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DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
Universidade Estadual
de Santa Cruz
Reitor
Prof. Antonio Joaquim da Silva Bastos 
Vice-reitora
Profª. Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro
Pró-reitora de Graduação
Profª. Flávia Azevedo de Mattos Moura Costa
Diretora do Departamento de Ciências da Educação
Profª. Raimunda Alves Moreira Assis 
Ministério da
Educação
Ficha Catalográfica
D636 Docência e fundamentos da educação - Pedagogia: 
 didática e tecnologia I - EAD, módulo 2, volume 5 / 
 Elaboração de conteúdo: Jeanes Martins Larchert. – 
 [Ilhéus, BA]: UAB/ UESC, [2010].
 80p. 
 
 Inclui referências. 
 ISBN: 978-85-745-210-1 
 
1. Didática. 2. Tecnologia educacional. 3. Inovações 
 educacionais. I. Larchert, Jeanes Martins. II. Título: Peda- 
 gogia: didática e tecnologia I : módulo 2, volume 5. 
 
 CDD 371.3
Coordenação UAB – UESC
Profª. Drª. Maridalva de Souza Penteado
Coordenação do Curso de Pedagogia (EAD)
Profª. Drª. Maria Elizabete Sauza Couto
Elaboração de Conteúdo
Profª. Msc. Jeanes Martins Larchert
Instrucional Design
Profª. Msc. Marileide dos Santos de Olivera
Profª. Msc. Cibele Barbosa
Revisão
Profª. Msc. Sylvia Maria Campos Teixeira
Coordenação de Design
Profª. Msc. Julianna NascimentoTorezani
Diagramação
Jamile A. de Mattos Chagouri Ocké
João Luiz Cardeal Craveiro
Ilustração e Capa
Sheylla Tomás Silva
EA
D
 -
 U
ES
C
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO - UEMA
Reitor da Uema
Prof. José Augusto Silva Oliveira
Vice-reitor da Uema
Prof. Gustavo Pereira da Costa
Pró-reitor de Administração
Prof. Walter Canales Sant’ana
Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis
Profª. Vânia Lourdes Martins Ferreira
Pró-reitora de Graduação
Profª. Maria Auxiliadora Gonçalves de Mesquita
Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação
Prof. Porfírio Candanedo Guerra
Pró-reitor de Planejamento
Prof. Antonio Pereira e Silva
Chefe de Gabinete da Reitoria
Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho
Diretora do Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN
Profª. Andréa de Araújo
NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO - UEMANET
Coordenador
Prof. Antonio Roberto Coelho Serra
Coordenadora de Tecnologias Educacionais
Profª. Maria de Fátima Serra Rios
Coordenadoras dos Cursos, a distância
Profª. Heloisa Cardoso Varão Santos - Pedagogia
Profª. Lourdes Maria de Oliveira Paula Mota - Formação Pedagógica de Docentes
O conteúdo deste fascículo foi cedido à Universidade Estadual do Maranhão - UEMA pela Universidade Estadual de Santa Cruz - Ilhéus - BA 
que autorizou sua reprodução para uso exclusivo do Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet.
UN IV E RSID AD E E STAD UAL D O M ARAN H ÃO
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA
Fone-fax: (98) 3257-1195
http://www.uemanet.uema.br
e-mail: comunicacao@uemanet.uema.br
Coordenador de Design Instrucional
Prof. Mauro Enrique Carozzo Todaro
Profª. Leila Amum Alles Barbosa - Filosofia
Ao longo do texto você encontrará alguns boxes com orientações de estudo. A 
seguir descrevo o que cada uma significa e como você deve proceder diante das 
orientações.
PARA REFLETIR
As pausas para reflexão são pequenas provocações feitas ao longo do texto 
para que você interrompa por alguns minutos a leitura e pense sobre o que está 
sendo estudado. Não é necessário escrever nem debater com seus colegas, mas 
é importante que você pare para refletir sobre o que está sendo proposto antes 
de dar continuidade à leitura.
ATENÇÃO
Nos boxes em que há o pedido de atenção são apresentadas questões ou 
conceitos importantes para a elaboração de sua aprendizagem e continuidade 
dos estudos.
SAIBA MAIS
Aqui são apresentados trechos de textos que complementam e enriquecem o 
estudo que está sendo realizado.
EXERCÍCIO
Momento de debates sobre questões específicas. Cada exercício possui uma 
orientação específica sobre como deve ser realizado.
LEITURA 
RECOMENDADA/
NECESSÁRIA
São indicações de leituras que contribuem para a complementação e aprofun-
damento dos estudos realizados.
ATIVIDADE
As atividades devem ser realizadas de acordo com as orientações específicas 
de cada uma.
UM CONSELHO
Um conselho, uma orientação feita pelo professor a respeito de algo que foi 
dito, auxiliando assim, na construção do conhecimento.
PARA CONHECER
Indicação e referências de autores, fontes de pesquisa, livros, websites, filmes 
(curtas-metragens e/ou longas-metragens) etc.
PARA ORIENTAR SEUS ESTUDOS
Sumário
1
2
3
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da didática ............................15
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 17
2 O HOMEM, A EDUCAÇÃO E A ESCOLA ...................................................................................... 18
3 A PEDAGOGIA E A DIDÁTICA COMO CAMPOS DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PEDAGÓGICO ....... 21
4 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA DIDÁTICA NO BRASIL ........................................................ 23
 4.1 Pedagogia Tradicional ....................................................................................................... 24
 4.1.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia tradicional ...................................... 24
 4.2 Pedagogia Renovada ........................................................................................................ 26
 4.2.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia renovada ........................................ 26
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 27
 4.3 Pedagogia Tecnicista ........................................................................................................ 28
 4.3.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia tecnicista ........................................ 28
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 30
 4.4 Pedagogia Crítica ............................................................................................................. 30
 4.4.1 A didática na pedagogia crítica ................................................................................ 31
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 32
 RESUMINDO ......................................................................................................................... 33
 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 33
O conhecimento teórico-prático na didática: cultura e método na docência ............................. 35
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 37
2 DISCUTINDO A RELAÇÃO DA TEORIA E DA PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO PEDAGOGO ...................... 38
3 A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR .......................................................................... 42
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 44 
4 A DIDÁTICA INTERCULTURAL COMO NÚCLEO ARTICULADOR DA ORGANIZAÇÃO DE ENSINO ...........44
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 47
5 O MÉTODO DE ENSINO E A FORMAÇÃO ÉTICA DO SER PROFESSOR ............................................. 48
 ATIVIDADE ........................................................................................................................... 52
 RESUMINDO ......................................................................................................................... 53
 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 53
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente ............................................ 55
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 57
2 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE E OS FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO ....................... 58
3 PLANEJAMENTO E AÇÃO PEDAGÓGICA: DIMENSÕES TÉCNICAS E POLÍTICAS DO PLANEJAMENTO .... 60
 3.1 Momentos ou etapas do planejamento ................................................................................ 60
 3.2 Requisitos para o planejamento do ensino ........................................................................... 61
4 ELEMENTOS DO PLANEJAMENTO: OBJETIVOS; CONTEÚDO; METODOLOGIA E AVALIAÇÃO DA ............ 
 APRENDIZAGEM .................................................................................................................... 62
 4.1 Objetivos da educação e do ensino .................................................................................... 62
 4.2 Seleção e organização dos conteúdos escolares ................................................................... 63
 4.3 Metodologia de ensino ...................................................................................................... 66
 4.4 Avaliação da aprendizagem .............................................................................................. 70
 4.5 Tipos de planejamento de ensino ...................................................................................... 71
5 OFICINA DE PLANEJAMENTO .................................................................................................. 77
 RESUMINDO ......................................................................................................................... 79
 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 80
 Informações sobre o autor ..................................................................................................... 82
Ementa
Contextualização da Didática desde a sua constituição à 
atualidade. As dimensões sócio-históricas da Didática: docência, 
cultura, método, avaliação, relação pedagógica e suas implicações 
na educação básica. O planejamento docente: a didática e a 
formação do professor com vistas à organização do trabalho 
docente.
CARGA HORÁRIA – 60 HORAS
DISCIPLINADIDÁTICA E TECNOLOGIA I
Profª. Msc. Jeanes Martins Larchert
1. Compreender o objeto de estudo da Didática: o 
processo de ensino-aprendizagem inserido no 
campo do conhecimento científico e pedagógico.
2. Desenvolver uma aprendizagem técnica e política 
sobre o ato de ensino, com vistas a uma formação 
ética do SABER, FAZER e SER professor.
3. Desenvolver uma atitude crítica e criativa, no que 
tange ao conhecimento de métodos e de técnicas 
de ensino, entendendo que o planejamento retrata 
a organização do trabalho docente.
Objetiv
os
A Didática é uma disciplina do campo de conhecimentos da 
Pedagogia. Compreende o trabalho docente e a relação ensi-
no-aprendizagem como seu objeto de investigação e prática. 
Seu conteúdo de referência, o processo de ensino- apren-
dizagem e suas múltiplas relações: educação-sociedade; 
professor-aluno; teoria-prática; conteúdo-forma - é analisa-
do nos seus significados ideológico-políticos, socioculturais e 
pedagógico-didáticos. Sua pretensão é contribuir com a for-
mação do professor subsidiando seu processo formativo com 
vistas a uma prática educativa emancipatória.
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
1
A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E O PAPEL DA DIDÁTICA
unidade
A educação se confronta com a apaixonante 
tarefa de formar seres humanos para 
os quais a criatividade, a ternura e a 
solidariedade sejam, ao mesmo tempo, 
desejo e necessidade.
 HUGO ASSMANN 
UNIDADE 1
A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO DA SOCIEDADE 
CONTEMPORÂNEA E O PAPEL DA DIDÁTICA
1 INTRODUÇÃO
Prezados alunos, vamos refletir juntos sobre os conteúdos que 
compõem esta disciplina: a Educação, a Pedagogia e a Didática. A 
educação é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade 
humana necessária à existência e funcionamento de todas as 
sociedades. Cada sociedade precisa cuidar da formação de seus 
cidadãos, auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas, 
emocionais e espirituais, prepará-las para a participação ativa e 
transformadora nas várias instâncias da vida social.
17PedagogiaUESC
1
U
ni
da
de
2 O HOMEM, A EDUCAÇÃO E A ESCOLA
 A educação corresponde a toda modalidade de influências 
e inter-relações que convergem para a formação de traços de 
personalidade social e de caráter, implicando uma concepção de 
mundo, ideais, valores, modos de agir, que se traduzem em convicções 
ideológicas, morais, políticas, religiosas, princípios de ação frente a 
situações reais e desafios da vida prática. Implica, portanto, “uma 
busca realizada por um sujeito que é o homem” (FREIRE, 1988, 
p.70). Assim, a educação em cada sociedade assume um conjunto de 
características peculiares, os seres humanos se educam para que suas 
vidas tenham significados e sentidos próprios. Vejamos nós, homens 
e mulheres ocidentais, da América Latina, brasileiros, baianos do sul 
ou do norte do Estado, temos modos de vida diferentes do cidadão do 
sertão da Bahia, dos indígenas, dos quilombolas, de outras regiões 
do país, dos orientais e de tantas outras sociedades e outros seres 
humanos, isto porque a intencionalidade de educar é especifica de 
cada grupo social.
 Durante séculos, a ação intencional de educar da humanidade 
vem sendo modificada, adaptando o ser humano a novas realidades. 
Ficamos de 6 a 8 mil anos plantando com a intenção de colher. Nesse 
período, a prática educativa consistia na aquisição de instrumentos 
para o plantio e para a colheita. Na Idade Média, a ação intencional 
de educar da humanidade esteve envolvida com a formação do ser 
humano apoiada pela fé, toda produção era para enriquecimento da 
Igreja e dos grandes feudos (GRISPUN, 2000). 
 Na Idade Moderna, início do século XIX, o advento da 
Revolução Industrial ocasionou a mudança da ação intencional da 
humanidade com uma recodificação da realidade, empurrando o 
ser humano para a modernização, consubstanciando a transição da 
sociedade feudal para a sociedade capitalista burguesa. Nasceu uma 
nova classe social, a burguesia, e uma nova sociedade, a capitalista. 
Essa nova organização econômica e social influenciou diretamente na 
organização social de hoje: pertencemos a uma sociedade ocidental, 
capitalista, dividida socialmente em classes sociais: a burguesia e o 
trabalhador.
 No início da Idade Moderna, “a burguesia que se instalava 
no poder necessitava instrumentalizar-se culturalmente, formar 
seus quadros, formar o cidadão, preparar as elites para o avanço 
tecnológico, forjar escalões e difundir sua visão de mundo às camadas 
populares” (GHIRALDELLI JR, 1991, p.23). Era preciso para tal, uma 
instituição oficial eeficiente – a Escola, e uma pedagogia eficaz – a 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
18 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
Pedagogia Tradicional. Assim, cria-se a Escola, instituição moderna, 
organizadora de grandes redes de ensino que crescem em consonância 
com a disseminação da Pedagogia Tradicional, cuja intencionalidade 
educativa vai ser explicada no item 1.3 desta unidade. As grandes 
redes de ensino organizam e estruturam a escola para o trabalho. “Era 
uma pedagogia elitista, mas, uma vez, aplicada a amplas massas, 
contraditoriamente dava resultados positivos” (GHIRALDELLI JR, 
1991, p.15). E, de fato, a extensão da escola pública, nos países 
de capitalismo avançado, praticamente extinguiu o analfabetismo, 
elevando o nível cultural das camadas populares, fenômeno que não 
ocorre no Brasil.
 A teoria crítica na educação, que você vai estudar nesta 
disciplina e ao longo do curso, desvela que esse modelo de educação 
para o trabalho alienou o cidadão e não o preparou para o exercício 
crítico da sua cidadania, e que, no Brasil, a escola com sua pedagogia 
europeia criou o fracasso escolar que se reflete, até os dias atuais, nos 
alarmantes índices de analfabetismo. Para a educação contemporânea 
crítica, a escola se consolida como a instituição capaz de criar 
condições que garantam o aprendizado de conteúdos necessários 
para a vida em sociedade, oferecendo instrumentos de compreensão 
da realidade, bem como favorecendo a participação dos educandos 
em relações sociais diversificadas. O trabalho específico da escola é 
proporcionar um conjunto de práticas planejadas com o propósito 
de contribuir para que os alunos assimilem determinados elementos 
culturais, considerados essenciais para o desenvolvimento do grupo e 
do indivíduo. 
 A educação escolar é o instrumento que deve garantir a 
sociedade democrática, ocidental, moderna, sustentada pelas 
relações de produção capitalista; e, também, a socialização 
dos conhecimentos científicos e tecnológicos, acumulados pela 
humanidade. A apropriação dos saberes organizados pelas diversas 
ciências constitui o indispensável para a formação e para o exercício 
da cidadania.
 À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um 
mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a 
bússola que permita navegar através dele. Segundo Morin (1999), 
a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens 
fundamentais que, ao longo de toda vida, serão, de algum modo, 
para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: 
• aprender a conhecer - adquirir os instrumentos da 
compreensão; 
• aprender a fazer - para poder agir sobre o meio envolvente; 
19PedagogiaUESC
1
U
ni
da
de
• aprender a viver juntos - a fim de participar e cooperar com 
os outros em todas as atividades humanas;
• aprender a ser - via essencial que integra as três precedentes. 
 Uma nova concepção ampliada de educação deve fazer com que 
todos possam descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial criativo 
- revelar o tesouro escondido em cada um de nós. Isto supõe que se 
ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada 
como a via obrigatória para obter certos resultados (saber fazer, 
aquisição de capacidades diversas, fins de ordens econômicas), e se 
passe a considerá-la em toda sua plenitude: realização da pessoa 
que, na sua totalidade, aprende a ser (DELORS, 1996).
Enfim, a escola, na sociedade contemporânea, deve considerar que: 
• as novas tecnologias mudam o conceito de tempo, espaço 
e ensino;
• cabe à educação o desenvolvimento integral da pessoa 
humana;
• o homem deve estar apto a viver em uma sociedade 
tecnológica e globalizada;
• não muda apenas o modo de aprender na escola, mas aquilo 
que se necessita saber;
• muda o eixo dos conteúdos para as competências e 
habilidades.
 À escola cabe criar condições que garantam o aprendizado 
de conteúdos necessários para a vida em sociedade, oferecendo 
instrumentos de compreensão da realidade, bem como favorecendo a 
participação dos educandos nas instâncias sociais de sua comunidade. 
O trabalho específico da escola é proporcionar um conjunto de 
práticas planejadas com o propósito de contribuir para que os alunos 
assimilem determinados elementos culturais, considerados essenciais 
para seu desenvolvimento e para a sociedade, que, dificilmente 
seriam adquiridos sem uma orientação especifica.
 Para Libâneo (1991, p.35), “A escolarização básica constitui 
instrumento indispensável à construção da sociedade democrática, 
por que tem como função a socialização daquela parcela do saber 
sistematizado que constitui o indispensável à formação e ao exercício 
da cidadania”. As escolas brasileiras podem e devem fortalecer-se 
como agências privilegiadas de formação para a cidadania. 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
20 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
3 A PEDAGOGIA E A DIDÁTICA COMO CAMPOS DE 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PEDAGÓGICO
 
 A Pedagogia, entendida como um campo de conhecimento, que 
constitui o que chamamos de saberes da área da educação, abriga 
as aprendizagens ligadas ao ensinar e ao aprender sistematizados 
e potencializados em ato educativo. A Pedagogia é um campo de 
conhecimento que investiga a natureza das finalidades da educação 
numa determinada sociedade, bem como os meios para a formação 
de seus indivíduos, tendo em vista prepará-los para a tarefa da vida 
social. 
 Abordar o campo da Pedagogia é tarefa complexa, uma vez que 
diferentes significados lhe são atribuídos. A nomenclatura Pedagogia 
é utilizada por professores, alunos e pela literatura quando se referem 
à ciência, ao curso, à técnica e a diversas formas de ensinar. Distinguir 
esses diversos significados é importante para compreendermos o 
campo da Pedagogia, seus fundamentos, sua especificidade, sua 
função social e acadêmica.
 A Pedagogia utiliza subsídios de outras ciências como a 
Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Economia 
etc. para tratar dos processos de ensinar e aprender em espaços 
formais e não formais. Constitui-se em uma ciência por construir 
e elaborar conhecimentos relacionados à educação intencional, 
sistematizada, institucional, envolvendo o educador e o educando em 
relações de aprendizagem. 
 Muitos modelos de ensino que propagam a ideia de uma 
SA
IB
A
 M
A
IS
Veja o que diz o professor Antônio Nóvoa (na unidade 1, p. 6-7, da disciplina Educação a Distância, 
as autoras já trazem para discussão os desafios da escola no mundo contemporâneo):
São muitos os desafios da Escola no mundo contemporâneo. Assinalo apenas dois [...] Em primeiro 
lugar, a necessidade de construir outro ‘modelo de Escola’. Continuamos fechados num modelo de 
Escola inventado no final do século XIX e que já não serve para enfrentar os desafios do mundo 
contemporâneo: escolas voltadas para dentro dos quatro muros, currículos rígidos, professores 
fechados no interior das salas de aula, horários escolares desajustados, organização tradicional 
das turmas e dos ciclos de ensino etc. Defendo, por isso, que é necessário repensar os modos de 
organização do trabalho escolar, desde a estrutura física das escolas até a lógica curricular das 
disciplinas e dos programas, desde as formas de agrupamento e de acompanhamento dos alunos 
até as modalidades de recrutamento e de contratação dos professores. Temos de reinventar 
a Escola se quisermos que ela cumpra um papel relevante nas sociedades do século XXI. Em 
segundo lugar, a importância de nunca renunciar ao conhecimento e à cultura.Quando se fala 
de ‘educação permanente’ (e, pior ainda, de ‘educação e formação ao longo da vida’), há, por 
vezes, uma tendência para valorizar certas competências técnicas ou instrumentais em detrimento 
do conhecimento, da ciência e da cultura. Fala-se do ‘aprender a aprender’, das capacidades de 
atualização e de procura autônoma do saber, das competências informáticas e outras. Tudo isto 
é verdade e deve ser tido em conta. Mas estas aprendizagens não se fazem no ‘vazio’. Por isso, 
não nos devemos vergar às modas instrumentais e temos de manter uma grande atenção aos 
conhecimentos e às disciplinas que formam os nossos alunos.
Fonte: (http://www.esepf.pt/SeE/SeE11/entrevista-pelaeducacao.pdf)
21PedagogiaUESC
1
U
ni
da
de
Pedagogia inovadora estão referindo-se a um 
método ou técnica de ensino. Nesta linha de 
pensamento, Libâneo afirma que, acima de 
qualquer discussão, a Pedagogia é um campo 
científico, “um campo de conhecimento sobre 
a problemática educativa na sua totalidade e 
historicidade e ao mesmo tempo uma diretriz 
orientadora da ação educativa” (2002, p.30). 
 Segundo as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o curso de Pedagogia (2006), 
em seu Artigo 2º, a graduação em Pedagogia 
é um curso de formação inicial para o exercício 
da docência na Educação Infantil e nos anos 
iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de 
Ensino Médio, na modalidade Normal, e em 
cursos de Educação Profissional, na área de 
serviços e apoio escolar, bem como em outras 
áreas nas quais sejam previstos conhecimentos 
pedagógicos. 
 Podemos afirmar que a Pedagogia é uma 
reflexão teórica sobre práticas educativas que 
aborda o fenômeno educativo como integrante 
da realidade social, tendo por objetos de 
estudo o ensinar e o aprender. Esses processos 
educativos compreendem o ensinar e o aprender 
situados dentro de processo histórico, cultural, 
econômico e social. 
 A Didática é a principal área de estudo 
da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, 
condições e modos de instrução e de ensino, 
sendo a responsável em converter objetivos 
sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de 
ensino (LIBÂNEO, 1991), e selecionar conteúdos 
e métodos em função desses objetivos, tendo 
em vista as capacidades cognitivas, emocionais 
e sociais dos alunos. A Didática está diretamente 
ligada à teoria da Organização Escolar e, de 
modo muito especial, vincula-se à Teoria do 
Conhecimento e às Teorias da Aprendizagem. 
 Estes vínculos existem porque cabe 
a Didática o estudo sobre a teoria geral do 
ensino, com base em seus vínculos com a 
UM CONSELHO
Estude mais sobre o Conhecimento na Disciplina 
Teoria do Conhecimento e suas relações com a 
apren-dizagem e a formação de professores na 
socie-dade tecnológica.
LEITURA RECOMENDADA
O estudante, que ora inicia seus estudos acadê-
micos para sua formação como professor(a) ou 
que já possua uma licenciatura, deve obrigatoria-
mente conhecer a legislação específica da área.
Diretrizes para a formação do professor no site: 
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos. 
Resolução CNE\CP 01\2202 – Diretrizes Curricu-
lares Nacionais para a formação de professores 
da Educação Básica, em nível superior, curso de 
licenciatura, graduação de plena.
Resolução CNE\CP 01\2006 - Diretrizes Curricula-
res Nacionais para o curso de graduação em Pe-
dagogia, licenciatura.
PARA CONHECER
Para refletirmos sobre a Pedagogia, faz-se neces-
sário sabermos o que é o conhecimento, você já se 
perguntou o que é conhecimento?
 Conhecimento é o Conjunto de infor-
mações, conceitos e ideias que explicam uma 
dada realidade. Quando queremos conhecer 
algo como, por exemplo, o sistema solar, ad-
quirimos em primeiro lugar as informações 
nos livros, nas aulas, na televisão, nos filmes 
e nas conversas; esses dados, característi-
cas, impressões e opiniões são informações, 
não são ainda conhecimento. Após aprofun-
darmos as leituras, as investigações, os es-
tudos, o nosso pensamento vai associar as 
informações adquiridas e elucidar determina-
dos conceitos, que possibilitarão a compre-
ensão e explicação de uma realidade; nesta 
etapa de pensamento o conhecimento é pro-
duzido. Isto significa que o conhecimento é o 
entendimento de uma realidade e permite a 
explicação verdadeira sobre ela; assim, o co-
nhecimento auxiliará o homem a agir e trans-
formar uma dada realidade.
 O conhecimento é produzido no ato 
de conhecer e o ato de conhecer é entendi-
do como a relação que se estabelece entre o 
sujeito que conhece, ser cognoscente (o ho-
mem é o animal por excelência que conhece) 
e o objeto que vai ser conhecido (este objeto 
pode ser uma ideia, uma realidade, uma dis-
ciplina, um tema, um problema).
Fonte: COUTO; LARCHERT. In: Módulo EAD Biolo-
gia, 2006, p. 71.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
22 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
Pedagogia, que é a ciência da e para a educação. Ela generaliza os 
processos e procedimentos obtidos na investigação das disciplinas 
específicas (Matemática, Geografia, Ciências, Língua Portuguesa 
etc.), das ciências que dão embasamento ao ensino e à aprendizagem 
(Sociologia, Psicologia, Filosofia, Antropologia etc.) e das situações 
concretas da prática docente. Assim, o campo da Didática abrange:
• o conteúdo que enfatiza a forma de se organizar o ensino;
• os cursos de formação de professor;
• a disciplina que trata dos meios, do processo e das técnicas 
de ensino.
 O objeto de estudo da Didática são os processos de ensino 
e de aprendizagem. Centrada em uma intenção de ensinar, envolve 
múltiplos aspectos: Homem; Conhecimento; Escola; Método de 
Ensino; Professor; Aluno; Ensino; Aprendizagem; Avaliação da 
Aprendizagem. 
 A seguir estudaremos as várias intenções de ensinar da 
Didática e suas dimensões pedagógicas. 
4 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA DIDÁTICA NO 
BRASIL 
 O sentido etimológico da palavra Didática deriva da expressão 
grega techné didaktiké, que se traduz por arte ou técnica de ensinar. 
Com base neste significado, João Amós Comenius (1592-1670), 
escreveu a primeira obra clássica sobre Didática, a Didáctica Magna, 
no século XVII. Nesta obra, Comenius sistematiza pela primeira vez 
os conteúdos da Didática, elabora uma proposta de reforma da escola 
e do ensino e lança as bases para uma Pedagogia que prioriza a “arte 
de ensinar”. 
A proa e a popa da nossa Didática será investigar e 
descobrir o método segundo o qual os professores 
ensinem menos e os estudantes aprendam mais, 
nas escolas haja menos barulho, menos enfado, 
menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais 
reconhecimento, mais atrativo e mais sólido 
progresso (COMENIUS, 1976, p.44).
 A partir de Comenius, a Didática se confirma como um 
conteúdo que enfatiza a forma de se organizar o ensino. Constitui – 
se, nos cursos de formação de professor, como a disciplina que trata 
dos meios, dos processos e das técnicas de ensino. 
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4.1 Pedagogia tradicional
 Do século XVII até o final do século XIX, a Didática ficou 
conhecida como a Didática Tradicional. Além de Comenius, seus 
maiores representantes são: Jean Jacques Rousseau (1712-1778), 
Henrique Pestalozzi (1746-1827) e Johan Friedrich Herbart (1766-
1841). As ideias desses pedagogos constituem as bases do pensamento 
pedagógico de toda Europa e influenciaram os outros continentes. 
Suas teorias da educação originaram a Pedagogia Tradicional.
 O primado da Pedagogia tradicional é a transmissão do saber. 
Acredita-se que o saber acumulado pela humanidade deve ser 
rigorosamente adquirido para o desenvolvimento intelectual e moral 
das pessoas.4.1.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia 
tradicional
FIGURA 1 - Pedagogia Tradicional
 Fonte: UAB/UESC
 Vejamos como a Pedagogia Tradicional se estruturou a partir 
dos elementos da didática: 
• Homem – compreendido a partir dos ideais de igualdade e 
liberdade pautados na política liberal. 
• Conhecimento – a ciência é a única fonte de conhecimento 
verdadeiro. O conhecimento enciclopédico é transmitido de 
uma geração para outra.
• Escola – a instituição responsável em preparar os indivíduos 
para o desempenho dos papéis sociais. Deverá educar para as 
normas vigentes da sociedade através do desenvolvimento 
das aptidões individuais, garantindo o preparo intelectual e 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
24 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
moral dos alunos.
• Método de ensino – instrução organizada na exposição verbal 
do professor, provocando o acúmulo de conteúdos: 
 - 1º) apresentação da matéria nova de forma clara e 
completa;
 - 2º) associação entre os conteúdos antigos e os novos; 
 - 3º) sistematização e generalização dos conteúdos; 
 - 4º) aplicação de exercícios e testes.
• Professor – é o arquiteto da mente, o dono do saber, 
a autoridade maior responsável pelo ensino, centro do 
processo educativo.
• Aluno – receptor dos conteúdos transmitidos e do método 
aplicado.
• Ensino – propedêutico, sustentado nas cátedras, organizado 
basicamente pela oratória do professor e pela aula expositiva, 
entendido como a “arte de ensinar” e toda ênfase está na 
teoria.
• Aprendizagem – memorização de conteúdos, acúmulo de 
saberes transmitidos pelo professor e repetidos nos livros.
• Avaliação da aprendizagem – individual, oral ou escrita.
 Para esta educação só é possível aprender mediante uma 
rigorosa disciplina. Podemos afirmar que a Pedagogia Tradicional 
dominou a educação brasileira até 1930, entretanto, ao discutirmos o 
ensino nas escolas brasileiras, identificamos que essa tendência ainda 
persiste em algumas escolas da educação básica e nas universidades; 
principalmente, no que se refere aos conteúdos isolados da realidade 
social: ao ensino sem participação e reflexão crítica dos alunos e às 
relações de poder hierarquizadas no interior da escola e das salas de 
aula.
PARA REFLETIR
Vamos refletir um pou-
co sobre a didática as-
sistindo ao filme Socie-
dade dos Poetas Mortos. 
Em seguida responda a 
seguinte atividade. 
Atividade: Descreva as 
características dos el-
ementos da Didática 
que aparecem no filme. 
Como são ministradas as 
aulas? Qual a organiza-
ção espacial das salas de 
aulas? Como se compor-
tam os professores? E os 
alunos? Qual o método 
de ensino? Qual a relação 
com a família? 
PARA REFLETIR
Eu nasci lá para os lados 
do rio 
passava os dias a jogar à 
bola 
mas eu não era excepção 
e antes que desse por isso
já estava na escola 
 
O programa era elementar 
entre o Euclides e o Arqui-
medes 
mas sempre que a infor-
mação 
dá uma volta no espaço 
eu quero sintonizar 
 
A escola ainda não acabou 
há sempre tanta matéria a 
estudar 
que eu chego mesmo a ter 
medo 
de em qualquer momento 
já não ter lugar 
para mais conhecimento 
Já consigo filosofar 
sei uma ou duas palavras 
em grego 
enquanto o tempo deixar 
e a escola não se afundar 
vou alterando o meu ego 
 
Vou deixando as moscas 
pairar 
vou vendo se Godot já 
chegou 
e quando me dá na tola 
dou um chuto na bola 
só para me aliviar 
 
A escola ainda não acabou 
há sempre tanta matéria a 
estudar 
que eu chego mesmo a ter 
medo 
de em qualquer momento 
já não ter lugar 
para mais conhecimento 
MÚSICA: A Escola 
Composição: Jorge Palma
Agora que você fez a leitura da letra da música, destaque das estrofes os elementos que indiquem as caracterís-
ticas da Escola descrita pelo compositor. 
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de
4.2 Pedagogia Renovada
 A partir da segunda metade do século XX, a Didática 
entendida como experimental questiona os meios e as técnicas 
que se aplicam ao ensino, e passa a se preocupar com a seguinte 
questão: que método é mais adequado para a aprendizagem de um 
conteúdo específico ou de determinada habilidade? Essa pergunta é 
respondida pelos teóricos considerando duas teorias da Psicologia: a 
Psicologia Humanista, representada por Carl Rogers, e a Psicologia 
Comportamental, representada por Burrhus Frederic Skinner.
 A Pedagogia, organizada a partir da Psicologia Humanista, 
é conhecida, no Brasil, como A Pedagogia Renovada ou Movimento 
dos Pioneiros da Escola Nova (1932), cujo principal representante 
é John Dewey (1859–1952) nos Estados Unidos, que irá influenciar 
significativamente as ideias de Anísio Teixeira (1900 - 1971) e de 
Lauro de Oliveira Lima (1921-...), entre outros educadores no Brasil. 
 A Didática, sustentada na teoria rogeriana, defende a ideia 
de que a aprendizagem verdadeira é aquela que nasce dos aspectos 
sociais, emocionais e cognitivos do aluno. A proposta defendida pela 
Psicologia Humanista de Carl Rogers (1902 - 1987), não considera 
o ensino um processo de transmissão, pelo professor aos alunos, 
de conteúdos prontos, nem mesmo um processo de direção da 
aprendizagem. Quase sempre essa proposta prefere não falar em 
ensino, mas em facilitação da aprendizagem, centra o professor na 
função de estimular o aprendiz a aprender. A escola deve ajustar o 
cidadão ao seu meio social, aproximando-se da vida dos alunos.
4.2.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia 
renovada
 A Pedagogia Renovada ou Progressivista contrapõe a Pedagogia 
Tradicional, verifique nos elementos da Didática essa contraposição:
• Homem – compreendido a partir da sua existência, individuo 
único no mundo, vive e interage em um mundo dinâmico.
• Conhecimento – produto da existência e da experiência que 
deverá ser compreendido e socializado.
• Escola – instituição organizadora e articuladora entre as 
estruturas cognitivas do indivíduo e as estruturas do meio 
ambiente. 
• Método de ensino – aprender experimentando, aprender a 
aprender. 
• Professor – facilitador da aprendizagem e do desenvolvimento 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
26 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
humano.
• Aluno – o aprendiz é o centro do processo educativo. 
• Ensino - orientação individual para o aprender fazendo, 
através de experimentação, pesquisas, dinâmicas de grupo 
e oficinas. 
• Aprendizagem – atividade de descoberta, autoaprendizagem.
• Avaliação da aprendizagem – autoavaliação.
 O ideário escolanovista pretendeu a superação da escola 
tradicional e propôs mudanças no desenvolvimento integral do aluno, 
sustentado pelas ideias de solidariedade e dignidade humana. O 
processo da educação escolar é responsável pelo desenvolvimento 
integral do indivíduo: seus conteúdos de ensino devem ser vinculados 
às experiências cotidianas da criança, e o método de ensino deve ser 
fundamentalmente ativo, provocando desafios cognitivos, situações 
problemas e estímulos à reflexão. A relação entre professor e aluno 
fundamenta–se na confiança e na disciplina interna do aluno. Esta 
tendência teve grande repercussão no Brasil, principalmente na 
Educação infantil, da década de trinta até nossos dias.
Vamos refletir sobre as sábias palavras do professor SAVIANI: 
[...] o professor agiria como estimulador da 
aprendizagem cuja iniciativa principal caberia aos 
próprios alunos. Tal aprendizagem seria decorrência 
espontânea do ambiente estimulante e da relação 
viva que se estabeleceria entre os alunos e entre 
estes e oprofessor, para tanto, cada professor teria 
que trabalhar com pequenos grupos de alunos, sem 
o que a relação interpessoal, essência da atividade 
educativa, ficaria dificultada; e num ambiente 
estimulante, portanto, dotado de materiais didáticos 
ricos, biblioteca de classe, etc. (SAVIANI, 1995, 
p.20).
Quais as primeiras reflexões que você elabora sobre a Tendência Renovada no Brasil? Considerando 
essas reflexões e o seu conhecimento sobre a realidade da educação brasileira, por que essa tendência 
é pouco conhecida?
ATIVIDADE
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4.3 Pedagogia tecnicista 
 No Brasil, entre 1950 e 1970, ocorre o desenvolvimento 
industrial e tecnológico da economia. Em 1964, sofremos o golpe 
militar e passamos vinte anos sob a égide da ditadura militar, cenário 
propício para o desenvolvimento do tecnicismo educacional, inspirado 
nas teorias behavioristas. O behaviorismo é o conjunto de teorias 
psicológicas que centra seus estudos no comportamento, cujas 
unidades de análises são respostas e estímulos. O indivíduo, motivado 
por estímulos planejados com rigor, responderá satisfatoriamente 
aos comandos propostos. Esta abordagem atende às exigências 
da sociedade capitalista, industrial e tecnológica, pois, para a sua 
sobrevivência, a massa de trabalhadores precisa de objetivos 
rigorosamente planejados, executados e controlados.
 O behaviorismo, representado por Burrhus Frederic Skinner 
(1904-1990), propõe a Tecnologia do Ensino como área da educação 
que representa a ciência do aprender e a arte de ensinar. O 
conhecimento organizado na Didática, a partir da teoria Skinneriana, 
cria a Didática Tecnicista, cuja preocupação maior é a aplicação de 
técnicas eficazes no ensino. Acredita essa abordagem que o resultado 
satisfatório do ensino, a aprendizagem dos conteúdos somente 
ocorrem quando a técnica de ensino for bem aplicada.
4.3.1 Elementos que compõem a didática na pedagogia 
tecnicista
 Para a Pedagogia Tecnicista o ensino é organizado 
pelos procedimentos e técnicas necessários ao arranjo 
e controle do ambiente da aprendizagem a fim de 
que seja assegurada a transmissão e a recepção das 
informações. Conheça os significados que são dados 
aos elementos da Didática na Pedagogia Tecnicista: 
• Homem - produto do meio social.
• Conhecimento - resultado da experiência 
planejada, baseada nos princípios científicos.
• Escola – responsável por qualificar mão de obra 
para o mercado de trabalho.
• A Escola brasileira passa por grandes mudanças 
curriculares é implementada a Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional - 5692/71 que 
introduz os cursos técnicos e as disciplinas 
técnicas no ensino.
FIGURA 2 - Pedagogia Tecnicista.
 Fonte: UAB/UESC
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
28 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
• Método de ensino – processo de condicionamento através do 
estímulo – resposta. 
• Professor – especialista de uma determinada área é um 
técnico capacitado para reproduzir com os alunos as 
dinâmicas aprendidas. 
• Aluno – tem o papel de receber, fixar e repetir as técnicas e 
seus conteúdos. 
• Ensino – diretivo e instrução programada. 
• Aprendizagem – fixação do programa aplicado, dos conteúdos 
decorados e da repetição da técnica.
• Avaliação da aprendizagem - verificação dos resultados dos 
objetivos propostos.
 Essa abordagem encontra-se concretizada em uma série 
de práticas pedagógicas, que vão dos audiovisuais, máquinas 
de ensinar, computadores no ensino, técnicas de formulações de 
objetivos e de planejamentos, validação de instrumentos de medidas 
de aprendizagens de alunos, até o ensino programado e os módulos 
de ensino. Os conteúdos de ensino são organizados dentro de 
uma sequência lógica e são baseados em informações e princípios 
científicos, apresentados pelos manuais e módulos de autoinstrução. 
O centro desta tendência não é o professor nem o aluno, é a técnica 
de ensino. É com essa abordagem que o ensino crítico e reflexivo é 
relegado na educação brasileira.
 Essa tendência define fortemente a educação brasileira a 
partir da década de 30, e vai se consolidar em 70 com a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 5692/71. Com a LDB, toda 
escola brasileira, particular e pública, organiza seu currículo para 
preparar indivíduos competentes para o mercado de trabalho. Vamos 
relembrar no percurso da nossa escolaridade aprendizagens pautadas 
na abordagem tecnicista:
• Quem já não decorou um questionário (pergunta-resposta) 
de mais ou menos 20 questões para a prova, cujas perguntas 
eram do tipo: Dê o conceito, Cite, Enumere, Caracterize, 
Relacione, V ou F, Marque com X, etc.?
• A escola ensinou tanto através da fixação e da repetição 
que ainda hoje uma das perguntas frequentes dos alunos é: 
Professor(a) o(a) senhor(a) vai passar o questionário para 
a prova? Ou ainda: Professor(a) essa atividade é pra nota?
• Você sabia que muitos programas de computadores são 
produzidos com base na instrução do programa behaviorista? 
Os comandos são organizados para que haja a repetição da 
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sequência e não ocorram erros, mas, caso aconteça o erro, é 
preciso voltar para os comandos iniciais e começar de novo. 
Organize uma discussão sobre a Pedagogia Tecnicista com seus colegas de Polo, e descreva 
um episódio que aconteceu com você que retrata sua experiência de aprendizagem na 
abordagem técnica. Afinal a escola brasileira é sustentada no modelo tecnicista!
ATIVIDADE
4.4 Pedagogia Crítica
 A partir da segunda metade da década de 70, acentua-se 
uma visão crítica da Didática em relação à Didática instrumental 
tradicional e tecnicista. A preocupação da Didática na formação do 
professor estava marcada por uma visão centrada nos métodos de 
ensino, aplicação de técnicas, na organização das tarefas a serem 
aplicadas etc. 
 Tal como outras áreas do conhecimento, a Didática também 
reflete o contexto brasileiro em que ela é produzida. Depois de 
1980, começam as críticas e protestos civis ao regime de dominação 
autocrática sob o controle burocrático militar instalado no Brasil em 
1964. É, nesse contexto, que a Didática denuncia que seus objetivos 
e conteúdos dissimulam e reforçam esse contexto social e político 
de ditadura através da abordagem tecnicista de educação que ela 
representa.
 A Didática que surge dessa discussão traz como princípio 
norteador a abordagem crítica na educação; expressa conteúdos que 
se articulam com a prática social dos alunos e professores, enquanto 
pressupostos e finalidades da educação; propõe o tratamento não 
dicotomizado entre a teoria e a prática; articula a didática teórica 
com a didática da prática; e considera o ensino nas suas múltiplas 
dimensões: social, afetivo, cognitivo, motor, político etc. (MARTINS, 
1997). 
 A nova didática traz quatro núcleos básicos de discussão para 
a formação do professor nos cursos de licenciatura (CANDAU, 1995), 
a saber: 
1. a dimensão histórica, estudo da Didática, sua natureza, 
objeto e conteúdos entendidos no processo de construção 
histórica; 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
30 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
2. a dimensão antropológica, estudo do trabalho docente e sua 
organização na sociedade; 
3. a dimensão ideológica, estudo do ensino tendo em vista as 
relações entre fins pedagógicos e fins sociais; 
4. a dimensão epistemológica, estudo do conteúdo e da forma, 
através das relações entre método de ensino, método de 
aprender e método da organização damatéria.
 Cada um desses núcleos de discussão é abordado considerando 
os elementos que compõem o ensino: objetivo, conteúdo, 
planejamento, relação professor e aluno, material escolar, avaliação 
da aprendizagem.
 Essa Didática crítica, contextualizada e socialmente 
comprometida com a formação do professor têm seus representantes 
no Brasil em Paulo Freire (1921-1997) com a Pedagogia Libertadora, 
e Dermeval Saviani e com a Pedagogia Crítico - social dos conteúdos, 
sustentada teoricamente pelo materialismo histórico.
4.4.1 A Didática na Pedagogia Crítica
A Pedagogia Crítica se baseia no ensino dialógico. Para Freire (2001), 
é através do diálogo que se dá a verdadeira comunicação, onde os 
interlocutores são ativos e iguais. A comunicação é uma relação social 
igualitária, dialogal, que produz conhecimento. Verifique a partir dos 
elementos da didática como acontece o ensino para esta tendência:
• Homem – cidadão e agente de transformação social.
• Conhecimento – socialmente referenciado, reflexivo e crítico.
• Escola - construtora de conhecimento crítico que busca a 
transformação social. 
• Método de ensino – dialético, parte da experiência do aluno 
e do professor, confrontando-a com o saber sistematizado, 
pautado na dialogicidade, o diálogo como produtor de 
conhecimento e de emancipação do cidadão. 
• Professor – mediador, orientador e agente de mudança 
social. 
• Aluno - aprendiz participativo e crítico.
• Ensino – organização de experiências destacando os 
conhecimentos da ciência para explicá-las criticamente. 
• Aprendizagem – desenvolvimento de estruturas cognitivas e 
sociais para a emancipação do aluno e do professor.
• Avaliação da aprendizagem - avaliar para mudar; 
autoavaliação.
ATENÇÃO
Prezado aluno, reco-
mendo que investigue 
mais sobre essas di-
mensões, discuta com 
seus colegas e solicite 
aos tutores mais es-
clarecimentos, pois esse 
conhecimento é de fun-
damental importância 
para a sua formação 
de pedagogo(a) e rep-
resenta as discussões 
do momento atual da 
Didática.
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 Reflitam que, na formação do professor, a Didática não está 
sozinha, pois, mesmo com esse rico debate no campo da Didática 
sobre o método mais eficaz para o ensino, a ocorrência continuada de 
problemas e fracassos escolares não solucionados satisfatoriamente 
é permanente. Cabe à Didática, juntamente com as Políticas Públicas 
para a Educação, o Currículo, a Formação do Professor, o Financiamento 
da Educação etc., tornarem efetivo o processo educativo, dando ao 
ensino as finalidades e meios da sua realização, conforme opções que 
se façam quanto ao tipo de cidadão que se quer formar, e ao tipo de 
sociedade a que se aspira.
PARA REFLETIR
Visite o site: http://
www.aol.com.br/profes-
sor/ e reflitam sobre a 
frase: “O ser humano 
deve ser o sujeito de 
sua própria educação 
e não objeto dela”.
ATIVIDADE
1. Durante seus estudos, construa um paralelo entre diretrizes curriculares para o curso 
de Pedagogia e os objetivos da didática.
2. Leia novamente o subtítulo 3, e verifique que o enunciado trata da Pedagogia e da 
Didática como conhecimento científico e pedagógico. Vamos discutir e refletir sobre 
essa questão: por que a Pedagogia e a Didática são apresentadas como conhecimento 
científico e pedagógico? 
3. Pesquise qual a diferença entre informação e conhecimento, organize um grupo de 
discussão entre os colegas do seu Polo e estabeleça o debate: qual tem sido a prática 
escolar em relação ao conhecimento? A escola tem se organizado para efetivar o 
processo e a produção do conhecimento ou tem possibilitado somente a aquisição de 
informações? Argumente a sua resposta.
4. Pesquise sobre a vida e as obras dos teóricos que influenciaram a educação brasileira. 
Dê destaque para Comenius, Carl Rogers , Skinner e Paulo Freire.
5. De quem é essa frase: O ser humano deve ser o sujeito de sua própria educação e não 
objeto dela.
LEITURA RECOMENDADA
Além das leituras das referências bibliográficas:
História da Didática - www.crmariocovas.sp.gov.br/amb_a.php?+020 
MIZUKAMI, Maria da Graça N. Ensino: abordagens do processo. São Paulo: E. P. U., 1986.
HARPER, B., CECCON, C, OLIVEIRA, M. D. e Oliveira R. D. Cuidado escola! Desigualdades, 
domesticação e algumas saídas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1980.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
32 Módulo 2 I Volume 5 EAD
A educação no contexto da sociedade contemporânea e o papel da Didática
RESUMINDO
Nesta unidade os conceitos centrais que devem ser compreendidos para se 
entender os próximos conteúdos da disciplina Didática são:
Educação - processo dinâmico que tem como princípio orientar e nutrir o ser 
humano, promovendo o desenvolvimento de potencialidades, que possibilitem 
a descoberta, a criatividade, habilidades e competência para conhecer, fazer, 
estar com e ser.
Pedagogia - campo de conhecimento que investiga a natureza da educação em 
uma determinada sociedade, e considera os diferentes processos educativos 
que são oriundos de diferentes grupos sociais, étnico-raciais, culturais etc.
Escola – instituição responsável pelo sistema de instrução e ensino de uma dada 
realidade. Responsável por organizar o conhecimento popular e o científico, 
transformando-os em conhecimento escolares em vista da sua democratização.
Didática – estuda os fundamentos do ensino considerando as condições concretas 
dos meios e multimeios necessários aos processos de ensino e aprendizagem, 
que movam o tripé saber, ser e fazer na formação do professor.
R
E
F
E
R
Ê
N
C
IA
S
CANDAU, Vera M. A Didática em questão. Petrópolis: Vozes, 1995.
COUTO, Maria Elizabete Souza; LARCHERT, Jeanes Martins. In: Módulo 
EAD Biologia, Editora Universidade de Brasília, 2007, p. 71.
DELORS, Jacques (Org.). Educação a descobrir. Relatório para a 
UNESCO da Comissão Internacional sobre a Educação para o século 
XXI. Tradução de José Carlos Eufrázio. São Paulo: Cortez, 1996.
FREIRE, P. Educação e Mudança. 24. ed. Rio de Janeiro: Editora Paz 
e Terra, 2001.
 
GRINSPUN, Mírian; ZIPPIN, P. S. (Org.). Educação Tecnológica: 
desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2001.
GHIRALDELLI Jr, Paulo. O que é Pedagogia. São Paulo: Brasiliense, 
1991.
MARTINS, Pura L. O. Didática Teórica e Didática prática. Para além 
do confronto. São Paulo: Edições Loyola, 1997.
MORIN, Edgar. Os setes saberes necessários à educação do futuro. 
Tradução de Catarina Eleonora F.; Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; 
Brasília-DF: UNESCO, 1999.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991. 
SAVIANI, Demerval. Pedagogia histórico-crítica. Primeiras 
aproximações. Campinas: Autores Associados, 2000.
SAVIANI, Demerval. Escola e Democracia. Campinas: Autores 
Associados, 1995.
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Suas anotações
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2
O CONHECIMENTO TEÓRICO - PRÁTICO DA DIDÁTICA: CULTURA E MÉTODO NA DOCÊNCIA
unidade
As pessoas têm direito a serem iguais 
sempre que a diferença as tornar inferiores; 
contudo, têm também direito a serem 
diferentes sempre que a igualdade colocar 
em risco suas identidades. 
BOAVENTURA apud MOREIRA, 2008.
UNIDADE 2
O CONHECIMENTO TEÓRICO - PRÁTICO DA 
DIDÁTICA: CULTURA E MÉTODO NA DOCÊNCIA 
1 INTRODUÇÃO
 O objetivo desta unidade é analisar as dimensões sócio-
históricas da Didática, entendendo que a docência e suas práticas 
educativas são realizadas em uma realidade concreta. Existe um 
espaço social onde se desenvolvem os processos educativos, formal 
ou não-formal, vividos por sujeitos reais: professores, alunos, 
diretores, coordenadores, secretários, funcionários etc., envolvidos 
pela intencionalidade de educar. Esta realidade concreta, estudada 
no âmbito do conhecimento acadêmico-científico, integra as diversas 
teorias e práticas do saber pedagógico.
 No primeiro momento, estudaremos a importância da relação 
teoria e prática na/para o trabalho docente, objetivando que você, 
aluno(a), compreenda: sua formação em Pedagogia é respaldada por 
conteúdos teóricos e práticos, que se complementam e se justapõem. 
Em seguida, apresentaremos a relação entre o trabalho docente e 
a interculturalidade como estratégia de respeito e diálogo com as 
diferenças existentes na escola e na sala de aula. Por fim, entendendo 
que essa discussão se materializa no método, discorremos sobre a 
metodologia de ensino, tendo em vista desenvolver uma aprendizagem 
técnica e política sobre o ato de ensino, com vistas a uma formação 
ética do SABER, do FAZER e do SER professor.
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 O professor da Educação Infantil e do Ensino Fundamental 
precisa entender e desempenhar seu papel profissional e político, 
pois terá de estar preparado e deverá saber como aproximar o aluno 
da escola e a escola do mundo, para que, nesse processo, todos 
tenham um papel eficaz nas mudanças da sociedade. A Pedagogia 
apresenta características peculiares: o conteúdo tem uma estreita 
relação com a sociedade e o homem, o que implica na necessidade 
de entender as questões sociais, ao mesmo tempo em que exige 
também o entendimento da dinâmica do próprio conhecimento, 
requerendo do professor métodos e técnicas apropriadas ao processo 
ensino–aprendizagem. 
2 DISCUTINDO A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA 
FORMAÇÃO DO PEDAGOGO
 Vimos na Unidade I, que a Pedagogia e a Didática são campos 
de investigação das práticas educativas, portanto carregam na sua 
natureza conteúdos teóricos e práticos que se complementam e se 
justapõem. Para entendermos essa relação precisamos fazer uma 
reflexão sobre dois conceitos imprescindíveis, o que é teoria e o que 
é prática. Esses conceitos provêm do grego: 
Teoria Prática
theoria – refere-se originalmente 
à viagem da delegação das 
festividades ao local de sacrifício, 
onde se desenvolveria a theoria igual 
a experiência, isto é, investigação de 
eventos e guia para a ação. 
prãgma - significa agir, 
em particular a atividade 
consciente no âmbito 
inter- humano.
 Prática designa originalmente toda a atividade humana 
diferenciada de qualquer comportamento natural. Nesse sentido, 
podemos dizer que a atividade prática é real, objetiva ou material. 
A finalidade dessa atividade é a transformação real e objetiva do 
mundo natural ou social para satisfazer determinada necessidade 
humana (VÁZQUEZ, 1997). 
 A atividade teórica se distingue da prática por seu objeto, 
finalidades, meios e resultados. Seus objetos são as sensações ou 
percepções, ou seja, objetos psíquicos que só têm uma existência 
ATENÇÃO
Este texto sobre 
a relação teoria e 
prática foi reescrito a 
partir do texto Práti-
ca de Ensino, publi-
cado no módulo III 
do Curso de Licen-
ciatura em Biologia 
EAD, da Universidade 
Estadual de Santa 
Cruz, da mesma au-
tora (2007).
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
38 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
subjetiva; ou conceitos, teorias, representações ou hipóteses que têm 
uma existência ideal. A finalidade da atividade teórica é elaborar ou 
transformar idealmente, e não realmente, essa matéria prima, para 
obter como produtos teorias que expliquem uma realidade futura. As 
transformações elaboradas pela atividade teórica são transformações 
ideais: das ideias sobre o mundo, mas não do mundo (VÁZQUEZ, 
1997).
 A teoria em si não transforma o mundo, pode contribuir para sua 
transformação, mas, para isso, tem de sair de si mesma, e, em primeiro 
lugar, tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos 
reais efetivos, tal transformação. Entre a teoria e a atividade prática 
transformadora se insere um trabalho de educação das consciências 
de organização dos meios materiais e planos concretos de ação; tudo 
isso para desenvolver ações reais efetivas. “Nesse sentido uma teoria 
é prática na medida em que materializa, através de uma série de 
mediações, o que antes só existia idealmente, como conhecimento da 
realidade ou antecipação ideal de suas transformações” (VÁZQUEZ, 
1997, p.207).
 Fica mais fácil entender com um exemplo. Um arquiteto faz 
uma “antecipação ideal” da casa que será construída. A casa “nasce” 
na mente do arquiteto, como elaboração ideal, teórica. Muitos 
projetos de casa não passam deste nível, nunca existirão como casas, 
somente existiram algum dia como uma “ideia de possível casa”. 
A partir de sua ideia, o arquiteto desenha a planta da casa. Isso já é 
o início da prática, mas em representação. Por fim, baseando-se na 
planta, o engenheiro, os pedreiros e demais operários constroem a 
casa na prática.
 Mas se a teoria em si não muda o mundo, sópode contribuir 
para transformá-lo juntamente com sua função prática, numa 
elevação do seu conteúdo teórico, com a particularidade de que 
ambos os aspectos se encontram numa relação indissolúvel.
Na visão de unidade, teoria e prática são dois componentes indissolúveis 
da práxis, definida como atividade teórico-prática, ou seja, tem um 
lado das ideias, abstrato e um lado material, propriamente prático, 
com a particularidade de que só artificialmente por processo de 
abstração, podemos separar, isolar um do outro.
 A prática é a fonte da teoria da qual se nutre como objeto 
do conhecimento, interpretação e transformação. Assim, a prática 
se torna fundamento e referência da verdade da teoria que a reflete, 
e a teoria se converte em órgão de representação e instrumento de 
orientação da práxis.
 Na Didática, o primado é o da prática respaldada todo o tempo 
Práxis - atividade do sujeito 
que, de algum modo, 
ao interferir no mundo, 
transforma-o e transforma a 
si mesmo
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por uma teoria. É necessário esclarecer que essa prática implica um 
grau de conhecimento da realidade e este conhecimento é fornecido 
pela teoria, trazendo para a prática, por conseguinte, os elementos 
teóricos necessários para desvendar a realidade prática.
 Por ser transformadora da realidade, a prática é criadora, 
ou seja, diante das necessidades e situações que se apresentam ao 
ser humano, ela cria soluções, este processo criador é imprevisível 
e indeterminado, e o seu produtor único e irrepetível. Acreditamos 
que a visão de unidade expressa a síntese superadora da separação 
entre teoria e prática, sendo condição fundamental para a busca 
de alternativas para a formação do educador, especificamente do 
Pedagogo.
 Notamos com isso que a prática pedagógica requer uma 
direção de sentido para a formação humana dos indivíduos e processos 
que assegure a atividade prática que lhes corresponde. Em outras 
palavras, para tornar efetivo o processo educativo é preciso dar-
lhe uma orientação, as finalidades e os meios para sua realização, 
conforme opções que se faça, quanto ao tipo de educação que se 
pretende e ao tipo de sociedade a que se aspira. Essa tarefa pertence 
à Pedagogia como teoria e prática do processo educativo.
 Para o professor, a prática pedagógica é sempre o ponto de 
partida da sua formação, assim irá refletir sobre as diferentes teorias 
em confronto com a prática. Trata-se de trabalhar continuamente 
a relação teoria-prática procurando, inclusive, reconstruir a própria 
teoria a partir da prática.
 A teoria e a prática pedagógica, neste enfoque, são consideradas 
o núcleo articulador da formação do educador, na medida em que 
os dois polos devem ser trabalhados simultaneamente, constituindo 
uma unidade indissociável. Nesta perspectiva, a prática pedagógica 
é sempre o ponto de partida e o ponto de chegada da atividade de 
ensinar.
 Assim, a equivocada prática de ensino, que separa a teoria da 
prática, organiza o espaço pedagógico em sala de aula, onde se dá 
a teoria, e outro espaço, onde se dá somente a prática, chamada de 
laboratório. As aulas do professor são divididas em dois momentos: 
um primeiro para expor a teoria; outro momento, sempre distanciado 
do primeiro, para realizar a prática. Há, ainda, aquela prática de 
ensino que só teoriza, reduzindo todo seu ensinamento às aulas orais 
(Pedagogia tradicional); ou, ainda, aquela aula cujo professor passa 
somente exercícios práticos, reduzindo todo o seu ensinamento a 
exercícios de treinamento, de repetição (Pedagogia tecnicista). Essas 
estruturas fragmentadas não favorecem a aquisição da competência 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
40 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
EXERCÍCIO
educativa integrada.
 A formação do professor não se concretiza de uma só vez, é 
um processo. Não se produz apenas cursando uma licenciatura, neste 
caso, a Pedagogia. É, sobretudo, um comprometer-se constante, 
como construtor, organizador e pensador permanente do trabalho 
educativo, é que o professor se educa. Na verdade, o seu fazer 
educativo, que abrange “o que ensinar” e “como ensinar”, deve ser 
feito articulando ao SABER, SABER FAZER E SABER SER professor, 
expressando a unidade entre os conteúdos teóricos e instrumentais, 
associados às práticas de formação do professor.
 O saber não se separa do fazer, pois é fazendo que se aprende, 
e não há somente saberes, não há somente teorizações. Há, sim, 
saberes e fazeres, marcas contíguas dessa matéria prima que habilita 
a humanidade a buscar respostas para seus problemas.
 A prática, vista deste ângulo, se constitui em um componente 
curricular, cuja presença faz transcender a sala de aula e se ramifica 
para o ambiente da escolarização, o que reforça a ideia da relação 
entre teoria e prática nos cursos de formação de professor.
 Vale salientar que essa concepção dada à prática implica em 
vê-la como atributo do processo de produção do conhecimento, que 
está presente tanto nos momentos em que se trabalha a reflexão 
sobre a atividade profissional como naqueles em que o exercício 
profissional se torna o elemento que coloca a realidade no centro da 
aprendizagem. Possibilitando a convergência para a teoria que, por 
seu turno, ratifica a prática e que, de novo, perscruta a teoria em um 
ininterrupto fluxo, num movimento contínuo entre SABER E FAZER 
que permita a consolidação de competências e a construção dos atos 
de significação que dão vida às aprendizagens.
Marque com seus colegas de Polo uma dinâmica de grupo e organize um debate cujos 
temas serão: 
1. O que é teoria e o que é prática?
2. Por que a Pedagogia e a Didática são reconhecidas como áreas teórico-práticas?
3. Busque os conceitos e diferencie as expressões:
• Prática Educativa
• Prática Pedagógica
• Prática de ensino
4. Produza um texto inserindo as principais ideias debatidas.
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 Essa reflexão prepara-nos para os estudos sobre o planejamento 
pedagógico, ato de organizar o ensino na prática, utilizando as 
teorias que estão sendo estudadas nas disciplinas curriculares e nas 
atividades e leituras acadêmicas.
 A prática pedagógica deve promover um ensino que leve em 
conta a realidade objetiva e subjetiva dos alunos, confrontando-as 
com as necessidades do mundo social e os princípios, as prioridades e 
os objetivos do processo educacional do sistema escolar e da escola. 
Deve, também, conceber e utilizar diferentes e flexíveis modos de 
organização do tempo, do espaço e do agrupamento, dos alunos 
de modo a favorecer e enriquecer o processo de aprendizagem e 
desenvolvimento dos alunos.
3 A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR 
 
 Os currículos dos cursos de licenciatura devem seguir agora 
a Resolução do Conselho Nacional de Educação nº 1 de 2002, que 
institui as Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores da 
Educação Básica (CNE/CP 1/2002), e a Resolução do CNE/CP 2/2002.
 Esta nova legislação, entre outras mudanças, determina que 
os cursos de licenciatura desenvolvam atividades práticas e teóricas 
relacionadas com o exercício da docência do futuro professor da 
escola básica - Ensino Fundamental e Médio, com mais ênfase do que 
vinha sendo a regra nos cursos em vigor até então. Veja o art. 12 da 
Resolução:
Art. 12. Os cursos de formação de professores em 
nível superior terão a sua duração definida pelo 
Conselho Pleno, em parecer e resolução específica 
sobre sua carga horária. 
§ 1º A prática, na matriz curricular, não poderá ficar 
reduzida a um espaço isolado, que a restrinja ao 
estágio, desarticuladodo restante do curso. 
§ 2º A prática deverá estar presente desde o início do 
curso e permear toda a formação do professor. 
§ 3º No interior das áreas ou das disciplinas que 
constituírem os componentes curriculares de 
formação, e não apenas nas disciplinas pedagógicas, 
todas terão a sua dimensão prática (RESOLUÇÃO 
CNE/CP 01/ 2002).
 A Prática como Componente Curricular, hoje conhecida pela 
abreviação PCC, tem como objeto tratar da transposição de um 
componente teórico, seja da área do conhecimento específico (Educação 
SAIBA MAIS
Vejam o texto na íntegra 
no endereço eletrônico 
http://portal.mec.gov.br/
cne
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
42 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
Infantil ou Ensino Fundamental), seja da área pedagógica (Didática, 
Metodologia), para uma análise prática focada no processo ensino-
aprendizagem. Este componente curricular pode ser desenvolvido 
por ações no âmbito da instituição formadora ou nas escolas, como 
visitas de reconhecimento, análise de documentos, entrevistas, 
observações dirigidas, elaboração de textos, de materiais; podendo 
estar relacionado a projetos de pesquisa e extensão institucionais, 
desde que tenha como foco principal o ensino. 
 Tal determinação é fruto de estudos e reflexões realizadas 
nas áreas de pesquisa em ensino e de formação de professores. No 
nosso currículo é importante que todas (ou quase todas) as unidades 
tenham vínculos com a educação, pois, ao mesmo tempo em que 
contribuem para a formação relativa ao conhecimento pedagógico, 
terão também um foco em como este conhecimento entra, interage e 
funciona na escola fundamental e média, e em situações de educação 
não-escolar. Segundo a legislação, a PCC deve ter carga horária de 
400 horas e necessita ser desenvolvida desde o início do curso.
 Os princípios explicitados nos pareceres 01 e 2 CNE/CP/2001 
indicam para a PCC, ações que permitirão ao futuro professor integrar 
e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o 
conhecimento na situação de ensino e aprendizagem. Desta forma, 
a PCC promoverá uma articulação horizontal-vertical no âmbito do 
currículo. Tais ações incluem, segundo várias sugestões na esfera 
dos pareceres, uma vivência experimental das teorias no que tange 
aos processos ensino-aprendizagem, observados em seus diferentes 
campos. 
 Atividades de vivência de observação, em instituições de 
ensino formal e não formal, sempre vinculadas a um componente 
curricular, preservando o sentido de docência, garantem à PCC um 
dos princípios básicos das Diretrizes Curriculares Nacionais de Curso 
de Graduação, que é o de inserir o acadêmico (você, aluno), em seu 
mundo profissional desde o início de seu curso. No caso dos cursos 
para formação de professor, a inserção do acadêmico no mundo da 
escola deve acontecer desde o início de sua formação. Diferencia-se, 
porém, de Estágio Supervisionado e se explicita como um processo 
de reconhecimento do campo e do objeto de seu fazer, no caso, o 
ensino. 
 A PCC pretende, desta forma, dar conta da necessidade, na 
formação do professor, de uma reflexão, preparação e aproximação 
gradual com o exercício docente. Deve ainda ser o momento em que 
o futuro professor estabelece relações íntimas entre os componentes 
curriculares e conteúdos de seu curso de Pedagogia e o que acontece 
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no campo escolar. Esta proposição garante que a perspectiva da 
docência esteja presente durante todo o curso, interagindo com os 
conteúdos e as aprendizagens.
ATIVIDADE
 Analise o currículo do seu curso e identifique como estão organizados os componentes teóricos e os 
componentes práticos da sua formação e como eles se relacionam. Escreva um texto sobre a análise 
que você fez e encaminhe para seu tutor.
4 A DIDÁTICA INTERCULTURAL COMO NÚCLEO 
ARTICULADOR DA ORGANIZAÇÃO DO ENSINO 
 Os estudos da Didática devem contribuir na formação do (a) 
professor (a) oportunizando a compreensão da prática educativa 
inserida nos conteúdos socioculturais e epistemológicos da educação 
escolar.
 Quando refletimos sobre a escola e suas práticas educativas, 
trazemos para o centro da discussão a cultura local, onde a escola está 
inserida. É, portanto, conveniente que se reflita sobre o(a) aluno(a), 
enquanto sujeito cidadão cultural, que, analisado de um ponto de 
vista histórico, é um ser de relações com a natureza, com os outros 
homens e consigo mesmo, e essas relações são socioculturais.
 Caro(a) aluno(a), os nossos estudos sobre os campos da 
pedagogia e da docência não estão separados do campo da cultura. 
Assim, essa relação Pedagogia – Docência – Cultura, leva-nos a 
pensar numa perspectiva intercultural da Educação e exige, antes 
de tudo, uma tomada de posição no que se refere ao conceito de 
interculturalismo. 
 A escola deve ser o espaço onde se efetivam os processos 
educativos com base nas relações interculturais. A interculturalidade 
deve ser vista no âmbito pessoal e no âmbito dos processos sociais; no 
nível individual “supõe promover o diálogo no interior de cada pessoa 
entre as diversas influências culturais que a configuram” (CANDAU, 
2000, p. 55). Quanto ao nível social, “orienta processos que têm por 
base o reconhecimento do direito à diversidade e a luta contra todas 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
44 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
as formas de discriminação e desigualdade social” (In op. cit. p. 59). 
 A cultura entendida dentro de uma concepção reducionista, 
que privilegiou as dimensões artísticas e intelectuais somente para 
uma classe elitizada, passou para uma perspectiva mais abrangente 
a partir das contribuições da Antropologia, para qual a cultura é 
vista como estruturante profundo do cotidiano de todo grupo social 
e se expressa em modos de agir, relacionar-se, interpretar, atribuir 
sentidos e significados (CANDAU, 2000, p.61).
 A partir desses estudos nos aproximamos das formulações de 
Geertz, citado por Hall (1997), para quem a cultura é um conceito 
essencialmente semiótico, “o homem é um animal amarrado a teias 
de significados que ele mesmo teceu”, daí afirmar que “assume a 
cultura como sendo teias e a sua análise, portanto, não como uma 
ciência experimental, em busca de leis, mas como uma ciência 
interpretativa, à procura do significado” (HALL, 1997, p. 14)
 A compreensão e o respeito aos significados que o homem 
estabelece leva-nos a pensar a identidade a partir das diversas 
culturas e entendê-las como um processo híbrido de raça, etnia, 
gênero, religião, histórias de vida, escolarização etc. Neste sentido, 
a identidade será formada pelas relações que darão significados 
às experiências da vida, possibilitando ao sujeito as identificações 
necessárias para que se agregue a um grupo e a seus pertencimentos. 
 A educação intercultural propõe a reforma das escolas 
e de outras instituições educacionais com a finalidade de criar 
iguais oportunidades de sucesso escolar para todos os alunos, 
independentemente de seu grupo social, etnicorracial ou cultural
 Essa reforma, segundo Candau (2000), é a reinvenção da 
escola para que essa possa oferecer espaços e tempos de ensino 
e aprendizagem significativos e desafiantes para os contextos 
sociopolíticos e culturais.
 No movimento de reinvenção da escola, torna-se necessário 
o debate acerca da relação entre educação e culturas. Segundo 
Candau, toda educação está imersa nos processos culturais, pois não 
há experiência pedagógica “desculturizada”. O que existe, segundo 
Forquin (1993), é uma tendênciaem manter o caráter padronizador, 
homogeneizador e monocultural na educação escolar, onde todos são 
tratados por igual, apagando as diferenças que constituem a riqueza 
cultural de cada um. Convivemos com a necessidade de romper 
com essa educação escolar e construir práticas educativas em que 
a questão da diferença e do interculturalismo se façam cada vez 
mais presente, ou seja, que se estabeleça o respeito às diferenças 
culturais.
UM CONSELHO
Ler mais sobre Cultura 
na disciplina Antropolo-
gia. 
SAIBA MAIS
Vamos refletir sobre o 
que é a diferença:
As pessoas têm direito 
a serem iguais sempre 
que a diferença as tor-
nar inferiores; contudo, 
têm também direito a 
serem diferentes sem-
pre que a igualdade 
colocar em risco suas 
identidades (BOAVENTU-
RA apud MOREIRA, 2008).
O que você entendeu 
desta citação? Escreva 
os conceitos de igual-
dade, diferença e iden-
tidade e os articule na 
educação do ser hu-
mano e envie para seu 
tutor(a).
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 Nesse movimento, entende-se que a escola precisa ser um 
espaço de cruzamento de culturas, fluido e complexo, atravessado 
por tensões e conflitos, e que realize a mediação reflexiva daquelas 
influências plurais que as diferentes culturas impõem de forma 
permanente sobre as novas gerações. Segundo Moreira e Candau 
(2008), esse processo exige o enfrentamento de alguns desafios:
1. a nossa própria formação histórica marcada pela 
eliminação física e ideológica do OUTRO, ou seja por sua 
escravização – a negação do outro;
2. essa discussão na educação escolar ainda é uma presença 
frágil – cursos de formação inicial, formação continuada e 
a pesquisa, a questão do acesso e da permanência.
 A perspectiva da Didática intercultural deverá promover uma 
educação para o reconhecimento do “OUTRO”, para o diálogo entre 
os diferentes grupos sociais e culturais. Esse diálogo precisa ser 
aprofundado para não cair na armadilha da superficialidade do debate 
e poder enfrentar a tensão das discussões, a respeito das relações de 
poder que perpassam as relações interculturais.
 Moreira (2008) apresenta alguns elementos que são essenciais 
para/na construção de uma prática pedagógica que assuma a 
perspectiva intercultural. São eles:
1. o reconhecer da nossa identidade cultural. Precisamos 
romper com a visão homogeneizadora estereotipada de 
nós mesmos, em que nossa identidade cultural é, muitas 
vezes, vista como um dado natural;
2. desvelar a cegueira cultural presente no cotidiano escolar. 
Precisamos romper com o caráter monocultural da cultura 
escolar, deixar de ver tudo sob um mesmo prisma;
3. identificar nossas representações dos OUTROS. Quem 
são os OUTROS e quem nós incluímos no NÓS. O outro é 
sempre visto como a fonte de todo o mal, como o sujeito 
pleno de um grupo cultural e também como alguém a ser 
tolerado;
4. conceber a prática pedagógica como um processo de 
negociação cultural. Tal postura implica a revisão da 
concepção de conhecimento, com que operamos na 
escola, e também concebê-la como um centro cultural em 
que diferentes linguagens e expressões culturais estão 
presentes e são produzidas.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
46 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
 
 A formação de professores deve, portanto, se constituir 
numa prática tensiva que envolve a sua própria revisão como sujeito 
intercultural e o domínio dos conteúdos, das metodologias e da 
sensibilidade. Os programas de formação precisam possibilitar aos 
professores a apropriação dos conteúdos, tidos como básicos, não 
só com o necessário aprofundamento teórico como também com o 
desenvolvimento de uma atitude crítica diante da sua cultura e da 
cultura dos seus alunos.
Descreva as características da sua identidade cultural. Relate experiências vividas por você na 
escola que tenha sido alvo de preconceito ou discriminação, acrescente a seu relato como seu 
grupo social/cultural é recebido pela escola.
ATIVIDADE
A qual grupo social e cultural você pertence? Índio, negro, cigano, camponês, pescador, ribeirinha, sertanejo, etc.?
FONTE: Banco de imagens COREL.
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5 O MÉTODO DE ENSINO E A FORMAÇÃO ÉTICA DO SER 
PROFESSOR
 O professor, ao organizar e orientar o processo de ensino em 
função da aprendizagem dos alunos utiliza, intencionalmente, um 
conjunto de ações, passos, condições externas e procedimentos, a que 
chamamos método de ensino. Os métodos de ensino, portanto, não se 
reduzem a técnicas ou medidas, procedimentos ou ações, atividades 
ou exercícios. Eles decorrem de uma concepção de sociedade, de 
homem e de educação que o professor e a escola acreditam. 
 Releia a unidade 1 e verifique que cada tendência pedagógica 
produziu um método de ensino baseado nos seus pressupostos 
teórico-práticos. Todo processo escolar que acontece através dos 
objetivos, conteúdos e métodos de ensino tem como suporte uma 
concepção social, política e pedagógica do processo educativo. Toda 
atividade humana traz em seu bojo uma intencionalidade e tudo tem 
sentido e significado mesmo que não seja consciente. Assim, também 
é o método de ensino. Ele é carregado de intencionalidades mesmo 
quando o professor ou a escola não é consciente. Por isso, quanto 
mais consciente for o método de ensino mais eficaz ele será, e seus 
resultados alcançarão sua finalidade que é a aprendizagem do aluno.
 O conceito mais simples de método é o caminho para atingir 
determinado objetivo. Na vida cotidiana estamos sempre perseguindo 
objetivos, mas, estes não se realizam por si mesmos, sendo necessária 
a nossa atuação, ou seja, a organização de uma sequência de ações 
para atingi-los, “os métodos são, assim, meios adequados para 
realizar objetivos” (LIBÂNEO, 1991, p.150).
 Agora que definimos o que é método vamos analisar três 
argumentos que considero essenciais para entendermos o método e 
a metodologia do ensino. 
 O primeiro argumento diz respeito à relação entre a qualidade 
de ensino na escola e o trabalho docente realizado em sala de aula, 
resultando numa determinada prática pedagógica e suas implicações 
para a educação básica. É uma ideia muito simples: a essência do 
que acontece na escola reflete a qualidade e eficácia do ensino por 
parte dos professores, e a qualidade e eficácia da aprendizagem 
por parte dos alunos. Ou seja, a escola existe para que os alunos 
aprendam conteúdos, conhecimentos e saberes; desenvolvam 
capacidades e habilidades de pensar e aprender; formem atitudes 
e valores e se realizem como profissionais e cidadãos. É para isso 
que são formulados os projetos pedagógicos, os planos de ensino, os 
currículos, os processos de avaliação. É para isso que existe a gestão 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
48 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
das escolas. Portanto, se há algum lugar mais propício para promover 
mudanças e inovações em vista da melhoria da qualidade de ensino, 
esse lugar é a escola.
 O segundo argumento importante é que o foco, o núcleo 
da prática docente, é a aprendizagem do aluno, resultante da sua 
própria atividade intelectual e prática, realizada em parceria com 
os professores, colegas e familiares. Portanto, a referência para 
as atividades do ensino é a aprendizagem, ou seja, ensina bem o 
professor que consegue com que o aluno aprenda bem, com base 
numa relação pessoal com o saber, e aprenda a pensar metodicamente. 
Neste sentido, a característica básica das séries, ciclos ou anos letivos 
deve ser organizada e trabalhada para ser aprendida pelosalunos. 
Ou seja, o como se ensina depende de se saber como os indivíduos 
aprendem, ou melhor, como os adultos aprendem.
 Duas coisas importantes sobre esta ênfase na aprendizagem:
• A aprendizagem está relacionada com a atividade de 
pesquisa tanto do aluno quanto do professor. Implica 
promover situações em que o aluno aprenda a buscar 
informações, aprenda a localizá-las, analisá-las, relacioná-
las com conhecimentos anteriores, dando-lhes significado 
próprio, redigindo conclusões, observando situações de 
campo e registrando-as e buscando a solução de problemas, 
dentre outros. 
• A aprendizagem precisa ser significativa. Um conhecimento 
significativo é aquele que se transforma em instrumento 
cognitivo do aluno, ampliando tanto o conteúdo quanto a 
forma do seu pensamento.
 O terceiro argumento é o seguinte: a aprendizagem escolar 
está associada ao aprender a pensar e ao aprender a aprender. O 
ensino precisa, hoje, ajudar o aluno a desenvolver habilidades de 
pensamento e identificar procedimentos necessários para apreender. 
 A metodologia de ensino não diz respeito unicamente às 
técnicas de ensino, o uso do vídeo, do trabalho em grupo, da aula 
expositiva. Metodologia é como você ajuda seu aluno a pensar 
com os instrumentos conceituais e os processos de investigação da 
ciência que você ensina. Por exemplo, a boa pedagogia do professor 
de Matemática é aquela que consegue traduzir didaticamente o 
modo próprio de pensar matemático. A boa pedagogia do professor 
da Educação Infantil é aquela que faz a criança, na sua fase de 
desenvolvimento, ter um pensamento autônomo, capaz de resolver 
os problemas cotidianos.
 A metodologia de ensino, a ser elaborada e sistematizada 
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para atender a cada área de conhecimento, depende do modo de 
lidar epistemologicamente com algo, isto é, como conhecemos e 
como aprendemos, considerando as condições do aluno e o contexto 
sociocultural em que ele vive, vale dizer, as condições da realidade 
econômica, social etc.
 Uma metodologia, que se preocupa com o modo epistemológico 
do saber, destaca que o mais importante, e também o mais difícil 
de fazer, é que o acesso aos conteúdos e a aquisição de conceitos 
científicos precisam percorrer o processo de investigação, os modos 
de pensar e investigar o conhecimento ensinado. Ou seja, não basta 
aprender o que aconteceu na História, é preciso pensar historicamente; 
pensar matematicamente sobre Matemática; biologicamente sobre 
Biologia; pedagogicamente sobre Pedagogia. 
 A questão do método de ensino, portanto, é como o professor 
e, por consequência, seus alunos, internalizam o procedimento 
investigativo da matéria que está ensinando. Isto envolve formas de 
pensamento, habilidades de pensamento, que propiciam uma reflexão 
sobre a metodologia investigativa do conteúdo que se está aprendendo. 
Ensinar também é investigar os conteúdos escolares; chamo isso de 
ensinar a adquirir meios de pensar, através dos conteúdos. Em outras 
palavras, é desenvolver nos alunos o pensamento teórico-prático, isto 
é, o processo através do qual se revela a essência e o desenvolvimento 
dos objetos de conhecimento e, com isso, a aquisição de métodos e 
estratégias cognoscitivas gerais de cada ciência.
 A metodologia de ensino estará a serviço da atividade de 
aprender, deverá orientar os processos cognitivos para que estes 
encontrem as soluções gerais dos problemas específicos: assim, os 
estudantes apreenderão os conceitos mais gerais que dão suporte a 
um conteúdo, para aplicá-los a situações concretas. Ou ainda, usarão 
os conceitos como ferramentas mentais para lidar praticamente com 
problemas, situações, dilemas práticos etc. 
 Veja, no exemplo abaixo, o roteiro de uma metodologia geral 
que se organiza em três momentos da atividade cognitiva, isto é, 
momentos da aprendizagem: o da Reflexão, o da Análise, e o da 
Capacidade de operar internamente com o conceito.
Cada um desses momentos deve ser desdobrado em procedimentos 
metodológicos, a saber:
 
1. Reflexão
• Motivação e orientação das atividades de aprendizagem do 
aluno. 
• Tomada de consciência do objetivo da atividade, das razões 
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O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
da atividade de aprender, compreensão e reconhecimento 
das condições necessárias para estudar o conteúdo. O que 
precisa ser feito, e as condições de fazê-lo.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 
1ª. Etapa – cabe ao professor planejar atividades que 
motivem e orientem as atividades de estudo (os alunos 
recebem explicações, incentivos e estímulos sobre os 
objetivos da ação, atividades e pontos de referência).
2. Análise
• Formação de conceitos por meio de operações práticas, uma 
ação prática, material, um exercício.
• Formação de conceitos no plano da linguagem.
• Estudo do conteúdo, partindo de conceitos centrais, princípio 
geral, da regra geral para a solução de problemas. O papel 
da análise é ajudar o aluno a desenvolver a capacidade de 
fazer generalizações conceituais. Delineamento do problema, 
solução do problema a partir da aquisição de capacidades 
cognitivas.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 
2ª. Etapa – desenvolvimento de técnicas de ensino para que 
o aluno forme os conceitos por meio de operações práticas, 
concretas (exercícios, solução de problemas).
3ª. Etapa - formação de conceitos no plano da linguagem 
(através de conflitos cognitivos, desenvolvimento de ações 
cognitivas individuais e grupais de enfrentamento do 
problema).
 O conflito cognitivo é um dos momentos mais 
importantes da metodologia do ensino. Neste momento, 
o aluno se defronta com novos conceitos e uma grande 
desarrumação mental acontece no seu pensamento. Cabe 
à metodologia orientar, desenvolver ações que possibilitem 
o aluno a sair do conflito cognitivo com novos conceitos 
aprendidos.
3. Internalização dos conceitos 
• Aprender a lidar praticamente com os conceitos internalizados.
• Capacidade do aluno em operar internamente com o conceito. 
Os conceitos se transformam em conteúdos e instrumentos 
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do pensamento, ferramentas mentais. 
• Capacidade de antecipar ações.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 
4ª. Etapa - capacidade de operar internamente com os 
conceitos.
Aprender a lidar praticamente com os conceitos internalizados. 
Enfrentamento prático com o objeto de estudo.
Vejam o percurso que o pensamento percorre para chegar à 
aprendizagem dos conceitos:
• Identificação - apontar ideias, reconhecer informações do 
assunto.
• Associação - comparar com assuntos anteriores; relacionar 
definições.
• Memorização - reter na memória dados, conceitos, 
informações.
• Análise - pensar sobre o conteúdo, característica, conceitos, 
causas e consequências.
• Reflexão - analisar o conteúdo dominando-o com autonomia.
• Crítica - juízo de valor, julgamento.
Então, a metodologia de ensino, comprometida com seu aluno, não 
pode desenvolver atividades que privilegiem somente uma ação 
cognitiva, nem trabalhar as três primeiras e esquecer as ações que 
vão possibilitar um pensamento autônomo que são a análise, a 
reflexão e a crítica. E não se esqueçam que, no processo de ensinar e 
aprender, é preciso saber que não existem modelos a seguir, existem 
caminhos a construir.
ATIVIDADE
Escreva um texto que contemple as questões abaixo:
1. Toda proposta didática está impregnada, implícita ou explicitamente, de uma concepção 
do processo de ensino. À luz dos pressupostos teóricos, analise essa afirmativa.
2. A relação teórico-prática doobjeto de estudo da Didática é o eixo principal desta 
disciplina, você concorda? Justifique sua resposta.
3. Como você explica a relação entre a didática e a metodologia de ensino?
4. Por que a cultura local em que está inserida a escola deve ser o eixo articulador da 
metodologia de ensino?
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
52 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O conhecimento teórico – prático na Didática: cultura e método na docência
RESUMINDO
Nesta unidade você estudou os conteúdos da Didática que tratam da formação do 
docente. Compreendeu que o conteúdo da Pedagogia tem uma estreita relação 
com a sociedade e o homem, o que implica a necessidade de entender as questões 
sociais, ao mesmo tempo em que exige também o entendimento da dinâmica do 
próprio conhecimento, requerendo do professor métodos e técnicas apropriadas 
ao processo ensino–aprendizagem. Assim, você estudou:
• A relação entre teoria e prática e sua importância para a ação pedagógica 
e para a compreensão do processo não dicotomizado do conhecimento. 
• A cultura e a didática intercultural como o eixo articulador de uma 
metodologia de ensino que dialoga com as diferenças na escola e na 
sala de aula.
• O método de ensino como a organização didática do trabalho docente, 
com vistas ao alcance de objetivos voltados para a aprendizagem dos 
alunos.
LEITURA RECOMENDADA
Método de ensino: <http://www.fcf.usp.br/.../CAPÍTULO%201%20LeaAnastasiou.pdf 
Didática e Cultura: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/es/v27n95/a08v2795.pdf> 
Didática e Formação de professores: <http://www.anped.org.br/reunioes/24/P0421051264001.doc>
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BRASIL - Resolução do Conselho Nacional Educação n. 1 de 2002 que institui 
as Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores da Educação 
Básica - CNE/CP 1/2002, e a Resolução do CNE/CP 2/2002.
CANDAU, Vera Maria. Reinventar a escola. Petrópolis: Vozes, 2000.
FORQUIN, Jean Claude. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas 
do conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de 
Adelaine La Guardia Resende. Rio de Janeiro: DP&A, 1997. 
LIBÂNEO, José Carlos; PIMENTA, Selma G. Formação de profissionais 
da educação: Visão crítica e perspectiva de mudança. In: Educação e 
Sociedade. vol.20, n.68, Campinas, dez. 1999.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.
MOREIRA, Antonio Flávio; CANDAU, Vera Maria. Multiculturalismo: 
diferenças culturais e práticas pedagógicas. Petrópolis: Vozes, 2008.
VAZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia da práxis. Rio de Janeiro: Paz e 
Terra, 1997.
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Suas anotações
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3
O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE
unidade
Todo planejamento educacional, para 
qualquer sociedade, tem de responder às 
marcas e aos valores dessa sociedade. Só 
assim, é que pode funcionar o processo 
educativo, ora como força estabilizadora, 
ora como fator de mudança. Às vezes, 
preservando determinadas formas de 
cultura. Outras, interferindo no processo 
histórico instrumental. 
FREIRE, 1986, p. 23
UNIDADE 3
O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO 
E A ORGANIZAÇÃO DO 
TRABALHO DOCENTE
1 INTRODUÇÃO
 
 Ao iniciar essa unidade, retorno à composição curricular 
do curso de Pedagogia EAD/UESC que insere a Disciplina Didática 
e Tecnologia 1 no Núcleo Temático: Docência e Fundamentos da 
Educação. Assim, entendemos que Didática e Docência são campos 
imbricados na formação do educador. Na unidade 1, estudamos 
conteúdos que fundamentam e estruturam a docência. Procuramos 
entender sobre a Educação, a Pedagogia e a Didática, com o objetivo 
de inserirmo-nos nestas áreas de conhecimento e refletirmos sobre a 
formação do pedagogo. Na unidade 2, estudamos que a formação do 
professor pedagogo se insere no campo das ciências que se sustentam 
pelo conhecimento teórico-prático. Este pressuposto constitui um 
dos fundamentos da docência. Nesta unidade 3, trataremos do 
planejamento de ensino, aqui entendido como a ação pedagógica que 
vai materializar o que estudamos nas unidades anteriores, tornando 
coerente o SABER com o SABER FAZER. 
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2 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE E OS 
FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO
 O planejamento é um processo de sistematização e organização 
das ações do professor. É um instrumento da racionalização do 
trabalho pedagógico que articula a atividade escolar com os conteúdos 
do contexto social (LIBÂNEO, 1991).
 O ato de planejar está presente em todos os momentos da 
vida humana. A todo o momento as pessoas são obrigadas a planejar, 
a tomar decisões que, em alguns momentos, são definidas a partir 
de improvisações; em outros, são decididas partindo de ações 
previamente organizadas (KENSKI, 1995). 
 No capitulo 1 do livro Planejamento Dialógico: como construir 
o projeto político – pedagógico da escola(PADILHA, 2003), são 
apresentados alguns conceitos de planejamento que intencionalmente 
leva-nos a entender seu significado. Caro(a) aluno(a), apresentarei 
a seguir alguns desses conceitos, acreditando que serão discutidos 
e ressignificados por cada um no momento de organizar sua prática 
pedagógica. 
• O significado do termo ‘planejamento’ é muito ambíguo, 
mas no seu uso trivial ele compreende a idéia de que sem 
um mínimo de conhecimento das condições existentes 
numa determinada situação e sem um esforço de previsões 
das alterações possíveis desta situação nenhuma ação de 
mudança será eficaz e eficiente, ainda que haja clareza 
dos objetivos dessa ação. Nesse sentido trivial, qualquer 
indivíduo razoavelmente equilibrado é um planejador [...]. 
Não há uma ‘ciência do planejamento’ nem mesmo há 
métodos de planejamentos gerais e abstratos que possam 
ser aplicados a tantas variedades de situações sociais e 
educacionais principalmente se considerarmos a natureza 
política, histórica, cultural, econômica etc. (AZANHA, 1993, 
p. 70-78).
• Planejamento é um processo de busca de equilíbrio entre 
meios e fins, entre recursos e objetivos, na busca da 
melhoria do funcionamento do sistema educacional. Como 
processo o planejamento não corre em um momento do 
ano, mas a cada dia. A realidade educacional é dinâmica. Os 
problemas, as reivindicações não têm hora nem lugar para 
se manifestarem. Assim, decide-se a cada dia a cada hora 
(SOBRINHO, 1994, p.3).
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
58 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
• Planejamento é um “processo de tomada de decisão sobre 
uma ação. Processo que num planejamento coletivo (que 
é nossa meta) envolve busca de informações, elaboração 
de propostas, encontro de discussões, reunião de decisão, 
avaliação permanente” (MST, 1995, p.5).
• Planejamento é processo de reflexão, de tomada de decisão 
[...] enquanto processo, ele é permanente (VASCONCELOS, 
1995, p.43). 
Em síntese, o planejamento é uma tomada de decisão sistematizada, 
racionalmente organizada sobre a educação, o educando, o ensino, 
o educador, as matérias, as disciplinas, os conteúdos, os métodos e 
técnicas de ensino, a organização administrativa da escola e sobre a 
comunidade escolar.
O planejamento da educação é composto por diferentes níveis de 
organização. Assim, podemos pensar em nível macro no Planejamento 
do Sistema de Educação, que corresponde ao planejamento da 
educação em âmbito nacional, estadual e municipal. Este planejamento 
elabora, incorpora e reflete as políticas educacionais. 
O planejamento global da escola corresponde às ações sobre o 
funcionamento administrativo e pedagógico da escola; para tanto, 
este planejamento necessita da participação em conjunto da 
comunidade escolar. Nos dias atuais, em que o trabalho pedagógico 
tem sido solicitado em forma de projeto, o planejamento escolar pode 
estar contido no Projeto Político Pedagógico – PPP, ou no Plano de 
Desenvolvimento Escolar – PDE.
O planejamento curricular é a organização da dinâmica escolar. É um 
instrumento que sistematiza as ações escolares do espaço físico às 
avaliações da aprendizagem. 
O planejamento de ensino envolve a organização das ações dos 
educadores durante o processo de ensino, integrando professores, 
coordenadores e alunos na elaboração de uma proposta de ensino, 
que será projetada para o ano letivo e constantemente avaliada.
O planejamento de aula organiza ações referentes ao trabalho na 
sala de aula. É o que o professor prepara para o desenvolvimento 
da aprendizagem de seus alunos coerentemente articulado com 
o planejamento curricular, com o planejamento escolar e com o 
planejamento de ensino. 
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3 PLANEJAMENTO E AÇÃO PEDAGÓGICA: DIMENSÕES 
TÉCNICAS E POLÍTICAS DO PLANEJAMENTO 
 Todo planejamento deve retratar a prática pedagógica da 
escola e do professor. No entanto, a história da educação brasileira tem 
demonstrado que o planejamento educacional tem sido uma prática 
desvinculada da realidade social, marcada por uma ação mecânica, 
repetitiva e burocrática, contribuindo pouco para mudanças na 
qualidade da educação escolar. Por isso, caro(a) aluno(a), ao estudar 
esta unidade, reflita sobre a importância do planejamento como 
uma prática crítica e transformadora do pedagogo; por isso, faz-se 
necessário que você compreenda as duas dimensões que constituem 
o planejamento:
Dimensão política – toda ação humana é 
eminentemente uma ação política. O planejamento 
não pode ser uma ação docente encarada como uma 
atividade neutra, descompromissada e ingênua. 
Mesmo quando o docente “não” planeja, ele traduz 
uma escolha política. A ação de planejar é carregada 
de intencionalidades, por isso, o planejamento deve 
ser uma ação pedagógica comprometida e consciente.
Dimensão técnica – o saber técnico é aquele que 
permite viabilizar a execução do ensino, é o saber 
fazer a atividade profissional. No caso da prática do 
planejamento educacional, o saber técnico determina 
a competência para organizar as ações que serão 
desenvolvidas com visando à aprendizagem dos 
alunos. Cabe ao professor saber fazer, elaborar, 
organizar a prática docente. Veja, na unidade 1, o 
que diz Morin (1999) sobre as quatro aprendizagens 
fundamentais para alicerçarem o conhecimento. 
Verifique que a dimensão técnica é a segunda 
aprendizagem: aprender a fazer - para poder agir 
sobre o meio envolvente. A dimensão técnica do 
conhecimento é o aprender do aluno a fazer fazendo.
3.1 Momentos ou etapas do planejamento
 Por ser uma atividade de natureza prática, o planejamento 
organiza-se em etapas sequenciais, que devem ser rigorosamente 
respeitadas no ato de planejar:
1. Diagnóstico sincero da realidade concreta dos alunos. Estudo 
real da escola e a sua relação com todo contexto social que 
está inserida. 
2. Vamos relembrar a unidade 2 deste módulo: os alunos e os 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
60 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
professores possuem uma experiência social e cultural que 
não pode ser ignorada pelo planejamento.
3. Organização do trabalho pedagógico. Nesta etapa os 
elementos da Didática são sistematizados através de 
escolhas intencionais. Definição de objetivos a serem 
alcançados, escolha de conteúdos a serem aprendidos pelos 
alunos e a seleção das atividades, técnicas de ensino, que 
serão desenvolvidas para que a aprendizagem dos alunos 
se efetive. Esse momento representa a organização da 
metodologia de ensino.
4. Sistematização do processo de avaliação da aprendizagem. 
Avaliação entendida como um meio, não um fim em si 
mesma, mas um meio que acompanha todo processo da 
metodologia de ensino. A avaliação deve diagnosticar, 
durante a aplicação da metodologia de ensino, como os alunos 
estão aprendendo e o que aprenderam, para que a tempo, 
se for necessário, a metodologia mude seus procedimentos 
didáticos, favorecendo a reelaboração do ensino, tendo em 
vista a efetiva aprendizagem.
3.2 Requisitos para o planejamento do ensino 
 Agora que estudamos que o planejamento necessita de 
um rigor de sistematização das atividades, apresentamos alguns 
requisitos essenciais para o professor realizar um planejamento justo 
e coerente com seus alunos. Lembre-se, estes requisitos são saberes 
adquiridos ao longo da formação de professor, por isso, aproveitem 
ao máximo cada disciplina, cada conteúdo e cada atividade. 
• Conhecer em profundidade os conceitos centrais e leis 
gerais da disciplina, conteúdos básicos, bem como dos 
seus procedimentos investigativos(e como surgiram 
historicamente na atividade científica). 
• Saber avançar das leis gerais para a realidade concreta, 
entender a complexidade do conhecimento para poder 
orientar a aprendizagem. 
• Escolher exemplos concretos e atividades práticas que 
demonstrem os conceitos e leis gerais, os conteúdos e os 
assuntos de maneira que todos os entendam. 
• Iniciar o ensino do assunto pela realidade concreta (objetos, 
fenômenos, visitas, filmes), para que os alunos formulem 
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relações entre conceitos, ideias- chave, das leis particulares 
às leis gerais, para chegar aos conceitos científicos mais 
complexos. 
• Saber criar problemas e saber orientá-los (situações de 
aprendizagem mais complexas, com maior grau de incerteza 
que propiciam em maior medida a iniciativa e a criatividade 
do aluno). 
4 ELEMENTOS DO PLANEJAMENTO: OBJETIVOS; 
CONTEÚDO; METODOLOGIA E AVALIAÇÃO DA 
APRENDIZAGEM 
4.1 Objetivo da educação e do ensino
 Toda ação humana tem um propósito orientado e dirigido em 
prol daquilo que se quer alcançar. Assim é a ação docente que deve 
ser realizada em função dos objetivos educacionais. 
 Objetivos educacionais orientam a tomada de decisão no 
planejamento, porque são proposições que expressam com clareza e 
objetividade a aprendizagem que se espera do aluno. São os objetivos 
que norteiam a seleção e organização dos conteúdos, a escolha dos 
procedimentos metodológicos e definem o que avaliar. 
 Os objetivos são finalidades que pretendemos alcançar. 
Retratam os valores e os ideais educacionais, a aprendizagem dos 
conteúdos das ciências, as expectativas e necessidades de um grupo 
social. Para articularmos os valores gerais da educação (concepção 
de educação) com as aprendizagens dos conteúdos programáticos 
e as atividades que o professor pretende desenvolver na sua aula, 
devemos elaborar os objetivos gerais e os específicos.
 O objetivo geral expressa propósitos mais amplos acerca da 
função da educação, da escola, do ensino, considerando as exigências 
sociais, do desenvolvimento da personalidade ou do desenvolvimento 
profissional dos alunos. Podemos pontuar os seguintes objetivos 
gerais que orientam a prática dos professores:
• a educação escolar deve possibilitar a compreensão do mundo 
e os conteúdos de ensino; instrumentalizar culturalmente 
os professores e os alunos para o exercício consciente da 
cidadania;
• a escola deve garantir o acesso e a qualidade do ensino 
a todos, garantindo o desenvolvimento das capacidades 
físicas, mentais, emocionais dos professores e alunos;
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
62 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
• a educação escolar deve formar a capacidade critica e 
criativa dos conteúdos das matérias de ensino. Sob a 
responsabilidade do professor os alunos desenvolverão o 
raciocínio investigativo e de reflexão;
• o percurso de escolarização visa atender à formação da 
qualidade de vida humana. Professores e alunos deverão 
desenvolver uma atitude ética frente ao trabalho, aos 
estudos, à natureza etc.
 O objetivo específico expressa as expectativas do professor 
sobre o que deseja obter dos alunos no processo de ensino. Ao iniciar 
o planejamento, o professor deve analisar e prever quais resultados 
ele pretende obter, com relação à aprendizagem dos alunos. Esta 
aprendizagem pode ser da ordem dos conhecimentos, habilidades 
e hábitos, atitudes e convicções, envolvendo aspectos cognitivo, 
afetivo, social e motor. 
 Os objetivos específicos devem estar vinculados aos objetivos 
gerais, e retratar a realidade concreta da escola, do ensino e dos 
alunos. Correspondem às aprendizagens de conteúdos, atitudes e 
comportamentos. 
4.2 Seleção e organização dos conteúdos escolares
 Os estudos da Didática contribuem com o professor, oferecendo 
possibilidades de escolher o que ensinar, para que o aluno aprenda 
e descubra como aprendeu. Essa é uma habilidade que requer 
conhecimento e um compromisso com a realidade do aluno. Neste 
sentido, o professor deve ter conhecimento do presente e perspectivas 
de futuro, tanto pessoal como dos alunos. Em hipótese alguma o 
professor pode se basear na ideia de que deve somente ensinar o 
que lhe ensinaram. É neste sentido, que o Curso de Graduação em 
Licenciatura: Pedagogia, Matemática, Geografia etc. é reconhecido 
como a formação inicial do professor. Para permanecer planejando 
o ensino atualizado, contemporâneo e coerente com seus alunos, 
faz-se necessária a continuação dos estudos através da formação 
continuada.
 Quando explico sobre o que ensinar, faço referência aos 
conteúdos de ensino. A seleção dos conteúdos que farão parte do 
ensino é uma tomada de decisão carregada de intencionalidades. 
É da responsabilidade do professor escolher os conteúdos que 
desenvolverão aprendizagens nos alunos para que estes expliquem 
ATENÇÃO
ATENÇÃO
Veja exemplo de ob-
jetivos gerais nos 
planos de ensino 
apresentados no final 
da unidade. 
Veja exemplo de ob-
jetivos específicos nos 
planos de ensino apre-
sentados no final da 
unidade.
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a realidade conscientemente. Deve-se ensinar o que é significativo 
sobre o mundo, a vida, a experiência existencial, as possibilidades 
de mudança, o trabalho, o passado, o presente e o futuro do homem 
(MARTINS, 1995.)
 Veja o que escreve o professor Libâneo sobre os conteúdos de 
ensino:
Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, 
habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais 
de atuação social, organizados pedagógica e 
didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e 
aplicação pelos alunos na sua vida prática. Englobam, 
portanto: conceitos, idéias, fatos, processos, 
princípios, leis científicas, regras; habilidades 
cognoscitivas, modos de atividade, métodos de 
compreensão e aplicação, hábitos de estudos, de 
trabalho e de convivência social; valores convicções, 
atitudes. São expressos nos programas oficiais, nos 
livros didáticos, nos planos de ensino e de aula, nas 
atitudes e convicções do professor, nos exercícios 
nos métodos e forma de organização do ensino.
Podemos dizer que os conteúdos retratam a 
experiência social da humanidade no que se refere a 
conhecimentos e modos de ação, transformando-se 
em instrumentos pelos quais os alunos assimilam, 
compreendem e enfrentam as exigências teóricas 
e práticas da vida social. Constituem o objeto 
de mediação escolar no processo de ensino, no 
sentido de que a assimilação e compreensão dos 
conhecimentos e modos de ação se convertem em 
idéias sobre as propriedades e relações fundamentais 
da natureza e da sociedade, formando convicções e 
critérios de orientação das opções dos alunos frente 
às atividades teóricas e práticas postas pela vida 
social (1991, p.128-129).
 Desta forma, os conteúdos de ensino junto com a metodologia 
são responsáveis pela produção e elaboração das aprendizagens e 
dos saberes na escola. Libâneo (1991) acrescenta que escolher os 
conteúdos de ensino não é tarefa fácil; por isso, quanto mais planejado, 
ordenado e esquematizado estiver mais os alunos entenderão a sua 
importância social; porém, a seleção e a organização dos conteúdos 
não se confundem com uma mera listagem. 
 Cabe ao professor selecionar e organizar o conteúdo 
devidamente planejado para atender às necessidades dos seus alunos. 
Conteúdos de ensino bem selecionados devem atender aos critérios 
de validade, flexibilidade, significação, possibilidade de elaboração 
pessoal; sem esses critérios, o professor corre o risco de escolher 
conteúdos sem relevância para seus alunos.
 Atendendo aoscritérios, o conteúdo terá validade quando 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
64 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
apresenta o caráter científico do conhecimento, e faz 
parte de um conhecimento que reflete os conceitos, 
ideias e métodos de uma ciência. O conteúdo será 
significativo quando expressar de forma coerente os 
objetivos sociais e pedagógicos da educação, atendendo 
à formação cultural e científica do aluno; eles não são 
rígidos, são flexíveis. O conteúdo de ensino está a serviço 
da aprendizagem dos alunos, e estes o utilizam para 
explicar a sua realidade. Todo conteúdo de ensino deve 
ser articulado com a experiência social do aluno. Para que 
haja a possibilidade de elaboração pessoal e o domínio 
efetivo do conteúdo, conhecimento, o ensino não pode se 
limitar à memorização e repetição de fórmulas e regras. 
Deve, fundamentalmente, possibilitar a compreensão 
teórica e prática através de conhecimentos e habilidades, 
obtidas na aula ou obtidas em situações concretas da 
vida cotidiana (LIBÂNEO, 1991).
 Podemos considerar três fontes que o professor 
deve utilizar para selecionar os conteúdos de ensino e 
organizar suas aulas: a primeira é a programação oficial, 
na qual são fixados os conteúdos de cada matéria; a 
segunda são os próprios conhecimentos básicos das 
ciências transformados em matéria de ensino; a terceira 
são as exigências teóricas e práticas que emergem da 
experiência de vida dos alunos, tendo em vista o mundo do trabalho 
e a participação democrática na sociedade. 
 Preencha a tabela construindo a relação entre o conhecimento 
científico e os conteúdos de ensino.
SAIBA MAIS
Veja a relação entre o conhecimento 
científico, o conteúdo de ensino e os 
assuntos ensinados na sala de aula. 
Vamos tomar como exemplo uma 
disciplina dos cursos Fundamental e 
Médio. No Ensino Fundamental, ela 
é denominada de Ciências, e no en-
sino Médio, de Biologia. O professor 
planejou as aulas para ensinar sobre 
animais, este conteúdo está inserido 
em um campo científico cuja ciência 
é a Biologia, a área de conhecimento 
da Biologia que estuda os animais é 
a Zoologia, o conteúdo cientifico é 
transportado para o conteúdo esco-
lar que se subdivide em assuntos: 
répteis, vertebrados, invertebrados, 
mamíferos etc.
Enquanto validade científica o conhe-
cimento é universal; enquanto con-
teúdo de ensino, ele é particularizado 
para cada grupo de aluno. Cabe a 
pergunta: como o professor organi-
zou suas aulas? Qual a relação entre 
a experiência cultural dos alunos e 
o conteúdo de ciências? Como este 
conteúdo se articula com as questões 
mundiais e locais? Como as outras 
ciências ou disciplinas podem auxiliar 
o professor e o aluno a compreender-
em este conteúdo? Essas questões 
demonstram como os conteúdos se 
adéquam às realidades sociais, espe-
cificam e atendem a sua relevância 
social.
Ciências Área de conhecimento
Disciplina 
escolar
Conteúdo de 
ensino Assuntos Interdisciplinar
Matemática Geometria Matemática ou desenho
Figuras 
geométricas
Formas da 
natureza
Ciências
Geografia
História
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4.3 A metodologia de ensino
 Entendemos por método, a articulação de uma teoria 
de compreensão e interpretação da realidade com uma prática 
específica. Estudamos, na unidade 2, o que é método e a organização 
da metodologia de ensino. O processo de ensino-aprendizagem para 
se efetivar como ação didática percorre um caminho estruturado 
pela dimensão técnica. Lembremos que, neste momento, a técnica 
não se insere na Pedagogia tecnicista explicitada, na unidade 1. A 
técnica aqui tem o caráter crítico-social e criativo. Ela deve atender à 
realidade social do aluno e ser coerente com sua dimensão política, 
isto é, definição clara do para que e para quem a técnica esteja sendo 
aplicada. 
 As técnicas, por sua vez, organizam-se em torno de 
procedimentos didáticos, que são passos, atividades, ações que 
o professor e os alunos desenvolverão durante a realização da 
técnica. Podemos dizer que uma técnica de ensino é um conjunto de 
procedimentos sistematizados a partir das aprendizagens que serão 
desenvolvidas pelos alunos. 
 A seguir, apresento, em forma de um esquema-síntese, quatro 
técnicas de ensino e, de cada uma explico: a descrição, as operações 
do pensamento que são trabalhadas, os procedimentos para a 
realização da atividade, como deve ser a avaliação e os equívocos 
que podem ser cometidos ao realizarmos a técnica. 
Este esquema síntese foi elaborado pela autora a partir do capítulo 3 
do livro de Anastasiou (2003).
1. Aula expositiva dialogada
Descrição: os professores levam os alunos a questionarem, 
interpretarem e discutirem o conteúdo a partir do reconhecimento 
e da identificação com a realidade e com conteúdos prévios. Deve 
propor a superação da passividade intelectual dos alunos.
Operações do pensamento: obtenção e organização das 
informações; identificação; interpretação; decisão; comparação e 
resumo. 
Procedimentos na realização da atividade: o professor contextualiza 
o conteúdo; com a exposição, mobiliza as estruturas mentais 
do aluno; estabelece conexões entre o conteúdo e a realidade; 
suscita a participação, as críticas e as dúvidas. 
Avaliação: participação quando pergunta, questiona e responde. 
Ao participar, deve apresentar a compreensão e a análise dos 
conceitos do assunto; além da forma oral, pode-se avaliar pela 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
66 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
forma escrita: resumo, entrega de questionário, de perguntas e/
ou dúvidas, esquema etc.
Equívocos nos procedimentos ao utilizar a técnica de ensino:
• Superar o tradicionalismo (Unidade 1), evitando o monólogo 
do professor.
• Não pode ser mecanismo de improvisação do professor. 
A aula expositiva deve preceder de uma introdução, 
desenvolvimento e conclusão, mesmo que sejam somente 
50 minutos de aula.
• É preciso ter cuidado com a mecanização, como a aula 
expositiva, em muitas escolas, é o único recurso de ensino 
que o professor dispõe ela acaba tornando repetitiva e 
mecânica. 
2. Estudo de texto
Descrição: exploração de ideias a partir do estudo crítico de um 
texto, busca de informações e exploração em textos.
Operações do pensamento: investigação, obtenção e organização 
das informações; identificação; interpretação; análise; comparação 
e reelaboração. 
Procedimentos na realização da atividade:
1. Contexto do texto – data, tipo de texto, autor e dados.
2. Análise temática – tema, problema, tese, ideia central, linha 
de explicação, imagens, exercícios etc.
3. Análise interpretativa – extrapolação do texto, discussão de 
questões relacionadas ao texto.
4. Problematização – formulação de novas ideias/problemas a 
partir do texto.
5. Síntese – reelaboração, conclusão.
Avaliação: 
• Produção oral – comentário ou exposição do aluno, 
apresentando a análise e a síntese do que foi explorado/
investigado no texto. 
• Produção escrita – interpretação dos conteúdos fundamentais 
e elaboração de novos argumentos/problemas/ideias. 
Criação de um novo texto.
Equívocos nos procedimentos ao utilizar a técnica de ensino:
• O estudo do texto deve ser acompanhado de um 
comportamento crítico e dinâmico, evitando a leitura linear, 
estática e reprodutora.
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• Não pode encerrar a técnica na própria leitura. Deve ser 
precedido da escrita de uma redação ou de um novo texto 
(desenho, pintura, poesia, grafismo etc.).
3. Discussão e Debate
Descrição: organização de ensinotipo reunião, onde todos devem 
participar do debate de um tema ou problema determinado.
Operações do pensamento: busca de suposições/hipóteses; 
organização e interpretação dos dados; análise; crítica e resumo.
Procedimentos na realização da atividade:
1. O professor explica os objetivos da discussão.
2. Delimita o tempo e as funções dos participantes (coordenação, 
debatedores e grupo de síntese). Todas as funções podem 
ser exercidas por todos. 
3. Ao final, relatos das sínteses/resumos.
Avaliação: 
• Produção oral – a participação como debatedor e sintetizador. 
• Produção escrita – síntese / resumo / relatório.
Equívocos nos procedimentos ao utilizar a técnica de ensino:
• Uma discussão ou um debate se realiza a partir do que 
se sabe. Não podemos participar de um debate quando 
não conhecemos o conteúdo da discussão, deveremos ter 
cuidado com o “achismo”.
• É preciso que o objetivo do debate e da discussão seja o 
confronto de ideia e não a agitação dos grupos, não se pode 
usar a técnica de modo desordeiro em meio ao barulho e à 
gritaria.
• O debate e a discussão devem vir precedidos de muita 
participação e respeitando um processo democrático. 
4. Seminário
Conhecido como técnica de ensino socializado.
Descrição: estudo em grupo menor sob a orientação do professor, 
onde diversos temas são investigados e problemas são resolvidos, 
os resultados são apresentados formalmente ao grupo maior para 
o debate, a discussão e a crítica.
Operações do pensamento: busca de suposições/hipóteses; 
organização e interpretação dos dados; análise; crítica e resumo.
Procedimentos na realização da atividade: 
• Distribuição e escolha das temáticas que serão investigadas.
• Estudo aprofundado das temáticas ou problema sob 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
68 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
diferentes perspectivas.
• Construção dos relatórios para a Discussão e o Debate.
• Delimitação do tempo e as funções dos participantes 
(coordenação, debatedores e grupo de síntese). Todas as 
funções podem ser exercidas por todos. 
• Apresentação do seminário.
• Construção do relatório escrito, que pode ser em forma 
de resumo, apresentando as principais ideias que foram 
discutidas, debatidas e criticadas. 
Avaliação: 
• Produção oral – a participação como debatedor e sintetizador. 
• Produção escrita – síntese / resumo / relatório.
Equívocos nos procedimentos ao utilizar a técnica de ensino:
• O seminário sempre é precedido de debate e discussão, não 
pode ser uma apresentação em forma de monólogo, em que 
o aluno discorre sobre um tema sem interrupções e sem 
questionamentos.
• O grupo deve apresentar um estudo integrado, não pode 
ser uma apresentação dividida em partes fragmentadas e 
descontinuas.
• A temática apresentada deve ser resultado de uma profunda 
investigação e das aprendizagens do grupo, não pode ser 
uma apresentação de generalizações, nem leituras de textos 
já publicados.
Veja, no quadro abaixo, a relação entre o desenvolvimento da 
aprendizagem e as possíveis atividades que deverão ser desenvolvidas 
no processo de ensino.
APRENDIZAGENS ATIVIDADES
1. Identificação 
Apontar ideias, reconhecer informações do 
assunto.
1ª leitura; exercícios; questionários; 
conceituação.
2. Associação 
 Comparar com assuntos anteriores; 
relacionar definições.
Relacionar com assuntos já estudados. 
Exemplos práticos do cotidiano.
3. Memorização 
 Reter na memória dados, conceitos, 
informações.
Atividades de fixação, memorização.
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4. Análise 
Pensar sobre o conteúdo, característica, 
conceitos, causas e consequências
Elaboração e resolução de problemas. 
Atividades de pesquisa, investigação.
5. Reflexão 
Analisar o conteúdo dominando-o com 
autonomia 
Produção de diversos textos, linguagens.
6. Crítica 
Juízo de valor, julgamento
Produção de diversos textos, linguagens. 
4.4 A avaliação da aprendizagem
 A avaliação escolar é parte integrante do processo de ensino–
aprendizagem, e não uma etapa ou momento isolado. Faz parte 
da metodologia de ensino, está diretamente imbricada com os 
objetivos, os conteúdos e os procedimentos metodológicos expressos 
no planejamento e desenvolvidos no decorrer do ensino. Você, na 
unidade 1, estudou as tendências pedagógicas e verificou que a 
avaliação representa uma determinada concepção de educação.
 Avaliar é um ato de decisão e julgamento que deve ser crítico e 
consciente, tanto do professor quando avalia, como do aluno quando 
realiza sua auto-avaliação. Assim como a metodologia, a escolha 
pelos instrumentos de avaliação depende da concepção de ensino que 
o professor carrega no seu referencial. Hoffmann, (2005, p.111-113) 
apresenta-nos a avaliação a partir de duas concepções de educação: 
Avaliação na visão Liberal Avaliação na visão Libertadora
Ação individual e competitiva Ação coletiva e consensual
Concepção classificatória e sentensiva Concepção investigativa e reflexiva
Intenção de reprodução das classes sociais
Proposição de conscientização das 
desigualdades sociais e culturais
Postura disciplinadora e diretiva do 
professor
Postura cooperativa entre os atores da ação 
educativa
Privilégio à memorização Privilégio à compreensão
Exigência burocrática
Consciência crítica e responsável de todos 
sobre o cotidiano
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
70 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
 Saber avaliar é uma competência essencial do professor, 
o que avaliai? Como avaliar? E por que avaliar? São questões que 
devem fazer parte dos momentos de elaboração dos instrumentos de 
avaliação. 
4.5 Tipos de planejamento de ensino 
 O planejamento educacional, que engloba o planejamento 
escolar e o planejamento de ensino, tem sistematizado a ação 
pedagógica da escola e a prática do professor nas formas de plano 
e de projeto. Vejamos como essas modalidades de planejamento se 
organizam.
 O plano é um documento onde se registram, por escrito, 
segundo um determinado roteiro, as decisões tomadas no processo 
de planejamento. Segundo Libâneo (1991), o plano é um guia de 
orientações, pois nele são estabelecidas as diretrizes e os meios 
de realização do trabalho docente. Como a sua função é orientar 
a prática, ele não pode ser um documento rígido e complexo, pois 
uma das características do processo de ensino é estar em constante 
movimento, sofrendo modificações cotidianamente. Os planos podem 
ser de curso, de unidade ou de aula.
 Veja um exemplo de plano de ensino de aula, com duração de 
uma semana para uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental.
ATENÇÃO
Sobre esses instrumen-
tos e as diversas for-
mas de avaliação, você 
estudará na disciplina 
Avaliação da Aprendiza-
gem no Módulo IV, cujo 
Núcleo Temático: 
Educação, Currículo e 
Avaliação - traz como 
ementa a preocupação 
e o estudo da teoria da 
avaliação e sua exten-
são ao cotidiano do pro-
fessor, do estudante e 
das instituições educa-
tivas. O confronto entre 
avaliação formativa, a 
avaliação somativa e a 
avaliação processual.
PARA REFLETIR
Reflita bastante sobre as 
concepções de avaliação 
e relate para seus cole-
gas como foi o percurso 
da avaliação da sua apre-
ndizagem durante seus 
estudos na Educação 
Básica. Você tem algum 
acontecimento no pro-
cesso avaliativo de seus 
estudos que marcou a 
sua vida de estudante? 
Por quê?
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DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
72 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
SAIBA MAIS
Apresento o plano de ensino da disciplina Didática do curso de Pedagogia da UESC. 
PLANO DE CURSO
DISCIPLINA: DIDÁTICA I
CURSO: PEDAGOGIA 3O. SEMESTRE
 
EMENTA
Contextualização da Didática desde a sua constituição à atualidade. As dimensões sócio-históricas da Didática: 
docência, cultura, método, avaliação, relação pedagógica e suas implicações na educação básica. O planejamento 
docente: a didática e a formação do professor com vistas à organização do trabalho docente. 
META
Ao final dos estudos da disciplina espera-se que os alunos tenham entendido os conteúdos da Didática para a 
organização do trabalho docente e sua articulação com a Pedagogia.
OBJETIVOS
1. Compreender o objeto de estudo da Didática: o ensino-aprendizagem inserido no campo do conhecimento 
científico e pedagógico.
2. Desenvolver uma aprendizagem técnica e política sobre o ato de ensino, com vistas uma formação ética 
do SABER, FAZER e SER professor.
3. Desenvolver uma atitude crítica e criativa no que tange ao conhecimento de métodos e de técnicas de 
ensino, entendendo que o planejamento retrata a organização do trabalho docente.
CONTEÚDOS
1. Contextualização da Didática desde a sua constituição à atualidade.
a. Educação, Pedagogia e Didática: campo de conhecimento científico-pedagógico.
b. Contextualização histórica da Didática no Brasil
2. As dimensões sócio-históricas da Didática: docência, cultura, método, avaliação, relação pedagógica e 
suas implicações na educação básica.
a. Discutindo a relação teoria e prática na formação do pedagogo.
b. A cultura como núcleo na escolha e organização do método de ensino. 
c. O método de ensino tendo em vista desenvolver uma aprendizagem técnica e política sobre o ato de 
ensino, com vistas uma formação ética do SER professor.
3. O planejamento docente: a didática e a formação do professor com vistas à organização do trabalho 
docente. 
a. Organização do trabalho docente e os fundamentos do planejamento.
b. Planejamento e a ação pedagógica: Dimensões técnicas e políticas do planejamento
c. lementos do planejamento: objetivos; conteúdo; metodologia e avaliação da aprendizagem.
METODOLOGIA
 A disciplina será desenvolvida através de aulas expositivas, debates, pesquisa de campo e seminários. De acordo 
a metodologia, os cursistas farão leitura, síntese, resenha.
AVALIAÇÃO
 A avaliação será contínua, sendo considerada a participação do aluno nas atividades realizadas. Pretendemos usar 
os seguintes instrumentos de avaliação no decorrer do semestre: atividade individual escrita; atividade em grupo 
escrita e oral e auto-avaliação.
REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.). Repensando a Didática. 10. ed. Campinas: Papirus, 1995. 
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.) Técnicas de ensino: por que não? 3. ed. Campinas: Papirus, 1995. 
KENSKI, Vani Moreira. Avaliação da aprendizagem. In: VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.). Repensando a 
Didática. 10. ed. Campinas: Papirus, 1995. 
HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mito & Desafio: uma perspectiva construtivista. 36. ed. Porto Alegre: Editora 
Mediação, 2005.
PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político da escola. São Paulo: Cortez; 
Instituto Paulo Freire, 2003.
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 O projeto é uma técnica de planejamento e de organização 
metodológica que tem por finalidade a solução de um problema. 
Ao projetar a solução de um problema educacional, este deve ser 
planejado em uma situação o mais real possível e ter por resultado 
algo concreto.
 Leia a LDB 9394/96:
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas 
as normas comuns e as do seu sistema de ensino, 
terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; [...]
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta 
pedagógica do estabelecimento de ensino; [...]
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as 
normas da gestão democrática do ensino 
público na educação básica, de acordo com as 
suas peculiaridades e conforme os seguintes 
princípios:
I - participação dos profissionais da educação 
na elaboração do projeto pedagógico da escola; 
[...]
 O projeto educativo é um instrumento teórico-metodológico 
para mudança da prática e da realidade educativa. Pode ser 
considerado um plano mais aprofundado e mais complexo; porque não 
é simplesmente um roteiro, é um documento que propõe mudanças 
reais e efetivas dos problemas existentes na instituição de ensino. 
 Em seu sentido etimológico significa lançar para diante: plano, 
intento, desígnio.
 Em seu sentido amplo, significa:
• planejar o que temos intenção de fazer, de realizar;
• lançar para diante a partir do que temos; 
• antever o futuro diferente do presente.
DO POSSÍVEL
PERÍODO DE 
INSTABILIDADE
PROMESSAS RUPTURAS
O projeto pedagógico tem as seguintes características:
• Estabelece uma direção, uma intencionalidade.
• Exige uma reflexão acerca da concepção da escola e sua 
relação com a sociedade.
• Deve contemplar a qualidade do ensino nas dimensões 
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
74 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
indissociáveis: formal ou técnica e política.
• Implica em esforço coletivo e participativo.
• Define as ações educativas e as características necessárias às 
escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.
Veja, no exemplo a seguir, uma proposta elaborada para 
instrumentalizar professores na elaboração de projetos pedagógicos.
1. Construção e aplicação do instrumento de sondagem
A partir de um relato de experiências sobre a existência do Projeto 
Pedagógico nas escolas em que os alunos professores atuam, 
levantaremos as principais dúvidas e expectativas frente ao curso.
2. Tema da atividade 
Elaboração de Projetos Pedagógicos.
3. Justificativa
Diante da nova concepção de planejamento da educação, em que 
a organização do trabalho pedagógico da escola e do professor 
apresenta-se sob a forma de projeto, faz-se necessário instrumentalizar 
os educadores para elaborarem com qualidade os projetos que 
construirão e nortearão as ações da escola e da sua prática.
4. Objetivo(s)
• Analisar projetos pedagógicos e suas implicações políticas 
para/na organização da escola.
• Conhecer a natureza do planejamento docente e sua 
materialização nos projetos.
• Conhecer e elaborar o Projeto Político Pedagógico como uma 
nova forma de proposta pedagógica.
• Conhecer e elaborar o Projeto de Ensino entendendo-o como 
uma intervenção possível.
5. Meta(s)
Garantir a aprendizagem de todos os alunos no que se refere ao 
conhecimento político e técnico, tendo em vista a elaboração de 
projetos pedagógicos.
6. Metodologia (detalhar o desenvolvimento do conteúdo)
Tendo como suporte teórico uma metodologia interativa, o projeto 
didático será desenvolvido através de aulas dialogadas e oficinas. Para 
tanto, os alunos farão leituras e elaborarão um Projeto Pedagógico.
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Conteúdo:
Concepções teórico-metodológicas do Planejamento.
• Retrospectiva histórica do Planejamento Escolar. 
• Projeto pedagógico: uma nova forma de proposta pedagógica.
Projeto Político Pedagógico o reflexo de um Planejamento Participativo. 
• O contexto do Projeto Político Pedagógico nas escolas.
• Elementos constitutivos do projeto pedagógico.
Projeto de Ensino: uma intervenção possível
• Reflexões sobre o saber e o saber fazer do professor.
• Elementos constitutivos do Projeto de ensino.
7. Recursos a serem utilizados
Data show, textos selecionados, ofício, pincel para quadro branco. 
8. Avaliação 
A avaliação será contínua, sendo considerada a participação do 
cursista nas atividades realizadas e auto-avaliação. Ao final, deverá 
apresentar em seminário uma proposta de Projeto Pedagógico. 
9. Carga horária
20 horas 
10. Cronograma das atividades a serem realizadas
Carga 
Horária
Atividade
1º momento
05 horas
Relato de experiência.
Exposição dialogada com auxílio 
de data show sobre a concepção 
de Projetos Pedagógicos
2º momento 05 horas
1ª Oficina de elaboração – 
problematização do espaço 
educativo
3º momento 05 horas
2ª Oficina de elaboração – 
construção dos elementos 
técnicos do projeto.
4º momento 05 horas
Versão final do projeto e 
Seminário de apresentação.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
76 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
11. Bibliografia
PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir 
o projeto político da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 
2001. 
VEIGA, Ilma Passos Alencastro (Org.). Projeto Político Pedagógico 
da escola: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1995.
GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E. Autonomia da Escola. Princípios 
e propostas. 2. ed. São paulo, Cortez, 2000. 
GANDIN, Danilo. A Prática do Planejamento Participativo: na 
educação e em outras instituições. Petrópolis: Vozes, 1994. 
5 OFICINA DE PLANEJAMENTO
 Caro(a) aluno(a), nesta unidade, estudamos o planejamento 
pedagógico a partir de uma atitude crítica e criativa no que tange ao 
conhecimento de métodos e de técnicas de ensino, entendendo que 
o planejamento retrata a organização do trabalho docente. Agora, 
quero convidá-lo(a) para realizar uma oficina de planejamento, pois, 
como bem compreendeu, a dimensão técnica do planejamento tornar-
se-á aprendizagem através do exercício da prática.
1. Organize uma vivência teórico-prática sobre técnicas de 
ensino juntamente com o tutor presencial. Marque com os 
alunos do Polo um encontro sobre técnicas de ensino. Divida 
em grupos e distribua entre eles as técnicas estudadas nesta 
unidade para serem realizadas com toda a turma.
2. Elabore um plano de curso de um conhecimento, temática 
ou disciplina (lembre-se bem o que é um plano de curso).
3. Escolha uma parte do plano de curso e elabore um 
planejamento para algumas aulas. Utilize o roteiro abaixo.
ROTEIRO DE PLANEJAMENTO DE AULA - b 
Data 
Quant. de 
aula,
Assunto 
Tipo de 
aula
Recursos 
Fonte 
Bibliog.
Avaliação 
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4. Elabore um projeto didático a partir das orientações abaixo.
Roteiro para elaboração do projeto de ensino, também 
conhecido como projeto didático: 
1. Identificação
Titulo 
Escola
Série
Equipe de professores
Outros
2. Justificativa
Momento da problematização. Escrever sobre a necessidade do 
projeto didático, a importância da proposta, do tema, utilizando 
dados existentes que justifique o projeto e experiências anteriores.
Aponte argumentos de natureza:
• Teórica: conceitos a partir do que estudou e relacione-o com a 
temática do projeto.
• Prática: argumentos baseados na experiência e observação.
3. Objetivos 
Objetivo geral – responde aos fins maiores do projeto, à temática 
e/ou a valores educacionais.
Objetivoespecífico - deve demonstrar a aprendizagem específica 
dos conteúdos e ou habilidades que serão alcançados.
4. Fundamentos teóricos
Conceitos que explicam a temática e colaboram para que professores 
e alunos tenham clareza da problemática apresentada. Especificar 
e descrever sinteticamente os temas, conteúdos abordados.
5. Metodologia 
Explicar como desenvolverá as atividades programadas, indicando 
os procedimentos a serem adotados, os recursos e os materiais.
6. Parcerias 
Especificar e descrever a contribuição de cada um: professores 
e área que participam; setores da escola que participam e sua 
contribuição; setores da comunidade que participam e contribuição.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
78 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
7. Cronograma 
Indicar as etapas e as épocas de realização, quem fará o que, em 
que local, com que recurso etc.
8. Avaliação 
Descrição das atividades e dos instrumentos que serão utilizados 
na avaliação da proposta e na avaliação da aprendizagem que 
dela possa resultar e de que forma estará diretamente ligada com 
os objetivos.
9. Item livre 
Caso queira especificar, esclarecer, demonstrar um novo elemento 
do projeto. 
10. Bibliografia 
Lista das obras citadas conforme ABNT.
11. Anexos 
Gráficos, documentos, fotografias, planejamentos etc.
RESUMINDO
Nesta unidade estudamos a ação de planejar como sendo a forma critica e criativa 
do professor organizar seu ensino e atender às expectativas e às necessidades 
sociais e cognitivas de seus alunos. 
Lembre-se: o caminho é construído ao caminhar, mas, para não ficarmos perdidos, 
precisamos de mapa e bússola. Na educação escolar, podemos entender que o 
mapa é a política da educação, a organização escolar e a formação docente que 
definem os espaços da educação e do ensino; e a bússola, o compromisso, as 
competências, as habilidades, a autonomia que orientará o destino certo da 
educação democrática.
LEITURA RECOMENDADA
Planejamento 
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_15_p115-125_c.pdf
http://web.unifil.br/docs/revista_eletronica/terra_cultura/37/Terra%20e%20Cultura_37-11.pdf
Planos e Projetos
http://www.franca.unesp.br/oep/Eixo%203%20-%20Tema%202.pdf
http://www.slideshare.net/elainepacheco/projeto-de-ensino-e-projeto-de-aprendizagem
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ANASTASIOU, L.; ALVES, L. P. (Orgs.). Processos de ensinagem na 
universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em sala. 
Joinville: Univille, 2003. 
FREIRE, Paulo, SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. 
5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.). Repensando a Didática. 
10. ed. Campinas: Papirus, 1995. 
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.). Técnicas de ensino: por 
que não? 3. ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1995. 
MARTINS, Pura Lúcia Oliver. Conteúdos escolares: a quem compete a 
seleção e organização? In: VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Org.). 
Repensando a Didática. 10. ed. Campinas: Papirus, 1995. 
KENSKI, Vani Moreira. Avaliação da aprendizagem. In: VEIGA, Ilma 
Passos de Alencastro (Org.). Repensando a Didática. 10. ed. 
Campinas: Papirus, 1995. 
HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mito & Desafio uma perspectiva 
construtivista. 36. ed. Porto Alegre: Editora Mediação, 2005.
PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir 
o projeto político da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 
2003.
DIDÁTICA E TECNOLOGIA I
80 Módulo 2 I Volume 5 EAD
O planejamento pedagógico e a organização do trabalho docente
Suas anotações
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Profa. Jeanes Martins Larchert
Graduada em Pedagogia pela Universidade 
Estadual de Santa Cruz - UESC. Mestre em 
Educação, doutoranda em Educação pela 
Universidade Federal de São Carlos/SP, professora 
do Departamento de Ciências da Educação da UESC 
da Área de Ensino e Aprendizagem. Tem centrado 
seus estudos nas áreas de currículo com ênfase 
em cultura, tecnologia educacional e formação de 
professor.
Informações sobre o autor

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