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Psicopatologia I - Aula 1 Rosemeri Covre *INTRODUÇÃO: (Dalgalarrondo, 2008 p.23 a 44) Semiologia médica- Estudo dos sinais e dos sintomas das doenças, que permite ao profissional de saúde: • identificar alterações físicas e mentais; • ordenar os fenômenos observados; • formular diagnósticos; • empreender terapêuticas. Semiologia psicopatológica - Estudo dos sinais e dos sintomas que indicam a existência de sofrimento, transtornos e patologias mentais. *Sinais: comportamentais, objetivos, verificáveis pela observação direta do paciente. *Sintomas: vivências subjetivas relatadas pelos pacientes, suas queixas e narrativas comunicadas. PSICOPATOLOGIA: Ramo da ciência que trata da natureza essencial das doenças mentais - suas causas, mudanças estruturais e funcionais associadas e suas formas de manifestação. • Objetiva ser sistemática, elucidativa e desmistificante sem juízo de valor. • Busca apenas observar, identificar e compreender os diversos elementos da doença mental. Forma e Conteúdo dos Sintomas: • Forma: estrutura básica, relativamente semelhante nos diversos pacientes. • Conteúdo: mais pessoal, que preenche a alteração estrutural e depende da história de vida do paciente, de seu universo cultural e da personalidade prévia ao adoecimento. PRINCIPAIS CRITÉRIOS DE NORMALIDADE EM PSICOPATOLOGIA: TIPOS DE PSICOPATOLOGIA: • Descritiva: caracterização da vivência patológica como sintoma mais ou menos típico. • Dinâmica: experiência particular dos movimentos internos de afetos, desejos e temores do indivíduo. • Médico-naturalista: centrada no corpo e no ser biológico, no mau funcionamento do cérebro. • Existencial: foco no histórico e humano, construído na abertura para construção de cada destino pessoal. • Cognitivo-comportamental: os sintomas resultam de comportamentos e pensamentos disfuncionais. • Psicanalítica: os sintomas são formas de expressão de conflitos, predominantemente inconscientes. • Categorial:enquadramento em categorias. • Dimensional: níveis (do leve ao grave). • Biológica: aspectos cerebrais, neuroquímicos ou neurofisiológicos. • Sociocultural: normas, valores e símbolos culturalmente construídos. • Operacional-pragmática: DSM (APA) e CID-10 (OMS) • Fundamental: fundamentos de cada conceito psicopatológico (P. Fedida) Diagnóstico: 1- Baseado preponderantemente nos dados clínicos: uma história bem-colhida e um exame psíquico minucioso, ambos interpretados com habilidade. 2- Não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo entrevistador. Manter duas linhas paralelas de raciocínio clínico; uma linha diagnóstica, baseada fundamentalmente na cuidadosa descrição evolutiva e atual dos sintomas que de fato o paciente apresenta, e uma linha etiológica, que busca, na totalidade de dados biológicos, psicológicos e sociais, uma formulação hipotética plausível sobre os possíveis fatores etiológicos envolvidos no caso. 3- Não existem sinais ou sintomas psicopatológicos totalmente específicos de determinado transtorno mental. O diagnóstico psicopatológico repousa sobre a totalidade dos dados clínicos, momentâneos (exame psíquico) e evolutivos (anamnese, história dos sintomas e evolução do transtorno). 4- O diagnóstico psicopatológico é, em inúmeros casos, apenas possível com a observação do curso da doença. 5- Deve ser sempre pluridimensional. Várias dimensões clínicas e psicossociais devem ser incluídas para uma formulação diagnóstica completa. 6- Confiabilidade e validade do diagnóstico. Ao mudar diferentes aspectos do processo de avaliação, o resultado permanece o mesmo. Diagnóstico Pluridimensional em Saúde Mental Exemplos de formulação diagnóstica ( Multiaxial - DSM IV) Eixo 1. Diagnóstico do Transtorno Mental Esquizofrenia paranóide, episódio depressivo grave, dependência ao álcool, anorexia nervosa etc. Eixo 2. Diagnóstico de Personalidade e do Nível Intelectual Personalidade histriônica, personalidade borderline, etc., retardo mental leve, retardo mental grave etc. Eixo 3. Diagnóstico de Distúrbios Somáticos Associados Diabete, hipertensão arterial, cirrose hepática, infecção urinária etc. Eixo 4. Problemas Psicossociais e Eventos da Vida Desencadeantes ou Associados Morte de uma pessoa próxima, separação, falta de apoio social, viver sozinho, desemprego, pobreza extrema, detenção, exposição a desastres etc. Eixo 5. Avaliação Global do Nível de Funcionamento Psicossocial Bom funcionamento familiar e ocupacional, incapacidade de realizar a própria higiene, não sabe lidar com dinheiro, dependência de familiares ou serviços sociais nas atividades sociais ou na vida diária etc. Fenômenos agudos ou subagudos são classificados da seguinte forma: • Crise ou ataque – surgimento ou término abrupto e dura minutos,r aramente horas. Chamamos de crise as de natureza epilética, histérica e de agitação psicomotora, por exemplo. • Episódio – duração de dias ou até semanas. O termo crise ou episódio refere-se apenas à temporalidade do fenômeno. • Fase – refere-se principalmente às fases de depressão (diminuição da atividade psíquica) ou da mania dos transtornos afetivos. • Surto – é a eclosão abrupta da doença de base endógena não compreensível psicologicamente. • Sinais e sintomas prodrômicos: chamados também de personalidade pré-mórbida, aqueles comportamentos identificados em períodos anteriores à eclosão do transtorno. Podem ocorrer desde a infância, já antecipando o início do transtorno.