensino, os livros didáticos, os textos simplificados, os conteúdos carregados de ideologias, os testes ou exercícios sem exigência de nenhum raciocínio passam a ser questionados com maior ênfase. Na década de 1990 foi quando ocorreu a negação do conteúdo no campo da didática; e se passou a reclamar pela reelaboração da didática, agora contemplando, além das questões metodológicas, as ideológicas, que perpassam os conteúdos e o exercício profissional do professor. No ano de 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial da Educação para Todos, que foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Mundial. A partir disto, o Brasil iniciava uma espécie de alinhamento com estes órgãos, dos quais surgiu a necessidade de elaborar, ajustar e adequar as diretrizes curriculares que norteavam a educação no país. Inicialmente, houve um estudo preliminar para com as realidades dos municípios brasileiros, o que foi levado para um debate geral em 1993, na Semana Nacional de Educação para Todos, que foi mediada por professores universitários, representantes e secretários estaduais e municipais de Educação (NETO, 2009). No ano de 1996, o MEC publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de 1ª à 4ª série; em 1997, de 5ª à 8ª série; em 1998, os de Ensino Médio; em 1999 foram feitos acréscimos aos PCN, que ficaram conhecidos como Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Os PCN (1997) destacam que o professor não está sozinho no processo de ensino e aprendizagem. Existem a família, o mundo do trabalho, as instituições de ensino e pesquisa, os movimentos sociais, os meios de comunicação, as atividades culturais, entre outras com as quais ele precisa buscar apoio, colaboração e se relacionar. Os PCN enfatizam que sejam considerados conteúdos e temas que contemplam o exercício da cidadania e o respeito à diversidade, as relações sociais, o mundo do trabalho, os temas transversais (ética, meio ambiente, pluralidade cultural) nas mais diferentes disciplinas, conteúdos, séries e faixas etárias dos estudantes. O documento ainda aponta a necessidade de se contemplar competências e habilidades nos processos de ensino-aprendizagem. Trata-se de um quadro conceitual UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 192 ainda muito recente na tradição da educação brasileira e, por outro lado, conta com poucas referências teóricas a que se possa recorrer. O Governo Federal passou a contemplar e verificar estas noções no interior das avaliações do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM e no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes do Ensino Superior – ENADE. De maneira geral, as competências e habilidades pertencem ao campo da psicologia e da psicometria cognitiva, que estruturam a inteligência humana na dimensão tanto fluida como cristalizada. Competências são as modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer. As habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do ‘saber fazer’. Por meio das ações e operações, as habilidades aperfeiçoam- se e articulam-se, possibilitando nova reorganização das competências (INEP, 1999). Tanto no que diz respeito às habilidades e às competências, as orientações apontam para que sejam estimulados e favorecidos a criatividade, a sensibilidade, o respeito e a diversidade, os direitos e os deveres, a responsabilidade social, as atitudes autônomas e solidárias e a preocupação com o patrimônio histórico e com o bem comum. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – INEP – elaborou uma matriz de competências e habilidades para o Ensino Fundamentale Médio. Para maiores informações, acesse o site do INEP conforme é indicado a seguir: MATRIZ DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: Disponível em: <http://encceja.inep.gov.br/matriz-de-competencias>. Os PCN's (1997) também apresentam os objetivos gerais e objetivos específicos a cada fase de instrução. Os objetivos gerais do Ensino Fundamental residem na tentativa de que os estudantes gradativamente sejam capazes de ler e compreender sua realidade, posicionar-se e agir tendo em vista critérios e parâmetros. Os objetivos específicos preveem que os estudantes adquiram as capacidades de: - identificar o grupo de convívio e as relações que estes estabelecem com outros tempos e espaços; - reconhecer acontecimentos em escala temporal múltipla para questões/problemas tanto do presente como do passado; DICAS TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 193 - compreender respeitosamente os mais diferentes grupos sociais nas suas manifestações culturais, econômicas e políticas; - reconhecer permanências e mudanças em termos de experiências e vivências humanas, próximas ou distantes no tempo e no espaço; - questionar a realidade no sentido de perceber como as instituições do governo e a sociedade civil se encontram articuladas e podem ser acionadas diante deles, no sentido de vislumbrar soluções possíveis; - favorecer exercícios e estudos com métodos de pesquisa e produção textual, a partir da exploração de fontes e registros escritos, iconográficos, sonoros, orais, edificados, entre outros. - reconhecer o patrimônio sociocultural e a diversidade como sendo um direito dos povos e dos indivíduos com intuito de ampliar e fortalecer a democracia e os direitos humanos. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) denominou o Ensino Médio como uma extensão, a etapa final da Educação Básica, o que atribuiu ao governo a responsabilidade pela oferta obrigatória e gratuita, ou seja, um direito ao cidadão. Todos que quiserem deverão ter acesso. A LDB (Lei nº 9.394/96, art. 36) apresentou que o Ensino Médio possui o caráter de terminalidade, o que significa assegurar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental; aprimorar o educando enquanto pessoa humana; possibilitar a continuidade dos estudos; conferir uma preparação básica para o trabalho e o exercício da cidadania, tendo em vista o desenvolvimento da compreensão dos “fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos”. Os PCN's (1997) sugerem ao professor que, quando abordar os conteúdos com seus estudantes, que valorize o que já possuem, no sentido de dialogar sobre o que se sabe e, ao mesmo tempo, lance provocações e indagações que motivem os estudantes a pesquisar, a organizar, aprofundar e compreender de maneira ampla, no sentido de enriquecer e ampliar o repertório que possuem. Por sua vez, os estudantes podem expressar, materializar, tornar tangíveis os estudos e as pesquisas através de produções textuais, teatralizações, produzir painéis, murais, maquetes, jogos, mapas, infográficos, esquemas cronológicos, entre outros. O Ministério da Educação ajustou e reformou as propostas de ensino em nível médio, tendo como preocupação melhorar o desenvolvimento social. Os PCN (2000) apresentam que a formação dos estudantes deve ter como alvo principal a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação profissional. A reforma curricular do Ensino Médio estabeleceu a divisão do conhecimento escolar em três áreas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e suas Tecnologias. História encontra-se inserida na grande área de ‘ciências humanas e suas tecnologias’. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 194 Os objetivos específicos, por meio da constituição das competências e habilidades, preveem que o estudante seja apto a: • compreender os elementos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e a dos outros; • compreender a sociedade, sua gênese e transformação, e os múltiplos fatores que nela intervêm, como produtos da ação humana; a si mesmo como agente social; e os processos sociais como orientadores da dinâmica dos diferentes grupos de indivíduos; • compreender o desenvolvimento da sociedade como processo de ocupação de espaços físicos e as relações da vida humana com a paisagem, em seus desdobramentos político-sociais, culturais, econômicos e humanos; • compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as às práticas dos diferentes grupos e atores sociais, aos princípios que regulam a convivência em sociedade, aos direitos e deveres da cidadania, à justiça e à distribuição dos benefícios econômicos; • traduzir os conhecimentos sobre a pessoa, a sociedade, a economia, as práticas sociais e culturais em condutas de indagação, análise, problematização diante de situações novas, problemas ou questões da vida, tanto do ponto de vista pessoal, social, política, econômica e cultural; • entender os princípios das tecnologias associadas ao conhecimento do indivíduo, da sociedade e da cultura, entre as quais as de planejamento, organização, gestão, trabalho de equipe, e associá-las aos problemas que se propõem resolver; • entender o impacto das tecnologias associadas às Ciências Humanas sobre sua vida pessoal, os processos de produção, o desenvolvimento do conhecimento e a vida social; • entender a importância das tecnologias contemporâneas de comunicação e informação para planejamento, gestão, organização, fortalecimento do trabalho de equipe; • aplicar as tecnologias das Ciências Humanas e Sociais na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. Como resultado desta jornada, pode-se dizer que as diretrizes da educação contemporânea, por meio dos PCN, a LDB e o Conselho Nacional de Educação, apontam que, ao longo do processo de desenvolvimento das ciências humanas, as humanidades foram progressivamente superadas na cultura escolar, ou seja, conseguiu-se incluir conteúdos de formação geral, além da formação específica. Nesse contexto ocorreu a inclusão das disciplinas de História, Sociologia, Ensino Religioso, Artes e Geografia, que procuram dedicar-se à compreensão do homem, não somente formá-lo, ensiná-lo ao mercado de trabalho. 5.1 HISTÓRIA DA ÁFRICA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA: A LEI Nº 10.639, DE 2003 Em 2003 foi aprovada e sancionada a Lei nº 10.639, que alterou o conteúdo da Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/1996) e tornou obrigatório o ensino da História da África e Cultura Afro-Brasileira nas modalidades de Ensino TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 195 Fundamental e Médio. Esta lei faz parte de outras atividades afirmativas por parte do governo que fortalecem as Leis de cotas raciais, as quais se encontram em vigor desde os anos de 2000. Trata-se de uma possibilidade de superação da opressão e invisibilidade social promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira, empoderamento e valorização da identidade étnica, pois o racismo constitui um fator estruturante de injustiças sociais. A partir da aprovação desta lei ganham representatividade e expressão os seguintes movimentos sociais: • Fundação Cultural Palmares(FCP). • Movimento Negro Unificado (MNU). • Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN). • União de Negros pela Igualdade (UNEGRO). • Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). • Fórum Nacional de Mulheres Negras (FNMN). Procure assistir ao filme O jardineiro fiel, dirigido por Fernando Meirelles, 2005, o qual denuncia a atuação de laboratórios farmacêuticos, que se utilizam da população africana para testar, de forma indiscriminada, medicamentos. 5.2 AS POSSIBILIDADES DOS ESPAÇOS NÃO ESCOLARES A partir dos anos de 1980, quando se deu a redemocratização da sociedade brasileira e a retomada da participação popular nos campos decisivos da política e educação, novos pactos de responsabilidade no processo de educação e formação dos indivíduos são acordados, sendo que não caberia mais somente às famílias e à escola a missão de formar os indivíduos, cabendo às instituições, organizações, espaços públicos e à sociedade civil como um todo comprometer-se com esta tarefa. A partir destas novas diretrizes, se faz necessário que se construam parcerias e projetos com outras instâncias da sociedade, como Organizações Não Governamentais – ONGs, movimentos sociais, cooperativas, grupos de trabalho voluntário, órgãos públicos que realizam atividades e intervenções culturais e sociais, tais como centros de memória, arquivos públicos, museus, Centro de Atenção Psicossocial – CAPs, Centro de Referência de Assistência Social – CRAs, conselhos tutelares, bibliotecas, abrigos, sindicatos de profissões, associações de DICAS UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 196 moradores, espaços de cultura, feiras, entre outros, e dos mais diversos meios de comunicação social, tais como rádios, jornais, revistas, editoras, sites, mídias sociais, blogs de conhecimento e informação. 6 PRINCIPAIS PENSADORES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA DO SÉCULO XX As conquistas no campo educacional do século XX, a consolidação da estruturação de políticas públicas nacional de ensino e educação, bem como o fortalecimento do ensino e pesquisa e extensão no interior das universidades tornaram possível que se estruturassem programas de graduação e de pós- graduação, em nível de especialização, assim como de mestrado e doutorado no campo das licenciaturas. No interior destes cursos consolidaram-se práticas de estudos, debates e pesquisas sobre os mais diferentes temas e questões da educação brasileira. Mesmo assim, somos ainda muito dependentes das referências estrangeiras no que diz respeito a matrizes epistemológicas, categorias, conceitos e métodos pedagógicos. A seguir, procuramos relacionar três dos principais estudiosos brasileiros que alcançaram amplo reconhecimento nos espaços acadêmicos e escolares e se tornaram aportes teóricos e metodológicos de outros estudos e pesquisas. 6.1 PAULO FREIRE (1921-1997) Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo. PAULO FREIRE Paulo Freire foi um dos intelectuais da educação que mais se destacou ao longo das décadas de 1960 até 1990. Seus livros foram a inspiração para muitos educadores brasileiros. Ficou muito reconhecido por ter desenvolvido, juntamente com outros profissionais, um método de alfabetização de adultos, que alcançou o resultado de alfabetizar 300 cortadores de cana em apenas 45 dias. Freire fazia uma aliança entre os fundamentos e concepções cristãos e marxistas, simpatizava com elementos da psicanálise, da linguística, teologia, política e filosofia. O método considerava a experiência de vida daqueles estudantes e o contexto social no qual se inseriam; centrava-se na adaptação à realidade dos conteúdos e temas que eram estudados, em especial na tarefa de identificação das relações de trabalho, das experiências de exploração e injustiça, e reconhecer as possibilidades de libertação e realização humana que se encontram latentes na realidade. TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 197 Paulo Freire formou-se em Direito na Universidade Federal de Recife, mas pouco exerceu a profissão. Foi amplamente influenciado pelas obras de Karl Marx, Antonio Gramsci, concepções teórico-metodológicas do materialismo dialético, bem como os temas da alienação, exploração, a desumanização do homem, injustiças, a luta de classes, os privilégios de alguns, o opressor e o oprimido, e a preocupação com a dignidade humana sempre o acompanharam em sua trajetória de vida. No campo da linguística, Freire simpatizava com os fundamentos teórico- metodológicos de Ferdinand Saussure (1857-1913), que era adepto do materialismo e do marxismo. Dermerval Saviani nos ajuda a compreender o nível que Paulo Freire reclamava como papel fundamental da educação: Para Paulo Freire a educação surgia como um instrumento de crucial importância para promover a passagem da consciência popular do nível transitivo-ingênuo para o nível transitivo-crítico, evitando-se a sua queda na consciência fanática. É em vista desse objetivo que foi criado um método de alfabetização ativo, dialogal, crítico e criticizador. Esse método, no entanto, é apenas um aspecto de uma proposta pedagógica mais ampla enraizada na tradição mais autêntica do existencialismo cristão, em diálogo com algumas contribuições do marxismo (SAVIANI, 2007, p. 332). No livro "A pedagogia do oprimido", denunciou o que denominou como Ensino Bancário, ou a pedagogia dos dominantes. Isto é, uma forma de considerar o aluno tábula rasa, e o conhecimento como se este fora dinheiro a ser depositado em um banco, no qual renderia com as notas das provas. Neste sentido, a memorização seria mais valorizada que a reflexão, por consequência como a formação humana do estudante. Observe nas palavras de Freire como se dá o processo de educação bancária: Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los (FREIRE, 2002, p. 58). Perseguido pela ditadura militar, voltou ao Brasil em 1979, com a Lei de Anistia, sendo secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo, no governo de Luiza Erundina. Seu último livro, publicado em 1996, se chamou A Pedagogia da Autonomia, e versava sobre os saberes necessários à prática pedagógica. Paulo Freire sofre de uma espécie de esquecimento e ocultamento, por vezes banalização e vulgaridade, por parte da intelectualidade brasileira, mesmo tendo em seu currículo 29 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América e diversos galardões, como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz em 1986. Observe, a seguir, uma escultura que homenageia diversas autoridades reconhecidas mundialmente, esta encontra-se em Estocolmo, na Suécia. Paulo Freire encontra-se na segunda posição da esquerda para a direita, ao lado de personalidades como Pablo Neruda e Mao Tsé-Tung. UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 198 FIGURA 30 - PAULO FREIRE ENTRE OUTRAS REFERÊNCIAS MUNDIAIS, NA SUÉCIA FONTE: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire>. Acesso em: 4 out. 2016. As obras de Paulo Freire foram fortemente incorporadas pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), aos movimentos sociais rurais e também urbanos, bem como aos grupos de educação de jovens e adultos e a educação popular. Dentre as principais obras do autor estão: Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967. Pedagogia do oprimido.Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970. Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979. Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992. Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997. Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000. Segundo o Google Scholar, o livro a ‘Pedagogia do Oprimido’ consta como a terceira referência mais citada em estudos na área da educação e ciências humanas. Sendo mais citado até que estudiosos como o filósofo francês Michel Foucault, o antropólogo norte- americano Clifford Geertz e o sociólogo francês Pierre Bourdieu. Observe o quadro a seguir: TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 199 QUADRO 31 - LIVRO ‘PEDAGOGIA DO OPRIMIDO’ DE PAULO FREIRE EM TERCEIRO LUGAR FONTE: Disponível em: <https://www.paulofreire.org/noticias/463-paulo-freire-%C3%A9-o- terceiro-pensador-mais-citado-em-trabalhos-pelo-mundo>. Acesso em: 12 nov. 2016. Diante deste contexto de falta de reconhecimento, sua filha, Madalena Freire, que se dedica à educação infantil e a manter vivo o legado do pai, proferiu as seguintes palavras: O querer bem, o amor, regia sua interação com o mundo. Muito poucos o entenderam (ou, ainda não o entendem) sobre essa sua convicção. É preciso querer bem para educar, aprender e ensinar. Penso que era essa capacidade de amar que lhe dava possibilidade intensa de educar sua paciência impaciente. Sempre com aqueles olhos de menino curioso, incansável diante do novo, do conflito, do que não conhecia. MADALENA FREIRE Uma indicação para saber mais sobre a vida e a importância do legado de Paulo Freire para a Educação Mundial é o site do Instituto Paulo Freire, no qual podemos ter maiores informações sobre a vida e a obra deste grande intelectual da educação. Quem dirige o Instituto é Madalena Freire, filha de Paulo, e Moacir Gadotti, estudioso e defensor de seu legado. Instituto Paulo Freire. Disponível em: <http://www.paulofreire.org/>. DICAS UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 200 6.2 RUBEM ALVES (1933-2014) Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado. RUBEM ALVES Foi escritor, educador, psicanalista, teólogo e ex-pastor presbiteriano, dedicou-se a escrever sobre a educação, em especial, a educação infantil. Foi um dos fundadores da Teologia da Libertação e foi professor da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Nos anos de 1960 foi considerado subversivo pela Igreja Presbiteriana e foi perseguido pelo regime militar, o que fez com que rompesse com a Igreja e se refugiasse nos Estados Unidos da América. Dedicava-se à música, sendo professor de piano, e à culinária. Ele possuía um restaurante. Em seus escritos exalta o espírito das crianças em relação ao adulto, pois estas mantêm forte relação e paixão pela vida. Rubem Alves possui inúmeros livros publicados que tratam de religião, psicanálise, literatura infantil. No campo da educação é possível relacionar as seguintes obras: Conversas com quem gosta de ensinar, 1984. Estórias de quem gosta de ensinar, 1985. A alegria de ensinar, 1991. Por uma educação romântica, 2002. A escola com que sempre sonhei, 2002. Conversas sobre educação, 2003. Fomos maus alunos, 2003. Ao professor com o meu carinho, 2004. Aprendiz de mim: um bairro que virou escola, 2004. Educação dos sentidos, 2005. Ensinar, cantar, aprender, 2008. Pedagogia dos caracóis, 2010. O aluno, o professor, a escola, 2010. Lições do velho professor, 2013. TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 201 Para saber mais sobre a trajetória de vida e obra do pensador, acesse o site a seguir: Instituto Rubem Alves. Disponível em: <http://www.institutorubemalves.org.br/>. 6.3 DERMEVAL SAVIANI (1943) O papel da escola não é o de mostrar a face visível da Lua, isto é, reiterar o cotidiano, mas mostrar a face oculta, ou seja, revelar os aspectos essenciais das relações sociais que se ocultam sob os fenômenos que se mostram sob a nossa percepção imediata. DERMEVAL SAVIANI Filho de trabalhadores operários, é um filósofo, professor e pensador da educação, foi docente no Curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ajudou a criar o Curso de Mestrado em Filosofia da Educação na mesma instituição. Atuou em instituições como a Universidade Federal de São Carlos, onde auxiliou na estruturação e consolidação dos cursos de mestrado e doutorado daquela instituição. Concluiu o curso de livre docência na área de História da Educação na Faculdade de Educação na Unicamp-SP. A ele é reconhecida a autoria de uma pedagogia dialética, mais conhecida como pedagogia histórico-crítica, na qual preza pela aprendizagem significativa, que forja a postura de indivíduos críticos, autônomos e que vislumbram a inclusão social. Colaborou na fundação da ANDE – Associação Nacional de Educação e é sócio fundador da ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. Entre suas principais obras estão: Educação brasileira: estrutura e sistema. São Paulo, Saraiva, 1973. Pedagogia histórico-crítica, primeiras aproximações. Campinas: Autores Associados, 1991. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas, Autores Associados, 2007. Educação em diálogo. Campinas, Autores Associados, 2011. Sistema Nacional de Educação e Plano Nacional de Educação: significado, controvérsias e perspectivas. Campinas, Autores Associados, 2014. DICAS UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 202 Professor Saviani participou da estruturação do Plano Nacional de Educação/ PNE e acompanhou todo o trâmite no interior do Congresso Nacional, sendo aprovado pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, e ficará em vigor até o ano de 2024. O PNE contém as metas, bases e diretrizes, e as estratégias da política educacional nacional. Para conhecer melhor o documento, acesse o site do PNE em movimento, conforme está indicado a seguir: Plano Nacional de Educação em movimento/PNE. Disponível em: <http://pne.mec.gov.br/>. 6.4 JOSÉ CARLOS LIBÂNEO (1945) Escola, professores, pais estão inseridos na dinâmica das relações sociais. A sociedade não é um todo homogêneo, onde reinam a paz e a harmonia. Ao contrário, há antagonismos e interesses distintos entre grupos e classes sociais que se refletem nas finalidades e no papel atribuído à escola, ao trabalho do professor e dos alunos. JOSÉ CARLOS LIBÂNEO Libâneo teve sua trajetória de formação acadêmica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP, escreve sobre os temas de teoria, didática e metodologia da educação. Para o autor, os principais desafios que estão postos aos profissionais da educação são os de reafirmar a educação como capacitação para a autodeterminação de forma racional pelos indivíduos, pela formação da razão crítica; repensar o conceito de qualidade democrática numa pedagogia emancipatória; que os sistemas de ensino e as escolas estejam comprometidos com a qualidade cognitiva da aprendizagem e que a vidaescolar esteja articulada com o mundo social, com o mundo informacional e o mundo comunicacional, fazendo com que a escola represente um “espaço de síntese”; repensar os processos de ensino e aprendizagem na sociedade do conhecimento e da informação; reconhecer que a autonomia das escolas depende de uma reconfiguração das práticas de gestão e dos processos de tomada de decisões; recuperar a significação social da atividade do professor, ou seja, da identidade profissional do professor. Entre suas principais obras estão: Adeus professor, adeus professora?: novas exigências educativas e profissão docente / José Carlos Libâneo. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002. Didática. São Paulo: Cortez, (Coleção Magistério Série Formação do Professor). 2008. DICAS TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 203 Na atualidade existem diversas sociedades, institutos, instituições, processos avaliativos, fundos, que visam desenvolver políticas públicas educacionais no Brasil. Procure acessar o site de cada uma delas e identificar suas principais ações e campo de atividade. Observe a relação a seguir: SBPC: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Fundada em 1948, trata-se de uma instituição sem fins lucrativos que promove ações que visam promover desenvolvimento científico, tecnológico, educacional e cultural. Disponível em: <http://www.sbpcnet.org.br/site/>. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Criado em 1937 e encontra-se vinculado ao Ministério da Educação (MEC), responsável por promover estudos, pesquisas e avaliações sobre o Sistema Educacional Brasileiro com o objetivo de produzir informações a gestores, pesquisadores e educadores e subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas para a área educacional. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/conheca-o-inep>. FNDE: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Autarquia criada em 1968 junto ao Ministério da Educação-MEC, responsável por executar políticas públicas em educação. Disponível em: <http://www.fnde.gov.br/>. PRONATEC: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Criado em 2011, possui como objetivo expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ pronatec>. PROUNI: Programa Universidade para todos. Criado em 2004 e é responsável pela concessão de bolsas de estudos integrais e parciais em cursos de graduação e formação específica em instituições de ensino privadas. Disponível em: <http://prouniportal.mec.gov.br/o- programa>. ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio. Foi criado no ano de 1998, fornece um panorama do desempenho dos estudantes tanto de escolas públicas como particulares ao término do Ensino Médio. A partir dos dados gerados no Enem, os governos lançam políticas públicas em educação e instituições que visam à melhoria da própria modalidade, assim como favorecem o acesso a bolsas e financiamentos no Ensino Superior. Um exemplo disto é o ProUni. Para maiores informações, acesse o site do Ministério da Educação específico do Enem, disponível em: <http://portal.mec.gov.br/enem-sp-2094708791>. ENADE: Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Trata-se de uma avaliação que almeja avaliar o rendimento dos estudantes quando do término dos cursos de graduação. A primeira avaliação ocorreu no ano de 2004 e é aplicada a cada três anos. Para maiores informações, acesse o site do Ministério da Educação específico do Enade, disponível em: <http://portal.mec.gov.br/enade>. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final do século XX, adentramos às primeiras décadas do século XXI e deparamo-nos com inúmeros desafios, em especial persiste forte segmentação entre o universo acadêmico e o universo escolar, em que os espaços escolares de formação básica são compreendidos como de menor importância em relação aos espaços de ensino técnico e superior. Ou seja, deparamo-nos com o desafio de transpor, romper com o isolamento e estabelecer pontes e relações cada vez mais próximas entre o conhecimento científico e o universo escolar, os saberes espontâneos do senso popular e comunitário. DICAS UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 204 Os tempos atuais se caracterizam como de crise, e este contexto pode ser entendido como o ponto em que nos encontramos, no contraponto do discurso da modernidade e da pós-modernidade, que é identificado como crise de civilização, crise das promessas otimistas e triunfantes de progresso, se apresentando agora com um caráter complexo, multifacetado e por apresentar uma dinâmica de extrema fluidez. Como ponto de partida pode-se tomar como referência que as tendências pós-modernas trouxeram em sua essência aspectos que tratam da heterogeneidade, fragmentação, subjetividade, polaridades e da relatividade. Ao mesmo tempo, as consequências do pensamento pós-moderno permanecem gerando catástrofes ambientais, o aprofundamento das desigualdades sociais, de acirramento dos conflitos e atos de intolerância entre os hemisférios Norte e Sul, Ocidente e Oriente, assim como existem, por outro lado, a ampliação e o fortalecimento dos modelos democráticos de governos e sociedades. No contexto educacional passou-se a compreender que as estratégias e os processos de aprendizagem precisam levar em consideração a aprendizagem conceitual, as interferências sociais e culturais, as mais diversas linguagens, expressões e mídias, bem como os conhecimentos prévios dos estudantes para que se teça uma aprendizagem significativa. Estes aspectos tornaram favoráveis uma relação e postura de diálogo e colaborativa nos momentos de ensino-aprendizagem no interior dos espaços escolares e entre os mais diferentes indivíduos. Castro (2011) afirma que os estudos e pesquisas oriundos do campo das Ciências da Educação podem contribuir no sentido de se aproximar e conhecer mais intimamente o homem, ou seja, para além do homem enquanto fenômeno da natureza e da cultura, podendo alcançar a natureza mais profunda, no campo filosófico e íntimo de sua existência; seara que as demais ciências, seja as ciências da natureza ou das exatas, não conseguem tocar e sensibilizar, pois trata-se de um conhecimento e saber que se encontra além da dimensão quantitativa, descritiva, experimental e funcional do homem. Severino (1990 ) advoga que a educação pode não fugir do compromisso de implementar um projeto humanizador, assim como as escolas teóricas, leis, diretrizes, planos, metodologias devem estar comprometidos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, que se orienta por valores éticos e de cuidado com o ser humano, com a natureza, com a paz entre as nações. Portanto, não perca de vista que as matrizes teórico-metodológicas, os movimentos intelectuais, as políticas educacionais e a história das instituições educacionais devem ser investigados e compreendidos numa perspectiva histórica, e o papel exercido pela escola em meio a uma sociedade deve ser contextualizado no seu devido momento histórico e social, para não promover anacronismos, equívocos e incoerências. Mais uma vez gostaríamos de reforçar a ideia de que este material é introdutório e não conclusivo, as possibilidades que o ensino de História permite e exige são inúmeras. Não se dê por satisfeito, aprofunde os conteúdos apresentados TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 205 e relacionados ao longo deste caderno, construa sua própria história e bagagem acadêmica. Caroacadêmico! A seguir procuramos fazer uma sugestão de leitura extraída de uma entrevista de um dos principais estudiosos brasileiros no campo da história da educação e da pedagogia. A entrevista foi concedida em meados do ano de 2014, quando o projeto do primeiro Plano Nacional de Educação/PNE ainda não havia sido aprovado pelo Congresso Nacional. LEITURA COMPLEMENTAR Em entrevista especial ao Portal Anped, Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp, contextualiza o histórico de lutas que perpassa o Plano Nacional de Educação (PNE), fala sobre as expectativas para a sua aprovação, enfatiza a necessidade de se fortalecer o magistério e aponta uma equação que precisa ser superada: "podemos dizer que a política educacional brasileira desde o final da ditadura (1985) até os dias de hoje se apresenta com características condensadas nas seguintes palavras: filantropia, protelação, fragmentação e improvisação". Portal Anped – Professor Saviani, o senhor participou ativamente da disputa pela construção do texto da LDB e do primeiro PNE. Como avalia a história da luta recente pela educação pública no Brasil? Dermeval Saviani – A luta pela educação pública no Brasil continua bastante difícil. Por ocasião dos debates em torno da nossa primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 20 de dezembro de 1961, o confronto era com os interesses privados que, capitaneados pela Igreja Católica, buscavam assegurar os subsídios públicos. Para tanto posavam de defensores da liberdade de ensino, alegando o direito das famílias de escolher o tipo de educação que deveria ser dado a seus filhos e combatendo o que chamavam de monopólio estatal do ensino. Quando da elaboração da segunda LDB, que veio a ser aprovada em 20 de dezembro de 1996 e do Plano Nacional de Educação, que entrou em vigor em 10 de janeiro de 2001, o embate se deu com a própria instância governamental. Assim foi que o governo FHC, cuja política educacional seguia os ditames da orientação neoliberal, interferiu na reta final afastando o projeto aprovado na Câmara dos Deputados, assim como o Substitutivo aprovado na Comissão de Educação do Senado e impondo seu projeto de LDB articulado com Darcy Ribeiro, neutralizando, assim, os avanços que a luta pela escola pública havia conseguido incorporar ao projeto de LDB. No caso do PNE, à vista do projeto do MEC que não consultava os interesses do fortalecimento da educação pública, elaborou- se, no âmbito do I e do II Congresso Nacional de Educação, o Plano Nacional de Educação chamado de “projeto da sociedade” em contraposição ao “projeto do UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 206 governo”. E, embora por ter entrado antes no Congresso Nacional o “projeto da sociedade” teria a primazia, esta foi invertida com a indicação para a relatoria de parlamentar do partido governista. O resultado foi um PNE não apenas aquém das expectativas dos defensores da educação pública, mas ainda mutilado pelos vetos apostos pelo presidente da República, neutralizando de modo especial as metas relativas ao financiamento da educação. No contexto atual a luta se tornou mais complexa, pois o enfrentamento se dá diretamente com os grandes grupos empresariais, que além de atuar no ensino, têm ramificações nas forças dominantes da economia e também na própria esfera pública, seja junto aos governos, seja penetrando no interior das próprias redes de educação pública. Por isso, na conclusão do livro Sistema Nacional de Educação e Plano Nacional de Educação: significado, controvérsias e perspectivas, que lancei recentemente, registro que não será fácil seguir o caminho da defesa da educação pública de qualidade acessível a toda a população brasileira, pois a força do privado traduzida na ênfase nos mecanismos de mercado vem contaminando crescentemente a própria esfera pública. É assim que o movimento dos empresários vem ocupando espaços nas redes públicas via Undime e Consed, nos Conselhos de Educação e no próprio aparelho de Estado, como o ilustram as ações do Movimento “Todos pela Educação”. É assim também que grande parte das redes públicas, em especial as municipais, vem dispensando os livros didáticos distribuídos gratuitamente pelo MEC e adquirindo os ditos “sistemas de ensino”, como “Sistema COC”, “Sistema Objetivo”, “Sistema Positivo”, “Sistema Uno”, “Sistema Anglo” etc., com o argumento de que tais “sistemas” lhes permitem aumentar um pontinho nas avaliações do IDEB, o que até se entende: esses autodenominados “sistemas” têm know-how em adestrar para a realização de provas. É assim, ainda, que os recursos públicos da educação vêm sendo utilizados para convênios com entidades privadas, em especial no caso das creches. Nesse contexto, é fundamental unir todas as forças representadas por milhões de professores e milhões de crianças e respectivos pais que dependem de uma educação de qualidade, para que possam sair da situação difícil em que se encontram. E considerando que 2014 é um ano de eleições nacionais, cabe aproveitar a oportunidade para contagiar todas as campanhas políticas com o tema da construção e implantação do Sistema Nacional de Educação no Brasil e aprovação de um novo Plano Nacional de Educação que efetivamente assegure ao sistema as condições necessárias para prover uma educação com o mesmo e elevado padrão de qualidade a toda a população brasileira. De uma forma geral, qual a relação do Plano com a questão do magistério? O adequado equacionamento do magistério é crucial, porque dele depende o alcance das metas voltadas para a elevação da qualidade da educação básica. Nesse âmbito é necessário considerar duas dimensões reciprocamente relacionadas entre si: a formação e o exercício docente. O entendimento de que o trabalho docente é condicionado pela formação resulta uma evidência lógica, assumindo caráter consensual o enunciado de que uma TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 207 boa formação se constitui em premissa necessária para o desenvolvimento de um trabalho docente qualitativamente satisfatório. Mas é evidente também que as condições do exercício do magistério reciprocamente determinam, em vários sentidos, a qualidade da formação docente. Num primeiro sentido, porque a formação dos professores se dá, também, como um trabalho docente por parte dos formadores. Num segundo sentido, as condições de trabalho docente das escolas a que se destinam os professores em formação também influenciam a própria formação, na medida em que o processo formativo implica o aspecto prático, que tem como referência a rede escolar onde os estágios devem ser realizados. Finalmente – e este talvez seja o aspecto mais importante –, as condições de trabalho docente têm um impacto decisivo na formação, uma vez que elas se ligam diretamente ao valor social da profissão. Assim sendo, se as condições de trabalho são precárias, isto é, se o ensino se realiza em situação difícil e com remuneração pouco compensadora, os jovens não terão estímulo para investir tempo e recursos numa formação mais exigente e de longa duração. Em consequência, os cursos de formação de professores terão de trabalhar com alunos desestimulados e pouco empenhados, o que se refletirá negativamente em seu desempenho. Considerando a situação atual da educação brasileira, há dois pontos de estrangulamento referentes às duas dimensões articuladas na questão do magistério que precisam ser sanados. O primeiro ponto diz respeito à necessidade de se instituir a carreira dos profissionaisda educação aumentando significativamente o valor do piso salarial dos professores e estabelecendo a jornada de tempo integral em uma única escola com no máximo 50% do tempo destinado a ministrar aulas. O restante do tempo será dedicado à preparação de aulas, correção dos trabalhos dos alunos, atendimento diferenciado aos alunos com mais dificuldades de aprendizagem, além da participação na gestão da escola. O segundo ponto consiste na necessidade de se criar uma rede pública consistente de formação de professores ancorada nas universidades públicas. Isso é indispensável para corrigir uma grande distorção do processo de formação docente no Brasil, que se constitui no outro ponto de estrangulamento de todo o sistema educacional. A referida distorção é a seguinte: a grande maioria dos docentes que atuam nas redes públicas de educação básica do país é formada em instituições particulares de Ensino Superior de duvidosa qualidade. Com isso, a educação básica pública fica refém do ensino privado mercantilizado, sem possibilidade de resolver seus problemas de qualidade. Portanto, diferentemente do que a mídia divulga incessantemente, não é verdade que a rede particular seja qualitativamente melhor que a rede pública. Ao contrário: a má qualidade das escolas superiores privadas de formação de professores é um dos fatores determinantes da baixa qualidade da rede pública de educação básica. É preciso, pois, organizar uma rede pública de formação docente em regime de colaboração entre a União e os estados UNIDADE 3 | O CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 208 para assegurar o preparo adequado dos professores que irão atuar nas escolas públicas de educação básica. O projeto de PNE trata da questão do magistério nas metas 15 e 16 (formação) e 17 e 18 (condições de exercício). Apesar de alguns avanços, o que se prevê é insuficiente, pois não assegura a formação centrada em instituições públicas e não garante as condições necessárias à carreira docente e ao exercício do magistério. Penso que caberia ao PNE fixar metas claras que permitissem no curto e médio prazo resolver de uma vez por todas a questão do magistério. Sem isso, todos os discursos em prol da melhoria da qualidade da educação pública não passarão de promessas vãs. Em outras oportunidades o senhor tratou de históricas dificuldades estruturais do Estado brasileiro. Uma delas estaria relacionada com a histórica resistência que as elites dirigentes opõem à manutenção da educação pública. A outra estaria relacionada com a descontinuidade, também histórica, das medidas educacionais acionadas pelo Estado. O PNE contribui para enfrentar as dificuldades apontadas? Em que medida? Considerando, como já assinalei, que o PNE não tem passado de carta de intenções, sendo ignorado na formulação e implementação das medidas de política educacional, forçoso é concluir que ele não tem contribuído para enfrentar as dificuldades apontadas, as quais vêm persistindo apesar de todas as proclamações em contrário por parte dos governantes, de modo especial em períodos eleitorais. Resumidamente, podemos dizer que a política educacional brasileira, desde o final da ditadura (1985) até os dias de hoje, se apresenta com características condensadas nas seguintes palavras: filantropia, protelação, fragmentação e improvisação. A filantropia diz respeito à demissão do Estado em consonância com a ideia do Estado mínimo, o que se traduz na tendência a considerar que a educação é um problema de toda a sociedade e não propriamente do Estado, isto é, dos governos. A impressão é que, em lugar do princípio que figura nas constituições segundo o qual a educação é direito de todos e dever do Estado, adota-se a diretriz contrária: a educação passa a ser dever de todos e direito do Estado. Com efeito, o Estado se mantém como regulador, como aquele que controla, pela avaliação, a educação, mas transfere para a “sociedade” as responsabilidades pela sua manutenção e pela garantia de sua qualidade. Veja-se como exemplo, no governo FHC, o mote “Acorda Brasil. Está na hora da escola” e, no governo Lula, o “Compromisso Todos pela Educação”, ementa do decreto que instituiu o PDE. A protelação significa o adiamento constante do enfrentamento dos problemas. Tomemos o exemplo dos dois pontos fixados pelo Art. 60 das Disposições Transitórias da Constituição: eliminação do analfabetismo e universalização do Ensino Fundamental. A Constituição fixou o prazo de 10 anos para o cumprimento dessa meta: 1998. O Plano Decenal “Educação para Todos”, de 1993, também 10 anos: 2003. O FUNDEF, de 1996, igualmente 10 anos: 2006. O FUNDEB, de 2007, 14 anos: 2021. O PDE, de 2007, 15 anos: 2022. E o PNE, 10 anos a partir de sua aprovação. TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO-FILOSÓFICO EDUCACIONAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 209 A fragmentação se constata pelas inúmeras medidas que se sucedem e se justapõem perpetuando a frase do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932: “todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar” à altura das necessidades do país. A improvisação se manifesta no fato de que para cada ponto que se levanta como importante busca-se logo aprovar uma emenda constitucional, uma lei ou baixar um decreto ou portaria sem atentar para sua efetiva necessidade e sua justaposição com outras medidas correlatas ou de efeito equivalente. O resultado observável empiricamente é a precarização geral da educação em todo o país, visível na rede física, nos equipamentos, nas condições de trabalho e salários dos profissionais da educação, nas teorias pedagógicas de ensino e aprendizagem, nos currículos e na avaliação dos resultados. Em síntese, eis a perversa equação que expressa o significado da política educacional brasileira desde o final da ditadura (1985) até os dias de hoje: FILANTROPIA + PROTELAÇÃO + FRAGMENTAÇÃO + IMPROVISAÇÃO = PRECARIZAÇÃO GERAL DO ENSINO NO PAÍS. Adaptada de entrevista concedida em abril de 2014 à Anped. Disponível em: <http://www.anped. org.br/news/entrevista-com-dermeval-saviani-pne>. Acesso em: 6 nov. 2016. No início do mês de junho de 2014, a Câmara dos Deputados havia terminado a votação e aprovação do PNE, e entre as principais diretrizes do Plano constam a erradicação do analfabetismo; o aumento de vagas ofertadas em creches, no Ensino Médio, no ensino profissionalizante e nas universidades públicas; oferta de pelo menos 25% do ensino básico na modalidade integral; a universalização do atendimento escolar para crianças de 4 a 5 anos; aumento paulatino dos investimentos do PIB ao ano à educação, o atual percentual de 5,3% alcançando 10% no ano de 2024. Para ficar atualizado no que diz respeito a pesquisas, eventos, congressos, leis, diretrizes e demais questões sobre a educação e o cotidiano escolar, observe a dica que é feita a seguir: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO/ANPED: Acesse o site da ANPED: trata-se de uma organização sem fins lucrativos que reúne estudos e pesquisas em nível de pós-graduação de todo o Brasil. Disponível em: <http://www.anped.org.br/>. DICAS 210 Neste tópico, o acadêmico pôde observar o processo da construção da escola no Brasil. • Além dos sistemas regulares de educação, o Brasil possui alguns sistemas específicos de educação. Um dos mais tradicionais é o ensino militar, que tem como característica a formação de militares para as fileiras das forças armadas. • O ensino técnico, cujo maior exemplo é o sistema “S”, que tem como função formar profissionais para os diferentes ramosindustriais. Também a educação para os especiais, como os cegos, surdos e portadores de Síndrome de Down, que possuem escolas específicas. • Contemplamos os desafios atuais da educação, no que tange às novas tecnologias educacionais. A instituição escolar está sendo modificada pela pressão social criada pelas novas tecnologias, em especial a informática. • A partir dos anos de 1980 ocorreu a aproximação da escola com a comunidade e as pessoas propriamente ditas, assim, espaços não escolares passaram a ser compreendidos como espaços de ensino e aprendizagem, tais como CAPs, CRAs, museus, arquivos, sedes de sindicatos, ONGs, associações, locais em que ocorrem feiras, entre outros. • Os PCN (1997) enfatizam que sejam considerados conteúdos os temas que contemplam o exercício da cidadania e o respeito à diversidade, as relações sociais, o mundo do trabalho, os temas transversais (ética, meio ambiente, pluralidade cultural) nas mais diferentes disciplinas, conteúdos, séries e faixas etárias dos estudantes. RESUMO DO TÓPICO 3 211 AUTOATIVIDADE 1 Muitos jargões são utilizados pelos profissionais de ensino, e são fundamentais para um melhor conhecimento do panorama educacional brasileiro na contemporaneidade. Neste sentido, pergunta-se: o que podemos compreender por sistema “S”? Assinale a alternativa correta: a) ( ) Sistema social e educacional mantido pelas confederações de indústrias e do comércio dos estados da federação, que se materializam nas famosas escolas técnicas e superiores, como o SESI, SENAI, SENAC E SESC, entre outras instituições. b) ( ) Sistema social e educacional formado pelas ações comunitárias da Igreja Católica no Brasil, que se materializam nos famosos hospitais da Santa Casa de Misericórdia, importante para a formação dos médicos residentes brasileiros. c) ( ) Sistema social e educacional mantido pelas igrejas protestantes brasileiras, em especial simbolizadas pelas famosas “Sociedades de Educação”, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie ou a Universidade Luterana Brasileira. d) ( ) Sistema social e educacional das Forças Armadas Brasileiras, que tem como símbolo a hierarquia, a disciplina e a obediência às ordens superiores. 2 Em relação à educação dos portadores de necessidades especiais, pergunta- se: qual é a importância das APAEs? Assinale a alternativa correta. a) ( ) A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) é uma importante instituição que se preocupa com a educação dos portadores da Síndrome de Down. b) ( ) A APAE (Associação dos Professores e Auxiliares de Educação) é uma instituição que serve para a inserção dos surdos-mudos no mercado profissional. c) ( ) A APAE (Associação dos Profissionais e Auxiliares Estaduais) é uma instituição que visa à colocação profissional de menores em conflito com a lei. d) ( ) A APAE (Associação dos Portadores dos Excepcionais da Escola) é uma associação extinta e que pouco contribuiu para a educação ao longo dos anos. Assista ao vídeo de resolução da questão 1 212 213 REFERÊNCIAS ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. ABREU, Mariza. Organização da educação nacional na constituição e na LDB. Ijuí: UNIJUÍ, Acesso em: 11/ set. 2012. ALENCAR, Valéria Peixoto de. Teatro grego: diferenças entre comédia e tragédia, s/d. 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