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PÚRPURAS ❑ Definida como uma hemorragia visível ou extravasamento de hemácias na pele/mucosas que, por definição, não esmaecem a dígito ou vitopressão ❑ Clinicamente podem ser divididas em 2 forma: ▪ Púrpura palpável: lesões elevadas e de aspecto polimorfo(urticas, vesículas, eritemas, ulcerações, livedo reticular, nódulos com necrose central ou pústulas). ▪ Púrpura não palpável- manchas hemorrágicas não infiltradas ou sem relevo. ❑ A depender do tamanho - 3 subtipos: ▪ Petéquia- lesões puntiformes< 2 mm ▪ Púrpura macular- 2- 9 mm, pode ser palpável ou não ▪ Equimose-maior ou igual a 1 cm ❑ Didaticamente, são classificadas em 3 grupos: ▪ Púrpura trombocitopênica- primária/ secundária ▪ Púrpura por disfunção plaquetária ou outras alterações nos mecanismos da coagulação intravascular ▪ Púrpuras vasculares-alteração inflamatória da parede vascular, defeito na própria parede ou em decorrência de frouxidão/fraqueza do tecido colágeno e elástico perivascular Púrpura Trombocitopênica Idiopática/Imunológica ❑ Definida por trombocitopenia isolada. É uma doença caracterizada pela diminuição da contagem de plaquetas, havendo um risco aumentado de manifestações hemorrágicas, normalmente limitadas à pele e mucosas. ❑ Causa mais comum de plaquetopenia na criança e no adulto ❑ Etiologia desconhecida ❑ Duas formas de PTI ▪ Aguda (Infantil)- predomina em crianças < 5 anos, autolimitada(80 a 85% dos casos têm resolução espontânea nos primeiros 6 meses); geralmente pós viral ou pós vacinal, na maioria das vezes não necessita de intervenção terapêutica. ▪ Forma Crônica (Adulto)-trombocitopenia persistente por mais de 6 meses;95 % dos casos só ocorrem em adultos(M>H) com fases de remissões e exacerbações; formas brandas podem passar despercebidas por muitos anos(pacientes asintomáticos se plaquetas > 50.000/mm3); sintomas surgem em pós operatório imediato ou após qualquer processo clínico grave; melhora temporariamente com imunossupressão, mas a maioria permanece indefinidamente em níveis baixos de plaquetas. FISIOPATOLOGIA PTI ▪ Diminuição da produção por destruição dos megacariócitos; ▪ Linfócitos T Helper- estímulo do linfócito B(Ac) e ação citotóxica direta Epidemiologia Até 14 - homem Depois - feminino CLÍNICA PTI · assintomáticos · sangramento cutâneo-mucoso • petéquias • equimoses • epistaxe · menorragia Diagnóstico diferencial: Diagnóstico por exclusão - Pseudoplaquetopenia - Medicamentos(heparina, ibuprofeno, ampicilina, naproxem, cimetidina..) - Infecção: HIV, Hepatites, EBV, H pylori - Colagenoses- lúpus - Doenças medulares: aplasia, leucemia, mielodisplasia, mielofibrose - Consumo de plaquetas: PTT, CIVD, SHU, HELLP - Congênita - Hiperesplenismo Diagnóstico da PTI ❑ Quadro de sangramento cutâneo-mucoso ❑ Bom estado geral ❑ Baço de tamanho normal ❑ Contagem de plaquetas pode chegar a < 10.000/mm3(muitas vezes<1000) ❑ Restante do hemograma normal ✔ Anemia ferropriva associada?(raro) ✔ 10 % tem associação com anemia hemolítica auto –imune (Síndrome de Evans) ❑ Coagulograma normal ❑ Mielograma: série megacariocítica geralmente aumentada(por destruição periférica de plaquetas ❑ Ac anti plaqueta: pouco sensível e pouco específico. Tratamento PTI ❑ Plaquetas< 30 mil ❑ Sangramento ativo ❑ Intervenção cirúrgica ❑ Opções de tratamento: ▪ Prednisona 1 mg/kg: resposta 60-90% em 3-4 semanas ▪ Pulso com dexametasona 40 mg/dia- 4 dias ▪ Pulso com Metilprednisolona 30 mg/kg/dia- 3 dias ▪ Imunoglobulina 400 mg/kg- 3-5 dias(se contra indicação ou refratários ao corticoide) ❖ Não realizar transfusão de plaquetas!(só transfundir se paciente com sangramento com risco de morte, sangramento SNC; SGI instabilidade hemodinâmica) ▪ Esplenectomia-resposta 60-90% ▪ Se não houver resposta com prednisona em 4 semanas: outros imunossupressores: Azatioprina, ciclofosfamida, anticorpo monoclonal anti CD20(rituximabe, inibe o linfócito B, inibindo a produção de anticorpos) ▪ Estimuladores da trombopoiese (eltrombopag-vai até a medula estimular a produção de plaquetas), só possui efeito enquanto está sendo utilizado(usar como uma medida de suporte até a realização da esplenectomia PTI NA Infância ❑ Geralmente pós quadro viral ou vacinas(MMR) ❑ Remissão espontânea em 80 % dos casos em 6 meses ❑ 10-15% evoluem para forma crônica Ex:Mãe aparece com criança e relata ter levado ela para tomar vacina e surgem manchas na pele. Prognóstico: ❑ Aproximadamente 80% das crianças têm uma remissão espontânea da patologia e quase 90% das crianças recupera totalmente. Mais de 50% dos doentes recupera dentro de 4 a 8 semanas e só cerca de 2% dos doentes morre, devido, normalmente, a complicações hemorrágicas internas. Nos adultos, apenas 2% apresenta remissão espontânea, no entanto, aproximadamente 64% dos adultos consegue recuperar completamente. Cerca de 30% dos doentes apresenta a forma crónica desta patologia e aproximadamente 5% dos doentes morre de crises hemorrágicas graves. As complicações mais frequentemente reportadas são a hemorragia intracraniana, os efeitos secundários dos corticosteróides ou ainda, infecções pneumocócicas em doentes que fizeram esplenectomia. É essencial que haja um seguimento individualizado dos doentes portadores de PTI em função da estabilidade das recontagens plaquetares feitas e da terapêutica escolhida Púrpura Trombocitopênica Trombótica ❑ A trombocitopenia trombótica envolve uma baixa contagem de plaquetas causada pela formação anormal de pequenos coágulos. Assim, grande quantidade de plaquetas fica retida nestes coágulos, não estando disponíveis para desempenhar a sua função de forma eficaz, aquando de uma lesão tecidual. ❑ Microangiopatia trombótica(presença de trombos na circulação) Anemia hemolítica microangiopática + Plaquetopenia ❑ Acomete mulheres entre 30- 40 anos ❑ Descrita desde 1924 como trombose hialina da microcirculação sistêmica · Somente 15 % dos casos tem causa definida: · Gestação; medicamentos(triclopidina) · Infecção(HIV); · Malignidade(adenocarcinoma gástrico) · Raro- congênita. Fisiopatologia PTT Nesta patologia está envolvido um importante componente da coagulação sanguínea, o FvW. O FvW é produzido como um grande polímero e o seu catabolismo é feito através da metaloprotease designada por ADAMTS13. A deficiência da enzima proteolítica ADAMTSA13 vai levar à circulação de grandes moléculas de FvW, uma vez que a ação enzimática da ADAMTS13 está diminuída, causando um aumento da agregação plaquetar e consequentemente, a formação de trombos oclusivos de plaquetas. Quadro Clínico PTT ❑ Pêntade-( Raynaud)40 % dos casos ✔ Anemia hemolítica microangiopática ✔ Trombocitopenia ✔ Febre ✔ Disfunção renal: hematúria, proteinúria ✔ Disfunção neurológica( flutuante): cefaleia, alteração de par craniano, afasia, hemiparesia, confusão, estupor (inconsciência total ou parcial, sem perda da percepção), coma. Diagnóstico PTT ❑ Hemólise: ▪ Diminuição de hemoglobina ▪ Diminuição de haptoglobina ▪ Aumento de DHL(pela destruição das hemácias e por isquemia tecidual ou trombose da microcirculação) ▪ Aumento de Brl ▪ Aumento reticulócito ▪ Eritoblasto circulante ❑ Plaquetopenia:< 20 mil(sangramento muco cutâneo) ❑ Microangiopatia: ▪ Esquizócitos (eritrócitos fragmentados) ❑ TAD negativo ❑ Coagulograma normal ❑ Disfunção renal ❑ ADMTS13 Diagnóstico diferencial SHU Insuficiência renal HELLP Gestante com hepatopatia CIVD Coagulopatia Vasculite Provas inflamatórias Hipertensão Maligna Pressão arterial Tratamento PTT ❑ Antes da plasmaferese- mortalidade de 90 % ❑ Plasmaferese: ▪ Reposição com plasma fresco congelado ▪ Duração: três dias após a normalização das plaquetas ❑ Corticóide: prednisona 1 mg/kg ❑ ASS(quando plaquetas acima de 50.000/ evitar agregação plaquetária) ❑ Refratários: plasma pobre em crioprecipitado; aumento de plasmaferese, rituximabe, vincristina ❖ Recidivas são comuns ❖ Contra indicação de transfusão de plaquetas Síndrome Hemolítica – Urêmica ❑ Anemia microangiopáticapor microangiopatia renal ❑ 95% dos caso são crianças ❑ SHU típica: febre, anemia, plaquetopenia após quadro diarreico por Escherichia coli produtora de verotoxina(VTEC)-O157:H7(80 % dos casos). ❑ Relacionada a medicamentos- ciclosporina, triclopidina, quinidina interferon. ❑ Tratamento: ▪ Manter perfusão renal ▪ 50-60% dos pacientes necessitam de hemodiálise ▪ Não há benefício de reposição de plasma ou plasmaferese. Plaquetopatias Congênitas: ❑ Síndrome de Bernard-Soulier: autossômica recessiva- deficiência da Gp Ib- diminuição da adesão plaquetária ❖ Gp Ib-responsável pela ligação ao fator de von Willebrand durante a adesão plaquetária ao subendotélio; ❖ As plaquetas encontram se muito grandes ❑ Tratamento e quadro clínico = trombastenia de Glanzmann, porém menos grave ❑ Trombastenia de Glanzmann Autossômica recessiva(deficiência da Gp II/IIIa- agregação plaquetária defeituosa em resposta ao ADP, colágeno, trombina e adrenalina; laboratório- tempo de sangramento prolongado, ausência de clamps plaquetários no esfregaço de sangue periférico e plaquetas que não se agregam in vitro; plaquetometria é normal; manifesta em crianças com menos de 5 anos com diátese hemorrágica moderada a grave, com típico sangramento plaquetário ;tratamento-transfusão de plaquetas de repetição Plaquetopatias Congênitas ( não cai na prova) · Doença do pool de armazenamento das plaquetas · Raro · Mais comum em mulheres de transmissão autossômica dominante · Deficiência de grânulos densos no interior das plaquetas/ agregação plaquetária defeituosa é encontrada(grânulos ricos em ADP). · Manifestações hemorrágicas de leve intensidade podem estar presentes. Plaquetopatias Adquiridas · Uso do AAS- apenas uma dose de 300 mg é suficiente para inibir, de maneira irreversível, a cicloxigenase plaquetária. · AINE-inibe a função plaquetária de forma reversível, bloqueando a síntese de prostaglandinas.(o efeito dura 48 hs) · Outras drogas- triclopidina/ clopidogrel · Hepatopatia · Uremia · Circulação extra- corpórea · Disproteinemia: mieloma múltiplo; macroglobulinemia de Waldentron. Fator de von Willebrand ▪ Produzido pelas células endoteliais e pelos megacariócitos na MO ▪ Secreção: estímulo adrenérgico, trombina, fibrina, histamina, vasopressina e colágeno ▪ Função-adesão plaquetária ao colágeno do subendotélio em sítios de lesão vascular- adesão e agregação plaquetária ▪ Outra função é formar um complexo com o fator VIII, funcionando como sua proteína de transporte e impedindo que este seja rapidamente depurado da circulação por proteases. ▪ Concentração plasmática: variável, influenciada por ABO, gestação, exercício e estrógeno Doença de von Willebrand · Deficiência do fator de Von Willebrand (VIII:vW) de caráter hereditário dominante e autossômico afeta tanto a hemostasia primária — pois funciona como mediador da adesividade plaquetária — quanto a secundária, que regula a produção ou liberação do fator VIII:C que participa da via intrínseca. A administração de plasma fresco ou crio precipitado produz elevação imediata do fator VIII:vW, que corrige o tempo de sangramento durante duas a seis horas, enquanto o pico para o fator VIII:C ocorre 48 horas após. Estes dados justificam a recomendação de iniciar a reposição um dia antes do procedimento cirúrgico (correção da hemostasia secundária) e imediatamente antes do início da cirurgia (correção da hemostasia primária) · Doença hereditária da hemostasia mais comum · Caracterizada por mutações que levam a alteração da síntese ou função do FvW (braço curto do cromossomo 12) · Herança genética em padrão autossômico dominante ou recessiva de penetração variável · Existem formas adquiridas relacionadas a mieloproliferação crônica ou tumores sólidos CLASSIFICAÇÃO: (não cai na prova) ❑ Existem três tipos da dvW ❑ Mais comuns- 1 e 2 ❑ Tipo 1- diminuição na síntese(dominante)-responsável por 80 % dos casos ❑ Tipo 2-alteração da função ❑ 2 A- diminuição dos multímeros de alto peso ❑ 2 B-aumento da afinidade pela Gp1b-plaquetopenia ❑ 2M-diminuição da afinidade pela Gp1b ❑ 2N-FvW não se liga ao FVIII(diminuição FVII) ❑ Tipo 3- rara, recessiva, ausência praticamente total do fvW com atividade do fator VIII muito baixa Clínica da dvW · Maioria dos indivíduos-forma leve- sem hemorragia espontânea · Suspeitar-sangramento imediato após trauma/procedimentos invasivos(ex.: extração dentária) · Casos moderados · Equimoses- após diminutos traumas, sangramentos em mucosas, ou mesmo sangramento gastrointestinal · Mesmo com diminuição do fator VIII , não ocorrem as manifestações típicas das desordens da coagulação(hemartrose, sangramento para cavidades, tendões e grupamentos musculares), com exceção do Tipo 3. Laboratório da dvW · Achados da triagem hemostática: · 1-tempo de sangramento prolongado · 2- PTTa alargado(pela deficiência secundária parcial do fator VIII) · 3- Demais provas da hemostasia normais · Importante! · A dvW pode cursar com todas as provas da hemostasia normais. Diagnóstico da dvW: ▪ História pessoal de sangramento cutâneo- mucoso ou pós cirúrgico- exceto tipo 2N- sangramento em tecidos e articulações ▪ História familiar de sangramento ▪ Exames que mostrem defeito quanti ou qualitativo do FvW. ▪ Tempo de sangramento- aumentado ▪ TTPA-aumentado no tipo 2 N e tipo 3 ▪ Contagem de plaquetas- diminuídas no tipo 2B · Tratamento: · Medidas locais: · Compressão, cola de fibrina · Desmopressina (DDAVP): · Aumento da concentração de Ag e FVIII por estimular secreção dos estoques endoteliais- porém nem todos respondem · Tipo 3- geralmente não respondem · Repor FvW/FVIII(fator 8 Y) · Drogas auxiliares: antifibrinolítico, estrógenos · Evitar uso de AINH. Trombocitopenias adquiridas e hereditárias