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Escherichia coli MELISSA DE FATIMA MARTINS BEZERRA EMERICIANO 219120069 NERTAN RIBEIRO BATISTA 219120075 THIAGO MOURA TAVARES 219120068 Introdução Descoberta e nomeada por Theodor Escherich (1885) Demonstrou-se que a cepa era responsável por diarreia infantil e gastroenterite Habitat: microbiota intestinal Função de proteção e nutrição para o organismo humano Há mais de 700 sorotipos diferentes de E. coli Disponível em: <https://www.biocote.com/blog/five-facts-e-coli/> Escherichia coli É um bacilo gram-negativo Família das Enterobacteriaceae Anaeróbias facultativas Possui múltiplos flagelos disposto em volta da célula Possuem fímbrias É uma lactase positiva MURRAY, P. R.; ROSENTHAL, K. S.; PFALLER, M. A. Microbiologia médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009 Diferentes sorotipos Grupos de antígenos: Polissacarídeo O: Classificação epidemiológica das cepas dentro da espécie Antígeno K: capsular Antígeno H: proteína flagelina - movimentação Disponível em: <https://basicmedicalkey.com/wp-content/uploads/2017/02/image01797.jpeg> Divisões apresentadas E. coli Enteroagregativa (EAEC) E. coli Enterotoxigênica (ETEC) E. coli Enteropatogênica (EPEC) E. coli Produtora de toxina Shiga (STEC) E. coli Enteroinvasiva (EIEC) E. coli Patogênica extraintestinal (ExPEC) Escherichia coli enteropatogênica(EPEC) Definição Cepas capazes de induzir uma lesão histopatológica no epitélio intestinal => Lesão attaching and effacing( lesão AE) e desprovidas de genes que codificam Stx. Região LEE(conjunto de vários genes cromossômicos que atuam na formação da lesão AE). Tipos: EPEC típica => Portadora do plasmódio EAF => Microcolônias compactas; EPEC atípica => Não portadora do plasmódio EAF => Microcolônias mais frouxas Diferenças entre os tipos de EPEC Disponível em:< https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-20092012-095345/publico/NataliaCristinadeFreitas_Mestrado_P.pdf>. Adaptado. Devido a ausência da Fimbria BFP nas aEPEC sua aderência é mais variada e não tão intensa como ocorre nas tEPEC. Ambas são capazes de produzir biofilmes. Epidemiologia-EPEC Atípicas => Diversos reservatórios Típica => principal reservatório é o homem. Estudos na década de 80 demonstraram que 30% dos casos de diarreia no primeiro ano de vida era causada pela EPEC no Brasil; Atualmente, a incidência de EPEC típica é menos frequente, enquanto a EPEC atípica aumenta consideravelmente => Grupos mais heterogêneos; Atinge principalmente crianças, essencialmente de até 1 ano de vida, mas acomete também adultos. Patogenia EPEC Ultrapassagem da barreira gástrica => Adesão mucosa Intestino delgado e grosso => Proteínas efetoras => Modificações => Lesão AE FONTE: Clarke et al (2003) Disponível em:< https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-20092012-095345/publico/NataliaCristinadeFreitas_Mestrado_P.pdf>. Sinais e Sintomas EPEC Principal manifestação clínicas em ambos os tipos é a diarreia aguda. Dependendo dos fatores do hospedeiro varia: Sub-clinica à fatal. Possíveis particularidades: tEPEC: Estudos indicam que esse patotipo induz uma diarreia secretora abundante, com muco, porém desprovida de sangue,havendo importantes perdas de fluidos e eletrólitos nas fezes, bem como febre baixa e vômito. aEPEC: associada a diarreia persistente, segundo estudos na Noruegua e Austrália. Escherichia coli produtora de toxina Shiga(STEC) Definição Da classe Escherichia coli diarreiogênica, produz uma poderosa citotoxina. Subgrupo: Escherichia coli enterro-hemorrágica(EHEC), principal soro tipo O157:H7 e não-O157. Adquiridos ingestão de alimentos ou água contaminada, principais reservatórios são os ruminantes(bovinos, suínos, ovinos). Patogenia STEC É complexa e multifatorial. Alguns sorotipos causam também Lesão A/E Ultrapassam barreira gástrica => Intestino grosso=> Adesão a Mucosa=> Interações => Cascata de coagulação e processos inflamatórios que resultam na SHU, no colón ocorre rompimento de vasos e nos rins ocorre obstrução dos vasos dos glomérulos levando a insuficiência renal. Patogenia STEC GP3= Receptor glicolipídeo globotriacilceramida, expresso principalmente em pequenos vasos das células endotelias dos rins, intestino e cérebro. FONTE: 1. Microbiologia I. Trabulsi, Luiz Rachid, 1927-2005. II. Alterthum, Flavio. Atuam também em células dos túbulos renais, monócitos e plaquetas. Ação nos monócitos=> citocinas pró-inflamatórias=> Aumentam expressão de GB3 Epidemiologia STEC Distribuição mundial Alta prevalência em países desenvolvidos: EUA, Canadá, Reino Unido, vários países da Europa Continental e o Japão => Infecções por STEC O157:H7 são as mais frequentes; Em países como Brasil, Chile, Argentina, entre outros são frequentemente esporádicas ou fazem parte de surtos de menores proporções, sendo causadas mais frequentemente por sorotipos não-O157. Casos de SHU, anemia hemolítica e diarreias, sanguinolentas ou não, relacionados tanto à STEC O157:H7 como aos sorotipos não-O157 têm sido diagnosticados em diferentes regiões do Brasil. Sinais e Sintomas STEC Espectro amplo=> Assintomático até casos mais graves: STEC se destaca por causar um amplo espectro de doenças no homem, que compreende desde casos assintomáticos, diarreia branda, até casos mais graves de colite hemorrágica (CH) que podem evoluir para complicações extraintestinais, sendo a de maior gravidade a síndrome hemolítica urêmica (SHU). Além de outras possíveis complicações como apendicite, cistite hemorrágica e até mesmo anormalidades neurológicas podem ser observadas. Escherichia coli Enteroinvasora (EIEC) Causador da diarreia no homem Interage com a mucosa do cólon Doença: febre, mal-estar, cólicas abdominais e diarreia aquosa seguida de disenteria consistindo de poucas fezes, muco e sangue Móveis e imóveis Os mecanismos de patogenicidade depende de um plasmídeo chamado: pINV Fatores de virulência: invasão, multiplicação intracelular e disseminação de célula para célula Escherichia coli Enteroinvasora (EIEC) Patogênese Invasão e sobrevivência depende de genes contidos no plasmídio pInv Células sem o plasmídeo de invasão são avirulentas Dose de infecção deve ser alta Destruição das células epiteliais que revestem o cólon Geralmente a infecção é restrita a um determinado local Epidemiologia da EIEC Frequentes em crianças com mais de dois anos de idade e no adulto Transmissão é fecal-oral Adquire-se a doença pela ingestão de água e alimentos contaminados Escherichia coli Patogênica Extraintestinal (ExPEC) A Escherichia coli é um bacilo Gram-negativo Família Enterobacteriaceae Método quadruplex por PCR divide em 8 grupos filogenético: A, B1, B2, C, D, E, F e clado I 90%(A e B1) das cepas de E. coli são simbiontes ou comensais, habita trato intestinal de animais sangue quente Os outros 10% patógenos intestinais e extraintestinais. Doenças Extraintestinais Causadas por E. coli Infecções do trato urinário (ITU); Meningite em neonatos; Pneumonia hospitalar; Sepse; Peritonite; Osteomielite; Artrite infecciosa; Colecistite(vesícula biliar) Obs: atinge milhões de pessoas de forma silenciosa Mecanismos de patogenicidade de uropatogênicas de ExPEC Cerca de 20 a 30 % da população sadia abrigam em sua microbiota intestinal Mecanismo: Contaminação na uretra; Seguem em uma rota ascendente chegando à bexiga, ureteres e rins; Ao alcançar a bexiga, a UPEC adere e recobre as células do uroepitélio; Ocorre a multiplicação; Há migração local de células polimorfonucleares; Infecções não tratadas podem progredir de forma ascendente até alcançar os rins causando as pielonefrites Determinantes de virulência da uropatogências de ExPEC Fímbria tipo 1: promove formação de biofilmes e invasão celular Fímbria P: auxilia na ligação de resíduos Flagelo: motilidade Fímbria S: papel de aglutinação Fímbrias FIC: adesão de bactérias Alfa-hemolisina: papel de formação poros que facilitama liberação de nutrientes e íons ferro CNF1: ação necrotóxica Escherichia coli Enterotoxigênica (ETEC) Fatores de virulência: Fatores de colonização (CFs) Enterotoxinas LT: toxina termolábil Enterotoxinas ST: toxina termoestável Mecanismo de patogenicidade Disponível em: <http://www.medicinanet.com.br/imagens/20120327192656.jpg> Escherichia coli Enterotoxigênica (ETEC) Epidemiologia: 400.000 mortes anuais Grupo mais afetado: crianças Precariedade das condições de vida e saneamento básico Sinais e sintomas: Diarreia do viajante Vômitos Cólicas Náuseas Escherichia coli Enteroagregativa (EAEC) Bactérias com aspecto de “tijolos empilhados” Fatores de virulência: Adesinas: Fímbria de aderência agregativa (AAF/I,AAF/II, AAF/III) Exotoxinas: Toxina termoestável enteroagregativa (EAST-1); toxina codificada pelo plasmídeo (Pet) Mecanismo de patogênese: Adesão a mucosa intestinal (participação das adesinas) Multiplicação das bactérias e estimulação da hipersecreção de muco Lesões na mucosa intestinal Escherichia coli Enteroagregativa (EAEC) Epidemiologia Fortaleza: 68% dos casos de diarreia persistente em hospital infantil Surto em criança e idosos em países desenvolvidos Altas taxas de mortalidade em países subdesenvolvidos Sinais e sintomas diarreia prolongada sem sangue sinais de inflamação Diagnóstico Laboratorial: Cultivo de fezes em meio de cultura=> Em geral, ágar MacConkey e MacConkey sorbitol Observação da fermentação da lactose e do sorbitol Teste bioquímicos(ex: Citrato de simmons) Coloração PCR=> Nos tipos EPEC E STEC PCR=> região LEE(nas EPEC), genes Stx1 e Stx2( presentes nas STEC) PCR=> gene bfpA (que codifica o subunidade majoritária de BFP) => diferenciar tEPEC da aEPEC. Clínico: observação dos sinais e sintomas colher informações sobre os hábitos de higiene pessoal; investigar o estilo de vida. Tratamento Geral: Reidratação Oral; Antibióticos, dependendo do local da infecção e do teste de sensibilidade: Muitas cepas são resistentes a ampicilina e tetraciclinas, deve-se usar outros como Fosfomicina, Trimetoprima-sulfametoxazol. Especifico: Nos casos de EPEC: A terapia com microbianos é recomendado apenas para casos mais severos; e o aleitamento materno é importante na proteção ( substância que inibem colonização intestinal); Nos casos de STEC: Uso de antimicrobianos não é benéfico, na maioria dos casos(Ex: Sulfatrimetoprim e Cifrofloxocina induz maior produção de toxinas); Abordagens promissoras=> Probióticos para competir com STEC na mucosa e compostos químicos sintéticos para absorver as toxinas Stx no intestino; SHU=> Imediato em centros especializados, realização de Diálises, hemofiltração e infusão de plaquetas. Resistência antimicrobiana Beta-lactâmicos: beta-lactamases de espectro estendido resistência à penicilina, cefalosporina e monobactâmicos. Carbapenemas: carbapenemases resistência às penicilinas e às cefalosporinas. Tetraciclina: plasmídeos em E. coli bomba de efluxo Fluoroquinolonas: mutação genética bomba de efluxo Cuidados Cuidados na preparação do alimento Refrigeração adequada dos alimentos Hábitos de higiene pessoal Cuidado na ingestão de água contaminada Evitar laticínios não pasteurizados Lavagem dos alimentos antes de ingerí-los Caso clínico Paciente do sexo masculino, 23 anos apresenta diarreia intensa, com cólicas abdominais e já com sinais de desidratação. O paciente procurou uma unidade de atendimento, onde ao responder os questionamentos do médico se lembrou de ter almoçado em um restaurante próximo a sua residência onde os alimentos não apresentavam boa aparência, o médico suspeito de infecção alimentar por algum tipo de bactéria e solicitou análise microbiológica das fezes. Na técnica de microscopia direta o biomédico responsável identificou a presença de bacilos gram-negativos, indicativo de enterobactérias. Foi inoculada parte da amostra em Ágar Mac Conkey, em que observou-se o crescimento de colônias rosadas indicativo de enterobactéria fermentadora de lactose. Então ele inoculou uma colônia isolada em meio de Rugai (meio composto por várias provas bioquímicas juntas). Pela sua experiência a coloração do meio indicava a presença de Escherichia coli, para uma confirmação mais precisa realizou uma prova bioquímica isolada onde testa a atividade da beta galactosidase essencial para bactérias que fermentam apenas lactose para fonte energética. O meio depois de algum tempo apresentou coloração amarela, indicando a positividade para tal característica. Questão Sabe que as infecções bacterianas ocorrem com muita frequência na população, nesse sentido, que tipo(s) de bactéria(s) da família Enterobacteria, podem causar uma lesão AE? ( )- Escherichia coli Patogênica Extraintestinal (ExPEC) ( )- Escherichia coli Enterotoxigênica (ETEC) e ExPEC ( )- Escherichia coli enteropatogênica(EPEC) ( )- Escherichia coli enteropatogênica(EPEC) e Escherichia coli Enteroinvasora (EIEC) ( )Escherichia coli enteropatogênica(EPEC) e Escherichia coli produtora de toxina Shiga(STEC) Considerações finais Após apresentação da E. coli conclui-se que há uma grande importância para o âmbito acadêmico e profissional na área da saúde, tendo em vista a grande incidência mundial de disfunções desencadeada pela disbiose acarretando uma sintomatologia que deve ser tratada com devida atenção pelos profissionais de saúde. Referências TRABULSI, Luiz R. ALTERTHUM, Flávio. Microbiologia. 6ª Edição. Editora Atheneu, 2015. LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e imunologia. 13ª Edição. Porto Alegre: AMGH, 2016. CRISTINA, N. Fímbrias Pil em Eschrichia coli enteropatogênica atípica: caracterização e investigação do papel de PilS e PilV na adesão bacteriana. São Paulo, 2012. Disponível em: <https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-20092012-095345/publico/NataliaCristinadeFreitas_Mestrado_P.pdf>. Acesso em: 14 de set. de 2019.