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1 0 0 0 0 1 ( ) ( , ) ( , ) ( ) ( , ) 0 ( ) ( , ) ( , ) ( ) ( , ) ( , ) ( , ) Equações de Maxwell a t t b t c t t t d t t t t E x x B x E x B x B x J x E x RESOLUÇÃO Problema 1: o objetivo é mostrar que os potenciais retardados dados pelas equações (i) satisfazem a condição de Lorentz. 3 0 30 1 1 x 4 R 1 x 4 R ret ret t d t t d t x x A x J x ( , ) ' ( ', ') ( , ) ' ( ', ') . (i) Com, R R x x' x x' , (ii) em que, R é a distância entre o ponto fonte x' e o ponto x do campo. Vamos usar como exemplo a Fig.1. Fig.1: Potenciais retardados. Fonte: Google imagens. Qual a descrição do campo eletromagnético produzido por fontes não estacionárias, ou seja, cargas e correntes que variam no espaço e no tempo, ( ', ')t x e ( ', ')tJ x ? Primeiramente, representaremos os campos em termos de potenciais. Da 2 eletrostática, 0 E permite escrever E como o gradiente de um potencial escalar: E . Na eletrodinâmica, isso não é possível, por que o rotacional de E não é nulo. No entanto, B permanece com o divergente nulo, de forma que ainda podemos expressar o campo magnético como o rotacional de um potencial vetorial, ( , ) ( , )t tB x A x , (1.1) tal que satisfaça (b). Substituindo-se a definição dada pela equação (1.1) na Lei de Faraday, equação (c), obteremos: ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) 0 t t t t t t E x B x E x A x ( , ) ( , ) 0t t t E x A x . (1.2) Da equação (1.2), verifica-se que: ( , ) ( , ) ( , )t t t t x E x A x (1.3) ou equivalentemente, ( , ) ( , ) ( , )t t t t E x x A x , (1.4) Portanto, as equações (1.3) e (1.4) permitem que os campos sejam determinados se os potencias escalar e vetor são conhecidos. A eq.(1.4) se reduz à velha forma se A for constante. Outras relações podem ser obtidas se substituirmos essas definições nas equações de Maxwell restantes. Para a equação (a), teremos: 0 0 1 ( , ) ( , ) 1 ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t E x x x A x x 2 0 1 ( , ) ( , ) ( , )t t t t x A x x , (1.5) Agora, fazendo o mesmo para a equação (d), segue que: 0 0 0 0 0 0 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t t t t t B x J x E x A x J x r A x Aplicaremos a identidade vetorial 2 A A A , na equação acima. 3 Então: 2 0 0 0 2 2 0 0 0 0 0 2 2 2 0 0 0 0 02 2 2 0 0 2 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t t t t t t t t t t t t t t t t t t t A x A x J x x A x A x A x J x x A x A x A x A x x J x A x A x 0 0 0( , ) ( , ) ( , )t t t t A x x J x 2 2 0 0 0 0 02 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , )t t t t t t t A x A x A x x J x . (1.6) As equações (1.5) e (1.6) contêm todas as informações das equações de Maxwell. Conseguimos reduzir de seis problemas (E e B com três componentes cada) para quatro ( ( , )t x uma componente e ( , )tA x com três componentes). Além disso, as expressões (1.1) e (1.4) não definem univocamente os potenciais. Dessa forma é permitido uma certa liberdade de escolha. Essa escolha deve preservar os campos elétrico e magnético, tendo em vista que classicamente somente os campos magnéticos têm significado físico direto. Suponhamos dois conjuntos de potenciais ( ( , )t x , ( , )tA x ) e ( '( , )t x , '( , )tA x ), que correspondem aos mesmos campos. Definindo-se: ' ' A A α • Potencial vetor: para 'A e A , os campos magnéticos, '( , ) ( , )t tB x B x , e usando-se a definição ( , ) ( , )t tB x A x , ' 0 0 A A A α A A α A 0 α . Podemos, então, escrever α como o gradiente de algum escalar: α . • Potencial escalar: para ' e , os campos elétricos, '( , ) ( , )t tE x E x , com a definição ( , ) ( , ) ( , )t t t t E x x A x , ' ' ' ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t t t E x E x x A x x A x 4 0 t t t t t A α A A α A 0 t α . Ou ainda, 0 t α . O termo t α é independente da posição, mas não se pode afirmar o mesmo para o tempo. ( ) ( )t t t t α α . Absorvendo-se ( )t a um novo com acréscimo de ' ' 0 t t dt ao antigo não afetará , apenas acrescenta ( )t a t . Tem-se: ' ' t A A . Esse conjunto deixa os campos eletromagnéticos invariantes sob transformação de calibre, denomina-se a invariância de calibre. Dessa forma, podemos escolher uma função arbitrária ( , )t x de modo a ter, para as condições de um certo problema, a transformação de calibre que seja mais adequada para sua resolução. Os dois principais calibres são o de Coulomb e o de Lorentz. Para solucionar o problema 1 desta lista de exercícios, vamos usar o calibre de Lorentz. Nesse calibre, escolhe-se a divergência do potencial vetor de modo a desacoplar as eqs. (1.5) e (1.6). 2 0 2 2 0 0 0 0 02 1 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t t t t t t x A x x A x A x A x x J x . (1.6i) • Condição de Lorentz 2 2 1 1 0 c t c t A A . Substituindo na equação, 5 2 0 1 ( , ) ( , ) ( , )t t t t x A x x 2 2 0 1 1 t c t 2 2 0 0 2 0 1 t . (1.7) No enunciado do problema 1, supõe que 3 0 1 1 x 4 R ret t d t x x( , ) ' ( ', ') satisfaz a condição de Lorentz. Quando as fontes variam no tempo surge um problema devido à velocidade finita com a qual a informação se propaga sobre esta variação, ou seja, com a velocidade da luz c. O tempo retardado t' é definido como: t t c x x' ' . Com isso, vamos considerar, primeiramente, o gradiente de t x( , ) . 3 0 1 1 x 4 R ret t d t x x( , ) ' ( ', ') 3 0 1 x 4 ret t t d x x x x ( ', ') ( , ) ' ' . (1.7i) Pela identidade ab a b a b , de modo que: 1 1t t t x x x x x x x x x ( ', ') ( ', ') ( ', ') ' ' ' . (1.7ii) • Determinação dos gradientes dessa expressão. a) 3 1 x x x x x x ' ' ' , b) t x( ', ') t t x y z x i j k xˆ ˆ ˆ( ', ') ( ', ') Aplicando a regra da cadeia, 6 t t t t t t t t x t y t z x i x j x k x ' ' 'ˆ ˆ ˆ( ', ') ( ', ') ( ', ') ( ', ') ' ' ' . (1.8) E ainda, notemos que x e x' são independentes de t, então: t t t t t ' ' ' , com isso: t t t t t t x y z x x i j k ' ' 'ˆ ˆ ˆ( ', ') ( ', ') t t t t t t x y z x x i j k ' ' 'ˆ ˆ ˆ( ', ') ( ', ') t t t t x x( ', ') ( ', ') ' . (1.9) Comparando as expressões (1.8) e (1.9) t t t t t t t t x t y t z t t t t x i x j x k x x x ' ' 'ˆ ˆ ˆ( ', ') ( ', ') ( ', ') ( ', ') ' ' ' ( ', ') ( ', ') ' , vemos que: ret ret t t t t x x( ', ') ( ', ') ' . (1.10) Essa relação é válida em geral, de modo que, para qualquer função f tx( ', ') , temos: ret ret f t f t t t x x( ', ') ( ', ') ' . Como t t c x x' ' , tomando seu gradiente, temos: t t c x x' ' 1 t c x x' ' . (1.11) Precisamos determinar o módulo x x' . Segue que: 7 2 2 2 ( ) (y ) (z ) ( ) (y ) (z ) x x y z x x y z x x i j k x x ' ' ' ' ' ' ' ' . Portanto, 2 2 2( ) (y ) (z )x x y z x y z x x i j kˆ ˆ ˆ' ' ' ' x x x x x x ' ' ' . Retornando-se à eq.(1.11), temos: 1 t c x x x x ' ' ' . (1.12) Com isso, a eq.(1.9) fica: t t t t x x( ', ') ( ', ') ' 1 t t c t x x x x x x ' ( ', ') ( ', ') ' . (1.13) A eq.(1.7ii), será rescrita como: 3 1 1 1 1 t t t t t t c t x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x ( ', ') ( ', ') ( ', ') ' ' ' ( ', ') ' ' ( ', ') ( ', ') ' ' ' ' 2 3 1t t t c t x x x x x x x x x x x x x ( ', ') ' ' ( ', ') ( ', ') ' ' ' . 2 3 1t t t c t x x x x x x x x x x x x x ( ', ') ' ' ( ', ') ( ', ') ' ' ' (1.14) Portanto, para a eq.(1.7i), obteremos: 3 0 1 x 4 ret t t d x x x x ( ', ') ( , ) ' ' 8 3 2 3 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' . (1.15) No entanto, ainda precisamos determinar o Laplaciano da eq.(1.7), para isso tomaremos a divergência da eq.(1.15), ou seja, 3 2 3 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' 2 3 2 3 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' 2 3 2 3 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' 2 3 2 3 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' Recorrendo-se novamente à identidade vetorial ab a b a b , temos: 2 3 2 2 0 1 1 1 x 4 t t t d c t c t x x x x x x x x x x x ' ' ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' 3 3 t t x x x x x x x x x x ' ' ( ', ') ( ', ') ' ' . (1.16) O cálculo de cada termo da eq.(1.16) foi realizado fora deste material, resultando em: 2 2 22 2 0 3 2 1 1 1 1 1 4 1 1 4 x t t t c t c t t t d c t x x xx x x x x x x x x x ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ( ', ') ( ', ') ' ' ' 9 Simplificando um pouco mais, 2 2 3 2 2 0 1 1 1 4 x 4 t t t d c t x x x x xx x ( , ) ( ', ') ( ', ') ' ' ' 2 2 3 3 2 2 0 0 1 1 1 1 x x 4 t t d t d c t x x x x xx x ( , ) ( ', ') ' ( ', ') ' ' ' 22 3 2 2 0 0 1 1 x 4 t t t d c t x x x x x ( ', ') ( ', ') ( , ) ' ' . (1.17) A função delta faz com que quando x x' , de modo que 0 x x' e t t' . Do enunciado sabemos que, 3 0 1 x 4 ret t t d x x x x ( ', ') ( , ) ' ' . Portanto, 2 2 2 2 0 1 1 t t t c t x x x( , ) ( , ) ( , ) , (1.18) que é a mesma equação (1.7), e com isso verificamos que o potencial escalar é uma solução do calibre de Lorentz. Agora, precisamos mostrar que o potencial vetor também satisfaz a condição de Lorentz. Do enunciado, 30 1 x 4 R ret t d t A x J x ( , ) ' ( ', ') , deve ser solução da equação (1.19). Lembremos o conjunto de equações (1.6i), 2 0 2 2 0 0 0 0 02 1 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) t t t t t t t t t t t x A x x A x A x A x x J x , e da condição de Lorentz, 0 0 0 0 0 t t A A 10 2 2 0 0 02 ( , ) ( , ) ( , ) ( , )) ( , )t t t t t t A x A x A x A x J x 2 2 0 0 02 ( , ) ( , ) ( , )t t t t A x A x J x . (1.19) Como nosso interesse é no tempo retardado, vamos considerar uma pequena região V1 em torno de x que define o ponto de observação de observação, videFig.1. Com isso, podemos definir o potencial vetor como a soma de suas contribuições nas regiões 3 1xd ' e 3 2xd ' , defina, 1 2( , ) ( , ) ( , )t t t A x A x A x Sem os efeitos retardados, o potencial gerado em V1 é a equação de Poisson, 2 1 0( , ) ,t t A x J x . (1.20) O objetivo, agora, é encontrar o operador Laplaciano para 2 ( , )tA x . Vamos considerar que o problema possui simetria esférica. Usando-se a parte Radial do Laplaciano, 2 2 2 1 ( )R R R temos: 2 2 30 2 2 2 2 30 2 2 1 1 ( , ) x ' ( ', ') 4 R 1 1 ( , ) ', x ' 4 R ret t R d t R R R t R t d R R c A x J x A x J x 2 2 30 2 2 1 ( , ) ', x ' 4 R t t d R R c A x J x . (1.21) Separadamente, calcula-se, 2 2 ', R t R c J x . 2 2 2 2 2 1 ', ', R R t t R c c R c J x J x . (1.22) Com a identidade, 2 2 2 2 2 1 ', ', R R t t R c c t c J x J x , tem-se: 2 2 30 2 2 2 1 1 ( , ) ', x ' 4 R t t d R c t c A x J x 2 2 30 2 2 2 ( , ) 1 1 ( , ) ', x ' 4 t R t t d c t R c A x A x J x 2 2 2 2 2 1 ( , ) ( , )t t c t A x A x . (1.23) 11 Somando as equações (1.20) e (1.23), temos: 2 2 2 1 2 0 2 2 1 ( , ) ( , ) , ( , )t t t t c t A x A x J x A x 2 2 1 2 0 2 2 1 ( , ) ( , ) , ( , )t t t t c t A x A x J x A x 2 2 02 2 1 ( , ) ( , ) ,t t t c t A x A x J x , que é idêntica à equação (1.19). Portanto, encerramos as demonstrações do problema 1.