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Capítulo 5 Self e Mindfulness ",2,3 Robert J. Kohlenberg, Mavis Tsai, Jonathan W. Kanter, e Chaunccy R. Parker Penso logo existo. Rcnc Dcscurlcs A declaração dc Descartes deu origens a inúmeras leses filosóficas, livros e trabalhos escolares. No presente contexto, nosso interesse está na análise psicológica , mais especificamente, na análise funcional. Em uma perspectiva funcional, várias especulações sobre Descartes podem ser feitas baseadas em sua declaração. Primeiramente , parece que ele sabia quem era c sua experiência do "eu" o pensador, era estável. Consequentemente, não esperaríamos que Descartes buscasse terapia para descobrir "quem ele era" , ou que reclamasse sentir-se um camaleão que muda sua personalidade dependendo das circunstâncias em que sc encontra. A declaração dc Descartes também denota que cie era auto-observador ou atento à sua experiência privada de pensar como uma atividade ou processo independente dos conteúdos de seus pensamentos. Isto sugere que ele poderia recuar e observar objetivamente os dados básicos de sua experiência. O ato de estar atento sem julgar o processo de pensamento entra na definição K I Xavvrf*.; Uv.;,.,,, fep.").». ..í P.jxholsgy. irtMtftil: Sítírte VI» ! «.» c -i! ' Oi íjiu-rf -v> ítiiií Miifclm V n-llinj. I"»D o>rrb«i<Ort - fkí nwllerir.iT omo me upiink «i uirw «u< i.uiriiiioi iih rttpiwSi&IUi ycc «i»i , P«n«» «piía.» 5-J MasMtos m iTvr. Uolii»: KuUcjhiig 1 IWil - liw uno »lo tu ll liado pira o jcli diiícuiiií: di cxtnW iro< pilou laui ptlbm ioBi"1»« <*uitpf<Kai)ci»M oíc "iirf . W-vo c tau «raro i» nnsfmo p;ti<n*. Pm; çtcvtit no fcjw i;on «(Krrnlí-n.li. loiut o< <pui>o -i nu rui o"icn»í ™ (oiuirunn «n> jMlparaciwti »i ' «ram.i.lK mm* Hl AKiimUMU Pia " «luv-íixn» ra.(«V o «KiJ.I.Af.t Uvl «r iblinuk. (iiiil.n.Jii.iiir c .»* pir |>juiir urra Mpignlii cço>fi:a I M invlujiila |\1« li tnorlUoO lioil Atcicrto NcM. r>> WWÍl M«Wl A. M Tl» .< AL.. . .w r.n.Ih» lO.KXiWí-MSt-»»»-».* " S«íokc-I1u.«co Ucdu. LLC XB» 140 R. J. Kotilcnbwg d «I. de mind/ulness, uma estratégia cada vez mais popular no (rolamento dc problemas psicológicos (c.g., Linchan, 1993; Hayes, Follcitc, & l.inchan, 2004), c que desempenha um papel importante cm muitos casos da PAR O objetivo deste capítulo é fornecer uma explicação behaviorista do self e dc mind/ulness, explicar como a falia dc senso dc self pode interferir no mindfulnesst c prover sugestões para modelar intervenções de (rolamentos que focam o self e o mindfulness na FAP. Uma Visão Behaviorista do Self Vamos começar com um simples exercício de dois passos. Faça o I° passo agora - olhe para sua mfio por aproximadamente cinco segundos. Agora o 2° passo - olhe novamente para sua mão por alguns segundos, mas enquanto faz isso, lente tomar-se consciente de quevocê está olhando. Se este exercício der certo, os passos devem ter envolvido duas fornias de conscienc ia. Durante o 1 ° passo você eslava simplesmente olhando para sua mão - notando a mão em si. Você deve ter notado algumas características e se perguntado sobre o que qnci íamos que você visse. Essa atenção envolve discriminações simples, feitas por todas as criaturas, verbais ou nào. f- atcnçào pura. automática e inconsciente. O 2° passo, todavia, incorporou um segundo tipo dc consciência. Você nào estava simplesmente vendo sua mio. mas estava "vendo " que vocc estava vendo sua mão. Isto é,você estava cicntc de um "você", alguma " coisa " ou "alguém" que estava olhando, notando, imaginando. Você deve ter até tentado metaforicamente recuar para observar-se olhando pnrn sua mão. A experiência de um "você" que está observando é aquela a que o público em geral c a maioria dos cientistas sociais se referem como sendo "o self. Dcikman (1999) define este self como um "Eu" com uma consciência permanente, descaracterizada e imutável, alguma coisa central que testemunha todos os eventos, tanto internos quanto externos. A Experiência do Self Neste capítulo os termos 'consciência,, "autoconsciência , , c ' auto- obscrvaçào' são usados alternadamente para referir-se ao 2t (ipo de consciência descrita noexcrcicio acima. Skinner afirmou que. %..)uma pessoa se torna consciente de um modo diferente quando uma comunidade verbal arranja contingências sob as quais ele não só vê um objeto mas ele "vê" que está vendo. Neste modo especial, a conscicntização c um produto social"(Skinner, 1974, p. 220). Skinner, assim, enfati/ou o modo pelo qual uma história social particular é necessária para um homem aprender a ver que ele vê. Sendo esta história normativa cm nossa cultura, unidades comuns podem ser esperadas nas descrições dc um self "norma!> ou ,ideal*. Nem todos, entretanto, desenvolvem o selfdeal almejado. Isto é, apesar dc algumas 5 Self c MindfiilDess similaridades, um senso dc self é aprendido c por isso depende das peculiaridades desta história dc aprendizagem; consequentemente , a experiência do self pode variar bastante. Nós conccitualizamos um contínuo dc experiência; cm um extremo há uma experiência ideal de continuidade e uniformidade do self , "algo central" correspondente às descrições de Descartes c Dcikman; no outro extremo , um senso dc self vazio e instável . correspondente às cxpenências de clientes que afirmam , " eu não sei quem sou " , ou que reportam múltiplos selves. Nossa visão behaviorista ê que a experiência dc self consiste em *algo central' que é expericnciado, c o processo de estar cicntc de ou reconhecer este 1algocentral,. A análise funcional de experiência doje focali/a, então, os estímulos discriminativos (Sds) dos quais alguém se torna ciente e identifica este 'algo central,. Este foco no self como um objeto ê congruente com seu uso por clientes e por psicólogos convencionais do self Nossa tarefa c , então, identificar este algo expericnciado que ê o self. Esta análise ê guiada pela discussão de j*//proposta por Skinner (1953, 1957) c pela análise funcional do comportamento verbal de nomear estímulos (c.g., bola, carro), conhecido como tatcar (Skinner . 1957; Barnes Holmes, Barnes Holmes & Culliman , 2000). lista abordagem ê compatível com a do contemporâneo e inovador analítico-comportamenlal Steve Haves e a análise dc seus colegas (Hayes & Gregg , 2000; Hayes & Wilson, 1993). Apesar dc focarmos noíeZ/comoalgo experienciado ou percebido, não damos a ele propriedades de agente (e .g., conceitos psicanalíticos dc id , ego e superego) para depois os usarnws para esclarecer problemas do self Ao contrário , atentamo-nos em entender a funcionalidade do selí , através da compreensão da natureza interpessoal do ambiente que influencia no seu desenvolvimento , c as condições sob as quais experiências "normais" e "problemáticas" do í<7/"ocorTcm. Em uma linguagem nào técnica , suponha que estamos tentando entender a experiência de alguém que está sentindo calor. Poderíamos colocar um homem em uma sala com temperatura controlada, variá-la, medi-la, e descobrir qual temperatura é necessária para que esta pessoa sinta calor. liste relato poderia ser um tato , resposta controlada por um estimulo discriminativo especifico da experiência de sentir calor. Nossa compreensão seria ainda maior, todavia , se soubéssemos mais sobre a experiência anterior desta pessoa com ambientes quentes e frios. Se ele foi criado no deserto , um aumento considerável na temperatura da sala seria necessário para que ele dissesse que está com calor , mais do que seria necessário para alguém nascido e criado no Alaska Quanto mais se sabe sobre as variáveis históricas e contextuaisque resultam no individuo reportando que sente calor , mais poderemos dizer que *entendemos, sua experiência. Esta abordagem para entendermos a experiência de alguém está intimamente conectada à compreensão do estimulo (a coisa) que levou ao relato verbal , c a hipótese é que estes mesmos fatorcs que afeiam a experiência interna dc uns também afetam o relato verbal desta experiência. 142 * > Kohlcoberg o >1 Nossa abordagem para entender a experiência do self e similar à do calor descrita acima. Da mesma maneira que nós poderíamos explicar a experiência do calor através da identificação dos estímulos c sua respectiva história para a resposta "calor", explicamos a experiência do self através da descrição do estimulo e da historia referente às palavras usadas para identificar o self. Estas palavras incluem ,eu,, 1mim,, ,bnby, 011 o nome próprio de criança como *Davc, ou 'Dottie, (quando usados para se referir ao self de alguém), e ,você, (como usado de maneira inadequada por crianças pequenas para referir-se a si mesmos). Nós poderiamos nos contentar dizendo que termos como estes são membros de uma mesma classe dc equivalência. Consequentemente, a análise do "eu* pode ser vista como um protótipo para a análise dc outras respostas verbais associadas ao self. A especificação do estimulo para o *eu* elucida então o 'fenómeno* ou a ilusória *coisa central* experienciada como o self. O Desenvolvimento do Senso de Self Quando as crianças estão aprendendo a falar, elas estào dc fato aprendendo a latear, ou dizer o som das palavras evocadas por estímulos discriminativos específicos (Sds). O processo sc inicia com o aprendizado do significado de faias individuais (na FAP, *unidades funcionais'). Como exemplo, considere como uma criança aprende a tatear uma ,maçã,. É óbvio para seu pai (como observador) qual o objeto a que criança está se referindo pelo termo ,maçã,. Para a criança nào-veibal. todavia, é. a princípio. uma situação confusa. Considere os inúmeros estímulos discriminativos potenciais presentes que podem estar ligados de maneira incorrcia a palavra . maçã*. Para confundir a questão, existem ainda numerosos estímulos privados (e.g., sensações corpóreas associadas a ati\idades neurais e hormonais) que esião disponíveis somente para a criança. Por outro lado, extraordinariamente, a criança aprende a discriminar a maçã publicamente observável, do estímulo sopa, como o Sd que evoca 1maçà\ Com certeza, para que isso ocorra, seus pais (a 1comunidade verbal,) precisam ser consistentes e usar reforçamento diferencial para assegurar que 'maça> é somente aplicado quando uma maçã está presente, e não é uma resposta apropriada a outro estímulo (e.g., mamãe, papai, rcaçôes corpóreas específicas, ou qualquer outro objeto do ambiente). A criança aprende a dizer 1maçã, porque este foi um estímulo que estava consistentemente presente em cada ocasião em que dizer 'maçã' foi reforçado. Pesquisadores do comportamento verbal sugerem que o que é aprendido neste estágio e o comportamento bidireciona! de relações verbais (e.g., a palavra *maçã* é equivalente ao objeto maçã, c vice-versa). Linguistas c psicólogos do desenvolvimento chamam o período dos seis meses aos dois anos dc 'período de falas dc uma única palavra,. (Cooley, 5 Scirc Msndfulsess 1908; Dore, 1985; Fraibcrg , 1977; Peters, 19S3). Neste estágio inicial, até frases dc múltiplas palavras como ,mamãe vem, c 'suco acabou' agem como unidades funcionais c não são compreendidas como palavras individuais. Para ilustrar, considere o caso de um dos pais tentando ensinar a frase 'eu vejo maçã' , uma vez que a criança aprendeu a tatear "maçã*. O pai deseja que a criança relate sua experiência privada de 'ver uma maçã,. Se o pai for bem sucedido , 1eu vejo maçã" pode ser usado para relatar tanto maçãs físicas quanto imaginárias, de tal forma que a criança pode descrever e pcrccbcr sua atividade privada dc ver uma maçã, mesmo que não esteja presente um estímulo público denominado maçã. Para fazer com que a fala da criança ,eu vejo maçã, rcilita este refinamento , o pai tem a difícil tarefa dc ensinar a criança a ficar sob controle da experiência privada de ver uma maçã quando diz icu vejo maçã,. lista tarefa è difícil porque o pai não pode asscgurar-sc de que a criança está realmente tendo a esperada experiência privada dc ver. Por outro lado, o pai confia no estímulo público para este fim, incluindo a orientação encoberta da criança em direção à maçã pelo movimento da sua cabeça , por apontar, mover os olhos e olhar fixo na direção da maçã. O estímulo público pode variar sutilmente dependendo da localização da maçã, da criança, iluminação do ambiente, entre outros fatorcs. Caso o pai seja bem sucedido, todavia, o estimulo privado associado ao ver privado ganhará controle sobre *eu vejo maçã , já que este é o estímulo consistentemente presente cada vez que a fala 'eu vejo maçã, foi reforçada. Mesmo que tenhamos tomado a licença poética na descrição acima ao supor que o pai está tentando ensinar a criança propositadamente a diferença entre o estimulo público *maçã, c o estímulo privado dc ver uma maçã. sabc-se que não há um conceito próv io envolvido quando os pais interagem com suas crianças. O faso é que. todavia, cada :«ni dc nós pode relatar quando estamos vendo uma maçã imaginária ou tendo uma experiência visual privada que é evidência deste aprendizado a.titrior. Mesmo que os outros possam discordar dc nossa visão sobre esta questão, não acreditamos que nascemos com a habilidade dc ver ou ; -..,atar imagens privadas; ao contrário. poderiamos argumentar que temos dc agradecer a nossos pais ou cuidadores por ter nos ensinado a lazer isso. A mesma complexidade está presente sempre que nós ou nossas crianças somos ensinados a taicar ou identificar qualquer evento privado corno sentimenioji de fome, tristeza, alegria ou raiva. Kohlenberg e Tsai (1991) fornecem uma explicação comportamental detalhada dos três estágios do desenvolvimento da linguagem relacionados ao tato *eu" emergindo como uma unidade funcional separada (PP. i24-168). Os três estágios esíão dispostos na figura 5.1. Como ilustrado na figura 5.1. durante o !° estágio a criança aprende unidades extensas e independentes que são a base dc outras unidades intermediárias abstratas do 2° estágio. Então o 'cu* do 3° estágio emerge de unidades de tamanho médio do 2° estágio. Como um exemplo que ilustra a Ml R. 1 Kahknbcrjt ct «I Fig. 5.1 Ov nós estágio» de desenvolvimento do comportamento verbal que resultam em ~ eu "cmcr;: iKÍo como unidade funciona! nxwn como variações ns experifneia de apicnder podem f.nalmcnw influenciar a expcrtínci» da sd/(o cm) Por exemplo, as letras c frases cro negrim icprt»<num~eu *~quc mo w>ou-oUdo>p*x(cUt mulos) privado*, c ai sccombiaao com mposla4 controladas por estímulos públicos (letras c sentenças sombreadas), le»ando a um tipo de senso de ir//mais fraco. variabilidade na emergência do *eu,, os termos cm negrito representam a força ou o grau do controle privado que pode estar ocorrendo em um dado individuo. Consequentemente a frise "eu quero suco* ocoitc quando a criança realmente *quer suco * e está experimentando o estado privado ,querendo suco " . Em contraste, a frase "cu quero sorvete" é provocada pela mãe (que quer sorvete naquele momento). O resultado final do 2C estágio, "eu quero* está somente sob controle parcial da estimulação privada c sob controle parcial da percepção da criança daquilo que a mâc quer. A experiência do *cu* que emerge no 3" estágio pode ser pensado como a experiência de uma 'perspectiva* ou >local" definido por Hayes (1984). Este estimulo c aquele que permanece constantesobre todas as afirmações ieu quero X* ou ,eu vejo X,. da mesma maneira que a atividadc (querendo ou vendo) c o objeto (o'X'qucê desejado ou visto) variam. Hayes. Bames- 5 Self « Mmilfulness MJ Holmcs e Roche (2001) , argumentam que um comportamento verbal adicional c necessário para uma experiência completa do self como uma perspectiva 3 ser desenvolvida. Em particular, a criança cm crescimento aprende a distinguir *cu" de 'você' , 'aqui, de *lá* e *agora" de "depois". O self como perspectiva emerge dcsic tipo mais complexo de comporta mento verbal. Por exemplo, algumas vc/es a criança pode estar a 1,5m do seu pai e outras vezes a I5m , mas 11 criança está sempre 'aqui' c nunca ,lá,. O estimulo privado, que e sempre ,cu, aqui e agora" c inclui algumas sensações internas do corpo, parccc tomar o controle. Desta forma , a resposta *cu" como uma unidade constante ao longo do tempo fica sob o controle de estímulo da perspectiva (o local) de onde emana outro comportamento.É crucial admitir que este local de onde o comportamento emana não ê o corpo, mesmo que ele observe o que acontece dentro do corpo."Eu machuquei meu dedo" c ,eu tenho uma dor dc barriga, são exemplos que nos ensinam esta discriminação, da mesma forma que o ,eu* observa o corpo , mas não pode ser o corpo. Porque a perspectiva da qual esta observação ocorre parece estar locali/ada atrás dos olhos, todavia, "o olho, é experienciado como algo dentro do corpo. Am idades sob controle privado - atividades atribuídas ao 'cu, - são cxperienciadas como vindas dc dentro. A experiência do self continua ao longo do tempo (e.g., você cm seu 10' aniversário é o mesmo que você agora , mesmo que seu corpo seja completamente diferente) , sonu-sc a isso à história de aprendizado que distingue o senso dc self como algo que emana dc dentro deste corpo , mas não c o corpo (Hayes, Strosahl. e Wilson . 1999). De uma maneira ideal, o se/f vem a ser experienciado como algo imutável , localizado centralmente, c continuo, c um senso de interioridade se desenvolve. Nossa teoria de que o self se desenvolve conw resultado da aquisição da linguagem (e a conotação de *eu" emerge da conotação de frases mais extensas em que 'cu* está fixado) não é nova. Em 1908 , Cooley eoletou dados referentes à aquisição do *cu* quando uma criança aprende a falar . Mesmo que não apresentados em termos behavioristas , esta teoria é extraordinariamente parecida com a nossa. Cooley concluiu que aos vinte c seis meses, sentenças como *eu não sei" , ,eu quero..., e "venha mc ver parecem ter sido aprendidas como 'um lodo' (p.135) - cm nossa terminologia, unidades funcionais amplas. Cooley afirma que "Através destes. ela provavelmente tem a ideia dc "cu* por eliminação, (isto c). o resto da sentença varia, mas o pronome permanece constantemente associado à expressão do desejo, à atitude àosef (p.355). I m nossa terminologia, *cu* surge como urru unidade funcional mínima. Mesmo que O desenvolvimento ideal leve a um amplo grau dc controle da resposta 'cu* por um estimulo privado (dentro da pele), desenvolvimentos mais problemáticos levam ao oposto - o desenvolvimento dc um grau de controle mínimo do *eu, por estimulo privado Em situações como estas, um R . J Kohlenberg e( al número dc rcsposlas de ,eu X, do 2° estágio passam a ser dc controle público (coino ilustrado na figura 5.1). Isso provavelmente tem origem nas relações primárias com pais ou cuidadores que inadvertidamente ensinaram as crianças a perceber sinais para dizer 1cu, sob controle de um estimulo público (pessoas ou situações públicas), ao invés dc eventos privados e respostas a que somente a criança pode acessar. Tome como exemplo uma criança pequena Tammy. num supermercado com sua màe. Tammy diz, "quero um doce". Sua mãe, com pressa para terminar as compras, diz: "não, você não precisa". Essa afirmação impede a experiência privada dc Tammy passar a controlar a resposta 1eu quero*. Se isso ocorrer regularmente numa extensa variedade de circunstâncias, 'eu quero' passa a ficar gradativamente sob controle público. A resposta 1eu quero, de Tammy poderá ser fortemente influenciada pela presença de pessoas importantes que parecem furiosas ou apressadas. Estímulos discriminativos públicos passarão a controlar se ela realmente quer alguma coisa ou não, e a experiência de querer, que idealmente deveria controlar a resposta 'querer" de Tammy, terá que esperar (se pudermos dizer isso), e finalmente não terá controle algum sob o comportamento de Tammy. Este processo ocorre sem que Tammy perceba. Caso invalidações similares das respostas 'eu X, de Tammy ocorrerem, seus problemas relati vos à òtia experiência do self podem tomar-se mais severos. Por exemplo, imagine a afirmação "sinto-me doente hoje", tendo como resposta, "bobagem, você está perfeitamente bem". Ou a afirmação, "estou com fome" , tendo como retorno, "não. você não está, ainda não é hora do almoço!" Essas alterações podem permear a história daqueles que eventualmente dizem que suas ações não vêm dc dentro, ou nào estào fazendo aquilo que parecem estar fazendo. Isso pode ainda parecer meio inacreditável, mas quantas vezes você ouviu iniciações como: "você gostaria de sair hoje à noite?" , "cu não sei, e você?" ou "você quer sobremesa?", "bem. não estou certo, e você?". Mesmo que as afirmações acima nào sejam patológicas, elas ilustram comportamento referente ao self que são ditos (tateados) como estando sob controle público. Existe um espectro de severidade dc problemas com o selí, dependendo do grau de controle privado da unidade 'eu", lenha cm mente que esta situação não envolve alguém suprimindo uma resposta verbal dc sentimentos ou necessidades. Ao contrário, esta sessão se ocupa em apontar os antecedentes desenvolvidos por alguém atento a seu sentimento (estimulo privado) e sua necessidade (reiorçadores), e como este alguém começa a notá-los em primeiro lugar. Além do mais, note que esta discussão não se refere simplesmente a indivíduos inassertivos - essas pessoas podem saber o que querem, mas relutam cm dizer o que querem. Lm contraste, pessoas que têm suas respostas 1eu sob controle público realmente não sabem o que querem, o que podem fazer, o que sentem etc.. a menos que descubram o que os outros querem ou permitem. Sob condições ideais, o S Self c Miftdfiilncss 147 1 eu , emana de dentro e, portanto, em casos como aqueles descritos acima um forte senso de vazio ocupa o lugar onde o self deveria estar. Isso pode ser relatado caso a maior parte daquilo que uma pessoa se refere como *eu* esteja realmente tanto sob controle quanto sujeito â modificação dos outros. Kanter, Parker, e Kohlenbcrg (2001) referem-se ao desenvolvimento de uma medida pública versus uma dc controle privado sobre a experiência do self (Escala de Experiência do Self, ou EOSS). A escala EOSS foi administrada a uma amostra de estudantes de graduação e participantes com Transtorno dc Personalidade Borderline (BPD). Os participantes BPD relataram um controle público mais significativo da experiência do self cos resultados da escala EOSS também correlacionaram fortemente as medidas dc autoestima c dissociação, de maneirq que, mais controle público predizia menos autoestima e mais dissociação. Esses achados fornecem suporte empírico preliminar para a teoria acima. Voltando aos csttidos clássicos de Arch,s (1951), que investigou a influência social de conceitos perceptuais básicos, um vasto conteúdo de literatura também oferece suporte às premissas da teoria comportamental do self. Estes estudos iniciais demonstram que o público pode exercer uma forte influência cm como indivíduosreportam experiências perceptivas. Além disso, pesquisas iniciais sob o local (lócus) do controle (Rotter, 1966) identificaram que os indivíduos diferem no grau cm que cxpericnciam seus comportamentos, sendo controlados internamente (por eles mesmos) ou externamente (pelos outros). Esta teoria psicológica social, todavia, nào oferece uma explicação de como estas diferenças individuais se desenvolvem. Por exemplo, por que certas pessoas respondem às influências públicas no experimento de Asch, enquanto outras não? Quais aspectos específicos do desenvolvimento explicam essas diferenças entre pessoas? Nossa teoria ai «ai explica como esses padrões dc comportamento podem desenvolver-se. O processo da vida real, com certeza. é bem mais complexo e não ião linear como sugerido pelo quadro disposto acima. Reconhecemos que essa teoria acima é apenas um rascunho de um rico fenómeno contínuo, (para uma descrição mais detalhada deste processo, busque cm Kohlenberg e Tsai. 1991. ! 995). O senso de self em resumo, se desenvolve cm parceria com a linguagem. Sob condições ideais, o senso de seífè unia perspectiva interna estável sob controle de estímulo privado. Se a tendência de alguém se comportar de uma determinada maneira c consistentemente colocada à prova por um ambiente punitivo ou que o invalida; mesmo assim, esse alguém pode reconhecer que seu próprio comportamento não vem dc dentro. Dc ccna forma , isso não ocorre se o comportamento for sempre (ou quase sempre) determinado pelo que está ocorrendo fora da pele - se a tendência em se comportar está sob controle público. Esta história dc invalidação que leva aocontroie público do senso dc je//-e um lator primordial no desenvolvimento de transtornos do self em nossa cultura. R . J. Kohtcnberg cl iil Mindfulncss Considere o exemplo clínico na seguinte cilaçào de Germer (2005) do livro de Germer, Siegel e Fulton (2005) Mindfulness em Psicoterapia (p. 3- 4) como uma introdução àquilo que se entende por mindfulness no seu mg terapêutico. As pessoas estào certas de uma coisa quando vêm para psicoterapia: eles querem se sentir melhor, elas normalmente têm algumas ideias sobre como atingir esta mela. inesmo que a terapia não proceda da maneira esperada. Por exemplo, uma jovem mulher, vamos chamá-la de Lynn, com Transtorno de pânico. poderia procurar um terapeuta esperando livrar-se de um caos emocional característico de sua condição. Lynn pode estar procurando libertar-se de sua ansiedade, mas à medida que a terapia progride, Lynn. na realidade, descobre liberdade em senti r-se ansiosa. Como isso ocorre? Uma forte aliança terapêutica pode prover a Lynn coragem e proteção para começar a explorar seu pânico mais de perto. Através de um automonitorarnento, Lynn começa a perceber as sensações de ansiedade em seu corpo e os pensamentos associados a ela. Ela aprende a lidar com o pânico ao falar consigo mesmo sobre ele. Quando Lynn estiver pronta, poderá experimentar diretamente as sensações de ansiedade que engatilham um ataque de pânico e tcstar-sc num shopping ou em um avião. I ste processo completo requer que I ynn enfrente a ansiedade. Ocorreu, neste caso, uma barganha compassiva entre o esperado c obtido. O que pode ser surpreendente para alguns leitores é que Germer nào menciona intervenções terapêuticas como ficar sentado quieto e focando num pensamento, mantra ou respiração. Técnicas deste tipo normalmente referem-se à meditação c são consideradas protótipos de intervenções mindfulness. De fato, parece que Lynn recebe algo parecido com a tradicional CBT (Terapia Cognitivo-Comportamental) para o tratamento do pânico. Aqui, extraímos várias generalizações do caso de Lynn que são relevantes à discussão do mindfulness: (I) os pacientes entram para terapia querendo 'livrar-se* de sentimentos e pensamentos negativos; (2) por outro lado, o processo do tratamento envolve facilitar que o paciente entre em contato e permaneça na presença de pensamentos c sentimentos negativos; (3) a relação terapêutica fornece um ambiente seguro para que o cliente entre cm contato com situações que evoquem esses pensamentos e sentimentos evitados; e (4) ,permanecer presente, cm situações evocativas pode ocorrer sob a aparência dc fazer o oposto - a terapia é apresentada ao cliente como uma forma dc livrar-se de pensamentos e sentimentos. Os próprios terapeutas podem ou não estar cientes desta contradição c, consequentemente, participam sem saher da conhecida e tão falada "barganha,, listamos gratos que várias técnicas conduzem a um mindfulness maior, aumentam a capacidade de permanecer presente c trazem resultados melhores. Consistente com este sentimento, indicamos que intervenções 5 Self e Miiulftilncks M» promotoras dc mindfulness ocorrem, naturalmente, com frequência, cm todos os tipos de psicoterapia, de forma intencional ou nào. Unia tfsâo Behaviorista dc Mindfulness Nossa visão behaviorista de mindfulncss se destina a ajudar terapeutas a decidir quando essas intervenções podem ser úteis. Técnicas para aumentar o estado de mindfulncss do cliente são sugeridas , muitas das quais são facilmente integradas às CBTs , assim como a outras modalidades de tratamento. Um exemplo dc caso abaixo ilustra como extrair intervenções da CBT para aumentar a ocorrência natural de mindfulncss que já acontece na maioria das terapias. Mesmo evitando definir mindfulness como uma intervenção específica, um procedimento particular de meditação baseado na resposta de relaxamento proposta por Herbert 6enson*s (Benson, 1975) c apresentado, c discutimos como esta proposta pode ser asada de uma maneira consistente com a 1 AP. Não é de surpreender que o mindfulncss seja considerado um comportamento no contexto da FAP. Istoé, estar mindfulncss c considerado um tipo dc autoconsciência que também desempenha um papel no desenvolvimento do self De acordo com a abordagem analítica funcional , evitamos descrições topográficas de mindfulness; examinamos seus efeitos e suas consequências. O foco é nos efeitos que têm implicações terapêuticas. Reconhecemos literalmente que definir mindfulness em lermos dc efeitos terapêuticos exclui tanto noções geralmente aceitas quanto descrições topográficas , especificamente cm contextos dc práticas espirituais ou autodesenvolv nnento. Para evitar confusão, vamos nos referirão fenómeno de interesse como 1mindfulncss terapêutico,. Mantendo esta limitação em nosso campo dc visão, começaremos considerando como os outros definem mindfulness c, em seguida, tentaremos extrair suas funções implícitas ou os efeitos desta prática. Alan Mailatt, entre os primeiros cogniti vistas comportamentais a reconhecer o potencial terapêutico de mindfulness (Marlatt c Marques, 1977), tem pesquisado e escrito sobre suas aplicações clínicas. Recentemente, Witkiewitz and Marlatt (2005) definiram mindfulness como um estado mctacognitivo dc atenção não julgadora, focado na experiência direta momento a momento dos pensamentos contínuos, sentimentos c sensações físicas. Nesta concepção, a atenção está focada na respiração como a base da consciência e, se alguém se distrai, volta sua atenção para a respiração tão logo se dá conta de que este estado transferiu-se para outros eventos cognitivos. A descrição de Janct Surrey*s (2005) sobre mindfulness enfati/a os aspectos interpessoais de mindfulness enquanto está fazendo psicoterapia relacional. 150 R. 1. Kohlenbcrg et a!. Esiar concclado, lanlo a si mesmo quanto aos outros, nunca ê algo estático. É um processo dc movimentos sucessivos de aproximação, afastamento c retorno. O mind/ulnessCuIliva a consciência deste movimento, informado pela intenção dc retomar à conexão novamente. Em mindfulness, o objeto da nossa investigação è nossa conexão a qualquer coisa que aparecerno momento, (p.94) Ela então dcscrcve o processo da perspectiva do terapeuta e nota seus efeitos terapêuticos. ... o terapeuta permanece atento às mudanças dc momento a momento c às suas sensações, sentimentos, pensamentos c memórias... Através da relação, o terapeuta oferece ao paciente a possibilidade dc permanecer emocionalmente presente com ele, talvez pcrmancccr cni contato com sentimentos diliccis por <mais um momento*; consequentemente, aumenta a capacidade do paciente para unia atenção mi/sdful, cm conexão consigo mesmo. A sintonia enfática do terapeuta ajuda a extrair o que dc faio ocorre no momento presente sem depreciar ou envergonhar o paciente - com aceitação. (p. 94-95) Tanto Marlatt quanto Surrcy descrevem mind/ulness como um tipo de atenção ou consciência que possui duas características: (I) é não julgadora; c (2) tem um loco no aqui agora. Estes elementos são encontrados cm quase todas as definições dc mindfulness (Gcrmer, 2005). Primeiro vamos descrever o elemento não julgador do mindfulness. Hsão não julgadora. E manter a relevância clínica da análise, o 1julgamento, de interesse é definido como um tato avaliativo que está sob controle de um estimulo aversivo. Por exemplo, o tacto 'ruim' indica que um estímulo aversivo Sd (estar sendo criticado) foi contatado. O estímulo aversivo pode ser um pensamento, sentimento, ação dc outros, ou a ocorrência dc outros acontecimentos do mundo. O repertório de resposta associado, que é evocado pelo Sd aversivo. inclui esquiva, fuga, ataques e ações relacionadas a controlar ou eliminar os Sds aversivos. Tatos c respostas como estas são geralmente funcionais; pense cm evitar o Sd aversivo dc um carro descendo pela rua cm direção ao local em que você se encontra. Aqui restringimos nossas análises, todavia, a situações em que julgamentos negativosc repertórios de respostas deste tipo são problemáticos para o cliente. A implicação é que estar1mindful, c terapeuti ca mente não julgador envolve não se esquivar ou tentar controlar os Sds aversivos, o que c conhecido por aceitação Este ponto de vista e consistente com a discussão de Hayes at ai. (1999) sobre aceitação na Terapia de Aceitação c Compromisso ( ACI). mesmo que estes autores enfatizem a esquiva cxpcrtcncial (esquiva dc Sds aversivos que são pensamentos, sentimentos c outras experiências privadas). Através da visão deles, aceitação envolve entrar em contato com a função dos estímulos automáticos ou diretos das experiências, sem agir no intuito dc reduzi-los ou de manipular tais funções c sem aluar nas bases das funções derivadas ou verbais (Haycs, 1994). A análise comportamental da linguagem, segundo Hayes e colegas (Hayes at al. 2001), fornece uma explicação elegante, 5 Self e Mindfulness ISI empiricamente embasada c compreensiva dc corno um tato (e.g., 'bad') pode tornar-sc funcionalmente aversivo - através da equivalência de estímulos c processos relacionados - e evocar esquiva. Suas análises também oferecem um modelo que dcscrcve como estes tatos podem servir a outras funções de estímulos que favorecem o surgimento de problemas clínicos. Os terapeutas da FAP são encorajados a aprender a teoria c as intervenções da ACT. Foco no aqui agora. O foco no aqui agora é o segundo elemento na definição de mindfulness. Alguns dados sugerem que um foco no aqui agora (também relativo a "estar presente no momento,) tem funções similares às dc aceitação (Brown e Ryan. 2003). Tolle (2004), autor bastante lido, expressou este sentimento ao apontar que dar "atenção total a qualquer coisa que ocorre no momento... implica que se aceite completamente o que ocorre, porque você não pode dar atenção total a algo e ao mesmo tempo resistir a este algo" (p. 56). Então, mesmo um estado dc não julgamento c focado no aqui agora pode acarretar topografias diferentes nas várias definições de mindfulness. Sua função terapêutica primária é definida aqui como redutora de repertórios problemáticos dc esquiva. Mindfulness Terapêutico Definimos funcionalmente mindfulness terapêutico como um tipo dc autoconsciência que ajuda o clicntc a permanecer na presença de Sds aversivos (como pensamentos negaiivos, sentimentos e situações) que evocam tipicamente repertórios de esquiva. Na sequência, isso disponibiliza uma oportunidade para emergir c reforçar comportamentos novos e mais adaptativos. Usar uma definição funcional pode ajudar a rcduzii uma confusão relevante na literatura do mindfulness, que resultou nu fracasso cm distinguir técnicas dc um processo psicológico (Hayes e Wilson (2003)). Uma abordagem possível com função de ajutia: o cliente a permanecer presente pode ser imposta sumariamente, chamada intervenções focadas no bloqueio de esquiva ou.bloqucio si-bilo da esquiva. Além das questões éticas c relacionadas á aliança terapêutica, intervenções desta ordem seriam quase impossíveis de ser implementadas, já que a esquiva ainda pode ocorrer no domínio privado c, portanto, não esta sujeita ao controle externo. Ao invés disso, focamos técnicas para mudar a função dos Sds aversivos que tipicamente evocam esquiva. Por exemplo, considere um cliente, Millie, que tetn medo de contaminar-se e evi>-i tocar em maçanetas. As maçanetas funcionam como Sds aversivos que evoesm tatos avaliativos negativos e repertórios de esquiva; consequentemente, privam a cliente da oportunidade de extinguir a ansiedade e da emergência de um novo comportamento produtivo. Assuma que Milie é encorajada « desistir de 'tentar livrar-se dos pensamentos ' c , ao contrário disso, é encorajada a observar (e.g., parar e ver) seu próprio pensamento como um processo, ao invés dc um conteúdo. R . I. Kohlentierg cl al A observação do pensamento como processo é uma funvâo dc emergência do 1cu penso" como uma unidade funcional (Estágio II), o clicntc taleando a alividade privada de pensar como uma unidade independente sem imporiar-se com conteúdo do pensamento. O mesmo se aplica a outros comporlamcntos do estágio II do "eu x,, como "eu sinto " c 'cu percebo,. Sendo assim, Millic poderia ser solicitada a perceber (estar ciente dc) outros eventos na presença da maçaneta, como prestar atenção ao ritmo da sua respiração, o tique-taque do relógio, o gosto dc alho cm sua língua, e outras sensações. Estar mlndful transforma o Sd aversivo original, maçaneta (nos termos da Teoria dos Quadros Relacionais(RFT). Houve uma transferência da função discriminativa (Haycs at ai.» 2001), reduzindo suas propriedades aversivas c, consequentemente, proporcionando uma oportunidade para um comportamento produtivo. Implicações Clínicas para problemas do Self F .in termos gerais, clientes com extensos problemas do self iniciam tratamento mostrando-se, na sessão, cuidadosos, excessivamente atentos c pre<»cup3dos com a opinião do terapeuta sobre eles. F.les nào descrevem confidencialmente seus sentimentos, crenças, vontades, gostos e desgostos. lodos estes comporlamcntos sào prováveis CRBls, e indicam uma falta dc controle da experiência do self pelo estimulo privado. Sc o tratamento é bem sucedido, seus comportamentos dentro da sessão deveriam tomar-sc mais fidedignos e confiáveis, e inclui CRB2s de desenções livres dc pensamento, sentimentos, vontades c crenças. A descrição do comportamento do cliente no parágrafo anterior poderia aparentar ser uma investida psicotcrápica comum. Uma fonic primária dc dificuldade destes clientes é a falta dc controle privado c, consequentemente, um tratamento por uni terapeuta que c acolhedor, responsivo c que encoraja a expressão dos sentimentos pode naturalmente disponibilizar as contingências para o fortalecimento do controle prnado. liste tipo de ambiente psicotcripicogenérico é o antídoto para invalidar o ambiente inicial que falhou em reforçar o controle dc estímulos privados. Além disso, o modelo coinporlamental da IAl» oferece algumas sugestões especificas para o tratamento. Reforce Falas nu Ausência de Sinais Públicos Específicos Para clientes com problemas de self, muito do comportamento está sob intenso controle de estímulos provenientes dos outros. lílcs mostram-se vigilantes e cuidadosamente focados 110 terapeuta, observando nuancc dc expressão facial c entonação dc voz. Todavia, nào sendo claro à primeira vista, quase tudo que esses clientes falam sobre eles e o que pensam e sentem pode estar sendo influenciado pelo terapeuta como Sd. O 5 Self e Mindfulncu procedimento do terapeuta descrito abaixo se destina a afrouxar este controle através do encorajamento c reforçamento dis falas do cliente na ausência dc sinais externos específicos. Hm outras palavias . o tratamento consiste em aumentar os CRB2s das afirmações ,eu x' sob controle privado, que também irão ajudar a eventual emergência do controle privado sobre o 'eu, . Uma maneiro dc ajudar clientes a estabelecer controlo privado c que o terapeuta fique sentado cm silêncio mindfully - simplesmente estando presente, ouvindo sem julgamento - ao invés de estruturar cada momento da sessão com perguntas. Uma variante da tarefa psicanalítica chamada associação livre psicanalítica pode ser oferecida ao clicntc para aumentar a chance dc evocar CRB 2 na form3 dc respostas *eu x* sob controle privado.É problemático usar esta estratégia durante os estágios iniciais do tratamento ,já que pode evocar um CRB 1 dc esquiva do cliente. Um grande número dc clientes tem reclamado do fracasso dc tratamentos anteriores devido á passividade do terapeuta anterior. Somado a isso , a rígida adesão á regra do silêncio do terapeuta provavelmente dificulte o reforçamento de CRB 2s que poua vir a ocorrer . Por exemplo, um clicntc pode dizer, "Eu nào posso suportar isso" . Esta é uma resposta "cu x, que o terapeuta deve levar a sério e, consequentemente, reforçar o controle privado dc uma afirmação 'eu x\ Os terapeutas da FAP frequentemente usam estratégias dc outras terapias, se provado que elas lidam com as funções dos comportamentos problemáticos na vida doclicntc . li essencial, todavia , que esteja claro para o terapeuta que 1 topografia da estratégia (e.g., o silêncio do terapeuta) c menos importante que sua função; neste caso , que evoque estímulos privados do tipo 1cu x\ Nos estágios iniciais do tratamento , terapeutas irão bcncficiar-se de um foco mindfid do momento presente , para que possam responder dc maneira flexível e apropriada quando os clientes emitirem CRB 2s . Mais tarde , na terapia, depois que os clientes passarem a ter uni repertório de controle priv ado das repostas do tipo ,eu x\ mais passividade da parte do terapeuta pode ser útil. O caso subsequente envolvendo um clicntc chamado Tcrry é ilustrativo. Durante os primeiros meses de terapia com RJK. Tcrry direcionou seu foco inicial ao tratamento médico c as medicações que estava usando para controlar sintomas psicossomáticos. Quando RJK passou a fazer mais perguntas genéricas sobre humor ou estado emocional, Tcrry tornou-sc bloqueado e ansioso. No inicio do tratamento , RJK poderia sugerir uma pergunta baseada num estímulo público específico. Por exemplo, quando aparecia um severo sintoma médico que fosso similar a um que havia resultado na morte de um parente, sugeria-sc que Tcrry estava sentindo medo (assim , RJK fornecia o estimulo público dizendo -medo"). Isso se parece com o que pais fazem quando ensinam seus filhos a ta tear emoções, (iradualrocntc. ao longo dos próximos meses , todavia, a especificidade era reduzida. Ao R I KoMcntog c« aL invés de continuar a nomeai sentimentos, RJK ofereceria íi Icrry uma lista de emoções para que ele escolhesse uma entre elas (c.g., dor. medo, raiva. decepção, irritação ou frustração). Em outras palavras, RJK ainda estava disponibilizando uma resposta baseada cm estímulos públicos, mas a cspccificidadc do estimulo foi ampliada. Tcrry estava seguro de que não seria punido por responder, já que havia sido dada a ele uma resposta "aprovada* na primeira situação e uma lista de respostas aprovadas na segunda. A ideia central é que aquela estruturo fosse gradualmente reduzida para permitir que mais estímulos privados assumissem o controle. Adaptação de Práticas Terapêuticas ao Nível do Controle Privado no Repertório do Cliente Associação livre desestruturada. Da mesma forma que a estratégia genérica do terapeuta pode variar do passivo ao altamente estruturado, esta tarefa de associação livre (adaptada da psicanálise tradicional) pode ser apresentada com mais ou menos estrutura. Em sua forma menos estruturada, a associação livre é v isia conforme exemplificado abaixo. Falc-mc íobre tudo que cair» cm «un memo - lodo» o* pensamento», sentimentos t imagens. É importante não ccmurar nada. Reial.- «udo que vier, mesmoque pense não ter importante, sem seniido. trivial. vergonhoK» ou qualquer coisj do género O cliente é solicitado a continuar sem/ecdback c pode até mesmo ser solicitado a sentar-se de maneira que o terapeuta fique fora do seu catnpo de visão. É interessante notar que isso é similar a alguns exercícios de mindfulncss. com exceçào que ao invés de permitir que os pensamentos, sentimentos e imagens venham e \ ào sem censura somente no âmbito privado, o cliente é solicitado a tateá-los cm voz alta l)e fato, esta técnica "fale-mc tudo" pode ser um pré-rcquisilo para uma prática posterior para aqueles que carecem de controle privado das experiências do sei/. Esta tarefa requer fala: CO iio terapeuta com o minimo de dicas externas. fa/endo com que seja possível ao cliente úuct 'eu sinto, ou "eu vejo esta imagem" sob condições que favoreçam o controle dos estimulo* primados. Clientes com tipos de problemas extensivos do self ficarão ansiosos c impossibilitados de executar esta tarefa devido à falta de controle dos estímulos públicos. Eles podem experimentar uma perda dosei/ na ausência dc dicas do terapeuta. Dm tcmYrncno similar ocorre quando o terapeuta usa técnicas de meditação c descobre que seus clientes se tornam altamente ansiosos quando a tarefa é muito desestruturada. Os terapeutas da I AP que usam a associação livre podem variar o formato clássico desestruturado dependendo do nivel dc controle privado do cliente. 5 SíWc ISJ Associação livre estruturada . Tarefas mais estruturadas que pedem um aumento do grau de controle privado , lais como completar sentenças c associação de palavras , podem ser us3d3s. Uma variação mais estruturada de associação livre é a tarefa chamada 1o cinema cm sua mente' , em que os clientes são solicitados a fechar seus olhos c imaginar que eles estão sentados num cinema . Primeiro, são instruídos a ver uma tela cm branco cm sua mcnic. Quando o filme con>eça , a primeira ccna estipulada é a do cliente e do terapeuta sentados na sala naquele momento Km seguida, o filme é descrito do fim para o começo , com o cliente caminhando pra fora da clinica para dentro do seu curro. O filme então deve começar íi rodar cada vez mais rápido até que se torne fora dc foco. O cliente é solicitado a observar a imagem embaçada c depois ler esta visão interrompida repentinamente c a descrever a ccna naquele ponto. Ainda é vital reforçar qualquer resposta " cu x , que ocorra porque é provável que esteja ao menos um pouco sob controle privado. Uma extensa variedade dessas técnicas dc imaginação usadas na gestalt terapia, tais como a síntese psicológica e a hipnoterapia. pode seradaptada p«ra a FAP. Outra variação mais estruturada de associaçio livre envolve o uso de um computador c uni processador dc texto. O clicnlc é solicitado a digitar iudo que passa em sui mente c não censurai nada . Uma vantagem deste mélodo é que possibilita um processo dc modelagem . No início, o cliente tem a opção dc apagar lodo o material ou parle dele antes que o terapeuta faça uma revisão. Para reforçar falar (digitar) na ausência do estímulo público, o terapeuta revê o arquivo das palavras processadas durante a sessão sem fn/cr criticas. Com o tempo, o clicntc c encorajado a apagar o mínimo possível. Ein resume» , qu«ln> ajustes podem ser feitos às tarefas imaginarias ou dc associação livre emprestadas de outras terapias. Primeiro, podem ser apresentadas ao cliente como uma tarefa cujo valor deriva do processo (e.g., imaginar e descrever na presença do terapeuta). Preferencialmente, deve-se dizer ao clicnlc em termos coloquiais que o importante sobre tarefa é que cia evoque CRB2 sob controle privado. Segundo.a tarefa deve ser selecionada ou modificada para variar o grau dc controle privado necessário paia irao encontro do nivel dc repertório do cliente. Por exemplo, a tarefa do 'cinema, poderia começar sem nenhuma imagem presente na teia ou poder.a ser executada por um periodo limitado de tempo. Terceiro, o cliente de c ser reforçado por apresentar afirmações do tipo "eu x*. Quano. o terapeuta deveria ter cm mente que CRBs além daqueles relacionados a problemas do self podem ser evocados e, consequentemente, fornecer oportunidades terapêuticas. Um estudo dc caso ilustrando a aplicação clínica de tarefas imaginárias c associação livre pode ser encontrada em Kohlcnberg e I sai (1991, PP. 161-1641 _ 156 R. J KohlcnbciR o »l Reforce Tantas Afirmações do Tipo ,eu x,Quanto Possível Quando clicnles apresentam prolilcmas dc self, ê particularmente importante que terapeutas tratem com respeito ideias e crenças diferentes. Neste contexto, "respeito* é definido dc maneira que o comportamento do cliente deva ser potencializado e reforçado pela reaçào do terapeuta mesmo que ele ou ela acreditem em algo diferente. Um significado especial é dado para estas afirmações *cu x* que diferem dos próprios sentimentos e impressões do terapeuta, porque sào precisamente estes comportamentos que sào mais prováveis dc estarem sob controle privado. Sc possível, o terapeuta deveria reforçar todas as afirmações ,cu x' que forem possíveis. Como notado anteriormente, se um problema de self do cliente está relacionado com a escassez de controle privado sobre afirmações do tipo . eu quero " , ê importante reforçar todas as respostas possíveis como essa, caso ocorram. Um sinal importante dc que as afirmações *eu quero' do cliente estão sob controle privado (opondo-se ao controle público) c uma inclinação do terapeuta para rejeitar o pedido. Por exemplo, uma cliente cujo problema dc self era não saber o que queria, pediu a RJK pata tentar hipnose pnra descobrir o que tinha. A primeira rcação de RJK foi rejeitar seu pedido c d:ir a cia razões do porquê nào usar hipnose. A tendência de o terapeuta rejeitar o pedido da cliente assinalou que sua solicitação era um CRB2- Ao reconhecer que isso era algo que ela realmente quena, RJK concordou em hipnotizá-la. Uma situação delicada surge quando um cliente, que tem como problemas dc self raras respostas do tipo 1cu sinto", diz: "Eu sinto que você não se importa comigo". Comentários como estes não sâo anormais c devem ser tratados como um CRB2 (assumindo que não seja um pedido velado de garantias). A resposta mais reforçadora seria validar a resposta do cliente, através da revisão das interações na terapia que poderiam tê-lo conduzido a sen;ir-sc d st." forma. Por exemplo, o terapeuta poderia ter estado distraído ou preocupado durante uma sessão ou poderia ter sido irritado pelo cliente. Sem contar que esta validação do tacto do cliente nào exclui a importância de o terapeuta assegurar seu cuidado cm relação ao cliente acima de tudo. Situações ainda mais difíceis são encorajadas quando clientes fazem afirmações do tipo "cux, que são contraproducentes, autodestrutiv as. suicidas ou homicidas As sugestões a seguir, p.;ra lidar com esíes tipos de afirmações, são mais relevantes para clientes com pioblcmas dc self que estão apenas começando a desenvolver um controle privado sob afirmações 'cu x' do que para clientes que cronicamente se engajam em comportamentos destrutivos. 1 . Afirmações contraproducentes. Comportamentos do cliente que levam à esquiva habitualmente parecem contraprodulivos para o terapeuta. Por exemplo, M l supervisionou um caso cm que o cliente di/ia, com lágrimas 5 Self c Mindfubira nos olhos , "Eu não quero falar sobre a morte dc minha mãe . Isso é apenas retornar a coisas antigas e não me levará a lugar algum . " Respostas apropriadas do terapeuta incluem enfatizar que ele nào tem que falar sobre o assunto (aceitação incondicional por parte do terapeuta) e investigação adicional da situação (a serviço dc estar presente). Aqui estão as três alternativas deste tipo dc respostas. . Parece que voei está quase chorando , como se estivesse realmente machucada por dentro... Quais sào seus sentimentos? Está com medo dc que se continuar falando iiá chorar"? Como seus pais lidavam com vocc quando chorava enquanto era criança? . O que você quer dizer quando fala 'retomar a coisas antigas*? O que aconteceu cm ocasiões anteriores qusndo falou sobre a morte dc sua mãe? . Estou me sentindo cm conflito porque realmente quem respeitar seus sentimentos envolvidos em não falar sobre a morte dc sua mãe , mas apesar disso nào gostaria de pactuar com sua esquiva dos sentimentos de pesar, porque penso que evitá-los está ligado a sua esquiva de relacionamentos próximos cm geral. Em sua opinião , o que promoveria mais crescimento para você neste momento - fazer com que fale e sinta seus sentimentos sobre sua mãe , ou respeitar seus sentimentos dc não querer falar sobre ela, mesmo sabendo que c isso o que eu quero? Como podemos respeitar o seu desejo dc nào querer falar agora , que é importante para desenvolver seu senso de self, c também o seu desejo dc fazer progresso na terapia como um todo ao sentir seus sentimentos? 2 . Afirmações uutodestrutivas. "Sou uma puta e uma vagabunda. Sou a escória da terra. Estou com medo de me tomar csquizofrênica porque minha mãe era." Iodas estas afirmações foram feitas à MT por uma cliente . A reaçào inicial de MT foi assegurar à cliente que estas afirmações não eram verdadeiras , mas ela ficou com raiva e sentiu-sc invalidada pela resposta dc MT. Ela reconheceu que ao mesmo tempo cm que encorajá-la era importante , impedia a cliente dc descrever os sentimentos com que estava entrando em contato. Aos poucos a cliente treinou MT a combinar seu encorajamento com a permissão para que ela explorasse seus sentimentos. Por exemplo , "Você definitivamente não é uma puta, mas d.ea-me todos os seus sentimentos c pensamentos sobrc ser uma puta antes que cu lhe diga por que penso que vocc não é... As pesquisas sobre a esquizofrenia indicam que se você nào desenvolveu esta doença até agoia, c altamente improvável que irá desenvolvê- la. Mas deve ser difícil para você ter es*«e tipo dc medo. Fale-mc sobre isso . " 3 . Afirmações suicidas ou homicidas. Mesmo que fantasias suicidas e homicidas sejam muito oversivas para a maioria dos terapeutas ouvi-las em detalhe , nào é incomum que clientes com problemas de self entrem em ISS R. J. KoKIcnbcig cl Jl conta to com estes sentimentos porque suas histórias estào repletas de necessidadesnão atendidas. I- importante reforçar essas expressões ajudando o cliente a contar sua história até que o terapeuta entenda cuidadosamente por que faz sentido para o cliente se sentir desta maneira. Mais adiante, é importante que o terapeuta proíba essas açòes não só através de uma instrução, mas ajudando-o a separar pensamentos de ações (isto é, n conexão entre pensar em suicídio, senlir-se suicida, e engajar-se em um comportamento suicida, é um tipo de relação comportamento-comportamento c um não necessita levar ao outro), c explorando em profundidade as consequências das ações suicidas c homicidas. Sc estas afirmações suicidas ou homicidas são ameaças feitas porque o cliente deseja mais atenção do terapeuta, então o cliente deve ser confrontado e instruído a pedir dirctamente o que deseja sem ameaçar comportar-se de modo destrutivo. Implicações Clínicas e Técnica para Induzir Mindfulness Auto-ohservação ou *Está Ciente de Que Você Está Vendo' Agora vamos dirccionar nossa lente behaviorista para entender c usar mindfulness. No começo deste capitulo, uma distinção foi apontada entre os dois tipos dc consciência, ilustrada através do uso dos exercícios chamados "vendo sua mão* e *estar ciente dc que está vendo sua mão,. "Estar ciente de que está vendo sua mào\ para nós, se refere ã consciência ou auto-observação. A auto-observação dc um evento olá sob controle de um Sd (estímulo discriminativo) diferente do Sd do e\ ento cm si. Consequentemente, se o cliente está ansioso, o Sd aversivo que evoca aquela ansiedade (o estado corporal) é diferente do Sd que controla a auto-observação da ansiedade. Normalmente. a ansiedade motiva fugas c esquivas problemáticas ao passo que a auto- observação da ansiedade que envolve ,notar sensações corporais como um fenómeno sensorial* reduz sei controle sobre a esquiva e permite respostas mais produtivas. É uma trccr. do controlo de estimulo queoferece a oportunidade (na literatura do mindfulness «o rclcrc a *dar espaço') para emergir um novo comportamento c dá abertura para que a experiência ocorra. De maneira similar , o pensamento "sou estúpida", que é uma resposta automática a um Sd aversivo e pode evocar esquivas problemáticas, é diferente do controle dc estimulo (Sd) resultante da auto-observação do pensamento (isto e: "Estou tendo o pensamento que sou estúpido"). Em último caso a presença da experiência é aumentada, a esquiva c reduzida, c há uma oportunidade da ocorrência de um comportamento mais produtivo. De acordo com nossa análise anterior do senso de self, há uma enorme variação individual na habilidade de auto-observação. Como resultado, há similaridades entre estar "mindfur (cstnr ciente de que está vendo, sentindo, etc.) «. ter um senso de self estável. Ambos 5 Self r Mindfulnest 159 envolvem um fortalecimento do controle privado sob os repertórios , 'cu vejo, cu sinto , cu x. " Afirmamos que fortalecimento da autoconsciência naturalmente é reforçado por terapeutas na maioria dos encontros terapêuticos. Por exemplo, a solicitação sempre presente do terapeuta para que os clientes reportem o que eles estão sentindo c uma oportunidade para auto-observação c promover o controle privado de suas falas *eu x,. Evidentemente, no início do tratamento os clientes podem ter dificuldade dc responder a essas questões, "o que você está sentindo agora?" Com a ajuda empática, sintonia c sensibilidade do terapeuta, os clientes são reforçados tanto a entrarem cm contato com sentimentos íntimos quanto a estarem cientes de que estão fazendo isso (auto-observação c autoconsciência). Da mesma forma, o registro de pensamentos usados na terapia cognitivo comportamental demanda que os clientes registrem, dêem nomes c classifiquem |)en amentos, sentimentos c até mesmo o quanto eles *acreditam* num pensamento. Tudo isso requer auto-observação e consciência de que alguém está tendo um pensamento. A medida que terapeutas ajudam seus clientes a se tornarem mais habilidosos ao usarem o registro de pensamento, estão também dando uma dica e reforçando-os a se tomarem mais habilidosos cm se auto-observarem , primeiro na presença do terapeuta. Assim, esta habilidade dc- auto-observação tem maior probabilidade de se generalizar para situações diárias correspondentes. Notar (estar ciente dc) sensações corporais quando na presença de um Sd aversivo também altera o Sd de alguma maneira c consequentemente ajuda a vivenciar o momento presente. A transferência deste "notar" para o cotidiano do cliente será intensificada quando reforçada no ambiente interpessoal evocativo entre terapeuta-cliente (c.g., ser solicitado a correr riscos c desenvolver confiança). Um treino progressivo de relaxamento muscular ou exame corporal fortalece a habilidade dc observar e torna sua ocorrência mais prováv el quando o clicntc c confrontado com Sds aversivos. Da mesma forma , pedir aos clientes que notem e descrevam as qualidades de estímulos tácteis c visuais produz uma mudança 110 controle de estimulo (o estímulo ao qual eles estão atentos). Esta mudança da atenção pode então ajudar o cliente a sc tornar presente e experienciar o estimulo aversivo que evoca a esquiva. Exercício de Aceitaçào/Consciéncia/Relaxamento/ (ARA) Juntamente com as oportu 11 idades para permanecer presente que ocorrem ao longo da terapia, exercícios específicos podem ser introduzidos para ajudar R . J. Kohlnbcrc ct al. os clientes a ficarem alentos (mindful). O cxcrcicio seguinte é baseado cm três fontes: Resposta de relaxamento de fcric Bcnson (Ucnson, 1975), um exercício de atenção da ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) retirada do manual de tratamento de Woods, Wcftcmeck and Messner (2006), c um modelo de condicionamento respondente para produzir respostas nntiansiógcnas rápidas c autoinduzidas. Permanecendo com a ênfase interpessoal na FAP, o ARA é ensinado na sessão em que o encorajamento c o reforçamenlo da auto-observaçào aumentam a possibilidade de transferência pira a vida diária. Somado a isso,o exercício enfatiza a utilidade de habilidades como consciência, relaxamento e aceitação na presença dos outros, particularmente durante situações interpessoais difíceis. Durantes os treinos nas sessões, os terapeutas devem olhar com cuidado para reaçòes negativas e perguntar sempre aos clientes sobre como estão reagindo. Os terapeutas também devem permanecer atentos aosCRBs que este exercício pode evocar, e alterar a técnica dependendo da resposta do cliente. O que vem a seguir é a racional para o exercício ARA. Os terapeutas podem decidir parafrasear esta racional c enfatizar aquelas questões mais relevantes para seus clientes. (I) Aumenta sua habilidade de permanecer com «na atenção à exper icncia momento a momento. mesmo na presença de outra pessoa ou situação evocativa (2) Aumenta ma !"abili<íide em notar pensamentos como processo, e aceitai pensamentos e sentimentos sem ter que evitá-los ou muda-los. (3) Aumenta sua habilidade de observar scnsaçAcs cm seu corpo c estimulai ao sai redor. (4) Produz uni sinal para quebrar a cadeia do responder automático improdutivo e arranja o ambiente para ocorrência de comportamentos mais produtivos mesmo em situações difkcis envolvendo outras pessoas (J) Fornece uma saída q jc pode ser u«ada para o manejo momentâneo do estresse ou de fortes sentimrnloj negativos para que voei possa permanecer na situação e irio apresentar esquiva (6) D: acordo com Bcnson (1975), isso pode reduzir o stress diário acumulado, A seguir um exemplo da racional parafraseada. Geralmente, o murmurar da atividadc mental e a rotina diária nos dominam. e ficamos sistematicamente presos a eles. Nós nosesquecemos de prestar atenção ao momento, de parar e refletir naquilo que estamos fazendo c quais são nossas «acolhas. A prática da meditado seguinte c o condicionamento de uma palavra sinalizadora [explique o condicionamento clássico se for apropnadoj nos ajuda a praticar a observação do murmurar da atividadc mental e nos dá uma ferramenta que pode nos tomar mais atentos às escolhas - mesmo enquanto estamos juntos, notando c interagindo com outras pessoas. (Baseado cm NVoods, Wcttemeck. & Flessner, 2006 c modificado para ser usado na FAP.) A seguir a instrução para o exercício ARA. PRIMEIRO PASSO: Emparelhe a respiração (Expire) com a palavra ou frase sinalizadora Sempre comece cada prática com esse passo. \toc* pode estar cm qualquer posição . S Self e MindíuliKit em pé. sentado , ou até mesmo cm uma posiçio desconfortável Você pode estar só ou acomptnhado como está agora. Selecionc una palavra ou frase sinattzadoraque usará Poderá ser uma palavra quase neutra ou uma que tem um sentido para voei Alguns exemplos são *céu azul, , "luz da lua, , * canoa> , 'deixa rolar" , ou as primeiras palavrasde uma prece que lhe seja familiar. \bcí usará as mesmas palavras ou frases ao longo do suas práticas diárias Com os olhos abertos, focalize sua atenção na respiração. Respire naturalmente . Após notar de uma a três respirações , diga a palavra ou frase sinalizadora («g , "luz da lua*) para você mesmo enquanto expira . SEGUNDO PASSO: Breve wspcçâo muscular/corporal (aproximadamente I minuto para esia etapa) Scntc-sc numa posiçio confortável . Feche o* olhos se quiser - nlo é essencial seguir exatamcnle esses passos. Faça um pequeno inventário ou exame mental de tensão muscular em seu corpo. Dispense somente o equivalente a dez segundos cm cada uma das áreas listadas abaixo . Veja se nota alguma tensio muscular . Se tiver tensio , tente liberá-la. Sc não puder liberá-la , tudo bem siga para a próxima área. Pês. pernas e coxas. Nádegas e área pélvica Abdómen, estômago e lombar. Peitoral e parte superior das covas Ombros, braços , mios Pescoço, cosias c topo da cabeça Mandíbula (ludo bem sc sua boca estiver aberta) Olhos, sobrancelhas , lesta. TERCEIRO PASSO: Aceitação Respire naturalmente , focalize sua atenção na respiração. Siga o ritmo da respiração á medida que da vem pelo seu nariz , viaja por seus pulmóes , move-se para dentro e para fora de seu abdómen c retoma pelo nariz Viaje nas ondas de sua rcspiraçlo sem tentar alterá-la; somente observe á medida que acontece. Cada vez que expirar, diga a palavra ou frase sinalizadora para você (a prática) Assuma uma atitude não-julgadora . passiva ou 'de deixar rolar>. Nlo avalie o que csiá fazendo. Nlo há nenhuma necessidade de ,fa/er acontecer*, "fazer ccno" ou ser critico com você (por não seguir estas inv.rnçócs ou por qualquer outra coisa que vfolu a »a incute) Se notar que parou de executar a prática, apenas perceba a distraçlo e suavemente retome paxa sua respiração c para a palavra sinalizadora. Quando pensamentos de distraçlo passarem por sua mente, veja os pensamentos que esiá lendo c diga . "Bom. estes sio somente meus pensamentos"c gentilmente retome á pratica Seus pensamentos de distraçáo podem ser julgadores, autocríticos e'ou críticos c é provável que você avance e recue várias vezes enquanto executa a prática Permita que você experiencie completamente o momento preseme Ftteja profundamente presente com você mesmo Mesmo que lenha pensamentos c sentimentos de que não goste, não os afaste Adote uma aiitude de aceitação e curiosidade an iodas asdirocóct de sua experiência trate toda experiência, pensamento R . ). Kotilcnbcrg cl >1. c sentimento com geatíteo, mesmo que indesejado* ou csJrrssantcs. Esteja gentilmente presente com você mesmo Continue este processo por dez a vinte minutos. É permitido pegar um relógio Faça este procedimento de acaltçic/mmJfi.htu duas vezes ao dia, de preferência pela manhl c à r.oite. Mesmo que Bcnson sugira executar eslc exercício por vinte minutos, duas vezes ao dia, na realidade, qualquer prática é melhor que nenhuma. O ARA, quando praticado na sessão, é uma situação interpessoal que tem potencial para evocar CRBs. Por exemplo, vulnerabilidades interpessoais consideráveis c situações arriscadas podem ser evocadas quando se pede aos clientes para fecharem os olhos, focalizarem sua nlençfio em suas sensações corporais r relaxarem na presença do terapeuta. Consequentemente, arriscar-se em relacionamentos interpessoais e acreditar nos outros sào problemas cotidianos, o ARA tem potencia! para oferecer oportunidades terapêuticas para evocar e modelar CRB2. Da mesma maneira, repertórios de mindfulr.ess inadequados (e.g., um responder *cu vejo, fraco ou ausente) podem indicar um CRBI durante o ARA. Similarmente, o ARA tem um componente que lembra a associação livre. Neste exercício, o paciente ê instruído a deixar que os pensamentos ocorram, a notá-los, e deixá-los circular para dentro c para fora da consciência. Isto pode ser particularmente benéfico para indivíduos cuja vulnerabilidade está baseada num controle privado inadequado sob os repertórios ,eu x,. Como discutido anteriormente, esta tarefa poderia evocar CRBs relacionados a entrar em contato com a sua própria experiência privada, ao invés de responder aos sinais do terapeuta. Nesse caso. o terapeuta poderia observar que o ARA cvoca ansiedade e esquiva, e poderia ser reestruturado ac longo do processo, conforme as sugestões oferecidas para alterar as instruções da associação livre tradicional. Outro beneficio potencia! do ARA é que o cliente aprende uma forma de lidar com situações que evocam fortes respostas (corporais) de ansiedade. Quando isso ocorre durante a sessão, o cliente é encorajado a mudar sua atenção momentaneamente para sua respiração e depois retornar o contato com o terapeuta e com o conteúdo evocativo. O foco momentâneo na respiração propicia uma alternativa à esquiva completa e pode facilitar a expressão de comportamentos mais produtivos. Similarmente, caso pensamentos automáticos naturais durante ;i prática do ARA na presença do terapeuta estejam relacionados ao estimulo aversivo que evoca ansiedade e esquiva, o processo nos remete à dessensibilização. !sto c, os pensamentos podem ser considerados itens cm uma hierarquia que está emparelhada com o relaxamento. Ao contrário da ênfase dad.-. ao papel da relação terapeuta - cliente apresentada acima, a natureza altamente interpessoal das intervenções baseadas no mindfulness é raramente discutida (mesmo havendo uma cxccçflo referente a Surrey, 2005). Interessantemente, Fichcr (1999) aponta que formas de meditação tradicionais da prática Budista sào construídas 5 Self e Mindfulneu 163 numa relação aluno-professor, e "não podem ser aprendidas através dos livros c c impossível aprende-la sozinho". Ele segue dizendo , "Para mim, a mágica da relação professor-aluno se baseia na confiança" , (p.2). Exemplo dc caso: Exposição c Prevenção de Resposta, FAP e Mindfulness para Transtorno Obsessivo Compulsivo O tratamento empiricamente embasado para o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) c chamado Exposição c Prevenção dc Resposta (ERP). Mesmo que o TOC não seja usualmente visto como um problema interpessoal , Kohlenberg e Var.denbcrghe (2007) desvendaram questões interpessoais presentescm clientes com TOC c relataram ter usado a relação terapeuta- chente para modelar CRBs relevantes no tratamento do TOC. Até mesmo implementações do ERP ao pé da letra requerem uma forte aliança terapêutica c um cliente que seja capaz de acreditar no terapeuta o suficiente para engajar-sc em atividades previamente temidas. Km essência, um terapeuta ERP eslã dizendo ao cliente: "acredite cm mim - se seguir minhas sugestões, você poderá lidar com emoções negativas e pensamentos evocados por permanecer presente". Autoconsciência , auto-observação e mindfulness como foram descritos nesie capitulo desempenham um importante papel n;: tarefa de permanecer presente a csscncia do ERP. Sendo assim, uma maneira dc olhar para o TOC é ver que o cliente carece dc repertórios dc auto-observação . Segundo nossa conceituação de auto-observação , ela ocorre no giau em que foi encorajada c modelada pelos outros , assim, terapeutas podem reforçar talos que embasam um self estável, evocam c nulrem ? autoconsciência. No presente exemplo de caso, a cliente Jane, 25 anos. foi dcmiiida dc seu emprego corno técnica de laboratório médico por checagem excessiva e ansiedade dc contaminação. Mesmo que Jane tenha uma extensa história em oblcr .i confirmação dos outros sobre a irracionalidade de seus medos , ela r-ão acreditava nas confirmações o suficiente , nem linha um repertório dc auto ohiervaçAo prontamente disponível para ajudá-la a estar presente ein situações evocativas . Pelo contrário, quando confrontada com a possibilidade dc cometer um erro (e ser descoberta pelos outros) ou coniaiv.inar-sc com germes ou fa7er com que os outros ficassem doentes inadv enidamente . cia apresentava comportamentos dc checagem e evitava contato com objetos contaminados. Seu tratamento incluiu desenvolver a auto-observação (a essência inindjuinexs> c permitir o desenvolvimento do comportamento de >acreditar, nos outros (primeiramente em seu terapeuta RJK) , processo embasado na exposição c prevenção de resposta. Jane concordou que poderia ser útil trabalhar rumo ao objetivo de ser capaz de observar-se tendo pensamentos 164 R. J. KoWcnbeis cl al c sentimentos c falar deles para RJK Elementos específicos do tratamento incluíram: (I) Ser estimulada e encorajada a voltar atrás durante a sessão, notar e descrever sensações corporais, sentimentos negativos c pensamentos como uma forma de ajudá-la a permanecer presente junto ao estimulo evocativo; (2) usando ARA par;i desenvolver uma resposta aceitável que poderia ser usada durante situações interpessoais (cg.. no trabalho) como umn forma de reduzir altos graus de ansiedade e facilitando ER P; (3) usando a I A I, para csiabelecer um ambiente terapêutico que facilitasse a confiança e a coragem para o trabalho de exposição; c (4) a generalização da confiança no terapeuta para sua vida diária foi possibilitada pelos ERP da sessão. Foi explicado para Jane (Regra 5) que sua esquiva c outros comportamentos classificados como TOC foram reforçados por uma diminuição imediata da ansiedade. O apoio recebido por seu marido e de outros que reforçavam o comportamento de esquiva contribuíam para o problema. O objetivo era confiar nas confirmações de RJK e dos outros, de que ela poderia lidar com seus medos, permanecer presente cm situações evocativas e. a partir dai. estar em condições de emitir comportamentos mais produtivos (c.g., trabalhar na profissão que escolheu). Sua crença de que RJK estava mantendo-a numa posição de pouco merecimento porque elu não estava sendo capa/ de executar suas atividade» diárias normais foi um exemplo de questões emergentes imediatas que eram enfrentadas. Durante os treinos de ARA. ela esta* a ansiosa quando solicitada a notar sensações corporais e relaxar com seus olhos fechados, ela podena estar privada dos estímulos públicos necessários para orientar seu senso de self e também estar preocupada que RJK pudesse estar olhando para ela com pena ou degradação. O contexto para a sessão descrita abaixo foi ocasionado quando Jane descobriu um absorvente higiénico no hall de entrada de seu condomínio. I mbora aj-arentasse ter sido lavado*, isso evocou ansiedade de contaminação e esquiva do hall. Ela pediu ao seu marido para jogar o absorvente fora. Baseada na confiança de sua relação terapêutica com RJK, Jane, cm seguida, pediu ao seu marido para tra/cr o absorvente de solta da lata de lixo c arriscou trazê-lo para a sessão (dentro de uni saco plástico lacrado colocado num outro saco plástico adicional) entendendo que isso poderia: (I) ser usado para se expor a situação aversiva; e (2) prover uma oportunidade de praticar c aprender estar atenta ao ritual de "estar presente " . Na sessão anterior á passagem descrita a seguir, ao argumentar com RJK. Jane abriu o saco plástico, olhou para o saco lacrado e p3ra o absorvente, tocou o lado externo do saco. mas não abriu. Transcrição do trecho I da sessão 6 Terapeuta: Ok. você está se permitindo fazer alguma coisa com o absorvente? (Indirctamcntc: Está permitindo acreditar cm mim o suficiente para continuar atendendo minha demanda em 5 Sclfe Miinlfulnen Cliente: T: C: T: C: T: C: T: Trecho 2 T: C: T: C T: C: T: C nunter-se presente, praticando auto-observação, permitindo que tenha sentimentos c pensamentos negativos?) Com certeza . O que acha de tirar o saco plástico lacrado para fora do outro saco e me di/cr até onde está se permitindo ir? Depois, tente seguir cm frente, enquanto para e observe-se lendo sentimentos c pensamentos. |Jane é solicitada a ajudar a estruturar a exposição e fornecer uma oportunidade de se auto-observar , enquanto permanece presente c sc compromete com a açào.] Com certeza (ela tirou o saco plástico lacrado cuidadosamente c olhou para o absorvente que estava dentro) Você está olhando para cic. | Uma tentativa dc enfatizar opnpcl do observador - dc ela "se ver" olhando . J Sim. Eu estou olhando . Tem uma mancha qualquer aqui. Você está vendo uma mancha , não c mesmo? [Enfatizar a açào dc "ver" , ao invés dc se a mancha está lá ou náo .J Sim, eu vejo que tem um cabelo . Eu sinto a ansiedade. [Um avanço - relatar "Eu sinto a ... " ao invés de "Eu estou ansiosa . "] Tudo bem , isso é bom - você notou você sentindo a ansiedade .(Enfatizando a observação ao invés do sentimento .) Ao locar o saco , você nota se está sentindo algo em suas mios? (>notar* um sentimento é auto - observação .] Sim. cu sinto , minhas mãos ficam suadas na mesma hora . Penso que contribui para me sentir suja. Está melada. Entio você está notando o suor . Quais outras sensações você nota que está sentindo agora? (encorajando auto-observação uma troca de foco para outros estímulos enquanto permanece presente.) Minha respiração está um pouco tensa , meu fôlego está curto , meu peito está apertado . Onde você sente o aperto? (Objctivando a sensação, adicionando o controle dc estímulo do local , desta forma encorajando uma alteração no controle de estímulo almejado permitindo que ela permaneça em contato com o saco plástico.) (coloca as mãos no peito), Ok, este é o local cm que você sente. Alguma coisa a mais você nota/percebe? Hum, meus olhos estão marejados , não como sc fosse chorar, mas um pequeno excesso dc umidadc . 166 R J. KoMdbeJE et al T: OK, vamos só dar um tempo, continuar a tocar n bolsa c, ao mesmo tempo, dar umas respiradas, dizendo "na praia" [a palavra sinalizadora da cliente para o exercício AR A] para você sempre que expirar. [No caso dela. historicamente, este sintoma ocular especifico ocorre junto com uma ansiedade aliae interfere com a percepção necessária para executar seu trabalho de laboratório, sendo assim, RJK é cuidadoso ao usar a resposta Ali A como uma estratégia de manejo; a desvantagem é que isso aumenta momentaneamente a esquiva do sentimento.] C: Com meus olhos abertos? T: Sim. isso é algo que você pode fazer de uma só vez. Não vai livrar-se da ansiedade ou das lágrimas, mas isso levará você a distrair-se por um momento. [Uma tentativa final de validar a importância cm permanecer presente com o sentimento, mesmo que o propósito da resposta de relaxamento seja atenuar a intensidade. Isso também é um exemplo do uso de uma intervenção na experiência imediata de respiração como forma de ajudar o "processo de avançar e recuar sucessivamente" (Surrey, 2005).] C Ok (inspire c expire 2 vezes). T: Agora vamos nos ater ao que você está fazendo com a bolsa. [enfatizar o uso da mudança momentânea de atenção com o objetivo de permanecer presente e continuar com o objeto na mão - exposição]. C OK, Penso que deveria ao menos tocá-lo e tirá-lo do saco plástico lacrado. T: Você está sendo corajosa e está fazendo muito bem. C: Penso que foi até onde chegamos a semana passada. Sinto como se estivesse sujo aqui (indicando a parte posterior da bolsa). T: Você está ciente da sensação de ter algo cm seus dedos? Onde mais? C Eu não sei, penso que estou consciente de que tem algo em minha manga. Eu não quero fazer isso - pode me ajudar? [CRB2, pedindo ajuda para manter-se presente ao invés de apoio para esquiva.) T: Penso que é importante manter-se na atividade. Estou percebendo como seus sentimentos são intensos e o quanto e difícil para você. Não posso interromper seus sentimentos, mas estarei aqui para você [cnlati/ando a confiança c o cuidado estabelecido entre cliente-terapcuta.], e você vai superar isso. S Seirc Mrxtfu]oci> 1 7 [Reforçá-la a pedir ajuda sem apoiar a esquiva diretamente.] C (Tira o absorvente para fora do plástico.) Eca! Ok, então aqui está. T: Você notou sua resposta fortemente negativa - apesar dela, você foi cm frente c tirou o absorvente do plástico. Ok, então por que você não segura o absorvente por um tempo enquanto olha para ele? O que você vê? C: Não está bem branco , e tem uma mancha pequena. Ou pode ser uma pequena llor, um detalhe no algodão. Sim. agora parece áspero, c com certeza cu nào quero tocar lá . T: Então , você está lendo um pensamento dc que é áspero. Pode recuar c ver você ter o pensamento *dc que c áspero, , (praticar está vendo que você vê.] C: Ok , eu estou ficando melhor nisso. T: Se tocasse lá . o que iria acontecer? C: Iria passar para os meus dedos , e ai eles ficariam contaminados , sujos (risos). T: Você é capaz de divertir-se com seu pensamento negativo. Então, está consciente dc que isso foi somente algo que estava pensando. C: (A cliente levanta sua mão e o absorvente para que RJK possa ver e sorri.) Vê o que eslou fazendo? Tive cuidado cm manter minhas mangas longe dele, mas agora estou fazendo com que elas e o absorvente se toquem. (Reconhece o apoio inicr|>cssoal para permanecer presente c se auto-observando] T: Então, o que fez aqui foi muito além do que a maioria das pessoas f?rin quando está defronte da possibilidade dc tocar um absorvente higiénico usado . mesmo que tenha sido lavado . E aqui está você , uni cliente com TOC que está ciente de todos estes pensamentos e sentimentos , e está permitindo confiar em mim o bastante para ainda tocá-lo e segurá-lo . C: Ah, isso mesmo . Mas agor. começo a ficar ansiosa c cu gostaria de correr para fora daqui T: Você nota o sentimento rfe quero correr para fora daqui, mas você não está correndo jva fora doqui. você está parada aqui comigo e seus sentimentos (c o absorvente) . C Sim. T: Penso que está se saindo muito bem . porque não está tentando evitar esses sentimentos , mas está apenas aprendendo a observá-los, a recuar , olhar para eles c a faiar deles para mim. E você parece estar ok. 168 R J KoSIrnbci? e« al T: Você cs(á pronta para fazer um pouco disso [estar ciente dos seus pensamentos, sentimentos, sensações, e permanecer presente] e aceitar o suporte de Bill (marido)? Na avaliação dc Jane sobre a sessflo acima (do seu formulário de ligação entre sessões, ver apêndice D), ela afirmou: "liu encostei o absorvente em toda minha roupa, nunca pensei que fosse capaz dc fazer isso." Ela relatou que um dos pontos altos da semana foi aceitar o apoio de Bill e acreditar em suas afirmações de que ela nâo iria contaminar-se, ser capa/, dc permanecer presente enquanto segurava o absorvente, c não pedir a Bill para ajudá-la a evitar situações evocativas. Conclusão Estar "mindjur envolve estar consciente da atividade privada envolvida nos comportamentos de ver, sentir, pensar e ouvir. O mindfiilness terapêutico ocorre quando estar consciente altera o controle de estimulo daqueles eventos que evocam comportamentos disfuncionais e criam oportunidades para o desenvol vimento dc respostas mais produti vas. Na FAP, os estados mindfi/l dos clientes sào fomentados c modelados no contexto da relação teropeiita-cliente. O mimlfulness do terapeuta também é um importante T2 (comportamento alvo do terapeuta). Certamente, a dirctnz mais importante para praticar a FAP c estar atento - Regra I. Como afirmado por Kohlcmberg (2001), "Meu trabalho como terapeuta da IAP c pennanecer no momento presente para cntào poder estar sensível às necessidades do diente c estar atento às minhas próprias reações de maneira que possa nutrir os CRBs2 c não reforçar os CRBsl Estar atento a estas atividades privadas (autoconsciência) ocorre caso as atividades privadas tenham adquirido propriedades discriminativas e, consequentemente, funcionem no sentido dc evocar talos sobre elas. Acontece que clientes com controle inadequado do "eu* terio dificuldade em adquirir repertórios de mindfulness. Em casos como este, o tratamento deveria ser dividido cm fases e ter como ênfase inicial o desenvolvimento do controle privado (cu x"). Esta visão de base interpessoal behaviorista do self e do mindfullness foi delineada para ser consistente com a ênfase da I AP no desenvolvimento c uso da relação tcrapeuta-clicnte. Quando o senso de self dc alguém é estável, ele está mais apto a permanecer no momento presente, aumentando sua conexão não somente consigo mesmo, mas também com os outros. 5 Self c Mindfulness 169 Referências A wh. S E. (1951). EfTccts of group pccvsure apo« lhe modificaiKwi *cd dislotlK» oíjtdgracnL la H. GuctAow (Ed.) , Groups. leodenhip. andmen (pp. 177-190).Pilltburgh: Carncgic. Denson . H. (1975). lhe relaxation response. Ncw Yorfc: Monow Barnes-Holmcs . D. Bamcs-Hotmcs . V. & Collmao. V. (2000). KcUitooal Erarac Tkcoty aadSàiiner** Vrrtal Bchavkw . 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Comparlilhando com o modelo interpessoal , a noção dc "conexão interpessoal, i incorporada nas definições de Laurcnceau , Rivera, Schaffer c Pictromonaco (2004) , que apontam que "intimidade pode ser melhor definida, como uma sensação pessoal , subjetiva (c frequentemente momentânea) de conectividade, que resulta de um processo intcrpc>soal e transacional que consiste na auto-revelação e responsividade do parceiro" (p. 62). Popovic (2005) menciona um tema similar, lembrando que "o substantivo intimidade deriva do termo intfmus cm latim , que significa o mais profundo e se refere a compartilhar o que c mais profundo com os outros. É 'sensocomum" que intimidade diz respeito a uma familiaridade ou amizade próxima" (p. 31). Kovacs (1965) assinala também a relevância terapêutica e o risco pessoal inerentes à intimidade , ressaltando que "muito do av. - fa/emos como terapeutas pode ser visto como tentativas dc participar c en jj-r nossos pacientes a entender seus conflitos sobre intimidade" e ainda "intimidade é algo que parece nos aterrorizar (p. 99). Kovacs ainda escreve que "as partes dc um relacionamento intimo estão interessadas nele c obtém prazer (que seguramente virá acompanhado dc alguma ansiedade) a partir da exposição progressiva dc um para o outro" . * I Kofcfcntvii ICOKHI» DvfMtliwni of ... ut Wnfeiyt..* . WA KSA fhnl Iip'tu.»niliirt-i>" d<lu M-», tlC Mo»