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Fendas Fendas 
GlGlóóticasticas
Jane KJane Káátia Quintanilhatia Quintanilha
FENDAS GLÓTICAS
“Durante a fonação, as pregas vocais deveriam se 
coaptar em toda sua extensão, fazendo desaparecer a 
rima glótica. Contudo, nem sempre isto ocorre e no 
processo de coaptação pode resultar a presença de 
espaços, genericamente denominados de fendas 
glóticas.” (PINHO & PONTES, 1991; PONTES & 
BEHLAU, 1994)
As fendas glóticas podem ser classificadas em:
�Triangulares;
� Fusiformes;
� Paralelas;
� Duplas ou
� Irregulares
TRIANGULARES
As fendas triangulares apresentam um formato 
muito próximo ao de um triângulo com base na região 
posterior. 
Estas fendas podem ser classificadas em: posterior, 
médio-posterior e ântero-posterior.
• Fenda Triangular-posterior
Está restrita à região da área respiratória, conhecida 
como glote cartilaginosa.
Estas fendas quase não interferem na qualidade 
vocal, podendo apenas levar a um discreto aumento do 
fluxo de ar à fonação ou a uma pequena redução nos 
tempos máximos de fonação.
• Fenda Triangular-posterior
*Representa um padrão laríngeo feminino.
• Fenda Triangular Médio-posterior
Atinge geralmente o terço médio das pregas 
vocais.
Causada pela importância e predomínio da função dos 
músculos cricoaritenóideos posteriores, os abdutores da 
laringe, mantém as pregas vocais afastadas na região 
posterior.
Na avaliação, observa-se uma voz geralmente 
soprosa, podendo ser rouca ou até mesmo áspera.
A fonoterapia é o tratamento indicado para 
favorecimento de um padrão de fonação mais 
equilibrado.
Está mais associada a presença de nódulos, 
sendo a precursora deste; 
Tratamento é fonoterápico;
Devem ser utilizados exercícios de suavização 
e relaxamento;
• Fenda Triangular Médio-posterior
*Fenda típica da disfonia por tensão muscular ou por 
síndrome de tensão musculoesquelética.
• Fenda Triangular Ântero-posterior
É a menos comum nas fendas triangulares. Nesta 
ocorre o oposto da fenda médio-posterior, ou seja, 
há predomínio de hipocontração ou hipocinesia da 
laringe.
Assim, nestas fendas não se observam as 
constrições de vestíbulo, nem os sinais e sintomas 
da síndrome de tensão musculoesquelética. 
Os exercícios de relaxamento não são efetivos 
nesses casos.
Localiza-se por toda extensão da pv.
Ocorre alterações na pv, como hipocontração ou 
hipocinesia da laringe.
Voz soprosa, baixa intensidade, projeção vocal 
restrita, ataque vocal soproso e tempo máximo de 
fonação encurtado.
Terapia: deve haver enfoque nos exercícios que 
propiciem a coaptação glótica das pv, como 
exercícios de modulação de altura e intensidade, 
execução deescalas musicais e técnicas de 
empuxo.
•Fenda Triangular Ântero-posterior
• Fenda Triangular Ântero-posterior
FUSIFORMES
Estas têm a forma de um fuso com maior separação 
em sua região mediana, são também chamadas de 
fendas ovais.
Nestas fendas observa-se a formação de um fuso à
fonação, que pode restringir-se à região anterior das 
pregas vocais – fenda fusiforme anterior -, estender-se, 
ou ainda limitar-se à parte posterior – fenda fusiforme 
posterior; são também denominadas de fendas elípticas.
• Fenda Fusiforme Anterior
Apresenta-se como um fuso restrito à região da glote, 
com fechamento completo dos dois terços posteriores.
Esta fenda é atribuída a uma deficiência na atividade 
dos músculos cricotireóideos.
A voz apresenta freqüência fundamental 
discretamente elevada, pois a porção vibrante da prega 
vocal é reduzida, de qualidade vocal soprosa ou áspera.
Nos homens pode ser confundido com muda vocal 
incompleta.
• Fenda Fusiforme Anterior
• Fenda Fusiforme Ântero-posterior
�Nesta observa-se a formação de um fuso ao longo de 
toda a glote, sem região de contato efetivo.
� Esta decorre de alterações estruturais, no entanto, 
quase sempre é encontrada associada à hiperconstrição 
do vestíbulo com uma tentativa reflexa de se corrigir a 
abertura. 
�Quando há grande esforço, pode-se ter também a 
presença de nódulos ou pólipos.
• Fenda Fusiforme Ântero-posterior
• Fenda Fusiforme Posterior
Esta fenda geralmente corresponde a uma variação 
da fenda fusiforme ântero-posterior, no entanto, com 
menor rigidez na região anterior, onde ocorre 
primariamente o fechamento glótico.
• Fenda Fusiforme Posterior
PARALELA
Resultam de uma complexa interação de 
inadaptações miodinâmicas e orgânicas, podendo também 
representar uma situação de mucosa pouco abundante. 
São bastante incomuns e as menos compreendidas 
do ponto de vista miodinâmico, podendo ser confundidas 
com as triangulares ântero-posteriores. Há uma falta de 
coaptação praticamente uniforme ao longo de toda borda 
livre.
Causam pequeno impacto vocal e não há qualidade 
vocal específica associada que auxilie em sua identificação, 
podendo ou não haver voz com discreta redução de 
intensidade. 
• Fenda Paralela
DUPLA
Apresenta duas regiões de coaptação insuficiente, 
formando um pequeno fuso na região anterior e um 
triângulo na região posterior.
Estas fendas são geralmente fendas triangulares 
médio-posteriores com lesão de mucosa,predominante-
mente nódulos edematosos, o que produz mecanicamente, 
na acomodação dos tecidos, o aparecimento de abertura 
fusiforme anterior.
Em alguns casos, a presença de uma fenda dupla 
pode também refletir uma contração excessiva da faringe, 
o que contribui para a aproximação da parte central das 
pregas vocais.
Desaparece rapidamente com a fonoterapia.
• Fenda Dupla
AMPULHETA
Estas fendas também apresentam duas regiões de 
abertura glótica, semelhante à fenda dupla. No entanto se 
diferem pois, na região posterior há uma aproximação dos 
processos vocais das cartilagens aritenóideas.
É mais frequente nos casos de alteração estrutural 
mínima com lesão de massa secundária.
As lesões de massa secundárias podem 
representar espessamentos úteis ao fechamento glótico 
e não devem ser removidas e a fonoterapia pode ser 
limitada.
• Fenda em Ampulheta
IRREGULAR
Apresentam coaptação glótica insuficiente pela borda 
livre das pregas vocais não apresentarem um traçado 
definido, com limite nítido, constante ou uniforme, o que 
produz uma configuração geométrica do espaço glótico 
irregular.
Podem ser encontradas em quadros de inadaptação 
fônica, associadas a diferenças de tamanho entre as pregas 
vocais, ou nas AEM indiferenciadas, embora sejam mais 
comuns em quadros orgânicos como: refluxo gastresofágico, 
atrofias de pregas vocais, laringites crônicas dentre outras. 
• Fenda Irregular
CONCLUSÃO
A maior parte das fendas glóticas, especialmente as 
triangulares, respondem positivamente à fonoterapia, 
algumas de imediato, outras exigindo uma série de provas 
terapêuticas com diferentes técnicas de treinamento 
vocal para se avaliar a efetividade ou não de um recurso 
vocal. 
Fendas extensas podem requerer procedimentos 
adicionais para se conseguir coaptação glótica, tais 
como injeção de gordura, implante de fáscia muscular 
ou realização de tiroplastia para medialização.
Como parte da avaliação das fendas glóticas, não se 
pode deixar de observar as principais características 
vibratórias das pregas vocais observadas à luz da 
estroboscopia que são:
� Simetria;
� Periodicidade;
� Amplitude de vibração;
� Fases do ciclo glótico; 
� Diferença de fase vertical;
� Segmento anatômico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
� BEHLAU, M. Voz, O livro do Especialista – vol. 1 
Segunda impressão. Rio de Janeiro – 2001.
� BEHLAU, M e Pontes, P. Avaliação e Tratamento 
das Disfonias. São Paulo – 1995.

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