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Púrpuras - Não é uma patologia, é uma lesão elementar - A lesão purpúrica decorre de hemorragia dos vasos da derme e/ou hipoderme, cujas hemácias extravasadas são fagocitadas pelos macrófagos que transformam o pigmento hemoglobínico em hemossiderina, resultando em coloração castanho-amarelada. - As lesões purpúricas diferem das eritematosas porque não desaparecem à vitropressão. É muito comum a associação do eritema à púrpura (lesão eritematopurpúrica); nesse caso, a vitropressão faz desaparecer parcialmente a lesão. - As lesões purpúricas surgem por alterações das plaquetas, dos vasos sanguíneos e da medula óssea. - Causas diversas Tipos: Petéquia – puntiforme Víbice – linear (trauma leve) Equimose – lesão em lençol Hematoma – grandes coleções - Classificação: *Refere-se ao mecanismo fisiopatológico das purpuras Púrpura Trombocitopênica - Diminuição do número de plaqueta - Caracterizam-se por hemorragias de certo porte (hematúria, melena), com hematomas e petéquias, em geral nos membros inferiores e superiores e nas nádegas. Surgem quando a quantidade de plaquetas está abaixo de 50.000/mL. OBS.: Para ser considerado trombocitopenia é necessário ter menos de 150mil, porém para ocorrer o extravasamento do sangue, é necessário que esteja abaixo de 50mil. Primaria/ idiopática – doenças autoimunes Púrpura Trombocitopênica Idiopática/ Doença de Werlhof Quadro clínico: plaquetopenia Hemorragia de mucosas Menstruação intensa Hematúria Lesões purpúricas na pele *Aguda: inicia-se por infecção do trato respiratório superior, acomete crianças e adolescentes e, em geral, desaparece espontaneamente em 2 meses *Crônica: instala-se insidiosamente, com fases de remissões e exacerbações. Ocorre com maior frequência em mulheres adultas. A maioria dos pacientes com esse tipo apresenta anticorpo circulante antiplaquetário. Diagnóstico de exclusão: quadro clínico + anamnese – excluir causas secundárias Secundária Patologias: A púrpura trombocitopênica secundária, ou sintomática, é observada nas: Farmacodermias (medicamentos) – agressão à MO ou autoimune (1) Complexo fármaco-anticorpo-complemento deposita-se sobre as plaquetas, causando a destruição delas (sulfa e quinidina); (2) A substância interage com a plaqueta, introduzindo haptenos na sua superİcie e provocando a reação citotóxica (penicilina); (3) O fármaco lesa a plaqueta, expondo anơgenos que estimulariam a produção de autoanticorpos (alfametildopa). (4) Alteração funcional das plaquetas (ácido aceƟlsalicílico, clopidogrel) ou depressão da medula (citostáticos, AZT). Colagenoses (lúpus, dermatomiosite, esclerodermia) – Anticorpos anti-plaquetários Neoplasias (principalmente hematológicas) – invasão da medula óssea – linfoma e leucemia Infecções – meningococcemia, endocardite, dengue etc Wiskot Aldritch (síndrome genética) – doença hereditária – Eczema + trombocitopenia + imunodeficiência *Trombocitopenia + quadro clínico igual a dermatite atópica *Geralmente, o tratamento é feito com corticosteroides, sendo, em alguns casos, indicada a esplenectomia Púrpura Intravascular - O problema está no sangue *Disfunção plaquetária ou alteração de outro fator de coagulação *Número de plaquetas está normal ou baixo, mas não a ponto de causar púrpura trombocitopênica Síndrome de Glanzmann Quadro raro Autossômico recessivo Deficiência da glicoproteína IIb/IIIa – faz parte da estrutura da plaqueta *Para ocorrer a agregação plaquetária, o fibrinogênio se liga a plaqueta através dessa proteína – nessa síndrome, não ocorre a formação do trombo – hemorragia Clínica variável *Púrpuras, epistaxis, hemorragia gengival e menorragia *Hemorragias gastrointestinais e hematúria Deficiência de vitamina K Cofator na gênese da protrombina e outros fatores – sem a vitamina K, não se forma protrombina *Coagulogramas: exames que medem a coagulação (tempo de protrombina, INR, tempo de sangramento) Causas: *Má absorção – pode ocorrer uma inflamação no TGI que cause *Hepatopatia – a vitamina K é ativada no fígado *Uso de antibióticos – pode alterar a microbiota normal *Anticoagulantes – varfarina Diagnóstico: tempo de protrombina, dosagem Vitamina K Tratamento: repõe a vitamina K e fatores de coagulação; tratar o que está causando a deficiência de vitamina K (tratar a doença de base) Púrpura Vascular - Problema no vaso sanguíneo *Alteração inflamatória da parede do vaso – vasculite ou alteração do colágeno vascular (da parede do vaso) e perivascular (que envolve e protege o vaso) Púrpura de Henoch-Shonlein Crianças e adultos jovens Pródromos – IVAS *Tem manifestações em outros sistemas que ajuda a fechar o caso clínico Tem caráter autoimune (?) Lesões purpúricas Membros inferiores e troncos (pode acometer todo o tegumento) Outros sintomas: febre, artralgia, dor abdominal (vômito e diarreia, sangramento), envolvimento renal (hematúria, proteinúria) Vasculite de pequenos vasos Diagnóstico: *Muitas vezes, tem que fazer biopsia da lesão e assim dá pra ver o processo inflamatório no vaso sanguíneo (vasculite) – através da clínica, epidemiologia e outros exames laboratoriais para saber qual é o tipo de vasculite Deficiência de vitamina C – Escorbuto Atualmente é raro Púrpuras muito características: petéquias (localizadas no folículo piloso); o pelo que está afetado pode ter uma alteração – pelo em saca rolha (fica enovelado) Principalmente membros inferiores Ocorre devido à diminuição da síntese de colágeno, na qual as células do endotélio vascular estão marcadamente alteradas Solicita: hemograma, coagulograma, dosagem de vitamina C – saber se tem algum distúrbio ou é só a absorção Púrpura Senil Mais comum em pessoas com + de 50 anos Caracteriza-se por hematomas e algumas petéquias nos antebraços e no dorso das mãos de pessoas idosas, sem que haja qualquer defeito no mecanismo da coagulação. Decorre da frouxidão e fraqueza do tecido colágeno e elástico perivascular, o que leva à ruptura do vaso. *O mesmo mecanismo é invocado para as lesões purpúricas que ocorrem no pseudoxantoma elástico, nas síndromes de Ehlers-Danlos, de Marfan e de Cushing, e nos casos de corticoterapia prolongada Colágeno vai sendo degradado ao longo dos anos – principalmente em áreas fotoexpostas (exposição solar degrada o colágeno) – pele fina, vasos desprotegidos e por isso ocorre o extravasamento de sangue, principalmente em locais de trauma. Pode da um suplemento de colágeno, pode ser que atenue; suplemento proteico – aminoácidos ajudam a formar o colágeno; tem que ver se tem algum fator contribuindo Geralmente é questão estética – não tem morbidade OBS.: Patologias que cursam com essas púrpuras, geralmente, não são de origem dermatológica. OBS.: Essas patologias podem apresentar lesões iguais, por isso é necessário fazer anamnese, exame físico, exames laboratoriais para diferenciar. OBS.: O indivíduo pode ter púrpura pelas diferentes causas ao mesmo tempo OBS.: Se tem extravasamento de sangue na pele, pode ter sangramento e outros órgãos, como no TGI, no rim, fígado, cérebro – se atentar a isso, o indivíduo o pode ter algum distúrbio de coagulação Diagnóstico de púrpuras: - Exame físico completo *Sinais e sintomas associados - Teste de vitropressão: dúvida se é purpura ou eritema - Exames laboratoriais: hemograma e coagulograma Tratamento baseado no diagnóstico etiológico.