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LESÃO TÉRMICA (ATLS 2018) Introdução Os mais importantes princípios no manejo do tratamento da lesão térmica são: Suspeitar de comprometimentos das vias aéreas por inalação de fumaça e/ou secundário ao edema Identificar e tratar lesões mecânicas associadas Manter a estabilidade hemodinâmico com reposição volêmica Monitorar e controlar a temperatura Remover o paciente do ambiente da queimadura Prevenir e tratar complicações de tipos queimaduras específicas (queimaduras elétricas rabdomiólise e dissaritmia cardíaca, queimaduras extensas síndrome compartimental aguda de extremidades ou tronco, explosões e chamas lesão ocular) A principal diferença entre queimaduras e outros tipos de lesão é que a resposta inflamatória está diretamente ligada a extensão queimadura. Quanto mais extensa e funda a queimadura, pior é a inflamação. Dependendo da causa, energia transferida e do edema resultante ela pode não ser imediatamente evidente, por exemplo, a lesão térmica por fogo é evidente mais rapidamente do que por substâncias químicas. Deve-se monitorar o acesso venoso próxima ao local da queimadura, pois ele pode ser removido pelo crescimento do edema. Sempre checar o fio guia dos tubos endotraqueal e nasogástrico para se assegurar de que não estão muito apertados. Avaliação Primária do Paciente Queimado INTERRUPÇÃO DO PROCESSO DE QUEIMADURA Remova completamente a roupa do paciente para parar o processo de queimadura, no entanto, a roupa aderente não deve ser arrancada (tecidos sintéticos derretem e se fundem a roupa do paciente). Tentativa de extinguir o fogo na cena do acidente (parar, cair e rolar) podem levar a contaminação da queimadura com detritos e água contaminada. Tome cuidado quando for remover as roupas contaminadas por substâncias química (cuidado para o paciente e profissional da saúde); Depois de remover fuligem e sujeira, descontaminar a área com grande quantidade de solução salina quente ou banho de água quente. Cobrir o paciente com lençóis quente e limpos para prevenir hipotermia. ESTABELECER CONTROLE DA VIA AÉREA A via aérea pode se pode tornar obstruída não apenas pelo lesão térmica direta (lesão por inalação) mas também pelo edema resultante. O edema não tem apresentação imediata e os sinais de obstrução podem vir a aparecer quando o paciente já está em insuficiência respiratória (é essencial avaliar a necessidade de intubação endotraqueal precocemente). Fatores que aumentam o risco de obstrução das vias aéreas superiores: Extensão e profundidade da queimadura Queimaduras na cabeça, face e dentro da boca (causam mais edema localizado) Lesão por inalação Trauma associado Crianças (tem a via aérea menor) Histórico de confinamento no ambiente incendiado Lesões térmicas faringianas podem produzir edema marcante da via aérea superior. Manifestações da lesão por inalação são sutis e podem não aparecer nas primeiras 24 horas. Se o médico esperar por evidência da lesão por raio-x pulmonar ou mudanças na gasometria (pode não estar alterada), o edema pode impedir a realização da intubação, sendo necessário intervenção cirúrgica para restabelecer via aérea (traqueostomia). Se houver dúvida, examine a orofaringe em busca de sinais flogísticos, lesão na mucosa, fuligem na faringe e edema. Indicações da American Burn Life Support (ABLS) para intubação precoce: Sinais de obstrução da via aérea (rouquidão, estridor, uso acessório de músculos respiratórios, retração esternal) Extensão da inflamação área de superfície corporal total (ASCT) > 40 – 50 %) Extensas e profundas queimaduras faciais Edema significante ou risco de edema Dificuldade para engolir Sinais de comprometimento respiratória: inabilidade para expectorar secreções, fadiga respiratória, redução na oxigenação ou ventilação Queda no nível de consciência manifestada por redução de reflexos protetores das vias aéreas Transferência antecipada do paciente de grandes queimaduras com problemas nas vias aéreas, sem pessoal qualificado para intubar no caminho Um nível de carboxihemoglobina maior que 10% também indica lesão por inalação. O paciente deve ser encaminhado para o centro de referência em queimados caso haja suspeita de lesão por inalação, mas deve ser intubado antes se o transporte for demora. O estridor geralmente é sinal tardio e é indicação imediata para intubação, assim como queimaduras ao redor do pescoço que podem causar inchamento da via aérea. Queimaduras no pescoço e tórax podem comprometer a via aérea e troca de gases. Paciente com lesão por inalação estão sobre risco de obstrução bronquial por secreções e detritos, e talvez requeiram broncoscopia (com tubo endotraqueal 8mm preferencialmente e no mínimo de 7,5mm de diâmetro para adultos). GARANTIA DE VENTILAÇÃO ADEQUADA A lesão térmica direta nas vias aéreas inferiores é muito rara e ocorre essencialmente somente após a exposição a vapor superaquecido ou ignição de substâncias inflamáveis inaladas. As preocupações respiratórias surgem de três causas: hipóxia, envenenamento por monóxido de carbono e lesão por inalação de fumaça. A hipóxia pode estar relacionada a: lesão por inalação, redução na complacência pulmonar devido a queimaduras circunferências no peito ou trauma torácica não relacionado a lesão térmica. Nessas situações, administra-se oxigenação suplementar com ou sem intubação. Sempre assuma que o paciente em incêndio em ambiente fechado foi exposto a monóxido de carbono (CO). O diagnóstico de envenenamento por CO é feito por: história das circunstâncias e mensuração direta da carboxihemoglobina (HbCO). Pacientes com níveis de CO menores que 20% geralmente não tem sintomas físicos. Níveis altos de CO podem resultar em: Cefaleia e náusea (20-30%) Confusão (30-40%) Coma (40-60%) Morte (>60%) A coloração de pele vermelha em pacientes com envenenamento por CO é rara, e pode ser vista apenas em pacientes graves. Devido a afinidade 240 vezes maior do CO pela Hb ele descola o O2 da molécula de Hb e desloca o oxihemoglobina para a esquerda na curva de dissociação, provocando hipóxia anêmica (diminuição da quantidade de 02 ligado à Hb). O CO se dissocia lentamente da Hb tendo meia-vida de 4h. O paciente deve receber oxigênio em alto fluxo (100%) por máscara unidirecional sem recirculação, pois isso reduz a meia-vida da HbCO para 40 minutos. É importante colocar um tubo endotraqual (TET) adequado. Se for muito pequeno, vai ser com que a ventilação, limpeza de secreções e broncoscopia difícil ou impossível. Indica-se tudo de no mínimo 7,5mm de diâmetro ou maior em adultos, para criança é 4,5mm. Gasometria arterial deve ser obtida para avaliar a função pulmonar do paciente. No entanto, mensurações de PaO2 arterial não são confiáveis para prever envenenamento por CO, pois uma PaCO de apenas 1mmHg resulta em um nível de carboxi-hemoglobina de 40% ou mais, devendo-se medir o nível de HbCO. Oxímetros de pulso não distingue HbO de HbCO não sendo confiáveis para descartar envenenamento por CO (correto: gasometria arterial). Em espaços confinados é possível haver inalação de cianeto, sendo um dos sinais acidose metabólica persistente inexplicável, devendo encaminhar o paciente para um centro de queimaduras e envenenamento. Não há indicação para oxigenoterapia hiperbárica na ressuscitação primária. Porém, uma vez que o paciente esteja estabilizado, pode-se verificar se essa beneficiaria o paciente. Produtos da combustão como carbono e fumaça tóxica são causas importantes de lesãopor inalação. Partículas se depositam nos bronquíolos distais lesionando e matando células da mucosa respiratória aumenta resposta inflamatória aumento da permeabilidade vascular e acúmulo de fluídos, que dificultam a difusão do oxigênio entre o epitélio alveolar e o endotélio. Além disso, células necróticas se desprendem e obstruem as vias aéreas. O aumento de líquidos e redução de depuração nas vias aéreas aumenta risco de pneumonia. A lesão por inalação dobra a mortalidade em paciente queimados. A Associação Americana de Queimaduras definiu dois critérios para o diagnóstico da lesão por inalação por fumaça (fumo): ( 1 ) exposição a um agente combustível e (2) sinais de exposição à fumaça (fumo) na via aérea inferior, abaixo das cordas vocais, pela broncoscopia. A possibilidade de lesão por inalação por fumaça é muito maior se a queimadura ocorreu em um lugar fechado. Exposição prolongada também aumenta a probabilidade de lesão por inalação de fumaça (fumo). Deve ser realizado RX de tórax e gasometria arterial para avaliação da condição pulmonar inicial do paciente (pode ser normal e piorar com o tempo). O tratamento da lesão por inalação é de suporte clínico: intubação, elevação cabeça e tórax a 30 graus para reduz edema de pescoço e tórax (exceto se houver instabilidade hemodinâmica ou lesão vertebral) e escaratomia (retira Toxina da pele queimada ou Complexo Lipo Proteíco agredado de lipídios e proteínas com alta toxicidade e antigenicidade, que alcança via sistêmica causando instabilidade imunológica). Manejo da Circulação no Paciente com Choque Hipovolêmico por queimadura Além da queimadura, outras lesões podem contribuir para agravar o choque hipovolêmico. Em contraste com outros tipos de choque hipovolêmico, que são geralmente secundários a hemorragias, o choque por queimadura requer a reposição de líquido extravasado do vaso devido à inflamação. Deve haver reposição volêmica em queimaduras maiores que 20% da área de superfície corporal (havendo cuidado para não repor excessivamente). Acesso venoso: Depois de estabelecer a patência da via aérea, identificar e lesões que ameaçam a vida, imediatamente estabelecer acesso venoso periférico com cateter de calibre grosso (no mínimo 18G) em veia periférica. Extensão da queimadura não deve impedir punção venosa em pele queimada. Membros superiores são preferíveis em relação aos inferiores (devido à alta incidência de flebites e flebites sépticas nas veias safenas). Se o acesso venoso periférico não for possível, considerar acesso venoso central ou infusão intraóssea. Comece a infusão com solução cristaloide isotônica aquecida (preferencialmente Ringer lactato). O edema pode desalojar o acesso venoso (usar cateter longo em queimaduras extensas). A mensuração da PA de queimados é pouco confiável. Deve-se inserir cateter urinário em todos os queimados que fazem reposição volêmica e monitorar o débito urinário para avaliar a volume sanguíneo (diuréticos osmóticos podem superestimar a medida). Reposição volêmica: A reposição começa com: 2ml de Ringer lactato X peso do paciente X %ASCT em 24 horas (adultos e 3 mL/kg/% TBSA para crianças), para queimaduras de segunda e terceiro graus. Sendo que metade é administrada nas primeiras 8 horas e outra metade nas 16 horas seguintes (não diminuir pela metade após 8h sem checar o débito urinário). Posteriormente, a quantidade fluídos é ajustada de acordo com o débito urinário, que deve ficar entre 30 a 50ml/hr ou 0,5l/kg/hr. Se o débito urinário não é alcançado com a reanimação inicial, deve- se aumentar o volume infundido até conseguir um débito adequado O volume da reposição também depende da severidade da lesão, pois se houver lesão por inalação e quanto mais extensa e profunda a queimadura mais reposição é necessária. A taxa de reposição volêmica e o débito urinário também variam com idade do paciente, função renal, diuréticos e em alcoólatras. Os bolus de fluido devem ser evitados, a menos que o paciente esteja hipotenso. Reposição volêmica insuficiente hipoperfusão e lesão de órgão. Reposição volêmica excessiva aumento do edema aumenta da profundidade da queimadura e síndrome compartimental das extremidades Disaritmias cardíacas podem ser o primeiro sinal de hipóxia e distúrbios hidroeletrolíticas ou de equilíbrio ácido-base. Portanto, deve-se realizar ECG. A persistência da acidose em queimados é multifatorial (Reposição volêmica insuficiente ou infusão de grandes volumes solução salina). Avaliação do Paciente História AMPLE + estimativa da área de superfície corporal total queimada e também da profundidade. História Extremamente valiosa para pacientes queimados Buscar feriadas associadas a fuga do incêndio ou acidente Explosões podem resultar em lesões internas (SNC, miocárdio, pulmonar e abdominais) e fraturas. É essencial estabelecer a hora da queimadura Queimaduras em locais fechados tem potencial para lesões de inalação e lesão cerebral anóxica quando estão associadas a perda da consciência A história busca doenças preexistentes, terapias medicamentosas e alergias Checar imunização contra tétano Área de Superfície Corporal Total (ASCT) A Regra dos 9 é usada para determinar a extensão e severidade da queimadura com distribuição irregular e determinar a conduta para reposição volêmica. Tem base em cálculos de espessura parcial e total. A superfície corporal do adulto é dividida em regiões anatômicas que representam múltiplos de 9%. A palma da mão do doente (incluindo os dedos) representa aproximadamente 1 % de sua superfície corporal. Na criança, a cabeça corresponde a uma percentagem maior e os membros inferiores a uma percentagem menor do que no adulto. Lembre-se de fazer rolagem do paciente (Logrolling) para acessar a área posterior do paciente. Não inclua queimaduras superficiais na estimativa de tamanho. Contudo essa regra pode superestimar ou subestimar o tamanho da queimadura. Profundidade da Queimadura A avaliação da profundidade da queimadura é essencial para avaliar sua gravidade, planejar o tratamento e prever resultados funcionais e estéticos. Queimadura de 1º Grau ou queimadura superficial (ex: queimadura solar): Eritema, dor e ausência de bolas Não determinam risco à vida Não necessitam de reposição volêmica (epiderme permanece intacta) Queimadura de 2º Grau ou queimaduras de espessura parcial: Podem ser de espessura parcial superficial ou parcial profunda Espessura parcial superficial: úmidas, brilhante, hipersensíveis a dor e correntes de ar, potencialmente bolhosas, homogeneamente róseas e empalidecem ao toque. Espessura parcial profunda: são mais secas, menos doloridas, potencialmente bolhosas, aparência avermelhada ou manchada e não empalidecem ao toque. Queimadura de 3º Grau ou queimaduras de espessura total: Escuras ou com aparência de couro Também pode ser apresentar translucida ou com aspecto de cera A superfície é indolor ao toque leve ou picada Geralmente seca Depois que a epiderme é removida, a derme subjacente pode ser vermelha inicialmente (deixa de ser escura), mas não empalidece com a pressão Essa derme também é seca e não lacrimeja Quanto mais profunda a queimadura, menos flexível e elástico se torna o tecido, portanto, essas áreas podem ser menos inchadas Avaliação Secundária do Paciente Queimado e Medidas Auxiliares Documentação Descreve tratamentoque foi ministrado. Registro que acompanha paciente na transferência para unidade de queimados. Exames Iniciais Para Doentes Com Queimaduras Graves Hemograma completo, tipagem e provas cruzadas, glicemia, eletrólitos e teste de gravidez (mulheres em idade fértil). Gasometria e dosagem de HbCO. RX de tórax no intubados ou com suspeita de lesão por inalação de fumaça. RX para lesões associadas. Manutenção Da Circulação Periférica em Queimaduras Circunferenciais De Extremidades Avaliar circulação periférica para excluir síndrome do compartimental (aumento da pressão dentro de um compartimento que interfere na perfusão das estruturas dentro desse compartimento) Nas queimaduras essa condição resulta da diminuição da elasticidade da pele e aumento do edema de tecido mole. Nas extremidades, a preocupação principal é a perfusão para o músculo dentro desse compartimento. Apesar da necessidade de uma pressão compartimental maior que a pressão arterial sistólica para que haja ausência de pulso distal à queimadura, uma pressão compartimental >30 mm Hg pode causar necrose do músculo. A partir do momento em que o pulso está ausente, pode ser tarde demais para salvar o músculo. Portanto, o médico deve estar atento para os sinais de síndrome compartimental: Dor maior que o esperado ao estímulo ou lesão Dor no alongamento passivo do músculo afetado Inchaço tenso do compartimento afetado Parestesias ou sensação alterada distal ao compartimento afetado A pressão do compartimento pode ser medida facilmente pela inserção de uma agulha conectada a um medidor de pressão (arterial ou venosa central) no compartimento muscular. Se a pressão for >30 mm Hg, indica-se escarotomia (ATLS 2012). A síndrome compartimental também pode estar presente em queimaduras circunferenciais abdominais e torácicas causando aumento das pressões de pico inspiratórias. Escarotomias abdominais e torácicas realizadas ao longo das linhas axilares anteriores com uma incisão cruzada na linha clavicular e na junção do tórax e abdômen geralmente aliviam o problema. Para manter a circulação periférica em paciente com queimaduras circunferências das extremidades, o médico deve: Remover todas as jóias, identificações ou pulseiras de identificação de alergias nas extremidades. Avaliar o status da circulação distal, verificando cianose, se o enchimento capilar é lento ou se existem sinais progressivos de comprometimento neurológico (parestesia e dor em tecido profundos). Avaliação de pulsos periféricos USG Doppler. Dificuldade circulatória causada pela queimadura circunferencial da extremidade pode ser aliviada por escarotomia, que não costuma ser necessária nas primeiras 6 horas após a queimadura, deve-se consultar o cirurgião. Fasciotomia (rara) restaurar circulação no trauma ósseo associado, lesões por esmagamento, lesão elétrica de alta voltagem ou com queimaduras abaixo da aponeurose. Sondagem Gástrica Necessária quando há náusea, vômitos (prevenir aspiração), distensão abdominal ou se a queimadura envolve mais de 20 % da ASCT, deve ser feito antes de eventual transferência. Narcóticos, Analgésicos E Sedativos Gravemente queimados podem estar mais ansiosos e inquietos pela hipoxemia e hipovolemia do que pela dor. Logo, deve-se tratar a hipoxemia e hipovolemia antes de administrar a analgesia, que inclusive pode mascarar a hipovolemia e hipoxemia. Adm. em doses pequenas e frequentes, e apenas IV. O simples cobrimento da queimadura já alivia a dor. Cuidados Com A Ferida Cobrir com pano limpo (impede contato com corrente de ar dolorosa). Não romper bolhas. Não aplicar antissépticos. Remover qualquer substância usada previamente antes de usar antibacterianos apropriados. Aplicação de compressas frias pode levar a hipotermia. Não aplique água fria em pacientes com queimaduras extensas (ASCT>10%) Uma queimadura fresca é uma área limpa que deve ser protegida de contaminação. Se necessário, limpar ferida suja com solução salina. Curativos apertados e constrição do escarro da queimadura lesão tecidual profunda. Antibióticos Não tem indicação profilática na queimadura. Reservado para eventuais infecções. Queimaduras Especiais Queimaduras químicas Podem ser causas por ácidos, álcalis ou derivados do petróleo. Queimaduras por ácidos menos graves faz necrose coagulativa (impede penetração mais profunda do ácido). Queimaduras por álcalis mais graves faz necrose liquefativa (penetra mais profundamente). Rápida remoção da substância química e atenção imediata ao cuidado da ferida são essenciais. Fatores que influenciam a queimadura química: duração de contato, concentração e quantidade do agente. Se o pó seco ainda estiver presente, remover com escova antes de lavar. Caso contrário, lavar imediatamente com água quente por 20 a 30 minutos com chuveiro ou mangueira (álcalis requerem maior irrigação). Neutralizar as substâncias não apresenta vantagens sobre a lavagem, pois a reação pode causar calor e mais dano tecidual. Queimadura ocular alcalina requer irrigação contínua nas primeiras 8 horas (usa-se cânula de pequeno calibre fixada no sulco palpebral). Queimaduras específicas (hidrofluorídrico) centro de queimados. Queimaduras elétricas Resultam do contato com uma fonte eletricidade que transmite corrente pelo nosso corpo. O corpo funciona como condutor de eletricidade, pois dentro do sangue e nos nervos já existem íons e correntes elétricas capazes de conduzir energia elétrica. O calor gerado pela condução da eletricidade gera danos teciduais internos, sem necessariamente provocar queimaduras graves na superfície do corpo (queimaduras elétricas frequentemente são mais graves do que parece à inspeção externa) Diferentes velocidades de perda de calor por tecidos superficiais e profundos são responsáveis pela coexistência de pele aparentemente normal e necrose muscular profunda. Pode causar tromboses locais e lesões nervosas (correntes nos vasos e nervos) Frequentemente há necessidade de fasciotomias. Ferimentos elétricos graves geram contratura da extremidade (eletricidade faz músculo contrair). Uma mão fechada com uma pequena ferida de entrada de eletricidade deve alertar o clínico para probabilidade de uma lesão tecidual profunda de tecido moles. Esse paciente recebeu fasciotomia para descomprimir a musculatura e evitar Síndrome Compartimental. Tratamento imediato: Estabelecer via aérea Oxigenação e ventilação Acesso venoso em extremidade não afetada Monitorização com ECG Colocação de cateter na bexiga Pode haver arritmias cardíacas que podem causar PCR O monitoramento prolongado é indicado quando há: Lesão pela queimadura elétrica Perda da consciência Exposição à alta voltagem (>1000V) Anormalidades no ritmo cardíaco Devido a contratura forçada da musculatura, checa-se a presença de: Danos esquelético-musculares associados Rabdomiólise IRA (se houver mioglobinúria, não esperar teste de urina para hemocromogênios, para iniciar terapia) A administração de líquidos deve ser aumentada para garantir uma diurese de, no mínimo, 100 mL por hora no adulto ou 2 mL/kg em crianças < 30 kg. A acidose metabólica deve ser corrigida pela manutenção da perfusão adequada. Queimaduras de alcatrão Acontecem em ambiente industriais secundárias a alcatrão ou asfalto quente (temperatura de até 232°C). Complicação aderência do alcatrão à pele e roupas. Tratamento resfriamento rápido do alcatrão e cuidado na suaremoção. Uso de óleo mineral para dissolver alcatrão. Padrões de queimadura indicando abuso Queimaduras circulares e queimaduras com bordas nítidas e padrões únicos devem despertar suspeitas; eles podem refletir um cigarro ou outro objeto quente (por exemplo, um ferro) sendo mantido contra o paciente. Lesões por queimaduras antigas no cenário de um nova lesão traumática, como uma fratura, também deve levantar suspeitas de abuso. Acima de tudo, o mecanismo do padrão de lesão deve corresponder com a história da lesão. Transferência do Paciente Critérios para transferência do paciente para centro de queimados: 1. Queimadura de espessura parcial em mais de 10% de ASCT. 2. Queimaduras envolvendo rosto, mãos, pés, genitália, períneo e articulações principais 3. Queimaduras de terceiro grau em qualquer faixa etária 4. Queimaduras elétricas, incluindo lesões por raios 5. Queimaduras químicas 6. Lesão por inalação 7. Lesão por queimadura em pacientes com comorbidades 8. Qualquer paciente com queimaduras e trauma concomitante (por exemplo, fraturas) nas quais a lesão por queimadura representa maior risco de morbimortalidade. Nesses casos, se o trauma apresenta maior risco imediato, o paciente pode ser inicialmente estabilizado em um centro de trauma antes de ser transferido para uma unidade de queimados. 9. Crianças queimadas em hospitais sem qualificação profissional ou equipamento para cuidar de crianças 10. Lesão por queimadura em pacientes que necessitarão de intervenção social, emocional ou de reabilitação especial Todas as informações pertinentes sobre os resultados dos testes, ASCT da queimadura, sinais vitais, fluidos administrados e débito urinário devem ser documentadas. Deve haver cuidados para não se perder a via aérea durante a transferência. Lesões por frio: efeitos teciduais locais A gravidade da lesão pelo frio depende da temperatura, duração da exposição, condições ambientais (umidade), quantidade de roupas de proteção, estado geral de saúde do paciente (presença de doença vascular periféricas) e feridas abertas. Tipos de lesão por frio: 1 - Crestadura ou " frostnip". A forma mais leve de lesão pelo frio é denominada crestadura ou "frostnip" e é caracterizada por dor, palidez e diminuição da sensibilidade da parte afetada. É reversível com o aquecimento e não resulta em perdas teciduais, a não ser que a agressão seja repetida ao longo dos anos, o que causa perda do panículo adiposo ou atrofia (ATLS 2012). 2 - Congelamento (Frostbite): danos pela formação de cristais de gelo causando lesão na membra celular, oclusão microvascular e subsequente anóxia tecidual. Pode haver lesão por isquemia-reperfusão no reaquecimento. É classificado de acordo com a profundidade de envolvimento em: 1. Primeiro grau – hiperemia e edema sem necrose da pele 2. Segundo grau - vesículas grandes e de conteúdo claro acompanham a hiperemia e o edema e há necrose de espessura parcial da pele 3. Terceiro grau: Ocorre necrose de espessura total de pele e necrose do tecido subcutâneo acompanhadas pela formação de vesículas de conteúdo hemorrágico 4. Quarto grau: Há necrose de espessura total da pele, incluindo necrose muscular e óssea, com gangrena. Obs: a classificação nem sempre é acurada em termos prognósticos. Embora quase sempre a parte acometida se apresente inicialmente endurecida, fria, esbranquiçada e anestesiada, o aspecto das lesões muda frequentemente durante o curso do tratamento, a conduta terapêutica inicial aplica-se a todos os graus de lesão. O tratamento cirúrgico final da ulceração causada por congelamento depende o nível de demarcação do tecido perfundido. Este demarcação pode levar de semanas a meses para atingir uma etapa final. Por isso, o desbridamento cirúrgico precoce ou a amputação raramente são indicados, a não ser que ocorra infecção com sepse. 3 – Lesão não congelante: ocorre devido a lesão microvascular endotelial, estase e oclusão vascular. O termo pé (ou mão) de trincheira ou pé (ou mão) de imersão descreve uma lesão não congelante por exposição crônica a ambiente úmido e a temperaturas pouco acima do ponto de congelamento, ou seja, 1,6°C a l0°C. Embora o pé inteiro possa parecer preto, pode não haver destruição de tecidos profundos. O quadro evolui através da alternância de vasoespasmo e de vasodilatação arterial. Os tecidos afetados apresentam-se frios e anestesiados no início e evoluem para a hiperemia em 24 a 48 horas. Com a hiperemia surge uma sensação intensa e dolorosa de queimação e de disestesia, assim como lesões teciduais caracterizadas por edema, formação de bolhas, vermelhidão, equimoses e ulcerações. Podem surgir complicações de infecção local, como celulite, linfangite ou gangrena. Bons cuidados higiênicos locais podem evitar a ocorrência da maioria dessas lesões. Tratamento Do Congelamento e das Lesões não Congelantes Deve ser imediato, a não ser que exista risco de novo congelamento ou membro já se encontre completamente necrosado. Padrão: Colocação da parte afetada em água circulante a 40°C até que ocorra o retorno da perfusão e a coloração volte a ser rosada (o que leva, usualmente, 20 a 30 minutos). Tipos de reaquecimento: Reaquecimento passivo (cobrir com cobertor) conta com a mecanismo termorregulador intrínseco do paciente para gerar calor e elevar a temperatura corporal. Este método é usado para hipotermia leve. Reaquecimento ativo envolve o fornecimento de fontes adicionais de energia embala térmica (por exemplo, solução IV aquecida, pacotes aquecidos em áreas de alto fluxo vascular, como a virilha, axila e início da circulação extracorpórea). Usado em pacientes com hipotermia moderada e grave. O calor seco deve ser evitado, assim como esfregar ou massagear a área. Processo de reaquecimento pode ser extremamente doloroso, sendo essencial que se usem analgésicos adequados (narcóticos infundidos por via EV). Aquecimento de grandes áreas podem resultar em síndrome de reperfusão, com acidose, hipercalemia e edema local. Portanto, monitora-se o status cardíaco e periférico do paciente durante o reaquecimento. Objetivo do tratamento preservar os tecidos danificados, prevenindo a infecção, evitando abrir vesículas não infectadas e elevando a parte afetada que é deixada exposta ao ar ambiente. Não é necessário reposição volêmica (perde de líquidos não é significativa) ou antibioticoterapia profilática. Feridas devem ser mantidas limpas e bolhas não infectas são deixadas intactas por 7 a 10 dias (curativo biológico estéril, capaz de favorecer a epitelização subjacente) Nicotina e atividades físicas devem ser evitadas até resolução do edema. Bloqueio simpático, heparina e oxigenoterapia não tem efeito terapêutico consistente. Agentes trombolíticos são eficazes apenas se forem adm. nas primeiras 23 horas do congelamento. Lesões por frio: Hipotermia Sistêmica Pacientes em trauma são suscetíveis à hipotermia, e qualquer grau de hipotermia neles pode ser prejudicial (tríade da morte: coagulopatia, acidose e hipotermia). Pode ser limitada com a infusão de fluidos e sangue aquecidos (ao invés de líquidos na temperatura ambiente). Além de manter aquecimento do ambiente e cuidado na administração de medicamentos que prejudicam a regulação central da temperatura (paralisantes). Evitar a hipotermia iatrogênica durante a exposição e infusão de líquidos é importante pois a hipotermia pode piorar a coagulopatia. Hipotermia é definida como uma temperatura corporal central abaixo de 35 ° C. Determinar a temperatura central, preferencialmenteesofágica, retal ou vesical. Na ausência de concomitante lesão traumática, a hipotermia pode ser classificada como leve (35 ° C a 32 ° C), moderado (32 ° C a 30 ° C) ou grave (abaixo de 30 ° C). 1/3 das lesões severas está associada a hipotermia. Sinergia de hipotermia e presença de lesão traumática pode levar a um aumento falência e mortalidade de órgãos. Na presença de lesão, limiares diferentes para classificação são recomendados: hipotermia leve é de 36 ° C, hipotermia moderada é <36 ° C a 32 ° C e hipotermia grave é <32 ° C. Pode ser diagnosticada usando o sistema de estadiamento suíço (mensuração da temperatura central pode ser difícil e requer termômetro especial) Tipos de hipotermia: Hipotermia aguda com exposição repentina ao frio (imersão em água fria ou em avalanche), que sobrecarrega a capacidade do corpo de manter normotermia. Estabelece-se em 30 minutos. Hipotermia subaguda ocorre em conjunto com depleção das reservas de energia do corpo. É acompanhado por hipovolemia e seu tratamento requer que os médicos administrar fluido junto com o aquecimento do paciente corpo. Hipotermia subcrônica ocorre quando há exposição prolongada ao frio leve e a resposta termoreguladora é inadequada para combatê- la (queda de idoso com fratura no fêmur e imobilidade prolongado no chão). Ambientes frios e úmidos oferecem o maior risco de produzir hipotermia. Idosos são mais suscetíveis a hipotermia por causa de sua capacidade prejudicada de aumentar a produção de calor e diminuir a perda de calor em vasoconstrição. As crianças também são mais suscetíveis devido a sua relativa superfície corporal maior, além de ter fontes limitadas de energia Sinais Tremor (levemente hipotérmicos) Pele fria (devido vasoconstrição) Confusão Mental, Amnésia, Apatia, Fala Arrastada e Perda de Habilidades Motoras (hipotermia moderada) Pupilas Fixas E Dilatadas, Bradicardia, Hipotensão, Edema Pulmonar, Apneia ou Parada Cardíaca (gravemente hipotérmicos) FC e PA variáveis. Ausência de atividade respiratória ou cardíaca não é incomum (FC e FR devem ser atentamente monitoradas) Efeitos Fisiológicos O débito cardíaco cai proporcionalmente ao grau hipotermia e começa a irritabilidade cardíaca aproximadamente a 33 ° C. Os achados do ECG são inespecíficos, mas pode incluir ondas J (Osborn). Estes aparecem como uma deflexão ascendente após o complexo QRS. A fibrilação ventricular se torna cada vez mais comum quando a temperatura cai abaixo de 28 ° C e a temperaturas abaixo de 25 ° C, pode ocorrer assistolia. Drogas cardíacas e desfibrilação geralmente não são eficazes na presença de acidose, hipóxia e hipotermia. Em geral, adie esses métodos de tratamento até o paciente é aquecido a pelo menos 28 ° C. Acesso venosos periféricos de grande diâmetro ou femorais são preferidos (devido a irritabilidade cardíaca). Quando subclávia ou jugular interna forem usadas não avance o fio ao coração. Administre 100% de oxigênio enquanto o paciente está sendo reaquecido. Conduta A atenção imediata das equipes de trauma deve ser focado em abordar as ABCDEs, incluindo iniciar ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e estabelecimento de acesso intravenoso se o paciente estiver em PCR. Evite a perda de calor removendo o paciente de ambiente frio e substitua roupas molhadas e frias por cobertores quentes. Administre oxigênio através de uma máscara com reservatório. Use a técnica de reaquecimento adequada determinada pela temperatura central, condição clínica do paciente, técnicas disponíveis e experiência de da equipe de trauma. A hipotermia leve geralmente é tratada com reaquecimento externo passivo. Repita as medições de temperatura, pois talvez seja preciso aprimorar a técnica de aquecimento. Hipotermia moderada pode ser tratada com aquecimento externo em uma sala quente usando cobertores, aquecedores de ambiente, cobertores aquecidos e fluidos intravenosos aquecidos. Hipotermia grave pode exigir reaquecimento ativo. Forneça ar umidificado e aquecido através ventilação mecânica. Lavagem fluida quente através um cateter da bexiga, tubo de toracostomia ou peritoneal, cateter de diálise pode ser eficaz. O bypass cardiopulmonar é o método mais efetivo de reaquecimento de doentes com hipotermia grave. Esses pacientes necessitam de monitoração cuidadosa de função de seus órgãos durante o processo de aquecimento. Em pacientes com metabolismo acentuadamente reduzido e na ação de compressões torácicas vigorosas, pode-se converter o ritmo organizado em fibrilação. Na ausência de um ritmo organizado, a RCP deve ser instituída e continuada até que o paciente seja reaquecido ou haja outras indicações para interromper a RCP. No entanto, o papel exato da RCP como um complemento ao reaquecimento permanece controverso. Faça uma pesquisa cuidadosa por distúrbios associados (por exemplo, diabetes, sepse e ingestão de drogas ou álcool) e lesões ocultas e trate-os imediatamente. Obtenha amostras de sangue para hemograma completo, perfil de coagulação, fibrinogênio, eletrólitos, glicose no sangue, álcool, toxinas, creatinina, amilase, testes de função hepática e hemoculturas. "Você não está morto até que você esteja quente e morto". No paciente que sofreu PCR ou morte por hipotermia, não se declara sua morte até que ele seja reaquecido. Exceções: paciente que sofreu evento anóxico ainda normotérmico e que não tem pulso ou respiração. Nível sérico de potássio superior a 10 mmol/L. Ferida fatal (ferida por tiro transcerebral, exsanguinação completa, etc.) e hipotermia. Lesões pelo Calor A exaustão por calor e a insolação, as formas mais graves de lesão por calor, são condições comuns e evitáveis. A temperatura central excessiva inicia uma cascata de eventos patológicos inflamatórios que levam à leve exaustão pelo calor e, se não tratada, eventualmente à falência de múltiplos órgãos e à morte. A severidade da insolação se correlaciona com a duração da hipertermia. A rápida redução da temperatura corporal está associada a uma melhor sobrevida. Certifique-se de avaliar pacientes com hipertermia para o uso de drogas psicotrópicas ou um histórico de exposição a anestésicos. Fisiopatologia As informações eferentes enviadas aos neurônios sensíveis à temperatura no hipotálamo anterior pré-óptico resultam em resposta termorregulatória: A primeira resposta a uma temperatura central elevada é a vasodilatação periférica, aumentando a perda por radiação. A vasodilatação cutânea pode aumentar o fluxo sanguíneo periférico de 5% para até 20% do débito cardíaco total. A transpiração é necessária para dissipar o calor quando a temperatura ambiente excede 37 ° C (A temperatura ambiente e a umidade relativa do ar podem afetar a eficiência da dissipação de calor).Por média as pessoas produzem 1,5 L de suor por hora, aumentando para 2,5 L em atletas bem treinados. Também existe mudanças comportamentais, como remover roupas ou mudar para uma área mais fria. A termorregulação adequada depende da hidratação adequada. A adaptação cardiovascular normal ao estresse térmico intenso é aumentar o débito cardíaco em até 20 L/ min. Essa resposta pode ser prejudicada pela depleção de sal e água, doenças cardiovasculares ou medicamentos que interferem na função cardíaca (como betabloqueadores), resultando em maior suscetibilidade a insolação. Quando a resposta fisiológica normal falha em dissipar o calor, a temperatura do corpo aumenta constantemente até atingir 41 ° C a 42 ° C (105,8 ° F a 107,6 ° F) ou temperatura máxima crítica. No nível celular, a exposiçãoao calor excessivo pode levar à desnaturação de proteínas, fosfolipídios e lipoproteínas e à liquefação dos lipídios da membrana. Isso resulta em colapso cardiovascular, falência de múltiplos órgãos e, finalmente, morte. Uma reação inflamatória coordenada ao estresse térmico envolve células endoteliais, leucócitos e células epiteliais, na tentativa de proteger contra lesões nos tecidos e promover a cicatrização. Uma variedade de citocinas é produzida em resposta ao calor endógeno ou ambiental mediam febre e leucocitose e aumentam a síntese de proteínas da fase aguda. Lesão de células endoteliais e trombose microvascular difusa são características proeminentes da insolação, levando à Coagulação intravascular disseminada. A fibrinólise também é altamente ativada. A normalização da temperatura corporal central inibe a fibrinólise, mas não a ativação da coagulação (esse padrão se assemelha ao observado na sepse). O golpe de calor e sua progressão para disfunção de múltiplos órgãos devem-se a uma interação complexa entre as alterações fisiológicas agudas associadas à hipertermia (por exemplo, insuficiência circulatória, hipóxia e aumento da demanda metabólica), citotoxicidade direta do calor e respostas inflamatórias e de coagulação do hospodeiro. Tipos de lesão por Calor Exaustão pelo Calor - é um distúrbio comum causado por perda excessiva de água corporal, depleção de eletrólitos, ou ambos. Espectro mal definido de sintomas: dor de cabeça, náusea, vômito, tontura, mal-estar e mialgia. Distingue-se de insolação por ter função mental intacta e uma temperatura central inferior a 39 ° C (102,2 ° F). Sem tratamento, a exaustão pelo calor pode levar a insolação. Insolação - é uma condição sistêmica com risco de vida que inclui (1) temperatura corporal central elevada ≥ 40 ° C (104 ° F); (2) envolvimento do sistema nervoso central na forma de tontura, confusão, irritabilidade, agressividade, apatia, desorientação, convulsões ou coma; e (3) resposta inflamatória sistêmica com falência de múltiplos órgãos que pode incluir encefalopatia, rabdomiólise, insuficiência renal aguda, síndrome do desconforto respiratório agudo, lesão miocárdica, lesão hepatocelular, isquemia ou infarto intestinal e complicações hemotológicas, como coagulação intravascular disseminada (DIC) e trombocitopenia. São hipotensos ou normotensos com uma ampla pressão de pulso. Mas geralmente são traquicárdicos e taquipnéicos. O nível de enzimas musculares e hepáticas será elevado. A pele é geralmente quente e seca ou úmida e diaforética. Existem duas formas de insolação: Insolação Clássica, Ou Não-Excessiva (mortalidade de 10 a 33%) - ocorre frequentemente durante ondas de calor ambientais e envolve exposição passiva ao ambiente havendo falha dos mecanismos de termorregulação. Os indivíduos afetados principalmente são crianças pequenas, idosos e doentes físicos ou mentais. Sobreviventes podem ter danos neurológicos permanentes. Insolação por Esforço ou Excessiva - geralmente ocorre em pessoas saudáveis, jovens e fisicamente ativas que realizam exercícios extenuantes ou trabalham em ambientes quentes e úmidos. A insolação ocorre quando a temperatura corporal central aumenta e o sistema termorregulador falha em responder adequadamente. Desidratação, baixa aptidão física, falta de aclimatação, privação do sono e obesidade aumentam a probabilidade de desenvolver insolação por esforço. Conduta Ao tratar lesões provocadas pelo calor, preste atenção especial à proteção das vias aéreas, ventilação adequada e ressuscitação de fluidos, porque a aspiração pulmonar e a hipóxia são causas importantes de morte. Inicialmente, administre 100% de oxigênio; após o resfriamento, use os resultados da gasometria arterial para orientar o fornecimento adicional de oxigênio. Pacientes com nível alterado de consciência, hipercapnia significativa ou hipóxia persistente devem ser intubados e ventilados mecanicamente. Obtenha os níveis de gases no sangue arterial, eletrólitos, creatinina e nitrogênio da uréia no sangue o mais cedo possível. Faça uma radiografia de tórax (Insuficiência renal e rabdomiólise) Use métodos padrão para tratar hipoglicemia, hipercalemia e acidose. A hipocalemia pode se tornar aparente e requer reposição de potássio, principalmente quando a acidose é corrigida. Convulsões podem ser tratadas com benzodiazepínicos. A pronta correção da hipertermia pelo resfriamento imediato e o suporte das disfunções orgânicas sistêmicas são os dois principais objetivos terapêuticos em pacientes com insolação. O resfriamento rápido melhora a sobrevivência. O objetivo é diminuir a temperatura corporal para <39 ° C em 30 minutos. Spray de água e fluxo de ar sobre o paciente são ideais no ambiente pré-hospitalar. Como alternativa, aplique compressas de gelo em áreas de alto fluxo sanguíneo (por exemplo, virilha, pescoço, axila). O método de resfriamento baseado na condução - a imersão em água gelada iniciada poucos minutos após o início da insolação por esforço - é rápido, seguro e eficaz em militares ou atletas jovens, saudáveis e bem treinados. Não use esse método em pacientes idosos, pois ele pode aumentar em vez de diminuir a mortalidade. Em eventos de acidentes em massa com insolação clássica, a unidade de resfriamento corporal (URC) pode atingir excelentes taxas de resfriamento com maior sobrevida. A URC envolve a pulverização dos pacientes com água a 15 ° C e a circulação de ar quente que atinge a pele de 30 ° C a 35 ° C. Essa técnica é bem tolerada e permite monitoramento e ressuscitação ideais de pacientes inconscientes e hemodinamicamente instáveis. A sobrevivência e os resultados da insolação estão diretamente relacionados ao tempo necessário para iniciar a terapia e resfriar os pacientes a ≤ 39 ° C. Farmacologia No caso de hipertermia maligna relacionada a agentes anestésicos ou síndrome maligna dos neurolépticos, o dantroleno (Dantrium, Revonto) reduz a excitação e contração muscular e diminui a temperatura corporal central. Não foi demonstrado que o Dantrolene diminui a temperatura do corpo quando usado no tratamento de insolação. Os medicamentos podem aumentar potencialmente o risco de insolação por esforço. Os exemplos incluem, entre outros, álcool, qualquer estimulante prescrito ou sem receita, cafeína ou bebidas energéticas, diuréticos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (especialmente combinados com diurético), anti-histamínicos e anticolinérgicos. Anfetaminas e salicilatos em grandes doses pode elevar o ponto de ajuste hipotalâmico. Medicamentos antipsicóticos e antidepressivos, como lítio (Lithobid, Lithane) e inibidores seletivos da recaptação de serotonina, podem interferir nos mecanismos termorregulatórios. Quando possível, obtenha um histórico de medicação do paciente, família e / ou pessoal pré-hospitalar. Prognóstico Os fatores associados ao mau prognóstico incluem hipotensão, necessidade de intubação endotraqueal, coagulação alterada, idade avançada, temperatura> 41 ° C, longa duração de hipertermia, coma prolongado, hipercalemia e insuficiência renal oligúrica.