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Módulo Tributo e Segurança Jurídica 
 
O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua utilização, manipulação ou reprodução, por pessoas 
estranhas e desvinculadas de suas atividades institucionais sem a devida, expressa e prévia autorização. 
 
 
Seminário	II	
ESPÉCIES	TRIBUTÁRIAS	
Estudante:	Bruna	Almeida		
Questões	
1. Efetue,	 de	 forma	 fundamentada,	 proposta	 de	 classificação	 jurídica	 dos	 tributos,	
evidenciando	 os	 critérios	 classificatórios	 adotados.	A	 destinação	 do	 produto	 da	
arrecadação	 tributária	 é	 relevante	 para	 a	 classificação	 jurídica	 dos	 tributos	 e	
consequente	 definição	 das	 espécies	 tributárias?	 Considerar,	 na	 análise	 da	
pergunta,	 o	 art.	 167,	 inciso	 IV,	 da	 CF/88,	 e	 o	 art.	 4º	 do	 CTN.	 (Vide	 anexo	 I).	 A	
legislação	 tributária	 pode	 proibir	 a	 compensação	 de	 tributos	 entre	 diferentes	
espécies	sob	a	justificativa	de	que	a	destinação	das	receitas	são	diferentes?	(Vide	
REsp	1.449.713)	
	
R: A meu ver, o sistema tributário brasileiro adota 5 espécies de tributos, são eles: impostos, 
taxas, empréstimos compulsórios, contribuições de melhoria e contribuições. 
  
Os  impostos  têm  características  de  não  vinculação,  ou  seja,  não  está  ligado  a  uma 
contraprestação estatal e pode incidir sobre a renda, o patrimônio e o consumo. 
  
As taxas, por outro lado, são vinculadas a uma contraprestação do estado, bem como possui 
as características de especificidade e divisibilidade. Não podendo ela ter base de cálculo ou 
mesmo fato gerados iguais aos de impostos. 
  
No que tange aos empréstimos compulsórios, estes podem ser instituídos apenas pela União, 
com  o  objetivo  de  custear  despesas  extraordinárias,  como  calamidade  pública  ou  guerra 
externa, ou ainda para promover investimento público com urgência e benefício nacional. 
  
As contribuições de melhoria são diferentes contribuições especiais, porque aquelas além de 
estar vinculadas a uma  contraprestação estatal, é necessário que haja uma obra pública e 
gere uma valorização  imobiliária, podendo ser  instituídas pela União, Estados e Municípios. 
Enquanto  que  as  contribuições  especiais  são  competência  exclusiva  da  União  e, 
obrigatoriamente devem estar vinculadas a uma finalidade específica. 
  
Apesar  de  o  CTN  estabelecer  no  seuartigo  4º  ser  irrelevante  a  destinação  do  produto  da 
arrecadação, entendo que é fundamental para a classificação jurídica dos tributos, tendo em 
vista  que  se  tributo  tiver  natureza  vinculada  a  contraprestação  estatal,  o  benefício 
econômico obtido  será destinado para o  custeio e manutenção daquilo que determinou a 
sua instituição. 
  
   
Módulo Tributo e Segurança Jurídica 
 
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Entretanto, o  artigo  167  inciso  IV, da CF/88,  veda  expressamente  a destinação  específica, 
com  a  ressalva  das  hipóteses  que  mencionam  a  vinculação  dos  impostos  a  qualquer 
destinação. 
 
Por fim, entendo que podea lei vedar a compensação de tributos  entre diferentes espécies, 
quando  o  ente  público  responsável  for  diverso,  a  título  de  exemplo,  não  é  permitido 
compensar  créditos  de  IRPF,  administrado  pela  União,  com  débitos  de  IPVA,  que  é 
administrado pelo Estado. 
 
No entanto, se houver crédito de tritutos federais, entendo ser possível a compensação com 
crédito previdenciários, pois nessa caso é administrado pelo mesmo ente federado. 
	
2. Que	 é	 taxa?	Que	 se	 entende	por	 o	 “serviço	público”	 e	 “poder	de	polícia”?	 (Vide	
anexo	II).	Há	necessidade	de	comprovação	da	efetiva	fiscalização	para	cobrança	da	
taxa	de	poder	de	polícia?	(Vide	anexos	III,	IV	e	V).	
	
R: Entendo por taxa, uma espécie de tributo com critérios da especificidade e divisibilidade, 
que  não  pode  ter  base  de  cálculo  ou  fato  gerador  idênticos  aos  que  correspondam  aos 
impostos, nem ser calculada em função do capital das empresas. 
Em  que  pese  também  constituir  como  fato  gerador  da  taxa  o  poder  de  polícia,  aqui 
desempenha  atividades  de  fiscalização,  em  face  da  situação  econômica  do  contribuinte, 
como por exemplo, a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA, que é cobrada pelo 
IBAMA, ente que exerce poder de polícia, face as empresas eu utilizam matérias tidas como 
potencialmente poluidores.   
Enquanto  que  o  serviço  público  pode  ser  entendido  como  uma  prestação  estatal  de  um 
serviço posto à disposição do contribuinte 
Entendo  não  haver  necessidade  da  comprovação  da  efetiva  fiscalização  para  cobrança  da 
taxa de poder de polícia, visto que é inerente a própria atividade. 
	
3. Que	diferencia	taxa	de	preço	público?	(Vide	voto	do	Min.	Carlos	Velloso	na	ADI	447).	
Os	 serviços	 públicos	 de	 energia	 elétrica,	 água	 e	 esgoto,	 quando	 prestados	
diretamente	pelas	pessoas	jurídicas	de	direito	público,	são	remuneráveis	por	taxa?	
E	no	caso	de	concessão	desses	serviços?	 (Vide	anexos	VI	e	VII).	E	os	serviços	que,	
embora	prestados	pelo	Poder	Público,	são	suscetíveis	de	prestação	pela	 iniciativa	
privada	em	regime	concorrencial?	(Vide	anexo	VIII).	
	
R: Taxa como dito acima é uma espécie tributária, enquanto preço público não é tributo. 
O  preço  público  é  previsto  em  contrato  administrativo  e  pode,  inclusive,  ser  exigido  por 
pessoas jurídica de direito privado. 
Maria Sylvia Zanella Di Piero traz três critérios para definição de serviço público, são eles, o 
material, o formal e o subjetivo. 
   
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Material, pois é atividade de interesse público;  
Formal, pois o procedimento é de direito público 
Subjetivo, pois tem como parte a Estado. 
Entendo que há obrigatoriedade no pagamento da  taxa, enquanto o pagamento do preço 
público é facultativo, pois não se sujeitam aos princípios que regem o direito tributário. 
Quanto  ao  segundo  questionamento,  entendo  que  são  remuneráveis  por  taxas  quando  é 
prestado  tanto  por  pessoa  jurídica  de  direito  público,  quanto  pessoa  jurídica  de  direito 
privado,  eis  que  os  serviços  públicos  de  energia  elétrica,  água  e  esgoto  visa  atender  a 
coletividade,  bem  como  possui  natureza  compulsória/obrigatória,  não  permitindo  haja  a 
facultatividade no pagamento. 
Já os serviços prestados pelo poder público, apesar de suscetíveis de prestação pela iniciativa 
privada, entendo que devem ser remunerados por preço público, tendo em vista que na sua 
origem não há previsão legal impedindo ou delimitando apenas para as pessoas jurídicas de 
direito público a sua ocorrência.  
	
4. Hánecessidade	 do	 valor	 exigido	 a	 título	 de	 taxa	 referir‐se	 ao	 custo	 do	
serviçoprestado?	 Caso	 essa	 referibilidade	 não	 seja	 verificada,épossível	 a	
restituição?	 No	 caso	 de	 excessiva	 dificuldade	 de	 mensurar	 o	 custo	 do	
serviçoprestado,	como	fixar	a	base	de	cálculo	da	taxa?	(considerar	em	suaresposta	o	
exemplo	das	taxas	judiciais	–	vide	anexos	IX,	X	e	XI)		
	
R:	Por	ser	critério	da	taxa	a	especificidade	e	divisibilidade,	entendo	que	o	valor	exigido	da	
taxa	deve,	obrigatoriamente,	referir‐se	ao	custo	do	serviço	prestado.	
	
Sendo	possível	mensurar	e	no	caso,	o	valor	pago	tenha	sido	superior	ao	prestado,		entendo	
que	pode	haver	a	restituição	com	fundamento	no	enriquecimento	ilícito	do	estado.	
	
Se	caso	houver	dificuldade	em	calcular	ou	mensuraro	custo	do	serviço	prestado,	pode	no	
cálculo	 do	 valor	 da	 taxa,	 usar	 um	 ou	 mais	 elementos	 da	 base	 de	 cálculo	 própria	 de	
determinado	 imposto,	 desde	 que	 não	 haja	 integral	 identidade	 entre	 uma	 base	 e	 outra,	
conforme	súmula	vinculante	nº	29	do	STF.		
E,	de	acordo	com	os	anexos,	em	relação	as	 taxas	 judiciárias,	poderiam	ser	cobradas	com	
parâmetro	no	valor	da	causa	ou	bens	postos	em	litígio,	desde	que	estabelecidas	aliquotas	
minima	e	máxima	para	isso.	
	
5. Sobre	a	contribuição	de	melhoria	pergunta‐se:	(i)	Quais	os	requisitos	e	 limites	à	
cobrança	da	contribuição	de	melhoria?	(ii)	A	Lei	que	a	institui	deve	ser	produzida	
antes	 do	 início	 da	 obra	 ou	 pode	 ser	 posterior	 à	 sua	 conclusão	 e	 à	 valorização	
imobiliária?	 Se	 for	 apresentado	 laudo	 comprovando	 a	 perspectiva	 de	 gastos,	
poderia	 ser	 exigido	 o	 tributo	 antes	 da	 conclusão	 da	 obra	 e	 da	 valorização	
imobiliária?	(Vide	anexos	XII	e	XIII).	
   
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R:  i)  A  previsão  para  instituição  da  contribuição  de  melhoria  está  nos  artigos  145,  III,  da 
Constituição Federal, nos artigos 81 e 82 do Código Tributário Nacional, no DL 195/67 e em 
leis específicas para a realização da obra. 
Para  que  seja  cobrada,  é  necessário  que  haja  vinculação  da  atividade  pública  a  uma 
consequência  positiva,  podendo  ser  a  realização  de  uma  obra,  que  gere  a  valorização 
imobiliária. 
O objetivo da  tal  contribuição é a de  ressarcir os  cofres públicos no  valor  total ou parcial 
gastos com a obra. 
Com relação aos critérios, o artigo 82 do Código Tributário Nacional destaca: 
“Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os seguintes 
requisitos mínimos: 
I - publicação prévia dos seguintes elementos: 
a) memorial descritivo do projeto; 
b) orçamento do custo da obra; 
c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela 
contribuição; 
d) delimitação da zona beneficiada; 
e) determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda 
a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas; 
II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação pelos 
interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; 
III - regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento 
da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua 
apreciação judicial. 
§ 1º A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da 
parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos 
imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores 
individuais de valorização. 
§ 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser 
notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu 
pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. 
E Artigos 4º e 5º do Decreto Lei 195/67, conforme transcritos abaixo: 
“Art 4º A cobrança da Contribuição de Melhoria terá como limite o custo das 
obras, computadas as despesas de estudos, projetos, fiscalização, 
desapropriações, administração, execução e financiamento, inclusive 
   
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prêmios de reembôlso e outras de praxe em financiamento ou empréstimos 
e terá a sua expressão monetária atualizada na época do lançamento 
mediante aplicação de coeficientes de correção monetária. 
§ 1º Serão incluídos nos orçamentos de custo das obras, todos 
investimentos necessários para que os benefícios delas decorrentes sejam 
integralmente alcançados pelos imóveis situados nas respectivas zonas de 
influência. 
§ 2º A percentagem do custo real a ser cobrada mediante Contribuição de 
Melhoria será fixada tendo em vista a natureza da obra, os benefícios para 
os usuários, as atividades econômicas predominantes e o nível de 
desenvolvimento da região. 
Art 5º Para cobrança da Contribuição de Melhoria, a Administração 
competente deverá publicar o Edital, contendo, entre outros, os seguintes 
elementos: 
I - Delimitação das áreas direta e indiretamente beneficiadas e a relação 
dos imóveis nelas compreendidos; 
II - memorial descritivo do projeto; 
III - orçamento total ou parcial do custo das obras; 
IV - determinação da parcela do custo das obras a ser ressarcida pela 
contribuição, com o correspondente plano de rateio entre os imóveis 
beneficiados. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, também, aos casos de 
cobrança da Contribuição de Melhoria por obras públicas em execução, 
constantes de projetos ainda não concluídos” 
 
ii) Entendo que a lei que a instituir deve ser publicada antes do início da obra, visto que deve 
observar  os  critérios  apresentados  pelo  artigo  82  do  CTN,  bem  como  os  artigos  que  se 
fizerem necessários do DL nº 195/67. 
Ademais, entendo que a cobrança do  tributo deve ser  realizada após a conclusão da obra, 
pois  só  assim  é  possível  mensurar  o  real  custo,  para  dividir  entre  os  beneficiados  da 
valorização imobiliária. 
Mesmo  que  apresentado  laudo  com  a  perspectiva  de  gastos  antes  da  conclusão  da  obra, 
entendo que a  contribuição não poderia  ser exigida antes, pois está antecipando ônus do 
pagamento ao contribuinte/beneficiário.  
	
6. Os	adicionais	ao	IPI,	ICMS	e	ISS	sobre	supérfluos	destinados	ao	Fundo	de	Combate	
a	 Erradicação	 da	 Pobreza,	 constantes	 do	 Ato	 das	 Disposições	 Constitucionais	
Transitórias	 (art.	 79,	 introduzido	 pela	 EC	 n.	 31/00),	 se	 enquadram	 em	 qual	
espécie?	Pode	o	“adicional”	de	imposto	ter	destinação	específica?	E	ser	de	natureza	
tributária	diversa	do	tributo	adicionado?	(Vide	anexos	XV	e	XVI	e	XVII)	
   
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R: A meu ver, apesar de o  IPI, o  ICMS e o  ISS, terem em sua criação natureza de  impostos, 
aqui,  quando  abordado  de  maneira  que  possui  destinação  específica,  tem  natureza  de 
contribuição  especial,  vez  que  visa  contribuir  para  o  Fundo  de  Combate  a  Erradicação  da 
Pobreza.  
Os artigos 80 e 82 do ADCT, abaixo transcritos, apenas destinam um percentual dos valores 
arrecadados para o  fundo de combate à pobreza, sendo assim não  tem  função de  instituir 
tributo, sendo, portanto, uma ressalva admitida pela Constituição Federal. 
“Art. 80. Compõem o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza: 
(...) 
II ‐ a parcela do produto da arrecadação correspondente a um adicional de 
cinco  pontos  percentuais  na  alíquota  do  Imposto  sobre  Produtos 
Industrializados  ‐  IPI, ou do  imposto que vier a substituí‐lo,  incidente sobre 
produtos supérfluos e aplicável até a extinção do Fundo; 
Art.  82.  Os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios  devem  instituir 
Fundos de Combate á Pobreza, com os recursos de que trata este artigo e 
outros que vierem a destinar, devendo os referidos Fundos ser geridos por 
entidades que contem com a participação da sociedade civil.  
§ 1º Para o financiamento dos Fundos Estaduais e Distrital, poderá ser 
criado  adicional  de  até  dois  pontos  percentuais  naalíquota  do  Imposto 
sobre  Circulação  de  Mercadorias  e  Serviços  ‐  ICMS,  sobre  os  produtos  e 
serviços  supérfluos e nas  condições definidas na  lei  complementar de que 
trata  o  art.  155,  §  2º,  XII,  da  Constituição,  não  se  aplicando,  sobre  este 
percentual, o disposto no art. 158, IV, da Constituição. 
§  2º  Para  o  financiamento  dos  Fundos Municipais,  poderá  ser  criado 
adicional  de  até  meio  ponto  percentual  na  alíquota  do  Imposto  sobre 
serviços ou do imposto que vier a substituí‐lo, sobre serviços supérfluos.”