Prévia do material em texto
1 PREFEITURA MUNICIPAL DE RAPOSA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Creche Escola Cidade de Raposa Raposa - MA 2019 2 Creche Escola Cidade de Raposa PROPOSTA PEDAGÓGICA Que a melhor sala de aula do mundo está aos pés de uma pessoa mais velha; Que quando você está amando dá na vista; Que ter uma criança adormecida em seus braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo. William Shakespeare Raposa - MA 2019 3 SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO............................................................................................................ 04 2 JUSTIFICATIVA.............................................................................................................. 04 3 IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO E DA UNIDADE MANTEDORA.............. 05 4 FINALIDADES DA ESCOLA......................................................................................... 06 4.1 OBJETIVO GERAL......................................................................................................... 07 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................................... 07 5 ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMNETO DAS ESCOLA......................................... 08 6 ESPAÇOS FÍSICOS, INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS.......................................... 09 7 RECURSOS HUMANOS................................................................................................... 11 7.1 Administrativos............................................................................................................... 11 7.2 Pedagógicos...................................................................................................................... 12 8 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................... 12 9 PRINCÍPIOS DA PROPOSTA PEDAGÓGICA............................................................. 14 10 CURRÍCULO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICA...................................................... 15 11 A EDUCAÇÃO INFANTIL NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR..................................................................................................................... 18 11.1 A EDUCAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA............... 19 11.2 DIREITOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL............................................................................................................................... 20 12 A AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL........................................................... 22 12.1 OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA................................................................................. 24 12.2 OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL....................................................................................................... 27 13 A TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL................................................................................................................. 36 14 PROPOSTA DE TRABALHO COM A COMUNIDADE ESCOLAR...................... 38 15 PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTINUADA E APERFEIÇOAMENTO DA EQUIPE ESCOLAR............................................................................................................ 40 16 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 42 REFERÊNCIAS...................................................................................................................... 42 4 1 APRESENTAÇÃO Este documento tem como finalidade explicitar a proposta pedagógica na filosofia da Escola de Educação Infantil, Creche Escola Cidade de Raposa. Expressando a identidade desta escola, onde estão presentes seus objetivos e desejos de mudanças, para uma vida digna e justa socialmente. Embasamos nosso referencial teórico de acordo com os princípios norteadores sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e a BNCC, previstos na Lei de Diretrizes e Bases – LDB número 9394/96, como documentos norteadores, e a partir de uma linha filosófica e pedagógica de uma análise da realidade escolar, por reconhecer a importância das experiências na primeira infância e acreditando ser a educação um direito da criança. A proposta pedagógica faz parte de uma estruturação para construção coletiva do Projeto Pedagógico Infantil voltado a crianças de 0 a 5 anos de idade que fazem parte das famílias da comunidade escolar Creche Escola Cidade de Raposa. A mesma foi elaborada a partir de encontros para discursões junto com o corpo docente, direção, coordenação e demais funcionários, levando-se em consideração as limitações físicas e necessidades pedagógicas. Esta proposta é multidisciplinar, de forma sistematizada e estruturante, com as informações do meio, criando condições de construir conhecimentos e elaborar ideias transformadoras sobre o mundo. Pois, está embasada na busca e na construção de uma educação plena com o desenvolvimento de educadores, pais, alunos e funcionários. A Creche Escola Cidade de Raposa, baseada em sua própria filosofia e também nos Parâmetros Curriculares Nacionais, trabalha de forma a tornar tudo isso possível. 2 JUSTIFICATIVA Enquanto sujeito histórico, construtor de conhecimento, a criança ao mesmo tempo em que constitui o mundo, torna-se constituída por ele. Cada criança/sujeito constrói conceitos pessoais. Tudo aquilo que a criança sabe, que foi construído por ela, passa a fazer parte de um patrimônio próprio, fruto de suas condutas, e não de algo depositado por outra pessoa (Deheinzelin, 1994). 5 Cabe à nossa escola uma proposta pedagógica consistente no sentido de fomentar a transformação dos conhecimentos espontâneos em científicos, promovendo um trabalho onde as crianças desenvolvam atividades em grupo, incitando discussões acerca de suas impressões sobre os fatos, levantando hipóteses a partir de seus conhecimentos prévios e, concomitantemente, se constituindo enquanto sujeito cooperativo. O papel da Educação Infantil é dar acesso ao universo letrado, proporcionando às crianças, desde seu ingresso, contato com os mais variados suportes de leitura e escrita, pois entendemos que ler e escrever transcende a mera decodificação, visto que é no mundo escrito e lido que se arquiva o saber acumulado pela humanidade. A partir destas considerações, devemos então ter claro que é preciso estabelecer metas coerentes para que esta proposta pedagógica seja viva, podendo acontecer em diferentes lugares com suas especificidades, história, cultura e necessidades. 3 IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO E DA UNIDADE MANTEDORA Pertencente ao Sistema Municipal de Ensino de Raposa, a Creche Escola Cidade de Raposa está localizada na Avenida Cafeteira Nº56 - Vila Bom Viver. Atualmente, mantém, dentro da Educação Básica, os cursos de Educação Infantil I,II e III, de 3 a 5 anos. O Estabelecimento é mantido pela Prefeitura Municipal de Raposa, situada na Av. Principal, S/Nº - Jardim das Oliveiras, CNPJ nº 01.612.325/0001-98 Raposa - Maranhão - CEP: 65.138- 000. Raposa fica distante 30 km de São Luís. A cidade é cercada de praias, dunas e manguezais. O município ficou conhecido pelo seu artesanato e pelo sabor de seus peixes frescos comercializados nosrestaurantes da cidade e, pela beleza suas praias desertas. No turismo, atualmente, Raposa é destino alternativo à visitação da capital São Luís do Maranhão, tendo como principais atrativos os passeios nas praias e dunas da região. Os turistas além de apreciarem a bela paisagem da região podem desfrutar os frutos do mar preparados pelos habitantes de Raposa. A cidade também abriga a maior colônia de pescadores do Maranhão. Nas lojas de artesanato são comercializados: toalhas de mesa, panos de prato, passadeiras, saídas de praia, chapéus, cortinas, além de uma série de outros artefatos confeccionados em rendas de bilro carinhosamente tecidas em almofadas de renda por mulheres de pescadores, arte essa que foi trazida pelos cearenses a mais de setenta anos fugindo da seca. 6 A flora predominante na região é o manguezal e a restinga. As densas florestas de manguezais totalmente preservadas do município são um viveiro natural para uma infinidade de animais marinhos, que dependem do ecossistema para alimentação e reprodução. 4 FINALIDADES DA ESCOLA A finalidade da escola fundamenta-se no princípio de ofertar um modelo de educação que venha contribuir para a formação de cidadãos conscientes do seu papel na sociedade, estabelecendo a construção do conhecimento, disseminação e leitura de mundo dentro do processo contínuo de aprendizado envolvendo todo o corpo docente, discentes, funcionários e toda comunidade escolar. A Constituição Federal de 1998 e o Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA, lei 8069/1990 garantem o direito ao atendimento em creches ou pré-escolar às crianças sendo que independente da denominação dos estabelecimentos é responsabilidade destes oferecer cuidado e educação de forma intencional e sistemática. Torna-se de suma importância que a instituição possua autorização para o funcionamento, além do planejamento global de sua ação, dentro da sua PP (Proposta Pedagógica). Partindo do pressuposto de que a ação pedagógica é imprescindível no processo ensino-aprendizagem e compreendendo que a escola possui identidade própria, que se constitui sob a influência da sua realidade local, faz com que a PP seja uma busca de autoconhecimento da realidade e seu contexto, tanto na construção, quanto na execução a mesma deve assumir a responsabilidade de fazer avançar os seus princípios pedagógicos, no sentido de tornar a escola um espaço real de formação do cidadão e de contribuição para a transformação. Nesse contexto, a escola tem como alternativa rever suas ações e o seu papel no aprimoramento do saber e da sua prática educativa, de forma a adequar sua postura pedagógica ao momento atual e, principalmente, a colocar-se na posição de organização principal e mais importante na evolução dos princípios fundamentais da sociedade, cumprindo assim sua função transformadora e idealizadora de conhecimentos científicos e filosóficos, pautando o resultado de suas ações em saber concreto. Deve optar por uma educação voltada para o futuro, uma educação contestadora, superadora dos limites impostos pelo Estado e pelo Mercado, portanto, uma educação muito mais centrada na transformação social do que na transmissão cultural. É importante priorizar 7 uma prática formadora para o desenvolvimento, onde a escola deixe de ser vista como uma obrigação a ser cumprida pelo aluno e se torne uma fonte de efetivação de seu conhecimento intelectual que o motivará a participar do processo de desenvolvimento social, não como mero receptor de informações, mas como idealizador de práticas que favoreçam esse processo. A escola deve servir de bússola para navegar nesse mar do conhecimento, superando a visão utilitarista de só oferecer informações “úteis” para a competitividade, para obter resultados. Aprender fazendo, orientar criticamente as crianças e jovens na busca uma informação que os faça crescer e não embrutecer. O embrutecimento deve ser eliminado de qualquer ação e a reflexão sobre o como ensinar e como aprender deve garantir que princípios e valores fundamentais da solidariedade e do respeito humano sejam mantidos. Assim sendo, a Proposta Pedagógica da Creche Escola pretende garantir que seus alunos, em situações e ambientes de ensino individualizados e coletivos, construam os conhecimentos e habilidades de comunicar suas ideias de maneira clara e significativa, aprendendo a reconhecer e compreender estruturas simples e complexas que poderão surgir no dia a dia, sendo capazes de refletir e construir suas ações de maneira autocontrolada, espontânea e criativa. 4.1 Objetivo Geral Desenvolver nas crianças as capacidades cognitiva, motora e afetiva desenvolvendo uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção. Percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio em que vivem. 4.2 Objetivos específicos Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar; Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social; Estabelecer e ampliar, cada vez mais, as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração; Brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades; 8 Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressando suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos possibilitando o avanço no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva; Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atividades de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade; Estimular a compreensão e valorização das datas comemorativas; Estabelecer regras de respeito, amizade e colaboração. 5 ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA ESCOLA Calendário Escolar De acordo com a Lei Nº. 9394/96, que estabelece a carga horária anual mínima de 800 horas distribuídas por no mínimo de 200 dias letivos. Carga horária semanal de 20 horas para o aluno e 40 horas para o professor, sendo 20 horas em sala de aula, complementadas com atividades em contra turno. O recesso escolar e as férias deverão ocorrer respeitando o ano letivo de 200 dias, prevendo intervalo em julho e janeiro. Matrículas Serão efetuadas matrículas para crianças de 03 a 05 anos, respeitando o limite de 15 alunos no mínimo a 25 alunos no máximo por turma. Quando houver demanda superior ao estabelecido acima, devem ser organizadas listas de espera e à medida que forem surgindo vagas, esses irão sendo chamados. Organização Física A escola é composta por uma área onde funciona direção/secretaria, um corredor pequeno, quatro salas de aulas com pequenos espaços, dois banheiros os quais somente um é adaptado para atender a faixa etária de idade de crianças de 0 a 5 anos. Possui também uma área que funciona como refeitório, sala de reunião e recreação, uma cozinha e uma área na frente aberta com uma cobertura. 9 Organização das Turmas As turmas serãoorganizadas por faixa etária, obedecendo aos critérios abaixo: Etapa I – a partir de 03 anos de idade; Etapa II – a partir de 04 anos de idade; Etapa III – a partir de 05 anos de idades. Salas de Aula 06 salas com cantos temáticos. Organização Pedagógica TURNO MATUTINO Turmas Faixa etária Quantidade de alunos INFANTIL I - A 03 anos 15 alunos INFANTIL I - B 03 anos 14 alunos INFANTIL II - A 04 anos 24 alunos INFANTIL III - A 05 anos 23 alunos 6 ESPAÇO FISICO, INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS Das Salas de Aula As salas devem ser apropriadas para atender crianças de 03 a 05 anos. O interior das salas e seus mobiliários devem ser revestidos com material lavável, porém ainda não possuímos este mobiliário. O mobiliário é composto por: - 94 cadeiras de madeiras; - 29 mesas coletivas com 4 lugares ; - 03 Estantes ou prateleira de aço para guardar livros infantis e material pedagógico; - 04 mesas com cadeiras para o professor; - 04 mesas para deficientes; TURNO VESPERTINO Turmas Faixa etária Quantidade de alunos INFANTIL I - C 03 anos 16 alunos INFANTIL II - B 04 anos 23 alunos INFANTIL III - B 05 anos 22 alunos INFANTIL III - C 05 anos 23 alunos 10 - 01 Quadro branco; - 02 quadros negros; - 06 ventiladores. Direção e Secretaria A sala da direção e secretaria funciona no mesmo espaço e contém: - 03 mesas ( sendo uma de madeira); - 02 armários de aço; - 01 ventilador; - 01 TV. Almoxarifado - 04 mesas de plástico para quatro lugares; - 05 cadeiras de plástico; - 04 mesas de plástico para crianças; - 01 armário de aço. Área de apoio - 01 bebedouro; - 02 escorregadores. Cozinha - 01 armário de aço; - 01 Fogão industrial; - 01 Geladeira e freezer; - 01 mesa de madeira; - 01 pia; - utensílios domésticos para servir a merenda. 11 Materiais de Apoio - Livros infantis/ gibis; - Jogos pedagógicos; - Brinquedos; - Revistas para recortes; - Fantoches/ máscaras; - Materiais pedagógicos; -utensílios pedagógicos (tesouras, pistola de cola quente, estiletes, etc.). Área Externa - Pátio aberto; - Parque infantil (a ser implantado); - 01 caixa d’água. 7 RECURSOS HUMANOS 7.1 Administrativo ( matutino, vespertino, diurno e noturno) AGENTES ADMINISTRATIVOS Adriana Mendes da Silva ( Mat.) Clara Hozane das Graças Machado Silva ( Diurno) AUXILIARES DE SERVIÇOS DIVERSOS (AOSD) MERENDEIRAS Elizete Martins Cantanhede ( Vesp.) Carmem Joice Collares da Silva ( Mat.) Maria Domingas Araújo de Sousa ( diurno) Kessia Pereira dos Santos( Vesp.) VIGIAS DIURNOS VIGIAS NOTURNOS Adelman dos Santos Chaves Antônio Carlos Lopes Gonçalves Oliveira Gilvan Ferreira Belfort Jackson Luís Pinto Ferreira 12 7.2 Pedagógico GESTORA Walkiria Duarte de Sousa COORDENADORAS PEDAGÓGICAS Flávia Elizia Melo da Silva ( MATUTINO) Ana Jéssica Barbosa Sousa ( VESPERTINO) PROFESSORAS MATUTINO VESPERTINO Elizete Ribeiro Nascimento Gilda Samia Serpa R. Costa Joina Maria Rodrigues Mirna Escolástico de Souza Ferreira Anieliete Pinheiro de Oliveira Ana Cristina Souza Silva Gianne Cristine Teixeira Pontes Jocilda da Silva Cruz Josinete Ribeiro Santos da Silva PROFESSORA DE APOIO E CUIDADORAS MATUTINO VESPERTINO Gisele Cristine Dias Silva Marcela Rodrigues Castro Marinete Inácio da Silva 8 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As concepções epistemológicas, que expressam uma postura filosófica, permitem uma maior definição dos princípios norteadores para uma proposta pedagógica, na medida em que explicitam as concepções sobre o mundo, a criança, a sociedade e o conhecimento. Sendo assim, embasamos nossa proposta pedagógica na teoria construtivista do conhecimento, considerando que seus pressupostos teóricos enfatizam o aspecto interacionista, colocando a criança como sujeito que constrói o conhecimento através de sua interação com o meio físico e social em que vive. O construtivismo como teoria filosófica, se opõe ao empirismo e ao inatismo. O empirismo baseia-se no pressuposto da tábula rasa, em que a criança só aprende o que lhe é ensinado, sendo colocada num papel passivo frente à realidade exterior, que é fonte de todas as explicações (Grossi, 1995). No inatismo, o conhecimento se explica através de sua existência já pré-formada na mente humana, sendo que o centro do processo é o próprio sujeito, embora também colocado como passivo, dependendo de sua própria maturação (Grossi,1995). No construtivismo, o sujeito é sempre visto como ativo, em interação com o 13 meio. O sujeito é cognoscente: busca adquirir conhecimento, procura ativamente descobrir o mundo que o rodeia e constrói seu conhecimento através de suas hipóteses – não espera que alguém que possui o conhecimento o transmita a ele. Nesta concepção, os processos de aprendizagem não dependem do método, este pode apenas facilitar ou dificultar, ou seja, não é o método que cria a aprendizagem. O conhecimento é resultado da própria atividade do sujeito, porque este compara, exclui, ordena, categoriza, formula hipóteses, reorganiza. O sujeito aprende basicamente através de suas ações sobre os objetos do mundo e constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo em que organiza seu mundo. A criança que compreendeu os mecanismos de produção de conhecimento se converte em criador do conhecimento (Ferreiro & Teberosky, 1986). Dessa forma, a educação construtivista é baseada numa teoria epistemológica, não num método de ensino. Portanto, não pretendemos, através desta proposta pedagógica, tratar da aplicação de técnicas de ensino-aprendizagem, mas sim do estudo e do acompanhamento do processo de construção do conhecimento de cada criança e do tipo de intervenções que o adulto estabelece na inter-relação com a criança. Esse estudo do desenvolvimento do conhecimento tem sido influenciado pela concepção interacionista, através de autores como Piaget, Vygotsky e Wallon. Para Piaget (1987), os fatores que influenciam o desenvolvimento do conhecimento são a maturação biológica, as experiências físicas e lógico-matemáticas, a transmissão social (conhecimento cultural, convenções) e a equilibração (processo interno de autorregulação que leva o indivíduo a adaptar-se ao meio). Numa abordagem didática de orientação piagetiana, as experiências com os objetos e a transmissão social não devem ser entendidas como formas de ensinar lineares e impostas do adulto para a criança. Através delas, as crianças devem, de modo ativo, perceber relações entre objetos e construir novas estruturas e esquemas de conhecimentos, incentivadas ou apoiadas pelo educador, sempre tendo como ponto de partida suas experiências diretas com o mundo natural e social. A meta é, portanto, a autonomia intelectual conseguida em clima de cooperação e não de coerção. Wallon (1988) argumenta que as relações indivíduo-meio transformam-se dinamicamente e que os aspectos do meio são importantes para que a criança construa certas habilidades. Assim, para um bebê, um adulto afetuoso e sintonizado com ele é de fundamental importância nas suas primeiras aquisições. Depois, isso vai sendo substituído pela experiência direta da criança pequena na exploração de objetos, pela participação em brincadeiras simbólicas com companheiros epelas experiências nas atividades desenvolvidas na escola. Também para Vygotsky (1984), a relação interpessoal é o recurso básico do desenvolvimento da criança pequena. O autor propõe que, na análise do desenvolvimento 14 infantil, se leve em consideração a diferença que existe entre o que a criança a cada momento é capaz de fazer sozinha e o que pode fazer e aprender com a ajuda de outras pessoas mais experientes, sejam elas adultos ou outras crianças, conforme vai observando-as, imitando-as, ouvindo suas explicações, seguindo suas instruções ou contrapondo-se a elas. É neste espaço, denominado “zona de desenvolvimento proximal”, que a ação educativa deve realizar-se. Vygotsky dá também muita ênfase ao papel da linguagem como meio para que o sujeito se aproprie da experiência de gerações precedentes. À medida que a criança se apropria desse saber construído pela cultura, modifica-se concomitantemente, respondendo não apenas a suas necessidades como organismo biológico, mas às necessidades psicossociais, que são históricas. 9 PRINCÍPIOS DA PROPOSTA PEGAGÓGICA A escola, como instituição burocrática, tem suas atividades sustentadas pelas legislações em seus diferentes níveis: federal, estadual e municipal. Compete-lhe desencadear ações de modo a atender os fundamentos legais e assumir institucionalmente suas responsabilidades em relação à aprendizagem com sucesso de seus alunos. Os tempos mudaram, e, com isso, as exigências educacionais do mundo também. A escola de hoje não é nem deve ser a mesma de há alguns anos. As velhas práticas, ferramentas ultrapassadas e metodologias retrógradas já não são suficientes para suprir as necessidades do jovem de hoje. As informações se tornaram mais rápidas e acessíveis, os estudantes estão cada vez mais autônomos e conectados, têm comportamentos diferentes, as famílias possuem estruturas diversificadas e as novas tecnologias e mídias sociais estão revolucionando a forma de ensinar e aprender. Tudo isso requer uma escola que comporte o perfil contemporâneo de aprendizado e ajude a vencer todos os desafios que a educação moderna impõe, para que o homem se insira no mundo de hoje. E é na relação desse homem com o mundo e com o meio em que vive que reside nossa visão de educação. A educação é o processo de inserção do sujeito no mundo da cultura, numa ação recíproca e complementar, constituindo-se instrumento de transformação dos sujeitos. Neste sentido, nossa proposta pedagógica visa à construção de uma identidade própria de nossos alunos, com atendimento às suas necessidades e características individuais, 15 tendo por base a promoção de aprendizagens significativas, o desenvolvimento da criatividade, o acesso ao conhecimento, traduzido nos currículos, e à cultura, elementos estes alicerçados na reflexão, na ética, no espírito humanitário e na equidade, para que possamos vencer o desafio de formarmos futuros adultos dotados de espírito crítico, de caráter humano capazes de alcançar sua realização pessoal, participar com sucesso da vida em sociedade e dos desafios desse novo milênio. 10 CURRÍCULO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Definir a concepção de currículo é uma tarefa de extrema importância para a construção deste documento, uma vez que ele organiza e sistematiza as intenções educativas e as práticas pedagógicas. No campo da Educação Infantil o currículo por muito tempo foi organizado das mais diversas maneiras, a compreensão mais recorrente é a de currículo como uma listagem de conteúdos disciplinares a ser trabalhados no contexto educativo. Nesta perspectiva surge os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil- RCNEI (1998), documento que pela organização apresentada e o conteúdo trabalhado, demonstra uma subordinação para o Ensino Fundamental, como aponta Cerisara (2002, p.12) [...] as especificidades das crianças de 0 a 6 anos acabam se diluindo no documento ao ficarem submetidas à versão escolar de trabalho. Isso porque a “didatização” de identidade, autonomia, música, artes, linguagens, movimento, entre outros componentes, acaba por disciplinar e aprisionar o gesto, a fala, a emoção, o pensamento, a voz e o corpo das crianças. Dentro dessa concepção de currículo “várias aprendizagens permaneciam marginalizadas, fora dos currículos, dos planejamentos e das reflexões de professores, já que não eram consideradas relevantes como atividades curriculares.” (BRASIL, 2009, p. 50). Numa busca por qualificar e repensar a qualidade da Educação Infantil em 2009, surge, no cenário nacional, o Parecer do Conselho Nacional da Educação/CBE N° 20/2009 apresentando as DCNEIs, que apontam novos marcos normativos para esta etapa da educação, construído em diálogo com diversos setores e entidades sociais comprometidas com a Educação Infantil. Este documento apresenta algumas das principais concepções que serviram de base para o trabalho cotidiano nas escolas. Compreende-se aqui o currículo como as ações e intenções presentes no cotidiano escolar, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, definem o currículo como, 16 Conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade. (2010, p. 12). Percebe-se que esta nova forma de pensar o currículo para a educação das crianças procura vincular as experiências, vivências e saberes nas práticas cotidianas da escola da infância, levando em consideração seu caráter pedagógico, o conhecimento contextual e todo o conjunto de aprendizagens oferecidas pela escola. Englobando um “conjunto de experiências culturais de cuidado e educação, relacionados aos saberes e conhecimentos, intencionalmente selecionados e organizados” (FARIA, 2012, p.32) para vivência das crianças. Nesse viés o foco do trabalho na Educação Infantil, [...] deve levar em consideração os questionamentos e as curiosidades das crianças, partindo destes para a formação de projetos, desvinculando-se assim da ideia de “conteúdo” e valorizando a construção, articulação e produção de aprendizagens que acontecem no encontro entre sujeitos e ambiente social. (Registro das professoras, agosto de 2013) As DCNEI estabelecem as brincadeiras e as interações como eixos norteadores do trabalho pedagógico, valorizando a experiência das diferentes linguagens, do conhecimento de si e do mundo, vivências éticas e estéticas, saúde, bem-estar e integração com diversificadas manifestações culturais. Percebe-se assim, que a instituição de Educação Infantil deve propiciar um ambiente que atenda as necessidades infantis como o movimentar- se, descobrir, interagir, cantar, dançar, brincar, pular, chorar, enfim, respeitando as especificidades e manifestações das crianças. Assim as professoras expressam ser preciso uma prática que: [...] contemple as diversas linguagens, permeadas pela experiência e vivencia do afeto, dando assim suporte para construção de pessoas que vivem e convivem em harmonia consigo, com o outro e com a vida. (Registro das professoras, agosto de 2013) Há temáticas que estão intrinsicamente relacionadas ao currículo da Educação Infantil e constituem as práticas pedagógicas das instituições. Dentre elas, podemos citar: Ética: ações de cuidado e respeito de si e do outro, justiça e respeito aos direitos humanos, solidariedade e diálogo como mediador dos conflitos; 17 Sexualidade: identidade pessoal,diversidade sexual e de gênero; Educação ambiental: meio ambiente, sociedade, fenômenos naturais, sociais e culturais; Pluralidade cultural: respeito às diferentes culturas, valorização às tradições locais e culturais e crianças como produtoras de cultura; Diversidade e Inclusão: étnico-racial, marcadores de gênero, classe social, crenças, crianças com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. Na construção da proposta curricular, de acordo com as características de cada escola, diversos arranjos de atividades poderão ser pensados respeitando as propostas pedagógicas de cada instituição. “A organização curricular da Educação Infantil pode se estruturar em eixos, centros, campos ou módulos de experiências que devem se articular em torno dos princípios, condições e objetivos propostos nesta diretriz.” (BRASIL PARECER CNE/CEB 20/2009, p.16). Desta forma, a Creche Escola (tendo como eixo norteador a acepção de currículo, apontada acima) ao trabalhar com a Educação Infantil, faz uso de práticas educativas enriquecidas por espaços materiais, uso de tempos diversificados distribuídos em projetos, de atividades permanentes, de atividades sequenciais, oficinas, de atividades interdisciplinares, de noções e aquisições conceituais, de diferentes linguagens, de estratégias de pensamento empregadas na resolução de problemas, de atitudes investigativas, do desenvolvimento de competências e habilidades. Pois, o currículo da Educação infantil está concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico de modo a promover o seu desenvolvimento integral. Partindo desses pressupostos, a Proposta Pedagógica da Creche Escola Cidade de Raposa, para a Educação Infantil, respeita os seguintes princípios: I - Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades. II - Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática. III - Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. Assim sendo, pensamos em uma Educação Infantil que propõe o desenvolvimento da autonomia, propiciando, desde a mais tenra idade, oportunidades para que a criança dirija suas 18 próprias ações, argumente seus desejos, elabore hipóteses e manifeste descontentamentos, considerando-se seus recursos pessoais e os limites inerentes ao ambiente. Portanto, embasamos a nossa prática pedagógica, partindo dos princípios definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil de 2009, que também foi construída a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), fixada pela Resolução 02/2017 do Conselho Nacional de Educação, que referencia a construção dos currículos da Educação Infantil, e organizam-se pelos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, campos de experiências e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, elementos que se integram na articulação entre as necessidades, interesses, experiências e curiosidades das crianças de 0 a 5 anos e o patrimônio artístico, cultural, ambiental, científico e tecnológico. 11 A EDUCAÇÃO INFANTIL NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR A expressão educação “pré-escolar”, utilizada no Brasil até a década de 1980, expressava o entendimento de que a Educação Infantil era uma etapa anterior, independente e preparatória para a escolarização, que só teria seu começo no Ensino Fundamental. Situava- se, portanto, fora da educação formal. Com a Constituição Federal de 1988, o atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a 6 anos de idade torna-se dever do Estado. Posteriormente, com a promulgação da LDB, em 1996, a Educação Infantil passa a ser parte integrante da Educação Básica, situando-se no mesmo patamar que o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. E a partir da modificação introduzida na LDB em 2006, que antecipou o acesso ao Ensino Fundamental para os 6 anos de idade, a Educação Infantil passa a atender a faixa etária de zero a 5 anos. Entretanto, embora reconhecida como direito de todas as crianças e dever do Estado, a Educação Infantil passa a ser obrigatória para as crianças de 4 e 5 anos apenas com a Emenda Constitucional nº 59/2009, que determina a obrigatoriedade da Educação Básica dos 4 aos 17 anos. Essa extensão da obrigatoriedade é incluída na LDBEN em 2013, consagrando plenamente a obrigatoriedade de matrícula de todas as crianças de 4 e 5 anos em instituições de Educação Infantil. Com a inclusão da Educação Infantil na BNCC, mais um importante passo é dado nesse processo histórico de sua integração ao conjunto da Educação Básica. 19 11.1 A Educação Infantil no contexto da Educação Básica Como primeira etapa da Educação Básica, a Educação Infantil é o início e o fundamento do processo educacional. A entrada na creche ou na pré-escola significa, na maioria das vezes, a primeira separação das crianças dos seus vínculos afetivos familiares para se incorporarem a uma situação de socialização estruturada. Nas últimas décadas, vem se consolidando, na Educação Infantil, a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo. Nesse contexto, as creches e pré-escolas, ao acolher as vivências e os conhecimentos construídos pelas crianças no ambiente da família e no contexto de sua comunidade, e articulá-los em suas propostas pedagógicas, têm o objetivo de ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar a educação familiar – especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação. Nessa direção, e para potencializar as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças, a prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre a instituição de Educação Infantil e a família são essenciais. Além disso, a instituição precisa conhecer e trabalhar com as culturas plurais, dialogando com a riqueza/diversidade cultural das famílias e da comunidade. As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, Resolução CNE/CEB nº 5/2009), em seu Artigo 4º, definem a criança como: Sujeito histórico e de direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura (BRASIL, 2009). Como já foi citado anteriormente, e ainda de acordo com as DCNEI, em seu Artigo 9º, os eixos estruturantes das práticas pedagógicas dessa etapa da Educação Básica são as interações e a brincadeira, experiências nas quais as crianças podem construir e apropriar- se de conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares e com os adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento e socialização. A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral das crianças. Ao observar 20 as interações e a brincadeira entre as crianças e delas com os adultos, é possível identificar, por exemplo, a expressão dos afetos,a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções. 11.2 Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento na Educação Infantil Tendo em vista os eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil, as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural. São eles: Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. 21 Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. Essa concepção de criança como ser que observa, questiona, levanta hipóteses, conclui, faz julgamentos e assimila valores e que constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social não deve resultar no confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou espontâneo. Ao contrário, impõe a necessidade de imprimir intencionalidade educativa às práticas pedagógicas na Educação Infantil, tanto na creche quanto na pré-escola. Essa intencionalidade consiste na organização e proposição, pelo educador, de experiências que permitam às crianças conhecer a si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica, que se traduzem nas práticas de cuidados pessoais (alimentar-se, vestir-se, higienizar-se), nas brincadeiras, nas experimentações com materiais variados, na aproximação com a literatura e no encontro com as pessoas. Parte do trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças. Ainda, é preciso acompanhar tanto essas práticas quanto as aprendizagens das crianças, realizando a observação da trajetória de cada criança e de todo o grupo – suas conquistas, avanços, possibilidades e aprendizagens. Por meio de diversos registros, feitos em diferentes momentos tanto pelos professores quanto pelas crianças (como relatórios, portfólios, fotografias, desenhos e textos), é possível evidenciar a progressão ocorrida durante 22 o período observado, sem intenção de seleção, promoção ou classificação de crianças em “aptas” e “não aptas”, “prontas” ou “não prontas”, “maduras” ou “imaturas”. Trata-se de reunir elementos para reorganizar tempos, espaços e situações que garantam os direitos de aprendizagem de todas as crianças. 12 A AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL “Avaliar o aluno deixa de significar fazer um julgamento sobre a sua aprendizagem, para servir como momento capaz de revelar o que o aluno já sabe, os caminhos que percorreu para alcançar o conhecimento demonstrado, seu processo de construção do conhecimento, o que o aluno não sabe e o caminho que deve percorrer para vir a saber, o que é potencialmente revelado em seu processo, suas possibilidades de avanço e suas necessidades para que a superação, sempre transitória, do não saber, possa ocorrer.” (Esteban,2004) A avaliação é uma atividade importante em qualquer processo educativo. Seu objetivo deve ser conhecer melhor em que estágio as crianças estão e identificar de que modo é possível atuar de maneira mais efetiva para assegurar o seu pleno desenvolvimento. Assim, constitui um recurso pedagógico adicional para os professores e coordenadores pedagógicos ou diretores de unidades de Educação Infantil. A avaliação na Educação Infantil deve incidir diretamente no planejamento das atividades diárias promovidas pelo professor junto às crianças, devendo subsidiar elementos que ampliem as aprendizagens e experiências apresentadas por elas, contribuindo também para suas manifestações, desejos e necessidades. Vale ressaltar que a avaliação nesta etapa da Educação Básica possui algumas especificidades que devem ser observadas. A mais importante delas é o fato de que os procedimentos avaliativos não devem ter caráter de classificação ou promoção das crianças de uma fase a outra. Sua finalidade maior é educativa. Vale ressaltar que a avaliação nesta etapa da Educação Básica possui algumas especificidades que devem ser observadas. A mais importante delas é o fato de que os procedimentos avaliativos não devem ter caráter de classificação ou promoção das crianças de uma fase a outra. Sua finalidade maior é educativa. A LDB de 1996 estabelece que a Educação Infantil precisa ser organizada com base em algumas regras comuns, entre elas “avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino 23 Fundamental” (incluído pela Lei no 12.796/13). Assim, o foco da avaliação está voltado para o registro de todas as conquistas, avanços, dificuldades e desafios enfrentados pelas crianças, com a finalidade de observar seu progresso no processo de ensino e aprendizagem. Importante, ainda, considerar o disposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil de 2009, que reitera que “as instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação”. Conforme detalhado no documento, essa avaliação deve garantir: I – a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano; II – utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.); III – a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil, transições no interior da instituição, transiçãocreche/pré-escola e transição pré-escola/Ensino Fundamental); IV – documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil; V – a não retenção das crianças na Educação Infantil. Essa passagem mostra a importância de, por um lado, propiciar experiências educativas cheias de significados para as crianças e, por outro, registrar seu desenvolvimento ao longo das atividades, apontando desafios e progressos e, sobretudo, estimulando suas potencialidades. Portanto, esses objetivos serão alcançados por uma ação pedagógica intencional, sistemática e planejada, evocando um universo de conhecimentos significativos, promovendo a socialização da criança e garantindo o acesso a instrumentos socioculturais necessários ao seu pleno desenvolvimento cognitivo, social e cultural, através do desenvolvimento pelos campos de experiências. 24 12.1 Os campos de experiências Considerando que, na Educação Infantil, as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e a brincadeira, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se, a organização curricular da Educação Infantil na BNCC está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. A definição e a denominação dos campos de experiências também se baseiam no que dispõem as DCNEI em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a ser propiciados às crianças e associados às suas experiências. Considerando esses saberes e conhecimentos, os campos de experiências em que se organiza a BNCC são: O eu, o outro e o nós – É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando- se como seres individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio. Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas. Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos. Corpo, gestos e movimentos – Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade. Por meio das diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de conta, elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem. As 25 crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e, com seus gestos e movimentos, identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo, ao mesmo tempo, a consciência sobre o que é seguro e o que pode ser um risco à sua integridade física. Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a liberdade, e não para a submissão. Assim, a instituição escolar precisa promover oportunidades ricas para que as crianças possam, sempre animadas pelo espírito lúdico e na interação com seus pares, explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo (tais como sentar com apoio, rastejar, engatinhar, escorregar, caminhar apoiando-se em berços, mesas e cordas, saltar, escalar, equilibrar-se, correr, dar cambalhotas, alongar-se etc.). Traços, sons, cores e formas – Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o audiovisual, entre outras. Com base nessas experiências, elas se expressam por várias linguagens, criando suas próprias produções artísticas ou culturais, exercitando a autoria (coletiva e individual) com sons, traços, gestos, danças, mímicas, encenações, canções, desenhos, modelagens, manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos. Essas experiências contribuem para que, desde muito pequenas, as crianças desenvolvam senso estético e crítico, o conhecimento de si mesmas, dos outros e da realidade que as cerca. Portanto, a Educação Infantil precisa promover a participação das crianças em tempos e espaços para a produção, manifestação e apreciação artística, de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da expressão pessoal das crianças, permitindo que se apropriem e reconfigurem, permanentemente, a cultura e potencializem suas singularidades, ao ampliar repertórios e interpretar suas experiências e vivências artísticas. Escuta, fala, pensamento e imaginação – Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se 26 torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social. Desde cedo, a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As experiências com a literaturainfantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de mundo. Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis etc. propicia a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a diferenciação entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de livros. Nesse convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da escrita como sistema de representação da língua. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações – As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais. Desde muito pequenas, elas procuram se situar em diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite; hoje, ontem e amanhã etc.). Demonstram também curiosidade sobre o mundo físico (seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as possibilidades de sua manipulação etc.) e o mundo sociocultural (as relações de parentesco e sociais entre as pessoas que conhece; como vivem e em que trabalham essas pessoas; quais suas tradições e seus costumes; a diversidade entre elas etc.). Além disso, nessas experiências e em muitas outras, as crianças também se deparam, frequentemente, com conhecimentos matemáticos (contagem, ordenação, relações entre quantidades, dimensões, medidas, comparação de pesos e de comprimentos, avaliação de distâncias, reconhecimento de formas geométricas, conhecimento e reconhecimento de numerais cardinais e ordinais etc.) 27 que igualmente aguçam a curiosidade. Portanto, a Educação Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano. 12.2 Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para a Educação Infantil Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos estruturantes. Essas aprendizagens, portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Reconhecendo as especificidades dos diferentes grupos etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, que correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças, conforme indicado na figura a seguir. Todavia, esses grupos não podem ser considerados de forma rígida, já que há diferenças de ritmo na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças que precisam ser consideradas na prática pedagógica. CRECHE PRÉ-ESCOLA Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) 28 CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “O EU, O OUTRO E O NÓS” OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. (EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos. (EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir. (EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa. (EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. (EI03EO02) Agir de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos. (EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. (EI03EO03) Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. (EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras. (EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender. (EI03EO04) Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos. (EI01EO05) Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e descanso. (EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças. (EI03EO05) Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive. 29 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EO06) Interagir com outras crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-se ao convívio social. (EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. (EI03EO06) Manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida. (EI02EO07) Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto. (EI03EO07) Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos. CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS” OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01CG01) Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos. (EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras. (EI03CG01) Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música. 30 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes. (EI02CG02) Deslocar seu corpo no espaço, orientando- se por noções como em frente, atrás,no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas. (EI03CG02) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI01CG03) Imitar gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais. (EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações. (EI03CG03) Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música. (EI01CG04) Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bem-estar. (EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo. (EI03CG04) Adotar hábitos de autocuidado relacionados a higiene, alimentação, conforto e aparência. (EI01CG05) Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos. (EI02CG05) Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros. (EI03CG05) Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas. 31 CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS” OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI02TS01) Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. (EI01TS02) Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas. (EI02TS02) Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar), explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais. (EI03TS02) Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI01TS03) Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI02TS03) Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI03TS03) Reconhecer as qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando-as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. 32 CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO” OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EF01) Reconhecer quando é chamado por seu nome e reconhecer os nomes de pessoas com quem convive. (EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões. (EI03EF01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão. (EI01EF02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas. (EI02EF02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos. (EI03EF02) Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos. (EI01EF03) Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando ilustrações e os movimentos de leitura do adulto-leitor (modo de segurar o portador e de virar as páginas). (EI02EF03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto-leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita). (EI03EF03) Escolher e folhear livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas. (EI01EF04) Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor. (EI02EF04) Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários, personagens e principais acontecimentos. (EI03EF04) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da 33 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) história. (EI01EF05) Imitar as variações de entonação e gestos realizados pelos adultos, ao ler histórias e ao cantar. (EI02EF05) Relatar experiências e fatos acontecidos, histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidos etc. (EI03EF05) Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba. (EI01EF06) Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de expressão. (EI02EF06) Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos. (EI03EF06) Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa. (EI01EF07) Conhecer e manipular materiais impressos e audiovisuais em diferentes portadores (livro, revista, gibi, jornal, cartaz, CD, tablet etc.). (EI02EF07) Manusear diferentes portadores textuais, demonstrando reconhecer seus usos sociais. (EI03EF07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura. (EI01EF08) Participar de situações de escuta de textos em diferentes gêneros textuais (poemas, fábulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios etc.). (EI02EF08) Manipular textos e participar de situações de escuta para ampliar seu contato com diferentes gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias etc.). (EI03EF08) Selecionar livros e textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses textos, como a recuperação pela memória, pela leitura das ilustrações etc.). 34 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EF09) Conhecer e manipular diferentes instrumentos e suportes de escrita. (EI02EF09) Manusear diferentes instrumentos e suportes de escritapara desenhar, traçar letras e outros sinais gráficos. (EI03EF09) Levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos, por meio de escrita espontânea. CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESPAÇOS, TEMPOS, QUANTIDADES, RELAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES” OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01ET01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura). (EI02ET01) Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos (textura, massa, tamanho). (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI01ET02) Explorar relações de causa e efeito (transbordar, tingir, misturar, mover e remover etc.) na interação com o mundo físico. (EI02ET02) Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva etc.). (EI03ET02) Observar e descrever mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. 35 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas. (EI02ET03) Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI01ET04) Manipular, experimentar, arrumar e explorar o espaço por meio de experiências de deslocamentos de si e dos objetos. (EI02ET04) Identificar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois). (EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. (EI01ET05) Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles. (EI02ET05) Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.). (EI03ET05) Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças. (EI01ET06) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.). (EI02ET06) Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar). (EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade. (EI02ET07) Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos. (EI03ET07) Relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência. 36 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI02ET08) Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.). (EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos. 13 A TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL Ao longo de seu desenvolvimento, a criança passa por vários períodos de transição. Uma das mais importantes diz respeito ao período em que deixa o convívio familiar e passa a fazer parte do ambiente escolar, convivendo com outras crianças da mesma faixa etária. Outro momento significativo é a passagem da creche para a pré-escola, quando a criança já adquiriu vivências e experiências diversificadas. Após a conclusão da primeira etapa da Educação Básica, a criança entra em um novo ciclo de desafios. O novo ambiente escolar é cheio de exigências e de regras de condutas com as quais ela, muitas vezes, não está familiarizada. Assim, é necessário que essa transição seja feita de modo tranquilo e sem traumas, pois em alguns casos exige-se da criança um domínio de alfabetização e letramento sem que ela ainda tenha a maturidade necessária para tal. Importante à observação de que: Educação Infantil e Ensino Fundamental são frequentemente separados. Porém, do ponto de vista da criança, não há fragmentação. Os adultos e as instituições é que muitas vezes opõem Educação Infantil e Ensino Fundamental, deixando de fora o que seria capaz de articulá-los: a experiência com a cultura. Questões como alfabetizar ou não na Educação Infantil e como integrar Educação Infantil e Ensino Fundamental continuam atuais. Temos crianças, sempre, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (KRAMER, 2007:19). Assim, esse período de transição deve ser compreendido como um processo contínuo e não fragmentado, pois as crianças da Educação Infantil são as mesmas que irão para o 37 Ensino Fundamental, tornando necessário criar ambientes e práticas que respeitem as características de cada faixa etária, ao mesmo tempo que promovam aprendizagens compatíveis com suas necessidades. O foco deve ser sempre o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças nas diferentes etapas, a partir da articulação entre cuidar e educar, que deve perpassar toda a Educação Básica. A transição entre essas duas etapas da Educação Básica requer muita atenção, para que haja equilíbrio entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo. Para isso, as informações contidas em relatórios, portfólios ou outros registros que evidenciem os processos vivenciados pelas crianças ao longo de sua trajetória na Educação Infantil podem contribuir para a compreensão da história de vida escolar de cada aluno do Ensino Fundamental. Conversas ou visitas e troca de materiais entre os professores das escolas de Educação Infantil e de Ensino Fundamental – Anos Iniciais também são importantes para facilitar a inserção das crianças nessa nova etapa da vida escolar. Argumentamos que a importância da consolidação da identidade da Educação Infantil (com base nas especificidades da faixa etária das crianças, a construção de práticas pedagógicas que integrem o educar e o cuidar, centradas nas interações e nas brincadeiras, e que considerem a relação com as famílias) necessita dialogar com a continuidade do processo de escolarização da infância. Tal argumento se assenta na consideração de que o foco principal das práticas educativas, tanto na Educação Infantilquanto nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é o sujeito e sua relação com a cultura. Tal foco possibilitaria a construção de uma continuidade educativa no processo de escolarização das crianças. Pois, segundo Zabalza (1998:32): A criança, ao deixar a Educação Infantil, deve possuir um repertório de experiências e destrezas mais amplo, rico e eficaz, que expresse o trabalho educativo realizado durante os primeiros anos de escolaridade. Não se trata apenas de que a criança seja feliz e esteja sendo cuidada durante esses anos. Trata-se de fazer justiça ao seu potencial de desenvolvimento durante anos que são cruciais. 38 Essa transição, como qualquer outra, requer atenção e cuidado por parte da família e dos educadores. Quando a escola oferece em um mesmo espaço as duas etapas – Educação Infantil e Ensino Fundamental -, há possibilidade de essa transição acontecer de forma mais tranquila, porque as crianças já têm convivência com as pessoas dos dois espaços, sendo necessário dar atenção especial à alteração da rotina escolar. Mas quando as instituições de Educação Infantil e do Ensino Fundamental estão em prédios distintos, esse processo se torna mais complexo, sendo necessário que os educadores das duas etapas e instituições promovam ações para minimizar possíveis transtornos e/ou dificuldades. Gestores e professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental necessitam estabelecer um diálogo sobre a transição entre as duas etapas, traçando métodos e estratégias para o desenvolvimento integral do educando. Isso requer a revisão da proposta pedagógica para que contemple as respectivas especificidades, visando o desenvolvimento e a aprendizagem em suas diferentes faixas etárias. Conforme bem ressaltado no texto da BNCC: A transição entre essas duas etapas da Educação Básica requer muita atenção, para que haja equilíbrio entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo (BRASIL, 2017:51). Desse modo, é necessário buscar estratégias para garantir que os processos de aprendizagem vivenciados pelas crianças da Educação Infantil tenham continuidade sem mudanças abruptas no Ensino Fundamental, no sentido de respeitar seus estágios peculiares de desenvolvimento e concretizar seu direito à educação. 14 PROPOSTA DE TRABALHO COM A COMUNIDADE ESCOLAR Entendemos que educação é um processo contínuo que se desenvolve no ambiente familiar e social, o que torna importante desenvolver ações que envolvam o contexto familiar e a sua relação com o escolar. A relação família-escola é um dos mais importantes fatores para a melhoria da aprendizagem. A participação efetiva dos pais e de outros agentes sociais no processo de aprendizagem facilita a prática pedagógica dos professores. Nossa Escola incentiva e apoia a 39 articulação família-escola, pois acreditamos que, através do diálogo e da reflexão coletiva, possam surgir ações positivas propiciadoras da concretização do interesse comum de ambas as instituições: o sucesso da formação do cidadão que as exigências sociais preceituam. A Creche escola procura envolver a família dos alunos em atividades escolares. Não para falar dos problemas, mas para ouvi-los nas diferentes situações educativas e de aprendizagem desenvolvidas com seus filhos, além de buscar engajá-los em algum movimento realizado pela escola como: projetos, festas, desfiles escolares, etc. Acreditamos ser fundamental que escola e a família sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. Para isso, procuramos ouvir os responsáveis, conhecer as expectativas e modos de vida, seus valores – a sua cultura. Por outro lado, é essencial o conhecimento da instituição por aqueles que nos entregam os seus filhos. Achamos imprescindível o incentivo à participação da comunidade no que se refere ao modo de funcionamento da escola, ao Regulamento Interno, aos espaços, aos recursos materiais e humanos, aos projetos, aos objetivos, métodos de trabalho e ensino e ao que a escola pretende das aprendizagens. “A participação em todos os níveis do processo educacional garantirá que a apreensão de outros conteúdos culturais se faça a partir dos valores próprios dessa comunidade. Essa participação se efetivará através da integração do processo educacional às demais dimensões da vida comunitária e da geração e operacionalização de situações de aprendizagem com base no repertório cultural.” (HORA, 1997, p. 21). Uma conversa franca dos professores com os pais, em reuniões simples, organizadas, onde lhes é permitido falar e opinar sobre todos os assuntos é de grande valia na tentativa de entender melhor os filhos/alunos. Nossos professores procuram realizar esta parceria, visando, com a proximidade dos pais na escola, que a família esteja cada vez mais preparada para ajudar seus filhos. Vemos a escola como um espaço de contradições, respeito às diversidades e isto torna nosso trabalho mais produtivo. A realização de oficinas com a participação dos alunos, professores, pais e outros agentes locais é essencial para que se conheça a Escola que vai participar e colaborar na educação de suas crianças. As formas de convite para participação é variada: por meio de reuniões profissionais específicas, conversas individuais, visitas a espaços institucionais, elaboração de boletins 40 informativos, e outras maneiras criadas no próprio processo, esclarecendo, sempre e de forma objetiva, as razões desta iniciativa tomada pela escola. Assim sendo, reafirmamos a relevância da participação das famílias e de outros atores da comunidade, seja na colaboração em atividades escolares com participação dos espaços de gestão, seja trazendo para a escola saberes não escolares existentes na comunidade. 15 PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTINUADA E APERFEIÇOAMENTO DA EQUIPE ESCOLAR Pelas características do mundo contemporâneo, torna-se visível que os novos tempos exigem um padrão educacional que esteja voltado para o desenvolvimento de um conjunto de competências e de habilidades essenciais, a fim de que os alunos possam fundamentalmente compreender e refletir sobre a realidade, participando e agindo no contexto de uma sociedade comprometida com o futuro. Assim, faz-se necessário a busca de uma nova reflexão no processo educativo, onde o agente escolar passe a vivenciar essas transformações de forma a beneficiar suas ações, podendo buscar novas formas didáticas e metodológicas de promoção do processo ensino aprendizagem com seu aluno, sem com isso ser colocado como mero expectador dos avanços estruturais de nossa sociedade, mas um instrumento de enfoque motivador desse processo. A escola não pode ser “lecionadora”, ela deve ser “gestora do conhecimento”. O professor, nesse contexto, deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura norteadora do processo ensino-aprendizagem, levando em consideração que sua prática pedagógica em sala de aula tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual de seu aluno, podendo ele ser o foco de crescimento ou de introspecção do mesmo quando da sua aplicação metodológica na conduçãoda aprendizagem. O educador torna-se um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos significados para o que fazer dos seus alunos. A aprendizagem centrada no aluno pressupõe acreditar no educando, sabendo-o capaz de aproveitar as oportunidades para desenvolver ao máximo suas potencialidades e compreender a importância de sua participação social. 41 A grande força do professor reside no exemplo que dá, manifestando a sua curiosidade, sua abertura de espírito, mostrando-se pronto a sujeitar as suas hipóteses à prova de fatos e até a reconhecer os próprios erros. O trabalho e o diálogo com o professor ajudam a desenvolver o senso crítico do aluno. Assim sendo, a Creche Escola busca capacitar os professores para uma visão emancipadora, visando transformar a informação em conhecimento e em consciência crítica, além de formar pessoas, fazendo fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), para construir sentido para a vida das pessoas e para a humanidade, para a construção de um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Em nossa Escola, o professor participa das discussões e elaboração da Proposta Pedagógica, da organização curricular, da elaboração de projetos, bem como da seleção de materiais pedagógicos. Sabemos o quanto a formação continuada do professor é essencial e ela é realizada através da participação em grupos de estudos e reflexões que discutem os processos de ensino e de aprendizagem, visando melhorar a sua prática pedagógica, pois o envolvimento em situações problema advindos de suas práticas pedagógicas, associadas ao trabalho diário de maneira a construir modelos, possibilitam um aprofundamento de conhecimentos profissionais. Também a formação continuada, com apoio de profissionais/ especialistas do ramo, é uma política adotada pela Secretária de Educação na tentativa de aperfeiçoamento dos recursos humanos, iniciando-se com a jornada pedagógica trabalhando-se diversos temas, a serem ministrados pelos próprios profissionais da rede de ensino, brevemente selecionados de acordo com a nossa necessidade e realidade. As atividades de planejamento, replanejamento, o horário semanal de trabalho pedagógico, as reuniões pedagógicas, os conselhos de classe/ano, são espaços onde se privilegiam o estudo, a reflexão, a construção e as tomadas de decisão do fazer pedagógico coletivo visando ao refinamento e melhora do processo de ensino e aprendizagem de nossos alunos, juntamente com a coordenação pedagógica da Educação Infantil e seus supervisores em parceria com a Educação Municipal. 42 16 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta Proposta Pedagógica foi atualizada após ampla discussão envolvendo o corpo docente, a coordenação e a Direção considerando, também, as opiniões e experiências compartilhadas nos diversos contatos ocorridos ao longo do ano letivo de 2018, sendo completada pelo Plano de Gestão Estratégico. A mesma é um projeto que vem aprimorar a qualidade da Educação Infantil, tanto pelo seu resultado, quanto pelo seu processo de construção. A instituição te a possibilidade de construir um documento que se constitui em fundamentação das práticas reais a serem adotadas no cotidiano da C.E.C.R. Sendo que a proposta é um instrumento de trabalho que nos dá a direção do saber pedagógico, e ao mesma é construída com a participação de todos profissionais da instituição, familiares e representantes da comunidade local. Rendo como principal função garantir o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico e intelectual. Portanto, a nossa Proposta Pedagógica tem o compromisso de interdisciplinar por partes dos profissionais envolvidos, que deverão estra em constante reflexão e em permanente reconstrução. A mesma nos possibilitou a reflexão sobre as mudanças ocorridas no atual cenário da Educação Infantil, a cerca das novas concepções voltadas para o processo de ensino aprendizagem, permitindo assumir novos papéis dentro dos novos princípios da educação, pautados em uma postura ética e cidadã. Certos de que este caminho será significativo para a formação de uma mentalidade da gestão e ação desta instituição de Educação Infantil. REFERÊNCIAS BRANQUINHO, Lívia Alves. A Prática Pedagógica da Educação Atual. Site Brasil Escola. Disponível em < http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/pedagogia/a-pratica- pedagogicaeducacao-atual.htm > Acesso em 04 de abril de 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Governo Federal. Base Nacional Curricular Comum: BNCC-APRESENTAÇÃO. Disponível em <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documentos/BNCC-APRESENTACAO.pdf>. Acesso em: 07 de abr. 2019. 43 _________. LEI Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBBRASIL. __________. Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 1998. _________. CNE. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986. GROSSI, Esther Pillar. (org.) Paixão de Aprender. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. KRAMER, S.; LEITE, M. I.; NUNES, M. F.; GUIMARÃES, D. Infância e Educação Infantil. 6 ed., Campinas: Papirus, 1999. KRAMER, Sônia. A infância e sua singularidade. BRASIL. Ministério da Educação. Ensino Fundamental de 9 anos: orientações para a criança de seis anos de idade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica, 2007. p. 13-23. PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987. VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984. WALLON, Henry. As origens do pensamento na criança. São Paulo: Manole, 1988. ZABALZA, Miguel A. Qualidade em Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 1998.