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Cálculo II SÉRIES ALTERNADAS 1 Sumário Introdução .................................................................................................................................... 2 Objetivos ....................................................................................................................................... 2 1. Tipos de séries .......................................................................................................................... 2 1.1. Série harmônica e hiper-harmônica (ou p-série) ........................................................ 2 1.2. Série geométrica........................................................................................................... 3 1.3. Série telescópica (ou de Mengoli) ................................................................................ 3 2. Séries alternadas .................................................................................................................. 3 2.1. Definição ....................................................................................................................... 3 2.2. Uma forma de demonstração ...................................................................................... 4 2.3. Outras formas de série alternada ................................................................................ 6 Exercícios ...................................................................................................................................... 7 Gabarito ........................................................................................................................................ 7 Resumo ......................................................................................................................................... 8 2 Introdução Quando pensamos em uma série, visualizamos um modelo genérico de fatores iguais com índices diferentes, sem necessariamente nos preocuparmos com o sinal destes fatores. O comportamento de uma série pode alterar sua convergência por exemplo. 1 1 ( 1)k k k + = − é uma série alternada em que o limite só existe por causa da alternância de sinal: seu módulo não possui limite. Nesta aula, o ponto fundamental analisado nas séries será justamente o sinal de cada termo, tirando o foco do comportamento trivial e tornando seu estudo mais interessante. Vamos lá? Objetivos • Definir o que é uma série alternada e seus diferentes tipos; • Indicar o comportamento dos termos das séries analisadas e o uso do sinal em cada termo, compreendendo sua aplicabilidade. 1. Tipos de séries 1.1. Série harmônica e hiper-harmônica (ou p-série) Dizemos que uma série é harmônica geral se ela possui a forma 1 1 n an b = + , com 𝑎 e 𝑏 positivos e diferentes de zero. Essencialmente, a série com esta forma é divergente. As séries hiper-harmônicas possuem a forma 1 pn a n = , com , e p>0c p . Ela converge para 1p e diverge para 1p . Note que a série harmônica é o caso de série hiper-harmônica quando 1. Este caso é fundamental nos estudos de teoria musical, por isso o termo “harmônica”. 3 1.2. Série geométrica Uma série é dita geométrica se possui a forma 1 1 . n nn a q − = , com o primeiro termo da sequência real positivo e diferente de zero, e a razão 𝑞, também real.0 A série geométrica converge quando 1q e diverge quando 1q . Ela recebe este nome, obviamente, pela existência de um fator semelhante ao da razão de uma progressão geométrica. 1.3. Série telescópica (ou de Mengoli) A série telescópica é toda série 11 ( )n nn a a += − cujos termos da soma possuem a forma 1 1 2 2 3 11 ( ) ( ) ( ) ... ( ) ...n n n nn a a a a a a a a + += − = + + − + + − + Isso significa que, para uma soma finita de k termos, temos que 11 k n nn a a −= − é: 1 2 2 3 1 1( ) ( ) ... ( ) ( )k n n n nS a a a a a a a a− += − + − + + − + − Logo 1 1k nS a a −= − Ou seja, os termos parciais da série se cancelam, restando apenas o primeiro e o último termo na soma. Uma série telescópica converge se a sequência dos termos converge. Este tipo de série recebe esse nome por analogia a antigos telescópios que, quando abertos, viam-se todas as partes, mas fechados só se viam a primeira e última parte. 2. Séries alternadas 2.1. Definição Dizemos que uma série é alternada se os termos da soma são alternadamente positivos e negativos. Ela possui a forma 1 ( 1) n nn a = − ou 1 1 ( 1) n nn a + = − , com 0na . Veja que este tipo de série possui duas formas, uma com expoente par, outra com expoente ímpar. Isso será importante quando formos analisar a convergência desse tipo de série. 4 EXEMPLO 2.2. Uma forma de demonstração Uma série alternada, como o diz nos indica, possui uma alternância nos sinais de seus termos. Vamos mostrar isso através de uma série muito conhecida na matemática: 1 1 ( 1) 1 1 1 1 1 ... 2 3 4 5 n n n + = − = − + − + − Em particular, esta série recebe o nome de série harmônica alternada e sua soma resulta em ln 2. Veja a distribuição dos termos da soma: 1 Distribuição de termos de uma soma alternada. A série harmônica alternada é um exemplo clássico de uma série condicionalmente convergente. 1 1 ( 1)n n n + = − é convergente, enquanto 1 1 ( 1)n n n + = − -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Te rm o Valor de n Termos da soma versus n A série 1 1 ( 1)n n n + = − é chamada de série harmônica alternada. Esta série converge pelo teste das séries alternadas, que veremos na próxima apostila. A série harmônica alternada, embora condicionalmente convergente, não é absolutamente convergente: se os termos da série são sistematicamente rearranjados, em geral a soma torna-se diferente e, dependendo do rearranjo, possivelmente infinita. A fórmula da série harmônica alternada é um caso especial da série Mercator , a série de Taylor para o logaritmo natural. 5 é a série harmônica comum, que diverge. Embora na apresentação padrão a soma da série harmônica alternada resulte em ln 2, seus termos podem ser organizados para convergir para qualquer número, ou mesmo para divergir. DESENVOLVIMENTO Se iniciarmos com a série escrita na ordem usual, temos 1 1 1 1 1 ... 2 3 4 5 − − + − − Reorganizando os termos, temos 1 1 1 2 6 10 1 1 1 1 1 1 1 1 1 ... 2 4 3 6 8 5 10 12 − − + − − + − − + Podemos generalizar esta soma em blocos 1 1 1 2 1 2(2 1) 4k k k − − − − , com 𝑘 inteiro positivo. Assim, podemos escrever a série como 1 1 1 1 1 1 1 ... ... 2 4 6 8 10 2(2 1) 2(2 )k k − + − + + − + − Colocando em evidência o termo 1 2 1 2 , temos 1 1 1 1 1 1 ... 2 2 3 4 5 − − + − − ue é o mesmo que 1 (ln 2) 2 , ou seja, a metade da soma usual. Portanto, vimosque este tipo de série será condicionalmente convergente. 6 CURIOSIDADE 2.3. Outras formas de série alternada Mas nem toda série alternada pode ser identificada pela forma geral 1 1 ( 1)n n n + = − . Algumas séries possuem essa característica implícita, que apenas é perceptível quando verificamos seus termos. Por exemplo, a série 1 cos n n n = . Vamos verificar 5 primeiros termos desta série: 𝑛 1 2 3 4 5 𝑎𝑛 na cos 1 = − cos2 1 = − cos3 1 = − cos4 1 = − cos5 1 = − Veja como os pontos ficam em um gráfico: 2 Distribuição de termos de uma soma alternada. -1,2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Te rm o d a so m a Valor de n Termos da soma versus n A fórmula da série harmônica alternada é um caso especial da série Mercator, a série de Taylor para o logaritmo natural. 7 O mesmo acontece com algumas séries de coeficientes que possuem seno, por exemplo. Logo, muita atenção à serie dada. DICA Exercícios 1. (Simmons, 2010 Adaptado) Avalie o tipo de cada série: a. 1 ( 1) 2 1 n n n = − + b. ln1 2 ( 1) n n n n + = − c. 1 3 2nn = d. 2 ( 1)n n sen n = − Gabarito 1. a. Se tomarmos os 5 primeiros termos da soma, temos n 1 2 3 4 5 termo ( ) 1 1 1 2.1 1 − = − + ( )21 1 2.2 1 5 − = + ( )31 1 2.3 1 7 − = − + ( )41 1 2.4 1 9 − = + ( )51 1 2.5 1 11 − = − + Logo, observamos que a série decresce, tendendo a zero e seus termos possuem sinais alternados. Portanto trata-se de uma série alternada. b. Tomando os 5 primeiros termos da soma, temos: Fique atento às séries que você analisar. Por exemplo, a série 21 cos n n n = possui termos positivos e negativos, mas não é alternada. O primeiro termo é positivo, os próximos três são negativos e os três seguintes são positivos, ou seja, a troca de sinal dos termos é irregular. 8 n 1 2 3 4 5 termo 1 1 ln( 1) 0 1 +− = 2 2 1 ln ln 2( 1) 2 2 +− = − 3 3 1 ln ln3( 1) 3 3 +− = − 4 4 1 ln ln 4( 1) 4 4 +− = − 5 5 1 ln ln5( 1) 5 5 +− = − Trata-se de uma série alternada. c. Se tomarmos os 5 primeiros termos da soma, temos n 1 2 3 4 5 termo 1 3 3 2 2 = 2 3 3 2 4 = 3 3 3 2 8 = 4 3 3 2 16 = 5 3 3 2 32 = Trata-se de uma série geométrica, com razão 𝑞 = 1 2 . d. lim 𝑛→∞ sen ( 𝜋 𝑛 ) = 0, pois para 𝑛 > 2 temos que 0 < 𝜋 𝑛 < 𝜋 2 . Logo, a série é decrescente, e convergente para zero. Os 5 primeiros termos da soma são: n 2 3 4 5 6 termo 2( 1) 1 2 sen − = 3 3( 1) 2 2 sen − = − 4 2( 1) 4 2 sen − = 5 3( 1) 5 sen − − 6 1( 1) 6 2 sen − = − Trata-se de uma série alternada. Resumo Nesta aula vimos qual é o comportamento geral de algumas séries muito conhecidas e utilizadas em diversos estudos matemáticos. Aprendemos a identificar séries harmônicas, p-séries, séries geométricas, séries telescópicas e séries alternadas. O foco desta aula foi séries alternadas dada sua importância no estudo de séries de funções, como veremos no futuro. As séries alternadas são aquelas cujos termos de sua soma tem sinais alternados entre positivo e negativo. O estudo dos termos destas séries nos permite fazer um paralelo com funções como seno e cosseno, por exemplo, dado seu comportamento alternado. O estudo da convergência de cada série também pode partir da análise de seus termos. A visualização da distribuição dos primeiros termos de uma série em um gráfico simples pode nos ajudar a identificar como a série se comporta no limite para o infinito. Mas lembre-se: este tipo de análise nos dá uma pista sobre esse comportamento. Algumas séries que a princípio poderiam convergir, podem ter seus termos manipulados e apresentar convergência para qualquer número ou mesmo convergir. 9 Referências bibliográficas GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. Volume 4. São Paulo: LTC, 2002. SIMMONS, G. F. Cálculo com geometria analítica. Volume 2. São Paulo: Pearson, 2010. Encyclopedia of Mathematics. Disponível em: https://www.encyclopediaofmath.org/index.php/Harmonic_series. Acessado em 23/04/2019 às 18h29min.